Cronologia de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho (1890 – 1963)

Cronologia de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho (1890 – 1963)

 

 

1890 – Em 2 de setembro, nascimento, no Presídio de Fernando de Noronha, em Pernambuco, de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho, filho de Joaquim de Gusmão Coelho (c. 1836- 1902) e Francisca Cavalcanti de Souza Leão Coelho (c. 1859 – 1929). Na ocasião, seu pai era diretor do presídio (Diário de Pernambuco8 de junho de 1890, primeira coluna13 de julho de 1890, última coluna).

 

Certidão de nascimento de Horacio de Gusmão / Family Search

Certidão de nascimento de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho / Site Family Search

 

Joaquim de Gusmão Coelho (c. 1836 – 1902), pai de Horacio de Gusmão Coelho Sobrinho  / Site Family Search

 

 

Era neto de Joaquim José Coelho (1797 – 1860) e de Maria Bernardina de Gusmão (1783 – 1885), barão e baronesa da Vitória.

 

 

 

1902 – Falecimento de seu pai, Joaquim de Gusmão Coelho (c. 1836 – 1902) (A Província (PE), 15 de maio de 1902, quarta coluna).

No Colégio Porto Carrero, no Recife, foi aprovado com distinção na segunda série da aula infantil (A Província (PE), 11 de dezembro de 1902, terceira coluna).

1905 / 1906 Estudava no Colégio Diocesano São José, no Rio de Janeiro (A União, 17 de agosto de 1905, segunda colunaJornal do Brasil, 25 de dezembro de 1905, quinta colunaCorreio da Manhã, 15 de abril de 1906, terceira coluna).

1911 - Foi nomeado pelo governador do Amazonas, Antonio Clemente Ribeiro Bittencourt (1853 – 1926), com a permissão do ministro da Guerra, Dantas Barreto (1850 – 1931), auxiliar e fotógrafo da Comissão Amazonense de Limites (Jornal do Commercio (AM), 10 de julho de 1911, primeira coluna).

Chegou no Recife, vindo de Manaus, a bordo do vapor Ceará (A Província (PE), 11 de outubro de 1911, última coluna).

 

 

1913 – Casou-se com Maria Emilia Coelho (1894 – 1948) e tiveram seis filhos: Pojucan (19 -?), Rômulo (1918 – 1971), Rêmulo (1921 – 1985), Maria Clementina (1928- 2016), Murilo (1929 – 1970) e Alberto (19? – ?).(Diário de Pernambuco, 26 de fevereiro, de 1913, quarta coluna).

1915 - Era guarda do corpo administrativo da Escola de Estado Maior, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro (Almanak Laemmert, 1915, última coluna).

1918 – Por ordem do ministro da Guerra, José Caetano de Faria (1855 – 1936), o inspetor de alunos Horacio de Gusmão Coelho passou a servir no 1º Distrito de Artilharia de Costa (Jornal do Commercio, 12 de janeiro de 1918, terceira coluna).

1920 - Devido à iminente reabertura da Escola de Estado Maior, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, o ministro da Guerra, João Pandiá Calógeras (1870 – 1934) pediu que se apresentassem alguns funcionários adidos de instituições subordinadas ao ministério da Guerra, dentre eles Horacio (O Paiz, 13 de fevereiro de 1920, sexta coluna).

Horacio foi identificado como empregado da Light. Teria arrendado o teatro Politheama e sido passado para trás no negócio* (O Paiz, 3 de outubro de 1920, quarta colunaO Jornal, 3 de outubro de 1930, terceira coluna).

1921 – Foi nomeado pelo ministro da Guerra, Pandiá Calógeras, conservador preparador do gabinete fotográfico da Escola de Estado Maior (O Paiz, 10 de setembro de 1921, quinta colunaGazeta de Notícias, 10 de setembro de 1921, quarta coluna).

1923 – Identificado como empregado público, pediu ao Ministério da Agricultura privilégio para uma nova armação giratória destinada a diversões públicas. A patente foi concedida* (Jornal do Commercio18 de abril de 1923, quinta coluna5 de junho de 1923, penúltima coluna).

 

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1925 – Ficou ferido em uma explosão em um barracão nos fundos de um prédio na Rua Emerenciana, em São Cristóvão, quando eram manipulados petardos por dinamiteiros (O Imparcial, 6 de maio de 1925, segunda coluna).

Por abandono de emprego, foi exonerado do cargo de conservador preparador do gabinete fotográfico da Escola de Estado Maior (O Paiz, 19 de junho de 1925, penúltima coluna).

1926 – O ministro da Fazenda, Aníbal Freire da Fonseca (1884 – 1970), enviou ao ministro da Guerra, Fernando Setembrino de Carvalho (1861 – 1947) o processo originado pelo requerimento da esposa de Horacio, Maria Emilia Coelho, solicitando o recolhimento das contribuições para o montepio devidas por Horacio, cujo paradeiro era ignorado (Jornal do Commercio, 1º de janeiro de 1926, primeira coluna).

1928 – Ele e sua esposa compareceram à missa de sétimo dia do ex-ministro da Fazenda, Esmeraldino Bandeira (1865 – 1928) (Jornal do Commercio, 12 de abril de 1928, quarta coluna).

1929 – Falecimento de sua mãe, Francisca Cavalcanti de Souza Leão Coelho (c. 1859 – 1929), na residência de Horacio, no Rio de Janeiro (Diário da Manhã (PE), 13 de agosto de 1929, sexta colunaJornal do Recife, 14 de agosto de 1929, última colunaDiário da Manhã (PE), 17 de agosto de 1929, primeira coluna).

1931 – Pelo chefe do governo provisório, Getúlio Vargas (1882 – 1954), foi considerado readmitido no cargo de conservador preparador do gabinete fotográfico da Escola de Estado Maior, desde 13 de novembro do ano anterior (Jornal do Brasil, 10 de janeiro de 1931, primeira coluna).

Esteve presente na missa de sétimo dia do general Xavier de Brito (1866 – 1930) (Correio da Manhã, 10 de abril de 1930, antepenúltima coluna).

1933 – Integrou a comitiva presidencial que viajou para o Norte do país no navio Almirante Jaceguay (Diário de Notícias, 13 de outubro de 1933, sexta coluna).

1934 – Foi nomeado pelo ministro da Guerra, Goes Monteiro (1891 – 1963), desenhista, cartógrafo da Escola de Estado Maior (Jornal do Commercio, 23 de junho de 1934, penúltima coluna).

1935 – Foi posto pelo ministro da Guerra, Goes Monteiro, à disposição do ministro das Relações Exteriores, José Carlos de Macedo Soares (1883 – 1968), para atuar como fotógrafo na Comissão de Limites da Seção Sul (Correio de Manhã, 18 de janeiro de 1935, quarta coluna).

1938 – Com o secretário do Interior de Pernambuco, Arthur de Moura, e outras autoridades visitou Fernando de Noronha (Diário de Pernambuco, 28 de julho de 1938, segunda coluna).

1940 - Publicação de uma fotografia de Maria Clementina, filha de Horacio e Maria Emilia (Revista da Semana, 24 de fevereiro de 1940).

1942 – O presidente da República, Getúlio Vargas, assinou um decreto com várias promoções em diversos ministérios. Horacio foi um dos promovidos (Correio da Manhã, 21 de janeiro de 1942, quarta coluna).

1943 – Publicação de fotografias de autoria de Horacio de uma viagem entre Recife e Rio de Janeiro na reportagem Nossa Terra (Revista da Semana, 31 de julho de 1946).

1944/1945 – No relatório das atividades de 1944 apresentado ao ministro da Educação, Gustavo Capanema, por Roquette-Pinto, diretor do Instituto Nacional de Cinema Educativo, foi informado que a instituição havia dado toda assistência técnica para o manejo e aquisição de câmeras 16mm pelo sr. Horacio Coelho, cinematografista do Ministério da Guerra que seguiu com as forças expedicionárias brasileiras tendo o INCE examinado o material adquirido, fornecido filmes e câmeras para o treinamento do mesmo cinegrafista, que fica assim habilitado a desempenhar toda e qualquer filmagem em operações de guerra (A Noite, 13 de março de 1945, segunda coluna).

Como cinegrafista e fotógrafo do Ministério da Guerra participou como correspondente da Segunda Guerra Mundial, operando junto à Força Expedicionária Brasileira, na Itália. Foi posto pelo ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra (1883 – 1974), à disposição do marechal Mascarenhas de Moraes (1883 – 1968) (A Noite, 7 de junho de 1944, quarta colunaDiário de Pernambuco, 8 de junho de 1944, segunda coluna).

 

 

Publicação da reportagem Os brasileiros combatem sob a neve com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 10 de março de 1945).

Publicação da reportagem Onde a cobra fuma com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 24 de março de 1945).

Publicação da reportagem Onde a cobra está fumando com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 31 de março de 1945).

Publicação da reportagem Senta a Púa avestruz com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 14 de abril de 1945).

Na reportagem A Batalha de Castelnuevo, publicação da fotografia abaixo (Revista da Semana, 14 de abril de 1945).

 

 

No suplemento de guerra da Revista da Semana, de 5 de maio de 1945, publicação de fotos enviadas especialmente da Itália por Horacio Coelho (Revista da Semana, 5 de maio de 1945).

Publicação da reportagem Visões de uma guerra que passou com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 30 de junho de 1945).

Publicação da reportagem Depois da vitória Veneza com fotos de autoria de Horacio (Revista da Semana, 14 de julho de 1945).

Publicação da reportagem A volta de nosso correspondente com fotos de autoria de Horacio e do próprio Horacio em frente ao Café Petrarca, em Veneza (Revista da Semana, 7 de setembro de 1945).

Outros correspondentes de guerra contemporâneos de Horacio que trabalharam para a imprensa brasileira foram: Allan Fischer (1913 – 1988) (fotógrafo do escritório do Coordenador de Assuntos Econômicos Interamericanos), Egídio Squeff (1911 – 1973) (O Globo), Fernando Stamato (1917 – 1993) (cinematografista do DIP), Frank Norall (19? – ?) (Escritório do Coordenador de Assuntos Interamericanos), Henry Bagley (19? – ?) (Associated Press), Joel Silveira (1918 – 2007) (Diários Associados), Raul Brandão (19? – ?) (Correio da Manhã), Rubem Braga  (1913 – 1990) (Diário Carioca) e Thassilo Mitke (19? – ?) (DIP).

 

 

Uma mensagem de Horacio elogiando seus companheiros de imprensa foi lida em um programa de rádio (Jornal do Commercio, 4 de julho, quinta coluna).

Foi um dos correspondentes de guerra condecorados com a Medalha de Campanha (Diário de Notícias, 6 de dezembro de 1945, segunda coluna).

 

 

1946 - Fazia parte do quadro de civis permanentes do ministério da Guerra e foi promovido por merecimento na carreira de desenhista (Correio da Manhã, 11 de maio de 1946, sexta coluna).

Com o tenente João Brito Jorge, adjunto da SS Cine da Secretaria Geral de Guerra, foi para Resende filmar as manobras da Escola Militar (Correio da Manhã. 18 de setembro de 1946, segunda coluna).

1947 - Foi um dos correspondentes de guerra que atuaram junto à FEB na Segunda Guerra Mundial convidados pela Embaixada dos Estados Unidos para uma reunião no Serviço Cultural e Informativo dos Estados Unidos da América, quando foi exibido um longa-metragem sobre a atuação dos brasileiros na guerra (Correio da Manhã, 25 de janeiro de 1947, penúltima coluna).

Foi agraciado com uma Medalha de Guerra em uma solenidade realizada no Quartel do Batalhão de Guardas (Correio da Manhã, 20 de março de 1947, segunda coluna).

1948 - Em 24 de fevereiro, falecimento de sua esposa Maria Emilia, a Miluca (Correio da Manhã, 29 de fevereiro de 1948).

 

 

Década de 1950 – Aposentou-se do cargo de cinegrafista na década de 1950.

1958 – Em 8 de maio, participou da solenidade comemorativa do 13º ano do fim da Segunda Guerra Mundial, realizada na Associação Brasileira de Imprensa, quando os correspondentes de guerra foram homenageados. Rubem Braga (1913 – 1990) e Fernando Stamato (1917 – 1993), dentre outros, também estiveram presentes (Diário de Notícias, 9 de maio de 1958, última coluna).

1963 -  Faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de agosto, e foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier (Jornal do Commercio, 10 de agosto de 1963, segunda coluna).

 

 

 

*A pesquisa não conseguiu confirmar se trata-se do mesmo Horacio ou se é um homônimo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

 

 

Luzes da impressão – Oficinas tipográficas nas antigas fotografias de São Paulo

A ideia da realização deste artigo foi de Roberta Mociaro Zanatta, Supervisora do Núcleo de Catalogação do Instituto Moreira Salles e uma das gestoras da Brasiliana Fotográfica, quando o doutor em Design, Fabio Mariano Cruz Pereira, achou a fotografia “Rua Direita”, produzida por Frédéric Manuel (1868-1961), no acervo da Brasiliana Fotográfica e pediu autorização para utilizá-la em uma publicação que ele havia escrito em conjunto com as docentes Priscila Lena Farias (FAU USP, Brasil) e Emanuela Bonini Lessing (Università IUAV di Venezia, Itália). Entrei em contato com Fabio e combinamos o tema que resultou no texto, escrito por ele, “Luzes da impressão – Oficinas tipográficas nas antigas fotografias de São Paulo”, com destaque para a referida imagem, pertencente à Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras do portal. Publicação, ao final do artigo, de um brevíssimo perfil do francês Frédéric Manuel, autor da foto, escrito por Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal.

Luzes da impressão

Oficinas tipográficas nas antigas fotografias de São Paulo

Fabio Mariano Cruz Pereira*

 

 

 

Em 1906, a Rua Direita, uma das mais importantes do centro histórico da cidade de São Paulo, foi capturada pelo fotógrafo Frédéric Manuel (1868-1961) em uma chapa seca de gelatina e prata. A captura retrata o lado de numeração par da rua, na direção da igreja de Santo Antônio, que ainda hoje se encontra de frente para a atual Praça do Patriarca José Bonifácio. A captura foi realizada nas imediações do escritório[1] da antiga Tipografia Duprat & Cia, na altura do então número 14, e que se apresenta em primeiro plano.[2]

São poucas as fontes de informações a respeito de Frédéric Manuel em São Paulo. O historiador Eric Lemos recuperou alguns dados a respeito desse imigrante francês que produziu imagens seriadas pelo interior paulista no início do século XX, fornecendo conteúdo para a produção de impressos como o Guia Levi (que aparece anotado sobre a fotografia da Rua Direita).

“Transitando entre a pintura e a fotografia, Frédéric Manuel, francês nascido em Paris, chegou ao Brasil durante a década de 1890, estabelecendo-se no Rio de Janeiro para atuar na Companhia Photographica Brazileira de Juan Gutierrez. Transferiu-se posteriormente para São Paulo, onde trabalhou no Estabelecimento Gráfico V. Steidel, manteve ateliê fotográfico na antiga rua Olinda (atual rua João Guimarães Rosa), na Consolação, e permaneceu como fotógrafo do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo até 1940″ (Lemos, 2022,  p. 60).

A Tipografia Duprat & Cia faz parte do levantamento realizado pela equipe de pesquisa ligada ao projeto Tipografia Paulistana, coordenado pela Docente Priscila Farias, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP).[3] Tal projeto tem ajudado a coletar sistematicamente informações preciosas sobre as oficinas tipográficas que existiram entre 1827 e 1927 – período que corresponde aos primeiros cem anos de impressão na cidade.

A Tipografia Duprat & Cia teve seu início em 1902, depois de suceder ao estabelecimento gráfico da Companhia Industrial de São Paulo que era uma sociedade anônima que atuava em vários ramos da indústria, desde a fabricação de fósforos no bairro da Vila Mariana, compra e venda de terrenos na capital e em Santo Amaro, administração e financiamento de estabelecimentos industriais, construção de imóveis de habitação, estradas de ferro, usinas etc., passando também pela produção de impressos.

A Tipografia da Companhia Industrial de São Paulo vinha de uma sucessão ainda mais antiga, quando adquiriu, por volta de 1890, o material tipográfico da antiga oficina Ao Livro Verde, de Jorge Seckler, que por sua vez foi um importante impressor alemão estabelecido em São Paulo no século XIX e que havia adquirido, por volta de 1862, a oficina de encadernação de Hermann Knoesel. Seckler foi o responsável por produzir impressos importantes que circularam na São Paulo oitocentista, entre eles a longeva série de almanaques comerciais paulistas,[4] hoje dispersos em diferentes instituições arquivísticas, coleções particulares e bibliotecas de obras raras.[5]

Detenho-me um pouco mais sobre a interessante sucessão de oficinas tipográficas, fenômeno que envolvia não apenas o fortalecimento das redes de contato entre os capitalistas do período como também, do ponto de vista material, a transferência e continuidade de diversos estilos de letra adquiridos e mantidos por diferentes gráficos ao longo dos anos. São exemplos a Typographia Pauperio que deu origem à Cardozo, Filho & Motta; a Espindola, Siqueira & Cia, que deu origem à Typographia Siqueira e à Casa Espindola; e também a M. L. Bühnaeds & Cia que deu origem à Weiszflog Irmãos.

As três sucessões ocorridas desde o antigo encadernador Hermann Knoesel, passando por Jorge Seckler, e depois a Companhia Industrial de São Paulo, até finalmente culminar na formação da Duprat & Cia, remontam a uma história de quase meio século. A busca por um passado glorioso, validado pela experiência de antigos mestres tipógrafos e encadernadores na cidade, parece ter motivado os proprietários da Duprat & Cia a se orgulhar de um passado ao qual acreditavam pertencer, a ponto de se identificarem em seus impressos (e também na fachada de sua oficina na Rua 25 de Março) como uma “Casa fundada em 1850” em pleno início do século XX. Esse legado que os irmãos Duprat não hesitavam enaltecer, certamente tinha que ver com os estilos de letra que atravessaram décadas através do papel e da solidez metálica dos tipos, garantindo uma certa aparência a impressos produzidos por diferentes empresas.

Gostaria de convidar o leitor a fixar, por um momento, o olhar na fotografia de Frédéric Manuel para então forçar a imaginação a fim de se colocar em uma época onde não se podia consultar as notícias em um smartphone. Não havia websites ou redes sociais; aliás, a luz elétrica ainda era uma novidade. Quase ninguém possuía carro ou telefone. E também não era possível morar tão longe do ambiente de trabalho, pois os sistemas de transporte público eram limitados e operavam em uma escala muito menor em relação àquela que nos habituamos nos contextos mais recentes. Imaginando-se nessa época, é fácil compreender a importância dos serviços criados para atender às necessidades de comunicação. Os correios eram mais que um serviço de remessa de documentos, eram, pois, um meio de comunicação pessoal cujas mensagens podiam levar dias para alcançar o receptor – sem contar que boa parte da população não sabia ler e escrever, e ainda não havia sido inventada a mensagem de áudio.

É nesse contexto em que as antigas oficinas tipográficas atuavam, fornecendo impressos que circulavam nos mais diversos espaços sociais, facilitando que as notícias chegassem a quem de direito e permitindo que as letras impressas tivessem os destinos mais inesperados. Comunicar novas regras em uma cidade que, ainda tão provinciana, buscava consolidar os interesses de uma recém-instaurada república, reclamava um sistema robusto e eficiente de comunicação local. Não foi, portanto, à toa que as oficinas tipográficas se espalharam em números vultosos pela cidade de São Paulo a partir da última década do século XIX (Pereira e Farias, 2021, p. 28).

Quando Frédéric Manuel flagrou o aspecto da famosa Rua Direita, a Duprat & Cia contava com apenas quatro anos de atividade. Seus proprietários eram os irmãos Duprat, naturais de Recife (PE). Um deles, Alfredo, foi o responsável pela assinatura, em 31 de março de 1902, que selou o registro da nova empresa frente à prefeitura[6]; o segundo irmão, Raymundo, também conhecido como Barão de Duprat (1863-1926), foi ninguém menos que um destacado vereador de São Paulo e, alguns anos depois, o segundo prefeito da cidade (entre 1911 e 1914), e que já havia trabalhado como contador na antiga Companhia Industrial de São Paulo – dona da tipografia que a Duprat & Cia veio a suceder. O leitor atento irá presumir facilmente que, para os irmãos Duprat, o investimento no setor gráfico se ancorava em alicerces sólidos, desde aqueles nobiliárquicos às influências de ordem política. Não à toa a Duprat & Cia existiu por cerca de 35 anos. Ao longo desse período, podemos destacar ao menos dois momentos muito importantes. O primeiro aconteceu provavelmente em meados dos anos 1910, quando a empresa buscou um novo reposicionamento no centro comercial de São Paulo, mudando seu escritório para uma região mais próxima da Igreja da Sé (mas ainda na Rua Direita). Naquele momento, a oficina já dispunha de um imponente edifício instalado em frente à região alagadiça da 25 de Março, onde operavam modernas máquinas elétricas. Propuseram, então, um nome comercial: inicialmente “Companhia Graphica Paulista Duprat”, e, posteriormente, Casa Duprat, grafia que se manteria pelo menos até o início da década de 1930. O segundo momento importante se deu após a morte de Raymundo Duprat em 1926, quando, alguns anos depois, a empresa anunciou sua união com a Casa Mayença, dos irmãos Paternostro, ocorrida provavelmente por volta de 1929. A falência definitiva da empresa seria decretada apenas em 1937, sob a firma societária Duprat & Filhos, e quando instalada no número 28 da Rua de São Bento.[7]

O estudo de estabelecimentos comerciais e fabris por meio de fotografias antigas se insere em uma prática de pesquisa que se utiliza do testemunho fotográfico como fonte primária. Posso citar alguns exemplos interessantes. Um deles é o trabalho do historiador Carlos José Ferreira dos Santos, que, através do exame de registros fotográficos antigos, identificou a presença significativa de carroceiros atuantes na cidade de São Paulo nos primeiros anos do período republicano (Santos, 2008: 139). Outro trabalho interessante é o da professora de sociologia Fraya Frehse, quando, a partir do contato com os registros fotográficos de Militão de Azevedo, realizados no século XIX, deteve-se nas características de animais, veículos e agentes sociais integrados ao ambiente urbano daquela época. Segundo a autora, as fotografias podem ser consideradas “documentos visuais de um imaginário específico de época, do qual o fotógrafo é, sem saber, porta-voz” (Frehse, p. 54).

Por meio do contato com a produção fotográfica realizada no início do século XX, podemos reconhecer a presença de diversas empresas de impressão espalhadas pela cidade de São Paulo, seus endereços, porte físico, relação com o entorno imediato, movimentação de possíveis clientes etc., quase sempre identificadas pelos letreiros que foram instalados em suas fachadas. A escala desses letreiros é curiosa, pois, em muitos casos, como no exemplo da foto em questão, o letreiro se apresenta em uma dimensão mais indicada para longas distâncias. Apesar da Rua Direita não ser muito larga e tampouco estar inserida em posição mais alta em relação às demais ruas, o tamanho do letreiro da oficina parece resultar de uma escolha mais retórica que efetivamente funcional.

O fato de oficinas como a Duprat & Cia instalarem, em suas fachadas, letreiros de grande escala nos revela pelo menos duas coisas importantes sobre a época: a primeira delas é que havia quem fizesse letreiros em grande escala – profissionais ainda pouco conhecidos dos estudos sobre a história dos ofícios urbanos; a segunda é que havia algum interesse em se comunicar com ruas mais distantes, muitas vezes para além do centro comercial, sugerindo que o endereço físico das tipografias eram determinantes nas relações comerciais estabelecidas no campo gráfico local, isto é, o espaço das oficinas tipográficas exercia uma função agregadora, reunindo impressores, artistas, clientes, fornecedores, carroceiros etc.

As antigas oficinas tipográficas brasileiras são ainda pouco conhecidas em nossa história. Embora muito do que elas tenham produzido ainda circule entre nós (em sua maioria livros), restaram poucas informações sobre essas empresas, suas formas de identificação e principalmente sobre os operários que elas contratavam. São parte de um grupo de empresas cuja atividade principal se tornou obsoleta devido à eficiência de outros sistemas produtivos que surgiram ao longo do tempo. Salvo algumas exceções de oficinas que ainda operam de modo didático ou experimental com vistas à revalorização da tipografia como sistema de composição e impressão de textos e imagens.[8]

Gostaria de encerrar esse breve ensaio ressaltando a importância das coleções fotográficas para um melhor entendimento sobre o nosso passado. A Brasiliana Fotográfica desenvolve um trabalho notável para a pesquisa histórica no Brasil, ao lidar com o desafio diário de preservar e difundir registros do passado. Iniciativas como essa permitem a produção de conhecimento tanto a partir da fotografia quanto sobre a fotografia e merecem a nossa mais sincera admiração.

 

[1] Era comum que as tipografias do período tivessem dois endereços: o do “escritório de representação” (às vezes denominado “loja”), geralmente instalado no centro comercial; e o da “oficina” (ou “depósito”), geralmente instalada em uma região mais afastada do centro comercial, onde normalmente eram realizadas as atividades de composição e impressão.

[2] O mesmo prédio aparece em outra fotografia, de autoria desconhecida, também sob a custódia da Brasiliana Fotográfica, com a informação de que o conjunto arquitetônico fora demolido em 1909. Ver: http://acervo.bndigital.bn.br/sophia/index.asp?codigo_sophia=87209.

[3] Ver: https://fau.usp.br/tipografiapaulistana/

[4] A oficina de Jorge Seckler também foi a responsável pela impressão, em 1890, dos Estatutos da Companhia Industrial de São Paulo – empresa que, no mesmo ano, a sucedeu (Companhia Industrial de S. Paulo, 1890). Tal estatuto encontra-se arquivado no depósito relacionado ao 1º Cartório de Notas de São Paulo, custodiado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, cx. 10309, nº 342.

[5] Para mais informações sobre Jorge Seckler, ver: Farias e Onoda (2015).

[6] Como registrado na página 1.545 do livro Responsabilidades de Oficinas Tipográficas (1899-1907), vol. II, custodiado pelo Arquivo Histórico Municipal de São Paulo.

[7] As informações sobre os últimos anos da Duprat & C. foram recuperadas de antigas edições do Correio Paulistano: 18 mai 1926 (p. 4); 26 fev 1929 (12); 10 jun 1930 (p. 5); 14 dez 1937 (p. 13).

[8] Algumas dessas iniciativas estão relatadas em pelo menos duas importantes publicações. A primeira é o ensaio que nos traz uma reflexão sobre os interesses atuais na antiga tipografia, tendo como foco o contexto italiano (Lessing, Bulegato e Farias, 2019), a segunda é o livro organizado pelas professoras Ana Utsch e Marina Gravier com relatos que discutem diferentes iniciativas de preservação do que poderíamos chamar de “patrimônio gráfico” tendo como foco os países latino-americanos (Utsch e Gravier, 2019).

 

* Fabio Mariano Cruz Pereira é doutor em Design pela Universidade de São Paulo, Brasil, e pela Universitá IUAV de Veneza, Itália. É designer gráfico e pesquisador do Museu Paulista da Universidade de São Paulo.

 

 Referências:

COMPANHIA INDUSTRIAL DE S. PAULO. Estatutos da Companhia Industrial de São Paulo. São Paulo: Typographia a Vapor de Jorge Seckler & Comp., 1890.

CORREIO PAULISTANO. Edições de: 18 mai 1926 (p. 4); 26 fev 1929 (12); 10 jun 1930 (p. 5); 14 dez 1937 (p. 13). Biblioteca Nacional Digital. Disponíveis em: https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx. Acessos em 11 jul 2024.

FARIAS, P. L.; ONODA, M. A.; Letras toscanas no repertório tipográfico de Jorge Seckler (1883-1895). In: SPINILLO, C. G.; FADEL, L. M.; SOUTO, V. T.; SILVA, T. B. P.; CAMARA, R. J. (Eds). Anais do 7º Congresso Internacional de Design da Informação | CIDI 2015 [Blucher Design Proceedings, num.2, vol.2]. São Paulo: Blucher, 2015.

FREHSE, Fraya. O começo do fim da São Paulo caipira. In: FERNANDES JUNIOR, Rubens; BARBUY, Heloisa; FREHSE, Fraya. Militão Augusto de Azevedo. São Paulo: Cosac Naify, p. 50-73, 2012.

LEMOS, Eric Danzi. Artífices da paisagem. In: BORREGO, Maria Aparecida de Menezes; NASCIMENTO, Ana Paula. Mundos do trabalho. Coleção Museu do Ipiranga, vol. 4. São Paulo: Edusp, p. 58-63, 2022.

LESSING, Emanuela Bonini; BULEGATO, Fiorella; FARIAS, Priscila Lena. La tipografia come new craft: riflessioni storiche e pratiche di riattualizzazione. MD Journal, vol. 7, p. 146-159, 2019.

PEREIRA, Fabio Mariano Cruz; FARIAS, Priscila Lena. Anúncios de oficinas tipográficas paulistanas (1900-1930). Infodesign, vol. 18, n. 2, p. 27-36, 2021.

SANTOS, Carlos José Ferreira dos. Nem tudo era italiano: São Paulo e pobreza: 1890-1915. São Paulo: Annablume/Fapesp, 2008.

UTSCH, Ana; GRAVIER, Marina Garone (Orgs). Encontros em torno de tipos e livros. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2019.

 

Frédéric Manuel (1868 – 1961)

Andrea C. T. Wanderley*

As fotografias paulistanas do francês Frédéric Manuel (1868 – 1961), sobre quem há ainda pouquíssima informação, foram realizadas, em 1906, para Menotti Levi (18? – 19?), editor do Guia Levi, publicado, em São Paulo, de 1899 a meados até 1984 (Jornal do Brasil, 19 de novembro de 1900, penúltima colunaA Notícia (RJ), 27 e 28 de agosto de 1906, segunda coluna), cuja utilidade já está comprovada pela aceitação que o público lhe dispensa (Correio Paulistano, 5 de fevereiro de 1905, penúltima coluna). O Guia Levi era uma publicação mensal de horários de trens, de bondes e outras informações úteis (Correio Paulistano, 8 de agosto de 1908, penúltima coluna), Uma curiosidade: o grande arquiteto e urbanista paulistano Rino di Menotti Levi (1901 – 1965) é filho de Menotti Levi.

 

Acessando o link para as fotografias de São Paulo produzidas por Frédéric Manuel, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

*Andrea C. T. Wanderley é pesquisadora e editora da Brasiliana Fotográfica

Série “Conflitos” VIII – Os efeitos da Revolta Paulista de 1924 pelas lentes de Gustavo Prugner (1884 – 1931)

Para marcar o centenário da Revolta Paulista de 1924, a Brasiliana Fotográfica destaca registros produzidos pelo fotógrafo Gustavo Prugner (1884 – 1931) sobre os efeitos da rebelião na cidade. Pertencem ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles (IMS), uma das instituições fundadoras do portal. Também conhecida como a Revolução Esquecida, foi a segunda revolta tenentista e o mais grave conflito bélico ocorrido, até hoje, na cidade de São Paulo. Também publicamos hoje a Cronologia de Gustavo Prugner, a 68ª produzida pelo portal.

É possível conferir algumas destas fotografias de Prugner na base de dados do Acervo IMS online: https://acervos.ims.com.br. Lá estão disponíveis mais de 9.200 imagens em domínio público, com download liberado e gratuito. Ao usá-las para qualquer finalidade, basta citar o nome do fotógrafo e o acervo de origem.

 

 

Pouco de sabe sobre o fotógrafo Prugner. Ele nasceu em 5 de julho de 1884, em São Bernardo do Campo, e, no início do século XX, ganhou uma das câmeras fotográficas distribuídas em uma ação promocional da loja de artigos fotográficos de Guilherme Wessel (1862 – 1940), pai do empreendedor Conrado Wessel (1891 – 1993). Prugner havia estudado na Escola Alemã com Guilherme. Curiosamente, a vida de Conrado Wessel foi fortemente impactada pela rebelião de 1924: devido ao violento conflito urbano, faltou papel importado para os fotógrafos que atuavam, principalmente, no Jardim da Luz, e eles passaram a comprar de Wessel. Quando a rebelião terminou, o fornecimento de papel importado foi restabelecido, mas Conrado já havia conquistado uma clientela fiel. Sua empresa começou a prosperar.

 

Acessando o link para as imagens produzidas por Gustavo Prugner sobre os efeitos da Revolução de 1924 em São Paulo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Voltando a Prugner. Com a obtenção da câmera, passou a trabalhar como fotógrafo e laboratorista. Foi também, em São Paulo, assim como o alemão Theodor Preising (1883 – 1962) e o suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928), um importante editor de cartões-postais, uma forma de circulação de imagens que, desde meados do século XIX, contribuiu para popularizar a fotografia. Prugner organizava álbuns a partir de fotos de sua autoria e de outros fotógrafos. Suas imagens eram marcadas pelas iniciais GP. Foram publicadas em revistas ilustradas como a Careta e a Revista da Semana e também em jornais, porém nem sempre sua autoria era identificada.

Gustavo Prugner foi o autor de um dos mais importantes conjuntos de fotografias sobre o conflito de 1924. Fotografou a destruição causada pelos bombardeios terrificantes realizados pelas tropas leais ao presidente da República, Artur Bernardes  (1875 – 1955), sobre São Paulo – única cidade brasileira já bombardeada por um ataque aéreo.

“As vítimas civis passaram de dois milheiros, quase todas estraçalhadas de modo horroroso por estilhaços de granada. O  número de prédios destruídos ou simplesmente estragados subiu aos milhares. Dia e noite os canhões legalistas despejavam metralha às tontas, sem o menor objetivo militar […]. Havia lá dentro 3 mil rebeldes disseminados no seio de uma massa de 800 mil civis. O mais rudimentar cálculo faria ver que, por força do bombardeiro às tontas, seria mister massacrar 270 civis para dar cabo de um revoltoso”

Monteiro Lobato (1882 – 1948), trecho de O bombardeio de São Paulo

 

 

As fotos de Prugner mostravam trincheiras improvisadas, prédios arruinados, ruas, fachadas de casas, animais mortos e incêndios. Os bairros mais atingidos foram Belenzinho, Brás, Cambuci, Centro, Ipiranga, Mooca e Vila Mariana. Os registros de Prugner, focados nos efeitos da revolta no cotidiano dos moradores dos bairros mais afetados pela guerra, tiveram grande sucesso comercial.

 

 

Faleceu, em 4 de dezembro de 1931, em São Paulo.  Seus filhos com Lina Hagemann (1889 – 1981), com quem foi casado, Edgar (1911 – 1984) e Mário (1912 – 1993), continuaram a editar cartões-postais até 1936, quando passaram a trabalhar em tempo integral na primeira fábrica de papel fotográfico da América Latina, a Fábrica Privilegiada de Papéis Fotográficos Wessel, criada, em 1921, e que utilizava tecnologia e patente próprias, cujo proprietário era o já mencionado pioneiro Conrado Wessel (1891 – 1993). Prugner foi casado com Lina Hagemann (1889 – 1981).

Acesse aqui a Cronologia de Gustavo Prugner (1884 – 1931).

 

Brevíssimo resumo da Revolta Paulista de 1924

 

A Revolta Paulista de 1924 foi motivada pelo descontentamento dos militares com a crise econômica e a concentração de poder nas mãos de políticos de Minas Gerais e de São Paulo. Os rebeldes, sob a liderança do general Isidoro Dias Lopes (1865 – 1949), pretendiam derrubar o governo de Artur Bernardes (1875 – 1955), instituir o voto secreto, fazer mudanças no ensino público e realizar reformas sociais. A rebelião eclodiu, em 5 de julho de 1924, justamente dois anos após a primeira revolta tenentista, a Revolta do Forte de Copacabana, ocorrida no Rio de Janeiro.

Os 23 dias da Revolta Paulista de 1924, que contou com a participação de vários tenentes, dentre eles Juarez Távora (1898 – 1975) e Eduardo Gomes (1896 – 1981), tiveram como saldo 503 mortos e cerca de 5 mil feridos. O número de desabrigados passou de 20 mil e, aproximadamente, dois mil edifícios foram destruídos. Os rebeldes, derrotados pelas tropas legalistas do governo federal, fugiram de São Paulo e foram para Santa Catarina e para o Paraná. Os tenentistas juntaram-se à Coluna Prestes, sob a liderança de Luís Carlos Prestes (1898 – 1990), e começaram a marcha que seguiu pelo interior do Brasil propondo reformas e atacando a República Velha.

 

 

Veja outras fotos da Revolta de 1924, em São Paulo, publicadas da página 15 a 22 da Revista da Semana de 9 de agosto de 1924 e da página 19 a 27 da Revista da Semana de 16 de agosto de 1924 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Esse artigo passou a integrar a série Conflitos, em 20 de março de 2026.

Fontes:

Blog da BBM

GERODETTI, João Emílio; CORNEJO, Carlos. Lembranças de São Paulo: a capital paulista nos cartões postais e nos álbuns de lembranças. São Paulo : Estúdios Flash Produções Gráficas, 1999.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Luzes e sobras da metrópole: um século de fotografia em São Paulo (1850 – 1950) in PORTA, Paula (org) História da Cidade de São Paulo: A cidade no Império. São Paulo : Paz e Terra, 2004.

LEMOS, Eric Danzil. Fotografia profissional, arquivo e circulação: a produção de Theodor Preising em São Paulo (1920 – 1940). Universidade de São Paulo, 2016.

LOBATO, Monteiro. O bombardeio de São Paulo. Obras Completas, vol. 6. São Paulo : Editora Brasiliense, 1946.

O Estado de São Paulo

Schiavinatto, Iara. Séries Fotográficas narram um evento: 1924/São Paulo. Revista Stadium, número 8, 2002.

Site Enciclopédia Itaú Cultural 

Site Family Search

Site IMS

Site Itú

WANDERLEY, Andrea C. T. Aspectos de Poços de Caldas impressos no papel fotográfico fabricado pelo pioneiro Conrado Wessel (1891 – 1993) in Brasiliana Fotográfica, 7 de abril de 2022

ZERWES, Erica. Suvenires da destruição: a Revolução de 1924 por Barros Lobo e Gustavo Prugner in Conflitos: fotografia e violência política no Brasil, 1889 -1964. Rio de Janeiro : Instituto Moreira Salles, 2017.

 

Cronologia de Gustavo Prugner (1884 – 1931)

Cronologia de Gustavo Prugner (1884 – 1931)

 

 

1884 – Gustavo Prugner nasceu em 5 de julho de 1884, em São Bernardo do Campo, em São Paulo.

1889 –  Em Joinville, Santa Catarina, em 18 de outubro de 1889, nascimento de Lina Hagemann (1889 – 1981), sua futura esposa.

Início do século XX – Prugner tornou-se fotógrafo e laboratorista quando ganhou uma das câmeras 13 x 18 cm distribuídas em uma ação promocional da loja de artigos fotográficos de Guilherme Wessel (1862 -1940), pai do inventor e empreendedor Conrado Wessel (1891 – 1993). Guilherme foi colega de Prugner na Escola Alemã.

Em São Paulo, Prugner foi, assim como o alemão Theodor Preising (1883 – 1962) e o suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928), um importante editor de cartões-postais, uma forma de circulação de imagens que, desde meados do século XIX, contribuiu para popularizar a fotografia. Organizava álbuns a partir de fotos de sua autoria e de outros fotógrafos. Suas imagens eram marcadas pelas iniciais GP. Foram publicadas em revistas ilustradas como a Careta e a Revista da Semana e também em jornais, porém nem sempre com sua autoria identificada.

1906 – Foi eleito segundo tesoureiro da primeira diretoria do Club Quatro de Agosto, fundado em São Bernardo do Campo (Correio Paulistano, 15 de agosto de 1906, segunda coluna).

1911 – Em 7 de fevereiro,  nascimento de Edgar (1911 – 1984), seu primeiro filho com Lina Hagemann (1889 – 1981).

1912 -  Em 26 de abril, nascimento de seu segundo filho com Lina Hagemann, Mário (1912 – 1993).

1924 – Foi o autor de um dos mais importantes conjuntos de fotografias sobre a Revolta Paulista de 1924, iniciada em 5 de julho de 1924, dia em que ele completava 40 anos. Fotografou a destruição causada pelos bombardeios terrificantes realizados pelas tropas leais ao presidente da República, Artur Bernardes  (1875 – 1955), sobre São Paulo – única cidade brasileira já bombardeada por um ataque aéreo. Os bairros mais atingidos foram Belenzinho, Brás, Cambuci, Centro, Ipiranga, Mooca e Vila Mariana. As fotos de Prugner mostravam trincheiras improvisadas, prédios arruinados, ruas, fachadas de casas e incêndios. Seus registros, focados nos efeitos da revolta no cotidiano dos moradores dos bairros mais afetados pela guerra, tiveram grande sucesso comercial.

1925/1928 – Entre esses anos, Prugner produziu um álbum de fotografias, que se encontra na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, retratando o centro de São Paulo e seus bairros limítrofes.

1931 - Gustavo Prugner faleceu, em 4 de dezembro de 1931, em São Paulo.

1936 - Edgar e Mário, seus filhos, continuaram a editar cartões-postais até 1936, quando passaram a trabalhar em tempo integral na primeira fábrica de papel fotográfico da América Latina, a Fábrica Privilegiada de Papéis Fotográficos Wessel, criada em 1921, e que utilizava tecnologia e patente próprias, cujo proprietário era o pioneiro Conrado Wessel (1891 – 1993). 

1981 – Falecimento de Lina Hagemann (1889 – 1981), em 22 de julho de 1981, em Joinville, Santa Catarina.

1984 – Falecimento de seu primogênito, Edgar, em 20 de março de 1984, em Joinville, Santa Catarina.

1993 - No Palácio dos Campos Elíseos, em São Paulo, realização da exposição Memórias Paulistanas – Postais, com trabalhos de Prugner e de Guilherme Gaensly (1843 – 1928), dentre outros fotógrafos (Folha de São Paulo, 8 de julho de 1993). O suíço Gaensly foi, como já mencionado, um dos maiores criadores de cartões-postais de São Paulo entre fins do século XIX e a década de 20.

Em 11 de novembro de 1993, falecimento do segundo filho de Gustavo, Mário, em Joinville, Santa Catarina.

2004 –  Fotos de sua autoria integraram a exposição São Paulo 450 Anos: a imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Salles, realizada entre 23 de janeiro e 27 de junho de 2004, no Centro Cultural Fiesp (Enciclopédia Itaú Cultural).

2010 – Entre 25 de janeiro e 21 de março de 2010, fotos de sua autoria foram expostas na mostra São Paulo, terra, alma e memória, em comemoração ao aniversário de São Paulo, no Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, sob a curadoria de Emanuel Araújo (1940 – 2022). Outros fotógrafos que integraram a mostra foram Guilherme Gaensly (1843 – 1928), Theodor Preising (1883 – 1962) e Valério Vieira (1862 – 1941)  (O Estado de São Paulo, 19 de março de 2010).

2017 /2018 – Fotos produzidas por Prugner sobre a Revolta Paulista de 1924 fizeram parte da exposição Conflitos: fotografia e violência política no Brasil 1889-1964, realizada no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, entre 25 de novembro de 2017 e 25 de fevereiro de 2018; e, no IMS-SP, entre 8 de maio e 29 de julho de 2018e do livro homônimo, lançado em 14 de dezembro de 2017, no auditório do IMS-Rio.

“Com um panorama de imagens de guerras civis, revoltas e outros episódios de confronto envolvendo o Estado brasileiro, “Conflitos” aborda o papel das imagens fotográficas nesses eventos, seu uso político e suas formas de circulação. São trabalhos de autores conhecidos, como Juan Gutierrez e Flávio de Barros, e de inúmeros anônimos, amadores ou profissionais, nos mais diversos suportes, montando um painel heterogêneo sobre as práticas fotográficas no Brasil ” (IMS).

2019 -  Entre 26 de outubro de 2019 e 15 de março de 2020, realização, na Casa da Imagem, em São Paulo, da exposição Sob ataque, idealizada pelo Coletivo Garapa, realizada com apoio do Edital de Apoio à Criação e Exposição Fotográfica da Secretaria Municipal de Cultura que reuniu 24 imagens de diferentes acervos. Uma das imagens de destaque da mostra foi a dos estragos que uma explosão havia feito em uma casa na rua Helvetia, n°2 , de autoria de Prugner (Guia das Artes).

 

 

“O trabalho explora as tensões históricas que se acumulam e transformam a paisagem da zona central de São Paulo a partir de uma fotografia feita por Gustavo Prugner por ocasião da Revolução de 1924″  (Site Garapa).

2022 - Entre 18 de março e 18 de maio de 2022, realização da exposição Sob Ataque, no Instituto Pavão Cultural em Campinas (campinas.com.br).

Em 3 de junho de 2022, a mostra foi inaugurada no Centro Cultural da Vila, em Ilhabela (SP) (Tribuna do Povo, 30de maio de 2022).

No Dia dos Namorados, fotos de casais produzidas por Chichico Alkmim (1886 – 1978)

Para celebrar o Dia dos Namorados, a Brasiliana Fotográfica destaca duas imagens produzidas, na década de 1920, pelo mineiro Chichico Alkmim (1886 – 1978),  o cronista visual de Diamantina. Uma delas é do próprio fotógrafo ao lado de sua mulher, Miquita, com quem casou-se em 14 de junho de 1913. É muito raro um sinal de enamoramento explícito em fotos de casais nesta época. Os pares estão quase sempre muito sérios e compenetrados. O que as imagens revelam, em maior ou menor grau, é afeto, cumplicidade e companheirismo.

 

 

As duas fotografias em destaque neste artigo foram realizadas no ateliê definitivo de Chichico, no beco João Pinto, 86, na parte alta da cidade, para onde se transferiu, em 9 de outubro de 1919 – seu primeiro ateliê havia sido inaugurado em 1912.

 

 

Seu laboratório fotográfico ficava no nível da rua e o segundo andar abrigava seu estúdio. Possuía uma ampla janela envidraçada em uma das paredes e claraboia; sobre ambas, um cortinado leve, deslizante graças a um sistema de cordas, compondo um mecanismo de controle da luz natural; na parede ao fundo, uma viga de madeira serve como suporte para os painéis pintados com paisagens viçosas e motivos arquitetônicos de gosto classicizante; algum mobiliário – cadeiras, pequenas mesas, apoios para jarros, tapetes, cortina – ajuda a compor os cenários (Eucanaã Ferraz).

Chichico Alkmim, nascido em 28 de março de 1886, na fazenda do Sítio, município de Bocaiuva, foi autodidata e pioneiro da fotografia de estúdio em Diamantina. Atuou na profissão, que adotou em 1907, até 1955.  Com um perfeito domínio técnico da fotografia, os registros de Chichico traduzem um olhar sensível e atento ao mundo em que viveu. Sua obra, que compreende imagens da arquitetura diamantinense, sua religiosidade, costumes, ritos e retratos de seus habitantes, é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Retratou a burguesia e também os trabalhadores ligados ao pequeno garimpo, ao comércio e à indústria. Produziu imagens de casamentos, batizados, funerais, festas populares e religiosas, paisagens e cenas de rua. De 1955, quando parou de fotografar, até 22 de agosto de 1978, quando faleceu, continuou cuidando de seu acervo, que guardava no porão de sua casa. Em 2015, o acervo de Chichiko Alkmim passou, em regime de comodato, a integrar o acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica. Em 2015, o acervo de Chichiko Alkmim passou, em regime de comodato, a integrar o acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica.

 

Acessando o link para as imagens produzidas por Chichico Alkmim disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Acesse aqui a Cronologia de Chichico Alkmim (1886 – 1978)

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Outros artigos publicados na Brasiliana Fotográfica no Dia dos Namorados

Fotografia e namoro, publicado em 12 de junho de 2018, escrito por Élvia Bezerra, então Coordenadora de Literatura do Insituto Moreira Salles

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogo, publicado em 12 de junho de 2020, escrito por Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

No Dia dos Namorados, o álbum “Vistas de Petrópolis” e o fotógrafo alemão Pedro Hees (1841-1880), publicado em 12 de junho de 2023, escrito por Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.

Cronologia de Otto Hees (1870 – 1941)

Cronologia de Otto Hees (1870 – 1941)

 

1870 – Otto Friedrich Wilhelm Karl Hees nasceu em 4 de setembro de 1870, em Petrópolia. Era um dos 11 filhos do fotógrafo alemão Pedro Hees (1841 – 1880) com Maria Glasow Hees (1843 – 1928). Seus irmão eram Ana Catarina Hees (1861-1944), Edmundo Frederico Nicolau Hees (1862-1944), Fernando Jacob Hees (1865-1866), Fernando Mauricio Hees (1867-1893), João Batista Hees (1868-1876), Elisa Matilde Hees (1872-1932), Maria Olga Hees (1872-1958), Joana Teresa Hees (1874-1900), Numa Augusto Hees (1877-1961) e Isabel Emma Hees (1878-1943). 

1876 - Seu pai, Pedro Hees, em 16 de agosto de 1876, tornou-se Fotógrafo da Casa Imperial. Segundo Boris Kossoy, recebeu do conde e da condessa d´Eu “a graça de usar o título de Photographo de sua Imperial Caza e de collocar na porta do seu estabelecimemnto as respectivas armas”. O documento foi assinado por Benedicto Torres, mordomo do conde d’Eu e da princesa Isabel.

1880 – Em julho, falecimento de seu pai, com que havia aprendido fotografia.

1882 - Otto havia iniciado seus estudos no Colégio Alemão, em Petrópolis, e, em dezembro de 1882, foi premiado (O Mercantil, 20 de dezembro de 1882, quarta coluna). O estabelecimento fotográfico de Pedro Hees foi arrendado ao fotógrafo Antonio Henrique da Silva Heitor (18?-?), que recebeu o título de Fotógrafo da Casa Imperial, em 2 de março de 1885, outorgado por dom Pedro II.

1888 – Em março de 1888, Otto já havia assumido o estúdio (Alggemeine Deutsche Zeitung, 31 de março de 1888, última coluna).

1889 – Em 23 maio de 1889, produziu a fotografia da Família Imperial, provavelmente a última antes do exílio.

 

 

 

Em outubro de 1889, Otto abriu um estúdio em Juiz de Fora, Minas Gerais, e retornou a Petrópolis no mês seguinte (O Mercantil, 20 de novembro de 1889, última coluna).

 

 

 

1890 - Em 1º de fevereiro de 1890, o estabelecimento passou a chamar-se Hees & Irmãos, de Numa Augusto e Otto.

 

 

1892 - Alistou-se no exército, seguindo também a carreira militar.

1895 - Em abril de 1895, fazia parte da administração do Asilo de Caridade de Petrópolis (Boletim do Grande Oriente do Brasil, Jornal Oficial da Maçonaria, abril de 1895).

Em maio de 1895, tornou-se um dos primeiros ciclistas a efetuar o trajeto Petrópolis-Juiz de Fora. Foi um dos fundadores do Clube Alemão e, ainda nessa década ficou conhecido em Petrópolis por ter organizados muitas festas.

1900-  Foi candidato a vereador geral e a juiz de paz em Petrópolis.

1901 – Foi empossado como juiz de paz em Petrópolis. Também em 1901, quando era tenente, produziu fotografias de ladrões para arquivamento da polícia.

1902 – Trabalhou na Sul América Seguros

1903 – Fotografou o barão do Rio Branco (1845 – 1912) e outras personalidades, em 17 de novembro de 1903, logo após a assinatura do Tratado de Petrópolis, que incorporou o território correspondente ao Acre ao Brasil.

 

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Foi reeleito para o cargo de juiz de paz para o biênio 1904-1905.

1910 - Foi eleito vereador por Petrópolis. Já era major. Nas décadas seguintes, afastado comercialmente da fotografia, exerce os cargos de secretário executivo e delegado de polícia na sua cidade natal (Enciclopédia Itaú Cultural).

1941 – Faleceu em Petrópolis, em setembro de 1941 (Jornal do Brasil, 17 de setembro de 1941, quarta coluna).

1946 –  A imagem da família real produzida por Otto Hees foi reproduzida no artigo Isabel, a Redentora, publicado em A Noite, de 30 de julho de 1946. É referida como o último flagrante de parte da família Imperial no Brasil.

 

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Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

E, há 200 anos, Hercule Florence chegou ao Brasil!

Há 200 anos, em 8 abril de 1824, chegou ao Rio de Janeiro, a bordo da fragata Marie Théreze, que havia zarpado do porto de Toulon, na França, em fevereiro de 1824, o fotógrafo, desenhista, tipógrafo e naturalista francês Antoine Hercule Romuald Florence (1804 – 1879) (Diário do Rio de Janeiro, 9 de abril de 1824, segunda coluna). Viveu no Brasil entre 1824 e 1879, quando faleceu, em Campinas. Foi, certamente, um dos mais extraordinários estrangeiros que se estabeleceu no país, no século XIX, tendo sido o inventor de um dos primeiros métodos de fotografia do mundo.

Em 11 de agosto de 2023, o Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, anunciou a aquisição da coleção Cyrillo Hercules Florence, composta por aproximadamente 1.200 itens, que reúne a parte mais importante da obra e dos documentos do Hercule Florence.  A coleção estava sob a guarda da família e foi reunida por seu neto, Cyrillo Hercules Florence (1901 – 1995).

 

 

Foi no livro de Florence, Livre d´annotations et les premiers matériaux, em 1834, que ele usou pela primeira vez o verbo photographier – cinco anos antes da palavra ser utilizada na Inglaterra, em 1839, por John Frederick William Herschel (1792-1871). Florence deixou uma descrição do procedimento adotado por ele para obter o registro fotográfico, em 1833.

Foi a partir da pesquisa e do teste realizados pelo professor Boris Kossoy (1941-), aos quais se seguiu a publicação de seu livro “1833: a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil” (1980), que Hercule Florence tornou-se conhecido internacionalmente. Convidamos vocês à leitura dos artigos O francês Hercule Florence (1804 – 1879), inventor de um dos primeiros métodos de fotografia do mundo e Florence, autor do mais antigo registro fotográfico existente nas Américas, já publicados na Brasiliana Fotográfica.

 

Acessando o link para as imagens de Hercule Florence disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Autorretrato de Hercule Flrence, 1855. Detalhe de um retrato de sua família, em Campinas

Autorretrato de Hercule Florence, 1855. Detalhe de um retrato de sua família, em Campinas

 

Foi publicado nos Anais do Museu Paulista, de dezembro de 2019, o artigo Revelando Hercule Florence, o Amigo das Artes: análises por fluorescência de raios X.  A física Márcia de Almeida Rizzutto, coordenadora do NAP-Faepah, atestou, com a ajuda do método conhecido como fluorescência de raios X por dispersão de energia (ED-XRF) para detectar a presença de elementos químicos, que os manuscritos de Florence descrevem fielmente os processos de produção fotográfica por ele testados em 1833. Segundo Boris Kossoy, “é a comprovação física daquilo que já se sabia do ponto de vista químico”.

Nos dias 23 e 24 de maio de 2023, foi realizado no Instituto Moreira Salles, de São Paulo, o seminário internacional 190 anos dos experimentos fotográficos de Hercule Florence para celebrar o seu pioneirismo na descoberta dos processos fotográficos. Vários temas relacionados a Florence foram abordados durante o evento, mas o principal assunto do encontro foi a divulgação dos resultados das análises físico-químicas realizadas, em 2022, de três objetos do inventor, por meio de uma parceria inédita entre quatro instituições de três continentes: o IMS, o Instituto Hercule Florence (IHF), de São Paulo, Brasil; o Getty Conservation Institute (GCI), de Los Angeles, EUA; e o Laboratório HERCULES da Universidade de Évora, Portugal.

 

Nota da editora: havia dúvidas em torno da data de nascimento de Hercule Florence – seria 28, 29 de fevereiro ou 9 de março de 1804. O artigo Os nascimentos de Hercule Florence, publicado em de 2022 pelo Instituto Hercule Florence esclarece que a data de nascimento foi 28 de fevereiro de 1804 e a data de batizado 29 de fevereiro de 1804. A data 9 de março foi aventada a partir de um erro de leitura de William Luret, ex-jornalista da Radio Montecarlo. Como os artigos Florence, autor do mais antigo registro fotográfico existente nas Américas e O francês Hercule Florence (1804 – 1879), inventor de um dos primeiros métodos de fotografia do mundo haviam sido publicados na Brasiliana Fotográfica em 17 de junho de 2015 e em 7 de março 2017, respectivamente, portanto antes das dúvidas em relação à data de nascimento de Florence terem sido dirimidas, constava como data de seu nascimento 29 de fevereiro de 1804, como o próprio havia escrito em seu diário. Segundo Thierry Thomas, historiador belga que se debruçou sobre vida e obra de Florence, o artista pode não ter se enganado. “Hercule, de verdade, não se engana totalmente. Muitas pessoas no passado, consideravam o dia do batismo como o dia de nascimento. Pode ser também que ele só consultou o registro de batismo e não o registro de nascimento”.  As correções já foram realizadas e explicadas nos artigos mencionados.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Leia aqui o artigo Hercule Florence e “a arte de inventar”; as mobilizações da memória, de autoria de Maria InezTurazzi, no site Instituto Hercule Florence

O fotógrafo alemão Theodor Preising (1883 – 1962), “o viajante incansável”

Destacando imagens produzidas por Theodor Preising (1883 – 1962) do Rio de Janeiro, que se encontram no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica, este artigo vai contar um pouco da trajetória deste fotógrafo alemão que chegou ao Brasil, em 1923, e, inicialmente, fixou-se no Guarujá e depois seguiu para São Paulo. Foi um dos pioneiros no país na utilização de câmeras pequenas como a Leica e a Contax. Viajante incansável, como o denominou Kariny Grativol em sua Dissertação de Mestrado, Preising com apurado senso estético e grande domínio técnico fotografou diversas regiões do Brasil e produziu álbuns e cartões postais voltados para o turismo.

Tinha um espírito aventureiro, próprio dos fotojornalistas. Considerava-se um repórter fotográfico tanto que se associou, em 1937, ao Sindicato de Jornalistas de São Paulo. Com a divulgação de seu trabalho fotográfico em publicações como a Revista S. Paulo, o jornal Brasil Novo e a revista Travel in Brazil, que visavam tanto ao público nacional como ao estrangeiro, Preising contribuiu para a formação de uma imagem do país. Trabalhou como fotógrafo no Touring Club do Brasil e também no Departamento de Imprensa e Propaganda de São Paulo. Ao final do artigo, está publicada uma cronologia do fotógrafo, a 66ª produzida pelo portal.

 

“Enfim, vejo no trabalho de Theodor Preising mais diversidade imagética e uma estética diferenciada, pois seu compromisso maior era produzir e distribuir uma fotografia que fosse encantadora e sintetizasse a cidade de São Paulo, mesmo que de forma fragmentada, para o cidadão, os visitantes e os turistas que por aqui passavam. Sua obra ainda permanece pouco conhecida, mas seus cartões postais e seus álbuns entraram para história da iconografia paulistana. Podemos ainda ampliar para todo o Brasil, já que Preising registrou diversas cidades brasileiras com a mesma intenção de sensibilizar o cidadão e o turista diante de tanta beleza natural e arquitetônica”.

Rubens Fernandes Jr, pesquisador, curador e crítico de fotografia

 Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

Encontram-se no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica os seguintes registros produzidos por Theodor Preising: da Avenida Rio Branco, do Corcovado, do Pão de Açúcar, do Jardim Botânico, da Praia de Copacabana, além de belas vistas de paisagens cariocas. Há ainda uma fotografia da Basílica de São Bento, em São Paulo. Mais uma vez recomendamos que

 

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Theodor Preising disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

 

 

 

 

 

 

Breve perfil do fotógrafo alemão Theodor Preising (1883 – 1962)

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Nascido em Hildeshein, na Alemanha, em 3 de janeiro de 1883, Theodor Preising era filho de Fridrich e Maria Preising. Seu interesse por fotografia e turismo surgiu a partir de viagens que fazia com seu pai, que era maquinista de trem. Em 1908, casou-se com Elizabeth Elfriede Koesewitz (1874 – 1956) com quem teve três filhos: Úrsula, Carlos Frederico e Sibylle.

 

 

Possuía um estabelecimento fotográfico na Alemanha , quando foi convocado para atuar como fotógrafo no front da Primeira Guerra Mundial. Em 1916, tornou-se proprietário de uma filial da empresa Samson & Co., em Berlim, rede que possuía estabelecimentos fotográficos na Alemanha e em outros países da Europa.

 

 

 

 

Para fugir do caos da Alemanha do pós-guerra, decidiu emigrar e foi, primeiramente, entre março e abril de 1923, para a Argentina Em dezembro do mesmo ano, aportou em Santos, no dia 23, a bordo do navio Cap Polônio.

Inicialmente, fixou no Guarujá e comercializava materiais fotográficos como as câmeras Zeiss Ikon e Agfa; além de cartões postais, no Grande Hotel. Produziu cartões postais até o início da Segunda Guerra Mundial, quando estrangeiros de países do Eixo foram proibidos de fotografar externamente as cidades.

Em 1924, ele se transferiu para São Paulo, onde se estabeleceu na Rua Augusto Tolle, 2, com sua família que já se encontrava Brasil. Seus filhos passaram a auxiliá-lo no laboratório que ele havia montado e onde ele editava e produzia seus próprios cartões postais e álbuns de fotografia. Os textos dos cartões postais eram escritos por sua filha, Sibile. Vendia suas imagens para papelarias e casas fotográficas, como a Fotóptica, fundada pelo pai do fotógrafo Thomaz Farkas (1924 – 2011). Registrou a chegada de imigrantes à cidade, seu carnaval de rua, o dia a dia dos cafezais no interior do estado e a vida praiana de cidades litorâneas como o já mencionado Guarujá e Santos.

Em 11 de março 1927, abriu seu ateliê em São Paulo, na Rua Voluntários da Pátria, nº506, em Santana, na zona norte da cidade (Almanak Laemmert, 1931, segunda coluna).

Preising expôs, na Casa Rosenhain, na Rua de São Bento, álbuns e folhinhas com aspectos da vida paulista, principalmente (Correio Paulistano, 10 de outubro de 1928, terceira coluna).

 

Entre 1928 e 1940, realizou diversos trabalhos fotográficos para a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, registrando fazendas no interior do Estado.

 

Theodor Preising. Imigrante na colheita do café, c. 1940 / Publicado na Revista Zum, de 27 de fevereiro de 2018

Theodor Preising. Imigrante na colheita do café, c. 1940 / Publicado na Revista Zum, de 27 de fevereiro de 2018

 

Na década de 1930, colaborou com o jornal O Estado de São Paulo, que então publicava um suplemento em rotogravura.

Em 1930, uma fotografia da Rua XV de Novembro de sua autoria foi publicada no artigo Gigantic Brazil and its Glittering Capital, na edição de julho/dezembro da National Geographic Magazine.

 

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National Geographic Magazine, julho/dezembro de 1930

 

Em 1930, voltou a expor na Casa Rosenhein. Referido como o proprietário da Photo Rotativo de São Paulo, foi elogiado seu amor e admiração pela natureza americana e suas fotos das cataratas do Iguaçu foram consideradas empolgantes (A Gazeta (SP), 20 de novembro de 1930, primeira coluna).

 

 

É de 1930 o registro abaixo de autoria de Preising, Chegada de imigrantes asiáticos.

 

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Theodor Preising. Chegada de imigrantes asiáticos, 1930. Santos, São Paulo / Publicado na Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

Entre esse ano e 1931, documentou a colonização de Londrina, no Paraná, contratado pela Companhia Terras Norte do Paraná. Em 1933, esteve no Paraná fotografando vários aspectos do estado (O Dia (PR), 5 de maio de 1933, última coluna). Ainda neste ano, seis fotografias de sua autoria foram mostradas na A Capital de S. Paulo, publicação distribuída pela Secretaria de Agricultura.

 

“Propaganda pelo turismo para o Brasil”

Slogan escrito em seus álbuns de fotografia

 

Em 1934, a bordo do navio Almirante Jaceguai, participou do Segundo Cruzeiro Econômico Turístico do Touring Club do Brasil, empresa para a qual então trabalhava. Produziu, além de registros dos sócios do Touring durante a viagem, uma grande documentação fotográfica, a partir de viagens para o Norte e para o Nordeste (Diário da Manhã (PE), 16 de maio de 1934, quinta colunaDiário de Pernambuco, 20 de maio de 1934, penúltima coluna).

Ele e o fotógrafo Benedito Junqueira Duarte, conhecido como B.J. Duarte (1910 – 1995), pseudônimo Vamp, eram os fotógrafos da Revista S. Paulo. Segundo Junqueira, apesar de Preising ser bem mais velho que ele, tinha um espírito de moço e uma agilidade profissional de adolescente. A publicação mensal foi lançada em 31 de dezembro de 1935 e fazia propaganda do governo de Armando de Sales Oliveira (1887 – 1945), em São Paulo. Seu projeto gráfico articulava imagem e texto de modo inovador. Foi a primeira revista paulistana a ser feita em rotogravura, o que conferia uma maior qualidade à reprodução dos registros fotográficos. A publicação privilegiava a imagem sobre o texto. (Correio Paulistano, 1º de janeiro de 1936, quarta coluna; O Estado de São Paulo, 18 de março de 1978, segunda coluna).

 

 

Era dirigida por Cassiano Ricardo (1895 – 1974), Leven Vampré (c. 1891 – 1956) e Menotti Del Picchia (1892 – 1988). Os livros de memórias de Cassiano, Menotti e Benedito mencionam a presença de Livio Abramo (1903-1992) como ilustrador da revista. Apenas o primeiro, identifica-o como “mestre da gravura, da fotomontagem e das estatísticas ilustradas a rigor…” (A revista S.PAULO: a cidade nas bancas por Ricardo Mendes). A revista S. Paulo circulou em 1936: sua periodicidade foi mensal até o oitavo número, passando a ser bimestral nos dois últimos. Neste mesmo ano, ele entrou com o pedido de sua naturalização como brasileiro.

 

 

 

Links para todas as edições da Revista S. Paulo (1936):

Janeiro / Fevereiro / Março / Abril / Maio / Junho / Julho / Agosto / Setembro e Outubro / Novembro e Dezembro

Neste ano, fotografou o carnaval de rua paulistano e um zeppelin que sobrevoou São Paulo,o dirigível Hindenburg .

 

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Theodor Preising. Carnaval na Av. São João, 1936. São Paulo, SP / Publicado na Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018

Theodor Preising. Passeio do dirigível Hindenburg pelo centro de São Paulo, 1936. São Paulo, SP / Foto publicada em O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018

 

Em 1937, aderiu ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e enviou uma solicitação para que seu nome passasse a constar do quadro social da entidade (Correio Paulistano, 14 de maio de 1937, quinta coluna).

 

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Carteira do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo de Theodor Preising, matrícula 162 / Publicada em O Viajante incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising

 

Também neste ano, expôs fotografias no Pavilhão Brasileiro, na Exposição Universal de Paris de 1937, realizada entre 25 de maio e 25 de novembro de 1937. Contou com a participação de 44 países e foi visitada por cerca de 31 milhões de pessoas.

No ano seguinte, em setembro de 1938, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo realizou uma exposição sobre a cultura do algodão com imagens produzidas por ele. As fotos expostas foram publicadas em um número especial do Suplemento em Rotogravura do jornal, em março de 1939.

 

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O Estado de São Paulo, 6 de setembro de 1938

 

Em 6 de novembro de 1938, entrou para o serviço público tendo sido nomeado fotógrafo do Departamento de Propaganda e Publicidade (DPP), criado pouco antes como Serviço de Publicidade e Propaganda do Estado de São Paulo, dirigido por Menotti del Picchia.

Em 1939, Preising mudou-se com a família para a Rua Cedro, em Jabaquara, vizinho do amigo Benedito Junqueira Duarte, e passou a trabalhar na revista Brasil Novo, criada por Cassiano Ricardo e lançada em 1º de junho do mesmo ano. Também em 1939, aproximadamente 20 fotografias de sua autoria foram publicadas no livro Travel in Brazil, Brazilian representation New York’s World Fair, lançada durante a Feira Mundial de Nova York, que tinha o tema Construindo o mundo de amanhã. O pavilhão brasileiro foi projetado pelos arquitetos Oscar Niemeyer (1907 – 2012) e Lúcio Costa (1902 – 1998). Preising foi um dos fotógrafos cujas obras foram expostas em fotomurais do Departamento Nacional do Café e numa mostra de paisagens brasileiras ao lado de registros realizados por Erich Hess (1911 – 1995), Fernando Guerra Duval  (18? – 1959), Max Rosenfeld (? – 1962), Paulino Botelho (1879 – 1948), Renato G. Palmeira (? -?) e pelo Studio Rembrandt. Por sua participação Preising recebeu um diploma conferido pela direção do evento entregue pela Secretaria de Governo de São Paulo (Correio Paulistano, 3 de novembro de 1940, quinta coluna).

Ainda em 1939, foi criado do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e, pouco depois, cada estado possuía um Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP). Em São Paulo, o DEIP incorporou o Departamento de Publicidade e Propaganda, onde Preising trabalhava. Ele atuou na Divisão de Turismo e Diversões Públicas e na Divisão de Divulgação para o serviço de reportagem da Agência Nacional.

Em 1940, produziu esse belo registro do Parque do Anhangabaú e do Viaduto do Chá.

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Theodor Preising. Parque Anhangabaú e o novo Viaduto do Chá, 1940. São Paulo, SP / Publicado na Revista Zum, 27 de fevereiro de 2018

Naturalizou-se brasileiro em janeiro de 1941. Certamente o fato de ser um servidor público e o envio de uma carta de Menotti del Picchia, em papel timbrado da Diretoria de Propaganda e Publicidade do Palácio do Governo de São Paulo , a qual dirigia na ocasião, ao ministro da Justiça e Negócios Interiores, Francisco Campos (1891 – 1968), em 5 de agosto de 1939, influenciaram na obtenção de sua naturalização (A Batalha, 7 de janeiro de 1941, penúltima coluna).

“Tenho a honra de enviar a Vossa Excelência, para os devido fins, o requerimento em que THEODOR PREISING, de nacionalidade alemã, fotógrafo desta Diretoria de Propaganda e Publicidade do Palácio do Governo de São Paulo, nomeado por ato de 6 de Novembro de 1938, solicita de Vossa Excelência a sua naturalização como cidadão brasileiro, nos termos do artigo 40, parágrafo 3º, do Decreto-lei 1.202, de 8 de Abril de 1939 e de conformidade com a portaria 2.108, de 6 de Julho último, desse Ministério.

Peço vênia a Vossa Excelência para esclarecer que o interessado já tem o seu pedido de naturalização encaminhado a esse Ministério, desde 1936.

Com as minhas expressões de respeito e simpatia, subscrevo-me de Vossa Excelência, admirador obrdo.

Menotti del Picchia

DIRETOR”

Entre 1941 e 1942, diversas fotos de sua autoria foram publicadas na revista Travel in Brazil. 

 

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Revista Travel in Brazil, 1941, volume 1 do Ano I

Na primeira edição da revista, em janeiro de 1941, publicação de foto de Preising no artigo Brazil, this wonderful land, de Cecília Meirelles (1901 – 1964).

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Brazil Travels, janeiro de 1941 / Foto de Preising

Na segunda edição, de fevereiro de 1941, publicação de fotos nos artigos The jewel of plant life: the orchid e Curitiba and the Paraná railway.

 

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Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Na edição de março de 1941, registros realizados por ele foram publicados no artigo São Paulo:  city of tourists, de Menotti del Picchia (1892 – 1988) e Petrópolis: summer capital of Brazil, de Vera Kelsey (1892 – 1961); na edição de abril de 1941, 11 fotos no artigo Ouro Preto: the old Villa Rica, de Manuel Bandeira (1886 – 1968); e, na edição de janeiro de 1942, as fotos do artigo Poços de Caldas  Wings over Brazil, de Henry Albert Phillips (1880 – 1951). A revista era publicada mensalmente e editada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda do Rio de Janeiro.

Em 6 fevereiro de 1942, esteve presente ao enterro da mãe de Cassiano Ricardo (1895 – 1974), realizado no Rio de Janeiro (A Manhã, 7 de fevereiro de 1942, penúltima coluna). Em torno deste ano, associou-se ao Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB) – fundado em 1939 e celeiro da fotografia moderna no Brasil – e participou de vários Salões de Fotografia, nacionais e internacionais.

Em 1943, sua fotografia Força da Natureza, ganhou, na categoria Paisagem, o 4º prêmio no II Salão Paulista de Arte Fotográfica do Foto Clube Bandeirante. O fotógrafo Thomas Farkas (1924 – 2011) ganhou o primeiro lugar na categoria Arquitetura e recebeu um menção honrosa na categoria Composição. Preising foi o organizador, pelo Departamento Estadual de Imprensa e Publicidade, de  um estande de fotografias documentais do progresso de São Paulo, em um anexo ao Salão (Correio Paulistano, 31 de agosto de 1943, primeira coluna; Correio Paulistano, 28 de setembro de 1943, terceira coluna).

 

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Ainda em 1943,  participou de uma exposição na Galeria Prestes Maia com as fotos Força da NaturezaRefúgio das Almas, Silêncio, Sombra e Luz e Vida do Mar. Esta última representou o Foto Clube Bandeirante no Salão de Londres em 1944. Também em 1944, fotos de sua autoria foram publicadas na Revista Industrial de São Paulo, dirigida por Honório de Sylos (1901 – 1993) e no Observador Econômico e Financeiro do Rio de Janeiro – registros de São Paulo, do porto de Santos, de cafezal, de agricultora e de bambuzal (Observador Econômico e Financeiro, janeiro de 1944 , janeiro de 1944, maio de 1944, maio de 1944, junho de 1944, junho de 1944, junho de 1944).

Em 1945, com o fim do Estado Novo o DEIP passou a chamar-se Departamento Estadual de Informações (DEI) e a a Divisão de Turismo e Diversões Públicas passou a chamar-se Divisão de Turismo e Expansão Social. A Divisão de Divulgação manteve o nome.

Preising participou do IV Salão Paulista de Arte Fotográfica do Foto Clube Bandeirante, realizado entre novembro e dezembro de 1945, na Galeria Prestes Maia – primeira edição internacional -, com seis fotografias: Bicho de Seda, Contra Luz, Faíscas, Fornalha, Metal Líquido e Tropical. Seu ensaio fotográfico Jabaquara, com sete imagens, ficou entre os finalistas do 2º Prêmio Anchieta. (Correio Paulistano, 10 de outubro de 1945, quinta coluna).

Na publicação São Paulo, realizada pelo DEI, em 1946, fotos de sua autoria não creditadas foram publicadas.

Em 1946 e 1947, respectivamente, suas fotografias Silêncio, Sombra e LuzMinha Terra tem Palmeiras representaram o FCCB. A primeira no V Salão de Santa Fé, na Argentina; e a segunda, no VI Salão de Barcelona, na Espanha.

No livro Gente e Terra do Brasil, documentário fotográfico organizado pelo livreiro austríaco naturalizado brasileiro Erich Eichner (1906 – 1974), quinto volume da Coleção de Temas Brasileiros da Livraria Kosmos Editora, lançado, provavelmente, em 1947, com síntese histórica e econômica de John Knox (? – ?) e prefácio do jornalista, político, professor e pesquisador Carlos Rizzini (1898 – 1972), das 128 imagens publicadas, 30 eram de autoria de Preising. Havia também fotos de Carlos Moskovics (1916 – 1988), Erich Hess (1911 – 1995), Hans Gunter Flieg (1923-2024), Hildegard Rosenthal (1913 – 1990), José Medeiros (1921 – 1990), Peter Scheier (1908 – 1979) e Thomaz Farkas (1924 – 2011), dentre outros. Algumas imagens eram provenientes do arquivo da Panair. O livro era traduzido para o inglês, francês e espanhol (Correio da Manhã, 2 de dezembro de 1947, quinta coluna).

 

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Foram de sua autoria as fotografias dos cadernos de turismo sobre Campos do Jordão, de 1947, e sobre Itanhaem, de 1948, produzidos por intermédio da Divisão de Turismo e Expansão Cultural do Departamento de Imprensa e Propaganda de São Paulo. Os textos eram do jornalista e folclorista Helio Damante (1919 – 2002 ) e as ilustrações de Aldemir Martins (1922 – 2006), no de Campos do Jordão;  de Tarsila do Amaral (1883 – 1976), no de Itanhaem (Jornal de Notícias, 12 de novembro de 1947, quinta coluna). A reprodução desses dois álbuns está publicada entre as páginas 133 e 144 da dissertação Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de c.

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Em 1948, o DEI foi extinto e ele passou a ser o fotógrafo titular da Secretaria Estadual dos Negócios do Governo de São Paulo. Em torno deste ano começou a tirar licenças médicas devido ao Mal de Parkinson, que deu seus primeiros sinais em torno de 1945.

Foi nomeado, em maio de 1949, para trabalhar no Laboratório de Polícia Técnica da Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública. Ainda neste ano foi trabalhar como fotógrafo do Departamento de Cultura e Ação Social da Reitoria da Universidade de São Paulo. Aposentou-se do serviço público estadual em 1954.

Nos álbuns de fotografias Isto é o Rio de Janeiro Isto é a Bahia, ambos da Editora Melhoramentos e publicados em 1955, com textos em inglês, francês, português, italiano e alemão, fotos de sua autoria assim como de Alice Brill (1920 – 2013), dentre outros, foram publicadas (O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955; Diário de Notícias, 11 de agosto de 1955, segunda coluna).

 

O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955

O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955

 

Faleceu em 24 de julho de 1962, em sua casa, em São Paulo.

Em 2003, fotografias de sua autoria foram publicadas no livro Rio de Janeiro 1900 – 1930: uma crônica fotográfica, de George Ermakoff, G. Ermakoff Casa Editorial, Rio de Janeiro.

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No ano seguinte, integrou a exposição São Paulo 450 anos: a imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Salles, realizada entre 23 de janeiro e 27 de junho de 2004, no Centro Cultural da Fiesp, em São Paulo, e teve fotos de sua autoria publicadas no Cadernos de Fotografia Brasileira São Paulo 450 anos, editado pelo IMS.

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Também em 2004, integrou a Coleção Pirelli-Masp de Fotografia, 13˚ edição, com sete fotografias, que foram incorporadas ao Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp (O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 2004).

Em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, em 2008, realização da exposição individual Uruguaiana de 1932 de Theodor Preising, no Centro Cultural Dr. Pedro Marini, com a curadoria de Douglas Aptekmann, seu bisneto.

Em 2010, no Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com curadoria de Emanoel Araújo (1940 – 2022), realização da exposição São Paulo, Terra, Alma e Memória com fotos de Preising e de Guilherme Gaesnly (1843 – 1928) em comemoração ao aniversário de São Paulo (O Estado de São Paulo, 19 de março de 2010).

Em 2011, foi o tema da Dissertação de Mestrado Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de Kariny Grativol, orientada pelo professor Boris Kossoy, na Universidade de São Paulo. Voltou, em 2016, a ser tema de uma Dissertação de Mestrado realizada na USP, Fotografia Profissional, arquivo e circulação: a produção de Theodor Preising em São Paulo (1920 – 1940), de Eric Danzi Lemos, orientado pela professora Solange Ferraz de Lima. Estes trabalhos foram importantes fontes de pesquisa para a elaboração deste artigo.

Entre 8 de outubro de 2011 e 11 de março de 2012, foi um dos fotógrafos cujos trabalhos foram exibidos na exposição Percursos e Afetos. Fotografias 1928-2011 – Coleção Rubens Fernandes Junior, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, com a curadoria de Diógenes Moura (19?-).

No Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, em 2012, Preising foi um dos integrantes da exposição coletiva Um olhar sobre o Brasil a fotografia na construção da imagem da Nação 1833-2003 com curadoria de Boris Kossoy (1941-) e Lilia Schwarcz (1957-). Uma foto de sua autoria foi publicada no livro homônimo, editado pela Fundación Mafre, de Madrid; e pela Objetiva, do Rio de Janeiro.

 

 

Com curadoria de Paulo Herkenhoff, realização, na OCA, em São Paulo, da exposição Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, entre 25 de maio e 13 de agosto de 2017, com a participação de Preising. Outros conjuntos de fotografias expostos foram de Claudio Edinger (1952-), Cristiano Mascaro (1944-) e German Lorca (1922 – 2021). Também neste ano, fotos de sua autoria foram publicadas no livro História do Brasil em 100 fotografias, organizado por Ana Cecília Impellizieri (1978-) e editado pela Bazar do Tempo.

Entre 25 de janeiro e 25 de março de 2018, realização da exposição São Paulo: sinfonia de uma metrópole, com fotos de Theodor Preising, na Galeria de Fotos do Centro Cultural da Fiesp, sob a curadoria de Rubens Fernandes Jr. (1949-). O título da exposição é homônimo ao documentário dos húngaros Adalberto Kemeny (1901 – 1969) e Rudolf Lustig (1901 – 1970), de 1929, exibido durante a mostra, sobre o processo de modernização da paisagem social e urbana da capital paulistana, que tem como referência o filme Berlim – sinfonia da metrópole (1927), de Walter Ruttman (1887 – 1941) (O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018).

Em 2021, realização de duas exposições em torno da obra de Preising, ambas curadas por Rubens Fernandes Junior: entre 27 de julho e 28 de agosto, Theodor Preising Um Olhar Moderno – São Paulo, na Unibes Cultural, em São Paulo; entre 14 de agosto e 19 de setembro, Theodor Preising Um Olhar Moderno – Santos, na Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos.

A parte mais importante da obra de Preising, cerca de 15 mil fotografias, encontra-se sob a guarda de seu bisneto Douglas Aptekmann e Lucia Aptekmann. Um levantamento preliminar deste acervo está publicado na dissertação Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de Kariny Grativol, entre as páginas 120 e 126.

Há também fotos de sua autoria nos acervos do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, no Museu do Café, em Santos; em arquivos públicos de Cambé e Londrina, no Paraná, e Ribeirão Preto, em São Paulo; no Masp, e na Biblioteca Nacional, no Instituto Moreira Salles e na FGV CPDOC, no Rio de Janeiro.
Acesse aqui a Cronologia de Theodor Preising (1883 – 1962).

 

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Preising no Guarujá / Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

Enciclopédia Itaú Cultural

FERNANDES JR, Rubens. Rubens Fernandes Jr, curador da exposição São Paulo: Sinfonia de uma metrópole, comenta a obra do fotógrafo Theodor PreisingRevista Zum, 27 de fevereiro de 2018.

GRATIVOL, Kariny. Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MENDES, Ricardo .A revista S. Paulo: a cidade nas bancas. IMAGENS, Unicamp, dezembro de 1994 (a partir de trabalho apresentado no V Congresso Brasileiro de História da Arte, 1993).

LEMOS, Eric Danzi. Fotografia profissional, arquivo e circulação: a produção de Theodor Preising em São Paulo (1920-1940). 2016. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.

O Estado de São Paulo

Site Theodor Preising

Cronologia de Theodor Preising (1883 – 1962)

 

Cronologia de Theodor Preising (1883 – 1962)

 

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1883 - Theodor Preising nasceu em 3 de janeiro, em em Hildeshein, na Alemanha, filho de Fridrich e Maria Preising. Seu interesse por fotografia e turismo surgiu a partir de viagens que fazia com seu pai, que era maquinista de trem.

1908 – Casou-se com Elizabeth Elfriede Koesewitz (1874 – 1956) com quem teve três filhos: Úrsula, Carlos Frederico e Sibylle.

 

 

c. 1914 – Possuía um estabelecimento fotográfico na Alemanha , quando foi convocado para atuar como fotógrafo no front da Primeira Guerra Mundial.

1916 –  Tornou-se proprietário de uma filial da empresa Samson & Co., em Berlim, rede que possuía estabelecimentos fotográficos na Alemanha e em outros países da Europa.

 

 

1923 -  Para fugir do caos da Alemanha do pós-guerra, decidiu emigrar e foi, primeiramente, entre março e abril, para a Argentina. Em dezembro, no dia 23, aportou em Santos, a bordo do navio Cap Polônio.

Inicialmente, fixou no Guarujá e comercializava materiais fotográficos como as câmeras Zeiss Ikon e Agfa; além de cartões postais, no Grande Hotel. Produziu cartões postais até o início da Segunda Guerra Mundial, quando estrangeiros de países do Eixo foram proibidos de fotografar externamente as cidades.

1924 – Transferiu-se para São Paulo, onde se estabeleceu na Rua Augusto Tolle, 2, com sua família que já se encontrava Brasil. Seus filhos passaram a auxiliá-lo no laboratório que ele havia montado e onde ele editava e produzia seus próprios cartões postais e álbuns de fotografia. Os textos dos cartões postais eram escritos por sua filha, Sibile. Vendia suas imagens para papelarias e casas fotográficas, como a Fotóptica, fundada pelo pai do fotógrafo Thomaz Farkas (1924 – 2011). Registrou a chegada de imigrantes à cidade, seu carnaval de rua, o dia a dia dos cafezais no interior do estado e a vida praiana de cidades litorâneas como o já mencionado Guarujá e Santos.

1927 – Abriu seu ateliê em São Paulo, na Rua Voluntários da Pátria, nº506, em Santana, na zona norte da cidade (Almanak Laemmert, 1931, segunda coluna).

1928 – Preising expôs, na Casa Rosenhain, na Rua de São Bento, álbuns e folhinhas com aspectos da vida paulista, principalmente (Correio Paulistano, 10 de outubro de 1928, terceira coluna).

 

 

Entre este ano e 1940, realizou diversos trabalhos fotográficos para a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, registrando fazendas no interior do Estado.

 

Theodor Preising. Imigrante na colheita do café, c. 1940 / Publicado na Revista Zum, de 27 de fevereiro de 2018

Theodor Preising. Imigrante na colheita do café, c. 1940 / Publicado na Revista Zum, de 27 de fevereiro de 2018

 

Década de 1930 – Colaborou com o jornal O Estado de São Paulo, que então publicava um suplemento em rotogravura.

1930 - Uma fotografia da Rua XV de Novembro de sua autoria foi publicada no artigo Gigantic Brazil and its Glittering Capital, na edição de julho/dezembro da National Geographic Magazine.

 

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National Geographic Magazine, julho/dezembro de 1930

 

Voltou a expor na Casa Rosenhein. Referido como o proprietário da Photo Rotativo de São Paulo, foi elogiado seu amor e admiração pela natureza americana e suas fotos das cataratas do Iguaçu foram consideradas empolgantes (A Gazeta (SP), 20 de novembro de 1930, primeira coluna).

 

 

É também deste ano o registro abaixo de autoria de Preising, Chegada de imigrantes asiáticos.

 

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Theodor Preising. Chegada de imigrantes asiáticos, 1930. Santos, São Paulo / Publicado na Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

Seis fotografias de sua autoria foram mostradas na A Capital de S. Paulo, publicação distribuída pela Secretaria de Agricultura.

Entre 1930 e 1931, documentou a colonização de Londrina, no Paraná, contratado pela Companhia Terras Norte do Paraná. Em 1933, esteve no Paraná fotografando vários aspectos do estado (O Dia (PR), 5 de maio de 1933, última coluna)

1934 - A bordo do navio Almirante Jaceguai, participou do Segundo Cruzeiro Econômico Turístico do Touring Club do Brasil, empresa para a qual então trabalhava. Produziu, além de registros dos sócios do Touring durante a viagem, uma grande documentação fotográfica, a partir de viagens para o Norte e para o Nordeste (Diário da Manhã (PE), 16 de maio de 1934, quinta colunaDiário de Pernambuco, 20 de maio de 1934, penúltima coluna).

1936 – Ele e o fotógrafo Benedito Junqueira Duarte, conhecido como B.J. Duarte (1910 – 1995), pseudônimo Vamp, eram os fotógrafos da Revista S. Paulo. Segundo Junqueira, apesar de Preising ser bem mais velho que ele, tinha um espírito de moço e uma agilidade profissional de adolescente. A publicação mensal foi lançada em 31 de dezembro de 1935 e fazia propaganda do governo de Armando de Sales Oliveira (1887 – 1945), em São Paulo. Seu projeto gráfico articulava imagem e texto de modo inovador. Foi a primeira revista paulistana a ser feita em rotogravura, o que conferia uma maior qualidade à reprodução dos registros fotográficos. A publicação privilegiava a imagem sobre o texto. (Correio Paulistano, 1º de janeiro de 1936, quarta colunaO Estado de São Paulo, 18 de março de 1978, segunda coluna).

 

 

Era dirigida por Cassiano Ricardo (1895 – 1974), Leven Vampré (c. 1891 – 1956) e Menotti Del Picchia (1892 – 1988). Os livros de memórias de Cassiano, Menotti e Benedito mencionam a presença de Livio Abramo (1903-1992) como ilustrador da revista. Apenas o primeiro, identifica-o como “mestre da gravura, da fotomontagem e das estatísticas ilustradas a rigor…” (A revista S.PAULO: a cidade nas bancas por Ricardo Mendes). A revista S. Paulo circulou em 1936: sua periodicidade foi mensal até o oitavo número, passando a ser bimestral nos dois últimos. Neste mesmo ano, ele entrou com o pedido de sua naturalização como brasileiro.

 

 

 

Links para todas as edições da Revista S. Paulo (1936):

Janeiro / Fevereiro / Março / Abril Maio / Junho / Julho / Agosto / Setembro e Outubro / Novembro e Dezembro

Fotografou o carnaval de rua paulistano e um zeppelin que sobrevoou São Paulo,o dirigível Hindenburg .

 

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Theodor Preising. Carnaval na Av. São João, 1936. São Paulo, SP / Publicado na Revista Zum, 16 de fevereiro de 2018

 

O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018

Theodor Preising. Passeio do dirigível Hindenburg pelo centro de São Paulo, 1936. São Paulo, SP / Foto publicada em O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018

 

1937 – Aderiu ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e enviou uma solicitação para que seu nome passasse a constar do quadro social da entidade (Correio Paulistano, 14 de maio de 1937, quinta coluna).

 

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Carteira do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo de Theodor Preising, matrícula 162 / Publicada em O Viajante incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising

 

Expôs fotografias no Pavilhão Brasileiro, na Exposição Universal de Paris de 1937, realizada entre 25 de maio e 25 de novembro de 1937. Contou com a participação de 44 países e foi visitada por cerca de 31 milhões de pessoas.

1938 – Em setembro, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo realizou uma exposição sobre a cultura do algodão com imagens produzidas por ele. As fotos expostas foram publicadas em um número especial do Suplemento em Rotogravura do jornal, em março de 1939.

 

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O Estado de São Paulo, 6 de setembro de 1938

 

Em 6 de novembro, entrou para o serviço público tendo sido nomeado fotógrafo do Departamento de Propaganda e Publicidade (DPP), criado pouco antes como Serviço de Publicidade e Propaganda do Estado de São Paulo, dirigido por Menotti del Picchia.

1939 - Preising mudou-se com a família para a Rua Cedro, em Jabaquara, vizinho do amigo Benedito Junqueira Duarte.

Passou a trabalhar na revista Brasil Novo, criada por Cassiano Ricardo e lançada em 1º de junho do mesmo ano.

Aproximadamente 20 fotografias de sua autoria foram publicadas no livro Travel in Brazil, Brazilian representation New York’s World Fair, lançada durante a Feira Mundial de Nova York, que tinha o tema Construindo o mundo de amanhã. O pavilhão brasileiro foi projetado pelos arquitetos Oscar Niemeyer (1907 – 2012) e Lúcio Costa (1902 – 1998). Preising foi um dos fotógrafos cujas obras foram expostas em fotomurais do Departamento Nacional do Café e numa mostra de paisagens brasileiras ao lado de registros realizados por Erich Hess (1911 – 1995), Fernando Guerra Duval  (18? – 1959), Max Rosenfeld (? – 1962), Paulino Botelho (1879 – 1948), Renato G. Palmeira (? -?) e pelo Studio Rembrandt. Por sua participação Preising recebeu um diploma conferido pela direção do evento entregue pela Secretaria de Governo de São Paulo (Correio Paulistano, 3 de novembro de 1940, quinta coluna).

Foi criado do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e, pouco depois, cada estado possuía um Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP). Em São Paulo, o DEIP incorporou o Departamento de Publicidade e Propaganda, onde Preising trabalhava. Ele atuou na Divisão de Turismo e Diversões Públicas e na Divisão de Divulgação para o serviço de reportagem da Agência Nacional.

1940 - Produziu esse belo registro do Parque do Anhangabaú e do Viaduto do Chá.

 

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Theodor Preising. Parque Anhangabaú e o novo Viaduto do Chá, 1940. São Paulo, SP / Publicado na Revista Zum, 27 de fevereiro de 2018

 

1941 - Naturalizou-se brasileiro em janeiro. Certamente o fato de ser um servidor público e o envio de uma carta de Menotti del Picchia, em papel timbrado da Diretoria de Propaganda e Publicidade do Palácio do Governo de São Paulo , a qual dirigia na ocasião, ao ministro da Justiça e Negócios Interiores, Francisco Campos (1891 – 1968), em 5 de agosto de 1939, influenciaram na obtenção de sua naturalização (A Batalha, 7 de janeiro de 1941, penúltima coluna).

 

“Tenho a honra de enviar a Vossa Excelência, para os devido fins, o requerimento em que THEODOR PREISING, de nacionalidade alemã, fotógrafo desta Diretoria de Propaganda e Publicidade do Palácio do Governo de São Paulo, nomeado por ato de 6 de Novembro de 1938, solicita de Vossa Excelência a sua naturalização como cidadão brasileiro, nos termos do artigo 40, parágrafo 3º, do Decreto-lei 1.202, de 8 de Abril de 1939 e de conformidade com a portaria 2.108, de 6 de Julho último, desse Ministério.

Peço vênia a Vossa Excelência para esclarecer que o interessado já tem o seu pedido de naturalização encaminhado a esse Ministério, desde 1936.

Com as minhas expressões de respeito e simpatia, subscrevo-me de Vossa Excelência, admirador obrdo.

Menotti del Picchia

DIRETOR”

 

1941 / 1942 –  Diversas fotos de sua autoria foram publicadas na revista Travel in Brazil. 

 

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Revista Travel in Brazil, 1941, volume 1 do Ano I

 

Na primeira edição da revista, em janeiro de 1941, publicação de foto de Preising no artigo Brazil, this wonderful land, de Cecília Meirelles (1901 – 1964).

 

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Brazil Travels, janeiro de 1941 / Foto de Preising

 

Na segunda edição, de fevereiro de 1941, publicação de fotos nos artigos The jewel of plant life: the orchid e Curitiba and the Paraná railway.

 

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Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

Brazil Travels, fevereiro de 1941 / Fotos de Preising

 

Na edição de março de 1941, registros realizados por ele foram publicados no artigo São Paulo:  city of tourists, de Menotti del Picchia (1892 – 1988) e Petrópolis: summer capital of Brazil, de Vera Kelsey (1892 – 1961); na edição de abril de 1941, 11 fotos no artigo Ouro Preto: the old Villa Rica, de Manuel Bandeira (1886 – 1968); e, na edição de janeiro de 1942, as fotos do artigo Poços de Caldas  Wings over Brazilde Henry Albert Phillips (1880 – 1951). A revista era publicada mensalmente e editada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda do Rio de Janeiro.

Em 6 fevereiro de 1942, esteve presente ao enterro da mãe de Cassiano Ricardo (1895 – 1974), realizado no Rio de Janeiro (A Manhã, 7 de fevereiro de 1942, penúltima coluna). Em torno deste ano, associou-se ao Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB) – fundado em 1939 e celeiro da fotografia moderna no Brasil – e participou de vários Salões de Fotografia, nacionais e internacionais.

1943 – Sua fotografia Força da Natureza, ganhou, na categoria Paisagem, o 4º prêmio no II Salão Paulista de Arte Fotográfica do Foto Clube Bandeirante (FCCB). O fotógrafo Thomas Farkas (1924 – 2011) ganhou o primeiro lugar na categoria Arquitetura e recebeu um menção honrosa na categoria Composição. Preising foi o organizador, pelo Departamento Estadual de Imprensa e Publicidade, de  um estande de fotografias documentais do progresso de São Paulo, em um anexo ao Salão (Correio Paulistano, 31 de agosto de 1943, primeira colunaCorreio Paulistano, 28 de setembro de 1943, terceira coluna).

 

 

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Participou de uma exposição na Galeria Prestes Maia com as fotos Força da NaturezaRefúgio das AlmasSilêncioSombra e Luz e Vida do Mar. Esta última representou o Foto Clube Bandeirante no Salão de Londres em 1944.

Fotos de sua autoria foram publicadas na Revista Industrial de São Paulo, dirigida por Honório de Sylos (1901 – 1993) e no Observador Econômico e Financeiro do Rio de Janeiro – registros de São Paulo, do porto de Santos, de cafezal, de agricultora e de bambuzal (Observador Econômico e Financeirojaneiro de 1944 , janeiro de 1944maio de 1944maio de 1944, junho de 1944, junho de 1944junho de 1944).

1945 – Com o fim do Estado Novo o DEIP passou a chamar-se Departamento Estadual de Informações (DEI) e a a Divisão de Turismo e Diversões Públicas passou a chamar-se Divisão de Turismo e Expansão Social. A Divisão de Divulgação manteve o nome.

Preising participou do IV Salão Paulista de Arte Fotográfica do Foto Clube Bandeirante, realizado entre novembro e dezembro de 1945, na Galeria Prestes Maia – primeira edição internacional -, com seis fotografias: Bicho de SedaContra Luz, Faíscas, Fornalha,  Metal Líquido e Tropical (Correio Paulistano, 10 de outubro de 1945, quinta coluna).

Seu ensaio fotográfico Jabaquara, com sete imagens, ficou entre os finalistas do 2º Prêmio Anchieta.

1946 – Na publicação São Paulo, realizada pelo DEI, fotos de sua autoria não creditadas foram publicadas.

Sua fotografia Silêncio, Sombra e Luz representou o FCCB no V Salão de Santa Fé na Argentina.

1947 – Sua fotografia Minha Terra tem Palmeiras representou o FCCB, no VI Salão de Barcelona, na Espanha.

c. 1947 - No livro Gente e Terra do Brasil, documentário fotográfico organizado pelo livreiro austríaco naturalizado brasileiro Erich Eichner (1906 – 1974), quinto volume da Coleção de Temas Brasileiros da Livraria Kosmos Editora, lançado, provavelmente, em 1947, com síntese histórica e econômica de John Knox (? – ?) e prefácio do jornalista, político, professor e pesquisador Carlos Rizzini (1898 – 1972), das 128 imagens publicadas, 30 eram de autoria de Preising. Havia também fotos de Carlos Moskovics (1916 – 1988), Erich Hess (1911 – 1995), Hans Gunter Flieg (1923-2024), Hildegard Rosenthal (1913 – 1990), José Medeiros (1921 – 1990), Peter Scheier (1908 – 1979) e Thomaz Farkas (1924 – 2011), dentre outros. Algumas imagens eram provenientes do arquivo da Panair. O livro era traduzido para o inglês, francês e espanhol (Correio da Manhã, 2 de dezembro de 1947, quinta coluna).

 

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Foram de sua autoria as fotografias dos cadernos de turismo sobre Campos do Jordão, de 1947, e sobre Itanhaem, de 1948, produzidos por intermédio da Divisão de Turismo e Expansão Cultural do Departamento de Imprensa e Propaganda de São Paulo. Os textos eram do jornalista e folclorista Helio Damante (1919 – 2002 ) e as ilustrações de Aldemir Martins (1922 – 2006), no de Campos do Jordão;  de Tarsila do Amaral (1883 – 1976), no de Itanhaem (Jornal de Notícias, 12 de novembro de 1947, quinta coluna). A reprodução desses dois álbuns está publicada entre as páginas 133 e 144 da dissertação Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de c.

 

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1948 – O DEI foi extinto e ele passou a ser o fotógrafo titular da Secretaria Estadual dos Negócios do Governo de São Paulo. Em torno deste ano começou a tirar licenças médicas devido ao Mal de Parkinson, que deu seus primeiros sinais em torno de 1945.

1949 - Em maio foi nomeado para trabalhar no Laboratório de Polícia Técnica da Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública. Ainda neste ano foi trabalhar como fotógrafo do Departamento de Cultura e Ação Social da Reitoria da Universidade de São Paulo.

1954 – Aposentou-se do serviço público estadual.

1955 – Nos álbuns de fotografias Isto é o Rio de Janeiro Isto é a Bahia, ambos da Editora Melhoramentos com textos em inglês, francês, português, italiano e alemão, fotos de sua autoria assim como de Alice Brill (1920 – 2013), dentre outros, foram publicadas (O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955; Diário de Notícias, 11 de agosto de 1955, segunda coluna).

 

O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955

O Estado de São Paulo, 17 de julho de 1955

 

1962 - Faleceu em 24 de julho, em sua casa, em São Paulo.

2003 - Fotografias de sua autoria foram publicadas no livro Rio de Janeiro 1900 – 1930: uma crônica fotográfica, de George Ermakoff, G. Ermakoff Casa Editorial, Rio de Janeiro.

 

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2004 - Integrou a exposição São Paulo 450 anos: a imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Salles, realizada entre 23 de janeiro e 27 de junho de 2004, no Centro Cultural da Fiesp, em São Paulo, e teve fotos de sua autoria publicadas no Cadernos de Fotografia Brasileira São Paulo 450 anos, editado pelo IMS.

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Integrou a Coleção Pirelli-Masp de Fotografia, 13˚ edição, com sete fotografias, que foram incorporadas ao Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp (O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 2004).

2008 – Em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, realização da exposição individual Uruguaiana de 1932 de Theodor Preising, no Centro Cultural Dr. Pedro Marini, com a curadoria de Douglas Aptekmann, seu bisneto.

2010 – No Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com curadoria de Emanoel Araújo (1940 – 2022), realização da exposição São Paulo, Terra, Alma e Memória com fotos de Preising e de Guilherme Gaesnly (1843 – 1928) em comemoração ao aniversário de São Paulo (O Estado de São Paulo, 19 de março de 2010).

2011 - Foi o tema da Dissertação de Mestrado Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising, de Kariny Grativol, orientada pelo professor Boris Kossoy, na Universidade de São Paulo.

Entre 8 de outubro de 2011 e 11 de março de 2012, foi um dos fotógrafos cujos trabalhos foram exibidos na exposição Percursos e Afetos. Fotografias 1928-2011 – Coleção Rubens Fernandes Junior, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, com a curadoria de Diógenes Moura (19?-).

2012 - No Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, Preising foi um dos integrantes da exposição coletiva Um olhar sobre o Brasil a fotografia na construção da imagem da Nação 1833-2003 com curadoria de Boris Kossoy (1941-) e Lilia Schwarcz (1957-). Uma foto de sua autoria foi publicada no livro homônimo, editado pela Fundación Mafre, de Madrid; e pela Objetiva, do Rio de Janeiro.

 

 

2016 – Foi o tema de uma Dissertação de Mestrado realizada na USP, Fotografia Profissional, arquivo e circulação: a produção de Theodor Preising em São Paulo (1920 – 1940), de Eric Danzi Lemos, orientado pela professora Solange Ferraz de Lima.

2017 - Com curadoria de Paulo Herkenhoff, realização, na OCA, em São Paulo, da exposição Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, entre 25 de maio e 13 de agosto, com a participação de Preising. Outros conjuntos de fotografias expostos foram de Claudio Edinger (1952-), Cristiano Mascaro (1944-) e German Lorca (1922 – 2021). Também neste ano, fotos de sua autoria foram publicadas no livro História do Brasil em 100 fotografias, organizado por Ana Cecília Impellizieri (1978-) e editado pela Bazar do Tempo.

2018 - Entre 25 de janeiro e 25 de março, realização da exposição São Paulo: sinfonia de uma metrópole, com fotos de Theodor Preising, na Galeria de Fotos do Centro Cultural da Fiesp, sob a curadoria de Rubens Fernandes Jr. (1949-). O título da exposição é homônimo ao documentário dos húngaros Adalberto Kemeny (1901 – 1969) e Rudolf Lustig (1901 – 1970), de 1929, exibido durante a mostra, sobre o processo de modernização da paisagem social e urbana da capital paulistana, que tem como referência o filme Berlim – sinfonia da metrópole (1927), de Walter Ruttman (1887 – 1941) (O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 2018).

2021 – Realização de duas exposições em torno da obra de Preising, ambas curadas por Rubens Fernandes Junior: entre 27 de julho e 28 de agosto, Theodor Preising Um Olhar Moderno – São Paulo, na Unibes Cultural, em São Paulo; entre 14 de agosto e 19 de setembro, Theodor Preising Um Olhar Moderno – Santos, na Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos.

 

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Preising no Guarujá / Viajante Incansável – trajetória e obra fotográfica de Theodor Preising

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Os 180 anos de nascimento do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923)

No dia do aniversário de 180 anos de Marc Ferrez (1843 – 1923), a Brasiliana Fotográfica destaca os 27 artigos já publicados no portal em torno da obra do fotógrafo. Ferrez teve uma trajetória singular na história da fotografia no Brasil, tendo se estabelecido, inicialmente, em 1867, na Rua São José, nº 96, no Rio de Janeiro, tornando-se logo o mais importante profissional da área na cidade. Foi no Rio de Janeiro e em seus arredores que ele realizou cerca da metade de sua produção fotográfica, registrando, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.

 

Foi o único fotógrafo do século XIX que percorreu todas as regiões do Brasil, tendo sido, no referido século, o principal responsável pela divulgação da imagem do país no exterior. Nos anos 1870, integrou a Comissão Geológica do Império e tornou-se Fotógrafo da Marinha Imperial. Participou e foi premiado em diversas exposições nacionais e internacionais.

 

Carimbo de Marc Ferrez, c. 1875. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS.

Carimbo de Marc Ferrez, c. 1875. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS.

 

Acessando o link para as fotografias de Marc Ferrez disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Marc Ferrez nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de dezembro de 1843, cerca de quatro após o anúncio da invenção do daguerreótipo por François Arago (1786 – 1853), secretário da Academia de Ciências da França, em 19 de agosto de 1839. O daguerreótipo, processo fotográfico desenvolvido por Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851), revolucionou em pouco tempo e para sempre a forma do registro do mundo e de seus habitantes, inundando nosso planeta de imagens fotográficas. A invenção chegou ao Brasil em 1840 e dom Pedro II (1825 – 1891) foi um grande entusiasta da fotografia.

 

Câmara de daguerreótipo Succe Frères, de 1939 / Westlicht Photography Museum, em Viena, na Áustria

 

Voltando a Marc Ferrez. Ele era filho de Zépherin (Zeferino) Ferrez (1797 – 1851) e Alexandrine Caroline Chevalier (18? – 1851). Seu pai, um escultor e gravador francês, havia chegado com o irmão Marc (Marcos), no Rio de Janeiro, em 1817. Os dois passaram a integrar a Missão Francesa, que havia se instalado na cidade no ano anterior. Após passar alguns anos em Paris, Marc Ferrez retornou ao Rio de Janeiro em torno de 1863. Casou-se com a francesa Marie Lefebvre (c. 1849 – 1914) em 16 de agosto de 1873. Tiveram dois filhos: Julio Marc (1881 – 1946) e Luciano José André (1884 – 1955).

 

 

Sua trajetória profissional foi marcada por uma forte ligação com atividades culturais e científicas e também por um contato permanente com os principais desenvolvimentos tecnológicos de sua época. Produziu magistrais fotografias de arquitetura durante a construção da Avenida Central, no Rio de Janeiro.

 

 

Também participou da introdução do cinema e da fotografia estereoscópica em cores no Brasil, no início do século XX. Em 1905, obteve a representação da firma francesa Pathé Frères no Brasil. A firma era a maior e melhor fábrica de aparelhos e filmes cinematográficos da Europa. Faleceu em 12 de janeiro de 1923, no Rio de Janeiro.

 

“Há nas suas paisagens…uma nota artística sempre: a escolha do ponto de vista denotava no fotógrafo a existência daquela divina centelha de arte que dá o toque de poesia às frias imagens que a objetiva mecanicamente registra”.

Para Todos, 20 de janeiro de 1923

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez 

 

 

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 30 de junho de 2015

Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 25 de janeiro de 2016

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2016

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de autoria de Sérgio Burgi, um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de dezembro de 2016

No primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 22 de setembro de 2017

Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica,  publicada em 29 de junho de 2018

Série “O Rio de Janeiro desaparecido” V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 20 de julho de 2018

Uma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de dezembro de 2018 

Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de abril de 2019

Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 

Os 180 anos da invenção do daguerreótipo – Os álbuns da Comissão Geológica do Império com fotografias de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 19 de agosto de 2019

Celebrando o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 4 de dezembro de 2019

Uma homenagem da Casa Granado ao imperial sob as lentes de Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicada em 7 de fevereiro de 2020

Ressaca no Rio de Janeiro invade o porão da casa do fotógrafo Marc Ferrez, em 1913, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado 6 de março de 2020

Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 16 de março de 2020

Bambus, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2020

O Baile da Ilha Fiscal: registro raro realizado por Marc Ferrez e retrato de Aurélio de Figueiredo diante de sua obra, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 9 de novembro de 2020

O Palácio de Cristal fotografado por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 2 de fevereiro de 2021

A Estrada de Ferro do Paraná, de Paranaguá a Curitiba, pelos fotógrafos Arthur Wischral (1894 – 1982) e Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 22 de março de 2021

Dia dos Pais – Julio e Luciano, os filhos do fotógrafo Marc Ferrez, e outras famílias, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 6 de agosto de 2021

No Dia da Árvore, mangueiras fotografadas por Ferrez e Leuzinger, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 21 de setembro de 2021

Retratos de Pauline Caroline Lefebvre, sogra do fotógrafo Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 28 de abril de 2022

A Serra dos Órgãos: uma foto aérea e imagens realizadas pelos mestres Ferrez, Leuzinger e Klumb, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2022

O centenário da morte do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 12 de janeiro de 2023

O Observatório Nacional pelas lentes de Marc Ferrez, amigo de vários cientistas, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 29 de maio de 2023

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a potente imagem da Cachoeira de Paulo Afonso, por Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2023

A Fonte Adriano Ramos Pinto por Guilherme Santos e Marc Ferrez, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 18 de julho de 2023

 

Acesse aqui a Acervo, Revista do Arquivo Nacional, com o tema Marc Ferrez: a fotografia como experiência, volume 36, nº2 maio/agosto 2023, que traz artigos de algumas parceiras – Maria do Carmo Rainho (Arquivo Nacional) e Maria Isabel Lenzi (Museu Histórico Nacional –  e também de algumas colaboradoras – Ana Maria Mauad e Maria Isabela Mendonça dos Santos – da Brasiliana Fotográfica.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica