Com registros do fotógrafo amador Archanjo Sobrinho (18? – 1941), cuja biografia é, até o momento, muito precária; de Augusto Malta (1864 – 1957), fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro, entre 1903 e 1936; e da firma LTM, a Brasiliana Fotográfica publica o vigésimo primeiro artigo da série Avenidas e ruas do Brasil, destacando imagens da Rua Paissandu, uma das mais tradicionais do Rio de Janeiro, situada no bairro do Flamengo. Os registros pertencem à Biblioteca Nacional e ao Instituto Moreira Salles, fundadores do portal; e ao Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. A Rua Paissandu, assim como o Campo de Santana e a Quinta da Boa Vista, eram os principais locais de passeios da realeza no século XIX. Não deixem de usar o recurso de zoom para explorar as imagens – suas casas, paisagens, personagens e veículos.
Foi batizada como Rua de Paysandú, em 1865, em homenagem ao Cerco de Paysandú, ocorrido entre dezembro de 1864 e janeiro de 1865, durante a Guerra do Uruguai, conflito que envolveu a disputa pelo poder entre os partidos políticos uruguaios Blanco e Colorado com a intervenção do Brasil e da Argentina em apoio ao Partido Colorado – origem da Guerra do Paraguai. Antes de se chamar Paissandu, a rua chamava-se Rua de Santa Thereza do Cattete e existia desde a década de 1850 (Diário do Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 1854, primeira coluna; Correio Mercantil, 24 de abril de 1865, quarta coluna).
A Rua Paissandu liga o Palácio Guanabara, antigo Paço Isabel, localizado na antiga Rua Guanabara, atual Rua Pinheiro Machado, à Praia do Flamengo. Sua belíssima e característica aleia de palmeiras imperiais, tombadas pelo Patrimônio Municipal pelo Decreto 20.611, de 10 de outubro de 2001, foi plantada em torno de 1865 e criava um caminho monumental para o referido palácio, onde a princesa Isabel (1846 – 1921) e Gastão d´Orleans (1842 – 1922), o conde D´Eu, foram morar após seu casamento, realizado em 15 de outubro de 1864 (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864). Foi coberta com paralelepípedos e ficou conhecida, na época, como a Rua da Princesa, que ia de carruagem até a Praia do Flamengo (Jornal do Commercio, 27 de setembro de 1865, quarta coluna). O Palácio Guanabara e alguns imóveis da rua Paissandu também são tombados.
A construção do Palácio Guanabara foi iniciada, em 1853, pelo comerciante e Cavaleiro da Ordem de Cristo português, José Machado Coelho. Foi posto à venda, em 1863, comprado pela família real brasileira e reformado pelo arquiteto José Maria Jacinto Rebelo (1821 – 1871), discípulo do francês Grandjean de Montigny (1776 – 1850) (Correio Mercantil, 31 de outubro de 1863, penúltima coluna). Pertenceu aos príncipes Isabel e Gastão até 1889, quando a República foi proclamada e o imóvel foi confiscado e transferido ao patrimônio da União, dois anos depois. A família imperial tentou recuperá-lo, mas, em 2020, o Supremo Tribunal Federal decidiu em favor da União.
Um dos moradores ilustres da Rua Paissandu foi o médico e cientista Carlos Chagas (1879 – 1934).
A imagem de Archanjo Sobrinho, produzida em torno de 1895, pertence ao Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, é uma estereoscopia, técnica que chegou ao Brasil, ainda no século XIX, e foi utilizada por fotógrafos renomados como Revert Henrique Klumb (c.1826 – c. 1886) e Georges Leuzinger (1813 – 1892), ambos europeus e radicados no país. No século XX, destacou-se na técnica o fotógrafo amador carioca Guilherme Antônio dos Santos (1871-1966).
A foto abaixo, de Augusto Malta, é de 1904 e pertence ao Museu da República, uma das instituições parceiras do portal; e a da firma LTM, produzida em torno de 1935, é do acervo da Fundação Biblioteca Nacional, uma das fundadoras da Brasiliana Fotográfica.
Sobre a Rua Paissandu, a cronista Vina Centi (? – 19?) escreveu na revista Para Todos, de 7 de janeiro de 1922:
Andrea C.T. Wanderley
Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Fontes:
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.
Guia do Patrimônio Cultural Carioca Bens Tombados 2014






