Neste artigo Ricardo Augusto dos Santos, inspirado pela realização da comemoração dos 10 anos da Brasiliana Fotográfica, em abril de 2025, destaca fotografias de cidades presentes no acervo da Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, instituição parceira do portal, na qual ele atua como pesquisador titular. No acervo, estão registrados mais de 900 cidades, povoados e localidades de diferentes estados brasileiros e de outros países. Através dessas imagens, pode-se conhecer melhor o Brasil. Nas gavetas da COC/Fiocruz, foram identificados, além dos registros sobre a atuação dos cientistas e sanitaristas nas campanhas de febre amarela, varíola e peste bubônica no Brasil, produção de vacinas e pesquisas nas áreas de biomedicina, conteúdos a respeito do tenentismo, da Fundação Rockefeller, da hanseníase, da eugenia, da reforma antimanicomial, do alcoolismo e da previdência social, dentre centenas de outros.
Tirando o Brasil dos arquivos
Ricardo Augusto dos Santos*
Em meio às gavetas da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, surge uma fotografia da cidade de Cuiabá (MT). Em 1944, a milhares de quilômetros do palco da Grande Guerra, uma faixa anuncia o filme O Grande Ditador, de Charles Chaplin (1889-1977). Fotos como essa, registrando cidades pelo imenso país, conservam a memória do Brasil. Quando iniciamos a participação na Brasiliana Fotográfica, nosso objetivo era apresentar a importância do acervo sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz. São 133 fundos e coleções arquivísticas que reúnem quase três mil metros lineares de documentos, com 23.000 imagens organizadas e disponíveis para consulta, além de 80.000 fotografias e negativos em processo de classificação. Apesar do peso representativo dos temas relativos à história das ciências e da saúde, encontramos diversos assuntos nos arquivos, revelando inestimáveis aspectos da história do Brasil dos últimos 150 anos.[1]
Portanto, além dos registros sobre a atuação dos cientistas e sanitaristas nas campanhas de febre amarela, varíola e peste bubônica no Brasil, produção de vacinas e pesquisas nas áreas de biomedicina, nas gavetas da COC/Fiocruz, identificamos conteúdos a respeito do tenentismo, Fundação Rockefeller, hanseníase, eugenia, reforma antimanicomial, alcoolismo e previdência social. São centenas de temáticas.
No acervo, estão registrados mais de 900 cidades, povoados e localidades de diferentes estados brasileiros e de outros países. Através dessas imagens, podemos conhecer o país. Julgamos que é atribuição de um centro de documentação a ampliação do número de investigadores, permitindo condições de pesquisa aos documentos arquivísticos. Os trabalhos de divulgação devem ser amplos, afinal a função social dos arquivos é justamente torná-los de uso coletivo. Portanto, divulgar os acervos para o público é tarefa vital. Sem demanda à consulta, os documentos não são organizados ou esse processo poderá ser mais lento. A disseminação dos documentos textuais e fotografias propicia que as instituições alcancem um maior número de usuários, utilizando seus acervos, permitindo a multiplicação de seus acessos. No entanto, algo mais importante está em cena. A possibilidade que os brasileiros conheçam o país, suas regiões e habitantes em diferentes épocas.
Durante o evento de comemoração dos 10 anos da Brasiliana Fotográfica, tomamos conhecimento das visualizações das inúmeras localidades do Brasil. Em nosso acervo, na Casa de Oswaldo Cruz, possuímos fotografias de centenas de cidades retratando a imensidão do território. Desde o final do século XIX até os dias atuais (2025).
Nosso esforço é tornar maior a identificação entre os arquivos e a população. Uma das principais tarefas é atingir o público leigo que não utiliza os documentos para fins acadêmicos ou culturais. A divulgação não somente amplia o conhecimento sobre os arquivos, incentivando a investigação sobre temas fundamentais, para a emergência de discussões no espaço acadêmico, mas funciona como recurso para o cidadão. Em suma, assegura a informação arquivística para a população leiga.
[1] Para acessar a Base Arch: https://basearch.coc.fiocruz.br
*Ricardo Augusto dos Santos é Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz.





