No Jardim da Luz encontra-se o edifício sede do mais antigo museu paulistano, a Pinacoteca de São Paulo, um dos mais importantes museus de arte do Brasil, que hoje completa 120 anos. Seu acervo privilegia a produção brasileira de artes visuais do século XIX até a contemporaneidade. A Brasiliana Fotográfica celebra a data, destacando uma imagem aérea do acervo fotográfico do Museu Aeroespacial, uma das instituições parceiras do portal. A Pina, nome como é carinhosamente conhecido o museu, foi instituída pelo governo estadual de São Paulo, em 24 de dezembro de 1905, quando o então secretário do Interior e da Justiça solicitou uma sala para a instalação da Galeria de Pintura do Estado. Foi regulamentada em 21 de novembro de 1911. O prédio da Pinacoteca, construído em 1900, foi projetado por Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928) e Domiziano Rossi (1865-1920) para sediar o Liceu de Artes e Ofícios. Foi tombado em 1982. Nos anos 1990, o prédio passou por uma reforma chefiada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha (1928-2021), durante a gestão de Emanoel Araújo (1940 – 2022) como diretor da Pinacoteca.
Anualmente recebe aproximadamente 800 mil visitantes e realiza cerca de 15 exposições. Seu acervo original foi formado a partir da transferência de 20 obras do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, juntamente com outras 6 adquiridas de importantes artistas da cidade como Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Antônio Parreiras e Oscar Pereira da Silva, especialmente para formar a nova coleção. Entre sua instituição, em 1905, e sua regulamentação, em 1911, foram incorporadas a seu acervo 33 obras de pintores brasileiros e também de estrangeiros que passaram pelo Brasil. Conta, atualmente, com aproximadamente 11 mil obras produzidas a partir do século XIX por importantes artistas como Almeida Júnior (1850-1899), Anita Malfatti (1889-1964), Antônio Parreiras (1860-1937), Arcangelo Ianelli (1922-2009), Baptista da Costa (1865-1926), Benedito Calixto (1853-1927), Cândido Portinari (1903-1962), Di Cavalcanti (1897-1976), Lasar Segall (1891-1957), Lygia Clark (1920-1988), Oscar Pereira da Silva (1867 – 1939), Samson Flexor (1907-1971), Tarsila do Amaral (1886 – 1973), Victor Brecheret (1894-1955), Waldemar Cordeiro (1925-1973) e Wasth Rodrigues (1891 – 1975), além de trabalhos contemporâneos como os de Nuno Ramos (1960-), Paulo Monteiro (1961-) e Paulo Pasta (1959-).
Em 1923, já tinha cerca de 15 mil visitantes e, dois anos depois, a Pinacoteca passou a ser subordinada à Secretaria do Governo. Em 1928, foi adquirida para a instituição a pintura Bananal, de Lasar Segall – foi a primeira obra moderna que integrou o acervo de um museu de arte brasileiro.
Na década de 1930, a história do país interferiu no funcionamento da Pinacoteca: em outubro de 1930, foi fechada e seu edifício foi cedido à Primeira Legião, durante a Revolução de 30. Em 1932, na Revolução Constitucionalista, passou a sediar o Batalhão Militar Santos Dumont e seu acervo ficou espalhado por vários órgãos públicos. Foi reinaugurada, em 1936, na Rua Onze de Agosto, na antiga sede da Imprensa Oficial do Estado, pelo secretário da Educação e Saúde Pública, Cantídio de Moura Campos (1889-1972). Só em 1947, retornaria para a sede da Rua Tiradentes.
Andrea C.T. Wanderley
Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
Fontes:
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
LEITE, Sylvia. Pinacoteca de São Paulo: um complexo de arte brasileira. Lugares de Memória, [S.l.], 29 out. 2024
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