Um dos “furos” do jornal O GLOBO, que hoje completa 100 anos – uma fotografia do presidente Washington Luís, deposto, deixando o Palácio Guanabara rumo ao Forte de Copacabana

Para celebrar o centenário do jornal O GLOBO, que foi fundado há exatos 100 anos, em 29 de julho de 1925, por Irineu Marinho (1876-1925), que faleceu pouco depois, em 21 de agosto de 1925, a Brasiliana Fotográfica destaca uma fotografia pertencente à Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, uma das instituições parceiras do portal, do presidente deposto pela Revolução de 1930, Washington Luís (1869 – 1957), saindo do Palácio Guanabara, residência oficial do chefe de governo, rumo ao Forte Copacabana, onde ficou preso até seguir, exilado, para os Estados Unidos. Era o fim de seu mandato presidencial, iniciado em 15 de novembro de 1926, o último da chamada República Velha. O registro fotográfico foi realizado por Arnaldo Vieira (1904 – 1974) e o tiro de magnésio foi dado por Angelo Regato (1912 – 1993)*. O importante furo jornalístico foi publicado na capa da terceira edição de O GLOBO de 24 de outubro de 1930 e republicada no dia seguinte. De acordo com o jornal esta fotografia é O mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis É um documento único e cujo valor não será mais preciso exaltar. 

 

 

Foi de fato uma imagem única de um momento relevante da história do Brasil, um marco no fotojornalismo do país. O primogênito de Irineu Marinho, Roberto Marinho (1904 – 2003), que assumiria a direção do jornal, em 1931, atuava na ocasião como repórter de O GLOBO e teve uma participação decisiva neste furo de reportagem. Ele estava no palácio e viu o momento em que Washington Luís entrou no carro, um luxuoso Lincoln. Para tornar a fotografia possível, colocou arbustos no caminho, fazendo com que o carro tivesse que parar por alguns segundos, e assim o fotógrafo que o acompanhava conseguiu fazer o registro.

 

Rendido afinal á gloriosa realidade que o cercava, o Sr. Washington Luis retira-se do Palácio Guanabara! O presidente deposto saindo em companhia do cardeal Sebastião Leme foi conduzido ao Forte de Copacabana onde seencontra preso / O GLOBO, 24 de outubro de 1930

O título: Rendido afinal á gloriosa realidade que o cercava, o Sr. Washington Luis retira-se do Palácio Guanabara! O presidente deposto, saindo em companhia do cardeal Sebastião Leme, foi conduzido ao Forte de Copacabana onde se encontra preso. A legenda: O automóvel do Palacio Presidencial quando deixava o Guanabara, conduzindo o Sr. Washington Luís, que se vê de mão ao queixo, cabeça pendente, e tendo a sua direita S.E. o Cardeal D. Sebastião Leme  / O GLOBO, 24 de outubro de 1930

 

O Mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis / O GLOBO, 25 de outubro de 1930

O mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis / O GLOBO, 25 de outubro de 1930

 

A seguir, o texto publicado em O GLOBO, 25 de outubro de 1930, abaixo da fotografia:

Tivemos a rara felicidade de conseguir, hontem, o instantâneo photographico de um episódio central do movimento pacificador da família brasileira, tomada com grande senso jornalístico e especialmente para o GLOBO. Trata-se do mais precioso flagrante da retirada do Sr. Washington Luis do Palácio Guanabara, já apeado do poder e preso o ex-chefe do governo que, por uma questão de mórbida vaidade e de volúpia despótica atirou o paiz no perigo de uma guerra civil de consequências incalculáveis.

Mas o Exercito Brasileiro foi até onde a disciplina começava a confundir-se com a sua transformação em instrumento de uma defesa pessoal agressiva contra a Nação.  E a Nação logo lhe estendeu os braços na formidável explosão de enthusiasmo e desapego de hontem, ora correndo para as fileiras pacificadoras, ora tomando iniciativas de justiçamento summario, sem excessos de penalidades nem de outros prejuízos além dos que a sua sentença soberana limitava. Ao embate decisivo o autocrata caiu, vendo em torno o vácuo e a solidão porque a dignidade brasileira só o podia cercar das garantias e da indulgência humana que não lhe faltaram até no momento mais extremo.

E eil-o que hai vae vencido em sua megalomania, tão arrogantemente caracterizada até nas suas derradeiras e inúteis atitudes. 

E eil-o  hai vae, no automóvel, sob a guarda do Exercito, abrigado à sombra do manto misericordioso de S Eminência o cardeal Sebastião Leme, a face amparada à  mão esquerda, a fronte pendente como nunca o viramos, remoendo a raiva impotente do desmoronamento.

É um documento historico da mais expressiva eloquencia na sua mudez essa fotografia que o GLOBO estampou, com extraordinario exito, em sua 3ª edição de hontem, rapidamente exgotada, razão pela qual a reproduzimos hoje, á vista da insistência dos pedidos que recebemos neste sentido. É um documento único e cujo valor não será mais preciso exaltar. Contemple-o o povo e fique elle para sempre como advertência vehemente ao futuro da nacionalidade e à precariedade dos caprichos humanos”.

 

Washington Luís – deposição, exílio e morte

 

“A Revolução de 30 foi um movimento armado, iniciado em 3 de outubro de 1930, com o objetivo imediato de derrubar o governo Washington Luís e impedir a posse de Júlio Prestes, eleito presidente da República em 1º de março de 1930. O movimento tornou-se vitorioso em 24 de outubro e Getulio Vargas assumiu o cargo de presidente provisório no dia 3 de novembro. As mudanças políticas, sociais e econômicas que tiveram lugar na sociedade brasileira no pós-1930 fizeram com que esse movimento revolucionário fosse considerado o marco inicial da Segunda República no Brasil “.

(Equipe da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, 2023).

 

 

Em 24 de outubro de 1930, os generais Alfredo Malan d’Angrogne (1873 – 1932), Augusto Tasso Fragoso (1869 – 1945) e João de Deus Mena Barreto (1874-1933) entraram no Palácio Guanabara e foram para a sala onde se encontrava o presidente Washington Luís e a alta cúpula do governo. Washington Luís se recusava a sair e só, por volta das 17 horas, com a mediação do cardeal Sebastião Leme (1882 – 1942), consentiu em se retirar, na condição de prisioneiro, pois não havia renunciado. A junta governativa que assumiu o poder, composta pelos generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e pelo contra-almirante José Isaías de Noronha (1874 – 1966), determinou, sem êxito, que os revolucionários depusessem as armas. Entretanto, apesar de respeitarem a ordem de cessação dos combates, os destacamentos rebeldes continuaram avançando em direção ao Rio de Janeiro, forçando a junta a entregar o poder no dia 3 de novembro a Getúlio Vargas, chefe da revolução vitoriosa (Atlas Histórico do Brasil FGV).

 

 

A bordo do navio Alcântara, Washington Luís partiu do Brasil rumo à Europa, em 20 de novembro de 1930. O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Antônio Prado Junior (1880 – 1955), seguiu para a Europa no mesmo navio  (Correio da Manhã, 21 de novembro de 1930). Mais uma vez o O GLOBO conseguiu produzir um trabalho fotográfico classificado pelo próprio jornal como sensacional pelo seu valor e ineditismo. A equipe que fazia a cobertura do evento teve, inclusive, a máquina fotográfica confiscada por um capitão na Fortaleza de São João, mas algumas das chapas sensibilizadas já haviam sido escondidas e foram publicadas ainda no dia 20 de novembro.

 

O GLOBO, 20 de novembro de 1930

O GLOBO, 20 de novembro de 1930, primeira edição

 

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O GLOBO, 20 de novembro de 1930, primeira edição

 

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O GLOBO, 20 de novembro de 1930, segunda edição

 

O presidente deposto viveu na França, na Suíça, em Portugal e nos Estados Unidos. Em 18 de setembro de 1947, retornou ao Brasil, mas não à política (O Jornal, 19 de setembro de 1947O Cruzeiro, 20 de setembro de 1947).

 

 

Foi morar em São Paulo e dedicou-se a estudar História. Foi membro dos institutos Histórico e Geográfico da Bahia, do Ceará e de São Paulo, membro benemérito da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, presidente honorário da Cruz Vermelha Brasileira, integrante da Academia Paulista de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Faleceu em São Paulo, no dia 4 de agosto de 1957. Nasceu em Macaé, no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1869. Antes de ser presidente do Brasil, havia sido prefeito, governador e senador de São Paulo, de 1914 a 1919, de 1920 a 1924 e de 1925 a 1926, respectivamente.

 

 O GLOBO

 

 

Capa da primeira edição de O GLOBO, 29 de julho de 2025

Capa da primeira edição de O GLOBO, 29 de julho de 1925

 

Para escolher o nome do seu novo jornal, Irineu Marinho promoveu um concurso, cujo resultado foi anunciado em 20 de junho de 1925. Correio da Noite foi o nome mais votado, mas esse título já era patenteado. O segundo nome mais votado, O GLOBO, foi adotado. Como já mencionado, o jornal foi fundado em 29 de julho de 1925.

Após o falecimento de Irineu Marinho, em 21 de agosto de 1925, O GLOBO passou a ser dirigido pelo jornalista Eurycles de Matos (1894-1931), amigo de confiança do fundador. Roberto Marinho era, na época, secretário particular de seu pai e repórter do jornal. Somente assumiu a direção de O GLOBO, em 8 de maio de 1931, três dias após a morte de Eurycles. Ele exerceu o cargo até sua morte, em agosto de 2003.

 

 

 

 

 

*A informação da autoria da foto e do tiro de magnésio consta no Boletim da ABI, outubro de 1974 e no Boletim da ABI, março e abril de 1975, página 7, penúltima coluna. Foi acrescentada neste artigo em 4 de abril de 2026.

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Acervo Digital de O GLOBO

Arquivo Nacional – Centro de Referência de Acervos Presidenciais

Atlas Histórico do Brasil FGV

Fernandes, Letícia. Era Vargas: Um jovem repórter consegue a foto histórica in O GLOBO, 28 de junho de 2015.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

EQUIPE DA ESCOLA DE CIÊNCIAS SOCIAIS FGV CPDOC. Novos acervos: Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, in Brasiliana Fotográfica, 25  de junho de 2023.

Site FGV CPDOC

Site Memória O GLOBO

A Brasiliana Fotográfica presente na capa da edição comemorativa do centenário do jornal O GLOBO

Reproduzimos o artigo publicado no domingo, 27 de julho de 2025, com chamada na capa, na edição comemorativa dos 100 anos do jornal O GLOBO*, completados dois dias depois, em 29 de julho. Foi escrito pelo jornalista Ruan de Sousa Gabriel a partir de conversas que ele teve comigo, Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica. A matéria traz 10 registros produzidos em 1925, ano de fundação de O GLOBO. Dentre diversas fotografias, Ruan escolheu três de autoria desconhecida, quatro de Augusto Malta (1864 – 1957), uma de Carlos Bippus (? -19?) e uma de Guilherme Santos (1871 – 1966); todas do acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal. A foto do cientista Albert de Einstein (1879 – 1955) com um grupo é de autoria de J. Pinto (1884 – 1951) e pertence à Fiocruz, uma de nossas instituições parceiras. Aproveitem um belo passeio pelo Rio de Janeiro de 1925! Não esqueçam de usar o zoom e boa viagem ao passado!

 

Veja imagens do Rio de 1925 garimpadas do acervo da Brasiliana Fotográfica

Nos cem anos do GLOBO, ensaio visual apresenta trabalhos de pioneiros da fotografia brasileira, como Augusto Malta, Guilherme Santos, J. Pinto e Carlos Bippus, no ano em que o jornal foi fundado

Por

Ruan de Sousa Gabriel

 — São Paulo

O Rio de Janeiro que viu a primeira edição do GLOBO chegar às bancas em 29 de julho de 1925 era uma jovem metrópole a avançar rapidamente pela trilha da modernidade. Subiam prédios que imitavam a arquitetura parisiense e tentavam (em vão) competir com a exuberância da natureza. Ainda circulavam poucos automóveis pelas ruas, e os cariocas se vestiam com trajes que hoje parecem inapropriados para o calor (não só) do verão. É isso que nos contam as fotos deste ensaio visual, todas datadas do ano de nascimento do GLOBO e garimpadas do acervo da Brasiliana Fotográfica, projeto que, desde 2015, dedica-se a promover os acervos de instituições como o Instituto Moreira Salles e a Biblioteca Nacional.

O ensaio foi confeccionado a partir de indicações de Andrea Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica. Das dez imagens aqui publicadas, nove vieram do acervo do IMS — a única exceção é a foto da visita do físico alemão Albert Einstein ao Instituto Oswaldo Cruz, registada pelo fotógrafo J. Pinto (1884-1951). Na pandemia, a foto viralizou nas redes sociais com informações erradas: disseram que o cenário era o Instituto Butantã, em São Paulo, e incluíram o cientista Oswaldo Cruz (que morrera oito anos antes do clique) na comitiva. A imagem foi cedida ao GLOBO pela Fiocruz.

— O Rio que se vê nessas fotos é o Rio moderno, dos “loucos anos 20”, muito bem descrito no livro do Ruy Castro “Metrópole à beira-mar” — contextualiza Andrea. — Não é o Rio das reformas urbanas do começo do século XX, da gestão do prefeito Pereira Passos, mas é uma cidade que se modernizava.

Pioneirismo

As transformações desse período foram registradas por um time de fotógrafos pioneiros. Entre eles, destaca-se Augusto Malta (1864-1957), autor de quatro das dez magens deste ensaio. Em 1903, o alagoano foi contratado como fotógrafo oficial da Diretoria Geral de Obras e Viação da Prefeitura com a missão de fotografar todas as ruas que teriam seu traçado modificado pelas reformas de Pereira Passos (de quem ele ficou amigo, diga-se). Malta se manteve no emprego por mais de três décadas e fotografou desde grandes eventos, como a inauguração do Cristo Redentor, em 1931, até o dia a dia da cidade: as ruas do Centro, o cais do porto, o mar insistindo em invadir o asfalto…

Contemporâneo de Malta, o baiano J. Pinto (cujo nome completo era Joaquim Pinto da Silva) documentou não só as mudanças na paisagem urbana, mas também o trabalho científico realizado no Instituto Oswaldo Cruz, onde trabalhava.

Carlos Bippus (não se tem certeza sobre suas datas de nascimento e morte) é autor de diversas fotografias que se tornaram cartões-postais da cidade e ilustravam álbuns que eram vendidos a turistas (sua belíssima imagem do luar sob o Cais do Mangue confirma seu talento como fotógrafo paisagista).

Já Guilherme Santos foi um amador e entusiasta da estereoscopia, técnica que consistia em apresentar duas imagens ligeiramente diferentes lado a lado para criar a ilusão de profundidade e dar um caráter “lúdico” à fotografia, diz Andrea Wanderley. Santos recorreu a essa técnica para registrar um desastre automobilístico na Praia de Botafogo — uma metáfora certeira dos perigos da modernidade que seduzia os cariocas de 1925.

 

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Como apareceu no jornal:

 

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Capa de O GLOBO, 27 de julho de 2025

 

 

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Na capa, destaque para o artigo com fotos do acervo da Brasiliana Fotográfica / O GLOBO, 27 de julho de 2025

 

 

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O artigo, Cenário de páginas da história, publicado no Segundo Caderno / O GLOBO,  27 de julho de 2025

 

*Em 14 de abril de 2026, esta edição de O GLOBO foi reconhecida pelo Livro dos Recordes, na categoria “Jornal Comercializado com o maior número de páginas em uma edição única non mundo”. O projeto editorial teve uma escala inédita: ao todo, foram 526 páginas, organizadas em 14 cadernos especiais produzidos pela Redação, além da revista ELA. “Mais do que grandiosa em tamanho, essa edição foi ousada ao reforçar o papel do impresso como uma plataforma premium, de alto impacto, relevante mesmo na era digital e reconhecida por leitores, anunciantes e todo o mercado”.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

O Templo da Humanidade, sede da Igreja Positivista do Brasil

Com uma imagem produzida pelo alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), pertencente ao acervo fotográfico da Fundação Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, o portal conta um pouco da história do Templo da Humanidade, sede da Igreja Positivista do Brasil. Foi o primeiro templo positivista edificado no mundo conforme indicações e regras estabelecidas pelo francês Auguste Comte (1798-1857), fundador do Positivismo. O prédio, cuja decoração foi realizada por artistas como Décio Villares (1851 – 1931) e Eduardo de Sá (1866 – 1940), é tombado.

 

 

Seus acervos formados por livros, documentos e obras de arte e que contam mais de um século de história brasileira, também são tombados e retratam a força do ideário e da iconografia positivistas na formação da nação republicana brasileira. Parte deles recebeu o selo Memória do Mundo da UNESCO, durante uma cerimônia realizada no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, em 10 de dezembro de 2015.

 

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Inaugurado em 1º de janeiro de 1897, na Rua Benjamin Constant, nº 74, na Glória, bairro do Rio de Janeiro, a construção do Templo da Humanidade, realizada entre 1891 e 1896, foi dirigida pelo arquiteto e engenheiro cearense Trajano Saboya Viriato de Medeiros (1865 – 1940), graduado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1886. Foi também responsável pela construção do prédio da Casa Colombo. Casou-se, em 1894, com Olympia Carvalho de Oliveira, sobrinha do filósofo Miguel Lemos (1854 – 1917), fundador da Igreja Positivista no Brasil, que o indicou para ser o responsável pela obra do templo. Na fachada, uma frase remete ao lema Ordem e Progresso da bandeira nacional : O amor por princípio e a ordem por base, o progresso por fim.

 

 

O Positivismo é um método científico, político e sociológico, inspirado no Iluminismo francês, que afirmou a necessidade da ordem e do rigor sociais e políticos para o progresso. Disciplina, rigor e ordem seriam, segundo a doutrina, essenciais para o crescimento moral e social. Os princípios do Positivismo inspiraram a Proclamação da República no Brasil.

“O movimento positivista teve uma atuação importante na vida política brasileira. Desde o final do século 19 os membros da Igreja Positivista do Brasil interferiram assiduamente no debate público clamando pela instauração do regime republicano e pelo fim da escravatura. Após a Proclamação da República a influência do positivismo tornou-se mais direta incidindo em decisões políticas tomadas pelo Governo Provisório e ao longo da República Velha”.

Site Templo da Humanidade

 

 

Miguel Lemos, Raimundo Teixeira Mendes (1855 – 1927) e Benjamin Constant (1836 – 1891) fundaram, em 1876, a Sociedade Positivista Brasileira, de caráter acadêmico e a primeira do Brasil. Miguel Lemos e Teixeira Mendes viajaram juntos para Paris, em 1877, em busca de conhecimentos sobre a doutrina positivista. A religião positivista foi trazida para o Brasil por eles, que trabalharam ativamente na divulgação da “Religião da Humanidade”. Em 1881, Miguel Lemos fundou oficialmente a Igreja Positivista do Brasil, no Rio de Janeiro, da qual tornou-se diretor. Teixeira Mendes era o vice-diretor.

 

 

 

 

Em 1905, Mendes assumiu a liderança da Igreja Positivista do Brasil e a ocupou até sua morte, em 28 de junho de 1927.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Figueiredo, Daniel Caetano de. A família Saboia, junho de 2005.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Revista do Instituto do Ceará

SANTOS, Ricardo Augusto. O funeral de Teixeira Mendes pela lente de Augusto Malta in Brasiliana Fotográfica, 2 de agosto de 2019.

Site CPDOC

Site Inepac

Site Senado

Site Templo da Humanidade

VIANNA, Carlos Negreiros. Trajano de Medeiros: um dos maiores empresários brasileiros de seu tempo, um desconhecido no Ceará até hoje. Revista do Instituto do Ceará, 2015.

 

 

A princesa Leopoldina do Brasil (1847 – 1871)

Com oito fotografias do acervo fotográfico da Biblioteca Nacional e uma do Instituto Moreira Salles, as instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, o portal destaca registros da princesa Leopoldina (1847 – 1871). As duas imagens em que ela está sozinha não têm data precisa e são de autoria de fotógrafos ainda não identificados. As duas em que está com sua irmã, a princesa Isabel  (1846 – 1921), e as três da visita da família real à quinta de Mariano Procópio Lage são de autoria do francês Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886). A do Palácio Leopoldina foi produzida por Klumb com Paul Théodore Robin (18? – 1897). O registro do mausoléu à serenissima Princeza do Brazil e Duqueza de Saxe a Senhora D. Leopoldina de Coburgo e Gotha, produzido no Recife, provavelmente em 1871, é de autoria do fotógrafo pernambucano João Ferreira Villela (18?-?).

Klumb foi um dos primeiros fotógrafos estrangeiros a se estabelecer no Brasil e foi o fotógrafo preferido da família imperial brasileira, tendo sido agraciado com o título de “Fotógrafo da Casa Imperial”, em 1861. Um dos pioneiros na produção comercial de imagens sobre papel fotográfico e uso de negativo de vidro em colódio no Brasil, inaugurou seu estabelecimento fotográfico em 1855 ( Correio Mercantil , de 4 de novembro de 1855, na última coluna). Foi professor de fotografia da princesa Isabel e, provavelmente, o introdutor da técnica estereoscópica no Brasil, com a qual entre os anos de 1855 e 1862 produziu ampla documentação sobre o Rio de Janeiro.

Contemporâneo no Recife dos estrangeiros Augusto Stahl (1828 – 1877) e Alberto Henschel (1827 – 1882), João Ferreira Villela (18? – ?) é considerado, até hoje, um dos primeiros fotógrafos pernambucanos. Sua biografia é ainda bastante desconhecida. Iniciou sua vida profissional como taquígrafo mas foi como retratista e paisagista que se notabilizou. Seu primeiro ateliê, aonde permaneceu de 1855 a 1858, ficava no Aterro da Boa Vista nº 4, mesmo endereço onde anteriormente trabalharam os fotógrafos norte-americanos Charles DeForest Fredricks (1823 – 1894), em 1851 e, em 1854, Augustin Lettarte (18? – ?) e o português Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912). Desse último, Villela afirmava ser o único discípulo. Sempre demonstrou interesse em ter máquinas modernas para a realização dos trabalhos de seu estabelecimento e prometia, como resultado, a perfeição.

 

 

A princesa Leopoldina, a segunda filha de dom Pedro II (1825 – 1891) e dona Teresa Cristina (1822 – 1889), nasceu em 13 de julho de 1847. Sua irmã, a princesa Isabel, havia nascido cerca de um ano antes, em 29 de julho de 1946 (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de julho de 1846, sob o título “Parte official”Diário do Rio de Janeiro, de 14 de julho de 1847, sob o título “O Diário”). Os irmãos das princesas, os príncipes imperiais Afonso Pedro de Bragança (1845 – 1847) e Pedro Afonso de Bragança (1848 – 1850) faleceram precocemente.

 

 

Acessando o link para as fotografias da princesa Leopoldina do Brasil disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

 

Entre as duas irmãs aconteceu uma bem sucedida troca de noivos! Gastão de Orleáns (1842 – 1922), o Conde d’Eu, e seu primo, o duque Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota (1845 – 1907) desembarcaram no Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1864 e hospedaram-se no paço da cidade (Diário do Rio de Janeiro, 3 de setembro de 1864, terceira coluna). No Palácio de São Cristóvão, residência da família imperial brasileira conheceram as princesas Isabel e Leopoldina. Os casais previamente idealizados seriam formados por dom Gastão e a princesa Leopoldina, e pelo duque de Saxe e a princesa Isabel. Mas, após alguns dias, devido a afinidades, os casais se rearranjaram. Isabel e Gastão casaram-se em 15 de outubro de 1864, na Capela Imperial, no Rio de Janeiro (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864). Dois meses depois, em 15 de dezembro, foi realizado o casamento da princesa Leopoldina com o duque de Saxe, também na Capela Imperial (Diário do Rio de Janeiro, de 16 de dezembro de 1864). Na ocasião o duque de Saxe recebeu a grã-cruz de todas as ordens do Império. Leopoldina deixou de ser uma princesa brasileira, tornando-se duquesa de Saxe.

 

 

O casal seguiu, após a cerimônia, para o Palácio Imperial de Petrópolis. Foram, posteriormente, morar em um palacete adquirido em junho de 1865 e batizado como Palácio Leopoldina, vizinho ao Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, onde residia dom Pedro II.

 

 

Passaram a viver entre o Brasil e a Europa, sempre retornando à terra natal para o nascimento de seus filhos Pedro Augusto (1866 – 1934), Augusto Leopoldo (1867 – 1922) e José Fernando (1869 – 1888). O caçula, Luis Gastão (1870 – 1942), nasceu na Áustria.

 

 

 

 

Leopoldina faleceu, com apenas 23 anos, no Palácio Coburg, em Viena, na Áustria, em 7 de fevereiro de 1871, provavelmente de febre tifóide (Diário de Notícias, 7 de março de 1871, primeira coluna).

 

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Aventuras na História

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

WANDERLEY, Andrea C.T.  A imperatriz Teresa Cristina Maria, a mãe dos brasileiros (Itália, 14/03/1822 – Portugal, 28/12/1889) in Brasiliana Fotográfica, 27 de dezembro de 2016

WANDERLEY, Andrea C.T. Dom Pedro II ( RJ, 2/12/1825 – Paris, 5/12/1891), um entusiasta da fotografia in Brasiliana Fotográfica, 2 de dezembro de 2016

WANDERLEY, Andrea C.T. Princesa Isabel (RJ, 29 de julho de 1846 – Eu,14 de novembro de 1921) in Brasiliana Fotográfica, 21 de julho de 2015

WANDERLEY, Andrea C.T. Série “1922 – Hoje, há 100 anos” VII – A morte de Gastão de Orleáns, o conde d´Eu (Neuilly-sur-Seine, 28/04/1842 – Oceano Atlântico 28/08/1922) in Brasiliana Fotográfica, 28 de agosto de 2022

 

Arthur Azevedo (1855 – 1908), entusiasta e incentivador do teatro brasileiro

Há 170 nos, em 7 de julho de 1855, nascia o teatrólogo, comediógrafo, jornalista, contista e poeta maranhense Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo, o Arthur Azevedo. Generoso e muito ativo, foi um importante intelectual da cena artístico-cultural brasileira na virada do século XIX para XX. Figura muito querida e admirada no Rio de Janeiro, onde passou a viver nos anos 1870, foi o autor de mais de 70 peças teatrais e seu trabalho foi um dos principais pontos de partida da dramaturgia nacional, da qual era grande entusiasta. Destacamos neste artigo registros de Arthur Azevedo produzidos por fotógrafos ainda não identificados e por Luis Musso (18? – 19?) – todas do acervo fotográfico da Fundação Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica.

 

Acessando o link para as fotografias de Arthur Azevedo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

 

Sua primeira peça encenada em um teatro público foi  Amor por Anexins, uma comédia em um ato, que escreveu, em 1870, com apenas 15 anos (Diário de Pernambuco, 18 de fevereiro de 1875, segunda coluna). Incentivou a encenação de obras brasileiras e consolidou a comédia de costumes, tendo sido no Brasil o principal autor do teatro de revista em sua primeira fase. De sua obra, destacaram-se A almanjarra (1888)A Capital Federal (1897), A filha de Maria Angu (1875)O Dote (1907), O Mambembe (1904), O Tribofe (1891) Véspera de Reis (1876). O cotidiano da vida, os usos e costumes dos habitantes da então capital federal, o Rio de Janeiro, foram a matéria-prima de suas peças e contos. Entre 1876 e 1908, também atuou como tradutor e adaptou dramas, comédias e operetas.

 

 

Nasceu em São Luís, no Maranhão, em 7 de julho de 1855, filho do vice-cônsul português Davi Gonçalves de Azevedo (1816 – 1878) e de Emília Amália Pinto Guimarães (1818 – 1888), também portuguesa. Sua mãe havia sido casada com o comerciante Antônio Joaquim Branco, de quem se separou com pouco mais de um ano de casamento. Com Davi, teve quatro filhos além de Arthur: o escritor Aluísio de Azevedo (1857 – 1913), Emília (1860 -?), Camila Amália (1858 -?) e o teatrólogo Américo Garibaldi (1863 – 1900).

 

 

Quando faleceu, em 1908, era casado com a artista gravadora Carolina Adelaide Leconflé (18? – 1936) com que teve quatro filhos: Arthur (c. 1886 – 19?), Rodolfo (c. 1898 – 19?), Américo (c. 1902 – 19?) e Aluísio (c. 1904 – 19?). Eram seus enteados Luiz, José, Fernando e Lucinda Cordeiro. Havia sido casado anteriormente com Carlota de Morais (18? -?) (O Paiz, 23 de outubro de 1908, segunda coluna; Diário Carioca, 18 de novembro de 1936, quarta coluna).

 

 

Ainda em São Luiz, adolescente, publicou, em 1871, seu primeiro livro de poemas, Carapuças, trabalhou no comércio e fundou o jornal O Domingo. Depois foi trabalhar na administração provincial, da qual foi demitido devido a publicações de sátiras contra autoridades governamentais. Concorreu e foi classificado para uma vaga de amanuense da Fazenda. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, em 1873. Inicialmente, trabalhou como professor de Português no Colégio Pinheiro e escreveu para o jornal A Reforma. Em 1875, obteve um emprego na Secretaria da Agricultura.

Era abolicionista e defendia a causa em seus artigos e em suas peças, dentre elas A Família Salazar, escrita com o acadêmico baiano Urbano Duarte de Oliveira (1855 – 1902), que foi proibida pela censura imperial. Foi, posteriormente, publicada com o título O Escravocrata (1884).

Uma peça traduzida por ele, a comédia Escola de Maridos (1661), do célebre dramaturgo francês Molière (1622 – 1673), foi uma das atrações da noite de 15 de julho de 1889, no Theatro Sant´Anna, no Rio de Janeiro, quando Dom Pedro II (1825 – 1891) foi alvo de um atentado na saída do teatro (Cidade do Rio, 16 de julho de 1889). Em um dos intervalos, Arthur foi chamado ao camarote do imperador, que felicitou seu trabalho e manifestou o desejo de possuir uma cópia de sua excelente tradução (Gazeta de Notícias, 16 de julho de 1889, quarta coluna).

Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em 20 de julho de 1897.  Ocupou a cadeira nº 29, que tem como patrono o diplomata e dramaturgo carioca Martins Pena (1819 – 1848), considerado o Molière brasileiro.

 

 

 

Fundou as seguintes revistas: em 1879, com Lopes Cardoso (18? – ?), a Revista do Teatro; Gazetinha, com Antônio Vicente da  Fontoura Xavier (1856 – 1922) e Anibal Falcão (1859 – 1900), em 1880; em 1893, O Álbum, com Francisco de Paula Ney (1858-1897)e A Vida Moderna, em 1886, com Luiz Murat (1861 – 1929) e outros. Colaborou em A Estação, ao lado de Machado de Assis (1839 – 1908), seu companheiro na Secretaria da Viação; e no jornal Novidades, onde seus companheiros eram Alcindo Guanabara (1865 – 1918), Coelho Neto (1864 – 1934), Francisco Moreira Sampaio (1851 – 1901) e Olavo Bilac (1865 – 1918).

Teve colunas em diversos jornais, dentre elas “A Palestra”, em O Paiz; “De Palanque”, no Diário de Notícias; e o folhetim “O Teatro”, em A Notícia, tendo escrito milhares de artigos sobre eventos artísticos, com ênfase no teatro. Escreveu também em O Século, em O Mequetrefe, na Kosmos e no Correio de Manhã. Usou diversos pseudônimos, dentre eles Batista, o trocista; CosimoDorante, Elói, o herói; FrivolinoGavroche, JuvenalPetrônio.

Em 1889, reuniu alguns de seus contos no livro Contos possíveis, dedicado a Machado de Assis. Posteriormente, publicou outros livros, dentre eles Contos fora de moda (1894), Contos efêmeros (1897) e Contos em versos (1898).

Em 1908, por ocasião da Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, no Rio de Janeiro, inaugurada, em 11 de agosto de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, o então Teatro Constitucional ergueu, no local do evento, um pavilhão temporário para apresentar peças e concertos para o público. Vários espetáculos de Arthur Azevedo foram montados nesse espaço confortável, batizado de Teatro João Caetano, organizado em platéia, galeria e camarotes. O teatro tinha  870m2 e sua decoração interna, em tons de verde e ouro, foi idealizada por Raul Pederneiras (1874 – 1953).

 

 

Foi um dos maiores entusiastas da construção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, mas faleceu nove meses antes de sua inauguração, ocorrida em 14 de julho de 1909. Em 1904, foi aberta uma concorrência pública, durante a gestão do prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), para a escolha do projeto arquitetônico do futuro teatro (Gazeta de Notícias, 20 de março de 1904, na quarta coluna e na última coluna). Em 20 de setembro de 1904, Arthur integrou a subcomissão formada pelo diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil, José de Andrade Pinto, pelo arquiteto Adolfo Morales de los Rios (1858 – 1928), pelo escultor Rodolfo Bernardelli (1852 – 1931) e pelo industrial Carlos Hargreaves que se reuniu para estudar os projetos apresentados (Gazeta de Notícias, 21 de setembro de 1904, na quinta coluna). Finalmente, a comissão encarregada para a escolha do melhor projeto decidiu pelo empate entre os projetos Áquila e Isadora (Gazeta de Notícias, 22 de setembro de 1904, sétima coluna). O autor do primeiro foi o engenheiro Francisco de Oliveira Passos (1878 – 1958), filho do prefeito, e, o do segundo, o arquiteto francês Albert Guilbert (1866 – 1949), vice-presidente da Associação dos Arquitetos Franceses. Sua peça, O Mambembe”, foi um dos espetáculos apresentados dentro das comemorações dos 50 anos do Teatro Municipal, em 1959. Foi encenado pelo Teatro dos Sete e uma das atrizes foi Fernanda Montenegro (1929-) (O Cruzeiro, 19 de dezembro 1959).

 

 

Pouco antes de falecer, foi nomeado Diretor da Contabilidade Geral do Ministério da Viação e Obras Públicas (Fon-Fon, 17 de outubro de 1908; Relatório do Ministério da Viação e Obras Públicas (1910 a 1927)). Faleceu em 21 de outubro de 1908 (O Paiz, 22 de outubro de 1908; O Século, 22 de outubro de 1908).

 

 

 

 

 

 

 

Alguns teatros do Brasil foram batizados com o nome de Arthur Azevedo. Em São Luís, um dos teatros mais antigos do Brasil, inaugurado, em 1º de junho de 1817, muito antes de seu nascimento, teve seu nome trocado para Teatro Arthur Azevedo, nos anos 1920 (Governo do Maranhão). Em São Paulo, foi criado o Teatro Arthur Azevedo, em 2 de agosto de 1952 (Secretaria Municipal de São Paulo de Economia e Cultura Criativa, 2 de agosto de 2022). Em agosto de 1956, foi inaugurado o Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande, no Rio de Janeiro, pelo embaixador Francisco Negrão de Lima, então prefeito do Distrito Federal, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek (Correio da Manhã, 7 de julho de 1956, sexta coluna).

 

 

 

 

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BARROS, Maria Pia Fontes Lins de; WANDERLEY, Andrea C. T. Agenda do Centro de Documentação da TV Globo

Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos

COUTINHO, Afrânio; SOUSA, José Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional; Academia Brasileira de Letras, 2001.

Depoimento de Emília Amália Pinto Magalhães a Dunshee de Abranches, biógrafo de Arthur Azevedo

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MAGALDE, Sábato. Panorama do Teatro Brasileiro. São Paulo: Global, 1997.

MAGALHÃES JUNIOR, Raimundo. Arthur Azevedo e sua época. São Paulo : Martins, 1955.

MERCARELLI, Fernando Antonio. Cena aberta: a absolvição de um bilontra e o teatro de revista de Arthur Azevedo. Campinas : Editora da Unicamp, 1999.

PEREIRA, Margareth da Silva. A exposição de 1908 ou o Brasil visto por dentro.

Portal MultiRio

Siciliano, Tatiana. O guerreiro do Theatro Municipal in Open Editions Books

Site Academia Brasileira de Letras

Site Enciclopédia Itaú Cultural

WANDERLEY, Andrea C. T. Academia Brasileira de Letras in Brasiliana Fotográfica, 20 de julho de 2022.

WANDERLEY, Andrea C. T. Após encantar-se com Molière e Giulietta Dionesi, o imperador Pedro II sofre um atentado in Brasiliana Fotográfica, 15 de julho de 2020.

WANDERLEY, Andrea C. T. Série “Teatros e cinemas do Brasil” III – A inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro in Brasiliana Fotográfica, 14 de julho de 2017.

 

Série “Os arquitetos do Rio de Janeiro” VIII – O prédio do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal; o Museu Nacional de Belas Artes e o arquiteto Adolfo Morales de los Rios (1858 – 1928)

Com fotografias produzidas por Augusto Malta (1864 – 1957)Jorge Kfuri (1893 – 1965), Luiz Musso (18? – 19?), Marc Ferrez (1843 – 1923), pela Papelaria e Typographia Botelho e por fotógrafos ainda não identificados, a Brasiliana Fotográfica publica o oitavo artigo da série Os arquitetos do Brasil, sobre o antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal; e sobre o Museu Nacional de Belas Artes. Também conta um pouco da história de seu arquiteto, o espanhol Adolfo Morales de los Rios y Garcia de Pimentel  (1858 – 1928). Dos 17 prédios projetados por ele para a Avenida Central, no início do século XX, esses, que são os temas desse artigo, são os únicos que não foram demolidos. Além de arquiteto, Morales de los Rios foi urbanista, professor e historiador. Desempenhou um importante papel na modernização arquitetônica do Brasil em fins do século XIX e primeiras décadas do XX.

 

Edifício do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal

 

 

A construção do edifício do Supremo Tribunal Federal (STF) foi iniciada, em 1905, e estava integrada ao projeto de reurbanização do Rio de Janeiro, então a capital federal. A princípio, o prédio abrigaria a Mitra Arquiepiscopal, mas foi adquirido pelo governo federal para abrigar o STF, instalado em 3 de abril de 1909 (Brazilian Review, 21 de novembro de 1905, segunda colunaGazeta de Notícias, 2 de abril de 1909, terceira coluna). O edifício é um dos mais importantes testemunhos da arquitetura eclética do Brasil.

 

 

O prédio abrigou o STF até 1960, quando o tribunal foi transferido para Brasília, a nova capital do Brasil. Desde então, o edifício sediou o Superior Tribunal Eleitoral, o Tribunal de Alçada e varas da Justiça Federal de 1ª Instância. Após obras de restauração que duraram cerca de sete anos, o prédio foi aberto ao público, em 4 de abril de 2001, como Centro Cultural da Justiça Federal. Foi inaugurado com a exposição permanente Justiça e Cidadania e com a mostra temporária sobre a obra do importante fotógrafo cearense Chico Albuquerque (1917 – 2000), pioneiro da publicidade brasileira na década de 1940. Havia também uma exposição mostrando o prédio antes e depois da restauração (Jornal do Brasil, 4 de abril de 2001, primeira coluna).

 

Acesse aqui o link para as fotografias do antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal disponíveis na Brasiliana Fotográfica

 

Edifício do Museu Nacional de Belas Artes

 

 

Em 1908, a sede da Academia Nacional de Belas Artes foi transferida para um edifício também na Avenida Central e também projetado por Adolfo Morales de los Rios. Acredita-se que o desenho original de Morales de los Rios tenha sido modificado pelo escultor Rodolfo Bernadelli (1852 – 1931), que era diretor da escola. De acordo com o “afrancesamento” da Avenida Central, a fachada principal do prédio baseou-se em uma das alas do Museu do Louvre, projetada pelo arquiteto francês Hector-Martin Lefuel (1810 – 1880), que trabalhava para Napoleão III (1808 – 1873). Apresenta medalhões pintados por Henrique Bernardelli (1857 – 1936) retratando integrantes da Missão Francesa e outros artistas brasileiros, além de frontões, colunatas e relevos em terracota representando as grandes civilizações da antiguidade. As fachadas laterais são inspiradas no renascimento italiano e trazem mosaicos realizados pelo francês Félix Gaudin (1851 – 1930), com retratos de artistas famosos.

Em 1931, a Escola Nacional de Belas Artes foi incorporada à Universidade do Rio de Janeiro, futura Universidade do Brasil, e, a partir de 1937, dividiu o prédio com o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), criado em 13 de janeiro de 1937 por iniciativa de Gustavo Capanema (1900 – 1985), ministro da Educação do governo de Getúlio Vargas (1882 – 1954), e inaugurado em 19 de agosto de 1938. O MNBA possui o maior acervo de obras de arte do século XIX no Brasil, sendo um dos mais importantes museus de arte do país. O edifício foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 24 de maio de 1973. Está fechado ao público desde 2020 e passa por uma reforma. Sua reabertura está prevista para fins de 2025. A atual Escola de Belas Artes foi, entre 1974 e 1975, transferida para o prédio Jorge Machado Moreira projetado para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), no campus do Fundão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

Acesse aqui o link para as fotografias do Museu Nacional de Belas Artes disponíveis na Brasiliana Fotográfica

 

 

Brevíssimo perfil do arquiteto Adolfo Morales de los Rios (1858 – 1928)

 

 

O arquiteto, urbanista, historiador e professor espanhol Adolfo Morales de los Rios y Garcia de Pimentel nasceu em Sevilha, em 10 de março de 1858, filho do capitão-general da Extremadura, de Granada e da Galícia, Adolfo Morales de los Rios e de Salud Pimentel y Garcia de Ambues. Trabalhou, inicialmente, na França, onde conheceu o arquiteto Viollet-le-Duc (1814 – 1879), um dos precursores da arquitetura moderna. Cursou arquitetura na Escola de Belas Artes de Paris, entre 1877 e 1882. Retornou à Espanha onde foi o responsável pelos projetos do Cassino de San Sebastián, do Gran Teatro de Cadiz e do Banco da Espanha, em Madri. Em 1889, aceitou o convite para fundar uma escola de arquitetura no Chile. Passou pelo Brasil para onde retornou, em 1890, devido a problemas políticos que impediram seu estabelecimento no Chile. Veio a convite do arquiteto belga mr. de Mot, encarregado da urbanização de Teresópolis (Correio da Manhã, 4 de setembro de 1928, quinta coluna).

 

“Fui e continuo a ser um bom brasileiro, sem deixar de ser um bom espanhol”.

Adolfo Morales de los Rios y Garcia de Pimentel

 

No Brasil, participou de obras de saneamento, de construção de estradas, tendo sido presidente e diretor da Companhia Auto-Viação Centro de Minas. Em 1897, passou a lecionar na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Em 1901, Morales de los Rios lançou a ideia de fazer uma ponte em estrutura metálica para ligar o Rio a Niterói, mas o projeto não saiu do papel.

Na primeira década do século XX, participou da construção da Avenida Central, cuja abertura foi uma das principais marcas da reforma urbana que ficou conhecida como o bota-abaixo, realizada, entre 1902 e 1906, pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos (1836 – 1913). Essas transformações foram definidas por Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), autor da seção “Binóculo”, da Gazeta de Notícias, com a máxima “O Rio civiliza-se”, que se tornou o slogan da reforma urbana carioca. Essa intervenção urbana tornou o Rio uma cidade cosmopolita, moderna. Dos mais de 80 prédios da Avenida Central, 17 saíram da prancheta de Morales de los Rios – hoje de seus projetos para a avenida só restaram os prédios que são os tema deste artigo.

 

 

Morales de los Rios era também interessado em antropologia e tentou compreender ritos de feitiçaria, mitologia e história, e métodos construtivos dos “povos primitivos”, e entre estes estavam os índios brasileiros, que ocuparam um espaço especial em seus estudos, sobretudo em “Ôka, Taba, Tabajara” (MORALES DE LOS RIOS, Adolfo. Ôka, Taba, Tabajara. Documentação manuscrita, IHGB): um “tratado” sobre a arquitetura indígena.

Em janeiro de 1915, publicou seis artigos intitulados Uma questão importante – A primitiva fundação da cidade no jornal A Noite – 25 de janeiro26 de janeiro27 de janeiro28 de janeiro30 de janeiro e 31 de janeiro. Na seção “Reportagens Íntimas” da revista Fon-Fon, publicação de uma entrevista com Morales de los Rios (Fon-Fon, 18 de agosto de 1917).

Projetou cerca de quatro mil obras no Brasil, dentre elas a Basílica do Imaculado Coração de Maria, no Méier, tombada pelo município, em 2009, e única igreja em estilo neomourisco na cidade; o Palácio São Joaquim, na Rua da Glória, em estilo eclético e construído, em 1918, para ser a residência do primeiro arcebispo do Rio, cardeal pernambucano dom Joaquim Arcoverde Cavalcanti de Albuquerque (1850 – 1930).

 

 

Faleceu em 3 de setembro de 1928, na Casa de Saúde Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, e foi enterrado no Cemitério São João Batista (Correio da Manhã, 4 de setembro de 1928, quinta colunaO Paiz, 5 de setembro de 128, primeira colunaRevista da Semana, 8 de setembro de 1928). Foi casado com Maria Cuadras (18? -19?) e teve um filho, o também arquiteto Adolfo Morales de los Rios Filho (1887-1973), e duas filhas, Eugênia (18? -19?) e Margarita (18? -19?).

 

 

 

 

Outros prédios projetados por Adolfo Morales de los Rio representados no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica

 

Jornal O Paiz (demolido)

 

Parque de Diversões da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, em 1922 (demolido)

 

A convite dos organizadores da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, realizada, em 1922, no Rio de Janeiro, escreveu o artigo Resumo monográfico da evolução da arquitetura no Brasil (1922/1923), que foi publicado no Livro de Ouro Comemorativo do Centenário da Independência e da Exposição Internacional do Rio de Janeiro – pág 97 a 103.

 

Palácio São Joaquim, construído entre 1912 e 1918

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

O GLOBO, 3 de janeiro de 2016 e 30 de junho de 2024

RAMOS, Renato Menezes (org.). O Restaurante Assyrio é Persa… e o Café Mourisco também, de Adolfo Morales de los Rios: Comentários e Anotações. 19&20, Rio de Janeiro, v. VI, n. 2, abr./jun. 2011

RICCI, Claudia Thurler. Sob a inspiração de Clio: O Historicismo na obra de Morales de los Rios19&20Rio de Janeiro, v. II, n. 4, out. 2007.

Site Centro Cultural da Justiça Federal

Site Enciclopédia Itáu Cultural

Site Ibram

Site Instituto Moreira Salles

Site Museus do Rio