Dom Pedro II fotografado pelo italiano Luis Terragno (c. 1831 – 1891), Fotógrafo da Casa Imperial

No dia do aniversário de dom Pedro II (1825 – 1891), um entusiasta da fotografia como mecenas e colecionador, a Brasiliana Fotográfica publica um retrato do imperador de autoria do italiano Luigi (Luis) Terragno (c. 1831 – 1891), nascido em Gênova, e um dos pioneiros da fotografia no Rio Grande do Sul, a quem o monarca outorgou o título de Fotógrafo da Casa Imperial. Terragno foi o fundador da Loja Maçônica Paz e Ordem, em Porto Alegre, e inventou o fixador à base de mandioca, a pistola Terragno, um aparelho para tirar fotografias instantâneas; o Sinete-Terragno e uma máquina para conservar carnes.

A fotografia de Pedro II foi produzida quando ele estava no Rio Grande do Sul durante a Guerra do Paraguai (1864 – 1870). Esse registro é bastante diferente das fotografias que conhecemos do imperador. Nela, ele está sem as vestimentas reais, trajado como um gaúcho, localizado cultural e geograficamente no Brasil. Segundo a crônica O Velho Pinto, de Achylles Porto Alegre (1848 – 1926), no livro Serões de Inverno (1923), …Luiz Terragno, um fotógrafo de nomeada que tivermos aqui. Era realmente um bom artista, mas ficou muito vaidoso por haver retratado D. Pedro II, quando ele esteve aqui na sua ida para Uruguaiana…”

 

Terragno fotografou, entre 1865 e 1867, outros personagens envolvidos no conflito como o Duque de Saxe (1845 – 1907) e o Conde d´Eu (1842 – 1922) que em seu livro, Viagem Militar ao Rio Grande do Sul, assim se referiu ao fotógrafo, em 8 de agosto de 1865: A pedido do fotógrafo de Porto Alegre, um italiano, fui-me retratar de poncho e chapéu mole…

Algumas dessas fotos e outras também de autoria de Terragno, de vistas de Porto Alegre, foram exibidas na Exposição de História do Brasil realizada pela Biblioteca Nacional e aberta por Pedro II, em 2 de dezembro de 1881, dia em que o monarca completava 56 anos. A exposição foi um dos mais importantes eventos da historiografia nacional.

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Luis Terragno disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

No período em que atuou no Rio Grande do Sul, do início da década de 1850 a 1891, Luis Terragno testemunhou o crescimento e desenvolvimento de Porto Alegre que, entre 1820 e 1890, passou de cerca de 12 mil habitantes para pouco mais de 52 mil. Os colonos alemães começaram a chegar a partir de 1824 e, os italianos, a partir de 1875. Foi, no estado, contemporâneo dos fotógrafos Justiniano José de Barros (18? -?), de Madame Reeckel (1837 – 19?), de Rafael Ferrari (18? -?) e de Thomas King, dentre outros. Este último também foi agraciado com o título de Fotógrafo da Casa Imperial.

Ao longo de sua carreira de fotógrafo, Terragno ofereceu diversos serviços e produtos como, por exemplo, cursos e câmeras para amadores, além de ter investido em técnicas como a estereoscopia e, depois, a impressão fotográfica sobre superfícies diversas – borracha, mármore, porcelana, tecido etc. Teve estabelecimentos fotográficos em diversos endereços de Porto Alegre.

 

Faça Chuva ou Faça Sol: fotógrafos em Porto Alegre (1849 - 1909), página 353.

Faça Chuva ou Faça Sol: fotógrafos em Porto Alegre (1849 – 1909), página 353.

 

Em 1850, já estava no Brasil e atuava como fotógrafo itinerante na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Em 1851, atuou em Pelotas. Retornou a Rio Grande, onde permaneceu entre agosto e novembro de 1853, tendo chegado, em Porto Alegre, provavelmente, pouco depois. Casou-se, em 28 de julho de 1855, na Freguesia do Rosário, com Balbina Rita Círio. Tiveram cinco filhos: Luiza (1858-?), Vitor (1861-?), Cândido (1863 – ?), Luís (1867 – ?), Antonio (1875 -?) e Olimpio (18? -?).

 

Passaporte de Terragno 1852 / Acervo AHRS

Passaporte de Luis Terragno,  1852 / Acervo AHRS

 

“Aos vinte e oito dias do mês de julho de mil oitocentos e cinquenta e cinco anos, na casa da residência de João Vicente Bartholomeu Cirio, sita na freguesia de Santa Ana do Rio dos Sinos, em Oratório aprovado para esse fim, pelas oito horaas da tarde, depois de feitas as diligências do estilo, e não havendo impedimento algum na forma do Sagrado Concílio Tridentino, e Cobnstituição do Bispado, por provisão do Excelentíssimo Senhor Cônego Provisor, Vigário Geral deste Bispado Thomé Luiz de Souza, perante mim e das testemunhas Patricio D´Azambuja Cidade, e Luiz Gambarro, se receberam em matrimônio com palavras de presente, e que expressaram no mútuo consentimento os contraentes Luiz Terragno, e D. Balbina Rita Ciro [sic], esta natural desta cidade, filha legítima de João Vicente Bartholomeu [sic], e Dona Rita Joaquina da Conceição, aquele natural da Itália, filho legítimo de Domingos Antônio Terragno, e Angela Maria Peligrinni; receberam as bençãos matrimoniais, e para constar mandei fazer esse termo que assino.

O Vigário José Ignácio de Carvalho e Freitas”

Livro 2º de Casamentos da Freguesia do Rosário (1844 – 1862), folha 16.

Faça Chuva ou Faça Sol: fotógrafos em Porto Alegre (1849 – 1909)

 

Inicialmente, Terragno teve, em Porto Alegre, um estabelecimento fotográfico na Rua do Rosário, esquina coma Rua da Alegria, com o pintor italiano Bernardo Grasselli (? – 1883) que, após passar alguns anos no Uruguai, foi, em 1853, morar, em Porto Alegre. Foi professor de artes e cenógrafo, além de ter colaborado na revista literária O Guaíba. A sociedade duraria cerca de um ano. Deixou de trabalhar com o daguerreótipo e passou a trabalhar com retratos de eletrótipo, um processo mais rápido que permitia fotografar crianças com facilidade.

 

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O Mercantil, 8 de abril de 1854

 

Em 1855, seu estabelecimento ficava na Rua de Bragança, 208, atual Marechal Floriano.

 

O Mercanil, 29 de novembro de 1855

O Mercantil, 29 de novembro de 1855

 

Em 1860, voltou a montar um ateliê onde se localizava seu primeiro estabelecimento. Ao longo dessa década, introduziu, em Porto Alegre, a fotografia estereoscópica.

 

Ateliê de TErragno na rua do Rosário esquina com rua da Alegria, em Porto Alegre, 1862 / Acervo de Carlos Henrique Bertelli

Ateliê de Terragno na Rua do Rosário esquina com Rua da Alegria, em Porto Alegre, 1862 / Acervo de Carlos Henrique Bertelli

 

Neste mesmo ano, trabalhou na cidade de Rio Grande e também em Pelotas, em abril e maio, respectivamente (O Commercial, 4 de abril de 1860; Brado do Sul, 27 de maio de 1860).

Em 1861, divulgou sua invenção: o fixador à base de mandioca. Em 1863, anunciava que em seu estabelecimento tiram-se retratos pelo novo sistema “Alabastrino” cujos retratos são de uma finura e delicadeza superior a tudo o que se tem feito até hoje (O Mercantil, 21 de agosto de 1863).

 

Terragno conquistou a segunda menção honrosa na II Exposição Nacional de 1866, realizada no Palácio da Moeda do Rio de Janeiro entre 19 de outubro e 16 de dezembro de 1866 (Correio Mercantil, 11 de fevereiro de 1867, quarta coluna). O pintor Victor Meirelles (1832 – 1903) foi jurado da seção “Fotografia” e, segundo Tadeu Chiarelli, com o texto que escreveu para o capítulo “Fotografia”, que constou no Relatório sobre exposição, o pintor traçou …aquela que talvez seja a primeira história da fotografia escrita no Brasil (talvez a primeira em língua portuguesa)…

‘A descoberta da fotografia, importante auxiliar das artes e ciências, e que há mais de meio século preocupava o espírito de doutos tornando-se objeto de estudo de alguns sábios da Inglaterra e da França, só nesses últimos tempos atingiu ao grande aperfeiçoamento que apresenta e que bem pouco deixa a desejar’.

O pintor deixou claro seu amplo conhecimento sobre o assunto, desde sua história até as peculiaridades dos processos fotográficos já desenvolvidos. Mostrou-se também entusiasmado com as aplicações da fotografia. Seu julgamento das obras expostas expressava rigor crítico e admiração. Usou em sua avaliação valores e parâmetros que eram, tradicionalmente, utilizados na crítica de pinturas como, por exemplo, os efeitos de luz e a nitidez das imagens. Com sua apreciação, Meirelles incentivou o diálogo entre a fotografia e a pintura.

A classe de “Fotografia” foi dividida entre “panoramas”, “panoramas  diversos para álbuns”, “estereoscópios”, “álbuns” e “retratos”. Foram premiados com medalha de prata José Ferreira Guimarães (1841 – 1924)Joaquim Insley Pacheco (18? – 1912), Carneiro & Gaspar, Augusto Stahl (1828 – 1877) & Germano Wanchaeffer (1832 – ?) e E.J. Van Nyvel; com medalha de bronze Christiano Junior (1832 – 1902), Modesto e Jacy Monteiro & Lobo. Finalmente, além de Terragno, obtiveram menções honrosas José de Melo Arguelles,  João Ferreira Villela (18? – ?) e Leon Chapelin (18? -?). Na categoria “Paisagem”, a medalha de prata foi obtida por Georges Leuzinger (1813 – 1892).

 

 

Sobre Terragno, Meirelles escreveu:

“Não são inteiramente privadas de merecimento as provas fotográficas enviadas por este senhor. Nota-se o retrato de uma senhora que foi também reproduzido sobre fino tecido de um lenço; bem como as outras provas, representando algumas vistas”.

Terragno ofereceu uma doação em dinheiro aos enfermos vítimas da epidemia de cólera, em 1867 (Relatório dos Presidentes das Províncias Brasileiras : Império (RS), 1867). Neste mesmo ano, vendeu todo seu acervo e material, anunciando sua partida ao exterior mas, em 1868, voltou a Porto Alegre e abriu um novo estúdio, na Rua da Ponte, 237.

Era maçom e foi um dos fundadores, em 24 de setembro de 1869, da Loja Luz e Ordem. Foi eleito seu primeiro administrador.

Em 1870, abriu uma filial de seu estabelecimento fotográfico na rua dos Andradas, 433.

Em 28 de setembro de 1872, foi solenizada a promulgação da lei de 28 de setembro de 1871 com uma festa imponente , em que pela primeira vez na província do Rio Grande do Sul se realizou a cerimônia do batismo maçônico conferido a 25 lowtons. O Irmão Luiz Terragno, venerável da Loja Luz e Ordem executou a liturgia e, em seguida, entregou a uma menina de 10 anos sua carta de liberdade (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril de 1872). Segundo a Grande Loja Maçônica da Cidade de São Paulo, Lowtons  são “filhos, enteados e netos (de ambos os sexos) de maçons desde que tenham idade entre sete e quatorze anos. Ao serem adotados por uma Loja Maçônica, através de uma cerimônia especial de adoção de Lowtons, a Loja contrai para com eles a obrigação de servir-lhe de tutor e guia na vida social”.

 

 

 

 

Esteve presente à celebração do padroeiro da Loja Maçônica Progresso e Humanidade, em Porto Alegre (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril a julho de 1874).

 

 

Participou de uma cerimônia maçônica de juramento de adesão da Loja Luz e Ordem ao Grande Oriente Unido do Brasil, reconhecendo-a como a única potência macônica legítima do Império (O Maçon: órgão da maçonaria (RS), 15 de julho de 1874).

 

 

Foi citado no artigo A emigração para o Brasil, publicado no Giornalle delle Colonie, de Roma (A Nação, 24 de setembro de 1874).

 

 

Como venerável da officina batizou quatro lowtons na celebração do padroeiro São João da Loja Maçônica Luz e Ordem (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril a agosto de 1875Maçon: órgão da maçonaria (RS), 1º de julho de 1875, primeira coluna).

Em abril de 1875, foi inaugurada  a segunda Exposição Provincial do Rio Grande do Sul ou Exposição Commercial e Industrial, uma mostra de agricultura, indústria e comércio, realizada no Edifício do Atheneo Rio Grandense, em Porto Alegre. Segundo o historiador Athos Damasceno (1902 – 1975), foi Carlos von Koseritz (1830 – 1890), jornalista, poeta e importante personalidade da colônia alemã no sul do Brasil durante o Segundo Império, quem sugeriu a inclusão na exposição “de uma seção especial destinada a exibição de obras de arte, assim imprimindo no parque um cunho de sensibilidade e cultura…”(Relatórios dos Presidentes das Províncias Brasileiras: Império (RS), 11 de março de 1875).

Dois fotógrafos apresentaram seus trabalhos nesta exposição: Madame Reeckell (1837 – 19?) e Terragno (18? – 1891), que, a esta altura, possuía estabelecimentos fotográficos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (O Despertador, 19 de novembro de 1875, primeira coluna).

 

 

 

Houve uma polêmica em torno do sistema fotográfico  À luz tangente entre Terragno e a fotógrafa Madame Reeckell (1837 – 19?) que no jornal A Reforma, de 4 de agosto de 1870, publicou:

“Luz Tangente. O sr. Terragno, em a pedido inserto no Riograndense, tratando dos retratos à luz tangente, diz que os não tiro pelo mesmo sistema dos seus. Os retratos chamados pelo sr. Terragno de à luz tangente –  são na minha opinião iguais aos que tiro e tenho anunciado. Quem quiser convencer disso venha à minha casa para ver os retratos que tenho tirado e outros de fotógrafos do Rio de Janeiro, também do mesmo sistema, isto é, preferindo-se os dias escuros para o trabalho dessa qualidade de fotografias. O sr. Terragno é injusto quando atribui-me querer imitá-lo, dando o nome de retratos – à luz tangente – que só s.s. pode tirar, quando é certo que os tiro há muito tempo. Desafia-me a apresentar os aparelhos e ingredientes que são precisos. Poderá vê-los  quem quiser. O sistema é simples e não faço mistério para com as pessoas que, visitando a minha galeria, pedem par ver os aparelhos de que me sirvo. Quanto a supor que usei do emblema seu no meu anúncio publicado na Reforma, declaro que nada tenho com isso. E o sr. Terragno com aquela empresa deve entender-se a respeito. M Reeckell”.

Na IV Exposição Nacional de 1875, inaugurada em 12 de dezembro e finda em 16 de janeiro de 1876, Terragno recebeu uma Medalha de Mérito. Exibiu fotografias do mercado e da estação de bondes de Porto Alegre e quatro retratos no formato carte de visite. Indicando o espírito tecnológico dessa exposição, havia uma classe intitulada Aparelhos e métodos fotográficos, onde Terragno apresentou o fixador à base de mandioca que havia inventado.

“O ácido da mandioca é um produto tóxico de um cheiro característico, e não consta que tenha sido analisado. Em 1861 extrai uma quantidade equivalente mais ou menos a duas onças, fiz algumas aplicações na fotografia e vi que substituía com grande vantagem o ácido acético e ainda o ácido fórmico.

Se ao banho revelador de ferro se substituir o ácido acético pelo da mandioca, pode-se diminuir de metade a exposição (pose), e geralmente o negativo não necessita de reforço.

Este ácido não ataca o ouro nem a prata; ataca porém energicamente o alumínio e o magnésio, e produz sais deliquescentes.

Tendo preparado um sal de ferro, atacando este metal por uma mistura de 1 parte de ácido sulfúrico e dois partes de ácido de mandioca, a cujo sal dou o nome de sulfo-mandiocate de ferro, o qual emprego em lugar do sulfato de ferro: torna-se o revelador por excelência, porque não só permite diminuir muito a exposição, como acusa os mais pequenos (sic) detalhes, mesmo nos lugares em que a ação da luz for muito fraca.

Quando o Sr. d´Ormano foi à Europa “incorporar a Companhia do gás” levou um frasquinho deste ácido para “mandar analisar em Paris”; em consequência da guerra franco-prussiana, e outros inconvenientes, resultou que o senhor d´Ormano na sua volta me devolvesse o ácido sem ter sido analisado.

“As minhas ocupações”, e mesmo “a falta de certos recursos não me têm permitido fazer outras experiências”; creio, porém, que este ácido convenientemente analisado pode ter diversas aplicações nas artes e indústria e mesmo em medicina, e teria a vantagem de se aproveitar de um produto natural, que é deitado fora, pois que ele é extraído da água de mandioca. 

O processo da extração não é difícil, bem que um tanto laborioso”. 

Luis Terragno no Catálogo da Exposição de 1875

 

Dentre outros, também participaram da exposição os fotógrafos Alberto Henschel (1827 – 1892)Augusto de Azevedo Militão (1837 – 1905)Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903) e Georges Leuzinger (1813 – 1892) (Jornal do Commercio, 4 de fevereiro de 1876, segunda colunaDiário do Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1876, última coluna).

Marc Ferrez (1843 – 1923) apresentou, na seção de Obras Públicas da IV Exposição Nacional, dois álbuns com imagens dos recifes de Pernambuco, do baixo São Francisco e da cachoeira de Paulo Afonso, além de registros de corais e madrepérolas. As imagens, produzidas durante a viagem da Comissão Geológica, foram projetadas por Ferrez durante uma conferência do professor Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), chefe da comissão (Diário do Rio de Janeiro, 27 e 28 dezembro de 1875, primeira colunaO Globo, 4 de janeiro de 1876, na penúltima coluna, e Diário do Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1876, quarta coluna).

Em um anúncio, Terragno informava que não produzia fotos de crianças aos domingos e em dias santos (O Despertador, 9 de novembro de 1875).

 

 

A Grande Loja Maçônica Provincial de Porto Alegre havia sido regularizada em 14 de dezembro de 1875 por Terragno e outros maçons (Boletim do Genrande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), janeiro a abril de 1876). Ele era o segundo grande vigilante da Grande Loja Provincial de São Pedro do Rio Grande do Sul ao oriente de Porto Alegre; e também o athers da Loja Paz e Ordem (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), página 464 e página 495, maio a agosto de 1876).

Em 1876, Terragno e os fotógrafos Marc Ferrez (1843 – 1923)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), e José Tomás Sabino (18? – c. 1881) participaram da Exposição Internacional da Filadélfia, nos Estados Unidos, aberta em 10 de maio. O New York Commercial Advertiser, de 29 de maio de 1876, publicou um artigo que informava que “riquíssimas fotografias da exploração geológica a cargo do professor Hartt” haviam sido apresentadas pelo Brasil na Exposição Universal da Filadélfia aberta em 10 de maio. Fotografias de Ferrez realizadas para a Comissão Geológica do Império foram premiadas com  medalha (The Rio News, 5 de agosto de 1879). Insley Pacheco também recebeu uma medalha por suas fotografias (O Liberal do Pará, 28 de novembro de 1876, na segunda coluna e Diário do Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1876, na sexta coluna). Uma curiosidade: a comissão de organização da Exposição da Filadéfia modificou as regras da premiação: os ganhadores receberiam um diploma, uma medalha de bronze e uma cópia certificada do parecer do júri, rompendo com o padrão de premiação hierárquica.

Neste mesmo ano, Terragno anunciou a venda de aparelhos fotográficos para amadores. Segundo o anúncio, com essas máquinas qualquer pessoa pode se divertir a tirar retratos e vistas e que para sso bastariam poucas aulas (A Reforma, 24 de novembro de 1876).

Em 1877, anunciou que só em seu estabelecimento, na Praça Conde d´Eu, se tiravam retratos com o novo e magnífico sistema non pareil que conferia à arte fotográfica beleza, delicadeza, suavidade, e o que é mais que tudo uma perfeita conservação, a qual garantimos (A Reforma, 7 de julho de 1877).

Pediu e teve negado pelo presidente da Seção de Geologia Aplicada e Química do Governo Imperial, Antônio Correa de Souza Costa, em 31 de dezembro de 1878, o privilégio para fabricar álcool e um ácido sui generis extraido da mandioca (O Auxiliador da Indústria Nacional, janeiro de 1879; Jornal do Commercio, 30 de janeiro de 1879, segunda coluna).

 

 

Em 1881, anunciou que em seu ateliê, na Praça da Alfândega, 294, oferecia Retratos Victoria em quadros dourados, entregues 5 minutos depois de tirados (Jornal do Commercio (RS), 15 de novembro de 1881).

No mesmo ano, participou da Exposição Provincial Brasileira-Alemã do Rio Grande do Sul. Havia inventado a pistola Terragno, um aparelho para tirar fotografias instantâneas (Gazeta de Notícias, 6 de dezembro de 1881, quarta colunaA Pacotilha (MA), 25 de dezembro de 1881, segunda coluna).

 

 

Como já mencionado, em 1881, Terragno participou da Exposição de História do Brasil realizada pela Biblioteca Nacional, aberta em 2 de dezembro, quando Pedro II completava 56 anos. Foi organizada por Benjamin Franklin de Ramiz Galvão (1846 – 1938), diretor da Biblioteca Nacional de 1870 a 1882.

“…a exposição buscou reunir uma grande massa de publicações sobre a história do país, tendo como objetivos, em primeiro lugar, recolher e localizar documentos que pudessem ajudar a compreender a história brasileira; em segundo lugar, favorecer a organização de um catálogo em que diversos tipos de documentos de vários momentos da história do país poderiam ser localizados, ordenados e divulgados aos estudiosos”.

 Biblioteca Nacional

 

Terragno expôs as seguintes fotografias:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Thumbnail

Luis Terragno. Antônio Gomes, soldado paraguaio, 27 de abril de 1867 / Acervvo FBN

 

 

 

 

 

Também na Exposição de História do Brasil da Biblioteca Nacional foi apresentado o álbum Vistas fotográficas da Colônia Dona Francisca, importante conjunto iconográfico da colonização alemã no sul do Brasil, dedicado ao imperador dom Pedro II. As imagens foram produzidas, em 1866, por Johann Otto Louis Niemeyer, fotógrafo, provavelmente, de origem alemã. Imagens produzidas por Augusto Riedel (1836 – ?) também foram expostas (Catálogo da Exposição de História do Brasil 1881-2, vol.2, páginas 1415, 1416, 1422, 1456, 1508 e 1612).

Em 1882, o estabelecimento de Terragno, em Porto Alegre, ficava na Praça da Alfândega.

Em 29 de setembro de 1883, foi naturalizado brasileiro.

Foi noticiado que ele estava no Rio de Janeiro e que havia inventado sinetes foto-metálicos, o Sinete-Terragno, que em vez da firma dão o retrato do dono. Foi concedido a ele, em 1º de setembro, o privilégio de invenção durante 15 anos (Revista de Engenharia, 1883, segunda coluna; Correio Paulistano, 6 de setembro de 1883, última colunaGazeta de Notícias, 5 de outubro de 1883, sexta coluna; A Federação, 24 de julho de 1884, terceira coluna).

 

 

 

Gazeta de Porto Alegre, 27 de setembo de 1883

Gazeta de Porto Alegre, 27 de setembo de 1883

Anunciou ter recebido dos Estados Unidos um novo aparelho, o Megapito, por meio do qual pode, com qualquer tempo, sem auxílio de luz solar, tirar retratos de tamanho natural (O Despertador, 12 de julho de 1884, primeira coluna).

 

 

Leiloou os móveis, livros e material fotográfico de sua moradia e ateliê, na Rua dos Andradas. Em 20 de março de 1885, partiu de Porto Alegre com sua família, a bordo do Victoria. Estabeleceu-se em Pelotas (A Federação (RS), 24 de fevereiro de 1885, última coluna; e A Federação (RS), 27 de fevereiro de 1885, última coluna; A Federação (RS), 21 de março de 1885, segunda coluna; Correio Mercantil, 12 de agosto de 1885).

 

 

Ainda neste ano, escreveu um perfil do jovem Fausto Werner (1863 – 1927), futuro constituinte de 1892 e deputado estadual de Santa Catarina (O Estudante (SC), 1º de outubro de 1885).

Em janeiro de 1887, voltou a Porto Alegre, na Rua de Bragança (A Federação (RS), 4 de março de 1887, última coluna).

Em 1888, um de seus filhos tornou-se seu sócio no estúdio fotográfico, que se mudou para a Rua do General Câmara, nº 46. Este foi,o último endereço de seu ateliê, fechado e vendido, em 1889 para o fotógrafo Ciro José Pedrosa.

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Inventou, em 1890, uma máquina para conservar carnes (A Federação: órgão do Partido Republicano (RS), 18 de junho de 1890, segunda coluna).

 

 

Luis Terragno faleceu, em 16 de setembro de 1891, de angos pectoris (A Federação (RS), 19 de setembro de 1891, última colunaJornal do Commercio, 27 de setembro de 1891, última coluna).

 

 

Sua missa de um ano foi celebrada na Catedral de Porto Alegre (A Federação: órgão do Partido Republicano (RS), 13 de setembro de 1892, última coluna).

 

 

Fotos de autoria de Terragno integraram a exposição A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, no Centro Cultural do Banco do Brasil, entre 29 de janeiro e 23 de março de 1997. Outros fotógrafos da mostra foram Albert Frisch (1840 – 1918)Albert Richard Dietze (1838 – 1906)Augusto Riedel (1836-?)Benjamin Robert Mulock (1829 – 1863)Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903)Franz Keller-Leuzinger (1835 – 1890)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Henrique Rosen (1840 – 1892)Hercule Florence (1804 – 1879)Jean Victor Frond (1821 – 1881)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912)Louis Niemeyer (18? – ?)Marc Ferrez (1843 – 1923) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), dentre outros. A exposição seguiu para a Pinacoteca de São Paulo (20 de abril a 25 de maio de 1997. Em 4 de julho de 1997, foi aberta no Museo Nacional de Bellas Artes, de Buenos Aires, na Argentina, onde ficou em cartaz até o dia 31 do mesmo mês. Entre 8 de junho e 30 de julho de 2000, a exposição foi apresentada no Centro Português de Fotografia, no Porto, em Portugal.

Fotografias de Terragno foram expostas na mostra Retratos do Império e do Exílio, que ficou em cartaz, no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, entre 22 de fevereiro e 29 de maio de 2011. Foi curada pelo fotógrafo dom João de Orleans e Bragança (1954-) e por Sérgio Burgi (1958 -), Coordenador de Fotografia do IMS e um dos curadores da Brasiliana Fotográfica. Outros fotógrafos da exposição foram  Albert Henschel (1827 – 1882)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), Félix Nadar (1820 – 1910), Otto Hees (1870 – 1941) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886).

 

Acessse aqui a Cronologia de Luis Terragno (c. 1831 – 1891)

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

 

ALEGRE, Achylles Porto. Serões de Inverno. Porto Alegre: Livraria Selbach, 1923.

ALVES, Hélio Ricardo. A Fotografia em Porto Alegre: o século XIX. In: ACHUTTI, Luiz Eduardo (Org.). Ensaios (sobre o) Fotográfico. Porto Alegre: Unidade Editorial, 1998.

BRACHER, Andréa; GONÇALVES, Sandra Maria Lucia Pereira. Luiz Terragno: o início da fotografia no Rio Grande do Sul  in Primórdios da Comunicação Midiática no Rio Grande do Sul. Florianópolis: Insular, 2021. 328 p. p. 63-91

CASTRO, Danielle Ribeiro de . Photographos da Casa Imperial: A Nobreza da Fotografia no Brasil do Século XIX. IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem e I Encontro Internacional de Estudos da Imagem.  Londrina, PR, 07 a 10 de maio de 2013.

Conde d´Eu. Viagem Militar ao Rio Grande do Sul. Belo Horizonte : Editora Itatianai. São Paulo : Ed. da Universidade de São Paulo, 1981.

DAMASCENO, Athos. Colóquios com a minha cidade. Porto Alegre : Globo, 1974.

DUARTE, Miguel Antônio de Oliveira. Faça chuva ou faça sol: fotógrafos em Porto Alegre (1849-1909). Porto Alegre, RS, 2016.

Enciclopédia Itaú Cultural – Bernardo Grasselli e Luis Terragno

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LENZI, Teresa; MENESTRINO, Flávia. Pioneiros da fotografia em Rio Grande. Indícios de passagens e permanências. Relato de uma pesquisa histórica. Revista Memória em Rede, Pelotas, v.2, n.5, abr. / jul. 2011

MELLO, Bruno Cesar Euphrasio de. A cidade de Porto Alegre entre 1820 e 1890: as transformações físicas da capital a partir das 89 impressões dos viajantes estrangeiros. Dissertação de Mestrado em Planejamento Urbano e Regional – Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

Site Grande Loja Maçônica da Cidade de São Paulo

Site Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul

STUMVOLL, Denise; SILVA, Wellington. Carte de Visite e outros Formatos: retratos no acervo fotográfico do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (1880-1920). Porto Alegre: Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, 2019. I

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VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

 

Cronologia de Luis Terragno (c. 1831 – 1891)

Cronologia de Luis Terragno (c. 1831 – 1891)

 

 

c. 1831 – Nascimento de Luigi (Luis) Terragno, na Itália, filho de Domingos Antônio Terragno, e Angela Maria Peligrinni.

 

Passaporte de Terragno 1852 / Acervo AHRS

Passaporte de Luis Terragno,  1852 / Acervo AHRS

 

c. 1850 – Passou  por Paris, onde existem registros de suas fotografias.

1850 - Já estava no Brasil e atuava como fotógrafo itinerante em Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

1851 – Atuava em Pelotas, também no Rio Grande do Sul.

1853 - Retornou a Rio Grande e estabeleceu-se, na Rua do Pito, nº 59. O ateliê passou a se chamar Terragno e Cª. e ele permaneceu na cidade de agosto a novembro de 1853.

Chegou em Porto Alegre, provavelmente, ainda em 1853.

1854 – Inicialmente, Terragno teve, em Porto Alegre, um estabelecimento fotográfico na Rua do Rosário, esquina coma Rua da Alegria, com o pintor italiano Bernardo Grasselli (? – 1883) que, após passar alguns anos no Uruguai, foi, em 1853, morar, em Porto Alegre. Foi professor de artes e cenógrafo, além de ter colaborado na revista literária O Guaíba. A sociedade duraria cerca de um ano.

Deixou de trabalhar com o daguerreótipo e passou a trabalhar com retratos de eletrótipo, um processo mais rápido que permitia fotografar crianças com facilidade. Deixou de trabalhar com o daguerreótipo e passou a trabalhar com retratos de eletrótipo, um processo mais rápido que permitia fotografar crianças com facilidade. Tornou-se o principal retratista da capital gaúcha.

 

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O Mercantil, 8 de abril de 1854

 

1855 – Casou-se, em 28 de julho de 1855, na Freguesia do Rosário com Balbina Rita Círio. Tiveram cinco filhos: Luiza (1858-?), Vitor (1861-?), Cândido (1863 – ?), Luís (1867 – ?), Antonio (1875 -?) e Olimpio (18? -?).

“Aos vinte e oito dias do mês de julho de mil oitocentos e cinquenta e cinco anos, na casa da residência de João Vicent Bartholomeu Cirio, sita na freguesia de Santa Ana do Rio dos Sinos, em Oratório aprovado para esse fim, pelas oito horaas da tarde, depois de feitas as diligências do estilo, e não havendo impedimento algum na forma do Sagrado Concílio Tridentino, e Cobnstituição do Bispado, por provisão do Excelentíssimo Senhor Cônego Provisor, Vigário Geral deste Bispado Thomé Luiz de Souza, perante mim e das testemunhas Patricio D´Azambuja Cidade, e Luiz Gambarro, se receberam em matrimônio com palavras de presente, e que expressaram no mútuo consentimento os contraentes Luiz Terragno, e D. Balbina Rita Ciro [sic], esta natural desta cidade, filha legítima de João Vicente Bartholomeu [sic], e Dona Rita Joaquina da Conceição, aquele natural da Itália, filho legítimo de Domingos Antônio Terragno, e Angela Maria Peligrinni; receberam as bençãos matrimoniais, e para constar mandei fazer esse termo que assino.

O Vigário José Ignácio de Carvalho e Freitas”

Seu estabelecimento ficava na Rua de Bragança, 208, atual Marechal Floriano. Além de produzir retratos, oferecia à clientela medalhas, alfinetes para senhoras e caixas, dentre outros produtos.

 

O Mercanil, 29 de novembro de 1855

O Mercantil, 29 de novembro de 1855

 

1860 – Voltou a montar um ateliê onde se localizava seu primeiro estabelecimento, na Rua do Rosário, esquina com a Rua da Alegria. Oferecia retratos pelo novo sistema de ambrótipo, e retratos ditos em relevo com o sem paisagem; em fundo colorido, salientes, duplos ou de duas vistas, em oleados e em melanotipo. Fazia cartes de visite e participações de casamento onde o o nome da pessoa era substitído por uma fotografia. Vendia máquinas fotográficas e ensinava aos interessados como tirar retratos.

 

Ateliê de TErragno na rua do Rosário esquina com rua da Alegria, em Porto Alegre, 1862 / Acervo de Carlos Henrique Bertelli

Ateliê de Terragno na Rua do Rosário esquina com Rua da Alegria, em Porto Alegre, 1862 / Acervo de Carlos Henrique Bertelli

 

Neste mesmo ano, trabalhou na cidade de Rio Grande e também em Pelotas, em abril e maio, respectivamente (O Commercial, 4 de abril de 1860; Brado do Sul, 27 de maio de 1860).

Foi anunciada sua partida para o Rio de Janeiro e para Buenos Aires.

1861 – Divulgou sua invenção: o fixador à base de mandioca.

1862 – Introduziu, em Porto Alegre, a fotografia estereoscópica, produzindo vistas urbanas da cidade com essa técnica.

1863 - Segundo o historiador Athos Damasceno (1902 – 1975), ao que parece estabeleceu-se, em Porto Alegre, na Rua Clara, 33 (Rua João Manuel).

Anunciava que em seu estabelecimento tiram-se retratos pelo novo sistema “Alabastrino” cujos retratos são de uma finura e delicadeza superior a tudo o que se tem feito até hoje (O Mercantil, 21 de agosto de 1863).

1865 / 1867 - Nesse período, Terragno fotografou dom Pedro II que havia ido para o Rio Grande do Sul devido à Guerra do Paraguai (1864 – 1870), além de outros personagens envolvidos no conflito como o Conde d´Eu (1842 – 1922) e o Duque de Saxe (1845 – 1907).

 

1866 – Terragno conquistou a segunda menção honrosa na II Exposição Nacional de 1866 realizada no Palácio da Moeda do Rio de Janeiro entre 19 de outubro e 16 de dezembro de 1866(Correio Mercantil, 11 de fevereiro de 1867, quarta coluna). O pintor Victor Meirelles (1832 – 1903) foi jurado da seção “Fotografia” e, segundo o professor Tadeu Chiarelli, com o texto que escreveu para o capítulo “Fotografia”, que constou no Relatório sobre exposição, o pintor traçou …aquela que talvez seja a primeira história da fotografia escrita no Brasil (talvez a primeira em língua portuguesa)…

‘A descoberta da fotografia, importante auxiliar das artes e ciências, e que há mais de meio século preocupava o espírito de doutos tornando-se objeto de estudo de alguns sábios da Inglaterra e da França, só nesses últimos tempos atingiu ao grande aperfeiçoamento que apresenta e que bem pouco deixa a desejar’.

O pintor deixou claro seu amplo conhecimento sobre o assunto, desde sua história até as peculiaridades dos processos fotográficos já desenvolvidos. Mostrou-se também entusiasmado com as aplicações da fotografia. Seu julgamento das obras expostas expressava rigor crítico e admiração. Usou em sua avaliação valores e parâmetros que eram, tradicionalmente, utilizados na crítica de pinturas como, por exemplo, os efeitos de luz e a nitidez das imagens. Com sua apreciação, Meirelles incentivou o diálogo entre a fotografia e a pintura.

A classe de “Fotografia” foi dividida entre “panoramas”, “panoramas  diversos para álbuns”, “estereoscópios”, “álbuns” e “retratos”. Foram premiados com medalha de prata José Ferreira Guimarães (1841 – 1924)Joaquim Insley Pacheco (18? – 1912), Carneiro & Gaspar, Augusto Stahl (1828 – 1877) & Germano Wanchaeffer (1832 – ?) e E.J. Van Nyvel; com medalha de bronze Christiano Junior (1832 – 1902), Modesto e Jacy Monteiro & Lobo. Finalmente, além de Terragno, obtiveram menções honrosas José de Melo Arguelles,  João Ferreira Villela (18? – ?) e Leon Chapelin (18? -?). Na categoria “Paisagem”, a medalha de prata foi obtida por Georges Leuzinger (1813 – 1892).

 

 

Sobre Terragno, Meirelles escreveu:

“Não são inteiramente privadas de merecimento as provas fotográficas enviadas por este senhor. Nota-se o retrato de uma senhora que foi também reproduzido sobre fino tecido de um lenço; bem como as outras provas, representando algumas vistas”.

1867 / 1868 - Terragno ofereceu uma doação em dinheiro aos enfermos vítimas da epidemia de cólera, em 1867 (Relatório dos Presidentes das Províncias Brasileiras : Império (RS), 1867).

Vendeu todo seu acervo e material, anunciando sua partida ao exterior mas, em 1868, voltou a Porto Alegre e abriu um novo estúdio, na Rua da Ponte, 237, atual Rua do Riachuelo, em frente a seu antigo estabelecimento. Oferecia um grande sortimento de objetos de fotografia e de álbuns, além de máquinas fotográficas para amadores.

 

1869 - Era maçom e foi um dos fundadores, em 24 de setembro de 1869, a Loja Luz e Ordem.

1870 - Abriu uma filial de seu estabelecimento fotográfico na Rua dos Andradas, 433.

Anunciou tirar retratos À luz tangente, segundo ele uma técnica muito superior a todas empregadas até então.

1872 - Em 28 de setembro de 1872, foi solenizada a promulgação da lei de 28 de setembro de 1871 com uma festa imponente , em que pela primeira vez na província do Rio Grande do Sul se realizou a cerimônia do batismo maçônico conferido a 25 lowtons. O Irmão Luiz Terragno, venerável da Loja Luz e Ordem executou a liturgia e, em seguida, entregou a uma menina de 10 anos sua carta de liberdade (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril de 1872). Segundo a Grande Loja Maçônica da Cidade de São Paulo, lowtons  são “filhos, enteados e netos (de ambos os sexos) de maçons desde que tenham idade entre sete e quatorze anos. Ao serem adotados por uma Loja Maçônica, através de uma cerimônia especial de adoção de Lowtons, a Loja contrai para com eles a obrigação de servir-lhe de tutor e guia na vida social”.

 

 

 

 

1874 – Esteve presente à celebração do padroeiro da Loja Maçônica Progresso e Humanidade, em Porto Alegre (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril a julho de 1874).

 

 

Participou de uma cerimônia maçônica de juramento de adesão da Loja Luz e Ordem ao Grande Oriente Unido do Brasil, reconhecendo-o como a única potência macônica legítima do Império (O Maçon: órgão da maçonaria (RS), 15 de julho de 1874).

 

 

Foi citado no artigo A emigração para o Brasil, publicado no Giornalle delle Colonie, de Roma (A Nação, 24 de setembro de 1874).

 

 

1875 – Como venerável da officina batizou quatro lowtons na celebração do padroeiro São João da Loja Maçônica Luz e Ordem (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril a agosto de 1875Maçon: órgão da maçonaria (RS), 1º de julho de 1875, primeira coluna).

Em abril de 1875, foi inaugurada  a segunda Exposição Provincial do Rio Grande do Sul ou Exposição Commercial e Industrial, uma mostra de agricultura, indústria e comércio, realizada no Edifício do Atheneo Rio Grandense, em Porto Alegre. Segundo o historiador Athos Damasceno (1902 – 1975), foi Carlos von Koseritz (1830 – 1890), jornalista, poeta e importante personalidade da colônia alemã no sul do Brasil durante o Segundo Império, quem sugeriu a inclusão na exposição “de uma seção especial destinada a exibição de obras de arte, assim imprimindo no parque um cunho de sensibilidade e cultura…”(Relatórios dos Presidentes das Províncias Brasileiras: Império (RS), 11 de março de 1875).

Dois fotógrafos apresentaram seus trabalhos nessa mostra: Madame Reeckell (1837 – 19?) e Terragno que, a esta altura, possuía estabelecimentos fotográficos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (O Despertador, 19 de novembro de 1875, primeira coluna).

 

 

 

Houve uma polêmica em torno do sistema fotográfico  À luz tangente entre Terragano e a fotógrafa Madame Reeckell (1837 – 19?) que no jornal A Reforma, de 4 de agosto de 1870, publicou:

“Luz Tangente. O sr. Terragno, em a pedido inserto no Riograndense, tratando dos retratos à luz tangente, diz que os não tiro pelo mesmo sistema dos seus. Os retratos chamados pelo sr. Terragno de à luz tangente –  são na minha opinião iguais aos que tiro e tenho anunciado. Quem quiser convencer disso venha à minha casa para ver os retratos que tenho tirado e outros de fotógrafos do Rio de Janeiro, também do mesmo sistema, isto é, preferindo-se os dias escuros para o trabalho dessa qualidade de fotografias. O sr. Terragno é injusto quando atribui-me querer imitá-lo, dando o nome de retratos – à luz tangente – que só s.s. pode tirar, quando é certo que os tiro há muito tempo. Desafia-me a apresentar os aparelhos e ingredientes que são precisos. Poderá vê-los  quem quiser. O sistema é simples e não faço mistério para com as pessoas que, visitando a minha galeria, pedem par ver os aparelhos de que me sirvo. Quanto a supor que usei do emblema seu no meu anúncio publicado na Reforma, declaro que nada tenho com isso. E o sr. Terragno com aquela empresa deve entender-se a respeito. M Reeckell”.

Na IV Exposição Nacional de 1875, inaugurada em 12 de dezembro e finda em 16 de janeiro de 1876, Terragno recebeu uma Medalha de Mérito. Exibiu fotografias do mercado e da estação de bondes de Porto Alegre e quatro retratos no formato carte de visite. Indicando o espírito tecnológico dessa exposição, havia uma classe intitulada Aparelhos e métodos fotográficos, onde Terragno apresentou o fixador à base de mandioca que havia inventado.

“O ácido da mandioca é um produto tóxico de um cheiro característico, e não consta que tenha sido analisado. Em 1861 extrai uma quantidade equivalente mais ou menos a duas onças, fiz algumas aplicações na fotografia e vi que substituía com grande vantagem o ácido acético e ainda o ácido fórmico.

Se ao banho revelador de ferro se substituir o ácido acético pelo da mandioca, pode-se diminuir de metade a exposição (pose), e geralmente o negativo não necessita de reforço.

Este ácido não ataca o ouro nem a prata; ataca porém energicamente o alumínio e o magnésio, e produz sais deliquescentes.

Tendo preparado um sal de ferro, atacando este metal por uma mistura de 1 parte de ácido sulfúrico e dois partes de ácido de mandioca, a cujo sal dou o nome de sulfo-mandiocate de ferro, o qual emprego em lugar do sulfato de ferro: torna-se o revelador por excelência, porque não só permite diminuir muito a exposição, como acusa os mais pequenos (sic) detalhes, mesmo nos lugares em que a ação da luz for muito fraca.

Quando o Sr. d´Ormano foi à Europa “incorporar a Companhia do gás” levou um frasquinho deste ácido para “mandar analisar em Paris”; em consequência da guerra franco-prussiana, e outros inconvenientes, resultou que o senhor d´Ormano na sua volta me devolvesse o ácido sem ter sido analisado.

“As minhas ocupações”, e mesmo “a falta de certos recursos não me têm permitido fazer outras experiências”; creio, porém, que este ácido convenientemente analisado pode ter diversas aplicações nas artes e indústria e mesmo em medicina, e teria a vantagem de se aproveitar de um produto natural, que é deitado fora, pois que ele é extraído da água de mandioca. 

O processo da extração não é difícil, bem que um tanto laborioso”. 

Luis Terragno no Catálogo da Exposição de 1875

 

Dentre outros, também participaram da exposição os fotógrafos Alberto Henschel (1827 – 1892)Augusto de Azevedo Militão (1837 – 1905)Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903) e Georges Leuzinger (1813 – 1892) (Jornal do Commercio, 4 de fevereiro de 1876, segunda colunaDiário do Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1876, última coluna).

Marc Ferrez (1843 – 1923) apresentou na seção de Obras Públicas da IV Exposição Nacional, dois álbuns com imagens dos recifes de Pernambuco, do baixo São Francisco e da cachoeira de Paulo Afonso, além de registros de corais e madrepérolas. As imagens produzidas durante a viagem da Comissão Geológica foram projetadas por Ferrez durante uma conferência do professor Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), chefe da comissão (Diário do Rio de Janeiro, 27 e 28 dezembro de 1875, primeira colunaO Globo, 4 de janeiro de 1876, na penúltima coluna, e Diário do Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1876, quarta coluna).

Em um anúncio, Terragno informava que não produzia fotos de crianças aos domingos e em dias santos (O Despertador, 9 de novembro de 1875).

 

 

A Grande Loja Maçônica Provincial de Porto Alegre havia sido regularizada em 14 de dezembro de 1875 por Terragno e outros maçons (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), janeiro a abril de 1876).

1876 – Era o segundo grande vigilante da Grande Loja Provincial de São Pedro do Rio Grande do Sul ao oriente de Porto Alegre; e também o athers da Loja Paz e Ordem (Boletim do Genrande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ)página 464  e página 495, maio a agosto de 1876).

Terragno e os fotógrafos Marc Ferrez (1843 – 1923)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912) e José Tomás Sabino (18? – c. 1881) participaram da Exposição Internacional da Filadélfia, nos Estados Unidos, aberta em 10 de maio. O New York Commercial Advertiser, de 29 de maio de 1876, publicou um artigo que informava que “riquíssimas fotografias da exploração geológica a cargo do professor Hartt” haviam sido apresentadas pelo Brasil na Exposição Universal da Filadélfia aberta em 10 de maio. Fotografias de Ferrez realizadas para a Comissão Geológica do Império foram premiadas com  medalha (The Rio News, 5 de agosto de 1879). Insley Pacheco também recebeu uma medalha por suas fotografias (O Liberal do Pará, 28 de novembro de 1876, na segunda coluna e Diário do Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1876, na sexta coluna). Uma curiosidade: a comissão de organização da Exposição da Filadéfia modificou as regras da premiação: os ganhadores receberiam um diploma, uma medalha de bronze e uma cópia certificada do parecer do júri, rompendo com o padrão de premiação hierárquica.

Terragno anunciou a venda de aparelhos fotográficos para amadores. Segundo o anúncio, com essas máquinas qualquer pessoa pode se divertir a tirar retratos e vistas e que para sso bastariam poucas aulas (A Reforma, 24 de novembro de 1876).

1877 – Anunciou que só em seu estabelecimento, na Praça Conde d´Eu, se tiravam retratos com o novo e magnífico sistema non pareil que conferia à arte fotográfica beleza, delicadeza, suavidade, e o que é mais que tudo uma perfeita conservação, a qual garantimos (A Reforma, 7 de julho de 1877).

Expôs três retratos pelo sistema cromo-fotográfico na loja de Rosa & Filhos.

1879 – Pediu e teve negado pelo presidente da Seção de Geologia Aplicada e Química do Governo Imperial, Antônio Correa de Souza Costa, em 31 de dezembro de 1878, o privilégio para fabricar álcool e um ácido sui generis extraido da mandioca (O Auxiliador da Indústria Nacional, janeiro de 1879Jornal do Commercio, 30 de janeiro de 1879, segunda coluna).

 

 

1881 - Anunciou que em seu ateliê, na Praça da Alfândega, 294, oferecia Retratos Victoria em quadros dourados, entregues 5 minutos depois de tirados (Jornal do Commercio (RS), 15 de novembro de 1881).

Terragno participou da Exposição Provincial Brasileira-Alemã do Rio Grande do Sul. Havia inventado a pistola Terragno, um aparelho para tirar fotografias instantâneas (Gazeta de Notícias, 6 de dezembro de 1881, quarta colunaA Pacotilha (MA), 25 de dezembro de 1881, segunda coluna).

 

 

Algumas das fotos que Terragno produziu de personagens envolvidos na Guerra do Paraguai e outras, de vistas de Porto Alegre, foram exibidas na Exposição de História do Brasil realizada pela Biblioteca Nacional e aberta por Pedro II, em 2 de dezembro de 1881, no dia em que o monarca completava 56 anos. Foi um dos mais importantes eventos da historiografia nacional, tendo sido organizada por Benjamin Franklin de Ramiz Galvão (1846 – 1938), diretor da Biblioteca Nacional de 1870 a 1882.

 

“…a exposição buscou reunir uma grande massa de publicações sobre a história do país, tendo como objetivos, em primeiro lugar, recolher e localizar documentos que pudessem ajudar a compreender a história brasileira; em segundo lugar, favorecer a organização de um catálogo em que diversos tipos de documentos de vários momentos da história do país poderiam ser localizados, ordenados e divulgados aos estudiosos”.

 Biblioteca Nacional

 

Terragno expôs as seguintes fotografias:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Também na Exposição de História do Brasil da Biblioteca Nacional foi apresentado o álbum Vistas fotográficas da Colônia Dona Francisca, importante conjunto iconográfico da colonização alemã no sul do Brasil, dedicado ao imperador dom Pedro II. As imagens foram produzidas, em 1866, por Johann Otto Louis Niemeyer, fotógrafo, provavelmente, de origem alemã. Imagens produzidas por Augusto Riedel (1836 – ?) também foram expostas (Catálogo da Exposição de História do Brasil 1881-2, vol.2, páginas 1415, 1416, 1422, 1456, 1508 e 1612).

 

1882 - O estabelecimento de Terragno, em Porto Alegre, ficava na Praça da Alfândega, 295. Anunciava retratos duplos, retratos inalteráveis ao carbono e, em fim de novembro, lançou um novo processo de seu invento – Cyanotipo – novo, surpreendene e maravilhoso processo, segundo o qual qualquer pessoa podia tirar seu próprio retrato tantas vezes quanto quisesse, em 5 minutos, sem emprego de drogas e apenas com um pouco d´água, 1 chapa, prensa e pael eerm o suficiente par 32 retratos!

1883 – Foi noticiado que Terragno estava no Rio de Janeiro e que havia inventado sinetes foto-metálicos, o Sinete-Terragno, que em vez da firma dão o retrato do dono. Foi concedido a ele, em 1º de setembro, o privilégio de invenção durante 15 anos (Revista de Engenharia, 1883, segunda colunaCorreio Paulistano, 6 de setembro de 1883, última colunaGazeta de Notícias, 5 de outubro de 1883, sexta colunaA Federação, 24 de julho de 1884, terceira coluna).

Gazeta de Porto Alegre, 27 de setembo de 1883

Gazeta de Porto Alegre, 27 de setembo de 1883

 

 

Foi naturalizado brasileiro, em 29 de setembro de 1883. Em sua carta de naturalização, declarava-se católico apostólico romano, natural de Villa Lotta.

1884 – Anunciou ter recebido dos Estados Unidos um novo aparelho, o Megapito, por meio do qual pode, com qualquer tempo, sem auxílio de luz solar, tirar retratos de tamanho natural (O Despertador, 12 de julho de 1884, primeira coluna).

Anunciou ter recebido dos Estados Unidos um novo aparelho, o Megapito, por m

 

 

1885 Leiloou os móveis, livros e material fotográfico de sua moradia e ateliê, na Rua dos Andradas. Em 20 de março de 1885,  partiu de Porto Alegre com sua família, a bordo do Victoria. Foram para Pelotas (A Federação (RS), 24 de fevereiro de 1885, última coluna; e A Federação (RS), 27 de fevereiro de 1885, última colunaA Federação (RS), 21 de março de 1885, segunda coluna; Correio Mercantil, 12 de agosto de 1885).

 

 

Escreveu um perfil do jovem Fausto Werner (1863 – 1927), futuro constituinte de 1892 e deputado estadual de Santa Catarina (O Estudante (SC), 1º de outubro de 1885).

1887 - Em janeiro,voltou a Porto Alegre, na Rua de Bragança, onde passaria a oferecer retratos pelo sistema de phototypia (A Federação (RS), 4 de março de 1887, última coluna).

Encarregava-se de ilustrações de livros e de jornais e fazia retratos sobre cristal – christalografia.

1888  -Um de seus filhos tornou-se seu sócio no estúdio fotográfico, que se mudou da Rua Bragança, 198 para a Rua do General Câmara, nº 46.

 

 

Ofereciam retratos pelo sistema Megatipo.

1889 – Terragno & Filho encerraram suas atividades no ateliê da Rua General Câmara, 46, que foi vendido ao fotógrafo Ciro José Pedrosa.

1890 – Inventou uma máquina para conservar carnes (A Federação: órgão do Partido Republicano (RS), 18 de junho de 1890, segunda coluna).

 

 

1891 – Faleceu em 16 de setembro de 1891, de angorpectorio (A Federação (RS), 19 de setembro de 1891, última colunaJornal do Commercio, 27 de setembro de 1891, última coluna).

 

 

1892 - Sua missa de um ano foi celebrada na Catedral de Porto Alegre (A Federação: órgão do Partido Republicano (RS), 13 de setembro de 1892, última coluna).

 

 

1997 - Fotografias de Terragno integraram a exposição A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, no Centro Cultural do Banco do Brasil, entre 29 de janeiro e 23 de março de 1997. Outros fotógrafos da mostra foram Albert Frisch (1840 – 1918)Albert Richard Dietze (1838 – 1906)Augusto Riedel (1836-?)Benjamin Robert Mulock (1829 – 1863)Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903)Franz Keller-Leuzinger (1835 – 1890)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Henrique Rosen (1840 – 1892)Hercule Florence (1804 – 1879)Jean Victor Frond (1821 – 1881)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912)Louis Niemeyer (18? – ?)Marc Ferrez (1843 – 1923) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), dentre outros. A exposição seguiu para a Pinacoteca de São Paulo (20 de abril a 25 de maio de 1997. Em 4 de julho de 1997, foi aberta no Museo Nacional de Bellas Artes, de Buenos Aires, na Argentina, onde ficou em cartaz até o dia 31 do mesmo mês.

2000 – Entre 8 de junho e 30 de julho, a exposição A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX foi apresentada  no Centro Português de Fotografia, no Porto, em Portugal.

2011 – Fotografias de Terragno foram expostas na mostra Retratos do Império e do Exílio, que ficou em cartaz, no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, entre 22 de fevereiro e 29 de maio de 2011. Foi curada pelo fotógrafo dom João de Orleans e Bragança (1954-) e por Sérgio Burgi (1958 -), Coordenador de Fotografia do IMS e um dos curadores da Brasiliana Fotográfica. Outros fotógrafos da exposição foram  Albert Henschel (1827 – 1882)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), Nadar (1820 – 1910), Otto Hees (1870 – 1941) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

A construção do Bondinho do Pão de Açúcar sob as lentes de Therezio Mascarenhas

A Brasiliana Fotográfica destaca imagens da construção do Bondinho do Pão de Açúcar realizadas pelo fotógrafo Therezio Mascarenhas (18? – 19?), cuja biografia ainda é pouco conhecida. Na primeira década do século XX, ele morava em Vitória e, provavelmente, conheceu o engenheiro civil Augusto Ferreira Ramos (1860 – 1939), criador e construtor do Bondinho do Pão de Açúcar, em torno de 1909, quando este estava fazendo obras de instalação de água, luz, força e tração, no Espírito Santo.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Bondinho do Pão de Açúcar de autoria de Therezio Mascarenhas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

O Pão de Açúcar com seu bondinho e o Cristo Redentor são os principais pontos turísticos do Brasil, segundo e primeiro  mais visitados do país, e marcas registradas do Rio de Janeiro, seus mais conhecidos cartões-postais.

 

 

O Bondinho do Pão de Açúcar já foi visitado por diversas celebridades, dentre elas o físico Albert Einstein (1879 – 1955), o cantor e compositor Bob Marley (1945-1981), o papa João Paulo II (1920 – 2005); em 1941, pelo futuro presidente dos Estados Unidos, John Kennedy (1917-1963); as atrizes Halle Berry (1966-) e Natalie Portman (1981-), o ator Robert de Niro (1943-), a cantora Tina Turner (1939-) e Malala Yousafzai (1997-), ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2014. Em um dos bondinhos foram filmadas cenas de 007 Contra o Foguete da Morte (1979): em uma das sequências, o agente James Bond, na época interpretado pelo ator Roger Moore (1927 – 2017), se equilibrou, a mais de 500 metros de altura, em seus cabos de aço.

 

 

Um pouco da história do Bondinho do Pão de Açúcar

 

O projeto do bondinho era ousado e grandioso e estava em consonância com as transformações urbanas realizadas no Rio de Janeiro, no começo do século XX, durante a gestão do prefeito Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), entre 1903 e 1906. Para sanear e modernizar a cidade diversas demolições foram feitas. Era a política do “bota-abaixo”, como ficou popularmente conhecida, que contribuiu fortemente para o surgimento do Rio de Janeiro da Belle Époque. Essas transformações foram definidas por Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), autor da seção “Binóculo”, da Gazeta de Notícias, com a máxima “O Rio civiliza-se”, que se tornou o slogan da reforma urbana carioca.

 

 

O criador do Bondinho do Pão de Açúcar, Augusto Ferreira Ramos, nascido em 22 de agosto de 1860, em Cantagalo, no estado do Rio, formou-se, em 1882, na Polytecnica do Império do Brasil, atual Faculdade de Engenharia da UFRJ, e tornou-se sócio do Clube de Engenharia, em 1894, por indicação de Conrado Jacob de Niemeyer (1831 – 1905). Faleceu em 28 de julho de 1939, em sua residência, na rua 5 de julho, nº 130, em Copacabana (O Globo, 29 de julho de 1939).

 

O Globo, 29 de julho de 1939

Augusto Ferreira Ramos / O Globo, 29 de julho de 1939

 

Visionário, ele teve a ideia da criação do bondinho, durante a Exposição Nacional de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, inaugurada em 11 de agosto de 1908. Ramos foi um dos coordenadores do pavilhão do estado de São Paulo devido ao café, um dos assuntos de seu interesse, e sobre o qual escreveu tanto sobre o seu cultivo como sobre sua comercialização. O café era, na época, o principal produto da balança comercial do Brasil.

A construção de um caminho aéreo entre os morros da Baía de Guanabara alavancaria o turismo na cidade. Conseguiu capital – entre os investidores estavam Eduardo Guinle (1846-1912)Candido Gaffrée (1845-1919) e Raymundo de Castro Maya (1894 – 1968) – apoio do governo e fundou a Cia Caminho Aéreo Pão de Açúcar.

 

 

As obras foram realizadas entre 1909 e 1912. O teleférico carioca, cujas duas linhas somam 1325 metros, superou os dois que existiam na época: o do Monte Ulia, na Espanha, com extensão de 280 metros; e o de Wetterhorn, na Suíça, com 560 metros. O empreendimento custou uma fortuna, dois milhões de contos de réis, e centenas de operários, além de alpinistas, trabalharam em sua construção.

 

 

Os bondinhos de madeira maciça foram trazidos da Alemanha e fixados nos cabos com o auxílio de guindastes. Foi contratada a empresa alemã J.Pohling, de Colônia, que fabricou e montou os equipamentos.

 

 

Finalmente, em 27 de outubro de 1912, foi inaugurado o caminho aéreo no Rio de Janeiro, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca, que se tornaria o mundialmente famoso Bondinho do Pão de Açúcar (Careta, 5 de outubro de 1912). Alguns dias antes, houve uma visita da imprensa às obras (Correio da Manhã, 10 de outubro de 1912). Em 1º de dezembro, foi inaugurada a iluminação elétrica no caminho aéreo (Jornal do Brasil, 1º de dezembro de 1912, na última coluna).

 

 

O bondinho no segundo trecho, entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, numa extensão de 750 metros e 396 metros de altura, começou a funcionar no dia 18 de janeiro de 1913, completando a ligação até o alto do pico do Pão de Açúcar (O Paiz, 19 de janeiro de 1913, quarta coluna).

 

 

Augusto Ferreira Ramos dirigiu a empresa até 1934, ano em que o industrial e banqueiro Carlos Pinto Monteiro assumiu a administração da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar até 1962, quando o engenheiro Cristóvão Leite de Castro (1904 – 2002) assumiu a direção. Durante sua gestão, em 1969, a Companhia do Pão de Açúcar obteve permissão para duplicar a linha e, após algumas reformas, passou a contar com quatro novos bondinhos, cada um com capacidade para transportar 75 passageiros. Os trabalhos foram completados em 29 de outubro de 1972.

Em 1993, Cristóvão passou o cargo para sua filha, Maria Ercília Leite de Castro, mestre em Administração de Empresas pela COPPEAD. Em 2002, o bondinho passou por outra reforma com a substituição dos oito cabos de aço e na realização de melhorias como nova pintura, iluminação, equipamento de som e placas de sinalização. Foram gastos 852 mil dólares. Entre 2008, foram inaugurados quatro novos bondinhos e a operação do teleférico foi digitalizada.

Em 2022, zerou suas emissões de carbono e ganhou uma nova marca e um novo lema: Parque Bondinho Pão de Açúcar, “Felicidade lá em cima”. Recebeu de presente, em homenagem aos seus 110 anos uma canção, O bondinho, de Roberto Menescal, Alex Moreira e Cris Delanno. É dirigido por Sandro Fernandes.

 

 

Uma curiosidade: em novembro de 2021, Anna Caroline Boyd Martine entrou para a história do cartão postal carioca, tornando-se a primeira mulher a trabalhar como operadora de cabine do teleférico do Parque Bondinho Pão de Açúcar.

 

Acesse aqui um artigo publicado na revista Brazil – Ferro – Carril, número 36, em 1912, onde o projeto do Bondinho do Pão de Açúcar é explicado detalhadamente.

 

 

 

Pequeno perfil e cronologia de Therezio Mascarenhas (18? – 19?)

 

Como já mencionado, pouco se sabe, até hoje, sobre a biografia do fotógrafo Therezio Mascarenhas. A partir da pesquisa na Hemeretoca Digital da Biblioteca Nacional, segue uma pequena cronologia de sua vida, que ajuda a traçar um pouco de seu perfil.

 

 

 

1900 – Procedente do Rio de Janeiro, fazendo quarentena na Ilha Grande, chegada do vapor nacional Pernambuco , em Vitória. Therezio era um dos passageiros (O Estado do Espírito Santo: Ordem e Progresso, 24 de julho de 1900, última coluna).

1908 – Foi um dos convidados de F. Clemetson, superintendente da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, para viajar para Engenheiro Reeve com o cientista e ministro plenitenciário da França, Charles Wiener (1851–1913), nascido em Viena, que ficou bastante conhecido por suas viagens ao Peru (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 20 de fevereiro de 1908, quarta coluna).

Fotografou indígenas do Rio Doce (Diário da Manhã: Órgão do Partido Conservador (ES), 20 de fevereiro de 1908, segunda coluna).

Identificado como um ativo jovem, Therezio seguiu para o Rio de Janeiro, no paquete Maranhão, em 6 de junho, com a intenção de conversar com o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura sobre a abertura de um estabelecimento de artigos e ferragens para a lavoura. Retornou em julho (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 7 de junho de 1908, quinta colunaCommercio do Espírito Santo, 24 de julho de 1908, segunda coluna).

Foi anunciado que ele abriria, na rua da Alfândega, em Vitória, um depósito para máquinas para a lavoura importados da Europa e da América do Norte (Cachoeirano, 20 de junho de 1908, terceira coluna).

Publicação de uma poesia de sua autoria (O Malho, 8 de agosto de 1908).

1909 - Ele e Casemiro Guimarães tiraram várias diversas fotográficas do piquenique dos sócios do Club de Regatas, realizado na Ilha do Boi, no Espírito Santo (Commercio do Espírito Santo, 22 de março de 1909, primeira coluna).

O engenheiro Augusto Ferreira Ramos (1860 – 1939), criador e construtor do Bondinho do Pão de Açúcar, promoveu uma excursão durante a qual os aplicados amadores Paulo Motta e Therezio Mascarenhas tiraram várias fotografias (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 8 de abril de 1909, última coluna). Provavelmente, em torno deste ano, Augusto e Therezio se conheceram.

Foi publicada na revista Fon-Fon uma fotografia do capor Queen Eleanor de sua autoria. Foi identificado como fotógrafo amador (Fon-Fon, 24 de abril de 1909).

 

 

Praticava tiro ao alvo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 4 de maio de 1909, primeira coluna).

No Café Globo, em Vitória, houve uma exposição de fotografias de sua autoria dos serviços de abastecimento e luz realizados pelo engenheiro Augusto Ferreira Ramos. Foi identificado como amador e nesses registros Therezio revelava muito bom gosto pela arte (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 24 de maio de 1909, quinta colunaCorreio do Espírito Santo, 26 de maio de 1909, segunda coluna).

Fazia parte da comitiva de Augusto Ferreira Ramos em visitas de obras hidráulicas realizadas pelo engenheiro  (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 10 de julho de 1909, segunda colunaDiário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 13 de julho de 1909, quinta coluna).

Participou da homenagem realizada pelo governo do Espírito Santo ao presidente Afonso Pena (1847 – 1909), na Catedral de Vitória (Commercio do Espírito Santo, 13 de julho de 1909, última coluna).

Foi noticiado seu aniversário, no dia 23 de agosto (Correio do Espírito Santo, 23 de agosto de 1909, primeira coluna).

Produziu várias fotografias durante uma excursão ao Jucu promovida pelo engenheiro Augusto Ferreora Ramos, contratante dos serviços de água, luz e esgoto de Vitória, que ofereceu um piquenique à família do político capixaba Torquato Moreira e a outras distintas famílias (Commercio do Espírito Santo, 21 de setembro de 1909, segunda coluna).

Esteve presente na missa de sétimo dia do prefeito de Vitória, Ceciliano Abel de Almeida (Commercio do Espírito Santo, 24 de novembro de 1909, quarta coluna).

Fotografou as festas realizadas na Escola Aprendizes de Marinheiro e foi identificado como um hábil fotógrafo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 23 de dezembro, segunda coluna).

1910 – Possuia um estabelecimento fotográfico na Villa Moscoso, nº 16, em Vitória, no Espírito Santo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 26 de fevereiro de 1910, segunda colunaAlmanak Laemmert, 1910, primeira colunaAlmanak Renault, 1912, última coluna).

Estava vendendo artigos  fotográficos (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 10 de março de 1910, última coluna).

 

 

1911 - Chegou no porto de Vitória, procedente do norte no paquete Sattelite (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 18 de outubro de 1911, segunda coluna).

1916 - Seu estabelecimento fotográfico na Villa Moscoso, em Vitória, no Espírito Santo, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert (Almanak Laemmert, 1916, última coluna).

1927 - Ele e Augusto Ferreira Ramos foram alguns dos subscritores do abaixo-assinado feito por moradores e proprietários na Praia Vermelha, elogiando os melhoramentos realizados pelo prefeito do Rio de Janeiro, Antônio da Silva Prado Junior (1880 – 1955), na remodelação da principal artéria e nas cercanias da região, o que facilitaria a visita ao encantador passeio do Pão de Açúcar (O Paiz, 14 de dezembro de 1927, segunda coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Diário do Rio

Extra, 27 de outubro de 2022

Correio Braziliense, 12 de junho de 2008

Folha de São Paulo, 12 de fevereiro de 2022

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Jackobson, Andrea. O bondinho do Pão de Açúcar. Rio de Janeiro : Editora Andrea Jackobson, 2018.

O GLOBO, 13 de junho de 2011

O GLOBO, 20 de outubro de 2012

Portal Clube de Engenharia

Rezende, Nilza. Pão de Açúcar – A Marca do Rio / Sugar Loaf – Rios Trademark.  Editora Clio.

Revisa EDVD

Serra News

Site Bondinho do Pão de Açúcar

Site Instituto Histórico Geográfico Brasileiro

Superinteressante, 4 de julho de 2018

Cronologia de Therezio Mascarenhas (18? – 19?)

Cronologia de Therezio Mascarenhas (18? – 19?)

Pouco se sabe, até hoje, sobre a biografia do fotógrafo Therezio Mascarenhas. A partir da pesquisa na Hemeretoca Digital da Biblioteca Nacional, segue uma pequena cronologia de sua vida, que ajuda a traçar um pouco de seu perfil.

 

 

 

1900 – Procedente do Rio de Janeiro, fazendo quarentena na Ilha Grande, chegada do vapor nacional Pernambuco , em Vitória. Therezio era um dos passageiros (O Estado do Espírito Santo: Ordem e Progresso, 24 de julho de 1900, última coluna).

1908 – Foi um dos convidados de F. Clemetson, superintendente da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, para viajar para Engenheiro Reeve com o cientista Charles Wiener (1851–1913), nascido em Viena, que ficou bastante conhecido por suas viagens ao Peru (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construto (ES), 20 de fevereiro de 1908, quarta coluna).

Fotografou indígenas do Rio Doce (Diário da Manhã: Órgão do Partido Conservador (ES), 20 de fevereiro de 1908, segunda coluna).

Identificado como um ativo jovem, Therezio seguiu para o Rio de Janeiro, no paquete Maranhão, em 6 de junho, com a intenção de conversar com o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura sobre a abertura de um estabelecimento de artigos e ferragens para a lavoura. Retornou em julho (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 7 de junho de 1908, quinta colunaCommercio do Espírito Santo, 24 de julho de 1908, segunda coluna).

Foi anunciado que ele abriria, na rua da Alfândega, em Vitória, um depósito para máquinas para a lavoura importados da Europa e da América do Norte (Cachoeirano, 20 de junho de 1908, terceira coluna).

Publicação de uma poesia de sua autoria (O Malho, 8 de agosto de 1908).

1909 - Ele e Casemiro Guimarães tiraram várias diversas fotográficas do piquenique dos sócios do Club de Regatas, realizado na Ilha do Boi, no Espírito Santo (Commercio do Espírito Santo, 22 de março de 1909, primeira coluna).

O engenheiro Augusto Ferreira Ramos (1860 – 1939), criador e construtor do Bondinho do Pão de Açúcar, promoveu uma excursão durante a qual os aplicados amadores Paulo Motta e Therezio Mascarenhas tiraram várias fotografias (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 8 de abril de 1909, última coluna). Provavelmente, em torno deste ano, Augusto e Therezio se conheceram.

Foi publicada na revista Fon-Fon uma fotografia de sua autoria (Fon-Fon, 24 de abril de 1909).

 

 

Praticava tiro ao alvo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 4 de maio de 1909, primeira coluna).

No Café Globo, em Vitória, houve uma exposição de fotografias de sua autoria dos serviços de abastecimento e luz realizados pelo engenheiro Augusto Ferreira Ramos. Foi identificado como amador e nesses registros Therezio revelava muito bom gosto pela arte (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 24 de maio de 1909, quinta colunaCorreio do Espírito Santo, 26 de maio de 1909, segunda coluna).

Fazia parte da comitiva de Augusto Ferreira Ramos em visitas de obras hidráulicas realizadas pelo engenheiro  (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 10 de julho de 1909, segunda colunaDiário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 13 de julho de 1909, quinta coluna).

Participou da homenagem realizada pelo governo do Espírito Santo ao presidente Afonso Pena (1847 – 1909), na Catedral de Vitória (Commercio do Espírito Santo, 13 de julho de 1909, última coluna).

Foi noticiado seu aniversário, no dia 23 de agosto (Correio do Espírito Santo, 23 de agosto de 1909, primeira coluna).

Produziu várias fotografias durante uma excursão ao Jucu promovida pelo engenheiro Augusto Ferreora Ramos, contratante dos serviços de água, luz e esgoto de Vitória, que ofereceu um piquenique à família do político capixaba Torquato Moreira e a outras distintas famílias (Commercio do Espírito Santo, 21 de setembro de 1909, segunda coluna).

Esteve presente na missa de sétimo dia do prefeito de Vitória, Ceciliano Abel de Almeida (Commercio do Espírito Santo, 24 de novembro de 1909, quarta coluna).

Fotografou as festas realizadas na Escola Aprendizes de Marinheiro e foi identificado como um hábil fotógrafo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 23 de dezembro, segunda coluna).

1910 – Possuia um estabelecimento fotográfico na Villa Moscoso, nº 16, em Vitória, no Espírito Santo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 26 de fevereiro de 1910, segunda colunaAlmanak Laemmert, 1910, primeira colunaAlmanak Renault, 1912, última coluna).

Estava vendendo artigos  fotográficos (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 10 de março de 1910, última coluna).

 

 

1911 - Chegou no porto de Vitória, procedente do norte no paquete Sattelite (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 18 de outubro de 1911, segunda coluna).

1916 - Seu estabelecimento fotográfico na Villa Moscoso, em Vitória, no Espírito Santo, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert (Almanak Laemmert, 1916, última coluna).

1927 - Ele e Augusto Ferreira Ramos foram alguns dos subscritores do abaixo-assinado feito por moradores e proprietários na Praia Vermelha, elogiando os melhoramentos realizados pelo prefeito do Rio de Janeiro, Antônio da Silva Prado Junior (1880 – 1955), na remodelação da principal artéria e nas cercanias da região, o que facilitaria a visita ao encantador passeio do Pão de Açúcar (O Paiz, 14 de dezembro de 1927, segunda coluna).

Cronologia de Gioconda Rizzo (1897 – 2004)

Cronologia de Gioconda Rizzo (1897 – 2004)

 

 

1897 – Nascimento da paulistana Gioconda Rizzo (1897 – 2004), neta do italiano Vincenzo Rizzo, que já se encontrava em São Paulo, em 1887, como fabricante de cerveja (L´Italia, 21 de maio de 1887, quarta coluna) e filha do fotógrafo italiano Michelle (Miguel) Rizzo (1869 – 1929), que abriu um ateliê fotográfico, em 10 de março de 1892, a Photographia Central, na Rua Direita nº 55, em São Paulo (O Estado de São Paulo, de 10 de março de 1892, página 1, antepenúltima coluna).

 

O Estado de São Paulo, 10 de março de 1892, página 1, antepenúltima coluna

O Estado de São Paulo, 10 de março de 1892

 

Verso de uma foto tirada no ateliê da família Rizzo

O Estado de São Paulo, 15 de maio de 2012

 

Em um anúncio veiculado pelo Fanfulla, de 8 de agosto de 1896, página 4, Michelle anunciava-se como proprietário da primeira photografia italiana no Brazil. Em 1906, estava na relação de fotógrafos italianos que atuavam em São Paulo (Il Brasile e gli Italiani, 1906, página 1165).

 

 

Foi com seu pai, seu grande incentivador, que Gioconda iniciou seus experimentos em fotografia.

 

 

1912 –  Aos 12 anos tirou um autorretrato e também fotografou uma amiga:

 

 

“Eu comecei a tirar foto de mim mesma… então meu pai quando viu aquela chapa… a primeira coisa que fiz… viu a chapa… disse: “Quem foi que fez isso?” “Fui eu papai”; ele disse: “Ihhhh! Esta vai me passar a perna!”

 Depoimento de Gioconda Rizzo a Carla Ibrahim. São Paulo, setembro de 2002.

c. 1914 - Michelle muitas vezes viajava para o interior, de onde enviava fotografias para processamento, retoque e finalização em São Paulo. Quando estava ausente, seu filho Armando (1894 – 19?) cuidava dos negócios. Gioconda trabalhava com o irmão e participava  na recepção e ambientação dos clientes no ateliê; e na revelação e acabamentos, como retoques e acondicionamento das fotos em álbuns, molduras ou estojos. Conhecia e dominava todas as etapas do processo fotográfico.

Em 1914, Michelle abriu para Gioconda o ateliê Femina, também na Rua Direita, número 8A, perto do seu, que ficava, então, na mesma rua, no número 10 C. O Femina atendia somente crianças e mulheres, pois, na época, não era adequado que uma mulher ficasse sozinha na presença de homens. Mesmo com essa restrição, a mãe de Gioconda, Giuseppina, sempre a acompanhava em  suas sessões fotográficas.

“Fui a primeira fotógrafa a se especializar em fotos assim. Fotografei, então, muitas mulheres de barões do café e muitas atrizes. Todas gostavam de minha maneira de fazer as fotos porque eu enfocava só meio corpo, realçando o rosto e usando tapetes nas paredes para servirem de fundo”.

Gioconda Rizzo, Folha de São Paulo, 12 de abril de 1982

 

Foto de autoria de Gioconda Rizzo, s/d. São Paulo, SP / Acervo IMS

Foto de autoria de Gioconda Rizzo, 19?. São Paulo, SP / Acervo IMS

 

Ainda em 1914, na revista A Cigarra, edição de 31 de dezembro, na seção “A Formiga”, foi publicada uma fotografia de autoria de Gioconda Rizzo com a assinatura do ateliê Femina.

 

Fotografia de autoria de Gioconda Rizzo / A Cigarra, 31 de dezembro de 1914

Fotografia de Wanda Massucci (a maior), de autoria de Gioconda Rizzo / A Cigarra, 31 de dezembro de 1914

 

Para criar diferentes figurinos e cenários, Gioconda possuia em seu estúdio almofadas, banquinhos, diversas cadeiras, colunas de mármore, estátuas de cães, laços, sombrinhas, véus, e outros objetos e adereços.

1915 a 1918 - Gioconda criava poses que descontraissem suas clientes, que tinham uma tendência a ficar muito sérias na hora da foto. Buscava em seus retratos a beleza, a sensualidade. Criava uma atmosfera de sonho, romântica. Suas retratadas sorriam, deixavam ombros e colos muitas vezes desnudos e os cabelos soltos, sem chapéus, enfeitados com flores.

Gioconda participou, trabalhando no pavilhão Gradisca, da quermesse realizada no parque da Avenida Paulista, promovido pela sub-comissão italiana do bairro da Consololação para socorrer as famílias dos reservistas que haviam partido para a Itália (Correio Paulistano, 19 de julho de 1915, segunda coluna).

Em torno de 1916, Michelle trouxe da Itália o flash de magnésio que possibilitava a captação de poses mais rapidamente, o que facilitava enormemente fotografar crianças. Uma vez, Gioconda sofreu uma queimadura na mão direita quando utilizava a nova ferramenta.

Seu irmão, Vicente, descobriu que o ateliê Femina recebia cortesãs francesas e polonesas e contou para Michelle, que decidiu fechá-lo. Gioconda voltou a trabalhar com seu pai e seu irmão, Armando Rizzo. Passaram a produzir fotografias coloridas a óleo e a fazer fundos de paisagens aplicadas nas chapas. Também produziam muitas fotos de formaturas de escolas e faculdades.

1926 – Gioconda casou-se com o comerciante Onofre Pasqualucci (c. 1898 – 1935) e, no mesmo ano, nasceu sua única filha, Wanda Pasqualucci (1926-), que fotografou ainda bebê.

 

 

Em torno deste ano, ela aprendeu as técnicas de fotografias fundidas em esmalte para jóias com o fotógrafo espanhol Medina, estabelecido no Rio de Janeiro. Adaptou as técnicas à porcelana e passou a produzir fotojoias e decorações tumulares para o ateliê Photo do Carmo, do italiano Sestilio Fiorelli. Instalou em sua casa, no bairro do Cambuci, um ateliê e um forno para a produção das peças, que eram vitrificadas a uma temperatura de 1.000º C.

 

“Essas fotos em porcelana dão muito trabalho e se desenvolvem em várias fases até que se consegue uma película aplicada sobre a louça. Queima-se então a uma temperatura de 1000 graus e está pronta”.

Gioconda Rizzo, Folha de São Paulo, 12 de abril de 1982

 

Foto de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS

Foto de autoria de Gioconda Rizzo, 19?. São Paulo, SP / Acervo IMS

 

1931 -  Cerca de dois anos depois da morte de Michelle, devido à crise financeira deflagrada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, a família Rizzo fechou, após cerca de 40 anos de funcionamento, o ateliê da Rua Direita, e abriu outro na Rua Líbero Badaró, 63, chefiado por Armando. Nesse mesmo ano, Gioconda fotografou a Miss Universo, Yolanda Pereira (1910 – 2001).

 

 

1935 – Em 14 de junho de 1935, Gioconda ficou viúva e foi com a fotografia em porcelana que sobreviveu com sua filha.

 

O Estado de S]ao Paulo, 15 de junho de 1935

O Estado de São Paulo, 15 de junho de 1935

 

Década de 1960 – Gioconda aposentou-se.

 

Foto de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS

Foto de autoria de Gioconda Rizzo, 19?. São Paulo, SP / Acervo IMS

 

1979 –  A capa do livro Anarquistas, Graça a Deus, da escritora Zélia Gattai (1916 – 2008), foi ilustrada com uma foto da família Da Col – Gattai, de autoria de Gioconda.

 

 

1982 – Entre 12 e 30 de abril de 1982, houve uma exposição de parte de sua obra na Galeria Fotoptica, em São Paulo: 20 fotos em papel, 15 em porcelana e algumas coloridas a óleo (Folha de São Paulo, 12 de abril de 1982).

Publicação do texto O real e a representação nos retratos de Gioconda, de autoria da fotógrafa e crítica de arte Stefania Bril (1922 – 1992), publicado em O Estado de São Paulo, de 30 de abril de 1982:

 

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2004 – Faleceu em 22 de março de 2004, pouco antes de completar 107 anos, e foi sepultada no Cemitério da Consolação.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Elvira Leopardi Pastore (1876 – 1972) e Vincenzo Pastore (1865 – 1918)

Cronologia de Elvira Leopardi Pastore (1876 – 1972) e Vincenzo Pastore (1865 – 1918)

 

 

1865 – Em 5 de agosto, nascimento de Vincenzo Pastore, em Casamassima, na região de Puglia, na Itália, filho de Francesco Pastore e Costanza Massara.

 

 

1876 – Nascimento de Elvira Teresa Angela Leopardi (1876-1972), futura mulher de Vincenzo Pastore, em Potenza, na região de Basilicata.

 

1894 / 1895 – Pastore chegou ao Brasil, deembarcando no porto de Santos. Foi para São Paulo que recebia um grande fluxo de imigração de italianos em busca de novas oportunidades de trabalho. Nesta época a cidade crescia muito: em 1890 tinha 65 mil habitantes e apenas três anos depois, em 1893, esse número duplicou. Na virada dos século XIX para o XX, já havia 240 mil moradores na cidade, sendo que cerca de 40% eram italianos. Vincenzo iniciou suas atividades de fotógrafo e pela qualidade de seu trabalho conseguiu prestígio rapidamente.

c. 1896 - Retornou à Itália.

1897- Em Potenza, na região de Basilicata, na Itália, Vincenzo casou-se com Elvira Leopardi Pastore (1876-1972), em 6 de setembro de 1897. Tiveram 10 filhos: Costanza (1899-?), Beatriz (1902-?), Maria Lucia (1903-1988), Francisco (1905-1985), Pio Donato (1906-?), Leonor, às vezes chamada de Eleonora ( 1908-1990), Olga (1909-?), Carmelita (1910 -?), Dante (1912-?) e Redento (1915-1918).

1898 – Vincenzo possuia um estabelecimento fotográfico, em Potenza, e a edição do jornal Il Lucano de 14 de outubro descrevia as habilidades de Vincenzo como fotógrafo.

 

 

1899 -  Vincenzo voltou para São Paulo, desta vez já casado com Elvira, e instalou seu estabelecimento fotográfico na Rua da Assembleia, nº 12 (depois Rua Rodrigo Silva), onde o casal também passou a residir.

 

 

Elvira trabalhava no laboratório do estúdio e era a responsável pelos serviços de fotopintura e acabamento. Era ela, também, que registrava em um caderno de anotações, intitulado “A arte de fotografar e revelar”, o trabalho realizado no laboratório e as técnicas de fotopintura. Segundo relatos dos filhos mais velhos do casal, eles trabalhavam muitas horas juntos, às vezes, até de madrugada, para atender os prazos de entrega. Era dessa parceria que vinha a sobrevivência da família.

Vincenzo recebeu uma carta protocolada do município de Potenza, transcrevendo carta do prefeito agradecendo pelo retrato do rei, que seria colocado na sala do Conselho Provincial.

A primogênita do casal, Constanza, nasceu em 7 de novembro.

1900 – Em nota no Estado de São Paulo, edições de 22 e 23 de outubro de 1900, anunciava: “Dá de presente aos seus clientes seis photographias / novo formato Elena, em elegantíssimos cartõezinhos ornados, só 4$500 e por poucos dias“.

Desde essa época Pastore dominava o uso da goma-bicromatada, fotos em miniatura e platinotipias, e técnicas de fotopintura a óleo.

1901 – Na época, também atuavam como fotógrafos, em São Paulo, Guilherme Gaensly (1843 – 1928), Guilherme Wessel (1862 – 1940), Otto Rudolf Quaas (c. 1862 – c. 1930) e Valério Vieira (1862 – 1941), dentre outros.

 

 

1904 – Um fotógrafo ainda não identificado produziu uma fotografia de Pastore com seus filhos e Elvira nos fundos da casa da Rua da Assembleia.

 

 

1905 – Vincenzo esteve na Europa para comprar material fotográfico. No anúncio, seu ateliê foi identificado como “a casa especial dos retratos Mimosos” (O Estado de São Paulo, 1º de setembro de 1905, página 3, terceira coluna).

 

O Estado de São Paulo, 1º de setembro de 1905

O Estado de São Paulo, 1º de setembro de 1905

 

Vincenzo recebeu uma carta do Consulado Geral da Itália em São Paulo, transmitindo os agradecimentos do Ministro da Casa Real pelo envio de fotos de índios bororos.

A Photographia Pastore anunciou que as pessoas que tirassem uma dúzia de Retratos Mimosos no dia 19 de novembro ganhariam uma cópia de um retrato mimoso colorido a aquarela (O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 1905, página 4, terceira coluna). Os Retratos Mimosos foram inventados por Pastore e eram fotografias em formato retangular, prensadas em cartão com desenhos art noveau. Deram muito lucro a Pastore.

 

O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 1905

O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 1905

 

 

1906 - Vincenzo recebeu uma carta de Giacomo della Chiesa (1854 – 1922), futuro papa Bento XV, agradecendo o envio de fotografias de índios bororós para o papa Pio X.

1907 – Inauguração do novo estúdio do casal, na Rua Direita nº 24-A. Ocupava o segundo andar de um sobrado que abrigava no térreo a loja Au Bon Marché. No primeiro andar, ficava a casa da família e o laboratório fotográfico. Era um estabelecimento maior, mais elegante e contava com equipamentos modernos. Durante o evento, Pastore serviu champagne aos convidados e uma banda, a Ettore Fieramosca, se apresentou.

 

 

José Victor de Mauro, a quem tinha ensinado fotografia e que era casado com uma das irmãs de Elvira, Adelina, ficou trabalhando no estúdio da Rua da Assembleia. Em 1910, o estabelecimento passou a chamar-se Photographia de Mauro.

1908 – Vincenzo solicitou ao ministro da Justiça sua naturalização (O Commercio de São Paulo, 14 de janeiro de 1908, quarta coluna).

Vincenzo participou da Exposição Nacional, realizada no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da abertura dos portos no Brasil, com um conjunto de fotopinturas e trabalhos de grandes dimensões.

 

 

Vincenzo realizou também um concurso de beleza infantil, do dia 10 de maio a 10 de julho, em seu ateliê fotográfico de São Paulo. Cento e quarenta crianças foram fotografadas e a final da disputa aconteceu no salão /Steinway com a presença do cônsul da Itália. A cantora lírica Matilde Schiavinati se apresentou na festa. Produziu um álbum de retratos de meninas que participaram do concurso que foi enviado ao rei da Itália (O Paiz, edição de 8 de maio de 1908, última nota da primeira coluna).

O estabelecimento fotográfico passou a funcionar na Rua Barão de Itapetininga.

1908 /1909 / 1910 - Seu ateliê fotográfico foi anunciado com seu nome grafado erradamente: ao invés de Pastore, Tartore (Almanak Laemmert, 1908, 1909 e 1910).

1911 – Vincenzo ganhou a medalha de bronze na Espozione Internazionale delle industrie e dell lavoro, em Turim, na Itália.

1914 – O casal viajou com a família para a Europa. Embarcaram, em Santos, no navio Duca delle Abruzzi (Correio Paulistano, 10 de fevereiro de 1914, na terceira coluna, sob o título “Hóspedes e Viajantes”).

 

 

Em novembro, o casal inaugurou com uma exposição o estabelecimento Fotografia Italo-Americana – ai Due Mondi, na Via Sparano, nº 117, em Bari, capital da Puglia, na Itália. Era a realização de um sonho e para tal os Pastore usaram todo o dinheiro economizado durante os anos de trabalho em São Paulo. A iniciativa foi acolhida com entusiasmo pelo público (Corriere Delle Puglie, 13 de dezembro de 1914). Segundo o Risveglio Commerciale – Bari, de 21 de novembro de 1914, a exposição com fotografias de temas variados mostravam os mais perfeitos e distintos processos da arte. Foi um acontecimento.

Sobre a inauguração, Vincenzo escreveu para o Corriere della Puglie, de 17 de novembro de 1914 o artigo Dopo l´ inaugurazione della Fotografia Italo-americana. Seguem alguns trechos:

“Agradeço de coração a todos os cidadãos, ao eleito grupo de senhores e jovens senhoras que com complacência visitaram a exposição no meu estabelecimento chamado pelo bispo Lamberti “templo da arte”, obrigado a todos. Mais uma vez obrigado a toda a população que com a sua ampla intervenção coroou a esplêndida festa bem sucedida…Durante minha estadia em Bari me pareceu muito difícil de conseguir abrir um estabelecimento fotográfico e já o meu pensamento era tomado pelo ceticismo. Mas o sucesso de ontem superou todas as minhas expectativas, a onda de louvor varreu todo o meu ceticismo, uma vez que é capaz de mostrar como o público desta cidade ama, aprecia e cultiva a arte”.

 

 

O nome do estúdio italiano indicava sua condição de imigrante bem sucedido, que pertencia a dois mundos. Foi anunciado como uma sucursal do estúdio paulistano, o que não era verdade, já que este havia sido fechado. A rua onde se situava o estabelecimento italiano, a Via Sparano, era a principal via de ligação entre a estação de trem e a Cidade Velha, que concentrava o maior número de habitantes de Bari.

 

 

“Bari inteira soube dar sua modesta homenagem de afeto e simpatia ao seu compatriota, um trabalhador que, depois de ter trazido o seu trabalho realizado longe de sua terra natal, depois de ter aperfeiçoado e obtido a aprovação da industriosa São Paulo, retorna à sua terra, coberto de louros e de um nome invejável”.

Corriere Della Puglia, 22 de novembro de 1914

 

 

 

 

Em São Pauo, na vitrina da Casa Rocha, de calçados, exposição de uma fotografia de seu filho Dante dentro de um sapato. Vincenzo havia mandado confeccionar o sapato gigante para provocar o desejo de algum cliente de ter alguma criança retratada da mesma forma. Além disso, a exposição do retrato na vitrine foi uma propaganda da qualidade dos sapatos produzidos na loja.

 

 

Na capa da revista A Vida Moderna, de 3 de dezembro de 1914, publicação de uma fotografia de Anna Cândida Bueno, produzida por Pastore. Sobre a capa:

“Do belo trabalho de arte fotográfica que ilustra a capa deste número incumbiu-se o sr. Pastore, que tem o seu “Atelier” à rua Direita n 24-A. Os trabalhos desse finíssimo artista recomendam-se pela beleza do seu efeito, pelos contrastes de luz e por essa “intenção”, que à maior parte dos fotógrafos passa despercebida. O sr. pastore faz da arte fotográfica uma arte de imaginação, pela porção de idealidade pessoal que lhe mistura. No trabalho que nos ofereceu para este número é tudo digno de atenção: a “pose”, a atitude melancólica, os efeitos de luz sobre os cabelos. A graça original do modelo nada perdeu, vista através da reprodução fotográfica”.

1915 – Devido à Primeira Guerra Mundial, os Pastore encerraram as atividades na Itália e voltaram para São Paulo, tendo desembarcado no porto de Santos. Segundo Elvira, que ficou bastante desapontada e surpresa com o retorno ao Brasil, foi por um golpe de sorte que conseguiram se restabelecer no mesmo endereço, Rua Direita 24 A.

 

 

Foi publicada uma carta de despedida de Vincenzo, no Corriere delle Puglie, de 27 de novembro de 1915:

 

 

 

1916 - Sob os títulos Bellezas PaulistanasMelancholiaQuem é a moça dos óculos pretos? e Oração, foram publicadas fotografias de autoria de Vincenzo Pastore, na revista A Cigarra, nas edições  de 31 de março 30 de abril  , 17 de agosto14 de setembro e 26 de outubro.

No dia 17 de junho, foi publicada no O Estado de São Paulo, a seguinte nota:

O Sr. Vincenzo Pastore, proprietario da Photographia Pastore, a rua Direita, recebeu communicação official, do sr. Giannetto Cavasola, ministro da Agricultura da Italia, e do prefeito da provincia de Bari, de que, a 4 de maio passado, foi nomeado pelo duque de Genova, principe regente, cavalheiro da Ordem da Corôa da Italia. O sr. Pastore é muito conhecido nesta capital, onde conta com muitas amizades. Em 1914, o sr. Pastore fez, em Bari, uma grande exposição italo-brasileira de photographias, que mereceu francos elogios da imprensa. Os seus esforços acabam de ser merecidamente recompensados“. Em 18 de dezembro, o prêmio foi concedido.

 

 

No anúncio da edição da revista A Cigarra, foi noticiada a publicação de uma fotografia de Pastore (O Estado de São Paulo, 14 de setembro de 1916, página 9, quarta coluna).

1917 - Vincenzo esteve presente a uma recepção do Consulado da Itália em São Paulo em comemoração à data da promulgação do Estatuto italiano (Correio Paulistano, 4 de junho de 1917, quarta coluna).

1918 – Em 15 de janeiro, Pastore faleceu, no Hospital Humberto I, em São Paulo, devido a complicações após uma cirurgia de hérnia. Era alérgico e foi anestesiado com clorofórmio. Foi enterrado no Cemitério do Araçá e estiveram presentes na cerimônia Roque Vieira, representando seu pai, o fotógrafo Valério Vieira, os fotógrafos Guilherme e Conrado Wessel e Miguel Rizzo, dentre outros (Correio Paulistano, 19 de janeiro de 1918, na terceira coluna).

 

 

Em seu diário, após ficar viúva, Elvira escreveu aos filhos:

“O dia em que vocês mancharem, mesmo que só com uma mancha pouco perceptível, o nome que aquele anjo lhes deixou, eu os renegarei, eu não lhes darei mais a minha bênção, porque não serão mais dignos dela. Deus e a Voirgem do Carmo os ajudem a afastar essa desgraça e os abençoe”.

Elvira tentou continuar com o estúdio, mas não foi possível. Para sustentar os 10 filhos, ela vendeu tudo, até os negativos de vidro e foi lecionar italiano no Colégio Dante Alighieri.

Elvira passou a reunir, selecionar e organizar recordações da vida de Vincenzo que pudessem preservar a memória do marido. Havia um caderno pessoal, outro reunindo recortes de matérias de jornais do Brasil e da Itália e o Álbum de recordações Vicente e Elvira Pastore com documentos pessoais, boletins, cartas e fotografias.

1944 – O caderno de recortes e o pessoal de Elvira, além do Álbum de Recordações Vicente e Elvira ficaram com o filho caçula do casal, Dante.

1972 - Falecimento de Elvira Leopardi Pastore.

1996 – O músico Flavio Varani, neto de Vincenzo e Elvira, filho de Leonor, às vezes chamada de Eleonora, conheceu o então diretor do IMS, Antonio Franceschi que, ao saber da existência de um acervo de fotos da cidade de São Paulo do início do século XX realizado por Pastore e guardado por Flavio em uma caixa de charutos para conservá-las, revelou interesse em conhecê-las. Foi então que Flavio, na época professor de piano na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, doou 137  fotografias inéditas de autoria de Vincenzo ao Instituto Moreira Salles. Segundo Flavio, essas 137 fotos, que na época em que foram produzidas não tinha valor comercial, foram reveladas e reproduzidas por sua mãe em restos de papel fotográfico.

1997 - No aniversário de São Paulo, realização de uma exposição de fotos de Pastore no Espaço Higienópolis, do Instituto Moreira Salles, em São Paulo.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Hermina de Carvalho Menna da Costa (18? – ?)

Cronologia de Hermina de Carvalho Menna da Costa (18? -?)
1871 – Anunciado o casamento de Hermina Adelaide da Cunha Carvalho com Felippe Emilio Menna da Costa (c. 1853 – 1922) (Jornal do Recife, 14 de novembro de 1871, primeira coluna). Em fins da década de 1870, Felippe era o segundo escriturário do Corpo de Polícia (Jornal do Recife, 7 de maio de 1879, penúltima coluna). Em 1890, foi promovido a arquivista do Tesouro do Estado, onde já era escriturário (Jornal do Recife, 23 de abril de 1890, primeira coluna). Como chefe da terceira seção da Contadoria do Tesouro do Estado pediu, em 1893, aposentadoria (Jornal do Recife, 2 de março de 1893, primeira coluna). Em 1897, era inspetor literário (Jornal do Recife, 15 de dezembro de 1897, última coluna). Em 1904, foi identificado como casado e aposentado (Diário de Pernambuco, 7 de agosto de 1904, segunda coluna). Provavelmente, Elvira Carvalho Menna da Costa e Amelia Menna Marques de Oliveira eram filhas do casal (Diário de Pernambuco, 3 de julho de 1903, segunda colunaDiário de Pernambuco, 15 de julho de 1924, quinta coluna).
1875 – Manoel Inocencio Menna da Costa, cujo parentesco com Hermina não foi até hoje precisamente identificado e que já atuava como fotógrafo desde 1872 (O Paiz (MA), 11 de março de 1886, primeira coluna), embarcou no Rio de Janeiro, no paquete Pará, rumo a Pernambuco no mesmo navio em que estavam o geólogo canadense Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), o engenheiro Elias Fausto Pacheco Jordão (1849 – 1901) e o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), integrantes da Comissão Geológica do Império. Terá sido uma coincidência ou será que já conhecia o grupo, especialmente o fotógrafo Marc Ferrez? (O Globo, 10 de julho de 1875, última coluna). Era filho de Emília Fausta da Fonseca Menna da Costa, diretora do Colégio Nossa Senhora da Conceição, e tinha uma irmã chamada Emília. Qual seria seu parentesco com o marido de Hermina, Felippe Emilio Menna da Costa? (Jornal do Recife, 29 de abril de 1870, última coluna).
Foi anunciado o ateliê fotográfico de Menna da Costa na Rua da Imperatriz, nº 48, no primeiro andar (Jornal do Recife, 11 de novembro de 1875).

 

 

1880 / 1881 – Nestes anos, Hermina trabalhava na Rua da Imperatriz, nº 48, mesmo endereço de Manoel Inocêncio, porém no segundo andar. Fazia qualquer trabalho de cera, bandejas com bolos e dourava letreiros em fitas. Terá essa vizinhança influenciado o interesse de Hermina pela fotografia?

 

 

1883 - Em 21 de outubro, Hermina inaugurou, já com alguns trabalhos em exposição, o estabelecimento fotográfico Hermina Costa & C, na Rua Barão da Victoria, nº 14, no mesmo local onde antes se localizava o ateliê do francês Francisco (François) Labadie (? – 1883), falecido em fevereiro de 1883, vítima de gastro-hepatite. Labadie havia sido contratado, em 1876, para trabalhar na Photographia Imperial dos Srs. Lopes & C, a quem provavelmente sucedeu, pois, em 1879, sua Photographie Française era anunciada no mesmo endereço (Diário de Pernambuco11 de março de 1876, quarta coluna14 de fevereiro, quarta coluna; e  21 de outubro, segunda coluna, de 1883; Jornal do Recife, 19 de outubro de 1883, terceira colunaJornal do Recife, 20 de outubro de 1883, penúltima coluna).

 

 

1884 – Hermina, Manoel Inocêncio Menna da Costa e o antiquário francês Alfred Ducasble (18? – 19?) formavam a comissão da Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais para arrecadação dos impostos devidos por fotógrafos e retratistas (Jornal de Recife, 11 de julho de 1884, última coluna).

1885 – No estabelecimento fotográfico de Hermina foi produzido o quadro dos formandos da Faculdade do Recife. A Rua Barão da Vitória já se chamava Rua Nova e o estabelecimento de Hermina ficava no nº 12, segundo andar.  (Jornal do Recife, 12 de setembro de 1885, coluna).

 

 

 

Participou da quinta Exposição Artístico-Industrial do Liceu de Artes e Ofícios promovida pela Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, tendo recebido o Diploma de Mérito, fato que certamente aumentou sua visibilidade como fotógrafa. Na ocasião, Alfredo Ducasble ganhou o Diploma de Progresso (Diário de Pernambuco, 20 de dezembro de 1885).

 

1886 – Manoel Inocencio Menna Barreto foi trabalhar como fotógrafo no Maranhão. Estabeleceu-se na antiga Photographia Soares, na Rua do Sol, onde permaneceu até 27 de fevereiro de 1887. Informava, em anúncio, que havia trabalhado 14 anos como fotógrafo no Recife (O Paiz (MA), 11 de março de 1886, primeira colunaA Pacotilha (MA), 13 de setembro de 1886, quarta coluna; 28 de fevereiro de 1887, terceira colunaDiário do Maranhão, 18 de fevereiro de 1887, primeira coluna).

 

 

Hermina anunciou que o fotógrafo Flosculo de Magalhães não era mais sócio de seu estabelecimento desde o dia 6 de junho (Diário de Pernambuco, 24 de junho de 1886, quinta coluna).

 

 

1887 - Manoel Inocêncio Menna da Costa trabalhava em um estabelecimento na Rua da Imperatriz, nº 48 (Jornal do Recife, 27 de maio de 1877, quinta coluna). Acusou o fotógrafo Francisco (François) Labadie (? – 1883), proprietário da Photographie Française, de presunçoso por se intitular o primeiro fotógrafo do norte do Império a produzir retratos a carvão. Labadie respondeu às críticas e Manoel Inocêncio o chamou de pomadista e o acusou de charlatanismo (Jornal do Recife, 13 de julho de 1877, terceira coluna e Jornal do Recife, 20 de julho de 1877, terceira colunaJornal do Recife, 8 de agosto de 1877, terceira coluna).

 

 

Hermina anunciou-se para o dia 1º de junho a abertura da Photographia Moderna, na Rua Primeiro de Março (antiga Rua do Crespo), nº 7. Trabalhavam com ela no novo estabelecimento os fotógrafos Joaquim Canellas de Castro e Manoel Inocêncio Menna da Costa, recém chegado do Maranhão (Jornal do Recife, 27 de outubro de 1887, primeira coluna).

Flosculo de Magalhães voltou a trabalhar com Hermina no ateliê fotográfico da Rua Barão da Victoria.

 

 

Hermina oferecia em seu estabelecimento retratos a óleo (Jornal do Recife, 18 de novembro de 1887).

 

 

1888 – O cuter Liberdade, que havia estado no porto do Recife, foi fotografado pela Photographia Moderna. Um exemplar da excelente fotografia foi ofertado ao Diário de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 7 de setembro de 1888, última coluna).

1889 – A Photographia Moderna, na Rua 1º de março, nº 7, anunciava retratos superiores aos americanos, o uso de molduras a ouro fino e a pintura sobre fotografias inalteráveis. Faziam retratos de todos os tamanhos e por diversos sistemas e o trabalho ficava exposto na entrada do estabelecimento e em diversas casa de negócio. O estabelecimento da Rua Barão da Victoria continuava a funcionar com bom ou mau tempo devido à boa luz do atelier.

 

 

 

 

 

Participou com o austríaco Constantino Barza, identificado como sucessor de Alberto Henschel (1827 – 1892), e A. Ducasble, de uma concorrência para realizar o quadro de retratos dos formandos da Faculdade de Direito. Barza foi o vencedor (Jornal do Recife, 19 de julho de 1889).

 

 

Foram feitos elogios aos novos cartões, que está empregando a oficina fotográfica Hermina Costa (Jornal do Recife, 21 de setembro de 1889, penúltima coluna).
1890 – Neste ano começou a ser anunciada a venda de uma tinta, denominada Negra Familiar, de Hermina Costa. Será a própria ou uma homônima? (A Província, 9 de abril de 1890).
1891 - Em 1891, venceu a concorrência para para realizar o quadro de retratos dos formandos da Faculdade de Direito (Diário de Pernambuco, 17 de julho de 1891, última coluna).
1892 - Foi anunciado que a Photographia Moderna havia passado por uma grande reforma (Jornal do Recife, 22 de setembro de 1892).
1894 – Seu estabelecimento, na Rua 15 de novembro, nº 7, estava listado no Almanak do Estado de Pernambuco.
1895 – Seu estabelecimento continuava a funcionar na Rua 15 de novembro, nº 7 (Diário de Pernambuco, 5 de fevereiro de 1895, segunda coluna).
Em 29 de dezembro, foi publicado que algum pedido feito por ela à Prefeitura do Recife havia sido deferido (Jornal do Recife, 29 de dezembro de 1894, quarta coluna).
1900 – Estava, assim como o fotógrafo Ludgero Jardim da Costa, em uma lista de pessoas que haviam saldado compras feitas a prestações em uma loja na Rua Nova, 45. O ateliê de Ludgero ficava nesta rua, a antiga Rua Barão da Vitória (A Província (PE), 15 de abril de 1900, segunda coluna).
1901 – Era possuidora de uma apólice da dívida pública do estado de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 4 de maio de 1901, segunda coluna).
1904 - Hermina da Costa era tesoureira do clube carnavalesco das Pás dos Lenhadores. Será a própria ou uma homônima? (Diário de Pernambuco, 1º de março de 1904, segunda coluna).
1914 - Neste ano, havia um estabelecimento denominado Photographia Moderna, na Rua da Imperatriz, nº 19, cujo proprietário era o fotógrafo Horacio Alvares ( Jornal do Recife, 4 de setembro de 1914, segunda coluna).
2021 - O leiloeiro Alberto Lopes anunciava a venda de uma raridade: um retrato  executado no estabelecimento de Hermina Costa na Rua Barão da Vitória, nº 14.
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Andrea C. T. Wanderley
Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Fanny Paul Volk (c. 1867 – 1948)

Cronologia de Fanny Paul Volk (c. 1867 – 1948)

 

 

c. 1867 – Nascimento de Fanny Paul, em Leipa, na Alemanha, filha de Anton Paul (c. 1831 – 1891) e da austríaca Anna Paul (c. 1836 – 1902). Mãe e filha foram pioneiras da fotografia.

1880 – Sua mãe e seu irmão, August, de 16 anos, que faleceu durante a viagem, vieram para o Brasil no navio Hamburg e conheceram o fotógrafo alemão de Munique, Adolpho Volk (18? – 1908), futuro marido de Fanny.

1881 – Fanny e seu pai vieram para o Brasil.

 

 

Adolpho abriu seu estabelecimento fotográfico, em Curitiba, na Travessa da Rua da Carioca (Dezenove de Dezembro, 19 de novembro, de 1881).

1882 – O ateliê de Adolpho já estava situado na Rua da Imperatriz, 77 (Dezenove de Dezembro, de 1822, segunda coluna).

 

 

 

1886 – Fanny casou-se com Adolpho, em janeiro de 1886, tornando-se Fanny Paul Volk. Trabalhava com a mãe e com seu marido na capital do Paraná. O trio superou a tendência da sociedade local a discriminar os imigrantes de origem alemã possivelmente porque traziam para a cidade a fotografia, um símbolo da modernidade e para isso divulgaram seu ofício a partir de anúncios em jornais e por seus clientes da comunidade alemã.

 

 

1888 / 1889 – O ateliê funcionou na Rua do Imperador, nº. 9, de 1888 a 1889 e na Rua Marechal Deodoro, números 9 e 10, de 1890 a 1902, com a participação de Adolpho, Fanny e Anna, que faleceu em 1902. Em 1903, o ateliê já se encontrava na Rua XV de Novembro, nº 54.

1900 – Adolpho foi premiado com a medalha de ouro na Exposição Agrícola e Industrial do Paraná.

1904 – O último anúncio do ateliê sob a gestão de Adolpho foi publicado, em 1904 (Diário do Paraná, 16 de janeiro de 1904).

 

 

Adolpho partiu para a Alemanha, deixando Fanny e a filha única do casal, Adolphine (1887 -19?), no Brasil. Fanny seguiu trabalhando na Photographia Volk.

 

 

Foi oferecido o aluguel de uma das portas do ateliê fotográfico na Rua XV de Novembro. Fanny tomou a frente dos negócios e, no ano seguinte, já anunciava novidadesRetratos do tamanho de selos próprios para cartões de visita e correspondência de cartões postais (Diário da Tarde (PR), 7 de julho de 1904, última colunaCartão Postal, julho de 1905).

1906 – Foi realizada na vitrine do jornal A Notícia uma exposição com cartões postais luminosos produzidos na Photographia Volk (A Notícia, PR 17 de fevereiro de 1906, penúltima coluna).

 

 

Foram expostos na Photographia Volk os retratos dos generais Carneiro e Benjamin Constant que seriam inaugurados no 2º Esquadão da Cavalaria (A Notícia, 13 de novembro de 1906, penúltima coluna).

1907 - Os retratos que seriam inaugurados na Secretaria Estadual de Agricultura, em 1907, foram realizados pela Photographia Volk (Diário da Tarde (PR), 15 de abril de 1907, segunda coluna).

1908 – A Phtographia Volk anunciava-se como o mais antigo estabelecimento fotográfico do Paraná e realizava fotografias e retratos de todos os gêneros e por todos os processos até hoje conhecidos, como sejam: aristotipia, platinotipia, pigment, bromuro, contact, etc (Almanak do Paraná, 1908).

 

 

Foi anunciado que seria na Photographia Volk que seriam produzidos os trabalhos do Primeiro Club de Retratos de Curitiba, organizado por Carlos de Andrade (O Commercio (PR), 8 de março de 1909, primeira coluna).

 

 

Adolpho Volk, que havia constituido uma nova família, faleceu, na Alemanha (Diário do Paraná (PR), 28 de agosto de 1908, quarta coluna).

1912 – Numa época em que os neném eram retratados muito vestidos, fotografou um bebê nu. Segundo Giovanna Simão, autora de Fanny Paul Volk : pioneira na fotografia de estúdio em Curitiba, esta teria sido uma das primeiras fotografias de um bebê nu produzidas no Brasil e no mundo. O bebê era Javita Egg.

 

 

1911 – Sua filha Adolphine, cujo apelido era Lilly, casou-se com Julio Leite, que aprendeu a fotografar com Fanny e trabalhou com ela após o matrimônio. Lilly e Julio tiveram cinco filhos: Rennée, Helvídia, Fanny, Marcel e Ritta. Neste mesmo ano, foi contratado pela Photographia Volk um hábil artista fotógrafo de Berlim, Hugo Schreiber (Diário da Tarde (PR), 10 de novembro de 1911, quinta coluna).

 

 

1913 – A Photographia Volk, que havia se mudado, provisoriamente, para a Rua Marechal Deodoro, nº 81, e Arthur Wischral (1894 – 1982) integravam a equipe de reportagem fotográfica da revista A Bomba (PR) (A República (PR), 14 de março de 1913, última colunaDiário da Tarde(PR), 28 de março de 1913, terceira colunaA Bomba (PR), 10 de setembro de 1913, segunda coluna). O estabelecimento já tinha estado neste mesmo endereço de 1890 a 1902. Na Photographia Volk passaram a ser comercializados terrenos (Diário da Tarde, 26 de abril de 1913, primeira coluna).

 

 

1914 – Voltou a funcionar na Rua XV de novembro, nº 72, em 5 de abril de 1914 (A República (PR), 3 de abril de 1914, penúltima coluna; Diário da Tarde(PR), 2 de maio de 1914).

 

 

1915 – Fanny recebeu um pecúlio a que tinha direito, pago por um funcionário da Mutua Ideal, de São Paulo (Diário da Tarde (PR), 11 de março de 1915, terceira coluna).

1918 – Bernardo Heisler comprou a Photographia Volk e manteve o nome, certamente pelo sucesso e prestígio do estabelecimento.

 

 

1948 – Fanny faleceu, em Curitiba, em setembro de 1948 (Diário da Tarde (PR), 29 de setembro de 1948, segunda coluna). Foi uma pioneira e conseguiu atuar como fotógrafa durante cerca de 40 anos em um ambiente eminentemente machista.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Izabel Jacintha Cunha Reeckell, a Madame Reeckell (1837 – 19?)

Cronologia de Izabel Jacintha Cunha Reeckell, a Madame Reeckell (1837 – 19?)

 

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Izabel Jacintha Reeckell; Photographia Allemã; Madame Reeckell. Retrato de homem não identificado, c. 1876. Porto Alegre, RS / Acervo IMS

 

Acima, uma carte de visite produzida na Photographia Allemã de Mme Reeckell. Por cima do endereço do ateliê, em Porto Alegre, está escrito outro endereço, Praia (?) de Santa Izabel, nº 86, Lisboa. Terá sido o endereço do primeiro ateliê de Madame Reeckell na cidade?

1837 – Madame Reeckel, cujo nome de solteira era Izabel Jacintha da Cunha, nasceu no Arquipélago dos Açores, na Ilha de São Jorge, na Vila de Velas, em 23 de outubro de 1837, filha de Antônio Machado da Cunha (1799 – 18?) e Ana Jacintha Emília. Foi batizada dias depois, em 29 de outubro, e seu nome homenageava sua mãe, e sua madrinha, Izabel.

1863 – O fotógrafo prussiano Carlos Frederico Johann Reeckel (18? – c. 189?), protestante luterano e futuro marido de Jacintha, chegou ao Rio de Janeiro no paquete Navarre, em 19 de março de 1863 (Diário Oficial do Império do Brasil, 20 de março de 1863).

1865 Carlos F. J. Reeckell tornou-se sócio de Bernardo Lopes Guimarães, o Lopes, em um estabelecimento na Rua do Hospício, futura Rua Buenos Aires, nº 104, no Rio de Janeiro, sob a firma Frederico & Lopes (Correio Mercantil, 11 de julho de 1865, sétima coluna).

1867 / 1870 - Em julho de 1867, Reeckell anunciava-se como retratista em Vassouras e participava ao respeitável público, aos Srs. fazendeiros da regiaõ que havia aberto uma photographia volante na cidade. Já havia trabalhado em Valença e em Santa Teresa (Jornal do Commercio, 19 de julho de 1867, última coluna).

 

 

Carlos e Izabel Jacintha se casaram, no Rio de Janeiro, em setembro de 1867. Ainda não se sabe, mas Izabel Jacintha havia migrado para o Brasil, possivemente com seus pais (O Apóstolo, 20 de outubro de 1867, terceira coluna).

Provisão de casamento – 20 de setembro:

 

 

Partiram para a os Açores, rumo à Ilha Terceira, no patacho português Terceirense, em 22 de setembro do mesmo ano (Jornal do Commercio, 23 de setembro de 1867, última coluna).

Carlos Reeckell trabalhou e teve ateliês fotográficos montados em três ilhas do arquipélago: São Miguel, Terceira e Faial. Anunciava-se como fotógrafo volante. Transmitiu seus conhecimentos a diversos fotográfos, dentre eles Antônio José Raposo (1848 – 19?), que adquiriu o ateliê e os clichês de Reeckell.

1870 –  O casal veio para o Brasil e chegou ao Ceará, em 15 de julho de 1870, a bordo da barca portuguesa Amisade (A Constituição, 4 de agosto de 1870, primeira colunaPedro II, 2 de agosto de 1870, primeira coluna).

 

 

 

Estabeleceram-se, em Fortaleza, na Praça Municipal, nº 40 (A Constituição, 20 de setembro de 1870, primeira coluna).

 

 

1872 – Em julho, Carlos Reeckell voltou de uma temporada no sul do Brasil (Pedro II (CE), 12 de julho de 1872, terceira coluna). Em novembro do mesmo ano, seu ateliê fotográfico ficava na Rua do Cajueiro, nº 25, e ele anunciava sua sociedade com Francisco Cândido Pereira Lins.

 

 

Foi noticiado que iria ao Rio de Janeiro (Pedro II, 10 de novembro de 1872, última coluna). Não foi mencionado se a senhora Reeckell o acompanhou nessa viagem.

1873 / 1874- O casal encontrava-se em Porto Alegre e o estabelecimento fotográfico de Carlos ficava na Rua dos Andradas, 14. Seu nome constava no Registro de Contribuintes de Imposto de Porto Alegre dos anos 1873-1874. Em torno desta época ele estava muito doente. Foi então que Madame Reeckell teria tomado a frente do negócio como administradora e fotógrafa no ateliê das Rua dos Andradas, 80 (Álbum do Domingo, 7 de abril de 1878, última  coluna).

Em dezembro de 1874, foi anunciado que a Fotografia Alemã, de Madame Reeeckell havia sido reformada (Jornal do Commercio (RS), de 12 de dezembro de 1874).

Fotografia Alemã

A abaixo assinada participa ao público que tendo feito reforma no atelier que se achava muito devassado, de hoje em diante preta-se a tirar retratos em que nada incomode, em qualquer hra do dia, anda mesmo que chova.

Chama a atenção do público para os retratos em porcelana de alto relevo (sic), abrilhantados, coloridos e também a óleo.

Uma dúzia de retratos por 4$ooors. simples, iguais ou melhores aos vindos da Europa, assim como dá amostras.

Rua dos Andradas, 80

Mme REECKELL

No Registro de Contribuintes de Imposto de Porto Alegre dos anos 1874-1875, o nome de Carlos foi lançado acompanhado com a observação que não mais existia.

1875 – Em abril de 1875, foi inaugurada  a segunda Exposição Provincial do Rio Grande do Sul ou Exposição Commercial e Industrial, uma exposição de agricultura, indústria e comércio, realizada no Edifício do Atheneo Rio Grandense, em Porto Alegre. Segundo o historiador Athos Damasceno (1902 – 1975), foi Carlos von Koseritz (1830 – 1890), jornalista, poeta e importante personalidade da colônia alemã no sul do Brasil durante o Segundo Império, quem sugeriu a inclusão na exposição “de uma seção especial destinada a exibição de obras de arte, assim imprimindo no parque um cunho de sensibilidade e cultura…”(Relatórios dos Presidentes das Províncias Brasileiras: Império (RS), 11 de março de 1875).

Dois fotógrafos apresentaram seus trabalhos nessa mostra: Madame Reeckell e o tradicional Luiz Terragno (c. 1831 – 1891), Fotógrafo da Casa Imperial, que possuía estabelecimentos fotográficos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (O Despertador, 19 de novembro de 1875, primeira coluna). Na  Exposição Nacional de 1875, inaugurada em 12 de dezembro e finda em 16 de janeiro de 1876, Terragno recebeu uma Medalha de Mérito (Jornal do Commercio, 4 de fevereiro de 1876, segunda coluna).

No estabelecimento de Mme. Reeckell, ela desenvolvia sua técnica da “luz tangente para fazer retratos nos dias sombrios (…) e mesmo nos chuvosos” (A Reforma, 30 de julho de 1875).

Houve uma polêmica em torno deste sistema fotográfico entre Terragno e Madame Reeckell que no jornal A Reforma, de 4 de agosto de 1870, publicou:

“Luz Tangente. O sr. Terragno, em a pedido inserto no Riograndense, tratando dos retratos à luz tangente, diz que os não tiro pelo mesmo sistema dos seus. Os retratos chamados pelo sr. Terragno de à luz tangente –  são na minha opinião iguais aos que tiro e tenho anunciado. Quem quiser convencer disso venha à minha casa para ver os retratos que tenho tirado e outros de fotógrafos do Rio de Janeiro, também do mesmo sistema, isto é, preferindo-se os dias escuros para o trabalho dessa qualidade de fotografias. O sr. Terragno é injusto quando atribui-me querer imitá-lo, dando o nome de retratos – à luz tangente – que só s.s. pode tirar, quando é certo que os tiro há muito tempo. Desafia-me a apresentar os aparelhos e ingredientes que são precisos. Poderá vê-los  quem quiser. O sistema é simples e não faço mistério para com as pessoas que, visitando a minha galeria, pedem par ver os aparelhos de que me sirvo. Quanto a supor que usei do emblema seu no meu anúncio publicado na Reforma, declaro que nada tenho com isso. E o sr. Terragno com aquela empresa deve entender-se a respeito. M Reeckell”.

Na IV Exposição Nacional de 1875, inaugurada em 12 de dezembro e finda em 16

Madame Reeckell, alegando estado de pobreza, requereu à Câmara Municipal de Porto Alegre ser aliviada do pagamento de imposto de sua casa de retratista (Atas da Câmara, 4ª sessão, 21 de outubro de 1875). Parece que seu pedido foi atendido já que o nome de Carlos deixou de aparecer no Registro de Contribuintes de Imposto de Porto Alegre de 1875-1876.

1878 – A família de artistas Riosa, a quem Carlos Reeckell já havia ajudado no Ceará, reverteu à família Reeckell o valor que arrecadou em um dos espetáculos que realizou em Porto Alegre (Álbum do Domingo, 7 de abril de 1878, segunda coluna). A família Riosa, procedente da Ilha de São Miguel, nos Açores, composta por Bonifacio Riosa e seus filhos menores, esteve com o casal Reeckell em 1870, no Ceará. Eles haviam chegado em Fortaleza, em agosto de 1870, na embarcação Íris, cerca e um mês após à chegada dos Reeckell na cidade. Segundo Ary Bezerra Leite, autor do livro História da Fotografia no Ceará do século XIX (2019), eles já se conheciam dos Açores.

 

 

Neste ano, a família Reeckell mudou-se para Portugal e inaugurou um ateliê em Lisboa conforme anunciado em uma propaganda do estabelecimento de 1897.

1892 – Segundo a tese de Paula Cristina Viegas, segundo anuários portugueses, Carlos Reeckell havia se instalado em Lisboa, com um novo negócio, na Rua Saraiva de Carvalho, 86.

1896 - Entre esse ano e 1898, a Photographia Allemã, situava-se na Rua Saraiva de Carvalho, sob a administração de Madame Reeckell, já viúva.

1897 – A partir desse ano, o estabelecimento passou a existir em outros endereços, conforme anunciado:

“Photographia Allemã 158, avenida da Liberdade 211, rua de S. José. Este atelier fundado em 1878, executa todos os trabalhos com a maior seriedade. Retratos até ao tamanho natural. Instantaneos de creanças. Incumbe-se trabalhos de photographos amadores”. 

Mulheres Fotógrafas em Portugal (1844 – 1918)

Maria E. R. Campos 1.ª Photographa Portugueza

c. 1900 – Parece que a Viúva Reeckell ficou à frente da Photographia Allemã até os primeiros anos do século XX.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Augustus Morand (c. 1818 – 1896)

Cronologia de Augustus Morand (c. 1818 – 1896)

 

c. 1818 - Nascimento de Augustus Morand, em Nova York.

1838 – Casamento com Caroline Kane (1821 – ?)

1840 – Augustus Morand começou a trabalhar como daguerreotipista. Conheceu o pintor Henry Inman (1801 – 1846) e juntos fizeram experiências sobre o efeito da luz e da sombra.

c. 1841 – Provavelmente seu estabelecimento fotográfico sucedeu o de Matthews D. Van Loan na esquina da Broadway com Chambers Street, em Nova York.

1842 – Ao longo do ano, foram publicadas na revista U.S. Magazine and Democratic Review diversas gravuras baseadas em daguerreótipos produzidos por Morand: na edição de agosto, um retrato do político Thomas Wilson Door (1805 – 1854); na de setembro, de Churchill C. Cambreleng (1786 – 1862); e, na de novembro, do presidente John Tyler (1790 – 1862).

 

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Churchill C. Cambreleng, gravura baseada em daguerreótipo de Morand e publicada na edição de setembro de 1842 da The United States Democratic Review

 

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John Tyler, gravura baseada em daguerreótipo de Morand e publicada na edição de novembro de 1842 da The United States Democratic Review

 

 

De 1842 a 1845, catálogos de Nova York informavam que o endereço de Morand era Suffock Street, 25.

Por problemas de saúde, Morand foi aconselhado por médicos a viajar para os trópicos.

Os norte-americanos Augustus Morand e J.E. Smith, dois pioneiros na comercialização da daguerreotipia no Brasil, chegaram ao Rio de Janeiro, vindos de Nova York, na galera C. Canckl, em 25 de novembro de 1842 (Diário do Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1842, na última coluna). Observação: com as iniciais de Smith, J. E, acaba-se a dúvida que um outro Smith, mencionado por Boris Kossoy em seu livro Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910), seja o mesmo que veio para o Brasil com Morand. No livro de Kossoy, as iniciais do “outro” Smith são T.O.

 

 

 

Na primeira página do Jornal do Commercio de 23 de dezembro de 1842, Morand foi saudado como uma celebridade: 

 

 

Ainda nessa mesma edição, sob o título O daguerreótipo na sua perfeição, foi anunciado o estabelecimento do gabinete de Morand e Smith no Hotel Pharoux, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 23 de dezembro de 1842, na segunda coluna). O anúncio foi repetido algumas vezes em 1842 e em 1843. Na mesma época, a fotógrafa Mme. Lavenue também comercializava daguerreótipos. Ela atendia os fregueses no Hotel da Itália, localizado no Largo do Rocio. Era casada com o daguerreotipista francês Hippolyte Lavenue, que também consertava e afinava pianos com Louis Bayer (O Recreador Mineiro, 1º semestre de 1842).

 

 

1843 – Morand trouxe cartas de recomendação para pessoas influentes no Brasil e logo foi apresentado a d. Pedro II.

Os hábeis artistas do daguerreótipo Morand e Smith foram convidados para o paço imperial, onde produziram retratos do imperador Pedro II, das augustas princesas e algumas vistas da Quinta da Boavista. O público era convidado para admirar esses registros no gabinete dos fotógrafos, no Hotel Pharoux. Ainda foi informado que na câmara de Pedro II havia uma fotografia da autoria de Morand e Smith (Jornal do Commercio, 27 de janeiro de 1843, na segunda coluna).

 

 

Nos cinco meses que esteve no Brasil, a presença de Morand era constantemente requisitada no palácio real de São Cristóvão, onde fotografou as vizinhanças, copiou quadros da Galeria Real de Pinturas e retratou membros da família imperial, além de dona Francisca, irmã caçula do imperador.

Existe uma polêmica em torno da autoria de um dos três primeiros daguerreótipos produzidos no Brasil – até hoje conhecidos. São do Paço da Cidade, do Chafariz do Mestre Valentim e fachada do Mercado do Peixe; e do Mercado da Calendária. Alguns historiadores da fotografia consideram que foram de autoria do abade francês Louis Comte (1798 – 1868), que esteve no Rio de Janeiro, em 1840. Outros afirmam que um deles, o que retrata d. Pedro II (1825 – 1891) descendo de sua carruagem em frente ao Paço Imperial, seria de autoria de Morand.

A bordo do navio norte-americano Susan, Morand deixou o Rio de Janeiro em direção a Nova York, em 13 de abril de 1843 (Jornal do Commercio, 14 e 15 de abril de 1843, na última coluna).

Morand e Smith foram sucedidos por J. D. Davies, que comprou deles uma grande porção de lâminas, etc, convidou o público para visitar a oficina no Hotel Pharoux e, pouco depois, estabeleceu seu gabinete na rua do Ouvidor, 75 (Jornal do Commercio25 de abril de 1843, na segunda coluna, e 3 de maio de 1843, na terceira coluna). Algumas fontes levantam a possibilidade de Morand não ter retornado direto para Nova York.

1843 – Nascimento de sua filha, Caroline Lydia Morand (1843 – 1902), em Nova York.

1844 a 1846 – Catálogos de Nova York informavam que entre 1844 e 1846, o endereço do gabinete de daguerreotipia de Morand, em sociedade com George W. Morand, era Chambers Street, 73.

c. 1846 – Em meados da década de 1840, Morand trabalhou como daguerreotipista em várias cidades do sul dos Estados Unidos.

Nascimento de sua segunda filha, Mary (1846 – 1863).

1847 – Morand trabalhava como daguerreotipista, em Saint Louis, na Morand and Company´s Gallery of Daguerreotype Portraits and Family Groups.

Retornou a Nova York e abriu uma galeria na Chatham Street, 132, mesma rua em que morava.

1851 – Morand foi eleito presidente da New York State Daguerreian Association.

Fez parte do comitê que elaborou o estatuto da American Daguerre Association.

Fez parte do comitê formado pela American Daguerre Association para investigar a autoria da invenção de um processo para produzir daguerreótipos coloridos reivindicado por Levi Hill (1816 – 1865).

Foi publicado na edição de abril da revista Photographic Art-Journal, o artigo Augustus Morand the Daguerrean Art, sobre Augustus Morand, de autoria do reverendo Daniel Parish Kidder (1815 – 1891), teólogo e escritor que viveu entre 1837 e 1840 no Brasil. Uma curiosidade: em dezembro de 1839, Kidder embarcou em Salvador no mesmo navio que trouxe o abade Louis Comte para o Rio de Janeiro. Foi o abade que apresentou o daguerreótipo a d. Pedro II, em janeiro de 1840 (Jornal do Commercio de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna, e de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna). Kidder foi o autor dos livros Sketches of residence and travel in Brazil e Brazil and the brazilians, publicado em 1857.

1852 – Morand estabeleceu uma nova galeria na Chatham Street, 65, em Nova York.

1857 -1858 – Trabalhava como editor na Broadway, 379, em Nova York.

1859 – Comprou a galeria de Alexander Becker, situada na Broadway, 411, em Nova York.

1860 – Segundo catálogo de Nova York, Morand trabalhava como fotógrafo na Broadway, 379. Outras fontes indicam que nesse ano ainda possuía a galeria na Broadway, 411.

1860 – 1862 – Augustus e George H. Morand estabeleceram uma galeria no Brooklyn.

1863 – A filha de Morand, Mary, faleceu de doença cardíaca aos 17 anos. Na época, Morand residia na Washington Street, nº. 210, no Brooklyn (The New York Times, 24 de agosto de 1863).

1896 – Falecimento de Morand, na Inglaterra.

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica