Série “Feministas, graças a Deus”! VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001)

 

“Acho que nasci feminista. Por isso não me lembro quando nem por que – estava na Escola Politécnica, isso eu sei – resolvi assumir esse meu lado contestatório e reivindicatório”.

 

 

A fotografia acima foi produzida pelo Serviço Fotográfico de Vida Doméstica e é muito semelhante a um registro publicado na edição de agosto de 1931 da revista. A dedicatória na foto é de novembro de 1931 e refere-se ao II Congresso Internacional Feminista, realizado no Rio de Janeiro, em junho de 1931, do qual Carmen foi a secretária-geral.

 

 

Nascida em Corumbá, no Mato Grosso, em 26 de janeiro de 1903, Carmen Velasco Portinho foi uma militante das causas feministas como o sufrágio feminino, além de ativista pela educação das mulheres e pela valorização do trabalho feminino fora da esfera doméstica, tendo sido a terceira mulher a se formar em Engenheira Civil (1925) e a primeira a obter o título de urbanista (1939) no Brasil. Sempre na vanguarda, foi uma mulher graciosa, cheia de energia, culta, inteligente, dinâmica, tenaz, considerada simpática e afável. E, segundo a própria, apesar de ter tido uma vida de muito trabalho, sempre se divertiu.

Viveu quase todo o século XX, tendo falecido em 2001. Conheceu pessoas influentes do Brasil e do mundo como o empresário norte-americano Nelson Rockfeller (1908 – 1979), o escritor francês André Malraux (1901 – 1976), os arquitetos Le Corbusier (1887 – 1965), Lúcio Costa (1902 – 1998), Mies Van Der Hohe (1886 – 1969), Oscar Niemeyer (1907 – 2012), e Walter Gropius (1883 – 1969), além de artistas como André Lhote (1885 – 1962), Candido Portinari (1903 – 1962), Cícero Dias (1907 – 2003), Edith Behring (1916 – 1996), José Pancetti (1902 – 1958), Maria Martins (1894 – 1973) e Roberto Burle Marx (1909 – 1994).

Foi amiga e trabalhou com diversas feministas, dentre elas a advogada Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), a também engenheira civil Amélia Sapienza, a bióloga Bertha Lutz  (1894 – 1976), Déa Torres Paranhos (1915 – 2001), uma das primeiras mulheres registradas como arquiteta no CREA, em 1935; a advogada Elvira Komel (1906 – 1932), a naturalista e ornitóloga alemã Emilia Snethlage (1868-1929), a professora Heloisa Marinho (1903 – 1994), as médicas Herminia de Assis e Juana Lopes; a enfermeira Jeronyma Mesquita (1880 – 1972), a mecenas Laurinda Santos Lobo (1878 – 1946), as advogadas Maria Alexandrina Ferreira Chaves, Maria Ester Correia Ramalho e Myrthes de Campos ( 1875 – 1965); a escritora Maria Eugênia Celso (1886 – 1963), a advogada Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971), formada em Ciências Jurídicas; e Stella Guerra Duval (1879 – 1971).

 

 

Viajou muito, participou de congressos, seminários, programas de rádio, criou e escreveu para revistas e jornais, foi curadora e suas principais atividades sempre estiveram ligadas à engenharia, ao urbanismo, ao desenho industrial e às artes. Declarou em uma entrevista, em 1951, que suas paixões eram a matemática e a jardinagem. Vamos tentar nesse artigo traçar um perfil dessa mulher notável que deixou, a partir de suas ações, uma marca indelével na história do Brasil e na história da emancipação da mulher brasileira.

 

Acessando o link para as fotografias de Carmen Portinho disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Filha da boliviana Maria Velasco Blanco (1877 – 1958), conhecida como Mamita, com o gaúcho Francisco Sertório Portinho (1871 – 1925), conhecido como coronel Portinho, ainda criança, em 1911, mudou-se com os pais para o Rio de Janeiro. Era a primogênita de nove irmãos: as advogadas Branca (? – 1966) e Rosita (? – 1996) – que como ela nasceram em Corumbá – e os já nascidos no Rio de Janeiro, o engenheiro e jornalista José Velasco Portinho  (? – 1986), que foi diretor de O Jornal; os advogados Teresa (? – 1950), Carlos (? – 1991) e Luzia (? – c. 2005),  Maria de Lourdes (c. 1918 – 1962), que chegou a cursar os primeiros anos de Engenharia; e o também advogado Paulo (? – 2007). Luzia e Branca, se tornaram, por concurso, funcionárias da Câmara dos Deputados.

 

Maria Blanco Portinho e Francisco Sertório Portinho, os pais de Carmen

Maria Blanco Portinho e Francisco Sertório Portinho, os pais de Carmen / Correio da Manhã, 17 de julho de 1958Carmen Portinho – Por toda a minha vida

 

Começou a cursar, em 1920, Engenharia na Escola Politécnica da Universidade do Brasil. Ingressou também na Escola Nacional de Belas Artes, que cursou durante dois anos. Estudou escultura e desenho a mão livre com professores como o escultor Celso Antônio de Menezes (1896 – 1984) e o pintor Lucílio de Albuquerque (1877 – 1939). Foi na Escola de Belas Artes que Carmen conheceu e tornou-se amiga do arquiteto Lúcio Costa (1902 – 1998) e do pintor Candido Portinari (1903 – 1962) (O Jornal, 17 de maio de 1962, primeira coluna).

Em 9 de agosto de 1922, ela, Bertha Lutz  (1894 – 1976), Jeronyma Mesquita (1880 – 1972) e Stella Guerra Duval (1879 – 1971) fundaram a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que no mesmo ano recebeu a medalha de ouro na Exposição Internacional do Centenário da Independência. A iniciativa estava vinculada ao movimento sufragista internacional, principal tendência do feminismo no início do século XX. As outras reivindicações eram de igualdade entre os sexos e de independência da mulher.  Carmen foi tesoureira e vice-presidente da entidade. Inicialmente, a sede da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino ficava na avenida Rio Branco, 117 (Revista da Semana, 2 de julho de 1932).

Em 1924, formou-se como engenheira geógrafa e, ainda cursando Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade do Brasil, para aumentar o rendimento familiar, dava aulas de matemática no Colégio Pedro II, um internato masculino, o que foi considerado um escândalo. O então ministro da Justiça, Augusto Viana do Castelo (1874 – 1953), tentou, sem sucesso, impedi-la. Conversaram, ela apresentou suas justificativas e o rendimento de seus alunos, tendo seguido lecionando por mais três a quatro anos no colégio, quando decidiu pedir demissão.

Seu pai, Francisco Sertório Portinho (1871 – 1925), que havia sido superintendente da Limpeza Pública do Distrito Federal, faleceu, em 1925 (O Paiz, 21 de outubro de 1925, última colunaJornal do Brasil, 29 de outubro, de 1925, sétima coluna). Nessa época, Carmen montou uma loja para suas irmãs trabalharem como datilógrafas.

 

A emancipação econômica da mulher é a base de sua emancipação social e política.

 

Formou-se, em 1925, como a terceira mulher engenheira civil do Brasil. Foi antecedida por Edwiges Becker e por Maria Ester Correia Ramalho e, em 1926, na cerimônia de colação de grau de engenheiros civis e de engenheiros geógrafos formados no anterior na Escola Politécnica, foi a responsável pela leitura do compromisso solene. Ao final de seu discurso, o orador da turma de engenheiros civis, Gentil Ferreira de Souza, prestou uma homenagem a ela oferecendo uma corbeille de flores. O paraninfo foi o engenheiro e político Mauricio Joppert (1890 – 1985), que foi, posteriormente presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro e ministro dos Transportes do governo do presidente José Linhares (1886 – 1957). O paraninfo da turma dos engenheiros geógrafos foi o engenheiro e astrônomo Henrique Morize (1860 – 1930), com quem o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923) havia realizado experiências cinematográficas em 1897. Morize foi diretor do Observatório Nacional entre 1908 e 1929 e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Ciências, de 1916 a 1926. Os ministro da Justiça e da Agricultura, Afonso Pena Junior (1879 – 1968) e Miguel Calmon (1912 – 1967), respectivamente, e o prefeito do Distrito Federal, Alaor Prata (1882 – 1964), estavam presentes à solenidade (O Paiz, 30 de abril de 1926Jornal do Brasil, 4 de maio de 1926, primeira colunaA União, 9 de maio de 1926, última coluna). Além dos já citados professores, ao longo do curso, Carmen foi aluna de Manuel Amoroso Costa (1885 – 1928) e José Matoso de Sampaio Correia (1875 – 1942), dentre outros.

 

 

Seu professor de Hidráulica, Mauricio Joppert (1890 – 1985), a convidou, com mais dois alunos, para trabalhar com ele em uma obra federal na Ilha das Cobras, prevista para durar dois anos. Declinou do convite devido à sua nomeação pelo então prefeito, Alaor Prata (1882 – 1964), ao quadro técnico da Diretoria de Obras e Viação da prefeitura do Distrito Federal do Brasil. Seu diretor, um engenheiro que não confiava na competência feminina, deu a ela como primeira tarefa a vistoria de um para-raios instalado no alto de um edifício da prefeitura. Seria um teste. Sua passagem pelo Centro Excursionista Brasileiro, quando escalava diversos morros cariocas, na companhia de amigas como Clotilde Cavalcanti (1904 – 1984), a ajudou a passar no teste. Segundo a própria: “Peguei uma escada, subi ao teto, vi o que o para-raios tinha e resolvi o problema. Foi uma maneira de enfrentar o preconceito“…”difícil mesmo foi aprender como se consertava um para-raios… (Jornal do Brasil, 20 de dezembro de 1999, última coluna). A partir desse dia, adotou calças compridas para o trabalho.

Em 1928, foi promovida a auxiliar técnico da Diretoria de Obras da Prefeitura do Distrito Federal (Correio Paulistano, 15 de abril de 1928, primeira coluna). Ainda nesse ano, ela, Bertha Lutz  (1894 – 1976) e Maria Amélia de Faria, tesoureira, presidente e secretária da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, respectivamente, sobrevoaram o Rio de Janeiro fazendo propaganda pelo voto feminino, lançando folhetos e cartões em cima dos edifícios da Câmara, do Senado e em diversas ruas do centro da cidade (Correio da Manhã, 12 de maio de 1928, sexta colunaCorreio Paulistano, 12 de maio de 1928, primeira coluna).

 

 

Foi uma das signatárias da Declaração dos Direitos da Mulher distribuído pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Outras que também assinaram o manifesto foram Bertha Lutz  (1894 – 1976), a mecenas da Belle Époque carioca, Laurinda Santos Lobo (1878 – 1946); a escritora Maria Eugênia Celso (1886 – 1963) e Maria de Lourdes Lamartine de Faria (1906 – 1992) (Correio da Manhã, 15 de junho de 1928).

 

 

 

 

 

Participou do banquete oferecido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino à Julia Alves Barbosa (1898 – 1943), identificada como a primeira eleitora brasileira e uma das fundadoras da Associação de Eleitoras Norte-Rio-Grandenses. Na verdade, a primeira eleitora brasileira foi Celina Guimarães Viana (1890 – 1972) (O Paiz, 23 de junho de 1928, última colunaO Paiz, 24 de junho de 1928, Fundaj).

 

 

Abaixo a mesma foto, que faz parte do acervo do Arquivo Nacional:

 

 

Era, com Bertha Lutz  (1894 – 1976) e Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971), responsável pela coluna “Feminismo”, de O Paiz (O Paiz, 4 de novembro de 1928).

Estava presente e foi fotografada na recepção a Lou Henry Hoover (1874 – 1944), mulher do então presidente eleito dos Estados Unidos, Herbert Hoover (1874 – 1964), ofereceu, no Palácio Guanabara, a associações feministas (O Paiz, 23 de dezembro de 1928).

 

 

Abaixo, a mesma foto, que pertence ao acervo do Arquivo Nacional. Carmen Portinho é a terceira, da direita para a esquerda.

 

 

Sob sua direção foi criada a União Universitária Feminina, no Rio de Janeiro, em 13 de janeiro de 1929, que congregava mulheres com ensino superior em prol da defesa dos direitos femininos. As outras criadoras da entidade foram a também engenheira civil Amélia Sapienza, a bióloga Bertha Lutz  (1894 – 1976),  a advogada Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), a naturalista e ornitóloga alemã Emilia Snethlage (1868-1929), a professora Heloisa Marinho (1903 – 1994), as médicas Herminia de Assis e Juana Lopes, as advogadas Maria Alexandrina Ferreira Chaves, Maria Ester Correia Ramalho e Myrthes de Campos ( 1875 – 1965); e Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971), formada em Ciências Jurídicas (O Paiz, 14 de janeiro de 1929, terceira colunaO Imparcial, 15 de janeiro de 1929, primeira colunaGazeta de Notícias, 15 de janeiro de 1929, quarta colunaA Noite, 5 de abril de 1930, primeira colunaManchete, 30 de janeiro de 1971).

 

 

 

 

Também em 1929, foi promovida a engenheira de segunda classe no quadro técnico da Diretoria de Obras da Prefeitura do Distrito Federal. Como era sempre preterida nas promoções, foi falar diretamente com o presidente da República, Washington Luís (1869 – 1957), que interferiu por ela. Ele teria dito ao comandante Braz Veloso, que o acompanhava nas audiências públicas: “Tome nota e providencie o pedido da moça“.

Desde seu ingresso na diretoria já havia fiscalizado as obras da Escola Modelo Soares Pereira, remodelado o Asilo Francisco de Assis, e estava incumbida da instalação elétrica de todos os próprios municipais, incluindo instalação em quase de todas as escolas públicas, fator este que favoreceu a inauguração de cursos noturnos que deixavam de funcionar por falta de iluminação. Havia sido também responsável por melhoramentos em escolas profissionais (A Noite, 9 de março de 1929, segunda colunaO Paiz, 9 de março de 1929, primeira colunaO Paiz, 10 de março de 1929, primeira coluna). Suas primeiras construções foram realizadas ao longo da década de 30: uma escola em Ricardo de Albuquerque, subúrbio carioca, e a sede da Polícia Municipal, na rua do Rezende, no centro do Rio de Janeiro; ambos projetos de Affonso Eduardo Reidy (1909 – 1964), de quem, anos depois, tornou-se companheira. Segundo Lúcio Costa (1902 – 1998), como arquiteto Reidy foi o mais elegante e civilizado de sua geração.

 

 

 

Para Carmen, Reidy projetou duas casas: a Casa Carmen Portinho, em Jacarepaguá, e a Casa Reidy-Portinho (1959), no Vale do Cuiabá, em Itaipava.

A Casa Carmen Portinho foi construída entre 1949 e 1952, concebida para que ele e Carmen vivessem lá. Ela foi a engenheira responsável (Diário Carioca, 11 de março de 1953, última coluna).

 

 

Ficou conhecida como Residência Carmen Portinho e foi tombada a nível municipal pelo Decreto nº 35.874 de 05 de julho de 2012, devido à sutileza plástica de sua arquitetura, na qual foram utilizadas técnicas inovadoras para sua época, tem sua presença destacada na cultura arquitetônica carioca.

 

 

 

Foi uma das idealizadoras da criação da Casa do Estudante do Brasil, inaugurada em 13 de agosto de 1929, durante uma assembleia promovida peo Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, da Faculdade Nacional de Direito, reunindo estudantes universitários das escolas superiores do Rio de Janeiro e de representantes das escolas Naval e Militar. A poetisa e Rainha dos Estudantes, Ana Amélia Carneiro de Mendonça (1896 – 1971), foi aclamada presidente da entidade e o escritor Pascoal Carlos Magno (1906 – 1980), secretário (O Jornal, 13 de agosto de 1952, quinta colunaTribuna da Imprensa, 9 de março de 1956).

Na Escola Nacional de Música, Carmen esteve presente nas conferências realizadas pelo arquiteto francês Le Corbusier (1887 – 1965), em dezembro de 1929, a convite do arquiteto espanhol Morales de los Rios Filho (1887 – 1973). Foi a primeira visita de Le Corbusier ao Rio de Janeiro. Em pauta, urbanismo e revolução arquitetônica. Le Corbusier, considerado um dos mais importantes arquitetos do século XX, exerceu grande influência sobre a arquitetura moderna brasileira (O Jornal, 3 de dezembro de 1929, última colunaO Jornal, 4 de dezembro de 1929, quarta colunaO Jornal, 6 de dezembro de 1929, segunda colunaO Jornal, 8 de dezembro de 1929, quarta coluna). Foi com a construção do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, a partir de 1937, encomendado pelo ministro Gustavo Capanema (1900 – 1985), que no Brasil puseram-se em prática as teorias do arquiteto como brise soleil (proteção contra raios solares), pan de verre (fachada envidraçada) e pilotis (estacarias). O prédio é um ícone da arquitetura moderna brasileira.

No início da década de 30, foi uma das engenheiras responsáveis, sem cobrar por isso, pela adaptação de um sobrado na rua do Passeio, que havia sido sede do Clube dos Diários e da sociedade carnavalesca Democráticos, para abrigar a Associação Brasileira de Imprensa (Boletim da Associação Brasileira de Imprensa, agosto de 1956 e julho de 1961).

Representou o governo do Rio Grande do Norte no IV Congresso Pan-americano de Arquitetos, realizado no Rio de Janeiro entre 19 e 30 de junho de 1930. O estado ganhou na exposição promovida pelo congresso a medalha de prata por seu plano de remodelação de Natal. A tese da qual Carmen foi uma das vogais era Parques escolares, universitário, hospitalares, esportivos e de diversões (Jornal do Brasil, 28 de junho de 1930Mensagens do Governo do Rio Grande do Norte, 1930Correio da Manhã, 24 de junho de 1930, última coluna).

A bordo no navio Southern Prince, partiu para os Estados Unidos, onde participaria do Congresso Internacional de Estradas de Rodagem, em Washington, como delegada do Automóvel Clube do Brasil. Conheceu o Canadá e ficou hospedada com umas primas, em Nova York (Correio da Manhã, 15 de outubro de 1930, terceira colunaA Gazeta (SP), 14 de outubro de 1930, segunda coluna).

A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino  organizou o II Congresso Internacional Feminista, no Rio de Janeiro, inaugurado, em junho, no Automóvel Club. Carmen foi uma das encarregadas pela organização e pela programação do evento, cujos temas foram educação feminina, proteção às mães e à infância, trabalho feminino, direitos das mulheres e estreitamento das relações pan-americanas e internacionais (Correio da Manhã, 5 de março de 1931, primeira colunaJornal do Brasil, 19 de junho de 1931O Jornal, 19 de junho de 1931, primeira colunaCorreio da Manhã, 26 de junho de 1931O Malho, 27 de junho de 1931; Correio da Manhã, 1º de julho de 1931O Malho, 11 de julho de 1931Vida Doméstica, agosto de 1931).

 

 

 

Finalmente, o Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932 instituiu o Código Eleitoral Provisório e reconheceu o direito de voto às mulheres. Sobre essa conquista, em entrevista, declarou que deveria ser um estímulo para outros avanços: “Obtivemos a nossa emancipação política, mas esse direito assim isolado, de que nos serve?” (A Noite, 17 de agosto de 1933, última coluna).

Casou-se, em 11 de março de 1932, com o irmão da feminista Bertha Lutz, Gualter Adolpho Lutz (1903 – 1969), que viria a ser especialista em medicina legal, tornando-se catedrático da Escola Nacional de Medicina. Separaram-se poucos anos depois (Revista da Semana, 5 de março de 1932, primeira coluna).

 

 

Foi uma das fundadoras da Revista da Diretoria de Engenharia – posteriormente Revista Municipal de Engenharia -, cuja primeira edição foi publicada em julho de 1932. Foi criada por sugestão dada por ela ao então secretário de Obras do Rio de Janeiro, Delso Mendes da Fonseca (1899 – 1984). Seu diretor-geral era Everardo Backheuser e seu editor Armando de Godoy. A revista, técnica, divulgava as realizações da prefeitura, de engenheiros e de arquitetos. Carmen foi inicialmente secretária e posteriormente foi também redatora e diretora da publicação. Foi na Revista da Diretoria de Engenharia da Prefeitura do Distrito Federal que surgiram os primeiros ensaios sobre a arquitetura moderna no Brasil. No primeiro número foram publicados artigos sobre o primeiro projeto de Affonso Eduardo Reidy (1909 – 1964), sobre o projeto de Lúcio Costa e Warchavshick para apartamentos na Gamboa e dois artigos de Carmen, A arquitetura moderna na Holanda e Influência do nosso clima na arquitetura das prisões. Nas páginas da revista foram, portanto, publicados os primeiros ensaios sobre a arquitetura moderna no Brasil, que seria, anos depois, uma das mais importantes expressões da criatividade do país.

 

 

Foi a capa da revista Brasil Feminino de novembro de 1932.

 

 

Acompanhou a comissão do Ministério da Viação de obras contra a seca no Nordeste, a convite do ministro José Américo de Almeida (1887 – 1980). A comissão era presidida por Sampaio Correia (1875 – 1942) e contava com alguns de seus antigos professores como Mauricio Joppert (1890 – 1985) e Hildebrando de Góes (1899 – 1980). Durante a viagem, visitou as filiais da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino na Bahia, em Pernambuco, no Ceará e no Rio Grande do Norte (Jornal do Brasil, 30 de novembro de 1932, sexta coluna; Jornal do Recife, 7 de dezembro de 1932, penúltima colunaCorreio da Manhã, 10 de dezembro de 1932, terceira colunaJornal do Brasil, 14 de dezembro de 1932, terceira colunaJornal do Brasil, 15 de dezembro, segunda colunaJornal do Brasil, 23 de dezembro de 1932, terceira coluna).

Ela e Bertha Lutz  (1894 – 1976) participaram da Conferência Pan-americana, em Montevidéu, no Uruguai. Seguiram para o evento em companhia do diplomata Arno Konder (1882 – 1942), futuro cônsul do Brasil em Washington e na Alemanha (Correio da Manhã, 30 de novembro de 1933, quinta colunaJornal do Brasil, 2 de dezembro de 1933, sexta colunaCorreio da Manhã, 9 de dezembro de 1933, terceira coluna).

Em 1934, era a segunda secretária do Sindicato Central de Engenheiros, do qual, em 1938, tornou-se vice-presidente  (Jornal do Brasil, 7 de janeiro de 1934, primeira colunaRevista Municipal de Engenharia, setembro de 1938Correio da Manhã, 8 de outubro de 1938, primeira coluna). Também em 1934, foi nomeada engenheira-chefe da prefeitura (Jornal do Brasil, 16 de agosto de 1934, primeira coluna).

Ingressou, em 1936, no curso de pós-graduação do Curso de Urbanismo e Arquitetura da Universidade do Distrito Federal. Em 22 de dezembro de 1938, Carmen defendeu sua tese, Plano da futura capital do Brasil (Jornal do Brasil, 14 de dezembro de 1938, quinta colunaCorreio da Manhã, 18 de dezembro de 1938, segunda coluna).

 

 

Tornou-se, em 1939, a primeira mulher a obter o título de urbanista no Brasil (Correio da Manhã, 17 de janeiro de 1939, primeira coluna e sua tese foi publicada nas edições de março e maio da Revista Municipal de Engenharia. A primeira turma do curso era composta por oito alunos: Carmen Portinho, Déa Torres de Paranhos  (1915 – 2001), Albino dos Santos, Dante Jorge Albuquerque, Ricardo José Antunes Júnior, Paulo de Camargo e Almeida, João Lourenço da Silva e Adhemar Marinho da Cunha (O Imparcial, 7 de agosto de 1938, última coluna). Todos, menos ela, eram arquitetos. Teve como professores Mário de Andrade (1893 – 1945), de História da Arte; Candido Portinari (1903 – 1962), de Pintura; e Celso Antônio de Menezes (1896 – 1984), de Escultura, dentre outros. Foi nessa ocasião que conheceu Edith Behring (1916 – 1996), que se tornaria uma das mais importantes gravadoras brasileiras e futura responsável pelo Ateliê de Gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Por iniciativa de Carmen e de outras engenheiras, foi fundada, em 19 de julho de 1937, a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA), para incentivar mulheres formadas a ingressar no mercado de trabalho. Ela foi sua primeira presidente (Correio da Manhã, 27 de julho de 1937, terceira coluna).

 

 

Lista de Presença da Fundação da ABEA / Fonte: Revista da ABEA Nacional – Ano 1 no. 1, 2011.

Lista de Presença da Fundação da ABEA /
Fonte: Revista da ABEA Nacional – Ano 1 no. 1, 2011.

 

Foi eleita, em 1940, membro do Conselho Diretor do Club de Engenharia, presidido por José Matoso de Sampaio Corrêa (1875 – 1942) (Jornal do Commercio, 16 de junho de 1940, segunda coluna).

Em 1945, foi uma das organizadoras, com Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), Maria Luisa Dória de Bittencourt (1910 – 2001), primeira deputada da Bahia; Maria Rita Soares de Andrade (1904 – 1998) e outras mulheres, de uma coligação democrática para apoiar a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes (1896 – 1981) à presidência da República (Diário de Notícias, 24 de fevereiro de 1945, quinta coluna).

Viajou para a Inglaterra, em agosto de 1945, por ter recebido uma bolsa do Conselho Britânico para estagiar junto às comissões de reurbanização das cidades inglesas destruídas pela guerra. A viagem durou 24 dias de navio. Em setembro, já em Londres, ela ofereceu uma recepção na sede do British Council. Em outubro, foi homenageada com um almoço na residência do embaixador do Brasil em Londres, José Joaquim de Lima e Silva Muniz de Aragão (1887 – 1974). Em 21 de dezembro, foi oferecido em homenagem a seu regresso ao Brasil um cocktail na sede da Sociedade de Engenheiros da Prefeitura do Distrito Federal. Segundo ela, foi nesse período que aprendeu o conceito de unidade de habitação. Esteve também na Escócia e em Paris, quando encontrou-se com Beata Vettori (1909 – 1994), diplomata e sua antiga companheira na Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Também, em Paris, encontrou-se com Le Corbusier (1887 – 1965) e lhe mostrou as transparências e as plantas da sede do Ministério da Educação (A Noite, 6 de setembro de 1945, terceira colunaO Jornal, 6 de outubro de 1945, primeira coluna; O Jornal, 6 de outubro de 1945, primeira colunaJornal do Commercio, 7 de outubro de 1945, quinta colunaCorreio da Manhã, 15 de dezembro de 1945, sexta colunaRevista da Semana, 10 de abril de 1948Jornal do Commercio, 21 de dezembro de 1945, sexta coluna). 

Foi criado, em 1946, o Departamento de Habitação Popular da Secretaria de Viação e Obras Públicas da Prefeitura do Distrito Federal e Carmen foi nomeada sua chefe (Diário de Notícias, 5 de abril de 1946Correio da Manhã, 5 de abril de 1946, quarta colunaDiário de Notícias, 16 de abril de 1946, quarta colunaCorreio da Manhã, 17 de fevereiro de 1948, sétima colunaDiário Carioca, 3 de março de 1948, quinta coluna). Em 1951 foi destituída do cargo, para o qual foi e reconduzida em 1952. Em 1961, foi substituída pelo engenheiro Stelio Emmanuel de Alencar Roxo (1925 – ?), nomeado por Carlos Lacerda (1914 – 1977), que havia sido empossado no governo da Guanabara, em 5 de dezembro de 1960. Carmen tinha divergências políticas irreconciliáveis com Lacerda. Aposentou-se do serviço público (Diário Carioca, 4 de janeiro de 1961, quinta coluna).

No período que atuou à frente do departamento, lutou pela implementação de um programa de habitação popular na cidade do Rio de Janeiro. Liderou uma equipe de assistentes sociais, arquitetos e engenheiros que idealizaram e construíram quatro conjuntos residenciais, importantes e seminais na trajetória do urbanismo e da arquitetura no Brasil.

1 – O Conjunto Residencial do Pedregulho, cujos primeiros 54 apartamentos foram inaugurados com a presença do prefeito Ângelo Mendes de Moraes (1894 – 1990) e de diversas autoridades. Na ocasião, Carmen proferiu uma palestra sobre a construção (A Noite, 20 de junho de 1950, primeira coluna; Correio da Manhã, 21 de junho de 1950). O projeto de Reidy conquistou o  prêmio de Organização de Grandes Áreas ou de Urbanismo na Bienal Internacional de São Paulo de 1951 (Última Hora, 24 de agosto de 1951, quarta colunaCorreio da Manhã, 6 de dezembro de 1951, primeira coluna).

 

 

 

2 – O Conjunto Residencial da Gávea, outro projeto de Reidy. O prefeito Dulcidio Espírito Santo Cardoso (1896 – 1978) extinguiu a comissão de Planejamento e Direção das Obras do Parque Proletário na rua Marquês de São Vicente, na Gávea, que ficou a cargo de Carmen Portinho. Publicação de uma entrevista com ela (Jornal do Commercio, 16 de janeiro de 1953, primeira colunaA Noite, 17 de janeiro de 1953). Devido à sua aposentadoria, em 1961, não concluiu a obra.

 

 

 

3 – O Conjunto Habitacional Paquetá,  projeto de Francisco Bolonha (1923 – 2006), inaugurado em 1952 (Correio da Manhã, 30 de março de 1952, segunda coluna).

 

 

4 – O Conjunto Residencial de Vila Isabel , cuja concorrência foi aberta em 1954. Foi também um projeto do arquiteto Francisco Bolonha voltado para funcionários municipais (Diário de Notícias, 16 de janeiro de 1954, quinta colunaA Noite, 1º de outubro de 1956Jornal do Commercio, 18 de outubro de 2003, última coluna).

 

 

Entre 27 de setembro e 1º de outubro de 1947, participou, como delegada do Brasil, do Congresso Internacional de Mulheres, organizado pela Entente Mondiale pour la Paix, na sede da Unesco, onde ficava anteriormente o Hotel Majestic. Retornou em 24 de outubro e, em 5 de novembro, proferiu uma palestra sobre o evento, na Casa do Estudante do Brasil (Correio da Manhã, 18 de julho de 1947, terceira colunaCorreio da Manhã, 27 de agosto de 1947, quinta coluna; Correio da Manhã, 28 de setembro de 1947, última coluna; O Jornal, 28 de setembro de 1947, sexta colunaCorreio da Manhã, 25 de outubro de 1947, última colunaJornal do Commercio, 5 de novembro de 1947, primeira colunaRevista da Semana, 6 de dezembro de 1947).

Em 21 de março de 1951, foi eleita e tomou posse a nova diretoria do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, fundado em 1948: Raymundo de Castro Maya (1894 – 1968) – presidente -, Francisco de San Thiago Dantas  (1911 – 1964) – vice-presidente -, Niomar Moniz Sodré Bittencourt (1916 – 2003) – diretora executiva , Carmen Portinho – diretora executiva adjunta -, Maria Barreto (diretora secretária) e Walther Moreira Salles (1912 – 2001) (tesoureiro). Permaneceu no cargo até 1966. Nesses 15 anos, participou ativamente das atividades do museu, tendo apoiado, curado ou organizado importantes exposições de artistas como Portinari, Cícero Dias e Pancetti.

 

 

Foi a engenheira de sua sede definitiva, projeto de Reidy, no Aterro do Flamengo. O início das obras se deu em 9 de dezembro de 1954, quando o bate-estaca da obra foi acionado pelo então presidente Café Filho (1899 – 1970). Uma cápsula do tempo foi enterrada junto às fundações, contendo marcas do período, como moedas, notas e recortes de jornal. A pedido de Carmen, a artista plástica Lygia Clark decorou a barraca do museu com amostras do material que seria usado nas obras, com um painel de exposição na entrada, entre a sala de trabalho e de reuniões (Correio da Manhã, 9 de dezembro de 1954Tribuna da Imprensa, 10 de dezembro de 1954, penúltima colunaCorreio da Manhã, 16 de dezembro de 1954, terceira colunaVida Doméstica, janeiro de 1955).

 

 

Filme Reidy, a construção da utopia

 

Foi inaugurada em 27 de janeiro de 1958, com uma exposição permanente de seu acervo, uma mostra do inglês Ben Nicholson (1894 – 1982) e uma de escultores ingleses.  (Última Hora, 4 de janeiro de 1958, primeira colunaCorreio da Manhã, 5 de janeiro de 1958Correio da Manhã, 28 de janeiro de 1958Última Hora, 28 de janeiro de 1958, quarta colunaO Jornal, 30 de janeiro de 1958, última coluna).

 

 

O projeto do arquiteto Affonso Eduardo Reidy (1909 – 1964) é reconhecido internacionalmente como um marco da arquitetura moderna mundial. Seus jardins são de autoria de Roberto Burle Marx (1909 – 1994), que também integrou a equipe que realizou, alguns anos depois, o paisagismo do Parque Flamengo, contíguo ao museu.

 

 

 

Em 8 e 9 de setembro de 1966, respectivamente o presidente e o vice-presidente do Museu de Arte Moderna, Gustavo Capanema (1900 – 1985) e João Carlos Vital (1900 – 1984) pediram demissão. A crise no museu foi ocasionada pelo convite feito ao então ministro das Relações Exteriores, Juracy Magalhães (1905 – 2001), para visitar o museu na ocasião da exposição do artista português Bernardo Marques (1898 – 1962). Juracy era um desafeto de Niomar Moniz Sodré Bittencourt (1916 – 2003), então presidente de honra do museu. Em 27 de setembro foi realizada uma reunião do Conselho Deliberativo e por aclamação foi eleita uma nova diretoria. Assim, após 15 anos, Carmen Portinho deixou o cargo de diretora executiva adjunta do MAM-RJ, que exerceu desde 1951. Por não concordarem com esta resolução, os conselheiros Raymundo de Castro Maya (1894 – 1968), Rodrigo de Mello Franco (1898 – 1969) e Leonídio Ribeiro pediram demissão  (Correio da Manhã, 9 de setembro de 1966, primeira colunaCorreio da Manhã, 29 de setembro de 1966Jornal do Brasil, 14 de setembro de 1978, quinta colunaJornal do Brasil, 8 de julho de 1979).

Foi convidada, em 1967, pelo então governador da Guanabara, Francisco Negrão de Lima (1901 – 1981), para ser diretora da Escola Superior de Desenho Industrial – Esdi –, cargo que exerceu por 20 anos. A Esdi havia sido criada pelo Decreto 1.443, de 25 de dezembro de 1962, e publicado no Diário Oficial do Estado da Guanabara de 4 de janeiro de 1963, durante a gestão do governador Carlos Lacerda (1914 – 1977). Foi instalada à Rua Evaristo da Veiga 95, estendendo-se o terreno até a Rua do Passeio, onde tem o nº 80. Iniciou suas atividades de ensino em 1963, como instituição isolada, pertencente à estrutura da Secretaria de Educação e Cultura da Guanabara. Dada à fusão dos estados do Rio de Janeiro e Guanabara, foi integrada pelo decreto n°67, de 11 de abril de 1975, à nascente UERJ, antiga UEG (O Jornal, 1º de abril de 1967, quinta coluna; O Jornal, 11 de abril de 1967, primeira coluna; Leitura, agosto de 1967; Jornal do Brasil, 26 de setembro de 1977, primeira coluna). 

 

 

 

Foi sob sua direção que, em 1970, a Esdi foi oficializada pelo Conselho Nacional de Educação (Jornal dos Sports, 20 de maio de 1970, primeira coluna). Em 1986, Carmen conseguiu unanimidade na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro na contestação do veto do prefeito Saturnino Braga (1931 – ) ao projeto de preservação da área ocupada pela Esdi, impedindo o despejo da escola (Jornal do Commercio, 6 de julho de 1986, sexta coluna).

Em 1987, foi convidada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CDNM) a entregar ao presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães (1916 – 1992), ao lado de outras mulheres, a Carta das Mulheres aos constituintes, com propostas para a Constituição que estava sendo escrita (Correio Braziliense, 27 de março de 1987, segunda coluna).

Foi convidada, em 1988, para trabalhar como assessora do Centro de Tecnologia e Ciências da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Recebeu o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte, destinado a crítico associado, pela sua atuação ou publicação de livro. O troféu é uma escultura de Haroldo Barroso (1935 – 1989). Foi eleita presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte, cargo que ocupou até 1990, quando foi substituída por Esther Emilio Carlos. Uma curiosidade: foi por sugestão de Mario Pedrosa (1900 – 1981) que passou a fazer parte da Associação Brasileira de Críticos de Arte, em torno de 1967 (Jornal do Commercio, 3 de outubro de 1988, quinta colunaJornal do Commercio, 3 de outubro de 1990, quarta coluna).

Em 1991, passou a fazer parte da Comissão Técnica de Arte da Bienal Internacional de São Paulo (Jornal do Commercio, 22 de fevereiro de 1991, quinta coluna). Carmen Portinho, em 1993, era então a mais antiga engenheira do Brasil e coordenava as unidades do Centro de Tecnologia e Ciências da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (O Globo, 27 de abril de 1993).

Em 1999, trabalhava como consultora do Centro de Tecnologia e Ciências da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Foram lançados os livros Carmen Portinho, de autoria de Ana Luiza Nobre; e de Carmen Portinho – por toda a minha vida, um depoimento dela a Geraldo Edson de Andrade (Jornal do Brasil, 24 de novembro de 1999, terceira colunaJornal do Brasil, 18 de dezembro de 1999, última coluna).

Carmen faleceu no dia 25 de julho de 2001, aos 98 anos (Jornal do Brasil, 26 de julho de 2001). Não teve filhos, mas adotou informalmente uma menina de 6 anos, filha de sua irmã Maria de Lourdes (c. 1918 – 1962), morta precocemente – por coincidência, também chamada Carmen, irmã da atriz e cineasta Ana Maria Magalhães.

Em 2019, foi homenageada com a declaração do Ano Institucional Carmen Portinho da UERJ.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ANDRADE, Geraldo Edson; PORTINHO, Carmen. Por toda a minha vida. Rio de Janeiro : UERJ, 1999.

Cavalcanti, Lucas. Conhecendo Tilde Canti. Rio de Janeiro ; UFRJ, 2020

DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. Coordenação de textos de Carla Bassanesi. São Paulo: Contexto, 1997

DEL PRIORI, Mary. História e conversas de mulher. São Paulo: Planeta Brasil, 2014

Filme Reidy, a construção da utopia (2009), de Ana Maria Magalhães

Filme Carmen Portinho e a UERJ (2019) / Programa Campus – TV UERJ

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

HEYNEMANN, Claudia; RAINHO, Maria do Carmo. Memória das lutas feministas in Brasiliana Fotográfica, 8 de agosto de 2017.

Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

NASCIMENTO, Flávia de Brito do. Carmen Portinho e o habitar moderno – Teoria e trajetória de uma urbanista. R. B. Estudos Urbanos e regionais v.9, Nn.1 / maio 2007

NOBRE, Ana Luiza. Carmen Portinho. Rio de Janeiro : Relume Dumará, 1999

PINTO, Celi Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo (coleção história do povo brasileiro) 2003.

Portal Câmara dos Deputados

Portal MultiRio

Portal Senado Federal

Revista Brasileira de Enfermagem, volume 55, nº 3. Brasília jan/fev de 2002

Revista Casa Claudia, 22 de agosto de 2017

Revista Projeto, junho de 1988

Revista Vitruvius, janeiro de 2007agosto de 2001

SERRANO, Cinthia Lobato. Arquitetura e Gênero: o resgate de pioneiras no cenário profissional. Dissertação do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense, 25 de março de 2013.

SHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.

SILVA, Raquel Coutinho M. da. Carmen Portinho: engenheira da prefeitura do Distrito Federal, difusora do urbanismo e uma feminista avant-gardeRevista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

Site ArqFashion

Site Bienal de São Paulo

Site Casas Brasileiras

Site CPDOC

Site Cronologia do Pensamento Urbanístico

Site Democracia e Mundo do Trabalho

Site Esdi

Site Mulher 500 anos atrás dos panos

Site Unifei

 

Leia também os outros artigos da série “Feministas, graças a Deus”:

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

 

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