E o Oscar vai para…

 

E o Oscar vai para…***

A Brasiliana Fotográfica celebra esse dia histórico para o cinema nacional, quando o filme brasileiro Ainda estou aqui (2024), dirigido por Walter Salles Jr (1956-), concorre em três categorias da premiação do Oscar – Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres (1965-). Conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional. Vocês sabiam que o primeiro brasileiro que disputou um Oscar foi o compositor Ary Barroso (1903 – 1964)?  Ele e seu parceiro, o norte-americano Ned Washington (1901-1976), concorreram, em 15 de março de 1945, na cerimônia realizada no Grauman´s Chinese Theatre, em Los Angeles, na categoria Melhor Canção Original com a música Rio de Janeiro, do musical Brasil (1944), uma produção norte-americana dirigida por Joseph Santley (1889 – 1971). A canção vencedora foi Swinging On A Star, composta por James Van Heusen (1913 – 1990) e Johnny Burke (1908 – 1964) para o filme O Bom Pastor (1944).

O mineiro Ary Barroso foi um dos maiores compositores da música popular brasileira, um ícone da Era do Rádio, e alguns de seus maiores sucessos foram Aquarela do Brasil, Baixa do SapateiroNo Tabuleiro da Baiana, Os Quindins de Iaiá e Rancho Fundo. A fotografia abaixo, intitulada Ary Barroso ao piano, pertence à Coleção José Ramos Tinhorão, da Coordenadoria de Música do Instituto Moreira Salles (IMS), uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica.

 

 

A próxima imagem, também do acervo do IMS, retrata Ary Barroso com Linda Batista (1919 – 1988), Grande Otelo (1915 – 1993) e Herivelto Martins (1912 – 1992), e é de autoria do fotógrafo húngaro naturalizado brasileiro Carlos Moskovics (1916 – 1988). Em 1942, Moskovics fundou a Foto Carlos, no andar térreo do Edifício Rex, na Cinelândia. Era estúdio, laboratório e agência fotográfica.  Em 1946, transferiu o estúdio Foto Carlos para o Edifício Civitas, na rua México, onde firmou-se como o fotógrafo dos artistas, retratando personagens do meio teatral, assim como desfiles de moda, paisagens urbanas da cidade e diversos acontecimentos de relevância social. Foi o fotógrafo mais requisitado do meio artístico entre as décadas de 1940, 1950 e 1960. Deixou um acervo de mais de 150 mil imagens que foi incorporado, em 2004, ao conjunto de coleções fotográficas do IMS.

 

 

Destacamos também nesta celebração do cinema nacional artigos já publicados no portal sobre Benjamin Abrahão Calil Botto (1901 – 1938), Jorge Kfuri (1893 – 1965), João Stamato (1886 – 1951), Nicola Parente (1847 – 1911), Marc Ferrez (1843 – 1923) e seus filhos; e Walter Garbe (18? – 19?), fotógrafos que fizeram parte da história do cinema no Brasil.

 

 

Artigos sobre os fotógrafos que fizeram parte da história do cinema no Brasil:

Os índios sob as lentes de Walter Garbe, em 1909, publicado em 23 de maio de 2017, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Lampião e outros cangaceiros sob as lentes de Benjamin Abrahão, publicado em 28 de julho de 2017, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

João Stamato, um fotógrafo nos sertões, publicado em 9 de fevereiro de 2021, de autoria de Ricardo Augusto dos Santos

O fotógrafo italiano Nicola Maria Parente (1847 – 1911) e sua trajetória no Brasil, publicado em 21 de fevereiro dde 2023, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XIII – Marc Ferrez e o cinema, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de junho de 2024

 

Contamos também um pouco da chegada do cinema no Brasil e mostramos uma seleção de imagens de salas de cinema, do acervo do Instituto Moreira Salles, além de fotos aéreas da Cinelândia, do acervo do Museu Aeroespacial, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. A Cinelândia foi durante muito tempo, ao longo do século XX, o epicentro da vida cultural do Rio de Janeiro, com uma grande concentração de bares, cinemas, restaurantes e teatros.

 

Acessando o link para as fotografias de salas de cinema disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Acessando o link para as fotografias aéreas da Cinelândia disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Cinema no Brasil – o início e o Oscar 2025

 

 

Um “aparelho que projeta sobre uma tela colocada ao fundo da sala diversos espetáculos e cenas animadas, por meio de uma série enorme de fotografias“. Assim o Jornal do Commercio descreveu o omniógrafo, após a primeira sessão pública de cinema no Brasil, que aconteceu às 14h, do dia 8 de julho de 1896, no Rio de Janeiro, em uma sala especialmente preparada para as projeções do aparelho, na rua do Ouvidor (Jornal do Commercio, 9 de julho de 1896, quarta coluna). A exibição ocorreu poucos meses após a projeção inaugural dos filmes dos irmãos Auguste (1862 – 1954) e Louis-Jean Lumière (1864 – 1948), em Paris, no dia 28 de dezembro de 1895, no Grand Café do Boulevard des Capucines.

 

 

Cerca de dois anos depois, em 1898, chegou ao Rio de Janeiro, vindo da Europa, o navio Paquebot Brésil. A bordo, encontrava-se o cinegrafista brasileiro de origem italiana Affonso Segreto (1875 – 1919), que retornava de uma viagem para comprar equipamentos de filmagens e conhecer novas técnicas cinematográficas em Nova York e em Paris, onde fez um curso na Pathé Films.

Antes de desembarcar no Rio de Janeiro, Affonso filmou com uma câmara Lumière a entrada da enseada da Baía de Guanabara, as fortalezas e os navios ancorados (Gazeta de Notícias, 20 de junho de 1898, segunda coluna). Teria sido a primeira fita de cinema realizada no Brasil*. O acontecimento deu origem ao Dia do Cinema Brasileiro. Affonso Segreto filmou, posteriormente, aspectos do Rio de Janeiro, além de seus arredores, e também cerimônias e comícios.

 

  

Acesse aqui todos os artigos da série Teatros e cinemas do Brasil

 

O Brasil e o Oscar

 

 

Hoje, 2 de março de 2025, pela segunda vez uma brasileira concorre na categoria de Melhor Atriz do Oscar, um dos prêmios mais importantes do cinema mundial, distribuído pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, fundada, em 1927, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Estamos na torcida por Fernanda Torres por sua atuação no filme Ainda estou aqui (2024), interpretando Eunice Facciolla Paiva (1929-2018), viúva do deputado Rubens Paiva (1929-1971), assassinado pela ditadura militar. Ainda estou aqui, dirigido por Walter Salles Jr., concorre ainda, como já mencionado, nas categorias de Melhor Filme e de Melhor Filme Estrangeiro.

 

 

Fernanda Torres repete o feito de sua mãe, Fernanda Montenegro (1929-)**, indicada, em 1999, por Central do Brasil (1998), também dirigido por Walter Salles Jr. –  ela foi derrotada por Gwyneth Paltrow (1972-), por Shakespeare Apaixonado (1998). As outras concorrentes foram Cate Blanchett (1969-), por Elizabeth (1998); Emily Watson (1967-), por Hilary e Jackie (1998); e Meryl Streep (1949-), por Um amor verdadeiro (1998).

 

Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar de 'Melhor atriz' em 1999, por seu trabalho em 'Central do Brasil'

Reprodução do Youtube

 

Retrospectiva da participação de brasileiros na premiação do Oscar entre 1929 e 2025

 

 

1945 - A música Rio de Janeiro, composta pelo brasileiro Ary Barroso (1903 – 1964) e pelo norte-americano Ned Washington (1901 – 1976), que verteu a letra para inglês, foi indicada como Melhor Canção Original pelo musical Brasil (1944), uma produção norte-americana dirigida por Joseph Santley (1889 – 1971) e estrelada pelo mexicano Tito Guízar (1908-1999), que cantou a música. Aurora Miranda (1915-2005), irmã de Carmen Miranda (1909 – 1955) participou do filme. A canção vencedora foi Swinging On A Star, composta por James Van Heusen (1913 – 1990) e Johnny Burke (1908 – 1964) para o filme O Bom Pastor (1944).

 

 

O parceiro de Ary, Ned Washington, já havia ganho um Oscar na categoria Melhor Canção Original, em 1941, por When You Wish Upon a Star, tema do filme Pinóquio (1940) e uma das composições mais famosas das produções da Disney. Voltou a vencer na mesma categoria, em 1953, com a música High Noon (Do Not Forsake Me, Oh My Darlin’, do filme Matar ou Morrer (1952).

Em agosto de 1945, Ary Barroso foi citado como um dos compositores que haviam sido convidados para ir a Hollywood a fim de contribuírem com seus talentos para películas cinematográficas (Gazeta de Notícias, 16 de agosto de 1945, última coluna). Antes de ser indicado ao Oscar, algumas de suas músicas já haviam sido executadas em filmes: No Tabuleiro da Baiana, em Melodia do Coração (1940); Os Quindins de Iaiá, em Você já foi à Bahia? (1942); e Aquarela do Brasil, em Alô, Amigos! (1942) e Entre a loura e a morena (1943).

1960 Orfeu Negro (1959), baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes (1913 – 1980), ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela França, apesar de sua música ter sido composta por Tom Jobim (1927 – 1994), de ter sido filmado no Rio de Janeiro e de ser todo falado em português. O diretor do filme foi o francês Marcel Camus (1912-1982) e o filme foi uma coprodução da França, da Itália e do Brasil.

1963 – O filme O Pagador de Promessas (1962), dirigido por Anselmo Duarte (1920 – 2009), foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, concorrendo com o grego Elektra (1962) o mexicano Tlayucan (1962), o italiano Quatro dias de rebelião (1962) e o francês Sempre aos domingos (1962), que foi o vencedor.

1979 – Raoni (1978), dirigido pelo brasileiro Luiz Carlos Saldanha (1943-) e pelo belga Jean-Pierre Dutilleux (1949-) concorreu na categoria de Melhor Documentário em Longa-Metragem com Le Vent des amoureux, de Albert Lamorisse (1922-1970); Mysterious Castles of Clay, d0 casal Joan Root (1936 – 2006) e Alan Root (1937 – 2017); With Babies and Banners: Story of the Women’s Emergency Brigade, de Lorraine Gray (1951-); e com Scared Straight! (1978), de Arnold Shapiro (1941-), que foi  vencedor.

1986 – O Beijo da Mulher Aranha, uma co-produção do Brasil com os Estados Unidos, filmado nos antigos estúdios da Cia. Cinematográfica Vera Cruz, dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco (1946 – 2016) e baseado no romance do também argentino Manuel Puig (1932 – 1990) foi indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado – todas vencidos pelo filme Entre dois amores – e Melhor Ator – Willian Hurt (1950 – 2022) foi o vencedor por seu papel no filme.

1993 / 1994 / 2000 - Luciana Arrighi (1940-) ganhou com inglês Ian Whittaker (1928 – 2022) o Oscar de Melhor Direção de Arte pelo filme inglês Retorno a Howard´s End (1992). Luciana tem nacionalidade australiana, mas nasceu no Rio de Janeiro, em 1940, quando seu pai, um diplomata italiano, servia no Brasil. Aos dois anos, foi com sua família para a Austrália, onde sua mãe havia nascido. A dupla Arrighi/Whittaker foi mais duas vezes indicada na mesma categoria: em 1994, por Vestígios de Dia (1993) e, em 2000, por Anna e o Rei (1999).

1996 O Quatrilho (1995), baseado no livro homônimo de José Clemente Pozenato (1938 – 2024) e dirigido por Fábio Barreto (1957 – 2019), concorreu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro com o sueco Lust och fägring stor (1995), o italiano O Homem das estrelas (1995), o argelino Poussières de vie (1995) e o holandês A excêntrica família de Antônia (1995), que foi o vencedor. O Quatrilho foi protagonizado por Glória Pires (1963-), Patrícia Pillar (1964-), Alexandre Paternost (1971-) e Bruno Campos (1973-).

1998 –  O Que é Isso, Companheiro? (1997), dirigido por outro membro do clã Barreto, Bruno Barreto (1955-) e baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira (1941-), concorreu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro com o alemão A música e o silêncio (1996), o espanhol Segredos do Coração (1997), o russo Vor (1997), e o belga-holandês Caráter (1997), que venceu na categoria. No elenco, dentre outros, Pedro Cardoso (1962-), Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves (1933 – 2022) e Othon Bastos (1933-).

1999Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles Jr, concorreu na categoria Melhor Filme Estrangeiro com o iraniano Filhos do paraíso (1998), com o espanhol O avô (1998), com o argentino Tango (1998) e com o italiano A vida é bela (1998), que foi o vencedor. Na categoria de Melhor Atriz concorreu com Fernanda Montenegro que, como já mencionado, foi derrotada por Gwyneth Paltrow.

2001 – Uma História de Futebol (1998), do brasileiro Paulo Machline, concorreu na categoria na categoria de Curta-metragem de ficção em “live action” (filmado com atores). O vencedor foi Quiero ser (I want to be…), do alemão Florian Gallenberger (1972-). Os outros concorrentes foram By Courier (2010), do norte-americano Peter Riegert (1947-); One Day Crossing (2001), da norte-americana Joan Stein Schimke (19?-) e Serraglio (2000), dos norte-americanos Colin Campbell (19?-) e Gail Lerner (1970-). Uma História de Futebol é sobre passagens ficcionalizadas da infância de Pelé (), narradas por um amigo de infância do jogador. O roteiro é baseado em depoimentos de Aziz Adib Naufal.

2003 – O filme norte-americano de animação digital A Era do Gelo (2002), dirigido pelo norte-americano Chris Welsh (1957-) e co-dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (1965-) concorreu na categoria Melhor Filme de Animação e foi derrotado pelo japonês A Viagem de Chichiro, de Hayao Miyazaki (1941-). Os outros concorrentes foram Lilo & Stitch (2002), do norte-americano Chris Sanders (1962-); Spirit – O Corcel Indomável (2002), do norte-americano Jeffrey Katzenberg (1950-); e O Planeta do Tesouro (2002), dos norte-americanos Ron Clements (1953-) e John Musker (1953-).

2004 - Cidade de Deus (2003), dirigido por Fernando Meirelles (1955-) concorreu e foi derrotado em quatro categorias: Melhor Diretor para Fernando Meirelles  Melhor Roteiro Adaptado para Bráulio Mantovani (1963-), Melhor Fotografia para César Charlone (1958-) e Melhor Edição para Daniel Rezende (1975-). Peter Jackson (1961-) venceu como Melhor Diretor pelo filme O Senhor dos Anéis, o Retorno do Rei (2003) Na categoria Melhor Roteiro Adaptado o vencedor foi de novo Peter Jackson, além de Fran Walsh (1959-) e Philippa Boyens (1962-), todos pelo filme O Senhor dos Anéis, o Retorno do Rei (2003). Na categoria Melhor Fotografia o vencedor foi Russel Boyd (1944-) por Mestre dos Mares (2003).

O filme norte-americano A Aventura Perdida de Scrat (2023), dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (1965-) e pelo norte-americano John C. Donkin (1961-) foi indicado na categoria Melhor Curta-Metragem de Animação.

2005 - Diários de Motocicleta (2004), uma produção multinacional, dirigida por Walter Salles Jr, foi indicado nas categorias Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original. Na segunda, venceu com a canção Al otro lado del rio, do uruguaio Jorge Drexler (1964-). Na primeira, Jose Rivera (1955-) concorreu mas perdeu para Rex Pickett (1956-),  Alexander Payne (1961-) e Jim Taylo (19?), do filme Sideways – Entre umas e outras (2004). Diários de Motocicleta é sobre uma expedição realizada, em 1952, pela América do Sul, por Ernesto Che Guevara (1928 – 1967) e seu amigo Alberto Granado (1922 – 2011).

2011 - O documentário anglo-brasileiro Lixo Extraordinário (2010), do brasileiro João Jardim (1964-) e dos britânicos Lucy Walker n(1970-) e Angus Aynsley (19?-), concorreu na categoria Melhor Documentário em Longa-Metragem, cujo vencedor foi Trabalho Interno (2010), do norte-americano Charles Henry Ferguson (1955-). Os outros concorrentes foram Saída pela loja de presentes (2010), dos britânicos Banksy (197?-) e Jaimie D’Cruz (19?); Gasland (2010), dos norte-americanos Josh Fox (19?-) e Trish Adlesic (19?); e Restrepo, do britânico Tim Hetherington (1970 – 2011) e do norte-americano Sebastian Junger (1962-). Lixo Extraordinário é sobre o trabalho realizado pelo artista plástico brasileiro Vik Muniz (1961-) com catadores de material reciclável em um dos maiores aterros controlados do mundo, em Jardim Gramacho, bairro do município de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro.

2012Os músicos brasileiros Carlinhos Brown (1962-) e Sérgio Mendes (1941 – 2024) e a norte-americana Siedah Garrett (1960-) concorreram na categoria Melhor Canção Original com Real in Rio, do filme de animação Rio (2011) mas foram derrotados por Man or Muppet, do neozelandês Bret McKenzie (1976) para o filme The Muppets. O filme de animação digital Rio (2011) foi dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (1965-).

2015 – O documentário franco-ítalo-brasileiro O Sal da Terra (2014) foi dirigido pelo brasileiro Juliano Ribeiro Salgado (1974-) e pelo alemão Wim Wenders (1945-). Concorreu na categoria Melhor Documentário em Longa-Metragem com A Fotografia Oculta de Vivian Maier (2013), dos norte-americanos John Maloof (1981-) e Charlie Siskel (19?-); com Last days in Vietnan, da norte-americana Rory Kennedy (1968-); com Virunga (2014), dos britânicos Orlando von Einsiedel e Joanna Natasegara ; e com o vencedor, Citizenfour (2014), da norte-americana Laura Poitras (1964-), da francesa Mathilde Bonnefoy (1972-) e do alemão Dirk Wilutzky (1965-). O Sal da Terra é sobre o trabalho e a vida do fotógrafo brasileiro Sebastião Sagado (1944-). Um dos diretores do documentário, Juliano, é filho do fotógrafo.

2016 – O Menino e o Mundo (2015), do brasileiro Alê Abreu (1971-), concorreu na categoria de Melhor Filme de Animação com Anomalisa (2015), dos norte-americanos Charlie Kaufman (1958-), Duke Johnson (1979-) e Rosa Tran (19?); Shaun: o carneiro, do neozelandês Mark Burton (1984-) e do britânico Richard Starzak (1959-); As memórias de Marnie (2024), dos japoneses Hiromasa Yonebayashi (1973) e Yoshiaki Nishimura (1977-); e com o vencedor Divertidamente (2015), dirigido e co-escrito por Pete Docter (1968-). O Menino e o Mundo é sobre o menino Cuca que vive numa pequena aldeia, sofre com a falta do pai e parte a procura dele.

2018 – O filme norte-americano O Touro Ferdinando (2017), dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (1965-), concorreu na categoria Melhor Filme de Animação. Foi derrotado por Coco, dos norte-americanos Lee Unkrich (1967-) e Darla K. Anderson (1968-). Os outros concorrentes foram Com amor, Van Gogh (2017), da polonesa Dorota Kobiela (1978-) e do norte-americano Hugh Welchman (1976-); O Poderoso Chefinho (2017), dos norte-americanos Tom McGrath (1964-) e Ramsey Ann Naito (1974-); e The Breadwinner (2017), da irlandesa Nora Twomey (1971-).

2020 - Democracia em Vertigem (2019), dos brasileiros Petra Costa (1983-) e Tiago Pavan (19?), concorreu na categoria Melhor Documentário em Longa-Metragem cujo vencedor foi American Factory (2019), dirigido pelos norte-americanos Steven Bognar (1963-) e Julia Reichert (1946 – 2022). Os outros concorrentes foram o documentário sino-norueguês The Cave (2019), do sírio Feras Fayyad (1984-) e das dinamarquesas Kirstine Barfod (1979-) e Sigrid Dyekjær (1969-); o anglo-sírio-norte-americano For Sama (2019), dirigido pela síria Waad Al-Kateab (1991-) e pelo britânico Edward Watts (19?-); e o macedônio Medena zemja (2019), dirigido pelos macedônios Tamara Kotevska (1993-) e Ljubomir Stefanov (1975-). O documentário Democracia em Vertigem retrata os bastidores do impeachment da ex-presidente do Brasil Dilma Roussef (1947-), o julgamento do então ex-presidente, que a antecedeu, Luiz Inácio Lula da Silva (1945-); e a eleição de Jair Bolsonaro (1955-) à presidência da República.

2025 - Ainda estou aqui (2024), dirigido por Walter Salles Jr (1956-) concorre em três categorias da premiação do Oscar – Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres (1965-). Na categoria de Melhor Filme concorreu com: AnoraA SubstânciaConclaveDuna 2Emilia Perez, Nickel BoysO Brutalista, Um Completo Desconhecido e Wicked. Venceu na categoria Melhor Filme Internacional e seus concorrentes foram: A garota da agulha, A semente do fruto sagrado, Emilia Perez e  Flow. Com Fernanda Torres, na categoria de Melhor Atriz, concorreram: Demi Moore (1962-), por A Substância; Karla Sofía Gascón (1972-), por Emilia Pérez; Cynthia Erivo (1987-), por Wicked; e a vitoriosa Mikey Madison (1999-), por Anora. Todas os filmes são de 2024.

2026 - O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho (1968-), concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Ator – com Wagner Moura (1976-); e, pelo prêmio de Melhor Seleção de Elenco, nova categoria que faz sua estreia na no Oscar este ano, com Gabriel Domingues (19?-). Na categoria Melhor Filme os concorrentes são: Bugonia, F-1, Frankenstein, Hamnet, Marty Supreme, Uma Batalha após a outra, Valor Sentimental, Pecadores e Sonhos de Trem. Na categoria Melhor Filme Estrangeiros os concorrentes são: A voz de Hind Rajab (Tunísia), Foi apenas um acidente (França), Sirat (França) e Valor Sentimental (Noruega).  Na categoria Melhor Ator, Wagner Moura concorre com Timothée Chalamet (1995-) por Marty Supreme, Leonardo DiCaprio (1974-) por Uma Batalha após a outra, Ethan Hawke (1970-) por Blue Moon, e Michael B. Jordan (1987-) por Pecadores. Finalmente, na categoria estreante Melhor Seleção de Elenco, Gabriel Domingues concorre com Nina Gold (1967-) por Hamnet, Jennifer Venditti (19?-) por Marty Supreme, Cassandra Kulukundis (1971-) por Uma Batalha após a outra e Francine Maisler (19?-) por Pecadores. O brasileiro Adolpho Veloso (1989-) concorre na categoria Melhor Fotografia pelo filme Sonhos de Trem com Dan Laustsen (1954-) por Frankenstein, Darius Khondji (1955-) por Marty Supreme, Michael Bauman (19?) por Uma Batalha após a outra e Autumn Durald Arkapaw (1979-) por Pecadores.

 

oscar

 

*Existe uma polêmica em torno do assunto: alguns estudiosos consideram o primeiro filme brasileiro Chegada em Petrópolis devido a uma notícia divulgada pela Gazeta de Petrópolis convidando para uma sessão do filme no dia 1º de maio de 1897, no Theatro Cassino de Petrópolis, organizada pelo napolitano Vittorio di Maio (1852 – 1926). Posteriormente, di Maio vendeu seu projetor e acervo para Paschoal Segreto. Também é de 1897 a vista Ancoradouro de pescadores na Baía de Guanabara, do pernambucano José Roberto Cunha Sales (1840- 1903), porém sua nacionalidade brasileira é contestada por historiadores que acreditam que o cinegrafista recortou o filme de uma vista estrangeira. Ancoradouro de pescadores na Baía de Guanabara está acervado no Arquivo Nacional.

** Uma curiosidade: outros pares de mães e filhas já concorreram ao Oscar: Ingrid Bergman (1915 – 1982) e Isabella Rossellini (1952-), Goldie Hawn (1945-) e Kate Hudson (1979-), Diane Ladd (1935-) e Laura Dern (1967-); e Judy Garland (1922 – 1969) e Liza Minnelli (1946-). As assinaladas em vermelho ganharam o prêmio.

*** Este artigo foi  atualizado em 22 de janeiro de 2026, quando foram divulgados os concorrentes ao Oscar 2026.

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

 

Fontes:

CABRAL, Sérgio. No Tempo de Ary Barroso. São Paulo : Lazuli Editora, 2016.

Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

PIMENTEL, Luís. Ary Barroso – Coleção Mestres da Música no Brasil. Rio de Janeiro : Editora Moderna, 2008.

Portal Academy of Motion Pictures Arts ans Sciences

Portal Brasiliana Fotográfica

Portal Funarte

Portal G1

Portal IMDB

Portal IMS

Portal MultiRio

Site Café História

Youtube – O primeiro brasileiro indicado a um Oscar, em 1945

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XIII – Marc Ferrez e o cinema

No Dia do Cinema Brasileiro, a Brasiliana Fotográfica destaca o grande envolvimento de Marc Ferrez (1843 – 1923) com a indústria do cinema. Além de ter sido um fotógrafo extraordinário, esteve sempre ligado à modernidade e inovações de seu tempo, tendo chefiado, nas primeiras décadas do século XX, associado à Pathé francesa, a mais importante empresa de exibição, distribuição e produção de filmes do Rio de Janeiro.

 

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“Seu sonho foi sempre o cinematógrafo, estudou com afinco a primeira lanterna mágica e as diferentes fontes de luz. Muitos anos antes do Sr. Staffa abrir o Parisiense na Avenida Central, Marc Ferrez , à noite, quando não havia luz elétrica, em companhia do seu amigo, o Dr. Morize, atual diretor do Observatório, em sua casa na rua São José, 88, fazia experiências de luz oxi-etherica, luz oxydrica, de gás incandescente de petróleo com mechas concentradas fazendo também na ocasião as primeiras experiências com cinematógrafo com um aparelho Lumière e fitas de 10 e 20 metros como “A Chegada de Trem”, “O Jardineiro regando”, “Briga de galos”… Fabricava o oxigênio durante o dia e conservava-o em sacos enormes.

Depois, com a luz oxi-etherica e aparelho Gaumont bem primitivos vendia e ensinava a exibidores ambulantes que iam para o interior. O repertório era dos mais primitivos e todas as fitas de Lumière”

A Scena Muda, 25 de janeiro de 1923

 

 

Marc Ferrez foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Sua vasta e abrangente obra iconográfica se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo. Estabeleceu-se como fotógrafo com a firma Marc Ferrez & Cia, em 1867, na rua São José, nº 96, e logo se tornou o mais importante profissional da área no Rio de Janeiro. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde registrou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.

 

 

Breve histórico da chegada do cinema no Brasil

 

A primeira sessão pública de cinema no Brasil foi realizada, na Rua do Ouvidor, 57, em 8 de julho de 1896, às 14h, no Rio de Janeiro, em uma sala especialmente preparada para as projeções do omniógrafo. O invento foi descrito pelo Jornal do Commércio como um “aparelho que projeta sobre uma tela colocada ao fundo da sala diversos espetáculos e cenas animadas, por meio de uma série enorme de fotografias” (Jornal do Commercio, 9 de julho de 1896).

O Dia do Cinema Brasileiro é comemorado em 19 de junho, quando, em 1898, chegou ao Rio de Janeiro, vindo da Europa, o navio Paquebot Brésil. A bordo, encontrava-se o cinegrafista italiano Affonso Segreto (1875 – 1919), que retornava de uma viagem para comprar equipamentos de filmagens e conhecer novas técnicas cinematográficas em Nova York e em Paris, onde fez um curso na Pathé Films.

 

 

Antes de desembarcar no Rio de Janeiro, Affonso filmou com uma câmara Lumière a entrada da enseada da Baía de Guanabara, as fortalezas e os navios ancorados (Gazeta de Notícias, 20 de junho de 1898, segunda coluna). Teria sido a primeira fita de cinema realizada no Brasil. O acontecimento deu origem ao Dia do Cinema Brasileiro. Mas há uma polêmica em torno do pioneirismo de Segreto. Alguns estudiosos consideram o primeiro filme brasileiro Chegada em Petrópolis devido a uma notícia divulgada pela Gazeta de Petrópolis convidando para uma sessão do filme no dia 1º de maio de 1897, no Theatro Cassino de Petrópolis, organizada pelo napolitano Vittorio di Maio (1852 – 1926). Posteriormente, di Maio vendeu seu projetor e acervo para Paschoal Segreto. Também é de 1897 a vista Ancoradouro de pescadores na Baía de Guanabara, do pernambucano José Roberto Cunha Sales (1840- 1903), porém sua nacionalidade brasileira é contestada por historiadores que acreditam que o cinegrafista recortou o filme de uma vista estrangeira. Ancoradouro de pescadores na Baía de Guanabara está acervado no Arquivo Nacional.

 

 

 

Breve cronologia do envolvimento de Marc Ferrez com o cinema

 

 

c. 1897 – Em torno desse ano, Ferrez realizava experiências no campo da imagem com o engenheiro e astrônomo francês naturalizado brasileiro Henrique Morize (1860 – 1930), que foi diretor do Observatório Nacional entre 1908 e 1929 e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Ciências, de 1916 a 1926; e com o capitão Augusto Tasso Fragoso (1869 – 1945), positivista convicto e futuro general (Palcos e Telas, 8 de abril de 1920A Scena Muda, 25 de janeiro de 1923).

1902 – No Clube Militar, Ferrez e Morize realizaram uma projeção por lanterna de fotografias de canhões e projéteis durante uma conferência ministrada pelo capitão Augusto Tasso Fragoso.

 

 

1904 – O filho de Marc, Julio Ferrez (1881 – 1946), era estudante da Academia de Belas Artes. Pai e filho fizeram, durante a conferência de encerramento do curso de História da Arte do Pedagogium, uma projeção de algumas imagens de obras de arte por meio de lanterna. Algumas das obras projetadas foram a Batalha  do Avaí, de Pedro Américo (1843 – 1905), e Primeira missa no Brasil, de Victor Meirelles (1832 – 1903).

1905 – Com seu filho Julio, Marc obteve a representação da firma francesa Pathé Frères no Brasil. A firma era a maior e melhor fábrica de aparelhos e filmes cinematográficos da Europa.

 

 

 

Galo (marca do Cine Pathé) no interior da casa de Marc Ferrez, na rua Voluntários da Pátria (Título atribuído)

Marc Ferrez. Galo (marca do Cine Pathé) no interior da casa de Marc Ferrez, na rua Voluntários da Pátria, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS

 

No catálogo ilustrado da Casa Ferrez intitulado Machinas e accessórios para photographia, productos chimicos, etc,  a invenção do cinematógrafo era definida como sendo “a reprodução exata de todos os movimentos e cenas animadas que se desenrolam sob nossas vistas”. Ainda na publicação Ferrez analisou a potencialidade do cinema como negócio: 

“…não há ramo algum de exibição suscetível de dar maiores lucros do que a cinematografia e, mediante pequeno emprego de capital, pode-se montar uma empresa para a exploração das cidades e centros do interior dos nossos estados”.

Em junho, Ferrez realizou uma projeção cinematográfica nas festas em homenagem a São Luiz Gonzaga, no Colégio Diocesano São José.

No final do ano , a Casa Marc Ferrez & Filhos passou a ser a fornecedora exclusiva do cinematógrafo ao ar livre Passeio Público, que existiu entre em 28 de outubro de 1905 e 2 de novembro de 1906, e pertencia ao português Arnaldo Gomes de Souza e ao italiano Vittorio di Maio (1852 – 1926). Passou também a distribuir filmes para outros cinematógrafos ambulantes do Rio de Janeiro.

 

 

1906 - Foi publicado um anúncio da Photographia Cinematographica, de Marc Ferrez, anunciando “um imenso sortimento de material para profissionais e amadores a “preços vantajosos”. Também anunciava a “remessa de catálogos” (Jornal do Recife, 29 de março de 1906, na última coluna).

1907 – Julio Ferrez firmou um contrato com a Maison Pathé-Frères, de Paris, para o fornecimento de filmes e de equipamentos para montagem de salas de cinema (Jornal do Brasil, 15 de agosto de 1907, na terceira coluna).

 

 

Ferrez, que havia conhecido em Paris as fotografias animadas dos irmãos Lumière, decidiu investir na novidade. Apoiado pelos filhos, inaugurou , em 18 de setembro 1907, o Cinematographo Pathé, na então novíssima Avenida Central, nos prédios de número 147 e 149, que arrendou em sociedade com Arnaldo Gomes de Souza.Em sua propaganda de estreia, anunciava “projeções animadas perfeitas, interessantes e maravilhosas” (Jornal do Brasil, 18 de setembro de 1907, no pé da página; Gazeta de Notícias, 18 de setembro de 1907, nas sexta e sétima colunas).

 

 

 

Foi o terceiro cinema do Rio de Janeiro. O primeiro cinema carioca foi o Chic, inaugurado em 1º de agosto de 1907, na Avenida Central, 173 – funcionou até 1908. Em 9 de agosto, foi aberto o segundo, o Cinematographo Central Pariziensede Jacomo Rosario Staffa (c. 1867 – 1927), na Avenida Central nº 179, e funcionou durante 47 anos, até 7 de fevereiro de 1954.

A firma de Arnaldo e Ferrez chamava-se Arnaldo & Cia, omitindo a participação de Ferrez, porque Charles Pathé (1863 – 1957), um dos proprietários da Pathé Frères, proibia que seus distribuidores e representantes possuíssem cinematógrafos. A sociedade foi desfeita em 1911.

 

 

 

 

Os filmes nas primeiras décadas do cinema eram curtos e um dos artifícios usados para atrair o público para as salas de cinema era a exibição de uma programação complementar. A projeção em lanterna de imagens fotográficas, acompanhadas de cartelas com avisos era um deles.

 

 

Em primeiro de outubro de 1907, foi criada a firma Marc Ferrez & Filhos. Ferrez era dono de 60% das ações, cabendo a Luciano e a Julio 20% do negócio. A empresa Marc Ferrez & C não deixou de existir. Em seu nome eram feitas as importações de material fotográfico enquanto a nova empresa era responsável pelas importações de material para cinema.

 

 

1908 – Ferrez embarcou para a Europa no navio Chili. Estavam também a bordo os artistas premiados da Academia de Belas Artes Timotheo da Costa (1882 – 1922) e Carlos Chambelland (1884 – 1950) (Jornal do Brasil, 9 de janeiro de 1908, segunda coluna), tendo visitado a fábrica da Pathé e negociado a forma de distribuição exclusiva da empresa no Brasil. Retornou em 30 de março a bordo do paquete francês Cordillere (Jornal do Brasil, 31 de março de 1908, na sexta coluna).

Em abril, foi assinado um contrato entre Marc Ferrez & Filhos e a Associação Geral de Auxílios Mútuos da Estrada de Ferro Central do Brasil. Eram fornecidas fitas para o cinematógrafo beneficente da Associação, cujos programas diários consistiam da apresentação de música ao vivo, dirigida pelo maestro Mussuringo, com a exibição de fitas como Da Barra a Juiz de Fora e Margem do Rio das Velhas, produzidas por Ferrez (Correio da Manhã, 8 de abril de 1908, quinta coluna).

Também em abril, foi assinado um contrato de fornecimento de filmes a Paschoal Segreto (1868 – 1920), o ministro das diversões, pela firma Marc Ferrez & Filhos. Segreto receberia as mesmas fitas do cinema Pathé e poderia exibi-las em todos os seus estabelecimentos, exceto no Pavilhão Internacional, vizinho ao Cinema Pathé, na Avenida Central. Porém, Ferrez começou a distribuir filmes para outros cinematógrafos e Segreto entrou na Justiça alegando quebra de contrato.

Ferrez e Arnaldo Gomes de Souza produziram o filme, Nhô Anastácio chegou de viagem, dirigido por Julio Ferrez, lançado em junho. É considerada a primeira comédia cinematográfica brasileira e foi estrelada por Antônio Cataldi, José Gonçalves Leonardo e Ismênia Matteo. Ferrez produziu o curta-metragem A mala sinistra, lançado em outubro de 1908, também dirigido por seu filho Julio, sobre o assassinato do empresário Elias Farhar, ocorrido em São Paulo, cerca de um mês antes, que ficou conhecido como o Crime da Mala. O sócio de Farhar, Michel Trad , o matou e escondeu o corpo em uma mala.

 

 

A sociedade de Ferrez com Arnaldo Gomes de Souza foi denunciada pelo concorrente de Ferrez, o calabrês Jácomo Rosário Staffa (c. 1867 – 1927), proprietário do Grande Cinematographo Pariziense. Lembramos aqui que Charles Pathé (1863 – 1957), um dos proprietários da Pathé Frères, proibia que seus distribuidores e representantes possuíssem cinematógrafos e Ferrez era um de seus representantes. Staffa também denunciou os altos preços das fitas. Em carta datada de 29 de agosto, Charles Pathé exigia explicações. Com habilidade, Pathé superou as divergências tendo mantido a representação da Pathé Frères e o fornecimento de filmes para Staffa.

O primeiro aniversário do Cinema Pathé foi comemorado com uma reforma, uma programação “divertida” e uma ceia (Fon-Fon26 de setembro de 1908).

Ao longo de 1908, foi publicado várias vezes um anúncio da venda de cinematógrafos na sucursal da firma Marc Ferrez & Filhos em São Paulo, o Bijou-Theatre, do empresário espanhol Francisco Serrador (1872-1941) (O Commercio de São Paulo, 15 de fevereiro de 1908, na primeira coluna).

 

 

1910 –  A Pathé Frères anuncia em propaganda da Marc Ferrez & Filhos a cinematografia do invisível e também se aponta como a única fábrica que apresenta vista em cores de modo constante.

 

 

 

 

Às terças-feiras, “dia da moda” nos cinematógrafos, o Cinema Pathé era frequentado pelas senhoras da sociedade carioca (Gazeta de Notícias, 19 de fevereiro de 1910).

José Ignácio Guedes Pereira Filho comunicou que havia firmado um contrato com a firma Marc Ferrez & Filhos para fornecimento durante um ano de fitas cinematográficas da Pathé Frères (A Província, 27 de março de 1910, na primeira coluna).

A firma Marc Ferrez & Filhos negou que a empresa do Iris Cinema recebia diretamente da Pathé Frères de Paris material cinematográfico para venda, já que os Ferrez eram seus representantes exclusivos e que em São Paulo sua sucursal era o Bijou-Theatre, do empresário Francisco Serrador (Correio Paulistano, 2 de maio de 1910, na segunda coluna, sob o título “Secção Livre”).

Para celebrar os três anos do Cinema Pathé, toda a renda do estabelecimento do dia do aniversário foi oferecida para a construção do couraçado Riachuelo e a festa foi dedicada ao almirante Alexandrino (1848 – 1926) (ABC, 17 de setembro de 1910). Lembramos aqui que desde 1870, nos versos dos cartões de montagem e fotografias de Ferrez estava inscrito “Marc Ferrez. Fotógrafo da Marinha Imperial e das construções navais do Rio de Janeiro”. Provavelmente a nomeação de Ferrez como fotógrafo oficial da Marinha relacionava-se com o lançamento do Plano para a Organização da Força Naval do Império que previa a renovação da frota com embarcações de diversos tipos, o que aconteceu nas décadas de 1870 e 1880.

 

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Interior do Cinema Pathé

 

1911 - Em junho, Ferrez e seus filhos se associam a Amadeu Peixoto de Macedo, Antônio Guimarães, Hamilton de Souza, Joaquim de Mello Franco e Oscar Pragana, e criam a firma Julio, Pragana & Cia, que passa a administrar o cinema Chantecler, no Rio de Janeiro. A sociedade tem curta duração.

Os proprietários de cinemas, liderados por Marc Ferrez, seu sócio, Arnaldo Gomes de Souza; e Zambelli, dono do Odeon, criam uma comissão para defender os interesses da classe diante do estabelecimento de novos impostos para as salas de cinema do Distrito Federal.

Foi sancionado, em 30 de dezembro, pelo presidente da República, Hermes da Fonseca (1855 – 1923), o aumento dos impostos para a importação de filmes proposto pelo Congresso Nacional. O aumento inviabilizou os acordos entre Ferrez e a Pathé.

1912 – Ferrez partiu para a França para renegociar com a Pathé e um novo acordo foi assinado em 20 de fevereiro.

Em julho, a Marc Ferrez & Filhos subscreveu o maior lote de ações lançado pela Companhia Cinematográfica Brasileira (CCB), de Francisco Serrador, fundada em 1911. Os Ferrez passaram a ser a sucursal da CCB no Rio de Janeiro. Além disso, venderam seu estoque de filmes à empresa e passaram a ser seus únicos fornecedores de filmes.

Ferrez introduziu no Brasil os autocromos, processo fotográfico colorido desenvolvido pelos irmãos Lumière.

 

 

A Casa Marc Ferrez & Filhos passou a funcionar na rua São José 112 e o Cinema Pathé transferiu-se para o número 116 da avenida Central.

 

 

1913 – Na Europa, como representante do CCB assina um contrato de distribuição de filmes com a Gaumont.

1915 – A guerra afetou o fornecimento de filmes europeu para o Brasil. Os Ferrez se desentenderam com Francisco Serrador e deixaram a Companhia Cinematográfica Brasileira. Eles também perderam a representação da Gaumont.

A Casa Marc Ferrez & Filhos mudou-se para a Rua da Quitanda, 67 (Almanak Laemmert , 1916).

1916 – Anúncio da “Casa Marc Ferrez & Filhos – Emilio Brondi & C., importadores de máquinas cinematográficas”, além de outros produtos (A Noite, 13 de janeiro de 1916, na penúltima coluna).

Em fevereiro, Julio e Luciano Ferrez encerraram a disputa com Francisco Serrador, assinando a escritura de rescisão de contrato com a Companhia Cinematográfica Brasileira.

Em uma reportagem sobre a falência dos cinemas no Rio de Janeiro, o Cinema Pathé, de Marc Ferrez, foi mencionado como deficitário “(A Notícia, 29 de fevereiro de 1916, sob o título “A falência dos cinemas”). A Casa Marc Ferrez & Filhos negou a crise dos cinemas (A Província, 27 de março de 1916).

Os Ferrez defendem o cinema europeu acreditando que os filmes norte-americanos não fariam sucesso no Brasil, ponto de vista que vai, com o tempo, se provar errado.

O negócio do cinema foi fortemente impactado pela Primeira Guerra Mundial

Marc Ferrez segue na França trabalhando como representante da empresa familiar. As decisões sobre os negócios são de seus filhos. Ele atua como conselheiro. “Meu papel é passivo. Ver os filmes, fazer as encomendas, executar suas ordens de filmes suplementares e me ocupar dos pagamentos” (Carta de Ferrez a seus filhos, enviadas de Paris, 11 de dezembro de 1916).

1917 – A fábrica da Pathé, instalada em Vincennes, passa a abrigar também os escritórios da empresa, para onde Marc viaja todas as quartas-feiras para ver os filmes.

Devido ao ingresso dos Estados Unidos na guerra, o tráfego pelo Oceano Atlântico torna-se perigoso e os navios não anunciam suas datas de partida, prejudicando o envio dos filmes e de materiais para o Brasil.

Seus filhos, Julio e Luciano, fundaram a Companhia Cinematográfica Brasileira, mais tarde denominada Casa Marc Ferrez Cinemas e Eletricidade Ltda.

 

 

1919 – Julio Ferrez foi um dos fundadores da União dos Importadores Cinematográficos no Brasil (O Imparcial, 8 de dezembro de 1919, na segunda coluna). Foi o primeiro tesoureiro da associação, cujo primeiro presidente foi o empresário Francisco Serrador.

 

 

Os Ferrez tornaram-se sócios da Pathé Exchange, de Nova York.

Em 15 de dezembro de 1919 , Marc Ferrez participou da cerimônia de recepção, na recém criada categoria Aplicação das ciências à indústria da Academia Francesa de Ciências, de seu amigo Louis Lumière (1864 – 1948) que, com o irmão Auguste Lumière (1862 – 1954), havia inventado o cinematógrafo, em 1895 (Academia Francesa de Ciências e Palcos e Telas, 8 de abril de 1920).

Na edição de 8 de abril de 1920 da revista Palcos e Telas Marc, Julio e Luciano Ferrez foram biografados na seção “Grandes figuras da cinematografia”.  Nessa matéria, o envenenamento por um escravo foi apontado como a causa de morte dos pais de Marc Ferrez.

 

 

1920 - Participou, em fevereiro, no Palais d´Orsay, em Paris, do banquete oferecido pelas câmaras sindicais e associações de fotógrafos e cinematografistas a Louis Lumière. A homenagem teve cerca de 500 convidados, dentre eles Andre Honnorat (1868 – 1950), ministro da Instrução Pública e das Belas Artes; e de representantes do governo francês. Celebrava, além do ingresso de Lumière na categoria Aplicação das ciências à indústria da Academia Francesa de Ciências – criada no ano anterior -, os 25 anos do invento do cinema. Um dos oradores da noite foi Romain Coolus, presidente da Sociedade dos Autores Dramáticos, que em seu discurso afirmou que a invenção de Lumière trouxe para os humildes uma alegria inédita (Ciné pour tous, 28 de fevereiro de 1920, pág. 2; O Jornal, 28 de março de 1920, penúltima coluna).

 

 

 

Ferrez voltou para o Brasil.

Anunciam-se como representantes da Pathé Exchange Inc. de Nova York. Comercializam filmes Kodak.

1921 - De volta a Paris, Marc continua assistindo e indicando os filmes que considera com mais potencial comercial para o Brasil.

Foram publicados dados estatísticos da indústria cinematográfica no Brasil no primeiro semestre de 1921. Em número de filmes, a firma Marc Ferrez  & Filhos representava 3,9% (Para Todos, 13 de agosto de 1921). Na mesma revista, em 8 de julho de 1922, foram publicados os dados estatísticos do primeiro semestre de 1922.

Em outubro, inauguração da sede própria da empresa Marc Ferrez & Filhos na Rua da Quitanda, 21. Os filmes são armazenados no pátio, em um depósito de cimento armado, à prova de incêndios.

 

A empresa dos Ferrez continua produzindo filmes de atualidades que são exibidos em seus cinemas e também vendidos a distribuidores estrangeiros. Estes filmes são encomendados ao cineasta Alberto Botelho (1885-1973), parceiro e amigo de Julio Ferrez.

 

1922 – Em março, Marc recebeu, em Paris, a visita de seu amigo, o cientista Henrique Morize, em viagem para Europa em missão oficial do Observatório Nacional.

Em matéria publicada em O Malho, 27 de maio de 1922 sobre a indústria cinematográfica, Marc Ferrez & Filhos foram citados como uma firma que fez fortuna atuando no setor.

A Casa Marc Ferrez firmou contratos com importantes empresas cinematográficas dos Estados Unidos (O Jornal, 17 de junho de 1922, na quarta coluna).

Marc Ferrez embarcou no navio Lutetia, em Bordeaux, de volta ao Brasil, em 31 de julho, e chegou ao Rio de Janeiro, em 14 de agosto. O navio fez escala em Boulogne-sur-mer, Vigo e Lisboa. Também viajaram no Lutecia o inventor Alberto Santos Dumont (1873 – 1932), o presidente do Jockey Clube, Linneu de Paula Machado (1880 – 1942); Arnaldo Guinle (1884 – 1963), presidente do Fluminense S.C.; o médico Paulo de Figueiredo Parreiras Horta (1884 – 1961) e os Oito Batutas, grupo musical formado, entre outros, por Pixinguinha (1897 – 1973) e Donga (1890 – 1974) (O Paiz, 15 de agosto de 1922, página 3 e página 4).

1923 - Marc Ferrez faleceu em 12 de janeiro de 1923, no Rio de Janeiro. No periódico A Scena Muda, 25 de janeiro de 1923, foi publicado um perfil de Ferrez, no qual sua morte foi atribuída a uma enfermidade que ele havia contraído devido ao uso do colódio. Na mesma matéria, foram mencionadas as experiências que fazia com seu amigo, o engenheiro e astrônomo Dr. Henrique Morize, em sua casa na rua São José, 88, com “luz oxi-etherica, luz oxydrica, de gás incandescente de petróleo com mechas concentradas fazendo também na ocasião as primeiras experiências com cinematógrafo com um aparelho Lumière e fitas de 10 e 20 metros…”. Na matéria da Para Todos de janeiro de 1923, o caráter de Ferrez foi exaltado: “A perfeita correção do velho comerciante, sua intransigente  honradez, a lisura dos seus processos o tornaram sempre uma figura de destaque nos meios cinematográficos”.

1928 – Após a morte do fotógrafo, a Casa Marc Ferrez inaugurou, na Cinelândia, o Pathé Palace, em de abril de 1928, com a exibição de uma extensa programação, que incluía o filme Paga para amar (O Paizde 18 de março, na primeira colunade 23 de março, na terceira coluna; e de 9 e 10 de abril de 1928).

 

Acesse aqui a Agenda Pathé Frères, um dos Cadernos de Marc Ferrez.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Cadernos de Marc Ferrez – Site do Instituto Moreira Salles

CERON, Ileana Pradilla Ceron. Marc Ferrez – uma cronologia da vida e da obra. São Paulo : Instituto Moreira Salles, 2018.

FERREZ, Gilberto. O Rio Antigo do fotógrafo Marc Ferrez: paisagens e tipos humanos do Rio de Janeiro, 1865-1918. Rio de Janeiro: João Fortes Engenharia/Editora Ex-Libris, 1984.

FERREZ, Gilberto. Os irmãos Ferrez da Missão Artística Francesa. Rio de Janeiro: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1968.

GONZAGA, Alice. Palácios e Poeiras: 100 anos de cinema no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Record, 1996.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

Rio / Marc Ferrez – São Paulo : IMS; Göttingen: Steidl, 2015

Site Filmow

Site IMDB

SOUZA, José Inácio de Melo. Imagens do Passado: São Paulo e Rio de Janeiro nos primórdios do cinema. São Paulo. Senac, 2004

TURAZZI, Maria Inez. Cronologia. In O Brasil de Marc Ferrez – São Paulo : Instituto Moreira Salles, 2005.

TURAZZI, Maria Inez. Literatura fotográfica e estudos biográficos: algumas reflexões em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez. In: Boletim do Centro de Pesquisa de Arte e Fotografia da Escola de Comunicação e Artes da USP. São Paulo, n°2, 2007.

WANDERLEY, Andrea C. T. O brilhante cronista visual Marc Ferrez (RJ, 07/12/1843 – RJ, 12/01/1923) in Brasiliana Fotográfica, 7 de dezembro de 2016.

Série “Teatros e cinemas do Brasil” IX – O Dia do Cinema Brasileiro

Para celebrar o Dia do Cinema Brasileiro, a Brasiliana Fotográfica destaca artigos já publicados no portal sobre Benjamin Abrahão Calil Botto (1901 – 1938)Jorge Kfuri (1893 – 1965)João Stamato (1886 – 1951), Nicola Parente (1847 – 1911)Marc Ferrez (1843 – 1923) e seus filhos; e Walter Garbe (18? – 19?), fotógrafos que fizeram parte da história do cinema no Brasil. Além disso, há ainda uma seleção de fotografias de salas de cinema disponíveis no acervo fotográfico do portal e um pequeno histórico da escolha do dia 19 de junho como Dia do Cinema Brasileiro.

 

 

Acessando o link para as fotografias de salas de cinema disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Artigos sobre os fotógrafos que fizeram parte da história do cinema no Brasil:

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (RJ, 07/12/1843 – RJ, 12/01/1923), 7 de dezembro de 2016,  de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Os índios sob as lentes de Walter Garbe, em 1909, publicado em 23 de maio de 2017, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Lampião e outros cangaceiros sob as lentes de Benjamin Abrahão, publicado em 28 de julho de 2017, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, publicado em 26 de dezembro de 2019, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

João Stamato, um fotógrafo nos sertões, publicado em 9 de fevereiro de 2021, de autoria de Ricardo Augusto dos Santos

O fotógrafo italiano Nicola Maria Parente (1847 – 1911) e sua trajetória no Brasil, publicado em 21 de fevereiro dde 2023, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Uma brevíssima história do início do cinema e da escolha do Dia do Cinema Brasileiro

 

 

Os irmãos Lumière, Louis (1864 – 1948) e Auguste (1862 – 1954), mostraram, em 28 de dezembro de 1895,  pela primeira vez ao público sua invenção, o cinematógrafo, síntese de pesquisas realizadas por muitos cientistas durante o século XIX sobre imagens em movimento. A apresentação foi realizada no salão do Grand Café, no Boulevard des Capucines, em Paris, para um público de 33 pessoas. O sucesso foi tão grande que, em pouco tempo, os Lumière passaram a apresentar 20 sessões diárias de meia hora cada uma, com os filmes O Regador Regado e A Saída dos Operários da Fábrica Lumière. Começava assim o cinema.

 

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Alguns meses depois desta projeção inaugural, realizou-se a primeira sessão pública de cinema no Brasil, na Rua do Ouvidor, 57, em 8 de julho de 1896, às 14h, no Rio de Janeiro, em uma sala especialmente preparada para as projeções do omniógrafo. O invento foi descrito pelo Jornal do Commércio como um “aparelho que projeta sobre uma tela colocada ao fundo da sala diversos espetáculos e cenas animadas, por meio de uma série enorme de fotografias”.

 

 

Em 31 de julho de 1897,  o pernambucano José Roberto Cunha Sales (1840- 1903) e Paschoal Segreto (1868 – 1920) inauguraram a primeira sala cinematográfica do Brasil, o Pariz no Rio Salão de Novidades, na Rua do Ouvidor, 141, que passou a ser um ponto de encontro da sociedade carioca (Gazeta de Notícias, 1º de agosto de 1897). Sales e Segreto romperam a sociedade ainda em 1897. 

 

 

O estabelecimento pegou fogo em 8 de julho de 1898, mas foi reinaugurado em janeiro do ano seguinte (Gazeta de Notícias10 de agosto de 1898, sexta colunaA Notícia, 5 e 6 de janeiro de 1899, primeira coluna) .

 

 

O Dia do Cinema Brasileiro é comemorado em 19 de junho, quando, em 1898, chegou ao Rio de Janeiro, vindo da Europa, o navio Paquebot Brésil. A bordo, encontrava-se o cinegrafista brasileiro de origem italiana Affonso Segreto (1875 – 1919), que retornava de uma viagem para comprar equipamentos de filmagens e conhecer novas técnicas cinematográficas em Nova York e em Paris, onde fez um curso na Pathé Films.

Antes de desembarcar no Rio de Janeiro, Affonso filmou com uma câmara Lumière a entrada da enseada da Baía de Guanabara, as fortalezas e os navios ancorados (Gazeta de Notícias, 20 de junho de 1898, segunda coluna). Teria sido a primeira fita de cinema realizada no Brasil*. O acontecimento deu origem ao Dia do Cinema Brasileiro. Affonso Segreto filmou, posteriormente, aspectos do Rio de Janeiro, além de seus arredores, e também cerimônias e comícios.

 

 

Segundo relato de Domingos Segreto, fiho de Gaetano Segreto, em depoimento publicado no livro Palácios e poeiras, de Alice Gonzaga, ainda inexperiente, Affonso, na sessão marcada para a exibição das vistas, no já mencionado Salão Pariz no Rio, no dia 20 de junho de 1898, na Rua do Ouvidor, abriu erradamente a câmara e o filme foi danificado. Ele então exibiu vistas estrangeiras para o público. Foram convidados para o evento diversas autoridades, dentre elas o presidente da República, Prudente de Morais (1841 – 1902), e o jurista Rui Barbosa (1849 – 1923).

 

“A data de 19 de junho é simbólica da dificuldade que se tem de fazer cinema no Brasil, porque marca um filme que não existiu. Mas também retrata a perseverança”.

Hernani Heffner, Gerente da Cinemateca do MAM-RJ

 

Affonso era irmão de Paschoal (1868 – 1920) e Gaetano Segreto (1866 – 1908), empresários italianos que haviam vindo para o Brasil, em 1883. Trouxeram Affonso para o Brasil na década de 1890. Paschoal tornou-se o ministro das diversões do Rio e Gaetano foi o distribuidor exclusivo do jornal A Notícia e fundou o jornal da comunidade italiana Il Bersagliere. Os irmãos Segreto foram pioneiros da indústria do entretenimento no Brasil, figuras destacadas na cena cultural da Belle Époque do Rio de Janeiro.

 

*Existe uma polêmica em torno do assunto: alguns estudiosos consideram o primeiro filme brasileiro Chegada em Petrópolis devido a uma notícia divulgada pela Gazeta de Petrópolis convidando para uma sessão do filme no dia 1º de maio de 1897, no Theatro Cassino de Petrópolis, organizada pelo napolitano Vittorio di Maio (1852 – 1926). Posteriormente, di Maio vendeu seu projetor e acervo para Paschoal Segreto. Também é de 1897 a vista Ancoradouro de pescadores na Baía de Guanabara, do pernambucano José Roberto Cunha Sales (1840- 1903), porém sua nacionalidade brasileira é contestada por historiadores que acreditam que o cinegrafista recortou o filme de uma vista estrangeira. Ancoradouro de pescadores na Baía de Guanabara está acervado no Arquivo Nacional.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Agência Brasil

GONZAGA, Alice. Palácios e Poeiras. Rio de Janeiro : Record, 1996.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MARTINS, William de Souza Nunes. Paschoal Segreto: “Ministro das Diversões” do Rio de Janeiro (1883 – 1920). Rio de Janeiro, 2004. Dissertação (Mestrado em História Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2004.

Site do Ministério das Relações Exteriores – Departamento Cultural

MOURA, Roberto. Verbete Afonso Segreto. In: MIRANDA, Luiz Felipe e RAMOS, Fernão Pessoa (org). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000.

O GLOBO, 18 de junho de 2023

Salas de cinema de São Paulo

Site Filmow

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica sobre teatros e cinemas

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXpublicado em 26 de fevereiro de 2016.

Os teatros do Brasil, publicado em 21 de março de 2016

A inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, publicado em 14 de julho de 2017

Cinema no Brasil – a primeira sessão e um pouco da história do Cinema Odeon, publicado em 8 de julho de 2021

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XII – O Teatro Lírico (Theatro Lyrico), publicado em 16 de setembro de 2021

O Theatro de Santa Isabel, publicado em 28 de outubro de 2021

O Teatro Amazonas (Theatro Amazonas), em Manaus, a “Paris dos Trópicos”, publicado em 28 de dezembro de 2021

O Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no Dia Mundial do Teatro, publicado em 27 de março de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 5 de setembro de 2023

O Theatro da Paz, em Belém do Pará, inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 15 de fevereiro de 2024

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XV – A praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão

No 15º artigo da série O Rio de Janeiro desaparecido, publicado no primeiro dia do verão de 2021, o tema é a praia de Santa Luzia, que ficava em frente à igreja homônima, no Centro da cidade e era uma das preferidas dos banhistas cariocas. A mais antiga imagem dessa praia disponível no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica foi produzida em torno de 1866 pelo fotógrafo e editor suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892).

 

 

Há ainda registros realizados por Augusto Malta (1864 – 1957)Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897)Marc Ferrez (1843 – 1923)Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e por Rodrigues & C°. Editores e Proprietários. A grande maioria das fotografias são da paisagem, mas há uma, de autoria de Gutierrez, de uma trincheira montada durante a Revolta da Armada, entre 1893 e 1894. Uma curiosidade: foi justamente durante uma outra revolta ocorrida no Brasil, a Guerra de Canudos, que Gutierrez faleceu. Em 28 de junho, foi mortalmente ferido (Jornal do Commercio, 13 de julho de 1897, na terceira coluna sob o título “Expedição de Canudos” e O Paiz, 7 de setembro de 1897, na primeira coluna).

 

 

Acessando o link para as fotografias da Praia de Santa Luzia disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Voltando à praia de Santa Luzia. Em suas margens foi construída a Santa Casa da Misericórdia, em meados do século XVI.

 

 

Em 1898,  um dos pioneiros do cinema no Brasil, o italiano Affonso Segreto (1875 – 1919), filmou o documentário A Praia de Santa Luzia, um de seus primeiros registros cinematográficos do Rio de Janeiro.

 

 

Até o início do século XX, a praia de Santa Luzia era uma opção de lazer no Rio de Janeiro, mas sua descaracterização começou, em 1905, quando o então prefeito Francisco Pereira Passos (1836 – 1913) mandou construir barracões que funcionariam como garagens para os barcos dos clubes de remo.

 

 

 

Durante o seu mandato, entre 1902 e 1906, Pereira Passos realizou uma extensa reforma urbana, tendo ordenado diversas demolições, conhecidas como a política do “bota-abaixo”, que contribuíram para o surgimento do Rio de Janeiro da Belle Époque. Entre as obras dessa época, foi aberta a avenida Beira Mar, que estendeu  a linha litoral do entroncamento da praia de Santa Luzia até o Largo da Glória.

 

 

Em 1922, com a derrubada do Morro do Castelo, foi construída a Esplanada do Castelo, diminuindo muito a faixa de areia da Praia de Santa Luzia. Foi substituída na preferência dos banhistas pela Praia das Virtudes, que ficava na altura da avenida Beira Mar entre a avenida Presidente Antônio Carlos e a rua Marechal Câmara, ao lado da praia de Santa Luzia (Correio da Manhã, 13 de janeiro de 1931, penúltima coluna).

 

O Globo, 12 de janeiro de 1931

O Globo, 12 de janeiro de 1931

 

Foi na década de 1930, que o que restava da praia de Santa Luzia e da Ponta do Calabouço desapareceram em consequência da ampliação do aterro, feito com entulho do desmanche do Morro do Castelo, para a construção do Aeroporto Santos Dumont, inaugurado oficialmente em 30 de novembro de 1936 com a presença do presidente da República, Getulio Vargas (1882 – 1954). Chamava-se anteriormente Aeroporto do Calabouço e teve seu nome alterado por ordem de Getulio para homenagear o Pai da Aviação (Diário Carioca, 20 de outubro de 1936, última coluna). O terminal de passageiros, projeto dos arquitetos Marcelo Roberto (1908-1964) e Milton Roberto (1914-1953), que venceram um concurso realizado pelo Ministério da Aeronáutica, ficou pronto em 1945.

 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ANDREATTA, Verena; CHIAVARI, Maria Pace; e REGO, Helena. O Rio de Janeiro e a sua orla: história, projetos e identidade carioca. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, dezembro de 2009.

Diário do Rio de Janeiro

MELO, Victor Andrade. Remo, modernidade e Pereira Passos: primórdios das políticas públicas de esporte no Brasil. Revista do Núcleo de Estudos e Pequisas sobre Esporte e Sociedade – Universidade Federal Fluminense, julho/outubro de 2006

Rio Memórias

Site Infraero

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido I Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhosde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII - A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024