Getúlio Vargas: da vida para a memória

Getúlio Vargas: da vida para a memória

 Maria de Fátima Morado*

 

 

Nos 70 anos da morte de Getúlio Vargas, o Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República divulga as fotos de seu velório no Palácio do Catete, sede da Presidência da República naquele período, e de seu enterro em São Borja, no Rio Grande do Sul, sua cidade natal.

 

 

As fotos do velório de Getúlio Vargas pertencem à coleção Enê Garcez, militar que, em 1951, ocupou o cargo de Chefe de Pessoal da Presidência da República no segundo governo Vargas (1951-1954).

 

 

Por sua vez, as fotos do enterro fazem parte da coleção Getúlio Vargas, formada a partir da reunião de transferências de documentos do Museu Histórico Nacional para o Museu da República e de doações avulsas diversas. Há relatos de que, entre os documentos vindos do MHN, estariam itens doados diretamente por Getúlio àquela instituição, enquanto exercia a Presidência da República.

Acessando o link para as imagens de relativas a esse artigo, que pertencem ao acevo do Museu da República e estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

O suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, foi o ápice de uma grave crise política que o país atravessava. Com um tiro no coração, Getúlio interrompeu o processo turbulento provocado pelos opositores que visavam à sua deposição.

O segundo governo Vargas foi alvo de constantes acusações de corrupção, levando Getúlio a declarar que estava em um “mar de lama”. Esse clima de instabilidade foi alimentado por políticos rivais, militares e imprensa até que o atentado da rua Tonelero, em 5 de agosto de 1954, desencadeou uma grande pressão para a renúncia de Getúlio. Nessa ação foram disparados tiros que mataram o major Rubens Florentino Vaz e que feriram Carlos Lacerda, principal opositor de Getúlio. Dois anos depois, o chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, Gregório Fortunato, foi condenado como mandante da tentativa de assassinato de Lacerda.

Na madrugada de 24 de agosto, Getúlio reuniu seu ministério que o aconselhou a se licenciar ou renunciar à presidência. Sem garantia de apoio para resistir, Getúlio cometeu seu último ato político, o suicídio, na manhã desse mesmo dia.

O quarto que ocupava no Palácio do Catete foi palco desse trágico evento, deixando de ser um espaço íntimo para se tornar o lugar de sua memória. Contudo, não só o quarto, mas o próprio Palácio do Catete, atual Museu da República, segue como um espaço marcado pela imagem de Getúlio, considerando que ali ele viveu grande parte de sua trajetória política, durante os 19 anos em que presidiu o país.

 

 

O corpo de Getúlio foi velado em outro ambiente do Palácio do Catete, o Salão Ministerial. Os registros desse momento demonstram a comoção da população diante do impacto de sua morte, com imagens de pessoas debruçadas sobre o caixão ou amparadas pelos guardas. Em São Borja, as fotografias expõem o cortejo fúnebre até o cemitério e em meio à multidão destaca-se a presença de João Goulart, herdeiro político de Vargas.

 

 

As intensas homenagens prestadas após sua morte, bem como os intensos protestos do povo revoltado com o desfecho de Getúlio demonstram que o líder controverso não poderia jamais ser esquecido.

 

*Maria de Fátima Morado é historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete

A Brasiliana Fotográfica publica o nono artigo da série Avenidas e ruas do Brasil e convida seus leitores a um passeio pelas ruas do Catete, a partir de fotografias de autoria de Antônio Caetano da Costa Ribeiro (18? – 19?), Augusto Malta (1864 – 1957), Augusto Stahl (1828 – 1877), Georges Leuzinger (1813 – 1892)Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897) e Marc Ferrez (1843  1923). São vistas panorâmicas e registros das ruas Conde de Baependy, do Príncipe, da Praça José de Alencar e, finalmente, da Rua do Catete, onde localiza-se o Palácio do Catete, que já foi a residência dos presidentes da República do Brasil e o local do suicídio de Getulio Vargas (1882-1954), em 24 de agosto de 1954, um dos fatos mais dramáticos de nossa história. Hoje abriga o Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Catete disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Links para as outras publicações da série “Avenidas e ruas do Brasil”

 Série “Avenidas e ruas do Brasil” I – Avenida Central, atual Rio Branco, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 7 de setembro de 2016

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A Rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 26 de junho de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” III – A Rua do Bom Jesus, no Recife, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 6 de agosto de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IV – A Rua 25 de Março, em São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 1º de setembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” V – A Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 22 de outubro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI  – Rua Augusto Ribas e outras, em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luiz Bianchi, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 16 de novembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VII – A Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 23 de dezembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil VIII – A Rua da Carioca por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 20 de janeiro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” X – A Rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 9 de novembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XI – A Rua da Esperança, em São Paulo, por Vincenzo Pastore, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de dezembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XII – A Avenida Paulista, o coração pulsante da metrópole, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 21 de janeiro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIII – A Rua Buenos Aires no Centro do Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 19 de julho de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIV – A Avenida Presidente Vargas,, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 31 de agosto de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XV – Misericórdia: rua, largo e ladeira, no Rio de Janeiro, por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 8 de dezembro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVI – “Alguma coisa acontece no meu coração”, a Avenida São João nos 469 anos de São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 25 de janeiro de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVII  e série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXIII – A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVIII – Avenida Beira-Mar, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 22 de janeiro de 2024