Série “Avenidas e ruas do Brasil” VII – A avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro

Cenário de um dos maiores e mais belos réveillons do mundo que, devido à pandemia do cononavírus não será realizado como nos anos anteriores quando chegava a reunir cerca de dois milhões de pessoas, e de diversos eventos esportivos, culturais, politicos e de lazer, a avenida Atlântica, via litorânea da praia de Copacabana, é uma das paisagens mais bonitas e famosas do Rio de Janeiro, uma das que justificam a celebrada fotogenia da cidade. Foi também o local de diversos palacetes, onde a vida social do Rio de Janeiro acontecia,  da realização de footings, quando a cidade passeava na avenida, de eventos esportivos e culturais. Ela é o tema do último artigo da Brasiliana Fotográfica de 2020 e o sétimo da série “Avenidas e ruas do Brasil”. Estão destacadas fotografias das primeiras décadas do século XX produzidas por anônimos, por Augusto Malta (1864 – 1957), fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936; e por Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotografias aéreas da cidade. Pertecem aos acervos do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal, e às instituições parceiras Acervo Geral da Cidade do Rio de Janeiro e Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Feliz Ano Novo e muito obrigada pela audiência!

 

Acessando o link para as fotografias da avenida Atlântica disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

A avenida Atlântica tem atualmente, cerca de quatro quilômetros de orla marítima, começa na Praça Almirante Júlio de Noronha e termina na Praça Coronel Eugênio Franco, no Posto 6. Algumas de suas construções mais famosas são o Hotel Copacabana Palace (1923), os edifícios Chopin, Machado de Assis, Regina Feigl, Sayonara, Tancredo  Neves e o neoclássico Edifício Lellis, mais antigo prédio residencial que ainda está na avenida, inaugurado em 1931, na esquina da rua Barão de Ipanema. Segundo o historiador Milton Teixeira, a primeira edificação da orla foi a Clínica Conde Figueiredo Magalhães, de hidroterapia, de 1872, muitos anos antes da construção da avenida Atlântica. Alguns dos moradores mais famosos da avenida foram o arquiteto Oscar Niemeyer (1907 – 2012), o jornalista Assis Chateaubriand (1892 – 1968), os artistas e irmãos Bernardelli, dona Guilhermina Guinle (1852 – 1925) e a cantora Elza Soares (1930 – ).

 

 

Durante a gestão de Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), como prefeito do Rio de Janeiro entre 30 de dezembro de 1902 a a 16 de novembro de 1906 foi realizada uma significativa reforma urbana na cidade. Para saneá-la e modernizá-la, ele realizou diversas demolições, conhecidas popularmente como a política do “bota-abaixo”, que contribuiu fortemente para o surgimento do Rio de Janeiro da Belle Époque. Foi em consonância com essa política que avenida Atlântica foi concebida, pelo Decreto Municipal nº 561, de 04 de novembro de 1905.

 

 

Poucos meses antes, Pereira Passos expôs seus planos ao presidente Rodrigues Alves (1848 – 1919) durante uma visita à Exposição Geral de Belas-Artes de 1905, diante de um quadro de um trecho da praia Copacabana ao nascer do sol, de autoria de João Baptista da Costa (1865 – 1926) (O Paiz, 28 de setembro de 1905, terceira colunaCorreio da Manhã, 2 de outubro de 1905, quinta colunaJornal do Brasil, 5 de novembro de 1905, quinta colunaA Notícia, 3 de agosto de 1906, primeira coluna; A Notícia, 19 de setembro de 1906 coluna). Em 4 de março de 1906, foi inaugurado o Restaurante Avenida Atlântica, do sr. Gomes da Silva, e a companhia Jardim Botânico inaugurou sua nova linha elétrica pelo Túnel do Leme, indo o ramal até o ponto terminal da praça do Vigia, onde foi construída a estação de bonds  (O Paiz, 4 de março de 1906, quarta colunaA Notícia, 6 e 7 de março de 1906, quinta coluna).

 

 

A construção da avenida Atlântica começou em 31 de janeiro de 1906 – as obras tiveram início no lugar denominado Murungu para a rua do Barroso (Jornal do Brasil, 1º de fevereiro de 1906, sexta coluna) –  e, os trabalhos de aterro, em 5 de abril de 1906. Sua construção foi incluida na Carta Cadastral como um dos grandes melhoramentos urbanos realizados na cidade (O Paiz, 5 de abril de 1906, quarta coluna; O Paiz, 8 de maio de 1906, quarta coluna; O Paiz, 14 de setembro de 1906, quinta coluna). O autor do projeto e responsável pela construção da avenida Atlântica foi o engenheiro Augusto Américo de Souza Rangel (1865 – 1924), que trabalhava na comissão da Carta Cadastral tendo, inclusive, sido seu chefe durante um período *.

 

 

Seu calçadão foi feito com pedras pretas de basalto e pedras brancas de calcita, trazidas de Portugal, o que lhes rendeu o apelido de pedras portuguesas. O padrão de ondas é do século XIX e foi criado para a Praça do Rossio, em Lisboa – uma homenagem ao encontro das águas do rio Tejo com o Oceano Atlântico.

As obras foram suspensas em 15 de dezembro de 1906, um mês após o início do mandato do novo prefeito da cidade,  Francisco Marcelino de Souza Aguiar (1855 – 1935). A avenida tinha 485 metros de meios fios em ambos os lados e estava pronto o aterro em toda a extensão entre a praça Malvino Reis, atual praça Serzedelo Correia, e a rua padre Antonio Vieira.

 

 

Em 1907,  terrenos na avenida foram anunciados para venda (O Copacabana, 1º de agosto de 1907). O prefeito Souza Aguiar era acusado pelo abandono lamentável da avenida Atlântica e perguntado sobre o porquê de não mandar continuar as obras da avenida Atlântica (O Copacabana, 1º de novembro de 1907, primeira colunaO Copacabana, 1º de janeiro de 1908, segunda coluna).

 

 

Ainda neste ano, 1907, na esquina da rua da Igrejinha, atual Francisco Otaviano, com a avenida Atlântica, na recém inaugurada casa da francesa Mme. Louise Chabas, que se tornou um dos cabarés mais famosos do Brasil, o Mère Louise, houve uma festa para comemorar o 14 de julho, data nacional da França. “Tem pois agora o Rio um cabaré à maneira do de Montmartre, em Paris, onde quem saiba fazer algo sobe ao palco e… faz o que sabe!”  (Jornal do Brasil, 23 de abril de 1907, segunda colunaJornal do Brasil, 15 de julho de 1907, oitava coluna). Mme. Chabas vendeu o estabelecimento à Cervejaria em 1910. Posteriormente, tornou-se um hotel que foi fechado, em 1931, pela polícia do 30º Distrito Policial.

Durante a década de 1910, 0 aumento da quantidade de automóveis e a crescente popularização da prática do banho de mar tornou a avenida pequena. Além disso, as chuvas de março de 1911 causaram vários danos na avenida Atlântica e providências eram cobradas ao prefeito Bento Ribeiro (1856 – 1921) (O Copacabana, 16 de julho de 1911, primeira colunaO Copacabana, 13 de agosto de 1911, primeira coluna). Ocorriam vários na avenida (O Copacabana, 10 de dezembro de 1911, última colunaO Copacabana, 14 de janeiro de 1912, primeira coluna).

Na gestão de Amaro Cavalcanti (1849 – 1922) foram realizadas na avenida Atlântica obras para proteção contra a fúria atlântica da esplêndida avenida beira-mar e também seu alargamento. O diretor de Obras Públicas era Cupertino Durão (1861 – 1929) (A Rua, 13 de março de 1918, primeira coluna; A Rua, de 18 de maio de 1918, quarta coluna). Ainda em 1918, uma ressaca deixou a avenida esburacada e o então prefeito do Rio de Janeiro, o engenheiro Paulo de Frontin (1860 -1933), a percorreu para inspecionar seu estado e a incluiu em seu projeto de melhoramentos da cidade (A Rua, 5 de novembro de 1918, quarta coluna; A Rua, 4 de fevereiro de 1919, quinta coluna; A Rua, 24 de março de 1919; A Rua, 3 de abril de 1919, penúltima coluna). Vale lembrar que 1918 foi o ano da pandemia da Gripe Espanhola, uma tragédia mundial que deixou milhares de mortos no Rio de Janeiro – cerca de 300 mil pessoas no Brasil -, tendo sido o presidente eleito, Rodrigues Alves (1848 – 1919), sua mais notória vítima no Brasil.

 

 

Construiu a nova e soberba avenida Atlântica com 17 metros de largura total em substituição à antiga rua marginal (Arquitetura no Brasil, janeiro de 1922). A nova avenida Atlântica foi inaugurada em 22 de julho de 1919 com pista dupla e iluminação no canteiro central(A Época, 23 de julho de 1919).

 

 

O anúncio da reparação do calçamento da avenida foi feito, em 1920, durante a gestão de Carlos Sampaio (1861 – 1930) (A Rua, 12 de agosto de 1920, quinta coluna). O rei Alberto da Bélgica (1875 – 1934) e sua mulher, a rainha Elizabeth (1876 – 1965), visitaram o Brasil entre setembro e outubro de 1920, e na ocasião foram várias vezes tomar banho de mar no posto 5 da avenida Atlântica.

Em 1921, uma nova ressaca atingiu a avenida cuja resistência da muralha, honra à engenharia do sr. Frontin, resistia valentemente a todos os embates (A Rua, 14 de julho de 1921, terceira coluna). Mas a violência da ressaca acabou destruindo a muralha (Revista da Semana, 23 de julho de 1921, primeira coluna). O prefeito Sampaio decidiu então realizar obras de consolidação dos cais e das muralhas da Guanabara em defesa da avenida Beira-Mar e da avenida Atlântica. Foram contratados para o projeto, cuja quantia prevista causou polêmica, os engenheiros Adhemar de Melo Franco, Edgar Raja Gabaglia (1896 – 1953) e Azevedo Amaral (A Rua, 23 de julho de 1921A Rua, 29 de outubro de 1921A Rua, 31 de outubro de 1921Arquitetura no Brasil, novembro de 1921). Sobre a obra de reconstrução os engenheiros civis J. Le Cocq de Oliveira e Alfredo Lisboa publicaram artigos na revista Arquitetura no Brasilde dezembro de 1921 e de janeiro de 1922.

 

 

Em 1922, ano do centenário da independência no Brasil, os postos de salvamento, que eram de madeira, estavam em péssimas condições. Então o prefeito Carlos Sampaio os renovou e transferiu o posto de socorros para um novo prédio no Lido. O serviço de salvamento, agora subordinado à Assistência Municipal, passou a oferecer serviço médico à população do bairro e também o arrendamento de cabines para banhistas que quisessem trocar de roupa (A Noite, 8 de março de 1922, terceira coluna; A Noite, 24 de março de 1922, terceira coluna; Beira-Mar, 22 de abril de 1928, primeira coluna). Ainda nesse ano, a avenida Atlântica foi o cenário da marcha realizada pelos militares da Revolta dos 18 do Forte (O Paiz, 7 de julho de 1922; Beira-Mar, 3 de julho de 1927). Na edição da Beira-Mar, de 29 de junho de 1940, foi publicado um interessante relato de um repórter que presenciou o acontecimento.

 

 

O proprietário da Empresa Balneária, que explorava as barracas para banho na praia de Copacabana, Luiz Dante Torre, teve a ideia de colocar bancos de 10 em 10 metros ao longo de toda a avenida Atlântica, mas em 1926 a falta de bancos era cobrada à Prefeitura, já sob a gestão de Antônio da Silva Prado Junior (1880 – 1955) (Beira-Mar,  21 de janeiro de 1923, terceira coluna; Beira-Mar, 7 de fevereiro de 1926, quarta coluna; Beira-Mar, 5 de dezembro de 1926, última coluna). Começava também a construção de um prédio na esquina da avenida com a então denominada rua do Barroso, atual Siqueira Campos, projeto do engenheiro Eduardo Pederneiras e de propriedade dos srs. Rocha Miranda Filhos & Companhia Limitada (Beira-Mar, 28 de outubro de 1923). Mas o mais marcante fato de 1923 na avenida foi a inauguração do Hotel Copacabana Palace, ícone da arquitetura do Rio de Janeiro, que se tornaria um símbolo do glamour carioca. Na época de sua inauguração,era o maior hotel da América Latina e representava a modernidade da cidade.

Em 1924, a praia tinha seis postos de salvamentos com guarda-vidas no topo de postes de concreto. Na ocasião, o prefeito do Rio era Alaor Prata (1882 – 1964) (Fon Fon, 19 de janeiro de 1924). Nesta época, a alegria e a graça de Copacabana já faziam parte da nossa “urbs” estupenda (Revista da Semana, 12 de janeiro de 1924). Um corso de automóveis aconteceu na avenida e em frente ao Copacabana Palace foi tirada uma fita cinematográfica do movimento extraordinário da praia… (Beira-Mar, 20 de janeiro de 1924). Também houve, em março, uma Batalha de Confetes, que se repetiu em outros anos, assim como banhos de mar e outros festejos durante o carnaval (Beira-Mar, 2 de março de 1924, terceira coluna; Beira-Mar, 6 de março de 1927, segunda coluna; Beira-Mar, 19 de fevereiro de 1928; Beira-Mar, 16 de fevereiro de 1930; Beira-Mar, 23 de janeiro de 1937; Beira-Mar, 19 de fevereiro de 1938; Beira-Mar, 11 de fevereiro de 1939). Em 7 de março de 1924, foi inaugurado o Bar e Restaurante Lido-Antarctica, na esquina da rua Belfort Roxo, com um rinque de patinação e um dancing room (Beira-Mar, 22 de junho de 1924, última coluna). Porém, em outubro, mais uma vez a fúria do mar destruiu o trabalho de engenharia realizado na avenida Atlântica (Revista da Semana, 18 de outubro de 1924). As obras de reconstrução foram realizadas sob a chefia e fiscalização de Ângelo Barata, chefe da 1ª circunscrição da viação municipal (Beira-Mar, 16 de novembro de 1924, segunda coluna; Beira-Mar, 7 de junho de 1925, primeira coluna).

 

 

As obras de reconstrução ainda não estavam concluidas quando, em 1925, de novo, a avenida foi atingida por nova ressaca, ficando bastante esburacada. A muralha foi reconstruída ainda durante a gestão de Alaor Prata (Revista da Semana, 18 de julho de 1925; Beira-Mar, 19 de julho de 1925; Beira-Mar, 6 de setembro de 1925; Beira-Mar, 8 de novembro de 1925; Beira-Mar, 6 de dezembro de 1925Revista da Semana, 2 de outubro de 1926). Dias antes da ressaca, havia sido realizada na avenida Atlântica, a festa dos pescadores em homenagem a São Pedro (Beira-Mar, 19 de julho de 1925, segunda coluna).

 

 

 

Na edição do períódico Beira-Mar, de 7 de junho de 1926, na quarta coluna, foi feito um balanço dos danos causados nas últimas ressacas e também uma análise das obras em andamento e na edição de 4 de julho de 1926 uma retrospectiva das obras de calçamento e reconstrução da avenida desde 1923. As escadinhas que davam aceso à praia também havia sido destruídas e àquela altura, não foram recolocadas (Beira-Mar, 18 de julho de 1926, segunda coluna). As obras foram concluídas em agosto de 1926. De sua fundação até 1926, a avenida Atlântica havia sofrido as consequências de cinco ressacas (Beira-Mar, 8 de agosto de 1926).

 

 

 

O hábito do footing, quando a sociedade carioca passeava na avenida, era frequente tanto nos anos 20 como nos anos 30 e 40 (Beira-Mar, 26 de dezembro de 1926, primeira coluna; Beira-Mar, 23 de janeiro de 1927, quarta coluna; Beira-Mar, 28 de outubro de 1939; Beira-Mar, 9 de novembro de 1940; Beira-Mar, 29 de agosto de 1942, primeira coluna; Beira-Mar, fevereiro de 1945). Ainda em 1927, reclamava-se da ausência de bancos e escadinhas na avenida (Beira-Mar, 3 de julho de 1927).

 

 

 

Em 1927, uma nova ressaca deixava suas marcas na Avenida Atlântica… (Beira-Mar, 7 de agosto de 1927).

 

 

Foi inaugurado em 1928, a sede do Praia-Club – fundado em 25 de setembro de 1927 por um grupo de moradores de Copacabana -, na altura do Posto 4 da avenida, que promovia eventos que integravam a programação do Rio chic, além de disputas esportivas (Beira-Mar, 5 de maio de 1928, última coluna; Beira-Mar, 22 de julho de 1929, segunda coluna; Beira-Mar, 8 de dezembro de 1929).

 

 

 

Também havia o Hotel Londres, prédio no melhor ponto de banhos da encantadora Avenida Atlântica. Lá eram realizados elegantes eventos sociais (Beira-Mar, 21 de outubro de 1928, última coluna; Beira-Mar, 21 de abril de 1929, primeira coluna).

 

 

O periódico Beira-Mar de 12 de maio de 1929, chamava atenção para a falta de arborização da avenida Atlântica. Na década de 30, palacetes como o da família Duvivier e onde ficava a sede do Atlântico Club povoavam a avenida (Beira-Mar, 15 de junho de 1930).

 

 

 

Em 1930, foi pela primeira promovida a Tarde das Flores, na avenida Atlântica, para celebrar a chegada do inverno Cada posto escolheu flores para simbolizá-los: Posto 1 – amor-perfeito, Posto 2 – magnólia, Poto 3 – violeta, Posto 4 – hortênsia, Posto 5 – dália e Posto 6 – margarida (Beira-Mar, 13 de abril de 1930, quarta coluna).

Novamente a avenida Atlântica foi castigada por uma ressaca, diversas casas foram inundadas, a água foi até a porta principal do Hotel Copacabana Palace mas suas muralhas de proteção não foram destruídas (Beira-Mar, 20 de julho de 1930, primeira coluna; Beira-Mar, 27 de julho de 1930, primeira coluna). Em dezembro, foram inaugurados pavilhões praianos ao longo da avenida (Beira-Mar, 7 de dezembro de 1930, penúltima coluna).

 

 

Em 1931, foi inaugurado, na avenida Atlântica com a rua Haritoff, atual rua Ronald de Carvalho, com pistas originalíssimas, o  Natural Pi Wi Golf (Beira-Mar, 3 de maio de 1931, terceira coluna). Foi inaugurado, logo no início de 1932, um rinque de patinação entre os postos 3 e 4, no nº 628 (Beira-Mar, 9 de janeiro de 1932, segunda coluna). O carnaval deste ano contou com uma Batalha de Flores e de um corso na avenida Atlântica (Beira-Mar, 6 de fevereiro de 1932) e, em 7 de março, foi inaugurada uma filial do Colégio Anglo-Americano, no número 458, na avenida (Beira-Mar, 20 de fevereiro de 1932). Havia ainda na avenida Atlântica, nº 952, o Instituto Anglo-Francês (Beira-Mar, 2 de julho de 1932, terceira coluna).

 

 

O Bar Alpino era um dos points da avenida Atlântica, ficava no nº 142, no Leme, e em uma propaganda se identificava como o maior e mais confortável bar da América do Sul (Beira-Mar, 27 de outubro de 1934). Apesar da beleza da avenida, seus bancos continuava a ser espatifados. 

 

 

Em 1934, parte do morro do Inhangá, que ainda chegava à avenida Atlântica foi cortado para a construção da piscina do Copacabana Palace. Então a linha imaginária entre as praias de Copacabana e do Leme passou a ser a atual avenida Princesa Isabel. Em 1951, o que havia restado dessa pedra junto ao hotel foi retirado para a construção do grupo de edifícios Chopin, Balada e Prelúdio

 

 

 

Foi inaugurado, em 20 de março de 1935, na avenida Atlântica, na altura do Posto 6, onde antes havia a já mencionada casa da francesa Mère Louise, o Cassino Balneário Atlântico (Beira-Mar, 16 de fevereiro de 1935; Beira-Mar, 30 de março de 1935).

 

 

Logo no início de 1935, foi anunciada pela Diretoria Geral de Turismo a reposição de 48 dos bancos espatifados (Beira-Mar, 22 de dezembro de 1934Beira-Mar, 12 de janeiro de 1935, primeira coluna). Em setembro, foram de novo depredados (Beira-Mar, 28 de setembro de 1935, penúltima colunaBeira-Mar, 26 de outubro de 1935).

Neste mesmo ano, o Cine-Varieté, no Cassino Balneário Atlântico, passou a receber o público, tornando-se um dos mais chiques e elegantes locais da avenida Atlântica. Apresentava produções internacionais e nacionais e realizava matinés infantis. Aos domingos eram distribuídos brinquedos para as crianças. (Beira-Mar, 9 de novembro de 1935).

 

 

Em 1936, foram inauguradas as primeiras torres dos postos de salvamento, nos Postos  2 e 6, com a presença de Pedro Ernesto Baptista (1884 – 1942), primeiro prefeito eleito do Distrito Federal (Beira-Mar, 28 de março de 1936, primeira página e página 10). Nesta época, os focos do mundanismo no Posto 2, então o mais concorrido da avenida Atlântica, eram a Confeitaria Alvear, esquina com a República do Peru, o restaurante Lido e o Bar e Restaurante OK, esquina com a então rua Haritoff, atual Ronald de Carvalho (Beira-Mar, 2 de maio de 1936).

 

 

Em maio de 1936, uma nova ressaca atingiu a avenida Atlântica, cujo tráfego ficou impedido porque a água e a areia invadiram a rua (Beira-Mar, 29 de agosto de 1936, primeira coluna). Seu calçamento foi parcialmente consertado e em 1937 as reclamações em relação ao estado da avenida continuava (Beira-Mar, 10 de outubro de 1936, primeira coluna; Beira-Mar, 4 de setembro de 1937, quarta coluna). No ano seguinte, foi publicado um artigo afirmando que a avenida havia sido mal projetada, tendo sido traçada muito próxima ao mar (Correio da Manhã, 30 de março de 1937, quinta colunaBeira-Mar, 10 de abril de 1937).

 

 

No final do ano, foi inaugurado mais um point no Posto 2, o Citro Bar Expresso (Beira-Mar, de 7 de novembro de 1936).

 

 

O Clube dos Marimbás, fundado em 5 de abril de 1932 por 36 rapazes, dentre eles o proprietário das Organizações Globo, Roberto Marinho (1904 – 2003), e inicialmente sediado ao lado do Edifício Olinda, já se localizava no final da praia de Copacabana, junto ao Forte de Copacabana. Seu anteprojeto, inspirado em um navio ancorado, é dos renomados arquitetos Lucio Costa (1902 – 1998) e do russo Gregori Warchavchik (1896 – 1972), expoentes da arquitetura modernista no Brasil. O projeto, no entanto, foi concluído pelo arquiteto Paulo Antunes Ribeiro (1905 – 1973), um dos sócio fundadores do clube, da onde descortina-se uma das mais belas vistas da avenida Atlântica (Beira-Mar, 7 de novembro de 1936).

 

 

O moderníssimo Luxor Hotel foi inaugurado na avenida, no Posto 4, (Beira-Mar, 12 de junho de 1937, primeira coluna) e no Posto 2, inauguração do Wonder Bar, novo ponto de reunião para a elegância copacabanense (Beira Mar, 9 de outubro de 1937). Ainda nesse ano, foi inaugurada a Casa Arthur Hermanny, o estabelecimento mais distinto a serviço do bairro mais elegante, especializada em artigos de luxo, na esquina com a rua Bolivar (Beira-Mar, 4 de dezembro de 1937; Beira-Mar, 1º de julho de 1939). Na década de 30, outro hotel de destaque na avenida eram o Hotel Atlântico, no número 654. Também ficava na avenida o Lar da Creança, orfanato para meninas, no número 842 (Beira-Mar, 25 de maio de 1935).

 

 

De acordo com um artigo publicado na Beira-Mar, de 29 de janeiro de 1938, o tráfego intenso na Atlântica, artéria principal de Copacabana, colocava em perigo a vida das pessoas que praticavam o footing na avenida. Em entrevista, o prefeito Henrique Dodsworth (1895 – 1975) informou que a avenida seria alargada (Diário da Noite, 7 de março de 1938Beira-Mar, 12 de março de 1938, primeira coluna).

No carnaval de 1938, as escolas de samba desfilaram na avenida Atlântica e as vencedoras foram a Portela e a Unidos da Tijuca (Beira-Mar, 26 de fevereiro de 1938). Meses depois, a iluminação da avenida começou a ser trocada e foi inaugurado o Internacional Bridge Club, no primeiro andar do Edifício Continental (Beira-Mar, 2 de abril de 1938, página 5 e página 7). O restaurante Carlton ficava no Posto 3 (Beira-Mar, 23 de abril de 1938, segunda coluna) e a casa de modas Longchamps, no número 822 (Beira-Mar, 4 de junho de 1938, primeira coluna). Havia também o Hotel Cosmópolis (Beira-Mar, 2 de julho de 1938, primeira coluna) e o Hotel Rivera. Mas a ocupação da avenida por apartamentos “cabeças de porco” já era uma preocupação (Beira-Mar, 24 de setembro de 1938).

Já no início de 1939, foi inaugurada uma nova iluminação na avenida, iniciativa do prefeito Henrique Dodsworth (1895 – 1975) (Beira-Mar, 4 de fevereiro de 1939, quarta coluna; Beira-Mar, 4 de março de 1939; Beira-Mar, 18 de março de 1939; Beira-Mar, 20 de maio de 1939; Beira-Mar, 9 de novembro de 1940).

 

 

O alargamento da avenida e a construção de groynes para afastar o mar foi anunciada (Beira-Mar, 4 de março de 1939, primeira coluna). Mas na ressaca de junho, os groynes do sr Maurício Joppert foram por…água abaixo (Gazeta de Notícias, 13 de junho de 1939, terceira colunaBeira-Mar, 17 de junho de 1939, primeira coluna; Beira-Mar, 15 de julho de 1939). Os problemas de trânsito persistiam e acidentes com mortes aconteciam (Beira-Mar, 1º de abril de 1939, primeira colunaBeira-Mar, 15 de abril de 1939). Também 17 bancos da avenida foram destruídos por vândalos (Beira-Mar, 15 de abril de 1939). Existia na avenida um solarium da Seção de Convalescentes da Secretaria de Saúde e Assistência Social (Beira-Mar, 13 de maio de 1939). Ainda nesse ano, foi publicada a matéria Os praianos reclamam sobre os ratos que infestavam a praia e o número de prisão de mulheres que faziam “troittoir” na avenida Atlântica (Beira-Mar, 8 de julho de 1939).

 

 

Foi na década de 40, que Copacabana se firmou como bairro chique e sua vida noturna era dividida entre seus os cassinos do Hotel Copacabana Palace e o Cassino Atlântico, que ficava na avenida esquina com Francisco Otaviano.

Ao lado do Hotel Londres, no início dos ano 40, era ministrado o Curso de Ginástica da Sociedade Brasileira de Cultura Física e Eugenia, sob a orientação do drs. David Madeira e Paulo Rolim (Beira-Mar, 3 de fevereiro de 1940). Já o Colégio Paula Freitas ficava no número 762 da avenida (Beira-Mar, 27 de abril de 1940).

 

 

 

O trânsito e a velocidade com que os carros trafegavam na avenida, além da falta de sinalização e o barulho das buzinas, continuavam a ser um problema (Beira-Mar, 8 de junho de 1940, terceira coluna; Beira-Mar, 12 de outubro de 1940; Beira-Mar, 8 de março de 1941; Beira-Mar, 21 de junho de 1941; Beira-Mar, 2 de agosto de 1941). Também havia reclamações em relação ao calcamento da avenida (Beira-Mar, 16 de agosto de 1941).

Na fotografia destacada abaixo, vê-se a grande diferença do mesmo trecho da avenida Atlântica fotografada em 1912 e em 1940. Em 1930, a nossa avenida Atlântica não tinha um único arranha-céu; hoje é quase toda cheia de imensos palácios que são um orgulho de nosso progresso (Beira-Mar, 14 de março de 1942).

 

 

Uma grande parada de elegância e automobilística foi patrocinada pela Rádio Ipanema. Houve um desfile de carros pela avenida Atlântica que culminou com uma festa no Luxor Hotel (Beira-Mar, 1º de fevereiro de 1941). O Ginásio Brasileiro funcionava no número 996 da avenida (Beira-Mar, 8 de março de 1941).

Foi publicada uma crônica sobre o popular cachorro Faísca que era muito popular em Copacabana e acabou morrendo, atropelado na avenida Atlântica: Faísca, filho do prazer, Nascido no Mère Louise e criado no OK, de Nelson Nascimento (Beira-Mar, 22 de março de 1941; Beira-Mar, 5 de abril de 1941).

No artigo Copacabana, a cidade mais moça e mais bela do Brasil era mencionado que “Em 1930, a nossa Avenida Atlântica não possuia um único arranha-céu; hoje é quase toda cheia de imensos palácios que são um orgulho de nosso progresso” (Beira-Mar, 14 de março de 1942, última coluna). Na mesma edição do periódico, havia uma propaganda da loja Dr.Scholl, inaugurada na avenida Atlantica, número 766, esquina com a rua Bolívar (Beira-Mar, 28 de março de 1942).

Charretes e bicicletas passaram a ser usadas no Rio de Janeiro devido ao racionamento de gasolina e consequente suspensão da circulação de automóveis na cidade. Aos domingos, essa substituição dava um novo movimento à nossa Avenida Atlântica. É o divertimento do dia (Beira-Mar, 15 de agosto de 1942). A sede provisória da Associação Atlética de Copacabana ficava na avenida Atlântica número (Beira-Mar, 15 de agosto de 1942, segunda coluna).

Houve três dias de black-out em Copacabana, Ipanema, Leme e Leblon que alterou o “footing” colorido de outras noites na avenida Atlântica (Beira-Mar, 19 de setembro de 1942).

Foi anunciada a inauguração do Cinema Rian, na avenida Atlântica (Beira-Mar, 10 de outubro de 1942). Em sua abertura foi exibido o filme Aconteceu Em Havana, com Carmen Miranda e o Bando da Lua, Alice Faye, John Payne e Cesar Romero. O cinema funcionou no prédio de mesmo nome construído Nair de Teffé, caricaturista e viúva do ex-presidente Hermes da Fonseca, com a herança deixada por seu pai, o Barão de Teffé, morto em 1931. Rian é o seu nome escrito de trás para frente. Em 1940, o edifício foi vendido, mas manteve seu nome como uma homenagem a ela.

 

 

O Repousário do Hospital Jesus, na avenida Atlântica, que havia passado por vários melhoramentos foi, em 27 de novembro, visitado pelo prefeito Henrique Dodsworth. Na mesma data, o prefeito inaugurou, com a presença de Assis Chateaubriand, os novos postos de salvamento da Praia de Copacabana (Beira-Mar, 1º de janeiro de 1943, primeira coluna).

E os novos estúdios da Rádio Ipanema ficavam na avenida Atlântica, número 24, no Leme (Beira-Mar, 19 de dezembro de 1942, primeira coluna).

Foi realizada a primeira procissão de Nossa Senhora de Copacabana com um cortejo pela avenida Atlântica (Beira-Mar, 9 de outubro de 1943, primeira coluna). Ainda em outubro, foi reaberto o Wonder Bar, primeiro estabelecimento do Rio adaptado ao “black-out” (Beira-Mar, 30 de outubro de 1943).

 

 

Mais uma vez, os bancos da avenida Atlântica foram depredados (Beira-Mar, 29 de abril de 1944, quarta coluna). Em outubro do mesmo ano, foi publicada uma propaganda da Confeitaria Alvear, que ficava no número 444 na avenida, esquina com República do Peru (Beira-Mar, 28 de outubro de 1944).

Em 27 de junho 1945, foi inaugurado no número 546 da avenida Atlântica, esquina com Siqueira Campos, o Bar e  Restaurante Albatros (Beira-Mar, julho de 1945). Também havia na avenida, no número 730-A, a Bombonière Rian (Beira-Mar, setembro de 1945).

As festas de carnaval na Boate Bolero, na avenida Atlântica, 434, eram um sucesso, e o melhor chopp do Rio era servido na Taberna Atlântica, no número 186 (Beira-Mar, março de 1946). No mesmo ano, no número 980, foi inaugrada a Casa 980, de acessórios de automóveis (Beira-Mar, abril de 1946).

Na década de 50, de muito movimento social na avenida Atlântica e no bairro como um todo (Correio da Manhã, 28 de julho de 1957), a sede da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), no Posto Seis, no edifício da avenida esquina com a rua Francisco Otaviano continuava mantendo a tradição de baluarte da alegria carnavalesca. Há duas semanas vêm realizando em sua boate os movimentados bailes “Sassaricadas” (das 14h às 20h), os quais terão prosseguimento, todos os sábados, até o carnaval (O Globo, 29 de janeiro de 1954).

Na mesma década, foi na Confeitaria Alvear, na avenida Atlântica,  que um grupo de rapazes, bem nascidos e bem sucedidos, se encontrava para beber e conversar. Formaram o Grupo dos Cafajestes, que na época de Carnaval dali partiam para os bailes de Copacabana. Seu fundador foi o comandante da Panair do Brasil, Edu, Eduardo Henrique Martins de Oliveira, botafoguense fanático. Outros integrantes do grupo foram o jogador de futebol Heleno de Freitas, Baby Pignatari, Carlos Niemeyer, Carlos Peixoto, Celmar Padilha, Ermelindo Matarazzo, Fernando Aguinaga, Ibrahim Sued, Jorginho Guinle, Mário Saladini, Mariozinho de Oliveira, Sérgio Pettezzoni, Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), dentre vários outros.

Em março de 1954, no Bife de Ouro, restaurante do Copacabana Palace, ocorreu uma briga entre o jornalista Carlos Lacerda (1914 – 1977) e Euclides Aranha, filho do então ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha (1894 – 1960), noticiada no jornal O Globo:

Lacerda e filho de Aranha trocam socos

Principiando por uma altercação seguida de luta corporal entre o Sr. Euclides Aranha e o jornalista Carlos Lacerda, um incidente que se prolongaria até a meia-noite, resultando, inclusive, em congestionamento do tráfego da Avenida Atlântica e interdição do local por autoridades policiais, perturbou na noite de ontem o jantar no Bife de Ouro, o restaurante do Copacabana palace Hotel. Achavam-se reunidos na mesma mesa o ministro João Cleophas, o deputado Edilberto Ribeiro, o Sr. Manuel Ferreira e Carlos Lacerda, diretor da “Tribuna da Imprensa”, num jantar promovido pelo deputado. De outra mesa, o Sr. Euclides Aranha, filho do ministro Oswaldo Aranha, jantava com a esposa, levantou-se, fisionomia transtornada, dirigiu-se à mesa onde se encontrava o referido grupo, deteve-se junto à cadeira do jornalista e interpelou-o sobre ataques dirigidos a seu pai na “Tribuna da Imprensa”. À interpelação seguiu-se áspera troca de palavras, tendo o jornalista se levantado, entrando em luta com o filho do ministro da Fazenda. Segundo as testemunhas, os dois trocaram socos por algum tempo, até que amigos comuns se interpuseram e os separaram. Às 23h, o próprio ministro Oswaldo Aranha compareceu ao restaurante para ver o que ocorrera. Pouco depois, simultâneamente, por portas diferentes, os Srs. Euclides Aranha e Carlos Lacerda abandonaram o Bife de Ouro (O Globo, 24 de março de 1954).

E foi também na década de 50, que a Bossa Nova nasceu: na casa dos pais da cantora Nara Leão (1942 – 1989), na avenida Atlântica, no Posto 4, que jovens como Roberto Menescal (1937 – ), Ronaldo Boscoli (1928 – 1994), Carlinhos Lyra (1933 – ) e outros se reuniam para cantar e compor. Mas o fato que marcou o aparecimento do movimento musical foi o disco gravado por Elizete Cardoso (1920 – 1990), em 1958, Canção do amor demais, cujo acompanhamento era feito pelo violonista João Gilberto (1931 – 2019). Outro gênero musical sacudiu a avenida Atlântica: o rock and roll. Em 1957, estreou o filme Ao balanço das horas, com Bill Haley e seus cometas, no Cinema Rian, e suas sessões foram muitas vezes tumutuadas pelos jovens que dançavam durante o filme (O Jornal, 15 de janeiro de 1957, última coluna).

 

Já em fins da década de 60, sob a gestão do governador Francisco Negrão de Lima (1901 – 1981) e por sugestão do arquiteto Lúcio Costa (1902 – 1998), entre 1969 e 1971, uma grande obra, projeto do engenheiro gaúcho Raimundo de Paula Soares (1926 – 1992), foi realizada na avenida Atlântica. Com bombeamento de areia, a distância entre a fachada dos prédios e a praia passou de 21 para 73 metros e a área ganhou estacionamentos, seis pistas de automóveis, calçadões e um interceptor oceânico para captar o esgoto do bairro.

“Sobre a areia foram construídas duas pistas de rolamento com um calçadão central sob o qual instalou-se o Interceptor Oceânico da Zona Sul, a maior obra de esgotamento sanitário até então feita na cidade. Todo o espaço até então usado pela antiga avenida e suas duas calçadas transformou-se em largo calçadão junto aos prédios; o atual estacionamento fica sobre o que era a areia da praia. Esta teve sua largura ampliada, com areia retirada do fundo do mar por dragas. Os mosaicos dos calçadões foram desenhados por Roberto Burle Marx (1909 – 1994), utilizando pedras de três cores, representando os povos que formaram a população brasileira. O calçadão junto à areia manteve o antigo desenho, oriundo de Portugal, uniformizando a orientação e ampliando o tamanho das ondas, fazendo-as condizentes com a largura da nova calçada. Em 1975, foram construídos novos postos de salvamento, projetados pelo arquiteto Sérgio Bernardes (1919 – 2002) (IBGE).

Foi em meados da década de 70, que o Hotel Méridien, então localizado na avenida Atlântica esquina com avenida Princesa Isabel, no Leme, promoveu uma queima de fogos espetacular do alto de seu prédio (Jornal do Brasil, 2 de janeiro de 1978, última coluna). A partir daí, a queima de fogos foi crescendo na Praia de Copacabana e passou a integrar o calendário do Rio de Janeiro.

 

 

Na administração do Prefeito Saturnino Braga (1986-1988) foram plantados grupos de coqueiros na areia e, na de Marcelo Alencar (1983-1986), construídos quiosques fixos e uma ciclovia” (IBGE).

Em 1984, por designação do Comitê Olímpico Brasileiro, foi realizada a Maratona do Rio como prova seletiva dos Jogos Olímpicos de Los Angeles. A avenida Atlântica fazia parte do percurso do evento esportivo.

 

 

Na década de 90, começaram a ser promovidos pela prefeitura da cidade, durante a gestão de César Maia, shows nas areias da Praia de Copacabana com diversos artistas durante a passagem do fim do ano. A estreia, no réveillon de 1993 / 1994, foi com Jorge Benjor (Jornal do Brasil, 2 de janeiro de 1994). No ano seguinte, a atração foi o roqueiro inglês Rod Stewart (Jornal do Brasil, 1º de janeiro de 1995). O réveillon na avenida Atlântica ficava cada vez mais animado e concorrido!

Em 18 de fevereiro de 2006, 1 milhão e meio de pessoas assistiram das areias de Copacabana e da avenida Atlântica ao show da lendária banda britânicca The Rolling Stones.

Para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, foi  montada na Praia de Copacabana uma arena para a disputa de vôlei de praia com capacidade para 12 mil lugares, 21 metros de altura no ponto mais alto – equivalente a um prédio de sete andares – e 62 mil metros quadrados. Mais uma vez, a avenida Atlântica aparecia para o mundo todo!

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Acervo O Globo

Biblioteca do IBGE

CASTRO, Ruy. A noite do meu bem. São Paulo : Companhia das Letras, 2015.

CASTRO, Ruy. A onda que se ergueu no mar. Novíssimo mergulhos na Bossa Nova. São Paulo : Companhia das Letras, 2017.

CASTRO, Ruy. Chega de saudade. São Paulo : Companhia das Letras, 2016.

CASTRO, Ruy. Metrópole à beira-mar: O Rio moderno dos anos 20. São Paulo : Companhia das Letras, 2019.

Diário do Rio

Dicionário de verbetes do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

GARSON, Marcelo. Roquianos, suburbanos e dançarinos: rock and roll carioca (55-60). Música Popular em Revista. Campinas, ano 1, vol 2, jan-junho 2013.

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Jornal O Globo

Site Câmara Municipal do Rio de Janeiro

Site Copacabana.com

Site Copacabana em foco

Site Clube dos Marimbás

Site Curiosidades cariocas

Site Editora Posto 6

Site Escritório de Arte

Site Rio que passou

*Inicialmente, estava escrito José Américo de Souza Rangel,, nome que consta em várias fontes de pesquisa. Porém, uma bisneta de Augusto Américo de Souza Rangel entrou em contato com a Brasiliana Fotográfica e, de fato, quem trabalhava na época na Comissão da Carta Cadastral e era, inclusive, muitíssimo amigo de Pereira Passos era o engenheiro Augusto Américo. Ele assumiu diversos cargos na comissão da Carta Cadastral, tendo sido seu chefe entre 1901 e 1903. O órgão teve grande relevância para o plano de reforma urbana realizado durante a gestão do prefeito Pereira Passos. Uma curiosidade: Souza Rangel e Pereira Passos eram muito próximos e as cartas trocadas entre eles, quando, após o término de sua gestão, Passos viajou para a Europa e para o Oriente Médio, ficaram famosas e foram compiladas no livro Notas de viagens, cartas a um amigo, publicado em 1913. a correção foi realizada em 5 de janeiro de 2020.

 

 

Links para os outros artigos da série “Avenidas e ruas do Brasil”:

Série “Avenidas e ruas do Brasil” I – Avenida Central, atual Rio Branco, publicada em 7 de setembro de 2016

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, publicada em 26 de junho de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” III – A rua do Bom Jesus, no Recife, publicada em 6 de agosto de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IV – A rua 25 de Março, em São Paulo, publicada em 1º de setembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” V – A rua Direita, a rua das Mercês e a rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais, publicada em 22 de outubro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI – A rua Augusto Ribas em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luís Bianchi, publicada em 18 de novembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil VIII – A rua da Carioca por Cássio Loredano, publicada em 20 de janeiro de 2021

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete, publicada em 14 de julho de 2021

Oliveira Reis: o engenheiro-historiador do Rio de Janeiro e seu acervo iconográfico

O engenheiro paulista José de Oliveira Reis (1925 – 1994) trabalhou na Prefeitura do Rio de Janeiro, de 1933 a 1966, e se apaixonou pela cidade. Durante esse período acumulou vários tipos de documentos públicos produzidos pela prefeitura sobre a urbe, especialmente fotografias, tornando-se um dos inúmeros profissionais que trabalharam na administração pública do Rio de Janeiro e auxiliaram na formação dos acervos, sua preservação e memória, ainda que não fossem historiadores de formação.  Uma pequena parcela do acervo que forma a Coleção Particular José de Oliveira Reis, doada por seu titular ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, encontra-se no acervo do portal. Sobre o assunto, os pesquisadores do AGCRJ Carolina Ferro e Rafael Martins de Araujo escreveram o artigo “Oliveira Reis: o engenheiro-historiador do Rio de Janeiro e seu acervo iconográfico”.

 

Oliveira Reis: o engenheiro-historiador do Rio de Janeiro e seu acervo iconográfico

Carolina Ferro e Rafael Martins de Araujo*

 

 

Inúmeros foram os profissionais que trabalharam na administração pública do Rio de Janeiro e auxiliaram na formação dos acervos, sua preservação e memória, ainda que não fossem historiadores de formação. Este é o caso de José de Oliveira Reis (1925 – 1994), importante engenheiro da cidade que, paulista, se apaixonou pela antiga capital do Brasil, acumulando, já na década de 1930, vários tipos de documentos públicos produzidos pela então Prefeitura do Distrito Federal sobre a urbe, especialmente fotografias. Uma pequena parcela do acervo que forma a Coleção Particular José de Oliveira Reis, doada por seu titular ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), encontra-se no site da Brasiliana Fotográfica.

Acessando o link para as fotografias Coleção Particular José de Oliveira Reis disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

José de Oliveira Reis nasceu em 25 de setembro de 1903, em Ribeirão Preto, São Paulo. Formou-se em Engenharia Civil na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1925, e foi transferido em definitivo para a cidade três anos depois, quando trabalhava em uma empresa privada. Em 1933, foi o terceiro colocado no primeiro concurso público para o cargo de engenheiro da Prefeitura do Distrito Federal.

Naquele período, o debate acerca dos impactos nas transformações urbanas para a administração pública era crescente e exposto tanto na criação de um processo seletivo para engenheiros municipais quanto na instituição do Plano Agache. O projeto de remodelação urbana elaborado por Alfred Agache  não chegou a ser implantado (1928-1930) e era parte da reestruturação organizacional que permitiria à prefeitura obter o protagonismo sobre o processo de urbanização da cidade. Doutor Reis (como era conhecido na Prefeitura do Rio) foi um dos engenheiros mais destacados desse cenário. Apenas cinco anos após sua aprovação no concurso, foi nomeado Chefe da Comissão do Plano da Cidade, sendo enviado aos Estados Unidos, em 1939, para estudar o processo de desenvolvimento de diversas regiões. Ao retornar, participou da elaboração do Plano Diretor da Cidade e de projetos de grande importância histórica para o Rio de Janeiro, como a abertura da avenida Presidente Vargas e a urbanização da Esplanada do Castelo. Em 1945, a Comissão do Plano da Cidade foi transformada em Departamento de Urbanismo (DUR), com Oliveira Reis sendo nomeado seu primeiro diretor, cargo que ocupou até 1948. Nos anos seguintes, ele voltaria a ocupar a diretoria do DUR: em 1954; entre 1956 e 1960 (quando foi um dos nomes na urbanização da esplanada do Morro de Santo Antônio); e em 1962.

 

 

Em 1965, apenas um ano antes de se aposentar, Oliveira Reis publicou As Administrações Municipais e o Desenvolvimento Urbano: O Rio e seus Prefeitos (1862 a 1960). Sua aposentadoria não significou o seu desligamento do serviço público, pois, até as vésperas de seu falecimento, permanecia como colaborador, estando à frente da Revista Municipal de Engenharia. Segundo seu biógrafo, Rodrigo Santos de Faria (2007) – que inclusive usa boa parte da documentação do AGCRJ para construir o argumento de sua tese – o biênio 1965/1966, marca o início da atuação do engenheiro como “historiógrafo da administração pública” do Rio de Janeiro. Após a primeira publicação, viriam diversos livros, artigos e palestras abordando o tema, como Os Prefeitos do Rio de Janeiro como Capital da República de 1889 a 1960, apresentado em conferência em 1971; O Rio de Janeiro e seus Prefeitos (1977, quatro volumes); A Guanabara e seus Governadores (1979); História da Legislação sobre o Uso do Solo (1983); As inundações do Rio de Janeiro e o Sesquicentenário do nascimento de Pereira Passos, publicados na famosa Revista Municipal de Engenharia (RME), que existiu entre 1932 e 1999, e cujas edições estão disponíveis para consulta online numa parceria DocPro, BN Digital e AGCRJ.

Dr. Reis foi editor-chefe da RME entre 1978 e 1992. Uma edição especial da publicação, de agosto de 1997, três anos depois de seu falecimento, prestou homenagem ao engenheiro, com depoimentos de colegas, recortes de jornais que noticiavam feitos de Oliveira Reis, e uma edição de História Urbanística do Rio de Janeiro, publicado originalmente em 1986. Nos depoimentos, Dr. Reis é descrito como alguém tranquilo, fascinado por seu trabalho e pelo Rio de Janeiro. Exímio conhecedor da história das ruas mais importantes de cor, fazia de sua sala na RME um “ponto de encontro de arquitetos, historiadores, geógrafos [e] pesquisadores do Rio de Janeiro”. Sua paixão pela História também fica evidente em entrevista concedida ao AGCRJ, em 1986. Nela, o engenheiro não apenas responde cada pergunta, como também faz questão de comentar detalhes sobre antigas obras e expor as minúcias das mudanças na administração pública da prefeitura.

Bons exemplos são suas respostas sobre a construção da avenida Presidente Vargas. Depois de esclarecer que a obra se tratava de um projeto antigo, pretendido “desde o século XIX como uma extensão do canal do Mangue”, Reis, ao ser perguntado sobre o auxílio do governo federal para a construção da via, conta um detalhe curioso sobre a aprovação do projeto. Henrique Dodsworth não tinha muita convicção da execução da avenida porque o vulto da obra era muito grande. Mas o presidente da República se interessou pela obra a partir de uma visita à Feira de Amostras onde havia um estande da Secretaria de Viação e Obras com todo o projeto da avenida Presidente Vargas, inclusive uma perspectiva muito bonita feita pelo arquiteto Nelson Muniz Nevares, com o nome da via. O presidente olhou para a perspectiva, olhou para o prefeito e disse: “Dr. Henrique, vamos fazer essa avenida.” Aí o Henrique Dodsworth tomou a palavra do presidente e, naturalmente, tratou de executar a obra. (FREIRE; OLIVEIRA, 2008).

 

 

Como entusiasta da História e grande divulgador da memória da cidade, Oliveira Reis preservou e organizou uma vasta documentação acerca do processo de urbanização do Rio. Grande parte deste material foi doada ao AGCRJ, em 1992, e a outra se encontra no Arquivo Municipal de Ribeirão Preto, em São Paulo. Na instituição carioca há um manancial de documentos diversificados que vai desde proposições de Harland Bartholomew (1889-1989) – um importante urbanista norte-americano – para o descongestionamento do tráfego urbano, até imagens panorâmicas da cidade em que trabalhou durante toda sua vida. Tudo isso com tipologias diferenciadas, como documentos manuscritos, datilografados, periódicos, teses, decretos, palestras, certificados, memorandos, planejamentos urbanos, ilustrações etc. Alguns deles eram organizados em grupo, com o objetivo de construir uma memória de um determinado local. Este foi o caso da Avenida Perimetral, cujo conjunto inclui recortes de jornais sobre o projeto urbanístico, plantas de lotes da Avenida Presidente Vargas para permutas com terrenos desapropriados da localidade da nova construção e um histórico da avenida feito pelo próprio Oliveira Reis. Além dos documentos doados pelo personagem, à coleção particular foram acrescidas mais algumas fotografias e a entrevista citada que foi realizada pela historiadora Sandra Horta, que ocupou o cargo de Diretora de Pesquisa da instituição por algumas décadas e cuja transcrição está disponível na obra de Lúcia Lippi Oliveira e Américo Freire (2008).

 

 

A pequena parcela do acervo na Brasiliana Fotográfica refere-se a algumas das fotografias panorâmicas da Coleção Particular de Oliveira Reis, no AGCRJ. Infelizmente não há dados sobre autoria, muito menos datas exatas. Isto porque era um acervo de trabalho e auxiliava as reflexões nos cargos que ocupou. Sobre as imagens em questão, que formam um grupo de 99 fotos, sabe-se, apenas, que elas são da década de 1930, mesma época em que Reis se tornou engenheiro da Prefeitura do Distrito Federal. Através delas, é possível sobrevoar a história urbana da cidade, passando por bairros como Glória, Centro, Botafogo, Copacabana, Vila Isabel, Rio Comprido e muito mais. Exemplos interessantes são as que retratam a construção do Cristo Redentor, um ícone turístico e cartão postal do Rio de Janeiro, com a zona sul, o Pão de Açúcar, a enseada de Botafogo e a cidade de Niterói ao fundo; e uma das fotografias de Copacabana, sem a famosa calçada, mas já com o majestoso Copacabana Palace que foi inaugurado na década anterior. O objetivo do Dr. Reis ao acumular e guardar essas imagens era, além de compreender as mudanças da urbe carioca, preservar sua memória e construir uma história que fosse capaz de dar conta das intensas transformações perpetradas pelos governos municipais.

A Coleção Particular de Oliveira Reis está totalmente disponível para consulta no AGCRJ. Só de fotografias são acerca de 800, que abordam das décadas de 1930 a 1990. Essas imagens nos permitem apreciar e analisara cidade de outrora, pensar sobre os deslocamentos humanos e sociais, e refletir sobre as transformações de nossa urbe, cada vez mais cimentada e verticalizada.
No Arquivo Virtual, o banco de dados da instituição, há mais detalhes e o conteúdo dos documentos. Este pode ser acessado facilmente no link: rio.rj.gov.br/web/arquivogeral.

 

 

*Carolina Ferro é gerente de pesquisa do AGCRJ, professora do Centro Universitário UniCarioca e Doutora em História pela UFF.

Rafael Martins de Araujo é estagiário da gerência de pesquisa do AGCRJ e bacharel em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

 

 

Fontes:

FARIA, Rodrigo Santos de. José de Oliveira Reis, urbanista em construção: uma trajetória profissional no processo de institucionalização do urbanismo no Brasil (1926-1965/1966). 2007. Tese (Doutorado em História) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas-SP, 2007. Disponível em: http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/280241. Acesso em: 23 set. 2019.

______. Da Comissão do Plano da Cidade (1937) ao Departamento de Urbanismo no Rio de Janeiro (1945): uma interpretação relacional pelo acervo documental do engenheiro José de Oliveira Reis. Oculum Ensaios, n. 09-10, Campinas-SP, p. 26-41, Jan./Dez. 2009.

FREIRE, Américo; OLIVEIRA, Lúcia Lippi (Org.). Novas memórias do urbanismo carioca. Rio de Janeiro: Editora da FGV, 2008.

JOSÉ DE Oliveira Reis (Lista de documentos). Rio de Janeiro: AGCRJ, [s./d.].

KUSHNIR, Beatriz (Dir.). Coleção Particular Oliveira Reis. Rio de Janeiro: AGCRJ, 2015.

MOREIRA, Fernando Diniz. Urbanismo e modernidade: reflexões em torno do Plano Agache para o Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 9, n. 2, nov. 2007.

REVISTA Municipal de Engenharia: 65 anos, Edição Especial. Homenagem ao Engenheiro Oliveira Reis. Rio de Janeiro, Edição especial, ago. 1997.
SILVA, Pedro Sousa da. Reforma Urbana no Estado Novo: a gestão de Henrique Dodsworth na cidade do Rio de Janeiro (1937-1945). Mosaico, v. 8, n° 13, 2017.

A Floresta da Tijuca no Dia Mundial do Meio Ambiente

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a Brasiliana Fotográfica destaca imagens da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, a maior floresta urbana replantada pelo homem, com uma extensão de 3.953 hectares. Sua beleza e exuberância não passaram despercebidas por diversos fotógrafos dos séculos XIX e XX. O portal disponibiliza registros produzidos por Augusto Malta (1864 – 1957)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Marc Ferrez (1843 – 1923) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886).

Para a produção de carvão, extração de madeira e plantação de café, a floresta foi quase totalmente destruída, o que ocasionou problemas nas fontes que abasteciam a cidade com água. O desmatamento, somado ao aumento da população, ao clima seco em alguns anos e à falta de infraestrutura no Rio, acabou, por vezes, deixando a capital imperial sem abastecimento de água, o que gerou o surgimento de um mercado paralelo de venda de água e também a disseminação de doenças. Em 1861, durante o reinado de dom Pedro II (1825 – 1891) o major Manuel Gomes Archer (1821 – 1907) foi nomeado administrador da Floresta da Tijuca, cargo que exerceu até 1874 (Boletim do Expediente do Governo, novembro de 1861). Foi iniciado, então, o primeiro grande projeto de reflorestamento no mundo com o replantio de mais de 100 mil árvores. Posteriormente, sob a administração do barão Gastão d´Escragnolle (1821 – 1888), entre 1874 e 1888 (Gazeta de Notícias, 19 de junho de 1888, sexta coluna), além da continuação do replantio, foi realizado um trabalho de embelezamento com a colaboração do célebre paisagista e botânico francês Auguste Glaziou (1833 – 1906), que tornou a floresta um parque para uso público com fontes, lagos, mirante, pontes e jardins de estilo francês.

 

 

Acessando o link para as fotografias da Floresta da Tijuca disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Depois de um longo período de abandono, em 1944, sob a coordenação do industrial Raymundo de Castro Maia (1894 – 1968), convidado pelo então prefeito Henrique Dodworth (1895 – 1975), e com a cooperação do paisagista Roberto Burle Marx (1909 – 1994), foram reiniciadas a recuperação e a manutenção da vegetação da floresta. Alguns dos atrativos da Floresta da Tijuca são o Pico da Tijuca – seu ponto mais alto -, o Pico do Papagaio e a Cascatinha Taunay. Fica dentro do Parque Nacional da Tijuca, criado em 1961, o mais visitado do Brasil.

 

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente começou a ser comemorado em 1972. A data foi escolhida porque a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente foi realizada em Estocolmo, na Suécia, entre 5 e 16 de junho de 1972. Seu secretário-geral foi o canadense Maurice Strong (1929 – 2015). Considerada a iniciativa mais importante tomada até então no campo da conservação do meio ambiente e da luta contra a poluição, reuniu 1.200 delegados de 114 países e cerca de três mil observadores. Entre os acordos mais importantes selados durante a reunião estão a condenação das experiências nucleares, a proibição da pesca da baleia por dez anos e a redução da produção de materiais sintéticos aumentando paralelamente a manufatura de substitutivos degradáveis não poluentes (Jornal do Brasil, 17 de junho de 1972).

 

 

Na próxima imagem, vemos o fotógrafo Marc Ferrez em um momento de lazer com sua esposa, a francesa Marie Lefebvre (c. 1849 – 1914), e os dois filhos do casal, Julio Marc (1881 – 1946) e Luciano José André (1884 – 1955), passeando na Floresta da Tijuca.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Agenda de Efemérides da TV Globo

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

HEYNNEMAN, Claudia. Floresta da Tijuca: natureza e civilização. Rio de Janeiro : Biblioteca Carioca, 1995.

MAIA, Raymundo de Castro. A Floresta da Tijuca. Rio de Janeiro: Edições Bloch, 1967

MENEZES, Pedro de Castro da Cunha e. Parque Nacional da Tijuca – uma floresta na metrópole. Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson Estúdio, 2010.

MENEZES, Pedro de Castro da Cunha e; CORRÊA, Marcos Sá; AZOURY, Ricardo. Parque Nacional Da Tijuca : 140 Anos da Reconstrução de uma floresta. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2001

Site do Instituto Chico Mendes

Site do Iphan

Site do Parque Nacional da Tijuca 

Site Rio de Janeiro aqui

 

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