Fotos de autoria de Marc Ferrez na revista “Illustração Brasileira”

Com a publicação do artigo Fotos de autoria de Marc Ferrez na revista Illustração Brasileira, a Brasiliana Fotográfica, pela segunda vez, destaca o uso de uma ou mais imagens de um dos fotógrafos presentes em seu acervo fotográfico em revistas, nas primeiras décadas do século XX. O primeiro artigo, Fotografia de Leuzinger é capa da revista “Fon-Fon” em 1922, foi publicado em 27 de agosto de 2020. Hoje destacamos duas capas da revista Illustração Brasileira com registros de autoria de Marc Ferrez (1843 – 1921) e uma fotografia, também de Ferrez, publicada dentro da revista. Dois desses registros encontram-se no acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal. Com a preservação digital, os registros fotográficos podem, a partir de recursos tecnológicos como o zoom, ter outra visibilidade e serem acessados em sua qualidade plena.

 

Acessando o link para as duas fotografias de Marc Ferrez publicadas na revista Illustração Brasileira, em 1876 e em 1877, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

O carioca Marc Ferrez foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes do Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Estaria completando hoje 182 anos. Sua vasta e abrangente obra iconográfica se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo. Estabeleceu-se como fotógrafo com a firma Marc Ferrez & Cia, em 1867, na rua São José, nº 96, e logo se tornou o mais importante profissional da área no Rio de Janeiro. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde registrou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.

 

 

A revista Illustração Brasileira, na qual foram construídas, a partir de textos, fotografias e ilustrações, imagens de um Brasil moderno e civilizado, era dirigida pelos irmãos alemães e litógrafos Carlos (18? -1878) e Henrique Fleiuss (1823 – 1882). Circulou quinzenalmente, entre 1o de julho de 1876 e 1o de janeiro de 1878. Posteriormente, entre fevereiro e abril de 1878, passou a ser mensal.

Os irmãos Fleuiss e o pintor Carlos Linde (c. 1830 – 1873) haviam chegado no Brasil, acredita-se, juntos, em fins da década de 1850. Percorreram a Região Norte, e, em 1858, já estavam no Rio de Janeiro (Diário do Rio de Janeiro, 26 de setembro de 1858, quarta coluna). Henrique Fleuiss trouxe uma carta de recomendação de seu mentor, o naturalista Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868). Fundaram uma empresa litotipográfica chamada Fleiuss, Irmãos & Linde e, posteriormente, o Instituto Artístico que, a partir de um título honorífico concedido, pelo decreto de 3 de outubro de 1863, por dom Pedro II (1825 – 1891), passou a se chamar Imperial Instituto Artístico (Correio Mercantil, 31 de março de 1861, primeira coluna). Entre 1860 e 1875, dirigiram a revista Semana Ilustrada, precursora da imprensa humorística ilustrada no Brasil. Entre seus colaboradores, estavam escritores como Bernardo Guimarães (1825-1884), Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), Joaquim Nabuco (1849-1910) e Machado de Assis (1839-1908).

 

 

As duas capas da revista Illustração Brasileira, em 1877 e 1878, com fotos de autoria de Marc Ferrez, e uma imagem também de sua autoria publicada na revista, em 1876

 

O primeiro registro, que é do Forte e do Farol da Barra, em Salvador, na Bahia, foi publicado na capa da Illustração Brasileira de 15 de janeiro de 1877. No texto sobre a fotografia, Ferrez era apresentado como membro da Comissão Geológica do Império (1875 – 1878), chefiada pelo geólogo canadense Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), também mencionado no texto como o muito inteligente presidente da comissão.

Segundo Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles e um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, já com pleno domínio de sua virtuosidade técnica, Ferrez realizou para a comissão um primoroso trabalho documental e paisagístico:

‘…Seu domínio da luz, sua precisão na escolha do ponto de vista, sempre buscam ressaltar os aspectos mais formais e abstratos da cena sendo registrada. É igualmente importante ressaltar que em diversas imagens realizadas por Ferrez, sempre o elemento humano participa de maneira discreta porém marcante, conferindo escala aos cenários naturais e urbanos, e principalmente nos convidando a percorrer a imagem em todas as suas dimensões…Os trabalhos realizados em Paulo Affonso, Pernambuco, Recôncavo Baiano, Abrolhos e sul da Bahia representam um grande esforço documental e registram, além dos aspectos mais claramente geológicos, paisagens naturais e vistas urbanas de grandes cidades e pequenas povoações daquelas regiões, além de elementos antropológicos e etnográficos, como a série dos índios botocudo… Essas imagens também foram utilizadas para ilustrar  a conferência do professor Charles Frederick Hartt durante a IV Exposição Nacional, no Rio de Janeiro… Da mesma maneira, diversas imagens fizeram parte da Exposição Universal da Filadélfia, EUA, em 1876, que contou com a presença de D. Pedro II…’

 

 

 

 

 

A segunda imagem, um registro do prédio da Tipografia Nacional, foi publicada  na capa da revista Illustração Brasileira, de abril de 1878: “A photographia é de Marc Ferrez  e foi gravada sobre madeira no Imperial Instituto Artístico”.

 

 

Outras menções ou publicação de fotografias de Ferrez na Illustração Brasileira:

Foi publicada uma fotografia de autoria de Ferrez da cachoeira de Paulo Afonso na revista Illustração Brasileira, de 1º de agosto de 1876, acompanhada por um texto de Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), chefe da Comissão Geológica do Império. Na mesma edição, publicação de matéria sobre a Comissão Geológica do Império e sobre a chegada de Ferrez .

 

 

 

Foi noticiado que Ferrez havia chegado ao sul da Bahia com o geólogo Richard Rathbum, também integrante da Comissão Geológica, com diversas fotografias de índígenas botocudos, dentre outras (Illustração Brasileira, 1º de novembro de 1876, na última coluna). Essas teriam sido as primeiras imagens desses indígenas produzidas no Brasil.

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

AZEVEDO, Silvia Maria. Brasil em imagens: Um estudo da revista Ilustração Brasileira (1876-1878). São Paulo : Editora Unesp, 2011.

Carlos Linde, formador de profissionais gráficos no Brasil in Brasiliana Iconográfica, 26 de dezembro de 2024.

GOMES, Rafael Augusto Andrade. Modos de escrever histórias in Terra Brasilis, dezembro de 2019.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Site Enciclopédia Itaú Cultural

WANDERLEY, Andrea C. T. Cronologia de Marc Ferrez in Brasiliana Fotográfica, 6 de janeiro de 2021.

 

 

Fotografia de Leuzinger é capa da revista “Fon-Fon” em 1922

Imagens produzidas no século XIX pelo fotógrafo e editor suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892) foram usadas na matéria O Rio Desapparecido, publicada na revista Fon-Fon de 29 de abril de 1922Uma delas, do Largo de São Francisco, no centro do Rio de Janeiro, está na capa acompanhando um pequeno texto onde se lê: “O velho Rio morreu”. A edição, acessada a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, era comemorativa do aniversário da revista, que circulou entre abril de 1907 e agosto de 1958. A Brasiliana Fotográfica vai reproduzir nessa publicação todas as páginas do artigo, destacando as fotografias de autoria de Leuzinger que pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles, um das instituições fundadoras do portal. Com a preservação digital, os registros fotográficos podem, a partir de recursos tecnológicos como a digitalização e o zoom, terem uma melhor visibilidade e serem acessadas em sua qualidade plena.

Na foto da capa da edição da Fon-Fon de 29 de abril de 1922 é comentado que em mais ou menos meio século, no Largo de São Francisco, só a Igreja de São Francisco, assim mesmo sem os gradis desse tempo permaneceu intocada. Foi também comentado que a Litografia Comercial havia se tornado o majestoso prédio do Parc Royal, que pardieiros eram agora belas casas de negócios e que ao invés de diligências com quatro mulas viam-se então circulando bondes elétricos.

 

 

 

As duas primeiras fotos que ilustram a matéria, uma intitulada Igreja da Ordem Terceira do Carmo na Rua Direita, atual rua Primeiro de Março e outra Largo de São Francisco em destaque a Real Academia Militar pertencem ao álbum Rio de Janeiro e ses environs, produzido por Leuzinger em torno de 1868. A última, do Convento da Ajuda,  não faz parte do álbum.

 

Acessando o link para as fotografias de Leuzinger que ilustram a matéria O Rio desapparecido disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

 

 

 

A matéria menciona as diversas mudanças ocorridas na cidade desde 1872 como o desaparecimento do Morro do Senado, a destruição do Morro do Castelo, e as transformações nas construções em torno da Boulevard Carceller – como era conhecida um trecho da rua Direita, atual Primeiro de Março – e do Largo de São Francisco. Mas seu tom não é melancólico tanto que em seu último parágrafo lê-se:

 

parágrafo

 

No texto da reportagem é lamentada a morte do escritor José Vieira Fazenda (1874-1917), identificado como um homem-arquivo do Rio de Janeiro. A partir de 1896, publicou, principalmente, no jornal A Notícia e nas revistas Kosmos e Renascença uma série de artigos sobre diversos aspectos do Rio de Janeiro, de assuntos históricos a suas tradições e costumes. Os artigo foram reunidos, a partir de 1919, com o título Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro e ocupam cinco volumes da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro.

 

José Vieira Fazendo / Acervo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

José Vieira Fazendo / Acervo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Site CPDOC

Site Reficio