Dia Nacional da Imprensa

Com uma fotografia do acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, lembramos o Dia Nacional da Imprensa. Na imagem destacada neste artigo, produzida por um fotógrafo ainda não identificado, estão retratados Manuel Cícero Peregrino da Silva (1866-1956) e Max Fleiuss (1868 – 1943), na Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil, promovida, em 1908, pelo IHGB, na época presidida por José Maria da Silva Paranhos Jr., o barão do Rio Branco (1945 – 1912). O pernambucano Manoel Cícero, bibliotecário, professor e político, presidiu o IHGB entre 1938 e 1939. O carioca Max Fleuiss, filho do famoso pintor e caricaturista Henrique Fleuiss (1823- 1882), foi jornalista, historiador, professor, escritor e, como membro do IHGB, foi um dos idealizadores da comemoração. Conforme escrito na fotografia, em 20 de junho de 1933, Bras Vianna (18? – 19?)* a ofereceu – não sabe-se a quem – como recordação da Exposição da Imprensa de 1908.

 

 

A Exposição do Centenário da Imprensa, realizada em 1908, foi o tema de um dos seis módulos da Exposição sobre os 190 anos da imprensa no Brasil, promovida pelo IHGB, entre 13 e 27 de maio de 1998, sob a presidência de Arno Wehling (1947-). A imagem de Manoel Cícero com Fleuiss foi uma das fotografias expostas na mostra. Os outros módulos da exposição de 1998 foram: Antecedentes, Impressão Régia, Primórdios da Imprensa, Bibliografia e Imprensa brasileira atual. Houve também uma conferência. Foram utilizadas peças do acervo do IHGB e também do acervo particular do casal de historiadores Marcello de Ipanema (1924 – 1993) e Cybelle Moreira de Ipanema (1924 -), então 1º secretária da instituição.

 

A Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil

promovida pelo IHGB, em 1908

 

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A Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil foi a primeira realizada pelo IHGB e aconteceu durante a Exposição Nacional de 1908, ocorrida entre 11 de agosto e 15 de novembro de 1908, na Urca, no Rio de Janeiro. Eram comemorados os 100 anos da Abertura dos Portos às Nações Amigas, decretada em 28 de janeiro de 1808, pelo então príncipe regente de Portugal, dom João de Bragança, futuro dom João VI (1767 – 1826). Foi promovida pelo governo federal e exibiu um “inventário” do Brasil através de seus produtos industriais, agrícolas, pastoris e artísticos. A cidade do Rio de Janeiro havia sido recentemente urbanizada e saneada pelo prefeito Francisco Pereira Passos (1936 – 1913) e pelo cientista Oswaldo Cruz (1872 – 1917), respectivamente.

O conde Afonso Celso (1860 – 1938), futuro presidente do IHGB, entre  1912 e 1938,  presidiu a Comissão Executiva da Exposição da Imprensa.

 

 

Porém a iniciativa de sua realização foi de Max Fleuiss e do engenheiro Alfredo de Carvalho (1870 – 1916), respectivamente o primeiro secretário perpétuo e o segundo secretário do IHGB.

 

 

Na décima terceira sessão ordinária que se realizou em 29 de julho de 1907, no IHGB,  Fleuiss propôs “uma solenidade, de caráter essencialmente histórico, para comemorar o primeiro centenário da imprensa periódica no Brasil”. Seu modelo seria a Exposição de História do Brasil promovida pela Biblioteca Nacional, em 1881 (O Paiz, 31 de julho de 1907, penúltima coluna).

“Considerando que a 13 de maio de 1908 se completa o primeiro centenário do estabelecimento definitivo da Imprensa no Brasl, com a promulgação do decreto que criou a Imprensa Régia, propomos que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro promova a celebração condigna de data tão memorável, por meio de uma exposição jornalística, a ser inaugurada naquele dia, procurando angariar para este fim o auxílio dos poderes públicos e da Imprensa de todo o país. Para organizar o programa da comemoração e tratar dos meio de realizá-la o Instituto nomeará uma comissão dentre os seus membros” .

A proposta foi assinada por Max Fleuiss, pelo Barão de Studart (1856 – 1938), por Alfredo de Carvalho, por Orville A. Derby (1851 – 1915) e por José Américo dos Santos (1848 – 1918), todos membros do IHGB.

Seu programa seria: “a exposição de todos os jornais publicados no Brasil entre 1808 e  31 de dezembro de 1907;  a publicação de uma monografia ou memória histórica sobre a gênese e os progressos da imprensa periódica no Brasil; a publicação de um catálogo metódico de todos os itens da exposição; e a cunhagem de uma medalha comemorativa”. Foi formada uma comissão para a realização do evento.

 

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Proposta apresentada pelos sócios Max Fleuiss, Barão de Studart, Alfredo de Carvalho, Orville A. Derby e José Américo dos Santos para que o IHGB organizasse uma exposição jornalística comemorativa do primeiro centenário da imprensa no Brasil. Com parecer aprovando a iniciativa e nomeando uma comissão para conduzir os trabalhos. Rio de Janeiro, 29.07.1907. Biblioteca do IHGB.

 

As medalhas comemorativas da exposição seriam feitas por Hans Frei (1868 – 1947), artista de Zurique, devido ao recente falecimento de Julius Meili (1839 – 1907).

Em 20 de agosto de 1907, foi realizada a segunda reunião da comissão executiva da exposição, quando foram indicados nomes que se incumbiriam dos diversos catálogos que seriam produzidos (O Paiz, 20 de agosto de 1907, segunda coluna).

Em 19 de dezembro de 1907, Fleuiss enviou uma carta ao ministro Miguel Calmon (1879 – 1935), ministro da Indústria Viação e Obras Públicas, informando ter enviado circulares às redações de jornais de todo o  Brasil, às bibliotecas públicas e particulares, a presidentes das Câmaras Municipais, colecionadores, etc, e que estava recebendo grande cópia de informações e specimens para a Exposição. Informava que seria elaborada por Alfredo Ferreira de Carvalho uma memória relativa à origem e desenvolvimento da imprensa.

Inicialmente, o evento estava programado para 13 de maio de 1908, data exata dos 100 anos da Imprensa ou Impressão Régia, porém foi adiado para julho e, posteriormente, para agosto. Então, na data exata do centenário, durante a sessão do IHGB, a efeméride foi festejada e o conde de Afonso Celso discursou sobre o tema (Gazeta de Notícias13 de maio de 1908, quarta coluna14 de maio de 1908, penúltima coluna). Dias depois, João Barreto de Menezes (1872 – 19?), comentou o evento (O Paiz, 18 de maio de 1908, quarta coluna).

A Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil foi inaugurada em 11 de agosto, em um dos salões do Palácio dos Estados ou Pavilhão dos Estados, que tinha uma dupla função e caráter: espaços monumentais de exposição com estandes com produtos de todos os estados da Federação exibidos nos dois pavimentos e espaços de luxo nos salões de festas e recepções da elite política brasileira. Com estilo neoclássico e ornamentos e composição de características greco-romanas, foi mantido após o encerramento da Exposição de 1908 e atualmente abriga a CPRM – Comissão de Pesquisa de Recursos Minerais, empresa vinculada ao Ministério das Minas e Energia (COSTA, 2018).

 

 

A Biblioteca Nacional (BN), uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, participou da exposição com seu acervo de jornais e revistas. Foram separados e selecionados cerca de 10 mil itens de publicações periódicas brasileiras de seu acervo, a maior das coleções enviadas (Anais da Biblioteca Nacional, 1909). Outra instituição que contribuiu significativamente para o evento, além do IHGB e da BN, foi a Biblioteca da Marinha (Gazeta de Notícias, 13 de maio de 1808, quarta coluna).

Providências para o sucesso e segurança da exposição foram tomadas. Por exemplo:

De acordo com um ofício enviado, em 14 de agosto de 1908, por Fleuiss ao chefe da Secretaria do IHGB, um regime de plantão entre funcionários da instituição deveria ser seguido para que o salão da exposição não ficasse nunca sem vigilância. Durante o período da mostra, ficaria destacado o servente Tibúrcio, que trabalharia das 10h até a hora do encerramento. Das 4 horas da tarde até o encerramento, quatro funcionários se revezariam a partir de uma escala de plantão organizada pelo chefe da secretaria entre Francisco Martins Guimarães, Pedro Borges Leitão, Henrique Carmo Netto e Alexandre Camisão. De acordo com outro ofício enviado de novo por Fleuiss ao chefe da Secretaria, em 24 de agosto de 1908,  a afluência à exposição era incesssante e numerosíssima e, no dia anterior, apenas Tiburcio ficou de plantão entre 12 h e a hora do encerramento. Fleuiss, que havia chegado, às 12h, juntou-se a ele.

“ Não obstante o o Dr. Netto não compareceu, de sorte que para atender às exigências da fiscalização nem eu nem o servente Tiburcio pudemos jantar. Tenho dado sobejas provas de ser amigo dos meus companheiros de trabalho no Instituto e assim é de justiça que também receba provas de amizade. O serviço na Exposição é extraordinário e de pouca duração; o sacrifício, pois, não é dos maiores, desde que haja regular distribuição dos serviços. Recomendo-lhe as providências necessárias…O que sucedeu ontem foi, até certo ponto, uma desatenção pessoal para comigo e uma crueldade. Espero não ter que recomendar novas medidas”.

Integrando as comemorações do centenário da imprensa, em 10 de setembro, data da primeira publicação pela Impressão Régia, em 1808, do jornal Gazeta do Rio de Janeiro, considerado o primeiro periódico publicado no Brasil, Xavier da Silveira (1864 – 1912), proferiu uma palestra , na sede do IHGB. Na ocasião, o general Emydgio Dantas Barreto (1850 – 1931) tornou-se sócio da instituição (O Paiz, 11 de setembro de 1908, quarta coluna).

 

 

A exposição foi encerrada em 30 de setembro de 1908, com uma sessão presidida pelo barão do Rio Branco, com uma palestra do conde Afonso Celso (O Paiz, 29 de setembro de 1908, primeira coluna;  Jornal da Exposição, 1º de outubro de 1908, segunda colunaA Imprensa, 1º de outubro de 1908, penúltima colunaA Imprensa, 6 de abril de 1909, segunda coluna).

 

 

Na comemoração dos 70 anos do IHGB, em 21 de outubro de 1908, foram distribuídos dois volumes do tomo especial da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro consagrados à exposição comemorativa do centenário da imprensa (O Paiz, 22 de outubro de 1908, quarta coluna). O primeiro trazia Gênese e Progressos da Imprensa no Brasil, de autoria de Alfredo de Carvalho com mais de 50 fotogravuras reproduzindo jornais antigos (Revista do IHGB, 1908).

 

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Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil, parte I

 

De acordo com o I Tomo, a Exposição Comemorativa do Centenário da Imprensa contou com 25 mil jornais e 10 mil ficaram de fora. Ainda no Tomo I, publicação do discurso do conde de Afonso Celso ressaltando a importância da imprensa e da coleta de dados para realização do evento:

“… a Exposição Nacional lacunosa seria, se nela não figurasse uma seção de jornais. Porque a imprensa foi a colaboradora preciosíssima e fomentadora, a defensora, a preconizadora insuprível de todos os melhoramentos industriais e artísticos que opulentam a Exposição. Não fora a imprensa, e a Exposição deixara de ser o que é, dificilmente existiria”.

No Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil, parte II, volume I, constavam as listagens dos periódicos e pequenos históricos da imprensa nos seguintes estados brasileiros, entre 1808 e 1907:

 

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Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil, parte II, volume I

 

Alagoas por Joaquim Thomaz Pereira Diegues, sócio efetivo e orador do Instituto Histórico e Geográfico Alagoano; Amazonas por João Batista de Faria e Souza, delegado à Comissão Central do Estado do Amazonas e membro da comissão nomeada pelo Governo para representar o mesmo estado, no Rio de Janeiro, por ocasião das festas comemorativas do 1º centenário da Imprensa periódica no Brasil e apontado como o possuidor da mais completa coleção de jornais do Amazonas; pelo Ceará, o Barão Studart, sócio correspondente do IHGB e conhecido pelo especial pendor que consagra a trabalhos de semelhante natureza; pelo Maranhão, o ilustrado Augusto Olimpio Viveiros de Castro; pelo Pará, o senador Manoel de Mello Cardoso Barata, sócio honorário do IHGB e apaixonado investigador de assuntos históricos; pela Paraíba, Diógenes Caldas; por Pernambuco, Alfredo de Carvalho, que da história de suas imprensas (Pernambuco e Bahia) possui conhecimentos especiais; pelo Piauí, Abdias Neves; pelo Rio Grande do Norte, Luiz Fernandes; e por Sergipe, o desembargador Manoel Armindo Cordeiro Guaraná.

 

 

Os originais do  2º volume da parte II  foram perdidos em um incêndio ocorrido, em 15 de setembro de 1911, na Imprensa Nacional. E não existiam cópias. Foram perdidos os catálogos dos seguinte estados: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo (O Paiz, 17 de setembro de 1911A Imprensa, 20 de setembro de 1911, penúltima colunaRevista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1911).

 

 

Os organizadores dos capítulos por estado seriam: Bahia, Alfredo de Carvalho; Distrito Federal e Rio de Janeiro, o médico, político e bibliotecário Vieira Fazenda; Espírito Santo, o político Bernardo Horta, formado em Humanidades e Farmácia; Goiás, o advogado e político Joaquim Xavier Guimarães Natal; Minas Gerais, Antônio Augusto de Lima; Mato Grosso, Estevão de Mendonça; Paraná, o diretor de museu, político, jornalista e historiador Romário Martins; Rio Grande do Sul, Victor Silva; Santa Catarina, Lucas Arthur Boiteaux; e São Paulo, Affonso A. de Freitas (COSTA, 2017).

Foram publicados catálogos avulsos de três estados: de Pernambuco, de autoria de Alfredo de Carvalho; do Paraná, de autoria de Alfredo Romário Martins; e o de São Paulo, de autoria de Affonso A. de Freitas. Os dois primeiros foram publicados, em 1908. O último, em 1914.

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Abaixo, a relação dos expositores que concorreram para a Comemoração do Centenário da Imprensa no Brasil. Secretaria do IHGB, 23.11.1908 (Biblioteca do IHGB).

 

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 Breve histórico do Dia Nacional da Imprensa

 

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O dia 1º de junho foi instituído como o Dia da Imprensa, por meio da lei n. 9.831, de 13 de setembro de 1999, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1931-), e celebra a primeira publicação do periódico O Correio Brazilienze ou Armazém Literário, editado por Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (1774 – 1823), em Londres. Por expressar críticas ao governo de dom João VI circulava clandestinamente no Brasil e em Portugal. Era mensal e existiu até 1822, quando o Brasil tornou-se independente. O Correio Braziliense foi, entre junho 1808 até dezembro de 1822, o nosso único jornal – informativo, doutrinário e pugnaz -, mau grado seu relativo inatualismo e deficiente distribuição, e as perseguições que sofreu do real governo. Produzido em Londres, na oficina de W. Lewis, saiu regulamente todos os meses enquanto existiu, num total de 175 números. Compreendia quatro seções: Política, Comércio e Artes, Literatura e Ciências e Miscelânea. Trazia por divisa os seguintes versos de Camões:

 

Na quarta parte nova os campos ara,

E se mais mundo houvera lá chegara

 

 

 

Até  1999, o Dia Nacional da Imprensa era celebrado, em 10 de setembro, quando foi publicado o primeiro número do jornal Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808, pela Imprensa Régia ou Impressão Régia. Considerado o primeiro periódico impresso no Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro veiculava o pensamento oficial da corte portuguesa e pertencia à Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Tinha quatro páginas, raramente 6 ou 8. Seria publicada aos sábados, mas desde seu segundo número declarou circular também às quartas-feiras. Sua assinatura semestral custava, a domicílio,  3$800, incluídas a edições extras, e o exemplar avulso $080, na loja de Paulo Martin Filho, mercador de livros. Passou a trimestral em julho de 1821. Era redigida por Tiburcio José da Rocha (17? – 18?), oficial da Secretaria de Estrangeiros e Guerra. Trazia por epígrafe os versos de Horácio:

 

Doctrina sed vi promovet insitam, rectique cultus pectora roborant.

A instrução (ou educação) estimula a força inata, e o cultivo da virtude (ou o bom ensino) fortalece o peito (a alma/o caráter).

 

 

 

Brevíssima história da vinda da corte portuguesa no Brasil e o início da imprensa nacional

 

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A história da Imprensa Nacional começou na década de 1800. Cerca de um ano antes da vinda da corte portuguesa para o Brasil, o governo português havia comprado da Inglaterra prelos e material tipográfico para a Secretaria de Negócios Estrangeiros e de Guerra. Na fuga da corte de Portugal para o Brasil, o futuro Conde da Barca, dom Antônio de Araújo de Azevedo (1754-1817), despachou o material, que nem havia sido desencaixotado, na nau Medusa, que fazia parte da esquadra que veio para o Brasil.

 

 

Decretado o Bloqueio Continental por Napoleão (1769 – 1821), imperador dos franceses, contra a Grã-Bretanha, grande inimiga da França, Portugal se vê diante de um impasse: ou mantém relações comerciais com a Grã-Bretanha, o que ocasionaria a invasão francesa, ou corta os laços com Londres, traindo sua tradicional aliada desde a Idade Média, com a provável perda de suas colônias. Chega a Portugal o embaixador Percy Smith (1780- 1855), Visconde de Stangford, para lutar pelos interesses britânicos. O príncipe regente dom João, futuro dom João VI, tenta defender os interesses de seu país negociando a neutralidade. Diante da iminência da invasão francesa, decide partir com a Família Real para o Brasil, mantendo a soberania da maior colônia portuguesa e também não se rendendo a Napoleão.

 

 

A corte embarcou em 27 de novembro de 1807, mas devido a um temporal, só partiu dois dias depois. Escoltados pela armada da Inglaterra, deixaram o país a rainha Dona Maria I (1734 – 1816), o príncipe herdeiro e regente, sua esposa, Carlota Joaquina (1775 – 1830) com seus nove filhos, o aparelho burocrático e a elite do país. Vinte e quatro horas depois, as tropas francesas lideradas pelo marechal Junot (1771 – 1813) chegaram a Lisboa e Portugal tornou-se palco da guerra franco-britânica. A Família Real chegou a Salvador e seu desembarque aconteceu com uma grande solenidade, em 22 de janeiro de 1808.

Ainda em Salvador, em 28 de janeiro, o príncipe regente Dom João, assinou a Carta Régia decretando a Abertura dos Portos às Nações Amigas. Era o fim do monopólio português de comércio com o Brasil. Com a presença da corte no Brasil tornou-se interessante para Portugal o desenvolvimento da colônia. O governo português passou a angariar recursos com os impostos nas alfândegas. A Inglaterra foi a maior beneficiada, pois passou a ter no comércio com o Brasil uma compensação para o bloqueio que sofria na Europa. Os termos da Carta Régia, endereçada ao vice-rei do Brasil, João de Saldanha da Gama Melo Torres Guedes Brito (1773 – 1809), o conde da Ponte, foram inspirados pelo futuro visconde de Cairu, José da Silva Lisboa (1756 – 1835), simpatizante dos princípios liberais do filósofo e economista escocês Adam Smith (1723 – 1790) e orientador da política econômica de dom João no Brasil.

 

 

Em 26 de fevereiro, a esquadra partiu para o Rio de Janeiro, onde chegou em 7 de março de 1808. No dia seguinte, dom João e Dona Carlota desembarcaram na cidade. Pela primeira vez uma colônia recebia um soberano europeu em sua terras.

Poucos meses depois, em 13 de maio de 1808, dia do 41º aniversário do príncipe regente dom João (1767-1826), foi constituída a Impressão Régia. Assinado por dom João, o decreto de Rodrigo de Souza Coutinho (1755-1812), futuro conde de Linhares, e ministro da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, determinava a instalação no Rio de Janeiro dos prelos trazidos de Lisboa após a fuga da corte portuguesa. A Impressão Régia ficou submetida à mencionada secretaria.

 

 

 

Na mesma data, foi impresso o primeiro trabalho da Impressão Régia, uma Relação de Despachos com os documentos oficiais desde a chegada da corte ao Brasil até aquela data. Era um folheto de 27 páginas e era vendido na loja do livreiro Manuel Jorge da Silva, na Rua do Rosário.

 

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A administração da Impressão Régia coube, por decisão de 24 de julho de 1808,  a uma junta composta por José Bernardes de Castro (17? – 18?), oficial da Secretaria de Estrangeiros e da Guerra; Mariano da Fonseca (1773 – 1848), o antigo consórcio de Silva Alvarenga na jacobina Sociedade Literária, e José Silva Lisboa (1756 – 1835). Primeiramente a Impressão Régia foi instalada na casa do conde da Barca, na Rua do Passeio nº 42, e, em 1810, foi transferida para o andar térreo de um prédio da Rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga), esquina com a Rua das Marrecas.

A criação da Impressão Régia marcou o início da indústria editorial e da imprensa oficial no Brasil, que foi, segundo Alberto Dinis, o 12º país da América Latina a obter da respectiva metrópole o direito de impressão. Anteriormente, por determinação da Ordem Régia de 6 de julho de 1747  era proibida o uso da tipografia no Brasil – a administração colonial não permitia a tipografia e o jornalismo no Brasil porque os reis de Portugal temiam a difusão de ideias revolucionárias.

Segundo informado por Ana Maria Camargo e Moraes, em Bibliografia da Impressão Régia do Rio de Janeiro (1993), o primeiro livro impresso pela Impressão Régia foi Observações sobre o Commercio Franco no Brazil, de autoria de José da Silva Lisboa (1753 – 1835), o futuro visconde de Cairu.

 

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O estabelecimento da Imprensa Régia e o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, foram as decisões de dom João VI que abriram o Brasil para o mundo do ponto de vista cultural e político.

Porém, tudo que seria impresso passava por uma censura prévia. Os originais eram encaminhados à Imprensa Régia por aviso da Secretaria de Estrangeiros e da Guerra, após examinados pelos censores régios e pelo Desembargo do Paço. Também eram proibidas notícias de livros estrangeiros sem permissão da Intendência da Polícia. Compunham a mesa censória o frade Antônio de Arrábida (1771 – 1850), o padre João Manzoni (17? -18?), José da Silva Lisboa e Luís José Carvalho e Melo (1764 – 1826).

A primeira tentativa de libertação da palavra escrita no Brasil aconteceu na Revolução Pernambucana de 1817. Na Constituição que deveria reger a efêmera república, declarava-se no artigo 25: “A liberdade de imprensa é proclamada, ficando porém o autor de qualquer obra e seus impressos sujeitos a responder pelos ataque à religião, à Constituição, aos bons costumes e caráter dos indivíduos, na maneira determinada pelas leis em vigor”. Mas a censura prévia no Brasil só foi abolida, em 28 de agosto de 1921, por dom Pedro I.

A criação da Impressão Régia também propiciou o surgimento da arte da gravura no Brasil, em 1809, com o notável João Caetano Rivara (c. 1770 – 1824), discípulo de Francesco Bartollozzi (1727–1815); Romão Eloi Casado de Almeida (17? – 18?) e Paulo dos Santos Ferreira Souto. Os dois últimos vieram para o país com o Frade José Mariano da Conceição Veloso (1742 – 1811), certamente do Arco do Cego, importante editora e oficina tipográfica ativa em Lisboa, entre 1799 e 1801, dirigida pelo referido religioso. Foram todos para a Imprensa Régia. Neste mesmo ano foram editados os Elementos da Geometria de Legendre, com 13 figuras gravadas por Souto, as primeiras abertas no Brasil e, em 1812, estampava-se a grande Planta do Rio de Janeiro, levantada em 1808, desenhada por J.A. dos Reis e também aberta por Souto, sob a direção de Rivara. Romão gravou a portada e o retrato de Pope para a edição do Ensaio sobre a Crítica, traduzido pelo conde de Aguiar e impresso em 1810.

 

Agradeço à importante colaboração de Sônia Nascimento de Lima, chefe do arquivo do IHGB e de Fábio Thomas Pinheiro Souza, assistente da Biblioteca do IHGB, para a elaboração deste artigo.

*Provavelmente o jornalista Braz Vianna.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ABREU, Márcia; BRAGANÇA, Aníbal (orgs). Impresso no Brasil: Dois séculos de livros brasileiros. São Paulo: Editora Unesp, 2010.

ABREU, Márcia. Impressão Régia do Rio de Janeiro: novas perspectivas. Parte do Projeto Temático Caminhos do romance no Brasil· séculos XVIII e XIX, financiado pela FAPESP. Revista Convergência Lusíada, 21 – 2005

BARROS, Maria Pia Fontes Lins de; WANDERLEY, Andrea C. T. Agenda do Centro de Documentação da TV Globo.

BETONI, Nicholas Simão. O livro como objeto de coleção: Um recorte da Coleção Rubens Borba de Moraes da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação  Interunidades m Museologia da Universidade de São Paulo, 2021.

CAMARGO, Angélica Ricci. Censores régios, Arquivo Nacional, julho, 2011.

CAMARGO, Angélica Ricci. Impressão Régia. Arquivo Nacional, agosto, 2011.

Catálogo dos 190 anos de Imprensa no Brasil 1808 – 1998. Exposição documental 13 a 27 de maio de 1998, IHGB.

COSTA, Alvaro Daniel. A comemoraçãodo centenário da imprensa perióidica brasileira no IHGB: uma memória do jornalismo nacional (1908). Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Ponta Grossa para a obtenção do Título de Mestre em História, Área de História, culturas e identidades, agosto de 2017.

COSTA, Carla. Série “Exposições” III e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos in Brasiliana Fotográfica, 5 de abril de 2018.

DINES, Alberto. ‘Aventuras e Desventuras de Antônio Isidoro da Fonseca – nova documentação sobre a malograda Tipografia do Rio de Janeiro no século XVIII, com achegas aos 190 anos da imprensa brasileira in: DINES, Alberto; FALBEL, Nachman; MILGRAM, Avraham (org.) Em nome da fé. São Paulo: Perspectiva, 1999.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Minuta da carta de Fleuiss ao ministro Miguel Calmon, ministro da Indústria Viação e Obras Públicas sobre as providências já tomadas em relação à exposição do centenário da imprensa no Brasil; e propondo o Palácio Monroe para a realização da mesma. Rio de Janeiro, 19.12.1907. Biblioteca do IHGB.

Ofício de Miguel Calmon, ministro da Indístria, Viação e Obras Públicas acusando o recebimento da comunicação da iniciativa do IHGB em comemorar o centenário da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro, 04.09.1907.

Ofício circular expedido a todos os membros da comissão executiva do centenário da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro, 31.07.1907. Biblioteca do IHGB.

PESSOA, Ana; SANTOS, Ana Lucia V. Moradas de engenho e arte: as casas do Conde da Barca no Novo Mundo. Revista do IHGB, Rio de Janeiro, set./dez. 2017.

Portaria do Instituto Histórico e Brasileiro estabelecendo escala de plantão dos funcionários durante a exposição comemorativa do centenário da imprensa. Rio de Janeiro, 14-08-1908. Biblioteca do IHGB.

Portaria do Instituto Histórico e Brasileiro estabelecendo reclamando da escala de plantão dos funcionários durante a exposição comemorativa do centenário da imprensa. Rio de Janeiro, 24-08-1908. Biblioteca do IHGB.

Proposta apresentada pelos sócios Max Fleuiss, Barão de Studart, Alfredo de Carvalho, Orville A. Derby e José Américo dos Santos para que o IHGB organizasse uma exposição jornalística comemorativa do primeiro centenário da imprensa no Brasil. Com parecer aprovando a iniciativa e nomeando uma comissão para conduzir os trabalhos. Rio de Janeiro, 29.07.1907. Biblioteca do IHGB.

Relação dos expositores que concorreram para a Comemoração da º Centenário da Imprensa no Brasil. Secretaria do IHGB, 23.11.1908. Biblioteca do IHGB.

Revista do IHGB, número 31, 2024

Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro- Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908, parte I.

Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro- Tomo Consagrado à Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica no Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908, parte II, volume I.

RIZZINI, Carlos. O livro, o jornal e a tipografia no Brasil1500 – 1822 com um breve estudo geral sobre a informação. Livraria Kosmos Editora. Erich Eichner & Cia Ltda. Rio de Janeiro São Paulo Porto Alegre, s/d.

ROMANCINI, Richard. Inventando tradições: os historiadores e a pesquisa inicial sobre o jornalismo in Revista Pj:Br, 1º semestre de 2004.

Site Ministério da Cultura

Site IHGB

O editor e fotógrafo suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892)

Retrato de George Leuzinger por Insley Pacheco, c. 1863

Retrato de Georges Leuzinger por Insley Pacheco, c. 1863 / Acervo IMS

Georges Leuzinger (1813-1892) nasceu em Mollis, cidade do cantão de Glarus, na Suíça, e foi um dos mais importantes fotógrafos e difusores para o mundo da fotografia sobre o Brasil no século XIX, além de pioneiro das artes gráficas no país. Grande empreendedor, montou um sofisticado e diversificado complexo editorial, a Casa Leuzinger, que se tornaria um polo de publicações e de produções fotográficas, alçando o Brasil ao mesmo nível da produção europeia do setor.

A Casa Leuzinger era formada por oficinas de litografia, encadernação e fotografia, além de papelaria, tipografia e estamparia de livros e gravuras. Foi referência em artes gráficas, impressão e divulgação de gravuras e fotografias.  Além de produzir suas próprias imagens, o estabelecimento comercializava obras de fotógrafos como Marc Ferrez (1843 – 1923) e Albert Frisch (1840 – 1918) , entre outros.

Como fotógrafo, Leuzinger realizou, durante a década de 1860, apenas cerca de 20 anos após a invenção da daguerreotipia, um importante e pioneiro trabalho de documentação do Rio de Janeiro, incluindo cenas urbanas, vistas de Niterói, da Serra dos Órgãos e de Teresópolis.

Georges Leuzinger chegou ao Rio de Janeiro, em 1832, aos 19 anos, falando apenas alemão, para trabalhar na firma de comissões e exportações de seu tio Jean-Jacques Leuzinger. Foi, em 1840, quando a firma de seu tio faliu, que ele iniciou seu próprio negócio. Nesse mesmo ano, em 27 de novembro, casou-se com Anne Antoinette du Authier (1822-1898), conhecida como Eleonore, na igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. O casal teve 13 filhos.

Em 1845, a Casa Leuzinger publicou o Panorama circular da baía de Guanabara, em 6 partes, com litografias do francês Alfred Martinet (1821 – 1875). São as primeiras estampas por ele editadas. Leuzinger editou também vários jornais em alemão redigidos, segundo Ernesto Senna (1858 – 1913) em O velho commercio do Rio de Janeiro, de 1908, “por alguns revolucionários e socialistas que a revolução de 1848 havia feito fugir da Europa”. Ainda, segundo este autor, encarregou alguns desses forasteiros, que muitas vezes eram também artistas, de produzir imagens do Brasil e de seus costumes populares. Essas imagens eram adquiridas pelos estrangeiros que passavam pelo Brasil.

 

Ernesto Senna / O Rio de Janeiro do meu tempo, de Luiz Edmundo

Ernesto Senna / O Rio de Janeiro do meu tempo, de Luiz Edmundo

 

Na década de 1860, a Casa Leuzinger criou uma seção de fotografia, provavelmente dirigida por Franz Keller-Leuzinger (1835-1890), que era casado com uma das filhas de Leuzinger, Sabine Christine. Segundo Pedro Vasquez, Leuzinger foi “o primeiro marchand de fotografias do Brasil. Isso no sentido de distribuidor de fotografias e não no sentido moderno que damos ao termo, de galerista”. Possivelmente, o jovem Marc Ferrez (1843-1923) recebeu seus primeiros ensinamentos de fotografia de Franz Keller, na Casa Leuzinger. Em 1867, o trabalho do ateliê fotográfico de Leuzinger ganhou uma Menção Honrosa na Exposição Universal de Paris, com um panorama tomado da ilha das Cobras. Foi a primeira premiação internacional do Brasil em fotografia. No mesmo ano, Franz Keller, seu genro, e Joseph Keller, pai de Franz, foram encarregados pelo governo brasileiro para fazer os estudos preparatórios para a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Leuzinger enviou, com eles, o fotógrafo alemão Christoph Albert Frisch (1840 – 1918), que trabalhava em seu ateliê. Dois anos depois, a Casa Leuzinger publicou o catálogo Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro, com as fotografias produzidas pelo fotógrafo alemão Christoph Albert Frisch (1840 – 1918) durante essa viagem à Amazônia.

O Catálogo da Exposição de História do Brasil, especialmente editado por Leuzinger para o evento realizado entre 1881 e 1882 pela Biblioteca Nacional, foi considerado pelo historiador José Honório Rodrigues (1913-1987) “o maior monumento bibliográfico da história do Brasil até hoje erguido”. Outros importantes trabalhos que editou foram uma série de fotografias da Amazônia de autoria do fotógrafo alemão Albert Frisch, o álbum Rio de Janeiro et ses environs, c. 1868, Caminho de Ferro de D. Isabel, 1875, dentre dezenas de outros.

 

 

 

Acessando o link para as fotografias de Georges Leuzinger disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Cronologia de Georges Leuzinger (1813 – 1892)

 

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Georges Leuzinger. Folha de rosto do Álbum Rio de Janeiro e seus Arredores, c. 1868 / Acervo IMS

 

1813 – Georg Leuzinger nasceu, em 31 de outubro, no cantão de Glarus, na cidade suíça de Mollis, filho de Georg Leuzinger e Sabine Laager. Posteriormente, já no Brasil, adotou para seu nome a grafia francesa Georges.

1817 - Nasceu o único irmão de Leuzinger, Johannes, em 31 de dezembro.

1822 – Nasceu em Saint-Léonard, na França, a futura esposa de Georges Leuzinger, Anne Antoinette du Authier (1822-1898), filha do visconde Du Authier e de Marie-Anne Mounier. Curiosamente, era chamada de Eleonore pela família.

1832 – Em 30 de dezembro, sozinho, falando apenas alemão e com 19 anos, Leuzinger desembarca no Rio de Janeiro, após uma viagem de 54 dias desde o porto de Havre. No Diário do Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1833, terceira coluna, foi noticiada a chegada Bergantim Francez Les Drigas, que trouxe ao Brasil 56 suíços e oito franceses. Vem para trabalhar na Leuzinger & Cia, firma de exportação e importação que pertencia a seu tio, Jean-Jacques Leuzinger. Links para notícias de negócios realizados pela firma do tio: Diário de Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1837, na primeira coluna, sob o título “Entradas no dia 31″; O Paquete do Rio, de 27 de maio de 1837, terceira coluna, sob o título “Entradas do dia 26 de maio”; Pharol do Imperio, de 20 e julho de 1837, sob o título “18 de julho – De portos estrangeiros”; O Sete d´abril, de 14 de março de 1839, na primeira coluna).

1839 – Eleonore, futura esposa de Leuzinger, veio morar no Brasil com a irmã, a baronesa de Geslin, dona  do Colégio de Meninas Francês, Português, no Rio de Janeiro. Posteriormente, Eleonore lecionou e dirigiu o estabelecimento.

1840  A firma do tio de Leuzinger foi liquidada.

Leuzinger comprou do também suíço Jean Charles Bouvier a papelaria e encadernação “Ao Livro Encarnado”, na rua do Ouvidor, 36, e abriu seu próprio negócio, em 1º de julho (Jornal do Commercio, 22 de julho de 1840, na terceira coluna). Ao longo das décadas seguintes, com a ampliação de seus negócios, tornou-se proprietário das seguintes firmas: Estamparia de G.Leuzinger, Litografia de G. Leuzinger e Officina Photographica de G.Leuzinger. Reunidas sob a marca G. Leuzinger, eram conhecidas como Casa Leuzinger.

Em 24 de novembro, Leuzinger e Eleonore se casaram, na igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. O casal, entre 1842 e 1862, teve 13 filhos: Sabine Christine (1842-1915), Anne Marie (1843-1911), Georges Henri (1845 -1908), Mathilde (1846-?), Eugenie (1847-?), Jean Edmond (1848-1916). Victor Ulrich (1849-1877), Léonie Emilie (1851-?), Gabrielle Marie (1853-1869), Paul Alphonse (1855-1927), Elise Georgianne (1856-1927), Georges (1858-1905), e Jules Adolf (1862-1889).

Anunciou a venda de “álbuns, pastas e carteiras de veludo e marroquim dourado, do gosto mais moderno de Paris; caixinhas ricas, contendo papéis diversos com cercaduras pintadas, para bilhetes de convites e cartas para senhoras, com todos os pertences de escrever e outros para pintura e desenho” (Jornal do Commercio, de 28 de dezembro de 1840, na terceira coluna).

1841- Anúncio da Leuzinger, com o endereço da rua do Ouvidor, 36, sobre a venda da Galeria Contemporânea Brasileira ou Colecção de Trinta Retratos de Brasileiros Célebres, desenhados e publicados pelo pintor e fotógrafo francês radicado no Rio de Janeiro, François-René Moreau (1807-1860) (O Despertador, 7 de outubro de 1841, na segunda coluna, sob o título “Annuncios”).

1842 - Leopoldo de Geslin, provavelmente o barão de Geslin, casado com a irmã de Leuzinger, tornou-se seu sócio (Jornal do Commercio, de 10 de maio de 1942, na primeira coluna sob o título “Objectos diversos”). Poucos meses depois, a sociedade terminou (Jornal do Commercio, de 5 de agosto de 1842, na terceira coluna).

1845 – Com litografias do francês Alfred Martinet (1821 – 1875), foram  publicadas as primeiras estampas editadas por Leuzinger, o Panorama circular da baía de Guanabara ( Jornal do Commercio, de 5 de março de 1845, na terceira coluna).

1846 – Leuzinger comprou a estamparia que pertencia a Eduardo Hulsemann (Jornal do Commercio, de 16 de janeiro de 1846, na primeira coluna).

1849 - O único irmão de Leuzinger, Johanes, mudou-se para Muscatine, no estado de Iowa, nos Estados Unidos.

Em parceria com o gravador (abridor) alemão R. Bollenberg, Leuzinger inaugurou uma oficina de estamparia. Oferecia, assim, dois serviços: o da “abrição”, que é a gravação da chapa em metal, e a sua impressão, função da estamparia (Jornal do Commercio, de 12 de julho de 1849, na segunda coluna).

Leuzinger publicou três projetos editoriais: um panorama da cidade, tomado do Corcovado em três partes; um conjunto de paisagem natural e outro de vistas da cidade. Este último foi impresso pela Maison Lemercier, em Paris.

1852 – Leuzinger comprou do francês Jean-Sébastian Saint-Amand uma tipografia, que ficava na rua São José, 64 (Jornal do Commercio, de 3 de novembro de 1852, na primeira coluna).

1853 - Leuzinger comprou uma oficina de litografia.

A Casa Leuzinger publicou o periódico semanal O Emigrado Alemão – Órgão para a colonização, Literatura, Ciências e Política  (Jornal do Commercio, de 18 de junho de 1853, na última coluna). 

A partir de daguerreótipos, Leuzinger publicou um conjunto de litografias da cidade do Rio de Janeiro. Anunciou no Jornal do Commercio, de 24 de dezembro de 1853, que as imagens poderiam ser “entregues em Paris, Londres, Hamburgo e Lisboa, conforme a vontade dos subscritores” (no topo da última coluna).

1854 - Imprimiu o periódico Courrier du Brésil, 5 de novembro de 1854..

1855 – Nasceu o décimo filho de Leuzinger, Paul, que teve como padrinho o pintor, escritor e jornalista dinamarquês Paul Harro-Harring (1798–1870)*, que foi um dos maiores ativistas e revolucionários europeus do século XIX. Era amigo de Leuzinger e esteve várias vezes no Brasil: em 1840, para denunciar a violência da escravidão; em 1842 e entre os anos de 1854 e 1855 como refugiado político (Correio Mercantil, de 21 de outubro de 1855, na terceira coluna, sob o título “Saíram ontem desse porto”) .

1856 - Foi aberta a oficina para escrituração da Casa Leuzinger.

1857 – Em dezembro, passou a imprimir o periódico Rio Commercial Journal.

1858 – Segundo registrado no volume XI dos Anais da Biblioteca Nacional, nesse ano, Leuzinger importou dos Estados Unidos “os primeiros prelos e tipos americanos, com que operou uma completa transformação na indústria tipográfica brasileira” (Annaes da Biblioteca Nacional, volume XI, de 1883).

1861 - Seus filhos Edmond e Victor foram estudar na Basiléia, na Suíça.

Leuzinger participou da Exposição Nacional com dois trabalhos na classe “Impressão, encadernação e objetos de escritório”. Recebeu a medalha de prata referente a “Livros grandes de encadernação”.

1862 – Leuzinger participou, pela primeira vez, de uma mostra internacional, a Exposição Universal de Londres.

Após  temporada de estudo, seu filho mais velho, Georges Henri, retornou da Europa e foi trabalhar na empresa do pai. Seria o gerente da Casa Leuzinger por mais de 40 anos.

Leuzinger ganhou a medalha de prata na categoria “Indústria fabril e manual”, da Exposição Nacional (Correio da Tarde, de 16 de março de 1862, na quinta coluna, sob o título “Collaboração”).

1865 – Foi aberto o ateliê de fotografia da Casa Leuzinger, especializado em “vistas da cidade, Tijuca, Petrópolis, Teresópolis e rio Amazonas”, como se lê no verso de uma de suas cartes de visite.

Em 1865 montou então Georges Leuzinger um completo ateliê fotográfico, com todos os aparelhos necessários para viagens para o interior do Brasil, tendo para esse fim contratado um habilíssimo artista fotógrafo para dirigi-lo, que em companhia de vários auxiliares fizeram excursões por essa capital, Petrópolis, Teresópolis, etc., tirando fotografias de tudo o que de mais interessante se encontra na pujante natureza daquelas blíssimas regiões“.

Ernesto Senna em O Velho Comércio do Rio de Janeiro

Algumas obras apontam que seu futuro genro, Franz Keller, trabalharia em seu ateliê fotográfico e que teria sido professor, no ateliê, do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), recém chegado da França. Mas esses fatos nunca foram comprovados. Na verdade, durante a década de 1860, Keller ficou bastante ocupado com trabalhos na área de engenharia que realizou com seu pai, o também engenhero Joseph Keller.

1865 a 1875 – Nesse período, Leuzinger realizou a maior e mais importante parte de sua produção fotográfica, que pode ser dividida em cinco séries principais: panoramas e paisagens da cidade do Rio de Janeiro e de seu entorno imediato, vistas de Niterói, vistas da Serra dos Órgãos de Teresópolis e Petrópolis, documentação botânica e documentação etnográfica, botânica e paisagística da região amazônica.

1866 – Seus filhos, Victor e Edmond, já estavam no Brasil trabalhando em seu ateliê fotográfico.

De 19 de outubro a 16 de dezembro de 1866, realizou-se a II Exposição Nacional. A fotografia apareceu pela primeira vez como categoria específica, separando-se do grupo destinado às Belas Artes. Leuzinger ganhou a medalha de prata na categoria “Paisagem”, com nove vistas da cidade e arredores (Semana Illustrada, de 18 de novembro de 1866). Seu trabalho chamou a atenção do pintor Victor Meirelles (1833-1903) que comentou:

“Os trabalhos fotográficos desse senhor primam pela nitidez, vigor e fineza dos tons e também por uma cor muito agradável. Pode-se dizer desses trabalho, que são perfeitos, pois que representam fielmente com todas as minudências os diversos lugares pitorescos de nosso característico país. Algumas provas são obtidas com tanta felicidade que parece antes um trabalho artisticamente estudado e que neste ponto rivalizam com a mais perfeita gravura em talhe doce; direi que estas provas poderiam perfeitamente servir de estudo aos artistas que se dedicam a arte bela da pintura de paisagens. As formas são ali reproduzidas com toda a fidelidade da perspectiva linear, e o que sobretudo torna-se ainda mais digno de atenção é a perspectiva aérea, tão difícil de obter-se na fotografia sem grande alteração.

Aquela gradação dos planos que tão bem se destacam entre si e vão gradualmente desaparecendo no horizonte até o último é obtida de modo a não ter-se mais que desejar, sendo nesta parte notáveis as seguintes vistas:

Gavia do lado da Tijuca, Vale do Andarahy, Montanha dos Órgãos vista da barreira, Vista da Praia Grande, A planície abaixo da cascata na Tijuca, O rochedo de Quebra Cangalhas, Panorama da cidade do Rio de Janeiro, Montanha dos Órgãos do lado de Teresópolis, O Garrafão, e muitas outras que deixaremos de mencionar”.

1867 -Sua filha Sabine Christine  (1842-1915) casou-se com Franz Keller (1835-1890), que passou a assinar Franz Keller-Leuzinger.

Franz e seu pai, o também engenheiro Joseph Keller, foram encarregados pelo governo brasileiro de fazer os estudos preparatórios para a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Leuzinger enviou, com eles, o fotógrafo alemão Christoph Albert Frisch (1840 – 1918), que trabalhava em seu ateliê. Partiram em 15 de novembro (Diário do Povo, de 15 de novembro de 1867, na primeira coluna).

Albert Frisch acompanhou os engenheiros somente até Manaus … percorreu 400 léguas pelo rio Amazonas e seus afluentes durante 5 meses…, num barco acompanhado por dois remadores, desde Tabatinga até Manaus. Produziu, na ocasião, uma pioneira série de 98 fotografias com os primeiros registros que chegaram até nós de índios brasileiros da região, além de aspectos de fauna e flora e de barqueiros de origem boliviana, que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios amazônicos. Segundo o livro de Ernesto Senna, O velho commercio do Rio de Janeiro, a expedição fotográfica de Frisch à Amazônia foi fruto de uma solicitação feita pelo suíço Louis Agassiz (1807 – 1873) a Leuzinger.

Satisfazendo ao pedido de Agassiz, fez Leuzinger tirar vistas até Tabatinga, na fronteira do Amazonas com a República do Peru, vistas que serviram não só para os trabalhos científicos daqule sábio, como também para ilustrações europeias. Quando o engenheiro Keller foi em comissão explorar os rios Madeira e Mamoré, Georges Leuzinger mandou um fotógrafo d casa acompanhar a expedição, que trouxe depois daquelas incomparáveis regiões graande cópia de clichês, da flora, da fauna, de paisagens, e fotograafias de silvícolas e de suas tabas, aldeamentos, instruentos, armas, etc. Estas coleções, de graande valor para estudos etnográficos, eram muito interessantes sob qualquer ponto de vista e muito procuradas por viajantes estrangeiros”.

Agassiz havia, entre 1865 e 1866, comandado a Comissão Thayer no Brasil, que percorreu boa parte do território brasileiro entre o Rio de Janeiro e a Amazônia, viagem que deu origem ao livro A journey in Brazil, editado em Boston, em 1868. A comissão foi financiada pelo empresário e filantropo norte-americano Nathaniel Thayer, Jr. (1808-1883), ex-aluno de Agassiz no Museu de Zoologia Comparada, em Harvard.

Vale lembrar que Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), o futuro chefe da Comissão Geológica do Império (1875 – 1878), integrada pelo fotógrafo Marc Ferrez (1843-1923), participou da Comissão ou Expedição Thayer – foi a primeira vez que esteve no Brasil.

Leuzinger adquiriu a loja número 33 da rua do Ouvidor, posteriormente renumerada para 31, onde passou a funcionar sua papelaria.

O trabalho do ateliê fotográfico de Leuzinger ganhou uma Menção Honrosa na Exposição Universal de Paris, com um panorama tomado da ilha das Cobras. Foi a primeira premiação internacional do Brasil em fotografia.

O imperador Pedro II (1825 – 1891) pediu a Leuzinger que fotografasse o quadro Os funerais de Atahualpa, do pintor peruano Luiz Montero (1826-1869), que estava fazendo uma exposição no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, de 1º de setembro de 1867, sob o título “Gazetilha”, na sexta coluna).

1869 – A filha de Leuzinger, Gabrielle Marie (1853 – 1869), faleceu em 23 de abril de 1869 (Jornal do Commercio, 29 de abril de 1869, última coluna).

Após sua morte, ela estava quase sorridente, uma figura de anjo e tão branca quanto os lençóis de seu leito. Franz Keller fez seu retrato de perfil para nosso espanto o perfil perfeito de Mathilde quando tinha sua idade, 16 anos, 6 dias e 21 horas e meia” (Carta de Georges Leuzinger para seu filho Paul, que estava vivendo na França, de 2 de junho de 1969).

A obra Flora Brasiliensis, iniciada por Carl Friedrich Phillip von Martius (Erlanger, Alemanha, 1794 – Munique, Alemanha, 1868), renomado naturalista do século XIX, e concluída pelos também alemães August Wilhelm Eichler (1839 – 1887) e Ignatz Urban (1848 – 1931), com a ajuda de 65 especialistas de vários países, foi publicada entre 1840 e 1906. A imagem Silva Montium Serra dos Orgâos Declivia Obumbrans, in Prov. Rio de Janeiro, publicada no fascículo de 1869, foi baseada em uma fotografia de Leuzinger.

 

 

Publicação do catálogo Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro, com as fotografias produzidas pelo fotógrafo alemão Christoph Albert Frisch (1840 – 1918) durante sua viagem pela Amazônia, em 1867.

 

 

1872 – A Casa Leuzinger estava em seu auge. Já tinha recursos como 19 mil quilos de tipos americanos para impressão, um motor a gás com potência de quatro cavalos e dez prelos mecânicos, além de empregar 50 funcionários (Annaes da Biblioteca Nacional, volume XI de 1883).

Em julho, Franz Keller (1835-1890) estava na Suíça.

Em 1º de novembro, concedeu aos três filhos mais velhos a sociedade na Casa Leuzinger, passando a firma a se chamar G. Leuzinger & Filhos (Jornal do Commercio, de 8 de maio de 1873, na segunda coluna).

1873 – Leuzinger voltou pela primeira vez à Europa.

A Casa Leuzinger  ocupava um prédio de três andares da rua Sete de Setembro, 35, além do segundo andar do número 37 da mesma rua. Nesses endereços funcionavam as oficinas de pautação, encadernação, douração, e livros para escrituração. A tipografia continuava na rua do Ouvidor, 36.

Com dois panoramas litografados do Rio de Janeiro, Leuzinger participou da Exposição Nacional. Ganhou Menção Honrosa na Exposição Universal de Viena nas duas categorias em que enviou trabalhos: “Fotografia” e “Livros de contabilidade e encadernação”.

1874 – Seu genro e funcionário, Franz Keller (1835-1890) que já havia retornado à Alemanha, publicou o livro ilustrado Do Amazonas ao Madeira (Jornal do Commercio, de 31 de janeiro de 1874, na última coluna).

 

 

Polêmica em torno da vitória de Leuzinger em uma concorrência para a impressão de trabalhos da repartição geral de estatística (Jornal do Commércio, 1º de setembro, na última coluna; dois artigos no dia 2 de setembro, na quinta coluna da primeira página e na terceira coluna da segunda página; de 3 de setembro, na última coluna; de 4 de setembro, na sexta coluna; e de 5 de setembro, na terceira coluna).

Provavelmente nesse ano, Leuzinger imprimiu o Censo Geral do Império, de 1872, o primeiro da história do Brasil.

1875 – Seu filho Edmond casou-se com Leocádia de Faria e passou a trabalhar na firma do sogro, a Faria, Cunha e Cia.

A Casa Leuzinger participou da IV Exposição Nacional com um álbum composto de quatro fotogravuras impressas pela Casa Goupil, de Paris, e com fotografias de índios e paisagens da Amazônia.

1876 – A Casa Leuzinger participa da Exposição Universal da Filadélfia com material de encadernação. Imprime o primeiro volume dos Anais da Bibliotheca Nacional .

1878 a 1879 - Publicou O Besouro, jornal que trazia litografias impressas a vapor por Ângelo Agostini (1843 – 1910) e Paul Théodore Robin (? – 1897), a maioria de autoria do português Bordalo Pinheiro(1846 – 1905).

1881 – Para preservar seu trabalho como editor de estampas, Leuzinger doou para a Seção de Iconografia da Biblioteca Nacional um conjunto de 114 imagens de gravuras e desenhos.

No Rio Grande do Sul, a Casa Leuzinger participou da Exposição Provincial Brasileira-Alemã.

1882 – Foi realizada a Exposição Continental de Buenos Aires, com a participação da Casa Leuzinger.

1885 - Leuzinger participou da Exposição Internacional de Antuérpia. Foi fundada, em 23 de novembro, a Sociedade Beneficente dos Empregados da Casa Leuzinger.

1889 – A Casa Leuzinger participou da Exposição Universal de Paris.

1892 – Georges Leuzinger morreu em 24 de outubro (Gazeta de Notícias, 25 de outubro de 1892, na quinta coluna e Revista Illustrada, novembro de 1892, na terceira coluna). A família agradeceu às manifestações de pesar (O Tempo, 27 de outubro de 1892, no topo da quarta coluna).

1898 – Morte de Eleonore Leuzinger (Gazeta de Notícias, de 18 de outubro de 1898, no topo da quinta coluna).

Para a elaboração dessa cronologia, a Brasiliana Fotográfica pesquisou em várias fontes, principalmente no Cadernos de Fotografia Brasileira – Georges Leuzinger, do Instituto Moreira Salles, e em diversos jornais da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

*Para conhecer mais sobre Paul Harro-Harring, acesse o artigo Paul Harro-Harring, um viajante abolicionista, publicado em 18 de outubro de 2013, na Brasiliana Iconográfica.

 

Bibliografia

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