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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; perfil</title>
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		<title>Série “Conflitos” XII &#8211; A Revolução Constitucionalista de 32 e Juscelino Kubitschek nas fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos, por Maria de Fatima Morado</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 12:27:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[O artigo "A Revolução Constitucionalista de 32 e Juscelino Kubitschek nas fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos", o décimo segundo da série "Conflitos", é de autoria de Maria de Fátima Morado, historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. Estão destacadas, na publicação, dez fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos. Ele, como coronel, combateu os paulistas durante a Revolução Constitucionalista liderando o Destacamento Coronel Barcelos na região da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Em algumas dessas fotos vê-se o futuro presidente do Brasil,  Juscelino Kubitschek, que, enquanto médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais, foi enviado pelo comando-geral para atender as tropas mineiras e instalar um hospital de sangue em Passa Quatro.

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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">O artigo <em>A Revolução Constitucionalista de 32 e Juscelino Kubitschek nas fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos, </em>o décimo segundo da série &#8220;Conflitos&#8221;<em>, </em>é de autoria de Maria de Fátima Morado, historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. Estão destacadas, na publicação, dez fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos. Ele, como coronel, combateu os paulistas durante a Revolução Constitucionalista liderando o Destacamento Coronel Barcelos na região da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Em algumas dessas fotos vê-se o futuro presidente do Brasil,  Juscelino Kubitschek (1902 &#8211; 1976), que, enquanto médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais, foi enviado pelo comando-geral para atender as tropas mineiras e instalar um hospital de sangue em Passa Quatro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Revolução Constitucionalista de 32 e Juscelino Kubitschek nas fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos </strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">Maria de Fatima Morado*</p>
<div style="width: 581px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14474" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14474/CBa.05%283%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="571" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14474" target="_blank">Coronel Cristóvão Barcelos, 1932. Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Revolução Constitucionalista foi deflagrada no dia 9 de julho de 1932 por lideranças de São Paulo que iniciaram um conflito armado exigindo autonomia para o governo do estado e a constitucionalização do país. Nesse período, o Brasil vivia o sob o Governo Provisório de Getúlio Vargas, que teve início após a Revolução de 1930 &#8211; movimento organizado pela Aliança Liberal que depôs o presidente Washington Luís em 24 de outubro de 1930 &#8211; e se estendeu até 1934, quando Getulio Vargas foi eleito presidente pelo Congresso Nacional dando início ao Governo Constitucional.</p>
<p>Getulio Vargas, ao assumir o poder, nomeou João Alberto como interventor em São Paulo, o que provocou reações dos integrantes do Partido Democrático (PD), que havia participado da Aliança Liberal e defendia a nomeação de Francisco Morato para esse cargo. Essa contrariedade provocou reações em São Paulo que resultaram na prisão dos líderes democráticos. Logo após, ocorreu o rompimento com o interventor e o lançamento de um manifesto para a instauração de uma Assembleia Constituinte no país estabelecendo a base para a organização do movimento constitucionalista com apoio da oligarquia cafeeira e das classes médias paulistas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/463" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias da Revolução Constitucionalista de 1932 do acervo do Museu da República </strong><strong>disponíveis na Brasiliana Fotográfica,</strong><strong> o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.</strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao longo do ano de 1931 até o levante em 9 de julho de 1932 ocorreram iniciativas para que não se recorresse ao uso das armas como também para formar uma articulação para o caso dessa decisão ser inevitável. Entre esses movimentos estavam: negociações para acordo com o governo federal; troca de interventores; formação da FUP (Frente Única Paulista), que uniu os partidos rivais, Partido Democrático (PD) e Partido Republicano Paulista (PRP); crescente mobilização em São Paulo, incluindo comícios e protestos; e a promessa de apoio do Rio Grande do Sul e de uma corrente de líderes políticos de Minas Gerais. Quando os paulistas decidiram pelo início do movimento armado, em 9 de julho, a perspectiva concreta de adesão do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais foi frustrada devido à desistência de tomarem parte na aventura. Além disso, o Governo Provisório debelou as tentativas de levantes em apoio ao estado de São Paulo, que acabou ficando isolado. Esse isolamento se tornou ainda maior devido ao fato de os paulistas terem uma força bélica muito inferior às forças federais.</p>
<p>Após alguns meses de confronto, as negociações para o fim do conflito entre o Governo Provisório e os revolucionários paulistas incluíram, de um lado, a exigência do desarmamento da Força Pública Paulista e a aceitação do calendário eleitoral proposto para a formação de uma Constituinte e, de outro lado, a nomeação de uma nova junta governativa federal e o reconhecimento do governo revolucionário paulista que havia assumido o poder. A Revolução Constitucionalista terminou sem a formalização de um acordo e com a deposição do governo revolucionário feita pelo próprio comando da Força Pública Paulista, no dia 2 de outubro. Logo depois, em 1º de novembro, os membros do governo revolucionário e líderes constitucionalistas foram presos e exilados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14472" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14472/CBa.05%281%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="485" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14472" target="_blank">Posto de observação durante a Revolução Constitucionalista. Coronel Cristóvão Barcelos (segurando binóculo, em segundo, da esquerda para direita), Major Juarez Távora (segurando binóculo, em terceiro, da esquerda para direita) e o Major Ernesto Dornelles (em primeiro, esquerda para direita), 1932. Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As dez fotografias aqui apresentadas expõem aspectos dos campos de batalhas pelo lado dos combatentes do Governo Provisório e fazem parte da Coleção Cristóvão Barcelos, acervo do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República. Cristóvão de Castro Barcelos (1883-1946), nasceu em Campos dos Goytacazes (RJ) e teve a carreira militar marcada pela participação em eventos fundamentais: em 1918, como primeiro-tenente foi para a França, para cumprir missão na I Guerra Mundial (sobre esse assunto ver a publicação <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13297" target="_blank"><em>Registros raros da participação militar brasileira na I Guerra Mundial</em></a>); em 1930, como tenente-coronel participou da Revolução de 30 e, em 1932, já promovido a coronel, combateu os paulistas durante a Revolução Constitucionalista liderando o Destacamento Coronel Barcelos na região da Serra da Mantiqueira (MG).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14476" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14476/CBa.05%285%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="445" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14476" target="_blank">Visita do general Góis Monteiro (ao centro), comandante do Exército do Leste, ao setor do túnel da Mantiqueira sob comando de Cristóvão Barcelos (segundo, da direita para a esquerda). Vê-se também o major Ernesto Dornelles (segundo, da esquerda para direita) e o major Juarez Távora (terceiro, da esquerda para direita), 1932. Túnel da Mantiqueira, Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nessa região foi travada um dos maiores confrontos entre as tropas paulistas e as forças do governo federal. O Túnel da Mantiqueira era um ponto estratégico já que está localizado na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais, entre os municípios de Cruzeiro (SP) e Passa Quatro (MG).</p>
<p>Em algumas dessas fotos destaca-se a presença de Juscelino Kubitschek que, enquanto médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais, foi enviado pelo comando-geral para atender as tropas mineiras e instalar um hospital de sangue em Passa Quatro. Em setembro de 1932, quando as tropas paulistas se retiraram da área do Túnel, Juscelino foi encarregado de realizar a transferência dos feridos para as cidades mineiras de Guaxupé e Varginha, seguindo para Campinas para enfim retornar a Belo Horizonte.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45489" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14477" target="_blank"><img class=" wp-image-45489" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/revolução.jpg" alt="Enterro do coronel Fulgêncio da Força Pública Mineira, em Passa Quatro (MG). Vê-se o Coronel Cristóvão Barcelos (à frente, com os braços cruzados) e o então capitão-médico Juscelino Kubitschek (à esquerda de Cristóvão Barcelos), 1932. Passa Quatro, Minas Gerais/ Acervo Museu da República" width="701" height="493" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14477" target="_blank">Enterro do coronel Fulgêncio da Força Pública Mineira, em Passa Quatro (MG). Vê-se o Coronel Cristóvão Barcelos (à frente, com os braços cruzados) e o então capitão-médico Juscelino Kubitschek (à esquerda de Cristóvão Barcelos), 1932. Passa Quatro, Minas Gerais/ Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em seu livro de memórias, Juscelino relata sua experiência no palco de guerra. Sobre Cristóvão Barcelos diz: “<em>Eu me encontrava sob o comando do coronel Cristóvão Barcelos, pouco depois promovido a general, homem de sólida cultura e possuidor de excepcionais qualidades de caráter.</em>”</p>
<p>Ao relembrar como era feito o atendimento aos feridos em um hospital de sangue improvisado, destaca a importância desse evento que para ele significou um marco em sua vida: <em>“É curioso notar como pequenos fatos às vezes têm consequências profundas e chegam mesmo a modificar, de forma surpreendente, uma existência humana. No meu caso, a ida para o Setor do Túnel representou um desses “pequenos fatos”. Fui para Passa Quatro apenas por ser médico. Entretanto, ali o sucesso me sorriu. Conquistei amigos. Salvei vidas humanas. Enfrentei situações difíceis e, para vencê-las, fui obrigado a lançar mão de forças que existiam em mim, em estado latente e que eu, na verdade, desconhecia.”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14478" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14478/CBa.05%287%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="541" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14478" target="_blank">Visita ao hospital da Força Pública Mineira. Na primeira fila: vê-se o coronel Cristóvão Barcelos (terceiro, da esquerda para direita), o prefeito de Pará de Minas, Benedito Valadares (quarto, da esquerda para a direita); Juracy Magalhães (quinto, da esquerda para direita). Na terceira fila, de cima para baixo: Manoel Linhares, Washington Pires e o capitão médico da corporação, Juscelino Kubitschek (ao centro), 1932. Belo Horizonte, Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando analisa a situação de São Paulo no conflito, Juscelino lembra o isolamento do estado que sustentou a guerra com recursos das indústrias e com a atuação dos jovens combatentes dos centros urbanos, mas sem a participação dos operários e trabalhadores do campo que não viam seus interesses representados pela campanha constitucionalista, estando <em>“ambas as categorias, naquela época, inteiramente alheias às competições político-partidárias.”</em>.</p>
<p>Após sua retirada da região do Túnel da Mantiqueira para fazer o acompanhamento dos feridos em Guaxupé e Varginha, Juscelino seguiu para o quartel-general instalado por Cristóvão Barcelos em Campinas (SP). Ali pôde vivenciar a hostilidade da população paulista que dizia compreender: <em>“Aquele ódio coletivo constrangia-me. No íntimo, nutria consideração pela causa de São Paulo e via, com angústia, o sofrimento do povo que havia lutado sozinho por uma Constituição e que, em face da derrota, voltaria a ser mais uma vez humilhado.”</em></p>
<p>Juscelino considerava o Setor do Túnel uma <em>“sementeira de uma nova geração de políticos. Naquela área, verificava-se, de fato, intensa fermentação política. O prestígio, que algumas pessoas ali adquiriram, levou-as mais tarde às mais elevadas posições no país.”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14480" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14480/CBa.05%289%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="481" /></a><p class="wp-caption-text">V<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14480" target="_blank">isita de oficiais das forças legalistas ao Palácio da Liberdade após sua vitória sobre o movimento constitucionalista. Na primeira fila vê-se o coronel Cristóvão Barcelos ( quinto, da esquerda para direita), Benedito Valadares (quarto da esquerda para direita), Gustavo Capanema (terceiro, da esquerda para direita), Juracy Magalhães (sexto, da esquerda para direita) e Juscelino Kubitschek (primeiro à direita); entre outros não identificados, 1932. Belo Horizonte, Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As fotografias da coleção Cristóvão Barcelos mostram alguns desses personagens, homens que ao conviverem no campo de batalha construíram relações que passaram de profissionais e pessoais para políticas. Dos atores aqui destacados, após a guerra, Cristóvão Barcelos participou da fundação do Partido Socialista Fluminense ainda em 1932, desligando-se dois meses depois para criar o partido União Progressista Fluminense (UPF), legenda pelo qual foi eleito deputado para a Assembleia Constituinte em maio de 1933. Após o fim dos trabalhos da Constituinte em julho de 1934, disputou o governo do estado do Rio de Janeiro em um processo marcado pela interferência do governo federal e pela violência. Ao ser derrotado voltou para o exército sendo promovido a general em 1938. Juscelino Kubitschek foi eleito presidente da República em 1955.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Maria de Fátima Morado é historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO (ALESP). Sessão comemorativa aos 25 anos da Revolução contou com a presença de Juscelino Kubitschek. <em>Informativo da Divisão de Acervo Histórico</em>, São Paulo, ALESP, ano 7, n. 28, maio/junho/julho. 2022.</p>
<p>AUGUSTO. Flávio Antônio Silva. JK, o médico da Força Pública Mineira. <em>Revista do IGHMB</em>, Rio de Janeiro, ano 84, n. 115, especial, 2025.</p>
<p>BRASIL. Ministério da Gestão e Inovação de Serviços Públicos. <em>Estado, administração e reforma: o Governo Provisório de Getúlio Vargas (1930-1934).</em> MAPA/Arquivo Nacional.</p>
<p>DAVIDOFF. Carlos Henrique. Revolução de 1932. In: <em>Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro.</em> Rio de Janeiro: Editora FGV.</p>
<p>JUSCELINO KUBITSCHEK. In: <em>Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930.</em> 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001</p>
<p>KUBITSCHEK, Juscelino. <em>Meu caminho para Brasília</em>: A experiência da humildade. Brasília: Edições do Senado Federal, 2020. v.1.</p>
<p>LEMOS, Renato. Cristóvão Barcelos. In: ABREU, Alzira Alves de (org.). <em>Dicionário histórico-biográfico da Primeira República (1889-1930).</em> Rio de Janeiro: Editora FGV, 2015.</p>
<p>MOREIRA. Regina da Luz. <em>A Revolução Constitucionalista de 1932</em>. Rio de Janeiro: Editora FGV.</p>
<p>RIBEIRO. Antônio Sérgio. Revolução Constitucionalista de 1932 &#8211; 80 anos de uma epopeia. <em>Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP)</em>, São Paulo, 2012.</p>
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		<title>Ignacio Fernandes Mendo (18? &#8211; ?), um Fotógrafo da Casa Imperial pelas províncias do Nordeste do Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 14:32:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pouco se sabe, até hoje, sobre a vida, tanto pessoal como profissional, do fotógrafo brasileiro, provavelmente maranhense, Ignacio Fernandes Mendo (18? - ?). Trabalhou em várias províncias da região Nordeste do Brasil e foi o último profissional a receber o título de Fotógrafo da Casa Imperial, concedido em 6 de agosto de 1889, por dom Pedro II (1825 - 1891), um entusiasta da fotografia. Era também compositor e dedicou uma música às cataratas de Paulo Afonso. Sua cronologia é a 73ª publicada na seção Cronologia de Fotógrafos da Brasiliana Fotográfica, que reuniu as imagens de autoria de Mendo disponíveis em seu acervo fotográfico para que seus leitores conheçam um pouco do legado fotográfico deixado por ele. São fotos da Estrada de Ferro de Paulo Afonso, produzidas em 1880, e pertencem ao acervo fotográfico da Fundação Biblioteca Nacional, uma das fundadoras do portal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Pouco se sabe, até hoje, sobre a vida, tanto pessoal como profissional, do fotógrafo brasileiro, provavelmente maranhense, Ignacio Fernandes Mendo (18? &#8211; ?). Fotógrafo itinerante, trabalhou em várias províncias da região Nordeste do Brasil e foi o último profissional a receber o título de Fotógrafo da Casa Imperial, concedido em 6 de agosto de 1889, por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">dom Pedro II (1825 &#8211; 1891</a>), um entusiasta da fotografia. Ainda não se sabe que tipo de contato ele teve com o monarca e nem de como suas obras poderiam ter chegado para a apreciação do imperador.</p>
<p>Era também compositor e dedicou uma música às cataratas de Paulo Afonso. Sua cronologia é a 73ª publicada na seção <span style="color: #800000;"><em><strong>Cronologia de Fotógrafos</strong></em></span> da Brasiliana Fotográfica, que reuniu as imagens de autoria de Mendo disponíveis em seu acervo fotográfico para que seus leitores conheçam um pouco do legado fotográfico deixado por ele. São fotos da Estrada de Ferro de Paulo Afonso, produzidas em 1880, e pertencem ao acervo fotográfico da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), uma das fundadoras do portal. É também o autor de uma das raras  fotografias existentes sobre as comemorações da abolição da escravidão no Brasil: registrou uma celebração realizada na Bahia no domingo seguinte à divulgação da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/549" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/549/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="520" /></a><p class="wp-caption-text">I<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/549" target="_blank">gnacio F. Mendo. [Estrada de Ferro de Paulo Afonso] : Kilometro 26, 1880/ Acervo FBN</a></p></div>
<p>O historiador Pedro Vasquez observou a respeito de Mendo em seu livro <em>O Brasil na Fotografia Oitocentista</em> (2003):</p>
<p><em>&#8220;É interessante notar que as mudanças de razão social da empresa espelham uma segurança profissional crescente [em Mendo]: começa com a Photographia Popular, em Sobral; passa para Photographia Maranhense, em Aracaju; e termina com a Photographia Universal, em Salvador, no ano de 1888 [&#8230;] Particularmente interessantes são as vistas de Porto de Piranhas, onde já haviam precedido dois bons fotógrafos na década anterior, Abílio Coutinho e Augusto Riedel, transformando assim a distante e modesta vila situada às margens do Rio São Francisco numa referência para fotografia brasileira oitocentista&#8221;</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/563" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/563/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/563" target="_blank">Ignacio F. Mendo. [Estrada de Ferro de Paulo Afonso] : Piranhas (01), 1880. Alagoas, Acervo FBN</a></p></div>
<p>Nas fotografias destacadas nestes artigo, Mendo retratou a Estrada de Ferro de Paulo Afonso (EFPA ), que começou a ser construída justamente em Piranhas, em Alagoas, em 23 de outubro de 1878, tendo sido aberta ao tráfego dois anos depois, em 1880. O trecho final foi inaugurado em 2 de agosto de 1883, em Jatobá de Tacaratu, atual Petrolândia, em Pernambuco. Sua construção foi uma iniciativa do governo imperial  e objetivava conjugar interiorização e crescimento econômico. A EFPA havia sido idealizada pelo engenheiro militar e empresário abolicionista André Rebouças (1838 &#8211; 1898) com o propósito de ligar baixo e médio São Francisco, e socorrer os flagelados da terrível seca de 1877. O planejamento ficou a cargo do norte-americano William Milnor Roberts (1810 &#8211; 1881) e a autorização da obra foi dada por João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu (1810 &#8211; 1906), o Visconde de Sinimbu, alagoano e Conselheiro do Império.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45625" style="width: 315px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_01/4190" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45625" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/mendo1.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 23 de junho de 1878" width="305" height="325" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_01/4190" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 23 de junho de 1878</a></p></div>
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<p>Os registros de Mendo nos convidam a um passeio, passando pelo porto de Piranhas, por casas , cortes na mata, por trabalhadores e casas no caminho da estrada de ferro.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/545" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/545/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/545" target="_blank">Ignacio F. Mendo. Estrada de Ferro de Paulo Afonso] : Kilometro 30, 1880 / Acervo FBN</a></p></div>
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<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/browse?value=Mendo%2C+Ign%C3%A1cio+F.%2C+fl.+1870&amp;type=author" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotos de autoria de Ignacio Fernandes Mendo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De acordo com um anúncio de sua Photographia Popular, Mendo produzia fotografias pelos sistemas mais modernos adotados nas principais capitais da América e da Europa (<em>Sobralense</em>, 14 de março de 1875).</p>
<p>Mendo f<span style="color: #800000;"><span style="color: #333333;">oi um dos fotógrafos cujas imagens integraram a exposição</span><strong> </strong></span><em>A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX</em>, realizada entre 29 de janeiro e 23 de março de 1997, pela Biblioteca Nacional, no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Ainda em 1997, a exposição foi apresentada na Pinacoteca de São Paulo e no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires, na Argentina. Em 2000, foi apresentada no Centro Português de Fotografia, no Porto, em Portugal. Integraram também a exposição registros de autoria de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20836" target="_blank">Albert Frisch (1840 &#8211; 1918)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20783" target="_blank">Albert Richard Dietze (1838 &#8211; 1906)</a>, Arsênio da Silva (1833 – 1883), Augusto Amoretty (1845 &#8211; 1906), <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2415" target="_blank">Augusto Riedel (1836 – ?)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20917" target="_blank">Benjamin R. Mulock (1829 &#8211; 1863)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20804" target="_blank">Felipe Augusto Fidanza (1844 &#8211; 1903)</a>, Franz Keller-Leuzinger (1835 &#8211; 1890), <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21254" target="_blank">Henrique Rosen (1840 &#8211; 1892)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20924" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco (1830 &#8211; 1912)</a>, Louis Niemeyer, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=29145" target="_blank">Luis Terragno</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20796" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20882" target="_blank">Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886)</a> e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20840" target="_blank">Victor Frond (1821 &#8211; 1881)</a>, dentre outros.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/542" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/542/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/542" target="_blank">Ignacio F. Mendo. [Estrada de Ferro de Paulo Afonso] : Corte grande do Pico do Curralinho, kilo. 26, 1880 / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=43694%20" target="_blank"><span style="color: #800000;"><em><strong>Cronologia de Ignacio Fernandes Mendo (18? &#8211; ?)</strong></em></span></a></p>
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<div id="attachment_43692" style="width: 325px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank"><img class="wp-image-43692 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio9.jpg" alt="Echo Sergipano, 24 de abril de 1881" width="315" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank">Echo Sergipano, 24 de abril de 1881</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1866</span></strong> &#8211; <span style="color: #000000;">Ignacio Fernandes Mendo</span> começou a atuar como fotógrafo provavelmente neste ano (SILVA, 2009).</p>
<p>Esteve, nos anos 1860, no Piauí (BASTOS, 1994), onde também atuavam, na referida década, os fotógrafos Joaquim Joze Avellino (18? -?), que abriu seu estabelecimento fotográfico, em Teresina, em 1865; Miguel Carlos (18? -?), que, em julho de 1868, anunciava ter <em>um bom sortimento para o trabalho de fotografia</em>; e Justino Rocha Pereira (18? -?), fotógrafo itinerante que, em 1860, esteve em Teresina (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/844080/84" target="_blank"><em>Liga e Progresso</em> (PI), 3 de abril de 1865</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/783765/365" target="_blank"><em>A Imprensa</em> (PI), 18 de julho de 1868</a>; e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/783765/365" target="_blank"><em>O Propagador </em>(PI), 22 de abril de 1860</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1875</strong> </span>- Mendo anunciava os serviços de sua Photographia Popular, instalada na Rua Boa Vista, nº 15, em Sobral, no Ceará (<em>Sobralense</em>, 14 de março de 1875). Foi contemporâneo, no Ceará, de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27766" target="_blank">Joaquim Antônio Correia (18? – ?)</a><em>, </em>autor de um conjunto de fotografias que pertence, atualmente, ao acervo da Biblioteca Nacional de vítimas da seca de 1877-1878.  São imagens chocantes, em formato de <em>cartes de visite</em>, e retratam crianças, homens e mulheres desnutridos e maltrapilhos, de aparência doentia. Também atuavam no estado, nos anos 1870, Pinto de Sampaio (18? -?), o prussiano Carlos Frederico Johann Reeckel (18? – c. 189?), do dinamarquês Niels Olsen (1843 &#8211;  1911) e o norte-americano R. H. Furmann (18? -?), dentre outros. Este último anunciou, em 1876, que era o único fotógrafo no Brasil que usava o Método Rembrant e o de porcelana para produzir fotografias (<em>O Cearense</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/9717" target="_blank">21 de dezembro de 1871, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/10511" target="_blank">2 de julho de 1874, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/10908" target="_blank">30 de setembro de 1875, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/11087" target="_blank">12 de março de 1876, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/12144" target="_blank">25 de abril de 1879, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/12896">12 de setembro de 1880, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43684" style="width: 343px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio2.jpg"><img class="wp-image-43684 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio2.jpg" alt="ignacio2" width="333" height="495" /></a><p class="wp-caption-text"><em>Sobralense</em>, 14 de março de 1875 / Transcrição copiada de BEZERRA (2019)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Meses depois, a Photographia Popular estava estabelecida, na Rua da Palma, nº 17, em Fortaleza (<em>Pedro II</em> (CE), 7 de novembro de 1875).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1876</strong> </span>- Passou por Açu, no Rio Grande do Norte (<em>Correio do Assú</em>, 25 de outubro de 1876).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43688" style="width: 339px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio5.jpg"><img class="wp-image-43688 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio5.jpg" alt="Correio do Assu, 25 de setembro de 1876" width="329" height="157" /></a><p class="wp-caption-text"><em>Correio do Assu</em>, 25 de setembro de 1876 / Transcrição copiada de BEZERRA (2019)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1878</strong> </span>- Encontrava-se em Alagoas, onde realizou uma série de vistas da cachoeira e da Estrada de Ferro de Paulo Afonso, e também do porto de Piranhas (BEZERRA, 2019). Viajantes estrangeiros, como Augusto Stahl (1828 &#8211; 1877) e Augusto Riedel (1836 &#8211; ?), e depois o brasileiro Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923) também fotografaram a Cachoeira de Paulo Afonso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43725" style="width: 762px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon861689/icon861689.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-43725 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio12.jpg" alt="Ignacio F. Mendo. " width="752" height="541" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon861689/icon861689.jpg" target="_blank">Ignacio F. Mendo. Cachoeira de Paulo Afonso, 1880 / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1881</strong></span> &#8211; Anunciou a abertura de seu estabelecimento fotográfico, a Photographia Maranhense, em Aracaju (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank"><em>Echo Sergipano</em>, 24 de abril de 1881</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43692" style="width: 325px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43692" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio9.jpg" alt="Echo Sergipano, 24 de abril de 1881" width="315" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank"><em>Echo Sergipano</em>, 24 de abril de 1881</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<dl id="attachment_43687" class="wp-caption aligncenter" style="width: 285px;">
<dt class="wp-caption-dt">
<div id="attachment_43687" style="width: 285px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio4.jpg"><img class="wp-image-43687 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio4.jpg" alt="Correio do Assu, " width="275" height="404" /></a><p class="wp-caption-text"><em>Echo Sergipano,</em> 24 de abril de 1881 / Transcrição copiada de BEZERRA (2019)</p></div>
</dt>
<dd class="wp-caption-dd"></dd>
</dl>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1884</strong></span> &#8211; Seu estabelecimento fotográfico, a Photographia Maranhense, ficava na Rua Conde d´Eu, em Feira de Santana, na Bahia (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/826820/3" target="_blank"><em>Jornal da Feira</em> (BA), 1º de agosto de 1884, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43706" style="width: 466px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/826820/3" target="_blank"><img class="wp-image-43706 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio10.jpg" alt="ignacio10" width="456" height="226" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/826820/3" target="_blank"><em>Jornal da Feira</em> (BA), 1º de agosto de 1884</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1885</strong></span> &#8211; Seu nome aparece na lista de estudantes da Faculdade de Medicina da Bahia para os exames da primeira série de Farmácia (BEZERRA, 2019).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1886</strong></span> &#8211; Estava trabalhando em Cachoeira, mas tinha a intenção de se mudar para Salvador. Anunciava um<em> processo rápido</em> ideal para os retratos de <em>pessoas nervosas ou crianças</em> (<em>A Ordem </em>(Cachoeira, BA), 14 de abril de 1886).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1888</strong></span> &#8211; Estava estabelecido na Photographia Universal, na rua Direita do Colégio, esquina com rua São José, em Salvador. Também atuavam como fotográfos, nos anos 1880, na cidade,<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20861" target="_blank"> o alemão Alberto Henschel (1827 &#8211; 1882)</a> e o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20846" target="_blank">suíco Guilherme Gaensly (1843 &#8211; 1928)</a>, dentre outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43690" style="width: 364px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/38" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43690" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio8.jpg" alt="A Locomotiva, 13 de dezembro de 1888" width="354" height="296" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/38" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 13 de dezembro de 1888</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Produziu uma das raras fotografias existentes sobre as comemorações da abolição da escravidão no Brasil, feita na Bahia, logo no domingo seguinte à divulgação da Lei Áurea (VASCONCELLOS, 2006).</p>
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<div id="attachment_43730" style="width: 642px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio13.jpg"><img class="wp-image-43730 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio13.jpg" alt="ignacio13" width="632" height="487" /></a><p class="wp-caption-text">Phot. Universal de Ignacio Mendo. Cópia sobre cartão “Grande Missa Campal no adro do Bonfim, em ação de Graças pela redempção dos escravos no Brazil, em 13 de maio de 1888, celebrada pelo Padre Arsenio Pereira da Fonseca, deputado provincial pelo 1º districto e capellão da Libertadora Bahiana, sendo pregador o conego Dr. João Nepomuceno deputado pelo 4º districto e promovida por E. Carigé e o Club José Bonifácio” / Acervo Museu de Arte da Bahia</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>&#8220;O público da missa evidencia a diversidade social da cidade. Nesse primeiro plano, próximo ao fotógrafo, concentraram-se os homens afrodescendentes e brancos. Usam o mesmo modelo de paletó, gravata, chapéu e bigode. Isso demonstra que, fora do estúdio, homens afrodescendentes e brancos usavam os mesmos modelos de traje, enquanto as mulheres pretas se distinguiam pelo uso do turbante branco&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;"> Christiane Silva de Vasconcellos</p>
<p style="text-align: right;">em <em>O  circuito social da fotografia da gente negra Salvador 1860-1916</em>, página 111</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Anunciou que havia obtido <em>diversas medalhas de ouro</em> e que seguia produzindo retratos com<em> perfeição e modicidade em preços </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/827150/4" target="_blank"><em>Folha Nova </em>(BA), 4ª semana de setembro de 1888, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/38" target="_blank"><em>A Locomotiva </em>(BA), 13 de dezembro de 1888</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45105" style="width: 593px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=827150&amp;pagfis=4" target="_blank"><img class="wp-image-45105 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/ignacio15.jpg" alt="ignacio15" width="583" height="443" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=827150&amp;pagfis=4" target="_blank"><em>Folha Nova</em> (BA), 4ª semana de setembro de 1888</a></p></div>
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<p><em>&#8220;Aos olhos do mundo civilizado apresentamos nessa página de honra a gravura que representa o edifício onde funciona a popularíssima fábrica Leite &amp; Alves, nesta capital, à Caçada do Bom-fim, nº 95, cópia de uma bela fotografia do sr. Ignacio Mendo</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/25" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 2 de dezembro de 1888</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43685" style="width: 351px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/25" target="_blank"><img class="wp-image-43685 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio3.jpg" alt="A Locomotiva, de dezembro de 1888" width="341" height="422" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/25" target="_blank">Gravura produzida sobre foto de Mendo da Antiga Imperial Fábrica de Cigarros de S. Domingos, cujo proprietário era Leite &amp; Alves / <em>A Locomotiva</em>, 2 de dezembro de 1888</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45106" style="width: 531px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=822884&amp;pagfis=33" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45106" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/ignacio16.jpg" alt="A Locomotiva, 13 de dezembro de 1888" width="521" height="435" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=822884&amp;pagfis=33" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 13 de dezembro de 1888</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1889</strong></span> &#8211; Uma <em>cópia fiel</em> de uma fotografia da Grande Fábrica de Cigarros a Vapor de Martins Fernandes de sua autoria foi publicada (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/67" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 13 de janeiro de 1889, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43736" style="width: 635px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/67" target="_blank"><img class="wp-image-43736 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio14.jpg" alt="ignacio14" width="625" height="511" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/67" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 22 de janeiro de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Compôs uma música em homenagem às cataratas de Paulo Afonso:<em> &#8220;Recebemos a polca Cachoeira Paulo Afonso &#8211; brilhante produção do nosso simpático amigo Ignacio Mendo, acreditado fotógrafo desta capital&#8221; </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/87" target="_blank"><em>A Locomotiva </em>(BA), 9 de fevereiro de 1889, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43689" style="width: 312px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/92" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43689" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio7.jpg" alt="A Locomotiva, 9 de fevereiro de 1889" width="302" height="332" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/92" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 9 de fevereiro de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi agraciado por dom Pedro II (1825 &#8211; 1891), um entusiasta da fotografia, com o título de Fotógrafo da Casa Imperial, em 6 de agosto de 1889, cerca de três meses antes da Proclamação da República no Brasil, em 15 de novembro do mesmo ano. No dia seguinte, 16 de novembro, a família real portuguesa foi banida do país (<a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-2-16-novembro-1889-541921-publicacaooriginal-48643-pe.html#:~:text=Prov%C3%AA%20%C3%A1%20decencia%20da%20posi%C3%A7%C3%A3o,%2D%20Aristides%20da%20Silveira%20Lobo.&amp;text=Publica%C3%A7%C3%A3o:,1%20(Publica%C3%A7%C3%A3o%20Original)" target="_blank">Decreto nº 2, 16 de novembro de 1889</a>). Ainda não se sabe nem se ele teve contato com o imperador nem de como sua obra teria chegado à apreciação do monarca.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1997</strong></span> &#8211; <span style="color: #800000;"><span style="color: #333333;">Foi um dos fotógrafos cujas imagens integraram a exposição</span><strong> </strong></span><em>A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX</em>, realizada entre 29 de janeiro e 23 de março de 1997, pela Biblioteca Nacional, no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Integraram também a exposição registros de autoria de Albert Frisch (1840 &#8211; 1918), Albert Richard Dietze (1838 &#8211; 1906), Arsênio da Silva (1833 – 1883), Augusto Amoretty (1845 &#8211; 1906), Augusto Riedel (1836 – ?), Benjamin R. Mulock (1829 &#8211; 1863), Felipe Augusto Fidanza (1844 &#8211; 1903), Franz Keller-Leuzinger (1835 &#8211; 1890), Henrique Rosen (1840 &#8211; 1892), Joaquim Insley Pacheco (1830 &#8211; 1912), Louis Niemeyer, Luiz Terragno, Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923), Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e Victor Frond (1821 &#8211; 1881), dentre outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43713" style="width: 386px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon925096/icon925096.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-43713 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio11.jpg" alt="Catálogo da exposição" width="376" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon925096/icon925096.pdf" target="_blank">Catálogo da exposição <em>A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX</em></a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entre 20 de abril e 25 de maio, foi apresentada na Pinacoteca de São Paulo.</p>
<p>Entre 4 e 31 de julho, foi apresentada no<strong> </strong>Museu Nacional de Belas Artes, em Buenos Aires, na Argentina.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>2000 </strong><span style="color: #333333;">- A exposição</span><strong> </strong></span><em>A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX</em>, foi realizada entre 8 de junho e 30 de julho de 2000, no Centro Português de Fotografia, no Porto, em Portugal.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>2020</strong></span> &#8211; Apresentação de <a href="https://www.researchgate.net/figure/Figura-125-Ignacio-Mendo-Biblioteca-Nacional-Brasil_fig8_348183478" target="_blank"><em>A experiência da aceleração: paisagem, infraestrutura e o imaginário da modernidade no Brasil (1870/1910)</em></a>,  de Felipe Ziotti Narita, trabalho de pós-doutorado, ao Departamento de Sociologia e ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) como requisito para conclusão de pesquisa junto ao Programa de Pós-Doutorado (PPD/UFSCar).</p>
<p>Sobre o álbum das obras da Estrada de Ferro Paulo Afonso, produzido por Ignacio Mendo, Narita comentou:</p>
<p><em>&#8220;Ignacio Mendo foi fotógrafo da Casa Imperial nos anos 1880, quando também acompanhou as obras da Estrada de Ferro de Paulo Afonso. O álbum, com vapores e caminhos de ferro cruzando casebres precários e construções muitos dispersas, além de assinalar as condições de um território ermo, privilegia paisagens e perspectivas abertas, realçando um esvaziamento da própria figura humana. Exceto pequenas aparições de trabalhadores dos trechos ferroviários na paisagem vazia (Figura 125), predomina um desenho temático completamente ausente de movimento (Figuras 126, 127 e 128). A atmosfera estacionária do vazio oferece o material bruto a partir do qual as linhas de força do sistema-mundo moderno subsumia os mais remotos rincões à lógica social da circulação e da produção&#8221;.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BASTOS, Cláudio. <em>Dicionário histórico e geográfico do Piauí</em>. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1994.</p>
<p>BEZERRA, Ari Leite. <a href="https://issuu.com/bdlf/docs/2019_historia_da_fotografia_no_ceara_do_seculo_xix" target="_blank"><em>História da fotografia no Ceará do século XIX</em></a>. Edição do autor, 2019. Página 152</p>
<p>CASTRO, Danielle Ribeiro de. <a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/monografia_PhotographosDaCasaImperial_DanielleCastro_completa-1.pdf" target="_blank"><em>PHOTOGRAPHOS DA CASA IMPERIAL A Nobreza da Fotografia no Brasil do Século XIX.</em></a> Monografia apresentada ao curso de PósGraduação em História da Arte da Fundação Armando Álvares Penteado, como exigência parcial para obtenção do certificado de conclusão, sob a orientação de Rubens Fernandes Junior, 2010.</p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/6358-inacio-mendo" target="_blank">Enciclopédia Itaú Cultural</a></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910).</em> São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&amp;b.</p>
<p><em>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-Origens e expansão da fotografia no Brasil: século XIX</em>. Rio de Janeiro: Funarte, 1980</p>
<p>NARITA, Felipe Ziotti. <a href="https://www.researchgate.net/figure/Figura-125-Ignacio-Mendo-Biblioteca-Nacional-Brasil_fig8_348183478" target="_blank"><em>A experiência da aceleração: paisagem, infraestrutura e o imaginário da modernidade no Brasil (1870/1910)</em></a>. Relatório de pós-doutorado apresentado ao Departamento de Sociologia e ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) como requisito para conclusão de pesquisa junto ao Programa de Pós-Doutorado (PPD/UFSCar), 2020.</p>
<p>OLIVEIRA, Evelina Antunes.<em> <a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/ojs,+175-392-1-CE.pdf">Nos Trilhos da História do Baixo São Francisco: um ensaio sobre a Estrada de Ferro Paulo Afonso </a></em>in <em>Mneme Revista de Humanidades</em>, V.4 &#8211; N.8 &#8211; abr./set. de 2003– Semestral.</p>
<p>SILVA, TELMA Cristina Damasceno. <a href="https://livros01.livrosgratis.com.br/cp119866.pdf" target="_blank"><em>A fotografia artística na Bahia e sua inserção nos salões oficiais de arte</em></a>. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Escola de Belas Artes, Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Artes Visuais., 2009.</p>
<p>VASCONCELLOS, Christiane Silva de. <a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/O%20circuito%20social%20da%20fotografia%20da%20gente%20negra.%20Salvador%201860-1916.pdf"><em>O  circuito social da fotografia da gente negra Salvador 1860-1916</em></a>. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História sob a orientação da Prof. Dr. Joao Jose Reis, 2006.</p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>A fotografia no Império</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<em>Dom Pedro II e a fotografia no Brasil.</em> Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<em>O Brasil na Fotografia Oitocentista</em>. São Paulo: Metalivros, 2003.</p>
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		<title>Cronologia de Ignacio Fernandes Mendo (18? &#8211; ?)</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 14:25:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cronologia de Ignacio Fernandes Mendo (18? &#8211; ?) &#160; &#160; 1866 &#8211; Ignacio Fernandes Mendo começou a atuar como fotógrafo provavelmente neste ano (SILVA, 2009). Esteve, nos anos 1860, no Piauí (BASTOS, 1994), onde também atuavam, na referida década, os fotógrafos Joaquim Joze Avellino (18? -?), que abriu seu estabelecimento fotográfico, em Teresina, em 1865; Miguel Carlos (18? -?), [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>Cronologia de Ignacio Fernandes Mendo (18? &#8211; ?)</strong></span></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43692" style="width: 325px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank"><img class="wp-image-43692 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio9.jpg" alt="Echo Sergipano, 24 de abril de 1881" width="315" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank"><em>Echo Sergipano</em>, 24 de abril de 1881</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1866</span></strong> &#8211; <span style="color: #000000;">Ignacio Fernandes Mendo</span> começou a atuar como fotógrafo provavelmente neste ano (SILVA, 2009).</p>
<p>Esteve, nos anos 1860, no Piauí (BASTOS, 1994), onde também atuavam, na referida década, os fotógrafos Joaquim Joze Avellino (18? -?), que abriu seu estabelecimento fotográfico, em Teresina, em 1865; Miguel Carlos (18? -?), que, em julho de 1868, anunciava ter <em>um bom sortimento para o trabalho de fotografia</em>; e Justino Rocha Pereira (18? -?), fotógrafo itinerante que, em 1860, esteve em Teresina (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/844080/84" target="_blank"><em>Liga e Progresso</em> (PI), 3 de abril de 1865</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/783765/365" target="_blank"><em>A Imprensa</em> (PI), 18 de julho de 1868</a>; e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/783765/365" target="_blank"><em>O Propagador </em>(PI), 22 de abril de 1860</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1875</strong> </span>- Mendo anunciava os serviços de sua Photographia Popular, instalada na Rua Boa Vista, nº 15, em Sobral, no Ceará (<em>Sobralense</em>, 14 de março de 1875). Foi contemporâneo, no Ceará, de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27766" target="_blank">Joaquim Antônio Correia (18? – ?)</a><em>, </em>autor de um conjunto de fotografias que pertence, atualmente, ao acervo da Biblioteca Nacional de vítimas da seca de 1877-1878.  São imagens chocantes, em formato de <em>cartes de visite</em>, e retratam crianças, homens e mulheres desnutridos e maltrapilhos, de aparência doentia. Também atuavam no estado, nos anos 1870, Pinto de Sampaio (18? -?), o prussiano Carlos Frederico Johann Reeckel (18? – c. 189?), do dinamarquês Niels Olsen (1843 &#8211;  1911) e o norte-americano R. H. Furmann (18? -?), dentre outros. Este último anunciou, em 1876, que era o único fotógrafo no Brasil que usava o Método Rembrant e o de porcelana para produzir fotografias (<em>O Cearense</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/9717" target="_blank">21 de dezembro de 1871, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/10511" target="_blank">2 de julho de 1874, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/10908" target="_blank">30 de setembro de 1875, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/11087" target="_blank">12 de março de 1876, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/12144" target="_blank">25 de abril de 1879, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/12896">12 de setembro de 1880, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43684" style="width: 343px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio2.jpg"><img class="wp-image-43684 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio2.jpg" alt="ignacio2" width="333" height="495" /></a><p class="wp-caption-text"><em>Sobralense</em>, 14 de março de 1875 / Transcrição copiada de BEZERRA (2019)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Meses depois, a Photographia Popular estava estabelecida, na Rua da Palma, nº 17, em Fortaleza (<em>Pedro II</em> (CE), 7 de novembro de 1875).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1876</strong> </span>- Passou por Açu, no Rio Grande do Norte (<em>Correio do Assú</em>, 25 de outubro de 1876).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43688" style="width: 339px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio5.jpg"><img class="wp-image-43688 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio5.jpg" alt="Correio do Assu, 25 de setembro de 1876" width="329" height="157" /></a><p class="wp-caption-text"><em>Correio do Assu</em>, 25 de setembro de 1876 / Transcrição copiada de BEZERRA (2019)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1878</strong> </span>- Encontrava-se em Alagoas, onde realizou uma série de vistas da cachoeira e da Estrada de Ferro de Paulo Afonso, e também do porto de Piranhas (BEZERRA, 2019). Viajantes estrangeiros, como Augusto Stahl (1828 &#8211; 1877) e Augusto Riedel (1836 &#8211; ?), e depois o brasileiro Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923) também fotografaram a Cachoeira de Paulo Afonso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43725" style="width: 762px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon861689/icon861689.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-43725 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio12.jpg" alt="Ignacio F. Mendo. " width="752" height="541" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon861689/icon861689.jpg" target="_blank">Ignacio F. Mendo. Cachoeira de Paulo Afonso, 1880 / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1881</strong></span> &#8211; Anunciou a abertura de seu estabelecimento fotográfico, a Photographia Maranhense, em Aracaju (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank"><em>Echo Sergipano</em>, 24 de abril de 1881</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43692" style="width: 325px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43692" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio9.jpg" alt="Echo Sergipano, 24 de abril de 1881" width="315" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711268/12" target="_blank"><em>Echo Sergipano</em>, 24 de abril de 1881</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<dl id="attachment_43687" class="wp-caption aligncenter" style="width: 285px;">
<dt class="wp-caption-dt">
<div id="attachment_43687" style="width: 285px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio4.jpg"><img class="wp-image-43687 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio4.jpg" alt="Correio do Assu, " width="275" height="404" /></a><p class="wp-caption-text"><em>Echo Sergipano,</em> 24 de abril de 1881 / Transcrição copiada de BEZERRA (2019)</p></div>
</dt>
<dd class="wp-caption-dd"></dd>
</dl>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1884</strong></span> &#8211; Seu estabelecimento fotográfico, a Photographia Maranhense, ficava na Rua Conde d´Eu, em Feira de Santana, na Bahia (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/826820/3" target="_blank"><em>Jornal da Feira</em> (BA), 1º de agosto de 1884, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43706" style="width: 466px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/826820/3" target="_blank"><img class="wp-image-43706 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio10.jpg" alt="ignacio10" width="456" height="226" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/826820/3" target="_blank"><em>Jornal da Feira</em> (BA), 1º de agosto de 1884</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1885</strong></span> &#8211; Seu nome aparece na lista de estudantes da Faculdade de Medicina da Bahia para os exames da primeira série de Farmácia (BEZERRA, 2019).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1886</strong></span> &#8211; Estava trabalhando em Cachoeira, mas tinha a intenção de se mudar para Salvador. Anunciava um<em> processo rápido</em> ideal para os retratos de <em>pessoas nervosas ou crianças</em> (<em>A Ordem </em>(Cachoeira, BA), 14 de abril de 1886).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1888</strong></span> &#8211; Estava estabelecido na Photographia Universal, na rua Direita do Colégio, esquina com rua São José, em Salvador. Também atuavam como fotográfos, nos anos 1880, na cidade,<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20861" target="_blank"> o alemão Alberto Henschel (1827 &#8211; 1882)</a> e o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20846" target="_blank">suíco Guilherme Gaensly (1843 &#8211; 1928)</a>, dentre outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43690" style="width: 364px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/38" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43690" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio8.jpg" alt="A Locomotiva, 13 de dezembro de 1888" width="354" height="296" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/38" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 13 de dezembro de 1888</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Produziu uma das raras fotografias existentes sobre as comemorações da abolição da escravidão no Brasil, feita na Bahia, logo no domingo seguinte à divulgação da Lei Áurea (VASCONCELLOS, 2006).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43730" style="width: 642px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio13.jpg"><img class="wp-image-43730 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio13.jpg" alt="ignacio13" width="632" height="487" /></a><p class="wp-caption-text">Phot. Universal de Ignacio Mendo. Cópia sobre cartão “Grande Missa Campal no adro do Bonfim, em ação de Graças pela redempção dos escravos no Brazil, em 13 de maio de 1888, celebrada pelo Padre Arsenio Pereira da Fonseca, deputado provincial pelo 1º districto e capellão da Libertadora Bahiana, sendo pregador o conego Dr. João Nepomuceno deputado pelo 4º districto e promovida por E. Carigé e o Club José Bonifácio” / Acervo Museu de Arte da Bahia</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>&#8220;O público da missa evidencia a diversidade social da cidade. Nesse primeiro plano, próximo ao fotógrafo, concentraram-se os homens afrodescendentes e brancos. Usam o mesmo modelo de paletó, gravata, chapéu e bigode. Isso demonstra que, fora do estúdio, homens afrodescendentes e brancos usavam os mesmos modelos de traje, enquanto as mulheres pretas se distinguiam pelo uso do turbante branco&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;"> Christiane Silva de Vasconcellos</p>
<p style="text-align: right;">em <em>O  circuito social da fotografia da gente negra Salvador 1860-1916</em>, página 111</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Anunciou que havia obtido <em>diversas medalhas de ouro</em> e que seguia produzindo retratos com<em> perfeição e modicidade em preços </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/827150/4" target="_blank"><em>Folha Nova </em>(BA), 4ª semana de setembro de 1888, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/38" target="_blank"><em>A Locomotiva </em>(BA), 13 de dezembro de 1888</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45105" style="width: 593px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=827150&amp;pagfis=4" target="_blank"><img class="wp-image-45105 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/ignacio15.jpg" alt="ignacio15" width="583" height="443" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=827150&amp;pagfis=4" target="_blank"><em>Folha Nova</em> (BA), 4ª semana de setembro de 1888</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>&#8220;Aos olhos do mundo civilizado apresentamos nessa página de honra a gravura que representa o edifício onde funciona a popularíssima fábrica Leite &amp; Alves, nesta capital, à Caçada do Bom-fim, nº 95, cópia de uma bela fotografia do sr. Ignacio Mendo</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/25" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 2 de dezembro de 1888</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43685" style="width: 351px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/25" target="_blank"><img class="wp-image-43685 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio3.jpg" alt="A Locomotiva, de dezembro de 1888" width="341" height="422" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/25" target="_blank">Gravura produzida sobre foto de Mendo da Antiga Imperial Fábrica de Cigarros de S. Domingos, cujo proprietário era Leite &amp; Alves / <em>A Locomotiva</em>, 2 de dezembro de 1888</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45106" style="width: 531px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=822884&amp;pagfis=33" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45106" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/ignacio16.jpg" alt="A Locomotiva, 13 de dezembro de 1888" width="521" height="435" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=822884&amp;pagfis=33" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 13 de dezembro de 1888</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1889</strong></span> &#8211; Uma <em>cópia fiel</em> de uma fotografia da Grande Fábrica de Cigarros a Vapor de Martins Fernandes de sua autoria foi publicada (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/67" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 13 de janeiro de 1889, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43736" style="width: 635px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/67" target="_blank"><img class="wp-image-43736 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio14.jpg" alt="ignacio14" width="625" height="511" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/67" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 22 de janeiro de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Compôs uma música em homenagem às cataratas de Paulo Afonso:<em> &#8220;Recebemos a polca Cachoeira Paulo Afonso &#8211; brilhante produção do nosso simpático amigo Ignacio Mendo, acreditado fotógrafo desta capital&#8221; </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/87" target="_blank"><em>A Locomotiva </em>(BA), 9 de fevereiro de 1889, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43689" style="width: 312px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/92" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43689" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio7.jpg" alt="A Locomotiva, 9 de fevereiro de 1889" width="302" height="332" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/822884/92" target="_blank"><em>A Locomotiva</em>, 9 de fevereiro de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi agraciado por dom Pedro II (1825 &#8211; 1891), um entusiasta da fotografia, com o título de Fotógrafo da Casa Imperial, em 6 de agosto de 1889, cerca de três meses antes da Proclamação da República no Brasil, em 15 de novembro do mesmo ano. No dia seguinte, 16 de novembro, a família real portuguesa foi banida do país (<a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-2-16-novembro-1889-541921-publicacaooriginal-48643-pe.html#:~:text=Prov%C3%AA%20%C3%A1%20decencia%20da%20posi%C3%A7%C3%A3o,%2D%20Aristides%20da%20Silveira%20Lobo.&amp;text=Publica%C3%A7%C3%A3o:,1%20(Publica%C3%A7%C3%A3o%20Original)" target="_blank">Decreto nº 2, 16 de novembro de 1889</a>). Ainda não se sabe nem se ele teve contato com o imperador nem de como sua obra teria chegado à apreciação do monarca.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1997</strong></span> &#8211; <span style="color: #800000;"><span style="color: #333333;">Foi um dos fotógrafos cujas imagens integraram a exposição</span><strong> </strong></span><em>A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX</em>, realizada entre 29 de janeiro e 23 de março de 1997, pela Biblioteca Nacional, no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Integraram também a exposição registros de autoria de Albert Frisch (1840 &#8211; 1918), Albert Richard Dietze (1838 &#8211; 1906), Arsênio da Silva (1833 – 1883), Augusto Amoretty (1845 &#8211; 1906), Augusto Riedel (1836 – ?), Benjamin R. Mulock (1829 &#8211; 1863), Felipe Augusto Fidanza (1844 &#8211; 1903), Franz Keller-Leuzinger (1835 &#8211; 1890), Henrique Rosen (1840 &#8211; 1892), Joaquim Insley Pacheco (1830 &#8211; 1912), Louis Niemeyer, Luiz Terragno, Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923), Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e Victor Frond (1821 &#8211; 1881), dentre outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43713" style="width: 386px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon925096/icon925096.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-43713 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/ignacio11.jpg" alt="Catálogo da exposição" width="376" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon925096/icon925096.pdf" target="_blank">Catálogo da exposição <em>A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX</em></a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entre 20 de abril e 25 de maio, foi apresentada na Pinacoteca de São Paulo.</p>
<p>Entre 4 e 31 de julho, foi apresentada no<strong> </strong>Museu Nacional de Belas Artes, em Buenos Aires, na Argentina.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>2000 </strong><span style="color: #333333;">- A exposição</span><strong> </strong></span><em>A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX</em>, foi realizada entre 8 de junho e 30 de julho de 2000, no Centro Português de Fotografia, no Porto, em Portugal.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>2020</strong></span> &#8211; Apresentação de <a href="https://www.researchgate.net/figure/Figura-125-Ignacio-Mendo-Biblioteca-Nacional-Brasil_fig8_348183478" target="_blank"><em>A experiência da aceleração: paisagem, infraestrutura e o imaginário da modernidade no Brasil (1870/1910)</em></a>,  de Felipe Ziotti Narita, trabalho de pós-doutorado, ao Departamento de Sociologia e ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) como requisito para conclusão de pesquisa junto ao Programa de Pós-Doutorado (PPD/UFSCar).</p>
<p>Sobre o álbum das obras da Estrada de Ferro Paulo Afonso, produzido por Ignacio Mendo, Narita comentou:</p>
<p><em>&#8220;Ignacio Mendo foi fotógrafo da Casa Imperial nos anos 1880, quando também acompanhou as obras da Estrada de Ferro de Paulo Afonso. O álbum, com vapores e caminhos de ferro cruzando casebres precários e construções muitos dispersas, além de assinalar as condições de um território ermo, privilegia paisagens e perspectivas abertas, realçando um esvaziamento da própria figura humana. Exceto pequenas aparições de trabalhadores dos trechos ferroviários na paisagem vazia (Figura 125), predomina um desenho temático completamente ausente de movimento (Figuras 126, 127 e 128). A atmosfera estacionária do vazio oferece o material bruto a partir do qual as linhas de força do sistema-mundo moderno subsumia os mais remotos rincões à lógica social da circulação e da produção&#8221;.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BASTOS, Cláudio. <em>Dicionário histórico e geográfico do Piauí</em>. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1994.</p>
<p>BEZERRA, Ari Leite. <a href="https://issuu.com/bdlf/docs/2019_historia_da_fotografia_no_ceara_do_seculo_xix" target="_blank"><em>História da fotografia no Ceará do século XIX</em></a>. Edição do autor, 2019. Página 152</p>
<p>CASTRO, Danielle Ribeiro de. <a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/monografia_PhotographosDaCasaImperial_DanielleCastro_completa-1.pdf" target="_blank"><em>PHOTOGRAPHOS DA CASA IMPERIAL A Nobreza da Fotografia no Brasil do Século XIX.</em></a> Monografia apresentada ao curso de PósGraduação em História da Arte da Fundação Armando Álvares Penteado, como exigência parcial para obtenção do certificado de conclusão, sob a orientação de Rubens Fernandes Junior, 2010.</p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/6358-inacio-mendo" target="_blank">Enciclopédia Itaú Cultural</a></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910).</em> São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&amp;b.</p>
<p><em>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-Origens e expansão da fotografia no Brasil: século XIX</em>. Rio de Janeiro: Funarte, 1980</p>
<p>NARITA, Felipe Ziotti. <a href="https://www.researchgate.net/figure/Figura-125-Ignacio-Mendo-Biblioteca-Nacional-Brasil_fig8_348183478" target="_blank"><em>A experiência da aceleração: paisagem, infraestrutura e o imaginário da modernidade no Brasil (1870/1910)</em></a>. Relatório de pós-doutorado apresentado ao Departamento de Sociologia e ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) como requisito para conclusão de pesquisa junto ao Programa de Pós-Doutorado (PPD/UFSCar), 2020.</p>
<p>SILVA, TELMA Cristina Damasceno. <a href="https://livros01.livrosgratis.com.br/cp119866.pdf" target="_blank"><em>A fotografia artística na Bahia e sua inserção nos salões oficiais de arte</em></a>. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Escola de Belas Artes, Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Artes Visuais., 2009.</p>
<p>VASCONCELLOS, Christiane Silva de. <a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/O%20circuito%20social%20da%20fotografia%20da%20gente%20negra.%20Salvador%201860-1916.pdf"><em>O  circuito social da fotografia da gente negra Salvador 1860-1916</em></a>. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História sob a orientação da Prof. Dr. Joao Jose Reis, 2006.</p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>A fotografia no Império</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<em>Dom Pedro II e a fotografia no Brasil.</em> Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<em>O Brasil na Fotografia Oitocentista</em>. São Paulo: Metalivros, 2003.</p>
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		<title>Série “Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica” VIII – O Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, fotografado por Angelo Regato e por fotógrafos ainda não identificados</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 14:11:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com imagens do Estádio do Maracanã do acervo dos Diários Associados – Rio de Janeiro, conjunto de fotos incorporado, em 2016, por um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica, o Instituto Moreira Salles, o portal publica o oitavo artigo da série "Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica", celebrando os 76 anos de uma das arenas esportivas mais icônicas do planeta, construída para receber a Copa do Mundo de 1950. Os registros são de autoria de fotógrafos ainda não identificados e do italiano Angelo Regato, que ficou conhecido como um dos primeiros fotógrafos a usar uma teleobjetiva no Brasil. Selecionamos também imagens aéreas do acervo do Museu Aeroespacial, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. Mostram o estádio ainda sendo construído, em 1949, e também do ano de sua inauguração, ocorrida em 16 de junho de 1950. Publicamos um breve perfil e uma cronologia de Angelo Regato, a 73ª da sessão Cronologia de Fotógrafos do portal. Vida longa ao "Maraca"!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com imagens do Estádio do Maracanã do acervo dos Diários Associados – Rio de Janeiro, conjunto de fotos incorporado, em 2016, por um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica, o Instituto Moreira Salles, o portal publica o oitavo artigo da série <em>Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica</em>, celebrando os 76 anos de uma das arenas esportivas mais icônicas do planeta, um templo do futebol mundial, símbolo de uma das grandes paixões nacionais, patrimônio cultural brasileiro e orgulho dos cariocas. Foi construída para a Copa de 1950.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14405" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14405/036AESTA0059F003.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="575" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14405" target="_blank">Angelo Regato. Estádio de Maracanã, 1948 &#8211; 1950. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) &#8211; Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os registros são de autoria de fotógrafos ainda não identificados e do italiano Angelo Regato (1912 &#8211; 1993), que ficou conhecido como um dos primeiros fotojornalistas a usar uma teleobjetiva no Brasil, provavelmente o primeiro. Chefiou o Departamento de Fotografia dos Diários Associados de 1952 até 1975, quando se aposentou, encerrando sua carreira no <em>Jornal do Commercio.</em> Sobre ele, publicamos um breve perfil e uma cronologia, a 72ª da seção <em>Cronologia de Fotógrafos</em>, da Brasiliana Fotográfica. Selecionamos também imagens aéreas do Maracanã do acervo do Museu Aeroespacial, uma das instituições parceiras do portal. Mostram o estádio, carinhosamente apelidado de <em>Maraca</em>, ainda sendo construído, em 1949, e também do ano de sua inauguração, ocorrida em 16 de junho de 1950. Vida longa ao <em>Maraca</em>!</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11566" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11566/Alb%200290%20025%20CT.jpg.jpg?sequence=6&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="443" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11566" target="_blank">Escola da Aeronáutica. Estádio Municipal (Maracanã), 5 de janeiro de 1950. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Aeroespacial</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/438" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias do Estádio do Maracanã pertencente ao acervo da Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45274" style="width: 471px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/futeboldidiepele.jpg"><img class="size-full wp-image-45274" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/futeboldidiepele.jpg" alt="Didi e Pelé por Cássio Loredano. Didi marcou o primeiro gol do Maracanã e Pelé marcou seu milésimo gol no estádio" width="461" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">Didi e Pelé por Cássio Loredano. Didi foi o autor do primeiro gol marcado no Maracanã e Pelé marcou seu primeiro gol pela seleção brasileira e também seu milésimo gol no estádio / <em>Pasmado,</em> 3 de junho de 2026</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A partir de algumas fotografias exibidas neste artigo, mais uma vez pode-se constatar que as hemerotecas digitais, no caso a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, são ferramentas de pesquisa poderosas e indispensáveis, principalmente na busca de registros históricos nos periódicos. Porém, devido a velhos sistemas de impressão, as imagens ficam prejudicadas. Daí a importância da conservação dos acervos fotográficos originais, que nenhuma hemeroteca conserva com a mesma nitidez.<em><strong> </strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14401" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14401/036AESTA0058F012.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="390" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14401" target="_blank">Angelo Regato. Serviço de auto-falante do Estádio do Maracanã, publicado em 3 de junho de 1950, no O Jornal. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) &#8211; Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44215" style="width: 547px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/2921" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44215" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato15.jpg" alt="O Jornal, 3 de junho de 1950" width="537" height="277" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/2921" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 3 de junho de 1950</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">Em 1946, o Brasil foi escolhido pela FIFA como sede da Copa do Mundo de 1950 e precisava de um grande estádio para receber os jogos. A construção do Maracanã foi muito criticada pelo então vibrante e emergente orador e vereador pela União Democrática Nacional (UDN), Carlos Lacerda (1914 &#8211; 1977), devido aos gastos e à localização escolhida para o estádio, defendendo que fosse edificado em Jacarepaguá. O compositor Ary Barroso (1903 &#8211; 1964), já consagrado internacionalmente, então vereador no Rio de Janeiro, também pela UDN, e defensor da construção do estádio no terreno do antigo Derby Club, na Tijuca, encomendou ao Ibope uma pesquisa de opinião para que a população escolhesse entre os dois locais. O instituto fez a pesquisa durante jogos dos principais clubes de futebol cariocas. Resultado: 56,8% dos entrevistados escolheram o Derby Club e 9,7%, Jacarepaguá; 6,9% sugeriram outras regiões como Centro, Gávea, Quinta da Boavista e Cascadura. Além disso, 79,2% achavam necessária a construção de um estádio para a cidade e 53,6% se dispunham a arcar com algum ônus tributário para que a prefeitura financiasse a obra. O poeta venceu o tribuno!</p>
<p style="text-align: left;">A pedra fundamental do Estádio do Maracanã foi lançada em 20 de janeiro de 1948. O coronel Herculano Gomes (1899 &#8211; 1963) presidia a Comissão de Construção do Estádio Municipal. Seus arquitetos eram Antonio Dias Carneiro, Orlando Azevedo, Pedro Paulo Bernardes Bastos e Rafael Galvão.  E seus engenheiros estruturais, Alberto Rodrigues da Costa, Antonio Alves Noronha, Paulo Fragoso e Sergio Matos de Souza (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/41870" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 21 de janeiro de 1948</a>).</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14403" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14403/036AESTA0058F016.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="528" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14403" target="_blank">Angelo Regato. Lançamento da pedra fundamental do Estádio do Maracanã, 20 de janeiro de 1948. Na foto de cima, à esquerda, o prefeito do Rio de Janeiro, Mendes de Moraes, discursando e sendo observado pelo cardeal do Rio de Janeiro, dom Jaime Câmara (1894 &#8211; 1971). Na foto de cima, à direita, Mendes de Moraes. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) &#8211; Acervo do IMS</a></p></div>
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<div id="attachment_44118" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/41870" target="_blank"><img class=" wp-image-44118" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/maracanã7.jpg" alt="O Jornal, 21 de janeiro de 1948" width="701" height="339" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/41870" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 21 de janeiro de 1948</a></p></div>
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<div id="attachment_44121" style="width: 373px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/41871" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44121" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/maracanã8.jpg" alt="O Jornal, 21 de janeiro de 1948" width="363" height="431" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/41871" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 21 de janeiro de 1948</a></p></div>
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<p>Em junho de 1948, Angelo Regato registrou o local onde seria erguido o Maracanã e as obras ainda não haviam sido iniciadas.</p>
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<div style="width: 813px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14407" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14407/036AESTA0059F017.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="803" height="350" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14407" target="_blank">Angelo Regato. Estádio do Maracanã, 22 de junho de 1948. Rio de Janeiro, RJ. Local onde seria construído do Maracanã / Diários Associados (RJ) / Acervo IMS </a></p></div>
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<div id="attachment_44267" style="width: 819px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/44936" target="_blank"><img class=" wp-image-44267" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/maracanã10.jpg" alt="Local onde seria construído o Estádio do Maracanã / Diário da Noite, 22 de junho de 1948" width="809" height="412" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/44936" target="_blank"><em>Há 5 meses e dois dias foi lançada aqui a pedra fundamental do Estádio Municipal&#8230;mas a terra é seca, até hoje não brotou&#8230;</em> Angelo Regato, autor da foto, não foi creditado/<em> Diário da Noite</em>, 22 de junho de 1948</a></p></div>
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<p>O maior estádio do mundo* começou a ser erguido em 17 de agosto de 1948, cerca de sete meses após o lançamento de sua pedra fundamental (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/45971" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 17 de agosto de 1948, terceira coluna</a>). No inicio das obras, havia 1.500 homens trabalhando. Nos últimos meses eram 3.000 operários. <em>&#8220;A arquitetura de formato oval mede 317 metros no eixo maior e 279 metros no menor. A altura do estádio corresponde a um prédio de seis andares. Os ferros utilizados dariam volta e meia no planeta; foram 500 mil sacos de cimento, 60.000 m2 de pedras e 45.000 m2 de areia&#8221; </em>(<em><a href="https://www2.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/210-pag09.pdf" target="_blank">Jornal da Unicamp,</a></em><a href="https://www2.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/210-pag09.pdf" target="_blank"> 22 de abril e 4 de maio de 2003</a>).</p>
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<div id="attachment_44248" style="width: 769px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/46024" target="_blank"><img class=" wp-image-44248" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/maracanã9.jpg" alt="Diário da Noite, 19 de agosto de 1948" width="759" height="335" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/46024" target="_blank"><em>Pela primeira vez um flagrante real e honesto das atividades de construção do Estádio Municipal só agora efetivamente iniciadas. </em>Foto de Parreira<em> / Diário da Noite,</em> 19 de agosto de 1948</a></p></div>
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<p>O Maracanã foi inaugurado com a presença do então presidente da República, general Eurico Gaspar Dutra (1883 &#8211; 1974), de todos os seus ministros, do prefeito do Rio de Janeiro, o general Ângelo Mendes de Moraes (1894 &#8211; 1990), e de várias outras autoridades. Foi abençoado pelo cardeal dom Jaime Câmara (1894 &#8211; 1971). Tornou-se o maior estádio de futebol do mundo, com capacidade técnica para cerca de 155.000 a 200.000 pessoas, superando o <span class="T286Pc" data-sfc-cp="" data-sfc-root="c" data-sfc-cb="" data-processed="true">Hampden Park, na Escócia</span>. Atualmente, o Maracanã é o 25º &#8211; hoje só pode abrigar oficialmente 94 751 pessoas. O maior do mundo é o Estádio Rungrado Primeiro de Maio (114.000 lugares), na Coreia do Norte, inaugurado em 1º de maio de 1989 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_03/3664" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 16 de junho de 1950</a>; <a href="https://www.lance.com.br/futebol-nacional/saiba-os-dez-maiores-estadios-do-mundo.html" target="_blank">Site Lance</a>).</p>
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<div style="width: 853px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14402" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14402/036AESTA0058F015.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="843" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14402" target="_blank">Estádio do Maracanã. O presidente Eurico Gaspar Dutra (1883 &#8211; 1974), no centro da foto, estava presente na inauguração do estádio, 16 de junho de 1950. Do seu lado direito, o prefeito do Rio de Janeiro, Ângelo Mendes de Moraes (1894 &#8211; 1990). Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) – Acervo IMS</a></p></div>
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<div id="attachment_44117" style="width: 863px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/3206" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44117" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/maracanã6.jpg" alt="O Jornal, 17 de junho de 1950" width="853" height="458" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/3206" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 17 de junho de 1950</a></p></div>
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<p>Sobre a grandiosidade da <em>obra titânica</em>, a maior construção em concreto armado até então realizada, com capacidade para mais de 150 mil pessoas, José Lins do Rego (1901 &#8211; 1957) escreveu:</p>
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<div id="attachment_42713" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/110523_05/3197" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42713" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/maracanã2.jpg" alt="José Lins do REgo sobre o Estádio do Maracanã / O Jornal, 17 de junho de 1950" width="508" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/110523_05/3197" target="_blank">José Lins do Rego sobre o Estádio do Maracanã / <em>O Jornal</em>, 17 de junho de 1950</a></p></div>
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<p>No dia seguinte à inauguração, foi realizado um jogo entre as seleções do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os paulistas venceram por 3 a 1, mas foi o carioca Didi (1928 &#8211; 2001), do Fluminense, que marcou o primeiro gol no estádio (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/3228" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 18 de junho de 1950</a>).</p>
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<div id="attachment_42714" style="width: 709px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/3228"><img class=" wp-image-42714" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/maracanã3.jpg" alt="O Jornal, 18 de junho de 1950" width="699" height="277" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/3228" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 18 de junho de 1950</a></p></div>
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<p>Poucos dias depois, foi o palco da abertura da Copa do Mundo de 1950, em 24 de junho, quando a seleção brasileira goleou a mexicana por 4 a 0 (<em>Diário da Noite</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_03/3823" target="_blank"> 24 de junho de 1950</a> e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_03/3877" target="_blank">26 de junho de 1950</a>). E também foi o cenário da final docampeonato, em 16 de julho, que ficou conhecida como <em>Maracanaço</em><b>, </b>quando o Brasil foi derrotado pelo Uruguai por 2 a 1. Foi, como escreveu Nelson Rodrigues (1912 &#8211; 1980), a nossa Hiroshima: <em>“Uma humilhação jamais cicatrizada, que ainda pinga sangue</em>”. O Maracanã, com quase 200 mil pessoas, oficialmente 199.584, até hoje recorde de espectadores em um jogo de futebol, ficou em silêncio. Foi uma verdadeira tragédia esportiva nacional. Antonio Olinto (1919 &#8211; 2009), José Lins do Rego e Vargas Neto (1903 &#8211; 1977) publicaram crônicas sobre a derrota no <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/112518_01/36751" target="_blank"><em>Jornal dos Sports</em>, de 18 de julho de 1950</a>.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>A Derrota</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">José Lins do Rego</p>
<p><em>&#8220;Vi um povo de cabeça baixa, de lágrimas nos olhos, sem fala, abandonar o Estádio Municipal, como se voltasse de enterro de um pai muito amado. Vi um povo derrotado, e mais que derrotado, sem esperança. Aquilo me doeu o coração. Toda a vibração dos minutos iniciais da partida reduzida a uma pobre cinza de fogo apagada. E, de repente, chegou-me a decepção maior, a ideia fixa de que éramos mesmo um povo sem sorte, um povo sem as grandes alegrias das vitórias, sempre perseguido pelo azar, pela mesquinharia do destino. A vil tristeza de Camões, a vil tristeza dos que nada tem a esperar, seria assim o alimento podre dos nossos corações. Não dormi, senti-me alta noite, como que mergulhado num pesadelo. E não era pesadelo, era a terrível realidade da derrota&#8221;.</em></p>
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<p>Sobre o assunto, o jornalista e caricaturista Cássio Loredano escreveu o artigo <a href="https://ims.com.br/por-dentro-acervo/tempo-e-placar-do-maracanaco/" target="_blank"><em>Tempo e placar do Maracanaço</em></a>, na seção &#8220;Por dentro dos acervos&#8221;, do Instituto Moreira Salles, de 13 de julho de 2020. Nele publicou &#8220;<em>três instantâneos metidos numa das dezenas de pastas do assunto &#8216;futebol&#8217; no arquivo fotográfico dos Diários Associados no Rio, atualmente incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles. E aqui se publicam pela primeira vez&#8221;. </em>Eram os placares da terrível derrota.</p>
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<p style="text-align: center;"><em>&#8220;E aí está. Às 4:15 está Brasil 1 a 0, Friaça marcara a 1 minuto e meio do segundo tempo. </em></p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14396" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14396/036AESTA0058F001.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14396" target="_blank">Estádio do Maracanã. Final da Copa do Mundo de 1950 entre Brasil e Uruguai, 16 de julho de 1950. Cena do Maracanazo. Brasil vencendo por 1 a 0. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) – Acervo IMS</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><em>Aos 20, Schiaffino empatou, placar às 4:29.</em></p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14397" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14397/036AESTA0058F002.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="501" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14397" target="_blank">Estádio do Maracanã. Final da Copa do Mundo de 1950 entre Brasil e Uruguai, 16 de julho de 1950. Cena do Maracanazo. Brasil e Uruguai empatados: 1 a 1. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) – Acervo IMS</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><em>E três minutos depois Ghiggia tinha posto o 2 lá em cima. Fazendo o que se orgulhava de só ele, Frank Sinatra e João Paulo II terem conseguido: calar o estádio que vaiava até minuto de silêncio&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;">Cássio Loredano</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14400" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14400/036AESTA0058F003.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14400" target="_blank">Estádio do Maracanã. Final da Copa do Mundo de 1950 entre Brasil e Uruguai, 16 de julho de 1950. Cena do Maracanazo. Vitória do Uruguai por 2 a 1. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) – Acervo IMS</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">Cerca de oito anos depois, às vésperas do Copa do Mundo de 1958, na Suécia, Nélson Rodrigues, em uma crônica publicada na <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116335/5129" target="_blank"><em>Manchete Esportiva</em> de 31 de maio de 1958</a>, referiu-se à derrota de 1950 e declarou: &#8230;<em>desde 50, nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo.</em> Foi também nesta crônica que criou a expressão <em>complexo de vira-latas</em>.</p>
<p style="text-align: left;">As seleções brasileira e uruguaia voltaram a se enfrentar numa Copa do Mundo, desta vez no México, em 17 de junho de 1970, no Estádio Jalisco, em Guadalajara, em um dos jogos da semifinal do campeonato. O Brasil venceu de 3 a 1  e os gols foram marcados por Clodoaldo (1949-), Jairzinho (1944-) e Rivelino (1946-). Pelo Uruguai, Luis Cubilla (1940 &#8211; 2013).  O Brasil eliminou o Uruguai  e superou <em>o fantasma de 1950</em>.</p>
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<div id="attachment_45382" style="width: 342px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/85319" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45382" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/regato17.jpg" alt="O Jornal, 18 de junho de 1970" width="332" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/85319" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 18 de junho de 1970</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">Continuando a história do Maracanã&#8230;</p>
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<p>Em 1966, o nome oficial do Maracanã passou a ser Estádio Jornalista Mário Filho, a partir de um projeto apresentado pelo deputado Jamil Haddad (1926-2009) e subscrito pelo deputado Raul Brunini (1919 &#8211; 2009); aprovado em 27 de setembro de 1966, poucos dias após o falecimento de Mário Filho (1908 &#8211; 1966), em 16 de setembro. Mário Filho foi um dos maiores apoiadores da construção do Maracanã e a ideia do novo nome para o estádio foi de Waldir Amaral (1926–1997), um dos maiores locutores esportivos do rádio brasileiro (<em>Jornal dos Sports</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/112518_03/29598" target="_blank">20 de setembro de 1966</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/112518_03/29704" target="_blank">28 de setembro de 1966</a>). Em 8 de abril de 2021, o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (1979 -), tornou público o veto à lei que mudava o nome do Estádio do Maracanã. Com isso, o projeto que pretendia alterar o nome oficial de Estádio Jornalista<strong> </strong>Mário Filho para Rei Pelé foi arquivado.  A decisão de mudança havia sido tomada em março deste ano pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e o pedido de desistência foi feito pelo então presidente da Casa, André Ceciliano (1968-), um dos idealizadores do projeto que tinha como intuito, segundo ele, homenagear Pelé (1940 -2022) em vida (<a href="https://www.portaldosjornalistas.com.br/maracana-seguira-homenageando-mario-filho/" target="_blank"><em>Portal dos Jornalistas</em>, 9 de abril de 2021</a>).</p>
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<div id="attachment_44226" style="width: 709px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.portaldosjornalistas.com.br/maracana-seguira-homenageando-mario-filho/" target="_blank"><img class="wp-image-44226" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/mariofilho.jpg" alt="Mario Filho (1966), no Maracanã, em 1949 ou 1950 / Portal dos Jornalistas" width="699" height="301" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.portaldosjornalistas.com.br/maracana-seguira-homenageando-mario-filho/" target="_blank">Mário Filho (1908 &#8211; 1966), no Maracanã, em 1949 ou 1950 / Portal dos Jornalistas</a></p></div>
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<p>O <em>Maraca</em> também foi a sede da final da Copa do Mundo de 2014, das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, quando em seus gramado a seleção brasileira de futebol conquistou o ouro olímpico derrotando a Alemanha nos pênaltis. Sediou campeonatos estaduais, a Copa Rio, Mundiais de Clubes. Foi no Maracanã que Mané Garrincha (1933 &#8211; 1983) consagrou-se com a camisa do Botafogo e da seleção brasileira, tendo feito lá seu jogo de despedida em 19 de dezembro 1973. Foi no seu gramado que Pelé marcou seu primeiro gol pela seleção brasileira em 7 de julho de 1957, na derrota por 2 a 1 para a Argentina, pela Copa Roca; e também seu milésimo gol, em <span data-subtree="aimfl,mfl"> 19 de novembro de 1969, durante a vitória do Santos por 2 a 1 contra o Vasco, pela Taça de Prata</span>.</p>
<p>Foi também palco de grandes shows como o dos cantores Frank Sinatra (1915 &#8211; 1998), em janeiro de 1980; e Paul McCartney (1942-), em abril de 1990 e em dezembro de 2023; e das cantoras Tina Turner (1939 &#8211; 2023), em janeiro de 1998; Madonna (1958 -), em novembro de 1993 e em dezembro de 2008; e Ivete Sangalo (1972 -), em dezembro de 2006. Além disso, o papa João Paulo II rezou missas no estádio em julho de 1980 e em outubro de 1987; e o estádio sediou o festival de música <em>Rock in Rio</em> II, em janeiro de 1991.</p>
<p>Alguns importantes eventos esportivos não futebolísticos aconteceram lá. Um deles, em 23 de outubro de 1951, com a presença do vice-presidente Café Filho (1899 &#8211; 1970), quando foi realizado um duelo de artes marciais entre o brasileiro Hélio Gracie (1913 &#8211; 2009), lutador de jiu-jitsu; e o judoca japonês Masahiko Kimura (1917 &#8211; 1993), vencedor do combate (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/12794" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 24 de outubro de 1951</a>).</p>
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<p><a href="https://bjjfanatics.com.br/blogs/news/masahiko-kimura" target="_blank"><img class="aligncenter" src="https://cdn.shopify.com/s/files/1/2776/7470/files/h4_large.jpg?v=1535801881" alt="" /></a></p>
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<p>Em 2000, nas comemorações de seus 50 anos, o Maracanã ganhou uma Calçada da Fama com as marcas dos pés de vários jogadores como Romário (1966 -), Ronaldo Fenômeno (1976 -) e Zico (1953 -).</p>
<p>O estádio deixou de ser o maior do mundo com as obras para os Jogos Pan-americanos de 2007, quando o campo foi rebaixado e o setor conhecido como Geral foi eliminado &#8211; era o espaço mais democrático e popular do futebol. A maior reforma realizada no Maracanã ocorreu entre 2010 e 2013 para adequar o estádio para a Copa de 2014 dentro do padrão Fifa. Tornou-se mais confortável, mas para muitos perdeu sua identidade histórica, que fazia dele uma arena única e especial. Para os Jogos Olímpicos de 2016, foram realizadas novas intervenções para adequar o estádios às cerimônias de abertura e encerramento do evento (<a href="https://www.aecweb.com.br/revista/noticias/novo-maracana-avanca-apesar-das-polemicas/6097" target="_blank"><em>Valor Econômico</em>, 8 de outubro de 2012</a>; <a href="https://onefootball.com/pt-br/noticias/maracana-perdeu-charme-e-capacidade-ao-longo-de-tres-reformas-30173985" target="_blank">Site OneFootball</a>).</p>
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<div style="width: 709px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11751" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11751/Alb%200290%20053%20CT.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="699" height="448" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11751" target="_blank">Escola de Aeronáutica. Estádio Municipal (Maracanã), 23 de junho de 1950. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Aeroespacial</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Brevíssimo perfil do fotojornalista Angelo Regato (1912 &#8211; 1993)</strong></em></span></p>
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<div id="attachment_44190" style="width: 302px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><img class="wp-image-44190 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato8.jpg" alt="regato8" width="292" height="400" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank">Angelo Regato (1912 &#8211; 1993) / <em>Jornal do Commercio</em>, 1º de outubro de 1993</a></p></div>
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<p>Mineiro de Estrela Dalva, Angelo Regato nasceu em 27 de outubro de 1912 e, ainda na juventude, veio para o Rio de Janeiro. Começou a se aproximar do jornalismo, em 1929, quando foi empregado na empresa de teatro e cinema de Paschoal Carlos Magno (1906 &#8211; 1980). Ele levava os anúncios dos filmes e das peças para os jornais. No ano seguinte, começou a trabalhar como fotógrafo no jornal <em>A Pátria,</em> onde permaneceu até 1940<em>. </em>Sua máquina fotográfica era a alemã Contessa Nettel. Desta época até meados da década de 1930, trabalhava à noite como porteiro de cinema ou montador de cartaz.</p>
<p>Em entrevista, Regato comentou as condições de trabalho dos fotógrafos da época (<em>O GLOBO,</em> 30 de setembro de 1987).</p>
<p><em>&#8220;Ao mesmo tempo que era fascinante, o emprego era muito puxado. Naquele tempo, o fotógrafo fornecia desde o filme até o ampliador. O jornal só fornecia um quartinho para que pudéssemos revelar as chapas&#8221;.</em></p>
<p>Foi Regato que deu o tiro do magnésio para que fosse feita a foto, de autoria de Arnaldo Vieira (1904 &#8211; 1974), da prisão do presidente deposto pela <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32846" target="_blank">Revolução de 1930</a>, Washington Luís (1869 – 1957), saindo do Palácio Guanabara, residência oficial do chefe de governo, rumo ao Forte Copacabana, onde ficou preso até seguir, exilado, para os Estados Unidos. Era o fim de seu mandato presidencial, iniciado em 15 de novembro de 1926, o último da chamada República Velha. O primogênito de Irineu Marinho, Roberto Marinho (1904 – 2003), que assumiria a direção do jornal, em 1931, atuava na ocasião como repórter de O GLOBO e teve uma participação decisiva neste furo de reportagem. Ele estava no palácio e viu o momento em que Washington Luís entrou no carro, um luxuoso Lincoln. Para tornar a fotografia possível, colocou arbustos no caminho, fazendo com que o carro tivesse que parar por alguns segundos, e assim o fotógrafo que o acompanhava conseguiu fazer o registro. O registro fotográfico, um importante furo jornalístico, foi publicado na capa da terceira edição de <em>O GLOBO</em> de 24 de outubro de 1930 e republicada no dia seguinte. De acordo com o jornal esta fotografia é <em>O mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis </em>e <em>É um documento único e cujo valor não será mais preciso exaltar.</em></p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11928/HPFOTO002.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="409" /><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11928" target="_blank">O presidente deposto, Washington Luís, acompanhado pelo cardeal Dom Sebastião Leme, deixa o Palácio Guanabara, em direção ao Forte Copacabana, onde permaneceu detido até seguir viagem para os Estados Unidos, 24 de outubro de 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>Em 1935, Regato passou a trabalhar também no jornal <em>A Nota</em>. Em 1938, foi trabalhar para <em>A Notícia</em> e para veículos dos Diários Associados e foi, como já mencionado, chefe do Departamento de Fotografia do referido conglomerado de mídia<em>, </em>de 1952 até 1975.</p>
<p><em>&#8220;Comandava uma equipe de 35 profissionais, que trabalhavam 24 horas por dia. Atendíamos aos jornais da rede e ao departamento de publicidade. Os fotógrafos vibravam quando iam aos concursos de miss&#8221;.</em></p>
<p>Participou de diversas coberturas de eventos importantes da história do Brasil como a já mencionada Revolução de 1930, a chegada ao Brasil dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira com o fim da Segunda Guerra Mundial e a realização da Assembleia Nacional Constituinte de 1946. Registrou a remoção da Igreja São Pedro dos Clérigos sobre gigantescos rolimãs para a abertura da Avenida Presidente Vargas, em 1944; e, de 1936 a 1939, acompanhou o presidente Getúlio Vargas em uma peregrinação pelo país. Acompanhou também Assis Chateaubriand (1892 &#8211; 1968), fundador e dono dos Diários Associados, em diversas viagens pelo Brasil.</p>
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<div id="attachment_44123" style="width: 272px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/28951" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44123" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato1.jpg" alt="O Jornal, 23 de agosto de 1945" width="262" height="203" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/28951" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 23 de agosto de 1945</a></p></div>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://testemunhaocular.ims.com.br/wp-content/uploads/2023/05/FHIS_Pracinhas_07.jpg" alt="" width="701" height="460" /><p class="wp-caption-text">Foto de Angelo Regato de um Pracinha comemorando com a família após a chegada da Itália com o fim da Segunda Guerra Mundial, 22 de agosto de 1945. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) &#8211; Acervo IMS</p></div>
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<p>Na enquete <em>Em quem você votaria?</em>, realizada pelo jornal <em>O GLOBO</em>, disse que ainda não havia se definido: &#8220;<em>Sou do contra — declarou — Quero novidades. Quero gente nova. É preciso que se dêem oportunidades a outros brasileiros de valor até então desconhecidos por força do regime em que vivíamos. Sou ainda favorável à anistia e pela pacificação da família brasileira</em>&#8221; (<em>O GLOBO</em>, 6 de abril de 1945).</p>
<p>Fazendo a cobertura do Circuito da Gávea de automobilismo, foi um dos fotógrafos agredidos pela polícia (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/38244" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de abril de 1947, segunda coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_44136" style="width: 887px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/38244" target="_blank"><img class=" wp-image-44136" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato3.jpg" alt="O Jornal, 22 de abril de 1947" width="877" height="202" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/38244" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de abril de 1947</a></p></div>
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<p>Pela primeira vez, fotos de sua autoria foram publicadas na revista <em>O Cruzeiro</em>, também dos Diários Associados. Foi na reportagem <em>Energia para o Nordeste</em>, de Theophilo de Andrade (1903 &#8211; 1994) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/54672" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 12 de julho de 1947)</a>.</p>
<p>O <em>Diário da Noite</em> foi um inovador na fotografia, publicando, inicialmente clichês de 6 a 8 colunas, e, posteriormente, alcançando sucesso com as fotos colhidas pela teleobjetiva de Angelo Regato, que a usou pela, primeira vez, no dia 4 de Julho de 1948, no Torneio Início do Campeonato Carioca de Futebol (<em>Diário da Noite</em>, 5 de julho de 1948, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/45143" target="_blank">página 11</a> e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/45160" target="_blank">página 28</a>).</p>
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<div id="attachment_44221" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/221961_02/45160" target="_blank"><img class=" wp-image-44221" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato16.jpg" alt="Foto realizada por REgato com uma teleobjetiva / Diário da Noite, 4 de julho de 1948" width="701" height="319" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/221961_02/45160" target="_blank">Foto realizada por Regato com uma teleobjetiva / <em>Diário da Noite,</em> 5 de julho de 1948</a></p></div>
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<p>Antes, os fotógrafos de futebol ficavam alojados atrás do gol, sujeitos a pedradas dos torcedores e impossibilitados de variar a produção de imagens. Regato havia participado da cobertura jornalística de um eclipse solar, em Bocaiuva, no interior de Minas Gerais, em maio de 1947 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/38608" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 21 de maio de 1947</a>). Ele usava sua Contessa Nettel e observou um colega norte-americano trabalhando com uma teleobjetiva Garflex. Foi quando decidiu adquirir a sua, que comprou, à prestação, na Mesbla (<em>O GLOBO</em>, 1º de março de 1962; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/79" target="_blank"><em>Boletim da ABI,</em> de 1975</a>).</p>
<p>Passou a morar no Méier em 1949. Nesta época, o futuro e importante colunista social, Ibrahin Sued (1924 &#8211; 1995), era seu ajudante.</p>
<p>Em 6 de abril de 1950, fez, de um teco-teco, fotos do descarrilamento do <em>Noturno Campista</em> sobre a ponte do Rio Tanguá. Os registros foram publicados no <em>Diário da Noite</em>. Considerava essa uma de suas melhores coberturas jornalísticas.</p>
<p>É de sua autoria a primeira foto do Maracanã lotado, durante um treino da seleção brasileira para a Copa de 1950. Jogou contra o quadro de aspirantes do Vasco da Gama reforçado por profissionais do time (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_03/3689" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 19 de junho de 1950</a>).</p>
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<div id="attachment_44139" style="width: 917px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_03/3689" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44139" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato4.jpg" alt="Diário da Noite, 19 de junho de 1950" width="907" height="540" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_03/3689" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 19 de junho de 1950</a></p></div>
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<p>Participou da cobertura da Copa do Mundo de 1954 na Suíça (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/112518_04/41153" target="_blank"><em>Jornal do Sports</em>, 10 de março de 1977, penúltima coluna</a>).</p>
<p>Em 1956, foi um dos fundadores da Associação de Repórteres Fotográficos do Rio de Janeiro, cuja iniciativa foi apoiada por Herbert Moses (1884 &#8211; 1972), presidente a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), onde, até ter sede própria, a associação de fotógrafos funcionou.</p>
<p>Foi ele que levou Evandro Teixeira (1935 &#8211; 2024), recém chegado da Bahia ao Rio de Janeiro, em 1957, até a redação do <em>Diário da Noite</em>. Os dois jornais eram sediados no mesmo edifício da rua Sacadura Cabral, nº 103, na Praça Mauá. Não havia vaga disponível naquele momento, mas, no ano seguinte, Evandro começou a fotografar para o <em>Diário da Noite</em> e a produzir registros para <em>O Jornal.</em> Seus dois primeiros trabalhos no <em>Diário da Noite</em> não deram certo: fotografou, com uma Rolleiflex fornecida pelo jornal, o casamento de uma alemã com um negro, apesar da orientação racista do jornal. Foi demitido pelo diretor do jornal, o mineiro Paulo Vial Correa (1919 – 1975). Angelo Regato deu uma segunda chance a ele: fotografar o desfile de fantasias do Baile do Teatro Municipal, mas Evandro chegou atrasado e Regato teve que providenciar as fotos da revista <em>O Cruzeiro</em> sem o carimbo. Veio então a sua terceira, que seria sua última chance: fazer a cobertura do desfile das escolas de samba na Avenida Rio Branco. Foi um sucesso e Evandro finalmente iniciou sua carreira profissional no Rio de Janeiro, tornando-se um dos maiores fotojornalistas brasileiros de todos os tempos.</p>
<p style="text-align: center;">&#8220;<em>O Angelo Regato realmente foi uma pessoa maravilhosa, devo muito a ele que logo me apresentou ao diretor de redação&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: right;">Evandro Teixeira em <a href="https://arfoc.org.br/index.php/evandro-teixeira/">Arfoc</a></p>
<p style="text-align: left;">Participou da cobertura do Campeonato Sul-Americano de Futebol, realizado em Buenos Aires entre 7 de março de 4 de abril de 1959.<b id="mwCQ"> </b>Participaram da disputa sete seleções: Argentina, campeã do torneio; Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai. O jornalista Armando Nogueira (1927 &#8211; 2010), pelo <em>Jornal do Brasil</em>; e o fotógrafo Ângelo Gomes (19? -?), pelo <em>Jornal dos Sports</em>, também participaram da cobertura do evento (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_11/148015" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 3 de julho de 1994, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Em 1968, era um dos dirigentes da Associação de Repórteres Fotográficos do Rio de Janeiro. Pelo menos até 1979 integrava a entidade, pela qual foi condecorado com o título de comendador (<em>O GLOBO</em>, 16 de fevereiro de 1968; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/62340" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 9 de fevereiro de 1979, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 1º de outubro de 1993, penúltima coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_44125" style="width: 277px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato2.jpg"><img class="wp-image-44125 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato2.jpg" alt="regato2" width="267" height="439" /></a><p class="wp-caption-text">Na foto, Regato é o primeiro à direita /<em> O GLOBO</em>, 16 de fevereiro de 1968</p></div>
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<p>Foi noticiado que um retrato de Regato seria inaugurado na sede da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio, cujo presidente era Walter Quirino (19? -?) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/177" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 15 de janeiro de 1970, quarta coluna</a>).</p>
<p>Foi homenageado, no Palácio do Comércio, em Niterói, recebendo das mãos de Moacyr Moreira Leite, presidente da Associação Comercial e Industrial do Estado do Rio de Janeiro, um diploma da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio, fundada no ano anterior. Regato era um dos fundadores da associação congênere do Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/82794" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de março de 1970, primeira coluna</a>).</p>
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<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato11.jpg"><img class=" size-full wp-image-44167 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato11.jpg" alt="regato11" width="454" height="398" /></a></p>
<div id="attachment_44168" style="width: 482px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/82794" target="_blank"><img class="wp-image-44168 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato12.jpg" alt="regato12" width="472" height="379" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/82794" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de março de 1970</a></p></div>
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<p>Em 13 de maio de 1970, foi um dos profissionais condecorados com as insígnias do Mérito Jornalístico, da Ordem dos Velhos Jornalistas, em uma solenidade realizada na Associação Brasileira de Imprensa. Os outros  foram Dinah Silveira de Queiroz (1911 &#8211; 1982), Carlos de Souza Areas, Fernando Hupsel de Oliveira (19? -?), Alceu de Amoroso Lima (1893 &#8211; 1983), Raul Pilla (1892 &#8211; 1973), Gomes Maranhão (1907 &#8211; 1992), Antônio Herrera Filho (c. 1911 &#8211; 1980), Alberto Torres e Archimedes Fortini (18? &#8211; 1973). Na ocasião, Regato foi apresentado como o primeiro repórter a usar a teleobjetiva na imprensa brasileira. A Medalha do Mérito Jornalístico foi instituída pela Ordem dos Velhos Jornalistas e reconhecida oficialmente  pelo Decreto n° 52.206, de 28 de junho de 1963 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/2405" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 14 de maio de 1970, quarta coluna)</a>. Pela conquista da Medalha, foi homenageado por colegas de <em>A Notícia</em> e de <em>O Dia</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/84493" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de maio de 1970, segunda coluna</a>).</p>
<p>Integrava a equipe dos Diários Associados responsável pela cobertura jornalística da Copa Mundial de Futebol do México (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/83546" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 17 de abril de 1970</a>).</p>
<p>O Diário da Noite Futebol Clube, clube dos Diários Associados, promoveu, no Social Marabu, no Encantado, um torneio de futebol de salão denominado Angelo Regato, em homenagem ao fotógrafo (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/98624" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 27 de novembro de 1971, primeira coluna)</a>.</p>
<p>Publicação da reportagem <em>A bola é redonda para a família Antunes,</em> de Yata Anderson (1944 &#8211; 2026), com fotos de autoria de Regato. Da família, fazia parte os jogadores Edu (1947 -), Nando (19?-), Antunes (19?-) e Zico (1953-). Uma curiosidade: Yata foi o único repórter a entrevistar Pelé em campo no seu último jogo no Maracanã, em 1974, e por isso, ficou conhecido como o <em>Amigo do Rei</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/89277" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 7 de novembro de 1970</a>).</p>
<p><span style="color: #333333;">Regato devolveu sua Leika e aposentou-se, em 1º de maio de 1975, encerrando sua carreira no <em>Jornal do Commercio, </em>após 46 anos de trabalho. Era, então, o mais antigo repórter fotográfico em atividade do Rio de Janeiro</span> (<em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/79" target="_blank">Boletim da ABI,</a></em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/79" target="_blank"> março e abril de 1975</a>). Continuou trabalhando como profissional independente e visitava ocasionalmente seus amigos nas redação do <em>Jornal do Commercio</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44165" style="width: 364px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/72" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44165" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato10.jpg" alt="Ângelo Regato / Boletim da ABI, março/abril de 1975" width="354" height="408" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/72" target="_blank">Angelo Regato / <em>Boletim da ABI</em>, março/abril de 1975</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1982, foi um dos fotógrafos contatados pelo Núcleo de Fotografia da Funarte para dar um depoimento acerca de seu trabalho de fotógrafo de copas do mundo. Na época, a Funarte estava promovendo em sua galeria a exposição <em>Fotografias nas Copas do Mundo. </em>Segundo Regato,<em> os fotógrafos ficavam, normalmente, atrás do gol </em> (<em>O GLOBO</em>, 9 de junho de 1982).</p>
<p>Foi entrevistado pelo jornal <em>O GLOBO</em> (<em>O GLOBO,</em> 30 de setembro de 1987).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato.jpg"><img class="  aligncenter wp-image-44109" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato.jpg" alt="regato" width="300" height="206" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para aqueles que quisessem se aproximar do mundo da fotografia, Regato deu o seguinte conselho:</p>
<p style="text-align: center;"><em>&#8220;A pessoa deve aguçar a sensibilidade. É preciso que ela seja paciente e criativa&#8221;.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Faleceu, em 30 de setembro de 1993, em sua residência, na Rua Domingues Freire, no Méier, vítima de um enfarte (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 1º de outubro de 1993, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/517275/456" target="_blank"><em>Boletim da ABI</em>, de setembro/outubro de 1993, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44162" style="width: 603px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><img class="wp-image-44162 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato9.jpg" alt="regato9" width="593" height="457" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 1º de outubro de 1993</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi casado com Fernandina Maria Mesquita, com quem teve quatro filhos: Angelo, José, Carlos e Fernanda (Site Family Search; <em>Jornal do Commercio</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/42189" target="_blank">6 de junho de 1976, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/42573" target="_blank"> 27  de junho de 1976, última coluna</a>).</p>
<p>Em uma de suas colunas, o jornalista Armando Nogueira escreveu:</p>
<p><em> &#8220;Faço um saudoso parêntese pra relembrar, com ternura, o velho Angelo Regato. Era um mestre. Morreu sem jamais ter perdido um flagrante de um gol num clique de sua fiel speed graf&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/153931_07/141806" target="_blank"><em>Tribuna da Imprensa</em>, 26 de junho de 1996</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acesse aqui a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=44170%20" target="_blank"><span style="color: #800000;"><em>Cronologia de Angelo Regato (1912 &#8211; 1993)</em></span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Atualmente o maior estádio do mundo é o Estádio Primeiro de Maio Rungrado<b id="mwCw">, </b>localizado em Pyongyang, na Coreia do Norte, com capacidade para <span id="mwEg" data-mw="{&quot;parts&quot;:[{&quot;template&quot;:{&quot;target&quot;:{&quot;wt&quot;:&quot;formatnum:150000&quot;,&quot;function&quot;:&quot;formatnum&quot;},&quot;params&quot;:{},&quot;i&quot;:0}}]}">150 000</span> espectadores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>ANTUNES, Fátima Martin Rodrigues Ferreira. <em>Com Brasileiro, Não Há Quem Possa! Futebol e identidade nacional em José Lins do Rego, Mário Filho e Nelson Rodrigues.</em> São Paulo: EdUNESP, 2004.</p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://www2.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/210-pag09.pdf" target="_blank"><em>Jornal da Unicamp</em>, 22 de abril e 4 de maio de 2003</a></p>
<p>MÁXIMO, João. <em>Maracanã: meio século de paixão.</em> Rio de Janeiro: DBA, 2000.</p>
<p>O GLOBO, 30 de setembro de 1987.</p>
<p><a href="https://maracana.rio.br/" target="_blank">Portal Maracanã</a></p>
<p>NELSON, Rodrigues. <a href="https://www.ludopedio.org.br/biblioteca/a-patria-de-chuteiras/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A pátria de chuteiras</em></a>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013</p>
<p><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-maracana-ainda-e-o-maior-estadio-do-mundo/" target="_blank">Revista <em>Superinteressante</em></a></p>
<p>SIMAS, Luiz Antônio. <em>Maracanã: quando a cidade era terreiro</em>. Rio de Janeiro : Mórula Editorial, 2021.</p>
<p><a href="https://arfoc.org.br/index.php/evandro-teixeira/" target="_blank">Site Arfoc Rio</a></p>
<p><a href="https://www.lance.com.br/futebol-nacional/saiba-os-dez-maiores-estadios-do-mundo.html" target="_blank">Site Lance</a></p>
<p><a href="https://osdivergentes.com.br/os-divergentes/maracana-70-anos-quando-o-poeta-venceu-o-tribuno/" target="_blank">Site Os Divergentes</a></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
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		<title>Cronologia de Angelo Regato (1912 &#8211; 1993)</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 14:11:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cronologia de Angelo Regato (1912 &#8211; 1993) &#160; &#160; 1912 &#8211; Mineiro de Estrela Dalva, Angelo Regato nasceu em 27 de outubro de 1912 e, ainda na juventude, veio para o Rio de Janeiro. Foi casado com Fernandina Maria Mesquita, com quem teve quatro filhos: Angelo, José, Carlos e Fernanda (Site Family Search; Jornal do Commercio, 6 de junho [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Cronologia de Angelo Regato (1912 &#8211; 1993)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44190" style="width: 302px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><img class="wp-image-44190 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato8.jpg" alt="regato8" width="292" height="400" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 1º de outubro de 1993</a></p></div>
<div data-sfc-cb="" data-processed="true">
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1912</strong></span> &#8211; Mineiro de Estrela Dalva, Angelo Regato nasceu em 27 de outubro de 1912 e, ainda na juventude, veio para o Rio de Janeiro. Foi casado com Fernandina Maria Mesquita, com quem teve quatro filhos: Angelo, José, Carlos e Fernanda (Site Family Search; <em>Jornal do Commercio</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/42189" target="_blank">6 de junho de 1976, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/42573" target="_blank"> 27  de junho de 1976, última coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1929 /década de 1930</strong></span>- Começou a se aproximar do jornalismo, em 1929, quando foi empregado na empresa de teatro e cinema de Paschoal Carlos Magno (1906 &#8211; 1980). Ele levava os anúncios dos filmes e das peças para os jornais. No ano seguinte, começou a trabalhar como fotógrafo no jornal <em>A Pátria,</em> onde permaneceu até 1940<em>. </em>Sua máquina fotográfica era a alemã Contessa Nettel. Desta época até meados da década de 1930, trabalhava à noite como porteiro de cinema ou montador de cartaz.</p>
<p>Em entrevista, Regato comentou as condições de trabalho da época (<em>O GLOBO,</em> 30 de setembro de 1987).</p>
<p><em>&#8220;Ao mesmo tempo que era fascinante, o emprego era muito puxado. Naquele tempo, o fotógrafo fornecia desde o filme até o ampliador. O jornal só fornecia um quartinho para que pudéssemos revelar as chapas&#8221;.</em></p>
<p>Em outubro de 1930, foi Regato que deu o tiro do magnésio para que fosse feita a foto, de autoria de Arnaldo Vieira (1904 &#8211; 1974), da prisão do presidente deposto pela <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32846" target="_blank">Revolução de 1930</a>, Washington Luís (1869 – 1957), saindo do Palácio Guanabara, residência oficial do chefe de governo, rumo ao Forte Copacabana, onde ficou preso até seguir, exilado, para os Estados Unidos. Era o fim de seu mandato presidencial, iniciado em 15 de novembro de 1926, o último da chamada República Velha. O registro fotográfico, um importante furo jornalístico, foi publicado na capa da terceira edição de <em>O GLOBO</em> de 24 de outubro de 1930 e republicada no dia seguinte. De acordo com o jornal esta fotografia é <em>O mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis </em>e <em>É um documento único e cujo valor não será mais preciso exaltar. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11928/HPFOTO002.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="409" /><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11928" target="_blank">O presidente deposto, Washington Luís, acompanhado pelo cardeal Dom Sebastião Leme, deixa o Palácio Guanabara, em direção ao Forte Copacabana, onde permaneceu detido até seguir viagem para os Estados Unidos, 24 de outubro de 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1935</strong></span> &#8211; Passou a trabalhar também no jornal <em>A Nota</em>.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1938</strong></span> &#8211; Foi trabalhar para <em>A Notícia</em> e para veículos dos <em>Diários Associados.</em></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1940</strong></span> &#8211; Deixou de trabalhar como fotógrafo no jornal <em>A Pátria.</em></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1944</strong></span> &#8211; Fotografou a remoção da Igreja São Pedro dos Clérigos sobre gigantescos rolimãs para a abertura da Avenida Presidente Vargas.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1945</strong></span> &#8211; Fotografou a chegada ao Brasil dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira após o término da Segunda Guerra Mundial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44123" style="width: 272px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/28951" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44123" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato1.jpg" alt="O Jornal, 23 de agosto de 1945" width="262" height="203" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/28951" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 23 de agosto de 1945</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://testemunhaocular.ims.com.br/wp-content/uploads/2023/05/FHIS_Pracinhas_07.jpg" alt="" width="701" height="460" /><p class="wp-caption-text">Foto de Angelo Regato de um Pracinha comemorando com a família após a chegada da Itália com o fim da Segunda Guerra Mundial, 22 de agosto de 1945. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) &#8211; Acervo IMS</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na enquete <em>Em quem você votaria?</em>, realizada pelo jornal <em>O GLOBO</em>, disse que ainda não havia se definido: &#8220;<em>Sou do contra — declarou — Quero novidades. Quero gente nova. É preciso que se dêem oportunidades a outros brasileiros de valor até então desconhecidos por força do regime em que vivíamos. Sou ainda favorável à anistia e pela pacificação da família brasileira</em>&#8221; (<em>O GLOBO</em>, 6 de abril de 1945).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1946</strong></span> &#8211; Fotografou a realização da Assembleia Nacional Constituinte de 1946.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1947</strong></span> &#8211; Fazendo a cobertura do Circuito da Gávea de automobilismo, foi um dos fotógrafos agredidos pela polícia (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/38244" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de abril de 1947, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44136" style="width: 887px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/38244" target="_blank"><img class=" wp-image-44136" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato3.jpg" alt="O Jornal, 22 de abril de 1947" width="877" height="202" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/38244" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de abril de 1947</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pela primeira vez, fotos de sua autoria foram publicadas na revista <em>O Cruzeiro</em>, também dos <em>Diários Associados</em>. Foi na reportagem <em>Energia para o Nordeste</em>, de Theophilo de Andrade (1903 &#8211; 1994) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/54672" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 12 de julho de 1947)</a>.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1948</strong></span> -O <em>Diário da Noite</em> foi um inovador na fotografia, publicando, inicialmente clichês de 6 a 8 colunas, e, posteriormente, alcançando sucesso com as fotos colhidas pela teleobjetiva de Angelo Regato, que a usou pela, primeira vez, no dia 4 de Julho de 1948, no Torneio Início do Campeonato Carioca de Futebol (<em>Diário da Noite</em>, 5 de julho de 1948, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/45143" target="_blank">página 11</a> e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/45160" target="_blank">página 28</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44221" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/221961_02/45160" target="_blank"><img class=" wp-image-44221" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato16.jpg" alt="Foto realizada por Regato com uma teleobjetiva / Diário da Noite, 4 de julho de 1948" width="701" height="319" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/221961_02/45160" target="_blank">Foto realizada por Regato com uma teleobjetiva / <em>Diário da Noite</em>, 4 de julho de 1948</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Antes, os fotógrafos de futebol ficavam alojados atrás do gol, sujeitos a pedradas dos torcedores e impossibilitados de variar a produção de imagens. Regato havia participado da cobertura jornalística de um eclipse solar, em Bocaiuva, no interior de Minas Gerais, em maio de 1947 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/38608" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 21 de maio de 1947</a>). Ele usava sua Contessa Nettel e observou um colega norte-americano trabalhando com uma teleobjetiva Garflex. Foi quando decidiu adquirir a sua, que comprou, à prestação, na Mesbla (<em>O GLOBO</em>, 1º de março de 1962; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/79" target="_blank"><em>Boletim da ABI,</em> de 1975</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1949</strong></span> &#8211; Passou a morar no Méier. Nesta época, o futuro colunista social, Ibrahin Sued (1924 &#8211; 1995), era seu ajudante.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1950</span></strong> &#8211; Em 6 de abril de 1950, fez, de um teco-teco, fotos do descarrilamento do Noturno Campista sobre a ponte do Rio Tanguá. Os registros foram publicados no Diário da Noite. Considerava essa uma de suas melhores coberturas jornalísticas.<br />
É de sua autoria a primeira foto do Maracanã lotado, durante um treino da seleção brasileira para a Copa de 1950. Jogou contra o quadro de aspirantes do Vasco da Gama reforçado por profissionais do time (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_03/3689" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 19 de junho de 1950</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44139" style="width: 705px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_03/3689" target="_blank"><img class=" wp-image-44139" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato4.jpg" alt="Diário da Noite, 19 de junho de 1950" width="695" height="414" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_03/3689" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 19 de junho de 1950</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1952</strong> </span>- Tornou-se chefe do Departamento de Fotografia dos Diários Associados, cargo que exerceu até 1975 (<em>O GLOBO</em>, 30 de setembro de 1987).</p>
<p><em>&#8220;Comandava uma equipe de 35 profissionais, que trabalhavam 24 horas por dia. Atendíamos aos jornais da rede e ao departamento de publicidade. Os fotógrafos vibravam quando iam aos concursos de miss&#8221;.</em></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1954</strong></span> &#8211; Participou da cobertura da Copa do Mundo de 1954 na Suíça (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/112518_04/41153" target="_blank"><em>Jornal do Sports</em>, 10 de março de 1977, penúltima coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1956</strong></span> &#8211; Foi um dos fundadores da Associação de Repórteres Fotográficos do Rio de Janeiro, cuja iniciativa foi apoiada por Herbert Moses (1884 &#8211; 1972), presidente a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), onde, até ter sede própria, a associação de fotógrafos funcionou.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1957</strong> </span>- Levou o fotógrafo Evandro Teixeira (1935 &#8211; 2024), recém chegado ao Rio de Janeiro até a redação do <em>Diário da Noite</em>. Os dois jornais eram sediados no mesmo edifício da rua Sacadura Cabral, nº 103, na Praça Mauá. Não havia vaga disponível naquele momento, mas, no ano seguinte, Evandro começou a fotografar para o <em>Diário da Noite</em> e a produzir registros para <em>O Jornal.</em> Seus dois primeiros trabalhos no <em>Diário da Noite</em> não deram certo: fotografou, com uma Rolleiflex fornecida pelo jornal, o casamento de uma alemã com um negro, apesar da orientação racista do jornal. Foi demitido pelo diretor do jornal, o mineiro Paulo Vial Correa (1919 – 1975). Angelo Regato deu uma segunda chance a ele: fotografar o desfile de fantasias do Baile do Teatro Municipal, mas Evandro chegou atrasado e Regato teve que providenciar as fotos da revista <em>O Cruzeiro</em> sem o carimbo. Veio então a sua terceira, que seria sua última chance: fazer a cobertura do desfile das escolas de samba na Avenida Rio Branco. Foi um sucesso e Evandro finalmente iniciou sua carreira profissional no Rio de Janeiro, tornando-se um dos maiores fotojornalistas brasileiros de todos os tempos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&#8220;<em>O Angelo Regato realmente foi uma pessoa maravilhosa, devo muito a ele que logo me apresentou ao diretor de redação&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: right;">Evandro Teixeira em <a href="https://arfoc.org.br/index.php/evandro-teixeira/">Arfoc</a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1959</strong></span> &#8211; Participou da cobertura do Campeonato Sul-Americano de Futebol, realizado em Buenos Aires entre 7 de março de 4 de abril de 1959.<b id="mwCQ"> </b>Participaram da disputa sete seleções: Argentina, campeã do torneio; Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai. O jornalista Armando Nogueira (1927 &#8211; 2010), pelo <em>Jornal do Brasil</em>; e o fotógrafo Ângelo Gomes (19? -?), pelo <em>Jornal dos Sports</em>, também participaram da cobertura do evento (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_11/148015" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 3 de julho de 1994, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1968</strong></span> &#8211; Era um dos dirigentes da Associação de Repórteres Fotográficos do Rio de Janeiro. Pelo menos até 1979 integrava a entidade, pela qual foi condecorado com o título de comendador (<em>O GLOBO</em>, 16 de fevereiro de 1968; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/62340" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 9 de fevereiro de 1979, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 1º de outubro de 1993, penúltima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44125" style="width: 277px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato2.jpg"><img class="wp-image-44125 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato2.jpg" alt="regato2" width="267" height="439" /></a><p class="wp-caption-text">Na foto, Regato é o primeiro à direita /<em> O GLOBO</em>, 16 de fevereiro de 1968</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1970</strong></span> &#8211; Foi noticiado que um retrato de Regato seria inaugurado na sede da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio, cujo presidente era Walter Quirino (1? -?) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/177" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 15 de janeiro de 1970, quarta coluna</a>).</p>
<p>Foi homenageado, no Palácio do Comércio, em Niterói, recebendo das mãos de Moacyr Moreira Leite, presidente da Associação Comercial e Industrial do Estado do Rio de Janeiro, um diploma da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio, fundada no ano anterior. Regato era um dos fundadores da associação congênere da Guanabara (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/82794" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de março de 1970, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato11.jpg"><img class=" size-full wp-image-44167 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato11.jpg" alt="regato11" width="454" height="398" /></a></p>
<div id="attachment_44168" style="width: 482px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/82794" target="_blank"><img class="wp-image-44168 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato12.jpg" alt="regato12" width="472" height="379" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/82794" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de março de 1970</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 13 de maio de 1970, foi um dos profissionais condecorados com as insígnias do Mérito Jornalístico, da Ordem dos Velhos Jornalistas, em uma solenidade realizada na Associação Brasileira de Imprensa. Os outros  foram Dinah Silveira de Queiroz (1911 &#8211; 1982), Carlos de Souza Areas, Fernando Hupsel de Oliveira (19? -?), Alceu de Amoroso Lima (1893 &#8211; 1983), Raul Pilla (1892 &#8211; 1973), Gomes Maranhão (1907 &#8211; 1992), Antônio Herrera Filho (c. 1911 &#8211; 1980), Alberto Torres e Archimedes Fortini (18? &#8211; 1973). Na ocasião, Regato foi apresentado como o primeiro repórter a usar a teleobjetiva na imprensa brasileira. A Medalha do Mérito Jornalístico foi instituída pela Ordem dos Velhos Jornalistas e reconhecida oficialmente  pelo Decreto n° 52.206, de 28 de junho de 1963 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_16/2405" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 14 de maio de 1970, quarta coluna)</a>. Pela conquista da Medalha, foi homenageado por colegas de <em>A Notícia</em> e de <em>O Dia</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/84493" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de maio de 1970, segunda coluna</a>).</p>
<p>Integrava a equipe dos <em>Diários Associados</em> responsável pela cobertura jornalística da Copa Mundial de Futebol do México (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/83546" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 17 de abril de 1970</a>).</p>
<p>Publicação da reportagem <em>A bola é redonda para a família Antunes,</em> de Yata Anderson (1944 &#8211; 2026), com fotos de autoria de Regato. Da família, fazia parte os jogadores Edu (1947 -), Nando (19?-), Antunes (19?-) e Zico (1953-). Yata foi o único repórter a entrevistar Pelé em campo no seu último jogo no Maracanã, em 1974, e por isso, ficou conhecido como o <em>Amigo do Rei</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/89277" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 7 de novembro de 1970</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1971</strong></span> &#8211; O Diário da Noite Futebol Clube, clube dos Diários Associados, promoveu, no Social Marabu, no Encantado, um torneio de futebol de salão denominado Angelo Regato, em homenagem ao fotógrafo (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/98624" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 27 de novembro de 1971, primeira coluna)</a>.</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #800000;"><strong>1975</strong></span> <span style="color: #333333;">- Devolveu sua Leika e aposentou-se, em 1º de maio de 1975, encerrando sua carreira no <em>Jornal do Commercio, </em>após 46 anos de trabalho. Era, então, o mais antigo repórter fotográfico em atividade do Rio de Janeiro</span></span> (<em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/79" target="_blank">Boletim da ABI,</a></em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/79" target="_blank"> março e abril de 1975</a>). Continuou exercendo atividades como profissional independente e visitava ocasionalmente seus amigos nas redação do Jornal do Commercio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44165" style="width: 364px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/72" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44165" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato10.jpg" alt="Ângelo Regato / Boletim da ABI, março/abril de 1975" width="354" height="408" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/72" target="_blank">Angelo Regato / <em>Boletim da ABI</em>, março/abril de 1975</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1982</strong></span> &#8211; Foi um dos fotógrafos contatados pelo Núcleo de Fotografia da Funarte para dar um depoimento acerca de seu trabalho de fotógrafo de copas do mundo. Na época, a Funarte estava promovendo em sua galeria a exposição <em>Fotografias nas Copas do Mundo. </em>Segundo Regato,<em> os fotógrafos ficavam, normalmente, atrás do gol </em> (<em>O GLOBO</em>, 9 de junho de 1982).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1987</strong></span> &#8211; Foi entrevistado pelo jornal <em>O GLOBO</em> (<em>O GLOBO,</em> 30 de setembro de 1987).</p>
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<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato.jpg"><img class="  aligncenter wp-image-44109" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato.jpg" alt="regato" width="300" height="206" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato13.jpg"><img class="alignnone  wp-image-44205" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato13.jpg" alt="regato13" width="293" height="433" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato14.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-44206" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato14.jpg" alt="regato14" width="299" height="497" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1993</strong> </span>- Faleceu, em 30 de setembro de 1993, em sua residência, na Rua Domingues Freire, no Méier, vítima de um enfarte (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 1º de outubro de 1993, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/517275/456" target="_blank"><em>Boletim da ABI</em>, de setembro/outubro de 1993, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44162" style="width: 603px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><img class="wp-image-44162 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/regato9.jpg" alt="regato9" width="593" height="457" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_18/40474" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 1º de outubro de 1993</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
</div>
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		<title>Gioconda Rizzo: além do pioneirismo, por Joanna Barbosa Balabram</title>
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		<pubDate>Wed, 27 May 2026 13:05:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[A partir de uma reflexão sobre o fato de mulheres artistas serem frequentemente apresentadas como exceções, verdadeiras raridades dentro da história da arte, o que evidencia uma dificuldade histórica em reconhecê-las como produtoras de imagens, e não apenas como objetos de representação, a pesquisadora Joanna Balabram nos conta um pouco da trajetória de Gioconda Rizzo, considerada até hoje a primeira mulher a manter um estúdio fotográfico próprio na cidade de São Paulo, o Photo Femina.  Estão destacadas no artigo duas fotos de Wanda Massucci, produzidas, em 1914 e na década de 1920, por Gioconda. Publicamos também um breve perfil e a cronologia de Gioconda escritos por Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Gioconda Rizzo: além do pioneirismo</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">Joanna Balabram*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Gioconda Rizzo é frequentemente apresentada como a primeira mulher a manter um estúdio fotográfico próprio na cidade de São Paulo. O pioneirismo, sem dúvida, ajuda a inscrevê-la na história da fotografia brasileira. Mas também pode funcionar como um limite: transforma uma trajetória complexa em uma exceção curiosa, quase isolada no tempo.</p>
<p>Ao pesquisar por Gioconda Rizzo no Google, as primeiras referências à fotógrafa reiteram justamente essa condição de pioneira. No entanto, ao buscar “quem foi a primeira fotógrafa do Brasil?”, o mecanismo de busca corrige automaticamente a palavra “fotógrafa” para “fotografia” e responde outra pergunta: “qual foi a primeira fotografia feita no Brasil?”. Curiosamente, o mesmo não acontece quando se pesquisa “quem foi o primeiro fotógrafo do Brasil?”. Esse pequeno equívoco do sistema de buscas do Google aponta para uma dificuldade histórica em reconhecer mulheres como produtoras de imagens, e não apenas como objetos de representação. Recuperar a história dessas mulheres é fundamental, mas isso não basta quando elas continuam sendo apresentadas na narrativa histórica como casos excepcionais, pioneiras isoladas, em suma, exceções. A historiadora da arte Linda Nochlin, em seu artigo seminal <em>Por que não houve grandes mulheres artistas?,</em> chamou atenção para esse mecanismo ao discutir como mulheres artistas são frequentemente apresentadas como exceções extraordinárias dentro da história da arte. Em vez de transformar a narrativa histórica, muitas vezes elas acabam inseridas nela apenas como figuras raras, quase deslocadas de seu próprio contexto. Deste modo, esse mecanismo não questiona por que tantas trajetórias femininas foram apagadas, mas frequentemente reforça o mito do “gênio” artístico (quase sempre associado a figuras masculinas) e transforma mulheres em exceções dentro de uma narrativa que continua sendo predominantemente masculina.</p>
<p>Voltando para a fotógrafa Gioconda Rizzo, não apenas como “a primeira”, mas como uma mulher que atuou dentro de redes, contextos sociais, históricos e construções visuais específicas de seu tempo, interessa destacar aspectos de sua trajetória comuns a muitas mulheres que atuaram no campo fotográfico nas primeiras décadas do século XX. Afinal, a experiência feminina no campo fotográfico existia antes de uma mulher poder ter seu próprio estúdio ou assinar suas fotografias<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>.</p>
<p>Na história da arte a herança familiar de um ofício frequentemente aparece como um facilitador na trajetória de artistas mulheres. No caso de Gioconda, o estúdio fotográfico de seu pai, Michelle Rizzo, funcionava inicialmente no mesmo edifício em que a família Rizzo residia. A proximidade cotidiana com o estúdio e o interesse de Gioconda pela fotografia foram fundamentais para sua formação profissional.  Ela atuava não apenas na tomada das imagens, mas também no laboratório e retoques fotográficos.</p>
<p>O Ateliê Rizzo, ou Photographia Central, como também era conhecido, funcionava como uma empresa familiar, envolvendo diferentes membros da família em etapas variadas do trabalho, desde o atendimento e a preparação das poses, até o laboratório, os retoques e finalização das fotografias. Com o aprimoramento de Gioconda na técnica fotográfica, seu pai Michelle abriu para a filha um estúdio próprio: o Photo Femina.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a></p>
<p>Tanto o Photographia Central como o Photo Femina ficavam localizados na Rua Direita, região central da cidade de São Paulo e importante espaço de circulação e consumo da elite paulistana naquele período. Diferentemente dos outros estúdios fotográficos, o Photo Femina dedicava-se exclusivamente ao retrato de mulheres e crianças. Essa especialização também respondia a uma exigência moral da época, já que não era considerado apropriado que uma mulher permanecesse sozinha com um homem em um ambiente fechado.  Deste modo, o estúdio atendia a uma demanda por retratos femininos ao mesmo tempo em que preservava sua reputação moral.</p>
<p>A vigilância sobre a conduta feminina era tão importante que todas as sessões fotográficas eram supervisionadas por Giuseppina Rizzo, a mãe de Gioconda. A proximidade entre o Photo Femina e o estúdio do pai facilitava esse controle. Mesmo tendo seu próprio estabelecimento, Gioconda ainda precisava atuar dentro de condições bastante diferentes daquelas vividas por fotógrafos homens. O lucro obtido com a atividade do estúdio, por exemplo, permanecia sob administração paterna, o que limitava sua autonomia financeira. Ainda assim, essa foi uma experiência possível para uma mulher branca de classe média ter um estúdio fotográfico no início do século XX.</p>
<p>As restrições que atravessavam a experiência profissional de Gioconda Rizzo também faziam parte de uma condição mais ampla da experiência feminina na modernidade. Como observa a historiadora da arte Griselda Pollock em <em>A Modernidade e os espaços de feminilidade</em>, a vivência das mulheres na cidade moderna ocorria de maneira distinta da masculina, marcada por limites de circulação, vigilância moral e acesso restrito aos espaços públicos. Enquanto a figura masculina moderna era frequentemente associada à liberdade de observar e ocupar a cidade, as mulheres precisavam constantemente negociar sua presença nesses espaços.</p>
<p>Nas primeiras décadas do século XX, a expansão dos estúdios fotográficos nas grandes cidades esteve diretamente ligada às transformações da vida urbana e à consolidação de novos hábitos sociais e à uma cultura visual moderna. As mulheres também participaram dessas mudanças, experimentando novas formas de se apresentar diante da câmera e também de atuar como produtoras de imagens, atrás da câmera. O estúdio Photo Femina funcionava como esse lugar intermediário entre o público e o privado onde foi possível colocar em prática esses novos modelos. Voltado exclusivamente para mulheres e crianças, o estúdio oferecia um ambiente considerado socialmente seguro para suas clientes, ao mesmo tempo, as imagens produzidas por Gioconda revelavam mudanças na representação feminina: poses menos rígidas, enquadramentos mais próximos, tecidos leves, ombros à mostra e uma atmosfera de intimidade pouco comum nos retratos tradicionais de estúdio.</p>
<p>A seguir estão dois retratos de Wanda Massucci produzidos por Gioconda Rizzo em diferentes períodos. No primeiro retrato, Wanda ainda era uma criança e, em função disso, destaca-se nessa imagem o tecido translúcido que escorrega do ombro para o braço dela trazendo uma sensualidade sutil. A luz difusa e o foco suave criam a atmosfera de uma figura etérea prestes a desaparecer na vinheta que se forma no fundo. O enquadramento em plano americano aproxima a retratada do espectador e a composição estabelece dois pontos de destaque: a menina no centro e o <em>bouquet</em> quase encaixado no canto inferior direito. Ela parece relaxada e confortável diante da câmera que ela encara.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14424" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14424/045GR0138_01.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="533" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14424" target="_blank">Gioconda Rizzo. Wanda Massucci, 1904. São Paulo, SP / Acervo IMS </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em seguida vemos Wanda no início da juventude, enquadramento em plano fechado, rosto de perfil e olhar suave para fora da imagem. Em destaque no centro, o colar e o brinco. O ombro, parte das costas e nuca à mostra contrastam com o tecido que ganha a cor azul na pintura sobre a fotografia. O tom rosado da pele do rosto e dos lábios transmitem uma atmosfera de sensualidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14423" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14423/045GR0068_01.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="533" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14423" target="_blank">Gioconda Rizzo. Wanda Massucci, década de 1920. São Paulo, SP / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nas duas fotografias não há apenas o registro da menina ou da jovem Wanda, mas uma construção visual produzida na relação entre fotógrafa e retratada. E é esse o aspecto de destaque dessas fotografias, uma experiência compartilhada entre mulheres. Se a visualidade moderna na virada do século XIX para o XX foi amplamente construída a partir do olhar masculino sobre os corpos femininos (como nas pinturas <em>Olimpya</em> e <em>Almoço na relva,</em> de <em>Édouard Manet</em>, <em>Les Demoiselles d&#8217;Avignon, </em>de<em> Pablo Picasso, </em>e a fotografia<em> O violino de Ingres, </em>de<em> Man Ray), </em>as fotografias de Gioconda Rizzo sugerem que havia outras formas de representação do corpo feminino.</p>
<p>A trajetória de Gioconda revela não apenas os limites impostos às mulheres que atuavam no campo fotográfico nas primeiras décadas do século XX, mas também as negociações e possibilidades que permitiram sua presença nesse espaço. Mais do que uma exceção isolada na história da fotografia brasileira, Gioconda Rizzo pode ser entendida como parte de uma experiência da modernidade que foi eclipsada. Talvez o desafio atual não seja apenas recuperar o nome dessas mulheres, mas também criar formas de narrar suas trajetórias sem reduzi-las apenas à condição de “pioneiras” ou exceções de talento extraordinário.</p>
<p>Este artigo é inédito e tem como base a dissertação de mestrado de autoria de Joanna Barbosa Balabram, intitulada <em>Gioconda Rizzo: vestígios de uma trama fotográfica</em>, defendida em dezembro de 2025 no Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com apoio da CAPES, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Fernanda Pequeno.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Para mais informações sobre o assunto consultar o artigo COSTA, Helouise. No limite da invisibilidade: mulheres fotógrafas no Brasil na primeira metade do século XX. In: COSTA, Helouise; ZERWES. Erika. Mulheres Fotógrafas / Mulheres Fotografadas: fotografias e gênero na América Latina. São Paulo: Intermeios, 2021. Disponível em: &lt;<a href="https://repositorio.usp.br/item/003072112">https://repositorio.usp.br/item/003072112</a>&gt;. Acesso em: 10 mai. 2026</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> O estúdio Photo Femina funcionou aproximadamente entre 1914 e 1918. O fechamento do estúdio ocorreu após o irmão mais velho de Gioconda, Vicente, contar ao pai, Michelle Rizzo, que o espaço estava sendo frequentado por cortesãs. Após o fechamento de seu estúdio, Gioconda volta a trabalhar no Ateliê Rizzo, ainda fotografando apenas mulheres e crianças.  A cronologia completa de Gioconda Rizzo está disponível na Brasiliana: https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28653</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Joanna Balabram é mestre em História da Arte pela UERJ e curadora assistente na coordenadoria de Fotografia do Instituto Moreira Salles, onde atua na organização e processamento de coleções de fotografia do século XIX.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Referências:</strong></span></p>
<p>COSTA, Helouise. <em>No limite da invisibilidade: mulheres fotógrafas no Brasil na primeira metade do século XX</em>. In: COSTA, Helouise; ZERWES. Erika. Mulheres Fotógrafas / Mulheres Fotografadas: fotografias e gênero na América Latina. São Paulo: Intermeios, 2021. Disponível em: &lt;<a href="https://repositorio.usp.br/item/003072112">https://repositorio.usp.br/item/003072112</a>&gt;. Acesso em: 10 mai. 2026</p>
<p>IBRAHIM, Carla J. <em>As retratistas de uma época: fotografas de São Paulo na primeira metade do século XX</em>. Dissertação de mestrado, Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, 2005. Disponível em: &lt; https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/359360 &gt;. Acesso em: 9 mai. 2026.</p>
<p>NOCHLIN, Linda<strong>. </strong><em>Por que não houve grandes artistas mulheres?</em> ArtNews, 1971.</p>
<p>POLLOCK, Griselda.<em> A modernidade e os espaços da feminilidade. </em>(1988). In: PEDROSA, Adriano; CARNEIRO, Amanda;</p>
<p>MESQUITA, André (org.). <em>História das Mulheres, histórias feministas: Antologia</em>. MASP: São Paulo, 2019</p>
<p>WANDERLEY, Andrea C.T. <em>No Dia Internacional da Fotografia, fotógrafas pioneiras no Brasil in</em> Brasiliana Fotográfica, 19 de agosto de 2022. Disponível em: &lt;https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26902&gt;. Acesso em: 29 abr. 2026.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">Breve perfil de Gioconda Rizzo (1897 &#8211; 2004)</span></em></strong></p>
<p style="text-align: center;">Andrea C. T. Wanderley*</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_29169" style="width: 440px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/08/giocondarizzo-004.jpg"><img class=" wp-image-29169" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/08/giocondarizzo-004-684x1024.jpg" alt="Foto de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS" width="430" height="644" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>“Fotografia é uma coisa maravilhosa, que a gente tira o retrato quando era criança e depois quando é velho está vendo a figura dele quando era criança, é uma coisa maravilhosa. É muito bonito!”</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Gioconda Rizzo, 2002</p>
<div id="attachment_28034" style="width: 289px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-28034 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda.jpg" alt="Autorretrato de Gioconda Rizzo" width="279" height="393" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank">Autorretrato de Gioconda Rizzo, 1913. <em>As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século</em>, por Carla Ibrahim, página 35.</a></p></div>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #0000ff;"><strong> </strong></span></p>
<p>O avô da paulistana Gioconda Rizzo (1897 &#8211; 2004), Vincenzo Rizzo, já se encontrava em São Paulo, em 1887, e era fabricante de cerveja (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/811505/1234" target="_blank"><em>L´Italia</em>, 21 de maio de 1887, quarta coluna)</a>. Seu filho e pai de Gioconda, Michelle (Miguel) Rizzo (1869 &#8211; 1929), sofreu um acidente que afetou seus olhos. Foi para a Itália se tratar, sem sucesso, e lá aprendeu fotografia com B. Lauro, retratista da família real italiana.</p>
<p style="text-align: left;">Já de volta ao Brasil, Michelle inaugurou, em 10 de março de 1892, a Photographia Central, na Rua Direita nº 55, em São Paulo (<em>O Estado de São Paulo</em>, de 10 de março de 1892, página 1, antepenúltima coluna).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28027" style="width: 584px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/rizo.jpg"><img class="size-full wp-image-28027" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/rizo.jpg" alt="O Estado de São Paulo, 10 de março de 1892, página 1, antepenúltima coluna" width="574" height="201" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O Estado de São Paulo</em>, 10 de março de 1892</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://brasil.estadao.com.br/blogs/album-de-retratos/wp-content/uploads/sites/481/1.2-NosEst-39_1.jpg" alt="Verso de uma foto tirada no ateliê da família Rizzo" width="600" height="450" /><p class="wp-caption-text"><em>O Estado de São Paulo</em>, 15 de maio de 2012</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Em um anúncio veiculado pelo <em>Fanfulla</em>, de 8 de agosto de 1896, página 4, Michelle anunciava-se como proprietário da<em> primeira photografia italiana no Brazil</em>. Em 1906, estava na relação de fotógrafos italianos que atuavam em São Paulo (<em>Il Brasile e gli Italiani</em>, 1906, página 1165).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28036" style="width: 177px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-28036 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda1.jpg" alt="Michelle Rizzo" width="167" height="252" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank">Michelle Rizzo, do Acervo da Família Rizzo / As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século, por Carla Ibrahim, página 36</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28540" style="width: 522px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-06102015-163400/publico/2015_FabianaMarcelliSBeltramim_VCorr.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-28540 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/rizzo.jpg" alt="Cartão de Boas Festas do atelê de Michelle Rizzo, 1906. São Paulo, SP / Coleção de Rubens Fernandes Filh" width="512" height="331" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-06102015-163400/publico/2015_FabianaMarcelliSBeltramim_VCorr.pdf" target="_blank">Cartão de Boas Festas do ateliê de Michelle Rizzo, 1906. São Paulo, SP / <em>Entre o estúdio e a rua: a trajetória de Vincenzo Pastore, fotógrafo do cotidiano</em>, por Fabiana Beltramin, página 86 / Coleção de Rubens Fernandes Junior</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Foi com ele, seu grande incentivador, que Gioconda iniciou seus experimentos em fotografia, tendo sido a primeira mulher a ter um estabelecimento fotográfico, em São Paulo, a Photo Femina, aberto em 1914. Desde a adolescência Gioconda só enxergava com o olho direito. Sempre foi apaixonada por fotografia e aos 12 anos tirou um autorretrato e também fotografou uma amiga:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28037" style="width: 141px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-28037 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda2.jpg" alt="gioconda2" width="131" height="210" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank">Autorretrato de Gioconda Rizzo, 1912, do Acervo da Família Rizzo / <em>As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século</em>, por Carla Ibrahim, página 39</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Eu comecei a tirar foto de mim mesma&#8230; então meu pai quando viu aquela chapa&#8230; a primeira coisa que fiz&#8230; viu a chapa&#8230; disse: “Quem foi que fez isso?” “Fui eu papai”; ele disse: “Ihhhh! Esta vai me passar a perna!”</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><em> </em>Depoimento de Gioconda Rizzo a Carla Ibrahim. São Paulo, setembro de 2002.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Michelle muitas vezes viajava para o interior, de onde enviava fotografias para processamento, retoque e finalização em São Paulo. Quando estava ausente, seu filho Armando (1894 &#8211; 19?) cuidava dos negócios. Gioconda trabalhava com o irmão e participava desde a recepção e ambientação dos clientes no ateliê até o trabalho de revelação e acabamentos, como retoques e acondicionamento das fotos em álbuns, molduras ou estojos. Conhecia e dominava todas as etapas do processo fotográfico.</p>
<p style="text-align: left;">Em 1914, Michelle abriu para Gioconda o ateliê Femina, também na Rua Direita, número 8A, perto do seu, que ficava, então, na mesma rua, no número 10 C. O Femina atendia somente crianças e mulheres, pois, na época, não era adequado que uma mulher ficasse sozinha na presença de homens. Mesmo com essa restrição, a mãe de Gioconda, Giuseppina, sempre a acompanhava em  suas sessões fotográficas.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Fui a primeira fotógrafa a se especializar em fotos assim. Fotografei, então, muitas mulheres de barões do café e muitas atrizes. Todas gostavam de minha maneira de fazer as fotos porque eu enfocava só meio corpo, realçando o rosto e usando tapetes nas paredes para servirem de fundo&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Gioconda Rizzo, <em>Folha de São Paulo</em>, 12 de abril de 1982</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Ainda em 1914, na revista <em>A Cigarra</em>, edição de 31 de dezembro, na seção &#8220;A Formiga”, foi publicada uma fotografia de autoria de Gioconda Rizzo com a assinatura do ateliê Femina.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28041" style="width: 204px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda5.jpg"><img class="wp-image-28041 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda5.jpg" alt="Fotografia de autoria de Gioconda Rizzo / A Cigarra, 31 de dezembro de 1914" width="194" height="304" /></a><p class="wp-caption-text">Fotografia de Wanda Massucci (a maior), de autoria de Gioconda Rizzo / <em>A Cigarra</em>, 31 de dezembro de 1914</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Para criar diferentes figurinos e cenários, Gioconda possuia em seu estúdio almofadas, banquinhos, diversas cadeiras, colunas de mármore, estátuas de cães, laços, sombrinhas, véus, e outros objetos e adereços. Fazia também uso de uma balança para fotografar bebês, como sua filha, Wanda Pasqualucci (1926-), retratada, em 1926, na foto abaixo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28039" style="width: 321px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-28039 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda4.jpg" alt="gioconda4" width="311" height="414" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank">Wanda Pasqualucci, 1926, fotografada por sua mãe, Gioconda Rizzo, do Acervo da Família Rizzo / <em>As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século</em>, por Carla Ibrahim, página 46</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Criava poses que descontraíssem suas clientes, que tinham uma tendência a ficar muito sérias na hora da foto. Buscava em seus retratos a beleza, a sensualidade. Criava uma atmosfera de sonho, romântica. Suas retratadas sorriam, deixavam ombros e colos muitas vezes desnudos e os cabelos soltos, sem chapéus, enfeitados com flores.</p>
<p style="text-align: left;">Gioconda participou, trabalhando no pavilhão<em> Gradisca</em>, da quermesse realizada no parque da avenida Paulista, promovido pela sub-comissão italiana do bairro da Consolação para socorrer as famílias dos reservistas que haviam partido para a Itália (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/36445" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 19 de julho de 1915, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Em torno de 1916, Michelle trouxe da Itália o <em>flash</em> de magnésio que possibilitava a captação de poses mais rapidamente, o que facilitava enormemente fotografar crianças. Uma vez, Gioconda sofreu uma queimadura na mão direita quando utilizava a nova ferramenta. Também por volta deste ano, seu irmão, Vicente, descobriu que o ateliê Femina recebia cortesãs francesas e polonesas e contou para Michelle, que decidiu fechá-lo. Gioconda voltou a trabalhar com seu pai e seu irmão, Armando Rizzo. Passaram a produzir fotografias coloridas a óleo e a fazer fundos de paisagens aplicadas nas chapas. Também produziam muitas fotos de formaturas de escolas e faculdades.</p>
<p style="text-align: left;">Em 1926, Gioconda casou-se com o comerciante Onofre Pasqualucci (c. 1898 &#8211; 1935) e, no mesmo ano, nasceu sua única filha, Wanda.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28043" style="width: 481px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://omicronfotografia.com.br/blog/post/gioconda-rizzo-a-primeira-fotografa-brasileira-a-ter-seu-proprio-estudio" target="_blank"><img class="size-full wp-image-28043" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda7.jpg" alt="Gioconda Rizzo" width="471" height="518" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://omicronfotografia.com.br/blog/post/gioconda-rizzo-a-primeira-fotografa-brasileira-a-ter-seu-proprio-estudio" target="_blank">Gioconda Rizzo</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Em 1931, devido à crise financeira deflagrada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, a família Rizzo fechou, após cerca de 40 anos de funcionamento, o ateliê da Rua Direita, e abriu outro na Rua Líbero Badaró, 63, chefiado por Armando. Nesse mesmo ano, Gioconda fotografou a Miss Universo, Yolanda Pereira (1910 &#8211; 2001).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28042" style="width: 256px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-28042 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda6.jpg" alt="A Miss Universo Yolanda Pereira fotografada por Gioconda, em 1931, do Acervo da família rizzo / " width="246" height="336" /></a><p class="wp-caption-text">A <a href="https://core.ac.uk/download/pdf/296839219.pdf" target="_blank">Miss Universo Yolanda Pereira fotografada por Gioconda, em 1931, do Acervo da Família Rizzo / As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século, por Carla Ibrahim, página 69</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Ela aprendeu as técnicas de fotografias fundidas em esmalte para joias com o fotógrafo espanhol Medina, estabelecido no Rio de Janeiro. Adaptou as técnicas à porcelana e passou a produzir fotojoias e decorações tumulares para o ateliê Photo do Carmo, do italiano Sestilio Fiorelli. Instalou em sua casa, no bairro do Cambuci, um ateliê e um forno para a produção das peças, que eram vitrificadas a uma temperatura de 1.000º C.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Essas fotos em porcelana dão muito trabalho e se desenvolvem em várias fases até que se consegue uma película aplicada sobre a louça. Queima-se então a uma temperatura de 1000 graus e está pronta&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Gioconda Rizzo, <em>Folha de São Paulo</em>, 12 de abril de 1982</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_29170" style="width: 469px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/08/giocondarizzo-007.jpg"><img class=" wp-image-29170" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/08/giocondarizzo-007-896x1024.jpg" alt="Foto de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS" width="459" height="525" /></a><p class="wp-caption-text">Fotos em porcelana de autoria de Gioconda Rizzo,19?. São Paulo, SP / Acervo IMS</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Em 14 de junho de 1935, Gioconda ficou viúva e foi com a fotografia em porcelana que sobreviveu com sua filha. Aposentou-se na década de 60.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28049" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda9.jpg"><img class="size-full wp-image-28049" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/gioconda9.jpg" alt="O Estado de S]ao Paulo, 15 de junho de 1935" width="500" height="399" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O Estado de São Paul</em>o, 15 de junho de 1935</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Cinco décadas mais tarde, entre 12 e 30 de abril de 1982, houve uma exposição de parte de sua obra na Galeria Fotoptica, em São Paulo: 20 fotos em papel, 15 em porcelana e algumas coloridas a óleo.</p>
<p style="text-align: left;">Faleceu em 22 de março de 2004, pouco antes de completar 107 anos, e foi sepultada no Cemitério da Consolação.</p>
<p style="text-align: left;">Uma curiosidade: a capa do livro <em>Anarquistas, Graça a Deus</em>, da escritora Zélia Gattai (1916 &#8211; 2008), foi ilustrada com uma foto da família Da Col &#8211; Gattai, de autoria de Gioconda.</p>
<p style="text-align: left;">Abaixo, reprodução do texto <em>O real e a representação nos retratos de Gioconda</em>, de autoria da fotógrafa e crítica de arte Stefania Bril (1922 &#8211; 1992), publicado em <em>O Estado de São Paulo</em>, de 30 de abril de 1982:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><img class=" size-full wp-image-28028 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/rizo2.jpg" alt="rizo2" width="665" height="431" /><img class=" size-full wp-image-28029 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/rizo3.jpg" alt="rizo3" width="684" height="429" /><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/rizo4.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-28030 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/rizo4.jpg" alt="rizo4" width="690" height="240" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://youtu.be/Nd6P_m1GP78%20" target="_blank"><span style="color: #800000;">Acesse aqui uma entrevista com Gioconda Rizzo para o programa Moviola</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 397px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gioconda_Rizzo_2003_por_Ma%C3%ADra_Soares.png" target="_blank"><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/6/68/Gioconda_Rizzo_2003_por_Ma%C3%ADra_Soares.png?20181122033115" alt="Ficheiro:Gioconda Rizzo 2003 por Maíra Soares.png" width="387" height="450" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gioconda_Rizzo_2003_por_Ma%C3%ADra_Soares.png" target="_blank">Gioconda Rizzo fotografada por Maira Soares, em 2003 / Wikipedia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acesse aqui a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28653" target="_blank"><strong><em><span style="color: #800000;">Cronologia de Gioconda Rizzo (1897 &#8211; 2004).</span></em></strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Andrea C. T. Wanderley é editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
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		<title>O romance &#8220;A Escrava Isaura&#8221; (1875), de Bernardo Guimarães</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2026 13:25:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[A Escrava Isaura]]></category>
		<category><![CDATA[abolicionismo]]></category>
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		<description><![CDATA[A obra histórica da literatura brasileira, A Escrava Isaura, escrita pelo mineiro Bernardo Guimarães (1825 - 1884), publicada, em 1875, foi importante na luta pela abolição da escravatura no Brasil. Foi uma das primeiras a abordar abertamente o tema da escravidão e sua crueldade, criticando as injustiças sociais da sociedade escravocrata brasileira e destacando a luta pela liberdade e pela igualdade. A Brasiliana Fotográfica destaca neste artigo uma imagem de Bernardo Guimarães, que pertence ao acervo fotográfico da Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras do portal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A obra histórica da literatura brasileira, <em>A Escrava Isaura</em>, escrita pelo mineiro Bernardo Guimarães (1825 &#8211; 1884), publicada, em 1875, foi importante na luta pela abolição da escravatura no Brasil. Foi uma das primeiras a abordar abertamente o tema da escravidão e sua crueldade, criticando as injustiças sociais da sociedade escravocrata brasileira e destacando a luta pela liberdade e pela igualdade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>“A escravidão em si mesma já é uma indignidade, uma úlcera hedionda na face da nação, que a tolera e protege. Por minha parte, nenhum motivo enxergo para levar a esse ponto o respeito por um preconceito absurdo, resultante de um abuso que nos desonra aos olhos do mundo civilizado. Seja eu embora o primeiro a dar esse nobre exemplo, que talvez será imitado. Sirva ele ao menos de um protesto enérgico e solene contra uma bárbara e vergonhosa instituição.”</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Palavras de um dos personagens do livro, <em>Álvaro</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ambientado em uma fazenda na região norte do Estado do Rio de Janeiro, em Campos dos Goytacazes, o romance narra a trajetória de <em>Isaura</em>, uma escravizada vítima de um senhor devasso, <em>Leôncio</em>. <em>Isaura </em>era filha do capataz da fazenda e da escravizada <em>Juliana</em>. Tinha pele clara e havia sido educada por <em>Gertrudes</em>, esposa do <em>comendador Almeida</em>, pai do vilão <em>Leôncio</em>. A Brasiliana Fotográfica destaca neste artigo uma fotografia de Bernardo Guimarães, autor do livro, que pertence ao acervo fotográfico da Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras do portal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40847" style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13827" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40847" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/bernardo.jpg" alt="Bernardo Guimarães (1827-1884) : patrono da cadeira n. 5., s/d. / Acervo FBN" width="533" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13827" target="_blank">Bernardo Guimarães (1827-1884) : patrono da cadeira n. 5., s/d. / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bernardo Joaquim da Silva Guimarães, importante nome do romantismo nacional, nasceu em Ouro Preto, em 15 de agosto de 1825, tendo falecido na mesma cidade, em 10 de março de 1884. É o patrono da Cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Letras. Escreveu outros romances, além de <em>A Escrava Isaura. </em>Sua obra poética foi reunida em <em>Poesias completas</em> <em>de Bernardo Guimarães</em>, organização, introdução, cronologia e notas de Alphonsus de Guimaraens Filho (1918 &#8211; 2008), uma edição do Ministério da Educação e Cultura/Instituto Nacional do Livro, de 1959.</p>
<p class="rtejustify">Filho de Joaquim da Silva Guimarães e Constança Beatriz de Oliveira, Bernardo Guimarães passou sua infância e adolescência em Uberaba e Campo Belo. Em torno de 1842, voltou para Ouro Preto. Em 1847, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, tendo se formado em 1852, quando publicou seu livro de poesias, <em>Cantos da solidão</em>. Durante esses anos tornou-se amigo dos poetas Álvares de Azevedo (1831 &#8211; 1852) e Aureliano Lessa (1828 &#8211; 1861). Formaram com outros estudantes a Sociedade Epicureia, movimento estudantil que tinha como inspiração o poeta britânico Lord Byron (1788 &#8211; 1824).</p>
<p class="rtejustify">Exerceu em dois períodos &#8211; 1852-1854 e 1861-1864 &#8211; o cargo de juiz municipal e de órfãos de Catalão, em Goiás. Morando no Rio de Janeiro, em 1858, trabalhou como jornalista e crítico literário. Entre 1864 e 1865, de novo o poeta viveu na Corte, onde publicou o volume <em>Poesias. </em>Em 1866, voltou para Ouro Preto e foi nomeado professor de retórica e poética no Liceu Mineiro. No ano seguinte casou-se com Teresa Maria Gomes. Tiveram oito filhos. Em 1873, foi nomeado professor de latim e francês em Queluz, atual Lafayette, em Minas Gerais.</p>
<p class="rtejustify">Em 1881, dom Pedro II, durante sua viagem a Minas Gerais, encontrou-se com Bernardo Guimarães, e lhe revelou que desejava ter suas obras completas (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/3063" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 25 de abril de 1881, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41102" style="width: 449px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/364568_07/3063" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41102" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo5.jpg" alt="Jornal do Commercio, 25 de abril de 1881" width="439" height="351" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/364568_07/3063" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 25 de abril de 1881</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p class="rtejustify">Bernardo Guimarães faleceu, em março de 1884 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_02/6662" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 11 de março de 1884, terceira coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_02/6666" target="_blank">12 de março de 1884, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/222747/41" target="_blank"><em>A Província de Minas</em>, 13 de março de 1884,segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/700541/224" target="_blank"><em>Gazeta Literária</em>, 20 de março de 1884, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41095" style="width: 676px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/700541/224" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41095" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo4.jpg" alt="Gazeta Literária, de 1884" width="666" height="289" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/700541/224" target="_blank"><em>Gazeta Literária</em>, 20 de março de 1884</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40697" style="width: 359px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon960827/icon960827_031.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40697" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/isaura2.jpg" alt="Bernardo Guimarães, desenho de M.J. Garnier / Acervo FBN" width="349" height="504" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon960827/icon960827_031.jpg" target="_blank">Bernardo Guimarães, desenho de M.J. Garnier / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando à <em>A Escrava Isaura, &#8220;que faz lembrar as belas e eloquentes páginas de A Cabana do Pai Tomás que nos dois mundos tornou tão conhecido e célebre o nome de Miss Becher Stone&#8221;</em>. Em 1874, o romance começou a ser divulgado em <em>O Globo </em>como folhetim, mas a publicação foi suspensa. O jornal <em>O Apóstolo, </em>o considerava<em> imoral e atentatório da pública honestidade  (<em>O Globo</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/369381/110" target="_blank">3 de setembro</a>,<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/369381/114" target="_blank"> 4 de setembro</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/369381/118" target="_blank">5 de setembro</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/369381/122" target="_blank">6 de setembro de 1874, primeira coluna</a>; <em>O Apóstolo</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/343951/3723" target="_blank">28 de maio de 1875, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/343951/3731" target="_blank">2 de junho de 1875,</a></em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/343951/3731" target="_blank"> segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40702" style="width: 676px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://digital.bbm.usp.br/view/?45000018838&amp;bbm/7584#page/12/mode/2up" target="_blank"><img class="wp-image-40702 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/isaura31.jpg" alt="Primeira edição de A Escrava Isaura, 1875 / Biblioteca José e Guita Mindlin" width="666" height="523" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://digital.bbm.usp.br/view/?45000018838&amp;bbm/7584#page/12/mode/2up" target="_blank">Primeira edição de <em>A Escrava Isaura</em>, 1875 / Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No mesmo ano de sua publicação, 1875, outras obras foram lançadas pela editora Garnier: <em>Mademoiselle Mariani</em>, do francês Arsène Houssaye (1815 &#8211; 1896), com tradução de Salvador de Mendonça (1841 &#8211; 1913); e <em>Compêndio de orações para os devotos do Sagrado Coração de Jesus</em>, do Reverendo Henrique Ramière (1821 &#8211; 1884), também francês (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/226440/7171" target="_blank"><em>A Reforma</em>, 30 de maio de 1875, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/029033_05/13069" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 3 de julho de 1875, quarta coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/122815/1078" target="_blank"><em>O Novo Mundo,</em> 23 de julho de 1875, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41089" style="width: 417px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=226440&amp;pagfis=7171" target="_blank"><img class="wp-image-41089 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo1.jpg" alt="bernardo1" width="407" height="219" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=226440&amp;pagfis=7171" target="_blank"><em>A Reforma</em>, 30 de maio de 1875</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foram publicadas críticas ao livro (<a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/364568_06/11224" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 10 de junho de 1875</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/704555/6211" target="_blank"><em>O Liberal</em> (PA), 21 de julho de 1875</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/369381/1634" target="_blank"><em>O Globo</em>, 28 de setembro de 1875, segunda coluna</a>). Ainda em 1875, foi comercializado em Portugal (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/896560/752" target="_blank"><em>Artes e Letras </em>(Lisboa, Portugal), 1875</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40695" style="width: 348px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/364568_06/11224" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40695" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/isaura1.jpg" alt="Jornal do Commercio, 10 de junho de 1875" width="338" height="517" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/364568_06/11224" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 10 de junho de 1875</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40694" style="width: 367px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/704555/6211" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40694" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/isaura.jpg" alt="O Liberal do Pará, 21 de julho de 1875" width="357" height="525" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/704555/6211" target="_blank"><em>O Liberal do Pará</em>, 21 de julho de 1875</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41090" style="width: 363px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/369381/1634" target="_blank"><img class=" wp-image-41090" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo2.jpg" alt="O Globo, 28 de setembro de 1875" width="353" height="540" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/369381/1634" target="_blank"><em>O Globo,</em> 28 de setembro de 1875</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1929, foi lançado o filme <em>A Escrava Isaura</em>, sob a direção e com roteiro de Antônio Marques Costa Filho (? &#8211; 19?) &#8211; no elenco, Felício Agnelo (? &#8211; 19?), Amadeu Belluci  (? &#8211; 19?), Elisa Betty (? &#8211; 19?), Ronaldo de Alencar (? &#8211; 19?) e Celso Montenegro (? -19?), dentre outros (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_05/40728" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 9 e 10 de dezembro de 1929, quinta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41112" style="width: 298px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_05/40634" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41112" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo8.jpg" alt="O Paiz, 1º de dezembro de 1929" width="288" height="538" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_05/40634" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 1º de dezembro de 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41111" style="width: 554px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/162531/8196" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41111" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo7.jpg" alt="Cena do filme A Escrava Isaura (1929) / Cinearte, 7 de agosto de 1929" width="544" height="461" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/162531/8196" target="_blank">Cena do filme <em>A Escrava Isaura</em> (1929) / <em>Cinearte,</em> 7 de agosto de 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vinte anos depois, em 1949, com direção e roteiro de Euripides Santos (1906 &#8211; 1986), foi lançada uma nova versão cinematográfica de <em>A Escrava Isaura</em>, com Fada Santoro (1924 &#8211; 2024) e Graça Mello (1914 &#8211; 1979) como seus protagonistas (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/084859/52086" target="_blank"><em>A Scena Muda</em>, 24 de janeiro d 1950</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41114" style="width: 763px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/110523_04/53143" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41114" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo10.jpg" alt="O Jornal, 30 de dezembro de 1949" width="753" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/110523_04/53143" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 30 de dezembro de 1949</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41113" style="width: 419px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/084859/52014" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41113" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo9.jpg" alt="A Scena Muda, 10 de janeiro de 1950" width="409" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/084859/52014" target="_blank"><em>A Scena Muda</em>, 10 de janeiro de 1950</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41116" style="width: 757px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/67" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41116" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo11.jpg" alt="O Jornal, 3 de janeiro de 1950" width="747" height="511" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/67" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 3 de janeiro de 1950</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O romance ganhou uma versão para a televisão, que se tornou um marco na história da teledramaturgia nacional, tendo repercutido internacionalmente. Ficou no ar, na TV Globo, entre 11 de outubro de 1976 a 5 de fevereiro de 1977. Adaptada por Gilberto Braga (1945 &#8211; 2021) e dirigida por Herval Rossano (1935 &#8211; 2007), foi protagonizada por Lucélia Santos (1957-), como <em>Isaura</em>, e Rubens de Falco (1931 &#8211; 2008), como <em>Leôncio</em>. Dentre outros, atuaram na novela<span style="font-size: 13.3333px;"> E</span>dwin Luisi (1947-), Roberto Pirillo (1947-) e Norma Blum (1939-)<a title="Norma Blum" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Norma_Blum">.</a> O sucesso da novela na China foi tão grande que Lucélia Santos integrou a comitiva da viagem do então presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso (1931-), ao país, em dezembro de 1995 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_11/206623" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 12 de dezembro de 1995</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41092" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo3.jpg"><img class="size-full wp-image-41092" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/bernardo3.jpg" alt="Logotipo da telenovela brasileira Escrava Isaura" width="500" height="276" /></a><p class="wp-caption-text">Logotipo da telenovela brasileira <em>Escrava Isaura</em></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 2004, <i>A Escrava Isaura</i> voltou a ser adaptada como telenovela, desta vez pela Record &#8211; foi exibida entre 18 de outubro de 2004 e 29 de abril de 2005. Uma curiosidade: na Polônia, oito mil pessoas se reuniram em um estádio para uma competição de sósias de <em><span class="il">Isaura</span></em> e <em>Leôncio</em>.</p>
<p>Assim, a já centenária obra literária, <em>A escrava Isaura</em>, voltava a ter uma grande visibilidade no Brasil e no mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Lista da obra completa de Bernardo Guimarães:</strong></span></p>
<p><em>Cantos da solidão</em>, 1852.<br />
<em>Poesias</em>, 1865.<br />
<em>O ermitão de Muquém</em>, 1868.<br />
<em>Lendas e romances</em>, 1871.<br />
<em>O garimpeiro</em>, 1872.<br />
<em>Histórias da província de Minas Gerais</em>, 1872.<br />
<em>O seminarista</em>, 1872.<br />
<em>O índio Afonso</em>, 1873.<br />
<em>A morte de Gonçalves Dias</em>, 1873.<br />
<em>A escrava Isaura</em>, 1875.<br />
<em>Novas poesias</em>, 1876.<br />
<em>Maurício ou os paulistas em São João Del-Rei</em>, 1877.<br />
<em>A ilha maldita</em>, 1879.<br />
<em>O pão de ouro</em>, 1879.<br />
<em>Rosaura, a enjeitada</em>, 1883.<br />
<em>Folhas de outono</em>, 1883.<br />
<em>O bandido do Rio das Mortes</em>, 1904.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>SEABRA, Alexandre Sabado. <em>A relevância não comentada de “A escrava Isaura”.<span style="color: #333300;">  Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento,</span></em><span style="color: #333300;"> 30 de março de 2019.</span></p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/academicos/bernardo-guimaraes/biografia" target="_blank">Site Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/escrava-isaura/" target="_blank">Site Memória Globo</a></p>
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		<title>Breves perfis e cronologias dos irmãos e fotógrafos Malta: Aristógiton (1904-1954) e Uriel (1910 – 1994)</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 12:44:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje a Brasiliana Fotográfica publica breves perfis e as 70ª e 71ª cronologias de fotógrafos presentes no acervo fotográfico do portal. São dos irmãos e fotógrafos Aristógiton e Uriel Malta. As cronologias estão todas reunidas na página inicial da Brasiliana Fotográfica na aba "Cronologia de Fotógrafos". Aristógiton e Uriel são filhos de Augusto Malta (1864 - 1957), que foi fotógrafo da Prefeitura do Rio de Janeiro, entre 1903 e 1936. O cargo foi criado para ele que tornou-se o principal cronista visual da cidade nas primeiras décadas do século XX. Disponibilizamos hoje também uma versão revisada e ampliada do artigo "O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936", e da "Cronologia de Augusto Malta", originalmente publicados no portal, em 10 de julho de 2015.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje a Brasiliana Fotográfica publica breves perfis e as 70ª e 71ª cronologias de fotógrafos presentes no acervo fotográfico do portal. São dos irmãos e fotógrafos Aristógiton e Uriel Malta. As cronologias estão todas reunidas na página inicial da Brasiliana Fotográfica na aba <span style="color: #800000;"><em><strong>Cronologia de Fotógrafos</strong></em></span>. Aristógiton e Uriel são filhos de Augusto Malta (1864 &#8211; 1957), que foi fotógrafo da Prefeitura do Rio de Janeiro, entre 1903 e 1936. O cargo foi criado para ele, que tornou-se o principal cronista visual da cidade nas primeiras décadas do século XX. Disponibilizamos hoje também uma versão revisada e ampliada do artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank"><em>O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936</em></a>, e da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20908" target="_blank">Cronologia de Augusto Malta</a>, originalmente publicados no portal, em 10 de julho de 2015.</p>
<p>O trabalho de Aristógiton e Uriel ficou durante muitas décadas à sombra da extraordinária obra de seu pai. A publicação, em 27 de janeiro de 2026, do livro digital <a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=1" target="_blank"><em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em> </a>, com fotografias produzidas pelos filhos de Augusto Malta pertencentes ao acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, resgatam a importância do trabalho deles, que fotografaram os últimos anos da <em>belle époque</em> carioca assim como seu desaparecimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Aristógiton Malta</strong> <strong>(1904-1954)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 511px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14354" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14354/CP-LE-AI-PC_004.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="501" height="671" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14354" target="_blank">Aristógiton Malta, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aristógiton nasceu em 25 de agosto de 1904, no Rio de Janeiro, e era filho da primeira esposa de Augusto Malta, Laura Oliveira Campos (1874 – 1905). De temperamento alegre e afável, era um desportista e praticou remo durante muitos anos. Casou-se com Helena de Freitas Moutinho (1906 – 1975), no início da década de 1930. Tiveram sete filhos: Marcus Moitinho Malta (1933 &#8211; 1977), Maryse Malta Muller (1935 &#8211; ), Mauro Moitinho Malta (1937 &#8211; ), Marcelo Moitinho Malta (1940 &#8211; 2020), Marcio Moitinho Malta (1946 -), Antonio Carlos Moitinho Malta (1947 &#8211; 1950) e Monica Moitinho Malta (1952 -1952).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43812" style="width: 594px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/aristogiton19.jpg"><img class="size-full wp-image-43812" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/aristogiton19.jpg" alt="Aristógiton e Helena com Maryse, Marcus, " width="584" height="468" /></a><p class="wp-caption-text">O casal Aristógiton e Helena com os filhos Maryse, Marcus, Mauro e Marcelo no colo da mãe, 1940 / Acervo pessoal de Maryse Muller</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1932, foi contratado como fotógrafo assistente da Prefeitura do Rio de Janeiro. Em 25 de agosto de 1936, Augusto Malta aposentou-se da Prefeitura e foi substituído por Aristógiton, a partir de 9 de setembro do mesmo ano. Em 1938, o presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), visitou a “Feira de Amostras”,  uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos <em>stands</em> de maior sucesso foi o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto e Aristógiton. Em 1953, foi noticiado que uma foto de sua autoria do Estádio do Maracanã estava nas paredes de todas as repartições da Prefeitura, no hall do Banco da Prefeitura, e também em hotéis em países da Europa, da América do Sul e dos Estados Unidos. Faleceu em 15 de agosto de 1954.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 313px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/07/aristogiton.jpg" alt="Aristogiton Malta (1896-1954) / Site Family Search" width="303" height="387" /><p class="wp-caption-text">Aristógiton Malta, s/d / Site Family Search</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=42996" target="_blank">Acesse aqui a Cronologia de Aristógiton Malta (1904 &#8211; 1954)</a></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14326/596.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="520" /><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14326" target="_blank">Aristógiton Malta. Esplanada do Castelo, 14 de julho de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ</a></p></div>
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<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=%22arist%C3%B3giton+malta%22" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acessando o link para as fotografias de autoria de Aristógiton Malta disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></span></a></p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Uriel Malta (1910 – 1994)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 511px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14355" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14355/BR%20RJAGCRJ.CP.LE.AI.PC.005.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="501" height="544" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14355" target="_blank">Uriel Malta, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uriel Malta nasceu, em 28 de setembro de 1910, no Rio de Janeiro, filho da segunda esposa de Augusto, Celina Augusta Verscheuren (1884 – 1969). Passou a trabalhar com o irmão, Aristógiton, no Serviço de Fotografia da Prefeitura, em 1937. Casou-se com Hilda de Abreu Malta (1908 &#8211; 1976), em 1944. Tiveram pelo menos três filhos: Claudius Vinicius de Abreu Malta (1945-2010), Lelia Sandra de Abreu Malta (19? &#8211; ?) e Lelia Egle de Abreu Malta (19? &#8211; ?). Foi fotógrafo da Prefeitura até fins da década de 1960 e, em 1970, teve assinada a apostila fixando os proventos anuais de inatividade. Uriel faleceu, em Magé, em 5 de agosto de 1994.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=42998" target="_blank">Acesse aqui a Cronologia de Uriel Malta (1910- 1994)</a></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 709px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14330" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14330/3984.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="699" height="504" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14330" target="_blank">Provável Uriel Malta. Trecho da Avenida Beira-Mar, 7 de setembro de 1940. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=%22uriel+malta%22" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acessando o link para as fotografias de autoria de Uriel Malta disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6658" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6658/CP-LE-PC_003.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="523" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6658" target="_blank">Augusto Malta, s/d . Rio de Janeiro, RJ/ Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acesse aqui a publicação <span style="color: #800000;"><strong><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank"><em>O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936</em></a> </strong></span>e a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20908" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Cronologia de Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</strong></span></a>, revisadas e ampliadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agradeço à colaboração generosa da filha de Aristógiton Malta, Maryse Muller, e de uma de suas netas, Christiana Malta, que me deram um depoimento fundamental para a elaboração deste artigo, em 20 de março de 2026.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43864" style="width: 338px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/aristógiton5.jpg"><img class="size-full wp-image-43864" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/aristógiton5.jpg" alt="Christiana Malta e Maryse Muller, neta e filha de Aristógiton Malta" width="328" height="274" /></a><p class="wp-caption-text">Christiana Malta e Maryse Muller, neta e filha de Aristógiton Malta, respectivamente, comigo, Andrea Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, 20 de março de 2026. Rio de Janeiro</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=1" target="_blank"><em>Achados e Perdidos (livro eletrônico): Imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em></a>/Eliseu Santiago de Souza&#8230;(Et.Al.) &#8212; 1ª edição. Rio de Janeiro: Aprazível Edições e Arte e UQ Editions, 2025 PDF. Outros autores: Pedro Marreca, Rafael Martins, Leonel Kaz.</p>
<p><a href="https://domingosmoitinho.blogspot.com/" target="_blank">Blogspot Domingos Moitinho</a></p>
<p>DUNLOP, Charles Julius. <em>Rio Antigo, volume II</em>. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1956.</p>
<p>ERMAKOFF, George. <em>Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936</em> / George Ermakoff; tradução para o inglês Carlos Luís Brown Scavarda. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2009. 288p. : il.; 28cm</p>
<p>FROSSARD, Heloisa (org.) <em><a href="http://www0.rio.rj.gov.br/arquivo/pdf/biblioteca_carioca_pdf/catalogo_serie_nega_a_malta.pdf" target="_blank">Augusto Malta – Catálogo da série Negativo em vidro Aristógiton Malta</a></em>. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro – Coleção Biblioteca Carioca, 1994.</p>
<p>HEEREN, Alice. <em>Affective Rhetorics of Contagion – Augusto Malta in Belle Époque Rio de Janeiro</em>, 2020.</p>
<p><a href="https://www.bn.gov.br/explore/acervos/hemeroteca-digital" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><em>Nosso Século</em>. São Paulo; Abril Cultural, 1980. vol. 1 (1900-1910)</p>
<p><a href="http://portalaugustomalta.rio.rj.gov.br/" target="_blank">Portal Augusto Malta do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro</a></p>
<p><a href="https://acasasenhorial.org/acs/index.php/pt/component/cck/427-fazenda-resgate" target="_blank">Site A Casa Senhorial</a></p>
<p>WANDERLEY, Andrea C. T. <em><a title="“Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)”, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Destaque para a identificação da casa de Tia Ciata" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=42778">“Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)”, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Destaque para a identificação da casa de Tia Ciata</a></em> in Brasiliana Fotográfica, 10 de fevereiro de 2026</p>
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		<title>Série “Feministas, graças a Deus” XXI &#8211; Uma alemã que amava a Amazônia: Emília Snethlage no Museu Goeldi</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 13:58:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Convidados]]></category>
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		<category><![CDATA[União Universitária Feminina]]></category>

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		<description><![CDATA[No 21º artigo da série “Feministas, graças a Deus”, de autoria do historiador Nelson Sanjad, do Museu Paraense Emílio Goeldi, que é, desde o início de 2026, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, vamos conhecer a espetacular trajetória da alemã Emília Snethlage, nascida em 13 de abril de 1868. Foi uma cientista pioneira, que chegou ao Brasil, em 1905, e a primeira mulher diretora do Museu Goeldi, cargo que exerceu entre 1914 e 1921. Suas escolhas foram sempre avançadas: estudou zoologia, quando a entrada de mulheres em universidades era ou proibida ou mal vista; decidiu não casar e veio para um país estrangeiro. Decisões feministas. Foi conselheira da União Universitária Feminina, fundada, no Rio de Janeiro, em 13 de janeiro de 1929, sob a direção da engenheira e urbanista Carmen Portinho. Faleceu, em Porto Velho, capital de Rpondônia, em 25 de novembro de 1929.
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No 21º artigo da série <em>Feministas, graças a Deus</em>, do historiador Nelson Sanjad, do Museu Paraense Emílio Goeldi, que é, desde o início de 2026, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, vamos conhecer a espetacular trajetória da alemã Emília Snethlage, nascida em 13 de abril de 1868. Foi uma cientista pioneira, que chegou ao Brasil, em 1905, e a primeira mulher diretora do Museu Goeldi, cargo que exerceu entre 1914 e 1921. Em 1926, tornou-se membro correspondente da Academia Brasileira de Ciências (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_05/27522" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 28 de outubro de 1926, penúltima coluna</a>).</p>
<p>Suas escolhas foram sempre avançadas: estudou zoologia, quando a entrada de mulheres em universidades era ou proibida ou mal vista; decidiu não casar e veio para um país estrangeiro. Decisões feministas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43877" style="width: 291px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Emilie_Snethlage#/media/Ficheiro:Emilie-Snethlage.png" target="_blank"><img class="wp-image-43877 " src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/snet1.jpg" alt="snet1" width="281" height="313" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Emilie_Snethlage#/media/Ficheiro:Emilie-Snethlage.png" target="_blank">Emilie Snethlage, 1906 / Museum für Naturkunde Berlin/Historische Bild-und Schriftgutsammlungen </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1926, foi uma das signatárias da mensagem em apoio à candidatura de Washington Luis (1869 &#8211; 1957) à presidência da República da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, dirigida pela bióloga <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21354" target="_blank">Bertha Lutz  (1894 – 1976)</a> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_04/44051" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 2 de fevereiro de 1926, segunda coluna</a>).</p>
<p>Foi convidada para integrar o conselho da União Universitária Feminina, fundada, no Rio de Janeiro, em 13 de janeiro de 1929, sob a direção da engenheira e urbanista <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22326" target="_blank">Carmen Portinho (1903 – 2001)</a>. As outras criadoras ou conselheiras da entidade foram: a engenheira civil Amélia Sapienza (? -19?), Bertha Lutz, a advogada <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20151" target="_blank">Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), </a> a professora Heloisa Marinho (1903 – 1994), as médicas Herminia de Assis (? -19?) e Juana Lopes (? -19?), as advogadas Maria Alexandrina Ferreira Chaves (? -19?), Maria Ester Correia Ramalho (? -19?), Myrthes de Campos ( 1875 – 1965) e Orminda Ribeiro Bastos (1899 – 1971) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_03/38374" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 15 de janeiro de 1929, quinta coluna</a>).</p>
<p>Emília Snethlage faleceu, em Porto Velho, capital de Rondônia, em 25 de novembro de 1929. Trabalhava desde 1922 no Museu Nacional (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_03/43260" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 28 de novembro de 1929, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43885" style="width: 214px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_03/43260" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43885" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/snet2.jpg" alt="Correio da Manhã, 29 de novembro de 1929" width="204" height="382" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_03/43260" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 29 de novembro de 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Série “Feministas, graças a Deus” XXI &#8211; Uma alemã que amava a Amazônia: Emília Snethlage no Museu Goeldi</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">Nelson Sanjad*</p>
<p style="text-align: left;">Emília Snethlage (1868-1929) é dessas figuras que causam comoção: sua trajetória ainda surpreende pelas escolhas que tomou ao longo da vida, sobretudo quando decidiu estudar zoologia – em uma época em que o acesso das mulheres à universidade era proibido ou mal visto; quando decidiu não se casar; quando quis trabalhar em um país estrangeiro num ofício dominado por homens – a pesquisa científica; e quando aceitou o desafio de dirigir um museu de história natural, o Museu Goeldi, em 1914, feito que talvez nenhuma outra mulher havia experimentado antes dela.</p>
<p style="text-align: left;">Como se isso não bastasse, Snethlage, que trocou a Alemanha pelo Brasil aos 37 anos, em 1905, gostava de viajar sozinha ou com apenas um acompanhante pelos rincões do interior do país. Era exímia coletora de aves, sendo responsável pelo acréscimo de muitos milhares de exemplares à coleção ornitológica do Museu Goeldi. E também produziu uma obra científica atualmente considerada fundacional para a ciência brasileira, especialmente para a taxonomia de aves e a biogeografia. No século XX, apenas cinco cientistas (homens), descreveram mais espécies de aves do que ela: os norte- americanos Frank Chapman (1864 &#8211; 1945), John Zimmer (1889 &#8211; 1957) e Walter Todd (1874 &#8211; 1969); o austríaco Carl Hellmayr (1878-1944) e o alemão Hans von Berlepsch (1850 &#8211; 1915). Ela foi a única a trabalhar em instituições brasileiras &#8211; o Museu Goeldi e o Museu Nacional &#8211; e criou 46 nomes de aves válidos atualmente, descritos entre 1906 e 1928. Por fim, foi ela quem delineou uma agenda de investigações que perdura até nossos dias, dedicada à compreensão do papel dos grandes rios na distribuição de espécies de aves pelo território nacional.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>Acessando o link para as fotos de Emília Snethlage disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A esta longa lista de qualificativos, podemos acrescentar mais alguns: Emília Snethlage foi a primeira pessoa não-indígena a explorar um interflúvio amazônico, percorrendo a pé, em companhia de sete indígenas Kuruaya, o divisor de águas entre o Xingu e o Tapajós, em 1909. Posteriormente, em 1914, revisitou aquele mesmo povo indígena, e mais os Xipaya, reunindo uma coleção com mais de 150 artefatos. Snethlage inscreveu seu nome na história da antropologia por ter não apenas feito a primeira (e única) coleção etnográfica de ambos os povos, como também por ter sido a primeira mulher a fazer uma etnografia e a coletar em aldeias indígenas na Amazônia. Antes dela, somente a princesa Teresa da Baviera vinculou seu nome a uma coleção etnográfica, mas esta não foi obtida em aldeias e nem junto a indígenas, mas comprada nos mercados das cidades amazônicas por onde viajou na década de 1880.</p>
<p>Esses episódios vêm sendo explorados por pesquisadoras e pesquisadores capturados pela memória de Emília Snethlage. Nos últimos 25 anos, brasileiros e alemães revisitaram publicações, relatórios, cartas, fotografias, desenhos, mapas, coleções e toda sorte de documentos relacionados a Snethlage, com motivações diversas, mas todos movidos – ou comovidos – pela extraordinária vida de Snethlage e pelo imenso legado que ela deixou. A lista é longa, mas faço questão de registrar os nomes (em ordem alfabética) para que o/a leitor/a tenha a dimensão desse recente movimento de construção historiográfica: Aline Ariela Pereira, Beatrix Hoffmann-Ihde, Carla Bedran, Cilene Trindade Rohr, Diana Alberto, Gabriel Ramos Pacheco, Gleice Mere, Leila Mourão Miranda, Lilian Bayma de Amorim, Luiz Felipe Santos, Marcelo de Castro Silva, Marco Crozariol, Matheus Camilo Coelho, Miriam Junghans, Nelson Sanjad, Pablo Borges, Peter Schroeder, Reinhard Michael Arnegger, Rosanne Castelo Branco e possivelmente outros. Esses nomes se uniram a pesquisadores mais antigos, pioneiros no estudo da vida e da obra de Snethlage, como Osvaldo Cunha e Marisa Corrêa.</p>
<p>Já é possível registrar alguns avanços significativos no conhecimento da vida e do legado de Snethlage: Junghans (2009) e Coelho (2026) fizeram  belas análises das viagens e do trabalho de campo da ornitóloga; Hoffmann-Ihde (2015) fez o mais importante estudo das coleções Kuruaya e Xipaya, preservadas no Ethnologisches Museum Berlin; Pereira (2024) seguiu os passos (literalmente) de Snethlage pelo Ceará e revisitou as coleções ornitológicas que ela formou, semelhante ao que Santos e colegas (2024, 2025) fizeram, mas para o caso da Amazônia; Alberto (2022) introduziu Snethlage nos estudos de gênero, enquanto Sanjad (2019) mapeou as relações científicas que ela estabeleceu entre os etnólogos (homens) alemães; por fim, Crozariol (2025) lançou luz sobre as circunstâncias da morte de Snethlage, graças à descoberta de documentos inéditos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, felizmente salvos do grande incêndio de 2018. Vale registrar, ainda, os esforços para divulgar importantes trabalhos de Snethlage, como os seus estudos etnográficos, pouco lidos e quase nunca citados, traduzidos ao português, pela primeira vez, por Michael Arnegger e Nelson Sanjad (Snethlage, 2023a) e por Cilene Rohr e Rosanne Castelo Branco (Snethlage, 2023b). Todas as referências bibliográficas seguem listadas abaixo para a devida orientação do/a leitor/a.</p>
<p>O desenvolvimento da historiografia, na dimensão e com a qualidade aqui demonstrados, só é possível com bons levantamentos documentais e com coleções bem preservadas em museus e arquivos. Com esse horizonte, o Arquivo Guilherme de La Penha, do Museu Goeldi, organizou e inventariou toda a documentação produzida e recebida pela instituição entre 1914 e 1921, anos em que Snethlage esteve à frente da direção do museu; e também desenvolveu a Coleção Especial Emília Snethlage, que reúne cartas pessoais conservadas no próprio arquivo do museu e cópias digitais de documentos preservados pela Família Snethlage, residente na Alemanha, e por outras instituições, como o Museum für Naturkunde Berlin, Ethnologisches Museum Berlin, Philipps-Universität Marburg, Albert-Ludwigs-Universität Freiburg, Natural History Museum London, Staatsarchiv des Kantons Basel-Stadt e Naturhistorisches Museum Wien. Esses documentos vêm sendo reunidos há pelo menos 15 anos por Nelson Sanjad, Beatrix Hoffmann-Ihde, Miriam Junghans, Rotger Snethlage e Gleice Mere.</p>
<p>Esse enorme conjunto documental dará origem a duas publicações: o livro “Emília Snethlage no Arquivo Guilherme de La Penha”, contendo o Catálogo Descritivo da Gestão Emília Snethlage no Museu Goeldi (1914-1921) e o Catálogo Descritivo da Coleção Especial Emília Snethlage (1907-1924), ambos organizados por Lilian Bayma de Amorim, Pablo Borges e Nelson Sanjad, com previsão de publicação em 2026; e o livro “Emília Snethlage: cartas e inéditos”, contendo a transcrição e tradução das cartas e dos textos inéditos de Snethlage encontrados até o momento, organizados por Nelson Sanjad, Beatrix Hoffmann-Ihde, Rotger Snethlage e Marco Aurélio Crozariol, com previsão de publicação em 2027.</p>
<p>Essas são notícias alvissareiras para celebrarmos o aniversário de Emília Snethlage neste 13 de abril de 2026, quando se completam 158 anos de seu nascimento – alvissareiras porque os documentos a serem publicados certamente darão ensejo a novos estudos, ampliando ainda mais o conhecimento que dispomos sobre a biografia de Snethlage e a construção de sua obra científica.</p>
<p>Nesta postagem, adiantamos a publicação de algumas fotos preservadas no Arquivo Guilherme de La Penha, devidamente contextualizadas com o auxílio de outros documentos. A primeira delas é o célebre retrato das funcionárias do Museu Goeldi, tirado em março de 1907 por pessoa não identificada. Snethlage aparece de pé, com suas características roupas claras, mangas bufantes e cabelo preso. Ela trabalhava há um ano e meio como assistente de Emílio Goeldi na Seção de Zoologia, tendo sido indicada ao cargo pelo ornitólogo alemão Anton Reichenow (1847-1941), curador do Museum für Naturkunde Berlin, que assegurou sua competência e habilidade nos trabalhos museais (Sanjad, 2010). Quando Goeldi se retirou de volta para a Suíça, em 1907, Snethlage assumiu a chefia da seção e depois, com o falecimento de Jacques Huber (1867-1914), a direção do próprio museu, ali permanecendo até 1921 (com exceção de um breve período em que precisou se afastar em razão da Primeira Guerra Mundial).</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14389" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14389/MPEG374-JPG.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14389" target="_blank">Funcionárias do Museu Goeldi em 1907. Retrato das três mulheres que trabalhavam no Museu Goeldi em 1907, tirado no Parque Zoobotânico da instituição, em Belém: de pé, a ornitóloga alemã Emília Snethlage (1868-1929), contratada em 1905; sentadas, à esquerda, Anna de Aragão Carreira (1894-?) e, à direita, Abigayl Esther de Mattos (1889-1958), ambas secretárias e contratadas em 1907, março de 1907. Belém, Pará /Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>As moças sentadas são Anna de Aragão Carreira (1894-?), à esquerda, e Abigayl Esther de Mattos (1889-1958), à direita. Ambas foram contratadas em 1907, após o secretário José Lobo Pessanha ser demitido e seu salário dividido em dois, sendo uma parte paga para Anna Carreira, como encarregada de confeccionar os rótulos e as etiquetas das coleções, e a outra para Abigayl Mattos, encarregada da secretaria e da biblioteca. As duas moças, uma com 13 e a outra com 18 anos, passaram a desempenhar as mesmas funções que Pessanha, somadas às atividades incessantes de apoio às coleções, mas recebiam apenas a metade do salário do antigo “oficial de secretaria”. A ideia foi apresentada pelo sucessor de Goeldi, Jacques Huber, como uma medida muito inteligente, “permitindo assim obter maior soma de trabalho sem acréscimo notável de despesas” (Huber, 1909, p. 4).</p>
<p>Ainda que esse experimento trabalhista nos soe como um disparate e muito injusto, a iniciativa de Goeldi e Huber foi inovadora para a época. Snethlage foi a primeira funcionária pública do Estado do Pará, logo seguida pelas outras duas, sendo a mais nova (Anna, 13) contratada como “aprendiz”. O Museu Goeldi talvez seja a primeira instituição científica do país onde as mulheres passaram a ocupar funções finalísticas, como Snethlage, e administrativas, incluindo aí um programa de estágio para adolescentes, denominado “Jovens Aprendizes”. A avaliação da experiência de inserir mulheres no ambiente de trabalho, feita por Huber (1909, p. 4), foi bastante positiva:</p>
<p>Felizmente esta experiência, ainda que única no Pará, deu resultados de todo satisfatórios para o Museu, sendo de louvar o zelo e a aplicação com que as ditas funcionárias se houveram no desempenho de suas funções. Provavelmente o nosso Museu é o único na América latina onde o trabalho feminino seja tão largamente aproveitado.</p>
<p>As próximas quatro fotos foram feitas em dezembro de 1908, por pessoa não identificada, mas que certamente carregava uma máquina portátil. Essas fotos fazem parte de um conjunto maior, somando oito negativos de vidro produzidos quando uma chimpanzé chegou no Museu Goeldi. Essa história é muito curiosa: o animal pertencia ao médico Harold Wolferstan Thomas  (1875–1931), chefe da missão da Escola de Medicina Tropical de Liverpool em Manaus. Em 17 de novembro de 1908, ele escreveu a Huber perguntando se ele poderia cuidar da chimpanzé enquanto viajava à Europa. Ela já era adulta, estava cativa há dois anos, era “bem mança e accostumada com gente” [sic]. Dr. Thomas foi prontamente atendido por Huber, mas quem recebeu e cuidou do animal foi Snethlage, responsável pelo zoológico da instituição, e seu assistente preparador, João Batista de Sá (?-1909). São eles que aparecem acolhendo a chimpanzé: na primeira foto, Sá, vergado e segurando um balde (com comida?), dá a outra mão ao animal – que parece estranhar o ambiente. Snethlage está observando a cena logo atrás, com as mãos na cintura. Huber está bem no fundo, de paletó branco e chapéu, mas um de seus filhos quis se aproximar da nova moradora do parque. É o menino que aparece à esquerda, de branco (o outro menino, atrás de Snethlage, não foi identificado).</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14390" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14390/MPEG373-JPG.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14390" target="_blank">Chegada de uma chimpanzé ao Museu Goeldi. Funcionários do Museu Goeldi recebendo uma chimpanzé. O preparador de zoologia João Batista de Sá (?-1909) aparece vergado e segurando um balde (com comida?), com a outra mão segurando a chimpanzé; Emilia Snethlage (1868-1929) está observando a cena logo atrás, com as mãos na cintura; Jacques Huber (1867-1914) está bem no fundo, de paletó branco e chapéu; a criança com roupa branca à esquerda é seu filho. dezembro de 1908. Belém, Pará / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>Na sequência, a chimpanzé aparece agarrada às grades da jaula dos pequenos felinos. Ela provavelmente emite algum som, enquanto uma jaguatirica a observa atentamente à esquerda. Snethlage, com cabelos bem mais esbranquiçados do que na foto tirada no ano anterior, ainda mantêm distância da chimpanzé, com Sá ao seu lado (cujo corpo é apenas parcialmente visível).</p>
<p>Na próxima foto, a chimpanzé já está junto à jaula dos macacos barrigudos, identificada por uma plaqueta que pende à direita, em cima. Dois deles permanecem empoleirados, enquanto um terceiro desce para ver de perto a visitante. Nesse momento, Snethlage inclina-se, permitindo-nos ver seus longos cabelos arrumados em um coque. Ela toca as costas da chimpanzé, enquanto Sá, do outro lado, parece estar de prontidão para conter o animal. A chimpanzé vira-se para Snethlage – e quase podemos ouvi-la chiar agudamente. A cena é terna e tensa ao mesmo tempo.</p>
<p>Na quarta foto, ainda junto à jaula dos macacos barrigudos, Snethlage e Sá permitem que a chimpanzé suba em uma tábua, talvez para interagir melhor com os macacos, que parecem se movimentar no interior. O balde volta às mãos de Sá, enquanto Snethlage encosta-se no guarda-corpo, dizendo algo para o fotógrafo.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14391" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14391/MPEG369-JPG.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="518" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14391" target="_blank">Funcionários do Museu Goeldi recebendo uma chimpanzé. A chimpanzé aparece agarrada às grades da jaula dos pequenos felinos. Uma jaguatirica a observa atentamente à esquerda. Emilia Snethlage (1868-1929) aproxima-se, com João Batista de Sá (?-1909) ao seu lado (cujo corpo é apenas parcialmente visível)., dezembro de 1908. Belém, Pará / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14392" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14392/MPEG372-JPG.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14392" target="_blank">Funcionários do Museu Goeldi recebendo uma chimpanzé. A chimpanzé está junto à jaula dos macacos barrigudos, identificada por uma plaqueta que pende à direita, em cima. Dois deles permanecem empoleirados, enquanto um terceiro desce para ver de perto a visitante. Nesse momento, Emilia Snethlage (1868-1929) inclina-se e toca as costas da chimpanzé, enquanto o preparador de zoologia João Batista de Sá (?-1909), do outro lado, parece estar de prontidão para conter o animal, dezembro de 1908. Belém, Pará / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14386" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14386/MPEG371-JPG.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14386" target="_blank">Funcionários do Museu Goeldi recebendo uma chimpanzé. A chimpanzé está junto à jaula dos macacos barrigudos. Emilia Snethlage (1868-1929) e o preparador de zoologia João Batista de Sá (?-1909) permitem que a chimpanzé suba em uma tábua, talvez para interagir melhor com os macacos, que parecem se movimentar no interior. Sá está segurando um balde, enquanto Snethlage encosta-se no guarda-corpo, dizendo algo para o fotógrafo, dezembro de 1908. Belé, Pará / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>Em 25 de junho de 1909, Dr. Thomas escreve de Liverpool: “How is my chimpazee behaving in the museum?” – e anuncia a sua volta para novembro do mesmo ano. Huber respondeu em agosto, em tom bem humorado: “A chimpanzé fêmea está prosperando em sua nova residência; ela é a principal atração do zoológico e está plenamente consciente de sua importância. Agora, ela está mais forte e mais animada do que nunca.”</p>
<p>Em outra fotografia, podemos ver Snethlage novamente em ação no zoológico do Museu Goeldi, junto a uma equipe de tratadores de animais. Desta vez, eles estão ocupados com uma onça, que aparece amarrada atrás das grades. Dois homens tencionam uma corda, sendo um deles João Batista de Sá, mais próximo à jaula. Snethlage olha a cena, vestida como de costume, mas com chapéu (estava chegando da rua?). É difícil decifrar o que está acontecendo, mas é certamente algo que demanda cuidado e atenção. Além da longa corda tencionada e que se enrola pelo chão, um terceiro homem, ao lado de Sá, puxa uma segunda corda, mais fina e menor, que talvez estivesse contendo as patas traseiras da onça; e um quarto homem, ao lado de Snethlage, também segura uma corda, com um laço na ponta, certamente utilizado no pescoço do animal. Podemos imaginar que uma onça estava chegando no museu, tendo sido transportada completamente amarrada. Os homens parecem estar no processo de desamarrá-la, enquanto a onça rosna e esperneia do lado de dentro.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14387" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14387/PA%20694c%20%281%29%20A%204-7%20002-JPG.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="647" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14387" target="_blank">Chegada de uma onça no Museu Goeldi. Emília Snethlage (1868-1929) e tratadores de animais no zoológico do Museu Goeldi, junto à jaula de uma onça. Ela aparece amarrada atrás das grades. Dois homens tencionam uma corda, sendo um deles João Batista de Sá (?-1909), mais próximo à jaula. Além da longa corda tencionada e que se enrola pelo chão, um terceiro homem, ao lado de Sá, puxa uma segunda corda, mais fina e menor, que talvez estivesse contendo as patas traseiras da onça; e um quarto homem, ao lado de Snethlage, também segura uma corda, com um laço na ponta, certamente utilizado no pescoço do animal. Os homens parecem estar desamarrando a onça. Coleção privada, negativo de vidro. Cópia digital disponível no Fundo Jacques Huber, Arquivo Guilherme de La Penha, Museu Goeldi. Reprodução digital e publicação autorizadas pelos proprietários, / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>Alguns autores já escreveram sobre a intimidade dos funcionários do museu e de suas famílias com os animais residentes no zoológico. A chegada da chimpanzé mobilizou toda a instituição, pois na série de fotos é possível ver os funcionários e familiares que acorreram para testemunhar a entrada do animal no museu. Por sua vez, Suescún Florez e colegas (2018) analisaram o Museu Goeldi como local para a sociabilidade dos funcionários e das suas famílias, chegando a divulgar uma foto dos filhos de Huber brincando dentro do viveiro de jabotis, montando nos animais como se fossem cavalos, enquanto uma tia ri alegremente.</p>
<p>A tese de Alberto (2022) dá ênfase à relação de afeto que Snethlage mantinha com os animais. Apesar de ser exímia caçadora, não hesitando em apertar o gatilho para abater o animal que desejasse, Snethlage cuidava com zelo e carinho dos habitantes do zoológico, convivendo com alguns deles dentro de casa. Por exemplo, em um diário de viagem ao rio Tocantins que ela mandou para a família, na Alemanha, em 1907, Snethlage dá notícias de como encontrou o zoológico ao retornar ao museu:</p>
<p>Estava tudo bem também com a maioria dos bichos; naturalmente, alguns casos de animais mortos, mas nenhum dos mais valiosos. Em compensação, recebemos nesse tempo três onças jovens, sujeitos muito cândidos, de fisionomia simpática e movimentos desengonçados. Ainda tentarei tornar-me amiga delas, embora sejam bem ariscas e pouco afeitas a seres humanos. Encontrei bem espertas as minhas duas corujinhas. A menor transformou-se de lá para cá e está com a aparência tão imponente quanto sua companheira mais velha. Também reencontrei os dois gatos maracajás jovens. Um fica muito tempo no meu quarto e, no começo, deixava as corujas apavoradas, especialmente quando pulava sobre as gaiolas e mostrava sua avidez por restos de carne. Agora, elas já estão mais acostumadas e deixaram o gato um pouco de lado (Sanjad e colegas, 2013, p. 210).</p>
<p>Um desses maracajás ainda vivia em 1912. Em uma carta ao irmão Viktor Snethlage, datada de 18 de julho, Emília conta como o gato a fez relembrar um episódio de infância:</p>
<p>Ontem não houve como eu não me lembrar da história do teu pardal. Precisei deixar meu gato maracajá sozinho em casa por algumas horas e, quando voltei, ele tinha aberto uma gaiola e liquidado um de meus roedores, que eu criava já fazia um ano e meio (um sauiá, não o rato vermelho).  Também isso estava bem perto de acontecer, mesmo que houvesse um roedor só. Claro que não posso pôr a culpa no gato, senão em mim mesma, mas a gaiola estava muito bem trancada.</p>
<p>Temos a sorte de poder conhecer esse gato maracajá, que gostava de assustar corujinhas e apreciava comer sauiás. Ele talvez fosse o mais querido entre os animais silvestres criados por Snethlage entre o seu quarto de dormir e os viveiros do zoológico: por volta de 1907 ou pouco depois, Jacques Huber registrou em uma foto o carinho de Snethlage pelo gato. Eles estão junto à porta dos fundos do pavilhão de exposições, conhecido como Rocinha. Snethlage, sempre de branco e com cabelos amarrados, olha ternamente para o animal em seu colo. A foto comove pelo inusitado da cena: o desejo dela em documentar seu afeto por um animal silvestre, e bem junto ao corpo, como um abraço.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14388" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14388/PA%20694c%20%281%29%20A%204-7%20003_menor-JPG.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="664" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14388" target="_blank">Jacques Huber. Retrato de Emilia Snethlage com gato-maracajá. Emilia Snethlage (1868-1929) com seu gato-maracajá de estimação, na porta dos fundos do pavilhão de exposições (Rocinha) do Museu Goeldi. Coleção privada, negativo de vidro. Cópia digital disponível no Fundo Jacques Huber, Arquivo Guilherme de La Penha, Museu Goeldi. Reprodução digital e publicação autorizadas pelos proprietários, c. 1907. Belém, Pará / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div>* Nelson Sanjad é historiador e servidor do Museu Paraense Emílio Goeldi</div>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Referências:</strong></span></p>
<p>ALBERTO, Diana. <a href="https://repositorio.ufpa.br/items/a09d1adb-c218-4b90-a396-2f0e89fb5626" target="_blank"><em>Emília Snethlage e Heloisa Alberto Torres: gênero, ciência e turismo na Amazônia do século XX</em></a>. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2022.</p>
<p>COELHO, Matheus Camilo. <em>Ciência em campo: patronato e redes de conhecimento na Amazônia (1894-1918)</em>. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2026.</p>
<p>CROZARIOL, Marco Aurélio. <a href="https://doi.org/10.1590/S0104-59702025000100018" target="_blank"><em>O último voo: documentos inéditos relativos ao falecimento e ao espólio de Emília Snethlage, 1868-1929</em></a>. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 32, e202501, 2025.</p>
<p>HOFFMANN-IHDE, Beatrix. <a href="https://www.digi-hub.de/viewer/image/1625133565565/47/" target="_blank"><em>100 Jahre Xipaya- und Kuruaya- Sammlung im Ethnologischen Museum, Staatliche Museen zu Berlin</em></a>. Baessler-Archiv, v. 62, p. 45-66, 2015.</p>
<p>HUBER, Jacques. <em><a href="https://www.biodiversitylibrary.org/item/98489#page/11/mode/1up" target="_blank">Relatório sobre a marcha do Museu Goeldi no ano de 1907 apresentado ao Exmo. Snr. Dr. Secretário do Estado da Justiça, Interior e Instrução Pública pelo Dr. J. Huber, Diretor do Museu</a>.</em> Boletim do Museu Goeldi (Museu Paraense) de História Natural e Ethnopgraphia, v. 6, p. 1-21, 1909.</p>
<p>JUNGHANS, Miriam. <a href="https://arca.fiocruz.br/items/ab7c1258-5ff2-47ac-9c9e-8423218447a1" target="_blank"><em>Avis Rara: a trajetória científica da naturalista alemã Emília Snethlage (1868-1929) no Brasil</em></a>. Dissertação (Mestrado em História das Ciências e da Saúde) – Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2009. Disponível em:</p>
<p>PEREIRA, Aline Ariela. <em>Seguindo os passos de Emilia Snethlage no Ceará (1910 e 1915): uma análise comparativa e atual</em>. Dissertação (Mestrado em Ciência Biológicas) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.</p>
<p>SANJAD, Nelson. <em>A coruja de minerva: o Museu Paraense entre o Império e a República (1866-1907)</em>. Brasília: Instituto Brasileiro de Museus; Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi; Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2010.</p>
<p>SANJAD, Nelson. <a href="https://doi.org/10.3989/asclepio.2019.14" target="_blank"><em>Nimuendajú, a Senhorita Doutora e os ‘etnógrafos berlinenses’: rede de conhecimento e espaços de circulação na configuração da etnologia alemã na Amazônia no início do século XX</em></a>. Asclepio, v. 71, n. 2, p273, 2019.</p>
<p>SANJAD, Nelson; SNETHLAGE, Rotger; JUNGHANS, Miriam; OREN, David. <em><a href="https://doi.org/10.1590/S1981-81222013000100012" target="_blank">Emília Snethlage (1868-1929): um inédito relato de viagem ao rio Tocantins e o obituário de Emil-Heinrich Snethlage</a>.</em> Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 8, p. 195-221, 2013.</p>
<p>SANTOS, Luiz Felipe Farias; SANJAD, Nelson; AMORIM, Lilian Bayma. <em><a href="https://doi.org/10.30612/rehr.v20i38.19057" target="_blank">Redes de conhecimento e representações: um estudo das coleções ornitológicas formadas por Emília Snethlage no Museu Paraense Emílio Goeldi entre 1905 e 1921</a>.</em> Revista Eletrônica História em Reflexão, v. 20, p. 131–160, 2024.</p>
<p>SANTOS, Luiz Felipe Farias; AMORIM, Lilian Bayma. <a href="https://doi.org/10.1590/2178-2547-BGOELDI-2023-0097" target="_blank"><em>Coleções e redes de intercâmbios na Amazônia do início do século XX: considerações sobre o legado de Emília Snethlage</em></a>. Boletim do Museu Paraene Emílio Goeldi: Ciências Humanas, v. 20, e20230097, 2025.</p>
<p>SNETHLAGE, Emilia. <a href="https://doi.org/10.5007/2175-7968.2021.e84959" target="_blank"><em>Sobre a Etnografia dos Xipaya e Kuruaya</em></a>. Tradução de Reinhard Michael Eugen Arnegger e Nelson Sanjad. Cadernos de Tradução, v. 41, n. esp. 1, p. 366-418, 2023a.</p>
<p>SNETHLAGE, Emilia. <em><a href="https://doi.org/10.5007/2175-7968.2021.e84961" target="_blank">As  etnias  indígenas do Médio Xingu: em especial a Xipaya e a Kuruay</a>a. Tradução de Cilene Trindade Rohr e Rosanne Castelo Branco</em>. Cadernos de Tradução, v. 41, n. esp. 1, p. 423-503, 2023b.</p>
<p>SUESCÚN-FLOREZ, Lilian; SANJAD, Nelson; OKADA, Wanda.<em><a href="https://doi.org/10.1590/1982-02672018v26e15" target="_blank"> Construção do espaço museal: ciência, educação e sociabilidade na gênese do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi (1895-1914)</a>.</em> Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, v. 26, p. 1-67, 2018.</p>
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		<title>&#8220;Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)&#8221;, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Destaque para a identificação da casa de Tia Ciata</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 13:59:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica publica imagens inéditas do Rio de Janeiro, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), instituição parceira do portal, desde abril de 2016, quando celebrávamos um ano de existência. Sob a presidência do internacionalista e doutor em Ciência Política, Eliseu Santiago, em parceria com a Aprazível Edições, do jornalista, editor de livros, curador de museus e exposições, Leonel Kaz, o AGCRJ lançou o livro digital "Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)", que revela um valioso e inédito acervo iconográfico da cidade do Rio no período do Es]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica publica imagens inéditas do Rio de Janeiro, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), instituição parceira do portal desde abril de 2016, quando celebrávamos um ano de existência. Sob a presidência do internacionalista e doutor em Ciência Política, Eliseu Santiago, em parceria com a Aprazível Edições, do jornalista, editor de livros, curador de museus e exposições, Leonel Kaz, o AGCRJ lançou o livro digital <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), </em>que revela<em> </em>um valioso e inédito acervo iconográfico da cidade do Rio no período do Estado Novo, sob a presidência de Getúlio Vargas (1882 &#8211; 1954).  A publicação reforça a importância da preservação e difusão do patrimônio histórico e iconográfico do Rio de Janeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42917" style="width: 448px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=1" target="_blank"><img class="wp-image-42917 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/achados.jpg" alt="achados" width="438" height="531" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=1" target="_blank">Capa do livro digital <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em></a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O livro digital está disponível gratuitamente no site do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro e da Aprazível Edições promovendo acessibilidade e difusão cultural. Foi financiado pelo Programa de Fomente à Cultura Carioca &#8211; PRÓ-CARIOCA LINGUAGENS, via Edição PNAB &#8211; Política Nacional Aldir Blanc. Lembramos aqui que o acervo do AGCRJ reúne cerca de quatro milhões de itens identificados, além de outros milhões de documentos, fotos e registros ainda em processo de organização.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://www.rio.rj.gov.br/web/arquivogeral/achados-e-perdidos" target="_blank"><strong>Link para o livro digital <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) </em></strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje a Brasiliana Fotográfica disponibiliza 20 das centenas de imagens publicadas no livro. A partir de recursos tecnológicos como a digitalização e o <em>zoom</em>, os registros fotográficos passam a ter outra visibilidade, podendo ser acessados em sua qualidade plena.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/441" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias publicadas no livro <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937 -1945)</em> disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14339" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14339/5979.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14339" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Praça da República, 9 de maio de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Vista panorâmica da Praça da República tomada do alto do Paço Municipal</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 716px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14324" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14324/10674.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="706" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14324" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Praça da República, 24 de janeiro de 1944. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Obras de redução da Praça da República para a abertura da Avenida Presidente Vargas</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) </em>é o resultado de uma extensa pesquisa, da recuperação e da digitalização de imagens realizadas por diversos profissionais do AGCRJ. São fotografias inéditas produzidas pelos filhos de Augusto Malta (1864 &#8211; 1957) &#8211; Aristógiton (1904-1954) e Uriel (1910 – 1994). Augusto Malta foi, entre 1903 e 1936, o fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro &#8211; cargo criado para ele -, e o mais  importante cronista fotográfico da cidade nas primeiras décadas do século XX, responsável por um legado fotográfico incontornável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 277px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/06/Foto-do-Arquivo-recortada-267x300.jpg" alt="Foto do Arquivo recortada" width="267" height="300" /><p class="wp-caption-text">Anônimo. Augusto Malta. Rio de Janeiro. Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aristógiton Malta, nasceu em 1904, no Rio de Janeiro, e começou a auxiliar o pai na prefeitura, em 1925, ano em que Augusto, quando prestava um serviço para a Sul América, teve um de seus dedos dilacerados, devido a uma explosão ocasionada pelo <em>flash</em> de sua máquina fotográfica. Foi operado e ficou internado no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Aristógiton era filho da primeira esposa de Augusto, Laura Oliveira Campos (1874 &#8211; 1905).  Casou-se com Helena de Freitas Moutinho (1906 – 1975), em 1933. Em 25 de agosto de 1936, Augusto Malta aposentou-se da Prefeitura e foi substituído por ele, a partir de 9 de setembro do mesmo ano. Em 1938, O presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), visitou a “Feira de Amostras”,  uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos <em>stands</em> de maior sucesso foi o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto Malta e de seu filho, Aristógiton (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_03&amp;PagFis=58598"><em>A</em> <em>Noite</em>, 31 de outubro de 1938</a>, sob o título “A evolução do Rio através da fotografia”). Foi noticiado que uma foto de sua autoria do Estádio do Maracanã estava nas paredes de todas as repartições da Prefeitura, no hall do Banco da Prefeitura, e também em hotéis em países da Europa, da América do Sul e nos Estados Unidos (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_05/18597" target="_blank"><em>A Noite</em>, 18 de maio de 1953, primeira coluna</a>). Faleceu em 15 de agosto de 1954 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_05/18597" target="_blank"><em>A Noite</em>, 18 de maio de 1953, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_03/34521" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 17 de agosto de 1954, sexta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42799" style="width: 313px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/07/aristogiton.jpg"><img class="size-full wp-image-42799" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/07/aristogiton.jpg" alt="Aristogiton Malta (1896-1954) / Site Family Search" width="303" height="387" /></a><p class="wp-caption-text">Aristógiton Malta (1896-1954) / Site Family Search</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uriel Malta nasceu, em 28 de setembro de 1910, no Rio de Janeiro, filho da segunda esposa de Augusto, Celina Augusta Verscheuren (1884 – 1969). Passou a trabalhar com o irmão, no Serviço de Fotografia da Prefeitura, em 1937. Já era casado com Hilda de Abreu em 1944. Foi fotógrafo da Prefeitura até fins da década de 1960 e, em 1970, teve assinada a apostila <em>fixando os proventos anuais de inatividade</em>. Uriel faleceu, em Magé, em 5 de agosto de 1994 (Registro Civil do Rio de Janeiro, Site Family Search; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_06/5372" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 4 de julho de 1935, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_05/73665"><em>Jornal do Brasil</em>, 12 de março de 1937, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/73653" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 3 de abril de 1968, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/78362" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 20 de outubro de 1968, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/80888" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 31 de janeiro de 1969, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_05/1993" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 7 de abril de 1970, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42797" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/urielmalta.jpg"><img class="size-full wp-image-42797" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/urielmalta.jpg" alt="Uriel Malta / Site Family Search" width="286" height="477" /></a><p class="wp-caption-text">Uriel Malta / Site Family Search</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O trabalho de Aristógiton e Uriel ficou durante muitas décadas à sombra da extraordinária obra de seu pai. As imagens de <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em> resgatam a importância do trabalho dos filhos de Augusto Malta, que fotografaram os últimos anos da <em>belle époque</em> carioca assim como seu desaparecimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42943" style="width: 356px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=291" target="_blank"><img class="wp-image-42943 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods3.jpg" alt="Aristogiton e Ariel Malta / " width="346" height="236" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=291" target="_blank">Aristógiton e Uriel Malta / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 288 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O lançamento do livro digital foi realizado, em 27 de janeiro último, por Elizeu Santiago e Leonel Kaz, em um evento no AGCRJ. Em seguida, o professor Antonio Edmilson Martins Rodrigues proferiu a palestra <em>Reformas Urbanas e Cultura no Rio do Estado Novo. </em>O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), entidade que apoiou a publicação do livro, foi representada pelo seu presidente, Sydnei Menezes. No dia seguinte, foi realizada uma roda de conversa sob o tema <em>O Rio de Janeiro no Estado Novo: uma perspectiva iconográfica</em>, com os professores Pedro Marreca e Rafael Martins de Araujo, gerente e sub-gerente de Pesquisa do AGCRJ, respectivamente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14342" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14342/10155.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="594" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14342" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Magazine Parc Royal, 14 de julho de 1943 . Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Aspecto do edifício da Magazine Parc Royal durante sua demolição</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14336" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14336/5776.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="502" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14336" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Abertura da Avenida Brasil, 3 de abril de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Trabalhadores durante obras para abertura da Avenida Brasil. Ao fundo, à esquerda, o Pavilhão Mourisco, ocupado pela Fundação Oswaldo Cruz.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14329" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14329/3399.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14329" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Avenida Delfim Moreira, 25 de abril de 1940. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Trabalhadores durante obras de canalização da Avenida Delfim Moreira, no Leblon</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O lançamento do livro digital foi antecedido pelo resgate de cerca de 14 mil imagens &#8211; em positivos com nitrato de prata e negativos &#8211; distribuídas em 11 álbuns, que ainda estão em tratamento arquivístico e que futuramente serão disponibilizadas nos bancos de dados do AGCRJ. Foi uma das descobertas mais relevantes realizadas pela instituição nos últimos anos. As imagens capturam as transformações urbanas, culturais e sociais do Rio de Janeiro, entre 1937 e 1945, quando o interventor do então Distrito Federal, o Rio de Janeiro, era Henrique Dodsworth (1895 &#8211; 1975).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42940" style="width: 397px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=26" target="_blank"><img class="wp-image-42940 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods.jpg" alt="&quot;Achados e Perdidos&quot;, página 24." width="387" height="272" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=26" target="_blank">O presidente da República, Getúlio Vargas, e o interventor do Distrito Federal, Henrique Dodsworth, visitam o Instituto de Educação por ocasião do batismo de fogo da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial , 1944. Rio de Janeiro, RJ /<em> Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 24 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Retratam um período de grandes transformações na cidade do Rio: por exemplo, a abertura da<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27822" target="_blank"> Avenida Presidente Vargas</a> e da Avenida Brasil, a expansão dos subúrbios, a urbanização da Pavuna e da Zona Sul, a finalização da esplanada do Castelo e a inauguração do Jardim de Alah. Mais de 500 edifícios desapareceram.</p>
<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a"></div>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14334" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14334/5574.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14334" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Esplanada do Castelo, 15 de março de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Essas obras realizadas na região pela Prefeitura do Rio de Janeiro reduziram muito a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27390" target="_blank">Praça Onze de Junho</a>. Logo no início da década de 40, durante o Estado Novo, o então presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) decidiu construir a avenida Presidente Vargas e, pelo projeto, os quarteirões entre as ruas Visconde de Itaúna e Senador Eusébio desapareceriam para sua abertura (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/94123" target="_blank"><em>O Malho</em>, dezembro de 1941</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14341" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14341/6616.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14341" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Abertura da Avenida Presidente Vargas, 14 de outubro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Aspecto da Rua Visconde de Itaúna com prédios já demolidos para abertura da Avenida Presidente Vargas. Ao fundo, a torre do relógio da Central do Brasil, ainda em obras</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Começaram as demolições. Inúmeras famílias foram desalojadas, prédios foram derrubados, dentre eles algumas construções históricas, como a<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26587" target="_blank"> Igreja de São Pedro dos Clérigos.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14343" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14343/10613.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14343" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Igreja de São Pedro dos Clérigos, 9 de janeiro de 1944. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Obras de demolição para abertura da Avenida Presidente Vargas. Destaque para Igreja de São Pedro dos Clérigos, trecho da Avenida Rio Branco e, ao fundo, a Igreja da Candelária</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14332" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14332/4914.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14332" target="_blank">Provável autoria e Uriel Malta. Rua Visconde de Itaúna, 19 de fevereiro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Aspecto da Rua Visconde de Itaúna, esquina com a Rua General Caldwell</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 718px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14338" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14338/5962.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="708" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14338" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Edifício demolido &#8211; Rua Visconde de Itaúna, 22-24, 6 de maio de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Trabalhadores durante remoção de escombros dos edifícios de número 22 e 24 da Rua Visconde de Itaúna.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O segundo trecho da nova avenida foi concluído em 10 de novembro de 1942; e, em 10 de novembro de 1943, foi batizada de Presidente Vargas. Finalmente, em 7 de setembro de 1944, foi inaugurada (<em>O Malho</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/95124" target="_blank">dezembro de 1942</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/95489" target="_blank">abril de 1943</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/96145" target="_blank">dezembro de 1943</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_06/24751" target="_blank"><em>O País</em>, 10 de novembro de 1943</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_06/29331" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 8 de setembro de 1944</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42817" style="width: 418px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/030015_06/29331" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42817" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/omalho1.jpg" alt="Jornal do Brasil, 8 de setembro de 1944" width="408" height="533" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/030015_06/29331" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 8 de setembro de 1944</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na fotografia abaixo, foi identificada a casa da lendária Tia Ciata (1854 – 1924), Hilária Batista de Almeida, localizada na Rua Visconde de Itaúna, 117.</p>
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<div id="attachment_42816" style="width: 713px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14333" target="_blank"><img class="wp-image-42816" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/tiaciata.jpg" alt="Provável autoria de Uriel Malta. Rua Visconde de Itaúna, . Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. A casa de Tia Ciata é a número 17" width="703" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14333" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Rua Visconde de Itaúna, 19 de fevereiro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. A casa de Tia Ciata éstá identificada pelo número 117</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A casa ficava na região da Pequena África do Brasil, expressão baseada numa afirmação do cantor e pintor Heitor dos Prazeres (1898 – 1966) se referindo à área que começava no Porto do Rio de Janeiro e abrangia os atuais bairros da Saúde, Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova, até a Praça Onze de Junho. Foi lá que, a partir da década de 1870, a comunidade baiana se estabeleceu no Rio de Janeiro, fazendo da área um local de concentração de diversas manifestações da cultura afro-brasileira. Havia também as tias Bebiana, Carmen e Mônica, dentre outras, que fizeram de suas casas pontos de referência e de convívio, que garantiram a manutenção das tradições africanas na cidade. Nessas casas eram cultuadas a música e a religiosidade afro-brasileira. As casas de Tia Prisciliana, mãe de João da Baiana (1887-1974), e, principalmente, a de Tia Ciata, considerada a matriarca do samba, foram espaços fundamentais da música popular carioca e eram frequentados por Donga, Pixinguinha (1897 – 1973), João da Baiana (1887-1974), o jornalista e dramaturgo <em>Vagalume</em>, pseudônimo de Francisco Guimarães (c. 1880 &#8211; 1946), e agitadores culturais como, por exemplo, Hilário Jovino (1873- 1933), Germano Lopes da Silva (? &#8211; 1933), o compositor e jornalista Mauro de Almeida(1882 -1956), dentre outros. Foi também na Pequena África que a <em>Deixa Falar</em>, considerada a primeira escola de samba, foi fundada, em 12 de agosto de 1928, pelos sambistas Bide, Mano Edgar, Brancura, Baiaco, dentre outros, além de Ismael Silva, que reivindicava a autoria da expressão <em>escola de samba</em>.</p>
<p>Na época da demolição, a Praça Onze não era apenas um logradouro carioca, mas uma espécie de bairro, pois englobava todas as ruas das imediações. Hoje, esta importante referência na história da formação do Rio de Janeiro, da cultura brasileira e da criação do samba, não existe mais, porém sua região continua sendo importante para o samba: o Sambódromo e o Terreirão do Samba, inaugurados em 1984 e 1991, respectivamente, estão localizados na área. Da Praça Onze resta um pequeno jardim, onde foi instalado um monumento em homenagem a<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17370" target="_blank"> Zumbi</a>, em 1986.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14325" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14325/586.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="512" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14325" target="_blank">Aristógiton Malta. Mesa do Imperador, 14 de julho de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Trabalhadores durante obras na Mesa do Imperador, localizada no Parque Nacional da Tijuca</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14328" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14328/2897.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14328" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Rua do Lavradio, 30 de janeiro de 1940, Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Aspecto da Rua do Lavradio após enchente, em quadra compreendida entre a Rua do Rezende e a Avenida Mém de Sá. Vê-se, ao fundo, Hospital da Ordem do Carmo e morro de Santa Tereza</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14326" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14326/596.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14326" target="_blank">Aristógiton Malta. Esplanada do Castelo, 14 de julho de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Panorâmica da Esplanada do Castelo. À esquerda, o prédio do Ministério da Agricultura. Ao fundo, o Aeroporto Santos Dumont em obras</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42945" style="width: 653px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=102" target="_blank"><img class="wp-image-42945 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods4.jpg" alt="Obras no antigo terminal de bondes no Largo da Carioca, conhecido como o Tabuleiro da Baiana, 8 de fevereiro de 1939 / Achados e Perdidos, página. À direita, o prédio do Liceu Literário Português e a escultura da águia do Teatro Municipal" width="643" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=102" target="_blank">Obras no antigo terminal de bondes no Largo da Carioca, conhecido como o Tabuleiro da Baiana. À direita, o prédio do Liceu Literário Português e a escultura da águia do Teatro Municipal, 8 de fevereiro de 1939. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 101 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42949" style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=136" target="_blank"><img class=" wp-image-42949" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods5.jpg" alt="Praça da Bandeira alagada, 29 de janeiro de 1940. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), página 134" width="700" height="420" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=136" target="_blank">Praça da Bandeira alagada, 29 de janeiro de 1940. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 134 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42951" style="width: 688px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=144" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42951" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods6.jpg" alt="Sede do Cordão da Bola Preta, na Rua 13 de maio, 31 de dezembro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / " width="678" height="502" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=144" target="_blank">Sede do Cordão da Bola Preta, na Rua 13 de maio, 31 de dezembro de 1941. Rio de Janeiro, RJ /<em>Achados e perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945),</em> página 143 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42953" style="width: 680px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=194" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42953" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods7.jpg" alt="Canalização em Botafogo.  Obras de melhoramentos urbanos na orla de Botafogo. Destaque para o frentista postado diante da antiga bomba de gasolina da Empresa Nacional de Petróleo. Rio de Janeiro, RJ / Achados e perdidos: imagens inéditas o Rio de Janeiro (1937-1945, página" width="670" height="497" /></a><p class="wp-caption-text">C<a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=194" target="_blank">analização Botafogo. Obras de melhoramentos urbanos na orla de Botafogo. Destaque para o frentista postado diante da antiga bomba de gasolina da Empresa Nacional de Petróleo, 17 de junho de 1940. Rio de Janeiro, RJ / Achados e perdidos: imagens inéditas o Rio de Janeiro (1937-1945, página 193 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42962" style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=87" target="_blank"><img class=" wp-image-42962" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods9.jpg" alt="Duas fotografias do relógio da Central do Brasil. A primeira de 1941 e a segunda, produzida após a" width="700" height="420" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=87" target="_blank">Duas fotografias do relógio da Central do Brasil. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro</em> (1937 &#8211; 1945), página 85- Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42974" style="width: 677px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=222" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42974" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods12.jpg" alt="Rua Copacabana, atual Avenida Nossa Senhor de Copacabana, 2 de janeiro de 1939. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdios: imagens inéditas o Rio de Janeiro (1937-1945 - Acervo AGCRJ" width="667" height="488" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=222" target="_blank">Rua Copacabana, atual Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 2 de janeiro de 1939. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em> , página 220- Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42977" style="width: 850px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=241" target="_blank"><img class="wp-image-42977 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods13.jpg" alt="dods13" width="840" height="301" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=241" target="_blank">Jardim de Alah, 8 de janeiro de 1942. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, páginas 238 e 239 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42978" style="width: 656px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=242" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42978" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods14.jpg" alt="Avenida Vieira Souto, Ipanema, 1938. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), página - Acervo AGCRJ" width="646" height="486" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=242" target="_blank">Avenida Vieira Souto, Ipanema, 21 de novembro de 1938. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 240 e 241 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42979" style="width: 393px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=271" target="_blank"><img class=" wp-image-42979" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods15.jpg" alt="Estrqada VElha da Pavuna, 22 de junho de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), página - Acervo AGCRJ" width="383" height="259" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=271" target="_blank">Estrada Velha da Pavuna, 22 de junho de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), página 269 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>São esses os profissionais responsáveis pelo extraordinário <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods16.jpg"><img class=" size-full wp-image-42989 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods16.jpg" alt="dods16" width="544" height="473" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O livro físico foi lançado em 14 de julho de 2026, no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, Na ocasião, discursaram Lucas Padilha, secretário de Cultura do Rio de Janeiro, e Eliseu Santiago, como já mencionado, presidente do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (informação inserida no texto em 14 de julho de 2026).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BUENO, Eduardo. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=n7sz5MRGifI" target="_blank"><em>TIA CIATA E A PRAÇA ONZE: COMO SURGIRAM AS ESCOLAS DE SAMBA</em></a></p>
<div data-google-query-id="CLr-gJDN5vYCFbMEuQYdOcwKOw">
<p><a href="https://diariodorio.com/historia-da-avenida-presidente-vargas/" target="_blank">Diário do Rio – Avenida Presidente Vargas</a></p>
</div>
<p><a href="https://diariodorio.com/historia-da-praca-onze/" target="_blank">Diário do Ri0 – Praça Onze</a></p>
<p>Dicionário de Música Cravo Alvim</p>
<p>GERSON, Brasil. <em>História das Ruas do Rio</em>. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.</p>
<p><a href="https://www.bn.gov.br/explore/acervos/hemeroteca-digital" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>MALAMUD, Samuel. <em>Recordando a Praça Onze</em>. 1ª edição, Rio de Janeiro, Editora Kosmos, 1988</p>
<p>MOURA, Roberto. <i>Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro</i>. Rio de Janeiro: Funarte, 1983.</p>
<p>SILVA, Beatriz Coelho. <em>Negros e Judeus na Praça Onze. A História que não ficou na memória</em>. Rio de Janeiro : Bookstart, 2015.</p>
<p><a href="https://www.rio.rj.gov.br/web/arquivogeral/seminario-e-lancamento-do-livro-achados-e-perdidos" target="_blank">Site Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro</a></p>
<p>Site Family Search</p>
<p>WANDERLEY, Andrea C.T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank"><em>O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936</em></a> in Brasiliana Fotográfica, 10 de julho de 2015.</p>
<p>__________________. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27390" target="_blank">Série </a>“<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27390" target="_blank">O Rio de Janeiro desaparecido” XVIII – <em>A Praça Onze </em></a>in Brasiliana Fotográfica, 20 de abril de 2022<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27390" target="_blank">.</a></p>
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