Gioconda Rizzo: além do pioneirismo, por Joanna Barbosa Balabram

Gioconda Rizzo: além do pioneirismo

Joanna Balabram*

 

Gioconda Rizzo é frequentemente apresentada como a primeira mulher a manter um estúdio fotográfico próprio na cidade de São Paulo. O pioneirismo, sem dúvida, ajuda a inscrevê-la na história da fotografia brasileira. Mas também pode funcionar como um limite: transforma uma trajetória complexa em uma exceção curiosa, quase isolada no tempo.

Ao pesquisar por Gioconda Rizzo no Google, as primeiras referências à fotógrafa reiteram justamente essa condição de pioneira. No entanto, ao buscar “quem foi a primeira fotógrafa do Brasil?”, o mecanismo de busca corrige automaticamente a palavra “fotógrafa” para “fotografia” e responde outra pergunta: “qual foi a primeira fotografia feita no Brasil?”. Curiosamente, o mesmo não acontece quando se pesquisa “quem foi o primeiro fotógrafo do Brasil?”. Esse pequeno equívoco do sistema de buscas do Google aponta para uma dificuldade histórica em reconhecer mulheres como produtoras de imagens, e não apenas como objetos de representação. Recuperar a história dessas mulheres é fundamental, mas isso não basta quando elas continuam sendo apresentadas na narrativa histórica como casos excepcionais, pioneiras isoladas, em suma, exceções. A historiadora da arte Linda Nochlin, em seu artigo seminal Por que não houve grandes mulheres artistas?, chamou atenção para esse mecanismo ao discutir como mulheres artistas são frequentemente apresentadas como exceções extraordinárias dentro da história da arte. Em vez de transformar a narrativa histórica, muitas vezes elas acabam inseridas nela apenas como figuras raras, quase deslocadas de seu próprio contexto. Deste modo, esse mecanismo não questiona por que tantas trajetórias femininas foram apagadas, mas frequentemente reforça o mito do “gênio” artístico (quase sempre associado a figuras masculinas) e transforma mulheres em exceções dentro de uma narrativa que continua sendo predominantemente masculina.

Voltando para a fotógrafa Gioconda Rizzo, não apenas como “a primeira”, mas como uma mulher que atuou dentro de redes, contextos sociais, históricos e construções visuais específicas de seu tempo, interessa destacar aspectos de sua trajetória comuns a muitas mulheres que atuaram no campo fotográfico nas primeiras décadas do século XX. Afinal, a experiência feminina no campo fotográfico existia antes de uma mulher poder ter seu próprio estúdio ou assinar suas fotografias[1].

Na história da arte a herança familiar de um ofício frequentemente aparece como um facilitador na trajetória de artistas mulheres. No caso de Gioconda, o estúdio fotográfico de seu pai, Michelle Rizzo, funcionava inicialmente no mesmo edifício em que a família Rizzo residia. A proximidade cotidiana com o estúdio e o interesse de Gioconda pela fotografia foram fundamentais para sua formação profissional.  Ela atuava não apenas na tomada das imagens, mas também no laboratório e retoques fotográficos.

O Ateliê Rizzo, ou Photographia Central, como também era conhecido, funcionava como uma empresa familiar, envolvendo diferentes membros da família em etapas variadas do trabalho, desde o atendimento e a preparação das poses, até o laboratório, os retoques e finalização das fotografias. Com o aprimoramento de Gioconda na técnica fotográfica, seu pai Michelle abriu para a filha um estúdio próprio: o Photo Femina.[2]

Tanto o Photographia Central como o Photo Femina ficavam localizados na Rua Direita, região central da cidade de São Paulo e importante espaço de circulação e consumo da elite paulistana naquele período. Diferentemente dos outros estúdios fotográficos, o Photo Femina dedicava-se exclusivamente ao retrato de mulheres e crianças. Essa especialização também respondia a uma exigência moral da época, já que não era considerado apropriado que uma mulher permanecesse sozinha com um homem em um ambiente fechado.  Deste modo, o estúdio atendia a uma demanda por retratos femininos ao mesmo tempo em que preservava sua reputação moral.

A vigilância sobre a conduta feminina era tão importante que todas as sessões fotográficas eram supervisionadas por Giuseppina Rizzo, a mãe de Gioconda. A proximidade entre o Photo Femina e o estúdio do pai facilitava esse controle. Mesmo tendo seu próprio estabelecimento, Gioconda ainda precisava atuar dentro de condições bastante diferentes daquelas vividas por fotógrafos homens. O lucro obtido com a atividade do estúdio, por exemplo, permanecia sob administração paterna, o que limitava sua autonomia financeira. Ainda assim, essa foi uma experiência possível para uma mulher branca de classe média ter um estúdio fotográfico no início do século XX.

As restrições que atravessavam a experiência profissional de Gioconda Rizzo também faziam parte de uma condição mais ampla da experiência feminina na modernidade. Como observa a historiadora da arte Griselda Pollock em A Modernidade e os espaços de feminilidade, a vivência das mulheres na cidade moderna ocorria de maneira distinta da masculina, marcada por limites de circulação, vigilância moral e acesso restrito aos espaços públicos. Enquanto a figura masculina moderna era frequentemente associada à liberdade de observar e ocupar a cidade, as mulheres precisavam constantemente negociar sua presença nesses espaços.

Nas primeiras décadas do século XX, a expansão dos estúdios fotográficos nas grandes cidades esteve diretamente ligada às transformações da vida urbana e à consolidação de novos hábitos sociais e à uma cultura visual moderna. As mulheres também participaram dessas mudanças, experimentando novas formas de se apresentar diante da câmera e também de atuar como produtoras de imagens, atrás da câmera. O estúdio Photo Femina funcionava como esse lugar intermediário entre o público e o privado onde foi possível colocar em prática esses novos modelos. Voltado exclusivamente para mulheres e crianças, o estúdio oferecia um ambiente considerado socialmente seguro para suas clientes, ao mesmo tempo, as imagens produzidas por Gioconda revelavam mudanças na representação feminina: poses menos rígidas, enquadramentos mais próximos, tecidos leves, ombros à mostra e uma atmosfera de intimidade pouco comum nos retratos tradicionais de estúdio.

A seguir estão dois retratos de Wanda Massucci produzidos por Gioconda Rizzo em diferentes períodos. No primeiro retrato, Wanda ainda era uma criança e, em função disso, destaca-se nessa imagem o tecido translúcido que escorrega do ombro para o braço dela trazendo uma sensualidade sutil. A luz difusa e o foco suave criam a atmosfera de uma figura etérea prestes a desaparecer na vinheta que se forma no fundo. O enquadramento em plano americano aproxima a retratada do espectador e a composição estabelece dois pontos de destaque: a menina no centro e o bouquet quase encaixado no canto inferior direito. Ela parece relaxada e confortável diante da câmera que ela encara.

 

 

Em seguida vemos Wanda no início da juventude, enquadramento em plano fechado, rosto de perfil e olhar suave para fora da imagem. Em destaque no centro, o colar e o brinco. O ombro, parte das costas e nuca à mostra contrastam com o tecido que ganha a cor azul na pintura sobre a fotografia. O tom rosado da pele do rosto e dos lábios transmitem uma atmosfera de sensualidade.

 

 

Nas duas fotografias não há apenas o registro da menina ou da jovem Wanda, mas uma construção visual produzida na relação entre fotógrafa e retratada. E é esse o aspecto de destaque dessas fotografias, uma experiência compartilhada entre mulheres. Se a visualidade moderna na virada do século XIX para o XX foi amplamente construída a partir do olhar masculino sobre os corpos femininos (como nas pinturas Olimpya e Almoço na relva, de Édouard Manet, Les Demoiselles d’Avignon, de Pablo Picasso, e a fotografia O violino de Ingres, de Man Ray), as fotografias de Gioconda Rizzo sugerem que havia outras formas de representação do corpo feminino.

A trajetória de Gioconda revela não apenas os limites impostos às mulheres que atuavam no campo fotográfico nas primeiras décadas do século XX, mas também as negociações e possibilidades que permitiram sua presença nesse espaço. Mais do que uma exceção isolada na história da fotografia brasileira, Gioconda Rizzo pode ser entendida como parte de uma experiência da modernidade que foi eclipsada. Talvez o desafio atual não seja apenas recuperar o nome dessas mulheres, mas também criar formas de narrar suas trajetórias sem reduzi-las apenas à condição de “pioneiras” ou exceções de talento extraordinário.

Este artigo é inédito e tem como base a dissertação de mestrado de autoria de Joanna Barbosa Balabram, intitulada Gioconda Rizzo: vestígios de uma trama fotográfica, defendida em dezembro de 2025 no Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com apoio da CAPES, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Fernanda Pequeno.

 

[1] Para mais informações sobre o assunto consultar o artigo COSTA, Helouise. No limite da invisibilidade: mulheres fotógrafas no Brasil na primeira metade do século XX. In: COSTA, Helouise; ZERWES. Erika. Mulheres Fotógrafas / Mulheres Fotografadas: fotografias e gênero na América Latina. São Paulo: Intermeios, 2021. Disponível em: <https://repositorio.usp.br/item/003072112>. Acesso em: 10 mai. 2026

[2] O estúdio Photo Femina funcionou aproximadamente entre 1914 e 1918. O fechamento do estúdio ocorreu após o irmão mais velho de Gioconda, Vicente, contar ao pai, Michelle Rizzo, que o espaço estava sendo frequentado por cortesãs. Após o fechamento de seu estúdio, Gioconda volta a trabalhar no Ateliê Rizzo, ainda fotografando apenas mulheres e crianças.  A cronologia completa de Gioconda Rizzo está disponível na Brasiliana: https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28653

 

*Joanna Balabram é mestre em História da Arte pela UERJ e curadora assistente na coordenadoria de Fotografia do Instituto Moreira Salles, onde atua na organização e processamento de coleções de fotografia do século XIX.

 

Referências:

COSTA, Helouise. No limite da invisibilidade: mulheres fotógrafas no Brasil na primeira metade do século XX. In: COSTA, Helouise; ZERWES. Erika. Mulheres Fotógrafas / Mulheres Fotografadas: fotografias e gênero na América Latina. São Paulo: Intermeios, 2021. Disponível em: <https://repositorio.usp.br/item/003072112>. Acesso em: 10 mai. 2026

IBRAHIM, Carla J. As retratistas de uma época: fotografas de São Paulo na primeira metade do século XX. Dissertação de mestrado, Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, 2005. Disponível em: < https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/359360 >. Acesso em: 9 mai. 2026.

NOCHLIN, LindaPor que não houve grandes artistas mulheres? ArtNews, 1971.

POLLOCK, Griselda. A modernidade e os espaços da feminilidade. (1988). In: PEDROSA, Adriano; CARNEIRO, Amanda;

MESQUITA, André (org.). História das Mulheres, histórias feministas: Antologia. MASP: São Paulo, 2019

WANDERLEY, Andrea C.T. No Dia Internacional da Fotografia, fotógrafas pioneiras no Brasil in Brasiliana Fotográfica, 19 de agosto de 2022. Disponível em: <https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26902>. Acesso em: 29 abr. 2026.

 

Breve perfil de Gioconda Rizzo (1897 – 2004)

Andrea C. T. Wanderley*

 

Foto de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS

Foto de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS

 

“Fotografia é uma coisa maravilhosa, que a gente tira o retrato quando era criança e depois quando é velho está vendo a figura dele quando era criança, é uma coisa maravilhosa. É muito bonito!”

Gioconda Rizzo, 2002

 

O avô da paulistana Gioconda Rizzo (1897 – 2004), Vincenzo Rizzo, já se encontrava em São Paulo, em 1887, e era fabricante de cerveja (L´Italia, 21 de maio de 1887, quarta coluna). Seu filho e pai de Gioconda, Michelle (Miguel) Rizzo (1869 – 1929), sofreu um acidente que afetou seus olhos. Foi para a Itália se tratar, sem sucesso, e lá aprendeu fotografia com B. Lauro, retratista da família real italiana.

Já de volta ao Brasil, Michelle inaugurou, em 10 de março de 1892, a Photographia Central, na Rua Direita nº 55, em São Paulo (O Estado de São Paulo, de 10 de março de 1892, página 1, antepenúltima coluna).

 

O Estado de São Paulo, 10 de março de 1892, página 1, antepenúltima coluna

O Estado de São Paulo, 10 de março de 1892

 

Verso de uma foto tirada no ateliê da família Rizzo

O Estado de São Paulo, 15 de maio de 2012

 

Em um anúncio veiculado pelo Fanfulla, de 8 de agosto de 1896, página 4, Michelle anunciava-se como proprietário da primeira photografia italiana no Brazil. Em 1906, estava na relação de fotógrafos italianos que atuavam em São Paulo (Il Brasile e gli Italiani, 1906, página 1165).

 

 

 

Foi com ele, seu grande incentivador, que Gioconda iniciou seus experimentos em fotografia, tendo sido a primeira mulher a ter um estabelecimento fotográfico, em São Paulo, a Photo Femina, aberto em 1914. Desde a adolescência Gioconda só enxergava com o olho direito. Sempre foi apaixonada por fotografia e aos 12 anos tirou um autorretrato e também fotografou uma amiga:

 

 

“Eu comecei a tirar foto de mim mesma… então meu pai quando viu aquela chapa… a primeira coisa que fiz… viu a chapa… disse: “Quem foi que fez isso?” “Fui eu papai”; ele disse: “Ihhhh! Esta vai me passar a perna!”

 Depoimento de Gioconda Rizzo a Carla Ibrahim. São Paulo, setembro de 2002.

 

Michelle muitas vezes viajava para o interior, de onde enviava fotografias para processamento, retoque e finalização em São Paulo. Quando estava ausente, seu filho Armando (1894 – 19?) cuidava dos negócios. Gioconda trabalhava com o irmão e participava desde a recepção e ambientação dos clientes no ateliê até o trabalho de revelação e acabamentos, como retoques e acondicionamento das fotos em álbuns, molduras ou estojos. Conhecia e dominava todas as etapas do processo fotográfico.

Em 1914, Michelle abriu para Gioconda o ateliê Femina, também na Rua Direita, número 8A, perto do seu, que ficava, então, na mesma rua, no número 10 C. O Femina atendia somente crianças e mulheres, pois, na época, não era adequado que uma mulher ficasse sozinha na presença de homens. Mesmo com essa restrição, a mãe de Gioconda, Giuseppina, sempre a acompanhava em  suas sessões fotográficas.

“Fui a primeira fotógrafa a se especializar em fotos assim. Fotografei, então, muitas mulheres de barões do café e muitas atrizes. Todas gostavam de minha maneira de fazer as fotos porque eu enfocava só meio corpo, realçando o rosto e usando tapetes nas paredes para servirem de fundo”.

Gioconda Rizzo, Folha de São Paulo, 12 de abril de 1982

 

Ainda em 1914, na revista A Cigarra, edição de 31 de dezembro, na seção “A Formiga”, foi publicada uma fotografia de autoria de Gioconda Rizzo com a assinatura do ateliê Femina.

 

Fotografia de autoria de Gioconda Rizzo / A Cigarra, 31 de dezembro de 1914

Fotografia de Wanda Massucci (a maior), de autoria de Gioconda Rizzo / A Cigarra, 31 de dezembro de 1914

 

Para criar diferentes figurinos e cenários, Gioconda possuia em seu estúdio almofadas, banquinhos, diversas cadeiras, colunas de mármore, estátuas de cães, laços, sombrinhas, véus, e outros objetos e adereços. Fazia também uso de uma balança para fotografar bebês, como sua filha, Wanda Pasqualucci (1926-), retratada, em 1926, na foto abaixo.

 

 

Criava poses que descontraíssem suas clientes, que tinham uma tendência a ficar muito sérias na hora da foto. Buscava em seus retratos a beleza, a sensualidade. Criava uma atmosfera de sonho, romântica. Suas retratadas sorriam, deixavam ombros e colos muitas vezes desnudos e os cabelos soltos, sem chapéus, enfeitados com flores.

Gioconda participou, trabalhando no pavilhão Gradisca, da quermesse realizada no parque da avenida Paulista, promovido pela sub-comissão italiana do bairro da Consolação para socorrer as famílias dos reservistas que haviam partido para a Itália (Correio Paulistano, 19 de julho de 1915, segunda coluna).

Em torno de 1916, Michelle trouxe da Itália o flash de magnésio que possibilitava a captação de poses mais rapidamente, o que facilitava enormemente fotografar crianças. Uma vez, Gioconda sofreu uma queimadura na mão direita quando utilizava a nova ferramenta. Também por volta deste ano, seu irmão, Vicente, descobriu que o ateliê Femina recebia cortesãs francesas e polonesas e contou para Michelle, que decidiu fechá-lo. Gioconda voltou a trabalhar com seu pai e seu irmão, Armando Rizzo. Passaram a produzir fotografias coloridas a óleo e a fazer fundos de paisagens aplicadas nas chapas. Também produziam muitas fotos de formaturas de escolas e faculdades.

Em 1926, Gioconda casou-se com o comerciante Onofre Pasqualucci (c. 1898 – 1935) e, no mesmo ano, nasceu sua única filha, Wanda.

 

 

Em 1931, devido à crise financeira deflagrada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, a família Rizzo fechou, após cerca de 40 anos de funcionamento, o ateliê da Rua Direita, e abriu outro na Rua Líbero Badaró, 63, chefiado por Armando. Nesse mesmo ano, Gioconda fotografou a Miss Universo, Yolanda Pereira (1910 – 2001).

 

 

Ela aprendeu as técnicas de fotografias fundidas em esmalte para joias com o fotógrafo espanhol Medina, estabelecido no Rio de Janeiro. Adaptou as técnicas à porcelana e passou a produzir fotojoias e decorações tumulares para o ateliê Photo do Carmo, do italiano Sestilio Fiorelli. Instalou em sua casa, no bairro do Cambuci, um ateliê e um forno para a produção das peças, que eram vitrificadas a uma temperatura de 1.000º C.

 

“Essas fotos em porcelana dão muito trabalho e se desenvolvem em várias fases até que se consegue uma película aplicada sobre a louça. Queima-se então a uma temperatura de 1000 graus e está pronta”.

Gioconda Rizzo, Folha de São Paulo, 12 de abril de 1982

 

Foto de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS

Fotos em porcelana de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS

 

Em 14 de junho de 1935, Gioconda ficou viúva e foi com a fotografia em porcelana que sobreviveu com sua filha. Aposentou-se na década de 60.

 

O Estado de S]ao Paulo, 15 de junho de 1935

O Estado de São Paulo, 15 de junho de 1935

 

Cinco décadas mais tarde, entre 12 e 30 de abril de 1982, houve uma exposição de parte de sua obra na Galeria Fotoptica, em São Paulo: 20 fotos em papel, 15 em porcelana e algumas coloridas a óleo.

Faleceu em 22 de março de 2004, pouco antes de completar 107 anos, e foi sepultada no Cemitério da Consolação.

Uma curiosidade: a capa do livro Anarquistas, Graça a Deus, da escritora Zélia Gattai (1916 – 2008), foi ilustrada com uma foto da família Da Col – Gattai, de autoria de Gioconda.

Abaixo, reprodução do texto O real e a representação nos retratos de Gioconda, de autoria da fotógrafa e crítica de arte Stefania Bril (1922 – 1992), publicado em O Estado de São Paulo, de 30 de abril de 1982:

 

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Acesse aqui uma entrevista com Gioconda Rizzo para o programa Moviola

 

 

Acesse aqui a Cronologia de Gioconda Rizzo (1897 – 2004).

 

*Andrea C. T. Wanderley é editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

Histórias da fotografia paraense entre o século XIX e as primeiras décadas do século XX

Ainda durante a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, COP30, em Belém, o Pará volta a ser tema da Brasiliana Fotográfica. Hoje o portal traz artigos que contam um pouco da história da fotografia paraense, entre o século XIX e as primeiras décadas do século XX. Essa história começou, provavelmente, com a chegada do norte-americano Charles DeForest Fredricks (1823 – 1894) ao estado, em 1846, poucos anos após o anúncio da descoberta do daguerreótipo, ocorrido em 1839, na França. Vamos destacar o trabalho do português Felipe Augusto Fidanza (1844 – 1903) e do alemão George Huebner (1862 – 1935), que já foram temas de publicações do portal.

 

 

Além disso, publicamos o artigo da artista e pesquisadora Mayra Rodrigues sobre a história da Photographia Oliveira, de Antonio Oliveira (1864 – 1929), seu tio-bisavô e destacado documentarista da cidade de Belém e retratista das famílias abastadas na belle époque da cidade; e de suas filhas, a fotógrafa Lourdes Oliveira (1893 – 1984) e a laboratorista Kyola Oliveira (18? – 19?). Segundo o jornalista, ensaísta e curador Cláudio de La Rocque Leal (1958 – 2006), Lourdes é um dos maiores nomes da fotografia paraense. Sua produção é uma das mais ricas, mais bonitas e inventivas…As irmãs Oliveira encontram terreno para o desenvolvimento de uma produção rara e bela, digna dos mais importantes centros fotográficos do mundo.

 

“O retrato paraense é um todo mítico de crendices, volúpias, revoltas, revoluções, âmagos dilacerados, histórias de envenenamento, morte, amor, ódio, expulsões, recebimentos, doações, tudo a um tempo só, átmo de segundo, átmo que a fotografia precisa para registrar para todo o sempre aquele instante fugidio, que já não é mais, como disse Lispector. E se alguns paraenses partiram algum dia em férias para Paris e lá foram fotografados por Felix Nadar ou, antes, por Daguerre, é unicamente porque faz parte dessa essência esse eterno mesclar, esse eterno misturar as raízes, as origens, os sentidos. Políticos, intelectuais, artistas, escritores, estivadores, militantes, feministas, todos – incluindo os esquecidos e os desconhecidos, guardados pelo acaso em registro desses fotógrafos-, enfim todos os que fizeram de sua participação na formação desse retrato a mais bela contribuição para a construção do rosto único – união de faces no espelho de Persona – são nosso retrato, representação de nosso caráter. E o olhar, conhecido ou anônimo faz o mesmo que a “femme inconue” de Nadar: fita-nos eternamente”.

Cláudio de La Rocque, março de 1998 (Retrato Paraense)

 

 

A Photographia Oliveira por Mayra Rodrigues*

 

 

Tio Antonico é como a família chamava meu tio-bisavô, o fotógrafo Antonio Oliveira. Experimentou a febre das modernidades introduzidas no Brasil pelo Norte, impulsionada pela economia da borracha e que, segundo Mário de Andrade, alumbrou o homem amazônico no século XIX.

 

Antonio Oliveira, em rara foto, 19? / Acervo da família Oliveira

Autor desconhecido.“Tio Antonico”, Antonio Joaquim da Paixão Oliveira (1864–1929), em rara fotografia / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Aos 24 anos, abriu a Photographia Oliveira, em Belém do Pará. O cálculo da idade do estabelecimento toma por base o ano de 1888 como provável data de sua fundação conforme anúncio publicado no Estado do Pará, em 1916, que afirmava: “Todos os retratos tirados na Photographia Oliveira, desde 1888 até hoje, fôram ahí archivados e poderão ser reproduzidos em qualquer tempo” (O Estado do Pará, 20 de fevereiro de 1916, última coluna).

No registro de óbito de Antonio Oliveira, de 21 de janeiro de 1929, lê-se: “Que hoje, às dezenove horas, no Hospital da Caridade, sexto distrito, falleceu de “diabetes, anasarca e colapso cardíaco” Antonio Joaquim da Paixão Oliveira, paraense, branco, de sessenta e cinco anos de idade, photographo, filho de Francisco Gregório Oliveira e donna Anna Izabel Maciel de Oliveira.”

Antônio Oliveira e seus irmãos são, por parte de mãe, sobrinhos-netos de Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente (Acará, 1798 — Lisboa, 1866), fundador do jornal O Paraense (1822), considerado o primeiro jornal publicado na então Província do Grão-Pará e Rio Negro. Patroni é apontado como um dos influenciadores do movimento que culminou na Revolta da Cabanagem (1835–1840) (1).

Voltando à fotografia, o português Filippe Augusto Fidanza é reconhecidamente o grande nome do período. Segundo o jornalista e curador Cláudio de La Rocque Leal, “seu estúdio encontra um rival à altura somente na década de 1880, exatamente em 1884, com a abertura do Photo Oliveira, cujo domicílio comercial situava-se no prédio ao lado do Photo Fidanza.” (Retrato Paraense, Fundação Rômulo Maiorana, Belém, Pará, 1998). Ele acrescenta: “Ao que tudo indica, não somente pelos noticiários, como por depoimentos colhidos, os dois eram os mais importantes da cidade.”

Comemorando as conquistas de Tio Antonico e seguindo as datas indicadas por Leal, registro que a Photographia Oliveira instalou-se no prédio ao lado do Photo Fidanza — no número 18-A da Rua Conselheiro João Alfredo — por volta de 1894, e não em 1884, já que anúncios, entre 1891 e 1893, ainda indicavam como domicílio o número 4 da mesma rua. Outra pista: em 1895, a revista A Palavra: revista militar e literária informava que “toda a correspondência deve ser dirigida à Photographia Oliveira, à rua João Alfredo, 98, ou ao 4º Batalhão de Artilharia de Posição.” É provável que tenha havido erro tipográfico, sendo correto o número 18 (A Palavra: revista militar e literária, 15 de setembro de 1895, primeira coluna).

Antonio Oliveira atuou como um leão por quatro décadas. No período em que trabalhou, a Princesa Isabel assinou a Abolição da Escravatura (1888), o Brasil passou de Império à República (1889) e o mundo enfrentou a Primeira Guerra Mundial (1914–1918). Anúncios, matérias na imprensa, trabalhos acadêmicos e fotografias em relatórios governamentais indicam que ele foi repórter fotográfico, paisagista, retratista dentro e fora do estúdio e comerciante de produtos e serviços ligados à fotografia e à pintura, além das então recentes novidades tecnológicas para o lar.

Em 1899, anuncia vagas para “typographos, pautadores, encadernadores, retocadores photographicos, de competencia profissional, assim como de uma cosinheira” (A República (PA), 19 de setembro de 1899, primeira coluna). É provável que a família, além de trabalhar, morasse também no sobrado. Fez da Photographia Oliveira uma referência na cidade como ponto de encontro, premiando clientes com retratos, promovendo concursos fotográficos e com a exibição dos resultados e notícias de interesse público na forma de murais na porta de seu estabelecimento, como retratos de criminosos procurados.

Além do tradicional expediente entre 8h e 17h, em 1921, abriu para “Retratos tirados à noite”, com novos horários “às terças, quintas e sábados, das 8h às 9h da noite. Excepto para creanças” (Estado do Pará, 19 de abril de 1921, segunda coluna).

A Photographia Oliveira também sabia brincar com o público em seus anúncios. Um deles prometia carteiras de “verdadeiro coiro da Rússia” e “à prova de batedores”, explicando que, “uma vez acostumadas com a mão do proprietário, extranham as alheias e GRITAM ao serem tocadas por estas” (A Província do Pará, 31 de janeiro de 1900, anno XXIV, nº 7.296, p. 4). Em outra oportunidade, garantia possuir um “grande depósito de paciência” para “retratar creanças tolas e traquinas” (Estado do Pará, 12 de agosto de 1915, sexta coluna).

 

Província do Pará, 1900

Província do Pará, 31 de janeiro de  1900

 

O ano de 1900 marca um ponto alto na carreira de meu tio-bisavô. Foi quando investiu em dois anúncios elaborados, publicados nos refinados álbuns bilíngues — português e italiano — de Arthur Caccavoni, impressos em Gênova: o Album Descriptivo Amazonico  ilustrado por P. Campofiorito, tem caráter mais artístico (a imagem do anúncio de Antonio Oliveira abre esse artigo); no outro, o álbum Pará Commercial, mais empresarial, o destaque do anúncio é o próprio fotógrafo — com uma rara imagem de seu rosto aos 36 anos e sua assinatura cursiva e abreviada: “A. J. P. Oliveira.”

 

 

 

 

Os adjetivos a ele atribuídos pela imprensa dão pistas de sua passagem por Belém e pelo tempo. Ainda nos anos 1890 é o “sympathico photographo”, “acreditado e bem montado”; em 1896, a Folha do Norte, comentando sobre um possível contraventor, publica que “Nada contém o Izidoro Santiago: nem a inexorabilidade do subprefeito capitão Cândido, nem a energia terrível do aterrador capitão Mattos e nem a célebre galeria da Photographia Oliveira”. Em 1902, é o “conhecidíssimo photographo belenense”; em 1911, possui um “conceito artístico que há muito distingue”; e, em 1921, é “antigo e esforçado” (A República (PA), 3 de junho de 1890, quarta coluna; Folha do Norte, 25 de novembro de 1896, última coluna; O Industrial (PA), 17 de abril de 1902, penúltima colunaEstado do Pará, 17 de dezembro de 1911, terceira coluna; Estado do Pará, 20 de abril de 1921, segunda coluna).

A essa altura, Tio Antonico há muito havia se casado com Tia Catita — Anna Catharina Miranda de Oliveira (08/01/1872 – 19/10/1956)  e era pai de sete mulheres – Maria de Lourdes, Regina, Deolinda, Anna, Kyola, Bonina e Helena; e de três homens – Milton, Sylla e Clóvis. Em 1921, não era possível prever que, oito anos mais tarde, o diabético Antonio Oliveira morreria de colapso cardíaco.

Mas, em 1929, Lourdes, a filha mais velha, então com 28 anos, e a irmã Kyola já estavam prontas para suceder o pai na Photographia Oliveira, a primeira como fotógrafa e a segunda como laboratorista. Mais que uma continuidade, e ainda muito pouco conhecido, é o fato que foi através de suas filhas Kyola e Lourdes que “o estúdio Oliveira acabou conhecido como o mais inventivo de todos.”

 

Lourdes Oliveira,19?. Belém, Pará / Foto do livro Retrato Paraense

Photographia Oliveira. Lourdes Oliveira, aos 26 anos, fotografada por sua irmã, Kyola de Miranda e Oliveira, 1919. Belém, Pará / Foto do livro Retrato Paraense.

 

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Photographia Oliveira. A jovem Lourdes Oliveira, em foto provavelmente feita por seu pai, Antonio Oliveira, no final dos anos 1910. Belém, Pará /Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Quem afirma é o crítico Cláudio de La Rocque Leal, que dedica a exposição e o livro Retrato Paraense, realizados pela Fundação Rômulo Maiorana, em 1998, à memória do português Felipe Augusto Fidanza, a do alemão George Huebner e a da brasileira Lourdes Oliveira.

Para Rocque Leal, Lourdes é “um dos maiores nomes da fotografia paraense, que continua no, dir-se-ia, semi anonimato.” Analisa que, com as irmãs Oliveira, “o retrato paraense ganha força”. Que reformularam a estética mais sisuda de então ao introduzir “um certo glamour” inspirado nos ídolos do cinema e “impingir às fotografadas uma sensualidade pudica, enquanto ganhavam espaço nunca dantes a mulheres permitido.” E ainda que “os olhares sedutores de seus dândis e especialmente a ternura de suas crianças, ainda hoje fascinam com facilidade.”

Torço para que Cláudio de La Rocque as tenha conhecido em vida.

 

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Photographia Oliveira. “Tia Zara”, Maria do Rosário Coutinho de Oliveira (21/09/1905 -?). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

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Photographia Oliveira. Rapaz não identificado. Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará /Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

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Photographia Oliveira. “Tia Zara”, Maria do Rosário Coutinho de Oliveira (21/09/1905 -?). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

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Photographia Oliveira. Primeira comunhão de Beatriz de Oliveira Rodrigues da Costa (13/05/1924 – ?), Cecília Cordeiro de Oliveira (16/09/1920 – ?) e José Luiz Cordeiro de Oliveira (24/11/1921 – ?), filhos do “Tio Cesar”, Cesar Coutinho de Oliveira (09/10/1890 – 06/11/1983), e Maria Celeste Cordeiro de Oliveira (07/07/1897 – 13/03/1959). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Minha mãe, Maria Evangelina Rodrigues de Almeida (Belém, 1932 – Rio de Janeiro, 2025) — Neném para a família —, era assídua frequentadora da Photographia Oliveira e foi privilegiada com lindos retratos durante sua infância e juventude.

 

Photo Oliveira. , c. 193?. Belé, Pará / Acervo da família Oliveira

Photographia Oliveira. “Neném”, Maria Evangelina Rodrigues de Almeida (27/03/1932 – 19/03/2025), com cerca de 3 anos, c. 1935. Foto de Lourdes Oliveira. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Photo Oliveira. , Maria Evangelina Rodrigues de Almeida, c. 193?. Belém, Pará / Acervo da família Oliveira

Photographia Oliveira. “Neném”, Maria Evangelina Rodrigues de Almeida (27/03/1932 – 19/03/2025), com cerca de 3 anos, com suas bonecas, Vilma, a branca; e Dulce, a preta, c. 1935. Foto de Lourdes Oliveira. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

O estúdio, conta ela, ficava no segundo andar do sobrado da Rua João Alfredo, nº 18-A, onde se viam os vários cenários utilizados nas fotos e que, a pedido das proprietárias — pasmem! — adorava soltar a imagem gelatinosa do negativo de vidro na torneira do estúdio para que estes fossem reutilizados em outras tomadas fotográficas. Um sinal de que, nos anos 1930, o projeto anunciado, em 1916, segundo o qual a Photographia Oliveira guardava todos os negativos desde 1888, estava descontinuado.

 

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Photographia Oliveira. “Neném”, Maria Evangelina Rodrigues de Almeida (27/03/1932 – 19/03/2025), com cerca de 3 anos, c. 1935. Foto de Lourdes Oliveira. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

É certo que nesse período o sobrado abrigava, não apenas a Photographia Oliveira, mas toda a família, e foi nessa casa que Tio Antonico faleceu.

A eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939–1945) alavanca o Segundo Ciclo da Borracha e Belém vê chegar, aos milhares, nordestinos esfomeados, doentes, maltrapilhos, chamados de Soldados da Borracha pela propaganda de Getúlio, Soldados de Cristo pela igreja católica e de “arigós” pelos belenenses. Abandonados à própria sorte, batiam nas casas em busca de comida, assombrando a cidade.

A Photographia Oliveira teve dificuldade em importar papel fotográfico durante a guerra, me contou a prima Glorinha — Gloria Coutinho de Faria e Cunha, nascida em 1942, que ouvia da mãe essa explicação sempre que reclamava por ser a única da família sem fotos das Oliveira.

Parece haver aqui um ponto de inflexão nos negócios. Pois, segundo Cláudio de La Rocque Leal, foi nos anos 1940 que Lourdes e Kyola se mudam para o Rio de Janeiro e vendem a firma e o nome fantasia para João Barbosa. O novo proprietário atualizou o nome para Stúdio Oliveira, mantendo o estabelecimento como referência de simpatia e qualidade fotográfica até sua morte, em 22 de setembro de 2001.

Maria de Lourdes de Miranda e Oliveira, a Lourdes, certamente não viu nem a exposição nem o livro Retrato Paraense. Foi sepultada, aos 90 anos, no Cemitério de Santa Isabel, em Belém, em 27 de março de 1984. Nasceu em 23 de dezembro de 1893, mesmo dia de minha avó, que repetia que tudo o que a prima Lourdes fazia, fazia bem feito, e, analisava que sempre faltava algo em fotos de outros fotógrafos, que não faltava nas da prima.

Circula em Belém a informação de que Lourdes, além de fotógrafa, foi pintora. Perguntei a respeito aos que conviveram com ela e nenhuma lembrança confirma essa informação. Mas confirmaram outra habilidade de Lourdes: a costura.

Ainda não encontrei detalhes sobre o nascimento e morte de Kyola de Miranda e Oliveira, a Kyola, mas sim sobre sua moradia. Consta em certidão de compra e venda de imóvel, detalhada mais abaixo, que Kyola é a única das 4 irmãs citadas no documento, incluindo Lourdes, que residia no Rio de Janeiro, tanto no ato de compra, em 21/05/1962, como na data de venda, em 19/06/1981. Kyola trabalhou no estúdio Lucena e Arthur , no prédio do cinema Roxy, onde minha mãe recomendava que fossemos tirar as fotos. Depois montou o “Foto Kyola, FOTOGRAFIAS EM GERAL, Av. Copacabana 798/409 – Rio-RJ”, como se vê nesse remanescente estojinho para fotos 3×4, com fotos de meu irmão Léo, feitas provavelmente no final dos anos 1970.

 

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Foto Kyola Fotografias em Geral. Léo Rodrigues de Almeida (07/06/1958 – 11/01/2021), final da década de 1970 / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

A certidão do imóvel que cita Kyola se refere à casa da Rua Tiradentes, nº 494, uma das quatro casas da Villa Kelly, no bairro do Reduto, em Belém, última residência própria das irmãs. A escritura de venda informa que a casa estava hipotecada ao Banco da Amazônia e que as irmãs, devedoras, se comprometiam a pagar a dívida em “180 prestações mensais, aos juros de 8,9% ao ano”. Um claro sinal de que — tristeza! — passavam por dificuldades financeiras.

Dali saíram para o asilo Pão de Santo Antônio, onde morreram. É certo que Lourdes, Tio Antonico e Tia Catita estão enterrados no Cemitério de Santa Izabel, próximo ao asilo, mas provavelmente não estão juntos. Mensagem da funcionária do cemitério diz: “Estive na sepultura que dona Maria de Lourdes foi sepultada e não tem nada inscrito. Ela é chão”, e reforçou, “a sepultura é chão”.

Sobre o destino do acervo que permaneceu nas instalações da Photographia Oliveira, e que foi continuado meticulosamente por João Barbosa, como me contou sua filha Clara, uma notícia grave e trágica: foi destruído pelo fogo! Tudo!

Outros conjuntos se encontram com familiares, antigos clientes ou estão espalhados entre colecionadores.

 

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Photographia Oliveira. “Tia Zara”, Maria do Rosário Coutinho de Oliveira (21/09/1905 -?). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

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Photographia Oliveira. “Tia Thereza”, Thereza Coutinho de Oliveira, nascida em 25/04/1898. Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

 

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Photographia Oliveira. “Tia Pete”, Perpétua Coutinho de Oliveira, nascida em 26/02/1900. Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Glória Coutinho de Faria e Cunha

 

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Photographia Oliveira. Maria Celeste Cordeiro de Oliveira (07/07/1897 – 13/03/1959). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1930. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

 

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Photographia Oliveira. “Tia Zara”, Maria do Rosário Coutinho de Oliveira (21/09/1905 -?). Foto de Lourdes Oliveira, década de 1920. Belém, Pará / Acervo Evangelina Rodrigues de Almeida

 

Com o título Foto da Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré pode ser o registro mais antigo já encontrado”, matéria do jornal O Liberal, de 08 de outubro de 2025, conta sobre a descoberta de uma foto de Antonio Oliveira, que mostra a escultura antes de danos visíveis nas fotos oficiais de 1919, e que foi adquirida pelo colecionador Felipe Rissato, em leilão online organizado no Rio de Janeiro (O Liberal, 8 de outubro de 2025).

 

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Photographia Oliveira. Imagem de Nossa Senhora de Nazareth, c. 1910. Belém, Pará. No canto inferior direito, é possível identificar a assinatura do fotógrafo Antonio Oliveira

 

Finalizo sublinhando que o empreendedorismo independente e qualificado de Lourdes e Kyola é característica também de suas oito parentes ligadas ao Colégio da Quinta Carmita, fundado em Ananindeua, em 1900, às margens do rio Maguary. Uma característica forjada talvez pela educação familiar combinada à lufada feminista no pós-Primeira Guerra Mundial.

 

Colégio Quinta Carmita, Ananindeua, Pará

Colégio Quinta Carmita, Ananindeua, Pará

 

Além de atuarem no ensino e na administração do colégio, Tereza formou-se em Odontologia; Ana Celeste, a Ninó, em Farmácia; Glória importou máquinas de escrever Remington dos Estados Unidos e abriu um curso de datilografia em Belém; Maria do Rosário, a Zara trabalhou no Tesouro Nacional; e Perpétua, a Pete, fluente em inglês, trabalhou na então poderosa Rubber Reserve Company. Mais tarde, ao obter a certificação de qualidade da água mineral proveniente de uma nascente existente no terreno, Pete passou a comercializá-la sob o selo “Águas Maguary”.

 

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As Coutinho de Oliveira, no casarão do Colégio da Quinta Carmita, fundado em 1900, por seus pais, José Marcellino Sizenando de Oliveira e Thereza de Jesus Coutinho de Oliveira, no município de Ananindeua, às margens do rio Maguary.

 

Uma curiosidade incomum para a época: dessas dez mulheres, a maioria — seis — não se casou.

Mas este já é um outro capítulo.

 

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Várias imagens realizadas pela Photographia Oliveira

 

Toda a pesquisa realizada é parte de meu projeto Cordel Paraense para Evangelina, nome de minha mãe, e a ela é dedicado.

 

(1) Um dos artigos da série “Cabanagem: 180 anos”, publicada em 2014 e 2015 pelo portal O Estado Net, intitulado “Patroni: o Profeta da Rebelião”, afirma:

“Não há dúvida de que Filipe Patroni é, pelo menos, a mais curiosa e enigmática figura da era dos ‘motins políticos’, conforme a classificação que o historiador Domingos Antônio Raiol — a maior fonte sobre a história desse período — deu aos acontecimentos no Pará entre 1821 e 1835.”

No entanto, a fotografia que vem sendo identificada como a de Filipe Patroni, tanto nesta quanto em outras publicações na web, retrata, na realidade, o irmão de Antônio e meu bisavô, José Marcellino Sizenando de Oliveira (16/07/1859 – 08/11/1938).

 

 

José Marcelino e sua esposa, Thereza de Jesus Coutinho de Oliveira (29/06/1861 – 18/08/1953) — identificados na imagem abaixo —, fundaram, em 1900, o já mencionado Colégio da Quinta Carmita, situado às margens do Rio Maguary, no município de Ananindeua.

 

José Marcellino Sizenando de Oliveira e sua esposa, Thereza de Jesus Coutinho de Oliveira

José Marcellino Sizenando de Oliveira e sua esposa, Thereza de Jesus Coutinho de Oliveira, , fundadores do Colégio da Quinta Carmita em 1900, localizado às margens do Rio Maguary, no município de Ananindeua. I

 

Um terceiro irmão também deixou sua marca na história do Pará: João Hosannah de Oliveira (15/04/1854 – 15/06/1923). Ao longo de sua trajetória, exerceu múltiplas funções — jornalista, escritor, advogado, sacerdote e deputado federal pelo Pará —, destacando-se ainda como o primeiro Procurador-Geral do Estado, cargo que ocupou de 22 de junho de 1891 a 1900 (Diário da Manhã (ES), 27 de julho de 1922, última coluna).

 

João Hosannah de Oliveira, retratado no Álbum Descriptivo Amazônico, de Arthur Caccavoni (1899), páginas 16 e 17

João Hosannah de Oliveira, retratado no Álbum Descriptivo Amazônico, de Arthur
Caccavoni (1899), páginas 16 e 17

 

Nota da autora: Esta pesquisa buscou confirmar duas informações surgidas ao longo do processo, cuja verificação não pôde ser assegurada. A primeira é a de que Lourdes, além de fotógrafa, foi pintora. Ao buscar referências, encontrei apenas outra artista de mesmo prenome — Maria de Lourdes Acatauassú Nunes, reconhecida pintora paraense. Consultei ainda familiares que conviveram com Lourdes, e nenhuma lembrança confirma essa informação. Mas confirmaram outra habilidade de Lourdes: a costura. A segunda é a de que a Photographia Oliveira teria tido uma filial em Manaus. Nada indica que isso tenha de fato ocorrido.

 

*Mayra Rodrigues (1955-) é artista e pesquisadora.

Acesse aqui trabalhos da autora relacionados à pesquisa para o Cordel Paraense para Evangelina:

Guajará — Cordel Paraense para Evangelina  e Pavlova no Paz — Cordel Paraense para Evangelina

 

Fredericks, Huebner e Fidanza – um pouco da história da fotografia no Pará

 

Andrea C. T. Wanderley**

 

Charles DeForest Fredricks (1823 – 1894)

 

 

Charles DeForest Fredricks nasceu em 11 de dezembro de 1823, em Nova York. Com cerca de 20 anos, comprou um daguerreótipo e aprendeu a usá-lo com Jeremiah Gurney (1812 – 1895), um dos primeiros daguerreotipistas norte-americanos. Nesta mesma época, foi visitar um irmão que era comerciante em Ciudad Bolívar, na Venezuela. Decidiu vir para o Brasil, mas na descida do rio Orinoco, foi abandonado por seus guias indígenas. Sobreviveu, perdido, por aproximadamente 20 dias e retornou para Nova York.

Em 1846, voltou ao Brasil e foi, como já mencionado, possivelmente o primeiro fotógrafo a abrir um estúdio em Belém, no Pará, onde permaneceu por alguns meses, tendo também exercido a profissão de ourives (Treze de Maio (PA), 23 de maio de 1846).

 

 

Entre 1846 e 1849 esteve em São Luís e em Alcântara, no Maranhão; no Recife, em Salvador, no Rio Grande e em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Vindo dos Estados Unidos, voltou ao Recife, em 1851, com o também daguerreotipista Alexander B. Weeks (1818-1859) e anunciou que estava a caminho do Rio de Janeiro. É notável a facilidade que Fredericks tinha de, naquela época, estabelecer-se num local, atuar por algum tempo e logo transferir-se para outro, reiniciando todo o processo com bastante rapidez (Publicador Maranhense, 5 de dezembro de 1846, segunda coluna; Publicador Maranhense, 2 de fevereiro de 1847, terceira colunaDiário Novo, 14 de junho de 1848, quarta coluna; Correio Mercantil (BA), 15 de novembro de 1848, segunda coluna; Diário do Rio Grande (RS), 24 a 27 de dezembro de 1848, segunda coluna; Diário de Pernambuco, 29 de setembro de 1851, segunda coluna).

Em 1853 esteve na França. Aprendeu a nova técnica de chapas de vidro a colódio, que superaria o sistema de daguerreotipia. Fredricks tornou-se proprietário do maior estabelecimento fotográfico dos Estados Unidos, em 1858, assim descrito pelo Frank Leslies Illustrated News:

“A Galeria Fotográfica de Fredricks, 585 e 587 Broadway, estava brilhantemente iluminada com lanternas coloridas. As palavras “Templo Fotográfico da Arte” eram formadas por centenas de lâmpadas, cobrindo um arco semicircular de 18 metros de curvatura. As janelas e sacadas dessas magníficas salas daguerrilhas ficavam lotadas de espectadores durante o dia, quase interrompendo os negócios. Não há galeria fotográfica mais popular em Nova York do que esta, e em nenhum lugar se obtêm retratos com maior fidelidade. A Galeria de Fredricks costuma ser frequentada por grupos, especialmente militares, e ele foi chamado, no sábado, para exercer sua arte com os oficiais da fragata a vapor H.B.M. Gorgon, cujos retratos ele tirou”.

 

 

Faleceu em 25 de maio de 1894, em Newark, Nova Jersey.

 

O fotógrafo português Felipe Augusto Fidanza (1844 – 1903)

 

Reprodução do retrto de Fidanza, Álbum do Pará, em 1899

Reprodução do retrato de Fidanza, Álbum do Pará em 1899

 

Filho de Fernando Gabriel Fidanza e Maria de Jesus Fidanza, Felipe Augusto Fidanza nasceu em 4 de setembro de 1844, em Lisboa, e foi um dos mais importantes fotógrafos que atuaram no norte do Brasil no século XIX e no início do século XX. Até hoje pouco se sabe de sua vida antes de sua chegada ao Brasil, em fins da década de 1860. Em 1º de janeiro de 1867, o Diario do Gram-Pará publicou o anúncio : “PHOTOGRAPHIA, ao largo das Mercez , nº. 5, Fidanza & Com”, o que prova que nessa época ele já estava estabelecido no Pará. Ainda em 1867, Fidanza realizou seu primeiro trabalho de importância nacional: o registro dos preparativos para a recepção da comitiva de dom Pedro II. O imperador foi ao Pará para participar das solenidades da abertura dos portos da Amazônia ao comércio exterior. Segundo Pedro Vasquez,  com esse trabalho, Fidanza “documentou de forma inovadora e antecipatória o espírito jornalístico”. No Diário de Belém, de 29 de agosto de 1869, há uma propaganda do ateliê Photographia Fidanza.

 

 

Era o predileto da aristocracia paraense e destacou-se por sua produção de retratos e também pelo registro das paisagens e documentações do início do desenvolvimento urbano de Belém e de Manaus, ocasionado pela riqueza do ciclo da borracha.  Essas imagens de paisagens urbanas foram divulgadas por álbuns fotográficos encomendados pelos governos do Pará e do Amazonas. A modernização de Belém e do Pará foram registradas nas coleções Álbum do Pará (1899) e Álbum de Belém (Correio da Manhã, de 22 de outubro de 1903, na quarta coluna sob o título “Intendência Municipal de Belém”).

 

 

 

Jornal do Brasil de 31 de janeiro de 1903 noticiou seu suicídio: “Atirou-se ao mar, de bordo do vapor Christiannia, em viagem de Lisboa para esta capital (Belém), o conhecido photographo Felippe Fidanza” ( Jornal do Brasil, 31 de janeiro de 1903, na primeira coluna ). Ele havia se jogado ao mar na altura da ilha da Madeira quando retornava de Portugal com a mulher e os filhos. Havia viajado para cuidar de uma encomenda dos governos do Pará e do Amazonas de 10 mil álbuns de vistas destes estados. Parece que foi mal sucedido e já havia, inclusive, tentado se matar em Lisboa ( O Pharol, 6 de março de 1903, na quinta coluna).

 

 

Segundo o jornalista Cláudio de La Rocque Leal, o estabelecimento fotográfico sob o nome “Fidanza” fez parte da história até 1969. Fidanza tornou-se uma marca da fotografia visto que, mesmo após a morte, seu nome permaneceu no cenário da produção fotográfica e na memória paraense, tanto que outros profissionais, ao adquirirem o seu ateliê, mantiveram o mesmo nome.

 

Acessando o link para as fotografias de Felipe Augusto Fidanza disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

O fotógrafo e naturalista alemão George Huebner (1862 – 1935)

 

 

O fotógrafo, botânico e naturalista alemão George Huebner (1862 – 1935) foi um dos estrangeiros atraídos a Manaus quando a cidade, com o ciclo da borracha, tornou-se um importante pólo econômico. Estabeleceu-se comercialmente em Belém, onde, em 1897, colaborou com o fotógrafo português Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903). Em novembro do mesmo ano, apresentando-se como membro correspondente da Sociedade Geográfica de Dresden, informava a abertura de um ateliê fotográfico em Manaus, a Photographia Allemã, no antigo Hotel Cassina, junto ao palácio do governo. O ateliê mudou algumas vezes de endereço. Como fotógrafo registrou a chegada da modernidade em Belém e em Manaus, etnias indígenas, retratos de personalidades importantes de sua época, a sociedade que surgiu a partir do apogeu da economia da borracha e paisagens da floresta amazônica.

Em 1906, Huebner e o professor de Belas-Artes Libânio do Amaral (? – 1920), com quem já estava associado desde 1902, adquiriram, em Belém, o ateliê fotográfico Fidanza, que havia sido o mais tradicional do Pará. Dois anos depois, em 1908, Huebner foi pela primeira vez ao Rio de Janeiro, onde ele e Libânio do Amaral ganharam a medalha de prata e a medalha de ouro pelo Amazonas e o Grande Prêmio pelo Pará, na Exposição Nacional de 1908 (Almanak Laemmert, 1909). Em 1911, foi publicada uma propaganda da Photografia G. Huebner & Amaral informando que seria aberta e estaria à disposição do público para executar qualquer trabalho fotográfico a partir do dia 1º de janeiro de 1911, no Rio de Janeiro. Situava-se no edifício de O Paiz, na esquina da avenida Central com Sete de Setembro (A Notícia, 2 de janeiro de 1911, última coluna).

Em 1918, o Almanak Laemmert anunciou o estabelecimento fotográfico G. Huebner, Amaral & Cia, na rua da Assembleia, 100, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, o estabelecimento fotográfico G. Huebner & Amaral, em Manaus, na avenida Eduardo Ribeiro, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert.

No ano seguinte, o estabelecimento fotográfico G. Huebner & Amaral, de Belém, na rua Conselheiro João Alfredo, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert. Foi anunciada a dissolução da sociedade entre George Huebner, Libânio do Amaral e Paulo Erbe, sócio-gerente da firma desde 1912, que passou a ser o único dono do estabelecimento fotográfico G. Huebner, Amaral & Cia, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 23 de novembro de 1919, oitava coluna). Erbe se estabeleceu, posteriormente, na rua República do Peru, nº 100.

Em 1935, George Huebner, que em seus últimos anos de vida, vivia em um sítio nos arredores de Manaus coletando espécies vegetais, sobretudo orquídeas, faleceu.

Acessando o link para as fotografias de George Huebner disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Outro nomes da fotografia paraense entre o século XIX e as primeira década do século XX que constam no livro de Boris Kossoy, o Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro são: Antonio José de Araújo Lima, Antonio Maria de Mattos, Campbell, Constantino Barza, Feliciano Verlangieri, Firmo Lopes de Araújo, Freire, Fritz Bartels, Fortunato Ory, Guedes, Guillerme Potter, J.A.Veyret, J. Girard, José Carlos Gonçalves, José Thomaz Sabino, Julio A. Siza, Lourenço Antonio Dias, Marcello Thomaz Pull, Mello, M.H. Costa, Niels Olsen, Paulo Ernesto Meyer, Pedro Vilhote, R.H. Furman, Senna e Victor.

 

** Andrea C. T. Wanderley é editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

FONTES:

https://ppgdstu.propesp.ufpa.br/ARQUIVOS/Dissertacoes/2006/ROSA%20CLAUDIA.pdf

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

LEAL, Cláudio de La Rocque. Retrato Paraense. Belém: Fundação Rômulo Maiorana, 1998.

LENZI, Teresa; MENESTRINO, Flávia. Pioneiros da fotografia em Rio Grande. Indícios de passagens e permanências. Relato de uma pesquisa histórica. Revista Memória em Rede, Pelotas, v.2, n.5, abr. / jul. 2011. Consultado em 26 de janeiro de 2013

Memorial de Charles DeForest Fredricks em Findagrave.com

PEREIRA, Rosa Claudia Cerqueira. Paisagens urbanas: fotografia e modernidade na cidade de Belém (1846-1908). Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Pará como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em História, 2006.

Site Broadway Photographs

Site Historic Camera

WANDERLEY, Andrea C. T. O suicídio do fotógrafo Felipe Augusto Fidanza (1844 – 1903) in Brasiliana Fotográfica, 31 de janeiro de 2016.

WANDERLEY, Andrea C. T. O fotógrafo, botânico e naturalista alemão George Huebner (1862 – 1935) in Brasiliana Fotográfica, 2 de fevereiro de 2018.