 

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Rui Barbosa</title>
	<atom:link href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;tag=rui-barbosa" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 22 Jul 2026 18:49:47 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=4.1.41</generator>
	<item>
		<title>Os bondes do Rio de Janeiro de antigamente</title>
		<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=29732</link>
		<comments>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=29732#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2024 18:41:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[bonde]]></category>
		<category><![CDATA[bonde a tração animal]]></category>
		<category><![CDATA[bonde a vapor]]></category>
		<category><![CDATA[bonde elétrico]]></category>
		<category><![CDATA[bondes]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Machado de Assis]]></category>
		<category><![CDATA[Rui Barbosa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=29732</guid>
		<description><![CDATA[O bonde foi um elemento essencial para a expansão e para a organização do espaço urbano no Rio de Janeiro. Antes dos bondes elétricos, havia os bondes à tração animal e a vapor. Vamos passear pelas ruas cariocas entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX a partir de uma seleção de imagens de bondes disponível no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica? São registros realizados por fotógrafos ainda não identificados, por Augusto Malta, Guilherme Santos, Juan Gutierrez e Marc Ferrez, dentre vários outros. Contamos também, no artigo, um pouco da história do surgimento e desenvolvimento deste meio de transporte na cidade.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">O Rio de Janeiro foi a primeira cidade da América do Sul a organizar um serviço de transportes coletivos sobre trilhos de ferro. Antes dos bondes elétricos, havia os bondes à tração animal e a vapor. Vamos passear pelas ruas cariocas entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX a partir de uma seleção de imagens de bondes disponível no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica? São registros realizados por fotógrafos ainda não identificados, por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5545" target="_blank">Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966</a>),<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=4924" target="_blank"> José Baptista Barreira Vianna(1860-1925)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5398" target="_blank">Juan Gutierrez (c. 1860 &#8211; 1897) </a>e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34134" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a>, dentre  vários outros. Contamos também, no artigo, um pouco da história do surgimento e desenvolvimento deste meio de transporte na cidade.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/386" target="_blank">Acessando o link para uma seleção de fotografias de bondes do Rio de Janeiro de antigamente disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>“Na verdade, o bonde foi um elemento essencial para a expansão e organização do espaço urbano no Rio de Janeiro”</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Elisabeth von der Weid, historiadora</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 441px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/2892-os-bondes-integrando-a-cidade" target="_blank"><img src="https://multirio.rio.rj.gov.br/images/historia_do_brasil/cap_7/38_bonde2_detalhe_t.jpg" alt="38 bonde2 detalhe t" width="431" height="323" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/2892-os-bondes-integrando-a-cidade" target="_blank">Bondes de tração animal</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4643" target="_blank"><img class="thumbnail-view" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4643/002054VIAN040.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="890" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4643" target="_blank">José Baptista Barreira Vianna. Bonde nas proximidades da Pedra do Arpoador, c. 1900. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A primeira concessão para implantar o serviço dos bondes sobre trilhos e os de tração animal no Rio de Janeiro foi dada em 1856 ao médico inglês Thomas Cochrane (1805-1873), sogro do escritor José de Alencar (1829-1877), que casou-se, em 1864, com a primogênita do médico, Georgiana Augusta (1946-1923) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_01/43152" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 14 de abril de 1856, sexta coluna</a>; <a href="https://www.academiacearensedeletras.org.br/revista/Colecao_Antonio_Sales/Alencar_100_anos/ACL_Alencar_100_anos_depois_03_Descendencia_de_Jose_de_Alencar.pdf" target="_blank"><em>Descendência de José de Alencar</em></a>). O primeiro trajeto ligou o Rocio (hoje Praça Tiradentes) à Tijuca com <em>carros puxados a cavalos</em>.</p>
<p><img src="http://www.tramz.com/br/rj/th/th02b.jpg" alt="" /></p>
<div id="attachment_35945" style="width: 489px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/094170_01/43152" target="_blank"><img class="size-full wp-image-35945" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/02/bonde.jpg" alt="Diário do Rio de Janeiro, 14 de abril de 1856" width="479" height="192" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/094170_01/43152" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro,</em> 14 de abril de 1856</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ele formou a empresa Companhia de Carris de Ferro da Cidade à Boavista na Tijuca, mais conhecida como Companhia Ferro-Carril da Tijuca. Em janeiro de 1859, trafegou pela primeira vez no Rio de Janeiro um bonde puxado a burros (<em>Jornal do Commercio</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_04/13912" target="_blank">15 de janeiro, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_04/14000" target="_blank">4 de fevereiro, segunda coluna</a>, de 1859).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_36311" style="width: 713px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/05/20240509_124907.jpg"><img class=" wp-image-36311" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/05/20240509_124907.jpg" alt="Gravura do primeiro bonde a tração animal que circulou no Rio de Janeiro / Rio Antigo, de Charles Dunlop" width="703" height="293" /></a><p class="wp-caption-text">Gravura do primeiro bonde a tração animal que circulou no Rio de Janeiro / Rio Antigo, de Charles Dunlop</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A primeira linha regular de bondes à tração animal foi inaugurada em 26 de março de 1859 pelo imperador Pedro II,  ligando o centro da cidade ao Alto da Boa Vista. A cerimônia de bênçãos ocorreu na estação central da Rua do Conde. A Família Real seguiu com membros do governo e com a família de Cochrane para o Andaraí. No outro carro seguiram diretores da companhia e alguns convidados. Foi servido um almoço a todos na chácara de F. A. Marques (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_04/14208" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 26 e 27 de março de 1859, segunda coluna</a>). Havia dois veículos, importados da Inglaterra, que faziam as viagens pela manhã e pela tarde. Os carros eram puxados por burros e foram apelidados de <em>maxambombas</em> pelos cariocas, <em>provavelmente por analogia aos trens da Estrada de Ferro D. Pedro II que iam até um engenho com este nome na zona rural</em> (WEID). Em 1861, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá (1813 &#8211; 1889), empresário pioneiro das estradas de ferro no país, assumiu a presidência da Companhia de Carris de Ferro da Cidade à Boavista, que mudou a tração animal para vapor. <em>Em novembro de 1866, a empresa de carris da Tijuca, em dificuldades financeiras, suspendeu seus serviços e a concessão caducou em seguida, por interrupção de tráfego</em> (WEID).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 329px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Irineu_Evangelista_de_Sousa,_Viscount_of_Mau%C3%A1#/media/File:Maua_00.png" target="_blank"><img src="https://historia-do-brasil-e-do-mundo.hi7.co/historia-do-brasil-e-do-mundo/historia-do-brasil-e-do-mundo-55b652b0aa429.png" alt="Barão de Mauá" width="319" height="409" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Irineu_Evangelista_de_Sousa,_Viscount_of_Mau%C3%A1#/media/File:Maua_00.png" target="_blank">Barão de Mauá (1813 &#8211; 1889) por Joaquim Insley Pacheco, c. 1870</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A partir do fim da década de 1860, os bondes, ainda movidos por tração animal, começaram a se multiplicar no Rio de Janeiro. Desde então, muitas empresas se constituíram para explorar o negócio. Em 1868, a Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, organizada pelo Barão de Mauá, entrou em operação, com bondes puxados a burro. Mauá havia se associado ao banqueiro norte-americano Charles Bachus Greenough (1824 &#8211; 1880) que, em 1866 criou nos Estados Unidos a Botanical Garden Rail Road Company Ltd.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 256px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.findagrave.com/memorial/68910695/charles-backus-greenough#view-photo=41543866" target="_blank"><img src="https://images.findagrave.com/photos/2011/114/68910695_130377467468.jpg" alt="Carregando imagem maior de memorial..." width="246" height="330" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.findagrave.com/memorial/68910695/charles-backus-greenough#view-photo=41543866" target="_blank">Charles Bachus Greenough (1824 &#8211; 1880)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O primeiro trecho, da rua do Ouvidor ao Largo do Machado, foi inaugurado em outubro de 1868. Ainda neste ano os trilhos chegaram a Botafogo. A estação do Jardim Botânico só foi inaugurada em 1871.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 499px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11943" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11943/45740.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="489" height="414" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11943" target="_blank">Augusto Malta. Estação de bonde do Jardim Botânico, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo MHN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo o escritor e entusiasta do Rio Antigo Charles Julius Dunlop (1908–1987), em seu livro <em>Apontamentos,</em> foi nesta fase que começou a ser utilizado o termo <em>bond</em> para designar o novo tipo de transporte. A origem teria sido um sistema de bloco de cinco passagens instituído pela Botanical Garden. Os blocos eram comprados nas estações e as passagens tinham escrito em cima o nome da companhia, a palavra <em>bond</em> (título), o valor e um desenho do veículo. Em pouco tempo, o termo generalizou-se.</p>
<p>Em 1880, os trilhos chegavam ao alto da Gávea.</p>
<p>Em crônica publicada em 4 de julho de 1883, Machado de Assis (1839 &#8211; 1908) atesta o sucesso desse meio de transporte coletivo “essencialmente democrático”. Com sua inconfundível ironia, o cronista Machado, sob o pseudônimo <em>Lélio</em>, assinou a série coletiva <i>“Balas de Estalo”</i>, publicada na <em>Gazeta de Notícias, </em>entre os anos de 1883 e 1886. Na crônica sobre os bondes, ele divulgou, com sua fina ironia, dez de setenta artigos que regulamentariam o convívio entre os passageiros dos bondes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong> <span style="color: #800000;">Balas de estalo</span></strong></em></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Ocorreu-me compor umas certas regras para uso dos que frequentam bondes. O desenvolvimento que tem tido entre nós esse meio de locomoção, essencialmente democrático, exige que ele não seja deixado ao puro capricho dos passageiros. Não posso dar aqui mais do que alguns extratos do meu trabalho; basta saber que tem nada menos de setenta artigos. Vão apenas dez.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. I Dos encatarroados</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Os encatarroados podem entrar nos bondes com a condição de não tossirem mais de três vezes dentro de uma hora, e no caso de pigarro, quatro. Quando a tosse for tão teimosa, que não permita esta limitação, os encatarroados têm dois alvitres: — ou irem a pé, que é bom exercício, ou meterem-se na cama. Também podem ir tossir para o diabo que os carregue. Os encatarroados que estiverem nas extremidades dos bancos, devem escarrar para o lado da rua, em vez de o fazerem no próprio bonde, salvo caso de aposta, preceito religioso ou maçônico, vocação, etc., etc.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. II Da posição das pernas</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>As pernas devem trazer-se de modo que não constranjam os passageiros do mesmo banco. Não se proíbem formalmente as pernas abertas, mas com a condição de pagar os outros lugares, e fazê-los ocupar por meninas pobres ou viúvas desvalidas, mediante uma pequena gratificação.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. III Da leitura dos jornais</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Cada vez que um passageiro abrir a folha que estiver lendo, terá o cuidado de não roçar as ventas dos vizinhos, nem levar-lhes os chapéus. Também não é bonito encostá-los no passageiro da frente.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>É permitido o uso dos quebra-queixos em duas circunstâncias: — a primeira quando não for ninguém no bonde, e a segunda ao descer.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. IV Dos quebra-queixos</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>É permitido o uso dos quebra-queixos em duas circunstâncias: — a primeira quando não for ninguém no bonde, e a segunda ao descer.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. V Dos amoladores</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negócios íntimos, sem interesse para ninguém, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso afirmativo, perguntarlhe-á se prefere a narração ou uma descarga de pontapés. Sendo provável que ele prefira os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los. No caso, aliás extraordinário e quase absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o proponente deve fazê-lo minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias mais triviais, repetindo os ditos, pisando e repisando as coisas, de modo que o paciente jure aos seus deuses não cair em outra.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. VI Dos perdigotos</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Reserva-se o banco da frente para a emissão dos perdigotos, salvo nas ocasiões em que a chuva obriga a mudar a posição do banco. Também podem emitir-se na plataforma de trás, indo o passageiro ao pé do condutor, e a cara para a rua.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. VII Das conversas</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Quando duas pessoas, sentadas a distância, quiserem dizer alguma coisa em voz alta, terão cuidado de não gastar mais de quinze ou vinte palavras, e, em todo caso, sem alusões maliciosas, principalmente se houver senhoras.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. VIII Das pessoas com morrinha</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>As pessoas que tiverem morrinha, podem participar dos bondes indiretamente: ficando na calçada, e vendo-os passar de um lado para outro. Será melhor que morem em rua por onde eles passem, porque então podem vê-los mesmo da janela.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. IX Da passagem às senhoras</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Quando alguma senhora entrar, o passageiro da ponta deve levantar-se e dar passagem, não só porque é incômodo para ele ficar sentado, apertando as pernas, como porque é uma grande má-criação.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>ART. X Do pagamento</em></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Quando o passageiro estiver ao pé de um conhecido, e, ao vir o condutor receber as passagens, notar que o conhecido procura o dinheiro com certa vagareza ou dificuldade, deve imediatamente pagar por ele: é evidente que, se ele quisesse pagar, teria tirado o dinheiro mais depressa.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;">Os bondes deixaram as ruas na década de 1960, mas ainda frequentam o imaginário da cidade como um ícone do Rio antigo. Santa Teresa é o último bairro carioca entrecortado pelos trilhos.</span></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/5529" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>,  04/07/1883</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10457" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10457/0071824cx006-16.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="483" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10457" target="_blank">Marc Ferrez. Estrada de Ferro do Corcovado, Viaduto do Silvestre, Km 1 (aproximadamente), c. 1885. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na cidade do Rio de Janeiro, em 8 de outubro de 1892, foi inaugurada a primeira linha de bonde elétrico da América do Sul, pela Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico. O bonde partiu, sob aplausos do povo, da curva do antigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25489" target="_blank">Teatro Lírico </a>e foi até a estação do Largo do Machado, conduzindo o então vice-presidente da República em exercício na presidência, marechal Floriano Peixoto (1839 &#8211; 1895) e convidados. Houve quem temesse viajar nesse primeiro veículo elétrico e a empresa mandou pintar no encosto dos bancos o aviso &#8220;<em>A corrente elétrica nenhum perigo oferece aos srs. passageiros</em>&#8220;. Os carros abertos eram a marca registrada dos nossos bondes, devido ao calor da cidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 652px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7964" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7964/0072430cx061-09.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="642" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7964" target="_blank">Marc Ferrez. Bonde com direção ao Silvestre, c. 1895. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_29739" style="width: 596px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2782" target="_blank"><img class="size-full wp-image-29739" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/09/bondecapa1.jpg" alt="Augusto Malta. Bonde elétrico, c. 1910. Rio de Jnaeiro, RJ / Acervo IMS" width="586" height="438" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2782" target="_blank">Augusto Malta. Bonde elétrico, c. 1910. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_29734" style="width: 170px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/6203" target="_blank"><img class="size-full wp-image-29734" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/09/bonde1.jpg" alt="O Paiz, 9 de outubro de 1892, terceira coluna" width="160" height="496" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/6203" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 9 de outubro de 1892, terceira coluna</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_29733" style="width: 382px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/09/bonde.jpg"><img class="size-full wp-image-29733" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/09/bonde.jpg" alt="Jornal do Commercio, 9 de outubro de 1892, coluna" width="372" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_08/8838" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 9 de outubro de 1892, sexta coluna</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma semana depois, o escritor Machado de Assis relatou suas impressões:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Não tendo assistido a inauguração dos bonds elétricos, deixei de falar neles. nem sequer entrei em algum, mais tarde, para receber as impressões da nova tração e contá-las. daí o meu silêncio da outra semana. anteontem, porém, indo pela praia da lapa, em um bond comum, encontrei um dos elétricos, que descia. era o primeiro que estes meus olhos viam andar&#8230;</em></span><span style="color: #800000;"><em>Em seguida, admirei a marcha serena do bond, deslizando como os barcos dos poetas, ao sopro da brisa invisível e amiga. mas, como íamos em sentido contrário, não tardou que nos perdêssemos de vista, dobrando ele para o largo da lapa e rua do passeio, e entrando eu na rua do catete. nem por isso o perdi de memória. a gente do meu bond ia saindo aqui e ali, outra gente entrava adiante e eu pensava no bond elétrico. assim fomos seguindo; até que, perto do fim da linha e já noite, éramos só três pessoas, o condutor, o cocheiro e eu. os dois cochilavam, eu pensava&#8230;&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/6791" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de outubro de 1892</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">A ampliação do serviço de bondes garantia a circulação dos moradores, incentivando os negócios e a expansão da cidade. Seu papel como elemento propulsor de expansão urbana foi tão grande, que o ilustre jurista baiano Rui Barbosa (1849 &#8211; 1923) declarou, em 1898:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>“O bonde foi até certo ponto a salvação da cidade. Foi o grande instrumento, o agente incomparável do seu progresso material. Foi ele que dilatou a zona urbana, que arejou a cidade, desaglomerando a população, que tornou possível a moradia fora da região central, onde até então todos nos apinhávamos sem luz, sem ar, sem espaço. (&#8230;) O Rio é realmente a pátria adotiva do bonde, a sua pátria de eleição” .</em></span></p>
<p>Em 1920, o bonde era o principal meio de transporte para 84% da população carioca. Segundo Ruy Castro, <em>&#8220;&#8230;Caso se esticassem os quilômetros de trilhos da Light nas ruas do Rio, seria como ir de bonde da praça Mauá a São Paulo &#8211; eram 448 quilômetros de trilhos, com cerca de 480 carros cobrindo sessenta itinerários. Todos os usavam, dos escriturários e chapeleiras aos críticos de literatura e ministros do Supremo. Eram o veículo democrático por excelência&#8221;.</em></p>
<p>Com exceção de dois bondes que ainda trafegam pelo bairro carioca de Santa Teresa, o sistema foi aposentado em 1967, quando a última linha no Alto da Boa Vista parou de circular. O VLT, que é o bonde moderno, começou a circular no Rio de Janeiro, em maio de 2016.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>ABREU, Maurício de A. <em>Evolução urbana do Rio de Janeiro.</em> Rio de Janeiro, IPLANRIO/Zahar, 1987.</p>
<p>AZEVEDO, Aroldo. <a href="https://bdor.sibi.ufrj.br/bitstream/doc/377/3/326%20PDF%20-%20OCR%20-%20RED.pdf" target="_blank"><em>Os Cochranes do Brasil</em></a>. São Paulo : Companhia Editora Nacional, 1965.</p>
<p>BARROS, Maria Pia Fontes Lins de; WANDERLEY, Andrea C. T. Agenda do Centro de Documentação da TV Globo</p>
<p>BENCHIMOL, Jaime L. <em>Pereira Passos, um Haussmann tropical</em>. Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, 1990.</p>
<p>CASTRO, Ruy. <em>Metrópole à beira-mar. O Rio moderno dos anos 20</em>. São Paulo : Companhia das Letras, 2019.</p>
<p>DUNLOP, Charles. <em>Rio Antigo,</em> volume I. Rio de Janeiro : Editora Rio Antigo Ltda, 1958.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>MORRISON, Alen.<em> <a href="http://www.tramz.com/br/rj/th/thp3.html" target="_blank">Rio de Janeiro -</a></em> <em><a href="http://www.tramz.com/br/rj/th/thp3.html" target="_blank">História dos bondes e 75 fotografia</a>s</em>.</p>
<p>MORRISON, Alen.<em> <a href="http://www.tramz.com/ttob/001.html" target="_blank">The tramways of Brazil &#8211; a 130 years survey</a></em>, 1989.</p>
<p><a href="https://oglobo.globo.com/rio/trilhos-modernos-nova-viagem-dos-bondes-pelo-cenario-carioca-19309384" target="_blank"><em>O GLOBO, </em>15 de maio de 2016</a></p>
<p><a href="https://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/2892-os-bondes-integrando-a-cidade" target="_blank">Portal MultiRio</a></p>
<p><a href="https://riomemorias.com.br/memoria/bondes/" target="_blank">Site Rio Memórias</a></p>
<p>WEID, Elisabeth von der. <a href="http://antigo.casaruibarbosa.gov.br/dados/DOC/artigos/o-z/FCRB_ElisabethvonderWeid_Bonde_elemento_expansao_RiodeJaneiro.pdf" target="_blank"><em>O bonde como elemento de expansão urbana no Rio de Janeiro</em></a>. Fundação Casa de Rui Barbosa.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;p=29732</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O centenário da morte de Rui Barbosa, que passou à história como a &#8220;Águia de Haia&#8221;</title>
		<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31815</link>
		<comments>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31815#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 01 Mar 2023 14:28:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[abolição da escravatura]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[campanha civilista]]></category>
		<category><![CDATA[centenário]]></category>
		<category><![CDATA[Constituição de 1891]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Gama]]></category>
		<category><![CDATA[perfil]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira República]]></category>
		<category><![CDATA[República]]></category>
		<category><![CDATA[Rui Barbosa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31815</guid>
		<description><![CDATA[Com duas imagens realizadas por fotógrafos ainda não identificados, a Brasiliana Fotográfica lembra o centenário da morte do advogado e diplomata baiano Rui Barbosa (1849 - 1923), abolicionista, um dos artífices da República brasileira e fundador da Academia Brasileira de Letras. Uma das fotos, produzida em torno de 1918, o retrata ao lado do engenheiro Paulo de Frontin (1860 - 1933), diante de um navio, no Porto do Rio de Janeiro. A outra mostra seu cortejo fúnebre, realizado em 3 de março de 1923. Ambas pertencem ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>“O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é menos sagrado, perante a justiça, que o do mais alto dos poderes. Antes, com os mais miseráveis é que a justiça deve ser mais atenta, e redobrar de escrúpulo; porque são os mais maldefendidos, os que suscitam menos interesse, e os contra cujo direito conspiram a inferioridade na condição com a míngua nos recursos”.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/564558/Oracao_aos_mocos_Rui_Barbosa.pdf?sequence=5&amp;isAllowed=y" target="_blank">Trecho de <em>Oração aos Moços</em>, de Rui Barbosa</a>*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com duas imagens realizadas por fotógrafos ainda não identificados, a Brasiliana Fotográfica lembra o centenário da morte do baiano Rui Barbosa (1849 &#8211; 1923), abolicionista e um dos artífices da República brasileira, figura ilustre de nossa história (<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/12421" target="_blank">2 de março</a> e<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/12433" target="_blank"> 3 de março</a> de 1923). Uma das fotos, produzida em torno de 1918, o retrata ao lado do engenheiro Paulo de Frontin (1860 &#8211; 1933), diante de um navio, no Porto do Rio de Janeiro. A outra mostra seu cortejo fúnebre, realizado em 3 de março de 1923. Ambas pertencem ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10145" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10145/001CC008007.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10145" target="_blank">Saída do cortejo fúnebre de Rui Barbosa, 3 de março de 1923. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31818" style="width: 328px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/12421" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31818" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa.jpg" alt="O Paiz, 2 de março de 1923" width="318" height="169" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/12421" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 2 de março de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31843" style="width: 293px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_02/4288" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31843" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa3.jpg" alt="Revista da Semana, 10 de março de 1923" width="283" height="402" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_02/4288" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 10 de março de 1923, cobertura de sua mort e com diveresas fotografias</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O advogado, jurista e político Rui Barbosa nasceu em 5 de novembro de 1849, em Salvador, e faleceu em Petrópolis, em 1º de março de 1923. Foi um dos mais proeminentes intelectuais de seu tempo, tendo se destacado também como diplomata, escritor, jornalista, orador e tradutor. Foi um abolicionista atuante, tendo colaborado, assim como o também baiano Luis Gama (1830 &#8211; 1882), no periódico <i>Radical Paulistano, </i>em 1869 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/713473/65" target="_blank"><em>Radical Paulistano</em>, 19 de agosto de 1869, primeira coluna</a>).<i> </i>Foi<i> </i>um dos autores da Constituição da Primeira República, de 1891, mas, por denunciar o autoritarismo de Floriano Peixoto (1839 &#8211; 1895) e apoiar a Revolta da Armada, exilou-se, em 1893, em Buenos Aires, da onde partiru para Lisboa, Madri, Paris e finalmente Londres. Retornou ao Brasil em 1895. Foi também membro fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1897.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.academia.org.br/galeria/fundacao/rui-barbosa-lidera-visita-casa-do-machado-de-assis" target="_blank"><img src="https://www.academia.org.br/sites/default/files/casa_machado.jpg" alt="" width="422" height="223" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.academia.org.br/galeria/fundacao/rui-barbosa-lidera-visita-casa-do-machado-de-assis" target="_blank">Rui Barbosa, segundo presidente da Academia, lidera uma visita à casa do primeiro presidente, Machado de Assis, à rua Cosme Velho, 18 &#8211; hoje demolida &#8211; em 9 de outubro de 1910, dois anos após a morte daquele que era chamado de mestre até mesmo por seus colegas / Site da Academia Brasileira de Letras</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Defendeu as liberdades individuais, o federalismo, o ensino técnico e o acesso das mulheres às faculdades. Foi também admirador do pianista Ernesto Nazareth (1863 &#8211; 1934), que ia escutar na sala de espera do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=23968" target="_blank">Cinema Odeon</a>. Era também grande fã dos <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22501" target="_blank"><em>Batutas</em> </a>e presença frequente nas apresentações do grupo no Cine Palais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11606" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11606/037SL05054.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11606" target="_blank">Rui Barbosa e Paulo de Frontin em meio à multidão em frente à navio, c. 1918. Porto do Rio de Janeiro / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ganhou o cognome de <em>Águia de Haia</em> do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7462" target="_blank">Barão do Rio Branco (1845 &#8211; 1912)</a>, ministro das Relações Exteriores, por sua participação na II Conferência de Paz, realizada, entre 15 de junho e 18 de outubro de 1907, em Haia, na Holanda, quando fez uma notável defesa do princípio da igualdade dos Estados. Foi como Embaixador Extraordinário, Ministro Plenipotenciário e Delegado do Brasil, cuja nomeação havia sido realizada, em 29 de abril de 1907, por decreto do presidente Afonso Pena (1847 &#8211; 1909).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31825" style="width: 655px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/9296" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31825" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa1.jpg" alt="O Malho, 11 de maio de 1907" width="645" height="434" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/9296" target="_blank"><em>O Malho</em>, 11 de maio de 1907</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao longo de sua vida foi deputado, senador e ministro da Fazenda do governo de Deodoro da Fonseca (1827 &#8211; 1892), primeiro presidente do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><a href="https://sites.google.com/site/abcdamonarquia/rui-barbosa---texto-completo-de-famoso-discurso" target="_blank">Trecho de discurso proferido por Rui Barbosa no Senado, em 1914</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1910, foi candidato à Presidência da República, na chamada <em>campanha civilista</em>, mas foi vencido por Hermes da Fonseca (1855 &#8211; 1923).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31841" style="width: 647px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/15704" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31841" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa2.jpg" alt="O Malho, de 1910" width="637" height="461" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/15704" target="_blank"><em>O Malho</em>, 26 de março de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31835" style="width: 762px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ruy-barbosa-usou-tribuna-do-senado-para-mostrar-ao-pais-importancia-da-democracia" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31835" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosacapa1.jpg" alt="Rui Barbosa na Campanha Civilista, em 1909 / Acervo Casa de Rui Barbosa" width="752" height="492" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ruy-barbosa-usou-tribuna-do-senado-para-mostrar-ao-pais-importancia-da-democracia" target="_blank">Rui Barbosa na Campanha Civilista, em 1909 / Acervo Fundação Casa de Rui Barbosa</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi eleito juiz da Corte Internacional de Justiça, em 14 de setembro de 1921. Em agosto de 1922, sofreu um edema pulmonar. Cerca de um mês depois, recebeu a Grã Cruz da Ordem de S. Tiago, de Antônio José de Almeida (1866 &#8211; 1929), presidente de Portugal, em visita oficial ao Brasil.</p>
<p>Rui Barbosa faleceu, como já mencionado, em Petrópolis, em 1º de março de 1923, e foram-lhe concedidas honras de Chefe de Estado. Seu corpo foi velado na Biblioteca Nacional e enterrado no Cemitério de São João Batista, com grande acompanhamento popular, em 4 de março (<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/12445" target="_blank">4 de março</a> e <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/12459" target="_blank">5 de março </a>de 1923).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31856" style="width: 299px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_02/4301" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31856" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa4.jpg" alt="Revista da Semana, 10 de março de 1923" width="289" height="387" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_02/4301" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 10 de março de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1949, ano do centenário de seu nascimento, seus restos mortais foram transferidos para o Fórum Rui Barbosa, em Salvador, na Bahia (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/50234" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 4 de novembro de 1949, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093718_02/48745" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 9 de novembro de 1949</a>). Foi publicada uma matéria sobre a Casa de Rui Barbosa <em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_04/29255" target="_blank">Revista da Semana</a></em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_04/29255" target="_blank">, 5 de novembro de 1949</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_31859" style="width: 276px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_04/29396" target="_blank"><img class="size-full wp-image-31859" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ruibarbosa5.jpg" alt="Revista da Semana, 19 de novembro de 1949" width="266" height="364" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_04/29396" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 19 de novembro de 1949</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em sua obra <em>Ordem e Progresso </em>(1974), Gilberto Freyre (1900 &#8211; 1987) o definiu como <span style="color: #800000;"><em>&#8220;o homem capaz de grandes façanhas e tremendas vitórias sobre gigantes luros e rosados; espécie de Davi brasileiro em face de Golias nórdicos ou germânicos&#8221;</em></span>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Rui Barbosa foi, entre nós, refletida ou espontaneamente, o ideólogo de uma reforma da sociedade. (…) essa reforma pode ser chamada, dentro dos limites que indicarei, a ascensão da classe média&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">San Tiago Dantas (1911 &#8211; 1964) em <em>Rui Barbosa e a Renovação da Sociedade</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Hoje sabemos que mais do que o seu vernáculo, do que o seu purismo, o que fica de Rui é a capacidade de sacrifício. Ele soube sempre perder. (…) Como a semente do Evangelho que precisa morrer para frutificar, ele soube morrer pelo dia seguinte do Brasil&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Oswald de Andrade (1890 &#8211; 1954) em <em>Rui e a árvore da liberdade</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Rui foi um humanista, não só pelo culto apaixonado do verbo, aprendido para além de sua mera significação pragmática, mas também pelo grau de seu desapego à certeza do êxito, pela sua virtù do risco, pelo amor à nobreza do gesto de optar&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Miguel Reale (1910 &#8211; 2006) em <em>Posição de Rui Barbosa no Mundo da Filosofia</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div>*<a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/564558/Oracao_aos_mocos_Rui_Barbosa.pdf?sequence=5&amp;isAllowed=y" target="_blank"> </a>O discurso <em>Oração aos Moços</em>, de Rui Barbosa, foi proferido na formatura da turma de 1920 da Faculdade de Direito de São Paulo, lido, em de 29 março de 1921, pelo catedrático de Direito Romano, Reinaldo Porchat (1868 &#8211; 1953), que viria a ser o primeiro reitor da Universidade de São Paulo.</div>
<p>&nbsp;</p>
<div><a href="http://antigo.casaruibarbosa.gov.br/interna.php?ID_S=83" target="_blank">Acesse aqui a Cronologia da Vida e Obra de Rui Barbosa, preparada por Rejane M. Moreira de A. Magalhães, do Setor Ruiano, da Fundação Casa de Rui Barbosa.</a></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BARBOSA, Ruy, 1849-1923. <a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/564558/Oracao_aos_mocos_Rui_Barbosa.pdf?sequence=5&amp;isAllowed=y" target="_blank"><em>Oração aos moços</em> </a>/ Rui Barbosa ; prefácios de senador Randolfe Rodrigues, Cristian Edward Cyril Lynch. – Brasília : Senado Federal, Conselho Editorial, 2019.</p>
<p>CARDIM, Carlos Henrique. <em>A raiz das coisas &#8211; Rui Barbosa: o Brasil no mundo</em>. Civilização Brasileira, 2023.</p>
<p>GABRIEL, Juan de Souza. Vitórias do pequeno Davi contra muitos Golias. O GLOBO, 1º de março de 2023.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>SILVA, Leandro de Almeida.<a href="https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/3537/1/leandrodealmeidasilva.pdf" target="_blank"> <em>O discurso modernizador de Rui Barbosa (1879 &#8211; 1923)</em></a>. Dissertação de Mestrado. Minas Gerais: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2009.</p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/academicos/rui-barbosa/biografia" target="_blank">Site Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://www.gov.br/casaruibarbosa/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/rui-barbosa/aguia-de-haia" target="_blank">Site Casa de Rui Barbosa</a></p>
<p><a href="https://rogeriotadeuromano.jusbrasil.com.br/artigos/1170481264/a-primeira-constituicao-republicana-e-a-participacao-de-rui-barbosa" target="_blank">Site JusBrasil</a></p>
<p><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ruy-barbosa-usou-tribuna-do-senado-para-mostrar-ao-pais-importancia-da-democracia" target="_blank">Site Senado Federal</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;p=31815</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>E a primeira-dama Nair de Teffé leva a música de Chiquinha Gonzaga para o Palácio do Catete, em 1914</title>
		<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22813</link>
		<comments>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22813#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Mar 2021 18:09:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Edison]]></category>
		<category><![CDATA[Chiquinha Gonzaga]]></category>
		<category><![CDATA[Corta-jaca]]></category>
		<category><![CDATA[Fred Figner]]></category>
		<category><![CDATA[Hermes da Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[música popular brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Nair de Teffé]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[Rui Barbosa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brasilianafotografica.bn.br/?p=22813</guid>
		<description><![CDATA[Em uma recepção oferecida no Palácio do Catete pelo presidente da República, Hermes da Fonseca, e pela primeira-dama, Nair de Teffé, em 26 de outubro de 1914, foi executado dentro da programação musical da elegante "soirée" o tango "Gaúcho", mais conhecido como "Corta-jaca", da revolucionária maestrina carioca Chiquinha Gonzaga. Pela primeira vez esse estilo de música era apresentado nos salões chiques da capital da República, tendo como convidados o corpo diplomático e a elite carioca. A própria Nair de Teffé, uma mulher à frente de seu tempo, tocou a composição ao violão, instrumento ainda marginalizado na época. Foi um escândalo! O "Corta-jaca" tornou-se um clássico do grande repertório da música instrumental brasileira.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Nair de Teffé e Chiquinha Gonzaga: duas mulheres à frente de seu tempo e a história do Corta-jaca no Palácio do Catete, em 1914</em></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 330px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8914" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8914/ED-CG%20%5bfotos%5d_01_Caixa%20Verde_022_1.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="320" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8914" target="_blank">Chiquinha Gonzaga aos 18 anos, c. 1865. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Em uma recepção oferecida no Palácio do Catete pelo presidente da República, o gaúcho Hermes da Fonseca (1855 &#8211; 1923), e pela primeira-dama, Nair de Teffé (1886 &#8211; 1981), em 26 de outubro de 1914, foi executado dentro da programação musical da elegante <em>soirée</em> o tango <em>Gaúcho</em>, mais conhecido como <em>Corta-jaca</em>, da revolucionária, transgressora e prodigiosa maestrina, a carioca e afrodescendente Chiquinha Gonzaga (1847 &#8211; 1935), cuja mãe era filha de uma escravizada alforriada e, o pai, um militar de família tradicional. Pela primeira vez esse estilo de música era apresentado nos salões chiques da capital da República, tendo como convidados o corpo diplomático e a elite carioca. A própria Nair de Teffé, uma mulher à frente de seu tempo, culta, talentosa, boêmia e festeira tocou a composição ao violão, instrumento ainda marginalizado na época.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 405px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8858" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8858/PR.07.hf.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="395" height="534" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8858" target="_blank">Nair de Teffé, 1913. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>De origem aristocrática, filha dos barões de Teffé, Nair foi uma pioneira. É considerada uma das primeiras mulheres caricaturistas do mundo, conhecida pelo pseudônimo <em>Rian</em>, e colaborava com publicações como <em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/3213" target="_blank">Fon-Fon</a>,</em> <em>Gazeta de Notícias</em> e o <em>Malho.</em> Foi educada na França e falava seis idiomas. Era atriz e criou a <em>Troupe Rian</em>, que encenava peças teatrais para angariar fundos para a construção da Catedral de Petrópolis e também para beneficiar obras sociais. Casou-se com Hermes da Fonseca, em 8 de dezembro de 1913, após ele ficar viúvo, em novembro de 1912, de sua primeira esposa, Orsina da Fonseca (1858 &#8211; 1912) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/1269" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 31 de julho de 1909</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_03/16866" target="_blank"><em>Jornal do Brasi</em>l, 1º de dezembro de 1912</a>;<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_03/22318" target="_blank"> <em>Jornal do Brasil</em>, 9 de dezembro de 1913</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/26154" target="_blank"><em>O Malho</em>, 13 de dezembro de 1913</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 478px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8855" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8855/PR.04%281%29.hf.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="468" height="590" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8855" target="_blank">Hermes da Fonseca e Nair de Teffé, 9 de dezembro de 1913. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/269" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de Nair de Teffé e de Hermes da Fonseca disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_23067" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8856" target="_blank"><img class="size-large wp-image-23067" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/02/teffe-1024x763.jpg" alt="Casamento de Hermes da Fonseca e Nair de Teffé, 8 de dezzembro de 1913. Petrópolis, RJ / Acervo Museu da República" width="768" height="572" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8856" target="_blank">Casamento de Hermes da Fonseca e Nair de Teffé, 8 de dezembro de 1913. Petrópolis, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando ao sarau&#8230;Ocorreu, como já mencionado, em 26 de outubro de 1914, menos de um mês antes da transmissão do cargo de presidente de Hermes da Fonseca para Venceslau Brás (1868 &#8211; 1966), em dia 15 de novembro de 1914. Grandes pianistas se apresentaram, dentre eles Arthur Napoleão (1843 &#8211; 1925), interpretando <em>Les étincelles, </em>de sua autoria;<em> </em>e Leopoldo Duque-Estrada (18? &#8211; 19?) com a <em>Grande fantasia triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro</em>, de Gottschalk (1829 &#8211; 1869). Mas foi a execução do <em>Corta-jaca</em> pela primeira-dama que marcou o evento. Finalmente uma música eminentemente popular era apresentada na sede do governo! (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/415" target="_blank"><em>A Rua</em>, 6 de novembro de 1914, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22816" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/20285" target="_blank"><img class="wp-image-22816" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/recepção.jpg" alt="A última recepção do presidente / Revista da Semana, 7 de novembro de 1914" width="702" height="360" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/20285" target="_blank">A última recepção do presidente. Aspecto de um dos salões do Palácio Presidencial do Catete durante a última recepção de S. Ex. o sr. Marechal Hermes da Fonseca e sua senhora na noite de 26 de outubro / <em>Revista da Semana</em>, 7 de novembro de 1914</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_23076" style="width: 602px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/415" target="_blank"><img class="wp-image-23076 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/02/programa.jpg" alt="A Rua, 6 de noovembro de 1914" width="592" height="497" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/415" target="_blank">O <em>Corta-jaca</em> na programação da recepção do Palácio do Catete / <em>A Rua,</em> 6 de novembro de 1914</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi um escândalo e provocou reações na sociedade. O senador Rui Barbosa (1849 &#8211; 1923), que havia perdido a eleição presidencial para Hermes da Fonseca, em 1910, foi um dos que se manifestou contra o episódio, que ficou para a história como uma espécie de <em>alforria</em> da música popular brasileira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_23072" style="width: 354px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/407" target="_blank"><img class="size-full wp-image-23072" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/02/arua.jpg" alt="Nair de Teffé e hermes da Fonseca dançando o corta jaca / A Rua, 4 de novembro de 1914" width="344" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/407" target="_blank">&#8220;Remexe, assim&#8230;assim&#8230;&#8221;Nair de Teffé e Hermes da Fonseca dançando o <em>Corta-jaca</em> / <em>A Rua</em>, 4 de novembro de 1914</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>“<em>A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o corta-jaca é executado com todas as honras de música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!</em>”</p>
<p style="text-align: right;"><a href="https://chiquinhagonzaga.com/acervo/?musica=gaucho" target="_blank">Trecho do discurso proferido no Senado por Rui Barbosa </a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="https://chiquinhagonzaga.com/acervo/?musica=gaucho" target="_blank">sobre o <em>Corta-jaca no Catete</em>, em 7 de novembro de 1914</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22815" style="width: 506px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/083712/12704" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22815" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/sarjeta.jpg" alt="Careta, 7 de novembro de 1914" width="496" height="442" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/083712/12704" target="_blank"><em>Careta,</em> 7 de novembro de 1914</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=%22chiquinha+gonzaga%22" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de Chiquinha Gonzaga disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong> </a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">O <em>Gaúcho</em> é um dos maiores sucessos de Chiquinha e integra a opereta burlesca <em>Zizinha Maxixe, </em>que estreou em 20 de agosto de 1895, no Teatro Éden Lavradio, no Rio de Janeiro, sob a direção da atriz Pepa Ruiz (1859 &#8211; 1923) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_03/12552" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de agosto de 1895, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_23070" style="width: 632px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_03/12552" target="_blank"><img class="size-full wp-image-23070" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/02/eden.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 21 de agosto de 1895" width="622" height="305" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_03/12552" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de agosto de 1895</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Em um dos  manuscritos de Chiquinha, sob a guarda do Instituto Moreira Salles, pode-se ver o momento exato em que sua famosa música, segundo a escritora e biógrafa da maestrina, Edinha Diniz, <em>camuflada de cateretê, dançada como maxixe e publicada como tango</em>, nasceu. Ao final da partitura, a maestrina escreveu: “<em>Arre!! São 3 e um quarto da manhã! Estou cansada, vou dormir… Felizmente acabei – os galos canta</em>m”. Caiu nas graças do público, popularizando-se com o nome de <em>Corta-jaca</em>, intitulando, a partir daí, um gênero musical e apelidando, posteriormente, o governo do presidente Hermes da Fonseca (1910 a 1914).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_23069" style="width: 652px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ims.com.br/por-dentro-acervos/resgate-de-chiquinha-gonzaga/" target="_blank"><img class="wp-image-23069 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/02/arre.jpg" alt="arre" width="642" height="245" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://ims.com.br/por-dentro-acervos/resgate-de-chiquinha-gonzaga/" target="_blank">Anotação de Chiquinha Gonzaga sobre o &#8220;nascimento&#8221; do <em>Corta-jaca</em> / Site IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">A opereta não fez sucesso e só foi encenada três vezes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/748870/23" target="_blank"><em>Jornal Illustrado</em>, 31 de agosto de 1895, terceira coluna</a>). Porém <em>O Gaúcho</em> foi editado em abril de 1899 sob o selo da Casa Vieira Machado, importante estabelecimento de publicação de partituras musicais, no Rio de Janeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_23084" style="width: 436px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ims.com.br/wp-content/uploads/2017/10/Chiquinha3GAUCHOVALE.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-23084 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/02/partituravalendo.jpg" alt="partituravalendo" width="426" height="531" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://ims.com.br/wp-content/uploads/2017/10/Chiquinha3GAUCHOVALE.jpg" target="_blank">Partitura do tango &#8220;Gaúcho&#8221;, de Chiquinha Gonzaga, que se tornou popular como &#8220;O Corta-jaca&#8221; / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">A música foi incluída na revista<em> Cá e lá</em>, de 1904 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/7884" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de junho de 1904, quarta coluna</a>), e cantada pela população carioca em “<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11212" target="_blank"><em>chopps berrantes</em></a>” por toda a cidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_23071" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_03/7884" target="_blank"><img class="size-full wp-image-23071" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/02/caela.jpg" alt="O Paiz, 23 de junho de 1904" width="594" height="521" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_03/7884" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 23 de junho de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Devido ao sucesso, o tcheco Frederico (Fred) Figner (1866 – 1947), fundador da primeira empresa fonográfica do Brasil, a Casa Edison, e primeiro produtor fonográfico do país, gravou duas versões da canção em seu estúdio, na efervescente rua do Ouvidor, no centro da cidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_29693" style="width: 204px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/1951" target="_blank"><img class="size-full wp-image-29693" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/casaedison.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 20 de fevereiro de 1901" width="194" height="314" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/1951" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 20 de fevereiro de 1901</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>O Corta-jaca tornou-se um clássico do grande repertório da música instrumental brasileira, merecendo gravações, entre outros, de Abel Ferreira, Altamiro Carrilho, Antonio Adolfo, Artur Moreira Lima, Clara Sverner, Conjunto Regional do Donga, Eudóxia de Barros, Guio de Morais, Itamar Assieré, Leandro Braga, Marcus Viana, Maria Teresa Madeira, Marcelo Verzoni, Paulo Moura, Radamés Gnatalli, Rosária Gatti, Talitha Peres, Turíbio Santos, inúmeras bandas e algumas versões cantadas</em></span> (<a href="https://chiquinhagonzaga.com/acervo/?musica=gaucho" target="_blank">Site Chiquinha Gonzaga</a>)<em>.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 525px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8909" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8909/ED-CG%20%5bfotos%5d_01_001.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="515" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8909" target="_blank">Chiquinha Gonzaga aos 29 anos, c. 1877. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b6cJ1ODSICI" target="_blank">Ouça aqui o <em>Gaúcho</em>, composição de Chiquinha Gonzaga, conhecido como <em>Corta-jaca</em>, executado pela pianista Fernanda Canaud e pelo violonista Marco de Pinna, em 2014</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 478px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8910" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8910/ED-CG_foto_01_003.jpg_1.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="468" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8910" target="_blank">Chiquinha Gonzaga aos 47 anos, 1894. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para saber mais sobre a vida e a obra da maestrina Chiquinha Gonzaga, acesse: <span style="color: #800000;">https://ims.com.br/por-dentro-acervos/resgate-de-chiquinha-gonzaga/</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Transcrição do artigo <em>Chiquinha Gonzaga</em>, de autoria do importante historiador da cultura brasileira, Mário de Andrade, </strong></span><strong style="color: #800000;">publicado em <em>O Estado de São Paulo</em>, em 19 de fevereiro de 1940</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>CHIQUINHA GONZAGA</strong></em> </span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>Mario de Andrade</strong></em></p>
<p><em>Na evolução da música popular urbana do Brasil teve grande importância o trabalho de uma mulher, já muito esquecida em nossos dias, Francisca Gonzaga. Esse esquecimento, aliás, é mais ou menos justificável, porque nada existe de mais transitório, em música, que esta espécie de composição. Compôr música de dansa, compôr música para revistas de anno e coisas assim é uma espécie de arte de consumo, tão necessária e tão consumível como o leite, os legumes, perfume e sapatos. O sapato gasta-se, o perfume se evola, o alimento é digerido. E o samba, o maxixe, a rumba, depois de cumprido o seu rápido destino de provocar várias e metaphoricas&#8230; calorias, é esquecido e substituído por outro. E como o artista só vive na função da obra que elle mesmo criou, o compositor de dansa, de canções de rádio, de revistas de anno, também é usado, gastado, e em seguida esquecido e substituído por outro.</em></p>
<p><em>Francisca Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga de todos os cariocas do fim da Monarquia, também foi algum tempo um daqueles &#8220;pianeiros&#8221; a que me referi num artigo anterior, tocadores de música de dansa nos assustados ou nas já desapparecidas salas-de-espera dos cinemas. Mas só o foi por pouco tempo, levada pelas suas necessidades econômicas. Logo reagiu e subiu, chegando mesmo a dirigir orchestra de theatro de operetas. Em 1885 no Theatro Lyrico, numa festa em sua homenagem, ella regeu a opereta &#8220;A filha do Guedes&#8221;, um dos seus maiores sucessos, de que ninguém se lembra mais. Foi a primeira regente mulher que já tivemos, prophetisadora, por muito tempo não seguida, das Dinorah de Carvalho e Joanidia Sodré dos nossos dias.</em></p>
<p><em>Mas esta foi apenas uma aventura a mais na vida desta mulher ativa, de existência fortemente movimentada. Nascida de família de militares, trazendo a têmpera dos Lima e Silva, aos treze annos Chiquinha Gonzaga casava-se com o marido que lhe impunham. Mas, como no verso de Alberto de Oliveira: &#8220;Não gostava de música o marido&#8221;. Depois de uma curta vida de casada, Chiquinha se revoltou, fugiu, foi viver independente no seu canto, repudiada por todos, parentes e amigos, que não podiam se conformar com aquella ofensa à moral pública. E a sua vida foi difficil, ella pobre, com filhos a criar, uma honestidade a defender sozinha na fatal obrigação de frequentar ambientes bohemios e moralmente flacidos. Foi professora de piano, constituiu um chôro para execução de dansas em casas de família, em que se fazia acompanhar do filhinho mais velho, tocador de cavaquinho, com dez anos de edade.</em></p>
<p><em>Conta Mariza Lyra, que recentemente evocou a vida de Chiquinha Gonzaga num livro muito útil, que naquelles tempos cariocas do Segundo Império, um processo commum de se vender música de dansa era mandar negros e escravos offerecer de porta em porta a mercadoria. Foi também assim que Chiquinha Gonzaga principiou a vender suas composições.</em></p>
<p><em>O seu primeiro grande sucesso foi a polka &#8220;Attrahente&#8221;, hoje uma preciosidade bibliographica raríssima; publicada pelo editor de música Narciso, já então associado, em sua casa commercial, a Arthur Napoleão e Leopoldo Miguez. A capa trazia o retrato de Chiquinha Gonzaga, desenhada por Bordalo Pinheiro. Peça brilhante, ainda pouco nacionalmente característica, não representa a verdadeira Chiquinha Gonzaga, que só oito anos mais tarde, em 1885, com a opereta &#8220;A corte na Roça&#8221;, se apresentava bem mais brasileira em sua invenção melódica.</em></p>
<p><em>Aliás, para se impôr como compositora de theatro, Chiquinha Gonzaga teve muito que lutar. Era mulher, e embora já celebrada nas suas peças de dansa, ninguém a imaginava com o folcgo sufficiente para uma peça theatral. Conseguiu arrancar um libreto de Arthur Azevedo, mas a sua partitura foi rejeitada. Compôs em seguida, sobre texto de sua própria autoria, uma &#8220;Festa de S. João&#8221;, que também não conseguiu ver executada. Só a terceira tentativa vingou &#8211; essa &#8220;Corte na Roça&#8221; que a Companhia Souza Bastos representou em janeiro de 1885.</em></p>
<p><em>Foi o sucesso, a celebridade mais alargada, e Francisca Gonzaga fixou-se como compositora de theatro leve, em que havia de continuar, por toda a sua vida activa. Ninguém está esquecido, imagino, de uma peça deliciosa que ainda hoje pode se sustentar, sem graves symptomas de velhice, a &#8220;Jurity&#8221;, com texto de Viriato Corrêa. Será talvez o que mais perdurável compoz Chiquinha Gonzaga. Aliás a combinação Chiquinha Gonzaga-Viriato Corrêa foi das mais felizes do nosso theatro popular.  Além da &#8220;Jurity&#8221;, &#8220;Maria e a Sertaneja&#8221; são das obras mais finas, no seu gênero, entre nós.</em></p>
<p><em>A invenção Chiquinha Gonzaga é discreta e raramente banal. Ella pertence a um tempo em que mesmo a composição popularesca, mesmo a música de dansa e das revistas de anno ainda não se degradaram cynicamente, procurando favorecer apenas os instinctos e sensualidades mais reles do público urbano, como hoje. Basta comparar uma canção, uma modinha, uma polka de Francisca Gonzaga corn a infinita maioria das canções dc rádio, os sambas, as marchinhas de Carnaval deste século, para reconhecer o que affirmo. Não se trata apenas de differenças condicionadas pelo tempo, conservando na differenciação o mesmo nível desavergonhadarnente baixo. Trata-se de um verdadeiro rebaixamento de nível, num interesse degradado em servir o público com o que lhe for mais fácil, mais immediatamente gostoso, para vencer mais rápido numa concorrência mais numerosa e brutal.</em></p>
<p><em>O interesse maior de Chiquinha Gonzaga está nisso: a sua música, assim como ela soube resvalar pela boemia carioca sem se tisnar, é agradavel, é simples sem attingir o banal, é fácil sem atingir a boçalidade. Os seus maiores succesos públicos, a &#8220;Lua Branca&#8221;, que ainda hoje cantam por ahi como modinha anonyma, a &#8220;Casa de Caboclo&#8221;, o lundu &#8220;P&#8217;ra Cera do Santissimo&#8221;, o famoso &#8220;Oh Abre Alas!&#8221; carnavalesco, e especialmente o &#8220;Corta-Jaca&#8221;, guardam na sua felicidade de invenção uma espécie de pudor, um recato melódico que não se presta nunca aos desmandos da sensualidade musical.</em></p>
<p><em>No livro de Mariza Lira, tão cheio de indicações históricas interessantes, vem aliás uma pequena inexactidão que convem rectificar. Foi costume entre nós, imprimir musicas de sentido político em lenços grandes, se não me engano trazidos ao pescoço. Informa Mariza Lira que &#8220;P&#8217;ra Cera do Santissimo&#8221; andou impressa em lenços de seda, tal a popularidade do lundu&#8217;. E adianta mais que um destes lenços esteve exposto na exposição de inconographia musical brasileira, realizada pelo Departamento de Cultura durante o Congresso da Língua Nacional Cantada. A inexactidão é que o lenço exposto, nessa occasião, não reproduzia a peça de Chiquinha Gonzaga, mas sim o &#8220;Chô Arauna&#8221;, e vinha provavelmente das últimas lutas ou primeiras celebrações do Treze de Maio.</em></p>
<p><em>Num outro passo do seu livro ainda, Mariza Lira dá como de acceitação definitiva a versão sobre a origem da palavra &#8220;maxixe&#8221;, para designar a nossa dansa urbana que antecedeu o samba carioca actual. Conta-se que essa designação derivou de um indivíduo que numa sociedade carnavalesca do Rio, chamada os Estudantes de Heidelberg, dansou de maneira tão especial e convidativa que todos começaram a imital-o. Esse indivíduo tinha o appelido de Maxixe; e como todos principiassem  a &#8220;dansar como o Maxixe&#8221;, em breve o nome do homem passou a designar a própria dansa. Ora, quem deu esta versão fui eu, que a ouvi do compositor Villa Lobos que por sua vez a teria ouvido de um velho, carnavalesco em seu tempo de mocidade, frequentador dos Estaudantes de Heldelberg e testemunha do facto. A versão é muito plausível, nada tem de extraordinária. Mas eu a dei com as devidas reservas, pois me parece que a coisa carece de maior confirmação. </em></p>
<p><em>O que eu apenas fixei é que o maxixe, como dansa carioca, appareceu na década que vae de 1870 a 1880, e isso coincide de facto com a existência dos Estudantes de Heldelberg. Não conheço texto algum de 1870 em que a palavra apareça. Em 1880 ella ja principia frequentando regularmente as revistas e jornaes do Rio. Mas as minhas pesquisas pararam nisto, eu levado por outros interesses mais profundos.</em></p>
<p><em>O livro de Mariza Lira nos conta pela primeira vez vários passos interessantes da vida de Francisca Gonzaga. A autora do &#8220;Corta-Jaca&#8221; foi realmente uma mulher enérgica, cheia de iniciativas. Republicana apaixonada, tomou parte nas lutas de 1893, publicando músicas de sentido político. Chegou a ter ordem de prisão, por isso, as copias de sua cançoneta &#8220;Aperte o Botão&#8221; foram apprehendidas e inutilisadas. </em></p>
<p><em>De outra feita, lhe doendo a sepultura miserável que guardava restos mortaes do autor do Hino Nacional, apesar de já nos seus 75 anos de idade, Chiquinha Gonzaga tomou a peito dar a Francisco Manuel morada mais digna. Serviu-se da Sociedade Brasileira de Autores Theatrais; lutou e conseguiu o seu intento. Na mocidade, discutindo com a pobreza, inventava as suas próprias vestes, em que havia sempre alguma originalidade lhe realçando a bonita carinha. Na cabeça, não podendo comprar os chapéus da moda, inventou trazer um toucado feito com um simples lenço de seda. Tão encantadora ficava assim e era tão diffícil de comprehender como arranjava o lenço, que uma vez, em plena rua do Ouvidor, uma senhora não se conteve, arrancou-lhe o lenço da cabeça, para descobrir o truque. Chiquinha indignada voltou-se e insultou a invejosa, chamando-lhe &#8220;Feia!&#8221;.</em></p>
<p><em>Francisca Gonzaga compôs 77 obras theatrais e tunas duas mil peças avulsas. Quem quizer conhecer a evolução das nossas dansas urbanas terá sempre que estudar muito attentamente as obras della. Vivendo no Segundo Império e nos primeiros decennios da República, Francisca Gonzaga teve contra si a phase musical muito ingrata em que compoz; phase de transicção, com suas habaneras, polkas, quadrilhas, tangos e maxixes, em que as características raciaes ainda lutam muito com os elementos de importação. E, ainda mais que Ernesto Nazaré, ella representa essa fase. A gente surprehende nas suas obras os elementos dessa luta como em nenhum outro compositor nacional. Parece que a sua fragilidade feminina captou com maior acceitação e também maior agudeza o sentido dos muitos caminhos em que se extraviava a nossa música de então.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8911" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8911/ED-CG_foto_01_009.jpg_1.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="471" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8911" target="_blank">Chiquinha Gonzaga ao piano, 17 de outubro de 1932. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">A Brasililiana Fotográfica agradece a colaboração de Bia Paes Leme, coordenadora de Música do Instituto Moreira Salles, e a de Euler Gouvêa, músico e assistente da Coordenadoria de Música do Instituto Moreira Salles, para a publicação desse artigo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>DINIZ, Edinha. <em>Chiquinha Gonzaga, uma história de vida</em>. São Paulo : Companhia das Letras, 2009.</p>
<p>FRANCESCHI, Humberto. <em>A Casa Edison e seu tempo</em>. Rio de Janeiro: Sarapuí, 2002.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>NASCIMENTO, Rafael. <a href="https://www.redalyc.org/jatsRepo/4056/405652965002/html/index.html" target="_blank"><em>Catete em ré menor: tensões da música na Primeira República</em></a>. <span class="institucion">Universidade Estadual de Campinas : </span><span class="journal">Revista do Instituto de Estudos Brasileiros</span>, <span class="issue">núm. 67</span>, <span class="year">2017. </span>Instituto de Estudos Brasileiros.</p>
<p>PASCHOALOTTO, Ivanete; SIMILI, Ivana. <em>Nair de Teffé: Uma narrativa biográfica para as mulheres dos séculos XIX e XX</em>. Diálogos &amp; Saberes, Mandaguari, 2011.</p>
<p>SANDRONI, Carlos. <em>Feitiço decente: transformações do samba no Rio de Janeiro, 1917-1933</em>. Rio de Janeiro ;  Jorge Zahar Editor, 2001.</p>
<div class="ficha">
<p class="art-title"><a href="https://chiquinhagonzaga.com/wp/" target="_blank">Site Chiquinha Gonzaga</a></p>
</div>
<p><a href="https://ims.com.br/titular-colecao/chiquinha-gonzaga/" target="_blank">Site Instituto Moreira Salles</a></p>
<p><a href="http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/1111-a-primeira-mulher-caricaturista-do-brasil" target="_blank">Site Multirio</a></p>
<p><a href="https://musicabrasilis.org.br/compositores/catulo-da-paixao-cearense" target="_blank">Site Musica Brasilis</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;p=22813</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Série “Conflitos” I &#8211; A Revolta da Armada</title>
		<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2375</link>
		<comments>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2375#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2015 12:04:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Efemérides]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Custódio de Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Deodoro da Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Floriano Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia histórica]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[história do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[República]]></category>
		<category><![CDATA[Revolta da Armada]]></category>
		<category><![CDATA[Rui Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[Saldanha da Gama]]></category>
		<category><![CDATA[século XIX]]></category>
		<category><![CDATA[Série "Conflitos"]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brasilianafotografica.bn.br/?p=2375</guid>
		<description><![CDATA["Grave notícia se espalhou desde manhã cedo pela cidade: uma parte da força armada da nação se sublevara, e havia uma greve assustadora na estrada de ferro Central.

Nem tudo isso era verdade. Os sucessos ocorridos na estrada não tinham a gravidade que se anunciava; mas era certo que a esquadra se achava em atitude francamente hostil ao governo".

Assim a Gazeta de Notícias, de 7 de setembro de 1893, iniciava a matéria sobre a Revolta da Armada, rebelião da última década do século XIX, que evidenciou algumas das cisões da então incipiente República brasileira.

A Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores registros fotográficos desse acontecimento produzidos pelo importante fotógrafo Marc Ferrez (1843-1923), que foi fotógrafo da Marinha brasileira, e pelo espanhol Juan Gutierrez (?-1897), que chegou ao Brasil, provavelmente, na década de 1880, e foi um dos últimos profissionais que recebeu o título de "Fotógrafo da Casa Imperial", em 1889.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Grave notícia se espalhou desde manhã cedo pela cidade: uma parte da força armada da nação se sublevara, e havia uma greve assustadora na estrada de ferro Central.</p>
<p>Nem tudo isso era verdade. Os sucessos ocorridos na estrada não tinham a gravidade que se anunciava; mas era certo que a esquadra se achava em atitude francamente hostil ao governo&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 520px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3073" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3073/002055RevdaArmada039.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="510" height="340" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3073" target="_blank">Juan Gutierrez. Revolta da Armada &#8211; Arsenal de Marinha, c. 1893. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Assim a <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=8979" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias, </em>de 7 de setembro de 1893</a>, iniciava a matéria sobre a Revolta da Armada, rebelião da última década do século XIX, que evidenciou algumas das cisões da então incipiente República brasileira.</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores registros fotográficos desse acontecimento produzidos pelo importante fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6305" target="_blank">Marc Ferrez (1843-1923)</a>, que foi fotógrafo da Marinha brasileira, e pelo espanhol <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5398" target="_blank">Juan Gutierrez (?-1897)</a>, que chegou ao Brasil, provavelmente, na década de 1880, e foi um dos últimos profissionais que recebeu o título de &#8220;Fotógrafo da Casa Imperial<i>&#8220;</i>, em 1889.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=%22revolta+da+armada%22&amp;submit=Ir" target="_blank">Acessando o link para as fotografias da Revolta da Armada disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Comitê Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da UNESCO, o MoWBrasil, reunido em Sessão Plenária com a maioria de seus membros, entre os dias 2 e 3 de outubro de 2017, na cidade de Belo Horizonte, escolheu 10 das 22 candidaturas recebidas ao Edital MoWBrasil 2017, para serem inscritas no Registro Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da UNESCO. <em>Os registros iconográficos da Revolta da Armada (1893 &#8211; 1894)</em>, cuja inscrição foi proposta pelo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, pelo Instituto Moreira Salles e pelo Museu Histórico Nacional*, foi um dos selecionados. O IMS é um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica e o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro é parceiro do portal.</p>
<p>Os outros escolhidos cujos proponentes são parceiros ou fundadores da Brasiliana Fotográfica foram o <em>Arquivo Lima Barreto</em>, da Fundação Biblioteca Nacional; a <em>Coleção Família Passos</em>, do Museu da República; a <em>Correspondência original dos governadores do Pará com a corte. Cartas e anexos (1764-1807)</em>, do Arquivo Nacional; o <em>Formulário médico manuscrito atribuídos aos jesuítas e encontrado em uma arca da igreja de São Francisco de Curitiba</em>, da Fundação Oswaldo Cruz.</p>
<p>Também foram selecionados: Atas do Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado &#8211; o início da Previdência no Brasil, da Mongeral Aegon Seguros e Previdência; a Coleção Tribunal de Segurança Nacional: a atuação do Supremo Tribunal Militar como instância revisional, 1936-1955, do Superior Tribunal Militar; a Coleção Vladimir Kozák: acervo iconográfico, filmográfico e textual de Povos Indígenas Brasileiros (1948 – 1978), do Museu Paranaense; os Livros de registros da Polícia Militar da Bahia, da Polícia Militar da Bahia; e o Testamento do senhor Martim Afonso de Souza e de sua mulher dona Ana Pimentel, da Universidade Federal de Minas Gerais.</p>
<p>A cerimônia de entrega dos certificados ocorrerá no dia 7 de dezembro, no Rio de Janeiro, no Forte de Copacabana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #800000;">Um pouco da história da Revolta da Armada</span></strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As origens da Revolta da Armada remontam a novembro de 1891 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=4529" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 5 de novembro de 1891, na primeira coluna),</a> quando o marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), primeiro presidente do Brasil, fechou o Congresso Nacional por não conseguir negociar com as bancadas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados produtores de café. Sob a liderança do contra-almirante Custódio de Mello (1840 &#8211; 1902), unidades da Marinha se sublevaram e ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro. Vinte dias depois, em 23 de novembro, Deodoro renunciou e o vice-presidente, marechal Floriano Peixoto (1839-1895), assumiu a presidência (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=4651" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 24 de novembro de 1891</a>). Porém, não convocou eleições presidenciais conforme previa a Constituição em vigor. Foi acusado de ocupar ilegalmente a presidência.</p>
<p>Em 1892, ocorreu o primeiro movimento de oposição: 13 oficiais-generais divulgaram um manifesto exigindo a convocação de eleições. Os líderes do movimento foram presos e parte deles foi mandada para o interior do estado do Amazonas, na cidade de Tabatinga (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=763659&amp;PagFis=11065" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 23 de abril de 1892, sob os títulos &#8220;Manifesto&#8221; e &#8220;Habeas Corpus&#8221;</a>).</p>
<p>Em <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=8979" target="_blank"> 6 de setembro de 1893</a>, um grupo de oficiais da Marinha, liderados pelo ministro da Marinha e da Guerra, o contra-almirante Custódio de Mello (1840 &#8211; 1902), que pretendia se candidatar à sucessão de Floriano Peixoto, voltou a se rebelar. Iniciava-se assim a Revolta da Armada, na Baía de Guanabara, com os navios <em>Aquidabã</em>, <em>Javari</em>, <em>Trajano</em> e <em>República</em>. Custódio de Mello divulgou um manifesto acusando o governo de ter &#8220;armado brasileiros contra brasileiros&#8221; e de ter iludido<i> &#8220;</i>a Nação, abrindo com mão sacrílega as arcas do erário público a uma política de suborno e corrupção&#8221;(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=8985" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 8 de setembro de 1893, na quinta coluna</a>). Também fazia parte do grupo o almirante Eduardo Wandenkolk (1838 &#8211; 1902), que havia sido ministro da Marinha do governo de Deodoro da Fonseca e que, um ano antes, havia sido um dos oficiais presos por ter assinado o manifesto dos 13 generais.  Além das acusações contra a política de Floriano Peixoto, os oficiais da Marinha também se ressentiam de seu desprestígio em relação aos oficiais do Exército.</p>
<p>Em 13 de setembro, os fortes fluminenses, em poder do Exército, começaram a ser bombardeados (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9013" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 14 de setembro de 1893, sob o título &#8220;A Revolta&#8221;</a>). A frota das forças rebeldes era formada por embarcações da Marinha de Guerra e por navios civis de empresas brasileiras e estrangeiras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19031" style="width: 748px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4856" target="_blank"><img class=" wp-image-19031" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/revilu1.jpg" alt="Reista Illustrada, outubro de 1893" width="738" height="452" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4856" target="_blank"><em>Revista Illustrada</em>, outubro de 1893</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19032" style="width: 272px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4859" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19032" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/revilu11.jpg" alt="Revista Illustrada, outubro de 1893" width="262" height="381" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4859" target="_blank"><em>Revista Illustrada</em>, outubro de 1893</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na Marinha os revoltosos eram maioria, porém enfrentavam forte oposição no Exército, onde milhares de jovens aderiam aos batalhões que apoiavam o presidente Floriano. As elites dos estados, principalmente a de São Paulo, também eram favoráveis a Floriano.</p>
<p>Na madrugada de 1º de dezembro, Custódio de Mello, no <em>Aquidabã</em>, seguido do <em>República</em> e de cruzadores auxiliares, foi para o sul para unir-se aos federalistas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_02&amp;PagFis=8766" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 2 de dezembro de 1893</a>, sob o título &#8220;A Revolta&#8221;). Na época acontecia a <a href="http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/REVOLU%C3%87%C3%83O%20FEDERALISTA.pdf" target="_blank">Revolução Federalista</a>, uma disputa entre os federalistas (maragatos) e republicanos (pica-paus), esses últimos apoiados por Floriano. A cidade de Desterro, como se chamava então a capital de Santa Catarina, foi dominada pelos revoltosos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 445px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3052" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3052/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="435" height="316" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3052" target="_blank">Juan Gutierrez. Ilha das Cobras, c. 1893. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 7 de dezembro, o contra-almirante Luís Filipe Saldanha da Gama (1846 &#8211; 1895), então diretor da Escola Naval, aderiu ao movimento, assumindo o comando dos revoltosos no Rio de Janeiro, dando início à segunda fase da Revolta da Armada (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9261" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de dezembro de 1893, na segunda coluna</a>). A essa altura, os rebelados contavam com pouca munição e não dispunham de víveres. A Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, foi praticamente destruída pelas tropas legalistas e,<span style="color: #000000;"> em 9 de fevereiro de 1894,</span> quando os rebelados, sob o comando de Saldanha da Gama, desembarcaram na Ponta da Armação, em Niterói, foram derrotados. Também foram vencidos na Ilha do Governador (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9463" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 10 de fevereiro de 1894, sob o título &#8220;A Revolta&#8221;</a>).</p>
<p>Niterói, que era a capital do estado do Rio de Janeiro, teve seus sete fortes bombardeados. Em 20 de fevereiro de 1894 , a sede do governo foi então transferida para Petrópolis, cidade serrana fora do alcance dos canhões da Marinha (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=304808&amp;PagFis=837" target="_blank"><em>Gazeta de Petrópolis,</em> 24 de fevereiro de 1894</a>). Niterói só voltaria a sediar a capital em 1903.</p>
<p>O governo federal havia adquirido navios de guerra, que foram apelidados de &#8220;frota de papelão&#8221;. O comando dessa esquadra foi entregue ao almirante Jerônimo Gonçalves (1835 &#8211; 1903), veterano da Guerra do Paraguai. Em março de 1894, com o apoio do Exército e do Partido Republicano Paulista (PRP), a Revolta da Armada foi sufocada ( <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=178691_02&amp;PagFis=9366" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 14 de março de 1894</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9595" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de março de 1894</a>). Os rebeldes se asilaram nos navios portugueses <em>Mindelo</em> e <em>Afonso de Albuquerque</em>, terminando a segunda fase da revolta.</p>
<p>A Revolução Federalista continuava no sul, para onde Saldanha da Gama e seus homens foram conduzidos. Custódio de Mello havia tomado o porto de Paranaguá e estava unido ao líder federalista Gumercindo Saraiva (1852 &#8211; 1894). Tomaram a cidade da Lapa e as tropas do governo deslocaram-se para o sul. <span style="color: #000000;">Em 16 de abril de 1894, o</span> encouraçado <em>Aquidabã</em>, dos revoltosos, foi torpedeado, em Santa Catarina, pela torpedeira <em>Gustavo Sampaio, </em>comandada pelo tenente Altino Flavio de Miranda Correia (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9733" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 18 de abril de 1894, sob o título &#8220;A Revolta&#8221;</a>).</p>
<p><span style="color: #000000;">No cruzador <em>República, </em>Custódio de Mello, comandando quatro navios mercantes e dois mil homens, tentou, sem sucesso, desembarcar na cidade do Rio Grande. Foi derrotado pelas tropas do governo de Julio de Castilhos. Os revolucionários da Armada estavam vencidos. Custódio refugiou-se na Argentina, onde entregou os navios </span><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;"> (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=369365&amp;PagFis=13421" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 23 de abril de 1894</a><span style="color: #000000;">)</span></span>. Segundo o historiador Helio Silva, o fim da terceira e última fase da Revolta da Armada aconteceu com a morte de Saldanha da Gama, em 25 de junho de 1895, em Campo Osório, no Rio Grande do Sul (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=12183" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 26 de junho de 1895</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_2768" style="width: 226px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=714178&amp;PagFis=168"><img class="wp-image-2768 size-medium" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/gama-216x300.jpg" alt="Saldanha da Gama" width="216" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=714178&amp;PagFis=168" target="_blank">Homenagem ao almirante Saldanha da Gama, na revista <em>Don Quixote</em>, jornal illustrado de Angelo Agostini, de 29 de junho de 1895.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Floriano Peixoto ficou conhecido como &#8220;Marechal de Ferro&#8221; e governou até 15 de novembro de 1894, quando foi sucedido por Prudente de Morais, primeiro presidente civil do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_2782" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=332747&amp;PagFis=5018" target="_blank"><img class="wp-image-2782 size-medium" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/0-300x206.jpg" alt="Floriano Peixoto" width="300" height="206" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=332747&amp;PagFis=5018" target="_blank">Homenagem da <em>Revista Illustrada</em>, de julho de 1895, na ocasião da morte do marechal Floriano Peixoto.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Decreto nº 310, de 21 de outubro de 1895, anistiou &#8220;todas as pessoas que directa ou indirectamente se tenham envolvido nos movimentos revolucionarios occorridos no territorio da Republica até 23 de agosto do corrente anno, com as restricções que estabelece&#8221;(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=12933" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 22 de outubro de 1895,</a> sob o título &#8220;Amnistia&#8221;). Custódio de Mello e outros oficiais envolvidos na Revolta da Armada  retornaram ao Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=12946" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 24 de outubro de 1895</a>, sob o título &#8220;Telegrammas&#8221;, e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=12983" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 31 de outubro de 1895,</a> no topo da segunda coluna). Chegaram no Rio de Janeiro em 6 de novembro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=13021" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 7 de novembro de 1895</a>, na terceira coluna).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_2783" style="width: 227px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=714178&amp;PagFis=282" target="_blank"><img class="wp-image-2783 size-medium" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/1-217x300.jpg" alt="Custódio de Mello" width="217" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=714178&amp;PagFis=282" target="_blank">Capa da revista <em>Don Quixote</em>, jornal ilustrado de Angelo Agostini, de 9 de novembro de 1895, com a figura do almirante Custódio de Mello.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para a elaboração desse resumo da Revolta da Armada, a Brasiliana Fotográfica pesquisou diversos jornais da Hdmeroteca Digital da Biblioteca Nacional, além do Atlas da Fundação Getúlio Vargas, e dos livros <em>A Revolta da Armada</em>, de Hélio Leôncio Martins; <em>Nasce a República 1888-1894</em>, de Hélio Silva, e &#8220;Coleção História Naval Brasileira&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;"><em>Outras publicações da Brasiliana Fotográfica sobre conflitos no Brasil:</em></span></strong></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=3002" target="_blank">Guerra de Canudos pelo fotógrafo Flavio de Barros</a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?page_id=9533" target="_blank">Lampião e outros cangaceiros pelas lentes de Benjamin Abrahão</a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8034" target="_blank">Registros da Guerra do Paraguai</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica convida seus leitores para uma visita ao<a href="http://www.correioims.com.br/" target="_blank"> Correio IMS</a>, onde estão publicadas duas cartas que o jurista, escritor e jornalista Rui Barbosa (1849-1923) &#8211; opositor de Floriano Peixoto, que o considerava o mentor intelectual da Revolta da Armada &#8211; escreveu para sua esposa, Maria Augusta Viana Bandeira (1855-1949), na época da rebelião:</p>
<p><a href="http://www.correioims.com.br/carta/as-delicias-de-ser-preso/" target="_blank">&#8220;As &#8220;delícias&#8221; de ser preso&#8221;, de 7 de setembro de 1893</a></p>
<p><a href="http://www.correioims.com.br/carta/nao-sei-como-ainda-vivo/" target="_blank">&#8220;Não sei como ainda vivo!&#8221;, de 19 de setembro de 1893</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica faz um agradecimento especial ao Departamento de História da Marinha, à socióloga Roberta Zanatta e ao arquiteto Bruno Buccalon, ambos da equipe do IMS.<span style="color: #000000;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>*ERRATA: anteriormente, a Brasiliana Fotográfica havia apontado o Museu da República como um dos proponentes. A correção foi feita em 30 de maio de 2018.</p>
<p>Esse artigo passou a integrar a série <em>Conflitos</em>, em 20 de março de 2026.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;p=2375</wfw:commentRss>
		<slash:comments>11</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
