O Elevador Lacerda, um dos ícones de Salvador

A Brasiliana Fotográfica celebra os 477 anos de fundação de Salvador, ocorrida em 29 de março de 1549, destacando imagens do Elevador Lacerda, um dos maiores símbolos da cidade, um dos principais cartões postais da Bahia e o primeiro edifício urbano elevador do mundo. Os registros destacados foram realizados por Guilherme Gaensly (1843 – 1928), Marc Ferrez (1843 – 1923), Pedro Gonsalves da Silva (18?- 19?) e Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?). Foram produzidos no século XIX e na década de 1910.

 

 

As obras fotográficas do suíço Gaensly e do carioca Ferrez já foram diversas vezes abordadas em vários artigos da Brasiliana Fotográfica e sobre ambos foram realizados perfis e cronologias publicados no portal: São Paulo sob as lentes do fotógrafo Guilherme Gaensly (1843 – 1928) e O brilhante cronista visual Marc Ferrez (RJ, 07/12/1843 – RJ, 12/01/1923), respectivamente.

Pouco se sabe até o momento sobre os fotógrafos Pedro Gonsalves da Silva e Rodolpho Lindemann. O primeiro era brasileiro ou português e trabalhou como fotógrafo na Bahia, nas décadas 1880 e 1890. Sucedeu Eduardo del Vechi no estúdio da rua Carlos Gomes, nº 116, em Salvador, que já havia pertencido a Antônio da Silva Lopes Cardoso, e batizou o estabelecimento de Photographia Nacional. Posteriormente, transferiu seu ateliê, denominado Photographia Pedro Gonsalves da Silva, como se lê no verso de uma fotografia de sua autoria (imagem abaixo), para a rua Direita do Palácio, nº 8. Destacou-se como retratista e, também de acordo com a imagem abaixo, seu estabelecimento foi premiado com uma medalha de ouro. É avô do fotógrafo baiano Armínio Archimedes Pedro Gonçalves Kaiser  (1925 – 2014), um dos fundadores do Foto Clube de Londrina.

 

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O alemão Rodolpho Frederico Francisco Lindemann tornou-se, na década de 1880, ajudante e, posteriormente, sócio do fotógrafo suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928), em Salvador. Segundo Geraldo da Costa Leal em Um cinema chamado saudade (1997), em 1874, Lindemann  já trabalharia com Gaensly.  Em 1888, Lindemann casou-se com Alaine, irmã de Gaensly. Em 1894, a próspera empresa Gaensly & Lindemann abriu uma filial em São Paulo. Gaensly foi chefiar a sede paulista e Lindemann permaneceu em Salvador. Terminou a sociedade entre Gaensly & Lindemann, em São Paulo, e Gaensly passou a atuar sozinho na Photographia Gaensly. Lindemann é considerado um grande fotógrafo de paisagens tendo produzido vistas de Salvador, de Alagoas e de Pernambuco. Várias vistas de Salvador produzidas por ele foram incluídas pelo barão do Rio Branco (1845 – 1912) no Album de vues du Brésil, lançado em Paris na ocasião da Exposição Universal de 1889, ocorrida entre 6 de maio e 31 de outubro de 1889, e fazia parte da segunda edição de Le Brésil, extrato da Grande Enciclopédia, trabalho dirigido pelo geógrafo Émile Levasseur  (1828-1911), para o qual o barão havia colaborado. Também em 1889 a Photographia Gaensly & Lindemann foi premiada na mencionada exposição.

 

 

Foi inaugurada, em 1906, no Rio de Janeiro, uma exposição artística dos quadros de Lindemann (O Pharol (MG), 20 de maio de 1906, segunda coluna). No Almanak Laemmert de 1906, era noticiada a Photographia Gaensly e Lindemann, na Praça Castro Alves. No ano seguinte, a Photo Lindemann ficava na Praça Castro Alves, nº 33, mas pertencia a José Dias da Costa sob a gerência do gráfico Gramacho (Revista do Brasil (BA), 15 de outubro de 1907).

 

Breve história do Elevador Lacerda

 

 

Acessando o link para as fotografias do Elevador Lacerda, em Salvador, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Um grande desafio de engenharia na época, a construção do elevador foi iniciada, em 17 de outubro de 1869, pela Empresa de Trilhos Urbanos. Foi necessária a perfuração de dois túneis em rocha, um vertical, para abrigar a primeira torre, e outro horizontal, para dar acesso à rua. A Empresa de Trilhos Urbanos era comandada por Antônio de Lacerda (1834 – 1885), encarregado de administrar alguns bondes de tração animal em Salvador que, em parceria com seu irmão, o engenheiro Augusto Frederico de Lacerda (1836 – 1931), posteriormente condecorado como comendador da Imperial Ordem da Rosa, foi o responsável pelo empreendimento. Os irmãos nasceram em Valença, na Bahia, e eram filhos de Antonio Francisco de Lacerda (? – 18?) e Angelica Michelina de Sampaio Vianna (? – 18?).

 

 

O Elevador Hydraulico da Conceição da Praia, nome de batismo do Elevador Lacerda, foi inaugurado, em 8 de dezembro de 1873,  para resolver um grande problema urbano de Salvador – seu desnível. Passou a ser o principal transporte entre a Cidade Baixa a Cidade Alta. Tinha 63 metros de altura, sendo, na época, o elevador mais alto do mundo. Era popularmente conhecido como Parafuso e de suas torres, vê-se a Baía de Todos os Santos, o Mercado Modelo, inaugurado em 1912; e o Forte de São Marcelo, construído no século XVII, outros ícones da paisagem soteropolitana.

 

 

Em 1896, por indicação do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o Elevador passou a se chamar Elevador Antônio de Lacerda. Entre 1906 e 1907, foi eletrificado pela Companhia Linha Circular de Carris da Bahia (Bahia Illustrada, edição 10, 1918, segunda coluna). Em 1930, foram adicionados mais dois elevadores e uma nova torre. Foi nesta reforma, da qual a empresa norte-americana Otis participou, cujos melhoramentos foram inaugurados, em 15 de setembro de 1930, que sua arquitetura passou a ser em estilo art déco. Outras reformas e revisões foram realizadas ao longo de sua existência (Etc (BA), 15 de setembro de 1930; Jornal do Commercio, 15 e 16 de setembro de 1930, quinta colunaO Jornal, 16 de setembro de 1930).

 

 

Em 1955, o Elevador Lacerda foi estatizado pela Prefeitura de Salvador e, em 1º de julho 1961, novos elevadores da Otis foram inaugurados, mais rápidos e dobrando a capacidade por cabine de 16 para 32 pessoas. Em 7 de dezembro de 2006, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Site Iphan).

 

 

Entre 2011 e 2013,  o elevador foi transformado em um microprocessado — uma tecnologia inédita até então. Seu processo, antes mecânico, foi modificado e passou a funcionar através de uma base que envia informações e comandos para o seu funcionamento. O elevador instalado na modernização foi um projeto especial da empresa Otis para o Elevador Lacerda devido a sua complexidade e avançada tecnologia (Blog da Otis).

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Biblioteca do IBGE

Blog da Otis

Dicionário Histórico-Biográfico da Fotografia

Guia Salvador Antiga

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

Site Academia Feirense de Letras

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site Family Search

Site Iphan

TRINCHÃO, Glaucia Maria Costa. O Parafuso: de meio de transporte a cartão-postal. Salvador : Editora da Universidade da Bahia, 2010.

XAVIER, Xavier, Melquisedeque. Elevador Lacerda : Salvador, BA, 1957.

 

“Sertões distantes” por Ricardo Augusto dos Santos

Sertões Distantes

                                                                                                 Ricardo Augusto dos Santos*

 

 

 

“Se raros escapam à doença, muitos têm duas ou mais infestações. Veem-se, muitas vezes, confrangido e alarmado, nas nossas escolas públicas, crianças a bater os dentes com o calafrio das sezôes… E isso não nos confins do Brasil, aqui no Distrito Federal, em Guaratiba, Jacarepaguá, Tijuca… Porque não nos iludamos, o nosso sertão começa para os lados da Avenida Central.

Discurso Pronunciado por Afrânio Peixoto em 19/05/1918

 

Esta frase de Afrânio Peixoto (1876-1947) marcou o campo intelectual nas primeiras décadas do século XX. Estava em pauta qual era a verdadeira identidade do país. Alguns afirmavam que existia uma divisão entre o Brasil real e o ideal. Este último representado pelas cidades do litoral e instituições republicanas. Enquanto o verdadeiro habitava os sertões distantes. Eram constantes as referências críticas realizadas por um determinado grupo de intelectuais. Eles apresentavam o desconhecimento do Brasil profundo por amplas parcelas da sociedade.

No entanto, para os autores ufanistas, o Brasil era um paraíso terrestre. O sanitarista Belisário Penna (1868-1939) lamentava que esses agentes sociais, iludidos por uma visão edênica, pensassem o país através das reformas urbanas que transformaram uma parte do centro do Rio de Janeiro numa Paris Tropical. Penna criticava a ausência de uma consciência da nacionalidade. Confirmando a frase de Afrânio Peixoto – os sertões começam no fim da Avenida Central!!-, Penna advertia os idealistas da nação imaginada: Voces estão enxergando o país como um paraíso, pois vivem nas avenidas recém-construídas à beira-mar. Para o sanitarista, os intelectuais ufanistas, deslumbrados com a reforma que derrubou cortiços e importou pardais, eram detentores de um “monopólio do saber”, mas não conheciam a “realidade dos fatos”, pois “na sua quase totalidade não conhecem do Brasil senão o trecho que vai da praia de Ipanema à cidade de Petrópolis.” Para Penna, eram um “grupinho, sem documentação e sem base”.

Mas, como Belisário Penna e Afrânio Peixoto chegaram a essas conclusões? Lembrando que, segundo os críticos mais realistas e rígidos, nunca alcançaríamos o progresso das demais nações.

Percorrendo o interior do país entre 1911 e 1913, as expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz desempenharam um papel fundamental no debate sobre os problemas nacionais, influenciando as propostas do movimento sanitarista em relação ao progresso do país. Essas viagens forneceram as representações sociais que ainda hoje inspiram o imaginário social. Penna integrou uma das viagens científicas que rasgaram o país, visitando as mais distantes localidades. O diagnóstico da realidade fez com Belisário Penna qualificasse de forma especial sua pregação pelo saneamento. Não se via como mais um intelectual a falar, mas como alguém que conhecera de perto o Brasil real.

 

 

O tema do combate às doenças não serviu apenas de justificativa para expedições científicas e campanhas de saneamento, mas como ideologias de construção nacional. Falar dos sertões abandonados, habitados por um povo doente, mas capaz de produzir, depois de curado, tornava-se necessário para convencer os políticos, fazendeiros e industriais de que, acima das diferenças que marcavam o país, havia os interesses nacionais.

As expedições científicas exerceram, portanto, um ato político extremamente relevante: um projeto de nacionalidade. A ciência orientaria os peregrinos da modernização. Em nome desse projeto justificavam-se as iniciativas higienizadoras dos corpos, cidades e instituições. Esse era o projeto da nacionalidade brasileira. Um ideal a ser perseguido. A construção da nação brasileira nascia sob o signo da doença, miséria e ignorância.

 

 

Ao atribuir uma condição inferior do país em relação às nações devido à ausência de saúde e educação, Penna e os sanitaristas apresentavam uma solução original para a tragédia nacional, recusando os determinismos biológico, climático e geográfico, ainda predominante no pensamento social brasileiro. Por que somos miseráveis se o país é tão rico? Porque conhecemos tantos problemas, se nossas florestas são plenas de riquezas? Por que somos um povo doente e pobre?

 

 

Um dos projetos sanitários executados pelo estado foi o aterro de pântanos e saneamento de rios nos arrabaldes do Rio de Janeiro. Portanto, nosso sertão estava muito perto. Como sugerem centenas de fotografias dos fundos documentais de Belisário Penna e da Fundação Rockffeler, ambos sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz, o Brasil abandonado estava a poucos quilômetros das novas avenidas, do porto recém-construído e dos prédios monumentais, como a Biblioteca Nacional e Teatro Municipal.

No Fundo Pessoal Belisário Penna, estão depositadas mais de 1.500 fotografias, reunindo imagens de familiares e amigos, bem como de sua atuação política e profissional. No entanto, desejamos resgatar as imagens das obras de saneamento no Rio de Janeiro e demais estados. Documentando as obras do Serviço de Saneamento e Profilaxia Rural encontramos 529 imagens.

 

 

*Ricardo Augusto dos Santos é  Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz.

 

Fontes: 

DOS SANTOS, Ricardo Augusto. O sanitarista Belisário Penna (1868-1939), um dos protagonistas da história da saúde pública no Brasil in Brasiliana Fotográfica, 28 de setembro de 2018.

DOS SANTOS, Ricardo Augusto. A Fundação Rockefeller no Brasil in Brasiliana Fotográfica, in Brasiliana Fotográfica, 15 de julho de 2024.

DOS SANTOS, Ricardo Augusto. BELISÁRIO PENNA (1868-1939). In: DANTAS, Carolina Vianna & ENGEL, Magali. (Org.). Trajetórias e sociabilidades intelectuais no Rio de Janeiro (séculos XIX e XX).1º ed. Rio de Janeiro: Editora Contracapa, 2017, p. 158-168.

 

 

 

 

 

E o Oscar vai para…(II)

No próximo domingo, o filme brasileiro O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho (1968-)concorre em quatro categorias na premiação do Oscar, que será realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos: Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Ator – com Wagner Moura (1976-); e pelo prêmio de Melhor Seleção de Elenco, categoria que faz sua estreia na premiação este ano, com Gabriel Domingues (19?-) concorrendo. Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso (1989-) foi indicado na categoria Melhor Fotografia pelo filme Sonhos de Trem. A Brasiliana Fotográfica homenageia o cinema brasileiro destacando os 15 artigos publicados na Série Teatros e Cinemas do Brasil e também o artigo E o Oscar vai para…  Viva o cinema nacional! Viva a cultura brasileira!

 

 

Nestes artigos, o leitor poderá navegar por inúmeras fotos presentes em nosso acervo, produzidas por diversos fotógrafos como Alfredo Krausz (1902 – 1953), Augusto Malta (1864 – 1957) e Marc Ferrez (1843 – 1923); e conhecer um pouco mais da história do cinema e do teatro brasileiro e também sobre Benjamin Abrahão Calil Botto (1901 – 1938)Jorge Kfuri (1893 – 1965)João Stamato (1886 – 1951)Nicola Parente (1847 – 1911)Marc Ferrez (1843 – 1923) e seus filhos; e Walter Garbe (18? – 19?), fotógrafos que fizeram parte da história do cinema no Brasil, e que já foram temas de artigos publicados na Brasiliana Fotográfica.

 

 

E o Oscar vai para…, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 2 de março de 2025

 

Série “Teatros e cinemas do Brasil”

 

Série “Teatros e cinemas do Brasil” I e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” I – Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica,  publicado em 26 de fevereiro de 2016

Série “Teatros e cinemas do Brasil ” II – Os teatros do Brasil, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 21 de março de 2016

Série “Teatros e cinemas do Brasil” III – A inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 14 de julho de 2017

Série “Teatros e cinemas do Brasil” IV - Cinema no Brasil – a primeira sessão e um pouco da história do Cinema Odeon, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 8 de julho de 2021

Série “Teatros e cinemas do Brasil” V e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XII – O Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 16 de setembro de 2021

Série “Teatros e cinemas do Brasil” VI - O Theatro de Santa Isabel, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 28 de outubro de 2021

Série “Teatros e cinemas do Brasil VII – Teatro Amazonas (Theatro Amazonas), em Manaus, a “Paris dos Trópicos”, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 28 de dezembro de 2021

Série “Teatros e cinemas do Brasil” VIII - O Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no Dia Mundial do Teatro, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 27 de março de 2023

Série “Teatros e cinemas do Brasil” IX – Dia do Cinema Brasileiro, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de junho de 2023

Série “Teatros e cinemas do Brasil” X e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 5 de setembro de 2023

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XI – O Theatro da Paz, em Belém do Pará, inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 15 de fevereiro de 2024

Série “Teatros e cinemas do Brasil ” XII - A Lanterna Mágica que iluminava o Cine Delícia: imagens e cinema na coleção Jota Soares – FUNDAJ, de autoria do historiador Tásso Brito – FUNDAJ, publicado em 29 de maio de 2024

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XIII – Marc Ferrez e o cinema, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de junho de 2024

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XIV – O Cinema Íris, o mais antigo cinema em atividade no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, em 5 de fevereiro de 2026

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XV – Fotos aéreas da Cinelândia no centenário da revista “Cinearte” , de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, em 3 de março de 2026

 

Concorrentes de O Agente Secreto no Oscar 2026

 

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Na categoria Melhor Filme os concorrentes são: Bugonia, F-1, Frankenstein, Hamnet, Marty Supreme, Uma Batalha após a outra, Valor Sentimental, Pecadores e Sonhos de Trem. O vencedor foi Uma Batalha após a outra.

Na categoria Melhor Filme Estrangeiro os concorrentes são: A voz de Hind Rajab (Tunísia), Foi apenas um acidente (França), Sirat (França) e Valor Sentimental (Noruega). Este último foi o vencedor.

Na categoria Melhor Ator, Wagner Moura concorre com Timothée Chalamet (1995-) por Marty Supreme, Leonardo DiCaprio (1974-) por Uma Batalha após a outra, Ethan Hawke (1970-) por Blue Moon, e Michael B. Jordan (1987-) por Pecadores. Jordan foi o vencedor.

Finalmente, na categoria estreante Melhor Seleção de Elenco, Gabriel Domingues concorre com Nina Gold (1967-) por Hamnet, Jennifer Venditti (19?-) por Marty Supreme, Cassandra Kulukundis (1971-) por Uma Batalha após a outra e Francine Maisler (19?-) por Pecadores. O vencedor foi  Uma Batalha após a outra.

 

 

Concorrentes de Adolpho Veloso por Sonhos de Trem na categoria Melhor Fotografia

 

Os concorrentes do brasileiro Adolpho Veloso são: Dan Laustsen (1954-) por Frankenstein, Darius Khondji (1955-) por Marty Supreme, Michael Bauman (19?) por Uma Batalha após a outra e Autumn Durald Arkapaw (1979-) por Pecadores, que foi a vencedora.

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Esse artigo foi atualizado em 15 de março de 2026.

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XV – Fotos aéreas da Cinelândia no centenário da revista “Cinearte”

Com diversas fotos aéreas da Cinelândia, provenientes dos acervos do Museu Aeroespacial e do Instituto Moreira Salles (IMS), instituições parceira e fundadora da Brasiliana Fotográfica, respectivamente, o portal publica o 15º artigo da série Teatros e cinemas do Brasil, que celebra o centenário da primeira edição da revista Cinearte, importante publicação para a crítica e para o estudo do cinema nacional, produzida por advogados, cineastas, críticos de cinema, educadores, intelectuais e jornalistas. 

 

 

A Cinelândia, idealizada pelo empresário espanhol Francisco Serrador (1872 – 1941), foi durante muito tempo, ao longo do século XX, o epicentro da vida cultural do Rio de Janeiro, com uma grande concentração de cinemas, teatros, bares e restaurantes. Fica no entorno da Praça Marechal Floriano, onde se encontram os prédios da Biblioteca Nacional, do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, do Palácio Pedro Ernesto e do Centro Cultural da Justiça Federal e o Palácio Monroe, demolido em 1976.

 

 

As fotos aéreas destacadas nesse artigo são das décadas de 1920, 1930 e 1940. A mais antiga foi produzida em torno de 1926 pela The Aircraft Operating Co. Ltd. e pertence ao IMS. Lembramos aqui que as primeiras fotos aéreas no Brasil foram realizadas, em 1916, pelo fotojornalista Jorge Kfuri (1893 – 1965) que, na época, trabalhava para o periódico A Noite.

 

 

Acessando o link para as fotos aéreas da Cinelândia disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Breve história da revista Cinearte

 

 

Cinearte foi lançada, em 3 de março de 1926, por Mário Marino de Carvalho Behring (1876 – 1933), na época diretor da Biblioteca Nacional, cargo que ocupou entre 1924 e 1932; e pelo cineasta, ator, produtor e crítico de cinema brasileiro, Adhemar Gonzaga (1901 – 1978). Teve como origem a sessão de cinema da revista cultural Para Todos…, onde Gonzaga era repórter. Após 561 edições, sua circulação foi encerrada, em julho de 1942. Inspirada na revista norte-americana Photoplay, lançada em 1910, seus principais assuntos eram os filmes, a indústria e as fofocas de Hollywood, a defesa do cinema brasileiro e da necessidade da criação de uma indústria audiovisual nacional. Tinha muitas propagandas de produtoras estrangeiras e de salas de cinema. Surgiu quando a mídia passava a ter lugar de destaque na formação cultural da sociedade e o interesse pelo cinema crescia. A imprensa acompanhou o fenômeno.

 

 

Um dos pioneiros do cinema nacional, Adhemar foi um dos fundadores, em 1917, com  jovens intelectuais como Otávio de Faria (1908 – 1980) e Plínio Sussekind Rocha (1911 – 1972), de um dos  primeiros cineclubes do Brasil, o Cineclube Paredão, cujo objetivo era estudar o cinema como uma arte. Fundou também a Cinédia, em março de 1930, o mais completo estúdio cinematográfico brasileiro de sua época. Está em funcionamento até hoje. Lançou grandes nomes do cinema brasileiro como Humberto Mauro (1897 – 1983) e Carmen Miranda (1909 – 1955). Produziu 40 filmes, dirigiu nove, foi roteirista e argumentista. Entre os filmes que dirigiu estão Barro Humano (1928), Brasa Dormida (1928), Lábios sem Beijos (1930), Ganga Bruta (1933) e O Descobrimento do Brasil (1937). Também escreveu o livro Setenta Anos do Cinema Brasileiro (1966).

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BNDigital

CATELLI, Rosana Elisa. A revista Cinearte e o projeto de modernização cultural pelo cinema, 2012.

Hemeroteca Digital da Brasiliana Fotográfica

Jornal do Brasil, 25 de agosto de 2021

LUCAS, Tais Campelo. Cinearte: o cinema brasileiro em revista. Dissertação apresentada ao programa de Pós-graduação em História do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, 2005.

Site Academia Maçônica Ribeiraopretana de Letras

Site Centro Memória do Circo

Site Museu da Imagem e do Som de São Paulo