O atual prédio do Cinema Odeon, fotografado pelo alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), em torno de 1930, foi inaugurado em 3 de abril em 1926, na Praça Floriano, nº 7, no auge da presença de salas de cinema na Cinelândia, no centro do Rio (O Paiz, 4 de abril de 1926, segunda coluna). Possuía capacidade para 1.344 pessoas, entre plateia e camarotes. (Jornal do Commercio, 2 de abril de 1926, quarta coluna; O Paiz, 4 de abril de 1926, segunda coluna). O edifício, cujo arquiteto foi o alemão Ricardo Wriedt (? – 1961), combina elementos estruturais clássicos com detalhes decorativos Art Déco. Wriedt também projetou a casa, de estilo normando, de Eva Klabin (1903 – 1991), na Lagoa; e o Edifício Novo Mundo, na Lapa. Ele tem projetos tanto no Rio de Janeiro como em outras cidades do Brasil.
O cinema Odeon passou por reformas em fins do século XX e, sob a administração do Grupo Estação, foi fechado em 2014, devido a dívidas. Reaberto, em 2015, como Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro, passou a ser, além de sala de cinema, um espaço para cursos, palestras e espetáculos.
O Cine Odeon mantém viva a tradição dos cinemas de rua do Rio de Janeiro e é um monumento à memória do cinema brasileiro e à vitalidade cultural carioca. É a sala de cinema mais icônica do Rio de Janeiro e resiste no quarteirão dos antigos palácios de cinema da cidade. Seu nome tem origem na Antiguidade: os odeons eram os prédios greco-romanos onde aconteciam espetáculos musicais e competições de poesias. Eram menores do que os teatros e possuíam uma cobertura para melhorar a acústica. Muitos teatros e cinemas de todo o mundo trazem este mesmo nome.
“É o mais belo, o mais luxuoso, o mais confortável e o mais tudo quanto pode desejar de agradável em um cinema, de quantos que existem no Rio…É a realização plena de um sonho desse grande idealista do cinema entre nós, o Sr. Francisco Serrador”.
Jornal do Commercio, 2 de abril de 1926, quarta coluna


Aspectos da inauguração do Cinema Odeon / Cinearte, 21 de abril de 1926
O primeiro filme exibido na nova sala foi Graustark ou Amor de Príncipe, estrelado por Norma Talmadge (1894 – 1957), Eugene O’Brien (1880-1966) e Marc McDermott (1871-1929).
Passou por reformas em fins do século XX e, sob a administração do Grupo Estação, foi fechado em 2014, devido a dívidas. Reaberto, em 2015, como Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro – o Cine Odeon passou a ser, além de sala de cinema, um espaço para cursos, palestras e espetáculos.
Site do Cine Odeon (desativado)
O primeiro Cinema Odeon
Lembramos aqui que o primeiro Cinema Odeon foi inaugurado, em 16 de agosto de 1909, na então Avenida Central, atual Rio Branco, nº 137, esquina com a Rua Sete de Setembro, instalada pelo Srs. Zambelli & C., no Palacete Guinle.
Entre 1909 e 1913, o pianista Ernesto Nazareth (1863 – 1934) tocava na sala de espera, tendo merecido um elogio do também pianista e compositor Henrique Oswald (1852 – 1931), que o ouviu no Cinema Odeon: “É admirável esse moço. Que música ele faz! Eu mesmo seria incapaz de interpretá-la com aquela mestria, aquele prodígio de ritmo. E aqui, perdido nesta indiferença…”. Nazareth havia dedicado o tango Batuque (1901) a Oswald.

Ernesto Nazareth / Exposição comemorativa do centenário do nascimento de Ernesto Nazareth : 1863-1934
Nazareth retornou ao cinema, entre 1913 e 1918, como pianista da orquestra de Eduardo Andreozzi (1892-1979). Villa-Lobos (1887 – 1959) era, na ocasião, o violoncelista. O compositor e professor francês Darius Milhaud (1892 – 1974), que passou uma temporada no Brasil, também o ouviu tocar no Odeon e, posteriormente, escreveu sobre ele em sua autobiografia Notes san musique. Foi também no Odeon que o pianista polonês Arthur Rubinstein (1887-1982) o ouviu tocar, tendo ficado impressionado com sua performance. Sua composição, o tango Odeon, publicado em 1909 pela Casa Mozart (E. Bevilacqua & Cia.) foi dedicado “à distinta empresa Zambelli & Cia.”, proprietária, como já mencionado, do Cinema Odeon. A primeira gravação foi realizada por ele com Pedro Alcântara (1866 – 1929) ao flautim, em 1912. Não foi, na época, uma peça de especial destaque, mas tornou-se um de seus maiores sucessos na segunda metade do século XX.
Andrea C.T. Wanderley
Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Fontes:
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
Site Ernesto Nazareth 150 Anos – Instituto Moreira Salles
Youtube











