A Brasiliana Fotográfica celebra o Dia do Jornalista e a fundação da Associação Brasileira de Imprensa, a ABI, destacando imagens de prédios de antigos jornais: do Jornal do Brasil, produzida por um fotógrafo ainda não identificado; do Jornal do Commercio, por Uriel Malta (1910-1994); do O Paiz, por Guilherme Santos (1871-1966); e de A Noite, por Alfredo Krausz (1902-1953). Também foram escolhidas duas fotografias de pessoas lendo jornal, realizadas pelo italiano Vincenzo Pastore (c.1830-1918), em São Paulo, em torno de 1910; um registro de jornaleiros, de autoria de Gomes Junior (18?-19?); e uma imagem da atual sede da ABI, de um fotógrafo ainda não identificado.
O jornalismo é um bem público essencial e ele só é feito com o trabalho dos jornalistas, cujo ofício é primordial para a garantia da democracia. Em tempos de disseminação cada vez mais crescente de fake news, notícias falsas, no meio digital, a prática dos jornalistas profissionais torna-se ainda mais importante. Segundo um relatório publicado, em março de 2024, pela Organização Não Governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF) o Brasil carece de uma política de promoção da pluralidade e diversidade jornalística: “Num contexto de recentes ataques ao Estado Democrático de Direito no Brasil, a urgência de assegurar normas e políticas que fortaleçam um jornalismo livre, plural e de confiança é crucial para a própria democracia brasileira”. Segundo divulgado também pela RSF, em 13 de dezembro de 2024, nos últimos 20 anos, “mais de 1,7 mil jornalistas foram assassinados no planeta trabalhando ou em razão de suas funções”. Em 2024, 54 jornalistas foram mortos – duas mulheres e 52 homens.
Breve história do Dia do Jornalista
O Dia do Jornalista foi instituído oficialmente, no Brasil, pela Associação Brasileira de Imprensa, em 1931, em homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró (1798-1830), morto por inimigos políticos em novembro de 1830, em São Paulo (Astrea, 11 de dezembro de 1930, segunda coluna; O Farol Paulistano, 23 de dezembro de 1830, primeira coluna). Criador do jornal Observatório Constitucional, Badaró fazia oposição ao governo de dom Pedro I (1798-1834), que constantemente censurava sua publicação. O assassinato de Badaró contribuiu para acirrar a crise constitucional que levou à abdicação de Pedro I, no dia 7 de abril de 1831.

A ABI, fundada em 7 de abril de 1908, foi idealizada por Gustavo de Lacerda (1854-1909) e “seu principal objetivo era assegurar à classe jornalística os direitos assistenciais e tornar-se um centro poderoso de ação”. Após ocupar diversos lugares, dentre eles uma sala na sede do jornal O Paiz, sua atual sede, na Rua Araújo Porto Alegre, no Centro do Rio de Janeiro, foi construída entre 1936 e 1939, durante a presidência de Herbert Moses (1884-1972), que esteve à frente da ABI, entre 1931 e 1964. O prédio da ABI, projeto dos irmãos Marcelo (1908-1964) e Milton Roberto (1914-1953), é um marco na história da arquitetura brasileira.
Uma curiosidade: a primeira banca de jornais e revistas do Rio de Janeiro foi inaugurada, em 1929, na esquina da Rua Sete de Setembro com a Avenida Rio Branco.
Andrea C.T. Wanderley
Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Fontes:
Aventuras na História, 12 de outubro de 2019
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
Pereira, Claudio Calovi. Os irmãos Roberto e o edifício da A.B.I.: uma história da modernidade arquitetônica brasileira.










