“Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)”, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Destaque para a identificação da casa de Tia Ciata

A Brasiliana Fotográfica publica imagens inéditas do Rio de Janeiro, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), instituição parceira do portal desde abril de 2016, quando celebrávamos um ano de existência. Sob a presidência do internacionalista e doutor em Ciência Política, Eliseu Santiago, em parceria com a Aprazível Edições, do jornalista, editor de livros, curador de museus e exposições, Leonel Kaz, o AGCRJ lançou o livro digital Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), que revela um valioso e inédito acervo iconográfico da cidade do Rio no período do Estado Novo, sob a presidência de Getúlio Vargas (1882 – 1954).  A publicação reforça a importância da preservação e difusão do patrimônio histórico e iconográfico do Rio de Janeiro.

 

 

O livro digital está disponível gratuitamente no site do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro e da Aprazível Edições promovendo acessibilidade e difusão cultural. Foi financiado pelo Programa de Fomente à Cultura Carioca – PRÓ-CARIOCA LINGUAGENS, via Edição PNAB – Política Nacional Aldir Blanc. Lembramos aqui que o acervo do AGCRJ reúne cerca de quatro milhões de itens identificados, além de outros milhões de documentos, fotos e registros ainda em processo de organização.

 

Link para o livro digital Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) 

 

Hoje a Brasiliana Fotográfica disponibiliza 20 das centenas de imagens publicadas no livro. A partir de recursos tecnológicos como a digitalização e o zoom, os registros fotográficos passam a ter outra visibilidade, podendo ser acessados em sua qualidade plena.

 

Acessando o link para as fotografias publicadas no livro Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937 -1945) disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) é o resultado de uma extensa pesquisa, da recuperação e da digitalização de imagens realizadas por diversos profissionais do AGCRJ. São fotografias inéditas produzidas pelos filhos de Augusto Malta (1864 – 1957) – Aristógiton (1904-1954) e Uriel (1910 – 1994). Augusto Malta foi, entre 1903 e 1936, o fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro – cargo criado para ele -, e o mais  importante cronista fotográfico da cidade nas primeiras décadas do século XX, responsável por um legado fotográfico incontornável.

 

Foto do Arquivo recortada

Anônimo. Augusto Malta. Rio de Janeiro. Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

 

Aristógiton Malta, nasceu em 1904, no Rio de Janeiro, e começou a auxiliar o pai na prefeitura, em 1925, ano em que Augusto, quando prestava um serviço para a Sul América, teve um de seus dedos dilacerados, devido a uma explosão ocasionada pelo flash de sua máquina fotográfica. Foi operado e ficou internado no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Aristógiton era filho da primeira esposa de Augusto, Laura Oliveira Campos (1874 – 1905).  Casou-se com Helena de Freitas Moutinho (1906 – 1975), em 1933. Em 25 de agosto de 1936, Augusto Malta aposentou-se da Prefeitura e foi substituído por ele, a partir de 9 de setembro do mesmo ano. Em 1938, O presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), visitou a “Feira de Amostras”,  uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos stands de maior sucesso foi o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto Malta e de seu filho, Aristógiton (A Noite, 31 de outubro de 1938, sob o título “A evolução do Rio através da fotografia”). Foi noticiado que uma foto de sua autoria do Estádio do Maracanã estava nas paredes de todas as repartições da Prefeitura, no hall do Banco da Prefeitura, e também em hotéis em países da Europa, da América do Sul e nos Estados Unidos (A Noite, 18 de maio de 1953, primeira coluna). Faleceu em 15 de agosto de 1954 (A Noite, 18 de maio de 1953, primeira colunaDiário de Notícias, 17 de agosto de 1954, sexta coluna).

 

Aristogiton Malta (1896-1954) / Site Family Search

Aristógiton Malta (1896-1954) / Site Family Search

 

Uriel Malta nasceu, em 28 de setembro de 1910, no Rio de Janeiro, filho da segunda esposa de Augusto, Celina Augusta Verscheuren (1884 – 1969). Passou a trabalhar com o irmão, no Serviço de Fotografia da Prefeitura, em 1937. Já era casado com Hilda de Abreu em 1944. Foi fotógrafo da Prefeitura até fins da década de 1960 e, em 1970, teve assinada a apostila fixando os proventos anuais de inatividade. Uriel faleceu, em Magé, em 5 de agosto de 1994 (Registro Civil do Rio de Janeiro, Site Family Search; Gazeta de Notícias, 4 de julho de 1935, terceira colunaJornal do Brasil, 12 de março de 1937, primeira colunaDiário de Notícias, 3 de abril de 1968, segunda colunaDiário de Notícias, 20 de outubro de 1968, primeira colunaDiário de Notícias, 31 de janeiro de 1969, terceira colunaDiário de Notícias, 7 de abril de 1970, última coluna).

 

Uriel Malta / Site Family Search

Uriel Malta / Site Family Search

 

O trabalho de Aristógiton e Uriel ficou durante muitas décadas à sombra da extraordinária obra de seu pai. As imagens de Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) resgatam a importância do trabalho dos filhos de Augusto Malta, que fotografaram os últimos anos da belle époque carioca assim como seu desaparecimento.

 

 

O lançamento do livro digital foi realizado, em 27 de janeiro último, por Elizeu Santiago e Leonel Kaz, em um evento no AGCRJ. Em seguida, o professor Antonio Edmilson Martins Rodrigues proferiu a palestra Reformas Urbanas e Cultura no Rio do Estado Novo. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), entidade que apoiou a publicação do livro, foi representada pelo seu presidente, Sydnei Menezes. No dia seguinte, foi realizada uma roda de conversa sob o tema O Rio de Janeiro no Estado Novo: uma perspectiva iconográfica, com os professores Pedro Marreca e Rafael Martins de Araujo, gerente e sub-gerente de Pesquisa do AGCRJ, respectivamente.

 

 

 

 

O lançamento do livro digital foi antecedido pelo resgate de cerca de 14 mil imagens – em positivos com nitrato de prata e negativos – distribuídas em 11 álbuns, que ainda estão em tratamento arquivístico e que futuramente serão disponibilizadas nos bancos de dados do AGCRJ. Foi uma das descobertas mais relevantes realizadas pela instituição nos últimos anos. As imagens capturam as transformações urbanas, culturais e sociais do Rio de Janeiro, entre 1937 e 1945, quando o interventor do então Distrito Federal, o Rio de Janeiro, era Henrique Dodsworth (1895 – 1975).

 

 

Retratam um período de grandes transformações na cidade do Rio: por exemplo, a abertura da Avenida Presidente Vargas e da Avenida Brasil, a expansão dos subúrbios, a urbanização da Pavuna e da Zona Sul, a finalização da esplanada do Castelo e a inauguração do Jardim de Alah. Mais de 500 edifícios desapareceram.

 

Essas obras realizadas na região pela Prefeitura do Rio de Janeiro reduziram muito a Praça Onze de Junho. Logo no início da década de 40, durante o Estado Novo, o então presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) decidiu construir a avenida Presidente Vargas e, pelo projeto, os quarteirões entre as ruas Visconde de Itaúna e Senador Eusébio desapareceriam para sua abertura (O Malho, dezembro de 1941).

 

 

Começaram as demolições. Inúmeras famílias foram desalojadas, prédios foram derrubados, dentre eles algumas construções históricas, como a Igreja de São Pedro dos Clérigos.

 

 

 

 

O segundo trecho da nova avenida foi concluído em 10 de novembro de 1942; e, em 10 de novembro de 1943, foi batizada de Presidente Vargas. Finalmente, em 7 de setembro de 1944, foi inaugurada (O Malhodezembro de 1942abril de 1943dezembro de 1943O País, 10 de novembro de 1943Jornal do Brasil, 8 de setembro de 1944).

 

 

Na fotografia abaixo, foi identificada a casa da lendária Tia Ciata (1854 – 1924), Hilária Batista de Almeida, localizada na Rua Visconde de Itaúna, 117.

 

 

A casa ficava na região da Pequena África do Brasil, expressão baseada numa afirmação do cantor e pintor Heitor dos Prazeres (1898 – 1966) se referindo à área que começava no Porto do Rio de Janeiro e abrangia os atuais bairros da Saúde, Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova, até a Praça Onze de Junho. Foi lá que, a partir da década de 1870, a comunidade baiana se estabeleceu no Rio de Janeiro, fazendo da área um local de concentração de diversas manifestações da cultura afro-brasileira. Havia também as tias Bebiana, Carmen e Mônica, dentre outras, que fizeram de suas casas pontos de referência e de convívio, que garantiram a manutenção das tradições africanas na cidade. Nessas casas eram cultuadas a música e a religiosidade afro-brasileira. As casas de Tia Prisciliana, mãe de João da Baiana (1887-1974), e, principalmente, a de Tia Ciata, considerada a matriarca do samba, foram espaços fundamentais da música popular carioca e eram frequentados por Donga, Pixinguinha (1897 – 1973), João da Baiana (1887-1974), o jornalista e dramaturgo Vagalume, pseudônimo de Francisco Guimarães (c. 1880 – 1946), e agitadores culturais como, por exemplo, Hilário Jovino (1873- 1933), Germano Lopes da Silva (? – 1933), o compositor e jornalista Mauro de Almeida(1882 -1956), dentre outros. Foi também na Pequena África que a Deixa Falar, considerada a primeira escola de samba, foi fundada, em 12 de agosto de 1928, pelos sambistas Bide, Mano Edgar, Brancura, Baiaco, dentre outros, além de Ismael Silva, que reivindicava a autoria da expressão escola de samba.

Na época da demolição, a Praça Onze não era apenas um logradouro carioca, mas uma espécie de bairro, pois englobava todas as ruas das imediações. Hoje, esta importante referência na história da formação do Rio de Janeiro, da cultura brasileira e da criação do samba, não existe mais, porém sua região continua sendo importante para o samba: o Sambódromo e o Terreirão do Samba, inaugurados em 1984 e 1991, respectivamente, estão localizados na área. Da Praça Onze resta um pequeno jardim, onde foi instalado um monumento em homenagem a Zumbi, em 1986.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São esses os profissionais responsáveis pelo extraordinário Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945):

 

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O livro físico foi lançado em 14 de julho de 2026, no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, Na ocasião, discursaram Lucas Padilha, secretário de Cultura do Rio de Janeiro, e Eliseu Santiago, como já mencionado, presidente do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (informação inserida no texto em 14 de julho de 2026).

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BUENO, Eduardo. TIA CIATA E A PRAÇA ONZE: COMO SURGIRAM AS ESCOLAS DE SAMBA

Diário do Ri0 – Praça Onze

Dicionário de Música Cravo Alvim

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MALAMUD, Samuel. Recordando a Praça Onze. 1ª edição, Rio de Janeiro, Editora Kosmos, 1988

MOURA, Roberto. Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Funarte, 1983.

SILVA, Beatriz Coelho. Negros e Judeus na Praça Onze. A História que não ficou na memória. Rio de Janeiro : Bookstart, 2015.

Site Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Site Family Search

WANDERLEY, Andrea C.T. O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936 in Brasiliana Fotográfica, 10 de julho de 2015.

__________________. Série O Rio de Janeiro desaparecido” XVIII – A Praça Onze in Brasiliana Fotográfica, 20 de abril de 2022.

Fotos de autoria de Marc Ferrez na revista “Illustração Brasileira”

Com a publicação do artigo Fotos de autoria de Marc Ferrez na revista Illustração Brasileira, a Brasiliana Fotográfica, pela segunda vez, destaca o uso de uma ou mais imagens de um dos fotógrafos presentes em seu acervo fotográfico em revistas, nas primeiras décadas do século XX. O primeiro artigo, Fotografia de Leuzinger é capa da revista “Fon-Fon” em 1922, foi publicado em 27 de agosto de 2020. Hoje destacamos duas capas da revista Illustração Brasileira com registros de autoria de Marc Ferrez (1843 – 1921) e uma fotografia, também de Ferrez, publicada dentro da revista. Dois desses registros encontram-se no acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal. Com a preservação digital, os registros fotográficos podem, a partir de recursos tecnológicos como o zoom, ter outra visibilidade e serem acessados em sua qualidade plena.

 

Acessando o link para as duas fotografias de Marc Ferrez publicadas na revista Illustração Brasileira, em 1876 e em 1877, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

O carioca Marc Ferrez foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes do Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Estaria completando hoje 182 anos. Sua vasta e abrangente obra iconográfica se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo. Estabeleceu-se como fotógrafo com a firma Marc Ferrez & Cia, em 1867, na rua São José, nº 96, e logo se tornou o mais importante profissional da área no Rio de Janeiro. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde registrou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.

 

 

A revista Illustração Brasileira, na qual foram construídas, a partir de textos, fotografias e ilustrações, imagens de um Brasil moderno e civilizado, era dirigida pelos irmãos alemães e litógrafos Carlos (18? -1878) e Henrique Fleiuss (1823 – 1882). Circulou quinzenalmente, entre 1o de julho de 1876 e 1o de janeiro de 1878. Posteriormente, entre fevereiro e abril de 1878, passou a ser mensal.

Os irmãos Fleuiss e o pintor Carlos Linde (c. 1830 – 1873) haviam chegado no Brasil, acredita-se, juntos, em fins da década de 1850. Percorreram a Região Norte, e, em 1858, já estavam no Rio de Janeiro (Diário do Rio de Janeiro, 26 de setembro de 1858, quarta coluna). Henrique Fleuiss trouxe uma carta de recomendação de seu mentor, o naturalista Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868). Fundaram uma empresa litotipográfica chamada Fleiuss, Irmãos & Linde e, posteriormente, o Instituto Artístico que, a partir de um título honorífico concedido, pelo decreto de 3 de outubro de 1863, por dom Pedro II (1825 – 1891), passou a se chamar Imperial Instituto Artístico (Correio Mercantil, 31 de março de 1861, primeira coluna). Entre 1860 e 1875, dirigiram a revista Semana Ilustrada, precursora da imprensa humorística ilustrada no Brasil. Entre seus colaboradores, estavam escritores como Bernardo Guimarães (1825-1884), Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), Joaquim Nabuco (1849-1910) e Machado de Assis (1839-1908).

 

 

As duas capas da revista Illustração Brasileira, em 1877 e 1878, com fotos de autoria de Marc Ferrez, e uma imagem também de sua autoria publicada na revista, em 1876

 

O primeiro registro, que é do Forte e do Farol da Barra, em Salvador, na Bahia, foi publicado na capa da Illustração Brasileira de 15 de janeiro de 1877. No texto sobre a fotografia, Ferrez era apresentado como membro da Comissão Geológica do Império (1875 – 1878), chefiada pelo geólogo canadense Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), também mencionado no texto como o muito inteligente presidente da comissão.

Segundo Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles e um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, já com pleno domínio de sua virtuosidade técnica, Ferrez realizou para a comissão um primoroso trabalho documental e paisagístico:

‘…Seu domínio da luz, sua precisão na escolha do ponto de vista, sempre buscam ressaltar os aspectos mais formais e abstratos da cena sendo registrada. É igualmente importante ressaltar que em diversas imagens realizadas por Ferrez, sempre o elemento humano participa de maneira discreta porém marcante, conferindo escala aos cenários naturais e urbanos, e principalmente nos convidando a percorrer a imagem em todas as suas dimensões…Os trabalhos realizados em Paulo Affonso, Pernambuco, Recôncavo Baiano, Abrolhos e sul da Bahia representam um grande esforço documental e registram, além dos aspectos mais claramente geológicos, paisagens naturais e vistas urbanas de grandes cidades e pequenas povoações daquelas regiões, além de elementos antropológicos e etnográficos, como a série dos índios botocudo… Essas imagens também foram utilizadas para ilustrar  a conferência do professor Charles Frederick Hartt durante a IV Exposição Nacional, no Rio de Janeiro… Da mesma maneira, diversas imagens fizeram parte da Exposição Universal da Filadélfia, EUA, em 1876, que contou com a presença de D. Pedro II…’

 

 

 

 

 

A segunda imagem, um registro do prédio da Tipografia Nacional, foi publicada  na capa da revista Illustração Brasileira, de abril de 1878: “A photographia é de Marc Ferrez  e foi gravada sobre madeira no Imperial Instituto Artístico”.

 

 

Outras menções ou publicação de fotografias de Ferrez na Illustração Brasileira:

Foi publicada uma fotografia de autoria de Ferrez da cachoeira de Paulo Afonso na revista Illustração Brasileira, de 1º de agosto de 1876, acompanhada por um texto de Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), chefe da Comissão Geológica do Império. Na mesma edição, publicação de matéria sobre a Comissão Geológica do Império e sobre a chegada de Ferrez .

 

 

 

Foi noticiado que Ferrez havia chegado ao sul da Bahia com o geólogo Richard Rathbum, também integrante da Comissão Geológica, com diversas fotografias de índígenas botocudos, dentre outras (Illustração Brasileira, 1º de novembro de 1876, na última coluna). Essas teriam sido as primeiras imagens desses indígenas produzidas no Brasil.

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

AZEVEDO, Silvia Maria. Brasil em imagens: Um estudo da revista Ilustração Brasileira (1876-1878). São Paulo : Editora Unesp, 2011.

Carlos Linde, formador de profissionais gráficos no Brasil in Brasiliana Iconográfica, 26 de dezembro de 2024.

GOMES, Rafael Augusto Andrade. Modos de escrever histórias in Terra Brasilis, dezembro de 2019.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Site Enciclopédia Itaú Cultural

WANDERLEY, Andrea C. T. Cronologia de Marc Ferrez in Brasiliana Fotográfica, 6 de janeiro de 2021.

 

 

A Brasiliana Fotográfica presente na capa da edição comemorativa do centenário do jornal O GLOBO

Reproduzimos o artigo publicado no domingo, 27 de julho de 2025, com chamada na capa, na edição comemorativa dos 100 anos do jornal O GLOBO*, completados dois dias depois, em 29 de julho. Foi escrito pelo jornalista Ruan de Sousa Gabriel a partir de conversas que ele teve comigo, Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica. A matéria traz 10 registros produzidos em 1925, ano de fundação de O GLOBO. Dentre diversas fotografias, Ruan escolheu três de autoria desconhecida, quatro de Augusto Malta (1864 – 1957), uma de Carlos Bippus (? -19?) e uma de Guilherme Santos (1871 – 1966); todas do acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal. A foto do cientista Albert de Einstein (1879 – 1955) com um grupo é de autoria de J. Pinto (1884 – 1951) e pertence à Fiocruz, uma de nossas instituições parceiras. Aproveitem um belo passeio pelo Rio de Janeiro de 1925! Não esqueçam de usar o zoom e boa viagem ao passado!

 

Veja imagens do Rio de 1925 garimpadas do acervo da Brasiliana Fotográfica

Nos cem anos do GLOBO, ensaio visual apresenta trabalhos de pioneiros da fotografia brasileira, como Augusto Malta, Guilherme Santos, J. Pinto e Carlos Bippus, no ano em que o jornal foi fundado

Por

Ruan de Sousa Gabriel

 — São Paulo

O Rio de Janeiro que viu a primeira edição do GLOBO chegar às bancas em 29 de julho de 1925 era uma jovem metrópole a avançar rapidamente pela trilha da modernidade. Subiam prédios que imitavam a arquitetura parisiense e tentavam (em vão) competir com a exuberância da natureza. Ainda circulavam poucos automóveis pelas ruas, e os cariocas se vestiam com trajes que hoje parecem inapropriados para o calor (não só) do verão. É isso que nos contam as fotos deste ensaio visual, todas datadas do ano de nascimento do GLOBO e garimpadas do acervo da Brasiliana Fotográfica, projeto que, desde 2015, dedica-se a promover os acervos de instituições como o Instituto Moreira Salles e a Biblioteca Nacional.

O ensaio foi confeccionado a partir de indicações de Andrea Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica. Das dez imagens aqui publicadas, nove vieram do acervo do IMS — a única exceção é a foto da visita do físico alemão Albert Einstein ao Instituto Oswaldo Cruz, registada pelo fotógrafo J. Pinto (1884-1951). Na pandemia, a foto viralizou nas redes sociais com informações erradas: disseram que o cenário era o Instituto Butantã, em São Paulo, e incluíram o cientista Oswaldo Cruz (que morrera oito anos antes do clique) na comitiva. A imagem foi cedida ao GLOBO pela Fiocruz.

— O Rio que se vê nessas fotos é o Rio moderno, dos “loucos anos 20”, muito bem descrito no livro do Ruy Castro “Metrópole à beira-mar” — contextualiza Andrea. — Não é o Rio das reformas urbanas do começo do século XX, da gestão do prefeito Pereira Passos, mas é uma cidade que se modernizava.

Pioneirismo

As transformações desse período foram registradas por um time de fotógrafos pioneiros. Entre eles, destaca-se Augusto Malta (1864-1957), autor de quatro das dez magens deste ensaio. Em 1903, o alagoano foi contratado como fotógrafo oficial da Diretoria Geral de Obras e Viação da Prefeitura com a missão de fotografar todas as ruas que teriam seu traçado modificado pelas reformas de Pereira Passos (de quem ele ficou amigo, diga-se). Malta se manteve no emprego por mais de três décadas e fotografou desde grandes eventos, como a inauguração do Cristo Redentor, em 1931, até o dia a dia da cidade: as ruas do Centro, o cais do porto, o mar insistindo em invadir o asfalto…

Contemporâneo de Malta, o baiano J. Pinto (cujo nome completo era Joaquim Pinto da Silva) documentou não só as mudanças na paisagem urbana, mas também o trabalho científico realizado no Instituto Oswaldo Cruz, onde trabalhava.

Carlos Bippus (não se tem certeza sobre suas datas de nascimento e morte) é autor de diversas fotografias que se tornaram cartões-postais da cidade e ilustravam álbuns que eram vendidos a turistas (sua belíssima imagem do luar sob o Cais do Mangue confirma seu talento como fotógrafo paisagista).

Já Guilherme Santos foi um amador e entusiasta da estereoscopia, técnica que consistia em apresentar duas imagens ligeiramente diferentes lado a lado para criar a ilusão de profundidade e dar um caráter “lúdico” à fotografia, diz Andrea Wanderley. Santos recorreu a essa técnica para registrar um desastre automobilístico na Praia de Botafogo — uma metáfora certeira dos perigos da modernidade que seduzia os cariocas de 1925.

 

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Como apareceu no jornal:

 

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Capa de O GLOBO, 27 de julho de 2025

 

 

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Na capa, destaque para o artigo com fotos do acervo da Brasiliana Fotográfica / O GLOBO, 27 de julho de 2025

 

 

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O artigo, Cenário de páginas da história, publicado no Segundo Caderno / O GLOBO,  27 de julho de 2025

 

*Em 14 de abril de 2026, esta edição de O GLOBO foi reconhecida pelo Livro dos Recordes, na categoria “Jornal Comercializado com o maior número de páginas em uma edição única non mundo”. O projeto editorial teve uma escala inédita: ao todo, foram 526 páginas, organizadas em 14 cadernos especiais produzidos pela Redação, além da revista ELA. “Mais do que grandiosa em tamanho, essa edição foi ousada ao reforçar o papel do impresso como uma plataforma premium, de alto impacto, relevante mesmo na era digital e reconhecida por leitores, anunciantes e todo o mercado”.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Fotografia de Leuzinger é capa da revista “Fon-Fon” em 1922

Imagens produzidas no século XIX pelo fotógrafo e editor suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892) foram usadas na matéria O Rio Desapparecido, publicada na revista Fon-Fon de 29 de abril de 1922Uma delas, do Largo de São Francisco, no centro do Rio de Janeiro, está na capa acompanhando um pequeno texto onde se lê: “O velho Rio morreu”. A edição, acessada a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, era comemorativa do aniversário da revista, que circulou entre abril de 1907 e agosto de 1958. A Brasiliana Fotográfica vai reproduzir nessa publicação todas as páginas do artigo, destacando as fotografias de autoria de Leuzinger que pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles, um das instituições fundadoras do portal. Com a preservação digital, os registros fotográficos podem, a partir de recursos tecnológicos como a digitalização e o zoom, terem uma melhor visibilidade e serem acessadas em sua qualidade plena.

Na foto da capa da edição da Fon-Fon de 29 de abril de 1922 é comentado que em mais ou menos meio século, no Largo de São Francisco, só a Igreja de São Francisco, assim mesmo sem os gradis desse tempo permaneceu intocada. Foi também comentado que a Litografia Comercial havia se tornado o majestoso prédio do Parc Royal, que pardieiros eram agora belas casas de negócios e que ao invés de diligências com quatro mulas viam-se então circulando bondes elétricos.

 

 

 

As duas primeiras fotos que ilustram a matéria, uma intitulada Igreja da Ordem Terceira do Carmo na Rua Direita, atual rua Primeiro de Março e outra Largo de São Francisco em destaque a Real Academia Militar pertencem ao álbum Rio de Janeiro e ses environs, produzido por Leuzinger em torno de 1868. A última, do Convento da Ajuda,  não faz parte do álbum.

 

Acessando o link para as fotografias de Leuzinger que ilustram a matéria O Rio desapparecido disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

 

 

 

A matéria menciona as diversas mudanças ocorridas na cidade desde 1872 como o desaparecimento do Morro do Senado, a destruição do Morro do Castelo, e as transformações nas construções em torno da Boulevard Carceller – como era conhecida um trecho da rua Direita, atual Primeiro de Março – e do Largo de São Francisco. Mas seu tom não é melancólico tanto que em seu último parágrafo lê-se:

 

parágrafo

 

No texto da reportagem é lamentada a morte do escritor José Vieira Fazenda (1874-1917), identificado como um homem-arquivo do Rio de Janeiro. A partir de 1896, publicou, principalmente, no jornal A Notícia e nas revistas Kosmos e Renascença uma série de artigos sobre diversos aspectos do Rio de Janeiro, de assuntos históricos a suas tradições e costumes. Os artigo foram reunidos, a partir de 1919, com o título Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro e ocupam cinco volumes da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro.

 

José Vieira Fazendo / Acervo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

José Vieira Fazendo / Acervo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Site CPDOC

Site Reficio

Debate pelos cinco anos da Brasiliana Fotográfica – link de acesso e para fotografias mostradas durante o encontro

 

O debate que a Brasiliana Fotográfica promoveu para celebrar o seu aniversário de cinco anos, dentro do contexto da atual pandemia do coronavírus, foi muito bem sucedido, tendo sido assistido por centenas de pessoas numa live transmitida no dia 17 de abril de 2020, às 17h30m. Pode ser acessado no link https://www.facebook.com/institutomoreirasalles/videos/547559385897022/ . Os debatedores foram o historiador Jaime Benchimol, a pneumologista Margareth Dalcolmo e o urbanista e arquiteto Guilherme Wisnik.

O portal mais uma vez agradece a seus leitores pela audiência e entusiasmo! Também destacamos nessa publicação todas as fotografias mostradas durante o encontro, além de outras que se relacionam com os temas abordados.

 

 

Grupos de imagens: 

 

1 - Avenida Central

2 – Gripe Espanhola, links do arquivo do dr. Moncorvo Filho, do arquivo da Fiocruz

Doutor Maurity Santos examinando paciente com pneumonia durate a epidemia de gripe espanhola de 1918

Dr. Maurity e enfermeiras atendendo enfermo no Morro do Salgueiro

Doutores Moncorvo Filho e Orlando de Goes atendendo pacientes no surto de gripe espanhola de 1918

Moncorvo Filho consultando criança durante a epidemia de gripe espanhola de 1918

Moncorvo Filho consultando um bebê

Moncorvo Filho e auxiliares no Posto de Assistência à Infância durante o surto de gripe espanhola

Prédio que serviu para socorrer vítimas da gripe espanhola em 1918

Socorro a um homem enfermo no Morro da Mangueira

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

A Colônia Dona Francisca, Joinville, por Louis Niemeyer

 

 

A Brasiliana Fotográfica destaca o álbum Vistas fotográficas da Colônia Dona Francisca, importante conjunto iconográfico da colonização alemã no sul do Brasil, dedicado ao imperador dom Pedro II. As imagens foram produzidas, em 1866, por Johann Otto Louis Niemeyer, fotógrafo, provavelmente, de origem alemã*. Colônia Dona Francisca era o nome, na época, de Joinville, cidade em Santa Catarina. O álbum pertence à Coleção Dona Thereza Cristina Maria, da Fundação Biblioteca Nacional, uma das fundadoras do portal. São fotografias de casas, de engenho de açúcar, de ruas, de igreja e também de imigrantes identificados em suas profissões como engenheiro, negociante, administrador e engenheiros. Apenas na foto publicada acima a figura humana é o tema central e ela expressa justamente o espírito desbravador e aventureiro dos imigrantes. Segundo o historiador Pedro Vasquez, os registros de Niemeyer para esse álbum seriam uma espécie de brado de “nós conseguimos”, proferido em uníssono pelos imigrantes da Colônia Dona Francisca.

 

capa 2

 

Esses registros foram apresentados na Exposição de História do Brasil, inaugurada em 2 de dezembro de 1881, na Biblioteca Nacional, organizada pelo seu então diretor Benjamin Franklin de Ramiz Galvão (1846 – 1938). Originalmente eram 18 imagens, porém oito foram furtadas em 2005. Uma foi recuperada em 2012.

Acessando o link para as fotografias de Joinville produzida por Louis Niemeyer disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

O autor das fotografias, Louis Niemeyer, era desde 1860 diretor da Colônia Dona Francisca, assim batizada em homenagem à princesa D. Francisca de Bragança (1824 – 1898), quarta filha do imperador dom Pedro I (1798 – 1834) e de dona Leopoldina (1797 – 1826) e irmã de dom Pedro II (1825 – 1892), que se casou, em 1843, com Francisco Fernando de Orléans (1818 – 1900), Príncipe de Joinville, terceiro filho do rei francês Luís Filipe I (1773 – 1850) (O Correio Oficial (SC), 20 de março de 1861, terceira colunaCorreio Mercantil, e , 31 de outubro de 1866, segunda coluna; e Diário do Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 1867, segunda coluna). Em 1871, Niemeyer enviou ao governo um ofício tratando do desenvolvimento da agricultura na província de Santa Catarina com um mapa da colônia de Dona Francisca. Pedia auxílio para a abertura de um negócio (O Auxiliador da Indústria, 1871). Em 1873, teria deixado a diretoria da Colônia.

 

 

 

 

 

 

* De acordo com um artigo publicado no O Atibaiense sobre uma comemoração da família Niemeyer, Louis Niemeyer seria do ramo da família de Hannover, na Alemanha. Em torno de 1790, um general membro da família que fazia parte da Casa Real de Hannover se casou e teve 10 filhos. Um deles teria emigrado para Portugal, onde se casou e teve por filho Conrado Jacob Niemeyer, que teria vindo com a esquadra de d. João VI ao Brasil. Aí teria começado o ramo do Brasil da família Niemeyer, da qual Louis faria parte (O Atibaiense, 13 de outubro de 2010).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Blumenau em cadernos, março de 1982

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.FERREZ, Gilberto;

FERREZ, Gilberto;NAEF, Weston J. Pioneer photographers of Brazil : 1840 – 1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976. 143 p.

FERREZ, Gilberto. A fotografia no Brasil: 1840- 1900. Prefácio Pedro Karp Vasquez. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. 248 p. (História da fotografia no Brasil, 1).

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985. 243 p.