Série “Os arquitetos do Rio de Janeiro” VII e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXXII – O prédio da Imprensa Nacional e o arquiteto Antonio de Paula Freitas

Com registros produzidos pelos fotógrafos Augusto Malta (1864-1957), Juan Gutierrez (c.1860-1897), Marc Ferrez (1843-1923) e por Rodrigues & C°. Editores e Proprietários, a Brasiliana Fotográfica publica o 7º artigo da série Os arquitetos do Rio e Janeiro e o 32º da série O Rio de Janeiro desaparecido. É sobre o prédio da Imprensa Nacional que ficava situado na Rua da Guarda Velha, atual Avenida Treze de Maio, no Rio de Janeiro. E também sobre o arquiteto e engenheiro Antonio de Paula Freitas (1843-1906), que o projetou e construiu.

 

 

Acesse aqui o link para as fotografias do prédio da Imprensa Nacional projetado por Paula Freitas disponíveis no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica

 

 

O edifício gótico-manuelino foi inaugurado, em 31 de dezembro de 1877, por João Maurício Wanderley (1815-1889), o barão de Cotegipe, então ministro da Fazenda, cerca de três anos após o lançamento de sua pedra fundamental, em 26 de agosto de 1874, por José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o visconde do Rio Branco, pai do barão do Rio Branco.

 

 

Foi demolido, entre 1940 e 1941, devido a um projeto de alargamento do Largo da Carioca (Jornal do Brasil, 8 e novembro de 1940, sexta coluna; A Noite, 5 de fevereiro de 1941Gazeta de Notícias, 30 de julho de 1941).

 

Brevíssimos perfis dos fotógrafos que produziram as fotos do prédio da Imprensa Nacional destacadas neste artigo

Augusto Malta (1864-1957)

O fotógrafo alagoano Augusto Malta foi o mais  importante cronista fotográfico do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX, cidade onde chegou em fins de 1888. Em 1903, foi contratado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como fotógrafo oficial, cargo criado para ele. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida pelo então prefeito da cidade, Francisco Pereira Passos (1836-1913), período que ficou conhecido como o “bota-abaixo”. Augusto Malta trabalhou na Prefeitura até 1936, quando se aposentou.

Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897)

A foto destacada abaixo foi produzida pelo fotógrafo Juan Gutierrez, um dos mais importantes fotógrafos paisagistas do século XIX, no Brasil e um dos maiores cronistas visuais do Rio de Janeiro. Foi um dos fotógrafos principais da transição da cidade imperial para a cidade republicana. Entre 1892 e 1896, produziu a maior parte de suas fotografias de paisagens do Rio de Janeiro, que eram vendidas para estrangeiros que visitavam a cidade. Sobre a foto abaixo, a historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi, do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, comentou no artigo O Rio de Janeiro de Juan Gutierrez, publicado no portal, em 1º de março de 2019: Ampliando a imagem, observamos um vendedor de pequenas mercadorias que hoje chamamos de camelô, bem como podemos notar, atrás do prédio da Imprensa Nacional, os primeiros barracos a serem construídos no Morro Santo Antônio, que abrigou uma grande favela no centro do Rio de Janeiro e que no final de década de 1950 foi arrasado.

 

 

 Marc Ferrez (1843-1923)

O carioca Marc Ferrez (1843 – 1923), filhos de franceses, foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Sua vasta e abrangente obra iconográfica se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo. Estabeleceu-se como fotógrafo com a firma Marc Ferrez & Cia, em 1867, na rua São José, nº 96, e logo se tornou o mais importante profissional da área no Rio de Janeiro. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde registrou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.

 

 Rodrigues & C°. Editores e Proprietários

Há até o momento poucas informações sobre este fotógrafo. Sabe-se que esteve em atividade no Rio de Janeiro nas décadas de 1890 e 1900. O endereço de seu estabelecimento era Rua dos Ouvidor, n° 57.

Breve perfil do engenheiro e arquiteto Antonio de Paula Freitas (1843-1906)

 

 

O engenheiro e arquiteto carioca Antonio de Paula Freitas, nascido em 10 de janeiro de 1843, foi o responsável pelo projeto e pela construção do prédio da Imprensa Nacional, na Rua da Guarda Velha. A tarefa foi atribuída a ele por José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o visconde do Rio Branco, em 1874. O visconde era, então, o ministro da Fazenda e Paula Freitas era engenheiro do ministério (Revista do Instituto Politécnico Brasileiro, fevereiro de 1874).

 

 

 

 

Paula Freitas começou a estudar no Colégio Vittorio com 10 anos de idade. Tornou-se bacharel, em 4 de dezembro de 1863, e doutor em Ciências Físicas e Matemáticas pela antiga Escola Politécnica, em 21 de maio de 1870 (Constitucional, 5 de dezembro e 1863, última colunaDiário do Rio de Janeiro, 21 de maio de 1870, terceira coluna; Renascença, abril de 1907). Havia defendido sua tese, em 17 de março de 1870, com a presença de dom Pedro II (1825-1891) (Diário do Rio de Janeiro, 18 de março de 1870, quarta coluna). Era também engenheiro geógrafo e civil. Foi professor catedrático do curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica, conselheiro da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e engenheiro fiscal do governo junto da companhia das docas de dom Pedro II (Diário do Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1871, primeira coluna; Diário do Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1874, segunda coluna). Foi membro da Comissão de Contas da Associação Promotora da Instrução de Meninos, Secretário da Secção de Aclimação da Associação Brasileira de Aclimação e sócio da Sociedade Auxiliadora da Imprensa Nacional (Jornal do Commercio, 20 e julho de 1867, sexta colunaDiário do Rio de Janeiro, 26 e 27 de dezembro de 1876, terceira coluna; Jornal do Commercio, 27 de março de 1877, quinta coluna). Foi membro do Instituto dos Engenheiros Civis de Londres, da Sociedade Francesa de Higiene e da Diretoria do Congresso Científico Latino-Americano. Foi fundador e membro da Administração do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica; do Liceu de artes e Ofícios e do Conselho Diretor do Clube de Engenharia, tendo sido colaborador da Revista de Engenharia (Revista de Engenharia, 10 de agosto de 1879). Presidiu o Instituto Politécnico Brasileiro e foi durante anos responsável pela revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.

 

 

Recebeu, em 13 de novembro de 1877, por seu trabalho Determinação dos Coeficientes numéricos das Fórmulas Matemáticas o importante Prêmio Hawkshaw, honraria instituída pelo Instituto Politécnico Brasileiro e atribuída a quem se destacasse por trabalhos acadêmicos na área da Engenharia. Foi entregue a ele em uma sessão solene no referido instituto, na época presidido pelo visconde do Rio Branco, com a presença de dom Pedro II (Jornal do Commercio, 14 de novembro de 1877, terceira coluna).

Devido a seu destaque tanto nas atividades profissionais como nas acadêmicas foi agraciado, durante o reinado de dom Pedro II (1825-1891), com os títulos de Oficial Menor da Casa Imperial, Cavaleiro da Ordem da Rosa e cavaleiro da Ordem de Cristo.

 

 

Segundo a tese de doutorado A formação da  Escola Politécnica na corte do Império brasileiro (2022), de Laura Roberta Fontana, dentre suas obras estão:

1. História natural popular dos animais, precedida das indispensáveis noções de fisiologia e anatomia dos diferentes grupos zoológicos.

2. Curso de estradas professado na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, 1º tomo.

3. Tese apresentada à Escola Central do Rio de Janeiro e sustentada perante a mesma escola, a fim de obter o grau de Doutor em ciências matemáticas e naturais. A obra é dividida em duas partes. Na 1ª parte trata do teorema das velocidades virtuais, independente da consideração dos infinitamente pequenos, e dos princípios fundamentais da mecânica, reduzidos ao menor número possível. Na 2ª parte estuda qual a hipótese que melhor explica a formação primitiva da Terra, e depois se examina a teoria de Laplace.

4. Demonstrar em geral o teorema das velocidades virtuais sem dependência da consideração dos infinitamente pequenos. Demonstrar quais são os princípios fundamentais da mecânica reduzidos ao menor número possível: tese de concurso.

5. Integrais definidas, consideradas como parâmetros. Funções eulerianas. Enchentes dos rios e meios propostos para impedir os seus efeitos: tese de concurso à primeira cadeira do 2º ano da Escola Central.

6. Determinação dos coeficientes numéricos das fórmulas matemáticas.

7. Relatório sobre o abastecimento de água da Cidade do Rio de Janeiro. Este relatório foi escrito de colaboração com o Doutor Manoel Buarque de Macedo em comissão do Ministério da Agricultura.

8. Informações sobre o estado da indústria nacional pela secção de indústria fabril da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, presidida pelo Doutor Antônio de Paula Freitas.

9. Descrição do novo edifício da Tipografia Nacional do Brasil. A planta deste edifício, feita pelo Doutor, tornou-se quadro na Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda.

10. Discurso pronunciado na sessão magna da Sociedade Acadêmica Atheneu Central em 17 de fevereiro de 1865.

11. Breves considerações sobre os freios empregados nos trens dos caminhos de ferro. Revista de Engenharia, tomo 1º, n. 8, 1879.

 

São de sua autoria os projetos e a construção de vários prédios históricos na cidade do Rio de Janeiro, como o imóvel-sede do Tesouro Nacional, já demolido, e o do Correio Geral, na Rua Primeiro de Março.

 

 

Também projetou, em 1880, a pedido do ministro de Negócios do Império, Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo (1837-1918), o barão de Homem de Mello, um edifício para sediar a Faculdade de Medicina, cuja pedra fundamental foi lançada, em 12 de fevereiro de 1881, por dom Pedro II. As obras foram suspensas e só foram terminadas, em 1908, quando o prédio foi utilizado como Palácio dos Estados, um dos pavilhões da Exposição Nacional de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, decretada em 28 de janeiro de 1808, pelo então príncipe regente de Portugal, dom João de Bragança, futuro dom João VI (1767 – 1926). Em 1909, o Serviço Geológico foi ali instalado, em conjunto com outros órgãos do Ministério da Agricultura. Abriga atualmente o Museu de Ciências da Terra, que está fechado. O prédio foi tombado em 1994.

 

 

Foi engenheiro da Igreja da Candelária, por mais de 20 anos, tendo sido responsável pelo projeto e construção de suas duas sacristias laterais, em 1877, e pelo desenho e colocação – em colaboração com Heitor de Cordoville (c.1851-1904) – do novo revestimento interno em mármore italiano, além da instalação das belíssimas portas em bronze, em 1901 (Renascença, fevereiro de 1905). Em 1898, publicou o livro Memória histórica sobre a fundação e construção da Igreja da Candelária.

 

 

 

Nos últimos anos da década de 1880, como diretor das obras do ministério do Império, apresentou um projeto de melhoramentos no prédio da Escola Politécnica, mas a obra não foi realizada (Gazeta de Notícias, 2 de fevereiro de 1905).

Com Torquarto Neto, Alexandre Wagner, Otto Simon e Theodoro Duvivier, genro de Wagner, criou, em 1891, a Empreza de Construções Civis. Foram pioneiros no desenvolvimento de Copacabana. Paula Freitas, que presidia a empresa, foi o responsável pelo projeto e obras de arruamento do bairro, em 1894. Seu nome foi dado à antiga rua Itororó.

 

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Em 1903, foi eleito intendente municipal e presidente do Conselho de Intendência Municipal (Gazeta de Notícias, 29 de junho de 1903; 18 de julho de 1903, terceira coluna; Jornal do Brasil, 26 de janeiro de 1904, oitava coluna). Porém, devido a divergências políticas com o prefeito Pereira Passos (1836-1913), renunciou aos cargos. Foi, posteriormente, presidente do Conselho do Instituto Politécnico Brasileiro (Gazeta de Notícias, 21 de março de 1905, sexta coluna). Faleceu em 18 de março de 1906, em sua residência, na Rua Marquês de Abrantes, nº82, em consequência de uma cirurgia para a retirada de pedras na bexiga. Foi enterrado no Cemitério São João Batista (Jornal do Brasil, 19 de março de 1906, colunaGazeta de Notícias, 25 de março de 1906, quinta coluna; Revista da Semana, 25 de março de 1906; Renascença, abril de 1907).

 

 

 

Um pouco da história da Imprensa Nacional

 

A história da Imprensa Nacional começou na década de 1800. Cerca de um ano antes da vinda da corte portuguesa para o Brasil, ocasionada pela invasão francesa no país, o governo português havia comprado da Inglaterra prelos e material tipográfico para a Secretaria de Negócios Estrangeiros e de Guerra. Na fuga da corte de Portugal para o Brasil, em 29 de novembro de 1807, o futuro Conde da Barca, dom Antônio de Araújo de Azevedo (1754-1817), despachou o material, que nem havia sido desencaixotado, na nau Medusa, que fazia parte da esquadra que veio para o Brasil. Além da já mencionada embarcação, integravam a esquadra portuguesa que cruzou o Oceano Atlântico conduzindo a família real, a corte, cerca de 10 mil pessoas da aristocracia e todo o Tesouro português as naus Afonso de Albuquerque, Conde D. Henrique e Martins de Freitas, D. João de Castro, Príncipe do Brasil, Príncipe RealRainha de Portugal; as fragatas Golfinho, Minerva e Urânia; os brigues Lebre, Vingança e Voador; e as escunas Curiosa e Furacão.

 

 

Foi constituída como Impressão Régia e foi um dos primeiros atos editados pela Família Real em solo brasileiro, em 13 de maio de 1808, dia do 41º aniversário do príncipe regente dom João (1767-1826), quando foi impresso seu primeiro trabalho, uma Relação de Despachos com os documentos oficiais desde a chegada da corte ao Brasil até aquela data.

“Relação dos despachos publicados na corte I pelo expediente da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra | no faustosíssimo dia dos annos de S. A. R. | o príncipe regente N. S. | E de todos os mais que se tem expedido pela mesma Secretaria desde a feliz chegada de S. A. R. nos Estados do Brasil até o dito dia | Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1808. | Na Impressão Régia. | Vende-se na Loja de Manoel Jorge da Silva j Livreiro na Rua do Rosário I in-fol. de 27 pp. num”.

Assinado por dom João, o decreto de Rodrigo de Souza Coutinho (1755-1812), futuro conde de Linhares, determinava a instalação no Rio de Janeiro dos prelos trazidos de Lisboa após a fuga da corte portuguesa.

 

 

DECRETO DE 13 DE MAIO DE 1808.

Crêa a Impressão Régia

Tendo-me constado, que os prélos que se acham nesta Capital, eram os destinados para a Secretaria de Estado dos Negocias Estrangeiros e da Guerra; e attendendo á necessidade que ha da officina de impressão nestes meus Estados: sou servido, que a casa, onde elles se estabeleceram, sirva interinamente de Impressão Regia, onde so imprimam exclusivamente toda a legislação e papeis diplomaticos, que emanarem de qualquer Repartição do meu real serviço; e se possam imprimir todas, e quaesquer outras obras; ficando interinamente pertencendo o seu governo e administração á mesma Secretaria. D. Rodrigo de Souza Coutinho, do meu Conselho de Estado, Ministro e Secretario de Estado dos Negocies Estrangeiros e da Guerra, o tenha assim entendido, e procurará dar ao emprego da Officina a maior extensão, e lhe dará todas as Instrucções e Ordens necessárias e participará a este respeito a todas as Estações o que mais convier ao meu real serviço.

Palácio do Rio de Janeiro em 13 de Maio de 1808.

Com a rubrica do Príncipe Regente Nosso Senhor.

Ficava criada a Impressão Régia, que passou a imprimir, em 10 de setembro do mesmo ano a Gazeta do Rio de Janeiro, inaugurando a imprensa no Brasil. Foi inicialmente redigida pelo frei português Tibúrcio José da Rocha (1776-1840). Antes disso, como prevenção à disseminação de ideias revolucionárias no Brasil, não era permitida no país a tipografia e o jornalismo. O Correio Braziliense é um pouco mais antigo, foi lançado em 1º de junho de 1808, mas era impresso em Londres.

 

 

Primeiramente a Impressão Régia foi instalada na casa do conde da Barca, na Rua do Passeio nº 44, e, em 1810, foi transferida para o andar térreo de um prédio da Rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga), esquina com a Rua das Marrecas. Em 1831, foi transferida para algumas salas da Imperial Academia de Belas Artes, na Avenida Passos. Em 23 de abril de 1836, passou a funcionar no andar térreo da Câmara dos Deputados, antiga Cadeia Velha, na Rua da Misericórdia, onde ficou até outubro de 1860, quando mudou-se para um edifício do governo, na Rua da Guarda Velha, contiguo à Secretaria do Império. Em 1° de outubro de 1862, o governo brasileiro, a partir  de uma deliberação de Pedro de Araújo Lima (1793-1870), o marquês de Olinda, passou a divulgar os atos legais através do Diário Oficial, impresso pela Imprensa Régia.

 

 

Foi José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o visconde do Rio Branco, então ministro da Fazenda, que encomendou ao engenheiro de obras de seu ministério, Antonio de Paula Freitas, o projeto e a construção de um prédio para a Imprensa Nacional.

 

 

 

 

 

Como já mencionado, o prédio foi inaugurado no último dia de 1877 pelo ministro da Fazenda, João Mauricio Wanderley, o barão de Cotegipe.

 

 

Até um incêndio ocorrido, em 15 de setembro de 1911, por volta das 11 horas a noite, o prédio foi sua sede. O fogo teve início no almoxarifado, perto do corredor que separava o edifício do Teatro Lírico, que teve suspensa a opereta Orfeu nos infernos devido à forte fumaça que invadiu a sala de espetáculos. Restou apenas as paredes frontal e laterais, além da tesouraria do edifício. Houve suspeitas de que o incêndio havia sido criminoso, mas nada foi provado durante as investigações. A oficina da Imprensa Nacional passou a funcionar  no Calabouço e no edifício do Ministério da Agricultura.

 

 

 

Em 28 de dezembro de 1940, por iniciativa do presidente Getúlio Vargas (1882-1954), a Imprensa Nacional foi transferida para um edifício na Rua Rodrigues Alves nº 1. Foi sua última sede no Rio de Janeiro.

 

 

 

 

Sua sede em Brasília foi inaugurada, em 21 de abril de 1960, quando o então presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) acionou a rotativa Marinoni dando início à primeira impressão do Diário Oficial da União na nova capital do Brasil. A Imprensa Nacional é ligada à Casa Civil da Presidência da República (Revista Imprensa Nacional, julho de 2017).

Em 13 de maio de 1982, foi inaugurado, em Brasília, o Museu da Imprensa. Uma das peças exibidas no museu é o Prelo Machado de Assis, uma máquina de impressão tipográfica fabricada, em 1833, de origem inglesa. Funcionou na Imprensa Nacional até 1940 e foi o instrumento de trabalho do escritor Machado de Assis (1839-1908), que foi servidor da Imprensa Nacional, entre os anos 1856 e 1858. Entre 1867 e 1874, Machado foi assessor do diretor do Diário Oficial. Pelo decreto presidencial de 13 de janeiro de 1997, tornou-se patrono da Imprensa Nacional. Em maio de 2017, o órgão criou a Revista Imprensa Nacional com periodicidade bimestral.

 

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Lista dos diretores da Imprensa Régia / Imprensa Nacional de 1808 a 2025

Primeira Junta Diretória (1808 – 1815)

José Bernardes de Castro, José Marino Pereira da Fonseca (marquês de Maricá) e José da Silva Lisboa (visconde de Cairu).

Segunda Junta Diretória (1815 – 1830)

José Bernardes de Castro, José Marino Pereira da Fonseca (marquês de Maricá), José da Silva Lisboa (visconde de Cairu), Silvestre Pinheiro Ferreira, José Saturnino da Costa Pereira (substituto do marquês de Maricá), Francisco Vieira Goulart, Manoel Ferreira de Araújo Guimarães e Januário da Cunha Barbosa.

Diretores (1830 – 1834)

 Januário da Cunha Barbosa e Francisco Crispiniano Valderato.

Administradores 

Braz Antonio Castriolo (1834 – 1857), Manoel Antônio de Almeida (1857 – 1859), João Paulo Ferreira Dias (1859 – 1878), Antônio Nunes Galvão (1878 – 1892), José Marques Acauã Ribeiro (1892 – 1894), Veríssimo Julio de Moraes (1894 – 1897) e Antônio NUnes Galvão (1897 – 1898).

Diretores-Gerais

Mário Nunes Galvão (interino – 1898 -1900), Manuel Alves da Silva (interino – 1900), Antônio Bernardino Lopes Ribeiro Júnior (1900 – 1901), Raimundo Floresta de Miranda (1901 – 1904), Alfredo Augusto da Rocha (1904 – 1910), Manuel Temístocles de Almeida ((1910), Armênio Jouvin (1910 – 1912), Luís Alves Leite de Oliveira Bello (interino – 1912), Manoel Elói de Andrade (1912 – 1913), Leôncio Corrêa (1913 – 1914), José Silveira do Pilar Filho (interino – 1914), Antônio Borges Leal Castelo Branco (1914 – 1922), Eugênio Gracie Cata-Preta (1922 – 1929), Severiano A. Cavalcante (interino – 1929), Antônio Jaime de Alencar Araripe (1930), Aníbal Falcão de Barros Cassal (1931), Heito Bracet (interino – 1931), Francisco Antônio Rodrigues de Salles Filho (1932 – 1935), Manuel Vilerbo de Carvalho e Silva (1935 – 1940), Rubens D´Almeida Horta Porto (1940 – 1944), Francisco de Paula Achilles (1946 – 1951), Alberto Sá Souza de Britto Pereira (1944 – 1946) e (1951 – 1979), Octaciano da Costa Nogueira Filho (1979 – 1980), Dinorá Moraes Ferreira (1980 – 1989), Marlene Freitas Rodrigues Alves (1989 – 1990), Itler Cézar Bado (1990 – 1991), Enio Tavares da Rosa (1991 – 1994), Galba Menegale (1994), Ary Cícero de Moraes Ribeiro (1994 – 1995), Jamil Francisco dos Santos (1995 – 1996), Antônio Eustáquio Corrêa da Costa (1996 – 2000), Carlos Alberto Guimarães Batista da Silva (2000 – 2003), Fernando Tolentino de Souza Vieira (2003 – 2015), José Vivaldo Souza de Mendonça (2015 – 2016), Alexandre Retarnal Barbosa (2016), Pedro Antonio Bertone Ataíde (2016 – 2020),  Ariosto Antunes Culau (2020 – 2021), Sávio Luciano de Andrade Filho (2021), Heldo Fernando de Souza (2021 – 2022) e Afonso Oliveira de Almeida (2023 -).

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Blog Família Paula Freitas

Brasiliana Iconográfica

COSTA, Carla. Série “O Rio de Janeiro desaparecido” II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos in Brasiliana Fotográfica, 5 de abril de 2018

Dirigentes da Imprensa Nacional / Imprensa Nacional, Novos Rumos da Comunicação Pública

DUNLOP, Charles. Rio Antigo, volume III. Rio de Janeiro : Editora Rio Antigo Ltda, 1960.

FONTANA, Laura Roberta. Tese de doutorado A formação da  Escola Politécnica na corte do Império brasileiro. Rio de Janeiro : UNIRIO, 2022.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002

LARANJEIRA, Álvaro Nunes. Arqueobiografia do pioneiro da imprensa no Brasil: nas pegadas do frei Tibúrcio. Revista FAMECOS mídia, cultura e tecnologia. Porto Alegre, v. 18, n. 3, p. 765-781, setembro/dezembro 2011.

MIRANDA, Francisco Gonçalves(org). Memória Histórica da Imprensa Nacional. Rio de Janeiro : Imprensa Nacional, 1922.

Site Museu da Imprensa

Portal Arquivo Nacional

Portal MultiRio

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XII – A Lanterna Mágica que iluminava o Cine Delícia: imagens e cinema na coleção Jota Soares – FUNDAJ

O historiador Tásso Brito, colaborador do setor de Iconografia da Fundação Joaquim Nabuco, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, é o autor de nosso artigo de hoje, A Lanterna Mágica que iluminava o Cine Delícia: imagens e cinema na coleção Jota Soares – FUNDAJ, onde ele destaca um conjunto de diapositivos de lanterna mágica na coleção Jota Soares, que foi um dos principais expoentes, entre 1923 e 1931, do movimento que ficou conhecido como Ciclo de Cinema de Recife. Tornou-se um colecionador, uma espécie de guardião da memória e narrador da história do cinema pernambucano do período mudo. Publicamos também um breve perfil de Jota Soares (1906 – 1988), escrito por mim, Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal.

 

 

Acessando o link para as imagens do Arquivo Jota Soares da Fundação Joaquim Nabuco disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

A Lanterna Mágica que iluminava o Cine Delícia: imagens e cinema na coleção Jota Soares – FUNDAJ

  Tásso Brito*

 

As luzes se apagam, a tela do Cine Delícia se ilumina na cidade de Maceió, o Pavilhão da Bahia na Exposição Nacional de 1908 aparece imponente com detalhes dourados e rosa. As cores numa projeção de sala de cinema naquele momento foram viabilizadas através de uma Lanterna Mágica, também chamada de epidascópio, mecanismo de projeção de imagens por meio de uma câmera escura e um jogo de lentes. A luz atravessava uma placa de vidro, que poderia ser pintada com tinta translúcida, e projetada numa tela. A imagem do Pavilhão da Bahia exibida no Cine Delícia é uma imagem em prata, com retoques coloridos em dourado e rosa, envolta por uma moldura de papel preto fino, e posicionada entre duas placas de vidro medindo 8,3 x 9,8 cm.

 

 

Esta imagem faz parte de um conjunto de diapositivos de lanterna mágica na coleção Jota Soares, salvaguardada na Fundação Joaquim Nabuco. Jota Soares foi ator, diretor e produtor de filmes entre 1923-1931, no movimento que ficou conhecido como Ciclo de Cinema de Recife, por ter se desenvolvido nesta capital. Jota era um dos principais expoentes do movimento, mas também era um colecionador. Os diapositivos da coleção foram um presente dado por Salomão Carneiro, também conhecido como Carneiro Tiririca, proprietário do Cine Delícia que, até 1908, chamava-se Teatro Maceioense. Localizava-se na Rua do Sol, antiga Rua do Rosário, na capital de Alagoas.

 

 

Jota preservou os diapositivos em uma caixa de madeira com informações referentes ao conjunto doado. Essas ações possibilitaram que estas imagens chegassem até nossos dias. Sendo (re)descobertos durante o processo de revisão de alguns acervos da Fundação Joaquim Nabuco, no começo de 2024. Os diapositivos retratam temas diversos, mas há outras imagens da Exposição Nacional de 1908.

 

 

 

 

A Exposição Nacional de 1908, realizada no Rio de Janeiro, foi criada para celebrar o centenário da abertura dos portos às nações amigas. Além disso, se propunha a fazer o Brasil se (re)conhecer como nação, por meio das produções realizadas pelas unidades federativas brasileiras. Mas a exposição também foi feita para o Rio de Janeiro se mostrar, uma vez que havia pouco tempo que a antiga capital do Brasil tinha passado por reformas urbanas empreendidas pelo presidente Rodrigues Alves, o prefeito Pereira Passos e o sanitarista Oswaldo Cruz. O conjunto de diapositivos de lanterna mágica da coleção Jota Soares não se restringe às imagens da Exposição Nacional. Retrata também a Europa, outros estados brasileiros, bem como quadros pintados a mão. Cabe destaque à produção de Luiz Lavenère Wanderley (1868-1966)r, um dos pioneiros na fotografia em Alagoas, com registros do cotidiano, de paisagens e do Carnaval.

 

 

 

 

 

 

Muitas vezes as lanternas mágicas são tidas como antecessoras dos projetores de cinema, mas, pelo menos no Cine Delícia, essas tecnologias coexistiram. No final de década de 1930, as luzes do Delícia se acenderam pela última vez, os expectadores deixaram a sala olhando aquela tela que tanto maravilhou os olhares com imagens e filmes. O prédio do Cine Delícia foi demolido em 1945, mas os diapositivos de lanternas acabam de ganhar aqui uma nova chance de deliciar nosso olhares, um século depois.

 

 

 

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Luiz Lavenère Wanderley. Pintura de barco a vela em mar agitado, s/d / Acervo Fundaj

 

 

*Tásso Brito é historiador e colaborador do setor de Iconografia da Fundaj.

 

Breve perfil de Jota Soares (1906 – 1988), 

guardião da memória e narrador da história do cinema pernambucano do período mudo

 Andrea C.T. Wanderley**

 

 

Nascido em 16 junho de 1906, em Propriá, em Sergipe, José da Silva Soares Filho, o Jota Soares, foi um dos pioneiros do cinema pernambucano. Seu pai, o comerciante José Soares da Silva, era dono do Cinema Guarani, um dos primeiros em Propriá. Jota Soares foi, aos 13 anos, para Aracaju, onde, além de ter aulas de teatro e canto, realizou seus estudos secundários. Em 1919, depois da falência de seu pai, foi trabalhar como operário em uma fábrica de chocolate, na Bahia. Finalmente, em 1922, mudou-se para Recife, onde atuou como músico no Bloco de Voluntários do Exército e serviu no Tiro de Guerra com seu irmão, futuro general Heleno Soares Castelar. Após um breve período no Rio de Janeiro, retornou a Recife e ingressou numa companhia de circo.

Em 1924, segundo relato dele, foi assistir a uma filmagem realizada no Lazareto do Pina do longa-metragem Retribuição, produzido pela Aurora Film, e ofereceu-se para colaborar: “E terminei de tripé e câmara nas costas, o que repeti em outros dias. Era um domingo. Meu ingresso no cinema estava assegurado”. Foi assistente de fotografia do longa.

 

 

Os fundadores da Aurora Film, localizada na Rua de São João, 485, no bairro de São José, foram o ourives pernambucano Edson Chagas (1901-1958), o gravador potiguar Gentil Roiz (1899-1975) e o estudante de engenharia pernambucano Luís de França Rosa – que adotou o nome artístico de Ary Severo (1903 – 1994). O filme Retribuição começou a ser realizado em 1923, dirigido por Roiz, tendo Edson como diretor de fotografia e Severo como assistente de direção. No elenco, Almery Steves (1904 – 1982), futura esposa de Ary Severo, e Barreto Jr (1903 – 1983), dentre outros. Ary e Almery formaram o casal romântico mais famoso do Ciclo do Recife.

 

 

 

 

 

Considerado o primeiro filme de ficção pernambucano, Retribuição foi lançado em 16 de março de 1925, no Cine Royal, inaugurado em 6 de novembro de 1909 e situado na Rua Barão da Vitória (atual Rua Nova), n° 47 (Diário de Pernambuco, 7 de novembro de 1909, terceira coluna). Foi, na década de 20, o templo sagrado do cinema pernambucano, por abrigar diversos filmes de produção local. Foi o segundo cinema do Recife e fechou suas portas em 1954. A primeira sala de cinema da capital pernambucana, o Cinema Pathé, havia sido inaugurada, em 27 de julho de 1909, no nº 45, na mesma Rua Barão da Vitória (Diário de Pernambuco, 27 de julho, segunda coluna).

 

 

 

Voltando ao filme Retribuição. Ele marcou o início do chamado Ciclo do Recife, um dos importantes ciclos de produções cinematográficas que ocorreu fora do eixo das capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo, nas décadas de 1910 e 1920 – outros exemplos são os ciclos de Cataguases e de Campinas (Diário de Pernambuco, 15 de março de 1925, terceira coluna). Jota Soares tornou-se o principal memorialista do Ciclo do Recife, tendo escrito uma série de 59 artigos na coluna “Relembrando o cinema pernambucano —1923-1931 (Dos arquivos de Jota Soares)”, publicados no jornal Diário de Pernambuco, aos domingos, entre 2 de dezembro de 1962 e 23 de fevereiro de 1964. Nestes artigos, Soares contava histórias sobre os bastidores das produções, homenageava pessoas ligadas ao ciclo, reconstituía o enredos dos filmes. O surgimento do cinema falado marcou o declínio da produção cinematográfica do Ciclo do Recife, que teve seu fim no começo dos anos 1930, com o lançamento de No cenário da vida, de Luís Maranhão e Jota Soares. Durante o ciclo, foram produzidos pela Aurora Film, Planeta Filmes, Iate Filme, Veneza Filme, Liberdade Filme, Olinda Filme, Spia Filme, Goiana  Filme e Vera Cruz quase cinquenta filmes entre curtas e longas-metragens, filmes de ficcção e de não-ficção.

Jota Soares participou como ator nas produções da Aurora Film: Um Ato de Humanidade (1925), Aitaré da Praia (1925) e Jurando Vingar (1925), todos dirigidos por Gentil Roiz. Uma curiosidade: no filme Aitaré da Praia, em uma briga entre seu personagem, Traira, e Aitaré, interpretado por Ary Severo, levou um soco de Severo e perdeu dois dentes (Diário de Pernambuco, 4 de novembro de 1988).

Também na Aurora Film atuou em Herói do Século XX (1926), desta vez dirigido por Ary Severo e debutou como diretor, com apenas 20 anos, em A Filha do Advogado (1926), inicialmente dirigido por Severo. O filme estreou, em 11 de outubro de 1926, no Royal (Jornal do Recife, 6 de outubro de 1926). Na época, a Aurora Film já pertencia a João Pedrosa da Fonseca, um bem sucedido comerciante do Recife, que financiou o filme (Cinearte, 18 de agosto de 1926).

 

 

Dirigiu também Sangue de Irmão (1926), único filme de enredo (ficção) da Goyanna-Film, e a segunda versão de Aitaré da Praia, com Ary Severo e Luiz Maranhão, pela Liberdade-Film.

 

 

Jota Soares tornou-se um importante colecionador da história do cinema mudo pernambucano, tornando-se uma referência para os pesquisadores da história do cinema brasileiro. Colecionava também itens do cinema norte-americano e europeu (Diário da Manhã (PE), 22 de setembro de 1972, última coluna). Seu arquivo foi adquirido, em 1984, pela Fundação Joaquim Nabuco.

Em 1944, escreveu a História da Cinematografia Pernambucana, cronologia com as realizações do cinema pernambucano entre 1923 e 1931. Este texto transformou-se em fonte para a discussão do cinema mudo pernambucano, num dos primeiros livros sobre a história do cinema brasileiro, escrito por Alex Viany em 1959, intitulado “Introdução ao cinema brasileiro”. Também fundou Museu-cinema, uma mistura de arquivo de imagens e cineclube, onde se exibiam os filmes mudos pernambucanos (BEHAR, 2003).

Foi um comentarista de futebol de sucesso e introduziu pugilismo na televisão do Recife. Como radialista, iniciou sua carreira, em agosto de 1948, no Departamento de Jornalismo da Rádio Jornal do Commercio. Na Rádio Tamandaré comandou o programa Epopéia do Cinema. Trabalhou em diversas outras emissoras de rádio do Recife e de Olinda, a última foi a Super Rádio Clube. Em 1971, foi instituída a Taça Jota Soares, ofertada ao jogador de futebol campeão de disciplina (Diário de Pernambuco, 24 de junho de 1971, última coluna). No ano seguinte, em 1° de fevereiro de 1972, a Câmara Municipal outorgou-lhe o título de Cidadão do Recife (Diário da Manhã (PE), 2 de fevereiro de 1972, primeira colunaDiário da Manhã (PE), 12 de setembro de 1972, última coluna).

Em 1974, foi o intérprete principal do curta-metragem Labirinto, do jornalista e cineasta Fernando Spencer (1927 – 2014), um dos responsáveis pelo “resgate” cultural do Ciclo, reafirmando seu caráter de momento inaugural e mítico do cinema pernambucano (Behar, 2003); e, em 1979, foi o narrador do documentário J. Soares, um pioneiro do cinema, de Spencer e Flávio Rodrigues (1949-) (Jornal do Brasil, 20 de julho de 1980).

Faleceu, no Recife, em 24 de janeiro de 1988 (Diário de Pernambuco, 25 de janeiro de 1988). Dias depois foi publicado, no Diário de Pernambuco, o artigo Relembrando o Pioneiro Jota Soares, de Fernando Spencer (Diário de Pernambuco, 27 de janeiro de 1988).

 

 

**Andrea C.T. Wanderley é editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica.

 

Fontes:

ARAÚJO, Luciana Corrêa. Entre o local e o internacional: Jota Soares e a cultura cinematográfica no Recife. Revista de la Asociason Argentina de Estudios de Cine y Audiovisual, 2019.

BEHAR, Regina. Labirintos da Memória no cinema pernambucano: o “ciclo”da década de 20. ANPUH – XXII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – João Pessoa, 2003.

Blog de Fernando Medeiros

Enciclopédia Itaú Cultural

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

SANTOS, Marcos. O longo trajeto do cinema feito em Pernambuco. Olhar de Cinema, 23 de abril de 2018.

Site Cinemateca Pernambucana

Site História de Alagoas

Site IMDB – https://www.imdb.com/name/nm1217959/

Site IMS

Série “Exposições” XI – Três álbuns fotográficos da Exposição Nacional de 1908 no Museu Histórico Nacional: Boscagli, Malta e Musso

No mês em que a Exposição Nacional de 1908 completa 115 anos – foi inaugurada em 11 de agosto e encerrada em 15 de novembro de 1908 -, a Brasiliana Fotográfica publica o artigo A Exposição Nacional de 1908 no Museu Histórico Nacional, de autoria da historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi, do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras do portal, com três álbuns fotográficos produzidos na ocasião pelos fotógrafos Augusto Malta (1864 – 1957), José Boscagli (1862 – 1945) e Luis Musso (18? – 19?). Cada álbum tem sua característica: o de Malta parece ter sido realizado especialmente para presentear o seu amigo, o ministro Miguel de Calmon; o de Boscagli retratou a mostra do Rio Grande do Sul; e, finalmente, tudo indica que o produzido por Musso tenha sido encomendado pelo governo federal para o registro oficial do evento.

 

Acessando o link para as fotografias do álbum de autoria de Augusto Malta sobre a Exposição Nacional de 1908 pertencentes ao Museu Histórico Nacional disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

 

Acessando o link para as fotografias do álbum de autoria de José Boscagli sobre a Exposição Nacional de 1908 pertencentes ao Museu Histórico Nacional disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

 

Acessando o link para as fotografias do álbum de autoria de Luis Musso sobre a Exposição Nacional de 1908 pertencentes ao Museu Histórico Nacional disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

 

A Exposição Nacional de 1908 no Museu Histórico Nacional

Maria Isabel Ribeiro Lenzi*

 

 

Era 1907. O Rio de Janeiro, então Distrito Federal, acabara de ser remodelado ao gosto das nações ditas civilizadas, pelo governo de Rodrigues Alves com a participação do prefeito Pereira Passos e do sanitarista Oswaldo Cruz. No ano seguinte, faria 100 anos que o Brasil abrira seus portos às nações amigas. Foi esse o mote para que fosse organizada a Exposição Nacional de 1908, oportunidade de o país exibir sua produção a si próprio.  A ideia havia sido lançada pela Associação Comercial, apoiada pela imprensa e acatada pelo Congresso Nacional, que votou em 1907 orçamento para promover, no ano seguinte, o evento destinado a ser um panorama da agricultura, da indústria, da pecuária e das artes liberais desenvolvidas no país.

 

 

Depois de muito debate, foi escolhida a várzea entre as praias da Saudade e Vermelha, no vale formado entre os morros da Urca, Pão de Açúcar e Babilônia, para a construção do que viria a ser a Exposição Nacional de 1908.  O país promovera anteriormente exposições nacionais, mas aquela foi a primeira em que foram construídos pavilhões especialmente para a ocasião. O lugar escolhido, além de apresentar uma bonita paisagem, tinha a vantagem de já abrigar dois edifícios públicos – a antiga Escola Militar e a fundação do prédio para a Universidade do Brasil – que poderiam ser aproveitados depois de reforma.  O presidente da República era Afonso Penna. Seu Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, Miguel Calmon Du Pin e Almeida, nomeou o engenheiro José Mattoso Sampaio Corrêa para chefiar a comissão construtora que estaria encarregada de produzir uma “pequenina cidade de palacetes no areal da Urca”,[1] onde se faria um inventário do Brasil com função pedagógica, para que os próprios brasileiros conhecessem o país. O cronista João do Rio fala sobre isso:

 

A exposição vai abrir-se. É a grande mostra do Brasil. Cada estado expõe suas riquezas… e os tentamens da sua indústria o estrangeiro admirará, aproveitará… o brasileiro descobrirá. Estou a ver o pasmo… dos cariocas diante do ouro, das pedras, das madeiras, dos tecidos e dos aproveitamentos da natureza assombrosa pelo homem vagaroso. Isso é Paraná?… Isso é Amazonas? Ora, diga-me, onde fica o Mato Grosso? Quando o brasileiro descobrirá o Brasil?[2]

 

A exposição, inaugurada no dia 11 de agosto, ficou aberta até 15 de novembro de 1908. De janeiro a junho, a área que hoje corresponde à Praia Vermelha e parte da Av. Pasteur era um canteiro de obras com muitos operários que fizeram surgir aqueles palácios em arquitetura efêmera que logo desapareceriam da vida carioca. Era como um sonho aquela cidadela iluminada pela luz elétrica, mas, como nos sonhos, uma alegria fugaz.

O edifício da Universidade do Brasil foi adaptado para abrigar o Palácio dos Estados e a Escola Militar, depois da reforma, se transformou no Palácio das Indústrias, com um grande chafariz em sua fachada – o Chateau d’Eau.  Quatro estados e o Distrito Federal construíram seus próprios pavilhões. Os de Minas Gerais, de São Paulo, da Bahia e do Distrito Federal, opulentos, simbolizando o poder de suas elites, contrastavam com a simplicidade do Pavilhão de Santa Catariana, que apresentou aos visitantes uma casa de colono feita de madeira e em seu interior, 150 tábuas de diferentes espécies de árvores catarinenses.

 

 

As demais unidades da federação ocuparam o Palácio dos Estados com seus produtos.  Portugal foi o único país estrangeiro a participar do certame com um pavilhão em estilo manuelino oferecido pelo governo brasileiro àquele país. Porém, os produtos portugueses excederam aquele espaço e Portugal construiu, então, um anexo a seu pavilhão onde foram expostas telas e esculturas de seus artistas.

 

 

 

 

Algumas instituições também se fizeram representar, como a Fábrica de Tecidos Bangu, com seu pavilhão, à época descrito como “uma pequena mesquita mourisca”; a Sociedade Nacional de Agricultura com pavilhão em estilo renascença; a Fábrica de Chocolate Bhering, com o Pavilhão Café e Cacau. O Jardim Botânico participou com uma estufa envidraçada onde o público podia admirar várias espécies de plantas e ao seu redor, muitas mudas que, provavelmente, o público poderia adquirir.

 

 

Os divertimentos não faltavam na exposição. Para quem gostava da arte dramática, havia dois teatros. O Teatro João Caetano, grande, inspirado no Teatro Municipal que estava prestes a ser inaugurado, era dirigido por Artur Azevedo. Havia também, por iniciativa do empresário Paschoal Segreto, um pequeno teatro de variedades, um cinematógrafo e uma pista de patinação. Pinturas, esculturas, desenhos de artistas nacionais foram expostos no Pavilhão das Artes Liberais.

 

 

Os amantes da música podiam assistir a concertos no Pavilhão Egípcio – nome este devido à estética egípcia daquele espaço dedicado às apresentações das orquestras. E para abrigar as bandas militares e civis, diversos coretos foram distribuídos pela exposição.

 

 

Os visitantes entravam na Exposição pela Porta Monumental.  Muito deles vindos de barca que saía do Cais Pharoux para o ancoradouro construído especialmente para recebê-los. Alguns serviços eram oferecidos nos pavilhões dos Correios e Telégrafo, da Assistência Municipal, da Imprensa e dos Bombeiros. O visitante também contava com opções entre quiosques de cerveja e de refrescos, além de cafés e restaurantes.

No Pavilhão da Imprensa, Olavo Bilac editava o Jornal da Exposição, onde se encontrava a programação e as notícias do evento. Em suas crônicas, Bilac fazia críticas e elogios à exposição. Ele lembra em um de seus textos que sem a “fada de eletricidade”, as noites não seriam tão espetaculares!

 

 

Muitos fotógrafos registraram esse evento do início do século XX. Certamente, diversos visitantes levavam sua Kodak na bolsa, mas foi o trabalho de profissionais que chegou até os nossos dias, nos dando uma ideia do que foi a comemoração do centenário da abertura dos portos brasileiros às nações amigas.

Na coleção Miguel Calmon do Museu Histórico Nacional, existem três álbuns da Exposição Nacional de 1908.  Um deles é do fotógrafo Augusto Malta, que parece feito especialmente para presentear o ministro Miguel de Calmon. Nele, temos acesso à imagem da área antes da construção dos pavilhões, mas a maioria das fotografias nos mostra a exposição em seu auge, com muita gente perambulando entre os edifícios. É visível o caráter único deste álbum, pois Augusto Malta recortou algumas fotografias em formas inusuais, muitas vezes privilegiando retratar o ministro Calmon e o presidente Afonso Pena.  Destacamos o balão que Augusto Malta clica com sua lente na hora em que ele é lançado do Pavilhão de São Paulo, bem como as fotografias noturnas nas quais a luz elétrica protagoniza as imagens…

 

 

O álbum de Luis Musso nos parece um trabalho encomendado pelo governo federal para o registro oficial do evento. As fotografias são todas da mesma dimensão e com muito poucas pessoas no entorno. São retratos dos prédios, como se o fotógrafo quisesse catalogar a arquitetura do evento. A capa traz o brasão da República, o que nos sugere seu caráter oficial.

 

 

 

Por fim, temos um álbum produzido pelo governo do Rio Grande do Sul, onde é possível ver os produtos exibidos por este estado.  A maioria absoluta das fotografias é de autoria de José Boscagli (com exceção da primeira foto, que é de Augusto Malta e apresenta o Palácio dos Estados, onde o Rio Grande do Sul expunha seus produtos). A importância deste álbum está na possibilidade dele nos oferecer uma ideia de como eram expostos os produtos na mostra.

 

 

 

 

Cabe lembrar ainda fato curioso ocorrido na exposição, embora não registrado por nenhum fotógrafo: a visita da banda de música dos indígenas Bororo. Eles lá estiveram, tocaram no Pavilhão de São Paulo e no Teatro João Caetano. Mas não chegou até nós nenhuma imagem deles no evento. Quem quiser saber mais sobre o assunto, veja a postagem da Brasiliana Fotográfica: Novos acervos: Museu Histórico Nacional .

 

 

*Maria Isabel Ribeiro Lenzi é Doutora em História pela UFF e historiadora do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional (IBRAM/MTur)

Nota da editora: esse artigo passou a integrar uma série e mudou de título em 1º de dezembro de 2025.

 

Fontes:

Levy, Ruth. Entre Palácios e Pavilhões. A arquitetura efêmera da Exposição Nacional de 1908. Rio de Janeiro: EBA Publicações, 2008.

Neves, Margarida de Souza. As vitrines do progresso. Rio de Janeiro: PUC-RIo, FINEP, PNPq, 1986

Pereira, Margareth da Silva. A Exposição Nacional de 1908 ou O Brasil visto por dentro. In: Pereira, Margareth da Silva (org). 1908, um Brasil em exposição. São Paulo: Caixa Cultural, 2011

Mariani, Luiza Helena. Bilac, João do Rio e a Exposição Nacional de 1908. In: Pereira, Margareth da Silva (org). 1908, um Brasil em exposição. São Paulo: Caixa Cultural, 2011

Revista Kosmos. Ano V, julho de 1908, nº 7

 

[1] Revista Kosmos, ano  V, nº7, julho de 1908, p.1

[2] Apud:  Levy  Ruth, Palácios e Pavilhões. A arquitetura efêmera da Exposição Nacional de  1908. p.73

 

Nota da editora:

Uma curiosidade: foi durante a Exposição Nacional de 1908 que o engenheiro fluminense Augusto Ferreira Ramos (1860 – 1939), um dos coordenadores do Pavilhão de São Paulo, teve a ideia de construir o Bondinho do Pão de Açúcar. Para saber mais sobre essa história, acesse o artigo A construção do Bondinho do Pão de Açúcar sob as lentes de Theresio Mascarenhas, de minha autoria, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 27 de outubro de 2022.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Links para os artigos sobre exposições nacionais ou internacionais publicados na Brasiliana Fotográfica

O pintor Victor Meirelles e a fotografia na II Exposição Nacional de 1866, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 17 de agosto de 2017.Motr

A festa do progresso: o Brasil na Exposição Continental, Buenos Aires, 1882, de autoria de Maria do Carmo Rainho, Arquivo Nacional, publicado em 29 de março de 2018.

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, Museu da República, publicado em 5 de abril de 2018.

Marc Ferrez, a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 29 de junho de 2018.

Paris, 1889: o álbum da exposição universal, de autoria de Claudia B. Heynemann, Arquivo Nacional,publicado em 27 de julho de 2018.

Café Brasil: o Império na Exposição Internacional de Filadélfiade autoria de Claudia B. Heynemann, Arquivo Nacional, publicada em 4 de dezembro de 2019.

Festa das Artes e da Indústria Segunda Exposição Nacional, 1866, de autoria de Claudia Beatriz Heynemann e Maria Elizabeth Brêa Monteiro, Arquivo Nacional, em 5 de abril de 2020.

A apresentação do Departamento Nacional de Saúde Pública na Exposição Internacional do Centenário da Independência, de Ricardo Augusto dos Santos, Fiocruz, publicado em 13 de abril de 2020.

A Exposição Internacional de Higiene de Dresden, de Cristiane d´Avila, Fiocruz, publicado em 5 de janeiro de 2022.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VIII – A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 7 de setembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

 

 

 

A construção do Bondinho do Pão de Açúcar sob as lentes de Therezio Mascarenhas

A Brasiliana Fotográfica destaca imagens da construção do Bondinho do Pão de Açúcar realizadas pelo fotógrafo Therezio Mascarenhas (18? – 19?), cuja biografia ainda é pouco conhecida. Na primeira década do século XX, ele morava em Vitória e, provavelmente, conheceu o engenheiro civil Augusto Ferreira Ramos (1860 – 1939), criador e construtor do Bondinho do Pão de Açúcar, em torno de 1909, quando este estava fazendo obras de instalação de água, luz, força e tração, no Espírito Santo.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Bondinho do Pão de Açúcar de autoria de Therezio Mascarenhas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

O Pão de Açúcar com seu bondinho e o Cristo Redentor são os principais pontos turísticos do Brasil, segundo e primeiro  mais visitados do país, e marcas registradas do Rio de Janeiro, seus mais conhecidos cartões-postais.

 

 

O Bondinho do Pão de Açúcar já foi visitado por diversas celebridades, dentre elas o físico Albert Einstein (1879 – 1955), o cantor e compositor Bob Marley (1945-1981), o papa João Paulo II (1920 – 2005); em 1941, pelo futuro presidente dos Estados Unidos, John Kennedy (1917-1963); as atrizes Halle Berry (1966-) e Natalie Portman (1981-), o ator Robert de Niro (1943-), a cantora Tina Turner (1939-) e Malala Yousafzai (1997-), ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2014. Em um dos bondinhos foram filmadas cenas de 007 Contra o Foguete da Morte (1979): em uma das sequências, o agente James Bond, na época interpretado pelo ator Roger Moore (1927 – 2017), se equilibrou, a mais de 500 metros de altura, em seus cabos de aço.

 

 

Um pouco da história do Bondinho do Pão de Açúcar

 

O projeto do bondinho era ousado e grandioso e estava em consonância com as transformações urbanas realizadas no Rio de Janeiro, no começo do século XX, durante a gestão do prefeito Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), entre 1903 e 1906. Para sanear e modernizar a cidade diversas demolições foram feitas. Era a política do “bota-abaixo”, como ficou popularmente conhecida, que contribuiu fortemente para o surgimento do Rio de Janeiro da Belle Époque. Essas transformações foram definidas por Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), autor da seção “Binóculo”, da Gazeta de Notícias, com a máxima “O Rio civiliza-se”, que se tornou o slogan da reforma urbana carioca.

 

 

O criador do Bondinho do Pão de Açúcar, Augusto Ferreira Ramos, nascido em 22 de agosto de 1860, em Cantagalo, no estado do Rio, formou-se, em 1882, na Polytecnica do Império do Brasil, atual Faculdade de Engenharia da UFRJ, e tornou-se sócio do Clube de Engenharia, em 1894, por indicação de Conrado Jacob de Niemeyer (1831 – 1905). Faleceu em 28 de julho de 1939, em sua residência, na rua 5 de julho, nº 130, em Copacabana (O Globo, 29 de julho de 1939).

 

O Globo, 29 de julho de 1939

Augusto Ferreira Ramos / O Globo, 29 de julho de 1939

 

Visionário, ele teve a ideia da criação do bondinho, durante a Exposição Nacional de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, inaugurada em 11 de agosto de 1908. Ramos foi um dos coordenadores do pavilhão do estado de São Paulo devido ao café, um dos assuntos de seu interesse, e sobre o qual escreveu tanto sobre o seu cultivo como sobre sua comercialização. O café era, na época, o principal produto da balança comercial do Brasil.

A construção de um caminho aéreo entre os morros da Baía de Guanabara alavancaria o turismo na cidade. Conseguiu capital – entre os investidores estavam Eduardo Guinle (1846-1912)Candido Gaffrée (1845-1919) e Raymundo de Castro Maya (1894 – 1968) – apoio do governo e fundou a Cia Caminho Aéreo Pão de Açúcar.

 

 

As obras foram realizadas entre 1909 e 1912. O teleférico carioca, cujas duas linhas somam 1325 metros, superou os dois que existiam na época: o do Monte Ulia, na Espanha, com extensão de 280 metros; e o de Wetterhorn, na Suíça, com 560 metros. O empreendimento custou uma fortuna, dois milhões de contos de réis, e centenas de operários, além de alpinistas, trabalharam em sua construção.

 

 

Os bondinhos de madeira maciça foram trazidos da Alemanha e fixados nos cabos com o auxílio de guindastes. Foi contratada a empresa alemã J.Pohling, de Colônia, que fabricou e montou os equipamentos.

 

 

Finalmente, em 27 de outubro de 1912, foi inaugurado o caminho aéreo no Rio de Janeiro, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca, que se tornaria o mundialmente famoso Bondinho do Pão de Açúcar (Careta, 5 de outubro de 1912). Alguns dias antes, houve uma visita da imprensa às obras (Correio da Manhã, 10 de outubro de 1912). Em 1º de dezembro, foi inaugurada a iluminação elétrica no caminho aéreo (Jornal do Brasil, 1º de dezembro de 1912, na última coluna).

 

 

O bondinho no segundo trecho, entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, numa extensão de 750 metros e 396 metros de altura, começou a funcionar no dia 18 de janeiro de 1913, completando a ligação até o alto do pico do Pão de Açúcar (O Paiz, 19 de janeiro de 1913, quarta coluna).

 

 

Augusto Ferreira Ramos dirigiu a empresa até 1934, ano em que o industrial e banqueiro Carlos Pinto Monteiro assumiu a administração da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar até 1962, quando o engenheiro Christovam Leite de Castro (1904 – 2002) assumiu a direção. Durante sua gestão, em 1969, a Companhia do Pão de Açúcar obteve permissão para duplicar a linha e, após algumas reformas, passou a contar com quatro novos bondinhos, cada um com capacidade para transportar 75 passageiros. Os trabalhos foram completados em 29 de outubro de 1972.

Em 1993, Christovam passou o cargo para sua filha, Maria Ercília Leite de Castro, mestre em Administração de Empresas pela COPPEAD. Em 2002, o bondinho passou por outra reforma com a substituição dos oito cabos de aço e na realização de melhorias como nova pintura, iluminação, equipamento de som e placas de sinalização. Foram gastos 852 mil dólares. Entre 2008, foram inaugurados quatro novos bondinhos e a operação do teleférico foi digitalizada.

Em 2022, zerou suas emissões de carbono e ganhou uma nova marca e um novo lema: Parque Bondinho Pão de Açúcar, “Felicidade lá em cima”. Recebeu de presente, em homenagem aos seus 110 anos uma canção, O bondinho, de Roberto Menescal, Alex Moreira e Cris Delanno. É dirigido por Sandro Fernandes.

 

 

Uma curiosidade: em novembro de 2021, Anna Caroline Boyd Martine entrou para a história do cartão postal carioca, tornando-se a primeira mulher a trabalhar como operadora de cabine do teleférico do Parque Bondinho Pão de Açúcar.

 

Acesse aqui um artigo publicado na revista Brazil – Ferro – Carril, número 36, em 1912, onde o projeto do Bondinho do Pão de Açúcar é explicado detalhadamente.

 

 

 

 

Pequeno perfil e cronologia de Therezio Mascarenhas (18? – 19?)

 

Como já mencionado, pouco se sabe, até hoje, sobre a biografia do fotógrafo Therezio Mascarenhas. A partir da pesquisa na Hemeretoca Digital da Biblioteca Nacional, segue uma pequena cronologia de sua vida, que ajuda a traçar um pouco de seu perfil.

 

 

 

1900 – Procedente do Rio de Janeiro, fazendo quarentena na Ilha Grande, chegada do vapor nacional Pernambuco , em Vitória. Therezio era um dos passageiros (O Estado do Espírito Santo: Ordem e Progresso, 24 de julho de 1900, última coluna).

1908 – Foi um dos convidados de F. Clemetson, superintendente da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, para viajar para Engenheiro Reeve com o cientista e ministro plenitenciário da França, Charles Wiener (1851–1913), nascido em Viena, que ficou bastante conhecido por suas viagens ao Peru (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 20 de fevereiro de 1908, quarta coluna).

Fotografou indígenas do Rio Doce (Diário da Manhã: Órgão do Partido Conservador (ES), 20 de fevereiro de 1908, segunda coluna).

Identificado como um ativo jovem, Therezio seguiu para o Rio de Janeiro, no paquete Maranhão, em 6 de junho, com a intenção de conversar com o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura sobre a abertura de um estabelecimento de artigos e ferragens para a lavoura. Retornou em julho (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 7 de junho de 1908, quinta colunaCommercio do Espírito Santo, 24 de julho de 1908, segunda coluna).

Foi anunciado que ele abriria, na rua da Alfândega, em Vitória, um depósito para máquinas para a lavoura importados da Europa e da América do Norte (Cachoeirano, 20 de junho de 1908, terceira coluna).

Publicação de uma poesia de sua autoria (O Malho, 8 de agosto de 1908).

1909 - Ele e Casemiro Guimarães tiraram várias diversas fotográficas do piquenique dos sócios do Club de Regatas, realizado na Ilha do Boi, no Espírito Santo (Commercio do Espírito Santo, 22 de março de 1909, primeira coluna).

O engenheiro Augusto Ferreira Ramos (1860 – 1939), criador e construtor do Bondinho do Pão de Açúcar, promoveu uma excursão durante a qual os aplicados amadores Paulo Motta e Therezio Mascarenhas tiraram várias fotografias (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 8 de abril de 1909, última coluna). Provavelmente, em torno deste ano, Augusto e Therezio se conheceram.

Foi publicada na revista Fon-Fon uma fotografia do capor Queen Eleanor de sua autoria. Foi identificado como fotógrafo amador (Fon-Fon, 24 de abril de 1909).

 

 

Praticava tiro ao alvo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 4 de maio de 1909, primeira coluna).

No Café Globo, em Vitória, houve uma exposição de fotografias de sua autoria dos serviços de abastecimento e luz realizados pelo engenheiro Augusto Ferreira Ramos. Foi identificado como amador e nesses registros Therezio revelava muito bom gosto pela arte (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 24 de maio de 1909, quinta colunaCorreio do Espírito Santo, 26 de maio de 1909, segunda coluna).

Fazia parte da comitiva de Augusto Ferreira Ramos em visitas de obras hidráulicas realizadas pelo engenheiro  (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 10 de julho de 1909, segunda colunaDiário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 13 de julho de 1909, quinta coluna).

Participou da homenagem realizada pelo governo do Espírito Santo ao presidente Afonso Pena (1847 – 1909), na Catedral de Vitória (Commercio do Espírito Santo, 13 de julho de 1909, última coluna).

Foi noticiado seu aniversário, no dia 23 de agosto (Correio do Espírito Santo, 23 de agosto de 1909, primeira coluna).

Produziu várias fotografias durante uma excursão ao Jucu promovida pelo engenheiro Augusto Ferreora Ramos, contratante dos serviços de água, luz e esgoto de Vitória, que ofereceu um piquenique à família do político capixaba Torquato Moreira e a outras distintas famílias (Commercio do Espírito Santo, 21 de setembro de 1909, segunda coluna).

Esteve presente na missa de sétimo dia do prefeito de Vitória, Ceciliano Abel de Almeida (Commercio do Espírito Santo, 24 de novembro de 1909, quarta coluna).

Fotografou as festas realizadas na Escola Aprendizes de Marinheiro e foi identificado como um hábil fotógrafo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 23 de dezembro, segunda coluna).

1910 – Possuia um estabelecimento fotográfico na Villa Moscoso, nº 16, em Vitória, no Espírito Santo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 26 de fevereiro de 1910, segunda colunaAlmanak Laemmert, 1910, primeira colunaAlmanak Renault, 1912, última coluna).

Estava vendendo artigos  fotográficos (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 10 de março de 1910, última coluna).

 

 

1911 - Chegou no porto de Vitória, procedente do norte no paquete Sattelite (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 18 de outubro de 1911, segunda coluna).

1916 - Seu estabelecimento fotográfico na Villa Moscoso, em Vitória, no Espírito Santo, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert (Almanak Laemmert, 1916, última coluna).

1927 - Ele e Augusto Ferreira Ramos foram alguns dos subscritores do abaixo-assinado feito por moradores e proprietários na Praia Vermelha, elogiando os melhoramentos realizados pelo prefeito do Rio de Janeiro, Antônio da Silva Prado Junior (1880 – 1955), na remodelação da principal artéria e nas cercanias da região, o que facilitaria a visita ao encantador passeio do Pão de Açúcar (O Paiz, 14 de dezembro de 1927, segunda coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Diário do Rio

Extra, 27 de outubro de 2022

Correio Braziliense, 12 de junho de 2008

Folha de São Paulo, 12 de fevereiro de 2022

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Jackobson, Andrea. O bondinho do Pão de Açúcar. Rio de Janeiro : Editora Andrea Jackobson, 2018.

O GLOBO, 13 de junho de 2011

O GLOBO, 20 de outubro de 2012

Portal Clube de Engenharia

Rezende, Nilza. Pão de Açúcar – A Marca do Rio / Sugar Loaf – Rios Trademark.  Editora Clio.

Revisa EDVD

Serra News

Site Bondinho do Pão de Açúcar

Site Instituto Histórico Geográfico Brasileiro

Superinteressante, 4 de julho de 2018

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”

 

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”

 

“Por que somos feministas? Eis uma pergunta ingênua de que várias vezes temos sido alvo, por parte do sexo masculino. Respondemos: porque é impossível a realização do progresso sem a vitória da evolução; e o nosso fim principal é precisar e fomentar o progresso feminino”.

 

Mariana Coelho foi uma das mais importantes escritoras e intelectuais do Paraná. Portuguesa, nascida em 10 de setembro de 1857, em Sabrosa, Distrito de Vila Real, imigrou para o Brasil, com sua família, em fins do século XIX, tendo naturalizando-se brasileira em 1939. Espírito brilhante, educadora de prestígio, reconhecida por sua competência profissional e erudição, foi diretora do Colégio Santos Dumont, em Curitiba, de 1902 a 1917.

 

 

“O sexo feminino, da mesma forma que o masculino pode, socialmente falando, subir a escada do progresso. Sendo convenientemente preparada, poderá também exercer livremente qualquer profissão. Senhores oposicionistas da emancipação feminina, aguentem e sem protesto, que já nada vale perante a eloquência desta frase profética, cujo conceito em tudo se vê maravilhosamente realizado: le monde marche! [o mundo caminha]”

Diário da Tarde (PR), 1º de março de 1901

Defendeu o direito da mulher ao voto e acreditava na educação como passaporte para a emancipação feminina, tendo dedicado sua vida ao ensino e à literatura. De formação positivista, em sua poesia, em fins do século XIX, criou a metáfora mar de amor, que representaria o amor à humanidade, o desejo do progresso associado à aquisição de cultura e de instrução. Feminista e pacifista, foi uma trabalhadora incansável. Integrava a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) e, entre 1923 e 1940, trocou várias cartas com Bertha Lutz (1894 – 1973), presidente da FBPF, uma referência dentro do movimento feminista brasileiro, sobretudo na luta pelo voto da mulher. Mariana também mantinha relações com as feministas Maria Sabina Albuquerque (1898-1991) e Maria Amália Bastos de Miranda Jordão, ambas ligadas à federação.

 

“Permitir, hoje, que a mulher permaneça amarrada ao deplorável poste da ignorância equivale a arriscá-la criminosamente à probabilidade de receber em compensação do seu mais nobre e espontâneo afeto o completo aniquilamento da alma – o que quer dizer a sua principal ruína”.

Breviário, agosto de 1900

Em um dos seus ensaios sobre escritoras, a professora Zahidé Luppinaci Muzart (1939 – 2015) a chamou de Beauvoir tupiniquim, em uma alusão à filósofa, escritora e feminista francesa Simone de Beauvoir (1908 – 1986).

 

 

Em 1908, Mariana adotou no Colégio Santos Dumont o Método João de Deus, do pedagogo português João de Deus de Nogueira Ramos (1830 – 1896), a partir do qual aprendia-se em quatro meses a ler e escrever corretamente. Um professor habilitado veio de Lisboa para ministrar aulas do método. Além disso, promovia no colégio saraus artísticos, literários e musicais. Em 1916, o Colégio foi visitado pelo próprio Santos Dumont (1873 – 1932). Posteriormente, Mariana dirigiu a Escola Profissional Feminina República Argentina, onde trabalhou até meados da década de 40, quando se aposentou.

 

 

 

Também em 1908 foi lançado o livro Paraná Mental, de sua autoria, com prefácio do historiador Rocha Pombo (1857 – 1933), sobre os prosadores e poetas do Paraná. Foi impresso pelo governo paranaense para ser apresentado como documento na Exposição Nacional de 1908, no Rio de Janeiro, tendo recebido, no evento, a medalha de prata. Mariana também participou da exposição com delicada manufatura onde sobressaem os bordados brancos e com uma aquarela de flores. Recebeu uma medalha de prata na sessão de Artes Aplicadas.

 

Livro Paraná Mental, de Mariana Coelho

Livro Paraná Mental, de Mariana Coelho

 

 

Em 1933, foi publicado o mais importante de seus livros, A Evolução do Feminismo: subsídios para a sua história, com prefácio de Rocha Pombo, sobre a emancipação da mulher, a mulher na religião, o civismo da mulher na guerra, a ação da mulher na imprensa, nas artes, nas ciências e nas letras, além de um capítulo dedicado à mulher nas diversas modalidades do amor. Fez também uma retrospectiva histórica do feminismo no Ocidente, trazendo à tona nome de mulheres notáveis na luta pelos direitos femininos.

 

Livro A Evolução do Feminino", de Mariana Coelho, relançado em 2002

Livro A Evolução do Feminino”, de Mariana Coelho, relançado em 2002

 

Seus outros livros foram O Discurso (1902)Um Brado de Revolta contra a Morte Violenta (1935), Linguagem (1937),  Cambiantes: contos e fantasias (1940), ilustrados com desenhos do italiano Guido Viaro (1897 – 1971) e prefaciado por Leôncio Correia (1865 – 1950); e a obra póstuma Palestras Educativas (1956). É patrona da Cadeira nº 30 da Academia Paranaense de Poesia e da Cadeira nº 28  da Academia Feminina de Letras do Paraná. Era sócia do Centro de Letras do Paraná e do Centro Paranaense de Cultura Feminina.

Colaborou em diversos jornais brasileiros como A República (PR) e O Beijo; e também em revistas paranaenses como A PennaGaláxiaVitrix O Breviário. Entre 1900 e 1901, assinou a coluna “Chronica da Moda”, na Folha da Tarde do Paraná. Em Portugal, escreveu para os jornais O Comercio de Vila RealJornal da Manhã e A Voz Pública.

 

 Cronologia de Mariana Coelho (1857 – 1954)

 

“Ora, a mulher que apenas sabe ser dona de casa, é incapaz de viver do seu trabalho, não se pode tornar independente – está fatalmente condenada a ser escrava – ou dos parentes ou dos estranhos, quando não consiga uma miserável pensão para não morrer de fome!” 

                                                                                                                                                     A Evolução do Feminismo

 

1857 – Mariana Teixeira Coelho nasceu em Sabrosa, no Distrito de Vila Real, em Portugal, em 10 de setembro de 1857. A data foi comprovada com a publicação de sua certidão de batismo na tese de Dyeinne Cristina Tomé, de 2020. Antes os anos 1872 ou 1880 eram considerados como possíveis anos de seu nascimento.

Mariana, filha de Manoel Antonio Ribeiro Coelho e sua mulher D. Maria do Carmo Teixeira Coelho, nepta paterna de Felix Ribeiro e Maria Amallia Coelho (já defunto o primeiro) de Lamas da freguezia do mesmo nome de Orelhão, Bispado de Bragança, materna de Antonio Joze de Meireles e Maria Engracia de Valcovo freguesia de Santa Comba da Ermida, nasceo dia dez de setembro de mil oitocentos e cincoenta e sete e foi solemnemente por mim baptizada nesta pia baptismal da Igreja de Cumieira dia vinte cinco do mesmo mez e anno, com imposição dos santos óleos. Foram seus padrinhos: Padre Joze Candido de Carvalho por seu procurador Jeronimo Joze Correa Botelho, que apresentou a competente procuração que reconheço, e D. Mariana Maxima Correa Botelho mulher deste procurador. E para constar fiz este termo que assigno. Cumieira vinte e quatro de setembro de 1857 – (ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL, 1857, fl. 69verso)”

Era filha do farmacêutico Manoel Antônio Ribeiro Coelho (c. 1832 – 1882) e de Maria do Carmo Teixeira Coelho (18? – 1911), e irmã do capitão Thomaz Alberto Teixeira Coelho (1859 – 1934), do professor Carlos Alberto Teixeira Coelho (1863 – 1926), de Rita do Rosário Teixeira Coelho (1865 -1888) e de Maria Natividade Teixeira Coelho (1870 – 19?).

1871 – Seu irmão, Thomaz Alberto Teixeira Coelho (1859 – ?), imigrou para o Brasil para suceder seu tio, o próspero comerciante que atuava em Curitiba, José Natividade Teixeira de Meireles.

1882 – Falecimento de seu pai, Manoel Antônio Ribeiro Coelho, em 7 de setembro de 1882, em Portugal.

1888 – Falecimento de sua irmã, Rita do Rosário Teixeira Coelho, em 2 de junho de 1888, em Portugal.

1892 – Devido a problemas financeiros, imigrou para o Brasil com sua mãe e com sua irmã, Maria Natividade Teixeira Coelho, fixando-se em Curitiba, no Paraná. Partiram do Rio de Janeiro, em 18 de agosto, no paquete Arlindo em direção a Porto Alegre com escalas (Gazeta de Notícias, 29 de agosto de 1892, última coluna).

1893 –  Sua primeira poesia, Madrigal, foi publicada em agosto na Revista Azul, cujo dono e diretor era Júlio Pernetta (1869 – 1921), irmão do escritor Emiliano Pernetta (1866 – 1921), e o redator, Dario Vellozo (1869 – 1937). Emiliano e Dario, assim como Nestor de Castro e Rocha Pombo, com quem Mariana manteria relações próximas, faziam parte do Movimento Simbolista do Paraná.

Seu irmão, Carlos Alberto Teixeira Coelho (1866 – 1926), imigrou para o Brasil com sua esposa, Júlia da Conceição Monteiro (c.1872 – ?) e com sua filha, Maria da Conceição, na época com 8 meses. Foi morar em Ponta Grossa, no Paraná. Foi dono de periódicos associados aos ideais do livre-pensamento, do anticlericalismo e do anarquismo.

1895 – Era uma das colaboradoras do Suplemento Literário do jornal A República (PR) (A República (PR), 27 de outubro de 1895, primeira coluna).

Integrava como oradora a diretoria do Grêmio das Violetas (A República (PR), 29 de dezembro de 1895, quinta coluna).

1897 – Publicou o artigo A Noiva, no jornal literário A Penna, dirigido por Romário Martins (1874 – 1948) e Julio Pernetta (1869 – 1921) (A Penna, 18 de abril de 1897).

Escreveu um artigo sobre o livro Alma Penitente, de Dario Velloso (1885 – 1937), na revista Galáxia, do Centro Literário (A República (PR), 28 de novembro de 1897, quinta coluna).

1898 – Colaborou na parte literária do Almanach Paranaense, em seu quarto ano de publicação (O Sapo (PR), 18 de dezembro de 1898, primeira coluna).

1899 - Lançamento, em 21 de dezembro, do jornal literário O Beijo, provavelmente o primeiro dirigido, no Paraná, por uma mulher, Mariana Coelho (Diário da Tarde, 6 de janeiro de 1950, quarta coluna).

1900 – Seu retrato, acompanhado de uma ligeira biografia, ilustrava a página da oitava edição de O Beijo (A República (PR), 19 de abril de 1900, segunda coluna). Era sua redatora-chefe (A República (PR), 29 de julho de 1900, segunda coluna).

Tocou violão em um sarau musical e dançante do Grêmio das Violetas, nos salões do Club Curitibano (Diário da Tarde (PR), 23 de outubro de 1900, terceira coluna).

Sob a direção de Romário Martins (1874 – 1948) e Alfredo Coelho (18? – 19?), em agosto, lançamento, em Curitiba, da revista de arte Breviário, com a participação da prosa de Mariana Coelho. Publicação de artigo de sua autoria, Emancipação da mulher (A Imprensa (RJ), 31 de agosto de 1900, segunda coluna; O Breviário, agosto de 1900, páginas 7 e 8).

 

emancipação

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Começou a assinar a coluna “Chronica da Moda”, do Jornal da Tarde do Paraná (Jornal da Tarde (PR), 17 de setembro de 1900, segunda colunaJornal da Tarde (PR), 1º de outubro de 1900, segunda coluna). Antes colaborava com a Gazeta do Povo.

1901 – Na coluna “Chronica da Moda” abordou a luta pelo direito ao voto da mulher, iniciando uma polêmica na imprensa paranaense (Diário da Tarde (PR), 1º de março de 1901, segunda coluna). Na edição do dia seguinte, a poetisa brasileira nascida na Bélgica Georgina Mongruel (1861 – 1953) comentou sobre o texto, divergindo das opiniões de Mariana, que respondeu a ela na edição de 6 de março. Também foi contestada por Jean Jacques, pseudônimo usado por Nestor de Castro (1867-1906) , considerado um dos maiores jornalistas do Paraná (Diário da Tarde (PR), 21 de março de 1901, segunda colunaDiário da Tarde (PR), 29 de março de 1901, penúltima coluna). E a discussão continuou com a publicação do artigo Emancipação da Mulher, de Mariana, e do artigo Feminismo, de Nestor de Castro (Diário da Tarde (PR), 2 de abril de 1901, terceira colunaDiário da Tarde (PR), 4 de abril de 1901, quinta coluna).

 

 

Outra polêmica, desta vez sobre o uso do chapéu, foi iniciada em um artigo de Erasto. Mariana respondeu dias depois e Nestor de Castro também escreveu dois artigos sobre o tema (Diário da Tarde (PR), 2 de abril de 1901, quinta colunaDiário da Tarde (PR), 9 de abril de 1901, quarta colunaDiário da Tarde (PR), 12 de abril de 1901, última colunaDiário da Tarde (PR), 15 de abril de 1901, penúltima coluna).

Como decidiu se dedicar ao magistério, passou no final desse ano a escrever apenas esporadicamente para a coluna “Chronica da Moda”. Destacamos aqui um artigo onde Mariana discorreu sobre a importância da beleza da mulher (Diário da Tarde (PR), 5 de outubro de 1901, segunda coluna).

1902 – Mariana Coelho inaugurou, em 2 de janeiro de 1902, e passou a dirigir o Colégio Santos Dumont, na rua Quinze de Novembro, 105, em Curitiba. Também era a professora de francês da instituição (Diário da Tarde (PR), 10 de dezembro de 1901, quarta coluna).

 

 

Discursou na sessão magna de regulamentação da loja maçônica Filhas da Acácia. Essa sua fala foi publicada no folheto O Discurso (Diário da Tarde (PR), 22 de maio de 1902, quarta coluna). Provavelmente, herdou sua ligação com a maçonaria de seu tio, José Natividade Teixeira de Meireles, e de seu irmão mais velho, Thomaz Alberto Teixeira Coelho.

Fazia parte da redação da revista de arte Vitrix, dirigida por Emiliano Pernetta (1866 – 1921) (A República (PR), 4 de setembro de 1902, quarta colunaDiário da Tarde (PR), 19 de dezembro de 1903, segunda coluna).

 

 

1903 – Publicação de uma fotogravura do Colégio Santos Dumont, para meninos e meninas, dirigido por Mariana Coelho, em Curitiba (O Malho, nº 36, 1903).

 

 

1904 – Era colaboradora do Diário da Tarde do Paraná e foi publicada uma crítica de sua autoria sobre a obra Velhas Páginas, do escritor Euclides Bandeira (1876 – 1947) (Diário da Tarde (PR), 20 de fevereiro de 1904, primeira coluna).

O Colégio Santos Dumont, que ela dirigia, já tinha 40 alunos e conquistava cada vez mais prestígio em Curitiba (A República (PR), 8 de julho de 1904, terceira coluna).

Juntou-se aos protestos em relação à decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal sobre a fronteira entre o Paraná e Santa Catarina (Diário da Tarde (PR), 12 de julho de 1904, terceira coluna).

Compareceu com suas alunas à inauguração da estátua do Marechal Floriano (A República (PR), 21 de dezembro de 1904).

1905 – O Colégio Santos Dumont ficava na rua Coronel Luiz Xavier, 105 (Diário da Tarde (PR), 29 de dezembro de 1905).

 

 

1907 – O Colégio Santos Dumont passou a funcionar no prédio do sr. José Rodrigues de Almeida à rua 15, desta capital, canto da rua 1º de março (A Notícia (PR), 30 de agosto de 1907, última coluna).

Ofereceu à Biblioteca da Associação Cívica a coleção do Mundo Elegante (A Notícia (PR), 27 de novembro de 1907, quarta coluna).

1908 – Esteve presente com suas alunas à missa que a colônia portuguesa de Curitiba mandou celebrar pela morte do rei Carlos I de Portugal (1863 – 1908) (A Notícia (PR), 10 de fevereiro de 1908, quinta coluna).

Um professor habilitado veio de Lisboa para ministrar aulas sobre o Método João de Deus, do pedagogo português João de Deus de Nogueira Ramos (1830 – 1896), a partir do qual aprendia-se em quatro meses a ler e escrever corretamente e que seria adotado no Colégio Santos Dumont. Haveria 80 vagas para professores interessados. O Método João de Deus foi inaugurado no Santos Dumont, em 5 de julho de 1908 (A República (PR), 24 de junho de 1908, sexta colunaDiário da Tarde (PR), 3 de julho, terceira colunaDiário da Tarde (PR), 6 de julho de 1908, primeira colunaDiário da Tarde (PR), 16 de julho de 1908, quarta coluna).

 

 

Publicação da história do Método João de Deus (A Notícia (PR), de junho de 1908, terceira coluna).

Lançamento do livro Paraná Mental, de sua autoria, com prefácio do historiador Rocha Pombo (1857 – 1933), sobre os prosadores e poetas do Paraná. Foi impressa pelo governo paranaense para ser apresentado como documento na Exposição Nacional de 1908. Foi premiado com a medalha de prata pelo Júri do Distrito Federal (Diário da Tarde (PR), 17 de agosto de 1908, quarta colunaA República (PR), 23 de abril de 1909, quinta coluna).

Também participou do evento com delicada manufatura onde sobressaem os bordados brancos e com uma aquarela de flores. Recebeu uma medalha de prata na sessão de Artes Aplicadas (A República (PR), 25 de junho de 1908, quarta colunaO Paiz, 16 de julho de 1908, sexta colunaDiário da Tarde (PR), 17 de agosto de 1908, primeira colunaA República, 26 de agosto de 1908, primeira colunaJornal do Brasil, 21 de novembro de 1908, quinta colunaA República (PR), 25 de novembro de 1908, terceira colunaDiário da Tarde (PR), 22 de dezembro de 1908, primeira coluna).

 

 

No livro Paraná Mental, não deixou de abordar o tema da emancipação da mulher:

 

“A despeito das muitas e várias opiniões retrógradas, em todos os grandes centros do mundo civilizado, a par dos graves problemas sociais que têm convulsionado a nossa época, há muito que ventila franca e entusiasticamente a questão da emancipação da mulher, a que o grande movimento feminista, que abrange o novo e velho mundos, tem dado impulso e determinada importância, alimentando com denodo e convicção este desideratum”. 

 

Publicação de uma crítica a seu o livro Paraná Mental. Ela escreveu respondendo à crítica (A República (PR), 4 de setembro de 1908, quinta colunaA República (PR), 19 de setembro de 1908, quarta coluna; A Repúbica (PR), 21 de setembro de 1908, quarta coluna). Polêmica em torno de uma crítica ao livro (Diário da Tarde (PR), de 7 de setembro de 1908, quarta colunaDiário da Tarde (PR), 11 de setembro, terceira coluna); Diário da Tarde (PR), 12 de setembro, segunda colunaDiário da Tarde (PR), 21 de setembro de 1908, terceira coluna).

Foi oferecido à aluna que mais se distinguiu nos exames do Colégio Santos Dumont na 2ª série do 1º grau o prêmio denominado Mariana Coelho (A República (PR), 21 de dezembro de 1908, sexta coluna).

1909 – Reprodução da crítica favorável de Eloy Pontes sobre o livro de Mariana Coelho, Paraná Mental, publicada na Folha Moderna, em novembro de 1908 (A República (PR), 4 de janeiro de 1909, segunda coluna).

Publicação de uma crítica a seu livro, Paraná Mental (A República (PR), 26 de fevereiro de 1909, quinta coluna).

Contribuiu financeiramente para a visita que o escritor português Guerra Junqueiro (1850 – 1923) faria ao Brasil no ano seguinte (A República (PR), 13 de fevereiro de 1909, primeira coluna).

1910 – Na Câmara Municipal de Curitiba, houve uma reunião de associações femininas em prol da unidade do estado do Paraná. Mariana Coelho foi eleita por aclamação primeira secretária do Comitê Central de Senhoras, presidido por Francisca Cavalcante (Correio Paulistano, 3 de janeiro de 1910, quarta colunaA República (PR), 18 de janeiro de 1910, quinta coluna).

Promovia no Colégio Santos Dumont saraus artísticos, literários e musicais (A República (PR), 19 de dezembro de 1910, terceira coluna).

1911 – Em propaganda do Colégio Santos Dumont foi mencionado que o estabelecimento de instrução e educação havia conquistado medalhas de ouro e de prata na Exposição Nacional de 1908, no Rio de Janeiro. Ficava na praça Carlos Gomes, nº 5 (A República (PR), 5 de janeiro de 1911).

 

 

Em maio, falecimento de sua mãe, Maria do Carmo Teixeira Coelho. Em sua homenagem, publicou para a revista Fanal, de janeiro de 1912, a poesia Morreu!.

 

morreu

 

Participou do Congresso de Geografia realizado em Curitiba (Diário da Tarde (PR), 2 de setembro de 1911, primeira colunaA República (PR), 8 de setembro de 1911).

 

 

Fazia parte da comissão para a venda de ingressos do festival do Teatro Politeama para ajudar as vítimas das inundações ocorridas no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul (Diário da Tarde (PR), 27 de outubro de 1911, última coluna).

1912  – Os cursos de alfabetização pelo Método João de Deus e o de prendas domésticas são destacados como os principais do Colégio Santos Dumont, referido como uma importante influência na educação em Curitiba (A República (PR), 31 de outubro de 1912, terceira coluna).

Em 19 de dezembro, criação do Centro de Letras do Paraná, do qual tornou-se sócia (Diário da Tarde (PR), 19 de dezembro de 1959, primeira coluna).

1913 – O Colégio Santos Dumont ficava na rua da Misericórdia, nº 84 (A República (PR), 11 de janeiro de 1913, primeira coluna).

1914 – Durante o concerto do maestro amazonense, o conde José Sabbatini (18? – 19?), na época diretor da escola de música do Paraná, realizado no Clube Curitibano, foram distribuidos folhetos com versos escritos por Mariana (Diário da Tarde (PR), 19 de fevereiro de 1914, última coluna).

 

 

 

1916 – Seu colégio ficava na rua José Loureiro, 27 (Diário da Tarde (PR), 28 de janeiro de 1916, última coluna).

 

 

O inventor Alberto Santos Dumont (1873 – 1932), em visita à Curitiba, foi ao Colégio Santos Dumont, onde foi recebido por Mariana. Logo na entrada, as alunas jogaram pétalas de flores sobre o ilustre visitante, que chegou com o secretário do Interior, Enéas Marques dos Santos. O cônsul de Portugal, o irmão de Mariana e professor Carlos Alberto Teixeira Coelho, professores do colégio, além de outros convidados, participaram do encontro. Uma orquestra executou o Hino Santos Dumont (A República (PR), 4 de maio de 1916, quinta colunaA República (PR), 8 de maio de 1916, quinta coluna; Diário da Tarde (PR), 8 de maio de 1916, terceira coluna).

 

 

 

Na ocasião, uma das alunas do colégio proferiu o seguinte discurso:

Ilustre Dr. Santos Dumont. – Meus Senhores. O âmbito de nosso peito é por demais acanhado para conter todo o jubilo que agita os nossos innocentes corações em face da honrosa presença do querido patrono do nosso collegio. Este formo palpitar de intima alegria, porém, não póde deixar de ser turbado pela saudade em que já nos envolve a vossa rapida passagem por esta capital e por que.., talvez não tenhamos a ventura de nos tornar a ver! O vosso retrato, senhor, aqui nos anima na principal sala de trabalhos escolares, a prosseguir nossos estudos, desde a fundação do estabelecimento que há 15 annos e que usa o vosso nome celebrado – orgulhando-se de que Santos Dumont seja um dos mais scintillantes astros que fulguram nos dominios da sciencia moderna. Por certo a nossa diretora, nos momentos mais angustiosos da sua lucta pela existência, busca e encontra na vossa veneranda effigie o alento para continuar a manter esta escola a que deu o vosso nome ilustre – prestando d’esta forma uma pallida homenagem á grande beleza de vossa alma e do vosso raro talento. É vossa, é unicamente vossa honra de descobrirdes a diribilidade do balão – assombroso progresso para a humanidade, mas hoje, infelizmente, transformada em machina homicida no seu contingente de morte, que o impelle a uma guerra sem procedentes, e cuja acabrunhadora fatalidade muito deve a amargurar uma alma nobilissima como a vossa! Ah! Como desejariamos subir comvosco na vossa bella aeronave e experimentar as emoções do espaço! Termino, illustre Dr., desejando em nome d’esta escolla, que a felicidade vos acompanhe por toda a parte – do que tão digno sois por todos os motivos, e pedindo-vos que nunca esqueçaes o Collegio Santos Dumont que tão sinceramente vos estima e admira” (A República (PR), 8 de maio de 1916).

O poeta Olavo Bilac (1865 – 1918) enviou um belo autógrafo para o Colégio Santos Dumont (A República (PR), 26 de dezembro de 1916, terceira coluna).

 

 

1917 – Proferiu um discurso durante a sessão em que foi eleita a primeira diretoria efetiva da recém criada Cruz Vermelha Paranaense (Diário da Tarde (PR), 2 de junho de 1917, primeira coluna).

Era a encarregada do registro das pessoas que iriam se vacinar no recém inaugurado posto de vacinação da Cruz Vermelha Paranaense (Diário da Tarde (PR), 12 de outubro de 1917, última coluna).

Devido à epidemia de tifo em Curitiba, Mariana decidiu suspender as aulas no Colégio Santo Dumont (A República (PR), 23 de outubro de 1917, quinta coluna).

1918 – Começou a trabalhar como secretária e professora da Escola Profissional Feminina.

Foi dedicado a ela, pelo escritor paranaense José Cadilhe (1880 – 1942), o poema Portugal (A República (PR), 27 de abril de 1918).

 

 

 

1919 – Fazia parte da comissão escolar encarregada de promover atividades infantis para arrecadar fundos para ajudar os flagelados da seca do Nordeste (A República (PR), 21 de maio de 1919, terceira coluna).

Era a terceira secretária da diretoria eleita para a Cruz Vermelha do Paraná (A República (PR), 3 de janeiro de 1919, última coluna).

1921 – Escreveu um artigo em homenagem a João do Rio, pseudônimo de Paulo Barreto (1881 – 1921), recentemente falecido (A República (PR), 29 de junho de 1921, segunda coluna).

1922 – Como segunda secretária do Centro Republicano Português participou da sessão solene, no Teatro Guayra, em celebração da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada pelos aviadores portugueses Carlos Viegas Gago Coutinho (1869 -1959) e Artur de Sacadura Freire Cabral (1881 – 1924). Haviam partido de Lisboa em 30 de março de 1922 e chegado ao Brasil em 17 de junho do mesmo ano (A República (PR), 19 de junho de 1922, última coluna).

 

 

1923 – Publicou o artigo O civismo da mulher na guerra (Commercio do Paraná, 23 de janeiro de 1923, quarta coluna).

Iniciou uma troca de correspondências, que manteve até 1940, com a feminista Bertha Lutz (1894 – 1973), presidente da Federação Brasileira pelo Progresso da Mulher, fundada em 9 de agosto de 1922.

1925 – Foram publicados os trechos intitulados Renovação social da Tuquia e Flagrante flutuação de seu livro, ainda inédito, Evolução de Feminismo (Commercio do Paraná, 6 de janeiro de 1925, penúltima colunaSempre-Viva, 15 de maio de 1925).

Tornou-se associada da Federação Brasileira pelo Progresso da Mulher, tendo recebido em 3 de março, a notificação de seu efetivo ingresso na entidade.

Escreveu um artigo sobre a escritora e crítica literária berlinense Carolina Michaelis de Vasconcellos (1851 – 1925), recentemente falecida. Ela foi a primeira mulher a lecionar em uma universidade portuguesa, a Universidade de Coimbra (O Estado do Paraná, 22 de novembro de 1925, primeira coluna).

 

 

1926 - Continuava  trabalhando na Escola Profissional Feminina, em Curitiba (O Estado do Paraná, 19 de janeiro de 1926, quarta coluna).

Falecimento de seu irmão, o professor e um dos mais importantes filólogos de sua geração, Carlos Alberto Teixeira Coelho (1866 – 1926), em 28 de janeiro (O Dia (PR), 29 de janeiro de 1926, segunda coluna).

A professora, poeta e jornalista catarinense Maura de Senna Pereira (1904 – 1991) dedicou a ela o poema Nesgas (A República (SC), 12 de dezembro de 1926, segunda coluna).

 

 

1927 – Mariana esteve no Rio de Janeiro, na Federação Brasileira pelo Progresso da Mulher apresentou os originais do livro A Evolução do Feminismo, onde fazia uma imparcial crítica histórica ao papel da mulher. Bertha Luz (1894 – 1971) e Maria Amalia Bastos de Miranda Jordão, respectivamente, presidente e secretária da associação, ofereceram a ela um chá na Confeitaria Colombo (Jornal do Brasil, 19 de julho de 1927, quarta colunaO Dia (PR), 17 de agosto de 1927, primeira coluna).

1930 – Na “Página Literária”, publicação de um artigo de sua autoria, O Feio, sobre a valorização da beleza da mulher (A República (PR), 20 de janeiro de 1930, primeira coluna).

Foi uma das intelectuais do Paraná que se declarou favorável à eleição de Julio Prestes (1882 – 1946) à presidência da República, apoiando a Ação Intelectual Brasileira. Ele foi eleito em 1º de março, mas não tomou posse devido à Revolução de 30, liderada por Getulio Vargas (1882 – 1954) (A República (PR), 12 de fevereiro de 1930).

Foi nomeada diretora da Escola Profissional Feminina – que recebeu, em 1933, o nome de Escola Profissional Feminina República Argentina -, onde ficou até se aposentar. O local atualmente é o Centro Estadual de Capacitação em Artes Guido Viaro, no Capão da Imbuia (A República (PR), 19 de junho de 1930, primeira coluna).

1931 – Foi efetivada nos cargos de professora e diretora da Escola Profissional Feminina  (O Dia (PR), 25 de março de 1931, primeira colunaO Dia (PR), 10 de setembro de 1932, primeira coluna).

 

1933 – No artigo A mulher paranaense, de Rachel Prado, foi mencionada como uma das mais importantes escritoras do estado (Brasil Feminino, maio de 1933).

Participou no Centro de Letras do Paraná da sessão em homenagem ao escritor e historiador paranaense José Francisco da Rocha Pombo (1857 – 1933), recentemente falecido (O Dia (PR), 8 de julho de 1933, terceira coluna).

 

 

Publicação do mais importante de seus livros, A Evolução do Feminismo: subsídios para a sua história, com prefácio de Rocha Pombo, sobre a emancipação da mulher, a mulher na religião, o civismo da mulher na guerra, a ação da mulher na imprensa, nas artes, nas ciências e nas letras, além de um capítulo dedicado à mulher nas diversas modalidades do amor (O Dia (PR), 29 de agosto de 1933, primeira colunaO Dia (PR), 9 de setembro de 1933, primeira coluna;  Diário da Tarde (PR), 14 de outubro de 1933, quarta colunaJornal do Brasil, 19 de outubro de 1933, sexta colunaO Dia (PR), 9 de novembro de 1933, última coluna).

 

 

Na reunião quinzenal do Centro de Letras do Paraná, Mariana Coelho foi cogitada para ocupar uma das cadeiras da casa. Foi empossada em 30 de novembro (O Dia (PR), 21 de setembro de 1933, segunda colunaO Dia (PR), 24 de novembro de 1933, segunda colunaO Dia (PR), 1º de dezembro de 1933, quinta colunaO Dia (PR), 7 de dezembro de 1933, quarta coluna).

1934 – Seu livro, A Evolução do Feminismo, foi elogiado pelo professor Antonio Austregésilo (1876 – 1960), da Academia Brasileira de Letras; e pelo crítico literário, também membro da Academia Brasileira de Letras, João Ribeiro (1860 – 1934)(A Noite, 13 de janeiro de 1934, primeira colunaJornal do Brasil, 14 de março de 1934, segunda colunaWalkyrias, agosto de 1934).

 

 

Mariana ofereceu livros para a Biblioteca do Centro Paraense da Cultura Feminina, criado no ano anterior pelas advogadas Rosy Pinheiro e Ilnah Pacheco Secundino e pela médica Delohé Falce Scalco (O Dia (PR), 5 de dezembro de 1933, sexta colunaO Dia (PR), 25 de fevereiro de 1934, última coluna).

Falecimento de seu irmão, Thomaz Alberto Teixeira Coelho (1859 – 1934), que na época residia no Rio de Janeiro (O Dia (PR), 20 de abril de 1934, terceira coluna).

Passou férias no Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 7 de julho de 1934, segunda colunaDiário da Tarde (PR), 19 de julho de 1934, segunda coluna).

Em reunião do Centro de Letras do Paraná, Mariana falou sobre o feminismo diante do amor, um dos temas de seu livro A Evolução do Feminismo (O Dia (PR), 16 de outubro de 1934, primeira coluna).

Foi convidada para fazer uma conferência literária na ocasião da comemoração do primeiro ano de fundação do Centro Paraense da Cultura Feminina. Foi saudada pela oradora da associação, Ophir Athayde Leite. Mariana discorreu sobre o tema Um brado de alarme contra a guerra, os suicídios e a pena de morte (O Dia (PR), 7 de dezembro de 1934, quarta coluna).

 

 

1935 – Participou da Semana Emiliano, um festival de arte que o Centro de Letras do Paraná organizou em homenagem ao poeta curitibano Emiliano Pernetta (1866 – 1921), um dos fundadores do simbolismo no Brasil e considerado o maior poeta paranaense de seu tempo. Recitou o poema Felicidade, da coleção Setembro. (O Dia (PR), 22 de janeiro de 1935, sexta coluna).

 

 

Publicou o livro Um Brado de Revolta contra a Morte Violenta e destinou 50% da venda para a construção de um mounumento em homenagem aos historiador Rocha Pombo (1857 – 1933) (O Dia (PR), 25 de abril de 1935Diário da Tarde (PR), 9 de maio de 1935O Dia (PR), 13 de julho de 1935, primeira coluna).

 

 

O cientista paranaense Victor Amaral (1862 – 1953) escreveu sobre o livro Um Brado de Revolta contra a Morte Violenta (Diário da Tarde (PR), 19 de agosto de 1935, terceira coluna).

Dirigia a Escola Profissional República Argentina (O Dia (PR), 12 de fevereiro de 1936, terceira coluna).

1936 - Foi convidada para participar do Congresso das Academias de Letras e Sciencias de Cultura Literária realizado, em maio, no Rio de Janeiro, promovido pela Academia Carioca de Letras e sua tese, Linguagem, foi apresentada no evento. No ano seguinte, a tese foi publicada (Diário da Tarde (PR), 3 de março de 1936, penúltima colunaJornal do Commercio, 6 de maio de 1936, sexta colunaO Dia (PR), 25 de abril de 1937, penúltima colunaDiário Carioca, 17 de julho de 1937, primeira coluna). Era amiga do médico, escritor e militante anarquista Fábio Lopes dos Santos Luz (186? – 1938) que desde 1934 ocupava uma cadeira da Academia Carioca de Letras.

 

 

Mariana Coelho, após defender em sua tese a simplificação da língua portuguesa, passou a assinar Mariana com apenas uma letra n, em oposição ao modo como foi registrada, com duas letras n.

Preencheu a ficha para o 3.º Congresso Nacional Feminino, que ocorreu no Rio de Janeiro, em setembro de 1936, promovido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, mas a pesquisa não encontrou evidência de sua participação no evento. A representante do Paraná foi a presidente do Centro Paraense de Cultura Feminina, a advogada Ilnah Pacheco Secundino (O Dia (PR), 26 de julho de 1936, quinta colunaO Dia (PR), 1º de outubro de 1936, terceira coluna).

1937 - Publicação do artigo O feminismo no Brasil, de sua autoria, no qual apontava Nizia Floresta (1810 – 1885) como a primeira mulher, no Brasil, que reivindicou direitos femininos. Nisia Floresta, o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, educadora e poetisa nascida no Rio Grande do Norte, é considerada a primeira feminista brasileira. A dentista Isabel de Mattos Dillon (1861 – 1920), primeira mulher a conseguir autorização para votar no Brasil, em 1886, também foi mencionada no artigo como outra importante feminista. A Lei Saraiva, promulgada em 1881, dizia que todo brasileiro com um título científico poderia votar. Isabel acionou essa lei para solicitar sua inclusão na lista de pessoas eleitoras do Rio Grande do Sul (Correio da Manhã, 3 de janeiro de 1937).

 

 

 

Na apuração final do plebiscito Qual a mulher intelectual merece a consagração da imortalidade?, Mariana tinha 106 votos. Foi vencida por Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1886 – 1963) com 2.512 votos (O Malho, 14 de janeiro de 1937).

 

 

O filólogo José de Sá Nunes (18? – 1955)  escreveu sobre a tese Linguagem (1937) de autoria de Mariana Coelho. Outras personalidades também a felicitaram por sua tese (O Dia (PR), 1º de outubro de 1937).

1938 – Concorreu mas não foi eleita para ocupar uma das cadeiras da Academia Paranaense de Letras (O Estado (PR), 1º de fevereiro de 1938).

Foi homenageada por professores, funcionários e alunos da Escola Profissional República Argentina. Na ocasião, foi inaugurado um retrato de Mariana na sala em que trabalhava como diretora do colégio (O Dia (PR), 4 de outubro de 1938, terceira coluna).

1939 – Naturalizou-se brasileira (Jornal do Brasil, 31 de agosto de 1939, penúltima colunaDiário da Tarde (PR), 8 de novembro de 1939, segunda coluna).

1940 - Foi eleita como sócia efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná (O Dia (PR), 23 de fevereiro de 1940, segunda coluna).

Publicou o livro Cambiantes: contos e fantasias, ilustrados com desenhos do italiano Guido Viaro (1897 – 1971) e prefaciado por Leôncio Correia (1865 – 1950) (ODia (PR), 14 de julho de 1940, segunda colunaO Malho, fevereiro de 1941O Dia (PR), 24 de setembro de 1941, penúltima coluna).

O poeta, escritor e empresário Heitor Stockler (1888 – 1975) relembra a trajetória de Mariana Coelho como educadora e escritora (Diário da Tarde (PR), 14 de agosto de 1940, penúltima coluna).

1941 – Devido a problemas de saúde, não pode mais trabalhar, tendo se aposentado do cargo de diretora da Escola Feminina República Argentina.

Leôncio Correia (1865 – 1950) dedicou seu poema O Coração em Voo a várias pessoas, dentre elas Mariana Coelho (O Dia (PR), 14 de setembro de 1941, primeira coluna).

 

 

Ela, com Cambiantes, Plácido e Silva (1892 – 1973) com História do Macambira; e Angelo Guarinelo (1876 – 1959) com Ressurreição se inscreveram para concorrer a um prêmio da Academia Brasileira de Letras:(O Dia (PR), 14 de ooutubro de 1941, sexta coluna).

 

 

 

1943 – Inauguração da Estante Mariana Coelho durante a celebração do sétimo ano da fundação da Academia Paranaense de Letras. Foi saudada por José Gelbcke (1879 – 1960). Mariana havia doado para a biblioteca da entidade cerca de 200 livros (O Dia (PR), 25 de setembro de 1943O Dia (PR), 28 de setembro de 1943, segunda coluna).

 

 

Fez uma visita ao ministro da Educação, Gustavo Capanema (1900 – 1985) (O Dia (PR), 26 de outubro de 1943, primeira coluna).

1946 – Foi uma das 13 escritoras do Paraná que participaram da primeira Exposição do Livro Feminino Brasileiro, realizada no Palace Hotel, no Rio de Janeiro, em fevereiro (O Dia (PR), 7 de setembro de 1946, terceira coluna).

1949 – Seus livros Cambiantes e Um Brado de Revolta contra a Morte Violenta integraram a Exposição Inter-americana do Livro, no Rio de Janeiro (O Dia (PR), 17 de agosto de 1949, terceira coluna).

Mariana Coelho foi atropelada por um caminhão (Diário da Tarde (PR), 23 de novembro de 1949, penúltima coluna).

O jornalista e escritor italiano radicado no Brasil desde o início dos anos 20, Francisco Stobbia (1881 – 1961),  escreveu um artigo sobre Mariana e sua obra, A Evolução do Feminismo (Diário da Tarde (PR), 6 de dezembro de 1949, penútima coluna).

Era uma das colaboradoras da Revista do Centro de Letras do Paraná (O Dia (PR), 30 de janeiro de 1951, terceira coluna).

1954 – Falecimento de Mariana Coelho, em 29 de novembro de 1954, em sua casa, na rua Presidente Taunay, em Curitiba. Foi sepultada no Cemitério Municipal São Francisco de Paula (Diário da Tarde(PR), 29 de novembro de 1954, sexta colunaO Dia(PR), 30 de novembro de 1954, terceira coluna).

 

 

Em sua homenagem, seu retrato foi inaugurado no Centro de Letras do Paraná. O Centro Paranense Feminino de Cultura também participaria do evento (Diário da Tarde (PR), 8 de dezembro de 1954, penútima colunaO Dia (PR), 12 de dezembro de 1954, sexta coluna).

1955 – Publicação de um artigo do jornalista Otávio Secundino exaltando as qualidades de Mariana Coelho (Diário da Tarde (PR), 7 de janeiro de 1955, quinta coluna).

Publicação de um artigo de  Francisco Stobbia (1881 – 1961) sobre A Evolução do Feminismo (Diário da Tarde, 15 de janeiro de 1955, primeira coluna).

 

 

1956 – Foi publicada sua obra póstuma Palestras Educativas (Diário do Paraná, 11 de setembro de 1956, primeira colunaDiário da Tarde (PR), 15 de setembro de 1956, quinta coluna).

1957 – Publicação do conto Um Urso, do livro Cambiantes: contos e fantasias (Diário do Paraná, 7 de abril de 1957).

1959 – Publicação de seu poema Saudade (O Dia (PR), 19 de julho de 1959).

 

 

A professora Maria Nicolas (1899 – 1988) publicou um artigo exaltando o papel de Mariana Coelho como educadora, escritora e feminista (Diário da Tarde (PR), 1º de maio de 1959, penúltima coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ALVES, Branca Moreira, Ideologia e feminismo: a luta das mulheres pelo voto no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1980

BUENO, Alexandra Padilha. Educação e participação política: a visão de formação feminina de Mariana CoelhoDissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná, 2010.

COELHO, Mariana. A evolução do feminismo, subsídios para a sua história. 2 ed. Org. Zahidé L. Muzart. Curitiba, Imprensa Oficial do Paraná, 2002.

DINIZ, Aires Antunes. Mariana Coelho: uma educadora feminista luso-brasileira. Portugal: Penagrafica, 2015.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KAMITA, Rosana Cássia. Resgates e ressonâncias: Mariana Coelho. Tese de Doutorado. Curso de Pós-Graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina, 2004.

KARAWEJCZYK, Monica. As filhas de Eva querem votar: uma história da conquista do sufrágio feminino no Brasil. Tese (Doutorado em História), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.

MUZART, Zahidé L. Resgates e ressonâncias: uma beauvoir tupiniquim. In: BRANDÃO, Izabel; MUZART, Zahidé L.  e  BOLAÑOS, Aimée González (orgs.). Refazendo nós: ensaios sobre mulher e literatura. Florianópolis: Ed. Mulheres; Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2003.

Revista dos Cursos de Letras – Universidade do Paraná, abril de 1955

RIBEIRO, Leonardo Soares Madeira Iorio. Mariana Coelho: a educadora feminista. Rio de Janeiro : Editora Lumen Juris, 2015.

SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.

Site Academia Brasileira de Letras

Site A Memória dos Esquecidos

Site Centro de Documentaação de Literatura de Autoria Feminina Paranaense

Site Instituto Terra, Trabalho e Cidadania

Site Universidade Federal do Paraná

TOMÉ, Dyeinne Cristina. Mariana Coelho e a educação das mulheres: uma escritora feminista no campo intelectual (1893 – 1940). Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Ponta Grossa Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes Programa de Pós-Graduação em Educação, 2020.

 

Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2024

O “artista fotógrafo” Louis Piereck (1880 – 1931)

 

O “artista fotógrafo” Louis Piereck (1880 – 1931)

 

 

O fotógrafo Louis Jacques Piereck (1880- 1931) é o autor do retrato destacado no sexto artigo da série “Feministas, graças a Deus”, sobre Júlia Medeiros (1896 – 1972), publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de dezembro de 2020. De origem austríaca e nascido em Campinas, em 13 de outubro de 1880, ele atuou no Recife, entre fins do século XIX e nas primeiras décadas do XX. Pernambuco, a partir da década de 1850, com a chegada de vários fotógrafos estrangeiros e o estabelecimento de diversos ateliês fotográficos, tornou-se uma referência importante na história da fotografia no Brasil. Piereck foi contemporâneo do português Francisco du Bocage (1860 – 1919) e do pernambucano Manoel Tondella (1861 – 1921), dentre outros. Considerado talentoso, tinha muito prestígio na sociedade pernambucana e, em seu estabelecimento, a Photographia Piereck, eram produzidos “os mais perfeitos trabalhos“. Anunciava como sua especialidade “retratos, grupos de criança e o bello sexo“.

 

 

Muito provavelmente Louis aprendeu seu ofício de fotógrafo convivendo com profissionais em estabelecimentos fotográficos onde seu pai, o pintor acadêmico austríaco Ferdinand (Fernando) Piereck (1844 – 1925), trabalhou como, por exemplo, os ateliês de Henrique Rosén (1840 – 1892), em Campinas; Alberto Henschel (1827 – 1882), no Recife; e o de Carlos Hoenen (18? – ?), em São Paulo. Em 1870, Ferdinand esteve pela primeira vez no Brasil, onde todos os seus cinco filhos, que teve com a tcheca Elizabeth Taussig (1855 – 19?), nasceram: Wilhelmine Ernestine (Guilhermina Christiani) (1878 – 19?), Ferdinand Junior (1879 – ?), Louis (1880 – 1931), Babette (Elizabeth White) (1881 – 19?) e Laura Correia (1882 – 19?). Naturalizou-se brasileiro em 1896. A motivação de sua vinda para o Brasil é incerta. Teria vindo atraido pela natureza tropical? À procura de uma clientela desejosa de que sua prosperidade fosse retratada?

 

 

Em 1904, após uma estadia na Europa, Louis Piereck avisava a amigos, a antigos fregueses e ao público em geral que seu ateliê, a Photographia Piereck, no número 54 da rua dr. Rosa e Silva (1), antiga rua da Imperatriz, no Recife, tinha todos os requisitos necessários a fim de bem servi-los (Jornal Pequeno, 30 de abril de 1904, primeira coluna). Era o mesmo endereço onde havia se localizado o ateliê do fotógrafo Flosculo de Magalhães (18? – 19?).

Casou-se, no Recife, com Hermínia Bastos Tigre (? – 1949), em 31 de janeiro de 1907, e tiveram cinco filhos, Luiz (c. 1907 – 1923), Edgard (1909 – 1993), Carmelita (19? -19?) – que faleceu ainda criança de crupe em uma das viagens da família à Europa -, Helena (19? – 19?) e Hermínia (Baby) (1916 – 1987) (Jornal Pequeno, 31 de janeiro de 1907, quarta coluna).

Louis Piereck conquistou o Grande Prêmio na Exposição Nacional de 1908 e medalhas de ouro na Exposição Internacional de Bruxelas de 1910, na Exposição Internacional de Turim de 1911, na Exposição Internacional do Trabalho de Milão de 1915, e na Exposição Internacional do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro, em 1922. Seu estabelecimento fotográfico era uma Casa honrada com a preferência da alta sociedade pernambucana, onde além de produzir e expor fotografias, Piereck vendia equipamentos fotográficos. Frequentemente ia à Europa, de onde trazia as “novidades da arte“.

“Essa conhecida casa, de que é proprietário o habilíssimo e competente artista sr. Luiz Piereck, acaba de ser dotada de importantes melhoramentos e novidades da arte, tonando-se desta sorte o principal estabelecimento do gênero desta capital”

Jornal Pequeno, 20 de fevereiro de 1913

 

A Photographia Piereck também foi palco de exposições de artistas plásticos como Vicente do Rego Monteiro (1899 – 1970), que se tornaria um pintor de renome internacional, e do chargista e caricaturista paraibano Fausto Silvério Monteiro, (? – 1935), o Fininho, pioneiro nas produções de materiais gráficos do cinema pernambucano (Diário de Pernambuco, 7 de janeiro de 1920, primeira colunaDiário de Pernambuco, 27 de agosto de 1922, quinta coluna).

 

 

Acessando o link para as fotografias de Louis Piereck disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Cerca de um ano antes de sua morte, Piereck foi o responsável pela última fotografia do então governador da Paraíba, João Pessoa  (1878 – 1930) que, no dia em que foi assassinado, 26 de julho de 1930, pelo jornalista João Dantas (1888 – 1930), no Recife, esteve na Photographia Piereck, onde tirou novas fotografias a fim de atender a pedidos que constantemente lhe eram feitos por jornalistas, amigos e parentes. O governador estava com o ex-deputado e futuro governador de Pernambuco, Agamenon Magalhães (1893 – 1952), e com o jornalista Caio Lima Cavalcanti (1898 – 1975). Piereck era grande admirador de Pessoa e, segundo noticiado no Correio da Manhã, o encontro dos dois se deu com grande emoção. O assassinato é considerado um dos estopins da Revolução de 30.

 

 

Link para o Hino a João Pessoa (o político), composto por Eduardo Souto e Oswaldo Santiago, cantado por Francisco Alves

O assassino de João Pessoa, João Dantas, e o engenheiro Augusto Caldas, seu cunhado, foram presos na Casa de Detenção do Recife, onde foram encontrados mortos em 6 de outubro (Diário de Pernambuco, 7 de outubro de 1930, primeira coluna). O motivo oficial das morte foi suicídio mas, anos depois, a descoberta de registros fotográficos produzidos por Piereck contribuíram para desacreditar essa versão.

Assim como Júlia de Medeiros, Louis Piereck teve um fim de vida trágico: suicidou-se, em 1931, ingerindo uma alta dose de oxianureto de mercúrio. Ele era viciado em jogo e havia perdido seu patrimônio em corridas de cavalo.

Além da fotografia de Júlia, que pertence ao acervo do Arquivo Nacional, a Brasiliana Fotográfica disponibiliza 12 imagens produzidas por Piereck que pertencem ao acervo da Fundação Joaquim Nabuco. Ambas são instituições parceiras do portal.

 

 assinatura

 

Cronologia de Louis Piereck (1880 – 1931)

 

O fotógrafo Louis Piereck / Blog de Fernando Machado

O fotógrafo Louis Piereck / Acervo da família Piereck

 

1844 – Em Viena, na Áustria, nascimento do pintor Ferdinand (Fernando) Piereck (1844 – 1925), pai de Louis, em 10 de setembro.

1870 – Em 15 de outubro, Ferdinand chegou ao Rio de Janeiro, a bordo do paquete francês Amazone (Jornal do Commercio, 16 de outubro de 1870, sexta coluna).

1875 - Em Viena, em 13 de março, casamento de Ferdinand com Elizabeth Taussig (05/11/1855 – ?), nascida em Praga, de origem judaica. Os dois primeiros filhos do casal, Wilhelmine Ernestine (Guilhermina Christiani) (1878 – 19?) e Ferdinand Junior (1879 – ?), nasceram em Pernambuco. O fotógrafo Louis (1880 – 1931), Babette (Elizabeth White) (1881 – 19?) e Laura Correia (1882 – 19?), em São Paulo.

 

Louis Piereck. Ferdiand e Elizabeth Piereck com três filhos de Louis Piereck: Louis, Edgard e Hermínia (Baby), c. 19?

Ferdinand e Elizabeth Piereck e três de seu netos: Louis, Edgard e Hermínia (Baby), fotografados por Louis Piereck em torno de 1920/ Acervo da família Piereck

 

1876 – Ferdinand partiu do Rio de Janeiro para Pernambuco (O Globo, 1º de janeiro de 1876, quinta coluna). Foi contratado para trabalhar na Photographia Allemã de  Alberto Henschel (1827 – 1882) no Recife (Jornal do Recife, 14 de janeiro de 1876).

1877 – Ferdinand  foi contratado para ser o responsável pela pela policromia das fotopinturas a óleo e aquarela da Photographia Allemã, de Carlos Hoenen (18?-?), inaugurada em 1º de setembro de 1875, na rua do Carmo, 74, em São Paulo (Correio Paulistano, 31 de agosto de 1875, última coluna; Correio Paulistano, 23 de novembro de 1877).

1878 – Ferdinand ainda trabalhava no estabelecimento de Hoenen (Correio Paulistano, 30 de julho de 1878) e foi, muito provavelmente, o autor da pintura do teto de um dos cômodos do Grande Hotel, da Rua São Bento (Revista do IPHAN, nº 10, 1946), de propriedade de dois comerciantes: o teuto-suíço Frederico Glette (? – 1886) e o alsaciano Victor Nothmann (? – 1905).

 

 

Foi também o autor de uma pintura de tema religioso realizada para a Igreja da Penha (A Província de São Paulo, 28 de julho de 1878).

Transferiu-se para Campinas, onde trabalhou no ateliê Photographia Campinense, do sueco Henrique Rosén (1840 – 1892), na época o mais importante fotógrafo do interior paulista, que, posteriormente, em janeiro de 1890, foi nomeado cônsul do Brasil da Suécia e da Noruega (Relatório do Ministério das Relações Exteriores, 1891; Jornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna). A expansão cafeeira no oeste paulista fez com que vários fazendeiros alojassem em suas casas artistas que retratavam suas famílias. Ferdinand pintou diversos barões do café e, neste ano, pintou o retrato de dom Pedro II, que está no casarão da Fazenda  Pinhal, em São Carlos, São Paulo.

 

 

Sua primeira filha, Wilhelmine (Guilhermina) (1878 -?), nasceu em Pernambuco.

1879 – Nascimento do segundo filho do casal Ferdinand e Elizabeth, Ferdinand Junior, em Pernambuco.

1880 – Nascimento de Louis Piereck, em 13 de outubro, em Campinas (Jornal Pequeno, 13 de outubro de 1919, terceira coluna; Jornal do Recife, 13 de outubro de 1923, primeira coluna; Diário de Pernambuco, 14 de outubro de  1930, sexta coluna). Algumas fontes informam o ano de nascimento 1878, e, por vezes, indicam como local de seu nascimento a Áustria ou a Suíça, mas documentação enviada da Áustria para familiares do fotógrafo apontam 1880 e Campinas como o ano e o local corretos do nascimento do fotógrafo.

1881 – 1882 – Em São Paulo, nascimento dos últimos filhos do casal Ferdinand e Elizabeth: Elizabeth (Babette) (1881 – 19?) e Laura (1882 – 19?) .

1886 - Ferdinand Piereck, que havia voltado de Viena, foi contratado pela Photographia Allemã, de Albert Henschel (1827 – 1882), localizada na rua do Barão da Vitória, nº 52, no Recife. O gerente do estabelecimento era o também austríaco Constantino Barza (Jornal do Recife, 3 de março de 1886).

 

 

1887 – Segundo passaporte emitido na Áustria, em 16 de abril de 1887, para Ferdinand (Fernando) Piereck, com validade de três anos, ele estava em Viena, e viria ainda naquele ano para o Brasil. Aqui, após ter visitado as principais galerias durante sua viagem, voltou a trabalhar na Photographia Allemã, ficando encarregado dos retratos a óleo (Jornal do Recife, 26 de maio de 1887, quarta coluna).

1892 – De acordo com propaganda veiculada em 1910, a fundação do ateliê fotográfico de Louis Piereck teria ocorrido neste ano (Jornal Pequeno, 14 de novembro de 1910). Em janeiro de 1892, foi inaugurada a Photographia Brazil, de Flosculo de Magalhães (18? – 19?),  na rua da Imperatriz 54 A (que em 1895 passou a chamar-se rua dr. Rosa e Silva), primeiro estabelecimento do gênero no bairro da Boavista (Jornal do Recife, 6 de janeiro de 1892, terceira coluna). Em 1901, 1902 e 1903 continuava a funcionar no mesmo endereço. Flosculo mudou-se, em 1904, com a família para o Rio de Janeiro (A Província, 6 de novembro de 1901, quinta colunaA Província, 21 de janeiro de 1902, penúltima colunaA Província, 30 de janeiro de 1904, segunda colunaA Província, 1º de setembro de 1904, segunda coluna). É o mesmo endereço que, a partir de 1904, foi anunciado como o da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 30 de abril de 1904, primeira coluna). Teriam os fotógrafos trabalhado juntos ou Piereck teria sucedido Flosculo no mesmo endereço?

1895 – Louis enviou um cartão de felicitações a sra. H. Barza. Seria uma parente de Constantino Barza (18? – ?), que havia sido o gerente da Photographia Allemã, de Henschel (1827 – 1882)? (Jornal do Recife, 1º de novembro de 1895, terceira coluna.

1896 - Seu pai, Ferdinand (Fernando) Piereck, naturalizou-se brasileiro, em 22 de maio de 1896 (Gazeta de Notícias, 25 de maio de 1896, quinta coluna).

1899 - Fazia parte de um Club de Photographia que distribuiu prêmios durante o ano de 1899 e 1900. O primeiro sorteio premiou o sócio Tito Rosas e o segundo, Alfredo Garcia (Jornal Pequeno, 2 de janeiro de 1899, terceira coluna).

Morava no Entroncamento nº 37 (Jornal do Recife, 30 de julho de 1899, sexta coluna).

1900 - Possuía um estabelecimento fotográfico, em Campina Grande, na Paraíba.

1904 – Seu estabelecimento fotográfico, a Photographia Piereck, ficava no número 54 A  da rua dr. Rosa e Silva (1), antiga rua da Imperatriz, no Recife, mesmo endereço onde havia se localizado anteriormente o ateliê do fotógrafo Flosculo de Magalhães (18? – 19?). Foi anunciado que Piereck havia chegado há pouco da Europa onde havia se dedicado com esmero à arte fotográfica. Avisava a amigos, a antigos fregueses e ao público em geral que seu ateliê tinha todos os requisitos necessários a fim de bem servi-los (Jornal Pequeno, 30 de abril de 1904, primeira coluna).

 

 

Na mesma rua dr. Rosa e Silva, no número 39, ficava a Modern Photograph, de Manoel Ribeiro Filho (18? – 19?) (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1904, terceira coluna).

Piereck retratou a atriz e cantora Vittorina Cesana (1896? – 19?) caracterizada para o papel de militar da opereta Os 28 dias de Clarinha. Durante a apresentação da peça, no Teatro Santa Izabel, no Recife, esta fotografia foi distribuida aos espectadores (Jornal Pequeno, 21 de julho de 1904, terceira colunaDiário de Pernambuco, 23 de julho de 1904, penúltima coluna).

Na Photographia Piereck e na Maison Chic estavam sendo vendidos exemplares de A Linguagem dos selos pelo cartão postal ou o dicionário do amor pelo correio (Jornal Pequeno, 12 de outubro de 1904).

 

 

Seu pai, o pintor acadêmico Ferdinand (Fernando) Piereck, trabalhava na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 20 de outubro de 1904, quarta coluna).

1905 - Foi anunciada uma grande exposição artística na Photographia Piereck (A Província, 8 de abril de 1905).

Houve uma liquidaçao de cartões-postais em seu estabelecimento (Jornal Pequeno, 14 de junho de 1905, segunda coluna).

1906 – Estavam em exposição na Photographia Piereck o retrato de todos os presidentes da Câmara de Deputados Estaduais de Pernambuco desde a proclamação da República: José Maria, Moreira Alves, José Marcelino, Elpidio Figueireido, Mota Silveira e João Coimbra (Jornal do Recife, 20 de fevereiro de 1906, sétima coluna).

Anunciava seu estabelecimento fotográfico como uma Casa honrada com a preferência da alta sociedade pernambucana (Jornal do Recife, 23 de fevereiro de 1906, oitava coluna).

Anúncio da contratação do casamento com Hermínia Bastos Tigre, irmã do poeta, bibliotecário, publicitário e jornalista Manuel Bastos Tigre (1882 – 1957), filha do negociante Delfino Tigre (18? – 1932) e de Maria Leontina Bastos Tigre (18? – 1926) e publicação das proclamas (Diário de Pernambuco, 5 de outubro de 1906, penúltima coluna; e Jornal do Recife, 25 de dezembro de 1906, quarta coluna). Uma curiosidade: o cunhado de Piereck, Manuel Bastos Tigre, foi o responsável pelo slogan da Bayer que se tornou famoso em todo o mundo: “Se é Bayer é bom“. É também o autor da letra da música Chopp em Garrafa, com música de Ary Barroso (1903 – 1964), que foi interpretada por Orlando Silva (1915 – 1978). Foi inspirada no produto que a Brahma passou a engarrafar. Sucesso do carnaval de 1934, é considerado o primeiro jingle publicitário do Brasil. Foi também o autor do livro Meu Bebê: livro das mamães para anotações sobre o bebê desde seu nascimento. O Dia do Bibliotecário, 12 de março, dia de seu nascimento, foi instituído, em 1980, em sua homenagem.

1907 – Louis Piereck produziu as fotografias da turma de bacharéis de 1906 (Jornal Pequeno, 5 de janeiro de 1907, primeira coluna).

 

 

 

Casou-se, no Recife, com Hermínia Bastos Tigre (? – 1949), em 31 de janeiro de 1907, e tiveram cinco filhos, Luiz (c. 1907 – 1923), Edgard (1909 – 1993), Carmelita (19? -19?) – que faleceu ainda criança de crupe em uma das viagens da família à Europa -, Helena (19? – 19?) e Hermínia (Baby) (1916 – 1987) (Jornal Pequeno, 31 de janeiro de 1907, quarta coluna).

 

família piereck 2

Da esquerda para a direita: Louis (filho primogênito do fotógrafo), Hermínia, sua mulher; Edgard (seu filho), o fotógrafo Louis Piereck, duas irmãs de Hermína e a mãe de Hermínia, Maria Leontina Bastos Tigre, em um navio indo para a Europa, década de 10 / Acervo da família Piereck

 

Anunciava utilizar na Photografia Piereck o processo Van Bosch, garantido para os climas tropicais (Jornal Pequeno, 24 de maio de 1907).

 

 

Anunciou a Alta Novidade Photo-Pintura-Esmaltada como exclusividade da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 9 de dezembro de 1907). Com esta técnica foram realizados os retratos do desembargador Sigismundo Gonçalves (1845 – 1915) e do senador Rosa e Silva (1847 – 1929), expostos no depósito da Fábrica Lafayette (Jornal Pequeno, 13 de dezembro de 1907, primeira coluna).

1908 – A Photographia Piereck ficou incumbida pelo retrato do príncipe Luiz Felipe de Portugal (1887 – 1908), assassinado em 1º de fevereiro de 1908, que seria colocado na galeria do Real Hospital Português de Pernambuco (Jornal do Recife, 22 de fevereiro de 1908, oitava coluna).

Exposição na Fábrica Lafayette, na rua 1º de Março, do retrato em photo-pintura-esmaltada do coronel Cornélio Padilha (18? – 19?), realizado pela Photographia Piereck. O retrato seria dado ao coronel por amigos na ocasião de sua chegada da Europa (Jornal do Recife, 16 de setembro de 1908, última coluna).

A Photographia Piereck conquistou o Grande Prêmio na Exposição Nacional de 1908 (Diário de Pernambuco, 10 de dezembro de 1908, primeira colunaGutemberg, 31 de dezembro de 1908Jornal Pequeno, 3 de junho de 1909, última coluna).

 

 

1909 – Foi publicada uma lista de personalidades fotografadas pelo sistema “Esmalte Piereck” (Jornal Pequeno, 3 de junho de 1909).

 

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Exposição de um retrato do ex-presidente Afonso Pena (1847 – 1909) na Photographia Piereck (Diário de Pernambuco, 24 de junho de 1909, penúltima coluna).

Louis Piereck embarcou, em 10 de outubro, para a Europa, a bordo do Aragon, e anunciou que seu ateliê fotográfico continuaria funcionando. Retornou em 9 de dezembro de 1909 (A Província, 10 de outubro de 1909, terceira colunaJornal do Recife, 24 de outubro de 1909, terceira colunaA Província, 10 de dezembro de 1909, quinta coluna).

1910 – Na Fábrica Lafayette, exposição de retratos produzidos por Piereck, feitos por um novo e belíssimo processo, o mais moderno da arte fotográfica, imitação de fina gravura em relevo (A Província, 14 de janeiro de 1910, última coluna).

Venda de quadros e molduras a varejo e no atacado na Photographia Piereck (A Província, 30 de maio de 1910, quinta coluna).

A Photographia Piereck conquistou a Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Bruxelas, realizada entre 23 de abril e 1º de novembro de 1910 (Diário de Pernambuco, 1º de novembro de 1910, última coluna). Também participaram da exposição os pintores brasileiros Lucilio de Albuquerque (1877 – 1939) e Antônio Parreiras (1860 – 1937). O encarregado pelos concertos de música brasileira no evento foi o maestro cearense Alberto Nepomuceno (1864 – 1920), então diretor do Instituto Nacional de Música. O pavilhão brasileiro foi projetado pelo arquiteto belga Franz van Ophen (18? – 19?).

 

 

Em 15 de novembro de 1910, foi inaugurada a instalação elétrica da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 14 de novembro de 1910).

 

 

O quadro das novas professoras formadas no Colégio Prytaneu foi confeccionado e exposto na Photographia Piereck (A Província, 28 de novembro de 1910, segunda coluna).

1911 A Photographia Piereck ganhou a Medalha de Ouro na Exposição de Turim, realizada entre 29 de abril e 19 de novembro de 1911 (Almanach de Pernambuco, 1912).

 

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Medalha de Ouro da Exposição de Turim / Acervo da família Piereck

 

Nessa mesma exposição, o fotógrafo amador alagoano Luis Lavènere Wanderley (1868 – 1966) também foi premiado com uma Medalha de Ouro exibindo fotografias sobre madeira, sobre porcelana e quadros de gênero  (Leituras para todos, janeiro de 1912).

 

 

O fotógrafo austríaco radicado no Brasil Otto Rudolf Quaas (c. 1862 – c. 1930) recebeu a Medalha de Prata. Segundo artigo de Boris Kossoy, publicado no O Estado de São Paulo, de 4 de março de 1973,  o fotógrafo Valério Vieira (1862 – 1941) participou da Exposição Universal de Turim, durante a qual foi agraciado com a comenda de Cavaleiro da Coroa, concedida pelo rei da Itália, por sua defesa da causa da imigração italiana para o fotógrafo Valério Vieira (1862 – 1941).

 

 

Em uma exposição do quadro de bacharéis em Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito na Photographia Piereck, a iluminação do ateliê foi descrita e referida como responsável por um surpreendente efeito luminoso. O evento, muito concorrido, contou com a apresentação da banda do 49º Batalhão de Caçadores (A Província, 6 de dezembro de 1911, quarta coluna).

1912 –  Exposição de um retrato de Eudoro Correia (1869 – 1961), prefeito do Recife, na Photographia Piereck. O retrato seria ofertado ao prefeito pelos carvoeiros da casa Cory Brothers (Jornal do Recife, 19 de abril de 1912).

Mais uma vez, o quadro de retratos das novas professoras formadas no Colégio Prytaneu foi confeccionado e exposto na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 16 de maio de 1912, quarta coluna).

A Photographia Piereck também confeccionava elegantes e custosas molduras (Jornal Pequeno, 20 de junho de 1912, última coluna).

Em julho, Louis Piereck foi passar uma temporada na Europa e deixou na direção de seu estabelecimento seu antigo auxiliar J. de Oliveira Lopes. Seu amigo Delfino da Silva Tigre cuidaria de seus assuntos particulares e comerciais (Jornal do Recife, 18 de julho de 1912, terceira coluna).

1913 – A bordo do Araguaya, Louis Piereck retornou de uma viagem à Europa quando visitou vários estabelecimentos fotográficos, especialmente em Viena e em Berlim. Comprou a patente para o processo fotográfico esmalte ouro para a América do Sul. Além disso, adquiriu uma utilíssima e magnífica máquina para operação em atelier, tipo 1912, a mais aperfeiçoada invenção e dotada de uma fina objetiva do importante cabricante Carl Zeiss…esse aparelho é o único que consegue apanhar clichês representando a maior naturalidade e nitidez, visto como o fotografado não vê diante de si a câmara, mas um grande espelho, onde se reflete a sua imagem, podendo desta natureza o artista, no momento crítico, apanhar uma fisionomia com a expressçao mais viva e natural. No interior da máquina  existe um aparelho instantâneo automático, de maneira que a pessoa que está sendo fotografada, por mais nervosa que seja, não pode modificar a expressão do rosto, evitando assim as tão frequentes reclamações de que “o trabalho não está bom a cópia não foi fiel”. Trouxe também fundos e decorações, uma coleção de animais para fotos com crianças, um projetor automático e elétrico, o maior do gênero em Pernambuco, que permitia apanhar no dia mais escuro qualquer clichê e um graduador automático de regulamentação de luz nas provas. Finalmente, comprou também uma rica e elegante cartonagem para a produção de um belíssimo efeito no acabamento dos retratos (Jornal do Recife, 1º de fevereiro de 1913, penúltima colunaJornal Pequeno, 20 de fevereiro de 1913, segunda coluna; e A Província, 25 de fevereiro de 1913, quarta coluna).

 

 

“Essa conhecida casa, de que é proprietário o habilíssimo e competente artista sr. Luiz Piereck, acaba de ser dotada de importantes melhoramentos e novidades da arte, tonando-se desta sorte o principal estabelecimento do gênero desta capital”.

Louis Piereck anunciou que havia reassumido a direção técnica de seu estabelecimento e a nova máquina fotográfica adquirida na Europa foi exposta na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 26 de fevereiro de 1913, terceira colunaJornal Pequeno, 1º de março de 1913, primeira coluna).

Anunciou possuir os aparatos mais modernos e necessários para transformar seu ateliê em um interior de igreja para os atos de 1ª Comunhão, casamentos e batizados (Jornal Pequeno, 7 de abril de 1913, primeira coluna).

 

A Photographia Piereck inaugurou seu serviço fotográfico noturno sem o processo do magnésio (Jornal Pequeno, 13 de junho de 1913, penúltima coluna).

 

 

A Photographia Piereck foi contratada para realizar o quadro dos formandos da Escola de Farmácia (A Província, 24 de julho de 1913, terceira coluna).

Em 14 de novembro, no Teatro Santa Izabel, no Recife, foi entregue a Medalha de Ouro conquistada por Louis Piereco, na Exposição Internacional de Turim, em 1911 (Jornal Pequeno, 15 de novembro de 1913, terceira coluna).

 

 

Foi noticiado que Louis Piereck embarcaria para a Europa com a família. Teria aceito a incumbência de realizar para o Jornal Pequeno reportagens fotográficas nas principais cidades que visitasse (Jornal Pequeno, 29 de novembro de 1913, segunda colunaJornal do Recife, 18 de abril de 1915, segunda coluna).

Na Photographia Piereck, exposição de um quadro com retratos da tripulação vencedora, do Club Náutico, do páreo de honra da última regata (Jornal Pequeno, 13 de dezembro de 1913, última coluna).

1914 – Exposição do quadro das professoras da Escola Normal Pinto Junior, confeccionado no ateliê fotográfico de Piereck que foi decorado, para o evento, em estilo japonês. Na ocasião, houve a apresentação de uma banda militar (A Província, 21 de novembro de 1914, última colunaJornal do Recife, 24 de novembro de 1914, última coluna).

1915 – Ganhou o Grande Prêmio de Honra e uma Medalha de Ouro na Exposição Internacional do Trabalho em Milão.

 

Grande Prêmio de Honra, em Milão, 1915 / Arquivo da família Piereck

Grande Prêmio de Honra, Milão, 1915 / Acervo da família Piereck

 

Após uma longa viagem pela Europa, iniciada em fins de 1913, quando esteve em Viena, Paris e Berlim, Louis Piereck e sua família voltaram para o Recife, a bordo do transatlântico Avon. Trouxe para seu ateliê recentes descobertas fotográficas, dentre elas o processo de Pigment ou carvon verdadeiro, em que se notam nas provas 20 e tantas cores diferentes. Adquiriu também aparelhos para a execução de trabalhos esmaltados em moldura de diversos formatos – ovais, medalhões, redondos, quadrados, dentre outros – , e máquinas fotográficas para a realização de instantâneos de toda natureza … podendo apanhar as imagens com a rapidez de 2500 de segundo (Jornal do Recife, 18 de abril de 1915, segunda coluna; A Província, 23 de abril de 1915, segunda coluna; A Província, 27 de abril de 1915, quinta colunaJornal Pequeno, 28 de maio de 1915, penúltima coluna). Reassumiu seu estabelecimento fotográfico em 1º de junho (A Província, 27 de maio de 1915, segunda coluna).

Era o único depositário para todo o Brasil do medicamento Expulsin, fabricado em Berlim para o combate à gota, reumatismo e artrite (A Província, 27 de junho de 1915, primeira coluna; A Província, 17 de março de 1917, última coluna).

O inspetor de higiente, dr. Gouveia de Barros, foi retratado na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 4 de agosto de 1915, última coluna).

Inauguração de diversos e importantes melhoramentos na Photographia Piereck, dentre eles o aumento da iluminação elétrica. Havia no ateliê um espaçoso laboratório para lavagem, revelação e fixagem de chapas, uma prensa automática e elétrica para a impressão de provas e também um aparelho para o serviço de ampliação. Havia também a seção de colagem, cortagem de cartão e abertura de firma da casa e outros distintivos, além da sala de fotografia e da seção de molduras. Nesta ocasião, trabalhavam no ateliê os artistas Gustavo Fischer e o alemão Phil Schafer, que havia trabalhado no ateliê Hubart & Cia, no Rio de Janeiro (Jornal Pequeno, 29 de dezembro de 1915, última coluna).

1916 - Piereck esteve por cerca de três meses na Europa e reassumiu a direção artística de seu ateliê, em 30 de junho de 1916. Trouxe para seu estabelecimento um aparelho para fotografias noturnas usado nas grandes casas da Europa. Adquiriu também uma belíssima cartonagem, o que havia de mais chic e novo no gênero (Jornal Pequeno, 1º de julho de 1916, última coluna).

Viajou a passeio para o Rio de Janeiro (Jornal Pequeno, 22 de agosto de 1916, última coluna).

1917 - Em um aviso publicado no jornal A Província, Piereck denunciou fotógrafos que, usando de má fé, apresentavam-se como seus representante (A Província, 3 de abril de 1917, última coluna).

 

 

Devido à manifestações contra a Alemanha ocorridas no Recife, Piereck procurou a redação do Jornal do Recife e declarou, mostrando documentos, ser brasileiro (Jornal do Recife, 12 de abril de 1917, primeira coluna).

A Photograhia Piereck foi escolhida para realizar o quadro de retratos dos bacharelandos de Direito de 1917 (Jornal Pequeno, 26 de maio de 1917, última coluna).

Anúncio da instalação, na Photographia Piereck, de uma importante e bem montada oficina para o fabrico de molduras, a cargo de competentes artistas (Jornal Pequeno, 26 de julho de 1917).

No quarto e mais importante páreo da regata promovida pelo Club Sportivo Almirante Barroso, foi disputado pela primeira vez o rico e elegante brinde “Photo Piereck”, oferecido pela conceituada Photographia Piereck  (Jornal Pequeno, 4 de agosto de 1917, quinta coluna).

 

medalhão

 

Foi noticiado que Gustavo Fischer havia deixado de ser o auxiliar de Louis Piereck, por sua livre e espontânea vontade. Ele passou a gerenciar a Photographia Chic (Diário de Pernambuco, 23 de outubro de 1917, primeira colunaJornal Pequeno, 24 de outubro de 1917, última coluna).

1918 - Mais uma vez, a Photographia Piereck foi a responsável pela realização do quadro de bacharéis da Faculdade de Direito (A Província, 7 de fevereiro de 1918, segunda coluna).

 

 

Exposição de diversos retratos na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 2 de agosto de 1918, terceira coluna).

1919 – As capas da revista Vida Moderna passaram a trazer fotografias cedidas pela Photographia Piereck (Vida Moderna (PE), 5 de julho de 1919).

 

 

Inauguração na Photographia Piereck do quadro dos engenheiros formados em 1919 na Escola Livre de Engenharia. O passe-partout havia sido confeccionado pelo artista Moser (Jornal do Recife, 16 de agosto de 1919, penúltima coluna).

Realização de um magnífico trabalho na Photographia Piereck. Quadro do corpo médico e da junta administrativa de 1948, do Hospital Português (Jornal Pequeno, 20 de agosto de 1919, segunda coluna).

Foi anunciada a venda, na Photographia Piereck, de novas tintas para artistas pintores (Jornal Pequeno, 7 de outubro de 1919, primeira coluna).

A Photographia Piereck foi, de novo, a responsável pela realização do quadro de bacharéis da Faculdade de Direito (A Província, 10 de dezembro de 1919, penúltima coluna).

Na Photographia Piereck, inauguração do quadro de retratos dos professores da Escola Normal: Julio Pires Ferreira, França Pereira, Arthur Cavalcanti e José Ferreira Muniz (A Província, 13 de dezembro de 1919, quarta coluna).

1920 – O pintor Vicente do Rego Monteiro (1899 – 1970) fez uma exposição de ilustrações e aquarelas na Photographia Piereck (Diário de Pernambuco, 7 de janeiro de 1920, primeira coluna). Rego Monteiro trouxe para o Recife, em 1930, uma exposição de artistas da Escola de Paris, que foi a primeira mostra internacional de arte moderna realizada no Brasil, com artistas ligados às grandes inovações nas artes plásticas, como o cubismo e o surrealismo. Foram expostas, dentre outras, obras de Fernand Léger (1881 – 1955), Georges Braque (1882 – 1963), Joan Miró (1893 – 1983) e Pablo Picasso (1881 – 1973), além de trabalhos dele.

 

 

Estavam à venda na Photographia Piereck, as chapas fotográficas de fabricação alemã que, devido à guerra e a consequente interrupção das exportações, passaram muito tempo em falta. Outros produtos fotográficos também eram vendidos no ateliê (A Província, 22 de julho de 1920, primeira colunaA Província, 20 de agosto de 1920, última coluna).

 

 

A Photographia Piereck foi escolhida para realizar o quadro de retratos dos formandos em odontologia (Jornal do Recife, 7 de agosto de 1920, quinta coluna).

Os retratos do presidente do Brasil, Epitácio Pessoa (1865 – 1942), e do governador de Pernambuco, José Rufino Bezerra Cavalcanti (1865 – 1922), realizados pela Photographia Piereck, foram expostos durante a realização da comemoração do primeiro ano de governo de Bezerra CAvalcanti (A Província, 18 de dezembro de 1920, quarta coluna).

1921 – A Photographia Piereck realizou o quadro de retratos dos formandos da Faculdade de Direito e dos farmacêuticos (Jornal do Recife, 13 de janeiro de 1921, sexta colunaA Província, 3 de dezembro de 1921, segunda coluna).

Piereck Irmãos vendiam carros (Diário de Pernambuco, 20 de janeiro de 1921).

A Photographia Piereck recebeu da Alemanha cartonagem para retratos de formatos visita e álbum em cores sortidas com os seus respectivos envelopes transparentes (A Província, 30 de janeiro de 1921, quarta coluna).

Exposição de diversos retratos na Photographia Piereck, uma das melhores de nosso país (A Província, 11 de fevereiro de 1921, primeira coluna).

Louis Piereck reassumiu, em 15 de setembro, a direção de seu estabelecimento (A Província, 20 de setembro de 1921, última coluna).

Phil Schafer, gerente da Photographia Piereck, anunciou que havia se desligado do estabelecimento e oferecia seus serviços profissionais de ampliação, sua especialidade, assim como outros ligados à fotografia. Posteriormente abriu um estabelecimento fotográfico na rua da Imperatriz, 285, bem perto da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 20 de setembro de 1921, última colunaAlmanak Laemert, 1927, última coluna).

O Club Sportivo Almirante Barroso conquistou algumas taças nas regatas realizadas na baciaa do Capiberibe, uma delas a Taça Photo Piereck (A Província, 20 de setembro de 1921, segunda coluna).

Houve um incêndio na Photographia Piereck devido a um curto-circuito na fiação elétrica (Jornal Pequeno, 6 de dezembro de 1921, quinta colunaA Província, 7 de dezembro de 1921, última coluna).

1922 – Foi premiado com a Medalha de Ouro na Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada no Rio de Janeiro (A Província, 11 de julho de 1924, primeira coluna).

A Photo Piereck anunciou a chegada de uma nova remessa de chapas alemães do afamado fabricante Schleussner. No mesmo anúncio aconselhava os fotógrafos e amadores: só usem chapas preparadas com emulsão tropical  (Diário de Pernambuco, 19 de janeiro de 1922, terceira coluna). No mesmo ano, foi anunciada a chegada de uma remessa da tinta Helios, especiais para a pintura de tecidos (Diário de Pernambuco, 14 de juho de 1922, terceira coluna).

A Photographia Piereck realizou o quadro de retratos das professoras formadas na Escola Normal de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 2 de fevereiro de 1922, sexta coluna).

Nascimento de Fernando Carlos, filho de Elizabeth Piereck White, irmã de Louis, que era casada com Fernando White (Jornal Pequeno, 16 de fevereiro de 1922, quinta coluna).

Durante as exéquias celebradas, na basílica Nossa Senhora da Penha, em memória de José Rufino Bezerra Cavalcanti (1865 – 1922), foi exibido um retrato a óleo, realizado pela Photographia Piereck na época em que ele foi ministro da Agricultura, entre 1915 e 1917 (Diário de Pernambuco, 28 de abril de 1922, quarta coluna).

Após concorrer com o fotógrafo Fidanza – curiosamente, mesmo sobrenome do fotógrafo português Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903) – , foi escolhido para realizar o quadro de retratos dos bacharéis da Faculdade de Direito (A Província, 12 de maio de 1922, quinta coluna).

Na Photographia Piereck, exposição do chargista e caricaturista paraibano Fausto Silvério Monteiro, (? – 1935), Fininho, pioneiro nas produções de materiais gráficos do cinema pernambucano. Pode ser considerado como um dos primeiros artistas gráficos a trabalhar para o cinema no Brasil (Diário de Pernambuco, 27 de agosto de 1922, quinta coluna).

 

 

A Photo Piereck anunciava-se como a única importadora em Pernambuco de produtos fotográficos.

 

 

Foi, de novo, o responsável pela realização do quadro de retrato de bacharéis da Faculdade de Direito (Diário de Pernambuco, 15 de dezembro de 1922, quinta coluna).

1923 - Ferdinand Piereck Junior noticiou que seu irmão, Louis Piereck, estava se retirando da firma Piereck Irmãos, que ficava na Praça da Independência 31 e que havia há pouco anunciado a venda de tintas e anilinas de Brauns (A Província, 24 de abril de 1923, segunda coluna).

Exposição na Photographa Piereck do retrato do senador Manoel Borba (1864 – 1928), que seria colocado na Prefeitura de Jaboatão (Jornal Pequeno, 9 de junho de 1923, primeira coluna).

Eram vendidas na Photographia Piereck máquinas fotográficas Kodack Goerz, além de outros produtos fotográficos da marca Gevaert (Jornal Pequeno, 16 de janeiro de 1923, última colunaJornal Pequeno, 10 de julho de 1923, segunda coluna).

 

 

O alemão Martin Schumann dirigia a seção de retratos a óleo, pastel, aquarelas e ampliações fotográficas da Photographia Piereck. Anteriormente, já havia dirigido uma academia em Dresden onde ensinava essas técnicas. Em homenagem à data da independência do Brasil, foi realizada uma exposição na Photo Piereck de quadros a óleo e trabalhos outros do gênero (Jornal Pequeno, 5 de setembro de 1923, quinta colunaA Província, 7 de setembro de 1923, quarta coluna).

 

 

Morte do primogênito de Louis e Hermínia Piereck, Luiz, que estudava no Colégio Synodal, em Santa Cruz, no Rio Grande do Sul (Jornal Pequeno, 30 de novembro de 1923, primeira coluna).

Publicação de propagandas das lentes Goerz, vendidas na Photographia Piereck (Diário de Pernambuco9  e 30 de dezembro de 1923).

 

 

“A memória nem sempre é fiel….É recem-casado?…De futuro a sua alegria será enorme” – de uma propaganda da Photo Piereck (Jornal Pequeno, 31 de dezembro de 1923, última coluna).

 

 

1924 - Mário Araújo Sobrino e Felipe Nery dos Santos trabalhavam como auxiliares na Photographia Piereck  (Diário de Pernambuco, 14 de fevereiro, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 27 de maio de 1924, terceira coluna).

Realizou o quadro de retratos dos bacharéis em ciências comerciais (A Província, 29 de março de 1924, quarta coluna).

Exposição, na Photographia Piereck, do quadro de retratos dos formandos da Escola de Engenharia de Pernambuco. O passe-partout foi de autoria do pintor H. Moser  (Diário de Pernambuco, 5 de abril de 1924, quarta coluna).

Na Photographia Piereck eram vendidos diversos equipamentos fotográficos (Jornal Pequeno, 21 de maio de 1924).

 

 

Exposição na vitrine da Photographia Piereck de um magnífico retrato busto em tamanho natural enfaixado em rica moldura do abastado comerciante e nosso particular amigo coronel Othon Mendes Bezerra de Mello (Jornal Pequeno, 2 de setembro de 1924, segunda coluna).

Ganhou uma Medalha de Ouro do Instituto Agrícola,  no Rio de Janeiro.

1925 – Inauguração, na Photographia Piereck, do quadro de retratos de bacharéis da Faculdade de Direito (Diário de Pernambuco, 12 de março de 1925, primeira coluna).

 

 

Publicação de fotografias de Piereck na Revista de Pernambuco (Revista de Pernambuco, março de 1925).

 

 

Anunciou a venda de vários produtos “Para photografia!” como prensa de copiar 13:18 9:12, bacias de porcelana e ágata, copas de graduar, balanças, vidros finos despolidos, rubi e calibres diversos. Vendia também papéis mate e brilhantes de diversos fabricantes, além de cartolinas (Diário de Pernambuco, 31 de maio de 1925, terceira colunaDiário de Pernambuco, 4 de julho de 1925, primeira coluna).

A Photographia Piereck foi responsável pelo quadro de retratos da primeira turma de médicos formados na Faculdade de Medicina do Recife (A Província, 6 de dezembro de 1925, terceira coluna).

Falecimento de seu pai, Ferdinand, em sua casa na estrada dos Aflitos, 192 (Jornal do Recife, 12 de dezembro de 1925, segunda coluna).

1926 – Falecimento da sogra de Piereck, Maria Leontina Bastos Tigre (Jornal Pequeno, 4 de janeiro de 1926)

A Photo Piereck anunciava uma grande novidade, o metallon, um papel fotográfico ideal para efeitos artísticos (Diário de Pernambuco, 28 de março de 1926).

 

 

O chargista  e caricaturista Fausto Silvério Monteiro (? – 1935), Fininho, trabalhava na Photographia Piereck, na rua da Imperatriz, 198  (Jornal do Recife, 10 de abril de 1926, quinta coluna).

A Photographia Piereck produziu o quadro de retrato das primeiras diplomadas em Comércio do Instituto Nossa Senhora do Carmo (Jornal do Recife, 20 de novembro de 1926, quarta coluna).

Na primeira edição da Revista da Cidade, publicação de duas fotografias de autoria de Piereck. Em diversas edições desta revista, fotografias de Piereck foram publicadas.

 

 

 

 

1927 – Foi o responsável pelo quadro de retratos da Turma do Centenário da Faculdade de Direito do Recife (Diário de Pernambuco, 21 de abril de 1927, sexta coluna).

Publicada as fotografias, todas de autoria de Piereck, dos membros da diretoria da Sociedade Anônima Revista da Cidade, recém formada (Revista da Cidade, 16 de abril de 1927, páginas 12 e 13).

 

 

 

Foi noticiada uma reforma na Seção de amadores da Photo Piereck (Jornal Pequeno, 18 de julho de 1927, última coluna).

1928 – Anunciou a chegada novas remessas de papel Leonar, chapas Eisenberger (Jornal Pequeno, 8 de março de 1928, última coluna).

A Photographia Piereck realizou a fotografia de dom Miguel de Lima Valverde (1872 – 1951), arcebispo de Olinda e Recife (Diário de Pernambuco, 22 de julho de 1928, quarta coluna).

Em um anúncio, convidava os fotógrafos amadores a ver a nova Vest pocket à venda na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 22 de novembro de 1928, segunda coluna)

1929 - Também eram vendidos na Photographia Piereck produtos da Kodak, da Agfa, da Hauff e de outros fabricantes (Jornal Pequeno, 2 de janeiro de 1929, segunda coluna).

Um retrato da Photographia Piereck era um dos prêmios oferecidos à vencedora do concurso de beleza que elegeu a Miss Pernambuco, Connie Brás da Cunha (Jornal Pequeno, 21 de março de 1929, quarta coluna).

A professora e feminista Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) ofereceu à feminista e presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, Bertha Lutz (1894 – 1976), uma fotografia sua produzida por Louis Piereck, datada de 5 de maio de 1929.

 

 

1930 - No dia em que foi assassinado, 26 de julho de 1930, pelo jornalista João Dantas (1888 – 1930), no Recife, o então governador de Paraíba, João Pessoa (1878 – 1930), esteve na Photographia Piereck, onde tirou novas fotografias a fim de atender a pedidos que constantemente lhe eram feitos por jornalistas, amigos e parentes. O governador estava com Agamenon Magalhães (1893 – 1952), na época ex-deputado e futuro governador de Pernambuco; e com o jornalista Caio Lima Cavalcanti. Piereck era grande admirador de Pessoa e segundo o Correio da Manhã, o encontro dos dois se deu com grande emoção. Na ocasião, Piereck teria contado a Pessoa que tivera um pesadelo com a morte dele (Diário Carioca, 29 de julho de 1930, penúltima colunaCorreio da Manhã, 29 de julho de 1930, penúltima coluna). O assassinato é considerado um dos estopins da Revolução de 30.

 

 

Segundo o jornalista Domingos Meirelles em seu livro Órfãos da revolução, ao preparar os equipamentos, Piereck notou que João Pessoa continuava tenso, olhos baixos, expressão congelada, com tristeza na face. Produziu um segundo retrato, segundo o pesquisador Edival Varandas, ao se dar conta que as luvas no bolso do paletó do presidente estavam desalinhadas e, subitamente, solicitando que não se movesse, ajeitou as luvas, pediu que esboçasse um leve sorriso e tirou o outro retrato, que viria a ser o último de Pessoa (O Dia (PR)21 de novembro de 1931, quarta coluna).

O assassino de João Pessoa, João Dantas, e o engenheiro Augusto Caldas, seu cunhado, foram presos na Casa de Detenção do Recife, onde foram encontrados mortos em 6 de outubro (Diário de Pernambuco, 7 de outubro de 1930, primeira coluna). O motivo oficial das morte foi suicídio mas, anos depois, a descoberta de registros fotográficos produzidos por Piereck contribuiu para desacreditar essa versão:

 “João Dantas e seu cunhado Augusto Caldas estavam detidos, desde a morte de João Pessoa, na penitenciária em Recife, quando, na tarde de 6 de outubro, foram encontrados mortos. A notícia oficial apontou suicídio, e assim foi divulgado na imprensa. Somente após a morte do fotógrafo Piereck foi que uma nova versão para a morte foi trazida ao público – tratava-se de outras fotografias desconhecidas e que estavam guardadas no cofre do fotógrafo. Conta-se que Piereck, sabendo do que ocorrera, fotografou o local, mas foi obrigado a tirar novas fotos em que, num novo cenário fotografado, esconderia os sinais de luta e de assassinato. Essa versão se encontra no livro do irmão de Augusto Caldas, que foi recentemente publicado pela ONG “Parahyba Verdade”” e editado pela Gráfica e Editora Imprell  (Trecho da dissertação de mestrado Sacrifício, heroísmo e imortalidade: a arquitetura da construção da imagem do Presidente João Pessoa, de Genes Duarte Ribeiro – página 100).

Essas fotografias foram publicadas no livro de Joaquim Inojosa Andrade, A República de Princesa (José Pereira x João Pessoa, -1930) e reproduzidas no site princesapb.com.

 

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1931 – Piereck era viciado em jogo e havia perdido seu patrimônio em corridas de cavalo, motivo de seu suicídio, em 19 de novembro. Ingeriu uma alta dose de oxianureto de mercúrio em sua residência, na avenida Rosa e Silva, 192. Desesperada, sua mulher, Herminia Tigre Piereck, também tentou se matar ingerindo ácido arsênico.  O casal tinha, na época, dois filhos, Edgard e Herminia “Baby” Piereck. O primogênito, Luiz, havia falecido em 1923 (Diário de Pernambuco, 20 de novembro de 1931, penúltima colunaJornal Pequeno, 20 de novembro de 1931, quinta coluna; Diário de Pernambuco, 20 de novembro de 1931, sexta coluna).

“A dolorosa ocorrência repercutiu tristemente em nosso meio, onde o sr. Louis Piereck se tornara um homem popular, pela sua bondade, pelos seus dotes morais. E o seu gesto,não foi só uma desagradável surpresa para os que apenas o conheciam mas também para os que pertenciam a sua família que, de momento, não podiam atinar onde essa causa tão forte, que levava o chefe a praticar o ato de desespero que lhe roubara a vida. Entretanto, ao que se sabe, o sr.Louis Piereck, antes de objetivar a sua macabra resolução, teria escrito uma longa carta a seu filho de nome Edgard Piereck expondo-lhe com pormenores as causas que o levaram a procurar a morte de uma maneira tão violenta”.

Jornal Pequeno, 20 de novembro de 1931

 

Era diretor do Jockey Club e as corridas foram suspensas no domingo seguinte a seu falecimento. Estiveram presentes a seu enterro o interventor federal e figuras da maior represetação da alta sociedade pernambucana (Jornal Pequeno, 21 de novembro de 1931, primeira coluna).

1932 – Foi publicado um anúncio convocando todos os credores da Photographia Piereck a fim de se entenderem com Edgard Piereck, filho de Louis (Diário de Pernambuco, 5 e fevereiro de 1932).

O estabelecimento foi a leilão judicial, em abril de 1932.

 

 

1949 – A esposa de Louis Piereck, Hermínia, morava na rua República do Peru, 124, no Rio de Janeiro, com a filha, Herminia Baby. Tropeçou em um cachorro, caiu, foi hospitalizada e acabou falecendo (Diário de Pernambuco, 17 de setembro de 1949, última coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

(1) De acordo com Lúcia Gaspar, da Fundaj, “curiosamente, a rua da Imperatriz Tereza Cristina mudou de nome três vezes. Em 1895, foi denominada Dr. Rosa e Silva. Passou para Floriano Peixoto. Finalmente, por meio da Lei nº 1.336, de 13 de março de 1923, voltou ao nome tradicional. De maneira espontânea, a população reduziu a sua denominação para Rua da Imperatriz, como é conhecida até hoje”. Por isso, apesar de entre 1904 e 1931 a Photographia Piereck ter existido no mesmo lugar, o endereço variou: rua dr. Rosa e Silva, 54; rua Floriano Peixoto, 54; rua Floriano Peixoto, 198; e rua da Imperatriz, 198.

 

Agradeço muitíssimo à família de Louis Piereck, especialmente à sua neta, Eliane Piereck, por inúmeras informações e pela cessão de registros do acervo pessoal da família.

Agradeço à bisneta de Louis Piereck, Chris Piereck, que contribuiu com novas informações, incorporadas ao artigo, em 30 de janeiro de 2023.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

Fontes:

ANDRADE, Joaquim Inojosa. República da Princesa (José Pereira x João Pessoa – 1930). Rio de janeiro/Brasília: Civilização Brasileira/INL-MEC, 1980.

Blog do Juan Esteves

BEZERRA, Dinarte Varela. 1930, a Paraíba e o inconsciente político da revolução: a narrativa como ato socialmente simbólico. 2009. 227 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Regional; Cultura e Representações) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2009.

CALDAS, Joaquim Moreira. Porque João Dantas assassinou João Pessoa: o delito do “Glória” e a tragédia da penitenciária do Recife em 1930. João Pessoa: Gráfica e Editora Imprell, 2008.

CAMPOS, Eudes. O antigo Beco da Lapa e o Grande Hotel. Informativo Arquivo Histórico Municipal, 4 (24): maio/jul. 2009

Google Arts and Culture

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

MEIRELLES, Domingos. Órfãos da revolução. Editora Record : Rio de Janeiro, 2006

RIBEIRO, Genes Duarte. Sacrifício, heroísmo e imortalidade: a arquitetura da construção da imagem do Presidente João Pessoa. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal da Paraíba, 2009.

Site CPDOC

Site Dezenovevinte.net

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site Imigração Histórica

Site Silvia Matos Ateliê de Criatividade

Site princesapb.com

Site Propagandas Históricas

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VARANDAS, Edival Toscano. O último retrato do presidente João Pessoa.

Novos acervos: Museu Histórico Nacional

A Brasiliana Fotográfica apresenta a seus leitores seu nono parceiro, o Museu Histórico Nacional (MHN), com o artigo “Os salesianos, os Bororos e a banda de crianças indígenas que mudou a história”, da historiadora da instituição, Maria Isabel Ribeiro Lenzi, e com a disponibilização das imagens do álbum “Missão em Mato Grosso”que pertence à Coleção Miguel Calmon, ministro da Viação e Obras Públicas no governo do presidente Afonso Pena. Com a adesão desse importante museu, o portal segue cumprindo um de seus objetivos, o de abordar todos os usos e funções da fotografia brasileira. Seus outros parceiros são o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional, a Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde e o Museu da República, além do Instituto Moreira Salles e da Fundação Biblioteca Nacional, criadores da Brasiliana Fotográfica.

Os salesianos, os Bororos e a banda de crianças indígenas que mudou a história

Maria Isabel Ribeiro Lenzi*

 

O álbum “Missão em Mato Grosso”, de 1908, retrata os trabalhos dos salesianos e das irmãs de Nossa Senhora Auxiliadora com os índios Bororos. São 69 fotografias do início do século XX que documentam o trabalho de educação desenvolvido pelos missionários pelo qual ensinavam música, português, matemática, prática agrícola e ciências, além de promoverem a evangelização. Infelizmente, a autoria das fotografias é desconhecida.

Em missão de paz, os irmãos salesianos chegaram à terra dos Bororos, em Mato Grosso, em 1895. Anteriormente, já havia sido tentado contato com os índios, mas o conflito pela terra provocou muitas mortes, resultando na fuga dos índios, que não aceitavam se submeter, nem abandonar seus costumes. O bispo dom Luiz Lasagna foi o responsável pela implantação dos projetos salesianos em Mato Grosso, porém, com o seu falecimento, coube ao padre Antônio Malan dar continuidade às propostas de dom Luiz Lasagna. Padre Malan foi, então, o primeiro Inspetor da Missão Salesiana em Mato Grosso, tendo fundado colégios em Cuiabá e Corumbá, além das missões do Sagrado Coração do Rio Barreiro, da Imaculada no Rio das Garças e de São José no Sangradouro.

O método salesiano se distinguia das outras abordagens de contato por evitar uma postura de repressão, preferindo se basear na razão, na religião e na bondade. Foram criadas a Colônia Sagrado Coração, num local conhecido como Tachos, e a Colônia Imaculada Conceição, próxima ao Rio das Garças. O padre Antônio Malan, percebendo os aspectos de confluência da religiosidade bororo com o cristianismo, não menosprezou o papel que a cultura daqueles índios poderia exercer no processo de evangelização. A aptidão que demonstravam para a música foi canalizada para a formação de uma banda com os meninos bororos, que acabou tendo importância estratégica para a sobrevivência das sociedades indígenas no Brasil(1).

Acessando o link para as fotografias do álbum “Missão em Mato Grosso” do acervo do Museu Histórico Nacional disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Naquele momento, em 1908, cedendo à pressão social, o presidente Afonso Pena estava prestes a assinar um decreto que avalizava o extermínio dos povos indígenas (2). O padre Antônio Malan encontrou uma maneira inédita de mudar a opinião brasileira a respeito dos índios, valendo-se da vocação musical dos Bororos. Ele levou vinte e um Bororos integrantes da banda de música para tocar no Rio de Janeiro, no Pavilhão de São Paulo no âmbito da Exposição Nacional de 1908, que comemorava o centenário da Abertura dos Portos. A banda tocou ainda no Teatro João Caetano (3), na Câmara dos Deputados, no Senado e, diante do presidente Afonso Pena, no Palácio do Catete, então sede da Presidência da República. Na ocasião, eles interpretaram com primor temas clássicos, inclusive o Hino Nacional. Os jornais de então exaltaram o talento artístico dos Bororos e também abriram suas páginas para o discurso do padre Malan, pedindo a restituição aos índios “de uma pátria que lhes foi roubada em nome de uma falsa civilização conquistadora, liberticida. Pátria, senhores, de que são eles os verdadeiros donos, e que saberão amar, defender e ilustrar, se isso os ensinarmos com nosso esforço e nosso exemplo” (4).

 

 

O presente álbum pertence à Coleção Miguel Calmon, que foi ministro da Viação e Obras Públicas no governo Afonso Pena. De acordo com o jornal O Paiz, o padre Malan projetou fotografias (provavelmente deste álbum) em palestra que proferiu no Museu Comercial (5).

Ainda segundo O Paiz, no dia 10 de outubro de 1908, o padre Malan foi despedir-se do Ministro da Viação (6). Acreditamos que o álbum tenha sido oferecido a Miguel Calmon nesta ocasião, para demonstrar às autoridades os trabalhos que estavam sendo desenvolvidos entre os Bororos, e, sobretudo, comprovar a humanidade dos mesmos. Segundo Nelson Gil Tolentino, “a ação corajosa do padre Malan no Rio de Janeiro foi determinante para a sobrevivência dos índios. Depois disso, o debate sobre o extermínio dos índios, em nível nacional e internacional, foi perdendo a força, e seu respectivo decreto nunca foi promulgado”(7).

 

(1 )TOLENTINO, Nelson Gil.

(2)Idem

(3) O Teatro João Caetano ao qual esse texto se refere é o teatro que existiu na Exposição Nacionalde 1908. O atual Teatro João Caetano, que se localiza na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro, só foi assim denominado em 1923. Anteriormente, se chamava Teatro São Pedro de Alcântara**.

(4) NOVAES, Sylvia Caiuby. Jogos de Espelhos. São Paulo: Edusp, 1993. p.171

(5 ) Museu Comercial era uma entidade ligada à propaganda dos produtos, incentivando o comércio entrepaíses. No Brasil, foi criado em 1905 e encampado pelo Departamento Nacional de Comércio em 1931.

(6) O PAIZ. Rio de Janeiro, p. 02, 10/10/1908. Disponível em http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=178691_03&pasta=ano%20190&pesq=padre%20m
alan. Acesso em 28/09/2017

(7 ) TOLENTINO, Nelson Gil.

 

*Maria Isabel Ribeiro Lenzi é Doutora em História pela UFF e historiadora do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional (IBRAM/MinC)

**Esta nota foi acrescentada em 10 de abril de 2023.

 

BIBLIOGRAFIA:

CAVALHEIRO, Elisangela. Exposição conta a história dos Salesianos de Dom Bosco em estados do Centro-Oeste. In Redação A12.

NOVAES, Sylvia Caiuby. Jogos de Espelhos. São Paulo: Edusp, 1993, p. 171

TOLENTINO, Nelson Gil. Ética Bororo: a sobrevivência de um povo. In: Interações, vol. 10, no 2. Campo Grande, jul/dez. 2009.

 

Notícias sobre a participação da banda dos bororos na Exposição Nacional de 1908

 em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas 

Andrea C. T. Wanderley**

 

Em 11 de agosto de 1908, foi inaugurada a Exposição Nacional de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, decretada em 28 de janeiro de 1808, pelo então príncipe regente de Portugal, dom João de Bragança, futuro dom João VI (1767 – 1926)(O Paiz, 11 de agosto de 1908). A exposição exibiu um “inventário” do Brasil através de seus produtos industriais, agrícolas, pastoris e artísticos. Promovida pelo governo federal, apresentou a cidade do Rio de Janeiro, recém urbanizada e saneada pelo então prefeito Francisco Pereira Passos (1936 – 1913) e  pelo cientista Oswaldo Cruz (1872 – 1917), respectivamente. O evento foi encerrado em 15 de novembro de 1908 (O Paiz, 16 de novembro de 1908, sexta coluna).

Iminente embarque do padre Toledo, inspetor das missões salesianas em Mato Grosso, com a banda dos bororos para o Rio de Janeiro, onde a banda tocaria no Pavilhão de São Paulo da Exposição Nacional do Rio de Janeiro. O religioso pretendia apresentar o grupo ao presidente Afonso Pena (1847 – 1909). A banda havia estado em Corumbá, Assunção, Buenos Aires, cidades do sul do Brasil, Santos, São Paulo e Lorena, dentre outras (O Paiz, 24 de setembro de 1908, quarta coluna).

Chegada da banda dos bororos ao Rio de Janeiro (O Paiz, 27 de setembro de 1908, quinta coluna).

Apresentação da banda dos bororos no Palácio do Catete, onde foram recebidos pelo presidente da República, Afonso Pena (Gazeta de Notícias, 23, quarta coluna28 de setembro de 1908, quarta coluna e Matto-Grosso – Revista Mensal de Sciencias, Lettras, Artes e Variedades, outubro de 1908).

Com o padre Toledo, os índios bororos assistiram à inauguração do Pavilhão de São Paulo na Exposição Nacional (Diário de Notícias, 29 de setembro de 1908, segunda coluna). Também fizeram uma visita ao ministro da Viação, Miguel Calmon (O Paiz, 29 de setembro de 1908, última coluna).

A banda dos bororos se apresentou no Colégio São Vicente, em Petrópolis (O Paiz, 1º de outubro de 1908, última coluna).

Publicação do programa que a banda apresentaria na Exposição de 1908 (O Paiz, 3 de outubro de 1908, segunda coluna).

Publicação do programa da apresentação dos bororos no Teatro João Caetano (Jornal do Brasil, 4 de outubro de 1908, terceira coluna).

Anúncio da conferência sobre os bororos que o padre Malan faria no dia seguinte no salão da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. Antes e depois da conferência, haveria apresentação da banda. A conferência seria ilustrada com projeções luminosas (O Paiz, 5 de outubro de 1908, segunda coluna).

Apresentação da banda dos bororos na Exposição de 1908 com a presença do ministro da Indústria, Miguel Calmon (O Paiz, 5 de outubro de 1908, quinta coluna).

 

Realização de uma festa em benefício dos bororos, no Teatro João Caetano. Foram identificados como recém nascidos na vida civilizada (O Paiz, 8 de outubro de 1908, penúltima coluna).

Notícia da realização da conferência sobre os bororos realizada pelo padre Malan no salão da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro (O Paiz, 8 de outubro de 1908, quinta coluna e Jornal do Brasil, 11 de outubro de 1908, segunda coluna).

Os bororos visitaram a Câmara dos Deputados e o Senado e a frente dos edifícios das duas instituições executou o Hino Nacional (O Paiz, 9 de outubro de 1908, segunda coluna).

Acompanhado por um bororo, o padre Malan foi despedir-se do ministro da Viação, Miguel Calmon. Acredita-se que nessa ocasião o padre teria presenteado o ministro com o álbum “Missão em Mato Grosso” (O Paiz, 10 de outubro de 1908, segunda coluna).

Publicação de uma fotografia da banda dos bororos no Colégio dos Salesianos de Niterói (Fon-Fon, 10 de outubro de 1908).

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Publicação de diversas notícias relativas à temporada dos bororos no Rio de Janeiro (Matto-Grosso – Revista Mensal de Sciencias, Lettras, Artes e Variedades, dezembro de 1908).

 

**Andrea C.T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fonte:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Série “Exposições” III e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos

Há cerca de 110 anos, em 11 de agosto de 1908, era inaugurada a Exposição Nacional de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, decretada em 28 de janeiro de 1808, pelo então príncipe regente de Portugal, dom João de Bragança, futuro dom João VI (1767 – 1926)(O Paiz, 11 de agosto de 1908). A exposição exibiu um “inventário” do Brasil através de seus produtos industriais, agrícolas, pastoris e artísticos. Promovida pelo governo federal, apresentou a cidade do Rio de Janeiro, recém urbanizada e saneada pelo então prefeito Francisco Pereira Passos (1936 – 1913) e  pelo cientista Oswaldo Cruz (1872 – 1917), respectivamente. O evento foi encerrado em 15 de novembro de 1908 (O Paiz, 16 de novembro de 1908, sexta coluna). A Brasiliana Fotográfica lembra a iniciativa publicando um texto da historiadora Carla Costa, do Museu da República, uma das instituições parceiras do portal, ilustrado com fotografias de Augusto Malta (1864 – 1957), que pertencem à Coleção Família Passos.

 

A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos

Carla Costa*

 

Na coleção Família Passos do Museu da República destacam-se as imagens realizadas por Augusto Malta (1864 – 1957), fotógrafo oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro, entre elas as fotografias sobre a Exposição Nacional de 1908 – Agrícola, Industrial, Pastoril e de Artes Liberais – comemorativa ao Centenário de Abertura dos Portos às Nações Amigas, localizada na Praia Vermelha, na região da Urca.

Nessa coleção temos as fotografias de construções imponentes da Exposição de 1908, em muitos estilos arquitetônicos, em particular o ecletismo, com destaque para a Porta Monumental, o Palácio da Indústria, o Pavilhão do Distrito Federal, o Pavilhão de São Paulo, o Pavilhão de Minas Gerais, o Anexo das Belas Artes, e o Pavilhão da Fábrica Bangu, além de panoramas e vistas de toda a área da Exposição com os morros e praias da região.

Acessando o link para as imagens da Exposição Nacional de 1908 pertencentes à Coleção Família Passos disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

A cidade do Rio de Janeiro depois da reforma urbana realizada na gestão do prefeito Francisco Pereira Passos (1936 – 1913), entre 1903 e 1906, passou a ser considerada a capital que encarnava a civilização dentro do Brasil, portanto lugar ideal para sediar uma exposição que mostrasse o progresso, a ciência e a técnica alcançados pela agricultura, pecuária, indústria e artes do país diante dos brasileiros e de outras nações.

A Exposição Nacional de 1908 foi o grande evento final do programa de reforma urbana e sanitária que transformou o Rio de Janeiro no sentido da modernidade cosmopolita: a construção do novo porto; a construção de avenidas retilíneas e largas – como Francisco Bicalho, Rodrigues Alves, Avenida Central e Beira-Mar; o aterramento de enseadas e praias; o desmonte do morro do Senado e parte do morro do Castelo; a abertura e embelezamento de praças e jardins – Praça Quinze, Tiradentes, Passeio Público e Campo de Santana; a derrubada de milhares de casas e habitações coletivas e a campanha de saneamento.

A abertura dos portos ao livre comércio (1808) e mais tarde a declaração de independência (1822) romperam o pacto colonial Brasil-Portugal e inseriram o país na rede das economias capitalistas globais contemporâneas.

 

Imagem do original

Imagem do original do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas

 

Os governos republicanos perceberam que realizar exposições universais em comemoração ao centenário de datas nacionais históricas conquistava corações e mentes para a integração de brasileiros dentro de um ideário de país moderno que começava o novo século XX, livre do atraso da monarquia e da escravidão.

A Exposição Nacional de 1908 foi uma celebração do comércio e desenvolvimento industrial que exibiu um “inventário” do Brasil através dos produtos industriais, agrícolas, pastoris e artísticos montados no Palácio da Indústria, no Palácio dos Estados, no Pavilhão do Distrito Federal e nos pavilhões de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina. E também mostrou a modernização dos novos serviços públicos municipais e federais entre eles  o Pavilhão do Corpo de Bombeiros, o Pavilhão dos Telégrafos e Correios, o Jardim Botânico, o Pavilhão do Café e Cacau, a Inspetoria de Matas e Jardins. Após o encerramento da Exposição, todos os prédios foram demolidos com exceção do Palácio dos Estados e do Pavilhão das Máquinas.

O único país estrangeiro participante foi Portugal, que construiu o Palácio Manuelino e um segundo pavilhão menor chamado Anexo Belas Artes.

 

 

Margareth Silva Pereira (2010) argumentou que durante o século XIX diversos modos de olhar foram se desenvolvendo e educando visualmente as populações das cidades. Entre eles estão os panoramas, os álbuns pitorescos, as exposições universais, as fotografias, os postais e o cinematógrafo.

Essas exposições universais eram os grandes espaços educativos onde as massas urbanas aprenderam a olhar, comparar e julgar países e culturas baseados em construções efêmeras com estilos neogótico, neomourisco, neo greco-romano – pavilhões e palácios – e também no desenvolvimento técnico dos produtos. Ao flanar pelos espaços, o visitante construía uma hierarquia de avaliação do progresso e civilidade das atividades humanas de diferentes regiões numa perspectiva evolucionista e eurocêntrica.

Em 1851, em Londres, a indústria privada organizou a primeira Exposição Universal como uma grande feira com pavilhões e milhares de estandes que mostraram atividades manufatureiras, industriais e comerciais de vários países em quatro seções – matéria prima, máquinas, manufaturas e belas artes. O ineditismo da mostra e a monumentalidade do prédio temporário feito de ferro, madeira e vidro, que ficou conhecido como Palácio de Cristal, – espaço e símbolo de um sistema industrial – atraiu milhões de visitantes.

Em Paris, em 1855, a Exposição Universal teve dimensões novas: foi organizada pelo Estado e, além do Palácio da Indústria e da Galeria das Máquinas, foi construído um pavilhão especializado para abrigar um Salão de Belas Artes com parte das obras vindas do Museu do Louvre.  O Salão influenciou a abertura de várias escolas de desenho com o intuito de desenvolver a capacidade técnica dos artesãos e artistas para ampliar a oferta de objetos artesanais e manufaturados.

Os visitantes passeavam pelos pavilhões e galerias comparando naturalmente culturas remotas, mundos urbanos e costumes rurais de todos os continentes que eram exibidos lado a lado, conforme a descrição de Margareth Pereira (2010): o rito do chá no Japão, o uso dos narguilés de Istambul, o modo de vida dos marajás, da África aos Bálcãs, de Liverpool a Viena.

Essa comparação das culturas e povos baseada numa visualidade de objetos e edifícios consolidou novas ações: exibir, admirar e consumir. Os países exibiam produtos manuais, industriais, artísticos e invenções locais e exóticas que atraíam admiradores/consumidores e possibilitavam contatos entre técnicos, artistas e cientistas, consolidando um liberalismo que valorizava o comércio, a racionalidade e a tecnologia.

 

 

Os países ou estados ou regiões apresentavam na exposição o conjunto de trabalhos manuais, mecânicos e artísticos – a indústria – que eram divididos em classes, gêneros e tipos de atividades com uma organização hierárquica que ao fim e ao cabo privilegiava o progresso versus o atraso; a civilização versus a barbárie.

Durante todo século XIX, o Brasil participou com pavilhões nacionais das Exposições Universais na Europa e nos Estados Unidos.  Essas exposições universais são estimuladas inicialmente pelo avanço do transporte marítimo, do sistema ferroviário, dos telégrafos e serviços postais e depois pela eletricidade, telefonia e automóvel que desenvolveram redes de intercâmbios econômicos e culturais.

No Brasil, a Exposição de 1908, que comemorava a abertura dos portos, foi uma celebração das redes internacionais de comércio e do modo de vida capitalista e industrial que se consolidou no século XX.  Ela representou um inventário de todo o país que possibilitou uma reflexão interna sobre os problemas e questões para o estabelecimento de políticas públicas tendo em vista suas potencialidades.

Na presidência de Afonso Pena (1847 – 1909), o ministro da Indústria, Comércio, Viação e Obras Públicas Miguel Calmon (1879 – 1935), o prefeito Marcelino de Souza Aguiar (1855 – 1935) e uma Comissão Construtora chefiada pelo engenheiro José Sampaio Corrêa (1875 – 1942) escolheram na Urca, na zona sul da cidade, numa região entre a Praia da Saudade (atual Avenida Pasteur) e a Praia Vermelha, um grande terreno entre o morro da Urca e o morro da Babilônia para sediar a Exposição Nacional de 1908. O terreno tinha 182.000 m², sendo que 140.000 m² foram destinados para os palácios e pavilhões temporários entre a Porta Monumental e o Palácio da Indústria; e 42.000 m², entre o Palácio da Indústria e a Praia Vermelha, foram escolhidos para o setor de diversões do evento.

Entre o mar e a montanha, a área da Exposição de 1908 foi valorizada pelas belas paisagens e pelo plano de urbanização de Sampaio Correa (1875 – 1942), que realizou grandes aterros hidráulicos com valorização dos terrenos da orla da Urca. A fim de facilitar o acesso dos visitantes, a Inspeção de Obras Públicas construiu a Estação Marítima, no cais da Urca, que recebia as barcas da Cantareira, e uma Estação da Companhia Ferro-Carril Jardim Botânico para os bondes elétricos da Light.

 

 

Na região existiam, na Praia da Saudade, apenas duas instituições construídas em prédios neoclássicos, no século XIX, em pleno funcionamento: o Hospício de Alienados D. Pedro II (atualmente abriga o Fórum de Ciência e Cultura e quatro unidades acadêmicas da UFRJ) e o Instituto Benjamin Constant, que prestava assistência a deficientes visuais.

Mas existiam dois edifícios federais vazios que podiam ser aproveitados para sediar os dois palácios mais importantes da Exposição de 1908 – o Palácio das Indústrias e o Palácio dos Estados. Um era o prédio da antiga Escola Militar construído em 1864, na Praia Vermelha, e o outro, na Praia da Saudade, era uma construção que fora projetada pelo engenheiro Antônio de Paula Freitas (1843 – 1906) para ser uma universidade, com pedra fundamental lançada na presença de dom Pedro II (1825 – 1891), em 1881, mas cujas obras foram interrompidas por falta de recursos.

O arquiteto René Barba (18? -19?) projetou o Palácio das Indústrias reconstruindo o prédio da antiga Escola Militar com redução do corpo principal e desenhando jardins no lugar dos corpos demolidos. O projeto deu ao edifício uma aparência exuberante com novas fachadas, cúpula central e uma fonte com chafarizes em forma de castelo de águas. O Palácio das Indústria foi um dos prédios demolidos após o encerramento da Exposição de 1908.

O engenheiro Sampaio Correa (1875 – 1942) dirigiu as obras do Palácio dos Estados que ocupou o antigo edifício universitário abandonado de 1881 e, com a participação do arquiteto Francisco Isidro Monteiro (18?-19?), redesenhou as plantas de Paula Freitas (1843 – 1906). O novo prédio adquiriu um corpo central com três pavimentos, corpos recuados com dois andares e uma escadaria de granito na fachada principal com degraus ladeados por pedestais com dois leões no lado externo e duas águias em cimento na parte interna.

O Palácio dos Estados tinha uma dupla função e caráter: espaços monumentais de exposição com estandes com produtos de todos os estados da Federação exibidos nos dois pavimentos e espaços de luxo nos salões de festas e recepções da elite política brasileira. Com estilo neoclássico e ornamentos e composição de características greco-romanas, foi mantido após o encerramento da Exposição de 1908 e atualmente abriga a CPRM – Comissão de Pesquisa de Recursos Minerais, empresa vinculada ao Ministério das Minas e Energia.

A Porta Monumental era um arco do triunfo simbólico, que tinha o caráter da suntuosidade e a função de entrada com roletas separadas do público e de autoridades, localizando-se próxima ao muro do Instituto Benjamin Constant e ao início do cais da Urca.  Ela fazia o fechamento da principal avenida da exposição, a Avenida dos Estados (atual Avenida Pasteur) que se estendia por 560 m até o Palácio da Indústria, com os pavilhões e palácios às suas margens e com pequenas ruas e avenidas transversais, que foram nomeadas com datas históricas republicanas.

O Distrito Federal e os estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Santa Catarina edificaram pavilhões individuais; a indústria têxtil estava representada pela  fábrica Bangu e, as atividades agrícolas, pela Sociedade Nacional de Agricultura.

As imagens produzidas pelo fotógrafo da prefeitura do Rio de Janeiro, Augusto Malta, exibem construções majestosas de diferentes estilos arquitetônicos erguidas em madeira, estuque ou concreto, idealizadas pelos arquitetos e engenheiros Raphael Rebecchi (1844-1922), René Barba (18? – 19?) e Francisco Oliveira Passos (1878 – 1958), que participaram da construção dos prédios da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco) ou concorreram no concurso de fachadas.

Para realizar seu trabalho, Malta utilizava câmaras que usavam grande formato de negativo (24×30 cm, 18x24cm ou 13x18cm), em chapas de vidro à base de gelatina, onde escrevia com nanquim o local, a data e o número e, eventualmente, legendas-comentários sobre o tema da foto, além de sua assinatura.

O conjunto dos pavilhões e palácios da Exposição formou um cenário de encantamento que atraiu um grande público fascinado pelo exotismo e extravagância da arquitetura e pela queima de fogos de artifício; festas e bailes; batalhas de flores; espetáculos de teatro e música realçados pela novidade da iluminação feérica dos espaços. Durante os três meses de duração, a exposição foi visitada por um público de cerca de um milhão de pessoas seduzidas pelos espaços de lazer e entretenimento: cinematógrafo, teatros, ringue de patinação, restaurantes, quiosques e coretos.

Para Gustavo Rocha-Peixoto (2000), marcadas pela arquitetura do Ecletismo, as edificações efêmeras da Exposição associaram estilos de diferentes origens e tempos históricos, possibilitando que os visitantes realizassem uma viagem romântica sonhadora e fantasista.

O belo ensaio de Renato Gomes (2008) sobre o Rio de Janeiro nos leva a refletir sobre como as fotos de Augusto Malta legitimaram e difundiram simbolicamente o sonho da cidade moderna, cosmopolita, higiênica, feérica feito pelos donos do poder representando os tempos modernos e encenando a oposição civilização/barbárie que se desdobra em progresso/atraso, novo/velho, sublime/grotesco, alto/baixo.

No centro da cena, ficou a cidade ideal da Exposição de 1908 e sua cenografia que era um modelo da elegância, civilização, um novo modo de vida e uma nova sociabilidade urbana: prédios com estilos arquitetônicos ecléticos; postes de iluminação que facilitavam o divertimento noturno; restaurantes elegantes, jardins, coretos e quiosques, e uma avenida pavimentada e larga para o footing.

 

Porta Monumental 

 

 

Ruth Levy (2008) analisou em profundidade a arquitetura dos palácios e pavilhões da Exposição de 1908 afirmando que o arquiteto René Barba construiu a Porta Monumental da Exposição de 1908 em madeira, com inspiração na Porta da Exposição de Paris, de 1889. Na chegada, os visitantes eram impactados pela imponência e suntuosidade da composição – um arco central de 16 m de altura com apoio em dois pilares de cada lado e, nas extremidades, outros dois grandes pilares que eram encimados por dois torreões com flechas alongadas. Em cima do arco, as armas da República eram valorizadas por um grupo de lâmpadas elétricas que compunham, à noite, a iluminação feérica da Porta.

A Avenida dos Estados (atual parte da Avenida Pasteur), com 30 m de largura e 560 m de extensão, partia da Porta Monumental e conduzia os visitantes aos diversos pavilhões dos estados e à praça em frente ao castelo de águas do Palácio da Indústria. 

 

Palácio da Indústria

 

 

O arquiteto René Barba criou novas fachadas e conservou o pavimento térreo como base para o novo Palácio da Indústria. Na cúpula principal, havia a alegoria da Fama e, no centro da fachada principal, via-se um elemento emblemático das exposições universais: uma fonte luminosa com chafarizes formando um castelo de águas sinuoso, com seis bacias em planos sucessivos com repuxos. Antes de 1908, esse edifício foi uma fortaleza do século XVIII e mais tarde, em 1864, o prédio abrigou as instalações da Escola Militar. No momento da Exposição de 1908, ele estava disponível e foi reconstruído para sediar o Palácio da Indústria quando sofreu uma redução do corpo principal – área de 200 m de comprimento e 12 m de largura – que possuía dois lados, uma face voltada para a Praia da Saudade (atual Avenida Pasteur) e outra voltada para a Praia Vermelha. Quatro esculturas de sereias ornamentavam as bacias e, nas laterais, duas escadarias que conduziam à entrada mostravam esculturas de alegorias do Trabalho e do Progresso, com assinatura da artista Nicolina de Assis (1874 – 1941). Esse Palácio foi decorado com ornamentos típicos do ecletismo e não tinha vínculos com avanços da indústria brasileira no ramo da construção, ao contrário dos similares estrangeiros edificados em exposições universais de Londres e Paris.

 

Pavilhão do Distrito Federal 

 

 

O Pavilhão do Distrito Federal foi construído na praça que ficava no centro do terreno da Exposição de 1908, com área de 1.100 m², pelo engenheiro Francisco Oliveira Passos, também responsável pelo projeto do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. O edifício possuía ampla rotunda com uma cúpula em vidro transparente com uma flecha encimada pela bandeira do Distrito Federal; sua decoração era sóbria e os ornamentos eram as armas municipais e a alegoria da República, representada por uma cabeça feminina.

Os dois pavimentos do edifício possuíam salas de exposição que exibiam as realizações dos gestores municipais nos setores da saúde, educação primária e profissional e obras urbanas, além de um salão central, salas do Prefeito e do Comissário do Distrito Federal e outras destinadas às autoridades.

 

Pavilhão de Minas Gerais e Pavilhão de São Paulo

 

 

O edifício do Pavilhão de Minas Gerais foi considerado sem estilo definido, mas com uma ornamentação marcada pela riqueza e elegância, composta de escadaria, torre, estatuária e fontes. Com área de 650 m², foi projetado pelo arquiteto Raphael Rebecchi com um torreão de 62 metros encimado por um intenso foco luminoso. A construção possuía um corpo central e dois laterais com fontes debaixo dos arcos das galerias internas que ligavam os salões; e dois pavimentos: o primeiro foi destinado à exposição de produtos e, no segundo, ficavam os salões de recepção e festa.  Nos corpos laterais destacavam-se duas figuras femininas que dominavam cavalos no espaço.

O Pavilhão de São Paulo foi premiado no Concurso de Pavilhões promovido pelo Jornal do Comércio junto ao público. Era o maior e mais luxuoso pavilhão com 1.500 m² de área e foi projetado por Ramos de Azevedo e Ricardo Severo e executado pelo arquiteto Domiziano Rossi. Maior que o Pavilhão do Distrito Federal, ele possuía uma base octogonal com duas entradas principais e, no centro, existia uma grande cúpula de 35 m de altura encimada por um holofote que iluminava os vidros opalinos da construção. Exibia uma decoração opulenta com esculturas, relevos e doze cúpulas. Apresentava salas destinadas às festas, conferências, recepção às autoridades e exposições de produtos e também uma sala que exibia outro modo de olhar: um grande panorama da cidade de São Paulo feito pelo fotógrafo Valério Vieira (1862 – 1941), com onze metros de extensão.

Os produtos de São Paulo eram tão amplos e diversificados que foram usadas alas em dois andares do Palácio dos Estados, com estandes e quiosques que exibiram, além da produção agrícola, tecidos, maquinário, couro, cerâmica e desenhos arquitetônicos.

 

Teatro João Caetano

 

 

Com projeto de Francisco Isidro Monteiro, o Teatro João Caetano foi construído em madeira revestida de estuque ocupando uma área de 870 m² com capacidade para 800 espectadores. Vários espetáculos do dramaturgo Arthur Azevedo (1855 – 1908) foram montados num espaço confortável organizado em platéia, galeria e camarotes. A decoração interna em tons de verde e com capitéis dourados foi realizada por Raul Pederneiras (1874 – 1953) e equipe.

 

Pavilhão da Fábrica Bangu

 

 

O Pavilhão da Fábrica Bangu foi construído pelos operários e mestres da fábrica de tecidos como uma pequena mesquita mourisca com quatro cúpulas. O diretor técnico da empresa José Villas Boas idealizou o projeto e Martinho Dumiense – formado pela Escola de Belas Artes – encarregou-se da decoração do prédio. Os produtos foram exibidos em vitrines confeccionadas pelos artesão da fábrica dentro de um salão com paredes e teto de revestidos de tecido.

 

Pavilhões das Máquinas

 

 

O Pavilhão das Máquinas estava localizado atrás do Palácio dos Estados e o edifício possuía uma planta retangular que formava um grande salão medindo 30m x 50 m.  O conjunto dos maquinismos era formado por máquinas americanas e máquinas de beneficiamento de arroz e café.  Ao contrário dos pavilhões das máquinas de exposições internacionais que demonstravam pujança industrial e prédios de arquitetura arrojada e grandiosa, o pavilhão da Exposição de 1908 é muito modesto e convencional.  O prédio foi mantido e embora esteja muito descaracterizado, atualmente ele abriga a Escola de Teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

 

Anexo Belas Artes

 

 

O Pavilhão de Portugal chamado Palácio Manuelino abrigou os produtos da indústria portuguesa mas foi considerado insuficiente para mostrar também as obras de arte que foram alocadas num novo pavilhão menor: o Anexo Belas Artes. Os quadros e esculturas compuseram a decoração rica e magnificente do anexo, assinada por Jorge Colaço.

 

Panoramas e vistas 

 

Grande apreciador da linguagem dos panoramas − paisagens em grande perspectiva vistas à distância − Augusto Malta registrou com uma câmara especial de lenta velocidade a Porta Monumental, o Palácio dos Estados, o Palácio da Indústria, o Pavilhão do Distrito Federal, o Pavilhão de São Paulo, o Pavilhão de Minas Gerais, o Pavilhão da Bahia, o Anexo Belas Artes, o Pavilhão da Fábrica Bangu e a exposição do Jardim Botânico. Além de panoramas e vistas que mostram o morro da Urca, o morro da Babilônia, o morro do Pão de Açúcar, a Baía de Guanabara, a praia Vermelha e a praia da Saudade (atual Avenida Pasteur). Ao longo do tempo, essas imagens dotadas de forte aura foram sendo divulgadas em postais e livros sobre a história do Rio de Janeiro.

 

 

 

 

 

 

 

*Carla Costa é historiadora do Museu da República

 

Fontes: 

GOMES, Renato Cordeiro.  Todas as cidades, a cidade: literatura e experiência urbana. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.

LEVY, Ruth.  Entre palácios e pavilhões: a arquitetura efêmera da Exposição Nacional de 1908.  Rio de Janeiro: EBA/UFRJ, 2008.

PEREIRA, Margareth da Silva. A exposição de 1908 ou o Brasil visto por dentro. In: ARQTEXTO 16. 2010. Acesso em 14/03/2018.

ROCHA-PEIXOTO, Gustavo. O ecletismo e seus contemporâneos na arquitetura do Rio de Janeiro. In: CZAJKOWSKI, Jorge (org.). Guia da arquitetura eclética no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Centro de Arquitetura e Urbanismo, 2000.

 

Acesse pela Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional O Álbum de Exposição 1908.

 

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O título desse artigo foi alterado de A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos para Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, em 16 de setembro de 2021.

Esse artigo passou a integrar a série “Exposições” e mudou de título em 1º de dezembro de 2025.

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhosde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024

 

Links para os artigos sobre exposições nacionais ou internacionais publicados na Brasiliana Fotográfica

O pintor Victor Meirelles e a fotografia na II Exposição Nacional de 1866, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 17 de agosto de 2017.

A festa do progresso: o Brasil na Exposição Continental, Buenos Aires, 1882, de autoria de Maria do Carmo Rainho, Arquivo Nacional, publicado em 29 de março de 2018.

Marc Ferrez, a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 29 de junho de 2018.

Paris, 1889: o álbum da exposição universal, de autoria de Claudia B. Heynemann, Arquivo Nacional,publicado em 27 de julho de 2018.

Café Brasil: o Império na Exposição Internacional de Filadélfiade autoria de Claudia B. Heynemann, Arquivo Nacional, publicada em 4 de dezembro de 2019.

Festa das Artes e da Indústria Segunda Exposição Nacional, 1866, de autoria de Claudia Beatriz Heynemann e Maria Elizabeth Brêa Monteiro, Arquivo Nacional, em 5 de abril de 2020.

A apresentação do Departamento Nacional de Saúde Pública na Exposição Internacional do Centenário da Independência, de Ricardo Augusto dos Santos, Fiocruz, publicado em 13 de abril de 2020.

A Exposição Internacional de Higiene de Dresden, de Cristiane d´Avila, Fiocruz, publicado em 5 de janeiro de 2022.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VIII – A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 7 de setembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.