Os 200 anos do Ginásio Pernambucano, no Recife, a mais antiga escola em funcionamento no Brasil

A Brasiliana Fotográfica despede-se de 2025 publicando um artigo que homenageia a educação,  fator poderoso para a formação de pessoas com pensamento crítico e aptas a contribuir para a construção de um país mais justo e próspero. Com fotografias provenientes do acervo fotográfico da Fundação Joaquim Nabuco, uma das instituições parceiras do portal, e produzidas pelos fotógrafos Manoel Tondella (1861 – 1921) e João José de Oliveira (18? – 19?), sócios na Photographia Popular, destacamos os 200 anos do Ginásio Pernambucano, no Recife, a mais antiga escola em funcionamento no Brasil e patrimônio simbólico de Pernambuco. Brasileiros ilustres estudaram lá, dentre eles os escritores Ariano Suassuna (1927 – 2014) e Clarice Lispector (1920 – 1977), o professor e cientista social Josué de Castro (1908 – 1973), o grande líder abolicionista Joaquim Nabuco (1849 – 1910), o jornalista Assis Chateaubriand (1892 – 1968), o economista Celso Furtado (1920 – 2004) e o presidente da República, Epitácio Pessoa (1865 – 1942). Pioneira, a escola foi a primeira a implementar, no Brasil, o ensino integral, em 2004.

Manoel Tondella, de ascendência portuguesa, foi um dos mais importantes fotógrafos de Pernambuco da segunda metade do século XIX, período a partir do qual Recife tornou-se referência histórica para a fotografia no Brasil. Documentou em imagens as transformações da cidade, entre os anos 1890 e as duas primeiras décadas do século XX.

 

 

O Ginásio Pernambucano localiza-se na rua da Aurora, às margens do rio Capibaribe, onde ficam outros prédios importantes como o da Assembleia Legislativa de Pernambuco, que aparece nas três fotos publicadas neste artigo; o Cinema São Luiz e o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, dentre outros.

 

 

Acessando aqui o link para as fotografias do Ginásio Pernambucano, na rua da Aurora, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

Foi fundado como Liceu Provincial de Pernambuco, em 1º de setembro de 1825, logo após a Confederação do Equador, a partir de um decreto do então presidente da província, José Carlos Mayrink da Silva Ferrão (1771 – 1846), responsável pela transferência da capital de Pernambuco de Olinda para Recife. Funcionava no Convento do Carmo. Seu primeiro diretor foi o religioso, jornalista e deputado Miguel do Sacramento Lopes Gama (1793 – 1852), conhecido como Padre Carapuceiro. Foi a primeira instituição criada em Pernambuco especificamente para o ensino secundário.

 

 

O Liceu Pernambucano era estruturado em um curso literário, composto pelas cadeiras de geometria, retórica, filosofia, racional e moral, latim e desenho. Além de ser uma escola, era fiscalizador do ensino público e privado da província. Exerceu essa última atribuição até 1851.

O estabelecimento mudou algumas vezes de local nas décadas de 1840 e 1850 – rua dos Pires, prédio da Alfândega e prédio onde funcionava a Companhia dos Operários Engajados, casa de sessões do júri, rua da Praia e rua do Hospício. Em 1842, passou a chamar-se Ginásio Provincial de Pernambuco.

Em 1855, uma lei transformou o Liceu em internato de educação pública e de instrução secundária com o nome de Ginásio Pernambucano. Realizou-se uma profunda reforma pedagógica inspirada no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro.

 

 

O Ginásio Pernambucano foi inaugurado, na rua do Hospício, em 7 de setembro de 1855, por José Bento da Cunha e Figueiredo (1808 – 1891), governador de Pernambuco, e demais autoridades civis e eclesiásticas, onde funcionou até 1866 (Correio Mercantil, 21 de setembro de 1855, primeira coluna).

 

 

 

Uma nova sede, na histórica rua da Aurora, começou a ser construída, também em 1855. O projeto do edifício neoclássico, um dos marcos arquitetônicos da cidade, foi do engenheiro recifense José Mamede Alves Ferreira (1820 – 1865), então chefe da Repartição de Obras Públicas do Estado, e autor de outros projetos importantes como o da Casa de Detenção do Recife, do Cemitério de Santo Amaro e do casario da rua da Aurora.

 

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José Mamede Alves Ferreira (1820 – 1865) / José Mamede Alves Ferreira Sua Vida – Sua Obra 1820 – 1865

 

A pedra fundamental da nova sede foi lançada em 15 de agosto de 1855 (Diário de Pernambuco, 22 de março de 1855, primeira coluna17 de agosto de 1855, última coluna). Várias loterias foram realizadas em prol do Ginásio Pernambucano ao longo deste ano (Diário de Pernambuco, 23 de agosto de 1855).

 

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Diário de Pernambuco, 17 de agosto de 1855, última coluna

 

O Ginásio Pernambucano recebeu a visita de dom Pedro II (1825 – 1891), em 9 e em 14 de dezembro de 1859. O museu do ginásio e seu criador, o naturalista Louis Jacques Brunet (1811 – c. 1877), taxidermista e professor de Ciências Naturais, foram os principais interesses do imperador, que escreveu em seu diário:

“A tarde fui ao gabinete de história natural arranjado pelo Brunet no Ginásio e depois de o examinar com atenção, tendo observado peixes fósseis em incrustações calcáreas muito curiosas apanhadas nos sertões do Norte do Brasil, creio que na Serra do Araripe e um quadrúpede entre o macaco e os carneiros chamado no rótulo Kincajú paraná, que só se encontra no sertão desta Província, informei-me do resultado das explorações do Brunet dizendo-me ele que da primeira vez fora só encarregado de explorar pontos próprios para açudes no interior da Paraíba e da segunda da coleta das diversas terras, que chegando no Recife o Presidente (ilegível) mandou deitar no aterro do cais por de traz do Palácio, não lhe abonando as despesas da condução; ficou de levar-me e eu verei a exatidão do que ele me referiu”.

Lembramos aqui que o Ginásio Pernambucano possui o único museu escolar de Pernambuco, o Museu Luiz Jacques Brunet, criado pelo naturalista Louis Jacques Brunet (1811 – c.1877)*, que conta com um acervo de mais de quatro mil objetos.

 

 

Finalmente, em 1866, o Ginásio Pernambucano foi instalado em sua nova sede.

 

 

Na década de 1890, recebeu o nome de Instituto Benjamim Constant e, nos anos 1940, passou a chamar-se Colégio Pernambucano e Colégio Estadual de Pernambuco. Por um decreto de 31 de dezembro de 1974, do governador Eraldo Gueiros Leite (1912 – 1983), voltou à  denominação de Ginásio Pernambucano. Foi também em 1974, que o colégio tornou-se o embrião do ensino médio integral no Brasil.

Em 1984, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan (Sphan Pro Memória Boletim, março e abril de 1984).

 

 

Em 2012, a comunidade escolar ganhou uma nova sede, situada na avenida Cruz Cabugá, no Bairro de Santo Amaro. Em 2020, o Ginásio Pernambucano foi transformado em Escola Técnica Estadual Ginásio Pernambucano.

 

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Escola Técnica Estadual Ginásio Pernambucano, na avenida Cruz Cabugá

 

Em 2025, quando comemora seus 200 anos, após anos sem reformas estruturais, o Ginásio Pernambucano passa por uma restauração orçada em 7 milhões de reais, já autorizada pelo governo estadual. Conta com 720 alunos do ensino médio distribuídos em 17 turmas.

 

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* Foi durante uma de suas expedições científicas pelo Nordeste do Brasil, em 1852, quando passou pela cidade de Areia, na Paraíba, que Brunet se impressionou com o talento precoce de um menino de 9 anos, Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843 – 1905), que se tornou um dos maiores pintores brasileiros do século XIX, autor do famoso quadro Independência ou Morte, então com 9 anos, que contratou como desenhista assistente da expedição. Em 1854, por intermédio de um pedido de Brunet ao presidente da Paraíba do Norte, Antônio Coelho de Sá e Albuquerque (1821 – 1868) e ao seu sucessor, Flávio Clementino da Silva Freire (1816 – 1900) que ajudassem o jovem que não tinha recursos financeiros para estudar . A presidência encaminhou o caso ao Ministério do Império que levou ao Imperador Pedro II, que permitiu o seu ingresso na Imperial Academia de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Pedro Américo e Brunet se corresponderam até a morte do pintor.

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ALBUQUERQUE, Cleonir Xavier de; ACIOLI, Vera Lúcia Costa. José Mamede Alves Ferreira Sua Vida – Sua Obra 1820 – 1865. Pernambuco : Secretaria de Turismo Cultura e Esportes do Governo do Estado de Pernambuco, 1985.

Biblioteca IBGE

CAVALCANTI, Carlos Bezerra. O Ginásio Pernambucano, por Carlos Bezerra Cavalcanti in Jornal O Poder, 7 de junho de 2025.

GONZALES, Rômulo José Benitez de Freitas. A musealização de coleções de ensino no século XIX: o caso do Ginásio Pernambucano. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001 Orientadora: Professora Doutora Priscila Faulhaber Barbosa. UNIRIO/MAST – RJ, 03 de junho de 2022.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MONTENEGRO, Olívio. Memórias do Ginásio Pernambucano. Recife: Assembleia Legislativa de Pernambuco, 1979.

Portal Agência Brasil

Portal G1

Portal NE 9

Portal Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco

Revista Exame, 1º de dezembro de 2025

WANDERLEY, Andrea C.T. Cronologia de Manoel Tondella in Brasiliana Fotográfica, 6 de janeiro de 2021.

 

Os 200 anos do nascimento de dom Pedro II e a Brasiliana Fotográfica no evento “Pelas Lentes das Ciências, da História e das Artes: Pedro II em Debate”, no Colégio Pedro II

Dom Pedro II (1825 – 1891), um entusiasta da fotografia, já foi tema da Brasiliana Fotográfica em diversas publicações. Hoje o portal celebra os 200 anos do nascimento do monarca, destacando esses artigos e oferecendo a seus leitores uma seleção de imagens das viagens que o imperador fez ao Egito e às ruínas de Pompeia, que foram o assunto da exposição Uma viagem ao mundo antigo, cujo curador foi Joaquim Marçal, na ocasião pesquisador da Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional e curador da Brasiliana Fotográfica. Destacamos também a participação da Brasiliana Fotográfica no evento Pelas Lentes das Ciências, da História e das Artes: Pedro II em Debate, realizado nos dias 25 e 27 de novembro de 2025 no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

 

pompeia

 

Foram expostas, entre 30 de outubro de 2017 e 30 de janeiro de 2018, reinaugurando o Espaço Eliseu Visconti, na Biblioteca Nacional, 119 fotografias do acervo da instituição, uma das fundadoras do portal. Segundo Marçal, muitos desses registros foram expostos pela primeira vez e não contam apenas parte da história do Brasil e do mundo no século XIX, mas também da própria fotografia e da reprodutibilidade das imagens. O acervo integra a Coleção D. Thereza Christina Maria, da qual fazem parte cerca de 100 mil itens entre desenhos, estampas, fotografias, livros, mapas, partituras e outros documentos impressos e manuscritos. A exposição, ainda segundo Marçal, evocou a antiguidade a partir das ruínas do Egito Antigo e de Pompeia e, simultaneamente, alguns aspectos importantes da história das imagens e de sua reprodutibilidade – com destaque para a fotografia, mas sem deixar de levar em conta os processos que a antecederam e com ela coexistiram. A ideia é exibir as diversas técnicas de reprodução experimentadas no século XIX.

 

Acessando o link para as fotografias das viagens de d. Pedro II disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Acesse aqui os outros artigos sobre o imperador dom Pedro II já publicados na Brasiliana Fotográfica:

Dom Pedro II ( RJ, 2/12/1825 – Paris, 5/12/1891), um entusiasta da fotografia, e autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 2 de dezembro de 2016.

Após encantar-se com Molière e Giulietta Dionesi, o imperador Pedro II sofre um atentado, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 15 de julho de 2020.

Dom Pedro II fotografado pelo italiano Luis Terragno (c. 1831 – 1891), Fotógrafo da Casa Imperial, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 2 de dezembro de 2022.

E o grande escritor Machado de Assis elogia o imperador Pedro II, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de março de 2025.

 

 Egito

O Egito foi um dos destinos do imperador em sua primeira viagem ao exterior, quando foi à Europa e ao Oriente Médio. Partiu, em 25 de maio de 1871, a bordo do paquete Douro, e retornou ao Brasil, em 31 de março de 1872 (Diário do Rio de Janeiro, 26 de maio de 1871, segunda colunaDiário do Rio de Janeiro, 1º de abril de 1872, primeira coluna).

 

 

 

Em 28 de outubro, Pedro II chegou a Alexandria e, em 2 de novembro, no Cairo. Em 4 de novembro de 1871, visitou as pirâmides de Gizé com um grupo de viajantes, dentre eles o fundador do atual Museu Egípcio no Cairo, o egiptólogos francês François Auguste Mariette (1821 – 1881) e o alemão Heinrich Karl Brugsch (1827 – 1894), também egiptólogo e futuro diretor da Biblioteca do Instituto de Alexandria. Pedro II ficou no Egito até 11 de novembro de 1871.

Em seus diários, o imperador escreveu, em 4 de novembro de 1871:

“Estou muito cansado e atirar-me-ia já na cama se as saudades não exigissem que lhe desse as mais afetuosas boas noites. Adeus, cara amiga! Nada me interessa completamente longe de Você. Adeus! Depois de ouvir missa na igreja dos Franciscanos à qual só a pé se pode chegar por causa destas ruas que parecem galerias de formigas fui às Pirâmides de Gizeh. O caminho quase todo por alamedas de acácias, das quais muitíssimas trançam entre si as comas do verde o mais esplêndido é condigno vestíbulo de tão venerando monumentos. Parecem pequenos até chegar a eles e só se faz idéia da altura da grande pirâmide quando se observam os que por ela trepam e vão-se tornando cada mais pigmeus. Subi facilmente ajudado pelos árabes e no cimo reunimo-nos mais de 30. Da minha companhia só foram Bom Retiro e o egiptólogo distinto dr. Brugsch, que muito tem simpatizado comigo e dado-me informações interessantíssimas. Também galgaram a pirâmide 11 de 17 moças nos Estados Unidos, que consta pertencerem a uma sociedade emancipadora [sic] das mulheres. Um rapaz e senhora de mais idade também as acompanharam. Logo que atingimos o alto da pirâmide soltamos muitos hurrahs, agitamos os lenços e eu assentado numa pedra do tempo de Chufu (Cheops dos gregos) escrevi algumas palavras a Você e os dados que o Brugsch comunicou-me a respeito da pirâmide”.

Em 7 de novembro, visitou Mênfis e Sakkarah; em 9 de novembro, Mokattan; e, em 10 de novembro, retornou à Alexandria. No dia seguinte, retornou à Europa.

 

 

 

Pedro II voltou ao Egito em sua segunda viagem ao exterior, a mais longa, realizada entre entre 26 de março de 1876 e 25 de setembro de 1877. Embarcou no paquete inglês Hevelius (Diário do Rio de Janeiro,  27 e 28 de março de 1876, quarta coluna; Diário do Rio de Janeiro, 26 de setembro de 1877, terceira coluna27 de setembro de 1877, quarta coluna). Visitou os Estados Unidos, o Canadá, diversos países da Europa, do Oriente Médio e da África. 

 

 

Passou seu aniversário de 51 anos, em 2 de dezembro de 1876, no Santo Sepulcro, em Jerusalém. Chegou ao Egito, em 7 de dezembro de 1876, quando visitou diversas pirâmides. Viajou pelo Rio Nilo saindo do Cairo e foi até até Wadi Halfa, hoje o Sudão. Conheceu diversas cidades históricas, dentre elas Luxor, Karnal, Dandur e Assuã, além do célebre templo de Abu Simbel. Deixou o Egito, em 16 de janeiro de 1877.

As fotos de dom Pedro II no Egito

As fotos, que estão o acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica, de dom Pedro II no Egito, em 1871, são de autoria de Hippolyte Delie (1841 – 1889) e Emile Bechard (1844 – 1917), fotógrafos franceses ativos no Egito na década de 1870; e de Hélios, possivelmente o fotógrafo grego Hélio Zoulis (18? -?), cujo estúdio chamava-se Hélios Alexandrie & Caire. Há um registro realizado por um fotógrafo ainda não identificado que não está datado.

Segundo o Metropolitan Museum of Art: “Émile Béchard continua sendo uma figura misteriosa, principalmente por causa da assinatura “H. Béchard”, que aparece nos negativo da maior parte de suas obras paisagísticas e arquitetônicas, inclusive nesta vista do Ramesseum. Desde o final dos anos 1980, muitos historiadores acreditavam que havia de fato dois fotógrafos, Émile e “Henri” Béchard, ambos operando no Egito. Mais recentemente, os estudiosos levantaram a hipótese de que talvez Émile tenha adotado esse segundo nome para distinguir os diferentes temas de suas várias séries (ou seja, retratos versus monumentos). A identificação de um irmão chamado Hippolyte Béchard, no entanto, levou a uma explicação mais lógica de que Hippolyte vendeu e distribuiu as fotos de Emile na França. A situação, porém, foi ainda mais complicado por um grupo de fotografias vendidas em outubro de 2015 no castelo de Saint-Brisson em Saint Brisson-sur-Loire, França. Inscrições em algumas das gravuras indicam que Hippolyte Béchard estava no Cairo em 1870, dando algum crédito à sugestão de Ken Jacobson de que Hippolyte Délié não era apenas sócio de Emile, mas possivelmente também seu irmão, Hippolyte Béchard, que, por algum motivo, mudou de endereço. nome. As identidades cambiantes associadas à “Maison Béchard” são um excelente exemplo das dificuldades frequentemente associadas à fotografia comercial do século XIX”.

 

Pompéia

 

Em 30 de junho de 1887, dom Pedro II viajou pela terceira vez à Europa. Embarcou, no Rio de Janeiro no paquete francês Gironde e retornou ao Brasil, em 22 de agosto de 1888, quando chegou ao Rio de Janeiro (Gazeta de Notícias, 30 de junho de 1877, quarta coluna; 22 de agosto de 1888, primeira coluna, e 23 de agosto de 1888, primeira coluna). A motivação principal da viagem, durante a qual a princesa Isabel, pela terceira vez regente provisória, assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, foi a recuperação de sua saúde. Em abril de 1888, foi para a Itália, onde visitou diversas cidades e, atendendo a um desejo de sua esposa, a napolitana dona Teresa Cristina Maria (1822 – 1889), esteve nas ruínas de Pompeia, um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo, cuja descoberta havia sido iniciada em 1748. Subiu à cratera do vulcão Vesúvio e o casal real percorreu as ruas da cidade.

 As fotos de dom Pedro II em Pompeia

As fotografias de dom Pedro II em Pompeia, que estão o acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica, são de autoria do alemão Giorgio Sommer (1834 – 1914) que começou a trabalhar como fotógrafo com 19 anos. Entre as décadas de 1850 e 1880, registrou milhares de imagens de ruínas arqueológicas, objetos de arte, paisagens e retratos. Em 1857, Sommer mudou-se para a Itália para Nápoles e, 10 anos depois, associou-se ao também alemão Edmund Behles (1841 – 1924), cujo estúdio ficava em Roma. Tornaram-se proprietários de um dos maiores e mais prolíficos estúdios fotográficos da Itália. Entre 1862 e 1873, ele ganhou medalhas nas Exposições Internacionais de Londres, Paris e Viena.

 

 

Acesse aqui imagens de Uma viagem o mundo antigo – Egito e Pompeia 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BNDigital

CARVALHO, José Murilo de. D. Pedro II. São Paulo : Companhia das Letras, 2007.

CARVALHO, Larissa Nunes de. A Egiptomania no Brasil: As viagens de D. Pedro II ao Egito em 1871 e 1876. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal de São Paulo como requisito parcial para obtenção do grau em Licenciado em História, 2023.

FARIAS, Andressa Brenda Ferreira. Uma visão sobre o orientalismo através do registro fotográfico de uma das viagens de Pedro II ao Egito. Trabalho de conclusão de curso de Bacharelado em História da Arte apresentado à Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em História da Arte, 2020.

Flickr

Hemeroteca Digital, sítio da Hemeroteca Municipal de Lisboa

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KAHTLAB, Roberto. As Viagens de Dom Pedro II. São Paulo :  Benvirá, 2015.

LIRA, Heitor. Dom Pedro II. Rio de Janeiro : Editora Garnier, 2020.

Portal Brasiliana Fotográfica

REZUTTI, Paulo. D. Pedro II – A história não contada: O último imperador do Novo Mundo revelado por cartas e documentos inéditos. Portugal : Editora Leya, 2019.

REZUTTI, Paulo. Viagem de Dom Pedro II em 1876. Youtube.

SANTOS, Helio Ricardo dos. Representações de D. Pedro II na Imprensa Brasileira (1872-1889). Revista Minerva Universitária, 13 de fevereiro de 2022.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Site Metropolitan Museum of Art

Site Museu Imperial de Petrópolis

Site Royal Academy

Site Staedel Museum

 

A Brasiliana Fotográfica no Colégio Pedro II

 

no seminário, em 27 de novembro de 2025. Rio de Janeiro.

Ronaldo Fernandes, do Museu Nacional; Késiah Pinheiro Viana e Andrea Wanderley, integrantes do Comitê Gestor da Brasiliana Fotográfica; Elizabeth Monteiro da Silva, coordenadora do Centro de Documentação e Memória do Colégio Pedro II, e Roberta Zanatta, coordenadora do Núcleo de Catalogação do Instituto Moreira Salles e gestora de conteúdo da Brasiliana Fotográfica, no seminário Pelas Lentes das Ciências, da História e das Artes: Pedro II em Debate, em 27 de novembro de 2025. Rio de Janeiro.

 

A Brasiliana Fotográfica esteve presente no evento Pelas Lentes das Ciências, da História e das Artes: Pedro II em Debate, organizado pela bibliotecária Elisabeth Monteiro da Silva, coordenadora do Centro de Documentação e Memória do Colégio Pedro II, realizado nos dias 25 e 27 de novembro de 2025. Késiah Pinheiro Viana*, bibliotecária da Biblioteca Nacional e integrante do Comitê Gestor do portal; e eu, Andrea C.T. Wanderley, editora, pesquisadora e também integrante do Comitê Gestor da Brasiliana Fotográfica, fechamos o seminário com a palestra A Brasiliana Fotográfica e a Coleção Teresa Cristina Maria.

Os outros palestrantes foram Vera Cabana; Victor Carlos Massena Fernandes, da Academia Luso Brasileira de Letras; Cristiana Aubin; Paulo Rezzutti, Angela Telles, do Real Gabinete de Leitura; Paulo Knauss, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, instituição parceira da Brasiliana Fotográfica; Mauricio Vicente e Alessandra Fragua, do Museu Imperial; e Regina Dantas e Ronaldo Fernandes, do Museu Nacional.

 

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Iniciei nossa apresentação traçando um perfil do portal e contando um pouco da história da invenção e da chegada do daguerreótipo no Brasil; e do entusiasmo e envolvimento de dom Pedro II com a fotografia.

Abaixo a íntegra de minha participação:

 

Um pouco da história do daguerreótipo e do interesse de Pedro II pela fotografia

Andrea C. T. Wanderley

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Inicialmente, muito obrigada pelo convite para participar deste encontro. É realmente uma coroação para a Brasiliana Fotográfica falar para estudantes e professores. Esse sempre foi um dos objetivos do portal. Para mim, pesquisadora e editora do portal desde seu início, em abril de 2015, é uma grande emoção e uma realização importante.

A Brasiliana Fotográfica é um espaço para dar visibilidade, fomentar o debate e a reflexão sobre os acervos deste gênero documental, abordando-os enquanto fonte primária mas também enquanto patrimônio digital a ser preservado. É uma plataforma de difusão de conhecimento imagético e textual que valoriza o papel da fotografia na escrita da história.

Alguns números de nosso portal: fomos fundados pela Biblioteca Nacional e pelo Instituto Moreira Salles e atualmente reunimos 15 instituições. Além das fundadoras, os parceiros são, por ordem de chegada, o Leibniz Laenderkunde, de Leipzig, na Alemanha; o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, o Arquivo Nacional, a Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, o Museu da República, o Museu Histórico Nacional, a Fundação Joaquim Nabuco, o Museu Aeroespacial, a Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – o IHGB -, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – o IBGE -, e o Museu Paraense Emílio Goeldi.

Temos em nosso acervo cerca de 12.500 imagens – registros produzidos no século XIX até a década de 1940 – e 590 artigos publicados: 464 escritos por mim e o restante por parceiros e convidados. Temos 9 séries, dentre elas “Feministas, graças a Deus” e “O Rio de Janeiro desaparecido”; e 69 cronologias de fotógrafos, o que acreditamos seruma importante contribuição para a historiografia da fotografia no Brasil.

E o mais importante: cerca de 82 milhões de visualizações! Porque esse trabalho, que envolve a dedicação e o empenho de dezenas de pessoas entre conservadores, digitalizadores, historiadores, profissionais de informática, pesquisadores e divulgadores teria pouco sentido se não estivesse chegando ao público.

E vamos em frente!

 

Um pouco da história do daguerreótipo e do interesse de Pedro II pela fotografia

 

Em 7 de janeiro de 1839, na Academia de Ciências da França, foi anunciada a descoberta da daguerreotipia, um processo fotográfico desenvolvido pelos franceses Joseph Nicèphore Niépce (1765 – 1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787 – 1851).

 

colégio pedro ii 1 - daguerre

 

Cerca de sete meses depois, em 19 de agosto, durante um encontro realizado no Instituto da França, o cientista François Arago (1786 – 1853), secretário da Academia de Ciências, explicou o processo e comunicou que o governo francês havia adquirido o invento, colocando-o em domínio público e, dessa forma, fazendo com que o “mundo inteiro” tivesse acesso à invenção. Um daguerreótipo consiste em uma imagem única e positiva, formada diretamente sobre placa de cobre, revestida com prata e, em seguida, polida e sensibilizada por vapores de iodo. Depois de exposta na câmera escura, a imagem é revelada por vapores de mercúrio e fixada por uma solução salina.

 

colégio pedro ii 2 - daguerreótipo

 

A notícia do invento do daguerreótipo chegou ao Brasil muito rapidamente: cerca de quatro meses depois do anúncio da descoberta, foi publicado no Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1839, sob o título “Miscellanea”, um artigo sobre o assunto. A historiadora Ana Maria Mauad comenta em seu texto Imagem e auto-imagem no Segundo Reinado, de 1997, que “apesar de sua possível reprodutibilidade, o daguerreótipo aparecia como uma peça única, acondicionada em estojo de luxo às vezes considerado como uma jóia”.

 

 

O interesse de dom Pedro II pela fotografia teve quase a mesma idade do próprio daguerreótipo.

A introdução da daguerreotipia no Brasil se deu com a chegada do navio-escola  L’Oriental-Hydrographe, da Marinha Mercante da França, em fins de 1839, sob o comando  do  capitão Augustin  Lucas, que havia estado no ateliê de Daguerre, em 1839. A viagem de circunavegação foi pensada como uma escola flutuante e começou a ser planejada, em 1838, quando seu projeto, pedagógico e mercantil, foi apresentado ao ministro da Marinha francesa, Claude Rosamel (1774 – 1848).

Segundo a historiadora Maria Inez Turazzi (1957-), autora de um livro definitivo sobre a viagem do L’Oriental-Hydrographe, a presença do daguerreótipo a bordo assim como a de outros instrumentos inovadores, abre aspas não foi casual ou improvisada…É possível afirmar que a viagem de circunavegação do Oriental-Hydrographe teve início com a expectativa de consagrá-la como a primeira do gênero a utilizar a fotografia como meio de registro da experiência. Fecha aspas.

O navio partiu do porto Paimboeuf, na França, em 25 de setembro de 1839, e, após alcançar o Brasil, onde aportou no Recife e em Salvador, chegou ao Rio de Janeiro,em dezembro de 1839. O abade francês Louis Comte (1798 – 1868), encarregado pela assistência intelectual e espiritual e pelo ensino de religião, música e canto durante a viagem, produziu alguns daguerreótipos na cidade, em 16 de janeiro de 1840.

 

 

colégio pedro ii 5 - primeiros daguerreótipos no Rio (2)

 

colégio pedro ii 6 - primeiros daguerreótipos no Rio (2)

colégio pedro ii 7 - primeiros daguerreótipos no Rio

 

Sobre essa última imagem há uma discussão de autoria: seria de Comte ou do fotógrafo Morand (c. 1818 – 1896)? Mas isso é uma outra história.

Alguns dias depois, Louis Comte apresentou o invento a dom Pedro II. O imperador, meses depois, com apenas 14 anos, adquiriu o equipamento. Aliás, aqui chamo atenção para o fato do monarca ser muitíssimo culto e interessado por diversos assuntos. Um verdadeiro polímata – tinha um profundo conhecimento em várias áreas como ciência, arte e filosofia.

 

colégio pedro ii 8 - notícia da visita do abade a Pedro II

 

Por sediar o Império, o Rio de Janeiro foi a capital da fotografia no Brasil. O imperador foi retratado por diversos fotógrafos, dentre eles Marc Ferrez (1843 – 1923), Revert Henrique Klumb (c. 1816 – c. 1886) e Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912), tendo conhecido praticamente o trabalho de todos eles. A fotografia tornou-se um símbolo de civilização e status e passou a ser um poderoso instrumento de divulgação da imagem de dom Pedro II, “moderna como queria que fosse o reino“, segundo comenta Lilia Moritz Schwarcz (1857-) no livro As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos.

 

 

 

 

Foi um dos primeiros monarcas a oferecer seu real patrocínio a um fotógrafo, juntamente com a rainha Vitoria da Inglaterra (1819 – 1901), quando, em 1851, permitiu que Buvelot & Prat, que haviam realizado uma série de daguerreótipos de Petrópolis – todos desaparecidos – usassem as armas imperiais na fachada de seu estabelecimento fotográfico.

 

colégio pedro ii 12 - fotógrafo imperial klumb

Selo de Fotógrafo de Suas Majestades e Altezas Imperiais na capa do Guia do Viajante de Klumb

 

 

Dom Pedro II reinou no Brasil de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho (1939 – 2023), o fez “com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém”. Durante seu reinado de quase 50 anos, o tráfico de escravizados e a escravidão foram abolidos, a unidade do Brasil foi consolidada, as principais capitais brasileiras se modernizaram, a ciência e a cultura se desenvolveram. Sinais, sobretudo estes últimos, de um reinado que, não obstante o conservadorismo escravista dominante, perseguiu sempre uma pauta liberal, humanista e civilizatória. De fato, no século XIX, muito do que se fez no Brasil nos campos das letras e das ciências deveu-se a ele, um dos monarcas mais eruditos de sua época.

 

 

Em seu diário de 1862, Pedro II declarou: “Nasci para consagrar-me às letras e às ciências, e, a ocupar posição política, preferia a de presidente da República ou ministro a imperador“.

Uma curiosidade: o escritor Machado de Assis (1839 – 1908) nasceu no mesmo ano em que nasceu a fotografia: 1839. Escreveu sobre o assunto em sua coluna do Diário do Rio de Janeiro de 7 de agosto de 1864. Comentou sobre suas visitas à casa do Pacheco (o fotógrafo português Joaquim Insley Pacheco) e também a história da chegada do daguerreótipo na cidade. Termina seu passeio perguntando-se “Até onde chegará o aperfeiçoamento do invento de Daguerre?

 

 

Na apresentação que minha colega Késiah Pinheiro Viana, bibliotecária da Fundação Biblioteca Nacional e integrante do Comitê Gestor da Brasiliana Fotográfica, vai fazer agora sobre a Coleção Teresa Cristina Maria, composta por cerca de 23 mil fotografias e doada à Biblioteca Nacional por Pedro II, vocês farão um passeio iconográfico onde ficará evidenciada a diversidade dos interesses do imperador.

E, para finalizar, uma imagem do decreto da criação do Colégio Pedro II, nosso anfitrião de hoje, fundado em 2 de dezembro de 1837, data em que o imperador completou 12 anos. Na época chamava-se Imperial Collegio Pedro II e localizava-se no antigo Seminário São Joaquim. O decreto foi publicado na primeira página do Jornal do Commercio, de 9 de dezembro de 1837, assinado por Pedro de Araújo Lima (1793 – 1870), o marquês de Olinda, então regente do Império, e por Bernardo Pereira de Vasconcellos (1795 – 1850), ministro da Justiça. Foi aberto em 25 de março do ano seguinte, conforme publicado no Jornal do Commercio de 27 de março de 1838. O resto é história! História de sucesso!

 

 

Parabéns e muito obrigada!

 

 

Em seguida, a bibliotecária Késiah exibiu diversas fotografias da Coleção Teresa Cristina Maria, evidenciando a diversidade de interesses do imperador, um dos monarcas mais eruditos de todos os tempos. Dividiu sua apresentação em cinco módulos. No primeiro, mostrou fotografias de EXPOSIÇÕES, dentre elas da Segunda Exposição Nacional, em 1866; e da Exposição Continental, Buenos Aires, em 1882, que já foram temas abordados em artigos do portal.

 

 

 

No segundo módulo, o das CIÊNCIAS, foram selecionadas fotos de cientistas e de exploradores, dentre eles dos franceses Louis Pasteur (1822 – 1895) e Ferdinand de Lesseps (1805 – 1894); fotomicrografias, além de imagens relativas à paleontologia, à medicina, à engenharia e às ferrovias.

 

 

 

Em seguida, no módulo cujo assunto era EDUCAÇÃO, Késiah apresentou registros de instituições de ensino e de bibliotecas, como por exemplo imagens da antiga sede da Biblioteca Nacional, na rua do Passeio; de professores, de escritores e de jornalistas.

 

 

No módulo ARTES, foram exibidas fotos de teatros, atores, dentre eles da atriz francesa Sarah Bernhardt (1844 – 1923); de ópera e de artistas de circo como, por exemplo, da australiana Ella Zuila (1854–1926).

 

 

 

A ASTRONOMIA foi o assunto do último módulo e foram mostradas fotos da Lua, de telescópios, de observatórios, de expedições astronômicas e de astrônomos.

 

 

*Késiah Pinheiro Viana é graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal Fluminense, com pós-graduações em Arquivologia e História da Arte. Desde 1996 atua como servidora e bibliotecária na Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional, dedicando-se especialmente ao tratamento técnico (pesquisa e catalogação) do acervo fotográfico, e colaborando em diversas exposições sobre as fotografias da Coleção D. Teresa Cristina Maria.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

O bairro de São Cristóvão

Em 11 de dezembro de 2018, a professora de Sociologia do Colégio Pedro II, Janecleide de Aguiar, e um grupo de suas alunas fizeram uma visita ao Instituto Moreira Salles motivadas pelo interesse na Brasiliana Fotográfica, em especial na fotografia da Missa Campal de 17 de maio de 1888, na possível presença de representantes do colégio no evento e na descoberta da presença de Machado de Assis na imagem. Foram recebidas por mim, Andrea Wanderley, por Gabriella Moyle, organizadora do encontro, e pelo arquiteto Bruno Buccalon. Na ocasião, a professora Janecleide revelou que pautava muitas aulas a partir de publicações e fotografias do portal e as alunas se mostraram entusiasmadas com as pesquisas que realizavam na Brasiliana Fotográfica. Justamente um dos objetivos do portal é motivar pesquisas e descobertas! As alunas disseram também que estavam envolvidas em um trabalho sobre o bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, onde se localiza a primeira unidade do Colégio Pedro II, onde estudavam. Na ocasião, prometi reunir e publicar um número significativo de imagens do bairro. Promessa cumprida! Acompanham essa publicação registros produzidos por Antonio Luiz Ferreira (18? – ?), Augusto Malta (1864 – 1957), Camillo Vedani (18? – c. 1888), Franz Keller  (1835-1890), Georges Leuzinger (1813 – 1892), Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912), Jorge Kfuri (1893- 1965), Marc Ferrez (1843 – 1923), Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), Uriel Malta (1910 – 1994), de fotógrafos ainda não identificados e da Phototypia A. Ribeiro.

 

O bairro de São Cristóvão

 

Acessando o link para as fotografias do bairro de São Cristóvão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

 

Em 10 de setembro de 1954, na coluna “Rio Antigo”, de Charles Julius Dunlop (1908 – 1987), no Correio da Manhã, foi publicado um artigo sobre o Campo de São Cristóvão com uma fotografia de autoria de Augusto Malta.

 

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica que se relacionam com o bairro de São Cristóvão

Museu Nacional

 

 

O Palácio Real de São Cristóvão

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

“Sete de Setembro: uma ponte entre dois maurícios”, por Pedro Vasquez

Sete de Setembro: uma ponte entre dois maurícios

Pedro Karp Vasquez*

 

Esta magnífica fotografia ilustra a importância de dois maurícios para o Recife, ambos alemães: Moritz Lamberg, que tão bem a focalizou em fins do século XIX, e Johan Maurits van Nassau-Singen, que a fez edificar na primeira metade do século XVII, durante o domínio holandês no Brasil.

Do ponto de vista estritamente fotográfico é uma imagem irretocável, como quase todas aquelas produzidas por Lamberg desde que assumiu o comando da Photographia Allemã pernambucana, criada por seu compatriota Alberto Henschel, em 1867. Atuando de início como assistente de Henschel, Lamberg o sucedeu quando ele seguiu para o Rio de Janeiro, em 1870, para abrir outra casa fotográfica de idêntica denominação, depois de ter feito o mesmo em Salvador. Rivalizando com o mestre na prática do retrato fotográfico, sustentáculo do estúdio, Lamberg o ultrapassou amplamente na fotografia paisagística, demonstrando um talento capaz de ombrear com os melhores cultores do gênero no Brasil oitocentista, tais como Revert Henry Klumb, Augusto Stahl , Marc Ferrez e Juan Gutierrez. Lamberg foi sob todos os aspectos um fotógrafo completo, conforme comprova o imponente álbum de sua autoria conservado na Coleção Dona Thereza Christina Maria, da Biblioteca Nacional. Todavia, por um destes misteriosos caprichos do destino, ainda não mereceu a devida consagração póstuma, como a edição de um moderno livro de fotografia de caráter monográfico.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Moritz (Maurício) Lamberg disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

A atribuição de intenções aos fotógrafos oitocentistas é sempre arbitrária, pois com frequência eles eram mobilizados por intenções e preocupações diferentes daquelas de seus colegas da atualidade. É lícito especular, no entanto, que Lamberg tenha optado pelo enquadramento frontal para destacar os lampadários da entrada e os arcos metálicos da ponte, que não ficariam claramente visíveis em uma tomada lateral ou em diagonal, como as empregadas por outros fotógrafos de seu tempo, como João Ferreira Villela, por exemplo. Esta frontalidade – antecipatória daquela que seria preconizada por Walker Evans em meados do século seguinte –, também fez sobressair os trilhos de bonde no primeiro plano, que conduzem o olhar para o ponto de fuga da imagem como se convidassem o observador a atravessar a ponte rumo ao bairro de Santo Antônio, passando sob o arco de mesmo nome visível no centro da composição. Existia outro, à sombra do qual Lamberg deve ter instalado sua câmara, o arco da Conceição, situado no bairro do Recife, no limiar da antiga Cidade Maurícia. Ambos persistiram até o século seguinte, sendo demolidos, respectivamente, em 1913 e 1917, por medida de segurança já que estavam bastante corroídos, apresentando risco de desabamento.

A presença de populares observando a faina de Moritz Lamberg comprova o fato de que ainda na década de 1880 um fotógrafo paisagista era figura rara e merecedora de atenção nas ruas brasileiras.

Toda fotografia de época é um convite para uma viagem no tempo. Portanto, para melhor evocar o Recife retratado por Lamberg vale a pena acompanhar um ilustre visitante paulista, que percorreu a cidade exatamente na época em que o mestre alemão a perenizava com sua técnica requintada. Joaquim de Almeida Leite de Moraes, que foi presidente da província de Goiás, registrou suas impressões no livro Apontamentos de viagem, publicado em 1883 e relançado em 2011, por iniciativa do Prof. Antonio Candido de Mello e Souza. Assim viu a capital pernambucana aquele que viria a ser mais tarde avô de Mário de Andrade:

‘Recife, essa Veneza brasileira, é talvez a segunda cidade do Império, não em sua extensão, senão em beleza e sob o ponto de vista comercial.

Percorri todas as suas linhas de bondes; vi de passagem alguns de seus principais edifícios, palácio do governo, da assembleia, teatro, igrejas, etc. O teatro é um grande edifício e de custosa arquitetura. Ruas largas e estreitas; em geral bem calçadas; cidade nova e cidade velha; becos imundos, casas altas e baixas, mercado animado e sofrível: grande agitação comercial: o fluxo e refluxo popular em todas as ruas: suas pontes magníficas ligando as duas cidades, separadas pelo rio, coalhado de navios’.[1]

Por trás do véu argênteo 

Somente o esteta impenitente pode apreciar uma fotografia de época apenas pelo prisma de sua beleza, sem se preocupar em erguer o véu argênteo para contemplar o que se esconde sob a fina e ofuscante superfície dos sais de prata. Isto porque uma imagem antiga esconde mais do que desvela, concentrando numerosas informações a respeito do tema retratado ao mesmo tempo em que antecipa sua vida futura, de modo que só é plenamente compreendida quando a ela são adicionadas as informações invisíveis que mascara.

Cumpre lembrar, portanto, ter sido esta a primeira grande ponte do Brasil, nascida com o nome de Ponte do Recife, interligando os bairros do Recife e de Santo Antonio por sobre o rio Capibaribe. Distingue-se hoje como a mais antiga ponte em funcionamento contínuo do país, sob a denominação de ponte Maurício de Nassau. Isto porque foi Nassau quem a mandou construir e a inaugurou em 28 de fevereiro de 1644 com uma festa que pode ser considerada a fundadora da propaganda política no Brasil. Com efeito, o sagaz administrador do Brasil holandês havia prometido à população pernambucana que faria um boi voar para festejar a abertura da ponte ao tráfego. Prometeu e cumpriu! De tal forma que a multidão acumulada na ponte de fato viu, com deslumbre e estupor, um boi cruzar os céus sobre suas cabeças. Este episódio entrou na história como o caso do “Boi voador”, consolidado no folclore recifense e cantado em prosa e verso até hoje por repentistas e cordelistas. O príncipe Johan Maurits van Nassau-Singen foi, inegavelmente, um dos mais competentes administradores a atuar no Brasil colonial e um homem verdadeiramente prodigioso, mas não era mágico nem feiticeiro, de modo que seu boi celeste tem explicação bem terra-a-terra: era um animal empalhado suspenso em cabos que, graças a um engenhoso sistema de roldanas, parecia voar de moto próprio.

Pernambuco recuperado pelos portugueses, o período colonial encerrado, assim como o Primeiro Império, a ponte do Recife permaneceu em plena atividade, sofrendo naturalmente ao longo do tempo reparos e melhorias, até que em 7 de setembro de 1865 adquiriu a nova denominação de ponte Sete de Setembro, evocadora da Independência do Brasil.

Os trilhos e os lampiões visíveis na imagem sublinham o fato de o Recife ser uma das mais modernas e importantes cidades brasileiras ao ser fotografada por Maurício Lamberg na década de 1880, quando sua população de mais de 100 mil habitantes era superada apenas por Salvador e Rio de Janeiro. Os lampadários a gás carbônico, percebidos no primeiro plano, foram implantados na década de 1860, destronando progressivamente os velhos lampiões que funcionavam desde 1822 com azeite de carrapateira e de cachalote e, a partir de 1856, com óleo de peixe. Pernambuco conheceu a estrada de ferro quatro anos apenas após a sede da Corte Imperial, com a implantação da ferrovia ligando as cidades de Recife e do Cabo, a Recife and S. Francisco Railway, documentada por Augusto Stahl, em 1858. Ao passo que a Brazilian Street Railway Limited instalou o serviço de trens urbanos em 1867. Não tardou para que suas locomotivas fossem apelidadas de Maxambombas, corruptela de machinepump. Para reiterar a modernidade recifense, este foi o primeiro serviço de trens urbanos da América Latina.

* Pedro Karp Vasquez é escritor, fotógrafo e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 

Pequeno perfil de Moritz Lamberg (18? – 19-?)

Andrea C. T. Wanderley**

Em 1880, o gerente da Photographia Allemã de Recife, Constantino Barza, anunciou a chegada do fotógrafo europeu Moritz (Mauricio) Lamberg(1), para cuidar da parte técnica e artística do ateliê do berlinense Alberto Henschel (1827 – 1882). Lamberg foi apresentado como celebridade europeia e insigne artista, que havia dirigido estabelecimentos em Berlim e em Viena e obtido prêmios em Paris e em Viena nas exposições de 1868 e 1873. Porém, como um de seus  filhos, o pianista Emilio Lamberg, nasceu em Pernambuco, em torno de 1863, e teria ido para para Viena, com a família, aos 3 anos, é provável que Lamberg tenha estado no Brasil, nessa época, antes de trabalhar para Henschel.

Em 1885, foi concedida a ele a carta de naturalização. Ora identificado como austríaco ora como alemão, em artigo escrito por ele, em 1899, declarou-se teuto-brasileiro. Além de fotógrafo, foi referido pela imprensa como homem de ciência, professor de alemão, ilustre explorador e sócio correspondente de várias agremiações e revistas de ciência do estrangeiro.

 

 

Provavelmente nesse período, entre 1880 e 1885, produziu diversos registros de Recife, capital de Pernambuco. Vinte dessas fotografias foram reunidas no  álbum Ansichten Pernambuco’ s Recife Photographia Allemã, dedicado a d. Pedro II, que faz parte do acervo da Biblioteca Nacional. Outras 48 imagens estão no álbum Vistas de Pernambuco, pertencente ao acervo do Instituto Moreira Salles.

Lamberg produziu também imagens de núcleos coloniais, tipos populares, casas coloniais, espécies do reino vegetal e das principais cidades do Brasil. Fotografou a família imperial no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, em 1887.  Em suas fotografias, Lamberg já usava as placas secas de gelatina, inventadas em 1871, o que conferia a elas, segundo Pedro Vasquez, uma invulgar mobilidade.

 

 

Sobre seu talento para a realização de fotografias do mar e de embarcações, Pedro Vasquez comentou que ele poderia ser classificado sem dúvida alguma como um fotógrafo de marinhas, com tanto talento para o gênero quanto Marc Ferrez (1843 – 1923), o único no Brasil a se ter especializado nesse campo, a ponto de se tornar Fotógrafo da Marinha Imperial.

 

 

Provavelmente Lamberg foi morar no Rio de Janeiro em 1887 e, em 1890, tornou-se professor de alemão do Instituto Nacional de Instrução Secundária, atual Colégio Pedro II. Em 1892, Maurício Lamberg embarcou para a Europa, a bordo do paquete inglês Clyde, rumo a Southampton e outras escalas. Em 1894, já se encontrava no Rio de Janeiro. Em 1902, Lamberg estava na Áustria comissionado em propaganda de imigração.

Entusiasta da imigração de europeus para o Brasil, Maurício Lamberg publicou, em 1896, o livro O Brazil, sobre o qual o historiador Sacramento Blake (1827 – 1903) comentou:  “[…] trata da natureza do Brazil e das diversas raças que contém; de sua lavoura, do solo, da imigração e colonização; de suas florestas…”. Para escrever o livro, Lamberg viajou durante anos pelo norte e por parte do sul do país. Escrita originariamente em alemão, a obra, que abrange assuntos como história, geografia, fontes de renda e costumes, foi vertida para o português pelo jornalista e crítico musical Luiz de Castro (1863 – 1920), editado pela Casa Lombaerts e impresso na Tipografia Nunes, com 381 páginas distribuídos em 15 capítulos.

 

 

indice

 

Possuía heliografias executadas e impressas por Dontor F. Albert & Cia, em Munique, e por Verlag von Hermann Zieger, em Leipzig, na Alemanha, além de registros produzidos por ele e por fotógrafos como Marc Ferrez (1843 – 1923), dentre outros. As duas imagens abaixo estão na obra.

 

 

 

Segundo Lamberg, por se preocuparem em demasia com a África e com a Ásia, os países europeus negligenciavam as vantagens econômicas e climáticas que o Brasil oferecia para os europeus do norte. Aconselhava que os recém-chegados ao Brasil evitassem o consumo de frutas em excesso e também tivessem cuidado com a exposição ao sol. Mencionava também o perigo da febre amarela.

Seu filho, o pianista e organista Emilio Lamberg (c.1863 – 1919), fez bastante sucesso, tendo se apresentado com os mais destacados músicos de sua época. Porém, morreu paupérrimo (Correio da Manhã, 18 de agosto de 1919, na sexta coluna). Seu outro filho, Manfredo Carlos Lamberg (18? – 1921), que ele chamava de Fred e o acompanhou em algumas de suas viagens ao norte do Brasil, foi major, professor de alemão, telegrafista, agrimensor e engenheiro (O Cearense, 25 de dezembro de 1890, na primeira colunaJornal do Brasil, 15 de junho de 1891, na segunda colunaDiário de Notícias, 5 de janeiro de 1895, na sexta coluna, O Pará, 31 de março de 1900, na primeira coluna, A Época, 23 de dezembro de 1912O Paiz, 24 de julho de 1914, na primeira coluna).

 

Cronologia de Moritz (Maurício) Lamberg 

 

 

1863 – De acordo com a dissertação de Regina Beatriz Quariguasy Schlochauer, A presença do piano na vida carioca no século passadoapresentada ao Departamento de Música da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, sob orientação do Prof. Dr. Amilcar Zani Netto, o pianista Emílio Lamberg, filho de Maurício Lamberg, teria nascido em Pernambuco, em 1863, e ido para para Viena, com a família, aos 3 anos. Segundo noticiado pelo jornal O Paiz, de 18 de agosto de 1919, ele teria falecido com 52 anos em 1919, ou seja, teria nascido em 1867 ou 1868. Com essas informações, pode-se deduzir que, possivelmente, nessa época Maurício Lamberg estava vivendo no Brasil.

1880 – O gerente da Photographia Allemã de Recife, Constantino Barza, anunciou a chegada do fotógrafo europeu Maurício Lamberg para cuidar da parte técnica e artística do ateliê do berlinense Alberto Henschel (1827 – 1882). Lamberg foi apresentado como celebridade europeia e insigne artista, que havia dirigido estabelecimentos em Berlim e Viena e obtido prêmios em Paris e em Viena nas exposições de 1868 e 1873 (Diário de Pernambuco, 30 de janeiro de 1880).

O Instituto Moreira Salles possui o álbum Vistas de Pernambuco, com 48 fotografias da cidade de Recife, produzidas por Lamberg em torno desse ano.

 

 

1880 – 1885 – O álbum de sua autoria, Ansichten Pernambuco’ s Recife Photographia Allemã, foi provavelmente produzido nesse período. Dedicado a d. Pedro II, faz parte do acervo da Biblioteca Nacional, e possui 2o fotografias de Recife.

 

 

1881 – Lamberg fez uma petição à Associação Comercial da cidade do Recife para que se ordenasse o registro da escritura da compra que fez do estabelecimento denominado Photographia Allemã, que era de propriedade de Alberto Henschel (1827 – 1882) (Diário de Pernambuco, 19 de setembro de 1881, na quarta coluna).

Alberto Henschel e Lamberg convidavam o público para apreciar os trabalhos de nossa casa, que vão ser exibidos na próxima exposição que terá lugar no Rio de Janeiro (Diário de Pernambuco, 14 de novembro de 1881).

 

 

1884 – Após uma longa temporada de estudo na Europa, o filho de Lamberg, o pianista e organista Emilio Lamberg (1860 – 1919), chegou ao Brasil, no vapor Niger, que havia partido da França (Diário de Pernambuco, 6 de março de 1884, na primeira coluna; e Diário de Pernambuco, de 13 de março de 1884, na primeira coluna). Dias depois, Emilio fez uma apresentação no primeiro andar do sobrado onde ficava a Photographia Allemã, na rua Barão da Vitória, nº 52 (Diário de Pernambuco, 29 de março de 1884, na penúltima coluna). Maurício Lamberg convidou o público para a apresentação de seu filho, no Teatro deSanta Isabel, inicialmente agendada para o dia 19 de abril e depois transferida para o dia 24 do mesmo mês. O recital foi um sucesso e Emilio se apresentou várias outras vezes (Diário de Pernambuco, 9 de abril de 1884, na quarta colunaDiário de Pernambuco, 18 de abril de 1884, na segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 27 de abril de 1884, na quinta coluna).

1885 – Foi concedida a Maurício Lamberg, identificado como um súdito austríaco, a carta de naturalização (Diário de Pernambuco, 12 de abril de 1885, na primeira coluna e 29 de abril, na quarta coluna).

Em uma notícia sobre o suicídio de um empregado no estabelecimento Photographia Allemã, localizada na rua Barão da Vitória, em Recife, Lamberg foi identificado como proprietário da casa fotográfica (Jornal do Commercio, 27 de maio de 1885, na quarta coluna; e Diário de Pernambuco, 15 de maio de 1885, na primeira coluna).

1887 – Representando a casa fotográfica Alberto Henschel, seu sócio viajante Lamberg esteve de janeiro a março de 1887, em Vitória, no estabelecimento fotográfico de Ayres, provavelmente Joaquim Ayres, que iniciou sua carreira como funcionário do fotógrafo Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912), no Rio de Janeiro. O estabelecimento seria a Photographia Artística Vitoriense (O Espírito-Santense, 1º de janeiro de 1887, e A Província do Espírito Santo, 26 de fevereiro de 1887, na última coluna, e O Espírito Santense, 2 de março de 1887, na última coluna). Dias depois, Lamberg anunciou a exposição das fotografias produzidas em sua estadia em Vitória (A Província do Espírito Santo, 13 de março de 1887, na primeira coluna). Na época, a Photographia Artística Vitoriense ficava no Largo do dr. João Clímaco, nº 6.

No estabelecimento fotográfico de Alberto Henschel, a Photographia Allemã, na rua dos Ourives, nº 40, atual rua Miguel Couto, no Rio de Janeiro, foi inaugurada uma exposição de vistas fotográficas de pontos do norte do país, produzidas por Lamberg, na época, um dos sócios do ateliê (The Rio News, 5 de maio de 1887, na primeira colunaDiário de Notícias, 20 de maio de 1887, na penúltima coluna sob o título “Vistas fotográficas”; e Novidades, 21 de maio de 1887, na segunda coluna). As fotografias serviriam de modelos para as gravuras em madeira que viriam a ilustrar o livro, na época intitulado “Esquissos sobre o norte do Brasil em relação à colonização”, que estava sendo escrito, em alemão, por Lamberg. Eram imagens de núcleos coloniais, tipos populares, casas coloniais, espécies do reino vegetal, entre outras. Sobre o conjunto de imagens, escreveu-se: é uma coleção curiosa mesmo para quem a vir desacompanhada de texto explicativo (Jornal do Commercio, 22 de maio de 1887, na sexta colunaO Cearense, 20 de julho de 1887, na quarta coluna).

 

 

Em 1º de junho, Lamberg fotografou a família imperial no Palácio Itamaraty. Ficou assim o grupo: ao centro o imperador e a imperatriz; à direita do imperador, a princesa imperial com seu filho o príncipe d. Luiz e junto a si o príncipe d. Antonio e o príncipe do Grão-Pará, o conde d´Eu e o príncipe d. Augusto, ficando estes no segundo plano. À esquerda da imperatriz, figurou sentado o príncipe d. Pedro (O Paiz, 20 de junho de 1887, na quarta coluna, sob o título “Noticiário” e A Federação, 28 de junho de 1887, na primeira coluna).

Na reunião da diretoria da Sociedade Central de Imigração, presidida pelo senador Escragnolle Taunay, após a leitura do expediente, apresentou-se Lamberg, austríaco, que faz sentir a facilidade com que poderiam instalar-se no Brasil vários compatriotas seus, trabalhadores de primeira ordem que na Europa já não podem conseguir certas condições de bem estar. Devido à complexidade da questão, foi pedido para que Lamberg comparecesse na reunião seguinte da diretoria, no dia 5 de maio (A Immigração, 30 de junho de 1887, na segunda coluna).

A visita que Lamberg fez à redação do Correio Paulistano foi registrada pelo jornal com a publicação da matéria “Um estrangeiro amigo no Brasil”(Correio Paulistano, 29 de julho de 1887, na primeira coluna).

 

 

Foi veiculada uma propaganda da Photographia Allemã: Alberto Henschel & Co – Retratos em fotografia e a óleo, sendo estes feitos pelo artista E. Paft e aqueles pelo artista sr. Lamberg. Rua dos Ourives, 40, das 9 horas da manhã às 4 da tarde (Jornal do Commercio, 2 de outubro de 1887, na segunda coluna).

Seu filho, o pianista Emilio Lamberg chegou ao Rio de Janeiro.

1888 – Lamberg e seu filho, o pianista e organista Emilio Lamberg, visitaram a redação do jornal Diário de Notícias. Foi anunciado que Emilio se apresentaria no dia 19 de junho no Club Beethoven, inaugurado em 1882, que abrigava saraus com os principais nomes da música clássica. De acordo com o jornal, Emilio Lamberg havia estudado na Academia de Música de Berlim e nos conservatórios de Viena e de Paris, tendo sido aluno do músico francês Camille Saint-Saens (1835 – 1921). Nesta matéria Lamberg foi identificado como escritor e viajante austríaco (Diário de Notícias, 9 de novembro de 1888, na última coluna, sob o título “Echos e Notas”).

1889 – Seu filho, Manfredo Carlos Lamberg, prestou exames para a Escola Normal, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 28 de janeiro e 12 de fevereiro de 1889, ambos na segunda coluna).

1890 – Mauricio Lamberg foi nomeado professor substituto da cadeira de alemão do Instituto Nacional de Instrução Secundária, atual Colégio Pedro II (Diário de Notícias, 7 de fevereiro de 1890, na penúltima coluna). Inscreveu-se para a vaga de professor efetivo (Jornal do Commercio, 15 de junho de 1890, na terceira coluna).

Foi noticiado que um parecer sobre a obra de Lamberg, um estudo sobre o Brasil sob uma ótica econômica e social, seria apresentado ao presidente do Brasil, marechal Deodoro da Fonseca (1827 – 1892). Para escrever o livro, Lamberg teria viajado durante anos pelo norte e por parte do sul do país (Diário de Notícias, 5 de março de 1890, na penúltima coluna). Uma curiosidade: quando esteve em Santa Catarina, conheceu o fotógrafo e agente consular Albert Richard Dietze (1839 – 1906), que o hospedou. Na ocasião, houve um sarau com dança na casa do anfitrião (O Brazil, pág. 256).

Emilio Lamberg era professor de piano da Academia de Música, fundada em 1885 pelo Club Beethoven. Funcionava na Escola de São José (Gazeta de Notícias, 26 de abril de 1890, no centro da página). Foi admitido como professor de órgão no Instituto Nacional de Música (Jornal do Commercio, 30 de agosto de 1890, na última coluna). Pouco depois viajou para a Europa onde foi acompanhar a construção do órgão encomendado pelo Instituto à casa Wilhelm Sauer, em Frankfurt, na Alemanha (Jornal do Commercio, 17 de novembro de 1890, na sétima coluna). Ficou na Europa até 9 de junho de 1894 (Jornal do Commercio , 20 de agosto de 1904, na sexta coluna).

1892 – Maurício Lamberg embarcou no dia 19 de abril para a Europa a bordo do paquete inglês Clyde, rumo a Southampton e outras escalas (O Paiz, 20 de abril de 1892, na penúltima coluna).

Emilio Lamberg foi demitido do cargo de professor de órgão no Instituto Nacional de Música, a bem do serviço público. Posteriormente, tornou-se um professor particular de sucesso (Diário de Notícias, 26 de agosto de 1892, na terceira coluna e Jornal do Brasil, 26 de agosto de 1892, na primeira coluna).

1894 – Maurício Lamberg estava inscrito para o concurso para amanuense da Diretoria do Interior e Estatísticas, da Prefeitura do Rio de Janeiro (O Paiz, 16 de setembro de 1894, na quinta coluna). Amanuense era o funcionário de repartições públicas que faziam cópias, registros e cuidavam da correspondência.

Foi anunciado que Moritz Lamberg, depois de ter viajado pelo nosso país oito anos, escreveu um importante trabalho – O Brazil, que vai ser editado pela casa H. Lombaerts & C, desta capital. O livro, que será luxuosamente impresso, contém um estudo sobre a nossa história, geografia, fontes de renda, costumes, caráter do povo e 50 fotografias representando trechos de nossas matas virgens e seculares e vistas das cidades mais importantes (O Paiz, 30 de dezembro de 1894, na sexta coluna).

1895 – Transcrição do capítulo  “As classes baixas do Brasil –  caboclos, mulatos, cabras, negros e antigos escravos”, do livro de Lamberg, O Brasil, que ainda não havia sido lançado. O trecho foi traduzido pelo professor Cândido Jucá (1865 – 1929) (Diário de Pernambuco, 13 de fevereiro de 1895, na primeira coluna).

Notícia sobre o livro O Brazil, identificado como um estudo completo da história sociológica do país (A Semana, 16 de fevereiro de 1895, na segunda coluna).

Maurício Lamberg estava relacionado em uma lista da Secretaria do Interior e Justiça do Estado do Rio de Janeiro para completar o sello dos respectivos requerimentos (Jornal do Commercio, 20 de junho de 1895, na terceira coluna).

Na Câmara dos Deputados, era pleiteada uma verba para ajudar a publicação do livro de Lamberg em quatro línguas, como reforço do fomento que o Governo fazia à imigração, estabelecendo superintendências na Europa (O Paiz, 8 de junho de 1895, na quinta coluna, e Jornal do Commercio, 9 de novembro de 1895, na terceira coluna).

1896 – Emilio Lamberg e sua mulher, professores de música, comunicaram sua mudança para Petrópolis (Jornal do Commercio, 2 de fevereiro de 1896, na penúltima coluna).

Maurício Lamberg apresentou à Câmara de Deputados uma petição pedindo isenção de direito para as gravuras e capas que ilustrariam o livro sobre o Brasil que ele estava prestes a publicar (Jornal do Commercio, 4 de dezembro de 1896, na segunda coluna, e The Rio News, 8 de dezembro de 1896, na terceira coluna). O pedido foi indeferido (Liberdade, 2 de dezembro de 1896, na última coluna).

Foi publicado seu livro, O Brazil, editado pela Casa Lombaerts e impresso na Tipografia Nunes, com 381 páginas (Diário do Rio, 2 de abril de 1897, na quarta coluna).

1897 – Maurício Lamberg, identificado como professor, tinha estado no Palácio Itamaraty (O Paiz, 19 de janeiro de 1897, na quinta coluna).

Foi enviado um exemplar do livro O Brazil para a redação do Jornal do Brasil (Jornal do Brasil, 31 de março de 1897, na terceira coluna).

Foi publicado um comentário sobre O Brazil, referido como um importantíssimo livro, cuja edição era primorosa e as gravuras admiráveis de nitidez (Revista Illustrada, abril de 1897, na segunda coluna).

Publicação de uma crítica ao livro O Brazil (A Notícia, 8 de abril de 1897, na penúltima coluna, na coluna “Semana Literária”). Outra crítica foi publicada descrevendo os temas do livro, com a transcrição do trecho em que se refere aos jornalistas atuais (Gazeta de Notícias, 27 de abril de 1897, na primeira coluna). O livro estava à venda na Livraria Laemmert, na rua do Ouvidor, 66 (A Notícia, 26 e 27 de abril, na última coluna).

Em comentário do dr. Figueiredo Magalhães, transcrição de um trecho do livro O Brazil, de autoria de Moritz Lamberg, sobre a pretensa descoberta da vacina amarela pelo dr. Domingos Freire (1849 – 1899), professor da Academia de Medicina no Brasil. Lamberg afirmava que conhecidos dele haviam morrido de febre amarela depois de terem sido vacinados (Jornal do Commercio, 11 de abril de 1897, na primeira coluna). Devido a esse trecho de seu livro, Lamberg foi convidado a comparecer ao Instituto Bacteriológico dr. Domingos Freire a fim de dar esclarecimentos, certo de que se não o fizer no espaço de oito dias sua afirmação será tida como falsa e aleivosa (O Paiz, 13 de abril de 1897, na quinta coluna).

 

 

A Casa Garraux, na rua Quinze de Novembro, em São Paulo, onde estava à venda o livro O Brasil , enviou um exemplar para a redação do Correio Paulistano (Correio Paulistano, 29 de maio de 1897, na terceira coluna).

1898 – O livro O Brasil estava à venda na Livraria A. Lavignasse Filho & C, na rua dos Ourives, 7 (A Notícia, 12 e 13 de agosto de 1898, na última coluna).

Publicação do texto “Viagem ao Pará”, de 12 de outubro de 1898, de autoria de Lamberg. Ele descreveu sua viagem de 14 dias, a bordo do paquete Alagoas, do Lloyd Brasileiro, que partiu do Rio de Janeiro em 24 de setembro de 1898, até o Pará. Tive ocasião de ver de novo as capitais do Norte, que eu havia visitado 13 anos atrás e que descrevi no meu livro Bresilien.  Antes de chegar em Belém, o navio parou nos portos de Vitória, Salvador, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal, Fortaleza e São Luis. Ele exaltou a opulência do Pará: O Pará! Que diferença de todas as outras cidades do Brasil – Aqui não há indústria, toda a riqueza vem da natureza (Jornal do Brasil, 25 de setembro de 1898, na primeira coluna e Gazeta de Petrópolis, 10 de novembro de 1898, na terceira coluna). Em sua passagem por São Luís, no Maranhão, e Belém, no Pará, foi identificado como engenheiro (O Pará, 9 de outubro de 1898, na penúltima coluna, e Diário do Maranhão, 15 de novembro de 1898, na terceira coluna).

Após uma longa estada no rio Acará, retornou a Belém o ilustre explorador Moritz Lamberg (O Pará, 11 de dezembro de 1898, na primeira coluna). Escreveu o artigo “Excursão ao rio Acará (O Pará, 13 de dezembro de 1898, na quarta coluna15 de dezembro de 1898, na última coluna17 de dezembro, na segunda coluna).

1899 – Lamberg regressou ao rio Acará, onde chefiava a discriminação de lotes para a fundação de um núcleo colonial ali (O Pará, 2 de janeiro de 1899, na última coluna).

Lamberg, identificado como ilustre homem de ciência, embarcou no vapor Brasil para Manaus, no Amazonas (República, 18 de maio de 1899, na última coluna).

Lamberg escreveu o artigo “Brasil-Alemanha”, publicado com a assinatura de Julio Lamberg. No dia seguinte, o jornal corrigiu o erro (A República19 de maio de 1899, na segunda coluna, e 20 de maio de 1899, na quinta coluna). O artigo foi uma resposta a uma matéria publicada no jornal A Província do Pará, publicada alguns dias antes, em dia 14 de maio, sobre uma publicação de um jornal de Bremen, na Alemanha, aconselhando o governo alemão a hastear sua bandeira n’um estado do sul do Brasil.

Seu livro, O Brasil, já estava traduzido para o italiano, para o francês e para o inglês. Embarcou para o rio Madeira no vapor Porto de Moz. Ele era sócio correspondente de várias agremiações e revistas de ciência do estrangeiro (Commercio do Amazonas, 8 de julho de 1899, na penúltima coluna).

1900 – No início de fevereiro, estava em Belém (O Pará, 5 de fevereiro de 1900, na penúltima coluna). No paquete Pernambuco, Lamberg regressou do Amazonas para o Rio de Janeiro. Esteve também na Bolívia e no Peru. Trouxe grande cópia de informações geográficas e etnográficas, notas sobre a vida prática e comercial de todas aquelas regiões, uma monografia sobre a borracha e descrição das duas capitais brasileira e da de Iquitos, no Peru, tratando nela da vida social, política e cultural, e grande quantidade de fotografias interessantíssimas dos diversos pontos que percorreu (Jornal do Commercio, 20 de março de 1900, na última coluna)

O livro O Brasil estava no catálogo do leilão da livraria de A. Pinheiro (Jornal do Commercio, 23 de novembro de 1900, na primeira coluna).

1901 – No artigo Por que me ufano de meu país, do poeta mineiro Affonso Celso (1860-1938), foi mencionado que Lamberg afirmava que o céu do Brasil era mais bonito do que o da Europa (A Cidade, 20 de julho de 1901, na primeira coluna).

1902 – Lamberg estava na Áustria comissionado em propaganda de imigração e para ele foi enviado uma via de letra em florins para Viena (O Commercio de São Paulo, 18 de maio de 1902, na sexta coluna).

Na edição de 20 de setembro de 1902 da publicação Relatórios dos Presidentes dos Estados Brasileiros foi transcrito um trecho do livro O Brasil sobre a inferioridade educacional dos fazendeiros do país: O fazendeiro possuía apenas alguns conhecimentos empíricos sobre a lavoura e era por demais fidalgo para se ocupar seriamente com ela…

Sobre a indiferença dos governos em relação à indústria agrícola, foram transcritas algumas palavras de Lamberg, na edição de 20 de setembro da publicação Mensagens do governador do Rio de Janeiro para a AssembleiaA situação lamentável da lavoura teria materialmente falando arruinado qualquer outro país; mas o Brasil assemelha-se ao gigante de Anteu que assim que tocava a terra adquiria novas forças.

1903 – Em um vibrante opúsculo escrito para a colônia italiana que emigra por Pasquale Vincenti e publicado em Nápoles, a obra O Brazil foi mencionada (Gazeta de Notícias, 3 de dezembro de 1903, na terceira coluna).

1904 – No concerto realizado em 14 de agosto, no salão do Instituto Nacional de Música, Emilio Lamberg não pode usar o órgão porque o conservador do mesmo não havia executado os consertos necessários ao instrumento. Devido à reação que teve diante do problema, foi proibido pelo ministro das Belas Artes a alugar o mesmo salão para futuros concertos. Dias depois, Emilio Lamberg afirmou, em uma nota assinada, que sua demissão do Instituto Nacional de Música, quando se encontrava na Europa, em 1892, havia sido o resultado da ação de seus desafetos. Esclareceu que, na verdade, a demissão foi declarada sem efeito, já que o contrato celebrado para que ele fosse o titular do órgão do Instituto havia sido celebrado em 18 de setembro de 1890 e só duraria um ano. Afirmou também já ter quitado sua dívida com o Tesouro Federal. Terminou a nota declarando: Depois disso – creio que posso esperar me deixem em paz os infatigáveis zoilos que tão desumana e covardemente me perseguem. Nada mais direi ainda mesmo provocado. Teve negado seu pedido de reintegração ao cargo de professor da cadeira de órgão do Instituto Nacional de Música (Correio da Manhã, 16 de agosto de 1904, na penúltima colunaJornal do Commercio , 20 de agosto de 1904, na sexta colunaCorreio da Manhã, 28 de agosto de 1904, na quinta coluna e Relatórios do Ministério da Justiça, março de 1905).

1905 – O professor Emilio Lamberg dirigiu um concerto de sucesso, no Club dos Diários, no Rio de Janeiro. Apresentou-se com Annunziata Palermini e Leopoldo Duque-Estrada Júnior (Gazeta Fluminense, 12 de abril de 1905, na terceira coluna).

1906 – Emilio Lamberg, protegido pelo pianista compositor alemão de origem polaca Moritz Moszkowski (1854 – 1925) estabeleceu-se em Paris. Foi assistente do célebre professor de canto polonês Jean Reszké (1850 – 1925). Viajou à Alemanha e à Áustria para conhecer os novos processos da arte pianística (Jornal do Commercio, 8 de dezembro de 1914, na quarta coluna).

1907 – Em abril, Emilio Lamberg deu um concerto na Sala Erard, em Paris (Jornal do Commercio, 8 de dezembro de 1914, na quarta coluna).

1908 – Em março, Emilio Lamberg deu um outro concerto na Sala Erard, em Paris, dessa vez com a participação do violoncelista catalão Pablo Casals (1876 – 1973). Repetiu a apresentação em Londres, o que lhe valeu um convite para tocar, no ano seguinte, na Sociedade Filarmônica, sob a regência de Mr Woord. (Jornal do Commercio, 8 de dezembro de 1914, na quarta coluna).

1909 – Numa apreciação do seu livro O Brasil, Lamberg foi identificado como alemão (A Província, 5 de outubro de 1909, na quarta coluna).

Em Londres, Emílio Lamberg  esteve em um recital do pianista português Vianna da Motta (1868 – 1948) (Jornal do Commercio, 8 de dezembro de 1914, na quarta coluna).

Foi publicada uma notícia sobre um drama histórico escrito por M. Lamberg, provavelmente Maurício Lamberg, identificado como alemão, sobre a proclamação da República no Brasil. O livro, Dom Pedro II von Bragança und sein Paladon, estava sendo impresso em Viena pelo editor F.B. Zelanoroski. Segundo a notícia, o autor referia-se com carinho a Saldanha da Gama (1846 – 1895) e enaltecia o Visconde de Ouro Preto (1836 – 1912) (O Commercio de São Paulo, 13 de novembro de 1909, na penúltima coluna e Diário da Tarde, Paraná, 15 de novembro de 1909, na última coluna). No ano seguinte, 1910, o Jornal do Brasil noticiou ter recebido possivelmente o mesmo drama histórico mencionado, de autoria de Moniz Lamberg, de origem polaca (Jornal do Brasil, 6 de fevereiro de 1910, na terceira coluna).

1910 – Emilio Lamberg fez uma turnê pela Europa com a violoncelista portuguesa Guilhermina Suggia (1885 – 1950), primeira mulher de Pablo Casals.

1911 e 1912 – Com Pablo Casals, Emilio fez turnês pela Áustria, Alemanha, Holanda, Hungria e Rússia.

1912 – O livro O Brazil foi identificado como uma importantíssima obra sobre o Brasil (Jornal do Commercio, 15 de abril de 1912, na quarta coluna).

1914 – Após uma permanência de oito anos na Europa, Emilio Lamberg retornou ao Brasil e comunicou que voltaria a dar aulas de piano. Nessa matéria, ele descreveu sua vida nesse período europeu (Jornal do Commercio, 8 de dezembro de 1914, na quarta coluna).

1915 – Emilio Lamberg chegou a Curitiba, onde hospedou-se na casa de Raul dos Guimarães Bonjean (Diário da Tarde, Paraná, 5 de janeiro de 1915, na última coluna). Apresentou-se no salão do Ginásio Paraná (Diário da Tarde, Paraná, 19 de janeiro de 1915, na quinta coluna).

Uma propaganda anunciava que Emilio Lamberg havia chegado recentemente da Europa e oferecia aulas de piano no Rio de Janeiro e em Petrópolis (A Notícia, 30 / 31 de janeiro de 1915, na última coluna).

1918 – Emilio Lamberg estava gravemente doente. Em seu benefício, foi realizado um concerto no salão nobre do Jornal do Commercio (O Paiz, 28 de dezembro de 1918, na primeira coluna).

1919 – Emilio Lamberg faleceu, em 16 de agosto, no Hospital Nacional de Alienados, devido a uma arteriosclerose generalizada e foi enterrado no Cemitério São João Batista. Foi rezada uma missa em sua memória na Igreja da Glória (Última Hora, 17 de agosto de 1919, na segunda colunaCorreio da Manhã, 18 de agosto de 1919, na sexta colunaO Paiz, 18 de agosto de 1919, na terceira colunaJornal do Commercio, 5 de setembro de 1919, na segunda coluna). No convite para a missa constava como sua mulher Lily Lamberg, que na ocasião estava em Paris, e, como seu irmão, Manfredo Carlos Lamberg (18? – 1921). Osmar, Olga, Elza, Oscar e José Carlos, citados no anúncio, seriam netos de Moritz (Correio da Manhã, 26 de agosto de 1919, na última coluna e O Paiz, 16 de junho de 1926, na quarta coluna).

1921 – Em Minas Gerais, falecimento do engenheiro Manfredo Carlos Lamberg, o outro filho de Moritz. Foi realizada, em sua homenagem, uma missa da igreja da Glória, no Largo do Machado (Correio da Manhã, 7 de março de 1921, na segunda coluna). Sobre ele, Lamberg escreveu no capítulo VIII de seu livro O Brazil: …tinha uma estatura de gigante, a quem a natureza dera ossos duplamente fortes e a força quíntupla de um homem comum. Não era uma grande ilustração mas todos os seus gestos indicavam coragem e energia e seus nos seus olhos refletia-se a  intrepidez.

1957 – Em seu livro, Ordem e Progresso, sobre a transição do regime monarquista ao republicano no Brasil, da abolição da escravatura à Primeira Guerra Mundial, o pernambucano Gilberto Freyre (1900 – 1987), considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX, cita e discorda de uma passagem no capítulo “Pernambuco” do livro Brazil, de Lamberg, a quem se refere como teuto-sergipano do Recife: … A causa de não contribuírem os brasileiros do Norte e do Sul do Império com nenhum trabalho de “importância universal” para as ciências e o saber, julgou encontrá-la Lamberg – esquecido de todo de um José Bonifácio, de um Teixeira de Freitas, de um José Vieira – não “na falta de inteligência e boa vontade” mas “na natureza do habitante do trópico, incapaz de consagrar toda a sua existência ao exame de um problema científico, sacrificando muitos gozos da vida, como faz o sábio das zonas temperadas e frias…” . Lamberg fazia uma exceção a Tobias Barreto (1839 – 1889). Freyre achava significativo Lamberg reconhecer que tanto o Pará como Pernambuco estavam procurando “recuperar o tempo perdido” em relação às artes e às ciências. Em outro trecho, Freyre citou o conselho que Lamberg dava àqueles que contraíssem febre amarela: preferir se consultar com médicos brasileiros, em sua opinião, mais preparados do que os europeus para o tratamento da doença.

 

Alguns trechos do livro O Brazil, de Moritz (Maurício) Lamberg

No Preâmbulo

Sabemos, por experiência, que a grande República sul-americana é, em geral, sobre o ponto de vista de sua vida íntima, pouco ou nada conhecida e até mesmo goza injustamente de uma reputação duvidosa.

Considerando, pois, que a revolução social e política que seu deu nesse país fez com que ele tomasse parte mais saliente nos interesses cronológicos do mundo civilizado e que, além disso, a América do Norte em consequência dos embaraços que opôs ultimamente à imigração, parece querer ceder tacitamente ao Brasil o primeiro lugar nesse sentido, resolvemos reunir as notas que tomamos durante os dezesseis anos de permanência neste país e os oito anos de viagem pelo interior e oferecê-las ao público.

Na Introdução

Não se pode bem precisar qual o verdadeiro descobridor do Brasil. As primeiras notícias dessa região da América foram enviadas ao seu soberano, El-Rey d. Manoel de Portugal, pelo almirante Pedro Alvares Cabral que em derrota para as Índias ali aportara por acaso.

No capítulo I “Pernambuco”

Sobre a pouca tendência dos brasileiros à dedicação às ciências:

A causa não está na falta de inteligência ou de boa vontade, mas na natureza do habitante dos trópicos incapaz de consagrar toda a sua existência ao exame de um problema científico, sacrificando muitos gozos da vida, como faz o sábio das zonas temperadas e frias(pág. 12).

No capítulo III  “As classes baixas do Brasil –  caboclos, mulatos, cabras, negros e antigos escravos”

Quanto às baixas classes cultas do país convenceram-se longos anos de minuciosa e exata observação que os homens dessa classe acima são os mais felizes desse mundo sub-lunar. Necessidade e miséria são para eles coisas quase inteiramente desconhecidas e só em sentido científico pode-e-lhe aplicar a teoria da luta pela vida.

O que se lhes torna a vida tão leve não é pobreza de espírito ou falta de suscetibilidade e sentimento, é. ao contrário, uma qualidade ingênita, um estoicismo inato, que os faz atravessar a vida alegres e satisfeitos, e não se alteram com as paixões humanas como a cobiça, a inveja e a ambição. Somente o amor agita de vez em quando essas existências tranquilas (pág. 36).

No capítulo IV “As classes médias e altas no Brasil”

Sobre caráter, moralidade, hipocrisia e relação entre homens e mulheres brasileiros:

O caráter do brasileiro é bom, agradável, obsequiador e, no todo, amável. Falta-lhe, porém em geral uma base moral sólida. Substituem frequentemente a moralidade por dogmas sociais, elevado à altura de uma lei moral. Esses dogmas, com que se cobrem abusos, contêm muitos pontos que restringem a liberdade na vida social e proíbem a franqueza nas palavras e nos atos, mais do que em qualquer parte do mundo civilizado, resultando daí, a hipocrisia.

Este defeito torna-se sobretudo saliente nas relações entre o homem e a mulher. Ostenta-se um puritanismo como raras vezes se se nota alhures. As aparências degeneram não raro nas mulheres em afetação. Por exemplo, a nenhuma moça é permitida caminhar na rua sem ir acompanhada por um parente muito próximo. Não a pode acompanhar o próprio noivo, que, aliás, não se atreve a tomar com a noiva nenhuma das acostumadas familiaridades ou carinhos.

Se formos a considerar os fenômenos que se dão diariamente nas relações entre os dois sexos, encontraremos desde logo uma diferença capital entre os costumes brasileiros e os alemães. Enquanto na Alemanha, como aliás nos países anglo-saxônicos, o noivado dura às vezes anos, estabelecendo-se entre o rapaz e a rapariga relações que têm por base o amor ideal, aqui, pelo contrário, o noivado é a bem dizer curto, e o amor, que chega por vezes às raias da loucura, parece vir mais do sangue do que da alma. Isto observa-se, aliás, na raça latina, em geral, cujo temperamento é diverso do nosso; e para isso influi, e não pouco, o clima, particularmente no Brasil (pág. 54).

Sobre mulheres e sobre  a relação entre pais e filhos:

No Brasil, com efeito, a mulher não é considerada como um ser independente, que possui o direito de dispor de seu destino tal qual um homem qualquer, mas como um brinquedo mais ou menos brilhante, mais ou menos precioso e agradável, delicioso e frágil…A essas mulheres não falta inteligência, mas essa inteligência não é de natureza forte, sadia; degenera muitas vezes em meditações fantásticas que as impossibilitam de serem donas de casa ativas. Onde reina, ou antes, onde passa a vida em sonhos uma jovem dona de casa como essa, não é possível haver ordem, e quem mais sofre com isso é a educação das crianças.

O pai, que é quem mais gosta de lidar com elas, está todo dia fora de casa, por causa dos negócios. Em um casal assim, é também o dono de casa quem sempre toma a si, durante a noite, o papel de ama-seca e quem até certo ponto consegue por ordem na casa. O carinhos dos pais pelos filhos, enquanto pequenos, chega a não ter limites, e é principalmente o pai quem se ocupa com eles, quando têm um minuto livre. ama-os, até a fraqueza e, até certa idade, atura as suas malcriações. Não há nada que mais o moleste do que ver alguém corrigir seu filho. Quando marido e mulher saem de casa, seja para visitarem uma família, seja para irem a alguma festa, levam consigo todos os filhos, com as suas respectivas amas, e é ainda o pai quem carrega todo o trabalho, agarrando-se-lhe os pequenos ao pescoço, às mãos, às abas do casaco: enquanto a mãe raras vezes olha pra eles, e , a passos largos, coberta de jóias, caminhando orgulhosamente na frente, deixa com toda calma ao marido os cuidados da família (pág 55).

Sobre relações familiares e hospitalidade:

O filho, embora barbado, só raras vezes toma a liberdade de acender um cigarro na presença do pai, sem que este dê licença. Os pais tratam sempre os filhos e a si próprios na terceira pessoa e às vezes até por senhor e senhora e isso em todas as classes sociais, o que não impede que o sentimento de família se ache neles desenvolvido em alto grau. Quando um parente está na miséria, todos os membros da família acodem em seu auxílio…Às vezes, até o parentesco não está provado genealogicamente; isso porém, não influi sobre a hospitalidade, que é, sem dúvida alguma, a maior virtude dos brasileiros (pág.57).

Sobre a educação da mulher brasileira:

As filhas das classes médias aprendem a ler e a escrever ou em alguma escola pública, ou em algum colégio, onde se acostumam também a fazer alguns trabalhos manuais fino. (È singular que no Brasil não saibam fazer meias!) A arte culinária e os trabalhos domésticos comuns não são aqui objeto de ensino. Assim que conseguem pronunciar algumas frases em francês e arranhar piano, está terminada a sua educação. Saem da escola e são moças, que os pais, com o máximo cuidado, preservam de qualquer contato com os homens.

É verdade que, no Rio, como nas outras cidades do país, há escolas normais cujo intuito é continuarem o ensino superior; mas são, em geral, pouco frequentadas, e isso mesmo unicamente pelas filhas das famílias menos favorecidas, as quais se preparam para professoras de escola, etc (pág. 59).

No capítulo VII  “O solo, Imigração, Colonização, Agricultura, Comércio, Indústria, os relativos estabelecimentos estaduais e particulares e Finanças”

Sobre a situação da lavoura e a força vital do Brasil:

A situação lamentável da lavoura no Norte teria, materialmente falando, arruinado qualquer outro país, mas o Brasil assemelha-se ao gigante Anteu que, assim que tocava na terra, adquiria novas forças. Um país cuja fonte material de vida reside única e exclusivamente na cultura do solo, de que, porém, a parte baixa do povo se descuida por indolência, e que as classes elevadas em parte não compreendem, em parte não possuem os meios e auxílios materiais necessários para isso, fechando de mais a mais o Governo olhos e ouvidos para viver apenas segundo seus interesses políticos; um país que apesar de tudo isso satisfaz, sem dificuldades especiais, todas as necessidades que exigem uma situação política muito dispendiosa e o progresso da civilização deve possuir grandes riquezas naturais e indestrutível força vital. E aí está porque é com razão que se tem esperança no seu futuro (pág. 81).

O gigante Anteu é um personagem da mitologia grega que era extremamente forte quando estava em contato com a Terra e que ficava extremamente fraco se fosse levantado ao ar.

No capítulo XIII “Rio de Janeiro”

Sobre a beleza do Rio de Janeiro:

O Rio de Janeiro é uma cidade que não posso comparar a nenhuma outra do continente europeu. Logo ao sairmos do centro da capital, cerca-nos a mai opulenta e mais pujante natureza. Em frente dela – joga essa natureza o mar com suas reentrâncias, com suas ilhas e ilhotas, esquisitamente conformadas, com suas montanhas e rochas cônicas, entre as quais se distingue e se assinala o Pão de Açúcar, que me parece mais semelhante a um barrete de dormir quando engomado, e que serve de barômetro aos habitantes da cidade. Pela parte posterior, é ela circundada de montes e vales não menos admiravelmente configurados e soberbos de uma luxuriante e imponente vegetação (pág 259).

Sobre a febre amarela e sua suposta cura pela vacina do dr. Domingos Freire (1849 – 1899):

O professor da Academia de Medicina, dr, Freire, julgou ter descoberto, há anos, uma vacina que devia ser excelente preservativo contra a febre amarela. Abstraindo mesmo que esta ainda não foi reconhecida por nenhuma corporação científica do exterior, eu mesmo tive infelizmente ocasião de observar a influência duvidosa desse preservativo em cinco amigos meus que, apesar de vacinados, morreram todos de febre amarela. Todavia, deve-se confessar que esse sábio é um dos poucos que aqui fazem muito para o desenvolvimento e popularização da ciência em prol da higiene pública. (pág. 294)

Sobre o Observatório Astronômico do Rio de Janeiro:

O Observatório, sob direção do astrônomo belga Kruls, tornou-se vantajosamente conhecido na Europa e tem prestado bons serviços(pág. 295)

O nome completo de Kruls é Louis (Luis) Ferdinand Cruls (1848 – 1908). Dirigiu o Observatório de 1881 a 1908.

Sobre o Colégio Pedro II e sobre a mocidade brasileira:

O colégio mais importante e mais bem dirigido de todo o Brasil é o o Ginásio Nacional, outrora Colégio Pedro II, no Rio. Parece-se a um ginásio real alemão, com um internato e um externato, tendo ambos mais ou menos 40 professores. Exteriormente, ambas essas instituições têm bela aparência, mas o interior deixa ainda a desejar. Não há dúvida que ali se aprende tudo que faz parte do ensino secundário, e que o curso dura 7 anos, mas os alunos ao deixarem essa instituição não possuem os conhecimentos que têm os bacharéis das escolas austríacas, alemães e suíças; embora a mocidade brasileira não seja, como inteligência e talento, de forma alguma inferior à Europa. Posso afirmá-lo com segurança como antigo professor desse colégio. (pág. 296)

 

(1) – Todas as vezes que aparecer somente o sobrenome Lamberg, sem ser antecedido pelo prenome, o texto estará se referindo a Moritz (Maurício) Lamberg.

 

**Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

FERREZ, Gilberto. Velhas Fotografias Pernambucanas 1851 – 1890. Rio de Janeiro: Campo Visual, 1988.

FREYRE, Gilberto. Ordem e Progresso (recurso eletrônico). São Paulo: Global 2013.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

LAMBERG, Moritz. O Brazil. Rio de Janeiro: Casa Lombaerts, 1896.

LEITE, Míriam Lifchitz Moreira (org.). A condição feminina no Rio de Janeiro, século XIX: antologia de textos de viajantes estrangeiros. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1993.

LISBOA, Karen Macknow. Insalubridade, doenças e imigração: visões alemãs sobre o Brasil in História, ciência, saú de-Manguinhos vol.20 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2013.

Site da Brasiliana da USP

Site do Colégio Pedro II

Site do Senado Federal

VASQUEZ, Pedro. Fotógrafos alemães no Brasil. São Paulo: Metalivros, 2000.

WOLFF, Gregor (ed). Explorers and Entrepreneurs behind the Camera. Berlin: Ibero-AmerikanischesInstitut, 2015, 168 pp.