A estátua do Pequeno Jornaleiro por Alfredo Krausz

A Brasiliana Fotográfica, no Dia do Jornaleiro, destaca a imagem Estátua do Pequeno Jornaleiro de autoria de Alfredo Krausz (? – 19?). Pouco se sabe, até o momento, sobre este fotógrafo. Imagens produzidas por ele integraram a exposição São Paulo 450 Anos: a imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Salles, realizada no Centro Cultural Fiesp, entre 23 de janeiro e 27 de junho de 2004. No acervo fotográfico do portal, há 52 imagens, todas do Instituto Moreira Salles, produzidas por Krausz no Rio de Janeiro – registros da Baía de Guanabara, de avenidas e ruas, de cinemas, edifícios e monumentos, do Cristo Redentor, dos Arcos da Lapa, dentre outras – , e, em São Paulo, a de um Zepellin sobrevoando a cidade com destaque para o Edifício Martinelli.

Acessando o link para as fotografias de Alfredo Krausz disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

 

 

A Estátua do Pequeno Jornaleiro foi inaugurada na confluência das ruas Ouvidor e Miguel Couto junto à avenida Rio Branco, durante as festas do Mês da Cidade, em 1º de junho de 1933, por iniciativa do jornal A Noite. O discurso da inauguração foi feito pelo escritor Coelho Neto (1864 – 1934) (A Noite, 2 de junho de 1933). Um dos maiores incentivadores das festas foi Anísio Teixeira (1900 – 1971), então Diretor da Instrução Municipal do Rio de Janeiro e um dos mais importantes educadores do Brasil (A Noite, 22 de maio de 1933).

A obra, do caricaturista Fritz, pseudônimo do carioca Anísio Oscar Mota (1895-1969), foi fundida em bronze na Zani Fundição Artística e Metalúrgica Ltda e foi o ponto de partida para a criação da Casa do Pequeno Jornaleiro, concretizada, em 1940, pela então primeira-dama Darcy Vargas (1895 – 1968). A estátua reproduz uma cena que era muito comum no Rio de Janeiro do início do século XX: um menino que vestindo roupas velhas e com jornais debaixo do braço gritava as últimas manchetes do dia para vender os exemplares de jornal que carregava.

 

 

A inspiração de Fritz para a criação da estátua foi um menino chamado José que vendia, durante a década de 20, jornais nas ruas do Rio de Janeiro, e vivia na redação de O Malho, onde o caricaturista trabalhava como repórter. O menino não tinha parentes e suas roupas eram quase o dobro de seu tamanho. Já havia sido, anteriomente, o inspirador do personagem Pirulito (Jornal do Brasil, 19 de setembro de 1963).

 

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Segundo o historiador da música popular brasileira Carlos Didier (1954-) que com João Máximo (1935 – ) escreveu o livro Noel Rosa – Uma biografia (1990), no dia da inauguração da estátua, no Programa Casé, o poeta e compositor Orestes Barbosa (1893 – 1966)  fez, tendo como fundo musical solos de violão de Noel Rosa (1910 – 1937), a seguinte saudação ao monumento: “Esse garoto, que está aí na avenida, é a rua. A rua é o aplauso sincero e a vaia justa“(O GLOBO, 11 de janeiro de 2016).

 

 

 

Entre 1996, durante o Projeto Rio Cidade, a estátua foi transferida para a calçada da rua Sete de Setembro. Em  janeiro de 2016, o Pequeno Jornaleiro foi para o Parque Noronha Santos, devido às  obras do VLT  (O GLOBO, 11 de janeiro de 2016). Foi reinaugurado próxima a seu local original, na esquina da rua do Ouvidor com a avenida Rio Branco, em 3 de outubro de 2019 (O GLOBO, 3 de outubro de 2019).  E assim o grito do Pequeno Jornaleiro voltou a ecoar no Centro do Rio de Janeiro.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

Fontes:

Enciclopédia Itaú Cultural

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Inventário dos Monumentos do Rio de Janeiro

O GLOBO

Site Senado Federal

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXI – O Chafariz do Largo da Carioca

 

 

Com registros dos fotógrafos Augusto Malta (1864 – 1957)Guilherme Santos (1871 – 1966) e Marc Ferrez (1843 – 1923), o Chafariz do Largo da Carioca é o tema do 21º artigo da Série O Rio de Janeiro desaparecido. Teve sua pedra fundamental lançada em 5 de fevereiro de 1832 e começou a funcionar em 7 abril de 1834 (Brasil, Ministério do Império, 1833 e  1834Jornal do Commercio, 8 de abril de 1834, última coluna). Seu projeto é quase sempre atribuido exclusivamente ao arquiteto francês Grandjean de Montigny (1776 – 1850), membro da Missão Artística Francesa. Porém, segundo Brasil Gerson, o autor principal do projeto do chafariz teria sido o coronel e engenheiro lisboeta Joaquim Cândido Guilhobel (1787 – 1859), que havia sido aluno de Montigny no curso de Arquitetura da Academia Imperial de Belas Artes e que, em 1831, tornou-se professor de Desenho da Academia Militar (Império do Brasil: Diário Fluminense, 31 de maio de 1931, última coluna).

 

 

 

Tinha 35 bicas para o abastecimento de água da população, tanques para as lavadeiras e um bebedouro de animais. Foi demolido entre 1925 e 1926, na administração do prefeito Alaor Prata (1882 – 1964) (O Imparcial, 19 de agosto de 1925, terceira coluna).

 

 

Acessando o link para as fotografias do Chafariz do Largo da Carioca disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Foi o terceiro chafariz do Largo da Carioca: o primeiro, com 12 bicas de bronze, foi inaugurado, em 1723, durante o governo de Aires de Saldanha e Albuquerque (1681 – 1756); e, o segundo, provisório e de madeira, com 40 bicas, em 1830 (Jornal do Commercio, 24 de maio de 1830, primeira coluna).

 

 

Sob a alegação de motivos de trânsito que determinariam a necessidade de alargamento do Largo da Carioca, foi realizada a demolição do Chafariz de Grandjean de Montigny, iniciada em 11 de setembro de 1925. Foi informado que o chafariz seria rearmado em um recanto da Quinta da Boa Vista de acordo com suas disposições antigas (O Imparcial, 12 de setembro de 1925, última coluna). A demolição começou sob a supervisão do engenheiro Ângelo Barata, da Prefeitura do Rio de Janeiro. Segundo artigo da advogada e jornalista feminista Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971), publicado em O Paiz, de 28 de outubro de 1927, a demolição foi dirigida por Maria Esther Correia Ramalho, uma das primeiras engenheiras do Brasil, da turma de 1922 da Escola Politécnica da Universidade do Brasil.

 

 

Houve reações contrárias como a do escritor e crítico de arte e arquitetura, José Marianno Filho (1881 – 1946), na época presidente da Associação Nacional de Belas Artes; e dos escritores Coelho Netto (1864 – 1934) e Escragnolle Doria (1869 – 1948). A demolição chegou a ser suspensa devido a uma ação impetrada pelos padres do Convento de Santo Antônio (O Imparcial20 de agosto21 de agosto26 de setembro, 9 de outubro de 1925; 2 de abril de 1926; O Paiz, 25 de outubro de 1925, sexta coluna; Correio da Manhã, 15 de janeiro de 1926, quarta coluna; Revista da Semana, 26 de setembro de 1925; Universal, 26 de agosto de 1925).

 

“O passado é o pesadelo do presente. Os artistas de hoje temem-lhe o confronto”. 

José Marianno Filho sobre a demolição do Chafariz do Largo da Carioca

 

 

 

 

 

 

Já o professor Raul Lessa de Saldanha da Gama (1882 – 1945), da Escola Nacional de Belas Artes, foi a favor da decisão do prefeito Alaor Prata (Gazeta de Notícias, 24 de novembro de 1925).

 

 

Segundo editorial de O Imparcial, a demolição do chafariz não melhorou o trânsito no local e deixou uma área sem calçamento, inútil e horrivelmente feia (O Imparcial, 2 de abril de 1926).

 

 

Sua demolição causou falta de água para os trabalhadores (O Imparcial, 6 de março de 1927).

 

 

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Blog As Histórias dos Monumentos do Rio

Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963.

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

ROSA, Francisco Ferreira da. Rio de Janeiro em 1922-1924. Rio de Janeiro: Typographia do Annuario do Brasil (Almanak Laemmert), 1924. 222 p. (Coleção Memória do Rio 3 – Reprodução).

Site Biblioteca do IBGE

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site Mulher 500 anos atrás dos panos

Site Multirio

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhosde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

 

Série “1922 – Hoje, há 100 anos” VIII – A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país

 

“Uma exposição universal era um inventário das regiões do mundo e do conhecimento humano, contemplava o ‘novo’ e também o ‘exótico’. Participar da exposição era como existir sobre a face da Terra; percorrê-la era como dar uma volta ao mundo”.

Portal da Biblioteca Nacional

 

A Exposição Internacional do Centenário da Independência, um dos maiores eventos internacionais já realizados no Brasil, é o assunto do oitavo artigo da Série 1922 – Hoje, há 100 anos. Foi uma espécie de vitrine do progresso nacional e mundial. Essa era a tradição característica das exposições universais, cuja primeira foi realizada, em 1851, em Londres: eram espetáculos da civilização industrial e do trabalho, feiras de negócios e de estímulo à cultura, que colocavam os centros urbanos como os pólos da modernidade.

 

A Exposição de 1922 foi a primeira exposição universal realizada após a Primeira Guerra Mundial e o mundo estava mobilizado por uma vontade de renovação. Mobilização evidenciada pelo envolvimento da população em geral e também da intelectualidade brasileira com o evento. Avaliações sobre os cem anos do Brasil como país independente eram feitas e havia a percepção de que o país ainda não havia se constituido como nação. Formava-se então a geração intelectual dos anos 20 cujo compromisso era criar a nação, forjar a identidade nacional e construir o Brasil moderno (APUD MOTTA, 1992:18).

 

“O Centenário de nossa Independência veio  encontrar-nos com a máscara do século em nosso rosto”

Careta, 9 de setembro de 1922

 

Foi a primeira exposição universal sediada no Brasil, cuja primeira participação nessas exposições aconteceu em 1862, em Londres, com o apoio e subsídio de dom Pedro II (1825 – 1891) como forma de colocar o país, a partir da exibição de avanços científicos e de sua estabilidade política, no patamar dos países civilizados.

 

 

A Exposição de 1922 foi inaugurada no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1922, há exatos 100 anos, e terminou em 24 de julho do ano seguinte (O Paiz, 25 de julho de 1923). Seu fim estava previsto para 31 de março de 1923, mas foi prorrogada até julho. Segundo o último número da revista A Exposição de 1922, órgão de divulgação do evento, entre 7 de setembro de 1922 e 2 de julho de 1923, foi visitada por 3.626.402 pessoas, uma média de  12.723 visitantes por dia (A Exposição de 1922, edições 17 e 18). Por tudo o que aconteceu no Rio de Janeiro durante a Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, ela é considerada um marco do encontro do Brasil com a modernidade.

Com fotografias realizadas ao longo do evento foi produzido o Álbum Internacional do Centenário da Independência  de autoria de Carlos Bippus, Thiele & Kollien e Lopes. 

 

 

Muitos anos depois, em 1987, um dos exemplares deste álbum foi apresentado ao Conselho Deliberativo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, durante uma homenagem ao presidente da White Martins, Félix de Bulhões, que havia feito uma doação de 200 mil dólares à instituição para a compra de, além do álbum citado, mais três – um sobre Salvador, de 1933; um sobre a Estrada de Ferro Sorocabana, com fotos do suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928), de 1908; e um com fotos do Rio de Janeiro, produzidas por Marc Ferrez (1843 – 1923), no início do século XX -, 11 quadros, uma escultura e uma sequência de fotos que forma o Panorama 360º da cidade de Petrópolis, de autoria do alemão Jorge Henrique Papf (1863 – 1920), de 1898 (Jornal do Brasil, 23 de outubro de 1987, última coluna).

 

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Acessando o link para as fotografias do Álbum Internacional do Centenário da Independência disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Em algumas fotografias do Álbum Internacional do Centenário da Independência pode-se admirar a iluminação feérica do evento, organizada pelo engenheiro inglês W. D´Arcy Ryan (1870 – 1934), que havia sido o responsável pela iluminação da Exposição de São Francisco, na Califórnia, em 1916. Esteve no Rio de Janeiro, em dezembro de 1921, quando expôs seu plano de iluminação para a Exposição de 1922 (Correio da Manhã, 14 de dezembro de 1921, quarta coluna). A execução da instalação foi realizada pela General Electric, com a supervisão de um engenheiro da empresa, J. W. Shaffer. O Engenheiro Chefe Eletricista da Comissão Organizadora, Roberto Marinho de Azevedo, e seu auxiliar, o engenheiro Eugênio Hime, também participaram da instalação. “Essa iluminação é reputada igual senão superior a tudo que se tem feito de mais grandioso até hoje” (Revista da Exposição de 1922, outubro de 1922).

 

 

Destacamos também imagens realizadas por Augusto Malta (1864 – 1957), fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro, pelo amador Guilherme Santos (1871 – 1966), por Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotos aéreas do Rio de Janeiro; por Marc Ferrez (1843 – 1923), com registros coloridos e em preto e branco; e por fotógrafos ainda não identificados.

 

 

São imagens dos pavilhões dos Estados e dos países, do Chalé Moça, da Nestlé; do Pavilhão Matarazzo, do Parque de Diversões, do Palácio das Festas, do Palácio do Calabouço, do Bar da Cervejaria Antártica, do restaurante, de marinheiros do navio de guerra norte-americano Nevada, de aspectos da demolição do Morro do Castelo, e do Hotel Glória, primeiro hotel cinco estrelas do Brasil e também o primeiro prédio em concreto armado da América do Sul, projetado pelos arquitetos francês Joseph Gire (1872 – 1933) e alemão Sylvio Riedlinger e construído pela família Rocha Miranda especialmente para a ocasião.

 

 

Dois outros hotéis de grande porte foram construídos devido à realização da exposição: o Hotel Sete de Setembro ou Hotel do Centenário, na Avenida do Contorno do Morro da Viúva, atual Avenida Rui Barbosa e inaugurado em 15 de julho de 1922; e o Hotel Copacabana Palace, cuja inauguração, em 13 de agosto de 1923, aconteceu após o término da exposição. Foi projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire (1872 – 1933) e construído por Otávio Guinle. Um hotel de menor porte, também construído na época, foi o Hotel Regina, inaugurado em 3 de setembro de 1922, na rua Ferreira Vianna, nº 29, onde funciona até os dias atuais.

 

 

 

 

 

Acessando o link para as fotografias da Exposição do Centenário da Independência produzidas por Augusto Malta, Guilherme Santos, Jorge Kfuri, Marc Ferrez e por fotógrafos ainda não identificados disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

Fotos do mesmo pavilhão realizadas por diferentes fotógrafos:

 

Palácio das Festas por Carlos Bippus, Guilherme Santos e Marc Ferrez

Parque de Diversões por Augusto Malta, Marc Ferrez e Thiele & Kollien

Pavilhão da Inglaterra por Guilherme Santos, Marc Ferrez e Thiele & Kollien

Pavilhão da Itália por Augusto Malta, Marc Ferrez e Thiele & Kollien

Pavilhão da Tchecoslováquia por Augusto Malta, Marc Ferrez e Thiele & Kollien

Pavilhão de Caça e Pesca e Pavilhão de Estatística por Augusto Malta e Marc Ferrez

Pavilhão de Portugal por Guilherme Santos e Photo Lopes

Pavilhão do Japão por Guilherme Santos e Thiele & Kollien

Pavilhão do México por Augusto Malta, Marc Ferrez e Thiele & Kollien

Pavilhão ou Palácio dos Estados por Augusto Malta, Carlos Bippus e Marc Ferrez 

Pavilhão Matarazzo por Marc Ferrez e Thiele & Kollien

 

Breve perfil da Exposição Internacional do Centenário da Independência

 

 

“Qualquer coisa de grande nos levanta o peito ao arfar das esperanças novas e muita coisa de ingênuo, de cândido, de infantil nos toca as fibras mais íntimas adoçando-nos a alma no seguir com os olhos o caminho do passado”.

O Paiz, 7 de setembro de 1922

 

 

Já no primeiro número da Revista do Brasil, em janeiro de 1916, chamava-se atenção para a necessidade de se comemorar o centenário da independência, classificado como o primeiro marco glorioso da existência nacional. Na edição de setembro de 1917 do periódico Eu sei tudo foi publicado o artigo Noventa e cinco anos de independência, de Mario Bhering, onde o autor afirmava que com “a aproximação do Centenário da nossa Independência parece que se afervora o culto cívico, o ardor patriótico pelo 7 de setembro, ganhando de intensidade ano para ano”.

 

 

“…que momento poderia ser mais adequado do que este em que festejamos o centenário da nossa independência política? Precisamos demarcar as fronteiras do espírito nacional como já se fixaram as do território”.

Francisco Pontes de Miranda (1892 – 1979), jurista e intelectual brasileiro

 

 

A grandiosa Exposição Internacional do Centenário da Independência foi imaginada bem antes de sua realização. Em maio de 1920,  o representante de um grupo de capitalistas estrangeiros no Brasil, Ralph Cobham, sugeriu ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio que se realizasse no país em terrenos de Copacabana uma exposição internacional de comércio e indústria para a comemoração do Centenário da Independência. Em outubro, ele foi nomeado cônsul em Durban, na África do Sul (Correio Paulistano, 30 de maio de 1920, quarta coluna; O Paiz, 18 de outubro de 1920, terceira coluna). O deputado Paulo de Frontin (1860 – 1933) propôs, em julho do mesmo ano, que o governo liberasse uma verba de 100 mil contos de réis para o evento (Jornal do Brasil, 16 de julho de 1920, penúltima colunaRevista da Semana, 1º de janeiro de 1921).

O Decreto nº 4.175, de 11 de novembro de 1920, determinou a realização de uma Exposição Nacional na Capital da República integrando o programa de comemorações do Centenário da Independência.

 

Decreto nº 4.175, de 11 de novembro de 1920

 

Autoriza o Poder Executivo a promover, conforme melhor convier aos interesses nacionaes, a commemoração do Centenario da Independencia Politica do Brasil

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil:
Faço saber que o Congresso Nacional decretou e eu sancciono a resolução seguinte:

Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a promover desde já e conforme melhor convier aos interesses nacionaes, a commemoração do Centenario da Independencia Politica do Brasil, acceitando a cooperação ou concurso de todas classes sociaes, observadas as seguintes condições: 1ª Constituição de uma commissão idonea, que ficará directamente subordinada ao Presidente da Republica, para organizar o programma que resultar do exame e coordenação dos projectos que forem formulados pelos membros e commissões do Congresso, Ministros, Prefeitura do Districto Federal, Estados, municipalidades ou particulares; 2ª Observação do criterio de preferencia para a realização de uma Exposição Nacional na Capital da Republica.

Art. 2º O Governo organizará o programma da commemoração, submettendo-o ao conhecimento do Congresso, com o pedido de credito necessario para a execução da presente lei.

Art. 3º Revogam-se as disposições em contrario.

Rio de Janeiro, 11 de novembro de 1920, 99º da Independencia e 32º da Republica.

EPITACIO PESSÔA.
Alfredo Pinto Vieira de Mello.

 

A regulamentação oficial das atividades comemorativas foi determinada pelo Decreto nº 15.066, de 24 de outubro de 1921. O Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, sob a chefia do engenheiro José Pires do Rio (1880 – 1950), foi o responsável pela organização da exposição, que, segundo o programa para a comemoração do 1º Centenário da Independência Política do Brasil, deveria compreender as principais modalidades do trabalho no Brasil, atinentes à lavoura, à pecuária, à pesca, à indústria extrativa e fabril, ao transporte marítimo, fluvial, terrestre e aéreo, aos serviços de comunicação telegráficos e postais ao comércio, às ciências e às belas artes (apud MOTTA, 1992: 67).

 

Decreto nº 15.066, de 24 de outubro de 1921

 

Dá execução ao Decreto Legislativo n. 4.175, de 11 de novembro de 1920.

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil, tendo em vista o que dispõe o Decreto Legislativo n. 4.175, de 11 de novembro de 1920,

DECRETA:

Art. 1º A Commissão, de que trata o n. 1 do art. 1º do citado decreto, ficará constituida do Ministro da Justiça e Negocios Interiores, do Ministro da Agricultura, Industria e Commercio e do Prefeito do Districto Federal.

Art. 2º A Commissão providenciará para a execução do programma da Commemoração do Centenario da Independencia Politica do Brasil, já organizado, com as modificações que se tornarem necessarias.

Art. 3º As attribuições dos membros da Commissão e a discriminação dos serviços a cargo de cada um delles, serão reguladas pelo Regimento Interno que, para esse fim, deverá ser organizado pela mesma Commisão.

Art. 4º Revogam-se as disposições em contrario.

Rio de Janeiro, 24 de outubro de 1921, 100º da Independencia e 33º da Republica.

EPITACIO PESSÔA.
Joaquim Ferreira Chaves.

 

 

A realização de uma “Exposição Universal” no Rio de Janeiro, então capital federal, destacou-se como a mais ambiciosa das atividades comemorativas então programadas. Desde a primeira exposição internacional em Londres (1851), cujo símbolo foi o Palácio de Cristal, as chamadas “vitrines do progresso” sempre apresentaram alguns aspectos em comum, entre os quais se destacavam, entre outros, as motivações comerciais, o afluxo de divisas e turistas, o impacto sobre a infraestrutura urbana, e a difusão de valores e de padrões de conduta. O mais importante, e ainda hoje é assim, era a afirmação do prestígio nacional, representado pelos pavilhões de cada país que constituíam a ossatura das exposições.

Atlas Histórico do Brasil – FGV – CPDOC

 

 

 

 

Em julho de 1922, foi lançada pelo Órgão da Comissão Organizadora da Exposição do Centenário a revista A Exposição de 1922, dirigida por Antônio Assis de Pádua Rezende. Foram publicados 18 edições (Revista da Exposição de 1922, julho de 1922).  A comissão Organizadora era presidida pelo ministro interino da Agricultura Indústria e Comércio e também ministro da Viação e Obras Públicas, José Pires do Rio (1880 – 1950), sendo Antônio Olintho dos Santos Pires (1860 – 1925) o primeiro vice-presidente e Antônio Assis de Pádua Rezende o segundo vice-presidente. Delfim Carlos da Silva era o secretário-geral e Mário Barbosa Carneiro, tesoureiro.

 

 

No dia 7 de setembro de 1922, as comemorações do centenário foram abertas. O presidente da República, Epitácio Pessoa (1865 – 1942), assistiu na Praça Deodoro o desfile das tropas, vendo-se em primeiro lugar os contingentes estrangeiros em fraternal solidariedade com as forças nacionais. Depois o presidente assistiu ao Juramento da Bandeira, realizado pelos alunos das escolas públicas municipais, na Prefeitura.

Às 14 horas, no Palácio do Catete, Epitácio Pessoa recebeu os cumprimentos das Embaixadas Estrangeiras, do Corpo Diplomático, de Comissários Gerais, de membros do Congresso Nacional, de oficiais de terra e mar, e do alto funcionalismo público.

Finalmente, às 16h, no Palácio das Festas, Epitácio inaugurou solenemente a exposição. O evento ocupou uma grande área – do Passeio Público à Ponta do Calabouço e, de lá, se estendia pelo espaço aberto com a demolição do Morro do Castelo (O Paiz, 8 e 9 de setembro de 1922).

 

“Nenhuma linhagem falará melhor do que o certame que hoje inauguramos. Ele não se realiza como pretexto para festins, mas como demonstração de esforços extraordinários de inteligência consumidos num século de atividade, em quase todos os ramos de trabalho. Haverá aí mostras desse passado. Umas servirão para acentuar como os povos devem guardar certos patrimônios legados por seus maiores; outras servirão para  abrir os olhos aos que se aferram à rotina, e hão de constituir, pela comparação com os produtos aperfeiçoados aqui expostos, benéfico estímulo para melhorar e progredir”.

Trecho do discurso proferido por Joaquim Ferreira Chaves (1852 – 1937),ministro da Justiça,

na inauguração oficial da Exposição de 1922

 

 

 

À noite, o presidente recebeu convidados, dentre eles todos os membros das representações oficiais no Theatro Municipal, onde foi apresentada a ópera O Guarany, de autoria de Carlos Gomes (1836 – 1896).

 

 

 

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 O Paiz, 8 de setembro de 1922

 

Dentre as comemorações civis do Centenário teve um destaque sem par a inauguração da Exposição.

Do que é, ou melhor, do que vae ser esse certamen internacional póde-se ter uma idéia pelo qual já está prompto. Num esforço colossal, cuja gloria cabe ao governador da cidade, conquistou-se á Guanabara o alargamento da Avenida Wilson e derrubou-se boa parte do innominavel bairro da Misericórdia, para se fazer surgir em todo esse terreno um conjunto suprehendente de palácios e pavilhões , que, uma vez concluídos com todos os seus detalhes fará a maior honra á nossa engenharia civil. E não se trata de construções ligeiras. A maioria do que está ali existe é para ficar: é para fazer parte do novo bairro – que o arrasamento do Morro do Castelo ampliará até o coração da cidade.

Sem falar nos pavilhões estrangeiros, quasi todos muito notáveis, temos o Palácio das Festas que é verdadeiramente grandioso, e o Palácio das Industrias, que é um assombro de transformação e aproveitamento do velho Arsenal de Guerra – obra que, sem favor, se pode chamar genial. Todo aquelle antigo aspecto sinistro da penitenciaria e convento, parece-nos agora numa feição architetonica severa, mas risonha, relembrando a origem colonial, mas com requintes de arte, que se torna encantadora. E a Torre das Jóias corôa essa obra de maneira deslumbranteDentro de algumas semanas, quando tudo estiver concluído e nos seus logares, veremos confirmado o juízo que alguém já externou de ser a Exposição do Centenário e mais bella desses últimos tempos. E será também o attestado mais evidente do nosso arrojo e da nossa capacidade de trabalho, subordinada aos dictames da arte.”

 

 

O objetivo da Exposição de 1922 era exibir um país moderno, atualizado em termos de ciência, avanços industriais e tendência das artes e da moda. Para tal, o Congresso liberou uma verba considerada exorbitante. Mais de 20 chefes de Estado e, acredita-se, em torno de 3,5 milhões de pessoas a visitaram ao longo de seus quase 11 meses de celebrações. Cerca de cinco mil pessoas trabalharam no evento. Foram realizadas as primeiras exibições de cinema durante uma exposição com filmes elaborados para a ocasião. O de maior sucesso foi No país das Amazonas (1922), do português Silvino Santos (1886 – 1970), que louvava as belezas da região e recebeu a medalha de ouro do júri da Exposição.

Segundo a historiadora Marly Motta, “Se as reluzentes máquinas eram o orgulho maior dos expositores do século XIX, no século XX, quem dava as cartas era a ciência, expressa na confiabilidade dos dados estatísticos, nas maravilhas da química e nas luzes da eletricidade”. Esse seria era o traço que diferenciava as exposições universais do século XIX das do século XX, incluindo a de 1922, no Rio de Janeiro. Se nas exposições do século XIX o objetivo principal era a venda de produtos e a conquista de novos mercados, no século XX o objetivo principal desses eventos passou a ser a difusão e venda de idéias que, além de expostas, eram debatidas a partir da realização de conferências e congressos sobre diversos temas e a exibição de filmes.

 

 

Sua inauguração, com o comparecimento de cerca de 200 mil pessoas, contou com a realização de paradas militares e discursos do presidente da República e das maiores autoridades do país. A área da exposição estava, como já mencionado, feericamente iluminada por luz elétrica.

A área da exposição possuia 2.500 metros de extensão e seu percurso tinha duas partes. A percorrida a partir do portão na Praça Floriano Peixoto e que correspondia à Avenida das Nações e “que abrigava os pavilhões de honra de treze nações estrangeiras (Portugal tinha ali também seu Pavilhão Industrial) 3 , o parque de diversões, o cinema, bares de cervejarias, lanchonetes, restaurante oficial, pavilhões de indústrias independentes, além de vários pequenos quiosques de produtos alimentícios. A segunda parte era a área da Praça do Mercado, onde os onze pavilhões nacionais foram localizados. O acesso a esta área se dava pelo portão neocolonial, sendo também neocoloniais os pavilhões da Fiação, da Caça e Pesca, das Pequenas Indústrias e o das Grandes Indústrias, onde seria inaugurado, ainda durante a exposição, o Museu Histórico Nacional” (Reconstituição Histórico Temporal da Exposição Internacional do Centenário da Independência).

“A Exposição Nacional exibiu 25 seções relacionadas a educação e ensino; letras, ciências e artes; mecânica; eletricidade; engenharia civil e transporte; agricultura; horticultura e arboricultura; florestas e colheitas; indústria alimentar; indústrias extrativas e metalurgia; decoração e mobiliário; fios, tecidos e vestuários; indústria química; indústrias diversas; economia social; higiene e assistência; ensino prático, instituições econômicas e trabalho manual da mulher; comércio; economia geral; estatística; forças de terra e esportes. Em paralelo, foram oferecidas atividades como exibição de filmes e conferências” (Fiocruz – Brasiliana – a divulgação científica no Brasil).

A Porta Monumental do evento ficava ao lado do Palácio Monroe, no final da avenida Rio Branco. As reações em relação à abertura da exposição variaram: foi considerada um sucesso por alguns períódicos e, já outros, criticaram o acontecimento. Na verdade, na ocasião, poucos pavilhões estavam abertos ao público. A revista  Careta chamou atenção para o fato antes e depois da inauguração.

 

 

 

 

 

 

Além do Brasil, os seguintes países montaram pavilhões – Argentina, Bélgica, Dinamarca, Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália, Japão, México, Noruega, Portugal, Suécia e Tchecoslováquia. Ficavam na avenida das Nações. Uma curiosidade: Portugal possuía dois pavilhões e o maior foi transferido e reconstruído em Lisboa.

 

 

Foram construídos especialmente para a ocasião e instalados em uma extensa área proveniente de aterros e outras intervenções, dentre as quais o desmonte do Morro do Castelo, iniciativa saudada por personalidades importantes como o sanitarista Belisário Pena e criticada por outras, dentre elas, os escritores Monteiro Lobato (1882 – 1948) e Lima Barreto (1881 – 1922). 

 

 

O desmonte integrava a reforma urbana implementada, entre 1920 e 1922, pelo prefeito Carlos Sampaio (1861 – 1930).

 

 

Surgia então a nova Esplanada do Castelo, onde foram edificados os pavilhões da Exposição. No fim do evento, a área tornou-se muito valorizada e foi loteada. Mas antes, algumas revistas ironizaram a escolha do local para a realização da Exposição de 1922 devido ao perigo de ressacas e alagamentos.

 

 

Sobre o estilo dos prédios, a arquiteta e museóloga Nina Levy escreveu:

“Entre as principais construções nacionais na Exposição que seguem a linguagem do ecletismo teríamos a Porta Principal (Mario Fertin e Edgar Viana), o Pavilhão do Distrito Federal (Silvio Rebecchi), o Pavilhão da Estatística (Gastão Bahiana) o Palácio dos Estados (H . Pujol Junior), o Palácio das Festas (Archimedes Memória e Francisque Cuchet), o Pavilhão da Música e a Fachada do Pavilhão das Indústrias Particulares (Nestor de Fi gueiredo) e a Fachada do Parque de Diversões (Morales de Los Rios).

Já dentro do espírito neocolonial estariam a Porta Norte (Raphael Galvão), o Palácio da Fiação (Morales de Los Rios Filho), o Pavilhão de Caça e Pesca (Armando de Oliveira), o Pavilhão das Pequenas Indústrias (Nestor de Figueiredo e C. S. San Juan) e a curiosa obra de restauração e adaptação do antigo Arsenal de Guerra, da Casa do Trem e do Forte do Calabouço para compor o Palácio das Grandes Indústrias (Archimedes Memória e Francisque Cuchet)”.

 

Augusto Malta, Sentados, da esquerda para a direita: Nestor de Figueiredo, Adollpho Morales de los Rios (pai) e Francisco Cuchet. Em pé, na mesma ordem: Arquimedes Memoria, Adolpho Morales de los /rios (filho), Celestino Severo de Juan e Edgar Vianna, de 7 de setembro de 1922. Rio de Janeiro, RJ / Rio antigo, por Charles Dunlop.

Augusto Malta. Sentados, da esquerda para a direita: Nestor de Figueiredo, Adolpho Morales de los Rios (pai) e Francisque Cuchet. Em pé, na mesma ordem: Archimedes Memória, Adolpho Morales de los Rios (filho), Celestino Severo de Juan e Edgar Viana, 7 de setembro de 1922. Rio de Janeiro, RJ / Rio Antigo, por Charles Dunlop.

 

 

Somente seis prédios da Exposição de 1922 ainda existem: no Rio de Janeiro, o Pavilhão da Administração e do Distrito Federal, atual Museu da Imagem e do Som; o Palácio da França, uma réplica do Petit Trianon, residência de campo de Maria Antonieta em Versalhes, atual Academia Brasileira de Letras; o Palácio das Indústrias, atual Museu Histórico Nacional; o Pavilhão de Estatística, órgão do Ministério da Saúde; o do Pavilhão das Indústrias Particulares, o restaurante Albamar – que já existia antes da exposição e abrigava o Mercado Municipal; e o do Pavilhão das Indústrias de Portugal, que foi transferido para Lisboa.

 

 

 

 

 

 

“Foram mais de seis mil expositores, entre nacionais e estrangeiros, que disputavam em muitas categorias a preferência da comissão encarregada de julgar os produtos e atribuir as cobiçadas medalhas e diplomas de Grande Prêmio, Medalha de Ouro e Prata, que valorizariam seus artigos, seus nomes e as marcas de suas firmas. Durante o evento, também foram realizadas várias conferências e palestras sobre temáticas afins e, no curso do ano de 1922, foram ainda lançados diversos tipos de publicações, periódicos, programas, revistas, edições comemorativas de jornais, o Livro de Ouro, o Guia da Exposição (catálogo), cronogramas de atividades, publicações de outros estados e outras que não versavam sobre a exposição em si, mas que foram preparadas para a ocasião de celebrar a Independência do Brasil, como a Carta Geográfica do Brasil ao Milionésimo, elaborada pelo Clube de Engenharia para integrar a Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo”.

O Rio do morro ao mar – A Exposição de 1922: Memória e Civilização

 

Ficha de identificação dos produtos expostos na Exposição de 1922. NO alto, à esquerda, o brasão imperial; e, à direita, o brasão da República

Ficha de identificação dos produtos da Seção Brasileira da Exposição de 1922. No alto, à esquerda, o brasão imperial; e, à direita, o brasão da República

 

A Exposição Nacional exibiu 25 seções relacionadas a educação e ensino; letras, ciências e artes; mecânica; eletricidade; engenharia civil e transporte; agricultura; horticultura e arboricultura; florestas e colheitas; indústria alimentar; indústrias extrativas e metalurgia; decoração e mobiliário; fios, tecidos e vestuários; indústria química; indústrias diversas; economia social; higiene e assistência; ensino prático, instituições econômicas e trabalho manual da mulher; comércio; economia geral; estatística; forças de terra e esportes. Em paralelo, foram oferecidas atividades como exibição de filmes e conferências.

 

Foi oferecido aos visitantes da exposição um serviço de passeios aéreos sobre a Baía de Guanabara em hidroplanos de dois passageiros, partindo da Ponta do Calabouço, perto do restaurante da exposição, onde foi construída uma ponte flutuante para embarque e desembarque.

 

 

Também na Baía de Guanabara fundearam diversos navios estrangeiros: o Moreno, da Argentina; o Maryland e o Nevada, dos Estados Unidos; o Hood e o Repulse, da Inglaterra; o Azuma, o Isuno e o Iwate, do Japão; o República e o Carvalho Araújo, de Portugal; e o Uruguai, do país homônimo.

No estande do Exército foi exposta a Carta Topográfica do Distrito Federal, hoje Município do Rio de Janeiro, na escala de 1:50.000, impressa em sete cores e contendo curvas de nível, cujo levantamento foi o primeiro trabalho do Serviço Geográfico Militar.

 

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Outro destaque da Exposição de 1922 foi a mostra de Saúde Pública do Departamento Nacional de Saúde Pública, que já foi tema de um artigo da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Foi durante a realização da exposição que, por iniciativa da Câmara de Comércio Norte-Americana no Brasil, foram angariados cerca de 40 mil dólares para a confecção de um monumento que simbolizasse a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos. Foi presenteada ao Brasil uma escultura de bronze de uma mulher, em pé, sustentando na mão esquerda os pavilhões norte-americano e brasileiro ornados com folhas de louro e, na direita, uma palma de louros, inaugurada em 4 de julho de 1931.

 

 

Uma série de outros eventos aconteceram durante a exposição, dentre eles uma missa campal, diversos congressos, dentre eles o Congresso Internacional de História da América, promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; e o primeiro Congresso Feminista no país, que será tema de um artigo aqui na Brasiliana Fotográfica, em dezembro; uma sessão solene no Congresso Nacional, um desfile de cerca de 4.600 alunos na avenida Rio Branco, a inauguração do monumento de Cuauhtemoc, oferecido pelo México; além de inúmeros bailes, banquetes, conferências, corridas de cavalo, excursões, recepções e até uma festa veneziana na Enseada de Botafogo (Gazeta de Notícias, 14 de setembro de 1922; O Paiz, 16 de setembro de 1922, terceira coluna; Fon-Fon, 23 de setembro de 1922).

 

 

Em setembro de 1923, foi publicado o Livro de Ouro da Exposição do Centenário, editado pela casa editorial Almanak Laemmert, criada em 1844, pelos irmãos Eduard e Heinrich Laemmert (Correio da Manhã, 25 de novembro de 1923, primeira coluna).

 

 

A primeira grande transmissão pública de rádio do Brasil

 

 

Na abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência, foi realizada a primeira grande transmissão pública de rádio do Brasil. Outras transmissões radiofônicas já haviam sido realizadas no país – pelo padre gaúcho Roberto Landell de Moura (1861 – 1928), em 16 de julho de 1899, em São Paulo (Commercio de São Paulo, 17 de julho de 1899, terceira coluna); e pela Rádio Clube de Pernambuco, fundada em 6 de abril de 1919 (Jornal do Recife, 25 de abril de 1919, última coluna).

 

 

 

Mas esta, realizada em 7 de setembro de 1922, é considerada a primeira transmissão radiofônica oficial brasileira.

Em maio de 1922, a Delegação dos Estados Unidos para a Exposição de 1922 já anunciava as demonstrações que seriam realizadas por empresas norte-americanas (A Noite, 20 de maio de 1922, terceira coluna). Uma estação de 500 watts, montada no alto do Corcovado pela Westinghouse Eletric International em combinação com a Companhia Telefônica Brasileira, irradiou o discurso do presidente Epitácio Pessoa  (1865 – 1942), surpreendendo os visitantes da Exposição Internacional do Rio de Janeiro, através de 80 receptores vindos dos Estados Unidos, instalados em pontos centrais da cidade. A transmissão também foi realizada para Niterói, Petrópolis e São Paulo. Pelo mesmo sistema, à noite, a ópera O Guarany, de Carlos Gomes, encenada no Teatro Municipal, também foi irradiada (Correio da Manhã, 8 de setembro de 1922, quinta coluna; A União (RJ), 14 de setembro de 1922, quarta coluna).

 

 

A Western Electric Company em colaboração com a Companhia Telefônica também esteve presente à exposição onde fez demonstrações do telefone Alto-Falante que funcionando em comum com a radiofonia possibilitava ouvir-se trechos de música e de óperas executados a considerável distância (Jornal do Brasil, 16 de setembro de 1922, sexta coluna).

 

 

Pixinguinha (1897 – 1973), em entrevista, disse que havia tocado também durante as primeiras transmissões radiofônicas oficiais no Brasil. “Toquei num estudiozinho que havia lá e a Zaíra de Oliveira cantou”. O estúdio foi montado no pavilhão dos Estados Unidos.

Segundo Edgar Roquette Pinto (1884 – 1954), considerado o pai da radiofusão no Brasil, durante a Exposição de 1922:

“… muito pouca gente se interessou pelas demonstrações experimentais de radiotelefonia então realizadas pelas companhias norte-americanas Westinghouse, na estação do Corcovado, e Western Electric, na Praia Vermelha. […]. Creio que a causa desse desinteresse foram os alto-falantes instalados na exposição. Ouvindo discurso e música reproduzidos no meio de um barulho infernal, tudo distorcido, arranhando os ouvidos, era uma curiosidade sem maiores consequências”. (BBC, 1988).

 

 

O fato é que no ano seguinte foi fundada, em 20 de abril de 1923, aquela que é considerada a primeira emissora radiofônica do Brasil, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, cujo principal idealizador foi justamente Edgar Roquette-Pinto. Seu o slogan era “Trabalhar pela cultura dos que vivem em nossa terra e pelo progresso do Brasil”. Em caráter experimental, a primeira transmissão da Rádio Sociedade aconteceu em 1º de maio de 1923, Dia do Trabalho, utilizando o prefixo PR1– A e, após, PRA-A e PRA-2. Em 1936 a Rádio Sociedade passou a se chamar Rádio Ministério da Educação.

 

Uma curiosidade: neste mesmo dia, 7 de setembro de 1922, nascia, no Rio de Janeiro, o ator Paulo Autran (1922 – 2007), que se tornaria um dos ícones da cultura brasileira.

 

Links para publicações sobre a Exposição de 1922

Links para as edições da Revista da Semana dedicadas à comemoração do Centenário da Independência:  9 de setembro16 de setembro23 de setembro30 de setembro; 7 de outubro14 de outubro; 21 de outubro; e 28 de outubro de 1922.

 

 

 

Link para o Álbum da Cidade do Rio de Janeiro comemorativo do  1ºCentenário da Independência do Brasil, cuja iniciativa da publicação foi do engenheiro Luiz Raphael Vieira Souto (1849 – 1922)

 

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Link para o Guia Official Exposição Internacional do Rio de Janeiro 1922

 

 

Link para o número do centenário da revista Fon-Fon, 7 de setembro de 1922

 

 

Link para o filme 1922 – A Exposição da Independência (1970), filme com imagens resgatadas do documentário realizado por Silvino Santos (1893 – 1970), em 1922,  dirigido por Roberto Kahane e Domingos Demasi.

 

Cena do filme

Cena do filme 1922 – A Exposição da Independência

 

Link para 60 fotos de aspectos da Exposição de 1922 que fazem parte do álbum Exposição Internacional do Centenário da Independência – Rio de Janeiro – Brasil – 1922/1923, do acervo iconográfico do Acervo Público Mineiro.

 

 

Link para o artigo A apresentação do Departamento Nacional de Saúde Pública na Exposição Internacional do Centenário da Independência, de autoria de Ricardo Augusto dos Santos, publicada na Brasiliana Fotográfica, em 13 de abril de 2020.

 

 

 

Link para o artigo A independência do Brasil pelos olhos de Debret, publicado no portal Brasiliana Iconográfica, em 31 de agosto de 2022.

 

 

Link para o programa Os 100 (ou mais) anos do rádio no Brasil, com roteiro e apresentação da jornalista Helena Aragão, publicado em 2 de setembro de 2020, na Rádio Batuta.

 

Os 100 (ou mais) anos do rádio no Brasil

 

 

Link para o artigo BRAVA GENTE: NA VOZ DE VICENTE CELESTINO, UM ‘HIT’ BICENTENÁRIO DE D. PEDRO I E EVARISTO DA VEIGA, de Pedro Paulo Malta. Discografia Brasileira / Instituto Moreira Salles.

 

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Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ALMEIDA, Hamilton. Padre Landell: o brasileiro que inventou o wireless. Santa Catarina: Editora Insular, 2022.

Atlas Histórico do Brasil – FGV – CPDOC

Biblioteca Nacional. A Exposição Universal de Londres de 1851 e o Palácio de Cristal, 1º de maio de 2020.

BRITISH BROADCASTING CORPORATION. O rádio no Brasil. Londres: Serviço Brasileiro da BBC, 1988. Série de programas de rádio.

CÂMARA, Renato Phaelante da. Fragmentos da história do Rádio Clube de Pernambuco. 2.ed. Recife: Cepe, 1998.

Correio do Cidadão, 1º de junho de 2022.

COSTA, Júlia Fúria. O “Culto da Saudade” nas Comemorações do Centenário da Independência do Brasil: A Criação do Museu Histórico Nacional, 1922Em Tempo de Histórias – Publicação do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Brasília PPG-HIS, nº. 18, Brasília, jan/jul. 2011. ISSN 1517-1108.

DRAGO, Niuxa; VILAS BOAS, Naylor; GUEDES, Sebastião. Reconstituição Histórico Temporal da Exposição Internacional do Centenário da Independência. VI Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, 2020.

DUNLOP, Charles. Rio Antigo, volume III. Rio de Janeiro : Editra Rio Antigo Ltda, 1960.

FERRARETTO, Luiz Artur. De 1919 a 1923, os primeiros momentos do rádio no BrasilRevista Brasileira de História da Mídia (RBHM) – v.3, n.1, jan.2014-jun/2014.

FERREIRA ROSA. O Centenário.

Fiocruz – Brasiliana – a divulgação científica no Brasil

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

HEYNEMANN, Claudia B. Café Brasil: o Império na Exposição Internacional de Filadélfia in Brasiliana Fotográfica, 4 de dezembro de 2019.

JUNQUEIRA, Julia Ribeiro. As comemorações do Sete de Setembro em 1922: uma re(leitura) da História do Brasil.  Versão modificada de um dos capítulos apresentados na dissertação Jornal do Commercio: cronista da História do Brasil em 1922, defendida, em maio de 2010, no Programa de Pós-Graduação em História Política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

LEVY, Ruth. A exposição do centenário e o meio arquitetônico carioca no início dos anos 1920. Rio de Janeiro : EBA/UFRJ, 2010.

MARTINS, Angela Maria Moreira. A Exposição Internacional de 1922 no Rio de Janeiro: um espaço urbano turístico na jovem república brasileira. In: DEL RIO, Vicente (Org.). Arquitetura: pesquisa e projeto. Rio de Janeiro: UFRJ, FAU; São Paulo: ProEditores, 1998. (Coleção PROARQ). p.121-146.

MOTTA, Marly Silva da. A nação faz cem anos: a questão nacional no centenário da independência. Rio de Janeiro: Editora FGV: CPDOC, 1992.

MOTTA, Marly Silva da. Ante-sala do paraíso”, “vale de luzes”, “bazar de maravilhas” – a Exposição Internacional do Centenário da Independência (Rio de Janeiro – 1922). Rio de Janeiro: CPDOC, 1992. 22f. Trabalho apresentado no Seminário “Cenários de 1922″, promovido pelo CPDOC, Rio de Janeiro, 19-20 nov. 1992.

MOURÃO, Alda; GOMES, Ângela de Castro. A experiência da Primeira República no Brasil e em Portugal. Rio de Janeiro : Editora FGV, 2011.

RIBEIRO, Fernanda de Azevedo. A Exposição Internacional do Centenário da Independência de 1922: processo de modernização e legado para a cidade do Rio de Janeiro. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Arquitetura e Urbanismo, 2014.

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SILVA, Eliane Alves da. 90 Anos da Missão Cartográfica Imperial Militar Austríaca no Exército Brasileiro – Relato Histórico da Fotogrametria (1920-2010). 1º Simpósio Brasileiro de Cartografia Histórica. Parati, 10 a 13 de maio de 2012.

Site Empresa Brasileira de Comunicação

Site Exposições Virtuais – Arquivo Nacional – O RIO DO MORRO AO MAR A Exposição de 1922: Memória e Civilização

Site Histórias e Monumentos

Site IHGB

VAZ FILHO, Pedro Serico. A centenária Rádio Clube de Pernambuco Registros em meios impressos documentam a origem da emissora pernambucana em 06 de abril de 1919. XII Encontro Nacional de História da Mídia, Rio Grande do Norte, junho de 2019.

 

 

Links para os artigos publicados da Série 1922 – Hoje, há 100 anos

Série 1922 – Hoje, há 100 anos I – Os Batutas embarcam para Paris, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 29 de janeiro de 2022

Série 1922 – Hoje, há 100 anos II- A Semana de Arte Moderna, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 13 de fevereiro de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos III – A eleição de Artur Bernardes e a derrota de Nilo Peçanha, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 1º de março de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos IV – A primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 17 de junho de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos V – A Revolta do Forte de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 5 de julho de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VI – A fundação da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 9 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VII – A morte de Gastão de Orleáns, o conde d´Eu (Neuilly-sur-Seine, 28/04/1842 – Oceano Atlântico 28/08/1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 28 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos” IX – O centenário do Museu Histórico Nacional, de autoria de Maria Isabel Lenzi, historiadora do Musseu Histórico Nacional, publicado em 12 de outubro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos X –  A morte do escritor Lima Barreto (1881 – 1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 1º denovembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

 

Links para os artigos sobre exposições nacionais ou internacionais publicados na Brasiliana Fotográfica

O pintor Victor Meirelles e a fotografia na II Exposição Nacional de 1866, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 17 de agosto de 2017.Motr

A festa do progresso: o Brasil na Exposição Continental, Buenos Aires, 1882, de autoria de Maria do Carmo Rainho, Arquivo Nacional, publicado em 29 de março de 2018.

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, Museu da República, publicado em 5 de abril de 2018.

Marc Ferrez, a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 29 de junho de 2018.

Paris, 1889: o álbum da exposição universal, de autoria de Claudia B. Heynemann, Arquivo Nacional,publicado em 27 de julho de 2018.

Café Brasil: o Império na Exposição Internacional de Filadélfia, de autoria de Claudia B. Heynemann, Arquivo Nacional, publicada em 4 de dezembro de 2019.

Festa das Artes e da Indústria Segunda Exposição Nacional, 1866, de autoria de Claudia Beatriz Heynemann e Maria Elizabeth Brêa Monteiro, Arquivo Nacional, em 5 de abril de 2020.

A apresentação do Departamento Nacional de Saúde Pública na Exposição Internacional do Centenário da Independência, de Ricardo Augusto dos Santos, Fiocruz, publicado em 13 de abril de 2020.

A Exposição Internacional de Higiene de Dresden, de Cristiane d´Avila, Fiocruz, publicado em 5 de janeiro de 2022.