No Dia dos Namorados, fotos de casais produzidas por Chichico Alkmim (1886 – 1978)

Para celebrar o Dia dos Namorados, a Brasiliana Fotográfica destaca duas imagens produzidas, na década de 1920, pelo mineiro Chichico Alkmim (1886 – 1978),  o cronista visual de Diamantina. Uma delas é do próprio fotógrafo ao lado de sua mulher, Miquita, com quem casou-se em 14 de junho de 1913. É muito raro um sinal de enamoramento explícito em fotos de casais nesta época. Os pares estão quase sempre muito sérios e compenetrados. O que as imagens revelam, em maior ou menor grau, é afeto, cumplicidade e companheirismo.

 

 

As duas fotografias em destaque neste artigo foram realizadas no ateliê definitivo de Chichico, no beco João Pinto, 86, na parte alta da cidade, para onde se transferiu, em 9 de outubro de 1919 – seu primeiro ateliê havia sido inaugurado em 1912.

 

 

Seu laboratório fotográfico ficava no nível da rua e o segundo andar abrigava seu estúdio. Possuía uma ampla janela envidraçada em uma das paredes e claraboia; sobre ambas, um cortinado leve, deslizante graças a um sistema de cordas, compondo um mecanismo de controle da luz natural; na parede ao fundo, uma viga de madeira serve como suporte para os painéis pintados com paisagens viçosas e motivos arquitetônicos de gosto classicizante; algum mobiliário – cadeiras, pequenas mesas, apoios para jarros, tapetes, cortina – ajuda a compor os cenários (Eucanaã Ferraz).

Chichico Alkmim, nascido em 28 de março de 1886, na fazenda do Sítio, município de Bocaiuva, foi autodidata e pioneiro da fotografia de estúdio em Diamantina. Atuou na profissão, que adotou em 1907, até 1955.  Com um perfeito domínio técnico da fotografia, os registros de Chichico traduzem um olhar sensível e atento ao mundo em que viveu. Sua obra, que compreende imagens da arquitetura diamantinense, sua religiosidade, costumes, ritos e retratos de seus habitantes, é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Retratou a burguesia e também os trabalhadores ligados ao pequeno garimpo, ao comércio e à indústria. Produziu imagens de casamentos, batizados, funerais, festas populares e religiosas, paisagens e cenas de rua. De 1955, quando parou de fotografar, até 22 de agosto de 1978, quando faleceu, continuou cuidando de seu acervo, que guardava no porão de sua casa. Em 2015, o acervo de Chichiko Alkmim passou, em regime de comodato, a integrar o acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica. Em 2015, o acervo de Chichiko Alkmim passou, em regime de comodato, a integrar o acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica.

 

Acessando o link para as imagens produzidas por Chichico Alkmim disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Acesse aqui a Cronologia de Chichico Alkmim (1886 – 1978)

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica no Dia dos Namorados

Fotografia e namoro, publicado em 12 de junho de 2018, escrito por Élvia Bezerra, então Coordenadora de Literatura do Insituto Moreira Salles

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogo, publicado em 12 de junho de 2020, escrito por Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

No Dia dos Namorados, o álbum “Vistas de Petrópolis” e o fotógrafo alemão Pedro Hees (1841-1880), publicado em 12 de junho de 2023, escrito por Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”

A escritora, jornalista, iluminista, abolicionista, defensora da educação e das ideias feministas, Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), é o destaque da 18ª publicação da série Feministas, graças a Deus!. Carioca, nasceu em 24 de setembro de 1862, na Rua do Lavradio, 53, filha do médico Valentim José da Silveira Lopes, mais tarde Visconde de São Valentim, e de Adelina Pereira Lopes, imigrantes portugueses que haviam exercido o magistério em Portugal. Foi autora de inúmeros  romances e contos, tendo também escrito para teatro e colaborado em diversas publicações. Foi aclamada pelo público e pela crítica literária, considerada uma figura excepcional em nossas letras. Na virada do século XIX para o século XX, era considerada a escritora mais importante do Brasil, e foi apontada como a maior romancista da geração de escritores que sucedeu a Machado de Assis e precedeu a eclosão do movimento modernista. Com sua produção literária e em suas ações concretas, Júlia realizou o feminismo possível dentro das limitações de sua época e do meio social em que viveu. Condenava a supremacia masculina, defendia o direito ao voto para as mulheres e combatia a exploração no trabalho, a escravidão e as violências sexuais contras mulheres. Faleceu em maio de 1934.

 

 

Segundo Vanina Eisenhart, em Primeira-Dama Tropical: a cidade e o corpo feminino na ficção de Júlia Lopes de Almeida:

” Júlia Lopes de Almeida …, utilizando os modelos convencionais masculinos, apresenta uma ficção feminina que reúne os movimentos literários e ideologias sociais e científicas de sua época adaptando-as a um feminismo que não é confrontante com os padrões vigentes, mas também certamente não se enquadra nos ‘bastidores’ do patriarcado brasileiro”

 

 

 

“Por que não o hei de enganar do mesmo modo? Em consciência, não há homens nem mulheres: há seres com iguais direitos naturais, mesmas fraquezas e iguais responsabilidades…Mas não há meio dos homens admitirem semelhantes verdades. Eles teceram a sociedade com malhas de dois tamanhos – grandes para eles, para que seus pecados e faltas saiam e entrem sem deixar sinais; e extremamente miudinhas para nós.”

Júlia Lopes de Almeida, em Eles e elas. 2ª ed., Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1922, p. 137.

 

A família de Júlia veio para o Brasil na década de 1850. Seus pais estabeleceram um pequeno colégio em Macaé. Em 1860, o casal e seus filhos foram para o Rio de Janeiro fundando o Colégio de Humanidades, transferindo-o poucos anos depois para Nova Friburgo, onde Júlia passou os primeiros cinco, seis anos de sua vida. O pai de Júlia, Valentim, foi fazer o curso de Medicina na Alemanha, deixando o colégio sob a responsabilidade da esposa, que era formada em canto, composição e piano. Valentim retornou ao Brasil em 1867 e por cerca de três anos exerceu o cargo de médico substituto do Hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro. Entre 1869 e 1885, Júlia viveu com sua família em Campinas, onde seu pai inaugurou a Casa de Saúde do Senhor Bom Jesus, da qual era proprietário. A casa da família agregava a intelectualidade da cidade. Em 1875, Júlia foi pela primeira vez a Portugal.

Em 7 de dezembro de 1881, seu primeiro artigo, Gemma Cuniberti, sobre a atriz italiana que dá nome ao texto, foi publicado na Gazeta de Campinas.

“A elegância desse texto inaugural estampado na primeira página da Gazeta de 8 de dezembro de 1881, realçada pela utilização de um vocabulário desusadamente simples e direto, foram suficientes para abrirlhe o caminho para colaborações regulares naquelejornal. Seguem-se, ao longo de 1882 e 1883, três dúzias de artigos, liberados à média de dois por mês, que bastaram para consagrá-la como prosadora. O ano de 1884 marca uma inovação importante: aqueles primeiros textos, leves e concisos, dão lugar a uma série de artigos mensais, numerados seqüencialmente de 1 a VI, que aparecem sob a epígrafe ‘Leitura Popula?’, com o subtítulo “As Nossas Casas”. Neles é abordada a problemática cotidiana da dona-de-casa, da conservação da roupa branca aos cuidados específicos para a realização de bordados”. 

Leonora de Luca (1997)

 

Em 1884, estreou como cronista do jornal O Paiz, um dos mais importantes do Rio de Janeiro e durante cerca de 30 anos sua coluna abordou diversos assuntos, entre os quais se destacaram os relacionados à defesa da mulher.

Publicou seu primeiro livro, Contos Infantis, em 1886. Escrito em parceria com sua irmã, Adelina Lopes Vieira (1850 – 1923), reunia 33 textos em verso e 27 em prosa destinados às crianças. Em 1891, por decisão da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária da Capital Federal, este livro foi adotado para uso nas escolas primárias do Rio de Janeiro e depois para as de todo o Brasil durante mais de 20 anos.

Em 1887, em Portugal, publicou Traços e Iluminuras, seu primeiro livro de contos, e se casou, em Lisboa, em 28 de novembro de 1887, com o escritor português Filinto de Almeida (1857 – 1945). Na época, Filinto era diretor da revista A Semana. O casal teve os filhos Afonso (1888-), Adriano, Valentina, Albano (1894-), Margarida (1896-) e Lúcia (1897-). Júlia passou a colaborar em diversos jornais e almanaques, tanto do Brasil como em Portugal. No ano seguinte, o casal voltou para o Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro. Em 1889 , transferiram-se para São Paulo, onde Filinto foi dirigir o jornal A Província de São Paulo. Voltaram para o Rio de Janeiro, em 1895, após a morte dos filhos Adriano e Valentina. Foram morar em Santa Teresa.

Júlia participou das primeiras reuniões para a fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL) e seu nome constava da primeira lista extraoficial dos 40 “imortais”, elaborada por Lúcio de Mendonça (1854 – 1909), conforme publicado no jornal O Estado de São Paulo, de 12 de dezembro de 1896.

 

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                                                                  O Estado de São Paulo, 12 de dezembro de 1896

 

Apesar de sua importância na literatura, chamada muitas vezes de “Rainha das escritoras”, Júlia não pode integrar os quadros da entidade, fundada em 20 de julho de 1897, uma vez que, seguindo o modelo da Academia Francesa, a ABL optou por ser exclusivamente masculina. Júlia foi substituída por seu marido, Filinto de Almeida, fundador da cadeira nº 3, que chegou a ser considerado “acadêmico consorte”. “Não era eu quem devia estar na Academia, era ela“, declarou Filinto na Gazeta de Notícias de 25 de março de 1905.

 

 

“Em que pese a inexistência de registros oficiais acerca dos bastidores dessa valsa das cadeiras, o episódio nos possibilita inferir que, se, por um lado, a arbitrariedade da decisão não arrefeceu o vigor criativo de Júlia Lopes de Almeida, haja vista a forma regular com que continuou a produzir e a publicar seus escritos, por outro, deixou evidente sua posição em falso no ainda incipiente campo literário brasileiro, uma vez que o considerável prestígio que desfrutava entre seus pares não se mostrara suficiente, a ponto de assegurar sua presença no seleto rol dos imortais. Estávamos, pois, diante não apenas da primeira lacuna institucional feminina na ABL, mas de um acontecimento ilustrativo das forças sociais que, ocultamente, operavam na fabricação do cânon literário, eclipsando o protagonismo das mulheres que tencionavam fazer da pena um ofício”.

Michele Asmar Fanini

 

Somente oito décadas após sua criação uma mulher foi eleita para integrar a Academia Brasileira de Letras: a escritora cearense Rachel de Queiroz  (1910 – 2003), em 4 de novembro de 1977, passou a ocupar a cadeira nº 5 da instituição. Em 1996, a escritora Nélida Piñon (1937 – 2022) foi eleita a primeira mulher presidente da ABL.

 

 

Em 1905, Júlia tornou-se uma das poucas mulheres a participar da série de conferências inauguradas por Coelho Neto (1864 – 1934) e Olavo Bilac (1865 – 1918), motivando polêmicas a respeito do papel da mulher na arcaica sociedade brasileira.

Na casa do casal Filinto e Júlia, em Santa Teresa, segundo João do Rio um “cottage admirável, construído entre as árvores seculares da estrada de Santa Teresa” (Gazeta de Notícias, 25 de março de 1905, primeira coluna) eles eram os anfitriões do Salão Verde, situado no terraço da residência, local frequentado pelos artistas e intelectuais da época, tanto brasileiros quanto estrangeiros, entre os primeiros anos do século XX até 1925, quando se mudaram para Paris. No Salão Verde eram realizados tertúlias e saraus. Como as mulheres escritoras não eram convidadas para as reuniões literárias realizadas em cafés e confeitarias, Júlia encontrou como saída criar um espaço alternativo, fundando um espaço literário, tornando-se anfitriã e, assim, facilitando sua presença no universo da literatura, ainda preponderantemente masculino. Foi considerada, segundo Hilda Machado, a sucessora brasileira da francesa Madame de Staël (1766 – 1817). “Talvez por se tratar de “espaço[s] semipúblico[s], situado[s] entre a casa e a rua”, os salões literários tenham se convertido em um poderoso acicate à emancipação feminina, ou então, em “um dos poucos territórios onde as mulheres tinham um lugar reconhecido e onde efetivamente desenvolveram formas originais de sociabilidade em torno do exercício e do debate literário” (HOLLANDA, 1993, p. 21).

Nesta entrevista a João do Rio, Júlia revelou que escrevia versos escondida e que foi uma de suas irmãs que a surpreendeu escrevendo e mostrou ao pai, que a estimulou  a escrever.

 

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Foi uma das personalidades que a poetisa francesa Jane Catulle Mendès (1867 – 1955) conheceu quando passou uma temporada, entre setembro e dezembro de 1911, no Rio de Janeiro, cidade a qual se referiu como cidade maravilhosa. Julia uma crônica a respeito de Jane, publicada no jornal O Paiz, de 3 de outubro de 1911. Quando Julia esteve em Paris, foi homenageada por Jane com um banquete no MacMahon Palace, em fevereiro de 1914, com a presença de 160 pessoas ligadas às letras brasileiras e francesas. Na ocasião, Julia foi saudada como a George Sand do Brasil (L´Espagne, 26 de fevereiro de 1914). Anos depois, em 1936, em Letras e literatos, obra póstuma de José Veríssimo (1857 – 1916), foi publicado:

“Não podemos afirmar se têm razão os que declaram que Júlia Lopes de Almeida foi nossa George Sand. Parece-nos mesmo, que não há motivos para, nesse terreno, se fazer comparações e traçar paralelos. Júlia Lopes de Almeida dispunha de personalidade própria, virtude que se evidencia principalmente nos seus contos e novelas curtas. Sua obra reflete com brilho e colorido uma época da vida da burguesia rica do Brasil, sem preocupação de crítica social, é verdade, mas com profundo sentimento e compreensão dos nossos costumes, preconceitos e falhas.”

Julia participou ativamente, com a feminista Bertha Lutz (1894 – 1976), da criação da Legião da Mulher Brasileira, sociedade instituída em 1919, da qual foi presidenta honorária.

Em 1922, proferiu a conferência intitulada Brasil no Conselho Nacional de Mulheres da Argentina. No mesmo ano, foi a presidente de honra da 1ª Conferência pelo Progresso Feminino que aconteceu, entre 19 e 23 de dezembro de 1922, no Edifício Silogeu, do Instituto dos Advogados, no centro do Rio de Janeiro, e em Petrópolis. A tese geral da conferência foi “a colaboração da Liga pelo Progresso Feminino na educação da mulher no bem social e aperfeiçoamentos humanos” e apresentava como um de seus objetivos “deliberar sobre questões práticas de ensino e instrução feminina”. A feminista Bertha Lutz (1894 – 1976) foi a presidente do evento, no qual participou a líder feminista norte-americana Carrie Chapman Catt (1859 – 1947), fundadora da Associação Nacional do Sufrágio Feminino dos Estados Unidos e presidente da recém-criada Associação Pan-Americana de Mulheres para a qual Bertha Lutz foi indicada vice-presidente.

 

 

Júlia tornou-se patrona da Cadeira nº26 da Academia Carioca de Letras, fundada em 8 de abril de 1926. A cadeira já foi ocupada por Afonso Lopes de Almeida, Nelson Costa, Luiz de Castro Souza e Tânia Zagury. No centenário de seu nascimento, em 1962, Júlia foi homenageada com um Ex-líbris comemorativo.

 

 

Também participou do II Congresso Internacional Feminista do Brasil, organizado pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e inaugurado, em 20 de junho de 1931, no Automóvel Club. Os temas do evento foram educação feminina, proteção às mães e à infância, trabalho feminino, direitos das mulheres e estreitamento das relações pan-americanas e internacionais. Sendo a mulher com o maior prestígio cultural no Brasil, foi uma das oradoras da cerimônia de abertura do congresso. Em seu encerramento, realizado em 30 de junho de 1931, Júlia lançou um apelo aos poderes públicos e mais diretamente ao chefe do governo no sentido de anistiar todos os exilados políticos do Brasil. Foi ovacionada (Correio da Manhã, 5 de março de 1931, primeira colunaJornal do Brasil, 19 de junho de 1931O Jornal, 19 de junho de 1931, primeira coluna; O Jornal, 21 de junho de 1931, quarta coluna, Correio da Manhã, 26 de junho de 1931O Malho, 27 de junho de 1931;  Revista da Semana, 27 de junho de 1931; O Jornal, 1° de julho de 1931, terceira coluna Correio da Manhã, 1º de julho de 1931O Malho, 11 de julho de 1931Vida Doméstica, agosto de 1931).

 

 

 

Faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de maio de 1934, devido a uma doença que contraiu durante uma viagem à África (O Jornal, 31 de maio de 1934, sexta coluna). A ABL promoveu uma sessão especial em sua homenagem, cujas oradoras foram sua filha, Margarida Lopes de Almeida (1896- 1979), e a escritora Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1866 – 1963).

 

 

Um ano após a morte da escritora, Afonso Celso (1860-1938) publicou o artigo intitulado Homenagem à Dona Júlia Lopes de Almeida na Revista da Academia Brasileira de Letras, onde lhe conferiu o título de Mestra da língua (Revista Academia Brasileira de Letras, v.48, abril de 1935, p. 259).

” […] em tudo e por tudo ela o foi, mestra na acepção mais elevada da palavra, o que quer dizer propiciadora de nobres ensinamentos, modelo de raras virtudes, irradiadora de salutar influência. Mestra de língua e mestra de vida, quer pela excelência da sua produção literária, quer pela pureza sem jaça da sua existência”.

 

 

Imagens de Júlia Lopes de Almeida

Na imprensa

 

 

 

 

Com a família

 

 

 

 

 Por pintores

 

 

 

 

 

Capas de livros de Júlia Lopes de Almeida

 

Julia Lopes de Almeida Livro das Noivas Rio de

 

Júlia Lopes de Almeida - a escritora da belle époque tropical | Templo  Cultural Delfos

 

 

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Livro: A Intrusa - Julia Lopes de Almeida | Estante Virtual

 

Literatura & EU: Cruel Amor, de Júlia Lopes de Almeida - RESENHA #42

 

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin: Era uma vez...

 

Júlia Lopes de Almeida, uma ilustre mortal – Blog da BBM

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Esse artigo foi ampliado em 29 de março de 2026.

 

Fontes:

DE LUCA, Leonora. O “feminismo possível” de Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934)

DE LUCA, Leonora. Feminismo e iluminismo em Júlia Lopes de Almeida (1862-1934). Ci. & Tróp.. Recife, v. 25, n. 2, p. 213-236,jul/dez., 1997.

FANINI, Michele Asmar. Júlia Lopes de Almeida em cena: notas sobre seu arquivo pessoal e seu teatro inéditoRev. Inst. Estud. Bras. (71) • Sep-Dec 2018.

FANINI, Michele Asmar. A (in)visibilidade de um legado – Seleta de textos dramatúrgicos inéditos de Júlia Lopes de Almeida. São PauloEditora Intermeios, 2017.

ENGEL, Magali Gouveia. Júlia Lopes de Almeida (1862-1934): uma mulher fora de seu tempo?.

ENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção, edição e organização). Júlia Lopes de Almeida – a escritora a belle époque tropical. Templo Cultural Delfos, outubro/2022.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

HOLLANDA, Heloisa Buarque de. O que querem os dicionários?. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de; ARAÚJO, Lúcia Nascimento. Ensaístas brasileiras. Mulheres que escreveram sobre literatura e artes de 1860 a 1991. Rio de Janeiro: Rocco, 1993

MACHADO, Hilda. Laurinda Santos Lobo: mecenas, artistas e outros marginais em Santa Teresa. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2002.

SÉ, Rafael Sento. A poeta da Cidade Maravilhosa: Jane Catulle Mendès e a viagem que criou o sonho de um Rio de Janeiro na Belle Époque. Belo Horizonte (MG) : Autêntica Editora, 2025.

Site Academia Brasileira de Letras

Site Academia Carioca de Letras

 

 

 

 

Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!”

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Teatros e cinemas do Brasil” XII – A Lanterna Mágica que iluminava o Cine Delícia: imagens e cinema na coleção Jota Soares – FUNDAJ

O historiador Tásso Brito, colaborador do setor de Iconografia da Fundação Joaquim Nabuco, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, é o autor de nosso artigo de hoje, A Lanterna Mágica que iluminava o Cine Delícia: imagens e cinema na coleção Jota Soares – FUNDAJ, onde ele destaca um conjunto de diapositivos de lanterna mágica na coleção Jota Soares, que foi um dos principais expoentes, entre 1923 e 1931, do movimento que ficou conhecido como Ciclo de Cinema de Recife. Tornou-se um colecionador, uma espécie de guardião da memória e narrador da história do cinema pernambucano do período mudo. Publicamos também um breve perfil de Jota Soares (1906 – 1988), escrito por mim, Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal.

 

 

Acessando o link para as imagens do Arquivo Jota Soares da Fundação Joaquim Nabuco disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

A Lanterna Mágica que iluminava o Cine Delícia: imagens e cinema na coleção Jota Soares – FUNDAJ

  Tásso Brito*

 

As luzes se apagam, a tela do Cine Delícia se ilumina na cidade de Maceió, o Pavilhão da Bahia na Exposição Nacional de 1908 aparece imponente com detalhes dourados e rosa. As cores numa projeção de sala de cinema naquele momento foram viabilizadas através de uma Lanterna Mágica, também chamada de epidascópio, mecanismo de projeção de imagens por meio de uma câmera escura e um jogo de lentes. A luz atravessava uma placa de vidro, que poderia ser pintada com tinta translúcida, e projetada numa tela. A imagem do Pavilhão da Bahia exibida no Cine Delícia é uma imagem em prata, com retoques coloridos em dourado e rosa, envolta por uma moldura de papel preto fino, e posicionada entre duas placas de vidro medindo 8,3 x 9,8 cm.

 

 

Esta imagem faz parte de um conjunto de diapositivos de lanterna mágica na coleção Jota Soares, salvaguardada na Fundação Joaquim Nabuco. Jota Soares foi ator, diretor e produtor de filmes entre 1923-1931, no movimento que ficou conhecido como Ciclo de Cinema de Recife, por ter se desenvolvido nesta capital. Jota era um dos principais expoentes do movimento, mas também era um colecionador. Os diapositivos da coleção foram um presente dado por Salomão Carneiro, também conhecido como Carneiro Tiririca, proprietário do Cine Delícia que, até 1908, chamava-se Teatro Maceioense. Localizava-se na Rua do Sol, antiga Rua do Rosário, na capital de Alagoas.

 

 

Jota preservou os diapositivos em uma caixa de madeira com informações referentes ao conjunto doado. Essas ações possibilitaram que estas imagens chegassem até nossos dias. Sendo (re)descobertos durante o processo de revisão de alguns acervos da Fundação Joaquim Nabuco, no começo de 2024. Os diapositivos retratam temas diversos, mas há outras imagens da Exposição Nacional de 1908.

 

 

 

 

A Exposição Nacional de 1908, realizada no Rio de Janeiro, foi criada para celebrar o centenário da abertura dos portos às nações amigas. Além disso, se propunha a fazer o Brasil se (re)conhecer como nação, por meio das produções realizadas pelas unidades federativas brasileiras. Mas a exposição também foi feita para o Rio de Janeiro se mostrar, uma vez que havia pouco tempo que a antiga capital do Brasil tinha passado por reformas urbanas empreendidas pelo presidente Rodrigues Alves, o prefeito Pereira Passos e o sanitarista Oswaldo Cruz. O conjunto de diapositivos de lanterna mágica da coleção Jota Soares não se restringe às imagens da Exposição Nacional. Retrata também a Europa, outros estados brasileiros, bem como quadros pintados a mão. Cabe destaque à produção de Luiz Lavenère Wanderley (1868-1966)r, um dos pioneiros na fotografia em Alagoas, com registros do cotidiano, de paisagens e do Carnaval.

 

 

 

 

 

 

Muitas vezes as lanternas mágicas são tidas como antecessoras dos projetores de cinema, mas, pelo menos no Cine Delícia, essas tecnologias coexistiram. No final de década de 1930, as luzes do Delícia se acenderam pela última vez, os expectadores deixaram a sala olhando aquela tela que tanto maravilhou os olhares com imagens e filmes. O prédio do Cine Delícia foi demolido em 1945, mas os diapositivos de lanternas acabam de ganhar aqui uma nova chance de deliciar nosso olhares, um século depois.

 

 

 

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Luiz Lavenère Wanderley. Pintura de barco a vela em mar agitado, s/d / Acervo Fundaj

 

 

*Tásso Brito é historiador e colaborador do setor de Iconografia da Fundaj.

 

Breve perfil de Jota Soares (1906 – 1988), 

guardião da memória e narrador da história do cinema pernambucano do período mudo

 Andrea C.T. Wanderley**

 

 

Nascido em 16 junho de 1906, em Propriá, em Sergipe, José da Silva Soares Filho, o Jota Soares, foi um dos pioneiros do cinema pernambucano. Seu pai, o comerciante José Soares da Silva, era dono do Cinema Guarani, um dos primeiros em Propriá. Jota Soares foi, aos 13 anos, para Aracaju, onde, além de ter aulas de teatro e canto, realizou seus estudos secundários. Em 1919, depois da falência de seu pai, foi trabalhar como operário em uma fábrica de chocolate, na Bahia. Finalmente, em 1922, mudou-se para Recife, onde atuou como músico no Bloco de Voluntários do Exército e serviu no Tiro de Guerra com seu irmão, futuro general Heleno Soares Castelar. Após um breve período no Rio de Janeiro, retornou a Recife e ingressou numa companhia de circo.

Em 1924, segundo relato dele, foi assistir a uma filmagem realizada no Lazareto do Pina do longa-metragem Retribuição, produzido pela Aurora Film, e ofereceu-se para colaborar: “E terminei de tripé e câmara nas costas, o que repeti em outros dias. Era um domingo. Meu ingresso no cinema estava assegurado”. Foi assistente de fotografia do longa.

 

 

Os fundadores da Aurora Film, localizada na Rua de São João, 485, no bairro de São José, foram o ourives pernambucano Edson Chagas (1901-1958), o gravador potiguar Gentil Roiz (1899-1975) e o estudante de engenharia pernambucano Luís de França Rosa – que adotou o nome artístico de Ary Severo (1903 – 1994). O filme Retribuição começou a ser realizado em 1923, dirigido por Roiz, tendo Edson como diretor de fotografia e Severo como assistente de direção. No elenco, Almery Steves (1904 – 1982), futura esposa de Ary Severo, e Barreto Jr (1903 – 1983), dentre outros. Ary e Almery formaram o casal romântico mais famoso do Ciclo do Recife.

 

 

 

 

 

Considerado o primeiro filme de ficção pernambucano, Retribuição foi lançado em 16 de março de 1925, no Cine Royal, inaugurado em 6 de novembro de 1909 e situado na Rua Barão da Vitória (atual Rua Nova), n° 47 (Diário de Pernambuco, 7 de novembro de 1909, terceira coluna). Foi, na década de 20, o templo sagrado do cinema pernambucano, por abrigar diversos filmes de produção local. Foi o segundo cinema do Recife e fechou suas portas em 1954. A primeira sala de cinema da capital pernambucana, o Cinema Pathé, havia sido inaugurada, em 27 de julho de 1909, no nº 45, na mesma Rua Barão da Vitória (Diário de Pernambuco, 27 de julho, segunda coluna).

 

 

 

Voltando ao filme Retribuição. Ele marcou o início do chamado Ciclo do Recife, um dos importantes ciclos de produções cinematográficas que ocorreu fora do eixo das capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo, nas décadas de 1910 e 1920 – outros exemplos são os ciclos de Cataguases e de Campinas (Diário de Pernambuco, 15 de março de 1925, terceira coluna). Jota Soares tornou-se o principal memorialista do Ciclo do Recife, tendo escrito uma série de 59 artigos na coluna “Relembrando o cinema pernambucano —1923-1931 (Dos arquivos de Jota Soares)”, publicados no jornal Diário de Pernambuco, aos domingos, entre 2 de dezembro de 1962 e 23 de fevereiro de 1964. Nestes artigos, Soares contava histórias sobre os bastidores das produções, homenageava pessoas ligadas ao ciclo, reconstituía o enredos dos filmes. O surgimento do cinema falado marcou o declínio da produção cinematográfica do Ciclo do Recife, que teve seu fim no começo dos anos 1930, com o lançamento de No cenário da vida, de Luís Maranhão e Jota Soares. Durante o ciclo, foram produzidos pela Aurora Film, Planeta Filmes, Iate Filme, Veneza Filme, Liberdade Filme, Olinda Filme, Spia Filme, Goiana  Filme e Vera Cruz quase cinquenta filmes entre curtas e longas-metragens, filmes de ficcção e de não-ficção.

Jota Soares participou como ator nas produções da Aurora Film: Um Ato de Humanidade (1925), Aitaré da Praia (1925) e Jurando Vingar (1925), todos dirigidos por Gentil Roiz. Uma curiosidade: no filme Aitaré da Praia, em uma briga entre seu personagem, Traira, e Aitaré, interpretado por Ary Severo, levou um soco de Severo e perdeu dois dentes (Diário de Pernambuco, 4 de novembro de 1988).

Também na Aurora Film atuou em Herói do Século XX (1926), desta vez dirigido por Ary Severo e debutou como diretor, com apenas 20 anos, em A Filha do Advogado (1926), inicialmente dirigido por Severo. O filme estreou, em 11 de outubro de 1926, no Royal (Jornal do Recife, 6 de outubro de 1926). Na época, a Aurora Film já pertencia a João Pedrosa da Fonseca, um bem sucedido comerciante do Recife, que financiou o filme (Cinearte, 18 de agosto de 1926).

 

 

Dirigiu também Sangue de Irmão (1926), único filme de enredo (ficção) da Goyanna-Film, e a segunda versão de Aitaré da Praia, com Ary Severo e Luiz Maranhão, pela Liberdade-Film.

 

 

Jota Soares tornou-se um importante colecionador da história do cinema mudo pernambucano, tornando-se uma referência para os pesquisadores da história do cinema brasileiro. Colecionava também itens do cinema norte-americano e europeu (Diário da Manhã (PE), 22 de setembro de 1972, última coluna). Seu arquivo foi adquirido, em 1984, pela Fundação Joaquim Nabuco.

Em 1944, escreveu a História da Cinematografia Pernambucana, cronologia com as realizações do cinema pernambucano entre 1923 e 1931. Este texto transformou-se em fonte para a discussão do cinema mudo pernambucano, num dos primeiros livros sobre a história do cinema brasileiro, escrito por Alex Viany em 1959, intitulado “Introdução ao cinema brasileiro”. Também fundou Museu-cinema, uma mistura de arquivo de imagens e cineclube, onde se exibiam os filmes mudos pernambucanos (BEHAR, 2003).

Foi um comentarista de futebol de sucesso e introduziu pugilismo na televisão do Recife. Como radialista, iniciou sua carreira, em agosto de 1948, no Departamento de Jornalismo da Rádio Jornal do Commercio. Na Rádio Tamandaré comandou o programa Epopéia do Cinema. Trabalhou em diversas outras emissoras de rádio do Recife e de Olinda, a última foi a Super Rádio Clube. Em 1971, foi instituída a Taça Jota Soares, ofertada ao jogador de futebol campeão de disciplina (Diário de Pernambuco, 24 de junho de 1971, última coluna). No ano seguinte, em 1° de fevereiro de 1972, a Câmara Municipal outorgou-lhe o título de Cidadão do Recife (Diário da Manhã (PE), 2 de fevereiro de 1972, primeira colunaDiário da Manhã (PE), 12 de setembro de 1972, última coluna).

Em 1974, foi o intérprete principal do curta-metragem Labirinto, do jornalista e cineasta Fernando Spencer (1927 – 2014), um dos responsáveis pelo “resgate” cultural do Ciclo, reafirmando seu caráter de momento inaugural e mítico do cinema pernambucano (Behar, 2003); e, em 1979, foi o narrador do documentário J. Soares, um pioneiro do cinema, de Spencer e Flávio Rodrigues (1949-) (Jornal do Brasil, 20 de julho de 1980).

Faleceu, no Recife, em 24 de janeiro de 1988 (Diário de Pernambuco, 25 de janeiro de 1988). Dias depois foi publicado, no Diário de Pernambuco, o artigo Relembrando o Pioneiro Jota Soares, de Fernando Spencer (Diário de Pernambuco, 27 de janeiro de 1988).

 

 

**Andrea C.T. Wanderley é editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica.

 

Fontes:

ARAÚJO, Luciana Corrêa. Entre o local e o internacional: Jota Soares e a cultura cinematográfica no Recife. Revista de la Asociason Argentina de Estudios de Cine y Audiovisual, 2019.

BEHAR, Regina. Labirintos da Memória no cinema pernambucano: o “ciclo”da década de 20. ANPUH – XXII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – João Pessoa, 2003.

Blog de Fernando Medeiros

Enciclopédia Itaú Cultural

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

SANTOS, Marcos. O longo trajeto do cinema feito em Pernambuco. Olhar de Cinema, 23 de abril de 2018.

Site Cinemateca Pernambucana

Site História de Alagoas

Site IMDB – https://www.imdb.com/name/nm1217959/

Site IMS

Uma das últimas fotos ou a última foto da Família Imperial no Brasil e seu autor, Otto Hees (1870 – 1941)

A Brasiliana Fotográfica destaca uma fotografia de autoria de Otto Rees (1870-1941), considerada um dos últimos registros ou mesmo o último da Família Imperial no Brasil, produzida em 23 de maio de 1889, pelo fotógrafo Otto Hees (1870 -1941), no Palácio Isabel, atual Grão-Pará, em Petrópolis. Estão na imagem dom Pedro II (1825 – 1891),  dona Teresa Cristina (1822 – 1889), a princesa Isabel (1846 – 1921), o conde d’Eu (1842 – 1922) e os filhos do casal – dom Pedro de Alcântara, com dom Luís e dom Antônio – e o filho da princesa Leopoldina, dom Pedro Augusto. É um retrato externo e diurno, onde todos, à exceção do conde d´Eu, olham fixamente para a câmera.

 

 

Em 15 de novembro do mesmo ano da foto destacada, 1889, foi proclamada a República e, dois dias depois, eles partiram para o exílio, na Europa, a bordo do Alagoas (Gazeta de Notícias, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna). Quando foi deposto, dom Pedro II tinha governado por 49 anos, três meses e 22 dias. Chegaram em Lisboa em 7 de dezembro. Visitaram Coimbra e o Porto, onde a imperatriz Teresa Cristina faleceu, em 28 de dezembro.

Entre 1890 e 1891, Pedro II viveu entre Cannes, Vichy, Versalhes e Baden-Baden. Em 24 de outubro de 1891, chegou em Paris, onde se hospedou no Hotel Bedford, número 17 da rua de l’Arcade. Em 5 de dezembro, faleceu de pneumonia (O Paiz, de 6 de dezembro de 1891, e Gazeta de Notícias, de 6 de dezembro de 1891). Ao final da tarde do dia 5, centenas de coroas de flores, uma delas enviada pela rainha Vitória , e mais de cinco mil telegramas já haviam chegado ao Hotel Bedford. O caixão foi coberto pela bandeira imperial e o presidente francês, Sadi Carnot (1837 – 1894), determinou honras militares, fatos que irritaram o governo brasileiro.

Segundo o historiador José Murilo de Carvalho, a morte do imperador teve grande repercussão no Brasil “apesar dos esforços do governo para a abafar. Houve manifestações de pesar em todo o país: comércio fechado, bandeiras a meio pau, toques de finados, tarjas pretas nas roupas, ofícios religiosos“.

Na noite do dia 8, seu corpo, já embalsamado, foi levado, em cortejo oficial no mesmo carro usado nos funerais do ex-presidente Adolphe Thiers (1797 – 1877), para a igreja da Madeleine. No dia seguinte,  houve exéquias solenes com a presença de autoridades francesas e de outros países, além de personalidades como sua filha, a princesa Isabel; o escritor português Eça de Queirós (1845 – 1900) e o diplomata Joaquim Nabuco (1849 – 1910).

Em 1921, chegaram no Rio de Janeiro os corpos de dom Pedro II e de dona Teresa Cristina, que estavam no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. Viajaram no encouraçado São Paulo, que havia transportado do Brasil à Europa os reis da Bélgica. O conde d´Eu (1842 – 1922), seu filho, o príncipe Dom Pedro (1875 – 1940), e o barão de Muritiba (1839 – 1922) acompanharam a viagem dos despojos (O Paiz, de 9 de janeiro de 1921Careta, 15 de janeiro de 1921). A princesa Isabel não chegou a se beneficiar da revogação do banimento da família real do Brasil porque faleceu em 14 de novembro de 1921. Os corpos de dom Pedro II e de dona Teresa Cristina ficaram na Catedral Metropolitana. Em 1925, os  restos mortais dos monarcas foram para a Catedral de Petrópolis e, finalmente, em 5 de dezembro de 1939, foram para o Mausoléu Imperial, uma capela localizada à direita da entrada da Catedral de Petrópolis, numa cerimônia na qual estava presente o então presidente da República, Getulio Vargas (1882 – 1954). O túmulo foi esculpido em mármore de Carrara pelo francês Jean Magrou (1869 – 1945) e pelo brasileiro Hildegardo Leão Veloso (1899 – 1966) (Jornal do Brasil, de 6 de dezembro de 1939).

 

Pequeno perfil do fotógrafo Otto Hees (1870 – 1941)

 

Otto Friedrich Wilhelm Karl Hees era um dos 11 filhos do fotógrafo alemão Pedro Hees (1841 – 1880) com Maria Glasow Hees (1843 – 1928). Seus irmão eram Ana Catarina Hees (1861-1944), Edmundo Frederico Nicolau Hees (1862-1944), Fernando Jacob Hees (1865-1866), Fernando Mauricio Hees (1867-1893), João Batista Hees (1868-1876), Elisa Matilde Hees (1872-1932), Maria Olga Hees (1872-1958), Joana Teresa Hees (1874-1900), Numa Augusto Hees (1877-1961) e Isabel Emma Hees (1878-1943). Nasceu em Petrópolis, em 4 de setembro de 1870.

Seu pai, o já mencionado Pedro Hees, em 16 de agosto de 1876, tornou-se Fotógrafo da Casa Imperial. Segundo Boris Kossoy, recebeu do conde e da condessa d´Eu “a graça de usar o título de Photographo de sua Imperial Caza e de collocar na porta do seu estabelecimemnto as respectivas armas”. O documento foi assinado por Benedicto Torres, mordomo do conde d’Eu e da princesa Isabel.

Otto iniciou seus estudos no Colégio Alemão, em Petrópolis, e, em dezembro de 1882, foi premiado (O Mercantil, 20 de dezembro de 1882, quarta coluna). Aprendeu fotografia com seu pai, que faleceu, em julho de 1880,  quando ele tinha apenas 10 anos. O estabelecimento fotográfico de Pedro Hees foi arrendado ao fotógrafo Antonio Henrique da Silva Heitor (18?-?), que recebeu o título de Fotógrafo da Casa Imperial, em 2 de março de 1885, outorgado por dom Pedro II.

Em março de 1888, Otto já havia assumido o estúdio (Alggemeine Deutsche Zeitung, 31 de março de 1888, última coluna).

Em 23 maio de 1889, produziu a fotografia da Família Imperial em destaque nesta publicação da Brasiliana Fotográfica. A imagem foi reproduzida no artigo Isabel, a Redentora, publicado em A Noite, de 30 de julho de 1946. É referida como o último flagrante de parte da família Imperial no Brasil.

 

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Em outubro de 1889, Otto abriu um estúdio em Juiz de Fora, Minas Gerais, e retornou a Petrópolis no mês seguinte (O Mercantil, 20 de novembro de 1889, última coluna).

 

 

 

Em 1º de fevereiro de 1890, o estabelecimento passou a chamar-se Hees & Irmãos, de Numa Augusto e Otto.

 

 

Em 1892, alistou-se no exército, seguindo também a carreira militar.

Em abril de 1895, fazia parte da administração do Asilo de Caridade de Petrópolis (Boletim do Grande Oriente do Brasil, Jornal Oficial da Maçonaria, abril de 1895).

Em maio de 1895, tornou-se um dos primeiros ciclistas a efetuar o trajeto Petrópolis-Juiz de Fora. Foi um dos fundadores do Clube Alemão e, ainda nessa década ficou conhecido em Petrópolis por ter organizados muitas festas. Em 1900, foi candidato a vereador geral e a juiz de paz em Petrópolis, cargo pelo qual foi empossado, em 1901, pelo biênio seguinte. Também em 1901, quando era tenente, produziu fotografias de ladrões para arquivamento da polícia.

Em 1902, trabalhou na Sul América Seguros e, no ano seguinte, fotografou o barão do Rio Branco (1845 – 1912) e outras personalidades, em 17 de novembro de 1903, logo após a assinatura do Tratado de Petrópolis, que incorporou o território correspondente ao Acre ao Brasil.

 

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Foi reeleito para o cargo de juiz de paz para o biênio 1904-1905. Em 1910, foi eleito vereador por Petrópolis. Já era major. Nas décadas seguintes, afastado comercialmente da fotografia, exerce os cargos de secretário executivo e delegado de polícia na sua cidade natal (Enciclopédia Itaú Cultural). Faleceu na mesma cidade, em setembro de 1941 (Jornal do Brasil, 17 de setembro de 1941, quarta coluna).

 

Leia aqui a Cronologia de Otto Hees (1870 – 1941)

Fontes:

FERREZ, Gilberto. A fotografia no Brasil: 1840- 1900. Prefácio Pedro Karp Vasquez. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1985.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J. Pioneer photographers of Brazil : 1840 – 1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

LAGO, Bia Corrêa do. Os fotógrafos do Império: a fotografia brasileira no Século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2005.

LAGO, Bia Corrêa do; LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.

VASQUEZ, Pedro Karp. Fotógrafos Alemães no Brasil do Século XIX. São Paulo: Metalivros, 2000.

Cronologia de Otto Hees (1870 – 1941)

Cronologia de Otto Hees (1870 – 1941)

 

1870 – Otto Friedrich Wilhelm Karl Hees nasceu em 4 de setembro de 1870, em Petrópolia. Era um dos 11 filhos do fotógrafo alemão Pedro Hees (1841 – 1880) com Maria Glasow Hees (1843 – 1928). Seus irmão eram Ana Catarina Hees (1861-1944), Edmundo Frederico Nicolau Hees (1862-1944), Fernando Jacob Hees (1865-1866), Fernando Mauricio Hees (1867-1893), João Batista Hees (1868-1876), Elisa Matilde Hees (1872-1932), Maria Olga Hees (1872-1958), Joana Teresa Hees (1874-1900), Numa Augusto Hees (1877-1961) e Isabel Emma Hees (1878-1943). 

1876 - Seu pai, Pedro Hees, em 16 de agosto de 1876, tornou-se Fotógrafo da Casa Imperial. Segundo Boris Kossoy, recebeu do conde e da condessa d´Eu “a graça de usar o título de Photographo de sua Imperial Caza e de collocar na porta do seu estabelecimemnto as respectivas armas”. O documento foi assinado por Benedicto Torres, mordomo do conde d’Eu e da princesa Isabel.

1880 – Em julho, falecimento de seu pai, com que havia aprendido fotografia.

1882 - Otto havia iniciado seus estudos no Colégio Alemão, em Petrópolis, e, em dezembro de 1882, foi premiado (O Mercantil, 20 de dezembro de 1882, quarta coluna). O estabelecimento fotográfico de Pedro Hees foi arrendado ao fotógrafo Antonio Henrique da Silva Heitor (18?-?), que recebeu o título de Fotógrafo da Casa Imperial, em 2 de março de 1885, outorgado por dom Pedro II.

1888 – Em março de 1888, Otto já havia assumido o estúdio (Alggemeine Deutsche Zeitung, 31 de março de 1888, última coluna).

1889 – Em 23 maio de 1889, produziu a fotografia da Família Imperial, provavelmente a última antes do exílio.

 

 

 

Em outubro de 1889, Otto abriu um estúdio em Juiz de Fora, Minas Gerais, e retornou a Petrópolis no mês seguinte (O Mercantil, 20 de novembro de 1889, última coluna).

 

 

 

1890 - Em 1º de fevereiro de 1890, o estabelecimento passou a chamar-se Hees & Irmãos, de Numa Augusto e Otto.

 

 

1892 - Alistou-se no exército, seguindo também a carreira militar.

1895 - Em abril de 1895, fazia parte da administração do Asilo de Caridade de Petrópolis (Boletim do Grande Oriente do Brasil, Jornal Oficial da Maçonaria, abril de 1895).

Em maio de 1895, tornou-se um dos primeiros ciclistas a efetuar o trajeto Petrópolis-Juiz de Fora. Foi um dos fundadores do Clube Alemão e, ainda nessa década ficou conhecido em Petrópolis por ter organizados muitas festas.

1900-  Foi candidato a vereador geral e a juiz de paz em Petrópolis.

1901 – Foi empossado como juiz de paz em Petrópolis. Também em 1901, quando era tenente, produziu fotografias de ladrões para arquivamento da polícia.

1902 – Trabalhou na Sul América Seguros

1903 – Fotografou o barão do Rio Branco (1845 – 1912) e outras personalidades, em 17 de novembro de 1903, logo após a assinatura do Tratado de Petrópolis, que incorporou o território correspondente ao Acre ao Brasil.

 

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Foi reeleito para o cargo de juiz de paz para o biênio 1904-1905.

1910 - Foi eleito vereador por Petrópolis. Já era major. Nas décadas seguintes, afastado comercialmente da fotografia, exerce os cargos de secretário executivo e delegado de polícia na sua cidade natal (Enciclopédia Itaú Cultural).

1941 – Faleceu em Petrópolis, em setembro de 1941 (Jornal do Brasil, 17 de setembro de 1941, quarta coluna).

1946 –  A imagem da família real produzida por Otto Hees foi reproduzida no artigo Isabel, a Redentora, publicado em A Noite, de 30 de julho de 1946. É referida como o último flagrante de parte da família Imperial no Brasil.

 

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Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Os arquitetos do Rio de Janeiro” VI – O Clube Naval e os arquitetos Tommaso G. Bezzi (1844 – 1915) e Heitor de Mello (1875 – 1920)

A partir de uma imagem produzida pelo fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), em torno de 1910, a Brasiliana Fotográfica vai contar um pouco da história do Clube Naval e traçar um pequeno perfil do arquiteto italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi (1844 – 1915), autor do projeto de sua sede atual. É o sexto artigo da série Os arquitetos do Rio de Janeiro. O Clube Naval foi fundado, em 12 de abril de 1884, pelo então capitão de fragata e futuro almirante Luiz Philippe Saldanha da Gama (1846 – 1895), que foi seu primeiro presidente. Sua primeira sede ficava na rua da Misericórdia, nº 35 (Gazeta de Notícias, 20 de março de 1884, primeira colunaGazeta de Notícias, 15 de abril de 1884, segunda coluna).

 

O Globo, 11 de junho de 1984

O GLOBO, 11 de junho de 1984

 

Em 11 de junho de 1900, a sede foi transferida para a Rua D. Manuel, nº 15, na Praça XV, em um terreno que havia sido doado pelo presidente Deodoro da Fonseca (1827 – 1892) (O Paiz, 12 de junho de 1900, quarta coluna).

 

 

Por ocasião da abertura da Avenida Central, hoje Rio Branco, o Governo Federal doou um terreno para a construção da atual sede do Clube Naval. Sua pedra fundamental foi lançada em 1905 e ela foi inaugurada, em 11 de junho de 1910, na Avenida Rio Branco, nº 180, na esquina com a Avenida Almirante Barroso, endereço nobre e tradicional do Centro do Rio de Janeiro. Em estilo neo-clássico, o prédio integra o corredor cultural da cidade e foi tombado definitivamente pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, em 18 de novembro de 1987. É, com os prédios do Theatro Municipal, do antigo antigo Supremo Tribunal Federal, do Museu de Belas Artes e da Biblioteca Nacional, uma das edificações, na Avenida Rio Branco, remanescentes do início do século XX.

O engenheiro e arquiteto responsável pela construção do novo edifício do Clube Naval foi Heitor de Mello (1875 – 1920), inicialmente de acordo com a planta projetada pelo italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi (1844 – 1915) (O Paiz, 14 de fevereiro de 1907, quarta coluna). Heitor já foi tema do artigo Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), publicada no portal em 15 de janeiro de 2024.

 

 

 

Heitor de Mello (18 - 1920) / Arquitetura  no Brasil

Heitor de Mello (1875 – 1920) / Arquitetura no Brasil

 

Ao longo da construção, os dois arquitetos se desentenderam. Bezzo acusou Heitor de alterar seu projeto, do qual seria apenas o empreiteiro. Heitor de Mello respondeu ressaltando que, pelo contrato, além de empreiteiro, ele seria o responsável pela ornamentação da fachada. No artigo da Gazeta de Notícias sobre a inauguração, foi mencionada a realização de um concurso de projetos que teria sido vencido por Heitor (O Paiz, 9 de novembro de 1909O Paiz, 11 de novembro de 1909; Gazeta de Notícias, 11 de junho de 1910).  Helios Seelinger (1878 – 1965) é o autor de pinturas nas paredes do Salão Nobre, decorado em estilo Luis XV. No teto, encontra-se um belo vitral da Casa Formenti.

 

 

 

 

Em 1928, um quinto andar foi acrescido à edificação e, em 1939, o sexto andar foi concluído. Em todos os andares do Club Naval encontram-se obras de arte e um importante acervo de móveis e objetos.

 

Breve perfil de Tommaso Gaudenzio Bezzi (1844 – 1915)

 

 

Bezzi formou-se engenheiro, em Turim, onde nasceu em 18 de janeiro de 1844. Foi voluntário, nas campanhas de Giuseppe Garibaldi (1807 – 1882) para a unificação italiana. Também serviu como oficial do regimento de cavalaria do exército regular, comandado pelo Duque D’Aosta (1845 – 1890), tendo se destacado na Batalha de Custosa contra os austríacos. Foi ferido em combate diversas vezes e foi condecorado com medalhas pelas campanhas da Itália de 1860-1861-1866. Foi condecorado por bravura com uma medalha de prata. Em 1868, viajou para o Uruguai e Argentina.

Seu primeiro projeto no Brasil, para onde veio, na década de 1870, foi o edifício da alfândega de Fortaleza, realizado a pedido do governo imperial, em 1874 (Diário do Rio de Janeiro, 14 de abril de 1874, primeira coluna; Jornal do Commercio, 19 de julho de 1877, quarta coluna; A Constituição (CE), 20 de novembro de 1874, penúltima coluna). Começou a trabalhar como engenheiro-arquiteto no Rio de Janeiro, onde, inicialmente, ficou hospedado na casa do Visconde do Rio Branco (1819 – 1880). Casou-se, em 26 de janeiro de 1876,  com Dona Francisca Nogueira da Gama Carneiro de Bellens, de uma nobre família brasileira (Diário do Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 1876, quinta coluna). A partir dessas relações entrou para o círculo íntimo do imperador Pedro II. O casal residia na Rua Bambina, em Botafogo.

Em 1876, foi designado para fiscalizar as obras da ponte da alfândega de Belém do Pará (A Constituição (PA), 19 de agosto de 1876, última coluna).

Na Exposição Antropológica Brasileira, inaugurada em 29 de julho de 1882, no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na Sala Gabriel Soares, antropológica e arqueológica, exposição de  produtos da arte plumária brasileira, adornos, tecidos e vestes de muitas tribos do Brasil, além das coleções arqueolíticas do Museu Nacional, de Amália Machado Cavalcanti de Albuquerque e dos senhores  Joaquim Monteiro Caminhoá (1836 – 1896), João Barbosa Rodrigues (1842 – 1909) e Tommaso G. Bezzi (1844 – 1915) (A Constituição (PA), 16 de agosto de 1882, terceira coluna). A mostra durou três meses e teve muito sucesso, com um público de mais de mil visitantes. O fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), autor da imagem do Clube Naval publicada neste artigo, produziu uma série de registros de objetos e aspectos da vida indígena durante a exposição e algumas fotografias de sua autoria, realizadas quando ele integrou a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878), chefiada pelo geólogo canadense Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), foram expostas.

Ainda em 1882, a Comissão para o Monumento à Independência Brasileira, futuro Museu Ipiranga, sede do Museu Paulista, cujo projeto vencedor foi o de Bezzi, o qualificou como arquiteto residente na Corte de reconhecido merecimento artístico (Correio Paulistano, 11 de dezembro de 1882, terceira coluna). Em 1883, passou a residir em São Paulo, na rua do Senador Florencio de Abreu, 43 (Correio Paulistano, 6 de julho de 1883, última coluna). Também em São Paulo, projetou o ajardinamento da Praça da República, realizado entre 1902 e 1904 (Arquivo Histórico de São Paulo); e o Velódromo de São Paulo, inaugurado na década de 1890.

No Rio de Janeiro, além do Clube Naval, Bezzi projetou diversos prédios e residências, dentre eles o antigo Banco do Comércio, na Rua 1º de Março, e reformou o Edifício Itamarati, antiga sede do Ministério das Relações Exteriores, tendo construído sua ala esquerda.

Bezzi fundou algumas associações de fundo patriótico ligadas à Itália, dentre elas a Sociedade dos Combatentes Italianos pela unidade e pela independência da Itália, a Societa Veterani e Reduci e a Sociedade União Beneficente. Foi eleito membro honorário do Instituto de Engenheiros Civis de Londres, agraciado como Oficial da Legião de Honra da França e com o Hábito da Ordem Militar de São Maurício e São Lázaro, pelo governo da Itália. Era Comendador da Coroa Italiana e o representante no Brasil da Cruz Vermelha italiana (Jornal do Brasil, 30 de maio de 1915, sexta coluna).

Faleceu em 23 de maio de 1915, no Rio de Janeiro. Residia na Rua Cosme Velho, 57 (O Paiz, 24 de maio de 1915, terceira coluna; Correio da Manhã, de maio de 1915, penúltima coluna).

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BRUNA, Paulo. Museu Paulista: um restauro complexo. Sessão Temática: novas fronteiras e novos pactos para pesquisas e projetos situados em áreas de preservação e patrimônio CulturalEncontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo Porto Alegre, 25 a 29 de julho de 2016.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Ipatrimônio

PARETO JUNIOR, Lindener. O cotidiano em construção: os “práticos licenciados” em São Paulo (1893-1933). 2011. Dissertação (Mestrado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.

Revista do Clube Naval, jan/fev/mar de 2022, nº 401, página 7

SALMONI, Anita; DEBENEDETTI, Emma. Arquitetura Italiana em São Paulo. São Paulo: Perspectiva, 2007.

Site Arquitetura Italiana no Estado de São Paulo

Site da Enciclopédia Treccani

Site Clube Naval

 

Outros artigos da série Os arquitetos do Rio de Janeiro

 

Série “Os arquitetos do Rio de Janeiro” I – Porto D´Ave e a moderna arquitetura hospitalar, de autoria de Cristiane d´Avila – Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, publicado em 14 de janeiro de 2021.

Série “Os arquitetos do Rio” II – No Dia Nacional da Saúde, o Desinfetório de Botafogo e um breve perfil do arquiteto português Luiz de Moraes Junior, responsável pelo projeto, de autoria de Cristiane d´Avila, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, publicado em 5 de agosto de 2023

Série ”Os arquitetos do Rio de Janeiro” III – O centenário do Copacabana Palace, quintessência do “glamour” carioca, e seu criador, o arquiteto francês Joseph Gire, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 13 de agosto de 2023

Série “Os arquitetos do Rio de Janeiro” IV – Archimedes Memória (1893 – 1960), o último dos ecléticos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 1º de dezembro de 2023

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XXVII  e “Os arquitetos do Rio de Janeiro ” V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 15 de janeiro de  2024

 

 

No último dia do verão, o céu e o sol do Rio de Janeiro por Guilherme Santos

A Brasiliana Fotográfica celebra o fim do verão, a estação do ano mais carioca, e o início do outono, destacando uma bela imagem do sol brilhando em um céu encoberto por nuvens, entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. A estereoscopia foi produzida pelo fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966),  em torno de 1915.

 

 

Guilherme Santos era um entusiasta da fotografia estereoscópica, tendo sido um dos pioneiros dessa técnica no Brasil, ao adquirir, em 1905, na França, o Verascope, um sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes. Eram impressas em uma placa de vidro e reproduziam a sensação de profundidade de maneira bem próxima da visão real. Antes dele, entre os anos de 1855 e 1862, o “Photographo da Casa Imperial”, Revert Henrique Klumb (1826 – c. 1886), favorito da imperatriz Teresa Christina e professor de fotografia da princesa Isabel, havia produzido vários registros utilizando a técnica da estereoscopia. A Casa Leuzinger também produziu fotografias estereoscópicas.

 

“Photographia Estereoscópica”

Por Guilherme A Santos

Photo Revista do Brasil, vol 1, maio de 1925, pg 14

“Confeccionar uma photographia é quasi sempre reconstruir uma recordação!

Nenhuma outra photographia trabalhada pelos processos conhecidos, pôde dar-nos tamanha satisfação, produzir-nos impressão tão viva  e tão nitida daquilo que quizermos recordar como a photographia estereoscopica! Seja o retracto de um ente querido, seja uma paysagem, ou ainda uma reunião de família, cujo objecto exprima um momento feliz da nossa existencia!

A sensação do relevo e da perspectiva que nos dá um positivo sobre vidro, copia de um cliche estereoscopico, introduzido no instrumento apropriado, é inegualavel! inconfundivel! incomparavel!

Ao olhar, apresentam-se as imagens das creaturas, da Natureza ou dos objectos, com a expressão a mais perfeita e verdadeira , mostrando-nos em destaque todos os planos que as objectivas colheram na extensão do angulo focal!

Como passa tempo, o que é possível de encontrar que seja mais agradável, mais divertido do que os positivos sobre vidro da photoestereoscopia!?

Reunidos em família e acompanhados de bons amigos sentados em redor de uma mesa, passa-se de mão em mão o apparelho estereoscópicos exibindo as differentes séries de positivos! Algumas, despertando recordações aos que, num afogar de saudades revêem os bons momentos que passaram, contemplando imagens de creaturas que talvez nunca mais encontrem no caminho da vida e que fizeram a delícia daqueles momentos, em uma estação de águas, em uma excursão, em cidades de verão, a bordo de um transatlântico, na convivência íntima de uma longa viagem, etc.

Outras séries apresentando o esplendor da Natureza em grandes quadros compostos com senso esthético, com observação artística que estasiam, que empolgam e que nunca cançaríamos de contemplar são photografias que provam como é impossível negar o extraordinário poder que tem a natureza, de impressionar e fazer vibrar a alma das creaturas com suas majestosas creações!

Nesse particular a nossa terra recebeu do CREADOR um dote precioso, o qual infelizmente em vez de ser transportado para as chapas da photographia por meio das objectivas dos differentes apparelhos, tem o homem esbanjado e destruido quasi inconscientemente sem considerar o grande mal que causa ao bem commum e sem reflectir no crime que pratica!

Disse PAULO MANTEGAZZA, capitulo IV no “O LIVRO DAS MELANCHOLIAS” de uma forma encantadora e com a alma amargurada: que se conhecesse DEUS, dir-khe-hia que na sua infinita misericordia, perdoasse todos os peccados dos homens e reservasse toda a sua ira, toda as suas vinganças, tododos seus raios, para o homem que destróe uma “FLORESTA”!!…

Faço minhas as palavras do primoroso escriptor, mas accrescento que o homem que dedicar-se á photographia, de preferenciaa estereoscopica, no contacto intimo e constante que ele tiver com a NATUREZA, quando a tiver estudado bem, irá lentamente habituando-se a apreciar devidamente a sua obra grandiosa, sentirá despertar em sua alma, sentimentos delicadosque até então desconhecia e difficilmente será capaz de derrubar uma arvore ou consentir que alguem o faça em sua presença!

A falta de amor e o abandono ás nossa bellezas naturaes é patente! Cito um exemplo mui recente:

Por uma destas lindas manhãs de ABRIL (era dia feriado) percorremos uma parte da estrada que liga o ALTO DA BOA VISTA ao SUMARÉ.

É uma das maravilhas da TIJUCA! A vegetação é abundante e variada e conta-se ás dezenas, arvores gigantescas cujas ramadas projectam sombras extensas sobre o caminho!

O sol imprimia uma luz de oiro sobre o verde esmeralda do arvoredo e fazia pensar que foi a NATUREZA quem inspirou os nossos antepassados sobre a escolha das cores para a nossa bandeira!

Caminhamos cerca de 6 kilometros ida e volta e gastamos cerca de 5 horas. Pois bem, nesse demorado percurso, cruzamos com 3 outros grupos de excursionistas, todos elles, compunham-se de estrangeiros!

Nem um brasileiro! nem um amador da photographia! Digo, encontramos um brasileiro, que empunhando uma vara que tinha um sacco de gaze preso a uma das extremidades, caçava as lindas borboletas azues de grandes azas que faziam o encanto daquellas paragens! aquelle rapaz de 20 annos presumives, de bella estaturaphysica, fazia-o como meio de vida! Contamos estendidas sobre um jornal, 20 daquellas borboletas, apanhadas em menos de uma hora! Pobrezinhas! a  NATUREZA limitou-lhes curtíssima existência, nem mesmo a essas deixam viver!

Creio ser o momento de ser transformada essa situação. A Photo-Revista vem preencher uma lacuna e acreditamos que uma campanha sustentada com perseverança por todos os seus collaboradores, daria bom resultado, no sentido de desenvolver o gosto dos brasileiros pela arte photographica: talvez conseguíssemos convence-los de trocar uma ou outra vez (às horas de ócio) os encantos do lar doméstico, pelos encantos naturaes, lembrando-lhes que em companhia de nossa família e em contacto com a floresta, também construímos lares provisorios sob a benção da mãe de tudo e de todos que é a NATUREZA!

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Dia do Bibliotecário

Com quatro imagens do acervo fotográfico da Fundação Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, o portal celebra o Dia do Bibliotecário. Dois registros são do prédio na Rua do Passeio que sediou a Biblioteca Nacional, entre 1858 e 1910, e foram produzidos por um fotógrafo ainda não identificado e por Antonio Luiz Ferreira (18? – 19?). A foto de autoria de Ferreira faz parte do Album de vistas da Bibliotheca Nacional, de 1902.

 

 

As imagens do prédio atual da Biblioteca Nacional, na Avenida Rio Branco, foram produzidas por um fotógrafo ainda não identificado e por Marc Ferrez (1843 – 1923). A de autoria de Ferrez é uma estereografia colorida.

 

 

Acessando o link para as fotografias da Biblioteca Nacional selecionadas e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

Manuel Bastos Tigre e a origem do Dia do Bibliotecário

 

“Como bibliotecário, Bastos Tigre se preocupou não só em fomentar positivamente a profissão, como contribuiu intelectualmente para área com sua principal preocupação: a organização do conhecimento”.

Débora Melo in A importância do discurso da ética na biblioteconomia:

Bastos Tigre, um exemplo de ética profissional, 2012

 

Foi em homenagem à data de nascimento do bibliotecário, engenheiro, jornalista, poeta, publicitário e teatrólogo pernambucano Manuel Bastos Tigre (1882 – 1957), 12 de março, que foi instituído, pelo Decreto nº 84.631, de 9 de abril de 1980 com efeitos em todo o território nacional, o Dia do Bibliotecário. Bastos Tigre era filho do negociante Delfino Tigre (18? – 1932) e de Maria Leontina Bastos Tigre (18? – 1926); e irmão de Hermínia Bastos Tigre, que foi casada com o fotógrafo Louis Piereck (1880 – 1931).

 

“Bastos Tigre foi um espírito alegre, que soube representar a pleno a alma do brasileiro cosmopolita do seu tempo, introduzido que fora, bem moço ainda, no mais significativo da boemia do seu tempo (…) folião poeta (…) sempre jovial, o Bastos Tigre, poeta satírico, irrefreável”.

Otacílio Colares in Bastos Tigre: bibliotecário e poeta da Belle Époque, 1982

 

Boêmio e dono de um humor fino, Bastos Tigre veio para o Rio de Janeiro com cerca de 17 anos e tornou-se uma figura conhecida da Belle Époque carioca. Em 1915, passou em primeiro lugar no primeiro concurso público para o cargo de bibliotecário – do Museu Nacional -, apresentando a tese Sobre a aplicação do Sistema de Classificação Decimal, na organização lógica dos conhecimentos, em trabalhos de bibliografia e Biblioteconomia. Ele havia conhecido esta técnica a partir de um contato com o bibliotecário Melvim Dewey, criador do sistema, que conheceu quando esteve nos Estados Unidos, entre 1906 e 1909, estudando Engenharia, na Bliss School, em Washington. Sua tese foi um marco importante na biblioteconomia brasileira, tendo sido a primeira sobre o assunto elaborada no país.

Foi bibliotecário por 40 anos, tendo trabalhado no Museu Nacional, na Biblioteca Nacional, na Biblioteca da Associação Brasileira de Imprensa e na Biblioteca Central da Universidade do Brasil, aonde foi homenageado após sua morte com uma placa (Diário de Notícias, 12 de março de 1958, penúltima coluna).

 

“É o livro amigo mudo que, calado, nos diz tudo.”

 

  

“A leitura de um bom livro afasta o tédio e estimula o pensamento.” 

 

Bastos Tigre foi o responsável pelo slogan da Bayer que se tornou famoso em todo o mundo: “Se é Bayer é bom“. É também o autor da letra da música Chopp em Garrafa, com música de Ary Barroso (1903 – 1964), que foi interpretada por Orlando Silva (1915 – 1978). Foi inspirada no produto que a Brahma passou a engarrafar. Sucesso do carnaval de 1934, é considerado o primeiro jingle publicitário do Brasil. Foi também o autor do livro Meu Bebê: livro das mamães para anotações sobre o bebê desde seu nascimento. Escreveu 17 livros, o primeiro, Saguão da Posteridade, editado pela Tipografia Altina, em 1902; além de 12 peças de teatro – a primeira, a revista musical Maxixe, estreou em 30 de março de 1906, no Teatro Carlos Gomes (Gazeta de Notícias, 30 de março de 1906, última coluna). Em 1917, fundou a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, a SBAT.

Cronista e articulista, trabalhou em inúmeros jornais como Correio da Manhã, onde por anos assinou a seção humorística “Pingos & Respingos” com o pseudônimo Cyrano & Cia, onde com humor comentava a vida cotidiana carioca, alcançando grande popularidade. Colaborou também com A ÉpocaA Gazeta, A NotíciaGazeta de Notícias, Lanterna, O Filhote da Gazeta, O GloboO Jornal,  O Malho e Rua. Em 1917, fundou a revista humorística Dom Quixote. Ele usava o pseudônimo “D. Xicote”. A revista circulou até 1927.

Faleceu em agosto de 1957, em sua casa, à rua Senador Vergueiro, 192, apartamento 12.

 

 

O primeiro curso de Biblioteconomia da América Latina, na Biblioteca Nacional

 

 

Foi instituído, em 11 de julho de 1911, por iniciativa de seu então diretor, o pernambucano Manuel Cícero Peregrino da Silva (18 – 1956), nos moldes da École de Chartres, o primeiro curso de Biblioteconomia da América Latina e o terceiro no mundo – os dois primeiros foram os da Universidade de Göttingen, na Alemanha, criado em 1886; e o do Columbia College, nos Estados Unidos, criado por iniciativa do bibliotecário norte-americano Melvin Dewey  (1851 – 1931), em 1887 (Anais da Biblioteca Nacional, 1916). Já existia desde 1821, a École des Chartes, na França, criada com a missão de formar futuros curadores patrimoniais, especialmente para bibliotecas, sem, entretanto, se constituir em curso de Biblioteconomia (Origens do ensino de biblioteconomia no Brasil, 2021).

O objetivo de Peregrino da Silva foi dar uma formação ao quadro de funcionários da instituição, que dirigiu entre 1900 e 1924. As matérias do curso eram Bibliografia, que abrangia História do Livro, Administração de Bibliotecas e Catalogação; Iconografia e Numismática; e Paleografia e Diplomática. O ensino era teórico e prático e este último era realizado na própria Biblioteca Nacional, usando seus serviços, considerados padrão.

A primeira turma foi formada em 1915 e o curso regular começou em 12 de abril com 27 alunos, sendo 12 funcionários da casa. Dois dias antes, em 10 de abril foi proferida a aula inaugural com a conferência A função do bibliotecário, realizada por Constâncio Antonio Alves (Correio da Manhã, 10 de abril de 1915, segunda colunaAnais da Biblioteca Nacional, 1916). Ao longo dos anos, foram professores do curso Afrânio Coutinho (1911 – 2000), Cecília Meireles (1901 – 1964) e Sérgio Buarque de Hollanda (1902 – 1982), dentre vários outros. O curso, uma referência na formação em biblioteconomia, funcionou na Biblioteca Nacional até 1969, quando foi transferido para a Unirio.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ANDRADE, Joaquim Marçal Ferreira de. Complemento indispensável…in Brasiliana Fotográfica, 29 de outubro de 2015.

BALABAN, Marcelo. Estilo Moderno: Humor, Literatura e Publicidade em Bastos Tigre. São Paulo : Editora da Unicamp, 2017.

BNDigital

FERNANDES, Daniel. BIBLIOTECONOMIA | MANUEL BASTOS TIGRE, UM BIBLIOTECÁRIO CHEIO DE HUMOR. BNDigital, 31 de março de 2022

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Hubner, M. L. F., Silva, J. F. M., & Atti, A. (2021). Origens do ensino de biblioteconomia no Brasil. BIBLOS35(1). https://doi.org/10.14295/biblos.v35i1.12105

TIGRE, Sylvia Bastos (Org.). Bastos Tigre: notas biográficas. Brasília, 1982

Site Biblioo

WANDERLEY, Andrea C. T. O “artista fotógrafo”Louis Piereck (1880 – 1931) in Brasiliana Fotográfica, 15 de dezembro de 2020.

O fotógrafo alemão Theodor Preising (1883 – 1962), “o viajante incansável”

Destacando imagens produzidas por Theodor Preising (1883 – 1962) do Rio de Janeiro, que se encontram no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica, este artigo vai contar um pouco da trajetória deste fotógrafo alemão que chegou ao Brasil, em 1923, e, inicialmente, fixou-se no Guarujá e depois seguiu para São Paulo. Foi um dos pioneiros no país na utilização de câmeras pequenas como a Leica e a Contax. Viajante incansável, como o denominou Kariny Grativol em sua Dissertação de Mestrado, Preising com apurado senso estético e grande domínio técnico fotografou diversas regiões do Brasil e produziu álbuns e cartões postais voltados para o turismo.

Tinha um espírito aventureiro, próprio dos fotojornalistas. Considerava-se um repórter fotográfico tanto que se associou, em 1937, ao Sindicato de Jornalistas de São Paulo. Com a divulgação de seu trabalho fotográfico em publicações como a Revista S. Paulo, o jornal Brasil Novo e a revista Travel in Brazil, que visavam tanto ao público nacional como ao estrangeiro, Preising contribuiu para a formação de uma imagem do país. Trabalhou como fotógrafo no Touring Club do Brasil e também no Departamento de Imprensa e Propaganda de São Paulo. Ao final do artigo, está publicada uma cronologia do fotógrafo, a 66ª produzida pelo portal.

 

“Enfim, vejo no trabalho de Theodor Preising mais diversidade imagética e uma estética diferenciada, pois seu compromisso maior era produzir e distribuir uma fotografia que fosse encantadora e sintetizasse a cidade de São Paulo, mesmo que de forma fragmentada, para o cidadão, os visitantes e os turistas que por aqui passavam. Sua obra ainda permanece pouco conhecida, mas seus cartões postais e seus álbuns entraram para história da iconografia paulistana. Podemos ainda ampliar para todo o Brasil, já que Preising registrou diversas cidades brasileiras com a mesma intenção de sensibilizar o cidadão e o turista diante de tanta beleza natural e arquitetônica”.

Rubens Fernandes Jr, pesquisador, curador e crítico de fotografia

 Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

Encontram-se no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica os seguintes registros produzidos por Theodor Preising: da Avenida Rio Branco, do Corcovado, do Pão de Açúcar, do Jardim Botânico, da Praia de Copacabana, além de belas vistas de paisagens cariocas. Há ainda uma fotografia da Basílica de São Bento, em São Paulo. Mais uma vez recomendamos que

 

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Theodor Preising disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

 

 

 

 

 

 

Breve perfil do fotógrafo alemão Theodor Preising (1883 – 1962)

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Nascido em Hildeshein, na Alemanha, em 3 de janeiro de 1883, Theodor Preising era filho de Fridrich e Maria Preising. Seu interesse por fotografia e turismo surgiu a partir de viagens que fazia com seu pai, que era maquinista de trem. Em 1908, casou-se com Elizabeth Elfriede Koesewitz (1874 – 1956) com quem teve três filhos: Úrsula, Carlos Frederico e Sibylle.

 

 

Possuía um estabelecimento fotográfico na Alemanha , quando foi convocado para atuar como fotógrafo no front da Primeira Guerra Mundial. Em 1916, tornou-se proprietário de uma filial da empresa Samson & Co., em Berlim, rede que possuía estabelecimentos fotográficos na Alemanha e em outros países da Europa.

 

 

 

 

Para fugir do caos da Alemanha do pós-guerra, decidiu emigrar e foi, primeiramente, entre março e abril de 1923, para a Argentina Em dezembro do mesmo ano, aportou em Santos, no dia 23, a bordo do navio Cap Polônio.

Inicialmente, fixou no Guarujá e comercializava materiais fotográficos como as câmeras Zeiss Ikon e Agfa; além de cartões postais, no Grande Hotel. Produziu cartões postais até o início da Segunda Guerra Mundial, quando estrangeiros de países do Eixo foram proibidos de fotografar externamente as cidades.

Em 1924, ele se transferiu para São Paulo, onde se estabeleceu na Rua Augusto Tolle, 2, com sua família que já se encontrava Brasil. Seus filhos passaram a auxiliá-lo no laboratório que ele havia montado e onde ele editava e produzia seus próprios cartões postais e álbuns de fotografia. Os textos dos cartões postais eram escritos por sua filha, Sibile. Vendia suas imagens para papelarias e casas fotográficas, como a Fotóptica, fundada pelo pai do fotógrafo Thomaz Farkas (1924 – 2011). Registrou a chegada de imigrantes à cidade, seu carnaval de rua, o dia a dia dos cafezais no interior do estado e a vida praiana de cidades litorâneas como o já mencionado Guarujá e Santos.

Em 11 de março 1927, abriu seu ateliê em São Paulo, na Rua Voluntários da Pátria, nº506, em Santana, na zona norte da cidade (Almanak Laemmert, 1931, segunda coluna).

Preising expôs, na Casa Rosenhain, na Rua de São Bento, álbuns e folhinhas com aspectos da vida paulista, principalmente (Correio Paulistano, 10 de outubro de 1928, terceira coluna).

 

Entre 1928 e 1940, realizou diversos trabalhos fotográficos para a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, registrando fazendas no interior do Estado.

 

Theodor Preising. Imigrante na colheita do café, c. 1940 / Publicado na Revista Zum, de 27 de fevereiro de 2018

Theodor Preising. Imigrante na colheita do café, c. 1940 / Publicado na Revista Zum, de 27 de fevereiro de 2018

 

Na década de 1930, colaborou com o jornal O Estado de São Paulo, que então publicava um suplemento em rotogravura.

Em 1930, uma fotografia da Rua XV de Novembro de sua autoria foi publicada no artigo Gigantic Brazil and its Glittering Capital, na edição de julho/dezembro da National Geographic Magazine.

 

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National Geographic Magazine, julho/dezembro de 1930

 

Em 1930, voltou a expor na Casa Rosenhein. Referido como o proprietário da Photo Rotativo de São Paulo, foi elogiado seu amor e admiração pela natureza americana e suas fotos das cataratas do Iguaçu foram consideradas empolgantes (A Gazeta (SP), 20 de novembro de 1930, primeira coluna).

 

 

É de 1930 o registro abaixo de autoria de Preising, Chegada de imigrantes asiáticos.

 

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Theodor Preising. Chegada de imigrantes asiáticos, 1930. Santos, São Paulo / Publicado na Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

Entre esse ano e 1931, documentou a colonização de Londrina, no Paraná, contratado pela Companhia Terras Norte do Paraná. Em 1933, esteve no Paraná fotografando vários aspectos do estado (O Dia (PR), 5 de maio de 1933, última coluna). Ainda neste ano, seis fotografias de sua autoria foram mostradas na A Capital de S. Paulo, publicação distribuída pela Secretaria de Agricultura.

 

“Propaganda pelo turismo para o Brasil”

Slogan escrito em seus álbuns de fotografia

 

Em 1934, a bordo do navio Almirante Jaceguai, participou do Segundo Cruzeiro Econômico Turístico do Touring Club do Brasil, empresa para a qual então trabalhava. Produziu, além de registros dos sócios do Touring durante a viagem, uma grande documentação fotográfica, a partir de viagens para o Norte e para o Nordeste (Diário da Manhã (PE), 16 de maio de 1934, quinta colunaDiário de Pernambuco, 20 de maio de 1934, penúltima coluna).

Ele e o fotógrafo Benedito Junqueira Duarte, conhecido como B.J. Duarte (1910 – 1995), pseudônimo Vamp, eram os fotógrafos da Revista S. Paulo. Segundo Junqueira, apesar de Preising ser bem mais velho que ele, tinha um espírito de moço e uma agilidade profissional de adolescente. A publicação mensal foi lançada em 31 de dezembro de 1935 e fazia propaganda do governo de Armando de Sales Oliveira (1887 – 1945), em São Paulo. Seu projeto gráfico articulava imagem e texto de modo inovador. Foi a primeira revista paulistana a ser feita em rotogravura, o que conferia uma maior qualidade à reprodução dos registros fotográficos. A publicação privilegiava a imagem sobre o texto. (Correio Paulistano, 1º de janeiro de 1936, quarta coluna; O Estado de São Paulo, 18 de março de 1978, segunda coluna).

 

 

Era dirigida por Cassiano Ricardo (1895 – 1974), Leven Vampré (c. 1891 – 1956) e Menotti Del Picchia (1892 – 1988). Os livros de memórias de Cassiano, Menotti e Benedito mencionam a presença de Livio Abramo (1903-1992) como ilustrador da revista. Apenas o primeiro, identifica-o como “mestre da gravura, da fotomontagem e das estatísticas ilustradas a rigor…” (A revista S.PAULO: a cidade nas bancas por Ricardo Mendes). A revista S. Paulo circulou em 1936: sua periodicidade foi mensal até o oitavo número, passando a ser bimestral nos dois últimos. Neste mesmo ano, ele entrou com o pedido de sua naturalização como brasileiro.

 

 

 

Links para todas as edições da Revista S. Paulo (1936):

Janeiro / Fevereiro / Março / Abril / Maio / Junho / Julho / Agosto / Setembro e Outubro / Novembro e Dezembro

Neste ano, fotografou o carnaval de rua paulistano e um zeppelin que sobrevoou São Paulo,o dirigível Hindenburg .

 

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Theodor Preising. Carnaval na Av. São João, 1936. São Paulo, SP / Publicado na Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018

Theodor Preising. Passeio do dirigível Hindenburg pelo centro de São Paulo, 1936. São Paulo, SP / Foto publicada em O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018

 

Em 1937, aderiu ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e enviou uma solicitação para que seu nome passasse a constar do quadro social da entidade (Correio Paulistano, 14 de maio de 1937, quinta coluna).

 

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Carteira do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo de Theodor Preising, matrícula 162 / Publicada em O Viajante incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising

 

Também neste ano, expôs fotografias no Pavilhão Brasileiro, na Exposição Universal de Paris de 1937, realizada entre 25 de maio e 25 de novembro de 1937. Contou com a participação de 44 países e foi visitada por cerca de 31 milhões de pessoas.

No ano seguinte, em setembro de 1938, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo realizou uma exposição sobre a cultura do algodão com imagens produzidas por ele. As fotos expostas foram publicadas em um número especial do Suplemento em Rotogravura do jornal, em março de 1939.

 

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O Estado de São Paulo, 6 de setembro de 1938

 

Em 6 de novembro de 1938, entrou para o serviço público tendo sido nomeado fotógrafo do Departamento de Propaganda e Publicidade (DPP), criado pouco antes como Serviço de Publicidade e Propaganda do Estado de São Paulo, dirigido por Menotti del Picchia.

Em 1939, Preising mudou-se com a família para a Rua Cedro, em Jabaquara, vizinho do amigo Benedito Junqueira Duarte, e passou a trabalhar na revista Brasil Novo, criada por Cassiano Ricardo e lançada em 1º de junho do mesmo ano. Também em 1939, aproximadamente 20 fotografias de sua autoria foram publicadas no livro Travel in Brazil, Brazilian representation New York’s World Fair, lançada durante a Feira Mundial de Nova York, que tinha o tema Construindo o mundo de amanhã. O pavilhão brasileiro foi projetado pelos arquitetos Oscar Niemeyer (1907 – 2012) e Lúcio Costa (1902 – 1998). Preising foi um dos fotógrafos cujas obras foram expostas em fotomurais do Departamento Nacional do Café e numa mostra de paisagens brasileiras ao lado de registros realizados por Erich Hess (1911 – 1995), Fernando Guerra Duval  (18? – 1959), Max Rosenfeld (? – 1962), Paulino Botelho (1879 – 1948), Renato G. Palmeira (? -?) e pelo Studio Rembrandt. Por sua participação Preising recebeu um diploma conferido pela direção do evento entregue pela Secretaria de Governo de São Paulo (Correio Paulistano, 3 de novembro de 1940, quinta coluna).

Ainda em 1939, foi criado do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e, pouco depois, cada estado possuía um Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP). Em São Paulo, o DEIP incorporou o Departamento de Publicidade e Propaganda, onde Preising trabalhava. Ele atuou na Divisão de Turismo e Diversões Públicas e na Divisão de Divulgação para o serviço de reportagem da Agência Nacional.

Em 1940, produziu esse belo registro do Parque do Anhangabaú e do Viaduto do Chá.

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Theodor Preising. Parque Anhangabaú e o novo Viaduto do Chá, 1940. São Paulo, SP / Publicado na Revista Zum, 27 de fevereiro de 2018

Naturalizou-se brasileiro em janeiro de 1941. Certamente o fato de ser um servidor público e o envio de uma carta de Menotti del Picchia, em papel timbrado da Diretoria de Propaganda e Publicidade do Palácio do Governo de São Paulo , a qual dirigia na ocasião, ao ministro da Justiça e Negócios Interiores, Francisco Campos (1891 – 1968), em 5 de agosto de 1939, influenciaram na obtenção de sua naturalização (A Batalha, 7 de janeiro de 1941, penúltima coluna).

“Tenho a honra de enviar a Vossa Excelência, para os devido fins, o requerimento em que THEODOR PREISING, de nacionalidade alemã, fotógrafo desta Diretoria de Propaganda e Publicidade do Palácio do Governo de São Paulo, nomeado por ato de 6 de Novembro de 1938, solicita de Vossa Excelência a sua naturalização como cidadão brasileiro, nos termos do artigo 40, parágrafo 3º, do Decreto-lei 1.202, de 8 de Abril de 1939 e de conformidade com a portaria 2.108, de 6 de Julho último, desse Ministério.

Peço vênia a Vossa Excelência para esclarecer que o interessado já tem o seu pedido de naturalização encaminhado a esse Ministério, desde 1936.

Com as minhas expressões de respeito e simpatia, subscrevo-me de Vossa Excelência, admirador obrdo.

Menotti del Picchia

DIRETOR”

Entre 1941 e 1942, diversas fotos de sua autoria foram publicadas na revista Travel in Brazil. 

 

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Revista Travel in Brazil, 1941, volume 1 do Ano I

Na primeira edição da revista, em janeiro de 1941, publicação de foto de Preising no artigo Brazil, this wonderful land, de Cecília Meirelles (1901 – 1964).

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Brazil Travels, janeiro de 1941 / Foto de Preising

Na segunda edição, de fevereiro de 1941, publicação de fotos nos artigos The jewel of plant life: the orchid e Curitiba and the Paraná railway.

 

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Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Na edição de março de 1941, registros realizados por ele foram publicados no artigo São Paulo:  city of tourists, de Menotti del Picchia (1892 – 1988) e Petrópolis: summer capital of Brazil, de Vera Kelsey (1892 – 1961); na edição de abril de 1941, 11 fotos no artigo Ouro Preto: the old Villa Rica, de Manuel Bandeira (1886 – 1968); e, na edição de janeiro de 1942, as fotos do artigo Poços de Caldas  Wings over Brazil, de Henry Albert Phillips (1880 – 1951). A revista era publicada mensalmente e editada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda do Rio de Janeiro.

Em 6 fevereiro de 1942, esteve presente ao enterro da mãe de Cassiano Ricardo (1895 – 1974), realizado no Rio de Janeiro (A Manhã, 7 de fevereiro de 1942, penúltima coluna). Em torno deste ano, associou-se ao Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB) – fundado em 1939 e celeiro da fotografia moderna no Brasil – e participou de vários Salões de Fotografia, nacionais e internacionais.

Em 1943, sua fotografia Força da Natureza, ganhou, na categoria Paisagem, o 4º prêmio no II Salão Paulista de Arte Fotográfica do Foto Clube Bandeirante. O fotógrafo Thomas Farkas (1924 – 2011) ganhou o primeiro lugar na categoria Arquitetura e recebeu um menção honrosa na categoria Composição. Preising foi o organizador, pelo Departamento Estadual de Imprensa e Publicidade, de  um estande de fotografias documentais do progresso de São Paulo, em um anexo ao Salão (Correio Paulistano, 31 de agosto de 1943, primeira coluna; Correio Paulistano, 28 de setembro de 1943, terceira coluna).

 

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Ainda em 1943,  participou de uma exposição na Galeria Prestes Maia com as fotos Força da NaturezaRefúgio das Almas, Silêncio, Sombra e Luz e Vida do Mar. Esta última representou o Foto Clube Bandeirante no Salão de Londres em 1944. Também em 1944, fotos de sua autoria foram publicadas na Revista Industrial de São Paulo, dirigida por Honório de Sylos (1901 – 1993) e no Observador Econômico e Financeiro do Rio de Janeiro – registros de São Paulo, do porto de Santos, de cafezal, de agricultora e de bambuzal (Observador Econômico e Financeiro, janeiro de 1944 , janeiro de 1944, maio de 1944, maio de 1944, junho de 1944, junho de 1944, junho de 1944).

Em 1945, com o fim do Estado Novo o DEIP passou a chamar-se Departamento Estadual de Informações (DEI) e a a Divisão de Turismo e Diversões Públicas passou a chamar-se Divisão de Turismo e Expansão Social. A Divisão de Divulgação manteve o nome.

Preising participou do IV Salão Paulista de Arte Fotográfica do Foto Clube Bandeirante, realizado entre novembro e dezembro de 1945, na Galeria Prestes Maia – primeira edição internacional -, com seis fotografias: Bicho de Seda, Contra Luz, Faíscas, Fornalha, Metal Líquido e Tropical. Seu ensaio fotográfico Jabaquara, com sete imagens, ficou entre os finalistas do 2º Prêmio Anchieta. (Correio Paulistano, 10 de outubro de 1945, quinta coluna).

Na publicação São Paulo, realizada pelo DEI, em 1946, fotos de sua autoria não creditadas foram publicadas.

Em 1946 e 1947, respectivamente, suas fotografias Silêncio, Sombra e LuzMinha Terra tem Palmeiras representaram o FCCB. A primeira no V Salão de Santa Fé, na Argentina; e a segunda, no VI Salão de Barcelona, na Espanha.

No livro Gente e Terra do Brasil, documentário fotográfico organizado pelo livreiro austríaco naturalizado brasileiro Erich Eichner (1906 – 1974), quinto volume da Coleção de Temas Brasileiros da Livraria Kosmos Editora, lançado, provavelmente, em 1947, com síntese histórica e econômica de John Knox (? – ?) e prefácio do jornalista, político, professor e pesquisador Carlos Rizzini (1898 – 1972), das 128 imagens publicadas, 30 eram de autoria de Preising. Havia também fotos de Carlos Moskovics (1916 – 1988), Erich Hess (1911 – 1995), Hans Gunter Flieg (1923-2024), Hildegard Rosenthal (1913 – 1990), José Medeiros (1921 – 1990), Peter Scheier (1908 – 1979) e Thomaz Farkas (1924 – 2011), dentre outros. Algumas imagens eram provenientes do arquivo da Panair. O livro era traduzido para o inglês, francês e espanhol (Correio da Manhã, 2 de dezembro de 1947, quinta coluna).

 

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Foram de sua autoria as fotografias dos cadernos de turismo sobre Campos do Jordão, de 1947, e sobre Itanhaem, de 1948, produzidos por intermédio da Divisão de Turismo e Expansão Cultural do Departamento de Imprensa e Propaganda de São Paulo. Os textos eram do jornalista e folclorista Helio Damante (1919 – 2002 ) e as ilustrações de Aldemir Martins (1922 – 2006), no de Campos do Jordão;  de Tarsila do Amaral (1883 – 1976), no de Itanhaem (Jornal de Notícias, 12 de novembro de 1947, quinta coluna). A reprodução desses dois álbuns está publicada entre as páginas 133 e 144 da dissertação Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de c.

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Em 1948, o DEI foi extinto e ele passou a ser o fotógrafo titular da Secretaria Estadual dos Negócios do Governo de São Paulo. Em torno deste ano começou a tirar licenças médicas devido ao Mal de Parkinson, que deu seus primeiros sinais em torno de 1945.

Foi nomeado, em maio de 1949, para trabalhar no Laboratório de Polícia Técnica da Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública. Ainda neste ano foi trabalhar como fotógrafo do Departamento de Cultura e Ação Social da Reitoria da Universidade de São Paulo. Aposentou-se do serviço público estadual em 1954.

Nos álbuns de fotografias Isto é o Rio de Janeiro Isto é a Bahia, ambos da Editora Melhoramentos e publicados em 1955, com textos em inglês, francês, português, italiano e alemão, fotos de sua autoria assim como de Alice Brill (1920 – 2013), dentre outros, foram publicadas (O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955; Diário de Notícias, 11 de agosto de 1955, segunda coluna).

 

O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955

O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955

 

Faleceu em 24 de julho de 1962, em sua casa, em São Paulo.

Em 2003, fotografias de sua autoria foram publicadas no livro Rio de Janeiro 1900 – 1930: uma crônica fotográfica, de George Ermakoff, G. Ermakoff Casa Editorial, Rio de Janeiro.

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No ano seguinte, integrou a exposição São Paulo 450 anos: a imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Salles, realizada entre 23 de janeiro e 27 de junho de 2004, no Centro Cultural da Fiesp, em São Paulo, e teve fotos de sua autoria publicadas no Cadernos de Fotografia Brasileira São Paulo 450 anos, editado pelo IMS.

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Também em 2004, integrou a Coleção Pirelli-Masp de Fotografia, 13˚ edição, com sete fotografias, que foram incorporadas ao Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp (O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 2004).

Em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, em 2008, realização da exposição individual Uruguaiana de 1932 de Theodor Preising, no Centro Cultural Dr. Pedro Marini, com a curadoria de Douglas Aptekmann, seu bisneto.

Em 2010, no Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com curadoria de Emanoel Araújo (1940 – 2022), realização da exposição São Paulo, Terra, Alma e Memória com fotos de Preising e de Guilherme Gaesnly (1843 – 1928) em comemoração ao aniversário de São Paulo (O Estado de São Paulo, 19 de março de 2010).

Em 2011, foi o tema da Dissertação de Mestrado Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de Kariny Grativol, orientada pelo professor Boris Kossoy, na Universidade de São Paulo. Voltou, em 2016, a ser tema de uma Dissertação de Mestrado realizada na USP, Fotografia Profissional, arquivo e circulação: a produção de Theodor Preising em São Paulo (1920 – 1940), de Eric Danzi Lemos, orientado pela professora Solange Ferraz de Lima. Estes trabalhos foram importantes fontes de pesquisa para a elaboração deste artigo.

Entre 8 de outubro de 2011 e 11 de março de 2012, foi um dos fotógrafos cujos trabalhos foram exibidos na exposição Percursos e Afetos. Fotografias 1928-2011 – Coleção Rubens Fernandes Junior, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, com a curadoria de Diógenes Moura (19?-).

No Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, em 2012, Preising foi um dos integrantes da exposição coletiva Um olhar sobre o Brasil a fotografia na construção da imagem da Nação 1833-2003 com curadoria de Boris Kossoy (1941-) e Lilia Schwarcz (1957-). Uma foto de sua autoria foi publicada no livro homônimo, editado pela Fundación Mafre, de Madrid; e pela Objetiva, do Rio de Janeiro.

 

 

Com curadoria de Paulo Herkenhoff, realização, na OCA, em São Paulo, da exposição Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, entre 25 de maio e 13 de agosto de 2017, com a participação de Preising. Outros conjuntos de fotografias expostos foram de Claudio Edinger (1952-), Cristiano Mascaro (1944-) e German Lorca (1922 – 2021). Também neste ano, fotos de sua autoria foram publicadas no livro História do Brasil em 100 fotografias, organizado por Ana Cecília Impellizieri (1978-) e editado pela Bazar do Tempo.

Entre 25 de janeiro e 25 de março de 2018, realização da exposição São Paulo: sinfonia de uma metrópole, com fotos de Theodor Preising, na Galeria de Fotos do Centro Cultural da Fiesp, sob a curadoria de Rubens Fernandes Jr. (1949-). O título da exposição é homônimo ao documentário dos húngaros Adalberto Kemeny (1901 – 1969) e Rudolf Lustig (1901 – 1970), de 1929, exibido durante a mostra, sobre o processo de modernização da paisagem social e urbana da capital paulistana, que tem como referência o filme Berlim – sinfonia da metrópole (1927), de Walter Ruttman (1887 – 1941) (O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018).

Em 2021, realização de duas exposições em torno da obra de Preising, ambas curadas por Rubens Fernandes Junior: entre 27 de julho e 28 de agosto, Theodor Preising Um Olhar Moderno – São Paulo, na Unibes Cultural, em São Paulo; entre 14 de agosto e 19 de setembro, Theodor Preising Um Olhar Moderno – Santos, na Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos.

A parte mais importante da obra de Preising, cerca de 15 mil fotografias, encontra-se sob a guarda de seu bisneto Douglas Aptekmann e Lucia Aptekmann. Um levantamento preliminar deste acervo está publicado na dissertação Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de Kariny Grativol, entre as páginas 120 e 126.

Há também fotos de sua autoria nos acervos do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, no Museu do Café, em Santos; em arquivos públicos de Cambé e Londrina, no Paraná, e Ribeirão Preto, em São Paulo; no Masp, e na Biblioteca Nacional, no Instituto Moreira Salles e na FGV CPDOC, no Rio de Janeiro.
Acesse aqui a Cronologia de Theodor Preising (1883 – 1962).

 

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Preising no Guarujá / Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

Enciclopédia Itaú Cultural

FERNANDES JR, Rubens. Rubens Fernandes Jr, curador da exposição São Paulo: Sinfonia de uma metrópole, comenta a obra do fotógrafo Theodor PreisingRevista Zum, 27 de fevereiro de 2018.

GRATIVOL, Kariny. Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MENDES, Ricardo .A revista S. Paulo: a cidade nas bancas. IMAGENS, Unicamp, dezembro de 1994 (a partir de trabalho apresentado no V Congresso Brasileiro de História da Arte, 1993).

LEMOS, Eric Danzi. Fotografia profissional, arquivo e circulação: a produção de Theodor Preising em São Paulo (1920-1940). 2016. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.

O Estado de São Paulo

Site Theodor Preising

Cronologia de Theodor Preising (1883 – 1962)

 

Cronologia de Theodor Preising (1883 – 1962)

 

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1883 - Theodor Preising nasceu em 3 de janeiro, em em Hildeshein, na Alemanha, filho de Fridrich e Maria Preising. Seu interesse por fotografia e turismo surgiu a partir de viagens que fazia com seu pai, que era maquinista de trem.

1908 – Casou-se com Elizabeth Elfriede Koesewitz (1874 – 1956) com quem teve três filhos: Úrsula, Carlos Frederico e Sibylle.

 

 

c. 1914 – Possuía um estabelecimento fotográfico na Alemanha , quando foi convocado para atuar como fotógrafo no front da Primeira Guerra Mundial.

1916 –  Tornou-se proprietário de uma filial da empresa Samson & Co., em Berlim, rede que possuía estabelecimentos fotográficos na Alemanha e em outros países da Europa.

 

 

1923 -  Para fugir do caos da Alemanha do pós-guerra, decidiu emigrar e foi, primeiramente, entre março e abril, para a Argentina. Em dezembro, no dia 23, aportou em Santos, a bordo do navio Cap Polônio.

Inicialmente, fixou no Guarujá e comercializava materiais fotográficos como as câmeras Zeiss Ikon e Agfa; além de cartões postais, no Grande Hotel. Produziu cartões postais até o início da Segunda Guerra Mundial, quando estrangeiros de países do Eixo foram proibidos de fotografar externamente as cidades.

1924 – Transferiu-se para São Paulo, onde se estabeleceu na Rua Augusto Tolle, 2, com sua família que já se encontrava Brasil. Seus filhos passaram a auxiliá-lo no laboratório que ele havia montado e onde ele editava e produzia seus próprios cartões postais e álbuns de fotografia. Os textos dos cartões postais eram escritos por sua filha, Sibile. Vendia suas imagens para papelarias e casas fotográficas, como a Fotóptica, fundada pelo pai do fotógrafo Thomaz Farkas (1924 – 2011). Registrou a chegada de imigrantes à cidade, seu carnaval de rua, o dia a dia dos cafezais no interior do estado e a vida praiana de cidades litorâneas como o já mencionado Guarujá e Santos.

1927 – Abriu seu ateliê em São Paulo, na Rua Voluntários da Pátria, nº506, em Santana, na zona norte da cidade (Almanak Laemmert, 1931, segunda coluna).

1928 – Preising expôs, na Casa Rosenhain, na Rua de São Bento, álbuns e folhinhas com aspectos da vida paulista, principalmente (Correio Paulistano, 10 de outubro de 1928, terceira coluna).

 

 

Entre este ano e 1940, realizou diversos trabalhos fotográficos para a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, registrando fazendas no interior do Estado.

 

Theodor Preising. Imigrante na colheita do café, c. 1940 / Publicado na Revista Zum, de 27 de fevereiro de 2018

Theodor Preising. Imigrante na colheita do café, c. 1940 / Publicado na Revista Zum, de 27 de fevereiro de 2018

 

Década de 1930 – Colaborou com o jornal O Estado de São Paulo, que então publicava um suplemento em rotogravura.

1930 - Uma fotografia da Rua XV de Novembro de sua autoria foi publicada no artigo Gigantic Brazil and its Glittering Capital, na edição de julho/dezembro da National Geographic Magazine.

 

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National Geographic Magazine, julho/dezembro de 1930

 

Voltou a expor na Casa Rosenhein. Referido como o proprietário da Photo Rotativo de São Paulo, foi elogiado seu amor e admiração pela natureza americana e suas fotos das cataratas do Iguaçu foram consideradas empolgantes (A Gazeta (SP), 20 de novembro de 1930, primeira coluna).

 

 

É também deste ano o registro abaixo de autoria de Preising, Chegada de imigrantes asiáticos.

 

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Theodor Preising. Chegada de imigrantes asiáticos, 1930. Santos, São Paulo / Publicado na Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

Seis fotografias de sua autoria foram mostradas na A Capital de S. Paulo, publicação distribuída pela Secretaria de Agricultura.

Entre 1930 e 1931, documentou a colonização de Londrina, no Paraná, contratado pela Companhia Terras Norte do Paraná. Em 1933, esteve no Paraná fotografando vários aspectos do estado (O Dia (PR), 5 de maio de 1933, última coluna)

1934 - A bordo do navio Almirante Jaceguai, participou do Segundo Cruzeiro Econômico Turístico do Touring Club do Brasil, empresa para a qual então trabalhava. Produziu, além de registros dos sócios do Touring durante a viagem, uma grande documentação fotográfica, a partir de viagens para o Norte e para o Nordeste (Diário da Manhã (PE), 16 de maio de 1934, quinta colunaDiário de Pernambuco, 20 de maio de 1934, penúltima coluna).

1936 – Ele e o fotógrafo Benedito Junqueira Duarte, conhecido como B.J. Duarte (1910 – 1995), pseudônimo Vamp, eram os fotógrafos da Revista S. Paulo. Segundo Junqueira, apesar de Preising ser bem mais velho que ele, tinha um espírito de moço e uma agilidade profissional de adolescente. A publicação mensal foi lançada em 31 de dezembro de 1935 e fazia propaganda do governo de Armando de Sales Oliveira (1887 – 1945), em São Paulo. Seu projeto gráfico articulava imagem e texto de modo inovador. Foi a primeira revista paulistana a ser feita em rotogravura, o que conferia uma maior qualidade à reprodução dos registros fotográficos. A publicação privilegiava a imagem sobre o texto. (Correio Paulistano, 1º de janeiro de 1936, quarta colunaO Estado de São Paulo, 18 de março de 1978, segunda coluna).

 

 

Era dirigida por Cassiano Ricardo (1895 – 1974), Leven Vampré (c. 1891 – 1956) e Menotti Del Picchia (1892 – 1988). Os livros de memórias de Cassiano, Menotti e Benedito mencionam a presença de Livio Abramo (1903-1992) como ilustrador da revista. Apenas o primeiro, identifica-o como “mestre da gravura, da fotomontagem e das estatísticas ilustradas a rigor…” (A revista S.PAULO: a cidade nas bancas por Ricardo Mendes). A revista S. Paulo circulou em 1936: sua periodicidade foi mensal até o oitavo número, passando a ser bimestral nos dois últimos. Neste mesmo ano, ele entrou com o pedido de sua naturalização como brasileiro.

 

 

 

Links para todas as edições da Revista S. Paulo (1936):

Janeiro / Fevereiro / Março / Abril Maio / Junho / Julho / Agosto / Setembro e Outubro / Novembro e Dezembro

Fotografou o carnaval de rua paulistano e um zeppelin que sobrevoou São Paulo,o dirigível Hindenburg .

 

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Theodor Preising. Carnaval na Av. São João, 1936. São Paulo, SP / Publicado na Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018

Theodor Preising. Passeio do dirigível Hindenburg pelo centro de São Paulo, 1936. São Paulo, SP / Foto publicada em O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018

 

1937 – Aderiu ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e enviou uma solicitação para que seu nome passasse a constar do quadro social da entidade (Correio Paulistano, 14 de maio de 1937, quinta coluna).

 

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Carteira do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo de Theodor Preising, matrícula 162 / Publicada em O Viajante incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising

 

Expôs fotografias no Pavilhão Brasileiro, na Exposição Universal de Paris de 1937, realizada entre 25 de maio e 25 de novembro de 1937. Contou com a participação de 44 países e foi visitada por cerca de 31 milhões de pessoas.

1938 – Em setembro, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo realizou uma exposição sobre a cultura do algodão com imagens produzidas por ele. As fotos expostas foram publicadas em um número especial do Suplemento em Rotogravura do jornal, em março de 1939.

 

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O Estado de São Paulo, 6 de setembro de 1938

 

Em 6 de novembro, entrou para o serviço público tendo sido nomeado fotógrafo do Departamento de Propaganda e Publicidade (DPP), criado pouco antes como Serviço de Publicidade e Propaganda do Estado de São Paulo, dirigido por Menotti del Picchia.

1939 - Preising mudou-se com a família para a Rua Cedro, em Jabaquara, vizinho do amigo Benedito Junqueira Duarte.

Passou a trabalhar na revista Brasil Novo, criada por Cassiano Ricardo e lançada em 1º de junho do mesmo ano.

Aproximadamente 20 fotografias de sua autoria foram publicadas no livro Travel in Brazil, Brazilian representation New York’s World Fair, lançada durante a Feira Mundial de Nova York, que tinha o tema Construindo o mundo de amanhã. O pavilhão brasileiro foi projetado pelos arquitetos Oscar Niemeyer (1907 – 2012) e Lúcio Costa (1902 – 1998). Preising foi um dos fotógrafos cujas obras foram expostas em fotomurais do Departamento Nacional do Café e numa mostra de paisagens brasileiras ao lado de registros realizados por Erich Hess (1911 – 1995), Fernando Guerra Duval  (18? – 1959), Max Rosenfeld (? – 1962), Paulino Botelho (1879 – 1948), Renato G. Palmeira (? -?) e pelo Studio Rembrandt. Por sua participação Preising recebeu um diploma conferido pela direção do evento entregue pela Secretaria de Governo de São Paulo (Correio Paulistano, 3 de novembro de 1940, quinta coluna).

Foi criado do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e, pouco depois, cada estado possuía um Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP). Em São Paulo, o DEIP incorporou o Departamento de Publicidade e Propaganda, onde Preising trabalhava. Ele atuou na Divisão de Turismo e Diversões Públicas e na Divisão de Divulgação para o serviço de reportagem da Agência Nacional.

1940 - Produziu esse belo registro do Parque do Anhangabaú e do Viaduto do Chá.

 

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Theodor Preising. Parque Anhangabaú e o novo Viaduto do Chá, 1940. São Paulo, SP / Publicado na Revista Zum, 27 de fevereiro de 2018

 

1941 - Naturalizou-se brasileiro em janeiro. Certamente o fato de ser um servidor público e o envio de uma carta de Menotti del Picchia, em papel timbrado da Diretoria de Propaganda e Publicidade do Palácio do Governo de São Paulo , a qual dirigia na ocasião, ao ministro da Justiça e Negócios Interiores, Francisco Campos (1891 – 1968), em 5 de agosto de 1939, influenciaram na obtenção de sua naturalização (A Batalha, 7 de janeiro de 1941, penúltima coluna).

 

“Tenho a honra de enviar a Vossa Excelência, para os devido fins, o requerimento em que THEODOR PREISING, de nacionalidade alemã, fotógrafo desta Diretoria de Propaganda e Publicidade do Palácio do Governo de São Paulo, nomeado por ato de 6 de Novembro de 1938, solicita de Vossa Excelência a sua naturalização como cidadão brasileiro, nos termos do artigo 40, parágrafo 3º, do Decreto-lei 1.202, de 8 de Abril de 1939 e de conformidade com a portaria 2.108, de 6 de Julho último, desse Ministério.

Peço vênia a Vossa Excelência para esclarecer que o interessado já tem o seu pedido de naturalização encaminhado a esse Ministério, desde 1936.

Com as minhas expressões de respeito e simpatia, subscrevo-me de Vossa Excelência, admirador obrdo.

Menotti del Picchia

DIRETOR”

 

1941 / 1942 –  Diversas fotos de sua autoria foram publicadas na revista Travel in Brazil. 

 

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Revista Travel in Brazil, 1941, volume 1 do Ano I

 

Na primeira edição da revista, em janeiro de 1941, publicação de foto de Preising no artigo Brazil, this wonderful land, de Cecília Meirelles (1901 – 1964).

 

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Brazil Travels, janeiro de 1941 / Foto de Preising

 

Na segunda edição, de fevereiro de 1941, publicação de fotos nos artigos The jewel of plant life: the orchid e Curitiba and the Paraná railway.

 

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Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Na edição de março de 1941, registros realizados por ele foram publicados no artigo São Paulo:  city of tourists, de Menotti del Picchia (1892 – 1988) e Petrópolis: summer capital of Brazil, de Vera Kelsey (1892 – 1961); na edição de abril de 1941, 11 fotos no artigo Ouro Preto: the old Villa Rica, de Manuel Bandeira (1886 – 1968); e, na edição de janeiro de 1942, as fotos do artigo Poços de Caldas  Wings over Brazilde Henry Albert Phillips (1880 – 1951). A revista era publicada mensalmente e editada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda do Rio de Janeiro.

Em 6 fevereiro de 1942, esteve presente ao enterro da mãe de Cassiano Ricardo (1895 – 1974), realizado no Rio de Janeiro (A Manhã, 7 de fevereiro de 1942, penúltima coluna). Em torno deste ano, associou-se ao Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB) – fundado em 1939 e celeiro da fotografia moderna no Brasil – e participou de vários Salões de Fotografia, nacionais e internacionais.

1943 – Sua fotografia Força da Natureza, ganhou, na categoria Paisagem, o 4º prêmio no II Salão Paulista de Arte Fotográfica do Foto Clube Bandeirante (FCCB). O fotógrafo Thomas Farkas (1924 – 2011) ganhou o primeiro lugar na categoria Arquitetura e recebeu um menção honrosa na categoria Composição. Preising foi o organizador, pelo Departamento Estadual de Imprensa e Publicidade, de  um estande de fotografias documentais do progresso de São Paulo, em um anexo ao Salão (Correio Paulistano, 31 de agosto de 1943, primeira colunaCorreio Paulistano, 28 de setembro de 1943, terceira coluna).

 

 

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Participou de uma exposição na Galeria Prestes Maia com as fotos Força da NaturezaRefúgio das AlmasSilêncioSombra e Luz e Vida do Mar. Esta última representou o Foto Clube Bandeirante no Salão de Londres em 1944.

Fotos de sua autoria foram publicadas na Revista Industrial de São Paulo, dirigida por Honório de Sylos (1901 – 1993) e no Observador Econômico e Financeiro do Rio de Janeiro – registros de São Paulo, do porto de Santos, de cafezal, de agricultora e de bambuzal (Observador Econômico e Financeirojaneiro de 1944 , janeiro de 1944maio de 1944maio de 1944, junho de 1944, junho de 1944junho de 1944).

1945 – Com o fim do Estado Novo o DEIP passou a chamar-se Departamento Estadual de Informações (DEI) e a a Divisão de Turismo e Diversões Públicas passou a chamar-se Divisão de Turismo e Expansão Social. A Divisão de Divulgação manteve o nome.

Preising participou do IV Salão Paulista de Arte Fotográfica do Foto Clube Bandeirante, realizado entre novembro e dezembro de 1945, na Galeria Prestes Maia – primeira edição internacional -, com seis fotografias: Bicho de SedaContra Luz, Faíscas, Fornalha,  Metal Líquido e Tropical (Correio Paulistano, 10 de outubro de 1945, quinta coluna).

Seu ensaio fotográfico Jabaquara, com sete imagens, ficou entre os finalistas do 2º Prêmio Anchieta.

1946 – Na publicação São Paulo, realizada pelo DEI, fotos de sua autoria não creditadas foram publicadas.

Sua fotografia Silêncio, Sombra e Luz representou o FCCB no V Salão de Santa Fé na Argentina.

1947 – Sua fotografia Minha Terra tem Palmeiras representou o FCCB, no VI Salão de Barcelona, na Espanha.

c. 1947 - No livro Gente e Terra do Brasil, documentário fotográfico organizado pelo livreiro austríaco naturalizado brasileiro Erich Eichner (1906 – 1974), quinto volume da Coleção de Temas Brasileiros da Livraria Kosmos Editora, lançado, provavelmente, em 1947, com síntese histórica e econômica de John Knox (? – ?) e prefácio do jornalista, político, professor e pesquisador Carlos Rizzini (1898 – 1972), das 128 imagens publicadas, 30 eram de autoria de Preising. Havia também fotos de Carlos Moskovics (1916 – 1988), Erich Hess (1911 – 1995), Hans Gunter Flieg (1923-2024), Hildegard Rosenthal (1913 – 1990), José Medeiros (1921 – 1990), Peter Scheier (1908 – 1979) e Thomaz Farkas (1924 – 2011), dentre outros. Algumas imagens eram provenientes do arquivo da Panair. O livro era traduzido para o inglês, francês e espanhol (Correio da Manhã, 2 de dezembro de 1947, quinta coluna).

 

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Foram de sua autoria as fotografias dos cadernos de turismo sobre Campos do Jordão, de 1947, e sobre Itanhaem, de 1948, produzidos por intermédio da Divisão de Turismo e Expansão Cultural do Departamento de Imprensa e Propaganda de São Paulo. Os textos eram do jornalista e folclorista Helio Damante (1919 – 2002 ) e as ilustrações de Aldemir Martins (1922 – 2006), no de Campos do Jordão;  de Tarsila do Amaral (1883 – 1976), no de Itanhaem (Jornal de Notícias, 12 de novembro de 1947, quinta coluna). A reprodução desses dois álbuns está publicada entre as páginas 133 e 144 da dissertação Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de c.

 

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1948 – O DEI foi extinto e ele passou a ser o fotógrafo titular da Secretaria Estadual dos Negócios do Governo de São Paulo. Em torno deste ano começou a tirar licenças médicas devido ao Mal de Parkinson, que deu seus primeiros sinais em torno de 1945.

1949 - Em maio foi nomeado para trabalhar no Laboratório de Polícia Técnica da Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública. Ainda neste ano foi trabalhar como fotógrafo do Departamento de Cultura e Ação Social da Reitoria da Universidade de São Paulo.

1954 – Aposentou-se do serviço público estadual.

1955 – Nos álbuns de fotografias Isto é o Rio de Janeiro Isto é a Bahia, ambos da Editora Melhoramentos com textos em inglês, francês, português, italiano e alemão, fotos de sua autoria assim como de Alice Brill (1920 – 2013), dentre outros, foram publicadas (O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955; Diário de Notícias, 11 de agosto de 1955, segunda coluna).

 

O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955

O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955

 

1962 - Faleceu em 24 de julho, em sua casa, em São Paulo.

2003 - Fotografias de sua autoria foram publicadas no livro Rio de Janeiro 1900 – 1930: uma crônica fotográfica, de George Ermakoff, G. Ermakoff Casa Editorial, Rio de Janeiro.

 

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2004 - Integrou a exposição São Paulo 450 anos: a imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Salles, realizada entre 23 de janeiro e 27 de junho de 2004, no Centro Cultural da Fiesp, em São Paulo, e teve fotos de sua autoria publicadas no Cadernos de Fotografia Brasileira São Paulo 450 anos, editado pelo IMS.

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Integrou a Coleção Pirelli-Masp de Fotografia, 13˚ edição, com sete fotografias, que foram incorporadas ao Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp (O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 2004).

2008 – Em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, realização da exposição individual Uruguaiana de 1932 de Theodor Preising, no Centro Cultural Dr. Pedro Marini, com a curadoria de Douglas Aptekmann, seu bisneto.

2010 – No Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com curadoria de Emanoel Araújo (1940 – 2022), realização da exposição São Paulo, Terra, Alma e Memória com fotos de Preising e de Guilherme Gaesnly (1843 – 1928) em comemoração ao aniversário de São Paulo (O Estado de São Paulo, 19 de março de 2010).

2011 - Foi o tema da Dissertação de Mestrado Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de Kariny Grativol, orientada pelo professor Boris Kossoy, na Universidade de São Paulo.

Entre 8 de outubro de 2011 e 11 de março de 2012, foi um dos fotógrafos cujos trabalhos foram exibidos na exposição Percursos e Afetos. Fotografias 1928-2011 – Coleção Rubens Fernandes Junior, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, com a curadoria de Diógenes Moura (19?-).

2012 - No Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, Preising foi um dos integrantes da exposição coletiva Um olhar sobre o Brasil a fotografia na construção da imagem da Nação 1833-2003 com curadoria de Boris Kossoy (1941-) e Lilia Schwarcz (1957-). Uma foto de sua autoria foi publicada no livro homônimo, editado pela Fundación Mafre, de Madrid; e pela Objetiva, do Rio de Janeiro.

 

 

2016 – Foi o tema de uma Dissertação de Mestrado realizada na USP, Fotografia Profissional, arquivo e circulação: a produção de Theodor Preising em São Paulo (1920 – 1940), de Eric Danzi Lemos, orientado pela professora Solange Ferraz de Lima.

2017 - Com curadoria de Paulo Herkenhoff, realização, na OCA, em São Paulo, da exposição Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, entre 25 de maio e 13 de agosto, com a participação de Preising. Outros conjuntos de fotografias expostos foram de Claudio Edinger (1952-), Cristiano Mascaro (1944-) e German Lorca (1922 – 2021). Também neste ano, fotos de sua autoria foram publicadas no livro História do Brasil em 100 fotografias, organizado por Ana Cecília Impellizieri (1978-) e editado pela Bazar do Tempo.

2018 - Entre 25 de janeiro e 25 de março, realização da exposição São Paulo: sinfonia de uma metrópole, com fotos de Theodor Preising, na Galeria de Fotos do Centro Cultural da Fiesp, sob a curadoria de Rubens Fernandes Jr. (1949-). O título da exposição é homônimo ao documentário dos húngaros Adalberto Kemeny (1901 – 1969) e Rudolf Lustig (1901 – 1970), de 1929, exibido durante a mostra, sobre o processo de modernização da paisagem social e urbana da capital paulistana, que tem como referência o filme Berlim – sinfonia da metrópole (1927), de Walter Ruttman (1887 – 1941) (O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018).

2021 – Realização de duas exposições em torno da obra de Preising, ambas curadas por Rubens Fernandes Junior: entre 27 de julho e 28 de agosto, Theodor Preising Um Olhar Moderno – São Paulo, na Unibes Cultural, em São Paulo; entre 14 de agosto e 19 de setembro, Theodor Preising Um Olhar Moderno – Santos, na Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos.

 

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Preising no Guarujá / Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica