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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Academia Brasileira de Letras</title>
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		<title>Dia de Machado de Assis</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 18:58:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<category><![CDATA[abolição da escravatura]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira de Letras]]></category>
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		<description><![CDATA[A Prefeitura do Rio de Janeiro instituiu o Dia de Machado de Assis que será celebrado anualmente em 21 de junho, data de nascimento de Joaquim Maria Machado de Assis, considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa, além de ter sido um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. A data foi incluída no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas da cidade. A Brasiliana Fotográfica celebra a iniciativa destacando uma imagem de Machado produzida pelo fotógrafo Joaquim Insley Pacheco (1830 - 1912), em torno de 1880; e o registro produzido por Antônio Luiz Ferreira da Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, em 17 de maio de 1888, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A presença de Machado na fotografia foi descoberta por Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal, em maio de 2015.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo Decreto Rio nº 58.207/26, de 18 de junho de 2026, a Prefeitura do Rio de Janeiro instituiu o Dia de Machado de Assis que será celebrado anualmente em 21 de junho, data de nascimento do carioca Joaquim Maria Machado de Assis (21/06/1839 &#8211; 29/09/1908), considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa. A data foi incluída no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas da cidade, cenário constante da obra do escritor &#8211; lugares e ruas do Rio de Janeiro são constantemente citados nas crônicas, contos e livros de Machado, tendo sido o principal cronista do cotidiano carioca no século XIX.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45549" style="width: 771px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/26197" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45549" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado3.jpg" alt="O Cruzeiro, 24 de junho de 1939" width="761" height="528" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/26197" target="_blank"><em>O Cruzeiro,</em> 24 de junho de 1939</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nasceu no Morro do Livramento e viveu muitos anos, entre 1883 e 1908, no Cosme Velho, fato que originou o apelido <em>O Bruxo do Cosme Velho</em>, epíteto eternizado pelo escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987), autor do poema <em>A um bruxo, com amor* </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/96903" target="_blank"><em>Correio da Manhã, </em>28 de setembro de 1958</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45546" style="width: 408px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_Machado_de_Assis,_sem_data.tif?page=1" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45546" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado2.jpg" alt="Casa na Rua Cosme Velho 174, ode Machado de Assis viveu entre 1883 e 1908" width="398" height="432" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_Machado_de_Assis,_sem_data.tif?page=1" target="_blank">Casa na Rua Cosme Velho, onde Machado de Assis viveu entre 1883 e 1908 / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8220;<em>Perde a nossa língua um de seus mais vigorosos e profundos escritores. Com ele desaparece a mais leve e a mais encantadora das nossas prosas, a mais completa e a mais perfeita das organizações literárias que possuímos. Poeta, romancista, dramaturgo e jornalista, era Machado de Assis o tipo culminante e o mais simpático de nosso mundo de letras</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_01/17730" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 30 de setembro de 1908, </a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_01/17730" target="_blank">dia seguinte à morte de Machado</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica celebra a iniciativa da criação do Dia de Machado de Assis destacando duas imagens do escritor. A primeira foi produzida pelo fotógrafo e pintor português <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6048" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco (1830 &#8211; 1912)</a>, em torno de 1880. Insley foi um dos mais prestigiados e famosos retratistas do Brasil no século XIX, que &#8220;<em>tem tido a honra de copiar todos os narizes do Rio…”</em>, de acordo com o poeta e jornalista Faustino Xavier de Novais (1820 &#8211; 1869), irmão da esposa de Machado, Carolina Augusta (1835 &#8211; 1904) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/217280/22531" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 24 de outubro de 1863, terceira coluna</a>).</p>
<p>Machado escreveu em sua coluna do <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/18860" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em> de 7 de agosto de 1864</a> sobre suas visitas <em>à casa do Pacheco</em> (justamente Insley Pacheco), que definiu como o <em>mais luxuoso Templo de Delos</em> do Rio de Janeiro, exaltando poder ver no mesmo álbum fotográfico <em>os rostos mais belos do Rio de Janeiro, falo dos rostos femininos. </em>Contou também a história da chegada do daguerreótipo na cidade e, em seguida, elogiou o trabalho realizado pelo artista  J.T. da Costa Guimarães, uma miniatura de Diane de Poitiers, exposto no estabelecimento de Insley Pacheco. Finalmente, revelou que havia chegado há pouco tempo no referido ateliê um aparelho fotográfico destinado a reproduzir em ponto grande as fotografias de cartão. Termina seu passeio perguntando-se <em>“Até onde chegará o aperfeiçoamento do invento de Daguerre?”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 546px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7182" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7182/0071824cx014-13.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="536" height="726" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7182" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco. Retrato de Machado de Assis, c. 1880. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A segunda é de autoria de Antônio Luiz Ferreira (18? &#8211; 19?) e retrata a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank"><em>Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil,</em></a> em 17 de maio de 1888, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A presença de Machado na fotografia foi descoberta por mim, pesquisadora e editora do portal, e revelada no artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=528" target="_blank"><em>Missa Campal de 17 de maio de 1888</em></a>, publicado em 17 de maio de 2015.</p>
<p>A Missa Campal em São Cristóvão foi uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravos no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel, regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu, príncipe consorte, que, na foto, está ao lado da princesa, além de autoridades e políticos. De acordo com os jornais da época, foi um “espetáculo imponente, majestoso e deslumbrante”, ocorrido em um “dia pardacento” que contrastava com a alegria da cidade. Cerca de 30 mil pessoas estavam no Campo de São Cristóvão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45522" style="width: 390px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank"><img class="wp-image-45522 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado1.jpg" alt="machado1" width="380" height="371" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank">Antonio Luiz Ferreira. Detalhe da foto da Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 17 de maio de 1888. São Cristóvão, Rio de Janeiro.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A decisão da criação do Dia de Machado de Assis foi tomada pelo prefeito Eduardo Cavaliere (1994 -) após reunião com o jornalista Merval Pereira (1949 &#8211; ), presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual Machado foi um dos fundadores e primeiro presidente. A ideia é que o dia 21 de junho tenha uma programação dedicada à obra machadiana, semelhante ao <em>Bloomsday</em>, data celebrada anualmente, em 16 de junho, em homenagem ao escritor irlandês James Joyce (1882 &#8211; 1941).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.migalhas.com.br/quentes/458595/rj-cria-dia-de-machado-de-assis-e-oficializa-homenagem-ao-escritor" target="_blank"><img class=" size-full wp-image-45521 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado.jpg" alt="machado" width="553" height="515" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Bibliografia de Machado de Assis (ABL)</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>Queda que as mulheres têm para os tolos</em>, tradução, 1861.<br />
<em>Desencantos</em>, 1861.<br />
<em>Teatro</em>, 1863.<br />
<em>Quase ministro</em>, 1864.<br />
<em>Crisálidas</em>, 1864.<br />
<em>Os deuses de casaca</em>, 1866.<br />
<em>Falenas</em>, 1870.<br />
<em>Contos fluminenses</em>, 1870.<br />
<em>Ressurreição</em>, 1872.<br />
<em>Histórias da meia-noite</em>, 1873.<br />
<em>A mão e a luva</em>, 1874.<br />
<em>Americanas</em>, 1875.<br />
<em>Helena</em>, 1876.<br />
<em>Iaiá Garcia</em>, 1878.<br />
<em>Memórias póstumas de Brás Cubas</em>, 1881.<br />
<em>Tu, só tu, puro amor</em>, 1881.<br />
<em>Papéis avulsos</em>, 1882.<br />
<em>Histórias sem data</em>, 1884.<br />
<em>Quincas Borba</em>, 1891.<br />
<em>Várias histórias</em>, 1896.<br />
<em>Páginas recolhidas</em>, 1899.<br />
<em>Dom Casmurro</em>, 1899.<br />
<em>Poesias completas</em>, 1901.<br />
<em>Esaú e Jacó</em>, 1904.<br />
<em>Relíquias de casa velha</em>, 1906.<br />
<em>Memorial de Aires</em>, 1908.<br />
<em>Crítica</em>, 1910.<br />
<em>Outras relíquias</em>, 1910.<br />
<em>Correspondência</em>, 1932.<br />
<em>Crônicas</em>, 4 vols., 1937.<br />
<em>Crítica literária</em>, 1937.<br />
<em>Casa velha</em>, 1944.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>*<strong>A um bruxo, com amor</strong></em></span></p>
<p style="text-align: left;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<p id="aad9" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Em certa casa da Rua Cosme Velho</p>
<p class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">(que se abre no vazio)<br />
venho visitar-te; e me recebes<br />
na sala trastejada com simplicidade<br />
onde pensamentos idos e vividos<br />
perdem o amarelo,<br />
de novo interrogando o céu e a noite.</p>
<p id="4107" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.<br />
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,<br />
uma luz que não vem de parte alguma<br />
pois todos os castiçais<br />
estão apagados.</p>
<p id="7faa" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Contas a meia-voz<br />
maneiras de amar e de compor os ministérios<br />
e deitá-los abaixo, entre malinas<br />
e bruxelas.<br />
Conheces a fundo<br />
a geologia moral dos Lobo Neves<br />
e essa espécie de olhos derramados<br />
que não foram feitos para ciumentos.<br />
E ficas mirando o ratinho meio cadáver<br />
com a polida, minuciosa curiosidade<br />
de quem saboreia por tabela<br />
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.<br />
Olhas para a guerra, o murro, a facada<br />
como para uma simples quebra da monotonia universal<br />
e tens no rosto antigo<br />
uma expressão a que não acho nome certo<br />
(das sensações do mundo a mais sutil):<br />
volúpia do aborrecimento?<br />
ou, grande lascivo, do nada?</p>
<p id="6d8f" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,<br />
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,<br />
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,<br />
mostra que os homens morreram.<br />
A terra está nua deles.<br />
Contudo, em longe recanto, a ramagem começa a sussurrar alguma coisa<br />
que não se entende logo<br />
e parece a canção das manhãs novas.<br />
Bem a distingo, ronda clara:<br />
é Flora,<br />
com olhos dotados de um mover particular<br />
entre mavioso e pensativo;<br />
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);<br />
Virgília,<br />
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;<br />
Mariana, que os tem redondos e namorados;<br />
e Sancha, de olhos intimativos;<br />
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,<br />
o mar que fala a mesma linguagem<br />
obscura e nova de D. Severina<br />
e das chinelinhas de alcova de Conceição.<br />
A todas decifraste íris e braços<br />
e delas disseste a razão última e refolhada<br />
moça, flor mulher flor<br />
canção de manhã nova…<br />
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)<br />
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica<br />
entre loucos que riem de ser loucos<br />
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/endereco-no-qual-viveu-machado-de-assis-dara-lugar-deposito.phtml" target="_blank">Revista Aventuras na História</a></p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis" target="_blank">Site Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://www.migalhas.com.br/quentes/458595/rj-cria-dia-de-machado-de-assis-e-oficializa-homenagem-ao-escritor" target="_blank">Site Migalhas</a></p>
<p>WANDERLEY, Andrea C.T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=528" target="_blank"><em>Missa Campal de 17 de maio de 1888</em> </a>in Brasiliana Fotográfica, 17 de maio de 2015</p>
<p>___________________<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6048" target="_blank"><em>O retratista português</em> <em>Joaquim Insley Pacheco (31 de março de 1830 – 14 de outubro de 1912)</em></a> in Brasiliana Fotográfica, 14 de outubro de 2016</p>
<p><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_Machado_de_Assis,_sem_data.tif?page=1" target="_blank">Wikipedia</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Série &#8220;Hotéis do Brasil&#8221; VIII e Série &#8220;O Rio de Janeiro desaparecido&#8221; XXXI &#8211; O Hotel dos Estrangeiros, no Flamengo, e o Dia da Literatura Brasileira</title>
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		<pubDate>Thu, 01 May 2025 16:30:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje comemora-se o Dia da Literatura Brasileira em homenagem à data de nascimento do cearense José de Alencar (1829-1877),  importante escritor do Romantismo brasileiro, autor de clássicos como "Iracema", "Senhora", "O Guarani" e "Lucíola". Sua estátua, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi registrada por Marc Ferrez e por Augusto Malta. Esta efeméride seria, a princípio, o tema central deste artigo. Mas nas fotos da estátua, aparece o Hotel dos Estrangeiros, inaugurado, em 1849, e demolido em 1951 O artigo passou então a ser também sobre o hotel e a ser o 31º da série "O Rio de Janeiro desaparecido" e o oitavo da série "Hotéis do Brasil". Para homenagear o Dia da Literatura Brasileira, como já mencionado o ponto de partida deste artigo, o portal destaca, ainda, três imagens de importantes escritores brasileiros, todos fundadores da Academia Brasileira de Letras: Joaquim Nabuco, Lucio de Mendonça e Machado de Assis.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje comemora-se o Dia da Literatura Brasileira em homenagem à data de nascimento do cearense José de Alencar (1829-1877),  importante escritor do Romantismo brasileiro, autor de clássicos como <em>O Guarani</em> (1857), <em>Lucíola</em> (1862), <em>Iracema</em> (1865) e <em>Senhora</em> (1875). Sua estátua, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi registrada por Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923), em torno de 1897; e por Augusto Malta (1864 &#8211; 1957), em 1906. O Dia da Literatura Brasileira seria, a princípio, o tema central deste artigo. Mas, nas fotos do monumento, aparece o Hotel dos Estrangeiros. O artigo passou então a ser também sobre o hotel e a ser o 31º da série <em>O Rio de Janeiro desaparecido </em>e o 8º da série<em> Hotéis do Brasil.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 612px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6704" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6704/0071824cx006-04.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="602" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6704" target="_blank">Marc Ferrez. Monumento a José de Alencar, c. 1897. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12340" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12340/013RJ011044.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="630" height="523" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12340" target="_blank">Augusto Malta. Praça José de Alencar a partir do Hotel dos Estrangeiros, 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">O Hotel dos Estrangeiros* foi inaugurado, provavelmente, em 1849, ano em que foi mencionado pela primeira vez nos jornais da época, e ficava na Rua do Catete, nº 1 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_03/13912" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 8 de maio de 1849, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1231176/icon1231176.jpg" target="_blank"><img src="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1231176/icon1231176.jpg" alt="" width="702" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1231176/icon1231176.jpg" target="_blank">Gravura de Alfred Martinet (1821-1875). Largo do Catete, 18?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38667" style="width: 639px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_03/13912" target="_blank"><img class="wp-image-38667 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/01/ESTRANGEIRO4.jpg" alt="ESTRANGEIRO4" width="629" height="146" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_03/13912" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 8 de maio de 1849</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi demolido em 1951 e em seu lugar, foi construído o edifício Simon Bolivar (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_05/6535" target="_blank"><em>A Noite</em>, 16 de abril de 1951, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_06/10244" target="_blank">C<em>orreio da Manhã,</em> 17 de junho de 1951, quarta coluna</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_05/13194" target="_blank"><em>A Noite</em>, 26 de junho de 1952, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38665" style="width: 551px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_06/7166" target="_blank"><img class="wp-image-38665 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/01/ESTRANGEIRO.jpg" alt="ESTRANGEIRO" width="541" height="384" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_06/7166" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 7 de janeiro de 1951</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38664" style="width: 415px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_06/8679" target="_blank"><img class="wp-image-38664 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/01/ESTRANGEIRO1.jpg" alt="ESTRANGEIRO1" width="405" height="360" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_06/8679" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 8 de abril de 1951</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38668" style="width: 515px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/10244" target="_blank"><img class="wp-image-38668 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/01/ESTRANGEIRO2.jpg" alt="ESTRANGEIRO2" width="505" height="334" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/10244" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 17 de junho de 1951</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Breve histórico do Hotel dos Estrangeiros no Catete</em></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4430" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4430/SAm52-0048.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="563" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4430" target="_blank">Georges Leuzinger. Hotel dos Estrangeiros, vendo-se ao fundo o Pão de Açúcar, 1865. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um dos pioneiros na história da hotelaria carioca, o Hotel dos Estrangeiros era, quando inaugurado, dirigido por Milliet Chesnay, William Coute e Lafourcade pertencia a Francisco Lumau e ficava na confluência das atuais ruas Senador Vergueiro e Barão do Flamengo, em frente à atual Praça José de Alencar. Oferecia <em>uma vista magnífica para o mar, e reúne todas as comodidades para banhos </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/313394x/3563" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1850</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38666" style="width: 735px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/313394x/2887" target="_blank"><img class="  wp-image-38666" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/01/ESTRANGEIRO3.jpg" alt="ESTRANGEIRO3" width="725" height="97" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/313394x/2887" target="_blank"><em>Almanak Laemmert,</em> 1849</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao longo da década de 1850, eram vendidos no hotel ingressos para espetáculos teatrais e esportivos (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/094170_01/43978" target="_blank"><em>Diário do Rio</em>, 8 de novembro de 1853, última coluna</a>; <em>C<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709719/1074" target="_blank">ourrier du Brésil</a></em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709719/1074" target="_blank">, 31 de outubro de 1858, última coluna</a>). Em 1856, pertencia a João Mayall, que plantou as quatro figueiras em frente ao edifício, que encantavam os visitantes e que foram tema do poema <em>As quatro irmãs</em>, de Odete de São Felix Simonsen (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/313394x/9711" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1856</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/3071" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 4 de junho de 1950, quarta coluna</a>).</p>
<p>Em torno de 1860, diplomatas norte-americanos passaram a residir no hotel (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/025909_04/6303" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 7 de novembro de 1942, segunda coluna)</a>.</p>
<p>Em 1896, foi anunciado que ele havia passado por uma reforma. Tinha instalações bonitas e higiênicas, um bom restaurante e dispensava a seus clientes um tratamento diferenciado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="card-title" style="text-align: center;">
<div id="attachment_38717" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/349070/4722" target="_blank"><img class="wp-image-38717" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/ESTRANGEIRO6.jpg" alt="ESTRANGEIRO6" width="506" height="450" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/349070/4722" target="_blank"> The Rio News, 31 de março de 1896</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><em>&#8220;Esse hotel que foi completamente restaurado, situa-se na melhor parte da cidade, recebendo ar e luz por todos os lados, próximo a mais limpa praia da cidade e cercado por um grande jardim. Possui quartos grandes e confortáveis e bem mobilhados, bons chuveiros, e banhos quentes, desinfetantes na água, armários, água potável filtrada pelo sistema Pasteur, bom serviço de mesa, e é considerado o primeiro hotel dessa capital. Possui ainda suntuosos salões, e serviço de mesa esplendido para baquetes. O restaurante e serviços não podem ser superados&#8221;</em>.</p>
</div>
<p>Tornou-se a moradia de autoridades nacionais, chefes de estado em visita ao Rio de Janeiro e personalidades importantes nacionais e estrangeiras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38716" style="width: 784px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/2331" target="_blank"><img class="wp-image-38716 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/ESTRANGEIRO7.jpg" alt="ESTRANGEIRO7" width="774" height="525" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/2331" target="_blank"><em>Careta</em>, 26 de março de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi um ponto de importantes reuniões e encontros, tanto de natureza social quanto política. Foi lá que Prudente de Moraes (1841 &#8211; 1902), primeiro presidente civil e eleito no Brasil, foi morar com sua família quando veio de São Paulo, em 1894 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_03/10757" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 8 de novembro de 1894, segunda coluna</a>). E também foi lá que nasceu a candidatura do marechal Hermes da Fonseca (1855 &#8211; 1923) à Presidência da República, cargo que exerceu entre 1910 e 1914.</p>
<p>Foi cenário, em 8 de setembro de 1915, do assassinato do senador José Gomes Pinheiro Machado (1851 &#8211; 1915), importante e poderoso político da República Velha. Foi apunhalado por Manso de Paiva (c. 1886 &#8211; década de 1960), no saguão do hotel, aonde visitaria o político Rubião Junior (1851-1915), do Partido Republicano Paulista. Suas últimas palavras teriam sido: <em>&#8220;Ah, canalha! Apunhalaram-me!</em>&#8221; (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/083712/14621" target="_blank"><em>Careta</em>, 11 de setembro de 1915</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/120588/4251" target="_blank"><em>A Noite</em>, 24 de janeiro de 1934</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/41822" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 8 de julho de 1944</a>).</p>
<p>Meses antes, Pinheiro Machado previra sua própria morte em entrevista ao jornalista João do Rio: <em>&#8220;Morro na luta. Matam-me pelas costas, são uns &#8216;pernas finas&#8217;. Pena que não seja no Senado, como César&#8230;&#8221;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38696" style="width: 701px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/025909_01/22410" target="_blank"><img class="size-full wp-image-38696" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/ESTRANGEIRO5.jpg" alt="Revista da Semana, 15 de maio de 1915" width="691" height="525" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/025909_01/22410" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 11 de maio de 1915</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi noticiado o despejo do hotel em fins de 1949 e, em 5 de abril de 1950, foi requerida por seus credores a decretação de sua falência (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/221961_02/55771" target="_blank"><em>Diário da Noite,</em> 14 de dezembro de 1949, segunda coluna;</a><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/1788" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 5 de abril de 1950, sexta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/3071" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 4 de junho de 1950</a>). Em setembro do mesmo ano, foi alugado pela Justiça Eleitoral (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116408/49992" target="_blank"><em>A Manhã</em>, 9 de setembro de 1950, terceira coluna</a>). Em fevereiro de 1951, foi anunciado um baile de carnaval em suas dependências. Poucos meses depois foi demolido: <em>uma tradição do Rio que mergulha no esquecimento para sempre </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_07/46370" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 17 de dezembro de 1949, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/7338" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 18 de janeiro de 1951, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.mercadolivre.com.br/hotel-dos-estrangeiros--rio-de-janeiro--09022245/up/MLBU1347696270?matt_tool=85323812&amp;matt_word=MLB_ML_RTB_AO_GEN_X_RMKT_ALLB_TXS_WEB&amp;matt_product_id=MLB2712638923&amp;utm_source=rtbhouse&amp;utm_medium=display&amp;utm_campaign=MLB_ML_RTB_AO_GEN_X_RMKT_ALLB_TXS_WEB&amp;utm_term=pms-word%3AMLB_ML_RTB_AO_GEN_X_RMKT_ALLB_TXS_WEB&amp;utm_id=pms-tool%3A85323812&amp;rtbhc=IfD9cDPALzyuzthZpyTce-5marQYh6BB5Vu-O9ivqRY.MLB2712638923.1774457516291.0.R7qqylqs3Pgnk70EiDpw" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-43929" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/estrangeiros.jpg" alt="estrangeiros" width="535" height="346" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Dia da Literatura Brasileira</em></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para homenagear o Dia da Literatura Brasileira, como já mencionado o ponto de partida deste artigo, o portal destaca, ainda, três imagens de importantes escritores brasileiros, todos fundadores da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28740" target="_blank">Academia Brasileira de Letras</a>: Joaquim Nabuco (1849-1910), Lucio de Mendonça (1854-1909) e Machado de Assis (1839-1908). As fotografias foram produzidas por Augusto Malta, José Ferreira Guimarães (1841-1924) e por Joaquim Insley Pacheco (1830-1912) com Marc Ferrez, respectivamente. Lembramos aqui que, por escolha de Machado de Assis, José de Alencar é o patrono da cadeira n. 23 da Academia Brasileira de Letras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9179" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9179/Pereira%20Passos%2c%20Maria%20Rita%20Passos%2c%20Joaquim%20Nabuco%20e%20grupo%20de%20pessoas%20nas%20escadarias%20do%20Hotel%20White%2c%20durante%20o%20passeio%20de%20Elihu%20Root%20%c3%a0%20Floresta%20da%20Tijuca%20Cole%c3%a7%c3%a3o%20FPft0597%281%29.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="463" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9179" target="_blank">Augusto Malta. Maria Rita Passos, as senhoritas Teixeira Castro e Joaquim Nabuco em automóvel na Vista Chinesa, durante o passeio de Elihu Root à Floresta da Tijuca, 3 de agosto de 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5407" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5407/BR_RJANRIO_O2_0_FOT_0282_001.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="533" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5407" target="_blank">José Ferreira Guimarães. [Retrato de Lúcio Eugênio de Menezes e Vasconcelos Drummond Furtado de Mendonça], 1896. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<div style="width: 555px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/953" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/953/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="545" height="713" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/953" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco; Marc Ferrez e Livraria Lombaerts &amp; C. Galeria contemporanea do Brazil : Machado de Assis : [retrato], 1884. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN </a></p></div>
<p style="text-align: center;">´<br />
A propósito, o Hotel dos Estrangeiros foi citado em dois romances e em um conto de Machado de Assis:</p>
<p><em>&#8220;- Tenho de jantar com um amigo, no Hotel dos Estrangeiros. Depois, talvez, ou amanhã. Vá, vá tranquilizar a baronesa, e os rapazes. Os rapazes estarão em paz? Esses brigam, com certeza; vá pô-los em ordem&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Esaú e Jacó</em> (1904)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>&#8220;Cheguei ao <mark>Hotel de Estrangeiros</mark> ao declinar da tarde. Minha mulher esperava-me para jantar. Eu, ao entrar no quarto, peguei-lhe das mãos, e perguntei-lhe:</em></p>
<p id="32186"><em>- O que é eterno, Iaiá Lindinha?</em></p>
<p id="32187"><em>Ela, suspirando:</em></p>
<p id="32188"><em>- Ingrato! É o amor que te tenho.</em></p>
<p id="32189"><em>Jantei sem remorsos; ao contrário, tranquilo e jovial. Cousas do <a id="32190" data-commentid="32190"></a>Tempo! Dá-se-lhe um punhado de lodo, ele o restitui em diamantes&#8230;&#8221;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Eterno!</em> (1899) &#8211; conto</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8220;25 de junho</p>
<div class="chapter-list">
<div class="reference-chapter">
<div class="reference-text">
<p><em>Campos e Aguiar queriam, à sua vez, que o jovem casal viesse aposentar-se em casa deles, e alegaram a razão de ser por poucos dias, pois que tinham de embarcar. Tristão e Fidélia recusaram e foram para o <mark>Hotel dos Estrangeiros</mark>. A razão alegada por estes foi a mesma dos poucos dias, e eu creio que era verdadeira, mas principalmente seria a de não dar preferência a um nem a outro.</em></p>
</div>
</div>
<div class="reference-chapter">
<div class="reference-text">
<p><em>Não escrevo o que lá se passou para me não demorar a dizer tudo, que é muito. Vi-os felizes a todos quatro. D. Carmo parecia esconder a tristeza da viagem que se aproxima, ou temperá-la com a ideia da volta, a que aludia frequentemente e a propósito de tudo, como a avivar a obrigação. Assim correram as horas depressa. Saí com eles até o <mark>hotel</mark>; dali seguiu Campos para Botafogo e vim eu para o Catete&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Memorial de Aires</em> (1908)</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="card-title" style="text-align: left;">
<p>De acordo com o portal <a href="https://machadodeassis.net/referencia/hotel-dos-estrangeiros/15790" target="_blank">machadodeassis.net</a>:</p>
<p><em>Segundo o Almanaque Laemmert de 1888, havia dois hotéis com esse nome: um em francês (Hôtel des Étrangers), pertencente a Pedro Lemgruber, que ficava na rua da Assembleia, 54; outro em português (Hotel dos Estrangeiros), pertencente a João Mayall, que ficava &#8220;no caminho Velho de Botafogo, em frente ao largo do Catete&#8221;, isto é, na confluência da rua Senador Vergueiro com a rua Barão do Flamengo, no bairro do Flamengo, na zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, em frente à atual praça José de Alencar. O contexto da ficção machadiana sugere que se trata do segundo, que era um estabelecimento de grande prestígio à época.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>O monumento a José de Alencar, no Flamengo</em></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12329" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12329/013RJ011022.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="558" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12329" target="_blank">Augusto Malta. Estátua de José de Alencar; em frente ao Hotel dos Estrangeiros, 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div class="card-title" style="text-align: center;">
<p style="text-align: left;">O monumento a José de Alencar, no Flamengo,<em> </em>obra do escultor Rodolfo Bernardelli (1852 &#8211; 1931), foi inaugurado em 1º de maio de 1897, no Largo do Catete, que passou nesta data a se chamar Praça José de Alencar &#8211; era anteriormente denominada Praça Ferreira Vianna. Foi o primeiro monumento erguido no Brasil para homenagear um escritor brasileiro e é composto por uma estátua de José de Alencar, quatro relevos e quatro medalhões em bronze, dispostos em uma base octogonal, onde estão gravadas cenas dos romances <em>Iracema</em>, <em>O Gaúcho</em> <em>O Guarani </em>e <em>O Sertanejo</em>, de autoria do homenageado.</p>
</div>
<div class="card-title" style="text-align: left;">Sua inauguração contou com a presença do então presidente da República, Prudente de Moraes, do prefeito Francisco Furquim Werneck de Almeida (1846 &#8211; 1908) e de diversas autoridades e, <em>apesar do sol e imenso calor, a praça e as imediações estavam apinhadas.</em> Sua viúva, filhos, seu irmão, o barão de Alencar (1832 &#8211; 1921); e outros familiares também estiveram presentes à cerimônia. Na ocasião, discursaram Ferreira de Araújo (1848 &#8211; 1900), fundador da <em>Gazeta de Notícias;</em> os escritores Coelho Neto (1864 &#8211; 1934) e Olavo Bilac (1865 &#8211; 1918), além de políticos presentes (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_03/16167" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 2 de maio de 1897, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_02/18072" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 2 de maio de 1897, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/025909_04/6303" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 9 de maio de 1942</a>).</div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>“Bernardelli deu a José de Alencar (mais conhecido ainda hoje como político do que como romancista) a mais bela e duradoura das consagrações, já agora é possível que a profissão das letras mereça mais respeito, uma vez que o povo está vendo que um homem de letras merece também a homenagem devida aos heróis e aos benfeitores da pátria. </em></p>
</div>
<div class="card-title" style="text-align: left;"><em>E não seria justo que o nome do escultor não fosse entregue ao aplauso público, ao lado do nome do escritor glorificado.</em></div>
<div class="card-title" style="text-align: left;"><em>E que este dia (o primeiro dia em que o governo do meu país dá uma demonstração pública de que deseja honrar a arte e a literatura do Brasil, vindo assistir a essa festa de homens de letras) possa iniciar uma era nova de florescimento intelectual.”</em></div>
<div class="card-title" style="text-align: left;"></div>
<div class="card-title" style="text-align: right;">Trecho do discurso de Olavo Bilac</div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A ideia da construção do monumento partiu dos redatores do <em>Monitor Sul Mineiro</em>, da cidade de Campanha, em Minas Gerais, que abriram uma subscrição para esse fim. A família do jornalista Evaristo da Veiga (1799 &#8211; 1837) incumbiu a divulgação da ideia à<em> Gazeta de Notícias </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_02/68" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias, </em>20 de janeiro de 1880, segunda coluna)</a>. Foram feitos diversos donativos e, em 1º de dezembro de 1894, foi realizado um concerto, no Cassino Fluminense, para arrecadar dinheiro para a construção da estátua (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_03/10915" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 1º de dezembro de 1894)</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Não confundir com o Hotel dos Estrangeiros que existiu anteriormente na Rua da Cadeia, 69 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/094170_01/30027" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 9 de julho de 1846, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
</div>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="card-title" style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.clicrbs.com.br/pdf/17620664.pdf" target="_blank">Almanaque Gaúcho</a></p>
<p><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/pinheiro-machado-historia-republica-velha.phtml" target="_blank">Aventuras na História</a></p>
<p>DUNLOP, Charles. <em>Rio Antigo</em>, volume II. Rio de Janeiro : Cia. Editora e Comercial F. Lemos, 1956.</p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>Nosso Século 1910/1930 &#8211; Anos de crise e de criação. São Paulo : Editora Abril, 1980</p>
<p>SILVA, Maria do Carmo Couto da<em>. <a href="http://www.cbha.art.br/pdfs/cbha_2010_silva_maria_a_res.pdf" target="_blank">Escultura e literatura nacional: o monumento a José de Alencar (1897</a>). </em></p>
<p><a href="https://fragmentosarqueologicos.blogspot.com/2015/12/o-hotel-dos-estrangeiros-1849-1950.html" target="_blank">Site Arqueologia Histórica do Rio de Janeiro</a></p>
<p>WANDERLEY, Andrea C.T. <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28740" target="_blank">A fundação da Academia Brasileira de Letra</a>s</em>  in Brasiliana Fotográfica, 20 de julho de 2022.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="card-title" style="text-align: left;"></div>
</div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Série &#8220;Feministas, graças a Deus!&#8221; XVIII &#8211; Júlia Lopes de Almeida (1862 &#8211; 1934), a &#8220;escritora da Belle Époque tropical&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Jun 2024 15:35:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<description><![CDATA[A escritora, jornalista, iluminista, abolicionista, defensora da educação e das ideias feministas, Júlia Lopes de Almeida (1862 - 1934), é o destaque da 18ª publicação da série "Feministas, graças a Deus!". Carioca, nasceu em 24 de setembro de 1862, na Rua do Lavradio, 53, filha de imigrantes portugueses. Foi autora de inúmeros romances e contos, tendo também escrito para teatro e colaborado em diversas publicações. Foi aclamada pelo público e pela crítica literária e, na virada do século XIX para o século XX, era considerada a escritora mais importante do Brasil. Com sua produção literária e em suas ações concretas, Júlia realizou o "feminismo possível" dentro das limitações de sua época e do meio social em que viveu. Condenava a supremacia masculina, defendia o direito ao voto para as mulheres e combatia a exploração no trabalho, a escravidão e as violências sexuais contras mulheres. Faleceu em maio de 1934.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A escritora, jornalista, iluminista, abolicionista, defensora da educação e das ideias feministas, Júlia Lopes de Almeida (1862 &#8211; 1934), é o destaque da 18ª publicação da série <em>Feministas, graças a Deus</em>!. Carioca, nasceu em 24 de setembro de 1862, na Rua do Lavradio, 53, filha do médico Valentim José da Silveira Lopes, mais tarde Visconde de São Valentim, e de Adelina Pereira Lopes, imigrantes portugueses que haviam exercido o magistério em Portugal. Foi autora de inúmeros  romances e contos, tendo também escrito para teatro e colaborado em diversas publicações. Foi aclamada pelo público e pela crítica literária, considerada<em> uma figura excepcional em nossas letras.</em> Na virada do século XIX para o século XX, era considerada a escritora mais importante do Brasil, e foi apontada <em>como a maior romancista da geração de escritores que sucedeu a Machado de Assis e precedeu a eclosão do movimento modernista</em>. Com sua produção literária e em suas ações concretas, Júlia realizou o <em>feminismo possível</em> dentro das limitações de sua época e do meio social em que viveu. Condenava a supremacia masculina, defendia o direito ao voto para as mulheres e combatia a exploração no trabalho, a escravidão e as violências sexuais contras mulheres. Faleceu em maio de 1934.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35698" style="width: 565px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11336" target="_blank"><img class="wp-image-35698 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia.jpg" alt="julia" width="555" height="545" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11336" target="_blank">Júlia Lopes de Almeida, I Conferência pelo Progresso Feminino, dezembro de 1922 (detalhe da foto). Rio de Janeiro, RJ / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo Vanina Eisenhart, em <em>Primeira-Dama Tropical: a cidade e o corpo feminino na ficção de Júlia Lopes de Almeida</em>:</p>
<p><em>&#8221; Júlia Lopes de Almeida &#8230;, utilizando os modelos convencionais masculinos, apresenta uma ficção feminina que reúne os movimentos literários e ideologias sociais e científicas de sua época adaptando-as a um feminismo que não é confrontante com os padrões vigentes, mas também certamente não se enquadra nos ‘bastidores’ do patriarcado brasileiro&#8221;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11336" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11336/BR_RJANRIO_Q0_ADM_EVE_CNG_FOT_0001_m0006de0010.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="468" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11336" target="_blank">Carrie Chapman ladeada por Bertha Lutz e Júlia Lopes de Almeida, I Conferência pelo Progresso Feminino, dezembro de 1922. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35724" style="width: 461px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/8543" target="_blank"><img class="wp-image-35724 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia10.jpg" alt="Revista da Semana, 14 de outubro de 1916" width="451" height="176" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/8543" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 14 de outubro de 1933</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Por que não o hei de enganar do mesmo modo? Em consciência, não há homens nem mulheres: há seres com iguais direitos naturais, mesmas fraquezas e iguais responsabilidades&#8230;</em><em>Mas não há meio dos homens admitirem semelhantes verdades. Eles teceram a sociedade com malhas de dois tamanhos – grandes para eles, para que seus pecados e faltas saiam e entrem sem deixar sinais; e extremamente miudinhas para nós.&#8221;</em></span></p>
<p style="font-weight: 400; text-align: right;">Júlia Lopes de Almeida, em <em>Eles e elas</em>. 2ª ed., Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1922, p. 137.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A família de Júlia veio para o Brasil na década de 1850. Seus pais estabeleceram um pequeno colégio em Macaé. Em 1860, o casal e seus filhos foram para o Rio de Janeiro fundando o Colégio de Humanidades, transferindo-o poucos anos depois para Nova Friburgo, onde Júlia passou os primeiros cinco, seis anos de sua vida. O pai de Júlia, Valentim, foi fazer o curso de Medicina na Alemanha, deixando o colégio sob a responsabilidade da esposa, que era formada em canto, composição e piano. Valentim retornou ao Brasil em 1867 e por cerca de três anos exerceu o cargo de médico substituto do Hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro. Entre 1869 e 1885, Júlia viveu com sua família em Campinas, onde seu pai inaugurou a Casa de Saúde do Senhor Bom Jesus, da qual era proprietário. A casa da família agregava a intelectualidade da cidade. Em 1875, Júlia foi pela primeira vez a Portugal.</p>
<p>Em 7 de dezembro de 1881, seu primeiro artigo, <em>Gemma Cuniberti</em>, sobre a atriz italiana que dá nome ao texto, foi publicado na <em>Gazeta de Campinas</em>.</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;A elegância desse texto inaugural estampado na primeira página da Gazeta de 8 de dezembro de 1881, realçada pela utilização de um vocabulário desusadamente simples e direto, foram suficientes para abrirlhe o caminho para colaborações regulares naquelejornal. Seguem-se, ao longo de 1882 e 1883, três dúzias de artigos, liberados à média de dois por mês, que bastaram para consagrá-la como prosadora. O ano de 1884 marca uma inovação importante: aqueles primeiros textos, leves e concisos, dão lugar a uma série de artigos mensais, numerados seqüencialmente de 1 a VI, que aparecem sob a epígrafe &#8216;Leitura Popula?&#8217;, com o subtítulo &#8220;As Nossas Casas&#8221;. Neles é abordada a problemática cotidiana da dona-de-casa, da conservação da roupa branca aos cuidados específicos para a realização de bordados&#8221;. </em></span></p>
<p style="text-align: right;">Leonora de Luca (1997)</p>
<div id="attachment_35715" style="width: 773px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12684" target="_blank"><img class="size-full wp-image-35715" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia21.jpg" alt="Foto de Paul. Julia Lopes de Almeida., Rio de Janeiro, RJ / Acervo Arquivo Nacional" width="763" height="856" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12684" target="_blank">Foto de Paul. Júlia Lopes de Almeida, c. 1930.  Rio de Janeiro, RJ / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1884, estreou como cronista do jornal <em>O Paiz</em>, um dos mais importantes do Rio de Janeiro e durante cerca de 30 anos sua coluna abordou diversos assuntos, entre os quais se destacaram os relacionados à defesa da mulher.</p>
<p>Publicou seu primeiro livro, <em>Contos Infantis</em>, em 1886. Escrito em parceria com sua irmã, Adelina Lopes Vieira (1850 &#8211; 1923), reunia 33 textos em verso e 27 em prosa destinados às crianças. Em 1891, por decisão da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária da Capital Federal, este livro foi adotado para uso nas escolas primárias do Rio de Janeiro e depois para as de todo o Brasil durante mais de 20 anos.</p>
<p>Em 1887, em Portugal, publicou <em>Traços e Iluminuras</em>, seu primeiro livro de contos, e se casou, em Lisboa, em 28 de novembro de 1887, com o escritor português Filinto de Almeida (1857 &#8211; 1945). Na época, Filinto era diretor da revista <em>A Semana</em>. O casal teve os filhos Afonso (1888-), Adriano, Valentina, Albano (1894-), Margarida (1896-) e Lúcia (1897-). Júlia passou a colaborar em diversos jornais e almanaques, tanto do Brasil como em Portugal. No ano seguinte, o casal voltou para o Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro. Em 1889 , transferiram-se para São Paulo, onde Filinto foi dirigir o jornal <em>A Província de São Paulo</em>. Voltaram para o Rio de Janeiro, em 1895, após a morte dos filhos Adriano e Valentina. Foram morar em Santa Teresa.</p>
<p>Júlia participou das primeiras reuniões para a fundação da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28740" target="_blank">Academia Brasileira de Letras (ABL) </a>e seu nome constava da primeira lista extraoficial dos 40 &#8220;imortais&#8221;, elaborada por Lúcio de Mendonça (1854 &#8211; 1909), conforme publicado no jornal <em>O Estado de São Paulo</em>, de 12 de dezembro de 1896.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia5.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-35719" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia5.jpg" alt="julia5" width="279" height="535" /></a><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia6.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-35720" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia6.jpg" alt="julia6" width="276" height="531" /></a><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia7.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-35721" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia7.jpg" alt="julia7" width="270" height="311" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><em>                                                                  O Estado de São Paulo</em>, 12 de dezembro de 1896</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Apesar de sua importância na literatura, chamada muitas vezes de &#8220;Rainha das escritoras&#8221;, Júlia não pode integrar os quadros da entidade, fundada em 20 de julho de 1897, uma vez que, seguindo o modelo da Academia Francesa, a ABL optou por ser exclusivamente masculina. Júlia foi substituída por seu marido, Filinto de Almeida, fundador da cadeira nº 3, que chegou a ser considerado &#8220;acadêmico consorte&#8221;. &#8220;<em>Não era eu quem devia estar na Academia, era ela</em>&#8220;, declarou Filinto na <em>Gazeta de Notícias</em> de 25 de março de 1905.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 227px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.academia.org.br/academicos/filinto-de-almeida" target="_blank"><img src="https://www.academia.org.br/sites/default/files/academicos/fotografias/filinto-de-almeida.jpg" alt="" width="217" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.academia.org.br/academicos/filinto-de-almeida" target="_blank">Filinto de Almeida (1857 &#8211; 1945) / ABL</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Em que pese a inexistência de registros oficiais acerca dos bastidores dessa valsa das cadeiras, o episódio nos possibilita inferir que, se, por um lado, a arbitrariedade da decisão não arrefeceu o vigor criativo de Júlia Lopes de Almeida, haja vista a forma regular com que continuou a produzir e a publicar seus escritos, por outro, deixou evidente sua posição em falso no ainda incipiente campo literário brasileiro, uma vez que o considerável prestígio que desfrutava entre seus pares não se mostrara suficiente, a ponto de assegurar sua presença no seleto rol dos imortais. Estávamos, pois, diante não apenas da primeira lacuna institucional feminina na ABL, mas de um acontecimento ilustrativo das forças sociais que, ocultamente, operavam na fabricação do cânon literário, eclipsando o protagonismo das mulheres que tencionavam fazer da pena um ofício&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Michele Asmar Fanini</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Somente oito décadas após sua criação uma mulher foi eleita para integrar a Academia Brasileira de Letras: a escritora cearense Rachel de Queiroz  (1910 – 2003), em 4 de novembro de 1977, passou a ocupar a cadeira nº 5 da instituição. Em 1996, a escritora Nélida Piñon (1937 – 2022) foi eleita a primeira mulher presidente da ABL.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35896" style="width: 425px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/709689/67" target="_blank"><img class="size-full wp-image-35896" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia16.jpg" alt="Tagarela, 1902" width="415" height="914" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/709689/67" target="_blank"><em>Tagarela</em>, 26 de abril de 1902</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1905, Júlia tornou-se uma das poucas mulheres a participar da série de conferências inauguradas por Coelho Neto (1864 &#8211; 1934) e Olavo Bilac (1865 &#8211; 1918), motivando polêmicas a respeito do papel da mulher na arcaica sociedade brasileira.</p>
<p>Na casa do casal Filinto e Júlia, em Santa Teresa, segundo João do Rio um “<i>cottage</i> admirável, construído entre as árvores seculares da estrada de Santa Teresa” (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/9456" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 25 de março de 1905, primeira coluna</a>) eles eram os anfitriões do <em>Salão Verde</em>, situado no terraço da residência, local frequentado pelos artistas e intelectuais da época, tanto brasileiros quanto estrangeiros, entre os primeiros anos do século XX até 1925, quando se mudaram para Paris. No Salão Verde eram realizados<em> tertúlias e saraus. </em>Como as mulheres escritoras não eram convidadas para as reuniões literárias realizadas em cafés e confeitarias, Júlia encontrou como saída criar um espaço alternativo, fundando um espaço literário, tornando-se anfitriã e, assim, facilitando sua presença no universo da literatura, ainda preponderantemente masculino. Foi considerada, segundo Hilda Machado, a sucessora brasileira da francesa Madame de Staël (1766 &#8211; 1817). &#8220;<em>Talvez por se tratar de “espaço[s] semipúblico[s], situado[s] entre a casa e a rua”, os salões literários tenham se convertido em um poderoso acicate à emancipação feminina, ou então, em “um dos poucos territórios onde as mulheres tinham um lugar reconhecido e onde efetivamente desenvolveram formas originais de sociabilidade em torno do exercício e do debate literário” </em>(HOLLANDA, 1993, p. 21).</p>
<p>Nesta entrevista a João do Rio, Júlia revelou que escrevia versos escondida e que foi uma de suas irmãs que a surpreendeu escrevendo e mostrou ao pai, que a estimulou  a escrever.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_04&amp;Pesq=%22julia%20lopes%22&amp;pagfis=9456" target="_blank"><img class=" size-full wp-image-35726 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia111.jpg" alt="julia11" width="640" height="860" /></a></p>
<p><a href="https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_04&amp;Pesq=%22julia%20lopes%22&amp;pagfis=9456"><img class=" size-full wp-image-35727 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia12.jpg" alt="julia12" width="633" height="682" /></a></p>
<div id="attachment_35728" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_04&amp;Pesq=%22julia%20lopes%22&amp;pagfis=9456" target="_blank"><img class="wp-image-35728 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia13.jpg" alt="julia13" width="640" height="762" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_04&amp;Pesq=%22julia%20lopes%22&amp;pagfis=9456" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 25 de março de 1905</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi uma das personalidades que a poetisa francesa Jane Catulle Mendès (1867 &#8211; 1955) conheceu quando passou uma temporada, entre setembro e dezembro de 1911, no Rio de Janeiro, cidade a qual se referiu como <em>cidade maravilhosa</em>. Julia uma crônica a respeito de Jane, publicada no jornal <a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_04/8662" target="_blank"><em>O Paiz</em>, de 3 de outubro de 1911.</a> Quando Julia esteve em Paris, foi homenageada por Jane com um banquete no MacMahon Palace, em fevereiro de 1914, com a presença de 160 pessoas ligadas às letras brasileiras e francesas. Na ocasião, Julia foi saudada como a <em>George Sand do Brasil (L´Espagne</em>, 26 de fevereiro de 1914). Anos depois, em 1936, em<em> Letras e literatos, </em>obra póstuma de José Veríssimo (1857 &#8211; 1916), foi publicado:</p>
<p style="font-weight: 400;"><em>“Não podemos afirmar se têm razão os que declaram que Júlia Lopes de Almeida foi nossa George Sand. Parece-nos mesmo, que não há motivos para, nesse terreno, se fazer comparações e traçar paralelos. Júlia Lopes de Almeida dispunha de personalidade própria, virtude que se evidencia principalmente nos seus contos e novelas curtas. Sua obra reflete com brilho e colorido uma época da vida da burguesia rica do Brasil, sem preocupação de crítica social, é verdade, mas com profundo sentimento e compreensão dos nossos costumes, preconceitos e falhas.”</em></p>
<p style="font-weight: 400;">Julia participou ativamente, com a feminista <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21354" target="_blank">Bertha Lutz (1894 &#8211; 1976</a>), da criação da Legião da Mulher Brasileira, sociedade instituída em 1919, da qual foi presidenta honorária.</p>
<p>Em 1922, proferiu a conferência intitulada <em>Brasil</em> no Conselho Nacional de Mulheres da Argentina. No mesmo ano, foi a presidente de honra da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=30702" target="_blank">1ª Conferência pelo Progresso Feminino</a> que aconteceu, entre 19 e 23 de dezembro de 1922, no Edifício Silogeu, do Instituto dos Advogados, no centro do Rio de Janeiro, e em Petrópolis. A tese geral da conferência foi <em>“a colaboração da Liga pelo Progresso Feminino na educação da mulher no bem social e aperfeiçoamentos humanos”</em> e apresentava como um de seus objetivos <em>“deliberar sobre questões práticas de ensino e instrução feminina”</em>. A feminista <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21354" target="_blank">Bertha Lutz (1894 &#8211; 1976</a>) foi a presidente do evento, no qual participou a líder feminista norte-americana Carrie Chapman Catt (1859 &#8211; 1947), fundadora da Associação Nacional do Sufrágio Feminino dos Estados Unidos e presidente da recém-criada Associação Pan-Americana de Mulheres para a qual Bertha Lutz foi indicada vice-presidente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 848px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html"><img src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiTZV0EXE2UWSMyyCBedi0Zd3nt_b7N13-ucEtANbzT_nZmPRuvOeKDfYgfP53ziYNJmVDtZNsZ2z4iKtjv0yIqwW7u2ibNauA_LtXbC0Hh3afqL2F1ezHJ9s3Ze1ss91TVIK42w0KzC-mD/s838/J%25C3%25BAlia+Lopes+de+Almeida+-+I+Congresso+Feminista+do+Brasil+%25281922%2529.+Da+esquerda+para+a+direita%252C+J%25C3%25BAlia+Lopes+de+Almeida+%25C3%25A9+a+primeira+que+se+encontra+sentada.+foto+Fundo+PBPF.+Arquivo+Nacional.png" alt="" width="838" height="455" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html">I Congresso Feminista do Brasil, 1922. Rio de Janeiro, RJ. Da esquerda para a direita, Júlia Lopes de Almeida é a primeira que se encontra sentada / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
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<p>Júlia tornou-se patrona da Cadeira nº26 da Academia Carioca de Letras, fundada em 8 de abril de 1926. A cadeira já foi ocupada por Afonso Lopes de Almeida, Nelson Costa, Luiz de Castro Souza e Tânia Zagury. No centenário de seu nascimento, em 1962, Júlia foi homenageada com um Ex-líbris comemorativo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjqDvgA3mZgV1mRyAJZK9TcJT1obx9bG3swjtW-pcsTXLbCRbRTXJQRvUqMeKO6CJ86T-HG5CWoTEw4uNB37qyCQGWL8wsrepIvG9-GCPiy9ICfhpTJtU4WuDbptSx3ozbfYOhsPhK65dU/s1600/J%C3%BAlia+Lopes+de+Almeida+,+ilustra%C3%A7%C3%A3o+Alberto+Lima.jpg" alt="" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Também participou do II Congresso Internacional Feminista do Brasil, organizado pela <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26964" target="_blank">Federação Brasileira pelo Progresso Feminino</a> e inaugurado, em 20 de junho de 1931, no Automóvel Club. Os temas do evento foram educação feminina, proteção às mães e à infância, trabalho feminino, direitos das mulheres e estreitamento das relações pan-americanas e internacionais. Sendo a mulher com o maior prestígio cultural no Brasil, foi uma das oradoras da cerimônia de abertura do congresso. Em seu encerramento, realizado em 30 de junho de 1931, <span class="il">Júlia</span> lançou um apelo aos poderes públicos e mais diretamente ao chefe do governo no sentido de anistiar todos os exilados políticos do Brasil. Foi ovacionada (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/6119" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 5 de março de 1931, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/14104" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 19 de junho de 1931</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/8498" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 19 de junho de 1931, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/8534" target="_blank" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/8534&amp;source=gmail&amp;ust=1712152219377000&amp;usg=AOvVaw34hLiTYyGAYGHsoEQs0cje"><i>O Jornal</i>, 21 de junho de 1931, quarta coluna</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/7504" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 26 de junho de 1931</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/74909" target="_blank"><em>O Malho</em>, 27 de junho de 1931</a>;  <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/3423" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 27 de junho de 1931</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/8700" target="_blank" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/8700&amp;source=gmail&amp;ust=1712152219377000&amp;usg=AOvVaw1o13jPiuhXCUfUGAPN7rd3"><i>O Jornal</i>, 1° de julho de 1931, terceira coluna</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/7566" target="_blank"><em> Correio da Manhã</em>, 1º de julho de 1931</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/74975" target="_blank"><em>O Malho</em>, 11 de julho de 1931</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830305/15308" target="_blank"><em>Vida Doméstica</em>, agosto de 1931</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 645px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank"><img src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnLSP1PyoZffqg2Zp-imUtUMR74enUpuEvbPgC5geNq8yaDta5vYIyT_vQwzNICQGrjwF9st1OuQgT6XxWccU24r-ySsqagDpyMBEbFo7-OCPht0ZA2ibW37XKoicJicmom-vY4NYHR-G7/w635-h321/J%25C3%25BAlia+Lopes+de+Almeida+-+II+Congresso+Feminista+do+Brasil+%25281931%2529.+Da+esquerda+para+a+direita%252C+J%25C3%25BAlia+Lopes+de+Almeida+%25C3%25A9+a+terceira+que+se+encontra+sentada.+foto+Fundo+PBPF.+Arquivo+Nacional.jpg" alt="" width="635" height="321" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank">II Congresso Internacional Feminista do Brasil, 1931. Rio de Janeiro, RJ/ Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de maio de 1934, devido a uma doença que contraiu durante uma viagem à África (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/19151" target="_blank" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/19151&amp;source=gmail&amp;ust=1712152219377000&amp;usg=AOvVaw2YkHn0X-ICBcImJMWYaIlf"><i>O Jornal</i>, 31 de maio de 1934, sexta coluna</a>). A ABL promoveu uma sessão especial em sua homenagem, cujas oradoras foram sua filha, Margarida Lopes de Almeida (1896- 1979), e a escritora Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1866 &#8211; 1963).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35929" style="width: 332px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/110523_03/19201" target="_blank"><img class="wp-image-35929" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/04/julia17.jpg" alt="julia17" width="322" height="402" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/110523_03/19201" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 3 de junho de 1934</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um ano após a morte da escritora, Afonso Celso (1860-1938) publicou o artigo intitulado <em>Homenagem à Dona <span class="il">Júlia</span> Lopes de Almeida</em> na Revista da Academia Brasileira de Letras, onde lhe conferiu o título de <em>Mestra da língua </em>(<em>Revista Academia Brasileira de Letras, </em>v.48, abril de 1935, p. 259).</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8221; [&#8230;] em tudo e por tudo ela o foi, mestra na acepção mais elevada da palavra, o que quer dizer propiciadora de nobres ensinamentos, modelo de raras virtudes, irradiadora de salutar influência. Mestra de língua e mestra de vida, quer pela excelência da sua produção literária, quer pela pureza sem jaça da sua existência&#8221;.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Imagens de Júlia Lopes de Almeida</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Na imprensa</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 150px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/45073" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/12/julialopes1.png" alt="Fon Fon, 4 de agosto de 1923" width="140" height="222" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/45073" target="_blank">Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934)/ <em>Fon Fon</em>, 4 de agosto de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35697" style="width: 255px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/10044"><img class="wp-image-35697 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia3.jpg" alt="julia3" width="245" height="521" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/10044" target="_blank">Júlia Lopes de Almeida /<em> Revista da Semana,</em> 2 de junho de 1934</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Com a família</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35718" style="width: 605px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank"><img class="wp-image-35718 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia41.jpg" alt="julia4" width="595" height="702" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank">Júlia Lopes de Almeida com seus filhos, Afonso e Margarida (sentados), Albano e Lúcia (em pé) / Acervo Claudio Lopes de Almeida</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 626px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEF4OB9cgdAjJ9_Kb_kbngF8YbRDWsiSBLXKvhp6kMAQU_AYQ-cn6Myuc63P_DTgW-QLuRm2c2Fd2eEbvs_PMabUO4zZkMLXuOJ_L8GqZtXa4BWmAnXoNuetYdB-2ChS4MTOEveGWBkpQh/w616-h414/J%25C3%25BAlia+Lopes+de+Almeida++e+Filinto+de+Almeida+.+s.data.+foto.+Acervo+Claudio+Lopes+de+Almeida.+2.png" alt="" width="616" height="414" /><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html">Júlia Lopes de Almeida e Filinto de Almeida, em Paris . s/d / Acervo Claudio Lopes de Almeida</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35712" style="width: 602px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html"><img class="wp-image-35712 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia11.jpg" alt="julia1" width="592" height="355" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank">Foto Paul. Júlia Lopes de Almeida e a filha Margarida Lopes de Almeida, Rio de Janeiro, RJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong> Por pintores</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35716" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank"><img class="wp-image-35716 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia31.jpg" alt="julia3" width="590" height="645" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank">Júlia Lopes de Almeida por Richard Hall / Acervo Claudio Lopes de Almeida.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35723" style="width: 649px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank"><img class="size-full wp-image-35723" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia9.jpg" alt="Júlia Lopes de Almeida, em aquarela de Rodolfo Amoedo (s.data) | Acervo Claudio Lopes de Almeida " width="639" height="458" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank">Júlia Lopes de Almeida por Rodolfo Amoedo /  Acervo Claudio Lopes de Almeida</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/escritora-mais-publicada-da-primeira-republica-foi-vetada-na-abl/" target="_blank"><img src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/20170728_04_livro-republica.jpg?resize=300%2C509" alt="" width="300" height="509" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/escritora-mais-publicada-da-primeira-republica-foi-vetada-na-abl/" target="_blank">Retrato de Júlia Lopes de Almeida, pintado por Berthe Worms, em 1895, e oferecido pela retratista à escritora. Mantido por Claudio Lopes de Almeida, neto da escritora</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Capas de livros de Júlia Lopes de Almeida</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class=" aligncenter" src="https://d1o6h00a1h5k7q.cloudfront.net/imagens/img_m/11874/5272083.jpg" alt="Julia Lopes de Almeida Livro das Noivas Rio de" width="213" height="306" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class=" aligncenter" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbG7cgO4lyBTuEX3NMpQ8oiVJ2MgCzO3f0A3jtd6HyxJTASTgI3sXirjdtnJBKTixDJvZZavdXDQd_JyUZTse4PUdDumxzrE3rnk5ckw7f-x145rxsBTSy9uJM4ttNhpIv4QXwk4gm6sw/s1600/1%C2%AA+edi%C3%A7%C3%A3o+do+livro+'A+Vi%C3%BAva+Sim%C3%B5es'+-+Julia+Lopes+de+Almeida.jpg" alt="Júlia Lopes de Almeida - a escritora da belle époque tropical | Templo  Cultural Delfos" width="211" height="291" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class=" aligncenter" src="https://d1pkzhm5uq4mnt.cloudfront.net/imagens/capas/_b07f9ce9c46f9f17175a6ddb7a8d7469280e9908.jpg" alt="" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia14.jpg"><img class="  wp-image-35730 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia14.jpg" alt="julia14" width="225" height="333" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia15.jpg"><img class="  wp-image-35731 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia15.jpg" alt="julia15" width="234" height="328" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class=" aligncenter" src="https://5934488p.ha.azioncdn.net/capas-livros/9788566549331-julia-lopes-de-almeida-a-intrusa-54729509.jpg" alt="Livro: A Intrusa - Julia Lopes de Almeida | Estante Virtual" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class=" aligncenter" src="https://4.bp.blogspot.com/-FqOKv7ADi1c/WK9PZR9uiVI/AAAAAAAAAc4/mr2Vg87SDT0TW_4gMZaQJU1Ld-E69EvmQCEw/s1600/Scan_20170207.jpg" alt="Literatura &amp; EU: Cruel Amor, de Júlia Lopes de Almeida - RESENHA #42" width="242" height="397" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class=" aligncenter" src="https://digital.bbm.usp.br/view/coverimage?45000008117" alt="Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin: Era uma vez..." width="243" height="321" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class=" aligncenter" src="https://blog.bbm.usp.br/wp-content/uploads/2020/10/Fal%C3%AAncia_capa-721x1024.jpg" alt="Júlia Lopes de Almeida, uma ilustre mortal – Blog da BBM" width="245" height="348" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35722" style="width: 232px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank"><img class="size-full wp-image-35722" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/03/julia8.jpg" alt="Capa 'O Livro das Noivas', Julia Lopes Almeida edição SP: Castorino Mendes Editor 1929" width="222" height="316" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank">Capa &#8216;O Livro das Noivas&#8217;, Julia Lopes Almeida. Edição SP:</a><br /><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank">Castorino Mendes Editor 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse artigo foi ampliado em 29 de março de 2026.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes</strong></span>:</p>
<p>DE LUCA, Leonora. <a href="https://ieg.ufsc.br/public/storage/articles/October2020/Pagu/1999(12)/Luca.pdf" target="_blank"><em>O &#8220;feminismo possível&#8221; de Júlia Lopes de Almeida (1862 &#8211; 1934)</em></a></p>
<p>DE LUCA, Leonora. <em>Feminismo e iluminismo em Júlia Lopes de Almeida (1862-1934).</em> Ci. &amp; Tróp.. Recife, v. 25, n. 2, p. 213-236,jul/dez., 1997.</p>
<p>FANINI, Michele Asmar. <a href="https://www.scielo.br/j/rieb/a/wZXJTWLLrfPMXDnwhZgJBRN/#" target="_blank"><em>Júlia Lopes de Almeida em cena: notas sobre seu arquivo pessoal e seu teatro inédito</em></a>. <span class="_editionMeta">Rev. Inst. Estud. Bras. (71) <span class="_separator">• </span>Sep-Dec 2018.</span></p>
<p><span class="_separator">FANINI, Michele Asmar. <em>A (in)visibilidade de um legado – Seleta de textos dramatúrgicos inéditos de Júlia Lopes de Almeida. </em>São Paulo<b> : </b>Editora Intermeios, 2017.</span></p>
<p>ENGEL, Magali Gouveia. <a href="file:///C:/Users/vinicius.pmartins/Downloads/Dialnet-JuliaLopesDeAlmeida18621934-8892909.pdf" target="_blank"><em>Júlia Lopes de Almeida (1862-1934): uma mulher fora de seu tempo?.</em></a></p>
<p>ENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção, edição e organização). <a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank"><i>Júlia Lopes de Almeida &#8211; a escritora a belle époque tropical</i></a>. Templo Cultural Delfos, outubro/2022.</p>
<p><a href="https://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>HOLLANDA, Heloisa Buarque de. <em>O que querem os dicionários?</em>. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de; ARAÚJO, Lúcia Nascimento. Ensaístas brasileiras. Mulheres que escreveram sobre literatura e artes de 1860 a 1991. Rio de Janeiro: Rocco, 1993</p>
<p>MACHADO, Hilda. <em>Laurinda Santos Lobo: mecenas, artistas e outros marginais em Santa Teresa</em>. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2002.</p>
<p>SÉ, Rafael Sento. <em>A poeta da Cidade Maravilhosa: Jane Catulle Mendès e a viagem que criou o sonho de um Rio de Janeiro na Belle Époque.</em> Belo Horizonte (MG) : Autêntica Editora, 2025.</p>
<p>Site Academia Brasileira de Letras</p>
<p><a href="http://www.academiacariocadeletras.org.br/academicos.html" target="_blank">Site Academia Carioca de Letras</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 442px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank"><img src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxuwEYBLEntKN6X4JLaRFxx1OLDw6FQLH6GOwrvO1tNIw_hve8WBl3L4ryaSF-2aKiJFpLAZ3W4VXC29KcJhBMSSpWk_tVtrrf-JJeg1fQwapHMvIfM6fOqwnIOa2rPL9SwYvWzX05owE/s1600/J%C3%BAlia+Lopes+de+Almeida+(escultura).jpg" alt="" width="432" height="576" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.elfikurten.com.br/2014/05/julia-lopes-de-almeida.html" target="_blank">O busto em bronze de Júlia Lopes de Alemida executado, em 1939, por sua filha, a escultora Margarida Lopes de Almeida. Foi inaugurado, em 28 de março de 1953, no Jardim Gomes de Amorim, em Lisboa,  Portugal, em 28 de Março de 1953 </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Acesse aqui os outros artigos da Série “Feministas, graças a Deus!&#8221;</strong></span></p>
<div class="entry-content">
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19943">Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20151">Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21354">Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21588">Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21770" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976),<em><strong> </strong></em>publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16746">Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22708" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” VII – Almerinda Farias Gama (1899 – 1999), uma das pioneiras do feminismo no Brasil, publicado em 26 de fevereiro de 2021, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22326" target="_blank"><span style="color: #800000;">Série “Feministas, graças a Deus!” VIII – A engenheira e urbanista Carmen Portinho (1903 – 2001), publicado em 6 de abril de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</span></a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=23174" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” IX – Mariana Coelho (1857 – 1954), a “Beauvoir tupiniquim”, publicado em 15 de junho de 2021, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=24659" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” X – Maria Luiza Dória Bittencourt (1910 – 2001), a eloquente primeira deputada da Bahia, publicado em 25 de março de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26964" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” XI e série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, publicado em 9 de agosto de 2022, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=30702" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” XII e série “1922 – Hoje, há 100 anos” XI – A 1ª Conferência para o Progresso Feminino, publicado em 19 de dezembro de 2022, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, historiadora do Arquivo Nacional</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31236" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!, publicado em 24 de fevereiro de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31474" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” XIV – No Dia Internacional da Mulher, Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, publicado em 8 de março de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31902%20" target="_blank">Série “Feministas, graças a Deus!” XV – No Dia dos Povos Índígenas, Leolinda Daltro,”a precursora do feminismo indígena” e a “nossa Pankhurst, publicado em 19 de abril de 2023, de autoria de Andrea C T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32513" target="_blank"><span style="color: #800000;">Série “Feministas, graças a Deus!” XVI – O I Salão Feminino de Arte, em 1931, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica, publicado em 30 de junho de 2023</span></a></p>
<p style="text-align: left;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34804" target="_blank"><span style="color: #990000;">Série &#8220;Feministas, graças a Deus!&#8221; XVII &#8211; Anna Amélia Carneiro de Mendonça e o Zeppelin, equipe de Documentação da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, em parceira com Andrea C.T. Wanderley, publicado em 5 de janeiro de 2024</span></a></p>
<p style="text-align: left;">
</div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Prédios da Exposição Internacional do Centenário da Independência de 1922 que ainda existem</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Apr 2023 13:22:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Museu da Imagem e do Som]]></category>
		<category><![CDATA[Museu Histórico Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Pavilhão da Administração e do Distrito Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Pavilhão da França]]></category>
		<category><![CDATA[Pavilhão das Grandes Indústrias]]></category>
		<category><![CDATA[Pavilhão das Indústria Particulares]]></category>
		<category><![CDATA[Pavilhão de Estatística]]></category>
		<category><![CDATA[Peti Trianon]]></category>

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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica destaca imagens dos seis prédios que foram ocupados por atividades da Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada, no Rio de Janeiro, entre 7 de setembro de 1922 e 24 de julho de 1923. São eles o Petit Trianon, que abrigou o Pavilhão da França e é a atual sede da Academia Brasileira de Letras; o Museu Histórico Nacional, que abrigou o Pavilhão das Grandes Indústrias ; o Pavilhão da Estatística, atualmente o prédio do Centro Cultural do Ministério da Saúde; o de uma das atuais sedes do Museu da Imagem e do Som, que foi o Pavilhão da Administração e do Distrito Federal; e o prédio do Pavilhão das Indústrias Particulares, que depois sediou o restaurante Albamar. Em Lisboa, encontra-se o Pavilhão Carlos Lopes, que foi o Pavilhão das Indústrias de Portugal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Ainda existem seis prédios que foram ocupados por atividades da Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada em 1922, no Rio de Janeiro. São eles o Petit Trianon, que abrigou o Pavilhão da França e é a atual sede da<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28740" target="_blank"> Academia Brasileira de Letras;</a> o atual edifício do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=29862" target="_blank">Museu Histórico Nacional,</a> que foi ampliad e remodelado para abrigar o Pavilhão das Grandes Indústrias (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/11011" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 3 de outubro de 1922, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/800899/573" target="_blank"><em>Exposição de 1922</em>, dezembro de 1922</a>); o Pavilhão da Estatística, atualmente o prédio do Centro Cultural do Ministério da Saúde (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/154051" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 28 de outubro de 1922</a>); o de uma das atuais sedes do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28781" target="_blank">Museu da Imagem e do Som</a>, que foi o Pavilhão da Administração e do Distrito Federal; e o prédio do Pavilhão das Indústrias Particulares, que depois sediou o restaurante Albamar, e que já existia antes da Exposição de 1922 e abrigava o Mercado Municipal. Em Lisboa, encontra-se o Pavilhão Carlos Lopes, que foi o Pavilhão das Indústrias de Portugal (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_02/4774" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 23 de maio de 1923</a>).*</p>
<p style="text-align: left;">A <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17940" target="_blank">Exposição Internacional do Centenário da Independência</a>, <span class="highlight highlighted">um dos maiores eventos internacionais já realizados no Brasil, f</span>oi inaugurada no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1922 e terminou em 24 de julho do ano seguinte (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/13954" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 25 de julho de 1923</a>). Seu fim estava previsto para março de 1923, mas como algumas construções não estavam concluídas na data de sua inauguração, foi prorrogada até julho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #993300;"><em><strong>Fotografias dos prédios construídos ou usados na Exposição Internacional do Centenário da Independência em 1922, que ainda existem</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;">Petit Trianon, que abrigou o Pavilhão da França, edificado sob a chefia do arquiteto Emile Louis Viret (1882 – 1968). Seu adjunto era o também arquiteto Gabriel Marmorat (1882 – 1951). É a atual sede da<a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28740" target="_blank"> </a>Academia Brasileira de Letras.</span></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7759" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7759/001ATK012004.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="512" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7759" target="_blank">Thiele e Kollien. Exposição Internacional do Centenário da Independência &#8211; Pavilhão França, 1922.. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;">Atual Museu Histórico Nacional, que abrigou o Pavilhão das Grandes Indústrias. Para integrar a Exposição de 1922,</span><span style="color: #800000;"><span style="color: #993300;"> </span></span><span style="color: #993300;">as edificações do antigo Arsenal de Guerra, a Casa do Trem e o Forte Santiago foram ampliadas e remodeladas, com uma decoração característica da arquitetura neocolonial.</span></em></p>
<p style="text-align: center;">
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11243" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11243/Lopes%201922%20MHN.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="" width="701" height="511" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11243" target="_blank">Lopes. Pavilhão das Grandes Indústrias, atual Museu Histórico Nacional, 1922. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Uma das atuais sedes do Museu da Imagem e do Som, que foi o Pavilhão da Administração e do Distrito Federal, projeto do arquiteto italiano Sylvio Rebecchi (1882 – 1950). </em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7759" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7768/001ATK012012.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7768" target="_blank">Thiele &amp; Kollien. Exposição Internacional do Centenário da Independência &#8211; Pavilhões Brasil, 1922. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>O Pavilhão de Estatística, projetado pelo professor da Escola Nacional de Belas Artes, Gastão da Cunha Bahiana (1879-1959), é atualmente o prédio do Centro Cultural do Ministério da Saúde. Gastão Bahiana escolheu para o edificio a sobriedade do estilo Luís XVI, prejudicada pela cúpula desenhada por seu sócio Nereu Sampaio. Em 1930, a cúpula, após insistência de Gastão Bahiana, foi retirada.</em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 709px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9734" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9734/007CX189-02.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="699" height="339" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9734" target="_blank">Marc Ferrez. Exposição de 1922: Pavilhão de Estatística, c. 1922. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"> <span style="color: #800000;"><em style="color: #800000;">Prédio do Pavilhão das Indústrias Particulares, no Mercado Municipal . As obras para a construção do novo Mercado Municipal, todo metálico e construído na Inglaterra e na Bélgica, começaram em 1903 e faziam parte do plano de roformas urbanas do prefeito Pereira Passos. Seu projeto foi do engenheiro português Alfredo Azevedo Marques (18? &#8211; 19?) e foi inaugurado, em 14 de dezembro de 1907 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/16293" target="_blank">Gazeta de Notícias, 15 de dezembro de 1907, primeira coluna</a>). O material do mercado, feito de ferro, veio da Bélgica. </em><em><span style="color: #800000;">Recebeu, em 1922, um revestimento provisório em estilo neocolonial para integrar a Exposição do Centenário da Independência. A partir de 1933, sediou o restaurante Albamar. Foi demolido em 1962, porém, no mesmo ano, a torre nordeste, onde está o Albamar, havia sido tombada.</span></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_30969" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/154052" target="_blank"><img class=" wp-image-30969" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/12/industrias.jpg" alt="Fon Fon, 28 de outubro de 1922" width="804" height="439" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/154052" target="_blank"><em>Fon Fon</em>, 28 de outubro de 1922</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>O Pavilhão das Indústrias de Portugal, atual Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa. Foi idealizado pelos arquitetos Guilherme (1891 &#8211; 1969) e Carlos Rebello de Andrade (1887 &#8211; 1971) e Alfredo Assunção Santos (? &#8211; 1968). Construído no Brasil para a Exposição de 1922, o pavilhão foi reinaugurado em Lisboa, em 3 de outubro de 1932, com a Grande Esposição Industrial Portuguesa e batizado de Palácio das Exposições. Passou a chamar-se Pavilhão Carlos Lopes, em 1984, em homenagem ao atleta português. Foi fechado em 2003 e reabriu, em 2017, depois de obras de remodelação.</em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_30951" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830305/1875" target="_blank"><img class=" wp-image-30951" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/12/portugal1.jpg" alt="Pavilhão das Indústrias de Portugal / Vida Doméstica, de 1923" width="701" height="353" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830305/1875" target="_blank">Pavilhão das Indústrias de Portugal / <em>Vida Doméstica</em>, 14 de julho de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>* Este parágrafo foi reescrito em 10 de abril de 2023.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes</strong></span>:</p>
<p><a href="http://historiasemonumentos.blogspot.com/2015/05/brasil-rj-rio-de-janeiro.html" target="_blank">Blog Histórias e Monumentos</a></p>
<p>FRANÇA, Carolina Rebouças. <a href="https://www.anparq.org.br/dvd-enanparq/simposios/195/195-350-1-SP.pdf" target="_blank"><em>O desaparecimento do Mercado Municipal Praça XV, fator na formação do espaço público da cidade do Rio de Janeiro</em></a>. I Encontro Nacional da Associação Nacional e de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, 29 de novembro a 3 de dezembro de 2010.</p>
<p>LEVY, Ruth. <a href="https://www.ppgav.eba.ufrj.br/wp-content/uploads/2012/01/ae11_ruth_levy.pdf" target="_blank"><em>A exposição do centenário e o meio arquitetônico carioca no início dos anos 1920</em></a>. Rio de Janeiro : EBA/UFRJ, 2010.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="http://www.ccms.saude.gov.br/noticias/quem-conhece-o-centro-cultural-do-ministerio-da-saude">Site Centro Cultural Ministério da Saúde</a></p>
<p><a href="https://mhn.museus.gov.br/index.php/podcast-mhn-ultimo-episodio-da-temporada-aborda-a-arquitetura-do-museu/" target="_blank">Site Museu Histórico Nacional</a></p>
<p><a href="https://riomemorias.com.br/memoria/mercado-municipal/" target="_blank">Site Rio Memórias</a></p>
<p>WANDERLEY, Andrea. <em>Série <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17940" target="_blank">1922 – Hoje, há 100 anos” VIII – A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país </a></em>in Brasiliana Fotográfica, 7 de setembo de 2022.</p>
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		<title>O centenário da morte de Rui Barbosa, que passou à história como a &#8220;Águia de Haia&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Mar 2023 14:28:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[abolição da escravatura]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[campanha civilista]]></category>
		<category><![CDATA[centenário]]></category>
		<category><![CDATA[Constituição de 1891]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Gama]]></category>
		<category><![CDATA[perfil]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira República]]></category>
		<category><![CDATA[República]]></category>
		<category><![CDATA[Rui Barbosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Com duas imagens realizadas por fotógrafos ainda não identificados, a Brasiliana Fotográfica lembra o centenário da morte do advogado e diplomata baiano Rui Barbosa (1849 - 1923), abolicionista, um dos artífices da República brasileira e fundador da Academia Brasileira de Letras. Uma das fotos, produzida em torno de 1918, o retrata ao lado do engenheiro Paulo de Frontin (1860 - 1933), diante de um navio, no Porto do Rio de Janeiro. A outra mostra seu cortejo fúnebre, realizado em 3 de março de 1923. Ambas pertencem ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>“O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é menos sagrado, perante a justiça, que o do mais alto dos poderes. Antes, com os mais miseráveis é que a justiça deve ser mais atenta, e redobrar de escrúpulo; porque são os mais maldefendidos, os que suscitam menos interesse, e os contra cujo direito conspiram a inferioridade na condição com a míngua nos recursos”.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/564558/Oracao_aos_mocos_Rui_Barbosa.pdf?sequence=5&amp;isAllowed=y" target="_blank">Trecho de <em>Oração aos Moços</em>, de Rui Barbosa</a>*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com duas imagens realizadas por fotógrafos ainda não identificados, a Brasiliana Fotográfica lembra o centenário da morte do baiano Rui Barbosa (1849 &#8211; 1923), abolicionista e um dos artífices da República brasileira, figura ilustre de nossa história (<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/12421" target="_blank">2 de março</a> e<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/12433" target="_blank"> 3 de março</a> de 1923). Uma das fotos, produzida em torno de 1918, o retrata ao lado do engenheiro Paulo de Frontin (1860 &#8211; 1933), diante de um navio, no Porto do Rio de Janeiro. A outra mostra seu cortejo fúnebre, realizado em 3 de março de 1923. Ambas pertencem ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10145" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10145/001CC008007.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10145" target="_blank">Saída do cortejo fúnebre de Rui Barbosa, 3 de março de 1923. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31818" style="width: 328px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/12421" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31818" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa.jpg" alt="O Paiz, 2 de março de 1923" width="318" height="169" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/12421" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 2 de março de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31843" style="width: 293px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_02/4288" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31843" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa3.jpg" alt="Revista da Semana, 10 de março de 1923" width="283" height="402" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_02/4288" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 10 de março de 1923, cobertura de sua mort e com diveresas fotografias</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O advogado, jurista e político Rui Barbosa nasceu em 5 de novembro de 1849, em Salvador, e faleceu em Petrópolis, em 1º de março de 1923. Foi um dos mais proeminentes intelectuais de seu tempo, tendo se destacado também como diplomata, escritor, jornalista, orador e tradutor. Foi um abolicionista atuante, tendo colaborado, assim como o também baiano Luis Gama (1830 &#8211; 1882), no periódico <i>Radical Paulistano, </i>em 1869 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/713473/65" target="_blank"><em>Radical Paulistano</em>, 19 de agosto de 1869, primeira coluna</a>).<i> </i>Foi<i> </i>um dos autores da Constituição da Primeira República, de 1891, mas, por denunciar o autoritarismo de Floriano Peixoto (1839 &#8211; 1895) e apoiar a Revolta da Armada, exilou-se, em 1893, em Buenos Aires, da onde partiru para Lisboa, Madri, Paris e finalmente Londres. Retornou ao Brasil em 1895. Foi também membro fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1897.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.academia.org.br/galeria/fundacao/rui-barbosa-lidera-visita-casa-do-machado-de-assis" target="_blank"><img src="https://www.academia.org.br/sites/default/files/casa_machado.jpg" alt="" width="422" height="223" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.academia.org.br/galeria/fundacao/rui-barbosa-lidera-visita-casa-do-machado-de-assis" target="_blank">Rui Barbosa, segundo presidente da Academia, lidera uma visita à casa do primeiro presidente, Machado de Assis, à rua Cosme Velho, 18 &#8211; hoje demolida &#8211; em 9 de outubro de 1910, dois anos após a morte daquele que era chamado de mestre até mesmo por seus colegas / Site da Academia Brasileira de Letras</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Defendeu as liberdades individuais, o federalismo, o ensino técnico e o acesso das mulheres às faculdades. Foi também admirador do pianista Ernesto Nazareth (1863 &#8211; 1934), que ia escutar na sala de espera do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=23968" target="_blank">Cinema Odeon</a>. Era também grande fã dos <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22501" target="_blank"><em>Batutas</em> </a>e presença frequente nas apresentações do grupo no Cine Palais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11606" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11606/037SL05054.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11606" target="_blank">Rui Barbosa e Paulo de Frontin em meio à multidão em frente à navio, c. 1918. Porto do Rio de Janeiro / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ganhou o cognome de <em>Águia de Haia</em> do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7462" target="_blank">Barão do Rio Branco (1845 &#8211; 1912)</a>, ministro das Relações Exteriores, por sua participação na II Conferência de Paz, realizada, entre 15 de junho e 18 de outubro de 1907, em Haia, na Holanda, quando fez uma notável defesa do princípio da igualdade dos Estados. Foi como Embaixador Extraordinário, Ministro Plenipotenciário e Delegado do Brasil, cuja nomeação havia sido realizada, em 29 de abril de 1907, por decreto do presidente Afonso Pena (1847 &#8211; 1909).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31825" style="width: 655px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/9296" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31825" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa1.jpg" alt="O Malho, 11 de maio de 1907" width="645" height="434" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/9296" target="_blank"><em>O Malho</em>, 11 de maio de 1907</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao longo de sua vida foi deputado, senador e ministro da Fazenda do governo de Deodoro da Fonseca (1827 &#8211; 1892), primeiro presidente do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><a href="https://sites.google.com/site/abcdamonarquia/rui-barbosa---texto-completo-de-famoso-discurso" target="_blank">Trecho de discurso proferido por Rui Barbosa no Senado, em 1914</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1910, foi candidato à Presidência da República, na chamada <em>campanha civilista</em>, mas foi vencido por Hermes da Fonseca (1855 &#8211; 1923).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31841" style="width: 647px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/15704" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31841" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa2.jpg" alt="O Malho, de 1910" width="637" height="461" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/15704" target="_blank"><em>O Malho</em>, 26 de março de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31835" style="width: 762px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ruy-barbosa-usou-tribuna-do-senado-para-mostrar-ao-pais-importancia-da-democracia" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31835" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosacapa1.jpg" alt="Rui Barbosa na Campanha Civilista, em 1909 / Acervo Casa de Rui Barbosa" width="752" height="492" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ruy-barbosa-usou-tribuna-do-senado-para-mostrar-ao-pais-importancia-da-democracia" target="_blank">Rui Barbosa na Campanha Civilista, em 1909 / Acervo Fundação Casa de Rui Barbosa</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi eleito juiz da Corte Internacional de Justiça, em 14 de setembro de 1921. Em agosto de 1922, sofreu um edema pulmonar. Cerca de um mês depois, recebeu a Grã Cruz da Ordem de S. Tiago, de Antônio José de Almeida (1866 &#8211; 1929), presidente de Portugal, em visita oficial ao Brasil.</p>
<p>Rui Barbosa faleceu, como já mencionado, em Petrópolis, em 1º de março de 1923, e foram-lhe concedidas honras de Chefe de Estado. Seu corpo foi velado na Biblioteca Nacional e enterrado no Cemitério de São João Batista, com grande acompanhamento popular, em 4 de março (<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/12445" target="_blank">4 de março</a> e <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/12459" target="_blank">5 de março </a>de 1923).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31856" style="width: 299px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_02/4301" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31856" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa4.jpg" alt="Revista da Semana, 10 de março de 1923" width="289" height="387" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_02/4301" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 10 de março de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1949, ano do centenário de seu nascimento, seus restos mortais foram transferidos para o Fórum Rui Barbosa, em Salvador, na Bahia (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/50234" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 4 de novembro de 1949, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093718_02/48745" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 9 de novembro de 1949</a>). Foi publicada uma matéria sobre a Casa de Rui Barbosa <em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_04/29255" target="_blank">Revista da Semana</a></em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_04/29255" target="_blank">, 5 de novembro de 1949</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31859" style="width: 276px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_04/29396" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31859" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa5.jpg" alt="Revista da Semana, 19 de novembro de 1949" width="266" height="364" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_04/29396" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 19 de novembro de 1949</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em sua obra <em>Ordem e Progresso </em>(1974), Gilberto Freyre (1900 &#8211; 1987) o definiu como <span style="color: #800000;"><em>&#8220;o homem capaz de grandes façanhas e tremendas vitórias sobre gigantes luros e rosados; espécie de Davi brasileiro em face de Golias nórdicos ou germânicos&#8221;</em></span>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Rui Barbosa foi, entre nós, refletida ou espontaneamente, o ideólogo de uma reforma da sociedade. (…) essa reforma pode ser chamada, dentro dos limites que indicarei, a ascensão da classe média&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">San Tiago Dantas (1911 &#8211; 1964) em <em>Rui Barbosa e a Renovação da Sociedade</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Hoje sabemos que mais do que o seu vernáculo, do que o seu purismo, o que fica de Rui é a capacidade de sacrifício. Ele soube sempre perder. (…) Como a semente do Evangelho que precisa morrer para frutificar, ele soube morrer pelo dia seguinte do Brasil&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Oswald de Andrade (1890 &#8211; 1954) em <em>Rui e a árvore da liberdade</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Rui foi um humanista, não só pelo culto apaixonado do verbo, aprendido para além de sua mera significação pragmática, mas também pelo grau de seu desapego à certeza do êxito, pela sua virtù do risco, pelo amor à nobreza do gesto de optar&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Miguel Reale (1910 &#8211; 2006) em <em>Posição de Rui Barbosa no Mundo da Filosofia</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div>*<a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/564558/Oracao_aos_mocos_Rui_Barbosa.pdf?sequence=5&amp;isAllowed=y" target="_blank"> </a>O discurso <em>Oração aos Moços</em>, de Rui Barbosa, foi proferido na formatura da turma de 1920 da Faculdade de Direito de São Paulo, lido, em de 29 março de 1921, pelo catedrático de Direito Romano, Reinaldo Porchat (1868 &#8211; 1953), que viria a ser o primeiro reitor da Universidade de São Paulo.</div>
<p>&nbsp;</p>
<div><a href="http://antigo.casaruibarbosa.gov.br/interna.php?ID_S=83" target="_blank">Acesse aqui a Cronologia da Vida e Obra de Rui Barbosa, preparada por Rejane M. Moreira de A. Magalhães, do Setor Ruiano, da Fundação Casa de Rui Barbosa.</a></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BARBOSA, Ruy, 1849-1923. <a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/564558/Oracao_aos_mocos_Rui_Barbosa.pdf?sequence=5&amp;isAllowed=y" target="_blank"><em>Oração aos moços</em> </a>/ Rui Barbosa ; prefácios de senador Randolfe Rodrigues, Cristian Edward Cyril Lynch. – Brasília : Senado Federal, Conselho Editorial, 2019.</p>
<p>CARDIM, Carlos Henrique. <em>A raiz das coisas &#8211; Rui Barbosa: o Brasil no mundo</em>. Civilização Brasileira, 2023.</p>
<p>GABRIEL, Juan de Souza. Vitórias do pequeno Davi contra muitos Golias. O GLOBO, 1º de março de 2023.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>SILVA, Leandro de Almeida.<a href="https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/3537/1/leandrodealmeidasilva.pdf" target="_blank"> <em>O discurso modernizador de Rui Barbosa (1879 &#8211; 1923)</em></a>. Dissertação de Mestrado. Minas Gerais: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2009.</p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/academicos/rui-barbosa/biografia" target="_blank">Site Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://www.gov.br/casaruibarbosa/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/rui-barbosa/aguia-de-haia" target="_blank">Site Casa de Rui Barbosa</a></p>
<p><a href="https://rogeriotadeuromano.jusbrasil.com.br/artigos/1170481264/a-primeira-constituicao-republicana-e-a-participacao-de-rui-barbosa" target="_blank">Site JusBrasil</a></p>
<p><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ruy-barbosa-usou-tribuna-do-senado-para-mostrar-ao-pais-importancia-da-democracia" target="_blank">Site Senado Federal</a></p>
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		<item>
		<title>A fundação da Academia Brasileira de Letras</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jul 2022 17:05:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Efemérides]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[fundação]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês de Souza]]></category>
		<category><![CDATA[Joaquim Nabuco]]></category>
		<category><![CDATA[Machado de Assis]]></category>
		<category><![CDATA[Rodrigo Otávio]]></category>
		<category><![CDATA[Thiele & Kollien]]></category>

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		<description><![CDATA[Somente seis prédios da Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada em 1922, ainda existem e o da atual sede da Academia Brasileira de Letras, que hoje completa 125 anos, é um deles. É uma réplica do Petit Trianon, residência de campo de Maria Antonieta em Versalhes, e abrigou, durante o evento, o Palácio da França. Para celebrar o aniversário da ABL, a Brasiliana Fotográfica destaca uma fotografia produzida por Thiele &#038; Kollien, do acervo do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Somente seis prédios da Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada em 1922, ainda existem e o da atual sede da Academia Brasileira de Letras, que hoje completa 125 anos, é um deles. É uma réplica do <em>Petit Trianon</em>, residência de campo da rainha da França, Maria Antonieta (1775 &#8211; 1793), em Versalhes, e abrigou, durante o evento, o Palácio da França (<em>Fon Fon</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/40649" target="_blank">8 de julho</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/152340" target="_blank"> 23 de setembro</a> de 1922). Foi edificado sob a chefia do arquiteto Emile Louis Viret (1882 &#8211; 1968). Seu adjunto era o também arquiteto Gabriel Marmorat (1882 &#8211; 1951). Para celebrar o aniversário da ABL que, segundo seu estatuto <em>tem por fim a cultura da língua e da literatura nacional</em>, a Brasiliana Fotográfica destaca uma fotografia produzida por Thiele &amp; Kollien, do acervo do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal (*).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7759" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7759/001ATK012004.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="512" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7759" target="_blank">Thiele &amp; Kollien. Exposição Internacional do Centenário da Independência &#8211; Pavilhão França, atual sede da Academia Brasileira de Letras, 1922. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_30897" style="width: 241px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/152340" target="_blank"><img class="size-full wp-image-30897" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/petit.jpg" alt="Fon Fon, 23 de setembro de 1922" width="231" height="369" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/152340" target="_blank"><em>Fon Fon</em>, 23 de setembro de 1922</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Exposição Internacional do Centenário da Independência, <span class="highlight highlighted">um dos maiores eventos internacionais já realizados no Brasil f</span>oi inaugurada no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1922 e terminou em 24 de julho do ano seguinte (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/13954" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 25 de julho de 1923</a>). Seu fim estava previsto para março de 1923, mas, como algumas construções não estavam concluídas na data de sua inauguração, foi prorrogada até julho. Durante sua realização foi produzido o<span style="color: #333333;"> <a style="color: #333333;" href="http://brasilianafotografica.bn.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/214" target="_blank"><em>Álbum Internacional do Centenário da Independência</em> </a> com fotografias de autoria de Carlos Bippus, Thiele &amp; Kollien e Lopes.</span></p>
<p>Além do edifício da ABL, cinco prédios da Exposição de 1922 ainda existem. No Rio de Janeiro, são o do Pavilhão da Administração e do Distrito Federal, atualmente uma das sedes do Museu da Imagem e do Som; o do Palácio das Indústrias, atual Museu Histórico Nacional;  o do Pavilhão de Estatística, órgão do Ministério da Saúde, e o do Pavilhão das Indústrias Particulares, o restaurante Albamar. Este último já existia antes da Exposição e abrigava o Mercado Municipal. O Pavilhão das Indústrias de Portugal, foi transferido para Lisboa e é o atual Pavilhão Carlos Lopes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo o site da Academia Brasileira de Letras:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;No fim do século XIX, Afonso Celso Júnior, ainda no Império, e Medeiros e Albuquerque, já na República, manifestaram-se a favor da criação de uma academia literária nacional, nos moldes da Academia Francesa. O êxito social e cultural da Revista Brasileira, de José Veríssimo, daria coesão a um grupo de escritores e, assim, possibilidade à idéia&#8221;.</em></span></p>
<p>O escritor e poeta Lucio de Mendonça (1854 &#8211; 1909) teve a iniciativa de propor uma Academia de Letras, sob a égide do Estado. As primeiras notícias relativas à sua fundação foram divulgadas em novembro de 1896, pela <em>Gazeta de Notícias </em>e pelo <em>Jornal do Commercio</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_03/15237" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 10 de novembro de 1896, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_08/22994" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 11 de novembro de 1896, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28749" style="width: 156px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_03/15237" target="_blank"><img class="wp-image-28749 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/academiabrasileira1.jpg" alt="academiabrasileira1" width="146" height="522" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_03/15237" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 10 de novembro de 1896</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Até sua fundação, foram realizadas sete sessões preparatórias: a primeira em 15 de dezembro de 1896, e, a última, em 28 de janeiro de 1897, quando foi divulgado o estatuto da instituição. Ambas em uma sala da redação da <em>Revista Brasileira, </em>na Travessa do Ouvidor, nº 31 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/15431" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de dezembro de 1896, quarta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/15679" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 29 de janeiro de 1897, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28751" style="width: 158px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/15431" target="_blank"><img class="wp-image-28751 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/academiabrasileira3.jpg" alt="academiabrasileira3" width="148" height="342" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/15431" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias,</em> 16 de dezembro de 1896</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28752" style="width: 162px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/15679" target="_blank"><img class="wp-image-28752 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/academiabrasileira4.jpg" alt="academiabrasileira4" width="152" height="366" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/15679" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 29 de janeiro de 1897</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Academia Brasileira de Letras (ABL), inspirada na Academia Francesa, foi, finalmente, fundada em 20 de julho de 1897 e em sua sessão inaugural estavam presentes 16 acadêmicos em uma sala do Museu Pedagogium, na rua do Passeio, Centro do Rio de Janeiro. Seu primeiro presidente foi o escritor Machado de Assis (1839 &#8211; 1908). Joaquim Nabuco (1849 &#8211; 1910) foi seu primeiro secretário-geral; Rodrigo Otávio (1866 &#8211; 1944), 1º secretário; Silva Ramos (1853 &#8211; 1930), 2º secretário; e Inglês de Sousa (1853 &#8211; 1918), tesoureiro. Desde o início tem 40 membros, os <em>imortais</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 545px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/953" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/953/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="535" height="699" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/953" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco; Marc Ferrez; Livraria Lombaerts &amp; C. Galeria contemporanea do Brazil : Machado de Assis : [retrato], 1884. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28753" style="width: 307px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/16605" target="_blank"><img class="wp-image-28753 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/academiabrasileira5.jpg" alt="academiabrasileira5" width="297" height="378" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/16605" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 22 de julho de 1897</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nabuco pronunciou o discurso inaugural. A partir desta data, a Academia passou a realizar reuniões semanais no Pedagogium (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/16605" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 22 de julho de 1897, sétima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9179" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9179/Pereira%20Passos%2c%20Maria%20Rita%20Passos%2c%20Joaquim%20Nabuco%20e%20grupo%20de%20pessoas%20nas%20escadarias%20do%20Hotel%20White%2c%20durante%20o%20passeio%20de%20Elihu%20Root%20%c3%a0%20Floresta%20da%20Tijuca%20Cole%c3%a7%c3%a3o%20FPft0597%281%29.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="464" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9179" target="_blank">Maria Rita Passos, as senhoritas Teixeira Castro e Joaquim Nabuco em automóvel na Vista Chinesa, durante o passeio de Elihu Root à Floresta da Tijuca, 3 de agosto de 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entre 1905 e 1923, a ABL ocupou o prédio do Silogeu, onde também funcionavam o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a Academia de Medicina e o Instituto dos Advogados do Brasil e o Instituto Histórico. Este edifício foi construído durante as reformas do prefeito Pereira Passos (1836 &#8211; 1913) e foi demolido no início da década de 1970 para o alargamento da Rua Teixeira de Freitas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 288px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.academia.org.br/galeria/fundacao/predio-do-silogeu" target="_blank"><img src="https://www.academia.org.br/sites/default/files/silogeu.jpg" alt="" width="278" height="157" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.academia.org.br/galeria/fundacao/predio-do-silogeu" target="_blank">Prédio do Silogeu / Site da ABL</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.academia.org.br/galeria/fundacao/sessao-publica-da-academia-brasileira-realizada-no-silogeu" target="_blank"><img src="https://www.academia.org.br/sites/default/files/primeira_sessao.jpg" alt="" width="422" height="256" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.academia.org.br/galeria/fundacao/sessao-publica-da-academia-brasileira-realizada-no-silogeu" target="_blank">Possivelmente o mais antigo registro fotográfico de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada no Silogeu, 1909 / Site da ABL</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 15 de dezembro de 1923, quando comemorava 27 anos de fundação, a ABL mudou-se para seu endereço atual e sua primeira sede própria, no <em>Petit Trianon</em>, doado pelo governo da França, localizado na avenida Presidente Wilson (<em>Jornal do Brasil</em>,<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/22609" target="_blank"> 6 de julho de 1923, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/26299" target="_blank">15 de dezembro de 1923, penúltima coluna</a>).  No prédio são realizadas as reuniões regulares dos Acadêmicos e as Sessões Solenes comemorativas e de posse de seus novos membros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28754" style="width: 420px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_04/26299" target="_blank"><img class="size-full wp-image-28754" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/academiabrasileira6.jpg" alt="Jornal do Brasil, 15 de dezembro de 1923" width="410" height="542" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_04/26299" target="_blank"><em>Jornal do Brasil,</em> 15 de dezembro de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Neste mesmo ano, havia sido inaugurado, meses antes, um monumento em homenagem a Santos Dumont (1873 &#8211; 1932), no Petit Trianon (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/20502" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 13 de março de 1923</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11089" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11089/037SL05003.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="533" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11089" target="_blank">Alberto Santos Dumont em frente à réplica do monumento de Ícaro, 12 de março de 1923. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 20 de julho de 1979, foi inaugurado um edifício ao lado do Petit Trianon, batizado como Palácio Austregésilo de Athayde (1898 &#8211; 1993), Acadêmico que ocupou durante 35 anos, de 1958 até sua morte, em 1993, a presidência da instituição. O novo edifício tornou-se importante parte do patrimônio da ABL. A primeira mulher eleita Acadêmica foi a escritora cearense Rachel de Queiroz (1910 &#8211; 2003), em 4 de novembro de 1977. Em 1996, a escritora Nélida Piñon (1937 &#8211; 2022) foi eleita a primeira mulher presidente da instituição, que é atualmente presidida pelo jornalista Merval Pereira (1949-). Em 10 de julho de 2025, a escritora mineira Ana Maria Gonçalves (1970 -) tornou-se a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class=" aligncenter" src="https://www.academia.org.br/sites/all/themes/abl_theme/logo.png" alt="Início" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_30817" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/40826"><img class=" wp-image-30817" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/pavilhão.jpg" alt="O Pavilhão da França, ainda em construção / Fon-Fon,29 de julho de 1922" width="830" height="439" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/40826" target="_blank">Inauguração do terraço do Pavilhão da França, ainda em construção. Vários fotógrafos foram registrar o acontecimento. Atrás, o Morro do Pão de Açúcar / <em>Fon-Fon</em>, 29 de julho de 1922</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>(*) Esse parágrafo foi alterado em 26 de julho de 2022.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este artigo foi atualizado em 10 de julho de 2025.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="http://rio-curioso.blogspot.com/2009/09/silogeu.html" target="_blank">Blog Rio Curioso</a></p>
<p><em>Cem Anos de Cultura Brasileira</em>. Rio de Janeiro : Academia Brasileira de Letras, 2002</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><em>O Globo</em>, 20 de julho de 2022</p>
<p>PISA, Daniel.<em> Academia Brasileira de Letras Histórias e Revelações</em>. Editora Fine Books, 2013.</p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/" target="_blank">Site Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://arquivo.arq.br/profissionais/emile-viret" target="_blank">Site Arquivo Arq</a></p>
<p><a href="http://historiasemonumentos.blogspot.com/2015/05/brasil-rj-rio-de-janeiro.html" target="_blank">Site Histórias e Monumentos</a></p>
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		<title>Após encantar-se com Molière e Giulietta Dionesi, o imperador Pedro II sofre um atentado</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2020 14:39:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dom Pedro II (1825 - 1891) foi alvo de um atentado quando saía do Theatro Sant´Anna, no Rio de Janeiro, com alguns membros de sua família, em 15 de julho de 1889. "Pela primeira vez, após um reinado de mais de meio século, fora quebrado o respeito que sempre cercou a pessoa do imperador". Na verdade, Pedro II governou por quase 50 anos e não por mais de meio século - de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém”.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dom Pedro II (1825 &#8211; 1891) foi alvo de um atentado quando saía do Theatro Sant´Anna, no Rio de Janeiro, com alguns membros de sua família, em 15 de julho de 1889. Foi o primeiro governante do Brasil a sofrer um atentado!</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 303px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2952" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2952/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="293" height="452" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2952" target="_blank">Pedro Hees, Photographia Popular. Pedro II, Imperador, 18?. / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;">&#8220;<em>Pela primeira vez, após um reinado de mais de meio século, fora quebrado o respeito que sempre cercou a pessoa do imperador&#8221;. </em></span></p>
<p><em>                                                                                                                                            <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><span style="color: #333333;">O Paiz, </span></a></em><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><span style="color: #333333;">17 de julho de 1889</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na verdade, Pedro II, um <em>Habsburgo perdido nos trópicos</em>, cuja figura de 1,90m, louro e de olhos azuis contrastava com a aparência da maioria da população do Brasil, governou por quase 50 anos e não por mais de meio século &#8211; foram 49 anos, três meses e 22 dias.  Pedro II governou o Brasil, país pelo qual era apaixonado, de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “<em>com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém</em>”. Lembramos aqui o fato de dom Pedro II ter sido um grande entusiasta da fotografia, tendo sido o primeiro brasileiro a possuir um daguerreótipo,e  provavelmente, o primeiro fotógrafo do Brasil. Devido ao seu interesse no assunto, implantou e ajudou decisivamente o desenvolvimento da fotografia no país.</p>
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<div style="width: 535px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/618" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/618/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="525" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/618" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco. Pedro II, imperador do Brasil: retrato, s/d / Acervo FBN</a></p></div>
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<p>Na noite de 15 de julho de 1889, houve a apresentação de uma jovem violinista italiana e a encenação de uma peça,  no Theatro Sant´Anna. O imperador Pedro II (1825 &#8211; 1891), acompanhado da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6798" target="_blank">imperatriz Teresa Cristina (1822 &#8211; 1889)</a>, de sua filha, a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1797" target="_blank">princesa Isabel (1846 &#8211; 1921)</a>, e do príncipe Pedro Augusto (1866 &#8211; 1934), seu neto mais velho, estiveram presentes.</p>
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<div id="attachment_19856" style="width: 381px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15898" target="_blank"><img class=" wp-image-19856" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/prop.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 15 de julho de 1889" width="371" height="369" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15898" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de julho de 1889</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/66" target="_blank">Acessando o link para as fotografias de dom Pedro II disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. </a></span></p>
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<p>O Theatro Sant´Anna localizava-se onde anteriormente ficava o Theatro Casino Franco-Brésilien. Foi reinaugurado em 29 de outubro de 1880, com a opereta do alemão Jacques Offenbach (1819 &#8211; 1880), <em>La fille du tambour major</em>, executada pela Companhia Lírica Francesa. Era, desde então, um dos palcos mais importantes do Rio de Janeiro. Ficava na Praça da Constituição, atual Praça Tiradentes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/146633/680" target="_blank"><em>Revista Musical e de Bellas Artes</em>, 30 de outubro de 1880, segunda coluna</a>). Em 26 de janeiro de 1905, já propriedade do empresário Paschoal Segreto (1868 &#8211; 1920), foi reinaugurado com o nome de Theatro Carlos Gomes com a encenação da peça <em>Papa Lebonnard</em>, de Jean Aicard (1848 &#8211; 1921), com a Companhia Christiano de Souza e Lucinda Simões (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/4064" target="_blank"><em>O Malho</em>, 21 de janeiro de 1905</a>).</p>
<div>Voltando à noite de 15 de julho de 1889. O Sant&#8217;Anna achava-se repleto: <em>platéia e camarotes ocupados por pessoas da melhor sociedade; as galerias cheias da gente que de ordinário a freqüenta</em><span style="color: #800000;"> (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank"><em>Novidades,</em> 16 de julho de 1889, quinta coluna</a>). Foi apresentada a comédia <em>Escola de Maridos </em>(1661), do célebre dramaturgo francês Molière (1622 &#8211; 1673), traduzida pelo jornalista e dramaturgo maranhense Arthur de Azevedo (1855 &#8211; 1908), que em um dos intervalos foi chamado ao camarote do imperador, que felicitou seu trabalho e manifestou o desejo de possuir uma cópia de sua <em>excelente tradução</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_02/15900" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de julho de 1889, quarta coluna</a>). Arthur de Azevedo foi, anos depois, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e algumas de suas peças de maior sucesso foram <em>A Capital Federal</em> e <em>O Mambembe</em>.</div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19859" style="width: 451px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon406734/icon406734.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-19859" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/azevedo.jpg" alt="Arthur Azevedo no seu leito de morte, gravura de Modesto Brocos, 1910" width="441" height="311" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon406734/icon406734.jpg" target="_blank">Arthur Azevedo no seu leito de morte, gravura de Modesto Brocos, 1910</a></p></div>
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<p>Nos intervalos da peça, a violinista Giulietta Dionesi (c. 1877 &#8211; 1911), com a apenas 11 anos e já considerada uma virtuose do instrumento, executou a<em> Grande Marcha Militar</em>, do belga Hubert Leonard (1819 &#8211; 1890); e o <em>Andante e Polonesa de Concerto</em>, do francês Charles Dancla (1817 &#8211; 1907). Foi acompanhada por seu irmão, 10 anos mais velho do que ela, o maestro e pianista Romeu Dionesi (c. 1867 &#8211; ?). A apresentação foi um sucesso (<em>Gazeta de Notícias</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15889" target="_blank">14 de julho de 1889, quarta coluna;</a> e<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15904" target="_blank"> 17 de julho de 1889, penúltima coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_19865" style="width: 261px" class="wp-caption aligncenter"><img class="wp-image-19865" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/GIULIETA1.jpg" alt="GIULIETA1" width="251" height="365" /><p class="wp-caption-text">A violinista italiana Giulietta Dionesi, aos 11 anos, em gravura da revista Pantheon</p></div>
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<p style="text-align: left;">Os Dionesi haviam chegado em junho no Rio de Janeiro, após uma bem sucedida excursão pela Itália, Espanha e Portugal. No dia 6 de julho, Giulieta foi cumprimentar o imperador que, segundo noticiado, a recebeu com <em>benéfico acolhimento</em> e pediu que ela deixasse com ele o álbum com os artigos que a imprensa havia publicado sobre ela. Os irmãos ficaram órfãos de mãe e fugiram da Itália devido à exploração que o pai fazia do talento dos dois (<em>Gazeta de Notícias</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15820" target="_blank">29 de junho de 1889, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15852" target="_blank">7 de julho de 1889, quinta coluna</a>).</p>
<p>Enfim, a noite no Teatro Sant´Anna havia sido um sucesso absoluto! <em>O espetáculo correu na melhor ordem.</em> <em>A atitude do povo era de todo o ponto pacífica e cortês</em>. Porém, quando dom Pedro II e seus familiares, ao fim do espetáculo, chegaram ao saguão do teatro, houve uma manifestação contra a família imperial. Alguém gritou &#8220;Viva o Partido Republicano!&#8221;, <em>abafado imediatamente esses gritos sediciosos aos aplausos de Viva o imperador! Viva a família imperial! Viva a monarquia!</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank">(<em>Novidades</em>, 16 de julho de 1889, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2589" target="_blank"><em>Novidades</em>, 17 de julho de 1889, quinta coluna</a>).</p>
<p>&#8220;<em>Causou a mais viva impressão a notícia da deplorável ocorrência de ontem à noite, às portas do teatro Sant&#8217;Anna e suas circunvizinhanças. Um grupo, quando o Imperador saía do teatro em companhia de sua augusta família, levantou vivas à república, o que produziu a maior confusão no povo, que em desafronta de Sua Magestade levantou vivas ao imperador. Sua Magestade embarcou em seguida no seu coche, que partiu a trote largo, e afirmam várias pessoas que, no momento de passar aquele por defronte da Maison Moderne, ou Stat-Coblentz, ouviu-se a detonação de um tiro</em>&#8221; (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><em>Cidade do Rio</em>, 16 de julho de 1889</a>).</p>
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<div id="attachment_19850" style="width: 495px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4030" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19850" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/atentado.jpg" alt="Capa da Revista Illustrada de 20 de julho de 1889" width="485" height="517" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4030" target="_blank">Capa da <em>Revista Illustrada</em> de 20 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi na frente do restaurante <em>Maison Moderne, </em>localizado na própria Praça da Constituição, entre a rua Espírito Santo e a Travessa da Barreira, que foram disparados tiros na direção da carruagem imperial, que seguiu pela rua da Carioca em direção ao Paço Imperial.</p>
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<div id="attachment_19853" style="width: 624px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><img class=" wp-image-19853" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/desacato.jpg" alt="Cidade do Rio, 16 de julho de 1889" width="614" height="409" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><em>Cidade do Rio</em>, 16 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda na madrugada do dia 16 de julho, o 1º delegado de polícia, Bernardino Ferreira da Silva, começou as investigações. O primeiro detido, logo liberado, foi Germano Hasslocher. Depois compareceu à delegacia Eduardo José de Freitas informando que um funcionário da <em>Maison Moderne</em>, Antônio José Nogueira, conhecia o autor dos disparos, Adriano Augusto do Valle. Assim, o delegado Bernardino prendeu o acusado em um bonde da Companhia de Botafogo, na rua de Gonçalves Dias. Ele tinha 20 ou 21 anos, era natural de Coimbra, filho de Adriano Francisco Augusto do Valle e trabalhava desde maio como primeiro caixeiro do estabelecimento de pedras açorianas e máquinas para lavoura dos Srs. Ferreira &amp; C., na rua Teófilo Otoni, nº 119, mesma rua onde residia, no nº 128. Na edição de <em>O Paiz</em> de 17 de julho de 1889, foram publicados alguns antecedentes do acusado que, segundo o periódico, há algum tempo <em>discutia assuntos políticos , mostrando-se extremado em suas opiniões. </em>Noticiou também o boato de que Adriano já havia dado um tiro em um retrato do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11397" target="_blank">conde d´Eu (1842 &#8211; 1922)</a>, marido da princesa Isabel, <em>dizendo que sentia não poder fazer o mesmo, por enquanto, na pessoa desse príncipe</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, de 17 de julho de 1889</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/248070/923" target="_blank"><em>Diário do Commércio</em>, 17 de julho de 1889, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19851" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7364" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19851" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/adriano.jpg" alt="O Paiz, 18 de julho de 1889" width="286" height="387" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7364" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 18 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo alguns relatos, pouco antes do atentado, junto com outros rapazes, em bebedeira, Adriano do Valle teria afirmado ter coragem de dar “Vivas a República” diante do imperador. Foi incentivado pelos colegas, atirou e fugiu. Tentou se esconder em diversos hotéis, mas todos estavam cheios. No Hotel Provenceaux, pediu que o caixeiro Antônio Gonçalves guardasse os dois revólveres que possuía. Durante o interrogatório, confessou seu crime e declarou:</p>
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<div id="attachment_19875" style="width: 248px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank"><img class=" wp-image-19875" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/inte.jpg" alt="Novidades, 16 de julho de 1889, penúltima coluna" width="238" height="154" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank"><em>Novidades</em>, 16 de julho de 1889, penúltima coluna</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Houve um clima de consternação geral. O atentado causou polêmica em torno da imigração estrangeira, em crescimento durante a década de 1880, já que o criminoso era português, pertencendo à maior colônia de imigrantes da Corte e também à comunidade mais rica da cidade do Rio de Janeiro; e do movimento republicano.</p>
<p>Os republicanos imediatamente declararam-se contra o atentado, dissociando-se da ação criminosa. Quintino Bocaiuva (1836 &#8211; 1912 ), chefe do Partido Republicano e redator-chefe do jornal <em>O Paiz,</em> publicou o editorial &#8220;<em>Os dois fatos</em>&#8220;(<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19879" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7358"><img class="size-full wp-image-19879" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/quintino.jpg" alt="O Paiz, 17 de julho de 1889" width="286" height="468" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Outros jornais também se pronunciaram nesse sentido:</p>
<p>&#8220;<em>Infelizmente, houve ontem um atentado que não podemos atribuir senão à inconsciência de quem o praticou: ou loucura ou embriaguez, pois, por honra do partido republicano, não acreditamos que tal ato dele partisse. Esse triste acontecimento é ainda uma das consequências da profunda anarquia que lavra nos espíritos do Brasil, onde todas as noções de direito, dever e liberdade acham-se completamente obliteradas&#8221;. </em>Tal ato contrariaria a &#8220;<em>brandura do coração brasileiro e dos nossos costumes&#8221; (<span style="color: #333333;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/226688/9859" target="_blank">Gazeta da Tarde, </a></span></em><span style="color: #333333;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/226688/9859" target="_blank">16 de julho de 1889, segunda coluna</a>)</span><em>.</em><em><span style="color: #333333;"> </span></em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Revolucionários, sim, assassinos, nunca!&#8221;</em></span></p>
<p><em>&#8220;O Partido Republicano não tem a menor responsabilidade pelo desacato cometido contra S.S.M.M&#8230; O desacato que sofreu o chefe do estado, alquebrado pelos anos e pela moléstia, junto à santa senhora que o acompanhava só pode ser levado à conta da loucura daqueles que a todo transe procuram indispor e vilipendiar o nosso partido. Apelamos para o próprio imperador, e ele, que com cosciência nos diga, se julga que haja nesta terra um &#8220;verdadeiro republicano&#8221; que seja capaz de atentar contra a sua vida! Revolucionários, sim, assassinos, nunca!&#8221;</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/808911/41" target="_blank"><em>República Brazileira</em>, 17 de julho de 1889, primeira coluna</a>).</p>
<p>O próprio dom Pedro II, que no dia seguinte ao atentado foi com a imperatriz para o Palacete Itamaraty, no Alto da Boa Vista, procurou minimizar publicamente a importância do ocorrido, descartando a possibilidade de Adriano fazer parte de uma trama para sua deposição: “<em>Não foi nada, foi um tiro de louco!</em>” teria exclamado, na tentativa de encerrar o caso. Na ocasião, recebeu diversas visitas em desagravo ao ocorrido (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19876" style="width: 297px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><img class="wp-image-19876 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/palacete.jpg" alt="palacete" width="287" height="316" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889, última coluna</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Devido à nacionalidade do acusado, o conselheiro Nogueira Soares, ministro de Portugal no Brasil, convocou seus compatriotas a uma reunião para a discussão sobre o atentado contra o imperador (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15925" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de julho de 1889, sexta coluna</a>). Associados das caixas beneficentes e associações portuguesas lançaram uma nota de repúdio ao crime e a diretoria do Liceu Literário Português anunciou seu total desacordo com o ato cometido contra o imperador: &#8220;<em>Este ato manou de um louco, e os loucos não têm pátria</em>” (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15907" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 18 de julho de 1889, terceira coluna</a>).</p>
<p>Na reunião do ministério de Portugal, realizada no Gabinete Português de Leitura, no dia 24 de julho, o ministro Nogueira Soares leu um retrospecto dos acontecimentos acerca do atentado e fundamentou a seguinte proposta:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19890" style="width: 299px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7402" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19890" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/aplausos.jpg" alt="O Paiz, 25 de julho de 1889" width="289" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7402" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 25 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A <em>Gazeta de Notícias</em> publicou um editorial contra a posição aprovada por parte da colônia portuguesa durante a reunião (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_02/15953" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 26 de julho de 1889, primeira coluna</a>). O jornal <em>O Paiz</em>, cujo dono era o português João José dos Reis Junior, também se pronunciou afirmando que “<em>A nacionalidade portuguesa não pode de modo algum ser lastimada pelo acidente da origem do jovem presumido criminoso” </em>e desaprovando o ato de Nogueira Soares classificando- o de&#8221;<em>azáfama de zumbaias à monarquia&#8221;</em> e de &#8220;<em>ostenstação</em> <em>de desprezo e de abandono para com o desventurado moço português </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7416" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 28 de julho de 1889, quarta coluna</a>).</p>
<p>Enquanto isso, o imperador seguiu recebendo, entre os meses de julho e agosto, vários telegramas o felicitando por ter sobrevivido ao atentado. Pelo mesmo motivo, também foram oferecidas diversas missas em Ação de Graças. Mas o fato é que a monarquia estava mesmo em seus estertores no Brasil. Em 9 de novembro, foi realizado o baile da Ilha Fiscal (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_02&amp;PagFis=16509"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 11 de novembro de 1889</a>), que passou à história como o último baile do regime monárquico no país. Dias depois, em 15 de novembro, foi proclamada a República (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/16528" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de novembro de 1889</a>).  Em 17 de novembro, a família real partiu para o exílio, na Europa, a bordo do Alagoas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_02&amp;PagFis=16536"><em>Gazeta de Notícias</em>, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna</a>).</p>
<p>Cerca de uma semana depois, no dia 23 de novembro de 1889, aconteceu o julgamento de Adriano do Valle perante o júri. Foi presidida pelo juiz Hollanda Cavalcanti. O reú compareceu acompanhado por seu curador, Julio Ottoni, e por seu defensor Ferreira Lima. O promotor do caso foi Lima Drummond. A defesa alegou que o grito de “Viva o Partido Republicano” tornara-se irrelevante devido à mudança de regime de governo ocorrido no Brasil; que Adriano não havia atirado contra a carruagem imperial já que nem os cocheiros nem os membros do piquete haviam ouvido disparos; e que não havia marca de tiros na carruagem. Argumentaram também que Adriano do Valle havia ingerido absinto, um dos motivos de ter tomado uma atitude irracional. O juiz Hollanda Cavalcanti fez 10 perguntas para os jurados, sendo a primeira “O acusado atirou no carro do imperador?” As demais estavam associadas a ela. Por 10 votos a 0, os jurados responderam “não” à primeira questão. As seguintes perderam o sentido e Adriano do Valle foi então, poucos dias após a proclamação da República, absolvido e posto em liberdade (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/16566" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 24 de novembro, penúltima coluna).<br />
</a></p>
<p>Pedro II faleceu, no exílio, em Paris, em 5 de dezembro de 1891, no Hotel Bedford, na rua Arcade, no oitavo <em>arrondissement</em> da cidade. Foi retratado pelo renomado fotógrafo Nadar e seu atestado de óbito foi assinado por Jean Marie Charcot (1825 &#8211; 1893), Charles Jacques Bouchard (1837 &#8211; 1915) e por seu médico e amigo pessoal, Cláudio Velho da Motta Maia (1843 &#8211; 1897). A causa da morte foi pneumonia aguda no pulmão esquerdo.</p>
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<div id="attachment_16683" style="width: 276px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/registro.jpg"><img class="size-full wp-image-16683" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/registro.jpg" alt="Registro de morte de dom Pedro II" width="266" height="372" /></a><p class="wp-caption-text">Registro de morte de dom Pedro II</p></div>
<p>Tradução do registro de morte do imperador:</p>
<p><i>&#8220;</i>Nós, abaixo assinados, Professores da Faculdade de Medicina e doutores em medicina, certificamos que Dom Pedro II d’Alcantara morreu em 5 de Dezembro de 1891 à meia noite e 35 (da manhã) no hotel Bedford, 17 rue de l’Arcade, em Paris, em conseqüência de uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.</p>
<p>Paris, 5 de dezembro de 1891</p>
<p>J.M Charcot</p>
<p>C. de Motta Maia</p>
<p>Bouchard&#8221;</p>
<p><a href="http://piaui.folha.uol.com.br/questoes-manuscritas/o-registro-da-morte-do-imperador/" target="_blank">Link para o registro da morte de Pedro II.</a></p>
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<div style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2951" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2951/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="710" height="454" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2951" target="_blank">Nadar; Pacheco &amp; Filho. Pedro II, Imperador do Brasil : retrato, 1891. Paris, França / Acervo FBN</a></p></div>
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<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="http://www.academia.org.br/academicos/artur-azevedo/biografia" target="_blank">Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BOCAIUVA,%20Quintino.pdf" target="_blank">CPDOC</a></p>
<p>BESOUCHET, Lídia. <em>Exílio e morte do Imperador</em>. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975</p>
<p>CARVALHO, José Murilo de. <em>Os bestializados, o Rio de Janeiro e a República que não foi</em>. São Paulo: Cia. das Letras, 1987.</p>
<p>CARVALHO, José Murilo. <em>Pedro II: ser ou não ser</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.</p>
<p><a href="https://www.britannica.com/biography/Jacques-Offenbach" target="_blank">Enciclopédia Britannica</a></p>
<p>HARING, Bertita.<em> O Trono do Amazonas – a história dos Braganças no Brasil</em> – José Olympio, RJ, 1944.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ARTICULISTAS,166298" target="_blank"><em>Jornal da Manhã</em> de Uberaba, 20 de setembro de 1918</a></p>
<p>MEDEIROS, Karla Armani. <em><a href="http://karlaarmani.blogspot.com/2019/01/giulietta-dionesi-jovem-violinista.html">Giulietta Dionesi, a jovem violinista</a></em>. <em>O Diário de Barretos</em>, 8 de janeiro de 2019.</p>
<p>OLIVEIRA, Olga Maria Frange de. <a href="https://jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ARTICULISTAS,166298" target="_blank"><em>O atentado e o resgate de um gênio</em></a>. <em>Jornal da Manhã</em> (Uberaba), 20 de setembro de 2018.</p>
<p>SCHWARCZ, Lilia Moritz. <i>As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos</i>. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.</p>
<p><a href="https://www.naxos.com/person/Hubert_Leonard/53690.htm" target="_blank">Site Naxos</a></p>
<p><a href="http://www.ctac.gov.br/centrohistorico/teatroXperiodo.asp?cdp=17&amp;cod=108" target="_blank">Site Theatros do Centro Histórico do Rio de Janeiro</a></p>
<p><a href="https://www.violinman.com/Violin_Family/history/composer/biography/DANCLA,%20Charles/DANCLA,%20Charles%20%20(1817-1907).htm" target="_blank">Site ViolinMan.com</a></p>
<p>VIDIPÓ, George. <a href="https://www.encontro2018.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1528452552_ARQUIVO_AtentadocontraDPedroII-GeorgeVidipo-Anpuh2018II.pdf" target="_blank"><em>Um processo criminal nos jornais do século XIX: o atentado contra dom Pedro II</em></a>. Anais do Encontro Internacional XVII Encontro de História da Anpuh-Rio: História e Parcerias, 2018.</p>
<p>&nbsp;</p>
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