Cronologia de Antoine Hercule Romuald Florence (1804 – 1879)

Cronologia de Antoine Hercule Romuald Florence (1804 – 1879)

 

 

1804 - Antoine Hercule Romuald Florence nasceu, em Nice, na França, em 29 de fevereiro, segundo escreveu em seu diário. Na verdade, essa seria a data de seu batismo. Já o autor William Luret achou a certidão de nascimento de Florence que indicaria o dia 9 de março como a data do nascimento. Foi um erro de leitura. Na verdade, o documento oficial de seu nascimento diz: “Do dia 8 Ventoso (Du Huit Ventôse), ano 12 da República Francesa Certidão de nascimento de Romuald Florence, nascido em Nice esta manhã, duas horas depois da meia-noite, filho de Arna[ud] Florence, professor de desenho em escolas secundárias que mora na rue la raison, e Augustine Vignali…” Du Huit Ventôse ao ser convertido para o calendário atual confirma que a data de nascimento de Hercule Florence é dia 28 de fevereiro de 1804.  Seu nome foi uma homenagem a Port Hercule, como se chamava Mônaco na época. Foi o quinto filho de um médico militar nascido em Toulouse, Arnaud Florence (1749 – 1807), que também foi professor de desenho da Academia de Belas Artes de Toulouse, e de Augustine de Vegnalys (1768 – 1857), de Mônaco. Eles se casaram em 2 de março de 1793 e tiveram seis filhos: Claudine-Herculine (1794 – 1796), Jean-Baptiste (1796 – 1799), Antoine Fortuné (1799 – 1865), Emmanuel (1802 – ?), Antoine Hercule (1804 – 1879) e Célestine (1805 – ?). Com exceção de Claudine-Herculine, que nasceu em Mônaco, todos os filhos do casal nasceram em Nice*.

 

 

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Site do Instituto Hercule Florence

 

 

1807 - Com o falecimento de seu pai, mudou-se com a família para Ventimiglia, comuna italiana da região da Ligúria, e depois para Mônaco.

c. 1818 - Trabalhou como desenhista e calígrafo, recebendo encomendas das autoridades de Mônaco.

1820 – Dedicou-se ao estudo de Matemática e Física. Nesta época leu o livro Robinson Crusoé (1719), do escritor inglês Daniel Dafoe (1660 – 1731), que despertou seu desejo de viajar pelos oceanos. Com um dinheiro dado por sua mãe, embarcou para Bruxelas e Antuérpia, onde apresentou na Werbronck House uma carta de recomendação, provavelmente, de um banqueiro. Não conseguiu o emprego e retornou para Mônaco andando. Foi preso porque seu documento monegasco não foi aceito em território francês. Em troca de sua liberdade, pintou os retratos de dois policiais franceses.

1822 - Foi para Nice, onde apresentou-se ao cônsul francês com o intuito de alistar-se na Marinha Real Francesa. Embarcou na galeota francesa La Torche, que seguiu para a cidade de Toulon.

1823 A bordo do navio Marie Thérèze, comandado pelo capitão Claude du Camp de Rosamel, trabalhou a bordo como copista de plantas das fortificações espanholas. Integrava a expedição francesa em apoio a Fernando VII (1784 – 1833), da Espanha, e participou da batalha de bloqueio a Barcelona.

Após a missão, a fragata permaneceu ancorada por aproximadamente quatro meses em Toulon. Durante este período, Florence  realizou exercícios de desenho e alguns retratos.

Idealizou uma bomba para puxar água, que denominou de nória hidrostática.

Em 31 de julho, foi expedido seu passaporte pelo Principado de Mônaco.

1824 - Em fevereiro, zarpou no navio Marie Thérèze, ainda sob o comando do capitão Rosamel, numa viagem pelo mundo e quarenta e cinco dias depois, chegou ao Rio de Janeiro, em abril. O navio partiu do Rio de Janeiro, em 1º de maio de 1824, mas Florence permaneceu na cidade (Império do Brasil – Diário do Governo, 5 de maio de 1824, segunda coluna).

Começou a trabalhar como caixeiro numa casa comercial especializada em roupas, do francês Pierre Dillon, antigo secretário de  Joachim Le Breton (1760 – 1819), chefe da Missão Artística Francesa .

1825 - Trabalhou por cerca de quatro meses na livraria e tipografia do francês Pierre Plancher (1764 – 1844), sendo responsável pela execução de diversas litografias. A tipografia ficava na Rua do Cano, atual Rua Sete de Setembro. Pierre René François Plancher de La Noé havia fugido da França por sua convicção bonapartista, já que a Restauração havia levado Luís XVIII ao trono francês. Instalou-se no Rio de Janeiro, em 1824, para onde trouxe todo o equipamento necessário para montar uma tipografia, além de alguns trabalhadores que sabiam manejar prensas e imprimir livros. Foi Plancher que fundou, em 1827, o Jornal do Commercio. Antes já havia lançado um guia de ruas do Rio de Janeiro, um guia para estrangeiros na cidade, um manual de conversação francês-inglês, o Almanack Plancher, o Spectador Brasileiro, a Revista Brasileira “das ciências, artes e indústria” e o Propagador das Ciências Médicas (Spectador Brasileiro, 4 de julho de 1825).

A partir de um anúncio de jornal, Florence candidatou-se a participar em uma viagem acompanhando um naturalista e, como segundo desenhista, integrou-se à expedição científica de Georg Heinrich von Langsdorff (1774 – 1852). O primeiro desenhista era Adrien Taunay (1803 – 1828) que, durante a expedição, em 1828, morreu afogado quando tentava atravessar a cavalo o rio Guaporé, em Mato Grosso – ele havia substituído Johan Moritz Rugendas (1802 – 1858), que havia participado da expedição entre 1821 e 1824.

 

 

Em 3 de setembro, Florence partiu a bordo da sumaca Aurora, juntamente com Langsdorff, Adrien Taunay , o astrônomo e oficial da marinha russa Nester Rubtsov (1799 – 1874), o zoólogo Christian Hasse (1771 – 1831) e o botânico Lüdwig Riedel (1791 – 1861), tendo como destino a Vila de Santos. Depois de permanecer por aproximadamente 20 dias na cidade separou-se dos demais membros da expedição e seguiu numa piroga para Cubatão. Durante a viagem executou desenhos do litoral paulista (Império do Brasil: Diário Fluminense, 7 de setembro de 1825, primeira coluna).

Em Itu, conheceu as obras do frei Jesuíno do Monte Carmelo (1764 – 1819) e também as decorações feitas por José Patrício da Silva Manso (c. 1753 – 1801).

1826 – Passou cinco meses na casa do médico e político Francisco Álvares Machado e Vasconcellos (1791 – 1846), em Porto Feliz, quando conheceu sua filha, Maria Angélica (1815 – 1850), com quem viria a se casar, em 1830.

Em 22 de junho, partida da Expedição Langsdorff do porto no Rio Tietê, em Porto Feliz, para o norte do Brasil. Um dos organizadores da viagem foi Francisco Álvares Machado e Vasconcellos, o anfitrião e futuro sogro de Florence. Percorreu os rios Tietê, Paraná, Pardo, Coxim, Taquari, Paraguai, São Lourenço, Cuiabá, Preto, Arinos, Juruena, Tapajós e Amazonas. Retornou de Belém, pela costa brasileira, até chegar ao Rio de Janeiro, em 10 de março de 1829. O diário de bordo feito por Florence, Esboço da Viagem feita pelo Sr. Langsdorff ao interior do Brasil, desde setembro de 1825 até março de 1829, foi  traduzido pelo visconde de Taunay (1843 – 1899) e publicado em 1875, pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, sendo que, posteriormente, com o título Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas – 1825- 1829, teve várias edições comerciais.

1827 – A Expedição Langsdorff chegou em Cuiabá em 30 de janeiro, onde ficou até dezembro. No período, Florence desenhou os Bororós, os Guató e outros povos originários.

1828 – A expedição se separou. Florence seguiu com Langsdorff e Rubtsov nos rios Arinos, Juruena e Tapajós. Langsdorff adoeceu. Chegaram em Belém, em 10 de novembro.

1829 - De volta ao Rio de Janeiro, em 19 de março, Florence, como parte de suas Memórias, escreveu os manuscritos de seu tratado intitulado Zoophonia. 

Deu à família de Adrien Taunay (1803 – 1828), o diário que escreveu durante aExpedição Langsdorff.

 

 

 

Convidado por seu amigo, o médico e político Francisco Álvares Machado e Vasconcellos (1791 – 1846), fixou residência na Vila de São Carlos, atual Campinas.

1830 - Passou a dedicar-se aos estudos de impressão com o intuito de publicar seu tratado sobre Zoophonia e cerca de 200 desenhos executados durante a expedição. Nesse processo, descobriu uma nova maneira de obter a impressão, que recebeu o título de Polygraphie – Poligrafia.

No dia 4 de janeiro de 1830, na Igreja da Sé em São Paulo, casou-se com Maria Angélica Vasconcellos, natural de Itu, filha de Francisco Alvares Machado e Vasconcellos. O casal teve 13 filhos, todos nascidos em Campinas: Amador Bueno (1831 – ?), Celestina (1832-?), Adelaide (1834 – 1834), Francisco (1835 – 1836), Francisco (1837 – 1904), Cândida (1839- 1901), Antônio Hércules (1841 – 1916), Arnaldo (1843 – 1845), Angélica (1844 – ?), Arnaldo (1846 – 1872), Paulo (1847 – ?) e Ataliba (1849 – 1849).

Florence, identificado como pintor retratista, residia na rua das Flores, 53. Anunciou aulas de pintura em sua casa ou nas casas das alunas. Também anunciou a venda de retratos de alguns deputados e de vistas de Itu e do Salto de Itu por preços cômodos (O Farol Paulistano, 8 de junho de 1830, na segunda coluna).

Redigiu entre os meses de julho e outubro o manuscrito Etudes de Ciels, À L’usage des jeunes paysagistes.

1831 – Abriu uma loja de tecidos em Campinas. A tipografia R. Orgier, no Rio de Janeiro, publicou o manuscrito do tratado de Zoophonia, Recherche sur la voix des animaux, ou essai d’un nouveau suject d’ètudes, offert aux amis de la nature.

 

‘Mineralogia é estudo da natureza passiva.
Zoologia é estudo da natureza ativa.
Zoofonia é estudo da natureza falante’.

Do Rio de Janeiro, enviou à França, através de Edouard Pontois (Encarregado de Negócios de França), o manuscrito onde detalhava os processos da poligrafia, acompanhado por duas provas poligrafadas.

1832 – De volta à Vila de São Carlos (Campinas), executou trabalhos de pintura, que ele intitulou Tableaux Transparents de Jour. A inovação técnica deste trabalho consistiu na execução de um grande número de furos de minúsculo diâmetro sobre o desenho original nas áreas que representariam luzes ou reflexos na imagem pictórica. Apreciados em um local escuro com a luz solar incidindo através de um foco dirigido, apenas sobre a pintura, resulta numa projeção exata da imagem pictórica original. Foi noticiado: Hercules Florence, inventor de um novo processo Autográfico, participa às pessoas que quiserem ter um certo número de exemplares do seu retratos para repartir entre parentes e amigos, que ele faz o original pelo preço de 3$200 e e imprime os exemplares a 320 rs cada um (O Novo Farol Paulistano, 11 de janeiro de 1832, segunda coluna).

1833 –  Obteve no início do ano, através do uso de uma câmera escura, a primeira fixação de imagem em papel, utilizando o nitrato de prata. Não teria eu iniciado a arte mais do que maravilhosa de desenhar qualquer objeto, sem dar-me ao trabalho de o fazer com a própria mão?, indagou Florence, em 24 de junho de 1833, em seu diário Livre d’annotations et de premiers matériaux, referindo-se a suas pesquisas e experimentos no campo da fotografia, que o haviam levado a inventar, ele também e no Brasil, um processo de criação fotográfica.

1834 –  Também em seu Livre d´annotations et les premiers matériaux, em 1834, Florence usou pela primeira vez o verbo photographier –  cinco anos antes da palavra ser utilizada na Inglaterra, em 1839, por John Frederick William Herschel (1792-1871). Florence deixou uma descrição do procedimento adotado por ele para obter o registro fotográfico, em 1833.

1836 – Em viagem ao Rio de Janeiro, Florence adquiriu uma tipografia para conseguir executar o grande número de encomendas impressas que recebia. Começou suas pesquisas em direção à descoberta do papel inimitável (Correio Mercantil, Instrutivo, Político, Universal, 5 de novembro de 1857, terceira coluna).

1837 -  Executou, a pedido do governo, um mapa itinerário da província de São Paulo, impresso através do sistema de poligrafia.

Entre esse ano e 1859, redigiu sua biografia, intitulada L’Ami des Arts livre à lui-même ou Recherches et découvertes sur différents sujets nouveaux. O texto trazia informações biográficas, notas e ilustrações de seus inventos. O manuscrito, de 423 páginas, foi redigido quase todo em francês e é um compêndio ilustrado da vida e da obra de Florence. Traz a descrição de suas experiências e os fatos principais de sua vida, incluindo a versão mais completa do relato da viagem fluvial empreendida pela Expedição Langsdorff.

1838 -  Instalou no Largo da Matriz a primeira tipografia da Vila de São Carlos.

1839 - Redigiu em março o manuscrito De La Compression du Gaz Hydrogéne, apliquée à la direction des aérostats

A velocidade com que a notícia do invento do daguerreótipo chegou ao Brasil é curiosa: cerca de 4 meses depois do anúncio da descoberta – em 7 de janeiro de 1839 -, foi publicado no Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1839, sob o título “Miscellanea”, na segunda coluna, um artigo sobre o assunto – apenas 10 dias após de ter sido o tema de uma carta do inventor norte-americano Samuel F. B. Morse (1791 – 1872), escrita em Paris em 9 de março de 1839, para o editor do New York Observer, que a publicou em 20 de abril de 1839. Foi lendo o artigo do Jornal do Commercio que Florence tomou conhecimento da descoberta da fotografia realizada pelo francês Louis Jacques Mandé Daguerre (1787 – 1851).

Florence redigiu, em maio, o manuscrito Sur L’impression des tableaux à huile, ou estampes coloriées. Em junho, redigiu o manuscrito  Fabrication au Métier des Chapeaux du Chili, et toute espèce de chapeaux de paille

Os periódicos Phoenix , 26 de outubro de 1939, e o Observador Paulistano, publicaram um artigo onde Hercule se posicionou diante da descoberta da fotografia na Europa e reafirmou o caráter inventivo de seus trabalhos referentes à poligrafia e à fotografia.  O Jornal do Comércio, 29 de dezembro de 1839, publicou a transcrição do artigo (Jornal do Commercio, 29 de dezembro de 1839, primeira coluna).

1840 – Publicação de uma carta escrita por Hercule Florence onde ele comunicou a descoberta da poligrafia e mencionou a possibilidade de ter sido um dos descobridores da fotografia (Jornal do Commercio, 10 de fevereiro de 1840, na terceira coluna).

 

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                                        Jornal do Commercio, 10 de fevereiro de 1840

 

Foi anunciada a possível publicação de um ensaio sobre a impressão do papel moeda por um processo totalmente inimitável, de autoria de Florence (O Despertador, 29 de fevereiro de 1840, terceira coluna).

Florence convidou os artistas do Rio de Janeiro e todos os amigos das artes que quisessem se certificar da realidade da descoberta da poligrafia para que fossem examinar uma coleção de 23 impressos poligráficos realizados desde o ano de 1831, em exposição na tipografia do Jornal do Commercio. Florence também descreveu o processo e termina afirmando:

Nisto consiste o segredo da importante descoberta da poligrafia: não se sabe qual deve admirar-se mas, se a simplicidade do meio que se emprega, se a grandeza do resultado que se obtém(Jornal do Commercio, 16 de março de 1840, na terceira coluna)

1841 - A tipografia Costa Silveira publicou Ensaio sobre a impressão das Notas de Banco por um processo totalmente inimitável.

1842 - Identificado como italiano, partiu do Rio de Janeiro a bordo do navio Bom Fim, com destino a Santos (Jornal do Commercio, 12 de fevereiro de 1842, na última coluna).

Fundou, em Sorocaba, juntamente com o padre Diogo Antonio Feijó (1784 – 1843), o jornal revolucionário O Paulista. Teve curta duração, tendo sido publicado em 27 e 31 de maio e em 8 e 16 de junho de 1842.

1843 – A Academia de Ciências e Artes de Turim declarou, em sessão realizada em 8 de janeiro, que o processo de impressão de notas bancárias inimitáveis merecia a proteção do governo da Sardenha. A Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em sessão realizada em 22 de novembro, através de uma comissão estabelecida pela Congregação de Lentes da instituição, se pronunciou favoravelmente à descoberta do novo processo de impressão de notas inimitáveis. Compunham esta comissão Auguste-Henri-Victor Grandjean Montigny (1776 – 1880), Zepherino Ferrez (1797 – 1851), pai do fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923); e seu aluno José da Silva Santos.

1844 – Há informações de que o periódico O Anuário era impresso nas oficinas de Florence.

Obteve os primeiros ensaios sofríveis do papel inimitável e os remeteu à Academia Brasileira de Belas-Artes, que nomeou uma comissão cujo parecer foi muito animador para Florence (Correio Mercantil, Instrutivo, Político, Universal, 5 de novembro de 1857, terceira coluna).

1848 Desenvolveu um processo de simplificação do trabalho de composição tipográfica, intitulado Typos-syllabas, que se constitui a partir da união de cada uma das consoantes com uma vogal, formando sílabas em um único tipo.

Publicou em sua tipografia um memorial intitulado Emprego dos Typos-syllabas.

Realizou uma impressão que foi um verdadeiro adiantamento no processo do desenvolvimento do papel inimitável (Correio Mercantil, Instrutivo, Político, Universal, 5 de novembro de 1857, terceira coluna).

1849 -  O Ministério do Império remeteu a Bernardo José da Gama, o visconde de Goyana (1782 – 1854), inspetor da Caixa de Amortização, 8 exemplares de um papel descoberto ou inventado por Hercules Florence, morador em Campinas, na província de S. Paulo, para que, depois de examinado o dito papel na caixa de amortização, informe se o acha próprio para os usos a que é destinado, mormente para dele se fazerem notas (Correio Mercantil Instrutivo, Político,Universal, 31 de janeiro de 1849, primeira coluna). A Caixa de Amortização, criada pela Lei Imperial de 15 de novembro de 1827, administrava a dívida interna emitindo, amortizando, resgatando e substituindo apólices, além do pagamento de juros da dívida.

No expediente do Ministério do Império foi avisado que havia sido enviado ao ministro da Fazenda para tomar na consideração que merecer o ofício do presidente da província de S. Paulo, de 13 de janeiro último, não só com 8 exemplares de um papel inimitável que Herculano Florence diz ser sua invenção, e julga ao abrigo de toda falsificação, como também diversos ofícios relativos a este objeto (Correio Mercantil, Instrutivo, Político, Universal, 19 de abril de 1849, segunda coluna).

Anunciou a venda de sua parte na sesmaria de seu falecido sogro, Francisco Alvares Machado e Vasconcellos. Quem quiser comprar pode dirigir-se aos srs Eduardo e Henrique Laemmert, no Rio de Janeiro, ou escrever ao anunciante (Correio Mercantil Instrutivo, Politico, Universal, 30 de novembro de 1849).

 

 

1850 – Falecimento de sua esposa, Maria Angélica.

1851 – Florence enviou ao à sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional algumas amostras de papel e letras inimitáveis tiradas de chapas abertas ao acaso, cujas tintas são pelo autor afiançadas como indeléveis. Elas param em mãos da comissão de ensaio e análise química, e a serem reais os resultados que espera seu autor, é uma descoberta digna da atenção, pela segurança de que seu emprego pode vir ao papel moeda, bilhetes e letras dos bancos, e títulos de segurança empregados nos diversos ramos comerciais (O Auxiliador da Indústria Nacional, 1851).

Florence era o agente, em Campinas, do medicamento Salsaparrilha Bristol (Gazeta Mercantil, 28 de agosto de 1851).

1852 - Idealizou uma sexta forma de arquitetura a qual deu o título de Ordem Brasileira ou Palmiana, baseada na utilização das palmeiras brasileiras, cuja aplicação, de acordo com o tipo da palmeira, se daria na constituição de colunas, capitéis, arcadas e abóbodas.

Era assinante do Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1852).

Era, em Campinas, o agente da Fábrica de Produtos Químicos e Farmacêuticos de Matacavallos (Jornal do Commercio, 6 de setembro de 1852).

1853 – Publicou um folheto poligrafado composto de 16 páginas intitulado Descoberta da Poligrafiadatado de 1º de agosto de 1853.

1854 – Casou-se, em 4 de janeiro, com a alemã Carolina Krug (1828 – 1913), nascida na cidade de Cassel, em 21 de março de 1828. Seu nome de solteira era Caroline Mary Catherine. Carolina estudou Pedagogia na Suíça, no Instituto de Madame Niederer, esposa de um antigo colaborador e amigo de Johann Heinrich Pestalozzi (1746 – 1827), já considerado, na época, um grande pedagogo moderno. Ela migrou para o Brasil, em 1852, acompanhada de pai, mãe e dos irmãos Francisco Guilherme, Henrique e Anna. Saíram de Hamburgo em um navio à vela e a viagem durou cerca de dois meses. O irmão mais velho de Carolina, o farmacêutico Jorge Krug (? – 1875), amigo de Florence, estava, desde 1846, muito bem estabelecido em Campinas, o que atraiu o restante da família. Jorge Krug foi durante muito tempo Vice-Cônsul da Suíça em toda a Província de São Paulo.

Minha mãe, eu vos escrevi uma vez que eu me casaria novamente, mas que não deveria ser logo. No dia quatro de janeiro do ano corrente eu me casei com MIle. Caroline Krug, irmã de meu amigo Jorge Krug, farmacêutico estabelecido há oito anos em Campinas. Ela chegou de Cassel, com seu pai sua mãe e seus irmãos e irmã, e eu fui absorvido por suas qualidades, seu talento e suas maneiras distintas. Tendo feito sua educação durante três anos em um Instituto de jovens moças em Genebra, ela adquiriu um perfeito conhecimento de Francês. Ela sabe a história, a geografia, os elementos de matemática, a pintura e a música. Todas as ocupações de seu sexo. Ela saiu do instituto e foi ser professora em Altona, na Suíça-Holstein. Seu objetivo era de se ocupar do ensino e soube aproveitar disso em alto grau (Carta de Hércules Florence para sua mãe, residente em Nice, Campinas, 10/6/1854)

Florence e Caroline tiveram sete filhos, todos nascidos em Campinas: Ataliba (1855 -?), futuro cônsul do Brasil em Dresden; Jorge (1857 – ?), que formou-se em farmácia em Heidelberg na Alemanha; Augusta (1859 – ?), Henrique (1861 -?), que se formou em Engenharia na Alemanha, os gêmeos Guilherme e Paulo Florence (1864 – ?); e Isabel (1867 – ?).

1855 - Pela primeira vez desde sua chegada à América, Florence retornou à Mônaco para rever a família. Entre esse ano e 1856, adquiriu a Fazenda Soledade, onde foi viver com Carolina Krug. Fundou, em fevereiro de 1856, a colônia Florence. Passou a se dedicar à agricultura (Repartição dos Negócio do Império, 1859).

1857 – Publicação de um pequeno perfil da Colônia Florence, que funcionava em sistema de parceria (Jornal do Commercio, 30 de janeiro de 1857, terceira coluna).

Publicação de uma carta de Florence intitulada “Papel Inimitável”, na qual conta a história de sua descoberta do referido papel e explica os quatro sistemas pelo qual poderia ser produzido. Termina a carta afirmando: Limito-me por agora a estas explicações, que não são mais do que alguns dados sobre uma arte que é tão exata c0omo as ciências matemáticas (Correio Mercantil, Instrutivo, Político, Universal, 5 de novembro de 1857, terceira coluna).

1858 - Estava listado como empresário e possuidor de 18 colonos na província de São Paulo, no Mapa Demonstrativo das Colônias do Existentes do Império, publicada no relatório da Repartição dos Negócio do Império, 1858. A colônia Florence funcionava em sistema de parceria regulada pela casa Vergueiro (Jornal do Commercio, 22 de março de 1858, última coluna).

A Tipographia Commercial, G. Delius, publicou um pequeno folheto composto por 10 páginas, intitulado Invenção da Polygraphia, por Hercules Florence.

Conseguiu aprimorar seu invento de impressões inimitáveis através da adição de um sistema que permitia a fusão de cores. As novas impressões inimitáveis foram expostas ao público durante um ano, no Banco Mauá & C., em Campinas.

Imprimiu em sua litografia o Aurora Campineira, primeiro jornal de Campinas.

1859 - Desenvolveu a Estereopintura, processo através do qual se pode obter maior fidelidade luminosa da execução de pinturas a óleo ou aquarela.

No relatório do comissário do governo, Sebastião Machado Nunes, sobre as províncias de São Paulo, publicada na Repartição dos Negócio do Império, 1859, foi feito um comentário a respeito de colonos suíços da fazenda de Florence.

A colônia Florence tinha 19 colonos, de duas famílias suíças. Cada família cuidava de 5 mil pés de café (Repartição dos Negócio do Império, 1859).

Os filhos de Florence, os empresários Amador Bueno e Francisco, pretendiam estabelecer uma linha de carros de quatro rodas para o transporte de café de Campinas a Santos (A Actualidade, 31 de dezembro de 1859, terceira coluna).

1860 - Desenvolveu a Pulvografia, processo que consiste na reprodução de imagens através da ação da poeira, sem a necessidade do emprego de prensa.

 

 

Redigiu o manuscrito Cellographie.

1861 –  Aprimorou a poligrafia criando a possibilidade da sua realização sem a necessidade do emprego de uma prensa.

1862 - Redigiu o manuscrito Les Intérêtes materiéles. 

Foi noticiado no terceiro volume do Année Scientifique, de Louis Figuier, a invenção da neografia, mesmo invento descoberto por Florence anos antes, que ele batizou de poligrafia (Diário do Rio de Janeiro, 16 de abril de 1862, terceira coluna).

 

 

1863 - Em Campinas, fundou, em novembro, juntamente com sua esposa Carolina Krug Florence, o Colégio Florence, situado na Rua José Paulino e dedicado à educação feminina. Hercule executou um desenho retratando o prédio do colégio. Foi professor de desenho da instituição.

1865 Conheceu Alfredo D’Escragnole Taunay (1843 – 1899), um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, que o cognominou de Patriarca da Iconografia Paulista. Na época, a caminho da Guerra do Paraguai, Taunay, com apenas 22 anos, impressionou-se com as histórias e conquistas de Florence, já um sexagenário.

Redigiu o manuscrito Aquarrélographie.

1866 -Redigiu o manuscrito Probléme Poly-Photographique.

1867 – O presidente da província de São Paulo, o conselheiro Joaquim Saldanha Marinho (1816 – 1895) visitou o Colégio Florence, dirigido por Carolina Florence (O Ypiranga, 21 de dezembro de 1867, segunda coluna).

1868 – Foi anunciada a venda de bandeiras brasileiras, na loja dos sr. Pompeu Pacheco C., em Campinas, impressas em ambos os lados pela poligrafia de Hercule Florence, sem prensa, sem pressão alguma, como na fotografia (O Ypiranga, 25 de setembro de 1868, terceira coluna).

1869 – Redigiu o manuscrito Lavis Capillaire. 

Florence foi indicado como um dos procuradores de Otto Rodolfo Kupfer, que partia para a Europa. Ele era marido de Anna Kupfer, irmã de Carolina, esposa de Florence (Correio Paulistano, 21 de abril de 1869, primeira coluna).

Foi anunciada a impressão de papel inimitável na residência de Hercule Florence, na rua das Flores, n. 7, em Campinas (Correio Paulistano, 23 de julho de 1869, primeira coluna).

Em setembro, escreveu uma carta ao poeta Castro Alves (1847 – 1871):

Moro a metade do tempo na roça, e quisera morar sempre, porque aprecio os matos virgens, o ar livre, o nascer e o por do sol. Descobri em 1829 uma ciência nova que chamei Zoofonia. Fiz algumas publicações em francês a este respeito; mas creio que não deixaram mais vestígios que uma pedra que cai num tanque de água. Com as belezas da natureza, eu lia os vossos versos, onde acho a mesma verdade que na criação.’ 

1870 – Escreveu um texto sobre seus trabalhos artísticos e científicos, a pedido do advogado de Campinas, Manuel Ferraz de Campos Sales (1841 – 1913), futuro presidente do estado de São Paulo, de 1896 a 1897, e  quarto presidente da República, entre 1898 e 1902.

 

 

1871 - Florence garantia a superior qualidade do café vendido na loja do srs. Monteiro & Filho. Para isso, cada bote de libra era revestido por uma marca inimitável (Gazeta de Campinas, 2 de março de 1871, primeira coluna).No relatório realizado por João Pedro Carvalho de Moraes para o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, foi feita uma descrição da Fazenda Soledade, de Florence. Foi destacada a lealdade de Florence a seus colonos (Jornal do Pará, 13 de maio de 1871, segunda coluna).Foi anunciado que Florence havia achado o meio de de tornar o óleo de rícino secativo a ponto de se poder empregar na pintura a óleo, em quadros históricos, retratos e paisagens (Correio Paulistano, 15 de dezembro de 1871, primeira coluna). 1872 – Matéria sobre os Typos-syllabas, afirmando a autoria do invento por Florence, em 1848 (Correio do Brazil, 14 de maio de 1872, segunda coluna).Florence foi listado como lavrador de 1ª classe e deveria contribuir com 30$000 para a construção da matriz nova de Campinas (Gazeta de Campinas, 31 de outubro de 1872, primeira coluna). 1873 –  Em reunião do Conselho Administrativo da Sociedade Auxiliadora da Indústria, um de seus membros, o sr. Pinto Junior, apresentou algumas mostras do papel inimitável produzido por Hercule Florence, a quem se referiu como um homem muito distinto pelo seu reconhecido e provado talento e gênio investigador... (O Auxiliador da Indústria Nacional, 1873).Estava na lista de lavradores do estado de São Paulo (Almanak da Província de São Paulo, 1873).

O sítio de Florence & Filhos estava contratando colhedores de café. Também foi anunciado que no sítio ensinava-se a juntar as folhas com a ajuda de um ancinho (Gazeta de Campinas, 10 de julho de 1873, e Gazeta de Campinas, 31 de julho de 1873, primeira coluna).

Florence pedia dispensa do pagamento de uma multa por não ter varrido a frente de sua casa do largo da Matriz de Santa Cruz. Alegava que ignorava essa obrigação por residir em um sítio e não na casa (Gazeta de Campinas, 19 de outubro de 1873, primeira coluna).

1875 – Florence foi listado como lavrador de 2ª classe e deveria contribuir com 80$000 para a construção da matriz nova de Campinas (Constitucional, 13 de fevereiro de 1875, última coluna).

Alfredo d’Escragnolle Taunay (1843 – 1899) traduziu o diário de Florence, Esboço da Viagem feita pelo Sr. Langsdorff ao interior do Brasil, desde setembro de 1825 até março de 1829, originariamente escrito em francês, publicando-o na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro. Taunay encontrou o diário por acaso, entre papeis de sua família. Na verdade, Florence, em 1829, havia dado de presente à família Taunay suas anotações. Adrien Taunay (1803 – 1828), tio de Alfredo Taunay, havia feito parte da expedição Langsdorff como primeiro desenhista e morrido afogado, em 1828 (Diário de São Paulo, 10 de outubro de 1875, quinta coluna).

Florence deveria pagar imposto predial referente a um imóvel na rua Direita, em Campinas (Constitucional, 15 de dezembro de 1875, segunda coluna).

1876 – Florence foi visitado, em Campinas, por d. Pedro II (1825 – 1891).

O aparecimento de notas falsas motivou Florence a reapresentar seu invento de papéis inimitáveis (Diário do Rio de Janeiro, 23 de junho de 1876, primeira coluna).

1877 - Foi admitido como sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, no Rio de Janeiro, tendo apresentado o trabalho intitulado Esboço da viagem feita pelo Sr. De Langsdorff no interior do Brasil, desde setembro de 1825 até março de 1829.

1879 – Morreu, às 3 horas da tardeacometido por uma cruel enfermidade, em 27 de março, em Campinas. Hercule Florence era o tipo completo do homem probo e devotado à religião do trabalho. O féretro saiu da casa em que residia ao largo de Matriz Velha – Praça Bento Quirino, n. 20 – às 5 horas da tarde do dia seguinte. Foi sepultado no Cemitério Municipal de Campinas, Cemitério da Saudade, sepultura 247 da primeira divisão, quadra n. 10. , e seu enterro foi extraordinariamente concorrido (Correio Paulistano, 29 de março de 1879, terceira coluna, e Gazeta de Notícias, 30 de março de 1879, última coluna).

1900 - Publicação de Hércules Florence: Ensaio Histórico Literário, de autoria do jornalista Estevão Leão Bourroul (1859 – 1914), pela Tipografia Andrade Mello, de São Paulo.

 

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1908 – No artigo A litografia no Brasil, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. XIII, de 1908, seu autor, o jornalista Estevão Leão Bourroul (1859 – 1914), atribuiu a Florence a fundação do primeiro estabelecimento litográfico no Brasil, em 1825 (Revista Brasileira, dezembro de 1943). Lembramos aqui que a litografia foi desenvolvida pelo alemão Alois Senefelder (1771 – 1834), por volta de 1796, com o objetivo de encontrar um meio de impressão barato para suas peças teatrais e partituras musicais.

1928 - O Museu Paulista através da sua revista publica tradução feita por Alfredo D’Escragnole Taunay (1843 – 1899), do diário de Hercule Florence intitulado Esboço da viagem feita pelo Sr. De Langsdorff no interior do Brasil, desde Septembro de 1825 até março de 1829

1941 - Publicação, pelas Edições Melhoramentos, da 1ª edição da tradução feita por Alfredo D’Escragnole Taunay, do diário de Hercule Florence intitulado Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829

1963 - Inauguração, em Campinas, de um busto de Hercule Florence, executado pelo escultor Larroca.

1972 / 1976 –  O método fotográfico de Florence foi comprovado cientificamente pelo pesquisador brasileiro e emérito historiador da fotografia brasileira Boris Kossoy (1941 – ), entre 1972 e 1976. Em meados de 1976, foi testado, com sucesso, nos laboratórios do Rochester Institute of Technology, nos Estados Unidos, sob a chefia do professor Thomas Hill. Em outubro do mesmo ano, a pesquisa de Kossoy foi apresentada no III Simpósio da História da Fotografia, na George Eastman House, em Rochester.

Ainda em 1976, ano da comemoração dos 150 da realização da Expedição Langsdoff, Francisco Álvares Machado e Vasconcellos Florence traduziram os diários de Florence sob o título de A Célebre Expedição que, em 1826, partiu de Porto Feliz.

1977 – No Museu de Arte de São Paulo (MASP), realização, em novembro de 1977, de uma exposição da obra de Florence. O MASP também publicou o diário completo de Hercule sobre a expedição sob o título Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas: pelas Províncias brasileiras de São Paulo, Mato Grosso e Grão Pará (1825-1829).

1980 – Publicação do livro “1833: a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil” (1980), de Boris Kossoy, pela Editora Duas Cidades.

 

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1988 – Entre 29 de setembro e 1º de outubro de 1988, realização do colóquio Les Multiples Inventions de la Photographie, em Cerizy-la-Salle, pelo Ministério de Cultura e Comunicação da França. Florence foi um dos inventores abordados. No ano seguinte, publicação do livro do seminário com um artigo do professor Boris Kossoy, Florence, o inventor no exílio (Centre Culturel International de Cerisy).

1993 – Organizado por Jacques Vieillard, a Editora Universitária da Universidade Federal do Mato Grosso, lançou o livro A Zoophonia de Hercule Florence.

 

A ZOOPHONIA DE HERCULE FLORENCE

 

2006 - Criação do Instituto Hercule Florence – de Estudos da Sociedade e Meio Ambiente do Século XIX Brasileiro. Surgiu do desejo de reunir, preservar e divulgar todo o acervo disponível sobre o artista, viajante e inventor franco-monegasco, que aportou em 1824 no Brasil, onde se estabeleceu, deu origem a uma numerosa família, desenvolveu pesquisas – inclusive as que levaram à descoberta do processo fotográfico – e viveu até a sua morte, em 1879.

2017 - Em Villa Paloma, no Novo Museu Nacional de Mônaco, entre 17 de março e 24 de setembro, realização da exposição Hercule Florence – Le nouveau Robinson. Na ocasião foi lançado um livro homônimo.

2019 – Publicado nos Anais do Museu Paulista de dezembro de 2019 o artigo Revelando Hercule Florence, o Amigo das Artes: análises por fluorescência de raios X.  A física Márcia de Almeida Rizzutto, coordenadora do NAP-Faepah, atestou, com a ajuda do método conhecido como fluorescência de raios X por dispersão de energia (ED-XRF) para detectar a presença de elementos químicos que os manuscritos de Florence descrevem fielmente os processos de produção fotográfica por ele testados em 1833. Segundo Kossoy, foi a comprovação física daquilo que já se sabia do ponto de vista químico.

2023 – Realização, no Instituto Moreira Salles, de São Paulo, nos dias 23 e 24 de maio, do seminário internacional 190 anos dos experimentod fotográficos de Hercule Florence para celebrar o pioneirismo de Florence na descoberta dos processos fotográficos e tem como principal assunto a divulgação dos resultados das análises físico-químicas realizadas em 2022 de três objetos do inventor, por meio de uma parceria inédita entre quatro instituições de três continentes: o IMS e o Instituto Hercule Florence (IHF), de São Paulo, Brasil, o Getty Conservation Institute (GCI), de Los Angeles, EUA, e o Laboratório HERCULES da Universidade de Évora, Portugal. O encontro abordará também outros assuntos relacionados a Florence (Site do IMS).

Em 17 de novembro, a publicação Viagem fluvial do Tietê à Amazonia pelas províncias de São Paulo, Mato Grosso e Grão-Pará, de Hercule Florence, conquistou o 1° lugar na categoria Projeto Gráfico do 9° prêmio ABEU, concedido pela Associação Brasileira das Editoras Universitárias.

 

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Esta cronologia foi atualizada em julho de 2024.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Henrique Rosén (1840 – 1892)

Cronologia de Henrique Rosén (1840 – 1892)

 

1840 – Em Vadstena, na região de Gotalândia, na Suécia, nascimento de Henrik Gustaf Jacob Rosén, em 19 de junho filho de Eric Herman Rosén e Sofia Charlotta Falkman.

1862 – Após ficar entre julho e agosto em Santos, o fotógrafo sueco Henrique Rosén inaugurou, em Campinas, a Photographia Campinense, na rua Direita. nº 28.

1865 – Em abril de 1865, em meio ao clima outonal, a rica população da Campinas dos Barões de Café, de fazendeiros, de comerciantes e de escravos, foi tomada de surpresa e de êxtase com a chegada aos seus longínguos rincões dos soldados imperiais formando o Corpo Expedicionário em Operação no Sul de Mato Grosso. Acabara de eclodir a Guerra do Paraguai e D. Pedro II criara duas forças para enfrentar Solano López. Os expedicionários atacariam pelo flanco Norte, sob o comando do coronel Manuel Pedro Drago. Durante 66 dias, as tropas permaneceram acampadas no Largo Santa Cruz, hoje no bairro do Cambuí, um local sagrado e profano. E traziam no Corpo de Engenheiros a jovem figura heroica e diverida de Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay – o posterior Visconde de Taunay -, que proclama em seu livro A Retirada de Laguna: “A! Campinas”. Foram 66 dias de festas, banquetes, regabofes, bailes e flertes com as moças campineiras. Uma espécie de antessala no céu, antes da dança no inferno da Laguna!”(Retiro antes de Laguna em Campinas).

Nessa ocasião, Rosén conheceu Alfredo d´Escragnolle Taunay (1843 – 1899), escritor, engenheiro militar e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras que muito o impressionou como o mesmo registrou em suas memórias (Correio Paulistano, 11 de abril de 1865, segunda coluna; O Sete de Setembro, 13 de abril de 1865, primeira coluna; Jornal do Brasil, 28 de setembro de 1948, segunda colunaSuplemento Literário, 15 de outubro de 1960, quarta coluna). Taunay também conheceu, na ocasião, o inventor francês radicado em Campinas, Hercule Florence.

 

 

1866 – Houve um desmoronamento de uma das paredes da matriz nova de Campinas, que estava em obras. Rosén foi um dos homens que participou dos trabalhos de salvamento de operários que ficaram soterrados (Correio Mercantile Instructivo, Político, Universal,  7 de fevereiro de 1866, quarta coluna).

Entre maio e junho, esteve na região do rio da Prata, para onde foi e voltou no paquete inglês Arno. Embarcou e desembarcou no porto do Rio de Janeiro (Correio Mercantile Instructivo, Político, Universal,  7 de maio de 1866, quinta colunaCorreio Mercantile Instructivo, Político, Universal,  4 de junho de 1866, quinta coluna).

Esteve em Rio Claro, cidade do interior de São Paulo e despediu-se agradecendo ao modo generoso e obsequioso que foi recebido e prometendo voltar no próximo ano (Correio Paulistano, 25 de agosto de 1866, segunda coluna).

1867 - Anunciou seus serviços, em Santos, inicialmente em um imóvel alugado na rua de Santo Antônio, 27, e depois no Hotel Millon (Revista Comercial (Santos), 12 de outubro de 1867).

1868 – Anunciou o Processo Crozat de fotografia em cores e a venda de retratos de indígenas, de Santos e de outras cidades, além de um grande sortimentos de álbuns, quadros e vistas estereocopos (O Ypiranga, 20 de dezembro de 1868, última coluna).

1869 – Casou-se, no Brasil, em 30 de janeiro, com a sueca Lovisa Mathilda Ladau.

O fotógrafo Joaquim Feliciano Alves Carneiro (18? – 188?), um dos sócios do estabelecimento Carneiro & Gaspar, no Rio de Janeiro e em São Paulo, percorreu o estado de São Paulo e ficou algum tempo em Campinas, quando Rosén pode conhecer o que se usava de mais moderno em termos de fotografia na capital do Brasil. Uma curiosidade: com a morte do português Gaspar Antonio da Silva Guimarães (18? – 1875) e com a venda da parte de Joaquim Feliciano Alves Carneiro, Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905), autor do “Álbum comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887″, que era sócio-gerente da Photographia Academica de Carneiro & Gaspar, em São Paulo, tornou-se seu proprietário. Localizava-se na rua da Imperatriz, 58 (Correio Paulistano, 28 de novembro de 1875, segunda coluna).

Produziu a divulgação publicitária da Olaria, ferraria e oficina mecânica a vapor e água de propriedade de Antônio Carlos Sampaio Peixoto, que a Brasiliana Fotográfica destaca neste artigo. A fábrica havia sido inaugurada em 2 de dezembro de 1867, em Campinas (Correio Paulistano, 13 de outubro de 1867, primeira colunaCorreio Paulistano, 18 de janeiro de 1868, segunda coluna; Gazeta de Campinas, 1º de dezembro de 1870, primeira colunaGazeta de Campinas, 6 de janeiro de 1870, penúltima coluna).

1870 – Anunciou que a especialidade da Photographia Campinense, a mais antiga da província, era o processo novo de Crozat, belíssimos retratos a cores. Tira-se retratos todos os dias mesmo nos chuvosos, às horas do costume. (Gazeta de Campinas, 1º de janeiro de 1870, primeira colunaGazeta de Campinas, 27 de fevereiro de 1870, segunda coluna).

 

 

1871 - Anunciou a Photographia Campinense como a mais antiga da província (Gazeta de Campinas, 1º de janeiro de 1871, segunda coluna).

 

 

Foi um dos subscritores da obra humanitária em favor dos franceses vítimas da guerra franco-prussiana (Gazeta de Campinas, 19 de março de 1871, última coluna).

Anunciou a produção de retratos Bombés, novo processo, e também a produção de retratos de cavaleiros montados, em qualquer tamanho, tendo para isso os arranjos necessários (Gazeta de Campinas, 6 de abril de 1871, primeira colunaGazeta de Campinas, 31 de agosto de 1871, última coluna).

1872 – O retratista e pintor a óleo J. Stewart, de passagem em Campinas, anunciou que provas de seu trabalho estariam disponíveis na Photographia Campinense. O artista estava hospedado no Hotel Oriental (Gazeta de Campinas, 28 de março de 1872, segunda colunaGazeta de Campinas, 2 de maio de 1872, primeira coluna).

Rosén anunciou a chegada da Europa de um bonito sortimento de tudo o que pertence à arte fotográfica a seu estabelecimento. Chamava atenção para os retratos em cartão Victoria (Gazeta de Campinas, 19 de maio de 1872, segunda coluna).

 

 

Reproduziu em cartão o retrato a óleo de Joaquim Saldanha Marinho (1816 – 1895), que havia sido governador de São Paulo. O trabalho foi feito pelo sistema mezzo-tinto (Gazeta de Campinas, 15 de setembro de 1872, primeira coluna).

Anunciou uma grande redução nos preços de retratos. Destacava que os processos Victoria e Mezzo-Tinto só eram realizados, em Campinas, no seu estabelecimento  (Gazeta de Campinas, 8 de dezembro de 1872, segunda coluna).  

1873 - Publicou uma mensagem do Consulado Geral da Suécia e da Noruega no Rio de Janeiro: havia sido comissionado para receber de todos os suecos e noruegueses que vivessem em Campinas e em suas redondezas uma declaração de submissão ao rei Oscar II (1829 – 1907), que havia iniciado seu reinado em setembro de 1872. Para tal, dispunha de formulários (Gazeta de Campinas, 10 de janeiro de 1873).

 

 

Foi elogiado por sua inteligência e critério profissionais (Gazeta de Campinas, 1º de novembro de 1873, última coluna).

 

 

1875 – Anunciou que devido aos melhoramentos no salão de vidro da Photographia Campinense seriam tirados retratos das 7 horas da manhã às 5 horas da tarde, sendo preferíveis os dias cobertos e chuvosos. Anunciou também a filial do ateliê em São João do Rio Claro, na rua do Commercio, 20 (Gazeta de Campinas, 6 de janeiro de 1875).

Declarou que não tinha nenhuma dívida e que não se responsabilizaria por nenhuma compra feita em seu nome. Pedia que quem se considerasse seu credor se apresentasse a ele até 15 de maio (Gazeta de Campinas, 9 de maio de 1875, última coluna).

Chegou ao Rio de Janeiro, vindo de Santos, no paquete a vapor Conde d´Eu (Jornal do Commercio, 23 de maio de 1875, última coluna). Foi anunciada sua partida e também a de Augusta Florence (1859 – ?), filha do francês Hercule Florence (1804 – 1877), inventor de um dos primeiros métodos de fotografia do mundo – que morava em Campinas desde 1829 – e da alemã Carolina Krug (1828 – 1913), para a Europa. Ela iria aperfeiçoar seus estudos na Alemanha (Gazeta de Campinas, 27 de maio de 1875, penúltima coluna).

A Photographia Campinense anunciava a venda de vistas lindíssimas da cidade (Gazeta de Campinas, 1º de agosto de 1875, segunda coluna).

Retornou da Europa no paquete inglês Mondego (O Globo, 20 de novembro de 1875, última coluna). Anunciou que que havia estudados os principais estabelecimentos fotográfico de Londres, Paris e Berlim e que estava prestes a receber “grande sortimento de tudo que pertence à minha arte“. Informava também ter comprado o processo Lambertypie, que produzia “retratos grandes, sem retoques, de um efeito belíssimo” e mencionava todas as técnicas de que dispunha seu ateliê. Outra novidade foi a aquisição de uma câmara solar, como era então conhecida a “machina de augmentar retratos”, que o tornou pioneiro nessa técnica no Brasil. Seu ateliê ficava na rua Direita, nº 50 e possuia numerosas galerias abertas à visitação. Chamava atenção para o fato de que algumas técnicas de que seu ateliê dispunha não haviam sido introduzidas disponíveis na capital do Império. (Correio Paulistano, 8 de dezembro de 1875Almanach Litterario Paulista para 1876, 1875).

 

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1876 – Contratou seu irmão, Carlos Rosén, como auxiliar de seu ateliê.

1878 –  Contratou o pintor austríaco Ferdinand (Fernando) Piereck  (1844 – 1925) para trabalhar em seu ateliê fotográfico em Campinas. Ferdinand é o pai do fotógrafo Louis Piereck (1880 – 1931).

Chegou ao Rio de Janeiro, com sua mulher, Luiza, no vapor alemão Santos (O Cruzeiro, 28 de julho de 1878, terceira coluna).

1879 – O prussiano Jacques Vigier (1839 – ?), que havia chegado no Brasil em 1861, foi  sócio de Rosén, entre esse ano e 1880, quando fundou a Photographia de Jacques Vigier, na mesma rua Direita onde ficava o estabelecimento de Rosén.

1880 – Informava que havia chegado da Europa há pouco tempo. No anúncio, seu estabelecimento ficava na rua Direita, 48, e tinha o nome de Photographia Campineira. O “retrato em tamanho natural” continuava sendo uma das atrações e Rosén também oferecia tecnologia para retratos coletivos e de crianças, além de Retratos Boudoir e Promenade, há pouco introduzidos em Paris, o que conferia a seu estabelecimento uma aura de elegância e modernidade. Prometia a partir da foto-pintura, “retratos coloridos a pastel, tamanho grande, reproduzidos de qualquer retrato antigo, por mais estragado que esteja” (Almanach Campinense, 1880). No mesmo local, Rosén vendia pianos fabricados para o clima do Brasil (Almanach Campinense, 1880).

 

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1881 – Rosén  tornou-se sócio de B. Munchs.

Expôs na Casa Garraux, em São Paulo, uma coleção de retratos da atriz Lucinda (Correio Paulistano, 15 de novembro de 1881, última coluna).

1882 – A Fotografia Campineira abriu uma filial em Santos, nas instalações do estúdio do fotógrado Augusto Pinto de Oliveira (18? – ?) (Diário de Santos, 16 de abril de 1882; Diário de Santos, 7 de maio de 1882). Meses depois, em um anúncio, Rosén agradecia às “as pessoas que honraram com a sua confiança” a permanência de um representante seu na cidade, acrescentando que esperava que “sua volta no próximo ano” tivesse “a mesma aceitação” (Diário de Santos, 5 de setembro de 1882). Uma curiosidade: havia na cidade a chapelaria de Friederich Hempel, cuja vitrine era disputada pelos fotógrafos, dentre eles, Rosén (Diário de Santos, 13 de maio de 1882).

1883 -  B. Munchs foi sucedido pelo alemão Julius Nickelsen na sociedade com Henrique Rosén. Nickelsen havia trabalhado na casa Henschel & Benque, no Rio de Janeiro, entre 1878 e 1883.

 

 

1884 – Nickelsen e o português Bernardino Francisco Ferreira compraram a Photographia Campineira de Rosén e mudaram o nome do estabelecimento para Photographia Campinense. Bernardino havia trabalhado como funcionário do ateliê do fotógrafo açoriano Christiano Junior (1832 – 1902) – entre 1866 e 1870 – e também de Henschel & Benque – entre 1870 e 1884 -, ambos no Rio de Janeiro.

1890 - Em janeiro, Rosén foi nomeado cônsul do Brasil da Suécia e da Noruega e passou a residir em Estocolmo (Relatório do Ministério das Relações Exteriores, 1891Jornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna). A nomeação deveu-se, provavelmente, ao relacionamento de Rosén com dois campineiros que faziam parte do governo de Deodoro da Fonseca: o ministro da Justiça, Campos Salles (1841 – 1913); e o ministro da Agricultura, Francisco Glicério Cerqueira Leite (1846 – 1916) (Jornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna).

1891 –  Informou ao ministro da Agricultura que o número de imigrantes da Suécia para o Brasil seria avultado, a seu ver, devido à decisão do governo brasileiro de lhes dar passagens gratuitas  (O Tempo, 22 de maio de 1891, sexta colunaJornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna).

1892 – Falecimento de Rosén, em 5 de janeiro. No mesmo ano, sua mulher, Lovisa Mathilda Ladau, também faleceu.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

A fotografia abaixo foi um dos fatores que motivou Marco Aurélio de Camargo Marques a pesquisar a genealogia de sua família. Nela, está retratado seu bisavô, Eulalio Augusto Alves de Camargo (1864 – 1940). Marco Aurélio contribuiu para esse artigo com algumas informações biográficas de Rósen: data exata e local de seu nascimento, data de seu casamento e nome completo da cônjuge. A Brasiliana Fotográfica agradece, publica e credita sua colaboração. *

 

Retrato produzido por Henrique Rósen, 1882.  Campinas, SP

Henrique Rósen. Eulalio Augusto Alves de Camargo (sentado) ao lado do cunhado João Franco Bueno, 1882. Campinas, SP

 

Esse parágrafo foi inserido em 6 de julho de 2021.

Cronologia de Alberto Henschel (1827 – 1882)

Cronologia de Alberto Henschel (1827 – 1882)

cartão Albert Henschel

Identificação de Alberto Henschel / Acervo do IMS

1827 - Em 13 de junho, Alberto Henschel nasceu em Berlim, na Alemanha.

1866 – maio –  Chegou no Recife acompanhado de Karl Heinrich (Carlos Henrique) Gutzlaff no patacho hamburguês Catharine Jane (Diário de Pernambuco, edição de 28 de maio de 1866).

julho – Os dois fotógrafos associaram-se ao maranhense Julio dos Santos Pereira e, com ele, assumiram a direção do estabelecimento Photographia Alberto Henschel & C. , localizado na rua do Imperador, nº 38. No anúncio da abertura do negócio, os proprietários destacaram as photographias coloridas por um novo systema, que reune o brilho da pintura à óleo à pureza da aquarella (Diário de Pernambuco, edição de 7 de julho de 1866). Para atrair clientela, foi realizada no ateliê uma exposição com trabalhos feitos por Henschel na Europa. Foi neste mesmo endereço que entre 1860 e 1865 o fotógrafo A.W. Osborne tinha o estabelecimento fotográfico Galeria Americana (Diário de Pernambuco, de 7 de maio de 1860), comprado por Julio dos Santos Pereira em fevereiro de 1865  (Diário de Pernambuco, 2 de fevereiro de 1865, penúltima coluna), quando Osborne foi para o Rio de Janeiro (Jornal de Recife, 16 de fevereiro de 1865).

outubro – Henschell e Gutzlaff anunciaram o fim da associação com Julio dos Santos Pereira.

novembro – Foi anunciada a reabertura do novo ateliê fotográfico de Henschel, mas agora com o nome de Photographia Allemã e localizado no largo da matriz de Santo Antonio, nº 2 (Diário de Pernambuco, edição de 16 de novembro de 1866, primeira coluna). No anúncio, destacaram-se as qualidades do novo estabelecimento, dentre as quais o fato de possuir uma galeria envidraçada com cristais especiais capazes de atenuar os efeitos da luz forte.

1867 – Em junho, Henschel anunciou uma viagem à Europa, de onde retornou em setembro acompanhado do pintor alemão Karl Ernst (Carlos Ernesto) Papf (1833-1910), no vapor Oneida (Diário de Pernambuco, edições de 2 de junho e de 28 de setembro de 1867 – o sobrenome de Henschel está escrito errado). Já em outubro, foram publicados anúncios participando a volta de Henschel ao Recife e apresentando Papf como membro honorário da Academia Real de Pintura de Dresden (Diário de Pernambuco, edição de 26 de outubro de 1867). Nos anos que se seguiram, Papf trabalhou em todo os ateliês de Henschel, prestando serviços de fotopintura.

1868 – Henschel fez nova viagem à Europa para atualizar seus conhecimentos em fotografia e comprar novos equipamentos. Provavelmente, nesse ano terminou sua associação com Gutzlaff, que fundou em julho a Photographia Internacional, no Recife, na rua do Imperador, nº 38 (Diário de Pernambuco, 6 de junho de 1868, última coluna; e Diário de Pernambuco, 15 de julho de 1868, segunda coluna). . Henschel anunciou a técnica da marfimographia, a contratação de novos profissionais e a iminente abertura de uma filial da Photographia Allemã em Salvador, na Bahia (Jornal de Recife, edição de 21 de julho de 1868, quarta e quinta colunas, no pé da página). O ateliê da capital baiana ficava na rua da Piedade, nº 16. Posteriomente passou a funcionar no largo do Theatro.

1870 - Casou-se com Simy (1851 – 1920), filha do rabino inglês Isaac Amzalak, dono de armazéns e armador bem sucedido. Uma curiosidade: segundo o livro Salões e damas do Segundo Reinado, de Wanderley Pinho, o poeta Castro Alves se inspirou na beleza das três filhas do armador Amzalak para criar o poema Hebreia.

Henschel realizou a série de vistas em Itatiaia.

Foi anunciada a abertura da Photographia Allemã. Alberto Henschel & C., no Rio de Janeiro, sucedendo os fotógrafos Guilherme Mangeon e Van Nyvel. O novo estabelecimento localizava-se na rua dos Ourives, 40, atual rua Miguel Couto. No anúncio, foi informado que Van Nyvel continuaria a trabalhar no ateliê (Jornal do Commercio, edição de 18 de dezembro de 1870).

1871 - Nasceu no Rio de Janeiro o único filho de Henschel e Simy, Maurício, que viria a falecer em 1934.

Anunciada a contratação do  fotógrafo alemão Franz (Francisco) Benque (1841-1921), a quem Henschel foi associado até, provavelmente, 1878 (Diário do Rio de Janeiro de 10 e 11 de abril,  segunda coluna).

1872 – Henschel & Benque participaram da exposição da Academia Imperial de Belas-Artes e expuseram um retrato do poeta Castro Alves (1847 – 1871) Correio do Brazil, edição de 24 de junho de 1872, na coluna Folhetim). Em 23 de setembro, receberam uma visita de Suas Magestades e Altezas Imperiaes na Photographia Allemã ( Correio do Brazil, edição de 25 de setembro de 1872, na quinta coluna).

1873 – Henschel & Benque participaram da Exposição Universal de Viena. Enviaram dois retratos: de uma baiana quitandeira e da família real brasileira (Diário de Pernambuco, 10 de abril de 1873, quinta coluna).  Ganharam a medalha de mérito (A Reforma, edição de 10 de setembro de 1873).

1874 – Ao longo do segundo semestre, foram publicados vários anúncios no Jornal da Bahia anunciando a chegada de um pintor no ateliê de Salvador.

Segundo o artigo Dom Pedro II e a fotografia (2), de Ricardo Martim, pseudônimo de Guilherme Auler (1914-1965), publicado na Tribuna de Petrópolis, de 8 de abril de 1856, a dupla Henschel & Benque foi agraciada com o título de Photographos da Caza Imperial, em 7 de dezembro de 1874.

1875 – Chegada do austríaco Constantino Barza, a bordo do vapor inglês News, vindo da Europa. Ele viria a ser o gerente da Photographia Allemã de Henschel (Jornal de Recife, 26 de fevereiro de 1875, primeira coluna).

Ainda associado a Francisco Benque, Henschel fez a série de vistas de Nova Friburgo e do Jardim Botânico e ambos participaram da exposição da Academia Imperial de Belas-Artes ( Epocha, 15 de dezembro de 1875).

Na coluna “Folhetim da Gazeta de Notícias –  Bellas Artes”, o português Julio Huelva (1840 – 1904), pseudônimo do músico e arquiteto Alfredo Camarate, elogiou a fotografia produzida no Brasil e destacou os trabalhos dos ateliês de José Ferreira Guimarães  (1841 –1924), Joaquim  Insley Pacheco (1830 – 1912) e de Albert Henchel (1827 – 1892) e Franz (Francisco) Benque (1841-1921). O autor cobrou também a presença de fotógrafos do Rio de Janeiro na Exposição Universal da Filadélfia, que se realizaria em 1876 (Gazeta de Notícias, 21 de dezembro de 1875).

1877 - No estabelecimento A La Glace Elegante, no Rio de Janeiro, exposição de uma tela com os retratos do conde e da condessa d´Eu e do príncipe do Grão Pará, de autoria de  Karl Ernst (Carlos Ernesto) Papf (1833-1910), do estabelecimento de Henschel & Benque. Teria sido uma encomenda da princesa Isabel (Diário do Rio de Janeiro, 6 de novembro de 1877, penúltima coluna).

Em novembro, a Photographia Allemã, no Recife, passou a funcionar na rua do Barão da Victoria, nº52 , devido à construção de prédios na frente da galeria. Os trabalhos do estabelecimento foram interrompidos por 15 dias (Diário de Pernambuco, edição de 26 de novembro de 1877).

1879 – Foi publicado um elogio às fotografias de crianças tiradas por Henschel (Gazeta de Notícias, 11 de março, primeira coluna).

1880 – Constantino Barza, apresentando-se como gerente da Photographia Alemã de Recife, anunciou a chegada do fotógrafo Moritz Lamberg para cuidar da parte técnica e artística do ateliê (Diário de Pernambuco, edição de 30 de janeiro de 1880). Lamberg é apresentado como celebridade europeia e insigne artista, que havia dirigido estabelecimentos em Berlim e Viena e obtido prêmios conquistados em Paris e em Viena nas exposições de 1868 e 1873. Em 1899, Lamberg publicou o livro de fotografias Brazilian.

1881- Participou da Exposição de História do Brasil promovida pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro com vistas urbanas, rurais e retratos.

Foi noticiado um caso envolvendo Henschel e um relojoeiro, de quem, segundo o jornal, ele achava ter sido vítima da esperteza (Gazeta da Tarde, edição de 16 de abril de 1881, terceira coluna)

O fotógrafo Moritz Lamberg fez uma petição à Associação Comercial da Cidade do Recife para que se ordenasse o registro da escritura da compra que fez do estabelecimento denominado Photographia Allemã (Diário de Pernambuco, 19 de setembro de 1881, na quarta coluna).

Vistas do Recife produzidas por Henschel foram elogiadas pela imprensa local como as melhores que conhecemos até hoje dos pontos photographados (Diário de Pernambuco, edição de 18 de outubro de 1881).

Alberto Henschel e Moritz Lamberg convidavam para apreciar os trabalhos de nossa casa, que vão ser exibidos na próxima exposição que terá lugar no Rio de Janeiro (Diário de Pernambuco, 14 de novembro de 1881).

 

 

É possível que neste ano Henschel, ou mesmo antes, tenha vendido a filial baiana de seu ateliê fotográfico para Waldemar Lange, que se anunciava como seu sucessor  no Almanak da Província da Bahia, 1881, pág. 43.

1882 – Henschel participou da Primeira Exposição Artístico-Industrial promovida pela Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais de Pernambuco e conquistou uma medalha de mérito pelas vistas fotográficas que expôs (Diário de Pernambuco, 17 de janeiro de 1882, segunda coluna).

Foi aberto o ateliê de Henschel em São Paulo, na rua Direita nº 1. A imprensa noticiou que a inauguração desse importante e sumptoso estabelecimento artístico seria mais um signal do crescente desenvolvimento de São Paulo (Correio Paulistano, na edição de 1º de fevereiro de 1882). No anúncio da inauguração, apresentavam-se como fotógrafos da Casa Imperial (Correio Paulistano, edição de 7 de fevereiro de 1882). O gerente da sucursal paulista era o fotógrafo húngaro José Vollsack (1847 – 1927), que, em 1888, tornou-se dono da referida filial. Por já existir na capital paulista uma casa fotográfica com o nome de Photographia Allemã, de propriedade do fotógrafo alemão Carlos Hoenen (18? – ?), a de Henschel ficou conhecida como Photographia Imperial.

Em abril, foi publicada na Revista Illustrada, número 295, na seção Exposição de bellas-artes, uma crítica desfavorável a dois retratos de Henschel.

Morte de Albert Henschel em 30 de junho, no Rio de Janeiro ( Rio News, edição de 5 de julho de 1882 e Gazeta de Notícias, edição de 10 de julho de 1882). Faleceu em sua residência, na rua Barão de Itambi, nº 14, em Botafogo.

1884 – Foi autorizada a venda da filial do Rio de Janeiro por força de alvará judicial (Jornal do Commercio, de 7 de junho de 1884, primeira coluna).

1885 - O austríaco Constantino Barza reassumiu a gerência da  Photographia Alemã (Diário de Pernambuco, 13 de novembro de 1885). Anteriormente, em 1881, havia se associado ao dinarmarquês Niels Olsen (1843 – 1911), em Fortaleza (O Cearense, 26 de janeiro de 1881, quarta coluna) e, depois, no Pará (O Liberal do Pará, 3 de janeiro de 1882, quarta coluna e Almanak Paraense, 1883). Em Belém, o estabelecimento de Olsen e Barza começou a funcionar em 1º de janeiro de 1882 e ficava na rua da Trindade, n° 24, no antigo ateliê do fotógrafo José Thomaz Sabino, que havia falecido.

 

 

1887 – Até esse ano Constantino Barza continuava a anunciar as atividades da Photographia Allemã no Recife. em 1905, Constantino Barza trabalhava como agente de venda dos charutos Poock & C(A Província, 9 de março de 1905).

2020 – Em 13 de maio, publicação, na Brasiliana Fotográfica, do artigo A mulher negra de turbante, de Alberto Henschel, de autoria de Aline Montenegro Magalhães e Maria do Carmo Rainho, historiadoras, respectivamente, do Museu Histórico Nacional e do Arquivo Nacional.

O artista visual brasileiro Vik Muniz (1961-) produziu a obra Sem nome (mulher com turbante), a partir de Alberto Henschel.

 

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Vik Muniz. Sem nome (mulher com turbante), a partir de Alberto Henschel, 2020.

 

Para a elaboração da presente cronologia de Alberto Henschel vali-me, especialmente, do Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: Fotógrafos e Ofício da Fotografia no Brasil (1833-1910), de autoria de Boris Kossoy, e da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Louis Piereck (1880 – 1931)

Cronologia de Louis Piereck (1880 – 1931)

 

O fotógrafo Louis Piereck / Blog de Fernando Machado

O fotógrafo Louis Piereck / Acervo da família Piereck

 

1844 – Em Viena, na Áustria, nascimento do pintor Ferdinand (Fernando) Piereck (1844 – 1925), pai de Louis, em 10 de setembro.

1870 – Em 15 de outubro, Ferdinand chegou ao Rio de Janeiro, a bordo do paquete francês Amazone (Jornal do Commercio, 16 de outubro de 1870, sexta coluna).

1875 - Em Viena, em 13 de março, casamento de Ferdinand com Elizabeth Taussig (05/11/1855 – ?), nascida em Praga, de origem judaica. Os dois primeiros filhos do casal, Wilhelmine Ernestine (Guilhermina Christiani) (1878 – 19?) e Ferdinand Junior (1879 – ?), nasceram em Pernambuco. O fotógrafo Louis (1880 – 1931), Babette (Elizabeth White) (1881 – 19?) e Laura Correia (1882 – 19?), em São Paulo.

 

Louis Piereck. Ferdiand e Elizabeth Piereck com três filhos de Louis Piereck: Louis, Edgard e Hermínia (Baby), c. 19?

Ferdinand e Elizabeth Piereck e três de seu netos: Louis, Edgard e Hermínia (Baby), fotografados por Louis Piereck em torno de 1920/ Acervo da família Piereck

 

1876 – Ferdinand partiu do Rio de Janeiro para Pernambuco (O Globo, 1º de janeiro de 1876, quinta coluna). Foi contratado para trabalhar na Photographia Allemã de  Alberto Henschel (1827 – 1882) no Recife (Jornal do Recife, 14 de janeiro de 1876).

1877 – Ferdinand  foi contratado para ser o responsável pela pela policromia das fotopinturas a óleo e aquarela da Photographia Allemã, de Carlos Hoenen (18?-?), inaugurada em 1º de setembro de 1875, na rua do Carmo, 74, em São Paulo (Correio Paulistano, 31 de agosto de 1875, última colunaCorreio Paulistano, 23 de novembro de 1877).

1878 – Ferdinand ainda trabalhava no estabelecimento de Hoenen (Correio Paulistano, 30 de julho de 1878) e foi, muito provavelmente, o autor da pintura do teto de um dos cômodos do Grande Hotel, da Rua São Bento (Revista do IPHAN, nº 10, 1946), de propriedade de dois comerciantes: o teuto-suíço Frederico Glette (? – 1886) e o alsaciano Victor Nothmann (? – 1905).

 

 

Foi também o autor de uma pintura de tema religioso realizada para a Igreja da Penha (A Província de São Paulo, 28 de julho de 1878).

Transferiu-se para Campinas, onde trabalhou no ateliê Photographia Campinense, do sueco Henrique Rosén (1840 – 1892), na época o mais importante fotógrafo do interior paulista, que, posteriormente, em janeiro de 1890, foi nomeado cônsul do Brasil da Suécia e da Noruega (Relatório do Ministério das Relações Exteriores, 1891Jornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna). A expansão cafeeira no oeste paulista fez com que vários fazendeiros alojassem em suas casas artistas que retratavam suas famílias. Ferdinand pintou diversos barões do café e, neste ano, pintou o retrato de dom Pedro II, que está no casarão da Fazenda  Pinhal, em São Carlos, São Paulo.

 

 

Sua primeira filha, Wilhelmine (Guilhermina) (1878 -?), nasceu em Pernambuco.

1879 – Nascimento do segundo filho do casal Ferdinand e Elizabeth, Ferdinand Junior, em Pernambuco.

1880 – Nascimento de Louis Piereck, em 13 de outubro, em Campinas (Jornal Pequeno, 13 de outubro de 1919, terceira coluna; Jornal do Recife, 13 de outubro de 1923, primeira coluna; Diário de Pernambuco, 14 de outubro de  1930, sexta coluna). Algumas fontes informam o ano de nascimento 1878, e, por vezes, indicam como local de seu nascimento a Áustria ou a Suíça, mas documentação enviada da Áustria para familiares do fotógrafo apontam 1880 e Campinas como o ano e o local corretos do nascimento do fotógrafo.

1881 – 1882 – Em São Paulo, nascimento dos últimos filhos do casal Ferdinand e Elizabeth: Elizabeth (Babette) (1881 – 19?) e Laura (1882 – 19?) .

1886 - Ferdinand Piereck, que havia voltado de Viena, foi contratado pela Photographia Allemã, de Albert Henschel (1827 – 1882), localizada na rua do Barão da Vitória, nº 52, no Recife. O gerente do estabelecimento era o também austríaco Constantino Barza (Jornal do Recife, 3 de março de 1886).

 

 

1887 – Segundo passaporte emitido na Áustria, em 16 de abril de 1887, para Ferdinand (Fernando) Piereck, com validade de três anos, ele estava em Viena, e viria ainda naquele ano para o Brasil. Aqui, após ter visitado as principais galerias durante sua viagem, voltou a trabalhar na Photographia Allemã, ficando encarregado dos retratos a óleo (Jornal do Recife, 26 de maio de 1887, quarta coluna).

1892 – De acordo com propaganda veiculada em 1910, a fundação do ateliê fotográfico de Louis Piereck teria ocorrido neste ano (Jornal Pequeno, 14 de novembro de 1910). Em janeiro de 1892, foi inaugurada a Photographia Brazil, de Flosculo de Magalhães (18? – 19?),  na rua da Imperatriz 54 A (que em 1895 passou a chamar-se rua dr. Rosa e Silva), primeiro estabelecimento do gênero no bairro da Boavista (Jornal do Recife, 6 de janeiro de 1892, terceira coluna). Em 1901, 1902 e 1903 continuava a funcionar no mesmo endereço. Flosculo mudou-se, em 1904, com a família para o Rio de Janeiro (A Província, 6 de novembro de 1901, quinta colunaA Província, 21 de janeiro de 1902, penúltima colunaA Província, 30 de janeiro de 1904, segunda colunaA Província, 1º de setembro de 1904, segunda coluna). É o mesmo endereço que, a partir de 1904, foi anunciado como o da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 30 de abril de 1904, primeira coluna). Teriam os fotógrafos trabalhado juntos ou Piereck teria sucedido Flosculo no mesmo endereço?

1895 – Louis enviou um cartão de felicitações a sra. H. Barza. Seria uma parente de Constantino Barza (18? – ?), que havia sido o gerente da Photographia Allemã, de Henschel (1827 – 1882)? (Jornal do Recife, 1º de novembro de 1895, terceira coluna.

1896 - Seu pai, Ferdinand (Fernando) Piereck, naturalizou-se brasileiro, em 22 de maio de 1896 (Gazeta de Notícias, 25 de maio de 1896, quinta coluna).

1899 - Fazia parte de um Club de Photographia que distribuiu prêmios durante o ano de 1899 e 1900. O primeiro sorteio premiou o sócio Tito Rosas e o segundo, Alfredo Garcia (Jornal Pequeno, 2 de janeiro de 1899, terceira coluna).

Morava no Entroncamento nº 37 (Jornal do Recife, 30 de julho de 1899, sexta coluna).

1900 - Possuía um estabelecimento fotográfico, em Campina Grande, na Paraíba.

1904 – Seu estabelecimento fotográfico, a Photographia Piereck, ficava no número 54 A  da rua dr. Rosa e Silva (1), antiga rua da Imperatriz, no Recife, mesmo endereço onde havia se localizado anteriormente o ateliê do fotógrafo Flosculo de Magalhães (18? – 19?). Foi anunciado que Piereck havia chegado há pouco da Europa onde havia se dedicado com esmero à arte fotográfica. Avisava a amigos, a antigos fregueses e ao público em geral que seu ateliê tinha todos os requisitos necessários a fim de bem servi-los (Jornal Pequeno, 30 de abril de 1904, primeira coluna).

 

 

Na mesma rua dr. Rosa e Silva, no número 39, ficava a Modern Photograph, de Manoel Ribeiro Filho (18? – 19?) (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1904, terceira coluna).

Piereck retratou a atriz e cantora Vittorina Cesana (1896? – 19?) caracterizada para o papel de militar da opereta Os 28 dias de Clarinha. Durante a apresentação da peça, no Teatro Santa Izabel, no Recife, esta fotografia foi distribuida aos espectadores (Jornal Pequeno, 21 de julho de 1904, terceira colunaDiário de Pernambuco, 23 de julho de 1904, penúltima coluna).

Na Photographia Piereck e na Maison Chic estavam sendo vendidos exemplares de A Linguagem dos selos pelo cartão postal ou o dicionário do amor pelo correio (Jornal Pequeno, 12 de outubro de 1904).

 

 

Seu pai, o pintor acadêmico Ferdinand (Fernando) Piereck, trabalhava na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 20 de outubro de 1904, quarta coluna).

1905 - Foi anunciada uma grande exposição artística na Photographia Piereck (A Província, 8 de abril de 1905).

Houve uma liquidaçao de cartões-postais em seu estabelecimento (Jornal Pequeno, 14 de junho de 1905, segunda coluna).

1906 – Estavam em exposição na Photographia Piereck o retrato de todos os presidentes da Câmara de Deputados Estaduais de Pernambuco desde a proclamação da República: José Maria, Moreira Alves, José Marcelino, Elpidio Figueireido, Mota Silveira e João Coimbra (Jornal do Recife, 20 de fevereiro de 1906, sétima coluna).

Anunciava seu estabelecimento fotográfico como uma Casa honrada com a preferência da alta sociedade pernambucana (Jornal do Recife, 23 de fevereiro de 1906, oitava coluna).

Anúncio da contratação do casamento com Hermínia Bastos Tigre, irmã do poeta, bibliotecário, publicitário e jornalista Manuel Bastos Tigre (1882 – 1957), filha do negociante Delfino Tigre (18? – 1932) e de Maria Leontina Bastos Tigre (18? – 1926) e publicação das proclamas (Diário de Pernambuco, 5 de outubro de 1906, penúltima coluna; e Jornal do Recife, 25 de dezembro de 1906, quarta coluna). Uma curiosidade: o cunhado de Piereck, Manuel Bastos Tigre, foi o responsável pelo slogan da Bayer que se tornou famoso em todo o mundo: “Se é Bayer é bom“. É também o autor da letra da música Chopp em Garrafa, com música de Ary Barroso (1903 – 1964), que foi interpretada por Orlando Silva (1915 – 1978). Foi inspirada no produto que a Brahma passou a engarrafar. Sucesso do carnaval de 1934, é considerado o primeiro jingle publicitário do Brasil. Foi também o autor do livro Meu Bebê: livro das mamães para anotações sobre o bebê desde seu nascimento. O Dia do Bibliotecário, 12 de março, dia de seu nascimento, foi instituído, em 1980, em sua homenagem.

1907 – Louis Piereck produziu as fotografias da turma de bacharéis de 1906 (Jornal Pequeno, 5 de janeiro de 1907, primeira coluna).

 

 

 

Casou-se, no Recife, com Hermínia Bastos Tigre (? – 1949), em 31 de janeiro de 1907, e tiveram cinco filhos, Luiz (c. 1907 – 1923), Edgard (1909 – 1993), Carmelita (19? -19?) – que faleceu ainda criança de crupe em uma das viagens da família à Europa -, Helena (19? – 19?) e Hermínia (Baby) (1916 – 1987) (Jornal Pequeno, 31 de janeiro de 1907, quarta coluna).

 

família piereck 2

Da esquerda para a direita: Louis (filho primogênito do fotógrafo), Hermínia, sua mulher; Edgard (seu filho), o fotógrafo Louis Piereck, duas irmãs de Hermína e a mãe de Hermínia, Maria Leontina Bastos Tigre, em um navio indo para a Europa, década de 10 / Acervo da família Piereck

 

Anunciava utilizar na Photografia Piereck o processo Van Bosch, garantido para os climas tropicais (Jornal Pequeno, 24 de maio de 1907).

 

 

Anunciou a Alta Novidade Photo-Pintura-Esmaltada como exclusividade da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 9 de dezembro de 1907). Com esta técnica foram realizados os retratos do desembargador Sigismundo Gonçalves (1845 – 1915) e do senador Rosa e Silva (1847 – 1929), expostos no depósito da Fábrica Lafayette (Jornal Pequeno, 13 de dezembro de 1907, primeira coluna).

1908 – A Photographia Piereck ficou incumbida pelo retrato do príncipe Luiz Felipe de Portugal (1887 – 1908), assassinado em 1º de fevereiro de 1908, que seria colocado na galeria do Real Hospital Português de Pernambuco (Jornal do Recife, 22 de fevereiro de 1908, oitava coluna).

Exposição na Fábrica Lafayette, na rua 1º de Março, do retrato em photo-pintura-esmaltada do coronel Cornélio Padilha (18? – 19?), realizado pela Photographia Piereck. O retrato seria dado ao coronel por amigos na ocasião de sua chegada da Europa (Jornal do Recife, 16 de setembro de 1908, última coluna).

A Photographia Piereck conquistou o Grande Prêmio na Exposição Nacional de 1908 (Diário de Pernambuco, 10 de dezembro de 1908, primeira colunaGutemberg, 31 de dezembro de 1908Jornal Pequeno, 3 de junho de 1909, última coluna).

 

 

1909 – Foi publicada uma lista de personalidades fotografadas pelo sistema “Esmalte Piereck” (Jornal Pequeno, 3 de junho de 1909).

 

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Exposição de um retrato do ex-presidente Afonso Pena (1847 – 1909) na Photographia Piereck (Diário de Pernambuco, 24 de junho de 1909, penúltima coluna).

Louis Piereck embarcou, em 10 de outubro, para a Europa, a bordo do Aragon, e anunciou que seu ateliê fotográfico continuaria funcionando. Retornou em 9 de dezembro de 1909 (A Província, 10 de outubro de 1909, terceira colunaJornal do Recife, 24 de outubro de 1909, terceira colunaA Província, 10 de dezembro de 1909, quinta coluna).

1910 – Na Fábrica Lafayette, exposição de retratos produzidos por Piereck, feitos por um novo e belíssimo processo, o mais moderno da arte fotográfica, imitação de fina gravura em relevo (A Província, 14 de janeiro de 1910, última coluna).

Venda de quadros e molduras a varejo e no atacado na Photographia Piereck (A Província, 30 de maio de 1910, quinta coluna).

A Photographia Piereck conquistou a Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Bruxelas, realizada entre 23 de abril e 1º de novembro de 1910 (Diário de Pernambuco, 1º de novembro de 1910, última coluna). Também participaram da exposição os pintores brasileiros Lucilio de Albuquerque (1877 – 1939) e Antônio Parreiras (1860 – 1937). O encarregado pelos concertos de música brasileira no evento foi o maestro cearense Alberto Nepomuceno (1864 – 1920), então diretor do Instituto Nacional de Música. O pavilhão brasileiro foi projetado pelo arquiteto belga Franz van Ophen (18? – 19?).

 

 

Em 15 de novembro de 1910, foi inaugurada a instalação elétrica da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 14 de novembro de 1910).

 

 

O quadro das novas professoras formadas no Colégio Prytaneu foi confeccionado e exposto na Photographia Piereck (A Província, 28 de novembro de 1910, segunda coluna).

1911 A Photographia Piereck ganhou a Medalha de Ouro na Exposição de Turim, realizada entre 29 de abril e 19 de novembro de 1911 (Almanach de Pernambuco, 1912).

 

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Medalha de Ouro da Exposição de Turim / Acervo da família Piereck

 

Nessa mesma exposição, o fotógrafo amador alagoano Luis Lavènere Wanderley (1868 – 1966) também foi premiado com uma Medalha de Ouro exibindo fotografias sobre madeira, sobre porcelana e quadros de gênero  (Leituras para todos, janeiro de 1912).

 

 

O fotógrafo austríaco radicado no Brasil Otto Rudolf Quaas (c. 1862 – c. 1930) recebeu a Medalha de Prata. Segundo artigo de Boris Kossoy, publicado no O Estado de São Paulo, de 4 de março de 1973,  o fotógrafo Valério Vieira (1862 – 1941) participou da Exposição Universal de Turim, durante a qual foi agraciado com a comenda de Cavaleiro da Coroa, concedida pelo rei da Itália, por sua defesa da causa da imigração italiana para o fotógrafo Valério Vieira (1862 – 1941).

 

 

Em uma exposição do quadro de bacharéis em Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito na Photographia Piereck, a iluminação do ateliê foi descrita e referida como responsável por um surpreendente efeito luminoso. O evento, muito concorrido, contou com a apresentação da banda do 49º Batalhão de Caçadores (A Província, 6 de dezembro de 1911, quarta coluna).

1912 –  Exposição de um retrato de Eudoro Correia (1869 – 1961), prefeito do Recife, na Photographia Piereck. O retrato seria ofertado ao prefeito pelos carvoeiros da casa Cory Brothers (Jornal do Recife, 19 de abril de 1912).

Mais uma vez, o quadro de retratos das novas professoras formadas no Colégio Prytaneu foi confeccionado e exposto na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 16 de maio de 1912, quarta coluna).

A Photographia Piereck também confeccionava elegantes e custosas molduras (Jornal Pequeno, 20 de junho de 1912, última coluna).

Em julho, Louis Piereck foi passar uma temporada na Europa e deixou na direção de seu estabelecimento seu antigo auxiliar J. de Oliveira Lopes. Seu amigo Delfino da Silva Tigre cuidaria de seus assuntos particulares e comerciais (Jornal do Recife, 18 de julho de 1912, terceira coluna).

1913 – A bordo do Araguaya, Louis Piereck retornou de uma viagem à Europa quando visitou vários estabelecimentos fotográficos, especialmente em Viena e em Berlim. Comprou a patente para o processo fotográfico esmalte ouro para a América do Sul. Além disso, adquiriu uma utilíssima e magnífica máquina para operação em atelier, tipo 1912, a mais aperfeiçoada invenção e dotada de uma fina objetiva do importante cabricante Carl Zeiss…esse aparelho é o único que consegue apanhar clichês representando a maior naturalidade e nitidez, visto como o fotografado não vê diante de si a câmara, mas um grande espelho, onde se reflete a sua imagem, podendo desta natureza o artista, no momento crítico, apanhar uma fisionomia com a expressçao mais viva e natural. No interior da máquina  existe um aparelho instantâneo automático, de maneira que a pessoa que está sendo fotografada, por mais nervosa que seja, não pode modificar a expressão do rosto, evitando assim as tão frequentes reclamações de que “o trabalho não está bom a cópia não foi fiel”. Trouxe também fundos e decorações, uma coleção de animais para fotos com crianças, um projetor automático e elétrico, o maior do gênero em Pernambuco, que permitia apanhar no dia mais escuro qualquer clichê e um graduador automático de regulamentação de luz nas provas. Finalmente, comprou também uma rica e elegante cartonagem para a produção de um belíssimo efeito no acabamento dos retratos (Jornal do Recife, 1º de fevereiro de 1913, penúltima colunaJornal Pequeno, 20 de fevereiro de 1913, segunda coluna; e A Província, 25 de fevereiro de 1913, quarta coluna).

 

 

“Essa conhecida casa, de que é proprietário o habilíssimo e competente artista sr. Luiz Piereck, acaba de ser dotada de importantes melhoramentos e novidades da arte, tonando-se desta sorte o principal estabelecimento do gênero desta capital”.

Louis Piereck anunciou que havia reassumido a direção técnica de seu estabelecimento e a nova máquina fotográfica adquirida na Europa foi exposta na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 26 de fevereiro de 1913, terceira colunaJornal Pequeno, 1º de março de 1913, primeira coluna).

Anunciou possuir os aparatos mais modernos e necessários para transformar seu ateliê em um interior de igreja para os atos de 1ª Comunhão, casamentos e batizados (Jornal Pequeno, 7 de abril de 1913, primeira coluna).

 

A Photographia Piereck inaugurou seu serviço fotográfico noturno sem o processo do magnésio (Jornal Pequeno, 13 de junho de 1913, penúltima coluna).

 

 

A Photographia Piereck foi contratada para realizar o quadro dos formandos da Escola de Farmácia (A Província, 24 de julho de 1913, terceira coluna).

Em 14 de novembro, no Teatro Santa Izabel, no Recife, foi entregue a Medalha de Ouro conquistada por Louis Piereco, na Exposição Internacional de Turim, em 1911 (Jornal Pequeno, 15 de novembro de 1913, terceira coluna).

 

 

Foi noticiado que Louis Piereck embarcaria para a Europa com a família. Teria aceito a incumbência de realizar para o Jornal Pequeno reportagens fotográficas nas principais cidades que visitasse (Jornal Pequeno, 29 de novembro de 1913, segunda colunaJornal do Recife, 18 de abril de 1915, segunda coluna).

Na Photographia Piereck, exposição de um quadro com retratos da tripulação vencedora, do Club Náutico, do páreo de honra da última regata (Jornal Pequeno, 13 de dezembro de 1913, última coluna).

1914 – Exposição do quadro das professoras da Escola Normal Pinto Junior, confeccionado no ateliê fotográfico de Piereck que foi decorado, para o evento, em estilo japonês. Na ocasião, houve a apresentação de uma banda militar (A Província, 21 de novembro de 1914, última colunaJornal do Recife, 24 de novembro de 1914, última coluna).

1915 – Ganhou o Grande Prêmio de Honra e uma Medalha de Ouro na Exposição Internacional do Trabalho em Milão.

 

Grande Prêmio de Honra, em Milão, 1915 / Arquivo da família Piereck

Grande Prêmio de Honra, Milão, 1915 / Acervo da família Piereck

 

Após uma longa viagem pela Europa, iniciada em fins de 1913, quando esteve em Viena, Paris e Berlim, Louis Piereck e sua família voltaram para o Recife, a bordo do transatlântico Avon. Trouxe para seu ateliê recentes descobertas fotográficas, dentre elas o processo de Pigment ou carvon verdadeiro, em que se notam nas provas 20 e tantas cores diferentes. Adquiriu também aparelhos para a execução de trabalhos esmaltados em moldura de diversos formatos – ovais, medalhões, redondos, quadrados, dentre outros – , e máquinas fotográficas para a realização de instantâneos de toda natureza … podendo apanhar as imagens com a rapidez de 2500 de segundo (Jornal do Recife, 18 de abril de 1915, segunda colunaA Província, 23 de abril de 1915, segunda coluna; A Província, 27 de abril de 1915, quinta colunaJornal Pequeno, 28 de maio de 1915, penúltima coluna). Reassumiu seu estabelecimento fotográfico em 1º de junho (A Província, 27 de maio de 1915, segunda coluna).

Era o único depositário para todo o Brasil do medicamento Expulsin, fabricado em Berlim para o combate à gota, reumatismo e artrite (A Província, 27 de junho de 1915, primeira colunaA Província, 17 de março de 1917, última coluna).

O inspetor de higiente, dr. Gouveia de Barros, foi retratado na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 4 de agosto de 1915, última coluna).

Inauguração de diversos e importantes melhoramentos na Photographia Piereck, dentre eles o aumento da iluminação elétrica. Havia no ateliê um espaçoso laboratório para lavagem, revelação e fixagem de chapas, uma prensa automática e elétrica para a impressão de provas e também um aparelho para o serviço de ampliação. Havia também a seção de colagem, cortagem de cartão e abertura de firma da casa e outros distintivos, além da sala de fotografia e da seção de molduras. Nesta ocasião, trabalhavam no ateliê os artistas Gustavo Fischer e o alemão Phil Schafer, que havia trabalhado no ateliê Hubart & Cia, no Rio de Janeiro (Jornal Pequeno, 29 de dezembro de 1915, última coluna).

1916 - Piereck esteve por cerca de três meses na Europa e reassumiu a direção artística de seu ateliê, em 30 de junho de 1916. Trouxe para seu estabelecimento um aparelho para fotografias noturnas usado nas grandes casas da Europa. Adquiriu também uma belíssima cartonagem, o que havia de mais chic e novo no gênero (Jornal Pequeno, 1º de julho de 1916, última coluna).

Viajou a passeio para o Rio de Janeiro (Jornal Pequeno, 22 de agosto de 1916, última coluna).

1917 - Em um aviso publicado no jornal A Província, Piereck denunciou fotógrafos que, usando de má fé, apresentavam-se como seus representante (A Província, 3 de abril de 1917, última coluna).

 

 

Devido à manifestações contra a Alemanha ocorridas no Recife, Piereck procurou a redação do Jornal do Recife e declarou, mostrando documentos, ser brasileiro (Jornal do Recife, 12 de abril de 1917, primeira coluna).

A Photograhia Piereck foi escolhida para realizar o quadro de retratos dos bacharelandos de Direito de 1917 (Jornal Pequeno, 26 de maio de 1917, última coluna).

Anúncio da instalação, na Photographia Piereck, de uma importante e bem montada oficina para o fabrico de molduras, a cargo de competentes artistas (Jornal Pequeno, 26 de julho de 1917).

No quarto e mais importante páreo da regata promovida pelo Club Sportivo Almirante Barroso, foi disputado pela primeira vez o rico e elegante brinde “Photo Piereck”, oferecido pela conceituada Photographia Piereck  (Jornal Pequeno, 4 de agosto de 1917, quinta coluna).

 

medalhão

 

Foi noticiado que Gustavo Fischer havia deixado de ser o auxiliar de Louis Piereck, por sua livre e espontânea vontade. Ele passou a gerenciar a Photographia Chic (Diário de Pernambuco, 23 de outubro de 1917, primeira colunaJornal Pequeno, 24 de outubro de 1917, última coluna).

1918 - Mais uma vez, a Photographia Piereck foi a responsável pela realização do quadro de bacharéis da Faculdade de Direito (A Província, 7 de fevereiro de 1918, segunda coluna).

 

 

Exposição de diversos retratos na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 2 de agosto de 1918, terceira coluna).

1919 – As capas da revista Vida Moderna passaram a trazer fotografias cedidas pela Photographia Piereck (Vida Moderna (PE), 5 de julho de 1919).

 

 

Inauguração na Photographia Piereck do quadro dos engenheiros formados em 1919 na Escola Livre de Engenharia. O passe-partout havia sido confeccionado pelo artista Moser (Jornal do Recife, 16 de agosto de 1919, penúltima coluna).

Realização de um magnífico trabalho na Photographia Piereck. Quadro do corpo médico e da junta administrativa de 1948, do Hospital Português (Jornal Pequeno, 20 de agosto de 1919, segunda coluna).

Foi anunciada a venda, na Photographia Piereck, de novas tintas para artistas pintores (Jornal Pequeno, 7 de outubro de 1919, primeira coluna).

A Photographia Piereck foi, de novo, a responsável pela realização do quadro de bacharéis da Faculdade de Direito (A Província, 10 de dezembro de 1919, penúltima coluna).

Na Photographia Piereck, inauguração do quadro de retratos dos professores da Escola Normal: Julio Pires Ferreira, França Pereira, Arthur Cavalcanti e José Ferreira Muniz (A Província, 13 de dezembro de 1919, quarta coluna).

1920 – O pintor Vicente do Rego Monteiro (1899 – 1970) fez uma exposição de ilustrações e aquarelas na Photographia Piereck (Diário de Pernambuco, 7 de janeiro de 1920, primeira coluna). Rego Monteiro trouxe para o Recife, em 1930, uma exposição de artistas da Escola de Paris, que foi a primeira mostra internacional de arte moderna realizada no Brasil, com artistas ligados às grandes inovações nas artes plásticas, como o cubismo e o surrealismo. Foram expostas, dentre outras, obras de Fernand Léger (1881 – 1955), Georges Braque (1882 – 1963), Joan Miró (1893 – 1983) e Pablo Picasso (1881 – 1973), além de trabalhos dele.

 

 

Estavam à venda na Photographia Piereck, as chapas fotográficas de fabricação alemã que, devido à guerra e a consequente interrupção das exportações, passaram muito tempo em falta. Outros produtos fotográficos também eram vendidos no ateliê (A Província, 22 de julho de 1920, primeira colunaA Província, 20 de agosto de 1920, última coluna).

 

 

A Photographia Piereck foi escolhida para realizar o quadro de retratos dos formandos em odontologia (Jornal do Recife, 7 de agosto de 1920, quinta coluna).

Os retratos do presidente do Brasil, Epitácio Pessoa (1865 – 1942), e do governador de Pernambuco, José Rufino Bezerra Cavalcanti (1865 – 1922), realizados pela Photographia Piereck, foram expostos durante a realização da comemoração do primeiro ano de governo de Bezerra CAvalcanti (A Província, 18 de dezembro de 1920, quarta coluna).

1921 – A Photographia Piereck realizou o quadro de retratos dos formandos da Faculdade de Direito e dos farmacêuticos (Jornal do Recife, 13 de janeiro de 1921, sexta colunaA Província, 3 de dezembro de 1921, segunda coluna).

Piereck Irmãos vendiam carros (Diário de Pernambuco, 20 de janeiro de 1921).

A Photographia Piereck recebeu da Alemanha cartonagem para retratos de formatos visita e álbum em cores sortidas com os seus respectivos envelopes transparentes (A Província, 30 de janeiro de 1921, quarta coluna).

Exposição de diversos retratos na Photographia Piereck, uma das melhores de nosso país (A Província, 11 de fevereiro de 1921, primeira coluna).

Louis Piereck reassumiu, em 15 de setembro, a direção de seu estabelecimento (A Província, 20 de setembro de 1921, última coluna).

Phil Schafer, gerente da Photographia Piereck, anunciou que havia se desligado do estabelecimento e oferecia seus serviços profissionais de ampliação, sua especialidade, assim como outros ligados à fotografia. Posteriormente abriu um estabelecimento fotográfico na rua da Imperatriz, 285, bem perto da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 20 de setembro de 1921, última colunaAlmanak Laemert, 1927, última coluna).

O Club Sportivo Almirante Barroso conquistou algumas taças nas regatas realizadas na baciaa do Capiberibe, uma delas a Taça Photo Piereck (A Província, 20 de setembro de 1921, segunda coluna).

Houve um incêndio na Photographia Piereck devido a um curto-circuito na fiação elétrica (Jornal Pequeno, 6 de dezembro de 1921, quinta colunaA Província, 7 de dezembro de 1921, última coluna).

1922 – Foi premiado com a Medalha de Ouro na Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada no Rio de Janeiro (A Província, 11 de julho de 1924, primeira coluna).

A Photo Piereck anunciou a chegada de uma nova remessa de chapas alemães do afamado fabricante Schleussner. No mesmo anúncio aconselhava os fotógrafos e amadores: só usem chapas preparadas com emulsão tropical  (Diário de Pernambuco, 19 de janeiro de 1922, terceira coluna). No mesmo ano, foi anunciada a chegada de uma remessa da tinta Helios, especiais para a pintura de tecidos (Diário de Pernambuco, 14 de juho de 1922, terceira coluna).

A Photographia Piereck realizou o quadro de retratos das professoras formadas na Escola Normal de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 2 de fevereiro de 1922, sexta coluna).

Nascimento de Fernando Carlos, filho de Elizabeth Piereck White, irmã de Louis, que era casada com Fernando White (Jornal Pequeno, 16 de fevereiro de 1922, quinta coluna).

Durante as exéquias celebradas, na basílica Nossa Senhora da Penha, em memória de José Rufino Bezerra Cavalcanti (1865 – 1922), foi exibido um retrato a óleo, realizado pela Photographia Piereck na época em que ele foi ministro da Agricultura, entre 1915 e 1917 (Diário de Pernambuco, 28 de abril de 1922, quarta coluna).

Após concorrer com o fotógrafo Fidanza – curiosamente, mesmo sobrenome do fotógrafo português Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903) – , foi escolhido para realizar o quadro de retratos dos bacharéis da Faculdade de Direito (A Província, 12 de maio de 1922, quinta coluna).

Na Photographia Piereck, exposição do chargista e caricaturista paraibano Fausto Silvério Monteiro, (? – 1935), Fininho, pioneiro nas produções de materiais gráficos do cinema pernambucano. Pode ser considerado como um dos primeiros artistas gráficos a trabalhar para o cinema no Brasil (Diário de Pernambuco, 27 de agosto de 1922, quinta coluna).

 

 

A Photo Piereck anunciava-se como a única importadora em Pernambuco de produtos fotográficos.

 

 

Foi, de novo, o responsável pela realização do quadro de retrato de bacharéis da Faculdade de Direito (Diário de Pernambuco, 15 de dezembro de 1922, quinta coluna).

1923 - Ferdinand Piereck Junior noticiou que seu irmão, Louis Piereck, estava se retirando da firma Piereck Irmãos, que ficava na Praça da Independência 31 e que havia há pouco anunciado a venda de tintas e anilinas de Brauns (A Província, 24 de abril de 1923, segunda coluna).

Exposição na Photographa Piereck do retrato do senador Manoel Borba (1864 – 1928), que seria colocado na Prefeitura de Jaboatão (Jornal Pequeno, 9 de junho de 1923, primeira coluna).

Eram vendidas na Photographia Piereck máquinas fotográficas Kodack Goerz, além de outros produtos fotográficos da marca Gevaert (Jornal Pequeno, 16 de janeiro de 1923, última colunaJornal Pequeno, 10 de julho de 1923, segunda coluna).

 

 

O alemão Martin Schumann dirigia a seção de retratos a óleo, pastel, aquarelas e ampliações fotográficas da Photographia Piereck. Anteriormente, já havia dirigido uma academia em Dresden onde ensinava essas técnicas. Em homenagem à data da independência do Brasil, foi realizada uma exposição na Photo Piereck de quadros a óleo e trabalhos outros do gênero (Jornal Pequeno, 5 de setembro de 1923, quinta colunaA Província, 7 de setembro de 1923, quarta coluna).

 

 

Morte do primogênito de Louis e Hermínia Piereck, Luiz, que estudava no Colégio Synodal, em Santa Cruz, no Rio Grande do Sul (Jornal Pequeno, 30 de novembro de 1923, primeira coluna).

Publicação de propagandas das lentes Goerz, vendidas na Photographia Piereck (Diário de Pernambuco9  e 30 de dezembro de 1923).

 

 

“A memória nem sempre é fiel….É recem-casado?…De futuro a sua alegria será enorme” – de uma propaganda da Photo Piereck (Jornal Pequeno, 31 de dezembro de 1923, última coluna).

 

 

1924 - Mário Araújo Sobrino e Felipe Nery dos Santos trabalhavam como auxiliares na Photographia Piereck  (Diário de Pernambuco, 14 de fevereiro, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 27 de maio de 1924, terceira coluna).

Realizou o quadro de retratos dos bacharéis em ciências comerciais (A Província, 29 de março de 1924, quarta coluna).

Exposição, na Photographia Piereck, do quadro de retratos dos formandos da Escola de Engenharia de Pernambuco. O passe-partout foi de autoria do pintor H. Moser  (Diário de Pernambuco, 5 de abril de 1924, quarta coluna).

Na Photographia Piereck eram vendidos diversos equipamentos fotográficos (Jornal Pequeno, 21 de maio de 1924).

 

 

Exposição na vitrine da Photographia Piereck de um magnífico retrato busto em tamanho natural enfaixado em rica moldura do abastado comerciante e nosso particular amigo coronel Othon Mendes Bezerra de Mello (Jornal Pequeno, 2 de setembro de 1924, segunda coluna).

Ganhou uma Medalha de Ouro do Instituto Agrícola,  no Rio de Janeiro.

1925 – Inauguração, na Photographia Piereck, do quadro de retratos de bacharéis da Faculdade de Direito (Diário de Pernambuco, 12 de março de 1925, primeira coluna).

 

 

Publicação de fotografias de Piereck na Revista de Pernambuco (Revista de Pernambuco, março de 1925).

 

 

Anunciou a venda de vários produtos “Para photografia!” como prensa de copiar 13:18 9:12, bacias de porcelana e ágata, copas de graduar, balanças, vidros finos despolidos, rubi e calibres diversos. Vendia também papéis mate e brilhantes de diversos fabricantes, além de cartolinas (Diário de Pernambuco, 31 de maio de 1925, terceira colunaDiário de Pernambuco, 4 de julho de 1925, primeira coluna).

A Photographia Piereck foi responsável pelo quadro de retratos da primeira turma de médicos formados na Faculdade de Medicina do Recife (A Província, 6 de dezembro de 1925, terceira coluna).

Falecimento de seu pai, Ferdinand, em sua casa na estrada dos Aflitos, 192 (Jornal do Recife, 12 de dezembro de 1925, segunda coluna).

1926 – Falecimento da sogra de Piereck, Maria Leontina Bastos Tigre (Jornal Pequeno, 4 de janeiro de 1926)

A Photo Piereck anunciava uma grande novidade, o metallon, um papel fotográfico ideal para efeitos artísticos (Diário de Pernambuco, 28 de março de 1926).

 

 

O chargista  e caricaturista Fausto Silvério Monteiro (? – 1935), Fininho, trabalhava na Photographia Piereck, na rua da Imperatriz, 198  (Jornal do Recife, 10 de abril de 1926, quinta coluna).

A Photographia Piereck produziu o quadro de retrato das primeiras diplomadas em Comércio do Instituto Nossa Senhora do Carmo (Jornal do Recife, 20 de novembro de 1926, quarta coluna).

Na primeira edição da Revista da Cidade, publicação de duas fotografias de autoria de Piereck. Em diversas edições desta revista, fotografias de Piereck foram publicadas.

 

 

 

 

1927 – Foi o responsável pelo quadro de retratos da Turma do Centenário da Faculdade de Direito do Recife (Diário de Pernambuco, 21 de abril de 1927, sexta coluna).

Publicada as fotografias, todas de autoria de Piereck, dos membros da diretoria da Sociedade Anônima Revista da Cidade, recém formada (Revista da Cidade, 16 de abril de 1927, páginas 12 e 13).

 

 

Foi noticiada uma reforma na Seção de amadores da Photo Piereck (Jornal Pequeno, 18 de julho de 1927, última coluna).

1928 – Anunciou a chegada novas remessas de papel Leonar, chapas Eisenberger (Jornal Pequeno, 8 de março de 1928, última coluna).

A Photographia Piereck realizou a fotografia de dom Miguel de Lima Valverde (1872 – 1951), arcebispo de Olinda e Recife (Diário de Pernambuco, 22 de julho de 1928, quarta coluna).

Em um anúncio, convidava os fotógrafos amadores a ver a nova Vest pocket à venda na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 22 de novembro de 1928, segunda coluna)

1929 - Também eram vendidos na Photographia Piereck produtos da Kodak, da Agfa, da Hauff e de outros fabricantes (Jornal Pequeno, 2 de janeiro de 1929, segunda coluna).

Um retrato da Photographia Piereck era um dos prêmios oferecidos à vencedora do concurso de beleza que elegeu a Miss Pernambuco, Connie Brás da Cunha (Jornal Pequeno, 21 de março de 1929, quarta coluna).

A professora e feminista Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) ofereceu à feminista e presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, Bertha Lutz (1894 – 1976), uma fotografia sua produzida por Louis Piereck, datada de 5 de maio de 1929.

 

 

1930 - No dia em que foi assassinado, 26 de julho de 1930, pelo jornalista João Dantas (1888 – 1930), no Recife, o então governador de Paraíba, João Pessoa (1878 – 1930), esteve na Photographia Piereck, onde tirou novas fotografias a fim de atender a pedidos que constantemente lhe eram feitos por jornalistas, amigos e parentes. O governador estava com Agamenon Magalhães (1893 – 1952), na época ex-deputado e futuro governador de Pernambuco; e com o jornalista Caio Lima Cavalcanti. Piereck era grande admirador de Pessoa e segundo o Correio da Manhã, o encontro dos dois se deu com grande emoção. Na ocasião, Piereck teria contado a Pessoa que tivera um pesadelo com a morte dele (Diário Carioca, 29 de julho de 1930, penúltima colunaCorreio da Manhã, 29 de julho de 1930, penúltima coluna). O assassinato é considerado um dos estopins da Revolução de 30.

 

 

Segundo o jornalista Domingos Meirelles em seu livro Órfãos da revolução, ao preparar os equipamentos, Piereck notou que João Pessoa continuava tenso, olhos baixos, expressão congelada, com tristeza na face. Produziu um segundo retrato, segundo o pesquisador Edival Varandas, ao se dar conta que as luvas no bolso do paletó do presidente estavam desalinhadas e, subitamente, solicitando que não se movesse, ajeitou as luvas, pediu que esboçasse um leve sorriso e tirou o outro retrato, que viria a ser o último de Pessoa (O Dia (PR)21 de novembro de 1931, quarta coluna).

O assassino de João Pessoa, João Dantas, e o engenheiro Augusto Caldas, seu cunhado, foram presos na Casa de Detenção do Recife, onde foram encontrados mortos em 6 de outubro (Diário de Pernambuco, 7 de outubro de 1930, primeira coluna). O motivo oficial das morte foi suicídio mas, anos depois, a descoberta de registros fotográficos produzidos por Piereck contribuiu para desacreditar essa versão:

 “João Dantas e seu cunhado Augusto Caldas estavam detidos, desde a morte de João Pessoa, na penitenciária em Recife, quando, na tarde de 6 de outubro, foram encontrados mortos. A notícia oficial apontou suicídio, e assim foi divulgado na imprensa. Somente após a morte do fotógrafo Piereck foi que uma nova versão para a morte foi trazida ao público – tratava-se de outras fotografias desconhecidas e que estavam guardadas no cofre do fotógrafo. Conta-se que Piereck, sabendo do que ocorrera, fotografou o local, mas foi obrigado a tirar novas fotos em que, num novo cenário fotografado, esconderia os sinais de luta e de assassinato. Essa versão se encontra no livro do irmão de Augusto Caldas, que foi recentemente publicado pela ONG “Parahyba Verdade”” e editado pela Gráfica e Editora Imprell  (Trecho da dissertação de mestrado Sacrifício, heroísmo e imortalidade: a arquitetura da construção da imagem do Presidente João Pessoa, de Genes Duarte Ribeiro – página 100).

Essas fotografias foram publicadas no livro de Joaquim Inojosa Andrade, A República de Princesa (José Pereira x João Pessoa, -1930) e reproduzidas no site princesapb.com.

 

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1931 – Piereck era viciado em jogo e havia perdido seu patrimônio em corridas de cavalo, motivo de seu suicídio, em 19 de novembro. Ingeriu uma alta dose de oxianureto de mercúrio em sua residência, na avenida Rosa e Silva, 192. Desesperada, sua mulher, Herminia Tigre Piereck, também tentou se matar ingerindo ácido arsênico.  O casal tinha, na época, dois filhos, Edgard e Herminia “Baby” Piereck. O primogênito, Luiz, havia falecido em 1923 (Diário de Pernambuco, 20 de novembro de 1931, penúltima colunaJornal Pequeno, 20 de novembro de 1931, quinta coluna; Diário de Pernambuco, 20 de novembro de 1931, sexta coluna).

“A dolorosa ocorrência repercutiu tristemente em nosso meio, onde o sr. Louis Piereck se tornara um homem popular, pela sua bondade, pelos seus dotes morais. E o seu gesto,não foi só uma desagradável surpresa para os que apenas o conheciam mas também para os que pertenciam a sua família que, de momento, não podiam atinar onde essa causa tão forte, que levava o chefe a praticar o ato de desespero que lhe roubara a vida. Entretanto, ao que se sabe, o sr.Louis Piereck, antes de objetivar a sua macabra resolução, teria escrito uma longa carta a seu filho de nome Edgard Piereck expondo-lhe com pormenores as causas que o levaram a procurar a morte de uma maneira tão violenta”.

Jornal Pequeno, 20 de novembro de 1931

 

Era diretor do Jockey Club e as corridas foram suspensas no domingo seguinte a seu falecimento. Estiveram presentes a seu enterro o interventor federal e figuras da maior represetação da alta sociedade pernambucana (Jornal Pequeno, 21 de novembro de 1931, primeira coluna).

1932 – Foi publicado um anúncio convocando todos os credores da Photographia Piereck a fim de se entenderem com Edgard Piereck, filho de Louis (Diário de Pernambuco, 5 e fevereiro de 1932).

O estabelecimento foi a leilão judicial, em abril de 1932.

 

 

1949 – A esposa de Louis Piereck, Hermínia, morava na rua República do Peru, 124, no Rio de Janeiro, com a filha, Herminia Baby. Tropeçou em um cachorro, caiu, foi hospitalizada e acabou falecendo (Diário de Pernambuco, 17 de setembro de 1949, última coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

(1) De acordo com Lúcia Gaspar, da Fundaj, “curiosamente, a rua da Imperatriz Tereza Cristina mudou de nome três vezes. Em 1895, foi denominada Dr. Rosa e Silva. Passou para Floriano Peixoto. Finalmente, por meio da Lei nº 1.336, de 13 de março de 1923, voltou ao nome tradicional. De maneira espontânea, a população reduziu a sua denominação para Rua da Imperatriz, como é conhecida até hoje”. Por isso, apesar de entre 1904 e 1931 a Photographia Piereck ter existido no mesmo lugar, o endereço variou: rua dr. Rosa e Silva, 54; rua Floriano Peixoto, 54; rua Floriano Peixoto, 198; e rua da Imperatriz, 198.

 

Agradeço muitíssimo à família de Louis Piereck, especialmente à sua neta, Eliane Piereck, por inúmeras informações e pela cessão de registros do acervo pessoal da família.

Agradeço à bisneta de Louis Piereck, Chris Piereck, que contribuiu com novas informações, incorporadas ao artigo, em 30 de janeiro de 2023.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Marc Ferrez (1843 – 1923)

 

Cronologia de Marc Ferrez (1843 – 1923)

 

 

1843 – O fotógrafo Marc Ferrez nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de dezembro, sexto e último filho de Zépherin (Zeferino) Ferrez (31/07/1797 – 22/07/1851) e Alexandrine Caroline Chevalier (18? – 1851), que se casaram em 16 de junho de 1821, na igreja do Santíssimo Sacramento e passaram a residir na rua do Hospício, 62. Seu pai, o escultor e gravador francês Zeferino, e seu tio Marc (Marcos) Ferrez (14/09/1788 – 31/03/1850), também escultor, chegaram ao Rio de Janeiro, via Nova York, conforme informado nos livros da polícia de Registros Estrangeiros guardados no Arquivo Nacional. Eram formados pela Escola de Belas Artes de Paris e passaram a integrar a Missão Francesa, um dos marcos do desenvolvimento das artes no Brasil, que havia se instalado na cidade em 1816, chefiada por Joachim Le Breton (1760 – 1819) (O Despertador, 7 de março de 1840, na quarta coluna). Os irmãos de Marc Ferrez eram Fanny (1822 – 1902), Isabelle (18? – ?), Augustine Emile (1826 – 1904), afilhada do casal Grandjean de Montigny; Sophie (1831 – 1877) e Maurice (1835 – 1886). Marc não foi registrado na Legação Francesa.

1850 - Falecimento de seu tio, o escultor e seu homônimo, Marc (Marcos) Ferrez, em 31 de março, de febre amarela.

1851 - Em 20 de maio, Zeferino obteve a autorização da Secretaria de Polícia para embarcar para a França em “companhia de um filho menor”, Maurice ou Marc Ferrez (Diário do Rio de Janeiro, 21 de maio de 1851, na terceira coluna). Há uma possibilidade dele não ter embarcado porque, segundo especialistas, devido à duração da travessia entre o Brasil e a Europa não haveria tempo hábil para ele estar de volta em meados de julho, quando faleceu no Rio de Janeiro.

Em julho, os pais de Marc Ferrez faleceram devido a uma doença misteriosa ou a um envenenamento. Eles moravam na rua do Hospício, 62 (Diário do Rio de Janeiro, 29 de julho de 1851, na terceira coluna;  Correio da Tarde, 23 de julho de 1851Mercantil, 24 de julho de 1951, na última coluna e Jornal do Commercio, 25 de julho de 1851, na primeira coluna). Foram sepultados no Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco de Paula. Essas mortes foram antecedidas e sucedidas pelas mortes de escravos e também de animais que viviam na propriedade de Zeferino. O cônsul francês pediu um exame médico-legal e o diagnóstico de disenteria foi confirmado. Em uma matéria publicada na revista Palcos e Telas, de 8 de abril de 1920 sobre Marc Ferrez, o envenenamento por um escravo foi apontado como a causa da morte.

Segundo Gilberto Ferrez, seu neto, Marc Ferrez teria ido viver em Paris com o gravador de medalhas Joseph Eugène Dubois (1795 – 1863) e sua esposa Uranie Virginie Béthune. Porém, segundo a revista Palcos e Telas, de 8 de abril de 1920, Marc Ferrez já estaria em Paris quando ficou órfão. Segundo a mesma matéria, Marc Ferrez teria ficado na França até completar 21 anos. Gilberto Ferrez, afirmava que o avô teria retornado ao Brasil com 16 anos. Há muitas informações controversas a respeito da vida de Marc Ferrez no período em que morou em Paris.

Em 11 de agosto de 1951, foi realizado o inventário de Zeferino. Nele constava que o fotógrafo suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892) era o tutor do irmão de Marc Ferrez, Maurice. Apesar de ser suíço, Leuzinger mantinha muitas relações com a colônia francesa do Rio de Janeiro por ter se casado com a francesa Anne Antoinette du Authier (1822 – 1898), conhecida como Eleonore. Também informava que uma das filhas de Zeferino, Isabelle, era casada com Guillaume Keller, sub-rogado no documento como tutor de Marc. Ainda não se sabe se Guillaume era parente de Franz Keller, casado com Sabine, uma das filhas de Georges Leuzinger. Em outro documento, Amedée Poindrelle, marido de sua irmã Fanny, era apontado como o tutor de Marc.

O irmão de Marc, Maurice, chegou no Rio de Janeiro, em 22 de outubro, vindo do Havre, na galera Imperatriz do Brasil (Correio Mercantil, 23 de outubro de 1851, na última coluna). Retornou à Europa em 4 de dezembro, na galera Galathea (Correio Mercantil, 5 de dezembro de 1851, na última coluna).

c. 1863 –  Marc Ferrez retornou ao Brasil. Segundo seu neto, o historiador Gilberto Ferrez (1908 – 2000), Marc teria aprendido a arte da fotografia com o engenheiro e botânico alemão Franz Keller (1835 – 1890), que trabalharia como fotógrafo no ateliê de Georges Leuzinger, aberto em 1865. Uma carta enviada em 17 de janeiro de 1923 por um amigo de Ferrez, Luiz Carlos Franco, a seus filhos Julio e Luciano após a a morte do fotógrafo, confirma que Ferrez havia trabalhado para Leuzinger. Porém, a participação de Franz Keller no ateliê fotográfico de Leuzinger é questionável. Na verdade, até hoje não foi comprovada, e na década de 1860, Keller fez diversas viagens pelo Brasil com seu pai, Joseph, explorando rios do país, sob contrato do governo imperial.

Foi também por volta dessa data que Ferrez requereu um registro de nascimento e batizado junto à Legação Francesa no Rio de Janeiro, que foi assinada pelo chanceler Théodore Taunay (1797-1881) e pelo próprio Ferrez, emitida em 12 de agosto de 1863.

c. 1864 – Por volta desse ano, Marc Ferrez foi retratado pelo fotógrafo Augusto Stahl (1828 – 1877).

1865 / 1875 – Durante esse período,  provavelmente Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e Ferrez mantiveram uma parceria. A suposição existe devido a exames comparativos dos negativos originais dos fotógrafos que revelam semelhanças de procedimentos e de técnica.

1867 – Em 12 de março, Marc Ferrez enviou requerimento à Câmara Municipal do Rio de Janeiro para obter licença para que seu estabelecimento fotográfico funcionasse na rua São José, 96, sob a razão comercial Marc Ferrez & Cia. Nesse ano, o fotógrafo Oscar Delaporte e o artista gráfico Paul Théodore Robin (? – 1897) anunciavam seus estabelecimentos nesse mesmo endereço. Este último era dirigido pelo fotógrafo Revert Henrique Klumb (Almanak Laemmert, 1867). Durante o século XIX, era comum fotógrafos utilizarem os mesmos espaços anteriormente usados por outros fotógrafos para aproveitar a infraestrutura e o laboratório fotográfico já existente. Segundo Gilberto Ferrez, Marc já teria sua loja desde 1865.

1868 - Marc Ferrez anunciou a venda de “uma grande coleção de vistas do Rio de Janeiro e navios de guerra de todas as nações” na Photographia Brazileira (Jornal do Commercio, 6 de dezembro de 1868, na primeira coluna).

Pela primeira vez, o Almanak Laemmert se referiu a Marc Ferrez na seção “Fotógrafos”. O endereço de seu ateliê era rua São José, 96.

1869 – Publicação de um anúncio, em inglês, do estabelecimento de Ferrez, que ainda usava o nome de Photographia Brazileira, anunciando vistas do Rio de Janeiro e de seus arredores em todas as dimensões (Jornal do Commercio, 6 de junho de 1869, na segunda coluna).

1870 - Em 10 de julho, Ferrez fotografou o “Monumento à Deusa da Vitória” e o “Templo da Vitória”, localizados no Campo da Aclamação, durante as comemorações ocorridas no Rio de Janeiro pelo fim da Guerra do Paraguai – foi a primeira festa cívica do império. Uma das imagens das comemorações foi doada a dom Pedro II (Jornal do Commercio, 11 de julho de 1870, na quarta coluna).

Nos versos de seus cartões de montagem e fotografias estava inscrito “Marc Ferrez. Fotógrafo da Marinha Imperial e das construções navais do Rio de Janeiro”. Provavelmente a nomeação de Ferrez como fotógrafo oficial da Marinha relacionava-se com o lançamento do Plano para a Organização da Força Naval do Império que previa a renovação da frota com embarcações de diversos tipos, o que aconteceu nas décadas de 1870 e 1880. Ferrez registrou fotograficamente esses novos navios.

1871 – O ótico José Maria dos Reis, integrante do conselho da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional (O Auxiliador da Indústria Nacional, 1871), teve seus instrumentos científicos fotografados por Ferrez para a Exposição Científica de Córdoba, na Argentina, inaugurada em 15 de março (A Regeneração, 19 de fevereiro de 1871, na última coluna).

1872 – Ferrez divulgou no Almanak Laemmert sua “especialidade de vistas do Brasil”, indicando que seu estabelecimento ficava na rua São José, 96.

No mês de março, fotografou a comemoração pela chegada do casal imperial ao Brasil, após viagem pela Europa. Foi a primeira viagem ao exterior que dom Pedro II realizou em companhia da imperatriz Teresa Cristina (Diário do Rio de Janeiro, 1º de abril de 1872).

1873 – A comissão de organização da III Exposição Nacional, aberta em 1º de janeiro, encomendou de Ferrez fotografias do edifício da Escola Central da Corte, onde o evento se realizou. Suas fotografias do palácio da exposição e da cascata construída em seu pátio foram enviadas para a Exposição Universal de Viena realizada no mesmo ano sob o tema “Cultura e Educação”.

Ferrez casou-se com a francesa Marie Lefebvre (c. 1849 – 1914) em 16 de agosto. Cerca de um mês antes, em 13 de julho, foram lidas as proclamas do casamento na capela imperial (A República, 20 de julho de 1873, na quarta coluna).

Em 18 de novembro, um incêndio destruiu seu ateliê. Todas a chapas de seus primeiros anos como fotógrafo assim como seu equipamento fotográfico foram queimados (Jornal do Commercio, 19 de novembro de 1873, na segunda coluna).

1874 – Viajou para a França, graças à ajuda de seu amigo Júlio Claudio Chaigneau (? – 1894), negociante de artigos fotográficos. Em Paris, adquiriu material para recomeçar sua vida profissional de fotógrafo. Encontrou-se com seu amigo Alfée Dubois (1831 – 1905), de quem o Institut de France havia encomendado a cunhagem de moedas comemorativas de eventos astronômicos. Posteriormente, o Instituto enviou por Marc Ferrez três medalhas para dom Pedro II, em reconhecimento à colaboração do monarca brasileiro à ciência. Foram ofertadas por Jean-Baptiste Dumas (1800-1884), Secretário Perpétuo do Institut de France.  As medalhas são relativas à descoberta do centésimo planeta pequeno, à descoberta do processo de observação das protuberâncias do sol e a terceira era uma homenagem ao químico francês Michel Eugène Chevreul (1786 – 1889). Provavelmente as medalhas foram entregues pessoalmente por Ferrez a Pedro II em uma visita que realizou ao Paço Imperial (Diário do Rio de Janeiro, 18 de maio de 1874, na primeira coluna).

1875 -  Marc ingressou, em fevereiro, na Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, como irmão remido.

Ferrez começou a trabalhar como fotógrafo da Comissão Geológica do Império, chefiada pelo norte-americano Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), que se tornaria diretor da Seção de Geologia do Museu Nacional em 1876. Percorreu os atuais estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco e parte da região amazônica numa importante missão científica realizada no Brasil sob os auspícios do governo imperial, que gerou a primeira grande representação fotográfica de diversas regiões do território brasileiro. Segundo Gilberto Ferrez, foi durante essa viagem que Ferrez contraiu uma doença no fígado, da qual nunca se curou.

 

Carimbo de Marc Ferrez. Rio de Janeiro, c. 1875 / Acervo IMS

 

Marc Ferrez e outros membros da Comissão Geológica do Império embarcaram no paquete Pará com destino a Pernambuco (Jornal do Commercio, 10 de julho de 1875, na segunda coluna). Ele, Elias Fausto Pacheco Jordão, Francisco José de Freitas e Charles Frederick Hartt, todos membros da Comissão, agradeceram, publicamente, ao “digno comissário” J. Feliciano Gomes, que os recebeu no navio (Jornal do Recife, 26 de julho de 1875, na quarta coluna).

Foi publicado o relatório preliminar dos trabalhos da Comissão Geológica na província de Pernambuco, de autoria de Hartt. Ferrez foi mencionado (Diário de Pernambuco, 25 de novembro de 1875, na primeira coluna).

Na residência do inspetor do arsenal de Marinha, em Recife, o chefe da Comissão Geológica do Império, Charles Frederick Hartt, fez uma conferência sobre os arrecifes e outros aspectos de Pernambuco como o cabo de Santo Agostinho, praias, o rio São Francisco e a cachoeira de Paulo Afonso, ilustrados com fotografias de Marc Ferrez (Diário do Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1875, nas quinta e sexta coluna. sob o título “Norte do Império”).

Ferrez  apresentou na Exposição de Obras Públicas, evento paralelo à IV Exposição Nacional, dois álbuns com imagens dos recifes de Pernambuco, do baixo São Francisco e da cachoeira de Paulo Afonso, além de registros de corais e madrepérolas. As imagens produzidas durante a viagem da Comissão Geológica foram projetadas por Ferrez durante uma conferência do professor Hartt (O Globo, 4 de janeiro de 1876, na penúltima coluna).

A mulher de Ferrez, Marie Lefebvre foi retratada pelo renomado fotógrafo português José Ferreira Guimarães (1841 – 1924), radicado no Rio de Janeiro.

1876 -  New York Commercial Advertiser, de 29 de maio de 1876, publicou um artigo que informava que “riquíssimas fotografias da exploração geológica a cargo do professor Hartt” haviam sido apresentadas pelo Brasil na Exposição Universal da Filadélfia aberta em 10 de maio. Fotografias de Ferrez realizadas para a Comissão Geológica do Império foram premiadas com  medalha (The Rio News, 5 de agosto de 1879).  Uma curiosidade: a comissão de organização da Exposição da Filadéfia modificou as regras da premiação: os ganhadores receberiam um diploma, uma medalha de bronze e uma cópia certificada do parecer do júri, rompendo com o padrão de premiação hierárquica.

Foi publicada uma fotografia de autoria de Ferrez da cachoeira de Paulo Afonso na revista Illustração Brasileira, 1ºde agosto de 1876, acompanhada por um texto de Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), chefe da Comissão Geológica do Império. Na mesma edição, publicação de matéria sobre a Comissão Geológica do Império.

Foi noticiado que Ferrez havia chegado ao sul da Bahia com o geólogo Richard Rathbum, também integrante da Comissão Geológica, com diversas fotografias de índios botocudos, dentre outras (Illustração Brasileira, 1º de novembro de 1876, na última coluna). Essas teriam sido as primeiras imagens desses índios produzidas no Brasil (Palcos e Telas, 8 de abril de 1920).

 

 

1877 – Publicação da fotografia do farol da Barra da Bahia, de autoria de Marc Ferrez, na capa da revista Illustração Brasileira, 15 de janeiro de 1877.

 

 

 

O livro A Descrição do novo edifício para a Tipografia Nacional, publicado pelo engenheiro Antonio de Paula Freitas (1845 – 1906), foi ilustrado por gravuras baseadas em fotografias de Marc Ferrez.

Foi publicada uma gravura do morro da Glória, Pão de Açúcar e entrada na baía do Rio de Janeiro na capa da revista Illustração Brasileira, 15 de março de 1877.

De 1877 até o final da década de 1880, Ferrez foi o responsável pela produção da documentação fotográfica das obras destinadas a melhorar o abastecimento de água no Rio de Janeiro (Gazeta de Notícias, de 28 de junho de 1889, na segunda coluna, sob o título “Águas do rio S. Pedro”).

O governo decretou o fim da Comissão em 1º de julho de 1877 e em janeiro do ano seguinte sua extinção foi efetivada.

Foi anunciada a exposição de quatro fotografias de autoria de Marc Ferrez, na galeria da A la Glacê Elegantesituada na rua do Ouvidor, 138. Eram imagens do “importante estabelecimento hidroterápico e  casa de saúde do sr. dr. Fernando Eiras (Jornal do Commercio, 11 de setembro de 1877, na quarta coluna). Na A la Glacê Elegante, outra exposição de fotografias de Ferrez, desta vez do engenho central Quissamã (Gazeta de Notícias. 12 de outubro de 1877, na quarta coluna). Ferrez voltaria a expor várias vezes na A la Glacê Elegante, loja de moldurasque assim como outros estabelecimentos como o Espelho Fiel e a Casa de Wilde, em meio a seus produtos, abriam espaço para exposições de obras de arte ou novidades do mundo artístico-industrial. Por exemplo, em 1878, o artista italiano Nicolau Facchinetti (1824 – 1900) expôs suas pinturas na A la Glacê Elegante.

Publicação de uma matéria sobre o trabalhos da Comissão Geológica do Império e sobre o local onde estavam guardados e onde os membros da comissão cuidavam de sua classificação, estudo e do desenvolvimento, na rua da Constituição, nº 41, visitado pelo imperador Pedro II, no dia 27 de outubro. Foi mencionada a existência de um laboratório fotográfico, “grande e espaçoso…nele estão guardados algumas centenas de clichês , feitos no campo pelos Srs. Ferrez e Brenner e mno laboratório pelo Sr. Ratbunn, que hoje toma conta dessa parte do serviço da comissão“(O Vulgarizador, 3 de novembro de 1877).

1878 – No Almanak Laemmert de 1878, Ferrez foi identificado como fotógrafo da Marinha Imperial e da Comissão Geológica. Seu estabelecimento ficava na rua São José, 88 com depósito na rua do Ouvidor, 55.

Viajou para a França na época da Exposição Universal de Paris, quando apresentou o mesmo panorama do Rio de Janeiro que havia exposto na Exposição Universal da Filadélfia, em 1876. Participou de reuniões da da Sociedade Francesa de Fotografia apresentando imagens de paisagens brasileiras de sua autoria e retratos produzidos pelo fotógrafo Insley Pacheco (1830 – 1912).  Ferrez comprou o aparelho panorâmico de varredura, fabricado por David Hunter Brandon (1821 – 1893) sob sua encomenda. Com esse equipamento, que pesava mais de 100 quilos, era possível produzir grandes imagens panorâmicas de até 1 metro e 10 centímetros sem as distorções muitas vezes provocadas pela justaposição de várias fotografias para a formação de uma única imagem.

Marc Ferrez estava na folha de pagamento do Ministério da Fazenda (Jornal do Commercio, 16 de março de 1878, na segunda coluna).

Foi publicada uma imagem do prédio da Tipografia Nacional, baseada em fotografia de Ferrez, na revista Illustração Brasileira, de abril de 1878.

Foi noticiada a morte de Charles Frederick Hartt, que havia sido o chefe da Comissão Geológica do Império. Ferrez foi mencionado (A Boa Nova, 24 de abril de 1878, na terceira coluna).

1879 – Matéria bem humorada sobre o ofício da fotografia. Segundo o autor, “as crianças é que são o pesadelo, a ave agoureira” dos fotógrafos. Devido a elas Ferrez e outros fotógrafos estariam “avelhantados e cheio de cans” (Jornal do Commercio, 20 de janeiro, sob o título “Photographos”).

Na galeria da A la Glacê Elegante, exposição de uma fotografia do correio, de autoria de Marc Ferrez, “tirada diretamente de uma dimensão nunca feita nesta capital até agora” (Jornal do Commercio, 28 de janeiro de 1879, na quarta coluna).

Na seção de “Fotografia”, Ferrez participou pela primeira vez da Exposição da Academia Imperial de Belas Artes e recebeu a medalha de ouro. Apresentou “Vistas diversas”, “Vistas transparentes pelo processo inalterável au charbon” e “Fotografias da Secretaria de Agricultura” e foi premiado com a segunda medalha de ouro (Jornal do Recife, 11 de agosto de 1879, na sexta coluna e Revista Musical e de Belas Artes, 9 de agosto de 1879). As fotografias foram elogiadas, sobretudo “as feitas com tintas azuladas e rosadas” (Jornal do Commercio, 17 de abril de 1879, na última coluna).

Em inglês, foram publicados anúncios das fotografias de Ferrez no jornal Rio News de 5 de agosto, de 15 de setembro15 de outubro5 de novembro, mencionando que ele havia recebido uma medalha na Exposição da Filadélfia e que havia sido fotógrafo da Comissão Geológica do Império. Os anúncios seguiram sendo publicados em 1880 e 1881.

Na galeria da A la Glacê Elegante, exposição de fotografias de Marc Ferrez representando o engenho agrícola no Porto-Real, “de uma dimensão nunca feita até hoje”(Jornal do Commercio, 10 de outubro de 1879, na sexta coluna).

Ferrez registrou a visita do Imperadordom Pedro II às obras para o abastecimento de água do Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 27 de novembro de 1879, primeira coluna).

Ferrez fotografou a Exposição Portuguesa no Rio de Janeiro e colocou as fotografias à venda (Revista da Exposição Portuguesa no Rio de Janeiro, 1879).

Anos 1880 – Começou a desenvolver a atividade de comerciante e representante de produtos e artigos para fotografia, de onde conseguia boa parte de sua renda. Entre 1880 e 1910, desenvolveu vários projetos em parceria com editores e fotógrafos, dentre eles Henri Gustave Lombaerts (1845-1897), Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912) e Gomes Junior.

1880 – No mês de junho, Ferrez fotografou o evento comemorativo do tricentenário de morte do poeta português Luis de Camões (c. 1524 – 1589 ou 1580), a Exposição Camoniana, inaugurada em 10 de junho na Biblioteca Nacional, então denominada Biblioteca Pública. Um desses registros foi oferecido à instituição por dom Pedro II.

Na casa do litógrafo Jules Martin, foi realizada uma exposição de fotografias de Ferrez produzidas no interior de São Paulo e na cidade de Santos, onde havia estado pela primeira vez (Jornal da Tarde, 29 de setembro de 1880, na terceira coluna).

1881 - Nascimento do primeiro filho do casal Ferrez, Julio Marc (1881 – 1946), em 14 de abril.

Na Exposição da Indústria Nacional, organizada por Jorge Henrique Leuzinger (1845 -1908), secretário da Associação Industrial e filho do fotógrafo Georges Leuzinger (1813 – 1892), Ferrez apresentou fotografias realizadas com a câmara panorâmica Brandon e ganhou o grande prêmio da mostra (O Binóculo, 23 de dezembro de 1881).

Publicou o folheto Exposição de paisagens fotográficas produtos do artista brasileiro Marc Ferrez Fotógrafo da Marinha Imperial e da Comissão Geológica, onde em 10 páginas divulgava seu trabalho. Nesse folheto declarava que seu estabelecimento, “dedicado especialmente a fazer vistas do Brasil”, havia sido fundado em 1860. Segundo Maria Inez Turazzi, a data coincide com a inauguração da oficina de fotografia e ambrótipo do litógrafo Paul Théodore Robin (? – 1897), com quem Ferrez pode ter trabalhado.

A Coroa imperial comprou, por 200 mil réis, quatro fotografias produzidas por Ferrez do Campo da Aclamação. No local havia sido instaladas as novas lâmpadas de filamento inventadas pelo industrial norte-americano Thomas Edison (1847 – 1931).

1882 – Participou da Exposição Continental de Buenos Aires, inaugurada em 15 de março (a seção brasileira foi inaugurada no dia 1º de abril, ocupando uma área de 600m2), com as fotografias apresentadas na Exposição da Indústria Nacional do ano anterior e foi premiado com uma medalha de prata e um prêmio ao mérito.

Fotografou na Exposição Antropológica Brasileira, inaugurada em 29 de julho de 1882, no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, uma série de registros de objetos e aspectos da vida indígena. Algumas fotografias de sua autoria também foram expostas. A mostra durou três meses e teve muito sucesso, com um público de mais de mil visitantes.

 

 

Fotografou as obras da ferrovia Dom Pedro II, em São Paulo e em Minas Gerais, tendo registrado a presença do imperador Pedro II e de sua comitiva na entrada do túnel da Serra da Mantiqueira (Gazeta de Notícias, 27 de junho de 1882, na quarta coluna).

 

 

1882 / 1883 – A fotomontagem feita por Ferrez de imagens de Antônio Luiz von Hoonholtz Tezpur, o Barão de Teffé (1837 – 1931), do capitão-tenente Francisco Calheiros da Graça (1849 – 1906) e do tenente Arthur Índio do Brasil e Silva (1856 – 1936) , os três homens encarregados pelo Observatório Imperial do Brasil para observar o trânsito de Vênus sobre o Sol, na ilha de São Tomás nas Antilhas, fez parte da publicação Comissão Astronômica Brasileira – Passagem de Vênus de 6 de dezembro de 1882, álbum comemorativo da participação brasileira no esforço internacional para acompanhar o citado evento astronômico. Com esse objetivo havia sido criado um observatório pelo Observatório Imperial, em homenagem a dom Pedro II (1825 – 1891), na ilha de São Tomás nas Índias Ocidentais Dinamarquesas (atualmente Ilhas Virgens Americanas). Esse trânsitos ofereciam a oportunidade de determinação da distância entre a Terra e o Sol e houve grande interesse científico e público nos trânsitos de 1874 e 1882.

1883 – O Club de Engenharia ofereceu uma recepção ao engenheiro hidráulico holandês J. Dirks, o grande especialista da época em portos e canais, que estava de passagem pelo Rio de Janeiro e seguiria para Valparaíso, no Chile. Na ocasião, foi realizada uma exposição de fotografias das estradas de ferro, de autoria de Marc Ferrez (Revista de Engenharia, 14 de abril de 1883).

Participou da Exposição Internacional de Amsterdam, realizada entre maio e outubro de 1883, com 24 grandes fotografias do Rio de Janeiro, de Santos, de Petrópolis e de outros lugares do interior do Brasil, tendo sido premiado com a medalha de bronze (Jornal do Commercio, 9 de outubro de 1883, na sétima coluna).

Ferrez fotografou a Kermesse organizada pela Sociedade Francesa de Beneficência, na Guarda Velha, localizada no antigo Campo de Santo Antônio, atual largo da Carioca (Gazeta da Tarde, 25 de outubro de 1883, na segunda coluna).

c. 1884 – Fotografou as obras da ferrovia do Paraná (Paranaguá – Curitiba). O gerente da firma Société Anonyme des Travaux Dyle et Bacalan, empreiteira belga encarregada pelas obras, o futuro prefeito do Rio de Janeiro, o engenheiro Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), presenteou dom Pedro II com 14 fotografias e um álbum de autoria de Ferrez com registros da ferrovia e da província do Paraná.

1884 - Nascimento do segundo filho do casal Ferrez, Luciano José André (1884 – 1955), em 9 de fevereiro.

Participou, em maio, da Exposição Internacional de Horticultura de São Petesburgo, com diversos trabalhos, dentre eles vistas do Brasil.  José Maria da Silva Paranhos Júnior (1845 – 1912), o Barão do Rio Branco, foi o comissário do pavilhão brasileiro, que teve como destaque a promoção do café nacional produzido em fazendas dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo (Jornal do Commercio, 7 de agosto de 1884, sexta coluna).

Exposição, na Notre Dame de Paris, de um retrato do astrônomo belga Louis Ferdinand Cruls (1848 – 1908), diretor do Imperial Observatório do Rio de Janeiro, “trabalho artístico obtido pelo novo sistema de gelatino-bromureto, especialidade do sr. Marc Ferrez, clichê do sr. Insley Pacheco”(Jornal do Commercio, 4 de julho de 1884, na última coluna).

 

 

Fotografias de Ferrez ilustravam a matéria escrita por Arthur Barreiros sobre o astrônomo belga Louis Ferdinand Cruls (1848 – 1908), diretor do Imperial Observatório do Rio de Janeiro, publicada na segunda edição da revista Galeria Contemporânea do Brasil (O Cearense, 29 de agosto de 1884, na terceira coluna).

Na primeira edição da revista Galeria Contemporânea do Brasil, publicação de uma fotografia de Machado de Assis, identificada como uma fotografia inalterável de Marc Ferrez e clichê de Insley Pacheco (Revista Ilustrada, 31 de agosto de 1884, na seção “Livros a ler”). Já na época, a Revista Ilustrada comentou o que parecia ser uma imprecisão na identificação da autoria da fotografia de Machado e documentos recentemente localizados na Biblioteca Nacional indicam Insley Pacheco como possível autor desse retrato.

 

Foi apresentada a revista Galeria Contemporânea do Brasil, cujas fotografias ficariam a cargo de Marc Ferrez, “introdutor entre nós do sistema de platinotipia, que se recomenda pela inalterabilidade e beleza de detalhes” (A Província do Espírito Santo, 14 de setembro de 1884, na última coluna).

Na “Seção de Fotografia” na Exposição Geral de Belas Artes, exibiu as fotografias Gaúcho do Rio GrandeFragata PallasFragata inglesa AmethystCruzador brasileiro Almirante BarrosoPasseio pela baía e Amazona e cavaleiro, feitas em gelatino-brometo de prata. Sob o título Vegetação, apresentou fotografias produzidas pelo processo de platina.

Exposição de fotografias da estrada de ferro Teresa Cristina, na A la Glacê Elegante (Gazeta da Tarde, 11 de novembro de 1884, na quinta coluna).

Ferrez e suas irmãs Francisca e Augustine libertaram dois escravos. Um trabalhava na Casa Leuzinger e o outro era padeiro (Gazeta da Tarde, 13 de dezembro de 1884, na segunda coluna, sob o título “Chronica do bem”).

1885 – Por volta deste ano, Ferrez produziu uma fotografia de uma vista panorâmica do Rio de Janeiro a partir de Santa Tereza, na qual ele brincava com o ilusionismo proporcionado pela dupla exposição: ele e um amigo apareciam duas vezes na foto.

 

 

Ferrez participou da inauguração da ferrovia do Paraná, a Paranaguá – Curitiba (Dezenove de Dezembro, 4 de fevereiro de 1885, na terceira coluna).

Marc Ferrez foi recebido por dom Pedro II (Jornal do Commercio, 19 de março de 1885, na terceira coluna).

O imperador Pedro II agraciou Ferrez com o grau de Cavaleiro da Ordem da Rosa, em 7 de março (Publicador Maranhense, 26 de março de 1885, na quarta coluna). Outros que receberam a condecoração na mesma ocasião foram os pintores Antonio Firmino Monteiro (1855 – 1888), Augusto Rodrigues Duarte (1848 – 1888), Francisco Aurélio de Figueiredo e Mello (1856 – 1916), José Ferraz de Almeida Junior (1850 – 1899) , além do músico Vicente Cernicchiaro (1858 – 1928).

Na Exposição Internacional de Beauvais, inaugurada em maio, 30 grandes fotografias de cidades brasileiras, dentre elas, Rio de Janeiro e Petrópolis, de autoria de Ferrez foram expostas. A seção brasileira foi organizada pelo sr. Rodrigues de Oliveira (Jornal do Commercio, 29 de maio de 1885, na sexta coluna).

Ferrez partiu, em outubro, para Paris no vapor Orenoque onde buscaria as últimas novidades sobre técnicas e equipamentos de fotografia (Jornal do Commercio, 21 de outubro de 1885, na sexta coluna, sob o título “Despedida”). Aprimorou, na época, a técnica do ferro prussiano, método utilizado para reprodução rápida de plantas de engenharia e outros desenhos, um dos serviços que oferecia em seu estabelecimento (Revista de Engenharia, 14 de abril de 1886). Para a mesma finalidade, Ferrez também usava a heliografia.

Apresentou na Sociedade Francesa de Fotografia, em Paris, entre 1885 e 1886, uma câmera desenvolvida para a realização de fotografias marinhas e ofereceu à associação provas panorâmicas produzidas no Brasil.

Participou da Exposição Universal da Antuérpia ou Exposição Universal de Anvers, na Bélgica, com Grande coleções de vistas do Rio de Janeiro: 31 fotografias e ganhou a medalha de prata, na classe VII, de “Provas e aparelhos fotográficos”(O Auxiliador da Indústria Nacional, de 1885), informação corroborada no livro Anvers à l´Exposition Universelle 1885de René Cornelli e Pierre Mussely, publicado no ano seguinte à mostra. Em 14 de outubro, os reis da Bélgica visitaram a exposição e a rainha apreciou muito as fotografias de Ferrez (Jornal do Recife, de 20 de novembro de 1885, na sexta coluna).

Ferrez fotografou o escritório particular de dom Pedro II, no Palácio de São Cristóvão (Anais da Biblioteca Nacional, 1991).

O livro Bilder aus Brasilen (Imagens do Brasil)do teuto-brasileiro Carlos von Koseritz (1830 – 1890), publicado em Leipzig por  A. W. Sellin foi ilustrado com onze gravuras produzidas a partir de fotografias de Ferrez. Foi traduzido para português, na década de 40, por Afonso Arinos de Melo Franco (1905 – 1990).

1885/1887 - Com a reprodução de 12 imagens de Ferrez, a editora milanesa Fratelli Tensi publicou o álbum de fotogravuras Lembrança do Rio de Janeiro.

1886 – O Boletim da Sociedade Francesa de Fotografia registrou a apresentação do equipamento criado por Ferrez para produzir fotografias marinhas.

O engenheiro belga Aimé Durieux (1827 – 1901), representante da Sociedade Anonyma de Trabalhos Dyle & Bacalan, doou à Sociedade de Geografia de Paris, da qual era integrante, um álbum com 26 fotografias de autoria de Ferrez sobre a ferrovia do Paraná.  A empresa atuava na construção de veículos ferroviários, navios e aeronaves, bem como em obras públicas.

O militar italiano Carlo de Amezaga (1835 -1899) publicou em Roma os quatro volumes de Viaggio di circumnavigazione della corvetta Caracciolo. No terceiro volume, há duas estampas do Rio de Janeiro baseadas em fotografias de Ferrez.

O engenheiro britânico Hastings Charles Dent (1855 – 1909) publicou A year in Brazil: with notes on the abolition of slavery, the finances of the empire, religion, metereology, natural history, etc com 10 páginas de ilustrações e mapas baseados em registros de Ferrez.

Ferrez retornou ao Brasil em março.

O ateliê de Marc Ferrez era o depositário das chapas secas Clayton, “reconhecidas as melhores (Jornal do Commercio, 14 de março de 1886, na primeira coluna).

Estava em exposição na A la Glacê Elegante diversos aumentos de retratos pelo sistema inalterável de gelatino-bromure, de autoria de Ferrez, dentre eles uma fotografia do navio Almirante Barroso considerada rara por suas “enormes dimensões”. O sistema era uma especialidade da Casa Marc Ferrez (Jornal do Commercio29 de março de 1886, na terceira coluna 30 de março de 1886, na quarta coluna). Sobre a mesma exposição, Ferrez foi referido como “habilíssimo fotógrafo” que havia chegado da Europa para onde havia ido se aperfeiçoar “nas mais recentes ficelles de l´art, e fez no estabelecimento A la Glacê Elegante  uma exposição de positivos ampliados de clichês, e de uma prova de fotografia instantânea representando o cruzador Almirante Barroso. Esta prova é de grandes dimensões, calculamos ser de 1m20 x 0.80m. É escusado dizer que os trabalhos expostos traduzem a costumada e reconhecida perícia do expositor”. Informava também que uma das especialidades do ateliê de Ferrez era a reprodução rápida de plantas e de outros desenhos de engenharia através do processo “ferro prussiato“” (Revista de Engenharia, 14 de abril de 1886, na segunda coluna). Para a mesma finalidade, Ferrez também usava a heliografia.

Propaganda do estabelecimento de Marc Ferrez na rua São José 88 onde era anunciado como Photographia da Marinha Imperial e oferecia material completo para fotógrafos e amadores, chapas instantâneas Clayton, aumento de retratos, reprodução indelével de plantas e vistas de todas as partes do Brasil (O Programa Avisador, 8 de julho de 1886, na última coluna). O anúncio foi publicado diversas vezes ao longo de 1886.

 

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Propaganda do estabelecimento fotográfico de Marc Ferrez, 1886.

 

Na A la Glacê Elegante, exposição de fotografias produzidas “instantaneamente” por Marc Ferrez com um aparelho de sua invenção construído em Paris sob sua imediata inspeção (Jornal do Commercio, 26 de julho de 1886, na quarta coluna).

Em uma reunião da Sociedade Central de Immigração, da qual faziam parte, entre outros, o astrônomo belga Louis Ferdinand Cruls (1848 – 1908), o pintor italiano Nicolau Facchinetti (1824 – 1900), e o político Alfredo d´Escragnolle Taunay (1843 – 1899), foram apresentadas por esse último, presidente da associação, fotografias da ferrovia do Paraná, de autoria de Ferrez (A Immigração, agosto de 1886).

A estampa que acompanhava o artigo sobre o túnel de ferro corrugado publicado na Revista de Engenharia de 18 de outubro de 1886, foi impressa “por um econômico processo heliográfico, de cujos detalhes o bem conhecido fotógrafo Marc Ferrez adquiriu o conhecimento em sua recente viagem à Europa, e que é eminentemente adaptado pelo seu moderado custo à reprodução de desenhos, quando se precisa apenas de algumas dezenas de exemplares”.

O Club de Engenharia aprovou a proposta de Marc Ferrez e de E. de Mascheuk para a execução de “diversos trabalhos concernentes à exposição dos caminhos de ferro” (Revista de Engenharia, 14 de dezembro de 1886, na primeira coluna).

Ferrez fotografou a ferrovia Dom Pedro II, em Juiz de Fora.

Não usava mais a referência da Comissão Geológica em seu currículo profissional. Apresentava-se como “Fotógrafo da Marinha Imperial”.

1887 - Ferrez comunicou a chegada de novas chapas gelatino Brumure Clayton, reconhecidas como as melhores e mais rápidas, de todos os tamanhos, das quais ele era o único depositário (Jornal do Commercio, 27 de fevereiro de 1887).

O antigo gerente do estabelecimento de Ferrez, Albert Breton, tornou-se funcionário da Casa Saturno, “grande atelier de retratos”, localizado na rua 1º de março, 23 (O Programa Avisador, 3 de março de 1887).

O Ministério da Agricultura encomendou a Ferrez dez grandes fotografias da hospedaria da Ilha das Flores, local de passagem obrigatória dos imigrantes estrangeiros que aportavam no Rio de Janeiro (Gazeta da Tarde, 7 de abril de 1887).

Entre 2 de julho e 2 de agosto, nos salões do Liceu de Artes e Ofícios, por uma iniciativa do Club de Engenharia, realizou-se a Exposição dos Caminhos de Ferro Brasileiros, com a exibição de fotografias de Ferrez (Revista de Engenharia, 14 de agosto de 1887). Estiveram presentes no encerramento da exposição, no dia 2 de agosto, a princesa Isabel(1845 – 1921) e o conde d´Eu (1842 – 1922), além de outras autoridades. O conselheiro Sinimbu (1810 – 1906) leu o relatório do juri da exposição, do qual também fazia parte o visconde de Mauá (1813 – 1889), Pedro Betim Paes Leme (1846 – 1918), Christiano Benedicto Ottoni (1811 – 1896), Carlos Peixoto de Mello (1871 – 1917), Álvaro Joaquim de Oliveira (1840 – 1922) e Manoel José Alves Barbosa (1845 – 1907). Ferrez foi contemplado com uma menção honrosa pelas “magníficas fotografias de importantes trechos de nossas vias férreas, com que concorreu não só para abrilhantar a Exposição como até para suprir algumas lacunas sensíveis de estradas que se não fizeram representar” (Jornal do Commercio, 3 de agosto de 1887, na terceira coluna e Revista de Estradas de Ferro, 31 de agosto de 1887, na primeira coluna).

Ferrez era o secretário-adjunto da Diretoria da Associação Industrial, que enviou ao conselheiro Rodrigo Augusto da Silva (1833 – 1889), ministro e secretário de Estado para os Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, um plano para a realização de uma exposição preparatória para a Exposição Universal de Paris, em 1889 (Revista de Engenharia, 28 de agosto de 1887).

Anúncio da Photographia Marc Ferrez, apresentando-se como depositária das chapas secas de Attout-Taillfer & Clayton, além de oferecer cartões e câmaras de viagem (Jornal do Commercio, 4 de setembro de 1887, quarta e quinta colunas). Propagandas da Casa Marc Ferrez foram veiculadas várias vezes no mesmo jornal ao longo de 1887 e 1888.

1888 – Marc Ferrez estava fotografando pessoas e grupos para perpetuar as memórias dos festejos pela abolição da escravatura (O Paiz, 16 de maio de 1888, primeira coluna).

No Arsenal de Marinha, foi concluído o faceamento do meteorito de Bendegó com as presenças da princesa Isabel e do conde d´Eu. Ferrez fotografou o meteorito e o grupo com “Suas Altezas, o presidente da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, Marquez de Paranaguá, iniciador da ideia de remoção desse meteorito, o diretor do Museu Nacional, os membros da comissão, e o sr. ministro dos estrangeiros”(Correio Paulistano, 17 de julho de 1888, na quinta coluna, sob o título “Meteorito de Bedengó”). Também no Arsenal de Marinha, cerca de um mês depois, com as presenças de Suas Altezas, da baronesa de Loreto Maria Amanda Paranaguá Dória (1849 – 1931), do barão de Corumbá João Mendes Salgado (1832 – 1894), do marquês de Paranaguá João Lustosa da Cunha Paranaguá (1821 – 1912), e do diretor do Imperial Observatório do Rio de Janeiro, Louis Ferdinand Cruls (1848 – 1908), dentre outros, o meteorito de Bedengó foi coberto com ácido nítrico. Na matéria, foi mencionado que Ferrez fotografaria o meteorito (Gazeta de Notícias, 17 de agosto de 1888, na segunda coluna sob o título “Corte do Bendegó”).

Ferrez fotografou a fachada da tradicional farmácia carioca Casa Granado, tradicional farmácia carioca, enfeitada para as festividades de boas vindas a dom Pedro II  e à Imperatriz D. Teresa Cristina, que retornavamde sua viagem à Europa. No passepartout da fotografia, que foi distribuída como brinde pelo estabelecimento e trazia a assinatura de Marc Ferrez, lê-se: “Homenagem da Drogaria Granado ao feliz regresso de SS. MM. Imperiaes. Rio, 22 de agosto de 1888”.

 

 

Em torno deste ano, produziu fotografias dentro de minas de ouro – as primeiras conhecidas até hoje. Foram fotografadas as minas da Passagem e de Pari, em Minas Gerais. Ferrez utilizou o flash de magnésio. Na ocasião também realizou registros de Ouro Preto e de Itacolomy*.

Ferrez  fotografou a cerimônia em que a Princesa Isabel (1846 – 1921) foi condecorada com a Rosa de Ouro, honraria do Vaticano, outorgada pelo papa Leão XIII (1810 – 1903) por ter assinado a Lei Áurea. A solenidade, celebrada em 28 de setembro, na Capela Imperial, foi, provavelmente, a primeira grande ocasião em que Ferrez usou os novos flashes de magnésio que havia recebido recentemente da Europa. A data escolhida para a entrega da Rosa de Ouro marcava o aniversário da Lei do Ventre Livre, assinada no dia 28 de setembro de 1871 (Gazeta da Tarde, 28 de setembro de 1888, primeira colunaGazeta de Notícias, 29 de setembro de 1888). Ferrez e Pedro da Silveira foram designados para fotografar o evento. O engenheiro Morin seria o encarregado pela luz elétrica (O Espírito – Santense, 6 de outubro de 1888, na segunda coluna)**.

 

Marc Ferrez. A Princesa Isabel recebe a Rosa de Ouro, outorgada pelo papa Leão XIII, 28 de setembro de 1888. Rio de Janeiro, RJ / Coleção Princesa Isabel

 

 

 

Em 25 de novembro, foi inaugurado o tráfego entre as estações de Alcântara e Rio do Ouro da estrada de ferro de Maricá. Marc Ferrez fotografou “instantaneamente ” um grupo de convidados da diretoria das estradas na estação Santa Izabel (Revista de Engenharia, 28 de dezembro de 1888, na primeira coluna).

Participou com fotografias de paisagens de Ouro Preto e de outras regiões do Brasil da Exposição Brasileira Preparatória da Exposição Universal de Paris, realizada entre 11 e 31 de dezembro de 1888 (O Auxiliador da Indústria Nacional, na segunda coluna, janeiro de 1889). Por essas fotografias, no ano seguinte, Ferrez recebeu o diploma de honra da Exposição Preparatória (O Auxiliador da Indústria Nacional, outubro de 1889, na segunda coluna).

Transcrição, na Gazeta de Notícias, de um artigo escrito pelo jornalista francês Charles (Carlos) Morel, redator chefe do jornal Étoile du Sud, sobre a participação brasileira na Exposição Universal de Paris de 1889. O desenvolvimento da fotografia no Brasil e a exposição de fotografias de Ferrez foram abordados (Gazeta de Notícias, 16 de dezembro de 1888, na sexta coluna).

1889 – Ferrez retornou de uma viagem a Uruguaiana e informou estar de volta “à testa de seu estabelecimento”(Jornal do Commercio, 3 de março de 1889, na quinta coluna).

Em propaganda da Casa Ferrez, era anunciada a chegada de várias novidades, dentre elas lanternas para aumento (Jornal do Commercio, 24 de março de 1889).

Ferrez fotografou a capela imperial, que estava em obras (Gazeta de Notícias, 11 de abril de 1889, na segunda coluna).

Jornal do Commercio noticiou que havia recebido a já mencionada fotografia da Casa Granado, de autoria de Ferrez, por ocasião da volta de dom Pedro II da Europa, ocorrida em 1888 (Jornal do Commercio, 10 de agosto de 1889, na sexta coluna).

Ferrez viajou com seus filhos e mulher para Paris. Apresentou fotografias de vistas do Rio de Janeiro, de vistas marinhas e paisagens na Exposição Universal em Paris, realizada entre 6 maio e 31 de outubro de 1889. De acordo com Maria Inez Turazzi, recebeu a medalha de bronze. Segundo o Auxiliador da Indústria Nacional, ele teria recebido a medalha de prata (O Auxiliador da Indústria Nacional, 1889). Foi nessa exposição que a Torre Eiffel, na época a mais alta estrutura do mundo, foi inaugurada.

O barão do Rio Branco (1845 – 1912), com o apoio de dom Pedro II, publicou para a exposição de Paris o Álbum de vistas do Brasil com imagens produzidas por vários fotógrafos, dentre eles Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912)Augusto Riedel (1836 – ?) e Marc Ferrez, que teve o maior número de fotografias publicadas no álbum.

A Casa Imperial comprou um lote de 50 vistas por 150 mil réis, na Casa Marc Ferrez.

A documentação fotográfica produzida por Ferrez das obras destinadas a melhorar o abastecimento de água no Rio de Janeiro (Gazeta de Notícias, de 28 de junho de 1889, na segunda coluna, sob o título “Águas do rio S. Pedro”), entre 1877 e o final da década de 1880, resultou em oito álbuns: três deles foram presenteados a dom Pedro II, nesse ano, último do regime imperial no Brasil. Outros três foram dados ao engenheiro Francisco de Paula Bicalho (1847 – 1919), diretor das Águas da Corte.

Na reportagem “La Révolution au Brésil”, sobre a queda do Império, foi publicado um desenho cuja base foi a fotografia da estátua eqüestre de Dom Pedro I, realizada por Marc Ferrez nos anos 1870 (Le Monde illustrée, 30 de novembro de 1889).

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1890 – Ferrez fotografou o lançamento do cruzador Almirante Tamandaré, em 20 de março (Revista Marítima Brasileira, junho de 1890).

Em maio, Ferrez anunciou a câmara detetive de Steinheil. Comunicou, no mês seguinte, também, que seu estabelecimento possuía um catálogo, que, se solicitado, poderia ser remetido aos clientes. Esta foi, provavelmente, a primeira referência à existência de um catálogo de produtos de sua loja (Jornal do Commercio, 18 de maio de 1890, sétima coluna, e O Paiz, 29 de junho de 1890, última coluna).

Ferrez oferecia em propaganda e desta vez indicando amadores também como potenciais clientes. É uma aposta e uma evidência de que essa nova categoria representava na época uma expansão no mercado de equipamentos e material de fotografia. “Grande especialidade de todas as pertenças para profissionais e amadores photographos. Câmaras objectivas garantidas de Dallmeyer e outros afamados fabricantes, banheiras, lanternas, obturadores, cartões de todos os tamanhos e qualidades etc. Acaba de receber a última novidade: a câmara detetive de Steinheil” (Jornal do Commercio, 1º de junho de 1890, segunda coluna).

 

 

Outro anúncio é veiculado informando que o estabelecimento de Ferrez é a única agência da Casa Dallmeyer, de Londres e,  oferece o Revelador Iconogène , uma novidade (Jornal do Commercio, 3 de agosto de 1890 e O Paiz, 3 de agosto de 1890, sétima coluna).

Anúncio da série completa de objectivas desse célebre autor (Ferrez), além de chapas de “todos os tamanhos e diversos autores”.

Em setembro, Ferrez integrou a comitiva convidada para a  inauguração das obras da ferrovia Benevente-Minas, de Carangola a Benevente, atual Anchieta, no Espírito Santo (Diário de Notícias, 28 de setembro de 1890, quinta coluna).

Propaganda da Photographia Marc Ferrez oferecia seus serviços ao engenheiros (O Cruzeiro, 5 de novembro de 1890)

 

 

Na Revista de Engenharia, 28 de dezembro de 1890, foi publicado um anúncio: “Marc Ferrez – Fotógrafo da Marinha Nacional. Especialista de vistas de estradas de ferro e em geral das grandes obras públicas. Reprodução de plantas com traços pretos sobre fundo branco. Rua São José 8″. O mesmo anúncio voltou a ser veiculado na edição de 14 de agosto de 1891.

1891 – Anúncio de venda de produtos fotográficos importados e exclusivos, como “as objetivas Dallmayer, de Londres, e das chapas Wratten-Wamweight”, em seu estabelecimento, situado na rua São José, 88 (Jornal do Commercio15 de janeiro e 18 de outubro de 1891).

A Casa Lombaerts & C incorporou-se à Casa Marc Ferrez, sob a firma Lombaerts, Marc Ferrez & C (Diário da Manhã, 9 de março de 1891, na terceira coluna). A firma Lombaerts, Marc Ferrez & C foi a editora e proprietária do jornal quinzenal de moda A Estação (A Estação, 15 de julho de 1891). A sede do jornal ficava na rua dos Ourives, 7 (Almanak Laemmert, última edição de 1892). A firma também publicou postais e, por encomenda da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária da Capital, publicou o álbum Quadros de história Pátria, com 21 fototipias, e o ensaio do engenheiro e astrônomo Henrique Morize (1860 – 1930), intitulado Esboço de una climatologia do Brasil. A sociedade de Lombaerts e  Ferrez foi dissolvida (Diário de Notícias, 15 de dezembro de 1891, quarta coluna).

1892 – O estabelecimento de Marc Ferrez era um dos locais de venda de ingressos para a Festa do 14 de Julho – Festa Nacional da França (Gazeta de Notícias, 11 de julho de 1892).

Foi determinado que nas estradas de ferro subvencionadas pelo governo federal fossem liberados passes de ida e volta para Marc Ferrez e um ajudante para que pudessem “levantar fotografias em diversas localidades para o serviço da Exposição Universal Colombiana de Chicago”, que aconteceu entre 1º de maio e 30 de outubro de 1893 para celebrar os 400 anos da chegada do navegador genovês Cristóvão Colombo (1451 – 1506) ao Novo Mundo, em 1492 (Jornal do Brasil, 21 de agosto de 1892, na quinta coluna).

Ferrez recebeu o pagamento de e 2:284$ pelo material fornecido para a exposição de Chicago e 6:454$ pelos “ trabalhos photographicos para a referida Exposição”, de acordo com a solicitação do Ministério da Justiça em 5 de janeiro, e com o pedido de transferência para o Tesouro Nacional do dia 8 de junho,  publicados no Diário Oficial em janeiro e julho de 1893[1]

[1] Diário Official, 08 de janeiro de 1893, p. 132 e 23 de Julho de 1893, p. 5, seção 1, publicado digitalmente em  https://www.jusbrasil.com.br/diarios/1598158/pg-4-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-08-01-1893/pdfView e https://www.jusbrasil.com.br/diarios/1663079/pg-5-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-23-07-1893, consultados em 06 de fevereiro de 2018 às 15:50

1893 – O governo autorizou uma encomenda a Marc Ferrez de “fotografias de diversas estradas e ainda os indispensáveis à organização da carta plastográfica” que seria enviada para a Exposição de Chicago. O valor do trabalho foi 6:454$000 (Relatório do Ministério da Agricultura, 1893).

[1] Diário Official, 08 de janeiro de 1893, p. 132 e 23 de Julho de 1893, p. 5, seção 1, publicado digitalmente em  https://www.jusbrasil.com.br/diarios/1598158/pg-4-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-08-01-1893/pdfView e https://www.jusbrasil.com.br/diarios/1663079/pg-5-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-23-07-1893, consultados em 06 de fevereiro de 2018 às 15:50

Ferrez registrou as consequências da Revolta da Armada nos navios e instalações da Marinha brasileira.

1894 – Foi para Minas Gerais, onde produziu fotografias para a Comissão Construtora da Nova Capital do Estado.

No Rio de Janeiro, registrou os engenheiros que trabalharam, em 1893, na elaboração da Carta Cadastral do Distrito Federal, encomendada pelo prefeito Cândido Barata Ribeiro (1843 – 1910).

Após quatro décadas de carreira, Marc Ferrez é um fotógrafo consagrado e um comerciante de sucesso. Embora discreto e pacato, goza  também  de certa notoriedade para além do círculo de seus clientes e amigos. Sua popularidade é bem exemplificada no conto Dor, de Escrangolle Doria, publicado na revista A Semana e vencedor do segundo prêmio de prosa literária do próprio periódico. Seu nome aparece nos parágrafos finais do capítulo derradeiro, quando os dois personagens principais olhando para uma parede, fitam um retrato au crayon,  de autoria de Marc Ferrez

O nome de Ferrez apareceu ao final do último capítulo do conto Dor, de Escrangolle Doria, vencedor do segundo prêmio de prosa literária da revista A Semana. Ele é citado quando os dois personagens principais olhavam um retrato au crayon, de autoria de Marc Ferrez (A Semana, 31 de março de 1894, terceira coluna).

Forneceu o material para o laboratório de fotografia da Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC), encarregada do plano urbanístico e da construção dos edifícios públicos de Belo Horizonte, nova capital de Minas Gerais.

Exposição na redação do jornal A República de duas fotografias do couraçado Vinte e Quatro de Maio, ex-Aquidaban, ambas de autoria de Marc Ferrez. O navio havia sido atingido, em 16 de abril de 1894, em Santa Catarina, pela torpedeira Gustavo Sampaio, durante a Revolta da Armada (A República, 29 de agosto de 1894, na última coluna).

 

 

Em novembro, fotografou os festejos pela proclamação da República: a inauguração da estátua do general Osório, na Praça XV, em 12 de novembro, e a posse do novo presidente, Prudente de Morais (1841 – 1902), no dia 15 do mesmo mês. Um álbum do qual faziam parte essas imagens foi presenteado ao marechal Floriano Peixoto (1839 – 1895) pela comissão militar encarregada pelas comemorações oficiais do evento. Ferrez divulgava seu trabalho informando que “tendo por ordem do governo tirado fotografias das festas nacionais, tem conseguido magnífico resultado de todas elas” e que “recebia encomendas para coleção completa” (Jornal do Commercio, 18 de novembro de 1894).

1895 – Propaganda da Casa Marc Ferrez anunciavam que o estabelecimento agenciava com exclusividade as objetivas Dallmeyer, Français e Zeiss, além das chapas Wratten e Wanwrigth no Brasil (Jornal do Commercio, 20 de janeiro de 1895).

Publicação da fotografia do funeral do marechal Floriano de Peixoto (1839 – 1895), com crédito para Marc Ferrez (Le Monde Illustré, 3 de agosto de 1895).

 

 

Na igreja São Francisco de Paula, Ferrez produziu fotos do templo, ao final da cerimônia das solenes exéquias do almirante Saldanha da Gama (1846 – 1895), um dos líderes da Revolta da Armada (Jornal do Commercio, 4 de julho de 1895, quinta coluna).

Em novembro, Ferrez fotografou, em Búzios, os convidados e a comissão responsável pela construção da Estrada de Ferro Rio de Janeiro-Minas, que uniria o povoado de Búzios a Paquequer, no estado de Minas Gerais (A Notícia, 11 de novembro de 1895, segunda coluna).

1896 –  O explorador naturalizado francês Charles Wiener (1851 – 1913) e também cônsul geral encarregado de negócios franceses no Brasil, adquiriu uma coleção de 329 fotografias do Brasil, sendo 92 de autoria de Ferrez. Os três dos quatro álbuns dessas fotografias estão no Ministério das Relações Exteriores da França.

Entusiasta da imigração de europeus para o Brasil, o fotógrafo Maurício Lamberg publicou o livro O Brazil, sobre o qual o historiador Sacramento Blake (1827 – 1903) comentou:  “[…] trata da natureza do Brazil e das diversas raças que contém; de sua lavoura, do solo, da imigração e colonização; de suas florestas…”. Para escrever o livro, Lamberg viajou durante anos pelo norte e por parte do sul do país. Escrita originariamente em alemão, a obra, que abrange assuntos como história, geografia, fontes de renda e costumes, foi vertida para o português pelo jornalista e crítico musical Luiz de Castro (1863 – 1920), editado pela Casa Lombaerts e impresso na Tipografia Nunes, com 381 páginas distribuídos em 15 capítulos, com fotos de Lamberg e de outros autores, dentre eles Ferrez.

1897 – Marc Ferrez fotografou os convidados de uma festa realizada no Club de Paquetá para oficiais da Marinha chilena (Cidade do Rio, 12 de maio de 1897, na terceira coluna).

Em torno desse ano, Ferrez realizava experiências no campo da imagem com Henrique Morize (1860 – 1930) e com Tasso Fragoso (1869 – 1945), na época aluno da Escola Militar e posteriormente general. O francês naturalizado brasileiro Henri Charles Morize ou Henrique Morize era engenheiro e astrônomo. Foi diretor do Observatório Nacional entre 1908 e 1929 e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Ciências, de 1916 a 1926.

1898 – Ferrez  cedeu dois retratos de família pintados por August Muller (1815 – 1883) para a Exposição Retrospectiva do Centro Artístico, associação de jornalistas e literatos, criada em 1897, que tinha como objetivo a promoção da arte brasileira. A mostra, realizada durante o mês de julho, na Escola Nacional de Belas Artes, foi o primeiro evento organizado pelo Centro Artístico. Reuniu um grande número de objetos de arte cedidos por proprietários e colecionadores (Gazeta da Tarde, 13 de agosto de 1898, na última coluna e Diário de Notícias, 28 de julho de 1898, na penúltima coluna).

Três fotografias de Ferrez ilustraram a matéria O Palácio Presidencial (Revista Moderna, 25 de novembro de 1898).

1899 – Por volta desse ano, Ferrez realizou, possivelmente em parceria com Gomes Junior, uma série de fotografias de ambulantes, como a de “Jornaleiros” e “Comprador de garrafas”.

Anúncio da venda de produtos químicos do médico e cientista francês Charles Berthaud, na Casa Marc Ferrez (A Imprensa, 9 de abril de 1899, na quarta coluna).

No consultório dos doutores Camilo Fonseca e Henrique Morize, foram realizadas experiências radiográficas nas gêmeas siamesas Rosalina e Maria Pinheiro, nascidas em 1893, no Espírito Santo, que chegaram ao Rio de Janeiro em junho (A Imprensa, 23 de junho de 1899, na terceira coluna). Elas foram fotografadas por Marc Ferrez em várias posições (O Cachoeirano, 2 de julho de 1899, na última coluna). A cirurgia para separá-las, realizada em 30 de maio de 1900, na Casa de Saúde São Sebastião, no Rio de Janeiro, pelo médico Eduardo Chapot Prevost (1864 – 1907), foi a primeira do gênero que foi bem sucedida em todo o mundo. Maria morreu cinco dias após a cirurgia devido a uma grave infecção e Rosalina viveu até pelo menos 75 anos, tendo casado e tido filhos (A Imprensa, 11 de agosto de 1900, na primeira coluna).

 

 

Marc Ferrez e os fotógrafos portugueses Joaquim Insley Pacheco (1830 – 1912) e José Ferreira Guimarães (1841 – 1924) foram nomeados para formar a comissão de propaganda da classe de fotografia da Exposição do Quarto Centenário do Brasil, em 1900, promovida pela Sociedade Propagadora das Belas Artes (Cidade do Rio, 31 de outubro de 1899, na quinta coluna).

1900 – Com seu amigo, o engenheiro Humberto Antunes, participou, a bordo do vapor “Vigilante”, que abrigava membros da Sociedade de Beneficência Portuguesa, da procissão de navios que acompanham a chegada da comitiva portuguesa, vinda para as comemorações do quarto centenário do descobrimento do Brasil (Jornal do Commercio, 30 de abril de 1900, terceira coluna).

Ferrez fotografou alguns eventos dos festejos dos 400 anos da descoberta do Brasil: a missa campal celebrada pelo frei Amor Divino Costa (1830 – 1909), a inauguração do monumento a Pedro Álvares Cabral, de autoria de Rodolfo Bernardelli (1852 – 1931), o desfile das tropas e o arco manuelino na praça da Glória (Gazeta de Notícias, 4 de maio de 1900).

Era um dos integrantes da comissão Exposição Artístico-Industrial Fluminense Comemorativa do IV Centenário do Descobrimento, promovida pela Sociedade Propagadora das Belas-Artes, realizada no Liceu de Artes e Ofícios, na rua da Guarda Velha, atual avenida 13 de Maio (O Paiz, 7 de maio de 1900, na sétima coluna). Ferrez participou com trabalhos fotográficos em transparentes de cristal.

A Casa Marc Ferrez lançou bilhetes-postais com imagens produzidas pelo fotógrafo impressas em fototipia.

Foram lançados os livros O Rio de Janeiro em 1900: vistas e excursões, do militar e jornalista Francisco Ferreira da Rosa (1864 – 1952) e Estados Unidos do Brasil, do geógrafo e anarquista francês Élisée Reclus (1830 – 1905). O primeiro trazia fotografias produzidas por Ferrez e, o segundo, estampas de T. Taylor e A. Slom baseadas em fotos de Ferrez.

Marc Ferrez e sua família foram à exposição da tela histórica de Aurélio Figueiredo (1856 – 1916), O descobrimento do Brasil, no salão da Casa Postal, na rua do Ouvidor (O Paiz, 31 de maio de 1900, na quarta coluna).

Revista da Semana de 21 de outubro de 1900, publicou uma litogravura da Estação Central da Estrada de Ferro da Central do Brasil baseada em uma fotografia de autoria de Marc Ferrez. A Revista da Semana havia sido lançada em 20 de maio por Álvaro de Tefé.

 

 

Perto do fim do ano, teria embarcado para a Europa, onde até o dia 12 de novembro realizou-se a Exposição Universal de Paris. Uma curiosidade: pela primeira vez numa feira internacional foi feita, para efeito de premiação, uma diferença entre fotografia profissional e amadora.

1901 – Em março, Ferrez anunciou seu retorno da temporada europeia e a retomada de suas atividades.

No encerramento da Exposição Artístico-Industrial Fluminense Comemorativa do IV Centenário do Descobrimento, Ferrez recebeu o diploma de honra. A mostra foi promovida pela Sociedade Propagadora das Belas Artes (Jornal do Brasil, 14 de maio de 1901, na sétima coluna).

Ferrez prometeu fazer uma doação para a Associação Nossa Senhora Auxiliadora para “o patrimônio do recolhimento de meninas e moças pobres, órfãs ou abandonadas”. O dinheiro seria parte da quantia devolvida pela Sociedade Propagadora de Belas Artes aos contribuintes das festas de distribuição dos prêmios da Exposição Artístico-Industrial Fluminense (A Notícia, 24 de maio de 1901, na última coluna).

Foi publicada uma fotografia produzida por Marc Ferrez de um grupo presente na garden party oferecida pelo cônsul alemão à oficialidade e a alguns marinheiros do cruzador Vinela, no Sylvestre (Revista da Semana, 4 de agosto de 1901). Na edição seguinte, de 11 de agosto, foi publicada uma fotografia do Vinela, também de autoria de Ferrez.

Fotografias de Marc Ferrez foram publicadas para ilustrar uma matéria sobre “A festa na ilha do Vianna – Experiência oficial de máquinas do cruzador República e da caça-torpedeiro Gustavo Sampaio” (Revista da Semana, 10 de novembro de 1901). Na edição seguinte, foi publicada uma fotografia da baía do Rio de Janeiro por ocasião da revista de tropas de 15 de novembro (Revista da Semana, 24 de novembro de 1901).

1902 – Fotografia de autoria de Marc Ferrez do sr. Armando Darlot (? – 1902), no caixão. Ele havia sido um dos fundadores da empresa de seguros Sul-América (Revista da Semana, 13 de abril de 1902).

O então capitão Tasso Fragoso (1869 – 1945), realizou sua segunda conferência sobre artilharia de campanha de tiro rápido. Foram apresentadas fotografias de projéteis e canhões, expostas em uma lanterna de projeção manejada por Henrique Morize e Marc Ferrez  (Jornal do Brasil, 26 de abril de 1902, na nona coluna).

Ferrez registrou a inauguração da estátua do visconde do Rio Branco, na Glória, no dia 13 de maio. A obra, de autoria do escultor Félix Maurice Charpentier (1858 – 1924), fazia parte dos festejos pela comemoração da Abolição da Escravatura (Gazeta de Notícias, 14 de maio de 1902, na quinta coluna, na quarta coluna).

Na Revista da Semana, publicação de diversas fotografias de autoria de Ferrez: Porto da cidade de Belém, Vista geral de Ouro PretoMercado de Porto Alegre e Uma vista de Paranaguá (Revista da Semana, 25 de maio de 1902); imagens dos portos de Recife e do Rio Grande (Revista da Semana, 15 de junho de 1902); e dos navios da esquadra chilena em visita ao Rio de Janeiro (Revista da Semana, 17 de agosto de 1902).

A irmã de Ferrez, Francisca Poindrelle, a Fanny, faleceu (A Notícia, 25 de novembro de 1902, na última coluna).

1903 – Fotografias de Ferrez foram publicadas na Revista da Semana: dos navios que haviam partido para o norte do Brasil sob o comando do contra-almirante Alexandrino de Alencar (1848 – 1926) (Revista da Semana, 8 de fevereiro de 1903) e Os Dois irmãos no SylvestreLaranjeirasEntrada da barra do Rio de Janeiro vista por fora e Ilha das Cobras (Revista da Semana, 1º de março de 1903).

Ao longo desse ano e de 1904, foram publicadas, no Correio da Manhã, diversas propagandas dos serviços prestados por Ferrez e ele era identificado como “Fotógrafo da Marinha Nacional” (Correio da Manhã, 3 de outubro de 1903, na terceira coluna).

Marc Ferrez fotografou a cerimônia de Primeira Comunhão do Colégio Diocesano de São José (Jornal do Brasil, 3 de outubro de 1903, na segunda coluna).

Em reunião da Associação Promotora de Instrução, foi autorizada a quantia de 250$ para Marc Ferrez produzir fotografias das escolas da associação, que seriam expostas na Exposição Universal de Saint Louis, em 1904 (Correio da Manhã, 30 de novembro de 1903, na quarta coluna, sob o título “Pelas associações“).

Em 4 de dezembro, Marc Ferrez assinou o termo de aceitação da proposta de indenização do imóvel que pertencia a ele na rua São José e que seria demolido para a construção da avenida Central. Recebeu 25 contos de réis pela propriedade.

1904 – No segundo número da revista Kosmos, fundada pelo jornalista e engenheiro agrônomo Mario Bhering (1876-1933) e lançada em janeiro, publicação das fotografias Paineiras, AquedutoCopacabana Passeio Público (Kosmos, fevereiro de 1904).

Exposição de fotografias da estrada de ferro Central do Brasil de autoria de Ferrez, no Club de Engenharia (O Commentario, março de 1904).

Marc Ferrez importava cartões-postais de Paris (Jornal do Brasil, 23 de abril de 1904, na terceira coluna).

Ele e o fotógrafo Joaquim Insley Pacheco receberam a medalha de ouro na Exposição Universal de Saint Louis, nos Estados Unidos, realizada entre de 30 de abril e 1 de dezembro de 1904 (Almanak Laemmert, 1905). O prédio que sediou o Pavilhão Brasileiro da exposição foi, em 1906, remontado no Rio de Janeiro, e foi batizado de Palácio Monroe.

Anúncio da missa de 7º dia da irmã de Ferrez, Augustine Emile Catinot (Gazeta de Notícias, 30 de dezembro de 1904, na última coluna).

Foi editada, provavelmente nesse ano, pela Inspeção Geral das Obras Públicas da Capital Federal, a obra Abastecimento d´água do Rio de Janeiro, com o trabalho feito por Ferrez sobre as obras na cidade.

No final do ano, falecimento da irmã de Ferrez, Augustine Emile Cantinot.

1905 – O Guia da cidade do Rio de Janeiro, organizado pelo engenheiro civil Vicente Alves de Paula Pessoa (c. 1857 – 19?), por incumbência da comissão diretora do Terceiro Congresso Científico Latino Americano, publicado pela Editora Beviláqua, foi ilustrado por imagens produzidas por Ferrez. A escolha das ilustrações e outros aspectos da publicação foram elogiados (Jornal do Brasil, na primeira coluna e  O Paiz, na quinta coluna, ambos de 18 de agosto de 1905).

Ferrez iniciou a produção do Álbum da Avenida Central importante registro da reforma da principal via da então capital federal, onde ele contrapôs reproduções das plantas às fotografias das fachadas de cada edifício documentado. As pranchas de desenho foram impressas em zincografia e os prédios foram fotografados em colotipia. Esse álbum foi fundamental para a construção e para a difusão de uma nova imagem do Rio de Janeiro, uma imagem associada aos ideais de civilização e progresso.

Com seu filho Julio obteve a representação da firma francesa Pathé Frères no Brasil. A firma era a maior e melhor fábrica de aparelhos e filmes cinematográficos da Europa.

No final do ano, a Casa Marc Ferrez & Filhos passou a ser a fornecedora exclusiva do cinematógrafo ao ar livre Passeio Público, que existiu entre em 28 de outubro de 1905 e 2 de novembro de 1906, e pertencia ao português Arnaldo Gomes de Souza e ao italiano Vittorio di Maio (1852 – 1926). Passou também a distribuir filmes para outros cinematógrafos ambulantes do Rio de Janeiro.

1906 – No periódico O Commentario, março de 1906, foi publicada a fotografia de um edifício, produzida por Marc Ferrez, 8 minutos após seu desabamento. O prédio estava sendo construído, na avenida Central, por ordem do Club de Engenharia.

Foi publicado um anúncio da Photographia Cinematographica, de Marc Ferrez, anunciando “um imenso sortimento de material para profissionais e amadores a “preços vantajosos”. Também anunciava a “remessa de catálogos” (Jornal do Recife, 29 de março de 1906, na última coluna).

A Alfândega indeferiu o requerimento de Marc Ferrez que pedia relevação para uma multa que lhe havia sido imposta (Correio da Manhã, 1º de novembro de 1906, na quinta coluna, sob o título “Alfândega”).

Em dezembro de 1906 e ao longo de 1907, foram publicadas várias vezes propagandas de “Anúncios luminosos”, na avenida Central. “Grande lanterna mágica com várias vistas atraentes. Informações à rua S. José, 88, com Emilio Brondi, casa Marc Ferrez” (Rio Nu, 12 de dezembro de 1906, na última coluna).

1907 – Em 30 de janeiro, Ferrez assinou um contrato com a  Comissão Construtora da avenida Central para a impressão do Álbum da Avenida Central.

Seu filho, Julio, casou-se com Claire Poncy Ferrez (1888 – 1980).

Marc Ferrez e Abílio Fontes representaram o comércio em uma comissão arbitral que julgaria o recurso interposto por Eduardo Trindade contra uma decisão da comissão de tarifas. Pela fazenda nacional, compunham a comissão arbitral Mendonça de Carvalho e Miranda Reis (Correio da Manhã, 7 de maio de 1907, na terceira coluna, sob o título “Alfândega”).

Arrendou, em sociedade com Arnaldo Gomes de Souza, os prédios de número 145 e 149 da Avenida Central e inaugurou, em 18 de setembro, o Cinema Pathé, o terceiro da cidade (Gazeta de Notícias, 18 de setembro de 1907, nas sexta e sétima colunas) – o primeiro, Chic, foi inaugurado em 1º de agosto de 1907; o segundo, o Grande Cinematographo Pariziense, foi aberto em 9 de agosto do mesmo ano. A firma de Arnaldo e Ferrez chamava-se Arnaldo & Cia, omitindo a participação de Ferrez,  porque Charles Pathé (1863 – 1957), um dos proprietários da Pathé Frères, proibia que seus distribuidores e representantes possuíssem cinematógrafos.

Em primeiro de outubro, foi criada a firma Marc Ferrez & Filhos. Ferrez era dono de 60% das ações, cabendo a Luciano e a Julio 20% do negócio. A empresa Marc Ferrez & C não deixou de existir. Em seu nome eram feitas as importações de material fotográfico enquanto a nova empresa era responsável pelas importações de material para cinema.

A empresa de fotografia de Ferrez passa a ser administrada por Emilio Brondi.

Publicação de uma propaganda de cinematógrafos de Marc Ferrez, identificado como representante da Casa Pathé Frères (Jornal do Commercio, 25 de outubro de 1907).

1908 - Ferrez embarcou para a Europa no navio Chili. Estavam também a bordo os artistas premiados da Academia de Belas Artes Timotheo da Costa (1882 – 1922) e Carlos Chambelland (1884 – 1950) (Jornal do Brasil, 9 de janeiro de 1908, segunda coluna). Retornou em 30 de março a bordo do paquete francês Cordillere (Jornal do Brasil, 31 de março de 1908, na sexta coluna).

 

 

 

A sociedade de Ferrez com Arnaldo Gomes de Souza foi denunciada pelo concorrente de Ferrez, Jácomo Rosário Staffa (c. 1867 – 1927), proprietário do Grande Cinematographo Pariziense.

A família Ferrez morava na rua Pedro Américo, 121.

Ferrez e Arnaldo Gomes de Souza produziram o filme, Nhô Anastácio chegou de viagem, dirigido por Julio Ferrez. É considerada a primeira comédia cinematográfica brasileira e foi estrelada por Antônio Cataldi, José Gonçalves Leonardo e Ismênia Matteo. Ferrez produziu o curta-metragem A mala sinistra, também dirigido por seu filho Julio. Além disso, a Casa Marc Ferrez produziu filmes sobre obras em estradas de ferro do Brasil.

Fotografias de Ferrez e também de outros fotógrafos, dentre eles Augusto Malta (1864 – 1957), foram publicadas na obra organizada pelo engenheiro Luiz Raphael Vieira Souto (1849 – 1922), Notícia sobre o desenvolvimento da indústria fabril no Distrito Federal e sua situação atual.

Fotografias de Ferrez integravam a segunda edição do The new Brazil; its resources and attractions: historical, descriptive and industrial, de Marie Robinson Wright (1866 – 1914), publicada pela editora George Barrie & Son, da Filadélfia.

Ao longo de 1908, foi publicado várias vezes um anúncio da venda de cinematógrafos na sucursal da firma Marc Ferrez & Filhos em São Paulo, o Bijou-Theatre, do empresário espanhol Francisco Serrador (1872-1941) (O Commercio de São Paulo, 15 de fevereiro de 1908, na primeira coluna).

Em um anúncio veiculado pela Associação Geral de Auxílios Mútuos da Estrada de Ferro Central do Brasil, era noticiado um espetáculo de “Música com a expressão das fitas”. Informava também que as “fitas da Estrada são de exclusiva propriedade da Associação, conforme contrato assinado com a Casa Marc Ferrez (Correio da Manhã, 3 de abril de 1908, na quinta coluna).

Fotografou a Exposição Nacional, realizada na Praia Vermelha no Rio de Janeiro, entre 11 de agosto e 15 de novembro, para celebrar o centenário da Abertura dos Portos ao Livre Comércio e, posteriormente, lançou uma série de postais sobre o evento.

Em 5 de maio, nasceu Gilberto Ferrez (1908 – 2000), filho de Julio e neto de Marc. Ele foi pioneiro no estudo da fotografia no Brasil com a publicação, em 1946, do ensaio “A Fotografia no Brasil e um de Seus Mais Dedicados Servidores: Marc Ferrez (1843-1923), na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 

A Flávio Luz & Comp era a sucursal da Casa Marc Ferrez no Paraná para a venda de aparelhos e acessórios cinematográficos (A República, 1º de junho de 1908, na penúltima coluna).

Marc Ferrez enviou telegrama de pêsames ao empresário e um dos pioneiros do cinema no Brasil, Paschoal Segreto (1868 – 1920), pelo falecimento de seu irmão, o jornalista Gaetano Segreto (A Imprensa, 29 de junho de 1908, na terceira coluna).

O primeiro aniversário do Cinema Pathé foi comemorado com uma reforma, uma programação “divertida” e uma ceia (Fon-Fon, 26 de setembro de 1908).

Ferrez fez uma doação de 10$000 para ajudar os sobreviventes de um terremoto ocorrido na Itália, nas regiões da Calábria e da Sicília, em 28 de dezembro de 1908. A iniciativa foi de David Romagnoli e as doações seriam entregues a uma comissão organizada pela Associação de Imprensa (A Imprensa13 de janeiro de 1909 na sexta coluna e 15 de janeiro na penúltima coluna).

1909 - Foi anunciada a exibição do filme “Festival Hermes da Fonseca, fita nova para esta capital, mais completa e perfeita que se apresentou no Rio e foi tirada pela importante Casa Marc Ferrez” (A República, 27 de janeiro de 1909, sob o título “Diversões”).

Um aprendiz de fotografia que trabalhava na Casa Marc Ferrez, o italiano Roviso Pietro, de 19 anos, após ter sido repreendido por seu patrão, tentou se suicidar (O Paiz, 12 de fevereiro de 1909, na quarta coluna).

Foi anunciada pela Casa Marc Ferrez & Filhos a venda de “conjuntos electrogenios para produzir luz elétrica a domicílio por meio do querosene: pequeno consumo e grande força”(Revista da Semana, 11 de abril de 1909).

Marc Ferrez e sua mulher, Marie, compareceram à missa pela morte do dr. João Vieira da Cunha (A Imprensa, 15 de agosto de 1909, na última coluna).

Ferrez e sua esposa estiveram presentes na missa de 7º dia da viscondessa de Geslin, realizada na igreja de São Francisco de Paula (O Século, 2 de outubro de 1909, na quarta coluna).

Na Exposição Nacional de 1908, em comemoração ao centenário do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, realizada entre 11 de agosto e 15 de novembro de 1908 , no Rio de Janeiro (Gazeta de Notícias, 12 de agosto de 1908), Marc Ferrez participou no grupo de Fotografia e ganhou uma medalha de ouro (Almanak Laemmert, 1909).

1910 – Marc Ferrez estava na lista de “Capitalistas, banqueiros, proprietários e pessoas ricas” do Almanak Laemmert de 1910, com o endereço Christóvão Colombo, 23 (futura rua Dois de Dezembro).

O Cinema Royal, em Recife, anunciou um “Majestoso programa remetido do Rio de Janeiro no paquete Alagoas pelo srs. Marc Ferrez & Filhos, agentes em todo o Brasil da Casa Pathé Frères (Jornal do Recife, 14 de janeiro de 1910, na sexta coluna).

A fábrica Pathé Frères de Paris por intermédio de seus representantes exclusivos no Brasil, a Casa Marc Ferrez , negou a autoria  da fita cinematográfica “O Guarany”, conforme havia sido noticiado por “má fé” por um cinema de São Paulo (Correio Paulistano, 16 de janeiro de 1910, na quarta coluna).

Marc Ferrez foi um dos subscritores da lista organizada pelos presidentes das sociedades francesas sob os auspícios do cônsul da França para ajudar as vítimas de inundações ocorridas em Paris no mês de janeiro (O Paiz, 11 de fevereiro de 1910, na penúltima coluna).

Às terças-feiras, “dia da moda” nos cinematógrafos, o Cinema Pathé era frequentado pelas senhoras da sociedade carioca (Gazeta de Notícias, 19 de fevereiro de 1910).

Foi publicada a lista dos estabelecimentos comerciais com os quais a Empresa Paschoal Segreto havia feito negócios em 1909 e a Casa Marc Ferrez havia sido uma delas (O Paiz, 17 de março de 1910).

José Ignácio Guedes Pereira Filho comunicou que havia firmado um contrato com a firma Marc Ferrez & Filhos para fornecer a ele durante um ano fitas cinematográficas da Pathé Frères (A Província, 27 de março de 1910, na primeira coluna).

O ministro da Fazenda, José Leopoldo de Bulhões Jardim (1856 – 1928), negou “provimento ao recurso de Marc Ferrez e filhos interposto contra a decisão da Alfândega dessa capital, que lhes impôs a multa de 3:756$, tripulo do valor arbitrado para mercadoria submetida a despacho” (A Imprensa, 30 de abril de 1910, na terceira coluna).

A firma Marc Ferrez & Filhos negou que a empresa do Iris Cinema recebia diretamente da Pathé Frères de Paris material cinematográfico para venda, já que os Ferrez eram seus representantes exclusivos e que em São Paulo sua sucursal era o Bijou-Theatre, do empresário Francisco Serrador (Correio Paulistano, 2 de maio de 1910, na segunda coluna, sob o título “Secção Livre”).

Marc Ferrez embarcou no paquete francês Atlantique rumo a Bordeaux e escalas (Gazeta de Notícias, 12 de maio de 1910).

Marc Ferrez enviou ao escultor e diretor da Escola Nacional de Belas Artes, Rodolfo Bernardelli (1852 – 1931), um telegrama felicitando-o por seu aniversário (Gazeta de Notícias, 20 de dezembro de 1910, na quinta coluna).

No Anuário do Jornal do Brasil, foi veiculada uma propaganda dos Cinematógrafos Pathé Frères cujo representante para todo o Brasil era a firma Marc Ferrez & Filhos.

1911 – Anúncio da missa de 7º dia da sogra de Ferrez, Pauline Caroline Lefebvre (Gazeta de Notícias, 26 de abril de 1911, na última coluna).

A firma Marc Ferrez & Filhos iria filmar, na Enseada de Botafogo, a flotilha de embarcações do Club de Regatas do Boqueirão do Passeio, formada por 36 unidades (Gazeta de Notícias, 3 de junho de 1911, na segunda coluna).

Marc e Marie Ferrez embarcaram para a Europa no navio Chili (O Paiz, 8 de junho de 1911, na última coluna).

Foi grande o sucesso do filme “Notre-Dame de Paris”, exibido no Cinema Pathé (Fon-Fon, 4 de novembro de 1911). Ao longo de todo o ano de 1911, vários filmes exibidos pela Casa Marc Ferrez & Filhos foram anunciados na revista.

No Cinema Pathé, reunião dos proprietários de cinematógrafos para discutir os impostos para o setor (O Século,  na primeira coluna e Correio da Manhã, na sexta coluna, 15 de novembro de 1911).

Fim da sociedade de Marc Ferrez com Arnaldo Gomes de Souza.

1912 – Ferrez introduziu no Brasil os autocromos, processo fotográfico colorido desenvolvido pelos irmãos Lumière.

A Casa Marc Ferrez & Filhos passou a funcionar na rua São José 112 e o Cinema Pathé transferiu-se para o número 116 da avenida Central.

 

 

Marc e Marie Ferrez viajaram para a Europa. Na notícia, ele foi identificado como um “conhecido comerciante desta praça” (O Paiz, 18 de janeiro de 1912, na segunda coluna sob o título “Viajantes”).

No Parque Fluminense, foi fundado um clube de futebol em patins cujo presidente era Julio Marc Ferrez (Diário de Notícias, 8 de agosto de 1912, na quinta coluna).

O ministro da Fazenda, Francisco Antônio de Salles (1863 – 1933), negou provimento ao recurso interposto por Marc Ferrez “do ato da Inspetoria da Alfândega do Rio de Janeiro, mandando classificar como cinematógrafo, para pagamento de 60$ cada um, a mercadoria para a qual os recorrentes pediram classificação prévia” (A Imprensa, 13 de agosto de 1912, na terceira coluna).

Marc Ferrez e sua mulher chegaram da Europa a bordo do paquete francês Amazone (A Imprensa, 11 de setembro de 1912, na quarta coluna).

Marc Ferrez era um dos integrantes da comitiva do presidente do Brasil, Marechal Hermes da Fonseca (1855 – 1923), que havia ido para Passa Quatro observar o eclipse. Também participaram do evento o então diretor do Observatório Nacional, Henrique Morize (1860 – 1930), o diretor do Jardim Botânico, Graciano dos Santos Neves (1868 – 1922), e astrônomos ingleses, dentre outros (Gazeta de Notícias, 11 de outubro de 1912, na quinta coluna sob o título “Marechal Hermes e o eclipse“).

O sr. Emilio Brondi, sócio da firma Marc Ferrez, ofereceu ao Arquivo Municipal do Rio de Janeiro 28 fotografias de aspectos da cidade (A Noite, 14 de outubro de 1912, na quarta coluna). No ano seguinte, ele fez uma segunda doação, desta vez de 176 fotografias, ao Arquivo Municipal do Rio de Janeiro. Em homenagem ao doador, o Arquivo iria organizar as fotografias em álbuns denominados Coleção Emilio Brondi (O Paiz, 30 de março de 1913, na terceira coluna).

1913 – Em março, uma grande ressaca ocorrida no Rio de Janeiro inundou o porão da casa da família Ferrez, na Dois de Dezembro – antiga rua Christóvão Colombo, 23 – destruindo os exemplares do Álbum da Avenida Central ali guardados (O Paiz, 9 de março de 1913).

Na seção “Crônica Social”, foi anunciado que Marc Ferrez estava em São Paulo, hospedado na Rotisserie Sportsman (Correio Paulistano, 10 de abril de 1913, na sexta coluna).

Marc e Marie Ferrez embarcaram no paquete holandês Zeelandia rumo a Amsterdam e escalas (O Paiz, 17 de abril de 1913, na quarta coluna).

Foi publicado Twentieth century impressions of Brazil: its history, people, commerce, industries and resources, uma obra de divulgação do Brasil, com fotografias de Marc Ferrez (Anais da Biblioteca Nacional de 1914).

1914 – O casal Ferrez retornou ao Rio de Janeiro e alugou uma casa na Rua Voluntários da Pátria 50, em Botafogo.

Falecimento “súbito da idolatrada” esposa de Marc, Marie Lefebvre Ferrez, em 27 de junho (O Paiz, 28 de junho de 1914, na quarta coluna e Diário de Notícias, 28 de junho de 1914, na última coluna). A missa de 30º dia foi realizada na igreja de São Francisco de Paula (O Imparcial, 29 de julho de 1914, na terceira coluna). Ferrez ficou muito abatido.

1915 – No Almanak Laemmert, o estabelecimento Emilio Brondi & C.. Casa Marc Ferrez localizava-se na rua Rodrigo Silva, 28.

Em abril, Ferrez viajou para França no navio Frizia em companhia de seu filho Julio – que retornou ao Brasil em agosto. Em junho, Marc foi para Vichy para tratar de dores nas pernas. Ficou hospedado no Hotel Europe. Nos cinco anos que ficou na Europa, Ferrez passou temporadas em Paris e na Suíça. Aderiu às fotografias coloridas.

Para a comemoração do tricentenário de Cabo Frio, promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico Fluminense, a Casa Marc Ferrez forneceria o operador e a máquina para a exibição de filmes ao ar livre (Jornal do Brasil, 9 de novembro de 1915, na terceira coluna e O Paiz, 11 de novembro de 1915, na última coluna).

Em um dos diálogos de “Photo-Mania”, um sainete (peça alegre do teatro espanhol) de autoria de Eustorgio Wanderley (1882 – 1962), a loja de Marc Ferrez foi citada (Revista O Tico-Tico, 1º de dezembro de 1915).

Foi publicado um anúncio informando que a agência geral para os estados do norte da Agência Cinematográfica Marc Ferrez & Filhos situava-se, provisoriamente, na rua Duque de Caxias, 39, em Recife. Eles continuavam como representantes da Casa Pathé Frères (Jornal do Recife, 18 de dezembro de 1915).

1916 – Anúncio da “Casa Marc Ferrez & Filhos – Emilio Brondi & C., importadores de máquinas cinematográficas”, além de outros produtos (A Noite, 13 de janeiro de 1916, na penúltima coluna). O estabelecimento localizava-se na rua da Quitanda, 67 (Almanak Laemmert , 1916).

Em uma reportagem sobre a falência dos cinemas no Rio de Janeiro, o Cinema Pathé, de Marc Ferrez, foi mencionado como deficitário “(A Notícia, 29 de fevereiro de 1916, sob o título “A falência dos cinemas”). A Casa Marc Ferrez & Filhos negou a crise dos cinemas (A Província, 27 de março de 1916).

Anúncio da venda de um lote de 300 poltronas estrangeiras e quase novas pela Casa Marc Ferrez (Correio da Manhã, 21 de março de 1916, na sexta coluna).

A Casa Marc Ferrez & Filhos anunciou “estar aparelhada para atender aos mais exigentes pedidos em toda a América Latina”. O endereço da agência Pathé em Recife era Duque de Caxias, 51 (A Província, 30 de abril de 1916).

Os filhos de Marc Ferrez obtiveram terrenos em Guaratiba (Gazeta de Notícias, 6 de agosto de 1916, na última coluna).

1917 - Seus filhos, Julio e Luciano, fundaram a Companhia Cinematográfica Brasileira, mais tarde denominada Casa Marc Ferrez Cinemas e Eletricidade Ltda.

1919 - Diversos representantes e importadores de filmes, dentre eles Marc Ferrez & Filhos, publicaram um anúncio aos exibidores, comprometendo-se a não recusarem a nenhum deles o fornecimento de filmes nos moldes em que explicitaram na mensagem (Correio da Manhã, 18 de junho de 1919). Dois dias depois, a Fox Film Corporation e a Marc Ferrez & Filhos afirmaram, em outro anúncio, que nunca tiveram prevenção contra a Aliança dos Cinematografistas do Brasil (Correio da Manhã, 20 de junho de 1919).

A polícia proibiu a exibição do filme O Caso Caillaux e Bolo Pachá, no Cinema Pathé. Tratava de um crime de alta traição julgado no Conselho de Guerra de Paris (Correio da Manhã, 31 de julho de 1919).

Julio Ferrez foi um dos fundadores da União dos Importadores Cinematográficos no Brasil (O Imparcial, 8 de dezembro de 1919, na segunda coluna). Foi o primeiro tesoureiro da associação, cujo primeiro presidente foi o empresário Francisco Serrador.

Em 15 de dezembro, Marc Ferrez participou da cerimônia de recepção na recém criada categoria Aplicação das ciências à indústria da Academia Francesa de Ciências a seu amigo Louis Lumière (1864 – 1948) que, com o irmão Auguste Lumière (1862 – 1954), havia inventado o cinematógrafo (Academia Francesa de Ciências Palcos e Telas, 8 de abril de 1920).

Os escritórios da empresa Marc Ferrez & Filhos, mudaram-se para a Rua São José 64.

1920 - Marc Ferrez & Filhos localizava-se na rua São José, 64 (Correio da Manhã, 24 de março de 1920).

Em 10 de fevereiro, no Palais d´Orsay, Ferrez foi um dos cerca de 500 convidados de um banquete em homenagem aos 25 anos da invenção do cinema e também a seu criador, Louis Lumière, que ingressou na Academia Francesa de Ciências. O evento foi organizado por associações e câmaras sindicais de fotógrafos e cinematografistas franceses.

Foi noticiada a volta de Marc e Luciano Ferrez ao Brasil, a bordo do paquete inglês Orcona (Vida doméstica, abril de 1920). No  O Paiz de 22 de março de 1920, foi noticiada a chegada do Orcona ao Rio de Janeiro, mas na lista de passageiros publicada pelo jornal não constavam os nomes de Marc e Luciano Ferrez.

Na edição de 8 de abril de 1920 da revista Palcos e Telas Marc, Julio e Luciano Ferrez foram biografados na seção “Grandes figuras da cinematografia”.  Nessa matéria, o envenenamento por um escravo foi apontado como a causa de morte dos pais de Marc Ferrez.

A Casa Marc Ferrez Söndahl Comp. Limited localizava-se na Rua Sachet, 8 – antiga Travessa do Ouvidor – e anunciava-se como a única que dispunha de um técnico para instruir os amadores (Vida doméstica, junho de 1920).

1921 – João Antônio Bruno, diretor das Empresas Cinematográficas Reunidas, defendeu-se da acusação de haver um “trust paulista”. Segundo ele, havia sim uma combinação da Companhia Cinematográfica Brasileira com as firmas Derrico & Bruno e Lopes & Figueiredo”. Afirmou que Marc Ferrez o apoiava (Palcos e Telas, 10 de março de 1921).

Marc Ferrez & Filhos compraram terrenos onde anteriormente localizava-se o Convento d´Ajuda (Revista da Semana, 26 de março de 1921).

Em maio, Ferrez voltou à França e chegou em Bordeaux, em 5 de junho. Em Paris, instalou-se no Hotel Brebant.

Em correspondência a Malia Frucht Ferrez (1890 – 1953), sua nora, Ferrez contou que fez belas fotografias de rosas, em sua visita ao roseiral do Parque de La Bagatelle, no Bois de Boulogne, local que freqüentava enquanto Luciano e Malia estavam com ele em Paris.

Foram publicados dados estatísticos da indústria cinematográfica no Brasil no primeiro semestre de 1921. Em número de filmes, a firma Marc Ferrez  & Filhos representava 3,9% (Para Todos, 13 de agosto de 1921). Na mesma revista, em 8 de julho de 1922, foram publicados os dados estatísticos do primeiro semestre de 1922.

Devido ao inverno rigoroso de Paris, em dezembro, Marc viajou para Hyères, na Cote d´Azur.

1922 – Em março, de volta à capital francesa, Marc recebeu a visita de seu amigo, o cientista Henrique Morize, em viagem para Europa em missão oficial do Observatório Nacional.

Em matéria publicada em O Malho, 27 de maio de 1922 sobre a indústria cinematográfica, Marc Ferrez & Filhos foram citados como uma firma que fez fortuna atuando no setor.

A Casa Marc Ferrez firmou contratos com importantes empresas cinematográficas dos Estados Unidos (O Jornal, 17 de junho de 1922, na quarta coluna).

Marc Ferrez embarcou no navio Lutetia, em Bordeaux, de volta ao Brasil, em 31 de julho, e chegou ao Rio de Janeiro, em 14 de agosto. O navio fez escala em Boulogne-sur-mer, Vigo e Lisboa. Também viajaram no Lutecia o inventor Alberto Santos Dumont (1873 – 1932), o presidente do Jockey Clube, Linneu de Paula Machado (1880 – 1942); Arnaldo Guinle (1884 – 1963), presidente do Fluminense S.C.; o médico Paulo de Figueiredo Parreiras Horta (1884 – 1961) e os Oito Batutas, grupo musical formado, entre outros, por Pixinguinha (1897 – 1973) e Donga (1890 – 1974) (O Paiz, 15 de agosto de 1922, página 3 e página 4).

Marc realizou fotografias estereoscópicas e autocromos dos diversos pavilhões nacionais e internacionais da Exposição do Centenário da Independência, inaugurado em 7 de setembro, no Rio de Janeiro (O Paiz, 8 e 9 de setembro de 1922).

No Almanak Laemmert, anúncio de Marc Ferrez & Filhos, na rua da Quitanda, 67.

1923 – Marc Ferrez faleceu em 12 de janeiro de 1923, na casa de seu filho Luciano e sua nora Malia Frucht Ferrez (1890 – 1953), no Rio de Janeiro, cidade que ele eternizou com sua arte. Residia na rua Joaquim Murtinho, 177, e foi enterrado no cemitério São João Batista (A Rua, 13 de janeiro de 1923O Paiz, 14 de janeiro de 1923, última notícia da sexta coluna, Gazeta de Notícias, 16 de janeiro de 1923, na última coluna e Fon-Fon, 20 de janeiro de 1923).

Sua missa de sétimo dia foi celebrada na Igreja São Francisco de Paula, em 19 de janeiro, foi muito concorrida e contou com a presença dos engenheiros André Gustavo Paulo de Frontin (1860 – 1933) e Alfredo de Paula Freitas (1855 – 1931); dos cientistas Henrique Morize (1860 – 1930), dos médicos Camillo Fonseca e Rodolpho e José Chapot-Prevost; artistas, como o escultores Benevenuto Berna (1865 – 1940) e Rodolpho Bernardelli (1852 – 1931), além de jornalistas, exibidores e donos das empresas cinematográficas (O Paiz, 20 de janeiro de 1923, na última coluna).

 

 

No periódico A Scena Muda, 25 de janeiro de 1923, foi publicado um perfil de Ferrez, no qual sua morte foi atribuída a uma enfermidade que ele havia contraído devido ao uso do colódio. Na mesma matéria, foram mencionadas as experiências que fazia com seu amigo, o engenheiro e astrônomo Dr. Henrique Morize, em sua casa na rua São José, 88, com “luz oxi-etherica, luz oxydrica, de gás incandescente de petróleo com mechas concentradas fazendo também na ocasião as primeiras experiências com cinematógrafo com um aparelho Lumière e fitas de 10 e 20 metros…”. Na matéria da Para Todos de janeiro de 1923, o caráter de Ferrez foi exaltado: “A perfeita correção do velho comerciante, sua intransigente  honradez, a lisura dos seus processos o tornaram sempre uma figura de destaque nos meios cinematográficos”.

1946 – Falecimento de Julio Marc Ferrez, em 11 de janeiro (O Jornal, 12 de janeiro de 1946, sexta coluna).

1951 – Na edição de O Cruzeiro, de 25 de agosto de 1951, foi publicada a reportagem Fotografias do Rio Antigo, com texto de Gilberto Ferrez e fotografias produzidas por Marc Ferrez.

 

 

1953 - Em 1º de junho, falecimento de Malia Frucht Ferrez (1890 – 1953), esposa de Luciano Ferrez (1884 – 1955), segundo filho de Marc Ferrez. Ele e José Fruscht, filho de criação do casal, agradeciam às manifestações de pesar (Correio da Manhã, 7 de junho de 1953).

1955 – Falecimento de Luciano Ferrez (1884 – 1955), em 8 de agosto (Correio da Manhã, 14 de agosto de 1955).

1980 - Falecimento de Claire Poncy Ferrez  (1888 – 1980), viúva de Julio Marc (1881 – 1946), primogênito de Marc Ferrez, e mãe de Gilberto, Eduardo e João Luciano Ferrez (O Globo, 15 de novembro de 1980).

2000 – Em maio, falecimento de Gilberto Ferrez (1908 – 2000) (O Globo, 25 de maio de 2000).

 

O Globo, 25 de maio de 2000

O Globo, 25 de maio de 2000

 

2007 – Na edição de novembro de 2007 do Boletim Informativo da ABI, cujo tema foi o trabalho dos repórteres fotográficos, Marc Ferrez foi homenageado como o precursor do fotojornalismo no Brasil (ABI Boletim Informativo, novembro de 2007).

 

Para a elaboração dessa cronologia, a Brasiliana Fotográfica pesquisou principalmente em diversos periódicos da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional e valeu-se da cronologia de autoria de Maria Inez Turazzi publicada no livro O Brasil de Marc Ferrez, lançado pelo Instituto Moreira Salles em 2005.

 

*Essa informação foi alterada em 18 de junho de 2025.

** A data e a ocasião desta fotografia foram alteradas em 3 de junho de 2026. Anteriormente, foi identificada como o registro da cerimônia de Te Deum pela aclamação da Princesa Isabel como regente, realizada em 1887.

 

Andrea C.T. Wanderley

Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905)

Cronologia de Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905)

 

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Militão Augusto de Azevedo fotografado por A. Liébert. Photographie Americaine / Acervo IMS

1837 – Em 18 de junho, nascimento de Militão Augusto de Azevedo, no Rio de Janeiro, filho de Antonio Ignácio de Azevedo e Lauriana Augusto de Azevedo.

1858 – 1860 – No Rio de Janeiro, Militão trabalhou como cantor lírico e também como ator na Companhia Teatral Joaquim Heliodoro e na  companhia do Gymnasio, denominada Sociedade Dramática Nacional, sob a direção de Joaquim Augusto Ribeiro de Souza (Entreacto, 15 de setembro de 1860)..

Na Ópera Nacional, realização de um espetáculo em seu benefício (Correio da Tarde, de 3 de setembro de 1858, terceira coluna).

Foram encenadas peças em seu benefício (Correio Mercantil, 10 de outubro de 1859, terceira coluna).

Morava na rua das Mangueiras, 49 (Almanak Administrativo, Mercantil e Comercial do Rio de Janeiro, 1861).

1862 - Em 21 de junho,  nascimento de Luiz Gonzaga de Azevedo, seu filho com a atriz Benedita Maria dos Santos Pedroso, com quem vivia.

Participou da reunião que decidiu criar o Monte-Pio dos Artistas Dramáticos (Diário do Rio de Janeiro, 11 de agosto de 1862, quinta coluna).

Foi com a família para São Paulo como ator da Sociedade Dramática Nacional  para participar da estreia da peça Luxo e vaidade, de Joaquim Manoel de Macedo, que aconteceu em 29 de novembro (Correio Paulistano, 28 de novembro de 1862).

Militão produziu cerca de 90 fotografias de São Paulo. Segundo Afonso d´Escragnolle Taunay (1876 – 1958), no livro Velho São Paulo (1954), até 1860, data que nos aparece a providencial série de fotografias, aliás, ótimas de Militão de Augusto de Azevedo, os arrolamentos de peças de iconografia paulistana mantêm-se insignificantes. Realiza o Álbum de vistas de São Paulo 1862, com trinta dessas fotos. Muitas serão utilizadas no trabalho que publicaria em 1887, o Álbum Comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887.  Inicia seu trabalho como fotógrafo por volta deste ano, ou no ano seguinte, com Joaquim Feliciano Alves Carneiro e Gaspar Antonio da Silva Guimarães, proprietários do estúdio Carneiro & Gaspar, cuja matriz localizava-se no Rio de Janeiro, na rua Gonçalves Dias, 60. Em São Paulo, o estabelecimento ficava na rua do Rosário, 38. Depois o estúdio transferiu-se para a rua da Imperatriz, 58.

1863 – Em 26 de agosto realizou-se o espetáculo Recordações da Mocidade, em benefício de Militão (Correio Paulistano, 26 de agosto de 1863, terceira coluna).

Publicação do anúncio do Álbum de vistas de São Paulo 1862, destinado sobretudo aos estudantes de Direito que terão assim uma recordação agradável da cidade onde passarão talvez a melhor época da vida (Correio Paulistano, 22 de outubro de 1863, última coluna).

1864 a 1885 – Realizou dois álbuns importantes de vistas: o Álbum de Santos e o Álbum da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.

Militão catalogou cerca de 12.500 retratos.

1868 – Militão, que trabalhava na Photographia Academica de Carneiro & Gaspar, desde 1866 como sócio gerente (Diário de São Paulo, 19 de agosto de 1866, primeira coluna), foi para o Rio de Janeiro estudar novos processos fotográficos, dentre eles o de fotografia sobre porcelana, ainda não conhecido no Brasil senão em duas casas do Rio de (O Ypiranga, de 19 de fevereiro de 1868).

 

 

1870 – Nascimento de seu primeiro filho, Francisco de Paula Azevedo, com sua nova companheira Maria Affonso das Dores.

Participou de uma reunião promovida para instalar-se uma associação dramática particular. Foi escolhido para ser seu ensaiador e também para elaborar seu regulamento interno (Correio Paulistano, 27 de março de 1870, primeira coluna).

1871 - Nascimento de seu segundo filho com Maria Affonso das Dores, Francisco Militão Affonso de Azevedo.

1872 – Militão ficou viúvo e sua mãe, Lauriana Augusta de Azevedo, passou a se encarregar da criação de seus filhos.

1875 – Participou da IV Exposição Nacional com uma coleção de vistas de São Paulo.

Com a morte do português Gaspar Antonio da Silva Guimarães (18? – 1875) e com a venda da parte de Joaquim Feliciano Alves Carneiro (18? – 188?), Militão, que era sócio-gerente da Photographia Academica, tornou-se seu proprietário (Correio Paulistano, 28 de novembro de 1875, segunda coluna).

 

 

Rebatizou o estúdio com o nome de Photographia Americana. Uma curiosidade: no período de transição, nas cartes de visite do estabelecimento, o fotógrafo improvisou, apagando o antigo nome e o endereço no Rio de Janeiro e carimbando a nova denominação.

1878 – Viajou para a Europa no paquete francês Hoogly para estudar os aperfeiçoamentos da arte fotográfica (O Cruzeiro, 1º de maio de 1878, última coluna). A fotografia de Militão que ilustra esta cronologia foi tirada durante essa viagem por Alphonse J. Liébert (1827 – 1913), no estúdio Photographie Americaine, em Paris, e enviada de presente a sua mãe. Retroenou em setembo, no paquete francês Congo (O Cruzeiro, 15 de setembro de 1878, penúltima coluna).

A Photographia Americana ficou sob a responsabilidade do fotógrafo e pintor retratista Caetano Ligi, que trabalhava no estúdio.

1879 – Foi eleito diretor do mês do Club Euterpe Comercial (Jornal da Tarde, 11 de março de 1879, segunda coluna).

1881 – Enviou para o Correio Paulistano uma vista fotográfica, cópia da do edifício da exposição brasileira-alemã em Porto Alegre (Correio Paulistano, 18 de setembro de 1881, quarta coluna).

1883 – Ele, Alberto Henschel e Carlos Hoenen estavam na lista de fotógrafos da Província de São Paulo (Almanak Administrativo, Mercantil e Comercial do Rio de Janeiro, 1883).

1885 – Em 7 de agosto, falecimento de sua mãe, Lauriana Augusta de Azevedo (Correio Paulistano, 8 de agosto de 1885, quarta coluna).

Enviou ao Correio Paulistano uma fotografia tirada de um curioso trabalho litográfico representando o retrato do poeta francês Victor Hugo (1802 – 1885) executado pelo belga M.Gaillard (Correio Paulistano, 20 de dezembro de 1885, última coluna).

 

 

 

Em 31 de dezembro, Militão encaminhou um ofício às autoridades municipais informando sobre o fim da Photographia Americana.

1886 – Militão tentou passar adiante a Photographia Americana, mas não conseguiu. Reformou e alugou a casa e vendeu aos poucos o equipamento fotográfico. Sobre isso, escreveu a seu amigo, o ator Jacinto Heller, em 5 de abril: Como deve saber estou hoje vagabundo. Liquidei mal e porcamente a fotografia, fazendo leilão no qual só vendi os trastes (vendi é um modo de dizer porque quase os dei) ficando com tudo de fotografia porque os colegas estão como eu.

1887 –  Teve a a ideia de montar um álbum de vistas de São Paulo de 1862 e 1887. Retornou então aos mesmos lugares das fotos que havia tirado em 1862 e produziu uma nova série de fotografias.

No jornal A Província de São Paulo, do dia 11 de agosto, foi anunciada a obra-prima de Militão: o Álbum Comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887 acompanhado do artigo A Velha e a Nova Cidade de São Paulo. Com sessenta fotografias, 18 pares comparativos e 24 vistas isoladas, foram postos à venda a 50 mil réis por exemplar – até o dia 31 de agosto: depois custariam 70 mil réis.

1888 - Abandonou definitivamente a fotografia.

1889 - Viajou à Europa. Entre este ano e 1905, voltou a viver no Rio de Janeiro, mas em algum momento retornou a São Paulo, possivelmente em 1902, onde viveu com seu filho Luiz Gonzaga, um bem sucedido advogado.

1892 – Viajou aos Estados Unidos.

1900 – Viajou à Europa.

1905 – Falecimento de Militão de Augusto de Azevedo, em São Paulo, no dia 24 de maio (Correio Paulistano, 30 de maio de 1905, penúltima coluna).

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Cronologia de Chichico Alkmim (1886 – 1978)

Cronologia de Chichico Alkmim (1886 – 1978)

 

 

1886 – Filho de Herculano Augusto d’Alkmim e Luiza Gomes d’Alkmim, Francisco Augusto de Alkmim, o Chichico Alkmim, nasceu em 28 de março, na fazenda do Sítio, município de Bocaiuva.

 

1890 – 1900 – Em 7 de abril de 1890, falecimento de sua mãe, em Bocaiuva. Chichico e sua irmã Carmina foram levados para a fazenda do Caeté Mirim, localizada próximo ao distrito de São João da Chapada, das suas tias Tereza de Jesus Gomes Ribeiro e Maria Amélia de Jesus Ribeiro. A irmã mais velha, Amanda, permaneceu em Bocaiuva. Nessa década, na fazenda, foi educado pelas tias, com quem aprendeu a ler e escrever.

1900-1910 – Nesse período, Chichico ajudou nos negócios da fazenda e nos trabalhos de mineração de diamantes empreendidos por suas tias. Realizou várias viagens, a maioria delas em companhia de seu pai, que comercializava gado. Os deslocamentos em tropa davam-se entre Caeté Mirim, São João da Chapada, Diamantina, Bocaiuva, Montes Claros, Buenópolis, Coração de Jesus, Januária, Carinhanha (Bahia) e várias outras localidades do vale do São Francisco, chegando algumas vezes até a Vila de Posse, atual cidade de Posse, em Goiás. Nessas viagens, Chichico vendia jóias e, possivelmente, foi em uma delas que, entre 1900 e 1902, conheceu a fotografia.

1907 – Adotou a profissão de fotógrafo.

1912 - No fim do ano, passou a residir em Diamantina. Sua casa e seu primeiro ateliê ocupavam parte do sobrado situado à praça Francisco Sá, 53, largo do Bonfim (atual sede da Casa da Cultura). Nos anos seguintes, mudou de endereço várias vezes, tendo permanecido por mais tempo em um sobrado localizado no alto da rua da Romana, 37.

1913 – Em 14 de junho, casou-se com Maria Josephina Netto, a Miquita.

1914 – No fim do ano, seu irmão por parte de pai, José Maria Alkmim (1901 – 1974), futuro político e vice-presidente do Brasil, entre 1964 e 1967, passou a residir em sua casa, até completar os estudos em 1921.

1916 - Em 30 de junho, nasceu sua primeira filha, Maria de Jesus Alkmim, que faleceu poucos meses depois.

1917 – Em 20 de agosto, nasceu a segunda filha, Maria Bernadette.

1919 – Em 17 de abril, nasceu a filha Déa Maria.

Em 9 de outubro, Chichico mudou-se para o beco João Pinto, 86, na parte alta da cidade, onde montou seu ateliê definitivo.

1920 – Em 20 de outubro, nasceu a filha Luíza Marilac.

1923 – Em 13 de outubro, nasceu a filha Maria Ruth.

1924 – Em 12 de novembro, nasceu o filho José Antônio.

1955 – Chichico  encerrou a carreira de fotógrafo.

1978 – Faleceu em consequência de um colapso cardíaco, em 22 de agosto.

1980 – Na inauguração do Centro de Documentação e Pesquisa da Casa da Cultura de Diamantina, durante o 16º Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizou-se a primeira exposição de fotografias de Chichico, no Museu do Diamante/Ibram/MinC.

1998 – O acervo fotográfico de Chichico, constituído por aproximadamente 5.500 negativos, começou a ser higienizado, indexado e catalogado na Faculdade de Filosofia e Letras da Fundação Educacional do Vale do Jequitinhonha (Fevale), em projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Minas Gerais (Fapemig) e apoio da UFMG.

1999 – Chichico Alkmim foi apresentado como um artista do circuito fotográfico brasileiro na mostra Minas: minas memorial e contemporânea, realizada no MIS-SP, com curadoria do fotógrafo Bernardo Magalhães.

2002 – O acervo fotográfico de Chichico foi doado pelos seus herdeiros à Fevale.

2005 – Foi lançado o livro O olhar eterno de Chichico Alkmim, pela Editora B, organizado por Flander de Sousa e Verônica Alkmim França.

2008 – Foi realizada a exposição Chichico Alkmim, na galeria da Escola Guignard, Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg), em Belo Horizonte.

2010 – Com a extinção da Fevale, o acervo fotográfico retornou aos herdeiros.

2013 - Foi realizada a exposição Paisagens humanas — Paisagens urbanas, no Memorial Minas Gerais Vale, em Belo Horizonte.

2015 – O acervo de Chichico Alkmim passou a integrar em regime de comodato o acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles.

2017 – Foi aberta a exposição Chichico Alkmim, fotógrafo, no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, em 13 de maio, com curadoria de Eucanaã Ferraz.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

 

Cronologia de Benjamin Abrahão Calil Botto (1901 – 1938)

Cronologia de Benjamin Abrahão Calil Botto (1901 – 1938)

 

1901 – Segundo sua família, Benjamin Abrahão Calil Botto nasceu em Zahle (na época, cidade na Síria e, atualmente, do Líbano). Segundo o próprio, havia nascido em Belém, local de nascimento de Jesus Cristo.

c. 1910 – Por volta desse ano, todo fim de mês ia para Damasco, na Síria, com um tio que armava caravanas para a venda de utensílios aos beduínos.

1915 – Benjamin desembarcou no porto de Recife, fugindo ao alistamento militar obrigatório devido à Primeira Guerra Mundial. Aqui fez contato com parentes distantes, os Elihimas, que trabalhavam no comércio da cidade, no ramo de miudezas por atacado, das ferragens, de equipamentos de caça e da pesca, na Rua Visconde de Inhaúma, nº 83-91, com filiais em João Pessoa e em Campina Grande, Paraíba.

c. 1915 – Fugiu do colégio onde os seus primos Elihimas o matricularam e foi para Rio Branco, atual Arcoverde. Devolvido aos parentes, passou a trabalhar como mascate.

1916 – Em São Bento do Una, ficou amigo do fazendeiro José Ferreira de Morais é foi acolhido na casa-grande.

1916 / 1917 – Em Arcoverde, toma conhecimento da existência do Padre Cícero Romão Batista (1844 – 1834), o Padim Ciço, por romeiros que partiriam para Juazeiro do Norte, no Ceará, onde morava o sacerdote, considerado virtuoso e místico, que havia se ordenado no Seminário de Fortaleza, em 1870. O religioso obteve sua aura de santidade ao transformar a hóstia em sangue na boca da beata Maria de Araújo, em 6 de março de 1889. O fato teria se repetido diversas vezes durante cerca de dois anos.

Benjamin, soube que milhares de nordestinos iam a Juazeiro do Norte para receber a bênção do padre pelo menos uma vez por ano, o que tornara a cidade um excelente local para negócios. Decide então ir para Juazeiro do Norte.

Todos os dias, o Padim Ciço dava uma bênção, de sua casa, a seus fiéis. A mensagem costumeira era: Meus amiguinhos, quem matou, não mate mais! Quem roubou, não roube mais! Quem pecou, não peque mais! Os amancebados se casem! Um dia, Benjamin conseguiu ser avistado pelo sacerdote, que perguntou a ele sua origem. Benjamin identificou-se como natural de Belém, a terra de Jesus, e pediu para ficar na cidade, sob a proteção do religioso. O padre então respondeu: Fique meu filho. Seja bom e pode sentir-se aqui como se fosse a sua própria casa.

Benjamin foi morar na casa de Pelúsio Correia de Macedo (1867 – 1955), pessoa da inteira confiança do Padre Cícero. Pelúsio foi dono da primeira oficina mecânica da cidade e também fundou a primeira escola de música, onde surgiu a primeira banda de Juazeiro do Norte, que animava desfiles e festas sob sua regência. Foi também proprietário do Cine Iracema, primeiro telegrafista da Estação Telegráfica de Juazeiro do Norte, além de fabricante de quase todos os relógios públicos da região.

Padre Cícero mandou matricular Benjamin no Colégio São Miguel, do professor Manuel Pereira Diniz (1887 – 1949).

Foi incumbido de fotografar a primeira visita feita por um governador do Ceará, José Tomé de Sabóia e Silva (1870 – 1945), a Juazeiro do Norte.

Retomou o ofício de ourives, tentando aprimorar os rudimentos que havia trazido da casa de seus pais. Estudou no Crato com o mestre Teofisto Abath.

c. 1920 – Como ourives, viajou por Cajazeiras, Crato, Jardim e Barbalha. Teve a notícia da morte de sua mãe e recebeu uma herança, enviada por seus primos de Recife.

Abriu um armazém de artigos religiosos e fixou-se em Juazeiro do Norte, em 1920.

Benjamin tornou-se secretário particular do Padre Cícero e passou a morar na casa paroquial. Pouco tempo depois, recebeu as chaves da casa. Como assistente pessoal do sacerdote passou a ter muito poder e a exercer diversas atribuições públicas e privadas. Conheceu personalidades de destaque nacional, clérigos, políticos, militares e educadores.

Benjamin começou a prosperar com a venda aos romeiros de objetos supostamente abençoados pelo Padre Cícero.

Participou também de jogatinas e do desvio de valores doados à igreja, o que decepcionou Joana Tertulina de Jesus, a beata Mocinha, que mais prestígio tinha com o Padre Cícero.

1924 – Benjamin, que dizia-se jornalista, no periódico O Ideal, envolveu-se na denúncia feita pelo farmacêutico José Geraldo da Cruz com o auxílio de Manuel Diniz sobre o fuzilamento sumário de presos tirados da cadeia pública pelo médico e político baiano Floro Bartolomeu da Costa (1876 – 1926), velho amigo do Padre Cícero. Foi Floro que, em 1914, liderou o episódio que ficou conhecido como a Sedição de Juazeiro, um confronto entre as oligarquias cearenses e o governo federal, quando um exército de jagunços derrotou as forças do governo federal e Marcos Franco Rabelo (1851 – 1940) foi deposto do governo do Ceará. Além disso, Floro havia sido importante na ocasião da emancipação de Juazeiro do Norte, em 1911, quando o Padre Cícero tornou-se o primeiro prefeito da cidade.

1925 - Na festa de descerramento da estátua de bronze do Padre Cícero, em 11 de janeiro, ocasião em que a cidade atraiu cerca de 40 mil romeiros, no intervalo dos discursos, Benjamim tentou falar algumas palavras, mas foi interrompido por Floro Bartolomeu, que abriu seu paletó e gritou Desça daí! Seguiu-se a fala do Padre Cícero.

O padre Manuel Correia de Macedo, filho de Pelúsio de Macedo, acusou Floro Bartolomeu de déspota, de subjugador do Padre Cícero e de corrupto no livro Juazeiro em foco, publicado em Fortaleza pela Editora de Autores Católicos.

Em junho, José Landim, compadre de Floro e escrivão da Coletoria, agrediu Benjamin, durante os festejos de recepção ao padre Macedo, em Juazeiro.

Em agosto, Floro alegou ter sido alvejado à bala pelo turco Benjamin Abrahão quando participava de uma reunião na casa de Francisco Alencar. Benjamin foi preso. Segundo telegrama enviado por Floro ao advogado Raimundo Gomes de Matos, em Fortaleza: Não podendo ser provado que o turco Benjamin Abrahão realmente quisesse cometer um atentado, por isso que não chegeui a lançar mão da arma, e mais ainda porque escreveu carta, para ser publicada, declarando querer morar aqui e outreas coisas, foi solto completamente encabulado.

1926 - Nesse ano, Benjamin já vivia com Josefa Araújo Alves, com quem teve dois filhos: Atallah e Abdallah. O primeiro foi criado como filho por seu amigo, Gonçalo Mundó.

De 4 a 7 de março, Lampião e seu bando ficaram em Juazeiro do Norte em visita organizada por Floro Bartolomeu (1876 – 1926), que faleceu em 8 de março, no Rio de Janeiro. Foi na ocasião dessa visita que Benjamin provavelmente conheceu Lampião. Foram realizados saraus dançantes em homenagens a Lampião, que participou de conferências com autoridades públicas. Encontrou-se com o Padre Cícero e com o coronel Pedro Silvino, comandante do Batalhão Patriótico, uma milícia para combater a Coluna Prestes. Lampião e seu bando entraram para o citado batalhão e Lampião recebeu a patente de capitão honorário das Forças Legais de Combate aos Revoltosos, manuscrita por Pedro de Albuquerque Uchoa, ajudante de inspetor agrícola federal. Ele e seu bando receberam armamentos, munição e uniformes do Exército. Pouco tempo depois, o acordo foi desfeito. Em Juazeiro, os cangaceiros foram fotografados por Lauro Cabral de Oliveira Leite e por Pedro Maia (Jornal do Recife, 10 de abril de 1926).

Durante sua estada em Juazeiro do Norte, quando já estava hospedado no sobrado de João Mendes de Oliveira, Lampião foi visitado pelos ourives da região, levados por Benjamin Abrahão.

1927 – Benjamin prestava serviços a jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo.

1929 – Benjamin residia na casa do Padre Cícero (A Razão, 17 de outubro de 1929, na terceira coluna).

Benjamin despachou para todo o sertão emissários com a notícia, falsa, de que o Padre Cícero daria uma bênção de despedida aos romeiros. Juazeiro foi invadida por romeiros e Benjamin, que havia reforçado o estoque de sua loja, lucra muito.

Benjamim foi confirmado como colaborador especial do jornal O Globo, no Cariri.

1930 – Em 4 de janeiro, Benjamin fundou o jornal O Cariri, dirigido pelo advogado do Padre Cícero, Antônio Alencar Araripe, e editado pelos professores Manuel Diniz e J. Rocha. Teve pelo menos doze edições até março de 1931, quando teve seu título arrematado por editores do Crato.

Benjamin foi recebido pelo presidente do estado do Ceará, Manuel Fernandes Távora (1877 – 1977) (A Razão, 18 de outubro de 1930, na terceira coluna).

1932 – Era uma das pessoas mais influentes do círculo do Padre Cícero (O Jornal, 19 de maio de 1932, na segunda coluna).

1933 – Após uma viagem a Juazeiro do Norte, Otacílio Alecrim publicou no Diário de Pernambuco o artigo “O desencanto de Macunaíma”, em que estranhou dois fatos quando visitou a casa paroquial do Padre Cícero: uma vitrola de corda e a onipresença de um secretário turco: Francamente, com um turco e uma vitrola, não há messias que possa ser levado a sério…(Diário de Pernambuco, 12 de fevereiro de 1933, na penúltima e última colunas).

 

Benjamin concluiu ao lado de dezessete rapazes de Juazeiro do Norte e de cidades ao redor, a primeira turma do Tiro de Guerra 48, implantado no Juazeiro em 1931.  A instrução havia sido suspensa, em 1932, devido ao movimento constitucionalista de São Paulo. Benjamin tornou-se, assim, reservista do Exército.

1934 - Falecimento do Padre Cícero, em 20 de julho. Segundo o escritor Otacílio Anselmo, em meio às dezenas de repórteres , um deles chama a atenção de todos, tanto pela mobilidade como pelo modo de manejar sua máquina, provida de pequena manivela…o tal cinegrafista era o sírio Benjamin Abrahão, antigo leão de chácara do sacerdote, aproveitando o acontecimento para concluir um filme sobre a vida do famoso líder sertanejo.

Benjamin fotografou o morto de diversos modos e cortou uma mecha de seu cabelo, que vendeu a diversos devotos até que um deles se seu conta que o padre não tinha tanto cabelo…

Fundação da Aba Film por Adhemar Bezerra de Albuquerque (1892 – 1975), funcionário do Bank of London & South America Limited em Fortaleza. A empresa era de material fotográfico e de produção de imagens, inclusive cinematográficas. Adhemar era pai do fotógrafo Chico Albuquerque (1917 – 2000) e de Antônio Albuquerque.

Adhemar foi para Juazeiro do Norte realizar o documentário Funerais de Padre Cícero. Provavelmente, nessa ocasião, conheceu Benjamin Abrahão.

1935 – Abrahão apresentou seu projeto de fotografar e filmar Lampião e seu bando à Aba Film. Adhemar forneceu a Benjamin equipamentos cinematográficos e fotográficos, além de filmes. Também passou a Benjamin noções básicas de como utilizá-los.

Benjamin meteu-se numa roupa de brim azulão, sacudiu a tiracolo sua máquina fotográfica e se internou nas caatingas. Ao longo de 18 meses, viajou pelo sertão de Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe, e encontrou-se mais duas vezes com Lampião (Diário de Pernambuco de 27 de dezembro de 1936).

Segundo anotações em sua caderneta de campo, esse foi o início de seu trajeto:

10 de maio – partiu de Fortaleza para a missão/ 12 de maio – está em Missão Velha / 13 de maio – Brejo Santo / 14 de maio – Jati / 15 de maio – Belmonte, e Fazenda Boqueirão, em Pernambuco / 16 a 21 de maio – Vila Bela, atual Serra Talhada / 22 e 23 de maio – Custódia e Rio Branco, atual Arcoverde / 24 de maio – Pedra de Buíque / dian25 de maio – de Negras a Jaburu, quando deixa Pernambuco e chega a Alagoas / dia 26 de maio – de Caititu a Mata Grande / 27 de maio – de Manuel Gomes ao Capiá / 28 de maio – Olho d´Água do Chicão/ 3 de junho – Maravilha.

Benjamin radicou-se na vila do Pau Ferro, município de Águas Belas, em Pernambuco, tomando o lugar como sua base de operações. Inaugurou a parte terrestre de sua busca em Maravilha, no estado de Alagoas. Assim começava a aventura de Benjamin em busca de Lampião e seu bando.

No segundo semestre, perambulou pelos sertões de Alagoas e de Pernambuco. Em Pau Ferro, hospedava-se na casa de Antônio Paranhos, motorista de Audálio Tenório de Albuquerque , chefe do lugar, e protetor de Lampião.

1936 - Em 20 de janeiro, Benjamin autorretratou-se contra uma cerca com seu equipamento trançado em xis sobre os ombros. Naquela altura, ainda não havia encontrado os cangaceiros.

Ao longo do ano, encontrou-se duas vezes com Lampião e seu bando.

 

 

O historiador Frederico Pernambucano de Mello estima que o primeiro encontro tenha acontecido em fins de março, nas caatingas alagoanas da ribeira do Capiá, soltas bravias do Canapi, então do município de Mata Grande, no limite entre as fazendas Lajeiro Alto e Poço do Boi. A localização do encontro foi revelada em entrevista por Aristeia, mulher do cangaceiro Catingueira, em depoimento de 2004. Benjamin foi levado até Lampião pelos cangaceiros Juriti e Marreca. Almoçaram bode assado com farinha de mandioca e beberam conhaque Macieira. Segundo matéria publicada no jornal O Povo, de 12 de janeiro de 1937, Benjamin ficou com o grupo central, o de Lampião, por cinco dias.

Benjamin viajou para Fortaleza, em 17 de maio para, na Aba Film, situada na rua Major Fecundo, iniciar a revelação dos negativos realizados de Lampião e seu bando.

Em meados de julho, voltou a encontrar Lampião, com quem passou três dias.

…Lampião estava pronto para confirmar sua presença na História através da linguagem moderna do cinema. Benjamin passava de solicitante a solicitado, revalando para a garupa do projeto, a ser tocado doravante pelo próprio cangaceiro. Pior seria ficar a pé…

Somente a ocorrência dessa troca de postos, soprada pelo sírio a Antônio Paranhos no segundo regresso ao Pau Ferro, explica o número de cenas que se irá obter nos cerca de quinze minutos de película e cerca de noventa fotografias que se salvaram para a história, a variedade das revelações desveladas a cada segundo – algumas pungentes, como a do bando a rezar, todos descobertos, momentaneamente desarmados, joelhos fincados na poeira – e a docilidade dos “atores”, a tudo se prestando diante das câmeras. Não somente da Ica, cinematográfica, mas da Universal, de fotografia, uma “caixão” de objetiva dupla, também da Zeiss, negativos de 6 x 6 cm’ (Frederico Pernambucano de Mello in Benjamin Abrahão – entre anjos e cangaceiros).

Em 28 de setembro, os cangaceiros atacaram a cidade de Piranhas, em Alagoas, para libertar Inhacinha, a mulher do cangaceiro Gato, que havia sido baleada e presa pela volante do tenente João Bezerra da Silva (1898 – 1970). Porém, ela estava presa na cadeia da Pedra de Delmiro Gouveia. Foram recebidos por uma resistência feita apenas por civis, homens e mulheres. Uma das mulheres era dona Cira de Brito Bezerra, mulher do tenente João Bezerra. Os cangaceiros espalharam que a prenderiam caso Inhacinha não fosse encontrada ou morresse durante a ação. Sobre o ocorrido, Benjamin comentou:

Atravessava o rio quando se travou o combate. Encontrava-me a uma distância de meia légua da cidade. Corrio ansioso para lá. Era uma oportunidade que não devia deixar escapar. Infelizmente, cheguei tarde. Os bandidos já se retiravam. Bem junto a mim, em um sofá, ferido, passou Gato, chefe do grupo. Quando entrava na cidade, tomaram-me por bandido e, por um triz, não me bateram‘.

Até outubro, Benjamin fez diversas incursões a cada um dos chefes de subgrupos de Lampião. Produziu mais fotografias e um filme.

 

 

No Recife, deu uma entrevista, publicada no Diário de Pernambuco de 27 de dezembro de 1936, quando anunciou a realização de um filme e a produção de diversas fotografias de Lampião e seu bando. Foi apresentado como sírio naturalizado brasileiro e como fundador do periódico Cariri, em Juazeiro.

 

 

Benjamin apresentou-se na Aba Film, em Fortaleza, no dia 28 de dezembro, mesma data em que João Jacques publicou no jornal O Povo, matéria intitulada Carta ao Leota, na qual questionava o fato de Lampião e seu bando ter sido filmado e fotografado e continuar solto. Leota é Leonardo Mota, autor do livro No tempo de Lampião, de 1930.

Que acha desse furo? Que me diz sobre o caso? Será possível, meu amigo, que se possa ainda, por esses tempos tão mudados, filmar um bandoleiro, um gangster, um assassino mil vezes assassino e não se tenha meios de apanhá-lo?

No dia seguinte, dia 29, foi publicada na primeira página do jornal O Povo a matéria intitulada Sensacional vitória da Aba Film: uma das mais importantes reportagens fotográficas dos últimos tempos, Lampião, sua mulher e seus sequazes filmados em pleno sertão, ilustrada por fotografias de Benjamin ao lado de Lampião, de Maria Bonita, e da guarda pessoal do cangaceiro. A tiragem do jornal foi duplicada e totalmente esgotada.

No dia 31 de dezembro, o jornal O Povo publicou uma fotografia inédita de Maria Bonita sentada com os cachorros Ligeiro e Guarani.

1937 – No dia 10 de janeiro, Benjamin, que havia estado no sertão, retornou a Fortaleza.

No jornal O Povo, de 12 de janeiro de 1937, Benjamin revelou que Maria Bonita escolheu ser mulher de Lampião por livre e espontânea vontade, contrariando a versão de que ela havia sido raptada e estuprada pelo cangaceiro.

Foi publicada pelos Diários Associados, uma fotografia onde Benjamin aparecia ao lado do casal Lampião e Maria Bonita (Diário de Pernambuco, 16 de janeiro de 1937). Dias antes, o Diário da Noite, havia publicado uma notícia sobre o encontro de Benjamin com Lampião. Benjamin revelou que havia trazido também, além de imagens, a primeira entrevista escrita e assinada pelo bandido (Diário da Noite, 8 de janeiro de 1938, na última coluna). Outras fotografias de Lampião foram publicadas, uma delas mostrando o cangaceiro lendo um romance policial. Segundo Benjamin, Lampião gostava muito dos livros do belga Georges Simenon (1903 – 1989) e do inglês Edgard Wallace (1875 – 1932) (Diário de Pernambuco20 de janeiro de 193712 de fevereiro de 193714 de fevereiro de 193717 de fevereiro19 de fevereiro20 de fevereiro de 193721 de fevereiro 30 de julho de 1938Diário da Noite8 de fevereiro de 193729 de julho de 1938 e  30 de julho de 1938). Foram também publicadas fotografias das volantes (Diário de Pernambuco, 27 de abril de 1937).

Segundo o comerciante Farid Aon, amigo de Benjamin, dias depois do carnaval, terminado em 10 de fevereiro, Benjamin foi ao quartel da Sétima Região Militar, no Recife, para tentar obter uma licença do general para exibir o filme sobre Lampião em cinemas públicos. A oficialidade exigiu o exame do filme e, ao assistir à projeção, achou que o documentário era vergonhoso para o Brasil, ficou irritada, rebentou o filme e o projetor, e Benjamin foi maltratado e detido por uma semana.

Lampião escreveu um bilhete atestando a autenticidade dos registros de Benjamin (Diário de Pernambuco, 18 de fevereiro de 1937).

Na revista O Cruzeiro, de 6 de março de 1937, publicação de uma página com cinco fotografias de Lampião, de autoria de Benjamin, com o título Filmando Lampeão! Na matéria, mais uma vez, foi questionado o fato do bando de cangaceiros ainda estar solto.

 

 

As fotografias dos cangaceiros em poses que transmitiam orgulho e segurança irritaram o presidente Getulio Vargas, fato que impulsionou o definitivo esforço de repressão que exterminaria os bandoleiros do sertão. Além disso, o documentário sobre Lampião foi apreendido.

Não poderá ser exibido o filme de Lampião! Com essa manchete na primeira página do jornal O Povo, de 3 de abril de 1937, ilustrada com uma fotografia de Benjamin ladeando Lampião e Maria Bonita, era informado que o documentário sobre o cangaceiro deveria ser apreendido, por ordem do dr. Lourival Fontes (1899 – 1967), diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda, durante o governo de Getulio Vargas (1882 – 1954). O filme não poderia ser exibido nos cinemas do país, por atentar contra os créditos da nacionalidade.

Foi publicada no Correio do Ceará, 7 de abril de 1937, a transcrição da ordem dada por Lourival Fontes, que por telegrama determinou a apreensão do filme Lampião, que se exibia em Fortaleza:

‘Secretário Segurança Pública Estado do Ceará – Fortaleza.
Tendo chegado ao conhecimento do Departamento Nacional de Propaganda, estar sendo annunciado ou exhibido na capital ou cidades desse Estado, um filme sobre Lampeão, de propriedade de “Aba Film”, com sede á rua Major Facundo, solicito vos digneis providenciar no sentido de ser apprehendido immediatamente o referido filme, com todas suas copias, e respectivo negativo, e remettel-os a esta repartição, devendo ser evitado seja o mesmo negociado com terceiros e enviado para fora do paiz.
Attenciosos cumprimentos. Lourival Fontes, director do Departamento Nacional de Propaganda do Ministério da Justiça.’

Em 10 de abril, houve uma exibição especial do filme, às 17h, no Cinema Moderno, em Fortaleza, para o chefe de Polícia, o capitão Manuel Cordeiro Neto (1901 – 1992), assistido também pelo secretário do Interior do Ceará, pelo juiz federal de Fortaleza,pelos delegados de polícia da capital, pelos comandantes do 23º Batalhão de Caçadores do Exército e da Força Pública do Estado, por representantes de jornais e de empresas telegráficas. Em 22 de junho de 1979, o então já reformado general do Exército Brasileiro, Cordeiro Guerra, declarou sobre o filme apreendido: Se nada do conteúdo do filme ficou na minha lembrança de maneira viva, é porque as cenas a que assisti, em exibição especial que solicitei, ao lado de um conjunto de autoridades, eram triviais, coisas domésticas.

Foi publicado o artigo O reduto do “Caldeirão” do beato José Lourenço, de autoria de Benjamin Abrahão (Diário de Pernambuco, 2 de junho de 1937). Fiel seguidor do Padre Cícero, José Lourenço (1872 – 1946) foi o líder da comunidade Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, localizada na zona rural do Crato, extinta em 9 de maio de 1937. Segundo revelou a seu sobrinho Aziz, escreveu o artigo para sobreviver publicamente e regressar à imprensa.

Na edição de 7 de agosto do Diário de Pernambuco, o poeta e folclorista Ascenso Ferreira (1895 – 1965) convidava para a vaquejada de Surubim, em Pernambuco, evento de maior destaque dos esportes regionais do estado. Benjamin, que estava hospedado, no Recife, na casa de dona Wadia, matriarca da família Elihimas, viu na convocação para as vaquejadas uma oportunidade de trabalho. Como uma das vaquejadas mais tradicionais acontecia na fazenda Barra Formosa, no Pau Ferro de Águas Belas, Benjamin foi para lá a tempo de se engajar nos preparativos da festa, que aconteceria em novembro. A fazenda era de propriedade do coronel Audálio Tenório de Albuquerque (1906 – ?), grande amigo de Lampião. O coronel Audálio deixou que Benjamin explorasse a jogatina durante o evento, além de instalar tendas de bebidas e aperitivos.

Chegou em Pau Ferro um carregamento da Aba Film, de Fortaleza, para Benjamin: centenas de fotografias em diferentes tamanhos, com predominância do formato de cartão-postal, de cangaceiros dos vários grupos de Lampião. Começaria, então, a distribuir seu produto, barato e muitíssimo vendável, pelas feiras livres e pelo comércio fixo de Pernambuco. Começaria, assim, a tentar recuperar parte do prejuízo causado pela apreensão do filme que repercutiu sobre o patrimônio da Aba Film e da Benjamin & Cia, do Juazeiro.

Em meados de outubro, as fotografias estavam espalhadas por todo o sertão. O major Lucena Maranhão, comandante da unidade sertaneja da polícia de Alagoas, homem temido em todo o nordeste e perseguidor ferrenho de Lampião, mandou recolher as imagens. Benjamin, então, tocou fogo nas fotografias estocadas. Benjamin foi a Recife obter do Diário de Pernambuco uma declaração de que está em Pau Ferro como colaborador do jornal.

Em 5 de novembro, foi aberta a vaquejada do Pau Ferro, com a presença do major Lucena Maranhão. Benjamin fotografou o evento e quatro imagens produzidas por ele foram publicadas no Diário de Pernambuco de 13 de novembro de 1937. Também realizou um filme documental do acontecimento, fazendo com que a vaquejada do Pau Ferro se tornasse a primeira a ser filmada em Pernambuco. Fotografou uma cena inédita: o coronel Audálio Tenório, maior amigo de Lampião em Pernambuco passeando de braços dados com Lucena Maranhão, maior inimigo do cangaceiro em Alagoas, ladeados pelos coronéis Gerson Maranhão e João Nunes.

Em 10 de novembro, foi estabelecido o Estado Novo, regime político fundado pelo presidente Getulio Vargas (1882 – 1954). Vigorou até 31 de janeiro de 1946.

No Diário de Pernambuco, de 13 de novembro de 1937, foram publicadas quatro fotografias da vaquejada da fazenda Barra Formosa, em Águas Belas, produzidas por Benjamin Abrahão.

Em 23 de novembro, Benjamin filmou a vaquejada da fazenda Lagoa Queimada e, em 25 de novembro, a da fazenda Riachão, ambas no município de Quebrangulo, em Alagoas.

O tenente Luís Mariano da Cruz, sertanejo de São José de Belmonte, oficial a serviço da volante de Pernambuco revelou em entrevista dada ao Diário de Pernambuco, de 24 de novembro de 1937, que Lampião fazia uso de seus retratos com salvo-condutos autenticados com suas assinaturas. Esse retratos foram confeccionados pela Aba Film, em operação intermediada por Benjamin. Na entrevista, o tenente traçou os roteiros de Lampião, descreve o poderio bélico de seu bando e acusa alguns militares de omissão ou cumplicidade. Sobre a confecção dos cartões para Lampião, foi feito um relato por Chico Albuquerque, na Gazeta de Alagoas, de 2 de agosto de 1938.

1938 - O lucro das bancas de vaquejada foi desastroso. Benjamin discutiu com um de seus auxiliares, tendo chamado um deles de ladrão.

O coronel Audálio Tenório, com quem Benjamin tinha negócios, cobrou o que havia sido previsto na comercialização de tudo o que fornecera a Benjamin, que prometeu levantar a quantia com seus familiares no Recife. Emitiu promissórias que venceriam em 18 de fevereiro.

No Recife, hospedou-se com dona Wadia, a matriarca dos Elihimas, e com o primo Francisco, na casa nº 579, da avenida Rui Barbosa, no bairro das Graças. Solicitou a Francisco três contos de réis e teve seu pedido negado.

De 5 a 9 de fevereiro, brincou o carnaval e foi todas as noites aos bailes do Clube Internacional. Na Quarta-Feira de Cinzas, embriagado, quase foi atropelado por um bonde da rua Nova.

Em 18 de fevereiro, Benjamin nem resgatou as promissórias nem deu satisfações. Seguiu tentando conseguir empréstimos entre Recife e Juazeiro.

No início de maio, Benjamin voltou a Pau Ferro, município de Águas Belas, dizendo que pagaria tudo o que devia. Alguns atribuíram a ousadia de seu retorno ao fato de estar apaixonado por Alaíde Rodrigues de Siqueira. Ao amigo Antônio Paranhos, confessou não ter nem a metade do que devia e que estava pensando em vender seu silêncio, já que com seu convívio com Lampião e seu bando em 1936 teria tido acesso a várias informações que seriam incômodas para a elite sertaneja.

Segundo o ex-cangaceiro Manuel Dantas Loiola, conhecido como Candeeiro, em 6 de maio, véspera do assassinato de Benjamin, Lampião e seu bando estavam acampados perto do riacho do Mel, a menos de duas léguas do Pau Ferro.

Benjamin Abrahão foi assassinado com 42 facadas, em Águas Belas, hoje Itaíba, no interior de Pernambuco, em 7 de maio de 1938. Saiu do bar rumo à pensão onde se hospedava quando as ruas principais da cidade ficaram às escuras. Foi atacado, gritou por socorro e seu amigo Antônio Paranhos foi ao seu encontro, mas foi detido pela voz de um desconhecido que o avisou Arreda, cabra, que é encrenca. (Diário da Noite, 9 de maio de 1938, na quarta coluna,  Diário de Pernambuco, 10 de maio de 1938, na quarta coluna e Diário de Pernambuco, 19 de maio de 1938, na quinta coluna). Seu assassino confesso foi Zé da Rita, marido de Alaíde Rodrigues de Siqueira, por quem Benjamin estaria apaixonado. Mas o fato dele ser franzino e paralisado da cintura para baixo gerou dúvidas quanto a sua capacidade de dominar Benjamin, que era um homem corpulento. Sendo assim, os motivos de sua morte ainda são misteriosos. As hipóteses vão desde a possibilidade de um crime passional até a de queima de arquivo, já que ele sabia do envolvimento de autoridades com Lampião. Em sua missa de sétimo dia, só estava presente o padre celebrante, Nelson de Barros Carvalho.

Em 28 de julho, na grota de Angico, em Sergipe, o bando de Lampião foi cercado por uma força volante comandada pelo tenente João Bezerra da Silva (1898 – 1970), pelo aspirante Ferreira Mello e pelo sargento Aniceto da Silva. Além de Lampião, foram mortos sua mulher, Maria Gomes de Oliveira (c. 1911 – 1938), conhecida como Maria Bonita, e os cangaceiros Alecrim, Colchete, Elétrico, Enedina, Luiz Pedro, Macela, Mergulhão, Moeda e Quinta-feira. Foram todos decapitados (Jornal do Brasil, 30 de julho de 1938, na primeira colunaDiário de Pernambuco, 30 de julho de 1938, com uma fotografia de autoria de BenjaminDiário de Pernambuco, 31 de julho de 19383 de agosto de 1938 ).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Novidade na Brasiliana Fotográfica – Cronologia de fotógrafos

A Brasiliana Fotográfica traz em sua primeira publicação de 2021 uma novidade: a criação da seção “Cronologia de fotógrafos”, onde estão reunidas todas as cronologias já publicadas no portal. A nova seção encontra-se no canto superior da página inicial. Assim, se o leitor quiser saber se determinado fotógrafo já tem uma cronologia e desejar pesquisar somente nela, pode ir direto na “Cronologia de fotógrafos” onde, em ordem alfabética, eles estão listados. Já são 45! Dentre eles, Augusto Malta (1864 – 1957), José Christiano Junior (1832 – 1902, Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897) e Marc Ferrez (1843 – 1923). Todos os fotógrafos que possuem cronologia já foram temas de artigos da Brasiliana Fotográfica, nos quais há também um perfil e um link para as imagens de autoria de cada um deles. Feliz Ano Novo! E vamos em 2021 continuar a cumprir nossa missão de difundir a fotografia brasileira!

 

Link para a página “Cronologia de fotógrafos”

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica