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Cronologia de Ignacio Fernandes Mendo (18? – ?)

Cronologia de Ignacio Fernandes Mendo (18? – ?)

 

 

1866 – Ignacio Fernandes Mendo começou a atuar como fotógrafo provavelmente neste ano (SILVA, 2009).

Esteve, nos anos 1860, no Piauí (BASTOS, 1994), onde também atuavam, na referida década, os fotógrafos Joaquim Joze Avellino (18? -?), que abriu seu estabelecimento fotográfico, em Teresina, em 1865; Miguel Carlos (18? -?), que, em julho de 1868, anunciava ter um bom sortimento para o trabalho de fotografia; e Justino Rocha Pereira (18? -?), fotógrafo itinerante que, em 1860, esteve em Teresina (Liga e Progresso (PI), 3 de abril de 1865A Imprensa (PI), 18 de julho de 1868; e O Propagador (PI), 22 de abril de 1860).

1875 - Mendo anunciava os serviços de sua Photographia Popular, instalada na Rua Boa Vista, nº 15, em Sobral, no Ceará (Sobralense, 14 de março de 1875). Foi contemporâneo, no Ceará, de Joaquim Antônio Correia (18? – ?)autor de um conjunto de fotografias que pertence, atualmente, ao acervo da Biblioteca Nacional de vítimas da seca de 1877-1878.  São imagens chocantes, em formato de cartes de visite, e retratam crianças, homens e mulheres desnutridos e maltrapilhos, de aparência doentia. Também atuavam no estado, nos anos 1870, Pinto de Sampaio (18? -?), o prussiano Carlos Frederico Johann Reeckel (18? – c. 189?), do dinamarquês Niels Olsen (1843 –  1911) e o norte-americano R. H. Furmann (18? -?), dentre outros. Este último anunciou, em 1876, que era o único fotógrafo no Brasil que usava o Método Rembrant e o de porcelana para produzir fotografias (O Cearense21 de dezembro de 1871, primeira coluna2 de julho de 1874, terceira coluna30 de setembro de 1875, última coluna12 de março de 1876, terceira coluna25 de abril de 1879, terceira coluna12 de setembro de 1880, última coluna).

 

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Sobralense, 14 de março de 1875 / Transcrição copiada de BEZERRA (2019)

 

Meses depois, a Photographia Popular estava estabelecida, na Rua da Palma, nº 17, em Fortaleza (Pedro II (CE), 7 de novembro de 1875).

1876 - Passou por Açu, no Rio Grande do Norte (Correio do Assú, 25 de outubro de 1876).

 

Correio do Assu, 25 de setembro de 1876

Correio do Assu, 25 de setembro de 1876 / Transcrição copiada de BEZERRA (2019)

 

1878 - Encontrava-se em Alagoas, onde realizou uma série de vistas da cachoeira e da Estrada de Ferro de Paulo Afonso, e também do porto de Piranhas (BEZERRA, 2019). Viajantes estrangeiros, como Augusto Stahl (1828 – 1877) e Augusto Riedel (1836 – ?), e depois o brasileiro Marc Ferrez (1843 – 1923) também fotografaram a Cachoeira de Paulo Afonso.

 

 

1881 – Anunciou a abertura de seu estabelecimento fotográfico, a Photographia Maranhense, em Aracaju (Echo Sergipano, 24 de abril de 1881).

 

 

Correio do Assu,

Echo Sergipano, 24 de abril de 1881 / Transcrição copiada de BEZERRA (2019)

 

1884 – Seu estabelecimento fotográfico, a Photographia Maranhense, ficava na Rua Conde d´Eu, em Feira de Santana, na Bahia (Jornal da Feira (BA), 1º de agosto de 1884, primeira coluna).

 

 

1885 – Seu nome aparece na lista de estudantes da Faculdade de Medicina da Bahia para os exames da primeira série de Farmácia (BEZERRA, 2019).

1886 – Estava trabalhando em Cachoeira, mas tinha a intenção de se mudar para Salvador. Anunciava um processo rápido ideal para os retratos de pessoas nervosas ou crianças (A Ordem (Cachoeira, BA), 14 de abril de 1886).

1888 – Estava estabelecido na Photographia Universal, na rua Direita do Colégio, esquina com rua São José, em Salvador. Também atuavam como fotográfos, nos anos 1880, na cidade, o alemão Alberto Henschel (1827 – 1882) e o suíco Guilherme Gaensly (1843 – 1928), dentre outros.

 

 

Produziu uma das raras fotografias existentes sobre as comemorações da abolição da escravidão no Brasil, feita na Bahia, logo no domingo seguinte à divulgação da Lei Áurea (VASCONCELLOS, 2006).

 

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Phot. Universal de Ignacio Mendo. Cópia sobre cartão “Grande Missa Campal no adro do Bonfim, em ação de Graças pela redempção dos escravos no Brazil, em 13 de maio de 1888, celebrada pelo Padre Arsenio Pereira da Fonseca, deputado provincial pelo 1º districto e capellão da Libertadora Bahiana, sendo pregador o conego Dr. João Nepomuceno deputado pelo 4º districto e promovida por E. Carigé e o Club José Bonifácio” / Acervo Museu de Arte da Bahia

 

“O público da missa evidencia a diversidade social da cidade. Nesse primeiro plano, próximo ao fotógrafo, concentraram-se os homens afrodescendentes e brancos. Usam o mesmo modelo de paletó, gravata, chapéu e bigode. Isso demonstra que, fora do estúdio, homens afrodescendentes e brancos usavam os mesmos modelos de traje, enquanto as mulheres pretas se distinguiam pelo uso do turbante branco”.

 Christiane Silva de Vasconcellos

em O  circuito social da fotografia da gente negra Salvador 1860-1916, página 111

 

Anunciou que havia obtido diversas medalhas de ouro e que seguia produzindo retratos com perfeição e modicidade em preços (Folha Nova (BA), 4ª semana de setembro de 1888, primeira colunaA Locomotiva (BA), 13 de dezembro de 1888).

 

 

“Aos olhos do mundo civilizado apresentamos nessa página de honra a gravura que representa o edifício onde funciona a popularíssima fábrica Leite & Alves, nesta capital, à Caçada do Bom-fim, nº 95, cópia de uma bela fotografia do sr. Ignacio Mendo (A Locomotiva, 2 de dezembro de 1888).

 

 

 

1889 – Uma cópia fiel de uma fotografia da Grande Fábrica de Cigarros a Vapor de Martins Fernandes de sua autoria foi publicada (A Locomotiva, 13 de janeiro de 1889, primeira coluna).

 

 

 

Compôs uma música em homenagem às cataratas de Paulo Afonso: “Recebemos a polca Cachoeira Paulo Afonso – brilhante produção do nosso simpático amigo Ignacio Mendo, acreditado fotógrafo desta capital” (A Locomotiva (BA), 9 de fevereiro de 1889, primeira coluna).

 

 

Foi agraciado por dom Pedro II (1825 – 1891), um entusiasta da fotografia, com o título de Fotógrafo da Casa Imperial, em 6 de agosto de 1889, cerca de três meses antes da Proclamação da República no Brasil, em 15 de novembro do mesmo ano. No dia seguinte, 16 de novembro, a família real portuguesa foi banida do país (Decreto nº 2, 16 de novembro de 1889). Ainda não se sabe nem se ele teve contato com o imperador nem de como sua obra teria chegado à apreciação do monarca.

1997 – Foi um dos fotógrafos cujas imagens integraram a exposição A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, realizada entre 29 de janeiro e 23 de março de 1997, pela Biblioteca Nacional, no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Integraram também a exposição registros de autoria de Albert Frisch (1840 – 1918), Albert Richard Dietze (1838 – 1906), Arsênio da Silva (1833 – 1883), Augusto Amoretty (1845 – 1906), Augusto Riedel (1836 – ?), Benjamin R. Mulock (1829 – 1863), Felipe Augusto Fidanza (1844 – 1903), Franz Keller-Leuzinger (1835 – 1890), Henrique Rosen (1840 – 1892), Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912), Louis Niemeyer, Luiz Terragno, Marc Ferrez (1843 – 1923), Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e Victor Frond (1821 – 1881), dentre outros.

 

 

Entre 20 de abril e 25 de maio, foi apresentada na Pinacoteca de São Paulo.

Entre 4 e 31 de julho, foi apresentada no Museu Nacional de Belas Artes, em Buenos Aires, na Argentina.

2000 - A exposição A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, foi realizada entre 8 de junho e 30 de julho de 2000, no Centro Português de Fotografia, no Porto, em Portugal.

2020 – Apresentação de A experiência da aceleração: paisagem, infraestrutura e o imaginário da modernidade no Brasil (1870/1910),  de Felipe Ziotti Narita, trabalho de pós-doutorado, ao Departamento de Sociologia e ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) como requisito para conclusão de pesquisa junto ao Programa de Pós-Doutorado (PPD/UFSCar).

Sobre o álbum das obras da Estrada de Ferro Paulo Afonso, produzido por Ignacio Mendo, Narita comentou:

“Ignacio Mendo foi fotógrafo da Casa Imperial nos anos 1880, quando também acompanhou as obras da Estrada de Ferro de Paulo Afonso. O álbum, com vapores e caminhos de ferro cruzando casebres precários e construções muitos dispersas, além de assinalar as condições de um território ermo, privilegia paisagens e perspectivas abertas, realçando um esvaziamento da própria figura humana. Exceto pequenas aparições de trabalhadores dos trechos ferroviários na paisagem vazia (Figura 125), predomina um desenho temático completamente ausente de movimento (Figuras 126, 127 e 128). A atmosfera estacionária do vazio oferece o material bruto a partir do qual as linhas de força do sistema-mundo moderno subsumia os mais remotos rincões à lógica social da circulação e da produção”.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BASTOS, Cláudio. Dicionário histórico e geográfico do Piauí. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1994.

BEZERRA, Ari Leite. História da fotografia no Ceará do século XIX. Edição do autor, 2019. Página 152

CASTRO, Danielle Ribeiro de. PHOTOGRAPHOS DA CASA IMPERIAL A Nobreza da Fotografia no Brasil do Século XIX. Monografia apresentada ao curso de PósGraduação em História da Arte da Fundação Armando Álvares Penteado, como exigência parcial para obtenção do certificado de conclusão, sob a orientação de Rubens Fernandes Junior, 2010.

Enciclopédia Itaú Cultural

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

——————-Origens e expansão da fotografia no Brasil: século XIX. Rio de Janeiro: Funarte, 1980

NARITA, Felipe Ziotti. A experiência da aceleração: paisagem, infraestrutura e o imaginário da modernidade no Brasil (1870/1910). Relatório de pós-doutorado apresentado ao Departamento de Sociologia e ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) como requisito para conclusão de pesquisa junto ao Programa de Pós-Doutorado (PPD/UFSCar), 2020.

SILVA, TELMA Cristina Damasceno. A fotografia artística na Bahia e sua inserção nos salões oficiais de arte. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Escola de Belas Artes, Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Artes Visuais., 2009.

VASCONCELLOS, Christiane Silva de. O  circuito social da fotografia da gente negra Salvador 1860-1916. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História sob a orientação da Prof. Dr. Joao Jose Reis, 2006.

VASQUEZ, Pedro Karp. A fotografia no Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

—————————Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.

—————————O Brasil na Fotografia Oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

Cronologia de Angelo Regato (1912 – 1993)

Cronologia de Angelo Regato (1912 – 1993)

 

 

1912 – Mineiro de Estrela Dalva, Angelo Regato nasceu em 27 de outubro de 1912 e, ainda na juventude, veio para o Rio de Janeiro. Foi casado com Fernandina Maria Mesquita, com quem teve quatro filhos: Angelo, José, Carlos e Fernanda (Site Family Search; Jornal do Commercio6 de junho de 1976, penúltima coluna 27  de junho de 1976, última coluna).

1929 /década de 1930- Começou a se aproximar do jornalismo, em 1929, quando foi empregado na empresa de teatro e cinema de Paschoal Carlos Magno (1906 – 1980). Ele levava os anúncios dos filmes e das peças para os jornais. No ano seguinte, começou a trabalhar como fotógrafo no jornal A Pátria, onde permaneceu até 1940Sua máquina fotográfica era a alemã Contessa Nettel. Desta época até meados da década de 1930, trabalhava à noite como porteiro de cinema ou montador de cartaz.

Em entrevista, Regato comentou as condições de trabalho da época (O GLOBO, 30 de setembro de 1987).

“Ao mesmo tempo que era fascinante, o emprego era muito puxado. Naquele tempo, o fotógrafo fornecia desde o filme até o ampliador. O jornal só fornecia um quartinho para que pudéssemos revelar as chapas”.

Em outubro de 1930, foi Regato que deu o tiro do magnésio para que fosse feita a foto, de autoria de Arnaldo Vieira (1904 – 1974), da prisão do presidente deposto pela Revolução de 1930, Washington Luís (1869 – 1957), saindo do Palácio Guanabara, residência oficial do chefe de governo, rumo ao Forte Copacabana, onde ficou preso até seguir, exilado, para os Estados Unidos. Era o fim de seu mandato presidencial, iniciado em 15 de novembro de 1926, o último da chamada República Velha. O registro fotográfico, um importante furo jornalístico, foi publicado na capa da terceira edição de O GLOBO de 24 de outubro de 1930 e republicada no dia seguinte. De acordo com o jornal esta fotografia é O mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis É um documento único e cujo valor não será mais preciso exaltar. 

 

 

1935 – Passou a trabalhar também no jornal A Nota.

1938 – Foi trabalhar para A Notícia e para veículos dos Diários Associados.

1940 – Deixou de trabalhar como fotógrafo no jornal A Pátria.

1944 – Fotografou a remoção da Igreja São Pedro dos Clérigos sobre gigantescos rolimãs para a abertura da Avenida Presidente Vargas.

1945 – Fotografou a chegada ao Brasil dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira após o término da Segunda Guerra Mundial.

 

 

Foto de Angelo Regato de um Pracinha comemorando com a família após a chegada da Itália com o fim da Segunda Guerra Mundial, 22 de agosto de 1945. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) – Acervo IMS

 

Na enquete Em quem você votaria?, realizada pelo jornal O GLOBO, disse que ainda não havia se definido: “Sou do contra — declarou — Quero novidades. Quero gente nova. É preciso que se dêem oportunidades a outros brasileiros de valor até então desconhecidos por força do regime em que vivíamos. Sou ainda favorável à anistia e pela pacificação da família brasileira” (O GLOBO, 6 de abril de 1945).

1946 – Fotografou a realização da Assembleia Nacional Constituinte de 1946.

1947 – Fazendo a cobertura do Circuito da Gávea de automobilismo, foi um dos fotógrafos agredidos pela polícia (O Jornal, 22 de abril de 1947, segunda coluna).

 

 

Pela primeira vez, fotos de sua autoria foram publicadas na revista O Cruzeiro, também dos Diários Associados. Foi na reportagem Energia para o Nordeste, de Theophilo de Andrade (1903 – 1994) (O Cruzeiro, 12 de julho de 1947).

1948 -O Diário da Noite foi um inovador na fotografia, publicando, inicialmente clichês de 6 a 8 colunas, e, posteriormente, alcançando sucesso com as fotos colhidas pela teleobjetiva de Angelo Regato, que a usou pela, primeira vez, no dia 4 de Julho de 1948, no Torneio Início do Campeonato Carioca de Futebol (Diário da Noite, 5 de julho de 1948, página 11 e página 28).

 

 

Antes, os fotógrafos de futebol ficavam alojados atrás do gol, sujeitos a pedradas dos torcedores e impossibilitados de variar a produção de imagens. Regato havia participado da cobertura jornalística de um eclipse solar, em Bocaiuva, no interior de Minas Gerais, em maio de 1947 (O Jornal, 21 de maio de 1947). Ele usava sua Contessa Nettel e observou um colega norte-americano trabalhando com uma teleobjetiva Garflex. Foi quando decidiu adquirir a sua, que comprou, à prestação, na Mesbla (O GLOBO, 1º de março de 1962; Boletim da ABI, de 1975).

1949 – Passou a morar no Méier. Nesta época, o futuro colunista social, Ibrahin Sued (1924 – 1995), era seu ajudante.

1950 – Em 6 de abril de 1950, fez, de um teco-teco, fotos do descarrilamento do Noturno Campista sobre a ponte do Rio Tanguá. Os registros foram publicados no Diário da Noite. Considerava essa uma de suas melhores coberturas jornalísticas.
É de sua autoria a primeira foto do Maracanã lotado, durante um treino da seleção brasileira para a Copa de 1950. Jogou contra o quadro de aspirantes do Vasco da Gama reforçado por profissionais do time (Diário da Noite, 19 de junho de 1950).

 

 

1952 - Tornou-se chefe do Departamento de Fotografia dos Diários Associados, cargo que exerceu até 1975 (O GLOBO, 30 de setembro de 1987).

“Comandava uma equipe de 35 profissionais, que trabalhavam 24 horas por dia. Atendíamos aos jornais da rede e ao departamento de publicidade. Os fotógrafos vibravam quando iam aos concursos de miss”.

1954 – Participou da cobertura da Copa do Mundo de 1954 na Suíça (Jornal do Sports, 10 de março de 1977, penúltima coluna).

1956 – Foi um dos fundadores da Associação de Repórteres Fotográficos do Rio de Janeiro, cuja iniciativa foi apoiada por Herbert Moses (1884 – 1972), presidente a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), onde, até ter sede própria, a associação de fotógrafos funcionou.

1957 - Levou o fotógrafo Evandro Teixeira (1935 – 2024), recém chegado ao Rio de Janeiro até a redação do Diário da Noite. Os dois jornais eram sediados no mesmo edifício da rua Sacadura Cabral, nº 103, na Praça Mauá. Não havia vaga disponível naquele momento, mas, no ano seguinte, Evandro começou a fotografar para o Diário da Noite e a produzir registros para O Jornal. Seus dois primeiros trabalhos no Diário da Noite não deram certo: fotografou, com uma Rolleiflex fornecida pelo jornal, o casamento de uma alemã com um negro, apesar da orientação racista do jornal. Foi demitido pelo diretor do jornal, o mineiro Paulo Vial Correa (1919 – 1975). Angelo Regato deu uma segunda chance a ele: fotografar o desfile de fantasias do Baile do Teatro Municipal, mas Evandro chegou atrasado e Regato teve que providenciar as fotos da revista O Cruzeiro sem o carimbo. Veio então a sua terceira, que seria sua última chance: fazer a cobertura do desfile das escolas de samba na Avenida Rio Branco. Foi um sucesso e Evandro finalmente iniciou sua carreira profissional no Rio de Janeiro, tornando-se um dos maiores fotojornalistas brasileiros de todos os tempos.

 

O Angelo Regato realmente foi uma pessoa maravilhosa, devo muito a ele que logo me apresentou ao diretor de redação”.

Evandro Teixeira em Arfoc

1959 – Participou da cobertura do Campeonato Sul-Americano de Futebol, realizado em Buenos Aires entre 7 de março de 4 de abril de 1959. Participaram da disputa sete seleções: Argentina, campeã do torneio; Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai. O jornalista Armando Nogueira (1927 – 2010), pelo Jornal do Brasil; e o fotógrafo Ângelo Gomes (19? -?), pelo Jornal dos Sports, também participaram da cobertura do evento (Jornal do Brasil, 3 de julho de 1994, segunda coluna).

1968 – Era um dos dirigentes da Associação de Repórteres Fotográficos do Rio de Janeiro. Pelo menos até 1979 integrava a entidade, pela qual foi condecorado com o título de comendador (O GLOBO, 16 de fevereiro de 1968; Jornal do Commercio, 9 de fevereiro de 1979, penúltima colunaJornal do Commercio, 1º de outubro de 1993, penúltima coluna).

 

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Na foto, Regato é o primeiro à direita / O GLOBO, 16 de fevereiro de 1968

 

1970 – Foi noticiado que um retrato de Regato seria inaugurado na sede da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio, cujo presidente era Walter Quirino (1? -?) (Jornal do Commercio, 15 de janeiro de 1970, quarta coluna).

Foi homenageado, no Palácio do Comércio, em Niterói, recebendo das mãos de Moacyr Moreira Leite, presidente da Associação Comercial e Industrial do Estado do Rio de Janeiro, um diploma da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio, fundada no ano anterior. Regato era um dos fundadores da associação congênere da Guanabara (O Jornal, 22 de março de 1970, primeira coluna).

 

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Em 13 de maio de 1970, foi um dos profissionais condecorados com as insígnias do Mérito Jornalístico, da Ordem dos Velhos Jornalistas, em uma solenidade realizada na Associação Brasileira de Imprensa. Os outros  foram Dinah Silveira de Queiroz (1911 – 1982), Carlos de Souza Areas, Fernando Hupsel de Oliveira (19? -?), Alceu de Amoroso Lima (1893 – 1983), Raul Pilla (1892 – 1973), Gomes Maranhão (1907 – 1992), Antônio Herrera Filho (c. 1911 – 1980), Alberto Torres e Archimedes Fortini (18? – 1973). Na ocasião, Regato foi apresentado como o primeiro repórter a usar a teleobjetiva na imprensa brasileira. A Medalha do Mérito Jornalístico foi instituída pela Ordem dos Velhos Jornalistas e reconhecida oficialmente  pelo Decreto n° 52.206, de 28 de junho de 1963 (Jornal do Commercio, 14 de maio de 1970, quarta coluna). Pela conquista da Medalha, foi homenageado por colegas de A Notícia e de O Dia (O Jornal, 22 de maio de 1970, segunda coluna).

Integrava a equipe dos Diários Associados responsável pela cobertura jornalística da Copa Mundial de Futebol do México (O Jornal, 17 de abril de 1970).

Publicação da reportagem A bola é redonda para a família Antunes, de Yata Anderson (1944 – 2026), com fotos de autoria de Regato. Da família, fazia parte os jogadores Edu (1947 -), Nando (19?-), Antunes (19?-) e Zico (1953-). Yata foi o único repórter a entrevistar Pelé em campo no seu último jogo no Maracanã, em 1974, e por isso, ficou conhecido como o Amigo do Rei (O Jornal, 7 de novembro de 1970).

1971 – O Diário da Noite Futebol Clube, clube dos Diários Associados, promoveu, no Social Marabu, no Encantado, um torneio de futebol de salão denominado Angelo Regato, em homenagem ao fotógrafo (O Jornal, 27 de novembro de 1971, primeira coluna).

1975 - Devolveu sua Leika e aposentou-se, em 1º de maio de 1975, encerrando sua carreira no Jornal do Commercio, após 46 anos de trabalho. Era, então, o mais antigo repórter fotográfico em atividade do Rio de Janeiro (Boletim da ABI, março e abril de 1975). Continuou exercendo atividades como profissional independente e visitava ocasionalmente seus amigos nas redação do Jornal do Commercio.

 

 

1982 – Foi um dos fotógrafos contatados pelo Núcleo de Fotografia da Funarte para dar um depoimento acerca de seu trabalho de fotógrafo de copas do mundo. Na época, a Funarte estava promovendo em sua galeria a exposição Fotografias nas Copas do Mundo. Segundo Regato, os fotógrafos ficavam, normalmente, atrás do gol  (O GLOBO, 9 de junho de 1982).

1987 – Foi entrevistado pelo jornal O GLOBO (O GLOBO, 30 de setembro de 1987).

 

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1993 - Faleceu, em 30 de setembro de 1993, em sua residência, na Rua Domingues Freire, no Méier, vítima de um enfarte (Jornal do Commercio, 1º de outubro de 1993, penúltima colunaBoletim da ABI, de setembro/outubro de 1993, segunda coluna).

 

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Breves perfis e cronologias dos irmãos e fotógrafos Malta: Aristógiton (1904-1954) e Uriel (1910 – 1994)

Hoje a Brasiliana Fotográfica publica breves perfis e as 70ª e 71ª cronologias de fotógrafos presentes no acervo fotográfico do portal. São dos irmãos e fotógrafos Aristógiton e Uriel Malta. As cronologias estão todas reunidas na página inicial da Brasiliana Fotográfica na aba Cronologia de Fotógrafos. Aristógiton e Uriel são filhos de Augusto Malta (1864 – 1957), que foi fotógrafo da Prefeitura do Rio de Janeiro, entre 1903 e 1936. O cargo foi criado para ele, que tornou-se o principal cronista visual da cidade nas primeiras décadas do século XX. Disponibilizamos hoje também uma versão revisada e ampliada do artigo O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936, e da Cronologia de Augusto Malta, originalmente publicados no portal, em 10 de julho de 2015.

O trabalho de Aristógiton e Uriel ficou durante muitas décadas à sombra da extraordinária obra de seu pai. A publicação, em 27 de janeiro de 2026, do livro digital Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) , com fotografias produzidas pelos filhos de Augusto Malta pertencentes ao acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, resgatam a importância do trabalho deles, que fotografaram os últimos anos da belle époque carioca assim como seu desaparecimento.

 

Aristógiton Malta (1904-1954)

 

 

Aristógiton nasceu em 25 de agosto de 1904, no Rio de Janeiro, e era filho da primeira esposa de Augusto Malta, Laura Oliveira Campos (1874 – 1905). De temperamento alegre e afável, era um desportista e praticou remo durante muitos anos. Casou-se com Helena de Freitas Moutinho (1906 – 1975), no início da década de 1930. Tiveram sete filhos: Marcus Moitinho Malta (1933 – 1977), Maryse Malta Muller (1935 – ), Mauro Moitinho Malta (1937 – ), Marcelo Moitinho Malta (1940 – 2020), Marcio Moitinho Malta (1946 -), Antonio Carlos Moitinho Malta (1947 – 1950) e Monica Moitinho Malta (1952 -1952).

 

Aristógiton e Helena com Maryse, Marcus,

O casal Aristógiton e Helena com os filhos Maryse, Marcus, Mauro e Marcelo no colo da mãe, 1940 / Acervo pessoal de Maryse Muller

 

Em 1932, foi contratado como fotógrafo assistente da Prefeitura do Rio de Janeiro. Em 25 de agosto de 1936, Augusto Malta aposentou-se da Prefeitura e foi substituído por Aristógiton, a partir de 9 de setembro do mesmo ano. Em 1938, o presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), visitou a “Feira de Amostras”,  uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos stands de maior sucesso foi o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto e Aristógiton. Em 1953, foi noticiado que uma foto de sua autoria do Estádio do Maracanã estava nas paredes de todas as repartições da Prefeitura, no hall do Banco da Prefeitura, e também em hotéis em países da Europa, da América do Sul e dos Estados Unidos. Faleceu em 15 de agosto de 1954.

 

Aristogiton Malta (1896-1954) / Site Family Search

Aristógiton Malta, s/d / Site Family Search

 

Acesse aqui a Cronologia de Aristógiton Malta (1904 – 1954)

 

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Aristógiton Malta disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Uriel Malta (1910 – 1994)

 

 

Uriel Malta nasceu, em 28 de setembro de 1910, no Rio de Janeiro, filho da segunda esposa de Augusto, Celina Augusta Verscheuren (1884 – 1969). Passou a trabalhar com o irmão, Aristógiton, no Serviço de Fotografia da Prefeitura, em 1937. Casou-se com Hilda de Abreu Malta (1908 – 1976), em 1944. Tiveram pelo menos três filhos: Claudius Vinicius de Abreu Malta (1945-2010), Lelia Sandra de Abreu Malta (19? – ?) e Lelia Egle de Abreu Malta (19? – ?). Foi fotógrafo da Prefeitura até fins da década de 1960 e, em 1970, teve assinada a apostila fixando os proventos anuais de inatividade. Uriel faleceu, em Magé, em 5 de agosto de 1994.

 

Acesse aqui a Cronologia de Uriel Malta (1910- 1994)

 

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Uriel Malta disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Augusto Malta (1864 – 1957)

 

 

Acesse aqui a publicação O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936 e a Cronologia de Augusto Malta (1864 – 1957), revisadas e ampliadas.

 

Agradeço à colaboração generosa da filha de Aristógiton Malta, Maryse Muller, e de uma de suas netas, Christiana Malta, que me deram um depoimento fundamental para a elaboração deste artigo, em 20 de março de 2026.

 

Christiana Malta e Maryse Muller, neta e filha de Aristógiton Malta

Christiana Malta e Maryse Muller, neta e filha de Aristógiton Malta, respectivamente, comigo, Andrea Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, 20 de março de 2026. Rio de Janeiro

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Achados e Perdidos (livro eletrônico): Imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)/Eliseu Santiago de Souza…(Et.Al.) — 1ª edição. Rio de Janeiro: Aprazível Edições e Arte e UQ Editions, 2025 PDF. Outros autores: Pedro Marreca, Rafael Martins, Leonel Kaz.

Blogspot Domingos Moitinho

DUNLOP, Charles Julius. Rio Antigo, volume II. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1956.

ERMAKOFF, George. Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936 / George Ermakoff; tradução para o inglês Carlos Luís Brown Scavarda. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2009. 288p. : il.; 28cm

FROSSARD, Heloisa (org.) Augusto Malta – Catálogo da série Negativo em vidro Aristógiton Malta. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro – Coleção Biblioteca Carioca, 1994.

HEEREN, Alice. Affective Rhetorics of Contagion – Augusto Malta in Belle Époque Rio de Janeiro, 2020.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Nosso Século. São Paulo; Abril Cultural, 1980. vol. 1 (1900-1910)

Portal Augusto Malta do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Site A Casa Senhorial

WANDERLEY, Andrea C. T. “Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)”, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Destaque para a identificação da casa de Tia Ciata in Brasiliana Fotográfica, 10 de fevereiro de 2026

Cronologia de Uriel Malta (1910 – 1994)

Cronologia de Uriel Malta (1910 – 1994)

 

Uriel Malta / Site Family Search

Uriel Malta / Site Family Search

 

1910 – Uriel Malta nasceu, em 28 de setembro de 1910, no Rio de Janeiro, filho do importante fotógrafo alagoano Augusto Malta (1864 – 1957) e da belga Celina Augusta Verscheuren (16/03/1884 – 1969) (Registro Civil do Rio de Janeiro, Site Family Search; O Jornal, 28 de setembro de 1926, segunda coluna). Augusto Malta foi fotógrafo da Prefeitura do Rio de Janeiro de 1903 até 1936 – o cargo foi criado para ele.

Augusto Malta, que havia ficado viúvo, em 1905, com o falecimento de Laura Oliveira Campos (1874 – 1905), passou a viver maritalmente com Celina, mãe de Uriel, em torno de 1906. Ela trabalhava desde os 15 anos como babá dos filhos de Malta e Laura. Com Celina, Malta teve, além de Uriel, quatro filhas: Dirce (1907 – 10/1971), Eglé (20/09/1909 – 11/1941) e Amalthea (12/12/1912 – 12/03/2007). Celina era de origem belga e ela e sua irmã ficaram órfãs de pai e mãe, ainda menores. Foram internadas em um pensionato na Glória. Com 15 anos, como já mencionado, Celina foi trabalhar na casa da família Malta. Sua irmã tornou-se professora.

 

Uriel e sua irmã, Amalthea, s/d. / Acervo  Jean Jacques Malta CArlini

Uriel e sua irmã, Amalthea, s/d. / Acervo Jean Jacques Malta Carlini

Os irmãos de Uriel do primeiro casamento de seu pai eram Luthgardes (05/01/1896 – 05/02/1928), Arethusa (1898-31/03/1913), Callisthene (26/07/1900 – 20/02/1919), Aristocléa (21/06/1903 – 03/1934), e Aristógiton (25/08/1904 – 15/08/1954).
1920 – Com nove anos, Uriel sofreu um acidente em casa e teve duas fraturas (Gazeta de Notícias, 19 de junho de 1920, sexta coluna).

1921 – Foi batizado em 13 de março de 1921 e seus padrinhos foram João Augusto de Godoy e Adélia Godoy de Almeida (Site Family Search).

 

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Certidão de Batismo de Uriel Malta / Site Family Search

 

1926 - O aniversário do menino Uriel Malta foi noticiado (O Jornal, 28 de setembro de 1926, segunda coluna).

1931 - Viajou para São Paulo no vapor Raul Soares, vindo do Rio de Janeiro (Tribuna (SP), 4 de agosto de 1931, última coluna).

1935 - Foi noticiado que ele estava envolvido em um caso policial sobre o sequestro de meninos para trabalho em um garimpo ilegal no Mato Grosso. O crime foi denunciado pelos pais de um dos menores encontrados na casa do inglês Harold Bold, suposto chefe da quadrilha. Uriel foi inicialmente identificado como um dos menores, mas na verdade já tinha 24 anos. Ele seria o cinegrafista do grupo. Foi preso, interrogado e solto (Gazeta de Notícias4 de julho de 1935, terceira coluna6 de julho de 1935, última coluna11 de julho de 1935, quarta colunaJornal do Brasil3 de julho de 1935, quinta colunaO Jornal, 4 de julho de 1935, terceira colunaDiário Carioca, 3 de julho de 1935Diário de Notícias, 4 de julho de 1935, quarta coluna).

 

 

Uriel foi à redação do jornal A Manhã e fez uma declaração sobre o caso, desmentindo a notícia. Bold declarou que ele chefiaria uma expedição aventureira pelo Mato Grosso, onde elaboraria um filme e  se lançaria à aventura dos garimpos (A Manhã, 4 de julho de 1935, primeira coluna).

 

 

1937 – Passou a trabalhar com o irmão, Aristógiton, no Serviço de Fotografia da Prefeitura (Jornal do Brasil, 12 de março de 1937, primeira coluna). Entre este ano e a década de 1950, os irmãos fotografaram exaustivamente as reformas urbanas realizadas no Rio de Janeiro.

1941 – Foi chamado para preencher uma proposta na Caixa Reguladora de Empréstimos da Prefeitura (Correio da Manhã, 19 de abril de 1941, primeira coluna).

1944 – Casou-se com a carioca Hilda de Abreu Malta (1908 – 1976), em 15 de abril. Tiveram pelo menos três filhos: Claudius Vinicius de Abreu Malta (1945-2010), Lelia Sandra de Abreu Malta (19? – ?) e Lelia Egle de Abreu Malta (19? – ?) (Registro Civil do Rio de Janeiro, Site Family Search; O Fluminense, 13 de agosto de 1960, segunda colunaO Fluminense, 17 de agosto de 1960, segunda coluna).

 

Certidão de Casamento Civil / Site Family Search

Certidão de Casamento Civil / Site Family Search

 

1945 – A Prefeitura concedeu a Uriel salário-família (Diário de Notícias, 20 de março de 1945, segunda coluna).

A Prefeitura fixou os proventos de Uriel (Diário de Notícias, 8 de junho de 1945, terceira coluna).

Em um anúncio, Uriel seria a pessoa a ser procurada para receber ofertas em relação à venda de lotes em Jacarepaguá e também em Paquetá (Correio da Manhã, 15 de setembro de 1945, sexta coluna; 16 de setembro de 1945, terceira coluna).

1950 – Foi concedido pela Prefeitura salário-família para Uriel (Correio da Manhã, 19 de julho de 1950, sexta coluna).

Na década de 1950, seu pai, Augusto, recebia muitas visitas de compradores de suas fotografias e um dos mais constantes era o colunista Arthur Faveret (? – 1968), que fazia diversas encomendas de vistas da cidade. Como laboratorista, Uriel ajudava o pai, produzindo as cópias solicitadas.

1953 - Foi designado pelo prefeito, Dulcídio do Espírito Santo Cardoso (1896 – 1978), para a Secretaria de Viação e Obras, cujo secretário-geral o designou para o Departamento de Propaganda Urbanística (Correio da Manhã, 3 de fevereiro de 1953, terceira coluna; Diário de Notícias, 11 de fevereiro de 1953, segunda coluna).

1955 – Foi designado para a Secretaria de Administração da Prefeitura (Diário de Notícias, 31 de março de 1955, segunda coluna).

1957 – A Prefeitura concedeu a Uriel nove meses de licença (Jornal do Brasil, 28 de junho de 1957, última coluna).

A Prefeitura aumentou o salário de Uriel em 20% (Jornal do Commercio, 6 de setembro de 1957, quinta coluna).

1959 - A filha de Uriel e Hilda, Lélia Eglé, participou do baile de debutantes do Clube Central (O Fluminense, 19 de agosto de 1959, segunda coluna).

A Prefeitura requisitou seu comparecimento urgente (Diário de Notícias, 28 de novembro de 1959, quarta coluna).

Seu pagamento de montepio foi deferido (Diário de Notícias, 17 de dezembro de 1959, quarta coluna).

1964 - Foi designado para a Secretaria de Turismo da Prefeitura (O Jornal, 14 de novembro de 1964, quarta coluna).

Foi colocado à disposição da Assembleia Legislativa (Diário de Notícias, 21 de maio de 1964, quarta coluna).

1965 – Foi designado para a Secretaria de Obras Públicas da Prefeitura (Diário de Notícias, 27 de fevereiro de 1965, primeira coluna).

1968 - Por ter completado o tempo de serviço exigido pela lei, ganhou uma licença-prêmio de nove meses. Foi promovido (Diário de Notícias, 3 de abril de 1968, terceira colunaDiário de Notícias, 20 de outubro de 1968, primeira coluna). 

1969 – A Prefeitura concedeu a Uriel um aumento trienal (Diário de Notícias, 31 de janeiro de 1969, terceira coluna).

1970 – Teve assinada a apostila fixando os proventos anuais de inatividade (Diário de Notícias, 7 de abril de 1970, última coluna).

1976 - Falecimento de sua esposa, Hilda de Abreu Malta.

 

O GLOBO, 5 de agosto de 1976

O GLOBO, 5 de agosto de 1976

 

1994 – Uriel faleceu, em Magé, em 5 de agosto de 1994 (Registro Civil do Rio de Janeiro, Site Family Search)

2026 – Em 27 de janeiro, sob a presidência do internacionalista e doutor em Ciência Política, Eliseu Santiago, em parceria com a Aprazível Edições, do jornalista, editor de livros, curador de museus e exposições, Leonel Kaz, o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro lançou o livro digital Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)que revela um valioso e inédito acervo iconográfico da cidade do Rio no período do Estado Novo, sob a presidência de Getúlio Vargas (1882 – 1954). São fotografias inéditas produzidas por Aristógiton e Uriel. As imagens do livro resgatam a importância do trabalho dos filhos de Augusto Malta, que fotografaram os últimos anos da belle époque carioca assim como seu desaparecimento.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Aristógiton Malta (1904 – 1954)

 

Cronologia de Aristógiton Malta (1904 – 1954)

 

Aristógiton em uma foto com dedicatória para sua filha Maryse, s/d / Acervo pessoal de Maryse Muller

Aristógiton em uma foto com dedicatória para sua filha Maryse, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo pessoal de Maryse Muller

 

1904 - Nascimento, em 25 de agosto, de Aristógiton Malta, filho do fotógrafo Augusto Malta (1864 -1957) e de Laura Oliveira Campos (1874 – 1905). Na ocasião, Augusto já era fotógrafo da Prefeitura do Rio de Janeiro, cargo criado para ele, em 1903, e que ocupou até 1936 (O Imparcial, 25 de agosto de 1925, terceira coluna).

1905 - Em fins de junho, falecimento de sua mãe, Laura Oliveira Campos (Jornal do Brasil, 3 de julho de 1905, segunda coluna). Aristógiton passou a morar com uma irmã de sua mãe, a Tia Glória (ERMAKOFF, 2009). Segundo depoimento de sua filha, Maryse, Tia Glória era avó do cantor Dick Farney (1921 – 1987) e do ator Cyl Farney (1925 – 2003), e Aristógiton só foi  morar com ela anos após a morte de Laura.

1906 – O nome dele e de suas irmãs, filhas de Augusto e Laura – Luthgardes (05/01/1896 – 05/02/1928), Arethusa (1898 – 31/03/1913), Callisthene (26/07/1900 – 20/02/1919) e Aristocléa (21/06/1903 – 03/1934), afilhada do prefeito Pereira Passos; constavam na subscrição em favor das famílias atingidas pela tragédia de Jacuecanga –  o naufrágio do encouraçado Aquidabã da Marinha do Brasil na enseada de Jacuecanga, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro (Tico-Tico, 14 de março de 1906, segunda coluna). Suas irmãs aqui citadas morreram todas de tuberculose.

 

Augusto Malta. Calisthene, Aristógiton e Aristocléa no ateliê de Malta, 3 de setembro de 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Mauro Malta

Augusto Malta. Calisthene, Aristógiton e Aristocléa no ateliê de Malta, 3 de setembro de 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Mauro Malta

 

Em torno deste ano, Augusto Malta passou a viver maritalmente com Celina Augusta Verscheuren (16/03/1884 – 1969), que trabalhava desde os 15 anos como babá dos filhos de Malta e Laura. Com Celina, Malta teve mais quatro filhos: Dirce (1907 – 10/1971), Eglé (20/09/1909 – 11/1941), o futuro fotógrafo Uriel (28/09/1910 – 05/08/1994) e Amalthea (12/12/1912 – 12/03/2007).

1913 – Aristógiton foi fotografado por seu pai com suas irmãs Aristocléa, Calisthene e Dirce; e com duas moças ainda não identificadas.

 

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Augusto Malta. Da esquerda para a direita: Aristocléa, Calisthene e Dirce; e duas moças ainda não identificadas. Atrás, Aristógiton com os braços abertos, 1913. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Mauro Malta

 

1914 – Aristógiton recebeu um brinde oferecido pela revista O Tico-Tico e pelo Bazar Hollandez. Residia na Rua Câmara, nº 260 (O Tico-Tico, 28 de setembro de 1914, primeira coluna).

1916 – Participava de concursos promovidos pela revista O Tico-Tico (O Tico-Tico, 15 de março de 1916, primeira coluna).

Estudava na Escola Profissional Souza Aguiar (Jornal do Commercio, 26 e 27 de dezembro de 1916, penúltima coluna).

1917 - Participou da regata promovida pelo Clube de Regatas do Flamengo sob os auspícios da Federação Brasileira das Sociedades do Remo (Jornal do Commercio,- Edição da Tarde8 de outubro de 1917, terceira coluna).

1918 - Remou no festival aquático na enseada de Gragoatá e ficou em primeiro lugar em uma das competições na categoria estreantes. Participou de outras competições de remo (Jornal do Commercio,- Edição da Tarde,  26 de fevereiro de 1918, primeira coluna17 de junho de 1918, última coluna12 de agosto de 1918, terceira coluna20 de dezembro de 1918, última coluna).

Participou de um concurso da revista O Tico-Tico (O Tico-Tico, 10 de abril de 1918, segunda coluna).

No dia da inauguração da Escola de Artes e Ofícios Venceslau Brás, que contou com a presença do presidente da República, Venceslau Brás (1868 – 1966), estava, como aluno da Escola Profissional Souza Aguiar, trabalhando em uma das oficinas (Jornal do Brasil, 10 de novembro de 1918, quinta coluna).

1919 –  Participou de outras competições de remo (Jornal do Commercio,- Edição da Tarde30 de junho de 1919, terceira coluna; O Paiz, 1º de julho de 1919, terceira coluna; 29 de outubro de 1919, quarta coluna).

1920 – Na categoria de patrão, foi pesado na Federação Brasileira das Sociedades do Remo (Gazeta de Notícias, 16 de junho de 1920, penúltima coluna).

1922 – Participou da temporada de remo (Jornal do Commercio, 18 de junho de 1922, primeira coluna).

1923 – Participou da temporada de remo (Jornal do Commercio, 21 de outubro de 1923, segunda coluna).

Foi fotografado pelo pai no aniversário de 39 anos de sua madrasta, Celina.

 

Augusto Malta. Aniversário de 39 anos de Celina. Em pé, da esquerda para a direita: duas pessoas ainda não identificadas, Celina, Aristocléa e o Tio Teófilo, irmão de Malta. Sentaos: Aristógiton e moças ainda não identificadas. O quadro na parede da direita é um retrato de Laura. Na parede atrás do grupo, no centro o quadro é um retrato de Calisthene, entre retratos de Celina e Malta, 1923. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Mauro Malta

Augusto Malta. Aniversário de 39 anos de Celina. Em pé, da esquerda para a direita: duas pessoas ainda não identificadas, Celina, Aristocléa e o Tio Teófilo, irmão de Malta. Sentados: Aristógiton e moças ainda não identificadas. O quadro na parede da direita é um retrato de Laura. Na parede atrás do grupo, no centro o quadro é um retrato de Calisthene, entre retratos de Celina e Malta, 1923. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Mauro Malta

 

1925 – Quando Augusto Malta prestava um serviço para a Sul América, uma explosão ocasionada pelo flash de sua máquina fotográfica dilacerou um de seus dedos. Foi operado e ficou internado no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Aristógiton começou a auxiliá-lo na Prefeitura (O Imparcial, 25 de agosto de 1925, terceira coluna).

Segundo o artigo de Regina da Luz Moreira, Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio, publicado no Portal Augusto Malta do Acervo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, em termos técnicos, Augusto Malta manteve-se sempre fiel ao seu equipamento, só admitindo mudanças a partir do momento em que o filho Aristógiton passou a trabalhar com ele. Foram então introduzidas câmaras americanas e alemãs, as mais modernas então existentes.

Participou de competições de remo (Gazeta de Notícias, 14 de junho de 1925, terceira coluna; 16 de agosto, quinta coluna; 18 de outubro, terceira coluna),

1926 - Foi um dos remadores amadores que pediu registro na Federação Brasileira das Sociedades do Remo. Fazia parte do Grupo de Regatas Gragoatá (Rio Sportivo, 27 de junho de 1926, penúltima coluna).

Participou de competições de remo (Jornal do Commercio, 15 de agosto de 1926, segunda coluna).

1927 - Participou de competições de remo (Jornal do Brasil, 26 de junho de 1927, última coluna).

1928 – Participou da competição de amadores do remo entre o Clube Icaraí e Gragoatá (O Jornal, 28 de outubro de 1928, penúltima coluna).

1929 – Participou da regata nacional realizada na Lagoa Rodrigo de Freitas e da regata de abertura da temporada náutica carioca da Federação Brasileira das Sociedades do Remo, promovida pelo Clube de Regatas Guanabara (O Jornal, 25 de maio de 1929, sexta coluna; A Manhã, 29 de junho de 1929, de 1929, primeira coluna).

1930 –Fazia parte da comissão de buffet do baile do Grupo de Regatas Gragoatá (Correio da Manhã, 27 de março de 1930, sétima coluna)

Participou de competições de remo (Correio da Manhã, 13 de maio de 1930, sétima coluna).

1931 – Participou de competições de remo (Correio da Manhã, 16 de agosto de 1931, primeira coluna).

1932 – Foi eleito diretor de remo do Grupo de Regatas Gragoatá (Correio da Manhã, 22 de janeiro de 1932, segunda coluna).

Aristógiton foi nomeado auxiliar de fotografia da Diretoria de Engenharia da Prefeitura. Seu pai e João Montenegro Cordeiro foram nomeados fotógrafos (Jornal do Brasil, 3 de março de 1932, segunda coluna; Correio da Manhã, 3 de março de 1932, quinta coluna).

Foi noticiado o noivado de Aristógiton com Helena de Freitas Moitinho (1906 – 1975), filha de Domingos Moitinho (1871 – 19?) e Sarah de Freitas das Neves (1881 – 1948) (Revista da Semana, 3 de setembro de 1932, primeira coluna).

Domingos havia sido um dos fundadores do Fluminense, em 21 de julho de 1902, na casa de Horácio da Costa Santos (1880 -19?), na Rua Marquês de Abrantes, número 51. A sessão de fundação foi presidida por Manoel Rios (18? -19?) e secretariada por Oscar Cox (1880 – 1931) e Américo da Silva Couto (18? -19?). Ele foi eleito tesoureiro da primeira diretoria do clube (Fon-Fon, 23 de agosto de 1952). Já havia sido um dos fundadores, em 5 de fevereiro de 1895, do Grupo de Regatas Gragoatá (Semana Sportiva, 3 de fevereiro de 1903, penúltima coluna; O Imparcial, 19 de junho de 1921, quarta coluna).

1933 - Foram publicadas fotos do casamento de Aristógiton e Helena (A Scena Muda, 28 de março de 1933).

 

 

 

A família de Laura era muito rica e foi contra o casamento. O avô de Laura, também chamado Domingos Moitinho (c. 1825 – 1895) era português, migrou para o Brasil, onde fez fortuna, e tornou-se comendador. Era o diretor da Estrada de Ferro de Teresópolis e estava presente no dia da fundação da cidade e foi também proprietário da Estrada de Ferro de Bananal, que adquiriu em 1891. A estação ferroviária de Bananal, com dois pavimentos, toda importada da Bélgica e montada aqui, cujas chapas, até no telhado, são metálicas, e o assoalhos são de pinho de Riga, foi uma doação do comendador. Em 1893, adquiriu de Domiciana Maria de Almeida (18? -?), viúva de Manoel de Aguiar Valim (18? – 1878), a Fazenda Resgate, em Bananal, desde 1969 tombada pelo IPHAN, além de outros bens, que posteriormente hipotecou. Foi proprietário de diversas empresas (Gazeta de Notícias, 28 de julho de 1895, sexta coluna).

 

 

Aristógiton e Laura tiveram sete filhos: Marcus Moitinho Malta (1933 – 1977), Maryse Malta Muller (1935 – ), Mauro Moitinho Malta (1937 – ), Marcelo Moitinho Malta (1940 – 2020), Marcio Moitinho Malta (1946 -), Antonio Carlos Moitinho Malta (1947 – 1950) e Monica Moitinho Malta (1952 -1952) (Site Family Search; A Noite, 31 de março de 1950, penúltima coluna6 de fevereiro de 1953, segunda coluna24 de março de 1955, segunda coluna),

 

Helena, mulher de Aristógiton, com Marcus e Maryse, os primeiros filhos do casal, c. 1935. Rio de Janeiro, RJ / Acervo pessoal de Maryse Muller

Helena, mulher de Aristógiton, com Marcus e Maryse, os primeiros filhos do casal, c. 1935. Rio de Janeiro, RJ / Acervo pessoal de Maryse Muller

 

Aristógiton seguia como auxiliar de fotografia da Diretoria de Engenharia Geral da Prefeitura do Rio de Janeiro, enquanto seu pai e João Montenegro Cordeiro eram fotógrafos (Jornal do Brasil, 9 de novembro de 1933, terceira coluna).

Era um dos sócios da firma Barros, Malta e Cia de comércio de materiais para construção, na Rua do Rosário, 52. Os outros sócios eram José de Barros e Agostinho Rodrigues Torres (Correio da Manhã, 22 de junho de 1933, última coluna).

1936 – Em 25 de agosto, Augusto Malta aposentou-se da Prefeitura e foi substituído por Aristógiton, a partir de 9 de setembro do mesmo ano.

1937 – Seu irmão, Uriel, passou a trabalhar com ele. Entre este ano e a década de 1950, os irmãos fotografaram exaustivamente as reformas urbanas realizadas no Rio de Janeiro.

1938 – O prefeito, Henrique Dodsworth (1895 – 1975), fixou os rendimentos de Aristógiton, que era o chefe do Gabinete Fotográfico da Prefeitura do Distrito Federal (Jornal do Brasil, 15 de março de 1938, segunda coluna; Diário de Notícias, 25 de agosto de 1938, primeira coluna).

 

Aristógiton com sua filha Maryse, c. 1938. Rio de Janeiro, RJ / Acervo pessoal de Maryse Muller

Aristógiton com sua filha Maryse, c. 1938. Rio de Janeiro, RJ / Acervo pessoal de Maryse Muller

 

O presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), visitou a “Feira de Amostras”,  uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos stands de maior sucesso foi o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de autoria de Augusto Malta e de seu filho, Aristógiton (A Noite, 31 de outubro de 1938, sob o título “A evolução do Rio através da fotografia”).

 

 

1939 – Visitou com Edson Passos, secretário-geral da Viação, do Trabalho e Obras Públicas do Rio de Janeiro, em Ribeirão das Lajes, a convite da firma Dahne & Conceição que estava realizando as obras de melhoramentos de abastecimento de água na cidade, a fábrica de tubos da empresa, seguido de um almoço no Monumento Rodoviário (Gazeta de Notícias, 27 de junho de 1939, penúltima coluna).

1940 – Foi noticiado o aniversário do filho de Aristógiton, Marcus, cuja festa se realizaria na casa dos pais, em Ipanema (A Batalha, 9 de janeiro de 1940, primeira coluna).

Aderiu ao almoço em homenagem a Jorge Dodsworth (1884 – 1974), secretário-geral de Administração, que ser realizaria, em 26 de setembro , no Clube Ginástico Português (O GLOBO, 25 de setembro de 1940, coluna).

Era candidato a integrar a União Beneficente dos Chauffeurs do Rio (Diário de Notícias, 31 de outubro de 1940, terceira coluna).

Foi de sua autoria uma fotomontagem publicada na revista Vamos Ler!, de 28 de novembro de 1940.

 

 

1941 - Foi designado pelo prefeito, Henrique Dodsworth, como o fotógrafo da Comissão Técnica Especial da Avenida Presidente Vargas e Esplanada do Castelo (Diário de Notícias, 6 de fevereiro de 1941, terceira coluna; Correio da Manhã, 6 de fevereiro de 1941, quinta coluna).

 

 

Foi um dos nomeados pelo presidente da República, Getúlio Vargas, delegado do Brasil no II Congresso Interamericano de Municípios, que se realizaria, em Santiago do Chile, entre 15 e 22 de setembro de 1946 (Correio da Manhã, 26 de agosto de 1941, segunda coluna).

1947 – Foi convocado a comparecer ao cartório da Comarca de Duque de Caxias para pagar prestações vencidas para a Companhia Frigoríficos Reunidos do Brasil (Diário de Notícias, 5 de agosto de 1947, penúltima coluna).

1948 – O secretário-geral de Finanças da Prefeitura do Rio de Janeiro o designou para a Superintendência do Financiamento Urbanístico (Diário de Notícias, 1º de junho de 1948, quinta coluna).

1949 – Publicação da reportagem Rui na intimidade, com texto de Raymundo Athayde (1905 – 19?) e fotos de Augusto Malta e Aristógiton Malta (O Cruzeiro, 12 de novembro de 1949).

 

 

1950 - Faleceu seu filho, Antônio Carlos (A Noite, 31 de março de 1950, penúltima coluna).

1951 - Foi concedido a ele, pela Prefeitura, salário-família (Correio da Manhã, 19 de julho de 1950, sexta coluna).

Foi removido para o Departamento de Patrimônio da Secretaria de Finanças da Prefeitura (Correio da Manhã, 9 de outubro de 1950, quarta coluna).

1953 – Em sua residência, na Rua Redentor nº 330, em Ipanema, quase aconteceu uma tragédia. Seu filho, Marcelo, de 12 anos, brincando com um revólver, atirou em seu irmão, Mauro, de 15 anos. Felizmente, a bala atingiu a vítima de raspão (Gazeta de Notícias, 6 de fevereiro de 91953, primeira coluna).

Nas eleições para a escolha da nova diretoria da Associação de Repórteres Fotográficos, quando Mozart Alves da Silva foi eleito presidente, empatou com com Raul Machado para o cargo de segundo presidente. Novas eleições seriam realizadas (A Manhã, 16 de abril de 1953, primeira coluna).

Foi noticiado que uma foto de sua autoria do Estádio do Maracanã, produzida em 1950, estava nas paredes de todas as repartições da Prefeitura, no hall do Banco da Prefeitura, e também em hotéis em países da Europa, da América do Sul e nos Estados Unidos (A Noite, 18 de maio de 1953, primeira coluna).

1954 - Foi noticiado que Augusto Malta, que completaria 90 anos, em 14 de maio, havia deixado um arquivo com cerca de 100 mil fotos do Rio de Janeiro aos cuidados de Aristógiton (O Jornal, 13 de maio de 1954, penúltima coluna).

Aristógiton Malta faleceu, em 15 de agosto de 1954, no Rio de Janeiro. Na ocasião estava lotado na Sala de Imprensa do prefeito. Foi enterrado no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo (A Noite, 16 de agosto de 1954, terceira colunaDiário de Notícias, 17 de agosto de 1954, sexta coluna). Abaixo, seu Atestado de Óbito (Site Family Search).

 

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Em nota do O GLOBO, foi noticiado que ele havia produzido durante o Campeonato Mundial de Futebol de 1950 a maior e mais difundida fotografia do Estádio do Maracanã.

 

O GLOBO, de 1954

O GLOBO, 16 de agosto de 1954

 

 

Sua missa de 7º Dia foi celebrada na Igreja do Carmo, na Rua 1º de março, em 23 de agosto de 1954 (A Noite, 20 de agosto de 1954, primeira coluna).

 

 

Acompanhada de suas filha, a viúva de Aristógiton, Helena de Freitas Moutinho, esteve no gabinete do prefeito, Dulcídio do Espírito Santo Cardoso (1896 – 1978), para agradecer as atenções dispensadas e também às providências para proteger seus filhos menores (Diário de Notícias, 27 de agosto de 1954, primeira coluna).

Meses depois, em 30 de dezembro, foi efetuado o pagamento de encerramento da folha de pagamento de Aristógiton na Prefeitura (Diário de Notícias, 30 de dezembro de 1954, primeira coluna).

1955 – Foi noticiado o casamento de sua filha, Maryse, com Paulo Muller, engenheiro da Prefeitura (A Noite, 24 de março de 1955, segunda coluna).

1975 – Em 4 de março, falecimento de sua viúva, Laura Freitas Moutinho Malta (Registro Civil – Family Search).

 

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1989 - Na seção “O Leitor escreve”, publicação de um texto de Oromar Terra, que havia trabalhado no Palácio da Guanabara, na década de 1950. Em 1953, foi trabalhar na Sala de Imprensa do Palácio da Prefeitura como representante do jornal Última Hora e conheceu diversos fotógrafos, dentre eles Aristógiton Malta, de quem se tornou amigo. Segundo Oromar, Aristógiton nasceu, viveu e morreu em silêncio, fotografando as migalhas que o pai lhe deixara (O Fluminense, 1º de setembro de 1989, primeira coluna).

2004 – Publicação da matéria O Rio que ninguém viu, de autoria de Marcia Cezimbra, sobre a descoberta feita por bisnetas de Augusto Malta e netas de Aristógiton, Lucca e Gabriela, de fotografias produzidas por eles (O GLOBO, 29 de novembro de 2004).

 

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O GLOBO, 29 de novembro de 2004

 

2026 – Em 27 de janeiro, sob a presidência do internacionalista e doutor em Ciência Política, Eliseu Santiago, em parceria com a Aprazível Edições, do jornalista, editor de livros, curador de museus e exposições, Leonel Kaz, o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro lançou o livro digital Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)que revela um valioso e inédito acervo iconográfico da cidade do Rio no período do Estado Novo, sob a presidência de Getúlio Vargas (1882 – 1954). São fotografias inéditas produzidas por Aristógiton e Uriel. As imagens do livro resgatam a importância do trabalho dos filhos de Augusto Malta, que fotografaram os últimos anos da belle époque carioca assim como seu desaparecimento.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Conflitos” X – Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho (1890 – 1963), fotógrafo e cinegrafista da FEB

Com fotografias do Cemitério de Pistoia, na Itália, pertencentes ao acervo do Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, e um pequeno perfil e cronologia do autor dos registros, Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho (1890 – 1963), fotógrafo e cinegrafista da Força Expedicionária Brasileira (FEB), o portal lembra os 80 anos do Dia da Vitória na Europa, ocorrido em 8 de maio de 1945, data formal da derrota dos nazistas e da vitória das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. No cemitério foram sepultados os corpos dos integrantes da FEB durante a Segunda Guerra Mundial.  A cronologia de Horacio é a 69ª publicada pelo portal, que acredita que este trabalho seja uma importante contribuição para a historiografia da fotografia brasileira.

 

 

Acessando aqui o link para as fotografias de autoria de Horacio Coelho disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

Os restos mortais dos integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) permaneceram no Cemitério de Pistoia até 5 de outubro de 1960, quando foram transladados para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, localizado no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Em junho de 1965, em substituição ao cemitério, foi erguido no local o Monumento Votivo Militar Brasileiro (MVMB) como homenagem aos expedicionários brasileiros que morreram durante a guerra.

Inicialmente, o Brasil se manteve neutro na Segunda Guerra Mundial, porém, com o afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães, em 1942, o então presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) alinhou o país às nações aliadas, declarando guerra ao países do Eixo.

 

 

 

Brevíssimo perfil de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho (1890 – 1963)

 

“A tomada de Monte Castelo, os terríveis combates de Montese, tudo foi gravado em celulóide e perpetuado em sal de prata, imagem por imagem, graças a objetiva de Horacio Coelho, sua picareta de trabalho na paz e sua arma de combate na guerra”.

Revista da Semana, 7 de setembro de 1945

 

 

Nasceu em Fernando de Noronha, em Pernambuco, em 2 de setembro de 1890, Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho, filho de Joaquim de Gusmão Coelho (c. 1836 – 1902) e Francisca Cavalcanti de Souza Leão Coelho (c.1859 – 1929). Era neto do português Joaquim José Coelho (1797 – 1860), o Barão da Vitória. Teve com Maria Emilia Coelho (1894 – 1948), com quem foi casado, seis filhos: Pojucan, Rômulo, Rêmulo, Maria Clementina, Murilo e Alberto.

Como cinegrafista e fotógrafo do Ministério da Guerra participou como correspondente da Segunda Guerra Mundial, operando junto à Força Expedicionária Brasileira, na Itália. Foi nomeado pelo marechal Mascarenhas de Moraes (1883 – 1968) (Diário de Pernambuco, 8 de junho de 1944, segunda coluna). Algumas de suas fotos foram publicadas em artigos da Revista da SemanaOs brasileiros combatem sob a neve com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 10 de março de 1945) e Onde a cobra fuma (Revista da Semana, 24 de março de 1945). Outros correspondentes de guerra contemporâneos de Horacio que trabalharam para a imprensa brasileira foram: Allan Fischer (1913 – 1988) (fotógrafo do escritório do Coordenador de Assuntos Econômicos Interamericanos), Egídio Squeff (1911 – 1973) (O Globo), Fernando Stamato (1917 – 1993) (cinematografista do DIP), Frank Norall (19? – ?) (Escritório do Coordenador de Assuntos Interamericanos), Henry Bagley (19? – ?) (Associated Press), Joel Silveira (1918 – 2007) (Diários Associados), Raul Brandão (19? – ?) (Correio da Manhã), Rubem Braga  (1913 – 1990) (Diário Carioca) e Thassilo Mitke (19? – ?) (DIP).

Foi um dos correspondentes de guerra condecorados com a Medalha de Campanha, em 1945 (Diário de Notícias, 6 de dezembro de 1945, segunda coluna). Dois anos depois, em 1947, foi agraciado com uma Medalha de Guerra em uma solenidade realizada no Quartel do Batalhão de Guardas (Correio da Manhã, 20 de março de 1947, segunda coluna).

Com sua aposentadoria, na década de 1950, o cargo de cinegrafista do Exército foi extinto, em 1956 (Portal da Câmara dos Deputados).

Em 8 de maio de 1958, participou da solenidade comemorativa do 13º ano do fim da Segunda Guerra Mundial, realizada na Associação Brasileira de Imprensa quando os correspondentes de guerra foram homenageados. Rubem Braga e Fernando Stamato, dentre outros também estiveram presentes (Diário de Notícias, 9 de maio de 1958, última coluna).

Faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de agosto de 1963, e foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier (Jornal do Commercio, 10 de agosto de 1963, segunda coluna).

Uma curiosidade: Na foto abaixo, o último ajoelhado da esquerda para a direita é Fernando Stamato, filho do fotógrafo e pioneiro do cinema nacional João Stamato (1886 – 1951), que participou da viagem científica promovida pelo Instituto Oswaldo Cruz, em que um grupo de cientistas e engenheiros, entre setembro de 1911 e fevereiro de 1912, percorreu os vales do São Francisco e Tocantins, documentando a jornada, registrando as casas, costumes e pessoas, demonstrando conhecimento das técnicas, além de sensibilidade para fotografar a vida naqueles sertões. O cineasta Fernando Stamato seguiu os caminhos do pai, tendo sido cinegrafista da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra, trabalhando como correspondente na Itália. Viúvo, partiu para os campos da batalha para documentar os movimentos das tropas brasileiras. Sua esposa Lourdes Soares Dutra (1917-1941) havia falecido no parto da filha, que também não resistiu. Durante o conflito mundial, em pleno front, Fernando se apaixonou pela italiana Rossana Bonfatti. Casaram-se em Pistóia (Itália) e, no final da guerra, tiveram uma menina, nascida em 14 de setembro de 1945. No ano seguinte, nasceria outro filho.

 

 

Acesse aqui a cronologia de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho (1890 – 1963)

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Esse artigo passou a integrar a série Conflitos, em 20 de março de 2026.

 

Fontes:

Allan Fischer Photo

Atlas Histórico do Brasil – FGV

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MORADO, Maria de Fátima. O Cemitério de Pistoia e a memória dos combatentes da FEB in Brasiliana Fotográfica, 18 de fevereiro de 2022.

O GLOBO, 14 de junho de 2015

Portal da Câmara dos Deputados

SANTOS, Ricardo Augusto. João Stamato, um fotógrafo nos sertões in Brasiliana Fotográfica, 9 de fevereiro de 2021.

Site Family Search

Site INPI

Site Memorial da FEB

Portal Domínio Público

Cronologia de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho (1890 – 1963)

Cronologia de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho (1890 – 1963)

 

 

1890 – Em 2 de setembro, nascimento, no Presídio de Fernando de Noronha, em Pernambuco, de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho, filho de Joaquim de Gusmão Coelho (c. 1836- 1902) e Francisca Cavalcanti de Souza Leão Coelho (c. 1859 – 1929). Na ocasião, seu pai era diretor do presídio (Diário de Pernambuco8 de junho de 1890, primeira coluna13 de julho de 1890, última coluna).

 

Certidão de nascimento de Horacio de Gusmão / Family Search

Certidão de nascimento de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho / Site Family Search

 

Joaquim de Gusmão Coelho (c. 1836 – 1902), pai de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho  / Site Family Search

 

 

Era neto de Joaquim José Coelho (1797 – 1860) e de Maria Bernardina de Gusmão (1783 – 1885), barão e baronesa da Vitória.

 

 

 

1902 – Falecimento de seu pai, Joaquim de Gusmão Coelho (c. 1836 – 1902) (A Província (PE), 15 de maio de 1902, quarta coluna).

No Colégio Porto Carrero, no Recife, foi aprovado com distinção na segunda série da aula infantil (A Província (PE), 11 de dezembro de 1902, terceira coluna).

1905 / 1906 Estudava no Colégio Diocesano São José, no Rio de Janeiro (A União, 17 de agosto de 1905, segunda colunaJornal do Brasil, 25 de dezembro de 1905, quinta colunaCorreio da Manhã, 15 de abril de 1906, terceira coluna).

1911 - Foi nomeado pelo governador do Amazonas, Antonio Clemente Ribeiro Bittencourt (1853 – 1926), com a permissão do ministro da Guerra, Dantas Barreto (1850 – 1931), auxiliar e fotógrafo da Comissão Amazonense de Limites (Jornal do Commercio (AM), 10 de julho de 1911, primeira coluna).

Chegou no Recife, vindo de Manaus, a bordo do vapor Ceará (A Província (PE), 11 de outubro de 1911, última coluna).

 

 

1913 – Casou-se com Maria Emilia Coelho (1894 – 1948) e tiveram seis filhos: Pojucan (19 -?), Rômulo (1918 – 1971), Rêmulo (1921 – 1985), Maria Clementina (1928- 2016), Murilo (1929 – 1970) e Alberto (19? – ?).(Diário de Pernambuco, 26 de fevereiro, de 1913, quarta coluna).

1915 - Era guarda do corpo administrativo da Escola de Estado Maior, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro (Almanak Laemmert, 1915, última coluna).

1918 – Por ordem do ministro da Guerra, José Caetano de Faria (1855 – 1936), o inspetor de alunos Horacio de Gusmão Coelho passou a servir no 1º Distrito de Artilharia de Costa (Jornal do Commercio, 12 de janeiro de 1918, terceira coluna).

1920 - Devido à iminente reabertura da Escola de Estado Maior, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, o ministro da Guerra, João Pandiá Calógeras (1870 – 1934) pediu que se apresentassem alguns funcionários adidos de instituições subordinadas ao ministério da Guerra, dentre eles Horacio (O Paiz, 13 de fevereiro de 1920, sexta coluna).

Horacio foi identificado como empregado da Light. Teria arrendado o teatro Politheama e sido passado para trás no negócio* (O Paiz, 3 de outubro de 1920, quarta colunaO Jornal, 3 de outubro de 1930, terceira coluna).

1921 – Foi nomeado pelo ministro da Guerra, Pandiá Calógeras, conservador preparador do gabinete fotográfico da Escola de Estado Maior (O Paiz, 10 de setembro de 1921, quinta colunaGazeta de Notícias, 10 de setembro de 1921, quarta coluna).

1923 – Identificado como empregado público, pediu ao Ministério da Agricultura privilégio para uma nova armação giratória destinada a diversões públicas. A patente foi concedida* (Jornal do Commercio18 de abril de 1923, quinta coluna5 de junho de 1923, penúltima coluna).

 

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1925 – Ficou ferido em uma explosão em um barracão nos fundos de um prédio na Rua Emerenciana, em São Cristóvão, quando eram manipulados petardos por dinamiteiros (O Imparcial, 6 de maio de 1925, segunda coluna).

Por abandono de emprego, foi exonerado do cargo de conservador preparador do gabinete fotográfico da Escola de Estado Maior (O Paiz, 19 de junho de 1925, penúltima coluna).

1926 – O ministro da Fazenda, Aníbal Freire da Fonseca (1884 – 1970), enviou ao ministro da Guerra, Fernando Setembrino de Carvalho (1861 – 1947) o processo originado pelo requerimento da esposa de Horacio, Maria Emilia Coelho, solicitando o recolhimento das contribuições para o montepio devidas por Horacio, cujo paradeiro era ignorado (Jornal do Commercio, 1º de janeiro de 1926, primeira coluna).

1928 – Ele e sua esposa compareceram à missa de sétimo dia do ex-ministro da Fazenda, Esmeraldino Bandeira (1865 – 1928) (Jornal do Commercio, 12 de abril de 1928, quarta coluna).

1929 – Falecimento de sua mãe, Francisca Cavalcanti de Souza Leão Coelho (c. 1859 – 1929), na residência de Horacio, no Rio de Janeiro (Diário da Manhã (PE), 13 de agosto de 1929, sexta colunaJornal do Recife, 14 de agosto de 1929, última colunaDiário da Manhã (PE), 17 de agosto de 1929, primeira coluna).

1931 – Pelo chefe do governo provisório, Getúlio Vargas (1882 – 1954), foi considerado readmitido no cargo de conservador preparador do gabinete fotográfico da Escola de Estado Maior, desde 13 de novembro do ano anterior (Jornal do Brasil, 10 de janeiro de 1931, primeira coluna).

Esteve presente na missa de sétimo dia do general Xavier de Brito (1866 – 1930) (Correio da Manhã, 10 de abril de 1930, antepenúltima coluna).

1933 – Integrou a comitiva presidencial que viajou para o Norte do país no navio Almirante Jaceguay (Diário de Notícias, 13 de outubro de 1933, sexta coluna).

1934 – Foi nomeado pelo ministro da Guerra, Goes Monteiro (1891 – 1963), desenhista, cartógrafo da Escola de Estado Maior (Jornal do Commercio, 23 de junho de 1934, penúltima coluna).

1935 – Foi posto pelo ministro da Guerra, Goes Monteiro, à disposição do ministro das Relações Exteriores, José Carlos de Macedo Soares (1883 – 1968), para atuar como fotógrafo na Comissão de Limites da Seção Sul (Correio de Manhã, 18 de janeiro de 1935, quarta coluna).

1938 – Com o secretário do Interior de Pernambuco, Arthur de Moura, e outras autoridades visitou Fernando de Noronha (Diário de Pernambuco, 28 de julho de 1938, segunda coluna).

1940 - Publicação de uma fotografia de Maria Clementina, filha de Horacio e Maria Emilia (Revista da Semana, 24 de fevereiro de 1940).

1942 – O presidente da República, Getúlio Vargas, assinou um decreto com várias promoções em diversos ministérios. Horacio foi um dos promovidos (Correio da Manhã, 21 de janeiro de 1942, quarta coluna).

1943 – Publicação de fotografias de autoria de Horacio de uma viagem entre Recife e Rio de Janeiro na reportagem Nossa Terra (Revista da Semana, 31 de julho de 1946).

1944/1945 – No relatório das atividades de 1944 apresentado ao ministro da Educação, Gustavo Capanema, por Roquette-Pinto, diretor do Instituto Nacional de Cinema Educativo, foi informado que a instituição havia dado toda assistência técnica para o manejo e aquisição de câmeras 16mm pelo sr. Horacio Coelho, cinematografista do Ministério da Guerra que seguiu com as forças expedicionárias brasileiras tendo o INCE examinado o material adquirido, fornecido filmes e câmeras para o treinamento do mesmo cinegrafista, que fica assim habilitado a desempenhar toda e qualquer filmagem em operações de guerra (A Noite, 13 de março de 1945, segunda coluna).

Como cinegrafista e fotógrafo do Ministério da Guerra participou como correspondente da Segunda Guerra Mundial, operando junto à Força Expedicionária Brasileira, na Itália. Foi posto pelo ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra (1883 – 1974), à disposição do marechal Mascarenhas de Moraes (1883 – 1968) (A Noite, 7 de junho de 1944, quarta colunaDiário de Pernambuco, 8 de junho de 1944, segunda coluna).

 

 

Publicação da reportagem Os brasileiros combatem sob a neve com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 10 de março de 1945).

Publicação da reportagem Onde a cobra fuma com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 24 de março de 1945).

Publicação da reportagem Onde a cobra está fumando com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 31 de março de 1945).

Publicação da reportagem Senta a Púa avestruz com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 14 de abril de 1945).

Na reportagem A Batalha de Castelnuevo, publicação da fotografia abaixo (Revista da Semana, 14 de abril de 1945).

 

 

No suplemento de guerra da Revista da Semana, de 5 de maio de 1945, publicação de fotos enviadas especialmente da Itália por Horacio Coelho (Revista da Semana, 5 de maio de 1945).

Publicação da reportagem Visões de uma guerra que passou com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 30 de junho de 1945).

Publicação da reportagem Depois da vitória Veneza com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 14 de julho de 1945).

Publicação da reportagem A volta de nosso correspondente com fotos de autoria de Horacio e do próprio Horacio em frente ao Café Petrarca, em Veneza (Revista da Semana, 7 de setembro de 1945).

Outros correspondentes de guerra contemporâneos de Horacio que trabalharam para a imprensa brasileira foram: Allan Fischer (1913 – 1988) (fotógrafo do escritório do Coordenador de Assuntos Econômicos Interamericanos), Egídio Squeff (1911 – 1973) (O Globo), Fernando Stamato (1917 – 1993) (cinematografista do DIP), Frank Norall (19? – ?) (Escritório do Coordenador de Assuntos Interamericanos), Henry Bagley (19? – ?) (Associated Press), Joel Silveira (1918 – 2007) (Diários Associados), Raul Brandão (19? – ?) (Correio da Manhã), Rubem Braga  (1913 – 1990) (Diário Carioca) e Thassilo Mitke (19? – ?) (DIP).

 

 

Uma mensagem de Horacio elogiando seus companheiros de imprensa foi lida em um programa de rádio (Jornal do Commercio, 4 de julho, quinta coluna).

Foi um dos correspondentes de guerra condecorados com a Medalha de Campanha (Diário de Notícias, 6 de dezembro de 1945, segunda coluna).

 

 

1946 - Fazia parte do quadro de civis permanentes do ministério da Guerra e foi promovido por merecimento na carreira de desenhista (Correio da Manhã, 11 de maio de 1946, sexta coluna).

Com o tenente João Brito Jorge, adjunto da SS Cine da Secretaria Geral de Guerra, foi para Resende filmar as manobras da Escola Militar (Correio da Manhã. 18 de setembro de 1946, segunda coluna).

1947 - Foi um dos correspondentes de guerra que atuaram junto à FEB na Segunda Guerra Mundial convidados pela Embaixada dos Estados Unidos para uma reunião no Serviço Cultural e Informativo dos Estados Unidos da América, quando foi exibido um longa-metragem sobre a atuação dos brasileiros na guerra (Correio da Manhã, 25 de janeiro de 1947, penúltima coluna).

Foi agraciado com uma Medalha de Guerra em uma solenidade realizada no Quartel do Batalhão de Guardas (Correio da Manhã, 20 de março de 1947, segunda coluna).

1948 - Em 24 de fevereiro, falecimento de sua esposa Maria Emilia, a Miluca (Correio da Manhã, 29 de fevereiro de 1948).

 

 

Década de 1950 – Aposentou-se do cargo de cinegrafista na década de 1950.

1958 – Em 8 de maio, participou da solenidade comemorativa do 13º ano do fim da Segunda Guerra Mundial, realizada na Associação Brasileira de Imprensa, quando os correspondentes de guerra foram homenageados. Rubem Braga (1913 – 1990) e Fernando Stamato (1917 – 1993), dentre outros, também estiveram presentes (Diário de Notícias, 9 de maio de 1958, última coluna).

1963 -  Faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de agosto, e foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier (Jornal do Commercio, 10 de agosto de 1963, segunda coluna).

 

 

 

*A pesquisa não conseguiu confirmar se trata-se do mesmo Horacio ou se é um homônimo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus” XX – A líder feminista pernambucana Edwiges de Sá Pereira (1884-1958), a “Eva Militante”

A Brasiliana Fotográfica publica o artigo A líder feminista pernambucana Edwiges de Sá Pereira (1884-1958), a Eva Militante,  o 20° da série Feministas, graças a Deus!. Foi escrito pela historiadora Cibele Barbosa, da Fundação Joaquim Nabuco, uma das instituições parceiras do portal. Publicamos também uma breve cronologia de Edwiges de Sá Pereira, escrita pela editora e pesquisadora do portal, Andrea C.T. Wanderley.

Edwiges de Sá Pereira tornou-se ainda jovem uma poetisa reconhecida nacionalmente, tendo suas poesias e artigos publicados em jornais e revistas do Brasil. Em 1920, foi a primeira mulher a ingressar como membro da Academia Pernambucana de Letras, que com sua eleição tornou-se a primeira Academia no Brasil a ter uma mulher em seus quadros. Foi também presidente da Associação das Damas de Beneficência, a primeira presidente da Federação Pernambucana pelo Progresso das Mulheres, integrante do Comitê Feminino da Maternidade do Recife, sócia colaboradora da Associação Pernambucana de Imprensa e professora da Escola Normal do Recife.

No artigo, estão destacadas duas imagens de Edwiges pertencentes ao acervo fotográfico da Fundação Joaquim Nabuco. Ambas foram produzidas pelo fotógrafo Louis Piereck (1880-1931), que já foi tema de uma publicação da Brasiliana Fotográfica. A foto em que Edwiges está sem chapéu foi publicada na revista A Nota (PE), de 22 de maio de 1920 em uma matéria que a felicitava pelo ingresso na Academia Pernambucana de Letras. A imagem dela com chapéu é, conforme o verso da foto, de 29 de agosto de 1909, ano em que foi nomeada diretora da escola estadual da Boa Vista. Também no verso, consta que Edwiges  presenteou algum amigo ou amiga com a fotografia.

 

 

De origem austríaca e nascido em Campinas, em 13 de outubro de 1880, Louis Piereck atuou no Recife, entre fins do século XIX e nas primeiras décadas do XX. Pernambuco, a partir da década de 1850, com a chegada de vários fotógrafos estrangeiros e o estabelecimento de diversos ateliês fotográficos, tornou-se uma referência importante na história da fotografia no Brasil. Considerado talentoso, Piereck tinha muito prestígio na sociedade pernambucana e, em seu estabelecimento, a Photographia Piereck, eram produzidos “os mais perfeitos trabalhos“. Anunciava como sua especialidade “retratos, grupos de criança e o bello sexo“.

 

A líder feminista pernambucana Edwiges de Sá Pereira (1884-1958), a Eva Militante

Cibele Barbosa*

 

 

Edwiges de Sá Pereira foi uma mulher que não se conformou com as imposições de seu tempo. Nascida, em 1884, no município de Barreiros, estado de Pernambuco, a filha de José Bonifácio de Sá Pereira e de Maria Amélia Rocha de Sá Pereira, nutria, desde cedo, o interesse pelos livros. Conforme descreveu em suas notas autobiográficas, costumava ler escondido os livros dos irmãos mais velhos, em especial aqueles dedicados à poesia, que copiava e declamava em reuniões de família.

A menina que costumava dizer aos familiares que “haveria de ser poeta”, não tardou a cumprir seu intento. No início da adolescência, publicou um jornalzinho, o “Echo Juvenil”, juntamente com seu irmão Eugênio. Algum tempo depois, chegaram-lhe às mãos, pelos correios, exemplares do jornal O Paiz (RJ) com versos seus transcritos e apresentados pelo escritor Arthur Azevedo. A jovem poeta, do interior de Pernambuco, teve seu soneto “A uma estrela” reproduzido também na Revista do Brasil (SP), acompanhado de comentários entusiasmados de Cunha Mendes ao prenunciar que a menina se tornaria “a primeira poetisa do Brasil”.

Um ano antes de se mudar com sua família para o Recife, ainda vivendo na cidade de Barreiros, Edwiges teve seu primeiro livro publicado e prefaciado pelo jurista e poeta português Antônio de Souza Pinto, em 1901. A ideia de publicar os 51 versos da jovem escritora ocorreu-lhe quando estava de férias no interior e teve a oportunidade de ser apresentado aos poemas de Edwiges. Levou os manuscritos para a capital e os publicou com o título Campesinas.

Na edição de 17 de agosto de 1901, anunciava o Jornal Pequeno o recebimento do “mimoso livro” de Edwiges, impresso na forma de folheto, com 80 páginas. Ainda em 1901, fundou o pequeno jornal literário, o Azul e Ouro, com seu irmão Eugênio e seu amigo Caetano Andrade. Sua família se mudou para o Recife naquele período, após seu pai ter vendido o engenho na cidade de Barreiros para ocupar um cargo do governo do estado na capital pernambucana.

Já instalada na capital, Edwiges ingressou na Escola Normal para obter formação no magistério e tornar-se professora. Paralelamente aos estudos pedagógicos, a jovem participou ativamente da vida literária de seu tempo, contribuindo com seus escritos para jornais e revistas. Em 1902, colaborou com a Revista Pernambucana e foi convidada para ser uma das redatoras do jornal O Lyrio, formado somente por mulheres. Entre as companheiras da publicação estavam Amélia Beviláqua e Úrsula Garcia. Os textos desafiavam a rígida sociedade patriarcal da época refletindo sobre a importância da educação escolar e profissional para as mulheres, entre outras pautas como a equidade salarial. 

 

 

A partir de então, não parou mais, tendo sido convidada a ser sócia correspondente da recém-fundada Academia Pernambucana de Letras. Colaborou assiduamente em jornais como o Jornal Pequeno, do Recife, no qual foram publicados poemas seus inéditos e traduções de poetas como o simbolista Lorenzo Stecchetti, um dos pseudônimo do italiano Olindo Guerrini (1845-1916). Era sempre adjetivada por seus admiradores de “adorável”, “inteligente poetisa”.

Em 1920, foi a primeira mulher a ingressar como membro da Academia Pernambucana de Letras, aliás a primeira Academia no Brasil a ter uma mulher em seus quadros. A normalista e poeta, defensora dos direitos das mulheres, ocupou a cadeira n.7 da APL, no lugar do acadêmico João Batista Regueira Costa, a quem dedicou o texto Um passado que não morre.

Em sua casa, na rua do Sossego, bairro da área central do Recife, Edwiges recebia convidados e declamava poemas em italiano, em especial os da poeta Ada Negri. Também nesse espaço eram comuns os encontros de mulheres que se dedicavam às causas da emancipação feminina.

Professora catedrática da Escola Normal, onde realizou sua formação como professora, Edwiges também atuou como professora de português no curso comercial do Colégio Eucarístico e assumiu a disciplina de História Geral e do Brasil no Colégio Nossa Senhora do Carmo. Seu engajamento no campo da “instrução pública”, como se dizia à época, levou-lhe ao cargo de superintendente de ensino dos grupos escolares da capital pernambucana, cargo que lhe permitiu viajar para outros estados em eventos e oficinas ligadas à educação. O governo estadual chegou a publicar suas Impressões e notas (questões do ensino).

A participação ativa como educadora se alinhava às suas causas políticas. Para Edwiges era necessário que os governos investissem na educação das mulheres. Em 1931, participou do II Congresso Internacional Feminista, promovido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, fundada por Bertha Luz, em 1922. Na ocasião, a escritora pernambucana apresentou o texto Pela mulher, para a mulher, publicado no ano seguinte. Em seu discurso, Edwiges exortava as mulheres de diferentes extratos sociais a se unirem para reivindicar direitos políticos e direito à educação.

Como consequência das articulações e redes que construiu no Rio de Janeiro, fundou, no mesmo ano, a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, filiada à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). A primeira sessão da Federação Pernambucana teve participação de Odila Porto de Oliveira, representando a FBPF. Edwiges, presidente da filiada pernambucana, apresentou os projetos e propostas voltadas para “campanhas em prol dos direitos e demais interesses da mulher”. Na mesma ocasião, anunciou o projeto de um levantamento estatístico das “mulheres que exercem atividades no funcionalismo em Pernambuco, no comércio, no magistério”, de modo a subsidiar a criação de uma “Escola de Oportunidades”, ideia de Noemia Xavier, vice-presidente da Federação Pernambucana. A primeira ata foi assinada, em novembro de 1931, por 47 mulheres.

 

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Ata da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, 10 de novembro de 1931 / Acervo Fundaj

 

Nas eleições de 1933 para o parlamento, Edwiges, pelo Partido Economista, e a também escritora Martha de Hollanda, sem partido, foram as únicas mulheres a se candidatarem em Pernambuco. Apesar de não terem sido eleitas, deixaram sua marca na constituição do eleitorado feminino no Brasil.

Em 1947, Edwiges publicou a conferência “A influência da mulher na educação pacifista do após-guerra”, na qual expôs os principais desafios do século XX e os impactos da catástrofe da II Guerra Mundial. Apontou retrocessos históricos, afirmando que a “questão feminista bem longe está do seu rumo necessário”.

 

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A influência da mulher na educação pacifista do após-guerra, 1947 / Acervo Fundaj

 

A “Eva Militante”, como assim se nomeou em artigos de jornais nos anos de 1930, e “imortal” da Academia Pernambucana de Letras, deixou escritos de sua trajetória e projetos de futuro. Faleceu em 1958, aos 74 anos, com planos de publicar suas crônicas sociais, textos feministas e escritos poéticos. Horas Inúteis, livro de poemas, foi publicado postumamente.

 

*Cibele Barbosa é historiadora da Fundação Joaquim Nabuco.

 

Breve cronologia de Edwiges de Sá Pereira (1884-1958)

Andrea C.T. Wanderley**

 

 

1884 - Em Barreiros, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, nascimento, em 25 de outubro, de Isabel Edwiges de Sá Pereira, futura escritora, educadora, líder feminista e sufragista. Filha do barachel em Direito e senhor de engenho José Bonifácio de Sá Pereira (c.1831-1916) e da dona de casa Maria Amélia Rocha de Sá Pereira (18?-1915), pertencia à aristocracia latifundiária e letrada de Pernambuco. Era irmã dos advogados Virgílio e Manoel Arthur, do advogado e poeta Eugenio, o advogado e jornalista Eurico; e Érico, Nanette, Margarida, Fredovinda, Cândida, Adalgisa e Marieta.

1895 – Com apenas 11 anos de idade escreveu o poema Saudade, um dos seus primeiros textos de que se tem registro.

1886/1897 – Com seu irmão, Eugênio, criou o jornalzinho manuscrito Echo Juvenil, com pequenos textos e poesias, que circulava entre os seus familiares.

1897 - Algumas de suas poesias que se encontravam no Echo Juvenil foram publicadas no jornal O Paiz, do Rio de Janeiro, com apresentação do jornalista, escritor e dramaturgoArtur Azevedo (1855-1908) (O Paiz, 7 e agosto de 1897, primeira coluna).

A revista A Mensageira, revista literária dedicada à mulher brasileira, foi criticada por não ter incluído Edwiges e outras escritoras no artigo de fundo de sua primeira edição. Era dirigida pela poetisa e feminista mineira Presciliana Duarte de Almeida (1867-1944) (Revista do Brazil, setembro de 1897).

 

 

Seu poema Primaveras foi publicado (Revista do Brazil, 30 de novembro de 1897).

Publicação de seu poema A jurity ao beija-flores (Revista do Brazil, 30 de dezembro de 1897).

1898 – Algumas poesias de sua autoria foram publicadas na Revista do Brazil (Correio Paulistano, 8 de janeiro de 1898, terceira coluna).

Publicação de um soneto de sua autoria no Jornal do Recife, de 24 de maio de 1898.

 

1899 – Na revista Mensageira, n° 26, publicação de poesias de Edwiges (A Meridional, 1899).

Publicação de suas poesias SimileScenas Simples, na Revista do Rio Grande do Norte, outubro de 1899.

 

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1900 – Publicação de seu poema A Cigana, dedicado a Auta de Souza (A Província, 25 de setembro de 1900, terceira coluna).

1901 – Publicação de Campesinas, seu primeiro livro, com 51 poemas, prefaciado pelo jurista e poeta Antonio Souza Pinto (18-19), entusiasta da publicação. Ele havia conhecido Edwiges em uma viagem que fez a Barreiros (Almanaque do Garnier, 1903). Ofereceu um exemplar do livro à Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Recife, 17 de setembro de 1901, sexta coluna).

 

 

A obra recebeu boas críticas no Recife. Alguns de seus poemas foram:

Meu livro

Perdoa-me se um dia, Tuas nevadas folhas descerrando, Alguém, meu fraco mérito acusando, De ti chasqueie e ria, Não te escrevi, meu livro, para os sábios, Para os sábios, bem sei que tu não prestas… Tinha minh’alma em festas E um riso alegre a me enfeitar os lábios, E antes que me viessem vis ressábios A alegria turvar de minha vida, Eu quis cantar e essas canções modestas Fui tirando da lira estremecida. Tudo quanto da vida eu penso, e via Nos meus sonhos gentis e soberanos, Tudo quanto me enleva a fantasia – Canto na lira azul dos verdes anos!

Barreiros,1900.

No lar

À minha irmã Margarida

Ri-se na sala a trêfega criança, Como a enxotar a mágoa que domina A natureza, quando o sol declina Para o ocaso feliz onde descansa… Na estofada cadeira se embalança Uma jovem mulher, e a fronte inclina Para beijar a filha pequenina, De sua vida a lúcida esperança. Reflete o espelho a serpentina acesa, À luz da qual uma velhinha reza, E eu vejo a fé impressa no seu rosto… Basta em todas as casas esta cena, Assim tão meiga, plácida e serena, Para alegrar as horas do sol posto.

Barreiros, 1898.

Dor suprema

Pranto supremo, pranto dolorido, Companheiro da dor, pranto pungente Dize-me tu, que tornas comovente O suspirar de um coração ferido. Dize-me tu que já de toda a gente Ouviste o peito a soluçar dorido. Sim! Tu que és sempre o intérprete escolhido De quem os golpes do infortúnio sente: Dize-me tu se por acaso existe Dor tão cruenta, padecer tão triste Como de um’alma as duras aflições, Ao ver cortando a vastidão imensa Da região sombria da descrença O bando das primeiras ilusões.

Barreiros, 1900

A uma estrela

Áquela estrêla que acompanha a lua / Eu, curiosa perguntei um dia: / – Qual de vós vale mais, a que flutua / No céu azul da minha fantasia, // Ou tu que, no correr da noite fria, / Erras no céu assim, pálida e nua, / Das esferas ouvindo essa harmonia / Que, até ouvi-la o velho mar estua? // E a clara estrêla disse-me: “Criança, / Quando fanada a última esperança, / A alma ficar-te de ilusão vazia. // Inda hás de verme fulgurar, divina; / Mas, onde encontrarás a que ilumina / O céu azul da tua fantasia”?

       Desolada   

A meu Pai

Beijando a cruz de rútilo rosário, Clotilde reza uma oração, fitando O vulto de Maria no sacrário. Dos belos olhos seus vem deslisando Um rosário de lágrimas ardentes, Que se lhe vai no colo desmanchando. Na posição dos pobres penitentes – Joelhos em terra, mãos entrelaçadas – Envia à Virgem súplicas ferventes. De pungente amargura repassadas São as frases que, triste, balbucia Com o fervor das almas desoladas. Pede à clemente e divinal Maria – Testemunha da dor que a dilacera – O bálsamo que as mágoas alivia. Suplica, reza e, soluçando, espera – Fitando sempre o casto santuário – A proteção da santa que venera. Beijando a cruz de rútilo rosário, Clotilde pensa que tardar não deve O remédio que abrande o seu fadário… Beija a cruz do rosário, e não se atreve, Não faz o mesmo à cruz que lhe foi dada… Acha a que tem na mão pequena e leve, E a que carrega por demais pesada!

Barreiros, 1896

Madrigais

A Hortência

Para enfeitar o céu – quantas estrelas E tu, melhor do que elas Brilham de noite, apenas, no infinito Brilhas a qualquer hora aqui na terra! É que o intenso fulgor Do astro mais esplendente e mais bonito Tens nos olhos, ó flor, (mago espelho de uma alma sem refolhos!) Si eu fosse estrela, inda que fosse Vênus, Teria inveja de teus lindos olhos!

Musa sensível

Seja teu coração bondoso e terno Sensível para o riso e para o luto! O mundo chora e ri, e eu vejo e escuto, Que se às vezes é céu, outras é inferno! Se eu te visse assistir de olhar enxuto Desta vida que passa ao drama eterno, E, a um mesmo gesto, único e supremo, Confundir o que é bom e o que é poluto; Se eu te visse impassível e serena Ante o bem, ante o mal, de que deriva Ora o gozo, ora a mágoa que envenena, Eu que tanto te estimo e te respeito, Musa, sentirá a dor pungente e viva De extinguir -se teu culto no meu peito!

Eduardo de Carvalho (18?-19?), membro efetivo da Academia Pernambucana de Letras, fundada em 26 de janeiro deste ano por iniciativa de Joaquim Maria Carneiro Vilela (1846-1913) e de um grupo de 19 escritores pernambucanos, fez uma bela crítica ao seu livro e a convidou para ser sócia correspondente da instituição. A Academia Pernambucana de Letras foi a quarta do Brasil, tendo sido precedida pela Academia Cearense de Letras, fundada, em 1894;  pela Academia Brasileira de Letras, fundada no Rio de Janeiro, em 1897; e pela Academia Paraense de Letras, fundada em 1900.

Edwiges colaborava com diversos jornais no país, dentre eles, O Norte (RJ) e o Escrutínio (RS), e com revistas, como a Revista Feminina (SP).

Publicação de seu poema Maria Amelia (Almanach de Pernambuco, ).

Era uma das redatoras da revista Azul e Ouro, órgão literário da Oficina Martins Junior, da qual era sócia honorária correspondente. A Oficina havia sido fundada em 1900 (Revista do Brazil, 1901).

Em fins deste ano, seu pai vendeu o engenho em Barreiros e foi morar com sua família no Recife, onde passou a trabalhar para o governo do Estado.

1902 - Edwiges, Adalgisa Duarte Ribeiro, Amélia Freitas Bevilacqua, Belmira Villarim, Cândida Duarte Barros, Luiza Ramalho e Maria Augusta Freire fundaram revista O Lyrio, cujo primeiro exemplar foi lançado em 5 de novembro. Em várias de suas 20 edições, abordava a importância da educação da mulher e a pouca atenção dos governantes em relação à instrução feminina. A publicação, encerrada em junho de 1904, foi importante para a difusão do ideário feminista baseado na educação como o único caminho para a emancipação da mulher. A Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, possui sete exemplares da revista armazenados na Divisão de Obras Raras e na Coordenadoria de Publicações Seriadas (Diário de Pernambuco, 10 de outubro de 1902, última coluna).

“Escrita somente por mulheres tem como redatora-chefe D. Amelia de Freitas Bevilaqua e como redatora-secretária D. Candida Duarte Barros. Participavam da redação as sras. Adalgisa Duarte Ribeiro, Belmira Villarim, Edwiges de Sá Pereira, Luiza Cintra Ramalho, Maria Augusta Freire  e Ursula Garcia. Impresso pela Emp. d’A Província, com exceção do primeiro exemplar, que foi na Imprensa Industrial. Na última página de cada exemplar encontra-se a informação de que “toda correspondência deve ser dirigida para rua do Lima, n.54, residência da Redactora-Secretaria”, e o valor da revista: número avulso custava 1$000 e a assinatura trimestral era de 2$000″.

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Alguns de seus poemas publicados em O Lyrio foram Simile (n°1, novembro de 1902), dedicado a sua mãe; Paisagem (n°2, dezembro de 1902), Auta de Souza e  Esther (n°4, fevereiro de 1903)Olhos Verdes (nº 5, março de 1903); A um raio de sol (nº 6, abril de 1903); O Malmequer (nº 7, maio de 1903), e Miss (n°13 e 14, novembro e dezembro de 1903).

 

Olhos Verdes

Teus olhos verdes eu fito
Mas logo depois não sei
Se foi do excelso infinito
Divina estrella que olhei.

É que teu olhar encerra
Tanta graça e tanta luz
Que eu penso não ser da terra
O brilho que me seduz!…

Teus olhos, flor adorada,
São de um poder soberano:
E a gente os fita enlevada
Qual se contemplasse o oceano…

Não é que nelles escondas
Essa perola do mar,
Mas toda a attração das ondas
Tu tens guardada no olhar!

Eu nesse olhar adivinho
– Como a chimera vagueia! –
Candura de passarinho
Fascinação de sereia!…

O canto sonho do poeta
Nas noites claras de lua,
Semelha a chamma dilecta
Que nos teus olhos fluctua…

Formosa é sempre a esperança,
Pois vês teus olhos querida,
Têm a cor desta ave mansa
Que tece os sonhos da vida!…

Se pudessem teus olhares
Ver toda a immensa amargura
Do mundo eu via os pesares
Transformados em ventura…

Das almas tristes chorosas,
O pranto num doce riso,
A vida – num mar de rosas,
A terra num paraíso!…

 

Era considerada uma charadista (Almanach de Pernambuco, 1902).

Era uma das redatoras da Revista Pernambucana, que existiu entre 1902 e 1904 (Gazeta de Notícias, 26 de dezembro de 1902, sexta coluna).

1903 – Estudava na Escola Normal, onde se formou como professora, em 1905.

Publicação de seu poema Março (Almanach de Pernambuco para o ano de 1903).

Publicação de seu poema No camarim (Almanach de Pernambuco para o ano de 1903).

Seguia colaborando com a  Revista Pernambucana (Diário de Pernambuco, 16 de dezembro de 1902, quinta coluna).

1904 - Foi eleita vice-presidente do clube literário Olintho Victor, fundado por estudantes da Escola Normal (Diário de Pernambuco, 7 de maio de 1904, sétima coluna).

Seus poemas estavam presentes na publicação Sonetos brasileiros, editada por Laudelino Freire (1873-1937) (Diário de Pernambuco, 3 de julho de 1904, quarta coluna).

Publicação de seu poema O Mar (Almanach de Pernambuco, 1904).

Ofertou livros à Biblioteca da Faculdade de Direito do Recife (Diário de Pernambuco, 28 de julho de 1904, sexta coluna).

Foi publicada uma foto de Edwiges no Almanach de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 10 de agosto de 1904, segunda coluna).

Foi a oradora na cerimônia de bênção do estandarte do corpo discente da Escola Normal, realizada na Ordem 3ª de São Francisco (Jornal Pequeno, 24 de setembro de 1904, segunda coluna).

Foi anunciado que a Oficina Martins Junior, que já existia desde 1900 e que em 1901 elegeu a revista Azul e Ouro como seu órgão literário, seria reconstituída em 2 de outubro, em uma sessão no Instituto Arqueológico Pernambucano. Em 1901, Edwiges havia se tornado sócia honorária correspondente da Oficina, mas na reorganização da agremiação tornou-se efetiva (Jornal do Recife, 11 de setembro de 1900, primeira coluna; Jornal do Recife, 2 de abril de 1901, penúltima colunaDiário de Pernambuco, 29 de setembro de 1904, segunda coluna; Jornal do Recife, 2 de outubro de 1904, última coluna).

Foi aceita como sócia honorária do Grêmio Literário Pantheon de Lettras (Diário de Pernambuco, 4 de outubro de 1904, penúltima coluna).

Fez um discurso como representante do segundo ano da Escola Normal (Diário de Pernambuco, 13 de dezembro de 1904, primeira coluna).

1905 – Na Revista Pernambucana, publicação de seu poema Amor (A Província (PE), 15 de fevereiro de 1905, quinta coluna).

Foi eleita presidente do Clube Literário Olintho Victor (Diário de Pernambuco, 25 de maio de 1905, primeira coluna).

Formou-se na Escola Normal (Diário de Pernambuco, 27 de outubro de 1905, quinta coluna). Em 19 de outubro, foi promovida a festa da Escola Normal das formandas de 1905 e Edwiges foi a oradora do evento (Almanach de Pernambuco, 1911).

A letra do hino da Escola Normal era de sua autoria (Diário de Pernambuco, 28 de novembro de 1905, sexta coluna).

Publicação de seu poema O Mar (Almanach de Pernambuco, 1905).

1907 –  Publicação de seu poema Desolação (Almanach de Pernambuco1907).

Na rua da Aurora, n° 123, foram realizados os exames da escola particular mista presidida por Edwiges (Jornal do Recife, 12 de dezembro de 1907, quarta coluna).

Angariou fundos para a construção de uma estátua em homenagem ao poeta, professor e jurista Martins Junior (1860-1904) (Jornal do Recife, 26 de junho de 1907, última coluna).

Foi uma das colaboradoras da terceira edição de novembro/dezembro da revista Polyantho, sob a direção de Martins Filho (Jornal do Recife, 4 de janeiro de 1908, sexta coluna).

1908 - Publicação de seu poema Aves Libertas, dedicado a Aurea Jacome (Jornal do Recife, 1° de abril de 1908, última coluna).

Assumiu o cargo de professora primária do Estado de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 12 de abril de 1908, segunda coluna). Durante sua carreira no magistério lecionou Prática Didática e Pedagogia. Também foi professora de Português do curso Comercial do Colégio Eucarístico. Depois tornou-se catedrática da Escola Normal e mestra da cadeira de História Geral e do Brasil, do Instituto Nossa Senhora do Carmo. Posteriormente foi superintendente do Ensino nos Grupos Escolares do Recife.

Foi publicado um poema de sua autoria acerca da esperança (Diário de Pernambuco, 19 de fevereiro de 1908, última coluna).

1909 – Foi nomeada diretora da Escola Estadual da Boa Vista. No fim do ano, foi realizada na escola uma festa magnífica (Diário de Pernambuco, 15 de janeiro de 1909, terceira coluna; Jornal do Recife, 7 de dezembro de 1909, sexta coluna).

Publicação de seu poema Maio (Jornal Pequeno, 7 de maio de 1909, terceira coluna).

Publicação de seu soneto O Violino.

“Magno instrumento a tua voz parece / A voz do coração que á gente fala: – / Ninguem te ouvindo o seu pezar esquece, / Ninguem te ouvindo os seus sorrisos cala… // Quando, ou tranqüilo e doce como aparece / Ou presto e alegre um som de ti revela, / – Queixa de quem magoas de amor padece / Canto de quem feliz amor propala, // O sêr que bebe o influxo soberano / Das emoções diversas de teu peito / Que pulsa e vibra como o peito humano, // Presa de enleio e de fascinação / Pensa um momento que tu foste feito / Das próprias cordas do seu coração…”

A “Secção Chic” do Jornal Pequeno foi aberta com a publicação do poema Inverno, de sua autoria (Jornal Pequeno, 14 de junho de 1909, terceira coluna).
Foi elogiada em um artigo de Adelmar Tavares (1888-1963) (Jornal Pequeno, 16 de setembro de 1909, primeira coluna).
Foi noticiado que Edwiges havia enviado ao Jornal Pequeno belíssimos escritos para a Secção Chic do periódico sob o pseudônimo de Jessie Yorke. Foi descoberta e como artigo editorial foi publicado na primeira página do jornal o artigo Triste, de sua autoria (Jornal Pequeno, 16 de outubro de 1909, primeira coluna)
Após a palestra Trovas e trovadores proferida por Ademar Tavares, na Sexta Conferência Literária realizada pela Academia dos Nullos, uma associação de jovens acadêmicos, Edwiges ofereceu-lhe flores (Jornal Pequeno, 4 de outubro de 1909, segunda coluna).

Participou da organização de uma quermesse que seria realizada em 16 de janeiro de 1910 em benefício do Instituto de Proteção e Assistência à Infância (A Província, 21 de dezembro de 1909, terceira coluna).

1910 - Publicação de uma fotografia de Edwiges no Almanach Literário Pernambucano (Jornal Pequeno, 4 de janeiro de 1910, terceira coluna).

Ao longo do ano, publicação, no Jornal Pequeno, dos artigos de sua autoria ManiasSombras, Não sei…, A esmo, O Lenço Azul, O Ensino ProfissionalPela infância; Sol Posto, Tradições, Fazer o bem, Grandes e pequenos, O Signal, Educação e Noite de Natal (Jornal Pequeno, 15 de janeiro de 1910, 22 de janeiro de 1910, 29 de janeiro de 1910, 5 de fevereiro de 1910, 12 de fevereiro de 1910, 19 de fevereiro, 5 de março de 1910, 12 de março de 1910, 2 de abril de 1910, 9 de abril de 191030 de abril de 1910, 7 de maio de 1910, 21 de maio de 1910 e 24 de dezembro de 1910).

O poema Vagando, assinado por Cecy, foi dedicado a ela (Jornal Pequeno, 5 de março de 1910, penúltima coluna).

Viajou para o Rio de Janeiro (Jornal Pequeno, 27 de maio de 1910, última coluna). Durante sua estadia, fez uma visita à Escola Normal (O Paiz, 16 de julho de 1910, última coluna). Em uma de suas colunas, a escritora e feminista Julia Lopes de Almeida (1862-1934) comentou a viagem de Edwiges (O Paiz, 1º de novembro de 1910, segunda coluna).

Publicação de seu poema Amor (Jornal Pequeno, 28 de maio de 1910).

Para tratar de sua saúde, licenciou-se do magistério (Diário de Pernambuco, 22 de junho de 1910, penúltima coluna).

Publicação de Nedda, de sua autoria (A República, 29 de outubro de 1910, quarta coluna).

1911 - Publicação, no Jornal Pequeno, dos artigos de sua autoria Anno Bom, Pelo ensino, Ferri e Gaffre 1, Ferri e Gaffre 2, Ferri e Gaffre 3, Selma, Cortezias, Epistolar, Um livro novo, Mal entendido, A Chronica, Horas mysticas (Jornal Pequeno2 de janeiro de 1911, 14 de janeiro de 1911, 21 de janeiro de 1911, 28 de janeiro de 1911, 4 de fevereiro de 1911, 25 de fevereiro de 1911, 4 de março de 1911, 11 de março de 1911, 18 de março de 1911, 1º de abril de 1911, 8 de abril de 1911, 22 de abril de 1911,

Um artigo de sua autoria sobre as escolas brasileiras publicado no Jornal Pequeno foi citado na coluna “Dois dedos de prosa”, da escritora Julia Lopes de Almeida (O Paiz, 24 de janeiro de 1911, segunda coluna).

Publicação de seu poema Horas mysticas, na revista Santa Cruz (Correio Paulistano, 11 de junho de 1911, primeira coluna).

Integrava a Cooperativa dos Funcionários Públicos (Diário de Pernambuco, 19 de outubro de 1911, terceira coluna).

1912 – Publicação de seu poema Aves e Coração (Almanak Henault, 1912/1913).

No artigo Um Protesto, foi mencionado que Edwiges teve a satisfação de ver traduzida em francês numa revista de Estocolmo uma de suas produções do Lyrio, acompanhada de lisongeiros conceitos do grande literato Pythion de Villar e a propósito de quem o ilustrado dr. Julio Pires, por aquele tempo do Lyrio, escreveu em seu Almanak: “discípula que honra o mestre” (Jornal Pequeno, 6 de fevereriro de 1912, segunda coluna).

Publicação de seu poema De Volta, dedicado a Mlle. Maria Estevan (Almanach de Pernambuco, 1912). Na mesma edição, escreveu o artigo D. Julia Lopes de Almeida, homenageando a escritora, a quem havia visitado no Rio de Janeiro (Almanach de Pernambuco, 1912).

Foi a oradora oficial da homenagem prestada pela mulher pernambucana, um concerto realizado em 13 de janeiro, no Theatro de Santa Isabel, ao general Dantas Barreto (1850-1931), governador de Pernambuco, em protesto por sua eliminação do número dos associados da Associação de Imprensa (Jornal do Recife, 9 de abril de 1912, quinta coluna).

 

 

Publicação de seu poema Maguas (A Faceira, agosto de 1912).

1913 – Publicação de seu poema À Florisa (Sciencias e Letras, fevereiro de 1912 a fevereiro de 1913).

Foi eleita a primeira presidente da Associação das Damas de Beneficência. Já fazia parte da diretoria do Instituto de Proteção e Assistência à Infância (Jornal do Recife, 28 de janeiro de 1913, quarta coluna).

Publicação do artigo Pro-Parvulos Carta Aberta e Francisca Izidora, de sua autoria (Jornal Pequeno, 21 de junho de 1913, primeira coluna; Jornal Pequeno, 30 de agosto de 1913, primeira coluna).

No Instituto de Proteção e Assistência à Infância, foi promovido pelas Damas de Beneficência, sob a presidência de Edwiges, uma festa de Natal (Jornal Pequeno, 26 de dezembro de 1913, primeira coluna).

1914 - Publicação de seu poema No camarim (Jornal Pequeno, 28 de abril de 1914).

Estava inscrita, assim como Assis Chateaubriand (1892-1968) e outros, como colaboradora do recém criado vespertino A Tarde, em Pernambuco (O Paiz, 7 de junho de 1914, quinta coluna).

Foi aceita como membro efetiva do Instituto Arqueológico de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 21 de agosto de 1914, terceira coluna).

Foi citada como uma das grandes poetisas brasileiras pelo palestrante Leal de Souza, secretário da redação da revista Careta, na 3ª conferência de uma série organizada por um grupo de literatos, no salão nobre do (Jornal do Commercio, 26 de agosto de 1914, última coluna).

Publicação de seu poema Natal na Aldeia (Às moças de minha aldeia natal) (Jornal Pequeno, 24 de dezembro de 1914).

1915 - Falecimento de sua mãe, Maria Amélia Rocha de Sá Pereirra (Diário de Pernambuco, 23 de novembro de 1915).

1916 - Seu pai, José Bonifácio de Sá Pereira, foi atropelado por um carro elétrico e faleceu (Jornal do Commercio, 10 de junho de 1916, sexta coluna).

Publicação do artigo A Romã, de sua autoria (Jornal Pequeno, 30 de dezembro de 1916, primeira coluna).

1917 – Publicação do artigo Trabalho Feminino, de sua autoria, em que aborda a questão da admissibilidade da mulher trabalhar fora de casa (Sciencias e Letras, abril de 1917).

Publicação de seu poema De Volta (O Jornal (MA), 9 de outubro de 1917, primeira coluna).

O Jornal do Recife organizou o evento A Primeira Hora Literária Feminina e Edwiges foi a vencedora do Torneio Literário (Revista Feminina (SP), ano 4, n° 34, 1917).

1918 – Publicação em duas partes do artigo A Escola Moderna, de sua autoria, onde discute as noções da pedagogia (A Escola Primária, 1º de janeiro de 1918 e 1º de fevereiro de 1918).

Escreve para o periódico O Ratazana.

Seus versos eram vendidos em algumas lojas do Recife (Jornal Pequeno, 7 de junho de 1918, primeira coluna).

Estava licenciada do magistério (Jornal do Recife, 5 de outubro de 1918, primeira coluna).

Falecimento de seu irmão, Eugênio de Sá Pereira (Jornal do Commercio, 27 de novembro de 1918, segunda coluna).

1919 - Foi citada como exemplo de uma mulher inteligente na seção “Cartas de Mulher”, da revista Vida Moderna, em uma mensagem que contestava o conceito de Schopenhauer sobre as mulheres (Vida Moderna (PE), 22 de março de 1919, última coluna).

1920 – Ao longo dos anos 1920, se correspondeu com feministas do sudeste do Brasil.

Seguia como diretora da freguesia de Boa Vista e era também professora da Escola Normal (Almanach Laemmert, 1921, primeira e segunda coluna).

Em 10 de abril, foi eleita membro efetivo da Academia Pernambucana de Letras e tomou posse em 13 de maio, tornando-se a primeira mulher a fazer parte do quadro efetivo de uma Academia de Letras no Brasil, antecedendo, em 57 anos, a cearense Rachel de Queiroz (1910-2003) que, em 4 de novembro de 1977, tornou-se a primeira mulher a fazer parte do quadro efetivo da Academia Brasileira de Letras (Diário de Pernambuco, 11 de abril de 1920, quarta coluna; A Nota, 22 de maio de 1920). A foto abaixo é de autoria do fotógrafo Louis Piereck.

 

 

Edwiges substituiu João Baptista Regueira Costa (1845-1915), na Cadeira de nº 7, cujo patrono é Antônio Peregrino Maciel Monteiro (1804-1968). A cerimônia de posse aconteceu na Câmara dos Deputados do Recife. Os outros membros empossados foram Antônio Andrade Bezerra (1889-1946), José Gonçalves Maia (1866-19?), Mario Carneiro do Rego Melo (1884-1959), Manoel de Oliveira Lima (1867-1928) e Zeferino Galvão (1864-1924). Faltaram à cerimônia, com motivo justificado, os novos acadêmicos Arthur Muniz (1896-1924), Antônio Andrade Bezerra (1889-1946) e João Barreto de Menezes (1872-1950) (Diário de Pernambuco, 14 de maio de 1920). O evento foi aberto por Samuel Martins (1862-1930), presidente da Academia Pernambucana de Letras, que exaltou Pernambuco como o berço da evolução literária brasileira. Em seguida, o acadêmico Luis de França Pereira (1870-1925) falou sobre a importância da Academia Pernambucana de Letras, das tradições de Pernambuco e saudou os novos imortais. Sobre Edwiges, falou:

“Edwiges de Sá Pereira, que como Sapho dedilha à lira de ouro as queixas mudas do coração humano…Será esta, penso, a primeira das actuaes Academias de Lettras do paiz a admitir uma senhora em seu seio. A casa de Bento Teixeira Pinto quiz ter a primazia neste acto de justiça aos vossos dotes de espirito. Mademoselle Edwiges. E é da tradicional galanteria pernambucana alliar a cooperação da Mulher a todas as nossas affirmações de Energia como a todas as nossas manifestações de Arte”.

Oliveira Lima, um dos novos imortais, falou em nome deles, agradecendo à Academia Pernambucana de Letras e traçou um perfil sobre si e sobre os demais empossados. Em seu discurso, valorizou a entrada de uma mulher na Academia e falou sobre Edwiges:

“Escolhestes a sra. d. Edwiges de Sá Pereira e com esta escolha destes as outras academias do Brazil um exemplo a que a Academia Brasileira ainda não afoitara. As produções poeticas e pedagogicas da nossa consocia justificam de certo vosso acto, mas não deixa ella de ser uma innovação. Devemos todos agradecer a sra. d. Edwiges de Sá Pereira o ter proporcionado a esta Academia o ensejo de tão depressa entrar na nova corrente de idéas, admittindo no seu gremio uma representante da intellectualidade pernambucana”.

 

 

Publicação do artigo Poesia e Moda, de sua autoria (Jornal Pequeno, 7 de junho de 1920, primeira coluna).

É nomeada professora para a cadeira primária feminina da Escola Normal de Pernambuco (A Província (PE), 27 de junho de 1920, primeira coluna).

O escritor e acadêmico Artur Muniz (1870-1924) dedicou a ela o artigo Página de Saudade (A Província (PE), 14 de outubro de 1920, quinta coluna).

Publicação do artigo Natal, de sua autoria (Jornal Pequeno, 24 de dezembro de 1920, última coluna).

1921 – Escreve para a revista A Nota e para a revista do Instituto da Sociedade de Letras de Pernambuco.

 

 

Publicação do artigo Um livro bom, de sua autoria (Jornal Pequeno, 9 de maio de 1921, primeira coluna).

1922 - Publicação de seu poema Abril (Almanach de Pernambuco, 1922).

Foi a letrista do hino Pernambuco à independência com música de Maria do Carmo Santos Barbosa. Foi cantado na comemoração do centenário da Independência do Brasil, realizado no Theatro de Santa Izabel (Diário de Pernambuco,13 de julho de 1922, penúltima coluna).

Escreveu um artigo sobre a exposição da pintora Georgina Barbosa Vianna (18?-1961) (Jornal Pequeno, 22 de julho de 1922, primeira coluna).

Na Revista do Instituto de Sciências, publicação do soneto Pernambuco, de sua autoria (A Província (PE), 14 de novembro de 1922, quarta coluna).

Publicação de uma carta que Antônio Carneiro Leão (1887-1996), diretor de Instrução Pública do Rio de Janeiro, havia enviado a Edwiges, sobre o livro Educação, de autoria dela (Jornal Pequeno, 1º de dezembro de 1922, penúltima coluna).

Participou, em dezembro, no Rio de Janeiro, do I Congresso Internacional Feminista ou 1ª Conferência pelo Progresso Feminino, organizado pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, fundada em 9 de agosto de 1922 e presidida por Bertha Lutz (1894-1976).

1923 – Seguia como diretora da freguesia de Boa Vista e professora da Escola Normal (Almanach Laemmert, 1924).

Publicação de seu poema Avatari, dedicado a Julio Pires (Jornal Pequeno, 21 de fevereiro de 1923, quinta coluna).

1924 – Publicação de seu poema Contraste (Almanach de Pernambuco, 1924).

Foi eleita para integrar a comissão fiscal da Cooperativa dos Funcionários Públicos (Diário de Pernambuco, 25 de janeiro de 1924, quarta coluna).

Foi concedida a ela uma licença de três meses para tratamento de saúde (Jornal do Recife, 16 de março de 1924, terceira coluna).

Fazia parte da comissão de Literatura da organização das festividades em torno da chegada do navio Italia ao Recife (Diário de Pernambuco, 21 de março de 1924, quinta coluna).

Colaborou na revista mensal Nação Brasileira, dirigida por Evaristo de Moraes e Alfredo Horcades (O Paiz, 14 de junho de 1924, quarta coluna).

Publicação do artigo A prioridade de Pernambuco nas ideias liberais, de autoria de Edwiges (Diário de Pernambuco, 2 de julho de 1924, quarta coluna).

Em maio, o governador de Pernambuco, Sergio Teixeira Lins de Barros Loreto (1867-1913), a encarregou para a realização de um estudo acerca da organização e funcionamento do ensino técnico e profissional em Pernambuco e em outros estados do país. Com esse fim, Edwiges partiu para o Rio Grande do Norte e proferiu uma palestra. Foi apoiada pelo governador José Augusto Bezerra de Medeiros (1884-1971) (Jornal do Recife, 11 de maio de 1924, quinta coluna; Diário de Pernambuco, 6 de julho de 1924, penúltima coluna; 30 de julho de 1924, quarta coluna).

Seguiu para o Rio de Janeiro e para São Paulo para continuar seus estudos sobre a organização das escolas domésticas e das escolas profissionais (Diário de Pernambuco, 22 de agosto de 1924, quarta coluna; A Província (PE), 27 de agosto de 1924, primeira coluna).

No Rio de Janeiro, acompanhada por Antônio Carneiro Leão, diretor de Instrução Pública do Rio de Janeiro, visitou escolas rurais. Também fez uma visita à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e encontrou-se com a presidente da entidade, Bertha Lutz, e esteve na Liga dos Professores, onde fez uma palestra. Foi visitada por membros do Centro Pernambucano sediado no Rio de Janeiro. Na Escola Nilo Peçanha foi homenageada com uma festa em comemoração à entrada da Primavera (Jornal do Brasil, 20 de setembro de 1924 e 25 de setembro de 1924O Paiz, 28 de setembro de 1924, sexta coluna; Jornal do Recife, 16 de dezembro de 1924, penúltima coluna; Jornal do Brasil, 17 de dezembro de 1924, sexta coluna).

 

 

Foi recebida em São Paulo com um chá oferecido na Liga das Senhoras Católicas (A Noite, 14 de outubro de 1924, quinta coluna; A Cigarra, 15 de novembro de 1924Diário de Pernambuco, 21 de novembro de 1924, segunda coluna).

Publicação e uma foto e Edwiges com o artigo de sua autoria, intitulado O Violão – ouvindo Josephina Robledo (Brasil Social, 1° de dezembro de 1924).

 

 

1925 - Publicação do artigo Sobre o Ensino Público no Brasil – impressões de uma educadora pernambucana, de sua autoria (Educação, janeiro de 1925).

Publicação de seu artigo Pelo ensino, na revista Brasil Social, dirigido por P.A. Soares (Brasil Social, 1º de janeiro de 1925).

Retornou de sua viagem ao Sul do Brasil onde esteve em comissão do governo estadual. Ao final do trabalho acerca da situação da educação no país, entregou ao governador um minucioso relatório, o qual, um ano depois, foi publicado com o título de Impressões e Notas (Jornal do Brasil, 14 de janeiro de 1925, quarta colunaDiário de Pernambuco, 20 de janeiro de 1925, terceira coluna).

Publicação de seu artigo, A Mulher pernambucana (Diário de Pernambuco, 7 de novembro de 1925).

Escrevia para o periódico Vida Feminina.

1926 - Publicação de um artigo acerca do trabalho realizado por Edwiges em comissão do governo de Pernambuco sobre as escolas domésticas e as escolas profissionais do Brasil (Jornal Pequeno, 18 de maio de 1926, última coluna)

Publicação de um artigo de sua autoria sobre a declamadora Angela Vargas (Jornal Pequeno, 16 de setembro de 1926, primeira coluna).

1927 – Era catedrática da Escola Normal e foi a letrista do hino comemorativo do centenário do Ensino Primário no Brasil – foi musicado pela professora Maria do Carmo Santos Barbosa. O hino foi cantado durante uma sessão magna realizada no Theatro de Santa Isabel e presidida pelo governador Estácio Coimbra (1872-1937) em comemoração à efeméride (Jornal do Recife, 15 de outubro de 1927, primeira coluna; O Paiz, 29 de outubro de 1927, última coluna).

Visitou a redação do Jornal do Recife com a poetisa potiguar Palmyra Wanderley (1894-1978) que iria ler, no dia 10 de dezembro, na Academia Pernambucana de Letras, versos de seu livro Roseira Brava (Jornal do Recife, 2 de dezembro de 1927, quarta coluna).

 

 

1928 - Foi publicada uma declaração de Edwiges sobre a Academia Pernambucana de Letras, integrando a série de reportagens A casa de Bento Teyxeyra Pinto (Diário da Manhã (PE), 22 de janeiro de 1928).

 

 

Foi entrevistada sobre a questão do voto feminino (Diário da Manhã, 28 de março de 1928, sexta coluna).

1929 – Foi eleita a oradora da Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Recife, 3 de fevereiro de 1929, última coluna).

Assinou um artigo sobre o feminismo publicado na revista A dona de casa, dirigida por Cândida de Brito (Jornal do Brasil, 22 de março de 1929, terceira coluna).

Na Revista da Academia Pernambucana de Letras, publicação de um artigo de Edwiges (Diário de Pernambuco, 7 de maio de 1929, segunda coluna).

1931 - Em junho, ela, a médica Paulina Waisman e a pintora Georgina Barbosa Vianna participaram como delegadas de Pernambuco do II Congresso Internacional Feminista, organizado pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e realizado, no Automóvel Club, no Rio de Janeiro, entre 20 e 30 de junho. Edwiges e Georgina chegaram à cidade no dia 18, a bordo do navio Raul Soares. Foram recebidas por representantes da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, presidido por Bertha Lutz, e da União Universitária Feminina, presidida por Carmen Portinho (1903-2001). Na época, Edwiges era professora de português e história, na Escola Normal do Recife, além de vice-presidente da Academia Pernambucana de Letras (Correio da Manhã, 19 de junho de 1931, primeira coluna).

Os temas do evento foram educação feminina, proteção às mães e à infância, trabalho feminino, direitos das mulheres e estreitamento das relações pan-americanas e internacionais (Correio da Manhã, 5 de março de 1931, primeira colunaJornal do Brasil, 19 de junho de 1931O Jornal, 19 de junho de 1931, primeira coluna; Diário de Notícias, 20 de junho de 1931Correio da Manhã, 26 de junho de 1931O Malho, 27 de junho de 1931;  Revista da Semana, 27 de junho de 1931 Correio da Manhã, 1º de julho de 1931O Malho, 11 de julho de 1931Vida Doméstica, agosto de 1931).

Destacam-se aqui as delegadas das representações estaduais: Amazonas – Emilia Galvão e Cassilda Araujo Lima; Pará – Marina Lamarão Cardoso, Noemia de Rego Lins, Glória Silva e Maria Aurora Pegado Beltrão; Maranhão – Mariana Gurjão, Cristina Vinhais; Piauí – Nazareth Pires Ferreira; Ceará – Henriqueta Galena, Adilia Moraes e Carmem Castelo Branco; Rio Grande do Norte – Maria Eugenia Celso e Julia de Medeiros; Paraíba do Norte – Rosalina Coelho Lisboa; Pernambuco – Edwiges de Sá Pereira, Georgina Barbosa Vianna e Paulina Waismann; Alagoas – Almerinda Farias Gama; Sergipe – Sra. Maria Rita Soares de Andrade, Carlota Camargo do Nascimento; Bahia – Edith Mendes da Gama e Abreu, dra. Hermelinda Paes, Lili Tosta, dra. Francisca Praguer Froés, Alice Kelsche de Aguiar, Celeste Cerqueira; Espírito Santo – Anna Borges Ferreira; Estado do Rio de Janeiro – Antonieta de Souza Braga, Murilla Torres, Yolanda Torres, Dulce Horta Esteves Lagoeira, Maria Rosa Ribeiro; Estado de São Paulo – Helena Gordo; Julia Algodoal, Clotilde Kleber, dr. Horácio Silveira, Alice de Toledo Tibiriça e outras: Paraná – Martha da Silva Gomes; Santa Catarina – Alice Pinheiro Coimbra; Rio Grande do Sul – Ascylia Correia Rodrigues, Acy Coelho e Ilka Labarthe; Minas Gerais – Ignácia Guimarães, dra. Alzira Reis Vieira Ferreira, Maria Esther Ramalho, Eunice Weaver; Goiás – Dra. Rosita Godinho de Oliveira Bello; Mato Grosso – Branca Portinho.

O discurso de abertura do evento foi pronunciado pela escritora Julia Lopes de Almeida (1862-1934). Durante o encontro, Edwiges proferiu o discurso Pela Mulher, para a Mulher, que defendia uma nova concepção de ensino para a mulher. Dividiu a população feminina em três categorias: mulheres que não precisavam trabalhar, mulheres que sabiam e precisavam trabalhar e, finalmente, as mulheres que não sabiam e precisavam trabalhar. Os dois primeiros grupos deveriam, segundo ela, se unir para que o terceiro grupo fosse auxiliado (Jornal do Brasil, 15 de julho de 1931, sexta coluna).

Foi entrevistada e declarou que “o feminismo é uma evolução natural dos tempos. Como todas as forças vivas da natureza, a mulher não poderia estacionar nas fronteiras do passado, montando guarda aos velhos preconceitos que lhe tolhiam a faculdade de pensar e agir“(Diário da Noite, 22 de junho de 1931, primeira coluna).

 

 

Dentro da programação do congresso, participou de uma missa campal com a presença da primeira-dama, Darcy Vargas (1895-1968), e de todas as delegadas do evento, realizada no terreno da igreja do Sagrado Coração de Jesus. No mesmo dia foi inaugurada a exposição anexa ao congresso, no Automóvel Club. Participou também da sessão de congraçamento presidido por Bertha Lutz, quando falou sobre a filosofia do momento feminista (Diário de Pernambuco, 23 de junho de 1931, quinta coluna; Diário de Notícias, 1º de julho de 1931, primeira coluna).

Foi publicada uma entrevista com Edwiges (Jornal do Brasil, 1º de julho de 1931, terceira coluna).

Foi convidada pela escritora e feminista Martha de Holanda (1903-1950) para ser a presidente de honra da Cruzada Feminista Brasileira, fundada e presidida por Martha, mas não aceitou o cargo. Sobre Martha de Hollanda, Luciene de Freitas, autora de sua biografia “Uma guerreira no tempo – Um resgate de uma época, Martha de Hollanda e Delírio do Nada” (2003), escreveu:

“Ela era uma pessoa à frente do seu tempo. Contestava o ensino, contestava as roupas, usava vestidos sem manga e curtos, sem meia, fumava, bebia, tinha amizades com homens e fazia saraus com intelectuais. Eram coisas que chocavam naquela época. Tanto que essa liberdade rendeu um falatório sobre ela na cidade”

 

 

Em 10 de novembro, no Clube Internacional do Recife, Odila Porto da Silveira, representante da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, deu posse à primeira diretoria da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino. Edwiges foi a primeira presidente desta associação, cargo que exerceu até 1935. Personalidades da sociedade pernambucana, assim como autoridades estaduais e federais, representantes da imprensa e de diversas corporações prestigiaram o evento (Jornal Pequeno, 10 de novembro de 1931, primeira colunaJornal do Recife, 11 de novembro de 1931, primeira coluna). Neste primeiro biênio da associação, a vice-presidente era a professora Noemia Ferreira Xavier, e a segunda vice-presidente era a também professora e irmã de Edwiges, Anna Sá Pereira da Silva Almeida. A secretária-geral era Maria de Lourdes Souza Leão, a tesoureira, Santina Monteiro; e a consultora jurídica era Ida Souto Uchôa (Jornal Pequeno, 7 de agosto de 1931, quinta coluna).

 

 

A ideia de criação da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino surgiu em reuniões de um grupo de pernambucanas que defendia a maior inclusão feminina na sociedade. Várias destas reuniões aconteceram na casa de Edwiges (Jornal do Recife, 20 de junho de 1931, primeira coluna). A Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino apoiava fortemente os princípios católicos. Ao longo de sua existência, até fins da década de 1930, a associação, devido à forte influência de Edwiges, teve como prioridade a questão da educação da mulher. Investiu na criação da Escola de Oportunidades cuja principal meta era disponibilizar cursos como correspondência, datilografia e línguas às jovens de todas as classes sociais do Estado.

A coluna “Palestras Femininas”, do Diário de Notícias, homenageou Edwiges com a publicação do poema Dúvida, da escritora pernambucana (Diário de Notícias, 5 de julho de 1931, primeira coluna).

1932 – Sua tese Pela Mulher, para a Mulher foi publicada como de livro.

Ainda era a vice-presidente da Academia Pernambucana de Letras (Fon-Fon, 5 de março de 1932, primeira coluna).

Foi eleita segunda secretária da diretoria da Academia Pernambucana de Letras (Diário de Pernambuco, 1º de abril de 1932, última coluna).

No Clube Internacional, a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino promoveu um evento para comemorar o Dia das Mães. Pela primeira vez a efeméride foi comemorada no Brasil de acordo com um decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas (1882-1954) (Jornal Pequeno, 9 de maio de 1932, quarta coluna).

 

 

A oficialização do Dia das Mães no Brasil foi uma conquista da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino que durante o II Congresso Internacional Feminista, realizado em junho de 1931, no Rio de Janeiro, designou uma comissão que fez a solicitação ao presidente Vargas. Ele assinou o Decreto 21.366, em 5 de maio de 1932, estabelecendo o segundo domingo de maio como a data comemorativa dedicada às mães.

 

 

1933 - Publicação do artigo Pela mulher, de sua autoria (Diário de Notícias, 20 de fevereiro de 1933, penúltima coluna).

Foi eleita vice-presidente da Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Recife, 22 de fevereiro de 1933, quarta coluna).

A Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, sob a presidência de Edwiges, enviou a artista plástica e feminista Georgina Barbosa Vianna como representante da associação na Convenção Eleitoral Feminina, no Rio de Janeiro, com propostas de inclusão no texto constitucional de obras contra as secas, recusa ao serviço militar obrigatório para mulheres e apoio ao ideário católico (Diário de Pernambuco, 30 de março de 1933, primeira coluna).

Edwiges e Martha de Hollanda conseguiram o direito de votar e também de serem votadas. Em uma enquete promovida pelo Diário de Pernambuco, Edwiges foi apontada como uma excelente candidata pela pintora e feminista Emília Barbosa Viana Marchesini, por Edna Leite Gueiros, redatora da “Página Feminina” do Jornal do Commercio; por representantes da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, e por Ana Campos, catedrática da Escola Normal. Em, 30 de abril, a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino fez uma publicação indicando Edwiges ao eleitorado (Diário de Pernambuco26 de janeiro de 1933, quarta coluna27 de janeiro de 1933, penúltima coluna;  29 de janeiro de 1933, penúltima coluna1º de fevereiro de 1933, penúltima coluna; 30 de abril de 1933, quarta coluna30 de abril de 1933, terceira coluna30 de abril de 1933, última coluna).

 

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Foi publicada uma entrevista com Edwiges e quanto à questão do divórcio, no Diário de Pernambuco, de 30 de março de 1933, ela afirmou:

“Somos católicos e não compreendemos as reivindicações femininas fora desses princípios. Somos pela indissolubilidade do matrimônio como condição máxima de garantia de família, da estabilidade do lar, da moral social, enfim. Mas, não basta impedir que o divórcio se instale em nossa lei magna; é o no código civil, quando se regular a sociedade conjugal que todo o cuidado se impõe. Combater o divórcio e deixar subsistindo na legislação civil e nos costumes as causas principais que o provocam é obra incompleta. Combatamos o mal do organismo social, ele está muito na indiferença com que consideramos e que de grosseiro temos herdado ou contagiado de raças diversas, vinculadas a nossa e má importação de práticas dissolventes de civilizações requintadamente epicuristas. Na época atual o espírito de sacrifício, o apelo a passividade e a resignação, afiguram-se de natureza e resultados muito precários”.

Martha, sem partido, e Edwiges, pelo Partido Economista de Pernambuco, foram candidatas a deputadas constituintes por Pernambuco, em 3 de maio, mas não se elegeram.

 

 

Publicação de seu poema Pernambuco (Brasil Feminino, maio de 1933).

Devido à reforma do Ensino Normal em Pernambuco, ela e mais três professoras catedráticas da Escola Normal foram postas em disponibilidade (A Província (PE), 16 de maio de 1933, quinta coluna).

Foi reeleita presidente da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino para o biênio de 1933 a 1935 (Jornal Pequeno, 1º de agosto de 1933, primeira coluna).

1934 – Na reunião semanal da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, foi uma das escolhidas para o serviço direto junto à Constituinte (O Paiz, 22 de março de 1934, quinta coluna; O Paiz, 2 de maio de 1934, quinta coluna).

Publicação de uma entrevista com Edwiges sobre os rumos do feminismo no Brasil e das propostas à Constituição (Jornal do Recife, 22 de junho de 1934, primeira coluna).

Na Rádio Clube Recife, a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino promoveu uma hora de arte para comemorar as vitórias alcançadas pela mulher na nova Constituição do país. O evento foi aberto por Edwiges (Jornal do Recife, 22 de julho de 1934, primeira coluna).

Foi admitida na Associação de Imprensa de Pernambuco como sócia colaboradora (Diário de Pernambuco, 15 de setembro de 1934, segunda coluna)

Falecimento de seu irmão, o desembargador Virgílio de Sá Pereira (Jornal Pequeno, 22 de setembro de 1934, terceira coluna).

Publicação de seu artigo intitulado Natal (Jornal Pequeno, 24 de dezembro de 1934, penúltima coluna).

Integrou o júri do Concurso Feminino promovido pelo Diário de Pernambuco. Os trabalhos foram divididos nas categorias puramente literários e de interesse educativo e social (Diário de Pernambuco, 27 de dezembro de 1934, terceira coluna).

1935 – Foi sucedida por Emília Barbosa Viana Marchesini na presidência da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, tornando-se sua presidente honorária.

Publicação do artigo A Arte de Conversar, de sua autoria (Jornal do Recife, 3 de fevereiro de 1935).

Publicação do artigo Dia das Mães, de sua autoria (Jornal Pequeno, 11 de maio de 1935, segunda coluna).

Proferiu a palestra de abertura da Semana do Livro (Diário de Pernambuco, 12 de novembro de 1935, penúltima coluna).

1936 – Era a segunda vice-presidente da Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Brasil, 30 de junho de 1936, quarta coluna).

Discursou durante a visita da escritora Carolina Nabuco (1890-1981) à Academia Pernambucana de Letras (Jornal Pequeno, 6 de novembro de 1936, quarta coluna).

1937 – Recebeu 39 votos no plebiscito promovido pela revista O Malho para saber quem seriam as mulheres que mereceriam ingressar na Academia Brasileira de Letras. As cinco primeiras colocadas foram Maria Eugênia Celso (1886-1963), Gilka Machado (1893-1980), Alba Canizares (1893-1944), Anna Amélia Carneiro de Mendonça (1896-1971) e Henriqueta Lisboa (1901-1985) (O Malho, 14 de janeiro de 1937, quarta coluna).

Foi eleita para integrar a comissão da Revista da Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Brasil, 28 de março de 1937, última coluna).

Foi uma das eleitoras do concurso Príncipe dos Poetas Brasileiros promovido pela revista Fon-Fon (Fon-Fon, 24 de abril de 1937, segunda coluna).

Ela e outras integrantes da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino estiveram presentes à inauguração da Escola de Enfermagem de Olinda, fundada sob os auspícios da associação (Diário de Pernambuco, 17 de agosto de 1937, penúltima coluna).

Foi uma das palestrantes da 7ª Semana Anti-Alcoólica (Jornal do Recife, 30 de outubro de 1937, última coluna).

Em 22 de dezembro, foi instalado o Estado Novo que, de acordo com o Decreto-lei n. 37, de 02 de dezembro de 1937, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas (1882-1954), proibia a existência de partidos políticos e organizações civis.

1938 – Esteve presente à cerimônia da entrega solene da Escola de Enfermagem de Olinda à prefeitura da cidade (Diário de Pernambuco, de 1938, segunda coluna).

1940 – Foi a autora da letra do Hino Escolar João Barbalho, musicado pela também professora Maria do Carmo Santos Barbosa (Diário da Manhã, 24 de outubro de 1940, quinta coluna).

1945 – Publicou o livro Um passado que não morre, uma homenagem póstuma ao historiador João Baptista Regueira Costa (Diário de Pernambuco, 5 de outubro de 1952, terceira coluna).

Proferiu, na Academia Pernambucana de Letras a conferência A influência da mulher na educação pacifista do após-guerra. Na introdução deste trabalho escreveu sobre sua motivação para escrevê-lo: como “única mulher membro deste sodalício, competia-me, por vários motivos, a explanação do assunto, que em mim se integra por uma longa fase de cátedra e de suas afinidades sociais” .

1946 - Foi uma das colaboradoras da primeira edição da revista Capibaribe, dirigida por Jorge Medeiros de Souza (Jornal Pequeno, 13 de junho de 1946, terceira coluna).

Tomou posse como uma das integrantes do Conselho Consultivo da filial pernambucana da Liga Internacional Mulheres, fundada no Recife (Diário de Pernambuco, 22 de agosto de 1946, segunda coluna; Jornal do Brasil, 1° de setembro de 1946, primeira coluna).

Foi publicada na edição de dezembro da Revista da Academia Brasileira de Letras a conferência A influência da mulher na educação pacifista do após-guerra. O texto integrou uma série de 28 conferências organizada pela Academia Pernambucana de Letras (Revista Brasileira, dezembro de 1946).

1947 – Foi recebida na Federação das Academias de Letras no Brasil, no Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 1° de outubro de 1947, segunda coluna).

1948 – Fez uma visita de despedida à Federação das Academias de Letras no Brasil (Jornal do Brasil, 3 de fevereiro de 1948, terceira coluna).

Falecimento de seu irmão, Eurico de Sá Pereira (Jornal Pequeno, 31 de maio de 1948, penúltima coluna).

Seu apoio ao envio de uma mensagem de solidariedade da Academia Pernambucana de Letras ao Salão de Poesia escandalizou o acadêmico Mário Melo (1884-1959), que combatia a poesia moderna (Jornal Pequeno, 13 de outubro de 1948, primeira coluna).

1951 - Participou de um almoço, no restaurante Torre de Londres, em homenagem à escritora Maria das Graças dos Santos Leite pela publicação do livro Alma em vigília (Jornal Pequeno, 24 de agosto de 1951, quarta coluna).

1952 - Falecimento de sua irmã, Fredovinda, funcionária aposentada do Tribunal de Justiça (Diário de Pernambuco, 23 de abril de 1952, primeira coluna).

Colaborou na terceira edição da Revista Pernambucana, dirigida por Getúlio Amaral e Olympio Fernandes (Jornal Pequeno, 13 de dezembro de 1952, terceira coluna).

1953 – Escreveu um artigo sobre a poetisa baiana Ilka Sanchez (1922-?) (Diário de Pernambuco, 1º de novembro de 1953, sexta coluna).

Escreveu o artigo Austro Costa (Diário de Pernambuco, 15 de novembro de 1953, quinta coluna).

1954 - Escreveu o artigo “Rosa de Pedra”: poesias de Zila Mamede (Diário de Pernambuco, 28 de fevereiro de 1954, sexta coluna).

Escreveu o artigo Imagens e Sombras sobre o novo livro do poeta Costa Rego Junior (Diário de Pernambuco, 4 de abril de 1954, última coluna).

Publicação do artigo Poesia, de sua autoria (Diário de Pernambuco, 13 de junho de 1954, quinta coluna).

Na colunaVida religiosa”, publicação do artigo Obra Social de Grande Vulto, de sua autoria, sobre o Centro Social Nossa Senhora da Soledade (Diário de Pernambuco, 18 de setembro de 1954, sexta coluna).

1955 – Publicação de seu poema Saudade, dedicado à poetisa Maria das Graças Santos Leite (Diário de Pernambuco, 8 de julho de 1955, quarta coluna).

1956 - Publicação do artigo Cartas, de sua autoria (Diário de Pernambuco, 21 e 22 de abril de 1956, última coluna).

Publicação do artigo Poesias de Pierre Luz, de sua autoria (Diário de Pernambuco, 23 de setembro de 1956, sexta coluna)

1958 - Faleceu, em 14 de agosto, em sua casa, no bairro do Espinheiro, no Recife, vítima de uma trombose cerebral (Diário de Pernambuco, 15 de agosto de 1958, penúltima coluna). Nunca se casou nem teve filhos, mas sua sobrinha Hebe de Sá Pereira, em um depoimento de 2010, revelou que Edwiges se arrependia de não ter sido mãe solteira (Revista Brasileira, abril maio, junho de 2020, página 69) .

 

 

 

 

Foi homenageada na Academia Pernambucana de Letras e a professora, educadora e escritora Dulce Chacon (1906-1982) pronunciou um discurso intitulado Edwiges de Sá Pereira – Escritora, acadêmica e professora, no qual dissertou sobre o respeito e carinho que a homenageada tinha para com os membros da referida agremiação, e em seguida, traçou um perfil de sua vida e obra. No ano seguinte, o discurso foi reunido em plaquette (Diário de Pernambuco, 28 de setembro de 1958, primeira coluna; Diário de Pernambuco, 18 de janeiro de 1959, quarta coluna).

 

 

1960 – Publicação, por iniciativa de sua sobrinha Hebe de Sá Pereira, de seu livro Horas inúteis, uma reunião de poemas escritos por ela, com prefácio do escritor e imortal da Academia Pernambucana de Letras, Jordão Emerenciano (1919-1972). O livro é composto por 53 poemas, alguns inéditos e outros que já haviam sido publicados em periódicos. No prefácio desta publicação póstuma, o professor Jordão Emereciano, fez breves considerações sobre a personalidade da autora, da sua importância para a história da Academia Pernambucana de Letras e sobre o valor desta publicação para o campo literário do estado. Para ele, este livro, era “um pouco a síntese de tudo isto porque os seus sonetos e poemas contêm os reflexos de sua atividade variada e diversificada e a motivação de toda uma vida que teve também os seus dias de luta e de sonho, de ideal e de poesia” (Revista Ágora, Vitória, n.13, 2011, p. 1-16 ).

A seguir, um trecho do prefácio:

 

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Publicação de seu poema Capitólio, onde se evidenciava sua formação parnasiana.

“Hás de viver eternamente, ó verso, / Nos velhos moldes: no esplendor que anima / A luz no movimento do Universo! / O amor na lei da Natureza oprima! // Quando não mais surgisse um som disperso / Do hemisfério, da métrica e da rima, / Sobram-te louros de um parnaso terso: / Nunca a seara dos Gênios se dizima! // Não medra o esforço do que finge odiar-te. / Qual haverá que um dardo acerte dentre / Os que desdenham teu prestigio de arte? // Qual haverá que um poema legue, ovante, / Ao mundo, e o mundo o leia e se concentre / Como se lê Camões, Homero, Dante?!”

Dulce Chacon foi eleita para ocupar a vaga de Edwiges na Academia Pernambucana de Letras (Diário de Pernambuco, 26 de novembro de 1959, terceira coluna).

1979 - Em seu livro de memórias, intitulado Medo de Criança (1979), Dulce Chacon revelou: “Tenho estado a pensar nos belos livros que Edwiges de Sá Pereira deixou reunidos, já datilografados, prontos para a impressão. Nos derradeiros anos, ver os seus três livros em letra de forma constituiu para ela o maior desejo” (Chacon, 1979:265). Os livros que a autora se refere, são: Eva MilitanteJóia de Turco Horas Inúteis. Sobre Eva militante, Dulce comentou que Edwiges havia feito uma análise de alguns aspectos dos problemas enfrentados pela mulher brasileira “no lar ou nas atividades externas, nas profissões liberais, ou na burocracia, aviadora, magistrada, prefeita, deputada, escrivã, professora”. Ainda segundo Chacon, no livro Jóia de Turco, Edwiges havia reunido algumas de suas crônicas sobre acontecimentos nacionais e internacionais, já publicadas em jornais, “inspiradas no noticiário e nos telegramas, nas conversas de rua e na leitura de livros, tirando-os da sombra ou de um recanto do passado para dar-lhe vida, movimento, graça, sentido poético e conteúdo humano”.

 

**Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

AMARAL, Walter Valdevino do. Edwiges de Sá Pereira: Uma voz pernambucana no Segundo Congresso Internacional Feminista (Rio de Janeiro, 1931), 2017.

AMARAL, Walter Valdevino do. “Um passado que não morre”: traços biográficos de Edwiges de Sá Pereira. Revista Ágora, Vitória, n.13, 2011, p. 1-16.

AMARAL, Walter Valdevino do; RIBEIRO, Emanuela Souza. Edwiges de Sá Pereira: um breve olhar sobre a poesia feminina pernambucana, 2009.

BARBOSA, Izabelle Lúcia de Oliveira. Os movimentos feministas pernambucanos e o debate em torno do divórcio (1926-1937). XVIII Simpósio Nacional de História. Florianópolis, Santa Catarina, 2015.

BNDigital

CAMPOS, Andrea Almeida Campos. Edwiges de Sá Pereira: Uma feminista vitoriana na primeira metade do século XX in Revista Brasileira, abril, maio, junho de 2020, página 59.

CAMPOS, Zuleica Dantas Pereira. Edwiges de Sá Pereira: um discurso para e pela mulher. In: I COLÓQUIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA. GT12: Gênero, Sociabilidades e Sensibilidades. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), 1º, 2008. Anais […]. Campina Grande – PB, 2008.

COSTRUBAL, Deivid Aparecido. Para além do sufragismo: A contribuição de Júlia Lopes de Almeida à história do feminismo no Brasil (1892-1934). Tese apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis – UNESP – Universidade Estadual Paulista para a obtenção do título de Doutor em História (Área de conhecimento: História e Sociedade), 2017.

FAGUNDES, Emelly Sueny Fekete. Uma das faces do feminismo em Pernambuco: Transgressões e permanências na trajetória da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino (1931-1937).  2018. 181 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

NASCIMENTO, Alcileide Cabral do. O bonde do desejo: o Movimento Feminista no Recife e o debate em torno do sexismo (1927-1931). Rev. Estud. Fem. 21 (1) • Abr 2013.

PEDROSA, Cida. A Eva militante e todas as horas úteis para a mulher e pela mulher. Revista Hexágono, 2020.

SCHUMAHER, Shuma; BRAZIL, Érico Vital (Org.). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

SILVA, Martia Angélica Pedrosa de Lima. Entre engajamentos e manifestos: a inserção de Edwiges de Sá Pereira nos espaços públicos do Recife (1920-1935). Seminário Internacional Fazendo Gênero, Florianópolis, Santa Catarina, 2017.

Site Academia Pernambucana de Letras

Site Tribunal Eleitoral de Pernambuco

VAINSSENCHER, Semira Adler. Edwiges de Sá Pereira.

O embaixador Oswaldo Aranha (1894-1960)

O embaixador Oswaldo Aranha (1894-1960) 

Pedro Quinteiro Uberti sob a supervisão de Adelina Novaes e Cruz* 

 

Gaúcho da fronteira, nascido em Alegrete, em 1894, Oswaldo Aranha teve ascendente trajetória na política local até se consolidar como uma das lideranças da Aliança Liberal e do movimento que levou Getulio Vargas ao Catete. Como ministro da Justiça e Assuntos Internos e ministro da Fazenda, contribuiu ativamente na reconfiguração institucional do Estado brasileiro, iniciada com o governo provisório de Vargas.

Notabilizou-se como personagem vinculado à condução da política externa brasileira. A historiografia destaca dois grandes momentos da vida política de Aranha, para além de seu envolvimento com a Revolução de 1930. O primeiro, entre 1938 e 1944, diz respeito ao período em que serviu como chanceler do Estado Novo, sendo apontado como um dos principais responsáveis pelo apoio prestado pelo Brasil ao esforço de guerra dos Aliados. O segundo, entre 1947 e 1948, marca o momento em que Aranha presidiu a Assembleia Geral das Nações Unidas, tendo seu nome vinculado à criação do Estado de Israel e à tradição, segundo a qual, o discurso brasileiro deve ser aquele que inaugura os encontros da Assembleia.

Antes disso, no entanto, Aranha já havia deixado sua marca na diplomacia brasileira. Entre 1934, quando se desvincula do Ministério da Fazenda, e 1937, quando é decretado o Estado Novo, o político gaúcho serviu como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

 

Acessando o link para as imagens de Oswaldo Cruz do acervo do FGV-CPDOC e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Primeiras Impressões

 

A missão de Aranha começa a bordo do Augustus, navio que o levou a Gênova. A escala na Europa, antes de seguir viagem aos Estados Unidos, marcou a percepção de Aranha em relação ao futuro das relações internacionais. Em carta escrita a Getulio, em setembro de 1934, aborda criticamente o militarismo de governantes como Benito Mussolini, indicando a iminência de um novo conflito entre as potências europeias. Pondera que:

a Europa está, meu caro, em estado potencial de guerra. Os exércitos e as esquadras não se defrontam, mas ameaçam-se. […] Os instintos estão arrepiados, como o de feras ameaçadas ou agressivas. […] Ninguém sabe como e de onde virá. Mas creio, não há ninguém que não sinta a sua proximidade. […] A Europa está dominada por uma tropilha de grandes loucos que encerram em seus punhos a sorte do mundo” (GV c 1934.09.07).

 

 

É notável o contraste das perspectivas de Aranha em relação à Europa e aos Estados Unidos. Já em solo estadunidense, exulta o progresso material do país. Em outra carta a Vargas, de novembro de 1934, ameniza os efeitos da crise financeira de 1929, apontando que “este país tem mais riquezas do que todo o resto do mundo. O orçamento de uma cidade como Chicago é maior que o da Itália. O de Nova York várias vezes o nosso. O número de automóveis numa cidade média aqui é maior do que o de todo o Brasil!” (GV c 1934.11.02).

 

Primeiras Movimentações

 

As primeiras movimentações diplomáticas de Aranha demonstram a preocupação do novo embaixador em melhorar as relações entre Brasil e Estados Unidos. O pessimismo em relação à Europa e o fascínio em relação à economia estadunidense foram acompanhados por uma calorosa recepção nos círculos políticos de Washington. Aranha percebia uma boa vontade das autoridades de Washington em relação ao Brasil. “Só posso atribuir essa amabilidade ao desejo que notei no presidente Roosevelt, durante a conversa de alguns minutos que se seguiu à apresentação de credenciais, de estreitar sempre as íntimas relações com o Brasil”, relataria Aranha ao Itamaraty após a apresentação de suas credenciais como embaixador a Roosevelt, em outubro de 1934 (ARAÚJO, 1996, p. 113).

 

 

O andamento da missão seria, portanto, facilitada, na visão de Aranha, pela situação internacional. Com a Europa na iminência de um conflito e com o recrudescimento das disputas imperialistas entre as potências, incluindo a expansão japonesa no sudeste asiático e no Pacífico, os Estados Unidos, segundo Aranha, se voltariam cada vez mais para a América Latina, em especial para o Brasil. Deveria o governo Vargas, portanto, aproveitar essa oportunidade para atingir os objetivos da política externa brasileira.

Condição necessária ao estreitamento de relações entre os dois países era, no entanto, a restruturação da representação brasileira nos Estados Unidos. Isso significou o envolvimento de Aranha na instalação da embaixada em uma mansão comprada, em agosto de 1934, por Ciro Freitas-Valle, seu primo e diplomata, a mando do Itamaraty. Segundo o embaixador “encontramos, aqui, no país onde está metade do nosso comércio, todos os funcionários amontoados em três salinhas, sem mobiliário, sem nada. Vamos ficar, hoje, com uma instalação perfeita e capaz de atender às nossas fatais necessidades futuras” (GV c 1935.03.25).

 

 

 

Uma Atuação Multifacetada 

 

É possível encontrar no triênio em que Aranha serviu como embaixador, uma série de episódios que demonstra uma atuação diplomática multifacetada, conduzida por um diplomata muito bem conectado com diferentes setores da sociedade estadunidense. Logo nos primeiros meses de missão, Aranha conduziria em Washington as negociações em torno do tratado comercial que estava sendo costurado entre Brasil e Estados Unidos enquanto, constantemente, protestava a Vargas contra o estreitamento dos laços comerciais entre Brasil e Alemanha sob a modalidade que ficou conhecida como comércio compensado. Aranha acompanharia o ministro da Fazenda, Artur de Sousa Costa, na assinatura do tratado junto a Roosevelt, firmado em 2 de fevereiro de 1935.

 

 

 

 

 

Aranha ainda receberia outro ministro brasileiro em Washington. João Marques dos Reis, ministro da Viação e Obras Públicas havia sido designado por Getulio para participar da 3ª  Conferência Mundial de Energia, entre setembro e outubro de 1936. Segundo o embaixador, a visita do ministro seria facilitada pela boa vontade do governo estadunidense em procurar “favorecer negócios no Brasil” (GV c 1936.10.21).

 

 

O estabelecimento de boas relações com autoridades do governo estadunidense foi um dos maiores sucessos da missão de Aranha. Não à toa, durante o triênio em que serviu em Washington, Aranha foi o embaixador estrangeiro mais recebido por Roosevelt (OLIVEIRA, in LIMA; ALMEIDA; FARIAS, 2017, p. 103). Antes mesmo de Aranha embarcar para os Estados Unidos, Roosevelt já havia sido informado que Aranha era “o iniciador do atual movimento do Brasil de se afastar um pouco da Europa e se aliar com os Estados Unidos” (HILTON, 1994, p. 202). Destaca-se, ainda, a figura de Sumner Welles, referência no Departamento de Estado em assuntos relacionados à América Latina, com quem Aranha estabeleceu íntimas relações.

 

 

 

 

Para além dos círculos oficiais de poder, Aranha empreendeu esforços no sentido de fazer o Brasil ser ouvido por distintas camadas da sociedade estadunidense. Seja viajando pelo país, como na ocasião da Feira Mundial de Chicago, em outubro de 1935, seja em contato constante com jornalistas e empresários, Aranha defendia a ideia de que “devemos procurar ser conhecidos do povo para melhor contarmos com o governo dos Estados Unidos” (GV c 1937.09.09).

 

 

 

 

 

 

 

Essa aproximação, advogada por Aranha, não se restringia apenas ao âmbito bilateral. Logo no início da missão, alertou Vargas sobre a ascensão da Política da Boa Vizinhança. Segundo o embaixador, a busca dos Estados Unidos em melhorar suas relações com os demais países americanos poderia colocar em xeque o tratamento especial que era dispensado ao Brasil. Nesse sentido, as conferências e encontros multilaterais deveriam servir de palco para o Brasil reafirmar sua posição como parceiro estratégico dos Estados Unidos no continente.

Foi exatamente o que o embaixador buscou alcançar na Conferência Interamericana para a Manutenção da Paz, realizada em Buenos Aires, em 1936. Desde o momento em que Roosevelt veiculou a ideia da realização da Conferência, Aranha buscou costurar a posição entre Brasil e Estados Unidos a partir da coordenação de demandas entre a Casa Branca e o Catete, mesmo que isso significasse o desgaste na relação com Macedo Soares, seu superior na hierarquia institucional do Itamaraty. Sua atuação na Conferência lhe rendeu editoriais dos mais favoráveis na imprensa estadunidense, ao buscar o consenso entre as partes a despeito da oposição argentina aos termos do Projeto de Convenção Sobre Manutenção, Garantia e Restabelecimento da Paz.

 

 

 

 

 

 

Aranha buscava nutrir nos Estados Unidos a simpatia pelo Brasil, mas suas constantes súplicas não convenceram Getulio de visitar o país norte-americano. Conseguiu, entretanto, influenciar na visita de dois de seus filhos, Getulio e Alzira, e sua esposa, Darcy. Alzira permaneceu mais de um semestre com a família Aranha nos Estados Unidos, entre o final de 1935 e meados de 1936, período durante o qual realizou longas viagens na companhia de Luiza Zilda Aranha (Zazi) e Delminda Gudolle Aranha (Dedei) – filhas do embaixador – e Delminda Gudolle Aranha (Vindinha) – esposa do embaixador. Getulinho, como era chamado por Aranha, e Darcy encontraram Alzira e família Aranha em março de 1936. Após insistência de Aranha, Getulinho permaneceu nos Estados Unidos pelo resto do ano desenvolvendo seus estudos de inglês e química. O périplo da família Vargas nos Estados Unidos, na companhia de Aranha, serviu como ferramenta diplomática, na medida em que foram organizados encontros com empresários e jornalistas estadunidenses, além de uma conferência com Roosevelt e a primeira-dama, Eleanor.

 

 

 

 

 

 

O Fim da Missão

 

Decretado o Estado Novo em novembro de 1937, Oswaldo Aranha abdica do cargo de embaixador, alegando ter perdido sua credibilidade junto ao governo estadunidense por ter sido pego de surpresa pelo golpe. Permaneceria nos Estados Unidos até dezembro, num esforço de amenizar as críticas da imprensa sobre a ruptura institucional em curso no Brasil. Seus relatórios a Vargas demonstram como o governo estadunidense não alterou sua posição em relação à parceria que vinha sido construída entre os dois países. Em dezembro de 1937, o navio Western Prince atracaria em águas brasileiras trazendo o embaixador e sua família, pondo fim à experiência diplomática inaugural daquele que viria ser chanceler em um dos períodos mais conturbados da política externa brasileira.

 

 

 

*Pedro Quinteiro Uberti é aluno do Mestrado Acadêmico em História, Política e Bens Culturais FGV/CPDOC e Adelina Novaes e Cruz é Pesquisadora do FGV CPDOC.

 

FONTES:

Arquivo Pessoal de Alzira Vargas do Amaral Peixoto (FGV CPDOC). Disponível em: <https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=AVAP&tud=AVI&tit=&ftit=2&de=1934&ate=1937&assun=&fassun=0&aut=&faut=0&ser=&loc=&tav=8+9+10&itens=30>.

Arquivo Pessoal de Getulio Vargas (FGV CPDOC). Disponível em: <https://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=CorrespGV2>.

Arquivo Pessoal de Oswaldo Aranha (FGV CPDOC). Disponível em: <https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=OA&tud=AVI&tit=&ftit=2&de=1934&ate=1937&assun=&fassun=0&aut=&faut=0&ser=&loc=&tav=8+9+10&itens=30>.

CAMARGO, Aspásia; ARAÚJO, João Hermes Pereira de; SIMONSEN, Mário Henrique. Oswaldo Aranha: a estrela da revolução. São Paulo: Mandarim, 1996.

HILTON, Stanley. Oswaldo Aranha: uma biografia. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1994.

LIMA, Sérgio Eduardo Moreira; ALMEIDA, Paulo Roberto de; FARIAS, Rogério de Souza (org.). Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2017. 2 v. (Coleção Política Externa Brasileira).

 

Série “Conflitos” VIII – Os efeitos da Revolta Paulista de 1924 pelas lentes de Gustavo Prugner (1884 – 1931)

Para marcar o centenário da Revolta Paulista de 1924, a Brasiliana Fotográfica destaca registros produzidos pelo fotógrafo Gustavo Prugner (1884 – 1931) sobre os efeitos da rebelião na cidade. Pertencem ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles (IMS), uma das instituições fundadoras do portal. Também conhecida como a Revolução Esquecida, foi a segunda revolta tenentista e o mais grave conflito bélico ocorrido, até hoje, na cidade de São Paulo. Também publicamos hoje a Cronologia de Gustavo Prugner, a 68ª produzida pelo portal.

É possível conferir algumas destas fotografias de Prugner na base de dados do Acervo IMS online: https://acervos.ims.com.br. Lá estão disponíveis mais de 9.200 imagens em domínio público, com download liberado e gratuito. Ao usá-las para qualquer finalidade, basta citar o nome do fotógrafo e o acervo de origem.

 

 

Pouco de sabe sobre o fotógrafo Prugner. Ele nasceu em 5 de julho de 1884, em São Bernardo do Campo, e, no início do século XX, ganhou uma das câmeras fotográficas distribuídas em uma ação promocional da loja de artigos fotográficos de Guilherme Wessel (1862 – 1940), pai do empreendedor Conrado Wessel (1891 – 1993). Prugner havia estudado na Escola Alemã com Guilherme. Curiosamente, a vida de Conrado Wessel foi fortemente impactada pela rebelião de 1924: devido ao violento conflito urbano, faltou papel importado para os fotógrafos que atuavam, principalmente, no Jardim da Luz, e eles passaram a comprar de Wessel. Quando a rebelião terminou, o fornecimento de papel importado foi restabelecido, mas Conrado já havia conquistado uma clientela fiel. Sua empresa começou a prosperar.

 

Acessando o link para as imagens produzidas por Gustavo Prugner sobre os efeitos da Revolução de 1924 em São Paulo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Voltando a Prugner. Com a obtenção da câmera, passou a trabalhar como fotógrafo e laboratorista. Foi também, em São Paulo, assim como o alemão Theodor Preising (1883 – 1962) e o suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928), um importante editor de cartões-postais, uma forma de circulação de imagens que, desde meados do século XIX, contribuiu para popularizar a fotografia. Prugner organizava álbuns a partir de fotos de sua autoria e de outros fotógrafos. Suas imagens eram marcadas pelas iniciais GP. Foram publicadas em revistas ilustradas como a Careta e a Revista da Semana e também em jornais, porém nem sempre sua autoria era identificada.

Gustavo Prugner foi o autor de um dos mais importantes conjuntos de fotografias sobre o conflito de 1924. Fotografou a destruição causada pelos bombardeios terrificantes realizados pelas tropas leais ao presidente da República, Artur Bernardes  (1875 – 1955), sobre São Paulo – única cidade brasileira já bombardeada por um ataque aéreo.

“As vítimas civis passaram de dois milheiros, quase todas estraçalhadas de modo horroroso por estilhaços de granada. O  número de prédios destruídos ou simplesmente estragados subiu aos milhares. Dia e noite os canhões legalistas despejavam metralha às tontas, sem o menor objetivo militar […]. Havia lá dentro 3 mil rebeldes disseminados no seio de uma massa de 800 mil civis. O mais rudimentar cálculo faria ver que, por força do bombardeiro às tontas, seria mister massacrar 270 civis para dar cabo de um revoltoso”

Monteiro Lobato (1882 – 1948), trecho de O bombardeio de São Paulo

 

 

As fotos de Prugner mostravam trincheiras improvisadas, prédios arruinados, ruas, fachadas de casas, animais mortos e incêndios. Os bairros mais atingidos foram Belenzinho, Brás, Cambuci, Centro, Ipiranga, Mooca e Vila Mariana. Os registros de Prugner, focados nos efeitos da revolta no cotidiano dos moradores dos bairros mais afetados pela guerra, tiveram grande sucesso comercial.

 

 

Faleceu, em 4 de dezembro de 1931, em São Paulo.  Seus filhos com Lina Hagemann (1889 – 1981), com quem foi casado, Edgar (1911 – 1984) e Mário (1912 – 1993), continuaram a editar cartões-postais até 1936, quando passaram a trabalhar em tempo integral na primeira fábrica de papel fotográfico da América Latina, a Fábrica Privilegiada de Papéis Fotográficos Wessel, criada, em 1921, e que utilizava tecnologia e patente próprias, cujo proprietário era o já mencionado pioneiro Conrado Wessel (1891 – 1993). Prugner foi casado com Lina Hagemann (1889 – 1981).

Acesse aqui a Cronologia de Gustavo Prugner (1884 – 1931).

 

Brevíssimo resumo da Revolta Paulista de 1924

 

A Revolta Paulista de 1924 foi motivada pelo descontentamento dos militares com a crise econômica e a concentração de poder nas mãos de políticos de Minas Gerais e de São Paulo. Os rebeldes, sob a liderança do general Isidoro Dias Lopes (1865 – 1949), pretendiam derrubar o governo de Artur Bernardes (1875 – 1955), instituir o voto secreto, fazer mudanças no ensino público e realizar reformas sociais. A rebelião eclodiu, em 5 de julho de 1924, justamente dois anos após a primeira revolta tenentista, a Revolta do Forte de Copacabana, ocorrida no Rio de Janeiro.

Os 23 dias da Revolta Paulista de 1924, que contou com a participação de vários tenentes, dentre eles Juarez Távora (1898 – 1975) e Eduardo Gomes (1896 – 1981), tiveram como saldo 503 mortos e cerca de 5 mil feridos. O número de desabrigados passou de 20 mil e, aproximadamente, dois mil edifícios foram destruídos. Os rebeldes, derrotados pelas tropas legalistas do governo federal, fugiram de São Paulo e foram para Santa Catarina e para o Paraná. Os tenentistas juntaram-se à Coluna Prestes, sob a liderança de Luís Carlos Prestes (1898 – 1990), e começaram a marcha que seguiu pelo interior do Brasil propondo reformas e atacando a República Velha.

 

 

Veja outras fotos da Revolta de 1924, em São Paulo, publicadas da página 15 a 22 da Revista da Semana de 9 de agosto de 1924 e da página 19 a 27 da Revista da Semana de 16 de agosto de 1924 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Esse artigo passou a integrar a série Conflitos, em 20 de março de 2026.

Fontes:

Blog da BBM

GERODETTI, João Emílio; CORNEJO, Carlos. Lembranças de São Paulo: a capital paulista nos cartões postais e nos álbuns de lembranças. São Paulo : Estúdios Flash Produções Gráficas, 1999.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Luzes e sobras da metrópole: um século de fotografia em São Paulo (1850 – 1950) in PORTA, Paula (org) História da Cidade de São Paulo: A cidade no Império. São Paulo : Paz e Terra, 2004.

LEMOS, Eric Danzil. Fotografia profissional, arquivo e circulação: a produção de Theodor Preising em São Paulo (1920 – 1940). Universidade de São Paulo, 2016.

LOBATO, Monteiro. O bombardeio de São Paulo. Obras Completas, vol. 6. São Paulo : Editora Brasiliense, 1946.

O Estado de São Paulo

Schiavinatto, Iara. Séries Fotográficas narram um evento: 1924/São Paulo. Revista Stadium, número 8, 2002.

Site Enciclopédia Itaú Cultural 

Site Family Search

Site IMS

Site Itú

WANDERLEY, Andrea C. T. Aspectos de Poços de Caldas impressos no papel fotográfico fabricado pelo pioneiro Conrado Wessel (1891 – 1993) in Brasiliana Fotográfica, 7 de abril de 2022

ZERWES, Erica. Suvenires da destruição: a Revolução de 1924 por Barros Lobo e Gustavo Prugner in Conflitos: fotografia e violência política no Brasil, 1889 -1964. Rio de Janeiro : Instituto Moreira Salles, 2017.