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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; história do Brasil</title>
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		<title>Série “Conflitos” XII &#8211; A Revolução Constitucionalista de 32 e Juscelino Kubitschek nas fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos, por Maria de Fatima Morado</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 12:27:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O artigo "A Revolução Constitucionalista de 32 e Juscelino Kubitschek nas fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos", o décimo segundo da série "Conflitos", é de autoria de Maria de Fátima Morado, historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. Estão destacadas, na publicação, dez fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos. Ele, como coronel, combateu os paulistas durante a Revolução Constitucionalista liderando o Destacamento Coronel Barcelos na região da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Em algumas dessas fotos vê-se o futuro presidente do Brasil,  Juscelino Kubitschek, que, enquanto médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais, foi enviado pelo comando-geral para atender as tropas mineiras e instalar um hospital de sangue em Passa Quatro.

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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">O artigo <em>A Revolução Constitucionalista de 32 e Juscelino Kubitschek nas fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos, </em>o décimo segundo da série &#8220;Conflitos&#8221;<em>, </em>é de autoria de Maria de Fátima Morado, historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. Estão destacadas, na publicação, dez fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos. Ele, como coronel, combateu os paulistas durante a Revolução Constitucionalista liderando o Destacamento Coronel Barcelos na região da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Em algumas dessas fotos vê-se o futuro presidente do Brasil,  Juscelino Kubitschek (1902 &#8211; 1976), que, enquanto médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais, foi enviado pelo comando-geral para atender as tropas mineiras e instalar um hospital de sangue em Passa Quatro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Revolução Constitucionalista de 32 e Juscelino Kubitschek nas fotografias da Coleção Cristóvão Barcelos </strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">Maria de Fatima Morado*</p>
<div style="width: 581px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14474" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14474/CBa.05%283%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="571" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14474" target="_blank">Coronel Cristóvão Barcelos, 1932. Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Revolução Constitucionalista foi deflagrada no dia 9 de julho de 1932 por lideranças de São Paulo que iniciaram um conflito armado exigindo autonomia para o governo do estado e a constitucionalização do país. Nesse período, o Brasil vivia o sob o Governo Provisório de Getúlio Vargas, que teve início após a Revolução de 1930 &#8211; movimento organizado pela Aliança Liberal que depôs o presidente Washington Luís em 24 de outubro de 1930 &#8211; e se estendeu até 1934, quando Getulio Vargas foi eleito presidente pelo Congresso Nacional dando início ao Governo Constitucional.</p>
<p>Getulio Vargas, ao assumir o poder, nomeou João Alberto como interventor em São Paulo, o que provocou reações dos integrantes do Partido Democrático (PD), que havia participado da Aliança Liberal e defendia a nomeação de Francisco Morato para esse cargo. Essa contrariedade provocou reações em São Paulo que resultaram na prisão dos líderes democráticos. Logo após, ocorreu o rompimento com o interventor e o lançamento de um manifesto para a instauração de uma Assembleia Constituinte no país estabelecendo a base para a organização do movimento constitucionalista com apoio da oligarquia cafeeira e das classes médias paulistas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/463" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias da Revolução Constitucionalista de 1932 do acervo do Museu da República </strong><strong>disponíveis na Brasiliana Fotográfica,</strong><strong> o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.</strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao longo do ano de 1931 até o levante em 9 de julho de 1932 ocorreram iniciativas para que não se recorresse ao uso das armas como também para formar uma articulação para o caso dessa decisão ser inevitável. Entre esses movimentos estavam: negociações para acordo com o governo federal; troca de interventores; formação da FUP (Frente Única Paulista), que uniu os partidos rivais, Partido Democrático (PD) e Partido Republicano Paulista (PRP); crescente mobilização em São Paulo, incluindo comícios e protestos; e a promessa de apoio do Rio Grande do Sul e de uma corrente de líderes políticos de Minas Gerais. Quando os paulistas decidiram pelo início do movimento armado, em 9 de julho, a perspectiva concreta de adesão do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais foi frustrada devido à desistência de tomarem parte na aventura. Além disso, o Governo Provisório debelou as tentativas de levantes em apoio ao estado de São Paulo, que acabou ficando isolado. Esse isolamento se tornou ainda maior devido ao fato de os paulistas terem uma força bélica muito inferior às forças federais.</p>
<p>Após alguns meses de confronto, as negociações para o fim do conflito entre o Governo Provisório e os revolucionários paulistas incluíram, de um lado, a exigência do desarmamento da Força Pública Paulista e a aceitação do calendário eleitoral proposto para a formação de uma Constituinte e, de outro lado, a nomeação de uma nova junta governativa federal e o reconhecimento do governo revolucionário paulista que havia assumido o poder. A Revolução Constitucionalista terminou sem a formalização de um acordo e com a deposição do governo revolucionário feita pelo próprio comando da Força Pública Paulista, no dia 2 de outubro. Logo depois, em 1º de novembro, os membros do governo revolucionário e líderes constitucionalistas foram presos e exilados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14472" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14472/CBa.05%281%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="485" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14472" target="_blank">Posto de observação durante a Revolução Constitucionalista. Coronel Cristóvão Barcelos (segurando binóculo, em segundo, da esquerda para direita), Major Juarez Távora (segurando binóculo, em terceiro, da esquerda para direita) e o Major Ernesto Dornelles (em primeiro, esquerda para direita), 1932. Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As dez fotografias aqui apresentadas expõem aspectos dos campos de batalhas pelo lado dos combatentes do Governo Provisório e fazem parte da Coleção Cristóvão Barcelos, acervo do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República. Cristóvão de Castro Barcelos (1883-1946), nasceu em Campos dos Goytacazes (RJ) e teve a carreira militar marcada pela participação em eventos fundamentais: em 1918, como primeiro-tenente foi para a França, para cumprir missão na I Guerra Mundial (sobre esse assunto ver a publicação <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13297" target="_blank"><em>Registros raros da participação militar brasileira na I Guerra Mundial</em></a>); em 1930, como tenente-coronel participou da Revolução de 30 e, em 1932, já promovido a coronel, combateu os paulistas durante a Revolução Constitucionalista liderando o Destacamento Coronel Barcelos na região da Serra da Mantiqueira (MG).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14476" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14476/CBa.05%285%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="445" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14476" target="_blank">Visita do general Góis Monteiro (ao centro), comandante do Exército do Leste, ao setor do túnel da Mantiqueira sob comando de Cristóvão Barcelos (segundo, da direita para a esquerda). Vê-se também o major Ernesto Dornelles (segundo, da esquerda para direita) e o major Juarez Távora (terceiro, da esquerda para direita), 1932. Túnel da Mantiqueira, Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nessa região foi travada um dos maiores confrontos entre as tropas paulistas e as forças do governo federal. O Túnel da Mantiqueira era um ponto estratégico já que está localizado na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais, entre os municípios de Cruzeiro (SP) e Passa Quatro (MG).</p>
<p>Em algumas dessas fotos destaca-se a presença de Juscelino Kubitschek que, enquanto médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais, foi enviado pelo comando-geral para atender as tropas mineiras e instalar um hospital de sangue em Passa Quatro. Em setembro de 1932, quando as tropas paulistas se retiraram da área do Túnel, Juscelino foi encarregado de realizar a transferência dos feridos para as cidades mineiras de Guaxupé e Varginha, seguindo para Campinas para enfim retornar a Belo Horizonte.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45489" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14477" target="_blank"><img class=" wp-image-45489" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/revolução.jpg" alt="Enterro do coronel Fulgêncio da Força Pública Mineira, em Passa Quatro (MG). Vê-se o Coronel Cristóvão Barcelos (à frente, com os braços cruzados) e o então capitão-médico Juscelino Kubitschek (à esquerda de Cristóvão Barcelos), 1932. Passa Quatro, Minas Gerais/ Acervo Museu da República" width="701" height="493" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14477" target="_blank">Enterro do coronel Fulgêncio da Força Pública Mineira, em Passa Quatro (MG). Vê-se o Coronel Cristóvão Barcelos (à frente, com os braços cruzados) e o então capitão-médico Juscelino Kubitschek (à esquerda de Cristóvão Barcelos), 1932. Passa Quatro, Minas Gerais/ Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em seu livro de memórias, Juscelino relata sua experiência no palco de guerra. Sobre Cristóvão Barcelos diz: “<em>Eu me encontrava sob o comando do coronel Cristóvão Barcelos, pouco depois promovido a general, homem de sólida cultura e possuidor de excepcionais qualidades de caráter.</em>”</p>
<p>Ao relembrar como era feito o atendimento aos feridos em um hospital de sangue improvisado, destaca a importância desse evento que para ele significou um marco em sua vida: <em>“É curioso notar como pequenos fatos às vezes têm consequências profundas e chegam mesmo a modificar, de forma surpreendente, uma existência humana. No meu caso, a ida para o Setor do Túnel representou um desses “pequenos fatos”. Fui para Passa Quatro apenas por ser médico. Entretanto, ali o sucesso me sorriu. Conquistei amigos. Salvei vidas humanas. Enfrentei situações difíceis e, para vencê-las, fui obrigado a lançar mão de forças que existiam em mim, em estado latente e que eu, na verdade, desconhecia.”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14478" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14478/CBa.05%287%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="541" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14478" target="_blank">Visita ao hospital da Força Pública Mineira. Na primeira fila: vê-se o coronel Cristóvão Barcelos (terceiro, da esquerda para direita), o prefeito de Pará de Minas, Benedito Valadares (quarto, da esquerda para a direita); Juracy Magalhães (quinto, da esquerda para direita). Na terceira fila, de cima para baixo: Manoel Linhares, Washington Pires e o capitão médico da corporação, Juscelino Kubitschek (ao centro), 1932. Belo Horizonte, Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando analisa a situação de São Paulo no conflito, Juscelino lembra o isolamento do estado que sustentou a guerra com recursos das indústrias e com a atuação dos jovens combatentes dos centros urbanos, mas sem a participação dos operários e trabalhadores do campo que não viam seus interesses representados pela campanha constitucionalista, estando <em>“ambas as categorias, naquela época, inteiramente alheias às competições político-partidárias.”</em>.</p>
<p>Após sua retirada da região do Túnel da Mantiqueira para fazer o acompanhamento dos feridos em Guaxupé e Varginha, Juscelino seguiu para o quartel-general instalado por Cristóvão Barcelos em Campinas (SP). Ali pôde vivenciar a hostilidade da população paulista que dizia compreender: <em>“Aquele ódio coletivo constrangia-me. No íntimo, nutria consideração pela causa de São Paulo e via, com angústia, o sofrimento do povo que havia lutado sozinho por uma Constituição e que, em face da derrota, voltaria a ser mais uma vez humilhado.”</em></p>
<p>Juscelino considerava o Setor do Túnel uma <em>“sementeira de uma nova geração de políticos. Naquela área, verificava-se, de fato, intensa fermentação política. O prestígio, que algumas pessoas ali adquiriram, levou-as mais tarde às mais elevadas posições no país.”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14480" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14480/CBa.05%289%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="481" /></a><p class="wp-caption-text">V<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14480" target="_blank">isita de oficiais das forças legalistas ao Palácio da Liberdade após sua vitória sobre o movimento constitucionalista. Na primeira fila vê-se o coronel Cristóvão Barcelos ( quinto, da esquerda para direita), Benedito Valadares (quarto da esquerda para direita), Gustavo Capanema (terceiro, da esquerda para direita), Juracy Magalhães (sexto, da esquerda para direita) e Juscelino Kubitschek (primeiro à direita); entre outros não identificados, 1932. Belo Horizonte, Minas Gerais / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As fotografias da coleção Cristóvão Barcelos mostram alguns desses personagens, homens que ao conviverem no campo de batalha construíram relações que passaram de profissionais e pessoais para políticas. Dos atores aqui destacados, após a guerra, Cristóvão Barcelos participou da fundação do Partido Socialista Fluminense ainda em 1932, desligando-se dois meses depois para criar o partido União Progressista Fluminense (UPF), legenda pelo qual foi eleito deputado para a Assembleia Constituinte em maio de 1933. Após o fim dos trabalhos da Constituinte em julho de 1934, disputou o governo do estado do Rio de Janeiro em um processo marcado pela interferência do governo federal e pela violência. Ao ser derrotado voltou para o exército sendo promovido a general em 1938. Juscelino Kubitschek foi eleito presidente da República em 1955.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Maria de Fátima Morado é historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO (ALESP). Sessão comemorativa aos 25 anos da Revolução contou com a presença de Juscelino Kubitschek. <em>Informativo da Divisão de Acervo Histórico</em>, São Paulo, ALESP, ano 7, n. 28, maio/junho/julho. 2022.</p>
<p>AUGUSTO. Flávio Antônio Silva. JK, o médico da Força Pública Mineira. <em>Revista do IGHMB</em>, Rio de Janeiro, ano 84, n. 115, especial, 2025.</p>
<p>BRASIL. Ministério da Gestão e Inovação de Serviços Públicos. <em>Estado, administração e reforma: o Governo Provisório de Getúlio Vargas (1930-1934).</em> MAPA/Arquivo Nacional.</p>
<p>DAVIDOFF. Carlos Henrique. Revolução de 1932. In: <em>Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro.</em> Rio de Janeiro: Editora FGV.</p>
<p>JUSCELINO KUBITSCHEK. In: <em>Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930.</em> 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001</p>
<p>KUBITSCHEK, Juscelino. <em>Meu caminho para Brasília</em>: A experiência da humildade. Brasília: Edições do Senado Federal, 2020. v.1.</p>
<p>LEMOS, Renato. Cristóvão Barcelos. In: ABREU, Alzira Alves de (org.). <em>Dicionário histórico-biográfico da Primeira República (1889-1930).</em> Rio de Janeiro: Editora FGV, 2015.</p>
<p>MOREIRA. Regina da Luz. <em>A Revolução Constitucionalista de 1932</em>. Rio de Janeiro: Editora FGV.</p>
<p>RIBEIRO. Antônio Sérgio. Revolução Constitucionalista de 1932 &#8211; 80 anos de uma epopeia. <em>Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP)</em>, São Paulo, 2012.</p>
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		<title>Dia de Machado de Assis</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 18:58:23 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A Prefeitura do Rio de Janeiro instituiu o Dia de Machado de Assis que será celebrado anualmente em 21 de junho, data de nascimento de Joaquim Maria Machado de Assis, considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa, além de ter sido um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. A data foi incluída no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas da cidade. A Brasiliana Fotográfica celebra a iniciativa destacando uma imagem de Machado produzida pelo fotógrafo Joaquim Insley Pacheco (1830 - 1912), em torno de 1880; e o registro produzido por Antônio Luiz Ferreira da Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, em 17 de maio de 1888, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A presença de Machado na fotografia foi descoberta por Andrea C. T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal, em maio de 2015.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo Decreto Rio nº 58.207/26, de 18 de junho de 2026, a Prefeitura do Rio de Janeiro instituiu o Dia de Machado de Assis que será celebrado anualmente em 21 de junho, data de nascimento do carioca Joaquim Maria Machado de Assis (21/06/1839 &#8211; 29/09/1908), considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa. A data foi incluída no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas da cidade, cenário constante da obra do escritor &#8211; lugares e ruas do Rio de Janeiro são constantemente citados nas crônicas, contos e livros de Machado, tendo sido o principal cronista do cotidiano carioca no século XIX.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45549" style="width: 771px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/26197" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45549" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado3.jpg" alt="O Cruzeiro, 24 de junho de 1939" width="761" height="528" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/26197" target="_blank"><em>O Cruzeiro,</em> 24 de junho de 1939</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nasceu no Morro do Livramento e viveu muitos anos, entre 1883 e 1908, no Cosme Velho, fato que originou o apelido <em>O Bruxo do Cosme Velho</em>, epíteto eternizado pelo escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987), autor do poema <em>A um bruxo, com amor* </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/96903" target="_blank"><em>Correio da Manhã, </em>28 de setembro de 1958</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45546" style="width: 408px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_Machado_de_Assis,_sem_data.tif?page=1" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45546" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado2.jpg" alt="Casa na Rua Cosme Velho 174, ode Machado de Assis viveu entre 1883 e 1908" width="398" height="432" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_Machado_de_Assis,_sem_data.tif?page=1" target="_blank">Casa na Rua Cosme Velho, onde Machado de Assis viveu entre 1883 e 1908 / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8220;<em>Perde a nossa língua um de seus mais vigorosos e profundos escritores. Com ele desaparece a mais leve e a mais encantadora das nossas prosas, a mais completa e a mais perfeita das organizações literárias que possuímos. Poeta, romancista, dramaturgo e jornalista, era Machado de Assis o tipo culminante e o mais simpático de nosso mundo de letras</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_01/17730" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 30 de setembro de 1908, </a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_01/17730" target="_blank">dia seguinte à morte de Machado</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica celebra a iniciativa da criação do Dia de Machado de Assis destacando duas imagens do escritor. A primeira foi produzida pelo fotógrafo e pintor português <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6048" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco (1830 &#8211; 1912)</a>, em torno de 1880. Insley foi um dos mais prestigiados e famosos retratistas do Brasil no século XIX, que &#8220;<em>tem tido a honra de copiar todos os narizes do Rio…”</em>, de acordo com o poeta e jornalista Faustino Xavier de Novais (1820 &#8211; 1869), irmão da esposa de Machado, Carolina Augusta (1835 &#8211; 1904) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/217280/22531" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 24 de outubro de 1863, terceira coluna</a>).</p>
<p>Machado escreveu em sua coluna do <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/18860" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em> de 7 de agosto de 1864</a> sobre suas visitas <em>à casa do Pacheco</em> (justamente Insley Pacheco), que definiu como o <em>mais luxuoso Templo de Delos</em> do Rio de Janeiro, exaltando poder ver no mesmo álbum fotográfico <em>os rostos mais belos do Rio de Janeiro, falo dos rostos femininos. </em>Contou também a história da chegada do daguerreótipo na cidade e, em seguida, elogiou o trabalho realizado pelo artista  J.T. da Costa Guimarães, uma miniatura de Diane de Poitiers, exposto no estabelecimento de Insley Pacheco. Finalmente, revelou que havia chegado há pouco tempo no referido ateliê um aparelho fotográfico destinado a reproduzir em ponto grande as fotografias de cartão. Termina seu passeio perguntando-se <em>“Até onde chegará o aperfeiçoamento do invento de Daguerre?”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 546px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7182" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7182/0071824cx014-13.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="536" height="726" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7182" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco. Retrato de Machado de Assis, c. 1880. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A segunda é de autoria de Antônio Luiz Ferreira (18? &#8211; 19?) e retrata a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank"><em>Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil,</em></a> em 17 de maio de 1888, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A presença de Machado na fotografia foi descoberta por mim, pesquisadora e editora do portal, e revelada no artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=528" target="_blank"><em>Missa Campal de 17 de maio de 1888</em></a>, publicado em 17 de maio de 2015.</p>
<p>A Missa Campal em São Cristóvão foi uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravos no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel, regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu, príncipe consorte, que, na foto, está ao lado da princesa, além de autoridades e políticos. De acordo com os jornais da época, foi um “espetáculo imponente, majestoso e deslumbrante”, ocorrido em um “dia pardacento” que contrastava com a alegria da cidade. Cerca de 30 mil pessoas estavam no Campo de São Cristóvão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45522" style="width: 390px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank"><img class="wp-image-45522 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado1.jpg" alt="machado1" width="380" height="371" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank">Antonio Luiz Ferreira. Detalhe da foto da Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 17 de maio de 1888. São Cristóvão, Rio de Janeiro.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A decisão da criação do Dia de Machado de Assis foi tomada pelo prefeito Eduardo Cavaliere (1994 -) após reunião com o jornalista Merval Pereira (1949 &#8211; ), presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual Machado foi um dos fundadores e primeiro presidente. A ideia é que o dia 21 de junho tenha uma programação dedicada à obra machadiana, semelhante ao <em>Bloomsday</em>, data celebrada anualmente, em 16 de junho, em homenagem ao escritor irlandês James Joyce (1882 &#8211; 1941).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.migalhas.com.br/quentes/458595/rj-cria-dia-de-machado-de-assis-e-oficializa-homenagem-ao-escritor" target="_blank"><img class=" size-full wp-image-45521 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/06/machado.jpg" alt="machado" width="553" height="515" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Bibliografia de Machado de Assis (ABL)</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>Queda que as mulheres têm para os tolos</em>, tradução, 1861.<br />
<em>Desencantos</em>, 1861.<br />
<em>Teatro</em>, 1863.<br />
<em>Quase ministro</em>, 1864.<br />
<em>Crisálidas</em>, 1864.<br />
<em>Os deuses de casaca</em>, 1866.<br />
<em>Falenas</em>, 1870.<br />
<em>Contos fluminenses</em>, 1870.<br />
<em>Ressurreição</em>, 1872.<br />
<em>Histórias da meia-noite</em>, 1873.<br />
<em>A mão e a luva</em>, 1874.<br />
<em>Americanas</em>, 1875.<br />
<em>Helena</em>, 1876.<br />
<em>Iaiá Garcia</em>, 1878.<br />
<em>Memórias póstumas de Brás Cubas</em>, 1881.<br />
<em>Tu, só tu, puro amor</em>, 1881.<br />
<em>Papéis avulsos</em>, 1882.<br />
<em>Histórias sem data</em>, 1884.<br />
<em>Quincas Borba</em>, 1891.<br />
<em>Várias histórias</em>, 1896.<br />
<em>Páginas recolhidas</em>, 1899.<br />
<em>Dom Casmurro</em>, 1899.<br />
<em>Poesias completas</em>, 1901.<br />
<em>Esaú e Jacó</em>, 1904.<br />
<em>Relíquias de casa velha</em>, 1906.<br />
<em>Memorial de Aires</em>, 1908.<br />
<em>Crítica</em>, 1910.<br />
<em>Outras relíquias</em>, 1910.<br />
<em>Correspondência</em>, 1932.<br />
<em>Crônicas</em>, 4 vols., 1937.<br />
<em>Crítica literária</em>, 1937.<br />
<em>Casa velha</em>, 1944.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>*<strong>A um bruxo, com amor</strong></em></span></p>
<p style="text-align: left;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<p id="aad9" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Em certa casa da Rua Cosme Velho</p>
<p class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">(que se abre no vazio)<br />
venho visitar-te; e me recebes<br />
na sala trastejada com simplicidade<br />
onde pensamentos idos e vividos<br />
perdem o amarelo,<br />
de novo interrogando o céu e a noite.</p>
<p id="4107" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.<br />
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,<br />
uma luz que não vem de parte alguma<br />
pois todos os castiçais<br />
estão apagados.</p>
<p id="7faa" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Contas a meia-voz<br />
maneiras de amar e de compor os ministérios<br />
e deitá-los abaixo, entre malinas<br />
e bruxelas.<br />
Conheces a fundo<br />
a geologia moral dos Lobo Neves<br />
e essa espécie de olhos derramados<br />
que não foram feitos para ciumentos.<br />
E ficas mirando o ratinho meio cadáver<br />
com a polida, minuciosa curiosidade<br />
de quem saboreia por tabela<br />
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.<br />
Olhas para a guerra, o murro, a facada<br />
como para uma simples quebra da monotonia universal<br />
e tens no rosto antigo<br />
uma expressão a que não acho nome certo<br />
(das sensações do mundo a mais sutil):<br />
volúpia do aborrecimento?<br />
ou, grande lascivo, do nada?</p>
<p id="6d8f" class="pw-post-body-paragraph pk pl jt pm b kr pn po pp ku pq pr ps he pt pu pv hh pw px py hk pz qa qb qc ie bg" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,<br />
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,<br />
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,<br />
mostra que os homens morreram.<br />
A terra está nua deles.<br />
Contudo, em longe recanto, a ramagem começa a sussurrar alguma coisa<br />
que não se entende logo<br />
e parece a canção das manhãs novas.<br />
Bem a distingo, ronda clara:<br />
é Flora,<br />
com olhos dotados de um mover particular<br />
entre mavioso e pensativo;<br />
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);<br />
Virgília,<br />
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;<br />
Mariana, que os tem redondos e namorados;<br />
e Sancha, de olhos intimativos;<br />
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,<br />
o mar que fala a mesma linguagem<br />
obscura e nova de D. Severina<br />
e das chinelinhas de alcova de Conceição.<br />
A todas decifraste íris e braços<br />
e delas disseste a razão última e refolhada<br />
moça, flor mulher flor<br />
canção de manhã nova…<br />
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)<br />
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica<br />
entre loucos que riem de ser loucos<br />
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/endereco-no-qual-viveu-machado-de-assis-dara-lugar-deposito.phtml" target="_blank">Revista Aventuras na História</a></p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis" target="_blank">Site Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://www.migalhas.com.br/quentes/458595/rj-cria-dia-de-machado-de-assis-e-oficializa-homenagem-ao-escritor" target="_blank">Site Migalhas</a></p>
<p>WANDERLEY, Andrea C.T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=528" target="_blank"><em>Missa Campal de 17 de maio de 1888</em> </a>in Brasiliana Fotográfica, 17 de maio de 2015</p>
<p>___________________<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6048" target="_blank"><em>O retratista português</em> <em>Joaquim Insley Pacheco (31 de março de 1830 – 14 de outubro de 1912)</em></a> in Brasiliana Fotográfica, 14 de outubro de 2016</p>
<p><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_Machado_de_Assis,_sem_data.tif?page=1" target="_blank">Wikipedia</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um dos &#8220;furos&#8221; do jornal O GLOBO, que hoje completa 100 anos &#8211; uma fotografia do presidente Washington Luís, deposto, deixando o Palácio Guanabara rumo ao Forte de Copacabana</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2025 14:12:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[Para celebrar o centenário do jornal O GLOBO, que foi fundado há exatos 100 anos, em 29 de julho de 1925, por Irineu Marinho, que faleceu pouco depois, em 21 de agosto de 1925, a Brasiliana Fotográfica destaca uma fotografia pertencente à Escola de Ciências Sociais (FGV CPDOC), uma das instituições parceiras do portal, do presidente deposto pela Revolução de 1930, Washington Luís, saindo do Palácio Guanabara rumo ao Forte Copacabana, onde ficou preso até seguir, exilado, para os Estados Unidos. O registro fotográfico, um importante furo jornalístico, que teve a decisiva participação do futuro diretor do jornal, Roberto Marinho (1904 - 2003), primogênito de Irineu, foi publicado na capa da terceira edição de O GLOBO de 24 de outubro de 1930 e republicada no dia seguinte. De acordo com o jornal esta fotografia é "O mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis" e "É um documento único e cujo valor não será mais preciso exaltar".]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Para celebrar o centenário do jornal <em>O GLOBO</em>, que foi fundado há exatos 100 anos, em 29 de julho de 1925, por Irineu Marinho (1876-1925), que faleceu pouco depois, em 21 de agosto de 1925, a Brasiliana Fotográfica destaca uma fotografia pertencente à Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, uma das instituições parceiras do portal, do presidente deposto pela <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32846" target="_blank">Revolução de 1930</a>, Washington Luís (1869 &#8211; 1957), saindo do Palácio Guanabara, residência oficial do chefe de governo, rumo ao Forte Copacabana, onde ficou preso até seguir, exilado, para os Estados Unidos. Era o fim de seu mandato presidencial, iniciado em 15 de novembro de 1926, o último da chamada República Velha. O registro fotográfico foi realizado por Arnaldo Vieira (1904 &#8211; 1974) e o tiro de magnésio foi dado por Angelo Regato (1912 &#8211; 1993)*. O importante furo jornalístico foi publicado na capa da terceira edição de <em>O GLOBO</em> de 24 de outubro de 1930 e republicada no dia seguinte. De acordo com o jornal esta fotografia é <em>O mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis </em>e <em>É um documento único e cujo valor não será mais preciso exaltar. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11928" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11928/HPFOTO002.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="409" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11928" target="_blank">O presidente deposto, Washington Luís, acompanhado pelo cardeal Dom Sebastião Leme, deixa o Palácio Guanabara, em direção ao Forte Copacabana, onde permaneceu detido até seguir viagem para os Estados Unidos, 24 de outubro de 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi de fato uma imagem única de um momento relevante da história do Brasil, um marco no fotojornalismo do país. O primogênito de Irineu Marinho, Roberto Marinho (1904 &#8211; 2003), que assumiria a direção do jornal, em 1931, atuava na ocasião como repórter de <em>O GLOBO</em> e teve uma participação decisiva neste furo de reportagem. Ele estava no palácio e viu o momento em que Washington Luís entrou no carro, um luxuoso Lincoln. Para tornar a fotografia possível, colocou arbustos no caminho, fazendo com que o carro tivesse que parar por alguns segundos, e assim o fotógrafo que o acompanhava conseguiu fazer o registro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40742" style="width: 472px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo2.jpg"><img class="size-full wp-image-40742" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo2.jpg" alt="Rendido afinal á gloriosa realidade que o cercava, o Sr. Washington Luis retira-se do Palácio Guanabara! O presidente deposto saindo em companhia do cardeal Sebastião Leme foi conduzido ao Forte de Copacabana onde seencontra preso / O GLOBO, 24 de outubro de 1930" width="462" height="486" /></a><p class="wp-caption-text"><strong>O título</strong><em>: Rendido afinal á gloriosa realidade que o cercava, o Sr. Washington Luis retira-se do Palácio Guanabara! O presidente deposto, saindo em companhia do cardeal Sebastião Leme, foi conduzido ao Forte de Copacabana onde se encontra preso. </em><strong>A legenda</strong>: <em>O automóvel do Palacio Presidencial quando deixava o Guanabara, conduzindo o Sr. Washington Luís, que se vê de mão ao queixo, cabeça pendente, e tendo a sua direita S.E. o Cardeal D. Sebastião Leme</em>  / <em>O GLOBO</em>, 24 de outubro de 1930</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40740" style="width: 576px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo1.jpg"><img class="size-full wp-image-40740" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo1.jpg" alt="O Mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis / O GLOBO, 25 de outubro de 1930" width="566" height="492" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O mais eloquente documento histórico da deposição do Sr. Washington Luis</em> /<em> O GLOBO</em>, 25 de outubro de 1930</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A seguir, o texto publicado em <em>O GLOBO</em>, 25 de outubro de 1930, abaixo da fotografia:</p>
<p>&#8220;<em>Tivemos a rara felicidade de conseguir, hontem, o instantâneo photographico de um episódio central do movimento pacificador da família brasileira, tomada com grande senso jornalístico e especialmente para o GLOBO. Trata-se do mais precioso flagrante da retirada do Sr. Washington Luis do Palácio Guanabara, já apeado do poder e preso o ex-chefe do governo que, por uma questão de mórbida vaidade e de volúpia despótica atirou o paiz no perigo de uma guerra civil de consequências incalculáveis.</em></p>
<p><em>Mas o Exercito Brasileiro foi até onde a disciplina começava a confundir-se com a sua transformação em instrumento de uma defesa pessoal agressiva contra a Nação.  E a Nação logo lhe estendeu os braços na formidável explosão de enthusiasmo e desapego de hontem, ora correndo para as fileiras pacificadoras, ora tomando iniciativas de justiçamento summario, sem excessos de penalidades nem de outros prejuízos além dos que a sua sentença soberana limitava. Ao embate decisivo o autocrata caiu, vendo em torno o vácuo e a solidão porque a dignidade brasileira só o podia cercar das garantias e da indulgência humana que não lhe faltaram até no momento mais extremo.</em></p>
<p><em>E eil-o que hai vae vencido em sua megalomania, tão arrogantemente caracterizada até nas suas derradeiras e inúteis atitudes. </em></p>
<p><em>E eil-o  hai vae, no automóvel, sob a guarda do Exercito, abrigado à sombra do manto misericordioso de S Eminência o cardeal Sebastião Leme, a face amparada à  mão esquerda, a fronte pendente como nunca o viramos, remoendo a raiva impotente do desmoronamento.</em></p>
<p><em>É um documento historico da mais expressiva eloquencia na sua mudez essa fotografia que o GLOBO estampou, com extraordinario exito, em sua 3ª edição de hontem, rapidamente exgotada, razão pela qual a reproduzimos hoje, á vista da insistência dos pedidos que recebemos neste sentido. É um documento único e cujo valor não será mais preciso exaltar. Contemple-o o povo e fique elle para sempre como advertência vehemente ao futuro da nacionalidade e à precariedade dos caprichos humanos&#8221;.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Washington Luís &#8211; deposição, exílio e morte</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>&#8220;A Revolução de 30 foi um movimento armado, iniciado em 3 de outubro de 1930, com o objetivo imediato de derrubar o governo Washington Luís e impedir a posse de Júlio Prestes, eleito presidente da República em 1º de março de 1930. O movimento tornou-se vitorioso em 24 de outubro e Getulio Vargas assumiu o cargo de presidente provisório no dia 3 de novembro. As mudanças políticas, sociais e econômicas que tiveram lugar na sociedade brasileira no pós-1930 fizeram com que esse movimento revolucionário fosse considerado o marco inicial da Segunda República no Brasil &#8220;.</em></p>
<p style="text-align: right;">(Equipe da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC, 2023).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 358px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8422" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8422/Washington%20Luiz%20PR.05%281%29.we.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="348" height="494" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8422" target="_blank">Washington Luís, s.d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 24 de outubro de 1930, os generais Alfredo Malan d’Angrogne (1873 &#8211; 1932), Augusto Tasso Fragoso (1869 &#8211; 1945) e João de Deus Mena Barreto (1874-1933) entraram no Palácio Guanabara e foram para a sala onde se encontrava o presidente Washington Luís e a alta cúpula do governo. Washington Luís se recusava a sair e só, por volta das 17 horas, com a mediação do cardeal Sebastião Leme (1882 &#8211; 1942), consentiu em se retirar, na condição de prisioneiro, pois não havia renunciado. <em>A junta governativa que assumiu o poder, composta pelos generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e pelo contra-almirante José Isaías de Noronha (1874 &#8211; 1966), determinou, sem êxito, que os revolucionários depusessem as armas. Entretanto, apesar de respeitarem a ordem de cessação dos combates, os destacamentos rebeldes continuaram avançando em direção ao Rio de Janeiro, forçando a junta a entregar o poder no dia 3 de novembro a Getúlio Vargas, chefe da revolução vitoriosa </em>(Atlas Histórico do Brasil FGV).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40776" style="width: 465px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_04/4355" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40776" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo8.jpg" alt="Correio da Manhã, 25 de outubro de 1930" width="455" height="380" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_04/4355" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 25 de outubro de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A bordo do navio <em>Alcântara</em>, Washington Luís partiu do Brasil rumo à Europa, em 20 de novembro de 1930. O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Antônio Prado Junior (1880 &#8211; 1955), seguiu para a Europa no mesmo navio  (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_04/4681" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 21 de novembro de 1930</a>). Mais uma vez o <em>O GLOBO</em> conseguiu produzir um trabalho fotográfico classificado pelo próprio jornal como <em>sensacional pelo seu valor e ineditismo</em>. A equipe que fazia a cobertura do evento teve, inclusive, a máquina fotográfica confiscada por um capitão na Fortaleza de São João, mas algumas das chapas sensibilizadas já haviam sido escondidas e foram publicadas ainda no dia 20 de novembro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40783" style="width: 376px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo10.jpg"><img class="size-full wp-image-40783" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo10.jpg" alt="O GLOBO, 20 de novembro de 1930" width="366" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 20 de novembro de 1930, primeira edição</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo11.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-40786" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo11.jpg" alt="oglobo11" width="214" height="200" /></a></p>
<div id="attachment_40787" style="width: 643px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo12.jpg"><img class="wp-image-40787 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo12.jpg" alt="oglobo12" width="633" height="512" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 20 de novembro de 1930, primeira edição</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40785" style="width: 401px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo13.jpg"><img class="wp-image-40785 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo13.jpg" alt="oglobo13" width="391" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 20 de novembro de 1930, segunda edição</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O presidente deposto viveu na França, na Suíça, em Portugal e nos Estados Unidos. Em 18 de setembro de 1947, retornou ao Brasil, mas não à política (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_04/40184" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 19 de setembro de 1947</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/55547" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 20 de setembro de 1947</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40778" style="width: 771px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/84569" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40778" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo9.jpg" alt="Careta, 27 de setembro de 1947" width="761" height="542" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/84569" target="_blank"><em>Careta,</em> 27 de setembro de 1947</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi morar em São Paulo e dedicou-se a estudar História. Foi membro dos institutos Histórico e Geográfico da Bahia, do Ceará e de São Paulo, membro benemérito da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, presidente honorário da Cruz Vermelha Brasileira, integrante da Academia Paulista de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Faleceu em São Paulo, no dia 4 de agosto de 1957. Nasceu em Macaé, no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1869. Antes de ser presidente do Brasil, havia sido prefeito, governador e senador de São Paulo, de 1914 a 1919, de 1920 a 1924 e de 1925 a 1926, respectivamente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em> O GLOBO</em></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40746" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.oglobo.globo.com/fotos/memorabilia-9361396" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40746" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo3.jpg" alt="A primeira sede, na Rua Bettencourt da Silva, onde hoje é o Largo da Carioca / Memória Globo" width="673" height="464" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.oglobo.globo.com/fotos/memorabilia-9361396" target="_blank">A primeira sede, na Rua Bettencourt da Silva, onde hoje é o Largo da Carioca / Memória O GLOBO</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40749" style="width: 392px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo5.jpg"><img class="size-full wp-image-40749" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/oglobo5.jpg" alt="Capa da primeira edição de O GLOBO, 29 de julho de 2025" width="382" height="543" /></a><p class="wp-caption-text">Capa da primeira edição de <em>O GLOBO</em>, 29 de julho de 1925</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para escolher o nome do seu novo jornal, Irineu Marinho promoveu um concurso, cujo resultado foi anunciado em 20 de junho de 1925. <em>Correio da Noite</em> foi o nome mais votado, mas esse título já era patenteado. O segundo nome mais votado, <em>O GLOBO</em>, foi adotado. Como já mencionado, o jornal foi fundado em 29 de julho de 1925.</p>
<p>Após o falecimento de Irineu Marinho, em 21 de agosto de 1925, <em>O GLOBO</em> passou a ser dirigido pelo jornalista Eurycles de Matos (1894-1931), amigo de confiança do fundador. Roberto Marinho era, na época, secretário particular de seu pai e repórter do jornal. Somente assumiu a direção de <em>O GLOBO</em>, em 8 de maio de 1931, três dias após a morte de Eurycles. Ele exerceu o cargo até sua morte, em agosto de 2003.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 460px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.oglobo.globo.com/perfis-e-depoimentos/?letra=I" target="_blank"><img src="https://memoria.oglobo.globo.com/incoming/9254228-bb7-cc6/FTFotogaleriaHorizontal/O-FUNDADOR-DO-GLOBO.jpg" alt="Irineu Marinho" width="450" height="327" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.oglobo.globo.com/perfis-e-depoimentos/?letra=I" target="_blank">Irineu Marinho (1876-1925) / Memória O GLOBO</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 460px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.oglobo.globo.com/perfis-e-depoimentos/eurycles-de-mattos-9827326#:~:text=Ex%2Ddiretor%2Dredator%2Dchefe,Escola%20Nacional%20de%20Belas%20Artes." target="_blank"><img src="https://memoria.oglobo.globo.com/incoming/9827353-4a4-833/FTFotogaleriaHorizontal/EURYCLES-DE-MATTOS.jpg" alt="Ex-diretor-redator-chefe do GLOBO" width="450" height="327" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.oglobo.globo.com/perfis-e-depoimentos/eurycles-de-mattos-9827326#:~:text=Ex%2Ddiretor%2Dredator%2Dchefe,Escola%20Nacional%20de%20Belas%20Artes." target="_blank">Eurycles de Matos (1894-1931) / Memória O GLOBO</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 460px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.oglobo.globo.com/perfis-e-depoimentos/roberto-marinho-9055075" target="_blank"><img src="https://memoria.oglobo.globo.com/incoming/9253325-09a-dc9/FTFotogaleriaHorizontal/ROBERTO-MARINHO.jpg" alt="Jornalista, permaneceu na presidência das Organizações Globo até sua morte" width="450" height="327" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.oglobo.globo.com/perfis-e-depoimentos/roberto-marinho-9055075" target="_blank">Roberto Marinho (1904-2003) / Memória O GLOBO</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*A informação da autoria da foto e do tiro de magnésio consta no <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/17" target="_blank"><em>Boletim da ABI</em>, outubro de 1974</a> e no <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/027898/79" target="_blank"><em>Boletim da ABI</em>, março e abril de 1975, página 7, penúltima coluna</a>. Foi acrescentada neste artigo em 4 de abril de 2026.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://oglobo.globo.com/acervo/" target="_blank">Acervo Digital de O GLOBO</a></p>
<p><a href="https://presidentes.an.gov.br/index.php/arquivo-nacional/58-servicos/descricoes-arquivisticas/162-washington-luis" target="_blank">Arquivo Nacional &#8211; Centro de Referência de Acervos Presidenciais</a></p>
<p><a href="https://atlas.fgv.br/verbete/6365" target="_blank">Atlas Histórico do Brasil FGV</a></p>
<p>Fernandes, Letícia. <a href="https://oglobo.globo.com/politica/era-vargas-um-jovem-reporter-consegue-foto-historica-16581671" target="_blank"><em>Era Vargas: Um jovem repórter consegue a foto histórica</em> </a>in <em>O GLOBO</em>, 28 de junho de 2015.</p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>EQUIPE DA ESCOLA DE CIÊNCIAS SOCIAIS FGV CPDOC. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32846" target="_blank"><em>Novos acervos: Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC</em></a>, in Brasiliana Fotográfica, 25  de junho de 2023.</p>
<p><a href="https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/LU%C3%8DS,%20Washington.pdf" target="_blank">Site FGV CPDOC</a></p>
<p><a href="https://memoria.oglobo.globo.com/" target="_blank">Site Memória O GLOBO</a></p>
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		<title>Novos acervos: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro &#8211; IHGB</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Dec 2024 14:11:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[O artigo "Generalíssimo por aclamação" é a primeira publicação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB - na Brasiliana Fotográfica. O IHGB é a 12ª instituição parceira do portal, fundado pelo Instituto Moreira Salles e pela Fundação Biblioteca Nacional. O artigo, que destaca duas fotografias produzidas por Francisco Soucasaux (1856-1904), é sobre a comemoração do segundo mês da proclamação da República, realizado no dia 15 de janeiro de 1890, e foi escrito pelo historiador Thiago Guimarães Pougy sob a orientação do professor Paulo Knauss, vice-presidente do IHGB, fundado em 1838. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">O artigo <em>Generalíssimo por aclamação</em> é a primeira publicação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro &#8211; IHGB &#8211; na Brasiliana Fotográfica. O IHGB é a 12ª instituição parceira do portal, fundado pelo Instituto Moreira Salles e pela Fundação Biblioteca Nacional. O artigo, que destaca duas fotografias produzidas por Francisco Soucasaux (1856-1904), é sobre a comemoração do segundo mês da proclamação da República, realizado no dia 15 de janeiro de 1890, <em>um evento único na história militar brasileira. </em>Foi escrito pelo historiador Thiago Guimarães Pougy sob a orientação do professor Paulo Knauss, vice-presidente do IHGB, fundado, em 1838, inspirado no Instituto Histórico de Paris, criado quatro anos antes. Desde seu início, dom Pedro II (1825-1891) esteve ligado ao IHGB, que foi a primeira instituição no Brasil dedicada à preservação e à pesquisa da cultura, das ciências sociais, da história e da geografia do Brasil. A adesão do IHGB à Brasiliana Fotográfica é mais um passo importante na história do portal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12796/discover" target="_blank"><strong>Acesse aqui o link para as fotografias do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro disponíveis na Brasiliana Fotográfica</strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>Generalíssimo por aclamação</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;">Thiago Guimarães Pougy sob a orientação do professor Paulo Knauss*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A comemoração do segundo mês da República, no dia 15 de janeiro de 1890, ficou marcada por alguns eventos peculiares. Houve uma homenagem ao Ministro da Marinha, o então contra-almirante Eduardo Wandenkolk, que progrediu a uma homenagem ao chefe do Governo Provisório, o marechal-de-campo Manuel Deodoro da Fonseca. Há nela, entretanto, alguns eventos estranhos às homenagens de praxe, como promoções militares feitas por aclamação popular, isto é, do “povo, do Exército e da Armada”; mas também há a percepção de que o hino do Império, de Francisco Manuel da Silva, seria antes nacional que imperial e, portanto, deveria manter a condição de hino oficial.</p>
<p>As fotografias de Francisco Soucasaux, do acervo do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, apresentam a expressão visual desse evento histórico. O que vemos na fotografia é o desfile da Marinha em homenagem a Deodoro da Fonseca em frente ao palácio Itamaraty, então sede do Governo Provisório. Trata-se do momento em que, após promovidos por aclamação, respectivamente, Deodoro a Generalíssimo, Wandenkolk a vice-almirante e Benjamin Constant a brigadeiro, as bandas da Marinha voltam a tocar desfilando em frente ao palácio. Pode-se ver a guarda de honra feita pelos soldados do 23º batalhão de infantaria do Exército separando os marinheiros em desfile dos civis no palácio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12827" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12827/P015%20BR%20RJIHGB%20125IG%200226.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="573" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12827" target="_blank">Francisco Soucasaux. Discurso de Manoel Deodoro da Fonseca, 15 de janeiro de 1890. Palácio do Itamaraty, Rio de Janeiro, RJ / Acervo IHGB</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nos meses seguidos à Proclamação, houve um movimento de beneficiar os militares que apoiaram o golpe e de reformar os que se opuseram. O aumento do soldo veio em menos de um mês após a ruptura e, em janeiro de 1890, as promoções em massa fariam oficiais subirem dois ou três postos em questão de semanas ou meses.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn1">[1]</a> Havia uma preocupação do governo em recompensar os seus partidários e, sobretudo, em valorizar os militares, os quais se consideravam vítimas de uma tradição civilista do Império que nutria antipatia aos valores, às demandas e às instituições castrenses.</p>
<p>Foi nesta conjuntura que ocorreu o evento fotografado. Segundo Raimundo Magalhães Júnior, houve uma espécie de conspiração palaciana em que o capitão-tenente Alexandrino Faria de Alencar almejava homenagear a Wandenkolk e o major Inocêncio Serzedello Correia, a Constant, Ministro da Guerra. Para tal, teriam incluído Deodoro, pensando ser assim mais fácil de convencê-lo a acatar ao pedido.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn2">[2]</a> Planejou-se, desse modo, o desfile do quinze de janeiro.</p>
<p>Os jornais diários narram o seu trajeto: entre 11 e 12 horas, o corpo de marinheiros nacionais desembarca no Arsenal da Marinha, tendo a sua frente bandas de música<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn3">[3]</a>; seguiram, então, por volta de 13h30 e 14h15, para o Clube Naval, passando pela rua Primeiro de Março, pela Rua do Ouvidor até a rua do Theatro, após o Largo de São Francisco, e depois para a praça da Constituição (atual praça Tiradentes), onde se localizava o clube.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn4">[4]</a> Após a homenagem a Wandenkolk e saudações generalizadas, este decide se unir ao desfile e seguir até a sede do governo com seu estado maior, por volta das 15h15.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn5">[5]</a> A parada continuou pela rua Visconde do Rio Branco, atravessou a praça da Aclamação (atual praça da República) pelo lado da antiga prefeitura e foi para a rua Larga de São Joaquim, onde ficava o Itamaraty, encontrando lá o 23º batalhão de infantaria do Exército fazendo a guarda de honra do palácio.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn6">[6]</a> O <em>Diário de Noticias</em> descreveu o aspecto da sede do governo:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>“As janelas do palácio achavam-se apinhadas de famílias, e nas diversas salas circulava grande número de oficiais de mar e terra, cidadãos ministros do interior, da guerra, da agricultura e da justiça, dr. chefe de polícia e muitas outras pessoas gradas. No saguão do palácio tocavam as bandas de música [&#8230;]</em></p>
<p><em>Na rua a multidão era compacta.”</em> (<em>As festas de hontem</em>. <em>Diario de Notícias</em>, 16/01/1890; p.1)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao chegarem ao Itamaraty, os marinheiros desfilaram, comandados pelo capitão-tenente Alexandrino, e houve uma saudação a Deodoro, que respondeu à cortesia. Foi quando o major Serzedello, comissionado por outros oficiais, da rua, dirigiu-se ao marechal pedindo permissão para que fossem promovidos – o Ministro da Guerra, o da Armada e o próprio chefe do governo – porque essa era a vontade do povo, do Exército e da Marinha.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn7">[7]</a> <em>O Paiz </em>descreve o pedido:</p>
<p>“<em>Depois dessa formalidade, cercado de muitos oficiais, na rua, tomou a palavra o talentoso major Serzedello, que em nome do povo, da armada e do exercito, declarou, que, grata aos relevantes serviços prestados, a nação elevava o marechal Deodoro a generalissimo do exercito; o tenente-coronel Benjamin Constant a brigadeiro, e o contra-almirante Wandenkolk a vice-almirante. Ao troar dos canhões e por entre os vivas do povo, assim terminou o orador.</em></p>
<p><em>“É essa a vontade do povo e ela é soberana.</em>” (Festa militar: o hymno nacional. O Paiz, 16/01/1890; p.1)</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12828" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12828/P015%20BR%20RJIHGB%20125IG%200227.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="612" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12828" target="_blank">Francisco Soucasaux. Discurso de Manoel Deodoro da Fonseca, 15 de janeiro de 1890. Palácio do Itamaraty, Rio de Janeiro, RJ / Acervo IHGB</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Embora haja suspeita de que as promoções por aclamação tenham sido planejadas em uma conspiração do oficialato, os homenageados pareceram surpresos. Há relatos de que tanto Deodoro como Constant recearam em receber tais promoções. Afinal, uma promoção de patente por aclamação popular é algo estranho às práticas castrenses. O <em>Diário de Noticias</em> aponta que Deodoro relutou a princípio, mas acedeu após a insistência de Serzedello respondendo “<em>Querem? pois bem, seja feita a vossa vontade</em>”.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn8">[8]</a> Já o <em>O Paiz</em> e a <em>Gazeta de Notícias </em>registram que Constant também receou em receber a promoção tendo, inclusive, discursado o porquê de sua recusa no momento.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn9">[9]</a> Este jornal publicou o discurso no dia 17 e relata que ao seu fim, “<em>O povo reclama e o Sr. major Serzedello declara que os decretos da população são irrevogáveis</em>”.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn10">[10]</a> O major de 29 anos era, à época, o secretário do Ministro da Guerra, que também terminou por acatar à homenagem.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn11">[11]</a></p>
<p>Após as relutâncias, os oficiais foram promovidos por aclamação em meio entusiasmado, as bandas de música voltaram a tocar e as forças de mar a desfilar em frente ao palácio. Acredita-se que foi este o momento das fotografias. Pode-se ver, em uma delas, Deodoro na sacada do palácio; em outra, o desfile dos marinheiros precedido pela banda de música. As fotografias parecem terem sido tomadas em sequência, tendo em vista que muitos dos personagens continuam no mesmo lugar, com a exceção do Generalíssimo. Percebe-se que na fotografia em que Deodoro aparece, o desfile da Marinha ainda não está no enquadramento da foto e muitos dos olhares sugerem a sua chegada pelo canto esquerdo. Supõe-se, por isso, que a fotografia com Deodoro tenha sido tomada no momento anterior.</p>
<p>Em seguida ao momento fotografado, o chefe do governo convidou os oficiais para um almoço solene no palácio. Foi Serzedello, ainda, quem, em nome de oficiais do Exército e da Armada, se dirigiu a Deodoro e a Constant para pedir a manutenção do hino, pois, repetindo o argumento corrente na imprensa<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn12">[12]</a>, se tratava antes de um símbolo da nacionalidade do que da monarquia.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn13">[13]</a> O ministro da Guerra respondeu que o governo já havia entendido ser esta a vontade do “[&#8230;] <em>povo, do Exército e da Armada</em>”.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn14">[14]</a> Havia, no entanto, um concurso agendado para o dia vinte de janeiro, isto é, cinco dias depois, no qual seria eleito um novo hino para a República. Com a escolha da manutenção do hino antigo, houve uma mudança e o concurso elegeria o hino da Proclamação, não mais o da nação.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn15">[15]</a> De qualquer forma, as bandas, que antes desfilavam na rua Larga de São Joaquim alternando entre marchas e a <em>Marselhesa</em>, sem despertar entusiasmo do público, com a anuência de Constant passam a tocar o hino de Francisco Manuel da Silva, que levou ao êxtase generalizado dos presentes.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn16">[16]</a> A parada terminou por volta da 17h30.</p>
<p>Também digno de nota foram os presentes dados pela Escola Militar aos personagens promovidos por aclamação, buscando, desse modo, endossá-las. Por unanimidade de votos, ofereceram a Deodoro os bordados de Generalíssimo; a Constant o boné de brigadeiro; e a Wandenkolk um mimo que simbolizaria a concórdia entre o Exército e a Marinha.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn17">[17]</a> Além disso, o major Serzedello também parece ter sido recompensado por seu empreendimento: ainda em 1890 foi promovido a tenente-coronel e nomeado presidente do Estado do Paraná.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn18">[18]</a></p>
<p>Por fim, quatro importantes questões se impõem à imagem apresentada. A primeira é a de que promoções militares por aclamação popular nas ruas são eventos estranhos à cultura castrense. De acordo com Frank McCann, este foi um evento único na história militar brasileira.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn19">[19]</a> Além disso, a imagem da fotografia contrasta com os retratos oficiais da Proclamação, de predominância militar e carência de povo, como descrito por Aristides Lobo. O povo, quer dizer, civis de terno ou casaca, mulheres e crianças, participam do evento e da composição da imagem. As menções na imprensa diária incluindo o povo na aclamação, sempre se referindo à tríade povo, Exército e Armada, também não parece despropositada. O próprio major Serzedello havia salientado a importância de inclusão do elemento civil no Governo Provisório, quando saudou Quintino Bocaiúva no Clube Naval.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn20">[20]</a> No Diário Oficial, por exemplo, a inclusão do povo era feita de forma diferente. Os decretos caracterizavam o Governo Provisório como constituído por “<em>Exército e Armada em nome da nação</em>”.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn21">[21]</a> A terceira leva em consideração a tradição monárquica de aclamar os novos imperadores. No Brasil, D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II foram aclamados nas ruas. A do primeiro Imperador, inclusive, foi bem próxima à localização do Itamaraty, no Campo de Santana, que passou a ser chamado de praça da Aclamação. Uma aclamação popular a Deodoro dois meses após a Proclamação, em meio à disputa pela reorganização política do país, aparenta expor uma sociedade ainda conformada às distinções típicas do Império. O que leva à última questão: diferentemente das promoções a Wandenkolk e a Constant, a de Deodoro não foi uma ascensão na hierarquia militar propriamente dita. Trata-se, antes, de título distintivo, isto é, que visava à distinção do marechal que também era o governante e o personagem ao qual era atribuída a Proclamação. Ironicamente, o título a distinguir o proclamador da República, Generalíssimo, havia pertencido ao Imperador.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn22">[22]</a></p>
<p>O decreto escrito pelo secretário e sobrinho do chefe de governo, João Severiano da Fonseca Hermes, irmão do futuro Presidente Hermes da Fonseca<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftn23">[23]</a>, no dia das aclamações, foi transcrito de diferentes formas para os jornais diários, mas todas respeitando a mesma mensagem. Assim foi apresentado o decreto no <em>Diario de Notícias</em>:</p>
<p><em>“O povo brazileiro, o exercito e armada nacionaes, representados no governo provisorio, como gratidão eterna aos serviços immorredouros prestados à liberdade e à grandeza da patria, acclamam o marechal de campo Manoel Deodoro da Fonseca generalissimo do mesmo exercito, o contra-almirante Eduardo Wandenkolk, vice-almirante, e o tenente -coronel Benjamin Constant, brigadeiro.”</em> (<em>As festas de hontem</em>. <em>Diario de Notícias</em>, 16/01/1890; 1)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref1">[1]</a> McCann, Frank. Soldados da pátria: história do Exército brasileiro, 1889-1937. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo / Rio de Janeiro: Companhia das Letras / Biblioteca do Exército, 2009; 46.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref2">[2]</a> Magalhães Jr, Raimundo. Deodoro: a Espada contra o Império. Volume 2: o galo na torre. São Paulo: São Paulo Editora S/A, 1957; 134-135.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref3">[3]</a> As festas de hontem. <em>Diario de Notícias</em>, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref4">[4]</a> As festas de hontem. Diario de Notícias, 16/01/1890; 1; Manifestação ao marechal Deodoro e ao almirante Wandenkolk. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref5">[5]</a> Acclamação publica. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref6">[6]</a> Manifestação ao marechal Deodoro e ao almirante Wandenkolk. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1; Festa militar: o hymno nacional. O Paiz, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref7">[7]</a> As festas de hontem. Diario de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1; Manifestação ao marechal Deodoro e ao almirante Wandenkolk. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref8">[8]</a> As festas de hontem. Diario de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref9">[9]</a> Manifestação ao marechal Deodoro da Fonseca. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1; Festa militar: o hymno nacional. O Paiz, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref10">[10]</a> Manifestação ao marechal Deodoro da Fonseca. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref11">[11]</a> Magalhães Jr, op. cit., loc. cit.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref12">[12]</a> Guanabarino, Oscar. O hymno nacional. O Paiz, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1; Carvalho, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. 2ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2017; 123.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref13">[13]</a> As festas de hontem. Diario de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1; Manifestação ao marechal Deodoro da Fonseca. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1; Festa militar: o hymno nacional. O Paiz, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref14">[14]</a> Manifestação ao marechal Deodoro da Fonseca. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref15">[15]</a> Carvalho, op. cit., 124.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref16">[16]</a> Carvalho, op. cit., 122-123; McCann, op. cit., loc. cit.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref17">[17]</a> Escola Militar. Diario de Notícias, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1; Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref18">[18]</a> Magalhães Jr, op. cit., 136; McCann, op. cit., 47.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref19">[19]</a> McCann, op. cit., loc. cit.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref20">[20]</a> Manifestação da armada. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1; Festa militar: o hymno nacional. O Paiz, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref21">[21]</a> Citação presente em qualquer Diário Oficial da União de janeiro de 1890.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref22">[22]</a> McCann, op. cit., loc. Cit.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post-new.php#_ftnref23">[23]</a> Lopes, Raimundo Helio. Hermes, Fonseca. <em>Dicionário Histórico-Biográfico da Primeira República</em>. CPDOC, Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: <a href="https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/HERMES,%20Fonseca.pdf">https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/HERMES,%20Fonseca.pdf</a> . Acesso em: 25/02/2024.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Thiago Guimarães Pougy é doutorando em História na Universidade Federal Fluminense sob a orientação de Paulo Knauss, sócio titular e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Bibliografia:</strong></span></p>
<p>Carvalho, José Murilo de. <em>A formação das almas: o imaginário da República no Brasil.</em> 2ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</p>
<p>Faria, Durland Puppin de; Pedrosa, Fernando Velôzo Gomes. Hierarquia militar brasileira – Exército. IN: <em>Dicionário de história militar do Brasil (1822-2022): volume II.</em> Org. Silva, Francisco Carlos Teixeira da.  [et al.]. Rio de Janeiro: Autografia, 2022.</p>
<p>Lopes, Raimundo Helio. Hermes, Fonseca<em>. Dicionário Histórico-Biográfico da Primeira República</em>. CPDOC, Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: <a href="https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/HERMES,%20Fonseca.pdf">https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/HERMES,%20Fonseca.pdf</a> . Acesso em: 25/02/2024.</p>
<p>Magalhães Jr, Raimundo. <em>Deodoro: a Espada contra o Império</em>. Volume 2: o galo na torre. São Paulo: São Paulo Editora S/A, 1957.</p>
<p>McCann, Frank. <em>Soldados da pátria: história do Exército brasileiro, 1889-1937</em>. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo / Rio de Janeiro: Companhia das Letras / Biblioteca do Exército, 2009.</p>
<p><strong>Hemeroteca da Biblioteca Nacional:</strong></p>
<p><em>Diario de Notícias</em>:</p>
<p>As festas de hontem. Diario de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p>Escola Militar. Diario de Notícias, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1.</p>
<p><em>Gazeta de Notícias</em>:</p>
<p>Acclamações. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p>Hymno da Republica. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p>Manifestação ao marechal Deodoro e ao almirante Wandenkolk. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p>Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1. (Escola Militar)</p>
<p>Manifestação ao marechal Deodoro da Fonseca. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1.</p>
<p><em>Jornal do Commercio</em>:</p>
<p>Acclamação publica. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p>Hymno nacional. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p>Manifestação da armada. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p><em>O Paiz</em>:</p>
<p>Festa militar: o hymno nacional. O Paiz, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 1.</p>
<p>Hymno nacional. O Paiz, Rio de Janeiro, 16/01/1890; 2.</p>
<p>Guanabarino, Oscar. O hymno nacional. O Paiz, Rio de Janeiro, 17/01/1890; 1.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Biblioteca Machado de Assis – Acervo histórico do Diário Oficial da União – DOU:</strong></p>
<p>http://museu.in.gov.br/fi/web/dou/dou/-/document_library/kcmautn6AnNs/view/575744?_com_liferay_document_library_web_portlet_DLPortlet_INSTANCE_kcmautn6AnNs_navigation=recent&#038;_com_liferay_document_library_web_portlet_DLPortlet_INSTANCE_kcmautn6AnNs_curFolder=&#038;_com_liferay_document_library_web_portlet_DLPortlet_INSTANCE_kcmautn6AnNs_deltaFolder=&#038;_com_liferay_document_library_web_portlet_DLPortlet_INSTANCE_kcmautn6AnNs_deltaEntry=75&#038;_com_liferay_document_library_web_portlet_DLPortlet_INSTANCE_kcmautn6AnNs_orderByCol=modifiedDate&#038;_com_liferay_document_library_web_portlet_DLPortlet_INSTANCE_kcmautn6AnNs_orderByType=asc&#038;p_r_p_resetCur=false&#038;_com_liferay_document_library_web_portlet_DLPortlet_INSTANCE_kcmautn6AnNs_curEntry=4</p>
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		<title>No Dia da Amazônia, fotos da expedição de 1901 realizada pela Comissão de Limites entre o Brasil e a Bolívia</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 15:10:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje é comemorado o Dia da Amazônia, em homenagem à criação da Província do Amazonas por D. Pedro II em 1850. Para lembrar a data, a Brasiliana Fotográfica destaca um grupo de 15 fotografias do acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das instituições parceiras do portal, da expedição realizada, em 1901, à Amazônia com o objetivo de demarcar  o limite entre Brasil e Bolívia durante a Primeira República brasileira. Foram três expedições: a primeira e a segunda, realizadas em 1895 e 1897, foram chefiadas pelo militar e político Gregório Thaumaturgo de Azevedo (1853 - 1921)  e Augusto Cunha Gomes (18? - ?), respectivamente. A terceira, assunto de nosso artigo, foi chefiada pelo astrônomo belga Luis Cruls (1848 - 1908), fotografado por Marc Ferrez (1843 - 1923), em torno de 1890.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje é comemorado o Dia da Amazônia em homenagem à criação da Província do Amazonas por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">dom Pedro II (1825 &#8211; 1891)</a>, em 5 de setembro de 1850. A Amazônia é um bioma que possui 4,196.943 milhões de km2 &#8211; a maior floresta tropical do planeta &#8211; e abrange nove países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela. Este ecossistema tem uma biodiversidade incomparável e influencia o equilíbrio ecológico global, o ciclo da água e o clima da Terra. Sua preservação é uma questão de urgência mundial.</p>
<p>Para lembrar o Dia da Amazônia, a Brasiliana Fotográfica destaca um grupo de 15 fotografias do acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das instituições parceiras do portal, sobre a expedição realizada, em 1901, à Amazônia com o objetivo de demarcar o limite entre Brasil e Bolívia. Foram realizadas três expedições e as comissões instituídas pelo governo brasileiro objetivavam traçar o limite na região amazônica e verificar a localização da principal nascente do rio Javari, cujo desconhecimento gerava controvérsias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 327px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11097" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11097/46526.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="317" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11097" target="_blank">Comissão de Limites entre o Brasil e a Bolívia. Cachoeira Campos Salles, 1901. Amazônia / Acervo DPHDM</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/391" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias da Comissão de Limites entre o Brasil e a Bolívia disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11107" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11107/46532.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="492" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11107" target="_blank"> Comissão de Limites entre o Brasil e a Bolívia. Comissão mista na Nascente, 1901. Amazônia / Acervo DPHDM. Sentado, no centro, Luis Cruls</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A primeira e segunda expedições foram realizadas em 1895 e 1897 e foram chefiadas por Gregório Thaumaturgo de Azevedo (1853 &#8211; 1921) e Augusto Cunha Gomes (18? &#8211; ?), respectivamente. A terceira, assunto de nosso artigo, foi chefiada pelo astrônomo belga Luis Cruls (1848 &#8211; 1908), que havia sido fotografado por seu amigo Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923), em torno de 1884. Cruls foi diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro entre 1891 e 1908. O retrato (abaixo) foi exposto, em 1884, na Notre Dame de Paris, e referido como um “<em>trabalho artístico obtido pelo novo sistema de gelatino-bromureto, especialidade do sr. Marc Ferrez, clichê do sr. Insley Pacheco</em>”(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_07/10710" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 4 de julho de 1884, na última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 627px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4770" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4770/0071824cx003b-07.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="617" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4770" target="_blank">Marc Ferrez. Luis Cruls, c. 1890. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando à expedição de 1901. O ministro das Relações Exteriores, Olyntho de Magalhães (1866 &#8211; 1948), deu a Cruls instruções para subir o rio Javari até as nascentes e determinar sua verdadeira posição geográfica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 210px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olinto_de_Magalh%C3%A3es#/media/Ficheiro:Olyntho_de_Magalh%C3%A3es.jpg" target="_blank"><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Olyntho_de_Magalh%C3%A3es.jpg/200px-Olyntho_de_Magalh%C3%A3es.jpg" alt="" width="200" height="275" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olinto_de_Magalh%C3%A3es#/media/Ficheiro:Olyntho_de_Magalh%C3%A3es.jpg" target="_blank">Olyntho Magalhães (1866 &#8211; 1948)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na época, Cruls já era um cientista renomado. Já havia sido membro da comissão da Carta Geral do Império, de 1875, na seção de geodésia, sua primeira atuação profissional no Brasil; e, em 1892, viajado e explorado o Planalto Central, trabalho pelo qual é atualmente mais conhecido. Era professor de Geodésia da Escola Militar.</p>
<p>Cruls e integrantes da comissão embarcaram no <em>Alagoas</em>, no Rio de Janeiro, rumo ao norte, em 4 de janeiro de 1901 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/1840" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 4 de janeiro de 1901, segunda coluna</a>). Desembarcaram em Belém, em 20 de janeiro. Os integrantes da comissão brasileira eram o capitão de fragata Carlos Accioli, o capitão do Estado-Maior Augusto Tasso Fragoso, o médico Leovigildo Honorário de Carvalho, o capitão farmacêutico Alfredo José Abrantes, o capitão honorário Eduardo Chartier, o secretário Ricardo Veríssimo Vieira, o encarregado do material Arthur Nogueira; e um contingente militar de 50 praças, comandados pelo alferes Arthur Cantalice. A comissão boliviana era chefiada por Adolpho Ballivian (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_09/1674" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 4 de março de 1901, sexta coluna</a>).</p>
<p>Cruls montou o seu observatório no interior do Forte do Castelo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 586px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11101" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11101/46529.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="576" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11101" target="_blank">Comissão de Limites entre o Brasil e a Bolívia. Marco indicativo colocado a 28 de Agosto de 1901. Amazônia / Acervo DPHDM</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11102" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11102/46530.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="473" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11102" target="_blank">Comissão de Limites entre o Brasil e a Bolívia. Observatório brasileiro no Forte do Castelo, Belém, 1901. Belém, Pará / Acervo DPHDM</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11112" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11112/46537.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="496" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11112" target="_blank">Comissão de Limites entre o Brasil e a Bolívia. Acampamento de N.S. da Gloria, 1901. Amazônia / Acervo DPHDM</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11110" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11110/46535.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="491" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11110" target="_blank">Comissão de Limites entre o Brasil e a Bolívia. Igreja velha em Tabatinga, 1901. Tabatinga, Amazonas / Acervo DPHDM</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A expedição de 1901 é referida na historiografia da ciência como sendo a que contribuiu para o Tratado de Petrópolis, firmado em 17 de novembro de 1903 em Petrópolis, que pôs fim à disputa territorial entre Brasil e Bolívia pelo território do Acre. Porém, de acordo com Moema de Rezende Vergara, <em>a solução para o problema se deu puramente no plano político, sem levar em consideração os trabalhos técnicos então realizados, o que invalida a relação de causalidade entre a expedição chefiada por Cruls e o fim do litígio com a Bolívia&#8230;na Exposição de Motivos sobre o Tratado de 1903, é possível ver que o Barão de Rio Branco optou por uma condução política para a crise, fazendo <i>tabula rasa</i> das viagens de demarcação do período republicano. Os acontecimentos políticos, precipitando-se, haviam tornado sem efeito os esforços técnicos de localização precisa das nascentes do Javari. Cabe a ressalva de que, apesar dos trabalhos de Luiz Cruls não terem sido utilizados no Tratado de Petrópolis, isto não os invalida. As coordenadas que sua comissão determinou para as nascentes do rio Javari, consideradas a parte mais ocidental do Brasil, foram as mesmas utilizadas em importantes obras que tinham por objetivo apresentar a geografia do país, como o &#8220;Dicionário Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil&#8221;, publicado para as comemorações do Centenário da Independência de 1922 (IHGB, 1922).</em></p>
<p>O Tratado de Petrópolis foi assinado pelo Barão do Rio Branco (1845 &#8211; 1912), ministro das Relações Exteriores, e pelo diplomata Joaquim Francisco Assis Brasil (1857 &#8211; 1938), do lado brasileiro; e pelos diplomatas Fernando Guachalla (1853 &#8211; 1908) e Claudio Pinilla (1859 &#8211; 1928), do lado boliviano.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Os signatários do Tratado de Petrópolis</span></p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11504" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11504/002073LM001a.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11504" target="_blank">Luis Musso. Palácio Itamaraty; no canto superior esquerdo, retrato do Barão do Rio Branco, c. 1904. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 198px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Francisco_de_Assis_Brasil#/media/Ficheiro:Joaquim_Assis_Brasil.jpg" target="_blank"><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b9/Joaquim_Assis_Brasil.jpg" alt="" width="188" height="278" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Francisco_de_Assis_Brasil#/media/Ficheiro:Joaquim_Assis_Brasil.jpg" target="_blank">Assis Brasil / Wikipedia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 230px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://es.wikipedia.org/wiki/Fernando_Eloy_Guachalla#/media/Archivo:Fernando_Eloy_Guachalla.jpg" target="_blank"><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2e/Fernando_Eloy_Guachalla.jpg/220px-Fernando_Eloy_Guachalla.jpg" alt="Fernando Eloy Guachalla - Wikipedia, la enciclopedia libre" width="220" height="294" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://es.wikipedia.org/wiki/Fernando_Eloy_Guachalla#/media/Archivo:Fernando_Eloy_Guachalla.jpg" target="_blank">Fernando Guachalla / Wikipedia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 197px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://elias-blanco.blogspot.com/2012/02/claudio-pinilla-vargas.html" target="_blank"><img class="" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4eJWD7RHeYC4XZEeh2khfnIJXQ1KNiZ6KGGWRpUHwxUkmfAEm0eg_k0vtxV2RUovT3d2Btltblw7_2a-3RM8P2WncdYXEoiGemLuYiBytmFhqS5bUN6DE9umhNVbIw8AB5WF3TmR1HN0/s1600/PINILLA,+Claudio+22.jpg" alt="" width="187" height="273" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://elias-blanco.blogspot.com/2012/02/claudio-pinilla-vargas.html" target="_blank">Claudio Pinilla / Enciclopédia do Bicentenário da Bolívia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No Tratado de Petrópolis foi estipulada a venda do território do Acre da Bolívia para o Brasil. Em compensação, o Brasil cedeu para a Bolívia territórios na Bacia do Rio Paraguai e o governo brasileiro se comprometeu a construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamorée pagou à Bolívia a quantia de 2 milhões de libras esterlinas.</p>
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<p><a href="https://filateliahalibunani.com/produto/si-14-selo-institucional-tratado-de-petropolis-bolivia-acre-brasao-bandeira-2023/" target="_blank"><img class="aligncenter" src="https://filateliahalibunani.com/wp-content/uploads/2023/12/SI-14-Selo-Institucional-Tratado-de-Petropolis-Bolivia-Acre-Brasao-Bandeira-2023.jpg" alt="" width="271" height="464" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes</strong>:</span></p>
<p><a href="https://issuu.com/periodicobolivia/docs/suplemento_el_aparapita_01ed9362026b90" target="_blank"><em>El Aparapita, cargador de la memoria cultural de Bolivia</em>, 7 de julho de 1922</a></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/04/belga-que-pos-brasilia-no-mapa-dava-aulas-de-astronomia-d-pedro-ii.html" target="_blank">G-1</a></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/TRATADO%20DE%20PETR%C3%93POLIS.pdf" target="_blank">Site CPDOC-FGV</a></p>
<p>VERGARA, Moema de Rezende.<em><a href="https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/6j3bqdCTWHsydnJwgZckcTw/" target="_blank"> Ciência, fronteiras e nação: comissões brasileiras na demarcação dos limites territoriais entre Brasil e Bolívia, 1895-1901</a>. </em><span class="text"><span class="truncate">Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas</span></span>, agosto de 2010.</p>
<p>WANDERLEY, Andrea C.T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=30712" target="_blank"><em>O Observatório Nacional pelas lentes de Marc Ferrez, amigo de vários cientistas</em> </a>in Brasiliana Fotográfica, 29 de maio de 2023.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Getúlio Vargas: da vida para a memória</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Aug 2024 14:29:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[Em 24 de agosto de 1954, o presidente do Brasil, Getúlio Vargas (1882-1954), cometeu suicídio no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, causando uma intensa comoção popular. "Com um tiro no coração, Getúlio interrompeu o processo turbulento provocado pelos opositores que visavam à sua deposição". Maria de Fátima Morado, historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, é a autora do artigo "Getúlio Vargas: da vida para a memória", que conta um pouco desta história, trazendo fotografias do velório e do enterro de Getúlio. Os registros fazem parte da coleção Enê  Enê Garcez, militar que, em 1951, ocupou o cargo de Chefe de Pessoal da Presidência da República no segundo governo Vargas (1951-1954); e da coleção Getúlio Vargas, formada a partir da reunião de transferências de documentos do Museu Histórico Nacional para o Museu da República e de doações avulsas diversas. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Getúlio Vargas: da vida para a memória</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"> Maria de Fátima Morado*</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13039" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13039/EGR.052%284%29.icft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="691" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13039" target="_blank">Velório de Getúlio Vargas. 24 de agosto de 1954. Palácio do Catete. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nos 70 anos da morte de Getúlio Vargas, o Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República divulga as fotos de seu velório no Palácio do Catete, sede da Presidência da República naquele período, e de seu enterro em São Borja, no Rio Grande do Sul, sua cidade natal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13052" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13052/GV.013%282%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13052" target="_blank">Cortejo fúnebre de Getúlio Vargas, 26 de agosto de 1954. São Borja, Rio Grande do Sul / Acervo Museu da República </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As fotos do velório de Getúlio Vargas pertencem à coleção Enê Garcez, militar que, em 1951, ocupou o cargo de Chefe de Pessoal da Presidência da República no segundo governo Vargas (1951-1954).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13092" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13092/EGR.057.icft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="" width="702" height="531" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13092" target="_blank">Enê Garcez, à direita, conversando com Gregório Fortunato, chefe da Guarda Pessoal de Vargas, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por sua vez, as fotos do enterro fazem parte da coleção Getúlio Vargas, formada a partir da reunião de transferências de documentos do Museu Histórico Nacional para o Museu da República e de doações avulsas diversas. Há relatos de que, entre os documentos vindos do MHN, estariam itens doados diretamente por Getúlio àquela instituição, enquanto exercia a Presidência da República.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/397" target="_blank"><strong><span style="color: #800000;">Acessando o link para as imagens de relativas a esse artigo, que pertencem ao acevo do Museu da República e estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</span></strong></a></p>
<p>O suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, foi o ápice de uma grave crise política que o país atravessava. Com um tiro no coração, Getúlio interrompeu o processo turbulento provocado pelos opositores que visavam à sua deposição.</p>
<p>O segundo governo Vargas foi alvo de constantes acusações de corrupção, levando Getúlio a declarar que estava em um “mar de lama”. Esse clima de instabilidade foi alimentado por políticos rivais, militares e imprensa até que o atentado da rua Tonelero, em 5 de agosto de 1954, desencadeou uma grande pressão para a renúncia de Getúlio. Nessa ação foram disparados tiros que mataram o major Rubens Florentino Vaz e que feriram Carlos Lacerda, principal opositor de Getúlio. Dois anos depois, o chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, Gregório Fortunato, foi condenado como mandante da tentativa de assassinato de Lacerda.</p>
<p>Na madrugada de 24 de agosto, Getúlio reuniu seu ministério que o aconselhou a se licenciar ou renunciar à presidência. Sem garantia de apoio para resistir, Getúlio cometeu seu último ato político, o suicídio, na manhã desse mesmo dia.</p>
<p>O quarto que ocupava no Palácio do Catete foi palco desse trágico evento, deixando de ser um espaço íntimo para se tornar o lugar de sua memória. Contudo, não só o quarto, mas o próprio Palácio do Catete, atual Museu da República, segue como um espaço marcado pela imagem de Getúlio, considerando que ali ele viveu grande parte de sua trajetória política, durante os 19 anos em que presidiu o país.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13043" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13043/EGR.052%288%29.icft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="696" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13043" target="_blank">Velório de Getúlio Vargas. 24 de agosto de 1954. Palácio do Catete. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O corpo de Getúlio foi velado em outro ambiente do Palácio do Catete, o Salão Ministerial. Os registros desse momento demonstram a comoção da população diante do impacto de sua morte, com imagens de pessoas debruçadas sobre o caixão ou amparadas pelos guardas. Em São Borja, as fotografias expõem o cortejo fúnebre até o cemitério e em meio à multidão destaca-se a presença de João Goulart, herdeiro político de Vargas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13051" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13051/GV.013%281%29.dvft.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="663" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13051" target="_blank">João Goulart, Oswaldo Aranha, Tancredo Neves e outros no enterro de Getúlio Vargas, 26 de agosto de 1954. São Borja, Rio Grande do Sul / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As intensas homenagens prestadas após sua morte, bem como os intensos protestos do povo revoltado com o desfecho de Getúlio demonstram que o líder controverso não poderia jamais ser esquecido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Maria de Fátima Morado é historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República</p>
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		<title>O embaixador Oswaldo Aranha (1894-1960)</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Aug 2024 13:39:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[Neste artigo, Pedro Quinteiro Uberti, aluno do Mestrado Acadêmico em História, Política e Bens Culturais do FGV/CPDOC, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, aborda a trajetória do chanceler Oswaldo Aranha na história da diplomacia brasileira, especialmente o período em que serviu como embaixador do Brasil, em Washington, nos Estados Unidos, entre 1934, quando se desvinculou do Ministério da Justiça e Assuntos Internos, e 1937, quando foi decretado o Estado Novo. Oswaldo Aranha esteve muito ligado à Revolução de 30, que levou Getulio Vargas (1882-1954) à presidência da República. Posteriormente, entre 1938 e 1944, foi ministro das Relações Exteriores do Estado Novo, tendo sido um dos principais responsáveis pelo apoio prestado pelo Brasil ao esforço de guerra dos Aliados. E, entre 1947 e 1948, presidiu a Assembleia Geral das Nações Unidas, tendo seu nome vinculado à criação do Estado de Israel e à tradição, segundo a qual, o discurso brasileiro deve ser aquele que inaugura os encontros da Assembleia.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #800000;">O embaixador Oswaldo Aranha (1894-1960) </span></strong></em></p>
<p style="text-align: center;">Pedro Quinteiro Uberti sob a supervisão de Adelina Novaes e Cruz*<strong> </strong></p>
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<p>Gaúcho da fronteira, nascido em Alegrete, em 1894, Oswaldo Aranha teve ascendente trajetória na política local até se consolidar como uma das lideranças da Aliança Liberal e do movimento que levou Getulio Vargas ao Catete. Como ministro da Justiça e Assuntos Internos e ministro da Fazenda, contribuiu ativamente na reconfiguração institucional do Estado brasileiro, iniciada com o governo provisório de Vargas.</p>
<p>Notabilizou-se como personagem vinculado à condução da política externa brasileira. A historiografia destaca dois grandes momentos da vida política de Aranha, para além de seu envolvimento com a Revolução de 1930. O primeiro, entre 1938 e 1944, diz respeito ao período em que serviu como chanceler do Estado Novo, sendo apontado como um dos principais responsáveis pelo apoio prestado pelo Brasil ao esforço de guerra dos Aliados. O segundo, entre 1947 e 1948, marca o momento em que Aranha presidiu a Assembleia Geral das Nações Unidas, tendo seu nome vinculado à criação do Estado de Israel e à tradição, segundo a qual, o discurso brasileiro deve ser aquele que inaugura os encontros da Assembleia.</p>
<p>Antes disso, no entanto, Aranha já havia deixado sua marca na diplomacia brasileira. Entre 1934, quando se desvincula do Ministério da Fazenda, e 1937, quando é decretado o Estado Novo, o político gaúcho serviu como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/396" target="_blank">Acessando o link para as imagens de Oswaldo Cruz do acervo do FGV-CPDOC e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></span></p>
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<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">Primeiras Impressões</span></em></strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>A missão de Aranha começa a bordo do <em>Augustus</em>, navio que o levou a Gênova. A escala na Europa, antes de seguir viagem aos Estados Unidos, marcou a percepção de Aranha em relação ao futuro das relações internacionais. Em carta escrita a Getulio, em setembro de 1934, aborda criticamente o militarismo de governantes como Benito Mussolini, indicando a iminência de um novo conflito entre as potências europeias. Pondera que:</p>
<p>&#8220;<em>a Europa está, meu caro, em estado potencial de guerra. Os exércitos e as esquadras não se defrontam, mas ameaçam-se. [&#8230;] Os instintos estão arrepiados, como o de feras ameaçadas ou agressivas. [&#8230;] Ninguém sabe como e de onde virá. Mas creio, não há ninguém que não sinta a sua proximidade. [&#8230;] A Europa está dominada por uma tropilha de grandes loucos que encerram em seus punhos a sorte do mundo&#8221;</em> (GV c 1934.09.07).</p>
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<div style="width: 508px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13016" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13016/OAFOTO431_3.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="498" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13016" target="_blank">R. Belatti. Oswaldo Aranha a bordo do navio Augustus, 1934. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>É notável o contraste das perspectivas de Aranha em relação à Europa e aos Estados Unidos. Já em solo estadunidense, exulta o progresso material do país. Em outra carta a Vargas, de novembro de 1934, ameniza os efeitos da crise financeira de 1929, apontando que “<em>este país tem mais riquezas do que todo o resto do mundo. O orçamento de uma cidade como Chicago é maior que o da Itália. O de Nova York várias vezes o nosso. O número de automóveis numa cidade média aqui é maior do que o de todo o Brasil!</em>” (GV c 1934.11.02).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">Primeiras Movimentações</span></em></strong></p>
<p><em><span style="color: #800000;"> </span></em></p>
<p>As primeiras movimentações diplomáticas de Aranha demonstram a preocupação do novo embaixador em melhorar as relações entre Brasil e Estados Unidos. O pessimismo em relação à Europa e o fascínio em relação à economia estadunidense foram acompanhados por uma calorosa recepção nos círculos políticos de Washington. Aranha percebia uma boa vontade das autoridades de Washington em relação ao Brasil. “<em>Só posso atribuir essa amabilidade ao desejo que notei no presidente Roosevelt, durante a conversa de alguns minutos que se seguiu à apresentação de credenciais, de estreitar sempre as íntimas relações com o Brasil</em>”, relataria Aranha ao Itamaraty após a apresentação de suas credenciais como embaixador a Roosevelt, em outubro de 1934 (ARAÚJO, 1996, p. 113).</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13017" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13017/OAFOTO133.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="463" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13017" target="_blank">Oswaldo Aranha por ocasião da apresentação de suas credenciais de embaixador ao governo norte-americano, 1934. Washington, D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>O andamento da missão seria, portanto, facilitada, na visão de Aranha, pela situação internacional. Com a Europa na iminência de um conflito e com o recrudescimento das disputas imperialistas entre as potências, incluindo a expansão japonesa no sudeste asiático e no Pacífico, os Estados Unidos, segundo Aranha, se voltariam cada vez mais para a América Latina, em especial para o Brasil. Deveria o governo Vargas, portanto, aproveitar essa oportunidade para atingir os objetivos da política externa brasileira.</p>
<p>Condição necessária ao estreitamento de relações entre os dois países era, no entanto, a restruturação da representação brasileira nos Estados Unidos. Isso significou o envolvimento de Aranha na instalação da embaixada em uma mansão comprada, em agosto de 1934, por Ciro Freitas-Valle, seu primo e diplomata, a mando do Itamaraty. Segundo o embaixador “<em>encontramos, aqui, no país onde está metade do nosso comércio, todos os funcionários amontoados em três salinhas, sem mobiliário, sem nada. Vamos ficar, hoje, com uma instalação perfeita e capaz de atender às nossas fatais necessidades futuras</em>” (GV c 1935.03.25).</p>
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<div style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13018" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13018/OAFOTO135_1.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="523" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13018" target="_blank"> Fachada da Embaixada do Brasil em Washington D.C., 1934. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13019" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13019/OAFOTO135_2.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="547" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13019" target="_blank">Oswaldo Aranha e a equipe da Embaixada do Brasil nos EUA, 1934. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">Uma Atuação Multifacetada</span> </em></strong></p>
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<p>É possível encontrar no triênio em que Aranha serviu como embaixador, uma série de episódios que demonstra uma atuação diplomática multifacetada, conduzida por um diplomata muito bem conectado com diferentes setores da sociedade estadunidense. Logo nos primeiros meses de missão, Aranha conduziria em Washington as negociações em torno do tratado comercial que estava sendo costurado entre Brasil e Estados Unidos enquanto, constantemente, protestava a Vargas contra o estreitamento dos laços comerciais entre Brasil e Alemanha sob a modalidade que ficou conhecida como comércio compensado. Aranha acompanharia o ministro da Fazenda, Artur de Sousa Costa, na assinatura do tratado junto a Roosevelt, firmado em 2 de fevereiro de 1935.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13020" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13020/OAFOTO144_2.jpg.jpg?sequence=6&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="480" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13020" target="_blank">Franklin D. Roosevelt, Oswaldo Aranha e Artur de Sousa Costa por ocasião da assinatura do tratado comercial entre Brasil e Estados Unidos, 1935. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p><strong> </strong></p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13032" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13032/OAFOTO144_3.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="532" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13032" target="_blank">Artur de Sousa Costa, Oswaldo Aranha e Franklin D. Roosevelt por ocasião da assinatura do tratado comercial entre Brasil e Estados Unidos, 1935. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>Aranha ainda receberia outro ministro brasileiro em Washington. João Marques dos Reis, ministro da Viação e Obras Públicas havia sido designado por Getulio para participar da 3ª  Conferência Mundial de Energia, entre setembro e outubro de 1936. Segundo o embaixador, a visita do ministro seria facilitada pela boa vontade do governo estadunidense em procurar “<em>favorecer negócios no Brasil</em>” (GV c 1936.10.21).</p>
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<div style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13021" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13021/OAFOTO152_1.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="519" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13021" target="_blank">João Marques dos Reis, Ministro da Viação e Obras Públicas do Brasil, visita os Estados Unidos e encontra Oswaldo Aranha, por ocasião da 3ª.Conferência Mundial de Energia, 1936. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>O estabelecimento de boas relações com autoridades do governo estadunidense foi um dos maiores sucessos da missão de Aranha. Não à toa, durante o triênio em que serviu em Washington, Aranha foi o embaixador estrangeiro mais recebido por Roosevelt (OLIVEIRA, in LIMA; ALMEIDA; FARIAS, 2017, p. 103). Antes mesmo de Aranha embarcar para os Estados Unidos, Roosevelt já havia sido informado que Aranha era “o iniciador do atual movimento do Brasil de se afastar um pouco da Europa e se aliar com os Estados Unidos” (HILTON, 1994, p. 202). Destaca-se, ainda, a figura de Sumner Welles, referência no Departamento de Estado em assuntos relacionados à América Latina, com quem Aranha estabeleceu íntimas relações.</p>
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<div style="width: 709px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13033" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13033/OAFOTO144_4.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="699" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13033" target="_blank">Oswaldo Aranha e Franklin D. Roosevelt por ocasião da assinatura do tratado comercial entre Brasil e Estados Unidos, 1935. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13022" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13022/OAFOTO167.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="528" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13022" target="_blank">Oswaldo Aranha com o vice-presidente dos Estados Unidos, John Nance Garner, 1937. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>Para além dos círculos oficiais de poder, Aranha empreendeu esforços no sentido de fazer o Brasil ser ouvido por distintas camadas da sociedade estadunidense. Seja viajando pelo país, como na ocasião da Feira Mundial de Chicago, em outubro de 1935, seja em contato constante com jornalistas e empresários, Aranha defendia a ideia de que “<em>devemos procurar ser conhecidos do povo para melhor contarmos com o governo dos Estados Unidos</em>” (GV c 1937.09.09).</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13023" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13023/OAFOTO147.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13023" target="_blank">Oswaldo Aranha passa em revista, destacamentos militares por ocasião da Feira Mundial, 1935. Chicago, Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13024" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13024/OAFOTO150_1.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="564" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13024" target="_blank"> Oswaldo Aranha encontra-se com Walt Disney, 1935. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 718px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13025" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13025/OAFOTO168.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="708" height="567" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13025" target="_blank">Oswaldo Aranha e outros em banquete a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, 1937. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 555px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13026" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13026/OAFOTO134_1.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="545" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13026" target="_blank">Oswaldo Aranha e outros na União Pan-Americana e na Câmara Norte Americana de Comércio, 1934. Washington D.C., Estados Unidos / Acevo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>Essa aproximação, advogada por Aranha, não se restringia apenas ao âmbito bilateral. Logo no início da missão, alertou Vargas sobre a ascensão da Política da Boa Vizinhança. Segundo o embaixador, a busca dos Estados Unidos em melhorar suas relações com os demais países americanos poderia colocar em xeque o tratamento especial que era dispensado ao Brasil. Nesse sentido, as conferências e encontros multilaterais deveriam servir de palco para o Brasil reafirmar sua posição como parceiro estratégico dos Estados Unidos no continente.</p>
<p>Foi exatamente o que o embaixador buscou alcançar na Conferência Interamericana para a Manutenção da Paz, realizada em Buenos Aires, em 1936. Desde o momento em que Roosevelt veiculou a ideia da realização da Conferência, Aranha buscou costurar a posição entre Brasil e Estados Unidos a partir da coordenação de demandas entre a Casa Branca e o Catete, mesmo que isso significasse o desgaste na relação com Macedo Soares, seu superior na hierarquia institucional do Itamaraty. Sua atuação na Conferência lhe rendeu editoriais dos mais favoráveis na imprensa estadunidense, ao buscar o consenso entre as partes a despeito da oposição argentina aos termos do Projeto de Convenção Sobre Manutenção, Garantia e Restabelecimento da Paz.</p>
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<div style="width: 451px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13034" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13034/OAFOTO155_10.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="441" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13034" target="_blank">Oswaldo Aranha e Rosalina Coelho Lisboa como membros da delegação brasileira na Conferência de Buenos Aires, 1936. Buenos Aires, Argentina / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 473px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13027" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13027/OAFOTO155_5.jpg.jpg?sequence=6&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="463" height="642" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13027" target="_blank">Oswaldo Aranha na Conferência Interamericana para a Manutenção da Paz, 1936. Buenos Aires, Argentina / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13035" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13035/OAFOTO155_11.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="528" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13035" target="_blank">Oswaldo Aranha conversa com delegados na Conferência de Buenos Aires, 1936. Buenos Aires, Argentina / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>Aranha buscava nutrir nos Estados Unidos a simpatia pelo Brasil, mas suas constantes súplicas não convenceram Getulio de visitar o país norte-americano. Conseguiu, entretanto, influenciar na visita de dois de seus filhos, Getulio e Alzira, e sua esposa, Darcy. Alzira permaneceu mais de um semestre com a família Aranha nos Estados Unidos, entre o final de 1935 e meados de 1936, período durante o qual realizou longas viagens na companhia de Luiza Zilda Aranha (Zazi) e Delminda Gudolle Aranha (Dedei) &#8211; filhas do embaixador &#8211; e Delminda Gudolle Aranha (Vindinha) &#8211; esposa do embaixador. Getulinho, como era chamado por Aranha, e Darcy encontraram Alzira e família Aranha em março de 1936. Após insistência de Aranha, Getulinho permaneceu nos Estados Unidos pelo resto do ano desenvolvendo seus estudos de inglês e química. O périplo da família Vargas nos Estados Unidos, na companhia de Aranha, serviu como ferramenta diplomática, na medida em que foram organizados encontros com empresários e jornalistas estadunidenses, além de uma conferência com Roosevelt e a primeira-dama, Eleanor.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13028" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13028/AVAPfoto054_19.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13028" target="_blank">Famílias Vargas e Aranha em viagem aos Estados Unidos, 1935. Alzira Vargas, Vindinha Aranha e Oswaldo Aranha. Nova York, Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 738px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13029" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13029/AVAPfoto054_139.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="728" height="429" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13029" target="_blank">Famílias Vargas e Aranha em viagem aos Estados Unidos, 1936. Da esquerda para a direita: Vindinha Aranha, Darcy Vargas, Oswaldo Aranha e Getúlio Vargas Filho. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 739px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13030" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13030/AVAPfoto054_166.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="729" height="433" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13030" target="_blank">Famílias Vargas e Aranha em viagem aos Estados Unidos, 1936. Zazi Aranha, Alzira VArgas, Oswaldo Aranha e Laís Aranha. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">O Fim da Missão</span></em></strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>Decretado o Estado Novo em novembro de 1937, Oswaldo Aranha abdica do cargo de embaixador, alegando ter perdido sua credibilidade junto ao governo estadunidense por ter sido pego de surpresa pelo golpe. Permaneceria nos Estados Unidos até dezembro, num esforço de amenizar as críticas da imprensa sobre a ruptura institucional em curso no Brasil. Seus relatórios a Vargas demonstram como o governo estadunidense não alterou sua posição em relação à parceria que vinha sido construída entre os dois países. Em dezembro de 1937, o navio Western Prince atracaria em águas brasileiras trazendo o embaixador e sua família, pondo fim à experiência diplomática inaugural daquele que viria ser chanceler em um dos períodos mais conturbados da política externa brasileira.</p>
<p><em> </em></p>
<div style="width: 713px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13031" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13031/OAFOTO166.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="703" height="506" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13031" target="_blank">Artur de Sousa Costa e outros a bordo do navio &#8220;Western Prince&#8221;, recepcionam Oswaldo Aranha e familiares, por ocasião e sua chegada ao Brasil, 1937. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*</strong>Pedro Quinteiro Uberti é aluno do Mestrado Acadêmico em História, Política e Bens Culturais FGV/CPDOC e Adelina Novaes e Cruz é Pesquisadora do FGV CPDOC.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>FONTES:</strong></span></p>
<p>Arquivo Pessoal de Alzira Vargas do Amaral Peixoto (FGV CPDOC). Disponível em: &lt;<a href="https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=AVAP&amp;tud=AVI&amp;tit=&amp;ftit=2&amp;de=1934&amp;ate=1937&amp;assun=&amp;fassun=0&amp;aut=&amp;faut=0&amp;ser=&amp;loc=&amp;tav=8+9+10&amp;itens=30">https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=AVAP&amp;tud=AVI&amp;tit=&amp;ftit=2&amp;de=1934&amp;ate=1937&amp;assun=&amp;fassun=0&amp;aut=&amp;faut=0&amp;ser=&amp;loc=&amp;tav=8+9+10&amp;itens=30</a>&gt;.</p>
<p>Arquivo Pessoal de Getulio Vargas (FGV CPDOC). Disponível em: &lt;<a href="https://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=CorrespGV2">https://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=CorrespGV2</a>&gt;.</p>
<p>Arquivo Pessoal de Oswaldo Aranha (FGV CPDOC). Disponível em: &lt;<a href="https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=OA&amp;tud=AVI&amp;tit=&amp;ftit=2&amp;de=1934&amp;ate=1937&amp;assun=&amp;fassun=0&amp;aut=&amp;faut=0&amp;ser=&amp;loc=&amp;tav=8+9+10&amp;itens=30">https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=OA&amp;tud=AVI&amp;tit=&amp;ftit=2&amp;de=1934&amp;ate=1937&amp;assun=&amp;fassun=0&amp;aut=&amp;faut=0&amp;ser=&amp;loc=&amp;tav=8+9+10&amp;itens=30</a>&gt;.</p>
<p>CAMARGO, Aspásia; ARAÚJO, João Hermes Pereira de; SIMONSEN, Mário Henrique.<em> Oswaldo Aranha: a estrela da revolução</em>. São Paulo: Mandarim, 1996.</p>
<p>HILTON, Stanley. <strong>Oswaldo Aranha</strong>: uma biografia. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1994.</p>
<p>LIMA, Sérgio Eduardo Moreira; ALMEIDA, Paulo Roberto de; FARIAS, Rogério de Souza (org.). <em>Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro</em>. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2017. 2 v. (Coleção Política Externa Brasileira).</p>
<p><strong> </strong></p>
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		<title>Série &#8220;Conflitos&#8221; VIII &#8211; Os efeitos da Revolta Paulista de 1924 pelas lentes de Gustavo Prugner (1884 &#8211; 1931)</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Jul 2024 13:41:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<category><![CDATA[história do Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Revolta Paulista de 1924]]></category>
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		<description><![CDATA[Para marcar o centenário da Revolta Paulista de 1924, a Brasiliana Fotográfica destaca registros produzidos pelo fotógrafo Gustavo Prugner (1884 - 1931) sobre os efeitos da rebelião na cidade. Pertencem ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal. Também conhecida como a Revolução Esquecida, foi a segunda revolta tenentista e o mais grave conflito bélico ocorrido, até hoje, na cidade de São Paulo. Todas essas imagens estão publicadas no Cumulus Portals do Instituto Moreira Salles, em domínio público e liberadas para download. Prugner foi, assim como o alemão Theodor Preising (1883 - 1962) e o suíço Guilherme Gaensly (1843 - 1928), um importante editor de cartões postais de São Paulo. Também publicamos hoje a cronologia da vida de Prugner, a 68ª produzida pelo portal. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Para marcar o centenário da Revolta Paulista de 1924, a Brasiliana Fotográfica destaca registros produzidos pelo fotógrafo Gustavo Prugner (1884 &#8211; 1931) sobre os efeitos da rebelião na cidade. Pertencem ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles (IMS), uma das instituições fundadoras do portal. Também conhecida como a <em>Revolução Esquecida</em>, foi a segunda revolta tenentista e o mais grave conflito bélico ocorrido, até hoje, na cidade de São Paulo. Também publicamos hoje a Cronologia de Gustavo Prugner, a 68ª produzida pelo portal.</p>
<p>É possível conferir algumas destas fotografias de <a href="https://acervos.ims.com.br/portals/#/search/prugner" target="_blank">Prugner </a>na base de dados do Acervo IMS online: <a href="https://acervos.ims.com.br/" target="_blank" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://acervos.ims.com.br&amp;source=gmail&amp;ust=1720298820240000&amp;usg=AOvVaw3RFk1KAfv1fYP8VgLxd570">https://acervos.ims.<wbr />com.br</a>. Lá estão disponíveis mais de 9.200 imagens em domínio público, com download liberado e gratuito. Ao usá-las para qualquer finalidade, basta citar o nome do fotógrafo e o acervo de origem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12747" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12747/002006PG001030.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="448" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12747" target="_blank">Gustavo Prugner. Efeitos da Revolução de 1924, julho de 1924. São Paulo, SP / Acervo IMS </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pouco de sabe sobre o fotógrafo Prugner. Ele nasceu em 5 de julho de 1884, em São Bernardo do Campo, e, no início do século XX, ganhou uma das câmeras fotográficas distribuídas em uma ação promocional da loja de artigos fotográficos de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27299" target="_blank">Guilherme Wessel (1862 &#8211; 1940), pai do empreendedor Conrado Wessel (1891 &#8211; 1993)</a>. Prugner havia estudado na Escola Alemã com Guilherme. Curiosamente, a vida de Conrado Wessel foi fortemente impactada pela rebelião de 1924: devido ao violento conflito urbano, faltou papel importado para os fotógrafos que atuavam, principalmente, no Jardim da Luz, e eles passaram a comprar de Wessel. Quando a rebelião terminou, o fornecimento de papel importado foi restabelecido, mas Conrado já havia conquistado uma clientela fiel. Sua empresa começou a prosperar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=PRUGNER" target="_blank">Acessando o link para as imagens produzidas por Gustavo Prugner sobre os efeitos da Revolução de 1924 em São Paulo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 524px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12730" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12730/002006PG001015.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="514" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12730" target="_blank"> Efeitos da Revolução de 1924 &#8211; Os legalistas depois que retomaram a cidade, 1924. São Paulo, SP / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando a Prugner. Com a obtenção da câmera, passou a trabalhar como fotógrafo e laboratorista. Foi também, em São Paulo, assim como o alemão <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34735" target="_blank">Theodor Preising (1883 &#8211; 1962) </a>e o suíço <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7260" target="_blank">Guilherme Gaensly (1843 &#8211; 1928)</a>, um importante editor de cartões-postais, uma forma de circulação de imagens que, desde meados do século XIX, contribuiu para popularizar a fotografia. Prugner organizava álbuns a partir de fotos de sua autoria e de outros fotógrafos. Suas imagens eram marcadas pelas iniciais GP. Foram publicadas em revistas ilustradas como a <em>Careta</em> e a <em>Revista da Semana</em> e também em jornais, porém nem sempre sua autoria era identificada.</p>
<p>Gustavo Prugner foi o autor de um dos mais importantes conjuntos de fotografias sobre o conflito de 1924. Fotografou a destruição causada pelos bombardeios terrificantes realizados pelas tropas leais ao presidente da República, Artur Bernardes  (1875 &#8211; 1955), sobre São Paulo &#8211; única cidade brasileira já bombardeada por um ataque aéreo.</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;As vítimas civis passaram de dois milheiros, quase todas estraçalhadas de modo horroroso por estilhaços de granada. O  número de prédios destruídos ou simplesmente estragados subiu aos milhares. Dia e noite os canhões legalistas despejavam metralha às tontas, sem o menor objetivo militar [&#8230;]. Havia lá dentro 3 mil rebeldes disseminados no seio de uma massa de 800 mil civis. O mais rudimentar cálculo faria ver que, por força do bombardeiro às tontas, seria mister massacrar 270 civis para dar cabo de um revoltoso&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Monteiro Lobato (1882 &#8211; 1948), trecho de<em> O bombardeio de São Paulo</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12729" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12729/002006PG001014.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="701" height="450" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12729" target="_blank">Gustavo Prugner. Efeitos da Revolução de 1924 – Efeito de uma bomba jogada de um aeroplano, julho de 1924. São Paulo, SP / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As fotos de Prugner mostravam trincheiras improvisadas, prédios arruinados, ruas, fachadas de casas, animais mortos e incêndios. Os bairros mais atingidos foram Belenzinho, Brás, Cambuci, Centro, Ipiranga, Mooca e Vila Mariana. Os registros de Prugner, focados nos efeitos da revolta no cotidiano dos moradores dos bairros mais afetados pela guerra, tiveram grande sucesso comercial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12726" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12726/002006PG001011.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="452" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12726" target="_blank">Gustavo Prugner. Efeitos da Revolução de 1924 – Cavalo, vítima de um estilhaço de granada, julho de 1924. São Paulo, SP / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Faleceu, em 4 de dezembro de 1931, em São Paulo.  Seus filhos com Lina Hagemann (1889 – 1981), com quem foi casado, Edgar (1911 – 1984) e Mário (1912 &#8211; 1993), continuaram a editar cartões-postais até 1936, quando passaram a trabalhar em tempo integral na primeira fábrica de papel fotográfico da América Latina, a Fábrica Privilegiada de Papéis Fotográficos Wessel, criada, em 1921, e que utilizava tecnologia e patente próprias, cujo proprietário era o já mencionado pioneiro Conrado Wessel (1891 &#8211; 1993).<strong> </strong>Prugner foi casado com Lina Hagemann (1889 &#8211; 1981).</p>
<p>Acesse aqui a <span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=36167" target="_blank"><em>Cronologia de Gustavo Prugner (1884 &#8211; 1931).</em></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Brevíssimo resumo da Revolta Paulista de 1924</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Revolta Paulista de 1924 foi motivada pelo descontentamento dos militares com a crise econômica e a concentração de poder nas mãos de políticos de Minas Gerais e de São Paulo. Os rebeldes, sob a liderança do general Isidoro Dias Lopes (1865 &#8211; 1949), pretendiam derrubar o governo de Artur Bernardes (1875 &#8211; 1955), instituir o voto secreto, fazer mudanças no ensino público e realizar reformas sociais. A rebelião eclodiu, em 5 de julho de 1924, justamente dois anos após a primeira revolta tenentista, a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27715" target="_blank">Revolta do Forte de Copacabana</a>, ocorrida no Rio de Janeiro.</p>
<p>Os 23 dias da Revolta Paulista de 1924, que contou com a participação de vários tenentes, dentre eles Juarez Távora (1898 &#8211; 1975) e Eduardo Gomes (1896 &#8211; 1981), tiveram como saldo 503 mortos e cerca de 5 mil feridos. O número de desabrigados passou de 20 mil e, aproximadamente, dois mil edifícios foram destruídos. Os rebeldes, derrotados pelas tropas legalistas do governo federal, fugiram de São Paulo e foram para Santa Catarina e para o Paraná. Os tenentistas juntaram-se à Coluna Prestes, sob a liderança de Luís Carlos Prestes (1898 &#8211; 1990), e começaram a marcha que seguiu pelo interior do Brasil propondo reformas e atacando a República Velha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 361px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiab/revolta-paulista-1924.htm" target="_blank"><img src="https://s2.static.brasilescola.uol.com.br/be/2021/09/isidoro-dias-lopes.jpg" alt="Retrato de Isidoro Dias Lopes, líder da Revolta Paulista de 1924" width="351" height="599" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiab/revolta-paulista-1924.htm" target="_blank">Isidoro Dias Lopes</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Veja outras fotos da Revolta de 1924, em São Paulo, publicadas da página 15 a 22 da <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/025909_02/7545" target="_blank"><em>Revista da Semana</em> de 9 de agosto de 1924</a> e da página 19 a 27 da <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/025909_02/7592" target="_blank"><em>Revista da Semana</em> de 16 de agosto de 1924 </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>Esse artigo passou a integrar a série <em>Conflitos</em>, em 20 de março de 2026.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://blog.bbm.usp.br/2018/sao-paulo-1925-1928-roteiro-fotografico-pelo-centro-da-cidade/" target="_blank">Blog da BBM</a></p>
<p>GERODETTI, João Emílio; CORNEJO, Carlos. <em>Lembranças de São Paulo: a capital paulista nos cartões postais e nos álbuns de lembranças</em>. São Paulo : Estúdios Flash Produções Gráficas, 1999.</p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Luzes e sobras da metrópole: um século de fotografia em São Paulo (1850 &#8211; 1950)</em> in PORTA, Paula (org) História da Cidade de São Paulo: A cidade no Império. São Paulo : Paz e Terra, 2004.</p>
<p>LEMOS, Eric Danzil. <a href="https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-16082016-105107/publico/2016_EricDanziLemos_VCorr.pdf" target="_blank"><em>Fotografia profissional, arquivo e circulação: a produção de Theodor Preising em São Paulo (1920 &#8211; 1940)</em></a>. Universidade de São Paulo, 2016.</p>
<p>LOBATO, Monteiro. <em>O bombardeio de São Paulo</em>. <em>Obras Completas, vol. 6.</em> São Paulo : Editora Brasiliense, 1946.</p>
<p><em>O</em> <em>Estado de São Paulo</em></p>
<p>Schiavinatto, Iara. <em>Séries Fotográficas narram um evento: 1924/São Paulo</em>. <em>Revista Stadium</em>, número 8, 2002.</p>
<p><a href="%20https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa201693/g-prugner" target="_blank">Site Enciclopédia Itaú Cultural </a></p>
<p><a href="https://ancestors.familysearch.org/en/L5Z1-W1Z/mario-prugner-1912-1993" target="_blank">Site Family Search</a></p>
<p><a href="https://ims.com.br/exposicao/conflitos-ims-rio/" target="_blank">Site IMS</a></p>
<p><a href="https://www.itu.com.br/artigo/imagens-de-uma-revolucao-20100202" target="_blank">Site Itú</a></p>
<p>WANDERLEY, Andrea C. T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27299http://" target="_blank"><em>Aspectos de Poços de Caldas impressos no papel fotográfico fabricado pelo pioneiro Conrado Wessel (1891 – 1993)</em></a> in Brasiliana Fotográfica, 7 de abril de 2022</p>
<p>ZERWES, Erica. <em>Suvenires da destruição: a Revolução de 1924 por Barros Lobo e Gustavo Prugner</em> in<em> Conflitos: fotografia e violência política no Brasil, 1889 -1964</em>. Rio de Janeiro : Instituto Moreira Salles, 2017.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Uma das últimas fotos ou a última foto da Família Imperial no Brasil e seu autor, Otto Hees (1870 &#8211; 1941)</title>
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		<pubDate>Thu, 23 May 2024 13:11:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Conde d´Eu]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Pedro II]]></category>
		<category><![CDATA[Dona Teresa Cristina Maria]]></category>
		<category><![CDATA[exílio]]></category>
		<category><![CDATA[Família Imperial]]></category>
		<category><![CDATA[Família Real]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[história do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Imperatriz Teresa Cristina Maria]]></category>
		<category><![CDATA[netos]]></category>
		<category><![CDATA[Otto Hees]]></category>
		<category><![CDATA[perfil]]></category>
		<category><![CDATA[Princesa Isabel]]></category>
		<category><![CDATA[Proclamação da República]]></category>

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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica destaca uma fotografia de autoria de Otto Rees (1870-1941), considerada um dos últimos registros da Família Imperial no Brasil, produzida em 23 de maio de 1889, pelo fotógrafo Otto Hees (1870 - 1941), no Palácio Isabel, atual Grão-Pará, em Petrópolis. Pertence ao acervo do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras do portal. Estão na imagem dom Pedro II, dona Teresa Cristina, a princesa Isabel, o Conde d’Eu e os filhos do casal - dom Pedro de Alcântara, com dom Luís e dom Antônio - e o filho da princesa Leopoldina, dom Pedro Augusto. No mesmo ano, 1889, em 15 de novembro foi proclamada a República e, dois dias depois, a Família Imperial, partiu para o exílio na Europa. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica destaca uma fotografia de autoria de Otto Rees (<bdo dir="ltr">1870-1941)</bdo>, considerada um dos últimos registros ou mesmo o último da Família Imperial no Brasil, produzida em 23 de maio de 1889, pelo fotógrafo Otto Hees (1870 -1941), no Palácio Isabel, atual Grão-Pará, em Petrópolis. Estão na imagem <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">dom Pedro II (1825 &#8211; 1891),</a>  dona <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6798" target="_blank">Teresa Cristina (1822 – 1889)</a>, a<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1797" target="_blank"> princesa Isabel (1846 &#8211; 1921)</a>, o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11397" target="_blank">conde d’Eu (1842 &#8211; 1922)</a> e os filhos do casal &#8211; dom Pedro de Alcântara, com dom Luís e dom Antônio &#8211; e o filho da princesa Leopoldina, dom Pedro Augusto. É um retrato externo e diurno, onde todos, à exceção do conde d´Eu, olham fixamente para a câmera.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 519px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12495" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12495/IM45_1.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="509" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12495" target="_blank">Otto Rees. Família Imperial, 25 de maio de 1889. Da esquerda para a direita: a imperatriz dona Teresa Cristina, dom Antônio, a princesa Isabel, o imperador, dom Pedro Augusto (filho da irmã da princesa Isabel, dona Leopoldina, duquesa de Saxe), d. Luís, o conde d’Eu e dom Pedro de Alcântara. Palácio Isabel, atual Grão-Pará, Petrópolis, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 15 de novembro do mesmo ano da foto destacada, 1889, foi proclamada a República e, dois dias depois, eles partiram para o exílio, na Europa, a bordo do Alagoas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_02&amp;PagFis=16536"><em>Gazeta de Notícias</em>, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna</a>). Quando foi deposto, dom Pedro II tinha governado por 49 anos, três meses e 22 dias. Chegaram em Lisboa em 7 de dezembro. Visitaram Coimbra e o Porto, onde a imperatriz Teresa Cristina faleceu, em 28 de dezembro.</p>
<p>Entre 1890 e 1891, Pedro II viveu entre Cannes, Vichy, Versalhes e Baden-Baden. Em 24 de outubro de 1891, chegou em Paris, onde se hospedou no Hotel Bedford, número 17 da rua de l’Arcade. Em 5 de dezembro, faleceu de pneumonia (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_02&amp;PagFis=4338"><em>O Paiz</em>, de 6 de dezembro de 1891,</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=4721"><em>Gazeta de</em> <em>Notícias</em>, de 6 de dezembro de 1891</a>). Ao final da tarde do dia 5, centenas de coroas de flores, uma delas enviada pela rainha Vitória , e mais de cinco mil telegramas já haviam chegado ao Hotel Bedford. O caixão foi coberto pela bandeira imperial e o presidente francês, Sadi Carnot (1837 – 1894), determinou honras militares, fatos que irritaram o governo brasileiro.</p>
<p>Segundo o historiador José Murilo de Carvalho, a morte do imperador teve grande repercussão no Brasil “<em>apesar dos esforços do governo para a abafar. Houve manifestações de pesar em todo o país: comércio fechado, bandeiras a meio pau, toques de finados, tarjas pretas nas roupas, ofícios religiosos</em>“.</p>
<p>Na noite do dia 8, seu corpo, já embalsamado, foi levado, em cortejo oficial no mesmo carro usado nos funerais do ex-presidente Adolphe Thiers (1797 – 1877), para a igreja da Madeleine. No dia seguinte,  houve exéquias solenes com a presença de autoridades francesas e de outros países, além de personalidades como sua filha, a princesa Isabel; o escritor português Eça de Queirós (1845 – 1900) e o diplomata Joaquim Nabuco (1849 – 1910).</p>
<p>Em 1921, chegaram no Rio de Janeiro os corpos de dom Pedro II e de dona Teresa Cristina, que estavam no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. Viajaram no <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6123" target="_blank">encouraçado São Paulo</a>, que havia transportado do Brasil à Europa os <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5950" target="_blank">reis da Bélgica</a>. O <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11397" target="_blank">conde d´Eu (1842 – 1922)</a>, seu filho, o príncipe Dom Pedro (1875 – 1940), e o barão de Muritiba (1839 – 1922) acompanharam a viagem dos despojos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_05&amp;PagFis=4523"><em>O Paiz</em>, de 9 de janeiro de 1921</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/083712/24957" target="_blank"><em>Careta</em>, 15 de janeiro de 1921</a>). A princesa Isabel não chegou a se beneficiar da revogação do banimento da família real do Brasil porque faleceu em 14 de novembro de 1921. Os corpos de dom Pedro II e de dona Teresa Cristina ficaram na Catedral Metropolitana. Em 1925, os  restos mortais dos monarcas foram para a Catedral de Petrópolis e, finalmente, em 5 de dezembro de 1939, foram para o Mausoléu Imperial, uma capela localizada à direita da entrada da Catedral de Petrópolis, numa cerimônia na qual estava presente o então presidente da República, Getulio Vargas (1882 – 1954). O túmulo foi esculpido em mármore de Carrara pelo francês Jean Magrou (1869 – 1945) e pelo brasileiro Hildegardo Leão Veloso (1899 – 1966) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_05&amp;PagFis=97679"><em>Jornal do Brasil</em>, de 6 de dezembro de 1939</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #990000;">Pequeno perfil do fotógrafo Otto Hees (1870 &#8211; 1941)</span></strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Otto Friedrich Wilhelm Karl Hees era um dos 11 filhos do fotógrafo alemão <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32074" target="_blank">Pedro Hees (1841 – 1880)</a> com Maria Glasow Hees (1843 – 1928). Seus irmão eram Ana Catarina Hees (<bdo dir="ltr">1861-1944), </bdo>Edmundo Frederico Nicolau Hees (<bdo dir="ltr">1862-1944), </bdo>Fernando Jacob Hees (<bdo dir="ltr">1865-1866), </bdo>Fernando Mauricio Hees (<bdo dir="ltr">1867-1893), </bdo>João Batista Hees (<bdo dir="ltr">1868-1876), </bdo>Elisa Matilde Hees (<bdo dir="ltr">1872-1932), </bdo>Maria Olga Hees (<bdo dir="ltr">1872-1958),</bdo> Joana Teresa Hees (<bdo dir="ltr">1874-1900),</bdo> Numa Augusto Hees (<bdo dir="ltr">1877-1961) e</bdo> Isabel Emma Hees (<bdo dir="ltr">1878-1943). Nasceu em Petrópolis, em 4 de setembro de 1870.</bdo></p>
<p>Seu pai, o já mencionado Pedro Hees, em 16 de agosto de 1876, tornou-se Fotógrafo da Casa Imperial. Segundo Boris Kossoy, <em>recebeu do conde e da condessa d´Eu &#8220;a graça de usar o título de Photographo de sua Imperial Caza e de collocar na porta do seu estabelecimemnto as respectivas armas&#8221;</em>. O documento foi assinado por Benedicto Torres, mordomo do conde d&#8217;Eu e da princesa Isabel.</p>
<p>Otto iniciou seus estudos no Colégio Alemão, em Petrópolis, e, em dezembro de 1882, foi premiado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/376493/2386" target="_blank"><em>O Mercantil</em>, 20 de dezembro de 1882, quarta coluna)</a>. Aprendeu fotografia com seu pai, que faleceu, em julho de 1880,  quando ele tinha apenas 10 anos. O estabelecimento fotográfico de Pedro Hees foi arrendado ao fotógrafo Antonio Henrique da Silva Heitor (18?-?), que recebeu o título de Fotógrafo da Casa Imperial, em 2 de março de 1885, outorgado por dom Pedro II.</p>
<p>Em março de 1888, Otto já havia assumido o estúdio (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/809403/498" target="_blank"><em>Alggemeine Deutsche Zeitung</em>, 31 de março de 1888, última coluna</a>).</p>
<p>Em 23 maio de 1889, produziu a fotografia da Família Imperial em destaque nesta publicação da Brasiliana Fotográfica. A imagem foi reproduzida no artigo <em>Isabel, a Redentora</em>, publicado em <a href="http://memoria.bn.br/docreader/120588/31901" target="_blank"><em>A Noite</em>, de 30 de julho de 1946</a>. É referida como <em>o último flagrante de parte da família Imperial no Brasil.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/120588/31901" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-35082" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/01/hees.jpg" alt="hees" width="312" height="138" /></a></p>
<div id="attachment_35083" style="width: 598px" class="wp-caption aligncenter"><img class="size-full wp-image-35083" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/01/hees1.jpg" alt="A Noite, 30 de julho de 1946" width="588" height="533" /><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/120588/31901" target="_blank"><em>A Noite</em>, 30 de julho de 1946</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em outubro de 1889, Otto abriu um estúdio em Juiz de Fora, Minas Gerais, e retornou a Petrópolis no mês seguinte (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/376493/5113" target="_blank"><em>O Mercantil</em>, 20 de novembro de 1889, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35096" style="width: 406px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/258822/6109" target="_blank"><img class="size-full wp-image-35096" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/01/hees4.jpg" alt="O Pharol, 13 de outubro de 1889" width="396" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/258822/6109" target="_blank"><em>O Pharol</em>, 13 de outubro de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35094" style="width: 256px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/376493/5113" target="_blank"><img class="size-full wp-image-35094" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/01/hees21.jpg" alt="Mercantil, 20 de novembro de 1889" width="246" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/376493/5113" target="_blank"><em>Mercantil,</em> 20 de novembro de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1º de fevereiro de 1890, o estabelecimento passou a chamar-se Hees &amp; Irmãos, de Numa Augusto e Otto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_35095" style="width: 239px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/376493/5200" target="_blank"><img class="wp-image-35095 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/01/hees3.jpg" alt="hees3" width="229" height="175" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/376493/5200" target="_blank"><em>Mercantil</em>, 5 de fevereiro de 1890</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1892, alistou-se no exército, seguindo também a carreira militar.</p>
<p>Em abril de 1895, fazia parte da administração do Asilo de Caridade de Petrópolis (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709441/8379" target="_blank"><em>Boletim do Grande Oriente do Brasil,</em> Jornal Oficial da Maçonaria, abril de 1895</a>).</p>
<p>Em maio de 1895, tornou-se um dos primeiros ciclistas a efetuar o trajeto Petrópolis-Juiz de Fora. Foi um dos fundadores do Clube Alemão e, ainda nessa década ficou conhecido em Petrópolis por ter organizados muitas festas. Em 1900, foi candidato a vereador geral e a juiz de paz em Petrópolis, cargo pelo qual foi empossado, em 1901, pelo biênio seguinte. Também em 1901, quando era tenente, produziu fotografias de ladrões para arquivamento da polícia.</p>
<p>Em 1902, trabalhou na Sul América Seguros e, no ano seguinte, fotografou o barão do Rio Branco (1845 &#8211; 1912) e outras personalidades, em 17 de novembro de 1903, logo após a assinatura do Tratado de Petrópolis, que incorporou o território correspondente ao Acre ao Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="%20http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/6983" target="_blank"> </a><a href=" http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/6983" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-36452" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/05/tratatohees.jpg" alt="tratatohees" width="535" height="491" /></a></p>
<div id="attachment_36453" style="width: 551px" class="wp-caption aligncenter"><a href=" http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/6983" target="_blank"><img class="wp-image-36453 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/05/tratatohees1.jpg" alt="tratatohees1" width="541" height="506" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="%20http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/6983" target="_blank">Grupo de negociadores do Tratado de Petrópolis, 17 de novembro de 1903. Petrópolis, RJ / Acervo Museu Imperial</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi reeleito para o cargo de juiz de paz para o biênio 1904-1905. Em 1910, foi eleito vereador por Petrópolis. Já era major. <em>Nas décadas seguintes, afastado comercialmente da fotografia, exerce os cargos de secretário executivo e delegado de polícia na sua cidade natal</em> (<em>Enciclopédia Itaú Cultural</em>)<em>.</em> Faleceu na mesma cidade, em setembro de 1941 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_06/12543" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 17 de setembro de 1941, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=36470" target="_blank">Leia aqui a Cronologia de Otto Hees (1870 &#8211; 1941)</a></p>
<p><b><span style="color: #990000;">Fontes:</span></b></p>
<p>FERREZ, Gilberto. <em>A fotografia no Brasil:</em> 1840- 1900. Prefácio Pedro Karp Vasquez. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1985.</p>
<p>FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J. <em>Pioneer photographers of Brazil : 1840 – 1920</em>. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976.</p>
<p><a href="https://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KOSSOY, Boris. <i>Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910)</i>. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.</p>
<p>LAGO, Bia Corrêa do. <i>Os fotógrafos do Império: a fotografia brasileira no Século XIX</i>. Rio de Janeiro: Capivara, 2005.</p>
<p>LAGO, Bia Corrêa do; LAGO, Pedro Corrêa do. <em>Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX</em>. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.</p>
<p>TURAZZI, Maria Inez. <em>Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889</em>. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&amp;b. (Coleção Luz &amp; Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.</p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>Dom Pedro II e a fotografia no Brasil</em>. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.</p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>Fotógrafos Alemães no Brasil do Século XIX</em>. São Paulo: Metalivros, 2000.</p>
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		<title>Série &#8220;Exposições&#8221; XI &#8211; Três álbuns fotográficos da Exposição Nacional de 1908 no Museu Histórico Nacional: Boscagli, Malta e Musso</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Aug 2023 14:03:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[Cronologia]]></category>
		<category><![CDATA[Curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[álbum]]></category>
		<category><![CDATA[álbum fotográfico]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Malta]]></category>
		<category><![CDATA[eletricidade]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição Nacional de 1908]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Pereira Passos]]></category>
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		<category><![CDATA[José Boscagli]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Musso]]></category>
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		<category><![CDATA[Série "Exposições"]]></category>

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		<description><![CDATA[No mês em que a Exposição Nacional de 1908 completa 115 anos - foi inaugurada em 11 de agosto e encerrada em 15 de novembro de 1908 -, a Brasiliana Fotográfica publica o artigo "A Exposição Nacional de 1908 no Museu Histórico Nacional", de autoria da historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi, do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras do portal, com três álbuns fotográficos produzidos na ocasião pelos fotógrafos Augusto Malta, José Boscagli e Luis Musso. O de Malta parece ter sido realizado especialmente para presentear o seu amigo, o ministro Miguel de Calmon; o de Boscagli retratou a mostra do Rio Grande do Sul; e tudo indica que o produzido por Musso tenha sido encomendado pelo governo federal para o registro oficial do evento.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No mês em que a Exposição Nacional de 1908 completa 115 anos &#8211; foi inaugurada em 11 de agosto e encerrada em 15 de novembro de 1908 -, a Brasiliana Fotográfica publica o artigo <em>A Exposição Nacional de 1908 no Museu Histórico Nacional</em>, de autoria da historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi, do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras do portal, com três álbuns fotográficos produzidos na ocasião pelos fotógrafos Augusto Malta (1864 &#8211; 1957), José Boscagli (1862 &#8211; 1945) e Luis Musso (18? &#8211; 19?). Cada álbum tem sua característica: o de Malta parece ter sido realizado especialmente para presentear o seu amigo, o ministro Miguel de Calmon; o de Boscagli retratou a mostra do Rio Grande do Sul; e, finalmente, tudo indica que o produzido por Musso tenha sido encomendado pelo governo federal para o registro oficial do evento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/367" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acessando o link para as fotografias do álbum de autoria de Augusto Malta sobre a Exposição Nacional de 1908 pertencentes ao Museu Histórico Nacional disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.</strong></span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11959" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11959/45746.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="551" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11959" target="_blank">Augusto Malta. Visitantes da Exposição Nacional de 1908, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/363" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias do álbum de autoria de José Boscagli sobre a Exposição Nacional de 1908 pertencentes ao Museu Histórico Nacional disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.</strong></a></p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11785" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11785/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="467" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11785" target="_blank">José Boscagli. Retratos de cidades e personalidades gaúchas, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/364" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acessando o link para as fotografias do álbum de autoria de Luis Musso sobre a Exposição Nacional de 1908 pertencentes ao Museu Histórico Nacional disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.</strong></span></a></p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11851" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11851/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="549" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11851" target="_blank">Musso &amp; Cia. Exposição do Jardim Botânico, Inspetoria de Matas e Jardins, Caça e Pesca, Pavilhão da Fábrica de Bangu, Pavilhão das Indústrias, Pavilhão do Distrito Federal, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>A Exposição Nacional de 1908 no Museu Histórico Nacional</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">Maria Isabel Ribeiro Lenzi*</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11901" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11901/MCab6.6.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="536" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11901" target="_blank">Augusto Malta. Entrada da Exposição Nacional de 1908, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p>Era 1907. O Rio de Janeiro, então Distrito Federal, acabara de ser remodelado ao gosto das nações ditas civilizadas, pelo governo de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18866" target="_blank">Rodrigues Alves</a> com a participação do prefeito <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7566" target="_blank">Pereira Passos</a> e do sanitarista <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10762" target="_blank">Oswaldo Cruz</a>. No ano seguinte, faria 100 anos que o Brasil abrira seus portos às nações amigas. Foi esse o mote para que fosse organizada a Exposição Nacional de 1908, oportunidade de o país exibir sua produção a si próprio.  A ideia havia sido lançada pela Associação Comercial, apoiada pela imprensa e acatada pelo Congresso Nacional, que votou em 1907 orçamento para promover, no ano seguinte, o evento destinado a ser um panorama da agricultura, da indústria, da pecuária e das artes liberais desenvolvidas no país.</p>
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<div id="attachment_33285" style="width: 351px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/7893" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33285" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/exposição19081.jpg" alt="Revista da Semana, 16 de agosto de 1908" width="341" height="496" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/7893" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 16 de agosto de 1908</a></p></div>
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<p>Depois de muito debate, foi escolhida a várzea entre as praias da Saudade e Vermelha, no vale formado entre os morros da Urca, Pão de Açúcar e Babilônia, para a construção do que viria a ser a Exposição Nacional de 1908.  O país promovera anteriormente exposições nacionais, mas aquela foi a primeira em que foram construídos pavilhões especialmente para a ocasião. O lugar escolhido, além de apresentar uma bonita paisagem, tinha a vantagem de já abrigar dois edifícios públicos &#8211; a antiga Escola Militar e a fundação do prédio para a Universidade do Brasil &#8211; que poderiam ser aproveitados depois de reforma.  O presidente da República era Afonso Penna. Seu Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, Miguel Calmon Du Pin e Almeida, nomeou o engenheiro José Mattoso Sampaio Corrêa para chefiar a comissão construtora que estaria encarregada de produzir uma “pequenina cidade de palacetes no areal da Urca”,<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> onde se faria um inventário do Brasil com função pedagógica, para que os próprios brasileiros conhecessem o país. O cronista <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=23302" target="_blank">João do Rio</a> fala sobre isso:</p>
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<p><span style="color: #800000;"><em>A exposição vai abrir-se. É a grande mostra do Brasil. Cada estado expõe suas riquezas&#8230; e os tentamens da sua indústria o estrangeiro admirará, aproveitará&#8230; o brasileiro descobrirá. Estou a ver o pasmo&#8230; dos cariocas diante do ouro, das pedras, das madeiras, dos tecidos e dos aproveitamentos da natureza assombrosa pelo homem vagaroso. Isso é Paraná?&#8230; Isso é Amazonas? Ora, diga-me, onde fica o Mato Grosso? Quando o brasileiro descobrirá o Brasil?</em></span><a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a></p>
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<p>A exposição, inaugurada no dia 11 de agosto, ficou aberta até 15 de novembro de 1908. De janeiro a junho, a área que hoje corresponde à Praia Vermelha e parte da Av. Pasteur era um canteiro de obras com muitos operários que fizeram surgir aqueles palácios em arquitetura efêmera que logo desapareceriam da vida carioca. Era como um sonho aquela cidadela iluminada pela luz elétrica, mas, como nos sonhos, uma alegria fugaz.</p>
<p>O edifício da Universidade do Brasil foi adaptado para abrigar o Palácio dos Estados e a Escola Militar, depois da reforma, se transformou no Palácio das Indústrias, com um grande chafariz em sua fachada – o Chateau d’Eau.  Quatro estados e o Distrito Federal construíram seus próprios pavilhões. Os de Minas Gerais, de São Paulo, da Bahia e do Distrito Federal, opulentos, simbolizando o poder de suas elites, contrastavam com a simplicidade do Pavilhão de Santa Catariana, que apresentou aos visitantes uma casa de colono feita de madeira e em seu interior, 150 tábuas de diferentes espécies de árvores catarinenses.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11845" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11845/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="554" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11845" target="_blank">Musso &amp; Cia. Pavilhão de Minas Gerais, Pavilhão da Bahia, Pavilhão de São Paulo, Pavilhão das Indústrias, Morro da Urca, Morro da Babilônia, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p>As demais unidades da federação ocuparam o Palácio dos Estados com seus produtos.  Portugal foi o único país estrangeiro a participar do certame com um pavilhão em estilo manuelino oferecido pelo governo brasileiro àquele país. Porém, os produtos portugueses excederam aquele espaço e Portugal construiu, então, um anexo a seu pavilhão onde foram expostas telas e esculturas de seus artistas.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11874" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11874/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="526" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11874" target="_blank">Musso &amp; Cia. Pavilhão de Portugal, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<div id="attachment_33287" style="width: 407px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/146420/2992" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33287" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/exposição19082.jpg" alt="Revista Kosmos, julho de 1908" width="397" height="504" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/146420/2992" target="_blank"><em>Revista Kosmos</em>, julho de 1908</a></p></div>
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<p>Algumas instituições também se fizeram representar, como a Fábrica de Tecidos Bangu, com seu pavilhão, à época descrito como “uma pequena mesquita mourisca”; a Sociedade Nacional de Agricultura com pavilhão em estilo renascença; a Fábrica de Chocolate Bhering, com o Pavilhão Café e Cacau. O Jardim Botânico participou com uma estufa envidraçada onde o público podia admirar várias espécies de plantas e ao seu redor, muitas mudas que, provavelmente, o público poderia adquirir.</p>
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<div style="width: 608px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11866" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11866/45811.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="598" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11866" target="_blank">Musso &amp; Cia. Pavilhão da Fábrica Bangu, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p>Os divertimentos não faltavam na exposição. Para quem gostava da arte dramática, havia dois teatros. O Teatro João Caetano, grande, inspirado no Teatro Municipal que estava prestes a ser inaugurado, era dirigido por Artur Azevedo. Havia também, por iniciativa do empresário Paschoal Segreto, um pequeno teatro de variedades, um cinematógrafo e uma pista de patinação. Pinturas, esculturas, desenhos de artistas nacionais foram expostos no Pavilhão das Artes Liberais.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11960" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11960/45747.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="567" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11960" target="_blank">Augusto Malta. Theatro João Caetano, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p>Os amantes da música podiam assistir a concertos no Pavilhão Egípcio &#8211; nome este devido à estética egípcia daquele espaço dedicado às apresentações das orquestras. E para abrigar as bandas militares e civis, diversos coretos foram distribuídos pela exposição.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11872" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11872/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="567" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11872" target="_blank">Musso &amp; Cia. Pavilhão Egípcio, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p>Os visitantes entravam na Exposição pela Porta Monumental.  Muito deles vindos de barca que saía do Cais Pharoux para o ancoradouro construído especialmente para recebê-los. Alguns serviços eram oferecidos nos pavilhões dos Correios e Telégrafo, da Assistência Municipal, da Imprensa e dos Bombeiros. O visitante também contava com opções entre quiosques de cerveja e de refrescos, além de cafés e restaurantes.</p>
<p>No Pavilhão da Imprensa, Olavo Bilac editava o <em>Jornal da Exposição</em>, onde se encontrava a programação e as notícias do evento. Em suas crônicas, Bilac fazia críticas e elogios à exposição. Ele lembra em um de seus textos que sem a “fada de eletricidade”, as noites não seriam tão espetaculares!</p>
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<div style="width: 634px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11844" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11844/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="624" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11844" target="_blank">Musso &amp; Cia. Jornal da Exposição, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p>Muitos fotógrafos registraram esse evento do início do século XX. Certamente, diversos visitantes levavam sua Kodak na bolsa, mas foi o trabalho de profissionais que chegou até os nossos dias, nos dando uma ideia do que foi a comemoração do centenário da abertura dos portos brasileiros às nações amigas.</p>
<p>Na coleção Miguel Calmon do Museu Histórico Nacional, existem três álbuns da Exposição Nacional de 1908.  Um deles é do fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta</a>, que parece feito especialmente para presentear o ministro Miguel de Calmon. Nele, temos acesso à imagem da área antes da construção dos pavilhões, mas a maioria das fotografias nos mostra a exposição em seu auge, com muita gente perambulando entre os edifícios. É visível o caráter único deste álbum, pois Augusto Malta recortou algumas fotografias em formas inusuais, muitas vezes privilegiando retratar o ministro Calmon e o presidente Afonso Pena.  Destacamos o balão que Augusto Malta clica com sua lente na hora em que ele é lançado do Pavilhão de São Paulo, bem como as fotografias noturnas nas quais a luz elétrica protagoniza as imagens&#8230;</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11898" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11898/MCab6.3.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="566" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11898" target="_blank">Augusto Malta. Vista geral da Exposição Nacional de 1908, 1908. Rio de Jsnrio, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p>O álbum de Luis Musso nos parece um trabalho encomendado pelo governo federal para o registro oficial do evento. As fotografias são todas da mesma dimensão e com muito poucas pessoas no entorno. São retratos dos prédios, como se o fotógrafo quisesse catalogar a arquitetura do evento. A capa traz o brasão da República, o que nos sugere seu caráter oficial.</p>
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<div style="width: 602px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11852" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11852/MCab7_0000001%20Capa.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="592" height="702" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11852" target="_blank">Musso &amp; Cia. Exposição Nacional de 1908, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<div id="attachment_33288" style="width: 404px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/146420/2993" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33288" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/exposição19083.jpg" alt="Revista Kosmos, julho de 1908" width="394" height="511" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/146420/2993" target="_blank"><em>Revista Kosmos,</em> julho de 1908</a></p></div>
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<p>Por fim, temos um álbum produzido pelo governo do Rio Grande do Sul, onde é possível ver os produtos exibidos por este estado.  A maioria absoluta das fotografias é de autoria de José Boscagli (com exceção da primeira foto, que é de Augusto Malta e apresenta o Palácio dos Estados, onde o Rio Grande do Sul expunha seus produtos). A importância deste álbum está na possibilidade dele nos oferecer uma ideia de como eram expostos os produtos na mostra.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11793" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11793/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11793" target="_blank">José Boscagli. Mostra da indústria agropecuária gaúcha. Destaca-se a indústria vinícola, de grãos e de conserva, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11796" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11796/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11796" target="_blank">José Boscagli. Mostra da indústria de chapéus do Rio Grande do Sul. Destaque para a F. Rheingantz &amp; Cia, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p>Cabe lembrar ainda fato curioso ocorrido na exposição, embora não registrado por nenhum fotógrafo: a visita da banda de música dos indígenas Bororo. Eles lá estiveram, tocaram no Pavilhão de São Paulo e no Teatro João Caetano. Mas não chegou até nós nenhuma imagem deles no evento. Quem quiser saber mais sobre o assunto, veja a postagem da Brasiliana Fotográfica: <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13474"><em>Novos acervos: Museu Histórico Nacional</em> </a>.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6165" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6165/MCab10_28.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="482" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6165" target="_blank">A banda de música. No fundo à direita avista-se a estação Meteorológica, 1908. Mato Grosso / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
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<p>*Maria Isabel Ribeiro Lenzi é Doutora em História pela UFF e historiadora do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional (IBRAM/MTur)</p>
<p><strong>Nota da editora</strong>: esse artigo passou a integrar uma série e mudou de título em 1º de dezembro de 2025.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>Levy, Ruth. <em>Entre Palácios e Pavilhões.</em> <em>A arquitetura efêmera da Exposição Nacional de 1908</em>. Rio de Janeiro: EBA Publicações, 2008.</p>
<p>Neves, Margarida de Souza. <em>As vitrines do progresso.</em> Rio de Janeiro: PUC-RIo, FINEP, PNPq, 1986</p>
<p>Pereira, Margareth da Silva. <em>A Exposição Nacional de 1908 ou O Brasil visto por dentro.</em> In: Pereira, Margareth da Silva (org). <em>1908, um Brasil em exposição.</em> São Paulo: Caixa Cultural, 2011</p>
<p>Mariani, Luiza Helena. <em>Bilac, João do Rio e a Exposição Nacional de 1908.</em> In: Pereira, Margareth da Silva (org). <em>1908, um Brasil em exposição.</em> São Paulo: Caixa Cultural, 2011</p>
<p><em>Revista Kosmos</em>. Ano V, julho de 1908, nº 7</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> <em>Revista Kosmos</em>, ano  V, nº7, julho de 1908, p.1</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Apud:  Levy  Ruth, <em>Palácios e Pavilhões. A arquitetura efêmera da Exposição Nacional de  1908</em>. p.73</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Nota da editora:</strong></span></p>
<p>Uma curiosidade: foi durante a Exposição Nacional de 1908 que o engenheiro fluminense Augusto Ferreira Ramos (1860 &#8211; 1939), um dos coordenadores do Pavilhão de São Paulo, teve a ideia de construir o Bondinho do Pão de Açúcar. Para saber mais sobre essa história, acesse o artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27413" target="_blank"><em>A construção do Bondinho do Pão de Açúcar sob as lentes de Theresio Mascarenhas</em></a>, de minha autoria, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 27 de outubro de 2022.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Links para os artigos sobre exposições nacionais ou internacionais publicados na Brasiliana Fotográfica</strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=9392" target="_blank"><em>O pintor Victor Meirelles e a fotografia na II Exposição Nacional de 1866</em>, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 17 de agosto de 2017.</a>Motr</span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11486" target="_blank"><em>A festa do progresso: o Brasil na Exposição Continental, Buenos Aires, 1882, </em>de autoria de Maria do Carmo Rainho, Arquivo Nacional, publicado em 29 de março de 2018.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11621" target="_blank"><em>Série “O Rio de Janeiro desaparecido” II</em> – <em>A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, </em>de autoria de<em> </em>Carla Costa, Museu da República, publicado em 5 de abril de 2018.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11896" target="_blank"><em>Marc Ferrez, a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882)</em>, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, publicado em 29 de junho de 2018.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12604" target="_blank"><em>Paris, 1889: o álbum da exposição universal, </em>de autoria de Claudia B. Heynemann, Arquivo Nacional,publicado em 27 de julho de 2018.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17283" target="_blank"><em>Café Brasil: o Império na Exposição Internacional de Filadélfia<strong>, </strong></em>de autoria de<em><strong> </strong></em>Claudia B. Heynemann, Arquivo Nacional, publicada em 4 de dezembro de 2019.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18530" target="_blank"><em>Festa das Artes e da Indústria </em><em>Segunda Exposição Nacional, 1866,</em> de autoria de Claudia Beatriz Heynemann e Maria Elizabeth Brêa Monteiro, Arquivo Nacional, em 5 de abril de 2020.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=18805" target="_blank"><em>A apresentação do Departamento Nacional de Saúde Pública na Exposição Internacional do Centenário da Independência</em>, de </a><a style="color: #800000;" href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=18805" target="_blank">Ricardo Augusto dos Santos, Fiocruz</a><a style="color: #800000;" href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=18805" target="_blank">, publicado em 13 de abril de 2020.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26300" target="_blank"><em>A Exposição Internacional de Higiene de Dresden</em>, de Cristiane d´Avila, Fiocruz, publicado em 5 de janeiro de 2022.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17940" target="_blank">Série <em>1922 – Hoje, há 100 anos VIII</em> – A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 7 de setembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></span></p>
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