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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Rio de Janeiro</title>
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		<title>Rio de encantos mil, por Cristiane d´Avila</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 12:26:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A jornalista Cristiane d´Avila é a autora do artigo "Rio de encantos mil", onde homenageia a natureza do Rio de Janeiro imortalizada nas belas fotografias e nos negativos de vidro sob a guarda do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/ Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. São imagens, realizadas por fotógrafos ainda não identificados, da paisagem natural da cidade que inspira, há séculos, viajantes e artistas das mais variadas nacionalidades e tendências.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Rio de encantos mil</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">Cristiane d´Avila*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Este artigo é uma homenagem à natureza do Rio de Janeiro imortalizada nas belas fotografias e nos negativos de vidro sob a guarda do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz. São imagens da paisagem natural, do início do século XX, registros de um tempo em que a cidade ainda mantinha sua vegetação quase intocada, distante das intervenções urbanísticas que a transformariam. Nelas, é possível viajar no tempo em busca da cidade imaginada, “<em>esfinge amorosa</em>”, como bem definiu o carioca Carlos Lessa. Rio dos cronistas e escritores, músicos e pintores; Rio do encantamento e das ruas que têm alma; Rio cartão-postal, Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil, coração do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14448" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14448/02-10-20-50-001-029.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="515" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14448" target="_blank">Enseada de Botafogo com vista do Pão de Açúcar ao fundo, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><a href=" https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/461   " target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acessando o link para as fotografias das belezas naturais do Rio de Janeiro do  acervo da Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A beleza natural do Rio de Janeiro inspira, há séculos, viajantes e artistas das mais variadas nacionalidades e tendências. Narrada em prosa, cantada em versos, retratada em óleo e aquarela ou revelada pela fotografia, a natureza do Rio jamais deixou de despertar encantamento. Ainda hoje, impressiona pela harmoniosa combinação entre montanhas, mar e vegetação, singularidade reconhecida e admirada no mundo inteiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14441" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14441/02-10-20-35-005-308.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="506" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14441" target="_blank">Baía de Guanabara com Fortaleza de Santa Cruz e Pão de Açúcar ao fundo, 17 de maio de 1913. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No século XIX, a paisagem carioca fascinava a Europa por meio das fotografias de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank">Marc Ferrez (1843-1922)</a> e dos panoramas imortalizados por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492" target="_blank">George Leuzinger (1813-1892)</a>. Nesse mesmo período, artistas como Émile Taunay (1795-1881), <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=9392" target="_blank">Victor Meirelles (1832-1903) </a>e William Smith (1769-1839) produziram imagens idílicas da Lagoa Rodrigo de Freitas, da Baía de Guanabara, da Floresta da Tijuca, da Gávea, da Praia de Botafogo e de Santa Teresa. Para esses artistas, a natureza estava longe de ocupar um papel estático no imaginário nacional: ela adquiria protagonismo próprio, convertendo-se em expressão viva de uma nação concebida sob os signos da riqueza e exuberância natural.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14447" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14447/BR-RJ-COC-02-10-20-50-001-011.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="445" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14447" target="_blank">Lagoa Rodrigo de Freitas com o Corcovado ao fundo, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O mesmo ardor que exaltava, e ainda hoje celebra, a beleza do Rio de Janeiro, também alimentava movimentos de resistência à degradação de suas riquezas naturais. Moradores e visitantes, movidos por afeição declarada pela paisagem carioca, produziram discursos ora entusiasmados, ora melancólicos, em defesa de sua preservação. Manifestações suscitadas pelo avanço do crescimento urbano sobre sua natureza pujante, porém vulnerável, símbolo da identidade nacional, permanecem até hoje inscritas no imaginário coletivo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14446" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14446/02-10-20-50-001-037.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="548" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14446" target="_blank">Enseada de Botafogo, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo o historiador e crítico de arte Giulio Carlo Argan (1909 &#8211; 1992), a natureza nunca perdeu o lugar do mito e do sagrado na construção da cidade. Ela compõe o espaço do não construído, não protegido, não organizado, que tremula ao redor do recinto sagrado erguido pela civilização. Representa, para o autor, “o limite, a fronteira entre o habitado e o inabitável, entre a cidade e a selva, entre o espaço geométrico ou mensurável e a dimensão ilimitada, incomensurável do ser”. Daí o símbolo da beleza, a “cidade maravilha”, o emblemático cartão-postal não ter sua imagem suplantada pela do Rio “partido”, na expressão cunhada pelo jornalista Zuenir Ventura (1931 -), o Rio da violência, da degradação ambiental – purgatório do caos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14450" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14450/02-10-20-35-005-306.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14450" target="_blank">Fortaleza de São João, 17 de maio de 1913. Rio de Janeiro, RJ / Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em <em>Cronistas do Rio</em>, a ensaísta Beatriz Resende (1948-) apresenta a cidade como parte integrante e inseparável da vida de seus moradores e motivo de inspiração, de juras apaixonadas e também de indignação diante de sua descaracterização. Resende recupera, nesse contexto, o olhar de Machado de Assis (1839 &#8211; 1908) e seu apego “quase provinciano” às marcas autênticas da cidade, perceptível na melancolia com que lamentava, em suas crônicas, a derrubada de uma árvore ou o aterramento de uma praia, ocasionadas pela remodelação urbana do centro do Rio conduzida pelo prefeito Pereira Passos, no início do século XX.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14449" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14449/BR-RJ-COC-02-10-20-50-001-009.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="427" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14449" target="_blank">Praia de Copacabana, 22 de novembro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em seu <em>Lima Barreto e o Rio de Janeiro em Fragmentos</em>, Beatriz Resende ressalta a paixão do escritor pela cidade. Segundo a autora, a contemplação da paisagem carioca, suas formas, cores e atmosferas naturais, fez com que Lima considerasse a perda de uma casa, uma árvore, o pior dos castigos. Na obra, ela observa ainda que, em seu <em>Diário Íntimo</em>, Lima Barreto (1881 &#8211; 1922) descreve sua “amada”, a cidade, em passagens marcadas por uma sensualidade quase erótica, nos quais a natureza é expressada com delicadeza e lirismo: “As ondas verde-claro rebentam antes da praia em franjas de espuma. Pelo ar havia meiguice, e blandícias tinha o vento a sussurrar”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14445" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14445/02-10-20-50-001-038.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="545" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14445" target="_blank">Caminho aéreo do Pão de Açúcar, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No livro de contos <em>Marcovaldo ou As Estações na Cidade</em>, do escritor e jornalista Italo Calvino (1923 &#8211; 1985), a natureza está além das fronteiras da cidade, ela está afastada, quase inacessível, destacada do frenesi urbano. No universo fantástico do escritor, acolhe aqueles que escapam à lógica rígida da vida moderna — figuras deslocadas, capazes de perceber o sublime, o ilimitado e tudo aquilo que a cidade tenta conter ou silenciar. Nos contos, o protagonista <em>Marcovaldo</em> transita no espaço urbano sem jamais pertencer inteiramente a ele, como observador suspenso entre dois mundos. Nesta obra de Calvino, a natureza assumirá a função de refúgio e deslocamento, de instrumento capaz de proporcionar instantes de plenitude e efêmera esperança, quase sempre atravessados pela aridez da experiência urbana e a fugacidade da vida moderna.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14443" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14443/02-10-20-50-001-018.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14443" target="_blank">Igreja da Penha e arredores, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A natureza do Rio de Janeiro surge ainda como cenário de acontecimentos singulares e memoráveis vividos pelo jornalista e cronista carioca <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=23302" target="_blank">João do Rio (1881-1921</a>). Durante a passagem da bailarina norte-americana Isadora Duncan (1877-1927) pela cidade, em 1916, ele e o escritor Gilberto Amado (1887-1969) conduziram a artista em um passeio noturno à praia de Ipanema e à Cascatinha da Tijuca. Raimundo Magalhães Júnior (1907 &#8211; 1981), primeiro biógrafo do jornalista, rememorou o episódio relatado a ele por Gilberto Amado na obra <em>A vida vertiginosa de João do Rio</em>:</p>
<p>“Foram à Cascatinha, que [Duncan] já vira e queria rever ao clarão da lua. Isadora atordoou-se com o vozeio assombrador da mata”. Segundo Gilberto, a cena culmina na cascata da Floresta da Tijuca, onde a artista se banhou ao luar, nua, em um gesto de entrega e fascínio diante da exuberância natural: “foi acometida de uma espécie de delírio no meio dos sibilos, uivos e gemidos da mata, interrompidos apenas pelo som das ondas quebrando na praia. <em>Oh God</em>!, largou Isadora como que acordando”. Em carta ao amigo português João de Barros, João do Rio declara paixão avassaladora pela bailarina: <em>“passei os 15 dias mais felizes da minha vida no êxtase amoroso, no verdadeiro amor, com uma criatura que é gênio, Bondade divina – tudo. Essa criatura que me olhou que me desejou, que quase me faz secretário humilde foi Isadora</em>. <em>Nunca amei assim! A minha vida está dentro do sol. Meu Deus! Mas é assim o amor? Eu só o senti assim agora aos 35 anos! Foi transfiguração</em>”.</p>
<p>É o Rio de Janeiro que apaixona e arrebata!</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14442" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14442/02-10-20-50-001-028.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14442" target="_blank">Aspecto da Praia do Flamengo após ressaca na Baía de Guanabara. Ao fundo, o Morro da Viúva, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Cristiane d´Avila é é jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Referências:</strong></span></p>
<p>ARGAN, Giulio Carlo. <em>História da arte como história da cidade</em>. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 213.</p>
<p>CALVINO, Italo. <em>Marcovaldo ou as estações na cidade</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.</p>
<p>LESSA, Carlos. <em>O Rio de todos os Brasis</em>. Rio de Janeiro: Record, 2000.</p>
<p>MAGALHÃES JÚNIOR, Raimundo de. <em>A vida vertiginosa de João do Rio</em>. Brasília: Civilização Brasileira, 1997, p. 267.</p>
<p>RESENDE, Beatriz. <em>Lima Barreto e o Rio de Janeiro em fragmentos</em>. Rio de Janeiro: ed. UFRJ: Ed. UNICAMP, 1993, p. 99.</p>
<p>RESENDE, Beatriz (Org.). <em>Cronistas do Rio</em>. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995.</p>
<p>RIO, João do. <em>Cartas de João do Rio</em>: a João de Barros e Carlos Malheiro Dias. Introdução, organização e notas: Cristiane d’Avila. Prefácio: Zuenir Ventura. Rio de Janeiro: FUNARTE, 2012, p. 252.</p>
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		<title>O Paço Imperial, o palácio mais antigo do Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2026 12:58:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Paço Imperial, o mais antigo palácio da cidade do Rio de Janeiro, além de importante historicamente - foi palco do Dia do Fico, da assinatura da Lei Áurea e o centro das decisões que ocasionaram a Proclamação da Independência - é também muito bonito, atrativo que certamente impressionou diversos fotógrafos. Hoje destacamos imagens realizadas por Antonio Luiz Ferreira, Camillo Vedani, Georges Leuzinger, Guilherme Santos, Juan Gutierrez, Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb. Há também imagens produzidas por fotógrafos ainda não identificados. Os 40 anos do Paço como centro cultural foram celebrados com a realização da exposição coletiva "Constelações", que se encerra hoje.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O Paço Imperial, o mais antigo palácio da cidade do Rio de Janeiro, além de importante historicamente &#8211; foi palco do <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/094170_01/1342" target="_blank">Dia do Fico</a>, da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=520" target="_blank">assinatura da Lei Áurea</a> e o centro das decisões que ocasionaram a Proclamação da Independência &#8211; é também muito bonito, atrativo que certamente impressionou diversos fotógrafos. Hoje destacamos imagens  realizadas por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16763" target="_blank">Antonio Luiz Ferreira (18? &#8211; 19?)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5382" target="_blank">Camillo Vedani (18? &#8211; 1888)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492" target="_blank">Georges Leuzinger (1813 &#8211; 1892)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5545" target="_blank">Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5398" target="_blank">Juan Gutierrez (c. 1860 &#8211; 1897)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a> e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5809" target="_blank">Revert Henrique Klumb (c. 1826 &#8211; c. 1886)</a>. Todos esses fotógrafos já foram personagens centrais de artigos publicados na Brasiliana Fotográfica. Há também imagens produzidas por fotógrafos ainda não identificados. As fotos são provenientes do acervos fotográficos das instituições fundadoras do portal &#8211; a Fundação Biblioteca Nacional e o Instituto Moreira Salles &#8211;  e de duas de suas instituições parceiras &#8211; o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde e o Museu Histórico Nacional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 707px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4420" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4420/SAm52-0034.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="697" height="577" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4420" target="_blank">Georges Leuzinger. Paço Imperial, c. 1865. Rio de Janeiro, RJ / Convênio Instituto Moreira Salles – Leibniz-Institut für Länderkunde</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/429" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias selecionadas do Paço Imperial disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4675" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4675/0072430cx097.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="698" height="562" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4675" target="_blank">Marc Ferrez. Prédio do Paço Imperial, c. 1890. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Paço Imperial foi, no século XVIII, a residência do governador e do Vice-Rei. Em 1808, com a vinda de dom João VI (1767 &#8211; 1826) para o Rio de Janeiro, passou a se chamar Paço Real e tornou-se a residência oficial da família real e o centro de poder do Reinado e do Império.  Recebeu o nome atual, em 1822, e passou a ser a sede administrativa do governo, além de abrigar eventos oficiais e festas. Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, passou a sediar os Correios e Telégrafos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43218" style="width: 869px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/306975/6010" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43218" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/paço.jpg" alt="Paço Imperial quando sediou, após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889 / REvista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 1984" width="859" height="382" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/306975/6010" target="_blank">Paço Imperial quando sediou o Departamento de Correios e Telégrafos, após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, por um fotógrafo ainda não identificado / <em>Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional</em>, 1984</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi tombado pelo SPHAN, em 1938. Em 1982, a Fundação Nacional Pró-Memória, sob a direção de Aloisio Magalhães (1927-1982), deu partida ao processo de restauração do prédio. Em 1985, já reformado sob o comando do arquiteto Glauco Campello (1930-2015), passou a funcionar como um Centro Cultural.</p>
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<div style="width: 709px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6963" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6963/007A5P3F03-009.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="699" height="549" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6963" target="_blank">Antonio Luiz Ferreira. Assinatura da Lei Áurea no Paço Imperial, 13 de maio de 1888. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6986" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6986/007A5P3F03-002.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6986" target="_blank">Camillo Vedani. Praça D. Pedro II, atual Praça XV de novembro; à direita, Paço Imperial; ao fundo, chafariz do mestre Valentim, c. 1865. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Seus 40 anos como centro cultural foram comemorados com a exposição coletiva <em>Constelações</em>, inaugurada em 28 de março e que termina hoje. A curadoria da mostra foi de Claudia Saldanha, Ivair Reinaldim e equipe do Paço Imperial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/paço1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-43978" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/paço1.jpg" alt="paço1" width="415" height="485" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Leia aqui alguns artigos publicados na <em>Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional</em> de 1984 sobre a restauração do Paço Imperial:</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/306975/6004" target="_blank"><em>Paço Imperial: história e ressurreição de um palácio, </em>por Pedro Calmon, então presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ilustrada com imagens produzidas pelo austríaco Thomas Ender (1893 &#8211; 1875), pelo francês Jean-Baptiste Debret (1768 &#8211; 1868), do francês Louis-Auguste Moreau (1818 &#8211; 1877) e do suíço Abram Louis Buvelot (1814 &#8211; 1888), por Antonio Luiz Ferreira (18? &#8211; 19?), por Urias Antonio da Silveira (18? &#8211; ?), do arquiteto português Pinto Alpoim (1700 &#8211; 1775) e de Pedro Lobo (19? -?).</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/306975/6008" target="_blank"><em>A restauração do Paço: revendo 240 anos de transformações</em>, por Glauco Campello, arquiteto e coordenador da restauração do Paço, ilustrada com aquarelas do inglês Richard Bate (1775 &#8211; 1856), de 1808, e do austríaco Thomas Ender (1893 &#8211; 1875), de 1817; com um desenho do alemão <span data-wiz-uids="XBUSAb_b" data-processed="true">Karl Wilhelm von Theremin</span> (1784-1852), de 1818, e com um do francês Louis-Auguste Moreau (1818 &#8211; 1877) e do suíço Abram Louis Buvelot (1814 &#8211; 1888), de 1842; e por fotografias de Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923), de 1880, e de um fotógrafo ainda não identificado (posterior à Proclamação da República).</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/306975/6021" target="_blank"><em>O novo Paço: uma obra para debates,</em> pelo arquiteto Cyro Corrêa Lyra, ilustrada com uma imagem produzida por Leandro Joaquim (1838 &#8211; 1898), de 1789.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/306975/6024" target="_blank"><em>Estudos preliminares para a restauração do Paço</em>, pelo arquiteto José de Souza Reis, com imagens de autoria do inglês William John Burchell (1781 &#8211; 1863), de 1825; e do arquivo pessoal do autor.</a></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/306975/6027" target="_blank"><em>A pesquisa arqueológica: primeiras notas,</em> pelas arqueólogas Regina Coeli Pinheiro da Silva, Edna June Morley e Catarina Eleonora Ferreira da Silva, ilustrada com fotografias produzidas por Pedro Lobo (19?-?), por uma gravura da Biblioteca Nacional e por plantas das escavações.</a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>CAVALCANTI, Lauro. <em>Paço Imperial.</em> Rio de Janeiro : Sextante Artes, 1999.</p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/348/" target="_blank">Portal IPHAN</a></p>
<p><a href="https://multi.rio/index.php/conteudo-geral/11364-pa%C3%A7o-imperial,-o-mais-antigo-dos-pal%C3%A1cios-cariocas" target="_blank">Portal MultiRio</a></p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicoes/70012-paco-imperial" target="_blank">Site Enciclopédia Itaú Cultural</a></p>
<p><a href="https://amigosdopacoimperial.org.br/missao/" target="_blank">Site Paço Imperial</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor e um breve histórico do uso da expressão &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221; como referência ao Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 12:56:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Adriana Marcolini]]></category>
		<category><![CDATA[Alfredo de Lacerda Maia]]></category>
		<category><![CDATA[Alfredo Maia]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Caetano da Costa Ribeiro]]></category>
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		<category><![CDATA[Capital Mundial do Livro]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje, quando é comemorado o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, o Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, passa a Rabat, capital de Marrocos, o posto de Capital Mundial do Livro, que assumiu há exatamente um ano. O Rio foi a primeira cidade de língua portuguesa escolhida para receber este título, um reconhecimento da excelência de seus programas de promoção da leitura. Em homenagem à cidade, cuja beleza e vocação exibicionista são inequívocas, a Brasiliana Fotográfica publica uma seleção de fotos da paisagem carioca, de alguns de seus símbolos mais icônicos e conta uma pouco da história do uso da expressão "Cidade Maravilhosa", que tornou-se seu epíteto. Viva a leitura! Viva a fotografia! Viva a Cultura! Viva a Cidade Maravilhosa!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Hoje, quando é comemorado o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, o Rio de Janeiro, a<em><span style="color: #800000;"><strong> Cidade Maravilhosa</strong></span></em>, passa a Rabat, capital de Marrocos, o posto de Capital Mundial do Livro, que assumiu há exatamente um ano. O Rio foi a primeira cidade de língua portuguesa escolhida para receber este título, um reconhecimento da excelência de seus programas de promoção da leitura. Em homenagem à cidade, cuja beleza e vocação exibicionista são inequívocas, a Brasiliana Fotográfica publica uma seleção de fotos da paisagem carioca, de alguns de seus símbolos mais icônicos e conta uma pouco da história do uso da expressão <em><strong><span style="color: #800000;">Cidade Maravilhosa, </span></strong></em><span style="color: #333333;">que tornou-se seu epíteto.</span></p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2554" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2554/007Marc%20Ferrez06.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="504" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2554" target="_blank">Marc Ferrez. Copacabana, c. 1895. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo o poeta e editor Alexei Bueno (1963 &#8211; ), a poetisa francesa<em> </em>Jane Catulle Mendès (1867 &#8211; 1955)<em> foi, senão a criadora, a oficializadora do epíteto do Rio de Janeiro. </em>Para o jornalista Rafael Sento Sé, autor do livro que inspirou esse artigo, foi ela <em>que criou o sonho de um Rio de Janeiro da Belle Époque. </em></p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3683" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3683/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="442" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3683" target="_blank">Phototypia A. Ribeiro; Maison Chic. Avenida Central, 1912?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2777" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2777/014AM012048.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="525" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2777" target="_blank">Augusto Malta. Vista Chinesa, 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas a expressão se popularizou, de fato, a partir da canção homônima de André Filho (1906 &#8211; 1974), gravada, em 1934, por ele e por Aurora Miranda (1915 &#8211; 2005) e sucesso no carnaval de 1936. O epíteto tornou-se eterno!</p>
<p>Viva a leitura! Viva a fotografia! Viva a Cultura! Viva a <em><strong><span style="color: #800000;">Cidade Maravilhosa</span></strong></em>!</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 586px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9866" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9866/037SL03109.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="576" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9866" target="_blank">Etapa da construção da estátua do Cristo Redentor &#8211; cabeça, c. 1930 . Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foram selecionados para essa publicação registros produzidos por fotógrafos ainda não identificados, e por <span style="color: #800000;"><strong>Antônio Caetano da Costa Ribeiro (18? – 19?)</strong></span>, <span style="color: #800000;"><strong>Augusto Malta (1864 &#8211; 1957),</strong></span> <span style="color: #800000;"><strong>Juan Gutierrez (c. 1860 &#8211; 1897)</strong></span> e <span style="color: #800000;"><strong>Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</strong></span>. São belas imagens produzidas desde fins do século XIX até as primeiras décadas do século XX. Do primeiro, Costa Ribeiro, ainda não temos informações consistentes sobre sua vida e trajetória profissional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6291" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6291/GT52.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="495" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6291" target="_blank">Juan Gutierrez. Panorama da Glória, 189?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/449" target="_blank"><strong><span style="color: #800000;">Acessando o link para fotos selecionadas da Cidade Maravilhosa de autoria de Antônio Caetano da Costa Ribeiro, Augusto Malta, Juan Gutierrez e Marc Ferrez disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</span></strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</span></em></strong></p>
<p>Foi na gestão do engenheiro Francisco Pereira Passos (1836 &#8211; 1913) como prefeito do Rio de Janeiro que, pela primeira vez, a prefeitura contratou um fotógrafo, o alagoano Augusto Malta, para documentar as obras da cidade. Ele ocupou o cargo até 1936, quando se aposentou. Incansável, elegante e bem-humorado, foi <em>com seus olhos irrequietamente falantes</em> o principal cronista visual do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Além de ter documentado as transformações urbanas e os grandes eventos da cidade como a Exposição Nacional de 1908, a construção do Teatro Municipal, em 1909; a Revolta da Chibata, em 1910; e a inauguração do Cristo Redentor, em 1931; fotografou personalidades políticas, intelectuais e artísticas; paisagens, monumentos, lojas, o casario decadente e as ressacas. Registrou também aspectos da vida carioca como, por exemplo, o carnaval de rua, o movimento dos quiosques, os eventos sociais, os moradores de cortiços, os vendedores ambulantes, as prostitutas, os marinheiros e cenas de praia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 318px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6658" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6658/CP-LE-PC_003.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="308" height="471" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6658" target="_blank">Augusto Malta, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Juan Gutierrez (c.1860 &#8211; 1897)</strong></em></span></p>
<p>Provavelmente nascido nas Antilhas, em torno de 1860, Juan Gutierrez foi um dos mais importantes fotógrafos paisagistas do século XIX e um dos maiores cronistas visuais do Rio de Janeiro, tendo registrado a transição da cidade imperial para a cidade republicana. Entre 1892 e 1896, produziu a maior parte de suas fotografias de paisagens cariocas, que eram vendidas para estrangeiros que visitavam a cidade. Partiu para Canudos, em 1897, onde, em 28 de junho, foi mortalmente ferido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_02&amp;pagfis=18556" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2016/06/foto-gutierrez-300x272.jpg" alt="foto gutierrez" width="300" height="272" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_02&amp;pagfis=18556" target="_blank">Desenho retratando Juan Gutierrez publicado no jornal O Paiz, 14 de julho de 1897</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</strong></em></span></p>
<p>O carioca Marc Ferrez foi um brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes do Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Sua vasta e abrangente obra iconográfica se equipara a dos maiores nomes da fotografia do mundo. Estabeleceu-se como fotógrafo com a firma Marc Ferrez &amp; Cia, em 1867, na rua São José, nº 96, e logo se tornou o mais importante profissional da área no Rio de Janeiro. Cerca de metade da produção fotográfica de Ferrez foi realizada na cidade e em seus arredores, onde registrou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 410px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5345" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5345/_MG_2200.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="400" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5345" target="_blank">Família Ferrez, c. 1912. Marc Ferrez está em pé. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Breve histórico do uso da expressão Cidade Maravilhosa como referência ao Rio de Janeiro</em></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4024" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4024/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="449" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4024" target="_blank">Antônio Caetano da Costa Ribeiro. Rio de Janeiro : Vista do Corcovado, 1905?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Cidade Maravilhosa e Alfredo Maia (1850 -1887)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O escritor e oficial da Marinha Portuguesa Alfredo Maia usou a expressão <span style="color: #800000;"><em><strong>cidade maravilhosa</strong></em></span> ao referir-se ao Rio de Janeiro no capítulo XIII de seu folhetim <em>Viagens de um marinheiro, </em>publicado no jornal português<em> Jornal da Noite (</em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/10633" target="_blank"><em>Jornal da Noite (Portugal)</em>, 05 e 06 de agosto de 1879, terceira coluna</a>).</p>
<p>“<em>A capital do império brasileiro goza créditos de uma <span style="color: #800000;"><strong>cidade maravilhosa</strong></span> e a sua baía rivaliza, diz-se, com o porto de Constantinopla e de Lisboa. Vamos lá ver tudo isso e sejamos justos em nossa admiração pelo que virmos&#8230;Com efeito, é esplêndido o magnífico porto do Rio de Janeiro, onde cabem à larga todas as esquadras do mundo!</em>”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43584" style="width: 885px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/10633" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43584" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane19.jpg" alt="Jornal da Noite (Portugal, agosto de 1879" width="875" height="392" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/10633" target="_blank"><em>Jornal da Noite</em> (Portugal), 5 e 6 de agosto de 1879</a></p></div>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2044" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2044/002002AMF002002.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="545" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2044" target="_blank">Marc Ferrez, c. 1890. Entrada da baía de Guanabara, vista de Niterói. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>Alfredo de Lacerda Maia, nascido em Alijó, cidade localizada na região do Douro, em 1850, foi redator dos jornais portugueses <em>Atlantico</em>,<em> folha destinada ao Brasil e repúblicas do Rio da Prata, </em>do<em> Jornal do Noite</em> e do<em> Mercantil . </em>Foi também colaborador da revista<em> Chronicas Modernas</em>. Em 1883, era segundo-tenente, comandante da lancha <em>Rio Minho</em> e por sua atuação recebeu uma nota de louvor do Ministério da Marinha de Portugal. Em 1886, já como capitão-tenente, era o governador do Timor e, pelos serviços que prestou ao comércio, recebeu dos negociantes da mencionada colônia portuguesa uma <em>espada de honra</em>. No mesmo ano, foi agraciado pelo governo português com a Comenda de Aviz. De Surabaia, foi enviado um telegrama para governo português informando que Maia havia sido assassinado <em>pelos indígena</em>s. <em>Foram pedidos socorros para Macau</em>. O assassinato ocorreu, em 3 de março de 1887, em Díli. Ele era casado e deixou um filho de 10 anos. Foi publicado, no<em> Correio da Manhã</em>, em 14 de março, poucos dias após seu assassinato, um artigo de sua autoria sobre uma visita que havia realizado ao sultão de Zanzibar <em>(</em><em>Jornal da Noite </em>(Portugal), <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/11221" target="_blank">26 e 27 de janeiro de 1880, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/12353" target="_blank">27 e 28 de dezembro de 1880, quinta coluna</a>;<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/12686" target="_blank"> 7 e 8 de abril de 1881, segunda colun</a>a; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/15426" target="_blank">23 e 24 de julho de 1883, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/18837" target="_blank">11 e 12 de março de 1886, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/19479" target="_blank">25 e 26 de agosto de 1886, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890820/20230" target="_blank">11 e 12 de março de 1887, segunda coluna</a>; <em>Correio da Manhã</em> (Portugal), <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890529/2661" target="_blank">1º de outubro de 1886, terceira coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890529/2823" target="_blank">8 de novembro de 1886, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890529/3314" target="_blank">11 de março, de 1887, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890529/3326" target="_blank">14 de março de 1887</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/890529/3512" target="_blank">27 de abril de 1887, quarta coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_44463" style="width: 206px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/890820/20230" target="_blank"><img class="wp-image-44463 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/jane55.jpg" alt="jane55" width="196" height="517" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/890820/20230" target="_blank"><em>Jornal da Noite (Portugal)</em>, 11 e 12 de março de 1887</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">A Cidade Maravilhosa e o escritor italiano Edmondo de Amicis (1846 &#8211; 1908)</span></em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43561" style="width: 331px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://literatura-italiana.blogspot.com/2020/04/edmondo-de-amicis.html" target="_blank"><img class="wp-image-43561 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane11.jpg" alt="jane11" width="321" height="184" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://literatura-italiana.blogspot.com/2020/04/edmondo-de-amicis.html" target="_blank">Edmondo de Amicis / Literatura Italiana Traduzida</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">Segundo o escritor e filósofo Ivo Karytowski (1951 -), em seu artigo <em>Origem do epíteto &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221; para designar o Rio de Janeiro: lenda e verdade</em>, foi feita uma referência ao Rio de Janeiro como uma<span style="color: #800000;"><em><strong> cidade maravilhosa</strong></em></span>, em 1902, em um artigo escrito pelo italiano Edmondo de Amicis e publicado no suplemento <em>La Lettura</em> do jornal milanês <em>Corriere della Sera.</em> Amicis, em 1884, retornando de uma viagem à Argentina, fez uma rápida escala no porto do Rio. Segue o trecho do artigo em que a expressão foi usada:</p>
<p style="text-align: left;"><em>&#8220;– Por que o senhor nunca escreveu nada sobre o Rio de Janeiro? </em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Esta pergunta me foi feita uma centena de vezes durante os dezoito anos que se passaram desde que fui ao Brasil, e cem vezes dei sempre a mesma resposta pronta, tal como fazem os deputados quando conversam com os eleitores: </em></p>
<p style="text-align: left;"><em>– Porque fiquei apenas três dias, quando o Sírio, o navio em que viajei de Buenos Aires para Gênova, fez uma escala no porto da cidade. Amigos bondosos se desdobraram para me mostrar tudo, levando-me para todos os lados de carruagem, de bonde e em via férrea, desde cedo até a noite, como alguém que quisessem salvar da caça de uma banda de credores; vi muito, mas vi tudo correndo, afobado e com os olhos ofuscados pelo cansaço, de forma que me esqueci de muitas coisas, e de outras só tenho uma vaga lembrança, e até das imagens que se mantiveram mais vivas tenho lacunas obscuras, sobre as quais mesmo se reflito longamente nunca consegui captar uma mínima recordação. O que poderia escrever? Seria como descrever um sonho.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>A esta resposta de sempre, poucos dias atrás, um intrépido italiano, que recentemente voltou do Brasil para Itália, rebateu sagazmente: – Mas o senhor não se sente tentado a fazer a descrição de uma <span style="color: #800000;"><strong>cidade maravilhosa</strong></span> (E non la tenta la descrizione d’uma città maravigliosa, no original italiano), onde permaneceu somente poucas horas, e da qual se lembra apenas como um sonho?&#8221;</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>– Eis aí uma ideia – pensei.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>E aquela ideia colocou-me a pena na mão e pregou-me à escrivaninha.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>[&#8230;]</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Sim, Mantegazza tinha razão quando me escreveu: – Queira me desculpar, mas o Rio de Janeiro é mais bonito que Constantinopla. – Não é que a cidade seja mais bonita, mas sim o lugar, as águas, toda a natureza que a circunda. Oh, não há comparação!&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;">Transcrito do artigo <a href="https://rihgb.emnuvens.com.br/revista/article/view/44/40" target="_blank"><em>Origem do epíteto &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221; para designar o Rio de Janeiro: lenda e verdade</em></a>,</p>
<p style="text-align: right;">de Ivo Karytowski,  2022.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2609" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2609/013RJ011009.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="553" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2609" target="_blank">Augusto Malta. Vista do Rio de Janeiro, 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O escritor e militar italiano Edmundo De Amicis nasceu em Oneglia, em 21 de outubro de 1846<a title="1846" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/1846">,</a> e faleceu em Bordighera, em 11 de março de 1908. Sua maior obra foi o livro <em>Coração</em> (1886). A viagem durante a qual passou rapidamente no Rio de Janeiro, entre Gênova e Montevidéu, na primavera de 1884, a bordo do vapor <em>Nord America</em>, inspirou o livro de sua autoria, <i>Sull&#8217;oceano</i> (<em>No oceano</em>), publicado em 1889, misto de romance e diário de bordo. Seu tema é a emigração italiana para a América do Sul no final do século XIX. Foi traduzido para o português por Adriana Marcolini e publicado em 2017, no Brasil, com o título <em>Em Alto-mar.</em></p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Cidade Maravilhosa e o carnaval de 1904</strong></em></span></p>
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<p style="text-align: center;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_03/7259" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-43556" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane7.jpg" alt="jane7" width="474" height="225" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Numa notícia sobre o préstito carnavalesco do Clube de São Cristóvão, foi publicada, no jornal <em>O Paiz</em>, de 16 de fevereiro de 1904, versos que protestavam contra as carrocinhas que pegavam cachorros nas ruas. Na última estrofe, foi usada a expressão <strong><em><span style="color: #800000;">cidade maravilhosa</span></em></strong>, referind0-se ao Rio de Janeiro. Foi, muito provavelmente, a primeira vez que a expressão, referindo-se ao Rio de Janeiro, foi publicada na imprensa brasileira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43544" style="width: 330px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/7260" target="_blank"><img class="wp-image-43544 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane2.jpg" alt="jane2" width="320" height="366" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/7260" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 16 de fevereiro de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2276" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2276/007A5P3FG2-74-75.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="538" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2276" target="_blank">Marc Ferrez. Avenida Beira Mar, 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Daí por diante, na imprensa, volta e meia a expressão aparecia em referência à cidade (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/7625" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 4 de maio de 1904, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/8384" target="_blank"><em>O Malho</em>, 24 de novembro de 1906</a>, <em>A Notícia,</em> <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/830380/13750" target="_blank">22 e 23 de maio de 1907, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/830380/15167" target="_blank">6 e 7 de julho de 1909, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/830380/13750" target="_blank">26 e 27 de julho de 1909, penúltima coluna</a>;<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/830380/16571" target="_blank"> 15 e 16 de agosto de 1910, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/830380/15448" target="_blank">21 e 22 de setembro de 1909, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/025909_01/6779" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, de 3 de novembro de 1907, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/6957" target="_blank"><em>A Imprensa</em>, 8 de agosto de 1909, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/20513" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 4 de agosto de 1909, quinta coluna</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43563" style="width: 574px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/8384" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43563" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane13.jpg" alt="O Malho, 24 de novembro de 1906" width="564" height="475" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/8384" target="_blank"><em>O Malho</em>, 24 de novembro de 1906</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1908, a expressão <strong><span style="color: #800000;"><em>cidade maravilhosa</em> </span></strong>foi usada diversas vezes não se referindo à cidade do Rio de Janeiro, mas ao espaço onde se realizou a Exposição Nacional Comemorativa do Centenário da Abertura dos Portos, na Urca (<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/17148" target="_blank">24 de agosto de 1908, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/17948" target="_blank">17 de novembro de 1908, primeira e segunda colunas</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/18218" target="_blank">16 de dezembro de 1908, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/18451" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de outubro de 1908, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_09/16016" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 27 de setembro de 1908, penúltima coluna</a>).</p>
<p>Uma curiosidade: ainda nos anos 1900, Paris, São Paulo, o vale de Sorgues, Buenos Aires, Sevilha e Veneza foram referidas na imprensa brasileira como cidades maravilhosas (<em>O Paiz</em>,<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/240" target="_blank"> 9 de fevereiro de 1900, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/9288" target="_blank">3 de abril de 1905, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/13658" target="_blank">24 de março de 1907, segunda coluna</a>; <em>A Notícia</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/830380/10769" target="_blank">13 de 14 de junho de 1904, primeira coluna</a>; <em>Gazeta de Notícias</em>,<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/13792" target="_blank"> 9 de dezembro de 1906, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/16487" target="_blank">12 de janeiro de 1908, última coluna</a>;<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_09/13699" target="_blank"> <em>Jornal do Commercio</em>, 18 de outubro de 1907, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/025909_01/1426" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 2 de novembro de 1902, primeira coluna)</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Cidade Maravilhosa e Coelho Neto (1864 &#8211; 1934)</strong></em></span></p>
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<div id="attachment_43557" style="width: 243px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.academia.org.br/academicos/coelho-neto" target="_blank"><img class="wp-image-43557 " src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane8.jpg" alt="jane8" width="233" height="320" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.academia.org.br/academicos/coelho-neto" target="_blank">Coelho Neto / Academia Brasileira de Letras</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/academicos/coelho-neto/biografia" target="_blank">Coelho Neto</a> foi um importante escritor e teatrólogo brasileiro, tendo sido um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em 1897. Nasceu em 21 de fevereiro de 1864, em Caxias, no Maranhão, e faleceu, em 28 de novembro de 1934, no Rio de Janeiro.</p>
<p>A polêmica em torno de ele ser ou não o autor da expressão <strong><em><span style="color: #800000;">cidade maravilhosa </span></em></strong><span style="color: #000000;"><span style="color: #333333;">em referência ao Rio de Janeiro é antiga:</span> o</span> uso da expressão pela poetisa francesa Jane Catulle Mendés, de quem falaremos mais adiante, foi lembrada na biografia do compositor Mário Penaforte (1876 &#8211; 1928), lançada no livro<em> </em>intitulado<em> O rei da valsa</em>, em 1958, escrito pelo poeta e tradutor Onestaldo de Pennafort (1902 &#8211; 1987) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/95232" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, de 1958, 19 de agosto de 1958, quarta coluna</a>). O filho de Coelho Neto, Paulo (1893 &#8211; 1985), publicou um pequeno livro de 16 páginas,<em> Restabelecendo a verdade,</em> defendendo o pai como autor da expressão (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/98369" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 2 de novembro de 1958, primeira coluna</a>). Onestaldo e Paulo comentaram a polêmica no jornal<em> Correio da Manhã </em>nos artigos <em>Controvérsia em torno da &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221;</em> e <em>Cidade Maravilhosa</em>, respectivamente (<em>Correio da Manhã</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/98879" target="_blank">15 de novembro de 1958</a>  e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/99173" target="_blank">22 de novembro de 1958, terceira coluna</a>). A polêmica voltou à baila, em 1965, quando se comemoravam os 400 anos do Rio de Janeiro, quando foi sugerido por leitores do jornal <em>O GLOBO</em> que Jane Catulle Mendès nomeasse um logradouro carioca já que teria sido a criadora da expressão. No dia seguinte, Paulo Coelho Neto, em uma matéria publicada no jornal voltou a afirmar que seu pai era o autor do epíteto. Não adiantou: uma praça em Campo Grande foi batizada com o nome Catulle Mendès (<em>O GLOBO</em>, 18 e 19 de maio de 1965).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43981" style="width: 375px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane48.jpg"><img class="size-full wp-image-43981" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane48.jpg" alt="O GLOBO, 18 de maio de 1965" width="365" height="285" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 18 de maio de 1965</p></div>
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<div id="attachment_43982" style="width: 261px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane49.jpg"><img class="size-full wp-image-43982" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane49.jpg" alt="O GLOBO, 19 de maio de 1965" width="251" height="471" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 19 de maio de 1965</p></div>
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<p>Vamos aqui listar o uso da expressão por Coelho Neto:</p>
<p>No capítulo VII do folhetim <em>Mistério de Natal</em>, Coelho Neto usou a expressão <strong><em><span style="color: #800000;">cidade maravilhosa</span></em></strong><span style="color: #000000;">, mas ela não se referia ao Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/8789" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 14 de dezembro de 1904, penúltima coluna</a>).</span></p>
<p>Segundo uma carta do general Paulo de Bittencourt Amarante enviada para a coluna &#8220;Encontro Matinal&#8221;, da Eneida (1904-1971), grande cronista do carnaval carioca, Coelho Neto teria se referido ao Rio de Janeiro como <span style="color: #800000;"><em><strong>cidade maravilhosa</strong></em></span> na palestra <em>Antiga Cidade</em>, proferida em 10 de outubro de 1908, na Academia Nacional de Música (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/46439" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 19 de fevereiro de 1965, primeira coluna</a>). Porém, na leitura da palestra, não se encontra a expressão (<a href="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/89/Coelho_Neto_-_Palestras_da_Tarde_%281911%29.pdf" target="_blank"><em>Palestras da Tarde</em> (1911), página 33</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43615" style="width: 891px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/46439" target="_blank"><img class="wp-image-43615 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane29.jpg" alt="jane29" width="881" height="512" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/46439" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 19 de fevereiro de 1965</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na crônica <em>Os Sertanejos</em>, também de autoria de Coelho Neto, publicada no jornal <em>A Notícia</em>, de 29 e 30 de outubro de 1908, ele voltou a usar a expressão <strong><em><span style="color: #800000;">cidade maravilhosa,</span></em></strong> desta vez para referir-se à área onde foi realizada a Exposição Nacional Comemorativa do Centenário da Abertura dos Portos, realizada entre 11 de agosto e 15 de novembro de 1908, e não à cidade do Rio de Janeiro. A crônica conta a história de um grupo de matutos que se apresentaria no evento, mas, impressionados com a modernidade do Rio de Janeiro, não conseguem se apresentar bem, decepcionando o público (<em>A Notícia</em>, 28 e 29 de outubro de 1908, primeira coluna). Na crônica <strong>(1)</strong>, quando adentraram a exposição:</p>
<p><em>&#8220;Era ao cair da tarde, uma tarde elegíaca, violácea, quieta, sem o silvo de uma cigarra. Os penhascos pareciam de lápis lazuli e os palácios, ainda mais brancos sobre o fundo escuro das rochas portentosas, alvejavam marmóreos. Longe, nos estábulos, o gado tino mugia, nostálgico, pondo no silêncio enlevado a tristeza bucólica das várzeas, em contraste com o requinte da <span style="color: #800000;"><strong>cidade maravilhosa</strong><span style="color: #000000;">&#8230;</span> </span>Estacaram deslumbrados. A <strong><span style="color: #800000;">Cidade Maravilhosa</span></strong> resplandecia como nas lendas. No fundo, na concha do palácio das Indústrias, a água escachoava colorindo-se à refração das luzes. Surgiram monstros flamineos acaçapados, no relvedo, esguicharam repuchos policromicos e a mísera gente tremia e encomendavam-se aos santos, fazendo promessas árduas, arrependida de haver seguido o diabo sedutor que a fora buscar no repouso feliz da sua terra para arrojá-la naquele inferno&#8221;.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43553" style="width: 300px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane51.jpg"><img class="wp-image-43553 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane51.jpg" alt="jane5" width="290" height="399" /></a><p class="wp-caption-text"><em>A Notícia,</em> 29 e 30 de outubro de 1908. As edições de 1908 de <em>A Notícia</em> não constam da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, só estando disponíveis em microfichas na instituição</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Parece que <strong><span style="color: #800000;"><em>Cidade Maravilhosa</em></span></strong> não se referia ao Rio de Janeiro, mas ao recinto onde se realizava a Exposição de 1908.</p>
<p>Em 10 de novembro de 1927, Coelho Neto publicou no <em>Jornal do Brasil </em>uma versão modificada de<em> Os Sertanejos, </em>agora com o título <em>Sertanejos</em>, e nela a expressão<em> <span style="color: #800000;"><strong>Cidade Maravilhosa</strong></span> </em>se referia certamente ao Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_04/60283" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 10 de novembro de 1927, penúltima coluna</a>).</p>
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<div class="textLayer"><em>&#8220;- Ocê uviu, Clódina ? A modi qu’é boi berrando. Não vá sê genti incantada! Era a hora angelical e o bando poz-se a rezar baixinho, á medida que a noite começa a desengranzar o seu rosario de estrellas. Subito, uma deflagração. Collares de lampadas de fogo e a linha dos edificios debruada a luzes. Foi um medo panico indizivel: “Misericordia! Credo! Abrenuntio! P’ras areias gordas!”</em></div>
<div class="textLayer"></div>
<div class="textLayer"><em>– Sê tá vendo, Clódina ? Eu não dixe qu ́é u inferno ? Oia cumu tudo s’accendeu d’uma vez ! sem phosque. Estacaram deslumbrados. </em></div>
<div class="textLayer"></div>
<div class="textLayer"><em><span style="color: #800000;"><strong>A Cidade maravilhosa</strong></span> resplandecia como nas lendas. E a misera gente tremia e encommendava-se a Deus, a Nossa Senhora e aos santos, fazendo promessa, arrependida de haver seguido o demonio tentador que a fôra buscar no repouso feliz da sua terra. E quando appareceu um automovel urrando, com os dois immensos olhos accesos em clarões, a debandada foi tumultuosa e gritos e esconjuros atroaram. Foi em tal estado d’alma que os sertanejos ensaiaram no cinema os cantos e as danças em que são exímios&#8221;.</em></div>
</div>
</div>
</div>
<div class="page" data-page-number="22" data-loaded="true"></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43559" style="width: 912px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_04/60283" target="_blank"><img class=" wp-image-43559" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane9.jpg" alt="Jornal do Brasil, 10 de novembro de 1927" width="902" height="329" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_04/60283" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 10 de novembro de 1927</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Posteriormente, em 1928, ele lançou o livro <span style="color: #800000;"><em><strong>A </strong></em><strong><em>Cidade Maravilhosa</em></strong></span>, mas no conto que dá nome à obra o Rio de Janeiro não é descrito. O termo se referia a uma <em>cidade dos sonhos, </em>uma cidade imaginária.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43560" style="width: 354px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com/2003/02/a-cidade-maravilhosa-de-coelho-neto.html" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43560" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane10.jpg" alt="Cidade Maravilhosa (1928) por Coelho Neto" width="344" height="503" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com/2003/02/a-cidade-maravilhosa-de-coelho-neto.html" target="_blank"><em>Cidade Maravilhosa</em> (1928) por Coelho Neto</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2612" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2612/013RJ011040.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="546" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2612" target="_blank">Augusto Malta. Pedra da Gávea, 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>&#8220;Aqui a tem a sua <strong><span style="color: #800000;">cidade maravilhosa</span>.</strong> Viu-a de longe, era linda. Veja agora. Ilusões, fanciulla&#8230;Ilusões&#8230;Adriana olhava estarrecida. Mas não era a destruição das árvores, não eram aquelas cinzas pardacentas, ainda mornas, não eram aqueles troncos denegridos, aqueles ramos que rechinavam amojados de seiva que a comoviam, mas a lembrança da cena da estrada, da sedução do homem sinistro a mostra-lhe, ao longe, no fogaréu rutilante, a <strong><span style="color: #800000;">cidade maravilhosa</span></strong>, cidade do sonho, cidade do amor&#8221;.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Cidade Maravilhosa e <b>Vicente Blasco Ibáñez (1867 &#8211; 1928)</b></strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43583" style="width: 318px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.cervantesvirtual.com/portales/vicente_blasco_ibanez/autor_biografia/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43583" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane18.jpg" alt="Vicente Blasco Ibáñez / Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes" width="308" height="217" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.cervantesvirtual.com/portales/vicente_blasco_ibanez/autor_biografia/" target="_blank">Vicente Blasco Ibáñez / Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em uma entrevista para o correspondente de <em>O Estado de S. Paulo</em> em Buenos Aires, o escritor, jornalista e político espanhol Vicente Blasco Ibáñez referiu-se ao Rio de Janeiro como <span style="color: #800000;"><strong><em>cidade maravilhosa</em></strong></span>. Tinha estado por poucos dias na cidade (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/720011/42208" target="_blank"><em>Diário do Maranhão</em>, 27 de agosto de 1909, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43782" style="width: 329px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/720011/42208" target="_blank"><img class="wp-image-43782 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane36.jpg" alt="jane36" width="319" height="458" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/720011/42208" target="_blank"><em>Diário do Maranhão</em>, 27 de agosto de 1909</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Blasco Ibáñez nasceu em Valencia, na Espanha, em 29 de janeiro de 1867, e faleceu, em Menton, na França, em 28 de janeiro de 1928. Tornou-se um dos mais famosos romancistas espanhóis de seu tempo. Era contra a monarquia e fundou, em 1894, o jornal <em>El Pueblo</em>. Foi deputado, representante do Partido Republicano, entre 1898 e 1907. Em 1914, quando teve início a I Grande Guerra Mundial,  tornou-se correspondente. Seu livro de maior sucesso foi <span class="no-conversion"><span lang="pt-br"><em>Os quatro ginetes do Apocalipse</em> (1916).</span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2614" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2614/013RJ012036.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="512" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2614" target="_blank">Augusto Malta. Copacabana, c. 1910. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Cidade Maravilhosa e Jane Catulle Mendès (1867 – 1955)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_23932" style="width: 425px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/8161" target="_blank"><img class="size-full wp-image-23932" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2016/03/mendes.jpg" alt="Jane Mendes / Fon Fon, 21 de outubro de 19911" width="415" height="544" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/8161" target="_blank"> <em>Fon Fon</em>, 21 de outubro de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;"><em>Cidade Maravilhosa</em> – </span></strong><i><strong><span style="color: #800000;">La Ville Merveilleuse</span></strong> -</i>, é o nome do livro onde os poemas enaltecendo o Rio de Janeiro, de autoria da escritora e feminista francesa Jane Catulle Mendès (1867 &#8211; 1955), foram publicados, em 1913. Pela primeira vez, a expressão dava título a um livro.</p>
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<p><a href="https://www.veranunesleiloes.com.br/peca.asp?ID=9043717&amp;srsltid=AfmBOor8p2nH9-yAfYduXRzgYAbGmniqG4Wto2L3ijeqLlRmpkA2G6ds" target="_blank"><img class=" size-full wp-image-43540 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2016/03/jane11.jpg" alt="jane1" width="309" height="475" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43998" style="width: 314px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane52.jpg"><img class="wp-image-43998 " src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane52.jpg" alt="jane52" width="304" height="366" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração de Jane Catulle Mendès no frontispício do livro</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda em 1913, foi publicada no <em>Jornal do Brasil</em>, de 11 de maio, uma crítica extremamente favorável ao livro. Nela, está a poesia <em>Promenade</em>, que Jane escreveu dedicada a Fernando Mendes de Almeida (1845 &#8211; 1921), redator-chefe do jornal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43986" style="width: 934px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_03/18633" target="_blank"><img class=" wp-image-43986" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane50.jpg" alt="Jornal do Brasil, 11 de maio de 1913" width="924" height="335" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_03/18633" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 11 de maio de 1913</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ela havia passado uma temporada no Rio de Janeiro que, a princípio, seria de três semanas, mas que se estendeu de 20 de setembro a 6 de dezembro de 1911, quando Jane se encantou pela cidade, cuja elite era profundamente influenciada pela cultura francesa. Chegou no Rio a bordo do paquete <em>Amazon</em>, vindo de Buenos Aires, acompanhada por sua secretária, Mathilde Grimaud (18? -19?), desembarcando no Cais Pharoux, onde foi recebida por uma comissão da Associação Brasileira de Imprensa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43787" style="width: 341px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/083712/5377" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43787" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane40.jpg" alt="Careta, 28 de outubro de 1911" width="331" height="534" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/083712/5377" target="_blank">Jane Catulle Mendès e sua secretária, Mathilde Grimaud passeando na Avenida Central<em> / Careta</em>, 28 de outubro de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Já no dia de sua chegada declarou: &#8220;<em>Rio de Janeiro est une ville merveilleuse dont je suis eblouie</em>&#8221; &#8211; <em>O Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa pela qual estou deslumbrada -, </em>conforme publicado na primeira página do jornal <em>A Imprensa</em>, de 21 de setembro de 1911 (<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/8458" target="_blank">20 de setembro, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/8472" target="_blank">21 de setembro, segunda coluna</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/9552" target="_blank">6 de dezembro, primeira coluna</a> de 1911; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/13398" target="_blank"><em>A Imprensa</em>, 21 de setembro de 1911</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43786" style="width: 548px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/13398" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43786" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane39.jpg" alt="A Imprensa, 21 de setembro de 1911" width="538" height="238" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/13398" target="_blank"><em>A Imprensa</em>, 21 de setembro de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Havia sido colaboradora do jornal <em>La Fronde</em>, fundado pela atriz e jornalista Marguerite Durand (1864–1936), em 1897, e produzido exclusivamente por mulheres até 1905, quando foi fechado. Jane era viúva do escritor francês Catulle Abraham Mendès (1841 &#8211; 1909), expoente do parnasianismo, com quem foi casada entre 1897 e 1909.</p>
<p>Ela partiu de volta à Europa no paquete <em>Danube </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/9552" target="_blank"><em><em>O Paiz</em>, </em>6 de dezembro, primeira coluna de 1911</a>;<em> <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/28682" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, </a></em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/28682" target="_blank">7 de dezembro de 1911, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43789" style="width: 428px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/19911" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43789" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane41.jpg" alt="Jane Catulle Mendès sendo entrevistada por Ernesto Senna, do JOrnal do Commercio, na Avenida Central. Ao lado, sua secretáaria, Mathilde Grimaud / O Malho, 7 dre ouubro de 1911" width="418" height="544" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/19911" target="_blank">Jane Catulle Mendès sendo entrevistada pelo jornalista Ernesto Senna, do Jornal do Commercio, na Avenida Central. Ao lado, sua secretária, Mathilde Grimaud / O Malho, 7 de outubro de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A passagem de Jane Catulle Mendès pelo Rio de Janeiro foi um grande sucesso. A cidade acabara de passar por uma grande reforma urbanística durante a gestão de Francisco Pereira Passos (1836 &#8211; 1913) como prefeito. Jane encantou-se pela beleza das paisagens cariocas, tanto pelas naturais como pelas construídas. Ficou hospedada no Hotel dos Estrangeiros, aonde recebeu jornalistas no dia em que chegou no Brasil, segundo o jornalista Rafael Sento Sé, foi <em>uma coletiva de imprensa, subterfúgio até hoje comum no mundo do showbiz e que Jane organiza de forma pioneira no Rio de Janeiro</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 477px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12329" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12329/013RJ011022.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="467" height="372" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12329" target="_blank">Augusto Malta. Estátua de José de Alencar; em frente ao Hotel dos Estrangeiros, 1906. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Conheceu diversas personalidades da época, como os escritores João do Rio (1881 &#8211; 1921) e Julia Lopes de Almeida (1862 &#8211; 1934), que escreveu uma crônica a respeito dela publicada no jornal <a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_04/8662" target="_blank"><em>O Paiz</em>, de 3 de outubro de 1911</a>; a<em> socialite</em>, promotora cultural e feminista Laurinda Santos Lobo (1878 &#8211; 1946), o maestro Arthur Napoleão (1843 &#8211; 1925), o chargista Emílio Cardoso Ayres (1890 -1916), por quem foi retratada; o casal Stella (1879 – 1971) e Fernando Guerra Duval (18? – 1959), ela, feminista e uma das criadoras da Pró-Matre, e ele, fotógrafo amador, barítono e poeta; e o presidente da República, Hermes da Fonseca (1855 &#8211; 1923). Frequentou salões cariocas, o Club dos Diários e visitou diversos lugares da cidade como os morros do Corcovado e do Silvestre, os bairros à beira-mar da Zona Sul, a Biblioteca Nacional e o Jardim Botânico. E passeou muito pela Avenida Central (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/083712/5377" target="_blank"><em>Careta</em>, 28 de outubro; 4 de novembro, primeira coluna</a>; <em>O Paiz, </em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/8510" target="_blank">24 de setembro, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/8589" target="_blank">30 de setembro, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/8662" target="_blank">3 de outubro</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/8896" target="_blank">20 de outubro, quinta coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/9022" target="_blank">29 de outubro, primeira colun</a>a,<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/9061" target="_blank"> 1º de novembro, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/9162" target="_blank">9 de novembro , primeira coluna</a>; <em>Gazeta de Notícias</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/27974" target="_blank">21 de setembro, penúlltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/28370" target="_blank">2 de novembro, segunda coluna</a>, de 1911).</p>
<p>Seu poema, <em>Rio de Janeiro</em>, dividido em quatro partes &#8211; <em>Matin</em>, <em>Crepuscule</em>, <em>Nocturne</em> e <em>Adieu</em> &#8211; foi publicado em <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/8929" target="_blank"><em>O Paiz</em>, de 22 de outubro de 1911</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2718" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2718/014AM001002.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="511" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2718" target="_blank">Augusto Malta. Vista de Botafogo e Pão de Açúcar, c. 1910. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fez durante sua temporada carioca três conferências: a primeira, <em>O heroísmo da mulher francesa</em>, em 29 de setembro, no salão da Associação dos Empregados do Comércio (<em>Gazeta de Notícias</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/28046" target="_blank">29 de setembro</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/28056" target="_blank">30 de setembro, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/8653" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 2 de outubro de 1911, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43785" style="width: 601px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/19911" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43785" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane38.jpg" alt="Plateia na 1ª conferência de Jane Catulle Mendès, no Rio de Janeiro / O Malho, 7 de outubro de 1911" width="591" height="468" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/19911" target="_blank">Plateia na 1ª conferência de Jane Catulle Mendès, no Rio de Janeiro / <em>O Malho</em>, 7 de outubro de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A segunda, intitulada <em>A Parisiense</em>, realizou-se no salão nobre do <em>Jornal do Commercio, </em>em 12 de outubro <a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_04&amp;pagfis=8790" target="_blank">(<em>Jornal do Commercio</em>, 12 de outubro de 1911, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44432" style="width: 376px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_04&amp;pagfis=8790" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44432" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/jane53.jpg" alt="Jornal do Commercio, 12 de outubro de 1911" width="366" height="459" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_04&amp;pagfis=8790" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 12 de outubro de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A última foi proferida, em 24 de outubro, no Teatro Municipal sobre <em>As escritoras francesas </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_04/8966" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 25 de outubro de 1911, primeira coluna)</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43783" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_04/8962" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43783" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane37.jpg" alt="O Paiz, 24 de outubro de 1911" width="506" height="525" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_04/8962" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 24 de outubro de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No ano seguinte a sua partida, o jornal<em> A Notícia</em>, de São Paulo, promoveu um sorteio entre seus assinantes cujo terceiro prêmio <em>seria um belo passeio ao Rio de Janeiro, <span style="color: #800000;"><strong>à cidade maravilhosa</strong></span>, conforme a qualificou a notável poetiza francesa Jane Catulle Mendès</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/897124/401" target="_blank"><em>A Notícia</em> (SP), 3 de dezembro de 1912, quarta coluna</a>).</p>
<p>Segundo Alexei Bueno (1963 &#8211; ), no livro <em>Rio Belle Époque: Álbum de imagens:</em> <em>Parece-nos, portanto, que a hoje totalmente esquecida Jane Catulle Mendès foi, senão a criadora, a oficializadora do epíteto do Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/78246" target="_blank">Jornal do Brasil, </a></em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/78246" target="_blank">16 de dezembro de 1965, última coluna</a>). Conforme o título do livro de Rafael Sento Sé, fruto de 13 anos de pesquisa, foi Jane Catulle Mendès <em>que criou o sonho de um Rio de Janeiro da Belle Époque.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/cidade.jpg" alt="cidade" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Cidade Maravilhosa e Eugênio de Lemos (18? &#8211; 19?)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No mesmo ano da publicação do livro de Jane Catulle Mendés, 1913, no jornal <em>A Notícia</em>, na coluna “Contos de Hoje”, de Eugenio de Lemos, foi publicada a crônica <span style="color: #800000;"><em>A Cidade Maravilhosa</em></span>. Acredita-se que esta foi a primeira vez que a expressão deu título a um artigo artigo jornalístico sobre o Rio de Janeiro. Nela, o autor comentava as belezas da cidade (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/830380/19879" target="_blank"><em>A Notícia</em>, 20 e 21 de março de 1913</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43562" style="width: 965px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/830380/19879" target="_blank"><img class=" wp-image-43562" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane12.jpg" alt="A Notícia, 20 e 21 de março de 1913" width="955" height="341" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/830380/19879" target="_blank"><em>A Notícia</em>, 20 e 21 de março de 1913</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2765" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2765/014AM012029.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="523" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2765" target="_blank">Augusto Malta. Praia de Botafogo, c. 1910. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Cidade Maravilhosa e Olegário Mariano (1889 &#8211; 1958)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43564" style="width: 288px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.portinari.org.br/acervo/obras/14797/retrato-de-olegario-mariano" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43564" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane14.jpg" alt="Olegário Mariano por Cândido Portinari, c. 1931" width="278" height="400" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.portinari.org.br/acervo/obras/14797/retrato-de-olegario-mariano" target="_blank">Olegário Mariano por Cândido Portinari, c. 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">O poeta e político recifense Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu em 24 de março de 1899.  Publicou, em 1922, pela editora Pimenta de Mello, o livro de poesias <em><strong><span style="color: #800000;">Cidade Maravilhosa</span></strong>. </em>Uma segunda edição, ampliada, foi editada pela Companhia Editora Nacional, em 1930. O livro traz 14 poemas, sendo quatro alusivos aos Rio de Janeiro: <strong><span style="color: #800000;"><em>Cidade Maravilhosa</em></span></strong>, <em>O aspecto mais lindo da cidade</em>, <em>Na feira livre de Copacabana</em> e <em>O crepúsculo na Quinta da Boa Vista.</em> O <em>príncipe dos poetas</em> faleceu em 28 de novembro de 1958, no Rio de Janeiro<em> </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/69508" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 21 de novembro de 1968</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43606" style="width: 274px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.letravivaleiloes.com.br/peca.asp?ID=5023287" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43606" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane27.jpg" alt="Cidade Maravilhosa, de Olegário Mariano" width="264" height="381" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.letravivaleiloes.com.br/peca.asp?ID=5023287" target="_blank"><strong><span style="color: #800000;"><em>Cidade Maravilhosa</em></span></strong>, de Olegário Mariano, edição de 1930 da Companhia Editora Nacional de São Paulo</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4072" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4072/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="526" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4072" target="_blank">Antônio Caetano da Costa Ribeiro. Vista tirada do Pão d&#8217;Assucar, c. 1914. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Cidade Maravilhosa</em></strong> </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;">Olegário Mariano</span></p>
<div class="page" data-page-number="30" data-loaded="true">
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Cidade maravilhosa!</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Na luz do luar, fluídica e fina,</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Lembra excêntrica bailarina,</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Corpo de náiade ou sereia,</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Desfolhando-se em pétalas de rosa,</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Com os pés nus sobre a areia.</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Cidade do gozo e do vício!</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Flor de vinte anos, rosa do desejo!</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Corpo vibrando para o sacrifício,</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Seios à espera do primeiro beijo.</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Cidade do Amor e da Loucura,</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Das estrelas errantes&#8230;Para vê-las,</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Vibra no olhar de cada criatura</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Uma ânsia indefinida</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Pelo brilho longínquo das estrelas</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Que é, como tudo, efêmero na vida.</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Cidade do Êxtase e da Melancolia,</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>De dias tristes e de noites quietas;</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Sombra desencantada da alegria</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Dos que vivem de lágrimas, os poetas.</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Cidade de árvores e sinos. </em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>De crianças e jardins. Flor das Cidades;</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Berço de ouro de todos os Destinos,</em></div>
<div class="textLayer" style="text-align: center;"><em>Fonte eterna de todas as Saudades.</em></div>
</div>
<div class="page" data-page-number="31" data-loaded="true">
<div class="canvasWrapper"></div>
<div class="canvasWrapper"></div>
<div class="canvasWrapper">
<p>Olegário Mariano foi membro da Academia Brasileira de Letras. Seu livro de estreia foi <em>Angelus</em>, em 1911. Sua obra poética foi publicada nos dois volumes de <em>Toda uma vida de poesia</em> (1957), publicados pela José Olímpio. Também publicou, durante anos, nas revistas <em>Careta</em> e <em>Para Todos</em>, sob o pseudônimo de <em>João da Avenida</em>, uma seção de crônicas mundanas em versos humorísticos, que foram reunidas nos livros: <em>Bataclan</em> (1927) e <em>Vida, caixa de brinquedos</em> (1933).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Manuel Faria (1895 &#8211; 1980) e a Cidade Maravilhosa </strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43796" style="width: 376px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/2143" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43796" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane43.jpg" alt="O Cruzeiro, 27 de dezembro de 1930" width="366" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/2143" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 27 de dezembro de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div class="canvasWrapper" style="text-align: left;">
<p>O pintor Manuel Faria (1895 &#8211; 1980), <em>um poeta do pincel que se vem revelando invulgarmente, aplicando-se em mostrar os panoramas deslumbrantes da cidade</em>, inaugurou, no Palace Hotel, sob os auspícios do Centro Carioca, uma exposição em que a <span style="color: #800000;"><em><strong style="color: #800000;">Cidade Maravilhosa </strong><span style="color: #333333;">encontra o seu pintor entusiasta e escrupuloso</span></em><span style="color: #333333;"><span style="color: #800000;">. <span style="color: #333333;">Os</span></span></span></span><span style="color: #333333;"> </span>quadros eram de paisagens do Rio de Janeiro e o pintor pretendia a partir da mostra organizar um álbum ilustrado que seria intitulado <span style="color: #800000;"><strong><em>Cidade Maravilhosa</em></strong></span> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/2143" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 27 de dezembro de 1930</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_05/9329" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 16 de dezembro de 1930, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43797" style="width: 831px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/2143" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43797" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane44.jpg" alt="Exposição com quadros da Cidade Maravilhosa por / O Cruzeiro, 27 de dezembro de 19130" width="821" height="474" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/2143" target="_blank">Exposição com quadros da <span style="color: #800000;"><em><strong>Cidade Maravilhosa</strong></em></span> por Manuel Faria / <em>O Cruzeiro</em>, 27 de dezembro de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43798" style="width: 263px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_05/9329" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43798" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane45.jpg" alt="Jornal do Brasil, 16 de dezembro de 1930" width="253" height="518" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_05/9329" target="_blank"><em>Jornal do Brasil,</em> 16 de dezembro de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Manuel Faria Guimarães estudou na Escola Nacional de Belas Artes, tendo sido discípulo de João Baptista da Costa (1865 &#8211; 1926), Lucílio de Albuquerque (1877 &#8211; 1939) e Rodolfo Chambelland (1879 &#8211; 1967). Ocupou a cadeira 9 da Academia Brasileira de Belas Artes.</p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43802" style="width: 382px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.conradoleiloeiro.com.br/peca.asp?ID=1601734&amp;ctd=261&amp;tot=&amp;tipo=" target="_blank"><img class="wp-image-43802 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane46.jpg" alt="jane46" width="372" height="267" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.conradoleiloeiro.com.br/peca.asp?ID=1601734&amp;ctd=261&amp;tot=&amp;tipo=" target="_blank"><em>A Cidade Maravilhosa</em>, livro de paisagens do Rio de Janeiro pelo pintor Manuel Faria, 1941</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Light e a Cidade Maravilhosa</strong></em></span></p>
<p>Foi publicado, em 1932, o livro <i>Crônicas da Cidade Maravilhosa, </i>editado pelo Departamento de Publicidade da Light. Na edição de <em>Vida Literária,</em> de dezembro de 1931, foi publicado seu prefácio que informava que tratava-se de <em>uma obra de pura publicidade</em>, mas que seria também <em>uma obra literária</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/367923/88" target="_blank"><em>Vida Literária</em>, dezembro de 1931</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43751" style="width: 792px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/367923/88" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43751" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane32.jpg" alt="Vida Literária, dezembro de 1931" width="782" height="547" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/367923/88" target="_blank"><em>Vida Literária</em>, dezembro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O  livro, que seria <em>um reflexo de nossa invejáveis belezas naturais e de nosso adiantamento industrial e de nossa civilização urbana,</em> reunia artigos de escritores e artistas publicados em jornais e revistas sobre alguns dos <em>melhores serviços da Light à população do Rio de Janeiro</em>. Um exemplar do livro foi enviado para a revista <em>Brasil Feminino</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/160733/309" target="_blank"><i>Brasil Feminino,</i> julho de 1932</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43752" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/160733/309" target="_blank"><img class="wp-image-43752 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane33.jpg" alt="jane33" width="286" height="531" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/160733/309" target="_blank"><em>Brasil Feminino</em>, julho de 1932</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>César Ladeira (1910 &#8211; 1969) e a Cidade Maravilhosa</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43618" style="width: 337px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://acervos.ims.com.br/index.php/Detail/objects/57557" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43618" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane30.jpg" alt="César Ladeira, c. 1940. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS" width="327" height="496" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://acervos.ims.com.br/index.php/Detail/objects/57557" target="_blank">César Ladeira, c. 1940. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>César Ladeira, um dos mais famosos locutores do Brasil e um dos ícones da <em>Era de Ouro</em> da rádio brasileira, foi contratado, em 1933, pela Rádio Mayrink Veiga como locutor e diretor artístico e mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1º de setembro de 1933, estreou no programa <em>Crônicas da</em> <em>Cidade Gozada</em>, onde lia crônicas de Genolino Amado (1902 &#8211; 1989). De acordo com Henrique Foréis Domingues, pseudônimo <em>Almirante </em>(1908 &#8211; 1980), em seu livro <em>No Tempo de Noel Rosa: O Nascimento do Samba e a Era de Ouro da Música</em> (2013), devido a críticas dos ouvintes, o programa teve seu nome mudado para <i>Crônicas da <span style="color: #800000;"><strong>Cidade Maravilhosa</strong></span>. </i>Ladeira também publicava na revista <em>O Malho</em> a coluna &#8220;A Crônica da <span style="color: #800000;"><em><strong>Cidade Maravilhosa</strong></em></span>&#8221; (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/79248" target="_blank"><em>O Malho</em>, 30 de novembro de 1933</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_06/6135" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 6 de setembro de 1935, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/259063/97682" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 3 de setembro de 1938, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43793" style="width: 395px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/79248" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43793" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane42.jpg" alt="O Malho, 30 de novembro de 1933" width="385" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/79248" target="_blank"><em>O Malho</em>, 30 de novembro de 1933</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A revista <span style="color: #800000;"><em><strong>Cidade Maravilhosa</strong></em></span>, de César Ladeira, estreou no Teatro Recreio, em 4 de janeiro de 1935, e foi um sucesso. No elenco, estrelavam Aracy Cortes (1904 &#8211; 1985), Eva Todor (1919 &#8211; 2017), Ítala Ferreira (1901 &#8211; 1967), Zaira Cavalcanti (1913 &#8211; 1981), Henrique Chaves (19? &#8211; ?) e João Martins (19? &#8211; ?), dentre outros. Depois de um breve intervalo, voltou ao cartaz, em 12 de março de 1935. Sua última apresentação aconteceu em 17 de março (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_06/3381" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 11 de janeiro de 1935, quarta coluna</a>; <em>O Jornal</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/22134" target="_blank">2 de janeiro de 1935, última coluna</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/22160" target="_blank">4 de janeiro de 1935, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/22189" target="_blank">6 de janeiro de 1935, quinta coluna</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/22261" target="_blank">11 de janeiro de 1935, sétima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/23142" target="_blank">12 de março de 1935, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/23197" target="_blank">16 de março de 1935, penúltima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43620" style="width: 556px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/22275" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43620" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane31.jpg" alt="O Jornal, 12 de janeiro de 1935" width="546" height="308" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/22275" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 12 de janeiro de 1935</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda em 1935, o enredo do bloco carnavalesco Caçadores de Veados foi <span style="color: #800000;"><em><strong>Cidade Maravilhosa</strong> </em></span>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/22874" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 21 de fevereiro de 1935, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Cidade Maravilhosa, hino oficial do Rio de Janeiro, e André Filho (1906 &#8211; 1974), seu autor</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 599px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3183" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3183/014AM018001.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="589" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3183" target="_blank">Augusto Malta. Visita de estudantes ao Cristo Redentor, 1931. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Foi a marchinha<em> Cidade Maravilhosa</em> que consagrou definitivamente a expressão como epíteto do Rio de Janeiro! Antônio André de Sá Filho (1906 &#8211; 1974), que ficou conhecido como André Filho, nascido na Rua da Carioca, em 21 de março de 1906, compôs a música, que foi gravada por ele e por Aurora Miranda, em 4 de setembro de 1934 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/45638" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 24 de janeiro de 1965, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/62139" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 17 de fevereiro de 1965, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43585" style="width: 545px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/5735" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43585" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane20.jpg" alt="Aurora Miranda e André Filho / Correio da Manhã, de 1960" width="535" height="453" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/5735" target="_blank">Aurora Miranda e André Filho / <em>Correio da Manhã</em>, 2 de junho de 1960</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">O disco, cuja outra canção era <em>Toda gente cantando</em>, foi lançado no mês seguinte pela Odeon.</p>
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<div class="col-12-xs-12 col-12-md-8 col-12-md-pull-3">
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43581" style="width: 681px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://discografiabrasileira.com.br/posts/247888/cidade-maravilhosa-a-saga-da-marcha-cheia-de-encantos-mil-que-acabou-virando-hino-e-ha-90-anos-vive-n-alma-da-gente" target="_blank"><img class="wp-image-43581 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane16.jpg" alt="jane16" width="671" height="444" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://discografiabrasileira.com.br/posts/247888/cidade-maravilhosa-a-saga-da-marcha-cheia-de-encantos-mil-que-acabou-virando-hino-e-ha-90-anos-vive-n-alma-da-gente" target="_blank">Coleção José Ramos Tinhorão / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p class="ql-align-center" style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Cidade Maravilhosa</strong></em></span></p>
<p class="ql-align-center" style="text-align: center;">André Filho</p>
<p style="text-align: center;"><i>Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil</i></p>
<p style="text-align: center;"><i> Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil!</i></p>
<p style="text-align: center;">Aurora entoa então, em tom menor, a primeira estrofe da segunda parte:</p>
<p style="text-align: center;"><i>Berço do samba e das lindas canções<br />
Que vivem n’alma da gente<br />
És o altar dos nossos corações<br />
Que cantam alegremente</i></p>
<p style="text-align: center;"><i>Jardim florido de amor e saudade</i></p>
<p style="text-align: center;"><i> Terra que a todos seduz<br />
Que Deus te cubra de felicidade<br />
Ninho de sonho e de luz</i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A marchinha <em>Cidade Maravilhosa </em>foi inscrita, no ano seguinte, no Concurso de Carnaval da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, obtendo, para indignação de André Filho e da plateia, a segunda colocação na categoria <em>Marcha.</em> A final aconteceu, em 10 de fevereiro de 1935, no Teatro João Caetano, e a canção vencedora foi <em>Coração Ingrato</em>, interpretada por Silvio Caldas (1908 &#8211; 1998), de autoria de Antônio Nássara (1910 &#8211; 1996) e Eratóstenes Alves Frazão (1901 &#8211; 1977). O terceiro lugar ficou para <em>Joia falsa</em>, de Osvaldo Santiago (1902 &#8211; 1976). Silvio Caldas foi muito vaiado e a André Filho foi feita <em>grande manifestação, com toda a plateia de pé</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_03/21625" target="_blank"><em>A Noite</em>, 11 de fevereiro de 1935</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_03/22741" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 12 de fevereiro de 1935, quinta coluna</a>).</p>
<p>Na visita que fez à redação do jornal <em>A Noite</em>, no mesmo dia do concurso, André Filho declarou:</p>
<p><em>&#8220;O julgamento eu coloco em plano secundário. O povo, o verdadeiro juiz, deu ao meu modesto trabalho o valor que eu, realmente, não imaginava ter &#8220;.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43590" style="width: 463px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_03/21625" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43590" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane23.jpg" alt="André Filho (sentado) visitou a redação do jornal A NOite / A NOite, 11 de fevereiro de 1935" width="453" height="457" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_03/21625" target="_blank">André Filho (sentado) visitou a redação do jornal <em>A Noite</em> / <em>A Noite</em>, 11 de fevereiro de 1935</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No mesmo concurso, na categoria <em>Samba</em>, a classificação foi a seguinte: em primeiro lugar, <em>Implorar</em>, do italiano Kid Pepe (1909 &#8211; 1961) e do português Germano Augusto (1901 &#8211; 1950), curiosamente, dois estrangeiros. <em>Este samba causou uma polêmica pública quanto a sua real autoria, pois segundo alguns, seria do falecido sambista Cedá, que o vendera a Kid Pepe por 30 mil réis. Segundo depoimento de Kid Pepe reproduzido no livro “A canção no tempo”: “João Gaspar me mostrou um estribilho que gostei. Consegui então autorização dele, por escrito, para consertar o estribilho (que estava quebrado) e compor uma segunda parte e a introdução. Desse jeito fizemos “Implorar”. Agora, se provarem que o coro apresentado pelo Gaspar não lhe pertence, darei minha á família do falecido a parte dele” (<a href="https://dicionariompb.com.br/artista/germano-augusto/" target="_blank">Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira</a>).</em> Em segundo lugar, classificou-se o samba <em>Foi ela</em>, de Ary Barroso (1903 &#8211; 1964); e, em terceiro, <em>Agradeça a mim</em><span style="color: #333333;">, de Ismael Silva (1905 &#8211; 1978).</span></p>
<p><span style="color: #800000;"><span style="color: #333333;">No mesmo ano,</span> <em><strong>Cidade Maravilhosa</strong></em></span> foi incluída na trilha sonora do filme <em>Alô, Alô, Brasil!</em> (1935), dirigido por Alberto Ribeiro (1902 &#8211; 1971), João de Barro (1907 &#8211; 2006) e Wallace Downey (1902 &#8211; 1967), estrelado por Almirante, Ary Barroso, Aurora e Carmen Miranda (1909 &#8211; 1955), dentre outros.</p>
<p>Em 1936, <em>estourou</em> no carnaval! E o epíteto <span style="color: #800000;"><em><strong>Cidade Maravilhosa</strong></em></span> se eternizou!</p>
<p>Sobre a inspiração de André Filho para escrever a música, que tradicionalmente encerra os bailes carnavalescos, há uma polêmica, destacada no site Discografia Brasileira, do Instituto Moreira Salles:</p>
<p><em>&#8220;Na coleção de jornais do seu acervo – que se encontra desde 2006, ano do seu centenário, sob a guarda do Instituto Moreira Salles –, há um recorte sem data de A Notícia com matéria que explica como o compositor teria se inspirado para fazer a música. Diz o texto que ele “Estava na Praia de Botafogo, pelos idos de 1933, eterno enamorado da beleza natural do Rio de Janeiro (&#8230;). Numa tarde assim, sentiu pulsar com intensidade toda a sua alegria de cidadão carioca (&#8230;). Ocorreu-lhe então a expressão: Cidade Maravilhosa”.</em></p>
<p><em>Versão que sua ex-mulher, Joana, contestaria: ao jornal O Globo de 12/01/1965, ela – já separada de André Filho – diria que o clássico surgiu em 1934, durante uma das madrugadas insones do então companheiro, e que, após escutar a melodia e a letra cantada por André, que batucava numa caixa de fósforos, teria sido interrogada por ele: “Ciganinha, você acha que deve ser marcha ou samba?”. Resposta dela: “Marcha!”. Difícil saber qual das duas narrativas é a verdadeira.</em></p>
<p><em>Ou se nenhuma delas, a julgar pelo que contam Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello no primeiro volume de “A canção no tempo” (Editora 34, 1997): “No início da década de 1930, o Rio era embelezado com a estátua do Cristo Redentor e a modernização de vários trechos da cidade, criando maiores condições para deixar o turista maravilhado. Foi nesta ocasião que, motivado por uma promoção chamada Festa da Mocidade, em que se elegia a Rainha da Primavera, André Filho compôs ‘Cidade maravilhosa’&#8221;. </em></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>Cidade maravilhosa</em></strong></span> tornou-se a <em>marcha oficial da Cidade do Rio de Janeiro</em>, através da Lei nº 5, de maio de 1960, proposta pelo vereador Salles Neto (1910 &#8211; 1961) e promulgada pelo então governador da Guanabara, Carlos Lacerda (1914 &#8211; 1977) (<em>Correio da Manhã</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/4080" target="_blank">20 de abril de 1960, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/5598" target="_blank">29 de maio de 1960, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/3266" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 1º de maio de 1960, sexta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43610" style="width: 311px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/4117" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43610" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane28.jpg" alt="Encontro de André Filho e Aurora Miranda, em 1º de junho de 1960 / Diário de Notícias, 2 de junho de 1960" width="301" height="486" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/4117" target="_blank">Encontro de André Filho e Aurora Miranda, em 1º de junho de 1960, na Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, quando relembraram a gravação de <span style="color: #800000;"><strong><em>Cidade Maravilhosa</em></strong></span> / <em>Diário de Notícias</em>, 2 de junho de 1960</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas em duas ocasiões tentaram destituir a canção como marcha oficial da cidade. A primeira vez, em 1962, quando a deputada Lygia Lessa Bastos (1919 &#8211; 2020) liderou um movimento para que o hino da cidade fosse uma música que possuísse <em>&#8220;as características técnico-musicais peculiares e inconfundíveis do gênero</em>&#8220;. Na opinião da deputada, a composição de André Filho não refletiria<em> &#8220;na tradição, o sentimento patriótico da gente carioca&#8221; </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/13578" target="_blank"><em>Diário de Notícias, </em>14 de maio de 1961, quinta coluna</a><em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/13578" target="_blank">;</a> Jornal do Brasil, </em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/26961" target="_blank">13 de março de 1962, quarta coluna</a><em>; </em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/27103" target="_blank">22 de março de 1962</a>).</p>
<p>Em sua coluna no <em>Jornal do Brasil</em>, &#8220;Música Naquela Base&#8221;, o jornalista Sérgio Cabral publicou o resultado de uma enquete acerca do assunto que realizou consultando personalidades de várias áreas e apenas o historiador Ariosto Berna<em> </em>(18? &#8211; 1988), do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro; e o jornalista<em> </em>Prudente de Morais Neto (1904 &#8211; 1977) eram a favor da mudança. Os  seguintes foram contra: o crítico musical Lúcio Rangel, Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara; o maestro e compositor César Guerra-Peixe, Cristóvão de Alencar, presidente da União Brasileira de Compositores; o compositor Miguel Gustavo e Stanislaw Ponte Preta, o jornalista Sérgio Porto (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/27103" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 22 de março de 1962</a>). <span style="color: #800000;"><em><strong>Cidade Maravilhosa</strong> </em></span>seguiu como o hino da cidade!</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44455" style="width: 552px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/27103" target="_blank"><img class="size-full wp-image-44455" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/04/jane54.jpg" alt="Jornal do Brasil, de 1962" width="542" height="449" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/27103" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 22 de março de 1962</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O poeta Carlos Drummond (1902 &#8211; 1987) defendeu a manutenção da marchinha como hino na crônica <em>Hino carioca</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/28441" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 27 de abril de 1962, penúltima coluna)</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane241.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-43596" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane241.jpg" alt="jane24" width="459" height="538" /></a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane251.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-43597" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane251.jpg" alt="jane25" width="468" height="523" /></a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane26.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-43593" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane26.jpg" alt="jane26" width="462" height="93" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1968, pela segunda vez, seu status de hino foi ameaçado: o deputado Frederico Trotta (1899 &#8211; 1980) foi o autor do projeto de lei sugerindo à Assembleia Legislativa a criação de um concurso para a escolha de um novo hino para a cidade promulgado, em 27 de  julho de 1968.  A marchinha <span style="color: #800000;"><em><strong>Cidade Maravilhosa</strong></em></span> tinha, segundo ele, uma &#8220;<em>música alegre, balanceante, carnavalesca e irreverente para o ritual das solenidades sérias e imponentes, às quais se torna forçoso o comparecimento de autoridades dos três poderes constituídos, bem como de personalidades estrangeiras&#8221;. </em>Houve protestos e, em agosto de 1968, o presidente da Assembleia voltou atrás e sancionou a lei do deputado Everardo Magalhães Castro (1933 &#8211; 2010) que restituía <strong><span style="color: #800000;"><em>Cidade maravilhosa</em></span></strong> à condição de hino oficial da cidade (<em>Jornal do Brasil</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/119176" target="_blank">28 de julho de 1968, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/119667" target="_blank">6 de agosto, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_06/66749" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 10 de agosto de 1968, segunda coluna</a>; <em>Correio da Manhã</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/94101" target="_blank">27 de julho de 1968, última coluna</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/94140" target="_blank">28 de julho de 1968, quinta coluna</a>;).</p>
<p>André Filho faleceu, no Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1974, no Hospital Souza Aguiar, vítima de uma úlcera. Foi velado no Museu da Imagem e do Som e sepultado no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/37324" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 3 de julho de 1974, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_43932" style="width: 611px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/37662" target="_blank"><img class="size-full wp-image-43932" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane47.jpg" alt="Jornal do Brasil, 8 de julho de 1974" width="601" height="247" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/37662" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 8 de julho de 1974</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://discografiabrasileira.com.br/posts/247888/cidade-maravilhosa-a-saga-da-marcha-cheia-de-encantos-mil-que-acabou-virando-hino-e-ha-90-anos-vive-n-alma-da-gente" target="_blank">Ouça aqui várias gravações da marchinha <em>Cidade Maravilhosa</em>.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Abaixo, reprodução de um artigo publicado em <em>O GLOBO</em>, de 5 de agosto de 1968.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane21.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-43586" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane21.jpg" alt="jane21" width="502" height="456" /></a><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane22.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-43587" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/03/jane22.jpg" alt="jane22" width="505" height="285" /></a></p>
</div>
</div>
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</article>
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</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>(1)</strong>  A transcrição da crônica <em>Os Sertanejos</em>, de Coelho Neto, pode ser lida na página 282 do artigo <em>Origem do epíteto &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221; para designar o Rio de Janeiro: lenda e verdade</em>, de Ivo Karytowsky.</p>
<p>Leia aqui o artigo <a href="https://discografiabrasileira.com.br/posts/249738/andre-filho-alem-dos-encantos-mil-os-120-anos-do-compositor-beijoqueiro-que-era-um-dos-preferidos-de-carmen-miranda" target="_blank"><span style="color: #800000;"><em>André Filho além dos ‘encantos mil’: os 120 anos do compositor ‘beijoqueiro’ que era um dos preferidos de Carmen Miranda</em></span></a>, de autoria de Pedro Paulo Malta (1976-), publicada no site Discografia Brasileira do Instituto Moreira Salles .</p>
<div class="page" data-page-number="22" data-loaded="true"></div>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Nota da editora</strong>:</span> A inspiração para a publicação deste artigo surgiu quando assisti ao espetacular evento <em>Cidade-Musa</em>, no dia 6 de março de 2026, promovido pelo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, em sua sede, quando o jornalista Rafael Sento Sé proferiu uma maravilhosa palestra sobre seu livro <em>A poeta da Cidade Maravilhosa: Jane Catulle Mendès e a viagem que criou o sonho de um Rio de Janeiro na Belle Époque</em>, seguida pela sensacional aula musicada <em>Cidade-musa: a história do Rio em marcha, samba e bossa</em>, com Pedro Paulo Malta e Luís Filipe de Lima. Ao longo de minhas leituras para esse artigo, conheci o excelente artigo <em>Origem do epíteto &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221; para designar o Rio de Janeiro: lenda e verdade</em>, de Ivo Karytowski, que se tornou uma espécie de bússola para minha pesquisa. Como sempre, a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional tem um papel decisivo em meus escritos. Obrigada pelo talento de vocês!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Fontes:</span></strong></p>
<p><a href="https://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com/2003/09/os-sertanejos-de-coelho-neto.html" target="_blank">Blog Literatura, Rio de Janeiro &amp; São Paulo</a></p>
<p>BUENO, Alexei. <em>Rio Belle Époque: Álbum de imagens. </em>Rio de Janeiro : Bem-Te-Vi Editora, 2016.</p>
<p><a href="https://drive.google.com/file/d/0B41OaZg7nvRocTVBYUxSMHpOYjA/view?resourcekey=0-F000qeQ-zkQIVD8Ip6hDvA" target="_blank"><em>Cidade Maravilhosa</em> por Olegário Mariano</a></p>
<p>COELHO NETO. <a href="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/89/Coelho_Neto_-_Palestras_da_Tarde_%281911%29.pdf" target="_blank"><em>Palestras da Tarde</em></a>. Rio de Janeiro : Livraria Garnier Irmãos, 1911.</p>
<p><a href="https://dicionariompb.com.br/artista/andre-filho/" target="_blank">Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira</a></p>
<p>DOMINGUES, Henrique Foréis. <em>No Tempo de Noel Rosa: O Nascimento do Samba e a Era de Ouro da Música. </em>Rio de Janeiro :<em> </em>Editora Indigo Brasil, 2013</p>
<p>EFEGÊ, Jota. <em>Figuras e coisas da Música Popular Brasileira vol1 e 2. </em>Rio de Janeiro :<em> </em>Funarte, 1978.</p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional </a></p>
<div class="page" data-page-number="1" data-loaded="true">
<div class="textLayer">KARYTOWSKI, Ivo. <a href="https://rihgb.emnuvens.com.br/revista/article/view/44/40" target="_blank"><em>Origem do epíteto &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221; para designar o Rio de Janeiro: lenda e verdade</em></a>. IHGB, Rio de Janeiro, a. 183(488): 265-294, jan./abr. 2022.</p>
<p>SÉ, Rafael Sento. <em>A poeta da Cidade Maravilhosa: Jane Catulle Mendès e a viagem que criou o sonho de um Rio de Janeiro na Belle Époque.</em> Belo Horizonte (MG) : Autêntica Editora, 2025.</p>
<p><a href="https://discografiabrasileira.com.br/posts/247888/cidade-maravilhosa-a-saga-da-marcha-cheia-de-encantos-mil-que-acabou-virando-hino-e-ha-90-anos-vive-n-alma-da-gente" target="_blank">Site Discografia Brasileira &#8211; IMS</a></p>
<p><a href="https://literaturaebompravista.wordpress.com/2019/07/01/ville-merveilleuse-uma-francesa-usa-a-expressao-cidade-maravilhosa/" target="_blank">Site Literatura é bom para a vista</a></p>
</div>
</div>
<p>VALENÇA, Suetônio Soares. <a href="https://funartemaisdigital.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Tra-la-la%CC%81_WEB.pdf" target="_blank"><em>Tra-la-lá : vida e obra de Lamartine Babo</em></a> – 3. ed., rev. e ampl. – Rio de Janeiro : FUNARTE, 2014.</p>
</div>
<p>XAVIER, Priscila. <a href="https://www.academia.edu/25111479/Cidade_Maravilhosa_discursos_entre_o_imagin%C3%A1rio_e_o_mito" target="_blank"><em>Cidade Maravilhosa: discursos entre o imaginário e o mito</em></a>.</p>
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		<title>Uma breve história do abastecimento de água no Rio de Janeiro por Bárbara Primo e Maria Isabel Lenzi</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2025 06:29:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[As historiadoras Bárbara Primo, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e Maria Isabel Lenzi, do Museu Histórico Nacional (MHN), uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são as autoras do artigo "Uma breve história do abastecimento de água no Rio de Janeiro", que resume os acontecimentos em torno do tema desde a instalação da cidade do Rio de Janeiro no Morro do Castelo, em meados do século XVI, até o princípio do século XX. Estão aqui disponibilizados três álbuns: dois com registros realizados pelo fotógrafo Marc Ferrez (1843 - 1923) e um terceiro com fotografias de autoria desconhecida sob o título; Abastecimento D’Água: Obras executadas de 1907 a 1909. Os dois últimos fazem parte da Coleção Miguel Calmon, que foi ministro da Viação e Obras Públicas no governo de Afonso Pena, entre 1906 e 1909. O álbum sobre a canalização do rio São Pedro pertence à coleção Álbuns Iconográficos Avulsos e foi doado ao MHN por Oscar Trompowsky, em 1923.

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				<content:encoded><![CDATA[<p>As historiadoras Bárbara Primo, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e Maria Isabel Lenzi, do Museu Histórico Nacional (MHN), uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são as autoras do artigo <em>Uma breve história do abastecimento de água no Rio de Janeiro</em> que resume os acontecimentos em torno do tema desde a instalação da cidade do Rio de Janeiro no Morro do Castelo, em meados do século XVI, até o princípio do século XX. Estão aqui disponibilizados três álbuns: dois com registros realizados pelo fotógrafo Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923) e um terceiro com fotografias de autoria desconhecida sob o título; <em>Abastecimento D’Água: Obras executadas de 1907 a 1909</em>. Os dois últimos fazem parte da Coleção Miguel Calmon, que foi ministro da Viação e Obras Públicas no governo de Afonso Pena, entre 1906 e 1909. O álbum sobre a canalização do rio São Pedro pertence à coleção Álbuns Iconográficos Avulsos e foi doado ao MHN por Oscar Trompowsky, em 1923.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Uma breve história do abastecimento de água no Rio de Janeiro</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">Bárbara Primo e Maria Isabel Lenzi*</p>
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<div style="width: 651px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13912" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13912/MCab2_56.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="641" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13912" target="_blank">Marc Ferrez. Cachoeira e represa da Tijuca, 190-. Rio de Janeiro, RJ / Acervo MHN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A cidade do Rio de Janeiro, ao se instalar no Morro do Castelo, em 1557, encontrou um desafio: o abastecimento de água. Seus habitantes compravam água de indígenas e negros aguadeiros. Estes iam buscá-la no rio Carioca, que corria no vale que hoje denominamos de Laranjeiras e desaguava na praia do Flamengo. Com o pregão de “Hy! Hy! – palavra que na língua tupi significa água – o precioso líquido era anunciado à população.</p>
<p>Em 1673, no governo de João da Silva e Souza (1669-1674), foram iniciadas as obras da adução das águas do rio Carioca, mas os chamados Arcos Velhos da Carioca, de madeira, só seriam concluídos no início do século seguinte. Em 1723, sob o governo de Aires Saldanha, a água cristalina foi levada até o primeiro Chafariz da Carioca. O governo Gomes Freire de Andrade executou grandes reformas no aqueduto que, inaugurado em 1750, conserva ainda hoje as feições daquele tempo.</p>
<p>Com a mudança da corte portuguesa para o Rio de Janeiro e o consequente aumento da população, a água tornou-se escassa, obrigando as autoridades a buscarem outras fontes. Se até então a vertente Corcovado do Maciço da Tijuca era a mais usada, a partir do início do século XIX, os rios da vertente Tijuca seriam também aproveitados em diversos novos chafarizes e bicas que foram instalados na cidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 704px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13900" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13900/MCab2_77.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="694" height="539" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13900" target="_blank">Marc Ferrez. Chafariz do Largo da Carioca, 190-. Rio de Janeiro, RJ / Acervo MHN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O primeiro rio dessa vertente a ser aproveitado foi o rio Comprido que veio abastecer os chafarizes de Santana, do Catumbi e do Lagarto. Posteriormente, as águas do rio Maracanã foram também suprir esses chafarizes.</p>
<p>Com o passar do tempo, outros rios da vertente Tijuca foram incorporados ao abastecimento da cidade: o São João, o Trapicheiro, o Andaraí (ou Joana), o riacho da Cascatinha, o Gávea Pequena, o riacho do Hotel Aurora, o riacho A. Taylor e os córregos do Caranguejo, Soberbo, Morcego, Amaral e Machado.</p>
<p>A água, aos poucos, chegava às torneiras das residências. Todavia, este bem, tão fundamental à vida, deixava de ser gratuito, sendo incorporado definitivamente ao capital. As instituições públicas e as pessoas com maior poder aquisitivo, por óbvio, foram os pioneiros a ter água da torneira em casa e a mão de obra que pegava a água no chafariz público ficava cada vez mais escassa, pois a partir de 1850 o tráfico negreiro foi definitivamente abolido e muitos escravizados que viviam nas cidades foram vendidos para o Vale do Paraíba. Deste modo, o Rio de Janeiro seria palco e testemunha de uma série de transformações e avanços tecnológicos que, a partir da segunda metade do século XIX, vem responder a uma demanda advinda da escassez da mão de obra escravizada e de um aumento populacional e urbano.</p>
<p>O Rio sofre mais uma vez com falta d’água – os mananciais cariocas já não são mais suficientes para dar conta do abastecimento da cidade em franco crescimento, ainda dependente do Maciço da Tijuca como única fonte de abastecimento de água. O governo imperial contrata, então, o engenheiro Antonio Gabrielli (18? -?) para organizar comissões em busca de rios e fontes fora dos limites da cidade, sobretudo aqueles cujas nascentes estavam na serra do Tinguá, em Nova Iguaçu. Assim, entre os anos de 1877 e 1889, foram canalizadas as águas dos rios D’Ouro, Santo Antônio e São Pedro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13899" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13899/MCab02_17.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="536" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13899" target="_blank">Marc Ferrez. Junção dos rios d’Ouro e Santo Antonio, 190-. Nova Iguaçu, RJ / Acervo MHN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para auxiliar as obras de canalização da Serra do Tinguá foi construída a ferrovia Rio D’Ouro. Ela percorria, inicialmente, 53 quilômetros entre o Caju e a Baixada Fluminense, mas ao longo dos anos, a estrada de ferro que serpenteava pelos subúrbios cariocas foi ampliada e acrescida de diversos ramais até atingir uma extensão total de mais de 100 quilômetros. O trajeto dos trilhos da Rio D’Ouro transformou a paisagem do seu percurso, condicionando a ocupação dos territórios do entorno e o surgimento de povoados ao longo do seu caminho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13898" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13898/MCab02_16.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="541" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13898" target="_blank">Marc Ferrez. Ponte aqueduto sobre o rio d’Ouro, 190-. Nova Iguaçu, Rio de Janeiro / Acervo MHN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Todavia, encontramos novamente crise de abastecimento no final do século XIX consequência da seca enfrentada pelos cariocas no início de 1889. Somada à escassez de água, a cidade enfrentava um surto de febre amarela e a crescente insatisfação popular já dava indícios da falência do Império. Em meio a este cenário, o engenheiro André Gustavo Paulo de Frontin (1860 &#8211; 1933)propôs como solução paliativa a captação provisória das águas da Serra do Tinguá para o reservatório de Pedregulho (Benfica). A ousadia da proposta, no entanto, não se deveu à grandiosidade da empreitada – canalização das águas por 18 km, mas ao tempo estimado para realizá-la: seis dias.</p>
<p>Diante de um problema tão grave e que já se arrastava por anos, a possibilidade de uma resolução tão imediata colocou em xeque a competência do já instável governo imperial. O apoio dos opositores do governo à proposta de Frontin e a repercussão do caso nos jornais fizeram deste um caso emblemático da crise político-social que conduziu o país à Proclamação da República em novembro deste mesmo ano.</p>
<p>Um pouco mais tarde, ao longo da primeira década do século XX, os rios Xerém e Mantiquira também foram domesticados de maneira a complementar o abastecimento da população carioca. Paralelamente à canalização de novos rios, diversas obras foram feitas para otimizar a distribuição e o tratamento as águas, como a construção de caixas de decantação, reservatórios e represas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 740px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13915" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13915/0000001%20%2811%29.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="730" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13915" target="_blank">Linha adutora do Mantequira &#8211; Jato vertical de 0,037 de diâmetro com 160 libras de pressão no ramal da Tijuca, 1907 a 1909. Rio de Janeiro, RJ / Acervo MHN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As novas possibilidades de fornecimento de água em domicílio traduziam-se em um maior comprometimento do poder público com a qualidade e armazenamento, o que resultou em novas práticas de controle deste fornecimento, assim como do consumo. É fato que a distribuição de água nas casas cariocas ocorreria de maneira desigual, privilegiando as famílias com maior poder aquisitivo.</p>
<p>Já em 1898 teve início a instalação de hidrômetros, mediante lei do ano anterior que regulamentava a cobrança de taxas. Assim, a distribuição de bicas e penas d’água acabaria por priorizar as freguesias mais abastadas em detrimento das regiões mais densamente povoadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13958" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13958/MCab02_4.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="549" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13958" target="_blank">Marc Ferrez. Oficina de aferição de hidrômetro, 190-). Rio de Janeiro, RJ / Acervo MHN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Museu Histórico Nacional preserva três álbuns com fotografias que documentam a domesticação da água no Rio de Janeiro. Dois deles trazem fotografias de Marc Ferrez. São eles: <em>Obras de Canalização provisória do Rio S. Pedro, 1889</em> e <em>Abastecimento D’Água do Rio de Janeiro</em>. O terceiro álbum apresenta fotografias de autoria desconhecida sob o título <em>Abastecimento D’Água: Obras executadas de 1907 a 1909</em>. Os dois últimos fazem parte da Coleção Miguel Calmon, que foi ministro da Viação e Obras Públicas no governo de Afonso Pena, entre 1906 e 1909. O álbum sobre a canalização do rio São Pedro pertence à coleção Álbuns Iconográficos Avulsos e foi doado ao MHN por Oscar Trompowsky em 1923. Vale a pena apreciar essas fotografias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Acessando o link para as fotografias do álbum <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/424" target="_blank">Obras de Canalização provisória do Rio S. Pedro, 1889</a> </em>disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 453px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13855" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13855/ALico01_capa.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="443" height="601" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13855" target="_blank">Marc Ferrez. Capa do álbum &#8220;Obras de Canalização provisória do Rio S. Pedro, 1889: ao engenheiro Oscar Trompowski Leitão de Almeida, gratidão e reconhecimento da Diretoria das Obras&#8221;, 1899. Rio de Janeiro, RJ / Acervo MHN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Acessando o link para as fotografias do álbum <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/426" target="_blank"><em>Abastecimento D’Água do Rio de Janeiro</em></a> disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></span></p>
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<div style="width: 592px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13982" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13982/MCab2_Capa.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="582" height="444" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13982" target="_blank">Marc Ferrez. Abastecimento d&#8217;água do Rio de Janeiro, 190-. Rio de Janeiro, RJ / Acervo MHN</a></p></div>
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<p><strong><span style="color: #800000;">Acessando o link para as fotografias do álbum <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/425" target="_blank"><em>Abastecimento D’Água: Obras executadas de 1907 a 1909</em></a> disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</span></strong></p>
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<div style="width: 635px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14026" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14026/MCab4_capa.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="625" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14026" target="_blank">Capa do álbum Abastecimento D&#8217; Água: Obras executadas de 1907 a 1909, 1909?. Rio de Janeiro / Acervo MHN</a></p></div>
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<p>*Bárbara Primo é historiadora do Instituto Brasileiro de Museus e Maria Isabel Lenzi é historiadora do Museu Histórico Nacional.</p>
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		<title>O Cemitério Israelita de Inhaúma e seu abandono por Beatriz Kushnir</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2025 12:57:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Destacando uma imagem do Cemitério Israelita de Inhaúma, produzida por Augusto Malta (1864 - 1957), em 11 de abril de 1934, a Brasiliana Fotográfica publica o artigo "Você quer saber quem somos nós? O Cemitério Israelita de Inhaúma e seu abandono", de autoria da historiadora Beatriz Kushnir. Inaugurado em 1o de outubro de 1916, lá encontram-se enterrados homens, mulheres e crianças, em um total de 797 pessoas. Mais que em outros cemitérios, uma “regra moral” impõe àquele espaço silêncio e isolamento. Na visão do escritor judeu Bashevis Singer, ali estaria enterrada a “escória” da comunidade judaica carioca: mulheres e homens de origem judaica e que exerciam a atividade da prostituição e da cafetinagem, que não é algo apenas masculino. As prostitutas judias ficaram conhecidas como "as polacas".]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Destacando uma imagem do Cemitério Israelita de Inhaúma, produzida por Augusto Malta (1864 &#8211; 1957), em 11 de abril de 1934, a Brasiliana Fotográfica publica o artigo <em>Você quer saber quem somos nós? O Cemitério Israelita de Inhaúma e seu abandono</em>, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir. Inaugurado em 1o de outubro de 1916, lá encontram-se enterrados homens, mulheres e crianças, em um total de 797 pessoas. Mais que em outros cemitérios, uma “regra moral” impõe àquele espaço silêncio e isolamento. Na visão do escritor judeu Bashevis Singer, ali estaria enterrada a “escória” da comunidade judaica carioca: mulheres e homens de origem judaica e que exerciam a atividade da prostituição e da cafetinagem, que não é algo apenas masculino. As prostitutas judias ficaram conhecidas como &#8220;as polacas&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Você quer saber quem somos nós?</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"> <em><strong>O Cemitério Israelita de Inhaúma e seu abandono</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">Beatriz Kushnir*</p>
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<div style="width: 713px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13846" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13846/MHC-AM-PO_2209.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="703" height="522" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13846" target="_blank">Augusto Malta. Cemitério Israelita, 11 de abril de 1934. Inhaúma, Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ &#8211; Coleção do Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No dia 11 de abril de 1934, uma quarta-feira, o fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</a> (1) registrou um evento no Cemitério Israelita de Inhaúma. Na foto, homens e mulheres diante de uma lápide. Na tradição judaica, algum tempo após o enterramento, há a cerimônia de sua inauguração, com a colocação da pedra e das informações sobre o/a falecido/a. Possivelmente era isto que acontecia ali. Ao que parece, apenas cinco homens compareceram e, assim, não se seguia o rito religioso que exige um <em>minian</em> – um quórum de dez homens judeus adultos, ou seja, com 13 anos ou mais. Isto é um indício de que talvez o grupo não tivesse tantos homens judeus disponíveis.</p>
<p>A curiosidade do fotógrafo demonstra que as atividades naquele espaço despertavam, há muito, o interesse da sociedade carioca. Seguindo preceitos e ritos milenares, os judeus costumam visitar seus mortos no final de semana entre o Ano Novo (Rosh Hashaná) e o Dia do Perdão (Iom Kipur). Os vários cemitérios judeus, em todo o mundo, ficam lotados nesses dias. Mantendo tal costume, Zelda e sua irmã Celina apareceram no Cemitério Israelita de Inhaúma, em 1992, quando as encontrei. Diferentemente dos demais, lá as visitas são raras.</p>
<p>No subúrbio de Inhaúma, colado ao cemitério municipal, encontram-se enterrados homens, mulheres e crianças, em um total de 797 pessoas (2). Mais que em outros cemitérios, uma “regra moral” impõe àquele espaço silêncio e isolamento. Na visão do escritor judeu Bashevis Singer (1902 &#8211; 1991), ali estaria enterrada a “escória” da comunidade judaica carioca: mulheres e homens de origem judaica e que exerciam a atividade da prostituição e da cafetinagem, que não é algo apenas masculino.</p>
<p>As polacas, como ficaram conhecidas, estão presentes na letra de<em> Mestre-Sala dos Mare</em>s, homenagem de João Bosco (1946-) e Aldir Blanc (1946 &#8211; 2020) a João Cândido (1880 &#8211; 1969), o <em>Almirante Negro</em>, líder da Revolta da Chibata (1910): <em>“Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas, jovens, polacas e por batalhões de mulatas”</em>. No poema <em>Balada do Mangue</em>, de Vinícius de Moraes (1913 &#8211; 1980), publicado em 1946, onde se lê:<em> “Glabras, glúteas cafetinas / Embebidas em jasmim / Jogando cantos felizes / Em perspectivas sem fim. / Cantais maternais hienas / Canções de cefetinizar / Gordas polacas serenas / Sempre prestes a chorar”</em>(3). Nos desenhos de Lasar Segall (1889 &#8211; 1957), intitulada <em>Mangue</em> (4), e de Di Cavalcanti (1897 &#8211; 1976) (5), e nas fotos de Augusto Malta (6).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40877" style="width: 669px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.leilaodearte.com/leilao/2021/julho/142/lasar-segall-mangue-23607/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40877" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/cemitério-israelita2.jpg" alt="Mangue, por Lasar Segall" width="659" height="370" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.leilaodearte.com/leilao/2021/julho/142/lasar-segall-mangue-23607/" target="_blank"><em>Mangue </em>(1943)<em> </em>, por Lasar Segall</a></p></div>
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<div id="attachment_40878" style="width: 415px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.wikiart.org/en/emiliano-di-cavalcanti/mangue-1929" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40878" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/cemitério-israelita3.jpg" alt="Mangue (1929), por Di Cavalcanti" width="405" height="547" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.wikiart.org/en/emiliano-di-cavalcanti/mangue-1929" target="_blank"><em>Mangue</em> (1929), por Di Cavalcanti</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há também a música que Moreira da Silva (1902 &#8211; 2000) compôs para uma paixão, Estera Gladkowicer (1927 &#8211; 1968), uma polaca de origem russa naturalizada brasileira, nascida em 20 de maio de 1907, solteira e que chega ao Brasil em 1927. Estera era a sócia no 65 da Associação Beneficente Funerária e Religiosa Israelita (ABFRI) e morreu em 1968 por ingestão de barbitúricos. Intitulada <em>Judia Rara</em>, Kid Morengueira declara que <em>“A rosa não se compara/a essa judia rara/criada no meu país/rosa de amor sem espinhos/diz que são meus carinhos/e eu sou um homem feliz/Os olhos dessa judia/cheios de amor e poesia/dorme o mistério da noite/brilha o milagre do dia/A sua boca vermelha/é uma flor singular/e meu desejo uma abelha/em torno dela a bailar&#8221;</em> (https://www.youtube.com/watch?v=gXfRBepUV1M).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40876" style="width: 863px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.dw.com/pt-br/filme-as-polacas-retrata-a-prostitui%C3%A7%C3%A3o-de-mulheres-judias-no-brasil/a-71031739" target="_blank"><img class="wp-image-40876 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/cemitério-israelita11.jpg" alt="cemitério israelita1" width="853" height="492" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.dw.com/pt-br/filme-as-polacas-retrata-a-prostitui%C3%A7%C3%A3o-de-mulheres-judias-no-brasil/a-71031739" target="_blank">Estera Gladkowicer (1927 &#8211; 1968)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando encontrei Zelda e Celina ali, em 1992, elas vinham visitar seus mortos: a mãe, a sogra de uma irmã, amigos e amigas. Logo me perguntaram: “ah, você quer saber quem somos nós?”. Mas a quem pertence este espaço e por que está isolado? O Cemitério Israelita de Inhaúma materializa a necessidade que esse grupo teve de retirar de si o manto da marginalidade e da exclusão pela via da solidariedade e da sociabilidade com base na religiosidade. Isto porque, dentro dos preceitos religiosos judaicos as prostitutas são enterradas junto ao muro dos cemitérios, reforçando e demarcando o locus da exclusão e do estigma. A partir da vivência comunal religiosa construída por esse grupo, com a aquisição de um cemitério próprio, estes homens e mulheres puderam manter e reforçar sua identidade judaica.</p>
<p>No Rio de Janeiro, o espaço do cemitério revela números – participação feminina e masculina, existência de filhos – e hierarquias. Assim, foi durante a gestão de 1916 que a ABFRI inaugurou o Cemitério Israelita de Inhaúma, em um terreno na rua Piragibe nº 99, com fundos para o Cemitério Municipal de Inhaúma. O processo de aquisição do terreno remonta a fevereiro de 1912, quando a procuradora Norma Pargament reencaminhou um pedido ao prefeito da Cidade do Rio de Janeiro “<em>(&#8230;) para que lhe fosse arrematado ou vendido um terreno junto ao Cemitério de Inhaúma, para nele ser instalado o cemitério da mesma Associação a fim de ali serem internados (sic). todos os seus associados”</em>(7).</p>
<p>Em agosto de 1916, o Diretor Geral de Obras e Viação, José Dias Cupertim, aprovou a obra e, às vésperas do décimo aniversário de fundação da ABFRI, se inaugurou o seu cemitério em 1o de outubro de 1916. Este ato representa e corporifica o objetivo central de uma sociedade dessa natureza: a manutenção de uma identidade étnico-religiosa. Contrariamente ao que se poderia supor, os membros da ABFRI não eram ilustres desconhecidos. Tal qual a curiosidade de Malta em 1934, a inauguração de seu cemitério, em 1916, não passou despercebida na imprensa carioca, sendo noticiada na primeira página do jornal <em>A Noite</em> (8), em uma matéria que reproduz as imagens da época quanto aos imigrantes/cáftens/ prostitutas/judeus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_40868" style="width: 358px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_01/9485" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40868" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/judeus.jpg" alt="A Noite, 30 de outubro de 1916" width="348" height="533" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_01/9485" target="_blank"><em>A Noite</em>, 30 de outubro de 1916</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A reportagem, não assinada, foi ilustrada com uma foto do campo de Inhaúma cercado por grades e identificado com uma placa com o nome da Associação, expondo seu caráter ainda precário e o que difere muito do que acontecerá nas duas próximas décadas como a imagem do Malta demonstra.</p>
<p>No tom de uma verdadeira crônica policial, o jornal <em>A Noite</em> faz referências aos homens e mulheres ali presentes, seus trajes e costumes. Narrando o que denominava de bizarro, a notícia conta a história da primeira pessoa a ser ali enterrada “(&#8230;) de nome Helena. Coube a essa a primeira cova aberta. Helena. [moradora à] rua do Regente, (&#8230;) era austríaca, solteira e tinha 33 anos. Faleceu no dia 22 de outubro deixando uma filha “(&#8230;) Eva. Esse foi o nome escolhido por suas irmãs de religião. Mas a [criança] foi gerada da união da pecadora com um soldado naval. O soldado não quis que se chamasse Eva a pequena, nome judaico, e sim que se lhe desse Iracema, nome indígena”(9).</p>
<p>A descrição da “festa macabra” realizada pelo jornal misturava em um mesmo caldeirão todas as referências usualmente feitas ao fenômeno do tráfico de escravas brancas e à atuação de parte da comunidade judaica nessa área. Assim, o jornalista refere-se a uma possível cerimônia de inauguração do campo, no qual um carneiro sacrificado foi enterrado, seguindo-se a uma distribuição de doces e bolos e a um leilão de cargos beneméritos da Associação, mediante pagamento que reverteria para a construção das instalações do cemitério. Tais descrições poderiam se aproximar do capturado pelas lentes de Malta, em 1934. Também ali vemos alimentos e bebidas, que talvez se justifiquem pelo difícil acesso ao local naquele momento. O longo deslocamento de ida e volta exigiria a ingestão de um farnel.</p>
<p>Três dias após a publicação do <em>A Noite</em>, o mesmo órgão de imprensa registrou uma resposta do redator-chefe, David J. Perez, do jornal A Columna – órgão da comunidade israelita carioca. Perez escreveu uma nota negando existir qualquer preceito religioso que regesse a inauguração de um cemitério judeu e justificava a existência e atuação de judeus nesse tipo de ofício pela ausência de uma organização comunal na cidade (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_01/9506" target="_blank"><em>A Noite</em>, 2 de novembro de 1916, segunda coluna</a>).</p>
<p>O Cemitério Israelita de Inhaúma foi o primeiro cemitério israelita de caráter particular estabelecido na cidade do Rio de Janeiro. Anteriormente, os judeus desta cidade eram enterrados em quadras delimitadas no Cemitério do Caju, São João Batista ou dos Ingleses, segundo os preceitos religiosos judaicos. Dentro destes preceitos, os suicidas e as prostitutas eram enterrados junto ao muro, demarcando e reconfirmando a marca da exclusão. E foi certamente para sair deste lugar que aqueles homens e mulheres se organizaram associativamente a partir de 1906, em um ato pioneiro dentro do processo imigratório de judeus para o Brasil. Portanto, é errônea a visão segundo a qual, “<em>(&#8230;) </em><em>a municipalidade havia cedido à comunidade judaica uma extensa área, no Bairro de </em><em>Inhaúma, para que fosse lá localizado um cemitério dentro dos preceitos da sua religião. </em><em>(&#8230;) </em>Aconteceu que os judeus da escravatura branca, chamados de ‘impuros’, quando souberam da concessão governamental, conseguiram das autoridades que seus mortos também fossem enterrados no cemitério de Inhaúma. Esse fato fez com que a comunidade, diante da impossibilidade de revogar a ordem, abandonasse o mencionado cemitério e, na impossibilidade de obter uma outra concessão. Dentro do então Distrito Federal. <em>(…) foi instalado um cemitério em Vila Rosaly, atual município de São João de Meriti, então município de Nova Iguaçu”</em> (Malamud, 1988, p. 83-4).</p>
<p>A ABFRI sobreviveu no século 20. Foi dirigida por mulheres que formavam uma irmandade. A última das quatro irmãs superioras foi Rebecca Freedman, a Becca, que faleceu com 103 anos, em 1984, talvez a verdadeira data de encerramento da associação. Ela havia sido eleita presidente por uma gestão de quatro anos, até 1970, porém nunca foi substituída. Após 62 anos de existência, a ABFRI se <em>“exaure”</em>, como me descreveu o seu contador, Sr. O. As rendas já não cobrem as despesas e as mensalidades já não conseguem ser pagas pelos associados. Diferente de suas companheiras e, certamente, não por sua vontade, Becca foi enterrada no Cemitério Comunal do Caju, pela Sociedade Cemitério Comunal, uma entidade israelita que cuidava até 2020 do Cemitério Israelita de Inhaúma. Mesmo com o fim da Associação, esse cemitério ainda recebeu sepultamentos e, na década de 1960, segundo a Comissão de Cemitérios do Rio de Janeiro, sua média anual era de oito enterros. O Livro de Registro dos óbitos dos associados da ABFRI encerra seus dados em outubro de 1967, embora outros cinco sócios tenham sido sepultados até setembro de 1970. Após esse ano, pela ausência de recursos e de pessoal que cuidasse do cemitério, ele fica abandonado.</p>
<p>As tentativas que membros da ABFRI realizam desde a década de 1960 para solucionar a questão chega a um limite e a transferência dos cuidados do cemitério para outra sociedade israelita me foi narrada pelo Sr. O como um processo longo. Anos mais tarde, já no final da década de 1970, a atual sociedade responsável – Sociedade Cemitério Comunal – procurou o Sr. O. Nos anos 2000, a entidade que assumiu o cemitério teve a intenção de usar as áreas livres restantes para outros enterros que não os dos sócios da  ABFRI. Os sócios seriam concentrados em uma área determinada, transladando-se os corpos, o que não é permitido pela religião judaica.</p>
<p>Para que isto não ocorresse, a Prefeitura do Rio tombou o cemitério como um sitio arqueológico (Decreto no 28.463, de 21 de setembro de 2007 e Decreto no 32.993, de 27 de outubro de 2010). Abandonado desde 2020, trancado e impossibilitado de receber visitantes, o espaço pede socorro!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Beatriz Kushnir é Doutora em História/Unicamp. Autora, entre outros, de <em>Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição, as polacas </em><em>e suas associações de ajuda mútua</em> (Imago). Mantém o blog: http://polacas.blogspot.com</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(1)  Augusto César Malta de Campos (Mata Grande, 1864 – Rio de Janeiro, 1957) foi fotógrafo com atuação na função oficial do então Distrito Federal entre as décadas de 1900 e 1930, nomeado pelo prefeiro Pereira Passos.<br />
(2) Este dado foi retirado do Livro de Registro de Óbitos dos Adultos e Anjos sepultados no Cemitério da Associação<br />
Beneficente Funerária e Religiosa Israelita – Inhaúma. Esse material foi elaborado por essa entidade e hoje se encontra em um depósito no arquivo da Sociedade Cemitério Comunal – instituição judaica carioca que tomava conta do local até 2020. Esse Livro possui páginas numeradas, 31 até 88, que dão conta do período de 22 de outubro de 1916 até 12 de outubro de 1967.<br />
(3) Vinicius de Moraes, Antologia poética. Lisboa, Publicações D. Quixote, 2006.<br />
(4) Lasar Segall, (Vilna, 1889 – São Paulo, 1957) foi um pintor, escultor e gravurista judeu nascido no território da atual Lituânia. Álbum de desenhos de Mangue foi realizado entre 1925 e 1928, e inclui texto de Mario de Andrade, Manuel Bandeira e Jorge de Lima. A edição de luxo é limitada a 135 exemplares.<br />
(5) Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, ou Di Cavalcanti, (1897–1976), abordou temas brasileiros em suas obras e, em 1929, pintou o quadro Mangue.<br />
(6) Augusto César Malta de Campos (Mata Grande, 1864 – Rio de Janeiro, 1957) foi fotógrafo com atuação na função oficial do então Distrito Federal entre as décadas de 1900 e 1930, nomeado pelo prefeito Pereira Passos, instituiu um significativo acervo das transformações da então capital do Brasil.<br />
(7) AGCRJ (Vol.4, p. 598, códice 58-3-22).<br />
(8)“Uma festa Macabra – Os exploradores do judaísmo. Os ‘wizugths’ pagam o seu tributo – O destino de Helena”.<br />
Jornal A Noite, RJ, 30/10/1916, p.1.<br />
(9) Op. cit. Nota 8.</p>
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		<title>Série &#8220;Hotéis do Brasil&#8221; IX, Série &#8220;Os arquitetos do Rio de Janeiro&#8221; IX e Série &#8220;O Rio de Janeiro desaparecido&#8221; XXXIII &#8211; O Hotel Avenida, um ícone da &#8220;Belle Époque&#8221; carioca, projetado por Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Aug 2025 16:55:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Série "Hotéis do Brasil"]]></category>
		<category><![CDATA[Série "O Rio de Janeiro desaparecido"]]></category>
		<category><![CDATA[Série Os arquitetos do Rio de Janeiro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=39216</guid>
		<description><![CDATA[Com registros de Augusto Malta, de Guilherme Santos e de Marc Ferrez, nosso artigo de hoje é "Série "Hotéis do Brasil" IX, Série "Os arquitetos do Rio de Janeiro" IX e Série "O Rio de Janeiro desaparecido" XXXIII - O Hotel Avenida", que foi um ícone da "Belle Époque" carioca, um marco arquitetônico e cultural do Rio de Janeiro. Foi projetado pelo baiano Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá e inaugurado, em julho de 1908,  na então recém aberta Avenida Central, posteriormente Avenida Rio Branco. Sob protestos da população, o Hotel Avenida foi demolido em 1957. Seu desaparecimento foi tema da música "Adeus à Galeria Cruzeiro", de autoria de Edel Ney e Aires Viana, cantada por Leny Eversong, e do poema "A um hotel em demolição", de Carlos Drummond de Andrade, no qual o fotógrafo Augusto Malta é citado. Este artigo foi escrito a partir de uma sugestão de Flávio Pinheiro, um dos criadores da Brasiliana Fotográfica, e é dedicado a ele.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Série &#8220;Hotéis do Brasil&#8221; IX, Série &#8220;Os arquitetos do Rio de Janeiro&#8221; IX e Série &#8220;O Rio de Janeiro desaparecido&#8221; XXXIII &#8211; O Hotel Avenida no Rio de Janeiro, projetado por Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá*</em></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com registros de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864-1957)</a>, que foi fotógrafo da prefeitura do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936; do fotógrafo amador <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post.php?post=5545&amp;action=edit" target="_blank">Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966)</a> e de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a>, brilhante cronista visual do Rio de Janeiro; o tema de nosso artigo é o Hotel Avenida, um marco arquitetônico e cultural carioca. Uma das fotografias de Marc Ferrez e as duas de Guilherme Santos são estereografias. Este último foi um entusiasta da fotografia estereoscópica, tendo sido um dos pioneiros dessa técnica no Brasil, ao adquirir, em 1905, na França, o Verascope, um sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<dl class="wp-caption aligncenter" style="width: 729px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9889" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9889/002080RJN0707.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="719" height="310" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9889" target="_blank">Guilherme Santos. Hotel Avenida, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></dd>
</dl>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 717px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9747" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9747/007_IMG_1809.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="707" height="329" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9747" target="_blank">Marc Ferrez. Hotel Avenida, c. 1912 . Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/410" target="_blank">Acessando o link para as fotografias do Hotel Avenida disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39268" style="width: 869px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/3891" target="_blank"><img class="wp-image-39268 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida3.jpg" alt="avenida3" width="859" height="376" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/3891" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 15 de janeiro de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi projetado pelo baiano Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá (1838 &#8211; 1915) e inaugurado, em julho de 1908 (<em>A Imprensa</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4363" target="_blank">30 de junho, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4374" target="_blank">2 de julho, segunda coluna</a>), na então recém aberta <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5880" target="_blank">Avenida Central, posteriormente Avenida Rio Branco.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39264" style="width: 951px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4377" target="_blank"><img class="wp-image-39264 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida7.jpg" alt="avenida7" width="941" height="548" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4377" target="_blank"><em>A Imprensa</em>, 2 de julho de 1908</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Caminhoá, nascido em Santo Amaro da Purificação, em 1838, foi também responsável pelos projetos da Catedral de Petrópolis e da oficina de consertos dos bondes da Companhia de Ferro Carril Jardim Botânico e atual edifício do Instituto dos Arquitetos do Brasil. Havia estudado arquitetura na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro e recebeu, da Assembleia Provincial da Bahia, em 1855, a subvenção de 200 francos mensais para estudar na Europa, onde frequentou a École de Beaux-Arts de Paris e foi aspirante, em 1857, no ateliê do arquiteto francês Louis-Hyppolyte Lebas (1782 &#8211; 1862), um dos mais influentes e populares profissionais de seu tempo. Regressou ao Brasil, em 1867. Faleceu em 14 de outubro de 1915 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_10/50825" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em><em>,</em> 15 de outubro de 1915, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39232" style="width: 200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/donativo-caminhoa/" target="_blank"><img class="wp-image-39232" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/caminhoá.jpg" alt="caminhoá" width="190" height="290" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/donativo-caminhoa/" target="_blank">Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá / Fonte: AHEBA/UFBA</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A localização do luxuoso Hotel Avenida, em estilo eclético, ícone da <em>Belle Époque</em> carioca, e a presença de uma estação de bondes da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, proprietária do hotel, diante dele, propiciou que ele fosse muito mais do que um estabelecimento de hospedagem: foi o centro de gravidade de eventos sociais e culturais da cidades, dentre eles o carnaval.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39262" style="width: 911px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/11452" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39262" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida4.jpg" alt="Careta, 18 de abril de 1914" width="901" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/11452" target="_blank">Ponto de bondes em frente ao Hotel Avenida<em> / Careta</em>, 18 de abril de 1914</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Hotel Avenida possuía 220 quartos, todos com telefone; restaurante, salão de jogos, água quente, iluminação elétrica e elevadores, tendo sido, na época de sua inauguração, o mais moderno e importante hotel do Brasil e um dos mais belos da América do Sul. Sua fachada frontal tinha 60 metros e cinco pavimentos. A altura do edifício era de quase 23 metros. Ao longo de sua existência hospedou importantes personalidades do cenário nacional e internacional. Abrigava a Galeria Cruzeiro, assim denominada devido a duas passagens em cruz, que ficava no andar térreo do hotel. Repleta de bares,  restaurantes e cafés, dentre eles o Nacional, o Ao Franziskaner (da Brahma), a Leiteria Mineira e o Laranjada Brasil, atraía um público de turistas, artistas e intelectuais. Ocupava uma quadra delimitada pela Avenida Central, o Largo da Carioca, a então denominada Rua de Santo Antônio, atual Bittencourt da Silva; e a Rua São José.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 486px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.estilosarquitetonicos.com.br/hotel-avenida/" target="_blank"><img src="http://www.estilosarquitetonicos.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Hotel-Avenida-Galeria-Cruzeiro-2.jpg" alt="Hotel Avenida - Galeria Cruzeiro" width="476" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.estilosarquitetonicos.com.br/hotel-avenida/" target="_blank">Galeria Cruzeiro / Estilos Arquitetônicos</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39263" style="width: 831px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/4299" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39263" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida5.jpg" alt="Fon-Fon, 9 de abril de 1910" width="821" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/4299" target="_blank">Leiteria Mineira na Galeria Cruzeiro<em> / Fon-Fon</em>, 9 de abril de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por imposição do progresso vai abaixo a velha Galeria Cruzeiro</em>. Essa foi a manchete da primeira página do <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_03/58473" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 2 de março de 1957</a>. A demolição do Hotel Avenida começou em outubro de 1957 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_05/44500" target="_blank"><em>A Noite</em>, 25 de setembro de 1957, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/56042" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 15 de outubro de 1957, primeira coluna</a>). Em seu lugar foi construído o Edifício Avenida Central, com 34 andares e o primeiro em estrutura metálica do Rio de Janeiro, inaugurado em 22 de maio de 1961 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/18788" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 23 de maio de 1961, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/39459" target="_blank"><em>Manchete</em>, 3 de junho de 1961</a>). Foi projetado pelo Escritório Henrique Mindlin, também responsável pelo Shopping dos Antiquários e pelos hotéis Sheraton e Intercontinental.</p>
<p>Com a demolição do Hotel Avenida, começava na cidade uma transição para uma era de modernização e mudanças urbanas &#8211; muitos edifícios históricos foram demolidos e substituídos por construções modernas. Para a despedida, o <em>Jornal do Brasil</em>, a Rádio Jornal do Brasil e a Loja Palermo organizaram uma grande manifestação chamada <em><a href="https://www.google.com/search?q=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;rlz=1C1GCEU_pt-BRBR1077BR1077&amp;oq=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigAdIBBzUwOWowajeoAgCwAgA&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#fpstate=ive&amp;vld=cid:1ccd6fbe,vid:13T_8V5xgvU,st:0" target="_blank">Adeus à Galeria Cruzeiro</a>, </em>mesmo nome da música de autoria de Edel Ney e Aires Viana, cantada por Leny Eversong (1920 &#8211; 1984).</p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="https://www.google.com/search?q=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;rlz=1C1GCEU_pt-BRBR1077BR1077&amp;oq=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigAdIBBzUwOWowajeoAgCwAgA&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#fpstate=ive&amp;vld=cid:1ccd6fbe,vid:13T_8V5xgvU,st:0" target="_blank">Adeus à Galeria Cruzeiro</a></em></p>
<p style="text-align: center;">Você viu, você leu, você ouviu<br />
O comentário que corre pela cidade?<br />
Você viu, você leu, você ouviu<br />
A dolorosa verdade?</p>
<p style="text-align: center;">É certo que a Galeria Cruzeiro<br />
Vai desaparecer<br />
É a lei do progresso<br />
Que faz a cidade crescer<br />
Praça Onze, Café Nice</p>
<p style="text-align: center;">(O samba chorou<br />
E a saudade ficou no coração do sambista)</p>
<p style="text-align: center;">Galeria (Galeria)</p>
<p style="text-align: center;">Este samba (triste samba)<br />
É o adeus do artista<br />
Adeus Galeria do chopp gelado</p>
<p style="text-align: center;">Das noites de boemia<br />
Dos carnavais do passado<br />
Adeus Galeria reduto do samba<br />
De Chico, Noel e de tanta gente bamba</p>
<p style="text-align: center;">Galeria (adeus)<br />
Galeria (adeus)</p>
<p>No dia da festa caia uma forte chuva na cidade mas personalidades importantes como Ademilde Fonseca (1921 &#8211; 2012), Altamiro Carrilho (1924 &#8211; 2012), Linda Batista (1919 &#8211; 1988), Pixinguinha (1897 &#8211; 1973), Pato Preto (1928 &#8211; 2005), Risadinha (1921 &#8211; 1976) e Silvinha Chioso (1938-), dentre outros, compareceram ao evento, que contou também com a participação de bandas militares e agremiações carnavalescas, como o<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10849" target="_blank"> Cordão da Bola Preta</a>. Milhares de pessoas compareceram (<em>Jornal do Brasil</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_07/81311" target="_blank">24 de novembro de 1957, sexta coluna</a>, 26 de novembro de 1957, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_07/81401" target="_blank">capa</a> e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_07/81413" target="_blank">página 13</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9410" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9410/007A5P4F02-020.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9410" target="_blank">Augusto Malta. Hotel Avenida, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No poema<em> A um hotel em demolição</em>, sobre o desaparecimento do Hotel Avenida, seu autor, o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987), cita o fotógrafo Augusto Malta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong> <span style="color: #800000;"><em>A um hotel em demolição</em></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"> (Publicado no livro <em>A vida passada a limpo</em> (1973))</p>
<p style="text-align: center;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em>Vai, Hotel Avenida,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> vai convocar teus hóspedes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no plano de outra vida.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Eras vasto vermelho,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em cada quarto havias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> um ardiloso espelho.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Nele se refletia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> cada figura em trânsito</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o mais que se não lia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem mesmo pela frincha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> da porta: o que um esconde,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> polpa do eu, e guincha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem se fazer ouvir.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> E advindo outras faces</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em contínuo devir,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o espelho eram mil máscaras</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mineiroflumenpau-</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> listas, boas, más; caras.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>50 anos-imagem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e 50 de catre</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> 50 de engrenagem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> noturna e confidente</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que nos recolhe a úrica</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verdade humildemente.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>(Pois eras bem longevo, Hotel, e no teu bojo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o que era nojo se sorria, em pó, contigo.)</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>O tardo e rubro alexandrino decomposto.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Casais entrelaçados no sussurro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> do carvão carioca, bondes fagulhando, políticos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> politicando em mornos corredores</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> estrelas italianas, porteiros em êxtase</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> cabineiros</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>em pânico:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por que tanta suntuosidade se encarcera</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> entre quatro tabiques de comércio?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> A bandeja vai tremulargentina:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> desejo café geleia matutinos que sei eu.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> A mulher estava nua no centro e recebeu-me</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> com a gravidade própria aos deuses em viagem:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Stellen Sie es auf den Tisch!</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Sim, não fui teu quarteiro, nem ao menos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> boy em teu sistema de comunicações louça</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a serviço da prandial azáfama diurna.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Como é que vivo então os teus arquivos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e te malsinto em mim que nunca estive</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em teu registro como estão os mortos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em seus compartimentos numerados?</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Represento os amores que não tive</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas em ti se tiveram foice-coice.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Como escorre</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> escada serra abaixo a lesma</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> das memórias</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>de duzentos mil corpos que abrigaste</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ficha ficha ficha ficha ficha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> fichchchchch.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> O 137 está chamando</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> depressa que o homem vai morrer</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> é aspirina? padre que ele quer?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Não, se ele mesmo é padre e está rezando</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por conta dos pecados deste hotel</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e de quaisquer outros hotéis pelo caminho</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que passa de um a outro homem, que em nenhum</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ponto tem princípio ou desemboque;</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e é apenas caminho e sempre sempre</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se povoa de gestos e partidas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e chegadas e fugas e quilômetros.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Ele reza ele morre e solitária</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> uma torneira</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pinga</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o chuveiro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> chuvilha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e a chama</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> azul do gás silva no banho</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sobre o Largo da Carioca em flor ao sol.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>(Entre tapumes não te vejo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> roto desventrado poluído</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> imagino-te ileso emergindo dos sambas dos dobrados da polícia militar, do coro ululante de torcedores do campeonato mundial pelo rádio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a todos oferecendo, Hotel Avenida,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> uma palma de cor nunca esbatida.)</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Eras o Tempo e presidias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ao febril reconhecimento de dedos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> amor sem pouso certo na cidade</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> à trama dos vigaristas, à esperança</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> dos empregos, à ferrugem dos governos,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> à vida nacional em termos de indivíduo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e a movimentos de massa que vinham espumar</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sob a arcada conventual de teus bondes.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Estavas no centro do Brasil,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nostalgias januárias balouçavam</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em teu regaço, capangueiros vinham</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> confiar-te suas pedras, boiadeiros</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pastoreavam rebanhos no terraço</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e um açúcar de lágrimas caipiras</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> era ensacado a todo instante em envelopes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> (azuis?) nos escaninhos da gerência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e eras tanto café e alguma promissória.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Que professor professa numa alcova</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> irreal, Direito das Coisas, doutrinando</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a baratas que atarefadas não o escutam?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Que flauta insiste na sonatina sem piano</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em hora de silêncio regulamentar?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> E as manias de moradores antigos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que recebem à noite a visita do prefeito Passos para discutir novas técnicas urbanísticas?</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>E teus mortos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> incomparavelmente mortos de hotel fraudados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> na morte familiar a que aspiramos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> como a um não morrer morrido;</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mortos que é preciso despachar</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> rápido, não se contagiem lençóis</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e guarda-pires</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> dessa friúra diversa que os circunda</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem haja nunca memória nesta cama</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> do que não seja vida na Avenida.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Ouves a ladainha em bolhas intestinas?</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Balcão de mensageiros imóveis saveiros</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> banca de jornais para nunca e mais</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> alvas lavanderias de que restam estrias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> bonbonnières onde o papel de prata</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> faz serenata em boca de mulheres</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> central telefônica soturnamente afônica</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> discos lamentação de partidos meniscos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> papelariasconversariaschope da Brahma louco de quem ama</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o Bar Nacional pura afetividade</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> súbito ressuscita Mário de Andrade.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Que fazer do relógio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ou fazer de nós mesmos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem tempo sem mais ponto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem contraponto sem medida de extensão</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem sequer necrológio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> enquanto em cinza foge o</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> impaciente bisão</em></span></p>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>a que ninguém os chifres</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sujigou, aflição?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Ele marcava mar-</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> cavacava cava cava</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e eis-nos sós marcados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> de todos os falhados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> amores recolhidos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> relógio que não ouço</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e nem me dá ouvidos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> robô de puro olfato</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a farejar o imenso</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> país do imóvel tacto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> as vias que corria teu comando fecham-se</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nas travessas em I</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nos vagos pesadelos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nos sombrios dejetos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em que nossos projetos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se estratificaram. A ti não te destroem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> como as térmitas papam</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>livro terra existência.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Eles sim teus ponteiros</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> vorazes esfarelam</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a túnica de Vênus</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o de mais o de menos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> este verso tatuado</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e tudo que hei andado</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por te iludir e tudo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que nas arkademias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> institutos autárquicos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> históricos astutos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se ensina com malícia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sobre o evolver das coisas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ó relógio hoteleiro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> deus do cauto mineiro,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> silêncio,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pudicícia.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Mas tudo que moeste</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> hoje de ti se vinga</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por artes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> de pensada mandinga.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Deglutimos teu vidro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> abafando a linguagem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que das próprias estilhas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se afadiga em pulsar</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o minuto de espera</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> quando cessa na tarde</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a brisa de esperar.</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em> </em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Rangido de criança nascendo.</em></span></div>
<div style="text-align: left;">
<p><span style="color: #800000;"><em>Por favor, senhor poeta Martins Fontes, recite mais baixo suas odes enquanto minha senhora acaba de parir no quarto de cima, e o poeta velou a voz, mas quando o bebê aflorou ao mundo é o pai que faz poesia saltarilha e pede ao poeta que eleve o diapasão para celebrarem todos, hóspedes, camareiros e pardais, o grato alumbramento.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Anoitecias. Na cruz dos quatro caminhos, lá embaixo, apanhadores, ponteiros, engole-listas de sete prêmios repousavam degustando garapa.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Mujer malvada, yo te mataré! artistas ensaiavam nos quartos? I wil grind your bones to dust, and with your blood and it I’ll make a paste. Bagaço de cana, lá embaixo.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Todo hotel é fluir. Uma corrente</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> atravessa paredes, carreando o homem,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> suas exalações de substância. Todo hotel</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> é morte, nascer de novo; passagem; se pombos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nele fazem estação, habitam o que não é de ser habitado</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas apenas cortado. As outras casas prendem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e se deixam possuir ou tentam fazê-lo, canhestras.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> O espaço procura fixar-se. A vida se espacializa,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> modela-se em cristais de sentimento.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> A porta se fecha toda santa noite.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Tu não se encerras, não podes. A cada instante</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> alguém se despede de teus armários infiéis</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e os que chegam já trazem a volta na maleta.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> 220 Fremdenzimmer e te vês sempre vazio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o espelho reflete outro espelho</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o corredor cria outro corredor</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> homem quando nudez indefinidamente.</em></span></p>
</div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em> </em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>No centro do Rio de Janeiro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no curral da manada dos bondes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no desfile dos sábados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no esfregar no repinicar dos blocos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nas cavatinas de Palermo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no aboio dos vespertinos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verme roendo maçã</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verme roído por verme</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verme autorroído</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> roer roendo o roer</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e a ânsia de acabar, que não espera</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o termo veludoso das ruínas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem a esvoaçante morte de hidrogênio.</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Eras solidão tamoia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> vir a ser de casa</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em vir a ser de cidade onde lagartos</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em> </em></span></div>
<div>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Vem, ó velho Malta,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> saca-me uma foto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pulvicinza efialta</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> desse pouso ignoto.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Junta-lhe uns quiosques</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mil e novecentos,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem iaras nem bosques</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas pobres piolhentos.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Põe como legenda</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Q u e i j o I t a t i a i a</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o mais que compreenda</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> condição lacaia.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Que estas vias feias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> muito mais que sujas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> são tortas cadeias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> conchas caramujas</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>do burro sem rabo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> servo que se ignora</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e de pobre-diabo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> dentro, fome fora.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Velho Malta, please,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> bate-me outra chapa:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> hotel de marquise</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> maior que o rio Apa.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Lá do acento etéreo,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Malta, sub-reptício</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> inda não te fere o</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> super edifício</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>que deste chão surge?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Dá-me seu retrato</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> futuro, pois urge</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>documentar as sucessivas posses da terra até o juízo final e mesmo depois dele se há como três vezes três confiamos que haja um supremo ofício de registro imobiliário por cima da instantaneidade do homem e da pulverização das galáxias.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Já te lembrei bastante sem que amasse</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> uma pedra sequer de tuas pedras</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas teu nome — A V E N I D A — caminhava</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> à frente de meu verso e era mais amplo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e mais formas continha que teus cômodos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> (o tempo os degradou e a morte os salva),</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e onde abate o alicerce ou foge o instante</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> estou comprometido para sempre.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Estou comprometido para sempre,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> eu que moro e desmoro há tantos anos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o Grande Hotel do Mundo sem gerência</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>em que nada existindo de concreto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> — avenida, avenida — tenazmente</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> de mim mesmo sou hóspede secreto</em></span></p>
<p style="text-align: left;">
</div>
<p>Leia aqui a crônica <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/25424" target="_blank"><em>Galeria</em></a>, de autoria de Rubem Braga (1913 &#8211; 1990), publicada no <em>Correio da Manhã</em>, 10 de abril de 1953, sexta coluna.</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica agradece ao jornalista e poeta André Luis Câmara (1965-) por sua colaboração na construção deste artigo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>*</strong>Este artigo foi escrito a partir de uma sugestão de Flávio Pinheiro, um dos criadores da Brasiliana Fotográfica, e é dedicado a ele.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42965" style="width: 870px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=101" target="_blank"><img class="wp-image-42965 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/dods10.jpg" alt="dods10" width="860" height="517" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=101" target="_blank">Obras de pavimentação do Largo da Carioca. À direita, o Hotel Avenida, 17 de fevereiro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 98 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-07/catedral-de-petropolis-e-reaberta-ao-publico" target="_blank">Agência Brasil</a></p>
<p><a href="http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/donativo-caminhoa/" target="_blank">Dicionário de Belas Artes UFBA</a></p>
<p><a href="https://www.jornalfolhadocentro.com.br/index.php?edicao=295&amp;pagina=3&amp;id_noticia=2288" target="_blank"><em>Folha do Centro</em>, junho de 1921</a></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>PAIVA, Claudia dos Reis. <a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/claudiadosreispaiva.pdf" target="_blank"><em>Abrindo passagem para o futuro: Galeria Pio X</em></a>. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ambiente Construído da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ambiente Construído, 2018.</p>
<p>PEREIRA, Sonia  Gomes. <a href="http://cbha.art.br/coloquios/2002/textos/texto41.pdf" target="_blank"><em>O Ensino de Arquitetura e a Trajetória dos Alunos Brasileiros na École des Beaux-Arts em Paris no Século XIX.</em></a> XXII Colóquio Brasileiro de História da Arte, 2002.</p>
<p><a href="https://discografiabrasileira.com.br/composicao/129830/adeus-galeria-cruzeiro" target="_blank">Site Discografia Brasileira &#8211; IMS</a></p>
<p><a href="https://www.estilosarquitetonicos.com.br/hotel-avenida/">Site Estilos Arquitetônicos</a></p>
<p><a href="https://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/rio-antigo-h-avenida.html" target="_blank">Site Rio de Janeiro Aqui</a></p>
<p><a href="https://urbecarioca.com.br/antigo-hotel-avenida-o-fim-de-um-periodo-cultural-rico-e-vibrante/" target="_blank">Site Urbe Carioca</a></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HVW4He0737I&amp;t=18s" target="_blank">Youtube &#8211; Hotel Avenida</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Série &#8220;Os arquitetos do Rio de Janeiro&#8221; VIII &#8211; O prédio do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal; o Museu Nacional de Belas Artes e o arquiteto Adolfo Morales de los Rios (1858 &#8211; 1928)</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 15:21:06 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Supremo Tribunal Federal]]></category>

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		<description><![CDATA[Com fotografias produzidas por Augusto Malta, Jorge Kfuri, Luiz Musso, Marc Ferrez, pela Papelaria e Typographia Botelho e por fotógrafos ainda não identificados, a Brasiliana Fotográfica publica o oitavo artigo da série "Os arquitetos do Brasil", sobre o antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal; e sobre o Museu Nacional de Belas Artes, e conta um pouco da história de seu arquiteto, o espanhol Adolfo Morales de Los Rios y Garcia de Pimentel  (1858 - 1928). Dos 17 prédios projetados por ele para a Avenida Central, no início do século XX, esses que são os temas desse artigo são os únicos que não foram demolidos.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com fotografias produzidas por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</a>, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16103" target="_blank">Jorge Kfuri (1893 – 1965)</a>, Luiz Musso (18? &#8211; 19?), <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20796" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a>, pela Papelaria e Typographia Botelho e por fotógrafos ainda não identificados, a Brasiliana Fotográfica publica o oitavo artigo da série <em>Os arquitetos do Brasil,</em> sobre o antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal; e sobre o Museu Nacional de Belas Artes. Também conta um pouco da história de seu arquiteto, o espanhol Adolfo Morales de los Rios y Garcia de Pimentel  (1858 &#8211; 1928). Dos 17 prédios projetados por ele para a Avenida Central, no início do século XX, esses, que são os temas desse artigo, são os únicos que não foram demolidos. Além de arquiteto, Morales de los Rios foi urbanista, professor e historiador. Desempenhou um importante papel na modernização arquitetônica do Brasil em fins do século XIX e primeiras décadas do XX.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Edifício do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal</strong></em></span></p>
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<div style="width: 707px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7024" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7024/0074050cx005-01.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="697" height="559" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7024" target="_blank">Marc Ferrez. Vista do Supremo Tribunal Federal, c. 1910. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>A construção do edifício do Supremo Tribunal Federal (STF) foi iniciada, em 1905, e estava integrada ao projeto de reurbanização do Rio de Janeiro, então a capital federal. A princípio, o prédio abrigaria a Mitra Arquiepiscopal, mas foi adquirido pelo governo federal para abrigar o STF, instalado em 3 de abril de 1909 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/161993/7818" target="_blank"><em>Brazilian Review</em>, 21 de novembro de 1905, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/19598" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias,</em> 2 de abril de 1909, terceira coluna</a>). O edifício é um dos mais importantes testemunhos da arquitetura eclética do Brasil.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11514" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11514/002073LM019a.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="510" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11514" target="_blank">Luiz Musso. Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural Justiça Federal, c. 1909. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>O prédio abrigou o STF até 1960, quando o tribunal foi transferido para Brasília, a nova capital do Brasil. Desde então, o edifício sediou o Superior Tribunal Eleitoral, o Tribunal de Alçada e varas da Justiça Federal de 1ª Instância. Após obras de restauração que duraram cerca de sete anos, o prédio foi aberto ao público, em 4 de abril de 2001, como Centro Cultural da Justiça Federal. Foi inaugurado com a exposição permanente <em>Justiça e Cidadania</em> e com a mostra temporária sobre a obra do importante fotógrafo cearense Chico Albuquerque (1917 &#8211; 2000), pioneiro da publicidade brasileira na década de 1940. Havia também uma exposição mostrando o prédio antes e depois da restauração (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_12/38119" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 4 de abril de 2001, primeira coluna</a>).</p>
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<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/409" target="_blank"><strong>Acesse aqui o link para as fotografias do antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal disponíveis na Brasiliana Fotográfica</strong></a></p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Edifício do Museu Nacional de Belas Artes</strong></em></span></p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10162" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10162/007_IMG_3790.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="338" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10162" target="_blank">Marc Ferrez. Museu Nacional de Belas Artes, c. 1912. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>Em 1908, a sede da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26333" target="_blank">Academia Nacional de Belas Artes</a> foi transferida para um edifício também na <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5880" target="_blank">Avenida Central</a> e também projetado por Adolfo Morales de los Rios. Acredita-se que o desenho original de Morales de los Rios tenha sido modificado pelo escultor Rodolfo Bernadelli (1852 &#8211; 1931), que era diretor da escola. De acordo com o<em> “afrancesamento” </em>da Avenida Central<em>, </em>a fachada principal<em> </em>do prédio baseou-se em uma das alas do Museu do Louvre, projetada pelo arquiteto francês Hector-Martin Lefuel (1810 &#8211; 1880), que trabalhava para Napoleão III (1808 &#8211; 1873). Apresenta medalhões pintados por Henrique Bernardelli (1857 &#8211; 1936) retratando integrantes da Missão Francesa e outros artistas brasileiros, além de frontões, colunatas e relevos em terracota representando as grandes civilizações da antiguidade. As fachadas laterais são inspiradas no renascimento italiano e trazem mosaicos realizados pelo francês Félix Gaudin (1851 &#8211; 1930), com retratos de artistas famosos.</p>
<p>Em 1931, a Escola Nacional de Belas Artes foi incorporada à Universidade do Rio de Janeiro, futura Universidade do Brasil, e, a partir de 1937, dividiu o prédio com o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), criado em 13 de janeiro de 1937 por iniciativa de Gustavo Capanema (1900 &#8211; 1985), ministro da Educação do governo de Getúlio Vargas (1882 &#8211; 1954), e inaugurado em 19 de agosto de 1938. O MNBA possui o maior acervo de obras de arte do século XIX no Brasil, sendo um dos mais importantes museus de arte do país. O edifício foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 24 de maio de 1973. Está fechado ao público desde 2020 e passa por uma reforma. Sua reabertura está prevista para fins de 2025. A atual Escola de Belas Artes foi, entre 1974 e 1975, transferida para o prédio Jorge Machado Moreira projetado para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), no campus do Fundão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/411" target="_blank"><strong>Acesse aqui o link para as fotografias do Museu Nacional de Belas Artes disponíveis na Brasiliana Fotográfica</strong></a></span></p>
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<div style="width: 709px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3958" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3958/47648.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="699" height="492" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3958" target="_blank">Jorge Kfuri. A Avenida Rio Branco, com o Teatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes, a Biblioteca Nacional, o antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, atual Centro Cultural da Justiça Federal, 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo DPHDM</a></p></div>
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<p style="text-align: center;" align="JUSTIFY"><span style="color: #800000;"><em><strong>Brevíssimo perfil do arquiteto Adolfo Morales de los Rios (1858 &#8211; 1928)</strong></em></span></p>
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<div id="attachment_38961" style="width: 348px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_05/35311" target="_blank"><img class="size-full wp-image-38961" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/morales.jpg" alt="O Paiz, 5 de setembro de 1928" width="338" height="532" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_05/35311" target="_blank"><em>O &#8220;Sanguine&#8221; feita ontem especialmente para O Paiz por Cândido Portinari / O Paiz</em>, 5 de setembro de 1928</a></p></div>
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<p>O arquiteto, urbanista, historiador e professor espanhol Adolfo Morales de los Rios y Garcia de Pimentel nasceu em Sevilha, em 10 de março de 1858, filho do capitão-general da Extremadura, de Granada e da Galícia, Adolfo Morales de los Rios e de Salud Pimentel y Garcia de Ambues. Trabalhou, inicialmente, na França, onde conheceu o arquiteto Viollet-le-Duc (1814 &#8211; 1879), um dos precursores da arquitetura moderna. Cursou arquitetura na Escola de Belas Artes de Paris, entre 1877 e 1882. Retornou à Espanha onde foi o responsável pelos projetos do Cassino de San Sebastián, do Gran Teatro de Cadiz e do Banco da Espanha, em Madri. Em 1889, aceitou o convite para fundar uma escola de arquitetura no Chile. Passou pelo Brasil para onde retornou, em 1890, devido a problemas políticos que impediram seu estabelecimento no Chile. Veio <em>a convite do arquiteto belga mr. de Mot, encarregado da urbanização de Teresópolis </em>(<a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_03/36288" target="_blank"><em>Correio da Manhã, </em>4 de setembro<em> </em>de 1928, quinta coluna</a>).</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Fui e continuo a ser um bom brasileiro, sem deixar de ser um bom espanhol&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Adolfo Morales de los Rios y Garcia de Pimentel</p>
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<p>No Brasil, participou de obras de saneamento, de construção de estradas, tendo sido presidente e diretor da Companhia Auto-Viação Centro de Minas. Em 1897, passou a lecionar na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Em 1901, Morales de los Rios lançou a ideia de fazer uma ponte em estrutura metálica para ligar o Rio a Niterói, mas o projeto não saiu do papel.</p>
<p>Na primeira década do século XX, participou da construção da Avenida Central, cuja abertura foi uma das principais marcas da reforma urbana que ficou conhecida como o <em>bota-abaixo, </em>realizada, entre 1902 e 1906, pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos (1836 – 1913). Essas transformações foram definidas por Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), autor da seção “Binóculo”, da <em>Gazeta de Notícias</em>, com a máxima “O Rio civiliza-se”, que se tornou o <em>slogan</em> da reforma urbana carioca. Essa intervenção urbana tornou o Rio uma cidade cosmopolita, moderna. Dos mais de 80 prédios da Avenida Central, 17 saíram da prancheta de Morales de los Rios &#8211; hoje de seus projetos para a avenida só restaram os prédios que são os tema deste artigo.</p>
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<div id="attachment_38888" style="width: 343px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/680" target="_blank"><img class="size-full wp-image-38888" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/tribunal1.jpg" alt="Fon-Fon, 25 de abril de 1908" width="333" height="515" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/680" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 25 de abril de 1908</a></p></div>
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<p>Morales de los Rios era também interessado em antropologia e tentou compreender <em>ritos de feitiçaria, mitologia e história, e métodos construtivos dos “povos primitivos”, e entre estes estavam os índios brasileiros, que ocuparam um espaço especial em seus estudos, sobretudo em “Ôka, Taba, Tabajara” (MORALES DE LOS RIOS, Adolfo. Ôka, Taba, Tabajara.<b> </b>Documentação manuscrita, IHGB): um “tratado” sobre a arquitetura indígena.</em></p>
<p align="JUSTIFY">Em janeiro de 1915, publicou seis artigos intitulados <em>Uma questão importante</em> &#8211; <em>A primitiva fundação da cidade</em> no jornal <em>A Noite &#8211; </em><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_01/5738" target="_blank">25 de janeiro</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_01/5744" target="_blank">26 de janeiro</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_01/5750" target="_blank">27 de janeiro</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_01/5756" target="_blank">28 de janeiro</a>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_01/5768" target="_blank">30 de janeiro</a> e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_01/5774" target="_blank">31 de janeiro</a>. Na seção &#8220;Reportagens Íntimas&#8221; da revista <em>Fon-Fon</em>, publicação de uma entrevista com Morales de los Rios (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/259063/28428" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 18 de agosto de 1917</a>).</p>
<p>Projetou cerca de quatro mil obras no Brasil, dentre elas a Basílica do Imaculado Coração de Maria, no Méier, tombada pelo município, em 2009, e única igreja em estilo neomourisco na cidade; o Palácio São Joaquim, na Rua da Glória, em estilo eclético e construído, em 1918, para ser a residência do primeiro arcebispo do Rio, cardeal pernambucano dom Joaquim Arcoverde Cavalcanti de Albuquerque (1850 &#8211; 1930).</p>
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<div id="attachment_41301" style="width: 380px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.basilicacoracaodemaria.com/nossa-historia" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41301" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/morales1.jpg" alt="Basílica do Imaculado Coração de Maria. Méier, Rio de Janeiro / Site Basílai do Imaculado Coração de Maria" width="370" height="309" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.basilicacoracaodemaria.com/nossa-historia" target="_blank">Basílica do Imaculado Coração de Maria. Méier, Rio de Janeiro / Site Basílica do Imaculado Coração de Maria</a></p></div>
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<p>Faleceu em 3 de setembro de 1928, na Casa de Saúde Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, e foi enterrado no Cemitério São João Batista (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_03/36288" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 4 de setembro de 1928, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_05/35311" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 5 de setembro de 128, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/025909_02/16614"><em>Revista da Semana</em>, 8 de setembro de 1928</a>). Foi casado com Maria Cuadras (18? -19?) e teve um filho, o também arquiteto Adolfo Morales de los Rios Filho (1887-1973), e duas filhas, Eugênia (18? -19?) e Margarita (18? -19?)<strong>.</strong></p>
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<div id="attachment_40601" style="width: 262px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_03/36288" target="_blank"><img class="size-full wp-image-40601" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/morales.jpg" alt="Morales de los Rios  / Correio da Manhã, 4 de setembro de 1928" width="252" height="434" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_03/36288" target="_blank">Morales de los Rios / Correio da Manhã, 4 de setembro de 1928</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Outros prédios projetados por Adolfo Morales de los Rio representados no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica</strong></em></span></p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Jornal <em>O Paiz</em> (demolido)</strong></span></p>
<div style="width: 713px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9546" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9546/002080Vol05Cx0112.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="703" height="295" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9546" target="_blank">Guilherme Santos. Prédio da sede do jornal O Paiz; na Avenida Rio Branco, esquina com a Rua 7 de Setembro, c. 1925. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Parque de Diversões da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, em 1922 (demolido)</strong></span></p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7764" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7764/001ATK012008.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7764" target="_blank">Thiele &amp; Kollien. Exposição Internacional do Centenário da Independência &#8211; Parque de Diversões, 1922. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A convite dos organizadores da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17940" target="_blank">Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil</a>, realizada, em 1922, no Rio de Janeiro, escreveu o artigo <em>Resumo monográfico da evolução da arquitetura no Brasil (1922/1923)</em>, que foi publicado no <a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_obrasraras/bndigital0447/bndigital0447.html#page/1/mode/1up" target="_blank"><em>Livro de Ouro Comemorativo do Centenário da Independência e da Exposição Internacional do Rio de Janeiro</em></a> &#8211; pág 97 a 103.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Palácio São Joaquim, construído entre 1912 e 1918</strong></span></p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10128" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10128/007_IMG_3533.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="347" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10128" target="_blank">Marc Ferrez. Palácio São Joaquim, c. 1912. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
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<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Fontes</strong></span>:</a></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><em>O GLOBO</em>, <a href="https://oglobo.globo.com/rio/design-rio-arquitetura-carioca-com-sotaque-espanhol-18400187" target="_blank">3 de janeiro de 2016</a> e <a href="https://oglobo.globo.com/rio/especial/fechado-ha-quatro-anos-para-obras-um-novo-museu-nacional-de-belas-artes-esta-surgindo-veja-como-esta-a-reforma.ghtml" target="_blank">30 de junho de 2024</a></p>
<p>RAMOS, Renato Menezes (org.). <a href="http://www.dezenovevinte.net/txt_artistas/persa_rmr.htm" target="_blank"><em>O Restaurante Assyrio é Persa&#8230; e o Café Mourisco também, de Adolfo Morales de los Rios: Comentários e Anotações</em></a>. 19&amp;20, Rio de Janeiro, v. VI, n. 2, abr./jun. 2011</p>
<p>RICCI, Claudia Thurler.<a href="http://www.dezenovevinte.net/arte%20decorativa/ad_mlr_ctr.htm"><em> Sob a inspiração de Clio: O Historicismo na obra de Morales de los Rio</em>s</a><span style="font-size: small;">. </span>19&amp;20<span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">, </span>Rio de Janeiro, v. II, n. 4, out. 2007.</p>
<p><a href="https://ccjf.trf2.jus.br/sobre-o-ccjf/o-ccjf" target="_blank">Site Centro Cultural da Justiça Federal</a></p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/18229-adolfo-morales-de-los-rios" target="_blank">Site Enciclopédia Itáu Cultural</a></p>
<p><a href="https://www.gov.br/museus/pt-br/museus-ibram/mnba/assuntos/noticias/mnba-em-obras" target="_blank">Site Ibram</a></p>
<p><a href="https://ims.com.br/titular-colecao/chico-albuquerque/" target="_blank">Site Instituto Moreira Salles</a></p>
<p><a href="https://www.museusdorio.com.br/site/index.php/museus-cidade-do-rio/area-de-planejamento-1/item/69-museu-nacional-de-belas-artes-mnba" target="_blank">Site Museus do Rio</a></p>
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		<title>Memórias da saúde pública pelas lentes de Augusto Malta</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jun 2025 12:26:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[Curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Malta]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital Municipal Souza Aguiar]]></category>
		<category><![CDATA[Posto Central de Assistência Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>

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		<description><![CDATA[As bibliotecárias Luciana F. Lau e Danielle Barreiros e o arquivista Fabio Carvalho, todos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, desde 2024 uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são os autores da publicação "Memórias da saúde pública pelas lentes de Augusto Malta" sobre a história do atendimento de emergência no Rio de Janeiro e a criação, em 1907, do Posto Central de Assistência Pública, origem do atual Hospital Municipal Souza Aguiar. Segundo o artigo, Malta "com suas técnicas fotográficas, que combinavam precisão documental e sensibilidade artística, deixou um legado que nos permite refletir sobre a fotografia urbana como instrumento indispensável para a preservação da memória das cidades, incluindo a memória da saúde pública".]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As bibliotecárias Luciana F. Lau e Danielle Barreiros e o arquivista Fabio Carvalho, todos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, desde 2024 uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são os autores da publicação <em>Memórias da saúde pública pelas lentes de Augusto Malta</em> sobre a história do atendimento de emergência no Rio de Janeiro e a criação, em 1907, do Posto Central de Assistência Pública, origem do atual Hospital Municipal Souza Aguiar. Segundo o artigo, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864 &#8211; 1957) </a><em>com suas técnicas fotográficas, que combinavam precisão documental e sensibilidade artística, deixou um legado que nos permite refletir sobre a fotografia urbana como instrumento indispensável para a preservação da memória das cidades, incluindo a memória da saúde pública</em>. Ele foi o fotógrafo oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro, cargo criado para ele, entre 1904 e 1936, quando se aposentou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>Memórias da saúde pública pelas lentes de Augusto Malta</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong>Luciana Lau, Danielle Barreiros e Fábio Carvalho*</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39850" style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13215" target="_blank"><img class=" wp-image-39850" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/souza-aguiar.jpg" alt="Augusto Malta. Hospital Souza Aguiar, 19 de outubro de 1925. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IBGE" width="700" height="545" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13215" target="_blank">Augusto Malta. Hospital Souza Aguiar, 19 de outubro de 1925. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IBGE</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No início do século XX, o Rio de Janeiro, então capital da República, transformava-se em um grande canteiro de obras. Com o propósito de civilizar e modernizar a cidade, o prefeito Pereira Passos (1902-1906) promoveu reformas radicais que alteraram para sempre sua paisagem urbana e social. Essas transformações, marcadas tanto pelo progresso quanto por profundas desigualdades, foram meticulosamente registradas pelas lentes de Augusto Malta (1864-1957), fotógrafo oficial da prefeitura e principal cronista visual dessa era de mudanças e de paisagens efêmeras de uma cidade em transição. Com suas técnicas fotográficas, que combinavam precisão documental e sensibilidade artística, deixou um legado que nos permite refletir sobre a fotografia urbana como instrumento indispensável para a preservação da memória das cidades, incluindo a memória da saúde pública.</p>
<p>O ambicioso projeto de modernização de Pereira Passos, popularmente conhecido como &#8220;bota-abaixo&#8221;, tinha como objetivo sanear e embelezar a capital federal, seguindo os moldes das grandes metrópoles europeias.</p>
<p>Visando modernizar a saúde pública, em sua gestão, Pereira Passos determinou a criação de postos médicos nas Agências Municipais, sendo possível entrever a possibilidade de atendimento emergencial na cidade do Rio de Janeiro. O então prefeito solicitou  verba para a criação do primeiro grande posto de assistência médica que foi instalado na rua Camerino. O Posto Central de Assistência Pública na Rua Camerino foi a primeira unidade de socorro médico de emergência do município. Tendo suas obras iniciadas em 1906, foi inaugurado em 1º de novembro de 1907 pelo prefeito à época, Francisco Marcelino de Souza Aguiar (1855 &#8211; 1935), sendo futuramente homenageado por esta instituição, que foi denominada Hospital Municipal Souza Aguiar, como a conhecemos atualmente.</p>
<p>Como pioneiro na prestação do serviço de urgência, o Posto teve o desafio de implementar um novo modelo de serviço de emergência, que até aquele momento era realizado por farmácias e médicos particulares.</p>
<p>A implementação do novo processo de atendimento de urgência teve como desafio inicial modificar o comportamento dos cidadãos, que após sofrerem algum incidente na rua ou em casa, queriam ser atendidos somente pelos farmacêuticos e médicos particulares, pois esse era o hábito da população. E também porque estranhavam e até “desconfiavam” das ambulâncias brancas, pedindo passagem pela cidade, e do fato de serem levados para um hospital, um lugar desconhecido. Assim, a fim de familiarizar a população com o novo modelo de atendimento de emergência, foi realizada uma estratégia de marketing recomendada por Dr. Paulino Werneck (18? &#8211; 19?), superintendente do Posto Central de Assistência, chamada de “ensaios de socorro” na qual pessoas caiam pelas ruas e recebiam atendimento emergencial por meio das ambulâncias. A estratégia mostrou-se efetiva e as ambulâncias passaram a ser chamadas de “mãe carinhosa”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39855" style="width: 448px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge.jpg"><img class="wp-image-39855 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge.jpg" alt="ibge" width="438" height="314" /></a><p class="wp-caption-text">Ensaio de socorro / DISTRITO FEDERAL (BRASIL), 1922, p. 248</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em pouco tempo a quantidade de chamados de urgência aumentaram e o Posto Central de Assistência já não conseguia atender as solicitações recebidas, tornando-se necessário ampliar sua capacidade de atendimento.</p>
<p>Desta forma, o prefeito Souza Aguiar decidiu transferir o Posto Central para um novo endereço na Praça da República.  Coube ao prefeito general Inocêncio Serzedelo Corrêa (1858 &#8211; 1932), depois de determinar que fossem feitas ampliações no edifício, inaugurar o Posto em 17 de outubro de 1910. <em>“O prédio tinha três pavimentos e estava equipado com o que havia de mais moderno”</em> (RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 23).</p>
<p>Após a inauguração houve diversas ampliações e reconfigurações dos espaços. Em 1921, após reformulações nos serviços de assistência pública da capital, a Lei n.º 2.401 de 22 de janeiro determinava em seu artigo 28, a construção urgente de um Hospital de Pronto Socorro em anexo ao Posto Central, para a qual já havia verba consignada de mil contos de réis.  O Hospital do Pronto Socorro foi finalmente inaugurado no dia 20 de setembro de 1925.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39856" style="width: 474px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=799670&amp;pesq=hospital%20do%20prompto%20soccorro&amp;pasta=ano%20192&amp;hf=memoria.bn.gov.br&amp;pagfis=6708" target="_blank"><img class="wp-image-39856 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge1.jpg" alt="ibge1" width="464" height="290" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=799670&amp;pesq=hospital%20do%20prompto%20soccorro&amp;pasta=ano%20192&amp;hf=memoria.bn.gov.br&amp;pagfis=6708" target="_blank"><em>A União</em> (RJ), 24/09/1925</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sobre o novo Hospital de Pronto Socorro inaugurado em 1925 comentou-se:</p>
<p><em>&#8220;[&#8230;] atendia, de modo satisfatório, aos reclamos da população, visto que se achava bem aparelhado e instalado para aquela época, como também situado em local de grande concentração populacional. Porém, dentro de pouco tempo, verificou-se a insuficiência de recursos do Hospital, tanto no que se relacionava com as suas possibilidades técnicas, como materiais, para o atendimento da população que crescia rapidamente&#8221;</em>(RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 39).</p>
<p>Augusto Malta registra mais uma imagem do Posto Central na Praça da República revelando o poder da fotografia como guardiã da memória urbana:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39857" style="width: 497px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13411" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39857" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge2.jpg" alt="Augusto Malta. Assistência Pública" width="487" height="543" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13411" target="_blank">Augusto Malta. Assistência Pública Municipal. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IBGE</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na gestão do interventor Pedro Ernesto (1884 &#8211; 1942), foi inaugurada uma maternidade no Hospital de Pronto Socorro, com o objetivo de ampliar sua área de atuação junto à população.  E houve a unificação dos serviços do antigo Posto Central de Assistência e do Hospital de Pronto Socorro, permanecendo o último nome.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39858" style="width: 405px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge3.jpg"><img class="wp-image-39858 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge3.jpg" alt="ibge3" width="395" height="293" /></a><p class="wp-caption-text">Prefeito Pedro Ernesto em visita ao Hospital de Pronto Socorro / RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 53</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Novos planos para reforma do Hospital de Pronto Socorro surgiram com o professor Clementino Fraga (1880 &#8211; 1971) à frente da Secretaria-Geral de Saúde e Assistência. Previa-se a instalação de 300 leitos e a aquisição de novas ambulâncias no projeto do novo hospital.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39859" style="width: 454px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge4.jpg"><img class="size-full wp-image-39859" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge4.jpg" alt="Projeto do novo hospital / RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 57" width="444" height="429" /></a><p class="wp-caption-text">Projeto do novo hospital / RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 57</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 2 de junho de 1955, enquanto o novo hospital ainda estava em construção, o prefeito Alim Pedro (1907 &#8211; 1975), no centenário do nascimento de Souza Aguiar, deu ao Hospital do Pronto Socorro, o nome de Hospital Geral Souza Aguiar em reconhecimento. Em 1962, por meio da Lei n.º 279, o hospital passa a ser chamado Hospital Estadual Souza Aguiar e, posteriormente, torna-se Hospital Municipal Souza Aguiar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39860" style="width: 404px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge5.jpg"><img class="wp-image-39860 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge5.jpg" alt="ibge5" width="394" height="354" /></a><p class="wp-caption-text">Um busto em homenagem a Francisco Marcelino de Souza Aguiar está no segundo andar da Biblioteca Nacional em exposição permanente</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na edificação do novo hospital, por se tratar de uma construção de grandes proporções, as novas instalações entraram em funcionamento em etapas, à medida em que eram finalizadas e tinham condições de serem utilizadas. Até que em 04 de novembro de 1968, o novo prédio do Hospital Souza Aguiar foi inaugurado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39861" style="width: 614px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge6.jpg"><img class="wp-image-39861 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge6.jpg" alt="ibge6" width="604" height="343" /></a><p class="wp-caption-text">Hospital Souza Aguiar / RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 113</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Porém as obras de melhorias no Hospital Souza Aguiar não pararam, conforme discursa o governador Negrão de Lima, mais obras seriam realizadas até que ele ficasse à altura dos melhores hospitais (LIMA, Negrão de., 1965/1970), sendo considerado hoje  o hospital com a maior emergência pública do Rio de Janeiro e da da América do Sul.  Além disso, seu edifício atual, projetado pelo arquiteto Ary Garcia Roza (1911 &#8211; 1999), é considerado patrimônio da cidade e foi tombado em 2009. Possui belíssimas obras do artista e paisagista Roberto Burle Marx (1909 &#8211; 1994), como o painel interno de pedras e o muro escultório.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39862" style="width: 408px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge7.jpg"><img class="size-full wp-image-39862" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/ibge7.jpg" alt="Hospital Souza Aguiar. Mural de pedras." width="398" height="379" /></a><p class="wp-caption-text">Hospital Souza Aguiar. Mural de pedras.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>** Luciana F. Lau e Danielle Barreiros são bibliotecárias e Fabio Carvalho é arquivista do IBGE.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Referências:</strong></span></p>
<p>ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. <a href="https://www.academia.org.br/academicos/ivo-pitanguy/biografia" target="_blank"><em>Ivo Pitanguy: bibliografia.</em></a> Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2017.</p>
<p><em>A UNIÃO.</em> <a href="%20https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=799670&amp;Pesq=hospital%20prompto%20soccorro&amp;pagfis=6708" target="_blank"><em>Rio das Ostras, RJ: [s.n.].</em></a> Semanal. Acesso em: 2 abr. 2025.</p>
<p>DISTRITO FEDERAL (BRASIL). PREFEITURA. <em>Assistência pública e privada no Rio de Janeiro (Brasil): história e estatística: commemoração do centenário da independência nacional.</em> Rio de Janeiro: Typ. do Annuario do Brasil, 1922. 912 p.</p>
<p>LIMA, Negrão de (Governador).<a href="https://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4203407/4101341/07_discursos.pdf" target="_blank"> <em>Discursos: Visita às Novas Instalações do Hospital Souza Aguiar de [1965/1970]</em>.</a> Rio de Janeiro, RJ: [s. n.], [1965/1970]. Acesso em: 06 de março de 2025.</p>
<p>RIO DE JANEIRO (Estado). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS. <em>Assistência pública: Guanabara : 80 anos de história</em>. Rio de Janeiro: Secretaria de Saúde do Estado da Guanabara, Superintendência de Serviços Médicos, 1972. 408 p.</p>
<p>SERVIÇO DE UROLOGIA. <a href="https://urologiasouzaaguiar.com.br/sobre" target="_blank"><em>Hospital Souza Aguiar: experiência em atendimentos de urgência e emergência.</em></a> [<em>S. l.</em>]: Serviço de Urologia, 2023. Acesso em: 06 de março de 2025.</p>
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		<title>O Rio de Janeiro é a nova Capital Mundial do Livro</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2025 03:27:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Efemérides]]></category>
		<category><![CDATA[Capital Mundial do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje, quando é comemorado o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, o Rio de Janeiro assume o posto de Capital Mundial do Livro. A Brasiliana Fotográfica celebra esse evento destacando uma fotografia de autoria de Antonio Luiz Ferreira da sala de trabalho da Seção de Impressos da antiga sede da Biblioteca Nacional, uma das fundadoras do portal e a mais antiga instituição cultural do Brasil. O Rio é a primeira cidade de língua portuguesa escolhida para receber este título. Atualmente, o português é falado por cerca de 280 milhões de pessoas distribuídas por todos os continentes, sendo o quarto idioma mais falado no mundo como língua materna. A escolha é feita pela UNESCO, que desde 2001 designa uma cidade que se "compromete a realizar atividades com o objetivo de incentivar uma cultura de leitura e difundir os valores da Rede em todas as idades e grupos populacionais, dentro e fora das fronteiras nacionais". ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, quando é comemorado o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, o Rio de Janeiro assume o posto de Capital Mundial do Livro. É a primeira cidade de língua portuguesa escolhida para receber este título, um reconhecimento da excelência de seus programas de promoção da leitura. Atualmente, a língua portuguesa é falada por cerca de 280 milhões de pessoas distribuídas por todos os continentes, sendo o quarto idioma mais falado no mundo como língua materna. No dia 5 de maio é celebrado o Dia da Língua Portuguesa nas Nações Unidas.</p>
<p>A cerimônia da entrega do título ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (1969-), pelas mãos da prefeita de Estrasburgo, Jeanne Barseghian (1980-) aconteceu no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes. Foi realizado um espetáculo musical que narrou a história da língua portuguesa e reverenciou grandes nomes da literatura. A celebração misturou tecnologia, literatura e expressões artísticas populares.</p>
<p>Em sua fala, o prefeito destacou a Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana  Fotográfica e a mais antiga instituição cultural do Brasil, criada por dom João VI (1767 &#8211; 1826), em 1810. Possui um acervo de cerca de 9 milhões de itens e foi considerada pela UNESCO como uma das principais bibliotecas nacionais do mundo.</p>
<p><em>“— É um ano fundamental. O Rio já foi capital de muita coisa. Agora, é capital dos leitores — afirmou Paes. — Temos o Real Gabinete Português, a <span style="color: #993366;"><strong>Biblioteca Nacional</strong></span>, a Academia Brasileira de Letras. Os grandes escritores brasileiros todos passaram por aqui.”.</em></p>
<p>A escolha do Rio de Janeiro como Capital Mundial do Livro foi feita pela UNESCO &#8211; Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura -, que desde 2001 designa uma cidade &#8220;<em>que se compromete a realizar atividades com o objetivo de incentivar uma cultura de leitura e difundir os valores da Rede em todas as idades e grupos populacionais, dentro e fora das fronteiras nacionais. Através do programa WBC, a UNESCO reconhece o compromisso de uma cidade em promover livros e fomentar a leitura durante um período de 12 meses (entre um Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, 23 de Abril, e o seguinte), bem como no futuro&#8221;.</em></p>
<p>A Associação Internacional de Editores (IPA), a Federação Europeia e Internacional de Livreiros (EIBF), o Fórum Internacional de Autores (IAF) e a Federação Internacional de Associações de Bibliotecas (IFLA) são membros do Comitê Consultivo da Capital Mundial do Livro da UNESCO. Por ter sido escolhida Capital Mundial do Livro, o Rio de Janeiro entra para uma rede de cooperação internacional com as cidades dos anos anteriores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39012" style="width: 485px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2023/10/04/rio-e-escolhido-capital-mundial-do-livro-em-2025.ghtml" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39012" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/capitaldolivro1.jpg" alt="Carta enviada pela UNESCO à Prefeitura do Rio de Janeiro" width="475" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2023/10/04/rio-e-escolhido-capital-mundial-do-livro-em-2025.ghtml" target="_blank">Carta enviada pela UNESCO à Prefeitura do Rio de Janeiro, informando sobre a escolha da cidade para ser a Capital do Livro de 2025, 4 de outubro de 2023</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica celebra esse evento destacando uma fotografia da sala de trabalho da Seção de Impressos da antiga sede da Biblioteca Nacional, que ficava na Rua do Passeio. A imagem faz parte do <em>Album de vistas da Bibliotheca Nacional, </em>de autoria de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22999" target="_blank">Antonio Luiz Ferreira (18? &#8211; 19?)</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3310" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3310/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="527" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3310" target="_blank">Antonio Luiz Ferreira. Biblioteca Nacional na Rua do Passeio : sala de trabalho da Secção de Impressos, 1902. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pouco se sabe, até o momento, da vida  pessoal de Antonio Luiz Ferreira. Provavelmente iniciou suas atividades como fotógrafo na década de 1880 e o último registro da existência de seu ateliê fotográfico verificado pela pesquisa da Brasiliana Fotográfica é de 1904. Apesar de sua carreira discreta, Ferreira é considerado um importante fotógrafo do século XIX por ter documentado cenas ligadas às celebrações pela abolição da escravatura em 1888 como a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6963" target="_blank">Assinatura da <em>Lei Áurea no Paço Imperial</em>,</a> em 13 de maio de 1888; e a <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1795" target="_blank">Missa Campal de 17 de maio de 1888</a></em>. As imagens captadas por ele nessas ocasiões tão marcantes da história do país caracterizaram-se pela expressividade dos rostos retratados, decorrência, provavelmente, da relevância do acontecimento histórico e do fascínio causado pela própria presença da câmara fotográfica.</p>
<p>Em 1902, foram publicados dois álbuns realizados por Antonio Luiz Ferreira, que havia sido contratado para documentar o edifício sede da Biblioteca Nacional, na Rua do Passeio, onde a instituição permaneceu até 1910. Um, com as cópias em papel albuminado e outro, com as cópias produzidas em platina, que apresentam melhores atributos de estabilidade e permanência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Retrospectiva das cidades que já foram Capital Mundial do Livro</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">2001 &#8211; Madri, Espanha</p>
<p style="text-align: center;">  2002 &#8211; Alexandria, Egito</p>
<p style="text-align: center;">2003 &#8211; Nova Deli, Índia</p>
<p style="text-align: center;">    2004 &#8211; Antuérpia, Bélgica</p>
<p style="text-align: center;">2005 &#8211; Montreal, Canadá</p>
<p style="text-align: center;">2006 &#8211; Turim, Itália</p>
<p style="text-align: center;">2007 &#8211; Bogotá, Colômbia</p>
<p style="text-align: center;">2008 &#8211; Amsterdã, Holanda</p>
<p style="text-align: center;">2009 &#8211; Beirute, Líbano]</p>
<p style="text-align: center;">2010 &#8211; Liubliana, Eslovênia</p>
<p style="text-align: center;">2011 &#8211; Buenos Aires, Argentina</p>
<p style="text-align: center;">2012 &#8211; Erevan, Armênia</p>
<p style="text-align: center;">2013 &#8211; Bangkok, Tailândia</p>
<p style="text-align: center;">2014 -Port Harcourt, Nigéria</p>
<p style="text-align: center;">2015 &#8211; Incheon, Coreia do Sul</p>
<p style="text-align: center;">2016 &#8211; Breslávia, Polônia</p>
<p style="text-align: center;">2017 &#8211; Conacri, Guné</p>
<p style="text-align: center;">2018 &#8211; Atenas, Grécia</p>
<p style="text-align: center;">2019 &#8211; Xarja, Emirados Árabes Unidos</p>
<p style="text-align: center;">2020 &#8211; Kuala Lumpur, Malásia</p>
<p style="text-align: center;">2021 &#8211; Tbilisi, Geórgia</p>
<p style="text-align: center;">2022 &#8211; Guadalajara, México</p>
<p style="text-align: center;">2023 &#8211; Acra, Gana</p>
<p style="text-align: center;">2024 &#8211; Estrasburgo, França</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao longo do próximo ano, uma extensa programação focada em livros e literatura vai tomar acontecer no Rio de Janeiro. Será ancorada por cinco grandes ações: a Bienal do Livro, a Noite com Livros, o Book Parade Rio 2025, o Rio de Livros e a Academia Editorial Jr.. Haverá também uma inédita edição carioca do Prêmio Jabuti, além da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e outras festas e feiras, como as de Santa Teresa e de Santa Cruz.</p>
<p>A marca, lançada no dia 11 de abril de 2025 em uma cerimônia no Real Gabinete e Leitura , e o <em>slogan</em> do evento foram escolhidos pela Academia Brasileira de Letras.<em> O Rio de Janeiro continua lendo</em> faz referência ao clássico <em>Aquele Abraço</em>, do imortal Gilberto Gil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/marca.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-39606" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/marca.jpg" alt="marca" width="281" height="394" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A próxima Capital Mundial do Livro será Rabat, em Marrocos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse artigo foi atualizado em 24 de abril de 2025.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><em>Extra</em>, 12 de abril de 2025</p>
<p><em>O GLOBO</em>, 10 de abril de 2025</p>
<p><a href="https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2025/04/23/rio-e-a-capital-mundial-do-livro-e-da-inicio-a-ano-de-celebracoes-literarias-com-espetaculo-e-homenagens.ghtml" target="_blank"><em>O GLOBO</em>, 23 de abril de 2025</a></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2023/10/04/rio-e-escolhido-capital-mundial-do-livro-em-2025.ghtml" target="_blank">Site G1</a></p>
<p><a href="https://internationalpublishers.org/rio-de-janeiro-announced-as-the-2025-unesco-world-book-capital/" target="_blank">Site IPA</a></p>
<p><a href="https://prefeitura.rio/cultura/rio-e-a-primeira-cidade-de-lingua-portuguesa-escolhida-pela-unesco-para-ser-capital-mundial-do-livro/" target="_blank">Site Prefeitura do Rio de Janeiro</a></p>
<p><a href="https://www.unesco.org/en/world-book-capital-network" target="_blank">Site UNESCO</a></p>
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		<title>Série “Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica” VI &#8211; O &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221; por Cássio Loredano</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Mar 2025 11:52:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[Curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Balança-mas-não-cai]]></category>
		<category><![CDATA[Cássio Loredano]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[prédio]]></category>
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		<description><![CDATA[Pela terceira vez o jornalista e caricaturista Cássio Loredano escreve para a Brasiliana Fotográfica. Desta vez, o assunto do sexto artigo da série “Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica” é o prédio "Balança-mas-não-cai". Cássio conta um pouco da história do emblemático complexo de três edifícios localizado, na Avenida Presidente Vargas, inaugurada no Centro do Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1944. Também estão destacadas imagens de igrejas que foram demolidas para a construção da avenida. O acervo fotográfico dos Diários Associados – Rio de Janeiro, foi incorporado, em 2016, por um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica, o Instituto Moreira Salles (IMS).]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Pela terceira vez o jornalista e caricaturista Cássio Loredano escreve para a Brasiliana Fotográfica. Desta vez, o assunto do sexto artigo da série<em> Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica</em> é o prédio &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221;. Cássio conta um pouco da história do emblemático complexo de três edifícios localizado, na <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27822" target="_blank">Avenida Presidente Vargas</a>, inaugurada no Centro do Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1944 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/030015_06/29331" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 8 de setembro de 1944</a>). Também estão destacadas imagens de igrejas que foram demolidas para a construção da avenida. O acervo fotográfico dos Diários Associados – Rio de Janeiro, foi incorporado, em 2016, por um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica, o Instituto Moreira Salles (IMS).</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>O &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221; por Cássio Loredano</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">Cássio Loredano*</p>
<p> São três aqueles prédios da avenida Presidente Vargas, no Rio, que a cidade se acostumou a ver como único e a que deu apelido no singular: &#8220;Balança&#8221;, na intimidade; por extenso, &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221;. São esses siameses os edifícios Prefeito Frontin, Maipú e Onze de Junho. Existem na coleção <i>Diários</i> <i>Associados</i> do acervo do Instituto Moreira Salles ao menos três imagens mostrando que o conjunto formado pela pequena quadra entre a avenida e as ruas Santana, Gustavo Barroso e Frederico Silva subiu um terço de cada vez, três fotos que comunicam a quem as vê uma sensação esquisita de desconforto: como assim aquilo não ter sido desde sempre uma coisa só?</p>
<div>
<p>A foto em que aparece apenas um dos prédios, o Prefeito Frontin, é do desfile militar que acontece todo 7 de setembro, neste caso o de 1947.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13327" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13327/036ADIAA0008F003.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="536" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13327" target="_blank">Dia da Independência do Brasil Sete de Setembro, 7 de setembro de 1947. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) &#8211; Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>E as que mostram já dois, faltando ainda o Maipú no meio, são as duas de 1951; uma do Carnaval e a outra de pouco depois, em maio, com uma formação de cadetes da Aeronáutica alinhada tendo às costas o Campo de Santana, portanto de frente para o palácio Duque de Caxias, atual comando militar do leste.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38987" style="width: 469px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/loredano2.jpg"><img class="wp-image-38987 " src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/loredano2.jpg" alt="loredano2" width="459" height="279" /></a><p class="wp-caption-text">Carnaval 1951, c. fevereiro de 1951. Praça Onze, Rio de Janeiro / <em> O Jornal</em>,  4 de fevereiro de 1951</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38984" style="width: 471px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/loredano.jpg"><img class="size-full wp-image-38984" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/loredano.jpg" alt="Aviação - Exame de admissão para Aeronáutica, maio de 1951. Centro, Rio de Janeiro" width="461" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Aviação &#8211; Exame de admissão para Aeronáutica, maio de 1951. Centro, Rio de Janeiro / Diários Associados (RJ) &#8211; Acervo IMS</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div></div>
<div>A avenida Presidente Vargas foi aberta na administração do prefeito Henrique Dodsworth, entre 1941 e 1944, arrasando tudo o que estava entre as velhas ruas de São Pedro e do Sabão e, mais adiante, entre Senador Eusébio e Visconde de Itaúna, ao longo do canal do Mangue. Foram vitimados nesse percurso parte do Campo de Santana e a praça Onze de Junho e os largos de São Domingos e do Capim, os três últimos completamente apagados da cartografia. E &#8211; aqui já criminosamente &#8211; as igrejas do Bom Jesus do Calvário, São Domingos e sobretudo a jóia de inexcedível beleza e importância arquitetônica que era a de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26587" target="_blank">São Pedro dos Clérigos</a>.</div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 591px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11688" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11688/037SL03046.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="581" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11688" target="_blank">Igreja da Venerável Ordem Terceira do Senhor Bom Jesus Calvário c. 1915. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9662" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9662/007A5P3F10-053.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="539" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9662" target="_blank">Augusto Malta. Igreja de Santo Domingos, 1926. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11683" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11683/037SL03039.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="519" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11683" target="_blank">Igreja de São Pedro dos Clérigos, c. 1922. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para os paredões que se projetou construir ao longo do novo corredor, estabeleceu-se o gabarito de 22 andares para edifícios de lojas e sobrelojas bem recuadas em relação às fachadas superiores apoiadas sobre pilotis. Critérios observados à risca também pelo &#8220;Balança&#8221;.<br />
&nbsp;<br />
Transferida a capital da República para o planalto central apenas dezesseis anos depois de aberta a avenida, teve início o gradual esvaziamento funcional e econômico do Rio. Arrefeceu o inicial entusiasmo incorporador, que só teve fôlego, do lado ímpar, da Candelária até a esquina da rua Uruguaiana, e, do par, até pouco depois da avenida Passos. De forma que o &#8220;Balança&#8221;, residencial, erguido muito mais longe, ficou completamente isolado de seus primos-ricos de escritórios do começo da avenida. E próximo demais da zona do meretrício do canal do Mangue. Isolamento aquele e proximidade esta as razões de ir sendo então parcialmente ocupado por agentes do lenocínio e do tráfico ilegal de drogas, com os delitos de que essas atividades costumam se fazer acompanhar.<br />
&nbsp;<br />
Daí o apelido. &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221; foi um programa humorístico semanal de Haroldo Barbosa e Max Nunes na Rádio Nacional, entre 1950 e 1967. Divertia a audiência com piadas sobre a convivência caótica nesses cortiços modernos surgidos com a verticalização urbana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39026" style="width: 402px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EeVeoUHz1sI" target="_blank"><img class="wp-image-39026" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/balança.jpg" alt="balança" width="392" height="215" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EeVeoUHz1sI" target="_blank">Programa <em>Balança-mas-não-cai</em> / Youtube</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ultimamente, iniciou-se uma lenta retomada imobiliária da avenida, agora já não mais tomando conhecimento do gabarito original. Chegou o Sambódromo, chegaram oito novos edifícios, entre eles o dos Correios, o Arquivo da Cidade e o &#8220;Piranhão&#8221;, centro administrativo da prefeitura. Chegaram o metrô Estácio e Cidade Nova. Povoaram-se as ruas, encheram-se de comércio e casas de pasto onde aquele formigueiro de funcionários tem que almoçar. Tudo ficou mais caro, aluguéis, por exemplo, fator este que também espanta a turma que vive de expedientes menos rendosos. O &#8220;Balança&#8221; está menos isolado e um tanto mais seguro. Os aluguéis no Prefeito Frontin oscilam entre R$1.500 e R$2.000 em andar mais alto, condomínio a R$450. No 4º andar esteve um apartamento à venda por R$270 mil e outro no 13º  por R$450 mil. No Maipú é tudo mais em conta. No Onze de Junho, mais silencioso ao ser de fundos, um quarto-e-sala está na base de R$1.200 o aluguel, e R$1.500 um 2-quartos, condomínio a R$540.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Cássio Loredano é jornalista e caricaturista. E, sobretudo, um apaixonado pelo Rio de Janeiro e suas histórias.</p>
</div>
<p>Assista <span style="color: #800000;"><strong><a style="color: #800000;" href="https://www.youtube.com/watch?v=0scPQnGye5U" target="_blank">aqui</a></strong></span> a entrevista que o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, fez com Cássio Loredano, em 24 de setembro de 2024, a 41ª edição dos <em>Depoimentos Cariocas</em>, a série que vem registrando as memórias e reflexões de cariocas sobre o Rio de Janeiro. Foi gravada no apartamento de Cássio, no bairro de Laranjeiras, e foi conduzida pelo Coordenador de Promoção Cultural do Arquivo, Pedro Paulo Malta, com participações especiais do jornalista Álvaro Costa e Silva, do professor e crítico de arte Luiz Camillo Osorio e do cartunista Miguel Paiva.</p>
</div>
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