No Dia Nacional do Samba, uma homenagem ao gênero musical icônico do Brasil e a Donga, um dos compositores de “Pelo telefone”

Com uma fotografia do conjunto “Batutas”, considerado o primeiro grupo de música popular brasileira a alcançar projeção internacional,  a Brasiliana Fotográfica homenageia o Dia Nacional do Samba. Havia entre os integrantes dos “Batutas” vários expoentes, dentre eles Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, um dos autores daquele que ficou consagrado como o primeiro samba da história, Pelo telefone, registrado em 27 de novembro de 1916. O samba é o gênero musical icônico do Brasil e,  segundo Nélson Sargento (1924-2021), é um bonito modo de viver. Em 2005, a Unesco reconheceu o samba de roda como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

 

 

Em 9 de outubro de 2007, o samba tornou-se Patrimônio Cultural do Brasil quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) conferiu registro oficial, no Livro de Registro das Formas de Expressão, às matrizes do samba do Rio de Janeiro: samba de terreiro, partido-alto e samba-enredo. O pedido de registro foi feito por Nilcemar Nogueira, presidente do Centro Cultural Cartola com apoio da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Nilcemar é neta do compositor Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980).

No ano de 2023, as Escolas de Samba do Rio de Janeiro foram contempladas com a Lei nº 14.567 de 4 de maio de 2023, sancionada pelo Presidente da República em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva, em conjunto com os ministros Margareth Menezes da Purificação Costa, Flávio Dino de Castro e Costa e Anielle Francisco da Silva. Elas e seus desfiles foram reconhecidos assim como as suas músicas, suas práticas e suas tradições como manifestações da cultura nacional, competindo ao poder público a garantia da livre atividade das Escolas de Samba e a realização de seus desfiles carnavalescos.

 

Breve história do Dia Nacional do Samba

 

 

No Palácio Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, entre 28 de novembro e 2 de dezembro de 1962 foi realizado o I Congresso Nacional do Samba, presidido pelo historiador e folclorista baiano Edison Carneiro (1912-1972). O evento foi patrocinado pela Confederação Brasileira das Escolas de Samba (CBES), pela Associação Brasileira das Escolas de Samba (ABES), pela Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, pelo Conselho Nacional de Cultura e pela Ordem dos Músicos do Brasil. Seus vice-presidentes foram Ari Barroso (1903-1964), Araci de Almeida (1914-1988), Almirante (1908-1980), José Siqueira (1907-1985), Pascoal Carlos Magno (1906-1980), Paulo Lamarão, presidente da CBES; e Servan Heitor de Carvalho, presidente da ABES. Jota Efegê (1902-1987) foi seu secretário-geral. Do Congresso resultou a Carta do Samba, elaborada por Edison Carneiro (Diário de Notícias, 29 de novembro de 1962, terceira coluna; 2 de dezembro de 1962, primeira coluna).

 

 

“Esta carta, que tive a incumbência de redigir, representa um esforço por coordenar medidas práticas e de fácil execução para preservar as características tradicionais do samba sem, entretanto, lhe negar ou tirar espontaneidade e perspectivas de progresso. O Congresso do Samba valeu por uma tomada de consciência: aceitamos a evolução normal do samba como expressão das alegrias e das tristezas populares; desejamos criar condições para que essa evolução se processe com naturalidade, como reflexo real da nossa vida e dos nossos costumes; mas também reconhecemos os perigos que cercam essa evolução, tentando encontrar modos e maneiras de neutralizá-los. Não vibrou por um momento sequer a nota saudosista. Tivemos em mente assegurar ao samba o direito de continuar como expressão legítima dos sentimentos de nossa gente”.

 

No dia do encerramento do Congresso, 2 de dezembro de 1962, foi noticiada a criação do Dia do Samba, que seria comemorado anualmente neste dia de acordo com resolução da Assembleia Legislativa (Diário Carioca , 2 de dezembro de 1962, segunda coluna).

 

 

A resolução estava no Projeto de Lei n° 681, de 19 de novembro de 1962 e de autoria do deputado Frota Aguiar (1901-1996), publicado no Diário da Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara do dia 20 de novembro de 1962 que em seu artigo 1° dispunha: “Fica o dia 2 de dezembro oficialmente considerado como o Dia do Samba”. Porém o projeto foi vetado pelo então governador Carlos Lacerda (1914-1977). Segundo ele, não haveria razão “para considerar outro Dia do Samba além dos três já dedicados à nossa festa popular, em que ele é exaltado espontaneamente pelo povo, sem a interferência do Poder Público”. O veto foi posteriormente rejeitado pelo Plenário, com o voto de vinte e nove deputados, transformando-se na Lei n° 554, de 27 de julho de 1964, que foi assinada no dia 29 de julho do mesmo ano pelo deputado Victorino James (1924-1997), presidente da Assembleia, e publicada no Diário Oficial do Estado da Guanabara, no dia 7 de agosto de 1964.

O vereador soteropolitano Luiz Monteiro da Costa apresentou, na Câmara Municipal de Salvador, em 3 de outubro de 1963, o projeto de lei n° 164/63, que “institui o Dia do Samba, manda preservar as características da música popular e dá outras providências”. Em seu projeto, o vereador mencionou explicitamente, em seu artigo 2°, o Primeiro Congresso Nacional do Samba e a respectiva Carta do Samba nele aprovada. O projeto foi transformado na Lei n° 1.543/63 no dia 18 de novembro de 1963, data de sua assinatura pelo Prefeito de Salvador Virgildásio de Senna (1923-) (Jornal do Brasil, 13 de novembro de 1963, segunda coluna).

Com os anos, passou a ser chamado de Dia Nacional do Samba.

 

Um pouco da história de Donga e do samba Pelo telefone

 

 

“O ritmo caracteriza um povo. Quando o homem primitivo quis se acompanhar, bateu palmas. As mãos foram, portanto, um dos primeiros instrumentos musicais. Mas como a humanidade é folgada e não quer se machucar, começou a sacrificar os animais, para tirar o couro. Surgiu o pandeiro. E veio o samba. E surgiu o brasileiro, povo que lê música com mais velocidade do que qualquer outro no mundo, porque já nasce se mexendo muito, com ritmo, agitadinho, e depois vira capoeira até no enxergar”.

Donga (1966)

 

Entre a última década do século XIX e as primeiras décadas do século XX, a comunidade afrodescendente se reunia na região batizada por Heitor dos Prazeres (1898-1966) de Pequena África para praticar religiões de matriz africana e cantar sambas. A área começava no Porto do Rio de Janeiro e abrangia os atuais bairros da Saúde, Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova, até a Praça Onze de Junho, que foi totalmente remodelada nos anos 1940 para a abertura da avenida Presidente Vargas. Foi  lá que, a partir da década de 1870, a comunidade baiana se estabeleceu no Rio de Janeiro, fazendo da área um local de concentração de diversas manifestações da cultura afro-brasileira.

O carioca Donga nasceu em 5 de abril de 1890 e era filho do pedreiro construtor Pedro Joaquim Maria, que tocava bombardino nas horas vagas; e de Amélia Silvana de Araújo, uma das tias baianas da Pequena África, que gostava de cantar modinhas e promovia inúmeras festas e reuniões de samba. Sua mãe era irmã-de-santo da lendária Tia Ciata (1854 – 1924), Hilária Batista de Almeida, no terreiro de João Alabá, um dos principais babalorixás do candomblé  no Rio de Janeiro. Havia também as tias Bebiana, Carmen e Mônica, dentre outras, que fizeram de suas casas pontos de referência e de convívio, que garantiram a manutenção das tradições africanas na cidade. Nessas casas eram cultuadas a música e a religiosidade afro-brasileira. As casas de Tia Prisciliana, mãe de João da Baiana (1887-1974), e, principalmente, a de Tia Ciata foram espaços fundamentais da música popular carioca e eram frequentados por Donga, Pixinguinha (1897 – 1973) e João da Baiana.

Foi na casa de Tia Ciata, onde havia um terreiro de candomblé clandestino e onde os bambas do samba se encontravam, que o primeiro samba, registrado e gravado como tal, Pelo telefone, foi composto por Donga e Mauro de Almeida (1882 – 1956), em 1916. Donga entregou no Departamento de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional uma petição de registro para a música em 6 de novembro de 1916. A partitura manuscrita para piano, realizada por Pixinguinha, estava dedicada aos carnavalescos Mauro de Almeida, o Peru e a Norberto Amaral, o Morcego.

 

 

Dez dias depois, Donga anexou à petição um atestado afirmando que Pelo telephone havia sido executado pela primeira vez em 25 de outubro de 1916, no Cine-Teatro Velho. O registro da obra foi efetuado pela Biblioteca Nacional em 27 de novembro de 1916, com o número 3.295. A iniciativa de Donga foi pioneira e o registro da música foi um marco na história da música popular brasileira. Pelo Telefone foi lançado pela Odeon e foi um sucesso no carnaval de 1917.

Existe uma polêmica em torno de sua autoria: foi registrado por Donga, mas teria sido uma criação coletiva. Houve uma troca de petardos musicais entre Sinhô (1888 – 1930), que estaria presente na casa de Tia Ciata quando o samba foi composto e a turma de Donga, dentre eles João da Baiana e Pixinguinha. Outra polêmica envolve o fato de ter sido mesmo o primeiro samba ou se foi o primeiro samba a fazer sucesso, já que alguns autores alegam que antes foram compostos os sambas Em casa da baiana, de 1911; e A viola está magoada, de 1914. Há ainda que conteste que a música seja de fato um samba.

Acesse aqui o programa da Rádio Batuta Como e por que nascem as canções Pelo telefone, apresentado por João Máximo en  editado e sonorizado por Filipe Di Castro (5 de março de 2024)

 

 

Segundo o jornalista, escritor e historiador da música Rodrigo Faour (1972-): “Ele entendeu que precisava fazer da gravação de Pelo telefone um acontecimento. Então planejou tudo muito bem. Pegou os versos de improviso e motivos folclóricos dessa canção e pediu que um jornalista prestigiado, Mauro de Almeida os organizasse, e foi até a Biblioteca Nacional registrá-lo.” Ainda segundo Faour, seu “trunfo maior foi chamar a atenção para este novo gênero musical“. O samba “rapidamente contagiou a todos e a música caiu na boca do povo”.

Em 1954, o fotógrafo, cineasta, empresário, professor e galerista húngaro naturalizado brasileiro Thomaz Farkas (1924-2011) fotografou as celebrações do Quarto Centenário da Cidade de São Paulo e com uma filmadora Kodak 16mm, de corda, registrou em preto e branco, durante cerca de seis minutos, um show de Alfredinho Flautim (1884-1958), Almirante (1908 -1980), Benedito Lacerda (1903-1958), Donga, Jacob Palmieri (?-19?), João da Baiana e Pixinguinha, realizado no Parque do Ibirapuera, em 25 de abril. Mas não havia tomada de som. O filme ficou perdido por cerca de 50 anos – Farkas, por acaso, o encontrou. Marcelo Nastari, na época assistente de Coordenação do Instituto Moreira Salles, identificou as músicas que o grupo executava, Ele e eu e Patrão prenda seu gado e, em janeiro de 2004, o material foi sonorizado pelo Instituto Moreira Salles e pela Cia de Áudio e Imagem. As imagens sonorizadas podem ser vistas no documentário Pixinguinha e a velha guarda do samba (1954-2006), dirigido por ele e pelo cineasta e biólogo Ricardo Dias (O Estado de São Paulo, 25 de abril de 1954, página 17, primeira coluna).

 

 

Assista aqui o documentário Pixinguinha e a velha guarda do samba (1954-2006).

Alguns dos maiores sucessos de Donga foram Amigo Do Povo (Donga), Canção Das Infelizes (Donga / Luiz Peixoto), Benedito No Choro (Donga), Patrão Prenda Seu Gado (Donga / João da Bahiana / Pixinguinha), Vertigem (Donga), Seu Mané Luiz (Donga), Cinco de Julho (Donga), Ranchinho Desfeito (Castro e Souza / Donga), Ligia, Teus Olhos Dizem Tudo (Donga), Pelo Telefone (Donga / Mauro de Almeida) e Quando Uma Estrela Sorri (David Nasser / Donga / Villa-Lobos).

 

A Música de Donga

 

Donga  foi casado com a cantora e soprano carioca Zaíra de Oliveira (1900-1951) entre 1932 até a morte dela, em 15 de agosto de 1951.

 

 

Zaíra teve formação clássica e interpretou compositores como Donga, João da Baiana e Pixinguinha. Gravou temas de matriz africana e como professora do Colégio Orsina da Fonseca deu aulas, por exemplo, para dona Ivone Lara (1921-2018).

 

 

Ela estudou no Instituto Nacional de Música e, no final de 1921, quando completou o curso, com distinção, recebeu a Medalha de Ouro, o que permitiu que ela concorresse em um concurso cujo prêmio seria uma viagem à Europa com uma bolsa de estudos para aprimoramento em canto lírico. Em 30 de dezembro de 1921, ela conquistou por unanimidade de votos da comissão julgadora o primeiro prêmio do concurso. A aluna Emery de Carvalho e Souza também recebeu um primeiro prêmio (Correio da Manhã, de 31 de dezembro de 1921, sexta coluna). Porém Zaíra não recebeu o prêmio conquistado. Segundo a crônica Soprano Zaíra de Oliveira, A Marian Anderson do Brasil, de autoria de Jota Efegê, publicada em O Globo, de 29 de agosto de 1977, o motivo de não ter viajado à Europa teria sido o fato dela ser negra. 

 

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O GLOBO, 29 de agosto de 1977

 

Tiveram uma filha, a pesquisadora Lygia de Oliveira Santos (1934-), que se dedicou à pesquisa da cultura brasileira, principalmente no campo da música popular ligada ao samba.

 

 

“Meu pai não tinha o terceiro ano primário, mas era uma pessoa de uma vivência muito grande, era muito sagaz, muito inteligente, lia demais e tinha uma visão segura das coisas. Trabalhava no Supremo Tribunal Federal, na 1.a Vara da Fazenda Pública, e sempre viveu do seu modesto ordenado e dos magros dividendos dos direitos autorais. O nome dele era Ernesto dos Santos mas,  felizmente, está na história musical do nosso país com o seu apelido: Donga. Apelido, aliás, que meus amigos incorporaram ao meu nome. Para eles eu sou a Lygia filha do Donga, o que muito me orgulha”.

Depoimento de Lygia publicado no livro Fala, Crioulo (1982)

 

Oficial de Justiça aposentado, Donga faleceu doente e quase cego, no Retiro dos Artistas, em 25 de agosto de 1974, assistido por sua segunda esposa, Maria das Dores Santos Conceição (1911-2014), a Vó Maria, que gravou seu primeiro disco com 91 anos. Estavam casados desde 1953 (Jornal do Brasil, 26 de agosto de 1974, quinta colunaManchete, 14 de setembro de 1974).

 

 

Em 6 de abril de 2023, foi fundado o Instituto Donga na residência da família Santos, que fica no Maracanã, zona norte do Rio, antiga Aldeia Campista, onde Donga nasceu e viveu a maior parte de seus 84 anos de vida. O acervo reúne 311 itens entre matérias de jornais, fotos, partituras, letras de música e anotações feitas pelo próprio Donga (Folha de São Paulo, 21 de abril de 2023).

 

Acesse aqui a matéria que o Canal Futura realizou sobre o samba Pelo Telefone.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Almanaque do Samba

BASTOS, Rafael José de Menezes. Les Batutas, 1922: uma antropologia da noite parisienseRevista Brasileira de Ciências Sociais – vol. 20 nº 58 , munho de 2005.

BIANCHI, Leonor. Nós somos batutasRevista do Choro, 1º de dezembro de 2019.

BRAGA, Sebastião. O lendário Pixinguinha. Niterói, RJ : Muiraquitã, 1997.

BULCÃO, Clóvis. Os Guinle: a história de uma dinastia. Rio de Janeiro : Intrínseca, 2015.

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (Brasil). Carta do samba / texto de Edison Carneiro / prefácio de Marcia Sant’Anna. — Rio de Janeiro : IPHAN, CNFCP, 2012.

COSTA, Haroldo. Fala, Crioulo. Rio de Janeiro: Record, 1982.

Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira

DUQUE. O maxixe em Paris e em Nova York in O Cruzeiro, 7 de julho de 1934.

FERNANDES, Antonio Barroso (org.). As vozes desassombradas do museu: Pixinguinha, Donga  e João da Baiana. Rio de Janeiro : Museu da Imagem e do Som, 1970, vol. 1.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

LACERDA. Isomar. Nós somos Batutas. Rio de Janeiro : Flor Amorosa Editora, 2019.

MARCONDES, Marcos Antônio (org.). Enciclopédia da música brasileira: popular, erudita e folclórica. São Paulo : Art Editora, 1998.

MARTINS, Luiza Mara Braga. Os Oito Batutas. Rio de Janeiro : UFRJ, 2014.

MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro : Funarte, 1983.

NETO, Lira. Uma História do Samba: Volume 1 ( As origens). 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

Portal IPHAN

RANGEL, Lúcio. Samba, jazz & outras notas; organização, apresentação e notas Sérgio Augusto. Rio de Janeiro ; Agir, 2007.

RANGEL, Lúcio.  Sambistas e chorões. São Paulo : IMS. Reedição, 2014.

SILVA, Wilton C. L. A Carta do Samba (1962), um grito de alerta do nacional popular. Encontro de estudos multidisciplinares em cultura, 2024.

SIMAS, Luiz Antônio; LOPES, Nei. Dicionário de História Social do Samba. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 2015.

Site Biblioteca Nacional

Site Câmara dos Deputados

Site Casa da Tia Ciata

Site Centro de Documentação e Memória da UNESP

Site DW

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site Museu da Pessoa

Site Museu do Samba

Site Musica Brasilis

Site Rádio Batuta

TINHORÃO, José Ramos. Pequena história da música popular. São Paulo: Círculo do Livro, [s.d.]

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