O Aquário de Manguinhos

O pesquisador Ricardo Augusto dos Santos, da Casa de Oswaldo Cruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, destaca a história do Aquário que integrou no século XX, da década de 10 a de 60, quando foi demolido, o conjunto arquitetônico histórico de Manguinhos, formado pelo Pavilhão Mourisco (Castelo), pela Cavalariça, pelo Pavilhão da Peste e pelo Quinino. O artigo traz registros realizados pelo fotógrafo Joaquim Pinto da Silva, o J. Pinto (1884 – 1951).

 

O Aquário

Ricardo Augusto dos Santos*

 

 

As milhares de pessoas que transitam pela avenida Brasil, principal porta de entrada do Rio de Janeiro, quando passam pela altura de Manguinhos, observam um Castelo em estilo mourisco. Porém, a vegetação impede que elas vejam as belas construções do estupendo conjunto arquitetônico. Além do Pavilhão Mourisco (Castelo), formam este núcleo histórico a Cavalariça, o Pavilhão da Peste e o Quinino. Completando a formação existia o Aquário. Situado atrás do Pavilhão da Peste, este prédio foi totalmente demolido na década de 1960.

No início do século XX, o Instituto Soroterápico Federal era constituído por humildes casas, que serviam de escritório, laboratórios e refeitório. Entre as primeiras construções da embrionária instituição, ainda havia uma velha cocheira recebendo poucos cavalos e gaiolas para pequenos animais. Esse acanhado desenho original do futuro centro de pesquisa, educação e produtor de medicamentos teria vida curta.

 

Acessando o link para as fotografias do Aquário de Manguinhos disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Oswaldo Cruz assumiu a direção do Instituto com planos ambiciosos. O projeto era desenvolver uma grande instituição capaz de produzir soros, vacinas, realizar pesquisa e oferecer sólido ensino científico. E as modestas instalações improvisadas não estavam afinadas com esses objetivos. O rudimentar e precário grupo de casas foi gradativamente demolido e substituído pelo conjunto arquitetônico histórico de Manguinhos. Para a tarefa, Oswaldo Cruz contratou o arquiteto português Luiz de Moraes Júnior.

 

 

O primeiro prédio do complexo começou a ser construído em 1903. Era o Pavilhão da Peste, que seria usado para a fabricação de soro antipestoso. Na época, foram erguidos a Cavalariça e o biotério para pequenos animais, o Pombal. Durante a primeira década, começaram as obras do Aquário. O monumental Castelo Mourisco só seria concluído em 1918. O Quinino, levantado em 1919, seria ocupado pelo Serviço de Medicamentos Oficiais. Seu nome de batismo lembra a substância utilizada para combater a malária. Ainda seria criado no majestoso terreno, o Hospital Oswaldo Cruz (hoje Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas). Este foi edificado entre 1912 e 1917.

 

 

Colado ao prédio dedicado a produção de vacina e soro contra a peste bubônica, estava o Aquário. Esta construção concluída em 1909, possuía duas piscinas (água salgada e doce) para cultura de animais, além de tanques para experiências. Seu compartimento de água salgada possuía ligação direta com o mar, recebendo na maré alta, água e animais. Com a maré baixa, um engenho com orifícios, permitia a retenção dos peixes.

A arquitetura do Aquário propiciava que a temperatura em seu interior não fosse influenciada pelas bruscas alterações de clima na cidade. Além dos tanques, o edifício comportava laboratório e sala. Apesar da beleza, valor histórico e patrimonial, ele foi demolido. As poucas fontes indicam que suas funções nunca foram inteiramente executadas. Tendo perdido sua ligação com o mar devido à construção da Avenida Brasil, sua demolição foi decretada nos anos 50.

 

 

*Ricardo Augusto dos Santos é Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz

Guarujá, a “Pérola do Atlântico”, em fins do século XIX, por Guilherme Gaensly

O surgimento da Vila Balneária Guarujá, na Ilha de Santo Amaro, que se tornou em fins do século XIX e início do século XX, o destino de verão mais disputado da classe alta paulistana, não passou despercebido pelo fotógrafo suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928), que a fotografou em torno de 1894, ano em que ele e seu sócio desde 1882, Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?), abriram uma filial da próspera empresa Gaensly & Lindemann, em São Paulo, onde Gaensly havia ido morar. Ele havia chegado em Salvador com cinco anos e, em 1871, após um período de aprendizado no ateliê de Alberto Henschel (1827 – 1882) na capital baiana, estabeleceu-se como fotógrafo. Destacou-se como retratista e como fotógrafo de paisagens urbanas e rurais. Em São Paulo, foi contemporâneo dos fotógrafos Valério Vieira (1862 – 1941), do austríaco Otto Rudolf Quaas (c. 1862 – c. 1930) e do húngaro  José Wollsack (1847 – 1927), dentre outros.

 

 

Apesar de nunca ter sido o fotógrafo oficial de São Paulo, como foi Augusto Malta (1864 – 1957) no Rio de Janeiro, Gaensly foi o autor de uma abrangente obra sobre a capital paulista nas primeiras décadas do século XX, o que o coloca nessa posição. Ele e Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) são considerados os fotógrafos que mais cultuaram São Paulo. Seus registros eram vendidos como fotografias em papel albuminado e colotipias impressas na Suíça e comercializadas em álbuns. Ao lado de seu contemporâneo Marc Ferrez (1843 – 1923), foi provavelmente o fotógrafo mais publicado em postais no Brasil.

 

Acessando o link para as fotografias  produzidas por Guilherme Gaensly, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

A imagem destacada nesse artigo faz parte do Álbum de Fotografias de São Paulo 1900 e mostra o hotel do Guarujá, inaugurado em 1893, tendo, à esquerda, a linha do trem e, ao fundo, os chalés da Vila Balneário. O álbum, com encadernação em papelão e título em tinta dourada, traz 18 fotografias em gelatina/prata no formato 17,6 x 23,3, coladas em papel cartão cinza e com legenda manuscrita em tinta branca abaixo da imagem.

 

 

Com a presença de várias autoridades, dentre elas o então governador de São Paulo, Bernardino de Campos (1841 – 1915) e o bispo Joaquim Arcoverde (1850 – 1930), a Vila Balneário foi inaugurada, em 2 de setembro de 1893, quando foi aberto pela Companhia Balneário, sob a liderança do Grupo Prado Chaves, presidido pelo conselheiro Antônio da Sillva Prado (1840 – 1929), o empreendimento que deu início a um importante pólo de turismo no Brasil, que viria a ser frequentado por personalidades como Ruy Barbosa (1849 – 1923), Washington Luis (1869 – 1957) e por Alberto Santos Dumont (1873 – 1932), que se suicidou no hotel do balneário em 23 de julho de 1923; além de estrangeiros que passavam pelo porto de Santos.

Os convidados para a inauguração foram recepcionados pelo engenheiro civil, doutor pela Universidade de Cornell, e empresário Elias Fausto Pacheco Jordão (1849 – 1901), gerente da Companhia Prado Chaves e realizador do ousado e inovador plano de urbanização da área. Elias Fausto havia integrado, em 1875, a Comissão Geológica Imperial chefiada por Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), da qual também faziam parte os geólogos Orville Adalbert Derby (1851 – 1915) e Richard Rathbun (1852-1918) – ambos da Universidade de Cornell -, que chegaram ao Brasil em fins de 1875; John Casper Branner (1850-1922), do Departamento de Botânica e Geologia da Universidade de Indiana; e o brasileiro Francisco José de Freitas, assistente geral e tradutor. Integraram, também, o corpo técnico da comissão os geólogos Luther Wagoner, substituto de Pacheco Jordão, em 1876, que foi posteriormente substituído por Frank Carpenter; o naturalista Herbert Huntington Smith (1851-1919), e o fotógrafo Marc Ferrez (1843-1923).

 

 

Voltando à Vila Balneário. Para sua construção, foram encomendadas 46 casas de madeira nos Estados Unidos e um hotel de luxo com um cassino. A vila tinha grande sofisticação para a época, oferecendo confortos como água encanada, esgoto e luz elétrica. Suas calçadas tinham quatro metros de largura com avenidas largas e perpendiculares, além de duas estações de trem, igreja e um mini zoológico. Além da vila, a Companhia construiu uma linha férrea ligando o estuário de Santos à praia de Pitangueiras, batizada de Tramway de Guarujá, bem como o primeiro serviço regular de navegação entre Santos e Guarujá (Correio Paulistano, 28 de agosto de 1891, segunda coluna; Correio Paulistano, 5 de setembro, última coluna; Correio Paulistano, 6 de setembro de 1893, primeira coluna; O Commercio de São Paulo, 27 de setembro,  28 de setembro e 29 de setembro de 1895, terceiras colunas;  Revista Moderna, 1º de fevereiro de 1898).

Em 1894, o artista plástico paulista Benedito Calixto (1853 – 1927) pintou a Vila Balneário no quadro Jardim à beira-mar.

 

 

Um incêndio destruiu o hotel, em 17 de novembro de 1897 (Correio Paulistano, 19 de novembro de 1897, segunda coluna).

 

 

O ex-gerente da sucursal paulista da Photographia Henschel que, em 1888, tornou-se dono da referida filial, o já mencionado fotógrafo húngaro José Vollsack (1847 – 1927), foi um dos 22 hóspedes que se encontravam no hotel. Ele avaliou em 10.000$ os objetos que perdeu no incêndio. O vice-cônsul dos Estados Unidos, que morava no quarto 43, sofreu prejuízos no valor de mil dólares.

 

 

Com corridas de bicicleta e a pé, apresentação da banda do Corpo de Bombeiros, da orquestra da Pauicéia e com uma soirée no sallão do cassino, o hotel foi reinaugurado em 8 de setembro de 1898 (O Commercio de São Paulo, 7 de setembro de 1898, segunda coluna).

 

 

No início da década de 10, a companhia foi adquirida por um grupo de empreendedores, dentre eles o empresário norte-americano Percival Farquhar (1865 – 1953), passando a se denominar Companhia Guarujá, que se associou ao grupo Ritz Carlton para administrar o novo complexo.

A trajetória de Farquhar no Brasil aconteceu em um período de maciça presença do capital norte-americano e europeu no país. Suas atividades empresariais no Brasil começaram, em 1904, quando fundou a Rio de Janeiro Light & Power, companhia que assumiu concessões de serviços públicos de bondes, iluminação a gás e energia hidrelétrica. No ano seguinte, começou a investir na Amazônia, fundou a Brazil Railway Company (1906), a fim de construir um sistema ferroviário interligando a América do Sul e, em 1907, obteve a concessão para construir a Madeira-Mamoré.

 

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Percival Farqhart, New York Times, 22 de setembro de 1912

 

O projeto do Grand Hotel de la Plage, terceira versão do primeiro, foi realizado pelo renomados arquitetos Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851 – 1928) e por Ricardo Severo da Fonseca e Costa (1869 – 1940).

 

 

 

As obras começaram em 15 de janeiro de 1911 e o hotel foi reinaugurado em 8 de junho de 1913: “...as magníficas instalações são comparáveis às dos melhores hoteis da Europa“. Mais de duzentos convidados participaram das celebrações que incluíram bailes, piqueniques, shows aéreos, passeios de charrete e observação da flora e da fauna dos morros nos arredores do hotel, que tinha 220 quartos, salões de festa, de leitura, de refeição e um cassino anexo. A chegada do aviador Edu Chaves (1887 – 1975), aterrissando quase em frente ao hotel, foi um verdadeiro triunfo. Na ocasião, a reinauguração do Grand Hotel de la Plage foi a notícia mais comentada pela imprensa brasileira. O Guarujá foi o maior centro de diversão e turismo do Brasil nos primeiros 25 anos do século XX (Correio Paulistano, 9 de junho de 1913, primeira coluna).

 

 

 

 

A vila seguiu se desenvolvendo durante toda a primeira metade do século XX devido ao sucesso do hotel e a reputação do Guarujá como balneário de primeira classe. Na década de 30, o hotel foi comprado por Alberto Quatrini Bianchi (1892 – 19?) e, em 30 de Junho de 1934, a cidade recebeu o título de Estância Balneária, tendo se emancipado de Santos. Com a proibição do jogo, em 1946, começou a decadência do hotel, que foi, na década de 60, demolido. Bianchi, que com Joaquim Rolla (1899 – 1972) dividia o título de Rei do Turismo Nacional,  teve diversos empreendimentos turísticos como, em Minas Gerais, o Pale Hotel de Ouro Preto e o Palace Casino de Poços de Caldas; em São Paulo, o já mencionado Hotel de La Plage e Cassino de Guarujá e o Serra Negra Hotel; no Maranhão, o Hotel Palace de São Luis; em Pernambuco, o Hotel Palace do Recife; Na Bahia, o Hotel e Cassino Palace de Salvador; no Espírito Santo, o Grande Hotel Guarapari (ES); no Rio de Janeiro, o Icaraí Hotel e o Casino Balenario Atlantico, além de dezenas de outros cassinos em diversos estados do Brasil. Quando faleceu, segundo reportagem do Diário do Rio Claro, 22 de julho de 2019, era garçom de um hotel no Guarujá que havia sido dele.

 

Alguns de seus visitantes ilustres foram o governador de São Paulo, Adhemar de Barros (1901 – 1969), Alberto I, rei da Bélgica (1875 – 1934), o banqueiro Anthony Gustav de Rothschield (1887 – 1961), o pi ntor Benedito Calixto (1853 – 1927), a cantora lírica Bidu Sayão (1902 – 1999), os presidentes do Brasil, Campos Salles (1841 – 1913), que inclusive faleceu no Guarujá (Correio Paulistano, 29 de junho de 1913); Getulio Vargas (1882 – 1954) e Rodrigues Alves (1848 – 1919); a atriz Carmen Miranda (1909 – 1955), o comediante mexicano Cantinflas (1911 – 1993), o escritor Euclydes da Cunha (1866 – 1909), o Conde Francesco Matarazzo (1854 – 1937), o ator norte-americano Glenn Ford (1916 – 2006), o ator francês Jean Sablon (1906 – 1994), o presidente da Argentina, general Julio Roca (1843 – 1914); o escritor Mário de Andrade (1893 – 1945), o pioneiro aviador francês Roland Garros (1888- 1918),  a atriz espanhola Sarita Montiel (1928 – 2013), o cantor Silvio Caldas (1908 – 1998), a pintora Tarsila do Amaral (1886 – 1973)

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BURGI, Sergio;DIETRICH, Ana Maria;MENDES,Ricardo. Imagens de São Paulo – Gaensly no acervo da Light 1899 – 1925, organização Vera Maria de Barros Ferraz. São Paulo:Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, 2001.

Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2002

Centro de Documentação e Memória do Guarujá – História do Grande Hotel et de La Plage de Santos e Guarujá. 1893-1962 (Youtube)

d´Ávila, Cristiane. Trilhos sobre a floresta: imagens da construção da E.F. Madeira-Mamo, publicado na Brasiliana Fotográfica em 14 de outubro de 2019 – https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16710

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Jornal de Rio Claro

Kossoy, Boris. Álbum de Fotografias do Estado de São Paulo – 1892; São Paulo, CBPO/Kosmos, 1984.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

Site CPDOC

Site Novo Milênio

Site Universidade do Porto

WANDERLEY, Andrea. A construção da Madeira-Mamoré, a “Ferrovia da Morte”, pelas lentes de Dana B. Merrill (c. 1887 – 19?)publicado na Brasiliana Fotográfica em 16 de janeiro de 2018 - https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10460

Fernando Skarke (1858 – 1935), Fotógrafo da Casa Imperial

O fotógrafo austríaco Ferdinand (Fernando) Adolf Skarke (1858 – 1935) veio para o Brasil com seus pais Johann e Theresa Skarke. Seu pai imigrou para trabalhar em Campinas em obras de engenharia hidráulica. Já na década de 1880, Fernando possuía um ateliê fotográfico em Piracicaba. Em novembro de 1886, dom Pedro II (1825 – 1891)  e dona Teresa Cristina (1822 – 1889) fizeram uma visita à cidade e, no mês seguinte, em 14 de dezembro de 1886, o imperador concedeu a Fernando o título de Fotógrafo da Casa Imperial. Acredita-se, até o momento, que ele tenha sido o único da província de São Paulo a receber essa distinção. De temperamento alegre e comunicativo, tinha vários amigos como, por exemplo, o poeta santista José Martins Fontes (1884-1937) e o empresário Conrado Wessel (1891 – 1993). Só saiu do Brasil, já idoso, para visitar Viena.

 

 

Acessando o link para as fotografias de Skarke disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Por volta de 1888, foi para Santos onde teve estabelecimentos fotográficos em três diferentes endereços: rua General Jardim, 80; na Praça da República, 16; e na rua São Leopoldo, 14. Na virada do século XIX para o XX, Santos prosperava e a demanda por fotografias na cidade aumentava. Os profissionais disputavam a freguesia local e o ateliê de Skarke, na Praça da República, era o mais luxuoso da cidade: montado com todo o capricho, tendo um magnífico e espaçoso salão, com excelente luz; dispõe também das melhores e mais modernas máquinas, tendo uma grande variedade de ornamentos e fundos, tanto paisagens, como de salão, e mobília.

 

 

Segundo sua filha Mellita (1894 – ?), Skarke emulsionava papéis fotográficos com produtos químicos, usava albumina de ovo e nos dias ensolarados distribuía caixas de madeira com negativos de vidro e papel para serem sensibilizados pela luz natural. O sistema de iluminação natural do estúdio era composto por uma série de janelas de vidro, incluindo partes altas do telhado, que eram recobertas por cortinas em trilhos. Ajustes eram feitos para obter-se a iluminação desejada.

Sua neta Elisa Dias de Toledo Pitombo, filha de Mellita, relatou que Fernando teria feito fortuna produzindo retratos de famílias de imigrantes, principalmente, de comerciantes portugueses abastados que gostavam de enviar esses registros para seus parentes. “Com a fotografia ele ganhou muito dinheiro e morou num palacete que depois virou hotel, a casa começava na rua da praia e ia até o morro“.

Em 1890, Skarke casou-se com a alemã Meta Gesine. O primeiro filho do casal faleceu ainda bebê. A primogênita, Melitta, nasceu na Alemanha, e, os demais, em Santos:  Thereza (1896 – ?), Hugo Fernando (1898 – 197?), que o sucedeu na Photo Skarke; Regina (c. 1900 – ?) e Erna (c. 1902 – ?).

Faleceu, vítima de arteriosclerose, em 18 de abril de 1935, aos 76 anos, em São Paulo, na casa de seu filho Hugo, à rua Tupi, no bairro de Santa Cecília. Foi enterrado no Cemitério do Redentor.

 

Fernando Skarke. Hugo Skarke, c. 1905 / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

Fernando Skarke. Hugo Skarke, c. 1905 / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

 

 

Cronologia de Fernando Skarke (1858 – 1935)

 

 

1858 - Ferdinand (Fernando) Adolf Skarke nasceu em 17 de outubro de 1858, filho de Johann e Theresa Skarke. Em sua certidão de óbito consta que ele teria nascido na Tchecoslováquia embora, segundo seu bisneto Luiz Henrique Pitombo, a família sempre tenha considerado a Áustria como sua terra natal. O pai de Fernando Skarke imigrou para o Brasil, onde trabalhou em obras de engenharia hidráulica em Campinas, no estado de São Paulo.

1886 – Fernando Skarke possuía um ateliê fotográfico em Piracibaca. Dom Pedro II(1825 – 1891) e dona Teresa Cristina (1822 – 1889) visitaram a cidade em novembro de 1886. Skarke presenteou o imperador com uma fotografia panorâmica da cidade, montada a partir da união de imagens de várias chapas. Ficaram hospedados na casa do empresário e um dos fundadores da Companhia Ituana de Navegação, nos rios Tietê e Piracicaba, Estevão Ribeiro de Souza Rezende (1840 – 1909). Ele também foi o fundador do Engenho Geral de Piracicaba, em 1881, além de escritor e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Por ter lutado na Guerra do Paraguai foi agraciado com a Ordem de Cristo. Também participaram da visita imperial o ministro da Agricultura, Antônio da Silva Prado (1840 – 1929); e o presidente da Província de São Paulo, Antônio de Queirós Teles (1831 – 1888) (Correio Paulistano, 13 de novembro de 1886, primeira coluna).

 

Pedro II e TEresa Cristina em Piracicaba, 1886. Piracicaba, SP / Acervo de Luiz henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

Fernando Skarke. Pedro II e Teresa Cristina em Piracicaba, 1886. Piracicaba, SP / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

 

Em 14 de dezembro de 1886, Skarke foi agraciado pelo imperador com o título de Fotógrafo da Casa Imperial, tendo sido, provavelmente, o único da província de São Paulo a receber a condecoração. Abaixo, estão reproduzidos o envelope e a carta da concessão do título, do acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto de Skarke.

 

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Envelope e carta da concessão do título de fotógrafo da Casa Imperial concedido a Fernando Skarke por dom Pedro II / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

 

1887 – Skarke produziu três vistas fotográficas da enchente do rio Piracicaba que, na ocasião, apresentou um aspecto tão formidável e pitoresco ( L´Italia, 15/16 de janeiro de 1887, terceira colunaJornal do Commercio, 22 de janeiro de 1887, última coluna).

Neste mesmo ano, Skarke fotografou o bebê Emilia Diehl Muller, em Piracicaba (Site Coisas Antigas):

 

 

c. 1888 – Em Santos, seu estabelecimento fotográfico ficava na rua General Jardim, 80.

1890 – Casou-se, em São Paulo, com a alemã, de Bremen, Meta Gesine, que trabalhava como preceptora dos filhos de um casal abastado em Piracicaba. Nos primeiros anos dessa década, o casal teve o primeiro filho, que faleceu. 

 

Fernando e Skarke / Acervo de Luiz Henrique Skarke, bisneto do fotógrafo

O casal Fernando Skarke e Meta Gesine / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

 

1891 – Em 1891, Verano Alonso enviou seu retrato, produzido por Fernando Skarke, para José Joaquim de Miranda. No verso do cartão, Skarke anuncia “aparelhos especiais para grupos“, “novidades para retratos de crianças” e informa que “conserva-se chapas para reproduções e tendo as mesmas um abatimento de 25%“.

 

 

 

1892 – Fez propaganda de suas novas instalações, dotadas de “um magnífico e espaçoso salão, com excelente luz”, além de máquinas modernas e vários fundos, entre eles as paisagens” (Folha da Tarde, 22 de março de 1892). Na ocasião, seu ateliê ficava na Praça da República, 16, em Santos.

 

Verso de um cartão imperial, de Fernando Skarke / Acervo de Marjorie C.F. Medeiros)

Verso de um cartão de Fernando Skarke / Acervo de Marjorie C.F. Medeiros)

 

 

1894 - Meta decidiu ter o segundo filho junto à mãe, Gesine Schwarting, na Alemanha. Em Lesum, perto de Bremen, nascimento da filha primogênita do casal, Melitta. Um ano depois, as três vieram para o Brasil.

Todos os demais filhos de Skarke nasceram em Santos: Thereza (1896 – ?), Hugo Fernando (1898 – 197?), Regina (c. 1900 – ?) e Erna (c. 1902 – ?).

 

Os cinco filhos de Fernando e Meta Gersine Skarke, c. 1905 / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

Fernando Skarke. Os cinco filhos de Fernando e Meta Gersine Skarke, c. 1905 / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

 

1908 a 1911 - Seu ateliê, em Santos, ficava na rua São Leopoldo, 14. Nessa mesma época, além da Société Photographique Internacional, atuavam na cidade outros fotógrafos como Carlos W. Weize (18? – 19?), Gustavo Paiva (18? – 19?), Emílio Gottschalk  (18? – 19?), o alemão Hermann Eckman (18? – 19?) e J. Marques Pereira (18? – 19?) –  no Almanak Laemmert o nome deste último fotógrafo aparece como J. Moraes Pereira (Almanak Laemmert, 1908, última colunaAlmanak Laemmert, 1910, segunda coluna; Almanak Laemmert, 1911, primeira coluna).

 

 

1912 - Skarke fotografou o passe-partout, desenhado pelo apreciado pintor Waldemir Alfaya, das diplomandas de 1911 da Associação Feminina Santista. A imagem foi publicada em A Fita, revista humorística, literária e ilustrada, fundada em 1911 e dirigida por Bento de Andrade e Manoel Pompílio dos Santos (A Fita, 1º de maio de 1912).

 

 

1914 – Fotografou Um almoço de caridade, oferecido, no Natal de 1913, aos presos da Cadeia Pública de Santos, pela Associação das Mães Cristãs (A Fita, 15 de janeiro de 1914).

 

 

Neste ano, durante a Primeira Guerra Mundial, Hugo Fernando (1898 – 197?), sucessor do pai na Photo Skarke, estava estudando, provavelmente, fotografia, na Alemanha.

c. 1930 - A Photo Skarke ficava no Largo Santa Ifigênia, 12, em São Paulo, endereço conhecido por seu comércio sofisticado, frequentado pelas famílias do bairro Campos Elísios.

1931 - Uma fotografia realizada pela Photo Skarke da feminista Maria Prestia (? – 1988) foi enviada por ela a então presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a cientista Bertha Lutz (1894 – 1976).

 

 

1935 - Fernando Skarke faleceu, vítima de arteriosclerose, em 18 de abril de 1935, aos 76 anos, em São Paulo, na casa de seu filho Hugo, à rua Tupi, no bairro de Santa Cecília. Foi enterrado no Cemitério do Redentor.

 

Fernando Skarke. Erna, sua filha, c. 1905. Santos, SP / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrado

Fernando Skarke. Erna, filha de Fernando Skarke, c. 1905. Santos, SP / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrado

 

A Brasiliana Fotográfica agradece ao bisneto de Fernando Skarke, Luiz Henrique D. T. Pitombo que, generosamente, forneceu informações importantes acerca da Photo Skarke, além de ter cedido imagens para essa publicação.

Agradecimentos também à pesquisadora Maria Isabel Lenzi e à arquivista Daniella Gomes dos Santos, ambas do Museu Histórico Nacional, que viabilizaram, para essa publicação, a digitalização das imagens da referida instituição e de sua disponibilização no acervo da Brasiliana Fotográfica.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

KOSSOY, Boris. Origens e expansão da fotografia no Brasil : século XIX. Prefácio Boris Kossoy. Rio de Janeiro: Funarte, 1980. 128 p.

FERREZ, Gilberto. A Fotografia no Brasil: 1840-1900 / Gilberto Ferrez; [prefácio por Pedro Vasquez] – 2ª ed. – Rio de Janeiro: FUNARTE: Fundação Nacional Pró-Memória, 1985.

PITOMBO, Luiz Henrique D. T. Fernando Skarke – fotógrafo pioneiro.

Site Câmara de Piracicaba

Site Coisas Antigas

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site Fundação Conrado Wessel

Site Novo Milênio

Site Secretaria de Cultura e Turismo de Piracicaba

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.

Cronologia de Fernando Skarke (1858 – 1935)

Cronologia de Fernando Skarke (1858 – 1935)

 

 

1858 - Ferdinand (Fernando) Adolf Skarke nasceu em 17 de outubro de 1858, filho de Johann e Theresa Skarke. Em sua certidão de óbito consta que ele teria nascido na Tchecoslováquia embora, segundo seu bisneto Luiz Henrique Pitombo, a família sempre tenha considerado a Áustria como sua terra natal. O pai de Fernando Skarke imigrou para o Brasil, onde trabalhou em obras de engenharia hidráulica em Campinas, no estado de São Paulo.

1886 – Fernando Skarke possuía um ateliê fotográfico em Piracibaca. Dom Pedro II (1825 – 1891) e dona Teresa Cristina (1822 – 1889) visitaram a cidade em novembro de 1886. Skarke presenteou o imperador com uma fotografia panorâmica da cidade, montada a partir da união de imagens de várias chapas. Ficaram hospedados na casa do empresário e um dos fundadores da Companhia Ituana de Navegação, nos rios Tietê e Piracicaba, Estevão Ribeiro de Souza Rezende (1840 – 1909). Ele também foi o fundador do Engenho Geral de Piracicaba, em 1881, além de escritor e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Por ter lutado na Guerra do Paraguai foi agraciado com a Ordem de Cristo. Também participaram da visita imperial o ministro da Agricultura, Antônio da Silva Prado (1840 – 1929); e o presidente da Província de São Paulo, Antônio de Queirós Teles (1831 – 1888) (Correio Paulistano, 13 de novembro de 1886, primeira coluna).

 

Pedro II e TEresa Cristina em Piracicaba, 1886. Piracicaba, SP / Acervo de Luiz henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

Fernando Skarke. Pedro II e Teresa Cristina em Piracicaba, 1886. Piracicaba, SP / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

 

Em 14 de dezembro de 1886, Skarke foi agraciado pelo imperador com o título de Fotógrafo da Casa Imperial, tendo sido, provavelmente, o único da província de São Paulo a receber a condecoração. Abaixo, estão reproduzidos o envelope e a carta da concessão do título, do acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto de Skarke.

 

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Envelope e carta da concessão do título de fotógrafo da Casa Imperial concedido a Fernando Skarke por dom Pedro II / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

 

1887 – Skarke produziu três vistas fotográficas da enchente do rio Piracicaba que, na ocasião, apresentou um aspecto tão formidável e pitoresco ( L´Italia, 15/16 de janeiro de 1887, terceira colunaJornal do Commercio, 22 de janeiro de 1887, última coluna).

Neste mesmo ano, Skarke fotografou o bebê Emilia Diehl Muller, em Piracicaba (Site Coisas Antigas):

 

 

c. 1888 – Em Santos, seu estabelecimento fotográfico ficava na rua General Jardim, 80.

1890 – Casou-se, em São Paulo, com a alemã, de Bremen, Meta Gesine, que trabalhava como preceptora dos filhos de um casal abastado em Piracicaba. Nos primeiros anos dessa década, o casal teve o primeiro filho, que faleceu. 

 

Fernando e Skarke / Acervo de Luiz Henrique Skarke, bisneto do fotógrafo

O casal Fernando Skarke e Meta Gesine / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

 

1891 – Em 1891, Verano Alonso enviou seu retrato, produzido por Fernando Skarke, para José Joaquim de Miranda. No verso do cartão, Skarke anuncia “aparelhos especiais para grupos“, “novidades para retratos de crianças” e informa que “conserva-se chapas para reproduções e tendo as mesmas um abatimento de 25%“.

 

 

 

1892 – Fez propaganda de suas novas instalações, dotadas de “um magnífico e espaçoso salão, com excelente luz”, além de máquinas modernas e vários fundos, entre eles as paisagens” (Folha da Tarde, 22 de março de 1892). Na ocasião, seu ateliê ficava na Praça da República, 16, em Santos.

 

Verso de um cartão imperial, de Fernando Skarke / Acervo de Marjorie C.F. Medeiros)

Verso de um cartão de Fernando Skarke / Acervo de Marjorie C.F. Medeiros)

 

 

1894 - Meta decidiu ter o segundo filho junto à mãe, Gesine Schwarting, na Alemanha. Em Lesum, perto de Bremen, nascimento da filha primogênita do casal, Melitta. Um ano depois, as três vieram para o Brasil.

Todos os demais filhos de Skarke nasceram em Santos: Thereza (1896 – ?), Hugo Fernando (1898 – 197?), Regina (c. 1900 – ?) e Erna (c. 1902 – ?).

 

Os cinco filhos de Fernando e Meta Gersine Skarke, c. 1905 / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

Fernando Skarke. Os cinco filhos de Fernando e Meta Gersine Skarke, c. 1905 / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrafo

 

1908 a 1911 - Seu ateliê, em Santos, ficava na rua São Leopoldo, 14. Nessa mesma época, além da Société Photographique Internacional, atuavam na cidade outros fotógrafos como Carlos W. Weize (18? – 19?), Gustavo Paiva (18? – 19?), Emílio Gottschalk  (18? – 19?), o alemão Hermann Eckman (18? – 19?) e J. Marques Pereira (18? – 19?) –  no Almanak Laemmert, o nome deste último fotógrafo aparece como J. Moraes Pereira (Almanak Laemmert, 1908, última colunaAlmanak Laemmert, 1910, segunda coluna; Almanak Laemmert, 1911, primeira coluna).

 

 

1912 - Skarke fotografou o passe-partout, desenhado pelo apreciado pintor Waldemir Alfaya, das diplomandas de 1911 da Associação Feminina Santista. A imagem foi publicada em A Fita, revista humorística, literária e ilustrada, fundada em 1911 e dirigida por Bento de Andrade e Manoel Pompílio dos Santos (A Fita, 1º de maio de 1912).

 

 

1914 – Fotografou Um almoço de caridade, oferecido, no Natal de 1913, aos presos da Cadeia Pública de Santos, pela Associação das Mães Cristãs (A Fita, 15 de janeiro de 1914).

 

 

Neste ano, durante a Primeira Guerra Mundial, Hugo Fernando (1898 – 197?), sucessor do pai na Photo Skarke, estava estudando, provavelmente, fotografia, na Alemanha.

c. 1930 - A Photo Skarke ficava no Largo Santa Ifigênia, 12, em São Paulo, endereço conhecido por seu comércio sofisticado, frequentado pelas famílias do bairro Campos Elísios.

1931 - Uma fotografia realizada pela Photo Skarke da feminista Maria Prestia (? – 1988) foi enviada por ela a então presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a cientista Bertha Lutz (1894 – 1976).

 

 

1935 - Fernando Skarke faleceu, vítima de arteriosclerose, em 18 de abril de 1935, aos 76 anos, em São Paulo, na casa de seu filho Hugo, à rua Tupi, no bairro de Santa Cecília. Foi enterrado no Cemitério do Redentor.

 

Fernando Skarke. Erna, sua filha, c. 1905. Santos, SP / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrado

Fernando Skarke. Erna,  filha de Fernando Skarke, c. 1905. Santos, SP / Acervo pessoal de Luiz Henrique Pitombo, bisneto do fotógrado

 

 

A Brasiliana Fotográfica agradece ao bisneto de Fernando Skarke, Luiz Henrique D. T. Pitombo que, generosamente, forneceu informações importantes acerca da Photo Skarke, além de ter cedido imagens para essa publicação.

Agradecimentos também à pesquisadora Maria Isabel Lenzi e à arquivista Daniella Gomes dos Santos, ambas do Museu Histórico Nacional, que viabilizaram, para essa publicação, a digitalização das imagens da referida instituição e de sua disponibilização no acervo da Brasiliana Fotográfica.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Autorretratos de fotógrafos – Uma homenagem no Dia Mundial da Fotografia

A Brasiliana Fotográfica homenageia o Dia Mundial da Fotografia com a publicação de quatro autorretratos de importantes fotógrafos que atuaram no Brasil entre os séculos XIX e XX: o alemão Christoph Albert Frisch (1840 – 1918), o carioca Marc Ferrez (1843 – 1923), o francês Revert Henrique Klumb (c.1826 – c.1886) e o italiano Vincenzo Pastore (1865 – 1918). Interessante observar que o único autorretrato produzido fora de um estúdio fotográfico foi o de Frisch, que se fotografou, entre 1967 e 1868, em um barco em um rio na Amazônia, quando produziu os primeiros registros que chegaram até nós de índios brasileiros da região, além de aspectos de fauna e flora e de barqueiros de origem boliviana que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios amazônicos. Os quatro fotógrafos já foram temas de artigos publicados no portal.

 

Acessando o link para os autorretratos de fotógrafos disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

A data escolhida para a comemoração do Dia Internacional da Fotografia ou Dia Mundial da Fotografia tem sua origem no ano de 1839, quando, em 7 de janeiro, na Academia de Ciências da França, foi anunciada a descoberta da daguerreotipia, um processo fotográfico desenvolvido por Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). Cerca de sete meses depois, em 19 de agosto, durante um encontro realizado no Instituto da França, em Paris, com a presença de membros da Academia de Ciências e da Academia de Belas-Artes, o cientista François Arago (1786 – 1853), secretário da Academia de Ciências, explicou o processo e comunicou que o governo francês havia adquirido o invento, colocando-o em domínio público e, dessa forma, fazendo com que o “mundo inteiro” tivesse acesso à invenção. Em troca, Louis Daguerre e o filho de Joseph Niépce, Isidore, passaram a receber uma pensão anual vitalícia do governo da França, de seis mil e quatro mil francos, respectivamente.

A velocidade com que a notícia do invento do daguerreótipo chegou ao Brasil é curiosa: cerca de 4 meses depois do anúncio da descoberta, foi publicado no Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1839, sob o título “Miscellanea”, na segunda coluna, um artigo sobre o assunto – apenas 10 dias após de ter sido o tema de uma carta do inventor norte-americano Samuel F. B. Morse (1791 – 1872), escrita em Paris em 9 de março de 1839 para o editor do New York Observer, que a publicou em 20 de abril de 1839.

 

Vincenzo Pastore (1865 – 1918)

 

 

A obra do fotógrafo italiano Vincenzo Pastore, importante cronista visual de São Paulo da segunda metade do século XIX e do início do século XX, ficou, durante décadas, em uma caixa de charutos, sem negativos. As ampliações foram produzidas pela própria mulher do fotógrafo, Elvira, que o ajudava no estúdio. Com sua câmara Pastore capturava tipos e costumes de um cotidiano ainda pacato de São Paulo, uma cidade que logo, com o desenvolvimento econômico, mudaria de perfil. Captava as transformações urbanas e humanas da cidade, que passava a ser a metrópole do café. Com seu olhar sensível, o bem sucedido imigrante italiano flagrava trabalhadores de rua como, por exemplo, feirantes, engraxates, vassoureiros e jornaleiros, além de conversas entre mulheres e brincadeiras de crianças. Pastore, ao retratar pessoas simples do povo, realizou, na época, um trabalho inédito na história da fotografia paulistana.

Acessando o link para as fotografias de Vincenzo Pastore disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Marc Ferrez (1843 – 1923)

 

 

Marc Ferrez (1843 – 1923) foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Sua vasta e abrangente obra iconográfica se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo. Estabeleceu-se como fotógrafo com a firma Marc Ferrez & Cia, em 1867, na rua São José, nº 96, e logo se tornou o mais importante profissional da área no Rio de Janeiro. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde registrou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.

Acessando o link para as fotografias de Marc Ferrez disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Christoph Albert Frisch (1840 – 1918)

  

 

Christoph Albert Frisch (1840 – 1918) foi o fotógrafo responsável pela impressionante e pioneira série de 98 fotografias realizadas em 1867 na Amazônia: foram os primeiros registros que chegaram até nós de índios brasileiros da região, além de aspectos de fauna e flora e de barqueiros de origem boliviana que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios amazônicos. Ele foi o fotógrafo que acompanhou a expedição pela Amazônia liderada pelo engenheiro alemão Joseph Keller e pelo fotógrafo, desenhista e pintor Franz Keller (1835 – 1890). Este último era genro de Georges Leuzinger ( 1813 – 1892), considerado um dos mais importantes fotógrafos e difusores para o mundo da fotografia sobre o Brasil no século XIX, além de pioneiro das artes gráficas no país.

Acessando o link para as fotografias de Christoph Albert Frisch disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886)

 

Um dos primeiros fotógrafos estrangeiros a se estabelecer no Brasil, o francês Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) foi o fotógrafo preferido da família imperial brasileira, tendo sido agraciado com o título de “Fotógrafo da Casa Imperial”, em 1861. Um dos pioneiros na produção comercial de imagens sobre papel fotográfico e uso de negativo de vidro em colódio no Brasil, inaugurou seu estabelecimento fotográfico em 1855 ( Correio Mercantil , de 4 de novembro de 1855, na última coluna ). Foi professor de fotografia da princesa Isabel e, provavelmente, o introdutor da técnica estereoscópica no Brasil, com a qual entre os anos de 1855 e 1862 produziu ampla documentação sobre o Rio de Janeiro.

Foi também o autor do livro Doze horas em diligência. Guia do viajante de Petrópolis a Juiz de Fora, única obra do Brasil do século XIX a ser idealizada, fotografada, escrita e publicada por uma só pessoa. Também foi o primeiro livro de fotografia inteiramente litografado e produzido no país. Dois exemplares estão conservados na Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional.

Acessando o link para as fotografias de Revert Henrique Klumb disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Leia aqui os artigos já publicados na Brasiliana Fotográfica sobre o Dia Mundial da Fotografia:

 

Dia Mundial da Fotografia – 19 de agosto, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de agosto de 2015

Os 180 anos da invenção do daguerreótipo – Pequeno histórico e sua chegada no Brasil, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de agosto de 2019

Os 180 anos da invenção do daguerreótipo – Os álbuns da Comissão Geológica do Império com fotografias de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de agosto de 2019

No Dia Internacional da Fotografia, fotógrafas pioneiras no Brasil, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de agosto de 2022

Dia Mundial da Fotografia, uma retrospectiva de artigos,  de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de agosto de 2023

Dia dos Pais – Julio e Luciano, os filhos do fotógrafo Marc Ferrez, e outras famílias

 

 

A Brasiliana Fotográfica homenageia o Dia dos Pais, que esse ano será comemorado no próximo dia 8, publicando fotografias de Jules-Marc (1881 – 1946), que ficou conhecido como Julio, e Luciano José André (1884 – 1955), filhos do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923) e da francesa Marie Lefebvre (c.1849 – 1914), que se casaram em 16 de agosto de 1873. Há também imagens de Ferrez com seus netos Gilberto e Eduardo, filhos de Julio e Claire, além de registros de passeios da família na Floresta da Tijuca. Destacamos também fotografias do cientista Carlos Chagas (1878-1934) com seus filhos Evandro Chagas (1905 – 1940) e Carlos Chagas Filho (1910 – 2000), dos filhos do fotógrafo J. Pinto (1884 – 1951), dos filhos do Conde d´Eu (1842 – 1922), de dom Pedro II (1825 – 1891)  e do prefeito Francisco Pereira Passos (1836 – 1913) com suas famílias e também registros de outras famílias produzidos por Chichico Alkmin (1886 – 1978), João Stamato (1886 – 1951), José Teixeira e por fotógrafos ainda não identificados.

 

 

Marc Ferrez foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Sua vasta e abrangente obra iconográfica se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde registrou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais. Outro segmento de sua obra iconográfica registrou as várias regiões do Brasil – ele foi o único fotógrafo do século XIX que percorreu todas as regiões do país, tendo sido, no referido século, o principal responsável pela divulgação da imagem do país no exterior.

Ele e seus filhos desempenharam um importante papel na história do estabelecimento e do desenvolvimento do cinema no Brasil, tanto pela participação na produção de filmes, como pelo investimento em equipamentos necessários à criação de uma rede de distribuição e exibição de filmes.

Acessando o link para as fotografias de Marc Ferrez e seus filhos disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.  

 

 

Foi com Julio que Marc Ferrez, em 1905, obteve a representação da firma francesa Pathé Frères, no Brasil. A firma era a maior e melhor fábrica de aparelhos e filmes cinematográficos da Europa. Em primeiro de outubro de 1907, foi criada a firma Marc Ferrez & Filhos. Ferrez era dono de 60% das ações, cabendo a Luciano e a Julio 20% do negócio para cada um. Nesse mesmo ano, Julio havia se casado com Claire Poncy Ferrez (1888 – 1980), pais de Gilberto (1908 – 2000) e Eduardo. Gilberto foi pioneiro no estudo da fotografia no Brasil com a publicação, em 1946, do ensaio A Fotografia no Brasil e um de Seus Mais Dedicados Servidores: Marc Ferrez (1843-1923), na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Em 1908, Ferrez e Arnaldo Gomes de Souza, sócios no Cinema Pathé, produziram o filme, Nhô Anastácio chegou de viagem, dirigido por Julio Ferrez. É considerada a primeira comédia cinematográfica brasileira e foi estrelada por Antônio Cataldi, José Gonçalves Leonardo e Ismênia Matteo. Marc Ferrez produziu o curta-metragem A mala sinistra, também dirigido por seu filho Julio.

Em abril de 1915, Ferrez viajou para França no navio Frizia em companhia de seu filho Julio – que retornou ao Brasil em agosto.

Em 1917, Julio e Luciano, fundaram a Companhia Cinematográfica Brasileira, mais tarde denominada Casa Marc Ferrez Cinemas e Eletricidade Ltda. Dois anos depois, Julio Ferrez foi um dos fundadores da União dos Importadores Cinematográficos no Brasil (O Imparcial, 8 de dezembro de 1919, na segunda coluna). Foi o primeiro tesoureiro da associação, cujo primeiro presidente foi o empresário Francisco Serrador (1872 – 1941).

Em 1920, foi noticiada a volta da Europa de Marc e Luciano Ferrez ao Brasil, a bordo do paquete inglês Orcona (Vida doméstica, abril de 1920)

 

“O senhor Marc Ferrez é uma das figuras mais notáveis, de maior destaque na indústria fotográfica e cinematográfica do Brasil”

 

 

 

Na edição de 8 de abril de 1920 da revista Palcos e Telas, Marc, Julio e Luciano Ferrez foram biografados na seção “Grandes figuras da cinematografia”.

 

Em correspondência a Malia Frucht Ferrez (1890 – 1953), casada com Luciano, Marc Ferrez contou que havia feito belas fotografias de rosas, em sua visita ao roseiral do Parque de La Bagatelle, no Bois de Boulogne, local que freqüentava enquanto Luciano e Malia estavam com ele em Paris. Foi na casa deles, no Rio de Janeiro, cidade que ele eternizou com sua arte, que Ferrez faleceu em 12 de janeiro de 1923. Residia na rua Joaquim Murtinho, 177, e foi enterrado no cemitério São João Batista (A Rua, 13 de janeiro de 1923O Paiz, 14 de janeiro de 1923, última notícia da sexta coluna, Gazeta de Notícias, 16 de janeiro de 1923, na última coluna e Fon-Fon, 20 de janeiro de 1923).

 

 

Outras famílias

 

Acessando o link para as fotografias de pais e filhos disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Breve história da criação do Dia dos Pais

O Dia dos Pais foi comemorado pela primeira vez, em 1910, nos Estados Unidos. No Brasil, a ideia de criar esta data partiu do publicitário Sylvio Bhering e o jornal O Globo começou uma campanha para difundir a efeméride (O Globo, 1º de junho de 1953), festejada pela primeira vez no dia 16 de agosto de 1953 (Jornal do Brasil, 16 de agosto de 1953). Posteriormente, o Dia dos Pais passou a ser comemorado no segundo domingo de agosto.

 

Link para a publicação do Dia dos Pais, em 14 de agosto de 2016

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez 

 

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 30 de junho de 2015

Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 25 de janeiro de 2016

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2016

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de autoria de Sérgio Burgi, um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de dezembro de 2016

No primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 22 de setembro de 2017

Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica,  publicada em 29 de junho de 2018

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 20 de julho de 2018

Uma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2018 

Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de abril de 2019

Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 

Os 180 anos da invenção do daguerreótipo – Os álbuns da Comissão Geológica do Império com fotografias de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de agosto de 2019

Celebrando o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 4 de dezembro de 2019

Uma homenagem da Casa Granado ao imperial sob as lentes de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de fevereiro de 2020

Ressaca no Rio de Janeiro invade o porão da casa do fotógrafo Marc Ferrez, em 1913, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado 6 de março de 2020

Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 16 de março de 2020

Bambus, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2020

O Baile da Ilha Fiscal: registro raro realizado por Marc Ferrez e retrato de Aurélio de Figueiredo diante de sua obra, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 9 de novembro de 2020

O Palácio de Cristal fotografado por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 2 de fevereiro de 2021

A Estrada de Ferro do Paraná, de Paranaguá a Curitiba, pelos fotógrafos Arthur Wischral (1894 – 1982) e Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 22 de março de 2021

No Dia da Árvore, mangueiras fotografadas por Ferrez e Leuzinger, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 21 de setembro de 2021

Retratos de Pauline Caroline Lefebvre, sogra do fotógrafo Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 28 de abril de 2022

A Serra dos Órgãos: uma foto aérea e imagens realizadas pelos mestres Ferrez, Leuzinger e Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2022

O centenário da morte do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 12 de janeiro de 2023

O Observatório Nacional pelas lentes de Marc Ferrez, amigo de vários cientistas, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 29 de maio de 2023

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a potente imagem da Cachoeira de Paulo Afonso, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2023

A Fonte Adriano Ramos Pinto por Guilherme Santos e Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 18 de julho de 2023

Os 180 anos de nascimento do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 7 de dezembro de 2023

 

Visitantes Ilustres em Manguinhos

A partir de uma informação errada sobre uma imagem da visita do célebre cientista alemão Albert Einstein (1879 – 1955), publicada no Facebook durante a pandemia da Covid, o pesquisador Ricardo Augusto dos Santos, da Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, escreveu um artigo com os dados corretos do acontecimento e também sobre outras visitas ilustres ao Castelo Mourisco, dentre elas o presidente Getulio Vargas (1882 – 1954) e o governador de São Paulo, Adhemar de Barros (1901 – 1969). O registro de Einstein no Instituto Oswaldo Cruz, em 8 de maio de 1925, foi produzido pelo fotógrafo J. Pinto (1884 – 1951).

 

Visitantes Ilustres em Manguinhos

  Ricardo Augusto dos Santos*  

 

 

Em plena pandemia de COVID uma fotografia de Albert Einstein (1879 – 1955) circulou nas redes sociais (originalmente num post no Facebook) com informações erradas. O texto estava repleto de equívocos, com a legenda mencionando uma visita do cientista ao Instituto Butantã, em São Paulo. Além disso, a postagem comentava a presença de Oswaldo Cruz entre os homens. Seria cômico, se não fosse trágico. A primeira falha cometida é a ausência de informação sobre a origem do documento fotográfico pertencente ao acervo da Casa de Oswaldo Cruz, a COC, que é a unidade da Fundação Oswaldo Cruz responsável pela memória e história da instituição e de temas ligados ao campo da medicina e da saúde pública.

Vamos aos fatos. Em 1925, Einstein conheceu o Brasil, o Uruguai e a Argentina. Na foto aparece o cientista em visita ao Instituto Oswaldo Cruz. Em nosso país, entre compromissos profissionais e passeios, ficaram registradas visitas ao Observatório Nacional, Escola Politécnica, Museu Nacional, Instituto Oswaldo Cruz, Jardim Botânico e ao Clube de Engenharia. Não há dados sobre uma ida ao Butantã. No momento eternizado, na ampla varanda do belo prédio, o Pavilhão Mourisco, famoso Castelo da Avenida Brasil, estão fazendo companhia ao autor da Teoria Geral da Relatividade, Carlos Chagas, Alcides Godoy, Astrogildo Machado, Leocádio Chaves e demais pesquisadores. O principal equívoco que o autor do post no Facebook cometeu é que Oswaldo Cruz não poderia estar nessa foto, pois ele falecera em 1917. Oito anos, portanto, antes da visita de Einstein a Manguinhos.

 

 

Ao longo de seus 121 anos de história, a instituição de vanguarda na saúde pública e na ciência recebeu inúmeros visitantes. Personagens da história republicana, políticos, cientistas e intelectuais andaram pelos corredores, varandas, laboratórios e conheceram a ampla biblioteca. O acervo da Casa de Oswaldo Cruz guarda as imagens dessas visitas. Na foto acima, aparece Getulio Vargas (1882 – 1954); no grupo estão o ministro Gustavo Capanema (1900 – 1985), titular da pasta da Educação e Saúde Pública, e os cientistas Souza Araújo e Artur Neiva. Inúmeros cientistas nacionais e estrangeiros frequentaram Manguinhos, estudando, trabalhando ou visitando. Em outra fotografia, foi documentada a visita do médico francês León Bernard (1872 – 1934), especialista em tuberculose, membro do Comitê de Higiene da Liga das Nações e diretor dos Annales de Médecine.

 

 

Curiosamente, dentre as visitas registradas, encontramos duas fotos comprovando a presença inusitada do governador de São Paulo, Adhemar Pereira de Barros (1901 – 1969), que ficou famoso pelo modo condenável de administrar a coisa pública. Suspeito de angariar recursos financeiros em benefício próprio, Adhemar de Barros foi retratado junto aos pesquisadores do IOC. O que estaria fazendo Adhemar no Instituto? Adhemar era médico. E estudou no Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz entre 1919 e 1920. Contudo, na imagem feita nos anos 1940, Adhemar de Barros havia abandonado a medicina e ingressado na vida política.

 

 

rei Alberto da Bélgica (1875 – 1934), em 25 de setembro de 1920, durante sua viagem ao Brasil, visitou Manguinhos, na companhia do presidente Epitácio Pessoa (1865 – 1942). Foram recebidos pelo cientista Carlos Chagas (1878 – 1934), diretor da instituição (O Paiz, 26 de setembro de 1920; Careta de 2 de outubro de 1920).

 

 

Dias depois, em 27 de setembro de 1920, a rainha Elizabeth da Bélgica (1876 – 1965) também visitou o instituto (O Paiz, 28 de setembro de 1920). Foi recepcionada por Carlos Chagas (1879 – 1934) e por seus assistente. O fotógrafo J. Pinto (1884 – 1951) registrou o evento quando, segundo o jornal A Noite:

A rainha trocou idéias com o Dr. Carlos Chagas sobre a profilaxia da doença do ‘barbeiro’, e ficou bastante impressionada com as notícias das doenças rurais do país, procurando informar-se da organização sanitária que visa à respectiva profilaxia. O diretor expôs-lhe em traços gerais o novo regulamento destinado ao combate das moléstias que dizimam a população dos nossos campos e, ao retirar-se a rainha, a quem fora oferecido um delicado ‘lunch’, S.S. fez-lhe oferta de um lindo ramalhete de cravos, presos por fitas com as cores brasileiras e belgas“.

A Noite, 28 de setembro de 1920

 

 

 

Finalmente, destaca-se a homenagem prestada por Carlos Chagas (1879 – 1934) ao ministro da Agricultura, Juarez Távora (1898 – 1975); ao interventor de Pernambuco, Carlos de Lima Cavalcanti (1892 – 1967); ao interventor do Rio de Janeiro, Pedro Ernesto (1884 – 1942); e a Washington Pires (1892 – 1970), ministro da Educação, em 26 de julho de 1933.

 

 

 

*Ricardo Augusto dos Santos é Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz

 

Pesquisa complementar: Andrea C. T. Wanderley – Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol

 

Antes da construção do Cristo Redentor, inaugurado em 12 de outubro de 1931, havia no Corcovado um mirante que, devido a seu formato, ficou conhecido como Chapéu de Sol. Foi encomendado a uma fundição belga e construído, em 1885, por decisão de dom Pedro II (1825 – 1891), substituindo um precário pagode de madeira.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Chapéu de Sol no Morro do Corcovado disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

 

Cerca de um ano antes, em 9 de outubro de 1884, foi concluída a linha férrea que ligava o Cosme Velho às Paineiras, cuja concessão para a construção foi dada aos engenheiros Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), futuro prefeito do Rio de Janeiro, e a João Teixeira Soares (1848 – 1927), um dos realizadores da Estrada de Ferro do Paraná, de Curitiba a Paranaguá, inaugurada também em 1884 (Revista de Engenharia, 1882, primeira coluna; Gazeta de Notícias, 8 de janeiro de 1882, segunda coluna).

Pereira Passos havia sido responsável, em 1874, pela elaboração de um plano urbano para o Rio de Janeiro inspirado nas obras realizadas em Paris pelo Barão de Haussmann (1809 – 1891). A Estrada de Ferro do Corcovado já estava prevista em relatórios de 1875 e 1876 entregues à Coroa pela comissão chefiada por ele.

O renomado engenheiro Marcelino Ramos da Silva (1844 – 1910), um dos fundadores do Club de Engenharia, que havia estudado nas escolas de Hannover e Hamburgo, na Alemanha, dirigiu as obras. Estavam presentes à inauguração deste primeiro trecho dom Pedro II (1825 – 1891), dona Teresa Cristina (1822 – 1889), a princesa Isabel (1846- 1921), o conde D ´Eu (1842 – 1922) , além dos ministros da Agricultura, Antônio Carneiro da Rocha (1842 – 1925), da Guerra, João José de Oliveira Junqueira Júnior (1832 – 1887), de outras autoridades e dos diretores da estrada (Gazeta de Notícias, 10 de outubro de 1884, primeira coluna).

 

 

 

 

 

 

Em 1º de julho de 1885, o tráfego foi aberto até o alto do Corcovado (Jornal do Commercio, 2 de julho de 1885, quinta coluna; Revista de Engenharia, 1885, primeira coluna). O ramal ferroviário entre o Cosme Velho e o Corcovado foi construído sob o sistema Riggenbach, com cremalheira denteada sobre um trilho central para dar maior segurança à composição (Revista de Engenharia, 14 de abril de 1884, primeira coluna).

 

 

Acessando o link para as fotografias da Estrada de Ferro do Corcovado disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

 

 

A ferrovia, com aproximadamente 3.800 km de extensão, era percorrida por uma locomotiva a carvão. Foi a primeira linha férrea turística das Américas. O passeio de trem até o mirante, inicialmente de tração à vapor e, a partir de fevereiro de 1910, de tração elétrica, passou a ser uma das atrações prediletas dos cariocas, que do topo do morro admiravam a beleza do Rio de Janeiro em todo o seu esplendor (O Paiz, 26 de fevereiro de 1910, quinta colunaO Jornal, 5 de abril de 1945, última coluna).

 

 

 

Uma curiosidade: durante as celebrações do centenário da independência do Brasil, em 7 de setembro de 1922, houve a primeira transmissão radiofônica no Brasil, marcada por um discurso do presidente Epitácio Pessoa (1865 – 1942) transmitido pelas antenas – que aparecem na fotografia aérea abaixo -, instaladas no morro do Corcovado, ao lado do Chapéu de Sol, que alcançou receptores em Niterói, Petrópolis e São Paulo.

 

 

O mirante Chapéu de Sol foi totalmente removido na década de 40 pelo então prefeito Henrique Dodsworth (1895 – 1975), dentro de um programa de melhoramentos no alto do Corcovado (O Jornal, 28 de maio de 1941, sexta colunaGazeta de Notícias, 24 de junho de 1942, quarta colunaCorreio da Manhã, 2 de abril de 1944, quarta colunaRevista da Semana, 17 de junho de 1944).

 

 

Uma curiosidade: O primeiro nome do Morro do Corcovado foi Pináculo das Tentações, possivelmente atribuído pelo navegador italiano Américo Vespúcio (1451 – 1512), que no início do século XVI, passou pela Baía do Rio de Janeiro. Mas por sua forma, no século XVII, passou a ser comumente chamado Corcovado. Sua ocupação definitiva aconteceu com a chegada da família imperial ao Brasil, em 1808. Dom Pedro I (17 98- 1834) conduziu, com o objetivo de estabelecer pontos de observação para a defesa da costa, a primeira expedição oficial ao Monte Corcovado, em 22 de fevereiro de 1824, registrada nas telas do francês Jean-Baptiste Debret (1868 – 1948).

 

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Segundo o Portal do Iphan:

“A iniciativa da abertura de um caminho terrestre para o Corcovado foi de D. Pedro I. Assessorado por engenheiros militares, D. Pedro I percorreu as montanhas que circundavam a cidade e dirigiu pessoalmente, os trabalhos para abrir uma picada para um cavaleiro, no Corcovado. No cimo do morro, mandou instalar um telégrafo (semáforo, que sinalizava a subida com bandeiras, em conexão com outras estações Palácio de S. Cristóvão, fortaleza de Santa Cruz e Forte de Copacabana). Neste mesmo ano, instalou-se o primeiro belvedere para descortinio da paisagem e um acampamento rústico para uso da família imperial, quando de suas excursões ao local. As caminhadas e passeios à região, tornaram-se um hábito junto à população, e em especial junto aos visitantes e cronistas estrangeiros que registram textual e iconograficamente estes passeios”. 

 

O título deste artigo foi alterado de A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol para Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, em 16 de setembro de 2021.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BARBOSA, Verônica Mendes Borges; BONILHA, Caroline Leal. Paisagem brasileira: do retrtao pictórico ao retrato fotográfico. Universidade Federal de Pelotas, RS.

Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MOTA, Isabela; PAMPLONA, Patricia. Vestígios da paisagem carioca: 50 lugares desaparecidos do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro ; Mauad X, 2019.

Portal Iphan

SEMENOVITCH, Jorge Scévola. Corcovado: a conquista da montanha de Deus. Rio de Janeiro : Editora Lutecia, 2010

Site Arquidiocese de São Sebaastião do Rio de Janeiro

Site Câmara dos Deputados

Site Diário do Rio

Site História de Marcelino Ramos

 

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete

A Brasiliana Fotográfica publica o nono artigo da série Avenidas e ruas do Brasil e convida seus leitores a um passeio pelas ruas do Catete, a partir de fotografias de autoria de Antônio Caetano da Costa Ribeiro (18? – 19?), Augusto Malta (1864 – 1957), Augusto Stahl (1828 – 1877), Georges Leuzinger (1813 – 1892)Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897) e Marc Ferrez (1843  1923). São vistas panorâmicas e registros das ruas Conde de Baependy, do Príncipe, da Praça José de Alencar e, finalmente, da Rua do Catete, onde localiza-se o Palácio do Catete, que já foi a residência dos presidentes da República do Brasil e o local do suicídio de Getulio Vargas (1882-1954), em 24 de agosto de 1954, um dos fatos mais dramáticos de nossa história. Hoje abriga o Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Catete disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Links para as outras publicações da série “Avenidas e ruas do Brasil”

 Série “Avenidas e ruas do Brasil” I – Avenida Central, atual Rio Branco, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 7 de setembro de 2016

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A Rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 26 de junho de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” III – A Rua do Bom Jesus, no Recife, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 6 de agosto de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IV – A Rua 25 de Março, em São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 1º de setembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” V – A Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 22 de outubro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI  – Rua Augusto Ribas e outras, em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luiz Bianchi, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 16 de novembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VII – A Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 23 de dezembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil VIII – A Rua da Carioca por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 20 de janeiro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” X – A Rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 9 de novembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XI – A Rua da Esperança, em São Paulo, por Vincenzo Pastore, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de dezembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XII – A Avenida Paulista, o coração pulsante da metrópole, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 21 de janeiro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIII – A Rua Buenos Aires no Centro do Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 19 de julho de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIV – A Avenida Presidente Vargas,, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 31 de agosto de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XV – Misericórdia: rua, largo e ladeira, no Rio de Janeiro, por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 8 de dezembro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVI – “Alguma coisa acontece no meu coração”, a Avenida São João nos 469 anos de São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 25 de janeiro de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVII  e série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXIII – A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVIII – Avenida Beira-Mar, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 22 de janeiro de 2024

 

 

Série “Teatros e cinemas do Brasil” IV – Cinema no Brasil – a primeira sessão e um pouco da história do Cinema Odeon

Um “aparelho que projeta sobre uma tela colocada ao fundo da sala diversos espetáculos e cenas animadas, por meio de uma série enorme de fotografias“. Assim o Jornal do Commercio descreveu o omniógrafo, após a primeira sessão pública de cinema no Brasil, que aconteceu às 14h, do dia 8 de julho de 1896, no Rio de Janeiro, em uma sala especialmente preparada para as projeções do aparelho, na rua do Ouvidor (Jornal do Commercio, 9 de julho de 1896, quarta coluna). A exibição ocorreu poucos meses após a projeção inaugural dos filmes dos irmãos Auguste (1862 – 1954) e Louis-Jean Lumière (1864 – 1948), em Paris, no dia 28 de dezembro de 1895, no Grand Café do Boulevard des Capucines.

 

 

Diversos fotógrafos não ficaram indiferentes à nova invenção. Alguns exemplos já abordados pela Brasiliana Fotográfica são Benjamin Abrahão Calil Botto (1901 – 1938), Jorge Kfuri (1893 – 1965)João Stamato (1886 – 1951)Marc Ferrez (1843 – 1923) e seus filhos e Walter Garbe (18? – 19?).

 

Acessando o link para as fotografias dos cinemas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Nesse artigo, a Brasiliana Fotográfica homenageia a sétima arte e destaca a imagem do Cinema Odeon produzida pelo fotógrafo alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), que foi, de 1903 a 1936, o fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro. Acessando a fotografia no acervo do portal, o leitor poderá magnificá-la, verificar todos os dados referentes a ela e explorar todos os seus detalhes, como, por exemplo, os pedestres, os carros, a iluminação pública, a presença de uma agência da Sul-América Seguros no prédio, a arquitetura da fachada e ônibus que aparecem no registro. Basta clicar aqui ou na própria imagem. A preservaçao digital de imagens possibilita, a partir de recursos tecnológicos como o zoom, que as fotografias tenham outra visibilidade e possam ser acessadas em sua qualidade plena.

 

 

A sala de cinema Odeon já existia na década de 10, na então avenida Central, atual Rio Branco, nº 137, esquina com a rua Sete de Setembro, quando, entre 1909 e 1913, o pianista Ernesto Nazareth (1863 – 1934) tocava na sala de espera, tendo merecido um elogio do também pianista e compositor Henrique Oswald (1852 – 1931) que o ouviu no Cinema Odeon: “É admirável esse moço. Que música ele faz! Eu mesmo seria incapaz de interpretá-la com aquela mestria, aquele prodígio de ritmo. E aqui, perdido nesta indiferença…”. Nazareth havia dedicado o tango Batuque (1901) a Oswald.

Nazareth retornou ao cinema, entre 1913 e 1918, como pianista da orquestra de Eduardo Andreozzi  (1892-1979). Villa-Lobos (1887 – 1959) era, na ocasião, o violoncelista. Darius Milhaud (1892 – 1974), que passou uma temporada no Brasil, tambem o ouviu tocar no Odeon e, posteriormente, escreveu sobre ele em sua autobiografia Notes san musique. Foi também no Odeon que o pianista polonês Arthur Rubinstein (1887-1982) o ouviu tocar, tendo ficado impressionado com sua performance. Sua composição, o tango Odeon, publicado em 1909 pela Casa Mozart (E. Bevilacqua & Cia.) foi dedicado “à distinta empresa Zambelli & Cia.”, proprietária do Cinema Odeon. A primeira gravação foi realizada por ele com Pedro Alcântara (1866 – 1929) ao flautim, em 1912. Não foi, na época, uma peça de especial destaque, mas tornou-se um de seus maiores sucessos na segunda metade do século XX.

 

 

Voltando ao Cinema Odeon, o atual prédio, fotografado por Malta, foi inaugurado em 3 de abril em 1926, na Praça Floriano, nº 7, no auge da presença de salas de cinema na Cinelândia, no centro do Rio (Jornal do Commercio, 2 de abril de 1926, quarta coluna; O Paiz, 4 de abril de 1926, segunda coluna). Passou por reformas em fins do século XX e, sob a administração do Grupo Estação, foi fechado em 2014, devido a dívidas. Reaberto, em 2015, como Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro – Cine Odeon passou a ser, além de sala de cinema, um espaço para cursos, palestras e espetáculos. O Cine Odeon mantém viva a tradição dos cinemas de rua do Rio de Janeiro.

 

 

” O ODEON é parte da memória cultural do Rio de Janeiro e representa uma época em que o cinema e o Centro da cidade se confundiam e se completavam. Sua história acompanha as mudanças da cidade ao seu redor ao longo dos seus 90 anos e continua a encantar o público, combinando com maestria a tradição e a renovação, o clássico e o contemporâneo, sem nunca perder a força da sua identidade“.

 

 

 

Link para o site Ernesto Nazareth 150 anos, do Instituto Moreira Salles.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Site Cine Odeon

Site Ernesto Nazareth 150 Anos – Instituto Moreira Salles

Site Musica Brasilis

Youtube

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica sobre teatros e cinemas

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXpublicado em 26 de fevereiro de 2016.

Os teatros do Brasil, publicado em 21 de março de 2016

A inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, publicado em 14 de julho de 2017

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XII – O Teatro Lírico (Theatro Lyrico), publicado em 16 de setembro de 2021

O Theatro de Santa Isabel, publicado em 28 de outubro de 2021

O Teatro Amazonas (Theatro Amazonas), em Manaus, a “Paris dos Trópicos”, publicado em 28 de dezembro de 2021

O Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no Dia Mundial do Teatro, publicado em 27 de março de 2023

Dia do Cinema Brasileiro, publicado em 19 de junho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 5 de setembro de 2023

O Theatro da Paz, em Belém do Pará, inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 15 de fevereiro de 2024