Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XIX – A Igrejinha de Copacabana

o 19º artigo da Série O Rio de Janeiro desaparecido, o tema é a bucólica e bela Igrejinha de Copacabana, que ficava no topo de um morro no Posto 6, e deu nome a uma das mais famosas praias do mundo. Foi desapropriada e demolida, entre 1918 e 1919. As fotografias são de autoria do alagoano Augusto Malta (1864 – 1957) e de um fotógrafo ainda não identificado, que retratou o promontório em que ficava a igreja e onde atualmente se encontra o Forte de Copacabana. Mais uma vez, lembramos do zoom, ferramenta oferecida pelo portal, que proporciona ao leitor uma possibilidade de se aproximar da imagem e explorá-la mais detalhadamente.

 

 

Acessando o link para as fotografias da Igrejinha de Copacabana disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Sabe-se que a Igrejinha de Copacabana já existia na primeira metade do século XVIII. Segundo Charles Julius Dunlop (1908–1987), escritor e entusiasta do Rio Antigo, em 1746:

“Regressava o bispo frei Antônio do Desterro de uma viagem a angola, quando, à entrada da baía, o nvaio que o conduzia, colhido por uma forte tempestade, foi impelido até fora da barra. No momento do perigo, vendo de longe a Igrejinha, em destroços, o bispo implorou o amparo de Nossa Senhora de Copacabana, prometendo restaurá-la se o mar enfurecido não o tragasse. Salvou-se e cumriu a promessa, reconstruindo o santuário.”

 

 

Na segunda metade do século XVIII, foi novamente restaurada e, no início do século XX, sua Missa do Galo era muito concorrida. Como já mencionado, a Igrejinha de Copacabana ficava no promontório onde hoje se encontra o Forte de Copacabana, cuja pedra fundamental foi lançada em 5 de janeiro de 1908, quando o presidente do Brasil era Afonso Pena (1847 – 1909) e o ministro da Guerra, o marechal Hermes da Fonseca (1855 – 1923), que já era o presidente da República na inauguração do Forte, em 28 de setembro de 1914 (Correio da Manhã, 6 de janeiro de 1908, terceira coluna; Correio da Manhã, 29 de setembro de 1914, quinta coluna) .

Cerca de quatro anos depois da inauguração do Forte, a Igrejinha de Copacabana foi adquirida pelo Ministério da Guerra, conforme publicado no Decreto nº 12.924, de 20 de março de 1918, que a identificou como igreja de Ipanema. 

 

Decreto nº 12.924, de 20 de março de 1918

 

Abre ao Ministerio da Guerra o credito especial de 80:000$, para a acquisição da igreja de Ipanema, perto do forte de Copacabana.

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil, usando da autorização contida na alinea IX do art. 52 da lei n. 3.454, de 6 de janeiro do corrente anno, resolve abrir ao Ministerio da Guerra o credito especial de 80:000$, para a acquisição da igreja de Ipanema, perto do forte de Copacabana.

Rio de Janeiro, 20 de março de 1918, 97º da Independencia e 30º da Republica.

WENCESLAU BRAZ P. GOMES.
José Caetano de Faria.

 

Foi publicado que o Ministério da Guerra pretendia destruir o pequeno templo e fazer construir em seus terrenos uma fortificação militar (O Paiz, 9 de julho de 1918, segunda coluna). A Igrejinha de Copacabana foi demolida entre 1918 e 1919. Segundo Dunlop, a imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi recolhida pela família Tefé e levada à sua residência em Corrêas, Petrópolis.

 

 

Algumas imagens e um texto sobre a Igrejinha de Copacabana publicadas na imprensa do início do século XX

 

 

Sobre a imagem abaixo, o pesquisador Agenor Araújo Filho informou à Brasiliana Fotográfica ser de autoria do fotógrafo francês André-Charles Armeilla (c. 1853 – 1913). Encontra-se reproduzida na página 43 do livro Armeilla: um mestre esquecido da paisagem carioca. Armeilla chegou ao Brasil em torno de 1903, após trabalhar por cerca de 10 anos em Montevidéu, no Uruguai. No Rio de Janeiro, vendia fotos para a imprensa e foram publicadas em revistas como a Kosmos e a Careta. Algumas fotos de sua autoria da Biblioteca Nacional, do Jardim Botânico e do Teatro Municipal foram publicadas, em 1912, sem crédito, no livro Brasilien, Ein Land Der Zukunft (Brasil, Um País do Futuro). Segundo Agenor, no dia 15 de maio de 1913, o fotógrafofoi encontrado morto por um policial na rua Bento Lisboa, no Catete. Foi sepultado como indigente no cemitério de São Francisco Xavier, tendo morrido de uma moléstia não determinada. *

 

 

 

 

 

Texto sobre a Igrejinha de Copacabana, de autoria de Alice Lassance (18? – 19?), segundo o qual a pompa solene das catedrais não é tão comovente nem tão enternecedora como a singela poesia dessa igreja de pescadores (O Copacabana, 4 de julho de  1909)

 

 

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O Copacabana, 1909

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

* Esse parágrafo foi acrescentado ao artigo em 2 de maio de 2023.

 

Fontes:

Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963.

Editora Rio Antigo

FAZENDA, José Vieira. A Igrejinha de Copacabana in Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1919.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

LAGO, Pedro Corrêa. Armeilla: um mestre esquecido da paisagem carioca. Rio de Janeiro : Capivara, 2020.

MOTA, Isabela; PAMPLONA, Patricia. Vestígios da paisagem carioca: 50 lugares desaparecidos do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro ; Mauad X, 2019.

Site Ministério da Defesa – Exército Brasileiro

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhosde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII - A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024

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