O Paço Imperial, o palácio mais antigo do Rio de Janeiro

O Paço Imperial, o mais antigo palácio da cidade do Rio de Janeiro, além de importante historicamente – foi palco do Dia do Fico, da assinatura da Lei Áurea e o centro das decisões que ocasionaram a Proclamação da Independência – é também muito bonito, atrativo que certamente impressionou diversos fotógrafos. Hoje destacamos imagens  realizadas por Antonio Luiz Ferreira (18? – 19?)Camillo Vedani (18? – 1888)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Guilherme Santos (1871 – 1966)Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897)Marc Ferrez (1843 – 1923) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886). Todos esses fotógrafos já foram personagens centrais de artigos publicados na Brasiliana Fotográfica. Há também imagens produzidas por fotógrafos ainda não identificados. As fotos são provenientes do acervos fotográficos das instituições fundadoras do portal – a Fundação Biblioteca Nacional e o Instituto Moreira Salles –  e de duas de suas instituições parceiras – o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde e o Museu Histórico Nacional.

 

 

Acessando o link para as fotografias selecionadas do Paço Imperial disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

O Paço Imperial foi, no século XVIII, a residência do governador e do Vice-Rei. Em 1808, com a vinda de dom João VI (1767 – 1826) para o Rio de Janeiro, passou a se chamar Paço Real e tornou-se a residência oficial da família real e o centro de poder do Reinado e do Império.  Recebeu o nome atual, em 1822, e passou a ser a sede administrativa do governo, além de abrigar eventos oficiais e festas. Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, passou a sediar os Correios e Telégrafos.

 

 

Foi tombado pelo SPHAN, em 1938. Em 1982, a Fundação Nacional Pró-Memória, sob a direção de Aloisio Magalhães (1927-1982), deu partida ao processo de restauração do prédio. Em 1985, já reformado sob o comando do arquiteto Glauco Campello (1930-2015), passou a funcionar como um Centro Cultural.

 

 

 

 

Seus 40 anos como centro cultural foram comemorados com a exposição coletiva Constelações, inaugurada em 28 de março e que termina hoje. A curadoria da mostra foi de Claudia Saldanha, Ivair Reinaldim e equipe do Paço Imperial.

 

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Leia aqui alguns artigos publicados na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional de 1984 sobre a restauração do Paço Imperial:

Paço Imperial: história e ressurreição de um palácio, por Pedro Calmon, então presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ilustrada com imagens produzidas pelo austríaco Thomas Ender (1893 – 1875), pelo francês Jean-Baptiste Debret (1768 – 1868), do francês Louis-Auguste Moreau (1818 – 1877) e do suíço Abram Louis Buvelot (1814 – 1888), por Antonio Luiz Ferreira (18? – 19?), por Urias Antonio da Silveira (18? – ?), do arquiteto português Pinto Alpoim (1700 – 1775) e de Pedro Lobo (19? -?).

A restauração do Paço: revendo 240 anos de transformações, por Glauco Campello, arquiteto e coordenador da restauração do Paço, ilustrada com aquarelas do inglês Richard Bate (1775 – 1856), de 1808, e do austríaco Thomas Ender (1893 – 1875), de 1817; com um desenho do alemão Karl Wilhelm von Theremin (1784-1852), de 1818, e com um do francês Louis-Auguste Moreau (1818 – 1877) e do suíço Abram Louis Buvelot (1814 – 1888), de 1842; e por fotografias de Marc Ferrez (1843 – 1923), de 1880, e de um fotógrafo ainda não identificado (posterior à Proclamação da República).

O novo Paço: uma obra para debates, pelo arquiteto Cyro Corrêa Lyra, ilustrada com uma imagem produzida por Leandro Joaquim (1838 – 1898), de 1789.

Estudos preliminares para a restauração do Paço, pelo arquiteto José de Souza Reis, com imagens de autoria do inglês William John Burchell (1781 – 1863), de 1825; e do arquivo pessoal do autor.

A pesquisa arqueológica: primeiras notas, pelas arqueólogas Regina Coeli Pinheiro da Silva, Edna June Morley e Catarina Eleonora Ferreira da Silva, ilustrada com fotografias produzidas por Pedro Lobo (19?-?), por uma gravura da Biblioteca Nacional e por plantas das escavações.

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

CAVALCANTI, Lauro. Paço Imperial. Rio de Janeiro : Sextante Artes, 1999.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Portal IPHAN

Portal MultiRio

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site Paço Imperial

 

 

 

Rio de Janeiro, Capital Mundial da Arquitetura

 

 

A Unesco anunciou, em 18 de janeiro de 2019, o Rio de Janeiro como a primeira cidade a se tornar capital mundial da arquitetura, título que teria até a realização do Congresso Mundial de Arquitetura, que ocorreria na cidade entre 19 e 23 de julho de 2020, evento adiado, segundo a União Internacional dos Arquitetos, para acontecer entre 18 e 22 de julho de 2021, devido à pandemia do coronavírus. A escolha do Rio de Janeiro deveu-se, naturalmente, à sua arquitetura, a suas belezas naturais, à herança cultural e à sua importância histórica. A Brasiliana Fotográfica já publicou vários artigos sobre monumentos, prédios e aspectos da natureza carioca como os Arcos da Lapa, a Avenida Central, o Castelo da Fiocruz, Copacabana, o Corcovado, o Cristo Redentor, o Hotel Glória, a Igreja da Glória, Ipanema e outros bairros, o Jardim Botânico, o Paço, o Palácio Real de São Cristóvão, o Pão de Açúcar, a Praça XV, o Real Gabinete Português de Leitura e o Theatro Municipal. Em tempos de isolamento social, convidamos nossos leitores a revisitarem essas publicações, fazendo um passeio virtual pelas belezas do Rio de Janeiro. Não se esqueçam de usar o zoom! Bom domingo!

 

 

 

100 anos do Castelo da Fiocruz: a ocupação da Fazenda de Manguinhos

A criação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

A fundação de Copacabana

A fundação do Rio de Janeiro

A Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro por Cássio Loredano

A inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

A Praça XV na coleção Pereira Passos

Avenida Central, atual Rio Branco

Bairros do Rio

Becos cariocas

Carlos Bippus e as paisagens cariocas

Inauguração do Cristo Redentor, 12/10/1931

Ipanema pelas lentes de José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925)

Manguinhos e a cidade do Rio de Janeiro

O Hotel Glória: antes e depois

O Paço, a praça e o morro

O Palácio Real de São Cristóvão

O Passeio Público do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez

Os Arcos da Lapa e os bondes de Santa Teresa

Real Gabinete Português de Leitura

Uma homenagem aos 452 anos do Rio de Janeiro: o Corcovado e o Pão de Açúcar

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O Paço, a praça e o morro

 

Será inaugurada hoje no Paço Imperial a exposição O paço, a praça e o morro, que reúne imagens que construíram a representação fotográfica do Rio de Janeiro. São 200 registros de grandes mestres da fotografia brasileira do século XIX e das primeiras décadas do século XX, como Augusto Malta, Camillo VedaniGeorges Leuzinger, Guilherme Santos, Juan GutierrezMarc Ferrez, além de trabalhos produzidos por fotógrafos ainda não identificados. As fotografias fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles e a exposição é um desdobramento da mostra Rio, primeiras poses, realizada no centro cultural do IMS na Gávea, ao longo de 2015. Desta vez, o olhar é dirigido especificamente ao território onde a cidade nasceu e a partir do qual se desenvolveu em direção a sua configuração atual de grande metrópole, reconhecida internacionalmente como sítio urbano privilegiado pela conjunção única de paisagem natural e cultural.

As profundas e constantes transformações na região central do Rio de Janeiro nos últimos 120 anos são fundamentais para se compreender a cidade dos dias de hoje. As fotografias de época reunidas nesta exposição permitem que se compreenda o processo de crescimento e expansão urbana do Rio de Janeiro. No ano em que a cidade recebe um dos mais importantes eventos mundiais, a Olimpíada de 2016, revisitar estes marcos fundadores da cidade por meio do olhar de grandes nomes da fotografia brasileira é também um convite à imersão na paisagem e na vida de uma região que novamente passa por um processo de revitalização e transformação.

Além disso, realizar esta exposição no próprio Paço Imperial permite que se lance um olhar privilegiado sobre este importante edifício, de valor referencial único na cidade. Os registros fotográficos aqui reunidos são uma oportunidade de se confrontar in loco a evolução histórica de uma importante região da cidade, formada por este edifício e seu entorno − a praça ou largo do Paço, hoje praça XV de Novembro, e o próprio marco fundador da cidade, o morro do Castelo, removido há quase um século da paisagem e, consequentemente, também da própria memória que se tem da cidade.

Centro da vida econômica, social e política do Rio de Janeiro nos seus primeiros séculos de ocupação, o Paço Imperial, a praça XV e o morro do Castelo moldaram o crescimento da cidade a partir de sua configuração geográfica e urbana original até a virada para o século XX. Nesse momento, o centro do Rio sofreu grandes transformações e intervenções urbanas, associadas às reformas realizadas pelo prefeito Pereira Passos. Os dois grandes marcos dessa transformação foram a abertura da Avenida Central e o início do “bota-abaixo”, processo de expansão, valoração, modernização e gentrificação urbana que levaria ao total desmonte do morro do Castelo no final da década de 1920.

A exposição apresenta imagens que mostram a cidade no período anterior a essas mudanças e outras que documentam e acompanham as reformas urbanas do início do século XX, em registros de fotógrafos profissionais, como Marc Ferrez, Augusto Malta e Guilherme Santos, e amadores. Ferrez e Malta construíram, com seus trabalhos, o principal legado da fotografia para a memória da cidade nesse período. Por meio das imagens aqui expostas, é possível acompanhar o processo de transformação da cidade desde a chegada da daguerreotipia ao Rio de Janeiro em 1840, pouco antes da posse, no ano seguinte, de d. Pedro II como imperador, aos 15 anos, até o final da década de 1920, momento de fortes mudanças econômicas, sociais e políticas que culminariam na revolução de 1930 e lançariam o país e a própria cidade do Rio de Janeiro na modernidade e na contemporaneidade.

Acessando o link para as fotografias do Paço Imperial, da Praça XV e do Morro do Castelo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.