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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Carlos Drummond de Andrade</title>
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		<title>Dia de Machado de Assis</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 18:58:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Efemérides]]></category>
		<category><![CDATA[abolição da escravatura]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Andrea C. T. Wanderley]]></category>
		<category><![CDATA[Andrea Câmara Tenório Wanderley]]></category>
		<category><![CDATA[Andrea Wanderley]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Luiz Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Bruxo do Cosme Velho]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Decreto Rio nº 58207]]></category>
		<category><![CDATA[descoberta]]></category>
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		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[história do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Joaquim Insley Pacheco]]></category>
		<category><![CDATA[Merval Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[missa campal]]></category>

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		<description><![CDATA[A Prefeitura do Rio de Janeiro instituiu o Dia de Machado de Assis que será celebrado anualmente em 21 de junho, data de nascimento de Joaquim Maria Machado de Assis, considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa, além de ter sido um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. A data foi incluída no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas da cidade. A Brasiliana Fotográfica celebra a iniciativa destacando uma imagem de Machado produzida pelo fotógrafo Joaquim Insley Pacheco (1830 - 1912), em torno de 1880; e o registro produzido por Antônio Luiz Ferreira da Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, em 17 de maio de 1888, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A presença de Machado na fotografia foi descoberta por Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal, em maio de 2015.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo Decreto Rio nº 58.207/26, de 18 de junho de 2026, a Prefeitura do Rio de Janeiro instituiu o Dia de Machado de Assis que será celebrado anualmente em 21 de junho, data de nascimento do carioca Joaquim Maria Machado de Assis (21/06/1839 &#8211; 29/09/1908), considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa. A data foi incluída no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas da cidade, cenário constante da obra do escritor &#8211; lugares e ruas do Rio de Janeiro são constantemente citados nas crônicas, contos e livros de Machado, tendo sido o principal cronista do cotidiano carioca no século XIX.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45549" style="width: 771px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/26197" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45549" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado3.jpg" alt="O Cruzeiro, 24 de junho de 1939" width="761" height="528" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/26197" target="_blank"><em>O Cruzeiro,</em> 24 de junho de 1939</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nasceu no Morro do Livramento e viveu muitos anos, entre 1883 e 1908, no Cosme Velho, fato que originou o apelido <em>O Bruxo do Cosme Velho</em>, epíteto eternizado pelo escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987), autor do poema <em>A um bruxo, com amor* </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/96903" target="_blank"><em>Correio da Manhã, </em>28 de setembro de 1958</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45546" style="width: 408px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_Machado_de_Assis,_sem_data.tif?page=1" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45546" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado2.jpg" alt="Casa na Rua Cosme Velho 174, ode Machado de Assis viveu entre 1883 e 1908" width="398" height="432" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_Machado_de_Assis,_sem_data.tif?page=1" target="_blank">Casa na Rua Cosme Velho, onde Machado de Assis viveu entre 1883 e 1908 / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8220;<em>Perde a nossa língua um de seus mais vigorosos e profundos escritores. Com ele desaparece a mais leve e a mais encantadora das nossas prosas, a mais completa e a mais perfeita das organizações literárias que possuímos. Poeta, romancista, dramaturgo e jornalista, era Machado de Assis o tipo culminante e o mais simpático de nosso mundo de letras</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_01/17730" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 30 de setembro de 1908, </a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_01/17730" target="_blank">dia seguinte à morte de Machado</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica celebra a iniciativa da criação do Dia de Machado de Assis destacando duas imagens do escritor. A primeira foi produzida pelo fotógrafo e pintor português <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6048" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco (1830 &#8211; 1912)</a>, em torno de 1880. Insley foi um dos mais prestigiados e famosos retratistas do Brasil no século XIX, que &#8220;<em>tem tido a honra de copiar todos os narizes do Rio…”</em>, de acordo com o poeta e jornalista Faustino Xavier de Novais (1820 &#8211; 1869), irmão da esposa de Machado, Carolina Augusta (1835 &#8211; 1904) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/217280/22531" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 24 de outubro de 1863, terceira coluna</a>).</p>
<p>Machado escreveu em sua coluna do <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/18860" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em> de 7 de agosto de 1864</a> sobre suas visitas <em>à casa do Pacheco</em> (justamente Insley Pacheco), que definiu como o <em>mais luxuoso Templo de Delos</em> do Rio de Janeiro, exaltando poder ver no mesmo álbum fotográfico <em>os rostos mais belos do Rio de Janeiro, falo dos rostos femininos. </em>Contou também a história da chegada do daguerreótipo na cidade e, em seguida, elogiou o trabalho realizado pelo artista  J.T. da Costa Guimarães, uma miniatura de Diane de Poitiers, exposto no estabelecimento de Insley Pacheco. Finalmente, revelou que havia chegado há pouco tempo no referido ateliê um aparelho fotográfico destinado a reproduzir em ponto grande as fotografias de cartão. Termina seu passeio perguntando-se <em>“Até onde chegará o aperfeiçoamento do invento de Daguerre?”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 546px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7182" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7182/0071824cx014-13.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="536" height="726" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7182" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco. Retrato de Machado de Assis, c. 1880. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A segunda é de autoria de Antônio Luiz Ferreira (18? &#8211; 19?) e retrata a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank"><em>Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil,</em></a> em 17 de maio de 1888, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A presença de Machado na fotografia foi descoberta por mim, pesquisadora e editora do portal, e revelada no artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=528" target="_blank"><em>Missa Campal de 17 de maio de 1888</em></a>, publicado em 17 de maio de 2015.</p>
<p>A Missa Campal em São Cristóvão foi uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravos no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel, regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu, príncipe consorte, que, na foto, está ao lado da princesa, além de autoridades e políticos. De acordo com os jornais da época, foi um “espetáculo imponente, majestoso e deslumbrante”, ocorrido em um “dia pardacento” que contrastava com a alegria da cidade. Cerca de 30 mil pessoas estavam no Campo de São Cristóvão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45522" style="width: 390px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank"><img class="wp-image-45522 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado1.jpg" alt="machado1" width="380" height="371" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank">Antonio Luiz Ferreira. Detalhe da foto da Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 17 de maio de 1888. São Cristóvão, Rio de Janeiro.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A decisão da criação do Dia de Machado de Assis foi tomada pelo prefeito Eduardo Cavaliere (1994 -) após reunião com o jornalista Merval Pereira (1949 &#8211; ), presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual Machado foi um dos fundadores e primeiro presidente. A ideia é que o dia 21 de junho tenha uma programação dedicada à obra machadiana, semelhante ao <em>Bloomsday</em>, data celebrada anualmente, em 16 de junho, em homenagem ao escritor irlandês James Joyce (1882 &#8211; 1941).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.migalhas.com.br/quentes/458595/rj-cria-dia-de-machado-de-assis-e-oficializa-homenagem-ao-escritor" target="_blank"><img class=" size-full wp-image-45521 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado.jpg" alt="machado" width="553" height="515" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Bibliografia de Machado de Assis (ABL)</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>Queda que as mulheres têm para os tolos</em>, tradução, 1861.<br />
<em>Desencantos</em>, 1861.<br />
<em>Teatro</em>, 1863.<br />
<em>Quase ministro</em>, 1864.<br />
<em>Crisálidas</em>, 1864.<br />
<em>Os deuses de casaca</em>, 1866.<br />
<em>Falenas</em>, 1870.<br />
<em>Contos fluminenses</em>, 1870.<br />
<em>Ressurreição</em>, 1872.<br />
<em>Histórias da meia-noite</em>, 1873.<br />
<em>A mão e a luva</em>, 1874.<br />
<em>Americanas</em>, 1875.<br />
<em>Helena</em>, 1876.<br />
<em>Iaiá Garcia</em>, 1878.<br />
<em>Memórias póstumas de Brás Cubas</em>, 1881.<br />
<em>Tu, só tu, puro amor</em>, 1881.<br />
<em>Papéis avulsos</em>, 1882.<br />
<em>Histórias sem data</em>, 1884.<br />
<em>Quincas Borba</em>, 1891.<br />
<em>Várias histórias</em>, 1896.<br />
<em>Páginas recolhidas</em>, 1899.<br />
<em>Dom Casmurro</em>, 1899.<br />
<em>Poesias completas</em>, 1901.<br />
<em>Esaú e Jacó</em>, 1904.<br />
<em>Relíquias de casa velha</em>, 1906.<br />
<em>Memorial de Aires</em>, 1908.<br />
<em>Crítica</em>, 1910.<br />
<em>Outras relíquias</em>, 1910.<br />
<em>Correspondência</em>, 1932.<br />
<em>Crônicas</em>, 4 vols., 1937.<br />
<em>Crítica literária</em>, 1937.<br />
<em>Casa velha</em>, 1944.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>*<strong>A um bruxo, com amor</strong></em></span></p>
<p style="text-align: left;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<p id="aad9" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Em certa casa da Rua Cosme Velho</p>
<p class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">(que se abre no vazio)<br />
venho visitar-te; e me recebes<br />
na sala trastejada com simplicidade<br />
onde pensamentos idos e vividos<br />
perdem o amarelo,<br />
de novo interrogando o céu e a noite.</p>
<p id="4107" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.<br />
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,<br />
uma luz que não vem de parte alguma<br />
pois todos os castiçais<br />
estão apagados.</p>
<p id="7faa" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Contas a meia-voz<br />
maneiras de amar e de compor os ministérios<br />
e deitá-los abaixo, entre malinas<br />
e bruxelas.<br />
Conheces a fundo<br />
a geologia moral dos Lobo Neves<br />
e essa espécie de olhos derramados<br />
que não foram feitos para ciumentos.<br />
E ficas mirando o ratinho meio cadáver<br />
com a polida, minuciosa curiosidade<br />
de quem saboreia por tabela<br />
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.<br />
Olhas para a guerra, o murro, a facada<br />
como para uma simples quebra da monotonia universal<br />
e tens no rosto antigo<br />
uma expressão a que não acho nome certo<br />
(das sensações do mundo a mais sutil):<br />
volúpia do aborrecimento?<br />
ou, grande lascivo, do nada?</p>
<p id="6d8f" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,<br />
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,<br />
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,<br />
mostra que os homens morreram.<br />
A terra está nua deles.<br />
Contudo, em longe recanto, a ramagem começa a sussurrar alguma coisa<br />
que não se entende logo<br />
e parece a canção das manhãs novas.<br />
Bem a distingo, ronda clara:<br />
é Flora,<br />
com olhos dotados de um mover particular<br />
entre mavioso e pensativo;<br />
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);<br />
Virgília,<br />
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;<br />
Mariana, que os tem redondos e namorados;<br />
e Sancha, de olhos intimativos;<br />
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,<br />
o mar que fala a mesma linguagem<br />
obscura e nova de D. Severina<br />
e das chinelinhas de alcova de Conceição.<br />
A todas decifraste íris e braços<br />
e delas disseste a razão última e refolhada<br />
moça, flor mulher flor<br />
canção de manhã nova…<br />
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)<br />
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica<br />
entre loucos que riem de ser loucos<br />
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/endereco-no-qual-viveu-machado-de-assis-dara-lugar-deposito.phtml" target="_blank">Revista Aventuras na História</a></p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis" target="_blank">Site Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://www.migalhas.com.br/quentes/458595/rj-cria-dia-de-machado-de-assis-e-oficializa-homenagem-ao-escritor" target="_blank">Site Migalhas</a></p>
<p>WANDERLEY, Andrea C.T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=528" target="_blank"><em>Missa Campal de 17 de maio de 1888</em> </a>in Brasiliana Fotográfica, 17 de maio de 2015</p>
<p>___________________<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6048" target="_blank"><em>O retratista português</em> <em>Joaquim Insley Pacheco (31 de março de 1830 – 14 de outubro de 1912)</em></a> in Brasiliana Fotográfica, 14 de outubro de 2016</p>
<p><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_Machado_de_Assis,_sem_data.tif?page=1" target="_blank">Wikipedia</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Série &#8220;Hotéis do Brasil&#8221; IX, Série &#8220;Os arquitetos do Rio de Janeiro&#8221; IX e Série &#8220;O Rio de Janeiro desaparecido&#8221; XXXIII &#8211; O Hotel Avenida, um ícone da &#8220;Belle Époque&#8221; carioca, projetado por Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Aug 2025 16:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Edifício Avenida Central]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Pinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá]]></category>
		<category><![CDATA[Galeria Cruzeiro]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
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		<category><![CDATA[Hotel Avenida]]></category>
		<category><![CDATA[Leny Eversong]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
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		<category><![CDATA[Série "O Rio de Janeiro desaparecido"]]></category>
		<category><![CDATA[Série Os arquitetos do Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Com registros de Augusto Malta, de Guilherme Santos e de Marc Ferrez, nosso artigo de hoje é "Série "Hotéis do Brasil" IX, Série "Os arquitetos do Rio de Janeiro" IX e Série "O Rio de Janeiro desaparecido" XXXIII - O Hotel Avenida", que foi um ícone da "Belle Époque" carioca, um marco arquitetônico e cultural do Rio de Janeiro. Foi projetado pelo baiano Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá e inaugurado, em julho de 1908,  na então recém aberta Avenida Central, posteriormente Avenida Rio Branco. Sob protestos da população, o Hotel Avenida foi demolido em 1957. Seu desaparecimento foi tema da música "Adeus à Galeria Cruzeiro", de autoria de Edel Ney e Aires Viana, cantada por Leny Eversong, e do poema "A um hotel em demolição", de Carlos Drummond de Andrade, no qual o fotógrafo Augusto Malta é citado. Este artigo foi escrito a partir de uma sugestão de Flávio Pinheiro, um dos criadores da Brasiliana Fotográfica, e é dedicado a ele.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Série &#8220;Hotéis do Brasil&#8221; IX, Série &#8220;Os arquitetos do Rio de Janeiro&#8221; IX e Série &#8220;O Rio de Janeiro desaparecido&#8221; XXXIII &#8211; O Hotel Avenida no Rio de Janeiro, projetado por Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá*</em></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com registros de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864-1957)</a>, que foi fotógrafo da prefeitura do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936; do fotógrafo amador <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post.php?post=5545&amp;action=edit" target="_blank">Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966)</a> e de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a>, brilhante cronista visual do Rio de Janeiro; o tema de nosso artigo é o Hotel Avenida, um marco arquitetônico e cultural carioca. Uma das fotografias de Marc Ferrez e as duas de Guilherme Santos são estereografias. Este último foi um entusiasta da fotografia estereoscópica, tendo sido um dos pioneiros dessa técnica no Brasil, ao adquirir, em 1905, na França, o Verascope, um sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<dl class="wp-caption aligncenter" style="width: 729px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9889" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9889/002080RJN0707.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="719" height="310" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9889" target="_blank">Guilherme Santos. Hotel Avenida, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></dd>
</dl>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 717px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9747" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9747/007_IMG_1809.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="707" height="329" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9747" target="_blank">Marc Ferrez. Hotel Avenida, c. 1912 . Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/410" target="_blank">Acessando o link para as fotografias do Hotel Avenida disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39268" style="width: 869px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/3891" target="_blank"><img class="wp-image-39268 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida3.jpg" alt="avenida3" width="859" height="376" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/3891" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 15 de janeiro de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi projetado pelo baiano Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá (1838 &#8211; 1915) e inaugurado, em julho de 1908 (<em>A Imprensa</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4363" target="_blank">30 de junho, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4374" target="_blank">2 de julho, segunda coluna</a>), na então recém aberta <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5880" target="_blank">Avenida Central, posteriormente Avenida Rio Branco.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39264" style="width: 951px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4377" target="_blank"><img class="wp-image-39264 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida7.jpg" alt="avenida7" width="941" height="548" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4377" target="_blank"><em>A Imprensa</em>, 2 de julho de 1908</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Caminhoá, nascido em Santo Amaro da Purificação, em 1838, foi também responsável pelos projetos da Catedral de Petrópolis e da oficina de consertos dos bondes da Companhia de Ferro Carril Jardim Botânico e atual edifício do Instituto dos Arquitetos do Brasil. Havia estudado arquitetura na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro e recebeu, da Assembleia Provincial da Bahia, em 1855, a subvenção de 200 francos mensais para estudar na Europa, onde frequentou a École de Beaux-Arts de Paris e foi aspirante, em 1857, no ateliê do arquiteto francês Louis-Hyppolyte Lebas (1782 &#8211; 1862), um dos mais influentes e populares profissionais de seu tempo. Regressou ao Brasil, em 1867. Faleceu em 14 de outubro de 1915 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_10/50825" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em><em>,</em> 15 de outubro de 1915, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39232" style="width: 200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/donativo-caminhoa/" target="_blank"><img class="wp-image-39232" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/caminhoá.jpg" alt="caminhoá" width="190" height="290" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/donativo-caminhoa/" target="_blank">Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá / Fonte: AHEBA/UFBA</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A localização do luxuoso Hotel Avenida, em estilo eclético, ícone da <em>Belle Époque</em> carioca, e a presença de uma estação de bondes da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, proprietária do hotel, diante dele, propiciou que ele fosse muito mais do que um estabelecimento de hospedagem: foi o centro de gravidade de eventos sociais e culturais da cidades, dentre eles o carnaval.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39262" style="width: 911px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/11452" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39262" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida4.jpg" alt="Careta, 18 de abril de 1914" width="901" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/11452" target="_blank">Ponto de bondes em frente ao Hotel Avenida<em> / Careta</em>, 18 de abril de 1914</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Hotel Avenida possuía 220 quartos, todos com telefone; restaurante, salão de jogos, água quente, iluminação elétrica e elevadores, tendo sido, na época de sua inauguração, o mais moderno e importante hotel do Brasil e um dos mais belos da América do Sul. Sua fachada frontal tinha 60 metros e cinco pavimentos. A altura do edifício era de quase 23 metros. Ao longo de sua existência hospedou importantes personalidades do cenário nacional e internacional. Abrigava a Galeria Cruzeiro, assim denominada devido a duas passagens em cruz, que ficava no andar térreo do hotel. Repleta de bares,  restaurantes e cafés, dentre eles o Nacional, o Ao Franziskaner (da Brahma), a Leiteria Mineira e o Laranjada Brasil, atraía um público de turistas, artistas e intelectuais. Ocupava uma quadra delimitada pela Avenida Central, o Largo da Carioca, a então denominada Rua de Santo Antônio, atual Bittencourt da Silva; e a Rua São José.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 486px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.estilosarquitetonicos.com.br/hotel-avenida/" target="_blank"><img src="http://www.estilosarquitetonicos.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Hotel-Avenida-Galeria-Cruzeiro-2.jpg" alt="Hotel Avenida - Galeria Cruzeiro" width="476" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.estilosarquitetonicos.com.br/hotel-avenida/" target="_blank">Galeria Cruzeiro / Estilos Arquitetônicos</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39263" style="width: 831px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/4299" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39263" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida5.jpg" alt="Fon-Fon, 9 de abril de 1910" width="821" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/4299" target="_blank">Leiteria Mineira na Galeria Cruzeiro<em> / Fon-Fon</em>, 9 de abril de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por imposição do progresso vai abaixo a velha Galeria Cruzeiro</em>. Essa foi a manchete da primeira página do <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_03/58473" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 2 de março de 1957</a>. A demolição do Hotel Avenida começou em outubro de 1957 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_05/44500" target="_blank"><em>A Noite</em>, 25 de setembro de 1957, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/56042" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 15 de outubro de 1957, primeira coluna</a>). Em seu lugar foi construído o Edifício Avenida Central, com 34 andares e o primeiro em estrutura metálica do Rio de Janeiro, inaugurado em 22 de maio de 1961 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/18788" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 23 de maio de 1961, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/39459" target="_blank"><em>Manchete</em>, 3 de junho de 1961</a>). Foi projetado pelo Escritório Henrique Mindlin, também responsável pelo Shopping dos Antiquários e pelos hotéis Sheraton e Intercontinental.</p>
<p>Com a demolição do Hotel Avenida, começava na cidade uma transição para uma era de modernização e mudanças urbanas &#8211; muitos edifícios históricos foram demolidos e substituídos por construções modernas. Para a despedida, o <em>Jornal do Brasil</em>, a Rádio Jornal do Brasil e a Loja Palermo organizaram uma grande manifestação chamada <em><a href="https://www.google.com/search?q=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;rlz=1C1GCEU_pt-BRBR1077BR1077&amp;oq=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigAdIBBzUwOWowajeoAgCwAgA&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#fpstate=ive&amp;vld=cid:1ccd6fbe,vid:13T_8V5xgvU,st:0" target="_blank">Adeus à Galeria Cruzeiro</a>, </em>mesmo nome da música de autoria de Edel Ney e Aires Viana, cantada por Leny Eversong (1920 &#8211; 1984).</p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="https://www.google.com/search?q=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;rlz=1C1GCEU_pt-BRBR1077BR1077&amp;oq=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigAdIBBzUwOWowajeoAgCwAgA&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#fpstate=ive&amp;vld=cid:1ccd6fbe,vid:13T_8V5xgvU,st:0" target="_blank">Adeus à Galeria Cruzeiro</a></em></p>
<p style="text-align: center;">Você viu, você leu, você ouviu<br />
O comentário que corre pela cidade?<br />
Você viu, você leu, você ouviu<br />
A dolorosa verdade?</p>
<p style="text-align: center;">É certo que a Galeria Cruzeiro<br />
Vai desaparecer<br />
É a lei do progresso<br />
Que faz a cidade crescer<br />
Praça Onze, Café Nice</p>
<p style="text-align: center;">(O samba chorou<br />
E a saudade ficou no coração do sambista)</p>
<p style="text-align: center;">Galeria (Galeria)</p>
<p style="text-align: center;">Este samba (triste samba)<br />
É o adeus do artista<br />
Adeus Galeria do chopp gelado</p>
<p style="text-align: center;">Das noites de boemia<br />
Dos carnavais do passado<br />
Adeus Galeria reduto do samba<br />
De Chico, Noel e de tanta gente bamba</p>
<p style="text-align: center;">Galeria (adeus)<br />
Galeria (adeus)</p>
<p>No dia da festa caia uma forte chuva na cidade mas personalidades importantes como Ademilde Fonseca (1921 &#8211; 2012), Altamiro Carrilho (1924 &#8211; 2012), Linda Batista (1919 &#8211; 1988), Pixinguinha (1897 &#8211; 1973), Pato Preto (1928 &#8211; 2005), Risadinha (1921 &#8211; 1976) e Silvinha Chioso (1938-), dentre outros, compareceram ao evento, que contou também com a participação de bandas militares e agremiações carnavalescas, como o<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10849" target="_blank"> Cordão da Bola Preta</a>. Milhares de pessoas compareceram (<em>Jornal do Brasil</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_07/81311" target="_blank">24 de novembro de 1957, sexta coluna</a>, 26 de novembro de 1957, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_07/81401" target="_blank">capa</a> e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_07/81413" target="_blank">página 13</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9410" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9410/007A5P4F02-020.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9410" target="_blank">Augusto Malta. Hotel Avenida, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No poema<em> A um hotel em demolição</em>, sobre o desaparecimento do Hotel Avenida, seu autor, o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987), cita o fotógrafo Augusto Malta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong> <span style="color: #800000;"><em>A um hotel em demolição</em></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"> (Publicado no livro <em>A vida passada a limpo</em> (1973))</p>
<p style="text-align: center;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em>Vai, Hotel Avenida,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> vai convocar teus hóspedes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no plano de outra vida.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Eras vasto vermelho,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em cada quarto havias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> um ardiloso espelho.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Nele se refletia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> cada figura em trânsito</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o mais que se não lia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem mesmo pela frincha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> da porta: o que um esconde,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> polpa do eu, e guincha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem se fazer ouvir.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> E advindo outras faces</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em contínuo devir,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o espelho eram mil máscaras</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mineiroflumenpau-</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> listas, boas, más; caras.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>50 anos-imagem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e 50 de catre</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> 50 de engrenagem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> noturna e confidente</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que nos recolhe a úrica</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verdade humildemente.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>(Pois eras bem longevo, Hotel, e no teu bojo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o que era nojo se sorria, em pó, contigo.)</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>O tardo e rubro alexandrino decomposto.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Casais entrelaçados no sussurro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> do carvão carioca, bondes fagulhando, políticos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> politicando em mornos corredores</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> estrelas italianas, porteiros em êxtase</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> cabineiros</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>em pânico:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por que tanta suntuosidade se encarcera</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> entre quatro tabiques de comércio?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> A bandeja vai tremulargentina:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> desejo café geleia matutinos que sei eu.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> A mulher estava nua no centro e recebeu-me</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> com a gravidade própria aos deuses em viagem:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Stellen Sie es auf den Tisch!</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Sim, não fui teu quarteiro, nem ao menos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> boy em teu sistema de comunicações louça</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a serviço da prandial azáfama diurna.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Como é que vivo então os teus arquivos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e te malsinto em mim que nunca estive</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em teu registro como estão os mortos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em seus compartimentos numerados?</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Represento os amores que não tive</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas em ti se tiveram foice-coice.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Como escorre</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> escada serra abaixo a lesma</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> das memórias</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>de duzentos mil corpos que abrigaste</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ficha ficha ficha ficha ficha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> fichchchchch.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> O 137 está chamando</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> depressa que o homem vai morrer</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> é aspirina? padre que ele quer?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Não, se ele mesmo é padre e está rezando</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por conta dos pecados deste hotel</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e de quaisquer outros hotéis pelo caminho</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que passa de um a outro homem, que em nenhum</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ponto tem princípio ou desemboque;</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e é apenas caminho e sempre sempre</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se povoa de gestos e partidas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e chegadas e fugas e quilômetros.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Ele reza ele morre e solitária</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> uma torneira</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pinga</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o chuveiro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> chuvilha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e a chama</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> azul do gás silva no banho</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sobre o Largo da Carioca em flor ao sol.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>(Entre tapumes não te vejo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> roto desventrado poluído</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> imagino-te ileso emergindo dos sambas dos dobrados da polícia militar, do coro ululante de torcedores do campeonato mundial pelo rádio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a todos oferecendo, Hotel Avenida,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> uma palma de cor nunca esbatida.)</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Eras o Tempo e presidias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ao febril reconhecimento de dedos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> amor sem pouso certo na cidade</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> à trama dos vigaristas, à esperança</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> dos empregos, à ferrugem dos governos,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> à vida nacional em termos de indivíduo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e a movimentos de massa que vinham espumar</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sob a arcada conventual de teus bondes.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Estavas no centro do Brasil,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nostalgias januárias balouçavam</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em teu regaço, capangueiros vinham</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> confiar-te suas pedras, boiadeiros</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pastoreavam rebanhos no terraço</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e um açúcar de lágrimas caipiras</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> era ensacado a todo instante em envelopes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> (azuis?) nos escaninhos da gerência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e eras tanto café e alguma promissória.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Que professor professa numa alcova</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> irreal, Direito das Coisas, doutrinando</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a baratas que atarefadas não o escutam?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Que flauta insiste na sonatina sem piano</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em hora de silêncio regulamentar?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> E as manias de moradores antigos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que recebem à noite a visita do prefeito Passos para discutir novas técnicas urbanísticas?</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>E teus mortos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> incomparavelmente mortos de hotel fraudados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> na morte familiar a que aspiramos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> como a um não morrer morrido;</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mortos que é preciso despachar</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> rápido, não se contagiem lençóis</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e guarda-pires</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> dessa friúra diversa que os circunda</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem haja nunca memória nesta cama</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> do que não seja vida na Avenida.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Ouves a ladainha em bolhas intestinas?</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Balcão de mensageiros imóveis saveiros</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> banca de jornais para nunca e mais</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> alvas lavanderias de que restam estrias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> bonbonnières onde o papel de prata</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> faz serenata em boca de mulheres</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> central telefônica soturnamente afônica</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> discos lamentação de partidos meniscos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> papelariasconversariaschope da Brahma louco de quem ama</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o Bar Nacional pura afetividade</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> súbito ressuscita Mário de Andrade.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Que fazer do relógio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ou fazer de nós mesmos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem tempo sem mais ponto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem contraponto sem medida de extensão</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem sequer necrológio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> enquanto em cinza foge o</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> impaciente bisão</em></span></p>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>a que ninguém os chifres</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sujigou, aflição?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Ele marcava mar-</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> cavacava cava cava</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e eis-nos sós marcados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> de todos os falhados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> amores recolhidos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> relógio que não ouço</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e nem me dá ouvidos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> robô de puro olfato</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a farejar o imenso</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> país do imóvel tacto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> as vias que corria teu comando fecham-se</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nas travessas em I</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nos vagos pesadelos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nos sombrios dejetos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em que nossos projetos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se estratificaram. A ti não te destroem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> como as térmitas papam</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>livro terra existência.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Eles sim teus ponteiros</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> vorazes esfarelam</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a túnica de Vênus</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o de mais o de menos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> este verso tatuado</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e tudo que hei andado</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por te iludir e tudo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que nas arkademias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> institutos autárquicos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> históricos astutos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se ensina com malícia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sobre o evolver das coisas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ó relógio hoteleiro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> deus do cauto mineiro,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> silêncio,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pudicícia.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Mas tudo que moeste</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> hoje de ti se vinga</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por artes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> de pensada mandinga.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Deglutimos teu vidro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> abafando a linguagem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que das próprias estilhas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se afadiga em pulsar</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o minuto de espera</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> quando cessa na tarde</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a brisa de esperar.</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em> </em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Rangido de criança nascendo.</em></span></div>
<div style="text-align: left;">
<p><span style="color: #800000;"><em>Por favor, senhor poeta Martins Fontes, recite mais baixo suas odes enquanto minha senhora acaba de parir no quarto de cima, e o poeta velou a voz, mas quando o bebê aflorou ao mundo é o pai que faz poesia saltarilha e pede ao poeta que eleve o diapasão para celebrarem todos, hóspedes, camareiros e pardais, o grato alumbramento.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Anoitecias. Na cruz dos quatro caminhos, lá embaixo, apanhadores, ponteiros, engole-listas de sete prêmios repousavam degustando garapa.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Mujer malvada, yo te mataré! artistas ensaiavam nos quartos? I wil grind your bones to dust, and with your blood and it I’ll make a paste. Bagaço de cana, lá embaixo.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Todo hotel é fluir. Uma corrente</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> atravessa paredes, carreando o homem,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> suas exalações de substância. Todo hotel</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> é morte, nascer de novo; passagem; se pombos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nele fazem estação, habitam o que não é de ser habitado</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas apenas cortado. As outras casas prendem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e se deixam possuir ou tentam fazê-lo, canhestras.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> O espaço procura fixar-se. A vida se espacializa,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> modela-se em cristais de sentimento.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> A porta se fecha toda santa noite.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Tu não se encerras, não podes. A cada instante</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> alguém se despede de teus armários infiéis</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e os que chegam já trazem a volta na maleta.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> 220 Fremdenzimmer e te vês sempre vazio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o espelho reflete outro espelho</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o corredor cria outro corredor</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> homem quando nudez indefinidamente.</em></span></p>
</div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em> </em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>No centro do Rio de Janeiro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no curral da manada dos bondes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no desfile dos sábados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no esfregar no repinicar dos blocos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nas cavatinas de Palermo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no aboio dos vespertinos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verme roendo maçã</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verme roído por verme</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verme autorroído</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> roer roendo o roer</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e a ânsia de acabar, que não espera</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o termo veludoso das ruínas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem a esvoaçante morte de hidrogênio.</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Eras solidão tamoia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> vir a ser de casa</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em vir a ser de cidade onde lagartos</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em> </em></span></div>
<div>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Vem, ó velho Malta,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> saca-me uma foto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pulvicinza efialta</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> desse pouso ignoto.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Junta-lhe uns quiosques</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mil e novecentos,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem iaras nem bosques</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas pobres piolhentos.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Põe como legenda</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Q u e i j o I t a t i a i a</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o mais que compreenda</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> condição lacaia.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Que estas vias feias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> muito mais que sujas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> são tortas cadeias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> conchas caramujas</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>do burro sem rabo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> servo que se ignora</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e de pobre-diabo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> dentro, fome fora.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Velho Malta, please,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> bate-me outra chapa:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> hotel de marquise</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> maior que o rio Apa.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Lá do acento etéreo,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Malta, sub-reptício</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> inda não te fere o</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> super edifício</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>que deste chão surge?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Dá-me seu retrato</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> futuro, pois urge</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>documentar as sucessivas posses da terra até o juízo final e mesmo depois dele se há como três vezes três confiamos que haja um supremo ofício de registro imobiliário por cima da instantaneidade do homem e da pulverização das galáxias.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Já te lembrei bastante sem que amasse</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> uma pedra sequer de tuas pedras</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas teu nome — A V E N I D A — caminhava</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> à frente de meu verso e era mais amplo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e mais formas continha que teus cômodos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> (o tempo os degradou e a morte os salva),</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e onde abate o alicerce ou foge o instante</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> estou comprometido para sempre.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Estou comprometido para sempre,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> eu que moro e desmoro há tantos anos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o Grande Hotel do Mundo sem gerência</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>em que nada existindo de concreto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> — avenida, avenida — tenazmente</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> de mim mesmo sou hóspede secreto</em></span></p>
<p style="text-align: left;">
</div>
<p>Leia aqui a crônica <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/25424" target="_blank"><em>Galeria</em></a>, de autoria de Rubem Braga (1913 &#8211; 1990), publicada no <em>Correio da Manhã</em>, 10 de abril de 1953, sexta coluna.</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica agradece ao jornalista e poeta André Luis Câmara (1965-) por sua colaboração na construção deste artigo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>*</strong>Este artigo foi escrito a partir de uma sugestão de Flávio Pinheiro, um dos criadores da Brasiliana Fotográfica, e é dedicado a ele.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42965" style="width: 870px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=101" target="_blank"><img class="wp-image-42965 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/dods10.jpg" alt="dods10" width="860" height="517" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=101" target="_blank">Obras de pavimentação do Largo da Carioca. À direita, o Hotel Avenida, 17 de fevereiro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 98 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-07/catedral-de-petropolis-e-reaberta-ao-publico" target="_blank">Agência Brasil</a></p>
<p><a href="http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/donativo-caminhoa/" target="_blank">Dicionário de Belas Artes UFBA</a></p>
<p><a href="https://www.jornalfolhadocentro.com.br/index.php?edicao=295&amp;pagina=3&amp;id_noticia=2288" target="_blank"><em>Folha do Centro</em>, junho de 1921</a></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>PAIVA, Claudia dos Reis. <a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/claudiadosreispaiva.pdf" target="_blank"><em>Abrindo passagem para o futuro: Galeria Pio X</em></a>. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ambiente Construído da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ambiente Construído, 2018.</p>
<p>PEREIRA, Sonia  Gomes. <a href="http://cbha.art.br/coloquios/2002/textos/texto41.pdf" target="_blank"><em>O Ensino de Arquitetura e a Trajetória dos Alunos Brasileiros na École des Beaux-Arts em Paris no Século XIX.</em></a> XXII Colóquio Brasileiro de História da Arte, 2002.</p>
<p><a href="https://discografiabrasileira.com.br/composicao/129830/adeus-galeria-cruzeiro" target="_blank">Site Discografia Brasileira &#8211; IMS</a></p>
<p><a href="https://www.estilosarquitetonicos.com.br/hotel-avenida/">Site Estilos Arquitetônicos</a></p>
<p><a href="https://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/rio-antigo-h-avenida.html" target="_blank">Site Rio de Janeiro Aqui</a></p>
<p><a href="https://urbecarioca.com.br/antigo-hotel-avenida-o-fim-de-um-periodo-cultural-rico-e-vibrante/" target="_blank">Site Urbe Carioca</a></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HVW4He0737I&amp;t=18s" target="_blank">Youtube &#8211; Hotel Avenida</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dia Internacional da Dança</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 17:23:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Dançarina]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Internacional da Dança]]></category>
		<category><![CDATA[escultura]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Jean-Georges Noverre]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>

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		<description><![CDATA["A dança? Não é movimento, súbito gesto musical. É concentração, num momento, da humana graça natural". Assim o poeta Carlos Drummond de Andrade começa seu poema "A Dança e a alma". Com uma fotografia de autoria de Marc Ferrez (1843 - 1923) da escultura "Dançarina", a Brasiliana Fotográfica celebra o Dia Internacional da Dança, instituído, em 1982, pela UNESCO. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do professor de balé e bailarino francês Jean-Georges Noverre, pioneiro da reflexão teórica sobre o balé, escritor das "Cartas sobre a Dança". A escultura "Dançarina", registrada por Ferrez, foi inaugurada, em 1908, na Praia de Botafogo e, posteriormente, foi transferida para o Largo do Tanque.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com uma fotografia de autoria de Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923) da escultura <em>Dançarina</em>, a Brasiliana Fotográfica homenageia o Dia Internacional da Dança, instituído, em 1982, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, a UNESCO.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10104" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10104/007_IMG_2944.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="330" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10104" target="_blank">Marc Ferrez. Estátua &#8220;Dansarina&#8221;, c. 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do professor de balé e bailarino francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), pioneiro da reflexão teórica sobre o balé, escritor das <em>Cartas sobre a Dança</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45833" style="width: 249px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikiquote.org/wiki/Jean-Georges_Noverre#/media/Ficheiro:Jean_georges_noverre.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-45833 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/dança.jpg" alt="dança" width="239" height="377" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikiquote.org/wiki/Jean-Georges_Noverre#/media/Ficheiro:Jean_georges_noverre.jpg" target="_blank">Jean-Georges Noverre (1727-1810)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A escultura <em>Dançarina,</em> em mármore de Carrara, foi inaugurada, em 1908, na Praia de Botafogo. É uma réplica de uma obra do escultor francês Paul Darbefeuille (1852-1933). Na década de 1950, foi fotografada no Jardim do Méier, e, em 1960, estava na Avenida Presidente Vargas, em frente à Central do Brasil. Em 1992, foi encontrada no Largo do Tanque, em Jacarepaguá, tendo sido transferida, em janeiro de 1996, para a Praça Leony Mesquita, no mesmo bairro. Em 2023, uma das mãos da escultura foi restaurada pela Secretaria de Conservação do Rio de Janeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>A DANÇA E A ALMA</em></span></strong></p>
<p style="text-align: center;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<div>
<div style="text-align: center;"><i>A dança? Não é movimento,</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>súbito gesto musical.</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>É concentração, num momento,</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>da humana graça natural.</i></div>
<div style="text-align: center;"><i> </i></div>
<div style="text-align: center;"><i>No solo não, no éter pairamos,</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>nele amaríamos ficar.</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>A dança – não vento nos ramos:</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>seiva, força, perene estar.</i></div>
<div style="text-align: center;"><i> </i></div>
<div style="text-align: center;"><i>Um estar entre céu e chão,</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>novo domínio conquistado,</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>onde busque nossa paixão</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>libertar-se por todo lado&#8230;</i></div>
<div style="text-align: center;"><i> </i></div>
<div style="text-align: center;"><i>Onde a alma possa descrever</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>suas mais divinas parábolas</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>sem fugir à forma do ser,</i></div>
<div style="text-align: center;"><i>por sobre o mistério das fábulas.</i></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lembramos que o Grupo Corpo, uma das mais importantes companhias de balé do Brasil com renome internacional, completa, em 2025, 50 anos de existência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Andrea C. T. Wanderley</p>
<p style="text-align: left;">Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>ANDRADE, Carlos Drummond de. <em>Obra completa</em>. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964.</p>
<p><a href="http://www.monumentosdorio.com.br/antigo/br/esculturas/033/006.htm" target="_blank">Monumentos do Rio</a></p>
<p><a href="https://cid-world.org/pt/dance-day-7/" target="_blank">Site Conselho Internacional da Dança</a></p>
<p><a href="https://lulacerda.ig.com.br/2023/03/restauracao-da-mao-da-bailarina-a-que-mais-passeou-pela-cidade/" target="_blank">Site Lu Lacerda</a></p>
</div>
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		<title>Novos acervos: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística &#8211; IBGE</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jan 2025 14:56:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica, no ano em que celebra 10 anos de existência, anuncia com alegria e entusiasmo a adesão da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como sua 14ª instituição parceira. A missão principal do IBGE é "retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade e ao exercício da cidadania". Ao longo de seus quase 90 anos de existência, o IBGE acumulou um rico acervo bibliográfico, cartográfico e iconográfico que apresenta o Brasil em seus aspectos econômicos, sociais, culturais e demográficos, entre outros. O primeiro artigo produzido para o portal, "Pioneiros do IBGE: um legado nas estatísticas e geociências do Brasil", foi escrito pelas bibliotecárias Luciana F. Lau e Danielle Barreiros; e pelo arquivista Fabio Carvalho, todos do IBGE.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica, no ano em que celebra 10 anos de existência, anuncia com alegria e entusiasmo a adesão da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como sua 14ª instituição parceira. A missão principal do IBGE é <em>retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade e ao exercício da cidadania</em>. Ao longo de seus quase 90 anos de existência, o IBGE acumulou um rico acervo bibliográfico, cartográfico e iconográfico que apresenta o Brasil em seus aspectos econômicos, sociais, culturais e demográficos, entre outros. O primeiro artigo produzido para o portal, <em>Pioneiros do IBGE: um legado nas estatísticas e geociências do Brasil</em>, foi escrito pelas bibliotecárias Luciana F. Lau e Danielle Barreiros; e pelo arquivista Fabio Carvalho, todos do IBGE.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;" align="center"><em><b><span style="font-family: Georgia; color: maroon;">Pioneiros do IBGE: um legado nas estatísticas e geociências do Brasil</span></b></em></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">Luciana F. Lau, Fabio Carvalho e Danielle Barreiros*</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13305" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13305/aei50950%20-%20Reuni%c3%a3o%20dos%20Conselhos%20Nacionais%20de%20Geografia%20e%20Estat%c3%adstica.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="306" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13305" target="_blank">Reunião dos Conselhos Nacionais de Geografia e Estatística, 1938. Rio de Janeiro, RJ. Em pé, esq./dir.: Christovam Leite de Castro (3º), José Carneiro Felipe (4º), José Carlos Macedo Soares (5º) e Mário Augusto Teixeira de Freitas (7º) / Acervo IBGE</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística &#8211; IBGE &#8211; recebeu com alegria e entusiasmo o convite para integrar o Portal Brasiliana Fotográfica e inicia sua participação com a inclusão de 28 fotografias. Esta é sem dúvida uma excelente oportunidade de ampliar a visibilidade, o acesso e gerar conhecimento acerca dos acervos fotográficos do IBGE, que constituem importantes fontes de informação histórica  e cultural.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13099/discover?rpp=10&amp;page=3&amp;group_by=none&amp;etal=0" target="_blank">Acesse aqui o link para as fotografias do acervo do IBGE disponíveis na Brasiliana Fotográfica</a></span></strong></p>
<p>Em virtude de o IBGE estar prestes a comemorar seus 90 anos de criação, selecionamos para nossa primeira postagem uma imagem que celebra e valoriza o legado dos pioneiros que construíram as bases do Instituto. A imagem destacada acima faz parte da Coleção “Eventos Institucionais” e retrata uma reunião ocorrida no ano de 1939.</p>
<p>Entre os presentes no evento estão algumas personalidades que lançaram as bases fundadoras do próprio IBGE, como Mário Augusto Teixeira de Freitas, considerado o idealizador do órgão, José Carlos de Macedo Soares, seu primeiro presidente, Christovam Leite de Castro, entre outros.</p>
<p>Antes de apresentar os precursores é fundamental compreender o contexto de criação do próprio IBGE. Trata-se de um marco na história da estatística brasileira, com raízes que remontam ao período colonial. Mesmo de forma rudimentar, a Coroa portuguesa desde cedo empenhou esforços para coletar dados estatísticos em seus domínios na América, por meio de Ordens Régias, demonstrando uma preocupação em quantificar aspectos da vida colonial. Com a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, em 1808, a necessidade de conhecer melhor o território e a população da nova sede do Império impulsionaram um crescente interesse em organizar e analisar informações relevantes para a administração pública, culminando na criação da Diretoria Geral de Estatística, em 1871, e na realização do primeiro Recenseamento Geral do Brasil, em 1872, considerado um precursor dos esforços sistemáticos que resultariam na criação do IBGE.</p>
<p>Com o início do século XX, o Brasil passou por intensas transformações políticas, sociais e econômicas. A Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas inauguraram uma nova era, marcada pela modernização do Estado e pela afirmação do país no cenário internacional. Nesse contexto, a criação de um órgão nacional de estatística era vista como um passo fundamental para construir um Estado mais eficiente e capaz de planejar o desenvolvimento nacional. Diante dessa necessidade e para dar unidade e identidade aos órgãos de estatística dos diferentes setores da administração federal e estadual, o Governo, através do Decreto nº 24.609, de 6 de julho de 1934 criou o Instituto Nacional de Estatística. A instalação oficial do INE ocorreu em 29 de maio de 1936, no Palácio do Catete, com José Carlos de Macedo Soares como seu primeiro presidente.</p>
<p>Após sua criação, o INE se dedicou a organizar o sistema estatístico brasileiro e promover a cooperação entre diferentes esferas de governo. A Convenção Nacional de Estatística, realizada em agosto de 1936, estabeleceu as bases para o Conselho Nacional de Estatística, responsável por coordenar os serviços estatísticos em nível nacional. O pensamento vitorioso da Convenção também reconheceu a importância da integração entre serviços estatísticos e geográficos para aumentar a eficiência das atividades no Brasil. Como parte disso, foi criado o Conselho Brasileiro de Geografia pelo Decreto nº 1.527 de 1937, ligado ao Instituto Nacional de Estatística. Este conselho tinha como objetivo coordenar estudos geográficos, promover a cooperação entre órgãos públicos e privados e sistematizar o conhecimento do território nacional. Com sua nova estrutura e atribuições ampliadas, o IBGE se consolidou como o órgão central do sistema estatístico e geográfico brasileiro, desempenhando um papel vital na produção de informações para o governo, a sociedade e a comunidade internacional.</p>
<p>Para garantir harmonia entre as atividades geográficas e estatísticas, o Conselho Brasileiro de Geografia foi renomeado como Conselho Nacional de Geografia, enquanto o Instituto Nacional de Estatística passou a se chamar Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, conforme o Decreto nº 218 de 1938. Guardando cada sistema, em relação ao outro, o máximo de simetria possível, em sua estrutura e organicidade, ambos entrosados sob princípios de colaboração nacional e cooperação interadministrativa, os dois Conselhos passaram a coordenar e impulsionar as atividades geográficas e estatísticas no país.</p>
<p>Quem visita a unidade do IBGE na rua General Canabarro, no bairro Maracanã, pode ver o imponente busto de José Carlos de Macedo Soares (1883-1968), que desperta interesse não somente dos servidores, mas também dos visitantes. Ao conhecer um pouco da história do IBGE, compreende-se esta e outras homenagens do Instituto a um dos responsáveis por sua criação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38276" style="width: 272px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE1.jpg"><img class="wp-image-38276 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE1.jpg" alt="IBGE1" width="262" height="356" /></a><p class="wp-caption-text">Busto de José Carlos de Macedo Soares, localizado na Unidade do IBGE na Rua General Canabarro</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Macedo Soares ou<em><span style="font-family: Georgia;"> Embaixador</span></em> como era conhecido, por também desempenhar a função de Ministro das Relações Exteriores do Brasil por duas vezes, a primeira em 1934 e a segunda em 1955, foi o primeiro presidente do IBGE e o mais longevo, permanecendo por 16 anos à frente do Instituto nos períodos de 1936 até 1951 e depois de 1955 até 1956. Além de embaixador, Macedo Soares também desempenhou outras funções no cenário político brasileiro; foi deputado federal na Assembleia Nacional Constituinte (1930), ministro da Justiça (1937) e interventor federal de São Paulo (1945). Presidiu o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1939) e a Sociedade Brasileira de Geografia do Rio de Janeiro (1945). Para além do seu notável papel político, também foi uma personalidade no âmbito da literatura, tornando-se presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1942.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38277" style="width: 603px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=259063&amp;pasta=ano%20193&amp;pesq=&amp;pagfis=92070" target="_blank"><img class="wp-image-38277 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE2.jpg" alt="IBGE2" width="593" height="293" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=259063&amp;pasta=ano%20193&amp;pesq=&amp;pagfis=92070" target="_blank">Instalação do Instituto Nacional de Estatística no Palácio do Catete, em 29/05/1936 , na mesma data da posse de Macedo Soares, como seu presidente. Em 1º plano, esq./dir.: José Carlos de Macedo Soares (2º) e Getúlio Vargas (3º) / <em> Fon-Fon</em>, 06 de junho de 1936</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nas palavras de outra personalidade, Christovam Leite de Castro (1991. p. 277), é possível vislumbrar a pessoa ímpar que foi José Carlos de Macedo Soares.</p>
<p><em>&#8220;Havia o presidente do Instituto, que era o embaixador José Carlos de Macedo Soares, aliás, presidente excepcional, pela sua inteligência, pela sua capacidade de trabalho, pela sua representatividade, pelo seu prestígio, pelo seu patriotismo, pelo conhecimento profundo dos problemas brasileiros. Realmente, era personalidade de excepcional projeção não só no País como no exterior. No País, por exemplo, Macedo Soares foi Presidente do IBGE e ao mesmo tempo Presidente da Academia Brasileira de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e, também, Ministro das Relações Exteriores&#8221;.</em></p>
<p>Um dos exemplos de como Macedo Soares conhecia os problemas brasileiros foi o seu apoio às mulheres na discussão sobre direitos políticos e serviço militar no âmbito do direito ao voto da mulher, o que ocasionou homenagens de feministas ao embaixador, conforme noticiado no <em><span style="font-family: Georgia;">Jornal do Brasil</span></em><span style="font-family: Georgia;">, de 21 de julho de 1934.</span><em><span style="font-family: Georgia;"> </span></em>Macedo estava ciente deste e de outros desafios da sociedade brasileira principalmente no contexto da estatística e da geografia do Brasil, o que o conduziu  a concretizar as concepções de Teixeira de Freitas, o idealizador do IBGE.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38278" style="width: 221px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_05/45199" target="_blank"><img class="size-full wp-image-38278" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE3.jpg" alt="Jornal do Brasil, 21 de julho de 1934" width="211" height="381" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_05/45199" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 21 de julho de 1934</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sobre Teixeira de Freitas, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) expressou:</p>
<p><em>&#8220;E se hoje nos conhecemos mais a nós mesmos, se é possível elaborar planos de governo com base em dados positivos, se a iniciativa particular na promoção de riquezas dispõe de elementos essenciais para conhecimento do meio social e econômico, tudo isso se deve a Teixeira de Freitas. Teve antecessores ilustres e colaboradores de grande porte, mas a ideia, repito, é dele, como também a prática, e dele a maior glória&#8221;</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/58798" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 25 de fevereiro de 1956, penúltima coluna</a>).</p>
<p>Na década de 30, antes de atuar no IBGE, Teixeira de Freitas colaborou na reforma administrativa buscando com a racionalização dos serviços públicos a modernização das instituições públicas e seus métodos de gestão. Neste período, defendia a importância das estatísticas para a reforma. E defendia também a educação estatística. Certa vez destacou que “<em>E como muitas vezes — ou quase sempre — os leitores dos dados estatísticos não sabem interpretá-los [&#8230;]&#8221;</em> (FREITAS, 1990, p. 29), destacando a importância do letramento estatístico para os cidadãos e para o país. A concepção de integração de Teixeira de Freitas não tinha como objetivo somente a integração do Brasil, por meio do esperanto <span style="color: #0000ff;">[1]</span> ele idealizava a comunicação internacional e a paz universal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38279" style="width: 279px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE4.jpg"><img class="size-full wp-image-38279" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE4.jpg" alt="O idealismo e o Esperanto, 1954 / Acervo IBGE" width="269" height="361" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O Idealismo e o Esperanto</em>, 1954 / Acervo IBGE</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nos planos de integração de Teixeira de Freitas, a Geografia possuía um papel importante em conjunto com a Estatística, desta forma, contou com Christovam Leite de Castro como colaborador na área de Geografia.</p>
<p>Christovam Leite de Castro (1904-2002) tem contato com a Geografia em sua atuação no Ministério da Agricultura (1933) como chefe da Seção de Estatística Territorial, da qual tem origem o Conselho Nacional de Geografia, órgão colegiado que junto do Conselho Nacional de Estatística vieram a formar o IBGE. Por suas diversas atividades em favor do progresso da cidade do Rio de Janeiro, recebeu o título de Cidadão Carioca (1970), a Medalha Estado da Guanabara (1975) e o título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro (1987). Essas homenagens se devem principalmente a sua atuação na Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, iniciada em 1930.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38280" style="width: 421px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE5.jpg"><img class="  wp-image-38280" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE5.jpg" alt="IBGE5" width="411" height="269" /></a><p class="wp-caption-text">Homenagem no bondinho ao engenheiro Christovam Leite de Castro, 2018 / Foto de Fábio Carvalho</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Christovam Leite de Castro foi diretor-presidente da Companhia e o responsável por implementar o novo Sistema Teleférico do Pão de Açúcar (1972), tornando possível, assim, que a cidade do Rio de Janeiro passasse a contar com um sistema mais seguro. Na fundação do Conselho Nacional de Geografia, Leite de Castro contou com a colaboração de Fábio de Macedo.</p>
<p>Fábio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979) atuou no Serviço de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura. Posteriormente, junto com o grupo de especialistas reunidos com o objetivo de unificar o serviço estatístico federal, transfere-se para o Instituto Nacional de Estatística, denominado mais tarde de IBGE. Em 1941, como chefe da Seção de Estudos do Conselho Nacional de Geografia, realizou análises sobre a divisão territorial do País, que passaram a influenciar a divulgação de pesquisas no IBGE, apresentando a partir de então os resultados tabulados de acordo com os estados agrupados, segundo a distribuição dos estados brasileiros em Grandes Regiões (GUIMARÃES, 2006).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38281" style="width: 404px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE6.jpg"><img class="wp-image-38281 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/IBGE6.jpg" alt="IBGE6" width="394" height="513" /></a><p class="wp-caption-text">Revista Brasileira de Geografia, abr./jun. de 1941. Regiões do Brasil segundo vários autores</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13306" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13306/aei50954%20-%20F%c3%a1bio%20de%20Macedo%20Soares%20em%20expedi%c3%a7%c3%a3o%20geogr%c3%a1fica%20para%20mudan%c3%a7a%20da%20capital.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="600" height="380" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13306" target="_blank">Fábio de Macedo Soares Guimarães (de frente) em expedição geográfica para mudança da capital, s.d. / Acervo IBGE</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os estudos de Fábio de Macedo relacionados à divisão regional do Brasil balizaram a divisão regional do Brasil em cinco grandes regiões adotada oficialmente em 1942. Nesse contexto, determinou matematicamente o centro exato do Brasil, que se situa no nordeste de Mato Grosso, e não em Goiás, como se pensava. Atuou de forma marcante nos estudos que recomendaram a localização da nova capital do Brasil. Para colaborar com o trabalho desenvolvido no Conselho Nacional de Geografia, Fábio de Macedo contou com o apoio do consultor Allyrio Hugueney.</p>
<p>Allyrio Hugueney de Mattos (1889- 1975)** inicia como consultor técnico no Conselho Nacional de Geografia em 1939 e assume cargos de relevância, dentre eles o de diretor da Divisão de Cartografia. Torna-se o responsável pelo cumprimento do Decreto-Lei nº 311/1938, conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo, que obrigava a criação de mapas para a elaboração da Carta do Brasil. Como orientador da Campanha das Coordenadas Geográficas organizada pelo Conselho Nacional de Geografia (1939), entre outras atividades, determina a localização das sedes municipais por suas coordenadas geográficas e escolhe o sistema de representação cartográfica adequado à elaboração dos mapas. A relevância do trabalho de produção de mapas nesse período se reflete em suas palavras:<em><span style="font-family: Georgia;"> “O Brasil tem fome de mapas. Diariamente, quer de dentro do país, quer de fora, chegam solicitações de mapas que não existem”</span></em> (IBGE, 2016).</p>
<p>Nas pesquisas de campo, das quais foi o precursor, atuou utilizando novos equipamentos, o que permitiu a implantação de métodos geodésicos de coordenadas geográficas inovadores, que posteriormente seriam base para o desenvolvimento de projetos nas regiões privadas de cobertura cartográfica. Allyrio Hugueney recebeu diversas homenagens em reconhecimento ao trabalho que desenvolveu, destacando-se entre eles a condecoração da Ordem La Rose Blanche, em 1948, do governo da Finlândia, por colaborar com valorosos serviços durante o eclipse total do sol. E do IBGE recebeu como homenagem a nomeação do marco geodésico <span style="color: #0000ff;">[2]</span> norte de número 2250 de Base Allyrio de Mattos, situado em sua cidade natal, Cuiabá.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 623px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13307" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13307/aei50956%20-%20Inaugura%c3%a7%c3%a3o%20do%20marco%20norte%20Base%20Allyrio%20de%20Mattos%2c%20no%20centro%20pol%c3%adtico-administrativo%20de%20Cuiab%c3%a1.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="613" height="460" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13307" target="_blank">Inauguração do marco norte Base Allyrio de Mattos, no centro político-administrativo de Cuiabá, 1972. Cuiabá, MT. Esq./dir.: Miguel Alves de Lima (1º), Isaac Kerstenetzky (3º), Allyrio Hugueney de Mattos (5º) / Acervo IBGE</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Após sua instalação, em 1936, o IBGE tinha somente quatro anos para planejar, estruturar, coordenar e operacionalizar seu primeiro recenseamento de 1940, e para colaborar no que seria um grande feito do Instituto, Macedo Soares convidou o Professor Mortara.</p>
<p>Giorgio Mortara (1885-1967) chegou com sua família ao Brasil, em 1939, fugindo de perseguições na Itália em razão do regime totalitarista. A convite do presidente do Instituto, atuou como consultor-técnico da comissão responsável por preparar e realizar o recenseamento de 1940. Utilizou metodologias inovadoras, até o momento inéditas no País no contexto da ciência demográfica. A criação do Laboratório de Estatística, ligado ao Conselho Nacional de Estatística, foi importante no cenário nacional para a formação de novos profissionais. Por sua contribuição na área de ensino da Estatística e em prol da cultura nacional, recebeu o título de professor <em>Honoris Causa</em> da Universidade do Brasil, em 1953.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13304" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13304/aei31906%20-%20Conv%c3%aanio%20de%20estat%c3%adstica%20educacional%20d%c3%a9cimo%20anivers%c3%a1rio.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="521" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13304" target="_blank">Convênio estatístico educacional: 10º aniversário, 1941. Rio de Janeiro, RJ. No primeiro plano da esq./dir. Giorgio Mortara (1º), Lourenço Filho (2º), Mário Augusto Teixeira de Freitas (3º), José Carlos de Macedo Soares (4º), Carneiro Fellipe (6º) / Acervo IBGE</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1942, o Brasil decide entrar na Segunda Guerra Mundial após ter navios mercantes torpedeados, declarando assim guerra à Itália e à Alemanha. Segundo as orientações do governo, o professor Mortara e seu filho, que atuava na Divisão da Receita da Comissão de Orçamento da República, deveriam ser enviados para os campos de concentração. Contudo, por influência de Macedo Soares, Teixeira de Freitas, Carneiro Felippe e outros, o professor e seu filho continuaram contribuindo para o desenvolvimento do Brasil, que passou a ser considerado por Mortara como sua segunda pátria. Após o final da guerra, Mortara foi reconduzido à cátedra na Universidade de Roma, porém decidiu permanecer no Brasil a fim de completar o trabalho que lhe fora confiado. Retornou à Itália, em 1956, após segundo convite para regressar à cátedra. Como seus filhos permaneceram no Brasil, Mortara passava longos períodos no Rio de Janeiro, onde veio a falecer, em 1967.</p>
<p>Como vimos, o IBGE não surgiu de forma repentina, mas foi fruto de um longo caminho de debates e articulações políticas.</p>
<p>O fato é que os primeiros anos do IBGE podem ser considerados como anos heroicos, pois foram momentos decisivos para a sua história  e para o desenvolvimento das estatísticas e da geociência no Brasil. Esse heroísmo pode ser atribuído às pessoas que fizeram parte daquele momento especial, como também das próprias decisões que estavam sendo tomadas nas assembleias destes quatro primeiros anos do Conselho Nacional de Estatística.</p>
<p>Esses pioneiros enfrentaram grandes desafios para consolidar o órgão como referência em estatística e geografia no Brasil.</p>
<p>O processo que culminou na criação do IBGE foi resultado da atuação de diversas figuras visionárias que reconheceram a importância da Estatística como ferramenta indispensável para a modernização do Estado brasileiro. Além dos citados, muitos outros profissionais contribuíram e contribuem ainda hoje para o desenvolvimento do IBGE. Entretanto, aos pioneiros o Instituto reserva honrarias especiais devido a tudo que fizeram pelo IBGE e pelo Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #0000ff;">[1]</span> O esperanto foi criado em 1887 pelo sábio médico polonês Lázaro Ludovico Zamenhof com o fim de tornar-se uma língua auxiliar internacional, isto é, uma língua segunda que cada nação estudaria ao lado de seu idioma nacional. O Dr. Zamenhof somente procurou criar uma língua artificial depois que se convenceu de que nenhuma das línguas vivas ou mortas poderia preencher o papel de língua internacional. FREITAS, M. A. T. de. <em>O Esperanto no Brasil</em>. Revista Brasileira de Estatística, Rio de Janeiro: IBGE, v. 6, n. 22, p. 197-206, abr./jun. 1945.</p>
<p><span style="color: #0000ff;">[2]</span> As estações geodésicas são caracterizadas por um pequeno monumento de concreto denominado marco com uma pequena chapa metálica encravada em seu topo ou, simplesmente, a chapa metálica encravada em uma base (monumento, degrau de escada de acesso a prédios públicos) que garanta sua preservação. IBGE. Padronização de Marcos Geodésicos. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/metodos-e-outros-documentos-de-referencia/normas/16466-padronizacao-de-marcos-geodesicos.html?=&amp;t=sobre. Acesso em: Acesso em: 13 dez 2024.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Luciana F. Lau e Danielle Barreiros são bibliotecárias e Fabio Carvalho é arquivista do IBGE.</p>
<p>**Nota da editora: lembramos que Allyrio Hugueney de Mattos era astrônomo e integrou a equipe brasileira, liderada por Henrique Morize (1860-1930), que produziu registros fotográficos do eclipse total do Sol, ocorrido em 29 de maio de 1919, realizados por astrônomos brasileiros do Observatório Nacional e também por cientistas de outros países, em Sobral, no Ceará. Além de Allyrio, integravam a equipe brasileira os também astrônomos Domingos Fernandes da Costa (1882 – 1956) e Lélio Itapuambyra Gama (1892 – 1981), o químico Theophilo Henry Lee (1873 – ?), o meteorologista Luís Rodrigues, o mecânico Arthur de Castro Almeida e o carpinteiro Primo Flores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="font-family: Georgia; color: maroon;">Fontes:</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">CASTRO, Christovam Leite de. <em><span style="font-family: Georgia;">História oral do IBGE.</span></em> Entrevista concedida à Equipe de Memória Institucional em 1991. <em><span style="font-family: Georgia;">In</span></em>.: MALAVOTA, Leandro Miranda, 1976-.<em><span style="font-family: Georgia;"> Christovam Leite de Castro e a geografia no Brasil</span></em>. Rio de Janeiro: IBGE, 2013. Disponível em: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv64829.pdf">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv64829.pdf</a>. Acesso em: 13 dez. 2024. </span></p>
<p>FREITAS, M. A. Teixeira de. <em><span style="font-family: Georgia;">O Idealismo e o esperanto</span></em>. Rio de Janeiro: IBGE, 1954. Disponível em: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv64829.pdf">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv81724.pdf</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">FREITAS, M. A. Teixeira de.  <em><span style="font-family: Georgia;">Teixeira de Freitas: pensamento e ação</span></em>. Rio de Janeiro: IBGE, 1990. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv22093.pdf. Acesso em: 13 dez. 2024. </span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">GUIMARÃES, Fábio de Macedo Soares.<em><span style="font-family: Georgia;"> O Pensamento de Fábio de Macedo Soares Guimarães: uma seleção de textos.</span></em> Rio de Janeiro: IBGE, 2006. Disponível em: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv29363.pdf">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv29363.pdf</a>. Acesso em: 13 dez. 2024. </span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">IBGE. <em><span style="font-family: Georgia;">Pioneiros do IBGE (1): José Carlos de Macedo Soares e Allyrio Hugueney de Mattos</span></em>, 2016. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=UEFjEU8XsSc">https://www.youtube.com/watch?v=UEFjEU8XsSc</a>. Acesso em: 13 dez. 2024. </span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">IBGE. Centro de Documentação e Disseminação de Informações. <em><span style="font-family: Georgia;">Encontro comemorativo do centenário de Teixeira de Freitas.</span></em> Rio de Janeiro: IBGE, 1994.  Disponível em: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv47713.pdf">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv47713.pdf</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">IBGE, Centro de Documentação e Disseminação de Informações. <em><span style="font-family: Georgia;">Giorgio Mortara : ampliando os horizontes da demografia brasileira.</span></em> Rio de Janeiro: IBGE, 2007. Disponível em: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv47713.pdf">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv34492.pdf</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">IBGE. Memória Institucional. <em><span style="font-family: Georgia;">Allyrio Hugueney de Mattos.</span></em> Disponível em: <a href="https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20975-allyrio-hugueney-de-mattos.html">https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20975-allyrio-hugueney-de-mattos.html</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">IBGE. Memória Institucional. <em><span style="font-family: Georgia;">Christovam Leite de Castro</span></em>. Disponível em: <a href="https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20856-christovam-leite-de-castro.html">https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20856-christovam-leite-de-castro.html</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">IBGE. Memória Institucional. <em><span style="font-family: Georgia;">Fábio de Macedo Soares Guimarães</span></em>. Disponível em: <a href="https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20976-fabio-de-macedo-soares-guimaraes.html">https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20976-fabio-de-macedo-soares-guimaraes.html</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">IBGE. Memória Institucional.<em><span style="font-family: Georgia;"> Giorgio Mortara.</span></em> Disponível em: <a href="https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20977-giorgio-mortara.html">https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20977-giorgio-mortara.html</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">IBGE. Memória Institucional. <em><span style="font-family: Georgia;">José Carlos de Macedo Soares.</span></em> Disponível em: <a href="https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/galeria-de-presidentes/20968-jose-carlos-de-macedo-soares.html">https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/galeria-de-presidentes/20968-jose-carlos-de-macedo-soares.html</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">IBGE. Memória Institucional. <em><span style="font-family: Georgia;">Mário Augusto Teixeira de Freitas.</span></em> Disponível em:  <a href="https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20978-mario-augusto-teixeira-de-freitas.html">https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/pioneiros-do-ibge/20978-mario-augusto-teixeira-de-freitas.html</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><em><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">JORNAL DO BRASIL.</span></em><span style="font-family: Georgia; color: #333333;"> Rio de Janeiro: [s.n.], 1891- . Diária. Disponível apenas em formato digital, 1 set. 2010- ; Retornou a forma impressa, ano 127, n. 1 (25 fev. 2018)-. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/docmulti.aspx?bib=030015&amp;pesq=. Acesso em: 12 dez. 2024. </span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">MALAVOTA, Leandro Miranda, 1976-. <em><span style="font-family: Georgia;">Christovam Leite de Castro e a geografia no Brasil.</span></em> Rio de Janeiro: IBGE, 2013. Disponível em: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv64829.pdf">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv64829.pdf</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">SENRA, Nelson de Castro. <em><span style="font-family: Georgia;">Embaixador Macedo Soares, um príncipe da conciliação: recordando o 1. presidente do IBGE. </span></em>Rio de Janeiro: IBGE, 2008.  Disponível em: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv38831.pdf">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv38831.pdf</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">SENRA, Nelson de Castro. <em><span style="font-family: Georgia;">História das estatísticas brasileiras.</span></em> Rio de Janeiro: IBGE, 2008. v. 3. Estatísticas organizadas (c.1936-1972). Prefácio por Angela de Castro Gomes. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv 31573_3.pdf. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">SENRA, Nelson de Castro. <em><span style="font-family: Georgia;">Tradição &amp; renovação: uma síntese da história do IBGE</span></em>. Rio de Janeiro: IBGE, 2016. Disponível em: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv38831.pdf">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv99039.pdf</a>. Acesso em: 13 dez. 2024.</span></p>
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		<title>Série “Feministas, graças a Deus!” XIII &#8211; E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Feb 2023 14:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com a publicação do 13º artigo da Série “Feministas, graças a Deus!”, a Brasiliana Fotográfica celebra a conquista do voto feminino no Brasil, a partir do Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, que instituiu o Código Eleitoral Provisório, assinado pelo presidente Getulio Vargas, reconhecendo o direito de voto das mulheres. No artigo, está publicada uma seleção de imagens pertencentes ao acervo do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras do portal, relativas às feministas e a suas pautas; além de breves perfis de importantes sufragistas brasileiras.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com a publicação do 13º artigo da Série <em>Feministas, graças a Deus!, </em>a Brasiliana Fotográfica celebra a conquista do voto feminino no Brasil, a partir do <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-21076-24-fevereiro-1932-507583-publicacaooriginal-1-pe.html">Decreto nº 21.076</a>, de 24 de fevereiro de 1932, que instituiu o Código Eleitoral Provisório, assinado pelo presidente Getulio Vargas (1882 &#8211; 1954), reconhecendo o direito de voto das mulheres.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #800000;"><em>“Art. 2º É eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma deste código”.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Decreto nº 21.076, 24 de fevereiro de 1932</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Constituição promulgada em 16 de julho de 1934 aprovou a igualdade de direitos políticos entre homens e mulheres, desde que maiores de 18 anos e alfabetizados:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><em>Art. 108. São eleitores os brasileiros de um e de outro sexo, maiores de 18 anos, que se alistarem na forma da lei. </em></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><em>Parágrafo único. Não se podem alistar eleitores: </em></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><em>a) os que não saibam ler e escrever; </em></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><em>b) os praças-de-pré, salvo os sargentos, do Exército e da Armada e das forças auxiliares do Exército, bem como os alunos das escolas militares de ensino superior e os aspirantes a oficial; </em></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><em>c) os mendigos; </em></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><em>d) os que estiverem, temporária ou definitivamente, privados dos direitos políticos. </em></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><em> Art. 109. O alistamento e o voto são obrigatórios para os homens e para as mulheres, quando estas exerçam função pública remunerada, sob as sanções e salvas as exceções que a lei determinar.</em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era a vitória de décadas de mobilização em favor do sufrágio feminino no Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5061" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5061/BR_RJANRIO_Q0_ADM_CPA_VFE_FOT_0011_TTO__ref.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="501" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5061" target="_blank">Primeiras eleitoras do Brasil na cidade de Natal, 1928. Natal, Rio Grande do Norte / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No artigo de hoje, estão destacadas as imagens do acervo fotográfico do portal relativas às feministas e a suas pautas &#8211; os registros são do acervo do Arquivo Nacional, uma de nossas instituições parceiras, e seus autores foram J. Bonfioti, a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21806">Photo Skarke</a>, a Fotografia Alemã, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20730">Louis Piereck (1880 – 1931)</a>, o Serviço Photographico de Vida Doméstica, além de fotógrafos ainda não identificados. Também publicamos breves perfis de sufragistas brasileiras importantes na luta pelo voto feminino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/353" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acessando o link para as imagens relativas ao feminismo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31527" style="width: 551px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/34623" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31527" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/voto.jpg" alt="Chage mostra a resistência ao voto feminino / O Malho, 23 de junho de 1917" width="541" height="440" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/34623" target="_blank"><em>Charge</em> mostra a resistência ao voto feminino / <em>O Malho</em>, 23 de junho de 1917</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">A trajetória da conquista do voto feminino no Brasil, um marco fundamental na história da democratização do país, começou ainda no século XIX e tornou-se o principal tema do feminismo nas primeiras décadas do século XX, quando a feminista </span><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21354" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Bertha Lutz (1894 &#8211; 1976)</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">, fundadora da </span><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26964" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Federação Brasileira pelo Progresso Feminino</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">, foi uma das mais importantes vozes na luta pela emancipação feminina, que também teve outras defensoras dedicadas e aguerridas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810 &#8211; 1885), </strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><i><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: maroon;"> precursora dos ideais de igualdade e independência da mulher brasileira</span></i></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31605" style="width: 318px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%ADsia_Floresta_(escritora)#/media/Ficheiro:Nizia_Floresta_Augusta_(Mulheres_illustres_do_Brazil).jpg" target="_blank"><img class=" wp-image-31605" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia.jpg" alt="Nísia Floresta / Wikipedia" width="308" height="298" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%ADsia_Floresta_(escritora)#/media/Ficheiro:Nizia_Floresta_Augusta_(Mulheres_illustres_do_Brazil).jpg" target="_blank">Nísia Floresta / Wikipedia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: maroon;">&#8220;Nísia Floresta surgiu &#8211; repita-se&#8211;como uma exceção escandalosa. Verdadeira machona entre as sinhazinhas dengosas do meado do século XIX. No meio de homens a dominarem sozinhos todas as atividades extra domésticas, as próprias baronesas e viscondessas mal sabendo escrever, as senhoras mais finas soletrando apenas livros devotos e novelas que eram quase histórias do Trancoso. causa pasmo ver uma figura como a de Nísia&#8221;.</span></em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Gilberto Freyre, <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Sobrados e Mocambos </span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">(1936)</span></span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Ainda no Brasil Império, a escritora e educadora potiguar Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810 &#8211; 1885), pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, foi a primeira mulher brasileira a defender o direito à educação científica para as meninas. A explicação do pseudônimo que criou para ela é a seguinte: “Nísia”, uma referência ao seu nome de batismo; depois, ao sítio Floresta onde nasceu; em seguida, ao seu país; e, finalmente, a Augusto, o nome do marido de quem ficou viúva. </span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Nasceu,</span> em 12 de outubro de 1810, em Papari, no Rio Grande do Norte, onde casou-se <span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">com Manuel Alexandre Seabra de Melo. Tinha apenas 13 anos, mas ainda no primeiro ano do casamento voltou para a casa dos pais, o advogado português Dionísio Gonçalves Pinto (17? &#8211; 1828) e a brasileira Antônia Clara Freire (17? &#8211; 1855). Seus irmãos eram Clara e Joaquim. Mudou-se</span><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> com a família para  Pernambuco, onde morou em Goiana, Recife e Olinda. </span></p>
<p>Em 1828, seu pai foi assassinado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_01/2547" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 22 de setembro de 1830, segunda coluna</a>). No mesmo ano, Nísia passou a viver com Manoel Augusto de Faria Rocha, estudante de Direito da Faculdade de Olinda, natural de Goiana (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_01/882" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 16 de abril de 1829, segunda coluna</a>), com quem teve três filhos na década de 1830: Lívia (1930-?), um filho, que viveu poucos meses (1831 &#8211; 1831 ou 1832); e Augusto Américo (1933-?). Er<span style="font-family: 'Georgia',serif;">a </span><span style="font-family: 'Georgia',serif;">acusada de adúltera pelo ex-marido. </span></p>
<p>Iniciou sua carreira literária, em 1931, publicando, com o pseudônimo de <em>Brasileira Livre</em>, artigos sobre a condição feminina no jornal pernambucano <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Espelho das Brasileiras, </span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">que pertencia ao francês </span><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Adolphe Emile de Bois Garin (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/818879/15" target="_blank"><em>Espelho das Brasileiras</em>, 13 de maio de 1931</a>).</span> A defesa dos direitos das mulheres e dos indígenas no Brasil, e a crítica à escravidão foram temas recorrentes em sua produção literária.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Esta foi, com certeza, uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos na grande imprensa, pois, desde 1830, seu nome era uma presença constante em periódicos nacionais, comentando questões polêmicas, como o direito das mulheres – e, também, dos índios e dos escravos – a uma vida digna e respeitável. Aliás, nesse gosto pela polêmica e no fato de viver sempre à frente de seu tempo, estariam, a nosso ver, também, traços de modernidade da autora&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"> Constância Lima Duarte sobre Nísia em <a href="https://www.scielo.br/j/ea/a/6fB3CFy89Kx6wLpwCwKnqfS/?lang=pt" target="_blank"><em>Feminismo e literatura no Brasil</em></a> (2003)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Em 1832, publicou, no Recife, o livro <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Direito das Mulheres e a Injustiça dos Homens,</span></em> primeiro texto de uma brasileira a falar em direitos das mulheres. Existe uma polêmica em torno da autoria deste livro: alguns pesquisadores consideram o livro como uma <span style="font-family: 'Georgia',serif;">tradução livre de</span><em><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> A Vindication of the Rights of Woman, </span></em>de Mary Wollstonecraft (1759-1797),<em><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> </span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">e outros como a tradução de</span><em><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> Woman not Inferior to Man, </span></em>de Mary Wortley (1689-1762), que teria sido infuenciada pelo livro <i>De l´egalité des deux sexes</i>, de François Poullain de <span class="ref">La Barre, publicado em 1673</span>. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia8.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-31635" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia8.jpg" alt="nisia8" width="257" height="338" /></a></p>
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<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Em novembro de 1832, foi para o Rio Grande do Sul, com Lívia, sua filha; sua mãe viúva e com seu companheiro, Manoel Augusto, que, em agosto de 1833, poucos meses após o nascimento de Augusto Américo, em janeiro de 1833, faleceu. Manoel Augusto havia ocupado o cargo de juiz municipal de São Pedro do Rio Grande do Sul (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/749443/398" target="_blank"><em>Correio Official</em>, 25 de outubro de 1833, primeira coluna</a>).</span> Ainda em 1833, Nísia publicou a segunda edição de <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Direito das Mulheres e a Injustiça dos Homens, </span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">em Porto Alegre, pela Typographia de V. F. Andrade. Escreveu para alguns jornais de Porto Alegre, dentre eles o <em>Belano</em>, que circulou entre 1832 e 1833. Entre 1834 e 1837, manteve uma escola. Segundo o professor Luis Carlos Freire, professor de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e um dos maiores pesquisadores de Nísia, provavelmente ela ensinava em casa, como era costume na época. </span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Em 1837, foi para o Rio de Janeiro. Provavelmente, a tensão causada pela Guerra dos Farrapos contribuiu para essa mudança. Em 1838, fundou o Colégio Augusto, para meninas, que dirigiu com algumas interrupções até 1856. Posteriormente, o colégio, que existiu até 1894, foi dirigido por seu filho<em><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> (</span></em></span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_02/9734" target="_blank"><i><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Jornal do Commercio,</span></i></a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_02/9734" target="_blank"><i><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> </span></i></a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_02/9734" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">31 de janeiro de 1838, segunda coluna</span></a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_02/9734" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">).</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> Nísia tinha uma proposta de educação inclusiva para meninos e meninas, tanto na esfera pública, quanto na privada, e era influenciada pelo pensamento positivista do francês Auguste Comte (1798 &#8211; 1857), de quem era amiga. Em 1839, foi publicada, já no Rio de Janeiro, a terceira edição de <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Direito das Mulheres e a Injustiça dos Homens, </span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">pela Casa do Livro Azul.</span></span></p>
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<div id="attachment_31627" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/313394x/3403" target="_blank"><img class=" wp-image-31627" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia3.jpg" alt="Almanak Laemmert, 1950" width="701" height="306" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/313394x/3403" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1950</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Por ensinar Caligrafia, Dança, Desenho e Costura, Francês, Geografia, História, Inglês, Italiano, Latim, Matemática, Música, Português, Piano e Religião a suas alunas e não a <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">fazer vestidos e camisas</span></em> foi criticada (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/228133/3467" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">O Mercantil (MG)</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 17 de janeiro de 1947, primeira coluna</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">).</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31629" style="width: 304px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/228133/3467" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31629" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia5.jpg" alt="O Mercantil (MG), de 1847" width="294" height="316" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/228133/3467" target="_blank"><em>O Mercantil (MG</em>), 17 de janeiro de 1847</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Publicou, em 1847, três obras de caráter pedagógico: <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Fany ou o modelo das donzelas</span></em>; <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Discurso que às suas educandas dirigiu Nísia Floresta Brasileira Augusta, </span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">um breve texto de seis páginas</span>; e <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Daciz ou a jovem completa. </span></em></span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Em 2 de novembro de 1849, acompanhada dos dois filhos, Nísia viajou pela primeira vez à Europa. Embarcaram, rumo a Havre, na galera francesa <em>Ville de Paris</em>. Ficou em Paris e em Lisboa, retornando ao Brasil em 1852 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_01/34046" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 3 de novembro de 1849, última coluna</a>). Nesse período, ela frequentou as conferências de Auguste Comte sobre História Geral da Humanidade no Palais Cardinal, em Paris. </span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Em 1853, lançou o <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Opúsculo Humanitário, </span></em>que dedicou a seu irmão, Joaquim Pinto Brasil. Nele a autora nos conta a história do papel das mulheres nas sociedades ocidentais, dando exemplos e refletindo sobre a condição feminina. Antes da primeira impressão reunida, parte dos textos foi publicada nos jornais <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Diário do Rio de Janeiro,</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> sob  pseudônimo B.A.</span></span></p>
<p><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: maroon;">“Dê-se ao sexo uma educação religiosamente moral, desvie-se dele todos os perniciosos exemplos que tendem a corromper-lhe, desde a infância, o espírito, em vez de formá-lo á virtude, adornem-lhe a inteligência de úteis conhecimentos, e a mulher será não somente o que ela deve ser — o modelo de família — mas ainda saberá conservar dignidade, em qualquer posição que porventura a sorte a colocar.”</span></em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Nísia Floresta em </span><a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/562126/Opusculo_humanitario.pdf?sequence=5&amp;isAllowed=y" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">O Opúsculo Humanitário</span></em></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">, 1853</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Trabalhou como voluntária no combate a uma epidemia de cólera no Rio de Janeiro, em 1855 (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/10968" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">Correio Mercantil</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 4 de outubro de 1955, segunda coluna)</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">. Também entre este ano e 1856 publicou alguns artigos no <em>Brasil Illustrado: Passeio ao Aqueduto Carioca, Páginas de Uma Vida Obscura, Um Improviso, na manhã de 1º do corrente, ao distinto literato e grande porta Antônio Castilho </em>e<em> O pranto Filial.</em></span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">O último registro do <em>Almanak Laemmert</em> de Nísia como diretora do Colégio Augusto é de 1855 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394x/8311" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1855)</a>. Em 10 de abril de 1856, Nísia viajou no paquete a vapor <em>Cadix</em> com sua filha para a Europa, onde permaneceu até 1871.  Em 1872, um retrato e um pequeno perfil dela foi publicado no jornal ilustrado brasileiro publicado em Nova York, O <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Novo Mundo, </span></em>fundado por José Carlos Rodrigues (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_01/43136" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 10 de abril de 1856, quarta coluna</a>; </span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/122815/313" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">O</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> </span><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">Novo Mundo</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 23 de maio de 1872)</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31753" style="width: 493px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/122815/313" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31753" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia9.jpg" alt="Novo Mundo, de maio de 1872" width="483" height="382" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/122815/313" target="_blank"><em>Novo Mundo</em>, 23 de maio de 1872</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Entre 1872 e 1875, Nísia esteve no Brasil. Retornou à Europa em 24 de março de 1875, rumo à Inglaterra, onde encontrou sua filha. Passaram um tempo em Londres e em Lisboa (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_06/10703" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 24 de março de 1875, terceira coluna</a>). Em 1878, já morando na França, publicou seu último trabalho, <i>Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques</i>. Entre idas e vindas, Nísia morou na França e na Itália, visitando a Alemanha, Bélgica, Grécia, Inglaterra e Suíça. Enviava artigos para publicação em jornais cariocas (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/239100/65" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">Correio do Brazil</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 7 de janeiro de 1872, quinta coluna</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709557/11893" target="_blank"><em>Diário de S. Paulo</em>, 11 de dezembro de 1875, última coluna</a>; </span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/226440/7866" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">A Reforma</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 31 de dezembro de 1875, última coluna</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">). </span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Faleceu em 24 de abril de 1885, em Rouen, na França, de pneumonia. Foi enterrada no cemitério de Bonsecours (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_07/12948" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">Jornal do Commercio</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 26 de maio de 1885, quinta coluna</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">; </span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/707619/3958" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">Novo e Completo Indice Chronologico da Historia do Brasil (RJ) &#8211; 1842 a 1889,</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> 188</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">5;</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_07/12979" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> </span><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">Jornal do Commercio</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 31 de maio de 1885, quinta coluna</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">).</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31632" style="width: 325px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/8704" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31632" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia7.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 29 de maio de 1885" width="315" height="319" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/8704" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 29 de maio de 1885</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31631" style="width: 375px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/364568_07/13144" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31631" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia6.jpg" alt="Jornal do Commercio, 24 de junho de 1885" width="365" height="169" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/364568_07/13144" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 24 de junho de 1885</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Sua cidade natal, Papari, foi rebatizada com a aprovação da Lei n° 146, de 23 de dezembro de 1948, como Nísia Floresta. Em 1954, o Estado do Rio Grande do Norte repatriou seus restos mortais para a cidade (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/031151_01/165" target="_blank"><em>O Poti (RN)</em>, 22 de agosto de 1954</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31628" style="width: 353px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia4.jpg"><img class=" wp-image-31628" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/nisia4.jpg" alt="Nísia Floresta / Geledés" width="343" height="297" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.geledes.org.br/nisia-floresta-a-feminista-brasileira-que-voce-nao-encontrara-nos-livros-de-historia-2/" target="_blank">Nísia Floresta / Geledés</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A quarta edição do livro <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Direito das Mulheres e a Injustiça dos Homens </span></em>saiu apenas em 1989, pela Cortez, com introdução posfácio de Constância Lima Duarte. Em 2012, foi inaugurado o Museu Nísia Floresta, em sua cidade natal.</p>
<p>Alguns de seus livros que não foram mencionados ao longo deste artigo são <em>Conselhos a minha filha</em> (1842), <em>Lágrimas de um Caeté</em> (1849) <em>Itinerário de uma viagem à Alemanha</em> (1857), <em>Três anos na Itália, seguidos de uma viagem à Grécia </em>(vol 1, em 1864, e vl 2, em 1872); e <em>Cintilações de uma Alma Brasileira</em> (1859). Publicou, ao todo, 15 livros.</p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #993300;"><em><strong>Maria Firmina dos Reis (1822- 1977)</strong></em></span></p>
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<div id="attachment_40627" style="width: 433px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/2022/10/27/flip-2022-homenageia-maria-firmina-dos-reis-pioneira-na-literatura-antiescravista-no-brasil.ghtml" target="_blank"><img class=" wp-image-40627" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/firmina.jpg" alt="Imagem de Maria Firmina dos Reis recriada a partir de computação gráfica — Foto: Divulgação/Grupo de pesquisadores de Maria Firmina dos Reis" width="423" height="320" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/2022/10/27/flip-2022-homenageia-maria-firmina-dos-reis-pioneira-na-literatura-antiescravista-no-brasil.ghtml" target="_blank">Imagem de Maria Firmina dos Reis recriada a partir de computação gráfica — Foto: Divulgação/Grupo de pesquisadores de Maria Firmina dos Reis</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">A escritora e professora maranhense Maria Firmina dos Reis (1822-1917), nasceu, em 11 de março de 1822, que tornou-se o Dia da Mulher Maranhense*. Era filha de um homem branco, João Pedro Esteves, com uma ex-escravizada alforriada, Leonor Filipa. Foi a primeira romancista negra do Brasil e, provavelmente, a primeira mulher negra a publicar um romance na América Latina.  Era prima do gramático Sotero dos Reis (1800 &#8211; 1871). Tornou-se professora de escola primária em 1847, quando foi aprovada em um concurso público na cidade de Guimarães, no Maranhão.</p>
<p style="text-align: left;">É a autora de <i class="bbc-h1y5j7 eih42320">Úrsula</i> (1859), considerado o primeiro romance afro-brasileiro, pioneiro da literatura abolicionista e feminista no Brasil. O livro teve boa aceitação da crítica quando publicado, sob o pseudônimo de<em> Uma Maranhense</em>, mas acabou caindo no esquecimento. Seria redescoberto, em 1962, pelo historiador paraibano Horácio de Almeida (1896-1983) que encontrou, em um sebo carioca, uma edição do romance. Também é autora de <em>Gupeva</em> (1861),<em> Cantos à beira-mar</em> (1871) e <em>A escrava</em> (1887).</p>
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<p style="text-align: center;"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%9Arsula_(romance)#/media/Ficheiro:Ursula_Maria_Firmina_dos_Reis.jpg" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-40628" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/firminaa.jpg" alt="firminaa" width="341" height="521" /></a></p>
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<div id="attachment_40642" style="width: 574px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/720089/11077" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40642" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/firmina2.jpg" alt="Publicador Maranhense, de 1860" width="564" height="322" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/720089/11077" target="_blank"><em>Publicador Maranhense</em>, 9 de agosto de 1860</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">No início da década de 1880, Maria Firmina fundou o que seria a primeira escola gratuita e mista do Brasil, no povoado de Maçaricó, na cidade de Guimarães. Uma das lutas das feministas brasileiras desde o século XIX foi pela igualdade de ensino para as meninas. Pouco depois se aposentou. Em 1888, compôs a letra e a melodia do <cite><a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/mfr_hino_a_liberdade_dos_escravos.pdf" target="_blank">Hino da libertação dos escravos</a>.</cite></p>
<p style="text-align: left;">Faleceu, em 11 de novembro de 1917. Não se identificou, até hoje, um retrato ou uma pintura de Maria Firmina.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40629" style="width: 622px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://jaridarraes.com/o-verdadeiro-rosto-de-maria-firmina-dos-reis/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40629" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/firmina1.jpg" alt="Busto que foi feito em  homenagem a Maria Firmina e que teve como base os depoimentos de pessoas que foram próximas à escritora" width="612" height="448" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://jaridarraes.com/o-verdadeiro-rosto-de-maria-firmina-dos-reis/" target="_blank">Busto que foi feito em homenagem a Maria Firmina e que teve como base os depoimentos de pessoas que foram próximas à escritora</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Em 2019, pela passagem de seu 194º aniversário foi homenageada com um<em> doodle</em> do Google. A ilustração foi criada pelo designer paulista Nik Neves.</p>
<p style="text-align: left;"><img class=" aligncenter" src="https://s2-g1.glbimg.com/nMOsuZ13VrXrp98u6FNXjtYKzn8=/0x0:1062x491/984x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/N/L/ZzJJBASlG8iMZgNyI6Zg/doodle.png" alt="Maria Firmina dos Reis: a mulher negra maranhense que foi pioneira na literatura brasileira — Foto: Divulgação" width="625" height="289" /></p>
<p style="text-align: left;">Em 2021, foi instituído pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Maranhão o Concurso Literário <em>Maria Firmina dos Reis</em>.</p>
<p style="text-align: left;">Foi homenageada na 20ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), de 2022.</p>
<p style="text-align: left;">*Até pouco tempo o dia 11 de outubro de 1825 era tido como o de seu nascimento. Porém<em>, em 21 de julho de 1847, no ofício nº 45, o inspetor da Instrução Pública, declarou que a requerente ao concurso para a cadeira feminina da Vila de São José de Guimarães, Maria Firmina dos Reis, podia ser admitida ao concurso por ter provado ter nascido em 11 de março de 1822, sendo, portanto, maior de 25 anos, conforme a exigência para o exercício docente </em>(<em>CRUZ, 2018</em>).</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Izabel de Souza Matos ou Izabel de Mattos Dillon (1861 &#8211; 1920)</strong></em></span></p>
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<div id="attachment_31604" style="width: 302px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/3835" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31604" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/isabel.jpg" alt="Isabel de Sousa Mattos / A Rua, de 1917" width="292" height="341" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/3835" target="_blank">Izabel de Sousa Mattos ou Izabel de Mattos Dillon /<em> A Rua</em>, 20 de janeiro de 1917</a></p></div>
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<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">A sufragista Izabel de Souza Matos ou Izabel de Mattos Dillon (1861 &#8211; 1920) nasceu na Bahia, em 20 de janeiro de 1861 e concluiu o  curso de Cirurgia Dentária e Prótese pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em maio de 1883 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/5249" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 1º de maio de 1883, sexta coluna</a>). Exerceu a profissão de cirurgiã dentista na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e participou de atividades abolicionistas no Rio Grande (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/225029/2843" target="_blank"><em>Diário do Brazil</em>, 21 de fevereiro de 1884, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/925" target="_blank"><em>A Federação</em>, 4 de dezembro de 1884, última coluna</a>). Casou-se, em fevereiro de 1885, com o também cirurgião-dentista Thomas Cantrell Dillon (1861 &#8211; 1933), futuro cônsul da Grã-Bretanha no Rio Grande do Sul (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/96674" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1926</a>). </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31643" style="width: 818px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Casamento_Isabel_Mattos_e_Thomaz_Dillon.png" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31643" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/isabel4.jpg" alt="Assinaturas de Isabel de Souza Mattos e Thomaz Cantrel Dillon na ocasião de seu casamento em fevereiro de 1884" width="808" height="148" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Casamento_Isabel_Mattos_e_Thomaz_Dillon.png" target="_blank">Assinaturas de Isabel de Souza Mattos e Thomaz Cantrel Dillon na ocasião de seu casamento, em fevereiro de 1884</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Em 1886, quando ainda residia no Rio Grande do Sul, exigiu na Justiça o registro de eleitora, garantido pela </span><a href="https://www.tse.jus.br/servicos-eleitorais/glossario/termos/lei-saraiva" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Lei Saraiva </span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">a todos os brasileiros com título científico. Porém, José Vieira da Cunha, juiz municipal de Rio Grande, negou o pedido <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/8531" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">(</span><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">Correio Paulistano</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 21 de dezembro de 1886, terceira coluna</span></a>). Segundo ela, posteriormente teve o título concedido e votou no candidato republicano Julio Mendonça Moreira (1853 -?), em São José do Norte, no Rio Grande do Sul. Ele havia sido promotor na comarca de Rio Grande e não foi eleito na ocasião &#8211; foi eleito deputado estadual de 1891 a 1895. O fato foi citado por Izabel em um artigo publicado no jornal <a href="http://memoria.bn.br/docreader/236403/3835" target="_blank"><em>A Rua</em>, de 20 de janeiro de 191</a>7; e também pelo deputado Mauricio de Lacerda (1888 &#8211; 1959), este último na sessão da Câmara de 22 de dezembro de 1916 e algumas outras vezes na imprensa (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_01/613" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 18 de setembro de 1928, terceira coluna</a>). Terá sido então Izabel Dillon, na verdade, a primeira eleitora do Brasil, ainda no século XIX?</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31637" style="width: 772px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://imagem.camara.leg.br/dc_20b.asp?selCodColecaoCsv=A&amp;Datain=22/12/1916#/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31637" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/isabel1.jpg" alt="Maurício de Lacerda /  Anais da Câmara, sessão de 22 de dezembro de 1916, página 205." width="762" height="370" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://imagem.camara.leg.br/dc_20b.asp?selCodColecaoCsv=A&amp;Datain=22/12/1916#/" target="_blank">Maurício de Lacerda / Anais da Câmara, sessão de 22 de dezembro de 1916, página 205.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1888, anunciou que abriria um consultório de dentista no Rio de Janeiro, onde foi colaboradora das revistas <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">O Corymbo</span></em> e  <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">A Família</span></em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/848131/536" target="_blank"><em>A Verdade</em>, 29 de novembro de 1888, segunda coluna</a>).</p>
<p>Em 1890, Izabel solicitou a transferência de seu título de eleitor para o Rio de Janeiro, onde voltara a residir, mas José Cesário de Faria Alvim (1839 &#8211; 1903), ministro do Interior, julgou improcedente seu pleito e assim como o de outras mulheres (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/031054/141" target="_blank"><em>A Ordem (MG)</em>, 2 de abril de 1890, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31638" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4252" target="_blank"><img class=" wp-image-31638" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/isabel2.jpg" alt="Revista Illustrada, 29 de março de 1890" width="702" height="294" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4252" target="_blank"><em>Revista Illustrada</em>, 29 de março de 1890</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Ainda em 1890, Izabel concorreu a deputada pela Bahia, mas não se elegeu</span><em><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> (</span></em></span><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> </span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/1379" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">Gazeta de Notícias</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 25 de agosto de 1890, terceira coluna</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">; </span><a href="http://memoria.bn.br/docreader/703842/632" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">Pequeno Jornal (BA)</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">,</span></a><a href="http://memoria.bn.br/docreader/703842/632" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;"> 17 de setembro de 1890, segunda coluna</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">; </span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/479" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">A Família</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 18 de setembro de 1890, última coluna</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">; </span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/211702/336" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">A Lanterna, 22 de dezembro </span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">de 1916, segunda coluna</span><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">;</span></em></a><i><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> </span></i><a href="http://memoria.bn.br/docreader/236403/3835" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;">A Rua</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">, 20 de janeiro de 1917</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">)<em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">.</span></em></span></p>
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<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31623" style="width: 161px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_03/1379" target="_blank"><img class="wp-image-31623 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/dillon.jpg" alt="Gazeta, de 1890" width="151" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_03/1379" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 25 de agosto de 1890</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era opositora de Floriano Peixoto (1839 &#8211; 1895), participou da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2375" target="_blank">Revolta da Armada</a> e foi presa (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/3835" target="_blank"><em>A Rua</em>, 20 de janeiro de 1917</a>). Foi membro do Centro do Partido Operário, criado em 1890 por José Augusto Vinhais (1858 &#8211; 1941); e do Partido Republicano Feminino, fundado em 1910, por Leolinda Daltro (1859 &#8211; 1935).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31644" style="width: 824px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/347906/2811" target="_blank"><img class="wp-image-31644 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/isabel5.jpg" alt="isabel5" width="814" height="526" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/347906/2811" target="_blank">Izabel Dillon e Leolinda Daltro, secretária e presidente do Partido Republicano Feminino, respectivamente, com alunas da Escola Orsina da Fonseca / <em>A Faceira</em>, 16 de novembro de 1917</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1913, sua única filha, Niobe Elisabeth Gonçalves (1893 &#8211; 1913) morreu, grávida de seu quarto filho com o cirurgião-dentista Basílio Gonçalves, seu marido. Houve uma investigação policial por suspeitas de aborto autoinduzido por medicamentos ingeridos por Niobe e também de imperícia médica. O caso repercutiu na imprensa do Rio de Janeiro e ficou conhecido como o <i>Caso da Rua Paraná </i>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/224782/7798" target="_blank"><em>O Século</em>, 11 de fevereiro de 1913, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_02/13027" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 12 de fevereiro de 1913, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/15251" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 25 de janeiro de 1913, quinta coluna</a>).<span style="font-size: 13.3333px;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31642" style="width: 298px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_02/13052" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31642" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/isabel3.jpg" alt="Correio da Manhã, 14 de fevereiro de 1913" width="288" height="543" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_02/13052" target="_blank"><em>Correio da Manhã,</em> 14 de fevereiro de 1913</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Izabel faleceu em 19 de junho de 1920 e foi enterrada como indigente no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro. A educadora <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=23174" target="_blank">Mariana Coelho (1857 &#8211; 1854) </a>mencionou tanto Nísia Floresta como Izabel Dillon em seu artigo <em>O feminismo no Brasil</em>, publicado no <a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_04/37811" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 3 de janeiro de 1937.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><i><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: maroon;">Josephina Alvares de Azevedo (1851 &#8211; 1913),  fundadora do jornal A Família</span></i></strong></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31611" style="width: 265px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/297" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31611" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina1.jpg" alt="Josephina Alvares de Azevedo por L. Amaral / A Família, número especial, 1889" width="255" height="366" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/297" target="_blank">Josephina Alvares de Azevedo por Libânio do Amaral / <em>A Família</em>, número especial, 1889</a></p></div>
<p style="text-align: center;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/299" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-31616" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina21.jpg" alt="josefina2" width="371" height="252" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;O fundamento universal de todos os que opinam contra a nossa emancipação é esse — que a mulher não tem capacidade política. Porque? perguntamos nós, e a essa pergunta não nos dão resposta cabal. Em geral, os casos de incapacidade politica são estes — menoridade, demência, inhabilitações, restriccão de liberdade por pena cominada, etc. etc. A esses addusem os legisladores a «diferença de sexo». Mas em que essa diferença pode constituir razão de incapacidade eleitoral? A mulher educada, instruída, em perfeito uso de suas faculdades mentaes, exercendo com critério as suas funcções na sociedade, é uma personalidade equilibrada, apta para discernir e competente para escolher entre duas idéas aquella que melhor convém. Não pude por conseguinte estar em pé de igualdade com os dementes, com os menores, com os imbecis. Assim sendo, é absurdo o principio de sua incapacidade electiva.&#8221;</em> </span></p>
<p style="text-align: right;">Josephina Alvares de Azevedo</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/281" target="_blank"><em>A Família,</em> 21 de dezembro de 1889</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Também no século XIX, destacou-se na luta pela emancipação feminina a jornalista e literata pernambucana Josephina Alvares de Azevedo (1851 &#8211; 1913), nascida em 5 de maio de 1851, no Recife. Existem até hoje várias lacunas e dúvidas em relação a sua vida pessoal. O local e a data de seu nascimento &#8211; pode ter sido Paraíba, Recife, em Pernambuco, ou Itaboraí, no Rio de Janeiro &#8211; assim como seu grau de parentesco com o do poeta Manoel Antônio Alvares de Azevedo (1831-1852), ainda são incertos. </span>De acordo com Augusto Victorino Blake, autor do Dicionário Bibliográfico Brasileiro, ela seria filha de Ignácio Manoel Alvares de Azevedo (?-1873) e, portanto, irmã, pelo lado paterno, do referido poeta. Porém em um artigo em <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/98" target="_blank"><em>A Família</em>, de 23 de fevereiro de 1889</a>, Josephina se refere ao poeta como primo. Sua mãe era Amália Alvares de Azevedo Cunha (? &#8211; 1896) e, sua avó materna, Emília Amália de Azevedo Coutinho (? &#8211; 1892) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/5280" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 29 de fevereiro de 1892, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/15633" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 16 de maio de 1896, quarta coluna)</a>.</p>
<p>O dia, mês e ano de seu nascimento aqui publicados baseiam-se em uma noticia referente a seu aniversário e nas notícias de seu falecimento, em 1913, onde está indicado que ela tinha 62 anos na ocasião (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/226688/10819" target="_blank"><em>Gazeta da Tarde</em>, 5 de maio de 1890, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/369365/7198" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 5 de maio de 1890, primeira coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/579" target="_blank"><em>A Família</em>, 9 de maio de 1891, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/720100/3437" target="_blank"><em>A Época</em>, 3 de setembro de 1913, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/18655" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 5 de setembro de 1913, última coluna</a>). Em relação ao local, acredito que ela tenha nascido no Recife, conforme seu próprio depoimento em <em>A Família</em>, 7 de dezembro de 1889, descrevendo seu retorno à sua terra natal em julho de 1889. Na ocasião foi à <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=14299" target="_blank">Photographia Ducasble</a>, onde foi retratada. Ainda na cidade, publicou um <a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/297" target="_blank">número especial de <em>A Família</em> </a>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_06/22899" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 23 de julho de 1889, penúltima coluna</a>. De lá, seguiu para o Ceará, onde permaneceu cerca de 10 dias (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/265" target="_blank"><em>A Família</em>, 7 de dezembro de 1889</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/235334/6214" target="_blank"><em>A Constituição</em> (CE), 11 de agosto e 1891, segunda coluna</a>).</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Josephina viveu até 1877, no Recife. Foi fundadora do jornal semanal <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">A Família, </span></em>em 1888 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/1" target="_blank"><i><span style="font-family: 'Georgia',serif;">A Família, </span></i></a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/1" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">18 de novembro de 1888)</span></a><em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">,</span></em> cuja atuação na imprensa brasileira foi importante no período de transição entre o regime monárquico e a República no país. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31663" style="width: 270px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/1" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31663" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina8.jpg" alt="A Família, 18 de novembro de 1888, primeiro número" width="260" height="397" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/1" target="_blank"><em>A Família</em>, 18 de novembro de 1888, primeiro número</a></p></div>
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<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Inicialmente editado em São Paulo e impresso pela tipografia União- São Paulo, o periódico mudou-se para o Rio de Janeiro, em maio de 1889, e circulou ininterruptamente até 1897 &#8211; ficava na Travessa do Barbosa, nº 12 (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/181" target="_blank"><em>A Família</em>, 18 de maio de 1889</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/227668/340" target="_blank"><em>O Jacobino</em>, 5 de junho de 1897, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/15781" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1898</a>). Provavelmente, voltou a circular em 1898, mas logo deixou de existir (<em>A Mensageira</em>, 15 de maio de 1898). Entre as colaboradoras do jornal estavam a escritora baiana Ignez Sabino (1853 &#8211; 1911) e Izabel Dillon (1861 &#8211; 1920), além de estrangeiras como as feministas Guiomar Torrezão (1844-1898), escritora portuguesa; e a francesa Eugénie Potonié Pierre (1844 -1898), fundadora da Federação Francesa das Sociedades Feministas; que enviavam seus textos de seus respectivos países.</span></p>
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<div id="attachment_31660" style="width: 392px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/306" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31660" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina6.jpg" alt="A Família, 16 de janeiro de 1890" width="382" height="273" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/306" target="_blank"><em>A Família</em>, 16 de janeiro de 1890</a></p></div>
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<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Josephina escreveu para <em>A Família</em> diversos artigos em defesa da emancipação feminina a partir da educação, do trabalho, do voto feminino e pelo direito ao divórcio. Desde o início enfrentou resistência, inclusive de mulheres e de instituições católicas, como fica exemplificado na edição do periódico de <a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/49" target="_blank">12 de janeiro de 1889</a>; e também na notícia publicada pelo jornal<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/343951/12227" target="_blank"> <em>O Apóstolo,</em> 28 de março de 1890, primeira coluna.</a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31664" style="width: 330px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/49" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31664" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina9.jpg" alt="A Família, 12 de janeiro de 1889" width="320" height="319" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/49" target="_blank"><em>A Família</em>, 12 de janeiro de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Destacamos os artigos </span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/265" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue;">O Direito ao Voto, </span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">publicado em 7 de dezembro de 188</span>9</a><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">,</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"><em> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/483" target="_blank">O Divórcio</a></em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/483" target="_blank">, de 2 de outubro de 1890</a>; <a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/634" target="_blank"><em>Emancipação da Mulher</em>, de 18 de julho de 1891</a> e <a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/782" target="_blank"><em>A Questão das Mulheres</em>, de 30 de janeiro de 1892</a>. Às vezes, os assinava como Zefa.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31666" style="width: 187px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/830321/3659" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31666" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina11.jpg" alt="Novidade, 17 de junho de 1890" width="177" height="402" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/830321/3659" target="_blank"><em>Novidade</em>, 17 de junho de 1890</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, as mulheres vislumbraram a possibilidade de terem mais participação política. A própria Josephina escreveu no editorial de <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/257" target="_blank"><em>A Família</em>, de 30 de novembro de 1889</a>:</p>
<p><span style="color: #800000;"> <em>&#8220;No fundo escuro e triste do quadro de provações a que votaram a mulher na sociedade, brilhará, com a fulgente aurora da República Brasileira, a luz deslumbradora da nossa emancipação?&#8230;</em><em>Queremos o direito de intervir nas eleições, de eleger e ser eleitas, como os homens, em igualdade de condições. Ou estaremos fora do regime das leis criadas pelos homens, ou teremos também o direito de legislar para todas. Fora disso, a igualdade é uma utopia, senão um sarcasmo atirado a todas nós&#8230;”</em></span></p>
<p>Porém, em 1891, criticou muito o fato de que na primeira Constituição da República, promulgada em 24 de fevereiro de 1891, as mulheres continuarem sendo espectadoras da vida política do país (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/530" target="_blank"><em>A Família</em>, 5 de março de 1891</a>), circunstância retratada no quadro <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/11/pintura-simbolizou-inicio-da-republica-com-juramento-a-constituicao.shtml" target="_blank"><em>Compromisso Constitucional de 1891 </em>(1896)</a><em>,</em> de Aurélio de Figueiredo (1854 &#8211; 1916), onde um grupo de mulheres aparece justamente nesta condição.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31662" style="width: 384px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:CF_-_1891.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31662" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina7.jpg" alt="Aurélio de Figueiredo: Compromisso Constitucional de 1891 " width="374" height="480" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:CF_-_1891.jpg" target="_blank">Aurélio de Figueiredo: Compromisso Constitucional de 1891</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1891, o jornal <em>A Família</em> passou a pertencer à Companhia Imprensa Familiar, mas Josephina permaneceu como sua diretora <em>mental</em> e redatora (<a href="http://memoria.bn.br/pdf/379034/per379034_1891_00101.pdf" target="_blank"><em>A Família</em>, 25 de abril de 1891</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/3080" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 11 de maio de 1891, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/369365/9382" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 19 de julho de 1891, última coluna</a>).</p>
<p>Foi homenageada com a publicação de seu retrato na primeira página de <a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/578" target="_blank"><em>A Família</em>, de 9 de maio de 1891.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31667" style="width: 280px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/578" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31667" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina12.jpg" alt="A Família, 9 de maio de 1891" width="270" height="371" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/578" target="_blank"><em>A Família</em>, 9 de maio de 1891</a></p></div>
<p style="text-align: center;"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/379034/578" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-31668" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina13.jpg" alt="josefina13" width="378" height="513" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Foi autora da comédia <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">O Voto Feminino</span></em>, que estreou no Rio de Janeiro, em 26 de maio de 1890, no Theatro Recreio Dramático,<em> enérgica e vibrante peça de combate em favor dos direitos políticos do bello sexo</em>. Foi encenada pelos atores Antonio Pereira Fontana e Castro, português radicado no Brasil; Germano, Bragança e Pinto; e pelas atrizes Elisa de Castro, Isolina Monclar e Luisa. A peça foi inspirada pelas constantes recusas de alistamento eleitoral feminino, já exemplificado neste artigo pelo caso de Izabel Dillon <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">(</span></em></span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/428" target="_blank"><i><span style="font-family: 'Georgia',serif;">A Família, </span></i></a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/428" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">31 de maio de 1890, primeira coluna).</span></a>  <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">O Voto Feminino </span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">é uma</span> peça emblemática do sufragismo brasileiro em fins do século XIX.</p>
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<div id="attachment_31653" style="width: 667px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/720" target="_blank"><img class=" wp-image-31653" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina4.jpg" alt="O Paiz, 26 de maio de 1890" width="657" height="400" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/720" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 26 de maio de 1890</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Também em 1890, foi encenada sua tradução livre da peça <em>Os Companheiros do Sol</em>, de Paul Jay (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/1245" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 6 de agosto de 1890, penúltima coluna</a>).</p>
<p>A partir de 1892, o número de colaboradoras de <em>A Família</em> e os artigos escritos por Josephina diminuíram muito. Em 1893, foi noticiado que ela estava doente, vitimada pela <em>terrível influenza</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/379034/867" target="_blank"><em>A Família</em>, 17 de maio de 1893</a>). Ela residia na rua da Quitanda (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/6863" target="_blank"><em>Almanak Laemmer</em>t, 1893)</a>.</p>
<p>Em 1896, ofertou à biblioteca do Grêmio Dramático Arthur Azevedo, de São Paulo, 20 obras  (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/818240/4" target="_blank"><em>A Arte</em>, 12 de outubro de 1896, segunda coluna</a>).</p>
<p>Em 1904, foi citada como uma <em>distintíssima</em> escritora brasileira em uma carta aberta da escritora espanhola Eva Canel (1857 &#8211; 1932), <em>Em defesa da mulher brasileira</em>, uma resposta a um artigo da escritora e jornalista argentina Conception Gimeno del Flaquer (1850 &#8211; 1919) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/347949/1727" target="_blank"><em>Il Bersagliere</em>, 5 de maio de 1904, segunda coluna</a>).</p>
<p>Ao longo de sua vida, Josephina publicou três livros: <em>Retalhos </em>(1890), <em><a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/552778/001139208.pdf?sequence=9&amp;isAllowed=y" target="_blank">A Mulher Moderna: trabalhos de propaganda</a> </em>(1891), que dedicou <em>em signal de admiração e respeito</em> à Viscondessa de Leopoldina e à D. Maria José Paranhos Mayrink; <em>e <a href="https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/7738" target="_blank">Galleria illustre (Mulheres célebres) </a></em>(1897)<em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/164" target="_blank">O Paiz, </a></em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/164" target="_blank">2 de fevereiro de 1890, sexta coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/248070/3564" target="_blank"><em>Diário do Commercio</em>, 9 de fevereiro de 1891, penúltima coluna</a>).</p>
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<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina101.jpg"><img class="alignnone  wp-image-31670" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina101.jpg" alt="josefina10" width="335" height="503" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/7738" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-31672" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina15.jpg" alt="josefina15" width="329" height="537" /></a></p>
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<p>Josephina faleceu em 1º de setembro de 1913, <em>viúva</em>, de acordo com as notícias veiculadas na época, no Rio de Janeiro, e foi enterrada no Cemitério de São Francisco Xavier, em 2 de setembro de 1913. Sua irmã, Maria Amelia de Azevedo Costa, e seus filhos, Alfredo e Moacyr Alvares de Azevedo, convidaram para a missa de Sétimo Dia, realizada na Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Dores, em São Cristóvão. Residia na rua Luiz Barbosa, número 102 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/720100/3437" target="_blank"><em>A Época</em>, 3 de setembro de 1913, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/18655" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 5 de setembro de 1913, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31658" style="width: 281px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_03/20707" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31658" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina5.jpg" alt="Jornal do Brasil, 8 de setembro de 1913" width="271" height="271" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_03/20707" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 8 de setembro de 1913</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Comentando sobre a conquista do direito ao voto pelas mulheres inglesas, Antenor Thibau lembrou, em um artigo no <em>Jornal do Brasil</em>, a atuação de Josephina em prol da emancipação feminina no Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_03/55190" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 27 de fevereiro de 1918, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31671" style="width: 196px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_03/55190" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31671" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/josefina14.jpg" alt="Jornal do Brasil, 27 de fevereiro de 1918" width="186" height="404" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_03/55190" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 27 de fevereiro de 1918</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;" align="center"><em><b><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: maroon;">Leolinda Daltro (1859 – 1935), Mariana de Noronha Horta (18? &#8211; 19?) e Mietta Santiago (1903 &#8211; 1995)</span></b></em></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Outra sufragista importante foi a professora, feminista e indigenista baiana Leolinda Daltro (1859 – 1935), fundadora do Partido Republicano Feminino, em 1910. Ela será tema de um artigo futuro da Brasiliana Fotográfica.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31465" style="width: 429px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://medium.com/conceito-ada/a-pioneira-no-feminismo-brasileiro-leolinda-daltro-486029dbe682" target="_blank"><img class="wp-image-31465" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/01/leolinda24.jpg" alt="Leolinda de Figueiredo Daltro" width="419" height="232" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://medium.com/conceito-ada/a-pioneira-no-feminismo-brasileiro-leolinda-daltro-486029dbe682" target="_blank">Leolinda de Figueiredo Daltro</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A professora de Belo Horizonte Mariana de Noronha Horta (18? &#8211; 19?) também teve um atuação relevante na luta pelo voto feminino: em agosto de 1916, encaminhou um requerimento pedindo aos deputados que aprovassem o sufrágio feminino. No acervo de documentos da Câmara Federal, esta é a primeira manifestação formal de uma mulher solicitando direitos políticos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/40274" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 17 de agosto de 1916</a>; <a href="https://www.camara.leg.br/tv/504408-exposicao-sobre-a-luta-das-mulheres-pela-igualdade-politica/?pagina=" target="_blank">Site da Câmara dos Deputados</a>).</p>
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<div id="attachment_31373" style="width: 503px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/40274" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31373" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/01/mariana.jpg" alt="Correio Paulistano, 17 de agosto de 1916" width="493" height="311" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/40274" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 17 de agosto de 1916</a></p></div>
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<p>Eleitora pioneira em Minas Gerais, a escritora e advogada Mietta Santiago (1903 &#8211; 1995), como ficou conhecida Maria Ernestina Carneiro Santiago Manso Pereira, nasceu em Varginha, em 1903, e, aos 11 anos, foi viver na capital mineira, onde estudou na Escola Normal de Belo Horizonte. Casou-se, em 1923, após passar cerca de seis meses na Europa, com o médico João Manso Pereira.</p>
<p>Com apenas 25 anos, em 1928, impetrou um mandado de segurança alegando que o veto ao voto das mulheres seria contrário ao artigo 70 da Constituição Brasileira de 24 de fevereiro 1891, então em vigor (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/35453" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 16 de setembro de 1928, quarta coluna</a>; (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_01/613" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 18 de setembro de 1928, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/35546" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de setembro de 1928</a>).</p>
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<div id="attachment_31755" style="width: 194px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/35453" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31755" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/mietta4.jpg" alt="Mietta Santiago / O Paiz, 16 de setembro de 1928" width="184" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/35453" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 16 de setembro de 1928</a></p></div>
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<p>Tornou-se eleitora e candidatou-se a deputada federal, mas não conseguiu se eleger. O fato, uma verdadeira audácia para a época, mereceu versos do poeta, também mineiro, Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987):</p>
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<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/mietta.jpg"><img class="  wp-image-31591 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/mietta.jpg" alt="mietta" width="362" height="370" /></a></p>
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<p>Além disso, Mietta fundou a Liga de Eleitoras Mineiras. Era amiga de políticos como Getulio Vargas (1882 &#8211; 1954) e Tancredo Neves (1910 &#8211; 1985) e de escritores como o memorialista Pedro Nava (1903 &#8211; 1984) e o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987). Como escritora, publicou as obras <em>Namorada da Deus</em> (1936), <em>Maria Ausência</em> (1940); e, em 1981, <em>Uma consciência unitária para a humanidade</em> e <em>As 7 poesias. </em>Faleceu, em 1995, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Em 2017, foi instituída a Medalha Mietta Santiago, condecoração concedida anualmente pela Secretaria da Mulher e pela Presidência da Câmara de Deputados (<a href="https://www.camara.leg.br/noticias/862420-camara-entrega-medalha-mietta-santiago-para-mulheres-que-se-destacam-na-defesa-dos-direitos-femininos/" target="_blank">Site da Câmara de Deputados</a>).</p>
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<p style="text-align: center;" align="center"><strong><i><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: maroon;">Outras sufragistas brasileiras de destaque</span></i></strong></p>
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<p>Outras feministas destacadas na luta pelo voto feminino foram a urbanista, arquiteta e engenheira mato-grossense <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22326" target="_blank">Carmen Portinho (1903 &#8211; 2001)</a>, a sindicalista alagoana <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22708" target="_blank">Almerinda Farias Gama (1899 &#8211; 1999)</a>, a advogada mineira <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19943" target="_blank">Elvira Komel (1906 &#8211; 1932)</a>, <span style="color: #333399;"><a style="color: #333399;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21588">Maria Prestia (? – 1988)</a>,</span> líder de um minoritário grupo de feministas de São Paulo; <span style="color: #333399;"><a style="color: #333399;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16746">Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972)</a></span>, uma das pioneiras no jornalismo, na educação e no feminismo no Rio Grande do Norte; e a advogada gaúcha <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20151" target="_blank">Natércia da Cunha Silveira (1905 &#8211; 1993)</a>. Todas já foram temas de artigos publicados na Brasiliana Fotográfica.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5028" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5028/BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNG_FOT_0004_017__TTO.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="518" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5028" target="_blank">Excursão das participantes do II Congresso Internacional Feminista ao Recreio dos Bandeirantes no Rio de Janeiro, junho de 1931. Bertha Lutz está em pé e é a terceira, da direita para a esquerda. Carmen está sentada e é a terceira, também da direita para a esquerda. Almerinda Gama está sentada, a primeira da esquerda para a direita. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
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<div id="attachment_19978" style="width: 320px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=348970_03&amp;pagfis=6039" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19978" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/07/elvira2.jpg" alt="A Noite, 7 de outubro de 1931" width="310" height="543" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=348970_03&amp;pagfis=6039" target="_blank"><em>Elvira Komel / A Noite,</em> 7 de outubro de 1931</a></p></div>
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<div id="attachment_31609" style="width: 133px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=090972_10&amp;pagfis=6876" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31609" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/prestia.jpg" alt="Correio Paulistano, 1º de julho de 1951" width="123" height="299" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=090972_10&amp;pagfis=6876" target="_blank">Maria Préstia<em> / Correio Paulistano</em>, 1º de julho de 1951</a></p></div>
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<div id="attachment_31311" style="width: 311px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memorial.al.rn.leg.br/index.php/pioneirismo-da-mulher" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31311" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/01/julia.jpg" alt="Julia Alves Barbosa votando em abril de 1928. Rio Grande do Norte " width="301" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">J<a href="http://memorial.al.rn.leg.br/index.php/pioneirismo-da-mulher" target="_blank">ulia Medeiros votando em 5 de abril de 1928. Natal, Rio Grande do Norte /<em> O Paiz</em>, 4 de novembro de 1928</a></p></div>
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<p>Meses após à conquista do voto das mulheres no Brasil, ainda em 1932, Natércia e Bertha foram nomeadas para integrar a comissão para elaborar o anteprojeto da nova Constituição (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/12492"><em>Correio da Manhã</em>, 14 de julho de 1932, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/12552"><em>Correio da Manhã</em>, 19 de julho de 1932, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/160733/362"><em>Brasil Feminino</em>, dezembro de 1932</a>). Em 1934, o sufrágio feminino estava contemplado na Constituição Federal.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6472" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6472/BR_RJANRIO_Q0_ADM_CPA_COS_FOT_0001_m0001de0001.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="526" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6472" target="_blank">Membros da Comissão Elaboradora do Anteprojeto da Constituição de 1934, 11 de setembro de 1932. Bertha Lutz, primeira mulher, da esquerda para a direita, e Natércia da Cunha Silveira. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
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<p>Sobre a importância da conquista do sufrágio feminino, em entrevista, Carmen Portinho declarou que ela deveria ser um estímulo para outros avanços: <em>“Obtivemos a nossa emancipação política, mas esse direito assim isolado, de que nos serve?”</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/14103"><em>A Noite</em>, 17 de agosto de 1933, última coluna</a>).</p>
<p>Cerca de seis meses antes da assinatura do <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-21076-24-fevereiro-1932-507583-publicacaooriginal-1-pe.html" target="_blank">Decreto nº 21.076</a>, o jornal <a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=175102&amp;pagfis=4169" target="_blank"><em>A Batalha</em>, de 13 de setembro de 1931</a>, publicou uma reportagem intitulada <em>A nova legislação eleitoral e o voto feminino, </em>com a história do movimento feminista no Brasil, onde a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26964" target="_blank">Federação Brasileira pelo Progresso Feminino</a>, dirigido por Bertha, a União<em> </em>Universitária Feminina, sob a direção de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22326" target="_blank">Carmen Portinho (1903 &#8211; 2001)</a>; e a Aliança Nacional de Mulheres, liderado por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20151" target="_blank">Natércia da Cunha Silveira (1905 &#8211; 1993)</a>, foram citadas como importantes iniciativas para a emancipação da mulher no país. Na matéria foi publicada também a lista dos países onde as mulheres já possuíam direito ao voto e comentada a liderança do Rio Grande do Norte na concessão de direitos políticos às mulheres, por intermédio do governador Juvenal Lamartine de Faria (1874 – 1956). Foi transcrito também o discurso proferido por Ruy Barbosa (1849 – 1923) no <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25489" target="_blank">Teatro Lyrico</a> em apoio à causa feminina<em> </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/175102/4169" target="_blank"><em>A Batalha</em>, 13 de setembro de 1931</a>).</p>
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<div id="attachment_31317" style="width: 438px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/175102/4169" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31317" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/01/batalha.jpg" alt="Capa do jornal A Batalha, 13 de setembro de 1931" width="428" height="654" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/175102/4169" target="_blank">Capa do jornal <em>A Batalha,</em> 13 de setembro de 1931</a></p></div>
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<p>Em 1933, houve eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, e as mulheres puderam votar e terem seus votos reconhecidos pela primeira vez. A primeira mulher eleita foi Carlota Pereira de Queiróz (1892 – 1992), em São Paulo.</p>
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<div id="attachment_31572" style="width: 429px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/120588/6346" target="_blank"><img class="wp-image-31572 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/carlota.jpg" alt="A Noite Illustrada, 16 de fevereiro de 1935" width="419" height="490" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/120588/6346" target="_blank">Carlota Pereira de Queiróz<em> / A Noite Illustrada</em>, 16 de fevereiro de 1935</a></p></div>
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<p>Outra pioneiras, eleitas deputadas um ano depois, em 1934, foram Antonieta de Barros (1901-1952), a primeira deputada negra do Brasil, em Santa Catarina;<span style="color: #ff0000;"> <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21354" target="_blank">Bertha Lutz (1894 – 1976)</a><span style="color: #333333;">, no Rio de Janeiro;</span> <span style="color: #000000;">Zuleide Bogéa (1897 &#8211; 1984) e Hildenê Gusmão Castelo Branco (c. 1910 &#8211; ?), e Rosa Castro, cuja eleição foi impugnada, no Maranhão; </span></span>Maria José Salgado Lages, conhecida como Lili Lages (1907-2003), em Alagoas, Maria do Céu Pereira Fernandes (1910 -2001), no Rio Grande do Norte; <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=24659" target="_blank">Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 &#8211; 2001)</a>, na Bahia; <a href="Maria%20de Miranda Leão (1887 – 1976)" target="_blank">Maria de Miranda Leão  (1887-1976)</a>, no Amazonas; Quintina Diniz de Oliveira Ribeiro (1878 &#8211; 1942), em Sergipe; <span style="color: #000000;">Maria Theresa Nogueira de Azevedo (1889-1966), Maria Theresa Silveira de Barros Camargo (1894-1975), Alayde Pinheiro Borba (?-?), e Carlota Pereira de Queiróz (1892 – 1992) por São Paulo. </span></p>
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<div style="width: 225px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://elaspolitica.com.br/wp-content/uploads/2024/07/zuleide-f.-bogea-1929-215x300.png" alt="" width="215" height="300" /><p class="wp-caption-text"><a href="https://elaspolitica.com.br/index.php/2024/07/27/zuleide-violeta-fernandes-bogea/" target="_blank">Zuleide Bogéa (1897 &#8211; 1984)</a></p></div>
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<div id="attachment_31575" style="width: 409px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_03/3421" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31575" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/bertha.jpg" alt="Bertha Lutz / Revista da Semana, 27 de junho de 1931" width="399" height="482" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_03/3421" target="_blank">Bertha Lutz / <em>Revista da Semana</em>, 27 de junho de 1931</a></p></div>
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<div id="attachment_31576" style="width: 355px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/120588/6346" target="_blank"><img class="wp-image-31576 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/marialuiza.jpg" alt="marialuiza" width="345" height="351" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/120588/6346" target="_blank">Maria Luiza Dória Bittencourt / <em>A Noite Illustrada</em>, 16 de fevereiro de 1935</a></p></div>
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<div id="attachment_31573" style="width: 125px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/120588/6346" target="_blank"><img class="wp-image-31573 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/lili.jpg" alt="lili" width="115" height="408" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/120588/6346" target="_blank">Lili Lages<em> / A Noite Illustrada</em>, 16 de fevereiro de 1935</a></p></div>
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<div id="attachment_31574" style="width: 240px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/120588/6346" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31574" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/quintina.jpg" alt="A Noite Illustrada, 16 de fevereiro de 1935" width="230" height="257" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/120588/6346" target="_blank">Quintina Diniz de Oliveira<em> / A Noite Illustrada</em>, 16 de fevereiro de 1935</a></p></div>
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<div id="attachment_31583" style="width: 196px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/067822/5301" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31583" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/maria.jpg" alt="Maria de Miranda Leão / Beira-mar, 31 de maio de 1936" width="186" height="471" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/067822/5301" target="_blank">Maria de Miranda Leão / <em>Beira-Mar,</em> 31 de outubro de 1936</a></p></div>
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<div style="width: 282px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://blogcarlossantos.com.br/wp-content/uploads/2019/02/Maria-do-C%C3%A9u-Fernandes-Primeira-deputada-estadual-do-pa%C3%ADs-em-1935.jpg" target="_blank"><img src="https://blogcarlossantos.com.br/wp-content/uploads/2019/02/Maria-do-C%C3%A9u-Fernandes-Primeira-deputada-estadual-do-pa%C3%ADs-em-1935.jpg" alt="" width="272" height="421" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://blogcarlossantos.com.br/wp-content/uploads/2019/02/Maria-do-C%C3%A9u-Fernandes-Primeira-deputada-estadual-do-pa%C3%ADs-em-1935.jpg" target="_blank">Maria do Céu Fernandes/ Fundação José Augusto</a></p></div>
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<div id="attachment_39260" style="width: 425px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/120588/6346" target="_blank"><img class="wp-image-39260 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/alaide1.jpg" alt="alaide" width="415" height="519" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/120588/6346" target="_blank">Alayde Borba / <em>A Noite Illustrada,</em> 16 de fevereiro de 1935</a></p></div>
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<div id="attachment_39384" style="width: 745px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=389523" target="_blank"><img class="wp-image-39384 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/02/deputadas.jpg" alt="deputadas" width="735" height="383" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=389523" target="_blank">Maria Teresa de Barros Camargo e Maria Theresa Nogueira de Azevedo</a></p></div>
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<p>A primeira deputada estadual negra do Brasil foi <span class="il">Antonieta</span> de Barros (1901 &#8211; 1952), em Santa Catarina, em 1934 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/711497x/41022" target="_blank"><em>República</em> (SC), 17 de janeiro de 1935</a>). Foi eleita como suplente do Partido Liberal Catarinense, mas como Leônidas Coelho de Souza não tomou posse por ter sido nomeado prefeito de Caçador, ela assumiu a titularidade do mandato entre 1935 e 1937. Filha de escrava liberta, jornalista e professora, <span class="il">Antonieta</span> foi pioneira no combate à discriminação dos negros e das mulheres. Acreditava que a educação era a chave para a emancipação social. Em Santa Catarina, sua proposta de criação do Dia do Professor em 15 de outubro foi aprovada em 1948 e, posteriormente, em1963, foi estendida a todo o Brasil. Fundou e dirigiu o jornal <i>A Semana</i> entre os anos de 1922 e 1927. Dirigiu, em 1930, a revista quinzenal <i>Vida Ilhoa </i>e escrevia artigos para jornais. Com o pseudônimo de <em>Maria da Ilha</em>, escreveu, em 1937, <i>Farrapos de Ideias. </i>Em 5 de janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou sua inclusão no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.</p>
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<div style="width: 460px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2023/07/11/quem-foi-antonieta-de-barros.htm" target="_blank"><img src="https://conteudo.imguol.com.br/c/entretenimento/d9/2021/03/12/antonieta-de-barros-1901-1952-primeira-mulher-negra-eleita-deputada-no-pais-1615576712262_v2_450x600.png" alt="Antonieta de Barros (1901-1952), primeira mulher negra eleita deputada no país - Udesc/Divulgação" width="450" height="600" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2023/07/11/quem-foi-antonieta-de-barros.htm" target="_blank">Antonieta de Barros (1901 &#8211; 1952)</a></p></div>
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<p>Nas eleições de outubro de 2022 no Brasil, o número de mulheres que tiveram suas candidaturas registradas junto à Justiça Eleitoral foi de 9.415, 33,28% do total de políticos elegíveis &#8211; 91 mulheres foram eleitas a deputadas federais e quatro para o Senado. As mulheres representavam 53% do eleitorado do país &#8211; 82 milhões de votantes. Há ainda um longo caminho a percorrer.</p>
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<div id="attachment_31240" style="width: 290px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.camara.leg.br/midias/file/2020/11/voto-feminino-brasil-2ed-marques.pdf" target="_blank"><img class=" wp-image-31240" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/01/votofeminino.jpg" alt="O voto feminino no Brasil por Teresa Cristina de Novaes Marques" width="280" height="220" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.camara.leg.br/midias/file/2020/11/voto-feminino-brasil-2ed-marques.pdf" target="_blank"><em>O voto feminino no Brasil</em> por Teresa Cristina de Novaes Marques</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>O Rio Grande do Norte e a vanguarda do voto feminino</strong></em></span></p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6648" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6648/BR_RJANRIO_Q0_ADM_CPA_VFE_FOT_0012_m0001de0001.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="" width="700" height="488" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6648" target="_blank">Juvenal Lamartine de Faria, governador do Estado do Rio Grande do Norte, e sufragistas, 1928. Natal, Rio Grande do Norte / Acervo Arquivo Nacional </a></p></div>
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<p>Em 1927, houve uma eleição no Rio Grande do Norte e Juvenal Lamartine de Faria (1874 &#8211; 1956), que havia renunciado ao Senado, concorreu ao governo de seu estado e venceu o pleito. Tomou posse em 1º de janeiro de 1928. Foi necessário realizar eleições complementares para a escolha de um novo senador. Juvenal apoiava a causa do voto das mulheres. Em 25 de outubro de 1927, ainda durante o governo de José Augusto Bezerra de Medeiros, passou a vigorar a Lei Estadual nº 660, com a emenda <em>Regular o Serviço Eleitoral do Estado</em>, que estabelecia a não distinção de sexo para o exercício do sufrágio e, tampouco, como condição básica de elegibilidade.</p>
<p>Há uma polêmica em torno da primeira eleitora do Brasil na historiografia do feminismo no Brasil no século XX: a natalense e professora Júlia Alves Barbosa Cavalcanti (1898 &#8211; 1943) requereu seu alistamento eleitoral no dia 22 de novembro de 1927, porém, dada à sua condição de solteira, o juiz da 1ª vara da Capital retardou o deferimento de seu pleito, que só foi publicado, no Diário Oficial do Estado, no dia 1º de dezembro do mesmo ano. Em 25 de novembro de 1927, a professora Celina Guimarães Viana (1890 &#8211; 1972), de Mossoró, deu entrada em uma petição, requerendo sua inclusão na lista de eleitores, que foi aprovada rapidamente, pelo fato de ser casada com um advogado e professor (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/32179" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 2 de dezembro de 1927, primeira coluna</a>). Reivindicando o voto das mulheres, a escritora cearense Rachel de Queiroz (1910 &#8211; 2003), com apenas 17 anos, escreveu o artigo <em>Essa questão do voto feminino</em>, publicado no jornal <em>A Jandaia</em>, em 14 de janeiro de 1928. As eleições municipais foram realizadas no dia 5 de abril de 1928, mas os votos das eleitoras foram anulados porque o Senado não reconheceu o direito de voto das mulheres.</p>
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<div id="attachment_31310" style="width: 713px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2020/10/23/alistamento-da-primeira-eleitora-brasileira-completa-93-anos-no-domingo" target="_blank"><img class=" wp-image-31310" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/01/celina.jpg" alt="Celina votando em 1928 / Foto da BBC" width="703" height="393" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2020/10/23/alistamento-da-primeira-eleitora-brasileira-completa-93-anos-no-domingo" target="_blank">Celina Guimarães Viana votando em abril de 1928. Mossoró. Rio Grande do Norte </a></p></div>
<p><img class=" aligncenter" src="http://memorial.al.rn.leg.br/images/pagebuilder/mulheres/juliabarbosa.jpg" alt="" /></p>
<p>Júlia Alves Barbosa Cavalcanti foi eleita para a Câmara Municipal de Natal.</p>
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<div style="width: 233px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memorial.cmnat.rn.gov.br/2018/05/25/participacao-feminina/" target="_blank"><img src="https://memorial.cmnat.rn.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/JuliaDestaque.jpg" alt="" width="223" height="159" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memorial.cmnat.rn.gov.br/2018/05/25/participacao-feminina/" target="_blank">Júlia Alves Barbosa Cavalcanti</a></p></div>
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<p>“<em>Apesar de, do ponto de vista eleitoral, o estado do Rio Grande do Norte ter reconhecido esta igualdade, faltava, porém, a concretização do “voto de saias”, o que ocorreu nas eleições municipais realizadas no dia 05 de abril de 1928. Em Natal votaram Antônia Fontoura, Carolina Wanderley, Júlia Barbosa e Lourdes Lamartine. Em Mossoró, além de Celina Guimarães, votaram Beatriz Leite e Eliza da Rocha Gurgel. Em Apodi as primeiras eleitoras foram Maria Salomé Diógenes e Hilda Lopes de Oliveira. Em Pau dos Ferros, Carolina Fernandes Negreiros, Clotilde Ramalho, Francisca Dantas e Joana Cacilda Bessa. Ainda em Caicó e Acari, respectivamente, Júlia Medeiros e Martha Medeiros. Além de votar, algumas mulheres, a exemplo de Júlia Alves Barbosa em Natal e Joana Cacilda de Bessa em Pau dos Ferros,  foram também eleitas para o cargo de intendente municipal, equivalente a vereador atualmente</em>.<sup>“</sup></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://www.tre-rn.jus.br/o-tre/centro-de-memoria/os-80-anos-do-voto-de-saias-no-brasil-tre-rn" target="_blank">Centro de Memória do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte</a></p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6581" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6581/BR_RJANRIO_Q0_ADM_CPA_VFE_FOT_0023_m0001de0001.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="434" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6581" target="_blank">Banquete oferecido no Hotel Glória à Júlia Barbosa, pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, 23 de junho de 1928. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><strong><a style="color: #800000;" href="https://www.camara.leg.br/internet/agencia/infograficos-html5/a-conquista-do-voto-feminino/linha-do-tempo.html" target="_blank">Acesse aqui a linha do tempo da conquista do voto feminino publicada no portal da Câmara dos Deputados</a></strong></span></p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Alguns países e o ano da aprovação do voto feminino</strong></em></span></p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>1893</strong></span> &#8211; Nova Zelândia</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1902</strong></span> &#8211; Austrália</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1906</strong></span> &#8211; Finlândia</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1907</strong> &#8211;  <span style="color: #000000;">Noruega</span></span></p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1915</span> </strong>- Dinamarca e Islândia</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1917</strong> </span>- Rússia</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1918</strong></span> &#8211; Áustria, Alemanha, Polônia, Lituânia, Reino Unido e Irlanda</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1</strong><strong>920</strong> </span>- Estados Unidos</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1929</strong></span> &#8211; Equador</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1931</strong></span><span style="color: #000000;"> &#8211; Espanha e Portugal (com limitações). Na Espanha, o direito foi suspenso em 1936 e só voltou a vigorar em 1977.</span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1932</strong></span> &#8211; Brasil e Uruguai</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1934</strong> </span>- Turquia</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1944</strong> </span>- França</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1945</strong></span> &#8211; Itália e Japão</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1947</strong> </span>- Argentina e Índia</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1952</strong></span> &#8211; Grécia</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1953</strong> </span>- China e México</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1955</span></strong> &#8211; Honduras</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1956</strong> </span>- Egito</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1962</strong> </span>- Bahamas e Mônaco</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1970</strong></span> &#8211; Andorra</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1971</strong></span> &#8211; Suíça</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1980</strong></span> &#8211; Iraque</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1994</strong></span> &#8211; Omã</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>2015</strong></span> &#8211; Arábia Saudita</p>
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<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<div class="entry-content">
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
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<p>Este artigo foi atualizado em 27 de março de 2025.</p>
<p><strong><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: maroon;">Fontes:</span></strong></p>
<p style="text-align: left;">ARAÚJO, Rita de Cássia de. <em><a href="https://www.scielo.br/j/ea/a/GQWfhjFfsYHNDdTbhq54JZd/" target="_blank">O voto de saias: a Constituinte de 1934 e a participação das mulheres na política</a>. </em><span class="_articleBadge">Mulher, mulheres</span><span class="_separator"> • </span><span class="_editionMeta">Estud. av. 17 (49) <span class="_separator">• </span>Dez 2003</span></p>
<p>BARBOSA, Lia Pinheiro; MAIA, Vinicius Madureira. <a href="https://www.scielo.br/j/ref/a/wLRjhncvmSsYPqQgWjByYPy/?lang=pt" target="_blank"><em>Nísia Floresta e ainda a controvérsia da tradução de Direitos das mulheres e injustiça dos homens.</em></a> <i>Revista Estudos Feministas, <span class="_editionMeta">28 (2)</span></i><span class="_editionMeta">,</span><span class="_editionMeta"><span class="_separator"> </span>2020</span>.</p>
<p>BARP, Guilherme. <em><a id="article-126940" href="https://seer.ufrgs.br/index.php/NauLiteraria/issue/view/4436" target="_blank">A luta de Josefina Álvares de Azevedo pelos direitos das mulheres em A mulher moderna (1891)</a>. Nau Literária, Vol. 18, n. 01 (2022) &#8211; Dossiê: Racismo, sexismo e Direitos Humanos. </em>Organizado pela Profa. Dra. Regina Zilberman (UFRGS), 5 de setembro de<span class="label"> </span><span class="value">2022.</span></p>
<p><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-53411587?at_custom2=facebook_page&amp;at_medium=custom7&amp;at_custom1=%5Bpost+type%5D&amp;at_custom4=378E7E92-9E0C-11EB-8EC4-2FCC96E8478F&amp;at_campaign=64&amp;at_custom3=BBC+Brasil" target="_blank">BBC News Brasil</a></p>
<p style="text-align: left;"><a href="https://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/2022/10/27/flip-2022-homenageia-maria-firmina-dos-reis-pioneira-na-literatura-antiescravista-no-brasil.ghtml" target="_blank">Cadernos do Mundo Inteiro</a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">CAMPOI, Isabela Candeloro. </span><a href="https://www.scielo.br/j/his/a/rxXDkxX8hshjGT9vsDwbndx/?format=pdf&amp;lang=pt" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue;">O livro “Direitos das mulheres e injustiça dos homens” de Nísia Floresta: literatura, mulheres e o Brasil do século XIX</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">.</span></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> História (São Paulo) v.30, n.2, p. 196-213, ago/dez 2011.</span></p>
<p><a href="https://educacaointegral.org.br/reportagens/nisia-floresta/" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Centro de Referências em Educação Integral</span></a></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">COELHO, Catarina Alves. </span><a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8160/tde-04092019-161315/publico/2019_CatarinaAlvesCoelho_VCorr.pdf" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue;">Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens: a tradução utópico-feminista de Nísia Floresta</span></em></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">. Dissertação (Mestrado) &#8211; Faculdade de filosifia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2019.</span></p>
<p>CORREA E SILVA, Laila. <a href="https://bibliotecadigital.tse.jus.br/xmlui/bitstream/handle/bdtse/5439/2018_silva_direito_voto_feminino.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y" target="_blank"><em>O direito ao voto feminino no século XIX brasileiro: a atuação política de Josephina Álvares de Azevedo (1851-1913).</em></a> Aedos, Porto Alegre, v. 10, n. 23, p. 114-131, Dez. 2018.</p>
<p>CRUZ, Marileia dos Santos; MATOS, Érica de Lima; SILVA, Ediane Holanda. <em><a href="http://www.hottopos.com/notand48/151-166Marileia.pdf" target="_blank">“Exma. Sra. d. Maria Firmina dos Reis, distinta literária maranhense”: a notoriedade de uma professora afrodescendente no século XIX</a>. </em>Notandum 48 set-dez 2018 CEMOrOc-Feusp / Universidade Autônoma de Barcelona</p>
<p>DUARTE, Constância Lima. <a href="https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/matraga/article/view/27780/19904" target="_blank"><em>As viagens e o discurso autobiográfico de Nísia Floresta</em></a>. Matraga, Rio de Janeiro, v.16, n.25, jul./dez. 2009.</p>
<p>DUARTE, Constância Lima. <em>Imprensa feminina e feminista no Brasil: século XIX</em> . Belo Horizonte: Autêntica, 2016.</p>
<p>DUARTE, Constância Lima. <em>Narrativas de viagem de Nísia Floresta</em>. Via Atlântica, n. 2 jul. 1999.</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">DUARTE, Constância Lima. </span><a href="https://periodicos.fundaj.gov.br/CIC/article/view/682/446" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue;">Nísia Floresta: Incompreensão em relação à sua genialidade</span></em></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">. Ciência &amp; Trópico, Recife, v. 26, n. 2, p. 253-260,julho /dez, 1998. </span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">DUARTE, Constância Lima. <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Nísia Floresta: a primeira feminista do Brasil</span></em>. Florianópolis: Editora Mulheres, 2005.</span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">DUARTE, Constância Lima. <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Nísia Floresta: vida e obra</span></em>. Natal: Editora Universitária/UFRN, 1995.  </span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">FLORESTA , Nísia. </span><a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/562126/Opusculo_humanitario.pdf?sequence=5&amp;isAllowed=y" target="_blank"><i><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Opúsculo humanitário</span></i></a><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> / Nísia Floresta</span></em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;"> ; prefácio Maria da Conceição Lima Alves ; notas Maria Helena de Almeida Freitas, Mônica Almeida Rizzo Soares. – Brasília : Senado Federal, 2019</span></p>
<p style="text-align: left;"><a href="https://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/2022/10/27/flip-2022-homenageia-maria-firmina-dos-reis-pioneira-na-literatura-antiescravista-no-brasil.ghtml" target="_blank">G1, 27 de outubro de 2022</a></p>
<p style="text-align: left;"><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/quem-e-maria-firmina-dos-reis-homenageada-no-doodle-do-google-neste-11-10" target="_blank">Guia do Estudante</a></p>
<p>HAHNER, June E. <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">A mulher brasileira e suas lutas sociais e políticas: 1850-1937</span></em>. São Paulo: Brasiliense, 1981.</p>
<p>HALLEWELL, Laurence. (2005). <a class="external text" href="https://books.google.com.br/books?id=0b6ZYWrQtnsC&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR#v=onepage&amp;q=%22publica%C3%A7%C3%A3o%20do%20Recife%22&amp;f=false" rel="nofollow"><i>O livro no Brasil: sua historia</i></a>. São Paulo : Edusp, 2055.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</span></a></p>
<p><span style="font-family: Georgia, serif;">ITAQUI, Antônio Carlos de Oliveira.<a href="https://bibliodigital.unijui.edu.br:8443/xmlui/bitstream/handle/123456789/2730/NISIA%20FLORESTA%20PDF.pdf?sequence" target="_blank"> <em>Nísia Floresta: ousadia de uma feminista no Brasil do século XIX</em></a>. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Licenciatura Plena em História, do Departamento de Humanidades e Educação da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, 2013.</span></p>
<p>KARAWEJCZYK, Monica. <em>Mulher Deve Votar? O Código Eleitoral de 1932 e a Conquista do Sufrágio Feminino através das páginas dos jornais Correio da Manhã e A Noite</em>. São Paulo : Paco Editorial, 2019.</p>
<p>LEMES, Camila Assis. <em>O jornal Familia e o debate sobre o voto feminino nos primeiros anos da república brasileira</em>. XIV Encontro Regional de História. UEPR, 2014.</p>
<p>LUCA, Leonora de. <a href="https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/211123" target="_blank"><em>A mensageira: uma revista de mulheres escritoras na modernização bra-sileira</em></a>. 1999. 581 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Curso de Mestrado em Sociologia, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1999.</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">MARQUES, Teresa Cristina de Novaes. <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">O voto feminino do Brasil</span></em>. Brasília : Edições Câmara, 2019.</span></p>
<p>MELO, Ezilda. <em><a href="https://emporiododireito.com.br/leitura/nisia-floresta-uma-mulher-a-frente-do-seu-tempo" target="_blank">Nísia Floresta: uma mulher à frente de seu tempo</a>.</em> Empório do Direito, 19 de novembro de 2015.</p>
<p><a href="https://memorial.cmnat.rn.gov.br/2018/05/25/participacao-feminina/" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Memorial Legislativo &#8211; Câmara Municipal de Natal</span></a></p>
<p style="text-align: left;">MARRA, Laissa. <a href="https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/35005/1/A%20NARRATIVA%20DE%20MARIA%20FIRMINA%20DOS%20REIS%20-%20na%C3%A7%C3%A3o%20e%20colonialidade.pdf" target="_blank"><em>A narrativa de Maria Firmina dos Reis: nação e colonialidade</em></a>. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Doutora em Letras: Estudos Literários, 2020.</p>
<p style="text-align: left;">MENDES, Algemira Macedo. <a href="https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2230" target="_blank"><em>Maria Firmina dos Reis e Amélia Beviláqua na história da literatura brasileira: representação, imagens e memórias nos séculos XIX e XX.</em></a> Tese apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em Letras, na área de concentração de Teoria da Literatura. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: left;">MUZART, Zahidé Lupinacci (Org.). <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Escritoras brasileiras do século XIX: antologia</span></em>. 2. ed. vol. II. Florianópolis: Editora Mulheres; Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2000.</p>
<p style="text-align: left;">OLIVEIRA, Ellen dos Santos (organizadora). <em>200 anos de Maria Firmina dos Reis, primeira educadora e escritora negra do Brasil</em>. SERGIPE : J. Alves Editora e Livraria, 2022.</p>
<p>PACHECO, Maria da Glória Costa. <a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/admin,+360-1209-1-CE.pdf" target="_blank"><em>GÊNERO E POLÍTICA: conquista e repercussão do voto feminino no Maranhão (1900-1934)</em></a>. Outros Tempos, www.outrostempos.uema.br, ISSN 1808-8031, Vol. 1 esp., 2007, p. 46-63</p>
<p>PALLARES-BURKE, Maria Lúcia Garcia. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/9/10/mais!/3.html" target="_blank"><em>Pela liberdade das mulheres</em></a>. <i>Mais! Folha de São Paulo</i>, 10 de setembro de 1995.</p>
<p><a href="https://www.camara.leg.br/tv/504408-exposicao-sobre-a-luta-das-mulheres-pela-igualdade-politica/?pagina=" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Portal da Câmara dos Deputados</span></a></p>
<p style="text-align: left;"><a href="https://www.geledes.org.br/maria-firmina-dos-reis-sofreu-muito-preconceito-mas-foi-a-primeira-romancista-brasileira/" target="_blank">Portal Geledés</a></p>
<p style="text-align: left;"><a href="Pontifícia%20Universidade Católica do Rio Grande do Sul " target="_blank">Portal Literafro</a></p>
<p><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/08/26/candidaturas-femininas-crescem-mas-representacao-ainda-e-baixa" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Portal do Senado</span></a></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">RIBEIRO, Antônio Sérgio. </span><a href="https://www.al.sp.gov.br/alesp/biblioteca-digital/obra/?id=277" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue;">A mulher e o voto</span></em></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">. São Paulo: ALESP, 2012.</span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">SABINO, Ignez. <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Mulheres Illustres do Brazil</span></em>. Edição fac-similar. Florianópolis: Editora das Mulheres, 1996.</span></p>
<p>SANTOS, Renata Carolina Pereira dos.<a href="https://dspace.unila.edu.br/server/api/core/bitstreams/d2f2e543-2e64-4067-bcd3-c4edecba62e5/content" target="_blank"> </a><em><a href="https://dspace.unila.edu.br/server/api/core/bitstreams/d2f2e543-2e64-4067-bcd3-c4edecba62e5/content" target="_blank">“Às Urnas, Cidadãs”: O voto feminino nas páginas do Boletim da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (1934-1935)</a>. INSTITUTO LATINO-AMERICANO DE ARTE, CULTURA E HISTÓRIA (ILAACH), 2024.</em></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado</span></em>. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.</span></p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">SCHUMAHER, Schuma; CERVA, Antonia Cerva. </span><a href="https://www2.camara.leg.br/a-camara/estruturaadm/secretarias/secretaria-da-mulher/coordenadoria-dos-direitos-da-mulher/arquivos-e-documentos/biografia-mietta-santiago" target="_blank"><em><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: blue;">Mulheres no Poder &#8211; trajetórias políticas a partir da luta das sufragistas do Brasil</span></em></a><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">.</span></p>
<p>SOUZA DA SILVA, Ellen Carla. <a href="https://seer.ufrgs.br/index.php/NauLiteraria/issue/view/4436" target="_blank"><em>Uma voz feminina na luta antiescravista: Nísia Floresta</em></a>. Nau Literária, Vol. 18, n. 01 (2022) &#8211; Dossiê: Racismo, sexismo e Direitos Humanos. Organizado pela Profa. Dra. Regina Zilberman (UFRGS), 5 de setembro de<span class="label"> </span><span class="value">2022.</span></p>
<p>SILVA, Elizabeth Maria da.<a href="https://gredos.usal.es/handle/10366/140313?show=full" target="_blank"> <em>A Imprensa Pedagógica e Feminista no Brasil: Nísia Floresta e a Educação das Mulheres no século XIX</em>.</a> Tese de Doutorado. Universidade de Salamanca. Departamento de TEoria e História da Faculdade de Educação, 2018.</p>
<p><a href="https://elaspolitica.com.br/index.php/2024/07/27/zuleide-violeta-fernandes-bogea/" target="_blank">Site Elas na Política</a></p>
<p><a href="http://adcon.rn.gov.br/ACERVO/secretaria_extraordinaria_de_cultura/DOC/DOC000000000106226.PDF" target="_blank">Site Fundação José Augusto</a></p>
<p><a href="https://fpabramo.org.br/focusbrasil/2024/11/20/conheca-maria-firmina-dos-reis-a-primeira-escritora-negra-do-brasil/#:~:text=Por%20sua%20trajet%C3%B3ria%2C%20ela%20%C3%A9%20considerada%20tanto%20abolicionista%20quanto%20feminista.&amp;text=Firmina%20desbravou%20territ%C3%B3rios%20in%C3%A9ditos%20na,os%20romances%20abolicionistas%20d%C3%A9cadas%20depois." target="_blank">Site Fundação Perseu Abramo</a></p>
<pre><a href="https://www.geledes.org.br/nisia-floresta-a-feminista-brasileira-que-voce-nao-encontrara-nos-livros-de-historia-2/" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Site Geledés</span></a></pre>
<p><a href="https://www.insider.com/when-women-around-the-world-got-the-right-to-vote-2019-2" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Site Insider</span></a></p>
<p><a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/mfr_hino_a_liberdade_dos_escravos.pdf" target="_blank">Site Musica Brasilis</a></p>
<p><a href="https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2020/Fevereiro/dia-da-conquista-do-voto-feminino-no-brasil-e-comemorado-nesta-segunda-24-1" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Site Superior Tribunal Eleitoral</span></a></p>
<p><a href="https://www.tre-rn.jus.br/institucional/centro-de-memoria/os-80-anos-do-voto-de-saias-no-brasil-tre-rn" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Site Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte</span></a></p>
<p><a href="https://uvesp.com.br/portal/noticias/este-mapa-mostra-o-ano-em-que-as-mulheres-tiveram-o-direito-de-votar-em-cada-pais-do-mundo/" target="_blank"><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Site Uvesp</span></a></p>
<p>SOUTO-MAIOR, Valéria Andrade. <em><a href="https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/76228" target="_blank">O florete e a máscara: Josephina Álvares de Azevedo</a>, dramaturga do século XIX</em>. Dissertação (Mestrado em Letras) – Curso de Pós-Graduação em Letras &#8211; Literatura Brasileira e Teoria Literária, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, 1995.</p>
<p>TRINDADE, Hélgio; NOLL, Maria Izabel. <a href="http://www2.al.rs.gov.br/biblioteca/LinkClick.aspx?fileticket=vgfo5H4q-JM%3d&amp;tabid=3101&amp;language=pt-BR" target="_blank"><em>Subisídios para a história do Parlamento Gaúcho (1890-1937)</em></a>. Porto Alegre : CORAG, 2005.</p>
<p><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">Wikipedia</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">Acesse aqui os outros artigos da Série &#8220;Feministas, graças a Deus!</span><span style="color: #800000;">&#8220;</span></strong></p>
<div class="entry-content">
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19943">Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20151">Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21354">Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21588">Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21770" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976),<em><strong> </strong></em>publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16746">Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22708" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22326" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=23174" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=24659" target="_blank"><span style="color: #800000;">Série “Feministas, graças a Deus!” X &#8211; Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderle</span>y<span style="color: #800000;">, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</span></a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26964" target="_blank"><span style="color: #800000;">Série &#8220;Feministas, graças a Deus!&#8221; XI e série &#8220;1922 &#8211; Hoje, há 100 anos&#8221; VI &#8211; A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</span></a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=30702" target="_blank"><span style="color: #800000;">Série &#8220;Feministas, graças a Deus!&#8221; XII e série &#8220;1922 &#8211; Hoje, há 100 anos&#8221; XI &#8211; A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional</span></a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31474" target="_blank"><span style="color: #800000;">Série &#8220;Feministas, graças a Deus!&#8221; XIV &#8211; No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</span></a></p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31902%20" target="_blank">Série &#8220;Feministas, graças a Deus!&#8221; XV &#8211; No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,&#8221;a precursora do feminismo indígena&#8221; e a &#8220;nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32513" target="_blank"><span style="color: #800000;">Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023</span></a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34804" target="_blank"><span style="color: #990000;">Série &#8220;Feministas, graças a Deus!&#8221; XVII &#8211; Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024</span></a></p>
<p><a style="color: #800000;" href="%20https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=35687" target="_blank">Série &#8220;Feministas, graças a Deus!&#8221; XVIII &#8211; Júlia Lopes de Almeida (1862 &#8211; 1934), a &#8220;escritora da Belle Époque tropical&#8221;, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 5 de junho de 2024</a></p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O centenário da morte de João do Rio (1881 &#8211; 1921), o cronista da &#8220;belle époque&#8221; carioca</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2021 13:33:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<description><![CDATA[No centenário de sua morte, a Brasiliana Fotográfica homenageia Paulo Barreto (1881 - 1921), o João do Rio, que em sua época era considerado o príncipe dos cronistas brasileiros. Morou, a partir de 1917 ,em um casa na praia de Ipanema, fotografada, por Chapelin. Escreveu a crônica Praia Maravilhosa em homenagem ao bairro carioca. Em sua obra, que fundia a crônica com a reportagem, João do Rio escrevia sobre as transformações do Rio de Janeiro do início do século, contribuindo para a formação da imagem dessa nova cidade, desse Rio de Janeiro da "belle époque". No artigo, destaque para um trabalho que fez em parceria com a Photo Musso sobre o Teatro Municipal, em 1913, e para uma crônica que escreveu, em 1916, sobre o que denominou "a loucura da fotografia".]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Em sua época, Paulo Barreto (1881 &#8211; 1921), o João do Rio, era considerado o <em>príncipe dos cronistas brasileiros</em>: &#8220;<em>Era um espírito de escol, educado, viajado, e enobreceu, quanto pode, as letras do país conquistando um nome imortal pela glória constante do trabalho (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/066940/1991" target="_blank">Bahia Illustrada, </a></em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/066940/1991" target="_blank">junho de 1921</a><em>)</em>. Foi o primeiro grande repórter da imprensa brasileira do século XX e sua produção oscilava entre a reportagem e o conto.</p>
<p style="text-align: left;">Morou, a partir de fins da década de 1910, em uma casa na praia de <a href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=4924" target="_blank">Ipanema</a>, na rua Vieira Souto, nº 476, registrada por Chapelin (18? &#8211; 19?), fotógrafo sobre o qual se sabe muito pouco. Anteriormente, João do Rio morava na rua Gomes Freire, na Lapa. Segundo o jornalista e historiador Raimundo Magalhães Junior (1907 &#8211; 1981), a casa deve ter sido adquirida<em>, a preço de propaganda, desse espírito empreendedor o esquecido Raul Kennedy de Lemos</em> (1880 &#8211; 1951), fundador da Companhia Construtora Ipanema. João do Rio comprou outra casa para sua mãe, também em Ipanema, na rua Prudente de Moraes, 391.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9189" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9189/001CC011.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9189" target="_blank">Chapelin. Fachada da casa onde morou o escritor Paulo Barreto, o João do Rio; ao fundo, o morro do Corcovado, c. 1917. Ipanema, Rio de Janeiro / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pouco antes, ele havia escrito a crônica <em>Praia Maravilhosa</em> em homenagem ao bairro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/35056" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de maio de 1917</a>). O título faz uma referência à expressão Cidade Maravilhosa &#8211; <i>La Ville Merveilleuse -</i>, nome do livro onde os poemas <em>Amor ao Rio</em>, de autoria da francesa Jane Catulle Mendès (1867 &#8211; 1955), foram publicados em 1913. Ela havia passado uma temporada, de setembro a dezembro de 1911, no Rio de Janeiro, quando se encantou pela cidade (<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/8458" target="_blank">20 de setembro, quarta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/9552" target="_blank">6 de dezembro, primeira coluna</a> de 1911).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_23932" style="width: 425px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/8161" target="_blank"><img class="size-full wp-image-23932" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2016/03/mendes.jpg" alt="Jane Mendes / Fon Fon, 21 de outubro de 19911" width="415" height="544" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/8161" target="_blank"><em>Fon Fon</em>, 21 de outubro de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando à crônica de João do Rio sobre Ipanema. Nela, ele evidencia seu entusiasmo pela beleza assim como traça o perfil do bairro, ainda recente e pouco habitado. Sobre a crônica, Magalhães Junior comentou que dava<em> a &#8220;impressão de um prospecto predial. É claro que não poderia ter sido coisa desinteressada, pois João do Rio não era ingênuo ao ponto de se deixar arrastar por alguém cujo interesse estava perfeitamente caracterizado: criar ambiente favorável à venda de lotes de terreo e de casa a prestações&#8221;. </em>Mas tudo indica que os elogios do cronista eram sinceros tanto que pouco tempo depois mudou-se para o bairro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"> <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/praia.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-23791" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/praia.jpg" alt="praia" width="667" height="548" /></a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/35056"><img class="  wp-image-23793 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/praia2.jpg" alt="praia2" width="661" height="543" /></a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/35056"><img class="  wp-image-23794 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/praia3.jpg" alt="praia3" width="661" height="545" /></a></p>
<div id="attachment_23795" style="width: 665px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/35056"><img class="wp-image-23795 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/praia4.jpg" alt="praia4" width="655" height="294" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/35056" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de maio de 1917</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Um pouco da história de Ipanema</strong></em></span></p>
<p>José Antônio Moreira Filho (1830-1899), o barão e conde de Ipanema, comprou, em 1878, do tabelião e empresário Francisco José Fialho (1820? – 1885), um lote de terras que ia desde a atual rua Barão de Ipanema até o atual Canal do Jardim de Alah. Criou, então, um novo bairro, que batizou de “Villa Ipanema”, em homenagem a seu pai, o primeiro barão e conde de Ipanema, o paulista João Antônio Moreira (1797 – 1879). O nome Ipanema significa em tupi <em>água ruim</em> e foi inspirado por uma das propriedades do barão, em Minas Gerais.</p>
<p>A Villa Ipanema foi inaugurada, em 15 de abril de 1894, pelo barão e por seu sócio José Silva com a presença do prefeito Henrique Valladares, que no mesmo dia inaugurou a ampliação das linhas de bonde da empresa de Ferro Carril do Jardim Botânico, da Praça Malvino Reis, atual Serzedelo Correia, até a ponta da Igrejinha, que era a Igreja de Nossa Senhora de Copacabana, erguida no século XVIII e derrubada em 1918, próxima à rua Francisco Otaviano (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/9725" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de abril de 1894, terceira coluna</a>). Em 26 de abril de 1894, foi assinada a ata de fundação definitiva do bairro Villa Ipanema, com a presença do então prefeito Henrique Valadares e do barão e conde de Ipanema, que lançou, em seus terrenos, um enorme loteamento, berço do que é ainda hoje um dos bairros mais valorizados da cidade do Rio de Janeiro. No princípio, foram abertas 13 ruas, uma avenida e duas praças no areal sem valor, tomado por pitangueiras, cajueiros e araçazeiros. Até hoje essas vias são as mais importantes artérias do bairro. Entre elas, a avenida Vieira Souto e as ruas Prudente de Moraes e Visconde de Pirajá, essa última batizada inicialmente de Vinte de Novembro. Ipanema conservou a denominação de vila até a década de 20. Apesar de alguns autores considerarem outras datas, o dia 26 de abril de 1894 é a data mais aceita como marco de referência da fundação do bairro. Ipanema tornou-se, ao longo do século XX, reduto de artistas, intelectuais, jornalistas e boêmios, um dos símbolos do comportamento de vanguarda, exportando a moda e os costumes cariocas para o resto do país.</p>
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<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>Um pouco da vida de Paulo Barreto, o João do Rio (1881 &#8211; 1921)</strong></span></em></p>
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<div id="attachment_23785" style="width: 361px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/066940/1991" target="_blank"><img class="wp-image-23785 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/joaodorio1.jpg" alt="João do Rio / Bahia Illustrada, 1921" width="351" height="441" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/066940/1991" target="_blank">João do Rio / Bahia Illustrada, junho de 1921</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Qual de vós já passou a noite em claro ouvindo o segredo de cada rua? Qual de vós já sentiu o mistério, o sono, o vício, as idéias de cada bairro?&#8221;</em></span></strong></p>
<p style="text-align: right;">João do Rio em  <em>A Alma Encantadora das Ruas</em> (1908)</p>
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<p>Carioca, filho do matemático positivista Alfredo Coelho Barreto e da dona de casa Florência Cristóvão dos Santos Barreto, João Paulo Alberto Coelho Barreto nasceu em 5 de agosto de 1881. Em 1899, iniciou sua carreira no jornalismo, tendo colaborado, ao longo de sua vida, em diversas publicações, dentre elas <em>O Paiz, A Noite, A Pátria, Revista Ilustrada, Rio-Jornal </em>e a <em>Gazeta de Notícias</em>, onde ficou de 1903 a 1915, e onde assinou pela primeira vez como João do Rio, pseudônimo pelo qual tornou-se mais conhecido, no artigo <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/6690" target="_blank"><em>O Brasil lê</em>, publicado em 26 de novembro de 1903</a>, uma enquete dos autores preferidos dos cariocas. Teve outros pseudônimos, dentre eles Claude, Caran d’Ache, Joe e José Antônio José. Assinou colunas importantes como &#8220;A cidade&#8221; (1903 a 1904), &#8220;O instante&#8221;(1912 a 1916), À margem do dia&#8221;(1913 a 1915), &#8220;Cinematógrafo&#8221; (1907 a 1910), todas na <em>Gazeta de Notícias</em>; &#8220;Pall-Mall Rio&#8221; (1915 a 1917), em <em>O Paiz</em>; &#8220;A Semana Elegante&#8221; (1916), na <em>Revista Ilustrada</em>; e &#8220;Notas de Teatro&#8221; (1918), no <em>Rio-Jornal</em>. Seus mais importantes personagens foram a cidade do Rio de Janeiro e ele mesmo, um dândi nos trópicos.</p>
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<div id="attachment_24037" style="width: 317px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_10/28605"><img class="size-full wp-image-24037" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/drummond2.jpg" alt="Carlos Drummond de Andrade sobre João do Rio / Jornal do Brasil, 13 de agosto de 1981" width="307" height="198" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_10/28605" target="_blank">Carlos Drummond de Andrade sobre João do Rio / <em>Jornal do Brasil</em>, 13 de agosto de 1981</a></p></div>
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<p>Entre 1902 e 1906, o Rio de Janeiro teve como prefeito Francisco Pereira Passos (1836 &#8211; 1913) que realizou na cidade uma significativa reforma urbana. Para saneá-la e modernizá-la realizou diversas demolições, conhecidas popularmente como a política do “bota-abaixo”, que contribuiu fortemente para o surgimento do Rio de Janeiro da <em>Belle </em><em>Époque. </em>Em sua obra, que fundia a crônica com a reportagem, João do Rio escrevia sobre essas transformações, contribuindo para a formação da imagem desse novo Rio de Janeiro.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>&#8220;Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem&#8230;É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. Daí o desocupado <i>flâneur</i> ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. &#8220;</strong></em></span></p>
<p style="text-align: right;">João do Rio em  <em>A Alma Encantadora das Ruas</em> (1908)</p>
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<p>Em 1902, tentou ingressar no Itamaraty mas foi recusado pelo <a href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=7462" target="_blank">Barão do Rio Branco (1845 &#8211; 1912) </a> que justificou a decisão dizendo que as nomeações para a vaga pleiteada por João do Rio na comissão que estava organizando para tratar das questões da fronteira entre Brasil e Colômbia já haviam sido preenchidas por Enéias Martins, que chefiaria a missão. Segundo o professor Renato Cordeiro Gomes em seu livro <em>João do Rio: vielas do vício, ruas da graça</em>, na verdade teria sido recusado por ser &#8220;<em>gordo, amulatado e homossexual</em>&#8220;. O Brasil perdeu um diplomata e ganhou um notável jornalista/escritor. Sobre o trabalho na imprensa, em sua coluna &#8220;Cinematógrafo&#8221;, o definiu como &#8220;<em>o voluntário cativeiro para o qual não há abolição possível</em>&#8221; (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/17290" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 10 de maio de 1908, sexta coluna</a>). Produziu para a <em>Gazeta de Notícias</em>, as séries de reportagem  <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&amp;co_obra=7617" target="_blank"><em>Religiões do Rio</em> </a>, em 1904, e <i><a href="http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000134.pdf" target="_blank">O Momento Literário</a>, </i>em 1905, que foram posteriomente compiladas e publicadas pela Garnier.</p>
<p>Em 12 de agosto de 1910, tomou posse na Academia Brasileira de Letras &#8211; havia sido eleito em 7 de maio. Foi recebido por Coelho Neto (1864 &#8211; 1934)(<a href="https://www.academia.org.br/academicos/paulo-barreto-pseudonimo-joao-do-rio/discurso-de-posse" target="_blank">Site da ABL</a>). Foi o primeiro a acadêmico a ser empossado com o &#8220;fardão dos imortais&#8221;, ideia do também acadêmico Medeiros e Albuquerque (1867 &#8211; 1934).</p>
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<div id="attachment_24001" style="width: 180px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.academia.org.br/academicos/paulo-barreto-pseudonimo-joao-do-rio/biografia" target="_blank"><img class="size-full wp-image-24001" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/joaodorio3.jpg" alt="João do Rio / Site da ABL" width="170" height="217" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.academia.org.br/academicos/paulo-barreto-pseudonimo-joao-do-rio/biografia" target="_blank">João do Rio / Site da ABL</a></p></div>
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<p>Foi o responsável pelo texto do álbum <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=9445" target="_blank">Theatro Municipal do Rio de Janeiro</a>, de 1913, com fotografias produzidas pelo ateliê Photographia Musso, também editor do livro. O teatro, inaugurado em 14 de julho de 1909, é uma das mais importantes salas de espetáculo da América do Sul, seu prédio é um dos mais bonitos e imponentes da cidade e sua história mistura-se à trajetória cultural do Brasil.</p>
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<div id="attachment_23430" style="width: 289px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon562251/icon562251.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-23430 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/theatro.jpg" alt="theatro" width="279" height="439" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon562251/icon562251.pdf" target="_blank">Álbum Theatro Municipal do Rio de Janeiro, 1913. Texto de João do Rio e imagens da Photo Musso</a></p></div>
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<p><a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon562251/icon562251.pdf" target="_blank">Link para o pdf do álbum Theatro Municipal do Rio de Janeiro (1913) com texto de Paulo Barreto, o João do Rio, e imagens produzidas pela Photo Musso, também editora do livro.</a></p>
<p>A Photographia Musso, dirigida por Alfredo Musso, ficava na rua Uruguaiana, nº 12 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/49793" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1913, primeira coluna</a>). Alfredo era irmão de Luis Musso (18? &#8211; 1908), que havia sido sócio do estabelecimento fotográfico do português <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=9996" target="_blank">José Ferreira Guimarães (1841 &#8211; 1924)</a>, onde Alfredo havia trabalhado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_08/23830" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 1º de fevereiro de 1897, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/1506" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 19 de outubro de 1900, sexta coluna</a>). Luis Musso havia sido o primeiro operador da Companhia Photographica Brazileira, dirigida pelo fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5398" target="_blank">Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897)</a>, desde sua fundação, em 1892, até 31 de março de 1894 <em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/7203" target="_blank">Jornal do Commercio</a></em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/7203" target="_blank">, 13 de fevereiro de 1898, na última coluna</a>). Em 1904, tendo deixado de trabalhar na Photographia Guimarães, Alfredo e Luis Musso e Julio D. Beltgen anunciaram a abertura de um novo estabelecimento fotográfico, na rua Uruguaiana, nº 10 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/7203" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de fevereiro de 1904, terceira coluna</a>). Em 1905, os irmãos Musso estavam estabelecidos sob a razão social L. Musso &amp; C, que também se anunciava como Photographia Brazileira. Quando o álbum do Theatro Municipal foi publicado Luis Musso já havia falecido (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/16930" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 1º de agosto de 1908, sexta coluna</a>).</p>
<p>Voltando a João do Rio. Em 8 de agosto de 1916, sob o pseudônimo José Antônio José, publicou na coluna &#8220;Pall-Mall-Rio&#8221; a crônica <em>Clic! Clac! O fotógrafo!, </em>em que discorreu sobre a<em> &#8220;loucura da fotografia&#8221;</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/32586" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 8 de agosto de 1916, sexta coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_24003" style="width: 331px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/32586"><img class="size-full wp-image-24003" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/pall.jpg" alt="Início da crônica Clic! Cla! O fotógrafo! / O Paiz, 8 de agosto de 1916" width="321" height="543" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/32586" target="_blank">Início da crônica <em>Clic! Cla! O fotógrafo!</em> / <em>O Paiz,</em> 8 de agosto de 1916</a></p></div>
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<p>Em 1917, foi um dos fundadores e passou a dirigir a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais &#8211; Sbat. Em 1920, fundou o jornal <em>A Pátria, </em>onde defendia os interesses da colônia portuguesa, que seria prejudicada pela nacionalização da pesca. Por seu posicionamento, foi muitas vezes ofendido, tendo sido surrado por nacionalistas &#8211; o capitão de fragata Frederico Vilar e cinco jovens oficiais &#8211; quando almoçava sozinho em um de seus restaurantes preferidos, o da Brahma (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/3341" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 3 de outubro de 1920, terceira coluna</a>).</p>
<p>Faleceu em 23 de junho de 1921, quando teve um enfarte dentro de um táxi na rua Bento Lisboa (<em>O Paiz</em>,<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/6323" target="_blank"> 24 de junho</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/6336" target="_blank">25 de junho</a> de 1921). Foi velado na redação do jornal A<em> Pátria</em>. Seu enterro, um dos mais concorridos realizados no Brasil, só comparável aos do presidente Getulio Vargas (1882 &#8211; 1954), da cantora Carmen Miranda (1909 &#8211; 1955) e do estudante Edson Luis (1950 &#8211; 1968), foi acompanhado por cerca de 100 mil pessoas. Seus restos mortais estão sepultados em uma tumba de mármore italiano e bronze, no Cemitério de São João Batista e é considerado um dos mais belos trabalhos de arte funerária no Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/6363" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 27 de junho de 1921, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/4119" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 27 de junho de 1921</a>;<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/6377" target="_blank"> <em>O Paiz</em>, 28 de junhvido de 1921, primeira coluna</a>). Sua biblioteca foi doada por sua mãe ao <a title="Real Gabinete Português de Leitura" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Real_Gabinete_Portugu%C3%AAs_de_Leitura">Real Gabinete Português de Leitura</a>.</p>
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<p><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=025909_02&amp;pagfis=973" target="_blank"><img class=" size-full wp-image-26752 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/cronista.jpg" alt="cronista" width="563" height="545" /></a></p>
<div id="attachment_26753" style="width: 568px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_02/974" target="_blank"><img class=" wp-image-26753" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/cronista1.jpg" alt="Revista da Semana, 9 de julho de 1921" width="558" height="305" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=025909_02&amp;pagfis=973" target="_blank">Crônica de Celso Vieira (1878 &#8211; 1954) a respeito da morte de João do Rio na primeira página da<em> Revista da Semana</em>, 9 de julho de 1921</a></p></div>
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<p>João do Rio deixou uma vasta obra e entre seus livros mais importantes, destacam-se  <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action&amp;co_obra=2051" target="_blank"><em>A alma encantadora das ruas </em>(1908)</a><i>, </i><i> </i><i><a href="https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/_documents/53998512-joao-do-rio-vida-vertiginosa.pdf" target="_blank">Vida vertiginosa</a></i><a href="https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/_documents/53998512-joao-do-rio-vida-vertiginosa.pdf" target="_blank"> (1911)</a><i> e <a href="https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?id=222025" target="_blank">Rosário da Ilusão </a></i><a href="https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?id=222025" target="_blank">(1919)</a>.<i> </i>Como teatrólogo, seu maior sucesso foi <em>A bela madame Vargas</em>, que estreou em 22 de outubro de 1912, no Teatro Municipal (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_02/11494" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 22 de outubro de 1922</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/15644" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 26 de outubro de 1912</a>). Outras de suas peças foram <em>Chic-chic</em> (1906) e<em> Clotilde</em> (1907). Traduziu obras do escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854 &#8211; 1900).</p>
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<div id="attachment_23789" style="width: 271px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/066940/1991" target="_blank"><img class="wp-image-23789 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/joaodorio2.jpg" alt="joaodorio2" width="261" height="442" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/066940/1991" target="_blank"><em>Bahia Illustrada</em>, junho de 1921</a></p></div>
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<p><a href="http://brasilianafotografica.bn.br/wp-content/uploads/2021/06/rosario.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-24024 alignleft" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/rosario.jpg" alt="rosario" width="291" height="484" /></a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/vidaverti.jpg"><img class="alignnone  wp-image-24025" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/vidaverti.jpg" alt="vidaverti" width="321" height="485" /></a></p>
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<p>Ao longo de sua vida viajou quatro vezes à Europa e conviveu com importantes personalidades do mundo cultural e artístico, dentre elas a bailarina Isadora Duncan (1877 &#8211; 1927), que esteve no Rio de Janeiro, em 1916 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/24996" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 9 de setembro de 1916</a>). &#8221;<em>&#8230;relatos de Gilberto Amado revelam a cumplicidade dos dois (Isadora e João do Rio): conversavam em várias línguas e não se desgrudavam. Isadora fez até uma apresentação exclusiva para o amigo e seu protegido na Cascatinha da Tijuca: tirou não só o sapato mas a roupa inteira, bailando envolta em filó&#8221;</em>&#8230; <em>Em suas memórias, Isadora diz: &#8221;Aí conheci o poeta João do Rio, muito querido pela mocidade do Rio, onde aliás todos parecem poetas. Quando passeávamos, éramos seguidos pela rapaziada que gritava: &#8216;Viva Isadora!&#8217;, &#8216;Viva João do Rio!&#8221;&#8217;</em> (<em>O Globo</em>, 13 de abril de 1996).</p>
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<div id="attachment_24009" style="width: 309px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/24996" target="_blank"><img class="size-full wp-image-24009" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/isadora.jpg" alt="Revista da Semana, 9 de setembro de 1916" width="299" height="490" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/24996" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 9 de setembro de 1916</a></p></div>
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<p>Apesar de sua grande popularidade, segundo seu biógrafo, João Carlos Rodrigues,  João do Rio &#8220;<em>teve muitos desafetos que o atacavam por sua afrodescendência e homossexualidade</em>&#8220;. Logo no primeiro número de <em>O Gato</em>, <em>Álbum de Caricaturas</em>, em julho de 1911, revista desenhada por Seth (1891 &#8211; 1949) &#8211; pseudônimo de Álvaro Martins &#8211; e Hugo Leal &#8211; pseudônimo do português Vasco Lima (1883 &#8211; 1973) &#8211; foi caricaturado ao lado do poeta Olavo Bilac (1865 &#8211; 1918) apreciando uma escultura do imperador Heliogábalo nu. Na legenda, um suposto diálogo entre os dois escritores, que haviam estado recentemente na Itália:<em> &#8220;- Soberbo, hein? &#8211; Que delicioso seria se todos os homens fossem assim!&#8221;.</em></p>
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<div id="attachment_24008" style="width: 281px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://brasilianafotografica.bn.br/wp-content/uploads/2021/06/cari1.jpg"><img class="size-full wp-image-24008" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/cari1.jpg" alt="O Gato, de 1911" width="271" height="391" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/365718/13" target="_blank"><em>O Gato</em>, julho de 1911</a></p></div>
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<div id="attachment_24012" style="width: 458px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/isadora1.jpg"><img class="size-full wp-image-24012" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/isadora1.jpg" alt="O Globo, 13 de abril de 1996" width="448" height="158" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O Globo,</em> 13 de abril de 1996</p></div>
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<p>A professora e feminista portuguesa Mariana Coelho, personagem do artigo<em> S<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=23174" target="_blank">érie “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 &#8211; 1954), a &#8220;Beauvoir tupiniquim&#8221;</a>,</em> publicou uma homenagem a João do Rio, na ocasião da morte do escritor:</p>
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<div id="attachment_23303" style="width: 211px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/215554/36903" target="_blank"><img class="wp-image-23303 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/poema.jpg" alt="Artigo da professora e feminista portuguesa Mariana Coelho em homenagem a Paulo Barreto, o João do Rio / A República (PR), 28 de junho de 1921" width="201" height="547" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/215554/36903" target="_blank">Artigo da professora e feminista portuguesa Mariana Coelho em homenagem a Paulo Barreto, o João do Rio / A República (PR), 29 de junho de 1921</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://brasilianafotografica.bn.br/wp-content/uploads/2021/03/joaodoriofim.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-23442" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/joaodoriofim.jpg" alt="joaodoriofim" width="284" height="307" /></a></p>
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<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_10/28605" target="_blank">Link para a crônica <em>João do Rio na vitrina</em>, de autoria de Carlos Drummond de Andrade (1987 &#8211; 1902), publicada no <em>Jornal do Brasil</em> de 13 de agosto de 1981, na ocasião do centenário de nascimento de João do Rio, quando a Biblioteca Nacional, uma das fundadoras do portal Brasiliana Fotográfica, realizou uma exposição em homenagem ao aniversariante.</a></p>
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<div id="attachment_24006" style="width: 197px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_10/28605" target="_blank"><img class="size-full wp-image-24006" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/cari.jpg" alt="Jornal do Brasil, 13 de agosto de 1981" width="187" height="241" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_10/28605" target="_blank"><em>Jornal do Brasil,</em> 13 de agosto de 1981</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>A Rua</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;">João do Rio</p>
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<div id="attachment_30894" style="width: 321px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/35203" target="_blank"><img class="size-full wp-image-30894" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/joaodorio.jpg" alt="Fon-Fon, 17 de janeiro de 1920" width="311" height="397" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/35203" target="_blank"><em>João do Rio / Fon Fon</em>, 17 de janeiro de 1920</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma, tudo varia o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua.</em></p>
<p><em>A rua! Que é a rua? Um cançonetista de Montmartre fá-la dizer:</em></p>
<p><em>         Je suis la rue, femme éternellement verte,</em></p>
<p><em>         Je n’ai jamais trouvé d’autre carrière ouverte</em></p>
<p><em>         Sinon d’être la rue, et, de tout temps, depuis</em></p>
<p><em>         Que ce pénible monde est monde, je la suis&#8230;</em></p>
<p><em>(Eu sou a rua, mulher eternamente verde, jamais encontrei outra carreira aberta senão a de ser a rua e, por todo o tempo; desde que este penoso mundo é mundo, eu a sou&#8230;)</em></p>
<p><em>A verdade e o trocadilho! Os dicionários dizem: “Rua, do latim ruga, sulco. Espaço entre as casas e as povoações por onde se anda e passeia.” E Domingos Vieira, citando as Ordenações: “Estradas e rua pruvicas antigamente usadas e os rios navegantes se som cabedaes que correm continuamente e de todo o tempo pero que o uso assy das estradas e ruas pruvicas.” A obscuridade da gramática e da lei! Os dicionários só são considerados fontes fáceis de completo saber pelos que nunca os folhearam. Abri o primeiro, abri o segundo, abri dez, vinte enciclopédias, manuseei in-fólios especiais de curiosidade. A rua era para eles apenas um alinhado de fachadas, por onde se anda nas povoações&#8230;</em></p>
<p><em>Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma! Em Benares ou em Amsterdã, em Londres ou em Buenos Aires, sob os céus mais diversos, nos mais variados climas, a rua é a agasalhadora da miséria. Os desgraçados não se sentem de todo sem o auxílio dos deuses enquanto diante dos seus olhos uma rua abre para outra rua. A rua é o aplauso dos medíocres, dos infelizes, dos miseráveis da arte. Não paga ao Tamagno para ouvir berros atenorados de leão avaro, nem à velha Patti para admitir um fio de voz velho, fraco e legendário. Bate, em compensação, palmas aos saltimbancos que, sem voz, rouquejam com fome para alegrá-la e para comer. A rua é generosa. O crime, o delírio, a miséria não os denuncia ela. A rua é a transformadora das línguas. Os Cândido de Figueiredo do universo estafam-se em juntar regrinhas para enclausurar expressões; os prosadores bradam contra os Cândido. A rua continua, matando substantivos, transformando a significação dos termos, impondo aos dicionários as palavras que inventa, criando o calão que é o patrimônio clássico dos léxicons futuros. A rua resume para o animal civilizado todo o conforto humano. Dá-lhe luz, luxo, bem-estar, comodidade e até impressões selvagens no adejar das árvores e no trinar dos pássaros.</em></p>
<p><em>A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopeia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. A rua criou todas as blagues e todos os lugares-comuns. Foi ela que fez a majestade dos rifões, dos brocardos, dos anexins, e foi também ela que batizou o imortal Calino. Sem o consentimento da rua não passam os sábios, e os charlatães, que a lisonjeiam e lhe resumem a banalidade, são da primeira ocasião desfeitos e soprados como bolas de sabão. A rua é a eterna imagem da ingenuidade. Comete crimes, desvaria à noite, treme com a febre dos delírios, para ela como para as crianças a aurora é sempre formosa, para ela não há o despertar triste, e quando o sol desponta e ela abre os olhos esquecida das próprias ações, é, no encanto da vida renovada, no chilrear do passaredo, no embalo nostálgico dos pregões &#8211; tão modesta, tão lavada, tão risonha, que parece papaguear com o céu e com os anjos&#8230;</em></p>
<p><em>A rua faz as celebridades e as revoltas, a rua criou um tipo universal, tipo que vive em cada aspecto urbano, em cada detalhe, em cada praça, tipo diabólico que tem dos gnomos e dos silfos das florestas, tipo proteiforme, feito de risos e de lágrimas, de patifarias e de crimes irresponsáveis, de abandono e de inédita filosofia, tipo esquisito e ambíguo com saltos de felino e risos de navalha, o prodígio de uma criança mais sabida e cética que os velhos de setenta invernos, mas cuja ingenuidade é perpétua, voz que dá o apelido fatal aos potentados e nunca teve preocupações, criatura que pede como se fosse natural pedir, aclama sem interesse, e pode rir, francamente, depois de ter conhecido todos os males da cidade, poeira d’oiro que se faz lama e torna a ser poeira &#8211; a rua criou o garoto!</em></p>
<p><em>Essas qualidades nós as conhecemos vagamente. Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível; é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes &#8211; a arte de flanar: É fatigante o exercício?</em></p>
<p><em>Para os iniciados sempre foi grande regalo. A musa de Horácio, a pé, não fez outra coisa nos quarteirões de Roma. Sterne e Hoffmann proclamavam-lhe a profunda virtude, e Balzac fez todos os seus preciosos achados flanando. Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada nos dicionários, que não pertence a nenhuma língua! Que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da populaça, admirar o menino da gaitinha ali à esquina, seguir com os garotos o lutador do Cassino vestido de turco, gozar nas praças os ajuntamentos defronte das lanternas mágicas, conversar com os cantores de modinha das alfurjas da Saúde, depois de ter ouvido dilettanti, de casaca, aplaudirem o maior tenor do Lírico numa ópera velha e má; é ver os bonecos pintados a giz nos muros das casas, após ter acompanhado um pintor afamado até a sua grande tela paga pelo Estado; é estar sem fazer nada e achar absolutamente necessário ir até um sítio lôbrego, para deixar de lá ir, levado pela primeira impressão, por um dito que faz sorrir, um perfil que interessa, um par jovem cujo riso de amor causa inveja&#8230;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>                                                  A alma encantadora das ruas (1908)</em></p>
<p><em> </em></p>
<div id="attachment_24130" style="width: 565px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/loredano1.jpg"><img class=" wp-image-24130" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/loredano1.jpg" alt="Caricatura de João do Rio, de Cássio Loredano" width="555" height="313" /></a><p class="wp-caption-text">Caricatura de João do Rio, de Cássio Loredano</p></div>
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<p>Link para o filme sobre a vida de João do Rio, <em>De lá prá cá</em>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=2ySMxHsIS3U" target="_blank">parte 1</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hiszLnLDVjs" target="_blank">parte 2</a>.</p>
<p><a href="https://www.correioims.com.br/perfil/joao-do-rio/" target="_blank">Link  para cartas enviadas por João do Rio para o político e pensador português João de Barros (1881 &#8211; 1960), publicadas no Correio IMS.</a></p>
<p>A jornalista Cristiane d´Avila, da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras do portal, organizou um site com textos inéditos de João do Rio onde estão disponibilizadas s 52 colunas &#8220;Bilhete&#8221; do jornal <em>A Pátria</em>, fundado pelo escritor. <a href="https://www.bilhetesdejoaodorio.com.br" target="_blank">Acesse aqui</a>.</p>
<p>Leia aqui as crônicas <a href="https://cronicabrasileira.org.br/res-do-chao/15702/joao-do-rio-mas-nao-so" target="_blank"><em>João do Rio (mas não só)</em></a>, de Humberto Werneck; e <a href="https://cronicabrasileira.org.br/res-do-chao/19740/flanar-com-joao-do-rio?utm_source=Portal+da+Cronica+Brasileira&amp;utm_campaign=86df602ff4-EMAIL_CAMPAIGN_2018_09_12_05_46_COPY_01&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_12b39328f3-86df602ff4-149876529" target="_blank"><em>Flanar com João do Rio</em></a>, de Guilherme Tauil, ambas publicadas no Portal Crônica Brasileira.</p>
<p>Acesse aqui o site <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.bilhetesdejoaodorio.com.br/">bilhetesdejoaodorio.com.br</a></span>, que reúne as últimas colunas de João do Rio para o jornal <em>A Pátria</em>. É de autoria de Cristiane d´Avila, jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, e uma das mais constantes colaboradoras do portal. Ela é também autora de livros sobre o escritor que estão na relação de fontes utilizadas para a elaboração deste artigo.</p>
<p>Entre 9 e 13 de outubro de 2024, João do Rio foi o homenageado da<a href="https://www.flip.org.br/autor-homenageado-principal-2024/" target="_blank"> 22ª edição da Flip- Festa Literária Internacional de Paraty</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nota da editora: os últimos dois parágrafos do artigo foram acrescentados em outubro de 2024.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>ANTELO, Raul. <a href="https://www.academia.edu/35091573/ANTELO_R_Jo%C3%A3o_do_Rio_O_d%C3%A2ndi_e_a_especula%C3%A7%C3%A3o_pdf" target="_blank"><em>João do Rio &#8211; O dândi e a especulação</em></a>. Rio de Janeiro : Livraria Taurus-Timbre Editores, 1989.</p>
<p>COSTA, Luis Ricardo Araújo. <a href="http://www.puc-rio.br/pibic/relatorio_resumo2009/relatorio/com/luis_ricardo.pdf" target="_blank"><em>O Cinematographo de João do Rio; fotogramas de uma cidade em movimento</em></a>, trabalho realizado sob a orientação do professor Ricardo Gomes, do Departamento de Comunicação Social da PUC-RJ.</p>
<p>D&#8217;AVILA, Cristiane. <em><span class="wixui-rich-text__text">João do Rio a caminho da Atlântida</span>: por uma aproximação luso-brasileira</em>. Rio de Janeiro: Faperj/Contra Capa, 2015.</p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa17030/joao-do-rio" target="_blank">Enciclopédia Itaú Cultural </a></p>
<p>GAWRYSZEWSKI, Alfredo (organizador).<em> Imagem: Artefato cultural</em>. Londrina : Eduel, 2017.</p>
<p>GOMES, Renato Cordeiro. <em>João do Rio: vielas do vício, ruas da graças</em>. Rio de Janeiro: Relume-Dumará: Prefeitura, 1996. Série Perfis do Rio, n. 13.</p>
<p>GOMES, Renato Cordeiro. <em>João do Rio.</em> Rio de Janeiro : Agir, 2005.</p>
<p><a href="https://www.bn.gov.br/explore/acervos/hemeroteca-digital" target="_blank">Hemeroteca da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>MAGALHÃES JUNIOR, Raimundo. <em>A Vida Vertiginosa de João do Rio</em>. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1978.</p>
<p><em>O Globo</em>, 19 de junho de 2021</p>
<p><em>O Globo</em>, 23 de junho de 2021 &#8211; Coluna de Joaquim Ferreira dos Santos.</p>
<p>RIO, João do. <em><a href="https://www.funarte.gov.br/edicoes-online/cartas-de-joao-do-rio-a-joao-de-barros-e-carlos-malheiro-dias/" target="_blank">Cartas de João do Rio a João de Barros e Carlos Malheiro Dias</a>.</em> Introdução, organização e notas: Cristiane d&#8217;Avila; prefácio: Zuenir Ventura. Rio de Janeiro: Funarte, 2012.</p>
<p>RODRIGUES, João Carlos. <em>João do Rio: vida, paixão e obra</em>. Rio de Janeiro : Topbooks, 1996.</p>
<p>RODRIGUES, João Gabriel.<em> João do Rio e as representações do Rio de Janeiro: o artista, o repórter e o artifício</em>, trabalho realizado sob a orientação do professor Ricardo Gomes, do Departamento de Comunicação Social da PUC-RJ.</p>
<p>SCHAPOCHNIK, Nelson. <em>João do Rio, um dândi na cafelândia</em>. São Paulo : Boitempo Editorial, 2004.</p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/academicos/paulo-barreto-pseudonimo-joao-do-rio" target="_blank">Site da Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p class="font_8 wixui-rich-text__text"><span class="wixui-rich-text__text"><span class="wixGuard wixui-rich-text__text">​</span></span></p>
<p class="font_8 wixui-rich-text__text">​</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Diamantina, Chichico Alkmim (1886 &#8211; 1978) e Carlos Drummond de Andrade  (1902 &#8211; 1987)</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Mar 2016 06:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica homenageia Diamantina, cidade mineira fundada em 6 de março de 1831, com uma seleção de imagens produzidas no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. As fotografias do século XIX são de autoria de Augusto Riedel e foram produzidas durante uma expedição pelo interior do Brasil acompanhando a comitiva de D. Luis Augusto Maria Eudes de Saxe Coburgo Gotha e por seu irmão D. Luis Philippe, em 1868. Os registros das primeiras décadas do século XX são do mineiro Chichico Alkmim (1886 - 1978), pioneiro da fotografia em Diamantina. A gestão do acervo de 5.549 negativos de vidro foi transferido para o Instituto Moreira Salles, em 2015. Sua obra é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Além disso, a Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores a crônica "Encanto de Diamantina", do poeta e escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade, publicada no Jornal do Brasil de 19 de outubro de 1972.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica homenageia Diamantina, cidade mineira fundada em 6 de março de 1831, com uma seleção de imagens produzidas no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. As fotografias do século XIX são de autoria de Augusto Riedel e foram produzidas durante uma expedição pelo interior do Brasil acompanhando a comitiva de D. Luis Augusto Maria Eudes de Saxe Coburgo Gotha e por seu irmão D. Luis Philippe, em 1868.</p>
<p>Os registros produzidos entre as décadas de 1910 e 1950 são do mineiro <a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/artista/chichico-alkmim" target="_blank">Chichico Alkmim (1886 &#8211; 1978)</a>, autodidata e pioneiro da fotografia em Diamantina. A gestão do acervo do fotógrafo, de 5.549 negativos de vidro, foi transferida para o Instituto Moreira Salles, em 2015. A obra de Chichico, que compreende imagens da arquitetura diamantinense, sua religiosidade, costumes, ritos e retratos de seus habitantes, é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Foi o mestre do fotógrafo <a href="https://revistazum.com.br/revista-zum-7/o-clique-unico-de-assis-horta/" target="_blank">Assis Horta(1918 &#8211; 2018)</a>, mineiro de Diamantina, que se tornou conhecido por registrar a classe trabalhadora na era Vargas.</p>
<p>Além disso, a Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores a crônica <em>Encanto de Diamantina</em>, do poeta e escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987), publicada no <em>Jornal do Brasil,</em> de 19 de outubro de 1972 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_09/70082" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 19 de outubro de 1972, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">&#8220;Encanto de Diamantina&#8221;</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<p>De Diamantina se pode dizer o que em Diamantina se diz musicalmente no famoso tim-tim:</p>
<p>Quem não gosta dela,</p>
<p>de quem gostará?</p>
<p>Quem, conhecendo Diamantina, será capaz de não gostar de Diamantina? Mesmo não conhecendo: ouvindo falar. Pois, entre outras excelências, povo de Diamantina é povo que canta, e isto significa riqueza de coração. Canta, sem necessidade de festival de canção, essa psicose do grito que já começa a invadir cidades mineiras.</p>
<p>À noite, depois do batente &#8211; é Aires da Mata Machado Filho que informa &#8211; há sempre um barzinho aberto a pessoas de temperamento melódico. Finda a libação mais ou menos discreta &#8211; o que depende antes do frio do que da vontade &#8211; os cidadãos saem para a rua, providos de violão, clarineta, saxofone, flauta. Saem &#8220;cantando à toa&#8221;. Pelo prazer de cantar. Depois é que se lembram, aniversário de Fulano? Então vamos lá? Vamos. Em frente à janela fechada de Fulano &#8211; fechada, parece, deliberadamente, para o gosto de abrir-se às lufadas de música &#8211; a turma bate um castelo. Pode ser noite alta, olha lá a janela se abrindo feliz. Havendo modinha, Diamantina ignora o sono. Acabada a cantoria, pensam que os seresteiros vão dormir? Aí começa a segunda parte, mais íntima, de ternura ou dor-de-cotovelo: eles se dispersam, mas em direção a outras janelas, atrás das quais dormem (ou esperam) suas respectivas amadas. Nesse deambular já de madrugada, os seresteiros voltam a encontrar-se, cruzando os caminhos do sentimento. Assim é a noite em Diamantina: música por todos os lados, abrindo janela e alma, entre o chão e os sobrados. E, em boa parte, música de tradição local, obra de compositores e poetas diamantinenses, conhecidos ou anônimos, que desafiam o tempo.</p>
<p>O peixe-vivo, marca de Diamantina, que cobre vasta região mineira, conta-nos o mesmo Aires, foi enriquecido de trovas feitas no Rio de Janeiro, por volta de 1939. Manuel Bandeira fez quatro, a primeira delas aproveitada, com variante, na Lira dos Cinquent´anos:</p>
<p>Vi uma estrela tão alta,</p>
<p>Vi uma estrela tão fria.</p>
<p>Estrela, por que me deixas</p>
<p>sem a tua companhia?</p>
<p>Vinícius de Morais fez duas por conta própria, e uma de parceria com Pedro Nava. Este, por sua vez, compôs duas e mais uma quintilha. Ouçamos Nava:</p>
<p>Dom Diniz, o rei poeta,</p>
<p>derrotou a mouraria</p>
<p>para merecer um pouco</p>
<p>dessa tua companhia.</p>
<p>E Carlos Sá, cearense-mineiro:</p>
<p>Vivo alegre na tristeza</p>
<p>vivo triste na alegria,</p>
<p>no desejo e na saudade</p>
<p>dessa tua companhia.</p>
<p>Mas Diamantina não é apenas serenata e coreto. Como nas boas cidades antigas de Minas, tem tesouro escondido, como por exemplo &#8220;duas garrafas de ouro e três chifres de diamante&#8221;, e quem cavar junto ao córrego Pururuca, atrás do quartel do III BP, é capaz de encontrá-los: segredos de padre, à espera de decifrador. Lendas, festas religiosas e populares que teimam em resistir na medida do possível à descaracterização universal da sociedade mercantil. Igrejas antigas de fino acabamento artístico, sobrados que a gente desejaria ver em pé para sempre, não vá o progresso arrasá-los. Diamantina enfrenta o problema da industrialização. Precisa criar riquezas outras além das que derivam do temperamento amável de seus filhos. Lá se fala agora em incentivos fiscais, energia elétrica, e até já se exporta a flor da sempre-viva para outros países.</p>
<p>Que Deus conserve Diamantina gostosa, musical e hospitaleira depois que subir nas asas do chamado desenvolvimento. É o voto que faço depois de ler <em>Dias e Noites em Diamantina</em>, livro que o bom Aires acaba de publicar corajosamente em edição de autor, e tão chamativo, tão cheio de graça e apelo sensorial, que dá vontade de sair correndo, e:</p>
<p>_ Rápido, uma passagem para Diamantina, mas de ida só, porque eu fico por lá!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=diamantina&amp;submit=Ir" target="_blank"><span style="color: #800000;">Acessando o link para as fotografias de Diamantina disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">Pequeno histórico de Diamantina</span></strong></p>
<p>A formação de Diamantina está ligada à exploração de diamante e de ouro.  Foi  Jerônimo Gouvêa que, a partir da descoberta de uma grande quantidade de ouro nas confluências do Rio Piruruca e do Rio Grande, deu início à ocupação do território. O povoado, então denominado Arraial do Tejuco, começou a ser formado nas primeiras décadas do século XVIII, sempre seguindo as margens dos rios que eram garimpados. Aos poucos foi surgindo o conjunto urbano de Diamantina. O Arraial do Tijuco emancipou-se do município do Serro, em 1831, e passou a se chamar Diamantina.</p>
<p>Uma das cidades históricas mais conhecidas e visitadas do Brasil, Diamantina, o Portal do Vale do Jequitinhonha, é  também o ponto inicial da Estrada Real, que levava ouro e diamantes até Paraty, no Rio de Janeiro. A cidade conserva o casario colonial, as edificações históricas e as igrejas seculares. Em 1938, o conjunto arquitetônico de seu centro histórico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e, em 1999,  recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Além do patrimônio construído, a cidade possui um rico patrimônio natural e cultural, com uma marcante tradição religiosa, folclórica e musical.</p>
<p>Foi em Diamantina, na época Arraial do Tijuco, que a escrava alforriada Chica da Silva (c. 1732-1796) viveu. É também a cidade natal do ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek (1902-1976).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Publicações relacionadas a Chichico Alkmim:</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoims.com.br/familia/" target="_blank">Família, texto de Silviano Santiago sobre uma fotografia de autoria de Chichico Alkmim</a></p>
<p><a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/acervo/noticias/o-anfitriao-de-chichico" target="_blank"><em>O anfitrião de Chichico</em>, por Elvia Bezerra.</a></p>
<p><a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/acervo/noticias/retratista-de-diamantina" target="_blank"><em>O retratista de Diamantina</em>, por Manya Millen</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Início do verão &#8211; as praias do Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 12:23:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Efemérides]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
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		<description><![CDATA[Segundo o Observatório Nacional, o verão 2016 começou hoje, dia 22 de dezembro de 2015, às 2h48m (horário de Brasília), quando ocorreu o solstício de verão. A Brasiliana Fotográfica homenageia a mais brasileira das estações com uma seleção de várias praias e vistas de nosso litoral. São registros fotográficos de Alagoas, da Bahia, de Pernambuco, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul  e de São Paulo. A fotografia mais antiga é do Forte de São Francisco da Barra, de Augusto Stahl, produzida por volta de 1855, no litoral de Pernambuco. Outros fotógrafos presentes nessa seleção de imagens do litoral brasileiro são Abilio Coutinho, A. Ribeiro, Augusto Malta, Augusto Stahl, George Leuzinger, Guilherme Gaensly, J. Schleier, Marc Ferrez, Moritz Lamberg, Revert Henrique Klumb, Thiele, Rodolfo Lindemann e S.H. Holand.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo o Observatório Nacional, o verão 2016 começou hoje, dia 22 de dezembro de 2015, às 2h48m (horário de Brasília), quando ocorreu o solstício de verão. A Brasiliana Fotográfica homenageia a mais brasileira das estações com uma seleção de várias praias e vistas de nosso litoral. São registros fotográficos de Alagoas, da Bahia, de Pernambuco, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul  e de São Paulo. A fotografia mais antiga é do Forte de São Francisco da Barra, de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6150">Augusto Stahl (1828 &#8211; 1877)</a>, produzida por volta de 1855, no litoral de Pernambuco. Outros fotógrafos presentes nessa seleção de imagens do litoral brasileiro são Abilio Coutinho, A. Ribeiro, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322">Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6150">Augusto Stahl (1828 &#8211; 1877)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492">Georges Leuzinger (1813 &#8211; 1892)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/%20http:/brasilianafotografica.bn.br/?p=%207260">Guilherme Gaensly (1843 &#8211; 1928) </a>, J. Schleier (1827 – 1903), <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6305">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a>, Moritz Lamberg (18? &#8211; ?),<strong> </strong><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5809">Revert Henrique Klumb (c.1826 &#8211; c.1886)</a>, Thiele, Rodolfo Lindemann (c. 1852 – 19?) e S.H. Holand.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_4073" style="width: 228px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/330" target="_blank"><img class="wp-image-4073 size-medium" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/11/cruzeiro-218x300.jpg" alt="cruzeiro" width="218" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/330" target="_blank"><em>Cruzeiro</em>, 15 de dezembro de 1928</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=003581&amp;PagFis=332" target="_blank">Além disso, está disponibilizado o link para uma edição especial da revista <em>Cruzeiro</em>, de 15 de dezembro de 1928 sobre as &#8220;Praias de Banho&#8221; no Rio de Janeiro, em Paquetá e em Niterói.</a></p>
<p>Nesta edição, <em>O Cruzeiro</em>  divulgou os resultados do primeiro concurso de fotografia promovido pela revista (páginas 33 e 34), cujo tema foi &#8220;a vida das praias&#8221;.</p>
<p>Há ainda artigos sobre o verão, fotografias e caricaturas de banhistas em diversas praias como Copacabana, Flamengo e Urca; e anúncios de roupas para <em>banho de mar</em>. Uma das matérias da revista é sobre estrelas de cinema internacionais fotografadas com roupas de praia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/75" target="_blank"><span style="color: #800000;">Acessando o link para as fotografias de praias e vistas do litoral brasilero disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</span></a></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/verão.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-42399" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/verão.jpg" alt="verão" width="548" height="333" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>ATO INSTITUCIONAL DO VERÃO CARIOCA</strong></span>*</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"> Carlos Drummond de Andrade</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Artigo 1º<br />
Todos os moradores da cidade do Rio de Janeiro, ricos ou pobres, de qualquer raça, religião, profissão ou falta de profissão, convicção ou ausência de convicção política, têm igual direito a curtir as excelências do verão, também chamada estação calmosa, embora seja a mais trepidante das estações.<br />
§ único — Entende-se por verão, no Rio de Janeiro, o período que vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro, com breves intervalos para reciclagem, e uma faixa especial, mais badalada, entre 21 de dezembro e 20 de março.</p>
<p>Artigo 2º<br />
As maneiras lícitas de exercer o direito outorgado no artigo anterior são as mais variadas e imagináveis, ficando contudo na dependência de dois fatores:<br />
a) o grau de recursos financeiros do morador ou da pessoa física ou jurídica disposta a sustentar a curtição;<br />
b) o grau de imaginação criadora, ativa e defensiva, do morador ou de acompanhante que lhe supra a deficiência desse atributo.</p>
<p>Artigo 3º<br />
Os indivíduos que não se mostrarem habilitados, na forma deste Ato Institucional, a curtir o verão carioca, devem limitar-se a suportá-lo com uma combinação de heroísmo e espírito filosófico, abstendo-se de promover agitação que perturbe o exercício pacífico dos demais cidadãos, gerando aumento imoderado da temperatura social, que já é elevada no período.</p>
<p>Artigo 4º<br />
É lícito à parcela da população em situação financeira aprazível, própria ou de favor, curtir o verão carioca in loco, na forma que lhe convier, ou à distância, em território nacional ou estrangeiro, pelo tempo que julgar suficiente, inclusive acumulando verões.</p>
<p>Artigo 5º<br />
A indústria privada cuidará de produzir a maior quantidade possível de refrigerantes para atender à demanda sazonal, devendo a comercialização dos produtos obedecer a tabelamento rigoroso, sujeito a imponderáveis, que na prática justifiquem e mesmo imponham o galope dos preços acima e além da tabela afixada em lugares bem visíveis, como o alto da encosta do Pão de Açúcar, a plataforma do monumento a Cristo Redentor no Corcovado e as torres cilíndricas de São Conrado.<br />
§ único — Em hipótese alguma o preço do chope excederá o valor de um salário mínimo.</p>
<p>Artigo 6º<br />
A praia, como a praça, é do povo, isto é, de todos, mas alguns todos têm direito a ocupar superfície maior e preferencial na areia, para se dedicarem a jogos esportivos, tanto em partidas isoladas como em campeonatos, devendo os banhistas-de-sol, que não são propriamente banhistas, e por isso ocupam áreas de favor, perder o mau costume de treinar para alvo de bolas, raquetes e petecas.</p>
<p>Artigo 7º<br />
O acesso de banhistas propriamente ditos ao elemento líquido não deve de maneira alguma pôr em risco a liberdade de movimentação e a segurança individual dos surfistas, que carecem de proteção contra a tendência expansivista dos primeiros.</p>
<p>Artigo 8º<br />
O acesso de animais ditos irracionais à praia é estritamente proibido, mas tolerado conforme a hora, a praia, a qualidade do animal e a qualidade do dono.</p>
<p>Artigo 9º<br />
O uso de maiô natural, de pele humana feminina, será desenvolvido gradativamente em cada verão, podendo estender-se a prática à veste congênere de pele humana masculina que não ocasione atentado gritante à estética das formas.</p>
<p>Artigo 10º<br />
Os turistas estrangeiros gozarão de facilidades especiais para curtição do verão carioca, destacando-se entre elas o direito de se recusarem a ser assaltados por marginais de décima categoria, cuja permanência na proximidade de hotéis, boates e clubes fica absolutamente vedada no decorrer da estação.</p>
<p>Artigo 11º<br />
Os preços de utilidades e souvenirs destinados a consumo de turistas estrangeiros sofrerão desconto especial de 35% sobre a majoração também especial de 500% em todas as compras que efetuarem.<br />
§ único — No caso de táxis, o desconto será apenas de 5% sobre a majoração inultrapassável de 3.000%, conciliando-se dest’arte o justo interesse da categoria profissional com a necessidade de desestimular o consumo de derivados de petróleo.</p>
<p>Artigo 12º<br />
Os turistas nacionais terão liberdade de efetuar os programas que bem entenderem, uma vez que não prejudiquem a movimentação dos turistas estrangeiros e consequente captação de dólares em proveito da economia nacional.<br />
§ único — As diárias de hotel e o aluguel de apartamentos e quartos por temporada, para uso de turistas nacionais, serão fixados ao preço de mercado, à base da inflação prevista para 1998.</p>
<p>Artigo 13º<br />
O sorvete de frutas naturais e o sorvete sintético terão idêntico sabor e aparência, verificados em testes no Instituto de Proteção do Consumidor em Tempo de Verão, de tal sorte que o segundo possa substituir vantajosamente o primeiro, sem que o consumidor dê por isto, poupando-se as frutas para exportação e consequente melhoria de nossa balança comercial.</p>
<p>Artigo 14º<br />
Tendo em vista que só à última hora, quando o calor se torna incontrolável, é que os novos casais se lembram de adquirir aparelhos de refrigeração e de circulação de ar, já então sem tempo para que as empresas produtoras elaborem corretamente seus planos de produção, ficam ditas empresas autorizadas a fornecer ao consumidor simulacros artisticamente acabados daqueles aparelhos, que despertem suave impressão visual de refrigério no interior das habitações mais escaldantes.<br />
§ único — Também se faculta às mesmas empresas o fornecimento de pedaços isolados de aparelhos, a serem gradativamente montados pelos consumidores, em verões sucessivos, com a necessária assistência técnica do produtor ou do revendedor.</p>
<p>Artigo 15º<br />
O bom humor da população carioca de todas as camadas e subcamadas sociais, como de costume, se manterá invariavelmente alto e chispante de anedotas, piadas, trocadilhos, subentendidos, apelidos e a-propósitos, de modo a fazer do verão uma festa integral, ainda que se verifiquem imensas precipitações fluviais, com desabamentos, esmagamentos, afogamentos e outras calamidades.</p>
<p>Artigo 16º<br />
O uso de expressões como “puxa, que calor”, “calorão bravo este, hein?”, “amanhã ainda vai ser mais quente”, “isto aqui é a verdadeira fornalha de Pedro Botelho”, “vá fazer calor assim nos quintos dos infernos” será considerado completamente fora de moda, e declarados caretas aqueles que as pronunciarem, e, por outro lado, se revestirão de absoluta novidade e interesse expressões no estilo de “nunca vi uma temperatura tão deliciosa”, “os deuses não querem outra coisa no Olimpo”, “até que o calor está bastante relativo, como deve ser daqui por diante” e “não há nada como um verão depois de outro para refrescar o anterior”.</p>
<p>Artigo 17º<br />
Durante o subperíodo carnavalesco, os raios solares farão a fineza de aumentar consideravelmente de intensidade, para incutir mais fogo e ardor nas escolas de samba credenciadas pela Riotur, enfatizando assim a importância social e oficial do calor como fonte geradora de emoção coletiva.</p>
<p>Artigo 18º<br />
A população das favelas, em face do privilégio que desfruta de viver em altura muito superior à ocupada pelos demais habitantes do Rio de Janeiro, com refrigeração natural gratuita, fica dispensada de recorrer aos meios habituais de defesa contra o calor, a começar pelas piscinas que se reservam para o grosso da população menos favorecida topograficamente.</p>
<p>Artigo 19º<br />
O número de incêndios propositais ou misteriosos não poderá atingir nível exorbitante, tendo em vista a necessidade de reserva do volume de água disponível para acudir aos sinistros que ocorrem normalmente nesta quadra do ano e que, ao assumirem proporções avantajadas, constituem atração suplementar no painel de eventos de verão.</p>
<p>Artigo 20º<br />
Os casos de desidratação seguidos de óbito, resultantes do excesso de calor em contraste com a ausência de reservas orgânicas, notadamente em crianças subnutridas, devem figurar nas estatísticas demográficas em coluna sob a rubrica “Força do Destino”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Crônica de Carlos Drummond de Andrade, publicada na revista <em>Status,</em> janeiro de 1978.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42401" style="width: 300px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/verão1.jpg"><img class="size-full wp-image-42401" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/verão1.jpg" alt="Capa da revista Status, janeiro de 1978" width="290" height="417" /></a><p class="wp-caption-text">Capa da revista <em>Status,</em> janeiro de 1978</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Colaborou nessa pesquisa o historiador Vinicius Martins, da BN Digital.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
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