Série “Feministas, graças a Deus” XX – A líder feminista pernambucana Edwiges de Sá Pereira (1884-1958), a “Eva Militante”

A Brasiliana Fotográfica publica o artigo A líder feminista pernambucana Edwiges de Sá Pereira (1884-1958), a Eva Militante,  o 20° da série Feministas, graças a Deus!. Foi escrito pela historiadora Cibele Barbosa, da Fundação Joaquim Nabuco, uma das instituições parceiras do portal. Publicamos também uma breve cronologia de Edwiges de Sá Pereira, escrita pela editora e pesquisadora do portal, Andrea C.T. Wanderley.

Edwiges de Sá Pereira tornou-se ainda jovem uma poetisa reconhecida nacionalmente, tendo suas poesias e artigos publicados em jornais e revistas do Brasil. Em 1920, foi a primeira mulher a ingressar como membro da Academia Pernambucana de Letras, que com sua eleição tornou-se a primeira Academia no Brasil a ter uma mulher em seus quadros. Foi também presidente da Associação das Damas de Beneficência, a primeira presidente da Federação Pernambucana pelo Progresso das Mulheres, integrante do Comitê Feminino da Maternidade do Recife, sócia colaboradora da Associação Pernambucana de Imprensa e professora da Escola Normal do Recife.

No artigo, estão destacadas duas imagens de Edwiges pertencentes ao acervo fotográfico da Fundação Joaquim Nabuco. Ambas foram produzidas pelo fotógrafo Louis Piereck (1880-1931), que já foi tema de uma publicação da Brasiliana Fotográfica. A foto em que Edwiges está sem chapéu foi publicada na revista A Nota (PE), de 22 de maio de 1920 em uma matéria que a felicitava pelo ingresso na Academia Pernambucana de Letras. A imagem dela com chapéu é, conforme o verso da foto, de 29 de agosto de 1909, ano em que foi nomeada diretora da escola estadual da Boa Vista. Também no verso, consta que Edwiges  presenteou algum amigo ou amiga com a fotografia.

 

 

De origem austríaca e nascido em Campinas, em 13 de outubro de 1880, Louis Piereck atuou no Recife, entre fins do século XIX e nas primeiras décadas do XX. Pernambuco, a partir da década de 1850, com a chegada de vários fotógrafos estrangeiros e o estabelecimento de diversos ateliês fotográficos, tornou-se uma referência importante na história da fotografia no Brasil. Considerado talentoso, Piereck tinha muito prestígio na sociedade pernambucana e, em seu estabelecimento, a Photographia Piereck, eram produzidos “os mais perfeitos trabalhos“. Anunciava como sua especialidade “retratos, grupos de criança e o bello sexo“.

 

A líder feminista pernambucana Edwiges de Sá Pereira (1884-1958), a Eva Militante

Cibele Barbosa*

 

 

Edwiges de Sá Pereira foi uma mulher que não se conformou com as imposições de seu tempo. Nascida, em 1884, no município de Barreiros, estado de Pernambuco, a filha de José Bonifácio de Sá Pereira e de Maria Amélia Rocha de Sá Pereira, nutria, desde cedo, o interesse pelos livros. Conforme descreveu em suas notas autobiográficas, costumava ler escondido os livros dos irmãos mais velhos, em especial aqueles dedicados à poesia, que copiava e declamava em reuniões de família.

A menina que costumava dizer aos familiares que “haveria de ser poeta”, não tardou a cumprir seu intento. No início da adolescência, publicou um jornalzinho, o “Echo Juvenil”, juntamente com seu irmão Eugênio. Algum tempo depois, chegaram-lhe às mãos, pelos correios, exemplares do jornal O Paiz (RJ) com versos seus transcritos e apresentados pelo escritor Arthur Azevedo. A jovem poeta, do interior de Pernambuco, teve seu soneto “A uma estrela” reproduzido também na Revista do Brasil (SP), acompanhado de comentários entusiasmados de Cunha Mendes ao prenunciar que a menina se tornaria “a primeira poetisa do Brasil”.

Um ano antes de se mudar com sua família para o Recife, ainda vivendo na cidade de Barreiros, Edwiges teve seu primeiro livro publicado e prefaciado pelo jurista e poeta português Antônio de Souza Pinto, em 1901. A ideia de publicar os 51 versos da jovem escritora ocorreu-lhe quando estava de férias no interior e teve a oportunidade de ser apresentado aos poemas de Edwiges. Levou os manuscritos para a capital e os publicou com o título Campesinas.

Na edição de 17 de agosto de 1901, anunciava o Jornal Pequeno o recebimento do “mimoso livro” de Edwiges, impresso na forma de folheto, com 80 páginas. Ainda em 1901, fundou o pequeno jornal literário, o Azul e Ouro, com seu irmão Eugênio e seu amigo Caetano Andrade. Sua família se mudou para o Recife naquele período, após seu pai ter vendido o engenho na cidade de Barreiros para ocupar um cargo do governo do estado na capital pernambucana.

Já instalada na capital, Edwiges ingressou na Escola Normal para obter formação no magistério e tornar-se professora. Paralelamente aos estudos pedagógicos, a jovem participou ativamente da vida literária de seu tempo, contribuindo com seus escritos para jornais e revistas. Em 1902, colaborou com a Revista Pernambucana e foi convidada para ser uma das redatoras do jornal O Lyrio, formado somente por mulheres. Entre as companheiras da publicação estavam Amélia Beviláqua e Úrsula Garcia. Os textos desafiavam a rígida sociedade patriarcal da época refletindo sobre a importância da educação escolar e profissional para as mulheres, entre outras pautas como a equidade salarial. 

 

 

A partir de então, não parou mais, tendo sido convidada a ser sócia correspondente da recém-fundada Academia Pernambucana de Letras. Colaborou assiduamente em jornais como o Jornal Pequeno, do Recife, no qual foram publicados poemas seus inéditos e traduções de poetas como o simbolista Lorenzo Stecchetti, um dos pseudônimo do italiano Olindo Guerrini (1845-1916). Era sempre adjetivada por seus admiradores de “adorável”, “inteligente poetisa”.

Em 1920, foi a primeira mulher a ingressar como membro da Academia Pernambucana de Letras, aliás a primeira Academia no Brasil a ter uma mulher em seus quadros. A normalista e poeta, defensora dos direitos das mulheres, ocupou a cadeira n.7 da APL, no lugar do acadêmico João Batista Regueira Costa, a quem dedicou o texto Um passado que não morre.

Em sua casa, na rua do Sossego, bairro da área central do Recife, Edwiges recebia convidados e declamava poemas em italiano, em especial os da poeta Ada Negri. Também nesse espaço eram comuns os encontros de mulheres que se dedicavam às causas da emancipação feminina.

Professora catedrática da Escola Normal, onde realizou sua formação como professora, Edwiges também atuou como professora de português no curso comercial do Colégio Eucarístico e assumiu a disciplina de História Geral e do Brasil no Colégio Nossa Senhora do Carmo. Seu engajamento no campo da “instrução pública”, como se dizia à época, levou-lhe ao cargo de superintendente de ensino dos grupos escolares da capital pernambucana, cargo que lhe permitiu viajar para outros estados em eventos e oficinas ligadas à educação. O governo estadual chegou a publicar suas Impressões e notas (questões do ensino).

A participação ativa como educadora se alinhava às suas causas políticas. Para Edwiges era necessário que os governos investissem na educação das mulheres. Em 1931, participou do II Congresso Internacional Feminista, promovido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, fundada por Bertha Luz, em 1922. Na ocasião, a escritora pernambucana apresentou o texto Pela mulher, para a mulher, publicado no ano seguinte. Em seu discurso, Edwiges exortava as mulheres de diferentes extratos sociais a se unirem para reivindicar direitos políticos e direito à educação.

Como consequência das articulações e redes que construiu no Rio de Janeiro, fundou, no mesmo ano, a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, filiada à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). A primeira sessão da Federação Pernambucana teve participação de Odila Porto de Oliveira, representando a FBPF. Edwiges, presidente da filiada pernambucana, apresentou os projetos e propostas voltadas para “campanhas em prol dos direitos e demais interesses da mulher”. Na mesma ocasião, anunciou o projeto de um levantamento estatístico das “mulheres que exercem atividades no funcionalismo em Pernambuco, no comércio, no magistério”, de modo a subsidiar a criação de uma “Escola de Oportunidades”, ideia de Noemia Xavier, vice-presidente da Federação Pernambucana. A primeira ata foi assinada, em novembro de 1931, por 47 mulheres.

 

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Ata da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, 10 de novembro de 1931 / Acervo Fundaj

 

Nas eleições de 1933 para o parlamento, Edwiges, pelo Partido Economista, e a também escritora Martha de Hollanda, sem partido, foram as únicas mulheres a se candidatarem em Pernambuco. Apesar de não terem sido eleitas, deixaram sua marca na constituição do eleitorado feminino no Brasil.

Em 1947, Edwiges publicou a conferência “A influência da mulher na educação pacifista do após-guerra”, na qual expôs os principais desafios do século XX e os impactos da catástrofe da II Guerra Mundial. Apontou retrocessos históricos, afirmando que a “questão feminista bem longe está do seu rumo necessário”.

 

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A influência da mulher na educação pacifista do após-guerra, 1947 / Acervo Fundaj

 

A “Eva Militante”, como assim se nomeou em artigos de jornais nos anos de 1930, e “imortal” da Academia Pernambucana de Letras, deixou escritos de sua trajetória e projetos de futuro. Faleceu em 1958, aos 74 anos, com planos de publicar suas crônicas sociais, textos feministas e escritos poéticos. Horas Inúteis, livro de poemas, foi publicado postumamente.

 

*Cibele Barbosa é historiadora da Fundação Joaquim Nabuco.

 

Breve cronologia de Edwiges de Sá Pereira (1884-1958)

Andrea C.T. Wanderley**

 

 

1884 - Em Barreiros, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, nascimento, em 25 de outubro, de Isabel Edwiges de Sá Pereira, futura escritora, educadora, líder feminista e sufragista. Filha do barachel em Direito e senhor de engenho José Bonifácio de Sá Pereira (c.1831-1916) e da dona de casa Maria Amélia Rocha de Sá Pereira (18?-1915), pertencia à aristocracia latifundiária e letrada de Pernambuco. Era irmã dos advogados Virgílio e Manoel Arthur, do advogado e poeta Eugenio, o advogado e jornalista Eurico; e Érico, Nanette, Margarida, Fredovinda, Cândida, Adalgisa e Marieta.

1895 – Com apenas 11 anos de idade escreveu o poema Saudade, um dos seus primeiros textos de que se tem registro.

1886/1897 – Com seu irmão, Eugênio, criou o jornalzinho manuscrito Echo Juvenil, com pequenos textos e poesias, que circulava entre os seus familiares.

1897 - Algumas de suas poesias que se encontravam no Echo Juvenil foram publicadas no jornal O Paiz, do Rio de Janeiro, com apresentação do jornalista, escritor e dramaturgoArtur Azevedo (1855-1908) (O Paiz, 7 e agosto de 1897, primeira coluna).

A revista A Mensageira, revista literária dedicada à mulher brasileira, foi criticada por não ter incluído Edwiges e outras escritoras no artigo de fundo de sua primeira edição. Era dirigida pela poetisa e feminista mineira Presciliana Duarte de Almeida (1867-1944) (Revista do Brazil, setembro de 1897).

 

 

Seu poema Primaveras foi publicado (Revista do Brazil, 30 de novembro de 1897).

Publicação de seu poema A jurity ao beija-flores (Revista do Brazil, 30 de dezembro de 1897).

1898 – Algumas poesias de sua autoria foram publicadas na Revista do Brazil (Correio Paulistano, 8 de janeiro de 1898, terceira coluna).

Publicação de um soneto de sua autoria no Jornal do Recife, de 24 de maio de 1898.

 

1899 – Na revista Mensageira, n° 26, publicação de poesias de Edwiges (A Meridional, 1899).

Publicação de suas poesias SimileScenas Simples, na Revista do Rio Grande do Norte, outubro de 1899.

 

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1900 – Publicação de seu poema A Cigana, dedicado a Auta de Souza (A Província, 25 de setembro de 1900, terceira coluna).

1901 – Publicação de Campesinas, seu primeiro livro, com 51 poemas, prefaciado pelo jurista e poeta Antonio Souza Pinto (18-19), entusiasta da publicação. Ele havia conhecido Edwiges em uma viagem que fez a Barreiros (Almanaque do Garnier, 1903). Ofereceu um exemplar do livro à Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Recife, 17 de setembro de 1901, sexta coluna).

 

 

A obra recebeu boas críticas no Recife. Alguns de seus poemas foram:

Meu livro

Perdoa-me se um dia, Tuas nevadas folhas descerrando, Alguém, meu fraco mérito acusando, De ti chasqueie e ria, Não te escrevi, meu livro, para os sábios, Para os sábios, bem sei que tu não prestas… Tinha minh’alma em festas E um riso alegre a me enfeitar os lábios, E antes que me viessem vis ressábios A alegria turvar de minha vida, Eu quis cantar e essas canções modestas Fui tirando da lira estremecida. Tudo quanto da vida eu penso, e via Nos meus sonhos gentis e soberanos, Tudo quanto me enleva a fantasia – Canto na lira azul dos verdes anos!

Barreiros,1900.

No lar

À minha irmã Margarida

Ri-se na sala a trêfega criança, Como a enxotar a mágoa que domina A natureza, quando o sol declina Para o ocaso feliz onde descansa… Na estofada cadeira se embalança Uma jovem mulher, e a fronte inclina Para beijar a filha pequenina, De sua vida a lúcida esperança. Reflete o espelho a serpentina acesa, À luz da qual uma velhinha reza, E eu vejo a fé impressa no seu rosto… Basta em todas as casas esta cena, Assim tão meiga, plácida e serena, Para alegrar as horas do sol posto.

Barreiros, 1898.

Dor suprema

Pranto supremo, pranto dolorido, Companheiro da dor, pranto pungente Dize-me tu, que tornas comovente O suspirar de um coração ferido. Dize-me tu que já de toda a gente Ouviste o peito a soluçar dorido. Sim! Tu que és sempre o intérprete escolhido De quem os golpes do infortúnio sente: Dize-me tu se por acaso existe Dor tão cruenta, padecer tão triste Como de um’alma as duras aflições, Ao ver cortando a vastidão imensa Da região sombria da descrença O bando das primeiras ilusões.

Barreiros, 1900

A uma estrela

Áquela estrêla que acompanha a lua / Eu, curiosa perguntei um dia: / – Qual de vós vale mais, a que flutua / No céu azul da minha fantasia, // Ou tu que, no correr da noite fria, / Erras no céu assim, pálida e nua, / Das esferas ouvindo essa harmonia / Que, até ouvi-la o velho mar estua? // E a clara estrêla disse-me: “Criança, / Quando fanada a última esperança, / A alma ficar-te de ilusão vazia. // Inda hás de verme fulgurar, divina; / Mas, onde encontrarás a que ilumina / O céu azul da tua fantasia”?

       Desolada   

A meu Pai

Beijando a cruz de rútilo rosário, Clotilde reza uma oração, fitando O vulto de Maria no sacrário. Dos belos olhos seus vem deslisando Um rosário de lágrimas ardentes, Que se lhe vai no colo desmanchando. Na posição dos pobres penitentes – Joelhos em terra, mãos entrelaçadas – Envia à Virgem súplicas ferventes. De pungente amargura repassadas São as frases que, triste, balbucia Com o fervor das almas desoladas. Pede à clemente e divinal Maria – Testemunha da dor que a dilacera – O bálsamo que as mágoas alivia. Suplica, reza e, soluçando, espera – Fitando sempre o casto santuário – A proteção da santa que venera. Beijando a cruz de rútilo rosário, Clotilde pensa que tardar não deve O remédio que abrande o seu fadário… Beija a cruz do rosário, e não se atreve, Não faz o mesmo à cruz que lhe foi dada… Acha a que tem na mão pequena e leve, E a que carrega por demais pesada!

Barreiros, 1896

Madrigais

A Hortência

Para enfeitar o céu – quantas estrelas E tu, melhor do que elas Brilham de noite, apenas, no infinito Brilhas a qualquer hora aqui na terra! É que o intenso fulgor Do astro mais esplendente e mais bonito Tens nos olhos, ó flor, (mago espelho de uma alma sem refolhos!) Si eu fosse estrela, inda que fosse Vênus, Teria inveja de teus lindos olhos!

Musa sensível

Seja teu coração bondoso e terno Sensível para o riso e para o luto! O mundo chora e ri, e eu vejo e escuto, Que se às vezes é céu, outras é inferno! Se eu te visse assistir de olhar enxuto Desta vida que passa ao drama eterno, E, a um mesmo gesto, único e supremo, Confundir o que é bom e o que é poluto; Se eu te visse impassível e serena Ante o bem, ante o mal, de que deriva Ora o gozo, ora a mágoa que envenena, Eu que tanto te estimo e te respeito, Musa, sentirá a dor pungente e viva De extinguir -se teu culto no meu peito!

Eduardo de Carvalho (18?-19?), membro efetivo da Academia Pernambucana de Letras, fundada em 26 de janeiro deste ano por iniciativa de Joaquim Maria Carneiro Vilela (1846-1913) e de um grupo de 19 escritores pernambucanos, fez uma bela crítica ao seu livro e a convidou para ser sócia correspondente da instituição. A Academia Pernambucana de Letras foi a quarta do Brasil, tendo sido precedida pela Academia Cearense de Letras, fundada, em 1894;  pela Academia Brasileira de Letras, fundada no Rio de Janeiro, em 1897; e pela Academia Paraense de Letras, fundada em 1900.

Edwiges colaborava com diversos jornais no país, dentre eles, O Norte (RJ) e o Escrutínio (RS), e com revistas, como a Revista Feminina (SP).

Publicação de seu poema Maria Amelia (Almanach de Pernambuco, ).

Era uma das redatoras da revista Azul e Ouro, órgão literário da Oficina Martins Junior, da qual era sócia honorária correspondente. A Oficina havia sido fundada em 1900 (Revista do Brazil, 1901).

Em fins deste ano, seu pai vendeu o engenho em Barreiros e foi morar com sua família no Recife, onde passou a trabalhar para o governo do Estado.

1902 - Edwiges, Adalgisa Duarte Ribeiro, Amélia Freitas Bevilacqua, Belmira Villarim, Cândida Duarte Barros, Luiza Ramalho e Maria Augusta Freire fundaram revista O Lyrio, cujo primeiro exemplar foi lançado em 5 de novembro. Em várias de suas 20 edições, abordava a importância da educação da mulher e a pouca atenção dos governantes em relação à instrução feminina. A publicação, encerrada em junho de 1904, foi importante para a difusão do ideário feminista baseado na educação como o único caminho para a emancipação da mulher. A Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, possui sete exemplares da revista armazenados na Divisão de Obras Raras e na Coordenadoria de Publicações Seriadas (Diário de Pernambuco, 10 de outubro de 1902, última coluna).

“Escrita somente por mulheres tem como redatora-chefe D. Amelia de Freitas Bevilaqua e como redatora-secretária D. Candida Duarte Barros. Participavam da redação as sras. Adalgisa Duarte Ribeiro, Belmira Villarim, Edwiges de Sá Pereira, Luiza Cintra Ramalho, Maria Augusta Freire  e Ursula Garcia. Impresso pela Emp. d’A Província, com exceção do primeiro exemplar, que foi na Imprensa Industrial. Na última página de cada exemplar encontra-se a informação de que “toda correspondência deve ser dirigida para rua do Lima, n.54, residência da Redactora-Secretaria”, e o valor da revista: número avulso custava 1$000 e a assinatura trimestral era de 2$000″.

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Alguns de seus poemas publicados em O Lyrio foram Simile (n°1, novembro de 1902), dedicado a sua mãe; Paisagem (n°2, dezembro de 1902), Auta de Souza e  Esther (n°4, fevereiro de 1903)Olhos Verdes (nº 5, março de 1903); A um raio de sol (nº 6, abril de 1903); O Malmequer (nº 7, maio de 1903), e Miss (n°13 e 14, novembro e dezembro de 1903).

 

Olhos Verdes

Teus olhos verdes eu fito
Mas logo depois não sei
Se foi do excelso infinito
Divina estrella que olhei.

É que teu olhar encerra
Tanta graça e tanta luz
Que eu penso não ser da terra
O brilho que me seduz!…

Teus olhos, flor adorada,
São de um poder soberano:
E a gente os fita enlevada
Qual se contemplasse o oceano…

Não é que nelles escondas
Essa perola do mar,
Mas toda a attração das ondas
Tu tens guardada no olhar!

Eu nesse olhar adivinho
– Como a chimera vagueia! –
Candura de passarinho
Fascinação de sereia!…

O canto sonho do poeta
Nas noites claras de lua,
Semelha a chamma dilecta
Que nos teus olhos fluctua…

Formosa é sempre a esperança,
Pois vês teus olhos querida,
Têm a cor desta ave mansa
Que tece os sonhos da vida!…

Se pudessem teus olhares
Ver toda a immensa amargura
Do mundo eu via os pesares
Transformados em ventura…

Das almas tristes chorosas,
O pranto num doce riso,
A vida – num mar de rosas,
A terra num paraíso!…

 

Era considerada uma charadista (Almanach de Pernambuco, 1902).

Era uma das redatoras da Revista Pernambucana, que existiu entre 1902 e 1904 (Gazeta de Notícias, 26 de dezembro de 1902, sexta coluna).

1903 – Estudava na Escola Normal, onde se formou como professora, em 1905.

Publicação de seu poema Março (Almanach de Pernambuco para o ano de 1903).

Publicação de seu poema No camarim (Almanach de Pernambuco para o ano de 1903).

Seguia colaborando com a  Revista Pernambucana (Diário de Pernambuco, 16 de dezembro de 1902, quinta coluna).

1904 - Foi eleita vice-presidente do clube literário Olintho Victor, fundado por estudantes da Escola Normal (Diário de Pernambuco, 7 de maio de 1904, sétima coluna).

Seus poemas estavam presentes na publicação Sonetos brasileiros, editada por Laudelino Freire (1873-1937) (Diário de Pernambuco, 3 de julho de 1904, quarta coluna).

Publicação de seu poema O Mar (Almanach de Pernambuco, 1904).

Ofertou livros à Biblioteca da Faculdade de Direito do Recife (Diário de Pernambuco, 28 de julho de 1904, sexta coluna).

Foi publicada uma foto de Edwiges no Almanach de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 10 de agosto de 1904, segunda coluna).

Foi a oradora na cerimônia de bênção do estandarte do corpo discente da Escola Normal, realizada na Ordem 3ª de São Francisco (Jornal Pequeno, 24 de setembro de 1904, segunda coluna).

Foi anunciado que a Oficina Martins Junior, que já existia desde 1900 e que em 1901 elegeu a revista Azul e Ouro como seu órgão literário, seria reconstituída em 2 de outubro, em uma sessão no Instituto Arqueológico Pernambucano. Em 1901, Edwiges havia se tornado sócia honorária correspondente da Oficina, mas na reorganização da agremiação tornou-se efetiva (Jornal do Recife, 11 de setembro de 1900, primeira coluna; Jornal do Recife, 2 de abril de 1901, penúltima colunaDiário de Pernambuco, 29 de setembro de 1904, segunda coluna; Jornal do Recife, 2 de outubro de 1904, última coluna).

Foi aceita como sócia honorária do Grêmio Literário Pantheon de Lettras (Diário de Pernambuco, 4 de outubro de 1904, penúltima coluna).

Fez um discurso como representante do segundo ano da Escola Normal (Diário de Pernambuco, 13 de dezembro de 1904, primeira coluna).

1905 – Na Revista Pernambucana, publicação de seu poema Amor (A Província (PE), 15 de fevereiro de 1905, quinta coluna).

Foi eleita presidente do Clube Literário Olintho Victor (Diário de Pernambuco, 25 de maio de 1905, primeira coluna).

Formou-se na Escola Normal (Diário de Pernambuco, 27 de outubro de 1905, quinta coluna). Em 19 de outubro, foi promovida a festa da Escola Normal das formandas de 1905 e Edwiges foi a oradora do evento (Almanach de Pernambuco, 1911).

A letra do hino da Escola Normal era de sua autoria (Diário de Pernambuco, 28 de novembro de 1905, sexta coluna).

Publicação de seu poema O Mar (Almanach de Pernambuco, 1905).

1907 –  Publicação de seu poema Desolação (Almanach de Pernambuco1907).

Na rua da Aurora, n° 123, foram realizados os exames da escola particular mista presidida por Edwiges (Jornal do Recife, 12 de dezembro de 1907, quarta coluna).

Angariou fundos para a construção de uma estátua em homenagem ao poeta, professor e jurista Martins Junior (1860-1904) (Jornal do Recife, 26 de junho de 1907, última coluna).

Foi uma das colaboradoras da terceira edição de novembro/dezembro da revista Polyantho, sob a direção de Martins Filho (Jornal do Recife, 4 de janeiro de 1908, sexta coluna).

1908 - Publicação de seu poema Aves Libertas, dedicado a Aurea Jacome (Jornal do Recife, 1° de abril de 1908, última coluna).

Assumiu o cargo de professora primária do Estado de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 12 de abril de 1908, segunda coluna). Durante sua carreira no magistério lecionou Prática Didática e Pedagogia. Também foi professora de Português do curso Comercial do Colégio Eucarístico. Depois tornou-se catedrática da Escola Normal e mestra da cadeira de História Geral e do Brasil, do Instituto Nossa Senhora do Carmo. Posteriormente foi superintendente do Ensino nos Grupos Escolares do Recife.

Foi publicado um poema de sua autoria acerca da esperança (Diário de Pernambuco, 19 de fevereiro de 1908, última coluna).

1909 – Foi nomeada diretora da Escola Estadual da Boa Vista. No fim do ano, foi realizada na escola uma festa magnífica (Diário de Pernambuco, 15 de janeiro de 1909, terceira coluna; Jornal do Recife, 7 de dezembro de 1909, sexta coluna).

Publicação de seu poema Maio (Jornal Pequeno, 7 de maio de 1909, terceira coluna).

Publicação de seu soneto O Violino.

“Magno instrumento a tua voz parece / A voz do coração que á gente fala: – / Ninguem te ouvindo o seu pezar esquece, / Ninguem te ouvindo os seus sorrisos cala… // Quando, ou tranqüilo e doce como aparece / Ou presto e alegre um som de ti revela, / – Queixa de quem magoas de amor padece / Canto de quem feliz amor propala, // O sêr que bebe o influxo soberano / Das emoções diversas de teu peito / Que pulsa e vibra como o peito humano, // Presa de enleio e de fascinação / Pensa um momento que tu foste feito / Das próprias cordas do seu coração…”

A “Secção Chic” do Jornal Pequeno foi aberta com a publicação do poema Inverno, de sua autoria (Jornal Pequeno, 14 de junho de 1909, terceira coluna).
Foi elogiada em um artigo de Adelmar Tavares (1888-1963) (Jornal Pequeno, 16 de setembro de 1909, primeira coluna).
Foi noticiado que Edwiges havia enviado ao Jornal Pequeno belíssimos escritos para a Secção Chic do periódico sob o pseudônimo de Jessie Yorke. Foi descoberta e como artigo editorial foi publicado na primeira página do jornal o artigo Triste, de sua autoria (Jornal Pequeno, 16 de outubro de 1909, primeira coluna)
Após a palestra Trovas e trovadores proferida por Ademar Tavares, na Sexta Conferência Literária realizada pela Academia dos Nullos, uma associação de jovens acadêmicos, Edwiges ofereceu-lhe flores (Jornal Pequeno, 4 de outubro de 1909, segunda coluna).

Participou da organização de uma quermesse que seria realizada em 16 de janeiro de 1910 em benefício do Instituto de Proteção e Assistência à Infância (A Província, 21 de dezembro de 1909, terceira coluna).

1910 - Publicação de uma fotografia de Edwiges no Almanach Literário Pernambucano (Jornal Pequeno, 4 de janeiro de 1910, terceira coluna).

Ao longo do ano, publicação, no Jornal Pequeno, dos artigos de sua autoria ManiasSombras, Não sei…, A esmo, O Lenço Azul, O Ensino ProfissionalPela infância; Sol Posto, Tradições, Fazer o bem, Grandes e pequenos, O Signal, Educação e Noite de Natal (Jornal Pequeno, 15 de janeiro de 1910, 22 de janeiro de 1910, 29 de janeiro de 1910, 5 de fevereiro de 1910, 12 de fevereiro de 1910, 19 de fevereiro, 5 de março de 1910, 12 de março de 1910, 2 de abril de 1910, 9 de abril de 191030 de abril de 1910, 7 de maio de 1910, 21 de maio de 1910 e 24 de dezembro de 1910).

O poema Vagando, assinado por Cecy, foi dedicado a ela (Jornal Pequeno, 5 de março de 1910, penúltima coluna).

Viajou para o Rio de Janeiro (Jornal Pequeno, 27 de maio de 1910, última coluna). Durante sua estadia, fez uma visita à Escola Normal (O Paiz, 16 de julho de 1910, última coluna). Em uma de suas colunas, a escritora e feminista Julia Lopes de Almeida (1862-1934) comentou a viagem de Edwiges (O Paiz, 1º de novembro de 1910, segunda coluna).

Publicação de seu poema Amor (Jornal Pequeno, 28 de maio de 1910).

Para tratar de sua saúde, licenciou-se do magistério (Diário de Pernambuco, 22 de junho de 1910, penúltima coluna).

Publicação de Nedda, de sua autoria (A República, 29 de outubro de 1910, quarta coluna).

1911 - Publicação, no Jornal Pequeno, dos artigos de sua autoria Anno Bom, Pelo ensino, Ferri e Gaffre 1, Ferri e Gaffre 2, Ferri e Gaffre 3, Selma, Cortezias, Epistolar, Um livro novo, Mal entendido, A Chronica, Horas mysticas (Jornal Pequeno2 de janeiro de 1911, 14 de janeiro de 1911, 21 de janeiro de 1911, 28 de janeiro de 1911, 4 de fevereiro de 1911, 25 de fevereiro de 1911, 4 de março de 1911, 11 de março de 1911, 18 de março de 1911, 1º de abril de 1911, 8 de abril de 1911, 22 de abril de 1911,

Um artigo de sua autoria sobre as escolas brasileiras publicado no Jornal Pequeno foi citado na coluna “Dois dedos de prosa”, da escritora Julia Lopes de Almeida (O Paiz, 24 de janeiro de 1911, segunda coluna).

Publicação de seu poema Horas mysticas, na revista Santa Cruz (Correio Paulistano, 11 de junho de 1911, primeira coluna).

Integrava a Cooperativa dos Funcionários Públicos (Diário de Pernambuco, 19 de outubro de 1911, terceira coluna).

1912 – Publicação de seu poema Aves e Coração (Almanak Henault, 1912/1913).

No artigo Um Protesto, foi mencionado que Edwiges teve a satisfação de ver traduzida em francês numa revista de Estocolmo uma de suas produções do Lyrio, acompanhada de lisongeiros conceitos do grande literato Pythion de Villar e a propósito de quem o ilustrado dr. Julio Pires, por aquele tempo do Lyrio, escreveu em seu Almanak: “discípula que honra o mestre” (Jornal Pequeno, 6 de fevereriro de 1912, segunda coluna).

Publicação de seu poema De Volta, dedicado a Mlle. Maria Estevan (Almanach de Pernambuco, 1912). Na mesma edição, escreveu o artigo D. Julia Lopes de Almeida, homenageando a escritora, a quem havia visitado no Rio de Janeiro (Almanach de Pernambuco, 1912).

Foi a oradora oficial da homenagem prestada pela mulher pernambucana, um concerto realizado em 13 de janeiro, no Theatro de Santa Isabel, ao general Dantas Barreto (1850-1931), governador de Pernambuco, em protesto por sua eliminação do número dos associados da Associação de Imprensa (Jornal do Recife, 9 de abril de 1912, quinta coluna).

 

 

Publicação de seu poema Maguas (A Faceira, agosto de 1912).

1913 – Publicação de seu poema À Florisa (Sciencias e Letras, fevereiro de 1912 a fevereiro de 1913).

Foi eleita a primeira presidente da Associação das Damas de Beneficência. Já fazia parte da diretoria do Instituto de Proteção e Assistência à Infância (Jornal do Recife, 28 de janeiro de 1913, quarta coluna).

Publicação do artigo Pro-Parvulos Carta Aberta e Francisca Izidora, de sua autoria (Jornal Pequeno, 21 de junho de 1913, primeira coluna; Jornal Pequeno, 30 de agosto de 1913, primeira coluna).

No Instituto de Proteção e Assistência à Infância, foi promovido pelas Damas de Beneficência, sob a presidência de Edwiges, uma festa de Natal (Jornal Pequeno, 26 de dezembro de 1913, primeira coluna).

1914 - Publicação de seu poema No camarim (Jornal Pequeno, 28 de abril de 1914).

Estava inscrita, assim como Assis Chateaubriand (1892-1968) e outros, como colaboradora do recém criado vespertino A Tarde, em Pernambuco (O Paiz, 7 de junho de 1914, quinta coluna).

Foi aceita como membro efetiva do Instituto Arqueológico de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 21 de agosto de 1914, terceira coluna).

Foi citada como uma das grandes poetisas brasileiras pelo palestrante Leal de Souza, secretário da redação da revista Careta, na 3ª conferência de uma série organizada por um grupo de literatos, no salão nobre do (Jornal do Commercio, 26 de agosto de 1914, última coluna).

Publicação de seu poema Natal na Aldeia (Às moças de minha aldeia natal) (Jornal Pequeno, 24 de dezembro de 1914).

1915 - Falecimento de sua mãe, Maria Amélia Rocha de Sá Pereirra (Diário de Pernambuco, 23 de novembro de 1915).

1916 - Seu pai, José Bonifácio de Sá Pereira, foi atropelado por um carro elétrico e faleceu (Jornal do Commercio, 10 de junho de 1916, sexta coluna).

Publicação do artigo A Romã, de sua autoria (Jornal Pequeno, 30 de dezembro de 1916, primeira coluna).

1917 – Publicação do artigo Trabalho Feminino, de sua autoria, em que aborda a questão da admissibilidade da mulher trabalhar fora de casa (Sciencias e Letras, abril de 1917).

Publicação de seu poema De Volta (O Jornal (MA), 9 de outubro de 1917, primeira coluna).

O Jornal do Recife organizou o evento A Primeira Hora Literária Feminina e Edwiges foi a vencedora do Torneio Literário (Revista Feminina (SP), ano 4, n° 34, 1917).

1918 – Publicação em duas partes do artigo A Escola Moderna, de sua autoria, onde discute as noções da pedagogia (A Escola Primária, 1º de janeiro de 1918 e 1º de fevereiro de 1918).

Escreve para o periódico O Ratazana.

Seus versos eram vendidos em algumas lojas do Recife (Jornal Pequeno, 7 de junho de 1918, primeira coluna).

Estava licenciada do magistério (Jornal do Recife, 5 de outubro de 1918, primeira coluna).

Falecimento de seu irmão, Eugênio de Sá Pereira (Jornal do Commercio, 27 de novembro de 1918, segunda coluna).

1919 - Foi citada como exemplo de uma mulher inteligente na seção “Cartas de Mulher”, da revista Vida Moderna, em uma mensagem que contestava o conceito de Schopenhauer sobre as mulheres (Vida Moderna (PE), 22 de março de 1919, última coluna).

1920 – Ao longo dos anos 1920, se correspondeu com feministas do sudeste do Brasil.

Seguia como diretora da freguesia de Boa Vista e era também professora da Escola Normal (Almanach Laemmert, 1921, primeira e segunda coluna).

Em 10 de abril, foi eleita membro efetivo da Academia Pernambucana de Letras e tomou posse em 13 de maio, tornando-se a primeira mulher a fazer parte do quadro efetivo de uma Academia de Letras no Brasil, antecedendo, em 57 anos, a cearense Rachel de Queiroz (1910-2003) que, em 4 de novembro de 1977, tornou-se a primeira mulher a fazer parte do quadro efetivo da Academia Brasileira de Letras (Diário de Pernambuco, 11 de abril de 1920, quarta coluna; A Nota, 22 de maio de 1920). A foto abaixo é de autoria do fotógrafo Louis Piereck.

 

 

Edwiges substituiu João Baptista Regueira Costa (1845-1915), na Cadeira de nº 7, cujo patrono é Antônio Peregrino Maciel Monteiro (1804-1968). A cerimônia de posse aconteceu na Câmara dos Deputados do Recife. Os outros membros empossados foram Antônio Andrade Bezerra (1889-1946), José Gonçalves Maia (1866-19?), Mario Carneiro do Rego Melo (1884-1959), Manoel de Oliveira Lima (1867-1928) e Zeferino Galvão (1864-1924). Faltaram à cerimônia, com motivo justificado, os novos acadêmicos Arthur Muniz (1896-1924), Antônio Andrade Bezerra (1889-1946) e João Barreto de Menezes (1872-1950) (Diário de Pernambuco, 14 de maio de 1920). O evento foi aberto por Samuel Martins (1862-1930), presidente da Academia Pernambucana de Letras, que exaltou Pernambuco como o berço da evolução literária brasileira. Em seguida, o acadêmico Luis de França Pereira (1870-1925) falou sobre a importância da Academia Pernambucana de Letras, das tradições de Pernambuco e saudou os novos imortais. Sobre Edwiges, falou:

“Edwiges de Sá Pereira, que como Sapho dedilha à lira de ouro as queixas mudas do coração humano…Será esta, penso, a primeira das actuaes Academias de Lettras do paiz a admitir uma senhora em seu seio. A casa de Bento Teixeira Pinto quiz ter a primazia neste acto de justiça aos vossos dotes de espirito. Mademoselle Edwiges. E é da tradicional galanteria pernambucana alliar a cooperação da Mulher a todas as nossas affirmações de Energia como a todas as nossas manifestações de Arte”.

Oliveira Lima, um dos novos imortais, falou em nome deles, agradecendo à Academia Pernambucana de Letras e traçou um perfil sobre si e sobre os demais empossados. Em seu discurso, valorizou a entrada de uma mulher na Academia e falou sobre Edwiges:

“Escolhestes a sra. d. Edwiges de Sá Pereira e com esta escolha destes as outras academias do Brazil um exemplo a que a Academia Brasileira ainda não afoitara. As produções poeticas e pedagogicas da nossa consocia justificam de certo vosso acto, mas não deixa ella de ser uma innovação. Devemos todos agradecer a sra. d. Edwiges de Sá Pereira o ter proporcionado a esta Academia o ensejo de tão depressa entrar na nova corrente de idéas, admittindo no seu gremio uma representante da intellectualidade pernambucana”.

 

 

Publicação do artigo Poesia e Moda, de sua autoria (Jornal Pequeno, 7 de junho de 1920, primeira coluna).

É nomeada professora para a cadeira primária feminina da Escola Normal de Pernambuco (A Província (PE), 27 de junho de 1920, primeira coluna).

O escritor e acadêmico Artur Muniz (1870-1924) dedicou a ela o artigo Página de Saudade (A Província (PE), 14 de outubro de 1920, quinta coluna).

Publicação do artigo Natal, de sua autoria (Jornal Pequeno, 24 de dezembro de 1920, última coluna).

1921 – Escreve para a revista A Nota e para a revista do Instituto da Sociedade de Letras de Pernambuco.

 

 

Publicação do artigo Um livro bom, de sua autoria (Jornal Pequeno, 9 de maio de 1921, primeira coluna).

1922 - Publicação de seu poema Abril (Almanach de Pernambuco, 1922).

Foi a letrista do hino Pernambuco à independência com música de Maria do Carmo Santos Barbosa. Foi cantado na comemoração do centenário da Independência do Brasil, realizado no Theatro de Santa Izabel (Diário de Pernambuco,13 de julho de 1922, penúltima coluna).

Escreveu um artigo sobre a exposição da pintora Georgina Barbosa Vianna (18?-1961) (Jornal Pequeno, 22 de julho de 1922, primeira coluna).

Na Revista do Instituto de Sciências, publicação do soneto Pernambuco, de sua autoria (A Província (PE), 14 de novembro de 1922, quarta coluna).

Publicação de uma carta que Antônio Carneiro Leão (1887-1996), diretor de Instrução Pública do Rio de Janeiro, havia enviado a Edwiges, sobre o livro Educação, de autoria dela (Jornal Pequeno, 1º de dezembro de 1922, penúltima coluna).

Participou, em dezembro, no Rio de Janeiro, do I Congresso Internacional Feminista ou 1ª Conferência pelo Progresso Feminino, organizado pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, fundada em 9 de agosto de 1922 e presidida por Bertha Lutz (1894-1976).

1923 – Seguia como diretora da freguesia de Boa Vista e professora da Escola Normal (Almanach Laemmert, 1924).

Publicação de seu poema Avatari, dedicado a Julio Pires (Jornal Pequeno, 21 de fevereiro de 1923, quinta coluna).

1924 – Publicação de seu poema Contraste (Almanach de Pernambuco, 1924).

Foi eleita para integrar a comissão fiscal da Cooperativa dos Funcionários Públicos (Diário de Pernambuco, 25 de janeiro de 1924, quarta coluna).

Foi concedida a ela uma licença de três meses para tratamento de saúde (Jornal do Recife, 16 de março de 1924, terceira coluna).

Fazia parte da comissão de Literatura da organização das festividades em torno da chegada do navio Italia ao Recife (Diário de Pernambuco, 21 de março de 1924, quinta coluna).

Colaborou na revista mensal Nação Brasileira, dirigida por Evaristo de Moraes e Alfredo Horcades (O Paiz, 14 de junho de 1924, quarta coluna).

Publicação do artigo A prioridade de Pernambuco nas ideias liberais, de autoria de Edwiges (Diário de Pernambuco, 2 de julho de 1924, quarta coluna).

Em maio, o governador de Pernambuco, Sergio Teixeira Lins de Barros Loreto (1867-1913), a encarregou para a realização de um estudo acerca da organização e funcionamento do ensino técnico e profissional em Pernambuco e em outros estados do país. Com esse fim, Edwiges partiu para o Rio Grande do Norte e proferiu uma palestra. Foi apoiada pelo governador José Augusto Bezerra de Medeiros (1884-1971) (Jornal do Recife, 11 de maio de 1924, quinta coluna; Diário de Pernambuco, 6 de julho de 1924, penúltima coluna; 30 de julho de 1924, quarta coluna).

Seguiu para o Rio de Janeiro e para São Paulo para continuar seus estudos sobre a organização das escolas domésticas e das escolas profissionais (Diário de Pernambuco, 22 de agosto de 1924, quarta coluna; A Província (PE), 27 de agosto de 1924, primeira coluna).

No Rio de Janeiro, acompanhada por Antônio Carneiro Leão, diretor de Instrução Pública do Rio de Janeiro, visitou escolas rurais. Também fez uma visita à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e encontrou-se com a presidente da entidade, Bertha Lutz, e esteve na Liga dos Professores, onde fez uma palestra. Foi visitada por membros do Centro Pernambucano sediado no Rio de Janeiro. Na Escola Nilo Peçanha foi homenageada com uma festa em comemoração à entrada da Primavera (Jornal do Brasil, 20 de setembro de 1924 e 25 de setembro de 1924O Paiz, 28 de setembro de 1924, sexta coluna; Jornal do Recife, 16 de dezembro de 1924, penúltima coluna; Jornal do Brasil, 17 de dezembro de 1924, sexta coluna).

 

 

Foi recebida em São Paulo com um chá oferecido na Liga das Senhoras Católicas (A Noite, 14 de outubro de 1924, quinta coluna; A Cigarra, 15 de novembro de 1924Diário de Pernambuco, 21 de novembro de 1924, segunda coluna).

Publicação e uma foto e Edwiges com o artigo de sua autoria, intitulado O Violão – ouvindo Josephina Robledo (Brasil Social, 1° de dezembro de 1924).

 

 

1925 - Publicação do artigo Sobre o Ensino Público no Brasil – impressões de uma educadora pernambucana, de sua autoria (Educação, janeiro de 1925).

Publicação de seu artigo Pelo ensino, na revista Brasil Social, dirigido por P.A. Soares (Brasil Social, 1º de janeiro de 1925).

Retornou de sua viagem ao Sul do Brasil onde esteve em comissão do governo estadual. Ao final do trabalho acerca da situação da educação no país, entregou ao governador um minucioso relatório, o qual, um ano depois, foi publicado com o título de Impressões e Notas (Jornal do Brasil, 14 de janeiro de 1925, quarta colunaDiário de Pernambuco, 20 de janeiro de 1925, terceira coluna).

Publicação de seu artigo, A Mulher pernambucana (Diário de Pernambuco, 7 de novembro de 1925).

Escrevia para o periódico Vida Feminina.

1926 - Publicação de um artigo acerca do trabalho realizado por Edwiges em comissão do governo de Pernambuco sobre as escolas domésticas e as escolas profissionais do Brasil (Jornal Pequeno, 18 de maio de 1926, última coluna)

Publicação de um artigo de sua autoria sobre a declamadora Angela Vargas (Jornal Pequeno, 16 de setembro de 1926, primeira coluna).

1927 – Era catedrática da Escola Normal e foi a letrista do hino comemorativo do centenário do Ensino Primário no Brasil – foi musicado pela professora Maria do Carmo Santos Barbosa. O hino foi cantado durante uma sessão magna realizada no Theatro de Santa Isabel e presidida pelo governador Estácio Coimbra (1872-1937) em comemoração à efeméride (Jornal do Recife, 15 de outubro de 1927, primeira coluna; O Paiz, 29 de outubro de 1927, última coluna).

Visitou a redação do Jornal do Recife com a poetisa potiguar Palmyra Wanderley (1894-1978) que iria ler, no dia 10 de dezembro, na Academia Pernambucana de Letras, versos de seu livro Roseira Brava (Jornal do Recife, 2 de dezembro de 1927, quarta coluna).

 

 

1928 - Foi publicada uma declaração de Edwiges sobre a Academia Pernambucana de Letras, integrando a série de reportagens A casa de Bento Teyxeyra Pinto (Diário da Manhã (PE), 22 de janeiro de 1928).

 

 

Foi entrevistada sobre a questão do voto feminino (Diário da Manhã, 28 de março de 1928, sexta coluna).

1929 – Foi eleita a oradora da Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Recife, 3 de fevereiro de 1929, última coluna).

Assinou um artigo sobre o feminismo publicado na revista A dona de casa, dirigida por Cândida de Brito (Jornal do Brasil, 22 de março de 1929, terceira coluna).

Na Revista da Academia Pernambucana de Letras, publicação de um artigo de Edwiges (Diário de Pernambuco, 7 de maio de 1929, segunda coluna).

1931 - Em junho, ela, a médica Paulina Waisman e a pintora Georgina Barbosa Vianna participaram como delegadas de Pernambuco do II Congresso Internacional Feminista, organizado pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e realizado, no Automóvel Club, no Rio de Janeiro, entre 20 e 30 de junho. Edwiges e Georgina chegaram à cidade no dia 18, a bordo do navio Raul Soares. Foram recebidas por representantes da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, presidido por Bertha Lutz, e da União Universitária Feminina, presidida por Carmen Portinho (1903-2001). Na época, Edwiges era professora de português e história, na Escola Normal do Recife, além de vice-presidente da Academia Pernambucana de Letras (Correio da Manhã, 19 de junho de 1931, primeira coluna).

Os temas do evento foram educação feminina, proteção às mães e à infância, trabalho feminino, direitos das mulheres e estreitamento das relações pan-americanas e internacionais (Correio da Manhã, 5 de março de 1931, primeira colunaJornal do Brasil, 19 de junho de 1931O Jornal, 19 de junho de 1931, primeira coluna; Diário de Notícias, 20 de junho de 1931Correio da Manhã, 26 de junho de 1931O Malho, 27 de junho de 1931;  Revista da Semana, 27 de junho de 1931 Correio da Manhã, 1º de julho de 1931O Malho, 11 de julho de 1931Vida Doméstica, agosto de 1931).

Destacam-se aqui as delegadas das representações estaduais: Amazonas – Emilia Galvão e Cassilda Araujo Lima; Pará – Marina Lamarão Cardoso, Noemia de Rego Lins, Glória Silva e Maria Aurora Pegado Beltrão; Maranhão – Mariana Gurjão, Cristina Vinhais; Piauí – Nazareth Pires Ferreira; Ceará – Henriqueta Galena, Adilia Moraes e Carmem Castelo Branco; Rio Grande do Norte – Maria Eugenia Celso e Julia de Medeiros; Paraíba do Norte – Rosalina Coelho Lisboa; Pernambuco – Edwiges de Sá Pereira, Georgina Barbosa Vianna e Paulina Waismann; Alagoas – Almerinda Farias Gama; Sergipe – Sra. Maria Rita Soares de Andrade, Carlota Camargo do Nascimento; Bahia – Edith Mendes da Gama e Abreu, dra. Hermelinda Paes, Lili Tosta, dra. Francisca Praguer Froés, Alice Kelsche de Aguiar, Celeste Cerqueira; Espírito Santo – Anna Borges Ferreira; Estado do Rio de Janeiro – Antonieta de Souza Braga, Murilla Torres, Yolanda Torres, Dulce Horta Esteves Lagoeira, Maria Rosa Ribeiro; Estado de São Paulo – Helena Gordo; Julia Algodoal, Clotilde Kleber, dr. Horácio Silveira, Alice de Toledo Tibiriça e outras: Paraná – Martha da Silva Gomes; Santa Catarina – Alice Pinheiro Coimbra; Rio Grande do Sul – Ascylia Correia Rodrigues, Acy Coelho e Ilka Labarthe; Minas Gerais – Ignácia Guimarães, dra. Alzira Reis Vieira Ferreira, Maria Esther Ramalho, Eunice Weaver; Goiás – Dra. Rosita Godinho de Oliveira Bello; Mato Grosso – Branca Portinho.

O discurso de abertura do evento foi pronunciado pela escritora Julia Lopes de Almeida (1862-1934). Durante o encontro, Edwiges proferiu o discurso Pela Mulher, para a Mulher, que defendia uma nova concepção de ensino para a mulher. Dividiu a população feminina em três categorias: mulheres que não precisavam trabalhar, mulheres que sabiam e precisavam trabalhar e, finalmente, as mulheres que não sabiam e precisavam trabalhar. Os dois primeiros grupos deveriam, segundo ela, se unir para que o terceiro grupo fosse auxiliado (Jornal do Brasil, 15 de julho de 1931, sexta coluna).

Foi entrevistada e declarou que “o feminismo é uma evolução natural dos tempos. Como todas as forças vivas da natureza, a mulher não poderia estacionar nas fronteiras do passado, montando guarda aos velhos preconceitos que lhe tolhiam a faculdade de pensar e agir“(Diário da Noite, 22 de junho de 1931, primeira coluna).

 

 

Dentro da programação do congresso, participou de uma missa campal com a presença da primeira-dama, Darcy Vargas (1895-1968), e de todas as delegadas do evento, realizada no terreno da igreja do Sagrado Coração de Jesus. No mesmo dia foi inaugurada a exposição anexa ao congresso, no Automóvel Club. Participou também da sessão de congraçamento presidido por Bertha Lutz, quando falou sobre a filosofia do momento feminista (Diário de Pernambuco, 23 de junho de 1931, quinta coluna; Diário de Notícias, 1º de julho de 1931, primeira coluna).

Foi publicada uma entrevista com Edwiges (Jornal do Brasil, 1º de julho de 1931, terceira coluna).

Foi convidada pela escritora e feminista Martha de Holanda (1903-1950) para ser a presidente de honra da Cruzada Feminista Brasileira, fundada e presidida por Martha, mas não aceitou o cargo. Sobre Martha de Hollanda, Luciene de Freitas, autora de sua biografia “Uma guerreira no tempo – Um resgate de uma época, Martha de Hollanda e Delírio do Nada” (2003), escreveu:

“Ela era uma pessoa à frente do seu tempo. Contestava o ensino, contestava as roupas, usava vestidos sem manga e curtos, sem meia, fumava, bebia, tinha amizades com homens e fazia saraus com intelectuais. Eram coisas que chocavam naquela época. Tanto que essa liberdade rendeu um falatório sobre ela na cidade”

 

 

Em 10 de novembro, no Clube Internacional do Recife, Odila Porto da Silveira, representante da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, deu posse à primeira diretoria da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino. Edwiges foi a primeira presidente desta associação, cargo que exerceu até 1935. Personalidades da sociedade pernambucana, assim como autoridades estaduais e federais, representantes da imprensa e de diversas corporações prestigiaram o evento (Jornal Pequeno, 10 de novembro de 1931, primeira colunaJornal do Recife, 11 de novembro de 1931, primeira coluna). Neste primeiro biênio da associação, a vice-presidente era a professora Noemia Ferreira Xavier, e a segunda vice-presidente era a também professora e irmã de Edwiges, Anna Sá Pereira da Silva Almeida. A secretária-geral era Maria de Lourdes Souza Leão, a tesoureira, Santina Monteiro; e a consultora jurídica era Ida Souto Uchôa (Jornal Pequeno, 7 de agosto de 1931, quinta coluna).

 

 

A ideia de criação da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino surgiu em reuniões de um grupo de pernambucanas que defendia a maior inclusão feminina na sociedade. Várias destas reuniões aconteceram na casa de Edwiges (Jornal do Recife, 20 de junho de 1931, primeira coluna). A Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino apoiava fortemente os princípios católicos. Ao longo de sua existência, até fins da década de 1930, a associação, devido à forte influência de Edwiges, teve como prioridade a questão da educação da mulher. Investiu na criação da Escola de Oportunidades cuja principal meta era disponibilizar cursos como correspondência, datilografia e línguas às jovens de todas as classes sociais do Estado.

A coluna “Palestras Femininas”, do Diário de Notícias, homenageou Edwiges com a publicação do poema Dúvida, da escritora pernambucana (Diário de Notícias, 5 de julho de 1931, primeira coluna).

1932 – Sua tese Pela Mulher, para a Mulher foi publicada como de livro.

Ainda era a vice-presidente da Academia Pernambucana de Letras (Fon-Fon, 5 de março de 1932, primeira coluna).

Foi eleita segunda secretária da diretoria da Academia Pernambucana de Letras (Diário de Pernambuco, 1º de abril de 1932, última coluna).

No Clube Internacional, a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino promoveu um evento para comemorar o Dia das Mães. Pela primeira vez a efeméride foi comemorada no Brasil de acordo com um decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas (1882-1954) (Jornal Pequeno, 9 de maio de 1932, quarta coluna).

 

 

A oficialização do Dia das Mães no Brasil foi uma conquista da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino que durante o II Congresso Internacional Feminista, realizado em junho de 1931, no Rio de Janeiro, designou uma comissão que fez a solicitação ao presidente Vargas. Ele assinou o Decreto 21.366, em 5 de maio de 1932, estabelecendo o segundo domingo de maio como a data comemorativa dedicada às mães.

 

 

1933 - Publicação do artigo Pela mulher, de sua autoria (Diário de Notícias, 20 de fevereiro de 1933, penúltima coluna).

Foi eleita vice-presidente da Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Recife, 22 de fevereiro de 1933, quarta coluna).

A Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, sob a presidência de Edwiges, enviou a artista plástica e feminista Georgina Barbosa Vianna como representante da associação na Convenção Eleitoral Feminina, no Rio de Janeiro, com propostas de inclusão no texto constitucional de obras contra as secas, recusa ao serviço militar obrigatório para mulheres e apoio ao ideário católico (Diário de Pernambuco, 30 de março de 1933, primeira coluna).

Edwiges e Martha de Hollanda conseguiram o direito de votar e também de serem votadas. Em uma enquete promovida pelo Diário de Pernambuco, Edwiges foi apontada como uma excelente candidata pela pintora e feminista Emília Barbosa Viana Marchesini, por Edna Leite Gueiros, redatora da “Página Feminina” do Jornal do Commercio; por representantes da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, e por Ana Campos, catedrática da Escola Normal. Em, 30 de abril, a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino fez uma publicação indicando Edwiges ao eleitorado (Diário de Pernambuco26 de janeiro de 1933, quarta coluna27 de janeiro de 1933, penúltima coluna;  29 de janeiro de 1933, penúltima coluna1º de fevereiro de 1933, penúltima coluna; 30 de abril de 1933, quarta coluna30 de abril de 1933, terceira coluna30 de abril de 1933, última coluna).

 

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Foi publicada uma entrevista com Edwiges e quanto à questão do divórcio, no Diário de Pernambuco, de 30 de março de 1933, ela afirmou:

“Somos católicos e não compreendemos as reivindicações femininas fora desses princípios. Somos pela indissolubilidade do matrimônio como condição máxima de garantia de família, da estabilidade do lar, da moral social, enfim. Mas, não basta impedir que o divórcio se instale em nossa lei magna; é o no código civil, quando se regular a sociedade conjugal que todo o cuidado se impõe. Combater o divórcio e deixar subsistindo na legislação civil e nos costumes as causas principais que o provocam é obra incompleta. Combatamos o mal do organismo social, ele está muito na indiferença com que consideramos e que de grosseiro temos herdado ou contagiado de raças diversas, vinculadas a nossa e má importação de práticas dissolventes de civilizações requintadamente epicuristas. Na época atual o espírito de sacrifício, o apelo a passividade e a resignação, afiguram-se de natureza e resultados muito precários”.

Martha, sem partido, e Edwiges, pelo Partido Economista de Pernambuco, foram candidatas a deputadas constituintes por Pernambuco, em 3 de maio, mas não se elegeram.

 

 

Publicação de seu poema Pernambuco (Brasil Feminino, maio de 1933).

Devido à reforma do Ensino Normal em Pernambuco, ela e mais três professoras catedráticas da Escola Normal foram postas em disponibilidade (A Província (PE), 16 de maio de 1933, quinta coluna).

Foi reeleita presidente da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino para o biênio de 1933 a 1935 (Jornal Pequeno, 1º de agosto de 1933, primeira coluna).

1934 – Na reunião semanal da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, foi uma das escolhidas para o serviço direto junto à Constituinte (O Paiz, 22 de março de 1934, quinta coluna; O Paiz, 2 de maio de 1934, quinta coluna).

Publicação de uma entrevista com Edwiges sobre os rumos do feminismo no Brasil e das propostas à Constituição (Jornal do Recife, 22 de junho de 1934, primeira coluna).

Na Rádio Clube Recife, a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino promoveu uma hora de arte para comemorar as vitórias alcançadas pela mulher na nova Constituição do país. O evento foi aberto por Edwiges (Jornal do Recife, 22 de julho de 1934, primeira coluna).

Foi admitida na Associação de Imprensa de Pernambuco como sócia colaboradora (Diário de Pernambuco, 15 de setembro de 1934, segunda coluna)

Falecimento de seu irmão, o desembargador Virgílio de Sá Pereira (Jornal Pequeno, 22 de setembro de 1934, terceira coluna).

Publicação de seu artigo intitulado Natal (Jornal Pequeno, 24 de dezembro de 1934, penúltima coluna).

Integrou o júri do Concurso Feminino promovido pelo Diário de Pernambuco. Os trabalhos foram divididos nas categorias puramente literários e de interesse educativo e social (Diário de Pernambuco, 27 de dezembro de 1934, terceira coluna).

1935 – Foi sucedida por Emília Barbosa Viana Marchesini na presidência da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, tornando-se sua presidente honorária.

Publicação do artigo A Arte de Conversar, de sua autoria (Jornal do Recife, 3 de fevereiro de 1935).

Publicação do artigo Dia das Mães, de sua autoria (Jornal Pequeno, 11 de maio de 1935, segunda coluna).

Proferiu a palestra de abertura da Semana do Livro (Diário de Pernambuco, 12 de novembro de 1935, penúltima coluna).

1936 – Era a segunda vice-presidente da Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Brasil, 30 de junho de 1936, quarta coluna).

Discursou durante a visita da escritora Carolina Nabuco (1890-1981) à Academia Pernambucana de Letras (Jornal Pequeno, 6 de novembro de 1936, quarta coluna).

1937 – Recebeu 39 votos no plebiscito promovido pela revista O Malho para saber quem seriam as mulheres que mereceriam ingressar na Academia Brasileira de Letras. As cinco primeiras colocadas foram Maria Eugênia Celso (1886-1963), Gilka Machado (1893-1980), Alba Canizares (1893-1944), Anna Amélia Carneiro de Mendonça (1896-1971) e Henriqueta Lisboa (1901-1985) (O Malho, 14 de janeiro de 1937, quarta coluna).

Foi eleita para integrar a comissão da Revista da Academia Pernambucana de Letras (Jornal do Brasil, 28 de março de 1937, última coluna).

Foi uma das eleitoras do concurso Príncipe dos Poetas Brasileiros promovido pela revista Fon-Fon (Fon-Fon, 24 de abril de 1937, segunda coluna).

Ela e outras integrantes da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino estiveram presentes à inauguração da Escola de Enfermagem de Olinda, fundada sob os auspícios da associação (Diário de Pernambuco, 17 de agosto de 1937, penúltima coluna).

Foi uma das palestrantes da 7ª Semana Anti-Alcoólica (Jornal do Recife, 30 de outubro de 1937, última coluna).

Em 22 de dezembro, foi instalado o Estado Novo que, de acordo com o Decreto-lei n. 37, de 02 de dezembro de 1937, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas (1882-1954), proibia a existência de partidos políticos e organizações civis.

1938 – Esteve presente à cerimônia da entrega solene da Escola de Enfermagem de Olinda à prefeitura da cidade (Diário de Pernambuco, de 1938, segunda coluna).

1940 – Foi a autora da letra do Hino Escolar João Barbalho, musicado pela também professora Maria do Carmo Santos Barbosa (Diário da Manhã, 24 de outubro de 1940, quinta coluna).

1945 – Publicou o livro Um passado que não morre, uma homenagem póstuma ao historiador João Baptista Regueira Costa (Diário de Pernambuco, 5 de outubro de 1952, terceira coluna).

Proferiu, na Academia Pernambucana de Letras a conferência A influência da mulher na educação pacifista do após-guerra. Na introdução deste trabalho escreveu sobre sua motivação para escrevê-lo: como “única mulher membro deste sodalício, competia-me, por vários motivos, a explanação do assunto, que em mim se integra por uma longa fase de cátedra e de suas afinidades sociais” .

1946 - Foi uma das colaboradoras da primeira edição da revista Capibaribe, dirigida por Jorge Medeiros de Souza (Jornal Pequeno, 13 de junho de 1946, terceira coluna).

Tomou posse como uma das integrantes do Conselho Consultivo da filial pernambucana da Liga Internacional Mulheres, fundada no Recife (Diário de Pernambuco, 22 de agosto de 1946, segunda coluna; Jornal do Brasil, 1° de setembro de 1946, primeira coluna).

Foi publicada na edição de dezembro da Revista da Academia Brasileira de Letras a conferência A influência da mulher na educação pacifista do após-guerra. O texto integrou uma série de 28 conferências organizada pela Academia Pernambucana de Letras (Revista Brasileira, dezembro de 1946).

1947 – Foi recebida na Federação das Academias de Letras no Brasil, no Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 1° de outubro de 1947, segunda coluna).

1948 – Fez uma visita de despedida à Federação das Academias de Letras no Brasil (Jornal do Brasil, 3 de fevereiro de 1948, terceira coluna).

Falecimento de seu irmão, Eurico de Sá Pereira (Jornal Pequeno, 31 de maio de 1948, penúltima coluna).

Seu apoio ao envio de uma mensagem de solidariedade da Academia Pernambucana de Letras ao Salão de Poesia escandalizou o acadêmico Mário Melo (1884-1959), que combatia a poesia moderna (Jornal Pequeno, 13 de outubro de 1948, primeira coluna).

1951 - Participou de um almoço, no restaurante Torre de Londres, em homenagem à escritora Maria das Graças dos Santos Leite pela publicação do livro Alma em vigília (Jornal Pequeno, 24 de agosto de 1951, quarta coluna).

1952 - Falecimento de sua irmã, Fredovinda, funcionária aposentada do Tribunal de Justiça (Diário de Pernambuco, 23 de abril de 1952, primeira coluna).

Colaborou na terceira edição da Revista Pernambucana, dirigida por Getúlio Amaral e Olympio Fernandes (Jornal Pequeno, 13 de dezembro de 1952, terceira coluna).

1953 – Escreveu um artigo sobre a poetisa baiana Ilka Sanchez (1922-?) (Diário de Pernambuco, 1º de novembro de 1953, sexta coluna).

Escreveu o artigo Austro Costa (Diário de Pernambuco, 15 de novembro de 1953, quinta coluna).

1954 - Escreveu o artigo “Rosa de Pedra”: poesias de Zila Mamede (Diário de Pernambuco, 28 de fevereiro de 1954, sexta coluna).

Escreveu o artigo Imagens e Sombras sobre o novo livro do poeta Costa Rego Junior (Diário de Pernambuco, 4 de abril de 1954, última coluna).

Publicação do artigo Poesia, de sua autoria (Diário de Pernambuco, 13 de junho de 1954, quinta coluna).

Na colunaVida religiosa”, publicação do artigo Obra Social de Grande Vulto, de sua autoria, sobre o Centro Social Nossa Senhora da Soledade (Diário de Pernambuco, 18 de setembro de 1954, sexta coluna).

1955 – Publicação de seu poema Saudade, dedicado à poetisa Maria das Graças Santos Leite (Diário de Pernambuco, 8 de julho de 1955, quarta coluna).

1956 - Publicação do artigo Cartas, de sua autoria (Diário de Pernambuco, 21 e 22 de abril de 1956, última coluna).

Publicação do artigo Poesias de Pierre Luz, de sua autoria (Diário de Pernambuco, 23 de setembro de 1956, sexta coluna)

1958 - Faleceu, em 14 de agosto, em sua casa, no bairro do Espinheiro, no Recife, vítima de uma trombose cerebral (Diário de Pernambuco, 15 de agosto de 1958, penúltima coluna). Nunca se casou nem teve filhos, mas sua sobrinha Hebe de Sá Pereira, em um depoimento de 2010, revelou que Edwiges se arrependia de não ter sido mãe solteira (Revista Brasileira, abril maio, junho de 2020, página 69) .

 

 

 

 

Foi homenageada na Academia Pernambucana de Letras e a professora, educadora e escritora Dulce Chacon (1906-1982) pronunciou um discurso intitulado Edwiges de Sá Pereira – Escritora, acadêmica e professora, no qual dissertou sobre o respeito e carinho que a homenageada tinha para com os membros da referida agremiação, e em seguida, traçou um perfil de sua vida e obra. No ano seguinte, o discurso foi reunido em plaquette (Diário de Pernambuco, 28 de setembro de 1958, primeira coluna; Diário de Pernambuco, 18 de janeiro de 1959, quarta coluna).

 

 

1960 – Publicação, por iniciativa de sua sobrinha Hebe de Sá Pereira, de seu livro Horas inúteis, uma reunião de poemas escritos por ela, com prefácio do escritor e imortal da Academia Pernambucana de Letras, Jordão Emerenciano (1919-1972). O livro é composto por 53 poemas, alguns inéditos e outros que já haviam sido publicados em periódicos. No prefácio desta publicação póstuma, o professor Jordão Emereciano, fez breves considerações sobre a personalidade da autora, da sua importância para a história da Academia Pernambucana de Letras e sobre o valor desta publicação para o campo literário do estado. Para ele, este livro, era “um pouco a síntese de tudo isto porque os seus sonetos e poemas contêm os reflexos de sua atividade variada e diversificada e a motivação de toda uma vida que teve também os seus dias de luta e de sonho, de ideal e de poesia” (Revista Ágora, Vitória, n.13, 2011, p. 1-16 ).

A seguir, um trecho do prefácio:

 

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Publicação de seu poema Capitólio, onde se evidenciava sua formação parnasiana.

“Hás de viver eternamente, ó verso, / Nos velhos moldes: no esplendor que anima / A luz no movimento do Universo! / O amor na lei da Natureza oprima! // Quando não mais surgisse um som disperso / Do hemisfério, da métrica e da rima, / Sobram-te louros de um parnaso terso: / Nunca a seara dos Gênios se dizima! // Não medra o esforço do que finge odiar-te. / Qual haverá que um dardo acerte dentre / Os que desdenham teu prestigio de arte? // Qual haverá que um poema legue, ovante, / Ao mundo, e o mundo o leia e se concentre / Como se lê Camões, Homero, Dante?!”

Dulce Chacon foi eleita para ocupar a vaga de Edwiges na Academia Pernambucana de Letras (Diário de Pernambuco, 26 de novembro de 1959, terceira coluna).

1979 - Em seu livro de memórias, intitulado Medo de Criança (1979), Dulce Chacon revelou: “Tenho estado a pensar nos belos livros que Edwiges de Sá Pereira deixou reunidos, já datilografados, prontos para a impressão. Nos derradeiros anos, ver os seus três livros em letra de forma constituiu para ela o maior desejo” (Chacon, 1979:265). Os livros que a autora se refere, são: Eva MilitanteJóia de Turco Horas Inúteis. Sobre Eva militante, Dulce comentou que Edwiges havia feito uma análise de alguns aspectos dos problemas enfrentados pela mulher brasileira “no lar ou nas atividades externas, nas profissões liberais, ou na burocracia, aviadora, magistrada, prefeita, deputada, escrivã, professora”. Ainda segundo Chacon, no livro Jóia de Turco, Edwiges havia reunido algumas de suas crônicas sobre acontecimentos nacionais e internacionais, já publicadas em jornais, “inspiradas no noticiário e nos telegramas, nas conversas de rua e na leitura de livros, tirando-os da sombra ou de um recanto do passado para dar-lhe vida, movimento, graça, sentido poético e conteúdo humano”.

 

**Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

AMARAL, Walter Valdevino do. Edwiges de Sá Pereira: Uma voz pernambucana no Segundo Congresso Internacional Feminista (Rio de Janeiro, 1931), 2017.

AMARAL, Walter Valdevino do. “Um passado que não morre”: traços biográficos de Edwiges de Sá Pereira. Revista Ágora, Vitória, n.13, 2011, p. 1-16.

AMARAL, Walter Valdevino do; RIBEIRO, Emanuela Souza. Edwiges de Sá Pereira: um breve olhar sobre a poesia feminina pernambucana, 2009.

BARBOSA, Izabelle Lúcia de Oliveira. Os movimentos feministas pernambucanos e o debate em torno do divórcio (1926-1937). XVIII Simpósio Nacional de História. Florianópolis, Santa Catarina, 2015.

BNDigital

CAMPOS, Andrea Almeida Campos. Edwiges de Sá Pereira: Uma feminista vitoriana na primeira metade do século XX in Revista Brasileira, abril, maio, junho de 2020, página 59.

CAMPOS, Zuleica Dantas Pereira. Edwiges de Sá Pereira: um discurso para e pela mulher. In: I COLÓQUIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA. GT12: Gênero, Sociabilidades e Sensibilidades. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), 1º, 2008. Anais […]. Campina Grande – PB, 2008.

COSTRUBAL, Deivid Aparecido. Para além do sufragismo: A contribuição de Júlia Lopes de Almeida à história do feminismo no Brasil (1892-1934). Tese apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis – UNESP – Universidade Estadual Paulista para a obtenção do título de Doutor em História (Área de conhecimento: História e Sociedade), 2017.

FAGUNDES, Emelly Sueny Fekete. Uma das faces do feminismo em Pernambuco: Transgressões e permanências na trajetória da Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino (1931-1937).  2018. 181 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

NASCIMENTO, Alcileide Cabral do. O bonde do desejo: o Movimento Feminista no Recife e o debate em torno do sexismo (1927-1931). Rev. Estud. Fem. 21 (1) • Abr 2013.

PEDROSA, Cida. A Eva militante e todas as horas úteis para a mulher e pela mulher. Revista Hexágono, 2020.

SCHUMAHER, Shuma; BRAZIL, Érico Vital (Org.). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

SILVA, Martia Angélica Pedrosa de Lima. Entre engajamentos e manifestos: a inserção de Edwiges de Sá Pereira nos espaços públicos do Recife (1920-1935). Seminário Internacional Fazendo Gênero, Florianópolis, Santa Catarina, 2017.

Site Academia Pernambucana de Letras

Site Tribunal Eleitoral de Pernambuco

VAINSSENCHER, Semira Adler. Edwiges de Sá Pereira.

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”

A escritora, jornalista, iluminista, abolicionista, defensora da educação e das ideias feministas, Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), é o destaque da 18ª publicação da série Feministas, graças a Deus!. Carioca, nasceu em 24 de setembro de 1862, na Rua do Lavradio, 53, filha do médico Valentim José da Silveira Lopes, mais tarde Visconde de São Valentim, e de Adelina Pereira Lopes, imigrantes portugueses que haviam exercido o magistério em Portugal. Foi autora de inúmeros  romances e contos, tendo também escrito para teatro e colaborado em diversas publicações. Foi aclamada pelo público e pela crítica literária, considerada uma figura excepcional em nossas letras. Na virada do século XIX para o século XX, era considerada a escritora mais importante do Brasil, e foi apontada como a maior romancista da geração de escritores que sucedeu a Machado de Assis e precedeu a eclosão do movimento modernista. Com sua produção literária e em suas ações concretas, Júlia realizou o feminismo possível dentro das limitações de sua época e do meio social em que viveu. Condenava a supremacia masculina, defendia o direito ao voto para as mulheres e combatia a exploração no trabalho, a escravidão e as violências sexuais contras mulheres. Faleceu em maio de 1934.

 

 

Segundo Vanina Eisenhart, em Primeira-Dama Tropical: a cidade e o corpo feminino na ficção de Júlia Lopes de Almeida:

” Júlia Lopes de Almeida …, utilizando os modelos convencionais masculinos, apresenta uma ficção feminina que reúne os movimentos literários e ideologias sociais e científicas de sua época adaptando-as a um feminismo que não é confrontante com os padrões vigentes, mas também certamente não se enquadra nos ‘bastidores’ do patriarcado brasileiro”

 

 

 

“Por que não o hei de enganar do mesmo modo? Em consciência, não há homens nem mulheres: há seres com iguais direitos naturais, mesmas fraquezas e iguais responsabilidades…Mas não há meio dos homens admitirem semelhantes verdades. Eles teceram a sociedade com malhas de dois tamanhos – grandes para eles, para que seus pecados e faltas saiam e entrem sem deixar sinais; e extremamente miudinhas para nós.”

Júlia Lopes de Almeida, em Eles e elas. 2ª ed., Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1922, p. 137.

 

A família de Júlia veio para o Brasil na década de 1850. Seus pais estabeleceram um pequeno colégio em Macaé. Em 1860, o casal e seus filhos foram para o Rio de Janeiro fundando o Colégio de Humanidades, transferindo-o poucos anos depois para Nova Friburgo, onde Júlia passou os primeiros cinco, seis anos de sua vida. O pai de Júlia, Valentim, foi fazer o curso de Medicina na Alemanha, deixando o colégio sob a responsabilidade da esposa, que era formada em canto, composição e piano. Valentim retornou ao Brasil em 1867 e por cerca de três anos exerceu o cargo de médico substituto do Hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro. Entre 1869 e 1885, Júlia viveu com sua família em Campinas, onde seu pai inaugurou a Casa de Saúde do Senhor Bom Jesus, da qual era proprietário. A casa da família agregava a intelectualidade da cidade. Em 1875, Júlia foi pela primeira vez a Portugal.

Em 7 de dezembro de 1881, seu primeiro artigo, Gemma Cuniberti, sobre a atriz italiana que dá nome ao texto, foi publicado na Gazeta de Campinas.

“A elegância desse texto inaugural estampado na primeira página da Gazeta de 8 de dezembro de 1881, realçada pela utilização de um vocabulário desusadamente simples e direto, foram suficientes para abrirlhe o caminho para colaborações regulares naquelejornal. Seguem-se, ao longo de 1882 e 1883, três dúzias de artigos, liberados à média de dois por mês, que bastaram para consagrá-la como prosadora. O ano de 1884 marca uma inovação importante: aqueles primeiros textos, leves e concisos, dão lugar a uma série de artigos mensais, numerados seqüencialmente de 1 a VI, que aparecem sob a epígrafe ‘Leitura Popula?’, com o subtítulo “As Nossas Casas”. Neles é abordada a problemática cotidiana da dona-de-casa, da conservação da roupa branca aos cuidados específicos para a realização de bordados”. 

Leonora de Luca (1997)

 

Em 1884, estreou como cronista do jornal O Paiz, um dos mais importantes do Rio de Janeiro e durante cerca de 30 anos sua coluna abordou diversos assuntos, entre os quais se destacaram os relacionados à defesa da mulher.

Publicou seu primeiro livro, Contos Infantis, em 1886. Escrito em parceria com sua irmã, Adelina Lopes Vieira (1850 – 1923), reunia 33 textos em verso e 27 em prosa destinados às crianças. Em 1891, por decisão da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária da Capital Federal, este livro foi adotado para uso nas escolas primárias do Rio de Janeiro e depois para as de todo o Brasil durante mais de 20 anos.

Em 1887, em Portugal, publicou Traços e Iluminuras, seu primeiro livro de contos, e se casou, em Lisboa, em 28 de novembro de 1887, com o escritor português Filinto de Almeida (1857 – 1945). Na época, Filinto era diretor da revista A Semana. O casal teve os filhos Afonso (1888-), Adriano, Valentina, Albano (1894-), Margarida (1896-) e Lúcia (1897-). Júlia passou a colaborar em diversos jornais e almanaques, tanto do Brasil como em Portugal. No ano seguinte, o casal voltou para o Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro. Em 1889 , transferiram-se para São Paulo, onde Filinto foi dirigir o jornal A Província de São Paulo. Voltaram para o Rio de Janeiro, em 1895, após a morte dos filhos Adriano e Valentina. Foram morar em Santa Teresa.

Júlia participou das primeiras reuniões para a fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL) e seu nome constava da primeira lista extraoficial dos 40 “imortais”, elaborada por Lúcio de Mendonça (1854 – 1909), conforme publicado no jornal O Estado de São Paulo, de 12 de dezembro de 1896.

 

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                                                                  O Estado de São Paulo, 12 de dezembro de 1896

 

Apesar de sua importância na literatura, chamada muitas vezes de “Rainha das escritoras”, Júlia não pode integrar os quadros da entidade, fundada em 20 de julho de 1897, uma vez que, seguindo o modelo da Academia Francesa, a ABL optou por ser exclusivamente masculina. Júlia foi substituída por seu marido, Filinto de Almeida, fundador da cadeira nº 3, que chegou a ser considerado “acadêmico consorte”. “Não era eu quem devia estar na Academia, era ela“, declarou Filinto na Gazeta de Notícias de 25 de março de 1905.

 

 

“Em que pese a inexistência de registros oficiais acerca dos bastidores dessa valsa das cadeiras, o episódio nos possibilita inferir que, se, por um lado, a arbitrariedade da decisão não arrefeceu o vigor criativo de Júlia Lopes de Almeida, haja vista a forma regular com que continuou a produzir e a publicar seus escritos, por outro, deixou evidente sua posição em falso no ainda incipiente campo literário brasileiro, uma vez que o considerável prestígio que desfrutava entre seus pares não se mostrara suficiente, a ponto de assegurar sua presença no seleto rol dos imortais. Estávamos, pois, diante não apenas da primeira lacuna institucional feminina na ABL, mas de um acontecimento ilustrativo das forças sociais que, ocultamente, operavam na fabricação do cânon literário, eclipsando o protagonismo das mulheres que tencionavam fazer da pena um ofício”.

Michele Asmar Fanini

 

Somente oito décadas após sua criação uma mulher foi eleita para integrar a Academia Brasileira de Letras: a escritora cearense Rachel de Queiroz  (1910 – 2003), em 4 de novembro de 1977, passou a ocupar a cadeira nº 5 da instituição. Em 1996, a escritora Nélida Piñon (1937 – 2022) foi eleita a primeira mulher presidente da ABL.

 

 

Em 1905, Júlia tornou-se uma das poucas mulheres a participar da série de conferências inauguradas por Coelho Neto (1864 – 1934) e Olavo Bilac (1865 – 1918), motivando polêmicas a respeito do papel da mulher na arcaica sociedade brasileira.

Na casa do casal Filinto e Júlia, em Santa Teresa, segundo João do Rio um “cottage admirável, construído entre as árvores seculares da estrada de Santa Teresa” (Gazeta de Notícias, 25 de março de 1905, primeira coluna) eles eram os anfitriões do Salão Verde, situado no terraço da residência, local frequentado pelos artistas e intelectuais da época, tanto brasileiros quanto estrangeiros, entre os primeiros anos do século XX até 1925, quando se mudaram para Paris. No Salão Verde eram realizados tertúlias e saraus. Como as mulheres escritoras não eram convidadas para as reuniões literárias realizadas em cafés e confeitarias, Júlia encontrou como saída criar um espaço alternativo, fundando um espaço literário, tornando-se anfitriã e, assim, facilitando sua presença no universo da literatura, ainda preponderantemente masculino. Foi considerada, segundo Hilda Machado, a sucessora brasileira da francesa Madame de Staël (1766 – 1817). “Talvez por se tratar de “espaço[s] semipúblico[s], situado[s] entre a casa e a rua”, os salões literários tenham se convertido em um poderoso acicate à emancipação feminina, ou então, em “um dos poucos territórios onde as mulheres tinham um lugar reconhecido e onde efetivamente desenvolveram formas originais de sociabilidade em torno do exercício e do debate literário” (HOLLANDA, 1993, p. 21).

Nesta entrevista a João do Rio, Júlia revelou que escrevia versos escondida e que foi uma de suas irmãs que a surpreendeu escrevendo e mostrou ao pai, que a estimulou  a escrever.

 

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Foi uma das personalidades que a poetisa francesa Jane Catulle Mendès (1867 – 1955) conheceu quando passou uma temporada, entre setembro e dezembro de 1911, no Rio de Janeiro, cidade a qual se referiu como cidade maravilhosa. Julia uma crônica a respeito de Jane, publicada no jornal O Paiz, de 3 de outubro de 1911. Quando Julia esteve em Paris, foi homenageada por Jane com um banquete no MacMahon Palace, em fevereiro de 1914, com a presença de 160 pessoas ligadas às letras brasileiras e francesas. Na ocasião, Julia foi saudada como a George Sand do Brasil (L´Espagne, 26 de fevereiro de 1914). Anos depois, em 1936, em Letras e literatos, obra póstuma de José Veríssimo (1857 – 1916), foi publicado:

“Não podemos afirmar se têm razão os que declaram que Júlia Lopes de Almeida foi nossa George Sand. Parece-nos mesmo, que não há motivos para, nesse terreno, se fazer comparações e traçar paralelos. Júlia Lopes de Almeida dispunha de personalidade própria, virtude que se evidencia principalmente nos seus contos e novelas curtas. Sua obra reflete com brilho e colorido uma época da vida da burguesia rica do Brasil, sem preocupação de crítica social, é verdade, mas com profundo sentimento e compreensão dos nossos costumes, preconceitos e falhas.”

Julia participou ativamente, com a feminista Bertha Lutz (1894 – 1976), da criação da Legião da Mulher Brasileira, sociedade instituída em 1919, da qual foi presidenta honorária.

Em 1922, proferiu a conferência intitulada Brasil no Conselho Nacional de Mulheres da Argentina. No mesmo ano, foi a presidente de honra da 1ª Conferência pelo Progresso Feminino que aconteceu, entre 19 e 23 de dezembro de 1922, no Edifício Silogeu, do Instituto dos Advogados, no centro do Rio de Janeiro, e em Petrópolis. A tese geral da conferência foi “a colaboração da Liga pelo Progresso Feminino na educação da mulher no bem social e aperfeiçoamentos humanos” e apresentava como um de seus objetivos “deliberar sobre questões práticas de ensino e instrução feminina”. A feminista Bertha Lutz (1894 – 1976) foi a presidente do evento, no qual participou a líder feminista norte-americana Carrie Chapman Catt (1859 – 1947), fundadora da Associação Nacional do Sufrágio Feminino dos Estados Unidos e presidente da recém-criada Associação Pan-Americana de Mulheres para a qual Bertha Lutz foi indicada vice-presidente.

 

 

Júlia tornou-se patrona da Cadeira nº26 da Academia Carioca de Letras, fundada em 8 de abril de 1926. A cadeira já foi ocupada por Afonso Lopes de Almeida, Nelson Costa, Luiz de Castro Souza e Tânia Zagury. No centenário de seu nascimento, em 1962, Júlia foi homenageada com um Ex-líbris comemorativo.

 

 

Também participou do II Congresso Internacional Feminista do Brasil, organizado pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e inaugurado, em 20 de junho de 1931, no Automóvel Club. Os temas do evento foram educação feminina, proteção às mães e à infância, trabalho feminino, direitos das mulheres e estreitamento das relações pan-americanas e internacionais. Sendo a mulher com o maior prestígio cultural no Brasil, foi uma das oradoras da cerimônia de abertura do congresso. Em seu encerramento, realizado em 30 de junho de 1931, Júlia lançou um apelo aos poderes públicos e mais diretamente ao chefe do governo no sentido de anistiar todos os exilados políticos do Brasil. Foi ovacionada (Correio da Manhã, 5 de março de 1931, primeira colunaJornal do Brasil, 19 de junho de 1931O Jornal, 19 de junho de 1931, primeira coluna; O Jornal, 21 de junho de 1931, quarta coluna, Correio da Manhã, 26 de junho de 1931O Malho, 27 de junho de 1931;  Revista da Semana, 27 de junho de 1931; O Jornal, 1° de julho de 1931, terceira coluna Correio da Manhã, 1º de julho de 1931O Malho, 11 de julho de 1931Vida Doméstica, agosto de 1931).

 

 

 

Faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de maio de 1934, devido a uma doença que contraiu durante uma viagem à África (O Jornal, 31 de maio de 1934, sexta coluna). A ABL promoveu uma sessão especial em sua homenagem, cujas oradoras foram sua filha, Margarida Lopes de Almeida (1896- 1979), e a escritora Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1866 – 1963).

 

 

Um ano após a morte da escritora, Afonso Celso (1860-1938) publicou o artigo intitulado Homenagem à Dona Júlia Lopes de Almeida na Revista da Academia Brasileira de Letras, onde lhe conferiu o título de Mestra da língua (Revista Academia Brasileira de Letras, v.48, abril de 1935, p. 259).

” […] em tudo e por tudo ela o foi, mestra na acepção mais elevada da palavra, o que quer dizer propiciadora de nobres ensinamentos, modelo de raras virtudes, irradiadora de salutar influência. Mestra de língua e mestra de vida, quer pela excelência da sua produção literária, quer pela pureza sem jaça da sua existência”.

 

 

Imagens de Júlia Lopes de Almeida

Na imprensa

 

 

 

 

Com a família

 

 

 

 

 Por pintores

 

 

 

 

 

Capas de livros de Júlia Lopes de Almeida

 

Julia Lopes de Almeida Livro das Noivas Rio de

 

Júlia Lopes de Almeida - a escritora da belle époque tropical | Templo  Cultural Delfos

 

 

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Livro: A Intrusa - Julia Lopes de Almeida | Estante Virtual

 

Literatura & EU: Cruel Amor, de Júlia Lopes de Almeida - RESENHA #42

 

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin: Era uma vez...

 

Júlia Lopes de Almeida, uma ilustre mortal – Blog da BBM

 

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Esse artigo foi ampliado em 29 de março de 2026.

 

Fontes:

DE LUCA, Leonora. O “feminismo possível” de Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934)

DE LUCA, Leonora. Feminismo e iluminismo em Júlia Lopes de Almeida (1862-1934). Ci. & Tróp.. Recife, v. 25, n. 2, p. 213-236,jul/dez., 1997.

FANINI, Michele Asmar. Júlia Lopes de Almeida em cena: notas sobre seu arquivo pessoal e seu teatro inéditoRev. Inst. Estud. Bras. (71) • Sep-Dec 2018.

FANINI, Michele Asmar. A (in)visibilidade de um legado – Seleta de textos dramatúrgicos inéditos de Júlia Lopes de Almeida. São PauloEditora Intermeios, 2017.

ENGEL, Magali Gouveia. Júlia Lopes de Almeida (1862-1934): uma mulher fora de seu tempo?.

ENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção, edição e organização). Júlia Lopes de Almeida – a escritora a belle époque tropical. Templo Cultural Delfos, outubro/2022.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

HOLLANDA, Heloisa Buarque de. O que querem os dicionários?. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de; ARAÚJO, Lúcia Nascimento. Ensaístas brasileiras. Mulheres que escreveram sobre literatura e artes de 1860 a 1991. Rio de Janeiro: Rocco, 1993

MACHADO, Hilda. Laurinda Santos Lobo: mecenas, artistas e outros marginais em Santa Teresa. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2002.

SÉ, Rafael Sento. A poeta da Cidade Maravilhosa: Jane Catulle Mendès e a viagem que criou o sonho de um Rio de Janeiro na Belle Époque. Belo Horizonte (MG) : Autêntica Editora, 2025.

Site Academia Brasileira de Letras

Site Academia Carioca de Letras

 

 

 

 

Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!”

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst”

No Dia dos Povos Indígenas, a Brasiliana Fotográfica publica o décimo quinto artigo da série Feministas, graças a Deus com uma seleção de imagens produzidas por Alberto Frisch (1840 – 1918), Dana B. Merril (1887 – 19?), Felipe Augusto Fidanza (c.1847 – 1903), Franz Keller (1835 – 1890), Hercule Florence (1804 – 1879), Marc Ferrez (1843 – 1923), Vincenzo Pastore (1865 – 1918), Walter Garbe (18? – 19?) e também por fotógrafos ainda não identificados. O portal traz para seus leitores a história da origem da data e também o perfil de uma das primeiras e mais importantes feministas brasileiras, a baiana Leolinda Daltro (1859 – 1935), chamada de a precursora do feminismo indígena e também de a nossa Pankhurst, uma alusão à famosa e fundamental sufragista britânica Emmeline Pankhurst (1858 – 1928).

 

 

Acessando o link para as fotografias de indígenas selecionadas e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

 

A origem do Dia dos Povos Indígenas

 

Anteriormente chamado no Brasil de Dia do Índio, a data foi criada no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado em Pátzcuaro, no México, entre 14 e 24 de abril de 1940, com a participação da grande maioria dos países americanos, exceto o Canadá, o Haiti e o Paraguai. Havia 55 delegações oficiais, 71 delegados independentes e 47 representantes de grupos indígenas de vários países. O representante brasileiro foi Edgar Roquette-Pinto (1884 – 1954), membro do Conselho Nacional do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) (Correio da Manhã, 27 de abril de 1940, sexta coluna; Jornal do Brasil, 25 de maio de 1940, primeira coluna).

Nem todos os países americanos adotaram a data como dia de celebração da cultura indígena. No Brasil, a data foi instituída pelo Decreto-Lei 5.540, de 1943, assinado pelo então presidente Getulio Vargas (1882 – 1954), convencido pelo marechal Cândido Rondon (1865 – 1958), primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio, criado em 1910 e extinto em 1967, quando foi substituído pela Fundação Nacional do Índio, Funai (Correio da Manhã, 3 de junho de 1943, sexta coluna).

 

 

Passou a chamar-se oficialmente Dia dos Povos Indígenas a partir da Lei 14.402, promulgada em 8 de julho de 2022. A alteração ocorreu com a aprovação do PL 5.466/2019, que revogou o já mencionado decreto de 1943. A nova nomenclatura tem como objetivo explicitar a diversidade das culturas dos povos originários.

 

 

Breve perfil de Leolinda Daltro (1859 – 1935), “a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst”

 

 

Baiana e importante ativista pela incorporação da população indígena brasileira à sociedade a partir da alfabetização laica e defensora da emancipação da mulher, Leolinda de Figueiredo Daltro nasceu em 14 de julho de 1859. De origem indígena, segundo a própria  descendente em linha reta quer pelo lado paterno quer pelo lado materno de duas tribos indígenas – Tymbira e Tupynamba, viveu a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e foi uma das precursoras do indigenismo e do feminismo no Brasil. Entusiasta do voto feminino, fundou o Partido Republicano Feminino (PRF), em 1910, e a Escola de Ciências, Artes e Profissões Orsina da Fonseca, em 1911.

“Minei, pacientemente, o terreno, sem que os inimigos do voto feminino se apercebessem do meu verdadeiro objetivo”

Leolinda Daltro,

Jornal do Brasil, 18 de dezembro de 1927

Abaixo, trecho do  artigo Mulher! Sempre a mulher, da poetisa gaúcha e ex-diretora da revista Brasil Feminino Iveta Ribeiro (1886 – 1962), publicado na revista O Malho, de 5 de abril de 1951. Nele, a autora escreve que Leolinda, por sua luta pelos ideais femininos, deveria ter um monumento em praça pública.

 

 

Leolinda foi casada duas vezes: a primeira com seu primo, Gustavo Pereira de Figueiredo, por volta de 1875; e, a segunda, com Appolonio de Castilho Daltro, em torno de 1883. Com Gustavo teve dois filhos: a futura professora Alcina de Figueiredo (1874 – 1948); e Alfredo Napoleão de Figueiredo (1877 -1931), futuro advogado e funcionário dos Correios. Com Appolonio, teve quatro: Oscar (188?- 1943), Leobino (1887-1959) – que se formaram no Mackenzie College de São Paulo em Direito e Engenharia, respectivamente -; a futura professora Áurea (1893 – 1924) e uma quarta criança, que faleceu ainda bebê.

Veio para o Rio de Janeiro com a familia, por volta de 1888, e foi nomeada professora municipal. Segundo seu relato, quando dirigia a Escola Mista de Santa Isabel, no Matadouro de Santa Cruz, recebeu a visita da princesa Isabel (1846 – 1921) e de seu marido, o conde D´Eu (1842 – 1922), acompanhados do coronel Floriano Peixoto (1839 – 1905), futuro segundo presidente do Brasil; e de outros militares. Em 1893, Leolinda apoiou o movimento que ficou conhecido como a Segunda Revolta da Armada, quando militares da Marinha se revoltaram contra o governo de Floriano.

Em 1896, Leolinda envolveu-se com a questão indígena quando um grupo de indígenas Xerente foi ao Rio de Janeiro para pedir proteção ao então presidente da República, Prudente de Moraes (1841 – 1902). Ela defendia a incorporação da população indígena brasileira à sociedade a partir da alfabetização laica – na época, o sistema vigente era a de catequização e conversão dos indígenas ao catolicismo. Para por sua ideia em prática, entre 1896 e início do século XX, percorreu o interior do país, atendendo a um pedido feito, em 1896, pelo indígena Sapé ao já citado presidente da República, para enviar pessoas capazes de instruir as crianças de sua aldeia, em Goiás. Leolinda atuou às margens do Rio Tocantins lecionando para os indígenas Xerente. Foi denominada Oaci-Zauré (estrela d’alva) pelos indígenas de Goiás. Por sua atuação junto a eles foi muitas vezes ridicularizada. Por exemplo, na peça O Filhote, de Vicente Reis, que estreou no Teatro Lucinda, em 11 de março de 1897, Leolinda era atrozmente insultada (O Paiz, 13 de março de 1897, sexta coluna).

Na sede do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, foi instalado o Instituto de Protecão aos Indigenas Brasileiros, em 21 de outubro de 1902. Leolinda, cujo ativismo foi importante para a realização da iniciativa, foi, acompanhada de seu filho Alfredo Napoleão de Figueiredo, à primeira sessão ordinária, e agradeceu sua admissão como sócia benemérita. Em um breve relato de suas viagens, Leolinda afirmou que era “urgente a fundação de um núcleo de indigenas na margem do Araguaya”.

Na década de 1900, hospedou diversas vezes indígenas em sua casa no Rio de Janeiro. Em outubro de 1908, fundou a Associação de Auxílio aos Silvícolas do Brasil e ofereceu ao governo seus serviços como coordenadora de uma equipe de educação voltada aos indígenas. Foi delegada do Primeiro Congresso Brasileiro de Geografia, que se realizou no Palácio Monroe, entre 7 e 15 de setembro de 1909. Na comissão de antropologia e etnografia apresentou uma Moção sobre os resultados de suas observações nos sertões de Goiás e Mato Grosso. Seu trabalho completo, intitulado Memória, foi incluído nos anais do evento e seu teor principal refere-se a convicção indigenista de Daltro: retirar da esfera religiosa o privilégio de civilizar os indígenas e transferi-lo para a instância governamental.

Em 23 de dezembro de 1909, fundou a Junta Feminina Hermes – Venceslau, que apoiava Hermes da Fonseca (1855 – 1923) e Venceslau Brás (1868 – 1966) para a presidência e vice-presidência da República, respectivamente. Sob a presidência de Leolinda, a ata da nova associação expressava seu protagonismo como ativista política pelos direitos das mulheres. Em 1º de março de 1910, a chapa apoiada por ela venceu as eleições. Neste mesmo ano, como já citado, Leolinda fundou o Partido Republicano Feminino (PRF), cujo manifesto, de autoria de Gilka Costa de Melo Machado (1893 – 1980), foi publicado no jornal A República, de 10 de agosto de 1910*. Ela foi uma das 27 fundadoras do partido e, em 1933, ganhou um concurso da revista O Malho como maior poeta brasileira do século XX.

 

 

 

 

Em 17 de junho de 1911, Leolinda inaugurou a Escola de Ciências, Artes e Profissões Orsina da Fonseca, que fundou e dirigiu, com a presença da primeira-dama Orsina da Fonseca (1879 – 1912) e do presidente Hermes da Fonseca (1855 – 1923). O discurso de abertura foi feito por Gilka da Costa Melo Machado. Na escola, que era gratuita, eram ministradas aulas de alfaiataria, datilografia, enfermagem, tipografia e até tiro e esgrima. No mesmo ano, fundou a Linha de Tiro Rosa da Fonseca, nome da mãe do presidente Hermes da Fonseca. Posteriormente denominado batalhão feminino, era presença frequente nas festas cívicas do Rio de Janeiro.

Leolinda declarou, em 1913, considerar-se a responsável pela semente da emancipação feminina no Brasil. Dois anos depois,´em 1915, já como professora catedrática, aposentou-se. Em 1916, sob sua direção foi lançado o primeiro número do periódico quinzenal A Tribuna Feminina. Ainda neste ano, em dezembro, Leolinda encaminhou à Câmara uma representação em nome do Partido Republicano Feminino, sobre o voto feminino:

“A grande maioria do professorado municipal desta cidade é constituído por mulheres. São elas que dão instrução aos futuros cidadãos, que têm sobre os ombros a difícil tarefa de preparo das novas gerações. Se a lei lhes deu tão grande responsabilidade; se o Estado reconhece a sua capacidade para tão alta função, qual seja a de educar e instruir a mocidade; se a Escola Normal, Oficial, lhes conferiu um diploma que lhes habilita para esse espinhoso mister — como admitir que esse mesmo Estado possa negar-lhes capacidade para a simples escolha dos que devam ser os representantes do país nas assembleias legislativas e nos altos postos da administração pública? É o maior dos absurdos.”

Em 1917, requereu seu alistamento eleitoral, mas seu pedido foi recusado. Cerca de um ano depois lançou o livro Início do Feminismo no Brazil – subsídios para a história. Também em 1918, ainda convalescendo da gripe espanhola, Leolinda ofereceu ao então prefeito do Rio de Janeiro, Amaro Cavalcanti (1849 – 1922), o edifício da Escola Orsina da Fonseca para tornar-se uma enfermaria de atendimento a mulheres e crianças desamparadas e o trabalho das 20 enfermeiras da instituição para ajudar no combate à epidemia.

Em 1919, lançou sua candidatura ao cargo de intendente municipal pela cidade do Rio de Janeiro, mas não foi eleita. Em 1926, voltou a concorrer e não se eleger ao cargo.

O voto feminino e Leolinda foram alvo de zombaria no desfile dos clubes do carnaval carioca de 1920. No fim deste ano, publicou o livro Da catequese dos índios do Brasil (notícias e documentos para a história). Leolinda justificou a publicação tardia de seus registros alegando que a idéia da educação laica dos indígenas fora recebida com indiferença e frieza e a tornara alvo de ridículo.

Em 1926, inaugurou o Centro das Escoteiras da Redemptora, na Escola Orsina da Fonseca. Em seu discurso afirmou ter sido a primeira escoteira do Brasil. Em 1933,foi candidata pelo Partido Nacional do Trabalho para deputada constituinte, mas não se elegeu.

 

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Leolinda sobre a conquista do voto feminino (Revista da Semana, 20 de maio de 1933):

 

 

Em 1934, integrava a comissão fiscal da Aliança Nacional das Mulheres, cuja fundadora e presidente era a advogada e feminista Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993).

Em 30 de abril de 1935, foi atropelada por um automóvel quando atravessava a Praça da República. Após ficar internada por alguns dias na Casa de Saúde Pedro Ernesto, onde teve sua perna amputada, faleceu em 4 de maio. Foi enterrada no Cemitério São João Batista.

 

Leolinda Figueiredo Daltro

Mamãe – nosso ourinho

14/07/1859 04/05/1935

Precursora do verdadeiro feminismo pátrio

Propugnadora da nobilitação dos humildes e humanização dos selvícolas

Seu epitáfio no Cemitério Sao João Batista

 

 

Em 2003, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou a Resolução nº 233, que instituiu o Diploma Mulher Cidadã Leolinda de Figueiredo Daltro. A cada ano são escolhidas dez mulheres para receber a homenagem por seu destaque na vida pública e na defesa dos direitos femininos.

 

Cronologia de Leolinda Daltro

 

Leolinda Daltro / A Informação Goyana, maio de 1921

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A Informação Goyana, maio de 1921

 

1859 - Nasceu, em Nagé, na Bahia, em 14 de julho de 1859 – as fontes variam em relação ao ano, mas aqui consideraremos 1859 como o correto, já que é o que consta em seu epitáfio no Cemitério São João Batista, onde está enterrada.

Filha de Alexandrina Tupinambá de Figueiredo e de Luiz Antonio de Figueiredo, em um discurso proferido, em 1926, por ocasião da inauguração do Centro das Escoteiras da Redemptora, Leolinda afirmou ser descendente em linha reta quer pelo lado paterno quer pelo lado materno de duas tribos indígenas – Tymbira e Tupynamba. Leolinda perdeu a mãe ainda na infância e foi criada pela avó, Joana Tupinambá de Sant´Anna Barauna (Gazeta de Notícias, 21 de janeiro de 1916, penúltima colunaO Brasil, 24 de novembro de 1926, quarta colunaCorreio da Manhã, 5 de maio de 1935, sexta colunaDiário de Notícias, 7 de novembro de 1948Jornal do Brasil, 18 de março de 1956).

c. 1871 – Foi internada no Colégio Colé, em Salvador.

1873 – Seu pai, que havia lutado na Guerra do Paraguai, foi promovido a capitão.

c. 1875 – Por volta deste ano Leolinda teria se casado com seu primo, Gustavo Pereira de Figueiredo, conforme declarou em juízo seu filho Alfredo Napoleão de Figueiredo. Desse casamento, cujo desfecho é, até o momento, desconhecido, ela teve dois filhos: a futura professora Alcina de Figueiredo (1874 – 1948); e o já citado Alfredo Napoleão de Figueiredo (1877 -1931), futuro advogado e funcionário dos Correios.

c. 1883 – Casou-se com Appolonio de Castilho Daltro (? – 1943), com o qual teve quatro filhos: Oscar (188?- 1943), Leobino (1887-1959) – que se formaram no Mackenzie College de São Paulo em Direito e Engenharia, respectivamente -; a futura professora Áurea (1893 – 1924) e uma quarta criança, que faleceu ainda bebê.

Uma curiosidade: a esposa de Leobino, Iracema Amazonas, era irmã de Oscar de Siqueira Amazonas, marido de Alcina. Oscar foi casado com a professora Joaquina Daltro e Áurea com Antônio Cardoso de Gusmão Junior. Alfredo Napoleão foi casado com Antonietta de Figueiredo.

 

 

 

Nesta década, Leolinda mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Segundo entrevista dada, em 17 de junho de 2011, por seu neto Othon de Castilho Daltro a Paulete Maria Cunha dos Santos, Appolonio era funcionário da Fazenda da Província da Bahia, em Salvador, e foi transferido para o Rio de Janeiro.

1888 – Foi comunicado ao diretor das escolas suburbanas do Rio de Janeiro que Leolinda havia sido nomeada professora (Jornal do Commercio, 29 de outubro de 1888, segunda colunaJornal do Commercio, 7 de novembro de 1888, primeira coluna)

c. 1888 – Segundo relato de Leolinda, quando dirigia a Escola Mista de Santa Isabel, no Matadouro de Santa Cruz, recebeu a visita da princesa Isabel (1846 – 1921) e de seu marido, o conde D´Eu (1842 – 1922), acompanhados do coronel Floriano Peixoto (1839 – 1905), futuro segundo presidente do Brasil; de outros militares e de outras pessoas gratas, que examinaram os trabalhos escolares, assistiram aos exercícios de ginástica e às aulas de artes e profissões, e a impressão recebida por esses altos personagens foi de tal ordem e tão favorável, que suas altezas, conde d’Eu e a princesa Isabel, mandaram-me um luxuoso livro que intitularam de Livro de Ouro, em cuja primeira página, que denominaram de Página de Honra, lançaram as suas ótimas impressões relativas a sua visita à minha tenda de trabalho. (DALTRO, 1918)

 

 

1893 –  Leolinda Daltro apoiou o movimento que ficou conhecido como a Segunda Revolta da Armada, quando militares da Marinha se revoltaram contra o governo de Floriano Peixoto (1839-1895), acusando-o de desrespeitar a constituição já que após a renúncia do presidente da República, Deodoro da Fonseca, na condição de vice-presidente assumiu a presidência, sem convocar eleições presidenciais conforme previa a Constituição em vigor (Gazeta de Notícias, de 24 de novembro de 1891).

Segundo relato de Leolinda: “Por ocasião da revolta de 6 de setembro de 1893, formado pela primeira vez, em frente da prefeitura, o Batalhão Patriótico Municipal, do qual o mais velho dos meus filhos, Alfredo Napoleão de Figueiredo (com 16 anos de idade), fazia parte como simples soldado, a minha escola apresentou-se com quatrocentos alunos, quase todos uniformizados (à minha custa), fazendo evoluções ginásticas e marchando militarmente entre um delírio de palmas e vivas de quantos assistiram à festa, colocando, uma das alunas, sobre a bandeira do batalhão uma rica coroa de flores douradas, depois de ser pronunciado pela menina Amélia Pessoa um patriótico e vibrante discurso. Todos os alunos foram abraçados com entusiasmo pelos intendentes”. (DALTRO, 1918).

1894 - Seguia trabalhando como professora municipal no Rio de Janeiro (A Federação, 13 de fevereiro de 1894, quarta coluna).

1896 – Leolinda envolveu-se com a questão indígena quando um grupo de indígenas Xerente foi ao Rio de Janeiro para pedir proteção ao então presidente da República, Prudente de Moraes (1841 – 1902). Houve denúncias de negligência que motivaram protestos e reações. Em novembro, Leoinda iniciou sua viagem por Goiás. Seu filho, Augusto Napoleão, havia ido antes. Uma campanha para angariar fundos para expedição foi lançada no Rio de Janeiro e em São Paulo. Leolinda era professora da rede pública do Distrito Federal e recebeu do Conselho Municipal um ano de licença com vencimentos, renovados em 1897 e 1898 e também nos anos seguintes, até 1900. Neste período, instruiu, às margens do Rio Tocantins (Gazeta de Notícias, 30 de julho de 1896, quinta coluna; Jornal do Commercio, 22 de agosto de 1896, terceira coluna; Gazeta de Notícias, 13 de novembro de 1896, quarta colunaJornal do Recife, 6 de agosto de 1897, quarta coluna;  Colecção de Leis Municipaes e Vetos1897 e 1898; Gazeta de Notícias, 25 de julho de 1896, quarta colunaO Paiz, 19 de agosto de 1896, quarta colunaA Notícia, 3 de outubro e 1896, segunda coluna; O Commercio de São Paulo, 24 de julho de 1896, quarta colunaGazeta de Notícias, 17 de setembro de 1902, quinta coluna).

 

 

1897 – Seu retrato foi publicado na Tarde Literária, publicação quinzenal redigida pelo boêmio Raphael Gondry (Gazeta da Tarde, 17 de janeiro de 1897, terceira coluna).

Na peça O Filhote, de Vicente Reis, que estreou no Teatro Lucinda, em 11 de março de 1897, Leolinda era atrozmente insultada (O Paiz, 13 de março de 1897, sexta coluna).

 

 

Em torno deste ano, teria se separado de Appolonio.

Foi noticiado que já havia partido de Goiás para um aldeamento indígena (Jornal do Recife, 6 de agosto de 1897, quarta coluna).

Década de 1900 – Ao longo desta década tirou diversas licenças para tratar de sua saúde.

1901 – Apresentou o mapa que organizou das aldeias que visitou em sua missão pelo estado de Goiás e no Mato Grosso (Jornal do Commercio, 18 de junho de 1901, terceira coluna).

 

 

Pretendia fundar um centro agrícola, denominado Joaquim Murtinho, de 35 léguas de extensão, para onde várias tribos convergiriam.

 

 

1902 – Prestou uma homenagem a Augusto Severo (1864 – 1902), que havia falecido, em 12 de maio de 1902, em Paris, numa explosão do dirigível Pax, inventado por ele (A República (RN), 8 de julho de 1902, terceira coluna).

Leolinda hospedou em sua casa, na rua da Pedreira, em Cascadura, oito indígenas Pinagé que vieram ao Rio de Janeiro fazer reivindicações ao presidente da República, Campos Sales (1841-1913). Alguns estavam enfermos e, outros, amedrontados (Jornal do Brasil, 16 de setembro de 1902, penúltima colunaGazeta de Notícias, 17 de setembro de 1902, primeira coluna). Sua atuação foi comentada em uma crônica de Ferreiro-Mór, publicada em O Malho, de 18 de outubro de 1902. Um dos indígenas que hospedou, o Major Sabino, faleceu.

Em uma sessão do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil de 1902, foi discutida a proposta de um de seus conselheiros, Henrique Raffard, de criação de uma associação de proteção aos indígenas sob os aupícios da referida instituição (Jornal do Commercio, de outubro de 1902, antepenúltima coluna). Um de seus sócios correspondentes, Luiz de França Almeida e Sá (1847 – 1903), falou que um padre da região do Araguaia já havia ordenado o assassinato de Leolinda (Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, 1903).

 

 

Na sede do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, com o apoio do sócio comendador Julio Henrique Raffard (1851 – 1906) e do general Francisco Raphael de Mello Rego (18? – 1904) foi instalado o Instituto de Protecão aos Indigenas Brasileiros, em 21 de outubro. Leolinda, cujo ativismo foi importante para a realização da iniciativa, foi, acompanhada de seu filho Alfredo Napoleão de Figueiredo, à primeira sessão ordinária, e agradeceu sua admissão como sócia benemérita. Em um breve relato de suas viagens, Leolinda afirmou que era “urgente a fundação de um núcleo de indigenas na margem do Araguaya”.

1904 – Participou de uma homenagem feita ao Barão do Rio Branco (1845 – 1912) (Jornal do Brasil, 20 de fevereiro de 1904, última coluna).

Leu uma saudação durante uma homenagem ao coronel acriano Placido de Castro (1873 – 1908), na Pensão Beethoven, onde ele estava hospedado. Um dos líderes da Revolução Acriana, era presidente da República do Acre. Em 1906, Placido tornou-se o primeiro governador do território do Acre, cargo que ocupou até sua morte, em 1908 (Jornal do Brasil, 12 de maio de 1904, oitava coluna).

1905 – Esteve no velório do escritor e jornalista José do Patrocínio ( 1853 – 1905), no Cemitério São Francisco Xavier (O Paiz, 4 de fevereiro de 1905, última coluna).

Leolinda percorreu o acampamento de Santa Cruz com alguns indígenas Xerente e apresentou um deles, Oyama Prace,  ao presidente Hermes da Fonseca  (1855 – 1923). Oyama queria entrar para a Marinha (Jornal do Brasil, 9 de outubro de 1905, sétima coluna).

 

 

1906 – Era muitas vezes ridicularizada devido à sua atuação junto aos indígenas.

 

 

Voltou a abrigar em sua casa indígenas dessa vez guaranis, que vieram ao Rio de Janeiro fazer reivindicações ao presidente da República. Muitas vezes era ridicularizada (Jornal do Brasil, 20 de junho de 1906, sétima coluna).

Foi felicitada no dia do seu aniversário com uma mensagem no jornal (Gazeta de Notícias, 14 de julho de 1906, primeira coluna).

Em 17 de julho, estava no Cais Pharoux participando da recepção ao diplomata Joaquim Nabuco (1849 – 1910), que chegava ao Rio. Na ocasião apresentou a ele três indígenas pinajés (A República, 20 de julho de 1906, primeira colunaRevista da Semana, 29 de julho de 1906).

 

 

Cerca de um mês depois, acompanhada de vários indígenas, entregou a ele uma mensagem pedindo garantias para a educação leiga dos indígenas das Américas. Na época acontecia no Rio de Janeiro o III Congresso Pan-americano. Nabuco disse que não poderia tratar do assunto porque o tema não fazia parte do evento, mas que imprimiria a mensagem e a distribuiria no Congresso (Correio da Manhã, 17 de agosto de 1906, segunda colunaJornal do Brasil, 17 de agosto de 1906, quinta coluna). O III Congresso Pan-americano aconteceu no então Pavilhão de São Luiz, futuro Palácio Monroe. Ele foi erguido no fim da rua do Passeio, na avenida Central, atual Rio Branco, ponto mais nobre da capital do Brasil. O congresso foi aberto em 23 de julho de 1906 e prolongou-se até o dia 27 de agosto de 1906.

Quando ocorreram conflitos violentos entre os povos da etnia Kaingang e os trabalhadores da construção da estrada de ferro em Bauru, Leolinda enviou telegrama ao governador de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928), oferecendo sua colaboração.

Organizou, em 1906, o Grêmio Patriótico Leolinda Daltro destinado à proteção dos indígenas (Jornal do Brasil, 2 de novembro de 1906, oitava coluna).

1907 – Com o intuito de imprimir um cunho mais nacional ao préstito popular para o general argentino Julio Roca (1843 – 1914), no Rio de Janeiro, Leolinda quis juntar um grupo de indígenas ao festejo, mas o prefeito Francisco Marcelino de Sousa Aguiar (1855 – 1935) não autorizou a iniciativa (O Pharol (MG), 11 e 12 de março de 1907, segunda coluna).

Foi uma das representantes do professorado municipal que entregou um presente a Leôncio Correia (1865 – 1950), diretor de Instrução Pública no dia de seu aniversário(Jornal do Brasil, 3 de setembro de 1907, sétima coluna).

1908 – Foi aprovado pelo Conselho Municipal do Rio de Janeiro que o cálculo de tempo de serviço de Leolinda como professora contasse desde sua investidura no cargo de professora, em 1888, até 19 de dezembro de 1901, sem descontar o tempo que passou licenciada (Jornal do Brasil, 13 de junho de 1888, quarta colunaJornal do Brasil, 30 de dezembro de 1908, última coluna).

 

 

Fundou, em outubro, a Associação de Auxílio aos Silvícolas do Brasil e ofereceu ao governo seus serviços como coordenadora de uma equipe de educação voltada aos indígenas. Adolpho Gomes de Albuquerque era o presidente da instituição, Leolinda de Figueiredo Daltro, vice-presidente, e seu filho Leobino Castilho Daltro, secretário. A criação da nova associação, que defendia o ensino laico para indígenas e a integração desses povos por vias pacíficas, foi estimulada por um fato ocorrido em 14 de setembro, quando o cientista tcheco Alberto Vojtěch Frič (1882 – 1944) denunciou o extermínio do povo Kaingang em Santa Catarina, no XVI Congresso de Americanistas, em Viena; e pela publicação, na segunda quinzena do mesmo mês de setembro de um artigo do então diretor do Museu Paulista, Hermann von Ihering (1850 – 1930), na Revista do Museu Paulista defendendo o extermínio dos indígenas (Origem e Fundação do Serviço de Proteção aos Índios (III)).

“Os actuaes índios do Estado de S. Paulo não representam um elemento de trabalho e de progresso. Como também nos outros Estados do Brazil, não se póde esperar trabalho sério e continuado dos índios civilizados e como os Caingang selvagens são um impecilio para a colonização das regiões do sertão que habitam, parece que não há outro meio, de que se possa lançar mão, senão o seu extermínio”. 

1909 – Indígenas Xerente foram à redação do jornal O Paiz pedindo ajuda para seu aldeamento às margens do Tocantins, onde são escorraçados pelas legiões de missionários. Uma das reivindicações dos indígenas era a presença de Leolinda para lhes dar instrução e os guiar na organização e na defesa de seu aldeamento (O Paiz, 29 de janeiro de 1909, sexta colunaA Imprensa, 11 de fevereiro de 1909, quarta coluna). Ela então enviou para o ministro Miguel Calmon (1879 – 1935), Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Indústria, Viação e Obras Públicas, o pedido para ser nomeada missionária civilizadora dos indígenas de Goiás. A resposta foi a seguinte:

 

 

Os indígenas Xerente pediram que Leolinda fosse aposentada para que pudesse ir com eles para a aldeia (O Malho, 13 de março de 1909).

 

 

 

 

Foi delegada do Primeiro Congresso Brasileiro de Geografia, que se realizou no Palácio Monroe, entre 7 e 15 de setembro. Na comissão de antropologia e etnografia apresentou uma Moção sobre os resultados de suas observações nos sertões de Goiás e Mato Grosso. Seu trabalho completo, intitulado Memória, foi incluído nos anais do evento e seu teor principal refere-se a convicção indigenista de Daltro: retirar da esfera religiosa o privilégio de civilizar os indígenas e transferi-lo para a instância governamental. Foi instalada a Associação e Proteção e Auxílios aos Silvículas do Brasil e Leolinda tornou-se a segunda secretária da instituição (O Paiz, 7 de setembro de 1909, segunda colunaO Paiz, 14 de setembro de 1909, última colunaGazeta de Notícias, 15 de setembro de 1909, segunda colunaGazeta de Notícias, 18 de setembro de 1909, quinta coluna).

 

 

O então prefeito do Distrito Federal, Inocêncio Serzedelo Correia (1858 – 1932) abriu um crédito especial para pagamento de diferença de vencimentos a Leolinda (O Magistério, 30 de novembro de 1909).

 

 

Em 23 de dezembro, fundou a Junta Feminina Hermes – Venceslau, que apoiava Hermes da Fonseca (1855 – 1923) e Venceslau Brás (1868 – 1966) para a presidência e vice-presidência da República, respectivamente. Sob a presidência de Leolinda, a ata da nova associação expressava seu protagonismo como ativista política pelos direitos das mulheres (A Imprensa, 25 de fevereiro de 1910, quarta colunaO Paiz, 27 de fevereiro de 1910, primeira colunaGazeta de Notícias, 18 de setembro de 1918, terceira coluna).

1910 -  Em 1º de março, realização das eleições em que a chapa de Hermes da Fonseca e Venceslau Brás venceu a de Rui Barbosa (1849 – 1923) e Albuquerque Lins (1852 – 1926).

 

 

Participou da recepção ao marechal Hermes da Fonseca, que voltava ao Rio de Janeiro, vindo do Rio Grande do Sul (A Imprensa, 16 de março de 1910, primeira coluna).

Participou do préstito que levou o busto de Washington, adquirido por subscrição popular, ao Teatro Municipal. O recém eleitro presidente da República, Hermes da Fonseca, estava presente (Jornal do Brasil, 4 de abril de 1910, antepenúltima coluna).

Leolinda recebeu da Prefeitura do Rio de Janeiro uma gratificação adicional sobre seus vencimentos de professora. Houve uma polêmica a respeito deste assunto envolvendo o marechal Hermes da Fonseca e um funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro (O Paiz, 19 de abril de 1910O Paiz, 22 de abril de 1910, quinta colunaO Século, 22 de abril de 1910, primeira coluna).

Enviou à jornalista e escritora Camen Dolores (1852 – 1910), pseudônimo de Emília Moncorvo Bandeira de Melo, um exemplar do periódico A Política. Em resposta Carmen Dolores declarou que nem era republicana nem feminista (O Paiz, 19 de junho de 1910, segunda coluna). Carmen Dolores faleceu poucos meses depois, em 16 de agosto de 1910. Foi uma das mais influentes literatas dos primeiros anos do século XX, tendo começado a escrever ao ficar viúva. Escreveu entre 1905 e 1910, a coluna “A Semana”, no jornal O Paiz. Quando faleceu, foi substituída por Gilberto Amado. Foi a primeira brasileira a ter a distinção de literata em sua certidão de óbito a  (Fon-Fon, 26 de junho de 1915, segunda coluna).

Apesar de ter declarado não ser feminista a Leolinda, abordou temas bastante incendiários, que tratavam da emancipação da mulher: o direito ao divórcio à educação e à igualdade no trabalho. De fato não atuou na luta pelo voto feminino.

 

 

Por serviços prestados à educação de indígenas no Brasil foi proposto que Leolinda tornasse-se diretora honorária da União Cívica Brasileira (O Paiz, 5 de agosto de 1910, segunda coluna).

O conferencista português João Rodrigues Moreira realizou a palestra Mulheres ilustres brasileiras e uma delas era Leolinda Daltro (A Imprensa, 1º de setembro de 1910, terceira coluna).

Anunciou a fundação da revista Tribuna Feminina, que só seria lançada em 1916 (A Imprensa, 11 de outubro de 1910, primeira coluna).

Fez um discurso em homenagem à primeira-dama do Brasil, Orsina da Fonseca (1879 – 1912), de quem era grande amiga (O Paiz, 19 de outubro de 1910, primeira coluna).

O recém criado Partido Republicano Feminino participou do préstito que acompanhou Hermes da Fonseca do Arsenal de Marinha à sua residência, onde Leolinda leu um soneto em homenagem ao marechal (A Imprensa, 26 de outubro de 1910, primeira colunaJornal do Brasil, 27 de outubro de 1910, sexta coluna).

 

 

Era uma das personalidades retratadas no Álbum Republicano, uma homenagem da Junta Republicana Hermes- Venceslau ao presidente da República, Hermes da Fonseca, ofertado a ele (O Paiz, 12 de novembro de 1910, primeira coluna).

Em 17 de dezembro, foi publicado no Diário Oficial o texto do estatuto do Partido Republicano Feminino (PRF), fundado para mobilizar as mulheres em torno do direito ao voto feminino e Leolinda passou a presidi-lo. Sua sede ficava na rua General Câmara, 387, e o prédio foi cedido pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Serzedelo Corrêa (1858 – 1932)  (Jornal do Brasil, 27 de outubro de 1910, sexta coluna). No dia 18 de agosto de 1911, o partido recebeu o registro oficial, depositado no 1º Ofício de Títulos e Documentos do Distrito Federal.

No mês de dezembro de 1910, reuniram-se assim na cidade do Rio de Janeiro professoras, escritoras e donas de casa, somando ao todo 27 mulheres, que concordaram em assinar a ata de fundação de um partido político que tinha como objetivo integrá-las na sociedade política. O grupo buscava representar as mulheres brasileiras na capital federal e em todos os estados do Brasil, promovendo a cooperação entre elas na defesa das causas relativas ao progresso do país e de sua cidadania. Assim, o programa do partido destacava a luta pelo sufrágio feminino como primeiro passo para a plena incorporação das mulheres ao mundo público. 

CPDOC

Assim era composta sua primeira diretoria: presidente, como já mencionado, Leolinda de Figueiredo Daltro; primeira vice-presidente, Maria Carlota Vaz de Albuquerque; segunda vice-presidente, Emília Torterolli Araldo; primeira-secretária, Hermelinda Fonseca da Cunha e Silva; segunda-secretária, Gilka da Costa Melo Machado; tesoureira, Goldemira Moreira dos Anjos; arquivista, Áurea Daltro; procuradora, Alice Esperança Arnosa; zeladora, Vitalina Faria Sena.

1911 - Em 17 de junho, inaugurou a Escola de Ciências, Artes e Profissões Orsina da Fonseca, que fundou e dirigiu, com a presença da primeira-dama Orsina da Fonseca (1879 – 1912) e do presidente Hermes da Fonseca (1855 – 1923). O discurso de abertura foi feito pela poeta e ativista Gilka da Costa Melo Machado. Na escola, que era gratuita, eram ministradas aulas de alfaiataria, datilografia, enfermagem, tipografia e até tiro e esgrima (Jornal do Brasil, 15 de outubro de 1910, última colunaO Paiz, 17 de junho de 1911, penúltima colunaA Imprensa, 17 de junho de 1911, terceira colunaO Paiz, 19 de junho de 1911, segunda coluna).

 

 

Em 1918, foi dada à instituição uma subvenção anual (Collecção de Leis Municipaes, 1918).

 

 

No livro A Vida Vertiginosa, seu autor, João do Rio, citou Leolinda na crônica As impressões dos Bororos:

Como nunca tive a coragem civilisadora da professora Daltro, só consigo approximar-me dos authenticos proprietários deste paiz, quando por cá apparece alguma caravana de sujeitos de nariz esborrachado, a pedir ao Papae Grande instrumentos agrários“.

Fundou a Linha de Tiro Rosa da Fonseca, nome da mãe do presidente Hermes da Fonseca. Posteriormente denominado batalhão feminino, era presença frequente nas festas cívicas do Rio de Janeiro (A Imprensa, 20 de outubro de 1911, quinta coluna).

Teve concedida pela Prefeitura do Rio de Janeiro licenças de saúde neste ano, no seguinte e em 1915 (O Paiz, 7 de setembro de 1911, primeira colunaO Paiz, 23 de junho de 1912O Paiz, 10 de abril de 1915, penúltima coluna).

Para comemorar a entrada da primavera organizou um préstito com alunas da Escola Orsina da Fonseca, que foi até o Palácio do Catete, onde foram recebidas pelo presidente e pela primeira-dama. O colégio já contava com mais de mil alunas (O Paiz, 23 de setembro de 1911, quinta colunaJornal do Brasil, 23 de setembro de 1911, primeira coluna).

 

 

O Partido Republicano Feminino dedicava-se à realização de atividades de cultura física e também científica – organizou uma escola de enfermeiras  (O Paiz, 21 de outubro de 1911, segunda colunaO Paiz, 25 de outubro de 1911, segunda coluna).

1912 - Em janeiro, exposição de trabalhos realizados pelas aluna da Escola Orsina da Fonseca em 1911, Na ocasião, o general Serzedelo Corrêa (1858 – 1932) elogiou a gestão de Leolinda (A Imprensa, 14 de janeiro de 1912).

 

 

Lecionava em uma escola municipal que ficava na rua Coronel Cabrita, nº 6, no bairro de São Cristóvão. Teve aprovada pela Prefeitura verba adicional ao seus vencimentos (O Paiz, 15 de fevereiro de 1912O Paiz, 22 de março de 1912, quinta coluna).

Com a presença de mais de 100 sócias foi realizada, na Escola Orsina da Fonseca, uma assembleia para alterar os estatutos do Partido Republicano Feminino, cuja secretária-geral era a poetisa Gilka da Costa Melo Machado (O Paiz, 22 de junho de 1912, penúltima coluna).

Com cerca de 80 senhoras do Partido Republicano Feminino, Leolinda foi ao Cemitério de Jacarepaguá prestar uma homenagem fúnebre ao político e jornalista republicano Quintino Bocaiuva (1836 – 1912), seu amigo e padrinho de sua filha Áurea. Na ocasião, discursou (O Paiz, 19 de julho de 1912, terceira coluna).

 Em 30 de novembro, falecimento da primeira-dama e grande amiga de Leolinda, Orsina da Fonseca (Jornal do Brasil, 5 de dezembro de 1912, terceira coluna).

1913 –  Sua filha, Áurea Daltro, fazia parte do corpo docente da Escola Orsina da Fonseca (O Paiz, 25 de maio de 1913, quarta coluna).

Fez um pequeno reparo ao artigo escrito por Gilka Melo da Costa Machado publicado na edição de A Faceira, outubro e novembro de 1913. Segundo Leolinda, que não foi citada no referido artigo, ela teria sido a responsável pela semente da emancipação feminina no Brasil (A Faceira, outubro e novembro de 1913A Faceira, dezembro de 1913, segunda coluna).

Foi, com alunas da Escola Orsina da Fonseca, ao Cemitério de Jacarepaguá, prestar uma homenagem a Orsina da Fonseca, que havia falecido em de 1912 (O Paiz, 3 de novembro de 1913, penúltima coluna).

 

 

1914 – Leolinda estava presente na inauguração da Escola Prática e Profissional em uma das salas da Imprensa Nacional (A Época, 7 de janeiro de 1914, quinta coluna).

O Partido Republicano Feminino tinha cerca de duas mil associadas (Jornal do Brasil, 4 de junho de 1914, terceira coluna).

1915 – Envolveu-se numa confusão com um recebedor dos bondes da Light (Gazeta de Notícias, 19 de julho de 1915, última coluna).

Leolinda aposentou-se como professora catedrática (A Noite, 24 de julho de 1915, quarta colunaO Paiz, 6 de agosto de 1915, segunda coluna).

O Partido Republicano Feminino, sob a presidência de Leolinda, inaugurou a Escola Cívica Pinheiro Machado para adultos do sexo masculino, que funcionaria todas as noites e provisoriamente na Escola Orsina da Fonseca. Contava no início com 25 alunos que após a preleção inaugural decidiram fundar o jornal Atalaia e também uma linha de tiro (O Paiz, 8 de outubro de 1915, última coluna).

1916 - A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que despejaria judicialmente a Escola Orsina da Fonseca, que ocupava um prédio na rua General Câmara, que pertencia à Municipalidade. Mas o despejo não se cumpriu (O Paiz, 20 de janeiro de 1916, quarta coluna;  Almanak Laemmert, 1926).

Em entrevista à Gazeta de Notícias, de 21 de janeiro, de 1916, falou sobre sua vida, sobre a fundação da Escola Orsina da Fonseca que, segundo ela, ensinava dentre vários ofícios, a fotografia (Gazeta de Notícias, 21 de janeiro de 1916 ).

 

 

Leolinda, à frente do Partido Republicano Feminino, propôs a criação do donativo patriótico, com o qual todo o funcionalismo público seria conservado com os vencimentos atuais (A Lanterna, 28 de novembro de 1916Jornal do Brasil, 19 de novembro de 1931, terceira coluna).

Lançamento do primeiro número do periódico quinzenal A Tribuna Feminina, dirigido por Leolinda (A Faceira, 1º de dezembro de 1916, última colunaA Federação, 7 de dezembro de 1916, quarta coluna).

 

 

Em dezembro, Leolinda encaminhou à Câmara uma representação em nome do Partido Republicano Feminino, sobre o voto feminino:

“A grande maioria do professorado municipal desta cidade é constituído por mulheres. São elas que dão instrução aos futuros cidadãos, que têm sobre os ombros a difícil tarefa de preparo das novas gerações. Se a lei lhes deu tão grande responsabilidade; se o Estado reconhece a sua capacidade para tão alta função, qual seja a de educar e instruir a mocidade; se a Escola Normal, Oficial, lhes conferiu um diploma que lhes habilita para esse espinhoso mister — como admitir que esse mesmo Estado possa negar-lhes capacidade para a simples escolha dos que devam ser os representantes do país nas assembleias legislativas e nos altos postos da administração pública? É o maior dos absurdos.”

 

 

 

1917 - O Partido Republicano Feminino apoiou o rompimento das relações diplomáticas do governo brasileiro com a Alemanha (A Época, 28 de abril de 1917, primeira colunaGazeta de Notícias, 28 de abril de 1917).

 

 

Requereu seu alistamento eleitoral, mas seu pedido foi recusado (O Imparcial, 10 de fevereiro de 1917, última colunaA República, 13 de fevereiro de 1917, segunda colunaJornal do Brasil, 23 de agosto de 1919, terceira coluna).

Carlos Rubens publicou um artigo exaltando a atuação da professora Leolinda Daltro (A Faceira, 1º de agosto de 1917).

O deputado Mauricio de Lacerda (1888 – 1959) propôs uma emenda à lei eleitoral para estender o alistamento eleitoral para as brasileiras maiores de 21 anos. Foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça. Tal atitude da comissão parece ter inspirado uma reação por parte do PRF, através de uma passeata de mulheres pelas ruas do Rio de Janeiro, em novembro de 1917, como uma resposta ao repúdio à proposta de Lacerda. Seguindo o exemplo das feministas de outros países as partidárias do PRF foram convocadas para participar de uma nova manifestação pública, na qual cerca de 84 mulheres foram para as ruas protestar (KARAWEJCZYK, 2014).

O Partido Republicano Feminino manifestou-se, oferecendo os serviços de suas associadas em solidariedade à participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial (O Dia, 20 de novembro de 1917). A delegação do Tiro Feminino, às vezes identificado como batalhão feminino, era formado por 89 soldadas do Tiro Feminino, alunas da Escola Orsina da Fonseca. Elas usavam uniforme militar e faziam treinamento em praças públicas do Rio de Janeiro. A iniciativa foi muito criticada e ridicularizada. Em 1920, o batalhão feminino foi rebatizado como Legionárias da Paz.

 

 

1918 - Inauguração, no Campo de Santana, da primeira Escola Popular, uma iniciativa do Partido Republicano Feminino (Correio da Manhã, 14 de julho de 1918, sétima coluna).

Lançou o livro Início do Feminismo no Brazil – subsídios para a história (Gazeta de Notícias, 18 de setembro de 1918, terceira coluna).

 

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Visitou a redação do jornal A Época com Izabel de Souza Matos ou Izabel de Mattos Dillon (1861 – 1920), identificada no artigo publicado no referido periódico, em 24 de setembro de 1918, como a primeira eleitora do Brasil. Leolinda se queixou da falta de atenção da imprensa na divulgação do trabalho dela e do Partido Republicano Feminino em prol do feminismo no Brasil (A Época, 24 de setembro de 1918).

 

 

 

O Partido Republicano Feminino celebrou a posição do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), pedindo ao legislativo de seu país a aprovação do voto feminino (A Época, 2 de outubro de 1918).

 

 

Ainda convalescendo da gripe espanhola, Leolinda ofereceu ao prefeito do Rio de Janeiro, Amaro Cavalcanti (1849 – 1922), o edifício da Escola Orsina da Fonseca para tornar-se uma enfermaria de atendimento a mulheres e crianças desamparadas e o trabalo das 20 enfermeiras da instituição para ajudar no combate à epidemia. Na carta ao prefeito revelou que, além dela, 14 membros de sua família tinham contraído a gripe (A Época, 28 de outubro de 1918, quarta colunaCorreio da Manhã, 11 de novembro, sétima coluna).

 

 

1919 – Lançou o opúsculo Pela Velhice (A Noite, 8 de janeiro de 1919, segunda coluna).

O ministro da Guerra, Alberto Cardoso de Aguiar (1864 – 1935) atendeu à solicitação de Leolinda no sentido de oferecer aulas de instrução militar às alunas da Escola Orsina da Fonseca (Jornal do Brasil, 11 de julho de 1919, sexta coluna).

Participou de uma manifestação a favor do prefeito do Rio de Janeiro, Paulo de Frontin (1860 – 1933) (A Razão, 29 de julho de 1919, quarta coluna).

Foi noticiado que Leolinda havia sido escolhida para representar as classes trabalhadoras na Conferência Trabalhista de Washington, em outubro de 1919 (Jornal do Brasil, 26 de setembro de 1919, penúltima coluna).

Lançou sua candidatura ao cargo de intendente municipal pela cidade do Rio de Janeiro. Não foi eleita (A Noite, 24 de setembro de 1919, primeira colunaA Época, 7 de outubro de 1919, quarta coluna; Revista Feminina, outubro de 1919O Paiz, 22 de outubro de 1919, terceira colunaGil Blas, 13 de novembro de 1919Jornal do Brasil, 8 de dezembro de 1919, última coluna).

 

“Como mulher que sou, com um sentido superior de altruísmo, tenho me preocupado com a necessidade de minorar o sofrimento humano e de se atingir uma melhor distribuição da Justiça.”

Revista Feminina, outubro de 1919

 

 

1920 – Leolinda negava sua participação e a do Batalhão do Partido Republicano Feminino em um homenagem ao novo prefeito, Sá Freire (1870 – 1947) (Gazeta de Notícias, 24 de janeiro de 1920, quarta coluna).

 

 

O voto feminino e Leolinda foram alvo de zombaria no desfile dos clubes do carnaval carioca (Jornal do Brasil, 20 de fevereiro de 1920, última coluna).

Em entrevista publicada na capa da Gazeta de Notícias, Leolinda anuncia a adoção de um novo sistema, norte-americano, de ensino prático intuitivo na Escola Orsina da Fonseca e queixa-se do tratamento da imprensa e das autoridades em relação a seu trabalho. comenta a iminente visita dos reis belgas ao Brasil e também sobre a comemoração do centenário da Independência(Gazeta de Notícias, 22 de março de 1920, quarta coluna).

Leolinda havia perdido um memorial que havia dirigido ao Congresso Pan-americano (Jornal do Brasil, 4 de junho de 1920, quinta coluna).

Foi com alunas da Escola Orsina da Fonseca saudar o novo prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Sampaio (1861 – 1930) (Jornal do Brasil, 10 de junho de 1920, última coluna).

Leolinda apresentou um requerimento ao prefeito pedindo para ser nomeada despachante municipal (Gazeta de Notícias, 31 de julho de 1920, quarta coluna; O Paiz, 31 de julho de 1920, sexta coluna).

À frente de um grupo de feministas, Leolinda fez uma consulta acerca do conceito de cidadão a renomados juristas, dentre eles Clóvis Bevilacqua (1859 – 1944) e Rui Barbosa (1849 – 1923), (O Norte (PB), 10 de setembro de 1920, quarta colunaRevista Feminina, outubro de 1920).

A possível participação do Batalhão Feminino do Brasil sob o comando de Leolinda na recepção aos reis da Bélgicas que visitariam o Brasil, entre 19 de setembro e 15 de outubro de 1920, foi criticada (D. Quixote, 15 de setembro de 1920).

 

 

Publicação do artigo O voto às brasileiras, no qual Leolinda é citada (Revista Feminina, outubro de 1920).

Em nome do Partido Republicano Feminino, que ainda presidia, convidou a Rainha Elizabeth da Bélgica (1876 – 1965), em visita com seu marido o Rei Alberto I, ao Brasil, para um piquenique em Paquetá. Por falta de espaço na agenda, a soberana declinou do convite (Jornal do Brasil, 7 de outubro de 1920, terceira coluna).

Publicou o livro Da catequese dos índios do Brasil (notícias e documentos para a história). Leolinda justificou a publicação tardia de seus registros alegando que a idéia da educação laica dos indígenas fora recebida com indiferença e frieza e a tornara alvo de ridículo (Jornal do Brasil, 9 de dezembro de 1920, quinta colunaGazeta Suburbana, 25 de dezembro de 1920, primeira colunaVida Carioca, 6 de janeiro de 1921).

 

 

 

 

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1921 – Publicação de um artigo exaltando a atuação de Leolinda e também sua conduta pessoal (Vida Carioca, 6 de janeiro de 1921).

 

 

Na edição de maio de A Informação Goyana, a vida de Leolinda foi exaltada.

 

 

Na coluna “Eleganpcias”, Leolinda revelou seus livros de cabeceira - Justiça e Assistência, de Ataulfo de Paiva (1867 – 1955); e o primeiro volume de versos de Alberto de Oliveira (1857 – 1937), cujo poema Borboleta Azul (Sonetos e Poemas, página 33), havia sido, segundo Leolinda, inspirado nela (D. Quixote, 1º de junho de 1921, segunda coluna). Na edição de junho da mesma revista, numa enquete realizada entre acadêmicos diante da discussão da entrada de mulheres na Academia Brasileira de LetrasRui Barbosa (1849 – 1923) declarou que seu voto seria pelo ingresso de Leolinda Daltro.

Foi entrevistada: em pauta o direito do voto feminino (Gazeta de Notícias, 4 de junho de 1921, terceira coluna).

 

 

Recebeu na Escola Orsina da Fonseca os intendentes argentinos que faziam parte do Conselho Deliberante de Buenos Aires, em visita ao Brasil (Jornal do Brasil, 14 de setembro de 1921, primeira coluna).

Na Escola Orsina da Fonseca, inauguração da Escola Noturna Dr. Nascimento Silva destinada ao combate ao analfabetismo (Jornal do Brasil, 17 de novembro de 1921, quinta coluna; Jornal do Brasil, 21 de setembro de 1922, quarta coluna).

1922 – O nome de Leolinda foi lembrado para ser uma das representantes do Brasil na I Conferência Pan-americana de Mulheres, que se realizaria, em Baltimore, nos Estados Unidos, entre os dias 20 a 23 de julho, patrocinado pela National League of Women Voters, uma divisão da National Woman Suffrage Association (NAWSA), associação norte-americana vinculada ao movimento abolicionista e sufragista, fundada em 1868, em Nova York.  A também feminista Bertha Lutz (1894 – 1976) foi a escolhida como a representante oficial do governo brasileiro (O Combate, 5 de janeiro de 1922, segunda coluna).

Em carta para o jornal A Noite negou que houvesse recebido uma quantia de dinheiro do Banco Nacional Brasileiro para patrocinar a campanha do senador Nilo Peçanha (1867 – 1924) à presidência do Brasil (Diário de Notícias, 19 de março de 1922, quarta colunaA Noite, 22 de março de 1922, última coluna).

Foi receber o marechal Hermes da Fonseca (1855 – 1923) no Palace Hotel. Ele havia sido preso no dia 2 de julho. Este foi um dos eventos que antecederam a Revolta do Forte de Copacabana. O marechal Hermes foi de novo preso e só foi solto, em janeiro de 1923 (O Imparcial, 4 de julho de 1922; O Combate5 de julho de 1922, primeira coluna).

A ideia da construção de um monumento em homenagem à Princesa Isabel foi do Partido Republicano Feminino, em dezembro de 1921. Leolinda pedia que fosse aberta uma subscrição popular para financiamento do monumento e colocava para venda durante a Exposiçao de 1922 exemplares de seu livro, Da catequese dos índios do Brasil, cuja renda reverteria para esta causa. Esteve presente ao lançamento da pedra fundamental do monumento, na Praça XV, em 28 de setembro de 1922, quando leu a ata inaugural (O Jornal, 14 de dezembro de 1921, quinta colunaJornal do Commercio, 29 de setembro de 1922, quinta colunaO Jornal, 29 de setembro de 1922, primeira colunaJornal do Brasil, 22 de outubro de 1922, sétima coluna).

1923 – Foi destinado pelo governo à Escola Orsina da Fonseca uma quantia para a reforma de seu mpbiliário, mas até o momento o dinheiro ainda não havia sido dosponibilizado. No artigo, destacam-se os esforços pessoais de Leolinda para manter a instituição (O Paiz, 13 de junho de 1923, última coluna).

Alunas se formaram em radiotelegrafia na Escola Orsina da Fonseca (Jornal do Brasil, 15 de novembro de 1923).

1924 – Em 15 de abril, falecimento de Áurea Daltro Cardoso de Gusmão, filha caçula de Leolinda (Jornal do Brasil, 17 de abril de 1924, quarta colunaJornal do Brasil, 22 de abril de 1924, última coluna).

1925 – Foi muito elogiada a exposição dos trabalhos das alunas da Escola Orsina da Fonseca, que Leolinda seguia dirigindo (Jornal do Brasil, 5 de agosto de 1925, primeira coluna).

Apoiava a chapa formada por Luis Gonçalves Nogueira e Fortunato Campos de Medeiros para o Conselho de Serventuários Municipais (O Brasil, 18 de outubro de 1925, segunda coluna).

Tendo à frente Leolinda, o Partido Republicano Feminino e a Escola Orsina da Fonseca estiveram presentes, com seus estandartes, ao desembarque, do engenheiro e ex-prefeito do Rio de Janeiro, Paulo de Frontin (1860 – 1933), no Rio de Janeiro (Annuario das Estações Sportivas: Derby Club, 1925).

1926 – Em um artigo sobre a história da luta pela emancipação feminina e pelo voto feminino no Brasil a liderança de Leolinda foi adjetivada de pitoresca (Frou-Frou, fevereiro de 1926).

Concorreu ao cargo de intendente do Rio de Janeiro (Gazeta de Notícias, 2 de março de 1926, segunda coluna).

Com a presença do prefeito Antônio da Silva Prado Júnior (1880 – 1955), foi inaugurado o Centro das Escoteiras da Redemptora, na Escola Orsina da Fonseca. Em seu discurso afirma ter sido a primeira escoteira do Brasil (Jornal do Brasil, 10 de agosto de 1926, primeira colunaO Paiz, 21 de novembro de 1926, quinta coluna; O Brasil, 24 de novembro de 1926, quarta colunaJornal do Brasil, 9 de abril de 1927).

 

 

1927 – A escritora Rachel Prado (1891 – 1943), em entrevista ao jornal Correio da Manhã, referiu-se a Leolinda como a pioneira no Brasil na luta pelo voto feminino, como a nossa Pankhurst, aludindo à famosa e fundamental sufragista britânica Emmeline Pankhurst (1858 – 1928) (Correio da Manhã, 6 de dezembro de 1927). No jornal A Manhã, de 30 de novembro de 1928, a escritora de novo exaltou a atuação de Leolinda como precursora do feminismo e referiu-se a um artigo escrito por Agrippino Nazareth em que ele também elogiava a veneranda educadora (A Manhã, 30 de novembro de 1928, quarta coluna).

Leolinda declarou em entrevista que o voto feminino era seu verdadeiro objetivo (Jornal do Brasil, 18 de dezembro de 1927).

 

 

“O preparo do terreno para a conquista de hoje foi feito por mim, à custa de muito humorismo grosseiro, de muita chacota, de muitas descomposturas! Houve uma época em que durante anos seguidos eu era figura obrigatória em carros carnavalescos, num ridículo medonho!”

Leolinda sobre o voto feminino no Jornal do Brasil, 18 de dezembro de 1927

1928 – O orçamento municipal destinou uma quantia para a aquisição de material para a Escola Orsina da Fonseca. Na época, o prefeito do Rio de Janeiro ainda era Antônio da Silva Prado Junior (1880 – 1955) (O Paiz, 14 de janeiro de 1928, quinta coluna).

1929 - Reivindicava para si a primeira iniciativa de estender o escotismo às mulheres (Diário Carioca, 27 de abril de 1929).

 

 

Leolinda foi homenageada na Escola Orsina da Fonseca, que ainda dirigia, pelas Escoteiras da Redemptora (Jornal do Brasil, 17 de julho de 1929, antepenúltima coluna).

1930 – Foi homenageada pelo Conselho Metropolitano de Escoteiros (Diário Carioca, 12 de julho de 1930, primeira coluna; Correio da Manhã, 17 de julho de 1930, penúltima coluna).

Leolinda é a protagonista do artigo A Pioneira do Feminismo (Diário Carioca, 18 de julho de 1930, última coluna).

No artigo Justiça Tardia, a escritora  Iveta Ribeiro (1886 – 1962) chama atenção para a importância da atuação de Leolinda ao longo de sua vida (Correio da Manhã, 20 de julho de 1930).

 

 

Leolinda foi homenageada na coluna “A esmo…”, escrita pela poetisa e jornalista Rosalina Coelho Lisboa (1900 – 1975) e também no artigo A professora Daltro, escrito pelo jornalista Benjamin Costallat (1897 – 1961) (A Pacotilha(MA), 18 de agosto de 1930, penúltima colunaA Pacotilha (MA), 2 de setembro de 1930, penúltima coluna).

Apoiou a Revolução de 30 (A Batalha, 1º de novembro de 1930, primeira coluna).

Sofreu um acidente de carro (Correio da Manhã, 12 de novembro de 1930, sétima coluna).

1931 – Com a presença de Leolinda, cujo trabalho foi considerado uma obra de esforço e abnegação, exposição de trabalhos realizados na Escola Orsina da Fonseca (Jornal do Brasil, 6 de março de 1931Jornal do Brasil, 3 de fevereiro de 1932).

Em entrevista, Leolinda contou porque se tornou feminista (A Batalha, 2 de abril de 1931).

 

Falecimento de seu filho, Alfredo Napoleão de Figueiredo (Diário de Noticias, 9 de maio de 1931, quinta coluna).

Publicação de uma carta da escritora Maria Lacerda de Moura (1887 – 1945) a também escritora Rachel Prado, onde comenta aspectos do II Congresso Internacional Feminista e a polêmica em torno de uma homenagem que Rachel queria fazer a Leolinda Daltro como pioneira do feminismo no Brasil que foi  como dito no artigo Phosphoros Femininos, escrito por Victoria Regia, abruptamente negada. Segundo o artigo, Daltro foi discriminada por ser pobre, idosa, viúva e por não ter a cultura das feministas da atualidade, que não tiraria o valor da luta inicial pelos direitos da mulher empreendida pela professora  (Diário Carioca, 7 de julho de 1931; Diário Carioca, 21 de julho de 1931, segunda coluna).

 

 

 

Algumas participantes do II Congresso Internacional Feminista foram fazer uma visita a Leolinda (Fon-Fon, 11 de julho de 1931).

1932 - Com a presença da primeira-dama Darcy Vargas (1895 – 1968), realização da exposição de trabalhos da Escola Orsina da Fonseca, quando Leolinda falou sobre a fundação do estabelecimento (Diário Carioca, 23 de janeiro de 1932).

Foi publicada uma fotografia de uma homenagem das Escoteiras da Redemptora ao príncipe dom Pedro de Orleans (1875-1940), em 1930 (Brasil Feminino, maio de 1932).

 

No dia do aniversário de Leolinda, 14 de julho, o Jornal do Brasil publicou um artigo em sua homenagem onde elencou os principais feitos dela, dentre eles a fundação da Escola Orsina da Fonseca e do Partido Republicano Feminino, iniciativa que relacionou à recente nomeação de duas mulheres, Bertha Lutz (1894 – 1976) e Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), para participar da elaboração do ante-projeto da nova Constituição. Foram também lembradas outras iniciativas de Leolinda como a criação da Escola de Enfermeiras e da Linha de Tiro Rosa da Fonseca (Jornal do Brasil, 14 de julho de 1932, sexta coluna).

Leolinda enviou a Benevenuto Berna (1865 – 1940), presidente do Centro Carioca uma carta confiando à instituição a tarefa de perseverar na campanha para erigir um monumento em homenagem à Princesa Isabel, uma iniciativa tomada por ela em dezembro de 1921. A pedra fundamental da estátua foi lançada em 1922, mas a obra não foi adiante. Alegou que seu estado de saúde precário e abatimento pela morte de seus filhos Áurea, em 1924, e Alfredo, em 1931, a impediam de prosseguir na luta por este ideal. Em artigo de 13 de maio de 1938, a escritora Rachel Prado (1891 – 1943) cobrava a construção da estátua (Jornal do Brasil, 23 de agosto de 1932, terceira colunaCorreio da Manhã, 14 de outbro de 1932, antepenúltima colunaCorreio da Manhã, 4 de novembro de 1932, primeira colunaJornal do Brasil, 13 de maio de 1938, terceira coluna).

Fazia parte de uma comissão da Aliança Nacional de Mulheres, dirigida por Natércia da Cunha Silbeira (1905 – 1993) e foi homenageada pela instituição (Jornal do Brasil, 31 de janeiro de 1932, quarta colunaJornal do Brasil, 31 de dezembro de 1932).

 

 

1933 – Uma comissão formada por alunas da Escola Orsina da Fonseca participou do cortejo fúnebre do ex-prefeito Paulo de Frontin (1860 – 1933), que sempre apoiou o referido colégio (Jornal do Brasil, 17 de fevereiro de 1933, quinta coluna).

Foi candidata pelo Partido Nacional do Trabalho para deputada constituinte, mas não se elegeu (A Noite, 1º de maio de 1933Revista da Semana, 20 de maio de 1933Jornal do Brasil, 31 de maio de 1933, penúltima coluna).

 

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Leolinda sobre a conquista do voto feminino (Revista da Semana, 20 de maio de 1933):

 

 

 

1934 – Integrava a comissão fiscal da Aliança Nacional das Mulheres (Jornal do Commercio, 24 de janeiro de 1934, quinta coluna).

Deu um entrevista para o jornal A Noite, quando elencou a criação da Escola Orsina da Fonseca e a fundação do Partido Republicano Feminino como suas maiores realizações. Revelou que o PRF estava alistando mulheres para votar no Colégio Amazonas, na rua Barão de Mesquita, dirigido por sua filha, a professora Alcina de Figueiredo Siqueira Amazonas (A Noite3 de agosto de 1934).

 

 

 

No artigo Uma heroína, Floriano de Lemos (1885 – 1968) exaltou as iniciativas de Leolinda e os obstáculos que ela enfrentou por seu pioneirismo (Correio da Manhã, 27 de setembro de 1934, primeira coluna).

1935 - Em 30 de abril foi atropelada por um automóvel quando atravessava a Praça da República. Após ficar internada por alguns dias na Casa de Saúde Pedro Ernesto, onde teve sua perna amputada, faleceu em 4 de maio. Foi enterrada no Cemitério São João Batista. Seus filhos vivos eram, na ocasião, o advogado Oscar Daltro e o engenheiro Leobino Daltro e a professora Alcina Siqueira Amazonas.

 

 

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A advogada e feminista Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993) manifestou-se no enterro de Leolinda, que fazia parte da comissão fiscal da Aliança Nacional de Mulheres, presidida por ela (Jornal do Brasil, 3 de maio de 1935, primeira colunaDiário Carioca, 4 de maio, quinta colunaJornal do Brasil, 4 de maio de 1935, quarta colunaA Nação, 5 de maio de 1935Correio da Manhã, 5 de maio de 1935, sexta colunaJornal do Commercio, 6 e 7 de maio de 1935, quarta colunaJornal do Brasil, 8 de maio de 1935, quarta colunaO Malho, 9 de maio de 1935Revista da Semana, 11 de maio de 1935Jornal do Brasil, 15 de maio de 1935, quarta coluna).

Seu epitáfio do cemitério São João Batista:

Leolinda Figueiredo Daltro

Mamãe – nosso ourinho

14/07/1859 04/05/1935

Precursora do verdadeiro feminismo pátrio

Propugnadora da nobilitação dos humildes e humanização dos selvícolas

 

Na Câmara dos Deputados no Rio de Janeiro foi aprovado um requerimento de pesar da deputada Carlota Pereira de Queirós (1892- 1982) pelo falecimento de Leolinda. A Assembleia Constituinte da Bahia inseriu em sua ata uma nota de pesar pelo falecimento da professora Daltro (Correio Paulistano, 7 de maio de 1935, quarta colunaA Noite, 18 de maio de 1935, terceira coluna).

Foi sucedida, na direção da Escola Orsina da Fonseca por sua filha, Alcina Amazonas (1874 – 1948), que foi sucedida por seu filho, Djalma Amazonas (A Noite, 6 de maio de 1937Jornal do Brasil, 9 de maio de 1939, quinta colunaJornal do Brasil, 30 de outubro de 1941, terceira colunaO Jornal, 24 de março de 1948, segunda coluna).

1936 – O Grêmio Literário Leolinda Daltro, promovia um festival dançante (Jornal do Brasil, 16 de agosto de 1936, última coluna).

Em seu artigo Mulheres na Academia, Modesto de Abreu (1901 – 1996) comentando acerca da polêmica sobre o ingresso de mulheres na Academia Brasileira de Letras, propõe a criação de uma Academia Feminina e cita Leolinda Daltro como um ótimo nome para ser patrona de uma de suas cadeiras (Jornal do Brasil, 30 de agosto de 1936, segunda coluna).

O então prefeito do Rio de Janeiro, Henrique Dodsworth (1895 – 1975), na comemoração dos 50 anos  da abolição da escravatura do Brasil, inaugurou um marco na Praça XV indicando o local onde uma estátua da Princesa Isabel seria erigida, uma iniciativa tomada por Leolinda em dezembro de 1921. Em artigo, no Correio da Manhã, de 13 de maio de 1938, a escritora Rachel Prado (1891 – 1943) cobrava a construção da estátua. No artigo Monumento à Princesa Isabel, assinado pela escritora Maria Eugênia Celso (1886 – 1963), publicado no mesmo jornal, em 20 de maio, Leolinda foi outra vez lembrada como a idealizadora do projeto  (Jornal do Brasil, 13 de maio de 1938, terceira colunaCorreio da Manhã, 13 de maio de 1938, quinta colunaCorreio da Manhã, 20 de maio de 1938, penúltima colunaJornal do Brasil, 28 de setembro de 1947, primeira coluna).

1943 – Era a patrona da cadeira 27 da recém criada Academia Feminina sob a presidência de Adalzira Bittencourt (1904 – 1976)(Revista da Semana, maio de 1943, segunda coluna).

1944 - Foi inaugurada na sede da Organização Jurídica, dirigida por seu filho Leobino Daltro, um retrato de Leolinda e um de Oscar Daltro, seu filho já falecido (Nação Brasileira, agosto de 1944, última coluna).

1951 – Publicação da história da Escola Orsina da Fonseca, 1ª Escola Técnico-Profissional da América do Sul (Jornal do Brasil, 11 de março de 1951, primeira coluna).

1956 – Publicação de um artigo sobre Leolinda Daltro (Jornal do Brasil18 de março, quarta coluna e 25 de março, quinta coluna, de 1956).

2003 - A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou a Resolução nº 233, que instituiu o Diploma Mulher Cidadã Leolinda de Figueiredo Daltro. A cada ano são escolhidas dez mulheres para receber a homenagem por seu destaque na vida pública e na defesa dos direitos femininos.

 

Assista aqui o vídeo Leolinda e a luta pelo voto feminino, por Mônica Karawejczyk, pesquisadora da Fundação Biblioteca Nacional.

 

*Essa informação foi uma descoberta da pesquisa realizada pelo jornalista Rafael Sento Sé para seu livro A poeta da Cidade Maravilhosa: Jane Catulle Mendès e a viagem que criou o sonho de um Rio de Janeiro na Belle Époque (2025), e foi acrescentada ao artigo em 6 de março de 2026.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Centro de Memória do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte

CORRÊA, Marisa. Os índios do Brasil elegante e a professora Leolinda Daltro. São Paulo : Revista Brasileira de História, vol 9, nº 18, agos a setembro de 1989.

DALTRO, Leolinda. Da catequese dos índios no Brasil. Notícias e documentos para a História (1896-1911). Rio de Janeiro: Typografia da Escola Orsina da Fonseca, 1920.

DALTRO, Leolinda. O início do feminismo no Brasil. [recurso eletrônico] : subsídios para história / Leolinda Daltro ; introdução, notas e posfácio de Elaine Pereira Rocha. — Brasília : Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2021. – (Coleção vozes femininas).

FGV CPDOC – Leolinda Daltro

FGV CPDOC – Partido Republicano Feminino

GIRAUDO, Laura. (2017). Homenagear os índios, defender o indigenismo: o “Dia do Índio” e o Instituto Indigenista Interamericano. Estudos Ibero-Americanos, 43(1), 81–96. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2017.1.24069

HELLMANN, Risolete Maria. Carmen Dolores, escritora e cronista: Uma intelectual feminista da Belle Époque. 2015. Tese (Doutorado em Literatura) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2015.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

JARDILINO, José Rubens Lima. Educadora, Feminista, Indigenista: Leolinda Figueiredo Daltro, uma “Dama” da educação brasileira no final do século XIX. Universidad Pedagógica y Tecnológica de Colombia. Revista Historia de la Educación Latinoamericana, vol. 18, núm. 26, pp. 7-11, 2016.

KARAWEJCZYK, Mônica. Os primórdios do movimento sufragista no Brasil: o feminismo “pátrio” de Leolinda Figueiredo Daltro. Estudos Ibero-Americanos, PUCRS, v. 40, n. 1, p. 64-84, jan.-jun. 2014

MARQUES, Teresa Cristina de Novaes. O voto feminino do Brasil. Brasília : Edições Câmara, 2019.

MELO, Hildete Pereira de; MARQUES, Teresa Cristina de Novaes. Partido Republicano Feminino. Rev. hist.edu.latinoam – Vol. 18 No. 26, enero – junio 2016 – ISSN: 0122-7238 – pp. 311 – 326.

Mulheres de Luta

Observatório do Terceiro Setor

PETSCHELIES, Erik. O Museu Paulista, Hermann von Ihering (1850-1930) e os ameríndios. São Paulo : Revista de Antropologia, nº 66, 2023.

Portal da BBC

Portal do Senado Federal

ROCHA, Elaine Pereira. Entre a pena e a espada: a trajetória de Leolinda Daltro (1859-1935)- patriotismo, indigenismo e feminismo. 2002. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

SANTOS, Paulete Cunha dos. Leolinda Daltro – a Oaci-zauré – relato de sua experiência de proposta laica de educação para os povos indígenas no Brasil central. Universidad Pedagógica y Tecnológica de Colombia. Revista Historia de la Educación Latinoamericana, vol. 18, núm. 26, pp. 15-46, 2016.

SANTOS, Paulete Cunha dos. Leolinda Daltro – a caminhante do futuro: uma análise de sua trajetória de catequista a feminista (Rio de Janeiro/Goiás – 1896 – 1920). Tese de Doutorado. Universidade do Rio dos Sinos, São Leopoldo, Rio Grande do Sul, 2014.

SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.

SÉ, Rafael Sento. A poeta da Cidade Maravilhosa: Jane Catulle Mendès e a viagem que criou o sonho de um Rio de Janeiro na Belle Époque. Belo Horizonte (MG) : Autêntica Editora, 2025.

Site Instituto Histórico Geográfico Brasileiro

Site Memória da Administração Pública Brasileira – Arquivo Nacional

Site Memória Política do México

Site Povos Indígenas no Brasil

STAUFFER, David Hall. Origem e Fundação do Serviço de Proteção aos Índios (III). Revista de História, [S. l.], v. 21, n. 43, p. 165-183, 1960. DOI: 10.11606/issn.2316-9141.rh.1960.120126. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/120126. Acesso em: 24 fev. 2023.

 

Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América do Sul, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2024

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!

Com a publicação do 13º artigo da Série Feministas, graças a Deus!, a Brasiliana Fotográfica celebra a conquista do voto feminino no Brasil, a partir do Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, que instituiu o Código Eleitoral Provisório, assinado pelo presidente Getulio Vargas (1882 – 1954), reconhecendo o direito de voto das mulheres.

 

“Art. 2º É eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma deste código”.

Decreto nº 21.076, 24 de fevereiro de 1932

 

A Constituição promulgada em 16 de julho de 1934 aprovou a igualdade de direitos políticos entre homens e mulheres, desde que maiores de 18 anos e alfabetizados:

 

Art. 108. São eleitores os brasileiros de um e de outro sexo, maiores de 18 anos, que se alistarem na forma da lei.

Parágrafo único. Não se podem alistar eleitores:

a) os que não saibam ler e escrever;

b) os praças-de-pré, salvo os sargentos, do Exército e da Armada e das forças auxiliares do Exército, bem como os alunos das escolas militares de ensino superior e os aspirantes a oficial;

c) os mendigos;

d) os que estiverem, temporária ou definitivamente, privados dos direitos políticos. 

Art. 109. O alistamento e o voto são obrigatórios para os homens e para as mulheres, quando estas exerçam função pública remunerada, sob as sanções e salvas as exceções que a lei determinar.

 

Era a vitória de décadas de mobilização em favor do sufrágio feminino no Brasil.

 

 

No artigo de hoje, estão destacadas as imagens do acervo fotográfico do portal relativas às feministas e a suas pautas – os registros são do acervo do Arquivo Nacional, uma de nossas instituições parceiras, e seus autores foram J. Bonfioti, a Photo Skarke, a Fotografia Alemã, Louis Piereck (1880 – 1931), o Serviço Photographico de Vida Doméstica, além de fotógrafos ainda não identificados. Também publicamos breves perfis de sufragistas brasileiras importantes na luta pelo voto feminino.

 

Acessando o link para as imagens relativas ao feminismo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

A trajetória da conquista do voto feminino no Brasil, um marco fundamental na história da democratização do país, começou ainda no século XIX e tornou-se o principal tema do feminismo nas primeiras décadas do século XX, quando a feminista Bertha Lutz (1894 – 1976), fundadora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, foi uma das mais importantes vozes na luta pela emancipação feminina, que também teve outras defensoras dedicadas e aguerridas.

 

Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810 – 1885), 

 precursora dos ideais de igualdade e independência da mulher brasileira

 

 

“Nísia Floresta surgiu – repita-se–como uma exceção escandalosa. Verdadeira machona entre as sinhazinhas dengosas do meado do século XIX. No meio de homens a dominarem sozinhos todas as atividades extra domésticas, as próprias baronesas e viscondessas mal sabendo escrever, as senhoras mais finas soletrando apenas livros devotos e novelas que eram quase histórias do Trancoso. causa pasmo ver uma figura como a de Nísia”.

Gilberto Freyre, Sobrados e Mocambos (1936)

 

Ainda no Brasil Império, a escritora e educadora potiguar Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810 – 1885), pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, foi a primeira mulher brasileira a defender o direito à educação científica para as meninas. A explicação do pseudônimo que criou para ela é a seguinte: “Nísia”, uma referência ao seu nome de batismo; depois, ao sítio Floresta onde nasceu; em seguida, ao seu país; e, finalmente, a Augusto, o nome do marido de quem ficou viúva. 

Nasceu, em 12 de outubro de 1810, em Papari, no Rio Grande do Norte, onde casou-se com Manuel Alexandre Seabra de Melo. Tinha apenas 13 anos, mas ainda no primeiro ano do casamento voltou para a casa dos pais, o advogado português Dionísio Gonçalves Pinto (17? – 1828) e a brasileira Antônia Clara Freire (17? – 1855). Seus irmãos eram Clara e Joaquim. Mudou-se com a família para  Pernambuco, onde morou em Goiana, Recife e Olinda. 

Em 1828, seu pai foi assassinado (Diário de Pernambuco, 22 de setembro de 1830, segunda coluna). No mesmo ano, Nísia passou a viver com Manoel Augusto de Faria Rocha, estudante de Direito da Faculdade de Olinda, natural de Goiana (Diário de Pernambuco, 16 de abril de 1829, segunda coluna), com quem teve três filhos na década de 1830: Lívia (1930-?), um filho, que viveu poucos meses (1831 – 1831 ou 1832); e Augusto Américo (1933-?). Era acusada de adúltera pelo ex-marido. 

Iniciou sua carreira literária, em 1931, publicando, com o pseudônimo de Brasileira Livre, artigos sobre a condição feminina no jornal pernambucano Espelho das Brasileiras, que pertencia ao francês Adolphe Emile de Bois Garin (Espelho das Brasileiras, 13 de maio de 1931). A defesa dos direitos das mulheres e dos indígenas no Brasil, e a crítica à escravidão foram temas recorrentes em sua produção literária.

 

“Esta foi, com certeza, uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos na grande imprensa, pois, desde 1830, seu nome era uma presença constante em periódicos nacionais, comentando questões polêmicas, como o direito das mulheres – e, também, dos índios e dos escravos – a uma vida digna e respeitável. Aliás, nesse gosto pela polêmica e no fato de viver sempre à frente de seu tempo, estariam, a nosso ver, também, traços de modernidade da autora”.

 Constância Lima Duarte sobre Nísia em Feminismo e literatura no Brasil (2003)

 

Em 1832, publicou, no Recife, o livro Direito das Mulheres e a Injustiça dos Homens, primeiro texto de uma brasileira a falar em direitos das mulheres. Existe uma polêmica em torno da autoria deste livro: alguns pesquisadores consideram o livro como uma tradução livre de A Vindication of the Rights of Woman, de Mary Wollstonecraft (1759-1797), e outros como a tradução de Woman not Inferior to Man, de Mary Wortley (1689-1762), que teria sido infuenciada pelo livro De l´egalité des deux sexes, de François Poullain de La Barre, publicado em 1673

 

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Em novembro de 1832, foi para o Rio Grande do Sul, com Lívia, sua filha; sua mãe viúva e com seu companheiro, Manoel Augusto, que, em agosto de 1833, poucos meses após o nascimento de Augusto Américo, em janeiro de 1833, faleceu. Manoel Augusto havia ocupado o cargo de juiz municipal de São Pedro do Rio Grande do Sul (Correio Official, 25 de outubro de 1833, primeira coluna). Ainda em 1833, Nísia publicou a segunda edição de Direito das Mulheres e a Injustiça dos Homens, em Porto Alegre, pela Typographia de V. F. Andrade. Escreveu para alguns jornais de Porto Alegre, dentre eles o Belano, que circulou entre 1832 e 1833. Entre 1834 e 1837, manteve uma escola. Segundo o professor Luis Carlos Freire, professor de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e um dos maiores pesquisadores de Nísia, provavelmente ela ensinava em casa, como era costume na época. 

Em 1837, foi para o Rio de Janeiro. Provavelmente, a tensão causada pela Guerra dos Farrapos contribuiu para essa mudança. Em 1838, fundou o Colégio Augusto, para meninas, que dirigiu com algumas interrupções até 1856. Posteriormente, o colégio, que existiu até 1894, foi dirigido por seu filho (Jornal do Commercio, 31 de janeiro de 1838, segunda coluna). Nísia tinha uma proposta de educação inclusiva para meninos e meninas, tanto na esfera pública, quanto na privada, e era influenciada pelo pensamento positivista do francês Auguste Comte (1798 – 1857), de quem era amiga. Em 1839, foi publicada, já no Rio de Janeiro, a terceira edição de Direito das Mulheres e a Injustiça dos Homens, pela Casa do Livro Azul.

 

 

Por ensinar Caligrafia, Dança, Desenho e Costura, Francês, Geografia, História, Inglês, Italiano, Latim, Matemática, Música, Português, Piano e Religião a suas alunas e não a fazer vestidos e camisas foi criticada (O Mercantil (MG), 17 de janeiro de 1947, primeira coluna).

 

 

Publicou, em 1847, três obras de caráter pedagógico: Fany ou o modelo das donzelasDiscurso que às suas educandas dirigiu Nísia Floresta Brasileira Augusta, um breve texto de seis páginas; e Daciz ou a jovem completa. 

Em 2 de novembro de 1849, acompanhada dos dois filhos, Nísia viajou pela primeira vez à Europa. Embarcaram, rumo a Havre, na galera francesa Ville de Paris. Ficou em Paris e em Lisboa, retornando ao Brasil em 1852 (Diário do Rio de Janeiro, 3 de novembro de 1849, última coluna). Nesse período, ela frequentou as conferências de Auguste Comte sobre História Geral da Humanidade no Palais Cardinal, em Paris. 

Em 1853, lançou o Opúsculo Humanitário, que dedicou a seu irmão, Joaquim Pinto Brasil. Nele a autora nos conta a história do papel das mulheres nas sociedades ocidentais, dando exemplos e refletindo sobre a condição feminina. Antes da primeira impressão reunida, parte dos textos foi publicada nos jornais Diário do Rio de Janeiro, sob  pseudônimo B.A.

“Dê-se ao sexo uma educação religiosamente moral, desvie-se dele todos os perniciosos exemplos que tendem a corromper-lhe, desde a infância, o espírito, em vez de formá-lo á virtude, adornem-lhe a inteligência de úteis conhecimentos, e a mulher será não somente o que ela deve ser — o modelo de família — mas ainda saberá conservar dignidade, em qualquer posição que porventura a sorte a colocar.”

Nísia Floresta em O Opúsculo Humanitário, 1853

 

Trabalhou como voluntária no combate a uma epidemia de cólera no Rio de Janeiro, em 1855 (Correio Mercantil, 4 de outubro de 1955, segunda coluna). Também entre este ano e 1856 publicou alguns artigos no Brasil Illustrado: Passeio ao Aqueduto Carioca, Páginas de Uma Vida Obscura, Um Improviso, na manhã de 1º do corrente, ao distinto literato e grande porta Antônio Castilho e O pranto Filial.

O último registro do Almanak Laemmert de Nísia como diretora do Colégio Augusto é de 1855 (Almanak Laemmert, 1855). Em 10 de abril de 1856, Nísia viajou no paquete a vapor Cadix com sua filha para a Europa, onde permaneceu até 1871.  Em 1872, um retrato e um pequeno perfil dela foi publicado no jornal ilustrado brasileiro publicado em Nova York, O Novo Mundo, fundado por José Carlos Rodrigues (Diário do Rio de Janeiro, 10 de abril de 1856, quarta colunaO Novo Mundo, 23 de maio de 1872)

 

 

Entre 1872 e 1875, Nísia esteve no Brasil. Retornou à Europa em 24 de março de 1875, rumo à Inglaterra, onde encontrou sua filha. Passaram um tempo em Londres e em Lisboa (Jornal do Commercio, 24 de março de 1875, terceira coluna). Em 1878, já morando na França, publicou seu último trabalho, Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques. Entre idas e vindas, Nísia morou na França e na Itália, visitando a Alemanha, Bélgica, Grécia, Inglaterra e Suíça. Enviava artigos para publicação em jornais cariocas (Correio do Brazil, 7 de janeiro de 1872, quinta coluna; Diário de S. Paulo, 11 de dezembro de 1875, última colunaA Reforma, 31 de dezembro de 1875, última coluna). 

Faleceu em 24 de abril de 1885, em Rouen, na França, de pneumonia. Foi enterrada no cemitério de Bonsecours (Jornal do Commercio, 26 de maio de 1885, quinta colunaNovo e Completo Indice Chronologico da Historia do Brasil (RJ) – 1842 a 1889, 1885; Jornal do Commercio, 31 de maio de 1885, quinta coluna).

 

 

 

Sua cidade natal, Papari, foi rebatizada com a aprovação da Lei n° 146, de 23 de dezembro de 1948, como Nísia Floresta. Em 1954, o Estado do Rio Grande do Norte repatriou seus restos mortais para a cidade (O Poti (RN), 22 de agosto de 1954).

 

 

A quarta edição do livro Direito das Mulheres e a Injustiça dos Homens saiu apenas em 1989, pela Cortez, com introdução posfácio de Constância Lima Duarte. Em 2012, foi inaugurado o Museu Nísia Floresta, em sua cidade natal.

Alguns de seus livros que não foram mencionados ao longo deste artigo são Conselhos a minha filha (1842), Lágrimas de um Caeté (1849) Itinerário de uma viagem à Alemanha (1857), Três anos na Itália, seguidos de uma viagem à Grécia (vol 1, em 1864, e vl 2, em 1872); e Cintilações de uma Alma Brasileira (1859). Publicou, ao todo, 15 livros.

 

Maria Firmina dos Reis (1822- 1977)

 

 

A escritora e professora maranhense Maria Firmina dos Reis (1822-1917), nasceu, em 11 de março de 1822, que tornou-se o Dia da Mulher Maranhense*. Era filha de um homem branco, João Pedro Esteves, com uma ex-escravizada alforriada, Leonor Filipa. Foi a primeira romancista negra do Brasil e, provavelmente, a primeira mulher negra a publicar um romance na América Latina.  Era prima do gramático Sotero dos Reis (1800 – 1871). Tornou-se professora de escola primária em 1847, quando foi aprovada em um concurso público na cidade de Guimarães, no Maranhão.

É a autora de Úrsula (1859), considerado o primeiro romance afro-brasileiro, pioneiro da literatura abolicionista e feminista no Brasil. O livro teve boa aceitação da crítica quando publicado, sob o pseudônimo de Uma Maranhense, mas acabou caindo no esquecimento. Seria redescoberto, em 1962, pelo historiador paraibano Horácio de Almeida (1896-1983) que encontrou, em um sebo carioca, uma edição do romance. Também é autora de Gupeva (1861), Cantos à beira-mar (1871) e A escrava (1887).

 

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No início da década de 1880, Maria Firmina fundou o que seria a primeira escola gratuita e mista do Brasil, no povoado de Maçaricó, na cidade de Guimarães. Uma das lutas das feministas brasileiras desde o século XIX foi pela igualdade de ensino para as meninas. Pouco depois se aposentou. Em 1888, compôs a letra e a melodia do Hino da libertação dos escravos.

Faleceu, em 11 de novembro de 1917. Não se identificou, até hoje, um retrato ou uma pintura de Maria Firmina.

 

 

Em 2019, pela passagem de seu 194º aniversário foi homenageada com um doodle do Google. A ilustração foi criada pelo designer paulista Nik Neves.

Maria Firmina dos Reis: a mulher negra maranhense que foi pioneira na literatura brasileira — Foto: Divulgação

Em 2021, foi instituído pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Maranhão o Concurso Literário Maria Firmina dos Reis.

Foi homenageada na 20ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), de 2022.

*Até pouco tempo o dia 11 de outubro de 1825 era tido como o de seu nascimento. Porém, em 21 de julho de 1847, no ofício nº 45, o inspetor da Instrução Pública, declarou que a requerente ao concurso para a cadeira feminina da Vila de São José de Guimarães, Maria Firmina dos Reis, podia ser admitida ao concurso por ter provado ter nascido em 11 de março de 1822, sendo, portanto, maior de 25 anos, conforme a exigência para o exercício docente (CRUZ, 2018).

 

Izabel de Souza Matos ou Izabel de Mattos Dillon (1861 – 1920)

 

 

A sufragista Izabel de Souza Matos ou Izabel de Mattos Dillon (1861 – 1920) nasceu na Bahia, em 20 de janeiro de 1861 e concluiu o  curso de Cirurgia Dentária e Prótese pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em maio de 1883 (Gazeta de Notícias, 1º de maio de 1883, sexta coluna). Exerceu a profissão de cirurgiã dentista na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e participou de atividades abolicionistas no Rio Grande (Diário do Brazil, 21 de fevereiro de 1884, última colunaA Federação, 4 de dezembro de 1884, última coluna). Casou-se, em fevereiro de 1885, com o também cirurgião-dentista Thomas Cantrell Dillon (1861 – 1933), futuro cônsul da Grã-Bretanha no Rio Grande do Sul (Almanak Laemmert, 1926). 

 

 

Em 1886, quando ainda residia no Rio Grande do Sul, exigiu na Justiça o registro de eleitora, garantido pela Lei Saraiva a todos os brasileiros com título científico. Porém, José Vieira da Cunha, juiz municipal de Rio Grande, negou o pedido (Correio Paulistano, 21 de dezembro de 1886, terceira coluna). Segundo ela, posteriormente teve o título concedido e votou no candidato republicano Julio Mendonça Moreira (1853 -?), em São José do Norte, no Rio Grande do Sul. Ele havia sido promotor na comarca de Rio Grande e não foi eleito na ocasião – foi eleito deputado estadual de 1891 a 1895. O fato foi citado por Izabel em um artigo publicado no jornal A Rua, de 20 de janeiro de 1917; e também pelo deputado Mauricio de Lacerda (1888 – 1959), este último na sessão da Câmara de 22 de dezembro de 1916 e algumas outras vezes na imprensa (Diário Carioca, 18 de setembro de 1928, terceira coluna). Terá sido então Izabel Dillon, na verdade, a primeira eleitora do Brasil, ainda no século XIX?

 

 

Em 1888, anunciou que abriria um consultório de dentista no Rio de Janeiro, onde foi colaboradora das revistas O Corymbo e  A Família (A Verdade, 29 de novembro de 1888, segunda coluna).

Em 1890, Izabel solicitou a transferência de seu título de eleitor para o Rio de Janeiro, onde voltara a residir, mas José Cesário de Faria Alvim (1839 – 1903), ministro do Interior, julgou improcedente seu pleito e assim como o de outras mulheres (A Ordem (MG), 2 de abril de 1890, última coluna).

 

 

Ainda em 1890, Izabel concorreu a deputada pela Bahia, mas não se elegeu ( Gazeta de Notícias, 25 de agosto de 1890, terceira colunaPequeno Jornal (BA), 17 de setembro de 1890, segunda colunaA Família, 18 de setembro de 1890, última colunaA Lanterna, 22 de dezembro de 1916, segunda coluna; A Rua, 20 de janeiro de 1917).

 

 

 

Era opositora de Floriano Peixoto (1839 – 1895), participou da Revolta da Armada e foi presa (A Rua, 20 de janeiro de 1917). Foi membro do Centro do Partido Operário, criado em 1890 por José Augusto Vinhais (1858 – 1941); e do Partido Republicano Feminino, fundado em 1910, por Leolinda Daltro (1859 – 1935).

 

 

Em 1913, sua única filha, Niobe Elisabeth Gonçalves (1893 – 1913) morreu, grávida de seu quarto filho com o cirurgião-dentista Basílio Gonçalves, seu marido. Houve uma investigação policial por suspeitas de aborto autoinduzido por medicamentos ingeridos por Niobe e também de imperícia médica. O caso repercutiu na imprensa do Rio de Janeiro e ficou conhecido como o Caso da Rua Paraná (O Século, 11 de fevereiro de 1913, quarta colunaCorreio da Manhã, 12 de fevereiro de 1913, quinta colunaO Paiz, 25 de janeiro de 1913, quinta coluna). 

 

 

Izabel faleceu em 19 de junho de 1920 e foi enterrada como indigente no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro. A educadora Mariana Coelho (1857 – 1854) mencionou tanto Nísia Floresta como Izabel Dillon em seu artigo O feminismo no Brasil, publicado no Correio da Manhã, 3 de janeiro de 1937.

 

Josephina Alvares de Azevedo (1851 – 1913),  fundadora do jornal A Família

 

 

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“O fundamento universal de todos os que opinam contra a nossa emancipação é esse — que a mulher não tem capacidade política. Porque? perguntamos nós, e a essa pergunta não nos dão resposta cabal. Em geral, os casos de incapacidade politica são estes — menoridade, demência, inhabilitações, restriccão de liberdade por pena cominada, etc. etc. A esses addusem os legisladores a «diferença de sexo». Mas em que essa diferença pode constituir razão de incapacidade eleitoral? A mulher educada, instruída, em perfeito uso de suas faculdades mentaes, exercendo com critério as suas funcções na sociedade, é uma personalidade equilibrada, apta para discernir e competente para escolher entre duas idéas aquella que melhor convém. Não pude por conseguinte estar em pé de igualdade com os dementes, com os menores, com os imbecis. Assim sendo, é absurdo o principio de sua incapacidade electiva.” 

Josephina Alvares de Azevedo

A Família, 21 de dezembro de 1889

 

Também no século XIX, destacou-se na luta pela emancipação feminina a jornalista e literata pernambucana Josephina Alvares de Azevedo (1851 – 1913), nascida em 5 de maio de 1851, no Recife. Existem até hoje várias lacunas e dúvidas em relação a sua vida pessoal. O local e a data de seu nascimento – pode ter sido Paraíba, Recife, em Pernambuco, ou Itaboraí, no Rio de Janeiro – assim como seu grau de parentesco com o do poeta Manoel Antônio Alvares de Azevedo (1831-1852), ainda são incertos. De acordo com Augusto Victorino Blake, autor do Dicionário Bibliográfico Brasileiro, ela seria filha de Ignácio Manoel Alvares de Azevedo (?-1873) e, portanto, irmã, pelo lado paterno, do referido poeta. Porém em um artigo em A Família, de 23 de fevereiro de 1889, Josephina se refere ao poeta como primo. Sua mãe era Amália Alvares de Azevedo Cunha (? – 1896) e, sua avó materna, Emília Amália de Azevedo Coutinho (? – 1892) (Gazeta de Notícias, 29 de fevereiro de 1892, penúltima colunaO Paiz, 16 de maio de 1896, quarta coluna).

O dia, mês e ano de seu nascimento aqui publicados baseiam-se em uma noticia referente a seu aniversário e nas notícias de seu falecimento, em 1913, onde está indicado que ela tinha 62 anos na ocasião (Gazeta da Tarde, 5 de maio de 1890, quinta colunaDiário de Notícias, 5 de maio de 1890, primeira coluna; A Família, 9 de maio de 1891, primeira colunaA Época, 3 de setembro de 1913, segunda colunaO Paiz, 5 de setembro de 1913, última coluna). Em relação ao local, acredito que ela tenha nascido no Recife, conforme seu próprio depoimento em A Família, 7 de dezembro de 1889, descrevendo seu retorno à sua terra natal em julho de 1889. Na ocasião foi à Photographia Ducasble, onde foi retratada. Ainda na cidade, publicou um número especial de A Família (Diário de Pernambuco, 23 de julho de 1889, penúltima coluna. De lá, seguiu para o Ceará, onde permaneceu cerca de 10 dias (A Família, 7 de dezembro de 1889, A Constituição (CE), 11 de agosto e 1891, segunda coluna).

Josephina viveu até 1877, no Recife. Foi fundadora do jornal semanal A Família, em 1888 (A Família, 18 de novembro de 1888), cuja atuação na imprensa brasileira foi importante no período de transição entre o regime monárquico e a República no país. 

 

 

Inicialmente editado em São Paulo e impresso pela tipografia União- São Paulo, o periódico mudou-se para o Rio de Janeiro, em maio de 1889, e circulou ininterruptamente até 1897 – ficava na Travessa do Barbosa, nº 12 (A Família, 18 de maio de 1889; O Jacobino, 5 de junho de 1897, primeira coluna; Almanak Laemmert, 1898). Provavelmente, voltou a circular em 1898, mas logo deixou de existir (A Mensageira, 15 de maio de 1898). Entre as colaboradoras do jornal estavam a escritora baiana Ignez Sabino (1853 – 1911) e Izabel Dillon (1861 – 1920), além de estrangeiras como as feministas Guiomar Torrezão (1844-1898), escritora portuguesa; e a francesa Eugénie Potonié Pierre (1844 -1898), fundadora da Federação Francesa das Sociedades Feministas; que enviavam seus textos de seus respectivos países.

 

 

Josephina escreveu para A Família diversos artigos em defesa da emancipação feminina a partir da educação, do trabalho, do voto feminino e pelo direito ao divórcio. Desde o início enfrentou resistência, inclusive de mulheres e de instituições católicas, como fica exemplificado na edição do periódico de 12 de janeiro de 1889; e também na notícia publicada pelo jornal O Apóstolo, 28 de março de 1890, primeira coluna.

 

 

Destacamos os artigos O Direito ao Voto, publicado em 7 de dezembro de 1889, O Divórcio, de 2 de outubro de 1890Emancipação da Mulher, de 18 de julho de 1891 e A Questão das Mulheres, de 30 de janeiro de 1892. Às vezes, os assinava como Zefa.

 

 

Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, as mulheres vislumbraram a possibilidade de terem mais participação política. A própria Josephina escreveu no editorial de A Família, de 30 de novembro de 1889:

“No fundo escuro e triste do quadro de provações a que votaram a mulher na sociedade, brilhará, com a fulgente aurora da República Brasileira, a luz deslumbradora da nossa emancipação?…Queremos o direito de intervir nas eleições, de eleger e ser eleitas, como os homens, em igualdade de condições. Ou estaremos fora do regime das leis criadas pelos homens, ou teremos também o direito de legislar para todas. Fora disso, a igualdade é uma utopia, senão um sarcasmo atirado a todas nós…”

Porém, em 1891, criticou muito o fato de que na primeira Constituição da República, promulgada em 24 de fevereiro de 1891, as mulheres continuarem sendo espectadoras da vida política do país (A Família, 5 de março de 1891), circunstância retratada no quadro Compromisso Constitucional de 1891 (1896), de Aurélio de Figueiredo (1854 – 1916), onde um grupo de mulheres aparece justamente nesta condição.

 

 

Em 1891, o jornal A Família passou a pertencer à Companhia Imprensa Familiar, mas Josephina permaneceu como sua diretora mental e redatora (A Família, 25 de abril de 1891; O Paiz, 11 de maio de 1891, penúltima coluna; Diário de Notícias, 19 de julho de 1891, última coluna).

Foi homenageada com a publicação de seu retrato na primeira página de A Família, de 9 de maio de 1891.

 

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Foi autora da comédia O Voto Feminino, que estreou no Rio de Janeiro, em 26 de maio de 1890, no Theatro Recreio Dramático, enérgica e vibrante peça de combate em favor dos direitos políticos do bello sexo. Foi encenada pelos atores Antonio Pereira Fontana e Castro, português radicado no Brasil; Germano, Bragança e Pinto; e pelas atrizes Elisa de Castro, Isolina Monclar e Luisa. A peça foi inspirada pelas constantes recusas de alistamento eleitoral feminino, já exemplificado neste artigo pelo caso de Izabel Dillon (A Família, 31 de maio de 1890, primeira coluna).  O Voto Feminino é uma peça emblemática do sufragismo brasileiro em fins do século XIX.

 

 

Também em 1890, foi encenada sua tradução livre da peça Os Companheiros do Sol, de Paul Jay (Gazeta de Notícias, 6 de agosto de 1890, penúltima coluna).

A partir de 1892, o número de colaboradoras de A Família e os artigos escritos por Josephina diminuíram muito. Em 1893, foi noticiado que ela estava doente, vitimada pela terrível influenza (A Família, 17 de maio de 1893). Ela residia na rua da Quitanda (Almanak Laemmert, 1893).

Em 1896, ofertou à biblioteca do Grêmio Dramático Arthur Azevedo, de São Paulo, 20 obras  (A Arte, 12 de outubro de 1896, segunda coluna).

Em 1904, foi citada como uma distintíssima escritora brasileira em uma carta aberta da escritora espanhola Eva Canel (1857 – 1932), Em defesa da mulher brasileira, uma resposta a um artigo da escritora e jornalista argentina Conception Gimeno del Flaquer (1850 – 1919) (Il Bersagliere, 5 de maio de 1904, segunda coluna).

Ao longo de sua vida, Josephina publicou três livros: Retalhos (1890), A Mulher Moderna: trabalhos de propaganda (1891), que dedicou em signal de admiração e respeito à Viscondessa de Leopoldina e à D. Maria José Paranhos Mayrink; Galleria illustre (Mulheres célebres) (1897) (O Paiz, 2 de fevereiro de 1890, sexta coluna; Diário do Commercio, 9 de fevereiro de 1891, penúltima coluna).

 

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Josephina faleceu em 1º de setembro de 1913, viúva, de acordo com as notícias veiculadas na época, no Rio de Janeiro, e foi enterrada no Cemitério de São Francisco Xavier, em 2 de setembro de 1913. Sua irmã, Maria Amelia de Azevedo Costa, e seus filhos, Alfredo e Moacyr Alvares de Azevedo, convidaram para a missa de Sétimo Dia, realizada na Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Dores, em São Cristóvão. Residia na rua Luiz Barbosa, número 102 (A Época, 3 de setembro de 1913, segunda colunaO Paiz, 5 de setembro de 1913, última coluna).

 

 

Comentando sobre a conquista do direito ao voto pelas mulheres inglesas, Antenor Thibau lembrou, em um artigo no Jornal do Brasil, a atuação de Josephina em prol da emancipação feminina no Brasil (Jornal do Brasil, 27 de fevereiro de 1918, segunda coluna).

 

 

Leolinda Daltro (1859 – 1935), Mariana de Noronha Horta (18? – 19?) e Mietta Santiago (1903 – 1995)

 

Outra sufragista importante foi a professora, feminista e indigenista baiana Leolinda Daltro (1859 – 1935), fundadora do Partido Republicano Feminino, em 1910. Ela será tema de um artigo futuro da Brasiliana Fotográfica.

 

 

A professora de Belo Horizonte Mariana de Noronha Horta (18? – 19?) também teve um atuação relevante na luta pelo voto feminino: em agosto de 1916, encaminhou um requerimento pedindo aos deputados que aprovassem o sufrágio feminino. No acervo de documentos da Câmara Federal, esta é a primeira manifestação formal de uma mulher solicitando direitos políticos (Correio Paulistano, 17 de agosto de 1916; Site da Câmara dos Deputados).

 

 

Eleitora pioneira em Minas Gerais, a escritora e advogada Mietta Santiago (1903 – 1995), como ficou conhecida Maria Ernestina Carneiro Santiago Manso Pereira, nasceu em Varginha, em 1903, e, aos 11 anos, foi viver na capital mineira, onde estudou na Escola Normal de Belo Horizonte. Casou-se, em 1923, após passar cerca de seis meses na Europa, com o médico João Manso Pereira.

Com apenas 25 anos, em 1928, impetrou um mandado de segurança alegando que o veto ao voto das mulheres seria contrário ao artigo 70 da Constituição Brasileira de 24 de fevereiro 1891, então em vigor (O Paiz, 16 de setembro de 1928, quarta coluna; (Diário Carioca, 18 de setembro de 1928, terceira colunaO Paiz, 23 de setembro de 1928).

 

 

Tornou-se eleitora e candidatou-se a deputada federal, mas não conseguiu se eleger. O fato, uma verdadeira audácia para a época, mereceu versos do poeta, também mineiro, Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987):

 

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Além disso, Mietta fundou a Liga de Eleitoras Mineiras. Era amiga de políticos como Getulio Vargas (1882 – 1954) e Tancredo Neves (1910 – 1985) e de escritores como o memorialista Pedro Nava (1903 – 1984) e o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987). Como escritora, publicou as obras Namorada da Deus (1936), Maria Ausência (1940); e, em 1981, Uma consciência unitária para a humanidade e As 7 poesias. Faleceu, em 1995, no Rio de Janeiro.

Em 2017, foi instituída a Medalha Mietta Santiago, condecoração concedida anualmente pela Secretaria da Mulher e pela Presidência da Câmara de Deputados (Site da Câmara de Deputados).

 

Outras sufragistas brasileiras de destaque

 

Outras feministas destacadas na luta pelo voto feminino foram a urbanista, arquiteta e engenheira mato-grossense Carmen Portinho (1903 – 2001), a sindicalista alagoana Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), a advogada mineira Elvira Komel (1906 – 1932)Maria Prestia (? – 1988), líder de um minoritário grupo de feministas de São Paulo; Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972), uma das pioneiras no jornalismo, na educação e no feminismo no Rio Grande do Norte; e a advogada gaúcha Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993). Todas já foram temas de artigos publicados na Brasiliana Fotográfica.

 

 

 

 

 

Meses após à conquista do voto das mulheres no Brasil, ainda em 1932, Natércia e Bertha foram nomeadas para integrar a comissão para elaborar o anteprojeto da nova Constituição (Correio da Manhã, 14 de julho de 1932, terceira colunaCorreio da Manhã, 19 de julho de 1932, primeira colunaBrasil Feminino, dezembro de 1932). Em 1934, o sufrágio feminino estava contemplado na Constituição Federal.

 

 

Sobre a importância da conquista do sufrágio feminino, em entrevista, Carmen Portinho declarou que ela deveria ser um estímulo para outros avanços: “Obtivemos a nossa emancipação política, mas esse direito assim isolado, de que nos serve?” (A Noite, 17 de agosto de 1933, última coluna).

Cerca de seis meses antes da assinatura do Decreto nº 21.076, o jornal A Batalha, de 13 de setembro de 1931, publicou uma reportagem intitulada A nova legislação eleitoral e o voto feminino, com a história do movimento feminista no Brasil, onde a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, dirigido por Bertha, a União Universitária Feminina, sob a direção de Carmen Portinho (1903 – 2001); e a Aliança Nacional de Mulheres, liderado por Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), foram citadas como importantes iniciativas para a emancipação da mulher no país. Na matéria foi publicada também a lista dos países onde as mulheres já possuíam direito ao voto e comentada a liderança do Rio Grande do Norte na concessão de direitos políticos às mulheres, por intermédio do governador Juvenal Lamartine de Faria (1874 – 1956). Foi transcrito também o discurso proferido por Ruy Barbosa (1849 – 1923) no Teatro Lyrico em apoio à causa feminina (A Batalha, 13 de setembro de 1931).

 

 

Em 1933, houve eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, e as mulheres puderam votar e terem seus votos reconhecidos pela primeira vez. A primeira mulher eleita foi Carlota Pereira de Queiróz (1892 – 1992), em São Paulo.

 

 

Outra pioneiras, eleitas deputadas um ano depois, em 1934, foram Antonieta de Barros (1901-1952), a primeira deputada negra do Brasil, em Santa Catarina; Bertha Lutz (1894 – 1976), no Rio de Janeiro; Zuleide Bogéa (1897 – 1984) e Hildenê Gusmão Castelo Branco (c. 1910 – ?), e Rosa Castro, cuja eleição foi impugnada, no Maranhão; Maria José Salgado Lages, conhecida como Lili Lages (1907-2003), em Alagoas, Maria do Céu Pereira Fernandes (1910 -2001), no Rio Grande do Norte; Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), na Bahia; Maria de Miranda Leão  (1887-1976), no Amazonas; Quintina Diniz de Oliveira Ribeiro (1878 – 1942), em Sergipe; Maria Theresa Nogueira de Azevedo (1889-1966), Maria Theresa Silveira de Barros Camargo (1894-1975), Alayde Pinheiro Borba (?-?), e Carlota Pereira de Queiróz (1892 – 1992) por São Paulo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A primeira deputada estadual negra do Brasil foi Antonieta de Barros (1901 – 1952), em Santa Catarina, em 1934 (República (SC), 17 de janeiro de 1935). Foi eleita como suplente do Partido Liberal Catarinense, mas como Leônidas Coelho de Souza não tomou posse por ter sido nomeado prefeito de Caçador, ela assumiu a titularidade do mandato entre 1935 e 1937. Filha de escrava liberta, jornalista e professora, Antonieta foi pioneira no combate à discriminação dos negros e das mulheres. Acreditava que a educação era a chave para a emancipação social. Em Santa Catarina, sua proposta de criação do Dia do Professor em 15 de outubro foi aprovada em 1948 e, posteriormente, em1963, foi estendida a todo o Brasil. Fundou e dirigiu o jornal A Semana entre os anos de 1922 e 1927. Dirigiu, em 1930, a revista quinzenal Vida Ilhoa e escrevia artigos para jornais. Com o pseudônimo de Maria da Ilha, escreveu, em 1937, Farrapos de Ideias. Em 5 de janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou sua inclusão no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

 

 

Nas eleições de outubro de 2022 no Brasil, o número de mulheres que tiveram suas candidaturas registradas junto à Justiça Eleitoral foi de 9.415, 33,28% do total de políticos elegíveis – 91 mulheres foram eleitas a deputadas federais e quatro para o Senado. As mulheres representavam 53% do eleitorado do país – 82 milhões de votantes. Há ainda um longo caminho a percorrer.

 

 

 

O Rio Grande do Norte e a vanguarda do voto feminino

 

 

Em 1927, houve uma eleição no Rio Grande do Norte e Juvenal Lamartine de Faria (1874 – 1956), que havia renunciado ao Senado, concorreu ao governo de seu estado e venceu o pleito. Tomou posse em 1º de janeiro de 1928. Foi necessário realizar eleições complementares para a escolha de um novo senador. Juvenal apoiava a causa do voto das mulheres. Em 25 de outubro de 1927, ainda durante o governo de José Augusto Bezerra de Medeiros, passou a vigorar a Lei Estadual nº 660, com a emenda Regular o Serviço Eleitoral do Estado, que estabelecia a não distinção de sexo para o exercício do sufrágio e, tampouco, como condição básica de elegibilidade.

Há uma polêmica em torno da primeira eleitora do Brasil na historiografia do feminismo no Brasil no século XX: a natalense e professora Júlia Alves Barbosa Cavalcanti (1898 – 1943) requereu seu alistamento eleitoral no dia 22 de novembro de 1927, porém, dada à sua condição de solteira, o juiz da 1ª vara da Capital retardou o deferimento de seu pleito, que só foi publicado, no Diário Oficial do Estado, no dia 1º de dezembro do mesmo ano. Em 25 de novembro de 1927, a professora Celina Guimarães Viana (1890 – 1972), de Mossoró, deu entrada em uma petição, requerendo sua inclusão na lista de eleitores, que foi aprovada rapidamente, pelo fato de ser casada com um advogado e professor (O Paiz, 2 de dezembro de 1927, primeira coluna). Reivindicando o voto das mulheres, a escritora cearense Rachel de Queiroz (1910 – 2003), com apenas 17 anos, escreveu o artigo Essa questão do voto feminino, publicado no jornal A Jandaia, em 14 de janeiro de 1928. As eleições municipais foram realizadas no dia 5 de abril de 1928, mas os votos das eleitoras foram anulados porque o Senado não reconheceu o direito de voto das mulheres.

 

Júlia Alves Barbosa Cavalcanti foi eleita para a Câmara Municipal de Natal.

 

 

Apesar de, do ponto de vista eleitoral, o estado do Rio Grande do Norte ter reconhecido esta igualdade, faltava, porém, a concretização do “voto de saias”, o que ocorreu nas eleições municipais realizadas no dia 05 de abril de 1928. Em Natal votaram Antônia Fontoura, Carolina Wanderley, Júlia Barbosa e Lourdes Lamartine. Em Mossoró, além de Celina Guimarães, votaram Beatriz Leite e Eliza da Rocha Gurgel. Em Apodi as primeiras eleitoras foram Maria Salomé Diógenes e Hilda Lopes de Oliveira. Em Pau dos Ferros, Carolina Fernandes Negreiros, Clotilde Ramalho, Francisca Dantas e Joana Cacilda Bessa. Ainda em Caicó e Acari, respectivamente, Júlia Medeiros e Martha Medeiros. Além de votar, algumas mulheres, a exemplo de Júlia Alves Barbosa em Natal e Joana Cacilda de Bessa em Pau dos Ferros,  foram também eleitas para o cargo de intendente municipal, equivalente a vereador atualmente.

Centro de Memória do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte

 

 

 

Acesse aqui a linha do tempo da conquista do voto feminino publicada no portal da Câmara dos Deputados

 

 

Alguns países e o ano da aprovação do voto feminino

 

1893 – Nova Zelândia

1902 – Austrália

1906 – Finlândia

1907 –  Noruega

1915 - Dinamarca e Islândia

1917 - Rússia

1918 – Áustria, Alemanha, Polônia, Lituânia, Reino Unido e Irlanda

1920 - Estados Unidos

1929 – Equador

1931 – Espanha e Portugal (com limitações). Na Espanha, o direito foi suspenso em 1936 e só voltou a vigorar em 1977.

1932 – Brasil e Uruguai

1934 - Turquia

1944 - França

1945 – Itália e Japão

1947 - Argentina e Índia

1952 – Grécia

1953 - China e México

1955 – Honduras

1956 - Egito

1962 - Bahamas e Mônaco

1970 – Andorra

1971 – Suíça

1980 – Iraque

1994 – Omã

2015 – Arábia Saudita

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Este artigo foi atualizado em 27 de março de 2025.

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Site Fundação José Augusto

Site Fundação Perseu Abramo

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Site Musica Brasilis

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Wikipedia

 

Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2024

Série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI e série “Feministas, graças a Deus!” XI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino

O assunto do sexto artigo da Série 1922 – Hoje há 100 anos e do décimo primeiro artigo da série Feministas, graças a Deus, é a fundação, em 9 de agosto de 1922, da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), iniciativa vinculada ao movimento sufragista internacional, principal objetivo do feminismo no início do século XX.

 

 

As outras reivindicações feministas eram, em resumo, a igualdade entre os sexos e a independência da mulher. A existência da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino foi fundamental para o processo de emancipação das mulheres no Brasil.

 

 

Ainda em 1922, em dezembro, a FBPF promoveu o I Congresso Internacional Feminista no Rio de Janeiro e recebeu a medalha de ouro na Exposição Internacional do Centenário da Independência (Revista da Semana, 2 de julho de 1932). Bertha Lutz  (1894 – 1976)Carmen Portinho (1903 – 2001), Jeronyma Mesquita (1880 – 1972) e Stella de Carvalho Guerra Duval (1879 – 1971) foram algumas das fundadoras da entidade, que sucedeu a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher e a Liga pelo Progresso Feminino. Eram mulheres com excelente escolaridade e conheciam as direções dos movimentos feministas tanto na Europa como nos Estados Unidos.

 

Acessando o link para as fotografias  relacionadas ao feminismo no Brasil disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Bertha Lutz, cuja biografia confunde-se com a história da FBPF, e Stella de Carvalho Guerra Duval foram designadas presidente e vice-presidente, respectivamente; a secretaria geral coube a Valentina Biosca (? -?) e a segunda secretaria a Esther Salgado Monteiro (?-?). A tesouraria ficou a cargo de Corina Barreiros (? -?) e a escritora Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934) foi eleita presidente de honra da federação.

 

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Em seu início, as reuniões da FBPF ocorriam nas residências das sócias, já que a entidade não tinha sede própria. Sua primeira sede ficava na avenida Rio Branco, 117 (Revista da Semana, 2 de julho de 1932).

 

 

No fim dos anos 20, a FBPF reunia várias associações profissionais de mulheres e possuía núcleos em vários estados, com destaque para os de Alagoas, sob a direção de Lili Lages (1907 – 2003), primeira mulher eleita deputada da Assembleia Legislativa de Alagoas, em 1934; da Bahia, dirigido por Maria Luísa Dória Bittencourt (1910 – 2001), primeira deputada estadual da Bahia, em 1935; de Minas Gerais, pela advogada Elvira Kommel (1906 – 1932); e de Pernambuco, por Nícia Sá Pereira.

Houve, durante os cerca de 15 anos da entidade, uma cisão, em 1930, devido a divergências entre Bertha Lutz e a advogada gaúcha Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993) em relação a questões de engajamento partidário. Natércia saiu da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e fundou a Aliança Nacional de Mulheres, no Rio de Janeiro, em 30 de janeiro de 1931. A entidade era mobilizada pelo tema do trabalho e foi registrada em 7 de março do mesmo ano.

 

 

A FBPF liderou conquistas como a criação da União Universitária Feminina, em 13 de janeiro de 1929, sob a presidência de Carmen Portinho (1903 – 2001); as leis de proteção à mulher e à criança; o ingresso de meninas no Colégio Pedro II, a equiparação da Escola Normal aos cursos secundários oficiais e o voto feminino.

 

A Noite, 14 de janeiro de 1929A Noite, 14 de janeiro de 1929

 

Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932 instituiu o Código Eleitoral Provisório e reconheceu o direito de voto às mulheres.

 

 

Com a instauração do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, Bertha Lutz foi se afastando da FBPF e a entidade perdeu sua força. Em 1940, a escritora e declamadora Maria Sabina de Albuquerque (1898 – 1991) passou a presidi-la.

 

 

 

Pequeno perfil de algumas das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino

 

Bertha Lutz (1894 – 1976) foi um dos principais nomes do feminismo no Brasil. Em 1932,  foi uma das duas mulheres nomeadas para integrar a comissão para elaborar o ante-projeto da nova Constituição – a outra foi a advogada Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993).

 

 

Em 1936, Bertha, bióloga por formação, assumiu o mandato de deputada na Câmara Federal. Sempre ocupou importantes cargos públicos, dentre eles a chefia do setor de Botânica do Museu Nacional, cargo no qual se aposentou em 1964. Em agosto de 1965, recebeu o título de professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua vida sempre esteve ligada à ciência e à luta pela emancipação da mulher. Nasceu em São Paulo, em 2 de agosto de 1894, filha da enfermeira inglesa Amy Marie Gertrude Fowler (1869 – 1922 ) e do cientista e pioneiro da Medicina Tropical, Adolpho Lutz (1855 – 1940). Faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de setembro de 1976.

 

Carmen Velasco Portinho (1903 – 2001) nasceu em Corumbá, no Mato Grosso, em 26 de janeiro de 1903, e foi uma militante das causas feministas como o sufrágio feminino, além de ativista pela educação das mulheres e pela valorização do trabalho feminino fora da esfera doméstica, tendo sido uma das primeiras mullheres a se formar em Engenheira Civil (1925) e a primeira a obter o título de urbanista (1939) no Brasil.

 

 

Sempre na vanguarda, foi uma mulher graciosa, cheia de energia, culta, inteligente, dinâmica, tenaz, considerada simpática e afável. E, segundo a própria, apesar de ter tido uma vida de muito trabalho, sempre se divertiu. Viveu quase todo o século XX, tendo falecido em 25 de julho de 2001.

 

A enfermeira Jerônima Mesquita (1880 – 1972) e Stella de Carvalho Guerra Duval (1879 – 1971) eram muito amigas e participaram juntas de diversos projetos além da FBPF.

Jerônima era mineira de Leopoldina. Trabalhou como voluntária da Cruz Vermelha na França e na Suíça durante a Primeira Guerra Mundial. Durante a Gripe Espanhola, já de volta ao Brasil, como associada da entidade Damas da Cruz Verde, ao lado de sua mãe, a baronesa do Bonfim, e de sua amiga Stella de Carvalho Guerra Duval, coordenou a assistência às vítimas da pandemia, no Rio de Janeiro, improvisando enfermarias de emergências dentro dos hospitais cariocas. Cerca de 14 senhoras da sociedade carioca faziam parte do grupo Damas da Cruz Verde.

Foi a partir dessa experiência que surgiu o projeto de criação da Pró-Matre, cuja fundação aconteceu na casa da família Duval, em 1º de abril de 1918, com a presença de Jerônima, da promotora cultural e feminista Laurinda Santos Lobo (1878 – 1946) e da escritora e também feminista Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1886 – 1963), dentre outras mulheres, além do ginecologista e obstetra Fernando Magalhães (1871-1944) e do marido de Stella, o fotógrafo amador, barítono e poeta Fernando Guerra Duval (18? – 1959), com que havia se casado em 1º de dezembro de 1908. Formavam um casal muito popular e frequentavam os salões mais requintados e intelectualizados do Rio de Janeiro, além de terem sido festejados anfitriões de muitas festas e reuniões em seu palacete na rua Barão de Itambi, em Botafogo (O Imparcial, 31 de julho de 1935, terceira colunaIllustração Brasileira, janeiro de 1939).

 

 

Voltando à Pró-Matre. A primeira maternidade foi inaugurada em 9 de fevereiro de 1919, em um casarão na avenida Venezuela, cedido por Venceslau Brás (1868 – 1966), presidente da República. Stella foi tesoureira da entidade por quase vinte anos e sua presidente perpétua (O Paiz, 4 de dezembro de 1908, segunda colunaO Jornal, 5 de dezembro de 1951, segunda colunaO Cruzeiro, 12 de novembro de 1955).

 

 

Em 1919, Jerônima e Stella com Bertha Lutz, a escritora Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1886 – 1963), a educadora Maria Lacerda de Moura (1887 – 1945), Isabel Imbassahy Chermont, a escritora Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), Valentina Biosca, Esther Salgado Monteiro e Corina Barreiros criaram a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher. Em 1922, foi substituída pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.

 

 

Jerônima fundou, em 1920, a Federação das Bandeirantes do Brasil e foi sua primeira presidente, tendo, devido à sua dedicação, sido homenageada com o título de Chefe Fundadora do Movimento Bandeirante brasileiro. Participou também da fundação da Associação Brasileira de Educação (1924) e da criação do Conselho Nacional das Mulheres (1947). Foi uma das pioneiras na luta pelo direito ao voto feminino, participando ativamente do movimento sufragista de 1932.

Em 1926, quando Madame Curie e sua filha, Irène Joliot-Curie (1897 – 1956) visitaram o Brasil, tanto Jerônima como Stella as receberam. Na ocasião, Jerônima presidia o Conselho Nacional de Mulheres (O Paiz, 31 de janeiro de 1926, quarta coluna). A cientista compareceu a uma reunião das senhoras da comissão de recepção organizada pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, na casa da tesoureira da instituição, Stella de Carvalho Guerra Duval (1879 – 1971)(O Paiz, 11 de agosto de 1926, quarta coluna). Houve também uma recepção oferecida pela baronesa de Bonfim (1862-1953) e por Jerônima. Entre os presentes, os ministros Félix Pacheco (1879 – 1935), Miguel Calmon (1879 – 1935) e Edmundo da Veiga (1869 – 1946), o prefeito do Rio de Janeiro, Alaor Prata (1882 – 1964), além de embaixadores, diplomatas, acadêmicos, enfim personalidades importantes de diversos setores da sociedade ( O Paiz, 7 de agosto de 1926, quarta coluna e Revista da Semana, 7 de agosto de 1927). Lembramos que Carmen Portinho e Bertha Lutz eram integrantes da comissão de senhoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino responsável pela programação da cientista e de sua filha, no Rio de Janeiro.

Em homenagem a Jerônima, o dia 30 de abril, data de seu nascimento, em 1880, é o Dia Nacional da Mulher, instituído pela Lei nº 6.791, de 9 de junho de 1980. Faleceu, em 10 de dezembro de 1972, no Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 11 de dezembro de 1971).

Stella de Carvalho Guerra Duval nasceu em 1º de dezembro de 1879 e faleceu em 2 de fevereiro de 1971, no Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 3 de fevereiro de 1971, última coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BARRETO, Maria Renilda Nery. Pro Matre: arquivo e fontes para a história da maternidade no Rio de Janeiro, 2011.

DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. Coordenação de textos de Carla Bassanesi. São Paulo: Contexto, 1997

DEL PRIORI, Mary. História e conversas de mulher. São Paulo: Planeta Brasil, 2014

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

HEYNEMANN, Claudia; RAINHO, Maria do Carmo. Memória das lutas feministas in Brasiliana Fotográfica, 8 de agosto de 2017.

PINTO, Celi Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo (coleção história do povo brasileiro) 2003.

SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.

Site Mulher 500 anos atrás dos panos

 

Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2024

Links para os artigos já publicados da Série 1922 – Hoje, há 100 anos

Série 1922 – Hoje, há 100 anos I – Os Batutas embarcam para Paris, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 29 de janeiro de 2022

Série 1922 – Hoje, há 100 anos II- A Semana de Arte Moderna, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 13 de fevereiro de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos III – A eleição de Artur Bernardes e a derrota de Nilo Peçanha, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 1º de março de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos IV – A primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 17 de junho de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos V – A Revolta do Forte de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 5 de julho de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VII – A morte de Gastão de Orleáns, o conde d´Eu (Neuilly-sur-Seine, 28/04/1842 – Oceano Atlântico 28/08/1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 28 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos VIII – A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 7 de setembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos IX – O centenário do Museu Histórico Nacional, de autoria de Maria Isabel Lenzi, historiadora do Musseu Histórico Nacional, publicado em 12 de outubro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série 1922 – Hoje, há 100 anos X –  A morte do escritor Lima Barreto (1881 – 1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 1º denovembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica

Série 1922 – Hoje, há 100 anos XI – 1ª Conferência pelo Progresso Feminino e o “bom” feminismo, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, antropóloga do Arquivo Nacional, publicado em 19 de dezembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a primeira deputada da Bahia

 

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia

“Quando a fina silhueta de Maria Luiza Doria Bittencourt assomou à tribuna para os dez minuros da prova de eloquência, todo o auditório sentiu que se achava ali diante de um especimen novo de individualidade feminina, o expoente de uma nova concepção de Eva moderna: a mulher valor-intelectual”.

Maria Eugênia Celso Caneiro de Mendonça

sobre Maria Luiza Dória Bittencourt

Jornal do Brasil, 16 de outubro de 1929

 

A imagem abaixo pertence ao acervo fotográfico do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica.

 

 

A advogada e feminista Maria Luiza Dória Bittencourt nasceu em Paripe, subúrbio de Salvador, em 1910, filha de Luiz de Lima Bittencourt e Isaura Dória Bittencourt. Estudou no Rio de Janeiro, para onde se mudou com sua família e residia em um palacete na Praia Vermelha. Na década de 20, já era filiada à Federação Brasileira para o Progresso Feminino e à União Universitária Feminina, presididas por Bertha Lutz (1894 – 1976) e Carmen Portinho (1903 – 2001), respectivamente.

Em 1929, venceu a etapa do Rio de Janeiro de um concurso de oratória promovido pelo Instituto dos Advogados, cujo tema foi a Constituição Federal. Foi a única mulher entre os seis finalistas da etapa nacional, e ficou em segundo lugar no concurso, cujo vencedor foi o acadêmico mineiro Jovert de Souza Lima.

Foi uma das fundadoras, com a feminista e poetisa Anna Amélia Carneiro de Mendonça (1896 – 1971), presidente da associação, e o teatrólogo Paschoal Carlos Magno  (1906 – 1980), dentre outros, da Casa do Estudante do Brasil, em 13 de agosto de 1929.

Participou do Congresso Penal Penitenciário Brasileiro, realizado, no Rio de Janeiro, entre 15 e 22 de junho de 1930, quando apresentou a tese Reformatório de Mulheres Criminosas. A mesma tese foi apresentada no 10º Congresso Penitenciário e Penal Internacional, em Praga, em agosto do mesmo ano.

Formou-se, em 1931, na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, onde havia ingressado, em 1927, e foi, anos depois, em 1942, a primeira colocada no concurso para a livre-docência em Legislação do Trabalho e Direito Industrial da instituição, tornando-se a primeira mulher docente da história da referida faculdade.

Apoiada pelo grupo do então interventor da Bahia, Juracy Magalhães (1905 – 2001), concorreu a uma vaga de deputada estadual, em 14 de outubro de 1934. Pouco antes, em agosto, havia sido realizada, em Salvador, a Segunda Convenção Feminista, promovida pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Durante o evento foi recomendado aos partidos nomes de mulheres a candidatas às constituintes estaduais e dado apoio a candidatos comprometidos com os interesses femininos.

 

 

Elegeu-se como primeira suplente de Humberto Pacheco Miranda, que havia sido prefeito de Cachoeira, município baiano. Em 6 maio de 1935, assumiu o mandato, tornando-se a primeira deputada estadual baiana e uma das primeiras do Brasil, após o Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, que instituiu o Código Eleitoral Provisório e reconheceu o direito de voto às mulheres. Outras pioneiras foram Carlota Pereira de Queiróz (1892 – 1992), em São Paulo; Bertha Lutz (1894 – 1976), no Rio de Janeiro; Lili Lages (1907 – 2003), em Alagoas; Quintina Diniz de Oliveira (1878 – 1942), em Sergipe; e Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), no Amazonas. Todas as citadas foram eleitas em 1934, exceto Carlota Pereira de Queiróz, eleita em 1933.

Em janeiro de 1936, Maria Luiza seguiu para os Estados Unidos por ter ganho o prêmio Fellowship da Universidade Radcliffe. Retornou ao Brasil em julho do mesmo ano e, em dezembro, integrou a delegação brasileira que foi à Conferência Interamericana de Consolidação da Paz, em Buenos Aires. Durante o evento, proferiu um discurso e sua participação foi muito festejada e elogiada pela imprensa.

Durante seu mandato como deputada estadual da Bahia, Maria Luiza integrou o grupo responsável pela elaboração do texto constitucional e foi a relatora dos capítulos da Educação e Ordem Econômica e Social. Em 1937, apoiou a candidatura de José Américo de Almeida (1887 – 1980) à Presidência da República, tendo participado da Convenção dos delegados apoiadores do governo, no Palácio Monroe. Recepcionou o candidato em sua viagem à Bahia.

Segundo o Dicionário Mulheres do Brasil, foi de Maria Luiza a última voz que se manifestou na Assembléia Legislativa do Estado da Bahia em um discurso na defesa da democracia, antes do fechamento do legislativo determinado pela instauração do Estado Novo, pelo presidente Getulio Vargas (1882 – 1954), em 10 de novembro de 1937.

Em 1938, tinha um escritório de advocacia, na rua da Quitanda, no centro do Rio de Janeiro, com a feminista sergipana Maria Rita Soares Andrade (1904 – 1998), que se tornaria, em 1967, a primeira juíza federal do Brasil. Continuava ligada às atividades da Federação Brasileira pelo Progresso da Mulher, da União Universitária Feminina e da Casa do Estudante do Brasil.

Provavelmente, casou-se em torno de 1943, pois em uma reportagem de janeiro de 1944 foi identificada como Maria Luiza Dória Bittencourt Mello Neto.

Em 1945, com Natércia da Cunha Silveira (1903 – 1993)Carmen Portinho  e Maria Rita Soares de Andrade, foi uma das organizadoras de uma coligação democrática para apoiar a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes (1896 – 1981) à presidência da República, tendo sido uma das fundadoras da UDN – União Democrática Nacional.

Em 19 de janeiro de 1947, concorreu a uma vaga de vereadora do Distrito Federal pela Esquerda Democrática, mas não se elegeu. No ano seguinte, foi noticiado que o Curso de Geografia Econômica, ministrado gratuitamente por ela, na sede do Partido Socialista Brasileiro, na rua Buenos Aires, 57, seria reiniciado.

Em 1954, morava em São Paulo e foi identificada em uma matéria do Jornal do Brasil como advogada, esposa e mãe exemplar. Em fins da década de 60, como integrante do Conselho Patrimonial da Casa do Estudante do Brasil, foi uma das oradoras na comemoração dos 40 anos da entidade, marcada pela reinauguração da Biblioteca Artur Ramos e pela realização de um Almoço de Confraternização Universitária.

Em 1979, no auditório do MEC, Maria Luiza e o engenheiro L.A. Falcão Bauer fizeram palestras sobre o entrosamento profissional entre homens e mulheres dentro da programação da Segunda Reunião Latino-Americana de Mulheres Universitárias. Nove anos depois, em 1988, recebeu, na Associação Brasileira de Mulheres Universitárias, o diploma do Mérito Ruy Barbosa por ter sido a primeira mulher constituinte da Bahia.

Faleceu em 2001.

 

Cronologia de Maria Luiza Dória Bittencourt

 

 

1910 – Nascimento de Maria Luiza Dória Bittencourt, em Paripe, subúrbio de Salvador, capital da Bahia. Era filha de Isaura Dória Bittencourt e Luiz de Lima Bittencourt.  

1923 - Estudava na Escola Leitão da Cunha, no Rio de Janeiro, e participou do concurso Esther Pereira de Mello, promovido pela Escola Deodoro para a escolha, dentre as alunas que se destacaram em seus exames finais, da mais inteligente (Jornal do Commercio, 16 de dezembro de 1923, segunda coluna; e A Noite, 24 de dezembro de 1923, terceira coluna).

No final do ano, foi chamada para prestar exames de preparatório no Colégio Pedro II (Jornal do Brasil, 6 de dezembro de 1923, terceira coluna; e 24 de dezembro,primeira coluna de 1923).

1925 - Foi reprovada no exame de preparatória de Aritmética, no Colégio Pedro II (Jornal do Brasil, 19 de março de 1925, quinta coluna).

1926 – Na Bahia, falecimento de seu avô paterno, Valentim Antônio da Rocha Bittencourt (Jornal do Brasil, 9 de fevereiro de 1926, terceira coluna).

1927 – Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 30 de novembro de 1927, quarta coluna).

Na Seção Acadêmica da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, Maria Luiza proferiu uma palestra sobre assuntos jurídicos (Jornal do Brasil, 23 de setembro de 1927, quarta coluna).

A escritora Rosalina Coelho Lisboa (1900 – 1975) foi coroada como Rainha dos Estudantes, no Teatro João Caetano. Maria Luiza foi uma das oradoras do evento, onde se encontrava todo o escol social do Rio de Janeiro, dentre eles o escritor Coelho Neto (1864 – 1934), considerado o Príncipe dos Prosadores Brasileiros, numa votação realizada no ano seguinte pela revista O Malho; e o teatrólogo, ator e poeta Paschoal Carlos Magno (1906 – 1980)(O Paiz, 24 de setembro de 1927, segunda coluna).

 

 

1928 - Foi um dos acadêmicos de Direito que assinaram uma mensagem enviada ao Congresso da Mocidade Católica de São Paulo (A Cruz, 26 de setembro de 1928, quinta coluna).

1929 - Ainda como estudante, foi secretária da União Universitária Feminina, fundada por Carmen Portinho (1903 – 2001), no Rio de Janeiro, em 13 de janeiro de 1929 (O Paiz, 14 de janeiro de 1929, terceira colunaO Imparcial, 15 de janeiro de 1929, primeira colunaGazeta de Notícias, 15 de janeiro de 1929, quarta colunaO Jornal, 3 de outubro de 1929, quinta coluna).

Era filiada à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), fundada por Bertha Lutz (1894 – 1976), em 1922.

Com a tese As liberdades e as garantias constitucionais venceu o concurso de oratória realizado entre os alunos da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Concorreu com os acadêmicos Alvim Horcades Filho e Deocleciano Martins de Oliveira (Jornal do Brasil, 1º de setembro de 1929, quinta coluna; O Paiz, 31 de agosto de 1929, quarta coluna).

Integrando a celebração da Independência do Brasil promovida pela FBPF e pela a União Universitária Feminina, Maria Luiza proferiu o discurso Independência política, independência moral, na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, representando a União Universitária Feminina. Pela FBPF, proferiram discursos as duas vencedoras norte-americanas de um concurso de oratória realizado nos Estados Unidos. Participou do chá de despedida oferecido pela FBPF, no Pão de Açúcar, a essas estudantes (O Paiz, 7 de setembro, sexta coluna; 14 de setembro de 1929, penúltima coluna, de 1929).

Na casa de seu pai, dr. Lima Bittencourt, descrito como um palacete na Praia Vermelha, também ofereceu um chá ao grupo (Revista da Semana, 21 de setembro de 1929).

 

 

Por seu intermédio, o Instituto Histórico e Geográfico enviou vários livros para a Feira dos Livros. Foi fotografada participando do evento, em benefício da Casa do Estudante do Brasil, criada em 13 de agosto de 1929, da qual foi uma das fundadoras, assim como a importante poetisa e feminista Anna Amélia Carneiro de Mendonça (1896 – 1971), presidente da associação, e o ator, poeta e teatrólogo Paschoal Carlos Magno  (1906 – 1980), dentre outros (Correio da Manhã, 24 de setembro de 1929, sétima coluna; Revista da Semana, 28 de setembro de 1929; Diário de Notícias, 2 de junho de 1940, quarta coluna; Annuario Brasileiro de Literatura, 1943; Tribuna da Imprensa, 9 de março de 1956Correio da Manhã, 14 de agosto de 1969, quarta coluna).

 

 

Uma curiosidade: Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça foi casada com Marcos Carneiro de Mendonça (1894 – 1988), goleiro do Fluminense e o primeiro goleiro da seleção brasileira. O casal teve quatro filhos e um deles foi Bárbara Heliodora (1923 – 2015), crítica teatral e uma das maiores especialistas em Shakespeare do Brasil.

 

 

Maria Luiza participou da Festa dos Balões, em prol da construção da Casa do Estudante do Brasil (Revista da Semana, 5 de outubro de 1929).

 

 

Maria Luiza foi uma das promotoras e discursou durante a programação da Festa da Primavera, organizada pela mocidade feminina carioca, realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. O presidente Washington Luis (1869 – 1957) foi homenageado (O Paiz, 28 de setembro de 1929, terceira coluna; A Manhã, 28 de setembro de 1928, primeira coluna).

Publicação de um artigo da escritora e feminista Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1886 – 1963), filha do historiador, político e poeta conde de Afonso Celso (1860 – 1938),  elogiando as qualidades intelectuais e pessoais de Maria Luiza (Jornal do Brasil, 16 de outubro de 1929, primeira coluna).

 

 

Na reunião mensal da União Universitária Feminina, presidida por Carmen Portinho (1903 – 2001), solicitou que a associação apoiasse a construção da Casa do Estudante do Brasil, ajudando na venda de entradas para a peça Orpheu, no estádio do Fluminense. Na mesma ocasião, foi nomeada com Luiza Sapienza e Esther Corrêa Ramalho, uma das primeiras engenheiras brasileiras, para integrar a comissão do desenvolvimento da biblioteca da União Universitária Feminina (O Jornal, 3 de outubro de 1929, quinta coluna; e O Paiz, 20 de outubro de 1929, última coluna).

Foi uma das finalistas, a única mulher, representando o Rio de Janeiro, no concurso nacional de oratória promovido pela Instituto dos Advogados entre estudantes de Direito do Brasil, cujo tema foi a Constituição Federal. Realizado no Salão da Associação dos Empregados do Comércio, foi vencido pelo acadêmico mineiro Jovert de Souza Lima. Maria Luiza conquistou o segundo lugar, seguida por Hermes Barroso, representante do Ceará (O Jornal 11 de outubro, quarta coluna13 de outubro e 18 de outubro de 1929; A Gazeta (SP), 16 de outubro de 1929, quarta coluna; Revista da Semana, 19 de outubro de 1929; Fon-Fon, 19 de outubro de 1929Excelsior, novembro de 1929).

 

 

 

Sob os auspícios da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, na Rádio Club do Brasil, apresentação de Maria Luiza, oradora e acadêmica de Direito, falando sobre Os direitos políticos femininos em face das leis do Brasil (Jornal do Brasil, 8 de novembro de 1929, quinta coluna).

Foi citada, elogiosamente, no artigo Oratória Feminina, do conde de Afonso Celso (1860 – 1938) (Jornal Pequeno, 16 de dezembro de 1929, segunda coluna).

“Na senhorita Maria Luiza Dória Bittencourt fulge, porém, deveras, um dos mais auspiciosos talentos verbais da presente geração acadêmica”. 

1930 – Participou do Congresso Penal Penitenciário Brasileiro, realizado, no Rio de Janeiro, entre 15 e 22 de junho. Apresentou a tese Reformatório de Mulheres Criminosas. A mesma tese foi apresentada no 10º Congresso Penitenciário e Penal Internacional, em Praga, em agosto (O Jornal, 30 de março, sexta coluna; 11 de abril, quinta coluna; e 2 de setembro, sexta coluna, de 1930;  Jornal do Commercio, 24 de maio, primeira coluna; 16 e 17 de junho, quinta coluna, de 1930; Correio da Manhã, 5 de julho de 1931, terceira coluna).

 

 

Participou de um almoço em homenagem à advogada sergipana Maria Rita Soares de Andrade (1904 – 1998), que se tornaria, em 1967, a primeira juíza federal do Brasil. Na foto abaixo, além de Maria Luiza e Maria Rita, a bibliotecária Luiza Sapienza, a escritora Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1886 – 1963), a bióloga Bertha Lutz (1894 – 1976), Mary Corbett, Marianna Gurjão, a advogada Maria Alexandrina Ferreira Chaves, a maestrina Joanidia Sodré (1903 – 1975) e Anna Guttrie (Vida Doméstica, agosto de 1930).

 

 

Na Aliança Internacional pelo Sufrágio Feminino, que reunia associações femininas de 44 países, representou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino no assunto de Igualdade de Condições de Trabalho do Homem e da Mulher (Correio da Manhã, 15 de agosto de 1930, última coluna).

Integrava a comissão formada pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino para recepcionar a escritora portuguesa Maria Amélia Teixeira, diretora da revista Portugal Feminino (A Gazeta (SP), 27 de agosto de 1930, quarta coluna).

Participou, no Hotel Glória, da Festa da Primavera promovida por Anna Amélia Carneiro de Mendonça (1896 – 1971), fundadora da Casa do Estudante do Brasil, com a presença da Miss Universo, Yolanda Pereira (1910 – 2001) (Revista da Semana, 20 de setembro de 1930Correio da Manhã, 23 de setembro de 1930, sétima coluna).

 

 

Fazia parte da comissão de recepção da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino nas homenagens ao cardeal Sebastião Leme (1882 – 1942) (Correio da Manhã, 19 de outubro de 1930, penúltima coluna).

No Teatro João Caetano, a Casa do Estudante do Brasil promoveu uma homenagem aos estudantes soldados da revolução hospedados no Rio de Janeiro. Maria Luiza, Olegário Mariano (1889 – 1958), Paschoal Carlos Magno (1906 – 1980) e Eugênia Alvaro Moreyra (1898 – 1948), dentre outros, faziam parte da programação da noite (Correio da Manhã, 14 de novembro de 1930, sétima coluna).

1931 – Criação da Federação Baiana pelo Progresso Feminino (A Noite, 9 de abril de 1932, quinta coluna).

Publicação do artigo O feminismo na Bahia, de sua autoria, em que apresenta a Federação Baiana pelo Progresso Feminino e a União Universitária Feminina (Diário de Notícias (BA), 26 de março de 1931).

Após uma temporada na Bahia, retornou ao Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 12 de abril de 1931, primeira coluna).

Ela, Bertha Lutz e a advogada e jornalista Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971) foram as autoras da mensagem da FBPF à subcomissão de direitos eleitorais, encarregada pela redação do ante-projeto da Legislação Eleitoral (Correio da Manhã, 24 de maio de 1931, primeira coluna).

 

 

 

Participou do Segundo Congresso Feminista Internacional, realizado entre 20 e 30 de junho, no Automóvel Club, no Rio de Janeiro, apresentando uma tese sobre o regime de família no Direito Civil Brasileiro. Foi a relatora da Comissão de Polícia Feminina. Na ocasião declarou que a mulher aceita a participação na vida pública, não como um direito a fruir, mas como um dever a desempenhar conscienciosamente. Fez um eloquente discurso sobre as futuras diretrizes do movimento feminista. Em um documento elaborado pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino pleiteando a criação de uma Polícia Feminina, seu nome foi sugerido para integrar a Comissão de Polícia Feminina, que seria presidida por Eunice Weavers (1902 – 1969 (Jornal do Brasil, 20 de junho de 1931, primeira colunaCorreio da Manhã, 20 de junho de 1931A Batalha, 24 de junho de 1931, penúltima coluna; Jornal das Moças, 25 de junho de 1931Para Todos, 27 de junho de 1931;Correio da Manhã, 1º de julho de 1931, sexta coluna; A Noite, 1º de julho de 1931Correio da Manhã, 11 de julho de 1931, última colunaVida Doméstica, agosto de 1931).

 

 

 

 

 

A sessão de Educação e Instrução ficou sob a responsabilidade da União Universitária Feminina, composta por Carmen Portinho, Orminda Ribeiro Bastos, Luiza Sapienza, Maria Luiza Doria Bittencourt e Maria Werneck de Castro. Entre as conclusões da comissão: promoção junto aos poderes competentes a propaganda das ideias modernas sobre a organização do ensino normal, considerando que da sua eficiência depende o progresso da educação popular no Brasil e apelar para a Associação de Educação para que organizem campanha tenaz, persistente e eminentemente patriótica, com determinação precisa de objetivos e métodos em torno da educação moral e cívica da criança e do adolescente.

Participou de um almoço de adesões em homenagem ao advogado e escritor Gilberto Amado (1887 – 1969)(Correio da Manhã, 28 de junho de 1931, quarta coluna).

Em nome da União Universitária Feminina, discursou durante uma homenagem a Assis Brasil (1857 – 1938), realizada no Cassino Beira-Mar (Correio da Manhã, 2 de agosto de 1931, quarta coluna; Fon-Fon, 8 de agosto de 1931).

 

 

Integrava com Carmen Portinho (1903 – 2001), Ignez Mathiessen e Carmen de Carvalho a comissão da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino que foi ao Ministério da Viação e Obras solicitar ao ministro José Américo de Almeida (1887 – 1980) a readmissão das mulheres nas repartições dos Correios (Diário Nacional, 15 de agosto de 1931, primeira coluna; Correio da Manhã, 15 de agosto de 1931, última coluna).

 

 

Foi roubada no ateliê fotográfico Annunciato, que ficava no Edifício Guinle, e aonde foi com sua amiga, a engenheira civil Nidia Moura, buscar algumas fotografias que havia encomendado (A Noite, 25 de agosto de 1931, quarta coluna).

Formou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Era a única bacharelanda (Correio da Manhã, 10 de setembro de 1931, terceira coluna; Revista da Semana, 12 de setembro de 1931).

 

 

Foi homenageada na reunião mensal da União Universitária Feminina, da qual era secretária-geral, e também em uma reunião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (Correio da Manhã, 4 de setembro de 1931, penúltima coluna; Correio da Manhã, 10 de setembro de 1931, terceira coluna; Correio da Manhã, 24 de setembro de 1931, quinta coluna; Para Todos, 19 de setembro de 1931).

 

 

Durante o curso de Direito, tentou ingressar no Centro de Estudos Jurídicos e Socias, o CAJU, do qual faziam parte, entre outros, Américo Lacombe (1909 – 1974), Antonio Galloti (1908 – 1986), Gilson Amado (1908 – 1979), Otávio de Faria (1908 – 1980), Plínio Doyle (1906 – 2000), San Tiago Dantas (1911 – 1964) e Vinícius de Morais (1913 – 1980). Para ser membro desse grupo era necessário defender uma tese. Ela apresentou um trabalho sobre extradição. Sua tese foi discutida em várias sessões, mas ela não foi aceita. Conforme depoimento de Vicente Chermont de Miranda (1909 – 2000), também aluno e membro do CAJU, foi discriminada por ser mulher.

Apresentou-se na Rádio Educadora dentro da programação em homenagem à inauguração do Cristo Redentor (Correio da Manhã, 6 de outubro de 1931, segunda coluna).

Compareceu ao enterro de Francisca Praguer Fróes (1872 – 1931), presidente da diretoria da União Universitária Feminina da Bahia (Correio da Manhã, 24 de novembro de 1931, terceira coluna).

 

 

1932 – Na conferência que realizou na reunião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, Adelaide da Silva Cortes, primeira titular da comissão de imprensa da FBPF, mencionou a palestra Conceitos Feministas, proferida por Maria Luiza, na qual ela atacou os anti-feministas classificando-os de materialistas (Correio da Manhã, 3 de janeiro de 1932, última coluna).

Fazia parte da diretoria da União Universitária Feminina (Correio da Manhã, 13 de janeiro de 1932, terceira coluna; A Noite, 14 de janeiro de 1932, quarta coluna).

Em 24 de fevereiro de 1932, foi sancionado o Código Eleitoral pelo Decreto nº 21.076, que garantiu oficialmente às mulheres acima de 21 anos os direitos de votar e serem votadas no Brasil.

Em Salvador, Maria Luiza realizou uma palestra durante a comemoração de um ano da criação da Federação Baiana pelo Progresso Feminino (A Noite, 9 de abril de 1932, quinta coluna).

Na Rádio Sociedade, proferiu uma palestra em prol da Sociedade de Assistência aos Lázaros (Correio da Manhã, 6 de junho de 1932, sexta coluna).

Foi convidada para votar no concurso Qual o maior poeta moço do Brasil? Na ocasião era segunda vice-presidente da União Universitária Feminina (Brasil Feminino, julho de 1932; Revista da Semana, 9 de julho de 1932).

Bertha Lutz (1894 – 1976) havia viajado para os Estados Unidos para usufruir o prêmio de viagem que lhe concedeu a Carnegie Endowment for International Peace, por intermédio da União Pan Americana e da Associação Americana de Museus, para estudar o papel educativo dos museus americanos. Em dois meses e meio, ela percorreu vinte cidades e visitou 58 museus, saindo de Nova York em direção a St. Louis e dali para Chicago, gradualmente retornando a Nova York. Após três meses de viagem, voltou para o Brasil, em julho, e foi saudada por Maria Luisa (Correio da Manhã, 22 de julho, penúltima coluna, e 31 de julho de 1932).

Participou da II Conferência Nacional de Educação, quando expôs um trabalho sobre o ensino primário com a proposta de regulamentação da divisão de competência entre União e os estados.

Já como bacharel, fez uma prova de Direito Internacional Privado, na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 10 de agosto de 1932, segunda coluna).

Ela, Orminda Ribeiro Bastos e Maria de Lourdes Pinto Ribeiro integravam o escritório jurídico da União Universitária Feminina (Jornal do Commercio, 18 de setembro de 1932, segunda coluna).

Participou da Quinzena de Estudos Práticos da Constituição Futura, evento que comemorou os 10 anos de existência da Federação Brasileira para o Progresso Feminino (Correio da Manhã, 18 de outubro de 1932).

Presidiu a conferência de encerramento do primeiro curso de educação política promovido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. O conde de Afonso Celso (1860 – 1938) proferiu a palestra Vida internacional, arbitramento internacional e interno, A Guerra fora da lei, Autorização para firmar convênios e tratados internacionais, Direitos do estrangeiro naturalizado e do estrangeiro no Brasil (Correio da Manhã, 1º de novembro de 1932, segunda coluna).

Foi uma das secretárias da primeira reunião realizada na sede da FBPF, presidida por Bertha Lutz, para receber sugestões da mulher brasileira para a nova Constituição. Apesar de ser a favor do divórcio, esclareceu que esta não seria uma matéria constitucional e sim pertinente ao Direito Civil (Correio da Manhã, 25 de novembro de 1932, sexta coluna).

1933 - Esteve em São Paulo trabalhando em prol de uma cruzada de educação política (A Cigarra, janeiro de 1933).

 

 

Estava presente à instalação do posto eleitoral da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (A Noite, 13 de fevereiro de 1933, quarta coluna).

Seguiu participando de reuniões pertinentes a sugestões à nova Constituição. Ela, Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1886 – 1963) e a educadora Alba Canizares do Nascimento (1893 – 1944) propuseram o nome de Bertha Lutz como candidata mulher única à Assembléia Nacional Constituinte, nas eleições de 3 de maio (Diário de Notícias, 23 de abril de 1933, penúltima colunaCorreio da Manhã, 4 de abril de 1933, primeira coluna; Diário Carioca, 26 de abril de 1933, última coluna).

 

 

 

Maria Luiza foi eleita primeira vice-presidente da União Universitária Feminina (Correio da Manhã, 26 de abril de 1933, terceira coluna).

Além de Bertha, foram candidatas para deputadas constituintes pelo Rio de Janeiro a advogada Natércia Cunha Silveira (1905 – 1993), a escritora Anna César Vieira, a escritora socialista Ilka Labarthe e Georgina de Azevedo Lima de quem, segundo a reportagem publicada na Revista da Semana, não se sabia de trabalhos feministas. Na matéria da Revista da Semana, a professora baiana Leolinda Daltro (1859 – 1935), também candidata e uma das precursoras do feminismo no Brasil, declarou-se satisfeita por testemunhar a candidatura de mulheres a cargos políticos no país (Brasil Feminino, abril de 1933; O Malho, 15 de abril de 1933Correio da Manhã, 26 de abril de 1933, terceira colunaRevista da Semana, 20 de maio de 1933). Nenhuma delas foi eleita. Bertha obteve 15.756 votos, Natércia obteve 3.22o votos, Georgina Azevedo Lima, 14.093; e Ilka Labarthe, 3.869. Neste pleito, a médica paulista Carlota Pereira de Queiroz (1892 – 1982) foi eleita a primeira mulher constituinte.

 

 

Era uma das professoras do Curso de Educação Feminina, inaugurado na Universidade Livre da Capital Federal (Correio da Manhã, 26 de maio de 1933, quarta coluna).

Colaborou com a consultora jurídica da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, Orminda Ribeiro Bastos, na redação do programa da FBPF de reivindicações femininas da nova Constituição (Correio da Manhã, 22 de julho de 1933, sexta coluna).

 

 

Defendeu, no Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, a causa de Bertha Lutz que pleiteava a suplência geral, pelo critério majoritário, por ter ficado em 11º lugar, e não apenas a diplomação como suplente do Partido Autonomista. Bertha assumiu o mandato em julho de 1936 (A Noite, 5 de setembro de 1933, última coluna).

 

 

Foi uma das signatárias de um manifesto de autoria de Bertha Lutz (1894 – 1976),  apresentado à seção de Legislação da Conferência Nacional de Proteção à Infância. Além dela, assinaram o manifesto a advogada Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), a engenheira e urbanista  Carmen Portinho (1903 – 2001) e a tradutora Lina Hirsh (Jornal do Brasil, 23 de setembro de 1933, penúltima colunaCorreio da Manhã, 23 de setembro de 1933, quinta coluna).

Foi eleita consultora jurídica da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (A Noite, 18 de outubro de 1933, quinta coluna).

1934 – Presidia a Liga Eleitoral Independente da Bahia.

A presidente da Federação Alagoana para o Progresso Feminino, Hilda Calheiros, enviou uma carta ao então presidente da República, Getulio Vargas, pedindo a nomeação de Maria Luiza Doria Bittencourt como representante feminina do Instituto de Amparo Social.

Foi uma das organizadoras da comemoração do Dia Pan-Americano, no restaurante da Casa do Estudante do Brasil, na rua da Carioca 11, 1º andar (A Noite, 10 de abril de 1934, terceira coluna).

No Automóvel Clube do Brasil, a Federação Brasileira para o Progresso Feminino promoveu a Festa da Vitória, celebrando a s conquistas femininas na nova Constituição Brasileira. Representando a União Universitária Feminina, Maria Luiza fez um discurso (Correio da Manhã, 9 de junho de 1934, terceira coluna; Correio da Manhã, 27 de junho de 1934, sétima colunaAs Walkyrias, agosto de 1934; Correio da Manhã, 26 de setembro de 1936, quarta coluna).

 

 

 

discurso

discurso1

 

Participava da Cruzada Nacional de Educação, sob a presidência de Gustavo Ambrust (1879 – 1953) (Correio da Manhã, 17 de junho de 1934, quarta coluna).

Foi eleita primeira secretária do diretório do Partido Autonomista da Paróquia de São José, filiado ao Partido Autonomista do Distrito Federal (Jornal do Brasil, 24 de junho de 1934, quinta coluna).

Criação do Conselho de Previdência e Cultura do Distrito Federal, pleiteado por Bertha Lutz e por Maria Luiza à Assembléia Nacional Constituinte. Em setembro, Maria Luiza foi eleita secretária do Conselho, presidido por Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (A Noite, 12 de julho de 1934, quinta colunaCorreio da Manhã, 18 de setembro de 1934, penúltima coluna; Jornal do Brasil, 23 de setembro de 1934, segunda coluna).

 

 

Representando várias associações femininas,  participou da posse do novo ministro das Relações Exteriores, José Carlos de Macedo Soares (1883 – 1968) (A Noite, 27 de julho de 1934).

Era uma das feministas empenhadas na campanha para interessar a mocidade feminina para o voto (Correio da Manhã, 16 de agosto de 1934, segunda coluna).

Em Salvador, foi promovida, pela Fundação Brasileira pelo Progresso Feminino, a Segunda Convenção Feminista, entre 27 de agosto e 1º de setembro. Na época, Edith Mendes da Gama e Abreu (1903 – 1982) era a presidente da filial baiana da FBPF.

 

 

 

 

Maria Luiza participou elaborando a programação do evento, cujo objetivo foi organizar o programa post-constitucional de reivindicações de pautas do interesse das mulheres e articular as federações femininas existentes no sentido de apontar as candidatas para as eleições de outubro. Foi decidido que a federação promoveria a organização de filiais nos estados, que qualquer cerimônia da federação seria precedida pela execução de um hino cuja letra foi composta por Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1886 – 1963) e a música, pela maestrina Joanídia Sodré (1903 – 1975). Foi também formulado o Decálogo Feminista com 10 princípios básicos (Correio da Manhã, 15 de agosto de 1934, última colunaJornal do Brasil, 19 de agosto de 1934, sexta colunaA Nação, 1º de setembro de 1934, penúltima coluna; Correio da Manhã, 1º de setembro de 1934, sexta colunaCorreio da Manhã, 4 de setembro de 1934, sexta coluna; Jornal do Brasil, 8 de setembro de 1934, quarta coluna).

 

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Seu nome foi incluído na chapa à Constituinte Estadual do Partido Social Democrático da Bahia, ligado ao interventor do estado Juracy Magalhães (1905 – 2001). Aloisio de Castro afirmou que seu nome foi substituido pelo de Maria Luiza devido a uma recomendação do presidente Getulio Vargas, fato negado por Juracy (O Jornal, 10 de maio de 1946, quarta coluna). Outras mulheres foram candidatas em outros estados do Brasil (Correio da Manhã, 8 de setembro de 1934, penúltima colunaGazeta de Notícias, 3 de outubro de 1934, segunda coluna).

Maria Luiza embarcou para Salvador em um hidroavião da Panair (Correio da Manhã, 8 de setembro de 1934, oitava coluna; e 25 de setembro e 1934, sexta coluna, de 1934; A Noite, 10 de setembro de 1934, quinta coluna).

 

 

Foi duramente criticada no artigo Feminismo ou burla?, do poeta e advogado Heitor Lima (1887 – 1945), que a chamou de prodigioso papagaio de quitanda, capaz de falar cinco horas a fio sem dizer nada que se aproveite (Correio da Manhã, 29 de setembro de 1934, primeira coluna).

Fez campanha pelo interior da Bahia acompanhada por Juracy Magalhães e, nas eleições de 14 de outubro, Maria Luiza elegeu-se como primeira suplente do deputado estadual e engenheiro Humberto Pacheco Miranda (Correio da Manhã, 4 de outubro de 1934, terceira coluna; Jornal do Commercio, 3 de outubro, terceira coluna; e 8 e 9 de outubro, quarta coluna, de 1934; Correio da Manhã, 22 de novembro de 1934, sétima coluna; Jornal do Commércio, 11 e 12 de fevereiro, terceira coluna, de 1935).

 

 

Foi a advogada de acusação no ruidoso processo de cassação do mandato do deputado Ernesto Pereira Carneiro (1877 – 1954) (A Noite, 9 de novembro de 1934, penúltima coluna).

Na Casa do Estudante do Brasil, instalação dos conselhos patrimoniais e consultivos. Na ocasião, Maria Luiza, membro do conselho consultivo, leu os nomes dos empossados nos conselhos (Correio da Manhã, 29 de dezembro de 1934).

 

 

1935 - Foi uma das assinantes de um manifesto em defesa de Bertha Lutz, acusada de fraude nas eleições de outubro de 1934. Foi cassado o mandato do deputado Ernesto Pereira Carneiro (1877 – 1954) e ordenada a posse de Bertha Lutz, como suplente do Partido Autonomista (Gazeta de Notícias, 29 de dezembro de 1934, primeira coluna; A Noite, 11 de janeiro de 1935, terceira coluna; A Noite, 19 de janeiro de 1935).

 

 

Em maio, com o afastamento de Humberto Pacheco Miranda, nomeado superintendente da Viação Bahiana de São Francisco, Maria Luiza Bittencourt tomou posse como deputada estadual (Correio da Manhã, 9 de maio de 1935, última coluna).

Integrou a Assembleia Constituinte da Bahia e foi uma das responsáveis pela elaboração de seu texto, tendo sido a relatora dos capítulos sobre ordem econômica e social, e também sobre educação (Gazeta de Notícias, 17 de maio de 1935, quarta coluna; Gazeta de Notícias, 14 de agosto de 1935, quinta coluna).

Na Assembleia Legislativa da Bahia, foi uma das nomeadas para integrar a comissão para dar o parecer sobre o orçamento do estado (Gazeta de Notícias, 3 de setembro de 1935, terceira coluna).

O Tribunal Superior de Justiça Eleitoral julgou os últimos recursos e o relatório final sobre o pleito baiano com as alterações decorrentes das eleições suplementares. Os deputados estaduais Waldomiro Lins de Albuquerque  e João Mendes da Costa Filho foram substituidos por Maria Luiza e Gilberto Valente (A Noite, 20 de setembro de 1935, terceira coluna).

Conquistou o prêmio Fellowship da Universidade de Radcliffe, nos Estados Unidos, onde cursou uma especialização em economia social , finanças e racionalização (Diário de Notícias, 10 de setembro de 1935, terceira colunaCorreio da Manhã, 12 de setembro de 1935, primeira coluna).

 

 

Foi homenageada na Casa do Estudante do Brasil (Diário de Notícias, 12 de setembro de 1935).

 

 

1936 - Foi recebida no Itamaraty pelo ministro das Relações Exteriores,  José Carlos de Macedo Soares (1883 – 1968), e embarcou para os Estados Unidos para a Universidade de Radcliffe (Correio da Manhã, 16 de janeiro de 1936, terceira coluna; A Noite, 16 de janeiro de 1935, penúltima coluna).

 

 

Foi elogiada em uma reportagem do New York Sun (Gazeta de Notícias, 6 de fevereiro de 1936, última coluna; Gazeta de Notícias, 18 de fevereiro de 1936, terceira coluna).

 

 

Regressou ao Brasil, em julho (A Noite, 3 de julho de 1936, quarta coluna).

Integrou uma comissão da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino que visitou o presidente da República, Getulio Vargas (1882 – 1954), no Palácio do Catete. Na pauta, o III Congresso Nacional Feminista, que se realizaria, no Rio de Janeiro, em outubro (Correio da Manhã, 18 de agosto de 1936, terceira coluna).

Por sua indicação, Nair Guimarães Lacerda foi nomeada pelo governador Juracy Magalhães para o cargo de prefeita do município baiano Urandi.

Foi uma das mulheres cujo nome foi cogitado para ingressar na Academia Brasileira de Letras. A primeira mulher imortal foi Rachel de Queiroz (1910 – 2003), eleita 41 anos depois, em 1977 (Fon-Fon, 12 de setembro de 1936).

No Rio de Janeiro, participou do III Congresso Nacional Feminista, realizado entre 20 de setembro e 9 de outubro e, como membro da FBPF, defendeu a proposta de reformulação do estatuto jurídico da mulher brasileira que havia redigido. O documento, que ficou conhecido como o Estatuto da Mulher, foi a base para o projeto de lei apresentado, no ano seguinte, por Bertha Lutz no Legislativo Federal. Foi também decidido, por ideia de Alba Canizares do Nascimento (1893 – 1944), delegada do Distrito Federal, que a FBPF organizaria o movimento panamericano pelo progresso feminino (Correio da Manhã, 4 de outubro, última coluna; 6 de outubro, terceira coluna; 8 de outubro, sétima coluna;  9 de outubro, sexta coluna11 de outubro, sexta coluna, 15 de outubro, quarta coluna, de 1936; A Noite, 9 de outubro de 1936, segunda coluna; Gazeta de Notícias, 15 de setembro de 1936, primeira colunaGazeta de Notícias, 11 de outubro de 1936, sexta coluna).

Integrou a delegação brasileira que foi à Conferência Interamericana de Consolidação da Paz, em Buenos Aires, realizada em dezembro. Antes de partir, foi homenageada pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Durante a conferência, após o discurso do embaixador Oswaldo Aranha, Maria Luiza falou, em nome das Associações Feministas Americanas Pró-Paz. Sua atuação foi elogiada pela imprensa e por seus companheiros de trabalho. Regressou ao Brasil, em 29 de dezembro (A Noite, 9 de novembro de 1936, terceira colunaCorreio da Manhã, 21 de novembro de 1936, terceira coluna; e 27 de novembro, quarta coluna, 6 de dezembro, quarta coluna, 30 de dezembro, sétima coluna, de 1936; A Noite, 19 de dezembro de 1936, primeira colunaA Noite, 24 de dezembro de 1936, segunda coluna; Jornal do Brasil, 16 de dezembro, quinta coluna; Jornal do Brasil, 1º de janeiro de 1937, penúltima coluna).

 

 

1937 - Fez uma palestra sobre A Conferência de Buenos Aires, no Studio Nicolas, promovida pelo Club Universitário do Rio de Janeiro (A Noite, 8 de janeiro de 1937, terceira coluna).

Como um dos membros fundadores, fazia parte do conselho consultivo da Casa do Estudante do Brasil (A Noite, 27 de janeiro de 1937, penúltima coluna).

 

 

Apoiou a candidatura de José Américo de Almeida (1887 – 1980) à Presidência da República, tendo participado da Convenção dos delegados apoiadores do governo, no Palácio Monroe. Recepcionou o candidato em sua viagem à Bahia, durante a qual, no interior do estado, ela e outros integrantes do grupo que o acompanhava tiveram suas carteiras roubadas (A Noite, 25 de maio de 1937, primeira coluna; A Noite, 26 de maio de 1937Correio da Manhã, 26 de maio de 1937, segunda coluna; 25 de agosto, quinta coluna, de 1937; Jornal do Brasil, 29 de agosto de 1937, sexta colunaA Noite, 30 de agosto de 1937, primeira coluna).

 

 

Segundo o Dicionário Mulheres do Brasil, foi dela o último discurso proferido na Assembleia Legislativa da Bahia, cujo tema era a defesa da democracia, antes da instauração do Estado Novo, em 10 de novembro, pelo presidente Getulio Vargas (1882- 1954), fato que interrompeu sua carreira parlamentar (Correio da Manhã, 11 de novembro de 1937).

Em uma reportagem da Revista da Semana, 11 de janeiro de 1947, foi noticiado que após o golpe do Estado Novo, ela teria sido presa por suas tendências socialistas.

 

 

1938 - Lançamento do livro Trabalho Feminino, de sua autoria.

Participou de um ciclo de palestras no departamento intelectual da União Universária Feminina (Correio da Manhã, 6 de maio de 1938, primeira coluna).

Em um escritório na rua da Quitanda, no centro do Rio de Janeiro, trabalhava como advogada com a feminista sergipana Maria Rita Soares Andrade (1904 – 1998) (Correio da Manhã, 6 de agosto de 1938, sexta coluna).

 

 

Ela e Mrs Stevens, Diretora da União Inter-Americana de Mulheres foram as entrevistadas da reportagem Privilégios para a mulher ou a mulher igual ao homem? (A Noite, 13 de outubro de 1938).

1939 - Foi entrevistada sobre o imposto sobre os solteiros. Na ocasião, estava estudando para dois concursos: ao de livre docência da cadeira de Legislação do Trabalho da Faculdade Nacional de Direito e à cátedra da mesma matéria na Faculdade da Bahia (A Noite, 2 de janeiro de 1939).

 

 

Participou do ciclo de palestras O Brasil visto pelas brasileiras, promovido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, realizando uma conferência sobre Riqueza e Trabalho, no Palace Hotel (Correio da Manhã, 28 de novembro de 1939, segunda coluna).

 

 

1940 - Presidiu uma sessão do Conselho Consultivo da Casa do Estudante do Brasil (Diário de Notícias, 2 de junho de 1940, quarta coluna).

Durante a festa do Grêmio Literário do Colégio Batista Brasileiro, Maria Luiza, paraninfa do grupo, foi homenageada (A Noite, 13 de setembro de 1940, terceira coluna).

1941 - Foi uma das entrevistadas, a única mulher, sobre a possibilidade de uma paralisação completa das atividades forenses, proposta classificada como necessária por advogados mineiros. Na opinião de Maria Luiza, as férias coletivas seriam contraproducentes: “que cada advogado escolha, todo ano, a época que lhe parecer mais propícia para um repouso” (Diário de Notícias, 22 de julho de 1941, quinta coluna).

Presidiu a comissão julgadora do Concurso de Literatura de 1940, do Colégio Universitário, propriedade de Lelio Gomes. Compunham a comissão o poeta Murilo Araújo (1894 – 1980) e a escritora Maria Sabina de Albuquerque (1898 – 1991). Os prêmios foram ofertados pela Editora José Olympio (Diário de Notícias, 14 de setembro de 1941, terceira coluna).

1942 - Por ocasião da realização da Conferência Continental, no Rio de Janeiro, a União Universitária Feminina, da qual Maria Luiza fazia parte, entregou à delegação americana uma moção de apoio aos princípios que orientavam a solidariedade continental (Jornal do Brasil, 20 de janeiro de 1942, quinta coluna).

Foi a única mulher na lista dos candidatos a professor no concurso que seria realizado na Escola de Comércio do Rio de Janeiro (Diário de Notícias, 10 de julho de 1942, sexta coluna).

Foi uma das oradoras da sessão realizada no Gabinete Português de Leitura. Em pauta, o envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial (Jornal do Brasil, 28 de agosto de 1942).

Foi a primeira colocada no concurso para a livre-docência em Legislação do Trabalho e Direito Industrial na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, tornando-se a primeira mulher docente da história da referida faculdade. Pela conquista foi homenageada, no Cineac Trianon, com Maria Luisa Castelo Branco e Leda de Albuquerque, que haviam vencido o primeiro prêmio de Peças Teatrais, promovido pelo Ministério do Trabalho (Jornal do Brasil, 25 de novembro de 1942, quinta colunaO Jornal, 28 de novembro de 1942, primeira coluna; Correio da Manhã, 11 de dezembro de 1942; A Noite, 12 de dezembro de 1942, terceira coluna).

 

 

“Porque é principalmente através do Direito que podemos preparar os homens para fazer justiça àqueles que até hoje não têm sido senão párias sociais e só atravé do Direito bem compreendido e bem aplicado se poderá evitar a revolta e a explosão de sentimento de consequências lastimais para a sociedade”

Correio da Manhã de 11 de dezembro de 1942

1943 – Na sede da União Universitária Feminina, foi uma das sócias que recepcionaram Mary Cannon, da Divisão Feminina do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos (A Manhã, 8 de janeiro de 1943, penúltima coluna).

Maria Luiza posicionou-se a favor do ensino misto (O Radical, 20 de março de 1943, primeira coluna).

 

 

Na Escola Nacional de Música, participou da Festa Pan-americana, comemorativa do Dia do Juramento Feminino de Lealdade Americana, promovida pela representação brasileira da Confederação Feminina dre Paz Americana, presidida pela escritora Iveta Ribeiro (1886 – 1962) (Correio da Manhã, 21 de abril de 1943, primeira coluna).

Provavelmente, casou-se neste ano, pois em uma reportagem de janeiro de 1944 foi identificada como Maria Luiza Dória Bittencourt Mello Neto (Gazeta de Notícias, 28 de janeiro de 1944, quarta coluna).

1944 - Participou da homenagem póstuma a Rachel Prado (1891 – 1943), pseudônimo da feminista curitibana Virgília Stella da Silva Cruz, fundadora do Clube das Mulheres Jornalistas, realizada no Conservatório de Música (Gazeta de Notícias, 28 de janeiro de 1944, quarta coluna).

 

Rachel Prado (1891 - 1943) / Brasil Feminino, 1933

Rachel Prado (1891 – 1943) / Brasil Feminino, 1933

 

1945 – Foi uma das professoras homenageadas durante a colação de grau dos bacharelandos da Faculdade de Economia e Finanças, realizada no Palácio Tiradentes (Correio da Manhã, 16 de janeiro de 1945, quinta coluna).

Com Natércia da Cunha Silveira (1903 – 1993), Carmen Portinho (1903 – 2001) e Maria Rita Soares de Andrade (1904 – 1998, foi uma das organizadoras de uma coligação democrática para apoiar a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes (1896 – 1981) à presidência da República (Diário de Notícias, 24 de fevereiro de 1945, quinta coluna).

Seu nome estava na lista dos fundadores da UDN – União Democrática Nacional  (O Jornal, 8 de abril de 1945, última coluna; Diário de Pernambuco, 10 de abril de 1945, primeira coluna).

Foi uma das signatárias de um manifesto de apoio de advogados à candidatura de Eduardo Gomes (Diário Carioca, 28 de junho de 1945, última coluna).

Foi uma das oradoras do comício do candidato Eduardo Gomes, em Salvador, na Bahia (Correio da Manhã, 24 de agosto de 1945, quarta coluna; 25 de agosto, primeira coluna; 28 de agosto, terceira coluna; de 1945; Diário de Notícias, 28 de agosto de 1945, quarta coluna).

1946 - Fazia parte da Comissão Pró-Constituição Democrática assim como Evandro Lins e Silva (1912 – 2002), Orígenes Lessa (1903 – 1986) e Oscar Niemeyer (1907 – 2012), dentre outros(Correio da Manhã, 29 de março de 1946, terceira coluna).

Foi uma das mulheres que entregou ao Comitê Parlamentar da Sociedade de Amigos da Democracia Portuguesa uma mensagem endereçada ao presidente de Portugal, Oscar Carmona (1869 – 1951), no sentido de libertar mulheres portuguesas detidas por motivos políticos (Diário Carioca, 11 de maio de 1946, primeira coluna).

Foi escolhida para integrar, como secretária, a comissão executiva da II Convenção Nacional da União Democrátia Nacional, UDN (Correio da Manhã, 15 de maio de 1946, penúltima coluna; O Jornal, 15 de maio de 1946, primeira coluna).

Participou de um comício da Esquerda Democrática no Campo de São Cristóvão e no Largo do Humaitá, em Botafogo; e foi, pelo partido, candidata a vereadora no Distrito Federal. Era, na época, livre docente da Faculdade Nacional de Direito e professora da Faculdade de Administração e Finanças (Diário de Notícias, 20 de novembro, quinta coluna; e 29 de dezembro, penúltima coluna, de 1946; Diário Carioca, 13 de dezembro de 1946, quinta coluna).

 

 

1947 - Participou, com outros candidatos da Esquerda Democrática, de um comício, no Jardim de Marechal Hermes. As eleições gerais foram realizadas em 19 de janeiro, mas Maria Luiza não foi eleita, tendo recebido 55 votos (Revista da Semana, 11 de janeiro de 1947Diário de Notícias, 14 de janeiro de 1947, última coluna; Correio da Manhã, 6 de fevereiro de 1947, quarta coluna).

Participou com várias outras feministas de uma reunião realizada na Casa do Estudante do Brasil. Em pauta, a realização do Congreso Internacional de Mulheres, entre setembro e outubro, em Paris. Foi uma das integrantes do Comitê Brasileiro do Congresso (Diário de Notícias, 18 de julho, quinta coluna; 17 de agosto, terceira coluna, de 1947).

Foi uma das oradoras da comemoração dos 18 anos da Casa do Estudante do Brasil (Diário de Notícias, 9 de agosto de 1947, segunda coluna; Tribuna Popular, 12 de agosto de 1947, sexta coluna; Revista da Semana, 23 de agosto de 1947).

1948 – O escritor pernambucano Mario Sette (1886 – 1950) realizou na Casa do Estudante do Brasil a palestra Velhas estampas que contam as histórias de uma cidade. A sessão foi presidida pelo acadêmico Mucio Leão (1898 – 1969), que foi saudado por Maria Luiza, então diretora da entidade (Diário de Pernambuco, 21 de março de 1948, segunda coluna).

O Curso de Geografia Econômica, ministrado gratuitamente por Maria Luiza, na sede do Partido Socialista Brasileiro, na rua Buenos Aires, 57, seria reiniciado (Correio da Manhã, 15 de maio de 1948, sétima coluna).

1950 – Foi noticiado que Maria Luiza seria uma das candidatas do Partido Socialista Brasileiro para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro (Revista da Semana, 11 de março de 1950, segunda coluna).

1951 – Como presidente em exercício da Casa do Estudante do Brasil assinou uma saudação à Embaixada Universitária de Coimbra e ofereceu uma feijoada aos estudantes portugueses (Tribuna da Imprensa, 28 de agosto de 1951, primeira colunaDiário Carioca, 28 de agosto de 1951, sexta colunaA Manhã, 1º de setembro de 1951, antepenúltima coluna).

1952 – Foi noticiado na coluna de Gilberto Trompovski que Maria Luiza havia sido uma das convidadas de uma recepção oferecida por Anna Amélia e Marcos Carneiro de Mendonça (O Jornal, 13 de abril de 1952, segunda coluna).

1954 – Morava em São Paulo e foi identificada em uma matéria do Jornal do Brasil como advogada, esposa e mãe exemplar (Jornal do Brasil, 29 de outubro de 1954, sexta coluna).

1956 – Em uma entrevista, a advogada Maria Rita Soares de Andrade (1904 – 1998), perguntada sobre a possibilidade da mulher exercer uma profissão e ser uma boa mãe de família, declarou: “Não conheço esposa e mãe mais abnegada e heróica do que Maria Luiza Bittencourt, advogada e ex-deputada estadual na Bahia” (Jornal do Brasil, 4 de novembro de 1956).

1961 - Foi a tradutora Introdução à Eloquência, do professor Charles Brown (Jornal do Brasil, 18 de maio de 1961, quinta coluna).

Diretoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino disseram ao professor Orlando Gomes, encarregado da reforma do Código Civil que era “uma pena que o presidente da República não tenha constituido um Grupo de Trabalho de advogados mulheres como Maria Luiza Bittencourt e Esther Figueiredo Ferraz para redigir o direito de família” (Tribuna da Imprensa, 9 de agosto de 1961, última coluna).

1964 – Foi noticiado que ela e Maria Rita Soares de Andrade (1904 – 1998) haviam sido as inventariantes de Cecilia Meireles (1901 – 1964) após a morte do primeiro marido da escritora, o artista plástico Fernando Correia Dias (1892 – 1935) (Jornal do Brasil, 11 de novembro de 1964, quarta coluna).

1969 - Integrante do Conselho Patrimonial da Casa do Estudante do Brasil, foi uma das oradoras na comemoração dos 40 anos da entidade, marcada pela reinauguração da Biblioteca Artur Ramos e pela realização de um Almoço de Confraternização Universitária (Correio da Manhã, 14 de agosto de 1969, quarta coluna; O Jornal, 14 de agosto de 1969, segunda coluna; O Jornal, 17 de agosto de 1969, penúltima coluna).

1970 – Escreveu um artigo para a revista Rumo, cuja edição foi dedicada à Casa do Estudante do Brasil (O Jornal, 24 de maio de 1970, quarta coluna).

1979 - No auditório do MEC, Maria Luiza e o engenheiro L.A. Falcão Bauer fizeram palestras sobre o entrosamento profissional entre homens e mulheres dentro da programação da Segunda Reunião Latino-Americana de Mulheres Universitárias (Jornal do Brasil, 11 de dezembro de 1979, quinta coluna).

1981 – Foi entrevistada quando estava, na véspera do Dia de Finados, visitando o Cemitério São João Batista (Jornal do Brasil, 2 de novembro de 1981, terceira coluna).

1983 – Foi citada como uma personalidade importante na conquista dos direitos femininos no Brasil em duas colunas de Alfio Ponzi (1914 – 1985) (Jornal do Commercio, 29 de março, última coluna; e 11 e 12 de setembro, segunda coluna, de 1983).

1988 – Recebeu, na Associação Brasileira de Mulheres Universitárias, o diploma do Mérito Ruy Barbosa da diretoria da Casa da Bahia por ter sido a primeira mulher constituinte da Bahia (Jornal do Brasil, 29 de abril de 1988, segunda coluna).

2001 – Falecimento de Maria Luiza.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ALVES, Branca Moreira, Ideologia e feminismo: a luta das mulheres pelo voto no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1980.

Arquivo Nacional. Série Mulheres e o Arquivo: Maria Luiza Bittencourt, 28 de outubro de 2020.

BONATO, Nailda Marinho da Costa; COELHO, Ligia Martha Coimbra da Costa. CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO INTEGRAL NA DÉCADA DE 30: AS TESES DO II CONGRESSO INTERNACIONAL FEMINISTA SECOND CONGRESS FEMINIST INTERNATIONAL – 1931 

COSTA, Ana Alice Alcântara. As donas do poder. Mulher e política na Bahia. Salvador: NEIM/UFBa – Assembléia Legislativa da Bahia. 1998 – (Coleção Bahianas; 02)

Faculdade Nacional de Direito – UFRJ

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KARAWEJCZYK, Monica. As filhas de Eva querem votar: uma história da conquista do sufrágio feminino no Brasil. Tese (Doutorado em História), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.

LIMA, Thais de Souza. Federação Alagoana pelo Progresso Feminino: a luta pela ampliação da democracia e pelo direito ao voto feminino (1927-1932). 

MARQUES, Teresa Cristina de Novaes. Bertha Lutz – Perfil parlamentar. Brasília : Editora da Câmara

Mulher: 500 anos atrás dos pano

Portal Academia Brasileira de Letras

REGIS, Caren Victorino. A Casa do Estudante do Brasil – O Pavilhão Feminino: uma reivindicação de 1931. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, dezembro de 2008.

REGIS, Caren Victorino. Relatório científico do subprojeto O ensino superior para as mulheres: concepções da União Universitária Feminina. Rio de Janeiro : UNIRIO, 2008.

SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.

Site do Senado Federal

VANIN, Iole Macedo. A produção intelectual das médicas formadas na Bahia: o feminismo na tese de Ítala Oliveira. Diásporas, Diversidades, Deslocamentos, 23 a 26 de agosto de 2010.

 

Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2024

O Dia Internacional das Mulheres

A Brasiliana Fotográfica celebra o Dia Internacional das Mulheres, 8 de março, data instituida, em 1975, pela Nações Unidas, elencando os artigos da Série Feministas, Graças a Deus, publicados no portal, sobre mulheres que se destacaram na luta pela emancipação feminina com a conquista do direito ao voto, de maiores oportunidades de trabalho e de maior acesso à educação. São elas: Almerinda Farias Gama, Bertha Lutz, Carmen Portinho, Elvira Komel, Júlia Augusta de Medeiros, Maria de Miranda Leão, Maria Prestia, Mariana Coelho e Natércia da Cunha Silveira.

As fotografias são do acervo do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras do portal e seus autores foram J. Bonfioti, a Photo Skarke, a Fotografia Alemã, Louis Piereck (1880 – 1931), o Serviço Photographico de Vida Doméstica, além de fotógrafos ainda não identificados.

Os artigos foram escritos pelas historiadoras e pesquisadoras do Arquivo Nacional Claudia Heynemann, Maria do Carmo Rainho e Maria Elizabeth Brêa Monteiro; e também por Maria Silvia Lavieri Gomes, historiadora do Instituto Moreira Salles, e por Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica. No final deste mês, será publicado o décimo artigo da série, sobre Maria Luisa Dória Bittencourt, a primeira deputada baiana.

 

Série “Feministas, graças a Deus!”

 

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

 

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Série “Feministas, graças a Deus!” III – Bertha Lutz (1894 – 1976) e sua luta pelo voto feminino

Série “Feministas, graças a Deus!” III – Bertha Lutz (1894 – 1976) 

 

O terceiro artigo da série “Feministas, graças a Deus”, Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928 é de autoria da historiadora Maria do Carmo Rainho, do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. Bertha Lutz (1894 – 1976) foi a fundadora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, em 1922, iniciativa vinculada ao movimento sufragista internacional, principal tendência do feminismo no início do século XX. As outras reivindicações eram de igualdade entre os sexos e de independência da mulher. Em 1932, Bertha foi uma das duas mulheres nomeadas para integrar a comissão para elaborar o ante-projeto da nova Constituição – a outra foi a advogada Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993) – tema do segundo artigo da série do portal. Em 1936, Bertha assumiu o mandato de deputada na Câmara Federal. Sempre ocupou importantes cargos públicos, dentre eles a chefia do setor de Botânica do Museu Nacional, cargo no qual se aposentou em 1964. Sua vida sempre esteve ligada à ciência e à luta pela emancipação da mulher. Nasceu em São Paulo, no dia 2 de agosto de 1894, filha da enfermeira inglesa Amy Marie Gertrude Fowler (1869 – 1922 ) e do cientista e pioneiro da Medicina Tropical, Adolpho Lutz (1855 – 1940).

 

 

 Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928

Maria do Carmo Rainho*

 

O acervo da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, custodiado pelo Arquivo Nacional, foi constituído a partir de doações realizadas entre 1976 e 1986. Contemplando 25 metros lineares de documentos textuais e 537 itens iconográficos, dentre estes, 478 fotografias produzidas nas décadas de 1910-1970, o fundo privado conserva também cartazes, cartões-postais, desenhos e gravuras. Conjunto expressivo de fotografias registra eventos nacionais e internacionais promovidos pela Federação ou com a participação de Bertha Lutz e integrantes da entidade, como o I Congresso Internacional Feminista (Rio de Janeiro, 1922) e o IX Congresso da Aliança Internacional pelo Sufrágio Feminino (Roma, 1923). Registros de cerimônias públicas; audiências com autoridades; almoços, jantares, recepções, além de retratos variados (políticos, feministas do Brasil e do exterior) também se destacam. Para este artigo foram selecionadas algumas das fotografias que registram a movimentação em torno do sufrágio feminino no Rio Grande do Norte, a partir de 1927; a atuação de Juvenal Lamartine nesse sentido e, a viagem de Bertha Lutz àquele estado em 1928, em campanha pelo alistamento das mulheres.

 

Acessando o link para as fotografias de Bertha Lutz disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Conforme observa June Hahner, “a campanha sufragista no Brasil nunca se tornou um movimento de massas – existem poucos destes na história do Brasil -, mas, apesar disso, teve o mérito de se caracterizar por sua excelente organização, bem maior do que a da maioria dos movimentos semelhantes que a seguiram na América Latina.”(1) Essa organização se deve, em grande parte, a Bertha Lutz, por ter fundado, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher- LEIM, precursora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino – FBPF, de 1922; pelo modo como constituiu as entidades e articulou suas integrantes; e, sobretudo, pelas estratégias utilizadas na busca pela extensão do direito do voto às mulheres.

Estratégicas também foram a preservação e a organização dos documentos da Liga e da Federação, que somados ao amplo material publicado pela imprensa referente às campanhas pelo sufrágio feminino nos anos 1920, nos possibilitam traçar uma parte importante da trajetória de Bertha Lutz, por meio da análise das relações que ela vai construindo e de como atua no espaço social.

Nosso ponto de partida foram as fotografias referentes à viagem que Bertha empreendeu ao Rio Grande do Norte, nos meses de julho e agosto de 1928, em campanha pelo alistamento, após a aprovação do voto feminino naquele estado, em 1927. Somam-se a elas registros das primeiras eleitoras e das primeiras eleitas, e dos eventos, muitos deles, relacionados a Juvenal Lamartine, político potiguar que desde o início da década se dedicou à causa. As fotografias nos levaram à documentação textual do fundo FBPF e às matérias publicadas pela imprensa, dando a ver o alcance da campanha de alistamento, o protagonismo de Bertha Lutz no processo e as conexões que a uniam a Lamartine, então governador do estado.

Esses documentos também possibilitaram analisar as estratégias empregadas por ela, aquilo que Celi Pinto qualificou de “feminismo bem comportado”(2) ; o “bom feminismo”, conforme a própria Bertha, ou, a nosso juízo, o feminismo pragmático, que, no lugar do confronto visando expor as desigualdades de gênero – tática utilizada por Leolinda Daltro – preferia se associar a lideranças masculinas que defendiam o voto das mulheres, como Lamartine, Justo Chermont, Adolfo Gordo e Maurício de Lacerda, entre outros.

Em 1921, a LEIM inaugurou a prática de enviar cartas e telegramas aos deputados solicitando a atenção a projetos que possibilitassem às mulheres o direito ao voto; cópias dessas correspondências eram encaminhadas também à imprensa. Naquele ano, Bertha Lutz entrou em contato pela primeira vez com Lamartine, deputado federal pelo Rio Grande do Norte desde 1906, e este lhe prometeu “destacar a emenda sobre o voto feminino do projeto de reforma eleitoral, para que ele próprio desse parecer.”(3) No entanto, após o adiamento da votação, em novembro de 1921, um novo projeto foi apresentado na Câmara dos Deputados, permitindo o alistamento eleitoral de mulheres com mais de 21 anos, as quais poderiam também ser votadas. Integrante da Comissão de Constituição e Justiça e relator do projeto, Juvenal Lamartine expressou vivamente o seu apoio à causa das mulheres, em texto embasado, no qual elencava as conquistas femininas no século XX e os países nos quais elas já podiam votar(4).

 

 

A partir de então, ele participa de reuniões e eventos da Federação e torna-se alvo frequente de suas homenagens.(5) De fato, o apoio a Juvenal Lamartine ganhou corpo quando, em sua plataforma para o governo do Rio Grande do Norte, em 1927, ele incluiu o voto feminino. E mais ainda, logo após a sua eleição, ao enviar telegrama ao então governador, José Augusto Bezerra de Medeiros, para que constasse na Lei que regulava o serviço eleitoral que poderiam “votar e ser votados, sem distinção de sexo, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas”(6).

A relação entre Bertha e Juvenal era simétrica e de mão dupla: ao mesmo tempo em que recebia o apoio dele em sua campanha pelo sufrágio feminino, ela colaborava para a construção da imagem pública de Lamartine como um governante moderno, associado a pautas progressistas. Pesquisando-se os jornais do ano de 1927 e 1928 é possível perceber o espaço que ele ocupava nas matérias que tratavam especificamente do voto feminino e da Federação de modo geral. Bertha também se encarregava de citá-lo constantemente na coluna “Feminismo”, publicada pelo jornal O Paiz, redigida juntamente com Orminda Bastos. A relação entre eles é tão estreita e o nome de Lamartine tão associado ao voto feminino que Bertha, convidada a enviar material para a exposição “A mulher, o movimento feminista e a imprensa”, realizada na Alemanha, em abril de 1928, encaminha um quadro dedicado ao Rio Grande do Norte, incluindo foto de Lamartine, do eleitorado feminino, e da primeira eleitora daquele estado, a professora de matemática Júlia Barbosa.(7) Esta será uma figura importante para o alistamento feminino no Rio Grande do Norte e uma das responsáveis pela viagem de Bertha Lutz ao estado. Conforme a correspondência trocada entre elas, Júlia expressa o desejo de Lamartine de que se organizasse uma entidade filiada à Federação; ao mesmo tempo, revela um desinteresse das mulheres potiguares, por terem “alcançado ingresso na vida política do nosso Estado sem trabalho e sem lutas”. (8) A solução, segundo ela, estaria na viagem de Bertha. Nas cartas e telegramas evidencia-se que Júlia é uma das interlocutoras da presidente da Federação para os assuntos relativos aos direitos das mulheres no Rio Grande do Norte: é solicitada a lhe enviar dados, como o número de eleitoras por município; informa Bertha sobre a decisão do diretor do Departamento de Educação de excluir do magistério as mulheres casadas; comenta a eleição para o Senado do ex-governador José Augusto, na qual haviam votado as eleitoras alistadas há mais de 60 dias. (9) Por sua vez, pede o apoio de Bertha para a construção de uma maternidade em Natal. Torna-se colaboradora na coluna “Feminismo”, de O Paiz e, em junho de 1928, funda a Associação Eleitoral Feminina. Por sua atuação é homenageada pela Federação com um almoço no Hotel Glória, no Rio de Janeiro.(10)

Em 6 de julho de 1928, Bertha Lutz, acompanhada por seu pai, o cientista Adolpho Lutz, parte para o Rio Grande do Norte; ambos em missão de pesquisa da flora local mas, Bertha, a serviço, primordialmente, do sufrágio feminino. Ao longo da viagem prospectos em favor da propaganda do voto feminino são jogados do avião em cidades de oito estados, dentre elas Vitória, Caravelas, Recife, Maceió e Natal. Bertha repetia a ação realizada em maio, no Rio de Janeiro, quando sobrevoou a cidade com Carmen Portinho (1903 – 2001) e Amélia Bastos lançando panfletos “na Câmara, no Senado, no Palácio da Presidência, nas redações de jornais, nas grandes artérias da capital” (11).

 

 

Até 24 de agosto, véspera do seu retorno ao Rio, Bertha percorrerá inúmeros municípios daquele estado. Em Natal, onde permanece a maior parte do tempo, cumpre uma extensa programação que inclui a recepção pela Associação Eleitoral Feminina; um evento promovido pelas associações operárias, presidida por Juvenal Lamartine no teatro estadual; festa no Palácio do governo; a inauguração do curso de botânica na Escola Normal; a Festa Matuta, organizada pelos intelectuais natalenses; a inauguração da sede social do Clube Paissandu. Também participa do almoço oferecido por Juvenal Lamartine, no palacete da Assembleia Legislativa, aos aviadores italianos Arturo Ferrarin e Carlo del Prete, (12) evento no qual o governador conseguiu reunir expoentes de dois importantes pilares da sua administração: a aviação (13) e o feminismo.

A partir de Natal, Bertha viaja, geralmente, acompanhada por outras mulheres às cidades de Macaíba, São José de Mipibu, Ceará- Mirim, Acari, Seridó, Santa Cruz, Currais Novos, Caicó, visando ao alistamento das eleitoras, além de participar de almoços, banquetes, lanches e inaugurações. Nesses locais encontram-se os círculos sociais frequentados por Bertha Lutz, integrados por mulheres das camadas médias e altas, escolarizadas, em sua maioria, professoras. E embora aqui e ali haja algumas menções à presença de operárias em eventos, habitualmente, o que se noticia é a participação de “altas autoridades civis, militares e eclesiásticas”; “a elite natalense”; os “chefes políticos locais”; o “juiz eleitoral”; “o prefeito”. É interessante registrar também que, a despeito de se tratar de uma temática feminista, parcela da imprensa, ao elencar as mulheres alistadas em Macaíba, por exemplo, ainda as apresentam de forma anônima: são “as senhoras do prefeito, do juiz de direito, do diretor de mesa de rendas, do promotor e de outras autoridades.”(14)

 

 

As relações que Bertha estabelece com as elites locais, para além de evidenciarem o lugar que ocupa no espaço social, reforçam uma tática adotada por ela: “a necessidade de se legitimar aos olhos do público, procurando para isto mobilizar mulheres cuja posição social fosse de indiscutível respeitabilidade.”(15) A viagem ao Rio Grande do Norte também evidencia a importância da sociabilidade, dos encontros, palestras, almoços e jantares nos quais ela circula e discursa e estimula as mulheres ao alistamento. E a importância que ela, àquela altura já havia alcançado, no que tange ao fomento de associações e grupos de mulheres envolvidos com a causa do sufrágio. Não é por acaso que, em 9 de agosto de 1928, é fundada a Associação das Eleitoras Norte-Riograndenses(16) e que, um ano após a aprovação do voto feminino, 10% do eleitorado daquele estado fosse constituído por mulheres.

 

 

No registro do encontro das feministas com a primeira eleitora vemos a produção de sentido pelas fotografias ou como construímos o mundo visualmente. Não passa despercebido o fato de todas as mulheres estarem elegantemente vestidas, em uma imponência a que podemos chamar autonomia. São figuradas, conforme a “última moda”, exibindo roupas e cabelos mais curtos, estes no estilo “à la garçonne”, embora escondidos nos chapéus cloche. Os vestidos com modelagem solta e cintura baixa, não aprisionam o corpo, as pernas à mostra também estão livres. Mas cabem algumas perguntas: as feministas se deixavam subjugar pela moda? Ou os cuidados de si eram, naquele momento, imprescindíveis para ocupar espaços? Se a moda de cabelos e roupas mais curtas é onipresente, das fotos das feministas às revistas populares, talvez ela expressasse os desejos que as mulheres compartilhavam de ocupar novas posições. Nesse sentido, haveria pouco espaço para roupas com armações ou espartilhos. Mas, pensando a contrapelo, é preciso refletir se a emancipação estava à disposição de todas ou se roupas e cabelos mais curtos não eram, eles também, elementos de distinção social, evidenciando que, se as mudanças ocorrem, elas nunca ocorrem todas de uma vez e nem para todas.

(1) HAHNER, June E. Emancipação do sexo feminino. A luta pelos direitos da mulher no Brasil, 1850-1940. Florianópolis : EDUNISC, 2003, p.333.

(2) PINTO, Celia Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003, p. 6.

(3) KARAWEJCZYK, Monica. As filhas de Eva querem votar: uma história da conquista do sufrágio feminino no Brasil. Tese (Doutorado em História), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013, p. 219-220.

(4) “Nada justifica mais, na época atual, essa restrição que é uma sobrevivência dos tempos em que a mulher era considerada incapaz de exercer os direitos civis e políticos.” Anais, vol. XIX, 1925, p. 40, apud KARAWEJCZYK, Monica, op. cit., p. 223.

(5) Em 1925, Lamartine foi convidado pela FBPF para evento alusivo às datas cívicas nacionais, discorrendo sobre a concessão dos direitos políticos à mulher nas democracias modernas. Em 1927, a entidade promoveu uma manifestação comemorativa da sua eleição ao governo do Rio Grande do Norte. Em 1928, ao viajar a então capital do país, para tratar de assuntos referentes à administração daquele estado, foi recebido no desembarque por expressivo grupo de mulheres. No discurso da representante da FBPF, Orminda Bastos, Juvenal é qualificado de “estadista liberal e administrador eminente”.“Ecos da chegada do presidente Juvenal Lamartine”, O Paiz, 7 e 8 de maio de 1928, p. 5.

(6) Lei n. 600, de 25 de outubro de 1927.

(7) “A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e a exposição de imprensa de Colônia”, O Paiz, 18 de abril de 1928, p. 2.

(8) Carta de Julia Barbosa para Bertha Lutz, Natal, 23 de janeiro de 1928. Arquivo Nacional, FBPF, BR RJANRIO Q0.ADM, COR.A928.107.

(9) “Dessa eleição dependerá, tacitamente, a resolução do problema feminino no Brasil inteiro, pois se o Senado “engolir” os votos que eu e as minhas conterrâneas demos ao dr. José Augusto…”. Carta de Julia Barbosa para Bertha Lutz, Natal, 9 de abril de 1928. Arquivo Nacional, FBPF, BR RJANRIO Q0.ADM, COR.A928.107.

(10) “O primeiro banquete político feminino”, O Paiz, 24 de junho de 1928, p. 10.

(11) “A propaganda feminista por via aérea”, O Paiz, 14 e 15 de maio de 1928, p. 8.

(12) Os pilotos se notabilizaram por realizar a primeira travessia do Atlântico em avião, sem escalas, entre a Europa e a América Latina, indo de Montecelio, na Itália, a Touros, no Rio Grande do Norte.

(13) Natal, assim como Dakar, no Senegal, por sua posição geográfica, interessava vivamente às empresas de aviação – dentre elas, a francesa Latécoère – que desejavam expandir suas rotas para os países da América do Sul (Brasil, Argentina, Chile). Foi em um avião da companhia que Bertha Lutz se deslocou do Rio de Janeiro a Natal e de volta ao Rio, em 1928; a empresa também cedeu um aparelho a Juvenal Lamartine quando da inauguração dos campos de aterrisagem de Acari e Caicó no mesmo ano. As rotas e suas respectivas escalas envolviam interesses tanto econômicos quanto por prestígio, dos países de origem das empresas e dos locais que deveriam fazer parte dos itinerários estabelecidos. Lamartine soube capitalizar a importância da aviação comercial naquele momento e, em especial, da cidade de Natal como escala em um circuito mundial de navegação aérea. Nesse sentido, entende-se, também, a inauguração do Aeroclube de Natal em 1928. TEIXEIRA, Rubenilson B. “Por mar, terra e ar: Dakar, Natal e as conexões transatlânticas (1880-1940)”, Cahiers des Amériques Latines, vol. 76, 2014, p. 131-157. Disponível em: https://journals.openedition.org/cal/3327 Acesso em 27 de setembro de 2020.

(14) “Em efervescência o alistamento feminino no Rio Grande do Norte”, Correio da Manhã, 24 de julho de 1928, p. 2.

(15) ALVES, Branca Moreira, Ideologia e feminismo: a luta das mulheres pelo voto no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1980, p.100.

(16) Filiada à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a Associação era presidida por Francisca Bezerra Dantas. A data da fundação era uma homenagem ao aniversário de Juvenal Lamartine e aos 6 anos de fundação da FBPF.

 

*Maria do Carmo Rainho é Doutora em História | Pesquisadora do Arquivo Nacional

 

Acesse aqui os 0utros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” II – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta

 Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta

 

A personagem do segundo artigo da série “Feministas, graças a Deus“, Natércia da Cunha Silveira, foi uma importante personalidade na luta pela emancipação da mulher no Brasil. Na fotografia destacada abaixo, seu entusiasmo, eloquência, seu espírito vibrante e culto parecem saltar da imagem, que faz parte do Fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. Ela, como oradora, representante do sul, da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino FBPF), estava saudando Juvenal Lamartine de Faria (1874 – 1956), governador do Rio Grande do Norte e patrono do voto feminino, que chegava ao Rio de Janeiro, a bordo do navio Almanzora. Além da expressividade da oradora, é interessante também notar o registro da presença de um homem à direita da imagem. Na ocasião, estavam no cais, aguardando pelo governador, autoridades políticas, além de outras associadas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) como a bióloga Bertha Lutz  (1894 – 1976), uma das fundadoras da entidade; e a engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001). Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971), também da FBPF,  saudou o governador como representante do Norte do país.

 

 

Essa mesma foto está reproduzida na reportagem sobre o evento publicada no jornal O Paiz, de 6 de maio de 1928. Aqui não podemos deixar de chamar atenção para a importância da digitalização de imagens, que possibilita, a partir de recursos tecnológicos como o zoom, que as fotografias tenham outra visibilidade e possam ser acessadas em sua qualidade plena.

 

 

Foi também uma das 86 fotografias do Arquivo Nacional integrantes da exposição Imagens da Mulher Brasileira, no Espaço BNDES, em 1996.

 

 

Nascida em Itaqui, em 14 de março de 1905, Natércia foi a primeira advogada do Rio Grande do Sul. Elegante, simpática, ativa, inteligente, culta são adjetivos frequentes com os quais Natércia foi, ao longo de sua vida, elogiada. Uma adolescente ardorosa, ainda no Rio Grande do Sul, envolveu-se com a política, muito provavelmente por influência de seu pai, Manoel da Cunha Silveira (18? – 1941), membro do Partido Libertador do Rio Grande do Sul. Na Revolução de 1923, aderiu à causa libertadora e foi considerado um acontecimento para a vida dos Pampas os discursos com que Natércia da Silveira em nome da mulher gaúcha acolheu os generais Zeca Netto e Honório Lemes na sua chegada a Porto Alegre.

Colou grau em Direito pela atual Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1926, e veio para o Rio de Janeiro. Já em dezembro deste ano, deu uma entrevista ao jornal O Paiz, edição de 5 de dezembro, falando sobre feminismo, direito de votos e educação. No ano seguinte, fez sua estreia no Tribunal do Juri. Na ocasião, já era ligada à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, presidida pela também feminista, a bióloga Bertha Lutz (1894 – 1976).

Em 1929, foi uma das fundadoras da União Universitária Feminina, no Rio de Janeiro, que congregava mulheres com ensino superior em prol da defesa dos direitos femininos, sob a direção da engenheira civil Carmen Portinho (1903 – 2001).  As outras foram a também engenheira civil Amélia Sapienza, Bertha Lutz  (1894 – 1976), a naturalista e ornitóloga alemã Emilia Snethlage (1868-1929), a professora Heloisa Marinho (1903 – 1994), as médicas Herminia de Assis e Juana Lopes, as advogadas Maria Alexandrina Ferreira Chaves, Maria Ramalho e Myrthes de Campos (1875 – 1965); e Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971), formada em Ciências Jurídicas.

Neste mesmo ano, Natércia fez a defesa do título eleitoral de Francisca de Gaya, que trabalhava como enfermeira em São João da Barra, mediante a procuração que lhe fora substabelecida por Bertha Lutz  (1894 – 1976), presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a quem a senhora Gaya encarregaria da defesa dos seus direitos eleitorais.

Em janeiro de 1931, em companhia da também advogada e sufragista Elvira Komel (1906 – 1932), Natércia participou no Rio de Janeiro de vários encontros para pleitear apoio à causa do voto feminino. Estiveram com o prefeito Adolpho Bergamini (1886 – 1945), com o ministro do Trabalho, Lindolpho Collor (1890 – 1942); com o ministro da Fazenda, José Maria Whitaker (1878 – 1970); com o ministro da Justiça e Assuntos Internos, Oswaldo Aranha (1894 – 1960); com o cardeal Sebastião Leme (1882 – 1942) e com o general Juarez Távora (1898 – 1975), além de terem visitado as redações de A Batalha, do Jornal do Brasil , de  e de A Noite. 

Devido a divergências com Bertha em relação a seu engajamento político e a sua participação em comícios da Aliança Liberal em apoio a Getulio Vargas (1882 – 1954) e João Pessoa (1878 – 1930), Natércia fundou, em 30 de janeiro de 1931, a Aliança Nacional de Mulheres, cujo objetivo principal era proporcionar proteção à mulher que trabalhava em todos os ramos de atividades, amparando-a na conquista de sua independência econômica. Por volta de 1932, a entidade contava com cerca de três mil sócias. Dentre as atividades da Aliança Nacional de Mulheres, destacavam-se a fiscalização das condições de trabalho das mulheres, o serviço de assistência jurídica e uma caixa de auxílio à mulher desamparada. Eram realizadas reuniões mensais nas quais temas relativos à legislação, à educação, ao trabalho e às artes eram contemplados. As associadas também faziam visitas a fábricas e a entidades de assistência social. Com o Estado Novo, decretado em 1937, foi extinta, mas Natércia continuou atuando no fórum do Rio de Janeiro.

Em junho de 1931, Natércia foi a representante do Rio Grande do Sul no Segundo Congresso Internacional Feminista, promovido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, sob a orientação de Bertha Lutz  (1894 – 1976); e vice-presidente do I Congresso Feminino Mineiro, em Belo Horizonte, presidido por Elvira Komel (1906 – 1932).

Em 1932, foi nomeada segunda adjunta do procurador do Conselho Nacional do Trabalho. O Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932 instituiu o Código Eleitoral Provisório e reconheceu o direito de voto às mulheres. Ela e Bertha Lutz foram as únicas mulheres nomeadas para integrar a comissão para elaborar o anteprojeto da nova Constituição. Sempre esteve ligada à política: foi candidata à Assembleia Constituinte nas eleições de 1933; no ano seguinte, concorreu a vereadora pela Frente Única do Distrito Federal, quando elegeu-se suplente; e em 1945 e em 1950 foi candidata a deputada pelo Partido Libertador, integrante da coligação democrática que apoiava a União Democrática Nacional (UDN).

Ao longo de sua vida pessoal e profissional, sempre esteve ligada aos temas relativos aos direitos da mulher, ao trabalho, à educação e à assistência social. Em 1964, tornou-se a primeira mulher a ocupar a direção geral do Departamento Nacional do Trabalho (DNT), do qual pediu demissão, em 1966, após uma discussão com o então ministro do Trabalho, Walter Peracchi Barcelos (1907 – 1986), acerca de um projeto de decreto que, no seu entendimento, aniquilaria o movimento sindical portuário. Voltou à Procuradoria Geral do Trabalho, de onde se aposentou, em 1971, após ter ocupado cargos de relevância, tendo sido muito elogiada pelo então procurador-geral, Marco Aurélio Frates de Macedo, pelos dedicados e eficientes serviços prestados à Procuradoria não só por meio de eruditos pronunciamentos como também quando por diversas vezes assumiu sua chefia.

Foi casada de 1933 a 1972 com o médico e membro da Academia Brasileira de Medicina, Paulo Arthur Pinto da Rocha (1901 – 1972), com quem teve uma filha Velleda Maria (1938 – ).

 

Cronobiografia de Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993)

“Eu sou como o jequitibá da floresta, o machado que tentar derribar-me há de criar dentes”.

 

 

1905 –  Natércia da Cunha Silveira nasceu em 14 de junho, em Itaqui, no Rio Grande do Sul, filha de Manoel da Cunha Silveira (18? – 1941), primeiro promotor público da comarca de Itaqui, juiz de Direito em Uruguaiana e membro do Partido Libertador do Rio Grande do Sul; e Maria da Conceição do Valle Cunha (18? – 1924). Além de Natércia, o casal teve mais cinco filhos: Demócrito, Cézar, Athalia, Hesione e Octacília

1923 – Sobre a atuação política de Natércia ainda na adolescência: “Ardorosa desde adolescente, desposou a causa libertadora, quando da Revolução de 1923. Foi um acontecimento para a vida dos Pampas os discursos com que Natércia da Silveira em nome da mulher gaúcha acolheu os generais Zeca Netto e Honório Lemes na sua chegada a Porto Alegre” (Correio da Manhã, 31 de janeiro de 1932, quarta coluna). Sobre Honório Lemes, escreveu, anos depois,  o artigo O Leão do Caverá, publicado no jornal A Esquerda de 3 de outubro de 1931.

1924 – Falecimento de sua mãe, Maria da Conceição do Valle Cunha (18? – 1924).

Fazia parte da comissão do Centro dos Acadêmicos de Direito, em Porto Alegre, que iria promover a comemoração do aniversário da fundação dos cursos jurídicos no Brasil.

 

Correio do Povo, de 1924

Correio do Povo (RS), 23 de julho de 1924

 

Natércia, que neste ano completaria o curso da Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre enviou uma carta a Honório Lemes (1864 – 1930), oferecendo-se para advogar em sua defesa. Ele estava preso por ter apoiado a rebelião de jovens oficiais do Exército liderados por Luis Carlos Prestes (1898 – 1990) contra o governo do presidente Artur Bernardes (1875 – 1955). Ele respondeu aceitando a oferta da jovem advogada (O Estado do Paraná, 24 de novembro de 1925, quarta coluna).

1926Colou grau em Direito pela atual Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tornando-se  a primeira mulher advogada do Rio Grande do Sul (A Noite (RJ), 11 de maio de 1926, quarta coluna).

Havia chegado há pouco no Rio de Janeiro e faria sua estreia em pouco tempo no juri da cidade. Foi entrevistada pelo O Paiz e falou sobre feminismo, direito de votos e educação (O Paiz, 5 de dezembro de 1926, segunda coluna).

 

 

1927 – Estreia de Natércia no Tribunal do Juri, no julgamento do réu Joaquim Bueno da Costa Cruz. acusado de ter atirado no dr. Annibal Bittencourt por ter convicção que ele era o responsável pela morte de sua irmã, esposa da vítima. Foi muito apreciada a atuação da jovem advogada (Correio da Manhã, 1º de julho de 1927, sexta coluna).

 

 

1928 – Como oradora, representante do sul, da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), Natércia saudou Juvenal Lamartine de Faria (1874 – 1956), governador do Rio Grande do Norte, e patrono do voto feminino, que chegava ao Rio de Janeiro, a bordo do navio Almanzora.  Na ocasião, estavam no cais, aguardando pelo governador, autoridades políticas, além de outras associadas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino como a bióloga Bertha Lutz (1894 – 1976) e a engenheira civil Carmen Portinho (1903 – 2001). A advogada Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971), também da FBPF,  saudou o governador como representante do Norte do país (O Paiz, 6 de maio de 1928; O Paiz, 7 de maio de 1928, última coluna).

Foi elogiado o talento oratório de Natércia durante uma discussão em torno do voto feminino com o senador Thomas Rodrigues, que ocorreu na leitura do parecer do senador Godofredo Vianna (1878 – 1944) contrário ao voto feminino no pleito do Rio Grande do Norte (O Imparcial (MA), 21 de maio de 1928, quarta colunaDiário Nacional: A Democracia em Marcha, 23 de maio de 1928, primeira coluna).

Falou ao jornal Correio da Manhã sobre os direitos políticos da mulher (Correio da Manhã, 15 de junho de 1928).

 

 

Foi uma das associadas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino que assinou uma moção em homenagem à presidente da entidade, Bertha Lutz  (1894 – 1976), por sua atuação como líder do movimento feminista nacional (A Noite (RJ), 12 de dezembro de 1928, quarta coluna; O Paiz, 12 de dezembro de 1928, segunda coluna).

 

 

1929 – Seu escritório de advocacia ficava na rua Rodrigo Silva, nº 11, no Centro do Rio de Janeiro (Almanak Laemmert, 1929).

Em janeiro, foi uma das fundadoras da União Universitária Feminina, no Rio de Janeiro, que congregava mulheres com ensino superior em prol da defesa dos direitos femininos, sob a direção da engenheira civil Carmen Portinho (1903 – 2001).  As outras foram a também engenheira civil Amélia Sapienza, a bióloga Bertha Lutz  (1894 – 1976), a naturalista e ornitóloga alemã Emilia Snethlage (1868-1929), a professora Heloisa Marinho (1903 – 1994), as médicas Herminia de Assis e Juana Lopes, as advogadas Maria Alexandrina Ferreira Chaves, Maria Ramalho e Myrthes de Campos ( 1875 – 1965); e Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971), formada em Ciências Jurídicas (A Noite, 14 de janeiro de 1929O Imparcial, 15 de janeiro de 1929, primeira coluna; Gazeta de Notícias, 15 de janeiro de 1929, quarta coluna; A Noite, 5 de abril de 1930, primeira colunaManchete, 30 de janeiro de 1971).

Natércia fez a defesa do título eleitoral de Francisca de Gaya, que trabalhava como enfermeira em São João da Barra, mediante a procuração que lhe fora substabelecida pela dra. Bertha Lutz  (1894 – 1976), presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a quem a senhora Gaya encarregaria da defesa dos seus direitos eleitorais (Correio da Manhã, 25 de janeiro de 1929, quarta coluna; O Imparcial, 26 de janeiro de 1929, terceira coluna; Gazeta de Notícias, 26 de janeiro de 1929, terceira coluna; O Paiz, 3 de fevereiro de 1929).

 

 

Visitou na Casa de Detenção, Maria da Silva Bastos, que havia assassinado o marido que a abandonara, deixando ela e os filhos na penúria (Crítica (RJ), 11 de dezembro de 1928Crítica (RJ), 20 de março de 1929, terceira coluna).

Integrava a Comissão Feminina em apoio à Cruzada na Cooperação na Extinção da Febre Amarela. Em uma reunião, foi uma das escolhidas de fazer propaganda da causa em programas de rádio (O Paiz, 24 de abril de 1929, terceira colunaGazeta de Notícias, 28 de abril, quinta colunaDiário Carioca, 28 de abril de 1929, quinta coluna).

A advogada sergipana Maria Rita Soares de Andrade (1904 – 1998), em uma reunião da União Universitária Feminina fez um discurso no qual defendia que a entidade deveria mobilizar a opinião pública em prol da valorização da formação intelectual da mulher brasileira. Foi formada uma comissão cujas integrantes eram, além de Natércia, Bertha Lutz  (1894 – 1976) e Amélia Sapienza, para estudar o assunto e redigir um apelo aos pais no sentido de estimular o estudo das mulheres (Jornal do Brasil, 1º de novembro de 1929, quarta coluna). Maria Rita Soares de Andrade tornou-se, em 1967, a primeira juíza federal brasileira.

Foi designada pela União Universitária Feminina, da qual era secretária, a convite da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, para falar em um programa da Rádio Club. Em pauta, o estímulo das famílias à cultura superior de suas filhas (A Noite (RJ), 14 de dezembro de 1929, quinta coluna; O Paiz, 14 de abril de 1929, quinta coluna).

Participou de comícios da Aliança Liberal em apoio a Getulio Vargas (1882 – 1954) e João Pessoa (1878 – 1930), nas escadarias do Palácio Tiradentes. Falando “em nome da mulher brasileira arrancou delirantes aplausos da massa popular”. Na ocasião também discursaram os deputados Plinio Casado, Marry Junior, Nelson Senna, Adolpho Bergamini e Cândido Pessoa (Diário Carioca, 21 de dezembro de 1929, segunda coluna; Diário Nacional, 21 de dezembro de 1929, segunda colunaEstado do Rio Grande, 21 de dezembro de 1929; O Jornal, 22 de dezembro de 1929, sétima coluna A Razão, 27 de dezembro de 1929; O Rebate (AC), 29 de dezembro de 1929, quarta coluna). A feminista Bertha Lutz  (1894 – 1976), da Fundação Brasileira pelo Progresso Feminino, não concordou com a atitude de Natércia que, na sua opinião, poderia comprometer a luta pelo voto feminino (O Jornal, 16 de julho de 1932, terceira coluna).

 

 

Foi publicada uma entrevista em que Natércia manifestava sua posição política em apoio à Campanha Liberal (A Batalha (RJ), 26 de dezembro de 1929).

 

 

Fez parte da equipe inicial de advogados da escritora Sylvia Serafim Thibau (1902 – 1936), que assassinou o jornalista Roberto Rodrigues (1906 – 1929), na redação do jornal a Crítica, em 26 de dezembro de 1929. O estopim do crime foi a publicação na primeira página do jornal da notícia do pedido de seu desquite do médico João Thibau Júnior, com quem Syvia tinha dois filhos, acompanhado de um desenho. O jornal a acusava de estar tendo um caso com o médico Manuel Dias de Abreu (1894 – 1962), futuro inventor da abreugrafia.

 

 

Sylvia foi ao jornal armada, atrás do editor Mário Rodrigues ( 1885 – 1930), que não estava na redação. Sylvia acabou atirando em Roberto, filho do editor. O futuro escritor Nelson Rodrigues (1912 – 1980), irmão da vítima, então com 17 anos, testemunhou o assassinato, fato que influenciou fortemente sua obra literária. Seu julgamento, em 22 de agosto de 1930, presidido pelo juiz Margarino Torres (1892 – 1942), foi o primeiro no país a ser transmitido ao vivo pelo rádio. O promotor foi Max Gomes de Paiva (1897 – 1969) com a assistência do futuro grande criminalista Romeiro Neto (1903 – 1969). O advogado de defesa foi Clóvis Dunshee de Abranches (1892 – 1942) e seu filho recém-formado, Carlos Alberto Dunshee de Abranches (1913 – 1983). A ré foi absolvida por 5 votos a 2. Anos depois, em 27 de abril de 1936, Sylvia, que era filha de Augusto Serafim, auxiliar de Oswaldo Cruz (1872 – 1917), se suicidou (O Jornal, 27 de dezembro de 1929, primeira colunaO Jornal, 28 de dezembro de 1929, primeira colunaA Crítica, 28 de dezembro de 1929Gazeta de Notícias, 28 de dezembro de 1929, sétima colunaA Batalha, 10 de janeiro de 1930, última colunaJornal do Brasil, 12 de janeiro de 1930, terceira colunaA Batalha, 8 de abril de 1930Diário Nacional: A Democracia em Marcha, 30 de abril de 1930, segunda colunaCrítica, 23 de agosto de 1930; O Jornal, 23 de agosto de 1930; Revista do Ministério Público, jan a março de 2009).

1930 – No Hotel Glória, foi comemorado com um almoço o primeiro ano da fundação da União Universitária Feminina com a presença de Carmen Portinho (1903 – 2001), Natércia da Cunha Silveira, Amélia Sapienza, Mary Corbett, “Master of Arts”, Srta Gutrie, as estudantes de engenharia Elza Pinho, Renée Rocques e Sylvia Vacanni (Jornal do Brasil, 14 de janeiro de 1930, primeira coluna; O Paiz, 13 e 14 de janeiro de 1930, segunda coluna).

 

 

Esteve presente na missa de Ação de Graças realizada na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro em homenagem ao aniversário do ex-presidente da República, Epitácio Pessoa (1865 – 1942) (Jornal do Commercio, 24 de maio de 1930, segunda coluna).

Natércia estreou na Tribuna Popular, defendendo Waldemar Ferreira da Silva, acusado de assassinato. Com sua argumentação, considerada segura, muita calma e de grande oportunidade, conseguiu a desclassificação do delito para ferimentos leves, o que foi aceito. O juiz Magarino Torres havia a nomeado para a defesa porque o réu, sentenciado a sete meses e 15 dias de prisão, era pobre (Diário de Notícias, 1º de julho de 1930, terceira coluna)

Durante uma seção do Instituto dos Advogados constou do expediente a proposta da inclusão da dra. Natércia como membro efetivo da entidade (Jornal do Commercio, 25 de julho de 1930, terceira coluna).

Natércia declarou-se muito comovida com a morte de João Pessoa (1878 – 1930) e compareceu à missa de sétimo dia, celebrada na Igreja da Candelária (A Batalha, 29 de julho de 1930, penúltima colunaO Jornal, 2 de agosto de 1930, terceira coluna). João Pessoa era governador da Paraíba e candidato à vice-presidência na chapa de Getulio Vargas (1882 – 1954). Foi assassinado, em 26 de julho de 1930, no Recife, pelo jornalista João Duarte Dantas (888 – 1930), seu adversário político. A polícia da Paraíba, sob o governo Pessoa, invadiu o escritório de Dantas e, além de outras coisas, apoderou-se de cartas íntimas entre ele e a professora e poetisa Anaíde Beiriz (1905 – 1930). O crime é considerado o estopim da Revolução de 30. As últimas fotos de João Pessoa foram produzidas pouco antes de sua morte no ateliê do fotógrafo Louis Piereck (1880 – 1931).

Diário de Notícias publicou uma grande reportagem com diversas fotografias sobre o Batalhão Feminino João Pessoa, dirigido pela feminista mineira Elvira Komel (1906 -1932), no Hotel Magnífico. Em uma das fotografias, Natércia encontra-se ao lado do jornalista Hugo Auler. O Batalhão participou, com grande sucesso, do desfile do dia 15 de novembro (Diário de Notícias, de 18 de novembro de 1930).

 

 

Publicação do artigo Jury e jurados, de autoria de Natércia (A Esquerda, 3 de dezembro de 1930, última coluna).

No Tribunal do Juri atuou como advogada de defesa de João Batista de Souza, acusado pelo assassinato de João de Souza Breves (O Jornal, 24 de dezembro de 1930, primeira coluna).

1931 – Em janeiro, em companhia da também advogada e sufragista Elvira Komel (1906 – 1932), Natércia participou no Rio de Janeiro de vários encontros para pleitear apoio à causa do voto feminino (A Razão, 14 de fevereiro de 1931, segunda coluna; Vida Doméstica, fevereiro de 1931).

 

 

Fizeram visitas ao prefeito Adolpho Bergamini (1886 – 1945), às redações de A Batalha, do Jornal do Brasil , de O Jornal  e de A Noite. Na manchete da notícia da visita neste último jornal foram classificadas como “Duas batalhadoras do ideal feminista, no Brasil” (A Batalha, 16 de janeiro de 1930, última colunaA Noite, 17 de janeiro de 1931).

 

 

Encontraram-se com o então ministro do Trabalho, Lindolpho Collor (1890 – 1942), para pleitear a igualdade de direitos entre os sexos reivindicando para as mulheres o direito ao voto e as honras militares de oficiais do Exército (Diário da Noite, 13 de janeiro de 1931, quarta colunaJornal do Brasil, 14 de janeiro de 1931, primeira coluna).

Publicação de uma reportagem sobre o encontro de Elvira Komel e Natércia da Silveira com o Barão de Itararé, alcunha de Aparicio Torelly (1895 – 1971), dono do semanário humorístico A Manha (A Manha, 16 de janeiro de 1931).

Durante sua estadia no Rio de Janeiro, Elvira e Natércia encontraram-se também com o ministro da Fazenda, José Maria Whitaker (1878 – 1970), com o cardeal Sebastião Leme (1882 – 1942) e com o general Juarez Távora (1898 – 1975), no Rio de Janeiro (A Notícia (SC), 20 de janeiro de 1931, quarta colunaEu vi, 21 de janeiro de 1931; A Notícia (SC), 22 de janeiro de 1931, segunda colunaO Combate (MA), 3 de março de 1931).

 

 

Natércia da Silveira e Elvira Komel encontraram-se com a Delminda Aranha, mulher de Oswaldo Aranha (1894 – 1960), então ministro da Justiça e Assuntos Internos, para conversar sobre direitos políticos das mulheres na organização da constituinte. Já haviam estado com o próprio ministro, em janeiro (O Estado de Florianópolis, 15 de janeiro de 1931, primeira colunaO Dia (PR), 11 de fevereiro de 1931, última coluna).

Por divergir de Bertha Lutz  (1894 – 1976) em relação a questões de engajamento partidário, Natércia fundou a Aliança Nacional de Mulheres, no Rio de Janeiro, em 30 de janeiro de 1931. A entidade era mobilizada pelo tema do trabalho e foi registrada em 7 de março do mesmo ano.

 

 

A própria Natércia estruturou um projeto de atendimento voluntário, como advogada, para aconselhamento jurídico. Em seguida, médicas associadas também dedicavam um tempo para consultas gratuitas. Abaixo reportagem sobre a nova associação com fotografias de Natércia, presidente da entidade, da médica Herminia de Assis e da professora catedrática Esther Pego Rodbeere Williams, vice-presidentes; da advogada Maria Alexandrina Ferreira Chaves e da médica Amélia de Godoy, secretárias; e da engenheira civil Amélia Sapienza, tesoureira. Também faziam parte da diretoria da Aliança Nacional de Mulheres, e como tesoureira, a funcionária pública Sara Muniz Freire. /Pouco tempo depois, a escritora e jornalista Rachel Prado (1891 – 1943) foi convidada para dirigir um dos departamentos da associação. A sede provisória ficava na avenida Rio Branco, nº 33, quarto andar, sala 16. Ao longo do ano, Natércia e diversas associadas visitaram vários bairros do Distrito /federal, divulgando as propostas da Aliança Nacional de Mulheres (Correio da Manhã, 20 de fevereiro de 1931, quinta colunaDiário Carioca, 21 de fevereiro de 1931, quinta colunaO Estado (SC), 25 de fevereiro de 1931, quinta colunaA Noite, 18 de março de 1931; A Esquerda, 23 de março de 1933Diário de Notícias, 2 de abril de 1931, sexta coluna; Gazeta de Notícias, 1º de dezembro de 1935, terceira coluna).

 

 

Sobre a Aliança Nacional de Mulheres, Lindolfo Collor (1890 – 1942), ministro do Trabalho, escreveu à Natércia: “O concurso da associação, cujos delineamentos estatutários visam o amparo da mulher que trabalha será na obra que esboçamos e começamos a realizar, por certo notável, preenchendo, assim, com o esforço louvável de suas diretoras, uma das partes de nosso programa revolucionário” (Correio da Manhã, 26 de fevereiro de 1931, sétima coluna).

Após o pronunciamento do gaúcho Batista Luzardo (1892 – 1982), em Caxambu, no qual explicitou o pensamento do chefe do Governo Provisório, Getulio Vargas (1882-1954), sobre os direitos políticos das mulheres, em nome da Aliança Nacional de Mulheres, Natércia enviou telegramas ao orador, a Getulio Vargas  e ao ministro Joaquim Francisco Assis Brasil (1857 – 1938), chefe do Partido Libertador (Correio da Manhã, 11 de março de 1931, segunda coluna).

Foi uma das feministas que participou da enquete promovida pelo jornal A Esquerda sobre o voto feminino e a Constituinte (A Esquerda, 13 de março de 1931).

Uma comissão de senhoras das associações femininas do Rio de Janeiro, dentre  elas, Natércia, visitou as dependências médicas e esportivas da Light (Sino Azul, março de 1931O Jornal, 19 de março de 1931, segunda coluna; A Esquerda, 19 de março de 1931, terceira coluna).

Resposta de Natércia à enquete “Deve a mulher ser guerreira ou pacifista?”, promovida pelo jornal A Esquerda: “Sou pela paz, desde que essa paz não repouse no aviltamento de uma raça e não macule uma nacionalidade” (A Esquerda, 24 de março de 1931).

Natércia e Hemínia de Assis foram visitar uma fábrica onde haviam sido informadas que as moças trabalhavam em péssimas condições (A Batalha, 25 de março de 1931, terceira coluna).

Foi a oradora, representando a Aliança Nacional de Mulheres, no desembarque do chefe da Polícia do Distrito Federal, o gaúcho Batista Luzardo (1892 – 1982), paladino ardoroso dos direitos femininos, no Rio de Janeiro. Da diretoria da associação, também estiveram presentes ao evento Maria Alexandrina Ferreira Chaves, Isolina Becker de Segadas Vianna e Amélia Sapienza (A Esquerda, 31 de março de 1931A Batalha, 31 de março de 1931, quarta coluna; A Esquerda, 1º de abril de 1931).

Enquanto a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino afastava de seu programa as questões políticas e religiosas, a Aliança Nacional de Mulheres queria a participação ativa na vida política brasileira política de renovação intelectual e moral para a obra de rejuvenescimento da pátria. O primeiro manifesto da Aliança Nacional de Mulheres foi irradiado em 12 de abril de 1931 (A Batalha, 7 de abril de 1931Jornal do Recife, 11 de abril de 1931, sexta coluna).

 

 

Em sua sede provisória, no Edifício do Liceu de Artes e Ofícios, realizou-se uma reunião da Aliança Nacional de Mulheres com a presença de várias associadas. ficou estabelecido que a entidade promoveria conferências de instrução, educação e orientação das mulheres sobre educação moral e cívica, educação higiênica, educação associativa e cooperativa, educação econômica tanto individual como doméstica, educação artística e educação política, versando sobre direitos civis e políticos, orientando o critério de seleção eleitoral. Natércia agradeceu a diversas lojas comerciais por ajudarem a Aliança e informou que a associação se pronunciaria sobre a reforma da legislação. Tratou também do programa de alfabetização das sócias e ressaltou que o atendimento médico e jurídico às mesmas seria totalmente grátis (Diário da Noite, 2 de maio de 1931, penúltima colunaDiário de Notícias, 5 de maio de 1931).

Na agência da Prefeitura de Campo Grande, a Aliança Nacional de Mulheres iniciou uma série de visitas com o objetivo de propagar as ideias e iniciativas da associação (Jornal do Brasil, 19 de maio de 1931, segunda coluna).

Fotografias de Bertha Lutz  (1894 – 1976) e de Natércia ilustraram uma reportagem sobre a expansão do feminismo no Brasil (Excelsior, julho de 1931).

 

 

Foi a representante do Rio Grande do Sul no Segundo Congresso Internacional Feminista, promovido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, sob a orientação de Bertha Lutz  (1894 – 1976) (O Jornal, 19 de junho de 1931, primeira coluna).

Foi a vice-presidente, em junho de 1931, do I Congresso Feminino Mineiro, em Belo Horizonte, presidido por Elvira Komel (1906 – 1932). Foi publicada a programação do evento (Excelsior, junho de 1931). Durante o evento, representantes de municípios mineiros, do Espírito Santo, de Goiás, da Paraíba, do Rio Grande do Sul, e da Aliança Nacional de Mulheres, fundada por Natércia da Silveira, discutiram questões acerca da emancipação da mulher. A Além de Natércia, a Aliança foi representada pelas médicas Herminia de Assis, membro do Conselho Deliberativo do Sindicato Médico Brasileiro; Amélia de Godoy, do Hospital Pedro II; Isolina Becker de Segadas Vianna, Olga Gervais Vieira, ex-interna e assistente voluntária da clínica oftalmológica da Faculdade de Medicina; Ermilinda Lopes de Vasconcelos, primeira médica formada no Brasil; Ercilia Rocha Pitta e Eponina Rua. Também integravam a comitiva da associação Esmeralda Souto, dentista e regente da cadeira de Geografia e Cosmografia do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, em Niterói; a advogada Maria Alexandrina Pereira Chaves; a escritora e jornalista Anna César, membro da Associação Brasileira de Imprensa; a professora Joanna Brasil Silvado, a farmacêutica Elvira Roch e a engenheira civil Amélia Sapienza. Natércia foi também representante dos jornais A Batalha e A Esquerda, no congresso e, a pedido de José Antônio Flores da Cunha (1880 – 1959, governador do Rio Grande do Sul, representou o estado no evento. Na ocasião, foi aprovada unanimemente uma moção de apoio ao governo revolucionário (A Batalha, 5 de junho de 1931, quarta colunaCorreio da Manhã, 6 de junho de 1931, primeira coluna; A Batalha, 20 de junho de 1931, penúltima colunaCorreio da Manhã, 23 de junho de 1931, terceira colunaDiário de Notícias, 23 de junho de 1931, quarta colunaCorreio da Manhã, 30 de junho de 1931, sétima coluna; A Esquerda, 7 de julho de 1931, quinta colunaDiário da Noite, 31 de julho de 1931, quarta colunaDiário Carioca, 14 de agosto de 1931, última coluna).

 

 

 

O governador do Rio Grande do Sul, Flores da Cunha, enviou a Natércia um telegrama a felicitando por sua participação brilhante no I Congresso Feminino Mineiro (A Batalha, 2 de julho de 1931, segunda coluna).

Ela e Bertha Lutz  (1894 – 1976) foram algumas das representantes do II Congresso Internacional Feminista recebidas, no Palácio do Catete, por Getulio Vargas (1882 – 1954), chefe do Governo Provisório (Diário de Notícias, 17 de julho de 1931, segunda coluna).

Foi auxiliar de acusação no julgamento de Sidney da Rocha Sampaio, acusado de assassinato (A Noite, 6 de agosto de 1931, quarta coluna).

Foi recebida no Palácio do Catete por Getulio Vargas (1882 – 1954) (Correio da Manhã, 21 de agosto de 1931, quarta coluna).

O Ministério da Educação remeteu ao diretor geral do Departamento de Ensino os decretos já referendados que nomearam Adelaide Bastos Tornaghi e Natércia para exercer em comissão as funções de inspetoria em estabelecimentos de ensino secundário no Distrito Federal. Amélia Sapienza, tesoureira da Aliança Nacional de Mulheres, exerceria as mesmas funções em São Paulo (O Jornal, 5 de setembro de 1931, primeira coluna).

Publicação de uma reportagem intitulada A nova legislação eleitoral e o voto feminino, com a história do movimento feminista no Brasil, onde a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, dirigido por Bertha Lutz  (1894 – 1976), a União Universitária Feminina e a Aliança Nacional de Mulheres, presidida por Natércia foram citadas como importantes iniciativas para a emancipação da mulher no país. Na matéria foi publicado também a lista dos países onde as mulheres já possuíam direito ao voto e comentada a liderança do Rio Grande do Norte na concessão de direitos políticos às mulheres, por intermédio do governador Juvenal Lamartine. Foi transcrito também o discurso proferido por Ruy Barbosa (1849 – 1923) no Teatro Lyrico em apoio à causa feminina (A Batalha, 13 de setembro de 1931).

 

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Como presidente da Aliança Nacional de Mulheres, Natércia da Silveira anunciou a presença de Elvira Komel na reunião da entidade. Na ocasião, Elvira foi saudada pela professora paraense Adélia de Lacerda (Correio da Manhã, 2 de outubro de 1931, sétima coluna).

Duas advogadas, a paulista Maria Xavier da Silveira (1900 – 19?), a primeira mulher inscrita na OAB SP,  e Natércia atuaram em conjunto no Tribunal do Júri e conseguiram a absolvição do réu Chrispim do Nascimento, acusado de assassinato (Diário de Notícias, 26 de novembro de 1931, penúltima coluna; A Noite Ilustrada, 2 de dezembro de 1931; O Cruzeiro, 12 de dezembro de 1931).

 

 

 

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Diário de Notícias, 26 de novembro de 1931

Natércia e outras associadas da Aliança Nacional de Mulheres fizeram uma visita ao Instituto Nacional de Surdos-Mudos (Diário de Notícias, 1º de dezembro de 1931, última coluna). Na reunião mensal da associação, ocorrida no dia seguinte, Natércia revelou que havia pedido a Getulio Vargas a criação de uma seção feminina no instituto (Correio da Manhã, 2 de dezembro de 1931, segunda coluna).

Participou, no Beira-Mar Cassino, de uma homenagem a João Neves da Fontoura (1887 – 1963), que havia lançado em Porto Alegre uma campanha em prol da convocação da Constituinte (Diário Carioca, 26 de dezembro de 1931, quinta coluna).

Foi realizada a última reunião mensal do ano da Aliança Nacional de Mulheres na qual foi feito um balanço muito positivo da associação ao longo de 1931 (Correio da Manhã, 1º de janeiro de 1932, quarta coluna).

1932 – Foi nomeada segunda adjunta do procurador do Conselho Nacional do Trabalho (Jornal do Brasil, 21 de janeiro de 1932, quinta colunaDiário de Notícias, 24 de janeiro de 1932, segunda coluna).

Publicação de uma reportagem com um balanço do primeiro ano de existência da Aliança Nacional de Mulheres (Correio da Manhã, 31 de janeiro de 1932, quarta coluna).

Na reunião comemorativa do primeiro ano da Aliança Nacional de Mulheres, Natércia propôs a criação da Caixa de Auxílio à Mulher Desamparada (Correio da Manhã, 4 de fevereiro de 1932, quarta coluna).

Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932 instituiu o Código Eleitoral Provisório e reconheceu o direito de voto às mulheres.

No Automóvel Clube, realização de um almoço em homenagem a Natércia (Para Todos, 27 de fevereiro de 1932).

 

 

Foi entrevistada por Branca de Castro para a revista Brasil Feminino, de março de 1932.

 

 

Requereu sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e foi requisitado, assim como a outros requerentes, que ela explicasse a diversidade entre sua assinatura e o nome com o qual figurava na relação do registro da Corte de Apelação (O Jornal, 13 de março de 1932, segunda coluna).

Na reunião mensal da Aliança Nacional de Mulheres, a primeira realizada após a promulgação da lei eleitoral concedendo o voto à mulher, decidiu-se o envio de uma moção para Getulio Vargas e para Maurício Cardoso (1888 – 1938), ministro da Justiça, como uma demonstração do júbilo da associação (Correio da Manhã, 1º de abril de 1932, sexta coluna).

Ela e uma comissão da Aliança Nacional de Mulheres foram visitar os Grandes Laboratórios Farmacêuticos (Brasil Feminino, maio de 1932).

 

 

Na reunião mensal da Aliança Nacional de Mulheres, foi anunciada a criação do Departamento de Professoras, que seria instalado em breve e dirigido por Maria do Carmo Vidigal (Correio da Manhã, 4 de maio de 1932, última coluna).

Participou no Salão da Sociedade Riograndense, onde todo o alto mundo carioca estava reunido, da leitura do livro Migalhas, da poetisa gaúcha e diretora da revista Brasil Feminino, Iveta Ribeiro (1886 – 1962), seguido por uma apresentação de declamação e canto de Zoraide Aranha (Revista da Semana, 25 de junho de 1932).

 

 

Na reunião mensal da Aliança Nacional de Mulheres, foi anunciada a instalação do Departamento Eleitoral , a cargo da professora Adelaide Horta de Andrade, a quem as sócias deveriam se dirigir para questões de alistamento eleitoral (Correio da Manhã, 3 de junho de 1932, última coluna).

Foi enviado a Getulio Vargas uma carta indicando Natércia para a comissão para elaborar o anteprojeto da nova Constituição “não só por seus serviços à causa da mulher e da Revolução Brasileira como por ser possuidora da necessária cultura científica para essa missão“(República (SC), 17 de junho de 1932, terceira coluna).

Natércia, na época adjunta do Procurador Geral do Conselho Nacional do Trabalho, foi indicada pela Aliança Nacional de Mulheres, por ofício ao Ministro da Justiça, Francisco Campos, em 24 de junho de 1932, para integrar a comissão para elaborar o anteprojeto da nova Constituição. O documento foi assinado por sua vice-presidente, Herminia de Assis, fazendo referência à sua representatividade de 1.900 mulheres (corpo de sócias de médicas, advogadas, engenheiras, professoras, escritoras, funcionárias públicas, empregadas do comércio, operárias e domésticas), para inclusão de uma representante feminina na Comissão:

Para esta missão indicamos a Dra. Natércia da Cunha Silveira, Advogada e adjuncto do Procurador Geral do Conselho Nacional do Trabalho. Pelos seus serviços á causa da mulher brasileira e á Revolução, pela sua cultura solida, que a impoz em nosso meio social, apresenta ella as credenciaes necessárias para o encargo. Nossa representação conta elemento de todas as classes sociaes: medicas, advogadas, engenheiras, professoras, escriptoras, funcionarias publicas, empregadas no comercio, operarias e domesticas“.

A escritora Ilka Labarthe (? – 1975) proferiu a palestra A incorporação da mulher proletária na sociedade durante a reunião da Aliança Nacional de Mulheres, presidida pelo embaixador do México, A. Reys. A escritora também lançou a candidatura de Natércia para integrar a comissão para elaborar o anteprojeto da nova Constituição.(A Noite, 1º de julho de 1932, última coluna).

Outro ofício da Aliança, de 7 de julho de 1932, elaborado após uma assembleia com mais de três mil mulheres do Rio de Janeiro, com a assinatura de 348 mulheres, foi encaminhado a Getulio Vargas, com a indicação de Natércia. Bertha Lutz (1894 – 1976), da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, e Carmen Portinho (1903 – 2001), pela União Universitária Feminina, também foram indicadas, o que causou um impasse. Entre Bertha Lutz (1894 – 1976) e Natércia houve um conflito aberto. A mineira Elvira Komel, a pernambucana Martha de Hollanda (1903-1950), presidente da Cruzada Feminina Brasileira, e a escritora Ilka Labarthe (? – 1975)apoiaram a indicação de Natércia, que escreveu a Getulio Vargas, retirando sua candidatura, após saber de  uma intempestiva agressão pelas partidárias da sra. Bertha Lutz. Dias depois, a professora Adelaide Horta de Andrade entregou, em nome da Aliança, uma moção a Getulio, afirmando que as afiliadas da entidade continuavam a desejar unanimemente a nomeação de Natércia. Sua amiga, Maria do Patrocínio Oliveira, lembrou que toda vez que contavam a Natércia alguma maquinação da inveja e do despeito ela falava o ditado: “Eu sou como o jequitibá da floresta, o machado que tentar derribar-me há de criar dentes” (Correio da Manhã, 2 de julho de 1932, sexta coluna; A Batalha, 3 de julho de 1932Correio da Manhã, 5 de julho de 1932, segunda colunaDiário de Notícias, 5 de julho de 1932, penúltima colunaA Batalha, 6 de julho de 1932; Correio da Manhã, 9 de julho de 1932, sexta coluna; O Radical, 9 de julho de 1932, primeira colunaA Gazeta(SP), 9 de julho de 1932, quarta colunaCorreio da Manhã, 13 de julho de 1932, quarta coluna).

 

 

Finalmente, Natércia foi nomeada para integrar a comissão para elaborar o anteprojeto da nova Constituição, fato comemorado na Confeitaria Paschoal. Bertha Lutz  (1894 – 1976) também foi indicada (Correio da Manhã, 14 de julho de 1932, terceira coluna; Correio da Manhã, 19 de julho de 1932, primeira coluna; Brasil Feminino, dezembro de 1932).

Natércia foi a capa da revista Brasil Feminino de julho de 1932.

 

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Como presidente da Aliança Nacional de Mulheres assinou o manifesto da Cruz Vermelha dirigido ao governo provisório no sentido de pacificar o país que passava pela Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado que expressava a insatisfação dos paulistas com a Revolução de 1930 (O Jornal, 28 de julho de 1932, terceira colunaJornal do Recife, 30 de julho de 1932, última coluna). O movimento serviu, antes de mais nada, para convencer o Governo Provisório de Getulio Vargas da necessidade de pôr fim ao caráter discricionário do regime sob o qual vivia o país. Isto só aconteceria quando a constituição de 1890, tornada sem efeito, fosse substituída por outra. A Revolução Constitucionalista começou em 9 de julho de 1932 e terminou alguns meses depois, em 1º de outubro.

A Aliança Nacional de Mulheres decretou luto de oito dias devido à morte prematura de Elvira Komel (1906 – 1932), líder do movimento feminista em Minas Gerais (Correio da Manhã, 28 de julho de 1932, oitava coluna).

Abaixo, registro do embarque, na Central do Brasil, de uma comissão da Aliança Nacional de Mulheres, que apoiava o governo, para visita ao front do setor leste. Visitaram também os prisioneiros na Ilha Grande (O Radical, 17 de agosto de 1932, quinta colunaA Noite, 24 de agosto de 1932; Revista da Semana, 27 de agosto de 1932; Revista da Semana, 27 de agosto de 1932; O Cruzeiro, 27 de agosto de 1932).

 

 

 

 

Foi promovida, em Niterói, pelo Departamento Fluminense da Aliança Nacional de Mulheres, uma reunião de professoras, sob a direção de Natércia (Revista da Semana, 17 de setembro de 1932).

Casamento de Octacília da Cunha Vieira , irmã de Natércia, com José Ferreira Noval (Vida Doméstica, outubro de 1932).

Em 27 de outubro, o presidente Getulio Vargas nomeou a comissão do anteprojeto da nova Constituição brasileira, três semanas após o fim  da Revolução Constitucionalista. Era formada por 23 componentes, dentre eles Bertha Lutz (1894 – 1976) e Natércia da Cunha Silveira.

 

 

Na fotografia abaixo, Natércia e Bertha Lutz (1894 – 1976) com Afrânio de Melo Franco (1870 – 1943), Agenor Lafayete de Roure ( 1870 – 1935), Carlos Maximiliano Pereira dos Santos (1873 – 1960), Francisco Antunes Maciel  Júnior (1881 – 1966) e José Américo de Almeida (1887-1980), no dia da instalação da Comissão do Anteprojeto da Constituinte, no Palácio Monroe (Correio de São Paulo, 9 de novembro de 1932).

 

 

Fez uma contribuição à Casa do Pobre de Copacabana (Beira-Mar: Copacabana, Ipanema, Leme, 8 de outubro de 1932, quinta coluna).

Ela e Adalzira Bittencourt (1904 – 1976) eram consultoras jurídicas da revista Brasil Feminino. Na edição de dezembro da revista foi publicada a matéria Feminismo – O que a mulher deve querer , sobre a instalação oficial da Comissão do Anteprojeto da Constituinte e sobre o papel de Natércia e Bertha como representantes femininas (Brasil Feminino, dezembro de 1932).

 

 

O escritório de advocacia de Natércia ficava na avenida Rio Branco, nº 183, sala 501, onde permaneceu até 1937 (Beira-mar, 26 de novembro de 1932Almanak Laemmert, 1934; Almanak Laemmert, 1937).

 

 

Natércia da Cunha Silveira e a escritora Olga Monteiro de Barros patrocinaram, no Instituto Nacional de Música um concerto com a participação do pianista Ênio de Freitas (1911 – 1975), da harpista Jacy Lobato e do flautista Moacyr Lisserra (1905-1971) (Fon-Fon, 17 de dezembro de 1932).

1933 - Natércia justifica não ter aceito o convite, feito pela escritora Ikla Labarthe para participar de uma convenção cujo tema seria a criação de um Partido Nacional Revolucionário, ideia do Partido Socialista Brasileiro (Diário Carioca, 11 de janeiro de 1933, terceira coluna).

Foi uma das homenageadas na inauguração de uma galeria de retratos no Tribunal do Juri com retratos das maiores figuras da defesa que funcionaram na sede nova da instituição desde 1927 (Correio da Manhã, 19 de janeiro de 1933, terceira coluna).

Foi enviado ao prefeito Pedro Ernesto (1884 – 1942) as conclusões do Departamento das Professoras da Aliança Nacional de Mulheres sobre a reforma da Instrução Municipal (Diário da Noite, 27 de janeiro de 1933).

Vários eventos marcaram o aniversário de dois anos da aliança Nacional de Mulheres. Um deles realizou-se no salão nobre da Associação dos Empregados do comércio, quando Natércia foi homenageada com um festival literário e musical (A Noite, 28 de janeiro de 1933, quarta colunaJornal do Brasil, 1º de fevereiro de 1933, primeira coluna).

 

 

 

As feministas Natércia e Ilka Labarthe (? – 1975) tiveram suas mãos lidas (O Malho, 4 de fevereiro de 1933).

 

 

A pedido da Aliança Nacional de Mulheres foi proibido que homens se fantasiassem de mulheres grávidas durante o carnaval no Distrito Federal (Diário da Noite, 22 de fevereiro de 1933, terceira coluna).

Na reunião mensal da Aliança Nacional de Mulheres, foi discutida a candidatura de Natércia à Assembleia Constituinte (Correio da Manhã, 1º de abril de 1933, última coluna).

Publicação de uma reportagem sobre as candidatas à Assembleia Constituinte (Noite Ilustrada, 2 de abril de 1933).

Em 20 de abril, o Departamento Político da Aliança Nacional de Mulheres, realizou na sede social da associação, localizada na rua 13 de maio, nº 33/35, quarto andar, uma reunião para apresentar o programa de pré-candidatura de sua presidente, Natércia, à Assembleia Constituinte (Diário Carioca, 20 de abril de 1933, última coluna).

Em 27 de abril, realizou-se, na Esplanada do Castelo, um comício feminino organizado pela Aliança Nacional de Mulheres, em prol da candidatura de Natércia para deputada constituinte. Ela não pode comparecer devido a uma indisposição súbita (Diário da Noite, 26 de abril de 1933, segunda coluna; Correio da Manhã, 28 de abril de 1933, primeira coluna).

 

 

Além dela, foram candidatas para deputadas constituintes pelo Rio de Janeiro a bióloga Bertha Lutz (1894 – 1976), a escritora e jornalista Anna César Vieira (? – 1942), a escritora socialista Ilka Labarthe (? – 1975) e Georgina de Azevedo Lima (? – 19?) que, segundo a reportagem publicada na Revista da Semana, não se sabia de trabalhos feministas. Na matéria da Revista da Semana, a professora baiana Leolinda Daltro (1859 – 1935), também candidata e uma das precursoras do feminismo no Brasil, declarou-se satisfeita por testemunhar a candidatura de mulheres a cargos políticos no país (Correio da Manhã, 26 de abril de 1933, terceira colunaRevista da Semana, 20 de maio de 1933). Nenhuma delas foi eleita.

 

 

 

Fotos das demais candidatas:

 

 

 

 

 

A eleição aconteceu em 3 de maio de 1933. A professora Olga Monteiro de Barros (c. 1868 – 1943) fez um apelo em prol da  candidatura de Natércia (Jornal do Brasil, 3 de maio de 1933, penúltima coluna), que obteve 3.220 votos, mas não foi eleita (Jornal do Brasil, 3 de maio de 1933; A Noite, 31 de julho de 1933, segunda coluna). Bertha Lutz recebeu 15.756 votos; Georgina Azevedo Lima, 14.093; e Ilka Labarthe, 3.869.

 

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                                       A Batalha, 1º de julho de 1933

 

A pedido de Natércia, o ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha (1894 – 1960), autorizou a realização de uma loteria em benefício à Caixa de Auxílio da Mulher Desamparada, da Aliança Nacional de Mulheres (Diário da Noite, 4 de setembro de 1933, quarta coluna).

O anúncio do noivado de Natércia com o médico e cirurgião da Assistência Municipal, o gaúcho Paulo Arthur Pinto da Rocha (1901 – 1972), um espírito elegante, foi considerado uma notícia amável para a sociedade carioca. Casaram-se, em 9 de setembro de 1933, no Rio de Janeiro. O casamento constituiu uma nota de elegância na sociedade carioca. Ela adotou o sobrenome do marido passando a chamar-se Natércia Silveira Pinto da Rocha  (Jornal do Brasil, 21 de julho de 1933, terceira colunaDiário da Noite, 9 de setembro de 1933, segunda colunaA Noite Ilustrada, 13 de setembro de 1933; Vida Doméstica, outubro de 1933).

 

 

Foi com os professores Alexandre Pogio, Eustorgio Wanderley, Lourdes Moreira Ribeiro e Maria Rosa Moreira Ribeiro organizadora do Teatro da Criança, com caráter estritamente educacional, tendo como objetivos principais o aprendizado da califasia da música, do canto orfeônico e da dança e da arte de representação. Para isso ofereceria cursos práticos (Jornal do Brasil, 8 de novembro de 1933, terceira coluna).

Natércia, o jornalista e presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Herbert Moses (1884 – 1972), o escritor e político Humberto de Campos (1886 – 1934) e o médico e político Washington Pires (1892 – 1970) foram os patrocinadores da solenidade de posse da diretoria da União Brasileira dos Estudantes, na sede da ABI, no dia 10 de dezembro de 1933 (O Paiz, 6 de dezembro de 1933, última coluna).

1934 - Foi eleita a nova diretoria da Aliança Nacional de Mulheres para o triênio de 1934 a 1937 e foi realizado uma missa na Igreja Santa Cruz dos Militares e um almoço no Automóvel Club (Jornal do Brasil, 24 de janeiro de 1934, segunda coluna).

 

 

No concurso do Banco do Brasil, a colaboração feminina não estava sendo aceita. Natércia escreveu para o presidente do Banco do Brasil, Arthur Costa (1893 – 1957); para Oswaldo Aranha (1894 – 1960), ministro da Fazenda; e para o presidente da República, Getulio Vargas, no sentido de conseguir a reversão desta situação (Correio da Manhã, 22 de fevereiro de 1934, quarta coluna).

Natércia foi agraciada com o título de membro perpétuo da União Cultural Universal de Sevilha (Correio da Manhã, 24 de fevereiro de 1924, última coluna; O Jornal, 24 de fevereiro de 1934, segunda coluna).

Foi publicado o artigo Benefícios mutilados, de sua autoria, sobre a necessidade de desenvolver e aperfeiçoar  a obra de assistência social…É um mito com arremedos de realidade a que existe (Jornal do Brasil, 6 de abril de 1934, quinta coluna).

Em nome da Aliança Nacional de Mulheres, Natércia enviou a Getulio Vargas (1882 – 1954), chefe do Governo Provisório, um apelo relativo à comutação de pena de delinquentes primários, conforme decidido na reunião mensal da entidade (O Paiz, 3 de junho de 1934, quinta coluna).

As reuniões mensais da Aliança Nacional de Mulheres continuavam a ser realizadas (Correio da Manhã, 6 de setembro de 1934, sétima coluna).

Concorreu a vereadora pela Frente Única do Distrito Federal, em 14 de outubro de 1934, e obteve 22.559 votos, tornando-se suplente (Diário de Notícias, 12 de outubro de 1934, terceira colunaCorreio da Manhã, 13 de outubro de 1934, última coluna; Correio da Manhã, 1º de fevereiro de 1935, quarta coluna; Jornal do Brasil, 3 de fevereiro de 1935, sexta coluna).

 

 

1935  Ao longo de 1935 e 1936, participou de diversas reuniões do Conselho Nacional do Trabalho.

Em uma entrevista, Natércia dá suas opiniões sobre o movimento feminista e mais uma vez reafirma a necessidade de uma cultura científica, profissional e objetiva para a concretização das conquistas femininas. “Essa cultura é o denominador comum que devemos alcançar” (A Nação, 5 de maio de 1935).

Natércia manifestou seu pesar com a morte da professora Leolinda Daltro (1859 – 1935), que fazia parte da comissão fiscal da Aliança Nacional de Mulheres (Jornal do Brasil, 8 de maio de 1935, quinta coluna). Baiana e atuante ativista pela emancipação da mulher, Leolinda viveu a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro e foi uma das precursoras do indigenismo e do feminismo no Brasil. Defendia a incorporação da população indígena brasileira à sociedade a partir da alfabetização laica e para por sua ideia em prática, entre 1896 e 1897,  percorreu o interior do país. Organizou, em 1906, o organizou a Grêmio Patriótico Leolinda Daltro destinado à proteção dos índios. Era muita amiga da primeira mulher do presidente Hermes da Fonseca (1855 – 1923), Orsina Fonseca (1858 – 1912) que, como ela, era a favor da igualdade entre os sexos. Em 1910, fundou o Partido Republicano Feminino (PRF) para mobilizar as mulheres em torno do direito ao voto feminino. Fundou a Escola de Ciências, Artes e Profissões Orsina da Fonseca e a primeira Escola de Enfermeiras Laicas do Brasil, da Cruz Vermelha, ambas em 1911. Em 1919, candidatou-se ao cargo de intendente municipal pela cidade do Rio de Janeiro. Em 1920, lançou o livro Da catequese dos índios do Brasil (notícias e documentos para a história). Em 1933, foi candidata pelo Partido Nacional do Trabalho para deputada constituinte, mas não se elegeu. Faleceu em um desastre de automóvel em 4 de maio de 1935 (Jornal do Brasil, 2 de novembro de 1906, oitava colunaRevista Feminina, de 1919Revista da Semana, 20 de maio de 1933A Noite, 3 de agosto de 1934, primeira colunaCorreio da Manhã, 5 de maio de 1935, sexta colunaRevista da Semana, 11 de maio de 1935).

 

 

 

Natércia foi uma das promotoras de uma homenagem a o dramaturgo Renato Vianna (1894 – 1953), criador do Theatro Escola, no Studio Nicolas (Jornal do Brasil, 23 de maio de 1935, quarta coluna; Gazeta de Notícias, 24 de maio de 1935, quinta coluna).

Natércia e Evaristo de Morais (1871 – 1939) foram alguns dos advogados que se ofereceram para defender, sem nenhuma remuneração, o jornalista Américo Novais, acusado de ter atirado em Oscar Viana, oficial de gabinete do Ministério da Agricultura (Jornal do Brasil, 23 de junho de 1935, sétima coluna).

Participou, na Rádio Guanabara, de um programa comemorativo do centenário da Revolução Farroupilha , na Hora do Brasil. Também estavam presentes Dario Crespo, Lindolpho Collor, Lourival Fontes e Luiz Aranha (Gazeta de Notícias, 22 de setembro de 1935).

 

 

1936 - Escreveu o artigo A insegurança do funcionário público (Jornal do Brasil, 11 de julho de 1936, penúltima coluna).

Natércia foi uma das advogadas, Virgolino da Silva, acusado pelo assassinato de Hermeto Faria, chefe da portaria da Câmara dos Deputados (Diário de Notícias, 4 de setembro de 1936, penúltima coluna).

Foi uma das mulheres citadas na reportagem Personalidades Femininas Brasileiras. Segundo a matéria, ela teria fundado o Centro Cívico Feminino de Porto Alegre (A Nação, 13 de dezembro de 1936).

1937 - Na sede da Aliança Nacional de Mulheres, proferiu uma palestra sobre A mulher brasileira em face da Constituição (Correio da Manhã, 16 de julho de 1937, quinta coluna).

1938 – Em um processo do Instituto dos Bancários, Natércia defendeu a obrigatoriedade de pagamento a empregada gestante vencimentos integrais, mesmo afastada do serviço, na forma da lei.

“Reduzir à mulher que trabalha, as fontes de renda de sua atividade pouque necessita interrompê-la para, com sacrifíco próprio, embora o mais dignificante dos saccrifícios, tornar-se mães, não é só desumano, é, sobretudo, o que interessa para a solução do caso, inconstitucional” (O Radical, 17 de abril de 1938, quinta coluna; O Radical, 19 de abril de 1938, primeira coluna; O Radical, 29 de agosto de 1938, terceira coluna).

Escreveu o artigo A aposentadoria compulsória o e Tribunal de Contas (Jornal do Brasil, 22 de abril de 1938, quarta coluna).

Nascimento de Velleda Maria, filha de Natércia e Paulo Arthur, em 1º de setembro que foi batizada, na Igreja Nossa Senhora da Paz (A Noite, 7 de outubro de 1938, sexta coluna).

Foi decretado, em 10 de novembro, o Estado Novo, que vigorou até 31 de janeiro de 1946. Foram fechados o  Congresso Nacional e os partidos políticos foram extintos. A Aliança Nacional de Mulheres foi extinta, mas Natércia deu continuidade a sua vida profissional atuando no fórum do Rio de Janeiro.

1938 – Ao longo do ano, apresentou 1164 processos na Procuradoria Geral do Conselho Nacional do Trabalho  (Gazeta de Notícias, 6 de janeiro de 1939, segunda coluna).

1939 – Natércia fazia parte da comissão especial constituída pelo ministro do Trabalho, Waldemar Falcão (1895 – 1946), para preparar as teses que seriam apresentadas pela delegação brasileira na II Conferência dos Estados da América membros da Organização Internacional do Trabalho, que se realizaria, em Havana, em novembro de 1939 (O Jornal, 14 de setembro de 1939, quarta coluna).

1940 – Foram concluídos os trabalhos da comissão nomeada pelo ministro do Trabalho, Waldemar Falcão (1895 – 1946), em 5 de março de 1940, para rever a legislação sobre trabalhos de mulheres e menores, cuja uma das integrantes era Natércia (O Imparcial, 6 de março de 1940, primeira colunaA Batalha, 16 de junho de 1940, segunda coluna). Sobre o assunto, Natércia deu uma entrevista ao jornal A Noite, de 26 de março de 1940.

Era uma das professoras do curso de Assistência Social, de extensão universitária, mantido pela Escola Técnica de Serviço Social, na Escola Nacional de Belas Artes. Continuou a lecionar no curso em 1941 e 1942 (Jornal do Brasil, 9 de 1940, segunda coluna).

1941 - Natércia estava na Procuradoria Geral do Conselho Nacional do Trabalho ligada a questões da Justiça do Trabalho, ainda não instalada (Jornal do Commercio, 20 e 21 de janeiro de 1941, terceira coluna).

Era uma das integrantes da comissão especial instituída pelo Conselho Nacional do Trabalho para acompanhar a incorporação ao Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Marítimos das Caixas de Aposentadoria e Pensões dos Portuários (O Jornal, 22 de março de 1941, última coluna).

Natércia da Silveira comenta um memorial dos bacharelandos de Direito da Faculdade de Niterói submetido ao presidente da República, Getulio Vargas, – que mandou arquivá-lo – , segundo o qual haveria a necessidade de uma regulamentação das atividades femininas no nos serviços públicos, em cujo crescimento anteviam graves riscos tanto para a ordem pública e social como para a doméstica (A Noite, 18 de maio de 1941, sexta coluna).

 

 

Fez um donativo à uma instituição ligada à Santa Casa de Misericórdia (Jornal do Commercio, 27 de agosto de 1941, quinta coluna).

Falecimento do pai de Natércia, Manoel da Cunha Silveira. Além de Natércia, convidavam para a missa seus irmãos Demócrito, Cézar, Athalia, Hesione e Octacília, seus respectivos cônjuges e filhos (Correio da Manhã, 28 de agosto de 1941, quarta colunaA Noite, 30 de julho de 1941, terceira coluna).

1942 - Como procuradora, integrou uma comissão de inquérito que investigaria uma denúncia contra Rubens de Amaral Soares, diretor da Divisão de Fiscalização do Departamento de Previdência Social do Conselho Nacional do Trabalho. A denúncia foi feita pelo inspetor de Previdência, Nilo de Albuquerque (O Radical, 28 de maio de 1942, quinta coluna).

Fazia parte do quadro de sócios efetivos do Instituto Brasileiro de Direito do Trabalho (A Noite, 25 de abril de 1943, sétima coluna).

1943 - Não era a favor do divórcio (A Manhã, 12 de novembro de 1943, terceira coluna).

1944 - Natércia era a advogada de defesa do soldado do Exército, Jordão Seixas, acusado de assassinato. Natércia alegou legítima defesa e ele foi condenado a dez meses de prisão (O Jornal, 7 de setembro de 1944, sexta coluna).

1945 - Foi uma das organizadoras com Carmen Portinho (1903 – 2001), Maria Luisa Dória de Bittencourt (1910 – 2001), primeira deputada da Bahia; Maria Rita Soares de Andrade (1904 – 1998), que viria a ser a primeira juíza federal do Brasil, e outras mulheres, de uma coligação democrática para apoiar a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes (1896 – 1981) à presidência da República (Diário de Notícias, 24 de fevereiro de 1945, quinta coluna).

Na sede da Associação Brasileira de Imprensa, eleição do Diretório da União Democrática Nacional (UDN). Ela, Carmen Portinho (1903 – 2001) e Maria Rita Soares de Andrade (1904 – 1998) compunham o Comitê Feminino do Distrito Federal. A UDN foi fundada em 7 de abril de 1945 como uma “associação de partidos estaduais e correntes de opinião” contra a ditadura do Estado Novo e sua principal bandeira foi a oposição constante a Getulio Vargas e ao getulismo (O Jornal, 7 de abril de 1945, sexta coluna; Correio da Manhã, 8 de abril de 1945, sexta coluna).

Foi uma das signatárias do movimento de apoio de advogados à candidatura de Eduardo Gomes à presidência da República, que foi vencido, em 2 de dezembro de 1945, pelo general Eurico Gaspar Dutra (1883 – 1974), da aliança entre O PTB e o PSD. O movimento era encabeçado por uma comissão chefiada por Adauto Lúcio Cardoso (1904 – 1974)  (Diário Carioca, 28 de junho de 1945, última coluna).

Natércia foi uma das convidadas para uma homenagem da União Democrática Nacional (UDN) em homenagem a ex-deputada federal Carlota Pereira de Queiroz (1892- 1982), na época membro da Comissão Executiva da UDN. Ela foi a primeira deputada federal do Brasil, eleita em 1934. A recepção foi oferecida pela sra. Arnon de Mello, em nome do Comitê Feminino da UDN (Correio da Manhã, 31 de agosto de 1945, quarta coluna).

Participou de uma festa da União Social Feminina, no Liceu Literário Português (Gazeta de Notícias, 16 de setembro de 1945, terceira coluna).

Foi receber no aeroporto do Rio de Janeiro, Raul Pilla, líder do Partido Libertador (Correio da Manhã, 7 de outubro de 1945, quarta coluna).

Natércia foi uma das advogadas que subescreveu o manifesto da classe em homenagem ao candidato à presidência da República, Eduardo Gomes (Correio da Manhã, 19 de outubro de 1945, sexta coluna).

 

 

Natércia e o jornalista Fernando Caldas foram designados para delegados do diretório do Partido Libertador de Porto Alegre (Diário de Notícias, 26 de outubro de 1945, primeira coluna). Candidatou-se à Assembleia Nacional Constituinte, mas não se elegeu (Diário de Notícias, 13 de novembro de 1945, primeira coluna). O Partido Libertador Gaúcho havia sido fundado em 1928 por políticos do antigo Partido Federalista do Rio Grande do Sul, como Joaquim Francisco de Assis Brasil (1857 – 1938) e Raul Pilla (1892 – 1973). Foi extinto pelo Estado Novo e reorganizado em 1945, sob a presidência de Pilla, como Partido Libertador. Sua principal bandeira foi a defesa da implantação do parlamentarismo no Brasil. Pilla foi o único do PL a eleger-se para a Assembleia Nacional Constituinte, nas eleições de 1945, mesma ocasião em que o general Dutra elegeu-se presidente da República, vencendo o candidato udenista, brigadeiro Eduardo Gomes.

1946 - Fazia parte do conselho consultivo do Diretório Regional do Partido Democrata Cristão (A Noite, 13 de setembro de 1946, sexta coluna).

Foi organizada, a seção do Distrito Federal do Partido Libertador por seu presidente, Raul Pilla (1892 -1973). Seria presidida pelo general Isidoro Dias Lopes  (1865 – 1949), secretariada por Natércia e divulgada por Espiridião Paulo (Diário Carioca, 1º de novembro de 1946, sexta coluna).

1947 - Era uma das vice-presidentes da instituição social Casa de Nossa Senhora da Paz (A Cruz, 20 de julho de 1947, última coluna).

No auditório da Associação Brasileira de Imprensa, posse do diretório do Distrito Federal do Partido Libertador. Seria presidido pelo general Isidoro Dias Lopes (1865 – 1949) e secretariado por Natércia. Na ocasião, o deputado Raul Pilla (? – 1973), presidente do Partido Libertador, expôs as ideias da referida agremiação política (A Noite, 20 de setembro de 1947, terceira colunaDiário do Paraná (PR), 26 de setembro de 1947, terceira coluna).

1949 – Natércia era procuradora da Justiça do Trabalho (Jornal do Commercio, 11 de junho de 1949, quinta coluna).

1950 - Publicação de uma fotografia de Natércia participando de uma reunião do Diretório do Partido Libertador (PL) carioca (Revista da Semana, 29 de abril de 1950). O PL apoiou a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes (1896 – 1981), pela UDN, à presidência da República, mas ele foi derrotado por Getulio Vargas (1882 – 1954), do Partido Trabalhista Brasileiro, em 3 de outubro de 1950 (Diário Carioca, 6 de junho de 1950, terceira colunaRevista da Semana, 17 de junho de 1950).

 

 

Foi designada pela Procuradoria Geral da Justiça do Trabalho para presidir a mesa apuradora da eleição sindical do Sindicato dos Enfermeiros e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do Rio de Janeiro (A Manhã (RJ), 8 de junho de 1950, penúltima coluna).

Foi candidata a deputada federal pelo Partido Libertador, mas não foi eleita (Jornal do Brasil, 15 de agosto de 1950, quarta colunaA Manhã (RJ), 23 de setembro de 1950, primeira coluna).

 

 

1951 – Elogiou o projeto de lei apresentado pelo senador Mozart Lago (1889 – 1974) criando um departamento feminino no Departamento Federal de Segurança Pública, a qual incumbiria “a Polícia de Costumes, a guarda de detentos e condenados do sexo feminino, e tudo o que disser respeito à mulher e aos menores em ralação à função policial“(Diário de Natal, 21 de julho de 1951, terceira coluna).

Integrava o gabinete executivo da seção carioca do Partido Libertador (Diário de Notícias, 12 de outubro de 1951, sexta coluna).

1953 – Como procuradora geral substituta da Justiça do Trabalho, atuou durante a greve de tecelões no Rio de Janeiro (Diário Carioca, 15 de janeiro de 1953, quarta colunaDiário de Notícias, 14 de março de 1953).

Integrava o Diretório Nacional do Partido Libertador (Jornal do Brasil, 18 de julho de 1953, quarta coluna).

Foi publicado um artigo de sua autoria em homenagem a Lindolfo Collor (1890 – 1942), que havia sido ministro do Trabalho (Diário Carioca, 21 de julho de 1954).

1956 - Foi escolhida para integrar o gabinete executivo do Diretório Nacional do Partido Libertador (O Jornal, 10 de julho de 1956, terceira coluna).

Seu marido, Paulo Arthur (1901 – 1972), tomou posse na cadeira nº 85 da Academia Brasileira de Medicina, em 2 de agosto de 1956.

1958 – Foi escolhida para saudar Evaristo de Moraes Filho, que havia se tornado professor catedrático em Direito do Trabalho na Faculdade de Direito,  durante uma homenagem feita a ele pelos procuradores da Justiça do Trabalho (O Jornal, 13 de julho de 1958, primeira coluna).

Na Capela da Reitoria da Universidade do Brasil, Velleda Maria, única filha de Natércia e Paulo Otávio, casou-se com o pediatra Adherbal de Andrade, em 17 de dezembro (Jornal do Brasil, 12 de dezembro de 1958, primeira coluna).

1959 - Participou da Convenção Nacional do Partido Libertador e integrava o anunciado novo Diretório Nacional do partido (Diário de Notícias, 21 de julho de 1959, quarta coluna).

1964 – Foi empossada como uma das vice-presidentes da Associação do Ministério Público do Brasil (Jornal do Commercio, 23 de agosto de 1964, quarta coluna)

O ministro do Trabalho, Arnaldo Sussekind (1917 – 2012), nomeou Natércia para completar o Conselho Nacional do Sesi (Correio da Manhã, 6 de novembro de 1964, primeira coluna).

O ministro do Trabalho, Arnaldo Sussekind (1919 – 2012) determinou a suspensão da intervenção ministerial na Comissão Nacional de Sindicalização Rural e nomeou Natércia como uma das representantes do ministério no referido órgão (Jornal do Brasil, 8 de dezembro de 1964).

Foi convidada para ser a diretora-geral do Departamento Nacional do Trabalho (DNT). Foi a primeira mulher a ocupar o cargo (Jornal do Commercio, 23 de dezembro de 1964, última coluna; Correio da Manhã, 25 de dezembro de 1964, quarta coluna).

1965 – Segundo Natércia grande parte do pessoal da empresa aérea Panair seria aproveitada pela Força Aérea Brasileira. Em 10 de fevereiro, a Panair havia sido comunicada pelo Governo Federal da cassação de seu certificado de operação. O ato foi assinado pelo ministro da Aeronáutica, brigadeiro Eduardo Gomes (1896 – 1981). Suas linhas nacionais foram passadas para a Cruzeiro e as linhas internacionais para a Varig (Jornal do Commercio, 13 de fevereiro de 1965, terceira coluna).

Natércia, como diretora-geral do Departamento Nacional do Trabalho (DNT), informou que o Ministério do Trabalho divulgaria a lista de 150 entidades sindicais que seriam liberadas da intervenção oficial. Era anticomunista (A Luta Democrática, 28 e 29 de março de 1965, quarta coluna; A Cruz, 24 de outubro de 1965, segunda coluna).

Foi homenageada com um jantar, no Hotel Excelsior, pela Associação Brasileira de Mulheres Universitárias (Correio da Manhã, 23 de maio de 1965, última coluna).

Como diretora-geral do DNT, Natércia fez uma advertência aos dirigentes sindicais no sentido deles se absterem de atividades políticas nas entidades por eles dirigidas(A Luta Democrática, 3 de julho de 1965, quinta coluna).

Também como diretora-geral do DNT, Natércia enviou uma circular a todas as Delegacias Regionais do Trabalho determinando que providências fossem tomadas para a realização de eleições das entidades sob sua jurisdição, que haviam sofrido intervenção (A Luta Democrática, 25 de agosto de 1965, quarta coluna).

Sob sua presidência foi instalada a comissão encarregada de opinar sobre a extinção ou não do Imposto Sindical (Correio da Manhã, 1º de setembro de 1965).

Foi pedida a exoneração de Natércia do cargo de diretora-geral do Departamento Nacional do Trabalho (DNT) (Tribuna da Imprensa, 16 de setembro de 1965, penúltima coluna).

Foi uma das autoridades que se reuniu com o presidente Castelo Branco para uma discussão em torno da crise da indústria açucareira do Nordeste e do crescente desemprego na região (Correio da Manhã, 18 de setembro de 1965, quarta coluna).

Natércia recebeu as primeiras 30 mil, das 250 mil carteiras do trabalhador rural que estavam sendo confeccionadas (Correio da Manhã, 28 de setembro de 1965, primeira coluna).

Meses depois, Natércia negou provimento ao recurso da diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Guanabara que pretendia manter a eliminação de 5.516 associados da entidade (A Luta Democrática, 3 e 4 de outubro de 1965, sexta coluna).

Foi nomeada pelo presidente Humberto Castelo Branco (1897 – 1967) para receber a Ordem do Mérito do Trabalho no Grau d0 Mérito Especial (Jornal do Commercio, 29 e 30 de novembro de 1965, sexta coluna).

Foi noticiado que Natércia havia pedido demissão do cargo de diretora-geral do Departamento Nacional do Trabalho (Correio da Manhã, 9 de dezembro de 1965). Segundo jornais da época, o pedido teria sido causado pelo fato dela não ter sido consultada acerca da intervenção ministerial no Sindicato dos Comerciários da Guanabara (Correio da Manhã, 18 de janeiro de 1966, primeira coluna).

1966 – Após uma discussão com o novo ministro do Trabalho, Walter Peracchi Barcelos (1907 – 1986), empossado em dezembro de 1965, acerca de um projeto de decreto que no seu entender aniquilaria o movimento sindical portuário, Natércia pediu demissão do cargo de diretora-geral do Departamento Nacional do Trabalho em caráter irrevogável (Correio da Manhã, 23 de janeiro de 1966, penúltima coluna). Foi substituída por Aladir Barata, que tomou posse no início de fevereiro (O Jornal, 29 de janeiro de 1966, quinta colunaJornal do Commercio, 7 e 8 de fevereiro de 1966, sexta coluna).

Tomou posse como Procuradora Geral da Justiça do Trabalho, cargo que exerceria enquanto o titular. Luiz Augusto do Rego Monteiro, estivesse de férias (O Jornal, 5 de fevereiro de 1966, sexta coluna; Jornal do Brasil, 9 de fevereiro de 1966, última coluna).

1971 – Aposentou-se da Procuradoria-Geral do Trabalho, tendo sido muito elogiada pelo procurador-geral, Marco Aurélio Frates de Macedo, pelos dedicados e eficientes serviços prestados à Procuradoria não só por meio de eruditos pronunciamentos como também quando por diversas vezes assumiu sua chefia. Recebeu a Comenda do Ministério Público (O Jornal, 12 de maio de 1971, primeira coluna).

No apartamento de Natércia, em Ipanema, sob a direção do ex-vice-presidente do Brasil, Pedro Aleixo (1901 – 1975), foi instalada a Comissão Provisória Regional da Guanabara do Partido Democrático Republicano (Jornal do Brasil, 17 de dezembro de 1971, primeira coluna).

1972 – Em 20 de setembro, falecimento de seu marido, Paulo Arthur. Convidavam para o enterro, além de Natércia, a filha do casal, Velleda, e o neto Bruno. a missa de sétimo dia foi na Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Jornal do Brasil, 21 de setembro e 26 de setembro de 1972).

1973 – No salão dos Passos Perdidos do I Tribunal do Júri, Natércia, dentre outros juristas, teve um retrato seu inaugurado (Jornal do Brasil, 3 de fevereiro de 1973, quinta coluna).

1975 – Natércia escreveu uma carta ao Secretário de Segurança da Guanabara e ao futuro governador Faria Lima (1917 – 2011), relatando um assalto que sua filha havia sofrido e pedindo providências em relação à insegurança da cidade (Tribuna da Imprensa, 25 e 26 de janeiro de 1975).

Escreveu o artigo Divórcio, um assunto em pauta (Tribuna da Imprensa, 17 de março de 1975).

Como advogada, defendeu os plantonistas do Instituto Médico Legal (IML) , drs Jorge Nunes de Amorim e Graccho Guimarães Silveira, que haviam sido punidos administrativamente pelo diretor do IML, dr. Nilson do Amaral Sant´Ana. Segundo a advogada, a queixa que resultou na punição ocorreu devido à falta de condições de trabalho. Apenas com um auxiliar de necrópsia os acusados deveriam, em 24horas, ter necropsiado 39 cadáveres, mas só haviam conseguido realizar a necrópsia em 31. As famílias dos oito que ficaram sem atendimento fizeram a a queixa (A Luta Democrática, 28 e 29 de dezembro de 1975, última coluna).

1977 – Ainda atuava no Escritório de Advocacia Natércia Pinto da Rocha (Boletim ABI, dezembro de 1977).

1993 – Natércia faleceu em 7 de dezembro de 1993 (O Globo, 14 de dezembro de 1993).

 

O Globo 14 de dezembro de 1993

O Globo, 14 de dezembro de 1993

 

1996 - A fotografia de Natércia que abre esse artigo foi uma das 86 imagens do Arquivo Nacional integrantes da exposição Imagens da Mulher Brasileira, no Espaço BNDES, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (Jornal do Brasil, 21 de março de 1996).

 

 

 

Agradeço a Bruno Pinto da Rocha, neto de Natércia, por sua colaboração nesse artigo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BARBOSA, Ruy. A questão social e política no Brasil, 20 de março de 1919.

COELHO, Mariana. A evolução do feminismo: subsídios para sua história. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2002.

COSTA, Valesca Brasil; SOUZA, José Edimar.  Gênero e campo jurídico: a mulher na Faculdade de Direito (1960-1974). Unilasalle Editora – Revista de Educação, Ciência e Cultura, v. 22, n. 3, 2017

DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. Coordenação de textos de Carla Bassanesi. São Paulo: Contexto, 1997

DEL PRIORI, Mary. História e conversas de mulher. São Paulo: Planeta Brasil, 2014

DULTRA, Eneida Vinhaes Bello. DIREITOS DAS MULHERES NA CONSTITUINTE DE 1933-1934: disputas, ambiguidades e omissões. Tese de Doutorado. Universidade de Brasília – Programa de pós-graduação da Faculdade de Direito

ENGLER, Isabel. A primeira prefeita brasileira Alzira Soriano: o poder político coronelístico, Lages/RN, 1928. Trabalho de Conclusão de Curso  – Universidade Federal da Fronteira do Sul, Curso de História – Licenciatura, Chapecó, SC, 2019

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

HEYNEMANN, Claudia; RAINHO, Maria do Carmo. Memória das lutas feministas in Brasiliana Fotográfica, 8 de agosto de 2017.

MARQUES, Tereza Cristina de Novaes. Bertha Lutz. Série perfis parlamentares, n. 73. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2016.

MOREIRA ALVES, Branca. Ideologia & Feminismo. A luta da mulher pelo voto no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1980.

PINTO, Celi Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo (coleção história do povo brasileiro) 2003.

SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Site Academia Nacional de Medicina

Site CPDOC

Site CPDOC – Revolução Constitucionalista de 1932

Site Fundaj

Site Genealogia e História na fronteira sul do RS

Site Geneanet

Site Mulher 500 anos atrás dos panos

Site Museu da Justiça – Centro Cultural do Poder Judiciário

Site Superior Tribunal Eleitoral

 

Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!

 

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel (1906 – 1932), a feminista mineira que passou como um meteoro

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel

 

A Brasiliana Fotográfica inaugura hoje a série “Feministas, graças a Deus!” com a publicação de um artigo sobre a advogada e sufragista mineira Elvira Komel (1906 – 1932), líder do movimento feminista em Minas Gerais, na década de 1920 e no início da de 1930, e , com seu espírito ativo e inteligência brilhante, uma das mais destacadas militantes do feminismo no Brasil e um dos expoentes da intelectualidade mineira de sua época. A ideia da série surgiu a partir da proposta da pesquisadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, de escrever sobre Elvira. Seu artigo, seguido de uma cronobiografia elaborada pela editora do portal, Andrea C. T. Wanderley, abre a série.

A proposta de Maria Silvia surgiu quando ela assistiu à última mesa do seminário online “Do ponto de vista do antropólogo”, “Arquivos de Mulheres e memória visual”, apresentada por Carolina Alves e Adelina Novaes e Cruz, ambas pesquisadoras do CPDOC, da Fundação Getulio Vargas, em 29 de junho de 2020. A série “Feministas, graças a Deus!” pretende dar visibilidade à trajetória de mulheres que trabalharam vigorosamente pelas conquistas femininas e pelo desenvolvimento do Brasil. Muitas vezes, a história não lhes faz jus.

A fotografia em destaque pertence ao fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino – FBPF -, do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. O fundo possui quase 500 fotografias e evidencia, segundo as historiadoras Claudia Beatriz Heynemann e Maria do Carmo Rainho, a rede formada por mulheres em várias partes do mundo – dos Estados Unidos à Turquia, da Argentina à República Tcheca – na luta por seus direitos, por trabalho, educação, mas, sobretudo, por representatividade política através do voto. Elas são as autoras do artigo Memória das lutas feministas, embrião desta série, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 8 de agosto de 2017.

 

Elvira Komel (1906 – 1932), a feminista mineira que passou como um meteoro

 Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes *

 

Primeira advogada mulher no Fórum de Belo Horizonte, sufragista e segunda eleitora mineira**, alistada em 1928, Elvira Komel apoiou a Revolução de 1930, publicando nos jornais manifestos dirigido às mulheres, convocando-as a integrar o Batalhão Feminino João Pessoa, que fundou para servir de base de apoio ao movimento na capital mineira. Defendeu também a luta pela educação formal feminina liderando congressos e encontros. Sua breve trajetória foi marcada pelo engajamento nas bandeiras feministas e movida pelo sentimento de construção de um novo Brasil. Ela se posicionou na contramão de juristas que valorizavam a proteção oferecida às mulheres pelo casamento, que fornecia aparência e fazia perpetuar subserviência e obediência.

 

 

No retrato acima destacado, produzido no estúdio do fotógrafo J. Bonfioti, em 1928, Elvira aparece de cabelos curtos, a la garçonne, prático e moderno, como ditava a moda. Essa nova estética buscava simbolizar a independência feminina, a mentalidade moderna.

Elvira Komel nasceu em São João do Morro Grande, hoje município Barão de Cocais, em 24 de junho de 1906, filha de Ernest Komel, austríaco, especialista em montagem hidráulica e usinas elétricas; e da mineira Marieta Correia Guedes. Cursou o ensino primário em sua terra natal e, entre 1921 e 1924, fez o curso ginasial em Viçosa, para onde sua família havia se mudado. Revelou-se uma excelente aluna. Foi para o Rio de Janeiro onde, com apenas 19 anos, em 10 de janeiro de 1925, prestou vestibular para Direito. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, na Universidade do Rio de Janeiro, em novembro de 1929. Foi apontada como a “leader do movimento feminista” de Minas Gerais (Diário Carioca, 8 de janeiro de 1930, primeira coluna).

 

 

 

Voltou para Belo Horizonte e foi morar com os pais no bairro da Floresta. Foi a primeira advogada a atuar em Minas Gerais, no Fórum da Comarca de Belo Horizonte, enfrentando juízes conservadores da época, inclusive o então promotor de Justiça, Afonso Arinos de Mello Franco, futuro ministro de Relações Exteriores e constituinte em 1988. Segundo Alberto Deodato, “ela teve grande atividade forense, enfrentando em vários júris o promotor Afonso Arinos de Mello Franco, que levou dela sempre a pior.” [i] No depoimento de Afonso Arinos prestado à historiadora Lélia Vidal para o livro Elvira Komel: Uma estrela riscou o céu, afirmou acreditar “que a formação feminista de Elvira teve o seu forjamento no âmbito universitário, pois naquele tempo já se discutia o voto feminino no Rio de Janeiro. Já a mulher mineira era mais do lar, recatada e não participava dos movimentos organizados em prol de seus direitos”. [ii]

Outra bandeira defendida com entusiasmo por Elvira era a educação feminina, fato que fica evidenciado na conferência pronunciada por ela na Radio Club, “Pela educação da mulher brasileira”, e publicada na íntegra no O Jornal, 05 de janeiro de 1930.

 

 

Durante a Revolução de 30, liderada por Getulio Vargas (1882 – 1954), cuja esposa, Alzira Vargas (1914 – 1992), era sua amiga, Elvira fundou o Batalhão Feminino João Pessoa e seu empenho na causa conseguiu reunir legiões de mulheres em toda Minas Gerais, “de  fardas de brim cáqui e confeccionando a bem da Revolução mais de quatro mil fardamentos para os soldados e servindo nos hospitais de sangue da Capital e dos municípios mineiros, além de terem como obrigatória a instrução militar feminina. Eram mulheres de todas as classes e profissões sociais, incluindo 300 enfermeiras práticas, postas à disposição da Saúde Pública (através de aquiescência do secretário da Saúde, Dr. Ernani Agrícola) e bem comandadas pela inesperada comandante.”[iii]

Foi publicada na primeira página de O Jornal, 15 de novembro de 1930 sob manchete “A colaboração da mulher mineira no movimento revolucionário” uma reportagem completa sobre o Batalhão Feminino.

 

 

O Batalhão Feminino João Pessoa, nome escolhido em homenagem ao Governador da Paraíba que morrera assassinado durante a Revolução de 30, possuía oito mil seguidoras em 52 municípios do Estado de Minas Gerais, sendo 1.200 em Belo Horizonte. No desfile das forças militares realizado no Rio de Janeiro em 15 de novembro, em comemoração à Proclamação da República, o Batalhão da Komel, representado por 75 mulheres, comandadas por Elvira foi uma grande atração (Diário Carioca e o Diário de Notícias, ambos de 15 de novembro de 1930; Jornal do Brasil, 16 de novembro de 1930).

 

 

 

No Rio de Janeiro, ainda participou da inauguração da Praça João Pessoa, onde ficava a Praça dos Governadores (Jornal do Brasil, de 20 de novembro de 1930).

É importante lembrar que a louvação do militarismo e patriotismo, presentes fortemente ideário de Elvira e de suas companheiras, se ajustava à atmosfera carregada do pré-guerra europeu e da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), na ampla mobilização social desejada pelos intelectuais de sua época. O que não impedia que elas fossem muito hostilizadas por questões de gênero, a exemplo da publicação da revista Careta.

 

 

 

No dia 23 de novembro de 1930, na sede do América Futebol Clube, na rua dos Caetés, 343, no centro de Belo Horizonte, Elvira Komel transformou o batalhão feminino na Associação Feminina João Pessoa (AFJP). A reunião preparatória para a fundação da AFJP determinou uma comissão elaboradora dos estatutos: Celina Coelho, a bacharelanda Elza Pinheiro Guimarães; as farmacêuticas Zinah Coelho Júnior e Elvira Poch; as professoras Olympia Duarte, Diva Magalhães, Esmeralda Alves e Irene Dias. Adeptas de 52 municípios mineiros receberam ofícios da Comandante Komel comunicando o início da Associação Feminina João Pessoa e autorizando e estimulando as a fundação de centros municipais e centros filiais nos bairros de Belo Horizonte, por professoras.

 

 

Em janeiro de 1931, esteve no Rio de Janeiro com a também sufragista e advogada gaúcha Natércia da Silveira (1905 – 1993), e se encontraram com o ministro do Trabalho, Lindolpho Collor (1890 – 1942), com Oswaldo Aranha (1894 – 1960), ministro da Justiça e Assuntos Internos, e com outras autoridades para pleitear a igualdade de direitos entre os sexos, reivindicando para as mulheres o direito ao voto e as honras militares de oficiais do Exército (Jornal do Brasil, 14 de janeiro de 1931, primeira coluna).

Foi a presidente do I Congresso Feminino Mineiro, em Belo Horizonte, entre 21 e 27 de junho de 1931, com a participação de representantes de municípios mineiros, do Espírito Santo, de Goiás, da Paraíba, do Rio Grande do Sul, e da Aliança Nacional de Mulheres, fundada por Natércia Silveira (1905 – 1993), 1ª vice-presidente do evento. A primeira-dama Darcy Vargas (1895 – 1968) foi a presidente de honra do congresso. Na ocasião, foram discutidas questões de interesse das mulheres, inclusive a equiparação dos direitos da mulher ao do homem perante à legislação nacional. Foi também votada e aprovada por unanimidade uma moção de solidariedade ao governo de Getulio Vargas.  O congresso foi encerrado em 29 de junho (Correio da Manhã, 6 de junho de 1931, segunda coluna; Correio da Manhã, 23 de junho de 1931, terceira coluna; Correio da Manhã, 30 de junho de 1931, sétima coluna; Diário Carioca, 14 de agosto de 1931, última coluna). Um pouco antes, em 11 de junho, a brasileira Odete Carvalho (1904 – 1969) participou da Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, conselheira técnica governamental;  e, em 19 de junho de 1931, havia sido inaugurado o II Congresso Internacional Feminista, no Rio de Janeiro, sob a direção de Bertha Lutz (1894 – 1976).

 

 

Fundou, em 1931, o Partido Liberal Feminino Mineiro, uma fusão da Associação Feminina João Pessoa e da Legião Feminina, “formando uma única corporação com finalidades amplas: sociais, humanitárias, cívicas e políticas. O nosso programa visa proteger a mulher, trabalhar pela sociedade e pela pátria, colaborando, também, na realização do programa revolucionário, para que a República Nova se torne realidade” (Correio da Manhã, 24 de setembro de 1931, primeira colunaA Noite, 7 de outubro de 1931, quarta coluna).

 

 

Finalmente, através do Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, que instituiu o Código Eleitoral Provisório, foi reconhecido o direito de voto às mulheres. Em julho do mesmo ano, Elvira foi para Juiz de Fora, onde proferiu diversas palestras sobre a Revolução de 30 e seu caráter político, preparando-se para a sua candidatura ao senado estadual (deputada estadual). Voltando para Belo Horizonte, sentiu fortes dores de cabeça e, vítima de meningite, faleceu no dia 25 de julho de 1932, com apenas 26 anos de idade, sendo sepultada no Cemitério do Bonfim, na capital mineira (Jornal do Brasil, 27 de julho de 1932; Correio da Manhã, 27 de julho de 1932, sexta coluna). Este laudo foi contestado por sua família, que atribuiu sua morte precoce a um aneurisma cerebral.

A morte inesperadamente a vem colher no desdobramento de um programa de úteis iniciativas em prol da causa feminina, que a Dra. Elvira Komel defendia com desassombro[iv].

                                                                                                                                   Jornal Minas Gerais de 27 de agosto de 1932

 

Os amigos de Elvira, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Cyro dos Anjos, Edmundo Hass, Olinto Fonseca e Alberto Deodato lamentaram sua morte.

 

 

[i] DUARTE, CARMO & LUZ in Mulheres em Minas: Lutas e Conquistas. Conselho Estadual da Mulher de Minas Gerais – 25 anos. Belo Horizonte: Imprensa Oficial. 2008, p 270

[ii] Idem, p 271

[iii] Idem, p 271

[iv] Idem, p 272

 

*Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes é historiadora e é desde 2014 pesquisadora responsável pelo acervo do embaixador Walther Moreira Salles, no Instituto Moreira Salles.

** A primeira foi a advogada Mietta Santiago (1903 – 1995) – O Paiz, 16 de setembro de 1928.

 

Cronologia de Elvira Komel (1906 – 1932)

Andrea C. T. Wanderley**

 

 

1906 – A mineira Elvira Komel nasceu em São João do Morro Grande, hoje município Barão de Cocais, em 24 de junho de 1906, filha de Ernest Komel, austríaco, especialista em montagem hidráulica e usinas elétricas; e da mineira Marieta Correia Guedes. Cursou o ensino primário em sua terra natal (Correio da Manhã, 27 de junho de 1931, sétima coluna)

1921 a 1924 - Fez o curso ginasial em Viçosa, para onde sua família havia se mudado. Revelou-se uma excelente aluna.

1925 – Foi para o Rio de Janeiro onde, com apenas 19 anos, em 10 de janeiro de 1925, prestou vestibular para Direito.

1925 – Registro de sua aprovação plena nos exames do primeiro ano da facudade de Direito (Jornal do Commercio, 20 de março de 1926, primeira coluna).

1928 – Por volta desse ano começou a exercer a advocacia nos auditórios de Belo Horizonte (O Paiz, 6 janeiro de 1930, quarta coluna).

Quando o politico e advogado Maurício de Lacerda (1888 – 1959) visitou Belo Horizonte, antes de proferir sua palestra sobre o voto secreto no Teatro Municipal da cidade, foi saudado por Elvira. Na ocasião, ela discursou acerca de “conceitos oportuníssimos sobre as mais palpitantes questões políticas do momento, monstrando-se profunda conhecedora de nosas prementes necessidades” (O Jornal, 15 de junho de 1928, quinta coluna; A Esquerda, 20 de setembro de 1928, terceira coluna).

Foi a segunda mulher mineira a se alistar para ter o direito do exercício do voto: “É, pois, um novo valor que se vem  juntar ao esforço coletivo em prol da nossa regeneração política” (O Paiz, 20 de setembro de 1928, segunda colunaDiário Carioca, 20 de setembro de 1928, penúltima colunaA Esquerda, 20 de setembro de 1928, terceira coluna).

Ela e a advogada mineira Mietta Santiago (1903 – 1995) foram citadas no relatório que a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) – entidade civil criada no Rio de Janeiro, em 1922, cuja fundadora e principal líder foi a bióloga Bertha Lutz  (1894 – 1976) – apresentou à Comissão Redatora da História do Movimento Feminista Internacional, da Aliança Internacional pelo Sufrágio Feminino (O Paiz, 21 de outubro de 1928).

 

 

Publicação do artigo Requerendo o meu alistamento eleitoral, de autoria de Elvira Komel (O Paiz, 4 de novembro de 1928, terceira coluna).

Em entrevista, Elvira declarou que o feminismo em Minas estava efetivamente triunfante e que várias mineiras já haviam se alistado. Argumentou também em favor do voto feminino. Nessa matéria, está reproduzida a fotografia de Elvira Komel que se encontra no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica (A Noite, 16 de novembro de 1928).

 

 

1929 – Foi a primeira eleitora a exercer o direito do voto em Minas Gerais (O Jornal, 8 de maio de 1929, sexta colunaDiário Carioca, 10 de maio de 1929, penúltima colunaDiário Nacional: A Democracia em Macha, 10 de maio de 1929, quinta coluna e Brasil Social, julho de 1929).

 

 

Era a única mulher integrante da embaixada universitária mineira que passou pelo Rio de Janeiro em direção ao Paraná, onde para participaria de uma confraternização acadêmica. Foi como representante da FederaçãoBrasileira pelo Progresso Feminino e da União Universitária Feminina de Minas. O advogado e escritor Cyro dos Anjos (1906 – 1994), na época redator do Diário de Minas, e José Américo de Macedo (1906 – ?), futuro prefeito de Ituiutaba, eram os líderes do grupo. elvira proferiu uma palestra sobre feminismo no Club Curitibano onde depois houve um sarau dançante em homenagem à embaixada universitária (Correio da Manhã, 17 de julho de 1929, segunda coluna; A República: órgão do Partido Republicano Paranaese, 22 de julho de 1929, terceira colunaO Dia (PR), 22 de julho de 1929, segunda colunaO Dia (PR), 27 de julho de 1929, segunda coluna; A República: órgão do Partido Republicano Paranaese, 29 de julho de 1929, penúltima coluna).

 

 

Em reunião da União Universitária Feminina, presidida pela engenheira Carmen Portinho (1903 – 2001), foi comunicado que Elvira Komel estava fundando com a colaboração de Alzira Reis Vieira Ferreira (1886 – 1970), de Teófilo Otoni, o Diretório Mineiro da entidade. O evento foi realizado na sede da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, na avenida Rio Branco, nº 111 (Jornal do Commercio, 2 de novembro de 1929, quarta coluna).

Foi anunciado que Elvira Komel seria a palestrante da penúltima conferência da série promovida pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, na Rádio Club (O Paiz, 21 de dezembro de 1929, quinta coluna).

Foi uma das duas mulheres que se graduaram em Ciências Jurídicas e Sociais, na Universidade do Rio de Janeiro, em 1929. A outra foi Myrthes Etienne Dessaune. A cerimônia de colação de grau dos bacharelandos realizou-se no Instituto Nacional de Música, com a presença do presidente da República, Washington Luis (1869 – 1957) e de outras autoridades. O reitor da universidade, Cícero Peregrino, abriu a cerimônia, o orador da turma foi Narcélio de Queiroz e o paraninfo, Clóvis Bevilaqua (1859 – 1944). O aluno apontado como o melhor da turma foi Helvecio Xavier Lopes, que recebeu a medalha de ouro das mãos do presidente da República. A benção dos anéis foi feita pelo arcebispo coajutor do Rio de Janeiro, Sebastião Leme (1882 – 1942). Uma curiosidades: na mesma turma formou-se Paschoal Carlos Magno (1906 -1980), futuro ator, dramaturgo, poeta e diplomata de destaque no Brasil (A Noite, 27 de dezembro de 1929, primeira coluna).

 

1930 – De volta a Belo Horizonte e morando com os pais no bairro da Floresta, Elvira tornou-se a primeira advogada a atuar em Minas Gerais, no Fórum da Comarca de Belo Horizonte, enfrentando juízes conservadores da época. Foi apontada como a “leader do movimento feminista” de Minas Gerais (Diário Carioca, 8 de janeiro de 1930, primeira coluna).

Pronunciou a conferência “Pela educação da mulher brasileira”, na Rádio Club, de Belo Horizonte (O Jornal, 05 de janeiro de 1930.

Era a representante de Minas Gerais da União Universitária Feminina (A Noite, 5 de abril de 1930, segunda coluna).

Durante a Revolução de 30, liderada por Getulio Vargas (1882 – 1954), cuja esposa, Alzira Vargas (1914 – 1992), era sua amiga, Elvira fundou, em 5 de outubro, o Batalhão Feminino João Pessoa para apoiar o movimento. O batalhão, cujo nome foi escolhido para homenagear o governador da Paraíba que morrera assassinado durante a Revolução, chegou a possuir  oito mil seguidoras em 52 municípios do Estado de Minas Gerais, sendo 1.200 em Belo Horizonte (Jornal do Brasil, 15 de novembro de 1930).

O Batalhão Feminino João Pessoa participou do desfiles de forças militares realizados no Rio de Janeiro, em 15 de novembro de 1930. A porta-bandeira foi Esmeralda Alves, sobrinha de Olegário Maciel (1855 – 1933), presidente do estado de Minas Gerais.

 

O Batalhão tinha um hino, escrito por Zinah Coelho Junior e Celina Coelho (Diário da Noite, 14 de novembro de 1930Correio da Manhã, 15 de novembro de 1930, sexta colunaO Estado de Florianópolis, 19 de novembro de 1930, quarta coluna; Jornal do Brasil, 16 de novembro de 1930).

 

 

Foi publicada uma entrevista com Elvira no Diário da Noite de 15 de novembro de 1930.

 

 

Participaram também de diversos eventos sociais e homenagens como a realizada pela União do Empregados do Comércio do Rio de Janeiro, de um Chá na Cruzada Feminina do Brasil Novo e de uma festa no Teatro João Caetano (Diário de Notícias, 18 de novembro de 1930A Batalha, 15 de novembro de 1930A Batalha, 18 de novembro de 1930, terceira coluna; Diário de Notícias, 18 de novembro de 1930O Jornal, 18 de novembro de 1930, penúltima coluna).

 

 

O pai de Elvira, o engenheiro Ernest Komel, foi agredido por um cabo do Exército, quando passava em frente ao Quartel dos Barbonos, na rua Evaristo da Veiga, no Rio de Janeiro. Foi atendido no posto de saúde da Praça da República e retornou ao Hotel Magnífico, na rua do Riachuelo, 124, onde o Batalhão Feminino João Pessoa e sua filha estavam hospedados (A Noite, 18 de novembro de 1930, penúltima coluna).

O Diário de Notícias publicou uma grande reportagem com diversas fotografias sobre o Batalhão Feminino João Pessoa, no Hotel Magnífico (Diário de Notícias, de 18 de novembro de 1930).

 

 

Elvira participou da inauguração da Praça João Pessoa, onde ficava a Praça dos Governadores, no Centro do Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 20 de novembro de 1930, última colunaJornal do Brasil, de 20 de novembro de 1930).

 

 

Foi publicado artigo “A Mulher Mineira“, do médico e jornalista Floriano de Lemos (1906 – 1965), sobre o desfile do Batalhão Feminino João Pessoa (Diário da Noite, 20 de novembro de 1930, última coluna).

Fez uma visita à redação do Jornal do Brasil (Jornal do Brasil, 21 de novembro de 1930). Também visitou a sede do Touring Clube do Brasil acompanhada de Zinah Coelho Junior, Elvira Rodrigues e Julia Guerra (Jornal do Commercio, 30 de novembro de 1930, quinta coluna).

 

 

No dia 23 de novembro de 1930, na sede do América Futebol Clube, na rua dos Caetés, 343, no centro de Belo Horizonte, Elvira Komel transformou o batalhão feminino na Associação Feminina João Pessoa (AFJP).

Durante a sessão do Partido Nacional Feminino, em Nova York, a sra. Oliveira Lima, membro brasileiro da Comissão Interamericana de Mulheres citou o Batalhão João Pessoa, comandado por Elvira, como um exemplo da atuação das mulheres na Revolução de 30, comparável a dos homens (A Gazeta (SP), 22 de dezembro de 1930, quinta coluna).

1931 – Em janeiro, em companhia da também advogada e sufragista Natércia Silveira (1905 – 1993), Elvira esteve no Rio de Janeiro onde permaneceu até dia 17 de janeiro. Em pauta, o apoio à causa do voto feminino.

O mineiro Augusto Lima (1859 – 1934), diretor do jornal A Noite, publicou o artigo “A Mulher Militar“, onde elogiava a ação de Elvira Komel (A Noite, 13 de janeiro de 1931, primeira coluna). Ela agradeceu com uma carta publicada no jornal A Noite, de 20 de janeiro de 1931, penúltima coluna.

Fizeram visitas ao prefeito Adolpho Bergamini (1886 – 1945), às redações de A Batalha, do Jornal do Brasil , de O Jornal  e de A Noite. Na manchete da notícia da visita neste último jornal foram classificadas como “Duas batalhadoras do ideal feminista, no Brasil” (A Batalha, 16 de janeiro de 1930, última colunaA Noite, 17 de janeiro de 1931).

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Encontraram-se com o então ministro do Trabalho, Lindolpho Collor (1890 – 1942), para pleitear a igualdade de direitos entre os sexos reivindicando para as mulheres o direito ao voto e as honras militares de oficiais do Exército (Diário da Noite, 13 de janeiro de 1931, quarta colunaJornal do Brasil, 14 de janeiro de 1931, primeira coluna).

Publicação de uma reportagem sobre o encontro de Elvira Komel e  Natércia Silveira (1905 – 1993) com o Barão de Itararé, alcunha de Aparicio Torelly (1895 – 1971), dono do semanário humorístico A Manha (A Manha, 16 de janeiro de 1931).

Publicação de uma entrevista com Elvira a respeito da luta pelo voto feminino e sobre o Batalhão João Pessoa (Correio da Manhã, 16 de janeiro de 1931, penúltima coluna).

Foi citada em uma reportagem do jornal O Globo acerca da possibilidade de uma mulher poder ser oficial honorária do Exército (República (SC), 16 de janeiro de 1931, segunda coluna).

Durante sua estadia no Rio de Janeiro, Elvira e  Natércia Silveira (1905 – 1993) encontraram-se também com o ministro da Fazenda, José Maria Whitaker (1878 – 1970), e com o general Juarez Távora (1898 – 1975), no Rio de Janeiro (A Notícia (SC), 20 de janeiro de 1931, quarta colunaEu vi, 21 de janeiro de 1931).

 

 

Já em Belo Horizonte, Elvira deu uma entrevista sobre o direito da mulher de ser jurada (A Notícia (SC), 22 de janeiro de 1931).

Elvira declarou-se confiante no êxito das reivindicações feministas que havia feito ao Governo Provisório e ao Cardeal Sebastião Leme durante sua estadia no Rio de Janeiro (A Batalha, 23 de janeiro de 1931, primeira coluna).

Na seção “Notas e comentários”, foi questionada as reivindicações de Elvira: “Ora, para que diabo é que a dra. Elvira Komel quer ser generala? Em que lucra a pátria? Em que melhora o câmbio? Que benefícios trará a distinção à mulher brasileiro? Que ideias novas acarretará?” (Excelsior, fevereiro de 1931).

No Tribunal de Júri de Belo Horizonte, o reú, Agostinho Simão Santos, defendido por Elvira, foi considerado culpado (Correio da Manhã, 4 de fevereiro de 1931, sexta coluna)

A revista Careta de 7 de fevereiro de 1931publicou uma caricatura de Elvira Komel pleiteando patentes de oficiais do Exército. Em 11 de março de 1931, ela enviou uma carta a Alzira Reis Vieira Ferreira (1886 – 1970), que na época dirigia a União Feminina de Teófilo Otoni, comentando algumas críticas em relação a essa reivindicação (O Fluminense, 31 de julho de 1932).

 

 

Elvira e  Natércia Silveira (1905 – 1993) encontraram-se com Delminda Aranha, mulher de Oswaldo Aranha (1894 – 1960), então ministro da Justiça e Assuntos Internos, para conversar sobre direitos politicos das mulheres na organização da constituinte. Já haviam estado com o prórpio ministro, em janeiro (O Estado de Florianópolis, 15 de janeiro de 1931, primeira colunaO Dia (PR), 11 de fevereiro de 1931, última coluna).

Publicação de um telegrama enviado ao Correio da Manhã desmentindo o que havia sido noticiado por alguns jornais mineiros em relação à atuação de Elvira à frente do movimento feminista em Minas Gerais. De acordo com o telegrama ela continuava firme no comando, tendo inclusive feito um discurso na chegada do Chefe do Governo Provisório, Getulio Vargas, quando ele visitou a capital mineira (Correio da Manhã, 6 de março de 1931, terceira coluna).

Elvira enviou telegramas para Getulio Vargas e para Batista Luzardo (1892 – 1992), chefe da polícia do Distrito Federal, após a divulgação, em Minas Gerais, do discurso desse último em nome do Governo Provisório, anunciando a concessão do voto feminino (A Noite, 19 de março de 1931, segunda coluna).

Como diretora do recém criado Núcleo Feminino da Legião de Outubro, lançou um manifesto às mulheres mineiras chamando-as para participarem da reconstrução nacional (A Noite, 12 de março, terceira colunaA Noite, 23 de  março de 1931, segunda coluna).

 

 

Respondendo à enquente promovida peo jornal A Esquerda, Deve a mulher ser guerreira ou pacifista?, Elvira Komel declarou “a mulher mineira é inteiramente pacifista, como devem ser todas as mulheres, qualquer que seja o país a que pertencem” (A Esquerda, 31 de março de 1931).

Foi conferido à Elvira o título de sócia honorária da Cruz Vermelha Internacional (A Noite, 15 de abril de 1931).

Presidiu, em junho de 1931, o I Congresso Feminino Mineiro, em Belo Horizonte, cuja presidente de honra foi a primeira-dama, Alzira Vargas. Foi publicada a programação do evento (Excelsior, junho de 1931).

 

 

 

Durante o evento, representantes de municípios mineiros, do Espírito Santo, de Goiás, da Paraíba, do Rio Grande do Sul, e da Aliança Nacional de Mulheres, fundada por  Natércia Silveira (1905 – 1993), 1ª vice-presidente do evento, discutiram questões acerca da emancipação da mulher. Foi aprovada unanimemente uma moção de apoio ao governo revolucionário (Correio da Manhã, 6 de junho de 1931, primeira colunaCorreio da Manhã, 23 de junho de 1931, terceira coluna; Diário de Notícias, 23 de junho de 1931, quarta colunaCorreio da Manhã, 30 de junho de 1931, sétima coluna; Diário Carioca, 14 de agosto de 1931, última coluna).

 

 

 

Publicação de uma entrevista com Elvira Komel sobre a realização do I Congresso Feminino Mineiro (Diário da Noite, 31 de julho de 1931, quinta coluna).

Pela passagem do primeiro ano de morte de João Pessoa (1878 – 1930), a Associação dos Voluntários Mineiros promoveu uma homenagem no Teatro Municipal de Belo Horizonte, sob a presidência de Ribeiro Junqueira, secretário de Agricultura de Minas Gerais (1871 – 1946). Na ocasião Pedro Aleixo (1901 – 1975), um dos fundadores da Legião Liberal Mineira, versão estadual da Legião de Outubro; e Elvira discursaram (Correio da Manhã, 28 de julho de 1931, quarta coluna).

Anunciou, em setembro, a fundação do Partido Liberal Feminino Mineiro, uma fusão da Associação Feminina João Pessoa e da Legião Feminina.  (Correio da Manhã, 24 de setembro de 1931, primeira coluna; Diário de Pernambuco, 25 de setembro de 1931, quarta colunaA Noite, 7 de outubro de 1931, quarta coluna).

Elvira Komel lançou um manifesto congratulando-se com suas associadas pela publicação do ante-projeto da lei eleitoral, no qual ficou claramente estipulado o voto feminino (A Notícia (SC), 30 de setembro de 1931, penúltima coluna).

 

 

Foi recebida, no Palácio do Catete, por Getulio Vargas (Diário de Notícias, 26 de setembro de 1931, segunda coluna).

Elvira participou da reunião da Aliança Nacional de Mulheres, no Rio de Janeiro, e sua presença foi anunciada pela presidente da entidade,  Natércia Silveira (1905 – 1993), e saudada pela professora Adélia de Lacerda (Correio da Manhã, 2 de outubro de 1931, sétima coluna).

Elvira comentou o ante-projeto de reforma eleitoral e criticou alguns de seus aspectos como o de colocar a mulher casada em inferioridade ao homem e também as solteiras, viúvas ou desquitadas sujeitando-as a uma interminável tutela (Diário de Pernambuco, 10 de outubro de 1931, quarta coluna).

1932 – O Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932 instituiu o Código Eleitoral Provisório e reconheceu o direito de voto às mulheres, uma das bandeiras defendidas por Elvira.

O jornal A Batalha parabeniza Elvira por seu aniversário e anuncia que ela havia acabado de contratar casamento com o engenheiro Clarkson de Mello Menezes (A Batalha, 24 de junho de 1932, primeira coluna).

Elvira era correspondente especial da revista Brasil Feminino (Brasil Feminino, julho de 1932).

Em julho, Elvira foi para Juiz de Fora, onde proferiu diversas palestras sobre a Revolução de 30. Preparava sua candidatura ao senado estadual (deputada estadual).

Elvira apoiou a indicação de  Natércia Silveira (1905 – 1993), da Aliança Nacional de Mulheres, para ingressar na comissão que Getulio Vargas havia prometido nomear para elaborar o ante-projeto da nova Constituição. Havia um impasse porque outras feministas apoiavam Bertha Lutz (1894 – 1976), da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (A Batalha, 6 de julho de 1932).

Já em Belo Horizonte, lançou um manifesto em prol da pacificação do Brasil, onde se inciava a Revolução Constitucionalista de 1932, que tinha o objetivo derrubar o governo provisório de Getulio Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte  (Jornal do Brasil, 20 de julho de 1932, quinta coluna).

Vítima de meningite, faleceu no dia 25 de julho de 1932, com apenas 26 anos de idade, sendo sepultada no Cemitério do Bonfim, na capital mineira. Na ocasião, Elza Pinheiro Guimarães e Anibal Vaz de Melo, representando Sociedade Cultural e Coligação dos Universitários Independentes, fizeram discursos enaltecendo as qualidades e a atuação de Elvira em favor dos “fracos e oprimidos” (Jornal do Brasil, 27 de julho de 1932Correio da Manhã, 27 de julho de 1932, sexta coluna; Diário de Notícias, 5 de agosto de 1932, primeira colunaNação Brasileira, setembro de 1932). O laudo da causa de sua morte foi contestado por sua família, que atribuiu seu falecimento precoce a um aneurisma cerebral.

 

A passagem do féretro, todo de branco, foi uma nota muito comovente, arrancando lágrimas a muitos dos circuntantes

(A Noite, 27 de julho de 1932, penúltima coluna).

 

Amélia Duarte, aluna de Direito da Faculdade de São Paulo, publicou um comentário sobre a morte de Elvira (Correio da Manhã, 28 de julho de 1932, segunda coluna).

A Aliança Nacional de Mulheres, que decretou luto de oito dias pelo falecimento de Elvira Komel, a homenageou  com a celebração de uma missa de sétimo dia na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. O Chefe do Governo Provisório, Getulio Vargas, foi convidado, não compareceu, tendo sido representado por seu ajudante de ordens, Amaro da Silveira (Correio da Manhã, 28 de julho de 1932, penúltima colunaO Radical, 1º de agosto de 1932, quarta colunaFon-Fon, 6 de agosto de 1932).

 

 

A poetisa Ilka Labarthe (? – 1975) falou sobre a vida de Elvira em um programa da Rádio Club (Correio da Manhã, 31 de julho de 1932, quinta coluna).

Foi feita uma homenagem  a Elvira Komel na reunião da Aliança Nacional de Mulheres (Jornal do Brasil, 2 de agosto de 1932, quinta coluna).

Na passagem do trigésimo dia de seu falecimento, foi feita uma romaria a seu túmulo, em Belo Horizonte (Correio da Manhã, 30 de agosto de 1932, sétima coluna).

 

 

A escritora e jornalista curitibana Rachel Prado (1891 – 1943) publicou um artigo sobre Elvira Komel (Brasil Feminino, dezembro de 1932).

 

 

1934 - Existia em Belo Horizonte o Grêmio Literário Elvira Komel (Lavoura e Commercio (MG), 3 de março de 1934, quarta coluna).

2022 – Foi inaugurada, em 25 de julho, na Praça da Lagoa, em sua cidade natal, uma estátua em sua homenagem, de autoria do escultor Fernando Poletti. Em seu pronunciamento, o prefeito Décio dos Santos ressaltou a emoção daquele momento e destacou aos presentes o fato da estátua de Elvira Komel ter o pulso de sua mão direita fechado, simbolizando sua firmeza e determinação, enquanto o pulso da mão esquerda, em aberto, representa sua leveza e sensibilidade. “Nossa cidade é feita por muitas Elvira”, completou o chefe do Executivo.Durante a cerimônia, a presidente da OAB de Barão de Cocais, Aline Félix, fez a leitura do manifesto escrito por Elvira Komel durante a Revolução de 30 (Prefeitura de Barão de Cocais). ***

 

 

 

** Andrea C. T. Wanderley é editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

*** Essa informação foi colocada no artigo em 1º de agosto de 2022.

 

Fontes:

CAMPOS, Raquel Discini de. Floriano de Lemos no Correio da Manhã, 1906-1965. Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.20  supl.1 Rio de Janeiro Nov. 2013

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DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. Coordenação de textos de Carla Bassanesi. São Paulo: Contexto, 1997

DEL PRIORI, Mary. História e conversas de mulher. São Paulo: Planeta Brasil, 2014

ENGLER, Isabel. A primeira prefeita brasileira Alzira Soriano: o poder polpitico coronelístico, Lages/RN, 1928. Trabalho de Conclusão de Curso  – Universidade Federal da Fronteira do Sul, Curso de História – Licenciatura, Chapecó, SC, 2019

GAMA, Lélia Vidal Gomes de. Elvira Komel: uma estrela riscou o céu. EDIÇÃO IMPRENSA OFICIAL DE BELO HORIZONTE, 1987

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

HEYNEMANN, Claudia; RAINHO, Maria do Carmo. Memória das lutas feministas in Brasiliana Fotográfica, 8 de agosto de 2017.

PINTO, Celi Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo (coleção história do povo brasileiro) 2003.

Portal da Câmara dos Deputados

SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

SEVCENKO, Nicolau. Orfeu extático na metrópole: São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 1992

Site Acontece Online

Site CPDOC

Site Mulheres de Minas- Lutas e conquistas

Site Mulher 500 anos atrás dos panos

Site Observatório do Terceiro Setor

Tribuna do Paraná, 19 de janeiro de 2013

 

Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!

 

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023

Série “Feministas, graças a Deus!” XVII – Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024

Série “Feministas, graças a Deus!” XVIII – Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), a “escritora da Belle Époque tropical”, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2024