O Elevador Lacerda, um dos ícones de Salvador

A Brasiliana Fotográfica celebra os 477 anos de fundação de Salvador, ocorrida em 29 de março de 1549, destacando imagens do Elevador Lacerda, um dos maiores símbolos da cidade, um dos principais cartões postais da Bahia e o primeiro edifício urbano elevador do mundo. Os registros destacados foram realizados por Guilherme Gaensly (1843 – 1928), Marc Ferrez (1843 – 1923), Pedro Gonsalves da Silva (18?- 19?) e Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?). Foram produzidos no século XIX e na década de 1910.

 

 

As obras fotográficas do suíço Gaensly e do carioca Ferrez já foram diversas vezes abordadas em vários artigos da Brasiliana Fotográfica e sobre ambos foram realizados perfis e cronologias publicados no portal: São Paulo sob as lentes do fotógrafo Guilherme Gaensly (1843 – 1928) e O brilhante cronista visual Marc Ferrez (RJ, 07/12/1843 – RJ, 12/01/1923), respectivamente.

Pouco se sabe até o momento sobre os fotógrafos Pedro Gonsalves da Silva e Rodolpho Lindemann. O primeiro era brasileiro ou português e trabalhou como fotógrafo na Bahia, nas décadas 1880 e 1890. Sucedeu Eduardo del Vechi no estúdio da rua Carlos Gomes, nº 116, em Salvador, que já havia pertencido a Antônio da Silva Lopes Cardoso, e batizou o estabelecimento de Photographia Nacional. Posteriormente, transferiu seu ateliê, denominado Photographia Pedro Gonsalves da Silva, como se lê no verso de uma fotografia de sua autoria (imagem abaixo), para a rua Direita do Palácio, nº 8. Destacou-se como retratista e, também de acordo com a imagem abaixo, seu estabelecimento foi premiado com uma medalha de ouro. É avô do fotógrafo baiano Armínio Archimedes Pedro Gonçalves Kaiser  (1925 – 2014), um dos fundadores do Foto Clube de Londrina.

 

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O alemão Rodolpho Frederico Francisco Lindemann tornou-se, na década de 1880, ajudante e, posteriormente, sócio do fotógrafo suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928), em Salvador. Segundo Geraldo da Costa Leal em Um cinema chamado saudade (1997), em 1874, Lindemann  já trabalharia com Gaensly.  Em 1888, Lindemann casou-se com Alaine, irmã de Gaensly. Em 1894, a próspera empresa Gaensly & Lindemann abriu uma filial em São Paulo. Gaensly foi chefiar a sede paulista e Lindemann permaneceu em Salvador. Terminou a sociedade entre Gaensly & Lindemann, em São Paulo, e Gaensly passou a atuar sozinho na Photographia Gaensly. Lindemann é considerado um grande fotógrafo de paisagens tendo produzido vistas de Salvador, de Alagoas e de Pernambuco. Várias vistas de Salvador produzidas por ele foram incluídas pelo barão do Rio Branco (1845 – 1912) no Album de vues du Brésil, lançado em Paris na ocasião da Exposição Universal de 1889, ocorrida entre 6 de maio e 31 de outubro de 1889, e fazia parte da segunda edição de Le Brésil, extrato da Grande Enciclopédia, trabalho dirigido pelo geógrafo Émile Levasseur  (1828-1911), para o qual o barão havia colaborado. Também em 1889 a Photographia Gaensly & Lindemann foi premiada na mencionada exposição.

 

 

Foi inaugurada, em 1906, no Rio de Janeiro, uma exposição artística dos quadros de Lindemann (O Pharol (MG), 20 de maio de 1906, segunda coluna). No Almanak Laemmert de 1906, era noticiada a Photographia Gaensly e Lindemann, na Praça Castro Alves. No ano seguinte, a Photo Lindemann ficava na Praça Castro Alves, nº 33, mas pertencia a José Dias da Costa sob a gerência do gráfico Gramacho (Revista do Brasil (BA), 15 de outubro de 1907).

 

Breve história do Elevador Lacerda

 

 

Acessando o link para as fotografias do Elevador Lacerda, em Salvador, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Um grande desafio de engenharia na época, a construção do elevador foi iniciada, em 17 de outubro de 1869, pela Empresa de Trilhos Urbanos. Foi necessária a perfuração de dois túneis em rocha, um vertical, para abrigar a primeira torre, e outro horizontal, para dar acesso à rua. A Empresa de Trilhos Urbanos era comandada por Antônio de Lacerda (1834 – 1885), encarregado de administrar alguns bondes de tração animal em Salvador que, em parceria com seu irmão, o engenheiro Augusto Frederico de Lacerda (1836 – 1931), posteriormente condecorado como comendador da Imperial Ordem da Rosa, foi o responsável pelo empreendimento. Os irmãos nasceram em Valença, na Bahia, e eram filhos de Antonio Francisco de Lacerda (? – 18?) e Angelica Michelina de Sampaio Vianna (? – 18?).

 

 

O Elevador Hydraulico da Conceição da Praia, nome de batismo do Elevador Lacerda, foi inaugurado, em 8 de dezembro de 1873,  para resolver um grande problema urbano de Salvador – seu desnível. Passou a ser o principal transporte entre a Cidade Baixa a Cidade Alta. Tinha 63 metros de altura, sendo, na época, o elevador mais alto do mundo. Era popularmente conhecido como Parafuso e de suas torres, vê-se a Baía de Todos os Santos, o Mercado Modelo, inaugurado em 1912; e o Forte de São Marcelo, construído no século XVII, outros ícones da paisagem soteropolitana.

 

 

Em 1896, por indicação do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o Elevador passou a se chamar Elevador Antônio de Lacerda. Entre 1906 e 1907, foi eletrificado pela Companhia Linha Circular de Carris da Bahia (Bahia Illustrada, edição 10, 1918, segunda coluna). Em 1930, foram adicionados mais dois elevadores e uma nova torre. Foi nesta reforma, da qual a empresa norte-americana Otis participou, cujos melhoramentos foram inaugurados, em 15 de setembro de 1930, que sua arquitetura passou a ser em estilo art déco. Outras reformas e revisões foram realizadas ao longo de sua existência (Etc (BA), 15 de setembro de 1930; Jornal do Commercio, 15 e 16 de setembro de 1930, quinta colunaO Jornal, 16 de setembro de 1930).

 

 

Em 1955, o Elevador Lacerda foi estatizado pela Prefeitura de Salvador e, em 1º de julho 1961, novos elevadores da Otis foram inaugurados, mais rápidos e dobrando a capacidade por cabine de 16 para 32 pessoas. Em 7 de dezembro de 2006, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Site Iphan).

 

 

Entre 2011 e 2013,  o elevador foi transformado em um microprocessado — uma tecnologia inédita até então. Seu processo, antes mecânico, foi modificado e passou a funcionar através de uma base que envia informações e comandos para o seu funcionamento. O elevador instalado na modernização foi um projeto especial da empresa Otis para o Elevador Lacerda devido a sua complexidade e avançada tecnologia (Blog da Otis).

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Biblioteca do IBGE

Blog da Otis

Dicionário Histórico-Biográfico da Fotografia

Guia Salvador Antiga

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

Site Academia Feirense de Letras

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site Family Search

Site Iphan

TRINCHÃO, Glaucia Maria Costa. O Parafuso: de meio de transporte a cartão-postal. Salvador : Editora da Universidade da Bahia, 2010.

XAVIER, Xavier, Melquisedeque. Elevador Lacerda : Salvador, BA, 1957.

 

“Sertões distantes” por Ricardo Augusto dos Santos

Sertões Distantes

                                                                                                 Ricardo Augusto dos Santos*

 

 

 

“Se raros escapam à doença, muitos têm duas ou mais infestações. Veem-se, muitas vezes, confrangido e alarmado, nas nossas escolas públicas, crianças a bater os dentes com o calafrio das sezôes… E isso não nos confins do Brasil, aqui no Distrito Federal, em Guaratiba, Jacarepaguá, Tijuca… Porque não nos iludamos, o nosso sertão começa para os lados da Avenida Central.

Discurso Pronunciado por Afrânio Peixoto em 19/05/1918

 

Esta frase de Afrânio Peixoto (1876-1947) marcou o campo intelectual nas primeiras décadas do século XX. Estava em pauta qual era a verdadeira identidade do país. Alguns afirmavam que existia uma divisão entre o Brasil real e o ideal. Este último representado pelas cidades do litoral e instituições republicanas. Enquanto o verdadeiro habitava os sertões distantes. Eram constantes as referências críticas realizadas por um determinado grupo de intelectuais. Eles apresentavam o desconhecimento do Brasil profundo por amplas parcelas da sociedade.

No entanto, para os autores ufanistas, o Brasil era um paraíso terrestre. O sanitarista Belisário Penna (1868-1939) lamentava que esses agentes sociais, iludidos por uma visão edênica, pensassem o país através das reformas urbanas que transformaram uma parte do centro do Rio de Janeiro numa Paris Tropical. Penna criticava a ausência de uma consciência da nacionalidade. Confirmando a frase de Afrânio Peixoto – os sertões começam no fim da Avenida Central!!-, Penna advertia os idealistas da nação imaginada: Voces estão enxergando o país como um paraíso, pois vivem nas avenidas recém-construídas à beira-mar. Para o sanitarista, os intelectuais ufanistas, deslumbrados com a reforma que derrubou cortiços e importou pardais, eram detentores de um “monopólio do saber”, mas não conheciam a “realidade dos fatos”, pois “na sua quase totalidade não conhecem do Brasil senão o trecho que vai da praia de Ipanema à cidade de Petrópolis.” Para Penna, eram um “grupinho, sem documentação e sem base”.

Mas, como Belisário Penna e Afrânio Peixoto chegaram a essas conclusões? Lembrando que, segundo os críticos mais realistas e rígidos, nunca alcançaríamos o progresso das demais nações.

Percorrendo o interior do país entre 1911 e 1913, as expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz desempenharam um papel fundamental no debate sobre os problemas nacionais, influenciando as propostas do movimento sanitarista em relação ao progresso do país. Essas viagens forneceram as representações sociais que ainda hoje inspiram o imaginário social. Penna integrou uma das viagens científicas que rasgaram o país, visitando as mais distantes localidades. O diagnóstico da realidade fez com Belisário Penna qualificasse de forma especial sua pregação pelo saneamento. Não se via como mais um intelectual a falar, mas como alguém que conhecera de perto o Brasil real.

 

 

O tema do combate às doenças não serviu apenas de justificativa para expedições científicas e campanhas de saneamento, mas como ideologias de construção nacional. Falar dos sertões abandonados, habitados por um povo doente, mas capaz de produzir, depois de curado, tornava-se necessário para convencer os políticos, fazendeiros e industriais de que, acima das diferenças que marcavam o país, havia os interesses nacionais.

As expedições científicas exerceram, portanto, um ato político extremamente relevante: um projeto de nacionalidade. A ciência orientaria os peregrinos da modernização. Em nome desse projeto justificavam-se as iniciativas higienizadoras dos corpos, cidades e instituições. Esse era o projeto da nacionalidade brasileira. Um ideal a ser perseguido. A construção da nação brasileira nascia sob o signo da doença, miséria e ignorância.

 

 

Ao atribuir uma condição inferior do país em relação às nações devido à ausência de saúde e educação, Penna e os sanitaristas apresentavam uma solução original para a tragédia nacional, recusando os determinismos biológico, climático e geográfico, ainda predominante no pensamento social brasileiro. Por que somos miseráveis se o país é tão rico? Porque conhecemos tantos problemas, se nossas florestas são plenas de riquezas? Por que somos um povo doente e pobre?

 

 

Um dos projetos sanitários executados pelo estado foi o aterro de pântanos e saneamento de rios nos arrabaldes do Rio de Janeiro. Portanto, nosso sertão estava muito perto. Como sugerem centenas de fotografias dos fundos documentais de Belisário Penna e da Fundação Rockffeler, ambos sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz, o Brasil abandonado estava a poucos quilômetros das novas avenidas, do porto recém-construído e dos prédios monumentais, como a Biblioteca Nacional e Teatro Municipal.

No Fundo Pessoal Belisário Penna, estão depositadas mais de 1.500 fotografias, reunindo imagens de familiares e amigos, bem como de sua atuação política e profissional. No entanto, desejamos resgatar as imagens das obras de saneamento no Rio de Janeiro e demais estados. Documentando as obras do Serviço de Saneamento e Profilaxia Rural encontramos 529 imagens.

 

 

*Ricardo Augusto dos Santos é  Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz.

 

Fontes: 

DOS SANTOS, Ricardo Augusto. O sanitarista Belisário Penna (1868-1939), um dos protagonistas da história da saúde pública no Brasil in Brasiliana Fotográfica, 28 de setembro de 2018.

DOS SANTOS, Ricardo Augusto. A Fundação Rockefeller no Brasil in Brasiliana Fotográfica, in Brasiliana Fotográfica, 15 de julho de 2024.

DOS SANTOS, Ricardo Augusto. BELISÁRIO PENNA (1868-1939). In: DANTAS, Carolina Vianna & ENGEL, Magali. (Org.). Trajetórias e sociabilidades intelectuais no Rio de Janeiro (séculos XIX e XX).1º ed. Rio de Janeiro: Editora Contracapa, 2017, p. 158-168.

 

 

 

 

 

E o Oscar vai para…(II)

No próximo domingo, o filme brasileiro O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho (1968-)concorre em quatro categorias na premiação do Oscar, que será realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos: Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Ator – com Wagner Moura (1976-); e pelo prêmio de Melhor Seleção de Elenco, categoria que faz sua estreia na premiação este ano, com Gabriel Domingues (19?-) concorrendo. Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso (1989-) foi indicado na categoria Melhor Fotografia pelo filme Sonhos de Trem. A Brasiliana Fotográfica homenageia o cinema brasileiro destacando os 15 artigos publicados na Série Teatros e Cinemas do Brasil e também o artigo E o Oscar vai para…  Viva o cinema nacional! Viva a cultura brasileira!

 

 

Nestes artigos, o leitor poderá navegar por inúmeras fotos presentes em nosso acervo, produzidas por diversos fotógrafos como Alfredo Krausz (1902 – 1953), Augusto Malta (1864 – 1957) e Marc Ferrez (1843 – 1923); e conhecer um pouco mais da história do cinema e do teatro brasileiro e também sobre Benjamin Abrahão Calil Botto (1901 – 1938)Jorge Kfuri (1893 – 1965)João Stamato (1886 – 1951)Nicola Parente (1847 – 1911)Marc Ferrez (1843 – 1923) e seus filhos; e Walter Garbe (18? – 19?), fotógrafos que fizeram parte da história do cinema no Brasil, e que já foram temas de artigos publicados na Brasiliana Fotográfica.

 

 

E o Oscar vai para…, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 2 de março de 2025

 

Série “Teatros e cinemas do Brasil”

 

Série “Teatros e cinemas do Brasil” I e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” I – Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XXde autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica,  publicado em 26 de fevereiro de 2016

Série “Teatros e cinemas do Brasil ” II – Os teatros do Brasil, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 21 de março de 2016

Série “Teatros e cinemas do Brasil” III – A inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 14 de julho de 2017

Série “Teatros e cinemas do Brasil” IV - Cinema no Brasil – a primeira sessão e um pouco da história do Cinema Odeon, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 8 de julho de 2021

Série “Teatros e cinemas do Brasil” V e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XII – O Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 16 de setembro de 2021

Série “Teatros e cinemas do Brasil” VI - O Theatro de Santa Isabel, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 28 de outubro de 2021

Série “Teatros e cinemas do Brasil VII – Teatro Amazonas (Theatro Amazonas), em Manaus, a “Paris dos Trópicos”, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 28 de dezembro de 2021

Série “Teatros e cinemas do Brasil” VIII - O Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no Dia Mundial do Teatro, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 27 de março de 2023

Série “Teatros e cinemas do Brasil” IX – Dia do Cinema Brasileiro, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de junho de 2023

Série “Teatros e cinemas do Brasil” X e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 5 de setembro de 2023

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XI – O Theatro da Paz, em Belém do Pará, inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 15 de fevereiro de 2024

Série “Teatros e cinemas do Brasil ” XII - A Lanterna Mágica que iluminava o Cine Delícia: imagens e cinema na coleção Jota Soares – FUNDAJ, de autoria do historiador Tásso Brito – FUNDAJ, publicado em 29 de maio de 2024

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XIII – Marc Ferrez e o cinema, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de junho de 2024

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XIV – O Cinema Íris, o mais antigo cinema em atividade no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, em 5 de fevereiro de 2026

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XV – Fotos aéreas da Cinelândia no centenário da revista “Cinearte” , de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, em 3 de março de 2026

 

Concorrentes de O Agente Secreto no Oscar 2026

 

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Na categoria Melhor Filme os concorrentes são: Bugonia, F-1, Frankenstein, Hamnet, Marty Supreme, Uma Batalha após a outra, Valor Sentimental, Pecadores e Sonhos de Trem. O vencedor foi Uma Batalha após a outra.

Na categoria Melhor Filme Estrangeiro os concorrentes são: A voz de Hind Rajab (Tunísia), Foi apenas um acidente (França), Sirat (França) e Valor Sentimental (Noruega). Este último foi o vencedor.

Na categoria Melhor Ator, Wagner Moura concorre com Timothée Chalamet (1995-) por Marty Supreme, Leonardo DiCaprio (1974-) por Uma Batalha após a outra, Ethan Hawke (1970-) por Blue Moon, e Michael B. Jordan (1987-) por Pecadores. Jordan foi o vencedor.

Finalmente, na categoria estreante Melhor Seleção de Elenco, Gabriel Domingues concorre com Nina Gold (1967-) por Hamnet, Jennifer Venditti (19?-) por Marty Supreme, Cassandra Kulukundis (1971-) por Uma Batalha após a outra e Francine Maisler (19?-) por Pecadores. O vencedor foi  Uma Batalha após a outra.

 

 

Concorrentes de Adolpho Veloso por Sonhos de Trem na categoria Melhor Fotografia

 

Os concorrentes do brasileiro Adolpho Veloso são: Dan Laustsen (1954-) por Frankenstein, Darius Khondji (1955-) por Marty Supreme, Michael Bauman (19?) por Uma Batalha após a outra e Autumn Durald Arkapaw (1979-) por Pecadores, que foi a vencedora.

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Esse artigo foi atualizado em 15 de março de 2026.

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XV – Fotos aéreas da Cinelândia no centenário da revista “Cinearte”

Com diversas fotos aéreas da Cinelândia, provenientes dos acervos do Museu Aeroespacial e do Instituto Moreira Salles (IMS), instituições parceira e fundadora da Brasiliana Fotográfica, respectivamente, o portal publica o 15º artigo da série Teatros e cinemas do Brasil, que celebra o centenário da primeira edição da revista Cinearte, importante publicação para a crítica e para o estudo do cinema nacional, produzida por advogados, cineastas, críticos de cinema, educadores, intelectuais e jornalistas. 

 

 

A Cinelândia, idealizada pelo empresário espanhol Francisco Serrador (1872 – 1941), foi durante muito tempo, ao longo do século XX, o epicentro da vida cultural do Rio de Janeiro, com uma grande concentração de cinemas, teatros, bares e restaurantes. Fica no entorno da Praça Marechal Floriano, onde se encontram os prédios da Biblioteca Nacional, do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, do Palácio Pedro Ernesto e do Centro Cultural da Justiça Federal e o Palácio Monroe, demolido em 1976.

 

 

As fotos aéreas destacadas nesse artigo são das décadas de 1920, 1930 e 1940. A mais antiga foi produzida em torno de 1926 pela The Aircraft Operating Co. Ltd. e pertence ao IMS. Lembramos aqui que as primeiras fotos aéreas no Brasil foram realizadas, em 1916, pelo fotojornalista Jorge Kfuri (1893 – 1965) que, na época, trabalhava para o periódico A Noite.

 

 

Acessando o link para as fotos aéreas da Cinelândia disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Breve história da revista Cinearte

 

 

Cinearte foi lançada, em 3 de março de 1926, por Mário Marino de Carvalho Behring (1876 – 1933), na época diretor da Biblioteca Nacional, cargo que ocupou entre 1924 e 1932; e pelo cineasta, ator, produtor e crítico de cinema brasileiro, Adhemar Gonzaga (1901 – 1978). Teve como origem a sessão de cinema da revista cultural Para Todos…, onde Gonzaga era repórter. Após 561 edições, sua circulação foi encerrada, em julho de 1942. Inspirada na revista norte-americana Photoplay, lançada em 1910, seus principais assuntos eram os filmes, a indústria e as fofocas de Hollywood, a defesa do cinema brasileiro e da necessidade da criação de uma indústria audiovisual nacional. Tinha muitas propagandas de produtoras estrangeiras e de salas de cinema. Surgiu quando a mídia passava a ter lugar de destaque na formação cultural da sociedade e o interesse pelo cinema crescia. A imprensa acompanhou o fenômeno.

 

 

Um dos pioneiros do cinema nacional, Adhemar foi um dos fundadores, em 1917, com  jovens intelectuais como Otávio de Faria (1908 – 1980) e Plínio Sussekind Rocha (1911 – 1972), de um dos  primeiros cineclubes do Brasil, o Cineclube Paredão, cujo objetivo era estudar o cinema como uma arte. Fundou também a Cinédia, em março de 1930, o mais completo estúdio cinematográfico brasileiro de sua época. Está em funcionamento até hoje. Lançou grandes nomes do cinema brasileiro como Humberto Mauro (1897 – 1983) e Carmen Miranda (1909 – 1955). Produziu 40 filmes, dirigiu nove, foi roteirista e argumentista. Entre os filmes que dirigiu estão Barro Humano (1928), Brasa Dormida (1928), Lábios sem Beijos (1930), Ganga Bruta (1933) e O Descobrimento do Brasil (1937). Também escreveu o livro Setenta Anos do Cinema Brasileiro (1966).

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BNDigital

CATELLI, Rosana Elisa. A revista Cinearte e o projeto de modernização cultural pelo cinema, 2012.

Hemeroteca Digital da Brasiliana Fotográfica

Jornal do Brasil, 25 de agosto de 2021

LUCAS, Tais Campelo. Cinearte: o cinema brasileiro em revista. Dissertação apresentada ao programa de Pós-graduação em História do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, 2005.

Site Academia Maçônica Ribeiraopretana de Letras

Site Centro Memória do Circo

Site Museu da Imagem e do Som de São Paulo

O primeiro campo do Clube de Regatas do Flamengo por Augusto Malta

Produzida pelo fotógrafo alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), em torno de 1926, a imagem destacada no artigo de hoje da Brasiliana Fotográfica mostra um aspecto do primeiro campo do Clube de Regatas do Flamengo – O Estádio da Rua Paissandu. Na época, Malta era o fotógrafo oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro, cargo criado para ele, que o ocupou entre 1903 e 1936, quando se aposentou. Fotografou no período as transformações urbanas e os grandes eventos da cidade, personalidades políticas, intelectuais e artísticas; paisagens, monumentos, lojas, o casario e as ressacas. Registrou também aspectos da vida carioca como, por exemplo, o carnaval de rua, o movimento dos quiosques, os eventos sociais e esportivos, os moradores de cortiços, os vendedores ambulantes, as prostitutas, os marinheiros e cenas de praia. Seu legado iconográfico é essencial para a preservação da memória da cidade.

 

 

O Estádio da Rua Paissandu, cercado de palmeiras imperiais, localizava-se na esquina da Rua Paissandu com a Pinheiro Machado. A família Guinle era a proprietária do terreno, que foi arrendado pelo Flamengo, em fins de 1914, quando o Paissandu Atlético Clube deixou de ser o mandante em amistosos e jogos não oficiais do campo. Em 31 de outubro de 1915, foi realizado o primeiro jogo oficial do Flamengo no estádio: foi uma goleada de 5 a 1 sobre o Bangu, que valeu ao rubro-negro o título do Campeonato Carioca daquele ano. Depois viriam, ainda no campo da Rua Paissandu, os títulos de 1920, 1921, 1925 e 1927. Seu último jogo no estádio, em 25 de setembro de 1932, foi contra o Sport Club Brasil e o rubro-negro ganhou de 5 a 0. O Flamengo devolveu o terreno no fim de 1932 (A Noite, 26 de setembro de 1932).  Os maiores públicos do estádio foram Flamengo 0 x 3 Fluminense, em 23  de junho de 1918, e Flamengo 1 x 3 Fluminense, em 24 de agosto de 1919; ambas as partidas registrando cerca de 15 mil pagantesEm 4 de setembro de 1938, foi inaugurado o novo estádio do Flamengo, o Estádio da Gávea, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, com um jogo pelo Campeonato Carioca, entre o Flamengo e o Vasco, que venceu por 2 a 0, gols de Leonídio Fantoni, conhecido como Niginho (1912-1975).

 

flamengo

 

O Flamengo, cuja torcida é atualmente a maior do mundo, foi fundado, como clube de regatas, em 15 de novembro de 1895. Apenas em 1912, adotou o futebol. Antes de arrendar o Estádio da Rua Paissandu, o time não tinha estádio próprio e realizava seus jogos nos campos do Fluminense, em Laranjeiras; e no do Botafogo, na General Severiano – campos que voltou a utilizar entre 1932 e 1938. Seu atual estádio é o da Gávea (A Noite, 4 de setembro de 1938Jornal dos Sports, 6 de setembro de 1938).

 

 

 

 

Algumas curiosidades sobre o estádio da Rua Paissandu

 

Em 1872, foi fundada uma agremiação chamada Rio Cricket Club, na rua Berquó, atual Rua General Polidoro, semente do Paissandu Atlético Clube. Em 1880, o Rio Cricket Club mudou-se para um terreno alugado na Rua Paissandu e passou a chamar-se Paysandú Cricket Club. Na nova sede, foi construída uma pista de corrida em volta da quadra de críquete, além de quadras de tênis e de um pavilhão onde ficavam as senhoras que vinham assistir aos jogos. O terreno pertencia a Gastão d´Orleans (1842 – 1922), o conde D´Eu e sua esposa, a princesa Isabel (1846 – 1921), frequentava o clube para ver jogos e campeonatos…

 

 

 

…quando ainda era denominado Paysandú Cricket Club foi o local do primeiro jogo do Fluminense Futebol Clube, em 19 de outubro de 1902, quando o time tricolor venceu o amistoso contra o Rio Futebol Clube por 8 a 0 (Revista da Semana, 26 de outubro de 1902, primeira coluna)…

 

 

…em 13 maio de 1917, o estádio foi palco de um jogo amistoso da seleção brasileira de futebol, que venceu o Barracas da Argentina por 2 a 1 (O Paiz, 14 de maio de 1917, primeira coluna).

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

PARDO, Aristides Leo. Os Estádios de Futebol do Estado do Rio de Janeiro: Bola, História e Cultura – Vol. 3. Rio de Janeiro : Editora Tide Karioca, 2025.

Site Fla Estatística

Site Fluminense Futebol Clube

Site Globo Esporte

Site Museu Flamengo

Site Paissandu Atlético Clube

Série “Carnavais de antigamente” XII – Um registro do carnaval em Cuiabá, no Mato Grosso, na década de 1940

Nesta Quarta-Feira de Cinzas, a Brasiliana Fotográfica celebra o Carnaval destacando uma imagem em uma cidade diferente daquelas cujas fotografias da folia de Momo são mais frequentes. É um registro carnavalesco nas ruas de Cuiabá, capital do Mato Grosso, e faz parte do Fundo Fundação Rockefeller, do acervo da Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. Seu autor ainda não foi identificado e a cena é do dia 20 de fevereiro de 1944. Também listamos todas as publicações do portal sobre o Carnaval, reunidas na série Carnavais de Antigamente. Viva a folia! Viva a cultura!

 

 

Na foto destacada acima, em pleno domingo de Carnaval, vemos apenas três crianças fantasiadas, de mãos dadas, em uma rua perto de um jardim. O Brasil estava sob a ditadura do Estado Novo do presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) e encontrava-se em estado de guerra contra os países do Eixo e a Força Expedicionária Brasileira preparava-se para juntar-se, na Itália, aos países Aliados da Segunda Guerra Mundial. Houve, na época, uma polêmica em torno da conveniência da realização do Carnaval e a proibição de várias manifestações populares em razão deste fato, o que talvez explique a atitude dos adultos que aparecem na fotografia – sem fantasias, apenas passeando pela rua como se fosse um domingo como outro qualquer.

A marchinha Eu brinco, de autoria de Pedro Caetano (1911 – 1992) e Claudionor Cruz (1910 – 1995) interpretada pelo popularíssimo cantor Francisco Alves (1898 – 1952), foi um grande sucesso e foi composta no contexto da polêmica que ameaçou a realização do Carnaval de 1944.

 

Ouça aqui a Marchinha Eu brinco.

Com pandeiro ou sem pandeiro
Eh eh eh eh, eu brinco
Com dinheiro ou sem dinheiro
Eh eh eh eh eu brinco

No céu a lua caminha
Tão triste sozinha
Pra não ser triste também
com pandeiro ou sem pandeiro

Com pandeiro ou sem pandeiro
Eh eh eh eh eu brinco
Com dinheiro ou sem dinheiro
Eh eh eh eh eu brinco

Tudo se acaba na vida
Morena querida
Se o meu dinheiro acabar
Com dinheiro ou sem dinheiro
Meu amor, eu brinco

 

 

Série “Carnavais de antigamente”

“O carnaval é a expressão da nossa alegria. O ruído, o barulho, o tantã espancam a tristeza que há nas nossas almas, atordoam-nos e nos enchem de prazer”.

Lima Barreto (1881 – 1922), em O Morcego (1915)

 

Série “Carnavais de antigamente” I – O carnaval nas primeiras décadas do século XX, publicado em 5 de fevereiro de 2016, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” II – O carnaval do Cordão da Bola Preta, publicado em 9 de fevereiro de 2018, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” III – A Batalha de Flores, publicado em 19 de fevereiro de 2018, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” IV - As Camélias Japonesas no carnaval de Alagoas pelas lentes do fotógrafo amador Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966), publicado em 21 de fevereiro de 2020, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” V – Cenas da folia em Manaus em 1913, publicado em 28 de fevereiro de 2020, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” VI - Baile de Carnaval em Santa Teresa – Di Cavalcanti, Klixto e Helios Seelinger, na casa de Raul Pederneiras, publicado em 25 de fevereiro de 2022 , de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” VII e “Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica” III – O Rei Momo por Jean Manzon e por outros fotógrafos dos Diários Associados, publicado em 3 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” VIII – Foliões do Carnaval de Diamantina por Chichico Alkmim, publicado em 17 de fevereiro de 2023 , de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” IX – Crianças no carnaval carioca de 1933 por Guilherme Santos, publicado em 8 de fevereiro de 2024, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” X – O carnaval de 1919: o carnaval da revanche, o carnaval triunfante!, publicado em 20 de fevereiro de 2025, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Série “Carnavais de antigamente” XI – O carnaval e suas histórias, publicado em 27 de fevereiro de 2025, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BORGES, Luiz.“Eu brinco” e o Carnaval de 1944 in Site Observação & Análise, 1º de março de 2017

DINIZ, André. Almanaque do carnaval: a história do carnaval, o que ouvir, o que ler, onde curtir. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed ., 2008.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Jornal O Dia

O GLOBO, 23 de fevereiro de 2017

PEDREIRA, Flávia de Sá. Carnaval em Tempos de Guerra. O artigo é parte da tese de doutorado Chiclete eu misturo com banana: Carnaval e cotidiano de guerra em Natal (1920-1945), do Departamento de História, IFCH/Unicamp, março de 2004.

SILVA, Sormani. “Vovó me avisou”: memórias do carnaval de guerra (1942-1943) no Rio de Janeiro in Confluências Culturais Revista Interdisciplinar, v. 14, n. 1: 80 anos do final da Segunda Guerra Mundial: memória, história e patrimônios

“Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)”, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Destaque para a identificação da casa de Tia Ciata

A Brasiliana Fotográfica publica imagens inéditas do Rio de Janeiro, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), instituição parceira do portal desde abril de 2016, quando celebrávamos um ano de existência. Sob a presidência do internacionalista e doutor em Ciência Política, Eliseu Santiago, em parceria com a Aprazível Edições, do jornalista, editor de livros, curador de museus e exposições, Leonel Kaz, o AGCRJ lançou o livro digital Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), que revela um valioso e inédito acervo iconográfico da cidade do Rio no período do Estado Novo, sob a presidência de Getúlio Vargas (1882 – 1954).  A publicação reforça a importância da preservação e difusão do patrimônio histórico e iconográfico do Rio de Janeiro.

 

 

O livro digital está disponível gratuitamente no site do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro e da Aprazível Edições promovendo acessibilidade e difusão cultural. Foi financiado pelo Programa de Fomente à Cultura Carioca – PRÓ-CARIOCA LINGUAGENS, via Edição PNAB – Política Nacional Aldir Blanc. Lembramos aqui que o acervo do AGCRJ reúne cerca de quatro milhões de itens identificados, além de outros milhões de documentos, fotos e registros ainda em processo de organização.

 

Link para o livro digital Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) 

 

Hoje a Brasiliana Fotográfica disponibiliza 20 das centenas de imagens publicadas no livro. A partir de recursos tecnológicos como a digitalização e o zoom, os registros fotográficos passam a ter outra visibilidade, podendo ser acessados em sua qualidade plena.

 

Acessando o link para as fotografias publicadas no livro Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937 -1945) disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) é o resultado de uma extensa pesquisa, da recuperação e da digitalização de imagens realizadas por diversos profissionais do AGCRJ. São fotografias inéditas produzidas pelos filhos de Augusto Malta (1864 – 1957) – Aristógiton (1904-1954) e Uriel (1910 – 1994). Augusto Malta foi, entre 1903 e 1936, o fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro – cargo criado para ele -, e o mais  importante cronista fotográfico da cidade nas primeiras décadas do século XX, responsável por um legado fotográfico incontornável.

 

Foto do Arquivo recortada

Anônimo. Augusto Malta. Rio de Janeiro. Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

 

Aristógiton Malta, nasceu em 1904, no Rio de Janeiro, e começou a auxiliar o pai na prefeitura, em 1925, ano em que Augusto, quando prestava um serviço para a Sul América, teve um de seus dedos dilacerados, devido a uma explosão ocasionada pelo flash de sua máquina fotográfica. Foi operado e ficou internado no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Aristógiton era filho da primeira esposa de Augusto, Laura Oliveira Campos (1874 – 1905).  Casou-se com Helena de Freitas Moutinho (1906 – 1975), em 1933. Em 25 de agosto de 1936, Augusto Malta aposentou-se da Prefeitura e foi substituído por ele, a partir de 9 de setembro do mesmo ano. Em 1938, O presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), visitou a “Feira de Amostras”,  uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos stands de maior sucesso foi o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto Malta e de seu filho, Aristógiton (A Noite, 31 de outubro de 1938, sob o título “A evolução do Rio através da fotografia”). Foi noticiado que uma foto de sua autoria do Estádio do Maracanã estava nas paredes de todas as repartições da Prefeitura, no hall do Banco da Prefeitura, e também em hotéis em países da Europa, da América do Sul e nos Estados Unidos (A Noite, 18 de maio de 1953, primeira coluna). Faleceu em 15 de agosto de 1954 (A Noite, 18 de maio de 1953, primeira colunaDiário de Notícias, 17 de agosto de 1954, sexta coluna).

 

Aristogiton Malta (1896-1954) / Site Family Search

Aristógiton Malta (1896-1954) / Site Family Search

 

Uriel Malta nasceu, em 28 de setembro de 1910, no Rio de Janeiro, filho da segunda esposa de Augusto, Celina Augusta Verscheuren (1884 – 1969). Passou a trabalhar com o irmão, no Serviço de Fotografia da Prefeitura, em 1937. Já era casado com Hilda de Abreu em 1944. Foi fotógrafo da Prefeitura até fins da década de 1960 e, em 1970, teve assinada a apostila fixando os proventos anuais de inatividade. Uriel faleceu, em Magé, em 5 de agosto de 1994 (Registro Civil do Rio de Janeiro, Site Family Search; Gazeta de Notícias, 4 de julho de 1935, terceira colunaJornal do Brasil, 12 de março de 1937, primeira colunaDiário de Notícias, 3 de abril de 1968, segunda colunaDiário de Notícias, 20 de outubro de 1968, primeira colunaDiário de Notícias, 31 de janeiro de 1969, terceira colunaDiário de Notícias, 7 de abril de 1970, última coluna).

 

Uriel Malta / Site Family Search

Uriel Malta / Site Family Search

 

O trabalho de Aristógiton e Uriel ficou durante muitas décadas à sombra da extraordinária obra de seu pai. As imagens de Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) resgatam a importância do trabalho dos filhos de Augusto Malta, que fotografaram os últimos anos da belle époque carioca assim como seu desaparecimento.

 

 

O lançamento do livro digital foi realizado, em 27 de janeiro último, por Elizeu Santiago e Leonel Kaz, em um evento no AGCRJ. Em seguida, o professor Antonio Edmilson Martins Rodrigues proferiu a palestra Reformas Urbanas e Cultura no Rio do Estado Novo. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), entidade que apoiou a publicação do livro, foi representada pelo seu presidente, Sydnei Menezes. No dia seguinte, foi realizada uma roda de conversa sob o tema O Rio de Janeiro no Estado Novo: uma perspectiva iconográfica, com os professores Pedro Marreca e Rafael Martins de Araujo, gerente e sub-gerente de Pesquisa do AGCRJ, respectivamente.

 

 

 

 

O lançamento do livro digital foi antecedido pelo resgate de cerca de 14 mil imagens – em positivos com nitrato de prata e negativos – distribuídas em 11 álbuns, que ainda estão em tratamento arquivístico e que futuramente serão disponibilizadas nos bancos de dados do AGCRJ. Foi uma das descobertas mais relevantes realizadas pela instituição nos últimos anos. As imagens capturam as transformações urbanas, culturais e sociais do Rio de Janeiro, entre 1937 e 1945, quando o interventor do então Distrito Federal, o Rio de Janeiro, era Henrique Dodsworth (1895 – 1975).

 

 

Retratam um período de grandes transformações na cidade do Rio: por exemplo, a abertura da Avenida Presidente Vargas e da Avenida Brasil, a expansão dos subúrbios, a urbanização da Pavuna e da Zona Sul, a finalização da esplanada do Castelo e a inauguração do Jardim de Alah. Mais de 500 edifícios desapareceram.

 

Essas obras realizadas na região pela Prefeitura do Rio de Janeiro reduziram muito a Praça Onze de Junho. Logo no início da década de 40, durante o Estado Novo, o então presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) decidiu construir a avenida Presidente Vargas e, pelo projeto, os quarteirões entre as ruas Visconde de Itaúna e Senador Eusébio desapareceriam para sua abertura (O Malho, dezembro de 1941).

 

 

Começaram as demolições. Inúmeras famílias foram desalojadas, prédios foram derrubados, dentre eles algumas construções históricas, como a Igreja de São Pedro dos Clérigos.

 

 

 

 

O segundo trecho da nova avenida foi concluído em 10 de novembro de 1942; e, em 10 de novembro de 1943, foi batizada de Presidente Vargas. Finalmente, em 7 de setembro de 1944, foi inaugurada (O Malhodezembro de 1942abril de 1943dezembro de 1943O País, 10 de novembro de 1943Jornal do Brasil, 8 de setembro de 1944).

 

 

Na fotografia abaixo, foi identificada a casa da lendária Tia Ciata (1854 – 1924), Hilária Batista de Almeida, localizada na Rua Visconde de Itaúna, 117.

 

 

A casa ficava na região da Pequena África do Brasil, expressão baseada numa afirmação do cantor e pintor Heitor dos Prazeres (1898 – 1966) se referindo à área que começava no Porto do Rio de Janeiro e abrangia os atuais bairros da Saúde, Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova, até a Praça Onze de Junho. Foi lá que, a partir da década de 1870, a comunidade baiana se estabeleceu no Rio de Janeiro, fazendo da área um local de concentração de diversas manifestações da cultura afro-brasileira. Havia também as tias Bebiana, Carmen e Mônica, dentre outras, que fizeram de suas casas pontos de referência e de convívio, que garantiram a manutenção das tradições africanas na cidade. Nessas casas eram cultuadas a música e a religiosidade afro-brasileira. As casas de Tia Prisciliana, mãe de João da Baiana (1887-1974), e, principalmente, a de Tia Ciata, considerada a matriarca do samba, foram espaços fundamentais da música popular carioca e eram frequentados por Donga, Pixinguinha (1897 – 1973), João da Baiana (1887-1974), o jornalista e dramaturgo Vagalume, pseudônimo de Francisco Guimarães (c. 1880 – 1946), e agitadores culturais como, por exemplo, Hilário Jovino (1873- 1933), Germano Lopes da Silva (? – 1933), o compositor e jornalista Mauro de Almeida(1882 -1956), dentre outros. Foi também na Pequena África que a Deixa Falar, considerada a primeira escola de samba, foi fundada, em 12 de agosto de 1928, pelos sambistas Bide, Mano Edgar, Brancura, Baiaco, dentre outros, além de Ismael Silva, que reivindicava a autoria da expressão escola de samba.

Na época da demolição, a Praça Onze não era apenas um logradouro carioca, mas uma espécie de bairro, pois englobava todas as ruas das imediações. Hoje, esta importante referência na história da formação do Rio de Janeiro, da cultura brasileira e da criação do samba, não existe mais, porém sua região continua sendo importante para o samba: o Sambódromo e o Terreirão do Samba, inaugurados em 1984 e 1991, respectivamente, estão localizados na área. Da Praça Onze resta um pequeno jardim, onde foi instalado um monumento em homenagem a Zumbi, em 1986.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São esses os profissionais responsáveis pelo extraordinário Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945):

 

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O livro físico foi lançado em 14 de julho de 2026, no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, Na ocasião, discursaram Lucas Padilha, secretário de Cultura do Rio de Janeiro, e Eliseu Santiago, como já mencionado, presidente do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (informação inserida no texto em 14 de julho de 2026).

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BUENO, Eduardo. TIA CIATA E A PRAÇA ONZE: COMO SURGIRAM AS ESCOLAS DE SAMBA

Diário do Ri0 – Praça Onze

Dicionário de Música Cravo Alvim

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MALAMUD, Samuel. Recordando a Praça Onze. 1ª edição, Rio de Janeiro, Editora Kosmos, 1988

MOURA, Roberto. Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Funarte, 1983.

SILVA, Beatriz Coelho. Negros e Judeus na Praça Onze. A História que não ficou na memória. Rio de Janeiro : Bookstart, 2015.

Site Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Site Family Search

WANDERLEY, Andrea C.T. O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936 in Brasiliana Fotográfica, 10 de julho de 2015.

__________________. Série O Rio de Janeiro desaparecido” XVIII – A Praça Onze in Brasiliana Fotográfica, 20 de abril de 2022.

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XIV – O Cinema Íris, o mais antigo cinema em atividade no Rio de Janeiro

 

 

O Íris é o mais antigo cinema em funcionamento no Rio de Janeiro. Projetado pelo engenheiro Paulo de Frontin (1860 – 1933), com um pomposo programa, foi inaugurado por João Cruz Junior (18? – 19?), em 30 de outubro de 1909, nos números 49 e 51 da Rua da Carioca, em um prédio que pertencia à Ordem Terceira da Penitência como Cinema Soberano, uma homenagem a um dos cavalos de seu proprietário, que fez com a Ordem Terceira um contrato de comodato para explorar o imóvel. Tinha 200 lugares e era dividido por uma grade de ferro em 1ª e 2ª classes. Tinha espaço para abrigar duas orquestras, uma na sala de espera e outra no interior da sala de projeção (Gazeta de Notícias, 30 de outubro de 1909, última coluna; Jornal do Brasil, 30 de outubro de 1909, penúltima coluna).

 

 

O Soberano tornou-se um cinema-teatro, em 1911, onde eram apresentadas operetas. No último andar do sobrado que ocupava, passou a funcionar o consultório e depósito da Tizana de Faro, poderoso depurativo (A Notícia, 9 de 10 de setembro de 1911, penúltima coluna; Correio da Manhã, 13 de outubro de 1911, quarta coluna; 25 de outubro de 1911, quinta coluna).

 

 

Em 1912, suicidou-se com um tiro, no Soberano, o artista plástico Domingues Garcia y Vasquez (Correio da Manhã, 19 de janeiro de 1912, primeira coluna;  Gazeta de Notícias, 20 de janeiro de 1912, quinta colunaA Notícia, 20 e 21 de janeiro de 1912, segunda coluna).

No mesmo endereço onde havia funcionado o Cinema Soberano, foi inaugurado o Cinema Victoria (Correio da Manhã, 9 de maio de 1912, última coluna).

 

 

Também no mesmo endereço, Rua da Carioca 49 e 51, foi inaugurado o Cinema Íris, em 16 de julho de 1912 (Correio da Manhã, 16 de julho de 1912, segunda coluna).

 

 

Na década de 1910, disputava a preferência dos fãs de cinema com o Cinema Ideal.

“As segundas-feiras a Rua da Cаrioca ficava intransitável na hora da abertura dos cinemas. Juntava o público do Íris com o do Ideal, pois um ficava quase defronte do outro. As sessões começavam às 13h e interrompiam o trânsito, ninguém passava. Quando tocava a campainha para começar a multidão levava porta e tudo para dentro. No Íris havia um camarada forte, de nome Carlos, que ficava segurando as cordas com um porrete na mão. Ele metia mesmo o porrete para controlar a multidão. As pessoas entravam, sentavam e não podiam mais levantar, pois perdiam o lugar. Quando alguém levantava, o Carlos gritava: “- Mais um, mais dois lugares.” Naquele tempo os cinemas enchiam de verdade. Eu preferia os filmes do Ideal; o Adhemar Gonzaga preferia e os do Iris. Ele gostava mais dos cow-boys, e eu das artistas bonitas. “

Pedro Lima in Filme Cultura, agosto de 1986, página 38

 

Durante um incêndio na sede da sociedade carnavalesca dos Tenentes do Diabo, na Rua da Carioca nº 47, o Cinema Íris foi bastante danificado (O Paiz, 19 de março de 1913, penúltima coluna). Após uma reforma, foi reaberto, em 21 de março 1914 (O Paiz, 21 de março de 1914, última colunaFon-Fon, 28 de março de 1914).

 

 

Em 1915, a Empresa Cinematográfica Universal fechou contrato com João Cruz Junior e o Cinema Íris se tornou a sala lançadora no Rio de Janeiro da companhia norte-americana. Em anúncio de 30 de maio de 1915, a empresa do cinema Íris apresentou seu novo fornecedor (Correio da Manhã, 30 de maio de 1915, última coluna). Semanas depois, o Cinema Íris estava exibindo exclusivamente os filmes americanos fornecidos pela Universal.

 

 

Em 14 de dezembro de 1921, após uma reforma realizada pelo engenheiro Emilio Baumgarten (18? – 19?) que incluiu a ampliação do cinema com a construção de um terceiro andar, uma claraboia para ventilação e uma decoração no estilo art nouveau, foi reinaugurado oficialmente como Novo-Cine-Theatro ÍRIS ou Cinema Íris, nome inspirado na deusa grega homônima que decorava sua entrada. Ostentava também azulejaria importada da Bélgica e espelhos de cristais da França. Foi justamente neste mês e ano que o alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), então fotógrafo da prefeitura do Rio de Janeiro, cargo que exerceu entre 1903 e 1936, produziu os dois registros destacados neste artigo, que pertencem ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadora da Brasiliana Fotográfica (Correio da Manhã10 de dezembro de 1921, quarta coluna; 11 de dezembro de 1921, sétima coluna O Jornal, 13 de dezembro de 1921, terceira coluna; 14 de dezembro de 1921, penúltima coluna; 15 de dezembro de 1921, quinta coluna; Jornal do Brasil, 16 de dezembro de 1921, sexta coluna).

 

 

 

Foi também na década de 1920 que o compositor Ary Barroso (1903 – 1964) empregou-se como pianista no Cinema Íris.

Na década de 1970, exibia principalmente filmes de artes marciais e westerns. Passou por uma reforma e foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro – INEPAC -, em 14 de junho de 1978.

Na década seguinte, exibia filmes pornográficos e shows de streap-tease. Bandas de rock passaram a se apresentar no Cinema Íris (Jornal do Brasil, 18 de março de 1988).

Em 1997, a família Cruz comprou o imóvel da Ordem Terceira. Nos anos 1990 e 2000, foi palco de festas e de apresentações de bandas. Recebeu propostas de compra pela Igreja Universal, mas não aceitou.

 

O GLOBO, 20 de março de 2009

O GLOBO, 20 de março de 2009

 

Fazia parte da festa Cine Íris 90 Anos uma exposição de fotografias com imagens produzidas por Malta, pertencentes o acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 1º de outubro de 1999, primeira coluna).

 

 

Em comemoração a seu centenário, em 2009, foi promovido no cinema um festival de filmes mudos (TV Brasil). A atriz Marília Pêra (1943 – 2015) compareceu à celebração e foi homenageada pela Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca). A atriz tem uma história muito ligada ao Íris, pois sua avó, a também atriz Antônia Marzullo (1894 – 1969), havia trabalhado lá.

 

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No ano seguinte, 2010, sua desapropriação chegou a ser anunciada, mas não aconteceu (O GLOBO, 21 de janeiro de 2010).

O colunista Jan Theophilo, do “Informe JB”, noticiou, em agosto de 2018, que o cinema havia sido desapropriado pelo estado há mais de 60 anos. Segundo o empresário Raul Pimenta Neto, 61, um dos 12 herdeiros da sala, não havia nenhuma informação no Registro Geral de Imóveis (RGI) de que a posse do mesmo fosse do estado, quando a família decidiu comprar o imóvel, em 1997. “No ano passado, quando fui tirar uma certidão, fui pego de surpresa com esta posse, justo quando negociava com um empresário alemão para diversificar a programação da casa” (Jornal do Brasil, 18 de agosto de 2018).

Foi interditado pela Defesa Civil, em 23 de julho de 2025, devido a problemas estruturais, e reaberto em agosto, mês em que uma lista, na qual foi incluído, de 48 imóveis que o governo estadual quer vender para arrecadar R$ 1,5 bilhão, foi enviada à Assembleia Legislativa do Rio. Na lista estão prédios históricos, terrenos, áreas desativadas da segurança pública e até mesmo uma ilha. Porém, o Cine Íris não pertence ao estado e, durante a vistoria para o levantamento, a equipe de consultoria do governo foi informada que o imóvel é de propriedade particular da mesma família há quase um século.

Os longas-metragens Madame Satã (2002) e Olga (2004) assim como a novela Senhora do destino (2004), da TV Globo, tiveram cenas rodadas lá.

O Cinema Íris segue como uma relíquia carioca e sempre foi administrado pela família que o fundou. Atualmente é gerido por Marcelo Argileu Cruz da Silva, que sucedeu Raul Pimenta Neto.

 

 

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Agenda Bafafá

Diário do Rio, 14 de agosto de 2025 e 9 de setembro de 2025

FREIRE, Rafael de Luna (2022). «Entre divas e seriados». O negócio do filme: A distribuição cinematográfica no Brasil 1907–1915. Rio de Janeiro, RJ: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. p. 356

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Jornal Extra, 16 de outubro de 2009.

O Globo, 16/10/2009

Revista Filme Cultura, agosto de 1986

SCARPIN, Paula. O Cine Íris resiste in Revista Piauí, setembro de 2015

Site Google Arts & Culture

Site INEPAC

Site Rio Filme

 

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Um aspecto da importância da preservação digital de arquivos fotográficos

A imagem que hoje apresentamos pertence ao acervo do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, e foi publicada na revista Fon-Fon, de 10 de outubro de 1936, e mostra o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas (1882-1954) em audiência com participantes do III Congresso Feminista, realizado no Rio de Janeiro. Pode ser encontrada a partir de uma pesquisa na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, a maior coleção de periódicos do Brasil, indispensável para os pesquisadores e uma das fontes mais frequentes e importantes para a realização de pesquisas e elaboração de artigos da Brasiliana Fotográfica. Lembramos ainda que a Fundação Biblioteca Nacional é uma das fundadoras do portal.

Com esse artigo, destacamos um aspecto da importância da preservação digital de arquivos de fotografia, estabelecendo mais uma vez a relação entre uma imagem de um acervo fotográfico, no caso do Arquivo Nacional – uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica – com a forma e o contexto com que ela foi originalmente publicada, o que confere à Hemeroteca Digital da BN especial protagonismo. Mesmo que elas estejam conservadas em plataformas potentes como a Hemeroteca, sua preservação digital em outros arquivos é muito importante porque a partir de recursos tecnológicos como a digitalização e o zoom, passam a ter outra visibilidade e podem ser acessadas em sua qualidade plena.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Série “Avenidas e ruas do Brasil” XXI – A Rua Paissandu, no Rio de Janeiro

Com registros do fotógrafo amador Archanjo Sobrinho (18? – 1941), cuja biografia é, até o momento, muito precária; de Augusto Malta (1864 – 1957), fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro, entre 1903 e 1936; e da firma LTM, a Brasiliana Fotográfica publica o vigésimo primeiro artigo da série Avenidas e ruas do Brasil, destacando imagens da Rua Paissandu, uma das mais tradicionais do Rio de Janeiro, situada no bairro do Flamengo. Os registros pertencem à Biblioteca Nacional e ao Instituto Moreira Salles, fundadores do portal; e ao Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. A Rua Paissandu, assim como o Campo de Santana e a Quinta da Boa Vista, eram os principais locais de passeios da realeza no século XIX. Não deixem de usar o recurso de zoom para explorar as imagens – suas casas, paisagens, personagens e veículos.

 

Acessando o link para as fotografias da Rua Paissandu disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

Foi batizada como Rua de Paysandú, em 1865, em homenagem ao Cerco de Paysandú, ocorrido entre dezembro de 1864 e janeiro de 1865, durante a Guerra do Uruguai, conflito que envolveu a disputa pelo poder entre os partidos políticos uruguaios Blanco e Colorado com a intervenção do Brasil e da Argentina em apoio ao Partido Colorado – origem da Guerra do Paraguai. Antes de se chamar Paissandu, a rua chamava-se Rua de Santa Thereza do Cattete e existia desde a década de 1850 (Diário do Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 1854, primeira coluna; Correio Mercantil, 24 de abril de 1865, quarta coluna). 

A Rua Paissandu liga o Palácio Guanabara, antigo Paço Isabel, localizado na antiga Rua Guanabara, atual Rua Pinheiro Machado, à Praia do Flamengo. Sua belíssima e característica aleia de palmeiras imperiais, tombadas pelo Patrimônio Municipal pelo Decreto 20.611, de 10 de outubro de 2001, foi plantada em torno de 1865 e criava um caminho monumental para o referido palácio, onde a princesa Isabel (1846 – 1921) e Gastão d´Orleans (1842 – 1922), o conde D´Eu, foram morar após seu casamento, realizado em 15 de outubro de 1864 (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864). Foi coberta com paralelepípedos e ficou conhecida, na época, como a Rua da Princesa, que ia de carruagem até a Praia do Flamengo (Jornal do Commercio, 27 de setembro de 1865, quarta coluna). O Palácio Guanabara e alguns imóveis da rua Paissandu também são tombados.

A construção do Palácio Guanabara foi iniciada, em 1853, pelo comerciante e Cavaleiro da Ordem de Cristo português, José Machado Coelho. Foi posto à venda, em 1863, comprado pela família real brasileira e reformado pelo arquiteto José Maria Jacinto Rebelo (1821 – 1871), discípulo do francês Grandjean de Montigny (1776 – 1850) (Correio Mercantil, 31 de outubro de 1863, penúltima coluna). Pertenceu aos príncipes Isabel e Gastão até 1889, quando a República foi proclamada e o imóvel foi confiscado e transferido ao patrimônio da União, dois anos depois. A família imperial tentou recuperá-lo, mas, em 2020, o Supremo Tribunal Federal decidiu em favor da União.

Um dos moradores ilustres da Rua Paissandu foi o médico e cientista Carlos Chagas (1879 – 1934).

 

 

A imagem de Archanjo Sobrinho, produzida em torno de 1895, pertence ao Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, é uma estereoscopia, técnica que chegou ao Brasil, ainda no século XIX, e foi utilizada por fotógrafos renomados como  Revert Henrique Klumb (c.1826 – c. 1886) e Georges Leuzinger (1813 – 1892), ambos europeus e radicados no país. No século XX, destacou-se na técnica o fotógrafo amador carioca Guilherme Antônio dos Santos (1871-1966).

 

 

A foto abaixo, de Augusto Malta, é de 1904 e pertence ao Museu da República, uma das instituições parceiras do portal; e a da firma LTM, produzida em torno de 1935, é do acervo da Fundação Biblioteca Nacional, uma das fundadoras da Brasiliana Fotográfica.

 

 

 

 

Sobre a Rua Paissandu, a cronista Vina Centi (? – 19?) escreveu na revista Para Todos, de 7 de janeiro de 1922:

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

Guia do Patrimônio Cultural Carioca Bens Tombados 2014

O GLOBO, 17 de março de 2013

Site Palácios do Povo