Ipanema pelas lentes de José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925)

A Brasiliana Fotográfica homenageia Ipanema, um dos mais emblemáticos bairros do Rio de Janeiro, com uma seleção de registros de autoria do fotógrafo amador, o comerciante português José Baptista Barreira Vianna (1860-1925), que chegou ao Rio de Janeiro, em 1875. Deixou como legado dois álbuns com 98 fotografias em cada um, que atualmente pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal. Um dos álbuns traz imagens de paisagens, prioritariamente, da Tijuca e de Ipanema, produzidas entre 1897 e 1905; o outro, cenas de família, retratos e vistas de interiores, no período entre 1897 e 1907. Essas fotografias são importantes documentos da virada do século no Rio de Janeiro.

 

 

Barreira Vianna trabalhou no comércio e abriu uma loja de produtos importados da Europa no Largo da Carioca. Com a esposa, Laura Moreira, e seis filhos, vivia no tradicional bairro da Tijuca. Possuía um espírito progressista e tinha como hobbies a marcenaria e a fotografia. Com um amigo fotógrafo, Sr. Mendes, produzia imagens com sua máquina, uma Eastman Kodak. No final da década de 1890, comprou um terreno do loteamento de José Antônio Moreira Filho (1830-1899), o barão e conde de Ipanema, exatamente na esquina das atuais avenida Vieira Souto e rua Francisco Otaviano, ao lado de onde seria construído, mais tarde, o Colégio São Paulo. A residência da família Barreira Vianna, cujo projeto e construção ficou a cargo do arquiteto italiano Raphael Rebecchi (18? – 1922), foi a primeira na praia e uma das primeiras de Ipanema. Uma curiosidade: Rebecchi, fundador da empresa Rebecchi & Cia, foi o vencedor do projeto contemplado com o 1º prêmio do concurso de fachadas da avenida Central, tendo projetado cinco edificações e construído outras quatro na referida avenida durante a reforma do prefeito Pereira Passos (1836 – 1913) (O Malho, 2 de abril de 1904).

Barreira Vianna possuía uma oficina – que ficava ao lado da casa – onde construiu uma miniatura de bondinho elétrico, que corria em trilhos que ficavam no jardim e atravessava uma ponte sobre um lago. Anos depois, devido a problemas financeiros, ele vendeu a casa para o conde Modesto Leal.

 

 

Acessando o link para as fotografias de José Baptista Barreira Vianna disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Cronologia de José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925)

 

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José Baptista Barreira Vianna. Autorretrato, c. 1900. Rio de Janeiro, RJ / Acervo do IMS

 

1860 – Nascimento de José Baptista Barreiros, em Vianna do Castelo, em Portugal.

1875 - Chegou ao Brasil com seu irmão, José Lourenço. Ele se fixa no Rio de Janeiro e emprega-se no comércio. Seu irmão estabeleceu-se em São Paulo. Por ter nascido em Vianna do Castelo, José Baptista Barreiros foi chamado por seus amigos da colônia portuguesa de Vianna. Adotou o apelido como sobrenome e também mudou seu sobrenome de Barreiros por Barreira, passando a chamar-se José Baptista Barreira Vianna.

1884 - Casou-se com Laura Carlota Moreira (O Apóstolo, de 9 de março de 1884, na última coluna). Tiveram seis filhos: Maria Alice, João Jorge, Henriqueta, Rita, José e Lívia.

1887 - Solicitou um seguro de vida à empresa New York Life Insurance Company (Jornal do Commercio, de 10 de julho de 1887, na terceira coluna).

Década de 1890 – Durante essa década, a família Barreira Vianna residia na rua Santa Carolina, na Tijuca. José tinha como hobbies a marcenaria e a fotografia. Com um amigo fotógrafo, Sr. Mendes, produzia imagens com sua máquina, uma Eastman Kodak. Adquiriu um terreno do loteamento do Barão de Ipanema, na esquina das atuais Francisco Otaviano e Vieira Souto.

1891 - Tornou-se um dos membros do conselho fiscal do Banco Incorporador (Diário do Commercio, de 15 de fevereiro de 1891, na sétima coluna e em anúncio de 16 de fevereiro).

Integrava a diretoria da Companhia Manufactora e Importadora de Calçado Brasil como tesoureiro (Gazeta de Notícias, de 21 de fevererio de 1891).

Firmou um contrato comercial de uma empresa de importação situada na rua General Câmara, número 72, em sociedade com Manoel Cândido de Azambuja, Francisco dos Santos Romano e Miguel de Magalhães Fonseca (Jornal do Commercio, de 14 de março de 1891, na terceira coluna, sob o título “Contratos Commerciaes”).

1894 -  Firmou um contrato de um comércio de armarinho com Manoel Cândido de Azambuja, Francisco dos Santos Romano e Miguel de Magalhães Fonseca (Jornal do Commercio, de 6 de junho de 1894, na sétima coluna).

Foi noticiado o aniversário de sua esposa, Laura Vianna (O Paiz, de 23 de setembro de 1894, na terceira coluna).

 

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José Baptista Barreira Vianna. D. Laura, esposa de José Baptista Barreira Vianna, c. 1900. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS

 

1895 – Participou de um abaixo-assinado apoiando a medida da gerência da empresa New York Life Insurance Company em relação a um projeto de lei discutido na Câmara dos Deputados sobre companhias estrangeiras de seguro atuantes no Brasil (Cidade do Rio, de 21 de agosto de 1895, sob o título “Segurados da New York”, na segunda coluna).

1896 – Foi para a Europa com sua esposa e um filho, no paquete francês Brésil (Jornal do Brasil, de 16 de março de 1896, na terceira coluna).

Voltou para o Brasil, no paquete francês Chili (A Notícia, de 6 de setembro de 1896, na última coluna sob o título “Visita”).

Foi eleito um dos suplentes da Sociedade Portugueza de Beneficência (Liberdade, 23 de dezembro de 1896, sob o título “Sociedade Portugueza de Beneficencia, na quarta coluna).

1897 – A diretoria da Sociedade Portugueza de Beneficência tomou posse e Barreira Vianna foi um dos suplentes (Cidade do Rio, 29 de março de 1897, na sexta coluna).

Firmou um contrato com Francisco dos Santos Romano para o comércio de material de construção (O Paiz, de 25 de abril de 1897, na segunda coluna).

Integrou o grupo da colônia portuguesa que se organizou para oferecer um navio de guerra à Portugal como parte das comemorações do quarto centenário do descobrimento do caminho marítimo para as Índias (Jornal do Brasil, de 15 de novembro de 1897, na terceira coluna, sob o título “Grande subscripção patriotica portugueza“).

1899 – Já estava morando com a família na casa de Ipanema, cujo projeto e construção foram do arquiteto italiano Raphael Rebecchi (18? – 1922). Foi a primeira casa da praia e uma das primeiras do bairro. Dos dois lados da casa, havia duas construções onde ficavam as dependências dos empregados, a lavanderia e uma oficina. São dessa época as fotografias que produziu das áreas internas e externas da residência. Embora a eletricidade não houvesse chegado à Ipanema, a casa possuía eletricidade produzida por um gerador movido por motor à explosão alimentado por acetileno.

1900 – Firmou um contrato com Viríssimo Barbosa de Souza, Luiz José Monteiro e José Antônio Teixeira Barroso para o comércio de sabão na Praia de São Cristóvão, números 5 e 7 (O Paiz, de 21 de agosto de 1900, na terceira coluna).

Em 29 de dezembro,  falecimento do pintor João Baptista Castagneto (1862 – 1900), de quem José Baptista Barreira Vianna era muito amigo. Também fazia parte de seu rol de amizades o pintor João Baptista da Costa (1865 – 1926), que era professor de pintura de seus filhos.

1900 a 1903 – Do moinho de vento, que pertencia à propriedade e puxava água do sub-solo para a lavagem externa da casa, Barreira Vianna produziu fotografias do Leme, de Copacabana, do Arpoador, de Ipanema, do Leblon, da Gávea e da Lagoa.

1902 – Foi um dos escolhidos pela Associação Comercial do Rio de Janeiro para compor uma comissão para discutir os problemas gerados pela multiplicidade de taxas cambiais (Jornal do Commercio Retrospecto Commercial, edição de 1902, na primeira coluna).

1906 – Foi um dos patronos da conferência que John R. Mott (1865 – 1955) proferiu na Associação dos Empregados do Commercio. Mott iria presidir, em São Paulo, a Convenção Nacional da Associação Cristã dos Moços, aberta em 19 de julho de 1906 (Gazeta de Notícias, de 19 de julho de 1906, na sétima coluna).

1909 – Firmou um contrato com Theophilo Rufino Bezerra de Menezes, Carlos Frederico Oberlaender e José Pinto de Almeida para o comércio de sal na rua da Gamboa, números 193 e 795 (O Paiz, de 7 de aogosto de 1909, na terceira coluna).

1925 – Foi noticiado o falecimento de Barreira Vianna, que na época morava na rua João Alfredo, número 31. Ele foi enterrado no Cemitério Francisco Xavier (O Paiz, 4 de julho de 1925, na sexta coluna). Foi anunciada sua missa de 30º dia (Jornal do Brasil, 2 de agosto de 1925, na quinta coluna).

 

Um pouco da história de Ipanema

 

José Antônio Moreira Filho (1830-1899), o barão e conde de Ipanema, comprou, em 1878, do tabelião e empresário Francisco José Fialho (1820? – 1885) um lote de terras que ia desde a atual rua Barão de Ipanema até o atual Canal do Jardim de Alah. Criou, então, um novo bairro, que batizou de “Villa Ipanema”, em homenagem a seu pai, o primeiro barão e conde de Ipanema, o paulista João Antônio Moreira (1797 – 1879). O nome Ipanema significa em tupi água ruim e foi inspirado por uma das propriedades do barão, em Minas Gerais.

A Villa Ipanema foi inaugurada, em 15 de abril de 1894, pelo barão e por seu sócio José Silva com a presença do prefeito Henrique Valladares, que no mesmo dia inaugurou a ampliação das linhas de bonde da empresa de Ferro Carril do Jardim Botânico, da Praça Malvino Reis, atual Serzedelo Correia, até a ponta da Igrejinha, que era a Igreja de Nossa Senhora de Copacabana, erguida no século XVIII e derrubada em 1918, próxima à rua Francisco Otaviano (Gazeta de Notícias, 16 de abril de 1894, terceira coluna). Em 26 de abril de 1894, foi assinada a ata de fundação definitiva do bairro Villa Ipanema, com a presença do então prefeito Henrique Valadares e do barão e conde de Ipanema, que lançou, em seus terrenos, um enorme loteamento, berço do que é ainda hoje um dos bairros mais valorizados da cidade do Rio de Janeiro. No princípio, foram abertas 13 ruas, uma avenida e duas praças no areal sem valor, tomado por pitangueiras, cajueiros e araçazeiros. Até hoje essas vias são as mais importantes artérias do bairro. Entre elas, a avenida Vieira Souto e as ruas Prudente de Moraes e Visconde de Pirajá, essa última batizada inicialmente de Vinte de Novembro. Ipanema conservou a denominação de vila até a década de 20. Apesar de alguns autores considerarem outras datas, o dia 26 de abril de 1894 é a data mais aceita como marco de referência da fundação do bairro. Ipanema tornou-se, ao longo do século XX, reduto de artistas, intelectuais, jornalistas e boêmios, um dos símbolos do comportamento de vanguarda, exportando a moda e os costumes cariocas para o resto do país.

Ipanema tornou-se, ao longo do século XX, reduto de artistas, intelectuais, jornalistas e boêmios, um dos símbolos do comportamento de vanguarda, exportando a moda e os costumes cariocas para o resto do país.

 

Acessando o link para as fotografias do bairro de Ipanema disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Destacamos uma fotografia produzida por Marc Ferrez ( 1843 – 1923), em torno de 1895.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Para a elaboração desse post, a Brasiliana Fotográfica baseou-se em diversos periódicos pesquisados na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, no depoimento deixado por um dos netos de Barreira Vianna, que tinha 9 anos quando ele faleceu; no site da Multirio, na dissertação Avenida Central: arquitetura e tecnologia no início do século XX, de Sandra Zagari-Cardoso; e também no artigo A cidade em direção a Copacabana e Ipanema: transição para a modernidade, publicado no blog do Instituto Moreira Salles na ocasião da abertura da exposição Rio, primeiras poses – Uma visão da cidade a partir da chegada da fotografia – 1840 – 1930, realizada entre 28 de fevereiro de 2015 e 28 de fevereiro de 2016.

 

*Esse artigo foi ampliado em 18 de junho de 2019.

A fundação do Rio de Janeiro

A fundação do Rio de Janeiro

Cidade Maravilhosa

 

E o Rio de Janeiro completa mais um ano… Agora são 451 anos desde sua fundação. Sua beleza e vocação exibicionista fez da cidade personagem de muitas fotografias desde o século XIX. A Brasiliana Fotográfica presta uma homenagem à cidade maravilhosa com uma seleção de 10 imagens de paisagens cariocas. São registros de Marc Ferrez (1843 – 1923) e Augusto Malta (1864 – 1957), os mais importantes fotógrafos do Rio de Janeiro no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Também convidamos os leitores para uma visita aos posts sobre os dois fotógrafos, anteriormente publicados pela Brasiliana Fotográfica: Ferrez e Malta.

 

 

Cerca de metade da produção fotográfica de Marc Ferrez foi realizada no Rio de Janeiro e em seus arredores, onde fotografou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais. O alagoano Augusto Malta começou a fotografar em 1900, quando trocou sua bicicleta, que usava para entregar os tecidos que comercializava, por uma máquina fotográfica. Foi, em 1903, contratado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como fotógrafo oficial, cargo criado para ele. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida pelo então prefeito da cidade, Francisco Pereira Passos (1836-1913), período que ficou conhecido como o “bota-Abaixo”. Essas transformações foram definidas por Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), autor da seção “Binóculo”, da Gazeta de Notícias, com a máxima “O Rio civiliza-se”, que se tornou o slogan da reforma urbana carioca. Augusto Malta trabalhou na Prefeitura até 1936, quando se aposentou.

Uma curiosidade:  Cidade Maravilhosa – La Ville Merveilleuse -, é o nome do livro onde os poemas Amor ao Rio, de autoria da francesa Jane Catulle Mendès (1867 – 1955), foram publicados em 1913. Ela havia passado uma temporada, de setembro a dezembro de 1911, no Rio de Janeiro, quando se encantou pela cidade. Na verdade, a princípio só ficaria três semanas (O Paiz20 de setembro, quarta coluna; e 6 de dezembro, primeira coluna de 1911).

 

 

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Acessando o link para as fotografias do Rio de Janeiro de autoria de Augusto Malta e Marc Ferrez selecionadas para esse post e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica em comemoração ao aniversário do Rio de Janeiro

 

Uma homenagem aos 452 anos do Rio de Janeiro: o Corcovado e o Pão de Açúcar, publicado em 1º de março de 2017, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O Rio de Janeiro de Juan Gutierrez, publicado em 1º de março de 2019, de autoria de Maria Isabel Ribeiro Lenzi, Doutora em História pela UFF e historiadora do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional ; e de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

A Praça Paris no aniversário do Rio de Janeiro, publicado em 1° de março de 2023, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O Rio de Janeiro nos cartões-postais da Papelaria e Typographia Botelho, publicado em 1° de março de 2024, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Série “Teatros e cinemas do Brasil” I e Série “O Rio de Janeiro desaparecido” I – Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XX

Na semana da premiação do Oscar pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, nos Estados Unidos, a Brasiliana Fotográfica destaca quatro antigas salas de cinema localizadas no Rio de Janeiro: o Pathé Palace e os cinemas Capitólio, Íris e Pathé. São fotografias produzidas pelos mais importantes fotógrafos da cena urbana carioca no século XIX – Marc Ferrez (1843 – 1923) – e nas primeiras décadas do século XX – Augusto Malta (1864 – 1957). O Pathé Palace e o Cine Pathé eram de propriedade da família do fotógrafo Marc Ferrez, que teve  participação destacada na introdução do cinema no Brasil.

 

 

Ferrez, que havia conhecido em Paris as fotografias animadas dos irmãos Lumière, decidiu investir na novidade. Apoiado pelos filhos, inaugurou , em 18 de setembro 1907, o Cinematographo Pathé, na então novíssima Avenida Central. Em sua propaganda de estreia, anunciava “projeções animadas perfeitas, interessantes e maravilhosas” (Jornal do Brasil, 18 de setembro de 1907, no pé da página). Julio Ferrez, filho do fotógrafo, firmou um contrato com a Maison Pathé-Frères, de Paris, para o fornecimento de filmes e de equipamentos para montagem de salas de cinema (Jornal do Brasil, 15 de agosto de 1907, na terceira coluna).  Em 1928, após a morte do fotógrafo, a Casa Marc Ferrez inaugurou, na Cinelândia, o Pathé Palace, em de abril de 1928, com a exibição de uma extensa programação, que incluía o filme “Paga para amar” (O Paiz, 18 de março, na primeira coluna; 23 de março, na terceira coluna; e 9 e 10 de abril de 1928).

 

 

O Cinema Capitólio, também na Praça Floriano, na Cinelândia, foi inaugurado em 23 de abril de 1925 (Jornal do Brasil, 22 de abril de 1925) com a exibição do filme “A voz do minarete” e também com a execução do “Guarany” por uma orquestra. Foi construído pela Companhia Brasil Cinematographica e foi descrita pela imprensa como “uma casa de diversões que honra o grau de desenvolvimento e de cultura no Rio de Janeiro e representa, como os demais em construção, o esforço considerável de um homem de extraordinária energia, o senhor Francisco Serrador, e a sua fé viva nos negócios cinematográficos” (Jornal do Brasil, 23 de abril de 1925, na quinta coluna).

 

 

Das três salas, a única que ainda existe é o Cine Íris, fundado em outubro de 1909 como Cinema Soberano com a exibição de diversos filmes, dentre eles “A cidade das flores “ e “Lili Borboleta” (Jornal do Brasil, de 30 de outubro de 1909, na sétima coluna). O nome da sala de cinema foi uma homenagem de seu fundador, João Cruz Junior, a um de seus cavalos. Localizado na rua da Carioca, no centro do Rio de Janeiro, em 1912, passou a se chamar Cinema Íris (Correio da Manhã, 16 de julho de 1912, segunda coluna). Em 1978, foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. O prédio foi construído no estilo art-nouveau e seu interior é decorado com azulejaria e mármores portugueses, escadarias de ferro, lustres  e espelhos de cristais franceses.

 

 

Acessando o link para as fotografias dos cinemas cariocas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

O título deste artigo foi alterado de Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XX para Série O Rio de Janeiro desaparecido I – Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XX, em 16 de setembro de 2021.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido

 

Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017.

Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlopde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeirode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruzde autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruzpublicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portalpublicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhosde autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019.

Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogode autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XVIII – A Praça Onze, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de abril de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. 

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica sobre teatros e cinemas

 

 

Os teatros do Brasil, publicado em 21 de março de 2016

A inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, publicado em 14 de julho de 2017

Cinema no Brasil – a primeira sessão e um pouco da história do Cinema Odeon, publicado em 8 de julho de 2021

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XII – O Teatro Lírico (Theatro Lyrico), publicado em 16 de setembro de 2021

O Theatro de Santa Isabel, publicado em 28 de outubro de 2021

O Teatro Amazonas (Theatro Amazonas), em Manaus, a “Paris dos Trópicos”, publicado em 28 de dezembro de 2021

O Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no Dia Mundial do Teatro, publicado em 27 de março de 2023

Dia do Cinema Brasileiro, publicado em 19 de junho de 2023

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 5 de setembro de 2023

O Theatro da Paz, em Belém do Pará, inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado em 15 de fevereiro de 2024

 

Obras para o abastecimento de água no Rio de Janeiro por Marc Ferrez

De 1877 até o final da década de 1880, o fotógrafo Marc Ferrez (1843-1923) foi o responsável pela produção da documentação  fotográfica das obras destinadas a melhorar o abastecimento de água no Rio de Janeiro (Gazeta de Notícias, de 28 de junho de 1889, na segunda coluna, sob o título “Águas do rio S. Pedro”). Neste artigo, a Brasiliana Fotográfica destaca registros realizados por Ferrez que integram o álbum Obras do abastecimento d´água do Rio de Janeiro, da Empresa A. Gabrielli, pertencente à Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras do portal.

Quase metade de toda a produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade do Rio de Janeiro e em seu entorno. A outra parte registrou as regiões do Brasil que ele regularmente percorreu em seus diversos trabalhos comissionados, tanto como fotógrafo da Comissão Geológica do Império, em meados dos anos 1870, quanto como fotógrafo das construções ferroviárias no Brasil, especialmente entre 1880 e 1890, quando produziu um grande panorama da paisagem brasileira de sua época.

Sempre atento às inovações tecnológicas, Marc Ferrez aumentou suas possibilidades de fotografar paisagens com a câmera Brandon, equipamento de fotografia panorâmica de varredura, tendo sido o único fotógrafo da década de 1880 a fazer esse tipo de registro em grande formato no Brasil. Fato que o levou, mais tarde, a suas magistrais fotografias de arquitetura produzidas durante a construção da avenida Central, no Rio de Janeiro, e também a seu envolvimento com a introdução do cinema e da fotografia estereoscópica em cores no Brasil, no início do século XX.

 

 

Em suas fotografias da cidade, além do espaço construído, registrou a exuberância da natureza que a envolvia. Particularmente na documentação das obras de abastecimento de água, Ferrez percorreu os arredores da cidade, onde documentou os trabalhos técnicos de captação e distribuição, ao mesmo tempo em que construiu, com estas mesmas imagens, significativa parte de sua visão poética e autoral sobre a cidade onde vivia, estruturada em torno das áreas de fronteira entre o natural e o construído, que até hoje caracterizam o Rio de Janeiro.

O trabalho comissionado de Marc Ferrez sobre as obras de abastecimento de água no Rio de Janeiro resultou em álbuns fotográficos. Três deles foram presenteados a dom Pedro II, em 1889, último ano do regime imperial no Brasil. Outros três foram dados ao engenheiro Francisco de Paula Bicalho (1847-1919), diretor das Águas da Corte.

Porém, apesar dessas obras, em 1889, uma grave crise hídrica atingiu o Rio de Janeiro. Já em fevereiro, a Revista Illustrada denunciava a situação (Revista Illustrada, de 2 de fevereiro, sob o título “Medidas Sanitárias”, e de 9 de fevereiro de 1889). Uma grande polêmica em torno do tema se instalou entre os jornais, principalmente entre o governista Cidade do Rio, de José do Patrocínio (Cidade do Rio, de 9 de março de 1889, na segunda coluna sob o título “Cousas do Dia”), e o de críticos do regime imperial como o Diário de Notícias, dirigido por Rui Barbosa (1849 – 1923) (Diário de Notícias, de 10 de março de 1889, sob o título “O Terror”). Em 12 de março cerca de duas mil pessoas foram às ruas para protestar pedindo por água, mesmo dia em que os engenheiros José Américo dos Santos e de Luís Carlos Barbosa de Oliveira propuseram acabar com o problema em 40 dias (Gazeta de Notícias, de 13 de março de 1889, na segunda coluna).

 

Acessando o link para fotografias de Marc Ferrez produzidas para o álbum Obras do abastecimento d´água do Rio de Janeiro, da Empresa A. Gabrielli, pertencentes ao acervo da Biblioteca Nacional e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Finalmente, sob o título “Água em seis dias”, foi publicada uma carta assinada pelo jovem engenheiro e professor da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, Paulo de Frontin (1860 – 1933) (Diário de Notícias, 16 de março de 1889, na segunda coluna). Ele propunha aumentar o abastecimento de água da cidade em 15 milhões de litros diários. Dom Pedro II pediu que o ministro da Agricultura, Rodrigo Silva, analisasse a proposta. O engenheiro foi contratado e teve êxito: no dia 23 de março a cidade já contava com mais cerca de 17 milhões de litros diários de água (Diário de Notícias, de 24 de março, na quinta coluna; e de 25 de março, na sexta coluna, ambas de 1889 e sob o título “Commissão Frontin”).

Em uma charge, publicada por Angelo Agostini (1843 – 1910) na Revista Illustrada, de 30 de março de 1889, o episódio foi resumido: as eficientes obras hídricas de Frontin arrastaram com torrentes de água a ineficácia do governo no assunto.

 

Revista Illustrada, 30 de março de 1889

Revista Illustrada, de 30 de março de 1889, páginas 4 e 5.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez 

 

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 30 de junho de 2015

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2016

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de autoria de Sérgio Burgi, um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de dezembro de 2016

No primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 22 de setembro de 2017

Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica,  publicada em 29 de junho de 2018

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 20 de julho de 2018

Uma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2018 

Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de abril de 2019

Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 

Os 180 anos da invenção do daguerreótipo – Os álbuns da Comissão Geológica do Império com fotografias de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de agosto de 2019

Celebrando o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 4 de dezembro de 2019

Uma homenagem da Casa Granado ao imperial sob as lentes de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de fevereiro de 2020

Ressaca no Rio de Janeiro invade o porão da casa do fotógrafo Marc Ferrez, em 1913, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado 6 de março de 2020

Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 16 de março de 2020

Bambus, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2020

O Baile da Ilha Fiscal: registro raro realizado por Marc Ferrez e retrato de Aurélio de Figueiredo diante de sua obra, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 9 de novembro de 2020

O Palácio de Cristal fotografado por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 2 de fevereiro de 2021

A Estrada de Ferro do Paraná, de Paranaguá a Curitiba, pelos fotógrafos Arthur Wischral (1894 – 1982) e Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 22 de março de 2021

Dia dos Pais – Julio e Luciano, os filhos do fotógrafo Marc Ferrez, e outras famílias, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 6 de agosto de 2021

No Dia da Árvore, mangueiras fotografadas por Ferrez e Leuzinger, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 21 de setembro de 2021

Retratos de Pauline Caroline Lefebvre, sogra do fotógrafo Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 28 de abril de 2022

A Serra dos Órgãos: uma foto aérea e imagens realizadas pelos mestres Ferrez, Leuzinger e Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2022

O centenário da morte do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 12 de janeiro de 2023

O Observatório Nacional pelas lentes de Marc Ferrez, amigo de vários cientistas, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 29 de maio de 2023

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a potente imagem da Cachoeira de Paulo Afonso, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2023

A Fonte Adriano Ramos Pinto por Guilherme Santos e Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 18 de julho de 2023

Os 180 anos de nascimento do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 7 de dezembro de 2023

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ELIAS, Rodrigo; SCARRONE, Marcello. “Quando o Império morreu de sede”. Revista de História . Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 2015.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

O Brasil de Marc Ferrez – São Paulo : Instituto Moreira Salles, 2005.

Rio / Marc Ferrez – São Paulo : IMS; Göttingen: Steidl, 2015

Site do Instituto Moreira Salles

Panorama circular do Rio de Janeiro, visível do Morro de Santo Antônio

 Panorama circular do Rio de Janeiro, visível do Morro de Santo Antônio

Joaquim Marçal Ferreira de Andrade*

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Este Panorama circular da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, Brasil, visível do Morro de Santo Antônio foi publicado em 1917 pela Empresa de Propaganda Brasileira que, com justeza, denominou-o um ‘indicador’. Sua execução gráfica ficou a cargo das oficinas do Jornal do Brasil, uma das primeiras a equipar-se, desde a virada do século, para a realização de trabalhos de reprodução fotomecânica pelo processo de autotipia, também conhecido como similigravura, meio-tom ou meia-tinta: a partir de uma fotografia, preparava-se um clichê onde os tons contínuos da imagem eram reduzidos a uma trama de retícula – minúsculos pontos, de dimensões variadas que, impressos, nos dão a impressão de estarmos vendo “uma fotografia de verdade”.

Pois até os fins do século 19, a idéia de ‘fotografia’ estava, mesmo, vinculada a um objeto, um artefato fotográfico, uma fotografia original, produzida em laboratório. Mas a partir do advento da retícula, a fotografia se desvinculou do original, do artefato, tornando-se apenas uma imagem, multiplicada aos milhares em poucas horas, e rapidamente disseminada. Tornou-se onipresente, enfim.

Desta primeira edição do panorama, teriam sido produzidos oito mil exemplares. Trata-se de um painel fotográfico circular com uma visão de 360° do centro do Rio de Janeiro, tomada a partir do Morro de Santo Antônio. Foram feitas oito fotos e de cada uma delas aproveitou-se o campo abrangido pelo ângulo de 30 graus. Assim, temos doze seções na imagem, nitidamente marcadas por uma linha vertical.

 

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Esquema para montagem do panorama circular do Rio de Janeiro, acompanhado de instruções escritas, no verso do mesmo.

 

Esta é uma versão moderna das antigas rotundas, pintadas a mão, que tanto sucesso fizeram no passado. Os pintores Pedro Américo e Vítor Meireles foram mestres nesta técnica. O panorama giratório Baía e cidade do Rio de Janeiro de Vítor Meireles, apresentado em 1890 à população carioca, tinha 115 metros de comprimento e foi exibido inicialmente em uma rotunda na Praça 15. Dele só restaram alguns estudos em papel, que hoje integram o acervo do Museu Nacional de Belas Artes.

Voltemos ao nosso panorama. Segundo informa o texto impresso no verso, esta peça gráfica serviria de guia “aos visitantes do grande panorama, ora em via de execução.” Se este empreendimento (do grande panorama) foi levado a cabo, desconhecemos. Quem sabe algum leitor de nosso portal Brasiliana Fotográfica não disporá dessas informações, tão valiosas?

 

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No anúncio da loja de produtos fotográficos de Felix Ottersbach, estão listados alguns dos produtos então utilizados, no momento em que ampliava-se um novo mercado, voltado aos amadores da fotografia.

 

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A descoberta dos raios X deu-se nos fins do século 19 e a sua utilização, no campo da medicina, foi quase imediata. A radiografia, entre outras aplicações, desenvolveu-se com rapidez.

 

No trabalho apresentado em congresso e depois publicado na Revista do IHGB em 1984, Lygia Cunha discorreu sobre os “Panoramas e Cosmoramas. Distrações populares no Segundo Reinado.” A mais recente publicação deste ensaio deu-se no ano de 2010, em coletânea de estudos seus, integrantes do vol. 34 da Coleção Rodolfo Garcia, da Biblioteca Nacional, pp. 205-211:

Ali, a autora reproduz um anúncio dos antigos panoramas que foram exibidos em terras cariocas: “Panorama da rua do Teatro, n. 30. Faz-se ciente ao respeitável público que, durante os 9 dias da coroação, apresentará novas vistas, e igualmente o grande comboio que teve lugar em Paris pela morte do Grande Napoleão. Entrada 160 rs.” Jornal do Commercio, 18 e 19 de julho de 1841, p. 4 (segunda coluna, quase no meio da página).

Como se vê, o fascínio do ser humano pelas ‘experiências imersivas’ faz parte de sua natureza e sempre o acompanhou, do homem das cavernas aos apreciadores de videogames e filmes 3-D. Convidamos, então, os visitantes de nosso portal para desfrutar da potente ferramenta de zoom que têm à sua disposição, percorrendo este panorama quase centenário. Estamos comemorando o aniversário dos 450 anos da cidade; momento mais que oportuno para este passeio.

 

Panorama circular

Empresa de Propaganda Brazileira : Panorama circular da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, Brasil, visível do Morro de Santo-Antonio. Acervo FBN

 

*Joaquim Marçal Ferreira de Andrade é curador, pela Biblioteca Nacional, do portal Brasiliana Fotográfica.

 

Série “Hotéis do Brasil” I – Hotéis do século XIX e do início do século XX no Brasil

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Carlos Bippus. Hotel Central, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS

 

A Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores uma seleção de hotéis no Brasil do século XIX e das primeiras décadas do século XX. publicando o primeiro artigo da série Hotéis do Brasil. O fotógrafo Revert Henrique Klumb (c.1826 – c.1886) registrou o Hotel Pharoux e o Hotel Waltz, no centro do Rio de Janeiro, o Etablissement de Mr. Bennett, na Tijuca, além dos hotéis Anglais, Beresford e Bragança, em Petrópolis. Há também três fotografias de autoria de Augusto Malta (1864 – 1957) de hotéis cariocas: do Rio Palácio Hotel, do Hotel Glória e do Copacabana Palace. Ainda no Rio de Janeiro, há uma imagem do Hotel Central, produzida por Carlos Bippus (18? – 19?). Em São Paulo, Guilherme Gaensly (1843 – 1928)  fotografou o Largo São Bento, onde havia o Hotel Rebechino e o Grande Hotel Paulista. Em Nova Friburgo, Henschel & Benque fotografaram o Hotel Leuenroth e, em Blumenau, o Hotel Holetz foi registrado por um fotógrafo até aqui não identificado.

 

Acessando o link para as fotografias de hotéis disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica sobre hotéis

 

O Hotel Glória – antes e depois, publicado em 21 de dezembro de 2017, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

Copacabana Palace, símbolo do glamour carioca, publicado em 13 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

O Hotel Pharoux por Revert Henrique Klumb, publicado em 15 de junho de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023.

O centenário do Copacabana Palace, quintessência do “glamour” carioca, e seu criador, o arquiteto francês Joseph Gire, publicado em 13 de agosto de 2023, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

 

A inauguração do Cristo Redentor, em 12 de outubro de 1931

Um dos mais importantes símbolos e pontos turísticos do Rio de Janeiro e do Brasil, o Cristo Redentor é um dos maiores e mais famosos monumentos em estilo art déco do mundo. Localizado no morro do Corcovado, a 710 metros de altitude, a estátua tem 38 metros de altura e pesa 1.145 toneladas. Foi inaugurada pelo presidente Getulio Vargas (1882-1954) e por Pedro Ernesto (1884-1942), interventor do Distrito Federal (Diário de Notícias, 13 de outubro de 1931 e O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931).

Mas foi no século XIX, que o padre Pedro Maria Boss (?-1916), capelão do Colégio Imaculada Conceição,em Botafogo, que chegou ao Rio de Janeiro, em 1859, teve a ideia de erigir na capital do Império do Brasil um monumento que exaltasse a fé cristã. A obra, contudo, só começou em 1926, com dinheiro arrecadado junto à população em eventos esportivos, culturais e sociais.

Porém, ainda no século XIX, pouco depois da Princesa Isabel (1846 – 1921) ter assinado a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888, um grupo de abolicionistas queria homenageá-la com uma estátua no alto do Morro do Corcovado. Ela declinou, em um documento de 2 de agosto de 1888:

“Manda Sua Alteza a Princesa Imperial Regente em Nome de Sua Magestade o Imperador agradecer a oferta da Commição Organizadora constituída da Sociedade Brazileira de Beneficência de Paris, da Cia. Estrada de Ferro do Cosme Velho ao Corcovado e do Jornal O Paiz, para erguer huma estátua em sua honra pela extinção da escravidão no Brasil, e faz mudar a dita homenagem e o projecto, pelo officio de 22 de julho do corrente anno, por huma estátua do Sagrado Coração de Nosso Senhor Jezus Christo, verdadeiro redentor dos homens, que se fará erguer no alto do morro do Corcovado”.

 

 

Os viscondes de Mauá, Irineu Evangelisa de Souza  (1813 – 1889), e de Santa Vitória, Manuel Afonso de Freitas Amorim (1831 – 1906), viajaram a Paris encomendando o projeto e a execução de uma estátua de bronze do Sagrado Coração de Jesus, com 15 metros de altura, mas o monumento nunca foi construído.

Voltando ao século XX. A autorização para a construção do monumento no morro do Corcovado foi concedida em 1º de junho de 1922 por Homero Baptista (1861-1924), ministro da Fazenda (O Paiz, 2 de junho de 1922, na terceira coluna). Em setembro, foi realizada uma cerimônia no local onde o Cristo seria construído, com a presença de várias autoridades (O Paiz, 12 de setembro de 1922, na terceira coluna) e, em outubro, foi lançada a pedra fundamental da obra (O Paiz, 5 de outubro de 1922). No ano seguinte, teve início uma grande campanha de arrecadação de recursos para a construção do monumento (O Paiz, 16 de março de 1923, na sexta coluna). Em setembro de 1923, as comissões já estavam formadas e O Paiz publica uma extensa matéria sobre a realização de uma semana de coleta de doações para a construção do monumento (O Paiz, 2 de setembro de 1923).

Em 21 de setembro de 1923, o Jornal do Brasil publica uma matéria noticiando que, em 22 maio de 1923, o projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa (1873-1947) para o monumento havia sido escolhido em assembleia geral da Comissão Executiva do Monumento Nacional ao Cristo Redentor, com a presença do monsenhor Macedo Costa, representando o cardeal Arcoverde, e de Cesario Alvim, representando o ministro da Viação. Os outros concorrentes foram José Agostinho dos Reis e Adolfo Morales de Los Rios. A reportagem também conta toda a história do empreendimento. A mobilização popular em torno da construção do Cristo foi grande (Revista da Semana, 8 de setembro de 1923) e um filme sobre o assunto, “O monumento do Christo Redemptor”, uma produção da Botelho Film, foi exibido no cinema Odeon ( O Paiz, 16 de outubro de 1923, na quinta coluna sob o título “Cinemas e fitas”).

A concepção inicial para o monumento foi modificada: no projeto original, a figura de Jesus Cristo empunharia em sua mão direita um globo e na esquerda uma cruz. 

 

 

Mas o responsável pelo desenho final do monumento foi o italiano Carlos Oswald (1882 – 1971), na época professor de gravura e desenho do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.

Para colaborar no trabalho, Heitor da Silva Costa escolheu um especialista em estatuária, o artista francês, de origem polonesa, Paul Landowsky (1875-1961).  Silva Costa trouxe da Europa uma maquete e algumas peças do monumento (Lar Catholico, 14 de agosto de 1927, primeira coluna). Uma exposição com os modelos de gesso das mãos do Cristo, modeladas por Landowsky, foi realizada no Corcovado (Diário Carioca, 24 de janeiro de 1929, na sexta coluna). Autoridades fizeram uma visita às obras, assunto de uma matéria no Correio da Manhã, de 29 de junho de 1929. Em 25 de abril de 1931, foi publicada uma notícia interessante sobre a construção do Cristo Redentor, na revista A Semana.

No dia da inauguração, foi o físico Guglielmo Marconi (1874-1937), inventor do telégrafo, que, da Itália, ligou os refletores da estátua. Assis Chateaubriand, diretor dos Diários Associados, enviou um telegrama a ele dizendo “No instante em que iluminais o monumento de Jesus Cristo, os católicos brasileiros saúdam em vós a faísca do gênio latino que descobriu e construiu o novo mundo”O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931). Segundo o site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, “o sistema não funcionou como o esperado, mas o Cristo foi iluminado graças à habilidade do engenheiro Gustavo Corção e sua equipe, atribui-se a Rinaldo Franco o ato de ter acionado o interruptor responsável pela iluminação”.

 

 

 

Em 1990, o monumento foi restaurado. Em 7 de julho de 2007, o Cristo Redentor foi eleito uma das sete maravilhas do mundo moderno (Jornal do Brasil, 8 de julho de 2007). Ficou em terceiro lugar, atrás da Muralha da China e da Cidade de Petra, na Jordânia. O resultado foi divulgado pela empresa suíça promotora do concurso, a Fundação New  7 Wonders e o título foi recebido pelo técnico de futebol Luiz Felipe Scolari e pelo embaixador do Brasil em Portugal, Celso de Souza, no Estádio da Luz, sede do clube Benfica, em Lisboa, Portugal.

 

Acessando o link para as fotografias do Cristo Redentor disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.  

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente  e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Bairros do Rio

 

No ano em que se comemoram os 450 anos da fundação do Rio de Janeiro, a Brasiliana Fotográfica convida seus leitores para um passeio por alguns bairros da cidade, no início do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. São registros fotográficos de Botafogo, Copacabana, Centro, Gamboa, Glória, Ipanema, Santa Teresa e de outras regiões do Rio feitos por Marc Ferrez, Augusto Malta, Augusto Stahl, Georges Leuzinger e Carlos Bippus, dentre outros.

 

Acessando o link para as fotografias selecionadas dos bairros do Rio de Janeiro e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora assistente e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936

Foto do Arquivo recortada

Anônimo. Augusto Malta, s/d. Rio de Janeiro / Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Já em 1900, o alagoano Augusto Malta, que viria a ser o mais  importante cronista fotográfico do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX, cujo trabalho é fundamental para a preservação da memória da cidade, passeava e trabalhava, pedalando pelas ruas da cidade, tendo sido, inclusive, secretário do Grupo de Velocemen, criado para organizar passeios e outros divertimentos ciclistas. 

Essa sua relação com a cidade e sua paisagem, construída, inicialmente, por seus deslocamentos com sua bicicleta, se expandiria para a formação de seu significativo legado iconográfico.

Foi, exatamente, a partir da troca de uma bicicleta por uma máquina fotográfica que o Rio de Janeiro ganhou um de seus mais atuantes fotógrafos. Em 1900, Malta comercializava tecidos finos no Centro do Rio e, para fazer entregas de encomendas, usava como transporte a bicicleta. Um de seus fregueses, um aspirante da Marinha, propôs a troca e, a partir desse trato, Augusto Malta começou a se interessar por fotografia.

Em 1903, foi contratado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como fotógrafo oficial, cargo criado para ele. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida pelo então prefeito da cidade, Francisco Pereira Passos (1836-1913) – de quem se tornou muito amigo -, período que ficou conhecido como o “bota-abaixo”. Augusto Malta trabalhou na Prefeitura até 1936, quando se aposentou. Incansável, elegante e bem-humorado, com seus olhos irrequietamente falantes definiu a fisionomia do Rio de Janeiro a partir de sua extensa e importante produção de imagens.

 

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Augusto Malta e de seus filhos Aristógiton e Uriel disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Sobre sua aparência, Raymundo de Athayde escreveu na Revista da Semana, de 16 de dezembro de 1944:

“É um nortista tipo perfeito da classificação conhecida: braquicéfalo, altura mediana, maxilares salientes, olhos amendoados como o de um mongol. Na verdade, visto de perfil, parece-se com um soldado de Chiang-Kai-Chek, que tivesse abandonado a farda…Há cinquenta anos usa uma gravata borboleta, dessas preferidas pelos pintores e poetas do século passado.” Também foi um dos primeiros a usar óculos de aro de tartaruga.

 

 

Sobre o início de sua carreira, Malta, na mesma entrevista para Raymundo Athayde, comentou:

“Eu, no entanto, continuei a vender fazendas a pé. Quanto à máquina, tomei gosto pela fotografia e, aos domingos, em companhia de um amigo, também amador da arte, tirava vistas da cidade, grupos de amigos etc. Confesso que sentia grande sensação quando via surgirem no papel as belas e surpreendentes imagens que o sal de prata revelava e o hipossulfito fixava a meus olhos, na câmara escura improvisada em minha casa. E vivia assim nesse ingênuo amadorismo, quando um fornecedor da Prefeitura, meu amigo, levou-me para tirar fotografias das obras que então o grande Pereira Passos realizara em 1903. Na época, o Rio começava a mudar a indumentária e remoçar. Por acaso o insuperável Prefeito viu as fotografias que eu tirava por esporte e gostou. Propôs-me um emprego na Prefeitura e eu, sem relutâncias, aceitei”.

Além de ter documentado as transformações urbanas e os grandes eventos da cidade como a Exposição Nacional de 1908, a construção do Teatro Municipal, em 1909; a Revolta da Chibata, em 1910; e a inauguração do Cristo Redentor, em 1931; paisagens, monumentos, lojas, o casario decadente e as ressacas. Registrou também aspectos da vida carioca como, por exemplo, o carnaval de rua, o movimento dos quiosques, os eventos sociais, os moradores de cortiços, os vendedores ambulantes, as prostitutas, os marinheiros e cenas de praia. Também fotografou políticos, intelectuais e artistas, tornando-se próximo de vários deles como Afonso Pena (1847 – 1909), Carlos Sampaio (1861 – 1930), Joaquim Nabuco (1849 – 1910), Lauro Muller (1863 – 1926), Noronha Santos (1876-1954), Oswaldo Cruz  (1872–1917), Paulo de Frontin (1860 – 1933), Rodrigues Alves (1848 – 1919) e Ruy Barbosa (1849 – 1923).

Suas fotos foram divulgadas em guias turísticos, cartões-postais, revistas e publicações oficiais, tendo ajudado a formar a identidade visual da Belle Époque no Rio de Janeiro e contribuído, decisivamente, para a preservação da memória da cidade. Foi, sem dúvida, um importante incentivador do fotojornalismo no Brasil, tendo fornecido imagens de acontecimentos, pessoas, aspectos urbanos e paisagens para diversas revistas e jornais, mesmo após sua aposentadoria.

Como escreveu Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987) , O Malta viu tudo (Jornal do Brasil, 1º de março de 1979).

 

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Segundo o artigo de Regina da Luz Moreira, Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio, publicado no Portal Augusto Malta do Acervo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, em termos técnicos, Malta manteve-se sempre fiel ao seu equipamento, só admitindo mudanças a partir do momento em que o filho Aristógiton passou a trabalhar com ele. Foram então introduzidas câmaras americanas e alemãs, as mais modernas então existentes. Mesmo assim, até praticamente os 90 anos continuou a fotografar com chapas de vidro, optando, no entanto, pelas de tamanho mais reduzido, como as de 13 cm por 18 cm.

 

Fotógrafo Malta

Charles Julius Dunlop

 

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Malta, de óculos, com os irmãos Rodolfo (sentado) e Henrique (em pé) Bernardelli, escultor e pintor, respectivamente

 

O Major da Guarda Nacional, Augusto Cesar Malta de Campos, ou melhor, o fotógrafo Malta, como é mais conhecido, é o profissional mais antigo do Rio de Janeiro. Possui ele um arquivo completo dos acontecimentos mais importantes desta cidade, nos últimos 50 anos, com toda a história da sua transformação, todas as realizações da Prefeitura, documentada em mais de 30 mil chapas.

O carinho que tem por essa história e por essas fotografias é quase uma religião para ele. Malta esquece tudo para ir buscar uma fotografia antiga e com ela tirar uma dúvida sobre uma data ou um episódio qualquer da história do Rio de Janeiro.
Funcionário municipal aposentado, contando 93 anos de idade, goza de uma saúde de ferro. “Não acredito em outros mundos, diz ele. Morrer é descuido. Eu pretendo chegar aos 120 anos!”
Augusto Malta reside em Niterói, na praia das Flechas, onde toma diariamente o seu banho de mar, mas vem sempre ao Rio rever os amigos e matar saudades. Traz consigo, invariavelmente, uma volumosa pasta, mais parecendo uma mala portátil, atulhada de fotografias do mais vivo interesse para a história carioca.
Malta não começou a vida como fotógrafo. Em fins de 1888, vindo de Alagoas, onde nasceu na cidade de Paulo Afonso, empregou-se no comércio, como auxiliar de escrita. No ano seguinte, já era guarda-livros da firma Leandro Martins. Nesse ano, presenciou fatos memoráveis: viu quando Deodoro da Fonseca foi ao encontro da tropa, na antiga praça da Aclamação, no dia 15 de novembro, e ouviu quando Sampaio Ferraz deu vivas à República que nascia.
Como republicano ardoroso que era, assinou, no Paço Municipal, a ata da Proclamação, cujo original está guardado no Museu da Cidade, e seguiu à frente da massa popular como porta-estandarte do “Centro Republicano Lopes Trovão”, que foi a bandeira dos nossos primeiros dias da República.
Depois, estabeleceu-se por conta própria, com uma casa de molhados, na rua do Ouvidor, canto de Uruguaiana, mas o negócio não foi avante. “Dei com os burros n’água”, diz ele.
Mudando de profissão, passou a vender fazendas por amostras, tornando-se o precursor dos vendedores a prestação. Montado na sua bicicleta, visitava diariamente a freguesia, que era das mais seletas. A Sra. Campos Sales, a Viscondessa de Guai (Sra. Joaquim Elísio Pereira Marinho) e outras damas da alta sociedade, embora não comprando a prestação, davam preferência ao amável vendedor que lhes levava a mercadoria em casa.
Foi nessa época que um amigo despertou em Augusto Malta a idéia de tornar-se fotógrafo profissional, quando lhe propôs a troca de sua bicicleta por uma máquina fotográfica. O negócio foi aceito, e nessa sua nova função tomou contacto com o prefeito Francisco Pereira Passos que, apreciando a sua atividade e gostando dos seus trabalhos, criou para ele, em julho de 1903, o lugar de fotógrafo municipal. Daí o acervo extraordinário de fotografias que possui sobre a evolução da cidade, a qual acompanhou dia a dia, com alma de verdadeiro artista.
Na fotografia, por ele próprio tirada em 1913, vemo-lo de terno escuro com os irmão Bernardelli, Rodolfo (escultor) e Henrique (pintor). “
 Rio Antigo, vol. II, 1956

O lançamento do Portal Augusto Malta, em 2008, foi uma importante iniciativa do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ). No portal, estão reunidos o acervo do fotógrafo na referida instituição e no Museu Histórico da Cidade, além de fotografias de seus filhos, Aristógiton e Uriel Malta. O ex-curador da Brasiliana Fotográfica, Joaquim Marçal, foi consultor do projeto.

O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, o Arquivo Fotográfico da Light, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Instituto Moreira Salles, a Biblioteca Nacional e o Museu Histórico Nacional são outros importantes acervos da obra do fotógrafo.

Brevíssimo perfil de Augusto Malta
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Augusto Malta com os filhos de seu primeiro casamento, c. 1907. Passeio Público, Rio de Janeiro, RJ / Site Family Search – Da esquerda para direita, acima: Arethusa, Malta e Luthgarde; e abaixo, Aristocléa, Aristógiton e Callishene

Augusto Cesar Malta de Campos nasceu em 14 de maio de 1864, em Mata Grande, Alagoas, que entre 1902 e 1929 se chamou Paulo Afonso. Filho do escrivão Claudino Dias de Campos e Blandina Vieira Malta de Campos, conhecida como Dona Iaiá, foi batizado em 5 de junho, na matriz de Nossa Senhora de Mata Grande, por Francisco Felix Dias e Sebastiana Bezerra Sidrino. Em 1886, deixou de morar com o padre Antonio Marques de Castilho (18? – 1886), com quem havia ido residir por decisão de seu pai, que queria que ele seguisse a carreira religiosa. Alistou-se no Exército, no Recife. Pretendia seguir a carreira militar, mas, posteriormente, quando cumpriu o prazo de tempo de serviço, foi dispensado.

Em 1888, após participar de manifestações a favor da abolição da escravatura, foi para o Rio de Janeiro e , segundo o próprio, seu primeiro emprego na cidade foi no comércio, como auxiliar de escrita. No ano seguinte, já era guarda-livros da firma Leandro Martins. Participou dos acontecimentos de 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República no Brasil, quando participou de uma manifestação coletiva dos empregados do comércio. No dia seguinte, foi um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, dando posse ao governo provisório republicano.

Em torno de 1890, visitou a Alagoas, e casou-se com sua prima distante, a alagoana Laura Oliveira Campos (1874 – 1905). O casal teve cinco filhos: Luthgardes (05/01/1896 – 05/02/1928), Arethusa (1898 – 31/03/1913), Callisthene (26/07/1900 – 20/02/1919), Aristocléa (21/06/1903 – 03/1934), afilhada do prefeito Pereira Passos; e Aristógiton (25/08/1904 – 15/08/1954). Todas as filhas do casal morreram de tuberculose.

Como já mencionado, foi fotógrafo da Prefeitura do Rio de Janeiro, entre 1903 e 1936. E também prestava serviços para empresas como a Light e a Sul-América, para pequenas empresas e para particulares.

Em 1904, Malta foi um dos fundadores da Sociedade Cartophila Emanuel Hermann, uma associação incentivadora da divulgação de cartões-postais. Ele editava postais de turismo. Hermann (1839 – 1902) foi um professor de Economia que sugeriu aos Correios do Império Austro-Húngaro a emissão dos primeiros cartões-postais.

Com o falecimento de Laura, em 1905, em torno de 1906, Malta passou a viver maritalmente com Celina Augusta Verscheuren (16/03/1884 – 1969), que trabalhava desde os 15 anos como babá dos filhos de Malta e Laura. Com Celina, Malta teve mais quatro filhos: Dirce (1907 – 10/1971), Eglé (20/09/1909 – 11/1941) e Uriel (28/09/1910 – 05/08/1994) e Amalthea (12/12/1912 – 12/03/2007).

Foi criada em 28 de outubro de 1913, a Associação dos Photographos de Imprensa, provavelmente a primeira do gênero, no Brasil. Entre seus fundadores estavam Augusto Malta e Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, produzidas em 1916.

Em 1936, aposentou-se da Prefeitura do Rio de Janeiro e foi substituído por seu filho, Aristógiton. No ano seguinte, seu outro filho, Uriel, passou a trabalhar com o irmão. Em 1940, foi morar em Niterói. Até o fim de sua vida, forneceu imagens para particulares e para a imprensa.

Ao longo de sua carreira teve diversos estúdios cedidos pela Prefeitura que, às vezes, também residia com sua família: na Rua do Lavradio, 96 (depois 112), que sofreu um incêndio em 1905; na Rua do Riachuelo, 22, perto dos Arcos da Lapa; na Rua Frei Caneca, no Passeio Público, na Rua Camerino, 57, na Rau Senador Furtado, 85, no Maracanã; na Rua General Câmara, 260 e na Rua Sergipe, no Maracanã. Também teve ateliês fotográficos particulares como os da Avenida Central, 92; da Avenida Rio Branco, 90; e da Praça Tiradentes, 35.

Em 30 de junho de 1957, Augusto Malta faleceu devido a problemas cardíacos, no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério do Caju. Residia na Rua Pereira Nunes, em Niterói, bem próximo à Praia das Flechas. Quando faleceu, só tinha três filhos vivos: o fotógrafo Uriel, Amalthea e Dirce.

 

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O GLOBO, 1º de julho de 1957

 

 Acesse aqui a Cronologia de Augusto Malta (1864 – 1957)

 

*Este artigo foi atualizado em 29 de abril de 2026.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Achados e Perdidos (livro eletrônico): Imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)/Eliseu Santiago de Souza…(Et.Al.) — 1ª edição. Rio de Janeiro: Aprazível Edições e Arte e UQ Editions, 2025 PDF. Outros autores: Pedro Marreca, Rafael Martins, Leonel Kaz.

ALMEIDA, Adjovanes Thadeu Silva de; SANTANA, José Luis. Augusto Malta: o fotógrafo de uma cidade que se transformou. Revista Eletrônica do Instituto de Humanidades, 2013

Anais do Museu Histórico Nacional: volume XXXII – 2000, pág 131.

BENCHIMOL, Jaime Larry. Pereira Passos: um Haussmann tropical – a renovação urbana da cidade do Rio de Janeiro no início do século XX. Rio de Janeiro : Biblioteca Carioca v11 – AGCRJ, 1992.

BULHÕES, Antonio & REBELO, Marques. O Rio de Janeiro do bota-abaixo. Rio de Janeiro: Salamandra, 1997

CAMPOS, Fernando Ferreira. Um fotógrafo, uma cidade: Augusto Malta, Rio de Janeiro: Maison Graphique, 1987.

Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2002

Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo, volume II. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1956.

ERMAKOFF, George. Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936 / George Ermakoff; tradução para o inglês Carlos Luís Brown Scavarda. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2009. 288p. : il.; 28cm

FROSSARD, Heloisa (org.) Augusto Malta – Catálogo da série Negativo em vidro Aristógiton Malta. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro – Coleção Biblioteca Carioca, 1994.

HEEREN, Alice. Affective Rhetorics of Contagion – Augusto Malta in Belle Époque Rio de Janeiro, 2020.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. A fotografia como fonte histórica: introdução à pesquisa e interpretação das imagens do passado. São Paulo: Secretaria da Ind., Com., Ciência e Tecnologia, 1980. (Coleção Museu &Técnicas; 4).

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

Nosso Século. São Paulo; Abril Cultural, 1980. vol 1 (1900-1910)

O GLOBO

MOREIRA, Regina Luz. Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio in Portal Augusto Malta, 18 de agosto de 2008

OLIVEIRA JUNIOR, Antônio Ribeiro de. Do reflexo à mediação : um estudo da expressão fotográfica e da obra de Augusto Malta. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Artes, 1994.

OLIVEIRA JUNIOR, Antonio Ribeiro de. O visível e o invisível: um fotógrafo e o Rio de Janeiro no início do século XX. In: SAMAIN, Etienne (org.). O Fotográfico. São Paulo: Hucitec, 1998.

Portal Augusto Malta do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Site Enciclopédia Itau Cultural

Site Centro Cultural da Light

Site Family Search

Site Instituto Moreira Salles

Site Museu da Imagem e do Som

SOUZA, Fernando Gralha. Augusto Malta e o olhar oficial – Fotografia, cotidiano e memória do Rio de Janeiro – 1903/1936. Tese de Mestrado. UFJF/PPGHIS. 2006.

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez

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Marc Ferrez. Marc Ferrez aos 33 anos, c. 1877. Rio de Janeiro. Acervo IMS.

No ano em que o Rio de Janeiro completa 450 anos de fundação, a Brasiliana Fotográfica faz uma homenagem à cidade com uma seleção de fotografias de Marc Ferrez (1843-1923), o brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Sua vasta e abrangente obra se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo.

Estabeleceu-se como fotógrafo, com a firma Marc Ferrez & Cia, em 1867, na rua São José, nº 96, e logo se tornou o mais importante fotógrafo do Rio de Janeiro. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde fotografou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.

“E é nesse entorno que Ferrez fez muitas das imagens que melhor representam o seu trabalho de um ponto de vista mais pessoal e autoral…”. (1)

Outro segmento de sua obra iconográfica registrou as várias regiões do Brasil – ele foi o único fotógrafo do século XIX que percorreu todas as regiões do país, tendo sido, no referido século, o principal responsável pela divulgação da imagem do país no exterior.

Marc Ferrez nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de dezembro de 1843, filho de Zépherin e Alexandrine Ferrez. Seu pai, um escultor e gravador francês, havia chegado no Rio de Janeiro em 1817, passando a integrar a Missão Francesa, que havia se instalado na cidade no ano anterior. Depois do falecimento de seus pais em 1851, ele foi viver em Paris com o gravador de medalhas Joseph Eugène Dubois. De volta ao Brasil, atuou sempre como fotógrafo e faleceu em 12 de janeiro de 1923 ( O Paiz, 14 de janeiro de 1923, sexta coluna e Gazeta de Notícias, 16 de janeiro de 1923,  última coluna), na capital que o acolheu e ele eternizou com sua arte.

(1) – Rio /Marc Ferrez – São Paulo: IMS; Göttingen: Steidl, 2015, pág. 9.

Acessando o link para as fotografias de Marc Ferrez disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

 

Carimbo de Marc Ferrez, c. 1875, Rio de Janeiro. Acervo IMS.

 

Convidamos os leitores para visitar a exposição Rio: primeiras poses – Visões da cidade a partir da chegada da fotografia (1840-1930), em cartaz no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, até 31 de dezembro de 2015.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez 

 

 

Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 25 de janeiro de 2016

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2016

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de autoria de Sérgio Burgi, um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de dezembro de 2016

No primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 22 de setembro de 2017

Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica,  publicada em 29 de junho de 2018

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 20 de julho de 2018

Uma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2018 

Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de abril de 2019

Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 

Os 180 anos da invenção do daguerreótipo – Os álbuns da Comissão Geológica do Império com fotografias de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de agosto de 2019

Celebrando o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 4 de dezembro de 2019

Uma homenagem da Casa Granado ao imperial sob as lentes de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de fevereiro de 2020

Ressaca no Rio de Janeiro invade o porão da casa do fotógrafo Marc Ferrez, em 1913, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado 6 de março de 2020

Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 16 de março de 2020

Bambus, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2020

O Baile da Ilha Fiscal: registro raro realizado por Marc Ferrez e retrato de Aurélio de Figueiredo diante de sua obra, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 9 de novembro de 2020

O Palácio de Cristal fotografado por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 2 de fevereiro de 2021

A Estrada de Ferro do Paraná, de Paranaguá a Curitiba, pelos fotógrafos Arthur Wischral (1894 – 1982) e Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 22 de março de 2021

Dia dos Pais – Julio e Luciano, os filhos do fotógrafo Marc Ferrez, e outras famílias, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 6 de agosto de 2021

No Dia da Árvore, mangueiras fotografadas por Ferrez e Leuzinger, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 21 de setembro de 2021

Retratos de Pauline Caroline Lefebvre, sogra do fotógrafo Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 28 de abril de 2022

A Serra dos Órgãos: uma foto aérea e imagens realizadas pelos mestres Ferrez, Leuzinger e Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2022

O centenário da morte do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 12 de janeiro de 2023

O Observatório Nacional pelas lentes de Marc Ferrez, amigo de vários cientistas, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 29 de maio de 2023

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a potente imagem da Cachoeira de Paulo Afonso, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2023

A Fonte Adriano Ramos Pinto por Guilherme Santos e Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 18 de julho de 2023

Os 180 anos de nascimento do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 7 de dezembro de 2023