O Pavilhão do Distrito Federal, atualmente uma das sedes do Museu da Imagem e do Som

Ao longo deste ano a Brasiliana Fotográfica publicou onze artigos na Série 1922, Hoje, há 100 anos, criada a partir dos centenários da Semana de Arte Moderna e da Exposição do Centenário da Independência do Brasil. Terminamos 2022 com um artigo relativo a essa última efeméride. É sobre o Pavilhão do Distrito Federal, atualmente uma das sedes do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Seu projeto foi do arquiteto italiano Sylvio Rebecchi (18? – 1950). Aproveitamos para desejar um Feliz 2023!

Além do edifício do MIS, cinco prédios da Exposição de 1922 ainda existem. No Rio de Janeiro, são o do Pavilhão da França, atualmente sede da Academia Brasileira de Letras; o do Palácio das Indústrias, atual Museu Histórico Nacional;  o do Pavilhão de Estatística, órgão do Ministério da Saúde; e o do Pavilhão das Indústrias Particulares, o restaurante Albamar. Este último já existia antes da Exposição e abrigava o Mercado Municipal. O Pavilhão das Indústrias de Portugal, foi transferido para Lisboa e é o atual Pavilhão Carlos Lopes.

 

O Pavilhão do Distrito Federal, atualmente uma das sedes do Museu da Imagem e do Som

 

 

Projetado pelo arquiteto italiano Sylvio Rebecchi (1882 – 1950) e construído para ser o Pavilhão do Distrito Federal durante a  Exposição do Centenário da Independência do Brasil de 1922, é, desde 1965, uma das sedes do Museu da Imagem e do Som (MIS-RJ), no Centro, na Praça XV.

 

 

 

O MIS-RJ foi inaugurado em 3 de setembro de 1965, como parte das comemorações do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 3 de setembro; 9 de setembro; e 15 de outubro de 1965). Lá se encontra o acervo iconográfico com as fotografias de autoria de Augusto Malta (1864 – 1957), fotógrafo oficial da Prefeitura entre 1903 e 1936, e do fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966), além de boa parte das coleções de partituras de Jacob do Bandolim (1918 – 1969) e Almirante (1908 – 1980). Antes o edifício havia abrigado a administração do Instituto Médico Legal e do Serviço de Registro dos Estrangeiros.

 

 

Sylvio Rebecchi compôs o júri que escolheu o Pavilhão do Brasil na Exposição de Filadélfia de 1926. O vencedor foi o então jovem arquiteto Lúcio Costa (Architectura no Brasil, novembro de 1925; Jornal do Brasil, 11 de novembro de 1925). Em 1926, Rebecchi foi eleitor vice-presidente do Instituto Central dos Arquitetos (Architectura no Brasil, junho e julho de 1926). Faleceu em dezembro de 1950 (Tribuna da Imprensa, 7 de dezembro de 1950, última coluna).

 

 

Uma curiosidade: o pai de Silvio, o italiano Comendador Raphael Rebecchi (1844 – 1922), fundador da empresa Rebecchi & Cia, havia sido o responsável, em fins do século XIX, pelo projeto e pela construção da residência de José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925), fotógrafo amador que já foi tema de um artigo da Brasiliana Fotográfica. Foi a primeira casa na praia e uma das primeiras de Ipanema. Barreira Vianna, no final da década de 1890, havia adquirido um terreno do loteamento de José Antônio Moreira Filho (1830-1899), o barão e conde de Ipanema, exatamente na esquina das atuais avenida Vieira Souto e rua Francisco Otaviano, ao lado de onde seria construído, mais tarde, o Colégio São Paulo. Raphael Rebecchi também venceu, em 1904, o concurso de fachadas da Avenida Central, cuja história foi tema de outro artigo do portal (Jornal do Brasil, 27 de março de 1904, sexta coluna; Architectura no Brasil, fevereiro de 1922).

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI e série “Feministas, graças a Deus” XII – A 1ª Conferência pelo Progresso Feminino

Hoje a Brasiliana Fotográfica encerra a série 1922, Hoje, há 100 anos com a publicação do artigo 1ª Conferência pelo Progresso Feminino e o “bom” feminismo, de autoria da antropóloga Maria Elizabeth Brêa Monteiro, do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras do portal.  A série surgiu ancorada em dois eventos: a Semana de Arte Moderna, em São Paulo; e a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, no Rio de Janeiro. Ao longo de 2022, foram publicados 11 artigos abordando alguns dos mais significativos acontecimentos no país, que completaram 100 anos. O movimento feminista não poderia deixar de estar representado. A 1ª Conferência pelo Progresso Feminino aconteceu entre 19 e 23 de dezembro, no edifício Silogeu, do Instituto dos Advogados, no centro do Rio de Janeiro, e em Petrópolis. É também o décimo segundo artigo da série “Feministas, graças a Deus”.

 

 

 

1ª Conferência pelo Progresso Feminino e o “bom” feminismo

Maria Elizabeth Brêa Monteiro*

 

As duas primeiras décadas do século XX foram marcadas, no Brasil e no mundo, por eventos decisivos que repercutem, de diferentes formas, nos dias de hoje. A 1ª Guerra Mundial, a Revolução Comunista e seus desdobramentos mudaram o curso da história e a forma como se passou a refletir sobre o futuro.

No Brasil, o novo século se fez sentir pela busca de ares civilizados para uma República recente, ainda muito balizada por valores e traços escravagistas. Uma ampla reforma urbana foi iniciada com o objetivo de dar à capital do país uma nova imagem sintonizada com os valores europeus da Belle Époque. Velhos edifícios e cortiços foram demolidos afastando a população pobre do centro da cidade. Um extenso programa de alargamento das ruas na área central e a canalização de alguns dos principais rios compunham o programa de saneamento básico. Contudo, essas transformações urbanas não conseguiram alijar o caráter conservador de uma sociedade que se pretendia moderna sem renunciar a seus privilégios.

 

Acessando o link para as imagens da 1ª Conferência pelo Progresso Feminino disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Nesse contexto, o ano de 1922 teve um caráter insigne. A par da realização da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, foi organizada, no Rio de Janeiro, a Exposição do Centenário da Independência. A ideia de apresentar ao mundo uma nação moderna, respeitada entre as demais, com laços diplomáticos que se estendiam por todo o globo e integrada aos progressos e tecnologias de sua época, norteou as festas do Centenário da Independência do Brasil. Para a abertura da exposição, foram aceleradas as obras de desmonte do Morro do Castelo e do aterro da Praia de Santa Luzia, abrindo espaço para os palácios e pavilhões que apresentavam as vistosas construções e os avanços industriais do Brasil e de outras nações.[1]

 

 

Paralelamente, outros eventos, de natureza não tão comemorativa, ocorreram em 1922. O movimento tenentista e a fundação do Partido Comunista no Brasil acenavam para problemas políticos, para a constituição de um proletariado urbano e um adensamento da camada pobre da população que se apresentavam como novos atores da arena política.[2] O ano também foi pontuado pelo crescimento do feminismo e pela criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, entidade presidida por Bertha Lutz até 1942, tendo como principal bandeira de luta a conquista do sufrágio universal, bandeira esta apresentada desde a instauração da República, mas que foi negada pelo Congresso Constituinte em 1891.[3]

 

 

Durante a década de 1920 a reivindicação pelo voto feminino se intensificou. De acordo com June Edith Hahner:

“Como o descontentamento político e os protestos contra a oligarquia arraigada cresciam, tornava-se maior a possibilidade de direito ao voto feminino encontrar seu lugar em meio às exigências de reforma eleitoral da classe média urbana.”[4]

Após a participação de Bertha Lutz como delegada oficial do Brasil na I Conferência Panamericana de Mulheres, realizada em Baltimore, Estados Unidos, é fundada, a 19 de agosto de 1922, a Federação Brasileira das Ligas pelo Progresso Feminino que, dois anos depois, passou a se chamar Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), com sede no Rio de Janeiro.

Bertha, em sua viagem aos Estados Unidos representava a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher (LEIM), concebida para estudar os diferentes aspectos do movimento feminista e lutar pelos direitos femininos. Cabe mencionar que a sua participação no evento norte-americano é considerada por alguns autores, como June Hahner, um novo rumo para o movimento feminista, abrindo espaço para temas como bem-estar das crianças, a questão do trabalho feminino nas indústrias, o tráfico de mulheres, a educação feminina e o estatuto político e civil das mulheres, o que ensejou a elaboração de um novo estatuto para a Liga cujos objetivos abarcaram a emancipação feminina em todos os níveis desde a promoção da educação até a proteção às mães e a infância; a proteção para o trabalho feminino; a orientação para profissões; a conquista de direitos civis e políticos e a manutenção da paz mundial.[5]

Nessa conferência, quando se reuniram cerca de 2.000 mulheres, Bertha estreitou os laços com Carrie Chapman Catt, fundadora da Associação Nacional do Sufrágio Feminino dos Estados Unidos e presidente da recém-criada Associação Pan-Americana de Mulheres para a qual Bertha Lutz foi indicada vice-presidente.

 

 

Carrie Catt, que visitava um país sul-americano pela primeira vez, foi a personalidade estrangeira mais prestigiada durante a I Conferência pelo Progresso Feminino, realizada de 19 a 23 de dezembro no edifício Silogeu, do Instituto dos Advogados, no centro do Rio de Janeiro e em Petrópolis. Bertha, em seu discurso de saudação, dirige-se a Carrie como a “valorosa pregoeira do sufrágio feminino” que vem ao Brasil para exortar a “união de todas as mulheres em prol de grandes ideaes que devem congregar-nos para o bem, senão para a salvação da humanidade.”[6] A conferência contou também com a participação da escritora, jornalista, iluminista, abolicionista, defensora da educação e das ideias feministas Julia Lopes de Almeida[7] como presidente de honra.

 

 

Como presidente da conferência Bertha enviou farta correspondência a autoridades estrangeiras e de instituições brasileiras no sentido de prestigiarem o evento destinado a “deliberar questões de ensino e instrução feminina, oportunidades de ação, condições de trabalho e carreiras abertas à mulher, métodos de evidenciar o seu desenvolvimento e progresso, assistência e proteção à mesma, bem como o seu papel como fator no lar e na comunidade, suas funções e responsabilidade na vida dos povos, na elevação dos ideais do mundo civilizado, na aproximação das nações e na manutenção da paz”.[8]

A conferência contou com uma significativa delegação brasileira, representando Pernambuco, Paraíba, Bahia, Sergipe, Pará, Santa Catarina, Amazonas, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Paraná, além de entidades como a Cruzada Nacional contra a Tuberculose; o Centro Social Feminino; a Liga de Professores; a Cruz Vermelha; a Legião da Mulher Brasileira; a União dos Empregados do Comércio. Marcou presença também Nair Coimbra, filha do vice-presidente da República Estácio Coimbra, senadores, deputados, médicos e advogados. As representações estrangeiras emprestaram uma atenção especial da imprensa que noticiou praticamente todos os dias da conferência, informando sobre o programa a ser seguido, temas abordados e palestrantes das sessões.[9] Vieram ao Brasil para o evento, além de Carrie Chapman, Elisabeth Babcock e Anita van Lennep (EUA), Rosette Susana Anus (Holanda), Ana de Castro Osório (presidente da Associação Feminina de Portugal)[10], srta. Pidgeon (Departamento Nacional de Agricultura de Washington), sra. Abels (Liga pelas Relações Pacíficas Internacionais).

 

 

Para a conferência, que buscava dar visibilidade internacional para o Brasil como um país afinado às formas progressistas e libertárias da modernidade, entre as quais poderiam ser enquadradas as recentes e tímidas demandas feministas da Federação, foram constituídas seis comissões, a saber: ensino e instrução; carreiras apropriadas à mulher; direito da mulher; indústria; comércio e profissões liberais; assistência às mães e à infância.[11]

 

 

A tese geral da conferência foi “a colaboração da Liga pelo Progresso Feminino na educação da mulher no bem social e aperfeiçoamentos humanos” e apresentava como um de seus objetivos “deliberar sobre questões práticas de ensino e instrução feminina”. Assim, o tema educação configurou-se como transversal da conferência. A inclusão social das mulheres no espaço público por meio da educação as tornava mais capazes de pleitear o direito ao voto, incrementava os direitos sociais e políticos de uma parcela significativa da população que havia sido historicamente excluída da esfera pública. [12] Da Comissão de Educação e Instrução foi integrante Carneiro Leão, diretor de Instrução Pública do Distrito Federal, Esther Pedreira de Mello; Benevenuta Ribeiro, diretora da Escola Profissional Feminina Rivadávia Correa; Maria Xaltrão Gaze, diretora da Escola de Aplicação; delegadas da Diretoria da Instrução Pública do Distrito Federal; Branca Canto de Mello pela Liga Paulista pelo Progresso Feminino e os deputados José Augusto e Tavares Cavalcante.[13] Os temas de discussão selecionados foram ensino primário; ensino profissional, doméstico e agrícola; educação cívica; ensino secundário e superior.

Em seu discurso de 23 de dezembro de 1922, Anna Cesar, presidente da Legião da Mulher Brasileira destaca a instrução como “o principal veículo da propaganda feminista no Brasil, a fim de podermos vencer as barreiras dos mal-entendidos preconceitos e de outros prejuízos gerados da ignorância.”[14]

 

 

Outros temas tiveram espaço durante a conferência, como assistência à infância, ensino doméstico que “compreende essencialmente, e sobretudo, a cozinha e o arranjo de casa, os cuidados com que as crianças devem ser tratadas assim como as pessoas de casa, e o conhecimento de tudo que pode tornar agradável e confortável o interior de uma casa”[15] ou questões de eugenia relativas ao casamento apresentadas pelo dr. Renato Kehl [16] Nos trabalhos sobre o papel da mulher no comércio, na indústria, na lavoura e no funcionalismo, o Jornal do Brasil, em sua edição de 22 de dezembro, noticia que “tomaram parte, com muito brilhantismo, as senhoritas Carmen Cunha e Nair Braga das casas A Pompéa e A Capital, como delegadas da União dos Empregados do Commercio do Rio de Janeiro, defendendo uma tese apresentada pela associação de classe.”

O segundo dia da conferência teve como destaque a fundação da Aliança Brasileira pelo Sufrágio Feminino, na sessão Direitos da Mulher, com o intuito de se dedicar, unicamente, pela aprovação do voto feminino. O senador Justo Chermont, autor do projeto que estava sendo analisado no Senado em prol do sufrágio feminino, foi homenageado nessa sessão, inclusive por Carrie Chapman.[17]

O dia 22 de dezembro concentrou as últimas reuniões dos grupos de trabalho. A última palestra intitulada “O papel da mulher na civilização” foi ministrada por Carrie Chapman Catt, em sessão presidida pelo senador Lauro Muller. Em sua palestra, Chapman lembrou que nas democracias o governo é do povo e o povo compreende também a mulher, ressaltando o papel desta na evolução social, defendendo a intervenção da mulher na vida pública e afirmando que seria o Brasil na América do Sul o primeiro país a conceder-lhe direito.[18]

 

 

Ao longo da conferência uma série de eventos sociais recepcionaram participantes e organizadores. Aproveitando a realização da Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizou-se uma visita ao pavilhão da Noruega. Um passeio a Teresópolis também foi oferecido.

 

 

No encerramento, foram proferidos discursos por Evaristo de Moraes, que pediu o auxílio da mulher na “propaganda humanitária e moral da sociedade com processos mais inteligentes que os que vigoram”, por Lopes Gonçalves, que falou longamente sobre a constitucionalidade do direito de voto da mulher e prometeu bater-se por ele, na tribuna popular, no jornalismo e no Parlamento; e por Lauro Müller, que aconselhou as entusiastas dos direitos políticos da mulher a conquistarem esses direitos pela ação e pelo trabalho, demonstrando aos homens que mereceriam esses direitos pela educação e “pelo seu próprio valor”.[19]

 

 

Mesmo com ambiguidades presentes no movimento feminista, também percebidos durante a I Conferência, as mulheres iam introduzindo mudanças nos mecanismos de conquista de direitos. Empunhando, assim, a bandeira do voto feminino, rumava-se, na estratégia de Bertha e suas companheiras de Federação, de maneira cordial para a defesa da emancipação da mulher e a conquista de direitos. Essa postura, identificada por alguns pesquisadores, com um “feminismo bem-comportado”[20], voltado para os anseios das mulheres das classes média e alta, de alguma forma se contrapunha ao feminismo sustentado por Maria Lacerda de Moura, tido como “mal-comportado” ao atentar para os direitos das trabalhadoras das classes baixas e para a liberdade sexual.[21]

Os temas escolhidos para serem debatidos na conferência, isto é, a forma como a questão da emancipação feminina estava sendo pensada pelo grupo, expõem as estratégias utilizadas e que acabaram por consolidar a imagem de representantes no Brasil. Mudar a visão da sociedade brasileira em relação à mulher considerada a “rainha do lar”, debater sobre a formação do magistério, a nacionalização do ensino público, o acesso da mulher ao mercado de trabalho e igualdade salarial orientavam essa atuação. A questão da cidadania constituía-se no debate em torno de direitos civis, que englobava o acesso ao voto e ao divórcio, maternidade, igualdade salarial e proibição do trabalho noturno às mulheres, e se misturavam com perspectivas de proteção e de conquista de direitos.[22] As deliberações da conferência revelam uma estratégia conciliadora de assegurar um lugar no espaço público, sem afetar o papel da mulher no seio familiar. A tática era sensibilizar os homens nos cargos de poder a aceitarem suas demandas, denotando o “bom” feminismo.[23]

 

* Maria Elizabeth Brêa Monteiro é antropóloga do Arquivo Nacional

 

[1] Ver a exposição virtual “O Rio do morro ao mar” em http://exposicoesvirtuais.an.gov.br/index.php/galerias/10-exposicoes/178-o-rio-do-morro-ao-mar.html

[2] Ver http://querepublicaeessa.an.gov.br/serie-especial-independencia/333-o-centenario-em-1922.html

[3] Ver a matéria 1922 – hoje, há 100 anos – a fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, de autoria de Andrea C.T. Wanderleypublicada no portal Brasiliana Fotográfica. Disponível em https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?tag=federacao-brasileira-pelo-progresso-feminino

[4] HAHNER, June Edith. Emancipação do sexo feminino: a luta pelos direitos da mulher no Brasil, 1850-1940. Florianópolis: Ed. Mulheres; Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2003. p.269.

[5] KARAWEJCZYK, Monica. O Feminismo em Boa Marcha no Brasil! Bertha Lutz e a Conferência pelo Progresso Feminino. Revista Estudos Feministas, v. 26, núm. 2, 2018. Disponível em https://www.redalyc.org/jatsRepo/381/38156079025/html/index.html#B12

[6] Ver BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNF_TXT_0002_v_03_d0001, p.1.

[7] Julia participou das primeiras reuniões para a fundação da Academia Brasileira de Letras. Apesar de sua importância como escritora, ela não pôde integrar a ABL uma vez que se optou por manter a Academia exclusivamente masculina, da mesma forma que a Academia Francesa, que serviu de modelo.

[8] Essa correspondência está reunida em BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNF_TXT_0002_v_06_d0001 e BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNF_TXT_0002_v_07_d0001.

[9] O Paiz, 16 dezembro 1922. P. 6

[10] Considerações sobre projetos, redes de sociabilidade do feminismo foram objeto da correspondência entre Bertha e Ana Castro. Essas cartas, que compõem o fundo Federação Brasileira para o Progresso Feminino, do Arquivo Nacional, foram publicadas em “A propaganda feminista luso-brasileira: as cartas de Ana de Castro Osório a Bertha Lutz” de autoria de Eduardo da Cruz e Andreia Monteiro de Castro. Disponível em https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/navegacoes/article/view/32139/17814. Ana de Castro Osório publicou, em 1905, Às Mulheres Portuguesas, o primeiro manifesto feminista português.

[11] Ver Programa da Conferência pelo Progresso Feminino. Fundo FBPF, Arquivo Nacional. BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNF_TXT_0002_v_01_d0001

[12] Ver Relatório dos trabalhos realizados pela Comissão de educação e ensino. Fundo FBPF, Arquivo Nacional. BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNF_TXT_0002_v_02_d0001

[13] BONATO, Nailda Marinho da Costa. O Fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Uma fonte múltipla para a história da educação das mulheres. Acervo, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1-2, jan.-dez. 2005, p. 131-146. Disponível em https://revista.an.gov.br/index.php/revistaacervo/%20article/view/189

[14] Ver BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNF_TXT_0002_v_03_d0001, p.6.

[15] A escola doméstica. Traduzido e compilado por Guilhermina Sassetti Noellner e dedicado a Lydia de Rezende. Fundo FBPF, Arquivo Nacional. BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNF_TXT_0002_v_03_d0001, p. 59-72.

[16] Ver BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNF_TXT_0002_v_05_d0001, p. 24-33.

[17] KARAWEJCZYK, Monica. O Feminismo em Boa Marcha no Brasil! Bertha Lutz e a Conferência pelo Progresso Feminino. Revista Estudos Feministas, vol. 26, núm. 2, 2018. Disponível em https://www.redalyc.org/jatsRepo/381/38156079025/html/index.html#B12

[18] O Paiz, 24 de dezembro de 1922.

[19] O Paiz, 24 de dezembro de 1992. P. 6

[20] Rachel Soihet, em artigo publicado na Revista Brasileira de Educação, em 2000, emprega o termo “feminismo tático” para descrever a forma conciliadora de atuação das federalistas. Disponível em https://www.scielo.br/j/rbedu/a/mJxm348crdgLd4mgqnwMHcd/?format=pdf&lang=pt

[21] Dultra, Eneida Vinhaes Bello. Direitos das mulheres na Constituinte de 1933-1934: disputas, ambiguidades e omissões. Tese em Direito, Estado e Constituição. UnB, 2018. Disponível em https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/34535/1/2018_EneidaVinhaesBelloDultra.pdf

[22] Fraccaro, Glaucia Cristina Candian. Uma história social do feminismo – Diálogos de um campo político brasileiro (1917-1937). Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 31, nº 63, p. 7-26, janeiro-abril 2018, p. 18. Disponível em http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/71642

[23] KARAWEJCZYK, Monica. O Feminismo em Boa Marcha no Brasil! Bertha Lutz e a Conferência pelo Progresso Feminino. Revista Estudos Feministas, vol. 26, núm. 2, 2018. Disponível em https://www.redalyc.org/jatsRepo/381/38156079025/html/index.html#B12

 

Links para os artigos já publicados da Série 1922 – Hoje, há 100 anos

Série 1922 – Hoje, há 100 anos I – Os Batutas embarcam para Paris, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 29 de janeiro de 2022

Série 1922 – Hoje, há 100 anos II- A Semana de Arte Moderna, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 13 de fevereiro de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos III – A eleição de Artur Bernardes e a derrota de Nilo Peçanha, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 1º de março de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos IV – A primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 17 de junho de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos V – A Revolta do Forte de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 5 de julho de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VI – A fundação da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 9 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VII – A morte de Gastão de Orleáns, o conde d´Eu (Neuilly-sur-Seine, 28/04/1842 – Oceano Atlântico 28/08/1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 28 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VIII – A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 7 de setembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos IX – O centenário do Museu Histórico Nacional, de autoria de Maria Isabel Lenzi, historiadora do Musseu Histórico Nacional, publicado em 12 de outubro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos X – A morte do escritor Lima Barreto (1881 – 1922), de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 1º de novembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XV – Misericórdia: rua, largo e ladeira, no Rio de Janeiro, por Cássio Loredano

Série Avenidas e ruas do Brasil  XV – Misericórdia, rua, largo e ladeira, no Rio de Janeiro, por Cássio Loredano

Na décima quinta publicação da série Avenidas e ruas do Brasil a Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores o artigo Misericórdia: rua, largo e ladeira, escrito pelo caricaturista Cássio Loredano. É a terceira contribuição de Cássio no portal – já escreveu sobre a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro e sobre a Rua da Carioca.

 

 

Acessando o link para as imagens da rua da Misericórdia disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Misericórdia: rua, largo e ladeira, no Rio de Janeiro

Cássio Loredano*

 

 

No Guia Rex de 1993, um dos últimos guias de ruas do Rio de Janeiro a serem impressos em papel, a Rua da Misericórdia ainda é apenas um trecho mínimo, de uns trinta metros, entre a lateral esquerda do Forum e o Largo da Misericórdia. Quem hoje a procure caminhará sobre a bonita restauração ajardinada da Praça do Expedicionário, ao fundo da qual – e muito próximo de onde esteve a velha rua – está o imponente obelisco-monumento ao Barão do Rio Branco. Fazia de fato pena ver o herói durante anos em vergonhoso estado de abandono na praça cercada de horrendos tabiques de lata amarrotados e emporcalhados.

 

 

A rua. (Esqueçamos régua e esquadro no traçado de ruas de cidades orgânicas.) A tirar do rabicho de rua do plano do guia um caminho mais ou menos direito rumo ao Paço Imperial, temos que chegaríamos, rasgando o prédio do Forum de fora a fora em diagonal, à esquina das atuais Rua Erasmo Braga e Avenida Presidente Antônio Carlos. Por ali cerca se dava o que Brasil Gerson, em sua História das Ruas do Rio, chama “o encontro” das ruas Direita e da Misericórdia. Esta, aberta para facilitar o acesso do cada vez mais importante centro administrativo e comercial da cidade a seu hospital, a Santa Casa da Misericórdia, na Praia de Santa Luzia, embrião da primeira faculdade de Medicina do Rio.

 

 

Da Misericórdia foi chamada por causa da Santa Casa e por passar, entre seu início no Paço e o hospital, pelo Largo da Misericórdia, com seu pequenino, lindo templo de Nossa Senhora do Bonsucesso, nos fundos da Santa Casa. E pelo início, aqui também à esquerda, da primeira rua da cidade, a Ladeira da Misericórdia.

 

Ladeira e Rua da Misericórdia / História das ruas do Rio por Brasil Gerson, página 13 da 6ª edição

Ladeira e Rua da Misericórdia, s/d. Rio de Janeiro, RJ / História das ruas do Rio, por Brasil Gerson, página 13 da 6ª edição

 

Este, a Ladeira, foi muito provavelmente o caminho que tomaram Natividade e Perpétua para subir ao Morro do Castelo na primeira cena de Esaú e Jacó, penúltimo romance de Machado de Assis.

“Era a primeira vez que as duas iam ao Morro do Castelo. Começaram de subir pelo lado da rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiavame há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo. Natividade e Perpétua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o Morro do  Castelo, por mais que ouvissem falar dele e da cabocla que lá reinava em 1871, era-lhes tão estranho e remoto como o clube. O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas. “

O morro teve três ou quatro subidas. O escritor Gastão Cruls fala nessa quarta, uma Calçada da Sé, a partir do meio da Rua da Misericórdia, mas que nenhum outro historiador conhece e ela não está em nenhum dos mapas que às dezenas esquadrinharam aquele quadrilátero ao longo das décadas. Tais caminhos se fizeram necessários para dar à cidade que paulatinamente descia à várzea acesso ao que continuava no alto, a Catedral, que, com seu amplo adro de terra batida, atraía multidões para as grandes festas de São Sebastião, o Colégio dos Jesuítas, depois um quartel, um hospital militar e o observatório.

 

 

O que faz supor que foi a Misericórdia que Natividade tomou com a irmã para o morro é Machado indicar que as duas “começaram a subir pelo lado da Rua do Carmo“, isto é, o lado da velha ladeira. E terem deixado o coupé esperando-as meio escondido também daquele lado, no espaço entre a Igreja de São José e a Assembleia, de onde saiu para apanhá-las na esquina de São José com a Rua da Misericórdia e levá-las de volta a Botafogo.

E agora? Se já então constatava Machado que muito carioca nunca tinha estado no morro… E vaticinava, sem poder calcular o alcance do que dizia: “muita [gente] mais nascerá e morrerá sem lá por os pés.

Agora, só guiados pela magia de um Gastão Cruls, de um Brasil Gerson, um Noronha Santos, um Vieira Fazenda, um Lima Barreto, um João do Rio; ou pela magia dele próprio, o “Bruxo do Cosme Velho”, como Machado de Assis ficou conhecido.

 

 

 

 

* Cássio Loredano é jornalista e caricaturista. E, sobretudo, um apaixonado pelo Rio de Janeiro e suas histórias.

 

Links para as outras publicações da série “Avenidas e ruas do Brasil”

 Série “Avenidas e ruas do Brasil” I – Avenida Central, atual Rio Branco, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 7 de setembro de 2016

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A Rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 26 de junho de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” III – A Rua do Bom Jesus, no Recife, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 6 de agosto de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IV – A Rua 25 de Março, em São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 1º de setembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” V – A Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 22 de outubro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI  – Rua Augusto Ribas e outras, em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luiz Bianchi, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 16 de novembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VII – A Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 23 de dezembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil VIII – A Rua da Carioca por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 20 de janeiro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de julho de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” X – A Rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 9 de novembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XI – A Rua da Esperança, em São Paulo, por Vincenzo Pastore, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de dezembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XII – A Avenida Paulista, o coração pulsante da metrópole, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 21 de janeiro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIII – A Rua Buenos Aires no Centro do Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 19 de julho de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIV – A Avenida Presidente Vargas,, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 31 de agosto de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVI – “Alguma coisa acontece no meu coração”, a Avenida São João nos 469 anos de São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 25 de janeiro de 2023

 

 

Dom Pedro II fotografado pelo italiano Luis Terragno (c. 1831 – 1891), Fotógrafo da Casa Imperial

 

No dia do aniversário de dom Pedro II (1825 – 1891), um entusiasta da fotografia como mecenas e colecionador, a Brasiliana Fotográfica publica um retrato do imperador de autoria do italiano Luigi (Luis) Terragno (c. 1831 – 1891), nascido em Gênova, e um dos pioneiros da fotografia no Rio Grande do Sul, a quem o monarca outorgou o título de Fotógrafo da Casa Imperial. Terragno foi o fundador da Loja Maçônica Paz e Ordem, em Porto Alegre, e inventou o fixador à base de mandioca, a pistola Terragno, um aparelho para tirar fotografias instantâneas; o Sinete-Terragno e uma máquina para conservar carnes.

A fotografia de Pedro II foi produzida quando ele estava no Rio Grande do Sul durante a Guerra do Paraguai (1864 – 1870). Esse registro é bastante diferente das fotografias que conhecemos do imperador. Nela, ele está sem as vestimentas reais, trajado como um gaúcho, localizado cultural e geograficamente no Brasil. Segundo a crônica O Velho Pinto, de Achylles Porto Alegre (1848 – 1926), no livro Serões de Inverno (1923), …Luiz Terragno, um fotógrafo de nomeada que tivermos aqui. Era realmente um bom artista, mas ficou muito vaidoso por haver retratado D. Pedro II, quando ele esteve aqui na sua ida para Uruguaiana…”

 

Terragno fotografou, entre 1865 e 1867, outros personagens envolvidos no conflito como o Duque de Saxe (1845 – 1907) e o Conde d´Eu (1842 – 1922) que em seu livro, Viagem Militar ao Rio Grande do Sul, assim se referiu ao fotógrafo, em 8 de agosto de 1865: A pedido do fotógrafo de Porto Alegre, um italiano, fui-me retratar de poncho e chapéu mole…

Algumas dessas fotos e outras também de autoria de Terragno, de vistas de Porto Alegre, foram exibidas na Exposição de História do Brasil realizada pela Biblioteca Nacional e aberta por Pedro II, em 2 de dezembro de 1881, dia em que o monarca completava 56 anos. A exposição foi um dos mais importantes eventos da historiografia nacional.

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Luis Terragno disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

No período em que atuou no Rio Grande do Sul, do início da década de 1850 a 1891, Luis Terragno testemunhou o crescimento e desenvolvimento de Porto Alegre que, entre 1820 e 1890, passou de cerca de 12 mil habitantes para pouco mais de 52 mil. Os colonos alemães começaram a chegar a partir de 1824 e, os italianos, a partir de 1875. Foi, no estado, contemporâneo dos fotógrafos Justiniano José de Barros (18? -?), de Madame Reeckel (1837 – 19?), de Rafael Ferrari (18? -?) e de Thomas King, dentre outros. Este último também foi agraciado com o título de Fotógrafo da Casa Imperial.

Ao longo de sua carreira de fotógrafo, Terragno ofereceu diversos serviços e produtos como, por exemplo, cursos e câmeras para amadores, além de ter investido em técnicas como a estereoscopia e, depois, a impressão fotográfica sobre superfícies diversas – borracha, mármore, porcelana, tecido etc. Teve estabelecimentos fotográficos em diversos endereços de Porto Alegre.

 

Faça Chuva ou Faça Sol: fotógrafos em Porto Alegre (1849 - 1909), página 353.

Faça Chuva ou Faça Sol: fotógrafos em Porto Alegre (1849 – 1909), página 353.

 

Em 1850, já estava no Brasil e atuava como fotógrafo itinerante na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Em 1851, atuou em Pelotas. Retornou a Rio Grande, onde permaneceu entre agosto e novembro de 1853, tendo chegado, em Porto Alegre, provavelmente, pouco depois. Casou-se, em 28 de julho de 1855, na Freguesia do Rosário, com Balbina Rita Círio. Tiveram cinco filhos: Luiza (1858-?), Vitor (1861-?), Cândido (1863 – ?), Luís (1867 – ?), Antonio (1875 -?) e Olimpio (18? -?).

 

Passaporte de Terragno 1852 / Acervo AHRS

Passaporte de Luis Terragno,  1852 / Acervo AHRS

 

“Aos vinte e oito dias do mês de julho de mil oitocentos e cinquenta e cinco anos, na casa da residência de João Vicente Bartholomeu Cirio, sita na freguesia de Santa Ana do Rio dos Sinos, em Oratório aprovado para esse fim, pelas oito horaas da tarde, depois de feitas as diligências do estilo, e não havendo impedimento algum na forma do Sagrado Concílio Tridentino, e Cobnstituição do Bispado, por provisão do Excelentíssimo Senhor Cônego Provisor, Vigário Geral deste Bispado Thomé Luiz de Souza, perante mim e das testemunhas Patricio D´Azambuja Cidade, e Luiz Gambarro, se receberam em matrimônio com palavras de presente, e que expressaram no mútuo consentimento os contraentes Luiz Terragno, e D. Balbina Rita Ciro [sic], esta natural desta cidade, filha legítima de João Vicente Bartholomeu [sic], e Dona Rita Joaquina da Conceição, aquele natural da Itália, filho legítimo de Domingos Antônio Terragno, e Angela Maria Peligrinni; receberam as bençãos matrimoniais, e para constar mandei fazer esse termo que assino.

O Vigário José Ignácio de Carvalho e Freitas”

Livro 2º de Casamentos da Freguesia do Rosário (1844 – 1862), folha 16.

Faça Chuva ou Faça Sol: fotógrafos em Porto Alegre (1849 – 1909)

 

Inicialmente, Terragno teve, em Porto Alegre, um estabelecimento fotográfico na Rua do Rosário, esquina coma Rua da Alegria, com o pintor italiano Bernardo Grasselli (? – 1883) que, após passar alguns anos no Uruguai, foi, em 1853, morar, em Porto Alegre. Foi professor de artes e cenógrafo, além de ter colaborado na revista literária O Guaíba. A sociedade duraria cerca de um ano. Deixou de trabalhar com o daguerreótipo e passou a trabalhar com retratos de eletrótipo, um processo mais rápido que permitia fotografar crianças com facilidade.

 

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O Mercantil, 8 de abril de 1854

 

Em 1855, seu estabelecimento ficava na Rua de Bragança, 208, atual Marechal Floriano.

 

O Mercanil, 29 de novembro de 1855

O Mercantil, 29 de novembro de 1855

 

Em 1860, voltou a montar um ateliê onde se localizava seu primeiro estabelecimento. Ao longo dessa década, introduziu, em Porto Alegre, a fotografia estereoscópica.

 

Ateliê de TErragno na rua do Rosário esquina com rua da Alegria, em Porto Alegre, 1862 / Acervo de Carlos Henrique Bertelli

Ateliê de Terragno na Rua do Rosário esquina com Rua da Alegria, em Porto Alegre, 1862 / Acervo de Carlos Henrique Bertelli

 

Neste mesmo ano, trabalhou na cidade de Rio Grande e também em Pelotas, em abril e maio, respectivamente (O Commercial, 4 de abril de 1860; Brado do Sul, 27 de maio de 1860).

Em 1861, divulgou sua invenção: o fixador à base de mandioca. Em 1863, anunciava que em seu estabelecimento tiram-se retratos pelo novo sistema “Alabastrino” cujos retratos são de uma finura e delicadeza superior a tudo o que se tem feito até hoje (O Mercantil, 21 de agosto de 1863).

 

Terragno conquistou a segunda menção honrosa na II Exposição Nacional de 1866, realizada no Palácio da Moeda do Rio de Janeiro entre 19 de outubro e 16 de dezembro de 1866 (Correio Mercantil, 11 de fevereiro de 1867, quarta coluna). O pintor Victor Meirelles (1832 – 1903) foi jurado da seção “Fotografia” e, segundo Tadeu Chiarelli, com o texto que escreveu para o capítulo “Fotografia”, que constou no Relatório sobre exposição, o pintor traçou …aquela que talvez seja a primeira história da fotografia escrita no Brasil (talvez a primeira em língua portuguesa)…

‘A descoberta da fotografia, importante auxiliar das artes e ciências, e que há mais de meio século preocupava o espírito de doutos tornando-se objeto de estudo de alguns sábios da Inglaterra e da França, só nesses últimos tempos atingiu ao grande aperfeiçoamento que apresenta e que bem pouco deixa a desejar’.

O pintor deixou claro seu amplo conhecimento sobre o assunto, desde sua história até as peculiaridades dos processos fotográficos já desenvolvidos. Mostrou-se também entusiasmado com as aplicações da fotografia. Seu julgamento das obras expostas expressava rigor crítico e admiração. Usou em sua avaliação valores e parâmetros que eram, tradicionalmente, utilizados na crítica de pinturas como, por exemplo, os efeitos de luz e a nitidez das imagens. Com sua apreciação, Meirelles incentivou o diálogo entre a fotografia e a pintura.

A classe de “Fotografia” foi dividida entre “panoramas”, “panoramas  diversos para álbuns”, “estereoscópios”, “álbuns” e “retratos”. Foram premiados com medalha de prata José Ferreira Guimarães (1841 – 1924)Joaquim Insley Pacheco (18? – 1912), Carneiro & Gaspar, Augusto Stahl (1828 – 1877) & Germano Wanchaeffer (1832 – ?) e E.J. Van Nyvel; com medalha de bronze Christiano Junior (1832 – 1902), Modesto e Jacy Monteiro & Lobo. Finalmente, além de Terragno, obtiveram menções honrosas José de Melo Arguelles,  João Ferreira Villela (18? – ?) e Leon Chapelin (18? -?). Na categoria “Paisagem”, a medalha de prata foi obtida por Georges Leuzinger (1813 – 1892).

 

 

Sobre Terragno, Meirelles escreveu:

“Não são inteiramente privadas de merecimento as provas fotográficas enviadas por este senhor. Nota-se o retrato de uma senhora que foi também reproduzido sobre fino tecido de um lenço; bem como as outras provas, representando algumas vistas”.

Terragno ofereceu uma doação em dinheiro aos enfermos vítimas da epidemia de cólera, em 1867 (Relatório dos Presidentes das Províncias Brasileiras : Império (RS), 1867). Neste mesmo ano, vendeu todo seu acervo e material, anunciando sua partida ao exterior mas, em 1868, voltou a Porto Alegre e abriu um novo estúdio, na Rua da Ponte, 237.

Era maçom e foi um dos fundadores, em 24 de setembro de 1869, da Loja Luz e Ordem. Foi eleito seu primeiro administrador.

Em 1870, abriu uma filial de seu estabelecimento fotográfico na rua dos Andradas, 433.

Em 28 de setembro de 1872, foi solenizada a promulgação da lei de 28 de setembro de 1871 com uma festa imponente , em que pela primeira vez na província do Rio Grande do Sul se realizou a cerimônia do batismo maçônico conferido a 25 lowtons. O Irmão Luiz Terragno, venerável da Loja Luz e Ordem executou a liturgia e, em seguida, entregou a uma menina de 10 anos sua carta de liberdade (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril de 1872). Segundo a Grande Loja Maçônica da Cidade de São Paulo, Lowtons  são “filhos, enteados e netos (de ambos os sexos) de maçons desde que tenham idade entre sete e quatorze anos. Ao serem adotados por uma Loja Maçônica, através de uma cerimônia especial de adoção de Lowtons, a Loja contrai para com eles a obrigação de servir-lhe de tutor e guia na vida social”.

 

 

 

 

Esteve presente à celebração do padroeiro da Loja Maçônica Progresso e Humanidade, em Porto Alegre (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril a julho de 1874).

 

 

Participou de uma cerimônia maçônica de juramento de adesão da Loja Luz e Ordem ao Grande Oriente Unido do Brasil, reconhecendo-a como a única potência macônica legítima do Império (O Maçon: órgão da maçonaria (RS), 15 de julho de 1874).

 

 

Foi citado no artigo A emigração para o Brasil, publicado no Giornalle delle Colonie, de Roma (A Nação, 24 de setembro de 1874).

 

 

Como venerável da officina batizou quatro lowtons na celebração do padroeiro São João da Loja Maçônica Luz e Ordem (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril a agosto de 1875Maçon: órgão da maçonaria (RS), 1º de julho de 1875, primeira coluna).

Em abril de 1875, foi inaugurada  a segunda Exposição Provincial do Rio Grande do Sul ou Exposição Commercial e Industrial, uma mostra de agricultura, indústria e comércio, realizada no Edifício do Atheneo Rio Grandense, em Porto Alegre. Segundo o historiador Athos Damasceno (1902 – 1975), foi Carlos von Koseritz (1830 – 1890), jornalista, poeta e importante personalidade da colônia alemã no sul do Brasil durante o Segundo Império, quem sugeriu a inclusão na exposição “de uma seção especial destinada a exibição de obras de arte, assim imprimindo no parque um cunho de sensibilidade e cultura…”(Relatórios dos Presidentes das Províncias Brasileiras: Império (RS), 11 de março de 1875).

Dois fotógrafos apresentaram seus trabalhos nesta exposição: Madame Reeckell (1837 – 19?) e Terragno (18? – 1891), que, a esta altura, possuía estabelecimentos fotográficos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (O Despertador, 19 de novembro de 1875, primeira coluna).

 

 

 

Houve uma polêmica em torno do sistema fotográfico  À luz tangente entre Terragno e a fotógrafa Madame Reeckell (1837 – 19?) que no jornal A Reforma, de 4 de agosto de 1870, publicou:

“Luz Tangente. O sr. Terragno, em a pedido inserto no Riograndense, tratando dos retratos à luz tangente, diz que os não tiro pelo mesmo sistema dos seus. Os retratos chamados pelo sr. Terragno de à luz tangente –  são na minha opinião iguais aos que tiro e tenho anunciado. Quem quiser convencer disso venha à minha casa para ver os retratos que tenho tirado e outros de fotógrafos do Rio de Janeiro, também do mesmo sistema, isto é, preferindo-se os dias escuros para o trabalho dessa qualidade de fotografias. O sr. Terragno é injusto quando atribui-me querer imitá-lo, dando o nome de retratos – à luz tangente – que só s.s. pode tirar, quando é certo que os tiro há muito tempo. Desafia-me a apresentar os aparelhos e ingredientes que são precisos. Poderá vê-los  quem quiser. O sistema é simples e não faço mistério para com as pessoas que, visitando a minha galeria, pedem par ver os aparelhos de que me sirvo. Quanto a supor que usei do emblema seu no meu anúncio publicado na Reforma, declaro que nada tenho com isso. E o sr. Terragno com aquela empresa deve entender-se a respeito. M Reeckell”.

Na IV Exposição Nacional de 1875, inaugurada em 12 de dezembro e finda em 16 de janeiro de 1876, Terragno recebeu uma Medalha de Mérito. Exibiu fotografias do mercado e da estação de bondes de Porto Alegre e quatro retratos no formato carte de visite. Indicando o espírito tecnológico dessa exposição, havia uma classe intitulada Aparelhos e métodos fotográficos, onde Terragno apresentou o fixador à base de mandioca que havia inventado.

“O ácido da mandioca é um produto tóxico de um cheiro característico, e não consta que tenha sido analisado. Em 1861 extrai uma quantidade equivalente mais ou menos a duas onças, fiz algumas aplicações na fotografia e vi que substituía com grande vantagem o ácido acético e ainda o ácido fórmico.

Se ao banho revelador de ferro se substituir o ácido acético pelo da mandioca, pode-se diminuir de metade a exposição (pose), e geralmente o negativo não necessita de reforço.

Este ácido não ataca o ouro nem a prata; ataca porém energicamente o alumínio e o magnésio, e produz sais deliquescentes.

Tendo preparado um sal de ferro, atacando este metal por uma mistura de 1 parte de ácido sulfúrico e dois partes de ácido de mandioca, a cujo sal dou o nome de sulfo-mandiocate de ferro, o qual emprego em lugar do sulfato de ferro: torna-se o revelador por excelência, porque não só permite diminuir muito a exposição, como acusa os mais pequenos (sic) detalhes, mesmo nos lugares em que a ação da luz for muito fraca.

Quando o Sr. d´Ormano foi à Europa “incorporar a Companhia do gás” levou um frasquinho deste ácido para “mandar analisar em Paris”; em consequência da guerra franco-prussiana, e outros inconvenientes, resultou que o senhor d´Ormano na sua volta me devolvesse o ácido sem ter sido analisado.

“As minhas ocupações”, e mesmo “a falta de certos recursos não me têm permitido fazer outras experiências”; creio, porém, que este ácido convenientemente analisado pode ter diversas aplicações nas artes e indústria e mesmo em medicina, e teria a vantagem de se aproveitar de um produto natural, que é deitado fora, pois que ele é extraído da água de mandioca. 

O processo da extração não é difícil, bem que um tanto laborioso”. 

Luis Terragno no Catálogo da Exposição de 1875

 

Dentre outros, também participaram da exposição os fotógrafos Alberto Henschel (1827 – 1892)Augusto de Azevedo Militão (1837 – 1905)Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903) e Georges Leuzinger (1813 – 1892) (Jornal do Commercio, 4 de fevereiro de 1876, segunda colunaDiário do Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1876, última coluna).

Marc Ferrez (1843 – 1923) apresentou, na seção de Obras Públicas da IV Exposição Nacional, dois álbuns com imagens dos recifes de Pernambuco, do baixo São Francisco e da cachoeira de Paulo Afonso, além de registros de corais e madrepérolas. As imagens, produzidas durante a viagem da Comissão Geológica, foram projetadas por Ferrez durante uma conferência do professor Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), chefe da comissão (Diário do Rio de Janeiro, 27 e 28 dezembro de 1875, primeira colunaO Globo, 4 de janeiro de 1876, na penúltima coluna, e Diário do Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1876, quarta coluna).

Em um anúncio, Terragno informava que não produzia fotos de crianças aos domingos e em dias santos (O Despertador, 9 de novembro de 1875).

 

 

A Grande Loja Maçônica Provincial de Porto Alegre havia sido regularizada em 14 de dezembro de 1875 por Terragno e outros maçons (Boletim do Genrande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), janeiro a abril de 1876). Ele era o segundo grande vigilante da Grande Loja Provincial de São Pedro do Rio Grande do Sul ao oriente de Porto Alegre; e também o athers da Loja Paz e Ordem (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), página 464 e página 495, maio a agosto de 1876).

Em 1876, Terragno e os fotógrafos Marc Ferrez (1843 – 1923)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), e José Tomás Sabino (18? – c. 1881) participaram da Exposição Internacional da Filadélfia, nos Estados Unidos, aberta em 10 de maio. O New York Commercial Advertiser, de 29 de maio de 1876, publicou um artigo que informava que “riquíssimas fotografias da exploração geológica a cargo do professor Hartt” haviam sido apresentadas pelo Brasil na Exposição Universal da Filadélfia aberta em 10 de maio. Fotografias de Ferrez realizadas para a Comissão Geológica do Império foram premiadas com  medalha (The Rio News, 5 de agosto de 1879). Insley Pacheco também recebeu uma medalha por suas fotografias (O Liberal do Pará, 28 de novembro de 1876, na segunda coluna e Diário do Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1876, na sexta coluna). Uma curiosidade: a comissão de organização da Exposição da Filadéfia modificou as regras da premiação: os ganhadores receberiam um diploma, uma medalha de bronze e uma cópia certificada do parecer do júri, rompendo com o padrão de premiação hierárquica.

Neste mesmo ano, Terragno anunciou a venda de aparelhos fotográficos para amadores. Segundo o anúncio, com essas máquinas qualquer pessoa pode se divertir a tirar retratos e vistas e que para sso bastariam poucas aulas (A Reforma, 24 de novembro de 1876).

Em 1877, anunciou que só em seu estabelecimento, na Praça Conde d´Eu, se tiravam retratos com o novo e magnífico sistema non pareil que conferia à arte fotográfica beleza, delicadeza, suavidade, e o que é mais que tudo uma perfeita conservação, a qual garantimos (A Reforma, 7 de julho de 1877).

Pediu e teve negado pelo presidente da Seção de Geologia Aplicada e Química do Governo Imperial, Antônio Correa de Souza Costa, em 31 de dezembro de 1878, o privilégio para fabricar álcool e um ácido sui generis extraido da mandioca (O Auxiliador da Indústria Nacional, janeiro de 1879; Jornal do Commercio, 30 de janeiro de 1879, segunda coluna).

 

 

Em 1881, anunciou que em seu ateliê, na Praça da Alfândega, 294, oferecia Retratos Victoria em quadros dourados, entregues 5 minutos depois de tirados (Jornal do Commercio (RS), 15 de novembro de 1881).

No mesmo ano, participou da Exposição Provincial Brasileira-Alemã do Rio Grande do Sul. Havia inventado a pistola Terragno, um aparelho para tirar fotografias instantâneas (Gazeta de Notícias, 6 de dezembro de 1881, quarta colunaA Pacotilha (MA), 25 de dezembro de 1881, segunda coluna).

 

 

Como já mencionado, em 1881, Terragno participou da Exposição de História do Brasil realizada pela Biblioteca Nacional, aberta em 2 de dezembro, quando Pedro II completava 56 anos. Foi organizada por Benjamin Franklin de Ramiz Galvão (1846 – 1938), diretor da Biblioteca Nacional de 1870 a 1882.

“…a exposição buscou reunir uma grande massa de publicações sobre a história do país, tendo como objetivos, em primeiro lugar, recolher e localizar documentos que pudessem ajudar a compreender a história brasileira; em segundo lugar, favorecer a organização de um catálogo em que diversos tipos de documentos de vários momentos da história do país poderiam ser localizados, ordenados e divulgados aos estudiosos”.

 Biblioteca Nacional

 

Terragno expôs as seguintes fotografias:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Thumbnail

Luis Terragno. Antônio Gomes, soldado paraguaio, 27 de abril de 1867 / Acervvo FBN

 

 

 

 

 

Também na Exposição de História do Brasil da Biblioteca Nacional foi apresentado o álbum Vistas fotográficas da Colônia Dona Francisca, importante conjunto iconográfico da colonização alemã no sul do Brasil, dedicado ao imperador dom Pedro II. As imagens foram produzidas, em 1866, por Johann Otto Louis Niemeyer, fotógrafo, provavelmente, de origem alemã. Imagens produzidas por Augusto Riedel (1836 – ?) também foram expostas (Catálogo da Exposição de História do Brasil 1881-2, vol.2, páginas 1415, 1416, 1422, 1456, 1508 e 1612).

Em 1882, o estabelecimento de Terragno, em Porto Alegre, ficava na Praça da Alfândega.

Em 29 de setembro de 1883, foi naturalizado brasileiro.

Foi noticiado que ele estava no Rio de Janeiro e que havia inventado sinetes foto-metálicos, o Sinete-Terragno, que em vez da firma dão o retrato do dono. Foi concedido a ele, em 1º de setembro, o privilégio de invenção durante 15 anos (Revista de Engenharia, 1883, segunda coluna; Correio Paulistano, 6 de setembro de 1883, última colunaGazeta de Notícias, 5 de outubro de 1883, sexta coluna; A Federação, 24 de julho de 1884, terceira coluna).

 

 

 

Gazeta de Porto Alegre, 27 de setembo de 1883

Gazeta de Porto Alegre, 27 de setembo de 1883

Anunciou ter recebido dos Estados Unidos um novo aparelho, o Megapito, por meio do qual pode, com qualquer tempo, sem auxílio de luz solar, tirar retratos de tamanho natural (O Despertador, 12 de julho de 1884, primeira coluna).

 

 

Leiloou os móveis, livros e material fotográfico de sua moradia e ateliê, na Rua dos Andradas. Em 20 de março de 1885, partiu de Porto Alegre com sua família, a bordo do Victoria. Estabeleceu-se em Pelotas (A Federação (RS), 24 de fevereiro de 1885, última coluna; e A Federação (RS), 27 de fevereiro de 1885, última coluna; A Federação (RS), 21 de março de 1885, segunda coluna; Correio Mercantil, 12 de agosto de 1885).

 

 

Ainda neste ano, escreveu um perfil do jovem Fausto Werner (1863 – 1927), futuro constituinte de 1892 e deputado estadual de Santa Catarina (O Estudante (SC), 1º de outubro de 1885).

Em janeiro de 1887, voltou a Porto Alegre, na Rua de Bragança (A Federação (RS), 4 de março de 1887, última coluna).

Em 1888, um de seus filhos tornou-se seu sócio no estúdio fotográfico, que se mudou para a Rua do General Câmara, nº 46. Este foi,o último endereço de seu ateliê, fechado e vendido, em 1889 para o fotógrafo Ciro José Pedrosa.

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Inventou, em 1890, uma máquina para conservar carnes (A Federação: órgão do Partido Republicano (RS), 18 de junho de 1890, segunda coluna).

 

 

Luis Terragno faleceu, em 16 de setembro de 1891, de angos pectoris (A Federação (RS), 19 de setembro de 1891, última colunaJornal do Commercio, 27 de setembro de 1891, última coluna).

 

 

Sua missa de um ano foi celebrada na Catedral de Porto Alegre (A Federação: órgão do Partido Republicano (RS), 13 de setembro de 1892, última coluna).

 

 

Fotos de autoria de Terragno integraram a exposição A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, no Centro Cultural do Banco do Brasil, entre 29 de janeiro e 23 de março de 1997. Outros fotógrafos da mostra foram Albert Frisch (1840 – 1918)Albert Richard Dietze (1838 – 1906)Augusto Riedel (1836-?)Benjamin Robert Mulock (1829 – 1863)Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903)Franz Keller-Leuzinger (1835 – 1890)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Henrique Rosen (1840 – 1892)Hercule Florence (1804 – 1879)Jean Victor Frond (1821 – 1881)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912)Louis Niemeyer (18? – ?)Marc Ferrez (1843 – 1923) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), dentre outros. A exposição seguiu para a Pinacoteca de São Paulo (20 de abril a 25 de maio de 1997. Em 4 de julho de 1997, foi aberta no Museo Nacional de Bellas Artes, de Buenos Aires, na Argentina, onde ficou em cartaz até o dia 31 do mesmo mês. Entre 8 de junho e 30 de julho de 2000, a exposição foi apresentada no Centro Português de Fotografia, no Porto, em Portugal.

Fotografias de Terragno foram expostas na mostra Retratos do Império e do Exílio, que ficou em cartaz, no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, entre 22 de fevereiro e 29 de maio de 2011. Foi curada pelo fotógrafo dom João de Orleans e Bragança (1954-) e por Sérgio Burgi (1958 -), Coordenador de Fotografia do IMS e um dos curadores da Brasiliana Fotográfica. Outros fotógrafos da exposição foram  Albert Henschel (1827 – 1882)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), Félix Nadar (1820 – 1910), Otto Hees (1870 – 1941) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886).

 

Acessse aqui a Cronologia de Luis Terragno (c. 1831 – 1891)

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

 

ALEGRE, Achylles Porto. Serões de Inverno. Porto Alegre: Livraria Selbach, 1923.

ALVES, Hélio Ricardo. A Fotografia em Porto Alegre: o século XIX. In: ACHUTTI, Luiz Eduardo (Org.). Ensaios (sobre o) Fotográfico. Porto Alegre: Unidade Editorial, 1998.

BRACHER, Andréa; GONÇALVES, Sandra Maria Lucia Pereira. Luiz Terragno: o início da fotografia no Rio Grande do Sul  in Primórdios da Comunicação Midiática no Rio Grande do Sul. Florianópolis: Insular, 2021. 328 p. p. 63-91

CASTRO, Danielle Ribeiro de . Photographos da Casa Imperial: A Nobreza da Fotografia no Brasil do Século XIX. IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem e I Encontro Internacional de Estudos da Imagem.  Londrina, PR, 07 a 10 de maio de 2013.

Conde d´Eu. Viagem Militar ao Rio Grande do Sul. Belo Horizonte : Editora Itatianai. São Paulo : Ed. da Universidade de São Paulo, 1981.

DAMASCENO, Athos. Colóquios com a minha cidade. Porto Alegre : Globo, 1974.

DUARTE, Miguel Antônio de Oliveira. Faça chuva ou faça sol: fotógrafos em Porto Alegre (1849-1909). Porto Alegre, RS, 2016.

Enciclopédia Itaú Cultural – Bernardo Grasselli e Luis Terragno

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

LENZI, Teresa; MENESTRINO, Flávia. Pioneiros da fotografia em Rio Grande. Indícios de passagens e permanências. Relato de uma pesquisa histórica. Revista Memória em Rede, Pelotas, v.2, n.5, abr. / jul. 2011

MELLO, Bruno Cesar Euphrasio de. A cidade de Porto Alegre entre 1820 e 1890: as transformações físicas da capital a partir das 89 impressões dos viajantes estrangeiros. Dissertação de Mestrado em Planejamento Urbano e Regional – Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

Site Grande Loja Maçônica da Cidade de São Paulo

Site Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul

STUMVOLL, Denise; SILVA, Wellington. Carte de Visite e outros Formatos: retratos no acervo fotográfico do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (1880-1920). Porto Alegre: Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, 2019. I

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

 

Cronologia de Luis Terragno (c. 1831 – 1891)

Cronologia de Luis Terragno (c. 1831 – 1891)

 

 

c. 1831 – Nascimento de Luigi (Luis) Terragno, na Itália, filho de Domingos Antônio Terragno, e Angela Maria Peligrinni.

 

Passaporte de Terragno 1852 / Acervo AHRS

Passaporte de Luis Terragno,  1852 / Acervo AHRS

 

c. 1850 – Passou  por Paris, onde existem registros de suas fotografias.

1850 - Já estava no Brasil e atuava como fotógrafo itinerante em Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

1851 – Atuava em Pelotas, também no Rio Grande do Sul.

1853 - Retornou a Rio Grande e estabeleceu-se, na Rua do Pito, nº 59. O ateliê passou a se chamar Terragno e Cª. e ele permaneceu na cidade de agosto a novembro de 1853.

Chegou em Porto Alegre, provavelmente, ainda em 1853.

1854 – Inicialmente, Terragno teve, em Porto Alegre, um estabelecimento fotográfico na Rua do Rosário, esquina coma Rua da Alegria, com o pintor italiano Bernardo Grasselli (? – 1883) que, após passar alguns anos no Uruguai, foi, em 1853, morar, em Porto Alegre. Foi professor de artes e cenógrafo, além de ter colaborado na revista literária O Guaíba. A sociedade duraria cerca de um ano.

Deixou de trabalhar com o daguerreótipo e passou a trabalhar com retratos de eletrótipo, um processo mais rápido que permitia fotografar crianças com facilidade. Deixou de trabalhar com o daguerreótipo e passou a trabalhar com retratos de eletrótipo, um processo mais rápido que permitia fotografar crianças com facilidade. Tornou-se o principal retratista da capital gaúcha.

 

terragno3

O Mercantil, 8 de abril de 1854

 

1855 – Casou-se, em 28 de julho de 1855, na Freguesia do Rosário com Balbina Rita Círio. Tiveram cinco filhos: Luiza (1858-?), Vitor (1861-?), Cândido (1863 – ?), Luís (1867 – ?), Antonio (1875 -?) e Olimpio (18? -?).

“Aos vinte e oito dias do mês de julho de mil oitocentos e cinquenta e cinco anos, na casa da residência de João Vicent Bartholomeu Cirio, sita na freguesia de Santa Ana do Rio dos Sinos, em Oratório aprovado para esse fim, pelas oito horaas da tarde, depois de feitas as diligências do estilo, e não havendo impedimento algum na forma do Sagrado Concílio Tridentino, e Cobnstituição do Bispado, por provisão do Excelentíssimo Senhor Cônego Provisor, Vigário Geral deste Bispado Thomé Luiz de Souza, perante mim e das testemunhas Patricio D´Azambuja Cidade, e Luiz Gambarro, se receberam em matrimônio com palavras de presente, e que expressaram no mútuo consentimento os contraentes Luiz Terragno, e D. Balbina Rita Ciro [sic], esta natural desta cidade, filha legítima de João Vicente Bartholomeu [sic], e Dona Rita Joaquina da Conceição, aquele natural da Itália, filho legítimo de Domingos Antônio Terragno, e Angela Maria Peligrinni; receberam as bençãos matrimoniais, e para constar mandei fazer esse termo que assino.

O Vigário José Ignácio de Carvalho e Freitas”

Seu estabelecimento ficava na Rua de Bragança, 208, atual Marechal Floriano. Além de produzir retratos, oferecia à clientela medalhas, alfinetes para senhoras e caixas, dentre outros produtos.

 

O Mercanil, 29 de novembro de 1855

O Mercantil, 29 de novembro de 1855

 

1860 – Voltou a montar um ateliê onde se localizava seu primeiro estabelecimento, na Rua do Rosário, esquina com a Rua da Alegria. Oferecia retratos pelo novo sistema de ambrótipo, e retratos ditos em relevo com o sem paisagem; em fundo colorido, salientes, duplos ou de duas vistas, em oleados e em melanotipo. Fazia cartes de visite e participações de casamento onde o o nome da pessoa era substitído por uma fotografia. Vendia máquinas fotográficas e ensinava aos interessados como tirar retratos.

 

Ateliê de TErragno na rua do Rosário esquina com rua da Alegria, em Porto Alegre, 1862 / Acervo de Carlos Henrique Bertelli

Ateliê de Terragno na Rua do Rosário esquina com Rua da Alegria, em Porto Alegre, 1862 / Acervo de Carlos Henrique Bertelli

 

Neste mesmo ano, trabalhou na cidade de Rio Grande e também em Pelotas, em abril e maio, respectivamente (O Commercial, 4 de abril de 1860; Brado do Sul, 27 de maio de 1860).

Foi anunciada sua partida para o Rio de Janeiro e para Buenos Aires.

1861 – Divulgou sua invenção: o fixador à base de mandioca.

1862 – Introduziu, em Porto Alegre, a fotografia estereoscópica, produzindo vistas urbanas da cidade com essa técnica.

1863 - Segundo o historiador Athos Damasceno (1902 – 1975), ao que parece estabeleceu-se, em Porto Alegre, na Rua Clara, 33 (Rua João Manuel).

Anunciava que em seu estabelecimento tiram-se retratos pelo novo sistema “Alabastrino” cujos retratos são de uma finura e delicadeza superior a tudo o que se tem feito até hoje (O Mercantil, 21 de agosto de 1863).

1865 / 1867 - Nesse período, Terragno fotografou dom Pedro II que havia ido para o Rio Grande do Sul devido à Guerra do Paraguai (1864 – 1870), além de outros personagens envolvidos no conflito como o Conde d´Eu (1842 – 1922) e o Duque de Saxe (1845 – 1907).

 

1866 – Terragno conquistou a segunda menção honrosa na II Exposição Nacional de 1866 realizada no Palácio da Moeda do Rio de Janeiro entre 19 de outubro e 16 de dezembro de 1866(Correio Mercantil, 11 de fevereiro de 1867, quarta coluna). O pintor Victor Meirelles (1832 – 1903) foi jurado da seção “Fotografia” e, segundo o professor Tadeu Chiarelli, com o texto que escreveu para o capítulo “Fotografia”, que constou no Relatório sobre exposição, o pintor traçou …aquela que talvez seja a primeira história da fotografia escrita no Brasil (talvez a primeira em língua portuguesa)…

‘A descoberta da fotografia, importante auxiliar das artes e ciências, e que há mais de meio século preocupava o espírito de doutos tornando-se objeto de estudo de alguns sábios da Inglaterra e da França, só nesses últimos tempos atingiu ao grande aperfeiçoamento que apresenta e que bem pouco deixa a desejar’.

O pintor deixou claro seu amplo conhecimento sobre o assunto, desde sua história até as peculiaridades dos processos fotográficos já desenvolvidos. Mostrou-se também entusiasmado com as aplicações da fotografia. Seu julgamento das obras expostas expressava rigor crítico e admiração. Usou em sua avaliação valores e parâmetros que eram, tradicionalmente, utilizados na crítica de pinturas como, por exemplo, os efeitos de luz e a nitidez das imagens. Com sua apreciação, Meirelles incentivou o diálogo entre a fotografia e a pintura.

A classe de “Fotografia” foi dividida entre “panoramas”, “panoramas  diversos para álbuns”, “estereoscópios”, “álbuns” e “retratos”. Foram premiados com medalha de prata José Ferreira Guimarães (1841 – 1924)Joaquim Insley Pacheco (18? – 1912), Carneiro & Gaspar, Augusto Stahl (1828 – 1877) & Germano Wanchaeffer (1832 – ?) e E.J. Van Nyvel; com medalha de bronze Christiano Junior (1832 – 1902), Modesto e Jacy Monteiro & Lobo. Finalmente, além de Terragno, obtiveram menções honrosas José de Melo Arguelles,  João Ferreira Villela (18? – ?) e Leon Chapelin (18? -?). Na categoria “Paisagem”, a medalha de prata foi obtida por Georges Leuzinger (1813 – 1892).

 

 

Sobre Terragno, Meirelles escreveu:

“Não são inteiramente privadas de merecimento as provas fotográficas enviadas por este senhor. Nota-se o retrato de uma senhora que foi também reproduzido sobre fino tecido de um lenço; bem como as outras provas, representando algumas vistas”.

1867 / 1868 - Terragno ofereceu uma doação em dinheiro aos enfermos vítimas da epidemia de cólera, em 1867 (Relatório dos Presidentes das Províncias Brasileiras : Império (RS), 1867).

Vendeu todo seu acervo e material, anunciando sua partida ao exterior mas, em 1868, voltou a Porto Alegre e abriu um novo estúdio, na Rua da Ponte, 237, atual Rua do Riachuelo, em frente a seu antigo estabelecimento. Oferecia um grande sortimento de objetos de fotografia e de álbuns, além de máquinas fotográficas para amadores.

 

1869 - Era maçom e foi um dos fundadores, em 24 de setembro de 1869, a Loja Luz e Ordem.

1870 - Abriu uma filial de seu estabelecimento fotográfico na Rua dos Andradas, 433.

Anunciou tirar retratos À luz tangente, segundo ele uma técnica muito superior a todas empregadas até então.

1872 - Em 28 de setembro de 1872, foi solenizada a promulgação da lei de 28 de setembro de 1871 com uma festa imponente , em que pela primeira vez na província do Rio Grande do Sul se realizou a cerimônia do batismo maçônico conferido a 25 lowtons. O Irmão Luiz Terragno, venerável da Loja Luz e Ordem executou a liturgia e, em seguida, entregou a uma menina de 10 anos sua carta de liberdade (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril de 1872). Segundo a Grande Loja Maçônica da Cidade de São Paulo, lowtons  são “filhos, enteados e netos (de ambos os sexos) de maçons desde que tenham idade entre sete e quatorze anos. Ao serem adotados por uma Loja Maçônica, através de uma cerimônia especial de adoção de Lowtons, a Loja contrai para com eles a obrigação de servir-lhe de tutor e guia na vida social”.

 

 

 

 

1874 – Esteve presente à celebração do padroeiro da Loja Maçônica Progresso e Humanidade, em Porto Alegre (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril a julho de 1874).

 

 

Participou de uma cerimônia maçônica de juramento de adesão da Loja Luz e Ordem ao Grande Oriente Unido do Brasil, reconhecendo-o como a única potência macônica legítima do Império (O Maçon: órgão da maçonaria (RS), 15 de julho de 1874).

 

 

Foi citado no artigo A emigração para o Brasil, publicado no Giornalle delle Colonie, de Roma (A Nação, 24 de setembro de 1874).

 

 

1875 – Como venerável da officina batizou quatro lowtons na celebração do padroeiro São João da Loja Maçônica Luz e Ordem (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), abril a agosto de 1875Maçon: órgão da maçonaria (RS), 1º de julho de 1875, primeira coluna).

Em abril de 1875, foi inaugurada  a segunda Exposição Provincial do Rio Grande do Sul ou Exposição Commercial e Industrial, uma mostra de agricultura, indústria e comércio, realizada no Edifício do Atheneo Rio Grandense, em Porto Alegre. Segundo o historiador Athos Damasceno (1902 – 1975), foi Carlos von Koseritz (1830 – 1890), jornalista, poeta e importante personalidade da colônia alemã no sul do Brasil durante o Segundo Império, quem sugeriu a inclusão na exposição “de uma seção especial destinada a exibição de obras de arte, assim imprimindo no parque um cunho de sensibilidade e cultura…”(Relatórios dos Presidentes das Províncias Brasileiras: Império (RS), 11 de março de 1875).

Dois fotógrafos apresentaram seus trabalhos nessa mostra: Madame Reeckell (1837 – 19?) e Terragno que, a esta altura, possuía estabelecimentos fotográficos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (O Despertador, 19 de novembro de 1875, primeira coluna).

 

 

 

Houve uma polêmica em torno do sistema fotográfico  À luz tangente entre Terragano e a fotógrafa Madame Reeckell (1837 – 19?) que no jornal A Reforma, de 4 de agosto de 1870, publicou:

“Luz Tangente. O sr. Terragno, em a pedido inserto no Riograndense, tratando dos retratos à luz tangente, diz que os não tiro pelo mesmo sistema dos seus. Os retratos chamados pelo sr. Terragno de à luz tangente –  são na minha opinião iguais aos que tiro e tenho anunciado. Quem quiser convencer disso venha à minha casa para ver os retratos que tenho tirado e outros de fotógrafos do Rio de Janeiro, também do mesmo sistema, isto é, preferindo-se os dias escuros para o trabalho dessa qualidade de fotografias. O sr. Terragno é injusto quando atribui-me querer imitá-lo, dando o nome de retratos – à luz tangente – que só s.s. pode tirar, quando é certo que os tiro há muito tempo. Desafia-me a apresentar os aparelhos e ingredientes que são precisos. Poderá vê-los  quem quiser. O sistema é simples e não faço mistério para com as pessoas que, visitando a minha galeria, pedem par ver os aparelhos de que me sirvo. Quanto a supor que usei do emblema seu no meu anúncio publicado na Reforma, declaro que nada tenho com isso. E o sr. Terragno com aquela empresa deve entender-se a respeito. M Reeckell”.

Na IV Exposição Nacional de 1875, inaugurada em 12 de dezembro e finda em 16 de janeiro de 1876, Terragno recebeu uma Medalha de Mérito. Exibiu fotografias do mercado e da estação de bondes de Porto Alegre e quatro retratos no formato carte de visite. Indicando o espírito tecnológico dessa exposição, havia uma classe intitulada Aparelhos e métodos fotográficos, onde Terragno apresentou o fixador à base de mandioca que havia inventado.

“O ácido da mandioca é um produto tóxico de um cheiro característico, e não consta que tenha sido analisado. Em 1861 extrai uma quantidade equivalente mais ou menos a duas onças, fiz algumas aplicações na fotografia e vi que substituía com grande vantagem o ácido acético e ainda o ácido fórmico.

Se ao banho revelador de ferro se substituir o ácido acético pelo da mandioca, pode-se diminuir de metade a exposição (pose), e geralmente o negativo não necessita de reforço.

Este ácido não ataca o ouro nem a prata; ataca porém energicamente o alumínio e o magnésio, e produz sais deliquescentes.

Tendo preparado um sal de ferro, atacando este metal por uma mistura de 1 parte de ácido sulfúrico e dois partes de ácido de mandioca, a cujo sal dou o nome de sulfo-mandiocate de ferro, o qual emprego em lugar do sulfato de ferro: torna-se o revelador por excelência, porque não só permite diminuir muito a exposição, como acusa os mais pequenos (sic) detalhes, mesmo nos lugares em que a ação da luz for muito fraca.

Quando o Sr. d´Ormano foi à Europa “incorporar a Companhia do gás” levou um frasquinho deste ácido para “mandar analisar em Paris”; em consequência da guerra franco-prussiana, e outros inconvenientes, resultou que o senhor d´Ormano na sua volta me devolvesse o ácido sem ter sido analisado.

“As minhas ocupações”, e mesmo “a falta de certos recursos não me têm permitido fazer outras experiências”; creio, porém, que este ácido convenientemente analisado pode ter diversas aplicações nas artes e indústria e mesmo em medicina, e teria a vantagem de se aproveitar de um produto natural, que é deitado fora, pois que ele é extraído da água de mandioca. 

O processo da extração não é difícil, bem que um tanto laborioso”. 

Luis Terragno no Catálogo da Exposição de 1875

 

Dentre outros, também participaram da exposição os fotógrafos Alberto Henschel (1827 – 1892)Augusto de Azevedo Militão (1837 – 1905)Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903) e Georges Leuzinger (1813 – 1892) (Jornal do Commercio, 4 de fevereiro de 1876, segunda colunaDiário do Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1876, última coluna).

Marc Ferrez (1843 – 1923) apresentou na seção de Obras Públicas da IV Exposição Nacional, dois álbuns com imagens dos recifes de Pernambuco, do baixo São Francisco e da cachoeira de Paulo Afonso, além de registros de corais e madrepérolas. As imagens produzidas durante a viagem da Comissão Geológica foram projetadas por Ferrez durante uma conferência do professor Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), chefe da comissão (Diário do Rio de Janeiro, 27 e 28 dezembro de 1875, primeira colunaO Globo, 4 de janeiro de 1876, na penúltima coluna, e Diário do Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1876, quarta coluna).

Em um anúncio, Terragno informava que não produzia fotos de crianças aos domingos e em dias santos (O Despertador, 9 de novembro de 1875).

 

 

A Grande Loja Maçônica Provincial de Porto Alegre havia sido regularizada em 14 de dezembro de 1875 por Terragno e outros maçons (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ), janeiro a abril de 1876).

1876 – Era o segundo grande vigilante da Grande Loja Provincial de São Pedro do Rio Grande do Sul ao oriente de Porto Alegre; e também o athers da Loja Paz e Ordem (Boletim do Genrande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil : Jornal Offical da Maçonaria Brazileira (RJ)página 464  e página 495, maio a agosto de 1876).

Terragno e os fotógrafos Marc Ferrez (1843 – 1923)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912) e José Tomás Sabino (18? – c. 1881) participaram da Exposição Internacional da Filadélfia, nos Estados Unidos, aberta em 10 de maio. O New York Commercial Advertiser, de 29 de maio de 1876, publicou um artigo que informava que “riquíssimas fotografias da exploração geológica a cargo do professor Hartt” haviam sido apresentadas pelo Brasil na Exposição Universal da Filadélfia aberta em 10 de maio. Fotografias de Ferrez realizadas para a Comissão Geológica do Império foram premiadas com  medalha (The Rio News, 5 de agosto de 1879). Insley Pacheco também recebeu uma medalha por suas fotografias (O Liberal do Pará, 28 de novembro de 1876, na segunda coluna e Diário do Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1876, na sexta coluna). Uma curiosidade: a comissão de organização da Exposição da Filadéfia modificou as regras da premiação: os ganhadores receberiam um diploma, uma medalha de bronze e uma cópia certificada do parecer do júri, rompendo com o padrão de premiação hierárquica.

Terragno anunciou a venda de aparelhos fotográficos para amadores. Segundo o anúncio, com essas máquinas qualquer pessoa pode se divertir a tirar retratos e vistas e que para sso bastariam poucas aulas (A Reforma, 24 de novembro de 1876).

1877 – Anunciou que só em seu estabelecimento, na Praça Conde d´Eu, se tiravam retratos com o novo e magnífico sistema non pareil que conferia à arte fotográfica beleza, delicadeza, suavidade, e o que é mais que tudo uma perfeita conservação, a qual garantimos (A Reforma, 7 de julho de 1877).

Expôs três retratos pelo sistema cromo-fotográfico na loja de Rosa & Filhos.

1879 – Pediu e teve negado pelo presidente da Seção de Geologia Aplicada e Química do Governo Imperial, Antônio Correa de Souza Costa, em 31 de dezembro de 1878, o privilégio para fabricar álcool e um ácido sui generis extraido da mandioca (O Auxiliador da Indústria Nacional, janeiro de 1879Jornal do Commercio, 30 de janeiro de 1879, segunda coluna).

 

 

1881 - Anunciou que em seu ateliê, na Praça da Alfândega, 294, oferecia Retratos Victoria em quadros dourados, entregues 5 minutos depois de tirados (Jornal do Commercio (RS), 15 de novembro de 1881).

Terragno participou da Exposição Provincial Brasileira-Alemã do Rio Grande do Sul. Havia inventado a pistola Terragno, um aparelho para tirar fotografias instantâneas (Gazeta de Notícias, 6 de dezembro de 1881, quarta colunaA Pacotilha (MA), 25 de dezembro de 1881, segunda coluna).

 

 

Algumas das fotos que Terragno produziu de personagens envolvidos na Guerra do Paraguai e outras, de vistas de Porto Alegre, foram exibidas na Exposição de História do Brasil realizada pela Biblioteca Nacional e aberta por Pedro II, em 2 de dezembro de 1881, no dia em que o monarca completava 56 anos. Foi um dos mais importantes eventos da historiografia nacional, tendo sido organizada por Benjamin Franklin de Ramiz Galvão (1846 – 1938), diretor da Biblioteca Nacional de 1870 a 1882.

 

“…a exposição buscou reunir uma grande massa de publicações sobre a história do país, tendo como objetivos, em primeiro lugar, recolher e localizar documentos que pudessem ajudar a compreender a história brasileira; em segundo lugar, favorecer a organização de um catálogo em que diversos tipos de documentos de vários momentos da história do país poderiam ser localizados, ordenados e divulgados aos estudiosos”.

 Biblioteca Nacional

 

Terragno expôs as seguintes fotografias:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Também na Exposição de História do Brasil da Biblioteca Nacional foi apresentado o álbum Vistas fotográficas da Colônia Dona Francisca, importante conjunto iconográfico da colonização alemã no sul do Brasil, dedicado ao imperador dom Pedro II. As imagens foram produzidas, em 1866, por Johann Otto Louis Niemeyer, fotógrafo, provavelmente, de origem alemã. Imagens produzidas por Augusto Riedel (1836 – ?) também foram expostas (Catálogo da Exposição de História do Brasil 1881-2, vol.2, páginas 1415, 1416, 1422, 1456, 1508 e 1612).

 

1882 - O estabelecimento de Terragno, em Porto Alegre, ficava na Praça da Alfândega, 295. Anunciava retratos duplos, retratos inalteráveis ao carbono e, em fim de novembro, lançou um novo processo de seu invento – Cyanotipo – novo, surpreendene e maravilhoso processo, segundo o qual qualquer pessoa podia tirar seu próprio retrato tantas vezes quanto quisesse, em 5 minutos, sem emprego de drogas e apenas com um pouco d´água, 1 chapa, prensa e pael eerm o suficiente par 32 retratos!

1883 – Foi noticiado que Terragno estava no Rio de Janeiro e que havia inventado sinetes foto-metálicos, o Sinete-Terragno, que em vez da firma dão o retrato do dono. Foi concedido a ele, em 1º de setembro, o privilégio de invenção durante 15 anos (Revista de Engenharia, 1883, segunda colunaCorreio Paulistano, 6 de setembro de 1883, última colunaGazeta de Notícias, 5 de outubro de 1883, sexta colunaA Federação, 24 de julho de 1884, terceira coluna).

Gazeta de Porto Alegre, 27 de setembo de 1883

Gazeta de Porto Alegre, 27 de setembo de 1883

 

 

Foi naturalizado brasileiro, em 29 de setembro de 1883. Em sua carta de naturalização, declarava-se católico apostólico romano, natural de Villa Lotta.

1884 – Anunciou ter recebido dos Estados Unidos um novo aparelho, o Megapito, por meio do qual pode, com qualquer tempo, sem auxílio de luz solar, tirar retratos de tamanho natural (O Despertador, 12 de julho de 1884, primeira coluna).

Anunciou ter recebido dos Estados Unidos um novo aparelho, o Megapito, por m

 

 

1885 Leiloou os móveis, livros e material fotográfico de sua moradia e ateliê, na Rua dos Andradas. Em 20 de março de 1885,  partiu de Porto Alegre com sua família, a bordo do Victoria. Foram para Pelotas (A Federação (RS), 24 de fevereiro de 1885, última coluna; e A Federação (RS), 27 de fevereiro de 1885, última colunaA Federação (RS), 21 de março de 1885, segunda coluna; Correio Mercantil, 12 de agosto de 1885).

 

 

Escreveu um perfil do jovem Fausto Werner (1863 – 1927), futuro constituinte de 1892 e deputado estadual de Santa Catarina (O Estudante (SC), 1º de outubro de 1885).

1887 - Em janeiro,voltou a Porto Alegre, na Rua de Bragança, onde passaria a oferecer retratos pelo sistema de phototypia (A Federação (RS), 4 de março de 1887, última coluna).

Encarregava-se de ilustrações de livros e de jornais e fazia retratos sobre cristal – christalografia.

1888  -Um de seus filhos tornou-se seu sócio no estúdio fotográfico, que se mudou da Rua Bragança, 198 para a Rua do General Câmara, nº 46.

 

 

Ofereciam retratos pelo sistema Megatipo.

1889 – Terragno & Filho encerraram suas atividades no ateliê da Rua General Câmara, 46, que foi vendido ao fotógrafo Ciro José Pedrosa.

1890 – Inventou uma máquina para conservar carnes (A Federação: órgão do Partido Republicano (RS), 18 de junho de 1890, segunda coluna).

 

 

1891 – Faleceu em 16 de setembro de 1891, de angorpectorio (A Federação (RS), 19 de setembro de 1891, última colunaJornal do Commercio, 27 de setembro de 1891, última coluna).

 

 

1892 - Sua missa de um ano foi celebrada na Catedral de Porto Alegre (A Federação: órgão do Partido Republicano (RS), 13 de setembro de 1892, última coluna).

 

 

1997 - Fotografias de Terragno integraram a exposição A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, no Centro Cultural do Banco do Brasil, entre 29 de janeiro e 23 de março de 1997. Outros fotógrafos da mostra foram Albert Frisch (1840 – 1918)Albert Richard Dietze (1838 – 1906)Augusto Riedel (1836-?)Benjamin Robert Mulock (1829 – 1863)Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903)Franz Keller-Leuzinger (1835 – 1890)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Henrique Rosen (1840 – 1892)Hercule Florence (1804 – 1879)Jean Victor Frond (1821 – 1881)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912)Louis Niemeyer (18? – ?)Marc Ferrez (1843 – 1923) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), dentre outros. A exposição seguiu para a Pinacoteca de São Paulo (20 de abril a 25 de maio de 1997. Em 4 de julho de 1997, foi aberta no Museo Nacional de Bellas Artes, de Buenos Aires, na Argentina, onde ficou em cartaz até o dia 31 do mesmo mês.

2000 – Entre 8 de junho e 30 de julho, a exposição A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX foi apresentada  no Centro Português de Fotografia, no Porto, em Portugal.

2011 – Fotografias de Terragno foram expostas na mostra Retratos do Império e do Exílio, que ficou em cartaz, no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, entre 22 de fevereiro e 29 de maio de 2011. Foi curada pelo fotógrafo dom João de Orleans e Bragança (1954-) e por Sérgio Burgi (1958 -), Coordenador de Fotografia do IMS e um dos curadores da Brasiliana Fotográfica. Outros fotógrafos da exposição foram  Albert Henschel (1827 – 1882)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), Nadar (1820 – 1910), Otto Hees (1870 – 1941) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O Brasil do futebol, uma paixão nacional

Hoje a seleção brasileira de futebol estreia na Copa do Mundo do Catar jogando contra a Sérvia em busca do hexacampeonato e a Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores fotografias dos estádios de futebol dos clubes cariocas Botafogo e Fluminense. Diversos jogadores que fizeram a glória do Brasil em copas do mundo e em outros campeonatos internacionais vieram destes dois times de futebol, dentre eles Amarildo (1939-), Castilho (1927 – 1987), Didi (1928 – 2001), Félix (1937 – 2012), Garrincha (1933 – 1983), Jairzinho (1944-), Marcos Carneiro de Mendonça (1894 – 1988), Nilton Santos (1925 – 2013), Paulo César (1949-) e Zagallo (1931-).

A imagem do estádio do Botafogo foi produzida, em 1º de abril de 1941, por Uriel Malta (1910 – 1994), filho do alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), que foi fotógrafo da prefeitura do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936.

 

 

Uma das fotos do Fluminense Football Club foi produzida, em torno de 1921, pelo sírio naturalizado brasileiro e autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, Jorge Kfuri (1893 – 1965).

 

 

A outra, de 19 de julho de 1935, foi produzida pela Escola de Aviação Militar, cujo setor responsável pela atividade de fotografar era a Seção Foto e estava vinculada às escolas de aviação que formavam pilotos e observadores aéreos, além de funcionar como uma “escola técnica de aviação” que formava também militares especializados em fotografia e em toda a técnica envolvida.

 

 

Breve história da chegada do futebol no Brasil

 

 

Foi o paulista Charles Miller (1874 – 1953) que trouxe o futebol para o Brasil. Filho de britânicos, após uma estadia na Inglaterra, de 1884 a 1894, retornou ao Brasil trazendo duas bolas de futebol, um livro de regras e dois jogos de uniformes. A primeira partida aconteceu em 14 de abril de 1895: uma disputa entre os funcionários da Companhia de Gás e da São Paulo Railway, na Várzea do Carmo, em São Paulo. A equipe de Miller, a São Paulo Railway, derrotou a adversária por 4 x 2. O pioneirismo de Miller é contestado por alguns historiadores que afirmam que o futebol já era praticado no Brasil na década de 1870.

 

Retrospectiva dos campeões e da classificação do Brasil em Copas do Mundo

 

Faltam poucos meses: expectativas do Brasil para a Copa do Mundo do Catar

 

O Brasil é o único país que participou de todas as edições de copas do mundo e já sediou duas delas, em 1950 e em 2014. Além disso é o maior vencedor da competição, com cinco títulos: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.

1930 – Copa do Mundo do Uruguai. Campeão: Uruguai. Brasil: 6º lugar

1934 – Copa do Mundo da Itália. Campeão: Itália. Brasil: 14º lugar

1938 – Copa do Mundo da França. Campeão: Itália. Brasil: 3º lugar

1950 – Copa do Mundo do Brasil. Campeão: Uruguai. Brasil: vice-campeão

1954 – Copa do Mundo da Suíça. Campeão: Alemanha. Brasil: 5º lugar

1958 – Copa do Mundo da Suécia. Campeão: Brasil

1962 - Copa do Mundo do Chile. Campeão: Brasil

1966 - Copa do Mundo da Inglaterra. Campeão: Inglaterra. Brasil: 11º lugar

1970 - Copa do Mundo do México. Campeão: Brasil.

1974 - Copa do Mundo da Alemanha Ocidental. Campeão: Alemanha. Brasil: 4º lugar

1978 – Copa do Mundo da Argentina. Campeão: Argentina. Brasil: 3º lugar

1982 - Copa do Mundo da Espanha. Campeão: Itália. Brasil: 5º lugar

1986 - Copa do Mundo do México. Campeão: Argentina. Brasil: 5º lugar

1990 - Copa do Mundo da Itália. Campeão: Alemanha. Brasil: 9º lugar

1994 - Copa do Mundo dos Estados Unidos. Campeão: Brasil

1998 - Copa do Mundo da França. Campeão: França. Brasil: vice-campeão

2002 - Copa do Mundo da Coreia do Sul e Japão. Campeão: Brasil

2006 - Copa do Mundo da Alemanha. Campeão: Itália. Brasil: 5º lugar

2010 - Copa do Mundo da África do Sul. Campeão: Espanha. Brasil: 6º lugar

2014 – Copa do Mundo do Brasil. Campeão: Alemanha. Brasil: 4º lugar

2018 -  Copa do Mundo da Rússia. Campeão: França. Brasil: 6º lugar

2022 - Copa do Mundo do Catar. Campeão: ? Brasil: ?

 

 fifa

 

 

A Brasiliana Fotográfica agradece à colaboração do talentoso caricaturista Cássio Loredano, uma enciclopédia do futebol, para elencar os jogadores do Botafogo e do Fluminense.

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Link para o artigo Dia Nacional do Futebol, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 19 de julho de 2016.

 

Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra

Na data da celebração do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra a Brasiliana Fotográfica destaca alguns artigos publicados no portal. A data remete à morte de Zumbi de Palmares, em 20 de novembro de 1695, em Alagoas. Ele foi o líder do Quilombo dos Palmares, o maior do período colonial brasileiro, que localizava-se na região da Serra da Barriga, na Capitania de Pernambuco, atual região de União dos Palmares, em Alagoas. Traído por um dos seus principais comandantes, Antônio Soares, foi morto na serra de Dois Irmãos, local de seu esconderijo. Foi esquartejado e sua cabeça foi cortada e exposta na Praça do Carmo, em Recife.

Zumbi dos Palmares (Alagoas,1655 – Alagoas, 20 de novembro de 1695), publicado em 20 de novembro de 2015

 

Antônio Parreiras - Zumbi 2.jpg

Zumbi (1927), pintura de Antonio Parreiras (1860 – 1937) / Acervo do Museu Antonio Parreiras, Niterói

 

A mulher de turbante, de Alberto Henschel, publicado em 13 de maio de 2020

 

 

Série “1922 – Hoje, há 100 anos” X – A morte do escritor Lima Barreto (1881 – 1922), publicado em 1º de novembro de 2022

 

 

Depois de uma importante mobilização do movimento negro e a aprovação pelo Senado, a partir da sanção da Lei 10.639, de 2003, que determina o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas, o Dia da Consciência Negra entrou no calendário escolar. Cerca de oito anos depois, a então presidente Dilma Rousseff oficializou 20 de novembro como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, com a lei nº 12.519, de novembro de 2011 (G1, 11 de novembro de 2011). Porém a data só é feriado em locais com leis municipais ou estaduais específicas. O senador Randolfe Rodrigues apresentou o Projeto de Lei do Senado, nº 482 de 2017, que torna o 20 de novembro feriado em todo o país. O texto avançou em 2021 e seguiu para a Câmara dos Deputados.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

Agência Senado

Folha de São Paulo, 21 de novembro de 2005

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Exercícios da Esquadra Brasileira no Centenário da Independência

A Esquadra Brasileira nasceu, em 10 de novembro de 1822, ano da Independência do Brasil. Para celebrar a data, a equipe do Departamento de História da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, escreveu o artigo Exercícios da Esquadra Brasileira no Centenário da Independência sobre as manobras realizadas pela esquadra em 1922, ano em que foram comemorados os 100 anos da independência do país.

 

 

Acessando o link para as fotografias dos exercícios da Esquadra Brasileira no Centenário da Independência disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Segundo o Vice-Almirante José Carlos Mathias, Diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha,“os bicentenários da Independência e da Esquadra são faces de uma mesma moeda; são histórias que se entrecruzam no mar e nele continuam e continuarão sendo escritas. Portanto, celebrar os 200 anos da Esquadra, é memorar e homenagear a rica história do Brasil”.

 

 

Exercícios da Esquadra Brasileira no Centenário da Independência

 Equipe do Departamento de História da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

 

 

As manobras da Esquadra Brasileira de janeiro e fevereiro de 1922 ganharam um aparato especial naquele ano em que se comemorou o centenário da Independência do Brasil. Contaram, no seu encerramento, em 21 de fevereiro, com a presença do Presidente da República Epitácio Pessoa, que foi recebido, a bordo do navio capitania, o Encouraçado Minas Gerais, pelo Almirante Pedro Max Frontin, o então chefe do Estado-Maior da Armada, e pelo comandante do navio, o Capitão de Mar e Guerra Damião Pinto da Silva, reunindo-se aos demais convidados como o Ministro da Marinha Dr. Veiga Miranda e diversos representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

 

 

O início das manobras deu-se na altura das ilhas Maricás, com a participação do Minas Gerais, sendo acompanhado pelos Encouraçados São Paulo e Floriano e pelo Contratorpedeiro Pará, seguindo em coluna reta cruzando a barra da Baía de Guanabara. Aproximadamente às 13 horas do dia 21 de fevereiro de 1922, foram iniciados os exercícios de tiro em alvo flutuante com os disparos com os maiores canhões das torres dos encouraçados. Aos convidados a bordo foram distribuídos cópias do programa de exercícios.

 

 

 

 

De acordo com jornal O Paiz, de 22 de fevereiro de 1922, “foi grande a emoção que se apoderou dos convidados no momento em que se anunciou que o Minas ia romper o fogo com as torres. Todos colocaram algodões aos ouvidos e ficaram atentos para o alvo, que se achava a mais de 12 kilometros de distância.[1]

 

 

Os disparos dos canhões de calibre 120 mm, feitos pelas baterias secundárias (de menor poder de fogo), dos Encouraçados São Paulo e Minas Gerais, embora não colocando a pique o alvo flutuante, foram considerados positivos como prática de enquadramento do alvo a grande distância, pois tais exercícios não eram realizados há muito tempo por falta de recursos.

Curiosamente, o alvo utilizado foi o casco do desativado Paquete Alagoas, navio de transporte de passageiros da Companhia Brasileira de Navegação a Vapor, que foi empregado para transportar o imperador deposto d. Pedro II e sua família para o exílio na Europa em 1889.

 

 

Posteriormente, incorporado à Marinha do Brasil, serviu por um período de quartel flutuante para a Escola de Aprendizes -Marinheiros do Rio de Janeiro até ser alocado para seu destino final como alvo para os exercícios de tiro da Esquadra. Mesmo não atingido pelos tiros dos encouraçados, o casco afundou no fim dos exercícios quando rebocado pelo Rebocador Laurindo Pitta.

 

 

Fato não menos importante foi a presença do Navio-Escola Benjamim Constant no local onde se realizaram os exercícios de tiro, a cujo bordo estavam os alunos da Escola Naval,  aspirantes a guarda-marinha, em viagem de treinamento. A tripulação do Benjamim Constant também honrou a grandeza do evento, prestando salvas e postos de continência ao pavilhão presidencial içado no Minas Gerais.

 

 

Os exercícios da Esquadra realizados eram muito esperados pelo Estado-Maior da Armada, contribuindo com o treinamento das tripulações em evoluções táticas e instrução de tiro com os diversos canhões que equipavam os navios. Durante praticamente um mês no início de 1922, tais exercícios envolveram diversos navios das duas divisões navais que compunham a Esquadra nacional, contribuindo para o treinamento de cerca de quatro mil militares da Marinha do Brasil.

 

 

A presença do presidente da República demonstrou a importância do evento, sendo registrada por diversos jornais da época a robustez do poderio bélico da Esquadra e o aprestamento da marujada.

 

 

 

[1] Jornal O Paiz, 22 de fevereiro de 1922, pág. 3-4.

 

Um pouco da história do surgimento da primeira Esquadra brasileira

 

 

Como já mencionado, em 10 de novembro de 1822, há exatos 200 anos, nascia a primeira Esquadra Brasileira, quando a bandeira nacional foi, pela primeira vez, içada em um navio de guerra brasileiro, a Nau Martim de Freitas, posteriormente, rebatizada de Nau Pedro I, o primeiro navio Capitânia da Esquadra, criada para combater as forças navais portuguesas que se opunham à Independência do Brasil.

O primeiro ministro da Marinha, brasileiro nato, nomeado após a Proclamação da Independência do Brasil foi o então Capitão de Mar e Guerra Luís da Cunha Moreira, Visconde de Cabo Frio (1777 – 1865), que substituiu o almirante Manoel Antônio Farinha ( 17? – 1842), em 22 de outubro de 1822 (Gazeta do Rio, 7 de novembro de 1822, primeira coluna).

Para o estabelecimento da Marinha Imperial os navios portugueses deixados nos portos foram incorporados a ela, dentre eles as fragatas Real CarolinaSucesso e União, rebatizadas ParaguaçuNiterói e Piranga, respectivamente. As corvetas Liberal e Maria da Glória também foram incorporadas assim como o Brigue Reino Unido, renomeado como Cacique. O governo adquiriu os brigues Maipu e Nightingale, rebatizados como Caboclo e Guarani. Formava-se, então, a primeira Esquadra Brasileira.

De acordo com o Chefe do Departamento de História da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, Capitão de Fragata (T) Carlos André Lopes da Silva, era pequeno número de militares de origem brasileira na ocasião e havia a necessidade de aumentar o efetivo militar. Houve então uma negociação: “Dentre os cerca de 160 oficiais da Marinha portuguesa servindo no Brasil, 94 declararam lealdade a Dom Pedro. No entanto, o que pode parecer uma extensa adesão, na prática, não forneceu oficiais suficientes para tripular os navios da nova Esquadra. Com isso, a contratação de europeus, sobretudo britânicos, foi a solução. Foram mais de 450 estrangeiros contratados, cerca de 30 deles exercendo a função de oficiais, inclusive o então Comandante em Chefe da incipiente Esquadra brasileira, o Almirante Thomas Cochrane”.

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Agência Marinha de Notícias

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Portal Base Industrial de Defesa e Segurança

Portal Defesa.net

Portal Presidência da República

Portal Poder Naval

Portal Superior Tribunal Militar

VIDIGAL, Amorim Ferreira. A evolução da Marinha Brasileira. Revista da Escola Superior de Guerra, 1997.

Série “1922 – Hoje, há 100 anos” X – A morte do escritor Lima Barreto (1881 – 1922)

Com uma imagem do acervo da Fundação Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, produzida por um fotógrafo ainda não identificado, o portal publica o décimo artigo da Série 1922 – Hoje, há 100 anos sobre a morte do jornalista e escritor Lima Barreto, em 1º de novembro de 1922, de gripe toráxica e colapso cardíaco, em sua casa, na rua Major Mascarenhas, 26, em Todos os Santos, no Rio de Janeiro. Faleceu lendo um exemplar da revista francesa Revue de Deux Mondes. Lima Barreto foi, nas palavras do escritor Monteiro Lobato (1882 – 1948), “o criador de uma nova fórmula de romance. O romance de  crítica social sem doutrinarismo dogmático”. *

 

 

A mesma foto destacada acima foi publicada na notícia de sua morte, na capa da edição do jornal A Noite, de 2 de novembro de 1922.

 

 

Os dois centenários que inspiraram a Série 1922, Hoje, há 100 anos, cujos artigos têm sido publicados na Brasiliana Fotográfica ao longo de 2022, foram o da Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro de 1922; e o da Exposição Internacional do Centenário da Independência da República, inaugurada em setembro de 1922. E os dois eventos foram temas que interessaram Lima Barreto.

Por exemplo, o escritor criticou a ligação dos intelectuais paulistas do Modernismo com o artista italiano Filippo Marinetti (1876 – 1944), em um texto publicado na revista Careta (Careta, 22 de julho de 1922). 

 

 

Foi chamado de “escritor de bairro” na resposta à critica, publicada na coluna Luzes & Refrações, da revista Klaxondivulgadora do Modernismo no Brasil, que foi editada entre 15 de maio de 1922 e janeiro de 1923 (Klaxon, 15 de agosto de 1922).

 

 

O último artigo de Lima Barreto publicado na revista Careta, após sua morte, na edição de 11 de novembro de 1922, foi justamente sobre a Exposição Internacional do Centenário da Independência da República: Uma sorpreza da exposição.

 

 

Também foi um crítico do desmonte do Morro do Castelo, realizado justamento devido à realização da Exposição do Centenário, e escreveu sobre o assunto. Destacamos aqui o artigo Megalomania (Careta, 28 de agosto de 1920). Em 1905, havia escrito a crônica O subterrâneo do Morro do Castelo (Correio da Manhã de 28 de abril de 1905, terceira coluna).

 

 

Sua preocupação com a destruição e o desrespeito pelo patrimônio histórico e pela cultura brasileira fica evidente em seu conto O Moleque, publicado no livro Histórias e Sonhos, em 1920, do qual destacamos um trecho:

“Há, parece, na fatalidade destas terras, uma necessidade de não conservar impressões das sucessivas camadas de vida que elas deviam ter presenciado o desenvolvimento e o desaparecimento. Estes nomes tupaicos mesmo tendem a desaparecer, e todos sabem que, quando uma turma de trabalhadores, em escavações de qualquer natureza, encontra uma igaçaba, logo se apressam em parti-la, em destruí-la como coisa demoníaca ou indigna de ficar entre os de hoje. A pobre talha mortuária dos tamoios é sacrificada impiedosamente.

Frágeis eram os artefatos dos índios e todas as suas outras obras; frágeis são também as nossas de hoje, tanto assim que os mais antigos monumentos do Rio são de século e meio; e a cidade vai já para o caminho dos quatrocentos anos.

O nosso granito vetusto, tão velho quanto a terra, sobre o qual repousa a cidade, capricha em querer o frágil, o pouco duradouro. A sua grandeza e a sua antiguidade não admitem rivais.

Ainda hoje esse espírito do lugar domina a construção dos nossos edifícios públicos e particulares, que estão a rachar e a desabar, a todo instante. E como se a terra não deseje que fiquem nela outras criações, outras vidas, senão as florestas que ela gera, e os animais que nestas vivem.

Ela as faz brotar, apesar de tudo, para sustentar e ostentar um instante, vidas que devem desaparecer sem deixar vestígios. Estranho capricho…

Quer ser um recolhimento, um lugar de repouso, de parada, para o turbilhão que arrasta a criação a constantes mudanças nos seres vivos; mas só isto, continuando ela firme, inabalável, gerando e recebendo vidas, mas de tal modo que as novas que vierem não possam saber quais foram as que lhes antecederam.

Desde que as suas rochas surgiram, quantas formas de vida ela já viu? Inúmeras, milhares; mas de nenhuma quis guardar uma lembrança, uma relíquia, para que a Vida não acreditasse que podia rivalizar com a sua eternidade.

Mesmo os nomes índios, como já foi observado, se apagam, vão se apagando, para dar lugar a nomes banais de figurões ainda mais banais, de forma que essa pequena antiguidade de quatro séculos desaparecerá em breve, as novas denominações talvez não durem tanto.

Nenhum testemunho, dentro em pouco, haverá das almas que eles representam, dessas consciências tamoias que tentaram, com tais apelidos, macular a virgindade da incalculável duração da terra. Sapopemba é já um general qualquer, e tantos outros lugares do Rio de janeiro vão perdendo insensivelmente os seus nomes tupis”.

 

Brevíssimo perfil de Lima Barreto (1881 – 1922)

 

“Passemos além: mais do que nenhuma outra arte, mais fortemente possuindo essa capacidade de sugerir em nós o sentimento que agitou o autor ou que ele simplesmente descreve, a arte literária se apresenta com um verdadeiro poder de contágio que a faz facilmente passar de simples capricho individual, em traço de união, em força de ligação entre os homens, sendo capaz, portanto, de concorrer para o estabelecimento de uma harmonia entre eles, orientada para um ideal imenso em que se soldem as almas, aparentemente mais diferentes, reveladas, porém, por elas, como semelhantes no sofrimento da imensa dor de serem humanos”.

O destino da literatura, por Lima Barreto,

Revista Sousa Cruz, outubro e novembro de 1921

 

 

“Espírito forte, observador preciso, de estilo próprio, Lima Barreto tem o temperamento integral do artista”.

Fon-Fon, 22 de janeiro de 1910

 

Carioca, Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 13 de maio de 1881, exatamente sete anos antes da assinatura da Lei Áurea. Filho do tipógrafo Joaquim Henriques de Lima Barreto (1853 – 1922) e da professora primária Amália Augusta (1862 – 1887), que haviam se casado em 1878.  O casal teve mais quatro filhos:  Nicomedes, que nasceu, em 1879, mas viveu apenas oito dias; Evangelina, nascida em 1882; Carlindo, em 1884; e Eliézer, em 1886. Foi afilhado do senador Afonso Celso (1836 – 1912), o Visconde de Ouro Preto.

 

 

Lima Barreto era negro e neto de escravizados e sua vida foi fortemente marcada pelo preconceito racial, como fica evidenciado em sua crônica O Pecado (1904) (Revista Souza Cruz, agosto de 1924).

 

 

Esteve presente, com seu pai, tanto no Largo do Paço para testemunhar a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, como, alguns dias depois, em 17 de maio, na Missa Campal do Campo de São Cristóvão.

Sobre o Dia da Abolição escreveu uma crônica, Maio, publicada na Gazeta da Tarde, de 4 de maio de 1911.

 

 

Maio

Estamos em maio, o mês das flores, o mês sagrado pela poesia. Não é sem emoção que o vejo entrar. Há em minha alma um renovamento; as ambições desabrocham de novo e, de novo, me chegam revoadas de sonhos. Nasci sob o seu signo, a treze, e creio que em sexta-feira; e, por isso, também à emoção que o mês sagrado me traz, se misturam recordações da minha meninice.

Agora mesmo estou a lembrar-me que, em 1888, dias antes da data áurea, meu pai chegou em casa e disse-me: a lei da abolição vai passar no dia de teus anos. E de fato passou; e nós fomos esperar a assinatura no Largo do Paço.

Na minha lembrança desses acontecimentos, o edifício do antigo paço, hoje repartição dos Telégrafos, fica muito alto, um sky-scraper; e lá de uma das janelas eu vejo um homem que acena para o povo.

Não me recordo bem se ele falou e não sou capaz de afirmar se era mesmo o grande Patrocínio.

Havia uma imensa multidão ansiosa, com o olhar preso às janelas do velho casarão. Afinal a lei foi assinada e, num segundo, todos aqueles milhares de pessoas o souberam. A princesa veio à janela. Foi uma ovação: palmas, acenos com lenço, vivas…

Fazia sol e o dia estava claro. Jamais, na minha vida, vi tanta alegria. Era geral, era total; e os dias que se seguiram, dias de folganças e satisfação, deram-me uma visão da vida inteiramente festa e harmonia.

Houve missa campal no Campo de São Cristóvão. Eu fui também com meu pai; mas pouco me recordo dela, a não ser lembrar-me que, ao assisti-la, me vinha aos olhos a “Primeira Missa”, de Vítor Meireles. Era como se o Brasil tivesse sido descoberto outra vez… Houve o barulho de bandas de música, de bombas e girândolas, indispensável aos nossos regozijos; e houve também préstitos cívicos. Anjos despedaçando grilhões, alegorias toscas passaram lentamente pelas ruas. Construíram-se estrados para bailes populares; houve desfile de batalhões escolares e eu me lembro que vi a princesa imperial, na porta da atual Prefeitura, cercada de filhos, assistindo àquela fieira de numerosos soldados desfiar devagar. Devia ser de tarde, ao anoitecer.

Ela me parecia loura, muito loura, maternal, com um olhar doce e apiedado. Nunca mais a vi e o imperador nunca vi, mas me lembro dos seus carros, aqueles enormes carros dourados, puxados por quatro cavalos, com cocheiros montados e um criado à traseira.

Eu tinha então sete anos e o cativeiro não me impressionava. Não lhe imaginava o horror; não conhecia a sua injustiça. Eu me recordo, nunca conheci uma pessoa escrava. Criado no Rio de Janeiro, na cidade, onde já os escravos rareavam, faltava-me o conhecimento direto da vexatória instituição, para lhe sentir bem os aspectos hediondos.

Era bom saber se a alegria que trouxe à cidade a lei da abolição foi geral pelo país. Havia de ser, porque já tinha entrado na consciência de todos a injustiça originária da escravidão.

Quando fui para o colégio, um colégio público, à rua do Resende, a alegria entre a criançada era grande. Nós não sabíamos o alcance da lei, mas a alegria ambiente nos tinha tomado.

A professora, Dona Teresa Pimentel do Amaral, uma senhora muito inteligente, a quem muito deve o meu espírito, creio que nos explicou a significação da coisa; mas com aquele feitio mental de criança, só uma coisa me ficou: livre! livre!

Julgava que podíamos fazer tudo que quiséssemos; que dali em diante não havia mais limitação aos propósitos da nossa fantasia.

Parece que essa convicção era geral na meninada, porquanto um colega meu, depois de um castigo, me disse: “Vou dizer a papai que não quero voltar mais ao colégio. Não somos todos livres?”

Mas como ainda estamos longe de ser livres! Como ainda nos enleamos nas teias dos preceitos, das regras e das leis!

Dos jornais e folhetos distribuídos por aquela ocasião, eu me lembro de um pequeno jornal, publicado pelos tipógrafos da Casa Lombaerts. Estava bem impresso, tinha umas vinhetas elzevirianas, pequenos artigos e sonetos. Desses, dois eram dedicados a José do Patrocínio e o outro à princesa. Eu me lembro, foi a minha primeira emoção poética a leitura dele. Intitulava-se “Princesa e Mãe” e ainda tenho de memória um dos versos:

“Houve um tempo, senhora, há muito já passado…”

São boas essas recordações; elas têm um perfume de saudade e fazem com que sintamos a eternidade do tempo.

Oh! O tempo! O inflexível tempo, que como o Amor, é também irmão da Morte, vai ceifando aspirações, tirando presunções, trazendo desalentos, e só nos deixa na alma essa saudade do passado às vezes composta de coisas fúteis, cujo relembrar, porém, traz sempre prazer.

Quanta ambição ele não mata! Primeiro são os sonhos de posição: com os dias e as horas e, a pouco e pouco, a gente vai descendo de ministro a amanuense; depois são os do Amor – oh! como se desce nesses! Os de saber, de erudição, vão caindo até ficarem reduzidos ao bondoso Larousse. Viagens… Oh! As viagens! Ficamos a fazê-las nos nossos pobres quartos, com auxílio do Baedecker e outros livros complacentes.

Obras, satisfações, glórias, tudo se esvai e se esbate. Pelos trinta anos, a gente que se julgava Shakespeare, está crente que não passa de um “Mal das Vinhas” qualquer; tenazmente, porém, ficamos a viver, esperando, esperando… o quê? O imprevisto, o que pode acontecer amanhã ou depois. Esperando os milagres do tempo e olhando o céu vazio de Deus ou deuses, mas sempre olhando para ele, como o filósofo Guyau.

Esperando, quem sabe se a sorte grande ou um tesouro oculto no quintal?

E maio volta… Há pelo ar blandícias e afagos; as coisas ligeiras têm mais poesia; os pássaros como que cantam melhor; o verde das encostas é mais macio; um forte flux de vida percorre e anima tudo…

O mês augusto e sagrado pela poesia e pela arte, jungido eternamente à marcha da Terra, volta; e os galhos da nossa alma que tinham sido amputados – os sonhos, enchem-se de brotos muito verdes, de um claro e macio verde de pelúcia, reverdecem mais uma vez, para de novo perderem as folhas, secarem, antes mesmo de chegar o tórrido dezembro.

E assim se faz a vida, com desalentos e esperanças, com recordações e saudades, com tolices e coisas sensatas, com baixezas e grandezas, à espera da morte, da doce morte, padroeira dos aflitos e desesperados…

 

 

Lima Barreto frequentou a Escola Pública Municipal da rua do Rezende, o Liceu Popular Niteroiense, o Ginásio Nacional (antigo Colégio Pedro II) e o internato do Colégio Paula Freitas.

 

Acervo da Fundação Biblioteca Nacional

Acervo da Fundação Biblioteca Nacional

 

Ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro onde iniciou o curso de Engenharia, que teve que abandonar, em 1903, devido à necessidade de sustentar seus irmãos, já que seu pai teve um diagnóstico de neurastenia. No mesmo ano, passou no concurso de amanuense da Secretaria da Guerra.

 

 

Boêmio, foi um crítico contundente da mentalidade burguesa de sua época. Amava e criticava o Rio de Janeiro, sua cidade natal, de onde nunca saiu. Segundo a crítica literária Beatriz Resente: “O Rio de Janeiro das crônicas de Lima Barreto é a cidade dos contrastes, das revoltas, das ruínas sob o vento do progresso, mas é também a expressão de uma paixão tão forte que a outras, mais humanas, não deixa espaço”.

 

“Lima Barreto foi com efeito a figura mais original de boêmio que teve nos últimos tempos a intelectualidade carioca”.

José Garcia Margiocco (18? – 1923), escritor e jornalista

(Careta, 11 de novembro de 1922)

 

Colaborou em diversos jornais e revistas, dentre eles Careta, Fon-FonGazeta da TardeFloreal (dirigida por ele).

 

 

Seu romance de estreia foi Recordações do Escrivão Isaías Caminha, cujo personagem central foi inspirado em Edmundo Bittencourt (1866 – 1943), dono do Correio da Manhã (Careta, 5 de fevereiro de 1910). É considerada sua obra-prima o livro Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915), publicado inicialmente em folhetins, entre agosto e outubro de 1911, na edição da tarde do Jornal do Commercio (Correio Paulistano, 29 de junho de 1916, primeira coluna; A Noite, 1º de outubro de 1916, primeira coluna). Outros de seus livros foram o Cemitério dos VivosHistórias e Sonhos, o último publicado enquanto estava vivo; Os BruzundangasClara dos Anjos e Diário Íntimo. Seus temas, como a denúncia da discriminação racial, a defesa dos excluídos da sociedade, a luta pelos direitos civis e a crítica aos políticos, dentre outros, continuam muito atuais.

Sobre Lima Barreto, o escritor Monteiro Lobato (1882 – 1948) escreveu, em 1º de outubro de 1916, numa carta para o também escritor Godofredo Rangel (1884 – 1851):

“Conheces Lima Barreto? Li dele, na Águia, dois contos, e pelos jornais soube do triunfo do Policarpo Quaresma, cuja segunda edição já lá se foi. A ajuizar pelo que li, este sujeito me é romancista de deitar sombras em todos os seus colegas coevos e coelhos, inclusive o Neto. Facílimo na língua, engenhoso, fino, dá impressão de escrever sem torturamento – ao modo das torneiras que fluem uniformemente a sua corda-d’água”.

Livraria da Universidade de Santa Maria

 

Ao longo de sua vida, foi internado duas vezes no Hospício Nacional de Alienados, originalmente Hospício de Pedro II, devido ao alcoolismo: em 1914, quando ficou lá durante dois meses; e, no Natal de 1919 – ficou até fevereiro de 1920. Durante esta segunda internação começou a escrever o romance inacabado Cemitério dos Vivos.

“Voltei para o pátio. Que coisa, meu Deus! Estava ali que nem um peru, no meio de muitos outros, pastoreado por um bom português, que tinha um ar rude, mas doce e compassivo, de camponês transmontano. Ele já me conhecia da outra vez. Chamava-me você e me deu cigarros. Da outra vez, fui para a casa-forte e ele me fez baldear a varanda, lavar o banheiro, onde me deu um excelente banho de ducha de chicote. Todos nós estávamos nus, as portas abertas, e eu tive muito pudor. Eu me lembrei do banho de vapor de Dostoiévski, na Casa dos Mortos. Quando baldeei, chorei; mas lembrei de Cervantes, do próprio Dostoiévski, que pior deviam ter sofrido em Argel e na Sibéria. Ah! A Literatura ou me mata ou me dá o que eu peço dela”.

 

 

Como já mencionado, Lima Barreto faleceu, em 1º de novembro de 1922, Dia de Todos os Santos (Jornal do Brasil, 3 de novembro de 1922).

Poucos dias após sua morte, o escritor Coelho Neto (1864 – 1934) escreveu sobre ele na edição do Jornal do Brasil de 5 de novembro de 1922:

 

 

Na edição da revista Careta, de 11 de novembro de 1922, foi publicado o artigo O bohemio immortal, do jornalista e escritor gaúcho José Garcia Margiocco (18? – 1923).

 

 

O escritor Enéas Ferraz (1896 – 1977), autor de A História de João Crispim, uma biografia romanceada de Lima Barreto, prestou uma homenagem ao escritor na crônica A Morte do Mestre (O Paiz, 20 de novembro de 1922). Sobre o livro de Ferraz, Lima Barreto havia escrito a crítica História de um Mulato, publicada em O Paiz, 17 de abril de 1922.

Lima Barreto ficou invisibilizado durante décadas talvez devido à ascenção, no Brasil, da eugenia, uma espécie de racismo científico. Sobre o tema ele havia escrito a crônica Considerações Oportunas, publicada no ABC, em 16 de agosto de 1919. Dez anos depois, realizou-se o Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia, no Rio de Janeiro, entre 30 de junho e 7 de julho de 1929. O evento integrava as comemorações do centenário da Academia Nacional de Medicina (Correio da Manhã, 31 de maio, sétima coluna; e 2 de julho, primeira coluna; de 1929).

A obra de Lima Barreto foi resgatada nos anos 50, quando foi publicado o livro A vida de Lima Barreto 1881-1922 (1952), de Francisco Assis Barbosa (1914 – 1991). Em 1953, foi inaugurada a Biblioteca Lima Barreto, em Madureira; e, em 1956, sob a organização de Assis Barbosa, foi iniciada a publicação, pela Editora Brasiliense, de sua obra completa, em 17 volumes. Em 1982, foi o homenageado pela Escola de Samba Unidos da Tijuca, cujo enredo foi Lima Barreto – Mulato, pobre, mas livre. Já no século XXI, o escritor foi o homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2017.

Uma curiosidade: foi um dos 40 escritores que elegeu Olavo Bilac (165 – 1918) O Príncipe dos Poetas Brasileiros em um concurso promovido pela revista Fon-Fon, em 1913 (Fon-Fon, 4 de janeiro de 1919).

 

 

Outra curiosidade: J. Caminha, Leitor, Aquele, Amil, Eran, Jonathan, Inácio Costa foram pseudônimos usados por Lima Barreto e identificados pelo pesquisador Felipe Botelho Corrêa, que resultou na descoberta de 164 textos inéditos em livro e que foram reunidos na obra Sátiras e outras subversões, publicado em 2016. Lima Barreto também usou os pseudônimos Alfa Z, Phileas Fogg, Puck, Rui de Pina e S. Holmes. 

Uma última curiosidade: O jornalista Irineu Marinho (1876 – 1925), que foi colega de Lima no Liceu Niteroiense, batizou seu jornal, fundado em 1925, como O GLOBO, nome do jornal fictício criado pelo escritor no livro Recordações do Escrivão Isaías Caminha.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

Fontes:

BARBOSA, Francisco de Assis. A vida de Lima Barreto (1881- 1922). São Paulo : Autêntica Editora, 2017.

Blog Lobato com você

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

O GLOBO, 28 de julho de 2016

RESENDE, Beatriz. Lima Barreto e o Rio de Janeiro em fragmentos. São Paulo : Autêntica Editora, 1993.

SANTOS, André Luiz dos. Caminhos de alguns ficcionistas brasileiros após as Impressões de Leitura de Lima Barreto. Rio de Janeiro, 2007. Tese (Doutorado em Letras – Área de Concentração: Literatura Brasileira) – Faculdade de Letras. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.

SCHWARCZ, Lilia. Lima Barreto, triste visionário. São Paulo : Companhia das Letras, 2017.

Portal Literafro

Portal O Tempo

 

Ouça aqui o podcast lançado pela Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles, em comemoração ao centenário de morte do escritor: Lima Barreto: o negro é a cor mais cortante.

 

Leia aqui o artigo A pena engajada de Lima Barreto, de Guilherme Tauil, publicado no portal Crônica Brasileira, do Instituto Moreira Salles.

* O primeiro parágrafo do artigo foi modificado em 12 de novembro de 2022.

 

Links para os artigos já publicados da Série 1922 – Hoje, há 100 anos

Série 1922 – Hoje, há 100 anos I – Os Batutas embarcam para Paris, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 29 de janeiro de 2022

Série 1922 – Hoje, há 100 anos II- A Semana de Arte Moderna, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 13 de fevereiro de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos III – A eleição de Artur Bernardes e a derrota de Nilo Peçanha, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 1º de março de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos IV – A primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 17 de junho de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos V – A Revolta do Forte de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 5 de julho de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VI e série Feministas, graças a Deus XI – A fundação da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 9 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VII – A morte de Gastão de Orleáns, o conde d´Eu (Neuilly-sur-Seine, 28/04/1842 – Oceano Atlântico 28/08/1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 28 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VIII – A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 7 de setembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos IX – O centenário do Museu Histórico Nacional, de autoria de Maria Isabel Lenzi, historiadora do Musseu Histórico Nacional, publicado em 12 de outubro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos XI e série Feministas, graças a Deus XII 1ª Conferência pelo Progresso Feminino e o “bom” feminismo, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, antropóloga do Arquivo Nacional, publicado em 19 de dezembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

A construção do Bondinho do Pão de Açúcar sob as lentes de Therezio Mascarenhas

A Brasiliana Fotográfica destaca imagens da construção do Bondinho do Pão de Açúcar realizadas pelo fotógrafo Therezio Mascarenhas (18? – 19?), cuja biografia ainda é pouco conhecida. Na primeira década do século XX, ele morava em Vitória e, provavelmente, conheceu o engenheiro civil Augusto Ferreira Ramos (1860 – 1939), criador e construtor do Bondinho do Pão de Açúcar, em torno de 1909, quando este estava fazendo obras de instalação de água, luz, força e tração, no Espírito Santo.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Bondinho do Pão de Açúcar de autoria de Therezio Mascarenhas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

O Pão de Açúcar com seu bondinho e o Cristo Redentor são os principais pontos turísticos do Brasil, segundo e primeiro  mais visitados do país, e marcas registradas do Rio de Janeiro, seus mais conhecidos cartões-postais.

 

 

O Bondinho do Pão de Açúcar já foi visitado por diversas celebridades, dentre elas o físico Albert Einstein (1879 – 1955), o cantor e compositor Bob Marley (1945-1981), o papa João Paulo II (1920 – 2005); em 1941, pelo futuro presidente dos Estados Unidos, John Kennedy (1917-1963); as atrizes Halle Berry (1966-) e Natalie Portman (1981-), o ator Robert de Niro (1943-), a cantora Tina Turner (1939-) e Malala Yousafzai (1997-), ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2014. Em um dos bondinhos foram filmadas cenas de 007 Contra o Foguete da Morte (1979): em uma das sequências, o agente James Bond, na época interpretado pelo ator Roger Moore (1927 – 2017), se equilibrou, a mais de 500 metros de altura, em seus cabos de aço.

 

 

Um pouco da história do Bondinho do Pão de Açúcar

 

O projeto do bondinho era ousado e grandioso e estava em consonância com as transformações urbanas realizadas no Rio de Janeiro, no começo do século XX, durante a gestão do prefeito Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), entre 1903 e 1906. Para sanear e modernizar a cidade diversas demolições foram feitas. Era a política do “bota-abaixo”, como ficou popularmente conhecida, que contribuiu fortemente para o surgimento do Rio de Janeiro da Belle Époque. Essas transformações foram definidas por Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), autor da seção “Binóculo”, da Gazeta de Notícias, com a máxima “O Rio civiliza-se”, que se tornou o slogan da reforma urbana carioca.

 

 

O criador do Bondinho do Pão de Açúcar, Augusto Ferreira Ramos, nascido em 22 de agosto de 1860, em Cantagalo, no estado do Rio, formou-se, em 1882, na Polytecnica do Império do Brasil, atual Faculdade de Engenharia da UFRJ, e tornou-se sócio do Clube de Engenharia, em 1894, por indicação de Conrado Jacob de Niemeyer (1831 – 1905). Faleceu em 28 de julho de 1939, em sua residência, na rua 5 de julho, nº 130, em Copacabana (O Globo, 29 de julho de 1939).

 

O Globo, 29 de julho de 1939

Augusto Ferreira Ramos / O Globo, 29 de julho de 1939

 

Visionário, ele teve a ideia da criação do bondinho, durante a Exposição Nacional de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, inaugurada em 11 de agosto de 1908. Ramos foi um dos coordenadores do pavilhão do estado de São Paulo devido ao café, um dos assuntos de seu interesse, e sobre o qual escreveu tanto sobre o seu cultivo como sobre sua comercialização. O café era, na época, o principal produto da balança comercial do Brasil.

A construção de um caminho aéreo entre os morros da Baía de Guanabara alavancaria o turismo na cidade. Conseguiu capital – entre os investidores estavam Eduardo Guinle (1846-1912)Candido Gaffrée (1845-1919) e Raymundo de Castro Maya (1894 – 1968) – apoio do governo e fundou a Cia Caminho Aéreo Pão de Açúcar.

 

 

As obras foram realizadas entre 1909 e 1912. O teleférico carioca, cujas duas linhas somam 1325 metros, superou os dois que existiam na época: o do Monte Ulia, na Espanha, com extensão de 280 metros; e o de Wetterhorn, na Suíça, com 560 metros. O empreendimento custou uma fortuna, dois milhões de contos de réis, e centenas de operários, além de alpinistas, trabalharam em sua construção.

 

 

Os bondinhos de madeira maciça foram trazidos da Alemanha e fixados nos cabos com o auxílio de guindastes. Foi contratada a empresa alemã J.Pohling, de Colônia, que fabricou e montou os equipamentos.

 

 

Finalmente, em 27 de outubro de 1912, foi inaugurado o caminho aéreo no Rio de Janeiro, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca, que se tornaria o mundialmente famoso Bondinho do Pão de Açúcar (Careta, 5 de outubro de 1912). Alguns dias antes, houve uma visita da imprensa às obras (Correio da Manhã, 10 de outubro de 1912). Em 1º de dezembro, foi inaugurada a iluminação elétrica no caminho aéreo (Jornal do Brasil, 1º de dezembro de 1912, na última coluna).

 

 

O bondinho no segundo trecho, entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, numa extensão de 750 metros e 396 metros de altura, começou a funcionar no dia 18 de janeiro de 1913, completando a ligação até o alto do pico do Pão de Açúcar (O Paiz, 19 de janeiro de 1913, quarta coluna).

 

 

Augusto Ferreira Ramos dirigiu a empresa até 1934, ano em que o industrial e banqueiro Carlos Pinto Monteiro assumiu a administração da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar até 1962, quando o engenheiro Cristóvão Leite de Castro (1904 – 2002) assumiu a direção. Durante sua gestão, em 1969, a Companhia do Pão de Açúcar obteve permissão para duplicar a linha e, após algumas reformas, passou a contar com quatro novos bondinhos, cada um com capacidade para transportar 75 passageiros. Os trabalhos foram completados em 29 de outubro de 1972.

Em 1993, Cristóvão passou o cargo para sua filha, Maria Ercília Leite de Castro, mestre em Administração de Empresas pela COPPEAD. Em 2002, o bondinho passou por outra reforma com a substituição dos oito cabos de aço e na realização de melhorias como nova pintura, iluminação, equipamento de som e placas de sinalização. Foram gastos 852 mil dólares. Entre 2008, foram inaugurados quatro novos bondinhos e a operação do teleférico foi digitalizada.

Em 2022, zerou suas emissões de carbono e ganhou uma nova marca e um novo lema: Parque Bondinho Pão de Açúcar, “Felicidade lá em cima”. Recebeu de presente, em homenagem aos seus 110 anos uma canção, O bondinho, de Roberto Menescal, Alex Moreira e Cris Delanno. É dirigido por Sandro Fernandes.

 

 

Uma curiosidade: em novembro de 2021, Anna Caroline Boyd Martine entrou para a história do cartão postal carioca, tornando-se a primeira mulher a trabalhar como operadora de cabine do teleférico do Parque Bondinho Pão de Açúcar.

 

Acesse aqui um artigo publicado na revista Brazil – Ferro – Carril, número 36, em 1912, onde o projeto do Bondinho do Pão de Açúcar é explicado detalhadamente.

 

 

 

Pequeno perfil e cronologia de Therezio Mascarenhas (18? – 19?)

 

Como já mencionado, pouco se sabe, até hoje, sobre a biografia do fotógrafo Therezio Mascarenhas. A partir da pesquisa na Hemeretoca Digital da Biblioteca Nacional, segue uma pequena cronologia de sua vida, que ajuda a traçar um pouco de seu perfil.

 

 

 

1900 – Procedente do Rio de Janeiro, fazendo quarentena na Ilha Grande, chegada do vapor nacional Pernambuco , em Vitória. Therezio era um dos passageiros (O Estado do Espírito Santo: Ordem e Progresso, 24 de julho de 1900, última coluna).

1908 – Foi um dos convidados de F. Clemetson, superintendente da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, para viajar para Engenheiro Reeve com o cientista e ministro plenitenciário da França, Charles Wiener (1851–1913), nascido em Viena, que ficou bastante conhecido por suas viagens ao Peru (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 20 de fevereiro de 1908, quarta coluna).

Fotografou indígenas do Rio Doce (Diário da Manhã: Órgão do Partido Conservador (ES), 20 de fevereiro de 1908, segunda coluna).

Identificado como um ativo jovem, Therezio seguiu para o Rio de Janeiro, no paquete Maranhão, em 6 de junho, com a intenção de conversar com o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura sobre a abertura de um estabelecimento de artigos e ferragens para a lavoura. Retornou em julho (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 7 de junho de 1908, quinta colunaCommercio do Espírito Santo, 24 de julho de 1908, segunda coluna).

Foi anunciado que ele abriria, na rua da Alfândega, em Vitória, um depósito para máquinas para a lavoura importados da Europa e da América do Norte (Cachoeirano, 20 de junho de 1908, terceira coluna).

Publicação de uma poesia de sua autoria (O Malho, 8 de agosto de 1908).

1909 - Ele e Casemiro Guimarães tiraram várias diversas fotográficas do piquenique dos sócios do Club de Regatas, realizado na Ilha do Boi, no Espírito Santo (Commercio do Espírito Santo, 22 de março de 1909, primeira coluna).

O engenheiro Augusto Ferreira Ramos (1860 – 1939), criador e construtor do Bondinho do Pão de Açúcar, promoveu uma excursão durante a qual os aplicados amadores Paulo Motta e Therezio Mascarenhas tiraram várias fotografias (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 8 de abril de 1909, última coluna). Provavelmente, em torno deste ano, Augusto e Therezio se conheceram.

Foi publicada na revista Fon-Fon uma fotografia do capor Queen Eleanor de sua autoria. Foi identificado como fotógrafo amador (Fon-Fon, 24 de abril de 1909).

 

 

Praticava tiro ao alvo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 4 de maio de 1909, primeira coluna).

No Café Globo, em Vitória, houve uma exposição de fotografias de sua autoria dos serviços de abastecimento e luz realizados pelo engenheiro Augusto Ferreira Ramos. Foi identificado como amador e nesses registros Therezio revelava muito bom gosto pela arte (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 24 de maio de 1909, quinta colunaCorreio do Espírito Santo, 26 de maio de 1909, segunda coluna).

Fazia parte da comitiva de Augusto Ferreira Ramos em visitas de obras hidráulicas realizadas pelo engenheiro  (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 10 de julho de 1909, segunda colunaDiário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 13 de julho de 1909, quinta coluna).

Participou da homenagem realizada pelo governo do Espírito Santo ao presidente Afonso Pena (1847 – 1909), na Catedral de Vitória (Commercio do Espírito Santo, 13 de julho de 1909, última coluna).

Foi noticiado seu aniversário, no dia 23 de agosto (Correio do Espírito Santo, 23 de agosto de 1909, primeira coluna).

Produziu várias fotografias durante uma excursão ao Jucu promovida pelo engenheiro Augusto Ferreora Ramos, contratante dos serviços de água, luz e esgoto de Vitória, que ofereceu um piquenique à família do político capixaba Torquato Moreira e a outras distintas famílias (Commercio do Espírito Santo, 21 de setembro de 1909, segunda coluna).

Esteve presente na missa de sétimo dia do prefeito de Vitória, Ceciliano Abel de Almeida (Commercio do Espírito Santo, 24 de novembro de 1909, quarta coluna).

Fotografou as festas realizadas na Escola Aprendizes de Marinheiro e foi identificado como um hábil fotógrafo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 23 de dezembro, segunda coluna).

1910 – Possuia um estabelecimento fotográfico na Villa Moscoso, nº 16, em Vitória, no Espírito Santo (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 26 de fevereiro de 1910, segunda colunaAlmanak Laemmert, 1910, primeira colunaAlmanak Renault, 1912, última coluna).

Estava vendendo artigos  fotográficos (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 10 de março de 1910, última coluna).

 

 

1911 - Chegou no porto de Vitória, procedente do norte no paquete Sattelite (Diário da Manhã: Órgão do Partido Construtor (ES), 18 de outubro de 1911, segunda coluna).

1916 - Seu estabelecimento fotográfico na Villa Moscoso, em Vitória, no Espírito Santo, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert (Almanak Laemmert, 1916, última coluna).

1927 - Ele e Augusto Ferreira Ramos foram alguns dos subscritores do abaixo-assinado feito por moradores e proprietários na Praia Vermelha, elogiando os melhoramentos realizados pelo prefeito do Rio de Janeiro, Antônio da Silva Prado Junior (1880 – 1955), na remodelação da principal artéria e nas cercanias da região, o que facilitaria a visita ao encantador passeio do Pão de Açúcar (O Paiz, 14 de dezembro de 1927, segunda coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Diário do Rio

Extra, 27 de outubro de 2022

Correio Braziliense, 12 de junho de 2008

Folha de São Paulo, 12 de fevereiro de 2022

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Jackobson, Andrea. O bondinho do Pão de Açúcar. Rio de Janeiro : Editora Andrea Jackobson, 2018.

O GLOBO, 13 de junho de 2011

O GLOBO, 20 de outubro de 2012

Portal Clube de Engenharia

Rezende, Nilza. Pão de Açúcar – A Marca do Rio / Sugar Loaf – Rios Trademark.  Editora Clio.

Revisa EDVD

Serra News

Site Bondinho do Pão de Açúcar

Site Instituto Histórico Geográfico Brasileiro

Superinteressante, 4 de julho de 2018