Destacando duas fotografias do acervo dos Diários Associados – Rio de Janeiro, o sétimo artigo da série Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica homenageia os 85 anos da fundação e do primeiro concerto realizado pela Orquestra Sinfônica Brasileira, patrimônio cultural brasileiro e importante promotora do acesso à música de concerto em nosso país. É a única orquestra do Brasil que se mantém em permanente atividade há mais de 80 anos, desde sua fundação.
Sob a regência do maestro húngaro Eugen Szenkar (1891 – 1977), seu primeiro diretor artístico, a orquestra apresentou-se no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1940, cinco dias após sua criação. O regente, que ficou à frente da OSB até 1949 (Diário de Notícias, 27 de setembro de 1949, quarta coluna; 30 de dezembro de 1949), incluiu no repertório de estreia a obra Serenata, do compositor brasileiro, Alberto Nepomuceno (1864 – 1920). As outras peças executadas foram dos compositores alemães Carl Maria von Weber (1786 – 1826), Ludwig van Beethoven (1770 – 1827), Richard Wagner (1813 – 1883) e do tcheco naturalizado norte-americano Jaromír Wainberg (1896 – 1967) (Diário de Notícias, 17 de agosto de 1940, sexta coluna; 18 de agosto de 1940, quinta coluna).
Uma das fotografias do acervo dos Diários Associados – Rio de Janeiro destacadas neste artigo é de Eugen Szenkar ensaiando a orquestra, que ilustrou uma entrevista do maestro, seis anos após a fundação da OSB (Diário da Noite, 4 de julho de 1946).
A outra, uma fotografia publicada pelo Diário da Noite, de 2 de setembro de 1944, é um flagrante da apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira no 6º Concerto para a Juventude, no Cine Teatro Rex, em uma iniciativa conjunta com o Ministério da Educação. O concerto, que integrou as festividades da Semana da Pátria, estava lotado (Diário da Noite, 2 de setembro de 1944, última coluna).
A preservação de um arquivo fotográfico de imprensa é muito importante porque as imagens podem, a partir de recursos tecnológicos como o zoom e a digitalização, terem uma boa visibilidade e serem acessadas em sua qualidade plena. O acervo fotográfico dos Diários Associados – Rio de Janeiro foi incorporado, em 2016, por um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica, o Instituto Moreira Salles (IMS). O conjunto adquirido pelo IMS dos Diários Associados, que já foram o maior conglomerado de mídia do Brasil, possui cerca de 700 mil fotografias e 300 mil negativos com imagens produzidas para O Jornal, primeiro órgão dos Diários, adquirido por Assis Chateaubriand (1892 – 1968) em 1924; para o Diário da Noite, fundado por ele em 1929; e para o Jornal do Commercio, fundado em 1827 e adquirido pelo grupo em 1959. Os registros cobrem um período representativo do século XX – de 1915 a 2005.
Brevíssima história da Orquestra Sinfônica Brasileira
A Orquestra Sinfônica Brasileira foi fundada, em julho de 1940, graças aos esforços do maestro José Siqueira (1907 – 1985), e de outros professores da Escola Nacional de Música: Orlando Frederico, Alfredo Gomes, Antão Soares, Djalma Guimarães, Alberto Lazzoli, Antonio Leopardi, Iberê Gomes Grosso, Nelson Cintra e o capitão Fortunato Nascimento, além de apoiadores como o jornalista Roberto Marinho (Diário de Notícias, 13 de julho de 1940, coluna).
Como já mencionado, o primeiro concerto realizou-se em 17 de agosto de 1940. Inicialmente, os ensaios da orquestra eram realizados na Sala Leopoldo Miguez, da Escola Nacional de Música.
Um dos mais importantes críticos de música de seu tempo, o curitibano José Cândido de Andrade Muricy (1895 – 1984), saudou a criação da OSB em uma crônica publicada no Jornal do Commercio, de 21 de julho de 1940, primeira coluna.
De acordo com o site da OSB, sucederam o maestro Eugen Szenkar: o italiano Lamberto Baldi (1895 – 1979), em 1950 (Correio da Manhã, 13 de março de 1950, segunda coluna); o cearense Eleazar de Carvalho (1912 – 1996), em 1952; e o curitibano Alceu Bocchino (1918 -2013), em 1963 (Diário de Notícias, 18 de abril de 1963, segunda coluna).
Em 1943, a OSB ganhou um patrono de peso, o empresário Arnaldo Guinle, que doou uma sede à orquestra, em dois andares do prédio na Avenida Rio Branco, 137, no centro do Rio de Janeiro. Também neste ano foram inaugurados os Concertos para a Juventude, cuja premissa era dar oportunidades a jovens solistas brasileiros. Eram realizados no último domingo do mês. O primeiro concerto aconteceu, em 25 de abril, no Cine Teatro Rex, reunindo cerca de 900 estudantes na platéia (Diário de Notícias, 29 de abril de 1943; A Noite, 12 de setembro de 1943, primeira coluna). Nos anos 1950, a Orquestra gravou seu primeiro LP, com peças de Carlos Gomes (1836 – 1896), Oscar Lorenzo Fernandez (1897 -1948), Francisco Braga (1868 – 1945), Alberto Nepomuceno e Fructuoso Vianna (1896 – 1976). Em 1958, já possuía 18 LPs gravados.
Na inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960, a OSB apresentou-se, a convite do governo federal.
A OSB foi transformada em fundação, em 1966, ano em que Eleazar de Carvalho reassumiu a orquestra. Ganhou um maior impulso a partir de 1970, graças ao dinamismo de seu novo diretor, o brasileiro de ascendência russa Isaac Karabtchevsky (1934 -), realizando sua primeira turnê para o exterior: apresentou-se na Europa, em 1974. Três anos depois, em 1977, fez uma temporada nos Estados Unidos e no Canadá.
O Projeto Aquarius, criado em 1972, também ajudou a popularizar a OSB, levando a música clássica às camadas mais populares, em concertos na Quinta da Boa Vista. Sua estréia, em 30 de abril de 1972, no Aterro do Flamengo, foi assistida por cerca de 100 mil pessoas. Em 1984, por exemplo, foi realizado o Rock Concerto – iniciativa do Projeto Aquarius, na Praça da Apoteose, com a orquestra e o coro do Theatro Municipal, Barão Vermelho e Blitz. E no centenário do compositor Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959), em 1987, o Projeto Aquarius o homenageou apresentando um grande concerto com a participação de cinco mil vozes.
Ainda sob a regência de Karabtchevsky a OSB causou uma polêmica por ter executado, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a obra Rapsódia sobre temas de Chico Buarque, de Lindolfo Gaya (1921 – 1987), uma homenagem a Chico Buarque (1944-). Foi aplaudida por um auditório repleto mas não agradou a todos. O pianista, regente e compositor Francisco Mignone (1897 – 1986) teria dito, no foyer do teatro: É sinal de luto pela música brasileira (Correio da Manhã, 9 de novembro de 1967, quarta coluna; Diário de Notícias, 9 de novembro de 1967, segunda coluna; O Jornal, 10 de novembro de 1967, quinta coluna; Jornal do Brasil, 15 de novembro de 1967, terceira coluna; Jornal do Commercio, 19 de novembro de 1967, terceira coluna).
Karabtchevsky, que foi regente titular da OSB de 1969 a 1996, foi sucedido pelo paulistano Roberto Tibiriçá (1954-), em 1996; pelo israelense-argentino Yeruham Scharovsky (1956-), em 1998; e pelo paulistano Roberto Minczuk (1967-), em 2005, que ocupou o cargo até 2011, quando assumiram os cariocas Fernando Bicudo (1946-) e Pablo Castellar ( 1976-). Desde 2015 a orquestra não tem regente titular (Revista Concerto, 1º de março de 2025).
Em 5 de outubro 1997, durante a missa campal feita pelo papa João Paulo II, no Rio de Janeiro, a OSB tocou Cidade Maravilhosa e foi acompanhada pelo coro de uma plateia de milhares de pessoas.
Em 1999, foi criada a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem (Tribuna da Imprensa, 31 de agosto de 1999, primeira coluna).
No século XXI, a OSB se apresentou na abertura do Rock in Rio III, no Palco Mundo, para mais de 120 mil pessoas presencialmente, em 2001 (Youtube).
Neste mesmo ano, realizou uma turnê com concertos ao ar livre nas regiões norte e nordeste do Brasil. No ano seguinte, 2002, tornou-se parceira da Prefeitura do Rio de Janeiro que, em 2003, a convidou para ocupar a Cidade da Música, complexo cultural na Barra da Tijuca. Ainda em 2003, apresentou-se na celebração dos 10 anos da criação do grupo Afroreggae. Em 2006, a Vale juntou-se à Prefeitura do Rio como mantenedores das atividades da OSB. Em 29 de novembro de 2008, apresentou-se com o cantor e compositor Ivan Lins (1945-), na inauguração da 13ª Árvore de Natal, da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Em 2009, nasceu a parceria entre a Fundação OSB e o BNDES.
Em 2010, a OSB celebrou seus 70 anos anos com uma série de eventos, dentre eles a reprise de seu primeiro concerto (Jornal do Brasil, 10 de março de 2010). Pelo Projeto Aquarius, apresentou um espetáculo para mais de 100 mil pessoas na Praia de Copacabana (O GLOBO, 29 de maio de 2010).
Os 80 anos da orquestra foram celebrados, em 2020, em plena pandemia do Covid-19. O plano inicial das comemorações previam uma temporada presencial com destaque para músicos brasileiros e música nacional, mas devido à pandemia a programação foi adaptada para o formato digital – concertos em vídeos foram divulgados nas redes sociais (Série Virtual OSB 80).
Algumas de suas séries e projetos criados pela OSB são: Série Vesperal (1977), Música pelo Brasil (1983), Os Pianistas (1991), Concertos Didáticos (1998), Orquestra Para Todos (2004), Série Safira (2007), Orquestra em Movimento (2016) e Conexões Musicais (2017)
Ao longo de sua história a OSB revelou diversos talentos, dentre eles o pianista Arthur Moreira Lima (1940 – 2024), o violinista Henrique Morelenbaum (1931 – 2022) e o pianista Nelson Freire (1944 – 2021), que estreou, com apenas 11 anos, à frente da orquestra nos Concertos para a Juventude, de 1956. Também revelou a pianista Cristina Ortiz (1950-), que venceu o concurso Jovens Solistas do programa Concertos para a Juventude, de 1961; e o violoncelista Antonio Meneses (1957 – 2024). Também recebeu estrelas internacionais como o maestro Kurt Masur (1927 – 2015), e os cantores Luciano Pavarottin(1935 – 2007), José Carreras (1946-) e Placido Domingo (1941-).
A partir do decreto municipal nº 48.727, 9 de abril de 2021, a Orquestra Sinfônica Brasileira passou a ser Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do município do Rio de Janeiro
A OSB segue sua vocação democrática, educativa e de excelência artística na direção da popularização da música de concerto e na de transformação social por meio da música. Viva a cultura! Viva a Orquestra Sinfônica Brasileira! Vida longa à Orquestra Sinfônica Brasileira!
Andrea C. T. Wanderley
Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Fontes:
Acervo de O GLOBO
BARROS, Maria Pia Fontes Lins de; WANDERLEY, Andrea C. T. Agenda do Centro de Documentação da TV Globo
CORREA, Sergio Nepomuceno Alvim. Orquestra Sinfonica Brasileira 1940-2000. FUNARTE, 2004.
Gazeta do Povo, 7 de abril de 2013
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
Orquestra Sinfônica Brasileira 81 Anos
Site Academia Brasileira de Música


Enterro do coronel Fulgêncio da Força Pública Mineira, em Passa Quatro (MG). Vê-se o Coronel Cristóvão Barcelos (à frente, com os braços cruzados) e o então capitão-médico Juscelino Kubitschek (à esquerda de Cristóvão Barcelos), 1932. Passa Quatro, Minas Gerais/ Acervo Museu da República
Enseada de Botafogo, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
Ignacio F. Mendo. [Estrada de Ferro de Paulo Afonso] : Corte grande do Pico do Curralinho, kilo. 26, 1880 / Acervo FBN 

























































































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