Getúlio Vargas em Belém, a joia da Amazônia, ontem e hoje

A publicação de hoje, Getúlio Vargas em Belém, a jóia da Amazônia, ontem e hoje, é sobre um álbum de lembranças composto por 367 fotografias de uma viagem oficial que o então presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) fez, em outubro de 1940, à região amazônica. O artigo é de autoria de Maria de Fátima Morado, historiadora do Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Álbum de fotografias da visita de Getúlio Vargas a Belém, em 1940, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

Na época da viagem, a ideia de desenvolvimento e progresso não estava vinculada à preservação ambiental. Entre 10 e 21 de novembro de 2025, Belém, capital do Pará, será a sede da COP 30 – 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas -, evento que, há décadas, reúne lideranças mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações de combate às mudanças climáticas. A primeira foi realizada, em 1995, em Berlim, na Alemanha.

 

Getúlio Vargas em Belém, a joia da Amazônia, ontem e hoje

 Maria de Fátima Morado*

 

 

Em outubro de 1940, em viagem oficial à região amazônica, Getúlio Vargas fez sua primeira parada em Belém, capital do Pará. A visita recebeu uma cobertura fotográfica da participação do presidente em diversas solenidades e eventos. Esse registro foi organizado em um álbum de lembranças composto por 367 fotografias. Além da presença de Getúlio nos eventos promovidos pelas autoridades locais, essas fotografias também retratam outros aspectos da cidade apresentando edificações, monumentos, manifestações culturais e religiosas da população, além de produtos típicos e paisagens naturais.

 

 

As fotos do álbum procuram mostrar Belém como uma cidade promissora, dispondo de ruas asfaltadas, transporte adequado, áreas de lazer, parques, jardins, hospitais, escolas, comércio e fábricas, correspondendo idealmente bem ao propósito desenvolvimentista do governo federal. Como homenagem ao visitante ilustre, o álbum cumpre bem a função de expor uma visão otimista da cidade, onde não há espaço para a precariedade, prevalecendo a imagem do progresso. As fotos com Getúlio trazem homenagens recebidas, participações em inaugurações e lugares visitados por ele, com destaque para o Museu Goeldi, onde plantou uma árvore de pau-brasil, dizendo que “sempre julgará que uma das mais nobres missões do homem na terra era plantar árvores por todo o solo do seu país”.

 

 

Destaca-se também a grande receptividade da população para como presidente. Os jornais noticiaram que Getúlio foi recebido com diversas homenagens, entre elas uma parada de honra feita por 15 mil estudantes. Além disso, foram veiculadas informações sobre o acréscimo populacional em Belém, pois foi estimado em 150 mil o número de pessoas que vieram de outros lugares do Pará, como a Ilha de Marajó. A prefeitura não precisou decretar feriado porque os próprios comerciantes tomaram a iniciativa de fechar seus estabelecimentos para liberar os trabalhadores. Em seus discursos de agradecimento, Getúlio procura exaltar os trabalhadores e os benefícios conquistados por eles graças à legislação trabalhista promulgada pelo seu governo.

O álbum faz parte da Coleção Getúlio Vargas que foi formada artificialmente através de transferências de documentos do Museu Histórico Nacional para o Museu da República, além de doações avulsas diversas. Datado de março de 1941, o álbum foi oferecido como presente a Getúlio pelo prefeito de Belém, Abelardo Conduru, responsável pela recepção ao presidente, e seu portador foi o ministro da Marinha, Henrique Aristides Guilhem. A beleza deste álbum não se restringe ao conjunto das imagens, apresentando em suas páginas ornamentação com desenhos de inspiração marajoara. Há também um aspecto exótico: a capa do álbum é revestida com couro e cabeça empalhada de um jacaré filhote, algo impensável para os dias atuais em que a preocupação com a preservação ambiental movimenta as atenções de indivíduos, organizações e governos.

Oitenta e cinco anos depois da visita de Getúlio, Belém sediará, em novembro de 2025, a COP 30 – 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas -, evento que, há décadas, reúne lideranças mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações de combate às mudanças climáticas. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, justificou a escolha de Belém enquanto sede do evento dizendo que “Uma coisa é discutir a Amazônia no Egito; outra coisa é discutir a Amazônia em Berlim; outra coisa é discutir a Amazônia em Paris. Agora, não. Agora nós vamos discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia. Nós vamos discutir a questão indígenas, vendo os indígenas. Nós vamos discutir a questão dos povos ribeirinhos, vendo os povos ribeirinhos e vendo como eles vivem”.

Getúlio também considerava a Amazônia como uma região de importância estratégica. Nessa época, estava em vigor o Estado Novo, governo ditatorial de Getúlio que durou de 1937 a 1945, e que implementou o programa Marcha para o Oeste visando a integração territorial, através da construção de infraestrutura que facilitasse o acesso às regiões do interior do país. “O programa de governo ‘Marcha para o Oeste’ continha importantes aspectos simbólicos, pois nenhum presidente havia feito o mesmo trajeto de Vargas pelas regiões mais remotas do país, lançando o programa durante visitas a diversas localidades, incluindo os estados constituintes da Amazônia. O primeiro movimento de ocupação e legitimação de áreas mais afastadas estava sendo feito pelo próprio líder da nação” (ANDRADE, 2010, p. 459).

A viagem de Getúlio estava programada para durar cerca de 15 dias e seu itinerário abarcou as regiões norte e nordeste. Em Manaus, após a passagem por Belém, Getúlio Vargas foi homenageado com um banquete, no dia 10 de outubro, onde pronunciou o discurso que ficou conhecido como Discurso do Rio Amazonas, em que diz: “Vim para ver e observar, de perto, as condições de realização do plano de reerguimento da Amazônia”.

Nesse discurso, Getúlio propõe a realização de uma reunião para elaboração de acordos de cooperação comercial entre os países que compartilham espaços da Floresta Amazônica, o que hoje se entende como Amazônia Internacional: “As águas do Amazonas são continentais. Antes de chegarem ao oceano, arrastam no seu leito, degelos dos Andes, águas quentes da planície central e correntes encachoeiradas das serranias do Norte. É, portanto, um rio tipicamente americano, pela extensão da sua bacia hidrográfica e pela origem das suas nascentes e caudatários, provindos de várias nações vizinhas. E, assim, obedecendo ao seu próprio signo de confraternização, aqui poderemos reunir essas nações irmãs para deliberar e assentar as bases de um convênio em que se ajustem os interesses comuns e se mostre, mais uma vez, como dignificante exemplo, o espírito de solidariedade que preside as relações dos povos americanos, sempre prontos à cooperação e ao entendimento pacífico”.

O jornal A Noite publicou uma declaração de Getúlio, posterior ao discurso, esclarecendo que a conferência entre países teria como finalidade negociar a vinda de investimentos para instalação da infraestrutura que permitisse a exploração comercial da região amazônica, contando também com a participação dos Estados Unidos. Antes de chegar a Manaus, Getúlio visitou o município de Belterra que, na época, era uma área cedida à Companhia Ford, do empresário norte-americano Henry Ford, e que se destinava ao cultivo das seringueiras para a produção de látex. Na década de 1940, a produção da borracha na região norte do Brasil teve um novo incentivo devido às dificuldades dos países aliados em obter o produto proveniente da Ásia, dificuldades que foram causadas pela Segunda Guerra Mundial.

Ainda de acordo com o Discurso do Rio Amazonas, para Getúlio, o Amazonas é o rio onde em suas margens será implantada “uma civilização única e peculiar, rica de elementos vitais e apta a crescer e prosperar” e para isso traça como bases o povoamento e o saneamento como garantias para o desenvolvimento da região, “o nomadismo dos seringueiros e a instabilidade econômica dos povoadores ribeirinhos devem dar lugar a núcleos de cultura agrária, onde o colono nacional, recebendo gratuitamente a terra desbravada, saneada e loteada, se fixe e estabeleça a família com saúde e conforto”. Essa ideia do desenvolvimento econômico e social da região amazônica foi perfeitamente representada pela cena que ilustra a primeira página do álbum de lembrança de Belém dedicado a Getúlio. Em 1940, a ideia de desenvolvimento e progresso não estava vinculada à preservação ambiental. Em 2025, Belém receberá representantes do mundo para que seja feita a discussão sobre como vencer esse desafio.

*Maria de Fátima Morado é historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República

 

Fontes:

ANDRADE, Rômulo de Paula. Conquistar a terra, dominar a água, sujeitar a floresta: Getúlio Vargas e a revista “Cultura Política” redescobrem a Amazônia (1940-1941). Disponível em: https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/CSBRwGrXhdL6DKjG5bGQWwG/

ATLAS HISTÓRICO DO BRASIL. FGV/CPDOC. Getúlio Vargas. Disponível em: https://atlas.fgv.br/verbete/5458

Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Linha do tempo entenda como ocorreu a ocupação da Amazônia. Disponível em: https://imazon.org.br/imprensa/linha-do-tempo-entenda-como-ocorreu-a-ocupacao-da-amazonia/

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Rumo à COP30 Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/agenda-internacional/missoes-internacionais/cop28/cop-30-no-brasil

 

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional:

Jornal do Brasil. ANO 1940 edição237 (6) O Presidente é convidado a plantar um pé de pau-brasil. https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_06&Pesq=getulio&pagfis=5678

A Noite. Ano 1940\Edição 10295 (15) Cercado do entusiasmo e do carinho popular. https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_04&Pesq=getulio&pagfis=4959

A Noite. Ano 1940\Edição 10296 Dias melhores e mais felizes para o trabalhador da Amazônia. https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=348970_04&pagfis=4999

A Noite. Ano 1940\Edição 10297 (11) A excursão presidencial. https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_04&Pesq=getulio&pagfis=5005

A Noite. Ano 1940\Edição 10299 (6) Conferência das Nações Amazônicas! https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_04&Pesq=discurso&pagfis=5037

A Noite. Ano 1940\Edição 10303 (4) A reunião das Nações Amazônicas. https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_04&Pesq=discurso&pagfis=5113

O inventor Alberto Santos Dumont (1873 – 1932) pelo fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965)

 

 

O fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, registrou a visita que o então presidente do Brasil, Wenceslau Braz (1868 – 1966), e Alberto Santos Dumont (1873 – 1932), conhecido como o “Pai da Aviação”, fizeram, em novembro de 1918, à Escola de Aviação Naval, na Ilha das Enxadas, localizada na Baía de Guanabara. O inventor e o presidente conversaram sobre os progressos da aviação e foram recebidos pelo então ministro da Marinha, o almirante Alexandrino de Alencar (1848 – 1926), que participou da Guerra do Paraguai e da Revolta da Armada, e que também foi ministro da Marinha dos presidentes Affonso Pena (1847 – 1909), Nilo Peçanha (1867 – 1924), Hermes da Fonseca (1855 – 1923),  e Arthur Bernardes (1875 – 1955). O almirante mostrou a seus convidados o serviço de aviação naval por ele organizado: uma flotilha de cerca de 30 aparelhos modernos, oficina para reparos e construção de aviões, quatro hangares e a Escola de Aviação. Na época, o capitão de fragata Henrique Aristides Guilhem (1875 – 1949), futuro ministro da Marinha entre 1935 e 1945, comandava a flotilha dos aviões de guerra.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Jorge Kfuri disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Durante a visita, foram feitos vários experimentos com o explosivo Brazilita, invento do químico brasileiro Álvaro Alberto da Silva desenvolvido por seu filho, o então 1º tenente Álvaro Alberto da Mota e Silva (1889 – 1976) e futuro presidente do CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, entre 1951 e 1955. (O Paiz, 13 de novembro de 1918, na última coluna e Gazeta de Notícias, 13 de novembro de 1918, na primeira coluna).

Desde 1945, a Ilha das Enxadas sedia o Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, destinado à formação de oficiais da Marinha da área de Saúde, Engenharia, dos Quadros Técnico, Complementar e de Capelães Navais. Anteriormente, abrigou depósito de carvão, depósito de construção naval, a Escola de Aviação Naval, a Escola Naval, e a Escola de Educação Física.

Uma curiosidade: foi nas proximidades da Ilha da Enxada que, em 1960, Americo Santarelli (1925 – 1987), pioneiro do mergulho livre, campeão de caça submarina e um dos maiores “apneístas”, superou o recorde mundial de mergulho livre (Jornal do Brasil, 1º de junho de 1960).

 

Brevíssimo perfil de Alberto Santos Dumont

 

 

Alberto Santos Dumont nasceu em 20 de julho de 1873, na fazenda Cabangu, paróquia de Palmira, em Minas Gerais. Sua cidade natal tem hoje o seu nome. Em 1906, em Paris, no campo de Bagatelle, Santos Dumont conseguiu voar em um aparelho – o 14 Bis – mais pesado do que o ar, que se elevou no ar sem ajuda externa. O feito foi realizado diante de uma comissão oficial e na presença de centenas de pessoas (A Gazeta de Notícias, 26 de outubro de 1906, na segunda coluna e Gazeta de Notícias, 14 de novembro de 1906, na quarta coluna). Santos Dumont faleceu em 23 de julho de 1932, no Guarujá, estado de São Paulo (A Noite, 25 de julho de 1932). Pela lei 165, de 5 de dezembro de 1947, passou a figurar permanentemente no quadro de oficiais-aviadores da Aeronáutica militar brasileira, com o posto de tenente-brigadeiro (Correio da Manhã, 6 de dezembro de 1947, na sexta coluna). A lei 3.636, de 22 de setembro de 1959, atribuiu-lhe o posto honorífico de marechal-do-ar. Pela lei 7.243, de 4 de novembro de 1984, tornou-se patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira. No ano do centenário do voo do 14 Bis, 2006, Santos Dumont teve seu nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria (Correio Braziliense, 5 de maio de 2006 e 27 de julho de 2006).

 

   Pequeno perfil e cronologia do fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965)

O fotógrafo aviador Jorge Kfuri nasceu em 3 de setembro de 1893, na Síria ou no Líbano, e naturalizou-se brasileiro, em 19 de março de 1921 (O Paiz, 5 de maio de 1921, na terceira colunaRelatório da Marinha de 1922 e Relatório do Ministério da Justiça de 1922)*. Foi o autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, em 1916, quando voou com o piloto naval Virginius de Lamare, futuro major-brigadeiro, no C-1, uma das três aeronaves Curtiss Flying Boats. Foram encomendadas pelo então ministro da Marinha, almirante Alexandrino de Alencar (1848 – 1926), e chegaram ao Brasil em 9 de julho de 1916 (A Noite, 24 de outubro de 1953, na quarta coluna).

 

1893 – Nascimento de Jorge Kfuri, no Líbano ou na Síria, em 3 de setembro, filho de Amelia (18? -1931) e Calile Kfuri (18?- ?)*.

1913 - Esteve na festa em comemoração ao primeiro ano do jornal O Imparcial (O Imparcial, 18 de agosto de 1913, última coluna).

1914 - Havia trabalhado para o jornal O Século e ia para a Europa. Foi substituído por Joaquim Alberto Vieira (Correio da Noite, 11 de maio de 1914, última colunaO Século, 23 de junho de 1914, segunda coluna).

1916 –  Kfuri já trabalhava como fotógrafo do jornal A Noite, quando passou mal, com sintomas de intoxicação, após tomar um chocolate em um café do Largo da Carioca. Foi noticiado que esses casos de envenenamento aconteciam porque os donos dos estabelecimentos usavam vasilhames de cobre, o que era proibido pela Saúde Pública e, para isso, contavam com a desonestidade dos fiscais (A Noite, 2 de abril de 1916, na última coluna).

Um falso advogado foi preso e no caminho para a delegacia tentou agredir Kfuri (A Razão, 12 de junho de 1917, na terceira coluna).

Kfuri foi o autor das até hoje conhecidas primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, em 1916, quando voou com o piloto naval Virginius de Lamare, futuro major-brigadeiro, no C-1, uma das três aeronaves Curtiss Flying Boats. Foram encomendadas pelo então ministro da Marinha, almirante Alexandrino de Alencar (1848 – 1926), e chegaram ao Brasil em 9 de julho de 1916 (A Noite, 24 de outubro de 1953, na quarta coluna).

 

 

 

1918 – Kfuri presenteou a Associação Brasileira de Imprensa com uma fotografia produzida por ele do sr.presidente da República em companhia dos ministros do Estado num dos maiores momentos históricos da vida nacional – assinando a declaração de guerra do Brasil à Alemanha (O Imparcial, 8 de outubro de 1918, na última coluna). O presidente era Wenceslau Braz (1868 – 1966) e a assinatura aconteceu em 26 de outubro de 1917.

1919 –  Fez parte do time de futebol de fotógrafos que jogou na festa do Audax Club (O Paiz, 16 de janeiro de 1919, na primeira coluna) e, ainda trabalhando no jornal A Noite, foi arrolado como testemunha de irregularidades praticadas em uma casa de saúde ( Jornal, 7 de outubro de 1919, na penúltima coluna). Participou da cobertura jornalística da prisão de um criminoso envolvido no tráfico de cocaína (A Noite, 23 de outubro de 1919, na terceira coluna).

1920 – Trabalhando como fotógrafo do jornal A Noite, Kfuri sofreu queimaduras de primeiro grau no dorso da mão direita pela explosão de magnésio quando se preparava para tirar uma chapa no edifício do Senado Federal. Na época, ele residia na rua Senador Dantas, nº 14, e foi identificado como sírio com a idade de 27 anos (O Jornal, 4 de maio de 1920, na última coluna).

Kfuri foi aceito como associado na Associação Brasileira de Imprensa (Jornal do Brasil, 23 de junho de 1920, na penúltima coluna).

1921 – Kfuri, referido como sírio, naturalizou-se brasileiro, em 19 de março (O Paiz, 5 de maio de 1921, na terceira coluna e Relatórios do Ministério da Justiça de 1922).

Kfuri foi contratado como encarregado técnico do serviço de fotografia aérea da Aviação Naval (O Paiz, 21 de dezembro de 1921, na primeira coluna, e Relatório do Ministério da Marinha de 1922).

 

 

Sofreu um pequeno acidente aéreo com o piloto Epaminondas Santos, no aeromarino 40 (O Paiz, 28 de dezembro de 1921, na quarta coluna).

1922 – Publicação de fotos de autoria de Kfuri da Ilha das Cobras e do Cemitério do Caju (Fon-Fon, 4 de fevereiro de 1922).

Kfuri estava no avião Avro nº 2, pilotado pelo tenente Luiz Leal Netto dos Reis, que sobrevoou a casa de Santos Dumont (1873 – 1932), em Petrópolis, onde deixaram cair um para-quedas com uma mensagem de saudações a ele, que a recolheu (O Paiz, 16 de março de 1922, na terceira coluna).

 

 

 

1923 –  Para servir como encarregado técnico do serviço de fotografia aérea da Aviação Naval, o Ministério da Marinha contratou o sr. Jorge Kfuri, servindo também como operador cinematográfico em qualquer dos departamentos da Marinha para que seja requisitado (Jornal do Commercio, 14 de maio de 1923, na segunda coluna).

O ministro da enviou ao presidente do Tribunal de Contas uma cópia do contrato celebrado com Jorge Kfuri para servir como fotógrafo da Marinha (Última Hora, 15 de junho de 1923, na terceira coluna e O Paiz, 16 de junho de 1923, na última coluna).

Kfuri integrou como segundo tenente honorário da Marinha a esquadrilha de quatro hidroaviões que foi para a Bahia, sob o comando do capitão de mar e guerra e futuro ministro da Marinha Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938) (Gazeta de Notícias, 26 de junho de 1923, na quinta coluna e A Rua, 2 de julho de 1923, na penúltima coluna). A esquadrilha voltou para o Rio de Janeiro e foi muito homenageada (O Paiz, 9 de agosto de 1923). Kfuri foi um dos convidados para o banquete oferecido no Palace Hotel pelo Aero Club Brasileiro a Protógenes e a seus comandados no raid de aviação entre Rio e Aracaju (O Imparcial, 30 de agosto de 1923, na segunda coluna).

Foi um dos tripulantes dos três hidroaviões que regressaram de Santos para o Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 12 de setembro de 1923, na quarta coluna).

1926 – Fez parte da tripulação de um dos aviões que recepcionou a chegada, no Rio de Janeiro, do avião Plus Ultra, que havia partido da Europa, pilotado por Ramon Franco (1896 – 1938), um dos pioneiros da aviação espanhola (A Manhã, 3 de fevereiro de 1926 e Jornal do Brasil, 10 de fevereiro de 1926, na terceira coluna).

Participou do segundo voo do avião 322 no serviço postal (O Paiz, 4 de abril de 1926, na sexta coluna).

Houve uma tentativa de assalto na casa de Kfuri na rua Taylor, nº 80 (Gazeta de Notícias, 21 de abril de 1926, na quarta coluna).

Kfuri fez parte da tripulação dos aviões que receberam o hidroavião Buenos Aires, pilotado pelos aviadores argentinos Duggan e Olivero (O Paiz, 19 e 20 de julho de 1926).

Integrava a equipe da esquadrilha da Marinha de Guerra, de três aviões, que partiu para pela primeira vez voar entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Estava no avião, pilotado pelo capitão-tenente Luiz Leal Netto dos Reis, que sofreu uma pane e caiu nos arredores de Petrópolis (O Brasil, 4 de agosto de 1926, O Paiz, 4 de agosto de 1926, na sexta coluna e O Jornal, 4 de agosto de 1926).

 

 

1927 –  Sua participação na documentação fotográfica das pesquisas sobre os explosivos super-rupturita foi elogiada em um ofício encaminhado pelo diretor da comissão dos estudos desse tipo de explosivo ao diretor-geral da Aeronáutica (O Brasil, 11 de novembro de 1927, na última coluna).

1928 – Jorge Kfuri foi elogiado por seu trabalho à disposição do comando da esquadra no segundo período dos exercícios gerais, em dezembro de 1927, e que satisfazendo os desejos do referido comando, conseguiu organizar para o Diretório da Aeronáutica da Armada, valioso documento cinematográfico demonstrativo das fainas e exercícios naquela ocasião (O Paiz, 10 de agosto de 1928, na quinta coluna).

Kfuri foi um dos oficiais escalados para velar o corpo do aviador italiano Carlo del Prete (1897 – 1928), na Embaixada da Itália, no Rio de Janeiro. O italiano havia sofrido um acidente na Ponta do Galeão (Jornal do Commercio, 17 de agosto de 1928, na segunda coluna).

Na Escola de Grumetes de Angra dos Reis, Kfuri foi um dos três oficiais feridos com a explosão de uma bomba que deveria ser utilizada pelos aviadores navais durante os exercícios da Armada. Dois oficiais morreram (A Noite, 27 de novembro de 1928O Estado, 28 de novembro de 1928 e Careta, 1º de dezembro de 1928).

 

 

1929 - Foi ferido em um acidente no avião MF 4, pilotado por Raul Bandeira (Diário Nacional, 12 de junho de 1929, na última colunaJornal do Brasil, 12 de junho de 1929 e O Paiz, 13 de junho de 1929, na segunda coluna).

No Almanak Laemmert de 1929 e de 1931, Jorge Kfuri foi listado como o encarregado do serviço fotográfico da Escola de Aviação Naval.

1931 – Falecimento da mãe de Kfuri, dona Amélia Kfuri, no Rio de Janeiro (Diário da Noite, 16 de março de 1931, na primeira coluna).

A família de Kfuri mandou rezar uma missa em Ação de Graças por seu restabelecimento após o acidente de 1929 (Diáro da Noite, 11 de junho de 1931, na segunda coluna).

1932 – O ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), elogiou a conduta de Kfuri no navio Belmonte, como auxiliar do aviador João Correia Dias Costa (Correio da Manhã, 21 de fevereiro de 1932, na terceira coluna).

Por decreto do Ministério da Marinha, Kfuri foi efetivado no lugar de encarregado técnico dos serviços fotográficos dos Centros e Escola de Aviação Naval com as honras e vantagens do posto de 1° tenente da Armada (Correio da Manhã, 14 de maio de 1932, na sétima coluna).

1933 – A reportagem Aspectos de Belém foi ilustrada com fotografias produzidas por Jorge Kfuri (A Noite Ilustrada, 19 de julho de 1933)

Kfuri foi um dos oficiais integrantes da 4ª Divisão de Esclarecimento e Bombardeio Aéreo que atuou no Alto Solimões na vigilância da neutralidade do Brasil no conflito entre a Colômbia e o Peru. A divisão foi comandada pelo capitão de corveta aviador Álvaro de Araújo (Jornal da Noite, 28 de junho de 1933, na terceira coluna, e Correio da Manhã, 21 de junho de 1933, na terceira coluna).

Entrevista com Kfuri sobre suas impressões da região do Alto Solimões nos 45 dias que passou lá (Jornal da Noite, 3 de julho de 1933).

Kfuri produziu a primeira fotografia aérea de Belo Horizonte, durante uma viagem do ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), a Minas Gerais. Kfuri voou em um avião Fairey pilotado pelo capitão de corveta Álvaro de Araújo (Diário da Noite, 19 de julho de 1933, na quinta coluna).

 

 

Kfuri ficou ferido em um acidente aéreo perto de Petrópolis, quando voava em um avião da Marinha em exercício no território fluminense, pilotado pelo capitão de corveta Álvaro Araújo. O terceiro tripulante era o aviador civil Raphael Chrisóstomo de Oliveira. Esses dois últimos sofreram pequenas escoriações. A aeronave, Fairey 55, ficou inutilizada. Kfuri foi referido comoum dos nossos aviadores navais mais arrojados…Fotógrafo, talvez, o mais hábil da nossa aviação naval… (Pequeno Jornal, 3 de outubro de 1933, na quarta colunaJornal da Noite, 3 de outubro de 1933, e Jornal do Brasil, 4 de outubro de 1933). Segundo a matéria do Jornal da Noite, foi a sétima vez que Kfuri estava em uma avião que caiu (Jornal da Noite, 3 de outubro de 1933, na penúltima coluna).

1934 – Foi um dos filhos de libaneses homenageados pela Missão Libanesa Maronita do Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 30 de janeiro de 1934).

Kfuri iria integrar como responsável pelo serviço aerofotográfico o grupo da Marinha que faria o levantamento aerotopográfico do litoral nortista (Jornal da Noite, 27 de abril de 1934, na sétima coluna).

1935 – O ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), solicitou ao consultor geral da República a extensão do abono salarial a três oficiais honorários da Armada brasileira e Kfuri era um deles (Jornal do Brasil, 2 de outubro de 1935, na segunda coluna).

1936 – Terrenos da aviação naval no campo de São Bento, na Ilha do Governador, estavam ameaçados de despejo pela Companhia Indústria e Comércio. Kfuri era um dos oficiais da Armada que possuía um dos lotes (O Imparcial27 de junho de 1936 e 28 de junho de 1936, na última coluna).

1939 – Participou de um cruzeiro aéreo entre o Rio de Janeiro e São Paulo (Correio Paulistano, 18 de julho de 1939, na última coluna).

1941 – Kfuri estava presente na posse do coronel Dias Costa como presidente do Aeroclube do Brasil (Jornal do Brasil, 1º de agosto de 1941, na quinta coluna).

1942 – O ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho (1888 – 1950), tornou sem efeito a transferência e nomeação de Jorge Kfuri para monitor de fotografia aérea da Escola de Especialistas da Aeronáutica (Diário de Notícias, 23 de maio de 1942, na segunda coluna, e A Manhã, 7 de julho de 1942, na quarta coluna).

1954 – Kfuri servia no gabinete do ministro da Aeronáutica (Correio da Manhã, 1º de setembro de 1954, na sétima coluna).

1956 – Em uma coluna sobre reportagens antigas do jornal A Noite,  o jornalista Bento Malafaia relatou que o fotógrafo Kfuri havia participado de uma reportagem onde ele se fez passar como secretário de um suposto faquir, na verdade, o redator Eustachio Alves. O “consultório” fez muito sucesso na cidade. Depois de revelada a verdade, foram tomadas medidas contra a exploração de faquires e cartomantes abrandando a crendice popular (A Noite, 24 de julho de 1956, na penúltima coluna).

 

 

1957 – Em cerimônia realizada na praça Salgado Filho, com a presença do presidente da República, Juscelino Kubitschek (1902 – 1976), e de Thomas White, Chefe do Estado Maior da Força Aérea dos Estados Unidos, Kfuri foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Ordem do Mérito Aeronáutico. Foi publicada uma fotografia de Kfuri sendo condecorado (Correio da Manhã, 24 de outubro de 1957 e Jornal do Brasil, 24 de outubro de 1957, na primeira coluna).

1959 – O presidente da República, Juscelino Kubitschek (1902 – 1976), assinou um decreto suprimindo o cargo de chefe do Serviço Fotográfico da Aeronáutica, vago em virtude da aposentadoria de Jorge Kfuri (Jornal do Dia, 15 de setembro de 1959, na quarta coluna).

1965 – Falecimento de Jorge Kfuri, em 21 de janeiro, no Hospital Central da Aeronáutica. Sua esposa, Hilda Carelli Kfuri, publicou um anúncio do enterro, realizado no cemitério São João Batista. Na sua certidão de óbito, consta que ele teria nascido no Líbano (Correio da Manhã, 22 de janeiro de 1965, na primeira coluna).

1965 – Falecimento de Jorge Kfuri, em 21 de janeiro, no Hospital Central da Aeronáutica. Sua esposa, Hilda Carelli Kfuri, publicou um anúncio do enterro, realizado no cemitério São João Batista (Correio da Manhã, 22 de janeiro de 1965, na primeira coluna).

 

 

No seu atestado de óbito consta que ele havia nascido no Líbano.

 

Atestado de óbito de Jorge Kfuri / Site Family Search

Atestado de óbito de Jorge Kfuri / Site Family Search

 

1999 – No Espaço Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro, foi realizada, entre dezembro de 1999 e abril de 2000, a exposição Imagens da Aviação Naval com fotografias pertencentes ao acervo do Serviço de Documentação da Marinha, que fazem parte de um álbum de 555 imagens produzidas por Kfuri com registros da aviação naval desde seu início, de vistas aéreas do Rio de Janeiro e de acontecimentos importantes na cidade.

 

 

*Em matérias de jornal, ele é referido ora como sírio ora como libanês. Em seu atestado de óbito consta que ele era libanês.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ANDRADE, Joaquim Marçal Ferreira. Milan Alram. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2015.

Arquivo Nacional

Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Site da Biblioteca da Presidência da República

Site da Câmara dos Deputados

Site da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal

Site da Presidência da República – Casa Civil

Site do CPDOC

Site do Senado Federal

Site do Superior Tribunal Militar