Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIV – A Avenida Presidente Vargas

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIV – A Avenida Presidente Vargas

O tema do 14º artigo da Série Avenidas e ruas do Brasil é a Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio de Janeiro. Foram selecionadas 19 fotografias da avenida em si e também de lugares que existiam antes de sua inauguração, na década de 40. São imagens produzidas por Alfredo Krausz (1902 – 1953), Antônio Caetano da Costa Ribeiro (18? – 19?), Augusto Malta (1864 – 1957), Guilherme Santos (1871 – 1966), Marc Ferrez (1843 – 1923), Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e Uriel Malta (1910 – 1994). As mais antigas são da década de 1860, foram realizadas por Klumb e retratam o então Canal do Aterrado, o Canal do Mangue.

A avenida Presidente Vargas liga o Largo da Candelária à Praça da Bandeira e tem quatro quilômetros de extensão e 80 metros de largura. É lá que acontecem as festas de 7 de setembro. Também já foi palco de manifestações populares que fazem parte da história do Brasil como a do movimento pelas Diretas Já.

 

 

Acessando o link para as fotografias da Avenida Presidente Vargas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

 

Logo no início da década de 40, durante o Estado Novo, o então presidente Getulio Vargas (1882 – 1954) decidiu construir a Avenida Presidente Vargas e, pelo projeto, um trecho do Campo de Santana, partes da Praça Onze, além de ruas inteiras, como a General Câmara, a São Pedro, a Senador Eusébio e a Visconde de Itaúna teriam que ser destruídos (O Malho, dezembro de 1941). Começaram as demolições. Inúmeras famílias foram desalojadas, mais de 500 prédios foram derrubados, dentre eles a antiga sede da prefeitura, e algumas igrejas como a Igreja de São Pedro dos Clérigos, que já foram temas de artigos da série O Rio de Janeiro desaparecido. As igrejas do Bom Jesus do Calvário, de Nossa Senhora da Conceição e a Capela de São Domingos também foram demolidas. No traçado original, nem a Candelária resistiria, mas desistiram de demoli-la e construíram a Praça Pio XI para harmonizá-la com a nova avenida.

 

 

O segundo trecho da nova avenida foi concluído em 10 de novembro de 1942; e, em 10 de novembro de 1943, foi batizada de Presidente Vargas. Finalmente, em 7 de setembro de 1944, foi inaugurada. A obra foi realizada durante a gestão dom prefeito Henrique Dodsworth (1895 – 1975) em apenas três anos (O Malhodezembro de 1942abril de 1943dezembro de 1943O País, 10 de novembro de 1943Jornal do Brasil, 8 de setembro de 1944).

 

 

 

 

Segundo o site MultiRio:

“Muito embora a Presidente Vargas tenha cumprido, de imediato, o seu papel de corredor de transportes, dotando o Centro de melhor infraestrutura rodoviária, o crescimento imobiliário da via não cumpriu o roteiro programado, à exceção do trecho próximo à Avenida Rio Branco. Aos poucos, os empreendimentos se estenderam até o Campo de Santana, tornando-se, a partir daí, cada vez mais rarefeitos, fato que contribuiu para a decadência de toda a região da Cidade Nova.

Segundo informações do Instituto Pereira Passos, a renovação dessa área só começou a acontecer na década de 1970, quando várias instituições públicas passaram a construir grandes prédios para ali se instalarem, a exemplo dos Correios, do Arquivo Público Nacional, do Centro Administrativo São Sebastião, do Centro de Convenções. O fato é que o espírito da cultura negra permanece mais vivo do que nunca no trecho da Avenida Presidente Vargas onde existia a antiga Praça Onze. É ali que fica o Monumento a Zumbi, o Terreirão do Samba, a armação do desfile das maiores escolas de samba da cidade”.

 

Ouça aqui a música Bom dia, Avenida (1944), de Herivelto Martins e Grande Otelo.

 

 Bom dia, Avenida (1944)

Herivelto Martins e Grande Otelo

Lá vem a nova avenida
Remodelando a cidade
Rompendo prédios e ruas
Os nossos patrimônios da saudade
É o progresso!
E o progresso é natural
Lá vem a nova avenida
Dizer à sua rival:
Bom dia Avenida Central!

A União das Escolas de Samba
Respeitosamente faz o seu apelo
Três e duzentos de selo
Requereu e quer saber
Se quem viu a Praça Onze acabar
Tem direito à Avenida
Em primeiro lugar
Nem que seja depois de inaugurar
Nem que seja depois de inaugurar!

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BORDE, Andrea de Lacerda Pessôa. Avenida Presidente Vargas: narrativas históricas. Revista do Arquivo Geral do Rio de Janeiro, nº 10, 2016.

BUENO, Eduardo e TAITELBAUM, Paula. Avenida Presidente Vargas: um desfile pela história do Brasil. Rio de Janeiro: Arco, 2010.

Diário do Rio

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

O GLOBO, 6 de setembro de 2019

Site MultiRio

 

Links para as outras publicações da série “Avenidas e ruas do Brasil”

 Série “Avenidas e ruas do Brasil” I – Avenida Central, atual Rio Branco, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 7 de setembro de 2016

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A Rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 26 de junho de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” III – A Rua do Bom Jesus, no Recife, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 6 de agosto de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IV – A Rua 25 de Março, em São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 1º de setembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” V – A Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 22 de outubro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI  – Rua Augusto Ribas e outras, em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luiz Bianchi, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 16 de novembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VII – A Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 23 de dezembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil VIII – A Rua da Carioca por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 20 de janeiro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de julho de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” X – A Rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 9 de novembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XI – A Rua da Esperança, em São Paulo, por Vincenzo Pastore, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de dezembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XII – A Avenida Paulista, o coração pulsante da metrópole, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 21 de janeiro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIII – A Rua Buenos Aires no Centro do Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 19 de julho de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XV – Misericórdia: rua, largo e ladeira, no Rio de Janeiro, por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 8 de dezembro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVI – “Alguma coisa acontece no meu coração”, a Avenida São João nos 469 anos de São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 25 de janeiro de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVII  e série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXIII – A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVIII – Avenida Beira-Mar, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 22 de janeiro de 2024

 

 

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIII – A Rua Buenos Aires no Rio de Janeiro

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIII – A Rua Buenos Aires no Rio de Janeiro

No 13º artigo da Série Avenidas e ruas do Brasil, a Brasiliana Fotográfica destaca a Rua Buenos Aires, antiga Rua do Hospício, no Centro do Rio de Janeiro. Os registros são de Augusto Malta (1864 – 1957), alagoano que foi o fotógrafo oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro, entre 1903 e 1936, e de um fotógrafo ainda não identificado. Malta foi contratado pelo prefeito Pereira Passos (1836 – 1913) para documentar a radical mudança urbanística promovida por ele, período que ficou conhecido como o “bota-abaixo” e que contribuiu fortemente para o surgimento do Rio de Janeiro da Belle Époque.

 

Acessando o link para as fotografias da rua Buenos Aires disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

A Rua Buenos Aires liga o Campo de Santana à rua 1º de Março e fica na região conhecida como Saara, caracterizada pela forte presença de lojas especializadas em artigos populares. Lembramos a nossos leitores que a utilização da ferramenta zoom possibilita a exploração mais aproximada de aspectos interessantes das fotografias. Por exemplo, na imagem abaixo, realizada por um fotógrafo ainda não identificado, que registrou a Rua Buenos Aires na direção da Avenida Passos, podem ser observados mais detalhadamente seu antigo casario, os pedestres, as fachadas das lojas e um bonde em seus trilhos.

 

 

No século XVIII, a Rua Buenos Aires era chamada de Rua Detrás do Hospício, apesar de não ter existido um hospício nela: a parte de trás da antiga Igreja do Hospício, localizada na Rua do Rosário, que tinha uma capela e um albergue, dava para a Buenos Aires. Conforme lembrado por Brasil Gerson (1904 – 1981), no livro História das Ruas do Rio: No português antigo, hospício era o mesmo que albergue e hospital. Ainda, segundo o mesmo autor, antes de ficar conhecida como Rua do Hospício, alguns de seus trechos tiveram outras denominações como Rua da Portuguesa, certamente por causa da portuguesa Margarida Soares, que nela morava quando ela não ia além do caminho para o Morro da Conceição; Rua do Sebastião Ferrão, que foi provavelmente um tabelião; Rua do Teixeira, que nela explorava uma casa de jogo de truque; Rua do Becão, famoso cirurgião da Santa Casa; e Rua do Alecrim.

Passou a chamar-se Rua Buenos Aires, em 1915, durante a gestão do prefeiro Rivadávia da Cunha Correia (1866- 1920) (A Noite, 16 de novembro de 1915, quarta coluna; A Rua, 23 de novembro, segunda coluna).

Abrigou alguns estabelecimentos importantes da cidade como, por volta de 1860, a empresa Mesquita e Moreira, de matérias fecais, que antes da instalação do serviço de esgoto no Rio de Janeiro recolhia os urinóis caseiros e jogava sua carga no mar; a redação do jornal O Jacobino, a primeira sede do Clube Ginástico Português, a companhia Mútua de Seguros de Vida de Escravos, em 1862; em 1880, o Grêmio dos Professores; e, em 1905, a Liga Metropolitana de Futebol. Já na década de 1930, tornou-se uma Ra cheia de sedes de jornais: lá estavam instalados, no quarteirão entre o Mercado das Flores e a Rua Uruguaiana, A Manhã, O Popular e  A Tarde.

 

 

O registro abaixo, do Mercado das Flores, na Rua Buenos Aires, foi produzido por Malta. Foi inaugurado em 17 de abril de 1910 com a presença do então prefeito da cidade, Serzedelo Correia (1858 – 1932) e de Julio Furtado (1851 -1934), diretor das Matas e Jardins. Agora já pode o estrangeiro ir a um mercado de flores decente e digno de uma capital como a nossa (Correio da Manhã, 18 de abril de 1910, última coluna). Porém a construção não agradou a todos (Gazeta de Notícias, 18 de abril de 1910, segunda coluna). Foi o caso da escritora Julia Lopes de Almeida (1862 – 1934), que publicou uma crítica no jornal O Paiz, de 10 de maio de 1910. O Mercado das Flores, além de ser um polo de referência no comércio de flores, foi um ponto turístico da cidade, devido à exuberância de seus arranjos florais.

 

 

A Rua Buenos Aires, que ainda se chamava Rua do Hospício, foi mencionada na crônica Vinte Anos! Vinte Anos!, de Machado de Assis (1839 – 1908).

“…Depois de dizer o diabo do correspondente, de fazer e desfazer mil planos, Gonçalves assentou no que lhe pareceu melhor, que era ir à casa dele, na Rua do Hospício, descompô-lo, armado de bengala, e dar-lhe com ela, se ele replicasse alguma coisa. Era sumário, enérgico, um tanto fácil, e, segundo lhe dizia o coração, útil aos séculos…Eram os vinte anos que irrompiam cálidos, férvidos, incapazes de engolir a afronta e dissimular. Gonçalves foi por ali fora, Rua do Passeio, Rua da Ajuda, Rua dos Ourives, até à Rua do Ouvidor. Depois lembrou-se que a casa do correspondente, na Rua do Hospício, ficava entre as de Uruguaiana e dos Andradas; subiu, pois, a do Ouvidor para ir tomar a primeira destas. Não via ninguém, nem as moças bonitas que passavam, nem os sujeitos que lhe diziam adeus com a mão. Ia andando à maneira de touro. Antes de chegar à Rua de Uruguaiana, alguém chamou por ele.”

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Diário do Rio

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

 

Links para as outras publicações da série “Avenidas e ruas do Brasil”

 Série “Avenidas e ruas do Brasil” I – Avenida Central, atual Rio Branco, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 7 de setembro de 2016

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A Rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 26 de junho de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” III – A Rua do Bom Jesus, no Recife, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 6 de agosto de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IV – A Rua 25 de Março, em São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 1º de setembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” V – A Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 22 de outubro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI  – Rua Augusto Ribas e outras, em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luiz Bianchi, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 16 de novembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VII – A Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 23 de dezembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil VIII – A Rua da Carioca por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 20 de janeiro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de julho de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” X – A Rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 9 de novembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XI – A Rua da Esperança, em São Paulo, por Vincenzo Pastore, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de dezembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XII – A Avenida Paulista, o coração pulsante da metrópole, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 21 de janeiro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIV – A Avenida Presidente Vargas,, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 31 de agosto de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XV – Misericórdia: rua, largo e ladeira, no Rio de Janeiro, por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 8 de dezembro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVI – “Alguma coisa acontece no meu coração”, a Avenida São João nos 469 anos de São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 25 de janeiro de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVII  e série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXIII – A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVIII – Avenida Beira-Mar, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 22 de janeiro de 2024

 

 

As favelas do Leblon

Com fotografias do acervo do médico pernambucano Victor Tavares de Moura (1892-1960) que, em 1941, constituiu uma comissão para o estudo das favelas, tornando-se um dos responsáveis pela execução do projeto piloto dos Parques Proletários, o pesquisador Ricardo Augusto dos Santos, da Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, conta um pouco da história das favelas do Leblon, suas remoções e incêndios suspeitos ou oficiais como no caso da Favela do Largo da Memória, que foi realizado através de ato oficial, em 1942.  Seus residentes foram para o Parque Proletário Provisório da Gávea ou Parque Proletário nº 1, formado por imensos barracões erguidos pela Prefeitura na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, ao lado da Pontifícia Universidade Católica (PUC).

 

Favelas do Leblon

Ricardo Augusto dos Santos*

 

 

Os atuais moradores do Leblon, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, não devem conhecer, mas o bairro carrega marcas das lutas dos trabalhadores. Em esquina elegante, localizamos um pequeno comércio com o nome de Largo da Memória. Também encontramos uma praça com a mesma designação. Qual a origem dessas referências? Na região – Leblon e Gávea -, em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas, existiram várias favelas. Não eram poucas as comunidades. Catacumba, Favela do Capinzal, Piraquê, Praia do Pinto. Esta última, possuía grande dimensão. Algumas delas chegavam a ocupar as águas da Lagoa. Por exemplo, a Favela da Ilha das Dragas localizava-se perto do Canal do Jardim de Alah, fronteira entre Ipanema e Leblon, e ocupava a ilha Caiçaras.

 

 

 

Dominando uma extensa faixa de terra, situava-se a favela Largo da Memória. Sua origem está em antigo acesso à praia. Várias favelas da Zona Sul da cidade desaparecerem após incêndios de origem suspeita. Razões para essa suposição são abundantes. Um dos motivos para sustentar a hipótese criminosa está na rapidez com que, após a queima dos barracos, e consequente mudança dos habitantes para regiões distantes, acontecia a urbanização dos terrenos. Hoje, a região é área de residências de altíssimo valor.

 

Acessando o link para as fotografias de favelas do Leblon disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

No entanto, curiosamente, a favela do Largo da Memória, removida na época do primeiro governo Vargas (1930-1945), foi incendiada através de ato oficial. O acontecimento representa um importante registro da política habitacional para os trabalhadores. Uma fogueira de quilômetros ardeu durante horas entre a Gávea e o Leblon. Este incêndio foi documentado e noticiado pela imprensa e o prefeito Henrique Dodsworth (1895-1975) participou do evento, ateando a chama original.

 

 

No momento de sua destruição, a plateia formada por políticos, bombeiros, moradores e jornalistas assistia ao fato. A favela foi arrasada pelo projeto que criou os Parques Proletários Provisórios. Os residentes do Largo da Memória foram para o Parque Proletário Provisório da Gávea ou Parque Proletário nº 1, constituído por imensos barracões erguidos pela Prefeitura na Rua Marquês de São Vicente (Gávea), ao lado da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Mas, as precárias habitações provisórias tornaram-se permanentes e acabaram se deteriorando em meio aos destroços que restavam do abandono. Em menor intensidade, isso aconteceu na Gávea. Mas, os barracões do Parque Proletário nº3 erguidos na Praia do Pinto – misturados aos antigos casebres – formaram o maior conjunto de moradias do lugar. Fontes indicam que, em finais da década de 1960, moravam na Praia do Pinto mais de 10.000 pessoas. O Parque Proletário Provisório nº2 localizava-se no Caju.

 

 

Encontramos fotos que documentam estes momentos no acervo do médico Victor Tavares de Moura (1892-1960). Nomeado pelo Prefeito Dodsworth para centralizar as ações de estudo e erradicação das favelas, Moura defendia que essas aglomerações urbanas deveriam ser objeto de intervenção. Reassentados nos parques provisórios, adultos e crianças receberiam atenção dos órgãos públicos. Originalmente, o programa possuía atendimento médico e social, mas as ações assistenciais não duraram muito tempo. No acervo fotográfico, várias imagens registram uma visita do presidente Getulio Vargas (1882-1954).

 

 

Victor Tavares nasceu em 12 de abril de 1892, em Nazareth (PE), filho de João de Moura Vasconcelos e Davina de Moura Tavares. Em 1906, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, concluindo o curso em 1913, no Rio de Janeiro. Entre 1916 e 1918, morou em Paris e Berlim, especializando-se em cirurgia. Em consequência da Primeira Guerra Mundial, regressou a Pernambuco, assumindo um cargo na Diretoria de Higiene e Saúde Pública. Em 1920, foi nomeado médico da prefeitura de Garanhuns. Dois anos depois, coordenaria uma campanha contra a peste bubônica. Em 1935, transferiu-se para o Rio de Janeiro para trabalhar como médico da prefeitura do Distrito Federal. Posteriormente, trabalhou na Diretoria-Geral de Assistência Municipal, no Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Bancários (IAPB) e no IAP dos Comerciários. Em 1937, foi nomeado chefe do Albergue da Boa Vontade. Em virtude da Lei de Desacumulação, optou pelo cargo que ocupava na prefeitura, coordenando a comissão para o estudo das favelas, tornando-se responsável pelo planejamento dos Parques Proletários Provisórios. Faleceu em 3 de novembro de 1960.

 

 

Muitas favelas foram incendiadas, provocando a movimentação involuntária das pessoas. Em 1967, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, um incêndio destruiu parte da Favela da Catacumba (perto do Corte de Cantagalo), trazendo pânico e desabrigando milhares. Contudo, este não foi o único e, tampouco, o último fogo nas residências dos pobres. Esses acontecimentos se repetiram em várias favelas durante anos. Várias comunidades localizadas na Zona Sul foram removidas com o argumento de que o espaço seria organizado. Além disso, sustentavam que, após a transferência, os moradores viveriam em acomodações dignas. Entretanto, afastados das áreas valorizadas, os habitantes foram para conjuntos habitacionais longínquos e sem condições adequadas.

 

 

Em 1969, situada entre a Lagoa e a orla, um incêndio arrasou a favela da Praia do Pinto. O contínuo processo de valorização imobiliária provocava conflitos entre os trabalhadores e a população de alto poder aquisitivo que estava se estabelecendo no local. A partir do início da década de 1960, as políticas públicas em relação aos ocupantes das áreas cobiçadas pelos empresários dos ramos construtor e imobiliário possuíam como pressuposto o deslocamento para bairros afastados dos locais de trabalho dos moradores.

 

*Ricardo Augusto dos Santos é Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz

 

Indicações Bibliográficas:

AMOROSO, Mauro; BRUM, Mario; GONÇALVES, Rafael Soares (Orgs.). Pensando as favelas cariocas: história e questões urbanas. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio: Ed. Palas, 2021.

PESTANA, Marco Marques. Remoções de Favelas no Rio de Janeiro. Empresários, Estado e movimento de favelados. 1957-1973. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2022.

 

Link para o artigo A favela banida, publicado no portal de fotojornalismo Testemunha Ocular, em 2 de junho de 2022.

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XIX – A Igrejinha de Copacabana

o 19º artigo da Série O Rio de Janeiro desaparecido, o tema é a bucólica e bela Igrejinha de Copacabana, que ficava no topo de um morro no Posto 6, e deu nome a uma das mais famosas praias do mundo. Foi desapropriada e demolida, entre 1918 e 1919. As fotografias são de autoria do alagoano Augusto Malta (1864 – 1957) e de um fotógrafo ainda não identificado, que retratou o promontório em que ficava a igreja e onde atualmente se encontra o Forte de Copacabana. Mais uma vez, lembramos do zoom, ferramenta oferecida pelo portal, que proporciona ao leitor uma possibilidade de se aproximar da imagem e explorá-la mais detalhadamente.

 

 

Acessando o link para as fotografias da Igrejinha de Copacabana disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Sabe-se que a Igrejinha de Copacabana já existia na primeira metade do século XVIII. Segundo Charles Julius Dunlop (1908–1987), escritor e entusiasta do Rio Antigo, em 1746:

“Regressava o bispo frei Antônio do Desterro de uma viagem a angola, quando, à entrada da baía, o nvaio que o conduzia, colhido por uma forte tempestade, foi impelido até fora da barra. No momento do perigo, vendo de longe a Igrejinha, em destroços, o bispo implorou o amparo de Nossa Senhora de Copacabana, prometendo restaurá-la se o mar enfurecido não o tragasse. Salvou-se e cumriu a promessa, reconstruindo o santuário.”

 

 

Na segunda metade do século XVIII, foi novamente restaurada e, no início do século XX, sua Missa do Galo era muito concorrida. Como já mencionado, a Igrejinha de Copacabana ficava no promontório onde hoje se encontra o Forte de Copacabana, cuja pedra fundamental foi lançada em 5 de janeiro de 1908, quando o presidente do Brasil era Afonso Pena (1847 – 1909) e o ministro da Guerra, o marechal Hermes da Fonseca (1855 – 1923), que já era o presidente da República na inauguração do Forte, em 28 de setembro de 1914 (Correio da Manhã, 6 de janeiro de 1908, terceira coluna; Correio da Manhã, 29 de setembro de 1914, quinta coluna) .

Cerca de quatro anos depois da inauguração do Forte, a Igrejinha de Copacabana foi adquirida pelo Ministério da Guerra, conforme publicado no Decreto nº 12.924, de 20 de março de 1918, que a identificou como igreja de Ipanema. 

 

Decreto nº 12.924, de 20 de março de 1918

 

Abre ao Ministerio da Guerra o credito especial de 80:000$, para a acquisição da igreja de Ipanema, perto do forte de Copacabana.

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil, usando da autorização contida na alinea IX do art. 52 da lei n. 3.454, de 6 de janeiro do corrente anno, resolve abrir ao Ministerio da Guerra o credito especial de 80:000$, para a acquisição da igreja de Ipanema, perto do forte de Copacabana.

Rio de Janeiro, 20 de março de 1918, 97º da Independencia e 30º da Republica.

WENCESLAU BRAZ P. GOMES.
José Caetano de Faria.

 

Foi publicado que o Ministério da Guerra pretendia destruir o pequeno templo e fazer construir em seus terrenos uma fortificação militar (O Paiz, 9 de julho de 1918, segunda coluna). A Igrejinha de Copacabana foi demolida entre 1918 e 1919. Segundo Dunlop, a imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi recolhida pela família Tefé e levada à sua residência em Corrêas, Petrópolis.

 

 

Algumas imagens e um texto sobre a Igrejinha de Copacabana publicadas na imprensa do início do século XX

 

 

Sobre a imagem abaixo, o pesquisador Agenor Araújo Filho informou à Brasiliana Fotográfica ser de autoria do fotógrafo francês André-Charles Armeilla (c. 1853 – 1913). Encontra-se reproduzida na página 43 do livro Armeilla: um mestre esquecido da paisagem carioca. Armeilla chegou ao Brasil em torno de 1903, após trabalhar por cerca de 10 anos em Montevidéu, no Uruguai. No Rio de Janeiro, vendia fotos para a imprensa e foram publicadas em revistas como a Kosmos e a Careta. Algumas fotos de sua autoria da Biblioteca Nacional, do Jardim Botânico e do Teatro Municipal foram publicadas, em 1912, sem crédito, no livro Brasilien, Ein Land Der Zukunft (Brasil, Um País do Futuro). Segundo Agenor, no dia 15 de maio de 1913, o fotógrafofoi encontrado morto por um policial na rua Bento Lisboa, no Catete. Foi sepultado como indigente no cemitério de São Francisco Xavier, tendo morrido de uma moléstia não determinada. *

 

 

 

 

 

Texto sobre a Igrejinha de Copacabana, de autoria de Alice Lassance (18? – 19?), segundo o qual a pompa solene das catedrais não é tão comovente nem tão enternecedora como a singela poesia dessa igreja de pescadores (O Copacabana, 4 de julho de  1909)

 

 

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O Copacabana, 1909

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

* Esse parágrafo foi acrescentado ao artigo em 2 de maio de 2023.

 

Fontes:

Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963.

Editora Rio Antigo

FAZENDA, José Vieira. A Igrejinha de Copacabana in Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1919.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

LAGO, Pedro Corrêa. Armeilla: um mestre esquecido da paisagem carioca. Rio de Janeiro : Capivara, 2020.

MOTA, Isabela; PAMPLONA, Patricia. Vestígios da paisagem carioca: 50 lugares desaparecidos do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro ; Mauad X, 2019.

Site Ministério da Defesa – Exército Brasileiro

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhosde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII - A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024

Série “Hotéis do Brasil” IV – O Hotel Pharoux por Revert Henrique Klumb

Motivada pela publicação do artigo Pharoux, o primeiro hotel de luxo do Brasil, publicado na Brasiliana Iconográfica, a Brasiliana Fotográfica destaca uma imagem do estabelecimento, o primeiro hotel de luxo do Brasil, produzida pelo francês Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), o fotógrafo da família real do Brasil. É o tema do quarto artigo da série Hotéis do Brasil e a imagem pertence ao acervo da Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, segundo a qual:

Através de pesquisa nas obras “Origens e expansão da fotografia no Brasil : século XIX”, de Boris Kossoy, e “Imagem e letra : introdução à bibliologia brasileira”, de Orlando da Costa Ferreira, foi constatado que o endereço manuscrito no verso do cartão-suporte era o mesmo da “Officina de Paulo Robin”, dirigida por Klumb”.

Klumb foi, provavelmente, o introdutor da técnica estereoscópica no Brasil – utilizada na foto destacada -, com a qual entre os anos de 1855 e 1862, aproximadamente, produziu ampla documentação sobre o Rio de Janeiro.

 

 

O Hotel Pharoux foi fundado pelo francês de Marselha, Louis Dominique Pharoux (?- 1867), bonapartista que exilou-se no Brasil, em torno de 1816.

“O hotel que levava seu nome inaugurou um novo padrão para as hospedarias da capital do Império, que até então só oferecia alojamentos bastante simples e, em geral, sujos”.

Brasiliana Iconográfica

 

Inicialmente, o Pharoux era uma hospedaria na rua da Quitanda, nº 99, e várias vezes anunciava no jornal oferecer sopa e bife de tartarugas (Jornal do Commercio, 23 de setembro de 1836, terceira coluna). Em 1838, transferiu-se para a rua Fresca, nº 3, esquina com o Largo do Paço, atual Praça XV, e uma de suas fachadas dava de frente para a Praia Dom Manuel (Jornal do Commercio, 12 de fevereiro de 1838, quarta coluna).

 

 

Era um edifício que, além do térreo, tinha três andares. Refinado e confortável, trouxe à corte um certo glamour europeu. Possuia uma  sala de jantar que comportava mais de oitenta pessoas, mobiliário de bom gosto e seus banhos eram um atrativo a mais, em uma cidade que oferecia até então somente hospedarias pouco confortáveis e uma mesa sem grandes variedades nas casas de pasto, que já se multiplicavam pelas ruas (Arqueologia Histórica no Rio de JaneiroJornal do Commercio, 12 de fevereiro de 1838, quarta coluna). As salas de banho tinham banheiras de metal e mármore com torneiras de água fria e quente. Toalhas brancas eram oferecidas. Um requinte na época. Utilizava-se água encanada vinda do chafariz do Largo do Paço.

Desde o início, destacou-se também, como já mencionado, pelo esmero em sua gastronomia e por servir vinhos franceses.

 

 

Era também um ponto de convergência da sociedade de sua época e de viajantes (Jornal do Commercio19 de fevereiro de 1838, segunda coluna; 24 de abril de 1838, terceira coluna). Foi muitas vezes, o cenário de contos, como o publicado na A Semana Illustrada, de 11 de agosto de 1861.

 

“O hotel Pharoux, tinha excelente frequência da sociedade local, frequentado também por muitos viajantes franceses, que junto ao seu bem humorado e cortês proprietário, passavam horas agradáveis lembrando a pátria. Construiu o cais que acabou levando seu nome, e fez desse magnífico e aprazível local um ponto de encontro para os que podiam usufruir do conforto de um bom vinho, e de uma boa mesa abençoados pelas brisas do mar”

Arqueologia Histórica no Rio de Janeiro

 

 

“…Velhos do meu tempo, acaso vos lembrais desse mestre cozinheiro do Hotel Pharoux, um sujeito que, segundo dizia o dono da casa, havia servido nos famosos Véry e Véfour, de Paris, e mais nos palácios do Conde Molé e do Duque de la Rochefoucauld? Era insigne. Entrou no Rio de Janeiro com a polca… A polca, M. Prudhon, o Tivoli, o baile dos estrangeiros, o Cassino, eis algumas das melhores recordações daquele tempo; mas sobretudo os acepipes do mestre eram deliciosos.”

Memórias Póstumas de Brás Cubas por Machado de Assis

 

Em 1860 era anunciada a venda do prédio do hotel, que passou a ter outro proprietário (Correio Mercantil, 12 de janeiro de 1860, segunda coluna; 20 de janeiro de 1860, quarta coluna; Courrier du Brésil, 1º de janeiro de 1860).

 

 

Em 1861, seu dono era João Freichou ou Jean Frechon que, em 1862, reformou o hotel (Correio Mercantil, 22 de dezembro de 1861, terceira coluna; Courrier du Brésil, 31 de agosto de 1862). Em 1863, foi noticiada a falência fraudulenta do estabelecimento (Correio Mercantil, 25 de abril de 1863, última coluna).

 

 

Segundo a maioria das fontes, Luiz Pharoux retornou à França, em 1864.  Após abrigar a Casa de Saúde do dr. Antônio Marcolino Fragozo, a Casa de Saúde Nossa Senhora da Glória e a Casa de Saúde dos drs. Catta-Preta, Marinho e Werneck (Diário do Rio de Janeiro, 1º de fevereiro de 1864Jornal do Commercio12 de junho de 1870, quarta coluna; e 13 de outubro de 1874), e, posteriormente outro hotel, o Real (Almanak Laemmert, 1927), o edifício do Hotel Pharoux foi demolido, em 1959, para a  construção da Perimetral.

 

 

O Hotel Pharoux e a história da fotografia no Brasil

 

 

Foi no Hotel Pharoux que o abade francês Louis Comte (1798 – 1868), que chegou ao Brasil trazendo o daguerreótipo, no  navio L´Oriental , que aportou no Rio de Janeiro em 23 de dezembro de 1939, fez o primeiro ensaio fotográfico no país. Leia essa história no artigo A chegada do daguerreótipo no Brasil – os primeiros registros no Rio de Janeiro, publicado em 16 de janeiro de 2020, aqui no portal.

 

 

Foi lá que o retratista francês Abram-Louis Buvelot (1814 – 1888) se hospedou, quando chegou ao Rio de Janeiro, em outubro de 1840.

 

fotografia

M. Louis Buvelot. Xilografia publicada no Australasian Sketcher, em 12 de julho de 1888 / Acervo da Coleção La Trobe Picture

 

Link para a Cronologia de Abram-Louis Buvelot (1814 – 1888). 

 

Os norte-americanos Augustus Morand (c. 1818 – 1896) e J.E. Smith, dois pioneiros na comercialização da daguerreotipia no Brasil, chegaram ao Rio de Janeiro, vindos de Nova York, na galera C. Canckl, em 25 de novembro de 1842 (Diário do Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1842, na última coluna). Observação: com as iniciais de Smith, J. E, acaba-se a dúvida que um outro Smith, mencionado por Boris Kossoy em seu livro Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910), seja o mesmo que veio para o Brasil com Morand. No livro de Kossoy, as iniciais do “outro” Smith são T.O.

 

 

 

Na primeira página do Jornal do Commercio de 23 de dezembro de 1842, Morand foi saudado como uma celebridade: 

 

 

Ainda nessa mesma edição, sob o título O daguerreótipo na sua perfeição, foi anunciado o estabelecimento do gabinete de Morand e Smith no Hotel Pharoux, salão n. 52, casa nova, 2º andar, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 23 de dezembro de 1842, na segunda coluna). O anúncio foi repetido algumas vezes em 1842 e em 1843.

 

 

A bordo do navio norte-americano Susan, Morand deixou o Rio de Janeiro em direção a Nova York, em 13 de abril de 1843 (Jornal do Commercio, 14 e 15 de abril de 1843, na última coluna). Ele e Smith foram sucedidos por J. D. Davies, que comprou deles uma grande porção de lâminas, etc, convidou o público para visitar a oficina no Hotel Pharoux e, pouco depois, estabeleceu seu gabinete na rua do Ouvidor, 75 (Jornal do Commercio25 de abril de 1843, na segunda coluna, e 3 de maio de 1843, na terceira coluna). Algumas fontes levantam a possibilidade de Morand não ter retornado direto para Nova York e ter ficado trabalhando na América do Sul até 1844.

 

Cronologia de Augustus Morand (c. 1818 – 1896)

 

c. 1818 - Nascimento de Augustus Morand, em Nova York.

1838 – Casamento com Caroline Kane (1821 – ?)

1840 – Augustus Morand começou a trabalhar como daguerreotipista. Conheceu o pintor Henry Inman (1801 – 1846) e juntos fizeram experiências sobre o efeito da luz e da sombra.

c. 1841 – Provavelmente seu estabelecimento fotográfico sucedeu o de Matthews D. Van Loan na esquina da Broadway com Chambers Street, em Nova York.

1842 – Ao longo do ano, foram publicadas na revista U.S. Magazine and Democratic Review diversas gravuras baseadas em daguerreótipos produzidos por Morand: na edição de agosto, um retrato do político Thomas Wilson Door (1805 – 1854); na de setembro, de Churchill C. Cambreleng (1786 – 1862); e, na de novembro, do presidente John Tyler (1790 – 1862).

 

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Churchill C. Cambreleng, gravura baseada em daguerreótipo de Morand e publicada na edição de setembro de 1842 da The United States Democratic Review

 

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John Tyler, gravura baseada em daguerreótipo de Morand e publicada na edição de novembro de 1842 da The United States Democratic Review

 

 

De 1842 a 1845, catálogos de Nova York informavam que o endereço de Morand era Suffock Street, 25.

Por problemas de saúde, Morand foi aconselhado por médicos a viajar para os trópicos.

Os norte-americanos Augustus Morand e J.E. Smith, dois pioneiros na comercialização da daguerreotipia no Brasil, chegaram ao Rio de Janeiro, vindos de Nova York, na galera C. Canckl, em 25 de novembro de 1842 (Diário do Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1842, na última coluna). Observação: com as iniciais de Smith, J. E, acaba-se a dúvida que um outro Smith, mencionado por Boris Kossoy em seu livro Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910), seja o mesmo que veio para o Brasil com Morand. No livro de Kossoy, as iniciais do “outro” Smith são T.O.

 

 

Na primeira página do Jornal do Commercio de 23 de dezembro de 1842, Morand foi saudado como uma celebridade: 

 

 

Ainda nessa mesma edição, sob o título O daguerreótipo na sua perfeição, foi anunciado o estabelecimento do gabinete de Morand e Smith no Hotel Pharoux, salão n. 52, casa nova, 2º andar, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 23 de dezembro de 1842, na segunda coluna). O anúncio foi repetido algumas vezes em 1842 e em 1843.

 

 

1843 – Morand trouxe cartas de recomendação para pessoas influentes no Brasil e logo foi apresentado a d. Pedro II.

Os hábeis artistas do daguerreótipo Morand e Smith foram convidados para o paço imperial, onde produziram retratos do imperador Pedro II, das augustas princesas e algumas vistas da Quinta da Boavista. O público era convidado para admirar esses registros no gabinete dos fotógrafos, no Hotel Pharoux. Ainda foi informado que na câmara de Pedro II havia uma fotografia da autoria de Morand e Smith (Jornal do Commercio, 27 de janeiro de 1843, na segunda coluna).

 

 

Nos cinco meses que esteve no Brasil, a presença de Morand era constantemente requisitada no palácio real de São Cristóvão, onde fotografou as vizinhanças, copiou quadros da Galeria Real de Pinturas e retratou membros da família imperial, além de dona Francisca, irmã caçula do imperador.

Existe uma polêmica em torno da autoria de um dos três primeiros daguerreótipos produzidos no Brasil – até hoje conhecidos. São do Paço da Cidade, do Chafariz do Mestre Valentim e fachada do Mercado do Peixe; e do Mercado da Calendária. Alguns historiadores da fotografia consideram que foram de autoria do abade francês Louis Comte (1798 – 1868), que esteve no Rio de Janeiro, em 1840. Outros afirmam que um deles, o que retrata d. Pedro II (1825 – 1891) descendo de sua carruagem em frente ao Paço Imperial, seria de autoria de Morand.

A bordo do navio norte-americano Susan, Morand deixou o Rio de Janeiro em direção a Nova York, em 13 de abril de 1843 (Jornal do Commercio, 14 e 15 de abril de 1843, na última coluna).

Morand e Smith foram sucedidos por J. D. Davies, que comprou deles uma grande porção de lâminas, etc, convidou o público para visitar a oficina no Hotel Pharoux e, pouco depois, estabeleceu seu gabinete na rua do Ouvidor, 75 (Jornal do Commercio25 de abril de 1843, na segunda coluna, e 3 de maio de 1843, na terceira coluna). Algumas fontes levantam a possibilidade de Morand não ter retornado direto para Nova York.

1843 – Nascimento de sua filha, Caroline Lydia Morand (1843 – 1902), em Nova York.

1844 a 1846 – Catálogos de Nova York informavam que entre 1844 e 1846, o endereço do gabinete de daguerreotipia de Morand, em sociedade com George W. Morand, era Chambers Street, 73.

c. 1846 – Em meados da década de 1840, Morand trabalhou como daguerreotipista em várias cidades do sul dos Estados Unidos.

Nascimento de sua segunda filha, Mary (1846 – 1863).

1847 – Morand trabalhava como daguerreotipista, em Saint Louis, na Morand and Company´s Gallery of Daguerreotype Portraits and Family Groups.

Retornou a Nova York e abriu uma galeria na Chatham Street, 132, mesma rua em que morava.

1851 – Morand foi eleito presidente da New York State Daguerreian Association.

Fez parte do comitê que elaborou o estatuto da American Daguerre Association.

Fez parte do comitê formado pela American Daguerre Association para investigar a autoria da invenção de um processo para produzir daguerreótipos coloridos reivindicado por Levi Hill (1816 – 1865).

Foi publicado na edição de abril da revista Photographic Art-Journal, o artigo Augustus Morand the Daguerrean Art, sobre Augustus Morand, de autoria do reverendo Daniel Parish Kidder (1815 – 1891), teólogo e escritor que viveu entre 1837 e 1840 no Brasil. Uma curiosidade: em dezembro de 1839, Kidder embarcou em Salvador no mesmo navio que trouxe o abade Louis Comte para o Rio de Janeiro. Foi o abade que apresentou o daguerreótipo a d. Pedro II, em janeiro de 1840 (Jornal do Commercio de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna, e de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna). Kidder foi o autor dos livros Sketches of residence and travel in Brazil e Brazil and the brazilians, publicado em 1857.

1852 – Morand estabeleceu uma nova galeria na Chatham Street, 65, em Nova York.

1857 -1858 – Trabalhava como editor na Broadway, 379, em Nova York.

1859 – Comprou a galeria de Alexander Becker, situada na Broadway, 411, em Nova York.

1860 – Segundo catálogo de Nova York, Morand trabalhava como fotógrafo na Broadway, 379. Outras fontes indicam que nesse ano ainda possuía a galeria na Broadway, 411.

1860 – 1862 – Augustus e George H. Morand estabeleceram uma galeria no Brooklyn.

1863 – A filha de Morand, Mary, faleceu de doença cardíaca aos 17 anos. Na época, Morand residia na Washington Street, nº. 210, no Brooklyn (The New York Times, 24 de agosto de 1863).

1896 – Falecimento de Morand, na Inglaterra.

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Link para o artigo Pharoux, o primeiro hotel de luxo do Brasil, publicado na Brasiliana Iconográfica, em 15 de junho de 2022.

Este artigo foi ampliado em 20 de junho de 2022.

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica em torno da obra de Revert Henrique Klumb:

Revert Henrique Klumb, o fotógrafo da família real do Brasil, publicado em 31 de agosto de 2016

As versões diurna e noturna na fotografia de Revert Henrique Klumb, 28 de dezembro de 2018

Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb, 16 de março de 2020

“Doze horas em diligência”, o primeiro guia turístico do Brasil, por Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), 8 de maio de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, 16 de junho de 2020.

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica sobre hotéis

Hotéis do século XIX e do início do século XX no Brasil, publicado em 5 de novembro de 2015 , de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

O Hotel Glória – antes e depois, publicado em 21 de dezembro de 2017, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

Copacabana Palace, símbolo do glamour carioca, publicado em 13 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023.

O centenário do Copacabana Palace, quintessência do “glamour” carioca, e seu criador, o arquiteto francês Joseph Gire, publicado em 13 de agosto de 2023, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Fontes:

AULER, Guilherme. O Paisagista e Retratista Buvelot, Jornal do Brasil, 2 Junho de 1957, Rio de Janeiro.

BERNIER, Celeste-Marie; STAUFFER, John; TRODD, Zoe. Picturing Frederick Douglass: An Illustrated Biography of the Nineteenth Century`s Most Phothographed American. New York: W W Norton & Company, Inc, 2015.

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

COLMAN, Anne. Buvelot, the Migrant Artist. Interpreting New Worlds in Brazil and Australia. Austrália: La Trobe Journal, 2005.

CRULS, Gastão. Aparência do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1965.

ERMAKOFF, George. Rio de Janeiro 1840 – 1900 – Uma crônica fotográfica. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2006.

FERREZ, Gilberto. A fotografia no Brasil: 1840- 1900. Prefácio Pedro Karp Vasquez. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1985.

FERREZ, Gilberto. Origens e expansão da fotografia no Brasil Século XIX. Rio de Janeiro: Funarte, 1980.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J. Pioneer photographers of Brazil : 1840 – 1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976.

FOREL, M. F. Louis Buvelot, Peintre Vaudois. Gazette de Lausanne, 31 de março de 1906.

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

GRAY, J. R. Louis Buvelot His Life and Work. Tese de mestrado. Universidade de Melbourne, 1968.

GURAN, Milton (organizador), TURAZZI, Maria Inez; VASQUEZ, Pedro Karp. Os daguerreótipos de Louis Comte no Rio de Janeiro – As primeiras fotografias feitas na América do Sul. Rio de Janeiro: Luz Tropical, 2016.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

ibiblio- The Public’s Library and Digital Archive

KAILBOURNE, Thomas R.; PALMQUIST, Peter E. Pioneer Photographers from the Mississippi to the Continental Divide: a Biographical Dictionary, 1839 – 1865. Stanford, Califonia:Stanford University Press, 2005.

KIDDER, D. P. Augustus Morand the Daguerrean Art. Nova York: Photographic Art-Journal, abril de 1851

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

KOSSOY, Boris. O mistério dos daguerreótipos do Largo do Paço in Revista da USP, n. 120, janeiro-março, 2019, pp.127-152.

KOSSOY, Boris. Origens e expansão da fotografia no Brasil, século XIX. Rio de Janeiro: Funarte, 1980.

LAGO, Pedro Corrêa do. Brasiliana Itaú: uma grande coleção dedicada ao Brasil / curadoria da coleção: Pedro Corrêa do Lago, Ruy Souza e Silva. Rio de Janeiro: Capivara, 2009.

MELO JUNIOR, Donato. Buvelot no Brasil i (apontamentos 1963) e Buvelot no Brasil ii (novos apontamentos à guisa de adendo 1986). Boletim do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro, 5 (13–5): 9–15, jan.-dez. 1986. il.

PÉNOCHON, Sylvie Pénochon. The History of the Daguerreotype in Brazil in Pittsburg: Daguerreian Annual 2002–2003 (Pittsburgh: The Daguerreian Society, 2004): 317–331.

Pharoux, o primeiro hotel de luxo do Brasil, Brasiliana Iconográfica, 15 de junho de 2022.

SANTOS, Fabíola Martins. Geografia das Redes Hoteleiras Mundo, Brasil e Santa Catarina. Tese de Doutorado da Universidade Federal de Santa Catarina – Centro de Filosofia e Ciências Humanas – Programa de Pós-Graduação em Geografia.

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.

Site Arqueologia Histórica no Rio de Janeiro

Site Diário do Rio

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site História do Rio Para Todos

Site The Williams Family Tree

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XV – A praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão

No 15º artigo da série O Rio de Janeiro desaparecido, publicado no primeiro dia do verão de 2021, o tema é a praia de Santa Luzia, que ficava em frente à igreja homônima, no Centro da cidade e era uma das preferidas dos banhistas cariocas. A mais antiga imagem dessa praia disponível no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica foi produzida em torno de 1866 pelo fotógrafo e editor suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892).

 

 

Há ainda registros realizados por Augusto Malta (1864 – 1957)Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897)Marc Ferrez (1843 – 1923)Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e por Rodrigues & C°. Editores e Proprietários. A grande maioria das fotografias são da paisagem, mas há uma, de autoria de Gutierrez, de uma trincheira montada durante a Revolta da Armada, entre 1893 e 1894. Uma curiosidade: foi justamente durante uma outra revolta ocorrida no Brasil, a Guerra de Canudos, que Gutierrez faleceu. Em 28 de junho, foi mortalmente ferido (Jornal do Commercio, 13 de julho de 1897, na terceira coluna sob o título “Expedição de Canudos” e O Paiz, 7 de setembro de 1897, na primeira coluna).

 

 

Acessando o link para as fotografias da Praia de Santa Luzia disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Voltando à praia de Santa Luzia. Em suas margens foi construída a Santa Casa da Misericórdia, em meados do século XVI.

 

 

Em 1898,  um dos pioneiros do cinema no Brasil, o italiano Affonso Segreto (1875 – 1919), filmou o documentário A Praia de Santa Luzia, um de seus primeiros registros cinematográficos do Rio de Janeiro.

 

 

Até o início do século XX, a praia de Santa Luzia era uma opção de lazer no Rio de Janeiro, mas sua descaracterização começou, em 1905, quando o então prefeito Francisco Pereira Passos (1836 – 1913) mandou construir barracões que funcionariam como garagens para os barcos dos clubes de remo.

 

 

 

Durante o seu mandato, entre 1902 e 1906, Pereira Passos realizou uma extensa reforma urbana, tendo ordenado diversas demolições, conhecidas como a política do “bota-abaixo”, que contribuíram para o surgimento do Rio de Janeiro da Belle Époque. Entre as obras dessa época, foi aberta a avenida Beira Mar, que estendeu  a linha litoral do entroncamento da praia de Santa Luzia até o Largo da Glória.

 

 

Em 1922, com a derrubada do Morro do Castelo, foi construída a Esplanada do Castelo, diminuindo muito a faixa de areia da Praia de Santa Luzia. Foi substituída na preferência dos banhistas pela Praia das Virtudes, que ficava na altura da avenida Beira Mar entre a avenida Presidente Antônio Carlos e a rua Marechal Câmara, ao lado da praia de Santa Luzia (Correio da Manhã, 13 de janeiro de 1931, penúltima coluna).

 

O Globo, 12 de janeiro de 1931

O Globo, 12 de janeiro de 1931

 

Foi na década de 1930, que o que restava da praia de Santa Luzia e da Ponta do Calabouço desapareceram em consequência da ampliação do aterro, feito com entulho do desmanche do Morro do Castelo, para a construção do Aeroporto Santos Dumont, inaugurado oficialmente em 30 de novembro de 1936 com a presença do presidente da República, Getulio Vargas (1882 – 1954). Chamava-se anteriormente Aeroporto do Calabouço e teve seu nome alterado por ordem de Getulio para homenagear o Pai da Aviação (Diário Carioca, 20 de outubro de 1936, última coluna). O terminal de passageiros, projeto dos arquitetos Marcelo Roberto (1908-1964) e Milton Roberto (1914-1953), que venceram um concurso realizado pelo Ministério da Aeronáutica, ficou pronto em 1945.

 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ANDREATTA, Verena; CHIAVARI, Maria Pace; e REGO, Helena. O Rio de Janeiro e a sua orla: história, projetos e identidade carioca. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, dezembro de 2009.

Diário do Rio de Janeiro

MELO, Victor Andrade. Remo, modernidade e Pereira Passos: primórdios das políticas públicas de esporte no Brasil. Revista do Núcleo de Estudos e Pequisas sobre Esporte e Sociedade – Universidade Federal Fluminense, julho/outubro de 2006

Rio Memórias

Site Infraero

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhosde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII - A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XIV – O Conselho Municipal do Rio de Janeiro

No 14º artigo da Série O Rio de Janeiro desaparecido, o tema é o Conselho Municipal do Rio de Janeiro, fotografado pelo alagoano Augusto Malta, em torno de 1904, em seus primeiros anos como fotógrafo oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro, cargo que ocupou de 1903 a 1936. Localizava-se na Praça Ferreira Viana, no antigo Largo da Mãe do Bispo, hoje Praça Floriano, no centro da cidade.

 

 

O prédio, cuja pedra fundamental foi lançada, em 22 de maio de 1871, abrigou o Colégio São José e, a partir de 1895, o Conselho Municipal do Rio de Janeiro. Durante a reforma urbana empreendida pelo prefeito Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), entre 1903 e 1906,  parte da imprensa, homens públicos e especialistas em saúde e tecnologia pressionaram o governo no sentido de condenar a arquitetura de citação portuguesa ou que viesse do período colonial. Mas o prefeito decidiu manter o prédio do Conselho Municipal, que tinha esse perfil, e, a seu lado, erguer o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, inaugurado em 14 de julho de 1909. Segundo André Nunes de Azevedo, Pereira Passos propunha, dessa forma, um futuro que encarava o passado sem temor, sem desejo de superá-lo, de vencê-lo, mas como parte dele.

Em 1918, o edifício foi demolido para dar lugar ao prédio atual, denominado Palácio Pedro Ernesto, inaugurado em 1923, onde funciona a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Foi projetado por Heitor de Mello (1875 – 1920), porém ele faleceu em 14 de setembro de 1920. Na época, seu sócio era o franco-suíço Francique Cuchet (18? – 19?). Com sua morte, o arquiteto cearense Archimedes Memória (1893 – 1960) e Cuchet estabeleceram contrato de sociedade em partes iguais do “Escriptorio Technico Heitor de Mello – A. Memória & F. Couchet, architectos. Foram  eles que deram continuidade ao projeto do Palácio Pedro Ernesto, iniciado por Heitor de Mello (Vida Doméstica, 21 de julho de 1923).

 

 

Na edição de O Cruzeiro, de 9 de setembro de 1950, foi publicada a matéria Biografia da cidade – Do Convento da Ajuda às luzes da Cinelândia , com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta (1864 – 1957) e do importante fotojornalista Luciano Carneiro (1926 – 1959). Contava a história da Cinelândia e as fotos antigas que ilustraram a reportagem foram produzidas por Malta, em 1911. Uma delas, abaixo reproduzida, é um registro do Conselho Municipal. Lembramos que o Convento da Ajuda foi o tema do 13º artigo da série O Rio de Janeiro desaparecido, publicado em 19 de outubro de 2021.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

AZEVEDO, André Nunes de. A grande reforma urbana do Rio de Janeiro: Rodrigues Alves, Pereira Passos e as ideias de civilização e progresso. Rio de Janeiro ; Ed PUC, 2016.

Diário do Rio

Dunlop, Charles Julius. Legislativo Municipal in Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Wikilivros

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhosde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII - A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024

Série “Avenidas e ruas do Brasil” X – A Rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, por Augusto Malta

Série “Avenidas e ruas do Brasil” X – A Rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, por Augusto Malta

No 10º artigo da Série “Avenidas e ruas do Brasil”, o tema é a Rua da Ajuda, uma das mais antigas do Rio de Janeiro, registrada pelo alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), fotógrafo oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro, de 1903 a 1936. Esse cargo foi criado para ele por Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), que o contratou meses após ter sido nomeado prefeito do então Distrito Federal, o Rio de Janeiro, pelo presidente Rodrigues Alves (1848 – 1919) em 30 de dezembro de 1902. O objetivo era o registro das obras e dos imóveis a serem desapropriados para posteriores pagamentos de indenizações. Malta passou a documentar, então, a radical mudança urbanística promovida pelo prefeito. Para realizá-la, várias demolições aconteceram e ficaram conhecidas popularmente como a política do “bota-abaixo”, que contribuíram decisivamente para o surgimento do Rio de Janeiro da Belle Époque.

 

Acessando o link para as fotografias da rua da Ajuda disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

A Rua da Ajuda, onde se encontravam o Conselho Municipal e o  Convento da Ajuda, que já foi tema de um artigo publicado na Brasiliana Fotográfica, foi drasticamente encurtada quando a Avenida Central, atual Avenida Rio Branco, foi construída e inaugurada, em 1904. Da rua restou apenas um pequeno trecho denominado Rua Chile, localizado entre a Rua São José e a Avenida Rio Branco.

 

 

Recebeu, por volta de 1630, o nome de Caminho de Nossa Senhora da Ajuda por começar em frente à Capela de Nossa Senhora da Ajuda. Mas, antes disso, em fins do século XVI, no caminho que vai para a Lagoa Grande ou do Boqueirão, levantou-se a Ermida de Nossa Senhora da Conceição da Ajuda, fato que comprova a antiguidade da Rua da Ajuda, aberta pelos primeiros povoadores do Rio de Janeiro.

“A Rua da Ajuda é quase tão antiga como as de São José e da Assembleia. Já encontramos escrituras de venda de terrenos e prédios desde 1612. Sua abertura explica-se pela comunicação, ao lado do Morro do Castelo e da rua São José, com a Ermida da Ajuda – onde está o Convento da Ajuda, demolido há poucos meses para construção de um grande hotel”.

Felisberto Freire em História da Cidade do Rio de Janeiro (1912)

 

 

Em um trecho do conto Pai Contra Mãe, publicado na antologia de contos Relíquias de Casa Velha (1906), o escritor Machado de Assis (1839 – 1908), em cuja obra a paisagem urbana do Rio de Janeiro é bastante presente, a Rua da Ajuda foi três vezes citada.

 

 

“…Saiu de manhã a ver e indagar pela Rua e Largo da Carioca, Rua do Parto e da Ajuda, onde ela parecia andar, segundo o anúncio. Não a achou; apenas um farmacêutico da Rua da Ajuda se lembrava de ter vendido uma onça de qualquer droga, três dias antes, à pessoa que tinha os sinais indicados. Cândido Neves parecia falar como dono da escrava, e agradeceu cortesmente a notícia. Não foi mais feliz com outros fugidos de gratificação incerta ou barata”.

 

 

“…Mas não sendo a rua infinita ou sequer longa, viria a acabá-la; foi então que lhe ocorreu entrar por um dos becos que ligavam aquela à Rua da Ajuda. Chegou ao fim do beco e, indo a dobrar à direita, na direção do Largo da Ajuda, viu do lado oposto um vulto de mulher; era a mulata fugida. Não dou aqui a comoção de Cândido Neves por não podê-lo fazer com a intensidade real. Um adjetivo basta; digamos enorme. Descendo a mulher, desceu ele também; a poucos passos estava a farmácia onde obtivera a informação, que referi acima. Entrou, achou o farmacêutico, pediu-lhe a fineza de guardar a criança por um instante; viria buscá-la sem falta”.

 

 

“…O fruto de algum tempo entrou sem vida neste mundo, entre os gemidos da mãe e os gestos de desespero do dono. Cândido Neves viu todo esse espetáculo. Não sabia que horas eram. Quaisquer que fossem, urgia correr à Rua da Ajuda, e foi o que ele fez sem querer conhecer as consequências do desastre…”

 

 

Andrea C.T.Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

FREIRE, Felisberto. História da Cidade do Rio de Janeiro: 1564 – 1700. Rio de Janeiro, RJ; São Paulo, SP: Tipografia da Revista dos Tribunais, 1912

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Rua da Ajuda. Revista do Arquivo do Distrito Federal, Volume I, pág. 356, 1950

Site O Rio de Janeiro Aqui

 

Links para as outras publicações da série “Avenidas e ruas do Brasil”

 Série “Avenidas e ruas do Brasil” I – Avenida Central, atual Rio Branco, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 7 de setembro de 2016

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A Rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 26 de junho de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” III – A Rua do Bom Jesus, no Recife, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 6 de agosto de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IV – A Rua 25 de Março, em São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 1º de setembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” V – A Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 22 de outubro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI  – Rua Augusto Ribas e outras, em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luiz Bianchi, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 16 de novembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VII – A Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 23 de dezembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil VIII – A Rua da Carioca por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 20 de janeiro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de julho de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XI – A Rua da Esperança, em São Paulo, por Vincenzo Pastore, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de dezembro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XII – A Avenida Paulista, o coração pulsante da metrópole, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 21 de janeiro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIII – A Rua Buenos Aires no Centro do Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 19 de julho de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIV – A Avenida Presidente Vargas,, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 31 de agosto de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XV – Misericórdia: rua, largo e ladeira, no Rio de Janeiro, por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 8 de dezembro de 2022

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVI – “Alguma coisa acontece no meu coração”, a Avenida São João nos 469 anos de São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 25 de janeiro de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVII  e série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXIII – A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVIII – Avenida Beira-Mar, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 22 de janeiro de 2024

 

 

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XIII – O Convento da Ajuda

No 13º artigo da Série O Rio de Janeiro desaparecido, a Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores fotografias do Convento da Ajuda produzidas pela Casa Leuzinger, do fotógrafo e editor suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892), e por Augusto Malta (1864 – 1957). Leuzinger foi um dos mais importantes fotógrafos e difusores para o mundo da fotografia sobre o Brasil no século XIX, além de pioneiro das artes gráficas no país. Grande empreendedor, montou um sofisticado e diversificado complexo editorial, a Casa Leuzinger, que se tornaria um polo de publicações e de produções fotográficas, alçando o Brasil ao mesmo nível da produção europeia do setor. Malta foi o fotógrafo oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936 e sua relação com a cidade e sua paisagem, construída, inicialmente, por seus deslocamentos com sua bicicleta, se expandiria para a formação de seu significativo legado iconográfico. Foi o mais  importante cronista fotográfico do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX.

 

O Convento da Ajuda, como ficou conhecido o Convento de Nossa Senhora da Conceição, que ocupava uma grande parte da área onde atualmente fica a região da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, foi o primeiro mosteiro feminino da cidade e o terceiro do Brasil. Ficava na rua da Ajuda, uma das importantes vias do Rio Antigo. Teve sua origem, em torno de 1678, quando dona Cecília Barbalho, suas três filhas solteiras e mais duas moças recolheram-se em uma pequena casa, no Campo da Ajuda, construída a partir de uma subscrição pública. Dona Cecília era filha do ex-governador Luis Barbalho Bezerra (1584 – 1644), herói da guerra contra os holandeses no nordeste; e irmã de Jerônimo Barbalho (?-1661), condenado à forca devido a sua atuação na Revolta da Cachaça, contra o governador Salvador Correia de Sá e Benevides (1594 ou 1602 – 1688), em 1660.

Foi fundado por monjas clarissas vindas do Convento de Santa Clara do Desterro da Bahia e construído pelo brigadeiro-engenheiro português José Fernandes Pinto Alpoim (1700 – 1765), sua inauguração, em 30 de março de 1750, aconteceu com grandes festejos populares e foi assistida pelo então governador Antônio Gomes Freire de Andrade(1685 – 1763) , o Conde de Bobadela.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Convento da Ajuda disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Já nos primórdios do século XX, havia propostas de construção de um hotel na área do convento. Os engenheiros Morales de los Rios (1858 – 1928) e João Pedreira do Couto Ferraz Junior (1826 – 1913) e Durish & Cia assinaram um contrato comprometendo-se a construir hoteis em algumas áreas da cidade, incluindo o terreno onde se localizava o Convento da Ajuda, o que não se realizou (O Paiz, 1º de abril de 1910, sexta colunaO Paiz, 18 de novembro de 1910, quinta coluna).

O convento foi adquirido pela empresa Brasil Railway Company, que  pertencia ao Sindicato Farquhar, holding liderada pelo capitalista norte-americano Percival Farquhar (1865 – 1953), o que causou polêmica. O empresário era um dos administradores da Rio de Janeiro Light and Power Company (O Paiz, 9 de julho de 1911, primeira coluna; Correio da Manhã, 28 de outubro de 1911, terceira coluna). E assim o casarão, que havia resistido ao bota-abaixo do prefeito Pereira Passos (1836 – 1913), na primeira década do século XX, foi demolido, entre fins de 1911 e 1912 (Correio da Manhã, 12 de janeiro de 1912, quinta coluna).

 

 

Na mesma época, foi construido um novo Convento de Nossa Senhora da Ajuda, em Vila Isabel, para abrigar as freiras, que deixaram o convento durante uma madrugada do mês de outubro de 1911 (O Paiz, 28 de outubro de 1911, primeira coluna). Ficou aberto à visitação pública durante uma semana.

 

 

Foi visitado pelo presidente da República, Hermes da Fonseca (1855 – 1923), recebido pela Irmã Paula (O Paiz, 27 de outubro de 1911, penúltima coluna; Correio da Manhã, 28 de outubro de 1911O Paiz, 5 de novembro de 1911, quarta coluna). O então presidente da Light, Alexander Mackenzie (1860 – 1943), prorrogou o prazo da visitação ao prédio até 9 de novembro, quando os restos mortais de pessoas da família real foram trasladados para o Convento de Santo Antônio, dentre eles os de dona Leopoldina (1797 – 1826), primeira mulher de dom Pedro I (1798 – 1834) (O Paiz, 7 de novembro de 1911, quarta coluna; Correio da Manhã, 10 de novembro de 1911).

 

 

A área ficou abandonada por cerca de nove anos e, eventualmente era ocupada com a realização de eventos (Revista da Semana, 15 de maio de 1915). Entre 1916 e 1918, houve no terreno exposições de pomicultura, de horticultura, de cachorros, de avicultura, além de exercícios de tiro e a realização de uma feira promovida pelo Ministério da Fazenda (Revista da Semana, 15 de julho e 12 de agosto de 1916; 4 de agosto de 1917; 12 de janeiro e 14 de dezembro de 1918).

 

 

 

Na década de 20, o espanhol Francisco Serrador (1872 – 1941), que em 1908 era o dono do Bijou-Theatre, em São Paulo, sucursal da firma Marc Ferrez & Filhos e que foi o primeiro presidente da União dos Importadores Cinematográficos no Brasil, urbanizou a área, onde foram construídos prédios, hotéis e muitos cinemas, dando origem à Cinelândia. Pouco antes, em 1921, o prefeito Carlos Sampaio (1861 – 1930) havia começado o desmonte do Morro do Castelo e havia acontecido na cidade a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922 (O Commercio de São Paulo, 15 de fevereiro de 1908, na primeira coluna).O Imparcial, 8 de dezembro de 1919, na segunda coluna; O Cruzeiro, 9 de setembro de 1950).

 

 

A fotografia abaixo mostra a Fonte ou Chafariz  das Saracuras, colocado no pátio que ficava dentro do Convento da Ajuda, em 1795. Em 1911, foi posto pelo cardeal Arcoverde (1850 – 1930) à disposição do então prefeito da cidade, Bento Ribeiro (1856 – 1921) (O Paiz, 25 de outubro de 1911, penúltima coluna). Encontra-se na Praça General Osório, antiga praça Ferreira Vianna, em Ipanema. É uma obra atribuída a Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim (1845 – 1913), um dos principais artistas do Brasil Colônia, e havia sido doado às freiras pelo vice-rei José Luis de Castro (1744 – 1819, o Conde de Resende .

 

 

O Chafariz das Saracunas, em sua localizção atual, na Praça General Osório

O Chafariz das Saracunas, em sua localizção atual, na Praça General Osório

 

Na edição de O Cruzeiro, de 9 de setembro de 1950foi publicada a matéria Biografia da cidade – Do Convento da Ajuda às luzes da Cinelândia , com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta (1864 – 1957) e do importante fotojornalista Luciano Carneiro (1926 – 1959). Contava a história da Cinelândia e as fotos antigas que ilustraram a reportagem foram produzidas por Malta, em 1911. São imagens do Convento da Ajuda, de sua demolição e do terreno que ocupava após a demolição; e do edifício do antigo Conselho Municipal. As fotografias abaixo estavam entre as que foram publicadas na reportagem.

 

 

 

 

Em um trecho de seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Machado de Assis (1839 – 1908) referiu-se ao Convento da Ajuda ao descrever o jantar em comemoração da primeira queda de Napoleão promovido pela família Cubas. A doçaria, uma herança da gastronomia portuguesa, fazia sucesso na mesa dos cariocas, onde fios d’ovos, toucinhos do céu, pés-de-moleque e baba-de-moça, entre outros, eram muito apreciados. O Convento da Ajuda destacava-se pela excepcional qualidade dos doces que produzia.

“Não se contentou a minha família em ter um quinhão anônimo no regozijo público; entendeu oportuno e indispensável celebrar a destituição do imperador com um jantar, e tal jantar que o ruído das aclamações chegasse aos ouvidos de sua Alteza, ou quando menos, de seus ministros. Dito e feito. Veio abaixo toda a velha prataria, herdada do meu avô Luis Cubas; vieram as toalhas de Flandres, as grandes jarras da Índia; matou-se um capado; encomendaram-se às madres de Ajuda as compotas e marmeladas; lavaram-se, areavam-se, poliram-se as salas, escadas, castiçais, arandelas, as vastas mangas de vidro, todos os aparelhos do luxo clássico”.

 

Link para o artigo Série “Avenidas e ruas do Brasil” XI – A rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, por Augusto Malta, publicado em 9 de novembro de 2021 na Brasiliana Fotográfica.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

CRULS, Gastão. Aparência do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1965.

DUNLOP, Charles Julius. Convento da Ajuda. Rio Antigo. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Site CPDOC

Site Memória da Eletricidade

Site Rio de Janeiro aqui

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhosde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024

Os 90 anos do Cristo Redentor, um dos mais importantes símbolos e pontos turísticos do Rio de Janeiro e do Brasil

Samba do avião

 

Cantado em prosa e verso, o Cristo Redentor completa, no próximo dia 12 de outubro, 90 anos e confunde-se com a própria identidade dos cariocas, aliás, dos brasileiros. É um dos mais importantes símbolos e pontos turísticos do Rio de Janeiro e do país, além de ser também um dos maiores e mais famosos monumentos em estilo art déco do mundo. A Brasiliana Fotográfica comemora o ícone nonagenário que, de certa forma, confirma a beleza e a vocação exibicionista do Rio de Janeiro, com a republicação de um artigo sobre ele, porém com mais informações e novas imagens. Quando o primeiro artigo sobre a inauguração do Cristo Redentor foi publicado, em 12 de outubro de 2015, o acervo fotográfico do portal possuia seis registros do monumento – um de autoria de Augusto Malta (1864 – 1957) e um de S. H. Holland (1883 – 1936), ambas do acervo do Instituto Moreira Salles (IMS); e quatro da LTM Firma, do acervo da Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

O IMS e a FBN são as instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica e, até abril de 2016, as únicas representadas no acervo fotográfico do portal. Em 2021, o portal já conta com a parceria de mais nove instituições: o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, a Fiocruz, a Fundação Joaquim Nabuco, o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde, Leipzig; o Museu Aeroespacial, o Museu da República e o Museu Histórico Nacional.

 

Acessando o link para as fotografias do Cristo Redentor disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.  

 

Hoje a Brasiliana Fotográfica  traz para seus leitores, além das seis imagens publicadas em 2015, mais 17 fotografias do Cristo Redentor ou produzidas a partir dele: uma da Escola de Aviação Militar, uma de Mario Lucarell, sete do húngaro Alfredo Krausz (1902 – 1953), duas de fotógrafos ainda não identificados do Acervo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, e duas também realizadas por fotógrafos ainda não conhecidos, que pertencem à Coleção Sebastião Lacerda, sob a guarda do Instituto Moreira Salles; mais uma da LTM Firma e três estereoscopias de autoria do fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966). Usem a ferramenta zoom e façam um passeio pelas imagens! Além dessas fotos, destacamos registros belíssimos publicados em revistas na época da inauguração da estátua.

 

 

 

 

Link para a música Alma Carioca, especialmente composta por Moacyr Luz para a celebração dos 90 anos do Cristo Redentor.

 

 

Localizado no Morro do Corcovado – os morros do Pão de Açúcar e o Morro de Santo Antônio foram cogitados para abrigá-lo – o Cristo Redentor fica a 710 metros de altitude, e a estátua tem 38 metros de altura, pesando 1.145 toneladas. Foi inaugurado, num dia chuvoso, pelo presidente Getulio Vargas (1882-1954) e por Pedro Ernesto (1884-1942), interventor do Distrito Federal. Várias celebrações ocorreram para marcar o acontecimento (Diário de Notícias, 13 de outubro de 1931O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931; Excelsior, novembro de 1931).

 

 

 

Na edição da Fon-Fon, de 17 de outubro de 1931, que trouxe uma ampla cobertura das festividades da inauguração do Cristo Redentor com diversas e lindas fotos, publicação do poema Cristo Redentor do Corcovado, de autoria do alagoano Jorge de Lima (1893 – 1853).

 

 

 

 

Mas foi no século XIX, que o padre lazarista francês Pietre-Marie (Pedro Maria) Bos (c.1834-1916), capelão do Colégio Imaculada Conceição, em Botafogo, que chegou ao Rio de Janeiro em torno de 1859, teve a ideia de erigir na capital do Império do Brasil um monumento que exaltasse a fé cristã (A União, 30 de janeiro de 1916, quinta coluna). O padre Boss deixou a ideia registrada no prefácio do livro Imitação de Cristo, edição de 1903:

“O Corcovado! Lá se ergue o gigante de pedra alcantilado, altaneiro e triste, como interrogando o horizonte imenso… quando virá? Há tantos séculos espero. Sim, aqui está o pedestal único no mundo; quando vem a estátua colossal, imagem de quem me fez? Ai, Brasil amado! Acorda depressa, levanta naquele cume sublime a imagem de Jesus Salvador! Nem todos, por causas diversas, lerão o Livro, ao passo que em todas as línguas e linguagens a imagem dirá ao grande e ao pequeno, ao sábio e ao analfabeto…’”

 

 

Ainda no século XIX, pouco depois da princesa Isabel (1846 – 1921) ter assinado a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888, um grupo de abolicionistas queria homenageá-la com uma estátua no alto do Morro do Corcovado. Ela declinou, em um documento de 2 de agosto de 1888:

“Manda Sua Alteza a Princesa Imperial Regente em Nome de Sua Magestade o Imperador agradecer a oferta da Commição Organizadora constituída da Sociedade Brazileira de Beneficência de Paris, da Cia. Estrada de Ferro do Cosme Velho ao Corcovado e do Jornal O Paiz, para erguer huma estátua em sua honra pela extinção da escravidão no Brasil, e faz mudar a dita homenagem e o projecto, pelo officio de 22 de julho do corrente anno, por huma estátua do Sagrado Coração de Nosso Senhor Jezus Christo, verdadeiro redentor dos homens, que se fará erguer no alto do morro do Corcovado”.

 

 

Os viscondes de Mauá, Irineu Evangelisa de Souza  (1813 – 1889), e de Santa Vitória, Manuel Afonso de Freitas Amorim (1831 – 1906), viajaram a Paris encomendando o projeto e a execução de uma estátua de bronze do Sagrado Coração de Jesus, com 15 metros de altura, mas o monumento nunca foi construído.

 

 

Voltando ao século XX. Em 1917, o engenheiro Eduardo Limoeiro, presidente da recém criada Associação Auxiliar dos Engenheiros e Industriais, sugeriu, como parte das comemorações do centenário da independência do Brasil, que ocorreria em 1922, a edificação de um monumento em forma de esfera, sobre o qual se elevaria uma grande cruz, homenageando Jesus Cristo, no alto do Morro de Santo Antônio. O projeto era do engenheiro Alberto Pacca, mas a ideia não foi em frente (Jornal do Brasil, 21 de setembro de 1917, segunda coluna).

Em 24 de fevereiro de 1921, numa sessão solene da Ação Social Nacionalista, presidida pelo Conde Afonso Celso (1860 -1938), o general Pedro Carolino Pinto de Almeida (1856 – 1922) sugeriu que fosse construido um monumento do Cristo Redentor para a comemoração do centenário da independência do Brasil. Em 20 de março de 1921, no Círculo Católico, foi realizada a primeira assembleia para estudar o projeto, cuja iniciativa foi aprovada pelo cardeal Arcoverde (1850 – 1930). Na ocasião, a ideia era que o monumento fosse de bronze e erigido no cume do Pão de Açúcar (Correio de Manhã, 21 de março de 1921, primeira coluna). Em 24 de abril, ocorreu outra reunião (O Jornal, 25 de abril de 1922, penúltima coluna) e, pela primeira vez, em 3 de maio, a comissão técnica do empreendimento, presidida pelo almirante José Carlos de Carvalho (1847 – 1934), se reuniu (Jornal do Brasil, 7 de maio de 1921, quinta coluna). O arquiteto Heitor da Silva Costa (1873-1947), José Agostinho dos Reis(18? – 19?) e Adolfo Morales de Los Rios (1858 – 1928), cujos projetos concorreram para a construção do monumento, participavam da comissão.

Um abaixo-assinado organizado pela escritora Laurita Lacerda solicitava ao presidente Epitácio Pessoa (1865 – 1942) que a estátua do Cristo Redentor fosse construída. A iniciativa foi uma reação ao despacho do ministro da Fazenda, Homero Baptista (1861-1924), que havia negado a licença necessária para a construção do monumento. O documento foi entregue, com cerca de 30 mil nomes, ao presidente, em uma audiência, no Palácio Rio Negro, em Petrópolis, em 18 de fevereiro de 1922 (O Paiz, 11 de novembro de 1921, quinta colunaRevista da Semana, 12 de novembro de 1921, última coluna; O Jornal, 19 de fevereiro de 1922, última coluna).

 

 

Houve manifestações de igrejas protestantes e de outras religiões contrárias ao apoio do governo à construção do monumento, um símbolo católico, já que o Estado era laico. Por exemplo, seguidores da igreja Batista declararam, em nota publicada em O Jornal Batista, órgão oficial da Convenção Batista Brasileira, em 22 de março de 1923, que a construção “será, a um tempo, um atestado eloquente de idolatria da igreja de Roma“.

Epitácio justificou a permissão por ter sido requerida em primeiro lugar: se um representante de qualquer outra religião tivesse solicitado algo semelhante antes, a ele teria sido dada igualmente a autorização. A decisão para a construção do monumento no Morro do Corcovado foi concedida em 1º de junho de 1922 por Homero Baptista, ministro da Fazenda (O Paiz, 2 de junho de 1922, terceira coluna).

Em setembro de 1922, foi realizada uma cerimônia no local onde o Cristo seria construído, com a presença de várias autoridades (O Paiz, 12 de setembro de 1922, terceira coluna) e, em 4 de outubro, foi lançada a pedra fundamental da obra (O Paiz, 5 de outubro de 1922). No ano seguinte, teve início uma grande campanha de arrecadação de recursos para a construção do monumento, sob a coordenação de dom Sebastião Leme (1882 – 1942), o cardeal do Rio de Janeiro. Em setembro de 1923, as comissões já estavam formadas e O Paiz publicou uma extensa matéria sobre a realização de uma semana de coleta de doações para a construção do monumento que, aliás, foi totalmente construído a partir de doações populares. Uma curiosidade: na época com sete anos, o futuro atleta e presidente da Fifa, João Havelange (1916 – 2016), ajudou a arrecadar dinheiro para a construção do Cristo durante a semana do monumento (O Paiz, 16 de março de 1923, sexta colunaO Paiz, 2 de setembro de 1923).

 

 

Em 21 de setembro de 1923, o Jornal do Brasil publicou uma matéria noticiando que, em 22 maio de 1923, o projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa (1873-1947) para o monumento havia sido escolhido em assembleia geral da Comissão Executiva do Monumento Nacional ao Cristo Redentor, com a presença do monsenhor Macedo Costa, representando o cardeal Arcoverde, e de Cesario Alvim, representando o ministro da Viação. Os outros concorrentes foram José Agostinho dos Reis e Adolfo Morales de Los Rios. A reportagem também contou toda a história do empreendimento. A principal inspiração para o projeto de Silva Costa foi a estátua de São Carlos Borromeu, construída no século XVII, que ele havia examinado, em Arona, na Itália, durante uma viagem de estudos, em 1912 (Jornal do Commercio, 27 de julho de 1930).

 

 

 

 

A mobilização popular em torno da construção do Cristo foi grande e um filme sobre o assunto, “O monumento do Christo Redemptor”, uma produção da Botelho Film, foi exibido no cinema Odeon (Revista da Semana, 8 de setembro de 1923O Paiz, 16 de outubro de 1923, na quinta coluna sob o título “Cinemas e fitas”).

A concepção inicial para o monumento foi modificada: no projeto original, a figura de Jesus Cristo empunharia em sua mão direita um globo e na esquerda uma cruz. 

 

 

O responsável pelo desenho final do monumento, a figura de Cristo com os braços estendidos, com o corpo na vertical e disposto sobre o Corcovado que, olhado à distância por qualquer ângulo é visto como uma cruz plantada no granito, foi o italiano Carlos Oswald (1882 – 1971), na época professor de gravura e desenho do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, e grande amigo de Silva Costa.

 

 

 

 

Com os croquis de Oswald e suas convicções sobre o monumento a ser construído, Silva Costa foi para a Europa , em 1924 (Eu sei tudo, janeiro 1924). Esteve na Alemanha, na Itália e na França. Para colaborar no trabalho, escolheu um especialista em estatuária, o artista francês, de origem polonesa, Paul Landowsky (1875-1961), e o engenheiro francês Albert Caquot (1881 – 1976), mestre em cálculos estruturais. Silva Costa, em texto publicado em O Cruzeiro, de 10 de outubro de 1931, justificou a escolha por Landowsky.

 

 

 

 

As duas mais famosas obras parisienses de Landowsky são a estátua de Sainte Geneviève, na Ponte de Tournelle, e a fonte da Porte de Saint-Cloud. 

 

 

 

 

Colaborador de Landowsky, o escultor italiano Lelio Landucci (? – 1954) participou do processo da evolução do projeto do Cristo. Landucci veio morar no Brasil e foi o autor do primeiro livro sobre o pintor Cândido Portinari (1903 – 1962) (Diário Carioca, 1º de outubro de 1954, terceira coluna).

 

 

A obra de instalação do Cristo Redentor começou em 1926. De execução considerada complicadíssima, durou cinco anos. As peças foram transportadas de trem, pois ainda não havia estrada de rodagem até o Corcovado, só inaugurada, em 1936. Além disso, os depósitos de material, maquinário e os barracões para abrigar o pessoal envolvido na obra ficavam em um platô bem abaixo do cume, ocupado pelos andaimes. Pela primeira vez uma estátua era construída como um monumento arquitetônico e não simplesmente como uma escultura.

Silva Costa, após passar 14 meses na Europa, chegou ao Brasil trazendo uma maquete e algumas peças do monumento (Lar Catholico, 14 de agosto de 1927, primeira coluna). Um documento, datado de 14 de fevereiro de 1925, assinado por Landowsky, delegava a Silva Costa e à comissão do monumento plenos poderes para conceder as necessárias autorizações para as reproduções da imagem da maquete desse monumento.

 

 

Uma exposição com os modelos de gesso das mãos do Cristo, modeladas por Landowsky, foi realizada no Corcovado (Diário Carioca, 24 de janeiro de 1929, sexta coluna). Reza a lenda que teria usado as mãos da poetisa, atriz e declamadora Margarida Lopes de Almeida (1896 – 1979) como modelos para as mãos da estátua. Ela sempre confirmou essa história mas perto de morrer a desmentiu, deixando uma dúvida quanto a sua veracidade.

 

 

A cabeça do Cristo foi executada pelo escultor romeno Gheorghe Leonida (1892/1893 – 1942), que estudava em Paris. O molde de gesso foi recortado em 50 partes e foi remontado e concretado no sítio do arquiteto italiano Heitor Levy, em São Gonçalo (Diário da Noite, 22 de abril de 1931, última coluna). As únicas coisas que foram construídas na França foram justamente os moldes da cabeça e das mãos, porém em gesso, em tamanho natural, que foram recortadas, trazidas ao Brasil e aqui reconstruídas em concreto armado.

 

 

 

O braço direito de Heitor da Silva, Heitor Levy, de credo judaico, que quase morreu em um acidente nos aidaimes do monumento, converteu-se ao catolicismo. Teria escrito os nomes de sua família num pergaminho guardado dentro do coração interno da estátua do Cristo Redentor.

 

 

 

As obras foram visitadas por autoridades, guiadas pelo engenheiro Heitor da Silva Costa e o monsenhor Gonzaga do Carmo foi fotografado ao lado de dedos da mão da escultura (Correio da Manhã, de 29 de junho de 1929).

 

 

A convite da Sociedade Brasileira de Engenheiro, Costa Silva proferiu uma conferência sobre os trabalhos da construção do monumento, quando palestrou sobre sua história, a observação de outros monumentos, a escolha de Landowsky, a filosofia pitagoriana e a divina geometria, a técnica utilizada e finalmente, a compara com a Estátua da Liberdade, inaugurada em 1886, em Nova York – um presente da França aos Estados Unidos, cujo projeto foi do escultor francês Frédéric Auguste Bartholdi (1834 – 1904) (Jornal do Commercio, 27 de julho de 1930, primeira coluna).

 

 

 

Foi publicada uma notícia sobre a construção do Cristo Redentor no Rio de Janeiro e de um nos Alpes, na revista A Semana, de 25 de abril de 1931, com a publicação de uma fotografia da estátua alpina e de quatro do Cristo Redentor carioca: de sua construção, de uma de suas mãos, de um de seus olhos e de sua cabeça.

 

 

A estrutura do monumento é formada por quatro pilares e 12 andares em concreto armado, o que não era muito comum na época de sua construção. Era uma técnica relativamente recente, patenteada, em 1892, pelo engenheiro francês François Hennebique (1842 – 1921).

“O Cristo, com evidente propósito figurativo, foi provavelmente a primeira obra escultórica do mundo a utilizar o concreto como material de base. O diálogo entre forma e estrutura, em concreto, aí presente, pautaria, anos depois, em outtras nuances mais próprias à arquitetura, boa parte da produção modernista brasileira”.(1)

Com exceção das mãos, a estrutura da estátua é oca, o que possibilita o acesso interno através de uma escadaria metálica. O Cristo Redentor tem um coração, localizado no oitavo andar, e, em sua cabeça e braços, encontram-se para-raios. A superfície externa foi revestida com pedras-sabão, coladas por senhoras da sociedade carioca.

 

 

 

No dia da inauguração, foi o físico Guglielmo Marconi (1874-1937), inventor do telégrafo, que, da Itália, ligou os refletores da estátua. Assis Chateaubriand, diretor dos Diários Associados, enviou um telegrama a ele dizendo: “No instante em que iluminais o monumento de Jesus Cristo, os católicos brasileiros saúdam em vós a faísca do gênio latino que descobriu e construiu o novo mundo” ( O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931).

 

 

Segundo o site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, “o sistema não funcionou como o esperado, mas o Cristo foi iluminado graças à habilidade do engenheiro Gustavo Corção e sua equipe, atribui-se a Rinaldo Franco o ato de ter acionado o interruptor responsável pela iluminação”.

 

 

 

 

Em 1973, o conjunto paisagístico do monumento foi tombado pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico Nacional.

O carro abre-alas da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, cujo samba-enredo de 1989 era Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia, traria uma reprodução do Cristo Redentor vestido como um mendigo, mas a Arquidiocese do Rio de Janeiro conseguiu uma ordem judicial proibindo a apresentação da alegoria. O carnavalesco Joãosinho Trinta (1933 – 2011) cobriu a alegoria com um plástico preto e acrescentou uma faixa com a frase “mesmo proibido, olhai por nós“.

Em 1990, a estátua foi restaurada e, em 7 de julho de 2007, o Cristo Redentor foi eleito uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno (Jornal do Brasil, 8 de julho de 2007). Ficou em terceiro lugar, atrás da Muralha da China e da Cidade de Petra, na Jordânia.

 

 

O resultado foi divulgado pela empresa suíça promotora do concurso, a Fundação New  7 Wonders e o título foi recebido pelo técnico de futebol Luiz Felipe Scolari (1948 -) e pelo embaixador do Brasil em Portugal, Celso de Souza, no Estádio da Luz, sede do clube Benfica, em Lisboa, Portugal.

 

 

Em 2008, a bisneta de Heitor da Silva Costa, Bel Noronha, lançou o documentário De Braços abertos, sobre a história do Cristo Redentor.

 

 

Em 30 de setembro do mesmo ano, o Cristo Redentor foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan – por sua importância histórica (Portal Iphan). Em 1º de março de 2011, aniversário da cidade do Rio de Janeiro, foi inaugurada uma nova iluminação no monumento com 300 projetores de LED de última geração que deram mais cor à estátua do Cristo Redentor, com um consumo de energia bem menor, e com a possibilidade de criar diferentes efeitos e cores.

 

O Globo, 1º de março de 2011

O Globo, 1º de março de 2011

 

Desde sua inauguração, o Cristo Redentor já recebeu diversas visitas de personalidades importantes no cenário internacional como o cientista Albert Einstein (1879 – 1955), o cantor Michael Jackson (1958 – 2009), o papa João Paulo II (1920 – 2005), o Dalai Lama (1935-), a Princesa Diana (1961 – 1997), o príncipe Charles (1948-) e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (1961-), com sua família. Algumas pessoas que já subiram na cabeça da estátua foram a jornalista Glória Maria (1949-), a atriz Ingrid Guimarães (1972-), a apresentadora de televisão Patrícia Abravanel (1977-), o comediante Renato Aragão (1935-), a atriz Tatá Werneck (1983-) e a bisneta de Heitor Silva Costa, Bel Noronha.

 

 

Corcovado

João Gilberto 

Um cantinho e um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor, que lindo

Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar da velha chama

E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor

 

Link a revista O Cruzeiro, de 10 de outubro de 1931, edição dedicada ao Cristo Redentor, com textos do Conde de Affonso Celso, de Heitor Silva Costa, de Arrojado Lisboa, de Felipe dos Santos Reis, do padre José Natuzzi, dentre outros, abordando a história, a concepção, a construção e outros aspectos do monumento. Publicação também do Cântico ao Cristo do Corcovado, de Tasso da Silveira; da história da Estrada de Ferro do Corcovado, das cartas trocadas entre o papa Pio XI  e o cardeal Sebastião Leme, da programação oficial e da lista das autoridades eclesiásticas que participariam dos eventos relacionados à inauguração do monumento.

 

 

Para saber um pouco da história do Morro do Corcovado antes do Cristo Redentor, acesse aqui o artigo Série “O Rio de Janeiro desaparecido” (11) – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, publicado em 22 de julho de 2021, na Brasiliana Fotográfica.

 

 

A Brasiliana Fotográfica agradece a colaboração para a realização desse artigo de Roberta Mociaro Zanatta, coordenadora do Núcleo de Catalogação e Indexação do IMS e uma das responsáveis pela gestão e atualização de conteúdos do portal Brasiliana Fotográfica., e de Guilherme Dias, Conservador de Fotografias do Núcleo de Conservação e Preservação de Acervos, do IMS.

(1) KAZ, Leonel; LODDI, Nigge. Cristo Redentor História e Arte de um Símbolo do Brasil. Rio de Janeiro : Aprazível, 2008, página 75.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Agenda do Centro de Documentação da TV Globo

ALVAREZ, Rodrigo. Redentor. Rio de Janeiro : GloboLivros, 2021.

Biblioteca da Câmara Legislativa do Distrito Federal

Blog Diário do Corcovado

CERQUEIRA, Bruno da Silva Antunes de; ARGON, Maria de Fátima Moraes. Alegrias e Tristezas: Estudos Sobre a Autobiografia de D. Isabel do Brasil. Rio de Janeiro : Linotipo Digital Editora, 2020.

Conforme está relatado no livro Alegrias e Tristezas: Estudos Sobre a Autobiografia de D. Isabel do Brasil (Linotipo Digital Editora) — escrito pelo historiador e advogado Bruno da Silva Antunes de Cerqueira, fundador do Instituto Cultural D. Isabel A Redentora, e pela historiadora e arquivista Maria de Fátima Moraes Argon, pesquisadora aposentada do Museu Imperial

Coleção Nosso Século Brasil 10 Volumes. São Paulo : Abril Cultural, 1987.

Entrevista com Bel Noronha, bisneta de Heitor da Silva Costa e diretora do documentário De braços abertos, no Programa do Jô

Folha de São Paulo

Google Arts & Culture

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KAZ, Leonel; LODDI, Nigge. Cristo Redentor História e Arte de um Símbolo do Brasil. Rio de Janeiro : Aprazível, 2008.

OSWALD, Carlos. Como me tornei pintor.  Petrópolis, RJ: Vozes, 1957.

Portal Iphan

RIBEIRO, Antônio Sérgio. Cristo Redentor: 80 anos de um símbolo. Agência de Notícias da Assembleia Legislativa de São Paulo. 

SEMENOVITCH, Jorge Scévola. Corcovado: a conquista da montanha de Deus. Rio de Janeiro : Editora Lutecia, 2010

Site Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Site Capital Mundial da Arquitetura – Rio 2020

Site Engenharia 360

Site Rio de Janeiro aqui

Site Riotur

Site Santuário Cristo Redentor

Site Sim São Gonçalo

Veja Rio, 5 de junho de 2017

Wikipedia

Youtube