Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Mais identificações

Dois anos após a publicação da fotografia produzida por Antônio Luiz Ferreira, Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, realizada no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888, a Brasiliana Fotográfica a republica com mais uma identificação, dessa vez, do padre baiano José Alves Martins do Loreto (1845 – 1896), redator e sócio proprietário do jornal O Apóstolo. O reconhecimento foi feito pelo leitor Pedro Juarez Pinheiro. Além das identificações iniciais, que incluíram Machado de Assis (1839 – 1908), muitas outras já foram realizadas a partir de indicações feitas pelos leitores desse portal, que aceitaram o desafio de apontar outras pessoas presentes no evento. Mas ainda há muito trabalho pela frente. Novos reconhecimentos são bem-vindos! Na silhueta abaixo, o padre Loreto é o número 21.

 

MISSA 2

 

MISSA 2

 

Acessando o link para a fotografia Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil produzida  Antônio Luiz Ferreira,  disponível na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

1 – Princesa Isabel (1846-1921) – princesa imperial do Brasil e três vezes regente do Império do Brasil. Ficou conhecida como a Redentora por ter assinado a Lei Áurea.

2 – Luis Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, o conde d´Eu (1842-1922) – príncipe do Brasil por seu casamento com a princesa Isabel.

3 – Não identificada.

4 – Possivelmente o Marechal Hermes Ernesto da Fonseca (1824-1891) – político e militar brasileiro, irmão do general Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil,  e pai do futuro presidente do Brasil, Hermes Rodrigues da Fonseca.

5 – Machado de Assis (1839-1908) – um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

6 – Possivelmente José de Miranda da Silva Reis, marechal de campo e Barão Miranda Reis (1824-1903) – foi ajudante de campo e camarista do imperador Pedro II e participou da Guerra do Paraguai. Exerceu importantes cargos, dentre eles foi ministro do Superior Tribunal Militar e dirigiu a Escola Superior de Guerra e o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro.

7 – Possivelmente José do Patrocínio (1854-1905) – escritor e jornalista, uma das maiores figuras do movimento abolicionista. Na foto está segurando a mão de seu filho primogênito, que ao fim da missa foi beijado pela princesa Isabel.

8 – Jornalista (?) não identificado.

9 – Possivelmente José Ferreira de Souza Araujo, conhecido como Ferreira Araujo(1848-1900) – um dos mais importantes jornalistas da época, foi diretor da Gazeta de Notícias e sob o pseudônimo Lulu Sênior escreveu as muito populares colunas Macaquinhos no SótãoBalas de Estalo e Apanhados. Foi o vice-diretor da Comissão Central da Imprensa Fluminense, formada para organizar e programar os festejos em torno da Abolição.

10 – Thomaz José Coelho de Almeida (1838-1895) – ministro da Guerra, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

11 – Rodrigo Silva (1833-1889) – ministro dos Negócios da Agricultura e interino dos Negócios Estrangeiros, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

12- José Fernandes da Costa Pereira Junior (1833-1899) – ministro do Império, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

13- João Alfredo Correia de Oliveira (1835-1919) – presidente do Conselho de Ministros do Gabinete de 10 de março de 1888.

14- Maria José Velho de Avelar, Baronesa de Muritiba (1851-1932) – dama do Paço e amiga íntima da princesa Isabel.

15- Maria Amanda de Paranaguá Dória, Baronesa de Loreto (1849-1931) – dama do Paço e amiga íntima da princesa Isabel.

16- Fernando Mendes de Almeida (1845-1921) – na época, diretor e redator-chefe do Diário de Notícias. Era o segundo secretário da Comissão Central da Imprensa Fluminense, formada para organizar e programar os festejos em torno da Abolição.

17- Jornalista (?) não identificado.

18- Jornalista (?) não identificado.

19- Senador ou deputado (?) não identificado.

20- Possivelmente Ângelo Agostini (1843-1910) – italiano, um dos primeiros e mais importantes cartunistas do Brasil. Fez uma intensa campanha pela abolição da escravatura. Fundou e colaborou com diversos jornais e revistas, dentre eles a “Revista Illustrada”, que circulou entre 1876 e 1898.

21- Padre José Alves Martins do Loreto (1845 – 1893), redator e sócio proprietário do jornal “O Apóstolo”.

À esquerda da fotografia, estão vários padres diante do altar, que ainda não conseguimos identificar. Dentre eles, segundo a imprensa da época, estariam o celebrante da missa, padre Cassiano Coriolano Collona, capelão do Exército e um dos fundadores da Confederação Abolicionista, criada em 19 de fevereiro de 1888; o padre-mestre Escobar de Araújo, vigário de São Cristóvão; os padres Castelo Branco e Telemaco de Souza Velho e o padre Loreto, agora identificado.

O missal usado na cerimônia, em veludo carmezin, tinha a seguinte inscrição: “13 de maio de 1888 – Esse missal foi o que serviu na missa campal, celebrada em 17 de maio de 1888, no campo de S. Cristóvão, em ação de graças pela promulgação da lei que extinguiu a escravidão no Brasil”. O missal e a campainha utilizados foram, assim como a garrafa de vinho Lacryma Christi, doados. Segundo a imprensa da época, formavam as alas do altar as ordens terceiras de São Francisco de Paula, de São Francisco da Penitência e de Nossa Senhora do Carmo, além das irmandades de São Cristóvão e do Rosário com seus galões e candelabros. Estandartes de associações e de escolas podem ser vistas na foto.

A importância dos jornais do Rio de Janeiro no processo da Abolição da Escravatura fica evidenciada na missa campal por dois fatos: antes do início da cerimônia, o ministro da Guerra, Thomaz José Coelho de Almeida(identificado na foto – número 10), “ergueu um viva à imprensa nacional”; e, representando a imprensa, o jornalista Fernando Mendes de Almeida (identificado na foto – número 16, vestindo uma toga) ajudou na celebração da missa campal.

A missa campal do dia 17 de maio de 1888 foi um dos festejos pela Abolição da Escravatura organizada pela Comissão Central da Imprensa Fluminense. Possivelmente, seus integrantes estão identificados na foto usando uma faixa na qual podemos ler a palavra imprensa.

 

Pequeno perfil do padre José Alves Martins do Loreto (1845 – 1896)

 

O padre José Alves Martins do Loreto nasceu na Bahia, em 1845, e era neto paterno de José Ferreira de Carvalho (1783-1866), fundador da Vila do Raso, atual cidade baiana de Araci. Iniciou a carreira eclesiástica como vigário da Igreja da Vitória, em Salvador, após sua ordenação como padre, em 1868. Em Salvador, foi com seu irmão, o também padre Urbano Cecílio Martins, diretor do Colégio Atheneu.

Em 1887, pediu licença ao então arcebispo da Bahia, Dom Luís Antônio dos Santos (1817-1891), e seguiu para o Rio de Janeiro para tratamento de saúde. Oito meses depois, pediu autorização para renunciar à Paroquia da Vitória e se estabeleceu definitivamente no Rio. Já no ano seguinte, tornou-se, ao lado do padre cearense João Scaligero Augusto Maravalho (1844 – 1905), editor-chefe do jornal católico O Apóstolo, fundado em 1866 pelo monsenhor José Gonçalves Ferreira (? – 1883). O padre Loreto era amigo próximo de José do Patrocínio (1854-1905), uma das figuras mais importantes no movimento abolicionista brasileiro, e foi Patrocínio que fez o discurso de despedida em seu enterro (O Apóstolo, 19 de abril de 1896).

A identificação do Padre Loreto, feita por Pedro Juarez Pinheiro, foi divulgada pelo Portal Folha e foi possível a partir da comparação da fotografia da Missa Campal de 17 de maio de 1888 com uma ilustração feita pelo cartunista Ângelo Agostini (1843-1910) que acompanhava o texto No púlpito e na impressa, uma homenagem ao padre Loreto na ocasião de sua morte, publicada no jornal ilustrado Don Quixote, de 18 de abril de 1896.

 

 

A presença de Lima Barreto na Missa Campal

 

Apesar de não estar identificado na fotografia de Antonio Luis Ferreira, o escritor e jornalista Afonso Henriques de Lima Barreto (13/05/1881 – 1/11/1922), na época com 7 anos, contou em uma crônica publicada na Gazeta de Tarde, de 4 de maio de 1911, que esteve presente a esse momento histórico, levado por seu pai, João Henriques de Lima Barreto. Escreveu: Houve missa campal no Campo de São Cristóvão. Eu fui também com meu pai; mas pouco me recordo dela, a não ser lembrar-me que, ao assisti-la, me vinha aos olhos a “Primeira Missa”, de Vítor Meireles. Era como se o Brasil tivesse sido descoberto outra vez… A crônica de Lima Barreto foi transcrita no blog do Instituto Moreira Salles.

Uma curiosidade: Lima Barreto nasceu em 13 de maio de 1881, exatamente 7 anos antes do dia da abolição da abolição da escravatura no Brasil, ocorrida em 13 de maio de 1888.

 

Outras publicações da Brasiliana Fotográfica sobre a Missa Campal de 17 de maio de 1888:

Missa Campal de 17 de maio de 1888

Machado de Assis vai à missa, de José Murilo de Carvalho

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Novas identificações

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Novas identificações

Quinze dias depois da publicação da foto de Antonio Luiz Ferreira, Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, realizada no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888,  a Brasiliana Fotográfica a republica com novas identificações, além das iniciais, que incluíram Machado de Assis. Muitas identificações foram realizadas a partir de indicações feitas pelos leitores desse portal, que aceitaram o desafio de apontar outras pessoas presentes no evento. Foram identificadas 15, mas ainda há muito trabalho pela frente. Novos reconhecimentos são bem-vindos!

MISSA 2

 

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Acessando o link para a fotografia Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil produzida  Antonio Luiz Ferreira,  disponível na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

1 – Princesa Isabel (1846-1921) – princesa imperial do Brasil e três vezes regente do Império do Brasil. Ficou conhecida como a Redentora por ter assinado a Lei Áurea.

2 – Luis Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, o conde d´Eu (1842-1922) – príncipe do Brasil por seu casamento com a princesa Isabel.

3 – Não identificada.

4 – Possivelmente o Marechal Hermes Ernesto da Fonseca (1824-1891) – político e militar brasileiro, irmão do general Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil,  e pai do futuro presidente do Brasil, Hermes Rodrigues da Fonseca.

5 – Machado de Assis (1839-1908) – um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

6 – Possivelmente José de Miranda da Silva Reis, marechal de campo e Barão Miranda Reis (1824-1903) – foi ajudante de campo e camarista do imperador Pedro II e participou da Guerra do Paraguai. Exerceu importantes cargos, dentre eles foi ministro do Superior Tribunal Militar e dirigiu a Escola Superior de Guerra e o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro.

7 – Possivelmente José do Patrocínio (1854-1905) – escritor e jornalista, uma das maiores figuras do movimento abolicionista. Na foto está segurando a mão de seu filho primogênito, que ao fim da missa foi beijado pela princesa Isabel.

8 – Jornalista (?) não identificado.

9 – Possivelmente José Ferreira de Souza Araujo, conhecido como Ferreira Araujo(1848-1900) – um dos mais importantes jornalistas da época, foi diretor da Gazeta de Notícias e sob o pseudônimo Lulu Sênior escreveu as muito populares colunas Macaquinhos no SótãoBalas de Estalo e Apanhados. Foi o vice-diretor da Comissão Central da Imprensa Fluminense, formada para organizar e programar os festejos em torno da Abolição.

10 – Thomaz José Coelho de Almeida (1838-1895) – ministro da Guerra, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

11 – Rodrigo Silva (1833-1889) – ministro dos Negócios da Agricultura e interino dos Negócios Estrangeiros, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

12- José Fernandes da Costa Pereira Junior (1833-1899) – ministro do Império, integrante do Gabinete de 10 de março de 1888.

13- João Alfredo Correia de Oliveira (1835-1919) – presidente do Conselho de Ministros do Gabinete de 10 de março de 1888.

14- Maria José Velho de Avelar, Baronesa de Muritiba (1851-1932) – dama do Paço e amiga íntima da princesa Isabel.

15- Maria Amanda de Paranaguá Dória, Baronesa de Loreto (1849-1931) – dama do Paço e amiga íntima da princesa Isabel.

16- Fernando Mendes de Almeida (1845-1921) – na época, diretor e redator-chefe do Diário de Notícias. Era o segundo secretário da Comissão Central da Imprensa Fluminense, formada para organizar e programar os festejos em torno da Abolição.

17- Jornalista (?) não identificado.

18- Jornalista (?) não identificado.

19- Senador ou deputado (?) não identificado.

20- Possivelmente Ângelo Agostini (1843-1910) – italiano, um dos primeiros e mais importantes cartunistas do Brasil. Fez uma intensa campanha pela abolição da escravatura. Fundou e colaborou com diversos jornais e revistas, dentre eles a “Revista Illustrada”, que circulou entre 1876 e 1898.

À esquerda da fotografia, estão vários padres diante do altar, que ainda não conseguimos identificar. Dentre eles, segundo a imprensa da época, estariam o celebrante da missa, padre Cassiano Coriolano Collona, capelão do Exército e um dos fundadores da Confederação Abolicionista, criada em 19 de fevereiro de 1888; o padre Loreto, o padre-mestre Escobar de Araújo, vigário de São Cristóvão; e os padres Castelo Branco e Telemaco de Souza Velho.

O missal usado na cerimônia, em veludo carmezin, tinha a seguinte inscrição: “13 de maio de 1888 – Esse missal foi o que serviu na missa campal, celebrada em 17 de maio de 1888, no campo de S. Cristóvão, em ação de graças pela promulgação da lei que extinguiu a escravidão no Brasil”. O missal e a campainha utilizados foram, assim como a garrafa de vinho Lacryma Christi, doados. Segundo a imprensa da época, formavam as alas do altar as ordens terceiras de São Francisco de Paula, de São Francisco da Penitência e de Nossa Senhora do Carmo, além das irmandades de São Cristóvão e do Rosário com seus galões e candelabros. Estandartes de associações e de escolas podem ser vistas na foto.

A importância dos jornais do Rio de Janeiro no processo da Abolição da Escravatura fica evidenciada na missa campal por dois fatos: antes do início da cerimônia, o ministro da Guerra, Thomaz José Coelho de Almeida(identificado na foto – número 10), “ergueu um viva à imprensa nacional”; e, representando a imprensa, o jornalista Fernando Mendes de Almeida (identificado na foto – número 16, vestindo uma toga) ajudou na celebração da missa campal.

A missa campal do dia 17 de maio de 1888 foi um dos festejos pela Abolição da Escravatura organizada pela Comissão Central da Imprensa Fluminense. Possivelmente, seus integrantes estão identificados na foto usando uma faixa na qual podemos ler a palavra imprensa.

Um pouco mais da história dos festejos pela Abolição da Escravatura no Brasil promovidos pela imprensa

No dia 12 de de maio de 1888, quatro dias após a apresentação na Câmara pelo ministro Rodrigo Silva(identificado na foto – número 11) do projeto para o fim da escravidão no Brasil, representantes dos periódicos Jornal do Commercio, Cidade do Rio, Diário de Notícias, Revista Illustrada, A Epoca, Gazeta da Tarde,  Novidades, Apóstolo e Gazeta de Notícias decidiram promover festejos populares para celebrar a iminente promulgação da Lei Áurea. Reuniram-se com colegas de outros jornais no Clube de Esgrima e Tiro, localizado na rua São Francisco de Paula, n°22, e formaram a Comissão Central da Imprensa Fluminense(Gazeta de Notícias, edição de 13 de maio de 1888). José do Patrocínio, representando o jornal O Paiz, participou do encontro.

No dia seguinte, 14 de maio, em uma segunda reunião realizada no Clube de Esgrima e Tiro, foi nomeada a diretoria da Comissão Central da Imprensa Fluminense. Foi formada pelos redatores- chefes dos principais jornais: João Carlos de Souza Ferreira, do Jornal do Commercio, na direção; José Ferreira de Souza Araujo, da Gazeta de Notícias, na vice-diretoria; e como primeiro e segundo secretários Demerval da Fonseca, da Gazeta de Notícias; e Fernando Mendes de Almeida, do Diário de Notícias, respectivamente. A tesouraria ficou a cargo de Henrique Villeneuve, do Jornal do Commércio; e de Artur Azevedo, da A EstaçãoAs festas promovidas pela Comissão começaram com a missa campal no dia 17 e terminaram no dia 20 com a queima de fogos de artifício em diversos pontos da cidade(Gazeta de Notícias, edição de 15 de maio de 1888).  Mais um baile foi programado para o dia 19 à noite, na praça da Aclamação, atual Campo de Santana.

A fim de envolver toda a população do Rio de Janeiro nos festejos, a Comissão Central da Imprensa Fluminense publicou pedidos nos jornais para que todos os moradores da cidade se empenhassem na iluminação e na ornamentação das ruas e para que os estabelecimentos comerciais fechassem durante as festas. Convocou também mestres de obras para a construção de coretos e arquibancadas. Comerciantes doaram dinheiro para a realização das festas. O Sport Club pôs à disposição da comissão a arrecadação do páreo 13 de maio de 1888 e artistas se encarregaram dos fogos de artifício. O importante cenógrafo Frederico de Barros ofereceu seus serviços à comissão. Enfim, toda a cidade participou da celebração da Lei Áurea.

Além de organizar os festejos, a Comissão Central da Imprensa Fluminense decidiu publicar um jornal especial, intitulado A Imprensa Fluminense, que foi o único a ser distribuído no dia 21 de maio de 1888.

Essas comemorações promovidas pela imprensa fluminense, e as fotografias de Antonio Luiz Ferreira sobre os vários eventos em torno do mais importante acontecimento histórico no Brasil, após a proclamação da Independência, são fundamentais para a formação da memória da Abolição da Escravatura. A euforia e o entusiasmo dos brasileiros, mostrados tanto nas festas como nas fotos de Ferreira, e também os textos publicados nos jornais da época podem ser interpretados como um contraponto a tão longa duração do regime escravocrata no país.

Leia a primeira publicação sobre a presença de Machado de Assis na foto da Missa Campal de 17 de maio de 1888

Leia o comentário do professor José Murilo de Carvalho sobre a identificação de Machado de Assis na Missa Campal de 17 de maio de 1888

Contribuíram para esta pesquisa o designer Daniel Arruda(IMS) e os historiadores Luciana Muniz(BN) e Rodrigo Bozzetti(IMS).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica