E o Oscar vai para…***
A Brasiliana Fotográfica celebra esse dia histórico para o cinema nacional, quando o filme brasileiro Ainda estou aqui (2024), dirigido por Walter Salles Jr (1956-), concorre em três categorias da premiação do Oscar – Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres (1965-). Conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional. Vocês sabiam que o primeiro brasileiro que disputou um Oscar foi o compositor Ary Barroso (1903 – 1964)? Ele e seu parceiro, o norte-americano Ned Washington (1901-1976), concorreram, em 15 de março de 1945, na cerimônia realizada no Grauman´s Chinese Theatre, em Los Angeles, na categoria Melhor Canção Original com a música Rio de Janeiro, do musical Brasil (1944), uma produção norte-americana dirigida por Joseph Santley (1889 – 1971). A canção vencedora foi Swinging On A Star, composta por James Van Heusen (1913 – 1990) e Johnny Burke (1908 – 1964) para o filme O Bom Pastor (1944).
O mineiro Ary Barroso foi um dos maiores compositores da música popular brasileira, um ícone da Era do Rádio, e alguns de seus maiores sucessos foram Aquarela do Brasil, Baixa do Sapateiro, No Tabuleiro da Baiana, Os Quindins de Iaiá e Rancho Fundo. A fotografia abaixo, intitulada Ary Barroso ao piano, pertence à Coleção José Ramos Tinhorão, da Coordenadoria de Música do Instituto Moreira Salles (IMS), uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica.
A próxima imagem, também do acervo do IMS, retrata Ary Barroso com Linda Batista (1919 – 1988), Grande Otelo (1915 – 1993) e Herivelto Martins (1912 – 1992), e é de autoria do fotógrafo húngaro naturalizado brasileiro Carlos Moskovics (1916 – 1988). Em 1942, Moskovics fundou a Foto Carlos, no andar térreo do Edifício Rex, na Cinelândia. Era estúdio, laboratório e agência fotográfica. Em 1946, transferiu o estúdio Foto Carlos para o Edifício Civitas, na rua México, onde firmou-se como o fotógrafo dos artistas, retratando personagens do meio teatral, assim como desfiles de moda, paisagens urbanas da cidade e diversos acontecimentos de relevância social. Foi o fotógrafo mais requisitado do meio artístico entre as décadas de 1940, 1950 e 1960. Deixou um acervo de mais de 150 mil imagens que foi incorporado, em 2004, ao conjunto de coleções fotográficas do IMS.
Destacamos também nesta celebração do cinema nacional artigos já publicados no portal sobre Benjamin Abrahão Calil Botto (1901 – 1938), Jorge Kfuri (1893 – 1965), João Stamato (1886 – 1951), Nicola Parente (1847 – 1911), Marc Ferrez (1843 – 1923) e seus filhos; e Walter Garbe (18? – 19?), fotógrafos que fizeram parte da história do cinema no Brasil.
Artigos sobre os fotógrafos que fizeram parte da história do cinema no Brasil:
Os índios sob as lentes de Walter Garbe, em 1909, publicado em 23 de maio de 2017, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Lampião e outros cangaceiros sob as lentes de Benjamin Abrahão, publicado em 28 de julho de 2017, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
João Stamato, um fotógrafo nos sertões, publicado em 9 de fevereiro de 2021, de autoria de Ricardo Augusto dos Santos
O fotógrafo italiano Nicola Maria Parente (1847 – 1911) e sua trajetória no Brasil, publicado em 21 de fevereiro dde 2023, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Série “Teatros e cinemas do Brasil” XIII – Marc Ferrez e o cinema, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 19 de junho de 2024
Contamos também um pouco da chegada do cinema no Brasil e mostramos uma seleção de imagens de salas de cinema, do acervo do Instituto Moreira Salles, além de fotos aéreas da Cinelândia, do acervo do Museu Aeroespacial, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. A Cinelândia foi durante muito tempo, ao longo do século XX, o epicentro da vida cultural do Rio de Janeiro, com uma grande concentração de bares, cinemas, restaurantes e teatros.
Acessando o link para as fotografias de salas de cinema disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.
Acessando o link para as fotografias aéreas da Cinelândia disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.
Cinema no Brasil – o início e o Oscar 2025
Um “aparelho que projeta sobre uma tela colocada ao fundo da sala diversos espetáculos e cenas animadas, por meio de uma série enorme de fotografias“. Assim o Jornal do Commercio descreveu o omniógrafo, após a primeira sessão pública de cinema no Brasil, que aconteceu às 14h, do dia 8 de julho de 1896, no Rio de Janeiro, em uma sala especialmente preparada para as projeções do aparelho, na rua do Ouvidor (Jornal do Commercio, 9 de julho de 1896, quarta coluna). A exibição ocorreu poucos meses após a projeção inaugural dos filmes dos irmãos Auguste (1862 – 1954) e Louis-Jean Lumière (1864 – 1948), em Paris, no dia 28 de dezembro de 1895, no Grand Café do Boulevard des Capucines.
Cerca de dois anos depois, em 1898, chegou ao Rio de Janeiro, vindo da Europa, o navio Paquebot Brésil. A bordo, encontrava-se o cinegrafista brasileiro de origem italiana Affonso Segreto (1875 – 1919), que retornava de uma viagem para comprar equipamentos de filmagens e conhecer novas técnicas cinematográficas em Nova York e em Paris, onde fez um curso na Pathé Films.
Antes de desembarcar no Rio de Janeiro, Affonso filmou com uma câmara Lumière a entrada da enseada da Baía de Guanabara, as fortalezas e os navios ancorados (Gazeta de Notícias, 20 de junho de 1898, segunda coluna). Teria sido a primeira fita de cinema realizada no Brasil*. O acontecimento deu origem ao Dia do Cinema Brasileiro. Affonso Segreto filmou, posteriormente, aspectos do Rio de Janeiro, além de seus arredores, e também cerimônias e comícios.
Acesse aqui todos os artigos da série Teatros e cinemas do Brasil
O Brasil e o Oscar
Hoje, 2 de março de 2025, pela segunda vez uma brasileira concorre na categoria de Melhor Atriz do Oscar, um dos prêmios mais importantes do cinema mundial, distribuído pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, fundada, em 1927, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Estamos na torcida por Fernanda Torres por sua atuação no filme Ainda estou aqui (2024), interpretando Eunice Facciolla Paiva (1929-2018), viúva do deputado Rubens Paiva (1929-1971), assassinado pela ditadura militar. Ainda estou aqui, dirigido por Walter Salles Jr., concorre ainda, como já mencionado, nas categorias de Melhor Filme e de Melhor Filme Estrangeiro.
Fernanda Torres repete o feito de sua mãe, Fernanda Montenegro (1929-)**, indicada, em 1999, por Central do Brasil (1998), também dirigido por Walter Salles Jr. – ela foi derrotada por Gwyneth Paltrow (1972-), por Shakespeare Apaixonado (1998). As outras concorrentes foram Cate Blanchett (1969-), por Elizabeth (1998); Emily Watson (1967-), por Hilary e Jackie (1998); e Meryl Streep (1949-), por Um amor verdadeiro (1998).
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Reprodução do Youtube
Retrospectiva da participação de brasileiros na premiação do Oscar entre 1929 e 2025
1945 - A música Rio de Janeiro, composta pelo brasileiro Ary Barroso (1903 – 1964) e pelo norte-americano Ned Washington (1901 – 1976), que verteu a letra para inglês, foi indicada como Melhor Canção Original pelo musical Brasil (1944), uma produção norte-americana dirigida por Joseph Santley (1889 – 1971) e estrelada pelo mexicano Tito Guízar (1908-1999), que cantou a música. Aurora Miranda (1915-2005), irmã de Carmen Miranda (1909 – 1955) participou do filme. A canção vencedora foi Swinging On A Star, composta por James Van Heusen (1913 – 1990) e Johnny Burke (1908 – 1964) para o filme O Bom Pastor (1944).
O parceiro de Ary, Ned Washington, já havia ganho um Oscar na categoria Melhor Canção Original, em 1941, por When You Wish Upon a Star, tema do filme Pinóquio (1940) e uma das composições mais famosas das produções da Disney. Voltou a vencer na mesma categoria, em 1953, com a música High Noon (Do Not Forsake Me, Oh My Darlin’, do filme Matar ou Morrer (1952).
Em agosto de 1945, Ary Barroso foi citado como um dos compositores que haviam sido convidados para ir a Hollywood a fim de contribuírem com seus talentos para películas cinematográficas (Gazeta de Notícias, 16 de agosto de 1945, última coluna). Antes de ser indicado ao Oscar, algumas de suas músicas já haviam sido executadas em filmes: No Tabuleiro da Baiana, em Melodia do Coração (1940); Os Quindins de Iaiá, em Você já foi à Bahia? (1942); e Aquarela do Brasil, em Alô, Amigos! (1942) e Entre a loura e a morena (1943).
1960 - Orfeu Negro (1959), baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes (1913 – 1980), ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela França, apesar de sua música ter sido composta por Tom Jobim (1927 – 1994), de ter sido filmado no Rio de Janeiro e de ser todo falado em português. O diretor do filme foi o francês Marcel Camus (1912-1982) e o filme foi uma coprodução da França, da Itália e do Brasil.
1963 – O filme O Pagador de Promessas (1962), dirigido por Anselmo Duarte (1920 – 2009), foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, concorrendo com o grego Elektra (1962) o mexicano Tlayucan (1962), o italiano Quatro dias de rebelião (1962) e o francês Sempre aos domingos (1962), que foi o vencedor.
1979 – Raoni (1978), dirigido pelo brasileiro Luiz Carlos Saldanha (1943-) e pelo belga Jean-Pierre Dutilleux (1949-) concorreu na categoria de Melhor Documentário em Longa-Metragem com Le Vent des amoureux, de Albert Lamorisse (1922-1970); Mysterious Castles of Clay, d0 casal Joan Root (1936 – 2006) e Alan Root (1937 – 2017); With Babies and Banners: Story of the Women’s Emergency Brigade, de Lorraine Gray (1951-); e com Scared Straight! (1978), de Arnold Shapiro (1941-), que foi vencedor.
1986 – O Beijo da Mulher Aranha, uma co-produção do Brasil com os Estados Unidos, filmado nos antigos estúdios da Cia. Cinematográfica Vera Cruz, dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco (1946 – 2016) e baseado no romance do também argentino Manuel Puig (1932 – 1990) foi indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado – todas vencidos pelo filme Entre dois amores – e Melhor Ator – Willian Hurt (1950 – 2022) foi o vencedor por seu papel no filme.
1993 / 1994 / 2000 - Luciana Arrighi (1940-) ganhou com inglês Ian Whittaker (1928 – 2022) o Oscar de Melhor Direção de Arte pelo filme inglês Retorno a Howard´s End (1992). Luciana tem nacionalidade australiana, mas nasceu no Rio de Janeiro, em 1940, quando seu pai, um diplomata italiano, servia no Brasil. Aos dois anos, foi com sua família para a Austrália, onde sua mãe havia nascido. A dupla Arrighi/Whittaker foi mais duas vezes indicada na mesma categoria: em 1994, por Vestígios de Dia (1993) e, em 2000, por Anna e o Rei (1999).
1996 - O Quatrilho (1995), baseado no livro homônimo de José Clemente Pozenato (1938 – 2024) e dirigido por Fábio Barreto (1957 – 2019), concorreu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro com o sueco Lust och fägring stor (1995), o italiano O Homem das estrelas (1995), o argelino Poussières de vie (1995) e o holandês A excêntrica família de Antônia (1995), que foi o vencedor. O Quatrilho foi protagonizado por Glória Pires (1963-), Patrícia Pillar (1964-), Alexandre Paternost (1971-) e Bruno Campos (1973-).
1998 – O Que é Isso, Companheiro? (1997), dirigido por outro membro do clã Barreto, Bruno Barreto (1955-) e baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira (1941-), concorreu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro com o alemão A música e o silêncio (1996), o espanhol Segredos do Coração (1997), o russo Vor (1997), e o belga-holandês Caráter (1997), que venceu na categoria. No elenco, dentre outros, Pedro Cardoso (1962-), Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves (1933 – 2022) e Othon Bastos (1933-).
1999 – Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles Jr, concorreu na categoria Melhor Filme Estrangeiro com o iraniano Filhos do paraíso (1998), com o espanhol O avô (1998), com o argentino Tango (1998) e com o italiano A vida é bela (1998), que foi o vencedor. Na categoria de Melhor Atriz concorreu com Fernanda Montenegro que, como já mencionado, foi derrotada por Gwyneth Paltrow.
2001 – Uma História de Futebol (1998), do brasileiro Paulo Machline, concorreu na categoria na categoria de Curta-metragem de ficção em “live action” (filmado com atores). O vencedor foi Quiero ser (I want to be…), do alemão Florian Gallenberger (1972-). Os outros concorrentes foram By Courier (2010), do norte-americano Peter Riegert (1947-); One Day Crossing (2001), da norte-americana Joan Stein Schimke (19?-) e Serraglio (2000), dos norte-americanos Colin Campbell (19?-) e Gail Lerner (1970-). Uma História de Futebol é sobre passagens ficcionalizadas da infância de Pelé (), narradas por um amigo de infância do jogador. O roteiro é baseado em depoimentos de Aziz Adib Naufal.
2003 – O filme norte-americano de animação digital A Era do Gelo (2002), dirigido pelo norte-americano Chris Welsh (1957-) e co-dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (1965-) concorreu na categoria Melhor Filme de Animação e foi derrotado pelo japonês A Viagem de Chichiro, de Hayao Miyazaki (1941-). Os outros concorrentes foram Lilo & Stitch (2002), do norte-americano Chris Sanders (1962-); Spirit – O Corcel Indomável (2002), do norte-americano Jeffrey Katzenberg (1950-); e O Planeta do Tesouro (2002), dos norte-americanos Ron Clements (1953-) e John Musker (1953-).
2004 - Cidade de Deus (2003), dirigido por Fernando Meirelles (1955-) concorreu e foi derrotado em quatro categorias: Melhor Diretor para Fernando Meirelles Melhor Roteiro Adaptado para Bráulio Mantovani (1963-), Melhor Fotografia para César Charlone (1958-) e Melhor Edição para Daniel Rezende (1975-). Peter Jackson (1961-) venceu como Melhor Diretor pelo filme O Senhor dos Anéis, o Retorno do Rei (2003) Na categoria Melhor Roteiro Adaptado o vencedor foi de novo Peter Jackson, além de Fran Walsh (1959-) e Philippa Boyens (1962-), todos pelo filme O Senhor dos Anéis, o Retorno do Rei (2003). Na categoria Melhor Fotografia o vencedor foi Russel Boyd (1944-) por Mestre dos Mares (2003).
O filme norte-americano A Aventura Perdida de Scrat (2023), dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (1965-) e pelo norte-americano John C. Donkin (1961-) foi indicado na categoria Melhor Curta-Metragem de Animação.
2005 - Diários de Motocicleta (2004), uma produção multinacional, dirigida por Walter Salles Jr, foi indicado nas categorias Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original. Na segunda, venceu com a canção Al otro lado del rio, do uruguaio Jorge Drexler (1964-). Na primeira, Jose Rivera (1955-) concorreu mas perdeu para Rex Pickett (1956-), Alexander Payne (1961-) e Jim Taylor (19?), do filme Sideways – Entre umas e outras (2004). Diários de Motocicleta é sobre uma expedição realizada, em 1952, pela América do Sul, por Ernesto Che Guevara (1928 – 1967) e seu amigo Alberto Granado (1922 – 2011).
2011 - O documentário anglo-brasileiro Lixo Extraordinário (2010), do brasileiro João Jardim (1964-) e dos britânicos Lucy Walker n(1970-) e Angus Aynsley (19?-), concorreu na categoria Melhor Documentário em Longa-Metragem, cujo vencedor foi Trabalho Interno (2010), do norte-americano Charles Henry Ferguson (1955-). Os outros concorrentes foram Saída pela loja de presentes (2010), dos britânicos Banksy (197?-) e Jaimie D’Cruz (19?); Gasland (2010), dos norte-americanos Josh Fox (19?-) e Trish Adlesic (19?); e Restrepo, do britânico Tim Hetherington (1970 – 2011) e do norte-americano Sebastian Junger (1962-). Lixo Extraordinário é sobre o trabalho realizado pelo artista plástico brasileiro Vik Muniz (1961-) com catadores de material reciclável em um dos maiores aterros controlados do mundo, em Jardim Gramacho, bairro do município de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro.
2012 – Os músicos brasileiros Carlinhos Brown (1962-) e Sérgio Mendes (1941 – 2024) e a norte-americana Siedah Garrett (1960-) concorreram na categoria Melhor Canção Original com Real in Rio, do filme de animação Rio (2011) mas foram derrotados por Man or Muppet, do neozelandês Bret McKenzie (1976) para o filme The Muppets. O filme de animação digital Rio (2011) foi dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (1965-).
2015 – O documentário franco-ítalo-brasileiro O Sal da Terra (2014) foi dirigido pelo brasileiro Juliano Ribeiro Salgado (1974-) e pelo alemão Wim Wenders (1945-). Concorreu na categoria Melhor Documentário em Longa-Metragem com A Fotografia Oculta de Vivian Maier (2013), dos norte-americanos John Maloof (1981-) e Charlie Siskel (19?-); com Last days in Vietnan, da norte-americana Rory Kennedy (1968-); com Virunga (2014), dos britânicos Orlando von Einsiedel e Joanna Natasegara ; e com o vencedor, Citizenfour (2014), da norte-americana Laura Poitras (1964-), da francesa Mathilde Bonnefoy (1972-) e do alemão Dirk Wilutzky (1965-). O Sal da Terra é sobre o trabalho e a vida do fotógrafo brasileiro Sebastião Sagado (1944-). Um dos diretores do documentário, Juliano, é filho do fotógrafo.
2016 – O Menino e o Mundo (2015), do brasileiro Alê Abreu (1971-), concorreu na categoria de Melhor Filme de Animação com Anomalisa (2015), dos norte-americanos Charlie Kaufman (1958-), Duke Johnson (1979-) e Rosa Tran (19?); Shaun: o carneiro, do neozelandês Mark Burton (1984-) e do britânico Richard Starzak (1959-); As memórias de Marnie (2024), dos japoneses Hiromasa Yonebayashi (1973) e Yoshiaki Nishimura (1977-); e com o vencedor Divertidamente (2015), dirigido e co-escrito por Pete Docter (1968-). O Menino e o Mundo é sobre o menino Cuca que vive numa pequena aldeia, sofre com a falta do pai e parte a procura dele.
2018 – O filme norte-americano O Touro Ferdinando (2017), dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (1965-), concorreu na categoria Melhor Filme de Animação. Foi derrotado por Coco, dos norte-americanos Lee Unkrich (1967-) e Darla K. Anderson (1968-). Os outros concorrentes foram Com amor, Van Gogh (2017), da polonesa Dorota Kobiela (1978-) e do norte-americano Hugh Welchman (1976-); O Poderoso Chefinho (2017), dos norte-americanos Tom McGrath (1964-) e Ramsey Ann Naito (1974-); e The Breadwinner (2017), da irlandesa Nora Twomey (1971-).
2020 - Democracia em Vertigem (2019), dos brasileiros Petra Costa (1983-) e Tiago Pavan (19?), concorreu na categoria Melhor Documentário em Longa-Metragem cujo vencedor foi American Factory (2019), dirigido pelos norte-americanos Steven Bognar (1963-) e Julia Reichert (1946 – 2022). Os outros concorrentes foram o documentário sino-norueguês The Cave (2019), do sírio Feras Fayyad (1984-) e das dinamarquesas Kirstine Barfod (1979-) e Sigrid Dyekjær (1969-); o anglo-sírio-norte-americano For Sama (2019), dirigido pela síria Waad Al-Kateab (1991-) e pelo britânico Edward Watts (19?-); e o macedônio Medena zemja (2019), dirigido pelos macedônios Tamara Kotevska (1993-) e Ljubomir Stefanov (1975-). O documentário Democracia em Vertigem retrata os bastidores do impeachment da ex-presidente do Brasil Dilma Roussef (1947-), o julgamento do então ex-presidente, que a antecedeu, Luiz Inácio Lula da Silva (1945-); e a eleição de Jair Bolsonaro (1955-) à presidência da República.
2025 - Ainda estou aqui (2024), dirigido por Walter Salles Jr (1956-) concorre em três categorias da premiação do Oscar – Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres (1965-). Na categoria de Melhor Filme concorreu com: Anora, A Substância, Conclave, Duna 2, Emilia Perez, Nickel Boys, O Brutalista, Um Completo Desconhecido e Wicked. Venceu na categoria Melhor Filme Internacional e seus concorrentes foram: A garota da agulha, A semente do fruto sagrado, Emilia Perez e Flow. Com Fernanda Torres, na categoria de Melhor Atriz, concorreram: Demi Moore (1962-), por A Substância; Karla Sofía Gascón (1972-), por Emilia Pérez; Cynthia Erivo (1987-), por Wicked; e a vitoriosa Mikey Madison (1999-), por Anora. Todas os filmes são de 2024.
2026 - O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho (1968-), concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Ator – com Wagner Moura (1976-); e, pelo prêmio de Melhor Seleção de Elenco, nova categoria que faz sua estreia na no Oscar este ano, com Gabriel Domingues (19?-). Na categoria Melhor Filme os concorrentes são: Bugonia, F-1, Frankenstein, Hamnet, Marty Supreme, Uma Batalha após a outra, Valor Sentimental, Pecadores e Sonhos de Trem. Na categoria Melhor Filme Estrangeiros os concorrentes são: A voz de Hind Rajab (Tunísia), Foi apenas um acidente (França), Sirat (França) e Valor Sentimental (Noruega). Na categoria Melhor Ator, Wagner Moura concorre com Timothée Chalamet (1995-) por Marty Supreme, Leonardo DiCaprio (1974-) por Uma Batalha após a outra, Ethan Hawke (1970-) por Blue Moon, e Michael B. Jordan (1987-) por Pecadores. Finalmente, na categoria estreante Melhor Seleção de Elenco, Gabriel Domingues concorre com Nina Gold (1967-) por Hamnet, Jennifer Venditti (19?-) por Marty Supreme, Cassandra Kulukundis (1971-) por Uma Batalha após a outra e Francine Maisler (19?-) por Pecadores. O brasileiro Adolpho Veloso (1989-) concorre na categoria Melhor Fotografia pelo filme Sonhos de Trem com Dan Laustsen (1954-) por Frankenstein, Darius Khondji (1955-) por Marty Supreme, Michael Bauman (19?) por Uma Batalha após a outra e Autumn Durald Arkapaw (1979-) por Pecadores.

*Existe uma polêmica em torno do assunto: alguns estudiosos consideram o primeiro filme brasileiro Chegada em Petrópolis devido a uma notícia divulgada pela Gazeta de Petrópolis convidando para uma sessão do filme no dia 1º de maio de 1897, no Theatro Cassino de Petrópolis, organizada pelo napolitano Vittorio di Maio (1852 – 1926). Posteriormente, di Maio vendeu seu projetor e acervo para Paschoal Segreto. Também é de 1897 a vista Ancoradouro de pescadores na Baía de Guanabara, do pernambucano José Roberto Cunha Sales (1840- 1903), porém sua nacionalidade brasileira é contestada por historiadores que acreditam que o cinegrafista recortou o filme de uma vista estrangeira. Ancoradouro de pescadores na Baía de Guanabara está acervado no Arquivo Nacional.
** Uma curiosidade: outros pares de mães e filhas já concorreram ao Oscar: Ingrid Bergman (1915 – 1982) e Isabella Rossellini (1952-), Goldie Hawn (1945-) e Kate Hudson (1979-), Diane Ladd (1935-) e Laura Dern (1967-); e Judy Garland (1922 – 1969) e Liza Minnelli (1946-). As assinaladas em vermelho ganharam o prêmio.
*** Este artigo foi atualizado em 22 de janeiro de 2026, quando foram divulgados os concorrentes ao Oscar 2026.
Andrea C.T. Wanderley
Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Fontes:
CABRAL, Sérgio. No Tempo de Ary Barroso. São Paulo : Lazuli Editora, 2016.
Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
PIMENTEL, Luís. Ary Barroso – Coleção Mestres da Música no Brasil. Rio de Janeiro : Editora Moderna, 2008.
Portal Academy of Motion Pictures Arts ans Sciences
Portal Brasiliana Fotográfica
Portal Funarte
Portal G1
Portal IMDB
Portal IMS
Portal MultiRio
Site Café História
Youtube – O primeiro brasileiro indicado a um Oscar, em 1945