Cronologia de Vincenzo Pastore (1865 – 1918)

 Cronologia de Vincenzo Pastore (1865 – 1918)

 

 

1865 – Em 5 de agosto, nascimento de Vincenzo Pastore, em Casamassima, na região de Puglia, na Itália, filho de Francesco Pastore e Costanza Massara.

1890 – Pastore chegou ao Brasil, em São Paulo, provavelmente no início dessa década, quando houve um grande fluxo de imigração de italianos para a cidade, em busca de novas oportunidades de trabalho. Entre sua chegada ao Brasil e sua morte, em 1918, volta algumas vezes à Itália.

1894 – Iniciou suas atividades de fotógrafo em São Paulo.

1898 – Pastore tem um estabelecimento fotográfico na Itália, em Potenza, na região de Basilicata. Casou-se com Elvira Leopardi Pastore (1876-1972) com quem teve 10 filhos: Costanza (1899-?), Beatriz (1902-?), Maria Lucia (1903-1988), Francisco (1905-1985), Pion Donato (1906-?), Eleonora ( 1908-1992), Olga (1909-?), Carmelita (1910 -?), Dante (1912-?) e Redento (1915-1918).

1899 -  Voltou para São Paulo.

Recebeu uma carta protocolada do município de Potenza, transcrevendo carta do prefeito agradecendo pelo retrato do rei, que seria colocado na sala do Conselho Provincial.

1900 – Possuia um estabelecimento fotográfico na Rua da Assembleia, nº 12 (depois rua Rodrigo Silva), onde também residia. Em nota no Estado de São Paulo, edições de 22 e 23 de outubro de 1900, anunciava: “Dá de presente aos seus clientes seis photographias / novo formato Elena, em elegantíssimos cartõezinhos ornados, só 4$500 e por poucos dias”.

Sua esposa, Elvira, trabalhava no estúdio e era a responsável pelos serviços de fotopintura e acabamento. Era ela, também, que registrava em um caderno de anotações, intitulado “A arte de fotografar e revelar”, o trabalho realizado no laboratório e as técnicas de fotopintura.

1905 – Recebeu uma carta do Consulado Geral da Itália em São Paulo, transmitindo os agradecimentos do Ministro da Casa Real pelo envio de fotos de índios bororos.

1906 - Recebeu uma carta de Giacomo della Chiesa (1854 – 1922), futuro papa Bento XV, agradecendo o envio de fotografias de índios bororós para o papa Pio X.

1907 – Inauguração de um novo estúdio, na Rua Direita nº 24-A. Em notas sobre a abertura do novo estabelecimento, foi anunciada a distribuição de Retratos Mimosos, pequenas fotos com moldura especial de flores e arabescos, a cada visitante. Posteriormente, Pastore abriu um novo estúdio na Praça da República, nº 95.

1908 – Participou da Exposição Nacional, realizada no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da abertura dos portos no Brasil, com um conjunto de fotopinturas e trabalhos de grandes dimensões.

Realizou também um concurso de beleza infantil, do dia 10 de maio a 10 de julho, em seu ateliê fotográfico de São Paulo (O Paiz, edição de 8 de maio de 1908, última nota da primeira coluna).

1911 – Ganhou a medalha de bronze na Espozione Internazionale delle industrie e dell lavoro, em Turim, na Itália.

1914 – Viajou com a família para a Europa (Correio Paulistano, edição de 10 de fevereiro de 1914, na terceira coluna, sob o título “Hóspedes e Viajantes” ).

Em novembro, inaugurou o estabelecimento Fotografia Italo-Americana – ai Due Mondi, na Via Sparano, nº 117, em Bari, na Itália. O nome do estúdio italiano indicava sua condição de imigrante bem sucedido, que pertencia a dois mundos.

Realizou uma grande exposição de fotografias.

1915 – Devido à Primeira Guerra Mundial, encerrou as atividades na Itália e voltou a São Paulo.

1916 - Sob os títulos Bellezas PaulistanasMelancholiaQuem é a moça dos óculos pretos? e Oração, foram publicadas fotografias de autoria de Pastore, na revista Cigarra, nas edições  de 31 de março 30 de abril  , 17 de agosto14 de setembro e 26 de outubro.

No dia 17 de junho, foi publicada no O Estado de São Paulo, a seguinte nota: “O Sr. Vincenzo Pastore, proprietario da Photographia Pastore, a rua Direita, recebeu communicação official, do sr. Giannetto Cavasola, ministro da Agricultura da Italia, e do prefeito da provincia de Bari, de que, a 4 de maio passado, foi nomeado pelo duque de Genova, principe regente, cavalheiro da Ordem da Corôa da Italia. O sr. Pastore é muito conhecido nesta capital, onde conta com muitas amizades. Em 1914, o sr. Pastore fez, em Bari, uma grande exposição italo-brasileira de photographias, que mereceu francos elogios da imprensa. Os seus esforços acabam de ser merecidamente recompensados”. Em 18 de dezembro, o prêmio foi concedido.

1918 – Em 15 de janeiro, Pastore faleceu, em São Paulo, devido a complicações após uma cirurgia de hérnia. Era alérgico e foi anestesiado com clorofórmio (Correio Paulistano, 19 de janeiro de 1918, na terceira coluna).

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Cronologia de Otto Rudolph Quaas (c. 1862 – c. 1930)

Cronologia de Otto Rudolph Quaas (c. 1862 – c. 1930)

c. 1862 – Segundo Boris Kossoy, Otto Rudolph Quaas nasceu na Áustria por volta desse ano.

1895 – Quaas chegou em São Paulo, vindo da Europa, nos primeiros dias de 1895 e estabeleceu seu ateliê fotográfico na rua do Gasômetro, n. 20 (O Commercio de São Paulo, 16 de janeiro de 1895, na quarta coluna).

Chegou num dos últimos dias a essa capital e tomou a direção do atelier fotográfico da rua do Gazometro n. 20, o sr. Otto Rudolf Quaas, que nos dizem ser um artista de muitíssimo merecimento. O público vai ter ocasião de avaliar dos progressos daquela casa, em virtude de tão excelente aquisição (Estado de São Paulo, 16 de janeiro de 1895).

 

propagandaestadao

Propaganda da Photographia Artistica, de Otto Rudolf Quaas, no O Estado de São Paulo, 28 de janeiro de 1895

 

Em maio, transferiu-se para o Largo Sete de Setembro, nº 11, casa onde esteve por muito tempo o estabelecimento dos srs. Victor Steidel & C. Neste novo prédio o atelier do sr. Otto, enriquecido como foi ultimamente com novos aparelhos ficará sendo, senão o primeiro, pelo menos um dos primeiros estabelecimentos fotográficos de S. Paulo (Estado de São Paulo, 8 de maio de 1895).

1896 – Mudou-se para a rua de São Bento, n. 30, e inaugurou a nova Photographia Artística, em 26 de fevereiro de 1896 (O Commercio de São Paulo, 26 de fevereiro de 1896, quarta coluna). Ficava defronte do Grande Hotel e estava montada com todo o capricho e com os aperfeiçoamentos mais modernos (Estado de São Paulo, 26 de fevereiro de 1896).

 

propaganda 1

Anúncio da Photographia Artística, na rua de São Bento nº 30, no Estado de São Paulo, 19 de março de 1896

 

1898 – A Photographia Artística transferiu-se para o número 46 da rua de São Bento, em frente a Rotisserie Sportsman.

 

propagandamudança

Anúncio da mudança da Photographia Artística, no O Estado de São Paulo, 2 de julho de 1898

 

No último dia de 1898, foi anunciada uma Grande Inauguração no ateliê de Quaas com a apresentação de um grande repertório de óperas, músicas e cantos. Anunciava como a última novidade a Photographia de VozAvisamos especialmente o distinto público que todas as pessoas que tirarem uma dúzia de retratos Imperiais, no atelier fotográfico, têm direito de falar na máquina, podendo ouvir e levar logo depois o cilindro com a sua própria voz gravada eternamente para mandar aos seus afeiçoados.

 

propaganda2

O Estado de São Paulo, 31 de dezembro de 1898

 

1899 – O tcheco Gustavo Figner (18? – 1934), depositário da Casa Inana, no Rio de Janeiro, e futuro fundador da Casa Edison de São Paulo, anunciou a venda de um fonógrafo de corda na fotografia O. R. Quaas e Cia (Estado de São Paulo, 5 de janeiro de 1899). Ele era irmão de Fred Figner (1866 – 1947), fundador da Casa Edison no Rio de Janeiro e primeiro produtor fonográfico do Brasil.

 

O Estado de São Paulo, de 1899

O Estado de São Paulo, 5 de janeiro de 1899

 

Nesse mesmo ano, o atelier de Quaas, foi uma das lojas que sofreram danos consideráveis causados pelo estampido e pela água, devido a um incêndio na Loja do Japão, na rua de São Bento (O Estado de São Paulo, 6 de julho de 1899). Dias depois, Quaas enviou à redação do jornal Estado de São Paulo uma vista de um trecho da rua S. Bento na ocasião do incêndio (Estado de São Paulo, 11 de julho de 1899).

 

 

1900 – A Photographia Artística enviou à redação do O Estado de São Paulo uma coleção de 15 magníficas fotografias com vistas de diversos pontos da exposição universal de Paris. Essas vistas são reproduzidas no atelier do sr. Quaas e constituem um trabalho que acredita o conhecido estabelecimento artístico (O Estado de São Paulo, 23 de novembro de 1900).

1901 –  Estava exposto em seu ateliê um retrato em grande formato da rainha Vitória (1819 – 1901), do Reino Unido, que havia falecido em 22 de janeiro (O Estado de São Paulo, 24 de janeiro de 1901).

Quaas registrou a visita que o ministro plenipotenciário da Áustria-Hungria, Eugen Kuezyuski, fez à Sociedade Auxiliadora Austro-Húngara (O Estado de São Paulo, 27 de abril de 1901).

Era um dos membros da comissão da Sociedade Auxiliadora Austro-Húngara (O Estado de São Paulo, 24 de setembro de 1901).

Trabalhou para a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, tendo fotografado a inauguração do ramal de Rincão a Martinho Prado, em 30 de dezembro de 1901 (Correio Paulistano, 4 de janeiro de 1902, na quarta coluna).

1902 – Quaas presenteou o governador do estado de São Paulo, Rodrigues Alves (1848 – 1919), e outras autoridades com uma coleção de pequenas fotografias da inauguração do ramal ferroviário do Rincão (O Estado de São Paulo, 14 de janeiro de 1902).

Quaas foi eleito vice-presidente da Instituição Imperador Francisco José I (O Estado de São Paulo, 12 de julho de 1902).

No salão de honra da Santa Casa da Misericórdia de São Paulo, Quaas registrou a entrega, realizada pelo cônsul da França, Numa Antigeon, do diploma de Oficial da Academia à superiora da instituição, Maria Arsênia, nome religioso de Anna Berthet (O Estado de São Paulo, 19 de julho de 1902)

Uma comissão de redatoras do periódico Educação escolheu as mais interessantes fotografias tiradas de crianças entre 1 e 7 anos durante o ano de 1902 dos seguintes estúdios fotográficos do centro de São Paulo: o de Quaas & Cia, o de José Vollsack, o de Rodolfo Neuhaus, o de Giovanni Sarracino e o de Valério Vieira (O Commercio de São Paulo, 22 de dezembro de 1902, na segunda coluna).

Quaas foi de novo eleito vice-presidente da instituição Imperador Francisco José I (O Estado de São Paulo, 24 de dezembro de 1902).

1903 – Quaas ofereceu à redação do O Estado de São Paulo uma magnífica fotografia de Santos Dumont (O Estado de São Paulo, 19 de setembro de 1903).

1904 – Na Revista Ilustração Brasileira, de dezembro de 1904, seu trabalho foi elogiado por sua nitidez e fidelidade incríveis. A casa Quass é a única que está habilitada em S. Paulo a trabalhar à noite.

1905 – A Secretaria de Agricultura de São Paulo requisitou um pagamento a Otto Quaas (O Estado de São Paulo, 4 de março de 1905).

Estava envolvido na criação de um Club de Retratos em Cores e anunciou, no O Estado de São Paulo de 19 de maio de 1905, o adiamento do club até segundo aviso.

Os credores da falência de Otto Quaas reuniram-se na segunda vara comercial de São Paulo (O Estado de São Paulo, 13 de julho de 1905).

1907 - Quaas fotografou a Villa Penteado iluminada, na ocasião em que hospedou o ex-presidente da Argentina, general Julio Argentino Roca (1843 – 1914), que havia participado da Guerra do Paraguai (O Estado de São Paulo, 23 de março de 1907).

Fotografou o eclipse solar ocorrido em 10 de julho (O Estado de São Paulo, 12 de julho de 1907).

Foi um dos premiados no concurso de fotógrafos promovido pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo (O Estado de São Paulo, 18 de agosto de 1907).

1908 – Seu estabelecimento, a Photographia Quaas, ficava na rua Barra Funda, 149 (O Estado de São Paulo, 25 de novembro de 1908).

Participou da Exposição Nacional, com 24 quadros com fotografias, pinturas a pastel, sepiotipias, aumentos, platinotipia e fotografia em alto relevo, tendo recebido uma das medalhas de ouro da seção de fotografias. Outro fotógrafo agraciado com uma medalha de ouro foi Guilherme Gaensly (1843 – 1928). Os grandes prêmios foram conquistados por Valério Vieira (1862 – 1941) e Giovanni Sarracino (O Estado de São Paulo, 23 de novembro de 1908 e Catálogo da Exposição, 1908).

 

barra

Anúncio da Photographia Quaas, no O Estado de São Paulo, 18 de dezembro de 1908

 

1910 - Quaas participou da comemoração pelo octagésimo aniversário de Francisco José I, rei da Áustria-Hungria, realizada no consulado do país, em São Paulo (O Estado de São Paulo, 19 de agosto de 1910).

1911 – A Photographia Quaas publicou um anúncio para a contratação de um bom impressor com prática de atelier, de um ajudante com bastante prática e de um aprendiz de fotógrafo. Ainda se localizava na rua Barra funda, 149 (O Estado de São Paulo, 19 de março, 3 de de junho e 25 de setembro de 1911).

Participou da Exposição de Turime ganhou a medalha de prata.

1912 – A Photographia Quaas publicou um anúncio para a contratação de um bom impressor e retocador (O Estado de São Paulo, 6 de janeiro de 1912).

1913 – Seu estabelecimento ficava na rua das Palmeiras, 59, onde residia com sua família.

1920 – Em uma matéria sobre a história da Casa Edison de São Paulo, cujo proprietário era Gustavo Figner (? – 1934), foi relembrado que em fins do século XIX, um fonógrafo do empresário esteve em exposição no estabelecimento de Quaas, na época localizado na rua São Bento (O Estado de São Paulo, 13 de junho de 1920).

 

O Estado de São Paulo, 13 de junho de 1920

O Estado de São Paulo, 13 de junho de 1920

 

1926 – Fotografou a inauguração da pista de atletismo do Sport Club Germânia, atual Esporte Clube Pinheiros (Revista do Esporte Clube Pinheiros, março de 2014). Também do Germânia, fotografou, no fim da década de 20, panoramas do rio com os cochos, a casa de barcos e a figueira de tronco duplo, além das festas ao ar livre e também no salão da Rua Dom José de Barros (Site do Esporte Clube Pinheiros).

1929 / 1930 – Segundo depoimento de Vicentina Mello Cunha concedido a Boris Kossoy, Quaas faleceu por volta de 1929 e 1930, com cerca de 68 anos.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Guilherme Santos (1871 – 1966)

Cronologia de Guilherme Antônio dos Santos (1871 – 1966)

 

 

1871 – No Rio de Janeiro, em 12 de fevereiro, nasceu Guilherme Antonio dos Santos, cuja família residia na Rua do Rezende. Seu pai era o joalheiro José Antonio dos Santos (? – 1905).

1883 - No encerramento das aulas do Colégio Aquino, onde fez seus estudos, Guilherme Santos e Escragnolle Doria (1869 – 1948) receberam do imperador Pedro II medalhas por terem respondido “com prontidão e segurança a todas as suas perguntas sobre História do Brasil” (Correio da Manhã, 31 de maio de 1952).

1896 – Guilherme casou-se com Maria Mendonça dos Santos, conhecida como dona Mariquinhas. Tiveram quatro filhos: Guilherme dos Santos Júnior (? – 1980), médico que foi diretor do Souza Aguiar e do Hospital Paulino Werneck; Amália Santos Pinto da Silva (? – 1986), Manoel Antônio dos Santos , que sempre trabalhou com o pai na representação dos cofres belgas Fichet; e Francisca Mendonça dos Santos (1901 – ?) . Os filhos estudaram no Colégio São Vicente de Paulo e as filhas no Colégio Santa Isabel, em Petrópolis.

dezembro de 1898 – A joalheria e galeria de arte Luiz de Rezende & Cia, cujo um dos sócios era o pai de Guilherme Santos, José Antonio dos Santos, foi roubada. Ficava na rua do Ouvidor 88 e 89 e na rua Ourives 69 ( Gazeta de Notícias, 6 de dezembro de 1898, na última coluna e  Jornal do Brasil, 19 de dezembro de 1903, na sétima coluna, sob o título “O buraco do Rezende”). Anteriormente, a joalheria chamava-se Santos Moutinho e Cia. Na época do roubo, que teve grande repercussão, Guilherme Santos morava no último andar da loja.

1901 – Guilherme Santos foi empossado no conselho da Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives (Jornal do Brasil, 31 de julho de 1901, na última coluna). Nasceu sua filha caçula, Francisca, (Jornal do Brasil, de 16 de dezembro de 1901, na quarta coluna). Nos Almanak Laemert de 1901190219031904, 19051906 e 1907, Guilherme e seu irmão, Francisco Antonio, aparecem como dois dos sócios da joalheria Luiz de Rezende & Cia. Luiz de Rezende ( – 1927) era português e foi com o pai de Guilherme Santos, José Antônio, que ele aprendeu a ourivesaria.

1905 / 1906 – No Almanak Laemert de 1905, Guilherme Santos aparece como o 2º secretário da Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives. Viajou para Paris com a família para, a conselho de seu pai, se tratar de um estado de nervosismo permanente ocasionado pelo roubo à joalheira em 1898. Cuidou-se com um tratamento de auto-sugestão cujo lema era “Hoje sob todos os pontos de vista vou cada vez melhor”. Interessou-se pela técnica da estereoscopia e adquiriu um equipamento Verascope, da Maison Richard, após visitar uma exposição de fotografias estereocópicas no Grand Palais. Lá constatou que havia pouquíssimos registros do Brasil, todos de mulheres negras vendendo abacaxis. Santos começou a praticar a fotografia amadora e foi em Portugal que produziu seu primeiro registro, no pinhal de Caldas da Rainha. Seu pai, José Antonio dos Santos, faleceu (Correio da Manhã, 20 de maio de 1952).

1907 – Provavelmente, foi um dos proprietários do Cinema Pavilhão Progresso, na rua Hadock Lobo, 16. O cinema foi inaugurado em 31 de outubro de 1907 (Jornal do do Brasil, 30 de outubro de 1907, na primeira coluna).

1920 – Guilherme Santos morava na rua Conde de Bonfim, 86, na Tijuca.

1922 – Santos cedeu ao então ministro do Exterior, José Manuel de Azevedo Marques (1865 – 1943), milhares de reproduções estereográficas de quadros da natureza brasileira que foram distribuídas aos estrangeiros que vieram representar seus países nas comemorações do centenário da independência do Brasil. Deixou de trabalhar na Casa Luiz de Rezende ( Correio da Manhã, 20 de maio de 1952).

1923 – Foi criado o Photo Club Brasileiro, uma associação de fotógrafos, no Rio de Janeiro, pelos associados do Photo Club do Rio de Janeiro, fundado em 1910, que se juntaram a fotógrafos de arte para debater as relações entre fotografia e arte. O Photo Club Brasileiro promovia cursos, concursos, exposições e excursões. Publicou as revistas Photo Revista do Brasil (1925 – 1926) e Photogramma (1926 – 1931). Também organizava salões anuais, o primeiro deles inaugurado em 4 de julho de 1924, no Liceu de Artes e Ofícios (artigo de Fernando Guerra Duval, na Gazeta de Notícias, 9 de julho de 1924), além de divulgar novas técnicas e estéticas, mantendo correspondência com sociedades internacionais de fotografia. Até o fim da década de 1940, foi uma instituição fundamental na difusão da ideia da fotografia como arte. Uma matéria da revista Para Todos, de 17 de setembro de 1927, sobre a quarta exposição anual do Photo Club ilustrava essa função primordial da associação. Alguns de seus membros de destaque foram Alberto Friedmann, Barroso Neto, Fernando Guerra Duval, Herminia Borges, João Nogueira Borges, Oscar de Teffé e Silvio Bevilacqua.

 

 

maio de 1925 –  Guilherme Santos tornou-se membro do Photo Club Brasileiro. Publicou na edição de lançamento da Photo Revista do Brasil, órgão oficial da associação, o artigo “Photographia Estereoscópica”. No expediente da revista, aparece como um de seus principais colaboradores. E, nas páginas dedicadas às notícias do Photo Club, que acabava de se instalar em uma nova sede, na rua 13 de maio, 35, aparece como um dos membros recentes da associação. O presidente e o vice-presidente do Photo Club Brasileiro eram Alberto Friedmann e Fernando Guerra Duval, respectivamente.

 

“Photographia Estereoscópica”

Por Guilherme A Santos

Confeccionar uma photographia é quasi sempre reconstruir uma recordação!

Nenhuma outra photographia trabalhada pelos processos conhecidos, pôde dar-nos tamanha satisfação, produzir-nos impressão tão viva  e tão nitida daquilo que quizermos recordar como a photographia estereoscopica! Seja o retracto de um ente querido, seja uma paysagem, ou ainda uma reunião de família, cujo objecto exprima um momento feliz da nossa existencia!

A sensação do relevo e da perspectiva que nos dá um positivo sobre vidro, copia de um cliche estereoscopico, introduzido no instrumento apropriado, é inegualavel! inconfundivel! incomparavel!

Ao olhar, apresentam-se as imagens das creaturas, da Natureza ou dos objectos, com a expressão a mais perfeita e verdadeira , mostrando-nos em destaque todos os planos que as objectivas colheram na extensão do angulo focal!

Como passa tempo, o que é possível de encontrar que seja mais agradável, mais divertido do que os positivos sobre vidro da photoestereoscopia!?

Reunidos em família e acompanhados de bons amigos sentados em redor de uma mesa, passa-se de mão em mão o apparelho estereoscópicos exibindo as differentes séries de positivos! Algumas, despertando recordações aos que, num afogar de saudades revêem os bons momentos que passaram, contemplando imagens de creaturas que talvez nunca mais encontrem no caminho da vida e que fizeram a delícia daqueles momentos, em uma estação de águas, em uma excursão, em cidades de verão, a bordo de um transatlântico, na convivência íntima de uma longa viagem, etc.

Outras séries apresentando o esplendor da Natureza em grandes quadros compostos com senso esthético, com observação artística que estasiam, que empolgam e que nunca cançaríamos de contemplar são photografias que provam como é impossível negar o extraordinário poder que tem a natureza, de impressionar e fazer vibrar a alma das creaturas com suas majestosas creações!

Nesse particular a nossa terra recebeu do CREADOR um dote precioso, o qual infelizmente em vez de ser transportado para as chapas da photographia por meio das objectivas dos differentes apparelhos, tem o homem esbanjado e destruido quasi inconscientemente sem considerar o grande mal que causa ao bem commum e sem reflectir no crime que pratica!

Disse PAULO MANTEGAZZA, capitulo IV no “O LIVRO DAS MELANCHOLIAS” de uma forma encantadora e com a alma amargurada: que se conhecesse DEUS, dir-khe-hia que na sua infinita misericordia, perdoasse todos os peccados dos homens e reservasse toda a sua ira, toda as suas vinganças, tododos seus raios, para o homem que destróe uma “FLORESTA”!!…

Faço minhas as palavras do primoroso escriptor, mas accrescento que o homem que dedicar-se á photographia, de preferenciaa estereoscopica, no contacto intimo e constante que ele tiver com a NATUREZA, quando a tiver estudado bem, irá lentamente habituando-se a apreciar devidamente a sua obra grandiosa, sentirá despertar em sua alma, sentimentos delicadosque até então desconhecia e difficilmente será capaz de derrubar uma arvore ou consentir que alguem o faça em sua presença!

A falta de amor e o abandono ás nossa bellezas naturaes é patente! Cito um exemplo mui recente:

Por uma destas lindas manhãs de ABRIL (era dia feriado) percorremos uma parte da estrada que liga o ALTO DA BOA VISTA ao SUMARÉ.

É uma das maravilhas da TIJUCA! A vegetação é abundante e variada e conta-se ás dezenas, arvores gigantescas cujas ramadas projectam sombras extensas sobre o caminho!

O sol imprimia uma luz de oiro sobre o verde esmeralda do arvoredo e fazia pensar que foi a NATUREZA quem inspirou os nossos antepassados sobre a escolha das cores para a nossa bandeira!

Caminhamos cerca de 6 kilometros ida e volta e gastamos cerca de 5 horas. Pois bem, nesse demorado percurso, cruzamos com 3 outros grupos de excursionistas, todos elles, compunham-se de estrangeiros!

Nem um brasileiro! nem um amador da photographia! Digo, encontramos um brasileiro, que empunhando uma vara que tinha um sacco de gaze preso a uma das extremidades, caçava as lindas borboletas azues de grandes azas que faziam o encanto daquellas paragens! aquelle rapaz de 20 annos presumives, de bella estaturaphysica, fazia-o como meio de vida! Contamos estendidas sobre um jornal, 20 daquellas borboletas, apanhadas em menos de uma hora! Pobrezinhas! a  NATUREZA limitou-lhes curtíssima existência, nem mesmo a essas deixam viver!

Creio ser o momento de ser transformada essa situação. A Photo-Revista vem preencher uma lacuna e acreditamos que uma campanha sustentada com perseverança por todos os seus collaboradores, daria bom resultado, no sentido de desenvolver o gosto dos brasileiros pela arte photographica: talvez conseguíssemos convence-los de trocar uma ou outra vez (às horas de ócio) os encantos do lar doméstico, pelos encantos naturaes, lembrando-lhes que em companhia de nossa família e em contacto com a floresta, também construímos lares provisorios sob a benção da mãe de tudo e de todos que é a NATUREZA!

(Photo Revista do Brasil, vol 1, maio de 1925, pg 14)

Além disso, a fotografia da capa era de sua autoria (O Brasil, 31 de maio de 1925, na sexta coluna, sob o título “Publicações”). E, na mesma edição da revista, foi publicada uma propaganda das fotografias estereoscópicas de Guilherme. O endereço, rua Buenos Aires, 93, é o mesmo do escritório dos cofres belgas Fichet, empresa que ele representava no Brasil. Posteriormente, o escritório foi transferido para a rua do Rosário, 146.

1937 – Resumo do assalto ocorrido na Casa Luiz de Rezende, em 1898, com retratos dos sócios Luiz de Rezende e José Antonio dos Santos, pai de Guilherme (Noite Illustrada, 25 de maio de 1937).

1942 – Publicação da matéria “Rio desaparecido”, de Escragnolle Doria, sobre a importância dos arquivos fotográficos de Augusto Malta e Guilherme Santos (Revista da Semana, 30 de maio de 1942).

1945 – Publicação no Boletim de Belas Artes de outubro de um artigo sobre o desmonte do Morro do Castelo com entrevista de Guilherme Santos (Correio da Manhã, 8 de maio de 1952).

1950 – Publicação de matéria elogiando a coleção de fotografias de Guilherme Santos (Jornal do Brasil, 24 de março de 1950, na última coluna sob o título “Belas Artes). Publicação de uma reportagem de Walter Sampaio sobre o “Arquivo Guilherme dos Santos”. Na matéria, Santos revelou ter vontade de “expor em um museu o seu valioso arquivo histórico e estereoscópico nacional”. (A Noite Ilustrada, 1º de agosto de 1950).

 

 

1951 – O Departamento de História e Documentação do Rio de Janeiro examinou a coleção fotográfica de Guilherme Santos (O Malho, setembro de 1951).

1952 – Faleceu sua esposa, Maria Mendonça dos Santos, em 26 de maio ( Correio da Manhã, 30 de maio de 1952, na primeira coluna). Na coluna “Pequenas Reportagens”, é lembrado um artigo do Boletim de Belas Artes de outubro de 1945, onde Guilherme Santos comentava seus registros fotográficos do desmonte do Morro do Castelo (Correio da Manhã, 8 de maio de 1952). Na mesma coluna, foi publicada uma matéria sobre Guilherme Santos ( Correio da Manhã, 20 de maio de 1952). Finalmente na coluna de 31 de maio de 1952, o assunto foi a coleção de fotografias de Santos.

 

 

1954 –  Às vésperas do Natal, a sede da G.A. Santos & CIA, localizada na Rua do Rosário, 146, sofreu um incêndio. A única coisa resgatada foi o acervo de fotografias de Guilherme que estava dentro de um cofre à prova de fogo. Foi devido a esse fato que Santos decidiu vender sua coleção de fotografias (Correio da Manhã, 24 de dezembro de 1954).

1956 – Na primeira página do Jornal do Brasil, foi publicada a matéria “O Rio de Janeiro através da estereoscopia”, assinada por Augusto Maurício, sobre a coleção de fotografias de Guilherme Santos ( Jornal do Brasil, 27 de maio de 1956).

1964 – A Coleção Guilherme Santos foi adquirida pelo Banco do Estado da Guanabara, em 28 de abril de 1964, para iniciar, juntamente com a coleção de fotografias de Augusto Malta (1864 – 1957), o acervo do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. O contrato de compra e venda foi assinado pelo filho e procurador de Guilherme, Manoel Antônio dos Santos.

1965 – Inauguração do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 3 de setembro de 1965 (Diário de Notícias, 2 de setembro de 1965). A maior parte da obra de Santos, que inclui 17.812 mil negativos e 9.310 mil positivos (em vidro), além de 1.302 ampliações em papel feitas a partir dos negativos, está sob a guarda da instituição.

janeiro de 1966 – Guilherme Santos faleceu em 26 de janeiro, na casa de sua filha Francisca, na Ilha do Governador. Na época, ele morava na rua Cesário Alvim, 39. Anúncio da missa de sétimo dia de Guilherme Santos (Diário de Notícias, 30 de janeiro de 1966).

1984 – Fotografias do Rio Antigo de autoria de Guilherme Santos fizeram parte da exposição “19 anos do Museu da Imagem e do Som” (Última Hora, 27 de dezembro de 1984, na última coluna).

2013 – Um conjunto de cerca de 3000 imagens produzidas pelo fotógrafo foi adquirida pelo Instituto Moreira Salles, em 2013.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Bernardo Scheidemantel (1834 – 1908)

Cronologia de Carl Bernard Scheidemantel (1834 – 1908)

 

litogravura

Litogravura de Bernardo Scheidemantel, 1876 / Fundação Cultural de Blumenau

 

1834 – Nascimento, em 3 de dezembro de Carl Bernard Scheidemantel, na Saxônia. Precursor da fotografia no vale do Itajaí,  era considerado inteligente, crítico e possuidor de um humor peculiar. Nasceu em 3 de dezembro de 1834, em Braunsdorf.

1859 – Chegou ao Brasil em 1859 e estabeleceu-se na Colônia Blumenau com seus pais, Gottfried Scheidemantel e Johanna Rosine, e com o irmão Ernst. Trabalhou como lavrador.

1860 - Era desenhista e tipógrafo e criou seu próprio portfólio, reunindo grande parte do seu acervo de rótulos e desenhos desenvolvidos para os mais diversos segmentos, a partir deste ano.

1862 – Em 16 de fevereiro, casou-se com Agnes Müller.

c. 1864 – Começou a atuar como fotógrafo. Mas só a partir da década de 1870 passou a se dedicar exclusivamente à fotografia e à litografia, abandonando sua atividade rural.

Década de 1870 – Passou a se dedicar exclusivamente à fotografia e à litografia, abandonando sua atividade rural.

1881 – Nos Anais da Biblioteca Nacional de 1881 estão registrados que duas obras foram produzidas em sua oficina litográfica na Colônia de Blumenau: uma planta da barra do rio Itajaí levantadas pelos guardas marinhas Alfredo José de Abreu e Arthur Índio do Brasil e Silva sob a direção do capitão tenente Carlos Balthazar da Silveira; e um mapa geral levantado pelo engenheiro Emílio Odebrecht, em 1872 ( Anais da Biblioteca Nacionalpág 296 e pág 298).

 

 

 

1883 e 1891 - Publicou uma propaganda de seu ateliê fotográfico em Blumenau (Immigrant Wochenblatt, 4 de abril de 1883). Anunciou seu trabalho como fotógrafo e gravurista no Immigrant, de 15 de março de 1891. Nas duas propagandas, anunciava seus serviços em fotografia, impressão de livros e litografia. Produzia fotos de paisagens, fotos de grupos, retratos, ampliações até a metade do tamanho natural, reproduções de desenhos, gravuras em metal, pinturas, ilustrações, planos, mapas, desenho à mão, diplomas, miniaturas de objetos e desenhos trazidos ao ateliê em fotos e gravura. Também anunciava a  preparação de impressos de obras inteiras, relatórios, estatutos para sociedades, catálogos, cartazes, livros escolares, revistas, formulários de todo tipo, letras de câmbio, papel de carta, faturas, notas (em Português!), recibos, memorandos, listas de preços, livros de contabilidade, convites, cartões de visita, noivado e endereço, ilustrados ou não, rótulos para cervejas, vinhos, cigarros, manteiga e (?), em todas as formas e apresentações – impressos em bronze e a cores. A execução era de bom gosto a preços baixos.

 

 

 

 

1884 - Naturalizou-se brasileiro (A Regeneração23 de fevereiro de 1884, primeira coluna e 5 de março de 1884, última coluna).
1887 – Em Blumenau, era o responsável pelas assinaturas da publicação Reform, que representaria os interesses da Colônia Dona Francisca. No Rio, as assinaturas poderiam ser feitas na Laemmert & Co; em Santos, com Eduard Menn; e, em Berlim, com Rudolf Mosse (Rio-Post, 2 de junho de 1887).

 

 

1885 – Foi listado como fotógrafo da província de Santa Catarina (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1885).

1908 - Falecimento de Bernardo Scheidemantel. Seu filho, Franz, também seguiu a profissão de fotógrafo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Joaquim Pinto da Silva, o J. Pinto (1884-1951)

Cronologia de Joaquim Pinto da Silva, o J. Pinto (1884-1951) 

1884 – O fotógrafo Joaquim Pinto da Silva, que ficou conhecido como J. Pinto, nasceu em Alagoinhas, na Bahia, filho de José Camerino Pinto da Silva e Maria da Purificação.

c. 1898 – Com 14 anos, J. Pinto teria vindo para o Rio de Janeiro.

1903 – Foi contratado pelo médico e sanitarista Oswaldo Cruz na fase inicial das atividades em Manguinhos e começou a documentar a construção do que viria a ser um dos principais centros de ciência e saúde do Brasil.

1910 – Segundo o historiador Eduardo Thielen, que escreveu a dissertação Imagens da saúde no Brasil – A fotografia na institucionalização da saúde pública, J. Pinto teria sido possivelmente o autor do primeiro filme científico feito no Brasil, Chagas em Lassance. A obra, com 9 minutos de duração, era sobre a descoberta da doença de Chagas, feita pelo cientista Carlos Chagas, em Lassance, Minas Gerais, em 1909 (Agência Fiocruz, 15 de agosto de 2008).

1911 – Chagas em Lassance foi exibido por Oswaldo Cruz na Exposição Internacional de Higiene e Demografia de Dresden, na Alemanha (Agência Fiocruz, 15 de agosto de 2008). Também foi exibido o filme sobre as ações de combate à febre amarela no Rio de Janeiro. Esses dois filmes constituem o mais antigo acervo audiovisual científico preservado de que se tem notícia no Brasil. O pavilhão do Brasil, único país das Américas a construir um estande próprio no evento, foi inaugurado em 15 de junho (O Paiz, 16 de junho de 1911, quinta coluna).

1946 - J. Pinto aposentou-se devido a problemas de saúde.

1951 – Em outubro, falecimento de Joaquim Pinto da Silva. Sua missa de 30º dia foi realizada na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro (Diário de Notícias, 25 e 26 de novembro de 1951).

 

2014 – Lançamento do livro Vida, engenho e arte — O acervo histórico da Fundação Oswaldo Cruz, com imagens produzidas por J. Pinto (O Globo, 6 de junho de 2014).

2016 – Realização da exposição Manguinhos Revelado: um Lugar de Ciência, com cerca de 120 fotografias, a maioria de autoria de J. Pinto (Portal Fiocruz, 8 de novembro de 2016).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Manoel Tondella (1861 – 1921)

Cronologia de Manoel Tondella (1861 – 1921)

 

1854 – O pai do do fotógrafo Tondella, Manoel Pereira de Figueiredo Tondella, provavelmente português, e José Barros Veiga dissolveram amigavelmente a sociedade comercial que possuíam denominada Veiga & Tondella (Diário de Pernambuco, 26 de setembro de 1854, última coluna).

1855 – O Gabinete Português de Leitura decidiu promover uma subscrição em favor da construção de um hospital para atender os portugueses indigentes que não pudessem receber tratamento adequado contra a epidemia que se alastrava por algumas províncias do Brasil e que eles acreditavam que chegaria no Recife. No Bairro do Recife, Manoel Pereira de Figueiredo Tondella era o encarregado pelas subscrições (Diário de Pernambuco, 25 de agosto de 1855, primeira coluna). Fez parte da comissão responsável pela instalação do Hospital Português em Pernambuco para o qual contribuiu com 50 mil reis (Diário de Pernambuco,  7 de setembro de 1855, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 15 de novembro de 1855, penúltima coluna).

1861 / 1862 – O fotógrafo Manoel Tondella, nasceu em 3 de outubro de 1861, filho de Manoel Pereira de Figueiredo Tondella e Marcionilla Francisca Soares, e foi batizado em 1º de janeiro do ano seguinte, na freguesia de Boa Vista, no Recife. A família morava no bairro Capunga, no Recife (Diário de Pernambuco, 3 de outubro de 1862, segunda colunaDiário de Pernambuco, 17 de abril de 1862, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 22 de julho de 1899, segunda coluna).

1863 – José Carneiro de Faria Lins informava ter feitos as pazes com Manoel Pereira de Figueiredo Tondella, a quem teria ofendido em momentos de delírio (Diário de Pernambuco, 22 de abril de 1863, última coluna).

1881 – O irmão de Manoel, Francisco Tondella (18? – 1913), era proprietário da tipografia Acadêmica (Diário de Pernambuco, 12 de abril de 1881, penúltima coluna).

1884 – Casamento de seu irmão Francisco com Francisca Olympia Rodrigues (? – 1891) (Jornal do Recife, 22 de setembro de 1884, última coluna).

1885 - Francisco era sócio da Biblioteca do Club Dramático Familiar (Jornal do Recife, 19 de março de 1885, quinta coluna).

Anúncio do casamento do irmão de Manoel, Antônio Pereira de Figueiredo Tondella com Francelina Maria de França Caldas (Diário de Pernambuco, 5 de novembro de 1895, última coluna).

1886 - Falecimento de uma das avós de Manoel Tondella, Maria Monteiro da Silva, cuja missa de sétimo dia foi celebrada na matriz de Santo Antônio do dia 8 de novembro de 1886 (Jornal do Recife, 5 de novembro de 1886, última coluna). Manoel era irmão de Francisco (18? – 1913), Antônio (18? – 1898) e Maria Tondella (c. 1860 – 1905), que também convidavam para a missa, além da mulher de Francisco, Francisca Olympia Rodrigues (? – 1891) e da tia dos Tondellas, Antônia Monteiro da Silva (1826 – 1902), filha da falecida.

1890 - Era um dos subscritores para os festejos do aniversário de Deodoro da Fonseca contribuindo com 5 mil réis (Jornal do Recife, 7 de agosto de 1890, quarta coluna).

Publicação do primeiro número do periódico mensal O Filatelista, de propriedade de Francisco Tondella, seu irmão, direcionado para os colecionadores de selos  (Jornal do Recife, 17 de outubro de 1890, penúltima coluna)

1891 Falecimento de sua cunhada, Francisca Olympia Rodrigues Tondella, casada com seu irmão Francisco (Jornal do Recife, 10 de abril de 1891, última coluna).

1892 Anúncio de seu casamento com Anna Amelia Celestina Ramos (18? – 19?) (Jornal do Recife, 9 de fevereiro de 1892, última coluna).

Anna Amelia Tondella foi eleita juíza da Sociedade Beneficente Nossa Senhora do Carmo no período de 1892 a 1893 (Jornal do Recife, 20 de julho de 1892, primeira coluna).

1894 – Anunciou com sua mulher e outros parentes a missa pelo 1º ano de falecimento de Lesbina Celestina Ramos (? – 1893), mulher de seu compadre Caetano Ferreira Ramos (? – 1919) e irmã de sua esposa, Anna Amelia (Diário de Pernambuco, 6 de julho de 1894, segunda coluna).

1895 – Presenteou o Jornal do Recife com duas fotografias de sua autoria: uma da estação da Estrada de Ferro Central de Pernambuco e outra da rua Larga do Rosário por ocasião da procissão das Chagas. “Um correto trabalho que muito recomenda o seu autor” (Jornal do Recife, 28 de maio de 1895, quinta coluna). Nessa época, provavelmente seu estabelecimento fotográfico ficava na rua da Concórdia, nº 13.

Seu irmão Antônio casou-se com Francelina Maria de França Caldas (Diário de Pernambuco, 5 de novembro de 1895, última coluna).

1897 - Manoel Tondella enviou ao Diário de Pernambuco 2 exemplares de lindíssimas fotografias em ponto pequeno. É no gênero um trabalho de grande perfeição e cuja apreciação recomendamos ao público (Diário de Pernambuco, 13 de janeiro de 1897, quarta coluna).

Presenteou o Jornal do Recife com três fotografias de quadros de pintores célebres (Jornal do Recife, 14 de janeiro de 1897, sexta coluna).

Estava à venda na Livraria Francesa fotografias de autoria de Tondella do préstito que havia acompanhado o general Artur Oscar no dia 15 de novembro (Jornal do Recife, 23 de novembro de 1897, sexta coluna).

Já existia a sociedade Oliveira & Tondella, entre Manoel e João José de Oliveira (18? – 19?). Tornaram-se devedores de impostos do período entre 1897 e 1898 (Diário de Pernambuco, 3 de junho de 1899, terceira coluna).

1898 - Ele e o sócio importaram uma caixa com objetos de fotografia (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1898, segunda coluna).

Chegou uma caixa de mercadorias para Oliveira & Tondella , do vapor inglês Ile, que vinha de potos da Europa (Diário de Pernambuco, 18 de março de 1898, terceira coluna).

Falecimento do irmão de Manoel Tondella, Antônio (? – 1898). Ele, seu irmão Francisco (? – 1913) e filhos, sua irmã Maria (1860 – 1905), sua tia Antônia Maria Monteiro da Silva  (1826 – 1902) e sua esposa Anna Amelia convidaram para a missa de Sétimo Dia, na matriz de Santo Antônio. Pelo anúncio, Maria não era casada e Manoel e Anna Amélia não tinham filhos. Na missa de trigésimo dia, quem convida é a mulher de Antônio, Francelina França Caldas (Diário de Pernambuco, 27 de agosto de 1898, terceira colunaDiário de Pernambuco, 21 de setembro de 1898, penúltima coluna; e Jornal do Recife, 23 de fevereiro de 1899, quarta coluna).

Anna Amelia era uma das paraninfas da bênção solene da imagem do Santíssimo Coração de Jesus, na Matriz de São José. A solenidade contou com a presença do governador de Pernambuco (Jornal do Recife, 4 de novembro de 1898, segunda coluna).

Oliveira & Tondella importaram álbuns e papel albuminado (Diário de Pernambuco, 30 de novembro de 1898, segunda coluna).

1899 – O estabelecimento dos fotógrafos ficava na rua da Imperatriz, nº 79 (Almanach de Pernambuco, 1900).

Oliveira & Tondella importaram artigos para fotografia (Diário de Pernambuco, 8 de março de 1899, segunda coluna).

Como era assinante da America Illustrada, Revista Nacional de Letras e Artes, a firma Oliveira & Tondella ganhou de brinde um Livro de Ouro do Brasil  na Exposição de 1900 em Paris (Jornal do Recife, 23 de julho de 1899, penúltima coluna).

1900 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos, envelopes e cartões.

Tondella foi o fotógrafo responsável pela realização de uma imagem que a Celestial Confraria da Santíssima Trindade ofereceria à Sociedade Musical Charanga do Recife (A Província (PE), 17 de julho de 1900, penúltima coluna).

Encontrava-se exposto no ateliê  Photographia Popular Oliveira & Tondella, na rua da Imperatriz, nº 79, um quadro dos bacharéis da Faculdade de Direito do Recife de 1900 (Jornal do Recife, 22 de novembro de 1900, última coluna)

A firma Oliveira & Tondella realizou um retrato em busto do professor Gaspar Regueira Costa na ocasião de seu aniversário, com o qual o magistério municipal o presentearia (Jornal Pequeno, 20 de dezembro de 1900).

1901 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos, cartões, papel para desenho.

 

 

Encontrava-se exposto no ateliê  Photographia Popular Oliveira & Tondella, na rua da Imperatriz, nº 79, um quadro dos bacharéis da Faculdade de Direito do Recife de 1901 (Jornal do Recife, 26 de novembro de 1901, última coluna).

 

 

1902 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos.

Na Travessa da Concórdia, nº 13, falecimento da tia de Tondella, Antônia Maria Monteiro da Silva (1826 – 1902). A família foi adjetivada como ilustre e Francisco e Manoel Tondella foram referidos como seus dignos sobrinhos (Jornal do Recife, 18 de junho de 1902, segunda coluna; A Província, 24 de junho, quinta coluna; e Diário de Pernambuco, 18 de junho de 1902, quarta coluna).

Oliveira & Tondella realizaram um retrato em tamanho natural do tenente-coronel Miranda Curio, delegado de saúde do Exército junto ao comando do 2º Distrito Militar, que lhe seria dado como presente de aniversário pelos farmacêuticos do corpo de saúde de Pernambuco (A Província (PE), 22 de agosto de 1902, quarta coluna).

Jornalistas do Diário de Pernambuco fizeram uma visita ao ateliê fotográfico de Oliveira & Tondella e elogiaram os retratos e as vistas expostas e também a amabilidade dos dignos artistas. “Mostraram-nos os mesmos srs. os estereoscópios que acabam de receber, novidade que expõem à venda…” (Diário de Pernambuco, 22 de outubro de 1902, quinta coluna).

 

 

A firma Oliveira & Tondella ofereceu uma fotografia de presente ao Jornal do Recife: uma imagem do general Marinho da Silva passando em revista as tropas federais na Campina do Bode (Jornal do Recife, 28 de novembro de 1902, quarta coluna).

Oliveira & Tondella enviaram ao Jornal do Recife um cartão de boas festas com uma imagem de um trecho do rio Capibaribe próximo aos arrecifes. Além disso, enviaram a fotografia de uma paisagem (Jornal do Recife, 23 de dezembro de 1902, sétima coluna). Enviaram para o periódico A Província uma fotografia do farol de Olinda e uma de uma lancha (A Província (PE), 23 de dezembro de 1902, quarta coluna). E enviaram para o Jornal Pequeno uma fotografia dos bairros do Recife e de Santo Antônio como votos de boas festas (Jornal Pequeno, 23 de dezembro de 1902, primeira coluna).

1903 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos.

Um retrato a óleo feito no ateliê de Oliveira & Tondella foi oferecido ao alferes Virgílio Antônio Borba (Diário de Pernambuco, 8 de janeiro de 1903, sexta coluna).

Foi noticiado o novo endereço do ateliê fotográfico de Oliveira & Tondella, devido à mudança do nome da rua da Imperatriz para rua Rosa e Silva. O número, 79, continuou o mesmo. Eles haviam produzido um retrato do conselheiro Rosa e Silva durante um banqueteExpuseram as vistas do salão do banquete, que deveriam ser apreciadas com um estereoscópio (Diário de Pernambuco, 12 de fevereiro de 1903, sexta coluna; e 13 de fevereiro de 1903, última coluna). Expuseram as vistas do salão do banquete, que deveriam ser apreciadas com um estereoscópio (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1903, última coluna).

Os hábeis artistas Oliveira & Tondella produziram uma fotografia da Igreja de Santa Cruz na ocasião da festa do Bom Jesus da Via Sacra, realizada em 3 de maio, e a enviaram de presente para o Jornal do Recife, para o Jornal Pequeno e para o periódico A Província (Jornal Pequeno, 16 de maio de 1903, segunda colunaJornal do Recife, 17 de maio de 1903, terceira coluna; e A Província (PE), 17 de maio de 1903, última coluna).

Casamento de Amália de Oliveira, filha de José Joaquim Oliveira, com Tacito Altino Correia de Araújo (Diário de Pernambuco, 5 de setembro de 1903, sexta coluna).

Leonilla Lusetta de Oliveira, esposa de Joaquim José de Oliveira, sócio de Tondella, faleceu (Jornal Pequeno, 31 de outubro de 1903, terceira coluna).

Oliveira & Tondella presentearam o Jornal Pequeno com fotografias em miniatura da primeira página edição de 28 de junho de 1902 do periódico (Jornal Pequeno, 4 de dezembro de 1903, terceira coluna).

Oliveira & Tondella presentearam o Diário de Pernambuco com fotografias do edifício do referido jornal na rua Duque de Caxias esquina com a Praça da Independência (Diário de Pernambuco, 25 de dezembro de 1903, quarta coluna)

1904 – Oliveira & Tondella enviaram votos de um feliz ano novo para o Jornal do Recife (Jornal do Recife, 1º de janeiro de 1904, quinta coluna).

Chegada, da Inglaterra, de papel fotográfico, de câmaras escuras, de cartões cortados e obras impressas para Oliveira & Tondella (Província (PE), 16 de janeiro de 1904, segunda coluna21 de maio de 1904, terceira coluna, 15 de junho, segunda coluna29 de julho de 1904, terceira coluna; e 31 de agosto de 1904, terceira coluna).

Oliveira & Tondella foram citados pela Diretoria de Contabilidades e Rendas Municipais do Recife. O endereço era av. Rosa e Silva, 79 (Diário de Pernambuco, 4 de fevereiro de 1904, sexta coluna).

A firma Oliveira & Tondella produziu uma fotografia da Companhia dos Bombeiros (Diário de Pernambuco, 6 de março de 1904, sexta coluna).

Tondella abriu, sem sócios, um estabelecimento fotográfico na rua da Velha, 137, no primeiro andar, onde também residia. Anos depois essa rua passou a chamar-se Antônio Carneiro. Na época, oferecia cartões postais da procissão Encontro, que havia saído da Igreja de Santa Cruz, no Recife (Jornal do Recife, 22 de abril de 1904, penúltima colunaA Província, 13 de setembro de 1904, penúltima coluna). A recente abertura do ateliê do hábil e conhecido fotógrafo foi anunciada. Provisoriamente a entrada seria feita a partir da rua da Alegria (Jornal do Recife, 13 de setembro de 1904, última coluna; e A Província,(PE), 13 de setembro de 1904, penúltima coluna).

 

 

Tondella produziu de uma janela da Igreja de Santa Cruz uma fotografia da Charanga do Recife (A Província, 20 de setembro de 1904, última coluna).

1905 – Com cerca de 45 anos, falecimento de Maria Tondella, irmã de Manoel (A Província, 26 de abril de 1905, primeira colunaJornal do Recife, 6 de maio de 1905, sexta coluna).

Publicação de uma propaganda da Photographia Tondella anunciando o desligamento de Tondella da firma Oliveira & Tondella, realizado no ano anterior (A Província, 16 de julho de 1905, primeira coluna). No mesmo ano, publicação de uma propaganda da Photographia Popular apenas com o nome de Joaquim José de Oliveira no mesmo endereço, na rua da Imperatriz, 79 (Almanach de Pernambuco, 1905).

 

 

Ofertou ao Jornal do Recife a fotografia da canhoneira Pátria e seu trabalho foi considerado perfeitíssimo. Uma fotografia ampliada da mesma canhoneira estava exposta na Livraria Francesa, na rua Primeiro de Março, nº 9 (Jornal do Recife, 21 de setembro de 1905, oitava coluna).

Jornal Pequeno homenageou Anna Amélia no dia de seu aniversário, 5 de dezembro (Jornal Pequeno, 5 de dezembro de 1905, primeira coluna).

1910 - O nome da rua de seu estabelecimento mudou de rua da Velha para rua Antônio Carneiro (Diário de Pernambuco, 11 de agosto de 1910, quarta coluna).

1913 - Falecimento de sue irmão Francisco, que havia sido livreiro no Recife, proprietário da antiga casa Bolitreau, a Livraria Tondella, Cockles & Co, desde 1897, na rua do Imperador, 46 (Diário de Pernambuco, 13 de fevereiro de 1898, penúltima coluna; e Diário de Pernambuco, 19 de março de 1898, terceira coluna) e que ultimamente trabalhava como contador na Papelaria Brasil. Era pai de Marcionila e de Francisco Tondella Junior (Diário de Pernambuco, 21 de setembro de 1897, penúltima coluna; e Jornal Pequeno, 19 de novembro de 1913, última coluna)

1917 -Morte de sua sobrinha, Marcionila Tondella, filha de seu irmão e comerciante Francisco (já falecido), que também era pai do poeta Tondella Junior (Diário de Pernambuco, 20 de maio de 1917, segunda coluna).

1919 - Falecimento do compadre e cunhado de Tondella, Caetano Ferreira Ramos (? – 1919) (Jornal do Recife, 20 de abril de 1919, última coluna).

Morte de seu sobrinho, o poeta Francisco Tondella Junior, aos 28 anos, filho de seu irmão já falecido, Francisco (Diário de Pernambuco, 15 de junho de 1919, segunda coluna).

Foi publicado um anúncio do estabelecimento fotográfico de Tondella, na rua Antônio Carneiro, 403 (antiga Velha) no qual eram oferecidos retratos Mignon, Visita, Elisabeth, Gabinete, Boudoir, Salão, cartões postais, e fotos de edifícios, de grupos ao ar livre em papel platina ou brilhante, retratos em tamanho natural em preto ou em cor pelo novo sistema americano. Oferecia também uma grande coleção de vistas de Pernambuco. Além disso, consertava máquinas e obturadores e fazia revelação, impressão e retoque em chapas de amador. O mesmo anúncio foi publicado diversas vezes ao longo de 1919 e 1920.

 

 

Foi anunciado que o artista e fotógrafo Manoel Tondella estava diariamente, na rua Velha, 103, à disposição dos assinantes e dos anunciantes de La Revue de revues de l´Amerique du Sud, de Daniel Valenford & C sobre Recife (A Província (PE), 8 de fevereiro de 1920, segunda coluna; e Jornal do Recife, 17 de outubro de 1919, penúltima coluna).

1921 - Foi realizada uma missa fúnebre pela alma de Manoel Tondella, na Igreja de Santa Cruz (A Província (PE), 22 de fevereiro de 1921, primeira coluna).

1922 -Pela última vez foi anunciado o estabelecimento fotográfico de Tondella, na rua Antônio Carneiro, nº 137 (Almanak Laemmert, 1922).

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Camillo Vedani (18? – 1888)

Cronologia de Camillo Vedani (18? – 1888)

 

Década de 1850 – O fotógrafo italiano Camillo Vedani se estabeleceu no Rio de Janeiro.

1860 / 1865 – Durante esse período viveu em Salvador, capital da Bahia. Produziu belas vistas da cidade, além de ter trabalhado na Bahia and São Francisco Railway. Provavelmente esteve também em Alagoas e em Sergipe.

1869 – Na Bahia, realizou um trabalho de engenharia: o estabelecimento de uma linha telegráfica que faria a comunicação entre o Palácio da Presidência, o Comando das Armas e a Secretaria de Polícia. Pelo serviço, ganhou  575 réis (Relatório dos Trabalhos do Conselho interino do Governo, 1869).

Década de 1870 – Durante algum tempo, nos últimos anos dessa década, residiu em Campos (RJ), onde trabalhou como engenheiro desenhista na construção da ferrovia do Carangola, cuja pedra fundamental foi lançada em 14 de junho de 1875.

1875 – Em 11 de agosto, Camillo Vedani foi naturalizado brasileiro. Foi identificado como italiano, católico, casado e engenheiro (Diário do Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1875, na segunda coluna e Ministério do Império, 1876).

1876 - Notícia de que a esposa de Camillo, dona Antonieta Novelli Vedani, havia embarcado no Rio de Janeiro, em um vapor, com destino a Imbitiba, cidade perto de Campos (O Globo, 22 de maio de 1876, na quarta coluna).

1878 – Vedani participou de uma reunião na casa do sr. Francisco Portella, propagador do Café Liberia (O Monitor Campista, 29 de maio de 1878, na terceira coluna sob o título “Café da Libéria”).

Esclareceu não ser o autor de um pasquim insultando o sr. Biolchini, com quem era brigado (O Monitor Campista, 15 de dezembro de 1878, na terceira coluna sob o título “A pedido”).

A partir de 25 de dezembro, Vedani expôs um presépio de sua autoria, na rua Direita, nº 99, na cidade de Campos. Foi elogiado por sua inteligência e apresentado como engenheiro desenhista da estrada de ferro do Carangola. A renda dos ingressos para apreciar o presépio foi revertido para uma obra beneficente (O Monitor Campista, 28 de dezembro de 1878, na primeira coluna).

1879 - Camillo Vedani, como um dos engenheiros da estrada de ferro do Carangola, assinou uma manifestação em homenagem ao Sr. Julio Barbosa, diretor da construção da ferrovia, que havia sido exonerado da função (O Monitor Campista, 24 de outubro de 1879, na última coluna sob o título “A pedido”).

1880 – Ele e o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923) foram contratados foram contratados para documentar os trabalhos realizados na Estrada de Ferro Central do Brasil.

1882 –  Notícia da formação de uma comissão para estudos do traçado da ferrovia Madeira e Mamoré. Vedani era o desenhista do grupo, que partiria no dia 10 de janeiro de 1883 para efetuar o trabalho, sob a direção do engenheiro-chefe Carlos Morsing ( Revista de Engenharia, 1882).

1883 – Camillo Vedani foi cumprimentar, com os outros membros da comissão para estudos da ferrovia Madeira e Mamoré, suas majestades imperiais, na primeira semana de janeiro ( Gazeta de Notícias, 20 de janeiro de 1883, na quinta coluna).

Notícia com o histórico da construção da ferrovia Madeira e Mamoré (Jornal do Commercio, 9 de janeiro de 1883, na quarta coluna, sob o título “Gazetilha”).

Vedani e sua esposa embarcaram para o Pará no vapor Espírito Santo. Os demais membros da comissão para estudos da ferrovia Madeira e Mamoré também viajaram para o norte (Gazeta de Notícias, 10 de janeiro de 1883, na sexta coluna sob o título “Passageiros” e Jornal do Commercio, 9 de janeiro de 1883, na quarta e quinta colunas, sob a seção “Gazetilha” ).

1884 – Em Manaus, faleceu, em fevereiro, Antonieta Novelli  Vedani, esposa de Camillo, identificado como o desenhista da comissão de estudo do Madeira e Mamoré. Ela teve um ataque cerebral (Diário de Notícias, 16 de fevereiro de 1884, terceira coluna e Gazeta de Notícias, 4 de março de 1884, na segunda coluna).

Notícias de 10 de abril de 1884 sobre a comissão para estudos da ferrovia Madeira e Mamoré: dos 17 que embarcaram no Rio de Janeiro, só dois continuavam no Amazonas: Vedani e o chefe da comissão, o engenheiro Carlos Morsing. Os outros tiveram problemas de saúde (Brazil, 9 de maio de 1884, na terceira coluna).

De volta ao Rio de Janeiro, Vedani mostrou fotografias do Amazonas de sua autoria. Algumas eram de Manaus e da Cachoeira do Xingu (Folha Nova, 30 de abril de 1884, na quinta coluna).

Em reunião do Club de Engenharia, Vedani ofereceu 11 fotografias de sua autoria (Jornal do Commercio, 6 de dezembro de 1884, na terceira coluna, sob o título “Club de Engenharia”)

1888 -  Falecimento de Vedani (Gazeta de Notícias, 13 de maio de 1888, na última coluna). A notícia é que um amigo havia mandado celebrar uma missa pela alma do fotógrafo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925)

Cronologia de José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925)

 

barreira

José Baptista Barreira Vianna. Autorretrato, c. 1900. Rio de Janeiro, RJ / Acervo do IMS

 

1860 – Nascimento de José Baptista Barreiros, em Vianna do Castelo, em Portugal.

1875 - Chegou ao Brasil com seu irmão, José Lourenço. Ele se fixa no Rio de Janeiro e emprega-se no comércio. Seu irmão estabeleceu-se em São Paulo. Por ter nascido em Vianna do Castelo, José Baptista Barreiros foi chamado por seus amigos da colônia portuguesa de Vianna. Adotou o apelido como sobrenome e também mudou seu sobrenome de Barreiros por Barreira, passando a chamar-se José Baptista Barreira Vianna.

1884 - Casou-se com Laura Carlota Moreira (O Apóstolo, de 9 de março de 1884, na última coluna). Tiveram seis filhos: Maria Alice, João Jorge, Henriqueta, Rita, José e Lívia.

1887 - Solicitou um seguro de vida à empresa New York Life Insurance Company (Jornal do Commercio, de 10 de julho de 1887, na terceira coluna).

Década de 1890 – Durante essa década, a família Barreira Vianna residia na rua Santa Carolina, na Tijuca. José tinha como hobbies a marcenaria e a fotografia. Com um amigo fotógrafo, Sr. Mendes, produzia imagens com sua máquina, uma Eastman Kodak. Adquiriu um terreno do loteamento do Barão de Ipanema, na esquina das atuais Francisco Otaviano e Vieira Souto.

1891 - Tornou-se um dos membros do conselho fiscal do Banco Incorporador (Diário do Commerciode 15 de fevereiro de 1891, na sétima coluna e em anúncio de 16 de fevereiro).

Integrava a diretoria da Companhia Manufactora e Importadora de Calçado Brasil como tesoureiro (Gazeta de Notícias, de 21 de fevererio de 1891).

Firmou um contrato comercial de uma empresa de importação situada na rua General Câmara, número 72, em sociedade com Manoel Cândido de Azambuja, Francisco dos Santos Romano e Miguel de Magalhães Fonseca (Jornal do Commercio, de 14 de março de 1891, na terceira coluna, sob o título “Contratos Commerciaes”).

1894 -  Firmou um contrato de um comércio de armarinho com Manoel Cândido de Azambuja, Francisco dos Santos Romano e Miguel de Magalhães Fonseca (Jornal do Commercio, de 6 de junho de 1894, na sétima coluna).

Foi noticiado o aniversário de sua esposa, Laura Vianna (O Paiz, de 23 de setembro de 1894, na terceira coluna).

 

002054VIAN107

José Baptista Barreira Vianna. D. Laura, esposa de José Baptista Barreira Vianna, c. 1900. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS

 

1895 – Participou de um abaixo-assinado apoiando a medida da gerência da empresa New York Life Insurance Company em relação a um projeto de lei discutido na Câmara dos Deputados sobre companhias estrangeiras de seguro atuantes no Brasil (Cidade do Rio, de 21 de agosto de 1895, sob o título “Segurados da New York”, na segunda coluna).

1896 – Foi para a Europa com sua esposa e um filho, no paquete francês Brésil (Jornal do Brasil, de 16 de março de 1896, na terceira coluna).

Voltou para o Brasil, no paquete francês Chili (A Notícia, de 6 de setembro de 1896, na última coluna sob o título “Visita”).

Foi eleito um dos suplentes da Sociedade Portugueza de Beneficência (Liberdade, 23 de dezembro de 1896, sob o título “Sociedade Portugueza de Beneficencia, na quarta coluna).

1897 – A diretoria da Sociedade Portugueza de Beneficência tomou posse e Barreira Vianna foi um dos suplentes (Cidade do Rio, 29 de março de 1897, na sexta coluna).

Firmou um contrato com Francisco dos Santos Romano para o comércio de material de construção (O Paiz, de 25 de abril de 1897, na segunda coluna).

Integrou o grupo da colônia portuguesa que se organizou para oferecer um navio de guerra à Portugal como parte das comemorações do quarto centenário do descobrimento do caminho marítimo para as Índias (Jornal do Brasil, de 15 de novembro de 1897, na terceira coluna, sob o título “Grande subscripção patriotica portugueza“).

1899 – Já estava morando com a família na casa de Ipanema, cujo projeto e construção foram do arquiteto italiano Raphael Rebecchi (1844 – 1922). Foi a primeira casa da praia e uma das primeiras do bairro. Dos dois lados da casa, havia duas construções onde ficavam as dependências dos empregados, a lavanderia e uma oficina. São dessa época as fotografias que produziu das áreas internas e externas da residência. Embora a eletricidade não houvesse chegado à Ipanema, a casa possuía eletricidade produzida por um gerador movido por motor à explosão alimentado por acetileno.

1900 – Firmou um contrato com Viríssimo Barbosa de Souza, Luiz José Monteiro e José Antônio Teixeira Barroso para o comércio de sabão na Praia de São Cristóvão, números 5 e 7 (O Paiz, de 21 de agosto de 1900, na terceira coluna).

Em 29 de dezembro,  falecimento do pintor João Baptista Castagneto (1862 – 1900), de quem José Baptista Barreira Vianna era muito amigo. Também fazia parte de seu rol de amizades o pintor João Baptista da Costa (1865 – 1926), que era professor de pintura de seus filhos.

1900 a 1903 – Do moinho de vento, que pertencia à propriedade e puxava água do sub-solo para a lavagem externa da casa, Barreira Vianna produziu fotografias do Leme, de Copacabana, do Arpoador, de Ipanema, do Leblon, da Gávea e da Lagoa.

1902 – Foi um dos escolhidos pela Associação Comercial do Rio de Janeiro para compor uma comissão para discutir os problemas gerados pela multiplicidade de taxas cambiais (Jornal do Commercio Retrospecto Commercial, edição de 1902, na primeira coluna).

1906 – Foi um dos patronos da conferência que John R. Mott (1865 – 1955) proferiu na Associação dos Empregados do Commercio. Mott iria presidir, em São Paulo, a Convenção Nacional da Associação Cristã dos Moços, aberta em 19 de julho de 1906 (Gazeta de Notícias, de 19 de julho de 1906, na sétima coluna).

1909 – Firmou um contrato com Theophilo Rufino Bezerra de Menezes, Carlos Frederico Oberlaender e José Pinto de Almeida para o comércio de sal na rua da Gamboa, números 193 e 795 (O Paiz, de 7 de aogosto de 1909, na terceira coluna).

1925 – Foi noticiado o falecimento de Barreira Vianna, que na época morava na rua João Alfredo, número 31. Ele foi enterrado no Cemitério Francisco Xavier (O Paiz, 4 de julho de 1925, na sexta coluna). Foi anunciada sua missa de 30º dia (Jornal do Brasil, 2 de agosto de 1925, na quinta coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Cronologia de Valério Vieira (1862 – 1941)

Cronologia de Valério Vieira (1862 – 1941)

1862 - Em 16 de novembro, nascimento de Valério Octaviano Rodrigues Vieira, em Angra dos Reis, filho dos imigrantes portugueses Octaviano, fazendeiro de café, e Anna Rodrigues Vieira.

1869 / 1874 – Provavelmente, estudou na Escola do Convento do Carmo, em Angra dos Reis.

1875 – Transferiu-se para o Rio de Janeiro com seu único irmão, Luiz Delfino, vinte anos mais velho e médico na Corte Imperial. De acordo com o catálogo da mostra Memória Paulistana, realizada no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, em 1975, fez isso contra a vontade de seus pais.

1876 / 1884 – Provavelmente, frequentou nesse período a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, como aluno ouvinte.

Década de 1880 – Casou-se com Irene Maria Moura e trabalhou como assistente no estúdio do fotógrafo português José Ferreira Guimarães (1841 – 1924), profissional de muito prestígio, agraciado com o título de Fotógrafo da Casa Realem 13 de setembro de 1866.

1886 - Falecimento de sua esposa Irene Maria, no Rio de Janeiro. Foi enterrada no cemitério São João Batista. A ela, Valério dedicou, no ano seguinte, a composição La Irenita (Diário de Notícias, 27 de setembro de 1887, na segunda coluna).

1887 –  Valério mudou-se para Pindamonhangaba, onde abriu seu primeiro estúdio fotográfico, especializado em retratos.

A habanera La Irenita, composição de Valério, foi anunciada como uma das novidades musicais à venda na Casa Buschmann & Guimarães, no número 52, na rua do Ourives, atual rua Miguel Couto, no Rio de Janeiro (O Programma Avisador, 16 de outubro de 1887). O anúncio foi repetido diversas vezes ao longo do ano.

Pelos mesmos editores, foi publicada a polca Catita, de autoria de Valério (Jornal do Commercio, 27 de outubro de 1887, na penúltima coluna).

1889 – Casou-se em Taubaté com Carmen Augusta Vieira, em 16 de maio. O casal teve quatro filhos: José do Patrocínio (26/04/1891 – 12/07/1911), Maria Catarina (02/09/1892 – 1918), Roque (1893 – 03/1977) e Francisco (1900 – 1971).

O casal mudou-se para Ouro Preto, onde Valério montou a Photographia União, em sociedade com Riberi, na rua Bobadela, posteriormente rua Direita.

Fotografou a inauguração do início dos trabalhos do traçado final da ferrovia entre Ubatuba e Taubaté. Estavam presentes na cerimônia o concessionário da ferrovia, Francisco de Moura Escobar, e os senadores Leão Veloso (1828 – 1902) e Joaquim Floriano de Godoy (1826 – 1907), dentre outros (Gl´Italiani in San Paulo, 21/22 de março de 1889, na última coluna).

Década de 1890 – Valério fixou-se em São Paulo, onde formou uma representativa clientela e tornou-se popular entre os paulistanos. Frequentemente são identificados retratos de sua autoria em álbuns de famílias da cidade.

1890 – Os editores Buschmann & Guimarães enviaram para o periódico A Republica a polca tango Ai!Ai!, de autoria de Valério Vieira (A Republica, 24 de novembro de 1890, na última coluna).

1891 – Já era o único proprietário da Photographia União, em Ouro Preto.

Em 26 de abril, nascimento do primeiro filho do casal, José do Patrocínio, batizado em homenagem ao abolicionista de mesmo nome.

Por volta desse ano, tornou-se muito amigo do jornalista e artista francês Émile Rouéde (1848 – 1908), que viveu em Ouro Preto entre 1890 e 1894. Rouéde foi também amigo dos escritores e irmãos Aluísio (1857 – 1913) e Artur Azevedo (1865 -1908), de Coelho Netto (1864 – 1934), José do Patrocínio (1854 – 1905) e Olavo Bilac (1865 – 1918).

Anunciou que, após uma viagem a Caxambu e ao Rio de Janeiro, estava de volta ao seu estabelecimento fotográfico, a Photographia União (Jornal de Minas, 20 de abril de 1891).

Os editores Buschmann & Guimarães enviaram para o periódico O Vassourense a valsa Tuas Lágrimas, de autoria de Valério Vieira (O Vassourense, 1º de fevereiro de 1891, na última coluna).

Foi o autor do quadro com todos os membros do Congresso Mineiro (A Ordem, 11 de julho de 1891, na primeira coluna).

Seu pedido de exoneração do cargo de professor de desenho do Externato do Ginásio Mineiro foi concedido, em 1º de setembro (Minas Gerais, 2 de julho de 1892, na segunda coluna).

1892 – Em 2 de setembro, nascimento da única filha do casal, Maria Catarina (O Estado de São Paulo, 2 de setembro de 1910, página 7, na sétima coluna).

Em um dos artigos da série “Na terra do ouro”, a Photographia União foi citada como um dos estabelecimentos que atestavam o adiantamento da cidade de Ouro Preto, sendo dirigido com muita perícia e gosto pelo sr. Valério Vieira (O Paiz, 15 de janeiro de 1892, na terceira coluna).

Foi noticiado que ele se encontrava em São Paulo e que na casa Aguiar, na rua São Bento, estava exposto um grande quadro da cidade mineira de Caxambu de sua autoria. Mencionava-se que Valério gostaria de se fixar em São Paulo (Diário Popular, 24 de julho de 1892, página 2).

1893 – Nascimento de Roque, o terceiro filho do casal.

1894 Com a mudança de sua família, estabeleceu-se definitivamente em São Paulo.

1895 - No salão do periódico O Paiz, exposição de uma fotografia do ator baiano Xisto Bahia (1841 – 1894) em seu leito de morte, produzida por Valério Vieira, em Caxambu. O retrato foi oferecido ao jornalista e dramaturgo Artur de Azevedo (1855 – 1908) por Paulo da Fonseca (O Paiz, 16 de janeiro de 1895, na sexta coluna).

Valério fotografou a decoração do refeitório do Colégio de Ytu na ocasião da festa realizada em homenagem ao padroeiro do estabelecimento, São Luiz Gonzaga (Jornal do Brasil, 10 de julho de 1895, na terceira coluna).

Abertura de seu estúdio fotográfico na rua Quinze de Novembro, nº 19, em São Paulo. Essa data é baseada em uma notícia, reproduzida abaixo, publicada no O Estado de São Paulo, de 30 de outubro de 1909, na página 7, na sétima coluna, informando sobre a comemoração dos 14 anos do ateliê de Valério em São Paulo. Algumas fontes apontam 1892 ou 1893 como os anos de fundação do ateliê de Valério.

!4 anos do atelê de Valério em São Paulo / O Estado de São Paulo, 30 de outubro de 1909.

Notícia sobre a comemoração dos 14 anos do ateliê de Valério Vieira em São Paulo / O Estado de São Paulo, 30 de outubro de 1909.

1896 – Iniciou a sociedade com Aguiar, no estúdio Photographia Valério & Aguiar.

1897 – Foi publicado o seguinte anúncio na edição de janeiro de 1897, da revista A Música para todos:

“Photographia. – Valerio e Aguiar, na rua Quinze de Novembro, 19 – Casa de primeira ordem – Recomendamos esta casa pela elegância e solicitude dos trabalhos. Todos os artistas antes de irem em qualquer outro lugar, devem visitar o elegante atelier do simpático sr. Valério, que há poucos dias acabou o grande tableau alegórico do Veloce Club Olympico Paulista.”

Estavam em exposição na vitrine do escritório do jornal Correio Paulistano algumas fotografias da passagem do 1º Batalhão de Polícia pelas ruas de São Paulo e da missa campal que se realizou na Praça da República, produzidas pelos sócios Valério e Aguiar. O trabalho exposto se recomenda por sua nitidez e perfeição (Correio Paulistano, 30 de outubro de 1897, na quarta coluna).

1898 – Valério participou da inauguração do Hotel Internacional, em Santos (Correio Paulistano, 4 de outubro de 1898, na primeira coluna).

Em novembro de 1898, Valério & Aguiar expuseram no pavimento térreo do Banco União sete quadros executados por diferentes processos. Fora muito elogiados, principalmente os quadros da srta. Bulcão e a do sábio Vastecer e a matéria termina com a afirmação: já temos photographias em São Paulo (Correio Paulistano, 19 de novembro de 1898, na última coluna). A senhorita Bulcão era Isabel Bulcão, que havia vencido um concurso de beleza em São Paulo, realizado pela Revista do Brasil.

Foi noticiado o falecimento de Antonio Ribeiro Netto, concunhado do distinto fotógrafo Valério Vieira (Correio Paulistano, 1º de dezembro de 1898, na sexta coluna).

Durante um almoço no salão nobre da Rotisserie, oferecido aos oficiais do cruzador português Adamastor, Valério tocou ao piano sua valsa homônima e foi muito aplaudido (O Commercio de São Paulo, 8 de dezembro de 1898, na quarta coluna).

1899 – Provavelmente, a sociedade Valério & Aguiar terminou nesse ano como indica a nota sobre uma exposição na Charutaria Neumann de “um grande quadro com retratos dos membros da câmara dos deputados do Estado.”, obra que “muito recomenda a Photographia Valerio…” (Diário Popular, 05 de agosto de 1899, página 1). Alguns autores indicam 1900 como o ano do fim da sociedade.

Valério foi um dos participantes da reunião para deliberar sobre a realização de homenagens ao pintor José Ferraz de Almeida Júnior (1850 – 1899), no Club Internacional, em São Paulo. O pintor havia sido vítima de um crime passional (Cidade do Rio, 18 de novembro de 1899, na quinta coluna). Valério ofereceu-se para fotografar gratuitamente todos os quadros de Almeida Júnior (Jornal do Commercio, 21 de novembro de 1899, na segunda coluna ).

1900 – Nascimento de seu quarto filho, Raymundo Nonato.

Realizou um painel retratando os membros que formavam o senado no Congresso Paulista.

Valério estava na folha de pagamento da Secretaria do Interior de São Paulo (Lavoura e Commercio, 20 de março de 1900, na primeira coluna).

Expôs na rua Quinze de Novembro, nº 44, vários trabalhos de sua autoria, dentre eles um retrato da senhorita Edith Reis, belo trabalho de miniatura a ponto, pintado com lente, segundo o processo de Meissonier, fotografias aquareladas (fotocromia), entre as quais uma da senhorita Bulcão, vários retratos em tamanho natural pelo processo de platinotipia e bem assim variada coleção de retratos bebés, última novidade no gênero... (Correio Paulistano, 21 de março de 1900, na quarta coluna).

Foram enviadas pela Casa Levy & Irmão à redação do jornal O Estado de São Paulo as partituras das polcas Photographica e Paixão recolhida , ambas de Valério Vieira (O Estado de São Paulo, 5 de abril de 1900, página 2, na quinta coluna).

Em Rio Claro, no interior do estado de São Paulo, Valério fotografou um almoço oferecido pela Companhia Elétrica com a presença de políticos e autoridades da cidade (O Estado de São Paulo, 4 de junho de 1900, página 1, na sétima coluna).

Mostrou no salão do jornal O Paiz, no Rio de Janeiro, fotografias em relevo, que no dia seguinte poderiam ser vistas em exposição no Liceu de Artes e Ofícios. Eram fotografias pintadas a aquarela e diversos tipos de retratos (O Paiz, 26 de julho de 1900, na terceira coluna).

Fotografou a abertura da Galeria de Cristal, em São Paulo, inaugurada com uma exposição de seus trabalhos e com as presenças do governador de São Paulo, Rodrigues Alves (1848 – 1919), e de outras autoridades. A galeria, de Christiano Webendorf, ligava a rua Quinze de Novembro à Boa Vista (O Paiz, 15 de novembro de 1900, na quarta coluna e A Imprensa, 16 de novembro de 1900, na primeira coluna).

O seu estúdio, que passou a chamar-se Photographia Valério, continuava à rua Quinze de Novembro, nº 19. Oferecia  retratos convencionais, além de imagens coloridas com aquarela e pastel, ou ampliadas em materiais como espelho, porcelana e marfim. No número 28 da mesma rua, havia o ateliê de Guilherme Gaensly (1843 – 1928). O estabelecimento de Valério era um dos estúdios mais frequentados por artistas, políticos e intelectuais, dentre eles o deputado Rodolfo Miranda (1882 – 1954), o político Lins de Vasconcelos (1853 – 1916), o fotógrafo Militão Augusto de Azevedo (1837-1905) e o mecenas José Freitas do Valle (1870 – 1958) (Almanak Laemmert, 1901).

1901 – Em torno desse ano, realizou a fotomontagem “Os trinta Valérios”, inicialmente batizada de “Valerio Fregoli”. É também dessa época a fotomontagem Tribunal de Justiça de São Paulo, na qual foi retratado o conselheiro Duarte de Azevedo (1831 – 1912) discursando na tribuna. 

Nascimento de seu filho caçula, Francisco.

No atelier de Valério, exposição de um quadro de todos os senadores do estado de São Paulo (Commercio de São Paulo, 30 de junho de 1901, na segunda coluna).

Na Galeria Cristal, foi inaugurada uma exposição de trabalhos fotográficos do conceituado artista Valério Vieira, que ali expôs, além de alguns retratos à aquarela, que são primorosamente trabalhados, dois grandes quadros de admirável confecção artística – um com os retratos dos bacharelando em Direito de nossa Faculdade, e outro, do Senado Paulista (O Commercio de São Paulo, 13 de agosto de 1901, na quinta coluna).

Foi noticiado que João Berniles e A. Bueno, representantes da Photographia Valerio Vieira, haviam seguido para o interior (O Commercio de São Paulo, 21 de setembro de 1901, na quarta coluna).

Fotografou a conclusão das obras na Estação da Luz e exibiu a imagem na porta de seu estúdio fato que, segundo Boris Kossoy, gerou uma confusão matrimonial : …Um senhor que por ali passava, ao examinar a fotografia reconheceu sua esposa presente à inauguração de mãos dadas com um estranho. Pode se prever o que se seguiu, procura de satisfações e grande pancadaria… (Artigo de Boris Kossoy publicado no O Estado de São Paulo, 4 de março de 1973, na página 5 do “Suplemento Literário”)

Conforme descrito por Antônio Francisco Bandeira Junior no livro A Indústria de São Paulo em 1901, páginas 116 e 117, Valério havia inventado o Degradador Valério: um pequeno aparelho que se adapta em qualquer máquina, sendo sua principal qualidade abreviar 8 procedimentos dando maior realce à fotografia, saindo a chapa da máquina quase concluída. Esse invento trouxe um grande aperfeiçoamento à arte da fotografia.

1902 – Valério era aguardado na Pensão Mineira, em Caxambu (Gazeta de Notícias, 7 de março de 1902, na penúltima coluna).

Na notícia da reabertura do estabelecimento de Valério, na rua Quinze de Novembro, em 8 de março, há uma longa descrição dos trabalhos expostos e menções às obras Fé, esperança e caridade e Os trinta Valérios, sob o nome de Valério Fregoli – possivelmente uma referência ao ator italiano Leopoldo Fregoli (1867 – 1936), que representava diferentes papéis numa mesma encenação com rápida troca de caracterização. Na ocasião, estavas expostas esplêndidos processos como sejam a l´Art Noveau, fototipia, aquarelas, pastel, óleo, carvão, miniaturas, alto relevo e geminatura, novidade em São Paulo, isto é: gravação de retratos sobre cristal de espelho (O Commercio de São Paulo, 9 de março de 1902, na sétima coluna).

Valério anunciou que estava estudando um novo processo de fotografia sobre porcelana e que tinha a intenção de fazer uma exposição com os frutos desses estudos e também com o Álbum de fotografias, de paisagens, marinhas, panoramas e curiosidades artísticas do estado de São Paulo, que estava em execução (O Commercio de São Paulo, 11 de setembro de 1902, na quinta coluna).

O sr. Valério Vieira, proprietário da Photographia Artística exibiu na redação de O Estado de São Paulo retratos produzidos por grapho photo, processo inteiramente novo, que o hábil artista conseguiu aplicar a photographia, de modo a dar-lhe um aspecto lindíssimo (O Estado de São Paulo, 4 de novembro de 1902, página 2, na quinta coluna).

Valério comemorou seu aniversário com um reunião em sua residência (O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 1902, página 3, na quinta coluna).

Uma comissão de redatoras do periódico Educação escolheu as mais interessantes fotografias tiradas de crianças entre 1 e 7 anos durante o ano de 1902 dos seguintes estúdios fotográficos do centro de São Paulo: o de Valério, o de José Vollsack, o de Rodolfo Neuhaus, o de Giovanni Sarracino e o Quaas & Cia (O Commercio de São Paulo, 22 de dezembro de 1902, na segunda coluna).

1903 – Foi noticiada a intenção de Valério de mandar construir uma câmara de 1 metro e 50 centímetros por 80 centímetros, a primeira que nessas condições se tem até hoje fabricado. Com ela pretendia fotografar vistas do Brasil para apresentá-las no exterior (Correio Paulistano, 5 de maio de 1903, na última coluna).

Anunciou ter regressado da Europa, tendo trazido novos aparelhos e materiais. Anunciou também uma liquidação em seu estabelecimento (O Commercio de São Paulo, 6 de outubro de 1903, na quarta coluna). Seu retorno foi registrado com uma charge na revista Vida Paulista, de 10 de outubro de 1903.

 

 

Valério foi um dos subscritos para participar da exposição preparatória de Saint Louis (Correio Paulistano, 29 de outubro de 1903, na sexta coluna).

Distribuiu um cartão de Boas Festas para seus clientes, onde seu rosto aparecia no lugar das flores em um buquê.

  

1904 – Notícia sobre a Exposição Universal de Saint Louis, nos Estados Unidos (O Commercio de São Paulo, 21 de janeiro de 1904, na primeira coluna). Com sua obra mais conhecida, Os trinta Valérios, ganhou a medalha de prata. Na mesma exposição, o pintor Eliseu Visconti (1866 – 1944) ganhou a medalha de ouro na Seção de Arte – Pintura e Desenho (Almanak Laemmert, 1905).

Nas vitrines do Mundo Elegante, exposição de duas fotografias de autoria de Valério Vieira, uma do deputado Eugenio Egas (1863 – 1956) e outra do coronel Argemiro Sampaio. As fotografias seriam posteriormente colocadas na sala da música da banda da força policial de São Paulo (O Estado de São Paulo, 3 de março de 1904, página 2, na quarta coluna).

Era anunciada a venda da partitura do cakewalk Capoeiraem elegante edição, composição de Valério, na Casa di Franco, em São Paulo (Correio Paulistano, 3 de dezembro de 1904, na primeira coluna).

No artigo “A Fotografia em São Paulo”, o jornalista Múcio Teixeira (1857 -1926) elogiou a obra de Valério:

“…Esse moço é uma das mais completas organizações artísticas da atualidade; apto para os mais arrojados cometimentos, de uma coragem heróica, de uma tenacidade japonesa, não trepida em sacrificar os haveres e a própria saúde numa elaboração perseverante e prolongada, no intuito exclusivo de desbravar caminhos por outros não trilhado…”(Correio Paulistano, 18 de dezembro de 1904, na segunda coluna).

1905 – Na edição de 8 de janeiro do Correio Paulistano foi publicado um clichê tirado de uma fotografia do conselheiro Antônio da Silva Prado (1840 – 1929), de autoria de Valério (Correio Paulistano, 9 de janeiro de 1905, na primeira coluna).

A colônia síria de São Paulo ofereceu ao prefeito de São Paulo, conselheiro Antônio da Silva Prado (1840 – 1929), um retrato a óleo pintado por Valério Vieira (O Paiz, 9 de janeiro de 1905, na quarta coluna). Dias depois, Valério foi um dos convidados do baile em homenagem ao prefeito (O Commercio de São Paulo, 15 de janeiro de 1905, na quarta coluna).

Valério foi um dos retratados na edição comemorativa do primeiro aniversário da Folha Nova (A Republica, 18 de janeiro de 1905, na última coluna).

Em São Paulo, era discutida a fundação de uma nova revista sob a direção artística de Valério Vieira e direção literária de Múcio Teixeira (1857 -1926) (O Pharol, 19 de janeiro de 1905, na terceira coluna).

atelier dos fotógrafo Guilherme Gaensly (1843 – 1928) era vizinho do de Valério. Ficava na rua Quinze de Novembro, nº 28 (Correio Paulistano, 4 de fevereiro de 1905, na sétima coluna).

No Teatro Sant´Anna, como parte das homenagens ao trigésimo dia de morte de José do Patrocínio (1853 – 1905), foi exposta uma alegoria do abolicionista, de autoria do artista fotógrafo Valério Vieira (O Commercio de São Paulo, 25 de fevereiro de 1905, na quarta coluna). O filho primogênito de Valério chamava-se José do Patrocínio em homenagem ao abolicionista.

A fotomontagem Tribunal de Justiça de São Paulo, na qual foi retratado o conselheiro Duarte de Azevedo (1831 – 1912) discursando na tribuna, foi publicada na segunda edição de 1905 do periódico Archivo Illustrado e seus integrantes foram nomeados.

Em um dos intervalos do vaudeville O Lambe Feras, em cartaz no Teatro Polytheama, era executada a valsa Aeronave, de autoria de Valério (O Commercio de São Paulo, 29 de março de 1905).

Foi anunciado na “Crônica social” o aniversário de José do Patrocínio, primogênito de Valério (Correio Paulistano, 26 de abril de 1905, na última coluna).

A fotografia do Panorama de São Paulo foi tirada em 1º de julho em um esplêndido dia de sol a 1 hora da tarde, a partir do Santuário do Sagrado Coração de Jesus. Foram cinco chapas perfeitas (O Commercio de São Paulo, 19 de novembro de 1905).

Requereu à Câmara Municipal de São Paulo uma ajuda de seis contos de réis para a conclusão do grande painel fotográfico que estava realizando da cidade de São Paulo (O Pharol, 5 de agosto de 1905, na primeira coluna).

Valério foi nomeado um dos peritos em um caso de investigação de falsificação de dinheiro no bairro de Perdizes, em São Paulo (Jornal do Commercio, 12 de novembro de 1905, na segunda coluna).

Em entrevista, Valério Vieira explicou a realização do Grande Panorama de São Paulo, anunciada como a maior fotografia do mundo, com 11 x 1.43 metros, batendo o recorde anterior que pertenceria a um registro de um fotógrafo alemão. Este sucesso extraordinário, este notável acontecimento na arte fotográfica deve 0 São Paulo aos esforços, à perícia, à coragem e ao apaixonado sentimento artístico de um distinto conterrâneo nosso, o exímio fotógrafo sr. Valério Vieira (O Commercio de São Paulo, 19 de novembro de 1905).

Lauro Müller (1863 – 1926), ministro da Indústria, em visita a São Paulo, foi ver o panorama da cidade que estava sendo executado por Valério (Correio Paulistano, 30 de novembro de 1905, na segunda coluna).

Um leitor rebateu a informação de que o Panorama de São Paulo fosse a maior fotografia do mundo. Segundo ele, havia sido apresentado na Exposição de Saint Louis um registro do Panorama da Baía de Nápoles, produzida pela Companhia Fotográfica de Hamburgo, com 12 metros por 1 metro e 50 (O Commercio de São Paulo, 14 de dezembro de 1905, na última coluna).

Valério promoveu uma exposição individual no Salão Progredior, de propriedade do conde de Prates (1860 – 1928), e o mais elegante da belle époque paulistana. A inauguração contou com cerca de quatro mil visitantes e foi um grande acontecimento social e cultural. Os convidados recebiam, ao chegar, o catálogo da exposição, um exemplar do cakewalk Capoeira, composição de Valério, e cartões postais com os retratos do governador e dos secretários do estado de São Paulo. Entre 10 de dezembro e 06 de janeiro, foram expostos 54 trabalhos, dentre eles o Panorama da Fazenda Santa Gertrudes, em Rio Claro, propriedade do conde de Prates,  Os trinta ValériosJosé do PatrocínioPalácio do Governo e a primeira versão do Panorama de São Paulo, com cerca de de 11 metros de comprimento por 2 metros de largura, o clou da exposição. A exposição deste panorama foi autorizado pela prefeitura de São Paulo (Correio Paulistano, 8 de dezembro de 1905, na quinta coluna). A imagem havia sido realizada em maio de 1905,  tomada da torre da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no bairro dos Campos Elíseos, e cobria um amplo arco indo do Bom Retiro, a leste, até Higienópolis, a oeste (Correio Paulistano, 11 de dezembro de 1905, na última coluna).

Exposição do 'Panorama nº 1' de Valério Vieira no Salão Progredior, em São Paulo, no ano de 1905 (Foto: Reprodução/Revista Santa Cruz, VI (4), São Paulo, 1906)

Exposição do ‘Panorama nº 1 de Valério Vieira no Salão Progredior, em São Paulo, 1905 / Reprodução de fotografia publicada na edição de janeiro de 1906 da Revista Santa Cruz

Foi noticiado que Valério estava planejando a execução de um panorama do Rio de Janeiro nos moldes do que realizou de São Paulo (Jornal do Brasil, 20 de dezembro de 1905, sétima coluna).

Foi noticiado que iria figurar na próxima exposição de Milão de 1906 um panorama de São Paulo, a maior cópia fotográfica que se tem feito no mundo. Para a realização da obra, seu autor, Valério Vieira, pediu à prefeitura de São Paulo uma ajuda financeira (A Federação, 23 de dezembro de 1905, na quinta coluna)

O ministro do Interior e da Justica, J.J. Seabra (1855 – 1942), e outras autoridades visitaram a exposição de Valério no Salão Progredior (O Commercio de São Paulo, 27 de dezembro de 1905, na quarta coluna). No dia seguinte o governador de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928), visitou a exposição (Gazeta de Notícias, 28 de dezembro de 1905, na terceira coluna).

1906 – A edição de janeiro da revista Santa Cruz trazia um extenso artigo, assinado por Vera-Cruz, sobre a exposição no Salão Progredior. Relacionava as obras e as técnicas empregadas, além de trazer, segundo Ricardo Mendes, o mais antigo registro visual conhecido de uma exposição fotográfica em São Paulo.

Fotógrafo não identificado. Exposição  de Valério Vieira no Salão Progredior, 1905. São Paulo, SP /

Fotógrafo não identificado. Exposição de Valério Vieira no Salão Progredior, 1905. São Paulo, SP / Reprodução de fotografia publicada na edição de janeiro de 1906 da Revista Santa Cruz

 

O sucesso da exposição do Salão Progredior foi tão grande que foi prorrogada até dia 6 de janeiro (Correio Paulistano, 1º de janeiro de 1906, na quarta coluna). Foi anunciado que o conde de Prates havia feito um bom donativo para que o artista realizasse outras mostras (O Commercio de São Paulo, 6 de janeiro de 1906). Na mesma data, o Correio Paulistano publicou a matéria “O Panorama e o Valério”, de autoria de Hilário Freire, que o classificou como uma poderosa síntese fotográfica de quase todo São Paulo.

Foi noticiada a exposição, no Rio de Janeiro, de um grande panorama fotográfico de São Paulo feito pelo sr. Valério Vieira por encomenda do governo daquele estado para figurar na próxima exposição de Milão (Jornal do Commercio, 13 de fevereiro de 1906, na oitava coluna).

No Rio de Janeiro, Valério convidou o ministro do Interior e da Justica, J.J. Seabra (1855 – 1942), para ir à inauguração da exposição do Panorama de São Paulo na Avenida Central, nº 133 (A Notícia, 16 de fevereiro de 1906, na terceira coluna). Foi noticiada a inauguração da exposição: alguns dos trabalhos era feitos por processos inventados por ele, ainda não conhecidos. Apesar da chuva, muitas pessoas compareceram ao evento, inclusive um representante do presidente da República, o capitão-tenente César de Mello. Dentre os 57 quadros expostos estavam o Panorama de São Paulo e Os trinta Valérios. Esse último, segundo a reportagem, já havia sido reproduzido em vários jornais da Inglaterra. Encontravam-se também expostos quadros do presidente da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848 – 1919), e do governador de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928) (Jornal do Commercio, 18 de fevereiro de 1906, na última coluna). O presidente da República visitou a exposição ( Correio Paulistano, 25 de fevereiro de 1906, na quarta coluna).

Retornou a São Paulo em 29 de março, tendo quase concluído o contrato para a organização do grande panorama do Rio de Janeiro (Correio Paulistano, 30 de março de 1906, na segunda coluna).

Panorama de São Paulo embarcou para a Europa (Correio Paulistano, 1º de abril de 1906, na sexta coluna).

Valério visitou o sr. Carlos Botelho (1855 – 1942), secretário de Agricultura de São Paulo, para quem mostrou diversas fotografias de fazendas e de estabelecimentos públicos. Anunciou sua breve partida para uma viagem pela Europa (O Commercio de São Paulo, 10 de abril de 1906, na terceira coluna). Na mesma ocasião, apresentou o processo fotográfico a gelo-albuminite de platina que dá a reprodução exata da chapa, conservando com fidelidade absoluta todos os traços fisionômicos da pessoa fotografada (Correio Paulistano, 10 de abril de 1906, na última coluna).

Participou da Exposição Universal de 1906, também conhecida como Exposição Internacional del Sempione, em Milão, realizada entre 28 de abril a 31 de outubro de 1906.

O Cardeal Arcoverde (1850 – 1930) celebrou uma missa na capela do Paço Episcopal de São Paulo, seguida de uma recepção. Em um ateliê improvisado, representando o fundo da vista o interior de uma das dependências do Vaticano, Valério Vieira fotografou o religioso (O Estado de São Paulo, 29 de junho de 1906, página 3, na terceira coluna).

Valério participou da cerimônia de formatura da turma de Engenharia da Escola Politécnica de São Paulo (Correio Paulistano, 30 de junho de 1906, na terceira coluna).

Acompanhou o primeiro cardeal da América Latina, o Cardeal Arcoverde (1850 – 1930), em  Itu, onde se realizavam festejos em torno do religioso (Correio Paulistano, 1º de julho de 1906, na última coluna).

Foi inaugurado, no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, um retrato em tamanho natural do governador de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928), de autoria de Valério (Correio Paulistano, 23 de julho de 1906, na penúltima coluna).

Valério fotografou em seu ateliê o presidente da República eleito, Afonso Pena (1847 – 1909) (Correio Paulistano, 2 de agosto de 1906, na última coluna).

Foi noticiado que Valério publicaria em breve o Cicerone Paulista, pequeno guia da capital, que seria editado em uma gráfica alemã (Correio Paulistano, 24 de agosto de 1906, na primeira coluna).

O diplomata Joaquim Nabuco (1849 – 1910), em visita a São Paulo, foi fotografado no ateliê de Valério (Correio Paulistano, 18 de setembro de 1906, na quarta coluna).

Na Casa Bonilha, na rua Quinze de Novembro, exposição de um quadro de Valério Vieira que havia conquistado o primeiro lugar no último garden party realizado no Jardim da Luz. O quadro representava o menino Nonô, filho do sr. Francisco de Castro Júnior (Correio Paulistano, 24 de setembro de 1906, na quinta coluna).

Foi realizada no estúdio de Valério a exposição individual do artista plástico José Joaquim Monteiro França(1876 – 1944) (Correio Paulistano, 24 de novembro de 1906, na sexta coluna).

Exposição na Câmara de Deputados de São Paulo de uma fotografia de autoria de Valério Vieira retratando os deputados da legislatura corrente (O Commercio de São Paulo, 16 de dezembro de 1906, na segunda coluna).

Valério dedicou a composição Valériopolka à imprensa paulista.

No livro Il Brasil e gli Italiani, publicado pelo jornal Fanfulla, em 1906, no segmento Arti e Artistici, metade do espaço foi dedicado à obra de Valério. O Fanfulla, fundado em 1893, era um famoso periódico de imigrantes italianos de São Paulo.

Il Brasil e gli Italiani, 1906.

1907 - No Salão Progredior, foi inaugurado um gabinete para a exposição permanente da obra de Valério (Correio Paulistano, 5 de maio de 1907, na última coluna).

O tenente La Brousse, da missão francesa, foi levado pelo oficial de gabinete da Secretaria de Justiça e Segurança de São Paulo, Sebastião Pereira Sobrinho, ao atelier de Valério Vieira que, sob a supervisão do tenente, fotografou um cabo do 1º  Batalhão para ilustrar e dar um caráter mais prático às instruções aos soldados da Força Pública (O Commercio de São Paulo, 7 de junho de 1907, na primeira coluna).

Valério expôs no Salão Progredior um retrato do poeta Olavo Bilac (1865 – 1918), de grande tamanho que muito justamente prendeu a atenção do público (Correio Paulistano, 31 de julho de 1907, na segunda coluna).

Foi noticiado que o quadro da turma dos bacharelandos em Ciências e Letras do Ginásio Paulista seria realizado por Valério Vieira (Correio Paulistano, 20 de agosto de 1907, na última coluna).

Os participantes do Sexto Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia foram fotografados por Valério, na Escola Normal (O Commercio de São Paulo, 7 de setembro de 1907, na quarta coluna). Doutorandos de 1885, que participavam do congresso, também foram fotografados por ele (Correio Paulistano, 14 de setembro de 1907, na quarta coluna). Os congressistas membros da seção de Farmacologia, ofereceram, no Parque Antártica, uma recepção a seu presidente, o farmacêutico Vicente Werneck, e Valério fotografou o evento (O Estado de São Paulo, 14 de setembro de 1907, página 1, na última coluna). Foi publicada na primeira página do Correio Paulistano de 15 de setembro de 1907 uma fotografia de autoria de Valério de participantes do congresso médico.

Valério Vieira foi um dos vários que foram ver o vulto imponente do Barão do Rio Branco (1845 – 1912), que estava visitando São Paulo (Correio Paulistano, 5 de outubro de 1907, na quarta coluna).

Valério Vieira assistiu a um concerto de violino de Celina Branco, realizado no salão do jornal Correio Paulistano (Correio Paulistano, 7 de novembro de 1907, na primeira coluna).

O aniversário de Valério foi registrado na coluna “Crônica Social”, do Correio Paulistano de 16 de novembro de 1907.

Valério Vieira estava na folha de pagamentos da Secretaria da Fazenda (O Commercio de São Paulo, 28 de novembro de 1907, na primeira coluna).

1908 – Valério foi o idealizador do quadro que seria executado por Oscar Pereira da Silva (1867 – 1939) simbolizando o estado de São Paulo recebendo Portugal, que seria ofertado pela colônia portuguesa paulista ao rei de Portugal, dom Carlos (1863 – 1908), durante sua visita a São Paulo (A Notícia (PR), 21 de janeiro de 1908, na quarta coluna). A viagem não se realizou devido ao assassinato do monarca.

Foi inaugurado no atelier de Valério um novo salão de exposições. O anfitrião recebeu os convidados com uma composição musical de sua lavra e um copo de cerveja (O Commercio de São Paulo, 23 de fevereiro de 1908, na terceira coluna).

Participou da solenidade promovida pelo Centro de Ciências e Artes de Campinas em homenagem ao cinquentenário da fundação da imprensa campinense (O Commercio de São Paulo, 7 de abril de 1908, na segunda coluna).

No Salão Steinway, foi realizada a quarta audição orquestral da escola de violino do professor Giulio Bastiani, italiano que havia se estabelecido em São Paulo por volta de 1882. Uma composição de Valério Vieira fazia parte do programa (O Commercio de São Paulo, 9 de abril de 1908, na quinta coluna).

Valério estava na folha de pagamentos da Secretaria de Agricultura de São Paulo pelo fornecimento de fotografias para a Exposição preparatória da Exposição Nacional em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos, realizada no Rio de Janeiro (O Commercio de São Paulo, 21 de junho de 1908, na quarta coluna).

Foi noticiada a participação de Valério com seu Panorama de São Paulo na Exposição Nacional do Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 26 de julho de 1906, na sexta coluna).

Apresentou na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, realizada entre 11 de agosto e 15 de novembro de 1908, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos, o Panorama de São Paulo, que mereceu grande atenção do público e da crítica.

Antonio de Barros Barreto, presidente da comissão executiva do estado de São Paulo na Exposição Nacional recepcionou o ministro da Indústria, Miguel Calmon du Pin e Almeida (1879 – 1935), o secretário de Fazenda de São Paulo, Olavo Egydio (1862 – 1928), outras autoridades e jornalistas em uma visita às seções do estado de São Paulo na exposição. Na ocasião, Valério ofereceu aos visitantes vários quadros fotográficos (Jornal do Commercio Jornal do Brasil, 3 de setembro de 1908, Correio Paulistano, 4 de setembro de 1908, na quinta coluna). O adido da legação argentina no Rio de Janeiro, Ricardo Sollá, visitou a seção paulista da exposição e considerou os trabalhos fotográficos de Valério esplêndidos (A Imprensa, 6 de setembro de 1908, na quinta coluna).

Publicação de uma excelente crítica sobre os trabalhos de Valério Vieira exibidos na Exposição Nacional (O Subúrbio, 3 de outubro de 1908, na última coluna).

Valério obteve o Grande Prêmio do Grupo de Fotografia do estado de São Paulo (Almanak Laemmert, 1909, e O Commercio de São Paulo, 23 de novembro de 1908, na terceira coluna). Foi publicada lista dos premiados do estado de São Paulo. Na categoria Arte Fotográfica, além de Valério, foi premiado o italiano Giovanni Sarracino que apresentou retratos de Manuel Joaquim de Albuquerque Lins (1852 – 1926), Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928), Washington Luís (1869 – 1957) e Olavo Egydio (1862 – 1928), Carlos Botelho (1855 – 1942) e Siqueira Campos (1898 – 1930), entre outros (Correio Paulistano, 24 de novembro de 1908, na sexta coluna).

Diogo José da Silva, a Companhia Clark, Isidoro Nardelli, Dallo & Filhos, Marino del Favero, Francisco Pitoresi e Valério, todos expositores paulistas da Exposição Nacional de 1908, convidavam para uma reunião para deliberações sobre a recepção a Barros Barreto e para a comissão executiva do estado de São Paulo na Exposição Nacional de 1908.  A reunião aconteceu no ateliê de Valério, que foi um dos secretários da assembleia (O Estado de São Paulo, 20 de dezembro de 1908, página 12, na quarta coluna, e Correio Paulistano, 27 de dezembro de 1908, na quarta coluna). A contribuição dos expositores para a compra de um presente e para a realização da recepção deveria ser entregue no ateliê de Valério, na rua Quinze de Novembro, nº 19, sede da comissão formada para organizar os festejos (O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 1909, página 5, na última coluna).

1909 – Valério ofereceu ao secretário da Agricultura, Cândido Rodrigues (1850 – 1934), um quadro representando o pavilhão de São Paulo, na Exposição nacional de 1908 (O Estado de São Paulo, 8 de janeiro de 1909, página 1, na quinta coluna).

Foi enviado à diretoria do Povoamento do Solo um requerimento de Valério Vieira solicitando o envio de algumas fotografias de seu atelier para a Europa a título de propaganda. Elas haviam feito parte da Exposição Nacional (O Paiz, 24 de janeiro de 1909, na terceira coluna).

Foi noticiado que Valério iria contratar com a União o fornecimento de colossais panoramas de vistas de várias cidades do Brasil destinados à propaganda no estrangeiro (Jornal do Brasil, 5 de fevereiro de 1909, na quinta coluna e Gazeta de Notícias, 5 de fevereiro de 1909, na última coluna).

Iria encontrar-se com o ministro da Indústria, Miguel Calmon du Pin e Almeida (1879 – 1935), no Hotel dos Estrangeiros (O Século, 16 de fevereiro de 1909, na quarta coluna). Valério Vieira propôs ao então Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, Miguel Calmon (1879 – 1935), a quem visitou no Rio de Janeiro, uma plano para a exposição de panoramas do Brasil na Europa (O Século, 17 de fevereiro, na quarta coluna, e O Commercio de São Paulo, 17 de fevereiro de 1909, na segunda coluna).

Valério foi uma das dezenas de pessoas que foi a gare do Norte, em São Paulo, para recepcionar Antonio de Barros Barreto, presidente da comissão executiva do estado de São Paulo na Exposição Nacional, e seus auxiliares (O Commercio de São Paulo, 8 de fevereiro de 1909, na segunda coluna).

Valério levou ao escritório do ministro da Indústria, Miguel Calmon du Pin Almeida (1879 – 1935), várias ampliações de fotografias, medindo 3 metros de comprimento por 1 de largura, dentre elas da Avenida Beira- Mar e do Pavilhão da Bahia na Exposição Nacional (Jornal do Commercio, 18 de fevereiro de 1909, na sexta coluna e O Paiz, 18 de fevereiro de 1909, na terceira coluna).

Valério foi o fotógrafo oficial da visita do presidente da República, Afonso Penna (1847 – 1909), a São Paulo (Correio Paulistano, 1º de abril de 1909, e Jornal do Commercio, 2 de abril de 1909, na sexta coluna).

Estava no Rio de Janeiro, hospedado no Hotel Avenida (Correio da Manhã, 14 de junho de 1909, na quinta coluna).

Valério foi um dos convidados para participar da viagem de trem do presidente da República, Afonso Penna (1847 – 1909), ao Paraná (Gazeta de Notícias, 9 de maio de 1909, na quarta coluna).

Foi inaugurada uma exposição para comemorar os 14 anos do atelier de Valério (O Commercio de São Paulo, 30 de outubro de 1909, na terceira coluna).

Foi noticiado que Valério fotografaria Rui Barbosa (1849 – 1923) e sua comitiva (O Século, 14 de dezembro de 1909, na primeira coluna). O fotógrafo anunciou que colocaria na frente de seu estabelecimento a fotografia do jurista medindo dois metros e cinquenta centímetros (O Commercio de São Paulo, 14 de dezembro de 1909, na terceira coluna).

Foi noticiado que Valério havia enviado ao Correio Paulistano um criativo cartão de Boas Festas: estampando a pauta musical onde, à guisa de notas, se vêem os retratos do talentoso artista e dos membros de sua exma família (Correio Paulistano, 3 de janeiro de 1910, na quarta coluna).

1910 – No Rio de Janeiro, Valério visitou o ministro da Agricultura, Rodolfo Nogueira da Rocha Miranda (1862 – 1943). Estava hospedado no Hotel Avenida (A Imprensa, 11 de janeiro de 1910, na penúltima coluna e Gazeta de Notícias, 11 de janeiro de 1910, na terceira coluna). Foi contratado, meses depois, por Rocha Miranda para confeccionar seis grandes panoramas da cidade do Rio de Janeiro e um grande número de cartões postais de várias cidades do Brasil para figurarem nas exposições de Turim e Roma (A Republica, 1º de julho de 1910, na quarta coluna).

Como parte das comemorações do centenário de morte do poeta português Alexandre Herculano (1810 – 1877), foram expostos na Casa Garraux, em São Paulo, retratos do homenageado, primoroso trabalho de Valério Vieira. Seu ateliê era um dos locais onde foram distribuídos os convites para a aula magna em homenagem a Alexandre Herculano, realizada na Faculdade de Direito de São Paulo (Correio Paulistano, 23 de abril de 1909, na segunda coluna, e A Imprensa, 29 de abril de 1910, na quinta coluna). Retratos do homenageado, de autoria de Valério, foram distribuídos na faculdade (Correio Paulistano, 27 de abril de 1910, na quinta coluna). 

Valério chegou ao Rio de Janeiro para permanecer alguns dias e foi saudado pelo jornal A Imprensa como …uma figura finamente cavalheiresca e o mais completo feitor da arte fotográfica em todo o Brasil…  (A Imprensa, 21 de junho de 1910, na última coluna)

A Secretaria de Agricultura de São Paulo comunicou a aceitação da proposta de Valério para a confecção de um panorama de São Paulo para a Exposição Internacional de Roma e recusando a proposta de realização de cartões-postais e pequenos álbuns com o mesmo fim (Correio Paulistano, 22 de julho de 1910, na primeira coluna).

Quando soube da visita do rei de Portugal, dom Carlos (1863 – 1908), ao Brasil, Valério fez um croquis de sua chegada no Rio de Janeiro e por isso recebeu o título de Comendador de Portugal. A visita não aconteceu porque o rei foi assassinado em 1º de fevereiro de 1908 (Artigo de Boris Kossoy publicado no O Estado de São Paulo, 4 de março de 1973, na página 5 do “Suplemento Literário”)Valério ofertou ao rei de Portugal, dom Manuel (1889 – 1932), o croquis da aquarela que deveria ter sido executada na ocasião da visita do rei dom Carlos ao Brasil, algumas fotografias e uma composição, a valsa “Adamastor”, de sua autoria. Recebeu uma carta de agradecimento do camareiro do rei, o conde de São Lourenço (Jornal de Recife, 19 de agosto de 1910, na quarta coluna). 

Durante o Segundo Congresso Brasileiro de Geografia, o Centro Acadêmico Onze de Agosto, da Faculdade de Direito de São Paulo, ofereceu ao professor José Lobo D´Ávila Lima (1885 – 1957?), da Universidade de Coimbra, uma fotografia de autoria de Valério, retratando a diretoria da agremiação (Correio Paulistano, 17 de setembro de 1910, na sexta coluna).

Valério fotografou os bispos que participaram da Conferência do Episcopado Sul-Americano para realizar um quadro artístico comemorativo do evento, realizado em São Paulo (O Estado de São Paulo, 8 de outubro de 1910, página 6, na segunda coluna).

Valério comunicou ao ministro da Agricultura, Pedro Manuel de Toledo (1860 – 1935), que o panorama do Rio de Janeiro, que seria exibido na Exposição Internacional de Turim, já estava pronto (O Estado de São Paulo, 14 de dezembro de 1910, página 2, sétima coluna).

1911 - Foi noticiado que Valério havia entregue ao ministro da Agricultura, Pedro Manuel de Toledo (1860 – 1935) o panorama do Rio de Janeiro que seria apresentado na Exposição Internacional de Turim. O panorama seria exposto nos salões do Museu Comercial antes de embarcar para a Itália (O Século, 27 de janeiro de 1911, na sexta coluna).

Valério esteve no Rio de Janeiro (O Estado de São Paulo, 5 de março de 1911, página 1, na segunda coluna)

A Câmara Municipal de São Paulo mandou arquivar o pedido de auxílio feito por Valério Vieira com o fim de confeccionar um grande panorama de São Paulo para a Exposição Internacional de Roma (Correio Paulistano, 20 de abril de 1911, na sexta coluna).

Quatro retratos a óleo, do governador de São Paulo, Manuel Joaquim de Albuquerque Lins (1852 – 1926), do secretário do Interior, Carlos Guimarães (1862 – 1927), do deputado Mario Tavares (1874 – 1958) e do senador Antônio de Lacerda Franco (1853 – 1936), de autoria de Valério e de E. Távola, foram expostos no salão do jornal Correio Paulistano. Foram realizados por encomenda da Câmara Municipal de Pirassununga, para onde serão levados (Correio Paulistano, 27 de abril de 1911, na segunda coluna).

Para distribuição durante as exposições de Roma e Turim, Valério Vieira mandou imprimir, por ordem do Ministério da Agricultura, 776 mil cartões postais de paisagens e edifícios públicos brasileiros. Também por encomenda do governo federal, Valério produziu seis telas reproduzindo aspectos da Exposição Nacional de 1908, da baía de Guanabara, das avenidas Beira-Mar e Central (A Imprensa, 25 de abril de 1911, na quinta coluna e O Pharol, 29 de abril de 1911, na quinta coluna). Foram pagos a Valério 12 contos de réis (O Estado de São Paulo, 14 de dezembro de 1911, página 2, sétima coluna).

Segundo artigo de Boris Kossoy, publicado no O Estado de São Paulo, de 4 de março de 1973, Valério participou da Exposição Universal de Turim, realizada entre 29 de abril e 19 de novembro de 1911, durante a qual foi agraciado com a comenda de Cavaleiro da Coroa, concedida pelo rei da Itália, por sua defesa da causa da imigração italiana para o Brasil.

A Câmara Municipal de Bauru encomendou de Valério três retratos para sua sala de honra: do governador de São Paulo, Manuel Joaquim de Albuquerque Lins (1852 – 1926); do secretário da Justiça e da Segurança Pública, Washington Luís (1869 – 1957); e do senador Bernardino José de Campos Júnior (1841 – 1915) (Correio Paulistano, 20 de maio de 1911, na terceira coluna).

Em 12 de julho, seu primogênito, José do Patrocínio, faleceu repentinamente. Sua missa de sétimo dia foi celebrada na igreja de São Gonçalo (Correio Paulistano, 13 de julho de 1911, na terceira coluna e 19 de julho de 1911, na última coluna).

Foi julgada por sentença a desistência requerida por José Paulino Nogueira Filho da ação executiva que movia contra Valério (Correio Paulistano, 5 de agosto de 1911, na segunda coluna).

Foi noticiado que o senhor João de Barros estaria interessado em abrir uma filial do ateliê fotográfico de Valério Vieira no Rio de Janeiro (Diário da Tarde, 31 de agosto de 1911, na quarta coluna). Valério apresentou queixa à polícia contra ele, que também esteve no interior de São Paulo e no Paraná, apresentando-se, falsamente, como representante da Photographia Valério (Correio Paulistano, 7 de setembro de 1911, na quarta coluna).

1912 – Valério fazia parte de um grupo de artistas que fotografou, em Pindamonhangaba, a chegada do governador de São Paulo, Manuel Joaquim de Albuquerque Lins (1852 – 1926), e de seus secretários à estação de trem da cidade. A comitiva foi inaugurar o Haras Paulista e o Posto Zootécnico Dr. Francisco Romeiro, além de outros melhoramentos na cidade. Valério também participou do baile oferecido a eles pela Câmara Municipal de Pindamonhangaba, no palacete de Elói Bicudo Varela Lessa (1844 – 1922), o barão de Lessa (Correio Paulistano, 28 de abril, na sexta coluna e 29 de abril, na quarta coluna).

Foi publicado no Correio Paulistano, ao longo de 1912, o seguinte endereço de Valério: Largo de São Paulo, nº 71 (Correio Paulistano, 18 de maio de 1912, na terceira coluna).

Valério esteve em Uberaba (MG), hospedado do Hotel do Comércio e em Igarapava(SP) (O Estado de São Paulo, 23 de setembro de 1912,  página 2, na terceira coluna, e Correio Paulistano, 29 de setembro de 1912, na segunda coluna). Recebeu diversas encomendas de retratos que seriam colocados nos salões do grupo escolar e do Fórum de Igarapava. Para o fórum, seriam fotografias de todos os juízes de Direito da comarca, desde sua instalação. Para o grupo escolar, retratos do ex-deputado Francisco Martins, e de outros políticos (Correio Paulistano, 8 de outubro de 1912, na quarta coluna).

1913 – Valério Vieira estava em Igarapava (SP)(Correio Paulistano, 16 de maio de 1913, na última coluna).

Participou da inauguração da estátua do Regente Feijó (1784 – 1843), na Praça da Liberdade, em São Paulo (Correio Paulistano, 25 de maio de 1913).

1914 – Valério estava visitando Barretos (SP)(Correio Paulistano, 23 de janeiro de 1914, na última coluna). De volta a Barretos, expôs no salão do Central Hotel, onde estava hospedado, vários retratos de pessoas proeminentes da sociedade da cidade (Correio Paulistano, 13 de março de 1914, na quarta coluna).

Foi exposta na Casa Alemã, em Campinas, uma fotografia realizada por Valério dos professorandos de 1914 da Escola Normal da cidade (Correio Paulistano, 12 de dezembro de 1914, na primeira coluna).

1915 - Reabertura do ateliê fotográfico de Valério na rua Quinze de Novembro, nº 43 montado segundo todas as exigências da arte moderna (Correio Paulistano, 11 de fevereiro de 1915, na primeira coluna e 13 de fevereiro, na quinta coluna).

Valério ofereceu uma prenda à barraca da Bélgica, dirigida por Gladys Nisseus de Saint Remy, na quermesse realizada no Jardim da Luz em prol dos flagelados do Norte e dos desamparados da Bélgica (Correio Paulistano, 2 de outubro de 1915, na quarta coluna).

1916 – O ateliê fotográfico de Valério ficava na rua Quinze de Novembro, porém no número 43 (Almanak Laemmert, 1917).

Havia uma letra de câmbio em um cartório na rua da Boa Vista, 58, em São Paulo sacada à vista contra Valério Vieira (O Estado de São Paulo, 28 de fevereiro de 1916, página 9, na quinta coluna).

Fotografou o polêmico médium Carlos Mirabelli (1899 – 1951) (Correio Paulistano, 18 de junho de 1916).

Recebeu pagamento da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Correio Paulistano, 6 de julho de 1916, na segunda coluna).

1917 – Realizou o quadro dos bacharelandos da Faculdade de Direito de São Paulo de 1917 (Correio Paulistano, 16 de outubro de 1917, na quarta coluna).

Falecimento de Antonio Marjues Teixeira, pai de Augusta, esposa de Valério. Ele era professor público e um dos mais antigos guarda-livros nesta capital (O Estado de São Paulo, 18 de outubro de 1917, página 3, na penúltima coluna).

1918 – Foi representado por seu filho, Roque, no enterro do italiano Vincenzo Pastore (1865 – 1918), fotógrafo que assim como Valério produzia retratos de múltipla exposição, revelando um traço de humor (Correio Paulistano, 19 de janeiro de 1918, na terceira coluna).

Com 26 anos, falecimento da única filha de Valério, Maria Catarina. Deixou uma filha, Lydia (1914 – 1993), que passou a morar com Valério e Augusta.

1921 - Pediu à Prefeitura de São Paulo auxílio para a confecção de uma nova versão do Panorama de São Paulo, apresentado na Exposição de 1908. O trabalho seria exibido na Exposição do Centenário da Independência, em 1922, no Rio de Janeiro (Correio Paulistano, 20 de janeiro de 1921, na quarta coluna30 de janeiro, na segunda coluna2 de fevereiro, na segunda coluna). O pedido foi autorizado pelo prefeito Firmiano de Moraes Pinto (1861- 1938) (Correio Paulistano, 18 de fevereiro de 1921).

Valério esteve no Rio de Janeiro (O Estado de São Paulo, 20 de março de 1921, página 4, na sétima coluna)

1922 - Foi inaugurada a exposição provisória do Panorama de São Paulo, na rua São Bento , nº 24, anunciada como a maior fotografia já realizada no mundo, com 16 metros (Correio Paulistano, 6 de setembro de 1922, na segunda coluna e 7 de setembro, na quarta coluna). O trabalho foi apresentado na Exposição do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro, realizada entre 7 de setembro de 1922 e 24 de julho de 1923. Foi Conrado Wessel (1891 – 1993) que possibilitou a impressão da foto fornecendo a fórmula da emulsão química, uma solução de brometo de sais de prata que foi aplicada sob luz vermelha, para evitar que a emulsão fosse velada. Amigos e parentes de Vieira providenciaram a água necessária para a revelação do panorama, trazida em baldes e bacias para o antigo cineteatro São Paulo. As imagens do panorama foram obtidas do alto da torre da igreja do Liceu Sagrado Coração de Jesus, em Campos Elíseos. Com um ângulo visual de 180 graus, o registro foi realizado entre 1919 e 1921. Depois de pronta, as imagens em preto-e-branco foram pintadas para destacar os planos entre as ruas e as casas e para dar maior durabilidade da tela (Folha de São Paulo, 2 de março de 1995O Estado de São Paulo, 13 de agosto de 1998, página 140).

O ateliê fotográfico de Valério na rua Quinze de Novembro, nº 43, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert de 1922.

1923 – Inauguração do Estabelecimento Modelo, novo ateliê e uma escola para fotógrafos amadores de Valério Vieira, na rua Quinze de Novembro, nº 3 (Correio Paulistano, 17 de março de 1923, na sexta coluna A Gazeta, 19 de março de 1923, na quarta coluna).

Mudou seu estúdio para o Largo São Paulo, 16, no Cambuci.

1924 - De tuberculose, falecimento de seu filho, Raymundo Nonato (Correio Paulistano, 25 de janeiro de 1924, na terceira coluna).

Propôs à Câmara Municipal de São Paulo a execução de um quadro artístico com as fotografias dos vereadores em alto relevo (Correio Paulistano, 23 de setembro de 1924, na quarta coluna).

1925 – Realizou um painel com a legislatura de 1923 a 1926 da Câmara Municipal de São Paulo.

Fechamento definitivo de seu estúdio.

1925 / 1940 – Continuou fotografando São Paulo e estâncias próximas à cidade como Águas de Lindóia e Caxambu.

1929 – Recebeu pagamentos das secretarias da Fazenda e da Agricultura de São Paulo (Correio Paulistano2 de julho de 1929, na primeira coluna, e 6 de setembro de 1929, na quinta coluna).

1941 – Valério Vieira faleceu, aos 79 anos, em 26 de julho, de colapso cardíaco, e foi enterrado no cemitério da Consolação (Correio Paulistano, 29 de julho de 1941, na terceira coluna e Estado de São Paulo, 27 de julho de 1941, página 5, na quinta coluna).

1949 – Numa carta enviada por Augusto Nunes, que na época trabalhava no Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, para o compositor, ator e cantor carioca Almirante (1908 – 1980), datada de 18 de fevereiro de 1949, ele se referia a Valério como um ótimo pianista e compositor… solicitado em todos os salões

1971 – Falecimento de seu filho, Francisco.

1972 – O Panorama de São Paulo, de sua autoria, foi exposto nas comemorações do cinquentenário da Semana de Arte Moderna, no Museu de Arte de São Paulo.

1975 – Suas obras foram expostas na mostra Memórias Paulistanas, realizada pelo Museu da Imagem e do Som de São Paulo, entre 26 de fevereiro e 6 de março.

1977 - Em março, falecimento de seu filho Roque (O Estado de São Paulo, 6 de março de 1977, página 56).

1999 – O Panorama de São Paulo foi o grande destaque do 4º mês Internacional da Fotografia realizado no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, entre 19 de maio e 15 de julho de 1999. A exposição Valério Vieira foi organizada pelo fotógrafo Fausto Chermont (1961 -) (O Estado de São Paulo, de 19 de abril de 1999, página D5 do “Caderno 2″).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia de Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966)

Cronologia de Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966)

 

 

1868 – Em Maceió, Alagoas, em 17 de fevereiro, nascimento de Luiz Lavenère Wanderley, filho do jornalista e funcionário da Fazenda federal Stanislau Wanderley (7 de maio de 1830 – 18 de março de 1899) e de Amélia Lavenère Wanderley (1835  – 1905). O casal teve mais dois filhos: Rachel (1869 – 1952) e o futuro general Alberto Lavenère Wanderley (1870 – 1930).

1876 – 1878 – Quando tinha entre 8 e 10 anos de idade, encontrou a câmara fotográfica e o material de laboratório pertencentes ao seu pai.

1881 – Em prol do movimento abolicionista, instalação da Sociedade Libertadora Alagoana, em 28 de setembro, no antigo Teatro Maceioense. Dela fizeram parte, entre outros:  Luiz Lavenère,  e seu pai, Stanislau Wanderley. Seu primeiro presidente foi Antônio de Almeida Monteiro.

1883 – Começou a lecionar (Gutenberg, 13 de julho de 1899, última coluna).

Foi o representante da Sociedade Recreio Scientífico na cerimônia fúnebre pelo 30 º dia do falecimento de Dias Cabral, no Instituto Arqueológico Alagoano (Gutemberg, 21 de agosto de 1883, primeira coluna).

Luiz Lavenère era o primeiro secretário do jornal literário Castro Alves (Castro Alves, 11 de novembro de 1883, última coluna).

1884 – Foi aprovado no Colégio Bom Jesus – Boletim de 10 de dezembro de 1884 (O Orbe, 16 de janeiro de 1885).

Contribuiu com o movimento abolicionista escrevendo no jornal Lincoln, dirigido pela Sociedade Libertadora Alagoana, cujos redatores eram, além dele, Francisco Domingues da Silva e Euzébio de Andrade.

1885 – Era um dos redatores do periódico quinzenal José de Alencar, lançado em 15 de maio de 1885 e propriedade do clube literário homônimo (José de Alencar, 15 de maio de 1885, segunda coluna).

1886 - Foi aprovado como sócio correspondente do Instituto dos Professores Primários de Alagoas (O Orbe, 19 de setembro de 1886, quarta coluna).

1887 - Embarcou para Pernambuco no vapor Pará (Gutemberg, 11 de maio de 1887, última coluna).

Ensinava francês, inglês e matemáticas elementares em sua casa, na rua da Boa Vista, nº 110, ou na casa dos alunos (Gutenberg, 12 de agosto de 1887, terceira coluna).

 

 

Foi publicado um artigo de Lavenère na revista pedagógica, científica, literária e noticiosa O Magistério, de 30 de outubro de 1887. Começava assim: O Brasil não progride: é arrastado pela avalanche universal da civilização.

Foi um dos oradores da sessão magna de aniversário da instalação do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano (Gutenberg, 3 de dezembro de 1887, primeira coluna).

Anunciou que no ano seguinte abriria um Curso Primário Misto ministrado por sua esposa, Maria Capitulina (18? – 1890) e avisou que continuaria dando aulas particulares (Gutenberg, 24 de dezembro de 1887).

 

 

1888 – Doou livros para a formação da biblioteca do Instituto dos Professores Primários de Alagoas (O Magistério, 15 de fevereiro de 1888, última coluna).

1889 - Nascimento da única filha do casal, Albertina, em 27 de julho (1889 – 1914).

1890 - Falecimento de sua esposa, Maria Capitulina.

Foi um dos representantes do Clube Federal Republicano em um encontro realizado na sede do Club Centro Popular Republicano. Em pauta a eleição do presidente do Partido Republicano de Maceió e a escolha dos candidatos do partido à Constituinte (Diário do Povo, 24 de fevereiro de 1890, segunda coluna).

Fora publicados os contos O mais infeliz dos trêsO philosopho apaixonado e Secção de moral, de sua autoria (O Republicano (SE), 21 de novembro de 1890, 24 de novembro de 1890 e 19 de dezembro de 1890).

1891 – O conto Um typo de mulher, de autoria de Lavenère que foi publicado nos jornais Monitor Fidelense (RJ) e no Publicador Goyano (O Republicano (SE), 21 de janeiro de 1891, primeira coluna; e 12 de março de 1891, primeira coluna).

Publicação da fantasia A ermida dos mortos, também de sua autoria (O Republicano (SE), 9 de abril de 1891).

Foi trabalhar como telegrafista da estação do Recife (Jornal do Commercio, 4 de novembro de 1891, quarta coluna). Provavelmente foi nessa época professor no Colégio Spencer e do Instituto Ayres Gama.

1892 – Foi promovido a 3º telegrafista da estação do Recife (Cruzeiro do Norte, 14 de fevereiro de 1892, terceira coluna).

 

 

1894 – Foi noticiado no Almanak do Estados das Alagoas de 1894, que Lavenère era o encarregado da estação telegráfica de Piassabussu.

Em 23 de dezembro, nascimento da primeira filha de Lavenère com Túlia dos Reis (1877 – 1940), Jessie (1894 – 19?) (Gutenberg, 23 de dezembro de 1896, quinta coluna). O casal teve mais quatros filhos: Edith (1896 – 1916), Olga (? – 19?), os gêmeos Carmen (1906 – 1910) e Túlio (1906 – 1932), e Yvonne (1915 – 1998) .

1896 – Durante a realização de um jantar a bordo do navio alemão Helas, Lavenère, representando o jornal Gutenberg, fez um brinde em inglês (Gutenberg, 17 de janeiro de 1896, última coluna).

Lançou a revista quinzenal literária Paulo Affonso, em 6 de abril, com Goulart de Andrade e Hugo Jobim. A gazeta, impressa na Tipografia de Tertuliano de Menezes, só teve dois números publicados, provavelmente, por falta de recursos (Gutenberg, 8 de abril de 1896, última colunaJornal de Recife, 21 de abril de 1896, quarta coluna e O Trabalho, 27 de junho de 1896, primeira coluna).

Foi o tradutor dos contos Qui pro quo, de William Rogers;  A Vingança, de Miss Lambie (Gutemberg, 8 de outubro de 1896, e 11 de outubro de 1896).

Participou da festa de aniversário e da homenagem prestada ao engenheiro chefe do distrito telegráfico em que trabalhava (Gutenberg, 29 de outubro de 1896, quinta coluna).

Escreveu o artigo Sete anos saudando a proclamação da República em 1889 (Gutenberg, 15 de novembro de 1896).

Foi eleito suplente do 2º secretário do Instituto Arqueológico e Geográfico de Alagoas, Manuel Laurindo Martins Junior. Também fazia parte da comissão de redatores e revisores da revista da instituições e da comissão realizadora de trabalhos históricos, geográficos, arqueológicos e estatísticos (Gutenberg, 28 de novembro de 1896, primeira coluna).

Era um dos fiscais de raia das corridas realizadas pelo Club Veloz (Gutenberg, 13 de dezembro de 1896, quarta coluna).

Foi eleito segundo secretário do Club Atlético Alagoano, do qual foi um dos fundadores (Gutenberg, 24 de dezembro de 1896, quarta coluna).

1897 – Fundação em 18 de janeiro do Club Atlético Alagoas “com a finalidade de promover o desenvolvimento muscular de seus associados, empregando para isso qualquer tipo de força e agilidade”. Sua sede era em Jaraguá, seu presidente era Carlos Leopoldo Ferreira; seu vice, Napoleão Goulart; seu 1o secretário, Luiz Lavenère Wanderley e 2o secretário, José A. Leão.

1899 – Falecimento de seu pai, Stanislau Wanderley (1830 – 1899), republicano, abolicionista e um dos fundadores da Associação Libertadora Alagoana (Gutenberg, 19 de março de 1899, primeira coluna).

Ensinava inglês e francês pelo método indutivo e anunciou também ensinar para crianças.

 

 

Escrevia para a seção Questões gramaticais (Gutenberg, 17 de junho de 1899, primeira coluna1º de julho de 1899, quarta coluna16 de julho de 1899, quarta coluna18 de julho de 1899, primeira coluna19 de julho de 1899, terceira coluna10 de agosto de 1899, segunda coluna22 de agosto de 1899, terceira coluna).

Mudou-se para a rua do Commercio, nº 19 (Gutenberg, 18 de junho de 1899, quinta coluna).

1901 – Lavenère foi promovido a telegrafista de 2ª classe na Repartição Geral dos Telégrafos (Jornal do Brasil, 1º de maio de 1901, sétima coluna).

1902 - Era um dos jurados do concurso de tradução para o português do soneto Ave Dea, de Victor Hugo, promovido pelo jornal Gutenberg (Diário do Maranhão, 26 de junho de 1902, primeira coluna).

Lançamento do jornal Evolucionista, em 1º de setembro de 1902, sob a direção de Lavenère. No início era semanal e publicado às segundas-feiras.

Uma série de artigos intitulados Contra o socialismo, foram publicados  por Lavanère, no Evolucionista ( no ano seguinte foram vendidos como um libreto). Causaram grande polêmica com o socialista João Ferro (1872 – 1902) que respondeu a eles com a publicação de 7 artigos intitulados O “Evolucionista” e o Socialismo, publicados no periódico O Trocista, entre setembro e outubro do mesmo ano.

Já vendia material fotográfico e foi o primeiro em Alagoas a fcomercializar regularmente esses produtos.

Era o diretor da Empresa do Almanak Alagoano das Senhoras, anuário editado por Manoel Gomes da Fonseca, proprietário das Oficinas Tipográficas da Livraria Fonseca ou Oficinas Fonseca; e diretor do jornal  Evolucionista, que passou a ser diário (Almanak Laemmert, 1903).

1904 – Foi publicado no Almanak de Mato Grosso de 1904 uma tabela de fases da Lua para Cuiabá calculada por Lavenère.

1905 – Entre esse ano e 1906, fotografou o folguedo Festa da Chegança.

 

 

Era redator- chefe do jornal Evolucionista. O outro redator era Arroxelas Galvão, e os colaboradores eram Paulino Santiago, Sebastião de Abreu, Aurélio Jatubá e de P. Julio de Albuquerque.

Foi convidado por Joaquim Goulart de Andrade para ser um dos fundadores de uma associação para promover a construção de um monumento em homenagem ao marechal Floriano Peixoto (Gutenberg, 28 de janeiro de 1905).

Era deputado em Alagoas e foi convidado para ser o 2º secretário da Câmara (Gutenberg, 14 de abril de 1905, segunda coluna; e 27 de abril de 1905, primeira coluna). Foi deputado até 1908.

Falecimento de Amélia, mãe de Lavenère (Evolucionista, 19 de abril de 1905, última coluna).

Foi eleito para integrar a comissão de Finanças do Instituto Arqueológico e Geográfico de Alagoas (Gutenberg, 19 de abril de 1905, quarta coluna).

Polêmica entre Lavanère e José Correia da Silva, revisor do jornal Gutenberg (Gutenberg, 17 de junho de 1905, última colunaGutenberg, 18 de junho de 1905, segunda coluna).

Polêmica entre os jornais Gutenberg e o Evolucionista (Gutenberg, 6 de julho de 1905, quarta colunaGutenberg, 7 de julho de 1905, primeira coluna).

Lavenère foi eleito sócio efetivo e secretário da Associação Comercial (Evolucionista, 20 de julho de 1905, quinta colunaGutenberg, 21 de julho de 1905, segunda coluna; e 23 de julho de 1905, quinta coluna).

No Teatro Polytheama, participou do espetáculo em benefício de A. Sierra (Gutenberg, 28 de julho de 1905, segunda coluna).

Segundo noticiado no jornal Gutenberg, o jornal Correio de Alagoas dirigiu-se a Lavenère com o calão baixo e afrontoso (Gutenberg, 15 de setembro de 1905, primeira coluna; e Evolucionista, 20 de setembro de 1906, quinta coluna).

Lavenère ficou doente durante o mês de setembro e não pode dar aulas de inglês no Liceu de Artes e Ofícios, onde era professor (Gutenberg, 19 de outubro de 1905, última coluna).

Foi aceito unanimemente para ser sócio efetivo da Sociedade de Agricultura Alagoana (Evolucionista, 5 de outubro de 1905, primeira coluna).

Participou de uma almoço no paquete Castro Alves, a convite de seu comandante e do fiscal da Empresa Freitas de Navegação. Fotografou o grupo (Evolucionista, 10 de novembro de 1905, última coluna).

Fotografou uma mulher que havia sido assassinada (Jornal Pequeno (PE), 14 de novembro de 1905, terceira coluna).

Foi noticiado que um retrato do poeta Aristheu de Andrade (1878 – 1905) e duas fotografias de Maceió, de autoria de Lavenère haviam sido publicadas na revista Mundo Elegante de Paris (Evolucionista, 18 de dezembro de 1905, terceira coluna).

1906 – Foi listado como fotógrafo no Almanak Laemmert de 1906 e seu endereço era rua do Commercio, 40. Em 1907, continuava no mesmo endereço (Almanak Laemmert, 1907).

 

fotogra

 

Foi referido como diretor do Evolucionista (Evolucionista, 1º de janeiro de 1906).

Em fevereiro, nascimento dos gêmeos Túlio e Carmem, filhos de Lavenère e Túlia (Evolucionista, 28 de fevereiro de 1906, quinta coluna).

Foi distribuída a herança de sua mãe entre ele e seus dois irmãos, Rachel (1869 – 1952) e Alberto (1870 – 1930), que residia em São Paulo (Evolucionista, 7 de março de 1906, terceira coluna).

Em Paris,  falecimento de seu cunhado, o comerciante Gustavo Augusto dos Santos, casado com sua irmã Rachel (1869 – 1952) – tinham 7 filhos (Gutenberg, 27 de maio de 1906, quarta coluna).

Recepcionou na Câmara dos Deputados o político Afonso Pena (1847 – 1909), que se tornaria presidente da República em novembro de 1906. Em nome da Associação Comercial visitou Afonso Pena e em nome do jornal Evolucionista lhe ofertou um álbum de fotografias de Maceió de sua autoria, impresso e encadernado pela Livraria Fonseca (Evolucionista,  30 de maio de 1906, quarta coluna; e 31 de maio de 1906, primeira coluna). Lavenère fotografou a recepção a Afonso Pena no Palácio dos Martírios, em 28 de maio.

 

 

Denunciou que um canalha qualquer havia assinado um soneto em seu nome na revista O Malho (O Malho, 7 de julho de 1906, primeira coluna; e Evolucionista, 18 de julho de 1906, terceira coluna).

Na edição de 17 de julho de 1906 do Evolucionista, seu nome constava no expediente com a atribuição de redator do jornal com Raymundo de Miranda. O jornal deixou de ser publicado em dezembro.

 

 

Foi um dos 30 candidatos a deputado de Alagoas pelo Partido Republicano e foi eleito (Gutenberg, 23 de outubro de 1906, última coluna27 de abril de 1907, primeira coluna).

1907 - A casa editora da Livraria Fonseca publicou pela primeira vez imagens de autoria de Lavenère como cartões-postais.

Foi constituída uma empresa, da qual Lavenère fazia parte, para fazer reaparecer o Diário das Alagoas (Jornal de Recife, 15 de janeiro de 1907, sexta coluna).

Participou do desfile carnavalesco do Club dos Antigos, organizado por profissionais da imprensa (Gutenberg, 10 de fevereiro de 1907, última coluna).

Aposentou como telegrafista de 2ª classe (Gutenberg, 7 de abril de 1907, última coluna).

Foi publicada na revista Tico-Tico uma fotografia de Edith (1896-1916). Será de autoria de seu pai, Luiz Lavenère? (Tico-Tico, 5 de junho de 1907).

 

 

Era redator do Diário de Alagoas (Gutenberg, 6 de junho de 1907, primeira coluna).

Mudou-se para rua Macena nº 42 (Gutenberg, 12 de setembro de 1907, terceira coluna).

Realização do casamento de sua filha Albertina (1889-1914) com Manoel Gomes Machado (Gutenberg, 27 de outubro de 1907, primeira coluna).

1908 –  Uma fotografia de autoria de Lavenère de sua filha Edith (1896-1916) foi descrita no jornal Gutenberg de 30 de outubro de 1908. Na notícia, foi mencionado que ele havia sido elogiado pelo diretor da revista parisiense Photo Magazine, Charles Mendel. A foto foi publicada no ano seguinte na revista Tico-Tico. Outras fotografias de sua autoria foram expostas no jornal Gutenberg durante o ano.

 

 

 

 

Enviou um cartão de Boas Festas e um de Ano Novo usando fotografias de sua autoria. No de Boas Festas retratou sua filha, que aparecia no meio dos quatros jornais de Alagoas. No de Ano Novo, disfarçou-se e fotografou-se para representar o Ano Velho.

 

 

 

1909 - Foi listado no Almanak Laemmert de 1909 como professor particular e também como intérprete juramentado.

Recebeu 100 votos no concurso do oficial ou praça mais garboso do Tiro Alagoano (Guternberg, 4 de março de 1909).

 

 

 

 

 

Foi publicada uma fotografia de Aurora Silva, primeira farmacêutica alagoana, de autoria de Lavenère (O Malho, 4 de dezembro de 1909).

 

 

1910 – Ainda era diretor do jornal Evolucionista (Almanak Laemmert, 1910).

Publicação de uma carta de sua autoria onde ele explicava o significado do termo boycottage (Gutenberg, 15 de janeiro de 1910, sexta coluna).

Passou a dar aulas de inglês no Instituto de Humanidades, dirigido por Anisio Jobim (Gutenberg, 20 de janeiro de 1910, quarta coluna).

Estava em exposição na loja Lauria, em Maceió, um quadro retratando Lavenère de autoria do pintor baiano Olavo Baptista (1879-1953) (Gutenberg, 5 de fevereiro de 1910, quinta coluna).

Foi publicada na revista O Malho uma fotografia de autoria de Laverène suas filhas Edith e Jessie com uma amiga. Elas desfilaram no Club das Japonezas fantasiadas de gueishas (O Malho, 30 de abril de 1910).

 

 

Participou do primeiro concerto que o Círculo Musical de Alagoas, associação de musicistas de Maceió, apresentou no Teatro Maceioense. O Círculo Musical, do qual se tornou associado, foi fundado em 14 de julho de 1910 sob a presidência do músico e juiz Manoel Lopes Ferreira Pinto (Gutenberg, 6 de setembro de 1910, última coluna).

1911 - Foi identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almanak Laemmert, 1911).

Foi editada uma série de 24 cartões-postais de autoria de Lavenère.

 

serie

Série de cartões-postais Phot. L. Lavenère. Jami Abib, Elysio de Oliveira Belchior, Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e Josebias Bandeira de Oliveira.

 

Foi premiado na Exposição Universal de 1911 em Turim, na Itália, na qual expôs trabalhos fotográficos executados em porcelana, madeira e papelão. Os diplomas de suas medalhas estão no Instituto Histórico de Alagoas (Leituras para todos, janeiro de 1912).

 

 

1912 – No mesmo ano em que o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923) começou a fazer suas experiências com fotografias em cores utilizando as placas autocromos Lumière, Lavenère  introduziu a fotografia em cores em Alagoas com a imagem de um trecho da rua Barão de Anadia. Segundo o Jornal de Alagoas a respeito da chapa autocromo: “A fotografia das cores naturais, onde sobressai o efeito da luz do sol sobre o solo e o mar, com esse brilho misterioso que o pincel dos mais afamados pintores não pode ainda levar à tela, foi conseguido pelo hábil amador (L. Lavenère) em placas diretamente importadas da Europa. É um deslumbramento” (Jornal de Alagoas, 10 de setembro de 1912).

1913 – Continuava dirigindo o Almanach Alagoano das Senhoras e foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almack Laemmert, 1913).

1914 – Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almack Laemmert, 1914).

 

 

Em 25 de setembro, falecimento de sua filha Albertina, 25 anos (Diário de Pernambuco, 26 de setembro de 1914, quinta coluna).

1915 – Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almanak Laemmert, 1915).

Publicação do livro O bonde elétrico, de sua autoria.

1916 - Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almanak Laemmert, 1916).

Em 19 de maio, falecimento de sua filha Edith, com 20 anos (Diário de Pernambuco, 20 de maio de 1916, segunda coluna).

Era o proprietário da Livraria Americana, em Jaraguá, bairro de Maceió (Diário do Povo(AL), 19 de setembro de 1916).

 

 

Era o agente das revistas Fon-Fon e Selecta em Alagoas (Diário do Povo (AL), 19 de novembro de 1916, terceira coluna).

1917 - Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almack Laemmert, 1917).

Importou da Europa papel para impressão (Diário do Povo (AL)31 de janeiro de 1917, segunda coluna; 1º de fevereiro, quarta coluna).

Foi nomeado encarregado da Agência Consular da França em Alagoas (Diário do Povo (AL), 18 de março de 1917, primeira coluna).

Era árbitro da Alfândega de Maceió por parte do comércio e da indústria (Diário do Povo (AL), 25 de março de 1917, terceira coluna).

1918 – Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas, mas desta vez também como proprietário da Livraria Americana e como litógrafo, zincógrafo e tipógrafo (Almanak Laemmert, 1918).

 

 

Pediu exoneração do cargo de gerente da Agência Consular da França em Alagoas (Diário de Pernambuco, 10 de dezembro de 1918, segunda coluna).

1919 - Foi identificado como guarda-livros e proprietário da Livraria Americana (Almanak Laemmert, 1919).

Foi um dos fundadores, em 1º de novembro, da Academia Alagoana de Letras.

1920 – Editada pela Livraria Machado uma série de cartões-postais de autoria de Lavenère.

Lançamento em 14 de março , de A Conquista, o primeiro periódico ilustrado com a técnica da fotogravura, preparado totalmente em Maceió.  Lavenère era seu proprietário.

Semanário publicado em Maceió de 14 de março a 25 de dezembro de 1920. O primeiro, em Alagoas, a ter clichê de zinco. Confeccionado pelo dono do periódico – L. L. Lavenère -, o clichê intitulado “O Paurílio”, reproduz a figura de Hipólito Paurílio, tendo sido publicado no segundo número, a 21/3/1920. Em 14/7/1920 publicou um número dedicado à França, inclusive com a música da Marselhesa. Lavenère nele usava o pseudônimo de Marie Pambrun” (ABC das Alagoas).

Ao longo dos anos 20 continuou a atuar como guarda-livros, intérprete juramentado e dono da Livraria Americana.

Denunciou que um homem chamado Guedes Alcoforado estava recebendo criminosamente dinheiro por conta da Livraria Machado (Diário de Pernambuco, 17 de fevereiro de 1920, segunda coluna).

Instalação, em 17 de julho, da Academia Alagoana de Letras, no salão nobre do Teatro Deodoro. Lavenère foi o primeiro ocupante da cadeira número 36.

1921 – Foi anunciado o lançamento de um novo livro de Lavenère, identificado como jornalista e fotógrafo premiado (Diário de Pernambuco, 12 de maio de 1921, primeira coluna).

 

 

O livro se chamava Zefinha (Diário de Pernambuco, 10 de agosto de 1921, primeira coluna). Os srs. Monteiro Lobato e C. propuseram a edição da continuação da obra, que se chamaria O Padre Cornélio (Diário de Pernambuco, 24 de setembro de 1921, terceira coluna).

 

zefinha

 

1922 - Publicou o livro Mostruário de gravuras de zinco.

1924 – Lançamento do livro Novo método de escrituração, de autoria de Lavenère, identificado como verdadeira competência em assuntos comerciais, editado pela Livraria Machado (Diário de Pernambuco, 11 de setembro de 1924, penúltima coluna).

1926 – Foi pela última vez listado como dono de uma livraria na rua da Alfândega, 115, no Almanak Laemmert de 1926.

Em um artigo elogioso em torno da obra literária de Lavenère foi mencionado que ele teria sido um fotógrafo emérito e responsável por um processo prático, original, rápido e barato de preparo de “clichês” (Diário de Pernambuco, 2 de dezembro de 1926, quarta coluna).

 

lavelave1

 

Foi eleito um dois membros da comissão da revista do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano (Jornal do Commercio, 23 de dezembro de 1926, quarta coluna).

1927 - Lançamento de um Compêndio de Teoria Musical de autoria de Lavenère e publicado pela Livraria Machado de Alagoas (Diário de Pernambuco, 30 de julho de 1927, terceira coluna; e Diário de Pernambuco, 20 de agosto de 1927, penúltima coluna).

Lavenère escreveu vários artigos contra o aumento dos impostos (Gazeta de Notícias, 27 de dezembro de 1927, sexta coluna).

1929 – Lançou Musicologia, continuação do Compêndio de Teoria Musical (Diário de Pernambuco, 10 de julho de 1929, terceira coluna).

1930 – Continuou a ser identificado no Almanak Laemmert  de 1930 e de 1931 como guarda-livros e tradutor juramentado.

O livro Compêndio de Teoria Musical de autoria de Lavenère foi adotado no ensino primário de Alagoas por recomendação do Conselho de Ensino do estado (Revista de Ensino, 1930).

Falecimento de seu irmão Alberto, na época general de brigada, em 4 de outubro de 1930. Ele era desde 1929 comandante da 7ª Região Militar, em Recife. Com o assassinato de João Pessoa em fins de julho de 1930  o comando da 7ª RM foi transferido para o 22º Batalhão de Caçadores, na capital paraibana. Em 4 de outubro, revoltosos militares e civis que apoiavam a Revolução de 30 atacaram p 22º BC e controlaram, apo´s alguns combates, a situação. Houve troca de tiros e o general Alberto foi atingido. Foi operado mas faleceu à noite. Foi promovido post mortem a general de divisão no dia 15 de outubro de 1930. Alberto Lavenère Wanderley era pai de Nélson Lavenère Wanderley (1909 – 1985), que foi ministro da Aeronáutica em 1964 e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1966 a 1968.

1931 - Era 2º vice-presidente do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano (Almanak Laemmert, 1931).

Era um dos colaboradores de Novidade Semanário Illustrado, lançado em 11 abril de 1931. Publicou um artigo na seção de Música na oitava edição da revista (Novidade, 30 de maio de 1931).

Foi eleito membro da Academia Alagoana de Letras (Novidade, 18 de julho de 1931, primeira coluna).

1933 - No Teatro Deodoro, instalação em 6 de abril, da Liga Alagoana Pró-Pensamento Livre, sob a presidência de Lavenère (Jornal de Recife, 18 de abril de 1933, segunda coluna). Fundada em

1934 - Em 24 de fevereiro de 1934, a Liga Alagoana Pró-Pensamento Livre realizou um ato em comemoração ao aniversário da promulgação da constituição de 1891, sob a presidência de  Lavenère com a participação dos oradores Levy Pereira, Barbosa Júnior, Sebastião da Hora, Esdras Gueiros e Américo Mello, “que expressaram seus veementes protestos contra a intromissão da igreja católica na política nacional, tendente a coarctar a liberdade de pensamento no que concerne ao ensino religioso nas escolas”.

Foi entre esse ano e 1943 secretário do Instituto Geográfico e Histórico de Alagoas (Diário de Pernambuco, 5 de agosto de 1934, quinta coluna).

Passou a lecionar Escrituração Mercantil na sede da Federação Alagoana para o Progresso Feminino (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1934, terceira coluna).

Seu livro Compêndio de Teoria Musical foi adotado pelo Instituto Português de Música de Lisboa (Diário de Pernambuco, 6 de julho de 1934, terceira coluna).

 

1935 - Publicou o livro Nigumba, conto africano.

1936 – Foi o vereador mais votado de Maceió (Diário de Pernambuco, 29 de janeiro de 1936, terceira coluna).

Apresentou um projeto de lei criando um serviço de Assistência à Infância Desvalida (Diário de Notícias, 21 de agosto de 1936, terceira coluna).

1937 - Como vereador por Maceió aderiu à candidatura de Armando Salles (1887 – 1945) à presidência da República e foi eleito membro da União Democrática Brasileira (O Jornal, 16 de setembro de 1937, segunda coluna).

1938 - Foi nomeado representante da Casa dos Artistas em Maceió (Diário de Notícias, 24 de abril de 1938, terceira coluna).

Contribuiu financeiramente para a confecção do busto do presidente Getulio Vargas na Casa dos Artistas (O Imparcial, 25 de junho de 1938, primeira coluna).

1939 - Mantinha uma seção diária na Gazeta de Alagoas (A Noite, 12 de junho de 1939, quinta coluna).

Publicação de uma poesia de Lavenère (Correio de Manhã, 15 de junho de 1939).

 

 

1941 - Na inauguração do Sindicato dos Jornalistas Profissionais em Maceió, foi eleito um dos membros da comissão fiscal (Diário de Notícias, 3 de janeiro de 1941, terceira coluna).

Foi o orador do encerramento da Semana da Siderurgia no Teatro Deodoro, em Maceió (Jornal do Brasil, 25 de maio de 1941, terceira coluna).

1942 – Escreveu contra as indecências de cantigas carnavalescas (A Ordem (RN), 13 de fevereiro de 1942, terceira coluna).

1944 - Instalação em 8 de março do Centro de Estudos Econômicos e Sociais de Alagoas, no auditório da Faculdade de Direito, por iniciativa do Rotary Clube de Maceió. Sua primeira diretoria: presidente, Diegues Júnior; vice-presidentes, Sebastião da Hora e Barreto Falcão; secretários, Ruy de Almeida, Aurélio Viana e Luiz Lavenère; tesoureiros, Ismael Brandão e Luiz Calheiros; diretor da Biblioteca, Afrânio Melo; e diretor de Publicidade, Carvalho Veras. Tinha por finalidade discutir a realidade alagoana e os problemas regionais, dentro de uma visão interdisciplinar: econômica, social, histórica, sociológica, antropológica, sem exclusão da visão política ou ideológica.

1945 – Foi candidato ao senado por Alagoas concorrendo pelo Partido Republicano Progressista mas foi o candidato menos votado: só obteve 194 votos (O Jornal, 20 de dezembro de 1945, última coluna).

1946 – Foi eleito para integrar a Comissão de História do Instituto Histórico de Alagoas (A Noite, 28 de abril de 1946, quinta coluna).

Publicou o livro Meu Waterloo na imprensa de Maceió.

1948 – Publicou o livro Ad memoriam.

1949 – Publicou, pela Livraria Machado, Conversas com o reverendo.

1950 – Era o diretor do Teatro Deodoro, em Maceió (Diário de Pernambuco, 26 de março de 1950, quinta coluna).

Foi eleito tesoureiro da Academia Alagoana de Letras (A Noite, 15 de dezembro de 1950, sexta coluna).

1962 – O Arquivo Público de Alagoas, criado em dezembro de 1961, adquiriu para sua Fototeca a coleção de negativos fotográficos de vidro de Luiz Lavenère, composta de cerca de 350 chapas, em vidro, na sua maioria de trechos desaparecidos da cidade de Maceió e seus arrabaldes no princípio do século XX. Na época era dirigido por Moacir Medeiros de Santana.

Publicação, na primeira revista do Arquivo Público de Alagoas, do artigo pioneiro sobre a história da fotografia na capital alagoana desde seus primórdios intitulado A fotografia em Maceió: 1858- 1918, de Luiz Lavenère e Moacir Medeiros de Sant’Ana.

1966 – Falecimento de Luiz Lavenère Wanderley, em 29 de outubro de 1966, em Maceió.

 

foto

 

1985 - Foi escolhido para ser o patrono da cadeira número 41 do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.

2012 - Início dos trabalhos de conservação e reprodução da coleção de imagens de Lavenère adquiridas pelo Arquivo Público de Alagoas em 1961.

2018 -  Foi lançado, em dezembro de 2018, o livro Olhares de Maceió por Luiz Lavenère, com 220 fotografias de Maceió, a maioria inédita e rara, organizado por Gian Carlos de Melo Silva e Wilma Maria Nóbrega Lima e editado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos em parceria com o Arquivo Público Alagoano. As fotografias foram separadas em grupos: ÁguasConstruçõesCotidiano e Lavenère. São registros, dentre outros, do antigo farol, de atletas, avenidas, bairros, barcos, do carnaval de rua, de casas, cenas de teatro, engraxates, escolas, estação de trem, fábricas, festas, do folguedo Barca da Chegança, de hospital, hotéis, igrejas, inundações, da Livraria Fonseca ao lado do jornal Evolucionista, de lojas, do mercado público, de paisagens, pescadores, pessoas, praças, do prado, de praias, prédios governamentais, do primeiro avião em Maceió, de procissão, quartel, da recepção ao presidente da República Afonso Pena no Palácio dos Martírios, de ruas, do Teatro Deodoro e do Teatro Polytheama, além de imagens do próprio Lavenère. Também está reproduzido no livro o artigo A fotografia em Maceió: 1858- 1918, de Luiz Lavenère e Moacir Medeiros de Sant’Ana, publicado na primeira revista do Arquivo Público de Alagoas, 1962 (Agenda “a” (AL) , 28 de dezembro de 2020).

 

livro

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica