Os aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral no Brasil, em 1922

Cartão postal

Mais uma vez a Brasiliana Fotográfica pede ajuda a seus leitores. Agora para a identificação da única mulher presente ao almoço oferecido pela Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro, aos aeronautas portugueses Carlos Viegas Gago Coutinho (1869 -1959) e Artur de Sacadura Freire Cabral (1881 – 1924), que realizaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, em 1922, ano em que se comemorava o centenário da independência do Brasil. Iniciaram a viagem no dia 30 de março de 1922, partindo de Lisboa, a bordo do hidroavião Lusitânia, com destino ao Rio de Janeiro (O Paiz, 31 de março de 1922). Após alguns contratempos e acidentes e escalas na Europa e em algumas cidades do Brasil, chegaram ao destino final, em 17 de junho de 1922, completando a travessia. A população da cidade fez a apoteose magnífica do heroismo, aclamando Gago Coutinho e Sacadura Cabral na mais espontânea, na mais eloquente, na mais grandiosa manifestação popular em que há memória no Brasil (O Paiz, 18 de junho de 1922). Foram recepcionados com vários eventos, um deles a visita à Escola de Aviação Naval, na Ilha das Enxadas, em 26 de junho de 1922. São fotografias dessa homenagem e uma imagem produzida por Augusto Malta (1864 – 1957), alguns dias depois, que a Brasiliana Fotográfica traz hoje para seus leitores. Os registros pertencem à Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das parceiras do portal.

 

 

Acessando o link para as fotografias de Gago Coutinho e Sacadura Cabral disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

 

 

 

Nas duas fotografias abaixo há a presença de uma única mulher no almoço na Escola de Aviação Naval. Seria a aviadora Thereza de Marzo (1903 – 1986), pioneira da aviação no Brasil que participou das homenagens aos pilotos? (Jornal do Brasil, 21 de junho de 1922, quinta coluna; Jornal do Brasil, 22 de junho de 1922, quinta coluna; Jornal do Brasil, 23 de junho de 1922). A aviadora francesa Adrienne Bolland (1895 – 1975), primeira mulher que sobrevoou a Cordilheira dos Andes, que estava, na época, no Rio de Janeiro, tendo participado de eventos com os aviadores (O Paiz, 25 de junho de 1922, terceira coluna; Jornal do Brasil, 23 de junho de 1922)? Ou será a mulher de algum dos oficiais? Infelizmente nos registros do almoço na Escola de Aviação Naval não é mencionada nenhuma presença feminina (Jornal do Brasil, 27 de junho de 1922).

 

 

Etapas e resumo da Travessia

 

resumo

 

 

Uma curiosidade: O repórter e fotógrafo de O Cruzeiro, Luciano Carneiro (1926 – 1959), cujo acervo fotográfico está sob a guarda do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica, foi premiado, em 1948, na Segunda Convenção dos Aviadores Civis, em Poços de Caldas, do qual também participou o aviador Gago Coutinho (1869 – 1959). O acontecimento foi documentado na reportagem O encontro das gerações, com texto de Ibiapaba de Oliveira Martins e fotos de Norberto Esteves (O Cruzeiro, 12 de junho de 1948).

 

 

 

selo

 

 

Cartão postal

 

 

gago-coutinho-e-sacadura-cabral

 

Cerca de dois anos depois, em novembro de 1924, Sacadura Cabral faleceu quando pilotava um Fokker 4146, de Amsterdã para Lisboa. Santos Dumont (1873 – 1932) enviou uma pequena carta a Gago Coutinho (O Jornal, 18 de junho de 1969).

 

 

A Brasiliana Fotográfica faz um agradecimento especial à bibliotecária Marcia Prestes Taft, Encarregada da Divisão de Documentos Especiais da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, e ao arquiteto Bruno Buccalon, da equipe do IMS.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

A primeira travessia aérea do Atlântico Sul – Texto apresentado pela delegação brasileira que compareceu ao XI Congresso Ibero-Americano de História Aeronáutica e Espacial realizado em Lisboa em outubro de 2008

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Travessia aérea do Atlântico Sul – Filme da Ensina RTP

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Mais identificações

Dois anos após a publicação da fotografia produzida por Antônio Luiz Ferreira, Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, realizada no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888, a Brasiliana Fotográfica a republica com mais uma identificação, dessa vez, do padre baiano José Alves Martins do Loreto (1845 – 1896), redator e sócio proprietário do jornal O Apóstolo. O reconhecimento foi feito pelo leitor Pedro Juarez Pinheiro. Além das identificações iniciais, que incluíram Machado de Assis (1839 – 1908), muitas outras já foram realizadas a partir de indicações feitas pelos leitores desse portal, que aceitaram o desafio de apontar outras pessoas presentes no evento. Mas ainda há muito trabalho pela frente. Novos reconhecimentos são bem-vindos! Na silhueta abaixo, o padre Loreto é o número 21.

 

MISSA 2

 

MISSA 2

 

Acessando o link para a fotografia Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil produzida  Antônio Luiz Ferreira,  disponível na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

1 – Princesa Isabel (1846-1921) – princesa imperial do Brasil e três vezes regente do Império do Brasil. Ficou conhecida como a Redentora por ter assinado a Lei Áurea.

2 – Luis Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, o conde d´Eu (1842-1922) – príncipe do Brasil por seu casamento com a princesa Isabel.

3 – Não identificada.

4 – Possivelmente o Marechal Hermes Ernesto da Fonseca (1824-1891) – político e militar brasileiro, irmão do general Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil,  e pai do futuro presidente do Brasil, Hermes Rodrigues da Fonseca.

5 – Machado de Assis (1839-1908) – um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

6 – Possivelmente José de Miranda da Silva Reis, marechal de campo e Barão Miranda Reis (1824-1903) – foi ajudante de campo e camarista do imperador Pedro II e participou da Guerra do Paraguai. Exerceu importantes cargos, dentre eles foi ministro do Superior Tribunal Militar e dirigiu a Escola Superior de Guerra e o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro.

7 – Possivelmente José do Patrocínio (1854-1905) – escritor e jornalista, uma das maiores figuras do movimento abolicionista. Na foto está segurando a mão de seu filho primogênito, que ao fim da missa foi beijado pela princesa Isabel.

8 – Jornalista (?) não identificado.

9 – Possivelmente José Ferreira de Souza Araujo, conhecido como Ferreira Araujo(1848-1900) – um dos mais importantes jornalistas da época, foi diretor da Gazeta de Notícias e sob o pseudônimo Lulu Sênior escreveu as muito populares colunas Macaquinhos no SótãoBalas de Estalo e Apanhados. Foi o vice-diretor da Comissão Central da Imprensa Fluminense, formada para organizar e programar os festejos em torno da Abolição.

10 – Thomaz José Coelho de Almeida (1838-1895) – ministro da Guerra, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

11 – Rodrigo Silva (1833-1889) – ministro dos Negócios da Agricultura e interino dos Negócios Estrangeiros, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

12- José Fernandes da Costa Pereira Junior (1833-1899) – ministro do Império, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

13- João Alfredo Correia de Oliveira (1835-1919) – presidente do Conselho de Ministros do Gabinete de 10 de março de 1888.

14- Maria José Velho de Avelar, Baronesa de Muritiba (1851-1932) – dama do Paço e amiga íntima da princesa Isabel.

15- Maria Amanda de Paranaguá Dória, Baronesa de Loreto (1849-1931) – dama do Paço e amiga íntima da princesa Isabel.

16- Fernando Mendes de Almeida (1845-1921) – na época, diretor e redator-chefe do Diário de Notícias. Era o segundo secretário da Comissão Central da Imprensa Fluminense, formada para organizar e programar os festejos em torno da Abolição.

17- Jornalista (?) não identificado.

18- Jornalista (?) não identificado.

19- Senador ou deputado (?) não identificado.

20- Possivelmente Ângelo Agostini (1843-1910) – italiano, um dos primeiros e mais importantes cartunistas do Brasil. Fez uma intensa campanha pela abolição da escravatura. Fundou e colaborou com diversos jornais e revistas, dentre eles a “Revista Illustrada”, que circulou entre 1876 e 1898.

21- Padre José Alves Martins do Loreto (1845 – 1893), redator e sócio proprietário do jornal “O Apóstolo”.

À esquerda da fotografia, estão vários padres diante do altar, que ainda não conseguimos identificar. Dentre eles, segundo a imprensa da época, estariam o celebrante da missa, padre Cassiano Coriolano Collona, capelão do Exército e um dos fundadores da Confederação Abolicionista, criada em 19 de fevereiro de 1888; o padre-mestre Escobar de Araújo, vigário de São Cristóvão; os padres Castelo Branco e Telemaco de Souza Velho e o padre Loreto, agora identificado.

O missal usado na cerimônia, em veludo carmezin, tinha a seguinte inscrição: “13 de maio de 1888 – Esse missal foi o que serviu na missa campal, celebrada em 17 de maio de 1888, no campo de S. Cristóvão, em ação de graças pela promulgação da lei que extinguiu a escravidão no Brasil”. O missal e a campainha utilizados foram, assim como a garrafa de vinho Lacryma Christi, doados. Segundo a imprensa da época, formavam as alas do altar as ordens terceiras de São Francisco de Paula, de São Francisco da Penitência e de Nossa Senhora do Carmo, além das irmandades de São Cristóvão e do Rosário com seus galões e candelabros. Estandartes de associações e de escolas podem ser vistas na foto.

A importância dos jornais do Rio de Janeiro no processo da Abolição da Escravatura fica evidenciada na missa campal por dois fatos: antes do início da cerimônia, o ministro da Guerra, Thomaz José Coelho de Almeida(identificado na foto – número 10), “ergueu um viva à imprensa nacional”; e, representando a imprensa, o jornalista Fernando Mendes de Almeida (identificado na foto – número 16, vestindo uma toga) ajudou na celebração da missa campal.

A missa campal do dia 17 de maio de 1888 foi um dos festejos pela Abolição da Escravatura organizada pela Comissão Central da Imprensa Fluminense. Possivelmente, seus integrantes estão identificados na foto usando uma faixa na qual podemos ler a palavra imprensa.

 

Pequeno perfil do padre José Alves Martins do Loreto (1845 – 1896)

 

O padre José Alves Martins do Loreto nasceu na Bahia, em 1845, e era neto paterno de José Ferreira de Carvalho (1783-1866), fundador da Vila do Raso, atual cidade baiana de Araci. Iniciou a carreira eclesiástica como vigário da Igreja da Vitória, em Salvador, após sua ordenação como padre, em 1868. Em Salvador, foi com seu irmão, o também padre Urbano Cecílio Martins, diretor do Colégio Atheneu.

Em 1887, pediu licença ao então arcebispo da Bahia, Dom Luís Antônio dos Santos (1817-1891), e seguiu para o Rio de Janeiro para tratamento de saúde. Oito meses depois, pediu autorização para renunciar à Paroquia da Vitória e se estabeleceu definitivamente no Rio. Já no ano seguinte, tornou-se, ao lado do padre cearense João Scaligero Augusto Maravalho (1844 – 1905), editor-chefe do jornal católico O Apóstolo, fundado em 1866 pelo monsenhor José Gonçalves Ferreira (? – 1883). O padre Loreto era amigo próximo de José do Patrocínio (1854-1905), uma das figuras mais importantes no movimento abolicionista brasileiro, e foi Patrocínio que fez o discurso de despedida em seu enterro (O Apóstolo, 19 de abril de 1896).

A identificação do Padre Loreto, feita por Pedro Juarez Pinheiro, foi divulgada pelo Portal Folha e foi possível a partir da comparação da fotografia da Missa Campal de 17 de maio de 1888 com uma ilustração feita pelo cartunista Ângelo Agostini (1843-1910) que acompanhava o texto No púlpito e na impressa, uma homenagem ao padre Loreto na ocasião de sua morte, publicada no jornal ilustrado Don Quixote, de 18 de abril de 1896.

 

 

A presença de Lima Barreto na Missa Campal

 

Apesar de não estar identificado na fotografia de Antonio Luis Ferreira, o escritor e jornalista Afonso Henriques de Lima Barreto (13/05/1881 – 1/11/1922), na época com 7 anos, contou em uma crônica publicada na Gazeta de Tarde, de 4 de maio de 1911, que esteve presente a esse momento histórico, levado por seu pai, João Henriques de Lima Barreto. Escreveu: Houve missa campal no Campo de São Cristóvão. Eu fui também com meu pai; mas pouco me recordo dela, a não ser lembrar-me que, ao assisti-la, me vinha aos olhos a “Primeira Missa”, de Vítor Meireles. Era como se o Brasil tivesse sido descoberto outra vez… A crônica de Lima Barreto foi transcrita no blog do Instituto Moreira Salles.

Uma curiosidade: Lima Barreto nasceu em 13 de maio de 1881, exatamente 7 anos antes do dia da abolição da abolição da escravatura no Brasil, ocorrida em 13 de maio de 1888.

 

Outras publicações da Brasiliana Fotográfica sobre a Missa Campal de 17 de maio de 1888:

Missa Campal de 17 de maio de 1888

Machado de Assis vai à missa, de José Murilo de Carvalho

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Novas identificações

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Novas identificações

Quinze dias depois da publicação da foto de Antonio Luiz Ferreira, Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, realizada no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888,  a Brasiliana Fotográfica a republica com novas identificações, além das iniciais, que incluíram Machado de Assis. Muitas identificações foram realizadas a partir de indicações feitas pelos leitores desse portal, que aceitaram o desafio de apontar outras pessoas presentes no evento. Foram identificadas 15, mas ainda há muito trabalho pela frente. Novos reconhecimentos são bem-vindos!

MISSA 2

 

missa_silhuetas_edit3

Acessando o link para a fotografia Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil produzida  Antonio Luiz Ferreira,  disponível na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

1 – Princesa Isabel (1846-1921) – princesa imperial do Brasil e três vezes regente do Império do Brasil. Ficou conhecida como a Redentora por ter assinado a Lei Áurea.

2 – Luis Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, o conde d´Eu (1842-1922) – príncipe do Brasil por seu casamento com a princesa Isabel.

3 – Não identificada.

4 – Possivelmente o Marechal Hermes Ernesto da Fonseca (1824-1891) – político e militar brasileiro, irmão do general Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil,  e pai do futuro presidente do Brasil, Hermes Rodrigues da Fonseca.

5 – Machado de Assis (1839-1908) – um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

6 – Possivelmente José de Miranda da Silva Reis, marechal de campo e Barão Miranda Reis (1824-1903) – foi ajudante de campo e camarista do imperador Pedro II e participou da Guerra do Paraguai. Exerceu importantes cargos, dentre eles foi ministro do Superior Tribunal Militar e dirigiu a Escola Superior de Guerra e o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro.

7 – Possivelmente José do Patrocínio (1854-1905) – escritor e jornalista, uma das maiores figuras do movimento abolicionista. Na foto está segurando a mão de seu filho primogênito, que ao fim da missa foi beijado pela princesa Isabel.

8 – Jornalista (?) não identificado.

9 – Possivelmente José Ferreira de Souza Araujo, conhecido como Ferreira Araujo(1848-1900) – um dos mais importantes jornalistas da época, foi diretor da Gazeta de Notícias e sob o pseudônimo Lulu Sênior escreveu as muito populares colunas Macaquinhos no SótãoBalas de Estalo e Apanhados. Foi o vice-diretor da Comissão Central da Imprensa Fluminense, formada para organizar e programar os festejos em torno da Abolição.

10 – Thomaz José Coelho de Almeida (1838-1895) – ministro da Guerra, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

11 – Rodrigo Silva (1833-1889) – ministro dos Negócios da Agricultura e interino dos Negócios Estrangeiros, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

12- José Fernandes da Costa Pereira Junior (1833-1899) – ministro do Império, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

13- João Alfredo Correia de Oliveira (1835-1919) – presidente do Conselho de Ministros do Gabinete de 10 de março de 1888.

14- Maria José Velho de Avelar, Baronesa de Muritiba (1851-1932) – dama do Paço e amiga íntima da princesa Isabel.

15- Maria Amanda de Paranaguá Dória, Baronesa de Loreto (1849-1931) – dama do Paço e amiga íntima da princesa Isabel.

16- Fernando Mendes de Almeida (1845-1921) – na época, diretor e redator-chefe do Diário de Notícias. Era o segundo secretário da Comissão Central da Imprensa Fluminense, formada para organizar e programar os festejos em torno da Abolição.

17- Jornalista (?) não identificado.

18- Jornalista (?) não identificado.

19- Senador ou deputado (?) não identificado.

20- Possivelmente Ângelo Agostini (1843-1910) – italiano, um dos primeiros e mais importantes cartunistas do Brasil. Fez uma intensa campanha pela abolição da escravatura. Fundou e colaborou com diversos jornais e revistas, dentre eles a “Revista Illustrada”, que circulou entre 1876 e 1898.

À esquerda da fotografia, estão vários padres diante do altar, que ainda não conseguimos identificar. Dentre eles, segundo a imprensa da época, estariam o celebrante da missa, padre Cassiano Coriolano Collona, capelão do Exército e um dos fundadores da Confederação Abolicionista, criada em 19 de fevereiro de 1888; o padre Loreto, o padre-mestre Escobar de Araújo, vigário de São Cristóvão; e os padres Castelo Branco e Telemaco de Souza Velho.

O missal usado na cerimônia, em veludo carmezin, tinha a seguinte inscrição: “13 de maio de 1888 – Esse missal foi o que serviu na missa campal, celebrada em 17 de maio de 1888, no campo de S. Cristóvão, em ação de graças pela promulgação da lei que extinguiu a escravidão no Brasil”. O missal e a campainha utilizados foram, assim como a garrafa de vinho Lacryma Christi, doados. Segundo a imprensa da época, formavam as alas do altar as ordens terceiras de São Francisco de Paula, de São Francisco da Penitência e de Nossa Senhora do Carmo, além das irmandades de São Cristóvão e do Rosário com seus galões e candelabros. Estandartes de associações e de escolas podem ser vistas na foto.

A importância dos jornais do Rio de Janeiro no processo da Abolição da Escravatura fica evidenciada na missa campal por dois fatos: antes do início da cerimônia, o ministro da Guerra, Thomaz José Coelho de Almeida(identificado na foto – número 10), “ergueu um viva à imprensa nacional”; e, representando a imprensa, o jornalista Fernando Mendes de Almeida (identificado na foto – número 16, vestindo uma toga) ajudou na celebração da missa campal.

A missa campal do dia 17 de maio de 1888 foi um dos festejos pela Abolição da Escravatura organizada pela Comissão Central da Imprensa Fluminense. Possivelmente, seus integrantes estão identificados na foto usando uma faixa na qual podemos ler a palavra imprensa.

Um pouco mais da história dos festejos pela Abolição da Escravatura no Brasil promovidos pela imprensa

No dia 12 de de maio de 1888, quatro dias após a apresentação na Câmara pelo ministro Rodrigo Silva(identificado na foto – número 11) do projeto para o fim da escravidão no Brasil, representantes dos periódicos Jornal do Commercio, Cidade do Rio, Diário de Notícias, Revista Illustrada, A Epoca, Gazeta da Tarde,  Novidades, Apóstolo e Gazeta de Notícias decidiram promover festejos populares para celebrar a iminente promulgação da Lei Áurea. Reuniram-se com colegas de outros jornais no Clube de Esgrima e Tiro, localizado na rua São Francisco de Paula, n°22, e formaram a Comissão Central da Imprensa Fluminense(Gazeta de Notícias, edição de 13 de maio de 1888). José do Patrocínio, representando o jornal O Paiz, participou do encontro.

No dia seguinte, 14 de maio, em uma segunda reunião realizada no Clube de Esgrima e Tiro, foi nomeada a diretoria da Comissão Central da Imprensa Fluminense. Foi formada pelos redatores- chefes dos principais jornais: João Carlos de Souza Ferreira, do Jornal do Commercio, na direção; José Ferreira de Souza Araujo, da Gazeta de Notícias, na vice-diretoria; e como primeiro e segundo secretários Demerval da Fonseca, da Gazeta de Notícias; e Fernando Mendes de Almeida, do Diário de Notícias, respectivamente. A tesouraria ficou a cargo de Henrique Villeneuve, do Jornal do Commércio; e de Artur Azevedo, da A EstaçãoAs festas promovidas pela Comissão começaram com a missa campal no dia 17 e terminaram no dia 20 com a queima de fogos de artifício em diversos pontos da cidade(Gazeta de Notícias, edição de 15 de maio de 1888).  Mais um baile foi programado para o dia 19 à noite, na praça da Aclamação, atual Campo de Santana.

A fim de envolver toda a população do Rio de Janeiro nos festejos, a Comissão Central da Imprensa Fluminense publicou pedidos nos jornais para que todos os moradores da cidade se empenhassem na iluminação e na ornamentação das ruas e para que os estabelecimentos comerciais fechassem durante as festas. Convocou também mestres de obras para a construção de coretos e arquibancadas. Comerciantes doaram dinheiro para a realização das festas. O Sport Club pôs à disposição da comissão a arrecadação do páreo 13 de maio de 1888 e artistas se encarregaram dos fogos de artifício. O importante cenógrafo Frederico de Barros ofereceu seus serviços à comissão. Enfim, toda a cidade participou da celebração da Lei Áurea.

Além de organizar os festejos, a Comissão Central da Imprensa Fluminense decidiu publicar um jornal especial, intitulado A Imprensa Fluminense, que foi o único a ser distribuído no dia 21 de maio de 1888.

Essas comemorações promovidas pela imprensa fluminense, e as fotografias de Antonio Luiz Ferreira sobre os vários eventos em torno do mais importante acontecimento histórico no Brasil, após a proclamação da Independência, são fundamentais para a formação da memória da Abolição da Escravatura. A euforia e o entusiasmo dos brasileiros, mostrados tanto nas festas como nas fotos de Ferreira, e também os textos publicados nos jornais da época podem ser interpretados como um contraponto a tão longa duração do regime escravocrata no país.

Leia a primeira publicação sobre a presença de Machado de Assis na foto da Missa Campal de 17 de maio de 1888

Leia o comentário do professor José Murilo de Carvalho sobre a identificação de Machado de Assis na Missa Campal de 17 de maio de 1888

Contribuíram para esta pesquisa o designer Daniel Arruda(IMS) e os historiadores Luciana Muniz(BN) e Rodrigo Bozzetti(IMS).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica