Getúlio Vargas em Belém, a joia da Amazônia, ontem e hoje

A publicação de hoje, Getúlio Vargas em Belém, a jóia da Amazônia, ontem e hoje, é sobre um álbum de lembranças composto por 367 fotografias de uma viagem oficial que o então presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) fez, em outubro de 1940, à região amazônica. O artigo é de autoria de Maria de Fátima Morado, historiadora do Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Álbum de fotografias da visita de Getúlio Vargas a Belém, em 1940, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

Na época da viagem, a ideia de desenvolvimento e progresso não estava vinculada à preservação ambiental. Entre 10 e 21 de novembro de 2025, Belém, capital do Pará, será a sede da COP 30 – 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas -, evento que, há décadas, reúne lideranças mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações de combate às mudanças climáticas. A primeira foi realizada, em 1995, em Berlim, na Alemanha.

 

Getúlio Vargas em Belém, a joia da Amazônia, ontem e hoje

 Maria de Fátima Morado*

 

 

Em outubro de 1940, em viagem oficial à região amazônica, Getúlio Vargas fez sua primeira parada em Belém, capital do Pará. A visita recebeu uma cobertura fotográfica da participação do presidente em diversas solenidades e eventos. Esse registro foi organizado em um álbum de lembranças composto por 367 fotografias. Além da presença de Getúlio nos eventos promovidos pelas autoridades locais, essas fotografias também retratam outros aspectos da cidade apresentando edificações, monumentos, manifestações culturais e religiosas da população, além de produtos típicos e paisagens naturais.

 

 

As fotos do álbum procuram mostrar Belém como uma cidade promissora, dispondo de ruas asfaltadas, transporte adequado, áreas de lazer, parques, jardins, hospitais, escolas, comércio e fábricas, correspondendo idealmente bem ao propósito desenvolvimentista do governo federal. Como homenagem ao visitante ilustre, o álbum cumpre bem a função de expor uma visão otimista da cidade, onde não há espaço para a precariedade, prevalecendo a imagem do progresso. As fotos com Getúlio trazem homenagens recebidas, participações em inaugurações e lugares visitados por ele, com destaque para o Museu Goeldi, onde plantou uma árvore de pau-brasil, dizendo que “sempre julgará que uma das mais nobres missões do homem na terra era plantar árvores por todo o solo do seu país”.

 

 

Destaca-se também a grande receptividade da população para como presidente. Os jornais noticiaram que Getúlio foi recebido com diversas homenagens, entre elas uma parada de honra feita por 15 mil estudantes. Além disso, foram veiculadas informações sobre o acréscimo populacional em Belém, pois foi estimado em 150 mil o número de pessoas que vieram de outros lugares do Pará, como a Ilha de Marajó. A prefeitura não precisou decretar feriado porque os próprios comerciantes tomaram a iniciativa de fechar seus estabelecimentos para liberar os trabalhadores. Em seus discursos de agradecimento, Getúlio procura exaltar os trabalhadores e os benefícios conquistados por eles graças à legislação trabalhista promulgada pelo seu governo.

O álbum faz parte da Coleção Getúlio Vargas que foi formada artificialmente através de transferências de documentos do Museu Histórico Nacional para o Museu da República, além de doações avulsas diversas. Datado de março de 1941, o álbum foi oferecido como presente a Getúlio pelo prefeito de Belém, Abelardo Conduru, responsável pela recepção ao presidente, e seu portador foi o ministro da Marinha, Henrique Aristides Guilhem. A beleza deste álbum não se restringe ao conjunto das imagens, apresentando em suas páginas ornamentação com desenhos de inspiração marajoara. Há também um aspecto exótico: a capa do álbum é revestida com couro e cabeça empalhada de um jacaré filhote, algo impensável para os dias atuais em que a preocupação com a preservação ambiental movimenta as atenções de indivíduos, organizações e governos.

Oitenta e cinco anos depois da visita de Getúlio, Belém sediará, em novembro de 2025, a COP 30 – 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas -, evento que, há décadas, reúne lideranças mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações de combate às mudanças climáticas. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, justificou a escolha de Belém enquanto sede do evento dizendo que “Uma coisa é discutir a Amazônia no Egito; outra coisa é discutir a Amazônia em Berlim; outra coisa é discutir a Amazônia em Paris. Agora, não. Agora nós vamos discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia. Nós vamos discutir a questão indígenas, vendo os indígenas. Nós vamos discutir a questão dos povos ribeirinhos, vendo os povos ribeirinhos e vendo como eles vivem”.

Getúlio também considerava a Amazônia como uma região de importância estratégica. Nessa época, estava em vigor o Estado Novo, governo ditatorial de Getúlio que durou de 1937 a 1945, e que implementou o programa Marcha para o Oeste visando a integração territorial, através da construção de infraestrutura que facilitasse o acesso às regiões do interior do país. “O programa de governo ‘Marcha para o Oeste’ continha importantes aspectos simbólicos, pois nenhum presidente havia feito o mesmo trajeto de Vargas pelas regiões mais remotas do país, lançando o programa durante visitas a diversas localidades, incluindo os estados constituintes da Amazônia. O primeiro movimento de ocupação e legitimação de áreas mais afastadas estava sendo feito pelo próprio líder da nação” (ANDRADE, 2010, p. 459).

A viagem de Getúlio estava programada para durar cerca de 15 dias e seu itinerário abarcou as regiões norte e nordeste. Em Manaus, após a passagem por Belém, Getúlio Vargas foi homenageado com um banquete, no dia 10 de outubro, onde pronunciou o discurso que ficou conhecido como Discurso do Rio Amazonas, em que diz: “Vim para ver e observar, de perto, as condições de realização do plano de reerguimento da Amazônia”.

Nesse discurso, Getúlio propõe a realização de uma reunião para elaboração de acordos de cooperação comercial entre os países que compartilham espaços da Floresta Amazônica, o que hoje se entende como Amazônia Internacional: “As águas do Amazonas são continentais. Antes de chegarem ao oceano, arrastam no seu leito, degelos dos Andes, águas quentes da planície central e correntes encachoeiradas das serranias do Norte. É, portanto, um rio tipicamente americano, pela extensão da sua bacia hidrográfica e pela origem das suas nascentes e caudatários, provindos de várias nações vizinhas. E, assim, obedecendo ao seu próprio signo de confraternização, aqui poderemos reunir essas nações irmãs para deliberar e assentar as bases de um convênio em que se ajustem os interesses comuns e se mostre, mais uma vez, como dignificante exemplo, o espírito de solidariedade que preside as relações dos povos americanos, sempre prontos à cooperação e ao entendimento pacífico”.

O jornal A Noite publicou uma declaração de Getúlio, posterior ao discurso, esclarecendo que a conferência entre países teria como finalidade negociar a vinda de investimentos para instalação da infraestrutura que permitisse a exploração comercial da região amazônica, contando também com a participação dos Estados Unidos. Antes de chegar a Manaus, Getúlio visitou o município de Belterra que, na época, era uma área cedida à Companhia Ford, do empresário norte-americano Henry Ford, e que se destinava ao cultivo das seringueiras para a produção de látex. Na década de 1940, a produção da borracha na região norte do Brasil teve um novo incentivo devido às dificuldades dos países aliados em obter o produto proveniente da Ásia, dificuldades que foram causadas pela Segunda Guerra Mundial.

Ainda de acordo com o Discurso do Rio Amazonas, para Getúlio, o Amazonas é o rio onde em suas margens será implantada “uma civilização única e peculiar, rica de elementos vitais e apta a crescer e prosperar” e para isso traça como bases o povoamento e o saneamento como garantias para o desenvolvimento da região, “o nomadismo dos seringueiros e a instabilidade econômica dos povoadores ribeirinhos devem dar lugar a núcleos de cultura agrária, onde o colono nacional, recebendo gratuitamente a terra desbravada, saneada e loteada, se fixe e estabeleça a família com saúde e conforto”. Essa ideia do desenvolvimento econômico e social da região amazônica foi perfeitamente representada pela cena que ilustra a primeira página do álbum de lembrança de Belém dedicado a Getúlio. Em 1940, a ideia de desenvolvimento e progresso não estava vinculada à preservação ambiental. Em 2025, Belém receberá representantes do mundo para que seja feita a discussão sobre como vencer esse desafio.

*Maria de Fátima Morado é historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República

 

Fontes:

ANDRADE, Rômulo de Paula. Conquistar a terra, dominar a água, sujeitar a floresta: Getúlio Vargas e a revista “Cultura Política” redescobrem a Amazônia (1940-1941). Disponível em: https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/CSBRwGrXhdL6DKjG5bGQWwG/

ATLAS HISTÓRICO DO BRASIL. FGV/CPDOC. Getúlio Vargas. Disponível em: https://atlas.fgv.br/verbete/5458

Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Linha do tempo entenda como ocorreu a ocupação da Amazônia. Disponível em: https://imazon.org.br/imprensa/linha-do-tempo-entenda-como-ocorreu-a-ocupacao-da-amazonia/

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Rumo à COP30 Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/agenda-internacional/missoes-internacionais/cop28/cop-30-no-brasil

 

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional:

Jornal do Brasil. ANO 1940 edição237 (6) O Presidente é convidado a plantar um pé de pau-brasil. https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_06&Pesq=getulio&pagfis=5678

A Noite. Ano 1940\Edição 10295 (15) Cercado do entusiasmo e do carinho popular. https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_04&Pesq=getulio&pagfis=4959

A Noite. Ano 1940\Edição 10296 Dias melhores e mais felizes para o trabalhador da Amazônia. https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=348970_04&pagfis=4999

A Noite. Ano 1940\Edição 10297 (11) A excursão presidencial. https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_04&Pesq=getulio&pagfis=5005

A Noite. Ano 1940\Edição 10299 (6) Conferência das Nações Amazônicas! https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_04&Pesq=discurso&pagfis=5037

A Noite. Ano 1940\Edição 10303 (4) A reunião das Nações Amazônicas. https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_04&Pesq=discurso&pagfis=5113

Dia dos Povos Indígenas: Getúlio Vargas visita a Aldeia Karajá

Hoje é celebrado o Dia dos Povos Indígenas e a Brasiliana Fotográfica publica o artigo Dia dos Povos Indígenas: Getúlio Vargas visita a Aldeia Karajá, de autoria da historiadora Maria de Fátima Morado, do Museu da República, uma das instituições parceiras do portal. Em destaque, três imagens da visita de Vargas a uma aldeia Karajá. A adoção da data de 19 de abril pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas, seguiu a recomendação feita pelo I Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México, em 1940, para que os países americanos institucionalizassem políticas públicas sobre os direitos e segurança dos povos indígenas.

 

Dia dos Povos Indígenas: Getúlio Vargas visita a Aldeia Karajá

Maria de Fátima Morado*

 

 

Em 19 de abril é celebrado o Dia dos Povos Indígenas, denominação que foi atualizada a partir da publicação da lei n.º 14.402, de 8 de julho de 2022, em substituição ao decreto-lei nº 5.540, de 2 de junho de 1943, que instituiu o Dia do Índio.

A adoção da data de 19 de abril pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas, seguiu a recomendação feita pelo I Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México, em 1940, para que os países americanos institucionalizassem políticas públicas sobre os direitos e segurança dos povos indígenas.

Por casualidade, 19 de abril é o dia do nascimento de Getúlio Vargas que promulgou o decreto seguindo o estímulo de sertanistas e indigenistas, entre eles, Marechal Cândido Rondon. Getúlio Vargas também foi motivado pela política de interiorização do país, a Marcha para o Oeste, programa do Estado Novo (1937-1945), que tinha como objetivo o desenvolvimento e povoamento do interior do Brasil. A campanha do governo de exaltação da integração nacional abarcaria as populações indígenas.

 

 

Getúlio Vargas realizou viagens às regiões norte e central para divulgar a Marcha para o Oeste, e em agosto de 1940, conheceu a aldeia dos índios Karajá, na Ilha do Bananal (TO), sendo o primeiro presidente a visitar uma área indígena.

As fotos dessa visita oficial pertencem à Coleção Getúlio Vargas, acervo do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República.

 

 

*Maria de Fátima Morado é historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República

 

Fontes:

Museu do Índio / Fundação Nacional do Índio (Funai) http://antigo.museudoindio.gov.br/educativo/pesquisa-escolar/253-o-dia-19-de-abril-e-o-dia-do-indio

Arquivo Nacional. Exposições virtuais. A Marcha para o Oeste: a conquista do Brasil Central (1943-1967) https://exposicoesvirtuais.an.gov.br/index.php/galerias/10-exposicoes/314-a-marcha-para-o-oeste-a-conquista-do-brasil-central.html

Os Brasis e suas memórias. Watau: A trajetória de uma liderança Karajá e o projeto modernista do Estado brasileiro https://osbrasisesuasmemorias.com.br/biografia-watau/

Novos acervos: Museu Aeroespacial

A Brasiliana Fotográfica abre o ano de 2020, quando completará cinco anos, trazendo para seus leitores seu décimo-primeiro parceiro, o Museu Aeroespacial (Musal), uma organização do Comando da Aeronáutica. Quem faz a apresentação da instituição é o historiador Jefferson Eduardo dos Santos Machado com o artigo “Correio Aéreo Militar e os registros de um “Brasil Distante”. Com mais essa importante adesão, a Brasiliana Fotográfica segue cumprindo um de seus objetivos, o de abordar todos os usos e funções da fotografia brasileira, expandindo seu acervo e possibilitando a seus leitores o acesso a um número cada vez maior de imagens. Seus outros parceiros são o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional, a Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, a Fundação Joaquim Nabuco, o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde, o Museu Histórico Nacional e o Museu da República, além do Instituto Moreira Salles e da Fundação Biblioteca Nacional, fundadores da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Acessando o link para as fotografias do acervo do Museu Aerospacial disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Correio Aéreo Militar e os registros de um “Brasil Distante”

 Jefferson Eduardo dos Santos Machado*

 

No acervo do Arquivo Histórico do Museu Aeroespacial (Musal) encontramos vários álbuns que possuem imagens aéreas das décadas de 1920, 1930 e 1940. Estas fotografias estão ligadas, inicialmente, ao curso de Pilotos e Observadores, que eram ministrados na Escola de Aviação Militar e depois Escola de Aeronáutica. Em relação a seu uso na Aeronáutica, a fotografia aérea possibilitava obter subsídios seguros sobre campos e sobre rotas em geral, ajudando a determinar onde seriam instaladas novas bases de unidades aéreas e a observar eventuais atividades de forças oponentes. Sendo assim, tornavam-se importantes, pois propiciavam o conhecimento, tanto para defesa quanto para o ataque, das bases, de instalações orgânicas e energéticas vitais e de equipamentos aéreos importantes para o poderio inimigo.

Inicialmente, a Escola de Aviação Militar treinava seus profissionais em uma área pré-determinada pelos instrutores da Missão Francesa de Aviação, chamada cilindro. Esta extensão possuía cerca de 10 quilômetros de diâmetro em torno do Campo dos Afonsos. Apesar de já ter havido alguns reides aéreos, esta norma só foi extinta em 12 de junho de 1931. Este fato deu-se devido à inadequação de tal prática à realidade brasileira, por ser um país com uma grande extensão. Com o intuito de terminar com esta limitação, criou-se o Grupo Misto de Aviação que, de certa forma, foi a primeira unidade de combate aéreo do Brasil. Dentro da estrutura deste grupo foi inserida a Esquadrilha de Treinamento, para onde eram alocados os pilotos recém-saídos da Escola de Aviação Militar. Nesse grupamento estavam as aeronaves que possuíam maior autonomia de voo.

No mesmo dia 12 de junho de 1931, os tenentes Casimiro Montenegro Filho (1904 – 2000) e Nelson Freire Lavenère-Wanderley (1909 – 1985) realizaram o primeiro voo do Correio Aéreo Militar. Saíram do Rio de Janeiro com destino a São Paulo, em uma viagem que durou cinco horas e vinte cinco minutos, a bordo de uma aeronave Curtiss Fledgling, matrícula K 263. Esta empreitada fez toda a diferença para a Arma da Aviação, criada em 1927. Com o objetivo de criar novas rotas de correio, a fim de integrar o país e construir novas pistas de voo e unidades da Aviação Militar, os pilotos passaram a voar por todo o Brasil em missões que eram verdadeiras aventuras.

Após sua primeira viagem, o Correio Aéreo Militar, entre os anos de 1931 e 1939, criou rotas que passavam por várias cidades brasileiras tais como Abaeté, Alegrete, Baião, Barra, Belém, Belo Horizonte, Campanário, Carinhanha, Chique-Chique, Conceição do Araguaia, Corinto, Cruz Alta, Curitiba, Curvelo, Fortaleza, Foz do Iguaçu, Goiás, Guaíra, Guarapuava, Iguatu, Ilhéus, Januarinha, Londrina, Mossoró, Natal, Oiapoque, Petrolina, Pirapora, Porto Alegre, Recife, Remanso, Rio Branco, Santa Maria, Santiago do Boqueirão, Santo Ângelo, São Luiz, São Matheus, São Paulo, São Salvador, Teófilo Otoni, Terezina e Uruguaiana. Posteriormente, duas rotas chegaram a países vizinhos, uma que para Concepción, no Paraguai; e outra que chegava a Caiena, na Guiana Francesa. Estes nomes de cidades demonstram quão importante foi a iniciativa da criação do Correio Aéreo para um encurtamento das distâncias que dificultavam o desenvolvimento de várias regiões brasileiras. Com a criação do  Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941, o Correio Aéreo Militar juntou-se ao Correio Aéreo Naval, criado pela Marinha, em 1934, formando um novo órgão que passou a ser chamado de Correio Aéreo Nacional.

Uma das grandes rotas foi a Rio de Janeiro – Fortaleza, que seguia pelo Vale do São Francisco. Ela teve início em 1934 e enveredou pelo interior do nordeste criando várias pistas de pouso e possibilitando uma maior comunicação com as cidades mais importantes do país. Esta rota era formada pelas cidades de Belo Horizonte, Curvelo, Corinto, Pirapora, Januarinha, Carinhanha, Rio Branco, Barra, Chique-Chique, Remanso, Petrolina, Juazeiro e Iguatu. Em nosso Arquivo temos imagens de várias destas rotas do CAM. Porém, uma das  mais bem documentadas é esta que ia da Cidade Maravilhosa até a Terra de Iracema.

Acessando o link para as fotografias da rota Rio de Janeiro – Fortaleza do Correio Aéreo Nacional disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Jefferson Eduardo dos Santos Machado é historiador do Musal

 

Fontes:

ARAGÃO, Isabel L.. O Correio Aéreo Militar (CAM): uma história de pioneirismo. Rev. UNIFA, Rio de Janeiro, v. 25, n. 31, p. , dez. 2012.

DIAS, Fabiana Costa; MACHADO, Jefferson Eduardo dos Santos. As Transformações Arquitetônicas no Campo dos Afonsos no Período De 1930-1940: A Fotogrametria Como Fonte Para A História Da Arquitetura… In: Anais do 5º Seminário Ibero-americano Arquitetura e Documentação. Anais…Belo Horizonte(MG) UFMG, 2018. Disponível em: <https//www.even3.com.br/anais/arqdoc/71129-AS-TRANSFORMACOES-ARQUITETONICAS-NO-CAMPO-DOS-AFONSOS-NO-PERIODO-DE-1930-1940–A-FOTOGRAMETRIA-COMO-FONTE-PARA-A-H>. Acesso em: 14/11/2019 16:18

INCAER. História Geral da Aeronáutica Brasileira. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: INCAER/Itatiaia, 1988, vol.1 e 1990, vol.2

WANDERLEY, Nelson Freire Lavenére. História da Força Aérea Brasileira. MAER, 1975.