Há exatos 120 anos era realizada com grande brilhantismo a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da sede definitiva da Biblioteca Nacional, na então Avenida Central, futura Avenida Rio Branco (Gazeta de Notícias, 16 de agosto de 1905, quinta coluna). Estavam presentes no evento, que foi registrado pelo fotógrafo Antonio Luiz Ferreira (18? – 19?), o presidente da República, Rodrigues Alves (1848 – 1919); o ministro do Interior, José Joaquim Seabra (1855 – 1942); o ministro dos Transportes, Lauro Muller (1863 – 1926); e Manuel Cícero Peregrino da Silva (1866 – 1956), diretor da Biblioteca Nacional entre 1900 e 1924; dentre outras autoridades.
Na ocasião, Peregrino da Silva distribuiu algumas medalhas gravadas pelo artista italiano naturalizado brasileiro Antonio Augusto Girardet (1855 – 1955), o historiador do bronze, com o emblema da Biblioteca Nacional com os dizeres Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro. No verso, lia-se Lançamento da pedra fundamental do novo edifício, 1905. O presidente da República e o ministro do Interior receberam medalhas de ouro. Aos outros ministros, senadores e deputados presentes foram distribuídas medalhas de prata.
O novo prédio, projetado por Francisco Marcelino de Souza Aguiar (1855 – 1935), que também participou do lançamento da pedra fundamental, foi inaugurado em 29 de outubro de 1910, 100 anos após a fundação da instituição. Souza Aguiar já havia projetado o Palácio Monroe.
Com cinco andares e 13 mil m² de área interna, o prédio da Biblioteca Nacional mistura elementos do neoclassicismo e da art nouveau. A construção de sua sede definitiva integrou as reformas urbanas empreendidas pelo prefeito Pereira Passos (1836 – 1913), que visavam a tornar o Rio de Janeiro uma cidade moderna e cosmopolita. Fundada em 29 de outubro de 1810 e aberta ao público em 1814, a Biblioteca Nacional é a mais antiga instituição cultural do Brasil, considerada pela UNESCO uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo e também a maior biblioteca da América Latina. É uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica.
Antonio Luiz Ferreira, autor da foto do lançamento da pedra fundamental do prédio da Biblioteca Nacional, em 1905, foi também o autor da imagem da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, e da Missa campal de 17 de maio de 1888.
Foi, em 1902, contratado para documentar o edifício sede da Biblioteca Nacional, na rua do Passeio, onde a instituição permaneceu até 1910. Foram publicados dois álbuns com essas fotos: um, com as cópias em papel albuminado e outro, com as cópias produzidas em platina, que apresentam melhores atributos de estabilidade e permanência.
Andrea C. T. Wanderley
Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Fontes:
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
MARÇAL, Joaquim Ferreira de Andrade. Complemento indispensável… in Brasiliana Fotográfica, 29 de outubro de 2015.
Portal da Fundação Biblioteca Nacional
SCHWARCZ, Lilia; COSTA; Angela Marques da; AZEVEDO, Paulo Cesar de. A longa viagem da biblioteca dos reis. São Paulo : Companhia das Letras, 2002.
WANDERLEY, Andrea C. T. Antonio Luiz Ferreira (18? – 19?), fotógrafo das celebrações pela abolição da escravatura em 1888 in Brasiliana Fotográfica, 17 de fevereiro de 2021.








