Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”

 

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”

 

“Por que somos feministas? Eis uma pergunta ingênua de que várias vezes temos sido alvo, por parte do sexo masculino. Respondemos: porque é impossível a realização do progresso sem a vitória da evolução; e o nosso fim principal é precisar e fomentar o progresso feminino”.

 

Mariana Coelho foi uma das mais importantes escritoras e intelectuais do Paraná. Portuguesa, nascida em 10 de setembro de 1857, em Sabrosa, Distrito de Vila Real, imigrou para o Brasil, com sua família, em fins do século XIX, tendo naturalizando-se brasileira em 1939. Espírito brilhante, educadora de prestígio, reconhecida por sua competência profissional e erudição, foi diretora do Colégio Santos Dumont, em Curitiba, de 1902 a 1917.

 

 

“O sexo feminino, da mesma forma que o masculino pode, socialmente falando, subir a escada do progresso. Sendo convenientemente preparada, poderá também exercer livremente qualquer profissão. Senhores oposicionistas da emancipação feminina, aguentem e sem protesto, que já nada vale perante a eloquência desta frase profética, cujo conceito em tudo se vê maravilhosamente realizado: le monde marche! [o mundo caminha]”

Diário da Tarde (PR), 1º de março de 1901

Defendeu o direito da mulher ao voto e acreditava na educação como passaporte para a emancipação feminina, tendo dedicado sua vida ao ensino e à literatura. De formação positivista, em sua poesia, em fins do século XIX, criou a metáfora mar de amor, que representaria o amor à humanidade, o desejo do progresso associado à aquisição de cultura e de instrução. Feminista e pacifista, foi uma trabalhadora incansável. Integrava a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) e, entre 1923 e 1940, trocou várias cartas com Bertha Lutz (1894 – 1973), presidente da FBPF, uma referência dentro do movimento feminista brasileiro, sobretudo na luta pelo voto da mulher. Mariana também mantinha relações com as feministas Maria Sabina Albuquerque (1898-1991) e Maria Amália Bastos de Miranda Jordão, ambas ligadas à federação.

 

“Permitir, hoje, que a mulher permaneça amarrada ao deplorável poste da ignorância equivale a arriscá-la criminosamente à probabilidade de receber em compensação do seu mais nobre e espontâneo afeto o completo aniquilamento da alma – o que quer dizer a sua principal ruína”.

Breviário, agosto de 1900

Em um dos seus ensaios sobre escritoras, a professora Zahidé Luppinaci Muzart (1939 – 2015) a chamou de Beauvoir tupiniquim, em uma alusão à filósofa, escritora e feminista francesa Simone de Beauvoir (1908 – 1986).

 

 

Em 1908, Mariana adotou no Colégio Santos Dumont o Método João de Deus, do pedagogo português João de Deus de Nogueira Ramos (1830 – 1896), a partir do qual aprendia-se em quatro meses a ler e escrever corretamente. Um professor habilitado veio de Lisboa para ministrar aulas do método. Além disso, promovia no colégio saraus artísticos, literários e musicais. Em 1916, o Colégio foi visitado pelo próprio Santos Dumont (1873 – 1932). Posteriormente, Mariana dirigiu a Escola Profissional Feminina República Argentina, onde trabalhou até meados da década de 40, quando se aposentou.

 

 

 

Também em 1908 foi lançado o livro Paraná Mental, de sua autoria, com prefácio do historiador Rocha Pombo (1857 – 1933), sobre os prosadores e poetas do Paraná. Foi impresso pelo governo paranaense para ser apresentado como documento na Exposição Nacional de 1908, no Rio de Janeiro, tendo recebido, no evento, a medalha de prata. Mariana também participou da exposição com delicada manufatura onde sobressaem os bordados brancos e com uma aquarela de flores. Recebeu uma medalha de prata na sessão de Artes Aplicadas.

 

Livro Paraná Mental, de Mariana Coelho

Livro Paraná Mental, de Mariana Coelho

 

 

Em 1933, foi publicado o mais importante de seus livros, A Evolução do Feminismo: subsídios para a sua história, com prefácio de Rocha Pombo, sobre a emancipação da mulher, a mulher na religião, o civismo da mulher na guerra, a ação da mulher na imprensa, nas artes, nas ciências e nas letras, além de um capítulo dedicado à mulher nas diversas modalidades do amor. Fez também uma retrospectiva histórica do feminismo no Ocidente, trazendo à tona nome de mulheres notáveis na luta pelos direitos femininos.

 

Livro A Evolução do Feminino", de Mariana Coelho, relançado em 2002

Livro A Evolução do Feminino”, de Mariana Coelho, relançado em 2002

 

Seus outros livros foram O Discurso (1902)Um Brado de Revolta contra a Morte Violenta (1935), Linguagem (1937),  Cambiantes: contos e fantasias (1940), ilustrados com desenhos do italiano Guido Viaro (1897 – 1971) e prefaciado por Leôncio Correia (1865 – 1950); e a obra póstuma Palestras Educativas (1956). É patrona da Cadeira nº 30 da Academia Paranaense de Poesia e da Cadeira nº 28  da Academia Feminina de Letras do Paraná. Era sócia do Centro de Letras do Paraná e do Centro Paranaense de Cultura Feminina.

Colaborou em diversos jornais brasileiros como A República (PR) e O Beijo; e também em revistas paranaenses como A PennaGaláxiaVitrix O Breviário. Entre 1900 e 1901, assinou a coluna “Chronica da Moda”, na Folha da Tarde do Paraná. Em Portugal, escreveu para os jornais O Comercio de Vila RealJornal da Manhã e A Voz Pública.

 

 Cronologia de Mariana Coelho (1857 – 1954)

 

“Ora, a mulher que apenas sabe ser dona de casa, é incapaz de viver do seu trabalho, não se pode tornar independente – está fatalmente condenada a ser escrava – ou dos parentes ou dos estranhos, quando não consiga uma miserável pensão para não morrer de fome!” 

                                                                                                                                                     A Evolução do Feminismo

 

1857 – Mariana Teixeira Coelho nasceu em Sabrosa, no Distrito de Vila Real, em Portugal, em 10 de setembro de 1857. A data foi comprovada com a publicação de sua certidão de batismo na tese de Dyeinne Cristina Tomé, de 2020. Antes os anos 1872 ou 1880 eram considerados como possíveis anos de seu nascimento.

Mariana, filha de Manoel Antonio Ribeiro Coelho e sua mulher D. Maria do Carmo Teixeira Coelho, nepta paterna de Felix Ribeiro e Maria Amallia Coelho (já defunto o primeiro) de Lamas da freguezia do mesmo nome de Orelhão, Bispado de Bragança, materna de Antonio Joze de Meireles e Maria Engracia de Valcovo freguesia de Santa Comba da Ermida, nasceo dia dez de setembro de mil oitocentos e cincoenta e sete e foi solemnemente por mim baptizada nesta pia baptismal da Igreja de Cumieira dia vinte cinco do mesmo mez e anno, com imposição dos santos óleos. Foram seus padrinhos: Padre Joze Candido de Carvalho por seu procurador Jeronimo Joze Correa Botelho, que apresentou a competente procuração que reconheço, e D. Mariana Maxima Correa Botelho mulher deste procurador. E para constar fiz este termo que assigno. Cumieira vinte e quatro de setembro de 1857 – (ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL, 1857, fl. 69verso)”

Era filha do farmacêutico Manoel Antônio Ribeiro Coelho (c. 1832 – 1882) e de Maria do Carmo Teixeira Coelho (18? – 1911), e irmã do capitão Thomaz Alberto Teixeira Coelho (1859 – 1934), do professor Carlos Alberto Teixeira Coelho (1863 – 1926), de Rita do Rosário Teixeira Coelho (1865 -1888) e de Maria Natividade Teixeira Coelho (1870 – 19?).

1871 – Seu irmão, Thomaz Alberto Teixeira Coelho (1859 – ?), imigrou para o Brasil para suceder seu tio, o próspero comerciante que atuava em Curitiba, José Natividade Teixeira de Meireles.

1882 – Falecimento de seu pai, Manoel Antônio Ribeiro Coelho, em 7 de setembro de 1882, em Portugal.

1888 – Falecimento de sua irmã, Rita do Rosário Teixeira Coelho, em 2 de junho de 1888, em Portugal.

1892 – Devido a problemas financeiros, imigrou para o Brasil com sua mãe e com sua irmã, Maria Natividade Teixeira Coelho, fixando-se em Curitiba, no Paraná. Partiram do Rio de Janeiro, em 18 de agosto, no paquete Arlindo em direção a Porto Alegre com escalas (Gazeta de Notícias, 29 de agosto de 1892, última coluna).

1893 –  Sua primeira poesia, Madrigal, foi publicada em agosto na Revista Azul, cujo dono e diretor era Júlio Pernetta (1869 – 1921), irmão do escritor Emiliano Pernetta (1866 – 1921), e o redator, Dario Vellozo (1869 – 1937). Emiliano e Dario, assim como Nestor de Castro e Rocha Pombo, com quem Mariana manteria relações próximas, faziam parte do Movimento Simbolista do Paraná.

Seu irmão, Carlos Alberto Teixeira Coelho (1866 – 1926), imigrou para o Brasil com sua esposa, Júlia da Conceição Monteiro (c.1872 – ?) e com sua filha, Maria da Conceição, na época com 8 meses. Foi morar em Ponta Grossa, no Paraná. Foi dono de periódicos associados aos ideais do livre-pensamento, do anticlericalismo e do anarquismo.

1895 – Era uma das colaboradoras do Suplemento Literário do jornal A República (PR) (A República (PR), 27 de outubro de 1895, primeira coluna).

Integrava como oradora a diretoria do Grêmio das Violetas (A República (PR), 29 de dezembro de 1895, quinta coluna).

1897 – Publicou o artigo A Noiva, no jornal literário A Penna, dirigido por Romário Martins (1874 – 1948) e Julio Pernetta (1869 – 1921) (A Penna, 18 de abril de 1897).

Escreveu um artigo sobre o livro Alma Penitente, de Dario Velloso (1885 – 1937), na revista Galáxia, do Centro Literário (A República (PR), 28 de novembro de 1897, quinta coluna).

1898 – Colaborou na parte literária do Almanach Paranaense, em seu quarto ano de publicação (O Sapo (PR), 18 de dezembro de 1898, primeira coluna).

1899 - Lançamento, em 21 de dezembro, do jornal literário O Beijo, provavelmente o primeiro dirigido, no Paraná, por uma mulher, Mariana Coelho (Diário da Tarde, 6 de janeiro de 1950, quarta coluna).

1900 – Seu retrato, acompanhado de uma ligeira biografia, ilustrava a página da oitava edição de O Beijo (A República (PR), 19 de abril de 1900, segunda coluna). Era sua redatora-chefe (A República (PR), 29 de julho de 1900, segunda coluna).

Tocou violão em um sarau musical e dançante do Grêmio das Violetas, nos salões do Club Curitibano (Diário da Tarde (PR), 23 de outubro de 1900, terceira coluna).

Sob a direção de Romário Martins (1874 – 1948) e Alfredo Coelho (18? – 19?), em agosto, lançamento, em Curitiba, da revista de arte Breviário, com a participação da prosa de Mariana Coelho. Publicação de artigo de sua autoria, Emancipação da mulher (A Imprensa (RJ), 31 de agosto de 1900, segunda coluna; O Breviário, agosto de 1900, páginas 7 e 8).

 

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Começou a assinar a coluna “Chronica da Moda”, do Jornal da Tarde do Paraná (Jornal da Tarde (PR), 17 de setembro de 1900, segunda colunaJornal da Tarde (PR), 1º de outubro de 1900, segunda coluna). Antes colaborava com a Gazeta do Povo.

1901 – Na coluna “Chronica da Moda” abordou a luta pelo direito ao voto da mulher, iniciando uma polêmica na imprensa paranaense (Diário da Tarde (PR), 1º de março de 1901, segunda coluna). Na edição do dia seguinte, a poetisa brasileira nascida na Bélgica Georgina Mongruel (1861 – 1953) comentou sobre o texto, divergindo das opiniões de Mariana, que respondeu a ela na edição de 6 de março. Também foi contestada por Jean Jacques, pseudônimo usado por Nestor de Castro (1867-1906) , considerado um dos maiores jornalistas do Paraná (Diário da Tarde (PR), 21 de março de 1901, segunda colunaDiário da Tarde (PR), 29 de março de 1901, penúltima coluna). E a discussão continuou com a publicação do artigo Emancipação da Mulher, de Mariana, e do artigo Feminismo, de Nestor de Castro (Diário da Tarde (PR), 2 de abril de 1901, terceira colunaDiário da Tarde (PR), 4 de abril de 1901, quinta coluna).

 

 

Outra polêmica, desta vez sobre o uso do chapéu, foi iniciada em um artigo de Erasto. Mariana respondeu dias depois e Nestor de Castro também escreveu dois artigos sobre o tema (Diário da Tarde (PR), 2 de abril de 1901, quinta colunaDiário da Tarde (PR), 9 de abril de 1901, quarta colunaDiário da Tarde (PR), 12 de abril de 1901, última colunaDiário da Tarde (PR), 15 de abril de 1901, penúltima coluna).

Como decidiu se dedicar ao magistério, passou no final desse ano a escrever apenas esporadicamente para a coluna “Chronica da Moda”. Destacamos aqui um artigo onde Mariana discorreu sobre a importância da beleza da mulher (Diário da Tarde (PR), 5 de outubro de 1901, segunda coluna).

1902 – Mariana Coelho inaugurou, em 2 de janeiro de 1902, e passou a dirigir o Colégio Santos Dumont, na rua Quinze de Novembro, 105, em Curitiba. Também era a professora de francês da instituição (Diário da Tarde (PR), 10 de dezembro de 1901, quarta coluna).

 

 

Discursou na sessão magna de regulamentação da loja maçônica Filhas da Acácia. Essa sua fala foi publicada no folheto O Discurso (Diário da Tarde (PR), 22 de maio de 1902, quarta coluna). Provavelmente, herdou sua ligação com a maçonaria de seu tio, José Natividade Teixeira de Meireles, e de seu irmão mais velho, Thomaz Alberto Teixeira Coelho.

Fazia parte da redação da revista de arte Vitrix, dirigida por Emiliano Pernetta (1866 – 1921) (A República (PR), 4 de setembro de 1902, quarta colunaDiário da Tarde (PR), 19 de dezembro de 1903, segunda coluna).

 

 

1903 – Publicação de uma fotogravura do Colégio Santos Dumont, para meninos e meninas, dirigido por Mariana Coelho, em Curitiba (O Malho, nº 36, 1903).

 

 

1904 – Era colaboradora do Diário da Tarde do Paraná e foi publicada uma crítica de sua autoria sobre a obra Velhas Páginas, do escritor Euclides Bandeira (1876 – 1947) (Diário da Tarde (PR), 20 de fevereiro de 1904, primeira coluna).

O Colégio Santos Dumont, que ela dirigia, já tinha 40 alunos e conquistava cada vez mais prestígio em Curitiba (A República (PR), 8 de julho de 1904, terceira coluna).

Juntou-se aos protestos em relação à decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal sobre a fronteira entre o Paraná e Santa Catarina (Diário da Tarde (PR), 12 de julho de 1904, terceira coluna).

Compareceu com suas alunas à inauguração da estátua do Marechal Floriano (A República (PR), 21 de dezembro de 1904).

1905 – O Colégio Santos Dumont ficava na rua Coronel Luiz Xavier, 105 (Diário da Tarde (PR), 29 de dezembro de 1905).

 

 

1907 – O Colégio Santos Dumont passou a funcionar no prédio do sr. José Rodrigues de Almeida à rua 15, desta capital, canto da rua 1º de março (A Notícia (PR), 30 de agosto de 1907, última coluna).

Ofereceu à Biblioteca da Associação Cívica a coleção do Mundo Elegante (A Notícia (PR), 27 de novembro de 1907, quarta coluna).

1908 – Esteve presente com suas alunas à missa que a colônia portuguesa de Curitiba mandou celebrar pela morte do rei Carlos I de Portugal (1863 – 1908) (A Notícia (PR), 10 de fevereiro de 1908, quinta coluna).

Um professor habilitado veio de Lisboa para ministrar aulas sobre o Método João de Deus, do pedagogo português João de Deus de Nogueira Ramos (1830 – 1896), a partir do qual aprendia-se em quatro meses a ler e escrever corretamente e que seria adotado no Colégio Santos Dumont. Haveria 80 vagas para professores interessados. O Método João de Deus foi inaugurado no Santos Dumont, em 5 de julho de 1908 (A República (PR), 24 de junho de 1908, sexta colunaDiário da Tarde (PR), 3 de julho, terceira colunaDiário da Tarde (PR), 6 de julho de 1908, primeira colunaDiário da Tarde (PR), 16 de julho de 1908, quarta coluna).

 

 

Publicação da história do Método João de Deus (A Notícia (PR), de junho de 1908, terceira coluna).

Lançamento do livro Paraná Mental, de sua autoria, com prefácio do historiador Rocha Pombo (1857 – 1933), sobre os prosadores e poetas do Paraná. Foi impressa pelo governo paranaense para ser apresentado como documento na Exposição Nacional de 1908. Foi premiado com a medalha de prata pelo Júri do Distrito Federal (Diário da Tarde (PR), 17 de agosto de 1908, quarta colunaA República (PR), 23 de abril de 1909, quinta coluna).

Também participou do evento com delicada manufatura onde sobressaem os bordados brancos e com uma aquarela de flores. Recebeu uma medalha de prata na sessão de Artes Aplicadas (A República (PR), 25 de junho de 1908, quarta colunaO Paiz, 16 de julho de 1908, sexta colunaDiário da Tarde (PR), 17 de agosto de 1908, primeira colunaA República, 26 de agosto de 1908, primeira colunaJornal do Brasil, 21 de novembro de 1908, quinta colunaA República (PR), 25 de novembro de 1908, terceira colunaDiário da Tarde (PR), 22 de dezembro de 1908, primeira coluna).

 

 

No livro Paraná Mental, não deixou de abordar o tema da emancipação da mulher:

 

“A despeito das muitas e várias opiniões retrógradas, em todos os grandes centros do mundo civilizado, a par dos graves problemas sociais que têm convulsionado a nossa época, há muito que ventila franca e entusiasticamente a questão da emancipação da mulher, a que o grande movimento feminista, que abrange o novo e velho mundos, tem dado impulso e determinada importância, alimentando com denodo e convicção este desideratum”. 

 

Publicação de uma crítica a seu o livro Paraná Mental. Ela escreveu respondendo à crítica (A República (PR), 4 de setembro de 1908, quinta colunaA República (PR), 19 de setembro de 1908, quarta coluna; A Repúbica (PR), 21 de setembro de 1908, quarta coluna). Polêmica em torno de uma crítica ao livro (Diário da Tarde (PR), de 7 de setembro de 1908, quarta colunaDiário da Tarde (PR), 11 de setembro, terceira coluna); Diário da Tarde (PR), 12 de setembro, segunda colunaDiário da Tarde (PR), 21 de setembro de 1908, terceira coluna).

Foi oferecido à aluna que mais se distinguiu nos exames do Colégio Santos Dumont na 2ª série do 1º grau o prêmio denominado Mariana Coelho (A República (PR), 21 de dezembro de 1908, sexta coluna).

1909 – Reprodução da crítica favorável de Eloy Pontes sobre o livro de Mariana Coelho, Paraná Mental, publicada na Folha Moderna, em novembro de 1908 (A República (PR), 4 de janeiro de 1909, segunda coluna).

Publicação de uma crítica a seu livro, Paraná Mental (A República (PR), 26 de fevereiro de 1909, quinta coluna).

Contribuiu financeiramente para a visita que o escritor português Guerra Junqueiro (1850 – 1923) faria ao Brasil no ano seguinte (A República (PR), 13 de fevereiro de 1909, primeira coluna).

1910 – Na Câmara Municipal de Curitiba, houve uma reunião de associações femininas em prol da unidade do estado do Paraná. Mariana Coelho foi eleita por aclamação primeira secretária do Comitê Central de Senhoras, presidido por Francisca Cavalcante (Correio Paulistano, 3 de janeiro de 1910, quarta colunaA República (PR), 18 de janeiro de 1910, quinta coluna).

Promovia no Colégio Santos Dumont saraus artísticos, literários e musicais (A República (PR), 19 de dezembro de 1910, terceira coluna).

1911 – Em propaganda do Colégio Santos Dumont foi mencionado que o estabelecimento de instrução e educação havia conquistado medalhas de ouro e de prata na Exposição Nacional de 1908, no Rio de Janeiro. Ficava na praça Carlos Gomes, nº 5 (A República (PR), 5 de janeiro de 1911).

 

 

Em maio, falecimento de sua mãe, Maria do Carmo Teixeira Coelho. Em sua homenagem, publicou para a revista Fanal, de janeiro de 1912, a poesia Morreu!.

 

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Participou do Congresso de Geografia realizado em Curitiba (Diário da Tarde (PR), 2 de setembro de 1911, primeira colunaA República (PR), 8 de setembro de 1911).

 

 

Fazia parte da comissão para a venda de ingressos do festival do Teatro Politeama para ajudar as vítimas das inundações ocorridas no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul (Diário da Tarde (PR), 27 de outubro de 1911, última coluna).

1912  – Os cursos de alfabetização pelo Método João de Deus e o de prendas domésticas são destacados como os principais do Colégio Santos Dumont, referido como uma importante influência na educação em Curitiba (A República (PR), 31 de outubro de 1912, terceira coluna).

Em 19 de dezembro, criação do Centro de Letras do Paraná, do qual tornou-se sócia (Diário da Tarde (PR), 19 de dezembro de 1959, primeira coluna).

1913 – O Colégio Santos Dumont ficava na rua da Misericórdia, nº 84 (A República (PR), 11 de janeiro de 1913, primeira coluna).

1914 – Durante o concerto do maestro amazonense, o conde José Sabbatini (18? – 19?), na época diretor da escola de música do Paraná, realizado no Clube Curitibano, foram distribuidos folhetos com versos escritos por Mariana (Diário da Tarde (PR), 19 de fevereiro de 1914, última coluna).

 

 

 

1916 – Seu colégio ficava na rua José Loureiro, 27 (Diário da Tarde (PR), 28 de janeiro de 1916, última coluna).

 

 

O inventor Alberto Santos Dumont (1873 – 1932), em visita à Curitiba, foi ao Colégio Santos Dumont, onde foi recebido por Mariana. Logo na entrada, as alunas jogaram pétalas de flores sobre o ilustre visitante, que chegou com o secretário do Interior, Enéas Marques dos Santos. O cônsul de Portugal, o irmão de Mariana e professor Carlos Alberto Teixeira Coelho, professores do colégio, além de outros convidados, participaram do encontro. Uma orquestra executou o Hino Santos Dumont (A República (PR), 4 de maio de 1916, quinta colunaA República (PR), 8 de maio de 1916, quinta coluna; Diário da Tarde (PR), 8 de maio de 1916, terceira coluna).

 

 

 

Na ocasião, uma das alunas do colégio proferiu o seguinte discurso:

Ilustre Dr. Santos Dumont. – Meus Senhores. O âmbito de nosso peito é por demais acanhado para conter todo o jubilo que agita os nossos innocentes corações em face da honrosa presença do querido patrono do nosso collegio. Este formo palpitar de intima alegria, porém, não póde deixar de ser turbado pela saudade em que já nos envolve a vossa rapida passagem por esta capital e por que.., talvez não tenhamos a ventura de nos tornar a ver! O vosso retrato, senhor, aqui nos anima na principal sala de trabalhos escolares, a prosseguir nossos estudos, desde a fundação do estabelecimento que há 15 annos e que usa o vosso nome celebrado – orgulhando-se de que Santos Dumont seja um dos mais scintillantes astros que fulguram nos dominios da sciencia moderna. Por certo a nossa diretora, nos momentos mais angustiosos da sua lucta pela existência, busca e encontra na vossa veneranda effigie o alento para continuar a manter esta escola a que deu o vosso nome ilustre – prestando d’esta forma uma pallida homenagem á grande beleza de vossa alma e do vosso raro talento. É vossa, é unicamente vossa honra de descobrirdes a diribilidade do balão – assombroso progresso para a humanidade, mas hoje, infelizmente, transformada em machina homicida no seu contingente de morte, que o impelle a uma guerra sem procedentes, e cuja acabrunhadora fatalidade muito deve a amargurar uma alma nobilissima como a vossa! Ah! Como desejariamos subir comvosco na vossa bella aeronave e experimentar as emoções do espaço! Termino, illustre Dr., desejando em nome d’esta escolla, que a felicidade vos acompanhe por toda a parte – do que tão digno sois por todos os motivos, e pedindo-vos que nunca esqueçaes o Collegio Santos Dumont que tão sinceramente vos estima e admira” (A República (PR), 8 de maio de 1916).

O poeta Olavo Bilac (1865 – 1918) enviou um belo autógrafo para o Colégio Santos Dumont (A República (PR), 26 de dezembro de 1916, terceira coluna).

 

 

1917 – Proferiu um discurso durante a sessão em que foi eleita a primeira diretoria efetiva da recém criada Cruz Vermelha Paranaense (Diário da Tarde (PR), 2 de junho de 1917, primeira coluna).

Era a encarregada do registro das pessoas que iriam se vacinar no recém inaugurado posto de vacinação da Cruz Vermelha Paranaense (Diário da Tarde (PR), 12 de outubro de 1917, última coluna).

Devido à epidemia de tifo em Curitiba, Mariana decidiu suspender as aulas no Colégio Santo Dumont (A República (PR), 23 de outubro de 1917, quinta coluna).

1918 – Começou a trabalhar como secretária e professora da Escola Profissional Feminina.

Foi dedicado a ela, pelo escritor paranaense José Cadilhe (1880 – 1942), o poema Portugal (A República (PR), 27 de abril de 1918).

 

 

 

1919 – Fazia parte da comissão escolar encarregada de promover atividades infantis para arrecadar fundos para ajudar os flagelados da seca do Nordeste (A República (PR), 21 de maio de 1919, terceira coluna).

Era a terceira secretária da diretoria eleita para a Cruz Vermelha do Paraná (A República (PR), 3 de janeiro de 1919, última coluna).

1921 – Escreveu um artigo em homenagem a João do Rio, pseudônimo de Paulo Barreto (1881 – 1921), recentemente falecido (A República (PR), 29 de junho de 1921, segunda coluna).

1922 – Como segunda secretária do Centro Republicano Português participou da sessão solene, no Teatro Guayra, em celebração da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada pelos aviadores portugueses Carlos Viegas Gago Coutinho (1869 -1959) e Artur de Sacadura Freire Cabral (1881 – 1924). Haviam partido de Lisboa em 30 de março de 1922 e chegado ao Brasil em 17 de junho do mesmo ano (A República (PR), 19 de junho de 1922, última coluna).

 

 

1923 – Publicou o artigo O civismo da mulher na guerra (Commercio do Paraná, 23 de janeiro de 1923, quarta coluna).

Iniciou uma troca de correspondências, que manteve até 1940, com a feminista Bertha Lutz (1894 – 1973), presidente da Federação Brasileira pelo Progresso da Mulher, fundada em 9 de agosto de 1922.

1925 – Foram publicados os trechos intitulados Renovação social da Tuquia e Flagrante flutuação de seu livro, ainda inédito, Evolução de Feminismo (Commercio do Paraná, 6 de janeiro de 1925, penúltima colunaSempre-Viva, 15 de maio de 1925).

Tornou-se associada da Federação Brasileira pelo Progresso da Mulher, tendo recebido em 3 de março, a notificação de seu efetivo ingresso na entidade.

Escreveu um artigo sobre a escritora e crítica literária berlinense Carolina Michaelis de Vasconcellos (1851 – 1925), recentemente falecida. Ela foi a primeira mulher a lecionar em uma universidade portuguesa, a Universidade de Coimbra (O Estado do Paraná, 22 de novembro de 1925, primeira coluna).

 

 

1926 - Continuava  trabalhando na Escola Profissional Feminina, em Curitiba (O Estado do Paraná, 19 de janeiro de 1926, quarta coluna).

Falecimento de seu irmão, o professor e um dos mais importantes filólogos de sua geração, Carlos Alberto Teixeira Coelho (1866 – 1926), em 28 de janeiro (O Dia (PR), 29 de janeiro de 1926, segunda coluna).

A professora, poeta e jornalista catarinense Maura de Senna Pereira (1904 – 1991) dedicou a ela o poema Nesgas (A República (SC), 12 de dezembro de 1926, segunda coluna).

 

 

1927 – Mariana esteve no Rio de Janeiro, na Federação Brasileira pelo Progresso da Mulher apresentou os originais do livro A Evolução do Feminismo, onde fazia uma imparcial crítica histórica ao papel da mulher. Bertha Luz (1894 – 1971) e Maria Amalia Bastos de Miranda Jordão, respectivamente, presidente e secretária da associação, ofereceram a ela um chá na Confeitaria Colombo (Jornal do Brasil, 19 de julho de 1927, quarta colunaO Dia (PR), 17 de agosto de 1927, primeira coluna).

1930 – Na “Página Literária”, publicação de um artigo de sua autoria, O Feio, sobre a valorização da beleza da mulher (A República (PR), 20 de janeiro de 1930, primeira coluna).

Foi uma das intelectuais do Paraná que se declarou favorável à eleição de Julio Prestes (1882 – 1946) à presidência da República, apoiando a Ação Intelectual Brasileira. Ele foi eleito em 1º de março, mas não tomou posse devido à Revolução de 30, liderada por Getúlio Vargas (1882 – 1954) (A República (PR), 12 de fevereiro de 1930).

Foi nomeada diretora da Escola Profissional Feminina – que recebeu, em 1933, o nome de Escola Profissional Feminina República Argentina -, onde ficou até se aposentar. O local atualmente é o Centro Estadual de Capacitação em Artes Guido Viaro, no Capão da Imbuia (A República (PR), 19 de junho de 1930, primeira coluna).

1931 – Foi efetivada nos cargos de professora e diretora da Escola Profissional Feminina  (O Dia (PR), 25 de março de 1931, primeira colunaO Dia (PR), 10 de setembro de 1932, primeira coluna).

1932 – Publicação de Trecho de Romance e da fotografia de Mariana Coelho (Brasil Feminino, abril de 1932).

 

 

1933 – No artigo A mulher paranaense, de Rachel Prado, foi mencionada como uma das mais importantes escritoras do estado (Brasil Feminino, maio de 1933).

Participou no Centro de Letras do Paraná da sessão em homenagem ao escritor e historiador paranaense José Francisco da Rocha Pombo (1857 – 1933), recentemente falecido (O Dia (PR), 8 de julho de 1933, terceira coluna).

 

 

Publicação do mais importante de seus livros, A Evolução do Feminismo: subsídios para a sua história, com prefácio de Rocha Pombo, sobre a emancipação da mulher, a mulher na religião, o civismo da mulher na guerra, a ação da mulher na imprensa, nas artes, nas ciências e nas letras, além de um capítulo dedicado à mulher nas diversas modalidades do amor (O Dia (PR), 29 de agosto de 1933, primeira colunaO Dia (PR), 9 de setembro de 1933, primeira coluna;  Diário da Tarde (PR), 14 de outubro de 1933, quarta colunaJornal do Brasil, 19 de outubro de 1933, sexta colunaO Dia (PR), 9 de novembro de 1933, última coluna).

 

 

Na reunião quinzenal do Centro de Letras do Paraná, Mariana Coelho foi cogitada para ocupar uma das cadeiras da casa. Foi empossada em 30 de novembro (O Dia (PR), 21 de setembro de 1933, segunda colunaO Dia (PR), 24 de novembro de 1933, segunda colunaO Dia (PR), 1º de dezembro de 1933, quinta colunaO Dia (PR), 7 de dezembro de 1933, quarta coluna).

1934 – Seu livro, A Evolução do Feminismo, foi elogiado pelo professor Antonio Austregésilo (1876 – 1960), da Academia Brasileira de Letras; e pelo crítico literário, também membro da Academia Brasileira de Letras, João Ribeiro (1860 – 1934)(A Noite, 13 de janeiro de 1934, primeira colunaJornal do Brasil, 14 de março de 1934, segunda colunaWalkyrias, agosto de 1934).

 

 

Mariana ofereceu livros para a Biblioteca do Centro Paraense da Cultura Feminina, criado no ano anterior pelas advogadas Rosy Pinheiro e Ilnah Pacheco Secundino e pela médica Delohé Falce Scalco (O Dia (PR), 5 de dezembro de 1933, sexta colunaO Dia (PR), 25 de fevereiro de 1934, última coluna).

Falecimento de seu irmão, Thomaz Alberto Teixeira Coelho (1859 – 1934), que na época residia no Rio de Janeiro (O Dia (PR), 20 de abril de 1934, terceira coluna).

Passou férias no Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 7 de julho de 1934, segunda colunaDiário da Tarde (PR), 19 de julho de 1934, segunda coluna).

Em reunião do Centro de Letras do Paraná, Mariana falou sobre o feminismo diante do amor, um dos temas de seu livro A Evolução do Feminismo (O Dia (PR), 16 de outubro de 1934, primeira coluna).

Foi convidada para fazer uma conferência literária na ocasião da comemoração do primeiro ano de fundação do Centro Paraense da Cultura Feminina. Foi saudada pela oradora da associação, Ophir Athayde Leite. Mariana discorreu sobre o tema Um brado de alarme contra a guerra, os suicídios e a pena de morte (O Dia (PR), 7 de dezembro de 1934, quarta coluna).

 

 

1935 – Participou da Semana Emiliano, um festival de arte que o Centro de Letras do Paraná organizou em homenagem ao poeta curitibano Emiliano Pernetta (1866 – 1921), um dos fundadores do simbolismo no Brasil e considerado o maior poeta paranaense de seu tempo. Recitou o poema Felicidade, da coleção Setembro. (O Dia (PR), 22 de janeiro de 1935, sexta coluna).

 

 

Publicou o livro Um Brado de Revolta contra a Morte Violenta e destinou 50% da venda para a construção de um mounumento em homenagem aos historiador Rocha Pombo (1857 – 1933) (O Dia (PR), 25 de abril de 1935Diário da Tarde (PR), 9 de maio de 1935O Dia (PR), 13 de julho de 1935, primeira coluna).

 

 

O cientista paranaense Victor Amaral (1862 – 1953) escreveu sobre o livro Um Brado de Revolta contra a Morte Violenta (Diário da Tarde (PR), 19 de agosto de 1935, terceira coluna).

Dirigia a Escola Profissional República Argentina (O Dia (PR), 12 de fevereiro de 1936, terceira coluna).

1936 - Foi convidada para participar do Congresso das Academias de Letras e Sciencias de Cultura Literária realizado, em maio, no Rio de Janeiro, promovido pela Academia Carioca de Letras e sua tese, Linguagem, foi apresentada no evento. No ano seguinte, a tese foi publicada (Diário da Tarde (PR), 3 de março de 1936, penúltima colunaJornal do Commercio, 6 de maio de 1936, sexta colunaO Dia (PR), 25 de abril de 1937, penúltima colunaDiário Carioca, 17 de julho de 1937, primeira coluna). Era amiga do médico, escritor e militante anarquista Fábio Lopes dos Santos Luz (186? – 1938) que desde 1934 ocupava uma cadeira da Academia Carioca de Letras.

 

 

Mariana Coelho, após defender em sua tese a simplificação da língua portuguesa, passou a assinar Mariana com apenas uma letra n, em oposição ao modo como foi registrada, com duas letras n.

Preencheu a ficha para o 3.º Congresso Nacional Feminino, que ocorreu no Rio de Janeiro, em setembro de 1936, promovido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, mas a pesquisa não encontrou evidência de sua participação no evento. A representante do Paraná foi a presidente do Centro Paraense de Cultura Feminina, a advogada Ilnah Pacheco Secundino (O Dia (PR), 26 de julho de 1936, quinta colunaO Dia (PR), 1º de outubro de 1936, terceira coluna).

1937 - Publicação do artigo O feminismo no Brasil, de sua autoria, no qual apontava Nizia Floresta (c. 1810 – 1885) como a primeira mulher, no Brasil, que reivindicou direitos femininos. Nisia Floresta, o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, a educadora e poetisa nascida no Rio Grande do Norte, é considerada a primeira feminista brasileira. A dentista Isabel de Mattos Dillon, primeira mulher a conseguir autorização para votar no Brasil, em 1880, também foi mencionada no artigo como outra importante feminista. A Lei Saraiva, promulgada naquele mesmo ano, dizia que todo brasileiro com um título científico poderia votar. Isabel acionou essa lei para solicitar sua inclusão na lista de pessoas eleitoras do Rio Grande do Sul (Correio da Manhã, 3 de janeiro de 1937).

 

 

 

Na apuração final do plebiscito Qual a mulher intelectual merece a consagração da imortalidade?, Mariana tinha 106 votos. Foi vencida por Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1883 – 1966) com 2.512 votos (O Malho, 14 de janeiro de 1937).

 

 

O filólogo José de Sá Nunes (18? – 1955)  escreveu sobre a tese Linguagem (1937) de autoria de Mariana Coelho. Outras personalidades também a felicitaram por sua tese (O Dia (PR), 1º de outubro de 1937).

1938 – Concorreu mas não foi eleita para ocupar uma das cadeiras da Academia Paranaense de Letras (O Estado (PR), 1º de fevereiro de 1938).

Foi homenageada por professores, funcionários e alunos da Escola Profissional República Argentina. Na ocasião, foi inaugurado um retrato de Mariana na sala em que trabalhava como diretora do colégio (O Dia (PR), 4 de outubro de 1938, terceira coluna).

1939 – Naturalizou-se brasileira (Jornal do Brasil, 31 de agosto de 1939, penúltima colunaDiário da Tarde (PR), 8 de novembro de 1939, segunda coluna).

1940 - Foi eleita como sócia efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná (O Dia (PR), 23 de fevereiro de 1940, segunda coluna).

Publicou o livro Cambiantes: contos e fantasias, ilustrados com desenhos do italiano Guido Viaro (1897 – 1971) e prefaciado por Leôncio Correia (1865 – 1950) (ODia (PR), 14 de julho de 1940, segunda colunaO Malho, fevereiro de 1941O Dia (PR), 24 de setembro de 1941, penúltima coluna).

O poeta, escritor e empresário Heitor Stockler (1888 – 1975) relembra a trajetória de Mariana Coelho como educadora e escritora (Diário da Tarde (PR), 14 de agosto de 1940, penúltima coluna).

1941 – Devido a problemas de saúde, não pode mais trabalhar, tendo se aposentado do cargo de diretora da Escola Feminina República Argentina.

Leôncio Correia (1865 – 1950) dedicou seu poema O Coração em Voo a várias pessoas, dentre elas Mariana Coelho (O Dia (PR), 14 de setembro de 1941, primeira coluna).

 

 

Ela, com Cambiantes, Plácido e Silva (1892 – 1973) com História do Macambira; e Angelo Guarinelo (1876 – 1959) com Ressurreição se inscreveram para concorrer a um prêmio da Academia Brasileira de Letras:(O Dia (PR), 14 de ooutubro de 1941, sexta coluna).

 

 

 

1943 – Inauguração da Estante Mariana Coelho durante a celebração do sétimo ano da fundação da Academia Paranaense de Letras. Foi saudada por José Gelbcke (1879 – 1960). Mariana havia doado para a biblioteca da entidade cerca de 200 livros (O Dia (PR), 25 de setembro de 1943O Dia (PR), 28 de setembro de 1943, segunda coluna).

 

 

Fez uma visita ao ministro da Educação, Gustavo Capanema (1900 – 1985) (O Dia (PR), 26 de outubro de 1943, primeira coluna).

1946 – Foi uma das 13 escritoras do Paraná que participaram da primeira Exposição do Livro Feminino Brasileiro, realizada no Palace Hotel, no Rio de Janeiro, em fevereiro (O Dia (PR), 7 de setembro de 1946, terceira coluna).

1949 – Seus livros Cambiantes e Um Brado de Revolta contra a Morte Violenta integraram a Exposição Inter-americana do Livro, no Rio de Janeiro (O Dia (PR), 17 de agosto de 1949, terceira coluna).

Mariana Coelho foi atropelada por um caminhão (Diário da Tarde (PR), 23 de novembro de 1949, penúltima coluna).

O jornalista e escritor italiano radicado no Brasil desde o início dos anos 20, Francisco Stobbia (1881 – 1961),  escreveu um artigo sobre Mariana e sua obra, A Evolução do Feminismo (Diário da Tarde (PR), 6 de dezembro de 1949, penútima coluna).

Era uma das colaboradoras da Revista do Centro de Letras do Paraná (O Dia (PR), 30 de janeiro de 1951, terceira coluna).

1954 – Falecimento de Mariana Coelho, em 29 de novembro de 1954, em sua casa, na rua Presidente Taunay, em Curitiba. Foi sepultada no Cemitério Municipal São Francisco de Paula (Diário da Tarde(PR), 29 de novembro de 1954, sexta colunaO Dia(PR), 30 de novembro de 1954, terceira coluna).

 

 

Em sua homenagem, seu retrato foi inaugurado no Centro de Letras do Paraná. O Centro Paranense Feminino de Cultura também participaria do evento (Diário da Tarde (PR), 8 de dezembro de 1954, penútima colunaO Dia (PR), 12 de dezembro de 1954, sexta coluna).

1955 – Publicação de um artigo do jornalista Otávio Secundino exaltando as qualidades de Mariana Coelho (Diário da Tarde (PR), 7 de janeiro de 1955, quinta coluna).

Publicação de um artigo de  Francisco Stobbia (1881 – 1961) sobre A Evolução do Feminismo (Diário da Tarde, 15 de janeiro de 1955, primeira coluna).

 

 

1956 – Foi publicada sua obra póstuma Palestras Educativas (Diário do Paraná, 11 de setembro de 1956, primeira colunaDiário da Tarde (PR), 15 de setembro de 1956, quinta coluna).

1957 – Publicação do conto Um Urso, do livro Cambiantes: contos e fantasias (Diário do Paraná, 7 de abril de 1957).

1959 – Publicação de seu poema Saudade (O Dia (PR), 19 de julho de 1959).

 

 

A professora Maria Nicolas (1899 – 1988) publicou um artigo exaltando o papel de Mariana Coelho como educadora, escritora e feminista (Diário da Tarde (PR), 1º de maio de 1959, penúltima coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ALVES, Branca Moreira, Ideologia e feminismo: a luta das mulheres pelo voto no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1980

BUENO, Alexandra Padilha. Educação e participação política: a visão de formação feminina de Mariana CoelhoDissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná, 2010.

COELHO, Mariana. A evolução do feminismo, subsídios para a sua história. 2 ed. Org. Zahidé L. Muzart. Curitiba, Imprensa Oficial do Paraná, 2002.

DINIZ, Aires Antunes. Mariana Coelho: uma educadora feminista luso-brasileira. Portugal: Penagrafica, 2015.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KAMITA, Rosana Cássia. Resgates e ressonâncias: Mariana Coelho. Tese de Doutorado. Curso de Pós-Graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina, 2004.

KARAWEJCZYK, Monica. As filhas de Eva querem votar: uma história da conquista do sufrágio feminino no Brasil. Tese (Doutorado em História), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.

MUZART, Zahidé L. Resgates e ressonâncias: uma beauvoir tupiniquim. In: BRANDÃO, Izabel; MUZART, Zahidé L.  e  BOLAÑOS, Aimée González (orgs.). Refazendo nós: ensaios sobre mulher e literatura. Florianópolis: Ed. Mulheres; Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2003.

Revista dos Cursos de Letras – Universidade do Paraná, abril de 1955

RIBEIRO, Leonardo Soares Madeira Iorio. Mariana Coelho: a educadora feminista. Rio de Janeiro : Editora Lumen Juris, 2015.

SHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.

Site Academia Brasileira de Letras

Site A Memória dos Esquecidos

Site Centro de Documentaação de Literatura de Autoria Feminina Paranaense

Site Instituto Terra, Trabalho e Cidadania

Site Universidade Federal do Paraná

TOMÉ, Dyeinne Cristina. Mariana Coelho e a educação das mulheres: uma escritora feminista no campo intelectual (1893 – 1940). Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Ponta Grossa Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes Programa de Pós-Graduação em Educação, 2020.

 

Leia também os outros artigos da série “Feministas, graças a Deus”:

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Um pensamento sobre “Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”

  • 19 de julho de 2021 em 22:56
    Permalink

    Excelente artigo.
    Tenho apenas um comenário. Embora seja verdade que a frase dizendo que há controvérsias “em relação ao nome de Isabel: alguns autores a identificam como Isabel Dillon ou como Isabel de Souza Mattos”, a solução é simples. Depois de casar-se com seu colega Thomás Cantrell Dillon, Isabel de Souza Mattos passou a assinar Isabel de Mattos Dillon. Veja Wikipédia e referências lá citadas. Obrigada!

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