Dia Nacional da Imprensa

Com uma fotografia do acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, lembramos o Dia Nacional da Imprensa. Na imagem destacada neste artigo, produzida por um fotógrafo ainda não identificado, estão retratados Manuel Cícero Peregrino da Silva (1866-1956) e Max Fleiuss (1868 – 1943), na Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil, promovida, em 1908, pelo IHGB, na época presidida por José Maria da Silva Paranhos Jr., o barão do Rio Branco (1945 – 1912). O pernambucano Manoel Cícero, bibliotecário, professor e político, presidiu o IHGB entre 1938 e 1939. O carioca Max Fleuiss, filho do famoso pintor e caricaturista Henrique Fleuiss (1823- 1882), foi jornalista, historiador, professor, escritor e, como membro do IHGB, foi um dos idealizadores da comemoração. Conforme escrito na fotografia, em 20 de junho de 1933, Bras Vianna (18? – 19?)* a ofereceu – não sabe-se a quem – como recordação da Exposição da Imprensa de 1908.

 

 

A Exposição do Centenário da Imprensa, realizada em 1908, foi o tema de um dos seis módulos da Exposição sobre os 190 anos da imprensa no Brasil, promovida pelo IHGB, entre 13 e 27 de maio de 1998, sob a presidência de Arno Wehling (1947-). A imagem de Manoel Cícero com Fleuiss foi uma das fotografias expostas na mostra. Os outros módulos da exposição de 1998 foram: Antecedentes, Impressão Régia, Primórdios da Imprensa, Bibliografia e Imprensa brasileira atual. Houve também uma conferência. Foram utilizadas peças do acervo do IHGB e também do acervo particular do casal de historiadores Marcello de Ipanema (1924 – 1993) e Cybelle Moreira de Ipanema (1924 -), então 1º secretária da instituição.

 

A Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil

promovida pelo IHGB, em 1908

 

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A Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil foi a primeira realizada pelo IHGB e aconteceu durante a Exposição Nacional de 1908, ocorrida entre 11 de agosto e 15 de novembro de 1908, na Urca, no Rio de Janeiro. Eram comemorados os 100 anos da Abertura dos Portos às Nações Amigas, decretada em 28 de janeiro de 1808, pelo então príncipe regente de Portugal, dom João de Bragança, futuro dom João VI (1767 – 1826). Foi promovida pelo governo federal e exibiu um “inventário” do Brasil através de seus produtos industriais, agrícolas, pastoris e artísticos. A cidade do Rio de Janeiro havia sido recentemente urbanizada e saneada pelo prefeito Francisco Pereira Passos (1936 – 1913) e pelo cientista Oswaldo Cruz (1872 – 1917), respectivamente.

O conde Afonso Celso (1860 – 1938), futuro presidente do IHGB, entre  1912 e 1938,  presidiu a Comissão Executiva da Exposição da Imprensa.

 

 

Porém a iniciativa de sua realização foi de Max Fleuiss e do engenheiro Alfredo de Carvalho (1870 – 1916), respectivamente o primeiro secretário perpétuo e o segundo secretário do IHGB.

 

 

Na décima terceira sessão ordinária que se realizou em 29 de julho de 1907, no IHGB,  Fleuiss propôs “uma solenidade, de caráter essencialmente histórico, para comemorar o primeiro centenário da imprensa periódica no Brasil”. Seu modelo seria a Exposição de História do Brasil promovida pela Biblioteca Nacional, em 1881 (O Paiz, 31 de julho de 1907, penúltima coluna).

“Considerando que a 13 de maio de 1908 se completa o primeiro centenário do estabelecimento definitivo da Imprensa no Brasl, com a promulgação do decreto que criou a Imprensa Régia, propomos que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro promova a celebração condigna de data tão memorável, por meio de uma exposição jornalística, a ser inaugurada naquele dia, procurando angariar para este fim o auxílio dos poderes públicos e da Imprensa de todo o país. Para organizar o programa da comemoração e tratar dos meio de realizá-la o Instituto nomeará uma comissão dentre os seus membros” .

A proposta foi assinada por Max Fleuiss, pelo Barão de Studart (1856 – 1938), por Alfredo de Carvalho, por Orville A. Derby (1851 – 1915) e por José Américo dos Santos (1848 – 1918), todos membros do IHGB.

Seu programa seria: “a exposição de todos os jornais publicados no Brasil entre 1808 e  31 de dezembro de 1907;  a publicação de uma monografia ou memória histórica sobre a gênese e os progressos da imprensa periódica no Brasil; a publicação de um catálogo metódico de todos os itens da exposição; e a cunhagem de uma medalha comemorativa”. Foi formada uma comissão para a realização do evento.

 

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Proposta apresentada pelos sócios Max Fleuiss, Barão de Studart, Alfredo de Carvalho, Orville A. Derby e José Américo dos Santos para que o IHGB organizasse uma exposição jornalística comemorativa do primeiro centenário da imprensa no Brasil. Com parecer aprovando a iniciativa e nomeando uma comissão para conduzir os trabalhos. Rio de Janeiro, 29.07.1907. Biblioteca do IHGB.

 

As medalhas comemorativas da exposição seriam feitas por Hans Frei (1868 – 1947), artista de Zurique, devido ao recente falecimento de Julius Meili (1839 – 1907).

Em 20 de agosto de 1907, foi realizada a segunda reunião da comissão executiva da exposição, quando foram indicados nomes que se incumbiriam dos diversos catálogos que seriam produzidos (O Paiz, 20 de agosto de 1907, segunda coluna).

Em 19 de dezembro de 1907, Fleuiss enviou uma carta ao ministro Miguel Calmon (1879 – 1935), ministro da Indústria Viação e Obras Públicas, informando ter enviado circulares às redações de jornais de todo o  Brasil, às bibliotecas públicas e particulares, a presidentes das Câmaras Municipais, colecionadores, etc, e que estava recebendo grande cópia de informações e specimens para a Exposição. Informava que seria elaborada por Alfredo Ferreira de Carvalho uma memória relativa à origem e desenvolvimento da imprensa.

Inicialmente, o evento estava programado para 13 de maio de 1908, data exata dos 100 anos da Imprensa ou Impressão Régia, porém foi adiado para julho e, posteriormente, para agosto. Então, na data exata do centenário, durante a sessão do IHGB, a efeméride foi festejada e o conde de Afonso Celso discursou sobre o tema (Gazeta de Notícias13 de maio de 1908, quarta coluna14 de maio de 1908, penúltima coluna). Dias depois, João Barreto de Menezes (1872 – 19?), comentou o evento (O Paiz, 18 de maio de 1908, quarta coluna).

A Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil foi inaugurada em 11 de agosto, em um dos salões do Palácio dos Estados ou Pavilhão dos Estados, que tinha uma dupla função e caráter: espaços monumentais de exposição com estandes com produtos de todos os estados da Federação exibidos nos dois pavimentos e espaços de luxo nos salões de festas e recepções da elite política brasileira. Com estilo neoclássico e ornamentos e composição de características greco-romanas, foi mantido após o encerramento da Exposição de 1908 e atualmente abriga a CPRM – Comissão de Pesquisa de Recursos Minerais, empresa vinculada ao Ministério das Minas e Energia (COSTA, 2018).

 

 

A Biblioteca Nacional (BN), uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, participou da exposição com seu acervo de jornais e revistas. Foram separados e selecionados cerca de 10 mil itens de publicações periódicas brasileiras de seu acervo, a maior das coleções enviadas (Anais da Biblioteca Nacional, 1909). Outra instituição que contribuiu significativamente para o evento, além do IHGB e da BN, foi a Biblioteca da Marinha (Gazeta de Notícias, 13 de maio de 1808, quarta coluna).

Providências para o sucesso e segurança da exposição foram tomadas. Por exemplo:

De acordo com um ofício enviado, em 14 de agosto de 1908, por Fleuiss ao chefe da Secretaria do IHGB, um regime de plantão entre funcionários da instituição deveria ser seguido para que o salão da exposição não ficasse nunca sem vigilância. Durante o período da mostra, ficaria destacado o servente Tibúrcio, que trabalharia das 10h até a hora do encerramento. Das 4 horas da tarde até o encerramento, quatro funcionários se revezariam a partir de uma escala de plantão organizada pelo chefe da secretaria entre Francisco Martins Guimarães, Pedro Borges Leitão, Henrique Carmo Netto e Alexandre Camisão. De acordo com outro ofício enviado de novo por Fleuiss ao chefe da Secretaria, em 24 de agosto de 1908,  a afluência à exposição era incesssante e numerosíssima e, no dia anterior, apenas Tiburcio ficou de plantão entre 12 h e a hora do encerramento. Fleuiss, que havia chegado, às 12h, juntou-se a ele.

“ Não obstante o o Dr. Netto não compareceu, de sorte que para atender às exigências da fiscalização nem eu nem o servente Tiburcio pudemos jantar. Tenho dado sobejas provas de ser amigo dos meus companheiros de trabalho no Instituto e assim é de justiça que também receba provas de amizade. O serviço na Exposição é extraordinário e de pouca duração; o sacrifício, pois, não é dos maiores, desde que haja regular distribuição dos serviços. Recomendo-lhe as providências necessárias…O que sucedeu ontem foi, até certo ponto, uma desatenção pessoal para comigo e uma crueldade. Espero não ter que recomendar novas medidas”.

Integrando as comemorações do centenário da imprensa, em 10 de setembro, data da primeira publicação pela Impressão Régia, em 1808, do jornal Gazeta do Rio de Janeiro, considerado o primeiro periódico publicado no Brasil, Xavier da Silveira (1864 – 1912), proferiu uma palestra , na sede do IHGB. Na ocasião, o general Emydgio Dantas Barreto (1850 – 1931) tornou-se sócio da instituição (O Paiz, 11 de setembro de 1908, quarta coluna).

 

 

A exposição foi encerrada em 30 de setembro de 1908, com uma sessão presidida pelo barão do Rio Branco, com uma palestra do conde Afonso Celso (O Paiz, 29 de setembro de 1908, primeira coluna;  Jornal da Exposição, 1º de outubro de 1908, segunda colunaA Imprensa, 1º de outubro de 1908, penúltima colunaA Imprensa, 6 de abril de 1909, segunda coluna).

 

 

Na comemoração dos 70 anos do IHGB, em 21 de outubro de 1908, foram distribuídos dois volumes do tomo especial da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro consagrados à exposição comemorativa do centenário da imprensa (O Paiz, 22 de outubro de 1908, quarta coluna). O primeiro trazia Gênese e Progressos da Imprensa no Brasil, de autoria de Alfredo de Carvalho com mais de 50 fotogravuras reproduzindo jornais antigos (Revista do IHGB, 1908).

 

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Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil, parte I

 

De acordo com o I Tomo, a Exposição Comemorativa do Centenário da Imprensa contou com 25 mil jornais e 10 mil ficaram de fora. Ainda no Tomo I, publicação do discurso do conde de Afonso Celso ressaltando a importância da imprensa e da coleta de dados para realização do evento:

“… a Exposição Nacional lacunosa seria, se nela não figurasse uma seção de jornais. Porque a imprensa foi a colaboradora preciosíssima e fomentadora, a defensora, a preconizadora insuprível de todos os melhoramentos industriais e artísticos que opulentam a Exposição. Não fora a imprensa, e a Exposição deixara de ser o que é, dificilmente existiria”.

No Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil, parte II, volume I, constavam as listagens dos periódicos e pequenos históricos da imprensa nos seguintes estados brasileiros, entre 1808 e 1907:

 

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Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil, parte II, volume I

 

Alagoas por Joaquim Thomaz Pereira Diegues, sócio efetivo e orador do Instituto Histórico e Geográfico Alagoano; Amazonas por João Batista de Faria e Souza, delegado à Comissão Central do Estado do Amazonas e membro da comissão nomeada pelo Governo para representar o mesmo estado, no Rio de Janeiro, por ocasião das festas comemorativas do 1º centenário da Imprensa periódica no Brasil e apontado como o possuidor da mais completa coleção de jornais do Amazonas; pelo Ceará, o Barão Studart, sócio correspondente do IHGB e conhecido pelo especial pendor que consagra a trabalhos de semelhante natureza; pelo Maranhão, o ilustrado Augusto Olimpio Viveiros de Castro; pelo Pará, o senador Manoel de Mello Cardoso Barata, sócio honorário do IHGB e apaixonado investigador de assuntos históricos; pela Paraíba, Diógenes Caldas; por Pernambuco, Alfredo de Carvalho, que da história de suas imprensas (Pernambuco e Bahia) possui conhecimentos especiais; pelo Piauí, Abdias Neves; pelo Rio Grande do Norte, Luiz Fernandes; e por Sergipe, o desembargador Manoel Armindo Cordeiro Guaraná.

 

 

Os originais do  2º volume da parte II  foram perdidos em um incêndio ocorrido, em 15 de setembro de 1911, na Imprensa Nacional. E não existiam cópias. Foram perdidos os catálogos dos seguinte estados: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo (O Paiz, 17 de setembro de 1911A Imprensa, 20 de setembro de 1911, penúltima colunaRevista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1911).

 

 

Os organizadores dos capítulos por estado seriam: Bahia, Alfredo de Carvalho; Distrito Federal e Rio de Janeiro, o médico, político e bibliotecário Vieira Fazenda; Espírito Santo, o político Bernardo Horta, formado em Humanidades e Farmácia; Goiás, o advogado e político Joaquim Xavier Guimarães Natal; Minas Gerais, Antônio Augusto de Lima; Mato Grosso, Estevão de Mendonça; Paraná, o diretor de museu, político, jornalista e historiador Romário Martins; Rio Grande do Sul, Victor Silva; Santa Catarina, Lucas Arthur Boiteaux; e São Paulo, Affonso A. de Freitas (COSTA, 2017).

Foram publicados catálogos avulsos de três estados: de Pernambuco, de autoria de Alfredo de Carvalho; do Paraná, de autoria de Alfredo Romário Martins; e o de São Paulo, de autoria de Affonso A. de Freitas. Os dois primeiros foram publicados, em 1908. O último, em 1914.

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Abaixo, a relação dos expositores que concorreram para a Comemoração do Centenário da Imprensa no Brasil. Secretaria do IHGB, 23.11.1908 (Biblioteca do IHGB).

 

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 Breve histórico do Dia Nacional da Imprensa

 

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O dia 1º de junho foi instituído como o Dia da Imprensa, por meio da lei n. 9.831, de 13 de setembro de 1999, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1931-), e celebra a primeira publicação do periódico O Correio Brazilienze ou Armazém Literário, editado por Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (1774 – 1823), em Londres. Por expressar críticas ao governo de dom João VI circulava clandestinamente no Brasil e em Portugal. Era mensal e existiu até 1822, quando o Brasil tornou-se independente. O Correio Braziliense foi, entre junho 1808 até dezembro de 1822, o nosso único jornal – informativo, doutrinário e pugnaz -, mau grado seu relativo inatualismo e deficiente distribuição, e as perseguições que sofreu do real governo. Produzido em Londres, na oficina de W. Lewis, saiu regulamente todos os meses enquanto existiu, num total de 175 números. Compreendia quatro seções: Política, Comércio e Artes, Literatura e Ciências e Miscelânea. Trazia por divisa os seguintes versos de Camões:

 

Na quarta parte nova os campos ara,

E se mais mundo houvera lá chegara

 

 

 

Até  1999, o Dia Nacional da Imprensa era celebrado, em 10 de setembro, quando foi publicado o primeiro número do jornal Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808, pela Imprensa Régia ou Impressão Régia. Considerado o primeiro periódico impresso no Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro veiculava o pensamento oficial da corte portuguesa e pertencia à Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Tinha quatro páginas, raramente 6 ou 8. Seria publicada aos sábados, mas desde seu segundo número declarou circular também às quartas-feiras. Sua assinatura semestral custava, a domicílio,  3$800, incluídas a edições extras, e o exemplar avulso $080, na loja de Paulo Martin Filho, mercador de livros. Passou a trimestral em julho de 1821. Era redigida por Tiburcio José da Rocha (17? – 18?), oficial da Secretaria de Estrangeiros e Guerra. Trazia por epígrafe os versos de Horácio:

 

Doctrina sed vi promovet insitam, rectique cultus pectora roborant.

A instrução (ou educação) estimula a força inata, e o cultivo da virtude (ou o bom ensino) fortalece o peito (a alma/o caráter).

 

 

 

Brevíssima história da vinda da corte portuguesa no Brasil e o início da imprensa nacional

 

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A história da Imprensa Nacional começou na década de 1800. Cerca de um ano antes da vinda da corte portuguesa para o Brasil, o governo português havia comprado da Inglaterra prelos e material tipográfico para a Secretaria de Negócios Estrangeiros e de Guerra. Na fuga da corte de Portugal para o Brasil, o futuro Conde da Barca, dom Antônio de Araújo de Azevedo (1754-1817), despachou o material, que nem havia sido desencaixotado, na nau Medusa, que fazia parte da esquadra que veio para o Brasil.

 

 

Decretado o Bloqueio Continental por Napoleão (1769 – 1821), imperador dos franceses, contra a Grã-Bretanha, grande inimiga da França, Portugal se vê diante de um impasse: ou mantém relações comerciais com a Grã-Bretanha, o que ocasionaria a invasão francesa, ou corta os laços com Londres, traindo sua tradicional aliada desde a Idade Média, com a provável perda de suas colônias. Chega a Portugal o embaixador Percy Smith (1780- 1855), Visconde de Stangford, para lutar pelos interesses britânicos. O príncipe regente dom João, futuro dom João VI, tenta defender os interesses de seu país negociando a neutralidade. Diante da iminência da invasão francesa, decide partir com a Família Real para o Brasil, mantendo a soberania da maior colônia portuguesa e também não se rendendo a Napoleão.

 

 

A corte embarcou em 27 de novembro de 1807, mas devido a um temporal, só partiu dois dias depois. Escoltados pela armada da Inglaterra, deixaram o país a rainha Dona Maria I (1734 – 1816), o príncipe herdeiro e regente, sua esposa, Carlota Joaquina (1775 – 1830) com seus nove filhos, o aparelho burocrático e a elite do país. Vinte e quatro horas depois, as tropas francesas lideradas pelo marechal Junot (1771 – 1813) chegaram a Lisboa e Portugal tornou-se palco da guerra franco-britânica. A Família Real chegou a Salvador e seu desembarque aconteceu com uma grande solenidade, em 22 de janeiro de 1808.

Ainda em Salvador, em 28 de janeiro, o príncipe regente Dom João, assinou a Carta Régia decretando a Abertura dos Portos às Nações Amigas. Era o fim do monopólio português de comércio com o Brasil. Com a presença da corte no Brasil tornou-se interessante para Portugal o desenvolvimento da colônia. O governo português passou a angariar recursos com os impostos nas alfândegas. A Inglaterra foi a maior beneficiada, pois passou a ter no comércio com o Brasil uma compensação para o bloqueio que sofria na Europa. Os termos da Carta Régia, endereçada ao vice-rei do Brasil, João de Saldanha da Gama Melo Torres Guedes Brito (1773 – 1809), o conde da Ponte, foram inspirados pelo futuro visconde de Cairu, José da Silva Lisboa (1756 – 1835), simpatizante dos princípios liberais do filósofo e economista escocês Adam Smith (1723 – 1790) e orientador da política econômica de dom João no Brasil.

 

 

Em 26 de fevereiro, a esquadra partiu para o Rio de Janeiro, onde chegou em 7 de março de 1808. No dia seguinte, dom João e Dona Carlota desembarcaram na cidade. Pela primeira vez uma colônia recebia um soberano europeu em sua terras.

Poucos meses depois, em 13 de maio de 1808, dia do 41º aniversário do príncipe regente dom João (1767-1826), foi constituída a Impressão Régia. Assinado por dom João, o decreto de Rodrigo de Souza Coutinho (1755-1812), futuro conde de Linhares, e ministro da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, determinava a instalação no Rio de Janeiro dos prelos trazidos de Lisboa após a fuga da corte portuguesa. A Impressão Régia ficou submetida à mencionada secretaria.

 

 

 

Na mesma data, foi impresso o primeiro trabalho da Impressão Régia, uma Relação de Despachos com os documentos oficiais desde a chegada da corte ao Brasil até aquela data. Era um folheto de 27 páginas e era vendido na loja do livreiro Manuel Jorge da Silva, na Rua do Rosário.

 

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A administração da Impressão Régia coube, por decisão de 24 de julho de 1808,  a uma junta composta por José Bernardes de Castro (17? – 18?), oficial da Secretaria de Estrangeiros e da Guerra; Mariano da Fonseca (1773 – 1848), o antigo consórcio de Silva Alvarenga na jacobina Sociedade Literária, e José Silva Lisboa (1756 – 1835). Primeiramente a Impressão Régia foi instalada na casa do conde da Barca, na Rua do Passeio nº 42, e, em 1810, foi transferida para o andar térreo de um prédio da Rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga), esquina com a Rua das Marrecas.

A criação da Impressão Régia marcou o início da indústria editorial e da imprensa oficial no Brasil, que foi, segundo Alberto Dinis, o 12º país da América Latina a obter da respectiva metrópole o direito de impressão. Anteriormente, por determinação da Ordem Régia de 6 de julho de 1747  era proibida o uso da tipografia no Brasil – a administração colonial não permitia a tipografia e o jornalismo no Brasil porque os reis de Portugal temiam a difusão de ideias revolucionárias.

Segundo informado por Ana Maria Camargo e Moraes, em Bibliografia da Impressão Régia do Rio de Janeiro (1993), o primeiro livro impresso pela Impressão Régia foi Observações sobre o Commercio Franco no Brazil, de autoria de José da Silva Lisboa (1753 – 1835), o futuro visconde de Cairu.

 

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O estabelecimento da Imprensa Régia e o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, foram as decisões de dom João VI que abriram o Brasil para o mundo do ponto de vista cultural e político.

Porém, tudo que seria impresso passava por uma censura prévia. Os originais eram encaminhados à Imprensa Régia por aviso da Secretaria de Estrangeiros e da Guerra, após examinados pelos censores régios e pelo Desembargo do Paço. Também eram proibidas notícias de livros estrangeiros sem permissão da Intendência da Polícia. Compunham a mesa censória o frade Antônio de Arrábida (1771 – 1850), o padre João Manzoni (17? -18?), José da Silva Lisboa e Luís José Carvalho e Melo (1764 – 1826).

A primeira tentativa de libertação da palavra escrita no Brasil aconteceu na Revolução Pernambucana de 1817. Na Constituição que deveria reger a efêmera república, declarava-se no artigo 25: “A liberdade de imprensa é proclamada, ficando porém o autor de qualquer obra e seus impressos sujeitos a responder pelos ataque à religião, à Constituição, aos bons costumes e caráter dos indivíduos, na maneira determinada pelas leis em vigor”. Mas a censura prévia no Brasil só foi abolida, em 28 de agosto de 1921, por dom Pedro I.

A criação da Impressão Régia também propiciou o surgimento da arte da gravura no Brasil, em 1809, com o notável João Caetano Rivara (c. 1770 – 1824), discípulo de Francesco Bartollozzi (1727–1815); Romão Eloi Casado de Almeida (17? – 18?) e Paulo dos Santos Ferreira Souto. Os dois últimos vieram para o país com o Frade José Mariano da Conceição Veloso (1742 – 1811), certamente do Arco do Cego, importante editora e oficina tipográfica ativa em Lisboa, entre 1799 e 1801, dirigida pelo referido religioso. Foram todos para a Imprensa Régia. Neste mesmo ano foram editados os Elementos da Geometria de Legendre, com 13 figuras gravadas por Souto, as primeiras abertas no Brasil e, em 1812, estampava-se a grande Planta do Rio de Janeiro, levantada em 1808, desenhada por J.A. dos Reis e também aberta por Souto, sob a direção de Rivara. Romão gravou a portada e o retrato de Pope para a edição do Ensaio sobre a Crítica, traduzido pelo conde de Aguiar e impresso em 1810.

 

Agradeço à importante colaboração de Sônia Nascimento de Lima, chefe do arquivo do IHGB e de Fábio Thomas Pinheiro Souza, assistente da Biblioteca do IHGB, para a elaboração deste artigo.

*Provavelmente o jornalista Braz Vianna.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ABREU, Márcia; BRAGANÇA, Aníbal (orgs). Impresso no Brasil: Dois séculos de livros brasileiros. São Paulo: Editora Unesp, 2010.

ABREU, Márcia. Impressão Régia do Rio de Janeiro: novas perspectivas. Parte do Projeto Temático Caminhos do romance no Brasil· séculos XVIII e XIX, financiado pela FAPESP. Revista Convergência Lusíada, 21 – 2005

BARROS, Maria Pia Fontes Lins de; WANDERLEY, Andrea C. T. Agenda do Centro de Documentação da TV Globo.

BETONI, Nicholas Simão. O livro como objeto de coleção: Um recorte da Coleção Rubens Borba de Moraes da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação  Interunidades m Museologia da Universidade de São Paulo, 2021.

CAMARGO, Angélica Ricci. Censores régios, Arquivo Nacional, julho, 2011.

CAMARGO, Angélica Ricci. Impressão Régia. Arquivo Nacional, agosto, 2011.

Catálogo dos 190 anos de Imprensa no Brasil 1808 – 1998. Exposição documental 13 a 27 de maio de 1998, IHGB.

COSTA, Alvaro Daniel. A comemoraçãodo centenário da imprensa perióidica brasileira no IHGB: uma memória do jornalismo nacional (1908). Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Ponta Grossa para a obtenção do Título de Mestre em História, Área de História, culturas e identidades, agosto de 2017.

COSTA, Carla. Série “Exposições” III e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos in Brasiliana Fotográfica, 5 de abril de 2018.

DINES, Alberto. ‘Aventuras e Desventuras de Antônio Isidoro da Fonseca – nova documentação sobre a malograda Tipografia do Rio de Janeiro no século XVIII, com achegas aos 190 anos da imprensa brasileira in: DINES, Alberto; FALBEL, Nachman; MILGRAM, Avraham (org.) Em nome da fé. São Paulo: Perspectiva, 1999.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Minuta da carta de Fleuiss ao ministro Miguel Calmon, ministro da Indústria Viação e Obras Públicas sobre as providências já tomadas em relação à exposição do centenário da imprensa no Brasil; e propondo o Palácio Monroe para a realização da mesma. Rio de Janeiro, 19.12.1907. Biblioteca do IHGB.

Ofício de Miguel Calmon, ministro da Indístria, Viação e Obras Públicas acusando o recebimento da comunicação da iniciativa do IHGB em comemorar o centenário da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro, 04.09.1907.

Ofício circular expedido a todos os membros da comissão executiva do centenário da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro, 31.07.1907. Biblioteca do IHGB.

PESSOA, Ana; SANTOS, Ana Lucia V. Moradas de engenho e arte: as casas do Conde da Barca no Novo Mundo. Revista do IHGB, Rio de Janeiro, set./dez. 2017.

Portaria do Instituto Histórico e Brasileiro estabelecendo escala de plantão dos funcionários durante a exposição comemorativa do centenário da imprensa. Rio de Janeiro, 14-08-1908. Biblioteca do IHGB.

Portaria do Instituto Histórico e Brasileiro estabelecendo reclamando da escala de plantão dos funcionários durante a exposição comemorativa do centenário da imprensa. Rio de Janeiro, 24-08-1908. Biblioteca do IHGB.

Proposta apresentada pelos sócios Max Fleuiss, Barão de Studart, Alfredo de Carvalho, Orville A. Derby e José Américo dos Santos para que o IHGB organizasse uma exposição jornalística comemorativa do primeiro centenário da imprensa no Brasil. Com parecer aprovando a iniciativa e nomeando uma comissão para conduzir os trabalhos. Rio de Janeiro, 29.07.1907. Biblioteca do IHGB.

Relação dos expositores que concorreram para a Comemoração da º Centenário da Imprensa no Brasil. Secretaria do IHGB, 23.11.1908. Biblioteca do IHGB.

Revista do IHGB, número 31, 2024

Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro- Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908, parte I.

Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro- Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908, parte II, volume I.

RIZZINI, Carlos. O livro, o jornal e a tipografia no Brasil1500 – 1822 com um breve estudo geral sobre a informação. Livraria Kosmos Editora. Erich Eichner & Cia Ltda. Rio de Janeiro São Paulo Porto Alegre, s/d.

ROMANCINI, Richard. Inventando tradições: os historiadores e a pesquisa inicial sobre o jornalismo in Revista Pj:Br, 1º semestre de 2004.

Site Ministério da Cultura

Site IHGB

Série “Os arquitetos do Rio de Janeiro” VII e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXXII – O prédio da Imprensa Nacional e o arquiteto Antonio de Paula Freitas

Com registros produzidos pelos fotógrafos Augusto Malta (1864-1957), Juan Gutierrez (c.1860-1897), Marc Ferrez (1843-1923) e por Rodrigues & C°. Editores e Proprietários, a Brasiliana Fotográfica publica o 7º artigo da série Os arquitetos do Rio e Janeiro e o 32º da série O Rio de Janeiro desaparecido. É sobre o prédio da Imprensa Nacional que ficava situado na Rua da Guarda Velha, atual Avenida Treze de Maio, no Rio de Janeiro. E também sobre o arquiteto e engenheiro Antonio de Paula Freitas (1843-1906), que o projetou e construiu.

 

 

Acesse aqui o link para as fotografias do prédio da Imprensa Nacional projetado por Paula Freitas disponíveis no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica

 

 

O edifício gótico-manuelino foi inaugurado, em 31 de dezembro de 1877, por João Maurício Wanderley (1815-1889), o barão de Cotegipe, então ministro da Fazenda, cerca de três anos após o lançamento de sua pedra fundamental, em 26 de agosto de 1874, por José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o visconde do Rio Branco, pai do barão do Rio Branco.

 

 

Foi demolido, entre 1940 e 1941, devido a um projeto de alargamento do Largo da Carioca (Jornal do Brasil, 8 e novembro de 1940, sexta coluna; A Noite, 5 de fevereiro de 1941Gazeta de Notícias, 30 de julho de 1941).

 

Brevíssimos perfis dos fotógrafos que produziram as fotos do prédio da Imprensa Nacional destacadas neste artigo

Augusto Malta (1864-1957)

O fotógrafo alagoano Augusto Malta foi o mais  importante cronista fotográfico do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX, cidade onde chegou em fins de 1888. Em 1903, foi contratado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como fotógrafo oficial, cargo criado para ele. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida pelo então prefeito da cidade, Francisco Pereira Passos (1836-1913), período que ficou conhecido como o “bota-abaixo”. Augusto Malta trabalhou na Prefeitura até 1936, quando se aposentou.

Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897)

A foto destacada abaixo foi produzida pelo fotógrafo Juan Gutierrez, um dos mais importantes fotógrafos paisagistas do século XIX, no Brasil e um dos maiores cronistas visuais do Rio de Janeiro. Foi um dos fotógrafos principais da transição da cidade imperial para a cidade republicana. Entre 1892 e 1896, produziu a maior parte de suas fotografias de paisagens do Rio de Janeiro, que eram vendidas para estrangeiros que visitavam a cidade. Sobre a foto abaixo, a historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi, do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, comentou no artigo O Rio de Janeiro de Juan Gutierrez, publicado no portal, em 1º de março de 2019: Ampliando a imagem, observamos um vendedor de pequenas mercadorias que hoje chamamos de camelô, bem como podemos notar, atrás do prédio da Imprensa Nacional, os primeiros barracos a serem construídos no Morro Santo Antônio, que abrigou uma grande favela no centro do Rio de Janeiro e que no final de década de 1950 foi arrasado.

 

 

 Marc Ferrez (1843-1923)

O carioca Marc Ferrez (1843 – 1923), filhos de franceses, foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Sua vasta e abrangente obra iconográfica se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo. Estabeleceu-se como fotógrafo com a firma Marc Ferrez & Cia, em 1867, na rua São José, nº 96, e logo se tornou o mais importante profissional da área no Rio de Janeiro. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde registrou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.

 

 Rodrigues & C°. Editores e Proprietários

Há até o momento poucas informações sobre este fotógrafo. Sabe-se que esteve em atividade no Rio de Janeiro nas décadas de 1890 e 1900. O endereço de seu estabelecimento era Rua dos Ouvidor, n° 57.

Breve perfil do engenheiro e arquiteto Antonio de Paula Freitas (1843-1906)

 

 

O engenheiro e arquiteto carioca Antonio de Paula Freitas, nascido em 10 de janeiro de 1843, foi o responsável pelo projeto e pela construção do prédio da Imprensa Nacional, na Rua da Guarda Velha. A tarefa foi atribuída a ele por José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o visconde do Rio Branco, em 1874. O visconde era, então, o ministro da Fazenda e Paula Freitas era engenheiro do ministério (Revista do Instituto Politécnico Brasileiro, fevereiro de 1874).

 

 

 

 

Paula Freitas começou a estudar no Colégio Vittorio com 10 anos de idade. Tornou-se bacharel, em 4 de dezembro de 1863, e doutor em Ciências Físicas e Matemáticas pela antiga Escola Politécnica, em 21 de maio de 1870 (Constitucional, 5 de dezembro e 1863, última colunaDiário do Rio de Janeiro, 21 de maio de 1870, terceira coluna; Renascença, abril de 1907). Havia defendido sua tese, em 17 de março de 1870, com a presença de dom Pedro II (1825-1891) (Diário do Rio de Janeiro, 18 de março de 1870, quarta coluna). Era também engenheiro geógrafo e civil. Foi professor catedrático do curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica, conselheiro da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e engenheiro fiscal do governo junto da companhia das docas de dom Pedro II (Diário do Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1871, primeira coluna; Diário do Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1874, segunda coluna). Foi membro da Comissão de Contas da Associação Promotora da Instrução de Meninos, Secretário da Secção de Aclimação da Associação Brasileira de Aclimação e sócio da Sociedade Auxiliadora da Imprensa Nacional (Jornal do Commercio, 20 e julho de 1867, sexta colunaDiário do Rio de Janeiro, 26 e 27 de dezembro de 1876, terceira coluna; Jornal do Commercio, 27 de março de 1877, quinta coluna). Foi membro do Instituto dos Engenheiros Civis de Londres, da Sociedade Francesa de Higiene e da Diretoria do Congresso Científico Latino-Americano. Foi fundador e membro da Administração do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica; do Liceu de artes e Ofícios e do Conselho Diretor do Clube de Engenharia, tendo sido colaborador da Revista de Engenharia (Revista de Engenharia, 10 de agosto de 1879). Presidiu o Instituto Politécnico Brasileiro e foi durante anos responsável pela revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.

 

 

Recebeu, em 13 de novembro de 1877, por seu trabalho Determinação dos Coeficientes numéricos das Fórmulas Matemáticas o importante Prêmio Hawkshaw, honraria instituída pelo Instituto Politécnico Brasileiro e atribuída a quem se destacasse por trabalhos acadêmicos na área da Engenharia. Foi entregue a ele em uma sessão solene no referido instituto, na época presidido pelo visconde do Rio Branco, com a presença de dom Pedro II (Jornal do Commercio, 14 de novembro de 1877, terceira coluna).

Devido a seu destaque tanto nas atividades profissionais como nas acadêmicas foi agraciado, durante o reinado de dom Pedro II (1825-1891), com os títulos de Oficial Menor da Casa Imperial, Cavaleiro da Ordem da Rosa e cavaleiro da Ordem de Cristo.

 

 

Segundo a tese de doutorado A formação da  Escola Politécnica na corte do Império brasileiro (2022), de Laura Roberta Fontana, dentre suas obras estão:

1. História natural popular dos animais, precedida das indispensáveis noções de fisiologia e anatomia dos diferentes grupos zoológicos.

2. Curso de estradas professado na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, 1º tomo.

3. Tese apresentada à Escola Central do Rio de Janeiro e sustentada perante a mesma escola, a fim de obter o grau de Doutor em ciências matemáticas e naturais. A obra é dividida em duas partes. Na 1ª parte trata do teorema das velocidades virtuais, independente da consideração dos infinitamente pequenos, e dos princípios fundamentais da mecânica, reduzidos ao menor número possível. Na 2ª parte estuda qual a hipótese que melhor explica a formação primitiva da Terra, e depois se examina a teoria de Laplace.

4. Demonstrar em geral o teorema das velocidades virtuais sem dependência da consideração dos infinitamente pequenos. Demonstrar quais são os princípios fundamentais da mecânica reduzidos ao menor número possível: tese de concurso.

5. Integrais definidas, consideradas como parâmetros. Funções eulerianas. Enchentes dos rios e meios propostos para impedir os seus efeitos: tese de concurso à primeira cadeira do 2º ano da Escola Central.

6. Determinação dos coeficientes numéricos das fórmulas matemáticas.

7. Relatório sobre o abastecimento de água da Cidade do Rio de Janeiro. Este relatório foi escrito de colaboração com o Doutor Manoel Buarque de Macedo em comissão do Ministério da Agricultura.

8. Informações sobre o estado da indústria nacional pela secção de indústria fabril da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, presidida pelo Doutor Antônio de Paula Freitas.

9. Descrição do novo edifício da Tipografia Nacional do Brasil. A planta deste edifício, feita pelo Doutor, tornou-se quadro na Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda.

10. Discurso pronunciado na sessão magna da Sociedade Acadêmica Atheneu Central em 17 de fevereiro de 1865.

11. Breves considerações sobre os freios empregados nos trens dos caminhos de ferro. Revista de Engenharia, tomo 1º, n. 8, 1879.

 

São de sua autoria os projetos e a construção de vários prédios históricos na cidade do Rio de Janeiro, como o imóvel-sede do Tesouro Nacional, já demolido, e o do Correio Geral, na Rua Primeiro de Março.

 

 

Também projetou, em 1880, a pedido do ministro de Negócios do Império, Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo (1837-1918), o barão de Homem de Mello, um edifício para sediar a Faculdade de Medicina, cuja pedra fundamental foi lançada, em 12 de fevereiro de 1881, por dom Pedro II. As obras foram suspensas e só foram terminadas, em 1908, quando o prédio foi utilizado como Palácio dos Estados, um dos pavilhões da Exposição Nacional de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, decretada em 28 de janeiro de 1808, pelo então príncipe regente de Portugal, dom João de Bragança, futuro dom João VI (1767 – 1926). Em 1909, o Serviço Geológico foi ali instalado, em conjunto com outros órgãos do Ministério da Agricultura. Abriga atualmente o Museu de Ciências da Terra, que está fechado. O prédio foi tombado em 1994.

 

 

Foi engenheiro da Igreja da Candelária, por mais de 20 anos, tendo sido responsável pelo projeto e construção de suas duas sacristias laterais, em 1877, e pelo desenho e colocação – em colaboração com Heitor de Cordoville (c.1851-1904) – do novo revestimento interno em mármore italiano, além da instalação das belíssimas portas em bronze, em 1901 (Renascença, fevereiro de 1905). Em 1898, publicou o livro Memória histórica sobre a fundação e construção da Igreja da Candelária.

 

 

 

Nos últimos anos da década de 1880, como diretor das obras do ministério do Império, apresentou um projeto de melhoramentos no prédio da Escola Politécnica, mas a obra não foi realizada (Gazeta de Notícias, 2 de fevereiro de 1905).

Com Torquarto Neto, Alexandre Wagner, Otto Simon e Theodoro Duvivier, genro de Wagner, criou, em 1891, a Empreza de Construções Civis. Foram pioneiros no desenvolvimento de Copacabana. Paula Freitas, que presidia a empresa, foi o responsável pelo projeto e obras de arruamento do bairro, em 1894. Seu nome foi dado à antiga rua Itororó.

 

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Em 1903, foi eleito intendente municipal e presidente do Conselho de Intendência Municipal (Gazeta de Notícias, 29 de junho de 1903; 18 de julho de 1903, terceira coluna; Jornal do Brasil, 26 de janeiro de 1904, oitava coluna). Porém, devido a divergências políticas com o prefeito Pereira Passos (1836-1913), renunciou aos cargos. Foi, posteriormente, presidente do Conselho do Instituto Politécnico Brasileiro (Gazeta de Notícias, 21 de março de 1905, sexta coluna). Faleceu em 18 de março de 1906, em sua residência, na Rua Marquês de Abrantes, nº82, em consequência de uma cirurgia para a retirada de pedras na bexiga. Foi enterrado no Cemitério São João Batista (Jornal do Brasil, 19 de março de 1906, colunaGazeta de Notícias, 25 de março de 1906, quinta coluna; Revista da Semana, 25 de março de 1906; Renascença, abril de 1907).

 

 

 

Um pouco da história da Imprensa Nacional

 

A história da Imprensa Nacional começou na década de 1800. Cerca de um ano antes da vinda da corte portuguesa para o Brasil, ocasionada pela invasão francesa no país, o governo português havia comprado da Inglaterra prelos e material tipográfico para a Secretaria de Negócios Estrangeiros e de Guerra. Na fuga da corte de Portugal para o Brasil, em 29 de novembro de 1807, o futuro Conde da Barca, dom Antônio de Araújo de Azevedo (1754-1817), despachou o material, que nem havia sido desencaixotado, na nau Medusa, que fazia parte da esquadra que veio para o Brasil. Além da já mencionada embarcação, integravam a esquadra portuguesa que cruzou o Oceano Atlântico conduzindo a família real, a corte, cerca de 10 mil pessoas da aristocracia e todo o Tesouro português as naus Afonso de Albuquerque, Conde D. Henrique e Martins de Freitas, D. João de Castro, Príncipe do Brasil, Príncipe RealRainha de Portugal; as fragatas Golfinho, Minerva e Urânia; os brigues Lebre, Vingança e Voador; e as escunas Curiosa e Furacão.

 

 

Foi constituída como Impressão Régia e foi um dos primeiros atos editados pela Família Real em solo brasileiro, em 13 de maio de 1808, dia do 41º aniversário do príncipe regente dom João (1767-1826), quando foi impresso seu primeiro trabalho, uma Relação de Despachos com os documentos oficiais desde a chegada da corte ao Brasil até aquela data.

“Relação dos despachos publicados na corte I pelo expediente da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra | no faustosíssimo dia dos annos de S. A. R. | o príncipe regente N. S. | E de todos os mais que se tem expedido pela mesma Secretaria desde a feliz chegada de S. A. R. nos Estados do Brasil até o dito dia | Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1808. | Na Impressão Régia. | Vende-se na Loja de Manoel Jorge da Silva j Livreiro na Rua do Rosário I in-fol. de 27 pp. num”.

Assinado por dom João, o decreto de Rodrigo de Souza Coutinho (1755-1812), futuro conde de Linhares, determinava a instalação no Rio de Janeiro dos prelos trazidos de Lisboa após a fuga da corte portuguesa.

 

 

DECRETO DE 13 DE MAIO DE 1808.

Crêa a Impressão Régia

Tendo-me constado, que os prélos que se acham nesta Capital, eram os destinados para a Secretaria de Estado dos Negocias Estrangeiros e da Guerra; e attendendo á necessidade que ha da officina de impressão nestes meus Estados: sou servido, que a casa, onde elles se estabeleceram, sirva interinamente de Impressão Regia, onde so imprimam exclusivamente toda a legislação e papeis diplomaticos, que emanarem de qualquer Repartição do meu real serviço; e se possam imprimir todas, e quaesquer outras obras; ficando interinamente pertencendo o seu governo e administração á mesma Secretaria. D. Rodrigo de Souza Coutinho, do meu Conselho de Estado, Ministro e Secretario de Estado dos Negocies Estrangeiros e da Guerra, o tenha assim entendido, e procurará dar ao emprego da Officina a maior extensão, e lhe dará todas as Instrucções e Ordens necessárias e participará a este respeito a todas as Estações o que mais convier ao meu real serviço.

Palácio do Rio de Janeiro em 13 de Maio de 1808.

Com a rubrica do Príncipe Regente Nosso Senhor.

Ficava criada a Impressão Régia, que passou a imprimir, em 10 de setembro do mesmo ano a Gazeta do Rio de Janeiro, inaugurando a imprensa no Brasil. Foi inicialmente redigida pelo frei português Tibúrcio José da Rocha (1776-1840). Antes disso, como prevenção à disseminação de ideias revolucionárias no Brasil, não era permitida no país a tipografia e o jornalismo. O Correio Braziliense é um pouco mais antigo, foi lançado em 1º de junho de 1808, mas era impresso em Londres.

 

 

Primeiramente a Impressão Régia foi instalada na casa do conde da Barca, na Rua do Passeio nº 44, e, em 1810, foi transferida para o andar térreo de um prédio da Rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga), esquina com a Rua das Marrecas. Em 1831, foi transferida para algumas salas da Imperial Academia de Belas Artes, na Avenida Passos. Em 23 de abril de 1836, passou a funcionar no andar térreo da Câmara dos Deputados, antiga Cadeia Velha, na Rua da Misericórdia, onde ficou até outubro de 1860, quando mudou-se para um edifício do governo, na Rua da Guarda Velha, contiguo à Secretaria do Império. Em 1° de outubro de 1862, o governo brasileiro, a partir  de uma deliberação de Pedro de Araújo Lima (1793-1870), o marquês de Olinda, passou a divulgar os atos legais através do Diário Oficial, impresso pela Imprensa Régia.

 

 

Foi José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o visconde do Rio Branco, então ministro da Fazenda, que encomendou ao engenheiro de obras de seu ministério, Antonio de Paula Freitas, o projeto e a construção de um prédio para a Imprensa Nacional.

 

 

 

 

 

Como já mencionado, o prédio foi inaugurado no último dia de 1877 pelo ministro da Fazenda, João Mauricio Wanderley, o barão de Cotegipe.

 

 

Até um incêndio ocorrido, em 15 de setembro de 1911, por volta das 11 horas a noite, o prédio foi sua sede. O fogo teve início no almoxarifado, perto do corredor que separava o edifício do Teatro Lírico, que teve suspensa a opereta Orfeu nos infernos devido à forte fumaça que invadiu a sala de espetáculos. Restou apenas as paredes frontal e laterais, além da tesouraria do edifício. Houve suspeitas de que o incêndio havia sido criminoso, mas nada foi provado durante as investigações. A oficina da Imprensa Nacional passou a funcionar  no Calabouço e no edifício do Ministério da Agricultura.

 

 

 

Em 28 de dezembro de 1940, por iniciativa do presidente Getúlio Vargas (1882-1954), a Imprensa Nacional foi transferida para um edifício na Rua Rodrigues Alves nº 1. Foi sua última sede no Rio de Janeiro.

 

 

 

 

Sua sede em Brasília foi inaugurada, em 21 de abril de 1960, quando o então presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) acionou a rotativa Marinoni dando início à primeira impressão do Diário Oficial da União na nova capital do Brasil. A Imprensa Nacional é ligada à Casa Civil da Presidência da República (Revista Imprensa Nacional, julho de 2017).

Em 13 de maio de 1982, foi inaugurado, em Brasília, o Museu da Imprensa. Uma das peças exibidas no museu é o Prelo Machado de Assis, uma máquina de impressão tipográfica fabricada, em 1833, de origem inglesa. Funcionou na Imprensa Nacional até 1940 e foi o instrumento de trabalho do escritor Machado de Assis (1839-1908), que foi servidor da Imprensa Nacional, entre os anos 1856 e 1858. Entre 1867 e 1874, Machado foi assessor do diretor do Diário Oficial. Pelo decreto presidencial de 13 de janeiro de 1997, tornou-se patrono da Imprensa Nacional. Em maio de 2017, o órgão criou a Revista Imprensa Nacional com periodicidade bimestral.

 

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Lista dos diretores da Imprensa Régia / Imprensa Nacional de 1808 a 2025

Primeira Junta Diretória (1808 – 1815)

José Bernardes de Castro, José Marino Pereira da Fonseca (marquês de Maricá) e José da Silva Lisboa (visconde de Cairu).

Segunda Junta Diretória (1815 – 1830)

José Bernardes de Castro, José Marino Pereira da Fonseca (marquês de Maricá), José da Silva Lisboa (visconde de Cairu), Silvestre Pinheiro Ferreira, José Saturnino da Costa Pereira (substituto do marquês de Maricá), Francisco Vieira Goulart, Manoel Ferreira de Araújo Guimarães e Januário da Cunha Barbosa.

Diretores (1830 – 1834)

 Januário da Cunha Barbosa e Francisco Crispiniano Valderato.

Administradores 

Braz Antonio Castriolo (1834 – 1857), Manoel Antônio de Almeida (1857 – 1859), João Paulo Ferreira Dias (1859 – 1878), Antônio Nunes Galvão (1878 – 1892), José Marques Acauã Ribeiro (1892 – 1894), Veríssimo Julio de Moraes (1894 – 1897) e Antônio NUnes Galvão (1897 – 1898).

Diretores-Gerais

Mário Nunes Galvão (interino – 1898 -1900), Manuel Alves da Silva (interino – 1900), Antônio Bernardino Lopes Ribeiro Júnior (1900 – 1901), Raimundo Floresta de Miranda (1901 – 1904), Alfredo Augusto da Rocha (1904 – 1910), Manuel Temístocles de Almeida ((1910), Armênio Jouvin (1910 – 1912), Luís Alves Leite de Oliveira Bello (interino – 1912), Manoel Elói de Andrade (1912 – 1913), Leôncio Corrêa (1913 – 1914), José Silveira do Pilar Filho (interino – 1914), Antônio Borges Leal Castelo Branco (1914 – 1922), Eugênio Gracie Cata-Preta (1922 – 1929), Severiano A. Cavalcante (interino – 1929), Antônio Jaime de Alencar Araripe (1930), Aníbal Falcão de Barros Cassal (1931), Heito Bracet (interino – 1931), Francisco Antônio Rodrigues de Salles Filho (1932 – 1935), Manuel Vilerbo de Carvalho e Silva (1935 – 1940), Rubens D´Almeida Horta Porto (1940 – 1944), Francisco de Paula Achilles (1946 – 1951), Alberto Sá Souza de Britto Pereira (1944 – 1946) e (1951 – 1979), Octaciano da Costa Nogueira Filho (1979 – 1980), Dinorá Moraes Ferreira (1980 – 1989), Marlene Freitas Rodrigues Alves (1989 – 1990), Itler Cézar Bado (1990 – 1991), Enio Tavares da Rosa (1991 – 1994), Galba Menegale (1994), Ary Cícero de Moraes Ribeiro (1994 – 1995), Jamil Francisco dos Santos (1995 – 1996), Antônio Eustáquio Corrêa da Costa (1996 – 2000), Carlos Alberto Guimarães Batista da Silva (2000 – 2003), Fernando Tolentino de Souza Vieira (2003 – 2015), José Vivaldo Souza de Mendonça (2015 – 2016), Alexandre Retarnal Barbosa (2016), Pedro Antonio Bertone Ataíde (2016 – 2020),  Ariosto Antunes Culau (2020 – 2021), Sávio Luciano de Andrade Filho (2021), Heldo Fernando de Souza (2021 – 2022) e Afonso Oliveira de Almeida (2023 -).

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Blog Família Paula Freitas

Brasiliana Iconográfica

COSTA, Carla. Série “O Rio de Janeiro desaparecido” II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos in Brasiliana Fotográfica, 5 de abril de 2018

Dirigentes da Imprensa Nacional / Imprensa Nacional, Novos Rumos da Comunicação Pública

DUNLOP, Charles. Rio Antigo, volume III. Rio de Janeiro : Editora Rio Antigo Ltda, 1960.

FONTANA, Laura Roberta. Tese de doutorado A formação da  Escola Politécnica na corte do Império brasileiro. Rio de Janeiro : UNIRIO, 2022.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002

LARANJEIRA, Álvaro Nunes. Arqueobiografia do pioneiro da imprensa no Brasil: nas pegadas do frei Tibúrcio. Revista FAMECOS mídia, cultura e tecnologia. Porto Alegre, v. 18, n. 3, p. 765-781, setembro/dezembro 2011.

MIRANDA, Francisco Gonçalves(org). Memória Histórica da Imprensa Nacional. Rio de Janeiro : Imprensa Nacional, 1922.

Site Museu da Imprensa

Portal Arquivo Nacional

Portal MultiRio

O Rio de Janeiro de Juan Gutierrez

Em homenagem à fundação do Rio de Janeiro, que completa hoje 454 anos, o portal publica o artigo O Rio de Janeiro de Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897), da historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi, do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. O texto nos convida a fazer, a partir das fotografias do espanhol Juan Gutierrez de Padilla, um passeio pela cidade na última década do século XIX. Provavelmente nascido nas Antilhas, Gutierrez foi um dos mais importantes fotógrafos paisagistas do século XIX e um dos maiores cronistas visuais do Rio de Janeiro, tendo registrado a transição da cidade imperial para a cidade republicana. Entre 1892 e 1896, produziu a maior parte de suas fotografias de paisagens cariocas, que eram vendidas para estrangeiros que visitavam a cidade. Partiu para Canudos em 1897, onde, em 28 de junho, foi mortalmente ferido (Jornal do Commercio, 13 de julho de 1897, na terceira coluna sob o título “Expedição de Canudos” e O Paiz, 7 de setembro de 1897, na primeira coluna).

 

O Rio de Janeiro de Juan Gutierrez

Maria Isabel Ribeiro Lenzi*

 

 

Pouco se sabe sobre o cidadão espanhol Juan Gutierrez de Padilla. Especula-se que tenha nascido nas Antilhas, talvez na ilha de Cuba. O certo é que nas décadas de 1880 e 1890 ele era um fotógrafo conhecido no Rio de Janeiro, onde havia se estabelecido. Não sabemos exatamente quando chegou por aqui, mas nos anos 1880 era proprietário da Cia. Photographica Brazileira e da Juan Gutierrez e Cia. União, ambas no Rio de Janeiro à Rua Gonçalves Dias, 40, e Rua da Carioca, 114. Ele recebeu de D. Pedro II o título de fotógrafo da Casa Imperial bem no ocaso do Império, em agosto de 1889.

Com a República, Gutierrez se naturalizou brasileiro e, em 1893,  foi contratado pelo exército para documentar as tropas na Revolta da Armada. Essas fotos são célebres, tendo inclusive recebido a chancela de Memória do Mundo, pela Unesco. Menos conhecido, entretanto, é o conjunto de imagens primorosas do Rio de Janeiro do final do século XIX fixadas pela câmera de Gutierrez.

Acessando o link para as fotografias do Rio de Janeiro de autoria de Juan Gutierrez do acervo fotográfico do Museu Histórico Nacional e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

Por meio delas o fotógrafo nos convida para um passeio pela cidade e seus arredores. Começamos pelo cais da Praça 15, antigo Largo do Paço. Vemos o mercado e uma grande construção redonda, a grande rotunda que, naqueles anos de 1890, Victor Meireles havia montado na praça para expor seus panoramas. Ali o pintor exibiu ao público carioca, em 1890, o panorama da Baía do Rio de Janeiro que um ano antes havia apresentado em Paris. Depois, provavelmente em 1896, Victor Meireles produziu o panorama Entrada da Esquadra Legal na Revolta da Armada: Ruínas da Fortaleza de Villegaignon, que viria a ser exposto no mesmo espaço. É, pois, esta rotunda – um must na vida cultural carioca de então – que Gutierrez nos mostra na praça.

 

 

Todavia também podemos ver o comércio popular, o lado africano da cidade. É possível quase sentir o cheiro e ouvir o burburinho do mercado de peixe com os barcos ancorados depois de trazer mercadorias do fundo da Baía da Guanabara. Os balaios, os panos usados pelas negras, os quais tomamos como turbantes, mas que serviam para acomodar a cesta de mercadoria sobre a cabeça. Os quiosques, que viriam a ser retirados da paisagem carioca nas reformas de Pereira Passos, aqui ainda se revelam um componente importante na vida quotidiana do trabalhador.

 

 

A cidade também é fotografada inteira, a partir dos seus diversos mirantes: da ilha das Cobras, Gutierrez aponta para o litoral até a ponta do Calabouço, para a cidade em frente em frente à ilha e, no outro lado, para o litoral da Prainha, Saúde e Gamboa. Aí é possível ver um Rio de Janeiro, ainda cidade portuguesa, com as torres de suas igrejas que dominavam o cenário. Os morros do Castelo, da Glória, de Santo Antônio, do Senado, as Docas de André Rebouças, as ilhas das Cobras e Fiscal também têm papel relevante no ensaio fotográfico que produziu do Rio de Janeiro.

 

 

A qualidade das fotografias em albumina de Gutierrez é tamanha que, ampliadas, revelam em detalhe os diversos trapiches do porto, bem como os trapiches e casas de banho da praia de Santa Luzia.

 

 

A Ilha Fiscal mereceu duas fotos só pra ela… Deviam estar na memória do povo as luzes elétricas que iluminaram a ilha no dia 9 de novembro de 1889. O último e mais luxuoso baile que o Império do Brasil promoveu foi naquela pequena ilha em frente ao litoral da Praça 15 e provavelmente, ainda era assunto nas conversas e no imaginário carioca. Não poderia, portanto, faltar nas lentes de nosso fotógrafo.

 

 

Os telhados e ruas da cidade são retratados do alto de muitos morros, três dos quais não existem mais: Senado, Castelo e Santo Antônio. Mas, naquela altura, eles eram integrados à cidade, abrigando chácaras, igrejas e, no caso do Castelo, a cidadela que deu origem ao Rio. No Castelo moravam muitas lavadeiras que a câmera de Gutierrez nos deixa ver suas roupas a serem alvejadas nos quaradouros de bambu…

 

 

 

 

Ele também fotografou as ruas. Assim vemos o antigo prédio da municipalidade que foi derrubado para a abertura da Avenida Presidente Vargas. Se ampliarmos a imagem, são reveladas as senhoras com suas sombrinhas para se proteger do sol. Era moda. Podemos também, se fizermos um zoom, contemplar na, Rua Primeiro de Março, à altura do Restaurante Carceller, os engraxates com suas caixas para trabalhar e os pormenores dos diversos transportes – charretes, vitórias, coupés, bondes – puxados a burro.

 

 

Podemos conhecer também o edifício da Imprensa Nacional, à Rua 13 de maio, projeto da Antônio Paula Freitas, inaugurado em 1877 e demolido em 1941. Ampliando a imagem, observamos um vendedor de pequenas mercadorias que hoje chamamos de camelô, bem como podemos notar, atrás do prédio da Imprensa Nacional, os primeiros barracos a serem construídos no Morro Santo Antônio, que abrigou uma grande favela no centro do Rio de Janeiro e que no final de década de 1950 foi arrasado.

 

 

Gutierrez também nos revela a existência de um plano inclinado entre as ruas Matacavalos (atual Riachuelo) e o Largo dos Guimarães, em Santa Teresa. O equipamento movido a vapor foi inaugurado em 1877 e permaneceu em funcionamento até por volta de 1894. A fotografia nos apresenta a entrada do grande viaduto de ferro do plano inclinado com o pequeno bondinho, no interior do qual podemos distinguir o condutor.

 

 

Outra imagem surpreendente é a da Praia da Saudade, pois muita gente não imagina que ali, onde hoje está o Iate Clube, havia uma linda praia emoldurada pelo Morro de Urca e o Morro do Pasmado. Ao fundo, o Pão de Açúcar que vez por outra virava ilha, quando a faixa de areia que o ligava ao continente era inundada pela maré cheia!

 

Finalmente, para terminar, Gutierrez registrou alguns lugares então afastados da cidade, mas muito frequentados por aqueles que buscavam ar fresco e uma maior proximidade com a natureza: a Floresta da Tijuca, Copacabana, a ilha de Paquetá, o Silvestre e o Jardim Botânico. E ainda hoje, esses locais são procurados pela população quando deseja usufruir um momento de lazer e de paz.

 

 

Gutierrez, em 1897, se dirigiu ao sertão baiano com a perspectiva de documentar a guerra de Canudos. Infelizmente, veio a falecer no conflito e, se sua câmera registrou imagens, até a atualidade não são conhecidas.

 

 

*Maria Isabel Ribeiro Lenzi é Doutora em História pela UFF e historiadora do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional (IBRAM/MinC)

 

 

 

Cronologia de Juan Gutierrez de Padilla

Andrea C.T. Wanderley **

Verso do cartão-suporte do ateliê fotográfico J. Gutierrez, sucessor da Companhia Photographica do Brazil

Verso do cartão-suporte do ateliê fotográfico J. Gutierrez, sucessor da Companhia Photographica do Brazil

 

c. 1860 – o espanhol Juan Gutierrez de Padilla nasceu, provavelmente, nas Antilhas, na época, uma colônia espanhola. Porém, outras fontes afirmam que ele teria nascido em Cuba ou na África.

1885 / 1887 - Período provável de sua chegada ao Brasil, vindo da cidade do Porto, Portugal.

1889 – Trabalhava na Photographia União, localizada na rua da Carioca, nº 114. Em 3 de agosto, recebeu o título de “Fotógrafo da Casa Imperial”.  Participou do movimento pela Proclamação da República como tenente da Guarda Nacional. Gutierrez naturalizou-se brasileiro, aproveitando o decreto de Deodoro da Fonseca (1827 – 1892), o primeiro presidente do Brasil, que concedeu aos estrangeiros que residiam no país na data de 15 de novembro, quando a República foi proclamada, a nacionalidade brasileira.

1890 – Foi concedida licença para que Gutierrez usasse as armas da República no seu estabelecimento, a Photographia União (Diário de Notícias, 18 de julho de 1890, na quinta coluna, sob o título “Armas da República”).

Em 29 de setembro, foi constituída uma sociedade anônima denominada Companhia Photographica Brazileira, com 31 acionistas. Gutierrez foi eleito diretor técnico do negócio. De um total de cinco mil ações, era proprietário de 100 ações do empreendimento (Jornal do Commercio, 30 de setembro de 1890, na primeira coluna). Agregou às atividades do estabelecimento, o comércio de produtos e equipamentos fotográficos. Foi anunciada a incorporação da Companhia Photographica Brazileira pelo Banco Constructor (Diário do Commercio, 25 de setembro de 1890). Foi publicada a ata da instalação da Companhia Photographica Brazileira (Gazeta da Tarde, 24 de outubro de 1894, na primeira coluna).

1891 – Gutierrez anunciou a venda da Photographia União (Jornal do Commercio, 17 de dezembro de 1891, na quarta coluna, sob o título “Photographia à venda“)

1892 – Em 1º de janeiro, foi inaugurado o edifício da Companhia Photographica Brazileira, na rua Gonçalves Dias, 40, sob a direção técnica de Juan Gutierrez (Jornal do Commercio, 2 de janeiro de 1892, na sétima coluna sob o título “Companhia Photographica” ). Foi noticiada a inauguração das oficinas de fototipia da Companhia Photographica Brazileira. De acordo com a notícia, pela primeira vez fotografias perfeitas eram produzidas no Rio de Janeiro e isso se devia ao talento e ao trabalho de Gutierrez (O Combate, 27 de fevereiro de 1892, na quinta coluna).

Em 17 de junho, a sociedade da Companhia Photographica Brazileira foi dissolvida e o maior credor da empresa, o conselheiro Francisco de Paula Mayrink recebeu os imóveis sociais e demais ativos do empreendimento.

Em 29 de setembro, Gutierrez solicitou à Junta Comercial do Rio de Janeiro permissão para a abertura de uma nova firma, chamada J. Gutierrez, no mesmo endereço da anterior.

1893 – Foi fundado o semanário O Álbum e Gutierrez tornou-se responsável pelos trabalhos fotográficos. Artur Azevedo (1855 – 1908) era o diretor literário da publicação. Na edição de maio, Castro Soromenho dedicou-lhe o poema “Desegaño”, no qual confessava seu amor pelo fotógrafo. Imediatamente o poeta foi impedido de frequentar a redação de O Álbum e, em 12 de junho, foi definitivamente afastado do periódico.

Em 6 de setembro, início da Revolta da Armada, comandada pelo almirante Custódio de Mello (1840 – 1902), amplamente fotografada por Gutierrez.

1894 – Em 13 de março, fim da Revolta da Armada.

Foi noticiada a exposição, no ateliê de Gutierrez, de um quadro fotográfico retratando o marechal Eneas Galvão (1832 – 1895) rodeado por seus ajudantes de ordem. O quadro seria ofertado ao marechal, que foi ministro da Guerra durante o governo de Floriano Peixoto (1839 – 1895) (O Paiz, 23 de maio de 1894, na segunda coluna).

O primeiro número da publicação quinzenal Illustração Sul-Americana trazia diversos retratos de autoria de Gutierrez: do marechal Floriano Peixoto (1839 – 1895), de Affonso Pena (1847 – 1909), do presidente da República Prudente de Moraes (1841 – 1902), do capitão-tenente José Carlos de Carvalho e do jornalista Artur Azevedo (1855 – 1908) (O Paiz, de 21 de julho de 1894, nas sexta e sétima colunas).

Em 17 de setembro, foi inaugurada a Confeitaria Colombo, ao lado do ateliê de Gutierrez, onde ele, além de trabalhar, residia. Logo a confeitaria tornou-se um dos pontos mais concorridos da cidade, contribuindo para o aumento do movimento em torno da casa fotográfica de Gutierrez.

Em novembro, Gutierrez foi o fotógrafo do álbum Recordação das festas nacionais, em homenagem aos cinco anos da proclamação da República brasileira. Registrou grandes manifestações populares em vários pontos da cidade: banquetes, desfiles militares , além de cerimônias cívicas e inaugurações de monumentos. Esse trabalho pode ser considerado um exemplo precursor da linguagem da fotografia jornalística.

Foi publicada uma propaganda dos cigarros Bouquet: “em cada carteira contem o retrato de uma das notabilidades brazileiras ou estrangeiras, perfeição, creditadas pela casa J. Gutierrez & C., sucessora da Companhia Photographica. A colecção completa comprehenderá 200 RETRATOS” (O Paiz, 14 de novembro de 1894).

1895 – O periódico A Cigarra, de 29 de agosto de 1895 elogiou a arte do fotógrafo: “Que homem este Gutierrez! Tenacidade, talento, amor e trabalho!”

1896 – Foi publicado um elogio às fotografias produzidas por Gutierrez  pela técnica da platinotipia: “…nada há mais perfeito do que o trabalho de Gutierrez…” (O Paiz, 3 de junho de 1896, na última coluna, sob o título “Commercio, Industria e Arte).

Eclodiu o conflito em Canudos e, após a derrota da expedição comandada pelo coronel Moreira César (1850 – 1897), Gutierrez decidiu incorporar-se como ajudante de ordens do general João da Silva Barbosa.

1897 – Antes de partir para Canudos, Gutierrez lavrou seu testamento e nomeou como testamenteiros e inventariantes Manoel Rodrigues Monteiro de Azevedo, Francisco de Paula Mayrink, José Carlos de Carvalho e José do Patrocínio (1853 – 1905). Suas beneficiárias foram sua mãe, Francisca Vicente Vandrel e a amiga viúva, Orlandina Aurora Rosani.

Juan Gutierrez foi promovido de tenente a capitão da Guarda Nacional (O Paiz, 19 de fevereiro de 1897, na sexta coluna).

Desembarcou em Salvador, em 2 de abril, e seguiu para  Canudos.

Sua ida para Canudos foi um dos assuntos da coluna “Semanaes”, de Anselmo Ribas (A Notícia, 10 e 11 de julho de 1897).

Em 28 de junho, foi mortalmente ferido (Jornal do Commercio, 13 de julho de 1897, na terceira coluna sob o título “Expedição de Canudos” e O Paiz, 7 de setembro de 1897, na primeira coluna).

Sua morte foi também noticiada no O Paiz, de 14 de julho de 1897, na primeira página, com um artigo de Luiz Murat (1861 – 1929) em sua homenagem.  No livro Os Sertões, Euclides da Cunha (1866 – 1909) referiu-se a ele como um “Oficial honorário, um artista que fora até lá atraído pela estética sombria das batalhas”.

Foi publicado o que um dos amigos mais próximos de Gutierrez, o tenente Frederico Luiz da Costa, escreveu a respeito dele (O Paiz, de 23 de julho de 1897, na primeira coluna).

Foram realizadas na Igreja de São Francisco de Paula, as missas em sufrágio da alma de Juan Gutierrez. Foi celebrada pelo monsenhor Amorim, ajudado pelo cônego Polinca e pelos padres Teixeira, Colaço, Próspero, Guimarães e Pitta. Uma multidão lotou a igreja, onde a marcha fúnebre foi executada por uma banda militar. No dia anterior, na mesma igreja, havia sido celebrada uma missa na intenção de Gutierrez por Antônio Costa e Orlandina Aurora Rosani, que recebeu um terço dos bens do fotógrafo (O Paiz, 19 de agosto de 1897, na quarta coluna e 20 de agosto de 1897, na sexta coluna).

Fim da Guerra de Canudos, em 5 de outubro de 1897.

1898 – O ateliê fotográfico de Juan Gutierrez encontrava-se em processo de liquidação (O Paiz, 3 de janeiro de 1898, na última coluna). Havia uma disputa em torno do estabelecimento envolvendo Frederico Luiz da Costa, Alfredo Franco e Luiz Musso ( O Paiz, 12 de fevereiro de 1898, na quarta coluna).

A Associação dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro comprou o prédio da Gonçalves Dias, nº 40, onde havia funcionado o ateliê fotográfico de Gutierrez (O Paiz, 15 de junho de 1898, na quinta coluna).

 

**Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Link para o artigo O fotógrafo Juan Gutierrez de Padilla (c. 1860 – 28/6/1897), publicado na Brasiliana Fotográfica em 28 de junho de 2016.

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica em comemoração ao aniversário do Rio de Janeiro

A fundação do Rio de Janeiro, publicado em 1º de março de 2016, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Uma homenagem aos 452 anos do Rio de Janeiro: o Corcovado e o Pão de Açúcar, publicado em 1º de março de 2017, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

A Praça Paris no aniversário do Rio de Janeiro, publicado em 1º de março de 2023, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O Rio de Janeiro nos cartões-postais da Papelaria e Typographia Botelho, publicado em 1° de março de 2024, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica