Com registros produzidos pelos fotógrafos Augusto Malta (1864-1957), Juan Gutierrez (c.1860-1897), Marc Ferrez (1843-1923) e por Rodrigues & C°. Editores e Proprietários, a Brasiliana Fotográfica publica o 7º artigo da série Os arquitetos do Rio e Janeiro e o 32º da série O Rio de Janeiro desaparecido. É sobre o prédio da Imprensa Nacional que ficava situado na Rua da Guarda Velha, atual Avenida Treze de Maio, no Rio de Janeiro. E também sobre o arquiteto e engenheiro Antonio de Paula Freitas (1843-1906), que o projetou e construiu.
Acesse aqui o link para as fotografias do prédio da Imprensa Nacional projetado por Paula Freitas disponíveis no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica
O edifício gótico-manuelino foi inaugurado, em 31 de dezembro de 1877, por João Maurício Wanderley (1815-1889), o barão de Cotegipe, então ministro da Fazenda, cerca de três anos após o lançamento de sua pedra fundamental, em 26 de agosto de 1874, por José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o visconde do Rio Branco, pai do barão do Rio Branco.
Foi demolido, entre 1940 e 1941, devido a um projeto de alargamento do Largo da Carioca (Jornal do Brasil, 8 e novembro de 1940, sexta coluna; A Noite, 5 de fevereiro de 1941; Gazeta de Notícias, 30 de julho de 1941).
Brevíssimos perfis dos fotógrafos que produziram as fotos do prédio da Imprensa Nacional destacadas neste artigo
Augusto Malta (1864-1957)
O fotógrafo alagoano Augusto Malta foi o mais importante cronista fotográfico do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX, cidade onde chegou em fins de 1888. Em 1903, foi contratado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como fotógrafo oficial, cargo criado para ele. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida pelo então prefeito da cidade, Francisco Pereira Passos (1836-1913), período que ficou conhecido como o “bota-abaixo”. Augusto Malta trabalhou na Prefeitura até 1936, quando se aposentou.
Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897)
A foto destacada abaixo foi produzida pelo fotógrafo Juan Gutierrez, um dos mais importantes fotógrafos paisagistas do século XIX, no Brasil e um dos maiores cronistas visuais do Rio de Janeiro. Foi um dos fotógrafos principais da transição da cidade imperial para a cidade republicana. Entre 1892 e 1896, produziu a maior parte de suas fotografias de paisagens do Rio de Janeiro, que eram vendidas para estrangeiros que visitavam a cidade. Sobre a foto abaixo, a historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi, do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, comentou no artigo O Rio de Janeiro de Juan Gutierrez, publicado no portal, em 1º de março de 2019: Ampliando a imagem, observamos um vendedor de pequenas mercadorias que hoje chamamos de camelô, bem como podemos notar, atrás do prédio da Imprensa Nacional, os primeiros barracos a serem construídos no Morro Santo Antônio, que abrigou uma grande favela no centro do Rio de Janeiro e que no final de década de 1950 foi arrasado.
Marc Ferrez (1843-1923)
O carioca Marc Ferrez (1843 – 1923), filhos de franceses, foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Sua vasta e abrangente obra iconográfica se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo. Estabeleceu-se como fotógrafo com a firma Marc Ferrez & Cia, em 1867, na rua São José, nº 96, e logo se tornou o mais importante profissional da área no Rio de Janeiro. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde registrou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.
Rodrigues & C°. Editores e Proprietários
Há até o momento poucas informações sobre este fotógrafo. Sabe-se que esteve em atividade no Rio de Janeiro nas décadas de 1890 e 1900. O endereço de seu estabelecimento era Rua dos Ouvidor, n° 57.
Breve perfil do engenheiro e arquiteto Antonio de Paula Freitas (1843-1906)
O engenheiro e arquiteto carioca Antonio de Paula Freitas, nascido em 10 de janeiro de 1843, foi o responsável pelo projeto e pela construção do prédio da Imprensa Nacional, na Rua da Guarda Velha. A tarefa foi atribuída a ele por José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o visconde do Rio Branco, em 1874. O visconde era, então, o ministro da Fazenda e Paula Freitas era engenheiro do ministério (Revista do Instituto Politécnico Brasileiro, fevereiro de 1874).
Paula Freitas começou a estudar no Colégio Vittorio com 10 anos de idade. Tornou-se bacharel, em 4 de dezembro de 1863, e doutor em Ciências Físicas e Matemáticas pela antiga Escola Politécnica, em 21 de maio de 1870 (Constitucional, 5 de dezembro e 1863, última coluna; Diário do Rio de Janeiro, 21 de maio de 1870, terceira coluna; Renascença, abril de 1907). Havia defendido sua tese, em 17 de março de 1870, com a presença de dom Pedro II (1825-1891) (Diário do Rio de Janeiro, 18 de março de 1870, quarta coluna). Era também engenheiro geógrafo e civil. Foi professor catedrático do curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica, conselheiro da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e engenheiro fiscal do governo junto da companhia das docas de dom Pedro II (Diário do Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1871, primeira coluna; Diário do Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1874, segunda coluna). Foi membro da Comissão de Contas da Associação Promotora da Instrução de Meninos, Secretário da Secção de Aclimação da Associação Brasileira de Aclimação e sócio da Sociedade Auxiliadora da Imprensa Nacional (Jornal do Commercio, 20 e julho de 1867, sexta coluna; Diário do Rio de Janeiro, 26 e 27 de dezembro de 1876, terceira coluna; Jornal do Commercio, 27 de março de 1877, quinta coluna). Foi membro do Instituto dos Engenheiros Civis de Londres, da Sociedade Francesa de Higiene e da Diretoria do Congresso Científico Latino-Americano. Foi fundador e membro da Administração do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica; do Liceu de artes e Ofícios e do Conselho Diretor do Clube de Engenharia, tendo sido colaborador da Revista de Engenharia (Revista de Engenharia, 10 de agosto de 1879). Presidiu o Instituto Politécnico Brasileiro e foi durante anos responsável pela revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.
Recebeu, em 13 de novembro de 1877, por seu trabalho Determinação dos Coeficientes numéricos das Fórmulas Matemáticas o importante Prêmio Hawkshaw, honraria instituída pelo Instituto Politécnico Brasileiro e atribuída a quem se destacasse por trabalhos acadêmicos na área da Engenharia. Foi entregue a ele em uma sessão solene no referido instituto, na época presidido pelo visconde do Rio Branco, com a presença de dom Pedro II (Jornal do Commercio, 14 de novembro de 1877, terceira coluna).
Devido a seu destaque tanto nas atividades profissionais como nas acadêmicas foi agraciado, durante o reinado de dom Pedro II (1825-1891), com os títulos de Oficial Menor da Casa Imperial, Cavaleiro da Ordem da Rosa e cavaleiro da Ordem de Cristo.
Segundo a tese de doutorado A formação da Escola Politécnica na corte do Império brasileiro (2022), de Laura Roberta Fontana, dentre suas obras estão:
1. História natural popular dos animais, precedida das indispensáveis noções de fisiologia e anatomia dos diferentes grupos zoológicos.
2. Curso de estradas professado na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, 1º tomo.
3. Tese apresentada à Escola Central do Rio de Janeiro e sustentada perante a mesma escola, a fim de obter o grau de Doutor em ciências matemáticas e naturais. A obra é dividida em duas partes. Na 1ª parte trata do teorema das velocidades virtuais, independente da consideração dos infinitamente pequenos, e dos princípios fundamentais da mecânica, reduzidos ao menor número possível. Na 2ª parte estuda qual a hipótese que melhor explica a formação primitiva da Terra, e depois se examina a teoria de Laplace.
4. Demonstrar em geral o teorema das velocidades virtuais sem dependência da consideração dos infinitamente pequenos. Demonstrar quais são os princípios fundamentais da mecânica reduzidos ao menor número possível: tese de concurso.
5. Integrais definidas, consideradas como parâmetros. Funções eulerianas. Enchentes dos rios e meios propostos para impedir os seus efeitos: tese de concurso à primeira cadeira do 2º ano da Escola Central.
6. Determinação dos coeficientes numéricos das fórmulas matemáticas.
7. Relatório sobre o abastecimento de água da Cidade do Rio de Janeiro. Este relatório foi escrito de colaboração com o Doutor Manoel Buarque de Macedo em comissão do Ministério da Agricultura.
8. Informações sobre o estado da indústria nacional pela secção de indústria fabril da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, presidida pelo Doutor Antônio de Paula Freitas.
9. Descrição do novo edifício da Tipografia Nacional do Brasil. A planta deste edifício, feita pelo Doutor, tornou-se quadro na Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda.
10. Discurso pronunciado na sessão magna da Sociedade Acadêmica Atheneu Central em 17 de fevereiro de 1865.
11. Breves considerações sobre os freios empregados nos trens dos caminhos de ferro. Revista de Engenharia, tomo 1º, n. 8, 1879.
São de sua autoria os projetos e a construção de vários prédios históricos na cidade do Rio de Janeiro, como o imóvel-sede do Tesouro Nacional, já demolido, e o do Correio Geral, na Rua Primeiro de Março.
Também projetou, em 1880, a pedido do ministro de Negócios do Império, Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo (1837-1918), o barão de Homem de Mello, um edifício para sediar a Faculdade de Medicina, cuja pedra fundamental foi lançada, em 12 de fevereiro de 1881, por dom Pedro II. As obras foram suspensas e só foram terminadas, em 1908, quando o prédio foi utilizado como Palácio dos Estados, um dos pavilhões da Exposição Nacional de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, decretada em 28 de janeiro de 1808, pelo então príncipe regente de Portugal, dom João de Bragança, futuro dom João VI (1767 – 1926). Em 1909, o Serviço Geológico foi ali instalado, em conjunto com outros órgãos do Ministério da Agricultura. Abriga atualmente o Museu de Ciências da Terra, que está fechado. O prédio foi tombado em 1994.
Foi engenheiro da Igreja da Candelária, por mais de 20 anos, tendo sido responsável pelo projeto e construção de suas duas sacristias laterais, em 1877, e pelo desenho e colocação – em colaboração com Heitor de Cordoville (c.1851-1904) – do novo revestimento interno em mármore italiano, além da instalação das belíssimas portas em bronze, em 1901 (Renascença, fevereiro de 1905). Em 1898, publicou o livro Memória histórica sobre a fundação e construção da Igreja da Candelária.
Nos últimos anos da década de 1880, como diretor das obras do ministério do Império, apresentou um projeto de melhoramentos no prédio da Escola Politécnica, mas a obra não foi realizada (Gazeta de Notícias, 2 de fevereiro de 1905).
Com Torquarto Neto, Alexandre Wagner, Otto Simon e Theodoro Duvivier, genro de Wagner, criou, em 1891, a Empreza de Construções Civis. Foram pioneiros no desenvolvimento de Copacabana. Paula Freitas, que presidia a empresa, foi o responsável pelo projeto e obras de arruamento do bairro, em 1894. Seu nome foi dado à antiga rua Itororó.

Em 1903, foi eleito intendente municipal e presidente do Conselho de Intendência Municipal (Gazeta de Notícias, 29 de junho de 1903; 18 de julho de 1903, terceira coluna; Jornal do Brasil, 26 de janeiro de 1904, oitava coluna). Porém, devido a divergências políticas com o prefeito Pereira Passos (1836-1913), renunciou aos cargos. Foi, posteriormente, presidente do Conselho do Instituto Politécnico Brasileiro (Gazeta de Notícias, 21 de março de 1905, sexta coluna). Faleceu em 18 de março de 1906, em sua residência, na Rua Marquês de Abrantes, nº82, em consequência de uma cirurgia para a retirada de pedras na bexiga. Foi enterrado no Cemitério São João Batista (Jornal do Brasil, 19 de março de 1906, coluna; Gazeta de Notícias, 25 de março de 1906, quinta coluna; Revista da Semana, 25 de março de 1906; Renascença, abril de 1907).

Um pouco da história da Imprensa Nacional
A história da Imprensa Nacional começou na década de 1800. Cerca de um ano antes da vinda da corte portuguesa para o Brasil, ocasionada pela invasão francesa no país, o governo português havia comprado da Inglaterra prelos e material tipográfico para a Secretaria de Negócios Estrangeiros e de Guerra. Na fuga da corte de Portugal para o Brasil, em 29 de novembro de 1807, o futuro Conde da Barca, dom Antônio de Araújo de Azevedo (1754-1817), despachou o material, que nem havia sido desencaixotado, na nau Medusa, que fazia parte da esquadra que veio para o Brasil. Além da já mencionada embarcação, integravam a esquadra portuguesa que cruzou o Oceano Atlântico conduzindo a família real, a corte, cerca de 10 mil pessoas da aristocracia e todo o Tesouro português as naus Afonso de Albuquerque, Conde D. Henrique e Martins de Freitas, D. João de Castro, Príncipe do Brasil, Príncipe Real e Rainha de Portugal; as fragatas Golfinho, Minerva e Urânia; os brigues Lebre, Vingança e Voador; e as escunas Curiosa e Furacão.
Foi constituída como Impressão Régia e foi um dos primeiros atos editados pela Família Real em solo brasileiro, em 13 de maio de 1808, dia do 41º aniversário do príncipe regente dom João (1767-1826), quando foi impresso seu primeiro trabalho, uma Relação de Despachos com os documentos oficiais desde a chegada da corte ao Brasil até aquela data.
“Relação dos despachos publicados na corte I pelo expediente da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra | no faustosíssimo dia dos annos de S. A. R. | o príncipe regente N. S. | E de todos os mais que se tem expedido pela mesma Secretaria desde a feliz chegada de S. A. R. nos Estados do Brasil até o dito dia | Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1808. | Na Impressão Régia. | Vende-se na Loja de Manoel Jorge da Silva j Livreiro na Rua do Rosário I in-fol. de 27 pp. num”.
Assinado por dom João, o decreto de Rodrigo de Souza Coutinho (1755-1812), futuro conde de Linhares, determinava a instalação no Rio de Janeiro dos prelos trazidos de Lisboa após a fuga da corte portuguesa.
DECRETO DE 13 DE MAIO DE 1808.
Crêa a Impressão Régia
Tendo-me constado, que os prélos que se acham nesta Capital, eram os destinados para a Secretaria de Estado dos Negocias Estrangeiros e da Guerra; e attendendo á necessidade que ha da officina de impressão nestes meus Estados: sou servido, que a casa, onde elles se estabeleceram, sirva interinamente de Impressão Regia, onde so imprimam exclusivamente toda a legislação e papeis diplomaticos, que emanarem de qualquer Repartição do meu real serviço; e se possam imprimir todas, e quaesquer outras obras; ficando interinamente pertencendo o seu governo e administração á mesma Secretaria. D. Rodrigo de Souza Coutinho, do meu Conselho de Estado, Ministro e Secretario de Estado dos Negocies Estrangeiros e da Guerra, o tenha assim entendido, e procurará dar ao emprego da Officina a maior extensão, e lhe dará todas as Instrucções e Ordens necessárias e participará a este respeito a todas as Estações o que mais convier ao meu real serviço.
Palácio do Rio de Janeiro em 13 de Maio de 1808.
Com a rubrica do Príncipe Regente Nosso Senhor.
Ficava criada a Impressão Régia, que passou a imprimir, em 10 de setembro do mesmo ano a Gazeta do Rio de Janeiro, inaugurando a imprensa no Brasil. Foi inicialmente redigida pelo frei português Tibúrcio José da Rocha (1776-1840). Antes disso, como prevenção à disseminação de ideias revolucionárias no Brasil, não era permitida no país a tipografia e o jornalismo. O Correio Braziliense é um pouco mais antigo, foi lançado em 1º de junho de 1808, mas era impresso em Londres.
Primeiramente a Impressão Régia foi instalada na casa do conde da Barca, na Rua do Passeio nº 44, e, em 1810, foi transferida para o andar térreo de um prédio da Rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga), esquina com a Rua das Marrecas. Em 1831, foi transferida para algumas salas da Imperial Academia de Belas Artes, na Avenida Passos. Em 23 de abril de 1836, passou a funcionar no andar térreo da Câmara dos Deputados, antiga Cadeia Velha, na Rua da Misericórdia, onde ficou até outubro de 1860, quando mudou-se para um edifício do governo, na Rua da Guarda Velha, contiguo à Secretaria do Império. Em 1° de outubro de 1862, o governo brasileiro, a partir de uma deliberação de Pedro de Araújo Lima (1793-1870), o marquês de Olinda, passou a divulgar os atos legais através do Diário Oficial, impresso pela Imprensa Régia.
Foi José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o visconde do Rio Branco, então ministro da Fazenda, que encomendou ao engenheiro de obras de seu ministério, Antonio de Paula Freitas, o projeto e a construção de um prédio para a Imprensa Nacional.
Como já mencionado, o prédio foi inaugurado no último dia de 1877 pelo ministro da Fazenda, João Mauricio Wanderley, o barão de Cotegipe.
Até um incêndio ocorrido, em 15 de setembro de 1911, por volta das 11 horas a noite, o prédio foi sua sede. O fogo teve início no almoxarifado, perto do corredor que separava o edifício do Teatro Lírico, que teve suspensa a opereta Orfeu nos infernos devido à forte fumaça que invadiu a sala de espetáculos. Restou apenas as paredes frontal e laterais, além da tesouraria do edifício. Houve suspeitas de que o incêndio havia sido criminoso, mas nada foi provado durante as investigações. A oficina da Imprensa Nacional passou a funcionar no Calabouço e no edifício do Ministério da Agricultura.
Em 28 de dezembro de 1940, por iniciativa do presidente Getúlio Vargas (1882-1954), a Imprensa Nacional foi transferida para um edifício na Rua Rodrigues Alves nº 1. Foi sua última sede no Rio de Janeiro.
Sua sede em Brasília foi inaugurada, em 21 de abril de 1960, quando o então presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) acionou a rotativa Marinoni dando início à primeira impressão do Diário Oficial da União na nova capital do Brasil. A Imprensa Nacional é ligada à Casa Civil da Presidência da República (Revista Imprensa Nacional, julho de 2017).
Em 13 de maio de 1982, foi inaugurado, em Brasília, o Museu da Imprensa. Uma das peças exibidas no museu é o Prelo Machado de Assis, uma máquina de impressão tipográfica fabricada, em 1833, de origem inglesa. Funcionou na Imprensa Nacional até 1940 e foi o instrumento de trabalho do escritor Machado de Assis (1839-1908), que foi servidor da Imprensa Nacional, entre os anos 1856 e 1858. Entre 1867 e 1874, Machado foi assessor do diretor do Diário Oficial. Pelo decreto presidencial de 13 de janeiro de 1997, tornou-se patrono da Imprensa Nacional. Em maio de 2017, o órgão criou a Revista Imprensa Nacional com periodicidade bimestral.


Lista dos diretores da Imprensa Régia / Imprensa Nacional de 1808 a 2025
Primeira Junta Diretória (1808 – 1815)
José Bernardes de Castro, José Marino Pereira da Fonseca (marquês de Maricá) e José da Silva Lisboa (visconde de Cairu).
Segunda Junta Diretória (1815 – 1830)
José Bernardes de Castro, José Marino Pereira da Fonseca (marquês de Maricá), José da Silva Lisboa (visconde de Cairu), Silvestre Pinheiro Ferreira, José Saturnino da Costa Pereira (substituto do marquês de Maricá), Francisco Vieira Goulart, Manoel Ferreira de Araújo Guimarães e Januário da Cunha Barbosa.
Diretores (1830 – 1834)
Januário da Cunha Barbosa e Francisco Crispiniano Valderato.
Administradores
Braz Antonio Castriolo (1834 – 1857), Manoel Antônio de Almeida (1857 – 1859), João Paulo Ferreira Dias (1859 – 1878), Antônio Nunes Galvão (1878 – 1892), José Marques Acauã Ribeiro (1892 – 1894), Veríssimo Julio de Moraes (1894 – 1897) e Antônio NUnes Galvão (1897 – 1898).
Diretores-Gerais
Mário Nunes Galvão (interino – 1898 -1900), Manuel Alves da Silva (interino – 1900), Antônio Bernardino Lopes Ribeiro Júnior (1900 – 1901), Raimundo Floresta de Miranda (1901 – 1904), Alfredo Augusto da Rocha (1904 – 1910), Manuel Temístocles de Almeida ((1910), Armênio Jouvin (1910 – 1912), Luís Alves Leite de Oliveira Bello (interino – 1912), Manoel Elói de Andrade (1912 – 1913), Leôncio Corrêa (1913 – 1914), José Silveira do Pilar Filho (interino – 1914), Antônio Borges Leal Castelo Branco (1914 – 1922), Eugênio Gracie Cata-Preta (1922 – 1929), Severiano A. Cavalcante (interino – 1929), Antônio Jaime de Alencar Araripe (1930), Aníbal Falcão de Barros Cassal (1931), Heito Bracet (interino – 1931), Francisco Antônio Rodrigues de Salles Filho (1932 – 1935), Manuel Vilerbo de Carvalho e Silva (1935 – 1940), Rubens D´Almeida Horta Porto (1940 – 1944), Francisco de Paula Achilles (1946 – 1951), Alberto Sá Souza de Britto Pereira (1944 – 1946) e (1951 – 1979), Octaciano da Costa Nogueira Filho (1979 – 1980), Dinorá Moraes Ferreira (1980 – 1989), Marlene Freitas Rodrigues Alves (1989 – 1990), Itler Cézar Bado (1990 – 1991), Enio Tavares da Rosa (1991 – 1994), Galba Menegale (1994), Ary Cícero de Moraes Ribeiro (1994 – 1995), Jamil Francisco dos Santos (1995 – 1996), Antônio Eustáquio Corrêa da Costa (1996 – 2000), Carlos Alberto Guimarães Batista da Silva (2000 – 2003), Fernando Tolentino de Souza Vieira (2003 – 2015), José Vivaldo Souza de Mendonça (2015 – 2016), Alexandre Retarnal Barbosa (2016), Pedro Antonio Bertone Ataíde (2016 – 2020), Ariosto Antunes Culau (2020 – 2021), Sávio Luciano de Andrade Filho (2021), Heldo Fernando de Souza (2021 – 2022) e Afonso Oliveira de Almeida (2023 -).
Andrea C.T. Wanderley
Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Fontes:
Blog Família Paula Freitas
Brasiliana Iconográfica
COSTA, Carla. Série “O Rio de Janeiro desaparecido” II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos in Brasiliana Fotográfica, 5 de abril de 2018
Dirigentes da Imprensa Nacional / Imprensa Nacional, Novos Rumos da Comunicação Pública
DUNLOP, Charles. Rio Antigo, volume III. Rio de Janeiro : Editora Rio Antigo Ltda, 1960.
FONTANA, Laura Roberta. Tese de doutorado A formação da Escola Politécnica na corte do Império brasileiro. Rio de Janeiro : UNIRIO, 2022.
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002
LARANJEIRA, Álvaro Nunes. Arqueobiografia do pioneiro da imprensa no Brasil: nas pegadas do frei Tibúrcio. Revista FAMECOS mídia, cultura e tecnologia. Porto Alegre, v. 18, n. 3, p. 765-781, setembro/dezembro 2011.
MIRANDA, Francisco Gonçalves(org). Memória Histórica da Imprensa Nacional. Rio de Janeiro : Imprensa Nacional, 1922.
Site Museu da Imprensa
Portal Arquivo Nacional
Portal MultiRio