Histórias da fotografia paraense entre o século XIX e as primeiras décadas do século XX

Ainda durante a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, COP30, em Belém, o Pará volta a ser tema da Brasiliana Fotográfica. Hoje o portal traz artigos que contam um pouco da história da fotografia paraense, entre o século XIX e as primeiras décadas do século XX. Essa história começou, provavelmente, com a chegada do norte-americano Charles DeForest Fredricks (1823 – 1894) ao estado, em 1846, poucos anos após o anúncio da descoberta do daguerreótipo, ocorrido em 1839, na França. Vamos destacar o trabalho do português Felipe Augusto Fidanza (1844 – 1903) e do alemão George Huebner (1862 – 1935), que já foram temas de publicações do portal.

 

 

Além disso, publicamos o artigo da artista e pesquisadora Mayra Rodrigues sobre a história da Photographia Oliveira, de Antonio Oliveira (1864 – 1929), seu tio-bisavô e destacado documentarista da cidade de Belém e retratista das famílias abastadas na belle époque da cidade; e de suas filhas, a fotógrafa Lourdes Oliveira (1893 – 1984) e a laboratorista Kyola Oliveira (18? – 19?). Segundo o jornalista, ensaísta e curador Cláudio de La Rocque Leal (1958 – 2006), Lourdes é um dos maiores nomes da fotografia paraense. Sua produção é uma das mais ricas, mais bonitas e inventivas…As irmãs Oliveira encontram terreno para o desenvolvimento de uma produção rara e bela, digna dos mais importantes centros fotográficos do mundo.

 

“O retrato paraense é um todo mítico de crendices, volúpias, revoltas, revoluções, âmagos dilacerados, histórias de envenenamento, morte, amor, ódio, expulsões, recebimentos, doações, tudo a um tempo só, átmo de segundo, átmo que a fotografia precisa para registrar para todo o sempre aquele instante fugidio, que já não é mais, como disse Lispector. E se alguns paraenses partiram algum dia em férias para Paris e lá foram fotografados por Felix Nadar ou, antes, por Daguerre, é unicamente porque faz parte dessa essência esse eterno mesclar, esse eterno misturar as raízes, as origens, os sentidos. Políticos, intelectuais, artistas, escritores, estivadores, militantes, feministas, todos – incluindo os esquecidos e os desconhecidos, guardados pelo acaso em registro desses fotógrafos-, enfim todos os que fizeram de sua participação na formação desse retrato a mais bela contribuição para a construção do rosto único – união de faces no espelho de Persona – são nosso retrato, representação de nosso caráter. E o olhar, conhecido ou anônimo faz o mesmo que a “femme inconue” de Nadar: fita-nos eternamente”.

Cláudio de La Rocque, março de 1998 (Retrato Paraense)

 

 

A Photographia Oliveira por Mayra Rodrigues*

 

 

Tio Antonico é como a família chamava meu tio-bisavô, o fotógrafo Antonio Oliveira. Experimentou a febre das modernidades introduzidas no Brasil pelo Norte, impulsionada pela economia da borracha e que, segundo Mário de Andrade, alumbrou o homem amazônico no século XIX.

 

Antonio Oliveira, em rara foto, 19? / Acervo da família Oliveira

Autor desconhecido.“Tio Antonico”, Antonio Joaquim da Paixão Oliveira (1864–1929), em rara fotografia / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Aos 24 anos, abriu a Photographia Oliveira, em Belém do Pará. O cálculo da idade do estabelecimento toma por base o ano de 1888 como provável data de sua fundação conforme anúncio publicado no Estado do Pará, em 1916, que afirmava: “Todos os retratos tirados na Photographia Oliveira, desde 1888 até hoje, fôram ahí archivados e poderão ser reproduzidos em qualquer tempo” (O Estado do Pará, 20 de fevereiro de 1916, última coluna).

No registro de óbito de Antonio Oliveira, de 21 de janeiro de 1929, lê-se: “Que hoje, às dezenove horas, no Hospital da Caridade, sexto distrito, falleceu de “diabetes, anasarca e colapso cardíaco” Antonio Joaquim da Paixão Oliveira, paraense, branco, de sessenta e cinco anos de idade, photographo, filho de Francisco Gregório Oliveira e donna Anna Izabel Maciel de Oliveira.”

Antônio Oliveira e seus irmãos são, por parte de mãe, sobrinhos-netos de Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente (Acará, 1798 — Lisboa, 1866), fundador do jornal O Paraense (1822), considerado o primeiro jornal publicado na então Província do Grão-Pará e Rio Negro. Patroni é apontado como um dos influenciadores do movimento que culminou na Revolta da Cabanagem (1835–1840) (1).

Voltando à fotografia, o português Filippe Augusto Fidanza é reconhecidamente o grande nome do período. Segundo o jornalista e curador Cláudio de La Rocque Leal, “seu estúdio encontra um rival à altura somente na década de 1880, exatamente em 1884, com a abertura do Photo Oliveira, cujo domicílio comercial situava-se no prédio ao lado do Photo Fidanza.” (Retrato Paraense, Fundação Rômulo Maiorana, Belém, Pará, 1998). Ele acrescenta: “Ao que tudo indica, não somente pelos noticiários, como por depoimentos colhidos, os dois eram os mais importantes da cidade.”

Comemorando as conquistas de Tio Antonico e seguindo as datas indicadas por Leal, registro que a Photographia Oliveira instalou-se no prédio ao lado do Photo Fidanza — no número 18-A da Rua Conselheiro João Alfredo — por volta de 1894, e não em 1884, já que anúncios, entre 1891 e 1893, ainda indicavam como domicílio o número 4 da mesma rua. Outra pista: em 1895, a revista A Palavra: revista militar e literária informava que “toda a correspondência deve ser dirigida à Photographia Oliveira, à rua João Alfredo, 98, ou ao 4º Batalhão de Artilharia de Posição.” É provável que tenha havido erro tipográfico, sendo correto o número 18 (A Palavra: revista militar e literária, 15 de setembro de 1895, primeira coluna).

Antonio Oliveira atuou como um leão por quatro décadas. No período em que trabalhou, a Princesa Isabel assinou a Abolição da Escravatura (1888), o Brasil passou de Império à República (1889) e o mundo enfrentou a Primeira Guerra Mundial (1914–1918). Anúncios, matérias na imprensa, trabalhos acadêmicos e fotografias em relatórios governamentais indicam que ele foi repórter fotográfico, paisagista, retratista dentro e fora do estúdio e comerciante de produtos e serviços ligados à fotografia e à pintura, além das então recentes novidades tecnológicas para o lar.

Em 1899, anuncia vagas para “typographos, pautadores, encadernadores, retocadores photographicos, de competencia profissional, assim como de uma cosinheira” (A República (PA), 19 de setembro de 1899, primeira coluna). É provável que a família, além de trabalhar, morasse também no sobrado. Fez da Photographia Oliveira uma referência na cidade como ponto de encontro, premiando clientes com retratos, promovendo concursos fotográficos e com a exibição dos resultados e notícias de interesse público na forma de murais na porta de seu estabelecimento, como retratos de criminosos procurados.

Além do tradicional expediente entre 8h e 17h, em 1921, abriu para “Retratos tirados à noite”, com novos horários “às terças, quintas e sábados, das 8h às 9h da noite. Excepto para creanças” (Estado do Pará, 19 de abril de 1921, segunda coluna).

A Photographia Oliveira também sabia brincar com o público em seus anúncios. Um deles prometia carteiras de “verdadeiro coiro da Rússia” e “à prova de batedores”, explicando que, “uma vez acostumadas com a mão do proprietário, extranham as alheias e GRITAM ao serem tocadas por estas” (A Província do Pará, 31 de janeiro de 1900, anno XXIV, nº 7.296, p. 4). Em outra oportunidade, garantia possuir um “grande depósito de paciência” para “retratar creanças tolas e traquinas” (Estado do Pará, 12 de agosto de 1915, sexta coluna).

 

Província do Pará, 1900

Província do Pará, 31 de janeiro de  1900

 

O ano de 1900 marca um ponto alto na carreira de meu tio-bisavô. Foi quando investiu em dois anúncios elaborados, publicados nos refinados álbuns bilíngues — português e italiano — de Arthur Caccavoni, impressos em Gênova: o Album Descriptivo Amazonico  ilustrado por P. Campofiorito, tem caráter mais artístico (a imagem do anúncio de Antonio Oliveira abre esse artigo); no outro, o álbum Pará Commercial, mais empresarial, o destaque do anúncio é o próprio fotógrafo — com uma rara imagem de seu rosto aos 36 anos e sua assinatura cursiva e abreviada: “A. J. P. Oliveira.”

 

 

 

 

Os adjetivos a ele atribuídos pela imprensa dão pistas de sua passagem por Belém e pelo tempo. Ainda nos anos 1890 é o “sympathico photographo”, “acreditado e bem montado”; em 1896, a Folha do Norte, comentando sobre um possível contraventor, publica que “Nada contém o Izidoro Santiago: nem a inexorabilidade do subprefeito capitão Cândido, nem a energia terrível do aterrador capitão Mattos e nem a célebre galeria da Photographia Oliveira”. Em 1902, é o “conhecidíssimo photographo belenense”; em 1911, possui um “conceito artístico que há muito distingue”; e, em 1921, é “antigo e esforçado” (A República (PA), 3 de junho de 1890, quarta coluna; Folha do Norte, 25 de novembro de 1896, última coluna; O Industrial (PA), 17 de abril de 1902, penúltima colunaEstado do Pará, 17 de dezembro de 1911, terceira coluna; Estado do Pará, 20 de abril de 1921, segunda coluna).

A essa altura, Tio Antonico há muito havia se casado com Tia Catita — Anna Catharina Miranda de Oliveira (08/01/1872 – 19/10/1956)  e era pai de sete mulheres – Maria de Lourdes, Regina, Deolinda, Anna, Kyola, Bonina e Helena; e de três homens – Milton, Sylla e Clóvis. Em 1921, não era possível prever que, oito anos mais tarde, o diabético Antonio Oliveira morreria de colapso cardíaco.

Mas, em 1929, Lourdes, a filha mais velha, então com 28 anos, e a irmã Kyola já estavam prontas para suceder o pai na Photographia Oliveira, a primeira como fotógrafa e a segunda como laboratorista. Mais que uma continuidade, e ainda muito pouco conhecido, é o fato que foi através de suas filhas Kyola e Lourdes que “o estúdio Oliveira acabou conhecido como o mais inventivo de todos.”

 

Lourdes Oliveira,19?. Belém, Pará / Foto do livro Retrato Paraense

Photographia Oliveira. Lourdes Oliveira, aos 26 anos, fotografada por sua irmã, Kyola de Miranda e Oliveira, 1919. Belém, Pará / Foto do livro Retrato Paraense.

 

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Photographia Oliveira. A jovem Lourdes Oliveira, em foto provavelmente feita por seu pai, Antonio Oliveira, no final dos anos 1910. Belém, Pará /Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Quem afirma é o crítico Cláudio de La Rocque Leal, que dedica a exposição e o livro Retrato Paraense, realizados pela Fundação Rômulo Maiorana, em 1998, à memória do português Felipe Augusto Fidanza, a do alemão George Huebner e a da brasileira Lourdes Oliveira.

Para Rocque Leal, Lourdes é “um dos maiores nomes da fotografia paraense, que continua no, dir-se-ia, semi anonimato.” Analisa que, com as irmãs Oliveira, “o retrato paraense ganha força”. Que reformularam a estética mais sisuda de então ao introduzir “um certo glamour” inspirado nos ídolos do cinema e “impingir às fotografadas uma sensualidade pudica, enquanto ganhavam espaço nunca dantes a mulheres permitido.” E ainda que “os olhares sedutores de seus dândis e especialmente a ternura de suas crianças, ainda hoje fascinam com facilidade.”

Torço para que Cláudio de La Rocque as tenha conhecido em vida.

 

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Photographia Oliveira. “Tia Zara”, Maria do Rosário Coutinho de Oliveira (21/09/1905 -?). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

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Photographia Oliveira. Rapaz não identificado. Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará /Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

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Photographia Oliveira. “Tia Zara”, Maria do Rosário Coutinho de Oliveira (21/09/1905 -?). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

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Photographia Oliveira. Primeira comunhão de Beatriz de Oliveira Rodrigues da Costa (13/05/1924 – ?), Cecília Cordeiro de Oliveira (16/09/1920 – ?) e José Luiz Cordeiro de Oliveira (24/11/1921 – ?), filhos do “Tio Cesar”, Cesar Coutinho de Oliveira (09/10/1890 – 06/11/1983), e Maria Celeste Cordeiro de Oliveira (07/07/1897 – 13/03/1959). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Minha mãe, Maria Evangelina Rodrigues de Almeida (Belém, 1932 – Rio de Janeiro, 2025) — Neném para a família —, era assídua frequentadora da Photographia Oliveira e foi privilegiada com lindos retratos durante sua infância e juventude.

 

Photo Oliveira. , c. 193?. Belé, Pará / Acervo da família Oliveira

Photographia Oliveira. “Neném”, Maria Evangelina Rodrigues de Almeida (27/03/1932 – 19/03/2025), com cerca de 3 anos, c. 1935. Foto de Lourdes Oliveira. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Photo Oliveira. , Maria Evangelina Rodrigues de Almeida, c. 193?. Belém, Pará / Acervo da família Oliveira

Photographia Oliveira. “Neném”, Maria Evangelina Rodrigues de Almeida (27/03/1932 – 19/03/2025), com cerca de 3 anos, com suas bonecas, Vilma, a branca; e Dulce, a preta, c. 1935. Foto de Lourdes Oliveira. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

O estúdio, conta ela, ficava no segundo andar do sobrado da Rua João Alfredo, nº 18-A, onde se viam os vários cenários utilizados nas fotos e que, a pedido das proprietárias — pasmem! — adorava soltar a imagem gelatinosa do negativo de vidro na torneira do estúdio para que estes fossem reutilizados em outras tomadas fotográficas. Um sinal de que, nos anos 1930, o projeto anunciado, em 1916, segundo o qual a Photographia Oliveira guardava todos os negativos desde 1888, estava descontinuado.

 

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Photographia Oliveira. “Neném”, Maria Evangelina Rodrigues de Almeida (27/03/1932 – 19/03/2025), com cerca de 3 anos, c. 1935. Foto de Lourdes Oliveira. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

É certo que nesse período o sobrado abrigava, não apenas a Photographia Oliveira, mas toda a família, e foi nessa casa que Tio Antonico faleceu.

A eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939–1945) alavanca o Segundo Ciclo da Borracha e Belém vê chegar, aos milhares, nordestinos esfomeados, doentes, maltrapilhos, chamados de Soldados da Borracha pela propaganda de Getúlio, Soldados de Cristo pela igreja católica e de “arigós” pelos belenenses. Abandonados à própria sorte, batiam nas casas em busca de comida, assombrando a cidade.

A Photographia Oliveira teve dificuldade em importar papel fotográfico durante a guerra, me contou a prima Glorinha — Gloria Coutinho de Faria e Cunha, nascida em 1942, que ouvia da mãe essa explicação sempre que reclamava por ser a única da família sem fotos das Oliveira.

Parece haver aqui um ponto de inflexão nos negócios. Pois, segundo Cláudio de La Rocque Leal, foi nos anos 1940 que Lourdes e Kyola se mudam para o Rio de Janeiro e vendem a firma e o nome fantasia para João Barbosa. O novo proprietário atualizou o nome para Stúdio Oliveira, mantendo o estabelecimento como referência de simpatia e qualidade fotográfica até sua morte, em 22 de setembro de 2001.

Maria de Lourdes de Miranda e Oliveira, a Lourdes, certamente não viu nem a exposição nem o livro Retrato Paraense. Foi sepultada, aos 90 anos, no Cemitério de Santa Isabel, em Belém, em 27 de março de 1984. Nasceu em 23 de dezembro de 1893, mesmo dia de minha avó, que repetia que tudo o que a prima Lourdes fazia, fazia bem feito, e, analisava que sempre faltava algo em fotos de outros fotógrafos, que não faltava nas da prima.

Circula em Belém a informação de que Lourdes, além de fotógrafa, foi pintora. Perguntei a respeito aos que conviveram com ela e nenhuma lembrança confirma essa informação. Mas confirmaram outra habilidade de Lourdes: a costura.

Ainda não encontrei detalhes sobre o nascimento e morte de Kyola de Miranda e Oliveira, a Kyola, mas sim sobre sua moradia. Consta em certidão de compra e venda de imóvel, detalhada mais abaixo, que Kyola é a única das 4 irmãs citadas no documento, incluindo Lourdes, que residia no Rio de Janeiro, tanto no ato de compra, em 21/05/1962, como na data de venda, em 19/06/1981. Kyola trabalhou no estúdio Lucena e Arthur , no prédio do cinema Roxy, onde minha mãe recomendava que fossemos tirar as fotos. Depois montou o “Foto Kyola, FOTOGRAFIAS EM GERAL, Av. Copacabana 798/409 – Rio-RJ”, como se vê nesse remanescente estojinho para fotos 3×4, com fotos de meu irmão Léo, feitas provavelmente no final dos anos 1970.

 

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Foto Kyola Fotografias em Geral. Léo Rodrigues de Almeida (07/06/1958 – 11/01/2021), final da década de 1970 / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

A certidão do imóvel que cita Kyola se refere à casa da Rua Tiradentes, nº 494, uma das quatro casas da Villa Kelly, no bairro do Reduto, em Belém, última residência própria das irmãs. A escritura de venda informa que a casa estava hipotecada ao Banco da Amazônia e que as irmãs, devedoras, se comprometiam a pagar a dívida em “180 prestações mensais, aos juros de 8,9% ao ano”. Um claro sinal de que — tristeza! — passavam por dificuldades financeiras.

Dali saíram para o asilo Pão de Santo Antônio, onde morreram. É certo que Lourdes, Tio Antonico e Tia Catita estão enterrados no Cemitério de Santa Izabel, próximo ao asilo, mas provavelmente não estão juntos. Mensagem da funcionária do cemitério diz: “Estive na sepultura que dona Maria de Lourdes foi sepultada e não tem nada inscrito. Ela é chão”, e reforçou, “a sepultura é chão”.

Sobre o destino do acervo que permaneceu nas instalações da Photographia Oliveira, e que foi continuado meticulosamente por João Barbosa, como me contou sua filha Clara, uma notícia grave e trágica: foi destruído pelo fogo! Tudo!

Outros conjuntos se encontram com familiares, antigos clientes ou estão espalhados entre colecionadores.

 

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Photographia Oliveira. “Tia Zara”, Maria do Rosário Coutinho de Oliveira (21/09/1905 -?). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

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Photographia Oliveira. “Tia Thereza”, Thereza Coutinho de Oliveira, nascida em 25/04/1898. Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

 

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Photographia Oliveira. “Tia Pete”, Perpétua Coutinho de Oliveira, nascida em 26/02/1900. Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Glória Coutinho de Faria e Cunha

 

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Photographia Oliveira. Maria Celeste Cordeiro de Oliveira (07/07/1897 – 13/03/1959). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

 

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Photographia Oliveira. “Tia Zara”, Maria do Rosário Coutinho de Oliveira (21/09/1905 -?). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1920. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Com o título Foto da Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré pode ser o registro mais antigo já encontrado”, matéria do jornal O Liberal, de 08 de outubro de 2025, conta sobre a descoberta de uma foto de Antonio Oliveira, que mostra a escultura antes de danos visíveis nas fotos oficiais de 1919, e que foi adquirida pelo colecionador Felipe Rissato, em leilão online organizado no Rio de Janeiro (O Liberal, 8 de outubro de 2025).

 

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Photographia Oliveira. Imagem de Nossa Senhora de Nazareth, c. 1910. Belém, Pará. No canto inferior direito, é possível identificar a assinatura do fotógrafo Antonio Oliveira

 

Finalizo sublinhando que o empreendedorismo independente e qualificado de Lourdes e Kyola é característica também de suas oito parentes ligadas ao Colégio da Quinta Carmita, fundado em Ananindeua, em 1900, às margens do rio Maguary. Uma característica forjada talvez pela educação familiar combinada à lufada feminista no pós-Primeira Guerra Mundial.

 

Colégio Quinta Carmita, Ananindeua, Pará

Colégio Quinta Carmita, Ananindeua, Pará

 

Além de atuarem no ensino e na administração do colégio, Tereza formou-se em Odontologia; Ana Celeste, a Ninó, em Farmácia; Glória importou máquinas de escrever Remington dos Estados Unidos e abriu um curso de datilografia em Belém; Maria do Rosário, a Zara trabalhou no Tesouro Nacional; e Perpétua, a Pete, fluente em inglês, trabalhou na então poderosa Rubber Reserve Company. Mais tarde, ao obter a certificação de qualidade da água mineral proveniente de uma nascente existente no terreno, Pete passou a comercializá-la sob o selo “Águas Maguary”.

 

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As Coutinho de Oliveira, no casarão do Colégio da Quinta Carmita, fundado em 1900, por seus pais, José Marcellino Sizenando de Oliveira e Thereza de Jesus Coutinho de Oliveira, no município de Ananindeua, às margens do rio Maguary.

 

Uma curiosidade incomum para a época: dessas dez mulheres, a maioria — seis — não se casou.

Mas este já é um outro capítulo.

 

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Várias imagens realizadas pela Photographia Oliveira

 

Toda a pesquisa realizada é parte de meu projeto Cordel Paraense para Evangelina, nome de minha mãe, e a ela é dedicado.

 

(1) Um dos artigos da série “Cabanagem: 180 anos”, publicada em 2014 e 2015 pelo portal O Estado Net, intitulado “Patroni: o Profeta da Rebelião”, afirma:

“Não há dúvida de que Filipe Patroni é, pelo menos, a mais curiosa e enigmática figura da era dos ‘motins políticos’, conforme a classificação que o historiador Domingos Antônio Raiol — a maior fonte sobre a história desse período — deu aos acontecimentos no Pará entre 1821 e 1835.”

No entanto, a fotografia que vem sendo identificada como a de Filipe Patroni, tanto nesta quanto em outras publicações na web, retrata, na realidade, o irmão de Antônio e meu bisavô, José Marcellino Sizenando de Oliveira (16/07/1859 – 08/11/1938).

 

 

José Marcelino e sua esposa, Thereza de Jesus Coutinho de Oliveira (29/06/1861 – 18/08/1953) — identificados na imagem abaixo —, fundaram, em 1900, o já mencionado Colégio da Quinta Carmita, situado às margens do Rio Maguary, no município de Ananindeua.

 

José Marcellino Sizenando de Oliveira e sua esposa, Thereza de Jesus Coutinho de Oliveira

José Marcellino Sizenando de Oliveira e sua esposa, Thereza de Jesus Coutinho de Oliveira, , fundadores do Colégio da Quinta Carmita em 1900, localizado às margens do Rio Maguary, no município de Ananindeua. I

 

Um terceiro irmão também deixou sua marca na história do Pará: João Hosannah de Oliveira (15/04/1854 – 15/06/1923). Ao longo de sua trajetória, exerceu múltiplas funções — jornalista, escritor, advogado, sacerdote e deputado federal pelo Pará —, destacando-se ainda como o primeiro Procurador-Geral do Estado, cargo que ocupou de 22 de junho de 1891 a 1900 (Diário da Manhã (ES), 27 de julho de 1922, última coluna).

 

João Hosannah de Oliveira, retratado no Álbum Descriptivo Amazônico, de Arthur Caccavoni (1899), páginas 16 e 17

João Hosannah de Oliveira, retratado no Álbum Descriptivo Amazônico, de Arthur
Caccavoni (1899), páginas 16 e 17

 

Nota da autora: Esta pesquisa buscou confirmar duas informações surgidas ao longo do processo, cuja verificação não pôde ser assegurada. A primeira é a de que Lourdes, além de fotógrafa, foi pintora. Ao buscar referências, encontrei apenas outra artista de mesmo prenome — Maria de Lourdes Acatauassú Nunes, reconhecida pintora paraense. Consultei ainda familiares que conviveram com Lourdes, e nenhuma lembrança confirma essa informação. Mas confirmaram outra habilidade de Lourdes: a costura. A segunda é a de que a Photographia Oliveira teria tido uma filial em Manaus. Nada indica que isso tenha de fato ocorrido.

 

*Mayra Rodrigues (1955-) é artista e pesquisadora.

Acesse aqui trabalhos da autora relacionados à pesquisa para o Cordel Paraense para Evangelina:

Guajará — Cordel Paraense para Evangelina  e Pavlova no Paz — Cordel Paraense para Evangelina

 

Fredericks, Huebner e Fidanza – um pouco da história da fotografia no Pará

 

Andrea C. T. Wanderley**

 

Charles DeForest Fredricks (1823 – 1894)

 

 

Charles DeForest Fredricks nasceu em 11 de dezembro de 1823, em Nova York. Com cerca de 20 anos, comprou um daguerreótipo e aprendeu a usá-lo com Jeremiah Gurney (1812 – 1895), um dos primeiros daguerreotipistas norte-americanos. Nesta mesma época, foi visitar um irmão que era comerciante em Ciudad Bolívar, na Venezuela. Decidiu vir para o Brasil, mas na descida do rio Orinoco, foi abandonado por seus guias indígenas. Sobreviveu, perdido, por aproximadamente 20 dias e retornou para Nova York.

Em 1846, voltou ao Brasil e foi, como já mencionado, possivelmente o primeiro fotógrafo a abrir um estúdio em Belém, no Pará, onde permaneceu por alguns meses, tendo também exercido a profissão de ourives (Treze de Maio (PA), 23 de maio de 1846).

 

 

Entre 1846 e 1849 esteve em São Luís e em Alcântara, no Maranhão; no Recife, em Salvador, no Rio Grande e em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Vindo dos Estados Unidos, voltou ao Recife, em 1851, com o também daguerreotipista Alexander B. Weeks (1818-1859) e anunciou que estava a caminho do Rio de Janeiro. É notável a facilidade que Fredericks tinha de, naquela época, estabelecer-se num local, atuar por algum tempo e logo transferir-se para outro, reiniciando todo o processo com bastante rapidez (Publicador Maranhense, 5 de dezembro de 1846, segunda coluna; Publicador Maranhense, 2 de fevereiro de 1847, terceira colunaDiário Novo, 14 de junho de 1848, quarta coluna; Correio Mercantil (BA), 15 de novembro de 1848, segunda coluna; Diário do Rio Grande (RS), 24 a 27 de dezembro de 1848, segunda coluna; Diário de Pernambuco, 29 de setembro de 1851, segunda coluna).

Em 1853 esteve na França. Aprendeu a nova técnica de chapas de vidro a colódio, que superaria o sistema de daguerreotipia. Fredricks tornou-se proprietário do maior estabelecimento fotográfico dos Estados Unidos, em 1858, assim descrito pelo Frank Leslies Illustrated News:

“A Galeria Fotográfica de Fredricks, 585 e 587 Broadway, estava brilhantemente iluminada com lanternas coloridas. As palavras “Templo Fotográfico da Arte” eram formadas por centenas de lâmpadas, cobrindo um arco semicircular de 18 metros de curvatura. As janelas e sacadas dessas magníficas salas daguerrilhas ficavam lotadas de espectadores durante o dia, quase interrompendo os negócios. Não há galeria fotográfica mais popular em Nova York do que esta, e em nenhum lugar se obtêm retratos com maior fidelidade. A Galeria de Fredricks costuma ser frequentada por grupos, especialmente militares, e ele foi chamado, no sábado, para exercer sua arte com os oficiais da fragata a vapor H.B.M. Gorgon, cujos retratos ele tirou”.

 

 

Faleceu em 25 de maio de 1894, em Newark, Nova Jersey.

 

O fotógrafo português Felipe Augusto Fidanza (1844 – 1903)

 

Reprodução do retrto de Fidanza, Álbum do Pará, em 1899

Reprodução do retrato de Fidanza, Álbum do Pará em 1899

 

Filho de Fernando Gabriel Fidanza e Maria de Jesus Fidanza, Felipe Augusto Fidanza nasceu em 4 de setembro de 1844, em Lisboa, e foi um dos mais importantes fotógrafos que atuaram no norte do Brasil no século XIX e no início do século XX. Até hoje pouco se sabe de sua vida antes de sua chegada ao Brasil, em fins da década de 1860. Em 1º de janeiro de 1867, o Diario do Gram-Pará publicou o anúncio : “PHOTOGRAPHIA, ao largo das Mercez , nº. 5, Fidanza & Com”, o que prova que nessa época ele já estava estabelecido no Pará. Ainda em 1867, Fidanza realizou seu primeiro trabalho de importância nacional: o registro dos preparativos para a recepção da comitiva de dom Pedro II. O imperador foi ao Pará para participar das solenidades da abertura dos portos da Amazônia ao comércio exterior. Segundo Pedro Vasquez,  com esse trabalho, Fidanza “documentou de forma inovadora e antecipatória o espírito jornalístico”. No Diário de Belém, de 29 de agosto de 1869, há uma propaganda do ateliê Photographia Fidanza.

 

 

Era o predileto da aristocracia paraense e destacou-se por sua produção de retratos e também pelo registro das paisagens e documentações do início do desenvolvimento urbano de Belém e de Manaus, ocasionado pela riqueza do ciclo da borracha.  Essas imagens de paisagens urbanas foram divulgadas por álbuns fotográficos encomendados pelos governos do Pará e do Amazonas. A modernização de Belém e do Pará foram registradas nas coleções Álbum do Pará (1899) e Álbum de Belém (Correio da Manhã, de 22 de outubro de 1903, na quarta coluna sob o título “Intendência Municipal de Belém”).

 

 

 

Jornal do Brasil de 31 de janeiro de 1903 noticiou seu suicídio: “Atirou-se ao mar, de bordo do vapor Christiannia, em viagem de Lisboa para esta capital (Belém), o conhecido photographo Felippe Fidanza” ( Jornal do Brasil, 31 de janeiro de 1903, na primeira coluna ). Ele havia se jogado ao mar na altura da ilha da Madeira quando retornava de Portugal com a mulher e os filhos. Havia viajado para cuidar de uma encomenda dos governos do Pará e do Amazonas de 10 mil álbuns de vistas destes estados. Parece que foi mal sucedido e já havia, inclusive, tentado se matar em Lisboa ( O Pharol, 6 de março de 1903, na quinta coluna).

 

 

Segundo o jornalista Cláudio de La Rocque Leal, o estabelecimento fotográfico sob o nome “Fidanza” fez parte da história até 1969. Fidanza tornou-se uma marca da fotografia visto que, mesmo após a morte, seu nome permaneceu no cenário da produção fotográfica e na memória paraense, tanto que outros profissionais, ao adquirirem o seu ateliê, mantiveram o mesmo nome.

 

Acessando o link para as fotografias de Felipe Augusto Fidanza disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

O fotógrafo e naturalista alemão George Huebner (1862 – 1935)

 

 

O fotógrafo, botânico e naturalista alemão George Huebner (1862 – 1935) foi um dos estrangeiros atraídos a Manaus quando a cidade, com o ciclo da borracha, tornou-se um importante pólo econômico. Estabeleceu-se comercialmente em Belém, onde, em 1897, colaborou com o fotógrafo português Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903). Em novembro do mesmo ano, apresentando-se como membro correspondente da Sociedade Geográfica de Dresden, informava a abertura de um ateliê fotográfico em Manaus, a Photographia Allemã, no antigo Hotel Cassina, junto ao palácio do governo. O ateliê mudou algumas vezes de endereço. Como fotógrafo registrou a chegada da modernidade em Belém e em Manaus, etnias indígenas, retratos de personalidades importantes de sua época, a sociedade que surgiu a partir do apogeu da economia da borracha e paisagens da floresta amazônica.

Em 1906, Huebner e o professor de Belas-Artes Libânio do Amaral (? – 1920), com quem já estava associado desde 1902, adquiriram, em Belém, o ateliê fotográfico Fidanza, que havia sido o mais tradicional do Pará. Dois anos depois, em 1908, Huebner foi pela primeira vez ao Rio de Janeiro, onde ele e Libânio do Amaral ganharam a medalha de prata e a medalha de ouro pelo Amazonas e o Grande Prêmio pelo Pará, na Exposição Nacional de 1908 (Almanak Laemmert, 1909). Em 1911, foi publicada uma propaganda da Photografia G. Huebner & Amaral informando que seria aberta e estaria à disposição do público para executar qualquer trabalho fotográfico a partir do dia 1º de janeiro de 1911, no Rio de Janeiro. Situava-se no edifício de O Paiz, na esquina da avenida Central com Sete de Setembro (A Notícia, 2 de janeiro de 1911, última coluna).

Em 1918, o Almanak Laemmert anunciou o estabelecimento fotográfico G. Huebner, Amaral & Cia, na rua da Assembleia, 100, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, o estabelecimento fotográfico G. Huebner & Amaral, em Manaus, na avenida Eduardo Ribeiro, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert.

No ano seguinte, o estabelecimento fotográfico G. Huebner & Amaral, de Belém, na rua Conselheiro João Alfredo, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert. Foi anunciada a dissolução da sociedade entre George Huebner, Libânio do Amaral e Paulo Erbe, sócio-gerente da firma desde 1912, que passou a ser o único dono do estabelecimento fotográfico G. Huebner, Amaral & Cia, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 23 de novembro de 1919, oitava coluna). Erbe se estabeleceu, posteriormente, na rua República do Peru, nº 100.

Em 1935, George Huebner, que em seus últimos anos de vida, vivia em um sítio nos arredores de Manaus coletando espécies vegetais, sobretudo orquídeas, faleceu.

Acessando o link para as fotografias de George Huebner disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Outro nomes da fotografia paraense entre o século XIX e as primeira década do século XX que constam no livro de Boris Kossoy, o Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro são: Antonio José de Araújo Lima, Antonio Maria de Mattos, Campbell, Constantino Barza, Feliciano Verlangieri, Firmo Lopes de Araújo, Freire, Fritz Bartels, Fortunato Ory, Guedes, Guillerme Potter, J.A.Veyret, J. Girard, José Carlos Gonçalves, José Thomaz Sabino, Julio A. Siza, Lourenço Antonio Dias, Marcello Thomaz Pull, Mello, M.H. Costa, Niels Olsen, Paulo Ernesto Meyer, Pedro Vilhote, R.H. Furman, Senna e Victor.

 

** Andrea C. T. Wanderley é editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

FONTES:

https://ppgdstu.propesp.ufpa.br/ARQUIVOS/Dissertacoes/2006/ROSA%20CLAUDIA.pdf

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

LEAL, Cláudio de La Rocque. Retrato Paraense. Belém: Fundação Rômulo Maiorana, 1998.

LENZI, Teresa; MENESTRINO, Flávia. Pioneiros da fotografia em Rio Grande. Indícios de passagens e permanências. Relato de uma pesquisa histórica. Revista Memória em Rede, Pelotas, v.2, n.5, abr. / jul. 2011. Consultado em 26 de janeiro de 2013

Memorial de Charles DeForest Fredricks em Findagrave.com

PEREIRA, Rosa Claudia Cerqueira. Paisagens urbanas: fotografia e modernidade na cidade de Belém (1846-1908). Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Pará como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em História, 2006.

Site Broadway Photographs

Site Historic Camera

WANDERLEY, Andrea C. T. O suicídio do fotógrafo Felipe Augusto Fidanza (1844 – 1903) in Brasiliana Fotográfica, 31 de janeiro de 2016.

WANDERLEY, Andrea C. T. O fotógrafo, botânico e naturalista alemão George Huebner (1862 – 1935) in Brasiliana Fotográfica, 2 de fevereiro de 2018.

Mercado Público de São José por Manoel Tondella (1861 – 1921)

Com um belo registro produzido pelo fotógrafo Manoel Tondella (1861 – 1921) do Mercado Público de São José no Recife, monumento tombado, em 1973, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a Brasiliana Fotográfica festeja o aniversário de fundação da cidade, ocorrida em 12 de março de 1537.  Recife é a mais antiga capital dos estados brasileiros. Tondella, de ascendência portuguesa, foi um dos mais importantes fotógrafos de Pernambuco da segunda metade do século XIX, período a partir do qual Recife tornou-se referência histórica para a fotografia no Brasil. Documentou em imagens as transformações da cidade, entre os anos 1890 e as duas primeiras décadas do século XX.

 

 

O Mercado Público de São José, localizado em frente à Igreja Nossa Senhora da Penha, no bairro de São José, um dos mais antigos da cidade, ficou no lugar do antigo Mercado da Ribeira de Peixes. Inaugurado em 7 de setembro de 1875 (Diário de Pernambuco, 9 de setembro de 1875, última coluna), foi inspirado no Mercado Público de Grenelle, em Paris, projeto de A. Normand, e sua arquitetura em ferro é típica do século XIX.

 

 

 

 

É o mais antigo edifício pré-fabricado em ferro no Brasil e seu estilo conferia status ao Recife, que crescia e perseguia o caráter da modernidade, que passava pelos conceitos de higiene e de melhorias urbanas (Diário de Pernambuco, 12 de novembro de 1870, quarta coluna). Os locais de comércio de alimentos teriam que atender a essas novas diretrizes a partir da retirada das ruas de mascates, ambulantes e feiras. Assim, a construção do mercado “representaria o ideal de organização e padronização de um comércio que, antes, se encontrava disperso em forma de comércio ambulante, realizado por negros forros, escravos e trabalhadores livres.” (GUILLEN; GRILLO; FARIAS, 2010).

 

 

A encomenda do projeto do Mercado de São José pela Câmara Municipal do Recife foi feita ao engenheiro pernambucano João Luiz Victor Lieutier (c. 1819 – 1883), que havia feito seus estudos em Paris (Diário Novo, 12 de agosto de 1845, primeira coluna Diário de Pernambuco, 29 de novembro de 1870, quarta coluna; Diário de Pernambuco, 10 de junho de 1883, última coluna). O detalhamento ficou sob a responsabilidade do engenheiro francês Louis Léger Vauthier (1815 – 1901), que havia sido o autor do projeto do Teatro de Santa Isabel (1850), além de ter ocupado o cargo de Diretor de Obras Públicas do Recife. Ele coordenou as obras do mercado, que começaram em 14 de junho de 1872, por determinação do presidente da província de Pernambuco, Henrique Pereira de Lucena (1835 – 1913). O empreiteiro foi José Augusto de Araújo e o custo da obra ultrapassou, devido às modificações sugeridas por Vauthier para adequar o edifício ao clima tropical, quase cinco milhões de réis, totalizando 390:315$136 (trezentos e noventa milhões, trezentos e quinze mil, centro e trinta e seis contos de réis).

A primeira reforma realizada no Mercado de São José, em 1906, durou quase um ano e foram executadas obras de reparo e a também a retirada de barracas do pátio interno, além de sua pavimentação. Na ocorrida em 1941, foi construída a câmara frigorífica do mercado. Suas venezianas de madeira e vidro foram, em 1950, substituídas por cobogós de cimento (Diário de Pernambuco, 15 de fevereiro de 1950, quinta coluna; IPHAN, página 4). No início da década de 80, suas instalações elétricas foram reformadas (Diário de Pernambuco, 4 de janeiro de 1980). A estrutura do edifício foi danificada por um incêndio ocorrido 29 em novembro de 1989 (Diário de Pernambuco, 30 de novembro de 1989). Foi reinaugurado com grande festa em 12 de março de 1994 e, quatro anos depois, foi novamente restaurado.  São conservados até hoje seus detalhes em art-noveau, como as bicas do telhado em forma de animais.

 

 

Foi nas décadas de 40 e 50, frequentado por recifenses ilustres como o cronista e compositor Antônio Maria (1921 – 1964) e o poeta Ascenso Ferreira (1895 – 1965). Foi também cenário de diversas manifestações artísticas, tendo sido um importante local de reunião de cantadores, emboladores e poetas da literatura de cordel.  Seus principais produtos, vendidos em cerca de 540 boxes, são o artesanato e a gastronomia do Nordeste, além de ervas medicinais, especiarias e artigos para rituais de religiões de matrizes africanas. O Mercado de São José ocupa uma área coberta de 3.541 metros quadrados, mede 48,88 metros de frente por 75,44 metros de fundo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:
DANIELLI, Leonardo; MACKMILLAN, Vanderli Machado. Mercado público: tipologias e sociabilidades do ambiente urbano. I Simpósio Nacional de Geografia e Gestão Territorial e XXXIV Semana de Geografia da Universidade Estadual de Londrina, 2018

GASPAR, Lúcia. Mercado de São José. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife.

GUILLEN, Isabel Cristina Martins; GRILLO, Maria Ângela de Faria; FARIAS, Rosilene Gomes. Mercado de São José: Memória e História. 1.ed. Recife: FADURPE, 2010.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

LINS, Marcelo. Mercados do Recife. Recife : Projeto Recife no bolso, 2007.

MELO, Maria Carneiro Lacerda de. A relação dos mercados públicos de São José e da Boa Vista com a Cidade do Recife entre 1820 e 1875. Pernanbuco : Universidade Federal de Pernambuco, 2011.

Memória da Escravidão e cultura negra em Pernambuco Mercado de São José

OLIVEIRA JÚNIOR, José Vanildo de Oliveira. Fluxograma do processo de planejamento arquitetônico aplicado a
mercados públicos. 2006. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) – Universidade Federal da
Paraíba, Paraíba.

Recife – Mercado de São José – Encarte Rotas do Patrimônio – Uma viagem pela história. IPHAN e Monumenta.

SILVA, Geraldo Gomes da. O Mercado de São José. Recife: Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 1984.

Site Prefeitura do Recife

 

 

 

Antonio Luiz Ferreira (18? – 19?), fotógrafo das celebrações pela abolição da escravatura em 1888

Pouco se sabe, até o momento, da vida pessoal de Antonio Luiz Ferreira (18? – 19?). Provavelmente iniciou suas atividades como fotógrafo na década de 1880 e o último registro da existência de seu ateliê fotográfico verificado pela pesquisa da Brasiliana Fotográfica é de 1904.  Atuou no Rio de Janeiro e teve como contemporâneos Alberto Henschel (1827 – 1882), Juan Gutierrez (c. 1860 – 1887) e Marc Ferrez (1843 – 1923), dentre outros.

 

 

Apesar de sua carreira discreta, por ter documentado cenas ligadas às celebrações pela abolição da escravatura em 1888, Ferreira é considerado um importante fotógrafo do século XIX. As imagens captadas por ele nessas ocasiões tão marcantes da história do país caracterizaram-se pela expressividade dos rostos retratados, decorrência, provavelmente, da relevância do acontecimento histórico e também da atração exercida pela própria presença da câmara fotográfica.

 

Acessando o link para as fotografias de Antonio Luiz Ferreira disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

É o autor da imagem da Missa Campal em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888, uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravizados no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel (1846 – 1921), regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu (1842 – 1922), príncipe consorte, que, na foto, está ao lado da princesa, além de autoridades, políticos, jornalistas e escritores, dentre eles o escritor Machado de Assis (1834 – 1908). A presença de Machado na fotografia de Ferreira, descoberta realizada por mim, Andrea Wanderley, pesquisadora e editora da Brasiliana Fotográfica, foi revelada no artigo  Missa Campal de 17 de maio de 1888, publicado no portal em 17 de maio de 2015. O professor José Murilo de Carvalho (1939 – ) escreveu sobre o assunto no artigo Machado de Assis vai à missa, publicado no portal , em 29 de de maio de 2015.

 

 

Sobre o dia da abolição, Machado escreveu, anos depois, em 14 de maio de 1893, na coluna “A Semana”, no jornal carioca Gazeta de NotíciasVerdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto.

Antonio Luiz Ferreira presenteou a princesa Isabel com 13 fotos de acontecimentos em torno da Abolição (Diário de Notícias, 9 de junho de 1888, na segunda coluna). A maior parte dessas fotos faz parte da Coleção Princesa Isabel que se encontra em Portugal, conservada por seus descendentes.

 

 

A fotografia da Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da escravatura no Brasil, que está aqui destacada, faz parte da Coleção Dom João de Orleans e Bragança e pertence ao acervo do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Outros três registros foram feitos por Ferreira no dia 22 de agosto de 1888 e documentaram o retorno do imperador Pedro II (1825 – 1891) ao Brasil. Pertencem à Coleção Princesa Isabel.

Há ainda um registro da missa campal, também realizada em 17 de maio de 1888, pela Sociedade dos Homens de Cor da Irmandade de São Benedito. Pertence à família de Ferreira e segue inédita.

Então são 18 fotografias de autoria de Ferreira em torno da abolição.

Ele foi também o responsável pelo Álbum de vistas da Biblioteca Nacional, em 1902, com imagens da fachada, da escadaria e da galeria central, da sala principal de leituras, da sala de trabalho da seção de impressos, da sala principal da seção de manuscritos, da seção de estampas, do gabinete de numismática e da oficina de encadernação da instituição.

 

 

 

Cronologia de Antonio Luiz Ferreira (18? – 19?)

 

1885 – Pela primeira vez a Photographia Antonio Luiz Ferreira foi anunciada no Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro. O estabelecimento ficava na rua da Conceição, nº 87.

1888 – Em 13 de maio, fotografou a multidão em torno do Paço Imperial quando a Lei Áurea foi assinada pela princesa Isabel.

 

 

Em 17 de maio, fotografou a missa campal realizada no Campo de São Cristóvão, uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravos no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel (1846 – 1921), regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu (1842 – 1922), príncipe consorte, que, na foto, está ao lado da princesa, além de autoridades e políticos, dentre eles o escritor Machado de Assis (1834 – 1908).

 

 

 

Ferreira, referido como conhecido fotógrafo, levou à redação do Diário de Notícias e também na de O Paiz a fotografia da Missa Campal, que fazia honra ao artista porque é de uma fidelidade pasmosa. Media 52 x 32 cm e era emoldurada em pelúcia auriverde e suas margens tinha iluminuras realizadas pelo calígrafo R. Santos. Seria ofertada à princesa Isabel (Diário de Notícias, 3 de junho de 1888, sétima coluna; e O Paiz, 3 de junho de 1888, sétima coluna).

A prova da fotografia da missa campal, que ficou em exposição na papelaria Guimarães & Ferdinando, foi entregue à princesa em junho de 1888 juntamente com as outras 12 que Ferreira havia produzido em torno dos festejos pela abolição da escravatura (Diário de Notícias, 9 de junho de 1888, na segunda coluna).

Fotografou o Paço do Rio de Janeiro e exercícios militares de celebração pela volta de dom Pedro II e da imperatriz Tereza Christina da Europa, ocorrida em 22 de agosto de 1888.

1891 – Falecimento de Mário, filho de Ferrreira e de Elisa ou Luisa Christini, devido em um incêndio em sua casa na rua de Guaratiba, nº 53.  Mário e outro filho ou filha do fotógrafo estavam brincando com uma caixa de fósforos, causa do acidente. A mãe ficou com as mãos bastante queimadas por ter tentado salvar as crianças (Jornal do Brasil, 11 de novembro de 1891, quinta coluna; e Jornal do Brasil, 12 de novembro de 1891, segunda coluna).

1893 –  Seu ateliê fotográfico, a Photographia Central, ficava na rua da Guarda Velha, atual avenida 13 de maio, nº 1, no Largo da Carioca (Almanak Laemmert, 1894, 1896, 1898, 1899).

 

 

 

 

1894 – Fotografou, no Arpoador, a comitiva que participou de um piquenique em Vila Ipanema, promovido pelo incorporador da Sociedade Anônima Copacabana Sport, Gonçalves Junior (Jornal do Commercio, 29 de maio de 1894, penúltima coluna; 6 de junho de 1894, quarta coluna).

1895 – No mesmo endereço da Photographia Central, rua da Guarda, nº 1, ficava o gabinete cirúrgico-dentário do dr. J. Pontes Lopes & Gonçalves (Jornal do Brasil, de 1895, 8 de julho de 1895, terceira coluna).

1897 – Um retrato do coronel Moreira César, (1850 – 1897), morto em 4 de março de 1897 na Guerra de Canudos, encontrava-se na Photographia Central, de Ferreira, ou na Casa Nalté, na rua do Ouvidor (Jornal do Commercio, 10 de março de 1897, penúltima coluna).

1898 – Na Photographia Central, venda de folhinhas, anunciadas como bons presentes de festas, com fotografias do cruzador Adamastor e de seus marinheiros (Cidade do Rio, 27 de dezembro de 1898, penúltima coluna).

1899 – Anúncio de venda de uma máquina detectiva 9 x 12 com 12 chassis, o que há de mais aperfeiçoado, quase nova, na Photographia Central. Eram câmeras fotográficas sem tripé (Jornal do Commercio, 22 de abril de 1899, primeira coluna).

Por ocasião da visita do presidente da Argentina, Julio Argentino Roca (1843 – 1914) ao Rio de Janeiro, Ferreira foi um dos integrantes da comissão de ornamentação e iluminação das ruas, no caso do Largo da Carioca, onde ficava seu ateliê (Jornal do Commercio, 9 de agosto de 1899, sétima coluna).

1901 - Seu ateliê continuava a se localizar na rua da Guarda Velha, nº 1, e foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert de 1903 (Almanak Laemmert, 1901, 1902, 1903).

1902 - Publicação de dois álbuns realizados por Antonio Luiz Ferreira, que havia sido contratado para documentar o edifício sede da Biblioteca Nacional, na rua do Passeio, onde a instituição permaneceu até 1910. Um, com as cópias em papel albuminado e outro, com as cópias produzidas em platina, que apresentam melhores atributos de estabilidade e permanência.

 

 

1903 - Nascimento de Antônio, filho de Ferreira e de Luiza ou Elisa Christini (Jornal do Brasil, 10 de abril de 1903, terceira coluna).

Houve um incêndio no prédio onde ficava na Photographia Central, causado por um restaurante que também ficava no edifício (Jornal do Brasil, 13 de agosto de 1903, penúltima coluna; e Almanak Gazeta de Notícias, 1904).

1904 – Estavam sendo vendidas máquinas fotográficas quase novas na Photographia Central (Jornal do Brasil, 13 de dezembro de 1904, terceira coluna).

1905 - Ferreira pediu licença para retirar materiais que lhe pertenciam do prédio onde ficava seu ateliê fotográfico, na rua Treze de Maio, n° 1, antiga rua da Guarda (Gazeta de Notícias, 5 de maio de 1905, primeira coluna).

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

FERREZ, Gilberto;NAEF, Weston J. Pioneer photographers of Brazil : 1840 – 1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976. 143 p.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

A Confeitaria Colombo, um elo entre o Rio de Janeiro antigo e o atual

A Confeitaria Colombo, que hoje destacamos com a publicação de fotografias do Acervo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, é uma espécie de elo entre o Rio de Janeiro de antigamente e o atual, além de ser também um marco na história da gastronomia e da vida social carioca. Fundada pelos portugueses Manoel Lebrão e Joaquim Borges de Meirelles, em 17 de setembro de 1894, na movimentada rua Gonçalves Dias, no centro da cidade (Diário de Notícias, 18 de setembro de 1894, sexta coluna), onde permanece até hoje, é um símbolo da Belle Epoque carioca. Considerada uma casa verdadeiramente parisiense, a Colombo era vizinha dos ateliês dos fotógrafos Juan Gutierrez e José Ferreira Guimarães e de vários outros importantes estabelecimentos comerciais (Revista Illustrada, janeiro de 1895).

Acessando o link para as fotografias da Confeitaria Colombo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Em pouco tempo a confeitaria tornou-se um dos pontos mais concorridos da cidade, tendo sido frequentada por escritores como Olavo Bilac (1865 – 1918) e Machado de Assis (1839 – 1908), por jornalistas como Emilio de Menezes (1866 – 1918), por artistas como Villa-Lobos (1887 – 1959) e Chiquinha Gonzaga  (1847-1935), e por políticos como os presidentes Washington Luís (1869 – 1957) e Juscelino Kubitschek (1902 – 1976). Algumas mesas trazem os nomes de alguns de seus clientes, como a em homenagem ao empresário e político Assis Chateubriand (1892 – 1968), fundador dos Diários Associados. Em estilo art nouveau, a confeitaria tem em sua decoração vitrais franceses, espelhos importados da Bélgica, cadeiras feitas de palhinha e jacarandá por Antonio Borsoi (1880 – 1953), mesas em opalina azul com os pés de ferro, posteriormente substituídas por tampos de mármore, continua sendo um reduto de elegância e sinônimo de tradição no Rio de Janeiro. Em 1922, foram inaugurados o salão de chá em estilo Luís XVI, no segundo andar, uma clarabóia vinda da França e um dos primeiros elevadores instalados na cidade.

 

 

Estabelecimento perfeito no gênero, o primeiro da América do Sul, e quiçá da Europa” (Illustração Brasileira, 7 de julho de 1922).

 

 

Foi tombada, em 9 de fevereiro de 1983, como patrimônio material, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural; e, em 31 de outubro de 2017, como patrimônio imaterial, pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. Ao longo de sua história foi um lugar de convergência, de comunhão entre os vários Rios.

 

 

 

 

 

 

Na matriz da Colombo, na Gonçalves Dias, há o Espaço Memória, onde são mostradas imagens do Rio Antigo, além de fotografias da memorabilia que fez parte da história da confeitaria como projetos, louças, cristais originais e embalagens antigas. Atualmente, a confeitaria tem filiais no Forte de Copacabana, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e no Centro Cultural Banco do Brasil.
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Ouça aqui a marchicha de carnaval “Sassaricando” (1951), interpertada por Virginia Lane, que menciona a Confeitaria Colombo.

 

documento1

Requerimento feito por Manoel Lebrão à Prefeitura do Rio de Janeiro para reconstruir o prédio da Colombo datado de 10 de janeiro de 1912 / Acervo AGCRJ

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Acervo Digital de O Globo

BIANCHI, Silvia Soler. Entre o café e a prosa : memórias da Confeitaria Colombo no início do século XX. Rio de Janeiro : Terceira Margem, 2008.

DUNLOP, Charles. Rio Antigo, vol 2. Rio de Janeiro : Cia. Editora e Comercial F. Lemos, 1956.

FREIRE, Renato; RODRIGUES, Antônio Edmilson Martins. Confeitaria Colombo: Sabores de uma cidade. Rio de Janeiro : Edições de Janeiro, 2014.

LAZINHA, Luiz Carlos. A “Colombo” na vida do Rio. Rio de Janeiro : Gráfica Olímpica Editora, 1970.

Site Confeitaria Colombo

Site Inepac

Fotografia de Leuzinger é capa da revista “Fon-Fon” em 1922

Imagens produzidas no século XIX pelo fotógrafo e editor suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892) foram usadas na matéria O Rio Desapparecido, publicada na revista Fon-Fon de 29 de abril de 1922Uma delas, do Largo de São Francisco, no centro do Rio de Janeiro, está na capa acompanhando um pequeno texto onde se lê: “O velho Rio morreu”. A edição, acessada a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, era comemorativa do aniversário da revista, que circulou entre abril de 1907 e agosto de 1958. A Brasiliana Fotográfica vai reproduzir nessa publicação todas as páginas do artigo, destacando as fotografias de autoria de Leuzinger que pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles, um das instituições fundadoras do portal. Com a preservação digital, os registros fotográficos podem, a partir de recursos tecnológicos como a digitalização e o zoom, terem uma melhor visibilidade e serem acessadas em sua qualidade plena.

Na foto da capa da edição da Fon-Fon de 29 de abril de 1922 é comentado que em mais ou menos meio século, no Largo de São Francisco, só a Igreja de São Francisco, assim mesmo sem os gradis desse tempo permaneceu intocada. Foi também comentado que a Litografia Comercial havia se tornado o majestoso prédio do Parc Royal, que pardieiros eram agora belas casas de negócios e que ao invés de diligências com quatro mulas viam-se então circulando bondes elétricos.

 

 

 

As duas primeiras fotos que ilustram a matéria, uma intitulada Igreja da Ordem Terceira do Carmo na Rua Direita, atual rua Primeiro de Março e outra Largo de São Francisco em destaque a Real Academia Militar pertencem ao álbum Rio de Janeiro e ses environs, produzido por Leuzinger em torno de 1868. A última, do Convento da Ajuda,  não faz parte do álbum.

 

Acessando o link para as fotografias de Leuzinger que ilustram a matéria O Rio desapparecido disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

 

 

 

A matéria menciona as diversas mudanças ocorridas na cidade desde 1872 como o desaparecimento do Morro do Senado, a destruição do Morro do Castelo, e as transformações nas construções em torno da Boulevard Carceller – como era conhecida um trecho da rua Direita, atual Primeiro de Março – e do Largo de São Francisco. Mas seu tom não é melancólico tanto que em seu último parágrafo lê-se:

 

parágrafo

 

No texto da reportagem é lamentada a morte do escritor José Vieira Fazenda (1874-1917), identificado como um homem-arquivo do Rio de Janeiro. A partir de 1896, publicou, principalmente, no jornal A Notícia e nas revistas Kosmos e Renascença uma série de artigos sobre diversos aspectos do Rio de Janeiro, de assuntos históricos a suas tradições e costumes. Os artigo foram reunidos, a partir de 1919, com o título Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro e ocupam cinco volumes da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro.

 

José Vieira Fazendo / Acervo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

José Vieira Fazendo / Acervo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Site CPDOC

Site Reficio

“Doze horas em diligência”, o primeiro guia turístico do Brasil, por Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886)

Hoje a Brasiliana Fotográfica homenageia o Dia Nacional do Turismo, atividade muitíssimo atingida pela pandemia do coronavírus publicando um artigo sobre o Primeiro guia turístico do Brasil. Esse era o título da matéria que o criador e primeiro diretor do Museu Histórico Nacional, Gustavo Barroso (1888 – 1959), publicou na revista O Cruzeiro, de 1º de novembro de 1952, sobre o livro Doze horas em diligência. Guia do viajante de Petrópolis a Juiz de Forado fotógrafo francês Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), lançado em 1872. Além do artigo, publicamos um interessante comentário da historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi sobre o original manuscrito do livro de Klumb que integra, desde 1924, as coleções do Museu Histórico Nacional.

 

 

A obra, escrita em português e em francês, descrevia o trajeto entre Petrópolis e Juiz de Fora, realizado entre seis horas da manhã e seis horas da tarde – duração padrão do percurso nas diligências da Companhia União e Indústria – e foi ilustrada com 31 estampas sendo: 1 retrato, 29 vistas em litografia e uma planta perfil e longitudinal da Estrada União Indústria.

O livro foi a única obra do Brasil do século XIX a ser idealizada, fotografada, escrita e publicada por uma só pessoa, Klumb, e também foi o primeiro livro de fotografia inteiramente produzido, litografado e produzido no país. Segundo o próprio autor, a ideia de realizar um trabalho sobre a estrada União Indústria foi concebida em 1861, e, de 1863 a 1866, ele trabalhou no projeto. Entre 1867 e 1868, terminou de produzir as vistas e, em 1870, tratou da publicação que, finalmente, aconteceu dois anos depois.

 

livro

 

O fotógrafo dedicou o livro a sua protetora, a imperatriz Teresa Cristina (1822 – 1889):

Quando concebi o projeto de escrever esse pequeno livro, meu primeiro pensamento foi que só a Vossa Majestade me era permitido dedicar este simples ensaio descritivo de uma das mais belas estradas do Império. Sou talvez muito presunçoso ousando oferecer a Vossa Majestade a dedicatória deste opusculo; no entanto ouso esperar que Vossa Majestade me fará a graça insigne de aceital-o, ainda que não fosse mais senão para servir ao sentimento que me inspirou“.

No prefácio, Klumb comentou:

…Num trabalho feito a galope, não se pode esperar encontrar estilo elegante e florido, mas sim uma ligeira descrição dos lugares notáveis, atravessados por uma estrada magnífica. Essa obra não tem o merecimento senão o de ser: o primeiro guia do viajante, feito no país, guia ilustrado de desenhos copiados da fotografia …

 

Último parágrafo do prefácio escrito por Klumb para o livro

Último parágrafo do prefácio escrito por Klumb para o livro Doze Horas em diligência

 

Klumb, um dos primeiros fotógrafos estrangeiros a se estabelecer no Brasil e conhecido como o preferido da família imperial brasileira, foi um dos pioneiros na produção comercial de imagens sobre papel fotográfico e uso de negativo de vidro em colódio no Brasil, tendo inaugurado seu estabelecimento fotográfico em 1855, na rua dos Ourives, 64 – atual rua Miguel Couto, no centro do Rio de Janeiro (Correio Mercantil , de 4 de novembro de 1855, na última coluna).

 

 

Em 1872, ano da publicação de Doze horas em diligência, foi anunciada a abertura da Photographia Franceza, de Klumb e de outros fotógrafos, na residência do sr. Figueira de Melo, na rua do Ouvidor, nº 49 ( Jornal do Commercio, 22 de maio de 1872, na última coluna ).

 

 

Foi professor de fotografia da princesa Isabel e, provavelmente, o introdutor da técnica estereoscópica no Brasil, com a qual entre os anos de 1855 e 1862 produziu ampla documentação sobre o Rio de Janeiro. Em 1874, foi publicado o livro Petrópolis e seus arrabaldes, com fotografias produzidas por Klumb. Um ano depois houve uma exposição de suas fotografias em Petrópolis e o casal imperial visitou a mostra (O Mercantil, de 10 de janeiro de 1875, na terceira coluna). Entre 1875 e 1886, não há, até hoje, notícias sobre o fotógrafo. O que se sabe, até o momento, é que em 1886 ele estava em Paris e de lá escreveu para a imperatriz Teresa Cristina pedindo que ela financiasse a volta dele e de sua família para o Brasil. O pedido foi deferido, e ele e sua família deveriam embarcar para o Brasil em outubro de 1886. Porém, não se sabe se ele chegou a vir para o Brasil.

 

Acessando o link para as fotografias de Revert Henrique Klumb disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a ela. 

 

 

Sobre o Dia Nacional do Turismo 

Oficialmente, o Dia Nacional do Turismo passou a ser comemorado em 8 de maio pela Lei nº 12.625, de 9 de maio de 2012. A escolha desta data para celebrar a efeméride é uma homenagem ao pedido que o estado do Paraná fez em 8 de maio de 1916 para que as terras próximas às Cataratas do Iguaçu fossem desapropriadas, com o intuito de transformar a área numa zona pública para turismo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BRITTO PEREIRA, Cecilia Duprat. Revert Henrique Klumb – Fotógrafo da Família Imperial BrasileiraRio de Janeiro: Anais da Biblioteca Nacional, 1982.

ERMAKOFF , George. Rio de Janeiro 1840 – 1900 – Uma crônica fotográfica. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2006.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.

GUIMARÃES, Elione Silva Guimarães. Múltiplos viveres de afrodescendentes na escravidão e no pós-emancipação: Família, trabalho, terra de conflito.São Paulo ; Annablume Editora, 2006.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil(1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. ISBN 85-86707-07-4

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Os Fotógrafos do Império. Rio de Janeiro: Capivara, 2005. 240p.:il

MORAES FILHO, Alexandre de Mello. Artistas do meu tempo. Rio de Janeiro: Garnier, 1905.

SCARRONE, Marcelo. Doze horas numa diligência. Rio de Janeiro: Revista de História, 14/06/2008.

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

Site do Instituto Moreira Salles

Site do Ministério do Turismo

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro Karp. Revert Henrique Klumb: um alemão na Corte Imperial brasileira. Apresentação Joaquim Marçal, Demosthenes Madureira de Pinho Filho; coordenação de coleção Pedro Corrêa do Lago; coordenação editorial Pedro Corrêa do Lago, Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos; design Victor Burton; fotografia César Barreot, Miguel Pacheco e Chaves; pesquisa Pedro Karp Vasquez; tradução Carlos Luís Brown Scavarda. Rio de Janeiro: Capivara, 2001 229p., il. p&b. (Visões do Brasil, 4). ISBN 85-86011-49-5.

 

 

O original manuscrito do primeiro guia de viagem impresso no Brasil (1)

Maria Isabel Ribeiro Lenzi*

 

Capa do original do livro, sob a guarda do Museu Histórico Nacional

Capa do original do livro Doze Horas em diligência, sob a guarda do Museu Histórico Nacional

 

O Museu Histórico Nacional preserva em seu Arquivo Histórico um documento que é uma jóia rara. A encadernação com a capa de couro com decoração dourada mostra o brasão e a coroa do Império do Brasil além da guardar o original do que viria a ser, dois anos depois, o primeiro guia de viagem impresso no Brasil, o famoso Doze horas em diligência – Guia de viajante de Petrópolis a Juiz de Fora, publicação com fotografias litografadas, editado pelo fotógrafo franco-alemão Revert Henry Klumb.

O documento é todo manuscrito. Foi dedicado e presenteado à Imperatriz Tereza Cristina em 1870. O texto é em português e francês e as imagens são 20 fotografias em albumina coladas.

O guia, que foi impresso dois anos depois, é muito parecido com esse, porém traz algumas modificações: das fotografias que estão no original, dezessete foram litografadas para a edição de 1872, a qual apresenta 29 litografias. Nas paisagens litografadas nessa segunda versão, Klumb inseriu personagens desenhados – sugerindo figuras de possíveis turistas – que não aparecem nas fotografias originais. Nesta edição impressa, encontra-se referência ao Hotel Inglês e ao Palácio Imperial em Petrópolis, bem como são apresentados aos viajantes o Bosque da Imperatriz e a Colônia Pedro II, em Juiz de Fora.

Este precioso documento que pertenceu a Dona Teresa Cristina passou a integrar as coleções do Museu Histórico Nacional em 1924, vindo do Paço da Quinta de São Cristóvão.

 

*Maria Isabel Ribeiro Lenzi é Doutora em História pela UFF e historiadora do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional (IBRAM/Secretaria de Cultura/Ministério do Turismo)

 

Acesse nos seguintes documentos na Biblioteca Virtual do Museu Histórico Nacional:

 

Primeiro guia turístico do Brasil, de Gustavo Barroso, publicado na revista O Cruzeiro, de 1º de novembro de 1952

O original manuscrito de Doze horas em Diligência, de Revert Henrique Klumb

 

(1) O comentário O original manuscrito do primeiro guia de viagem impresso no Brasil, de autoria da historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi foi acrescido ao texto original em 14 de maio de 2020.

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica em torno da obra de Revert Henrique Klumb:

Revert Henrique Klumb, o fotógrafo da família real do Brasil, publicado em 31 de agosto de 2016

As versões diurna e noturna na fotografia de Revert Henrique Klumb, 28 de dezembro de 2018

Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb, 16 de março de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, 16 de junho de 2020.

O Hotel Pharoux por Revert Henrique Klumb, em 15 de junho de 2022

 

 

Uma homenagem da Casa Granado ao casal imperial sob as lentes de Marc Ferrez

 

A Brasiliana Fotográfica destaca um registro da fachada da Farmácia Granado produzido por Marc Ferrez (1843 – 1921). No topo da imagem há um quadro a óleo retratando dom Pedro II (1825 – 1891) e a imperatriz Teresa Cristina (1822 – 1889), com o neto primogênito, Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança (1866 – 1934). Foi encomendado pela farmácia ao artista alemão Frederico Steckel (c. 1834 -1921), em homenagem ao “feliz regresso” do casal ao Brasil, em 22 de agosto de 1888 (Gazeta de Notícias, 23 de agosto de 1888, primeira coluna). Em 1880, dom Pedro II havia concedido à drogaria o título de Farmácia Oficial da Família Imperial Brasileira. A Granado, uma das únicas marcas brasileiras que existe desde o reinado de dom Pedro II, completa 150 anos e é o tema da exposição “A história da botica mais tradicional do Brasil”, aberta em 15 de janeiro último, no Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras do portal. Ficará em cartaz até 3 de maio de 2020.

 

A farmácia dos senhores Granado, conhecido estabelecimento da rua Primeiro de Março, número 12, encomendou ao artista Frederico Antônio Steckel uma decoração especial. A pintura a óleo, reprodução de uma fotografia tirada depois do restabelecimento de D. Pedro, exibia em tamanho natural os avós e o neto: “o favorito”. No alto da grossa moldura, as armas imperiais. Em seda carmesim, tremulavam sobre o quadro os dizeres em letras douradas: “Feliz Regresso de Suas Majestades  Imperiais”. A novidade era a iluminação a gás que fazia brilhar as estrelas do Cruzeiro e as colunas do quadro. Embasbacados, os passantes se amontoavam na vitrine.”(1)

 

 

Acessando o link para a fotografia Pharmacia Drogaria Granado and Ca, produzida em 1888 por Marc Ferrez disponível na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

 

Frederico Steckel, autor da decoração da fachada da Granado

Frederico Steckel, autor da decoração da fachada fotografada por Ferrrez /Acervo de Fernando Argeu Murta

 

 

O casal imperial havia viajado em 30 de junho de 1887 para a Europa. Estiveram inicialmente em Portugal e, de lá, seguiram para Paris. Aconselhado por médicos, dom Pedro II foi para Baden-Baden, e retornou a Paris, onde visitou intelectuais, entre eles, Louis Pasteur. Fez um cruzeiro pela Riviera italiana e foi para a estação de cura de Aix-les-Bains, na França. Também visitou, atendendo a um desejo de sua esposa, as ruínas de Pompeia (Gazeta de Notícias, 17 de junho de 1888, quarta coluna).

A Casa Granado foi fundada por José de Barros Franco e pelo português José Antônio Coxito Granado com o nome “Botica de Barros Franco” e ficava na então denominada rua Direita, uma das mais movimentadas do centro do Rio de Janeiro, atual rua Primeiro de Março, onde permanece até hoje. Em 1876, Barros Franco retirou-se da sociedade e Pedro Gonçalves Bastos tornou-se sócio até 1878 (A Reforma, 16 de setembro de 1876, primeira coluna; Gazeta de Notícias, 19 de maio de 1878, penúltima coluna). A loja tornou-se ponto de encontro de personalidades ilustres como o prefeito Pereira Passos (1836 – 1913) e Rui Barbosa (1849 – 1923). Em 1903, João Bernardo Granado, irmão de Coxito, criou um dos produtos mais populares da botica: o polvilho antisséptico, cuja fórmula teve registro aprovado pelo cientista Oswaldo Cruz. Em 1915, lançamento de outro produto pioneiro: o sabonete de glicerina.

 

(1) PRIORI, Mary del. O Príncipe Maldito. Rio de Janeiro: Objetiva, 2017.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez 

 

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 30 de junho de 2015

Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 25 de janeiro de 2016

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2016

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de autoria de Sérgio Burgi, um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de dezembro de 2016

No primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 22 de setembro de 2017

Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica,  publicada em 29 de junho de 2018

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 20 de julho de 2018

Uma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2018 

Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de abril de 2019

Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 

Os 180 anos da invenção do daguerreótipo – Os álbuns da Comissão Geológica do Império com fotografias de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de agosto de 2019

Celebrando o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 4 de dezembro de 2019

Ressaca no Rio de Janeiro invade o porão da casa do fotógrafo Marc Ferrez, em 1913, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado 6 de março de 2020

Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 16 de março de 2020

Bambus, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2020

O Baile da Ilha Fiscal: registro raro realizado por Marc Ferrez e retrato de Aurélio de Figueiredo diante de sua obra, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 9 de novembro de 2020

O Palácio de Cristal fotografado por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 2 de fevereiro de 2021

A Estrada de Ferro do Paraná, de Paranaguá a Curitiba, pelos fotógrafos Arthur Wischral (1894 – 1982) e Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 22 de março de 2021

Dia dos Pais – Julio e Luciano, os filhos do fotógrafo Marc Ferrez, e outras famílias, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 6 de agosto de 2021

No Dia da Árvore, mangueiras fotografadas por Ferrez e Leuzinger, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 21 de setembro de 2021

Retratos de Pauline Caroline Lefebvre, sogra do fotógrafo Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 28 de abril de 2022

A Serra dos Órgãos: uma foto aérea e imagens realizadas pelos mestres Ferrez, Leuzinger e Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2022

O centenário da morte do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 12 de janeiro de 2023

O Observatório Nacional pelas lentes de Marc Ferrez, amigo de vários cientistas, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 29 de maio de 2023

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a potente imagem da Cachoeira de Paulo Afonso, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2023

A Fonte Adriano Ramos Pinto por Guilherme Santos e Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 18 de julho de 2023

Os 180 anos de nascimento do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 7 de dezembro de 2023

 

 

 

Fontes:

CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

GIANETTI, Ricardo. Frederico Steckel: pintor-decorador do Império e da República. IV Colóquio Internacional. A Casa Senhorial: Anatomia dos Interiores, Universidade de Pelotas no Rio Grande do Sul, 2017

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

PRIORI, Mary del. O Príncipe Maldito. Rio de Janeiro: Objetiva, 2017.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Site da Granado

ilustração

Os Augustos, Stahl e Riedel, e a imagem da cachoeira de Paulo Afonso

A Brasiliana Fotográfica destaca uma curiosidade acerca de uma imagem envolvendo os fotógrafos Augusto Riedel (1836 – ?) e Augusto Stahl (1828 – 1877). Muito provavelmente Riedel conhecia o fotógrafo Stahl ou pelo menos o trabalho realizado por ele porque uma das mais famosas e importantes fotografias de Stahl, da cachoeira de Paulo Afonso, na Bahia, produzida em 1860 a pedido de dom Pedro II (1825 – 1891), que ficou entusiasmado com a monumentalidade da paisagem formada pelas quedas d´água que conheceu, em 1859, durante uma viagem que realizou às províncias do norte, acompanhado por uma comitiva e também pela imperatriz dona Teresa Cristina (1822 – 1889).

A imagem realizada por Stahl, considerada uma das mais importantes da história da fotografia no Brasil, causa grande impacto tanto por sua qualidade técnica como por sua beleza. Foi usada por Riedel no álbum Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868  com uma alteração: foi acrescida da presença de um suposto membro da comitiva da viagem substituindo um jovem presente no registro realizado por Stahl. Segundo Bia Corrêa do Lago, “Riedel colou a nova imagem, retocou a colagem e a emenda, e refotografou o original alterado, diminuindo-lhe o tamanho pela metade“. Ficam várias questões: se Riedel esteve no local, por que usou a fotografia de Stahl? Por falta de tempo? Por falta de recursos técnicos? Terá Stahl cedido a fotografia a Riedel? O fato é que Riedel assinou a foto sem fazer nenhuma menção à autoria de Stahl.

 

 

 

 

O alemão de Hamburgo, Germano Wahnschaffe (18? – ?), que trabalhava com Stahl, pintou, entre 1860 e 1861, um quadro a óleo, copiado da fotografia da cachoeira de Paulo Afonso. O quadro pertence à Coleção Brasiliana Itaú, uma das parceiras da Brasiliana Iconográfica. Foi exposto e considerado o quadro mais imponente da Exposição dos Produtos Naturais, Agrícolas e Industriais das províncias de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, aberta no Recife em 16 de novembro de 1861 (Jornal do Recife, 23 de novembro de 1861, segunda coluna).

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

LAGO, Bia Correia do. Augusto Stahl : obra completa em Pernambuco e Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2001.

Pernambuco e a fotografia no século XIX

A partir do século XIX, vários fotógrafos estrangeiros e brasileiros estabeleceram ateliês fotográficos no Recife, tornando a cidade uma referência importante na história da fotografia no Brasil. Alguns dos mais importantes e que estão representados no acervo da Brasiliana Fotográfica foram o alemão Alberto Henschel (1827 – 1882), o francês Alfred Ducasble (18-? – 19?), o francês nascido na Itália Augusto Stahl (1828-1877), o austríaco Constantino Barza (18? -?), o português Francisco du Bocage (1860-1919), os pernambucanos João Ferreira Villela (18?-1901) e Manoel Tondella (1861 – 1921), o português Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912) e o europeu Moritz Lamberg (18?-?).

Outros importantes fotógrafos estrangeiros e brasileiros produziram imagens do Recife e de Pernambuco. Tudo indica que o primeiro teria sido o, provavelmente, norte-americano Joseph Evans, vindo do Rio de Janeiro, que instalou seu estabelecimento na rua Nova nº 14 (Diário de Pernambuco, 21 de fevereiro de 1843, segunda coluna).

 

 

Outros fotógrafos que retrataram Pernambuco foram o suíço Guilherme Gaensly (1843-1928) e o carioca Marc Ferrez (1843-1923), também representados no acervo do portal, que traz para seus leitores uma seleção de imagens de ruas, pontes, teatros, bairros e igrejas recifenses, de retratos de pessoas e de registros de paisagens de Pernambuco realizadas por esses profissionais e também por fotógrafos até hoje não identificados. Esses registros fazem parte da memória visual do Brasil. Com a participação da Fundação Joaquim Nabuco, que desde outubro de 2019 é parceira da Brasiliana Fotográfica, o universo de fotografias de Pernambuco no portal ficará ainda mais diversificado e numeroso.

 

 

 

Acessando o link para as fotografias do Recife, de Olinda, de paisagens pernambucanas e de retratos produzidos no estado disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Registros realizados em Pernambuco por Marc Ferrez, Guilherme Gaensly e também por fotógrafos ainda não identificados

 

Em julho de 1875, o chefe da Comissão Geológica do Império**, importante missão científica que entre 1875 e 1878 percorreu diversos estados do Brasil, Charles Frederick Hartt, Marc Ferrez e outros membros da Comissão Elias Fausto Pacheco Jordão e Francisco José de Freitas embarcaram no paquete Pará com destino a Pernambuco (Jornal do Commercio, 10 de julho de 1875, na segunda coluna). Poucos meses depois, na residência do inspetor do arsenal de Marinha, no Recife, Hartt, fez uma conferência sobre os arrecifes e outros aspectos de Pernambuco como o cabo de Santo Agostinho, praias, o rio São Francisco e a cachoeira de Paulo Afonso, ilustrados com fotografias de Marc Ferrez (Diário do Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1875, nas quinta e sexta coluna. sob o título “Norte do Império”).

 

 

 

 

O suíço Guilherme Gaensly, que possuiu estabelecimentos fotográficos em Salvador e em São Paulo, além de ter trabalhado para Henschel, e seu sócio Rodolpho Frederico Francisco Lindemann (c. 1852 – 19?) produziram entre fins da década de 1880 e a década de 1890 fotografias do Recife.

 

 

 

 

A seguir, algumas fotografias produzidas em Pernambuco por fotógrafos ainda não identificados:

 

 

 

 

 

 

 

Links para artigos publicados na Brasiliana Fotográfica sobre fotógrafos que tiveram ateliês fotográficos no Recife

 

 

 

 

 

 

 

 

Outros fotógrafos que atuaram no estado no século XIX foram Agio Rio Pedro da Fonseca, A. Lettarte, Antônio Lopes Cardoso, A.W. Osborne, Borges de Mello, Charles Fredericks, Cincinato Mavignier, Daniel Bérard, Eduardo Gadaut, Eugênio, Firmino, Flosculo de Magalhães, Francisco Labadie, Frederico Ramos, Hermina de Carvalho Menna da Costa, considerada a primeira fotógrafa pernambucana; João José de Oliveira, João Firpo, J. B. Thoma, Joaquim Canelas de Castro, Jorge Augusto Roth (c. 1840 – 1893), Lins, Louis Piereck, Ludgero Jardim da Costa, Manoel Inocêncio Menna da Costa, Manoel Ribeiro Filho, Mauricio, Monteiro e Roberto.

 

Andrea C. T. Wanderley
Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

FERREZ, Gilberto. Velhas fotografias pernambucanas: 1851-1890. Rio de Janeiro: Campo Visual, 1988.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

KOSSOY, Boris. Origens e expansão da fotografia no Brasil : século XIX. Prefácio Boris Kossoy. Rio de Janeiro: Funarte, 1980.

MENDES, Luciana Cavalcanti. O campo fotográfico em Pernambuco: um resumo do final do XIX até 1930. XXIX Simpósio Nacional de História – Anpuh, 2017.

PARAÍSO, Rostand. A velha Rua Nova e outras histórias. Recife: Bagaço, 2011.

Site da Fundação Joaquim Nabuco

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: A fotografia e as exposições na era do espetáculo (1839 – 1889). Rio de Janeiro: Funarte/Rocco, 1995.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.

VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Tradução Bill Gallagher. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995.

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

 

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhos

A Brasiliana Fotográfica apresenta imagens da Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil produzidas nos séculos XIX e XX: uma fotografia de Marc Ferrez (1843 – 1923), uma estereoscopia realizada pela firma Rodrigues & Co. e registros aéreos realizados pelo fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, realizadas em 1916; e pelo piloto britânico S. H. Holland (1883- 1936), que atuou no Brasil, entre 1928 e 1932, tendo sido, inclusive, acusado por espionagem. Além disso, há imagens dos trilhos da ferrovia produzidas por Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912) e do Túnel Ottoni, de autoria de Ferrez.

 

 

Acessando o link para as fotografias de trilhos e da Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Pelo decreto 1.598, de 9 de maio de 1855, foram aprovados os estatutos da Companhia de Estrada de Ferro d. Pedro II e foi determinada sua organização no Rio de Janeiro com um capital de 38 mil contos, cumprindo o decreto 641, assinado em Londres, em 26 de junho de 1852 (Jornal do Commercio, 15 de maio de 1855, primeira coluna). Pouco tempo depois, em 29 de julho de 1855, quando a princesa Isabel completava 9 anos, foi realizada na quinta de dona Januária a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Estrada de Ferro Pedro II com a presença do imperador  (Diário do Rio de Janeiro, 30 de julho de 1855, primeira coluna).  Foi a terceira ferrovia brasileira – as anteriores foram a Estrada de Ferro Mauá (1854) e a Estrada de Ferro do Recife ao Cabo (1858) – e sua construção está ligada às famílias Teixeira Leite e Ottoni, grandes produtoras de café da região de Vassouras, no estado do Rio.

A Igreja de Nossa Senhora de Santana foi demolida para a construção da Estação do Campo de Santana, mas a imagem da santa, em madeira, vinda de Portugal, encontra-se até hoje numa capela na gare da Central (Jornal do Commercio, 15 de maio de 1855, quarta colunaDiário do Rio de Janeiro, 19 de julho de 1857, quarta coluna; Revista da Semana, 20 de setembro de 1941). Foi de lá, na ocasião a principal estação ferroviária do novo meio de transporte que ligaria o Rio de Janeiro ao cafeeiro Vale do Paraíba, que saíram as três locomotivas que inauguraram a primeira sessão da Estrada de Ferro Pedro II, em 29 de março de 1858, pela manhã, quando a locomotiva Imperador levou dom Pedro II (1825 – 1891), sua corte e ministério até Pouso dos Queimados. As outras  chamavam-se Brazil e Imperatriz (Correio Mercantil, 24 de março de 1858, terceira coluna; Correio Mercantil, 30 de março de 1858, segunda coluna; e Diário do Rio de Janeiro, 30 de março de 1858, segunda coluna). Antes das partidas das locomotivas, houve as bênçãos do bispo, a saudação de Christiano Benedicto Ottoni (1811 – 1896), diretor da Companhia da Estrada de Ferro Dom Pedro II, e a resposta do imperador:

 

 

 

Em pouco tempo passou a ser conhecida como Estação da Corte e mais tarde foi denominada Estação Dom Pedro II. Com a República, a ferrovia foi rebatizada como Estrada de Ferro Central do Brasil  e com isso a estação foi imediatamente chamada de Estação Central do Brasil. Foi reformada anos mais tarde e finalmente demolida nos anos 30 para a construção da avenida Presidente Vargas (Revista da Semana, 4 de abril de 1936 e 31 de julho de 1937).  A comemoração dos 85 anos da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1943, foi realizado no hall do atual edifício da estação, em estilo art déco, com um almoço com diversas autoridades e com a abertura de uma exposição, além das inaugurações do trecho eletrificado entre Nova Iguaçu e Morro Agudo e do relógio da torre da Central, que se tornou um ponto de referência dos cariocas (Jornal do Brasil, 30 de março de 1943Careta, 10 de abril de 1943; e Revista da Semana, 10 de abril de 1943). O relógio fica entre o 21º e o 26º andares da estação ferroviária e é um dos maiores relógios de quatro faces do mundo – cada uma é um quadrado com dez metros de altura por dez metros de largura. Está montado a 110 metros de altura e pode ser visto de diversos pontos da cidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O título deste artigo foi alterado de Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhos para Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhos, em 16 de setembro de 2021.

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BEM, Sueli Ferreira de. Contribuição para estudos das estações ferroviárias paulistas. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, 1998

COARACY, Vivaldo. Coleção Rio 4 séculos, volume 3. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1965.

DUNLOP, Charles. Rio Antigo, vol 2. Rio de Janeiro : Cia. Editora e Comercial F. Lemos, 1956.

GUIMARÃES, Ino Venerotti. Campo de Santana: de charco a palco privilegiado de manifestações populares e oficiais. Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, 2011.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MATOS, Odilon Nogueira de. Café e ferrovias: a evolução ferroviária de São Paulo e o desenvolvimento da cultura cafeeira. São Paulo : Editora Alfa-Ômega, 1974.

O Globo

PESSOA, Vicente Alves de Paula. Guia da Estrada de Ferro Central do Brasil. Rio de Janeiro : Imprensa Nacional, 1902.

Site da Supervia

TELLES, Pedro Carlos da Silva. História da Engenharia no Brasil. Rio de Janeiro : Editora Livros Técnicos e Científicos, 1984.

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro Desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024