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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Minas Gerais</title>
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		<title>Os garimpeiros de Marc Ferrez e Sebastião Salgado</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jun 2025 16:42:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[Há exatamente um mês faleceu o mineiro Sebastião Salgado, um dos maiores fotógrafos de todos os tempos e um dos brasileiros de maior renome internacional. Sua obra humanista levou nossos olhos a lugares pouco conhecidos e a questões sociais graves e urgentes. Aqui destacamos uma foto de outro gigante da fotografia, o carioca Marc Ferrez, a primeira de que se tem notícia até hoje realizada no interior de uma mina de ouro, em torno de 1888, em Minas Gerais. Relacionamos essa imagem com uma produzida por Sebastião Salgado quase um século depois, em 1986, no Pará, de operários num garimpo de Serra Pelada. Este registro foi incluído na lista das 25 fotografias que definem, de acordo com o jornal norte-americano "New York Times", a era moderna. A seleção foi feita em 2024, e reúne imagens realizadas em diversas partes do mundo desde 1955.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">Há exatamente um mês faleceu, em Paris,  o mineiro Sebastião Salgado (08/02/1944 &#8211; 23/05/2025), devido a uma leucemia decorrente de uma malária que contraiu, em 1990, na Nova Guiné, durante a produção da obra <em>Gênesis.</em> Foi um dos maiores fotógrafos de todos os tempos e um dos brasileiros de maior renome internacional. Sua obra humanista levou nossos olhos a lugares remotos e pouco conhecidos e a questões sociais graves e urgentes. </span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; color: #333333;">Aqui destacamos uma imagem da mina Pary, em Santa Bárbara, Minas Gerais, de autoria de outro gigante da fotografia, o carioca Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923). Foi uma das primeiras fotografias de que se tem notícia, até hoje, realizada no interior de uma mina de ouro. Ferrez produziu o registro, em torno 1888, tendo utilizado o <em><span style="font-family: Georgia;">flash</span></em> de magnésio para poder captar a escuridão da cena. Na ocasião, produziu também fotos de Ouro Preto e de Itacolomy. Ele foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX; o único fotógrafo dos oitocentos que percorreu todas as regiões do Brasil, tendo sido, no referido século, o principal responsável pela divulgação da imagem do país no exterior.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 613px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2603" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2603/007_1824cx077-08.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="603" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2603" target="_blank">Marc Ferrez. Mineiros trabalhando na mina Pary, c. 1888. Santa Bárbara, Minas Gerais / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Relacionamos esta foto de Ferrez com uma produzida por Sebastião Salgado cerca de um século depois, em 1986, de operários num garimpo de Serra Pelada, no leste do Pará. Este registro, uma composição de grande força visual, foi incluído na lista das 25 fotografias que, segundo um grupo de especialistas, melhor capturaram e mudaram o mundo, de acordo com o artigo <em>The 25 Photos That Defined the Modern Age </em>(<em>As 25 fotos que definiram a Era Moderna</em>)<em>, </em>publicado, em 3 de junho de 2024, no jornal norte-americano <em>The New York Times.</em></p>
<p>As 25 imagens selecionadas foram realizadas em diversas partes do mundo desde 1955. Além da foto de Salgado, foram escolhidas imagens de Adam Broomberg (1970-) &amp; Oliver Chanarin (1971-), Alberto Korda (1928 &#8211; 2001), Blair Stapp (1924 &#8211; 1977), Carlijn Jacobs (1991-), Carrier Mae Weems (1953-), Cindy Sherman (1954-), David Jackson (19?- ), Deana Lawson (1979-), Diane Arbus (1923 &#8211; 1971), Ed Ruscha (1937-), Ernest C. Withers (1922 &#8211; 2007), Eugene Smith (1918 &#8211; 1978), Gordon Parks (1912 &#8211; 2006),  LaToya Ruby Frazier (1982-), Lee Friedlander (1934-), Malcolm Browne (1931- 2012), Nan Goldin (1953-), Photo Archive Group, Richard Drew (1946-), Robert Frank (1924 &#8211; 2019), Staff Sgt. Ivan L. Frederich II (1966-), Stuart Franklin (1956-), William A. Anders (1933 &#8211; 2024) e Wolfgang Tillmans (1968-).</p>
<p>Na época da divulgação da lista, no texto assinado no <em>The New York Times </em>pelo escritor e crítico de arte Emmanuel Iduma (1989-), foi destacado que &#8220;<em>Um dos aspectos mais marcantes das fotografias de Sebastião Salgado de uma mina de ouro a céu aberto no Brasil é a escala. Milhares de homens &#8211;seus corpos curvados e frágeis&#8211; são representados em miniatura contra o plano de fundo de uma enorme cova na terra&#8221;</em>.</p>
<p><i> </i>Salgado declarou sobre o cenário que fotografou em Serra Pelada, onde permaneceu por mais de um mês:</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>“Só se ouvia o murmúrio de 50 mil pessoas dentro de um imenso buraco. Conversas, sons humanos misturados ao trabalho. Era como se eu ouvisse o murmúrio do ouro na alma de todos ali”.</em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40223" style="width: 715px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/05/23/foto-de-sebastiao-salgado-entrou-em-lista-do-new-york-times-como-uma-das-imagens-que-definem-a-era-moderna.ghtml" target="_blank"><img class="wp-image-40223 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/salgado.jpg" alt="Foto de Sebastião Salgado em Serra Pelada, no Pará, realizada em 1986 — Foto: Reprodução/New York Times" width="705" height="468" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/05/23/foto-de-sebastiao-salgado-entrou-em-lista-do-new-york-times-como-uma-das-imagens-que-definem-a-era-moderna.ghtml" target="_blank">Sebastião Salgado. Serra Pelada, 1986. Pará. Foto: Divulgação Sebastião Salgado</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A foto de Salgado integra a série <i>Gold &#8211; Mina de Ouro Serra Pelada,</i> que retrata o cotidiano daquele que foi o maior garimpo a céu aberto do mundo. A série é uma das principais produções de sua obra &#8211; marcada por beleza e engajamento &#8211; e reúne 56 fotografias em preto e branco.</p>
<p>Segundo Peter Howe (1942 &#8211; 2020), que foi editor de fotografia do <em>The New York Times Magazine</em>, uma das seções dominicais do <em>The New York Times</em>, quando esses registros chegaram ao jornal, todos ficaram em silêncio:<i> &#8220;Em toda a minha carreira no The New York Times eu nunca vi editores reagirem a uma série de fotos como reagiram as de Serra Pelada&#8221;. </i>Nove foram publicadas na matéria <em>An epic struggle for gold (Uma luta épica pelo ouro), </em>escrita por<em> Marlise Simons, </em>na edição de 7 de junho de 1987.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Fontes:</span></strong></p>
<p><a href="https://ims.com.br/cadernos-de-marc-ferrez/procedimentos-e-formulas/" target="_blank">Cadernos de Marc Ferrez [Procedimentos e fórmulas] Fundo Família Ferrez / Acervo do Arquivo Nacional</a></p>
<p><a href="https://www.cartacapital.com.br/sociedade/pouco-antes-de-morrer-sebastiao-salgado-falou-sobre-o-futuro-da-fotografia-na-era-da-inteligencia-artificial/" target="_blank"><em>Carta Capital</em>, 27 de maio de 2025</a></p>
<p>CERON, Ileana Pradilla Ceron. <em>Marc Ferrez – uma cronologia da vida e da obra</em>. São Paulo : Instituto Moreira Salles, 2018.</p>
<p><em>Folha de São Paulo</em>, 4 de junho de 2024</p>
<p><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2025/05/23/serra-pelada-a-historia-da-fotografia-mais-famosa-de-sebastiao-salgado.ghtml" target="_blank">G1, 24 de maio de 2025</a></p>
<p><em><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/05/23/foto-de-sebastiao-salgado-entrou-em-lista-do-new-york-times-como-uma-das-imagens-que-definem-a-era-moderna.ghtml" target="_blank">O GLOBO, </a></em><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/05/23/foto-de-sebastiao-salgado-entrou-em-lista-do-new-york-times-como-uma-das-imagens-que-definem-a-era-moderna.ghtml" target="_blank">23 de maio de 2025</a></p>
<p><em>The New York Times</em>, 7 de junho de 1987 e 3 de junho de 2024</p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Sebasti%C3%A3o-Salgado-Gold-Salgado/dp/3836575086" target="_blank">Site Amazon</a></p>
<p>WANDERLEY, Andrea C.T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank"><em>O brilhante cronista visual Marc Ferrez (RJ, 07/12/1843 – RJ, 12/01/1923)</em></a> in Brasiliana Fotográfica, 7 de dezembro de 2016.</p>
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		<title>Série “Avenidas e ruas do Brasil” V &#8211; A Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2020 13:11:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No quinto artigo da série "Avenidas e ruas do Brasil", a Brasiliana Fotográfica destaca imagens de três ruas na cidade de Diamantina, em Minas Gerais: a Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio. O registro da Rua Direita foi realizado, no século XIX, pelo fotógrafo alemão Augusto Riedel (1836 - ?) e os da Rua das Mercês e Macau do Meio pelo mineiro Chichico Alkmim (1886 - 1978), já nas primeiras décadas do século XX. Em suas ruas de pedras, com várias subidas e descidas, onde se encontra um casario homogêneo e bem conservado, fazemos uma viagem no tempo...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Série “Avenidas e ruas do Brasil” V &#8211; A Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais</em></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No quinto artigo da série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221;, a Brasiliana Fotográfica destaca imagens de três ruas na cidade de Diamantina, em Minas Gerais: a Rua Direita, a Rua das Mercês e a Rua Macau do Meio. O registro da rua Direita foi realizado, no século XIX, pelo fotógrafo alemão <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2415" target="_blank">Augusto Riedel (1836 &#8211; ?)</a> e os da Rua das Mercês e Macau do Meio pelo mineiro <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8890" target="_blank">Chichico Alkmim (1886 &#8211; 1978)</a>, já nas primeiras décadas do século XX. Em suas ruas de pedras, com várias subidas e descidas, onde se encontra um casario homogêneo e bem conservado, fazemos uma viagem no tempo&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5161" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5161/P011P00042.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5161" target="_blank">Chichico Alkmim. Rua Macau do Meio, s/d. Diamantina, Minas Gerais / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Diamantina é uma das mais importantes cidades históricas do Brasil e sua formação está ligada à exploração de ouro e de diamante. Sua ocupação inicial ocorreu com o bandeirante Jerônimo Gouveia (16? &#8211; ?) que, seguindo o curso do rio Jequitinhonha, encontrou uma significativa quantidade de ouro nas confluências dos rios Piruruca e Grande. O povoado começou a surgir nas primeiras décadas do século XVIII, em torno dos rios garimpados. A cidade de Diamantina, cuja origem foi o Arraial do Tijuco (ou Tejuco), foi oficialmente fundada em 6 de março de 1831. O conjunto arquitetônico de seu centro histórico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 16 de maio de 1938. Em dezembro de 1999, Diamantina recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural da Humanidade (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_11/280319" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 2 de dezembro de 1999</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Diamantina foi o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII, condição que se refletiu na evolução da cidade, desfavorecendo a formação de um espaço urbano arquitetônico na forma de uma praça representativa do poder político e religioso, como era então regra geral. Sua arquitetura civil tem referência especial pela extrema homogeneidade do seu casario. Possui uma estética sóbria, simples, porém refinada se comparada com outras cidades de sua época. Suas fachadas são bem geometrizadas e seu padrão foi sistematicamente reproduzido pela cidade, não havendo rupturas estilísticas importantes. Essas edificações apresentam evidentes testemunhos da reprodução do modelo cultural de origem portuguesa.&#8221; </em></span></p>
<p style="text-align: right;">                              <a href="http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/32" target="_blank"> Portal Iphan</a></p>
<div id="attachment_20696" style="width: 228px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/brasaodediamantina.jpg"><img class="size-full wp-image-20696" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/brasaodediamantina.jpg" alt="Brasão de Diamantina" width="218" height="246" /></a><p class="wp-caption-text">Brasão de Diamantina</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Augusto Riedel (1836 &#8211; ?) e Diamantina</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Considerado um dos mais talentosos fotógrafos paisagistas dos oitocentos, o alemão Augusto Riedel (1836-?) foi proprietário de um estúdio fotográfico à Rua Direita nº 24, em São Paulo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=709557&amp;PagFis=176" target="_blank"><em>Diário de São Paulo</em>, de 1º de outubro de 1865, primeira coluna</a>), na década de 1860, e na Rua Cassiano, 41, no Rio de Janeiro, entre 1875 e 1877. De sua produção, restaram 40 imagens do álbum <a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon206339/icon206339.pdf" target="_blank"><em>Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868</em> </a>– que se tornou um dos trabalhos clássicos da documentação fotográfica do século XIX no Brasil. Os registros de Diamantina fazem parte deste conjunto. O duque de Saxe, dom Luis Augusto de Saxe Coburgo e Gotha (1845 – 1907), era genro do imperador Pedro II (1825 – 1891), marido da princesa Leopoldina de Bragança e Bourbon (1847 – 1871). A presença do nome do fotógrafo na capa do álbum indica que ele já devia ser bastante conhecido e que provavelmente devam existir outras fotos dele ainda hoje não amplamente reconhecidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/313" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/313/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="543" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/313" target="_blank">Augusto Riedel. Rua Direita da Diamantina, 1868-1869. Diamantina, Minas GErais / Acervo Fundação Biblioteca Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A viagem representada no mencionado álbum durou meses , durante os quais foram percorridos os estados de Minas Gerais, onde foram retratadas, além de Diamantina, as cidades de Ouro Preto, Mariana, Sabará, Lagoa Santa e o primeiro vapor do rio das Velhas, além das minas de Morro Velho; vistas do rio São Francisco, que levaram os viajantes até Penedo, em Alagoas; Sergipe e, finalmente, Bahia, último estado visitado pela expedição. São possivelmente os mais antigos registros fotográficos dessas regiões do Brasil.  O itinerário percorrido sugere um grande interesse do grupo em geologia e em assuntos relativos à mineração. Um <em>obscuro diamantinense</em> publicou uma homenagem à visita dos príncipes à Diamantina (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=094170_02&amp;PagFis=23282" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, de 10 de agosto de 1868, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/23282" target="_blank"><img class="  wp-image-20697 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/homenagem1.jpg" alt="homenagem1" width="247" height="471" /></a></p>
<div id="attachment_20698" style="width: 246px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/23282" target="_blank"><img class="size-full wp-image-20698" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/homenagem2.jpg" alt="Diário do Rio de janeiro, 1868" width="236" height="523" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/23282" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro, </em>10 de agosto de 1868</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/247">Acessando o link para as fotografias de Augusto Riedel de aspectos de Diamantina disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong> Chichico Alkmim (1886 &#8211; 1978) e Diamantina</strong></span></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O mineiro Chichico Alkmim (1886 – 1978), autodidata, pioneiro da fotografia de estúdio em Diamantina, e primeiro cronista visual da cidade, atuou na profissão de 1907 a 1955. Seu primeiro ateliê foi inaugurado em 1912 e sua obra, uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais, compreende imagens da arquitetura diamantinense, sua religiosidade, suas ruas, costumes, ritos e retratos de seus habitantes. Chichico retratou a burguesia e também os trabalhadores ligados ao pequeno garimpo, ao comércio e à indústria. Produziu imagens de casamentos, batizados, funerais, festas populares e religiosas, paisagens e cenas de rua. De 1955, quando parou de  fotografar, até 1978, ano de sua morte, continuou cuidando de seu acervo, que guardava no porão de sua casa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5155" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5155/P011A00040.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5155" target="_blank">Chichico Alkmim. Rua das Mercês, s/d. Diamantina, Minas Gerais / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/248">Acessando o link para as fotografias de Chichico Alkmim de aspectos de Diamantina disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5156" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5156/P011A00044.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="499" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5156" target="_blank">Chichico Alkmim. Crianças na atual rua Macau do Meio, s/d. Diamantina, Minas Gerais / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://www.bn.gov.br/explore/acervos/hemeroteca-digital" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/32" target="_blank">Portal Iphan</a></p>
<p><a href="http://diamantina.mg.gov.br/o-municipio/" target="_blank">Site Prefeitura de Diamantina</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Links para as outras publicações da série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221;</strong></span></p>
<p> <a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5880" target="_blank">Série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221; I &#8211; Avenida Central, atual Rio Branco, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 7 de setembro de 2016</a></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18113">Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A Rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 26 de junho de 2020</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20105">Série “Avenidas e ruas do Brasil” III – A Rua do Bom Jesus, no Recife, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 6 de agosto de 2020</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20381">Série “Avenidas e ruas do Brasil” IV – A Rua 25 de Março, em São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 1º de setembro de 2020</a></span></p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20708" target="_blank">Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI  &#8211; Rua Augusto Ribas e outras, em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luiz Bianchi, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 16 de novembro de 2020</a></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20721">Série “Avenidas e ruas do Brasil” VII – A Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 23 de dezembro de 2020</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=21888" target="_blank">Série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil VIII &#8211; A Rua da Carioca por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 20 de janeiro de 2021</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=23162" target="_blank">Série “Avenidas e ruas do Brasil” IX – Ruas e panoramas do bairro do Catete, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de julho de 2021</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25825" target="_blank">Série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221; X &#8211; A Rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 9 de novembro de 2021</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25358http://" target="_blank">Série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221; XI &#8211; A Rua da Esperança, em São Paulo, por Vincenzo Pastore, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 14 de dezembro de 2021</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26514http://" target="_blank">Série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221; XII &#8211; A Avenida Paulista, o coração pulsante da metrópole, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 21 de janeiro de 2022</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27660" target="_blank">Série “Avenidas e ruas do Brasil” XIII &#8211; A Rua Buenos Aires no Centro do Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal,  publicada em 19 de julho de 2022</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27822" target="_blank">Série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221; XIV &#8211; A Avenida Presidente Vargas,, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 31 de agosto de 2022</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26995" target="_blank">Série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221; XV &#8211; Misericórdia: rua, largo e ladeira, no Rio de Janeiro, por Cássio Loredano, de autoria de Cássio Loredano, publicada em 8 de dezembro de 2022</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=30124" target="_blank">Série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221; XVI &#8211; “Alguma coisa acontece no meu coração”, a Avenida São João nos 469 anos de São Paulo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 25 de janeiro de 2023</a></span></p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31131" target="_blank">Série &#8220;Avenidas e ruas do Brasil&#8221; XVII  e série &#8220;O Rio de Janeiro desaparecido&#8221; XXIII &#8211; A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023</a></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32975" target="_blank">Série “Avenidas e ruas do Brasil” XVIII &#8211; Avenida Beira-Mar, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 22 de janeiro de 2024</a></span></p>
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		<title>Registros em Lagoa Santa, Minas Gerais, relacionados ao naturalista Peter Wilhelm Lund (1801 &#8211; 1880)</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Nov 2019 14:48:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Aimé-Adrien Taunay]]></category>
		<category><![CDATA[álbum fotográfico]]></category>
		<category><![CDATA[Christian Friedrich Hasse]]></category>
		<category><![CDATA[crânio]]></category>
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		<category><![CDATA[Expedição Langsdorff]]></category>
		<category><![CDATA[fóssil]]></category>
		<category><![CDATA[Georg Heinrich von Langsdorff]]></category>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica destaca as imagens disponíveis em seu acervo relacionadas ao notável naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801 - 1880), cientista muito importante no desenvolvimento da paleontologia, da espeleologia e da arqueologia no Brasil. As imagens pertencem à Fundação Biblioteca Nacional, uma das fundadoras do portal.São dois registros de um Crânio fóssil: encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais, um de sua casa e um do jazigo de Peter Andreas Brandt (1792 – 1862), norueguês responsável pelos desenhos e pinturas que ilustram a obra de Lund. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica destaca as imagens disponíveis em seu acervo relacionadas ao notável naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801 &#8211; 1880), importante cientista no desenvolvimento da paleontologia, da espeleologia e da arqueologia no Brasil. Os registros pertencem à Fundação Biblioteca Nacional, uma das fundadoras do portal, e são de um<em> </em>crânio fóssil<em>, </em>da casa de Lund e do do jazigo de Peter Andreas Brandt (1792 – 1862), norueguês responsável pelos desenhos e pinturas que ilustram a obra do naturalista.</p>
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<div style="width: 552px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/801" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/801/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="542" height="690" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/801" target="_blank">Crânio fóssil : encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais, 1876-1882. Lagoa Santa, Minas Gerais / Acervo FBN</a></p></div>
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<p><a href="%20https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/186   " target="_blank">Acessando o link para as fotografias relacionadas a Peter Wilhelm Lund disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
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<div style="width: 560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/800" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/800/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="550" height="725" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/800" target="_blank">Crânio fóssil : encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais, 1876-1882. Lagoa Santa, Minas Gerais / Acervo FBN</a></p></div>
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<p>Peter Wilhelm Lund, nascido em 14 de junho de 1801, em Copenhagem, após a morte de um de seus irmãos, vítima de tuberculose, decidiu vir para um país de clima mais ameno, aonde se dedicaria ao estudo de História Natural. Desembarcou em 8 de dezembro de 1825, no Rio de Janeiro, na época festivamente iluminado em homenagem ao recente nascimento de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">Pedro II</a>, ocorrido seis dias antes. Lund ficou no Brasil até  abril de 1829, quando retornou a Copenhagem. Entre esse ano e 1833, quando estabeleceu-se definitivamente no Brasil, viajou para diversos países da Europa. Entre 1835 e 1884, escavou milhares de fósseis nas cavernas de Lagoa Santa, cidade de Minas Gerais, onde viveu até sua morte, em 25 de maio de 1880. Descreveu dezenas de espécies extintas do período Pleistoceno &#8211; época geológica compreendida entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás. Durante este trabalho, Lund descobriu os esqueletos fossilizados de cerca de 30 seres humanos. Assim como outros cientistas, por exemplo o berlinense Alexander von Humboldt (1769 &#8211; 1859) e o britânico Charles Darwin (1809 &#8211; 1892), Lund interessou-se pela extinta fauna americana. Combinou o trabalho prático das escavações com o trabalho quanto à sistemática e à taxonomia dos gigantes extintos.</p>
<p>Os registros da casa de Lund e do jazigo de Brandt em Lagoa Santa são de autoria do alemão <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2415" target="_blank">Augusto Riedel (1836 &#8211; ?)</a>*. Seria ele filho de Ludwig Riedel (1790 &#8211; 1861), médico e botânico berlinense que havia integrado a Expedição Langsdorff**? Lund e Ludwig Riedel se conheceram na casa do Conde Reventlow (1792-1851), cônsul-geral da Dinamarca, onde Lund se hospedou, entre janeiro e maio de 1833, quando retornou definitivamente ao Brasil. Juntos realizaram várias excursões botânicas nos arredores do Rio de Janeiro e, em 12 de outubro do mesmo ano, iniciaram uma longa viagem pelo interior dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais. Separaram-se em fevereiro de 1835, quando, após seis semanas acamado, Ludwig Riedel retornou ao Rio de Janeiro, onde viria a ocupar os cargos de Diretor do Jardim Botânico do Passeio Público (1839-1858), de primeiro Diretor de Jardins (1848-1861) e de primeiro diretor da seção de Botânica, Agricultura e Artes Mecânicas do Museu Nacional, a partir de 1842 &#8211; já havia fundado o herbário da instituição, em 1831. Os amigos nunca mais se viram porém mantiveram uma assídua correspondência até o falecimento de Ludwig, em 1861.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 910px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/305" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/305/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="900" height="707" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/305" target="_blank">Augusto Riedel. Morada do Dr. Lund em Lagoa Santa, 1868. Lagoa Santa, Minas Gerais / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando à história da fotografia da casa e do jazigo: foram produzidas muitos anos depois, como já mencionado, por Augusto Riedel. Fazem parte do álbum <a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon206339/icon206339.pdf" target="_blank"><em>Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868</em> </a>– um dos trabalhos clássicos da documentação fotográfica do século XIX no Brasil. O duque de Saxe, dom Luis Augusto de Saxe Coburgo e Gotha (1845 – 1907), era genro do imperador <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">Pedro II (1825 – 1891)</a>, marido da princesa Leopoldina de Bragança e Bourbon (1847 – 1871). Augusto Riedel teria feito parte da comitiva da viagem***. A presença de seu nome na capa do álbum indica que ele já devia ser bastante conhecido e que provavelmente devam existir outras fotos de sua autoria ainda hoje não reconhecidas. A viagem durou meses e foram percorridos os estados de Minas Gerais, onde foram retratadas as cidades de Ouro Preto, Mariana, Sabará, Diamantina (e suas minas de diamantes), Lagoa Santa e o primeiro vapor do rio das Velhas, além das minas de Morro Velho; vistas do rio São Francisco, que levaram os viajantes até Penedo, em Alagoas; Sergipe e, finalmente, Bahia, último estado visitado pela expedição. São possivelmente os mais antigos registros fotográficos dessas regiões do Brasil.  O itinerário percorrido sugere um grande interesse do grupo em geologia e em assuntos relativos à mineração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 801px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/287" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/287/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="791" height="598" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/287" target="_blank">Augusto Riedel. Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu augusto irmão D. Luís Philippe ao interior do Brazil no anno 1868 : [saída da comitiva], 1868 / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15755" style="width: 402px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/07/lund.jpg"><img class="wp-image-15755 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/07/lund.jpg" alt="lund" width="392" height="519" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://www.museunacional.ufrj.br/obrasraras/o/0019/0019.pdf" target="_blank">Peter Wilhelm Lund (1801 &#8211; 1880) / Museu Nacional </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15756" style="width: 401px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Riedel#/media/Ficheiro:Ludwig_riedel_1846.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-15756" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/07/ludwig.jpg" alt="ludwig" width="391" height="442" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Riedel#/media/Ficheiro:Ludwig_riedel_1846.jpg" target="_blank">Ludwig Riedel (1790 &#8211; 1861) por Rugendas, em 1846</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Pouco se sabe da biografia de Augusto Riedel e a grande maioria dos livros e sites consultados pela Brasiliana Fotográfica afirmam ou levam em conta a possibilidade de ele ser filho do botânico Ludwig Riedel (1790-1861). Em <em>O olhar distante &#8211; a paisagem brasileira vista pelos grandes artistas estrangeiros 1637-1998</em>, de Pedro Corrêa do Lago, e no livro <em>Fotógrafos alemães no Brasil do século XIX</em>, de Pedro Vasquez, a dúvida em relação a essa filiação foi levantada. Uma notícia do jornal<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=369381&amp;PagFis=387" target="_blank"> <em>O Globo</em>, de 10 de novembro de 1874, na quarta coluna da página 4</a>, encontrada pela pesquisa da Brasiliana Fotográfica, prova que havia, de fato, dois Augustos Riedel. O filho de Ludwig trabalhava na casa Leuzinger &amp; Filhos:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15785" style="width: 328px" class="wp-caption aligncenter"><img class="wp-image-15785" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/07/riedel.jpg" alt="riedel" width="318" height="108" /><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/369381/387" target="_blank"><em>O Globo</em>, 10 de novembro de 1874</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>**A Expedição Langsdorff foi uma expedição russa, chefiada e organizada pelo barão Georg Heinrich von Langsdorff (1774 – 1852). Artistas e cientistas, percorreram, entre 1821 e 1829, mais de 17 mil quilômetros pelo interior do Brasil e realizaram um importante inventário do país. Alguns dos principais participantes foram, além do próprio Langsdorff, o francês <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10341" target="_blank">Antoine Hercule Romuald Florence (1904 – 1879)</a>, que se tornaria o autor do mais antigo registro fotográfico existente nas Américas;<em> </em>o artista francês Aimé-Adrien Taunay (1803 – 1828) e o alemão Johann Moritz Rugendas (1802 – 1858), os zoólogos francês Edouard Ménétriès (1802 – 1861) e o alemão Christian Friedrich Hasse (1771 – 1831), o astrônomo russo Néster Rubtsov (1799-<wbr />1874) e o já citado botânico alemão Ludwig Riedel (1790 – 1861).</p>
<p>*** A grande maioria das fontes consultadas pela Brasiliana Fotográfica afirmam que Riedel fazia parte da comitiva da viagem, porém no livro <em>O naturalista dr. Lund (Peter Wilhelm) </em>- <em>sua vida e seus trabalhos</em>, publicado em 1883 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/5606" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de julho de 1883, segunda coluna</a>), o autor, o médico dinamarquês Theodoro Langgaard (1813 &#8211; 1883), que morou no Brasil, afirmou que um fotógrafo, sem mencionar a identidade, havia sido enviado pelo Duque de Saxe, após a realização da viagem, para fazer os registros dos lugares que ele havia julgado mais interessantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15775" style="width: 405px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.academia.edu/15633271/Peter_Wilhelm_Lund_o_auge_das_suas_investiga%C3%A7%C3%B5es_cient%C3%ADficas_e_a_raz%C3%A3o_para_o_t%C3%A9rmino_das_pesquisas?auto=download" target="_blank"><img class="wp-image-15775 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/07/lund1.png" alt="lund1" width="395" height="531" /></a><p class="wp-caption-text">Trecho do livro <em>O naturalista dr. Lund (Peter Wilhelm) &#8211; sua vida e seus trabalhos</em>, de Theodoro Langgaard, página 35</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um trecho do testamento de Lund, escrito em 21 de junho de 1871, confirma que Augusto Riedel esteve em Lagoa Santa, em 1869, e teria procurado a caverna de Maquiné:</p>
<p>&#8220;<em>A pedido do Sr. Augusto Riedel delarco, ser com o meu consentimento que o mesmo senhor, na sua passagem por aqui no mês de maio de 1869, procedeu à procura da caverna chamada Lapa Nova de Maquiné, por mim explorada e descrita no ano 1834. Delcaro outrossim, que, se a mim couber direito, privilégio, prêmio ou emolumento qualquer como primeiro descobridor, cedo todos estes direitos e emolumentos ao dito Sr. Augusto Riedel</em>&#8221;</p>
<p style="text-align: right;">(Trecho transcrito do livro <em>Peter Wilhelm Lund, o naturalista que revelou ao mundo a pré-história brasileira, </em>de Ana Paula Almeida Marchesotti, página 93)</p>
<p>Duas imagens que ilustram o livro de Theodoro Langgaard são do álbum <a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon206339/icon206339.pdf" target="_blank"><em>Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868</em></a> : <em>Morada do dr. Lund em Lagoa Santa</em> e <em>Jazigo de Brandt em Lagoa Santa</em>. Brandt trabalhou com Lund de 1835 até sua morte, em 1862. Posteriormente, o próprio Lund, Wilhelm Behrens, que havia sido seu secretário, e seu amigo suíço, Johann Rudolph Müller, foram enterrados no mesmo jazigo. A terceira imagem é a reprodução de um retrato de Lund. As três estão presentes nesse artigo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 811px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/306" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/306/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="801" height="608" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/306" target="_blank">Augusto Riedel. Jazigo de Brandt em Lagoa Santa, 1868-1869. Lagoa Santa, Minas Gerais / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando o retrato de Lund foi inaugurado na Escola de Minas de Ouro Preto, seu fundador e primeiro diretor, o francês Claude-Henri Gorceix (1842 — 1919), leu o trabalho de memórias <em>Lund e suas obras no Brasil, segundo o professor Reinhardt</em>, autor de um manuscrito sobre a vida de Lund cuja tradução foi confiada a Gorceix por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">dom Pedro II (1825 &#8211; 1891)</a>. O trabalho foi publicado nas edições do <em>Correio Paulistano</em> de <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/6120" target="_blank">13 de dezembro</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/6124" target="_blank">14 de dezembro</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/6128" target="_blank">16 de dezembro</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/6132" target="_blank">17 de dezembro</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/6136" target="_blank">18 de dezembro</a> de 1884; e também nos <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/717703/351" target="_blank"><em>Anais da Escola de Minas de Ouro Pret</em>o, 1884</a>, produzida na tipografia de<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492" target="_blank"> G. Leuzinger</a> &amp; filhos, na rua do Ouvidor, 31. O retrato foi ofertado à escola por Pedro II e havia sido executado em Lomoges pelo método de desenho sobre porcelana (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709743/1227" target="_blank"><em>Revista de Engenharia</em>, 1883</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Fontes:</span></strong></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/717703/351" target="_blank"><em>Annaes da Escola de Minas de Ouro Preto</em>, nº 3, 1884</a></p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: </em>fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910)<em>.</em> São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&amp;b.</p>
<p>LAGO, Pedro Corrêa do. <em>O olhar distante &#8211; a paisagem brasileira vista pelos grandes artistas estrangeiros 1637-1998. In: Mostra do redescobrimento: o olhar distante &#8211; The distant view. Nelson Aguilar, organizador. </em>Fundação Bienal de São Paulo. São Paulo: Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, 2000.</p>
<p>LANGGAARD, Theodoro.<a href="https://www.academia.edu/15633271/Peter_Wilhelm_Lund_o_auge_das_suas_investiga%C3%A7%C3%B5es_cient%C3%ADficas_e_a_raz%C3%A3o_para_o_t%C3%A9rmino_das_pesquisas?auto=download" target="_blank"><em> O naturalista dr. Lund (Peter Wilhelm) &#8211; sua vida e seus trabalhos</em></a>. Rio de Janeiro : Typographia Universal de H. Laemmert &amp; C, 1883.</p>
<p>LUNA FILHO, Pedro Ernesto de. <a href="https://www.academia.edu/15633271/Peter_Wilhelm_Lund_o_auge_das_suas_investiga%C3%A7%C3%B5es_cient%C3%ADficas_e_a_raz%C3%A3o_para_o_t%C3%A9rmino_das_pesquisas?auto=download" target="_blank"><em>Peter Wilhelm Lund: o auge de suas investigações científicas e a razão para o término das pesquisas</em></a>. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2007.</p>
<p>MARCHESOTTI, Ana Paula Almeida: <em>Peter Wilhelm Lund, o naturalista que revelou ao mundo a pré-história brasileira</em>. Rio de Janeiro : E-Papers, 2011.</p>
<p>SANTOS, Nerêu Cecílio dos. <em>O Naturalista &#8211; Biographia do Dr. Pedro Guilherme Lund</em>. 1.ed., Bello Horizonte: Imprensa Official do Estado de Minas Gerais, 1923.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/acervodigital/" target="_blank">Site da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="http://www.museunacional.ufrj.br/botanica/" target="_blank">Site do Museu Nacional</a></p>
<p><a href="http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/18.213/6897" target="_blank">Site Vitruvius</a></p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>Fotógrafos Alemães no Brasil do Século XIX: Deutsche Fotografen des 19. Jahrhunderts in Brasilien.</em> Apresentação Winston Fritsch; prefácio Joaquim Marçal; projeto editorial Pedro Karp Vasquez, Ronaldo Graça Couto; projeto gráfico Victor Burton. São Paulo: Metalivros, 2000. 203 p., il. p&amp;b. ISBN 85-85371-28-5.</p>
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		<title>Diamantina, Chichico Alkmim (1886 &#8211; 1978) e Carlos Drummond de Andrade  (1902 &#8211; 1987)</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Mar 2016 06:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica homenageia Diamantina, cidade mineira fundada em 6 de março de 1831, com uma seleção de imagens produzidas no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. As fotografias do século XIX são de autoria de Augusto Riedel e foram produzidas durante uma expedição pelo interior do Brasil acompanhando a comitiva de D. Luis Augusto Maria Eudes de Saxe Coburgo Gotha e por seu irmão D. Luis Philippe, em 1868. Os registros das primeiras décadas do século XX são do mineiro Chichico Alkmim (1886 - 1978), pioneiro da fotografia em Diamantina. A gestão do acervo de 5.549 negativos de vidro foi transferido para o Instituto Moreira Salles, em 2015. Sua obra é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Além disso, a Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores a crônica "Encanto de Diamantina", do poeta e escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade, publicada no Jornal do Brasil de 19 de outubro de 1972.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica homenageia Diamantina, cidade mineira fundada em 6 de março de 1831, com uma seleção de imagens produzidas no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. As fotografias do século XIX são de autoria de Augusto Riedel e foram produzidas durante uma expedição pelo interior do Brasil acompanhando a comitiva de D. Luis Augusto Maria Eudes de Saxe Coburgo Gotha e por seu irmão D. Luis Philippe, em 1868.</p>
<p>Os registros produzidos entre as décadas de 1910 e 1950 são do mineiro <a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/artista/chichico-alkmim" target="_blank">Chichico Alkmim (1886 &#8211; 1978)</a>, autodidata e pioneiro da fotografia em Diamantina. A gestão do acervo do fotógrafo, de 5.549 negativos de vidro, foi transferida para o Instituto Moreira Salles, em 2015. A obra de Chichico, que compreende imagens da arquitetura diamantinense, sua religiosidade, costumes, ritos e retratos de seus habitantes, é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Foi o mestre do fotógrafo <a href="https://revistazum.com.br/revista-zum-7/o-clique-unico-de-assis-horta/" target="_blank">Assis Horta(1918 &#8211; 2018)</a>, mineiro de Diamantina, que se tornou conhecido por registrar a classe trabalhadora na era Vargas.</p>
<p>Além disso, a Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores a crônica <em>Encanto de Diamantina</em>, do poeta e escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987), publicada no <em>Jornal do Brasil,</em> de 19 de outubro de 1972 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_09/70082" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 19 de outubro de 1972, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">&#8220;Encanto de Diamantina&#8221;</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<p>De Diamantina se pode dizer o que em Diamantina se diz musicalmente no famoso tim-tim:</p>
<p>Quem não gosta dela,</p>
<p>de quem gostará?</p>
<p>Quem, conhecendo Diamantina, será capaz de não gostar de Diamantina? Mesmo não conhecendo: ouvindo falar. Pois, entre outras excelências, povo de Diamantina é povo que canta, e isto significa riqueza de coração. Canta, sem necessidade de festival de canção, essa psicose do grito que já começa a invadir cidades mineiras.</p>
<p>À noite, depois do batente &#8211; é Aires da Mata Machado Filho que informa &#8211; há sempre um barzinho aberto a pessoas de temperamento melódico. Finda a libação mais ou menos discreta &#8211; o que depende antes do frio do que da vontade &#8211; os cidadãos saem para a rua, providos de violão, clarineta, saxofone, flauta. Saem &#8220;cantando à toa&#8221;. Pelo prazer de cantar. Depois é que se lembram, aniversário de Fulano? Então vamos lá? Vamos. Em frente à janela fechada de Fulano &#8211; fechada, parece, deliberadamente, para o gosto de abrir-se às lufadas de música &#8211; a turma bate um castelo. Pode ser noite alta, olha lá a janela se abrindo feliz. Havendo modinha, Diamantina ignora o sono. Acabada a cantoria, pensam que os seresteiros vão dormir? Aí começa a segunda parte, mais íntima, de ternura ou dor-de-cotovelo: eles se dispersam, mas em direção a outras janelas, atrás das quais dormem (ou esperam) suas respectivas amadas. Nesse deambular já de madrugada, os seresteiros voltam a encontrar-se, cruzando os caminhos do sentimento. Assim é a noite em Diamantina: música por todos os lados, abrindo janela e alma, entre o chão e os sobrados. E, em boa parte, música de tradição local, obra de compositores e poetas diamantinenses, conhecidos ou anônimos, que desafiam o tempo.</p>
<p>O peixe-vivo, marca de Diamantina, que cobre vasta região mineira, conta-nos o mesmo Aires, foi enriquecido de trovas feitas no Rio de Janeiro, por volta de 1939. Manuel Bandeira fez quatro, a primeira delas aproveitada, com variante, na Lira dos Cinquent´anos:</p>
<p>Vi uma estrela tão alta,</p>
<p>Vi uma estrela tão fria.</p>
<p>Estrela, por que me deixas</p>
<p>sem a tua companhia?</p>
<p>Vinícius de Morais fez duas por conta própria, e uma de parceria com Pedro Nava. Este, por sua vez, compôs duas e mais uma quintilha. Ouçamos Nava:</p>
<p>Dom Diniz, o rei poeta,</p>
<p>derrotou a mouraria</p>
<p>para merecer um pouco</p>
<p>dessa tua companhia.</p>
<p>E Carlos Sá, cearense-mineiro:</p>
<p>Vivo alegre na tristeza</p>
<p>vivo triste na alegria,</p>
<p>no desejo e na saudade</p>
<p>dessa tua companhia.</p>
<p>Mas Diamantina não é apenas serenata e coreto. Como nas boas cidades antigas de Minas, tem tesouro escondido, como por exemplo &#8220;duas garrafas de ouro e três chifres de diamante&#8221;, e quem cavar junto ao córrego Pururuca, atrás do quartel do III BP, é capaz de encontrá-los: segredos de padre, à espera de decifrador. Lendas, festas religiosas e populares que teimam em resistir na medida do possível à descaracterização universal da sociedade mercantil. Igrejas antigas de fino acabamento artístico, sobrados que a gente desejaria ver em pé para sempre, não vá o progresso arrasá-los. Diamantina enfrenta o problema da industrialização. Precisa criar riquezas outras além das que derivam do temperamento amável de seus filhos. Lá se fala agora em incentivos fiscais, energia elétrica, e até já se exporta a flor da sempre-viva para outros países.</p>
<p>Que Deus conserve Diamantina gostosa, musical e hospitaleira depois que subir nas asas do chamado desenvolvimento. É o voto que faço depois de ler <em>Dias e Noites em Diamantina</em>, livro que o bom Aires acaba de publicar corajosamente em edição de autor, e tão chamativo, tão cheio de graça e apelo sensorial, que dá vontade de sair correndo, e:</p>
<p>_ Rápido, uma passagem para Diamantina, mas de ida só, porque eu fico por lá!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=diamantina&amp;submit=Ir" target="_blank"><span style="color: #800000;">Acessando o link para as fotografias de Diamantina disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">Pequeno histórico de Diamantina</span></strong></p>
<p>A formação de Diamantina está ligada à exploração de diamante e de ouro.  Foi  Jerônimo Gouvêa que, a partir da descoberta de uma grande quantidade de ouro nas confluências do Rio Piruruca e do Rio Grande, deu início à ocupação do território. O povoado, então denominado Arraial do Tejuco, começou a ser formado nas primeiras décadas do século XVIII, sempre seguindo as margens dos rios que eram garimpados. Aos poucos foi surgindo o conjunto urbano de Diamantina. O Arraial do Tijuco emancipou-se do município do Serro, em 1831, e passou a se chamar Diamantina.</p>
<p>Uma das cidades históricas mais conhecidas e visitadas do Brasil, Diamantina, o Portal do Vale do Jequitinhonha, é  também o ponto inicial da Estrada Real, que levava ouro e diamantes até Paraty, no Rio de Janeiro. A cidade conserva o casario colonial, as edificações históricas e as igrejas seculares. Em 1938, o conjunto arquitetônico de seu centro histórico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e, em 1999,  recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Além do patrimônio construído, a cidade possui um rico patrimônio natural e cultural, com uma marcante tradição religiosa, folclórica e musical.</p>
<p>Foi em Diamantina, na época Arraial do Tijuco, que a escrava alforriada Chica da Silva (c. 1732-1796) viveu. É também a cidade natal do ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek (1902-1976).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Publicações relacionadas a Chichico Alkmim:</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoims.com.br/familia/" target="_blank">Família, texto de Silviano Santiago sobre uma fotografia de autoria de Chichico Alkmim</a></p>
<p><a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/acervo/noticias/o-anfitriao-de-chichico" target="_blank"><em>O anfitrião de Chichico</em>, por Elvia Bezerra.</a></p>
<p><a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/acervo/noticias/retratista-de-diamantina" target="_blank"><em>O retratista de Diamantina</em>, por Manya Millen</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Sergipe por Augusto Riedel (1836 -?)</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2015 14:35:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O alemão Augusto Riedel (1836-?) é considerado um dos mais talentosos fotógrafos de paisagens dos oitocentos. De sua produção, restaram 40 imagens do álbum Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868 – que se tornou um dos trabalhos clássicos da documentação fotográfica do século XIX no Brasil. Diversas vistas de Riedel foram incluídas pelo Barão do Rio Branco (1845-1912) no Album de vues du Brésil, considerada a última peça para a promoção do Brasil imperial. Foi publicado em Paris durante a realização da Exposição Universal de 1889.
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Sergipe por Augusto Riedel (1836 -?)</em></span>*</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Considerado um dos mais talentosos fotógrafos paisagistas dos oitocentos, o alemão Augusto Riedel (1836-?)<span style="color: #333333;"> foi proprietário de um estúdio fotográfico à rua Direita nº 24, em São Paulo (<a style="color: #333333;" href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=709557&amp;PagFis=176" target="_blank">Diário de São Paulo, de 1º de outubro de 1865</a>, na primeira coluna), na década de 1860, e na rua Cassiano, 41, no Rio de Janeiro, entre 1875 e 1877. </span>De sua produção, restaram 40 imagens do álbum <a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon206339/icon206339.pdf" target="_blank"><em>Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868</em> </a>– que se tornou um dos trabalhos clássicos da documentação fotográfica do século XIX no Brasil. O duque de Saxe, dom Luis Augusto de Saxe Coburgo e Gotha (1845 &#8211; 1907), era genro do imperador Pedro II (1825 &#8211; 1891), marido da princesa Leopoldina de Bragança e Bourbon (1847 &#8211; 1871). A presença do nome do fotógrafo na capa do álbum indica que ele já devia ser bastante conhecido e que provavelmente devam existir outras fotos dele ainda hoje não amplamente reconhecidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 452px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/321" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/321/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="442" height="346" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/321" target="_blank">Augusto Riedel. Parte da Cachoeira de Paulo Affonso: rio S. Francisco, 1868-1869. Cachoeira de Paulo Afonso, Alagoas / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A viagem durou meses e foram percorridos os estados de Minas Gerais, onde foram retratadas as cidades de Ouro Preto, Mariana, Sabará, Diamantina (e suas minas de diamantes), Lagoa Santa e o primeiro vapor do rio das Velhas, além das minas de Morro Velho; vistas do rio São Francisco, que levaram os viajantes até Penedo, em Alagoas; Sergipe e, finalmente, Bahia, último estado visitado pela expedição. São possivelmente os mais antigos registros fotográficos dessas regiões do Brasil.  O itinerário percorrido sugere um grande interesse do grupo em geologia e em assuntos relativos à mineração. No <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=094170_02&amp;PagFis=23282" target="_blank"><em>Diário do Rio</em>, de 10 de agosto de 1868</a>, há uma homenagem à visita dos príncipes à Diamantina.</p>
<p>A grande maioria das fontes consultadas pela Brasiliana Fotográfica afirmam que Riedel fazia parte da comitiva da viagem, porém no livro <em>O naturalista dr. Lund (Peter Wilhelm) </em>- <em>sua vida e seus trabalhos</em>, publicado em 1883 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/5606" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de julho de 1883, segunda coluna</a>), o autor, o médico dinamarquês Theodoro Langgaard (1813 &#8211; 1883), que morou no Brasil, afirmou que um fotógrafo, sem mencionar a identidade, havia sido enviado pelo Duque de Saxe, após a realização da viagem, para fazer os registros dos lugares que ele havia julgado mais interessantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15775" style="width: 405px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.academia.edu/15633271/Peter_Wilhelm_Lund_o_auge_das_suas_investiga%C3%A7%C3%B5es_cient%C3%ADficas_e_a_raz%C3%A3o_para_o_t%C3%A9rmino_das_pesquisas?auto=download" target="_blank"><img class="wp-image-15775 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/07/lund1.png" alt="lund1" width="395" height="531" /></a><p class="wp-caption-text">Trecho do livro <em>O naturalista dr. Lund (Peter Wilhelm) &#8211; sua vida e seus trabalhos</em>, de Theodoro Langgaard, página 35</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um trecho do testamento de Lund, escrito em 21 de junho de 1871, confirma que Augusto Riedel esteve em Lagoa Santa, em 1869, e teria procurado a caverna de Maquiné:</p>
<p>&#8220;<em>A pedido do Sr. Augusto Riedel delarco, ser com o meu consentimento que o mesmo senhor, na sua passagem por aqui no mês de maio de 1869, procedeu à procura da caverna chamada Lapa Nova de Maquiné, por mim explorada e descrita no ano 1834. Delcaro outrossim, que, se a mim couber direito, privilégio, prêmio ou emolumento qualquer como primeiro descobridor, cedo todos estes direitos e emolumentos ao dito Sr. Augusto Riedel</em>&#8221;</p>
<p style="text-align: right;">(Trecho transcrito do livro <em>Peter Wilhelm Lund, o naturalista que revelou ao mundo a pré-história brasileira, </em>de Ana Paula Almeida Marchesotti, página 93)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Duas imagens que ilustram o livro de Theodoro Langgaard são do álbum <a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon206339/icon206339.pdf" target="_blank"><em>Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868</em></a> : <em>Morada do dr. Lund em Lagoa Santa</em> e <em>Jazigo de Brandt em Lagoa Santa</em>. Brandt trabalhou com Lund de 1835 até sua morte, em 1862. Posteriormente, o próprio Lund, Wilhelm Behrens, que havia sido seu secretário, e seu amigo suíço, Johann Rudolph Müller, foram enterrados no mesmo jazigo. A terceira imagem é a reprodução de um retrato de Lund. As três estão presentes nesse artigo.</p>
<p>Anos depois de produzidas, várias dessas imagens produzidas por Riedel foram apresentadas na <em>Exposição de História do Brasil de 1881-1882</em>, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, um dos mais importantes eventos da historiografia nacional (<em><a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_obrasgerais/drg583139/drg583139.pdf" target="_blank">Catálogo da Exposição de História do Brasil 1881-2, vol.2</a></em>, páginas 1415, 1416, 1422, 1456, 1508 e 1612). <span style="color: #333333;">A exposição, realizada sob a direção de R</span><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #333333;">amiz Galvão (1846-1938), </span><span style="color: #000000;"><span style="color: #333333;">foi aberta pelo imperador <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">dom Pedro II</a>, em 2 de dezembro de 1881, quando o soberano completou 56 anos</span> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_02&amp;PagFis=2972" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 3 de dezembro de 1881</a>, <span style="color: #333333;">na terceira coluna sob o título &#8220;Exposição da História do Brazil&#8221;).</span> </span></span></p>
<p>Diversas vistas de Riedel foram incluídas pelo barão do Rio Branco (1845-1912) no <a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon243311/icon243311.pdf" target="_blank"><em>Album de vues du Brésil</em></a>, considerada a última peça para a promoção do Brasil imperial, representando um resumo iconográfico do Império e de suas riquezas. Trazia também fotografias de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6305" target="_blank">Marc Ferrez</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6048" target="_blank">Insley Pacheco</a> e Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?), dentre outros. Foi publicado em Paris durante a realização da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12604" target="_blank">Exposição Universal de 1889</a>.</p>
<p>* Pouco se sabe da biografia de Augusto Riedel e a grande maioria dos livros e sites consultados pela Brasiliana Fotográfica afirmam ou levam em conta a possibilidade de ele ser filho do botânico Ludwig Riedel (1790-1861). Em <em>O olhar distante &#8211; a paisagem brasileira vista pelos grandes artistas estrangeiros 1637-1998</em>, de Pedro Corrêa do Lago, e no livro <em>Fotógrafos alemães no Brasil do século XIX</em>, de Pedro Vasquez, a dúvida em relação a essa filiação foi levantada. Uma notícia do jornal<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=369381&amp;PagFis=387" target="_blank"> <em>O Globo</em>, de 10 de novembro de 1874, na quarta coluna da página 4</a>, de fato, prova que havia dois Augustos Riedel. O filho de Ludwig trabalhava na casa Leuzinger &amp; Filhos:</p>
<p style="line-height: 18.0pt;">&#8220;<em>Augusto Riedel, empregado na casa dos Srs. Leuzinger &amp; Filhos, e filho do falecido botanico Dr. Luiz Riedel, declara, por causa de duvidas, que nada tem de afinidade com Augusto Riedel, photographo, e que de hora em diante, assignar-se-ha &#8211; Augusto Fernando Riedel</em>&#8220;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_2882" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=369381&amp;PagFis=387" target="_blank"><img class="wp-image-2882 size-medium" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/riedel-300x102.jpg" alt="riedel" width="300" height="102" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=369381&amp;PagFis=387" target="_blank"><em>O Globo</em>, 10 de novembro de 1874</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda na consulta a jornais, a Brasiliana resgatou duas notícias sobre Frederico Augusto Riedel, nome com o qual, de acordo com a <em>Enciclopédia Itaú Cultural</em>, Riedel é às vezes identificado. Em 1876, teria se naturalizado brasileiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=094170_02&amp;PagFis=34141"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 10 de fevereiro de 1876</a>, terceira coluna, sob o título &#8220;Noticiário&#8221;) e, em 17 de novembro de 1877, teria partido do Brasil no paquete &#8220;Habsburg&#8221;, com destino a Bremen, na Alemanha (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_01&amp;PagFis=3302"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 18 de novembro de 1877</a>, na quinta coluna sob o título &#8220;Sahidas do dia 17&#8243;).</p>
<p>Em 1976, algumas das fotografias de Riedel foram incluídas na exposição “<em>Pioneer Photographers of Brazil</em>”, realizada no Inter-American Relations, em Nova York, e no livro homônimo, onde os autores Weston Naef e Gilberto Ferrez  ressaltam que há na obra do fotográfo &#8220;um senso sutil das nuanças da composição pictórica capaz de transformar um tema banal num manifesto acerca dos abusos cometidos pelo ser humano contra a natureza&#8221;. Também comparam seu trabalho ao do fotógrafo paisagista irlandês Timothy O´Sullivan (1840-1882) que, na mesma época em que Riedel participava dessa viagem pelo Brasil, trabalhava no Arizona, em Nevada, no Colorado e no Novo México, na primeira expedição oficial para o oeste dos Estados Unidos após a Guerra Civil norte-americana (1861-1865).</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em> </em></span></strong></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=riedel&amp;submit=Ir" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de Augusto Riedel disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma curiosidade: certamente Riedel conhecia o fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6150" target="_blank">Auguste Stahl (1828 &#8211; 1877)</a> ou pelo menos o trabalho realizado por ele porque uma das mais famosas fotografias de Stahl, da cachoeira de Paulo Afonso, na Bahia, foi usada por Riedel no álbum <a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon206339/icon206339.pdf" target="_blank"><em>Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868</em> </a> com uma alteração: foi acrescida da presença de um suposto membro da comitiva da viagem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 958px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/58" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/58/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="948" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/58" target="_blank">Stahl &amp; Ca. Cachoeira de Paulo Afonso, Rio São Francisco, Bahia, 186? / Acervo FBN</a></p></div>
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<div style="width: 717px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/327" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/327/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="707" height="548" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/327" target="_blank">Augusto Riedel. Cachoeira de Paulo Affonso : rio S. Francisco : vazante, 1868-1869, Bahia / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Esse artigo foi atualizado em 17 de julho de 2019.</p>
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<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: </em>fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910)<em>.</em> São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&amp;b.</p>
<p>LAGO, Bia Correia do. <em>Augusto Stahl : obra completa em Pernambuco e Rio de Janeiro. </em>Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2001.</p>
<p>LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. <em>Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX</em>. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.</p>
<p>LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. <em>Os fotógrafos do Império</em>. Rio de Janeiro: Capivara, 2005. 240p.:il</p>
<p>LAGO, Pedro Corrêa do. <em>O olhar distante &#8211; a paisagem brasileira vista pelos grandes artistas estrangeiros 1637-1998. In: Mostra do redescobrimento: o olhar distante &#8211; The distant view. Nelson Aguilar, organizador. Fundação Bienal de São Paulo. São Paulo: Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, 2000.</em></p>
<p align="left">FERREZ, Gilberto.  <em>A fotografia no Brasil :</em> 1840-1900. 2a. ed. Rio de Janeiro: Funarte: Fundação Nacional Pró-Memória, 1985. (História da fotografia no Brasil, 1)</p>
<p align="left">FERREZ, Gilberto;NAEF, Weston J. <em>Pioneer photographers of Brazil :</em> 1840-1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976.</p>
<p>LANGGAARD, Theodoro.<a href="https://www.academia.edu/15633271/Peter_Wilhelm_Lund_o_auge_das_suas_investiga%C3%A7%C3%B5es_cient%C3%ADficas_e_a_raz%C3%A3o_para_o_t%C3%A9rmino_das_pesquisas?auto=download" target="_blank"><em> O naturalista dr. Lund (Peter Wilhelm) &#8211; sua vida e seus trabalhos</em></a>. Rio de Janeiro : Typographia Universal de H. Laemmert &amp; C, 1883.</p>
<p>LUNA FILHO, Pedro Ernesto de. <a href="https://www.academia.edu/15633271/Peter_Wilhelm_Lund_o_auge_das_suas_investiga%C3%A7%C3%B5es_cient%C3%ADficas_e_a_raz%C3%A3o_para_o_t%C3%A9rmino_das_pesquisas?auto=download" target="_blank"><em>Peter Wilhelm Lund: o auge de suas investigações científicas e a razão para o término das pesquisas</em></a>. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2007.</p>
<p>MARCHESOTTI, Ana Paula Almeida: <em>Peter Wilhelm Lund, o naturalista que revelou ao mundo a pré-história brasileira</em>. Rio de Janeiro : E-Papers, 2011.</p>
<p align="left">TURAZZI, Maria Inez. <em>Poses e trejeitos :</em> a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839-1889. Rio de Janeiro: Funarte: Rocco, 1995 (Coleção luz &amp; reflexão,4)</p>
<p align="left">VASQUEZ, Pedro. O Brasil na fotografia oitocentista/ [pesquisa e texto]Pedro Karp Vasquez; [reproduções fotográficas Cesar Barreto, Rosa Gauditano].&#8211;São Paulo: Metalivros, 2003.</p>
<p align="left">VASQUEZ, Pedro. <em>Dom Pedro II e a fotografia no Brasil.</em> Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Cia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.</p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>Fotógrafos Alemães no Brasil do Século XIX: Deutsche Fotografen des 19. Jahrhunderts in Brasilien.</em> Apresentação Winston Fritsch; prefácio Joaquim Marçal; projeto editorial Pedro Karp Vasquez, Ronaldo Graça Couto; projeto gráfico Victor Burton. São Paulo: Metalivros, 2000. 203 p., il. p&amp;b. ISBN 85-85371-28-5.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/acervodigital/" target="_blank">Site da Biblioteca Nacional Digital</a></p>
<p><a href="http://www.bbm.usp.br/node/27" target="_blank">Site da Enciclopédia Brasiliana Guita e José Mindlin</a></p>
<p><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa204742/augusto-riedel" target="_blank">Site da Enciclopédia do Itaú Cultural</a></p>
<p><a href="http://ims.com.br/ims/explore/artista/augusto-riedel" target="_blank">Site do Instituto Moreira Salles</a></p>
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